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Numero do processo: 10480.726445/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO DA IMPUGNAÇÃO
O recurso voluntário foi apresentado fora do prazo legal de 30 dias previsto em lei, sendo, portanto, intempestivo. De tal modo, incabível a análise de mérito da impugnação que também foi declarada intempestiva.
Numero da decisão: 1302-001.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 21/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente em exercício), Marcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO DA IMPUGNAÇÃO O recurso voluntário foi apresentado fora do prazo legal de 30 dias previsto em lei, sendo, portanto, intempestivo. De tal modo, incabível a análise de mérito da impugnação que também foi declarada intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 21/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente em exercício), Marcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 64 45 /2 01 1- 82 Fl. 5152DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SAPPEL DO BRASIL LTDA, em face do acórdão nº 1137.484 (fls. 5105/5116) da DRJ/REC, proferido em processo administrativo que trata de lançamentos de: i) Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ; ii) Programa de Integração Social – PIS; iii) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; iv) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS; Todos do anocalendário 2007, nos valores abaixo demonstrados, efetuados por meio dos Autos de Infração constantes nos autos (fls. 04/64). Tributo IRPJ PIS CSLL COFINS MULTA REGUL. TOTAL Principal 888.610,34 92.017,75 367.636,53 424.697,28 Juros de Mora 360.912,40 38.091,69 149.337,02 175.807,84 Multa de ofício 666.457,78 69.013,34 275.727,39 318.522,98 Total 1.915.980,52 199.122,78 792.700,94 919.028,10 387.320,08 4.214.152,42 Os lançamentos tiveram como origem: IRPJ: arbitramento do lucro com base na receita bruta de vendas de mercadorias e de produtos de fabricação própria, e em outras receitas; CSLL: falta de recolhimento sobre receitas, e outros resultados, escriturados e não declarados; Cofins: incidência cumulativa padrão, insuficiência de recolhimento; PIS: incidência cumulativa padrão, insuficiência de recolhimento; Multa regulamentar: pela não apresentação dos arquivos magnéticos dos Registros Contábeis e dos Registros Fiscais do ano de 2007. A recorrente tomou ciência do auto de infração através de aviso postal em 17.08.2011, conforme AR (fl. 2.161) e apresentou impugnação em 29/05/2012 (fls. 4964/4982), tendo suas alegações sido sintetizadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), nestes termos: 3.1. “... vem no prazo legal, com arrimo no que dispõe o art. 15, do Decreto 70.235/72 (RPAF), apresentar a sua IMPUGNAÇÃO...”; 3.2. em 07 de maio de 2010, teve início a fiscalização dos períodos de janeiro a dezembro de 2007; 3.3. “ao final da fiscalização, a empresa autuada não foi regularmente intimada do resultado da ação fiscal, somente tendo conhecimento da existência do respectivo débito quando não mais conseguiu obter Certidão Negativa de Débitos”; Fl. 5153DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10480.726445/201182 Acórdão n.º 1302001.026 S1C3T2 Fl. 3 3 3.4. procurou a DRF e obteve parte das peças do processo fiscal (termo de verificação e os demonstrativos consolidados dos débitos), contudo não obteve cópia integral do processo; 3.5. aguardou até a presente data para receber da unidade fiscalizadora cópia integral do processo administrativo fiscal, o que não ocorreu; 3.6. “Assim, apenas com base nos dois referidos documentos a que teve acesso, a empresa vem apresentar sua impugnação ...”; 3.7. cita art. 5º da CF/88 art. 3o, II, da Lei 9.784/99 e argumenta que “... a falta de intimação do resultado da fiscalização e o não recebimento de cópia integral do processo administrativo prejudicaram, sobremaneira, o direito de ampla defesa da contribuinte”; 3.8. após transcrever trechos do art. 23 do Decreto 70.235/72, aduz que “Nenhuma das modalidades de intimação foi atendida, uma vez que não houve intimação pessoal, postal ou mesmo pela via eletrônica, nos termos exigidos pelo Decreto 70.235/72”; 3.9. “...somente pode ser considerada intimada do processo quando receber, em sua integralidade, o processo administrativo fiscal e o auto de infração lavrado contra si”; 3.10. “..., conforme estabelece o art. 27 da Lei 9.784/99, abaixo transcrito, mesmo que seja considerada realizada a intimação, o que se considera por mero apego ao debate, a contribuinte tem direito de exercer sua ampla defesa”; 3.11. até a presente data não foi iniciada a cobrança amigável, “de modo que não houve formalmente a declaração de revelia, nem mesmo o lançamento do crédito tributário em discussão” e complementa que, “..., inobservada a correta intimação, mesmo que tenha sido declarada a revelia, esta deve ser anulada”, transcrevendo o art. 53 da Lei 9.784/99 e art. 60 do Decreto 70.235/72; 3.12. destaca não se tratar “de irregularidade ou vício de intimação, mas sim de inexistência de intimação”, cita Súmula 473 do STF quanto à possibilidade de a Administração rever seus atos e “requer, preliminarmente, que seja sanada a falta de intimação da impugnante, com a reabertura do prazo para impugnação, e com o fornecimento integral do processo administrativo, para que, dessa forma, a contribuinte possa exercer plenamente o seu direito de ampla defesa”; 3.13. além dessas questões preliminares, apresentar outros argumentos demérito na sequência da impugnação. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ/REC, não conheceu da impugnação apresentada e manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1137.484 (fls. 5105/5116), com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 INTIMAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do sujeito passivo, não sendo necessário que a ciência do recebimento seja dada pessoalmente pela contribuinte ou seu representante legal. DEFESA INTEMPESTIVA. EFEITOS. A impugnação ou manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa, não comporta julgamento de primeira Fl. 5154DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 4 instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se toma conhecimento. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 27/07/2012 (fl. 5121), tendo interposto recurso voluntário em 30/08/2012 (fls.5141). O recorrente alega em suma, a ausênciade intimação do resultado final da ação fiscal, e consequente recebimento da impugnação como tempestiva. É o relatório. Fl. 5155DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10480.726445/201182 Acórdão n.º 1302001.026 S1C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. Passo a análise dos requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário: 1. DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente apresentou recurso voluntário em face da decisão proferida pela DRJ/REC que não conheceu da impugnação apresentada por ter sido considerada intempestiva. Ocorre que a data da ciência da decisão do acórdão regional se deu em 27/07/2012, sextafeira (fl. 5121). Ou seja, o prazo para interposição do recurso voluntário se iniciou na segundafeira, dia 30/07/2012. Desta forma, o último dia para apresentação do presente recurso seria o dia 28/08/2012. O prazo está previsto no art. 33 do dec. 70.235/72, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 5156DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 6 A apresentação do recurso voluntário se deu no dia 30/08/2012 sendo este intempestivo (fls. 5141). Da análise dos autos percebese que ambas as defesas apresentadas pelo recorrente foram intempestiva. Inclusive a impugnação foi apresentada pela recorrente na data de 29/05/2012 (fls. 5100), conforme extrato do processo. Ocorre que a intimação do recorrente se deu através de via postal no dia 17/08/2011, conforme AR assinado (fls. 2161). O art. 15 do Dec. 70.235/72 dispõe que o prazo para apresentação da impugnação nos processos administrativos fiscais é de 30 dias contado da data da intimação da exigência, conforme abaixo: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 5157DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10480.726445/201182 Acórdão n.