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Numero do processo: 10070.100089/2005-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. DATA DO PAGAMENTO. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DE SÚMULA DO CARF E DE DECISÃO DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente depois de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos, a contar da data do pagamento.
Numero da decisão: 9202-007.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. DATA DO PAGAMENTO. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DE SÚMULA DO CARF E DE DECISÃO DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente depois de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos, a contar da data do pagamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1602; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10070.100089/200556 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.370 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GUILHERME ANTONIO KRESS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. DATA DO PAGAMENTO. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DE SÚMULA DO CARF E DE DECISÃO DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente depois de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 5 (cinco) anos, a contar da data do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 10 00 89 /2 00 5- 56 Fl. 186DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202002.137 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 22 de janeiro de 2013, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 3: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORES A 09/06/2005. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICABILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62 A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos “cinco mais cinco”, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Preliminar de decadência afastada. Foram opostos Embargos de declaração pelo Contribuinte, porém restaram inadmitidos, consoante Despacho de fls. 175. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 22 a 31, e houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 137 a 142, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à Decadência. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10070.100089/200556 Acórdão n.º 9202007.370 CSRFT2 Fl. 3 3 a) o acórdão recorrido aplicou a tese dos 5 mais 5 anos ao presente feito, que trata de pedido de restituição protocolado em 26/12/2005, após o decurso da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, que se deu em 09/06/2005; b) tendo em vista que o pedido de restituição foi protocolizado na data de 26/12/2005, ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição do pagamento efetuado anteriormente a 26/12/2000; c) o art. 3º da LC nº 118/2005 é plenamente aplicável ao caso, como entendeu, recentemente, com o julgamento do Recurso Extraordinário n9 566.621/RS, através da sistemática prevista no art. 543B do CPC, o Colendo Supremo Tribunal Federal, ao fixar que o disposto no art. 39 da LC n9 118/2005 aplicase a todas as ações ajuizadas após 08 de junho de 2005, o que é a hipótese dos autos; d) no presente caso, como o pedido de restituição foi protocolado em 26/12/2005, após a data limite fixada pelo Supremo Tribunal Federal (08/06/2005), o prazo para a repetição é de cinco anos e ele deve ser contado da data em que ocorreu o pagamento antecipado. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 160 a 171, nas quais, em síntese, sustenta a manutenção do acórdão recorrido, mencionando jurisprudência acerca do tema e reiterando que o prazo para pedir restituição de IRPF indevidamente recolhido, na hipótese dos autos, é de 10 anos a partir do respectivo fato gerador, motivo pelo qual o Recorrido espera a negativa de provimento do Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, os presentes autos tratam da controvérsia acerca do prazo prescricional do pedido de restituição de imposto de renda sobre o 13º salário, nos anoscalendário de 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, fls. 01 e 02, pleiteado em 26/12/2005, após o decurso da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, que se deu em 09/06/2005. A Recorrente aduz que, diante do pedido de restituição protocolizado na data de 26/12/2005, ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição do pagamento efetuado anteriormente a 26/12/2000, considerando o prazo de prescrição qüinqüenal e como termo inicial da contagem a data do pagamento indevido. Fl. 188DF CARF MF 4 Em contrarrazões, por outro lado, o Recorrido faz considerações acerca da aplicação do prazo decenal, pleiteando a manutenção do acórdão recorrido. Não obstante a controvérsia dos autos, a matéria já está pacificada no âmbito dos Tribunais Superiores, sendo pertinente mencionar o REsp 1.269.570/MG, Ministro Relator Mauro Campbell Marques, julgado em 23/05/2012, pela sistemática dos repetitivos, no qual restou consignado o seguinte entendimento: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10070.100089/200556 Acórdão n.º 9202007.370 CSRFT2 Fl. 4 5 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Em conclusão, o STJ decidiu que: a) para ações de repetição de indébito ajuizadas até 8/6/2005: 10 anos. b) para ações de repetição de indébito ajuizadas a partir de 9/6/2005: 5 anos. No dia 09/06/2005 entrou em vigor a LC 118/2005, que estabeleceu que, para efeito de repetição de indébito, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado. Em sintonia com o julgamento referido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou o Enunciado de Súmula CARF n.º 91 abaixo transcrito: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim, em obediência ao que dispõe o RICARF, em seu artigo 62, sobre a ausência de discricionariedade na aplicação do Acórdão e da Súmula anteriormente referidos, entendo que, ao presente caso, aplicase o prazo qüinqüenal, cujo termo inicial é data do pagamento do tributo. Diante do exposto, assiste razão à Procuradora da Fazenda Nacional, pois decadência o direito de pleitear a restituição do pagamento efetuado anteriormente a 26/12/2000, motivo pelo qual voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13877.720051/2012-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 87 1 86 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13877.720051/201236 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.631 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente EMILIO CARLOS DA SILVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 7. 72 00 51 /2 01 2- 36 Fl. 87DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 48 a 54), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.770,58, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 42 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: A ciência do Lançamento ocorreu em 13/03/2012 (fls. 56) e o contribuinte apresentou sua impugnação em 11/04/2012 (fls. 02), acompanhada de documentação, alegando, em síntese, que junta os documentos necessários à comprovação das despesas glosadas. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 25/09/2014, no acórdão 0363.786, às efls. 60 a 64, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 54 a 71 alegando, em síntese que os serviços foram prestados e toda a documentação comprova as despesas médicas com os profissionais. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 28/10/2014, efls. 68, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 28/11/2014, efls. 74, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O autuação consiste na glosa de despesas médicas dos seguintes profissionais: · Maria Carolina Borges R$15.000,00; · Keller Pereira Chagas R$7.000,00. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13877.720051/201236 Acórdão n.