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Numero do processo: 10825.001378/2006-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS.
É do contribuinte o ônus da prova para afastar a imputação da conduta de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica.
Numero da decisão: 2001-002.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. É do contribuinte o ônus da prova para afastar a imputação da conduta de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-04-22T20:27:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-04-22T20:27:16Z; Last-Modified: 2020-04-22T20:27:16Z; dcterms:modified: 2020-04-22T20:27:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-04-22T20:27:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-04-22T20:27:16Z; meta:save-date: 2020-04-22T20:27:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-04-22T20:27:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-04-22T20:27:16Z; created: 2020-04-22T20:27:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2020-04-22T20:27:16Z; pdf:charsPerPage: 2317; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-04-22T20:27:16Z | Conteúdo => S2-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10825.001378/2006-84 Recurso Voluntário Acórdão nº 2001-002.068 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 17 de março de 2020 Recorrente GUSTAVO DE FREITAS GUARESCHI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. É do contribuinte o ônus da prova para afastar a imputação da conduta de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura Relatório Trata-se de notificação de lançamento lavrada em 02/05/05, por meio da qual exige-se do ora recorrente o valor de R$ 5.519,77 a título de IRPF suplementar, exercício 2003, ano-calendário 2002, acrescido de multa de ofício e demais consectários legais, diante da omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, das fontes pagadoras: Banco do Brasil S/A, CNPJ 00.000.000/0001-91, no valor de R$50.531,60; Belone & Ranieri Ltda ME, CNPJ 04.344.442/0001-06, no valor de R$1.000,00; Bianca Barraviera de Oliveira ME CNPJ 02.944.013/0001-44, no valor de R$7.200,00; e Adriana Marli Basto Dias Costa, CNPJ 00.757.198/0001-52, no valor de R$12.759,00. Devidamente notificado do lançamento, o Recorrente apresentou impugnação, alegando em síntese, que os bens imóveis que originaram os rendimentos apurados deixaram de integrar seu patrimônio desde janeiro de 2002, em decorrência de alteração contratual para aumento de capital da empresa denominada “Trevo Administradora de Bens Ltda”, da qual é sócio. Anexa documento contendo alteração contratual da citada empresa, bem como relatórios expedidos pela imobiliária responsável pela locação dos imóveis ocupados pelo Banco do Brasil AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 13 78 /2 00 6- 84 Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-002.068 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10825.001378/2006-84 S/A, Belone e Ranieri Ltda ME, Bianca Barraviera de Oliveira ME Adriana e Marlo Bastos Dias Consta. O Recorrente instruiu a sua impugnação com os seguintes documentos: (i) instrumento particular de alteração contratual – Trevo Administradora de Bens LTDA. (fls.12-29); (ii) demonstrativos de pagamento do locador – Bel-Lar Imobiliária e Adm. de Imóveis (fls.30-57); e (iii) documento de identificação (fl.58). Na ocasião do julgamento da impugnação apresentada pelo ora Recorrente, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília (DF) proferiu o acórdão nº 03- 26.685 7ª Turma da DRJ/BSA, julgando procedente em parte a impugnação, pelo seguinte entendimento: a) o documento apresentado, referente à alteração contratual da empresa “Trevo Administradora de Bens Ltda”(fls. 12/29), onde consta a transferência de imóveis de propriedade do contribuinte para a citada empresa, visando a elevação do capital social, não comprova a transferência de propriedade dos imóveis, uma vez que os art. 1.225 e 1.227 do CC dispõe que a transferência de propriedade do imóvel só é comprovada pelo registro da matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis, comprovando, assim, quem é o verdadeiro proprietário; b) nos termos do Art. 15 do Decreto 70.235/72 - Processo Administrativo Fiscal (PAF), a impugnação formalizada deverá estar instruída com os documentos em que se fundamentar. Ainda no mesmo decreto, no art. 16, está disposto que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, com as provas que possuir; c) o interessado teve oportunidade, à luz do art. 15 do Decreto n° 70.235/72, de contestar os dados apurados pela Fiscalização, fundamentando sua defesa com os elementos de prova suficientes e necessários a infirmar os dados utilizados na efetivação do lançamento, no entanto, não o fez; d) o contribuinte requer, em sua defesa, exclusão da multa isolada, no entanto, cumpre esclarecer que no presente lançamento, não houve cobrança de multa isolada por atraso na entrega de declaração de ajuste anual; Inconformado com o v. acórdão nº 03-26.685 7ª Turma da DRJ/BSA, o Recorrente interpôs recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese: a) que foram apresentadas comprovações de que os rendimentos dos aluguéis referidos, ingressaram como receita na pessoa jurídica “Trevo Administradora de Bens Ltda”, a quem os imóveis objeto de locação foram transferidos, isso tudo dispensando o Fisco de apresentar, ou ao menos mencionar, qualquer contraprova ou indicio de falsidade; b) nos termos dos arts. 234, da Lei 6.404/76 e art. 64, da Lei 8.934/94, o presente instrumento de alteração contratual, devidamente registrado na Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-002.068 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10825.001378/2006-84 Junta Comercial do Estado de São Paulo, constitui documento hábil para proceder a transferência .da propriedade dos imoveis junto ao Oficial do Registro de Imóveis. Desta forma, o instrumento de alteração contratual devidamente registrado na Junta Comercial SUBSTITUI A ESCRITURA PÚBLICA DE VENDA E COMPRA. Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Cinge-se a controvérsia sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas a título de aluguel. Alega o Recorrente que os imóveis não mais lhe pertencem e que foram utilizados para integralização do capital social da sociedade empresária Trevo Administradora de Bens Ltda., da qual o recorrente integra o quadro societário. Dessa forma, pretende afirmar o Recorrente que os rendimentos de aluguel pertencem à referida sociedade empresária. No entanto, entendo que não assiste razão ao Recorrente. Isso porque, conforme ao que se verifica dos autos, não existe a prova do registro da transferência da titularidade dos bens imóveis nos cartórios de registro de imóveis, como exige o art. 1.245, do Código Civil. Ademais disso, o Recorrente não junta qualquer prova de que a referida sociedade empresária figura nas relações jurídicas de aluguel na condição de locadora, nem de que os pagamentos foram efetuados em conta de titularidade da sociedade empresária, não sendo os documentos de fls. 30-57 hábeis para a comprovação de que os pagamentos foram efetuados na conta da sociedade empresária Trevo Administradora de Bens Ltda.. Diante do exposto, conheço do recurso e, no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 18186.732644/2015-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 148.
No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-003.388
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16592.725200/2015-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16592.725200/2015-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16592.725200/2015-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 73 26 44 /2 01 5- 90 Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.388 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.732644/2015-90 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.284, de 17 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração – AI (e-fls.) lavrado pela entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social - GFIP fora do prazo fixado na legislação. Tal autuação gerou lançamento de multa correspondente a 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, conforme “Comprovante de Declaração das Contribuições a Recolher à Previdência Social e a Outras Entidades e Fundos por FPAS”, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91. A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, que, por unanimidade, foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às e-fls. no qual alega, em síntese que: o instituto denúncia espontânea deve ser aplicado ao caso; decadência do crédito tributário; inconstitucionalidade e abusividade da multa aplicada e ofensa a princípios constitucionais; alteração do critério jurídico na aplicação do artigo 146 do CTN. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.388 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.732644/2015-90 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.284, de 17 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Conforme os autos, trata o presente processo de auto de infração – AI (e- fls.) lavrado pela entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social - GFIP fora do prazo fixado na legislação. Da decadência Em relação a decadência, ressalta-se que nos casos de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é aquele previsto no artigo 173, I, do CTN. Ainda, conforme a Súmula CARF n° 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Assim, não há que se falar em decadência no presente processo. Do cumprimento da obrigação acessória – entrega da GFIP O Código Tributário Nacional (CTN - Lei nº 5.172/66) diferencia, expressamente, a obrigação tributária principal da obrigação tributária acessória. Aquela, decorre do dever de transferir montante pecuniário aos cofres públicos, quitar tributo, conceito este trazido no artigo 3º do diploma legal: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.388 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.732644/2015-90 Mais a frente, o artigo 113 do CTN não deixa qualquer dúvida quanto a natureza jurídica distinta das obrigações: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A obrigação acessória, como retro mencionado, decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas impostas ao contribuinte em prol de auxiliar o Fisco no recolhimento de tributos, por exemplo, manter livros fiscais, envio de informações, dentre outras. Assim, além de distintas, ambas as obrigações são autônomas. Mesmo que o contribuinte quite seu débito tributário com o Fisco, não fica desobrigado a apresentação da obrigação acessória, no caso em tela, a Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP. O CTN ainda reforça a diferença de ambas as obrigações quando da delimitação do fato gerador: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Como sanção ao não cumprimento da obrigação acessória in casu, o artigo 32-A, da Lei nº 8.212/91, prevê a incidência de multa sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas, como se vê: Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art48 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-003.388 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.732644/2015-90 por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Da denúncia espontânea Quanto a alegação da aplicação do instituto da denúncia espontânea no presente caso, deixo de formular considerações mais delongadas haja vista o conteúdo da Súmula CARF n° 49, cujo efeito é vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Como já colacionado no voto, pelo exposto no artigo 32-A, II da Lei nº 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas. Ainda, não há que se falar em violação ao artigo 146 do CTN, vez que, o artigo 142 do mesmo diploma legal prevê que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Das alegações de inconstitucionalidade Quanto às alegações acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar-lhe provimento. Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-003.388 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.732644/2015-90 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10680.726869/2011-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA.
Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação.