º 1302001.026 S1C3T2 Fl. 5 7 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Logo, entre os dias 17 de agosto de 2011 e 25 de maio de 2012 passaramse mais de 9 meses, sendo portanto superior ao limite de 30 dias previsto na legislação. A alegação de que a intimação não seria válida não procede, uma vez que conforme bem demonstrado na decisão regional (fls. 5.108/5.111), a intimação se deu no domicílio fiscal do recorrente, conforme se vê no AR assinado (fls. 2161) no qual, inclusive, foram realizadas todas as outras intimações anteriores (fls. 119, 122, 125, 131, 139, 142, 145, 148 entre outras). Ou seja, todas as outras intimações recebidas foram entregues por via postal com o AR assinado no mesmo endereço, qual seja a Rua Araripina no 419, Santo Amaro, CEP: 50140170, na cidade de Recife – PE. Não há dúvidas de que é este o correto endereço da recorrente. Entendo que, independente de quem recebe a intimação via postal, desde que realizada no domicílio fiscal, temse como intimado o contribuinte fiscalizado. Conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada à pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.). Corroborando, citamos o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Assim, a alegação da recorrente de que a notificação, encaminhada por via postal, fora recebida por pessoa não autorizada não constitui razão para conhecimento de impugnação intempestiva. Neste sentido este Egrégio Conselho tem entendido, conforme decisões abaixo colacionadas: CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. A ciência do lançamento, quando efetuada por via postal, se dá pelo simples recebimento da correspondência no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. O fato de o empresário individual estar ou não viajando nesta data é irrelevante para a caracterização do lançamento que foi cientificado por via postal. (Ac. nº 1802001.394 – 2ª Turma Especial/ 1ª Sessão de julgamento, rel. José de Oliveira Ferraz Correa, j. 03/10/2012) Fl. 5158DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 8 INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃOAUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo.(Ac. 2302001.875 – 3ª Câmara / 2ª TO / 2ª Seção de julgamento, rel. Liege Lacroix Thomasi, j. 20/06/2012) Este Conselho inclusive sumulou a referida matéria no enunciado de número 9 o qual expressamente prevê: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dessa forma, outra conclusão não há que não seja a de que a intimação foi realizada conforme o disposto na legislação e que, portanto, o prazo de 30 dias se iniciou no dia 17 de agosto de 2011, sendo, portanto intempestiva também a impugnação apresentada somente no dia 25 de maio de 2012. Portanto, concluo que a intimação tenha sido irregular, tendo o prazo para impugnação se iniciado em 17 de agosto de 2011, o que resulta na intempestividade também da impugnação apresentada. 2. CONCLUSÕES Ante ao exposto, não conheço do presente recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 5159DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/01/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000020/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.239
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração nº 37.211.6400, no qual a autoridade fiscal entendeu que o sujeito passivo e terceiras empresas configuram grupo econômico, o que ensejou a representação para exclusão do Simples, bem como o lançamento, nestes autos, de contribuições previdências devidas a Terceiros sobre diferenças apuradas em pagamento efetuados a segurados empregados no período de junho de 2007 a dezembro de 2007, incluindo o 13º salário. Devidamente intimado o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou a inexistência de grupo econômico, bem como a ausência de simulação entre as empresas, além de defender a sua permanência no regime simplificado de pagamento de tributos, sustentando, ainda, o fato de que apresentou defesa administrativa contra os atos de exclusão do citado regime. A DRJ de Ribeirão Preto manteve parcialmente a autuação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. ENTIDADES TERCEIRAS A empresa é obrigada a recolher as contribuições destinadas às Entidades Terceiras, de acordo com ordenamento jurídico, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados. EXCLUSÃO DO REGIME SIMPLES. DECADÊNCIA. Empresa excluída do SIMPLES fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Devese lavrar o competente AutodeInfração para prevenir a decadência, tendo sua exigibilidade suspensa, enquanto não definitivamente julgado o ato excludente. AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O AutodeInfração devidamente motivado, com a descrição das razões de fato e de direito, contendo as informações suficientes ao exercício do contraditório e da ampla defesa, é ato administrativo que goza de presunção de legalidade e veracidade, sendo descabida a argüição de nulidade do feito. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. PROVA TESTEMUNHAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A prova documental no contencioso administrativo deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; e os depoimentos deveriam ter sido apresentados sob forma de declaração escrita, juntamente com a impugnação. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO REJEITADO. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10925.000020/200959 Resolução n.º 2301000.239 S2C4T2 Fl. 3 3 Dada a existência de determinação legal expressa, as intimações são endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais. Impugnação Improcedente” Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o Relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Como se depura dos autos a premissa fiscal foi a de que haveria a existência de grupo econômico entre o sujeito passivo e as empresas Idugel Industrial Ltda. E KF Montagens Industriais Ltda ME. Conseqüência desse entendimento resultou na representação para a exclusão da autuada do Simples, bem como no lançamento das contribuições previdenciárias. O sujeito passivo sustenta que se defendeu dos atos de exclusão do Simples, o que fica evidente na leitura da decisão recorrida a qual se ampara em acórdão proferido nos processos administrativos originados com a impugnação da empresa (processos 10935.002073/200823 e 10925.002252/200861). Entendo que as decisões a serem tomadas naqueles autos, podem, sobremaneira, influenciar na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, haja vista que se for decidido que o sujeito passivo deve permanecer no Simples, o presente lançamento sofrerá conseqüências, quiçá seu cancelamento se for esse o caso. Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que o presente processo aguarde o trânsito em julgado dos processos administrativos 10935.002073/200823 e 10925.002252/200861. Caso tenha havido o trânsito, sejam anexadas as decisões nele proferidas, seja de primeira, como de segunda instâncias administrativas. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003789/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE DIRIGENTE. ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91. REVOGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Diante da revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941/2009, o qual atribuía à responsabilidade pessoal do dirigente máximo do órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige, impõe-se afastar a sua legitimidade passiva em observância ao artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. IMPOSSIBILIDADE LANÇAMENTO NA EMPRESA.
Tratando-se de obrigação acessória em que a legislação de regência, mais precisamente o artigo 283, inciso II, alínea i e parágrafo 1o, do RPS, contempla a penalidade específica/literal ao Dirigente do Órgão Público, é defeso a penalidade ser direcionada à empresa, por absoluta falta de previsão legal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE DIRIGENTE. ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91. REVOGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante da revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941/2009, o qual atribuía à responsabilidade pessoal do dirigente máximo do órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige, impõese afastar a sua legitimidade passiva em observância ao artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. IMPOSSIBILIDADE LANÇAMENTO NA EMPRESA. Tratandose de obrigação acessória em que a legislação de regência, mais precisamente o artigo 283, inciso II, alínea “i” e parágrafo 1o, do RPS, contempla a penalidade específica/literal ao Dirigente do Órgão Público, é defeso a penalidade ser direcionada à empresa, por absoluta falta de previsão legal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 37 89 /2 00 9- 01 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.003789/200901 Acórdão n.º 2401002.880 S2C4T1 Fl. 107 3 Relatório FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão n° 02 28.900/2010, às fls. 67/72, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a autuada, nos termos do artigo 87 da Lei nº 8.212/91, c/c artigos 269, 283, inciso II, alínea “i” e parágrafo 1o, do RPS, por ter deixado de consignar no orçamento anual, a dotação necessária ao pagamento das contribuições devidas a Seguridade Social, de modo a assegurar a sua regular liquidação dentro do exercício, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06/07, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração (obrigações acessórias), lavrado em 17/03/2009, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 13.291,66 (Treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), com base no artigo 283, inciso II, alínea “i”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 78/79, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, suscita a existência de acordo celebrado entre o Estado de Minas Gerais, a União Federal e o INSS, em 08/07/2010, homologado judicialmente pelo STJ nos autos da ação judicial consubstanciada no processo n° 1999.38.00.0178182 – Recurso Especial n° 1.135.162/MG. Nos termos de referido acordo, a Fundação ora recorrente indicou os débitos previdenciários a serem incluídos no Parcelamento Especial instituído pela Lei n° 11.941/2009, com arrimo nas Portarias Conjuntas PGFN/RFB n° 06/2009 e 03/2010, desistindo expressamente da discussão administrativa e judicial, reconhecendo, portanto, a legitimidade dos débitos apurados, salvo àqueles alcançados pelo instituto da decadência ou pertinentes aos servidores vinculados ao RPPS. Alega que a partir do Acordo em comento, ficou estabelecido o cancelamento de todos os autos de infração lavrados contra as entidades do Estado de Minas Gerais, como é o caso da Fundação, consoante item “f” de tal acordo. Dessa forma, requer seja conhecido e provido o presente recurso de maneira a determinar a devida adequação do débito em questão aos termos constantes do Acordo celebrado entre o Estado de Minas Gerais, União Federal e INSS, ensejando a extinção do presente Auto de Infração, face à disposição das partes. Alternativamente, não acolhida sua pretensão em relação à extinção do feito, repisa os argumentos suscitados em sede de impugnação, refutando, ainda, todos os fundamentos dados pela h. Turma de Julgamento. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.003789/200901 Acórdão n.º 2401002.880 S2C4T1 Fl. 108 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. Em seu recurso voluntário insurgese a contribuinte contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, dando conta da existência de acordo celebrado entre o Estado de Minas Gerais, a União Federal e o INSS, em 08/07/2010, homologado judicialmente pelo STJ nos autos da ação judicial consubstanciada no processo n° 1999.38.00.0178182 – Recurso Especial n° 1.135.162/MG. Referido Acordo teve a finalidade de por termo à discussão quanto à exigibilidade de contribuições previdenciárias sobre as remunerações de servidores efetivos e comissionados contratados pelo Estado de Minas Gerais, suas autarquias, fundações, etc, sobretudo após a edição da Emenda Constitucional n° 20/1998. Nos termos de aludido acordo, a Fundação ora recorrente indicou os débitos previdenciários a serem incluídos no Parcelamento Especial instituído pela Lei n° 11.941/2009, com arrimo nas Portarias Conjuntas PGFN/RFB n° 06/2009 e 03/2010, desistindo expressamente da discussão administrativa e judicial, reconhecendo, portanto, a legitimidade dos débitos apurados, salvo àqueles alcançados pelo instituto da decadência ou pertinentes aos servidores vinculados ao RPPS. Ressalta que a partir do Acordo em comento, ficou estabelecido o cancelamento de todos os autos de infração lavrados contra as entidades do Estado de Minas Gerais, como é o caso da Fundação, consoante item “f” de tal acordo. Dessa forma, requer seja conhecido e provido o presente recurso de maneira a determinar a devida adequação do débito em questão aos termos constantes do Acordo celebrado entre o Estado de Minas Geral, União Federal e INSS, ensejando a extinção do presente Auto de Infração, face à disposição das partes. Alternativamente, não acolhida sua pretensão em relação à extinção do feito, repisa os argumentos suscitados em sede de impugnação, refutando, ainda, todos os fundamentos dados pela h. Turma de Julgamento. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito das autoridades lançadora e julgadora de primeira instância em defesa da manutenção do feito, concluise que o inconformismo da contribuinte, quanto à sua ilegitimidade passiva, merece prosperar, como passaremos a demonstrar. Com efeito, extraise dos autos do processo que a contribuinte fora autuada por deixar de consignar no orçamento anual, a dotação necessária ao pagamento das Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 contribuições devidas a Seguridade Social, de modo a assegurar a sua regular liquidação dentro do exercício, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06/07, infringindo os preceitos inscritos no artigo 87 da Lei nº 8.212/91, c/c artigos 269, 283, inciso II, alínea “i” e parágrafo 1o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, ensejando a aplicação da multa insculpida naqueles dispositivos legais, que assim prescrevem: “Art. 269. Os orçamentos das entidades da administração pública direta e indireta devem consignar as dotações ao pagamento das contribuições devidas à seguridade social, de modo a assegurar a sua regular liquidação dentro do exercício. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) [...] II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: [...] i) deixar o dirigente da entidade da administração pública direta ou indireta de consignar as dotações necessárias ao pagamento das contribuições devidas à seguridade social, de modo a assegurar a sua regular liquidação dentro do exercício; [...] § 1º Considerase dirigente, para os fins do disposto neste Capítulo, aquele que tem a competência funcional para decidir a prática ou não do ato que constitua infração à legislação da seguridade social.” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. De início, impende registrar que, ao contrário do que a contribuinte afirma, o presente débito não se encontra incluído no Parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/2009, como se constata da informação inscrita no Despacho de Encaminhamento, de fl. 104, o que na verdade determinou o conhecimento de sua peça recursal. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.003789/200901 Acórdão n.º 2401002.880 S2C4T1 Fl. 109 7 Isto porque, restasse comprovada a inclusão do crédito previdenciário em questão em referido parcelamento, não se poderia cogitar no conhecimento do recurso voluntário da contribuinte, em razão da necessária desistência da discussão administrativa e judicial. Partindo dessas premissas, boa parte das razões recursais da contribuinte já cai por terra, uma vez fundadas na pretensa extinção do crédito previdenciário diante da suposta inclusão no Parcelamento Especial, o que não representa a realidade dos fatos, como a própria autoridade fazendária informa em Despacho de fl. 104. Remanesce, porém, a alegação da contribuinte de que no Acordo em comento, ficou estabelecido o cancelamento de todos os autos de infração lavrados contra as entidades do Estado de Minas Gerais, como é o caso da Fundação, consoante item “f” de tal acordo, argumento que, por outros fundamentos, merece acolhimento. Destarte, estabelece a alínea “f” do referido Acordo (transcrita na peça recursal), in verbis: “F) Ficam cancelados os autos de infração lavrados pessoalmente contra os dirigentes de órgão e entidades do Estado de Minas Gerais (incluindo suas autarquias, fundações, o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado e todos os Poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário), nos termos do Parecer PGFN/PG n° 1.796, de 21 de agosto de 2008, bem como entendimento predominante da jurisprudência judicial e administrativa.” (grifamos) Na hipótese vertente, o que torna digno de realce é que a autuação não fora lavrada em face do dirigente do Órgão Público, mas, sim, da própria Fundação, o que poderia nos levar a concluir pela procedência do feito, tal qual ocorrera em outros casos. Entrementes, do exame da legislação que regulamenta a matéria, notadamente do artigo 283, inciso II, alínea “i” e parágrafo 1o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, acima transcrito, extraise que a penalidade ora imposta se destina literalmente ao Dirigente do Órgão Público e não à empresa. Dessa forma, não se pode deslocar a penalidade inscrita no dispositivo legal encimado, vinculada ao Dirigente do Órgão Público, para outro sujeito passivo (Empresa – Fundação) que não aquele determinado pela norma, por absoluta falta de previsão legal, o que afasta de plano a legitimidade passiva da recorrente. E, como o artigo 41 da Lei nº 8.212/91, esteio da legitimidade passiva do Dirigente do Órgão Público, fora revogado pela Lei nº 11.941/2009, igualmente, não se poderia responsabilizálo, consoante jurisprudência já firmada neste Colegiado, na linha, inclusive, que restou determinado pelo Acordo celebrado entre o Estado de Minas Geral, União Federal e INSS, suscitado pela contribuinte. Certamente por essa razão a autoridade lançadora achou por bem autuar a empresa (Fundação) e não o Dirigente, olvidandose, porém, que o fundamento da multa se refere especificamente ao Dirigente do Órgão Público e não à empresa (Fundação), maculando, assim, a pretensão fiscal em face de sujeito estranho à norma legal. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais vigentes que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, decretando, de ofício, a insubsistência do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 16024.000149/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO PATRONO DO RECORRENTE. INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. PUBLICAÇÃO DA PAUTA DE JULGAMENTO NO DOU E NO SITE DA INTERNET DO CARF.
O pedido de intimação prévia ao patrono da recorrente não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garante-se às partes a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral, se de interesse. O administrado pode, ou não, se fazer acompanhar por advogado no processo administrativo, a depender de sua exclusiva escolha, pois não se pode esquecer que o processo administrativo opera com uma maior grau de informalidade. Não por outro motivo, o Supremo Tribunal Federal fez editar a Súmula Vinculante nº 5 (A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição), tudo a demonstrar que também não é imprescindível a presença de advogado no processo administrativo fiscal.