º 2002000.631 S2C0T2 Fl. 88 3 A DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: A motivação da glosa do valor de R$ 22.000,00, sendo R$ 15.000,00 declarado como pago à dentista Maria Carolina Borges e R$ 7.000,00 ao dentista Keller Pereira Chagas, foi justamente o fato do contribuinte, regularmente intimado para isso, não ter comprovado o efetivo desembolso dessas despesas por um dos meios exemplificados acima. Nessa instância, o interessado apresenta os extratos de fls. 24/42 e a declaração de fls. 11, feita pelo próprio, informando que recebeu de um primo o valor de R$ 18.000,00 pela venda de um veículo baixado de sua declaração de bens no ano calendário anterior. Com efeito, em que pese ter havido a referida venda do veículo no ano anterior, não há qualquer prova nos autos que o valor estaria vinculado aos pagamentos das despesas médicas glosadas. Por fim, a análise dos extratos bancários tampouco mostram qualquer compatibilidade de datas e valores com as constantes nos recibos apresentados às fls. 16/17 e 20/23. Ainda que somados todos os saques realizados no ano calendário 2009, o valor não chega a um terço do montante das despesas odontológicas declaradas no período. Não considero, por conseguinte, que foi comprovada a efetividade dos pagamentos, razão pela qual a glosa deve ser mantida integralmente. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 89DF CARF MF 4 : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13877.720051/201236 Acórdão n.º 2002000.631 S2C0T2 Fl. 89 5 evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra Fl. 91DF CARF MF 6 banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13877.720051/201236 Acórdão n.º 2002000.631 S2C0T2 Fl. 90 7 Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. A decisão da DRJ negou provimento à impugnação do contribuinte, sob fundamento de que o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento das despesas médicas: Além dos requisitos acima elencados, entendo que a Fiscalização pode exigir comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas quando assim entender necessário, desde que o contribuinte tenha sido intimado para tanto antes do lançamento. Esse entendimento se baseia no disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Às efls. 12 a 15 há prontuário odontológico da profissional Maria Carolina Borges. Às efls. 16 e 17 há os recibos comprobatórios de serviços realizados no valor de R$15.000,00. Às efls. 18 há declaração do Keller Pereira Chagas confirmando a prestação de serviços odontológicos, bem como, às efls. 19 há o prontuário do contribuinte. Por fim, às efls. 20 a 23 há recibos que totalizam o valor de R$7.000,00. Além do mais, a Administração Fazendária possui recursos públicos, inclusive receitas de impostos, que, em regra geral, conforme artigo 167, IV da CRFB/88, não podem ser vinculadas, para aquisição de modernas tecnologias para cruzar informações e aferir eventuais condutas ilícitas dos contribuintes. Fl. 93DF CARF MF 8 Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento, afastando as glosas das despesas médicas. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas médicas em litígio. Extraise da Notificação de Lançamento (efls. 06/08) que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para Maria Carolina Borges e Keller Pereira Chagas por não ter o contribuinte, devidamente intimado, comprovado o seu efetivo pagamento através de cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias ou extratos bancários que registrem tais operações, coincidentes em datas e valores com as prestações de serviço. A decisão recorrida manteve o lançamento, corroborando as razões apontadas pela fiscalização conforme excertos a seguir reproduzidos (efls. 63/64): Nessa instância, o interessado apresenta os extratos de fls. 24/42 e a declaração de fls. 11, feita pelo próprio, informando que recebeu de um primo o valor de R$ 18.000,00 pela venda de um veículo baixado de sua declaração de bens no ano calendário anterior. Com efeito, em que pese ter havido a referida venda do veículo no ano anterior, não há qualquer prova nos autos que o valor estaria vinculado aos pagamentos das despesas médicas glosadas. Por fim, a análise dos extratos bancários tampouco mostram qualquer compatibilidade de datas e valores com as constantes nos recibos apresentados às fls. 16/17 e 20/23. Ainda que somados todos os saques realizados no ano calendário 2009, o valor não chega a um terço do montante das despesas odontológicas declaradas no período. Não considero, por conseguinte, que foi comprovada a efetividade dos pagamentos, razão pela qual a glosa deve ser mantida integralmente. Não obstante, nenhum outro elemento de prova foi juntado aos autos pelo recorrente para a finalidade pretendida. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13877.720051/201236 Acórdão n.º 2002000.631 S2C0T2 Fl. 91 9 elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, Fl. 95DF CARF MF 10 deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o contribuinte abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a sua comprovação. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.909906/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.660
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 90 6/ 20 11 -0 3 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10850.909906/201103 Resolução nº 3401001.660 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10850.909906/201103 Resolução nº 3401001.660 S3C4T1 Fl. 4 3 Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.915805/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.618
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1081; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 187 1 186 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.915805/201269 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.618 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de novembro de 2018 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente VECODIL COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 15 80 5/ 20 12 -6 9 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.915805/201269 Resolução nº 3402001.618 S3C4T2 Fl. 188 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra o Despacho Decisório, que indeferiu o pedido de compensação da Contribuinte por concluir que não restou saldo disponível. No Recurso Voluntário ora em apreço, alega a Recorrente que: Transmitiu eletronicamente o Per/Dcomp para compensação de débitos diversos com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativa; A compensação não foi homologada face a erro de preenchimento da DCTF e da Dacon correspondente ao período do crédito submetido no Perd/Comp; Quando tomou ciência do indeferimento do pedido de compensação, imediatamente transmitiu as declarações retificadoras, a fim de que constasse o valor correto; Ressaltase que tais retificações foram efetuadas dentro do prazo legal de cinco anos, não tendo precluído o direito da Reclamante de fazêlo. Com isso, invocando o Princípio da Verdade Material, pede pela análise dos documentos anexados com o recurso para o fim de que seja possível confirmar a existência do crédito e a legitimidade da compensação efetuada, com a consequente homologação da compensação pleiteada e extinção do débito vinculado a referida declaração. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.601 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.913460/201217, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.601) "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10980.915805/201269 Resolução nº 3402001.618 S3C4T2 Fl. 189 3 Da necessidade de diligência para julgamento do litígio Constatase às fls. 6 a 10 dos autos que a Recorrente apresentou em data de 29/10/2010 o PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.04 4640, pelo qual prestou as seguintes informações: Por sua vez, a retificação foi transmitida em 07/12/2012, sendo que a documentação mencionada pela defesa de fato foi anexada nestes autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. Para julgamento deste processo, fazse necessário buscar a Verdade Material sobre o objeto do litígio, apurando a legitimidade do crédito discriminado em PER/DCOMP, bem como a documentação apresentada, analisando a suficiência de crédito disponível para compensação com os débitos igualmente informados. Por tais motivos, proponho a conversão do julgamento em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais acostados às fls. 57 a 184, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.044640 e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10980.915805/201269 Resolução nº 3402001.618 S3C4T2 Fl. 190 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais trazidos quando da apresentação do Recurso Voluntário, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP em tela e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.720479/2016-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 23/08/2016