Numero da decisão: 9303-010.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran Relatora
(documento assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran – Relatora (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 68 69 /2 01 1- 91 Fl. 525DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3301-002.214, de 26 de fevereiro de 2014 (fls. 305 a 307 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem em 31/08/2007, na transmissão pelo Contribuinte de PER/Dcomp, visando a compensar os débitos nele declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, efetuado em 15/07/2004, relativo ao período de apuração de 30/06/2004. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu despacho decisório eletrônico em 07/10/2009, no qual não homologa a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em 19/11/2009, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a não homologação ocorreu em virtude da não retificação da DCTF referente ao 2º trimestre de 2004, pelo que, para sanar a irregularidade, apresentou, em 04/11/2009, DCTF retificadora, alterando o valor devido da contribuição e apurando, assim, um crédito a compensar, no valor de R$ 448.801,15. Em 27/06/2011, a 1ª Turma desta Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/BHE) proferiu o Acórdão nº 02-33.027, reconhecendo o direito creditório alegado. Em 20/10/2011, a DRF/BHE notificou o Contribuinte do acórdão e da cobrança do saldo devedor remanescente da compensação efetuada. De acordo com o termo de ciência e notificação, a contribuinte teria o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para, “se for o caso”, apresentar Recurso Voluntário, Fl. 526DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 Em 24/11/2011, a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, em que, em resumo, questiona a incidência de multa e juros de mora sobre os valores compensados, o que resultou na homologação apenas parcial dos débitos, por insuficiência do crédito reconhecido pela DRJ. Em 22/08/2012, a Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) proferiu o Acórdão nº 3302-001.773 (fls. 123/128), em que decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário, com a orientação de que a petição seja apreciada e decidida inicialmente pela autoridade da RFB de 1ª Instância. Cientificada do acórdão em 07/05/2013, o Contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade, em 06/06/2013, com os mesmos argumentos já apresentados no documento denominado “Recurso Voluntário”, em discordância à incidência de multa e juros de mora sobre os valores dos débitos informados na Dcomp, Em 29/07/2013, a DRJ em Belo Horizonte/ MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO INEXISTENTE. FALTA DE CONTESTAÇÃO. A falta de contestação do fundamento utilizado para a não homologação da Dcomp prejudica a apreciação e julgamento das demais razões mérito expendidas no recurso voluntário. DÉBITOS. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 527DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 A apreciação e julgamento da incidência de multa de mora, na extinção de débitos tributário, mediante Dcomp não homologada, sob o argumento de que ocorreu a denúncia espontânea dos créditos tributários correspondentes aos débitos cuja compensação não foi homologada, ficou prejudicada. Recurso Voluntário Negado. O Contribuinte opôs embargos de declaração às fls.316 a 318, sendo que estes foram rejeitados, conforme acórdão nº 3301-003.218, 22 de fevereiro de 2017 (fls. 338 a 345). O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 353 a 380) em face do acordão recorrido que negou provimento ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito ao afastamento do argumento da denúncia espontânea. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 3401-01.045. A comprovação do julgado firmou-se pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma – documento de fls. 471 a 482. O Recurso Especial do Contribuinte não foi admitido, conforme despacho de fls. 487 a 489, sob o argumento que não ficou caracterizada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte apresentou agravo às fls. 496 a 500, sendo que este foi acolhido para dar seguimento ao Recurso Especial relativamente à matéria "denúncia espontânea" (despacho de fls. 504 a 510). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 513 a 522, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório em síntese. Fl. 528DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran, Relatora. Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de Agravo de fls. . 496 a 500. Do Mérito No mérito, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito a aplicação da denúncia espontânea. Sem muitas delongas, essa matéria já foi objeto de debate nessa turma e se refere ao mesmo Contribuinte. Cito três julgados recentes, uma da ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello (voto vencido), um da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama (voto vencido) e por fim do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, a seguir respectivamente as emendas: Processo nº 10680.724372/201057 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.642 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2019 Recorrente CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.INOCORRÊNCIA. MULTA DE MORA DEVIDA. Fl. 529DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 A declaração de compensação não equivale a pagamento, para fins de caracterização da denúncia espontânea o art. 138 do CTN, devendo ser mantida a exigência da multa de mora quando não há extinção do crédito tributário confessado por meio de pagamento anterior, ou pelo menos concomitante, à confissão da dívida. Processo nº 10680.909604/201045 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.795 – 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2019 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/06/2006, 15/07/2006, 15/08/2006 MULTA DE MORA. DÉBITOS. PAGAMENTOS A DESTEMPO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O pagamento de débitos fiscais declarados nas respectivas DCTF, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), em data posterior à dos seus respectivos vencimentos, não configura denúncia espontânea, incidindo multa de mora sobre débitos compensados a destempo. Processo nº 10680.724380/201001 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303009.273 – 3ª Turma Sessão de 13 de agosto de 2019 Recorrente CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2005 a 28/02/2006 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 530DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) , cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. Apesar do entendimento acima, me manifestei neste julgados que a compensação deve se equiparar ao pagamento para efeitos da aplicação da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Assim, faço meus os argumentos da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama que em seu voto condutor, analisou a mesma matéria, e por isso peço vênia para abaixo reproduzi-lo: Vê-se que o cerne da lide se resume a equiparação das modalidades de extinção do crédito tributário, especificamente compensação com pagamento, para fins de aplicação da tese da denúncia espontânea ao presente caso. Eis o art. 138 do CTN: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Para melhor direcionar o meu entendimento, importante recordar: Fl. 531DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 Trata-se de despacho decisório que homologou em parte a compensação dos débitos tributários declarados na DCOMP; A homologação parcial decorreu da falta de recolhimento de multa de mora, vez que o contribuinte adotou a tese da denúncia espontânea nesse caso – eis que entregou a DCOMP antes da apresentação da DCTF retificadora. Resta assim, inegável, que houve a extinção de parte do débito com a homologação parcial, vez que a Receita Federal do Brasil homologou parcialmente a declaração de compensação, considerando que faltava o recolhimento da multa. Inegável, assim, que houve a quitação total do débito, com a homologação, se adotarmos a tese da denúncia espontânea. Tal informação é relevante, considerando o decidido pelo STJ, em sede de Recurso Repetitivo (Grifos meus): "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que Fl. 532DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as Fl. 533DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Vê-se que o STJ traz que quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. O STJ traz o termo recolhido integralmente, e não pago integralmente, além mencionar a palavra quitação. Por óbvio, vez que o que se deve considerar para a aplicação do art. 18 do CTN é a quitação – extinção do débito. E, no presente caso, ocorreu. A compensação tem o mesmo efeito prático e jurídico do recolhimento: ambos surtem o efeito imediato de extinção do crédito tributário e estão sujeitos, igualmente, à homologação pela autoridade fiscal. Frise-se tal entendimento a Nota Técnica Cosit 1 – que aplico, ainda que “extinta”: “[...] Aplicabilidade da denúncia espontânea no caso de compensação 18. Com relação a aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem, ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. [...]” Fl. 534DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 Cabe considerar ainda o decidido pelo STJ que decidiu que “compensação” se equiparava a “pagamento” – Resp 1.122.131/SC: “TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9°. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIR-SE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA SSP - 1669290v7 12 HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. [...] Considerando-se a compensação uma modalidade que pressupõe credores e devedores recíprocos, ela, ontologicamente, não se distingue de um pagamento no qual, imediatamente depois de pagar determinados valores (e extinguir um débito), o sujeito os recebe de volta (e assim tem extinto um crédito). Por essa razão, mesmo a interpretação positivista e normativista do art. 9°. da MP 303/06, deve conduzir o intérprete a albergar, no sentido da expressão pagamento, a extinção da obrigação pela via compensatória, especialmente na modalidade ex officio, como se deu neste caso (2/6/16)” (REsp 1122131/SC, relator: ministro Napoleão Nunes Maia Filho, primeira turma, data do julgamento: 24/5/16, data da publicação/fonte: DJe 2/6/16, g.n.).” No presente caso, a Contribuinte ao ter constatado erro na apuração da base de cálculo do PIS/PASEP, efetuou nova apuração dessa contribuição e constatou-se o recolhimento a maior do débito correspondente. Fl. 535DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 Dessa forma, após efetuar e pagamento e constatando erro foi pleiteada a Compensação, por meio da PER/DCOMP nº 39731.77768.310807.1.3.04-0040, de débitos de PIS/PASEP com crédito resultante de erro na apuração do PIS/PASEP, em 31/08/2007. Naquela oportunidade a Contribuinte não efetuou a retificação da DCTF correspondente. No entanto, já havia efetuado a retificação da DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais referente ao 2º trimestre de 2004. As referidas compensações podem ser comprovadas na DCTF Retificadora 4º trimestre 2004 e DCON Retificadora 4º Trimestre 2004. No presente caso deve ser considerado perfeitamente cabível o benefício da denúncia espontânea, uma vez que os débitos de PIS/PASEP sob os quais se pleiteia a compensação só foram confessados quando da apresentação da DCTF Retificadora 4º Trimestre 2004 e DACON Retificadora 4º Trimestre 2004. Quando da realização da compensação, portanto, os débitos confessados já se encontravam vencidos, sendo indubitável que o contribuinte os confessou naquela data. Na divergência apresentada pela Contribuinte, o que se verificará é a possibilidade de a realização da compensação equiparar-se ao pagamento para efeitos da aplicação da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. A compensação também é forma de extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, inciso II, do CTN, equivalente a pagamento, atraindo a aplicação do instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Vale observar que a compensação efetuada pelo contribuinte possui efeito de pagamento, sob condição resolut ria. Significa di er que, se porventura a compensação não vier a ser homologada, perderá a eficácia a denúncia espontânea, com a exigência do débito tributário com a multa. Fl. 536DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 Não obstante tratar-se de matéria controversa, seja neste Conselho ou no e. STJ, é importante observar as decisões deste Tribunal que se alinham ao entendimento que acolho no presente voto. A Primeira e a Segunda Turma do STJ apresentam precedentes em que aplicam a norma do art. 138 do CTN de forma que o termo “pagamento” assuma a acepção de “adimplemento”. Conforme a interpretação levada a termo nos ulgados a seguir, denúncia espontânea mediante o adimplemento integral do débito tributário antes da ação fiscal, independentemente deste se dar mediante pagamento em din eiro ou compensação: Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado. Com o devido respeito ao voto da ilustre relatora, mas entendo inaplicável o instituto da denúncia espontânea no presente caso. A discussão travada nos presentes autos refere-se à possibilidade de se afastar a exigência da multa de mora nas situações em que o contribuinte utilizou-se de compensação para efetuar a quitação do débito. Esclarecendo que a compensação foi realizada após o vencimento do débito. O contribuinte alega que tendo efetuada a compensação, mesmo que a destempo, deve ser aplicado o instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Como visto, a relatora e o acórdão paradigma adotaram esse entendimento. Fl. 537DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 Como é de sabença, o Superior Tribunal de Justiça, na pessoa do então Ministro Teori Albino Zavascki, decidiu, nos autos do processo nº 2007/0142868-9, sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação previamente declarados pelo contribuinte e pagos a destempo, nos seguintes termos. EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS - GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Mais tarde, no REsp 1149022, da relatoria do Ministro Luiz Fux, ficou consignado o entendimento de que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do tributo sujeito a lançamento por homologação, acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a declaração. A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. Noutro giro, é translúcido o entendimento de que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (item 7 da ementa a seguir transcrita). EMENTA 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer Fl. 538DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 539DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 (REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. Ressalta-se que ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ entendem, de maneira pacífica, que, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, mas foi pago, pode- se configurar a denúncia espontânea, desde que ocorram as demais hipóteses do art. 138 do CTN. Portanto, conclusão inequívoca dos citados julgados é que não havendo declaração prévia do tributo e tendo o contribuinte efetuado o seu pagamento sem qualquer ação prévia do ente tributante, deve ser aplicado ao caso a denúncia espontânea, inclusive em relação à multa de mora. Retomando os fatos do presente processo, tem-se que o contribuinte não efetuou o pagamento dos débitos, mas efetuou a sua compensação. No caso, trata-se de efetivamente efetuar a leitura correta do que dispõe o art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Da leitura do dispositivo legal acima transcrito resta claro que a denúncia espontânea só é valida se vier acompanhada do pagamento do tributo. No presente caso apesar do contribuinte ter confessado o débito por meio das declarações de compensação, esta confissão não veio acompanhada do pagamento e sim de uma pretensa compensação que dependerá sempre de sua homologação posterior, expressa ou tácita. Fl. 540DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 9303-010.229 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.726869/2011-91 Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, pois para o pagamento a extinção do crédito tributário não está vinculada a nenhuma condição e o art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96 estabelece que a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 541DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13706.003985/2008-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2007
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. CABIMENTO.
Correto o indeferimento de pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional protocolizado fora do prazo previsto na legislação.
Numero da decisão: 1002-001.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. CABIMENTO. Correto o indeferimento de pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional protocolizado fora do prazo previsto na legislação.
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LEONISSA CANTINA ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. CABIMENTO. Correto o indeferimento de pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional protocolizado fora do prazo previsto na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RH1. Trata-se de solicitação de inclusão no Simples Nacional com data retroativa a 01/07/2007, formulada pela interessada em 23/06/2008 (fls. 01). A Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Dicat/Derat/RJ) indeferiu o pleito sob o argumento de que ‘não constam solicitações de opção para 2007, mas somente para 2008, conforme Consulta Histórico em fls. 10’ (fls. 11). Fundamentou-se a decisão nos arts. 7º e 17 da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, com redação dada pela Resolução CGSN nº 19, de 13/08/2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 39 85 /2 00 8- 95 Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-001.146 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.003985/2008-95 Cientificada do indeferimento de seu pedido (fls. 12-verso), a interessada manifestou sua inconformidade alegando que a opção pelo Simples Nacional em 2007 fora realizada oportunamente (fls.16). A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RJ1, conforme acórdão de e-fls. 37. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário de e-fls. 42, no qual, além de considerações de ordem genérica, afirma que a empresa não possuía débito com o INSS e que estava baixada. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito O Recorrente teve negado pelo Despacho Decisório de e-fls.27 seu pedido de inclusão no Simples Nacional com data retroativa a 01/07/2007, por ter sido apresentado fora do prazo previsto na legislação. O acórdão recorrido corroborou com o Despacho Decisório e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, lastreando-se nos seguintes fundamentos: Nada há nos autos a comprovar a afirmativa da interessada de que optou pelo Simples Nacional em 2007, no prazo previsto no art. 17 da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, com redação dada pela Resolução CGSN nº 19, de 13/08/2007. Há sim documento indicativo de que a única solicitação de inclusão no sistema simplificado feita pela interessada foi em 08/01/2008 (fls. 10) - solicitação essa deferida com efeitos a partir de 01/01/2008, na forma do art. 7º, §1º, da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007 (fls. 32). Diante do exposto, por não ter optado tempestivamente pela sua inclusão no Simples Nacional em 2007, manifesto-me pelo indeferimento do pleito da interessada. Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-001.146 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.003985/2008-95 Nas suas razões de defesa, o Recorrente não contesta propriamente a rejeição do pedido de inclusão retroativa por extemporaneidade, alegando apenas motivos de fato estranhos à lide e despidos de comprovação. Com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF e considerando que o Recorrente não trouxe nenhum argumento capaz de demonstrar a ocorrência de equívoco na decisão recorrida, decido mantê-la pelos seus próprios fundamentos. Dispositivo Pelo exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10840.001852/2002-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. IMPROCEDÊNCIA.
