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Numero do processo: 13888.001844/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2007
GFIP. DEIXAR DE INFORMAR.
Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de informar
mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e
Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos
geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse
do mesmo, conforme previsto na Legislação.
CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Incide contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura
de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados
por intermédio de cooperativas de trabalho.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador,
cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos
moldes da legislação em vigor.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais CARF
afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos
termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da
constitucionalidade e não cabe ao julgador no âmbito do contencioso
administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no
ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser
relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção
da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver
nenhuma circunstância agravante.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL.
APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratandose
de ato não definitivamente
julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei
vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a
apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse
necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte
que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para redução da multa aplicada, nos termos do artigo 32A
da
Lei n° 8.212/91.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2007 GFIP. DEIXAR DE INFORMAR. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Legislação. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Incide contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.001844/200766 Acórdão n.º 2402001.655 S2C4T2 Fl. 289 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 150, §4° do CTN. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausentes os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.001844/200766 Acórdão n.º 2402001.655 S2C4T2 Fl. 290 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA), bem como diferenças de acréscimos legais. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 95/99), os fatos geradores ocorreram com o pagamento de remunerações a segurados empregados; remunerações pagas aos sócios administradores a titulo de prólabore, remunerações pagas a contabilista autônomo; e remunerações pagas a prestadores de serviços autônomos. A auditoria fiscal informa que a empresa deixou de apresentar a Escrituração Contábil (Livros Diário e Razão). Sendo optante pelo regime de tributação pelo Lucro Presumido, estaria dispensada de apresentar estes livros, desde que apresentasse o Livro Caixa. A empresa apresentou Livro Caixa para todo período, porém, sem observar as formalidades legais mínimas exigíveis, tais como encadernação, termos de abertura e encerramento, assinatura dos responsáveis legais pela empresa e pela contabilidade. O Livro Caixa também continha registro a menor de faturamento, ou seja, subfaturamento, ou mesmo ausência de registros de notas fiscais emitidas e ausência de registros de prólabore, situações que ensejaram a lavratura do Auto de Infração 37.071.2447. Concluiu o agente fiscal que não obstante ter apresentado Livro Caixa irregular, a empresa não poderá se eximir da responsabilidade pelos fatos geradores ali consignados. Parte dos fatos geradores em questão não foram declarados em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e foram aproveitados em favor da empresa todas as guias existentes, inclusive as oriundas de retenção efetuada por tomadores de serviços. A notificada teve ciência do lançamento em 23/03/2007 e apresentou defesa (fls. 119/152). Pelo Acórdão nº 0323.826 (fls. 182/190) a 6ª Turma da DRJ/Brasília (DF), considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 185/220) onde alega nulidade da NFLD sob o argumento de que não haveria especificação de quais remunerações não sofreram retenção. Aduz que o Relatório Fiscal deve propiciar a ampla defesa e o contraditório do contribuinte. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.001844/200766 Acórdão n.º 2402001.655 S2C4T2 Fl. 291 4 Argumenta que o Auditor Fiscal lançou de oficio valores referentes à parte que deveria ser arrecadada pela empresa, mediante retenção sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Argúi a respeito da responsabilidade tributária por substituição, uma vez que o contribuinte (originário) da relação tributária é o empregado, e não o empregador. Este (empregador) apenas tem a obrigação de efetuar a retenção de valores, como "arrecadador" do tributo, e não como contribuinte. Alega que o Auditor Fiscal imputa, equivocadamente, à impugnante o dever de realizar o pagamento de valores a título de Contribuição Previdenciária do empregado como se ele (empregador) fosse o contribuinte, enquanto, na verdade, a impugnante apenas tem obrigação acessória de reter e repassar ao INSS. Considera inconstitucional o art. 30, da Lei n° 8.212/91, face à necessidade de lei complementar para dispor sobre responsabilidade tributária. Sublinha que o Agente Fiscal não apresenta o acontecimento dos fatos geradores do crédito tributário; não informa sobre o pagamento de quais empregados a impugnante não teria recolhido as contribuições; não informa ao menos o número de empregados sob vínculo empregatício que a impugnante manteria, e qual a remuneração por eles percebida. Alega que parte do lançamento estaria abrangida pela decadência. Também alega a inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA, a ilegalidade do SAT, cujos parâmetros de grau de risco foram estabelecidos por decreto e não pela lei. Entende que ao distinguir a aplicação de alíquota de acordo com a atividade preponderante da empresa, o Decreto não acompanha o espírito da lei e que não seria lógico aferir o risco da empresa como um todo, uma vez que várias atividades: podem ser desenvolvidas dentro de uma empresa; atividades que tenham risco leve, e outras com risco considerado grave. Aduz que o enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, podendo o INSS apenas adotar as medidas necessárias à sua correção caso verifique erro no enquadramento realizado pela empresa, e ainda assim, caso isso ocorra, fará notificação da diferença dos valores devidos (§ 6°, do art. 202, do Decreto n° 3.048/99), do que se infere que, não havendo erro no enquadramento realizado pela empresa, a tributação deverá ocorrer sobre a alíquota correspondente. Desta forma, ao aplicar alíquota diferente do enquadramento realizado pela impugnante, o Agente Fiscal agiu contra disposição legal, razão pela qual é nula apresente NFLD. Além disso, na apuração do grau de risco não poderiam ter sido excluídos os empregados que trabalham na atividade meio da impugnante. Entende que não poderiam ter sido cobradas contribuições destinadas ao SEBRAE, SESI e SENAI porque seriam inconstitucionais. Além disso, as contribuição Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.001844/200766 Acórdão n.º 2402001.655 S2C4T2 Fl. 292 5 destinadas ao SEBRAE seriam devidas pelas pequenas e microempresas, o que não seria o caso da recorrente. Alega a inconstitucionalidade da contribuição a cargo da empresa incidente sobre a remuneração de contribuinte individual, bem como da taxa de juros SELIC aplicada. Entende não ser possível a cobrança de correção monetária cumulativamente com a aplicação da taxa de juros SELIC, como também da incidência de juros sobre multa. Após a apresentação do recurso, os autos foram encaminhados a este Conselho. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.001844/200766 Acórdão n.º 2402001.655 S2C4T2 Fl. 293 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Dentre as preliminares apresentadas, a de decadência deve ser verificada. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 03/2000 a 11/2006 e foi efetuado em 23/03/2007, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.001844/200766 Acórdão n.º 2402001.655 S2C4T2 Fl. 294 7 “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.001844/200766 Acórdão n.º 2402001.655 S2C4T2 Fl. 295 8 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase do lançamento de diferenças de contribuições e da análise do relatório Discriminativo Analítico do Débito DAD (fls. 04/21), verificase o aproveitamento de recolhimentos efetuados pelo contribuinte em todas as competências, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.001844/200766 Acórdão n.º 2402001.655 S2C4T2 Fl. 296 9 restando claro que houve antecipação de pagamento, logo aplicase o art. 150, § 4º do CTN para considerar que estão abrangidas pela decadência as competências até 02/2002, inclusive, uma vez que o lançamento ocorreu em 03/2007. A recorrente apresenta também como preliminar a alegação de que a auditoria fiscal não teria efetuado o lançamento de acordo com o art. 142 do CTN levando ao cerceamento de seu direito de defesa e, conseqüentemente, nulidade deste. A alegação acima revelase meramente protelatória e não deve ser acolhida. Quanto à preliminar de cerceamento de defesa, a mesma também não merece melhor sorte. Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, contribuições incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais não recolhidas em sua totalidade pela recorrente. O Relatório Fiscal é claro ao afirmar que os fatos geradores foram apurados a partir de análise das folhas de pagamento, recibos, GFIP e Livro Caixa. Além disso, a quase totalidade dos fatos geradores foram declarados em GFIP pela própria recorrente o que afasta a alegação de desconhecimento de quais segurados foram considerados para a apuração do crédito. Toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica no relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa e nulidade da notificação. No mérito, a recorrente se concentra em atacar a constitucionalidade e a legalidade das contribuições lançadas, bem como a aplicação da taxa de juros SELIC utilizada. Cumpre dizer que todas as contribuições lançadas tiveram amparo em dispositivo legal vigente e não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal sob o argumento de que o mesmo seria inconstitucional. A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.001844/200766 Acórdão n.º 2402001.655 S2C4T2 Fl. 297 10 Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 14/07/2010, por meio da Portaria MF nº 383, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A recorrente apresenta uma série de alegações no sentido de que a auditoria fiscal teria efetuado reenquadramento da alíquota do SAT. A meu ver a argumentação da recorrente não é pertinente e não se refere à situação em questão. Em nenhum momento a auditoria fiscal afirma que a empresa se enquadrava de forma equivocada no grau de risco e por essa razão houve a necessidade de efetuar um reenquadramento. Ao contrário, o que se verifica é que em algumas competências, os recolhimentos efetuados pela recorrente foram suficientes para honrar com a contribuição destinada ao SAT em sua totalidade, levando a inferir que a recorrente já se enquadrava no grau de risco correspondente ao CNAE 45.250 (Montagens Industriais alíquota de 3,0% para o SAT/RAT). Fl. 10DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13888.001844/200766 Acórdão n.º 2402001.655 S2C4T2 Fl. 298 11 Melhor sorte não merece a alegação de que além da taxa de juros SELIC, a auditoria fiscal teria aplicado correção monetária e além disso, teria feito incidir juros sobre a multa aplicada. A alegação acima cai por terra pela simples observância do Relatório Discriminativo Sintético do Débito – DSD, às folhas 22/28 onde se pode verificar que não houve qualquer atualização do valor originário, apenas a aplicação da multa moratória e juros sobre este mesmo valor, não se vislumbrando qualquer incidência de juros sobre a multa aplicada. Assim, como a recorrente não trouxe qualquer argumento suficiente a desconstituir o lançamento remanescente, este deve prevalecer. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 02/2002, inclusive. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 11DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10930.001902/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .0 01 90 2/ 20 08 -8 1 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10930.001902/200881 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.484 S2C2T2 Fl. 39 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 16 a 20, pela qual o saldo de imposto de renda a restituir declarado (R$17.792,74) foi reduzido para R$13.145,24, em decorrência da revisão interna da Declaração de Ajuste Anual, relativa ao anocalendário 2003. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 17 e 18, verificase que foram apuradas as seguintes infrações: 1. omissão de rendimentos do trabalho recebidos da RR Donnelley Moore Editora e Gráfica Ltda, no valor de R$16.000,00; 2. omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de Contribuições à Previdência Privada, Plano Gerador de Benefício Livre e aos Fundos de Aposentadoria Programada Individual, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 900,00. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 1, instruída com os documentos de fls. 2 a 9, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 23 verso): 4. Cientificado do lançamento em 15/05/08, segundo consulta de postagem de fl. 15, o contribuinte ingressou com a impugnação tempestiva de fl. 01, em 19/05/08, alegando, em síntese, que: a) o valor de R$ 16.000,00, apurado pela fiscalização como omissão de rendimentos, referese a honorários advocatícios, sendo que tal valor foi lançado na DAA, no campo Pagamentos e Doações; b) reconhece a omissão do valor de R$ 900,00, ocasionada por lapso quando da elaboração da sua DAA. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0631.573 (fls. 23 e 24), de 06/05/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFRAÇÃO. Mantémse a alteração de ofício da Declaração de Ajuste Anual, que reduz o saldo de Imposto de Renda a restituir, quando constatada omissão de rendimentos tributáveis na declaração apresentada pelo contribuinte. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10930.001902/200881 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.484 S2C2T2 Fl. 40 3 O relator a quo ressalta que (fl. 23 verso): 6. Considerando que o Impugnante não contestou a omissão de R$900,00, apurada pela fiscalização e referente à fonte pagadora HSBC Vida e Previdência (Brasil) S/A, da qual não restou exigência, temse que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação do art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o presente julgamento limitarseá, apenas, à matéria impugnada, ou seja, à omissão de rendimentos no montante de R$ 16.000,00, referente à fonte pagadora RR Donnelley Moore Editora e Gráfica Ltda. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 06/06/2011 (vide AR de fl. 31), o contribuinte apresentou, em 30/06/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 32 a 35, no qual expõe as razões de sua defesa a seguir sintetizadas. 1. O recorrente sustenta que recebeu rendimentos decorrentes de ação judicial por ele impetrada e que contratou o Escritório de Advocacia Barbosa & Aristo SC Advogadas Associadas, pagando a importância de R$16.000,00, a título de honorários advocatícios, conforme notas fiscais já anexadas aos autos (fls. 5 a 7). 2. Discorda do entendimento da decisão recorrida de que as notas fiscais apresentadas não tem valor de recibo, pois alega que são documentos fiscais válidos, cabendo ao fisco o ônus de diligenciar junto ao escritório de advocacia em questão e solicitar as informações necessárias. 3. Invoca os princípios da legalidade e da eficiência da administração pública, para defender que não pode a fiscalização supor, mas deve ela comprovar por meio de dados e fatos concretos, reportandose ao art. 389, inciso I, do Código do Processo Civil. 4. Aduz que o fundamento legal usado pelo relator (art. 73, §1o, do Decreto no 3.000, de 1999) , está carregado de uma subjetividade e de uma discricionariedade que o Direito Tributário repudia. Se insurge quanto ao argumento de que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora e julgadora.” (fl. 34), alegando que o poder discricionário não abrange emitir juízo de valor sobre documentos cuja força probante é reconhecida por lei. Acrescenta “o Recorrente só é obrigado a fazer o que a Lei determina e manda, bem como o agente fiscalizador, e na lei, não há qualquer obrigação no tocante a forma de comprovação, ou seja recibo ou nota fiscal.”(fl. 35). DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 01, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2012, veio digitalizado até à fl. 371. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 24 (fl. 26 da digitalização). Fl. 40DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10930.001902/200881 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.484 S2C2T2 Fl. 41 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A questão submetida a análise por parte deste Colegiado restringese a omissão de rendimentos recebidos da RR Donnelley Moore Editora e Gráfica Ltda, no valor de R$16.000,00. O recorrente alega que o valor apurado pela fiscalização referese aos honorários advocatícios pagos a Barbosa & Aristo SC Advogadas Associadas em virtude de sua atuação na RT5881/98, da 4ª Vara do Trabalho de Maringá, conforme notas fiscais anexadas às fls. 5 a 7. Não se discorda de que a autoridade administrativa está adstrita à execução das atribuições inerentes a seu cargo ou função, devendo proceder de modo a justificar sua investidura e em estrita observância legal, sob pena de responsabilidade funcional, tendo em vista a natureza vinculada e obrigatória da atividade de lançamento (art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN). Outrossim, importa lembrar que o ônus da prova é de quem acusa ou de quem pleiteia algo em face de outra pessoa e, por conseguinte, cabe ao fisco o ônus da prova da infração imputada ao contribuinte, demonstrando e comprovando a ocorrência do fato gerador diretamente vinculado à obrigação fiscal exigida. Contudo, em se tratando de situações em que há a redução da base de cálculo do imposto, direta ou indiretamente, em razão de certos privilégios ou benefícios concedidos pela legislação, compete ao contribuinte comprovar que tem direito a eles, caso contrário, está o fisco autorizado a efetuar as glosas correspondentes. É certo que dos rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial poderão ser deduzidas as despesas necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, desde que sejam pagas pelo beneficiário dos recursos e sem indenização (art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988). Compulsandose os elementos que compõe os autos, verificase que não foi anexado nenhum documento referente aos rendimentos recebidos em decorrência da ação judicial. Consta apenas da declaração apresentada pelo contribuinte referente ao recebimento de rendimentos da “MOORE BRASIL LTDA PROCESSO 5881/98 JUSTIÇA DO TRABALHO”, no valor de R$64.000,00 (vide fl. 11). Por se tratar de dedução da base de cálculo do ajuste anual, cabe invocar o art. 73 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), que estabelece expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar tais deduções, deslocando para ele o ônus probatório. Não se pode olvidar que a legislação tributária “compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, Fl. 41DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10930.001902/200881 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.484 S2C2T2 Fl. 42 5 no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.”(art. 96 do CTN – grifos nossos). Quanto às notas fiscais apresentadas pelo contribuinte (fl. 5 a 7), não se trata de discricionariedade da autoridade lançadora ou julgadora. Não houve questionamento quanto à falsidade do documento fiscal, como alegado pela defesa (art. 389, inciso I, do Código do Processo Civil), mas sim da efetividade do pagamento. As notas fiscais servem para comprovar a prestação do serviço, porém está consignado expressamente que “não vale como recibo” e, portanto, pode sim o fisco requerer a apresentação de um recibo ou documento equivalente comprovando o pagamento da despesa. O julgador a quo alega, também, “mesmo que tais notas fiscais fossem suficientes à comprovação das despesas com advogados, observase que o Impugnante deduziu 100% do honorários na base de cálculo do Imposto de Renda, quando, na verdade, essa dedução restringese apenas à parcela dos honorários havidas em face dos rendimentos tributáveis recebidos na ação trabalhista.” (fl. 24). Observase, contudo, que não há nos autos nada que indique o total dos rendimentos recebidos em decorrência da alegada ação trabalhista e da natureza dos valores recebidos a fim de que se possa evidenciar a existência de pagamento de verbas isentas ou sujeitas a tributação exclusiva na fonte, além das verbas sujeitas à tributação no ajuste anual. Por todo o exposto, diante das dúvidas acima suscitadas e para que se possa se possa formar uma convicção acerca da matéria, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a apresentar: 1. documentação referente a RT5881/98, da 4ª Vara do Trabalho de Maringá, na qual seja possível identificar o total dos rendimentos recebidos, discriminando os valores correspondentes às verbas isentas, sujeitas a tributação exclusiva na fonte e tributadas no ajuste anual, assim como, ateste a atuação de Barbosa & Aristo SC Advogadas Associadas na pendenga judicial; 2. comprovação do efetivo pagamento dos honorários advocatícios correspondente às notas fiscais apresentadas em sua impugnação. Ressaltese que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 42DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720732/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/01/2004, 31/10/2004
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Inexiste vício na decisão recorrida, porquanto no relatório consta que a
impugnante aduz que recolhera aos cofres públicos as importâncias relativas
aos fatos geradores de 10/2003 e 11/2003, e no vestíbulo do voto é observado
que em função dos pagamentos efetuados fica restrito o litígio aos fatos
geradores de 01/2004 e 10/2004.
RECEITAS DE VARIAÇÕES CAMBIAIS NÃO INCLUÍDAS NA BASE
DE CÁLCULO.
A exigência de diferença do PIS proveniente das receitas de variações
cambiais não incluídas na base de cálculo, sem lastro no art. 9º da Lei nº
9.718/98, é indevida, uma vez que a Lei nº 9.718, § 1º do art. 3º, foi declarada
inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 585.235, e como essa
decisão adentrou na sistemática prevista pelo artigo 543B
do Código de
Processo Civil, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos
recursos no âmbito do CARF, com espeque no art. 62A
do Regimento
Interno.
Numero da decisão: 3101-001.099
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a
preliminar de nulidade da decisão recorrida, quanto aos fatos geradores ocorridos em outubro e
novembro de 2003; e, no mérito, quanto aos fatos geradores ocorridos em janeiro e outubro de
2004, dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/01/2004, 31/10/2004 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste vício na decisão recorrida, porquanto no relatório consta que a impugnante aduz que recolhera aos cofres públicos as importâncias relativas aos fatos geradores de 10/2003 e 11/2003, e no vestíbulo do voto é observado que em função dos pagamentos efetuados fica restrito o litígio aos fatos geradores de 01/2004 e 10/2004. RECEITAS DE VARIAÇÕES CAMBIAIS NÃO INCLUÍDAS NA BASE DE CÁLCULO. A exigência de diferença do PIS proveniente das receitas de variações cambiais não incluídas na base de cálculo, sem lastro no art. 9º da Lei nº 9.718/98, é indevida, uma vez que a Lei nº 9.718, § 1º do art. 3º, foi declarada inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 585.235, e como essa decisão adentrou na sistemática prevista pelo artigo 543B do Código de Processo Civil, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, com espeque no art. 62A do Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, quanto aos fatos geradores ocorridos em outubro e novembro de 2003; e, no mérito, quanto aos fatos geradores ocorridos em janeiro e outubro de 2004, dar provimento ao recurso voluntário. Tarásio Campelo Borges Presidente Substituto Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Leonardo Mussi da Silva, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado os Autos de Infração de fls. 02/09 relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, nos valor de R$ 43.833,63 incluindo multa de ofício e juros de mora, correspondente aos períodos de 10/2003, 11/2003, 01/2004 e 10/2004 (fl. 03). A autuação ocorreu em virtude de insuficiência no recolhimento da contribuição, originada de divergências verificadas do cotejo entre os valores declarados na DIPJ e os valores declarados em DCTF, nos períodos acima identificados, provenientes das receitas de variações cambiais não incluídas na base de cálculo, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fl. 03/05, cuja apuração encontrase discriminada no demonstrativo de fl. 03. Ressalta a fiscalização que o contribuinte, no curso do procedimento, promoveu o recolhimento relativo aos meses de 10/2003 e 11/2003. Como enquadramento legal, citaramse os artigos 1º e 3º, da Lei Complementar nº 7, de 1970; artigos 2º, inciso 1, 3º, 8º, inciso 1, e 9º, Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, e arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; (Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 3º, 10 e 22). Irresignado, tendo sido cientificado em 19/10/2007 (fl. 119), o autuado apresentou, em 19/11/2007, acompanhadas dos documentos de fls. 128/150, as suas razões de discordância (fls. 114/127), a seguir resumidas. Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, salienta que a contribuição exigida com fulcro no § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, cujo teor promovia um alargamento indevido da sua base de cálculo, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento de recursos extraordinários, o que tornou indevida sua cobrança no que excedesse à receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, tal como originariamente previsto no art 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.720732/200734 Acórdão n.º 310101.099 S3C1T1 Fl. 199 3 Transcrevendo jurisprudência administrativa acerca do tema e o art. 4º do Decreto nº 2.346, de1997, alega que o julgador administrativo não pode furtarse de afastar a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, porquanto o indeferimento do pleito de nada serviria senão para postergar um fato já definido e concretizado, qual seja: a não incidência da contribuição sobre quaisquer outras receitas que não aquelas relativas à venda de mercadorias e serviços, não alcançando, portanto, as variações cambiais, conforme pretendido pela fiscalização. Aduz que recolhera aos cofres públicos as importâncias relativas aos fatos geradores de 10/2003 e 11/2003, conforme fazem prova as cópias anexas dos documentos de arrecadação (fls. 128/130). Por fim, em face dos argumentos expostos, propugna pelo integral provimento da impugnação, com o consequente cancelamento do crédito tributário. A DRJ em BELO HORIZONTE/MG julgou o lançamento procedente, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/01/2004, 31/10/2004 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Lançamento Procedente Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 160 e seguintes, onde aponta vício na decisão recorrida, ao não referir se aos recolhimentos relativos a 10/2003 e 11/2003; no mérito, requer insubsistência do auto de infração, por exigir receitas financeiras com base em lei declarada inconstitucional pelo STF (nº 9.718, § 1º do art. 3º). Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Preambularmente, cumpre dizer que não há vício na decisão recorrida (por não se referir aos recolhimentos relativos a 10/2003 e 11/2003), porquanto no relatório consta que a impugnante aduz que recolhera aos cofres públicos as importâncias relativas aos fatos geradores de 10/2003 e 11/2003, conforme fazem prova as cópias anexas dos documentos de arrecadação (fls. 128/130). E no vestíbulo do voto do i. relator, é observado que Inicialmente, cumpre registrar que, em função dos pagamentos efetuados, fica restrito o presente litígio aos fatos geradores de 01/2004 e 10/2004. Dessarte, o recurso voluntário ora manejado apenas trata dos fatos geradores de 01/2004 e 10/2004. Quanto à questão de mérito, exigência de diferença do PIS proveniente das receitas de variações cambiais não incluídas na base de cálculo, sem lastro no art. 9º da Lei nº 9.718/98, assiste toda razão à recorrente, uma vez que a Lei nº 9.718, § 1º do art. 3º, foi declarada inconstitucional pelo STF (o alargamento da base de cálculo) no julgamento do RE nº 585.235, em 10/09/2008, cujo acórdão foi publicado em 28/11/2008, e como essa decisão adentrou na sistemática prevista pelo artigo 543B da Lei nº 5.869/73, Código de Processo Civil, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, com espeque no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão recorrida, quanto aos fatos geradores ocorridos em outubro e novembro de 2003; e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o crédito tributário relativo aos fatos geradores de 2004. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.720732/200734 Acórdão n.º 310101.099 S3C1T1 Fl. 200 5 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13857.000494/2004-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
COFINS. VENDAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EXPORTAÇÕES. EQUIPARAÇÃO.