LANÇAMENTO FISCAL. CESSÃO DE NOME EM OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ÔNUS DA PROVA.
No âmbito do processo administrativo tributário, enquanto o Fisco possui o dever de provar a ocorrência do fato gerador do tributo e/ou a prática de infração, o contribuinte tem o dever de colaborar para a descoberta dessa verdade material.
No caso concreto ora analisado, verifica-se que a fiscalização não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a ocorrência da ocultação dos reais adquirentes apta a ensejar a aplicação da multa pela cessão de nome prescrita pelo art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Imperativo, portanto, o cancelamento do auto de infração combatido.
Numero da decisão: 3002-000.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 23/08/2016 LANÇAMENTO FISCAL. CESSÃO DE NOME EM OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ÔNUS DA PROVA. No âmbito do processo administrativo tributário, enquanto o Fisco possui o dever de provar a ocorrência do fato gerador do tributo e/ou a prática de infração, o contribuinte tem o dever de colaborar para a descoberta dessa verdade material. No caso concreto ora analisado, verifica-se que a fiscalização não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a ocorrência da ocultação dos reais adquirentes apta a ensejar a aplicação da multa pela cessão de nome prescrita pelo art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Imperativo, portanto, o cancelamento do auto de infração combatido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrente METALVIX COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELIME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/08/2016 LANÇAMENTO FISCAL. CESSÃO DE NOME EM OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ÔNUS DA PROVA. No âmbito do processo administrativo tributário, enquanto o Fisco possui o dever de provar a ocorrência do fato gerador do tributo e/ou a prática de infração, o contribuinte tem o dever de colaborar para a descoberta dessa verdade material. No caso concreto ora analisado, verificase que a fiscalização não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a ocorrência da ocultação dos reais adquirentes apta a ensejar a aplicação da multa pela cessão de nome prescrita pelo art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Imperativo, portanto, o cancelamento do auto de infração combatido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 04 79 /2 01 6- 81 Fl. 755DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 756 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 648/683 dos autos: DO LANÇAMENTO Trata o presente processo de auto de infração lavrado, em 23/08/2016, em desfavor da METALVIX COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELIME, doravante denominada apenas por METALVIX, para exigência de crédito tributário no montante de R$ 6.855,52, referente à aplicação da multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação, por ceder seu nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, infração constatada no caso das mercadorias da Declaração de Importação (DI) nº 15/10390164, em que as empresas MICHELLI VARIEDADES LTDA. ME, CNPJ 07.000.270/000141, e ZL COMÉRCIO E LOJA DE VARIEDADES LTDA. ME, CNPJ 12.319.845/000123, figuraram como as reais compradoras das mercadorias e não foram informadas na DI como intervenientes (encomendantes) na operação de importação, conforme determina a Instrução Normativa SRF n° 634/2006, que regulamentou o disposto no artigo 11 da Lei nº 11.281/2006. Do enquadramento legal é citado o art. 33 da Lei nº 11.488/2007 regulamentado pelo art. 727 do Decreto nº 6.759/2009, dentre outros. Para ser mais elucidativo o Relatório Fiscal (às fls. 778) foi dividido em tópicos, os quais serão reproduzidos, conforme excertos a seguir. INTRODUÇÃO 1 – DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO (DI) (ver extrato às fls. 79101) A DI nº 15/10390164 (Anexo I – Extrato da DI 15/10390164 e documentos instrutivos) foi registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) pela empresa METALVIX COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI – ME, CNPJ 10.751.278/000154, em 10/06/2015, com a finalidade de nacionalizar para consumo mercadorias como bolsas, carteiras, cintos, mochilas, entre outras, fabricados e exportados por Zhenjiang Huayu Trade Co., Limited, sediada na China. A empresa METALVIX, cuja atividade econômica principal registrada no CNPJ é o Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos, informou a modalidade de importação por conta própria para a DI nº 15/10390164 (...). DA APURAÇÃO DOS FATOS 2 – DOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADES CONSTATADOS Durante a conferência física foi constatada a conformidade da carga com o declarado na DI, em relação às descrições e quantidades, restando a necessidade de reclassificação da adição 02. No entanto, verificouse a divergência entre a qualidade do material empregado em algumas mercadorias e os baixos preços declarados (centavos de dólares), em especial, das bolsas (adição 06) e mochilas (adição 09), indicando a Fl. 756DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 756 3 existência de subfaturamento. As bolsas têm preços declarados entre US$ 0,60 e US$ 0,90 por unidade, já as mochilas têm preços declarados entre US$ 0,25 a US$ 0,30 por unidade. Ainda na etapa de exame documental e verificação das mercadorias, foram apurados elementos objetivos para embasar a fiscalização quanto aos preços declarados. A título de comparação foi apresentada a DI nº 15/11609194, cuja operação é de mercadorias similares, de mesma origem, em condições comerciais semelhantes e em período próximo, porém de diferentes exportador estrangeiro e importador nacional. Enquanto as bolsas declaradas na DI em análise têm preços entre US$ 0,60 e US$ 0,90 por unidade, os valores declarados para as bolsas da DI nº 15/11609194 variam entre US$ 4,14 e US$ 5,85 por unidade, ou seja, preços de 6,5 a 7 vezes maiores que aqueles. Também foram realizadas pesquisas no mercado nacional, constatandose valores de R$ 99,00 na revenda de bolsas de mesma marca (...) e similares às da DI em análise, o que indica uma margem de lucro elevada, quando comparada às máximas de experiência da autoridade fiscal. Em consequência aos fatos observados, a autoridade fiscal, em conformidade com o art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 680, de 02/10/2006, e face à constatação dos indícios de subfaturamento descritos, encaminhou os elementos verificados à Seção de Procedimentos Especiais Aduaneiros (SAPEA) da Alfândega do Porto de Vitória, para a avaliação da pertinência de realização do procedimento especial de controle. 3 – DO PROCEDIMENTO ESPECIAL PREVISTO NA IN RFB Nº 1169/2011 Acolhidos os indícios apurados em sede de exame documental e verificação física das mercadorias, foram realizadas pesquisas complementares com o intuito de avaliar a pertinência da realização de procedimento especial de controle aduaneiro sobre a DI nº 15/10390164. Considerandose a diversidade de mercadorias que compõem a DI, distribuídas em 12 adições, sendo algumas delas compostas por dezenas de itens, as pesquisas foram direcionadas às mercadorias das adições 06 (bolsas) e 09 (mochilas), devido à representatividade destas em relação ao total da carga, por corresponderem a 57% do valor total declarado e a 61% do peso líquido total. As pesquisas apontaram diferenças significativas entre os preços declarados na DI e as cotações de preços internacionais, assim como os valores de importações de mercadorias idênticas ou similares, de mesma origem, em condições comerciais semelhantes. Também foi constatada irregularidade quanto à ocultação do real comprador ou de responsável pela operação, quando da verificação de operações anteriores de revenda no mercado interno de mercadorias de mesma natureza, mesmo fabricante/exportador e também importadas em nome da METALVIX. 3.1 Cotações de preços internacionais Fl. 757DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 756,5 4 Em pesquisas a site de cotações de preços na Internet (www.alibaba.com), foram encontrados anúncios de produtos similares por valores significativamente superiores aos preços declarados. 