Imprescindível para apreciação de qualquer compensação, a prova inequívoca da liquidez e certeza do crédito, no caso, tentou-se ainda a comprovação da existência dos créditos alegados, através de diligência.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.070
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. IMPROCEDÊNCIA. Imprescindível para apreciação de qualquer compensação, a prova inequívoca da liquidez e certeza do crédito, no caso, tentou-se ainda a comprovação da existência dos créditos alegados, através de diligência. Recurso Improvido.
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RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. IMPROCEDÊNCIA. Imprescindível para apreciação de qualquer compensação, a prova inequívoca da liquidez e certeza do crédito, no caso, tentouse ainda a comprovação da existência dos créditos alegados, através de diligência. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (presidente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidase de retorno de diligência determinada por este colegiado, através da Resolução nº 20201.286 (fls. 398/401), com fulcro no art. 29 do Decreto n° 70.235/72, a fim de que fosse analisados “todos os documentos apresentados pela recorrente durante a fase impugnatória, devendo, inclusive, ser prestados os esclarecimentos julgados necessários”. A decisão recorrida, objeto do presente recurso, indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e nãohomologou as compensações declaradas, relativamente ao saldo credor do IPI, apurado no período 01/01/2002 a 31/03/2002, com base no artigo 11 da lei n° 9779, de 1999,cujos valores pleiteados se destinam à compensação de seus débitos com a SRF, conforme sintetiza a ementa de fls. 380/384: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Quando documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Solicitação Indeferida ". Conforme depreendese da análise realizada pela DRF de Ribeirão Preto (fls. 440/445), foram constatadas algumas irregularidades, a seguir registradas: “ a ocorrência de diversas notas fiscais (nas quais não consta destaque do IPI), em que o estabelecimento emitente consta cadastrado no CNPJ (fls. 430/433) como comerciante varejista a requerente apropriouse de crédito A titulo de IPI como se a operação se tratasse de aquisição de comerciante atacadista não contribuinte (valor apurado sobre 50%); • a ocorrência de diversas notas fiscais emitidas por estabelecimentos cadastrados no CNPJ (fls. 434/437) como fabricante nas quais o IPI fora destacado, apenas que com o valor zero — da mesma forma, a requerente apropriouse de crédito A titulo de IPI como se a operação se tratasse de aquisição de comerciante atacadista nãocontribuinte (valor apurado sobre 50%); As ocorrências acima registradas na amostra examinada, por certo merecem averiguação com maior detalhamento, excluindose do montante pleiteado os valores creditados indevidamente, e observando ainda, que eventual ressarcimento limitarseia aos créditos decorrentes da aquisição de matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem, nos termos da Lei vigente. Todavia, no presente momento, e sem perder de vista as disposições dos artigos 15 e 16 do Decreto nr. 70.235/72, afigurase desnecessário aprofundar a investigação relativamente a tais documentos, em face das demais irregularidades observadas nos autos conforme se relata na sequência (RAIPI escriturado Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10840.001852/200256 Acórdão n.º 330101.070 S3C3T1 Fl. 455 3 incorretamente e ausência de documentos essenciais A apreciação do pleito), que, por si, impossibilitam a formação de convicção quanto ao direito do contribuinte ao ressarcimento pleiteado. 1.3 RAIPI O contribuinte procedeu A reescrituração do livro de apuração do IPI, conforme intimado pela Fiscalização. Entretanto, o exame sumário do livro mencionado (fls. 69/218), demonstra que a escrituração da forma como efetuada, ainda continua incorreta — não reflete as operações de entradas e saídas efetuadas pelo estabelecimento, em sua totalidade . Melhor dizendo, reflete as operações de entradas de mercadorias, mas apenas parte das saídas, conforme se conclui na sequência. (...) Da mesma forma, as saídas escrituradas no livro são também compatíveis com os demonstrativos constantes do referido CD . Entretanto, verificase que não refletem a totalidade das saídas de mercadorias ocorridas no período. Limitandose o exame apenas ao período objeto do pedido de ressarcimento, ou seja, de jan/2002 a mar/2002 (fls. 180 a 188), verificase que foram escrituradas saídas de mercadorias em 01 decêndio, de um total de 09 que compõem o período, sendo que a informação referese A devolução de compras (vide demonstrativo resumo de fls. 438/439) . (...) A disparidade é de tal ordem, que o total das saídas escrituradas no período, incluindo o valor do IPI devido, é inferior ao montante do crédito de IPI alegado pelo contribuinte, e objeto do pedido de Ressarcimento (...) De todo modo, admitindose por hipótese, que sejam essas as únicas saídas tributadas, é de se concluir que as demais saídas haverão de referirse a saídas tributadas à alíquota zero ou não tributadas . Ressaltese que o próprio contribuinte já havia declarado inicialmente, As fls. 04, a fabricação de produtos tributados A alíquota zero e nãotributados. 2 Documentos não apresentados pelo contribuinte Examinados até aqui os documentos apresentados na fase impugnatória, cabe registrar que a documentação apresentada representa apenas parte dos documentos solicitados pela Fiscalização . Em síntese, o que se constata é que o contribuinte não atendeu em sua totalidade, as intimações formuladas durante a ação fiscal.” Cientificada sobre o resultado a Recorrente alega, em síntese, que “... o Sr. Auditor Fiscal não verificou todos os documentos apresentados pela recorrente, juntados na sua impugnação, apenas se utilizou de amostras para chegar a malfadada conclusão. Ainda, conforme suas palavras: "As ocorrências acima registradas na amostra examinada, por certo merecem averiguação com maior detalhamento, estendendose o exame Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 totalidade das NFs juntadas, e excluindose do montante pleiteado os valores creditados indevidamente, e observando ainda, que eventual ressarcimento limitarseia aos créditos decorrentes da aquisição de matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem, nos termos da Lei vigente (fls. 441)." Requer, ao final, seja realizada nova diligência para cumprimento integral da decisão de fls. 398/401, bem como, para que a mesma seja intimada a apresentar esclarecimentos e/ou juntada de novos documentos, de acordo com o § 4º, alínea "c", artigo 16 do Decreto nº. 70.235/72. É o relatório Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais. Em que pese a realização da diligência, não foi possível à DRF emitir parecer conclusivo sobre o pleito da recorrente, quanto à quantificação e procedência do direito ao ressarcimento pretendido, tendo em vista as incorreções constantes do Livro de apuração do IPI, bem como não atendendo à solicitação para apresentação de documentos necessários à apuração do suposto crédito de IPI, tais como notas fiscais de entradas e de saídas do período analisado, Livro Diário e outros. Ademais disto, a recorrente após ter sido cientificada sobre o resultado da diligência, requer seja realizada nova diligência, protestando pela juntada de novos documentos, quando na verdade, deveria esclarecer os pontos apontados pela DRF naquela oportunidade, todavia, quedouse inerte. Desta forma, uma vez que os documentos apresentados não foram suficientes para amparar o pedido formulado, não há como deferir a solicitação de ressarcimento com a conseqüente nãohomologação das compensações levadas à efeito. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 01 de setembro de 2011 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10840.001852/200256 Acórdão n.º 330101.070 S3C3T1 Fl. 456 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 19679.004142/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA CARF 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
Com a edição do Parecer PGFN/CRJ nº 2601/2008 e do Ato Declaratório PGFN nº 10/2008, restou superada a discussão sobre a incidência ou não dos chamados expurgos inflacionários sobre o pedido de restituição. Aplicase ao valor pleiteado pelo contribuinte a correção dos valores pela Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561, de 02/07/2007.
Numero da decisão: 3401-007.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restituição dos expurgos inflacionários somente em relação aos fatos geradores ocorridos após 29/04/1995, fulminados os anteriores pela prescrição decenal de que trata a Súmula CARF n° 91.
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente Substituta
(documento assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, João Paulo Mendes Neto e Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restituição dos expurgos inflacionários somente em relação aos fatos geradores ocorridos após 29/04/1995, fulminados os anteriores pela prescrição decenal de que trata a Súmula CARF n° 91. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Presidente Substituta (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, João Paulo Mendes Neto e Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado).