IRPF - MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
O artigo 44, inciso II, da Lei 9.430, de 1996, ao dispor sobre a aplicação da multa qualificada determina a caracterização do evidente intuito de fraude.
IRPF - DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE
A dedução de despesas médicas está condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados pela autoridade lançadora, através da apresentação da documentação hábil e idônea. Desta forma é de se manter as glosas efetuadas, por falta de comprovação das despesas declaradas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO PATRONO DO RECORRENTE. INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. PUBLICAÇÃO DA PAUTA DE JULGAMENTO NO DOU E NO SITE DA INTERNET DO CARF. O pedido de intimação prévia ao patrono da recorrente não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese às partes a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral, se de interesse. O administrado pode, ou não, se fazer acompanhar por advogado no processo administrativo, a depender de sua exclusiva escolha, pois não se pode esquecer que o processo administrativo opera com uma maior grau de informalidade. Não por outro motivo, o Supremo Tribunal Federal fez editar a Súmula Vinculante nº 5 (A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição), tudo a demonstrar que também não é imprescindível a presença de advogado no processo administrativo fiscal. IRPF MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA O artigo 44, inciso II, da Lei 9.430, de 1996, ao dispor sobre a aplicação da multa qualificada determina a caracterização do evidente intuito de fraude. IRPF DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 49 /2 00 9- 05 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 A dedução de despesas médicas está condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados pela autoridade lançadora, através da apresentação da documentação hábil e idônea. Desta forma é de se manter as glosas efetuadas, por falta de comprovação das despesas declaradas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 729/755) interposto em 13 de janeiro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), (fls. 686/716), do qual o Recorrente teve ciência em 14 de dezembro de 2009 (fls.727), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 437/449, lavrado em 21 de julho de 2009, em decorrência de Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas, Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições de Previdência Privada e Fapi e Dedução Indevida de Despesas Médicas, formalizandose a exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 54.351,63 mais cominações legais. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AnoCALENDÁRIO: 2004, 2005, 2006, 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como matéria não impugnada aquela que expressamente o sujeito passivo não contesta, devendo ser apartadas para imediata cobrança. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000149/200905 Acórdão n.º 2101002.061 S2C1T1 Fl. 766 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A comprovação de rendimentos auferidos e não declarados, informados pela fonte pagadora na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, caracteriza omissão de rendimentos. IMPUGNAÇÃO. PROVAS A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não tem qualquer relevaância na análise dos fatos alegados. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem, de modo a elidir o lançamento. Impugnação apresentada com alegações genéricas solicitando revisão do procedimento não tem o condão de alterar o valor da exigência imputado pela autoridade lançadora. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação das despesas médicas efetuadas no montante pleiteado na declaração de ajuste, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. MULTAS DE OFÍCIO. A multa de ofício, no percentual de setenta e cinco por cento, é aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, sendo aplicável a multa de ofício de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. OBRIGATORIEDADE. ENCAMINHAMENTO APÓS TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. A Representação Fiscal para Fins Penais é obrigatória sob pena de responsabilidade funcional e somente será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. JURISPRUDÊNCIA. As decisões judiciais e administrativa não constituem normas complementares do Direito Tributário, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas no litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 729/755), onde alega, em síntese, que, preliminarmente, deve ser anulado o acórdão 1736.308, da 11ª Fl. 767DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Turma da DRJ/SP2, tendo em vista que não houve a intimação do advogado da parte, inexistindo, ainda, a publicação de pauta de julgamento do Auto de Infração, bem como no curso da instrução processual e, de conseqüência, sem ter ciência das comunicações que deviam ser dirigidas à contribuinte, ficou a mesma indefesa e o patrono totalmente impossibilitado de fazer qualquer sustentação sem defesa dos interesses da autuada, constituindo o fato em flagrante cerceamento de defesa; e repisa as argumentações apresentados na impugnação em primeira instância. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 764, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, aqui se afasta a alegação de intimação prévia do patrono da recorrente, no curso processual, pois tal pleito não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Destacase que os procedimentos adotados no julgamento à quo, observaram fielmente os ditames disciplinados no citado decreto, especialmente quanto às intimações, essas regularmente recebidas pela Recorrente como se comprova às folhas 145, 178, 207, 247, 681 e 727. Ressalte se que é garantida, em segunda instância, a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União, com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do artigo 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, inclusive, na sessão de julgamento respectiva, se efetuar sustentação oral. O Recorrente, portanto, pode, ou não, se fazer acompanhar por advogado no processo administrativo, a depender de sua exclusiva escolha, pois não se pode esquecer que o administrativo opera com um maior grau de informalidade. Não por outro motivo, o Supremo Tribunal Federal fez editar a Súmula Vinculante nº 5 (A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição), tudo a demonstrar que também não é imprescindível a presença de advogado no processo administrativo fiscal. Assim, não assiste razão ao recorrente na preliminar de nulidade. No mérito discutemse as deduções das Despesas Médicas, não tendo a Recorrente carreado aos autos, porém, quaisquer provas capazes de elidir a exigência da peça básica, limitandose a repisar os argumentos apresentados na impugnação à quo. A recorrente argüi, ainda, que a multa qualificada de 150% é incabível porque a autoridade lançadora não teria comprovado a existência de dolo, e em sendo mantido o auto de infração a multa aplicável deve ser reduzida para no máximo 75%. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000149/200905 Acórdão n.º 2101002.061 S2C1T1 Fl. 767 5 A questão é: A Recorrente reduziu intencionalmente a base de cálculo do imposto nos exercícios de 2004, 2005, 2006 e 2007, caracterizando o fato como fraude? Houve uma ação dolosa? Vejase o que dispõe o artigo 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1963, verbis: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. Permitamme reproduzir aqui parcela do voto vencedor do acórdão nº 102 47.087 – 1º Conselho de Contribuintes – 2ª Câmara, da lavra do Conselheiro José Raimundo Tosta Santos: A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da declaração inexata ou da falta ou pagamento a menor do tributo ou da omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, seja ela pelos mais variados motivos que se possa alegar. Dessa forma, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado (nota fiscal fria, calçada, declaração do beneficiário do pagamento de que não prestou os serviços etc), sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 O intuito do contribuinte de fraudar não pode ser presumido: compete ao fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa. Se, por um lado, cabe ao contribuinte comprovar as despesas deduzidas dos rendimentos tributáveis declarados, sob pena de serem glosados, como ocorreu no lançamento em comento, de outra banda, compete à fiscalização apresentar os elementos de prova que demonstrem a intenção do contribuinte de fraudar o fisco. Destarte, listo abaixo, dentre outros, itens extraídos do acórdão vergastado, onde concluo pela fraude nos documentos respectivos: DOCUMEN TO Nº ANO CALENDÁRIO VALOR DECLARADO R$ OCORRÊNCIA FOLHAS NF 5252 2004 6.621,00 Indício de adulteração de data e ano. Colocação do dígito 6 no campo do milhar. A NF já acobertara despesa relativo ao anocalendário 2003. No entanto cópia da NF à época constava R$ 5.630,20. Adulteração comprovada. 44,143,145,162,382,389 NF 3137 2004 1.210,00 Indício de adulteração de valor, através da inclusão do dígito 1 na casa do milhar. Intimado o emitente este apresentou cópia da via fixa onde constatouse o valor de R$ 120,00 e não R$ 1.210,00. Adulteração comprovada. 163,303,304,308 Recibo S/N 2005 800,00 Indício de adulteração. Inclusão do dígito zero antes da vírgula. Valor por extenso oitenta reais. Adulteração comprovada. 187 NF 0029 2005 720,00 Indício de adulteração. Substituição do dígito 1 pelo dígito 7. O emitente, intimado, apresentou cópia da vias fixas, onde o valor correto era R$ 120,00. Adulteração comprovada. A contribuinte utilizou, ainda, a mesma nota para comprovar despesas relativas ao ano calendário de 2006. 63,88,311,312,316 NF 1521 2005 138,00 Indício de adulteração, data, ano e valor. Uso de corretivo líquido sob o dígito 5 do ano/data de emissão. O emitente, intimado, apresentou cópia da via fixa, onde se confirmou valor e data divergentes. Valor correto R$ 38,00. Adulteração comprovada. 65,190,307 NF 13137 2005 1.158,50 Indício de adulteração de valor e data. O emitente, intimado, apresentou cópia da via fixa, onde se confirmou que o valor era R$ 158,50. Adulteração comprovada. A contribuinte, utilizou, ainda, a mesma nota para comprovar, também, despesas relativa ao outro ano calendário. 66,87,319,320,321 Fl. 770DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16024.000149/200905 Acórdão n.