3.2 Valores de importações de mercadorias similares, de mesma origem, com condições comerciais semelhantes A partir de extrações de dados constantes nos sistemas internos da RFB, utilizandose como parâmetros de pesquisas as importações de bolsas femininas, classificadas nas NCM's 4202.22.10 e 4202.92.00 e com origem na China, foram apurados valores que variam entre US$ 5,85 a US$ 10,09 por unidade importada (...). 3.3 Operações de revenda no mercado interno A principal atividade econômica da METALVIX, registrada no CNPJ, é o Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos (CNAE 4684299). A METALVIX foi constituída em 03/04/2009, conforme vemos nas informações constantes no CNPJ. Sua habilitação para operar no comércio exterior ocorreu no mesmo ano, em 11/12/2009, na modalidade Limitada (...): Desde que a METALVIX começou a operar no comércio exterior (primeira importação data de 30/03/2010), a empresa registrou 54 declarações de importação.Deste total, em 40 DI’s a empresa atuou como importador direto (por conta própria), em outras 13 DI’s como importador por conta e ordem de terceiros e em apenas uma figurou como adquirente de mercadoria importada por intermédio de terceiros (...). No entanto, de todas as 54 declarações de importação registradas, três DI’s chamaram a atenção: a ora em análise, DI nº 15/10390164, e as de nº 15/08703720 e 15/09644611. Essas duas últimas foram registradas e desembaraçadas em datas próximas à data de registro da presente DI. Todas contêm produtos semelhantes, comumente chamados de mercadorias de bazar, tais como bolsas, mochilas, carteiras, cintos, guardachuvas, rádios, etc, sendo registradas na modalidade de importação por conta própria. Primeiramente, as operações chamam a atenção devido à natureza das mercadorias importadas não se correlacionar com as atividades econômicas da METALVIX registradas no CNPJ, bem como, pelo fato da empresa não possuir instalações adequadas para mercadorias destinadas ao varejo. Em um segundo momento, foram analisadas as Notas Fiscais de entrada (compra) e saída (venda), emitidas pela METALVIX, relacionadas às mercadorias importadas através das DI’s nº 15/08703720 e 15/09644611: as Notas Fiscais de entrada (nº 1275 e 1289) e de saída (nº 1276/1277 e 1290/1291), relativas a essas mercadorias, possuem a mesma data de emissão, ocorrida imediatamente após o seu desembaraço aduaneiro; as mercadorias constantes nessas DI’s, cujo exportador é o mesmo da DI em análise, foram integralmente comercializadas com apenas duas empresas (exatos 50% para cada), a MICHELLI VARIEDADES LTDA. ME, CNPJ 07.000.270/000141, e a ZL COMÉRCIO E LOJA DE VARIEDADES LTDA. ME, CNPJ 12.319.845/000123, que possuem a mesma sóciaadministradora, a Srª. LIN QUN, CPF 602.306.59373. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 757 5 (...) Os indícios de irregularidades quanto aos preços declarados nesta importação e quanto à ocultação do real comprador ou responsável pela operação, são justificadores da submissão da DI nº 15/10390164 ao procedimento especial de controle aduaneiro previsto na Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.169/2011, consoante o disposto no art. 2º, incisos I e IV desta norma: (...) Em 14/08/2015, a METALVIX foi cientificada do Termo de Início de Ação Fiscal e Retenção de Mercadorias (...) e intimada a apresentar esclarecimentos e documentos relacionados à operação de importação registrada pela DI nº 15/10390164. 4 – DA INTIMAÇÃO SAPEA Nº 049/2015 – 1ª INTIMAÇÃO Em 14/08/2015, a METALVIX tomou ciência do Termo de Intimação SAPEA nº 049/2015 (...), por meio do qual foram exigidos documentos e informações referentes tanto à operação de importação constante da DI nº 15/10390164 quanto os referentes às DI’s anteriormente registradas (15/08703720 e 15/09644611), visando, em suma, comprovar: a) a efetiva negociação realizada entre a METALVIX e o exportador ZHENJIANG HUAYU para a importação das mercadorias declaradas; b) os preços e volumes negociados, fundamentados em elementos objetivos e em consonância com os valores praticados na revenda das mercadorias no mercado interno; e c) a origem, transferência e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação citadas acima. Em 09/09/2015, a METALVIX apresentou resposta parcial à Intimação (...) e, paralelamente, solicitou a prorrogação de prazo para atendimento aos demais quesitos, devido à demanda de informações encaminhadas ao exterior e à necessidade de atualização de dados contábeis. A segunda parte da resposta foi apresentada em 09/11/2015 (...). Em razão das suspeitas quanto aos preços informados na DI nº 15/10390164 e à possível ocultação do real comprador ou responsável pela operação, foram solicitadas a identificação das pessoas envolvidas na negociação das mercadorias e a apresentação das tratativas comerciais (cotações de preços, proformas, contratos, etc.) que comprovassem as quantidades e os preços negociados das mercadorias. No entanto, a METALVIX não forneceu documentos conclusivos limitandose às respostas abaixo (...). Em 09/11/2015, a METALVIX apresentou a segunda parte da resposta à Intimação nº 049/2015 (...), em complementação aos questionamentos pendentes na primeira resposta e àqueles voltados à comprovação da origem, transferência e disponibilidade de recursos utilizados nas operações de importação citadas acima. Em resposta ao item 4, para o qual a METALVIX solicitou a prorrogação de prazo para seu atendimento, tendo em vista o pedido de informação feito ao exportador e a necessidade de consularização dos documentos, o importador respondeu (...): Fl. 759DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 757,5 6 Nesse ponto, constatase a contradição existente entre a resposta acima e a apresentada ao item 14 da mesma Intimação (...): Ou seja: a citada “confiança estabelecida entre as partes desde há muito tempo”, que resulta em financiamento concedido pelo exportador à METALVIX, não foi suficiente para a obtenção da Declaração de Exportação junto ao mesmo. Também é interessante observar que os primeiros contatos comerciais ocorreram entre dez/2014 e jan/2015 através de emails citados anteriormente (...) e os embarques relativos às três primeiras operações com o exportador se deram em abril/2015, portanto, apenas quatro meses após o primeiro contato comercial. Portanto, não foram fornecidos os documentos que permitiriam comprovar os preços declarados na DI nº 15/10390164 (...)., tais como, tratativas comerciais relativas à negociação, contratos comerciais e/ou de transporte, declaração de exportação etc. Conforme demonstrado, o autuado omitiuse a apresentar documentos e respondeu questionamentos ora em contradição ora inconclusivamente. 5 – DA INTIMAÇÃO SAPEA Nº 056/2015 – 2ª INTIMAÇÃO Em 26/11/2015, a METALVIX tomou ciência do Termo de Intimação SAPEA nº 056/2015 (Doc.05), tendo em vista a necessidade de complementação e esclarecimentos das informações prestadas em resposta à Intimação nº 049/2015, assim como a comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, da negociação efetuada junto ao exportador, constando as quantidades e os preços negociados. A resposta foi apresentada em 17/02/2016 (...), após pedido de prorrogação de prazo (...) por mais 60 dias. Em resposta (...) foi informado e apresentado contrato comercial (...) firmado entre o importador e o exportador, em contradição à resposta ao item 3 da Intimação nº 049/2015 (...) que dizia: “Não há contrato comercial expressamente firmado com o exportador”. Portanto, além da existência de um contrato comercial formal, o mesmo estabelece condições que permitiriam verificar as quantidades e os preços efetivamente transacionados. (...) Nos itens 4 e 5 da Intimação nº 056/2015 (...), a METALVIX foi questionada sobre seu processo de negociação com o exportador e seu planejamento de Fl. 760DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 758 7 importações, devendo informar, em específico, para as mercadorias declaradas na DI nº 15/10390164. Em resposta (...), a METALVIX informou que, em relação às mercadorias declaradas na DI nº 15/10390164, as mesmas foram negociadas de forma presencial, o que contradiz totalmente a resposta dada ao item 2 da Intimação 049/2015 (...), que dizia, “(...) As demais negociações foram cursadas por skype...”, o que demonstra a inidoneidade das informações prestadas. Novamente, a METALVIX foi intimada a apresentar cópia da Declaração de Exportação das mercadorias amparadas pela DI nº 15/10390164, processada pela Alfândega do país exportador, ou, na sua impossibilidade, apresentar manifestação formal do exportador estrangeiro esclarecendo o motivo para o não cumprimento a este item. Mais uma vez, foi apresentada uma resposta evasiva e contraditória (...). Também não houve a apresentação de resposta satisfatória e de documentação comprobatória para o item 7, que visava a esclarecimentos sobre os locais de armazenagem utilizados pela METALVIX (...). 