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PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Com a edição do Parecer PGFN/CRJ nº 2601/2008 e do Ato Declaratório PGFN nº 10/2008, restou superada a discussão sobre a incidência ou não dos chamados expurgos inflacionários sobre o pedido de restituição. Aplica-se ao valor pleiteado pelo contribuinte a correção dos valores pela Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561, de 02/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restituição dos expurgos inflacionários somente em relação aos fatos geradores ocorridos após 29/04/1995, fulminados os anteriores pela prescrição decenal de que trata a Súmula CARF n° 91. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente Substituta (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 41 42 /2 00 5- 14 Fl. 400DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.004142/2005-14 Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, João Paulo Mendes Neto e Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos e por medida de celeridade e eficiência processual, adoto parcialmente o relatório constante do Acórdão recorrido: A empresa acima identificada ingressou, em 29/04/2005, com Pedido de Restituição (fls. 01/12), no valor de R$ 1.134.989,95 (um milhão, cento e trinta e quatro mil, novecentos e oitenta e nove reais e noventa e cinco centavos), sob a alegação de ter direito a expurgos inflacionários que não foram, originalmente, considerados nos cálculos apresentados no Pedido de Restituição n° 13819.001978/00-71. 2. A DERAT/DIORT/EQITD proferiu, em 23/04/2008, Despacho Decisório de fls. 182/186 com ciência à empresa em 19/05/2008 (fls. 187/187v), por intermédio do qual indeferiu o Pedido de Restituição no montante de R$ 1.134.989,95 (um milhão, cento e trinta e quatro mil, novecentos e oitenta e nove reais e noventa e cinco centavos) com fulcro nos arts. 165, I, 168, 1, do CTN, art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 e AD SRF n° 096/1999 (fls. 185). 3. Em virtude desta decisão, a empresa apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 188/200 e 203/223, acompanhada de documentos (fls. 224/279), alegando, em síntese, que: 3.1. A decisão proferida pela DIORT não merece prevalecer, pois carece de fundamentação fática e jurídica. 3.2. E detentora de créditos, pois incorporou, em 31/10/2000, a • empresa Proquigel Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda., conforme documentos societários contidos nos autos, créditos estes passíveis de restituição e oriundos de diferenças entre os pagamentos de PIS efetuados com base na inconstitucional sistemática dos Decretos-lei n° 2.445/1988 e n° 2.449/1988 e o que seria devido pela LC n° 7/1970. 3.3. Detentora destes créditos, protocolizou, em 21/09/2000, Pedido de Restituição n° 13819.001978/00-71 no valor de R$ 1.647.823,19 (um milhão, seiscentos e quarenta e sete mil, oitocentos e vinte e três reais e dezenove centavos). Em 24/05/2001, foi cientificada de seu indeferimento. Diante desse fato, recorreu à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas com base nas alegações de fls. 192, que, no entanto, ratificou a referida decisão de indeferimento. Inconformada, interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuinte, que, por maioria, deu-lhe provimento, conforme ementa transcrita às fls. 193/194. 3.4. No entanto, dos cálculos originalmente apresentados naquele pedido de restituição, verifica-se que o valor a ele atribuído não compreende a totalidade do indébito tributário a ser restituído, o que a levou a se valer do presente processo administrativo para retificar o erro que decorre de valores de faturamento maiores que o correto, de utilização indevida da alíquota para o ano de 1999 e de índices de correção monetária (fls. 194/195). Fl. 401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.004142/2005-14 3.5. Portanto, o presente pedido de restituição trata de singela retificação de erros nos cálculos do pedido de restituição original. Neste sentido, o próprio Despacho Decisório considerou-o como pedido de restituição complementar, e, calcado neste equívoco interpretativo, indeferiu o pleito (fls. 195/196). 3.6. Diante da inconstitucionalidade dos referidos decretos-lei, os recolhimentos feitos com base neles são indevidos, devendo a Administração Tributária envidar todos os esforços para que lhe sejam restituídos tais valores em obediência aos princípios informadores da conduta administrativa, especialmente, o princípio da moralidade, ainda que revistos de ofício (fls. 146/199). 3.7. Não é lícito ao Fisco conformar-se com os valores informados a menor pelo contribuinte em atenção ao princípio da verdade material. Aliás, o próprio julgado que reconheceu o direito à restituição ressalvou a verificação da exatidão dos cálculos apresentados. Constatado o erro, cabe à Administração deferir o presente pedido de restituição, ou, em última hipótese, proceder à retificação de ofício o pedido de restituição original ainda em curso (doc. 03 — fls. 279). Neste sentido, julgados do Conselho de Contribuintes que podem ser utilizados por analogia ao presente caso (fls. 199/208). 3.8. Devem ser considerados no cômputo do indébito os índices de correção e expurgos inflacionários, cuja matéria já se encontra pacificada na esfera administrativa e judicial sob pena de enriquecimento sem causa e afronta aos princípios informadores da Administração Pública (fls. 208/214). 3.9. Não ocorreu a decadência na hipótese dos autos, pois, conforme já demonstrado, o presente pedido de restituição visa à retificação dos erros contidos no pedido original, no qual já foi definitivamente afastada a ocorrência da decadência. 3.10. Ademais, o indeferimento não se sustentaria, pois foi determinado pelo Conselho de Contribuintes ao Fisco o poder/dever de averiguar a exatidão dos cálculos, que é o que ora se pleiteia. 3.11. O posicionamento reiterado do Conselho de Contribuinte reconhece a possibilidade de se aferir o valor efetivamente devido durante a fase de execução do julgado administrativo. Portanto, o direito à restituição não fica prejudicado pela decadência ou prescrição. 3.12. "Ora se o Fisco tem o dever de averiguar a exatidão dos cálculos, tal verificação deve considerar os efetivos valores a serem restituídos, de tal sorte que, se a Recorrente houver compensado mais do que o saldo de seus créditos, deve ser notificada nestes sentido, havendo saldo remanescente a ser compensado, compete à Receita Federal comunicar tal fato ao contribuinte , caso contrário estará a ferir o princípio constitucional da moralidade e se enriquecendo ilicitamente ." (fls. 215). 3.13. Não pode o Fisco abster-se de proceder as retificações, mesmo que de ofício, considerando as inconsistências tempestivamente denunciadas. 3.14. A fim de propiciar a integral e justa devolução do montante indevidamente recolhido, deve ser respeitada pela Administração Tributária a regra de imputação dos pagamentos ao saldo de créditos, conforme exposto às fls. 216/223. Fl. 402DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.004142/2005-14 3.15. Diante do exposto, requer a reforma do Despacho Decisório e o reconhecimento de seu direito à restituição. A decisão de primeira instância foi unânime pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO. PROCEDIMENTO ESPECÍFICO. A retificação de pedido de restituição somente pode ser feita pelo sujeito passivo caso a restituição encontre-se pendente de decisão administrativa, devendo ser pleiteada mediante apresentação de documento retificador. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA. PRECLUSÃO. Nas decisões definitivas proferidas pela Administração Pública, quando exauridos os meios de contestação, ocorre a preclusão para estabilidade das relações entre as partes. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INOVAÇÃO. Pedido de restituição que encerra inovação em relação à matéria originalmente apresentada, configura novo pedido. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo quinquenal contado da data da extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado nos casos de lançamento por homologação. Aplicação do art. 168, I, do CTN, do Ato Declaratório SRF n° 96/1999 e dos arts. 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005. NORMA INTERPRETATIVA. RETROATIVIDADE. O art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005, dado seu caráter eminentemente interpretativo, possui eficácia retroativa, consoante dispõe o art. 106, I, do CTN. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o Interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA. OUTRAS MATÉRIAS. PREJUDICIALIDADE. Reconhecida a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição de supostos créditos, fica prejudicada a apreciação de outras matérias suscitadas pela Manifestante na solução do contencioso administrativo. Fl. 403DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.004142/2005-14 Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário em que alega: - tratar-se de crédito anteriormente pleiteado e saldo de compensação já iniciada, não se aplicando eventual limitação temporal ao caso concreto, vez que o presente feito se refere a saldo remanescente de compensação da contribuição ao PIS reconhecido Pedido de Restituição n° 13819.001978/00- 71; - que o exercício do direito à compensação de valores indevidamente recolhidos não se sujeita a qualquer limitação temporal, visto tratar-se de direito subjetivo potestativo, mormente a partir do momento em que reconhecido como passível de restituição, não havendo prazo decadencial definido em lei para o caso em questão, conclui-se que não há prazo para o exercício do direito compensatório; - a compensação dos créditos de PIS, ainda que possa ser considerada como novo pedido de restituição, não estaria atingida pela prescrição pelo simples fato de que foi dado início ao procedimento compensatório dentro do prazo qüinqüenal, devendo ser observada a ocorrência de causa interruptiva da prescrição, segundo consignado no parágrafo único do art. 202 do CC, a qual só voltaria a correr após o último ato do processo correspondente, que só ocorrerá com o exaurimento do crédito; - somente depois de proferida a decisão administrativa no Processo n° 13819.001978100-71, verificou-se a desconsideração dos expurgos inflacionários, tornando possível pleitear-se a diferença apontada, que representa saldo remanescente do crédito reconhecido no referido pedido, tratando-se de pedido complementar; - é inaplicável o art. 168 do CTN, pois o prazo foi devidamente observado por ocasião da discussão e reconhecimento do crédito tributário no pedido de restituição protocolizado anteriormente. Não há como se reconhecer que o dispositivo preveja limitação temporal para a utilização de crédito já reconhecido em pedido de compensação já iniciado; - ainda que se pudesse tratar da aplicabilidade do artigo 168 do CTN ao caso concreto, é certo que o direito material discutido na demanda judicial pleiteou reconhecimento de indébito tributário, na esteira de jurisprudência consolidada perante o Superior Tribunal de Justiça, tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo prescricional conta-se a partir da extinção do crédito que se dá com a homologação expressa ou tácita, esta ocorrente 5 anos após o lançamento da exação. Ou seja, na prática, o entendimento que se consolidou no seio do STJ aponta para um prazo de 10 anos para o exercício do direito de se recuperar de indébito tributário; - o tratamento do crédito decorrente do indébito tributário como um direito patrimonial nos parece uma alternativa mais factível para os temas que envolvam a superação da prescrição quinquenal, pois deve haver restituição de tributo pago em consequência de declaração de inconstitucionalidade, em razão da proibição ao enriquecimento sem causa; Fl. 404DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-007.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.004142/2005-14 - o crédito tributário pleiteado no presente processo é decorrente do Pedido de Restituição n° 13819.001978100-71, por não ter sido considerada a aplicação expurgos inflacionários reconhecido pelos Tribunais Pátrios, os quais devem ser aplicados como medida de correção do valor daquele crédito. Encaminhado ao CARF para julgamento, o presente foi distribuído, por sorteio, à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Relator. O presente Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente protocolou o Pedido de Restituição n° 13819.001978100-7 em 21/09/2000 para requerer a restituição de valores de PIS recolhidos a maior nos períodos de apuração de janeiro de 1989 a outubro de 1995. O pedido foi formalizado no processo administrativo n° 13819.001978/00-71, que foi julgado favoravelmente ao contribuinte, conforme Acórdão n° 201-76.549, proferido em pelo Segundo Conselho de Contribuintes, publicado no DOU de 02/03/2004 e assim ementado: DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Havendo decisão judicial declaratória de inconstitucionalidade, contam-se os 5 (cinco) anos a partir do trânsito em julgado da decisão proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado Federal que suspende a execução da lei declarada inconstitucional, no caso de controle difuso. Na aplicação deste prazo, há que se atentar para o devido respeito à coisa julgada, ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito. PIS. SEMESTRALIDADE. PRAZO DE RECOLHIMENTO. A base de cálculo da Contribuição ao PIS, eleita pela Lei Complementar n° 7/70, art. 6°, parágrafo único ("A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro, a de agosto com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente"), permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n° 1.212/95, quando, a partir desta, "o faturamento do mês anterior" passou a ser considerado para a apuração da base de cálculo da Contribuição ao PIS. Recurso provido. Destaco ainda a parte dispositiva do voto vencedor do julgamento: Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso para admitir a possibilidade de haver valores a serem compensados, em face de a Contribuição ao PIS ser calculada mediante regras estabelecidas na Lei Complementar n° 7/70 e, portanto, sobre o faturamento do sexto mês Fl. 405DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-007.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.004142/2005-14 anterior ao da ocorrência do fato gerador, ressalvado o direito de o Fisco averiguar a exatidão dos cálculos. Pois bem, por meio do presente processo, a Recorrente protocolou novo Pedido de Restituição em 29/04/2005, para requerer os expurgos inflacionários incidentes sobre o crédito objeto do processo n° 13819.001978/00-71. O pleito foi inadmitido pela decisão recorrida que entendeu ter decaído o direito de pleitear a restituição, seja pela adoção do prazo de 05 anos previsto no art. 168, I do CTN, seja pela adoção do critério fixado pelo Acórdão n° 201- 76.549, qual seja, de 05 anos a contar da publicação da Resolução do Senado Federal que suspendeu a execução da lei declarada inconstitucional. Ab initio, deve-se fixar premissa no sentido da admissibilidade, em tese, da inclusão dos expurgados inflacionários de planos econômicos na atualização dos indébitos tributários, o que deve ser efetuado segundo os índices indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal. A matéria já foi objeto de diversos julgamentos neste Conselho e no Poder Judiciário, pacificando-se no STJ o entendimento de que devem ser incluídos, para fins de correção monetária de indébitos tributários, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, com a orientação de que os índices a serem utilizados para correção dos débitos judiciais serão aqueles constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal de 02/07/2007. A própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através do Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/2008, foi dispensada de interpor recursos nas ações que requeiram a inclusão dos índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários, conforme ementa e conclusão abaixo transcritas: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008 Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Decreto nº 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que entendem pela inclusão dos índices expurgados de planos econômicos no cálculo da correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. (...) Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, recomenda-se sejam autorizadas pelo Senhor Procurador-Geral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos Fl. 406DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-007.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.004142/2005-14 governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. (grifo nosso) Superada a questão de fundo, o óbice ao deferimento do Pedido de Restituição em análise persiste no transcurso do prazo prescricional para se pleitear a restituição do indébito tributário. Considerando que o mesmo foi protocolado em 29/04/2005, aplica-se o prazo de prescrição decenal, abrangendo-se os fatos geradores ocorrido até, no máximo, 29/04/1995, por aplicação da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica- se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Não merece prosperar a alegação da Recorrente de que o segundo pedido de restituição seria apenas uma complementação do primeiro em razão da complementariedade dos créditos e, por isto, seguiria o mesmo prazo prescricional daquele. Apesar da relação material existente entre os indébitos, a via eleita pela Recorrente para requerer a restituição dos expurgos inflacionários constitui verdadeiro pedido autônomo, formalizado em processo administrativo distinto e submetido a contencioso administrativo igualmente diverso e independente, no qual, especificamente, é imperioso o reconhecimento da prescrição em relação àqueles fatos geradores ocorridos antes de 29/04/1995. Verificando a tramitação do processo administrativo n° 13819.001978/00-71, cuja decisão final já transitou em julgado, constata-se que a correção monetária do crédito não foi expressamente requerida e tampouco constou da decisão proferida, a qual foi ilíquida, pois reconheceu o direito à restituição ressalvando o direito de o Fisco averiguar a exatidão dos cálculos. Neste cenário, constata-se ainda que, até o presente momento, o processo encontra-se em fase de liquidação, em que a Recorrente intenta reiteradamente obter pronunciamento da DERAT/SP acerca da quantificação do crédito. Desta maneira, resta à interessada requerer a inclusão dos expurgos inflacionários pela via da liquidação do julgado, posto que a correção monetária é matéria de ordem pública e prescinde de pedido expresso no processo e que a metodologia de cálculo para correção dos valores não constou da decisão passada em julgado. Nos termos da jurisprudência do STJ, a incidência de correção monetária decorre de lei (Lei nº 6.988/81), sendo desnecessária a formulação de pedido expresso, a teor do que dispõe o art. 293 do CPC. Há decisões do STJ sobre o tema proferidas sob a sistemática dos Recursos Repetitivos, de reprodução obrigatória por este Conselho. Veja-se o Recurso Especial nº 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010): RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. Fl. 407DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-007.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.004142/2005-14 PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciar-se de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a) substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51);cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boa-fé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF-4ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-007.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.004142/2005-14 expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicam-se, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.") (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1112524/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, CORTE ESPECIAL, julgado em 01/09/2010, DJe 30/09/2010) (grifo nosso) Fl. 409DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-007.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.004142/2005-14 Impende reconhecer, portanto, que não se está aqui a negar a possibilidade de incidência dos expurgos inflacionários sobre o crédito a ser restituído, o que contrariaria a jurisprudência judicial e administrativa sobre o tema, com a qual este Relator comunga, mas de se reconhecer a impossibilidade de fazê-lo pela via eleita inicialmente pela interessada, qual seja, a de pedido de restituição autônomo fulminado, em parte, pela prescrição. Repita-se que, no ver deste julgador, permanece aberta a via da liquidação do julgado nos autos do processo administrativo n° 13819.001978/00-71 em que, destaque-se, não houve pronunciamento final sobre a quantificação do direito creditório, a qual, por ser matéria de ordem pública, poderia, em tese, incluir a correção monetária na qual se incluem os expurgos inflacionários. Nos estreitos limites do contencioso instaurado neste processo, pela via do pedido de restituição autônomo, é de se julgar procedente a pretensão aduzida de restituição dos expurgos inflacionários somente em relação aos fatos geradores ocorridos após 29/04/1995, fulminados os anteriores pela prescrição decenal de que trata a Súmula CARF n° 91. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao mesmo. (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 410DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13642.000315/2009-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO.