O comando do art. 4o do Decreto-Lei no 288/1967 é aplicável a toda e qualquer venda destinada à ZFM, equiparando-a a uma exportação (de acordo com a legislação que estiver vigente para as exportações no momento da operação), salvo nos casos em que lei posterior expressamente disponha de forma diversa.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. VENDAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. FASES.
A questão do creditamento de Cofins não-cumulativa em relação a bens destinados à Zona Franca de Manaus passa por quatro fases: de 01/02/2004 a 25/07/2004 (com permissão do creditamento e da compensação, com base no art. 6o, I e § 1o da Lei no 10.833/2003, combinado com o art. 4o do Decreto-Lei no 288/1967); de 26/07/2004 a 09/08/2004 (com vedação ao creditamento, por força do art. 2o da Medida Provisória no 202/2004); de 10/08/2004 a 18/05/2005 (com possibilidade de creditamento, em virtude do art. 16 da Medida Provisória no 206/2004, mas ausência de disciplina no que se refere ao permissivo de compensação); e a partir de 19/05/2005 (quando a possibilidade de creditamento recebeu disciplina no que pertine à compensação, pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005).
Numero da decisão: 3403-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. O Conselheiro Alexandre Kern votou pelas conclusões.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COFINS. VENDAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EXPORTAÇÕES. EQUIPARAÇÃO. O comando do art. 4o do Decreto-Lei no 288/1967 é aplicável a toda e qualquer venda destinada à ZFM, equiparando-a a uma exportação (de acordo com a legislação que estiver vigente para as exportações no momento da operação), salvo nos casos em que lei posterior expressamente disponha de forma diversa. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. VENDAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. FASES. A questão do creditamento de Cofins não-cumulativa em relação a bens destinados à Zona Franca de Manaus passa por quatro fases: de 01/02/2004 a 25/07/2004 (com permissão do creditamento e da compensação, com base no art. 6o, I e § 1o da Lei no 10.833/2003, combinado com o art. 4o do Decreto-Lei no 288/1967); de 26/07/2004 a 09/08/2004 (com vedação ao creditamento, por força do art. 2o da Medida Provisória no 202/2004); de 10/08/2004 a 18/05/2005 (com possibilidade de creditamento, em virtude do art. 16 da Medida Provisória no 206/2004, mas ausência de disciplina no que se refere ao permissivo de compensação); e a partir de 19/05/2005 (quando a possibilidade de creditamento recebeu disciplina no que pertine à compensação, pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. O Conselheiro Alexandre Kern votou pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 572 1 571 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13857.000494/200435 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.122 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2013 Matéria COFINS NÃO CUMULATIVA Recorrente TECUMSEH DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COFINS. VENDAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EXPORTAÇÕES. EQUIPARAÇÃO. O comando do art. 4o do DecretoLei no 288/1967 é aplicável a toda e qualquer venda destinada à ZFM, equiparandoa a uma exportação (de acordo com a legislação que estiver vigente para as exportações no momento da operação), salvo nos casos em que lei posterior expressamente disponha de forma diversa. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. VENDAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. FASES. A questão do creditamento de Cofins nãocumulativa em relação a bens destinados à Zona Franca de Manaus passa por quatro fases: de 01/02/2004 a 25/07/2004 (com permissão do creditamento e da compensação, com base no art. 6o, I e § 1o da Lei no 10.833/2003, combinado com o art. 4o do Decreto Lei no 288/1967); de 26/07/2004 a 09/08/2004 (com vedação ao creditamento, por força do art. 2o da Medida Provisória no 202/2004); de 10/08/2004 a 18/05/2005 (com possibilidade de creditamento, em virtude do art. 16 da Medida Provisória no 206/2004, mas ausência de disciplina no que se refere ao permissivo de compensação); e a partir de 19/05/2005 (quando a possibilidade de creditamento recebeu disciplina no que pertine à compensação, pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. O Conselheiro Alexandre Kern votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 00 04 94 /2 00 4- 35 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre DCOMP (fl. 111) apresentada, em 15/09/2004, para compensar débitos de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 2.025.511,01, com créditos de Cofins não cumulativa apurados no mês de julho de 2004 (fl. 12), no valor de R$ 3.979.225,95 (utilizando se o saldo remanescente em outras DCOMP, referentes a nove processos juntados ao presente, conforme fl. 32). Ao analisar o crédito, a fiscalização concluiu pela glosa de R$ 163.445,01, pelos seguintes motivos: (a) aquisições de insumos que não geram direito a crédito (R$ 14.748,47); (b) depreciação de bens não utilizados na produção (R$ 683,30); (c) depreciação relativa a mãodeobra aplicada na manutenção do ativo (R$ 2.837,99); (d) aluguéis pagos a pessoas físicas (R$ 150,48); e (e) insumos aplicados em produtos vendidos para a Zona Franca de Manaus (R$ 145.024,77). Com base nas conclusões da fiscalização (Informação Fiscal de fls. 429 a 433), foi emitido o despacho decisório de fls. 434 a 436, reconhecendo parcialmente o direito creditório, e homologando a compensação até o limite reconhecido. Cientificada do despacho decisório, a recorrente apresenta manifestação de inconformidade (fls. 457 a 461) tãosomente em relação às glosas relativas a insumos aplicados na produção de bens destinados à Zona Franca de Manaus, sustentando que seu direito de promover vendas desoneradas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e para a Zona Franca de Manaus não decorreu, à época, das Medidas Provisórias no 202/2004 ou no 206/2004, mas de decisão judicial obtida em 13/03/2003, no processo no 2002.61.20.0046078, que ainda se encontrava pendente de julgamento no TRF da 3a Região, tendo sido o recurso recebido apenas no efeito devolutivo. A decisão equiparou as vendas à ZFM a exportações, “impedindo que, direta ou indiretamente, normas de caráter infraconstitucional possam mitigar os benefícios criados em favor da referida área de livre comércio”. Contudo, argumenta que o art. 16 da MP no 206/2004 não cria benefício novo, mas apenas esclarece os contornos do regime instituído pela MP no 202/2004. No julgamento de primeira instância, em 19/04/2010 (fls. 505 a 512), acorda se que: (a) não há identidade entre o processo judicial (no qual se discute a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias efetuadas a empresas sediadas na ZFM) e o processo administrativo (no qual se discute a glosa sobre créditos de Cofins nãocumulativa sobre aquisições de insumos utilizados na produção de bens destinados à ZFM); (b) o direito assegurado em juízo (reconhecimento de isenção para 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13857.000494/200435 Acórdão n.º 3403002.122 S3C4T3 Fl. 573 3 receitas de vendas à ZFM) não implica o reconhecimento do creditamento, que só veio a ser instituído com a vigência do art. 16 da MP no 206/2004; (c) ainda que fosse permitido o creditamento, este não poderia ser objeto de compensação com débitos referentes a outros tributos, conforme esclarece a Solução de Consulta no 487, da DISIT/SRRF08, pois tal direito só seria viabilizado pela Lei no 11.116, de 18/05/2005; (d) o art. 17 da Lei no 11.033/2004 contém a mesma prescrição do art. 16 da MP no 206/2004, que assegurou o direito à manutenção dos créditos relativos às operações destinadas à ZFM; (e) também a Instrução Normtiva SRF no 379/2003 (vigente à época dos fatos), não contemplava o direito de compensação de créditos relativos a operações de vendas para a ZFM; e (f) “ainda que a contribuinte tivesse direito aos créditos no período referido pela fiscalização, estes créditos não poderiam ser utilizados para os fins propostos na DCOMP que motivou a instauração do processo que aqui se analisa”. Cientificada da decisão em 01/06/2010 (conforme AR de fl. 514), a empresa apresenta recurso voluntário em 01/07/2010 (fls. 515 a 536), argumentando que: (a) a decisão judicial que obteve (de cunho declaratório, e que não foi bem compreendida pelo Fisco) equiparou suas vendas para a ZFM a exportações, que já gozavam da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, tendo como efeito a possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos utilizados na produção de mercadorias destinadas à ZFM; e (b) ainda que assim não se entenda, o direito ao aproveitamento de créditos relativos a aquisições de insumos utilizados na produção de mercadorias destinadas à ZFM decorre logicamente das normas que expressamente determinam a nãoincidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre a receita auferida em tais vendas (efetuando um apanhado histórico de tais normas). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Apesar de a glosa inicialmente efetuada ser sensivelmente mais ampla, a matéria atualmente em discussão no presente processo restringese à possibilidade ou não de creditamento em relação a aquisição de insumos utilizados na produção de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, seja pelo fato de haver provimento judicial que a recorrente afirma assegurar tal direito, seja em decorrência da legislação vigente. Do provimento judicial pleiteado A tutela jurisdicional buscada pela recorrente no processo no 2002.61.20.0046078, em 18 de outubro de 2002 (fls. 489 e 490) é no sentido de que, “em face da inconstitucionalidade do parágrafo 2o, “a” do art. 1o da Medida Provisória no 622, de 22 de setembro de 1994 (convertida posteriormente na Lei no 9.004/95), e o parágrafo único, “a” do art. 1o do Decreto no 1.030, por lesivos ao art. 40 do ADCT, a Impetrante não sofra constrições de qualquer natureza em decorrência” do não recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 da Cofins sobre as vendas efetuadas a empresas situadas na ZFM desde janeiro de 2001 (em razão da ADIn no 23489), ou da autocompensação dos valores recolhidos indevidamente2. Vejase que a impetração antecede a própria existência da sistemática da não cumulatividade para a Cofins, e a glosa em discussão no presente processo referese tão somente à Cofins apurada sob tal sistemática. Assim, acordamos com o julgador a quo no sentido de que não há identidade de objeto entre os pleitos administrativo e judicial da recorrente. Não se entende haver nessa conclusão má interpretação do conteúdo da decisão judicial. O que ocorre é que a decisão judicial não versa sobre a modalidade tributária e a sistemática de tributação relativas ao montante glosado. Contudo, se a influência que a recorrente credita à decisão judicial sobre o presente processo é em relação à equiparação das vendas à ZFM a exportações, e seus efeitos, já não se está a tratar do teor da decisão judicial que se está pleiteando, mas da interpretação de seus efeitos (como a possibilidade de creditamento em períodos que sequer constaram do pedido em juízo). E isso dista da simples aplicação da sentença. Em que pese o exposto, tratase a seguir da possibilidade de creditamento como decorrência lógicohistórica da legislação que versa sobre a matéria, que, como relatado, constitui o segundo tópico do recurso voluntário. Da legislação vigente sobre a matéria É preciso inicialmente avaliar comando legal que se constitui em fundamento para toda a discussão sobre o tema, tendo em vista que a Zona Franca de Manaus é constitucionalmente reconhecida (arts. 40 e 92 do ADCT, com manutenção dos incentivos fiscais por 35 anos da promulgação da CF/1988). Tal comando é o art. 4o do DecretoLei no 288/1967, que dispõe: “Art 4o A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (grifo nosso) Lendo o dispositivo, há uma certeza: o legislador buscou dar às destinações para a ZFM o mesmo tratamento fiscal que outorga às exportações. Contudo, manifestase dúvida sobre a amplitude da expressão “constantes da legislação em vigor”. Uma acepção da expressão seria no sentido de que só os tratamentos fiscais aplicáveis às exportações que estivessem em vigor na data de publicação do DecretoLei seriam extensíveis à Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, v.g., acórdão unânime no âmbito deste CARF, do qual se transcreve o excerto do voto atinente ao tema em análise: “A expressão ‘constante da legislação em vigor’ contida no texto do art. 4o do Decretolei 288, de 1967, limita o alcance temporal do seu conteúdo à legislação em vigor à época em que foi publicado e não apenas equipara as vendas para a ZFM a uma exportação. 