6 – DAS INTIMAÇÕES SAPEA Nº 012/2016 E 0121/2016 – 3ª E 4ª INTIMAÇÕES As Intimações nº 012/2016 (...) e nº 0121/2016 (...) visaram à confirmação, por parte do importador, da integralidade e da autenticidade dos documentos (em papel) encaminhados em resposta à Intimação nº 056/2015, tendo em vista as contradições verificadas em relação às respostas anteriores. Esta confirmação ocorreu em 08/04/2016, através de manifestação assinada pelo administrador da METALVIX (...). 7 – DA INTIMAÇÃO SAPEA Nº 014/2016 – 5ª INTIMAÇÃO Em 14/03/2016, a METALVIX tomou ciência do Termo de Intimação SAPEA nº 014/2016 (...), que visava à obtenção das tratativas comerciais e de contratos celebrados referentes às negociações efetuadas com os clientes (destinatários) das mercadorias importadas através das DI’s nº 15/08703720 e 15/09644611, além das correspondentes Notas Fiscais de transporte e de seus comprovantes de pagamento. Em resposta (...), o importador apresentou as Notas Fiscais e Conhecimentos de Transporte eletrônicos referentes às vendas citadas (...) e informou que a METALVIX não arcou com o frete e demais despesas relacionadas ao envio das cargas aos seus clientes. Muito embora a METALVIX alegue que não pagou os referidos fretes, tal informação não está em conformidade com as Notas Fiscais e Conhecimentos de Transporte eletrônicos apresentados (nºs 3946, 3947, 3874 e 3875), pois todos esses documentos apresentam a METALVIX como “Tomador do Serviço” e com frete pago (...). Apresentamos, a seguir, um quadro resumo com as ocorrências (data/hora) dos despachos aduaneiros das DI’s nº 15/08703720 e 15/09644611 (Anexo II), das correspondentes operações de entrada (Notas Fiscais nº 1275 e 1289 – Anexo III), de revenda no mercado interno (Notas Fiscais nºs 1276/1277/1290/1291 Anexo III) e suas respectivas Notas Fiscais de Transporte nºs 3874/3875/3946/3947 (...): Fl. 761DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 758,5 8 Cabe ressaltar que as Notas Fiscais de entrada foram emitidas nas mesmas datas das correspondentes Notas Fiscais de saída, separadas por intervalos de poucas horas apenas. Relembrando que as mercadorias constantes nessas DI’s, de mesmas naturezas e de mesmo exportador das declaradas na DI nº 15/10390164, sob procedimento fiscal, foram integralmente comercializadas apenas com as empresas (exatos 50% para cada) MICHELLI VARIEDADES LTDA. e ZL COMÉRCIO E LOJA DE VARIEDADES LTDA., que possuem, ambas, a mesma sócia administradora, a Srª. LIN QUN. Notese, também, os prazos entre os desembaraços (dias 20/05 e 02/06) e a emissão das NF’s de entrada/saída (dias 25/05 e 03/06), e entre a emissão destas e a das NF’s de Transporte (26/05 e 05/06), considerandose a existência de final de semana (23 e 24/05) e feriado (04/06) nesses períodos. Para a DI nº 15/08703720 esse período totalizou quatro dias úteis e para a DI nº 15/09644611, dois dias úteis. Mais uma observação importante a ser feita referese ao fato de as mercadorias terem sido coletadas pelo transportador na zona primária (EADI Terca) logo após o desembaraço aduaneiro e serem transportadas diretamente aos destinatários finais (clientes da METALVIX), sem sequer passarem por depósito do importador. (...) Concluise que o prazo de dois a quatro dias úteis, caso das DI’s nº 15/09644611 e 15/08703720, respectivamente, é exíguo para o cumprimento das etapas descritas acima, compreendidas entre o desembaraço aduaneiro das mercadorias e sua expedição aos destinatários (clientes). Considerandose a diversidade de itens constantes nessas DI’s (cerca de 150 diferentes itens), a comercialização integral dos mesmos nos curtos prazos em que ocorreram e o seu transporte da zona primária diretamente para os clientes da METALVIX, sem sequer passar por seu depósito, estes fatos levam à conclusão que já havia encomendante predeterminado para estas mercadorias. 8 – DA INTIMAÇÃO SAPEA Nº 029/2016 – 6ª INTIMAÇÃO Com o objetivo de complementar as informações e esclarecer as contradições apresentadas em resposta à Intimação nº 056/2015, a METALVIX foi cientificada, em 14/04/2016, do Termo de Intimação SAPEA nº 029/2016 (...). Esta intimação visava à: a) obtenção da correspondência comercial (pedido de compra, orçamentos, aceite do exportador), constando quantidades e preços negociados das mercadorias da DI nº 15/10390164, em conformidade com o contrato de exportação agora apresentado em resposta à Intimação nº 056/2015 (Doc.05 págs. 2939); Fl. 762DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 759 9 b) comprovação da negociação presencial para a aquisição das mercadorias da DI nº 15/10390164, mediante documentos hábeis e idôneos da viagem realizada para este fim, informação esta, dada em resposta à Intimação nº 056/2015 (...) e em contradição à resposta da Intimação nº 049/2015 (negociação teria sido por skype); c) comprovação da origem de crédito recebido no valor de R$ 61.000,00, utilizados para fechamento de câmbio (US$ 17.500,00) vinculado à DI nº 15/10390164, bem como à comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos restantes (correspondentes à US$ 4.404,90), necessários para complementar o pagamento das mesmas mercadorias, de forma a complementar e esclarecer as informações prestadas na resposta à Intimação nº 056/2015 (...). Em 20/04/2016, a METALVIX solicitou a prorrogação do prazo (...), por mais 30 (trinta) dias, para a apresentação dos documentos e justificativas requeridos pela Intimação SAPEA nº 029/2016. A apresentação da resposta ocorreu em 20/05/2016. Em resposta aos questionamentos do item 1 da Intimação (...), voltados à obtenção da correspondência comercial relativa à importação das mercadorias da DI nº 15/10390164, novamente solicitada após o conhecimento da existência de contrato de exportação celebrado entre as partes, a METALVIX apresentou as informações a seguir (...): (...) O objetivo dos questionamentos constantes no item 2 da Intimação (...) era o de esclarecer, definitivamente, a forma na qual as mercadorias foram negociadas: se de forma presencial, conforme resposta dada à Intimação nº 056/2015 (...), ou se através do skype, de acordo com o informado na resposta à primeira Intimação, nº 049/2015, (...) A resposta à Intimação nº 056/2015 (...) havia sido bastante clara quanto às viagens internacionais realizadas pelo importador em busca de novas relações comerciais e celebração de contratos, sendo, inclusive, a forma de negociação efetivada para a aquisição das mercadorias da DI nº 15/10390164: “... verificamos fornecedores no exterior em consulta a sites e mediante visitas aos fabricantes internacionais em diversos países (...) No que respeita ao exportador informado na declaração de importação em epígrafe, as mercadorias já haviam sido negociadas há Fl. 763DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 759,5 10 muito tempo, inclusive de forma presencial...”