As deduções de despesas médicas da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Quando regularmente intimado, deve o sujeito passivo demonstrar o seu efetivo pagamento.
Numero da decisão: 2001-002.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto, Marcelo Rocha Paura e Fabiana Okchstein Kelbert.
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
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DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. As deduções de despesas médicas da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Quando regularmente intimado, deve o sujeito passivo demonstrar o seu efetivo pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto, Marcelo Rocha Paura e Fabiana Okchstein Kelbert. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 09-38.760, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (e-fls. 32/39) que manteve integralmente a notificação de lançamento (e- fls. 14/19) referente ao exercício 2006. Abaixo, resumo do relatório do Acórdão da instância de piso: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 00 03 15 /2 00 9- 90 Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-002.868 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13642.000315/2009-90 (...) Em sua peça impugnatória de fls.02/12, o contribuinte, por meio de seu procurador nomeado pelo instrumento de fls.20, contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: 1) Conforme inciso III do artigo 80 do RIR/1999 vigente, “a única limitação encontrada é que o tratamento seja especificado e comprovado, com a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço, podendo, na sua falta, ser suprida com indicação de cheque nominal pelo qual foi feito o pagamento”; 2) “Para comprovação de despesa médica, o que exige a Lei é que seja apresentado documento fiscal idôneo, que, no caso de pessoas jurídicas, é a nota fiscal e, para pessoas físicas, o recibo”; 3) “Como os tratamentos médicos/odontológicos foram de fato prestados pelos profissionais que firmaram os recibos e sendo estes profissionais todos estabelecidos na cidade, solicitou-lhes prestar declarações confirmando a autenticidade dos recibos e a real prestação dos serviços. As referidas declarações encontram-se em anexo à presente impugnação”; 4) “A autoridade lançadora não traz nenhuma prova de que os serviços não tenham sido prestados ou os recibos sejam inidôneos. A autuação é baseada em meras presunções, sem qualquer prova concreta a sustenta-las, presunções estas que foram totalmente afastadas pelas declarações firmadas pelos emitentes dos recibos”; 5) Cheques ou extratos bancários não são documentos comprobatórios de pagamento de despesas médicas. “Cheques são admitidos na falta de documento hábil, em benefício do contribuinte, mas nunca como forma obrigatória e única de comprovar as despesas; Da mesma forma, extrato bancário também não tem o condão de comprovar despesa médica, além de não serem documentos de arquivamento obrigatório”; 6) “Não há dispositivo legal que exija a emissão de um recibo para cada etapa do procedimento médico realizado, mas sim recibo que reflita a real prestação do serviço e a quantia paga pela referida prestação do serviço, pouco importando se esta prestação foi realizada de forma una ou fracionada”. Para corroborar seus argumentos, o contribuinte, em sua defesa, cita trechos e ementas de Acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda bem como trecho do Livro “Perguntas e Respostas / Imposto de Renda Pessoa Física”, elaborado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Consta do voto da relatoria de piso, o seguinte: (...) Assim dispõe o artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, cuja matriz legal é o artigo 8º, inciso II, alínea "a", da Lei nº 9.250/95: (...) Portanto, podem ser deduzidos os gastos efetuados com profissionais liberais da área de saúde e com entidades prestadores dos serviços de saúde desde que, quando exigido pelo Fisco, o interessado faça prova desses gastos com documentação hábil e idônea que traga informações que permitam a perfeita identificação: 1) do responsável pelo pagamento efetuado; 2) da data e condição de pagamento; 3) do tipo de serviço realizado; 4) do beneficiário do serviço e 5) do emitente: nome, endereço, além de CNPJ, no caso de pessoa jurídica, e de CPF, registro de habilitação no Conselho Regional de sua classe e respectiva assinatura, no caso de profissional autônomo (pessoa física). Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-002.868 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13642.000315/2009-90 A autoridade revisora afirma que o notificado, embora intimado a fazê-lo, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 340/2009, não logrou comprovar o efetivo pagamento dos valores constantes dos recibos apresentados durante a ação fiscal, relativos aos profissionais liberais Dr. Marcos José Garcia de Lima, médico (R$ 5.000,00) e Dra. Juliana Grace Vieira Silvério Rios, dentista (R$ 3.700,00). Em sua peça contestatória, o impugnante reafirma seu entendimento de que os recibos apresentados ao Fisco são documentos hábeis e idôneos a comprovar os pagamentos das “despesas médicas” em comento e apresenta declarações firmadas pelos profissionais liberais, anexadas às fls.22/23, confirmando a prestação dos serviços e esclarecendo que os respectivos pagamentos foram todos efetuados. Em princípio, admite-se, sim, os recibos fornecidos pelos profissionais liberais como prova de pagamento, desde que em consonância com todas as disposições contidas nos incisos II e III do parágrafo 1º do precitado artigo 80 do RIR/1999 vigente. Contudo, existindo dúvidas por parte do Fisco quanto à veracidade dos gastos declarados, pode a autoridade fiscal, visando formar sua convicção sobre o assunto em pauta, exigir do contribuinte outros meios complementares de provas, tais como cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados em relação aos pagamentos em questão, podendo também o interessado apresentar outros que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais. Cabe aqui ressaltar uma noção básica da teoria da prova no âmbito administrativo. Na busca da verdade material, o julgador forma seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, concludente por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a evidência de uma dada situação de fato. Ele não está adstrito a uma pré- estabelecida hierarquização dos meios de prova, podendo firmar sua convicção a partir do cotejo de elementos de variada ordem desde que estejam esses, por óbvio, devidamente juntados ao processo. Assim é no processo administrativo fiscal porque, nesta seara, a comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada. No âmbito dos ilícitos de ordem tributária dificilmente terseá um documento que ateste, isolada e inequivocamente, a prática de tais ilícitos; a prova única, aliás, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do infrator, circunstância que dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. Vale também observar que recibos são documentos particulares e, como tais, no contorno jurídico, dão notícias apenas dos fatos e da forma como esses possivelmente teriam ocorrido, mas não fazem prova da efetividade de sua ocorrência (CPC, art.368) e declarações presumem-se verdadeiras apenas em relação ao signatário (Código Civil, art. 219); quando enunciam o recebimento de um crédito fazem prova tão-somente contra quem os escreveu (CPC, art. 376) e valem entre as partes neles consignadas, não em relação a terceiros, estranhos ao ato (Código Civil, art. 221). Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-002.868 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13642.000315/2009-90 Consoante expresso nos artigos 15 e 16, inciso III e §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, com a redação conferida pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/93 e pelo artigo 67 da Lei nº 9.532/97, cabe ao interessado instruir a impugnação com os documentos em que se apoiar, assim como mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e as provas documentais que possuir. É que, na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e o interessado não a faz – porque não pode ou porque não quer – é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. Cumpre ainda ressaltar que a apresentação de provas compete, no caso em foco, ao interessado e não à Receita Federal. O já citado Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, em seu artigo 73, estabelece: (...) A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo a responsabilidade pela comprovação e justificação das deduções por ele pleiteadas, e, não o fazendo, deve assumir as consequências legais. A utilização, para caracterizar “despesas médicas”, de recibos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução requerida a este título e a tributação dos valores correspondentes. Acerca do assunto aqui retratado, existe o respaldo de diversos Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes, podendo ser citados, a título de ilustração: (...) Vale ainda observar que a utilização de dinheiro em qualquer tipo de operação financeira, embora não haja nenhum impeditivo legal para que se proceda dessa forma, se revela de difícil comprovação, principalmente perante o Fisco que a exige fundada em documentos. Causa naturalmente espécie a afirmativa do notificado, de que a quitação de valores tão expressivos à época tenha sido efetuada sempre em moeda corrente, e, também, que o contribuinte não seja sequer capaz de demonstrar a origem do numerário, não sendo crível que importâncias financeiramente significativas, em se tratando de uma pessoa física, circularam à margem do sistema bancário. O contribuinte questiona, também, a afirmativa da Fiscalização, de que “o total das despesas médicas declaradas foi considerado exagerado em relação aos rendimentos declarados”. A autoridade revisora efetivamente considerou exagerado o montante dos gastos financeiros apontados pelo notificado como despendidos com seu tratamento médico no ano-calendário de 2005. Porém, o exagero no pagamento de despesas médicas, assim considerado pela autoridade fiscal, foi somente um indício de possível ocorrência de irregularidades na dedução em foco, o que a levou a emitir para o contribuinte o Termo de Intimação Fiscal. Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-002.868 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13642.000315/2009-90 Tal fato, contudo, não foi a razão do lançamento ora questionado, como quer fazer crer o impugnante. Os valores glosados na dedução pleiteada a título de “despesas médicas”, o foram porque o contribuinte, embora intimado a fazê-lo, não comprovou a efetividade da entrega de recursos financeiros aos profissionais liberais emitentes dos recibos por ele apresentados ao Fisco. Cita ainda o contribuinte, em sua peça impugnatória, e também este relator em seu voto, ementas de Acórdãos exarados pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Apesar da inestimável validade de tais julgados como fonte de consulta, não podem, contudo, ser tomados, conforme entendimento expresso pelo Parecer Normativo CST n.º 390/71, como normas complementares da legislação tributária, nos moldes estabelecidos pelo artigo 96 do precitado Código Tributário Nacional, em função da inexistência de ato legal que lhes confira efetividade de caráter normativo. (...) Em sede de recurso administrativo, (e-fls. 44/51), o recorrente, basicamente, se insurge contra a decisão anterior e repisa os argumentos acerca da validade probatória dos recibos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Rocha Paura, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Matéria em julgamento A matéria constante na presente autuação e objeto do Recurso Voluntário é a dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 8.700,00. Mérito O recorrente alega, em síntese, que a glosa dos valores se deu pelo fato de que o fiscal autuante entendeu que ele teria "simulado" uma prestação de serviço na área de saúde com o fito de burlar o fisco e reduzir o imposto de renda a pagar. A fim de que não restassem dúvidas quanto à efetiva prestação do serviço ele, conhecedor da idoneidade dos profissionais prestadores dos serviços médicos declarados e glosados pelo Fisco, solicitou que os mesmos confirmassem as autenticidades dos recibos e declarassem a efetiva prestação do serviço, inclusive, que os valores recebidos pelos serviços que ali prestados foram devidamente declarados ao Fisco. Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-002.868 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13642.000315/2009-90 Assevera que por ser pessoa física e, assim, não está obrigado a manter escrituração contábil referente à movimentação financeira ficando impossível, vários anos após a ocorrência, lembrar como o pagamento foi feito ou qual cheque foi utilizado para o pagamento, podendo ainda ter sido pago em espécie e com cheques de terceiros e entende que a prestação de serviços foi devidamente comprovada com a apresentação dos recibos. De início, convém reproduzir trechos da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, constante da respectiva autuação (e-fls. 16): ...Dedução indevida de despesas médicas no valor de R$8.700,00, relativo a pagamentos declarados para MARCOS JOSÉ GARCIA DE LIMA (R$5.000,00) e JULIANA GRACE VIEIRA SILVERIO RIOS (R$3.700,00), por falta de comprovação do efetivo desembolso de tal quantia... Bem, o ponto de discordância resume-se, pode-se assim dizer, à necessidade de o contribuinte comprovar, após regularmente intimado, a transferência do numerário em função das despesas com profissionais da área médica de que pretendeu se valer por meio de recibos apresentados à Fiscalização. Antes de iniciarmos a análise deste caso concreto, recomendável a transcrição da base legal para dedução de despesas dessa natureza que está na alínea "a" do inciso II do artigo 8º da Lei 9.250/95, regulamentada no artigo 80 do RIR/99: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (grifou-se) Complementando a necessidade dessa comprovação, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, em seu art. 73, dispõe que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-002.868 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13642.000315/2009-90 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifou-se) Veja que a legislação estabeleceu a hipótese de a autoridade lançadora requerer documentos adicionais para a comprovação da efetiva realização dessas despesas, se assim entender necessário. Numa correta interpretação dos dispositivos legais, pode-se inferir a necessidade da especificação e comprovação não só dos serviços prestados, bem como do seu efetivo pagamento. A apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, pode ser considerada suficiente, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame. Havendo qualquer dúvida quanto às deduções declaradas pelo contribuinte, a autoridade lançadora, tem não só o direito mas também o dever de exigir provas adicionais da efetividade da prestação dos serviços. No que concerne ao ônus da prova, é regra geral no direito que cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. A legislação tributária estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justifica-las, deslocando para ele o ônus probatório. Nesse sentido destaque-se os ensinamentos do mestre Antônio da Silva Cabral, em Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, p. 298 (documento assinado digitalmente) Uma das regras que regem as provas consiste no seguinte: toda afirmação de determinado fato deve ser provada. Diz-se frequentemente: “a quem alega alguma coisa, compete prova-la”. [...] Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte.(g.n.) A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para o contribuinte, transfere para este a obrigação de comprovar e justificar as deduções e, não o fazendo, sofre as consequências legais, ou seja, o não cabimento dessas deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Por conseguinte, o ônus da prova das deduções é do contribuinte, pois foram por ele pleiteadas. Se a prova da dedução incumbe a quem interessa e este não a faz na forma legal exigida, se sujeita a sua desconsideração, e foi o que ocorreu nos autos. Cabe esclarecer que os recibos, porquanto manifestações unilaterais, não se prestam à comprovação inequívoca da ocorrência dos fatos neles descritos, como pretende o recorrente. Os recibos e as declarações de pagamento contêm uma declaração de fato, o que faz com que tenham aptidão para provar a declaração, mas não o fato declarado, conforme dicção do parágrafo único do art. 408 do CPC: Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-002.868 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13642.000315/2009-90 “Art. 408. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumem-se verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato.” Esse dispositivo legal também esclarece que os recibos e as declarações de pagamento presumem-se verdadeiros somente em relação àqueles que participaram do ato. O vigente Código Civil (CC - Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002) também disciplina o limite da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: “Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de prová-las. (...) Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. (grifos nossos) Em síntese, como não há presunção de veracidade do recibo, perante o Fisco, a este documento atribui-se ordinário valor probatório. Desta forma, entendo que as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam, sim, a serviços comprovadamente realizados quando objeto de indagação pela autoridade fiscal, a partir de dúvida razoável, bem como a pagamentos especificados e comprovados. No presente caso não se afigura irregular, nem desarrazoada, na verdade é necessária e imprescindível a exigência, por parte da autoridade lançadora, da comprovação de pagamento das despesas médicas. Constam deste processo apenas Declarações (e-fls. 22/23), com os quais o interessado tenciona fazer prova da prestação dos serviços médicos. Da análise de toda a documentação acostada, entendo que somente os recibos apresentados, por si só, neste caso particular, não são suficientes para comprovar a efetividade da prestação de serviços. Ressalto que o interessado não apresentou ou especificou qualquer outro elemento, diretamente vinculado àqueles profissionais que pudessem dar convicção a este julgador da efetiva prestação dos serviços por eles prestados, como por exemplo cópias de Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-002.868 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13642.000315/2009-90 cheques, extratos bancários, exames laboratoriais ou de imagens realizados, prontuários e/ou fichas de acompanhamento médico, entre outros possíveis. Informamos, ainda, acerca da necessidade de manter a boa guarda dos documentos comprobatórios utilizados para a confecção de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), conforme disposto no artigo 797, do RIR/99, in verbis: Art. 797. É dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigando-se, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário (Decreto-Lei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 4º). Considerando as especificidades desta autuação fiscal, especialmente da descrição dos fatos e enquadramento legal, considero que o recorrente não logrou êxito em comprovar a efetividade da prestação dos serviços médicos e, neste caso, mantenho as glosas sobre as respectivas deduções, alinhando-me à conclusão da decisão de piso. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10805.002613/2001-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 1997
AUTO DE INFRAÇÃO SOB ALEGAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. PROCESSO JUDICIAL COMPROVADO, MAS CRÉDITOS JUDICIAIS INSUFICIENTES. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM, POR DETERMINAÇÃO DA DRJ, PARA CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE ACERCA DOS CÁLCULOS E CONCLUSÕES DA DRF, COM NOVO PRAZO PARA COMPLEMENTAÇÃO DA DEFESA. RECURSO VOLUNTÁRIO EM QUE O CONTRIBUINTE BUSCA A COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE OUTRO PROCESSO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Autuação sob a justificativa de processo judicial não comprovado em que os créditos decorrentes da decisão judicial são insuficientes para a compensação pretendida. Correto o comando da DRJ que determina o retorno dos autos à origem, para ciência do contribuinte acerca dos cálculos e conclusões da DRF, com novo prazo para complementação de impugnação ao auto de infração.
Contribuinte que no recurso voluntário não ataca a decisão recorrida, mas pretende que a compensação seja feita com eventuais créditos de outro processo judicial. Alteração e inovação que não se admite no processo.
Negado provimento ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 3301-001.227
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FÁBIO LUIZ NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 AUTO DE INFRAÇÃO SOB ALEGAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. PROCESSO JUDICIAL COMPROVADO, MAS CRÉDITOS JUDICIAIS INSUFICIENTES. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM, POR DETERMINAÇÃO DA DRJ, PARA CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE ACERCA DOS CÁLCULOS E CONCLUSÕES DA DRF, COM NOVO PRAZO PARA COMPLEMENTAÇÃO DA DEFESA. RECURSO VOLUNTÁRIO EM QUE O CONTRIBUINTE BUSCA A COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE OUTRO PROCESSO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Autuação sob a justificativa de processo judicial não comprovado em que os créditos decorrentes da decisão judicial são insuficientes para a compensação pretendida. Correto o comando da DRJ que determina o retorno dos autos à origem, para ciência do contribuinte acerca dos cálculos e conclusões da DRF, com novo prazo para complementação de impugnação ao auto de infração. Contribuinte que no recurso voluntário não ataca a decisão recorrida, mas pretende que a compensação seja feita com eventuais créditos de outro processo judicial. Alteração e inovação que não se admite no processo. Negado provimento ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 30/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório O Contribuinte UTIL USINAGEM TÉCNICA INDUSTRIAL LTDA., devidamente qualificado, apresenta o recurso voluntário contra o v. acórdão 0529.047 da DRJ de CampinasSP, de fls. 126 e seguintes, que considerou procedente em parte a impugnação lançada contra o auto de infração, considerando que crédito reconhecido judicialmente não foi suficiente para compensação de débitos, exonerando, no entanto, a multa de ofício em razão da retroatividade benigna, conforme relatório que adoto, nos seguintes termos: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, lavrado em 29/10/2001 (fls. 03) e cientificado ao contribuinte por via postal em 11/12/2001 (fls. 17), formalizando crédito tributário no valor total de R$ ..., em virtude de não comprovação do processo judicial indicado para compensação dos débitos declarados para os períodos de janeiro a março de 1997. Registrese que também foi encaminhado para julgamento o processo 10805.000686/200205, referente a débitos de Cofins de abril e maio/97. Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 19/12/2001, impugnação de fls. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/13, em que o interessado reportase a processo de compensação número 94.00182449. Em análise prévia da exigência, a autoridade preparadora informou, as fls.97/100, que, em decorrência de procedimento de fiscalização, foi constatada insuficiência de crédito para a Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.002613/200169 Acórdão n.