2 Em consulta ao sítio do TRF3, apurouse que o processo se encontra concluso ao vicepresidente daquele tribunal, para decisão, desde 03/10/2012. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13857.000494/200435 Acórdão n.º 3403002.122 S3C4T3 Fl. 574 5 Com isto o legislador salvaguardou a possibilidade de, futuramente e respaldo na lei, tais vendas não mais se equipararem a uma exportação. Resta claro que tal dispositivo não possui o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social sobre as vendas à ZFM. Se o legislador desejasse contemplar, indistintamente, com a isenção, por período de tempo indeterminado, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação especifica do PIS/Pasep e da Cofins,(posteriores ao referido DL). O que se conclui é que o art. 4o do Decretolei 288, de 1967 restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente.” 3 (grifo nosso) Outra acepção seria no sentido de que a expressão confere às vendas para a Zona Franca de Manaus o mesmo tratamento fiscal que vigore para as exportações. Assim, qualquer tratamento em vigor para as exportações é aplicável à ZFM, sem restrição temporal. Nesse sentido, v.g., acórdão igualmente unânime no âmbito deste CARF, do qual se transcreve também o excerto do voto referente ao tema em análise: “Não há dúvida de que o preceptivo em questão tenha instituído verdadeira equivalência, em termos fiscais, entre as operações comerciais que destinassem bens à Zona Franca de Manaus e as exportações de mercadorias, de tal sorte que as desonerações válidas para a segunda espécie se aplicassem, também, para a primeira. O questionamento, quanto ao dispositivo, diz respeito à abrangência do seu significado, em termos temporais. Invocando a Solução de Consulta COSIT no 7/06, a DRJ recorrida lê, na expressão ‘constantes da legislação em vigor’ uma limitação da equiparação aos favores fiscais já existentes quando da edição do Decretolei no 288/67. E por assim entender, conclui que isenções outorgadas às exportações por normatização posterior, entre as quais as relativas à COFINS, não seriam extensíveis às vendas internas, com destino à ZFM. O entendimento não me convence. Não me convence porque a fórmula legislativa, segundo penso, é indicativa do oposto, quer dizer, de que por seu intermédio se tenha pretendido colher, com a equiparação, também os incentivos fiscais que viessem a ser concedidos às exportações – e não apenas aqueles existentes em fevereiro de 1967. Fosse este o propósito da regra, e bastaria ao Executivo de então têla redigido de maneira a relacionar em lista as respectivas hipóteses. Realmente, circunscrevendose a 3 CARF, Acórdão n. 3402001.402, Rel. Cons. Nayra Bastos Manatta, unânime, Sessão de 09.ago.2011. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 equiparação a benefícios já existentes, seria perfeitamente possível têlo feito. Penso que a escolha da expressão ‘constantes da legislação em vigor’ teve em mira efeito diverso. Justamente porque a equivalência recairia sobre os incentivos fiscais já existentes e, também, sobre outros que, no futuro, as exportações porventura usufruíssem, a solução foi o emprego da fórmula generalizante. Todo o tratamento fiscal, tal como dispensado pela legislação em vigor às exportações, seria extensível às vendas de mercadorias para a ZFM. Mais do que isso, a expressão “constantes da legislação em vigor” está a indicar que as remessas de mercadorias à Zona Franca de Manaus terão tratamento jurídicotributário equivalente àquele definido para as exportações concomitantemente praticadas. O regime jurídico das vendas à ZFM é, em suma, aquele definido pela legislação aplicável às vendas para o exterior.” 4 (grifo nosso) Temos, de início, que é obnubilada a visão de que se pode interpretar literalmente um texto ambíguo, como o do art. 4o do DecretoLei no 288/1967. Vejase que ambas as argumentações (que são flagrantemente opostas) partem da análise da redação do texto normativo, e ironicamente ambas afirmam que se tal texto desejasse dizer o oposto, deveria fazêlo expressamente (seja no próprio texto do art. 4o ou em textos posteriores). Além do exposto, um argumento de cunho redacional e outro sistemático nos levam a concluir que o art. 4o não ficou limitado a igualar as vendas para a ZFM à legislação que tratava das exportações em 1967. O argumento redacional se ancora na análise da utilização de idêntica expressão na redação original do inciso I do art. 7o do mesmo DecretoLei no 288/1967: “Art 7o As mercadorias produzidas, beneficiadas ou industrializadas na Zona Franca, quando saírem desta para qualquer ponto do território nacional, estarão sujeitas: I apenas ao pagamento do impôsto de circulação de mercadorias, previsto na legislação em vigor, se não contiverem qualquer parcela de matéria prima ou parte componente importada (...)” (grifo nosso) Adotado o mesmo raciocínio que a primeira decisão alberga (restrição às disposições existentes em 1967), caso houvesse uma alteração na legislação do “imposto sobre circulação”, cobrarseia tal imposto de acordo com a legislação nova no restante do país, mas na Zona Franca de Manaus ainda se cobraria pela legislação antiga. Não nos parece lógico o entendimento. Mais consentâneo com o conteúdo da norma seria a seguinte leitura (também literal) do caput e do § 1o: será cobrado o “imposto sobre circulação” de acordo com a legislação em vigor no momento da saída da Zona Franca de Manaus para qualquer parte do terirtório nacional. Da mesma forma, a leitura correspondente ao art. 4o seria no sentido de que: uma exportação (venda) de mercadoria nacional para a Zona Franca de Manaus será equivalente a uma exportação para o exterior (devendo aquela ter os mesmos efeitos fiscais em vigor para esta). 4 CARF, Acórdão n. 340301.099, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, Sessão de 08.jul.2011. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13857.000494/200435 Acórdão n.º 3403002.122 S3C4T3 Fl. 575 7 O argumento sistemático se refere à própria estruturação da Zona Franca de Manaus. Objetivando representar uma área de livre comércio com o exterior, e constituindose em uma área aduaneira especial5, a Zona Franca de Manaus foi contemplada com benefícios fiscais na importação, na exportação e na internação (termo que corresponde à entrada de produtos procedentes da Zona Franca de Manaus no restante do território nacional). A sistemática da ficção territorial ali concebida ruiria se a cada norma que fosse editada para exportações, a Zona Franca de Manaus tivesse que ser expressamente nominada. Assim, temos que não é necessário que a cada lei que trata de exportações se incluam expressamente as vendas para a Zona Franca de Manaus para que os efeitos fiscais a elas se alastrem. O entendimento aqui expresso encontra ainda companhia no posicionamento dominante do STJ: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA.INTELIGÊNCIA DO DEC. LEI 288/67. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência desta Corte é pacificada no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição para o PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Precedentes: AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012.” 6 (grifo nosso) “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. (...) PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. (...) 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida "com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Ora, entre as "características" que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decretolei 288/67, segundo o qual "a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona 5 Conforme Decisão CMC n. 8/1994 (Art. 6). 6 AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1ª T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1ª T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. "O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus." (REsp 823.954/SC, 1ª T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006).” 7 (grifo nosso) Ainda em consonância com o entendimento jurisprudencial, há que se reconhecer que, dada a estatura de lei do comando do art. 4o do DecretoLei no 288/1967, a lei posterior poderia excepcionar sua aplicação (ou dispor de forma diversa). Então, embora reconheçamos que os efeitos do art. 4o do DecretoLei no 288/1967 se projetam no tempo, temos claro de que leis posteriores poderiam disciplinar tratamentos fiscais distintos para vendas destinadas à ZFM. Em síntese: dado que o efeito do art. 4o do DecretoLei no 288/1967 se projeta no tempo, tal comando é aplicável a toda e qualquer venda destinada à ZFM, equiparandoa a uma exportação (de acordo com a legislação que estiver vigente para as exportações no momento da operação), salvo nos casos em que lei posterior expressamente disponha de forma diversa. Os créditos de que trata o presente processo se referem à Cofins não cumulativa apurada no mês de julho de 2004. Assim, não serão aqui analisadas as normas que estabeleceram tratamento fiscal distintivo entre vendas destinadas à ZFM e exportações em períodos anteriores (v.g. a Medida Provisória no 1.8586/1999, que foi inclusive objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade no 2.348, na qual o tratamento distintivo foi rechaçado liminarmente pelo STF, que, após reiteradas reedições do texto da MP sem a diferenciação entre venda à ZFM e exportação, entendeu que a ação perdera o objeto). A Cofins, sob a sistemática da nãocumulatividade, é tratada na Lei no 10.833, de 29/12/2003. Tal lei institui a sistemática em seu art. 1o, estabelecendo no inciso I do art. 6o a não incidência da Cofins sobre receitas decorrentes de exportações: “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) 7 REsp 1084380/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2009, DJe 26/03/2009. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13857.000494/200435 Acórdão n.º 3403002.122 S3C4T3 Fl. 576 9 § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...)” (grifo nosso) Não tendo sido modificado o teor do art. 4o do DecretoLei no 288/1967, que estabelece que as exportações de mercadorias nacionais para a ZFM equivalem a uma exportação para o estranegeiro, não se vê como excepcionar as vendas para a ZFM dos comandos legais que tratam da não incidência e da possibilidade de creditamento. A “legislação específica aplicável à matéria” compensação (essencialmente o art. 74 da Lei no 9.430/1996) também não apresenta óbice à aplicação do disposto no art. 4o do DecretoLei no 288/1967. Em 26/07/2004, entra em vigor a Medida Provisória no 202, de 23/7/20048, que dispõe em seu art. 2o: “Art.2o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Parágrafo único. Aplicamse às operações de que trata o caput as disposições do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.”(grifo nosso) Assim, passa a haver um tratamento distintivo entre as operações de exportação e de venda destinada à ZFM. Enquanto não incide a Cofins sobre as receitas decorrentes da exportação stricto sensu (Lei no 10.833/2003, art. 6o, I), as receitas de vendas para a ZFM passam a ser tributadas por regra mais específica, com alíquota zero (MP no 202/2004, art. 2o, caput), buscando impossibilitar o creditamento de Cofins pela empresa compradora na ZFM, tendo em vista que não houve pagamento na etapa anterior (MP no 202/2004, art. 2o, parágrafo único). O foco da MP fica claro em sua Exposição de Motivos: “(...) 7. A presente Medida Provisória contempla, também, a inserção de dispositivo reduzindo a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), quando efetuadas por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. 8 Posteriormente convertida na Lei no 10.996, de 15/12/2004. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 8. O parágrafo único do referido dispositivo manda aplicar às operações de que trata o caput as disposições do inciso II do § 2° do art. 3° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2° do art. 3° da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 9. Com isso, Senhor Presidente, as mercadorias serão remetidas para a ZFM com a incidência de alíquota zero. Porém, por não haver efetivo pagamento na fase anterior, não gerarão crédito na apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nãocumulativas pelas empresas situadas na ZFM. 10. Obtémse, com essa medida, tratamento isonômico e neutralidade tributária, compatível com o sistema não cumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, que tem por pressuposto o creditamento do valor das contribuições efetivamente pago na etapa anterior.”