. Portanto, o questionamento atual visava à obtenção de documentos que comprovassem a viagem realizada para este fim, tais como, passaporte, vistos consulares, bilhetes de embarque ou declaração de companhia aérea. (...) Apesar das informações prestadas mais recentemente (Intimação nº 056/2015), conforme vimos acima, a METALVIX voltou a se contradizer na resposta aos atuais questionamentos (...), reafirmando que as mercadorias foram negociadas mediante troca de emails e skype, sem sua participação em reuniões presenciais na China, todavia, com a realização de reuniões com representantes do exportador que vieram ao Brasil, o que se apresenta como uma versão inovada. Quanto a esse item, por fim, embora a Intimação tenha sido clara quanto à apresentação de cópia autenticada de todas as páginas do passaporte utilizado pelo responsável pela METALVIX nas negociações comerciais, houve a apresentação parcial do documento, conforme consta na resposta (...), impossibilitando a confirmação da informação prestada, o que demonstra, mais uma vez, a falta de idoneidade das informações prestadas pelo autuado. Os questionamentos constantes no item 4 da Intimação nº 029/2016 (...) tinham como objetivo a comprovação da origem da maior parcela de recursos (R$ 61.000,00) utilizados no fechamento de câmbio vinculado à DI nº 15/10390164, bem como a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos restantes para complementar o pagamento das mercadorias (correspondentes à US$ 4.404,90). Tais questionamentos foram formulados para esclarecer as informações prestadas em resposta ao item 8 da Intimação nº 056/2015 (...). Naquela Intimação, solicitouse o detalhamento de todos os repasses de valores em favor da METALVIX – assim como de eventuais devoluções – provenientes de Contrato de Mútuo apresentado para comprovação da origem dos recursos financeiros utilizados para a aquisição das mercadorias importadas por meio das DI’s nº 15/10390164, 15/08703720 e 15/09644611. Tal Contrato de Mútuo (às fls. 330332) foi celebrado, em 14/01/2015, com a AÇOVIX COMERCIAL EIRELI, CNPJ 05.119.550/000148, cujo sócio, Sr. Wagner Stael de Assis, CPF 267.481.77634, é Fl. 764DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 760 11 também, o administrador da METALVIX e casado com a Srª. Marluce Gomes Sardenberg, CPF 241.521.88634, sócia da METALVIX. Na resposta ao item 8 da Intimação nº 056/2015, foi apresentada planilha contendo os repasses financeiros realizados em favor da METALVIX (...), totalizando o valor de R$ 249.400,00 após o último repasse ocorrido em 29/06/2015, e foi informado que, até aquele momento, não houve devolução de valores à AÇOVIX (...). O Contrato de Mútuo, em sua cláusula 2ª, estipulou em R$ 250.000,00 o limite máximo de empréstimos a serem tomados pela mutuária METALVIX e, em sua cláusula 3ª, estabeleceu a forma de devolução dos empréstimos tomados: Como já relatado, para a DI nº 15/10390164, sob procedimento especial, foi efetuado o pagamento ao exportador de 80% do valor total da operação (US$ 17.500,00), em 05/08/2015, conforme contrato de câmbio e comprovantes de lançamento e liquidação entregues em resposta à Intimação nº 049/2015 (...). Também foi apresentado extrato bancário da METALVIX (...) contendo crédito recebido, em 05/08/2015, através de TED (Transferência Eletrônica Disponível), no valor de R$ 61.000,00, em conta corrente do Banestes, recursos estes utilizados para o fechamento de câmbio (equivalentes a US$ 17.500,00) vinculado à DI e na mesma data (05/08/2015). Fl. 765DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 760,5 12 No entanto, da planilha de mútuo acima, notase que o valor de R$ 61.000,00 não foi abrangido pelo Contrato de Mútuo apresentado para comprovar a origem dos recursos, tendo em vista que: i) o limite máximo de empréstimos estipulado no Contrato (R$ 250.000,00) fora atingido; ii) o crédito, recebido através de TED, data de 05/08/2015, posterior ao repasse que atingiu o limite contratual (em 29/06/2015); iii) não fora efetuada, até aquele momento, qualquer devolução de valores à AÇOVIX. Dessa forma, restou justificada a motivação desta fiscalização para exigir a apresentação dos documentos listados no item 4 da Intimação nº 029/2016, de modo a comprovar a origem dos recursos (R$ 61.000,00) utilizados no fechamento de câmbio vinculado à DI nº 15/10390164, bem como a origem, disponibilidade e transferência dos recursos restantes (correspondentes à US$ 4.404,90). (...) Em sua resposta, o importador apresentou, em suma, os seguintes esclarecimentos e documentos: Item 4.1. – comprovante de TED, no valor de R$ 61.000,00, realizada em 05/08/2015, de conta corrente da AÇOVIX no Bradesco em favor da METALVIX (...), porém, sem quaisquer esclarecimentos quanto ao desamparo de tal valor em relação ao Contrato de Mútuo comprobatório da origem dos recursos e sem apresentar outros documentos comprobatórios; Item 4.2. – declaração do contador da METALVIX (...), Sr. Alexandre Silva, CRC SP 222601/OT e CPF 358.217.52191, informando que o saldo devido ao exportador (US$ 4.404,90), vinculado à DI nº 15/10390164, encontrase em aberto para liquidação, conforme consta na contabilidade da empresa (apresentou balancete referente ao exercício 2015 – Doc. 10 pág. 2937); 9 – DA SUSPENSÃO DO PRAZO DO PROCEDIMENTO ESPECIAL Conforme exposto nos tópicos anteriores, desde o dia 14/08/2015 foram feitas sucessivas intimações, sendo que nenhuma delas foi atendida, integral e conclusivamente, com elementos que comprovassem os preços declarados nesta declaração de importação e a condição de real comprador das mercadorias. Dessa forma, consoante disposto no art. 9º da Instrução Normativa (IN) RFB n° 1.169/2011, norma que regulamenta esta ação fiscal, não há que se falar em esgotamento de prazo, uma vez que o mesmo fica suspenso a partir da data da ciência da intimação, só voltando a correr no dia do seu completo atendimento. (...) 10 – DA AÇOVIX COMERCIAL EIRELI Fl. 766DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 761 13 (...), há uma relação muito próxima entre o importador e a AÇOVIX COMERCIAL EIRELI, CNPJ 05.119.550/000148, cujo sócio, Sr. Wagner Stael de Assis, CPF 267.481.77634, é também o administrador da METALVIX (assina petições e respostas às intimações junto à fiscalização), além de ser casado com a sócia da METALVIX, a Srª. Marluce Gomes Sardenberg, CPF 241.521.88634. Vimos, também, que um Contrato de Mútuo assinado entre as empresas foi apresentado para comprovação da origem dos recursos financeiros utilizados pela METALVIX para a aquisição das mercadorias importadas por meio das DI’s nº 15/10360164, 15/08703720 e 15/09644611. Por fim, na resposta à última Intimação, nº 029/2016, restou evidenciada a utilização de recursos da AÇOVIX (R$ 61.000,00) – ao desamparo de tal Contrato de Mútuo ou de qualquer outro instrumento – para o fechamento do câmbio vinculado à DI nº 15/10390164, além da omissão da METALVIX a apresentar demonstrativos contábeis que poderiam identificar a origem dos recursos empregados. Considerandose este cenário, consultamos os sistemas internos da RFB em busca de maiores informações sobre a AÇOVIX. (...) desde agosto de 2010, a empresa deixou de operar ininterruptamente no comércio exterior, em virtude das sucessivas suspensões de sua habilitação. Já a METALVIX começou a operar no comércio exterior em 2010. Como relatado, registrou, desde então, 54 declarações de importação, em sua maioria (40 DI’s), atuando como importador direto (por conta própria), em outras 13 DI’s como importador porconta e ordem de terceiros e em apenas uma figurou como adquirente de mercadoria importada por intermédio de terceiros. (...) De todo o exposto, o conjunto dos fatos nos permite concluir que não se trata de mera coincidência – como sugere a existente entre os sufixos nas denominações das empresas – a relação existente entre a AÇOVIX e a METALVIX e as operações de importação realizadas por esta última, considerandose, em suma: a relação familiar existente entre os membros do quadro societário administrativo das empresas; a suspensão da habilitação da AÇOVIX para operar no comércio exterior no mesmo período em que ocorreram a habilitação da METALVIX e suas primeiras importações; a relação direta entre as atividades econômicas desenvolvidas pela AÇOVIX e a natureza (NCM) das mercadorias importadas pela METALVIX, somada à representatividade (%) destas em relação ao seu histórico de importações; a utilização de recursos financeiros da AÇOVIX para fechamento de câmbio das importações realizadas pela METALVIX, somada à omissão na entrega de demonstrativos contábeis solicitados pela fiscalização. 11 – DAS DI’S Nº 15/08703720 E 15/09644611 Conforme relatado (...) as DI’s nº 15/08703720 e 15/09644611, registradas e desembaraçadas em datas anteriores à do registro da DI sob procedimento fiscal, chamaram a atenção da fiscalização pelas razões abaixo: Fl. 767DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 761,5 14 contêm mercadorias semelhantes às da DI sob fiscalização, sendo registradas como importações por conta própria; as Notas Fiscais de entrada e de saída relativas a essas mercadorias foram emitidas pela METALVIX na mesma data; essas mercadorias, provenientes de mesma origem e exportador da DI sob fiscalização, foram integralmente comercializadas com apenas duas empresas (exatos 50% para cada), a MICHELLI VARIEDADES LTDA. (07.000.270/0001 41) e a ZL COMÉRCIO E LOJA DE VARIEDADES LTDA. (12.319.845/000123), que possuem a mesma sóciaadministradora, a Srª. LIN QUN, CPF 602.306.59373. Vimos, ainda, que o Contrato de Mútuo firmado entre a AÇOVIX e a METALVIX, apresentado para comprovação da origem dos recursos financeiros empregados nas importações da última, abrangeu os recursos utilizados para as importações das mercadorias registradas nas DI’s nº 15/08703720 e 15/09644611. Após exposição de fatos no item 7, concluímos pela existência de encomendantes prédeterminados para as mercadorias importadas através das DI’s nº 15/08703720 e 15/09644611.