º 2101002.061 S2C1T1 Fl. 768 7 NF 4617 2006 550,00 Indício de adulteração de data e ano. Inclusão do dígito 5 na casa de centena. O emitente, intimado, apresentou cópia da via fixa, ondese confirmou que o valor era de R$ 50,00, divergente de duas notas fiscais apresentadas pela contribuinte, R$ 550,00 e R$ 750,00. Adulteração comprovada.A contribuinte utilizou, ainda, a mesma nota para comprovar despesas relativa a outro ano calendário 2007. 82,125,205,207,303,304 ,310 NF 8031 2006 820,00 Indício de adulteração data/ano/valor. Inclusão do dígito 8 no campo da centena. O emitente, intimado, apresentou via fixa, onde se vê a data de emissão 05/03/2007 e o valor de R$ 20,00. Adulteração comprovada. A contribuinte utilizou, ainda, a mesma nota para comprovar despesas relativas a outro anocalendário 2007. 83,126,205,207,223,323 ,324,330 NF 7847 2006 6.946,00 Indício de adulteração, inclusão do dígito 6 nocampo do milhar. O emitente, intimado, apresentou copia via fixa, onde se constatou o efetivo valor de R$ 946,00. Adulteração comprovada. A contribuinte utilizou a mesma nota fiscal para comprovar despesas relativas a outro anocalendário, 2007. 85,114,225,289,290,299 2800 2007 4.100,00 Indício de adulteração, inclusão do dígito 4 no campo do milhar. O emitente, intimado, apresentou cópia da via fixa onde ser veficou o valor de R$ 100,00. Adulteração comprovada. 119,245,247,264,346,34 7,349 432 2007 2.240,00 Indício de adulteração de valor, inclusão do dígito 2 na casa de milhar. O emitente, intimado, apresentou cópia da via fixa da NF, onde se constatou o valor efetivo de R$ 240,00. Adulteração comprovada 120,245,247,311,312,318 Em iguais condições foram confirmadas, ainda, as adulterações dos seguintes documentos: DOCUMENTO VALOR DECLARADO VALOR COMPROVADO FOLHAS 15682 1.300,00 30,00 86,226,342,343,345 13137 1.758,50 158,50 87,66,205,207,227,319,320,322 4617 750,00 50,00 82,125,245,247,269,270,271,303,304,310 8031 1.620,00 20,00 83,126,245,247,273,323,324,330,328 No que tange à aplicação da multa de 150%, a mesma está expressamente prevista no inc. II, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, cabendo ás autoridades aplicála sempre que os fatos apurados se enquadrarem na hipótese de evidente intuito de fraude definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias, etc. Decorre Fl. 771DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. Nos documentos glosados concluiuse pelo intuito da contribuinte em se apurar uma base de cálculo do imposto abaixo do limite, justificandose, portanto, a aplicação da multa de ofício qualificada. Isto posto, conheço do recurso para, no mérito, NEGARLHE provimento. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 772DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002701/2008-28
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não procedem as argüições de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF n°. 12)
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF n°. 12) Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 27 01 /2 00 8- 28 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11543.002701/200828 Acórdão n.º 2801002.932 S2TE01 Fl. 102 2 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSA/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 9 a 12), referente ao exercício 2007, ano calendário 2006. O valor (em reais) do crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto Suplementar 17.327,68 Multa de Ofício (passível de redução) 12.995,76 Juros de Mora (cálculo até 30/06/2008) 2.193,68 Imposto de Renda Pessoa Física 0,00 Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros de Mora (calculados até 30/06/2008) 0,00 Total do Crédito Tributário 32.517,12 A notificação de lançamento teve origem no procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2007, ano calendário 2006, tendo sido constatada a infração descrita a seguir: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Confrontando o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica declarados, como valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11543.002701/200828 Acórdão n.º 2801002.932 S2TE01 Fl. 103 3 70.725,19, pagos pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Na apuração do imposto devido foi compensado imposto de renda retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 2.121,75. Cientificado, via postal, das exigências em 19/06/2008 (fl. 68), o sujeito passivo apresentou em 16/07/2008, impugnação às fls. 1 a 7, contestando o feito fiscal, com os argumentos a seguir expostos: a) Cerceamento do Direito de Defesa. Alega preliminarmente que o contribuinte não teria sido chamado a prestar esclarecimentos em nenhum momento, ficando surpreendido ao receber o lançamento. Entende, com base na Constituição Federal e no Decreto nº 3000, de 29/03/1999 – RIR/99, que seu direito à ampla defesa teria sido cerceado. b) Dos Fatos. O contribuinte informa que os rendimentos tidos como omitidos seriam referentes ao pagamento de honorários sucumbenciais, traz documentos para comprovar as alegações feitas e esclarece que a Caixa Econômica Federal não seria a fonte pagadora, mas a instituição financeira responsável pelo pagamento dos honorários devidos pela parte vencida. Alega que houve erro na identificação da fonte pagadora. c) Da Obrigação da fonte pagadora. Da obrigação do contribuinte e da boafé. A contribuinte comenta que dentre as obrigações das fontes pagadora está a de fornecer à pessoa física beneficiária documento com informações da natureza e montante dos valores pagos no anocalendário. Cita a Lei nº 8.981, de 1995, e o RIR/99. Esclarece que não teria recebido tal documento nem da União, fonte pagadora, nem do TRF da 2ª Região, que seria a fonte pagadora subsidiária, nem da Caixa Econômica Federal. Argumenta que, mesmo não tendo recebido as informações legais a que teria direito, não teria se furtado a reconhecer e oferecer à tributação os honorários sucumbenciais recebidos, visto que estes foram registrados em seu Livro Caixa, pelo valor líquido. Anexa aos autos documentos que comprovariam estas alegações. Alega que não teria recebido informação legal sobre os honorários. Ao final, requer que a Notificação de Lançamento seja julgada nula, inconsistente e improcedente.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 72/76, que restou assim ementado: PRELIMINAR.CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa quando o contribuinte é cientificado do lançamento, contendo a fundamentação legal correspondente, e tem a oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos na fase de impugnação. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11543.002701/200828 Acórdão n.º 2801002.932 S2TE01 Fl. 104 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 29/08/2011 (AR fl. 81), o interessado interpôs o recurso de fls. 82/92, em 19/09/2011. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O contribuinte suscitou preliminar de nulidade do auto de infração, alegando ofensa aos princípios informadores do processo administrativo fiscal, na medida em que ele não foi intimado a prestar esclarecimento na fase que antecede o lançamento. Porém, não há como acolher tal alegação, pois a teor das disposições do art. 59 do Decreto n° 70.235/72, no Processo Administrativo Fiscal da União, as nulidades são aquelas expressamente indicadas no referido dispositivo, quais sejam, os atos praticados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que não restou provado no caso presente. Qualquer outra irregularidade não implica em nulidade e deve ser sanada quando resultar em prejuízo ao sujeito passivo, o que também resta afastado no presente caso, considerando que o contribuinte teve oportunidade de apresentar todos os elementos de prova tanto na fase impugnatória quanto em sede de recurso. Desta forma, não se caracterizando o cerceamento do direito de defesa nem se verificando a ausência de qualquer requisito formal indispensável, rejeitase a nulidade, quer do auto de infração, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem No mérito, também não merece reparos a decisão recorrida, uma vez que o recorrente não logrou comprovar que os rendimentos tidos como omitidos seriam referentes a pagamento de honorários sucumbenciais já oferecidos à tributação como rendimentos recebidos de pessoas físicas. Ademais, é de se esclarecer que cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse entendimento já é posição sumulada de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11543.002701/200828 Acórdão n.º 2801002.932 S2TE01 Fl. 105 5 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.( Súmula CARF nº 12) Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
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Numero do processo: 13888.000029/00-13
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1990 a 30/09/1995
PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1990 a 30/09/1995 PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1990 a 30/09/1995 PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 00 29 /0 0- 13 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13888.000029/0013 Acórdão n.º 9900000.543 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0291 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0284, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Henrique Pinheiro Torre Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, Fl. 336DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0304, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13888.000029/0013 Acórdão n.º 9900000.543 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 06/1990 a 09/1995, fls. 002, e o pedido de restituição foi protocolado em 14/06/2000, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13888.000029/0013 Acórdão n.º 9900000.543 CSRFPL Fl. 5 7 Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 14/06/2000, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 14/06/1990 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 14/06/1990 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 340DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.008107/2010-82
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Anocalendário:
2005
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO
A entrega de Declaração Simplificada após o prazo legal, sem que houvesse qualquer impedimento por parte da Secretaria da receita Federal na recepção da mesma, enseja a cobrança de multa por atraso.