(grifo nosso) E tal tratamento distintivo implica a exclusão das receitas de vendas para a ZFM do comando do inciso I do art. 6o da Lei no 10.833/2003, que trata de não incidência. Por consequência, inviabilizase o creditamento também ao vendedor. Argumentar que não poderia ter havido tal tratamento distintivo, por ofensa a disposição constitucional (v.g. o art. 40 do ADCT), é matéria de apreciação vedada por este CARF (conforme Súmula no 2), pois implicaria negar vigência a dispositivo legal mediante apreciação de sua inconstitucionalidade. Também não subsistiria a argumentação no sentido de que a empresa obteve a equiparação “venda à ZFM x exportação” pela via judicial (mesmo que a tivesse obtido em definitivo), porque a decisão teria sido emitida em relação a quadro normativo diverso, já existindo leis posteriores (todas as leis após a sistemática da não cumulatividade) a tratar da matéria. A possibilidade de manutenção do crédito pelo vendedor só viria a ser novamente contemplada no art. 16 da Medida Provisória no 206, de 06/08/2004 (vigente a partir de 09/08/2004)9: “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” (grifo nosso) Poderseia argumentar que a expressão “manutenção” no texto, sugere a natureza declaratória (ao invés de constitutiva) do dispositivo. E isso até parece ser endossado pela justificativa apresentada para o art. 16 na Exposição de Motivos da referida Medida Provisória: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.” Contudo, há que se apresentar ainda um comando legal derradeiro em nossa análise o art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005): “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de 9 Atualmente art. 17 da Lei n. 11.033/2004. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13857.000494/200435 Acórdão n.º 3403002.122 S3C4T3 Fl. 577 11 dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” (grifo nosso) A leitura deste artigo (principalmente de seu parágrafo único) nos leva à crença de que a única forma de interpretar todos os comandos legais apresentados como sendo componentes de um “sistema harmônico”, de forma a que não tenhamos nenhum como inócuo, desnecessário ou contraditório, é visualizarmos o art. 16 da Medida Provisória no 206, de 06/08/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033, de 21/12/2004) com natureza constitutiva. Entender de forma diversa implicaria discussão sobre a constitucionalidade de eventual irradiação pretérita do parágrafo único, tarefa vedada ao julgador deste CARF pela já referida Súmula no 2 do tribunal administrativo. Na Informação Fiscal (fls. 432 e 433), motivase a glosa do item em discussão (falta de estorno de crédito de Cofins nãocumulativa relativo a produtos vendidos para a Zona Franca de Manaus com alíquota zero) sob o argumento de que o creditamento era permitido até 25/07/2004, e que passou a ser vedado somente no período no qual vigorou a alíquota zero (de 26/07/2004 data de entrada em vigor da Medida Provisória no 202/2004, até 09/08/2004 data de entrada em vigor da Medida Provisória no 206/2004, que teria permitido a manutenção dos créditos). E a glosa se refere exclusivamente ao período de apuração de julho de 2004. Assim, assiste razão à fiscalização, pelo que poderíamos culminar o entendimento expresso nesta parte do voto, a partir da abordagem lógicohistórica proposta no recurso voluntário, com a afirmação de que a questão do creditamento de Cofins não cumulativa em relação a bens destinados à Zona Franca de Manaus passa por quatro fases: de 01/02/2004 a 25/07/2004 (com permissão do creditamento e da compensação, com base no art. 6o, I e § 1o da Lei no 10.833/2003, combinado com o art. 4o do DecretoLei no 288/1967); de 26/07/2004 a 09/08/2004 (com vedação ao creditamento, por força do art. 2o da Medida Provisória no 202/2004); de 10/08/2004 a 18/05/2005 (com possibilidade de creditamento, em virtude do art. 16 da Medida Provisória no 206/2004, mas ausência de disciplina no que se refere ao permissivo de compensação); e a partir de 19/05/2005 (quando a possibilidade de creditamento recebeu disciplina no que pertine à compensação, pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005). O caso em análise está, assim, inserido no contexto de período para o qual não poderiam ter coexistido o creditamento e a compensação. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN 12 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 583DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13864.000016/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSOS CONTRA O MESMO SUJEITO PASSIVO. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. FORMALIZAÇÃO EM PROCESSO ÚNICO. JULGAMENTO CONJUNTO.
Os processos de débito contra o mesmo sujeito passivo, cuja comprovação do ilícito dependa dos mesmos elementos de prova, serão objeto de um mesmo processo e, por conseguinte, terão os seus recursos julgados conjuntamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS DE AFERIÇÃO DAS METAS PARA PAGAMENTO DE PLR. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação dos documentos em que conste a aferição dos resultados alcançadas com vistas ao pagamento da PLR, não descaracteriza o plano, quando este contiver as regras claras e objetivas exigíveis para pagamento do benefício. Sendo cabível, nestas situações, a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, seguida do lançamento das contribuições por arbitramento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSOS CONTRA O MESMO SUJEITO PASSIVO. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. FORMALIZAÇÃO EM PROCESSO ÚNICO. JULGAMENTO CONJUNTO. Os processos de débito contra o mesmo sujeito passivo, cuja comprovação do ilícito dependa dos mesmos elementos de prova, serão objeto de um mesmo processo e, por conseguinte, terão os seus recursos julgados conjuntamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 00 16 /2 01 1- 65 Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000016/201165 Acórdão n.º 2401003.070 S2C4T1 Fl. 1.093 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 05 35.297 de lavra da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campinas (SP), que julgou improcedentes as impugnações apresentadas para desconstituir os seguintes Autos de Infração: a) AI n. 37.298.7753: contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; b) AI n. 37.298.7761: contribuições dos segurados; c) AI n. 37.322.3773: contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Consta do processo também o AI n. 37.298.7745, lavrado para aplicação de multa por falta da declaração em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP de todos os fatos geradores de contribuições sociais. Este AI foi baixado por liquidação. O lançamento contemplou os seguintes fatos geradores: a) Levantamento C1 – “Cooperativas de Trabalho”: prestação de serviços por cooperados, intermediados por cooperativas de trabalho; b) Levantamentos DR e DR1 – “RAT não declarado em GFIP”: remuneração recebida por segurados empregados; c) Levantamento F1 – “Diferenças folha X GFIP”: remunerações de segurados empregados não declaradas na GFIP; d) Levantamento GTA – “Gratificação”: pagamento de remuneração em folha de pagamento a título de gratificação; e) Levantamentos P1 e P2 – “Participação nos Resultados”: pagamento de PLR em desacordo com a lei de regência; f) Levantamentos RA até RF – “Retenção na Empreitada/Cessão de Mãode Obra”: pagamentos de faturas a empresas que prestaram serviço a autuada mediante empreitada ou cessão de mãodeobra; g) Levantamentos VA e VA1 – “Vale refeição avulso”: remuneração paga em pecúnia a segurados empregados a título de vale refeição. A multa foi aplicada levandose em consideração as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 12.941/2009, adotandose, quando mais favorável ao sujeito passivo, a nova legislação, mesmo para fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 O sujeito passivo ofertou impugnação parcial, insurgindose apenas contra a incidência de contribuição sobre a remuneração paga a título de participação nos lucros ou resultados. A DRJ declarou improcedente a impugnação, fls. 969/979. Na decisão, concluise que a empresa comprovou possuir regras claras e objetivas negociadas com os empregados para fins de pagamento da PLR, todavia, não apresentou os índices e metas a serem atingidos, contrariando, desta forma, a Lei n. 10.101/2000. Inconformado o sujeito passivo apresentou recursos individualizados para cada um dos créditos contestados, fls. 993/1.015 (AI n. 37.298.7753), fls. 1.018/1.040 (AI n. 37.298.7761) e fls. 1.043/1.065 (AI n. 37.298.7772), todos de igual teor, alegando, em apertada síntese, que: a) os três AI, por se referirem aos mesmos fatos geradores, devem ter julgamento conjunto, em razão da nítida conexão entre as lavraturas; b) o recurso é restrito ao item II.6 do relatório fiscal, o qual trata da incidência de contribuições sobre as parcelas pagas a título de participação nos resultados; c) afirma que efetuou o recolhimento das contribuições incidentes sobre as demais rubricas tratadas no levantamento fiscal; d) os argumentos utilizados pelo fisco para dar sustentação ao lançamento são exclusivamente subjetivos e desprovidos de um mínimo de tecnicismo; e) cumpriu todas as exigências contidas na Lei n. 10.10/2000; f) apresentou ao fisco o instrumento da negociação para pagamento da PLR, referente ao período de 2006 a 2007, o qual foi devidamente registrado perante o sindicato da categoria; g) mantinha documento denominado Cartilha Programa de Participação nos Resultados – PPR, contendo todas as metas para escorreito cumprimento do acordo celebrado; h) ao exigir que o sujeito passivo apresente documentos demonstrativos do cumprimento das metas, o fisco extrapola as exigências legais, que prevêem tão somente que o acordo contenha as metas; i) o próprio Tribunal Superior do Trabalho – TST firmou o entendimento de que o conteúdo de pactos dessa natureza estão imunes da interferência de terceiros (cita jurisprudência); j) todas as formalidades exigidas pela lei da PLR foram cumpridas, assim, não poderia o fisco adentrar a aspectos intrínsecos do acordo; k) apresenta pareceres da lavra da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência, os quais, entende abonarem a sua tese quanto a não incidência de contribuições sobre a verba em comento. Ao final, pede o cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000016/201165 Acórdão n.º 2401003.070 S2C4T1 Fl. 1.094 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Julgamento conjuntos dos autos de infração Em atendimento ao § 1. do art. 9. do Decreto n. 70.235/1972, os autos de infração decorrentes de exigência das contribuições e aquele para aplicação de multa pela falta de declaração dos fatos geradores foram formalizados em processo único. Assim, o pedido do sujeito passivo para julgamento conjunto dos recursos contra estas lavraturas está sendo atendido, emitindose acórdão único tratandose todos os AI. Participação nos resultados De acordo com a autoridade lançadora, fls. 04/21, mais especificamente no item II.6, foram duas as causas que fundamentam a exigência de contribuições sobre a verba paga a título de participação nos resultados: a) para o acordo assinado em 02/01/2007 (período aquisitivo de 01/01/2007 a 31/12/207), falta de apresentação de documento que demonstrasse que as metas tenham sido aferidas; b) para o plano de 2006 (parcelas pagas em 01/2007 e 02/2007), faltou a apresentação dos instrumentos de negociação coletiva. Eis as palavras da auditoria: “II.6.4 O contribuinte apresentou – “Instrumento de acordo de Participação dos Empregados”; referente à participação nos resultados acordada em 02/01/2007, abrangendo o período de 01/01/2007 a 31/12/2007, a ser paga em 10/08/2007 e 28/02/2008. II.6.4.1. O contribuinte não apresentou documento que demonstrasse, objetivamente, que as metas acordadas, no referido instrumento, tenham sido aferidas e efetivamente atingidas. II.6.5. O contribuinte não apresentou instrumentos de negociação coletiva com os empregados, específica para a participação nos resultados, abrangendo o período de 01/01/2006 a 31/12/2206, correspondentes às parcelas pagas em 01/2007 e 02/2007. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 II.6.6. Resta demonstrado que não houve comprovação de que os valores pagos a título de “participação nos resultados” se enquadrem nas condições legais de exclusão das bases de cálculo das contribuições previdenciárias como participação nos resultados, segundo os parâmetros legalmente definidos. (sublinhamos) Em relação à ausência de instrumento para o plano de 2006, o órgão a quo acatou documento apresentado na impugnação e afastou a desconformidade quanto a esse ponto. Vejamos o que consta no voto condutor do acórdão recorrido: “Com relação ao motivo para o não enquadramento nas condições legais de exclusão das bases de cálculo das contribuições previdenciárias dos valores pagos a título de “participação nos resultados” descrito pela fiscalização no item II.6.5 do REFISC, qual seja, a não apresentação do documento de negociação coletiva do período de 01/01/2006 a 31/12/2006, correspondentes às parcelas pagas em 01/2007 e 02/2007, a impugnante trouxe posteriormente aos autos este documento, juntamente com sua defesa, fato que afasta essa motivação de per si.” Restanos, assim, apreciar o ponto relativo à alegada falta de comprovação de que as metas que dariam direito ao recebimento da participação nos resultados teriam sido atingidas. Quando transcrevemos excerto do relatório fiscal tratando da questão, fizemos questão de sublinhar os termos do item II.6.4.1, os quais nos deixa presumir de que havia metas estipuladas no instrumento de acordo, posto que o fisco afirmou que não teve como aferir se estas foram cumpridas. Analisando o Instrumento de Acordo de Participação dos Empregados nos Resultados, fls. 609/615, verificase que, de fato, a cláusula 6.ª trata dos indicadores e metas e da apuração da PLR a ser paga. Já as fls. 616/630 consta Cartilha explicativa, onde são tratados aspectos da participação nos resultados, tais como: definição, objetivos, indicadores, empregados elegíveis, cálculo, etc. Comprovase assim que o acordo para pagamento da participação nos resultados não estava desprovido das regras necessárias à fixação do direto, conforme previsão do § 1. do art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Todavia o fisco alega que os documentos que comprovariam o alcance das metas não foram apresentados pela empresa, representando tal fato descumprimento da Lei do PLR. Para nós, esse fato, por si só não é suficiente para que seja, em razão da ausência de regras claras acerca da obtenção do direito ao recebimento da verba, desconsiderado o plano para pagamento de PLR. Para que se tenha o plano como desconforme com a lei de regência, é necessário que se demonstre que as os critérios/condições estipuladas no instrumento de negociação sejam incompreensíveis ou inexeqüíveis. Isso não restou demonstrado. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000016/201165 Acórdão n.º 2401003.070 S2C4T1 Fl. 1.095 7 Observese que os documentos acostados com a defesa, apresentam critérios e metas estabelecidos no acordo, embora não possamos, apenas com base nos mesmos, concluir que os valores pagos a título de PLR estariam em conformidade com o que foi acordado. Tem o fisco, é inegável, a prerrogativa de verificar se os pagamentos de PLR foram efetuados em conformidade com as negociações efetuadas. Sem a apresentação de relatórios que contenham a aferição das metas para cada empregado, o fisco fica impedido de verificar se determinado segurado recebeu a verba em valor além do que estava previsto nas regras fixadas entre patrão e trabalhadores. Ao sonegar esses documentos, a autuada criou um obstáculo ao fisco de concluir com segurança se a parcela intitulada de PLR não conteria verbas outras suscetíveis de tributação. Diante dessa recusa, surgiu para a auditoria a possibilidade desconsiderar os pagamentos como participação nos lucros e exigir as contribuições previdenciárias sobre a totalidade dos valores apresentados sob a referida rubrica. Essa possibilidade tem por fundamento jurídico o § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Ocorre que não foi esse o caminho trilhado pela Autoridade Lançadora para edificar os lançamentos. É que, analisandose os Termos de Intimação Fiscal, não se verifica que o fisco tenha solicitado os documentos concernentes à aferição das metas, tampouco, mencionouse na motivação do lançamento que as contribuições estariam sendo lançadas de ofício em razão da recusa do sujeito passivo em atender a intimações da auditoria. Verificase, assim, que os elementos apresentados pelo fisco são insuficientes para desconsideração do plano de PLR em questão, além de que não houve a devida motivação Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 para que fosse efetuado o arbitramento das contribuições, o que nos leva à conclusão de que são improcedentes as contribuições decorrentes da desconsideração do acordo para pagamento da participação nos resultados. Conclusão Voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 17883.000235/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2003
VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento encontra-se viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso; no entanto, eventuais erros na identificação do sujeito passivo constituem vícios de formalização do crédito.
DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL.
O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
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NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento encontrase viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso; no entanto, eventuais erros na identificação do sujeito passivo constituem vícios de formalização do crédito. DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 35 /2 01 0- 96 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000235/201096 Acórdão n.º 2302002.561 S2C3T2 Fl. 93 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 13/10/2010 para constituição de crédito de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais (segurados sem vínculo empregatício). Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ÓRGÃOS PÚBLICOS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA. EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os órgãos públicos da administração direta são considerados empresas em relação aos segurados não abrangidos por Regime Próprio de Previdência Social RPPS, ficando sujeitos, em relação a estes, ao cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. PAGAMENTOS POR SERVIÇOS DE PESSOAS FÍSICAS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES DA PARTE DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração a contribuintes individuais (segurados sem vínculo empregatício). Art. 21 e 28, III da Lei n° 8.212/1991 (redação da Lei 9.876/1999). LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO DE AI ANULADO POR VÍCIO FORMAL. APLICAÇÃO DO ART. 173, II CTN. O mero VÍCIO FORMAL, caracterizado no caso concreto pela correta identificação do CNPJ do sujeito passivo, por equivoco em sua nomeação, autoriza, em relação a lançamento substitutivo, o deslocamento da regra decadencial para o art. 173, II do Código Tributário Nacional. ... 3. Esclarece a autuante que o presente crédito decorreu do procedimento fiscal aberto para reconstituição da NFLD DEBCAD n° ..., lavrada em 28/12/2004, a qual foi julgada nula por conter erro na identificação do Sujeito Passivo, vicio insanável, pelo DespachoDecisório n° ..., datado de 25/08/2005 e homologado em 16/11/2005. ... 11. Como reportado pela Autoridade Fiscal, motivou a anulação do lançamento anterior (NFLD DEBCAD n° ...) terse verificado erro na identificação do Sujeito Passivo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera alegações trazidas na impugnação, em especial a decadência dos débitos superiores a cinco anos, conforme Súmula Vinculante n° 8. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000235/201096 Acórdão n.º 2302002.561 S2C3T2 Fl. 94 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Procedimentos formais. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados. Decadência. Vício Formal. Antes da verificação do transcurso do prazo para constituição do crédito, é necessário o exame quanto à natureza do vício insanável, já que no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (destaques nossos) Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; o que implica reconhecer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, identificandose o conceito de vício formal, por exclusão, podese reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000235/201096 Acórdão n.º 2302002.561 S2C3T2 Fl. 95 7 Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, citamos a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192). Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: Auto de Infração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal, etc). Vale dizer, esta última concepção confundese com o próprio conceito de procedimento, de prática de atos ordenados visando à consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o Auto de Infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: (...) RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.(...) (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO –INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera Fl. 113DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000235/201096 Acórdão n.º 2302002.561 S2C3T2 Fl. 96 9 um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. De fato, a forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, o vício está na identificação do sujeito passivo ou, mais precisamente, na descrição do nome identificador da pessoa jurídica de direito público sem, contudo, prejudicar o conhecimento através de outros elementos identificadores como, por exemplo, CNPJ e endereço, da pessoa obrigada; portanto sem relação com a verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação. Assim, entendemos que o lançamento substituído foi anulado por vício formal. Com efeito, assiste razão à decisão recorrida. Tratandose de nulidade por vício formal, é possível a sua reconstituição com reabertura do prazo qüinqüenal que somente se inicia quando a decisão anulatória se torna definitiva, o que somente ocorreu com sua homologação em 16/11/2005: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (destaques nossos) Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13819.901235/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, que dava provimento ao apelo recursal.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, que dava provimento ao apelo recursal. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 12 35 /2 00 8- 11 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Campinas (fls. 196/200 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2003 Compensação. Direito Creditório. Pagamento Inexistente. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Reproduzo, abaixo, relatório objeto da decisão recorrida: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: No mês de setembro de 2003, a Recorrente ao cumprir suas obrigações para com o Fisco Federal apurou o valor devido a título de Contribuição ao Programa de Integração Social (‘PISFaturamento – Lei nº 10.637/02’). Conforme se pode depreender da análise da DCTF do 3º Trimestre de 2003, o saldo de imposto a ser pago pela Recorrente totalizou o montante de R$ 57.736,86 (doc. 03). Diante disso, em 15 de outubro de 2003, a Recorrente efetuou o pagamento do DARF correspondente no valor informado de R$ 57.736,86 (doc. 04). (...) Entretanto, posteriormente, a Recorrente percebeu que havia se equivocado já que, conforme sua planilha de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS (doc. 05), o valor correto a ser pago a título de PIS era de R$ 13.273,19. Assim, considerando que a Recorrente apurou e recolheu um valor superior ao devido, conforme atesta o memorial de cálculo das contribuições, foi Fl. 255DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13819.901235/200811 Acórdão n.º 3802001.819 S3TE02 Fl. 255 3 gerado um crédito no montante de R$ 44.463,67, correspondente à diferença entre o valor apurado anteriormente e o valor correto a ser pago (...). Em decorrência do exposto, em 09 de junho de 2004, a Recorrente efetuou a compensação da quantia indevidamente recolhida em 2 (dois) momentos distintos, contra dois débitos diferentes, através das PER/DCOMPs nº 00295.79683.090604.1.3.042708 (PER/DCOMP Retificadora nº 18032.89960.040806.1.7.04.9900) e 23430.15592.050504.1.3.044355 (PER/DCOMP Retificadora nº 33194.58633.040806.1.7.042306) (doc. 05). ... Ao se deparar com o pedido efetuado pela Recorrente, a autoridade julgadora houve por bem não homologar a referida compensação, sob o argumento de que o pagamento discriminado pela Recorrente no 23430.15592.050504.1.3.044355 (PER/DCOMP Retificadora nº 33194.58633.040806.1.7.042306), foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Entretanto (...), o crédito pleiteado pela Recorrente, de fato, existe e é legítimo. Conforme se pode comprovar pela análise da planilha de cálculo do PIS e da COFINS, elaborada à época pela contabilidade da Recorrente, o valor correto devido de PIS na competência de setembro de 2003 era, de fato R$ 13.273,19. Entretanto, ao preencher a DCTF – 3º Trimestre de 2003, a Recorrente declarou, por engano, que o débito apurado a título de PIS, referente a setembro de 2003, seria de R$ 57.736,86 e, conseqüentemente, efetuou o recolhimento da referida importância, o que gerou um crédito por recolhimento a maior da contribuição no valor de R$ 44.463,67. Assim, os requisitos para a compensação foram cumpridos na medida em que (i) o crédito é líquido e certo (conforme comprovado na DARF’s acostada) e, ainda, (ii) a compensação foi devidamente informada ao Fisco Federal através da PER/DCOMP passando, portanto, por sua análise. ... O que se observa, portanto, é que, na realidade, a Recorrente cometeu um erro formal no preenchimento da respectiva DCTF – 3º Trimestre de 2003, erro que está sendo devidamente retificado pela Recorrente, ao declarar um débito muito superior ao realmente devido. Entretanto, o mero erro de preenchimento da DCTF – 3º Trimestre de 2003, cometido pela Recorrente, não afasta nem desnatura o seu direito ao crédito, tendo em vista que foi devidamente comprovado o pagamento a maior a título de PIS referente a competência de setembro de 2003. ... (...) a própria regulamentação da Receita Federal admite a retificação da DCTF quantas vezes for necessário, tudo para que a declaração contenha os números e informações fiéis à escrituração contábil e fiscal e ao histórico do próprio débito. Posteriormente, a interessada voltou aos autos para trazer DCTF retificadora protocolada em 11/07/2008. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 A decisão de primeira instância negou provimento à manifestação de inconformidade em vista da não identificação do pagamento apontado pela empresa na DCOMP (R$ 44.463,67) (v. fls. 09). O mesmo continuou a ocorrer em relação à DCOMP retificadora, apresentada em 04/08/2006, posto que também não foi localizado o novo pagamento declarado de R$ 93.654,62 (v. fls. 04). Ressalta ainda a instância recorrida que “o valor do DARF da retificadora discrepa da argumentação construída na própria Manifestação de Inconformidade, uma vez que, nela, o pagamento tido por indevido teria o valor de R$ 57.736,86”. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 17/10/2011 (fls. 220). Inconformada, a reclamante apresentou, em 16/11/2011 (fls. 222), o recurso voluntário de fls. 222/233, onde reitera os argumentos a respeito da existência do crédito e do direito de utilizálo para fins de compensação, não obstante o erro de preenchimento da DCOMP e da DCTF do período. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com a consequente homologação da compensação pleiteada. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A recorrente alega haver incorrido em equívoco quando do preenchimento da DCOMP e da DCTF do período. Concernente à DCTF, houve apresentação de declaração retificadora em 11/07/2008 (fls. 114 e ss.), posteriormente, portanto, à ciência do despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada (fls. 18), ocorrida em 07/07/2008, conforme histórico de comunicações de fls. 21. Admitida a retificação, a DCTF retificadora tem a “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”, conforme disposto no artigo 11, § 1º, da IN RFB no 786, de 19/11/2007, que vigorava à época dos fatos. Contudo, a retificação automática não produz efeitos nos casos em que os saldos a pagar ou os valores apurados em procedimentos de auditoria interna já tiverem sido enviados à PGFN, e ainda, quando a pessoa jurídica já tiver sido intimada do início de procedimento fiscal. Reproduzo, abaixo, o mencionado artigo 11 da IN RFB no 786, de 2007, onde estão destacados os dispositivos relevantes para a solução da lide: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13819.901235/200811 Acórdão n.º 3802001.819 S3TE02 Fl. 256 5 I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do ano calendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 11. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. No caso em exame, o débito originariamente declarado a título do PIS devido no mês de setembro de 2003 corresponde a R$ 57.736,86 (v. DCTF de fls. 63), valor com base no qual foi feito o recolhimento do DARF de fls. 65. Se considerada a retificação da DCTF efetuada em 11/07/2008, que reduziu referido débito para R$ 13.273,19, o saldo credor em favor da recorrente seria de R$ 44.463,67, ou seja, o crédito declarado na DCOMP. Sem embargo dos equívocos cometidos quando do preenchimento da DCOMP, uma vez que em nenhuma delas – retificada e retificadora – foi apontado o pagamento aduzido como a maior que o devido (R$ 57.736,86), é relevante o fato de que, nos autos, não há nenhuma comprovação do novo débito declarado na DCTF retificadora, comprovação esta imprescindível para o acatamento da alteração, dado o momento em fora apresentada – depois de notificado o contribuinte da nãohomologação da compensação. De fato, a reclamante colacionou aos autos apenas planilha demonstrativa dos cálculos da contribuição (fls. 68/70), mas sem qualquer alicerce na documentação contábil e fiscal do contribuinte, imprescindível para a demonstração do erro alegado. Ressaltese que, para tais fins, não é suficiente a apresentação da DIPJ (fls. 250/251). Os dados declarados em DCTF, é verdade, podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas desde que tal retificação esteja alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente. A simples apresentação intempestiva de DCTF não tem o condão de constituir prova de crédito favoravelmente ao sujeito passivo. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 23 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13819.901235/200811 Acórdão n.º 3802001.819 S3TE02 Fl. 257 7 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 18471.000911/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO: CONTRADIÇÃO E OMISSÃO INESISTÊNCIA.
A Portaria CARF nº 001 de 03 de janeiro de 2012 determina que o julgamento do processo no conselho para ser sobrestado deve ter reconhecida não apenas a sua repercussão geral como também, comprovadamente a determinação do sobrestamento pelo STF.
Embargos de declaração desprovidos.
Numero da decisão: 3101-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos declaratórios.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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A Portaria CARF nº 001 de 03 de janeiro de 2012 determina que o julgamento do processo no conselho para ser sobrestado deve ter reconhecida não apenas a sua repercussão geral como também, comprovadamente a determinação do sobrestamento pelo STF. Embargos de declaração desprovidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos declaratórios. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Leonardo Mussi da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 09 11 /2 00 6- 50 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000911/200650 Acórdão n.º 3101001.385 S3C1T1 Fl. 4 2 Relatório Tratam os autos de embargos de declaração manejados pela Fazenda Nacional, em face do acórdão 310101.079 de 24/04/2012 da lavra da relatora, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, no momento licenciada, por conta disso a mim redistribuído, por ter verificado contradição e omissão por entender que consoante o e. STF, o recurso extraordinário com repercussão geral nº 627.815, o objeto em causa tem implicação constitucional, restando decidido no recebimento daquele recurso, verbis: ‘TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 627815 RG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 21/10/2010, DJe224 DIVULG 22112010 PUBLIC 23112010 EMENT VOL024360 2 PP00384 RT v. 100, n. 904, 2011, p. 135138 RT v. 100, n. 908, 2011, p. 4 80483)’ Assim, por força do disposto no RICARF, art. 62, não pode está Preclara Tur ma pronunciarse sobre a aplicação de Lei, quando o alcance interpretativo da mesma está afeta à Constituição Federal. Pensamento outro implicaria no reco nhecimento da competência desta Egrégia Corte de exercer controle de constitucionalidade. Finalmente, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Conheço dos embargos de declaração porque tempestivos e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Trata o presente processo da incidência do PIS e da COFINS sobre as variações cambiais ativas de contratos celebrados em operações de exportação. Entendeu a Fazenda nacional através da Procuradoria da Fazenda Nacional que este Conselho conforme o disposto no artigo 62 do RICARF não pode se pronunciar sobre a aplicação da Lei quando o alcance interpretativo da mesma está afeta à Constituição Federal e por conta da determinação da repercussão geral do recurso extraordinário nº 627.815 do STF, esse processo deveria ser sobrestado. Entretanto, a Recorrida veio aos autos para requerer a redistribuição do processo e na oportunidade manifestouse no sentido de que os embargos não reúne as mínimas condições de prevalecer seja em face do disposto na Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de Fl. 414DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000911/200650 Acórdão n.º 3101001.385 S3C1T1 Fl. 5 3 2012, seja em razão do fato de que o recurso voluntário já esteve sobrestado anteriormente e foi levado a julgamento justamente em virtude da publicação da mencionada portaria. Efetivamente, a mencionada Portaria CARF nº 001 em seu artigo 1º dispõe: “Art. 1º Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso.” Assim, como a matéria está no STF com existência de repercussão geral reconhecida, mas não com determinação do sobrestamento relativo a matéria em questão nos autos, o acórdão embargado, não apresenta contradição ou omissão, devendo os embargos declaratórios serem desprovidos. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao Embargos Declaratórios interposto pela Fazenda Nacional. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 415DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11610.008960/2002-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/04/1989 a 31/03/1992
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Para que possa executar
administrativamente a restituição cujo título estava sendo executado no Poder
Judiciário, é necessário que o contribuinte demonstre a desistência de sua
execução.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-00196
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/1989 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Para que possa executar administrativamente a restituição cujo título estava sendo executado no Poder Judiciário, é necessário que o contribuinte demonstre a desistência de sua execução. Recurso Voluntário Negado
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11610.008960/2002-26 Recurso n° 142.252 Voluntário Acórdão n° 3201-00.196 — 2' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente CCBR CATEL CONSTRUÇÕES DO BRASIL LTDA Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/1989 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Para que possa executar administrativamente a restituição cujo título estava sendo executado no Poder Judiciário, é necessário que o contribuinte demonstre a desistência de sua execução. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / P Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. • LUIS MAIC IEtG-UERRA DE CASTRO - Presidente ga.—cal , ANELISE DAUDT PRIETO - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Irene Souza da Trindade Torres, Heroldes Bahr Neto e Celso Lopes Pereira Neto. 1 Processo n° 1 16 I 0.008960/2002-26 S3-C2T1 • Acórdão n.• 3201-00.196 Fl. 492 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: O contribuinte acima identificado apresentou manifestação de inconformidade com relação ao Despacho Decisório às fls. 164 a 169 que indeferiu o pedido da interessada visando à compensação de eventuais créditos de FINSOCIAL referentes aos períodos de abril de 1989 a março de 1992, com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 2. O pedido foi indeferido pela DERAT-SÃO PAULO porque os valores de FINSOCIAL são objeto de discussão judicial em ação proposta pela contribuinte, que não comprovou a desistência ou renúncia em promover à execução do titulo judicial. 3. Na manifestação de inconformidade às fls. 171/178 a contribuinte alega resumidamente que: Por absoluto lapso deixou de apresentar a documentação constante do Termo de Intimação Fiscal n° 165/2006. Diante da documentação ora acostada e das alegações que seguem é caso de reconsideração da decisão. Informa que não realizou a compensação objeto dos pedidos constantes de fls. 02, em outras palavras, não utilizou o crédito que possui. Isto porque aderiu ao processo de parcelamento de débitos federais (processo n° 11610.016400/2002-45), tendo como objeto exatamente os débitos da COFINS que seriam objeto da finura compensação. A manifestante prova por documento anexado (doc. 16) a efetiva desistência de continuidade da repetição pela via judicial. Tal requerimento foi o último apresentado pela manifestante perante o processo judicial. De se notar que o pedido de desistência do oficio requisitório judicial e do arquivamento dos autos se deu após a publicação do despacho a que se refere o fisco em sua manifestação. • 4. O contribuinte pede prazo suplementar para apresentar documentação exigida nos itens 2 e 3 da Intimação Fiscal n° 165/2006. 