(...) Todas as mercadorias descritas nas faturas MT0115 e MT0215 e nas DI’s nº 15/08703720 e 15/09644611 possuem a referência “QUN” em suas descrições, em clara alusão ao nome da Srª LIN QUN, sóciaadministradora das empresas MICHELLI VARIEDADES LTDA. (07.000.270/000141) e ZL COMÉRCIO E LOJA DE VARIEDADES LTDA. (12.319.845/000123), destinatárias finais destas mercadorias, conforme visto no item 7. Convém observar que as empresas MICHELLI VARIEDADES e ZL COMÉRCIO não possuem habilitação para operar no comércio exterior. Mais uma vez, o conjunto dos fatos leva à conclusão de que a referência “QUN” não pode ser tratada como mera coincidência, mas como a identificação do real destinatário (encomendante) da mercadoria. Portanto, considerandose as razões expostas no início deste tópico e os fatos descritos no item 7 deste Auto (comercialização integral e em curtíssimo prazo das mercadorias, e o seu transporte da zona primária diretamente para os destinatários finais, sem passarem por depósito da METALVIX), as informações coletadas nas faturas MT0115 e MT0215 e nas DI’s nº 15/08703720 e 15/09644611 corroboram a conclusão da existência de encomendantes prédeterminados para as mercadorias, no caso, as empresas MICHELLI VARIEDADES LTDA. e ZL COMÉRCIO E LOJA DE VARIEDADES LTDA. Conforme veremos a seguir, as faturas MT0115 e MT0215 possuem as mesmas características da fatura que instrui a DI sob fiscalização, nº 15/10390164, relacionadas ao layout (diagramação), à numeração, ao signatário e às grafias utilizadas. 12 – DAS FATURAS COMERCIAIS EMITIDAS PELO EXPORTADOR Tendo em vista as irregularidades quanto aos preços declarados na DI nº 15/10390164 apurados nas verificações através das diferenças em relação a cotações de preços internacionais e a valores declarados em importações de mercadorias similares (mesma origem e em condições comerciais semelhantes), pesquisamos DIs contemporâneas à submetida ao procedimento fiscal, do mesmo exportador, e analisamos seus documentos instrutivos, em especial as faturas Fl. 768DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 762 15 comerciais (Doc.12). Neste ínterim, convém observar que a correta grafia do nome do exportador é Zhejiang (sem “n”) Huayu Trade Co., Limited e não Zhenjiang como declarado pela METALVIX. Em razão do sigilo fiscal, omitimos informações relacionadas à identificação de importadores e/ou adquirentes. A seguir, são feitas observações da comparação entre a fatura MT0215 (...), que instrui a DI nº 15/10390164, e demais faturas comerciais emitidas pela Zhejiang Huayu Trade Co., Limited (Doc.12). O extrato da DI nº 15/10390164, sob fiscalização, e todos os seus documentos instrutivos encontramse no Anexo I. Layout (disposição; diagramação): Percebemse diferenças entre as faturas, tais como suas diagramações (alinhamentos à esquerda/direita ou central; uso de quadros ou planilha), disposições de conteúdos (endereço, data, por exemplo), fontes de letras (tipologia), uso das línguas inglesa e portuguesa nas descrições das mercadorias (“belt”, “woman bag” X “carteira”, “mini bolsa feminina”, por exemplo), diferentes padrões de casas decimais e números das faturas. (...) Signatários: O signatário da fatura MT0215, que instrui a DI nº 15/10390164, é diferente daquele que assina as demais faturas. Enquanto o primeiro afixa uma assinatura através do alfabeto latino (ou romano), o segundo utilizase da caligrafia chinesa (ideogramas). Em resposta às Intimações nº 049/2015 e 056/2015 (Doc.03, pág.5 e Doc.05, pág.8), a METALVIX informou o nome do signatário da fatura MT0215, o Sr. Jinfa Zhu. Grafias do nome do exportador: A fatura MT0215 (DI nº 15/10390164) apresenta distinção entre as grafias do nome do exportador apostas em seu cabeçalho e no carimbo do signatário. Lembrando a grafia correta – Zhejiang Huayu Trade Co., Limited. – não é crível que uma pessoa escreva erroneamente o seu próprio nome, principalmente em um documento oficial. (...) Numeração: A fatura MT0215 (DI nº 15/10390164) não guarda relação lógica de numeração seqüencial com as demais faturas, emitidas pelo mesmo exportador para Fl. 769DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 762,5 16 diferentes importadores no Brasil (ZH1504065, ZH1504072 e ZH1504088 Doc.12). Quanto à numeração da fatura que instruiu a DI nº 15/09644611, emitida em 20/04/2015 (Doc.11), constatase que esta possui a mesma numeração da fatura instrutiva da DI nº 15/10390164, emitida em 29/04/2015 (Anexo I págs. 2531), ou seja, nº MT0215. Vejamos: A comparação dos elementos acima (layout, signatários, grafias e numeração das faturas) demonstra que a fatura apresentada pela METALVIX para instruir a DI nº 15/10390164 não corresponde àquelas emitidas pelo mesmo exportador em operações realizadas com outros importadores no Brasil. Por fim, observamos que as características existentes na fatura comercial que instrui a DI nº 15/10390164 também estão presentes nas faturas que instruíram as DI’s anteriores nº 15/08703720 e 15/09644611, em nome da METALVIX, cujas mercadorias são de mesma origem e mesmo exportador/fabricante, a Zhenjiang Huayu Trade Co., Limited. 13 – DOS CUSTOS MÍNIMOS DE PRODUÇÃO DE BOLSAS (ABIACAV) O presente tópico apresentará estudo merceológico, que apura o custo mínimo de produção de bolsas com superfície exterior de folhas de plástico, classificadas na NCM 4202.22.10. Este estudo foi elaborado pela Associação Brasileira das Indústrias de Artefatos de Couro e Acessórios de Viagem (ABIACAV). Fl. 770DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 763 17 (...) o estudo da ABIACAV ressalta o fato de que a produção de bolsas tem um custo alto de mãodeobra, devido à dificuldade de se automatizar o processo de produção, o que implica na necessidade de produção manual de cada item. Os custos mínimos de matériaprima entre os modelos de bolsas apresentados acima, cujos materiais empregados são equivalentes aos dos modelos constantes na DI nº 15/10390164, variam de US$ 5,05/kg a US$ 6,23/kg, a depender da sua composição. Muito embora as bolsas sejam comercializadas por unidade, como as declaradas na DI nº 15/10390164, para efeitos de valoração estatística são utilizadas as unidades de medida definidas no Sistema Harmonizado (SH), no caso, valor por quilograma. A equivalência entre a unidade comercial (US$/unidade) e a unidade estatística (US$/kg) é obtida por operações simples: basta dividirmos o valor total declarado das bolsas (adição 06) pelo seu peso líquido total. Desta forma, obtemos o valor médio por quilograma (US$/kg) das bolsas da DI nº 15/10390164. (...) Concluise que o valor médio por quilograma apurado para as bolsas da DI nº 15/10390164 é de US$ 1,23/kg, o que representa, no máximo, 25% dos custos mínimos de produção apurados pelo estudo da ABIACAV. A comparação dos valores acima leva à conclusão que a fatura apresentada pela METALVIX para instruir a DI nº 15/10390164 não apresenta valores que reflitam o valor real das mercadorias, pois não é possível produzilas com estes preços (25% dos custos mínimos de produção). 14 – DAS MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO Nesse tópico é feita uma breve explanação acerca das modalidades de importação, quais sejam: da Importação por conta própria, da Importação por conta e ordem de terceiro e por fim da Importação por encomenda. 15 – DO HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO SOBRE IMPORTAÇÕES POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS E POR ENCOMENDA Nesse tópico é feita uma abordagem de todo o histórico da legislação da Importação por conta e ordem de terceiro e da Importação por encomenda. 