º 3301001.227 S3C3T1 Fl. 239 3 compensação dos débitos objeto do presente processo, como segue: “... A Ação Ordinária n° 94.00182449 foi interposta pela interessada objetivando provimento jurisdicional que lhe dê o direito de compensar as parcelas de F1NSOCIAL recolhidas acima da alíquota de 0,5% (..), acrescidas dos índices de correção monetária...., com tributos e contribuições sociais da mesma espécie. A sentença de 1a instância julgou parcialmente procedente o pedido, para declarar o direito da autora de não ser compelida ao pagamento do F1NSOCIAL, superior à alíquota de 0,5% (..), exceto quanto ao ano de 1988, onde esta alíquota será de 0,6%. Condenou a União a repetir à autora o valor recolhido indevidamente, acrescido de correção monetária, nos termos da Súmula 46 do TRF e juros de mora de 12% ao ano, a contar do trânsito em t julgado e julgou improcedente a compensação. Em 23 de Junho de 1999, a 3a Turma do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, por unanimidade, deu parcial provimento à remessa oficial e à apelação da autora e negou provimento à apelação da União nos termos do acórdão de fls. 26/40 [publicado em 28/07/1999, fls. 24], cuja ementa é reproduzida a seguir: “... 2. Pautandose o contribuinte dentro dos contornos abonados pelo Art.66, da Lei 8.383/91, os óbices administrativos da IN n° 67/92 no subtraem o exercício lídimo do direito à compensação. ... 5. A compensação dáse com parcelas subseqüente, da COFINS, afastada a necessidade de identidade de códigos, uma vez que, consoante entendimento jurisprudencial solidificado, esta veio, sendo da mesma espécie, a substituir o FINSOCIAL, e sem qualquer incidência de juros morat6rios por imprevistos à lei. Contra o referido acórdão foram opostos Embargos de Declaração os quais foram rejeitados nos termos do acórdão de fls. 41/44 [de 27/02/2002, publicado em 13/03/2002, fls. 24]. A interessada interpôs Recurso Especial junto ao STJ. Em acórdão de 21/09/2006 a Turma, por unanimidade não conheceu do Recurso Especial (fls. 47/51). 0 referido acórdão transitou em julgado em 13/11/2006 (fls. 45). ... Em 27/07/1999 o processo administrativo n° 10880.030581/94 07 (Processo de acompanhamento da Ação Ordinária n° 94.00182449) foi encaminhado ao SEFIS/DEF/SAE para Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 diligenciar ... e verificar a exatidão da compensação efetuada ...). Foi então expedido o Mandado de Procedimento Fiscal ... e iniciado o procedimento fiscal em 21/02/2001 ... Naquela ocasião fora lavrado Termo de Inicio e Intimação Fiscal solicitando documentação para o bom andamento da ação fiscal. Outro comparecimento ocorreu em 18/04/2001 .... Durante o procedimento fiscal a autoridade fazendária procedeu à elaboração dos seguintes demonstrativos: • Demonstrativo 01 (fls. 58) e 02 (f1s. 59) onde estão cadastrados os períodos de apuração (créditos tributários relativos ao FINSOCIAL) de Agosto de 1989 a Março de 1992 obtidos por intermédio dos livros de apuração de ICMS e IPI Demonstrativo 03 (fls. 60) onde estão listados os pagamentos efetuados; • Demonstrativo 04 (fls. 61/64) onde estão relacionadas as compensações de pagamentos realizados a maior, as quais foram efetuadas observandose os índices utilizados pela Fazenda Federal para atualizar tributos (conforme determinado em acórdão do Tribunal Regional Federal da 3a.Região de 23/06/1999 ás fls. 26/40); • Demonstrativo 05 (fls. 65) no qual constam os saldos de pagamentos remanescentes; • Demonstrativo 06 (fls. 66) onde estão cadastrados os períodos de apuração (créditos tributários relativos à COFINS) de Abril de 1992 a Dezembro de 1996 obtidos por intermédio dos livros de apuração de ICMS e IPI; • Demonstrativo 07 (fls. 67/82) onde está apresentada a compensação dos saldos credores do FINSOCIAL com os débitos da COFINS, efetuada observandose os índices utilizados pela Fazenda Federal para atualizar tributos (conforme determinado em acórdão do Tribunal Regional Federal da 3" Região de 23/06/1999 as fls. 26/40). Os valores dos pagamentos de F1NSOCIAL realizados a maior NÃO FORAM SUFICIENTES para a compensação de todos os débitos de COFINS; • Demonstrativo 08 (fls. 82) onde estão relacionados os débitos de COFINS remanescentes (correspondentes aos períodos de apuração de Abril a Dezembro de 1996); • Por fim o Demonstrativo 09 (fIs. 84) onde, para os débitos remanescentes, foram relacionados os valores declarados em DCTF (fls. 89/93) e os valores não declarados, os quais foram objeto de Lançamento de Oficio, efetuado através do Auto de Infração de fls. 85 (Processo n° 10805.001090/200133). .... De todo o exposto, verificase que para os débitos do presente processo (COFINS de Janeiro a Março de 1997), os valores dos pagamentos de FINSOCIAL, realizados a maior NÃO FORAM SUFICIENTES para a compensação. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.002613/200169 Acórdão n.º 3301001.227 S3C3T1 Fl. 240 5 Por meio do Despacho n° 2.604 de fls. 102, em que consignados os fatos acima relatados, foi o processo encaminhado em diligência para fins de ciência do contribuinte, nos seguintes termos: ... Das informações supra, extraise que, quando da ciência do lançamento, em 11/12/2001, já havia sido proferido acórdão pelo TRF admitindo a compensação. Mas, como visto, a autoridade fiscal verificou ser insuficiente o crédito para compensação dos débitos aqui autuados. Ocorre que, apesar da informação de expedição de MPF para análise da compensação, não há noticia de que o contribuinte tenha sido cientificado, nestes autos, dos cálculos e conclusões fiscais. Assim, objetivando evitar alegações de cerceamento de defesa e garantir o bom julgamento da lide, SOLICITO o retorno do presente processo à Delegacia da Receita Federal em Santo André/SP para que, no presente processo bem como naquele de n° 10805.000686/200205, cientifique o contribuinte do resultado dos trabalhos fiscais, reabrindolhe prazo para complementação de sua defesa, se for de seu interesse. Em atendimento, foi o contribuinte cientificado das análises proferidas no âmbito da DRF, conforme Comunicado de fls. 114 encaminhado por via postal e recebido em 18/12/2009 (fls. 114 verso). Em resposta, o contribuinte, por meio de petição de fls. 115, datada de 20/01/2010, e fazendo menção ao processo 10805.002613/200169, requereu suspensão do feito por 120 (..) dias, afim de aguardar o julgamento do PA n° 10805.001986/200970 onde se busca a habilitação do crédito reconhecido judicialmente nos autos da ação ordinária n° 94.0018249. Conforme fls. 115, a autoridade preparadora concedeu prazo de 30 (trinta) dias para apresentação dos argumentos e, por meio do despacho de fls. 125, datado de 10/05/2010, encaminhou o processo para julgamento consignando não ter o interessado se manifestado até então. A DRJ considerou procedente em parte a impugnação e o crédito tributário foi mantido em parte, nos termos da seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. AMPARO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. Mantémse a exigência dos débitos cuja compensação resta incomprovada em razão da insuficiência de crédito reconhecido judicialmente. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Extraise ainda do acórdão recorrido o seguinte trecho: Em análise prévia, a autoridade preparadora informou acerca do andamento da ação judicial, na qual foi admitida a compensação de Finsocial com Cofins, bem como acerca da verificação de insuficiência do crédito reconhecido judicialmente para compensação dos débitos aqui autuados. Cientificado acerca destes cálculos e conclusões, não há noticia de apresentação de novos argumentos. Subsiste, assim, incomprovado o amparo judicial às compensações pretendidas, razão pela qual valido se mostra o presente lançamento, especialmente em face do que dispunha a Medida Provisória n°2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e ás contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal .( negritouse) Apesar disso, não deve prevalecer a multa de oficio aplicada em face da retroatividade benigna de legislação superveniente. Isto porque foi editado o art. 18 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, esta convertida na Lei no 10.833/2003: ... E referido artigo limitou a aplicação do art. 90 da MP n' 2.158 35, de 2001 à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida — nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n' 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.002613/200169 Acórdão n.º 3301001.227 S3C3T1 Fl. 241 7 Dai que, em face do principio da retroatividade benigna (art. 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional), no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n° 2.15835, as multas de oficio exigidas juntamente com as diferenças lançadas deveriam ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não fossem fundamentadas nas hipóteses versadas no "caput" desse artigo. Posteriormente, com as alterações do art. 18 da Medida Provisória n° 135 pelas Leis n° 11.051/2004 e 11.196/2005, firmouse o entendimento administrativo de que a multa prevista no referido dispositivo é penalidade nova, aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado nos casos de abuso de forma e/ou fraude no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário, circunstâncias não verificadas no presente processo. Assim, impõese a exoneração da multa de oficio aplicada sobre os débitos não alcançados pela compensação admitida judicialmente. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação para MANTER os valores principais lançados relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e CANCELAR a multa de oficio sobre eles aplicada. No recurso voluntário de fls. 134 e seguintes, o Contribuinte pede a reforma da decisão, acrescentando que “é detentora de crédito em face da Fazenda Nacional, nos autos da ação ordinária Proc. n° 96.00246513”, É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Luiz Nogueira, Relator O recuso é tempestivo e revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. O Recorrente foi inicialmente autuado sob a justificativa de “Proc Jud não comprova”. Apresentada a impugnação inicial foi feita a verificação dos créditos decorrentes do processo judicial (majoração das alíquotas do Finsocial, cf. relatório acima), quando se verificou a insuficiência de créditos para a compensação pretendida. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Acaso se encerrasse aí a atuação fiscal restaria atraída a nulidade para o feito, considerando que a existência do processo judicial foi comprovada pelo contribuinte. Entretanto, a DRJ, verificando que o contribuinte não havia sido cientificado dos cálculos e conclusões fiscais e objetivando evitar alegações de cerceamento de defesa, determinou o retorno do processo à DRF de origem, para que o contribuinte fosse cientificado, reabrindolhe prazo para complementação de sua defesa. Já o contribuinte não apresentou qualquer manifestação, requerendo apenas que se aguardasse “o julgamento do PA n° 10805.001986/200970 onde se busca a habilitação do crédito reconhecido judicialmente nos autos da ação ordinária n° 94.0018249” (fl.). O processo retornou então a julgamento e foi proferida a decisão, conforme relatado acima, no sentido de que os créditos decorrentes de processo judicial foram insuficientes para a compensação pretendida. Cabe destacar ainda que no seu recurso voluntário, o próprio contribuinte parece ter reconhecido a insuficiência de créditos relativos ao processo judicial inicialmente informado em DCTF. È que, a partir das fls. 139 do seu recurso, se afasta do processo judicial 94.00182449 (relativamente à majoração das alíquotas do Finsocial) e passa a defender a compensação com outros créditos, já aí decorrentes do Processo Judicial 96.00246513 (PIS DecretosLeis 2445 e 2449). O processo – seja administrativo, seja judicial – não comporta tais alterações e inovações. Assim, não tendo sido apresentados argumentos pelo Recorrente que invalidassem as conclusões da decisão recorrida, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário .(ASSINADO DIGITALMENTE) Fábio Luiz Nogueira Relator Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10111.000499/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 11/11/2005, 22/05/2006
RECOLHIMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO. LITÍGIO. PERDA DE OBJETO.
O litígio deixa de existir, por perda de objeto, quando o contribuinte declara, na peça recursal, ter recolhido integralmente, após o lançamento, o crédito tributário, ainda que eventualmente não o tenha sido, caso em que caberá à unidade preparadora exigir a parcela faltante.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.006
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Moacir Caparroz Castilho, OAB/SP nº 117.468.