5. O contribuinte requer a reconsideração da decisão recorrida, para que seja deferida a restituição e que em conseqüência se homologue a compensação do crédito declarado com futuros débitos de mesma competência. •Ols° 2 1. Processo n° 11610.008960/2002-26 S3-C2TI • Acórdão ri.° 3201-00.196 Fl. 493 6. Foram juntados aos autos documentos entregues pelo contribuinte posteriormente à apresentação da manifestação de inconformidade (fls. 221 a 403). 7. É o relatório. A 9' Turma da DRJ/São Paulo I indeferiu a solicitação, em decisão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIOES Período de apuração: 01/04/1989 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL - São vedadas a restituição e a compensação se o requerente não comprovar a homologação da desistência ou a homologação da renúncia à execução. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com os mesmos argumentos da impugnação. Alega, ainda, que as normas legais invocadas no acórdão recorrido dizem respeito a ações judiciais em curso, o que não guarda relação com o presente caso. Como comprovariam os documentos acostados junto com a manifestação de inconformidade, antes mesmo da citação da União sobre o início da execução do título judicial a Recorrente formalizou pedido de arquivamento do pleito, informando expressamente sua intenção de utilização do crédito para compensação administrativa. Aduz que mesmo não tendo usado a palavra desistência, estava efetivamente demonstrando e pleiteando desinteresse na execução pela via judicial, antes mesmo que ela iniciasse. O fato de a União Federal não ter cobrado da Recorrente as despesas processuais e honorários pela desistência da ação não pode levá-la ao prejuízo. É o relatório. /Cf 3 ' Processo n° I I 610.008960/2002-26 S3-C2T1 • Acórdão n.° 3201-00.196 Fl. 494 Voto Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora Conheço do recurso voluntário, que é tempestivo e trata de matéria de competência desta Turma. As normas que estabelecem ser necessária a desistência da execução no Poder Judiciário têm por objetivo garantir que o sujeito passivo não obtenha o seu direito creditório em duplicidade. No presente caso verifica-se, pela cópia dos autos do processo judicial, que a empresa chegou a iniciar o processo de execução, sendo que a União, inclusive, foi citada 26/07/2000 (fl. 149). Considerando o despacho de fl. 163, publicado em 06/08/2002, o autoridade administrativa entendeu que a recorrente não faria jus à restituição. Aquele despacho estabelece o seguinte: "1. Promova a parte autora, no prazo de 10 (dez) dias, a juntada de todas as cópias necessárias, devidamente autenticadas, para a expedição de oficio precatório. 2. Com o cumprimento, providencie a Secretaria a expedição do oficio precatório, 3. Silente, aguarde-se eventual manifestação em arquivo." Com a cópia integral do processo no Poder Judiciário que veio anexa à manifestação de inconformidade, constata-se que a empresa, em 07/08/2002, protocolizou petição esclarecendo que a restituição estava sendo executada por meio de compensação administrativa, não havendo necessidade de expedição de oficio requisitório. Conclui a petição da seguinte forma: "Sendo assim, requer que estes autos aguardem em arquivo a oportuna comunicação do processo administrativo acima noticiado, ou seja, só após a compensação da integralidade do montante de condenação, nos termos da legislação aplicável." Em anexo foram juntadas partes deste PAF. Conforme certidão de fl. 224, trazida em anexo à manifestação de inconformidade, aqueles autos foram remetidos ao arquivo em 23/08/2002 e desarquivados em 25/06/2007. Assim, não resta dúvida de que foi dado conhecimento, ao Poder Judiciário, de que a execução estava sendo feita na via administrativa e, portanto, não há perigo de que ela ocorra em duplicidade. Porém, a norma disciplinadora da compensação à data do pedido estabelece ser necessária a desistência da execução (art. 17 da IN SRF 21/97 com a redação dada pela IN SRF 73/97). E o contribuinte, mesmo alertado já desde a primeira decisão na Receita Federal de que seria necessária a comprovação de tal desistência, não a providenciou. teP 4 „ Processo n• 11610.008960/2002-26 S3-C2T I • Acórdão n.° 3201-00.196 Fl. 495 Não há que falar que estava efetivamente desistindo. Na verdade, solicitou que os autos aguardassem em arquivo a oportuna comunicação do processo administrativo acima noticiado, ou seja, só após a compensação da integralidade do montante de condenação, nos termos da legislação aplicável.” Não se trata de desistência e sim de solicitação de aguardo do desfecho do processo no âmbito administrativo. Assim, em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2009 dri ii,41,4•- NEL1SE DA o T PRIE - Relatora 07.
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Numero do processo: 13527.000092/2001-20
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 31/03/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 30/06/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA.CUMPRIMENTO DE DECISÃO DO CARF NÃO CONFIGURA UM NOVO DESPACHO DECISÓRIO.
Ocorrendo o despacho decisório sobre pedido de ressarcimento/compensação dentro do prazo qüinqüenal previsto na legislação tributária, não há que se falar em homologação tácita. As glosas realizadas no pedido de compensação pela Receita Federal, em cumprimento à decisão do CARF, não configura um novo despacho decisório.
CRÉDITO PRESUMIDO. DECISÃO DEFINITIVA. MENSURAÇÃO DO CRÉDITO.
Ao executar a decisão do CARF, cabe a Unidade da Receita Federal realizar as averiguações e os cálculos necessários, obedecendo as premissas definidas pelo CARF no acórdão exarado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Nanci Gama.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA.CUMPRIMENTO DE DECISÃO DO CARF NÃO CONFIGURA UM NOVO DESPACHO DECISÓRIO. Ocorrendo o despacho decisório sobre pedido de ressarcimento/compensação dentro do prazo qüinqüenal previsto na legislação tributária, não há que se falar em homologação tácita. As glosas realizadas no pedido de compensação pela Receita Federal, em cumprimento à decisão do CARF, não configura um novo despacho decisório. CRÉDITO PRESUMIDO. DECISÃO DEFINITIVA. MENSURAÇÃO DO CRÉDITO. Ao executar a decisão do CARF, cabe a Unidade da Receita Federal realizar as averiguações e os cálculos necessários, obedecendo as premissas definidas pelo CARF no acórdão exarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 52 7. 00 00 92 /2 00 1- 20 Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Nanci Gama. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/96 e Portaria MF nº 38/97, no valor de R$ 1.041.730,93. O pedido foi indeferido pela receita Federal em razão dos créditos serem referentes a aquisições de pessoas físicas e cooperativas. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que não foi acatada pela Delegacia de Julgamento. Irresignado apresentou Recurso Voluntário. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF decidiu pelo provimento do recurso, autorizando os créditos referentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas.. Ao executar a decisão do CARF, a Unidade da Receita Federal realizou auditoria nos documentos contábeis e fiscais da Recorrente e decidiu homologar parcialmente a compensação, reconhecendo o direito creditório de R$ 1.088.667,79. O restante dos créditos foram glosados devido a inclusão de Notas Fiscais de compras de combustíveis (fls. 2233 a 2236), aquisições de insumos importados (fls. 2237 a 2239) e nota fiscal de compras de insumos nº 62582, que constava na planilha sem destaque do imposto. Não concordando com a posição da Receita Federal, a Recorrente apresentou nova manifestação de inconformidade, alegando que a decisão do CARF seria definitiva e não caberia a Receita Federal realizar nova análise sobre o direito creditório da Recorrente, devendo, em obediência a decisão do CARF, homologar o valor total do pedido de compensação. Do Recurso também consta a alegação da homologação tácita do pedido de compensação, pois quando da nova decisão da Receita Federal, já teria transcorrido o prazo qüinqüenal para a auditoria do pedido. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento negou provimento a esta segunda manifestação de inconformidade. A decisão da DRJ foi assim ementada: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 A 31/03/1999, 01/01/2000 A 31/12/2000, 01/01/2001 a 30/06/2001 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. DECISÃO DEFINITIVA. MENSURAÇÃO DO CRÉDITO. GLOSA. Cabível na mensuração do valor pleiteado, a glosa de crédito utilizados em desacordo com a legislação de regência e que não Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13527.000092/200120 Acórdão n.º 3102001.775 S3C1T2 Fl. 2.407 3 foram objeto de decisão administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada da decisão, a empresa interpôs novo Recurso Voluntário repisando às alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, alegando que teria o direito integral ao indébito tributário, em razão da decisão do CARF e a homologação tácita do pedido de compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, o cerne da lide é o procedimento adotado pela Delegacia da Receita Federal, que para executar a decisão do CARF, realizou diligências para averiguar a procedência dos valores informados no pedido de ressarcimento. A decisão do CARF é de cumprimento obrigatório pela Receita Federal, tal fato é inconteste, entretanto, as decisões do CARF nem sempre guardam valores líquidos e certos para a execução da sentença. Em determinadas situações a decisão enfrenta questões de direito e de aplicação da legislação tributária, nestes casos, os cálculos referentes a exigência fiscal, indébitos tributários e compensações, não são decididos no acórdão. Assim, ao cumprir a decisão, cabe a Unidade da Receita Federal realizar as averiguações e os cálculos necessários, obedecendo as premissas definidas pelo CARF no acórdão exarado. Quando o contribuinte não concorda com as conclusões da receita ao executar a decisão lhe é permitido contestar a posição adotada, abrindo um novo litígio, submetido aos ritos do PAF, protocolando sua impugnação ou manifestação de inconformidade, que será julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento e em não concordando com a decisão da primeira instância lhe e facultada a possibilidade de apresentar recurso voluntário a ser analisado pelo CARF. No presente processo foi justamente este o procedimento adotado. A decisão do CARF foi cumprida pela Delegacia da Receita Federal, que homologou parcialmente o pedido de compensação. A recorrente não satisfeita com esta decisão apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada pela DRJ e ainda, não satisfeita com a decisão, foi interposto o Recurso Voluntário. Não há que se falar em erro de procedimento. A alegação que a decisão do CARF é definitiva e vincula a Receita Federal que não poderia alterar o valor original registrado no pedido de compensação não pode prosperar. A decisão do CARF foi no sentido de permitir a utilização das aquisições de pessoas físicas e cooperativas para o cálculo do crédito presumido do IPI, em nenhum momento, a Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 decisão confirmou os valores creditórios informados no pedido de compensação. O primeiro despacho decisório negou o direito ao crédito sem adentrar a correção e procedências dos valores informados na PER/Dcomp. Sendo a posição reformada pelo CARF, cabe à Receita Federal prosseguir na análise do direito creditório, verificando os valores informados, não assistindo razão a Recorrente quanto a esta matéria. Quanto à alegação que teria ocorrido a homologação tácita do pedido de compensação. Aqui também não pode prosperar o recurso. A análise do pedido de compensação ocorreu dentro do prazo quinquenal previsto pela legislação tributária. A partir da manifestação de inconformidade instaurouse o litígio administrativo e estamos nele ate o momento. Sendo discutido em uma primeira fase, o direito ao crédito nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas e agora em uma segunda fase, discutindo a procedências dos valores informados no pedido de compensação. A discussão administrativa, que foi iniciada quando da primeira manifestação de inconformidade da Recorrente, permanece ate o momento, não cabendo aqui, falarse em homologação tácita do pedido de compensação. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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