IN 893/08 E POSTERIORES. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DISPENSA
NO CASO DE INATIVIDADE
A IN nº 893/08 e posteriores dispensaram as pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional e que estavam na condição de inativas nos respectivos anoscalendários de apresentar a DSPJ, contudo estabeleceu nova obrigação acessória. A dispensa não retroage para as empresas que não apresentaram a DSPJ dos anos anteriores.
Numero da decisão: 1802-001.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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IN 893/08 E POSTERIORES. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DISPENSA NO CASO DE INATIVIDADE A IN nº 893/08 e posteriores dispensaram as pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional e que estavam na condição de inativas nos respectivos anoscalendários de apresentar a DSPJ, contudo estabeleceu nova obrigação acessória. A dispensa não retroage para as empresas que não apresentaram a DSPJ dos anos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 37DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.008107/201082 Acórdão n.º 1802001.348 S1TE02 Fl. 37 2 Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.008107/201082 Acórdão n.º 1802001.348 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação da contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Em 12/05/2010 foi formalizado o presente processo, tendo o contribuinte apresentado a impugnação de fls. 01/09, na qual alega que a referida multa não deve ser aplicada, tendo em vista a dispensa de apresentação da declaração concedida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a partir da Instrução Normativa n° 893/2008. Tal norma teria sido revogada pela IN 990/2009 que, em seu art. 7°, dispensa as empresas da apresentação da DSPJ Inativa. Assim, diante da retroatividade da lei tributária mais benéfica, entendese que tal dispensa se estende aos anos anteriores, tendo ressaltado que o impugnante se enquadra nos requisitos que ensejaram a dispensa outorgada pela RFB, enfatizando ainda normas constitucionais e dispositivos do Código Tributário Nacional (CTN) acerca do assunto em pauta. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO O sujeito passivo que apresentar a Declaração Simplificada após o prazo fixado na legislação fica sujeito à multa por atraso na entrega. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 04/04/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 25 a 28) em 25/04/2011, onde reitera as argumentações feitas na impugnação e ao fim requer a reforma da decisão da DRJ. Este é o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.008107/201082 Acórdão n.º 1802001.348 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e atende os requisitos previstos em lei, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente processo visa a manutenção pela Receita Federal e a desconstituição pela Recorrente, de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada do anocalendário de 2005, que estava na condição de inativa. A Recorrente defende que as instruções normativas disciplinadoras da DSPJ após a LC nº 123/06, dispensaram o cumprimento dessa obrigação acessória para as empresas enquadradas no Simples Nacional e que estavam na condição de inativas. A alegação da Recorrente não pode e nem deve prosperar, como será demonstrado a seguir. A obrigatoriedade de entrega da DSPJ para o anocalendário de 2005 estava disciplinada na IN nº 591/2005, in verbis: “Art. 1º A Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Inativa 2006 deve ser apresentada pelas pessoas jurídicas que permaneceram inativas durante todo o anocalendário de 2005. Parágrafo único. A DSPJ Inativa 2006 deve ser apresentada também pelas pessoas jurídicas que forem extintas, cindidas parcialmente, cindidas totalmente, fusionadas ou incorporadas durante o anocalendário de 2006, e que permanecerem inativas durante o período de 1º de janeiro de 2006 até a data do evento. Art. 2º Considerase pessoa jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial durante todo o anocalendário. Parágrafo único. A pessoa jurídica que tenha realizado qualquer tipo de aplicação no mercado financeiro será considerada ativa. Art. 3º O prazo para a entrega da DSPJ Inativa 2006 será de 2 de janeiro de 2006 até as 20 horas (horário de Brasília) de 31 de março de 2006. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.008107/201082 Acórdão n.º 1802001.348 S1TE02 Fl. 40 5 Parágrafo único. A DSPJ Inativa 2006 relativa a evento de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, ocorrido em 2006, deve ser entregue pela pessoa jurídica extinta, cindida, fusionada ou incorporada até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento. Art. 4º A DSPJ Inativa 2006, original ou retificadora, deve ser apresentada por meio da Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Art. 5º Com a apresentação da DSPJ Inativa 2006, para o mesmo CNPJ, não serão aceitas as seguintes declarações referentes ao anocalendário de 2005: I Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf; II Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ; III Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples. Art. 6º Considerase indevida a apresentação da DSPJ Inativa 2006 por pessoa jurídica que não se enquadre no disposto nos arts. 1º e 2º desta Instrução Normativa. § 1º Na hipótese do caput, a pessoa jurídica deve retificar a DSPJ Inativa 2006 e marcar a opção 'Não' no item "Declaração de Inatividade". § 2º Para retificar a DSPJ Inativa 2006 será exigido o número de recibo da declaração retificada. § 3º A alteração a que se refere o § 1º anula a apresentação indevida da DSPJ Inativa 2006 e possibilita a entrega das declarações de que trata o art.5º . Art. 7º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação (Cotec) poderá editar as normas necessárias ao cumprimento do disposto nesta Instrução Normativa. Art. 8º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art. 9º Fica formalmente revogada, sem interrupção de sua força normativa, a Instrução Normativa SRF nº 484, de 29 de dezembro de 2004.” Fl. 41DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.008107/201082 Acórdão n.º 1802001.348 S1TE02 Fl. 41 6 A IN nº 893/08 a qual a Recorrente alega que dispensou a entrega da DSPJ, além de se aplicar especificamente as empresas que no anocalendário de 2009 estavam inativas, não retroagiu às obrigações dos anoscalendários anteriores. Destarte, submete essas empresas ao cumprimento de uma nova obrigação acessória, a saber, a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN 2010). Vêse com isso que não houve a dispensa da DSPJ, mas a substituição pela DASN. A seguir o inteiro teor do citado artigo: “Art. 7º As microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP) optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) de que trata o art. 12 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que permaneceram inativas durante o período de 1º de janeiro de 2008 até 31 de dezembro de 2008, ficam dispensadas da apresentação da DSPJ Inativa 2009. Parágrafo único. Na hipótese do caput, a pessoa jurídica apresentará a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN 2010), com a opção de inatividade assinalada.” Vale mencionar ainda que as instruções normativas que sucederam IN nº 893/98, mantiveram esse texto para os períodos subseqüentes. Claramente entendo que a dispensa estipulada pela IN nº 893/08 só se deu pelo fato de que as informações necessárias à atividade administrativa foram supridas pela nova declaração – DASN – situação essa que não havia nos anos anteriores. Estender a dispensa da DSPJ aos períodos em que não havia a DASN significa burlar a atividade fiscalizadora. Pelo exposto entendendo que não havia qualquer óbice para a entrega da DSPJ pela contribuinte, bem como a inexistência de legislação posterior que dispensasse o cumprimento da obrigação acessória, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 42DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.008107/201082 Acórdão n.º 1802001.348 S1TE02 Fl. 42 7 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19515.000467/2002-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999
DEPUTADO ESTADUAL. VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE "AUXÍLIO-ENCARGOS GERAIS DE GABINETE" E DE "AUXÍLIO-HOSPEDAGEM". VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL.
As ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN.
RECURSO ESPECIAL PREJUDICADO.
Excluídas as referidas verbas da base da cálculo da incidência, resta prejudicado o recurso da Fazenda Nacional que pretendia ver restabelecida a multa afastada sobre a base de cálculo excluída.
Recursos especiais do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional não conhecido.
Recurso especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do contribuinte e não conhecer do recurso da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 04/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE "AUXÍLIOENCARGOS GERAIS DE GABINETE" E DE "AUXÍLIO HOSPEDAGEM". VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL. As ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. RECURSO ESPECIAL PREJUDICADO. Excluídas as referidas verbas da base da cálculo da incidência, resta prejudicado o recurso da Fazenda Nacional que pretendia ver restabelecida a multa afastada sobre a base de cálculo excluída. Recursos especiais do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional não conhecido. Recurso especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do contribuinte e não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 67 /2 00 2- 58 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 19515.000467/200258 Acórdão n.º 9202002.518 CSRFT2 Fl. 8 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 10422.014, da 4a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes (fls. 143 a 152), julgado na sessão plenária de 08 de novembro de 2006, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, mas considerou tributáveis os rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, correspondentes a verbas de “AuxílioEncargos Gerais de Gabinete” e “AuxílioHospedagem”. Transcrevese a ementa do julgado: IRFONTE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto na fonte por antecipação do devido pelo beneficiário do rendimento, incabível a responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na fonte pagadora. NATUREZA INDENIZATÓRIA Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a título de ajuda de custo paga com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda. AJUDA DE CUSTO ISENÇÃO Se não for comprovado que a ajuda de custo se destina a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município, não se aplica a isenção prevista na legislação tributária (Lei no. 7.713, de 1988, art. 6°, XX). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 19515.000467/200258 Acórdão n.º 9202002.518 CSRFT2 Fl. 9 3 JUROS MORATÓRIOS SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). MULTA DE OFÍCIO — ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de oficio. Recurso parcialmente provido. Cientificada do acórdão em 28/8/2007 (fl. 153), a Fazenda Nacional manejou, no mesmo dia, recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova (fls. 155 a 167), nos termos do art. 7o, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria no 147, de 25 de junho de 2007. Alegou a recorrente que a decisão contrariou o art. 136 do Código Tributário Nacional e o art. 44, inciso I, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando desonerou a multa de ofício, sendo irrelevante se o erro do contribuinte foi escusável ou não, diante da legalidade e da responsabilidade objetiva que regem a aplicação da legislação tributária. O recurso especial da Fazenda foi admitido pelo despacho de fls. 169 a 171. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 13/11/2007 (fl. 179), o contribuinte apresentou, em 19/11/2007 (fl. 199), embargos de declaração (fls. 180 a 198), bem como, em 27/11/2007 (fl. 211), contrarrazões ao recurso da Fazenda Nacional (fls. 204 a 210). Nos embargos, eram indicadas omissões e contradições no acórdão. Entretanto, eles foram rejeitados pelos despachos de fls. 214 a 216. Em sede de contrarrazões, defendeu que a multa de ofício deveria ser excluída quando constatado erro escusável em razão da informação prestada pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo acerca da natureza dos auxílios prestados, afirmando ser este o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes. Cientificado da rejeição dos embargos em 29/4/2008 (fl. 220), o sujeito passivo apresentou, em 14/5/2008 (fl. 382), recurso especial da parte que lhe foi desfavorável (fls. 221 a 381v). No recurso especial, defendeu a não incidência de imposto de renda sobre verbas de gabinete recebidas por parlamentares, apontando divergência de entendimento com o seguinte paradigma: Acórdão n° 10248.737 VERBA DE GABINETE PAGA AOS DEPUTADOS — NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA — A denominada Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 19515.000467/200258 Acórdão n.º 9202002.518 CSRFT2 Fl. 10 4 verba de gabinete se constitui em meio necessário para que o parlamentar possa exercer seu mandado. A não exigência de prestação de contas das despesas correspondentes à referida verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. O fato de não haver prestação de contas, por si só, não transforma em renda aquilo que tem natureza indenizatória. As verbas de gabinete recebidas pelos Deputados e destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda, especificado no artigo 43 do CTN. Recurso provido. Acrescentou, ainda, alguns comprovantes localizados, relativos ao período questionado, afirmando que demonstravam, ainda que por amostragem, a utilização dos auxílios percebidos com o pagamento de despesas inerentes ao mandado, tais como aluguéis, contas de consumo (luz, água, telefone, etc.) e combustível, dentre outros. O recurso especial do contribuinte foi admitido pelo despacho de fls. 385 a 387. Cientificada dessa decisão em 10/02/2009 (fl. 387), a Fazenda Nacional apresentou, no dia seguinte, contrarrazões (fls. 390 a 395), alegando que as verbas “Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado” e “AuxílioHospedagem” têm natureza tributária, uma vez que o contribuinte não comprovou a efetividade dos gastos; que não é possível se admitir a apresentação de novas provas no recurso especial; e que as provas apresentadas não trazem o nome do sujeito passivo como destinatário, não sendo possível formar um nexo causal entre ele e as notas fiscais juntadas. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Inicialmente passo a apreciar o recurso especial interposto pelo contribuinte, que ataca o valor principal do crédito tributário lançado e que, se for provido, prejudicará o conhecimento do apelo da Fazenda Nacional, que busca apenas o restabelecimento da multa de ofício exonerada, uma vez que, sem o principal, não haverá que se falar nos acessórios. Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O recorrente, defende a natureza não tributável das verbas recebidas, na qualidade de deputado estadual, a título de “AuxílioEncargos de Gabinete de Deputado” e de “AuxílioHospedagem”. É entendimento consolidado desta 2ª Turma da CSRF que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 19515.000467/200258 Acórdão n.º 9202002.518 CSRFT2 Fl. 11 5 razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN, como demonstram as ementas abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 VERBA DE GABINETE IMPOSTO DE RENDA VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. Esta 2ª Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. RECURSO ESPECIAL PREJUDICADO. Excluídas as referidas verbas da base da cálculo da incidência, resta prejudicado o recurso da Fazenda Nacional que pretendia ver restabelecida a multa afastada sobre a base de cálculo excluída. Recursos especiais do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado. (Acórdão 920201.387, 2ª Turma da CSRF, relator Elias Sampaio Freire, 11/04/2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 IRPF DEPUTADO ESTADUAL VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE "AUXÍLIO ENCARGOS GERAIS DE GABINETE" E DE "AUXÍLIOHOSPEDAGEM" CRÉDITO TRIBUTÁRIO INSUBSISTENTE Os valores recebidos por parlamentares a título de "verbas de gabinete", que não correspondam a despesas efetivamente incorridas no exercício dos mandatos por eles exercidos, representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como produto do trabalho, tal qual previsto na artigo 43, inciso I, do CTN. O fato gerador do imposto sobre a renda ocorre, apenas, em relação à diferença entre as importâncias pagas pela Assembléia Legislativa e aquelas efetivamente gastas pelos deputados nas despesas para as quais foram criadas. A matéria tributável não pode ser representada pela totalidade desses numerários, sob pena de afronta, inclusive, ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Lançamento em desacordo, também, com o artigo 142 do CTN. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 19515.000467/200258 Acórdão n.º 9202002.518 CSRFT2 Fl. 12 6 Ademais, a jurisprudência deste Colegiada é firme no sentido de que “Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em beneficio próprio não relacionado à atividade parlamentar.” (Acórdão no 920200.05.3). Recurso especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado. (Acórdão 920200.972, 2ª Turma da CSRF, relator Gonçalo Bonet Allage, 17/08/2010) VERBA DE GABINETE IMPOSTO DE RENDA VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR NÃO INCIDÊNCIA Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos paia o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar. Recurso Especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado” (Acórdão 920200.690, 2ª Turma da CSRF, relator Moises Giacomelli Nunes da Silva, 13/04/2010) Filiome a esse entendimento. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Por outro lado, por restar prejudicada a análise do recurso da Fazenda Nacional, visto que não há interesse processual em se discutir o tratamento a ser dado a um acessório (uma multa), quando está decidido que o principal (o tributo) não é devido, voto por não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 19515.000467/200258 Acórdão n.º 9202002.518 CSRFT2 Fl. 13 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 10882.002160/2010-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.110