Nome do relator: Charles Mayer de Castro Souza
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LITÍGIO. PERDA DE OBJETO. O litígio deixa de existir, por perda de objeto, quando o contribuinte declara, na peça recursal, ter recolhido integralmente, após o lançamento, o crédito tributário, ainda que eventualmente não o tenha sido, caso em que caberá à unidade preparadora exigir a parcela faltante. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Moacir Caparroz Castilho, OAB/SP nº 117.468. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 04 99 /2 00 9- 06 Fl. 614DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.15533.KQVI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, lavrouse auto de infração formalizando a exigência de multas ao controle administrativo das importações e multa de conversão da pena de perdimento, no valor total de R$ 2.091.771,36. No campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls. 5/6, estão descritas as seguintes infrações: a) 001 DIFERENÇA APURADA ENTRE O PREÇO DECLARADO E 0 PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO OU O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO: Aplicação da multa administrativa por ter sido constatada diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, conforme se verifica no Relatório de Fiscalização, anexo e parte integrante do Auto de Infração; b) CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DA MERCADORIA: Aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face ao seu consumo no processo produtivo, conforme consta do Relatório de Fiscalização. Impugnada a exigência, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE julgou improcedente a o lançamento, proferindo o Acórdão DRJ/SPII n.º 0817.774, de 21/05/2010 (fls. 547/572), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/11/2005, 11/11/2005 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. DIFERENÇA DE OBJETO NAS VIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, a este será dado prosseguimento normal no que se relaciona a matéria diferenciada. AUSÊNCIA DE DOCUMENTO PROCEDIMENTAL INTERNO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A ausência, no auto de infração, de cópia de ato interno lavrado pela Administração Tributária em procedimento anterior ao lançamento fiscal não enseja a nulidade deste quando a descrição dos fatos constante de tal auto de infração é suficiente para o assegurar o pleno conhecimento da matéria. PEDIDO DE PERÍCIA. OBSCURIDADE. AUSÊNCIA DE QUESITOS. Temse como não formulado o pedido de perícia quando não tenha sido exposto com clareza ou quando não especifique os motivos que a justifiquem ou ainda quando não especifique os quesitos necessários a sua consecução. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Fl. 615DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.15533.KQVI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10111.000499/200906 Acórdão n.º 3202001.006 S3C2T2 Fl. 615 3 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide é de se indeferir o pedido de diligência. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/11/2005, 11/11/2005 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEFICÁCIA NORMATIVA. Decisões administrativas, mesmo proferidas por Órgãos colegiados, como o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, somente vinculam as respectivas partes e no limite das próprias decisões. FRAUDE. SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. CONSUMO DA MERCADORIA. CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA. A simulação na importação, por meio de artifícios tendentes a ocultar informações, cujo conhecimento deveria ser dado à autoridade aduaneira, visando, assim, permitir a pratica de superfaturamento, com reflexo postergado na redução indevida dos tributos e contribuições ditos internos, caracteriza dano ao Erário, punível com a aplicação da pena de perdimento, ou, no caso de a mercadoria haver sido consumida, com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. FRAUDE. VALOR DE TRANSAÇÃO. ARBITRAMENTO. Comprovada a prática de superfaturamento, mediante fraude ou conluio, em situação que impossibilita a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos ou contribuições e demais direitos incidentes sell determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, e não pelo valor declarado da transação. SUPERFATURAMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. Aplicase, no caso de superfaturamento, a multa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, por constituir, essa diferença, conforme disposição legal, infração administrativa ao controle das importações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 579/604, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se exporá no voto. Por meio da petição de fls. 609/611, a contribuinte informa o recolhimento dos valores exigidos no auto de infração (cópias de DARFs em anexo), pelo que requer a extinção do presente processo administrativo. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Fl. 616DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.15533.KQVI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Conforme relatamos, a Recorrente apresentou petição, equivocadamente dirigida ao presidente deste Colegiado, informando o recolhimento, mediante DARFs, do crédito tributário exigido. O litígio, portanto, não mais existe. Perdeuse o seu objeto. Não é de declarar, porém, a extinção do crédito tributário, o que só será reconhecido pela unidade de origem apenas no caso de verificar se o valor recolhido o foi integralmente. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 617DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.15533.KQVI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA em 13/01/2014 12:47:00. Documento autenticado digitalmente por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA em 13/01/2014. Documento assinado digitalmente por: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 31/01/2014 e CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA em 13/01/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.1119.15533.KQVI Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E9F536A79DF631282205EAFE7E28EC11DA78F9A0 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10111.000499/2009-06. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13001.720129/2015-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN.
O dispositivo legal a ser aplicado na avaliação da decadência do direito de a Fazenda Pública lançar a multa por atraso na entrega da GFIP é o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66).
INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA LEGAL
Por se tratar a ação fiscal de procedimento de natureza inquisitória, a intimação do contribuinte prévia ao lançamento não é exigência legal (Súmula CARF nº 46), e desta forma a sua falta não caracteriza cerceamento de defesa, a qual poderá ser exercida após a ciência do auto de infração.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. NÃO OCORRÊNCIA.
Conforme já sumulado pelo CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 2001-001.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10880.727646/2015-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura, André Luis Ulrich Pinto e Fabiana Okchstein Kelbert.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. O dispositivo legal a ser aplicado na avaliação da decadência do direito de a Fazenda Pública lançar a multa por atraso na entrega da GFIP é o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA LEGAL Por se tratar a ação fiscal de procedimento de natureza inquisitória, a intimação do contribuinte prévia ao lançamento não é exigência legal (Súmula CARF nº 46), e desta forma a sua falta não caracteriza cerceamento de defesa, a qual poderá ser exercida após a ciência do auto de infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme já sumulado pelo CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. O dispositivo legal a ser aplicado na avaliação da decadência do direito de a Fazenda Pública lançar a multa por atraso na entrega da GFIP é o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE EXIGÊNCIA LEGAL Por se tratar a ação fiscal de procedimento de natureza inquisitória, a intimação do contribuinte prévia ao lançamento não é exigência legal (Súmula CARF nº 46), e desta forma a sua falta não caracteriza cerceamento de defesa, a qual poderá ser exercida após a ciência do auto de infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme já sumulado pelo CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10880.727646/2015-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura, André Luis Ulrich Pinto e Fabiana Okchstein Kelbert. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 1. 72 01 29 /2 01 5- 64 Fl. 44DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.960 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13001.720129/2015-64 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2001-001.946, de 18 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de documento de lançamento emitido pela Receita Federal do Brasil no qual é exigido do contribuinte crédito tributário de multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O enquadramento legal foi o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Conforme se extrai do acórdão da DRJ, o contribuinte apresentou impugnação na qual alegou, em síntese, falta de intimação prévia e a ocorrência de denúncia espontânea. A turma julgadora da primeira instância administrativa concluiu pela total improcedência da impugnação e consequente manutenção do crédito tributário lançado. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário onde, em síntese, suscita ocorrência de prescrição/decadência e alega ocorrência de denúncia espontânea e falta de intimação prévia ao lançamento, invoca princípios constitucionais, cita jurisprudência. Requer ao final o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito - Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF. Desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2001-001.946, de 18 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. PRELIMINARES Prescrição/decadência Uma vez que não definitivamente constituído o crédito tributário em questão no âmbito administrativo, com relação à fluência dos prazos processuais o instituto a se avaliar a ocorrência é o da decadência do direito de a Fazenda pública constituir o crédito por meio do lançamento. Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.960 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13001.720129/2015-64 Trata-se de lançamento de ofício de multa por atraso na entrega da GFIP, e nesse caso o dispositivo legal a ser aplicado é o disposto no CTN, art. 173, I, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue- se após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O lançamento só poderia ter sido efetuado, para cada competência lançada, a partir da data limite para entrega da declaração. Desta forma, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 anos é o dia 1º de janeiro do ano seguinte ao da data limite para entrega no prazo da GFIP. Verifica-se no caso em questão, que a ciência pelo interessado do documento de lançamento se deu, de forma regular, para a competência mais antiga, antes da ocorrência da decadência do direito de a Fazenda Publica efetuar o lançamento do crédito. Se não ocorreu a decadência nem para a competência mais antiga, também não ocorreu para as demais. Intimação prévia ao lançamento A respeito da alegação do recorrente da inocorrência de intimação prévia ao lançamento, a mesma não procede e não tem o condão de afastar a multa aplicada. A ação fiscal é um procedimento de natureza inquisitória, onde o fiscal, ao entender que está em condições de identificar o fato gerador e demais elementos que lhe permitem formar sua convicção e constituir o lançamento, não necessita intimar o sujeito passivo para esclarecimentos ou prestação de informações. Não é a intimação prévia exigência legal para o lançamento do crédito. Nesse sentido a Súmula nº 46 deste CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. O art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, determina a necessidade da intimação apenas nos casos de não apresentação da declaração e a apresentação com erros ou incorreções. Na situação em comento, a infração de entrega em atraso da GFIP é fato em tese verificável de plano pelo auditor fiscal, a partir dos sistemas internos da Receita Federal, ficando a seu critério a avaliação da necessidade ou não de informação adicional a ser prestada pelo contribuinte. Não há aqui que se falar em cerceamento do direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório. O contencioso administrativo só se instaura com a apresentação da impugnação pelo sujeito passivo, ocasião em que ele exerce plenamente sua defesa, o que lhe é facultado após a ciência Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.960 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13001.720129/2015-64 pelo interessado do documento de lançamento, tudo na observância do devido processo legal. Ante o exposto, REJEITO as preliminares suscitadas no recurso e passo à apreciação do mérito. MÉRITO Denúncia espontânea Da Instrução Normativa RFB nº 971 de 2009: Art. 472. Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Parágrafo único. Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator que regularize a situação que tenha configurado a infração, antes do início de qualquer ação fiscal relacionada com a infração, dispensada a comunicação da correção da falta à RFB. O art. 472 da IN RFB nº 971/2009, estabelece, como regra geral, que não é aplicada multa por descumprimento de obrigação acessória, caso haja denúncia espontânea da infração. O parágrafo único do dispositivo esclarece o que se considera denúncia espontânea para tal fim: procedimento adotado pelo infrator, antes de qualquer ação do Fisco, que regularize a situação que tenha configurado a infração. No caso da multa por atraso, uma vez ocorrida a entrega da declaração fora do prazo, tem-se configurada a infração (entrega em atraso) em caráter irremediável. Já o art. 476 da mesma IN RFB nº 971/2009 trata especificamente da aplicação das multas por descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, relativas à GFIP e, em seu inciso II, letra ‘b’, especificamente da multa aplicável, para a GFIP, no caso de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo”. Assim sendo, a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP é legal conforme especificamente regulada pelo art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, e art. 476 da IN RFB nº 971, de 2009. A matéria já foi inclusive sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Desta forma, não procede a pretensão do recorrente de exclusão da multa com base na denúncia espontânea. Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.960 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13001.720129/2015-64 Da multa aplicada A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Logo, constatada a infração, no caso o atraso na entrega da GFIP, a autoridade fiscal não só está autorizada como obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa prevista na legislação que rege a matéria, sem emitir juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou de eventual afronta em tese a princípios do direto administrativo e constitucional ou de outros aspectos de sua validade. No caso em comento, a multa é exigida em função do não cumprimento no prazo da obrigação acessória, e sua aplicação independe do cumprimento da obrigação principal, da condição pessoal ou da capacidade financeira do autuado, da existência de danos causados à Fazenda Pública ou de contraprestação imediata do Estado. A multa é aplicada, por meio do mesmo documento de lançamento, por cada GFIP entregue em atraso no período fiscalizado, não havendo que se falar em infração continuada. Os valores são aplicados conforme definidos na lei, verificados os limites mínimos os quais independem do valor da contribuição devida. Também não cabe no caso invocar alteração de critério de atuação do Fisco para afastar a multa imposta. A correspondente alteração legislativa ocorreu já no início de 2009, com a inserção do art.32-A da Lei nº 8.212, de 1991, no arcabouço jurídico pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando a sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP, em especial com a previsão de aplicação da multa por atraso na entrega de GFIP, até então inexistente. A alteração em critérios do Fisco é legal se respaldada por correspondente alteração na legislação correlata. Com muita propriedade, a Lei Complementar 123/2006 (Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte) estabeleceu normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, em vários aspectos. Nesse diapasão, o legislador buscou amparar as ME e EPP no sentido de os órgãos fiscalizadores orientarem a correta execução de procedimentos, preliminarmente à eventual autuação, em diversas áreas. Entretanto, não foi afastada, para essas categorias de empresas, a necessidade do estrito cumprimento das obrigações fiscais/tributárias estabelecidas na legislação, várias delas já simplificadas para as optantes pelo Simples Nacional. O art. 38-B da citada LC 123/2006 inclusive estabelece redução de multas relativas a faltas no cumprimento de obrigações acessórias, mas desde que o pagamento da multa se dê em até 30 dias de sua notificação, pagamento esse que no caso não ocorreu. Assim sendo, o estatuto da microempresa não dá respaldo para o afastamento pleiteado da multa aplicada. Jurisprudência Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-001.960 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13001.720129/2015-64 No que se refere à jurisprudência citada, por falta de lei que lhe atribua eficácia normativa, não constitui norma geral de direito tributário decisão judicial ou administrativa que produz efeito apenas em relação às partes que integram o processo (art. 100 do CTN – Parecer Normativo CST nº 23, publicado no DOU de 9 de setembro de 2013). CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, conforme acima descrito. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital
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