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Ivacir Júlio de Souza. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Resolução n.º 2403000.110 S2C4T3 Fl. 241 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0532.218 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas – SP que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, AIOP nº 37.287.7125, no montante original de R$ 1.030.307,43. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, o lançamento de contribuições destinadas à Seguridade Social referese às glosas de compensações efetuadas pela empresa em GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, nas competências, no período 01/2004 a 08/2009. Ainda segundo o Relatório Fiscal o auditor autuante esclarece que as contribuições em apreço foram compensadas indevidamente pela empresa, que reduziu diretamente nas GFIP's, os valores das contribuições previdenciárias a recolher sendo, desta forma, glosadas pela fiscalização. Ainda, conforme o Relatório Fiscal, fls. 19 a 23: O Contribuinte apresentou correspondência juntada ao presente informando que é titular de crédito representado pela Escritura Pública Declaratória de Anterior Ocorrência de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, lavrada no Oficio de Registro Civil de Pessoas Naturais e Tabelião de Notas Distrito de São Novo Sao Roque — SP, Livro 113, págs. 261/262. Na referida escritura consta que adquiriu o crédito de terceiro pagando R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) pelo crédito adquirido de R$ 1.700.000,00 (um milhão e setecentos mil reais). A RF HDTV não comprovou, para a fiscalização, o pagamento do crédito adquirido. iii) os valores exigidos — extraídos do sistema GFIPWEB — constam de planilha anexa, os quais correspondem, a saber: contribuição da empresa incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuição descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; e dedução dos salários família e maternidade. A Recorrente em petição juntada aos autos, às fls. 33 a 34,relata: A sociedade SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA CNPJ 42.361.972/000151 obteve decisão favorável nos autos da Ação Ordinária 94.00493690, junto à 24a. Vara Federal da Seção Fl. 199DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Resolução n.º 2403000.110 S2C4T3 Fl. 242 3 Judiciária do Estado do Rio de janeiro, que declarou o direito de a mesma livremente negociar seus créditos previdenciários. A partir da decisão judicial, a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA fez contrato de cessão desses créditos à Recorrente. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 05, é de 01/2004 a 02/2009. A Recorrente teve ciência do AIOP no dia 27.08.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 76 a 96, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: houve omissão de requisitos indispensáveis, consignados na falta da demonstração analítica da constituição do suposto crédito tributário, assim como da disposição legal infringida, o que lhe trouxe grave prejuízo, na medida que não sabe como foi calculado o tributo e multa aplicada; essa situação viola os artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72, assim como os princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal; o Auto de Infração não informa, também, qual a legislação que fundamentou a glosa das compensações regulares que promoveu; o presente deve ser declarado nulo, em atenção ao art. 59 do Decreto n° 70.235/72; o direito de constituir o crédito tributário de 01/2004 a 07/2005 encontrase caducado, nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional — CTN; ao contrário do entendimento da fiscalização, como se verifica da escritura que junta, a impugnante possui o legitimo direito de utilizar os créditos adquiridos por meio de cessão, afim de promover a compensação com seus débitos, com fundamento no citado art. 89, da Lei n°8.212/91; adquiriu, por escritura pública, da empresa Servport Serviços Participações e Administração de Bens Ltda. — EPP créditos junto ao INSS, decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, proferida pela 24a Vara Federal, na Ação Judicial n° 94.00493690; a multa aplicada de 20% possui caráter confiscatório. A Recorrida, em 21.01.2011, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, emitindo o Acórdão nº 0532.218 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas – SP, fls. 140 a 151, conforme Ementa a seguir: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Resolução n.º 2403000.110 S2C4T3 Fl. 243 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2009 COMPENSAÇÃO. LEI ESPECÍFICA. LIMITES E CONDIÇÕES. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação não é direito subjetivo derivado da Constituição Federal ou do Código Tributário Nacional. É necessária a edição de lei da pessoa política competente, que pode estabelecer limites e condições ao seu exercício. É vedada a compensação de créditos tributários com créditos adquiridos de terceiros. CONTRIBUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRREGULARIDADE. GLOSA. Em se tratando de pagamento ou recolhimento devido de contribuição, é irregular a compensação efetuada, o que requer a glosa dos valores correspondentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente, em 24.03.2011, apresentou Recurso Voluntário tempestivo, onde combate a decisão de primeira instância e reitera as alegações deduzidas em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da nulidade do auto de infração lavrado em virtude da forma de levantamento e apuração do crédito tributário; (ii) Da decadência (iii) Da ilegalidade na glosa de compensação efetivada pela Recorrente – direito de compensação dos débitos tributários com créditos adquiridos de terceiros. (iv) da inconstitucionalidade da multa em virtude da natureza confiscatória Observase que às fls. 148 dos autos, é colacionada cópia da tela do Sistema de Cobrança Dataprev/INSS CCADPRO – Consulta dados identificadores de processo – na qual o Recorrente, em relação ao presente AIOP 37.287.7125 se informa que o mesmo está na situação de incluído em 24.11.2009 no Parcelamento Especial da Lei 11,941/2009: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Resolução n.º 2403000.110 S2C4T3 Fl. 244 5 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Resolução n.º 2403000.110 S2C4T3 Fl. 245 6 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fl. 195. DA DILIGÊNCIA FISCAL Da adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei 11.941/2009 Conforme se observa às fls. 148 dos autos, é colacionada cópia da tela do Sistema de Cobrança Dataprev/INSS CCADPRO – Consulta dados identificadores de processo – na qual, em relação ao presente AIOP 37.287.7125, se informa que o mesmo está na situação de incluído em 24.11.2009 no Parcelamento Especial da Lei 11,941/2009: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Resolução n.º 2403000.110 S2C4T3 Fl. 246 7 Observase então, como prejudicial para o presente julgamento a possível inclusão do AIOP 37.287.7125 no Parcelamento Especial da Lei 11.941/2009. Desta forma, tendo em vista a possível adesão do contribuinte ao Parcelamento Especial da lei 11.941/2009, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte deve informar se de fato o presente AIOP 37.287.7125 está incluído em tal parcelamento especial; quais as competências do presente AIOP estão abrangidas no Parcelamento Especial, posto que o período objeto do débito é 01/2004 a 02/2009; e também se o efeito desta inclusão no Parcelamento Especial da Lei 11.941/2009 se materializa na desistência do contribuinte em relação ao Recurso Voluntário impetrado. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe se: (1) o AIOP 37.287.7125 está regularmente incluído no parcelamento especial da Lei 11.941/2009; (2) estando o presente AIOP incluído em tal Parcelamento Especial, quais as competências do AIOP estão abrangidas no Parcelamento Especial, posto que o período objeto do débito é 01/2004 a 02/2009; (3) o efeito desta inclusão no Parcelamento Especial da Lei 11.941/2009 se materializa na desistência do contribuinte em relação ao presente Recurso Voluntário impetrado; É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 204DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10865.903786/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 37 86 /2 00 9- 49 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903786/200949 Acórdão n.º 3803003.986 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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