16 – DAS INFRAÇÕES DECORRENTES DA OCULTAÇÃO DAS EMPRESAS Ao ocultarse em operações de comércio exterior, uma empresa deixa de se submeter à comprovação junto à Receita Federal do Brasil de sua capacidade econômica, financeira e operacional, conforme regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 1.288, de 31 de agosto de 2012. O controle estabelecido nessa norma tem por finalidade impedir a prática do comércio internacional por empresas constituídas em nome de “laranjas” e a ocorrência de interposição fraudulenta de pessoas. Ocultandose numa operação de importação, uma empresa também poderá se eximir de responder solidariamente com o importador por eventuais tributos e contribuições sociais a serem pagos ao poder público: (...) Fl. 771DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 763,5 18 Essa prática possibilita, ainda, a “quebra da cadeia do IPI”, que consiste na sonegação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), pois a empresa ocultada deixa de ser equiparada a industrial e de estar sujeita ao recolhimento desse tributo, que incide na saída das mercadorias importadas de seus estabelecimentos para o mercadonacional, conforme previsto pela legislação vigente: (...) 17 – DO PRINCÍPIO DA NEUTRALIDADE FISCAL (...) É de conhecimento geral que, em regra, os países desoneram os produtos que as empresas instaladas em seu território comercializam para destinatários situados em outras nações, medida cujo objetivo é reduzir os preços de venda e aumentar a competitividade das suas mercadorias. Assim sendo, a tributação pelo IPI das mercadorias destinadas ao mercado brasileiro por um encomendante predeterminado de produtos estrangeiros, tem por finalidade igualar a tributação dos importados àquela imposta aos industrializados no território nacional. 18 – DA OCULTAÇÃO DO REAL COMPRADOR E DA CESSÃO DE NOME No decorrer deste auto de infração, as informações apuradas e os documentos apresentados demonstram que: 1) Há uma relação familiar e comercial muito próxima entre a importadora METALVIX Comercial Importação e Exportação, CNPJ 10.751.278/000154, e a AÇOVIX Comercial, CNPJ 05.119.550/000148, pois: a) o Sr. Wagner Stael de Assis, sócio da AÇOVIX e casado com a sócia da METALVIX, também é seu administrador; b) a AÇOVIX não possui habilitação para operar no comércio exterior, pois sua habilitação foi suspensa em 2010, próximo à habilitação da METALVIX e às suas primeiras importações; c) o histórico de importações da METALVIX é, em sua grande maioria, de mercadorias de naturezas diretamente relacionadas às atividades econômicas desenvolvidas pela AÇOVIX. 2) A AÇOVIX é a real financiadora/pagadora das operações de importação realizadas em nome da METALVIX junto ao exportador (Zhejiang Huayu), registradas pelas DI’s nº 15/10390164, 15/08703720 e 15/09644611. Restou comprovada a utilização de recursos da AÇOVIX, provenientes de Contrato de Mútuo apresentado para comprovação da origem dos recursos financeiros utilizados nas importações citadas. No entanto, o contrato de mútuo não comprovou a origem de R$ 61.000,00, transferidos para a conta corrente da METALVIX, para o fechamento de câmbio (correspondente a US$ 17.500,00) vinculado à DI nº 15/10390164, tendo em vista que o montante contratado havia se esgotado antes mesmo da transferência deste valor. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 764 19 3) A METALVIX omitiuse a apresentar livro contábil, balancete analítico da conta “Contratos de Mútuo” e comprovantes dos respectivos lançamentos, que permitiriam identificar a origem dos recursos utilizados no fechamento de câmbio citado acima. 4) Intimada a comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos restantes (correspondentes à US$ 4.404,90) necessários para complementar o pagamento das mercadorias da DI nº 15/10390164, a METALVIX informou que este saldo ainda não foi pago ao exportador. Alegou enfrentar dificuldades financeiras para quitar sua dívida com o exportador. No entanto, este argumento não prospera, pois restou comprovado que das três importações realizadas junto ao exportador, duas foram integralmente pagas e uma, a sob fiscalização, foi 80% paga. Não obstante, a METALVIX continuou a operar no comércio exterior com o registro posterior de mais quatro DI’s em um montante aproximado de US$ 120.000,00. 5) As mercadorias importadas pela METALVIX através da DI nº 15/1039016 4, além das de nº 15/08703720 e 15/09644611, são de naturezas atípicas em comparação a todo seu histórico de importações e foram registradas na modalidade de importação por conta própria. Somente estas três DI’s contêm mercadorias semelhantes, de mesma origem/procedência e de mesmo fabricante/exportador. 6) Embora registradas na modalidade de importação por conta própria, concluise pela existência de encomendantes predeterminados para as mercadorias constantes nas DI’s nº 15/08703720 e 15/09644611, pois: a) as Notas Fiscais de entrada e saída destas mercadorias, emitidas pela METALVIX, possuem mesma data de emissão, imediatamente após o desembaraço das mesmas, e foram integralmente comercializadas com apenas duas empresas (exatos 50% para cada), a MICHELLI VARIEDADES LTDA. e a ZL COMÉRCIO E LOJA DE VARIEDADES LTDA., que possuem a mesma sóciaadministradora, a Srª. LIN QUN; b) a comercialização integral das mercadorias e sua expedição da zona primária diretamente para os clientes da METALVIX, sem sequer passar por seu depósito próprio, ocorridas em prazos (de 2 a 4 dias úteis) que são exíguos para uma operação de importação por conta própria; c) a referência “QUN” nas descrições das mercadorias destas DI’s, em clara alusão ao nome da Srª LIN QUN, sóciaadministradora das empresas MICHELLI VARIEDADES e ZL COMÉRCIO; d) as empresas MICHELLI VARIEDADES e ZL COMÉRCIO não possuem habilitação para operar no comércio exterior (SISCOMEX). 7) As faturas MT0115 e MT0215, que instruíram as DI’s nº 15/08703720 e 15/0964461 1, possuem os mesmos elementos identificados na fatura que instrui esta fiscalização, relacionadas ao layout, à numeração, ao signatário e às grafias utilizadas. Quanto à numeração, causa espécie o fato de que a fatura que instruiu a DI nº 15/09644611, emitida em 20/04/2015, possui a mesma numeração da que instrui a DI nº 15/10390164, emitida em 29/04/2015, ou seja, nº MT0215. Estes fatos levam à conclusão que as faturas foram emitidas sem o cuidado de sequer observar a numeração “adotada” que, se assim considerada, não guarda relação lógica com as faturas emitidas pelo exportador para outros importadores contemporâneos. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 764,5 20 8) As diversas omissões e contradições nas respostas da METALVIX às diferentes intimações apontam que os preços efetivamente negociados estão em desacordo com os declarados na DI nº 15/10390164, levando à conclusão que a METALVIX não participou da negociação comercial, ficando a cargo dos encomendantes. (...) Conforme exposto, restou comprovado que a importação das mercadorias constantes da DI nº 15/10390164 foi realizada mediante capital oriundo da AÇOVIX, empresa com relação direta com a METALVIX (relações de parentesco e no quadro societário administrativo). A Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, dispõe, em seu artigo 29, sobre a utilização de recursos financeiros de terceiros em operações de comércio exterior e a presunção de que estas são operações por conta e ordem. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, DE 29 DE AGOSTO DE 2002 Art. 29. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Ainda, restou demonstrado que a importação dos produtos constantes da DI nº 15/10390164 foi realizada mediante a ocultação da MICHELLI VARIEDADES e da ZL COMÉRCIO como os verdadeiros adquirentes – por meio de encomenda – dessas mercadorias. Atuando como encomendantes das mercadorias da Declaração de Importação que é objeto deste Auto de Infração, a MICHELLI VARIEDADES e a ZL COMÉRCIO deveriam ter sido identificadas como tais intervenientes (encomendantes) na DI, conforme determinado pela Instrução Normativa SRF nº 634/06, que regulamentou o disposto no artigo 11 da Lei nº 11.281/06. A ocultação da MICHELLI VARIEDADES e da ZL COMÉRCIO ocorreu mediante fraude, pois tal irregularidade afastaria estas empresas da condição de equiparada a industrial, esquivandose da incidência do IPI na saída dos produtos de seus estabelecimentos para o mercado nacional. Também houve simulação, pois foi informado na DI nº 15/10390164 tratarse de operação de importação por conta própria em nome da METALVIX, quando, na realidade, a aquisição das mercadorias no exterior foi realizada por encomenda da MICHELLI VARIEDADES e da ZL COMÉRCIO, as quais não foram informadas à RFB, descumprindo o disposto na legislação em vigor. A ocultação da MICHELLI VARIEDADES e da ZL COMÉRCIO na Declaração de Importação é infração prevista no artigo 23, inciso V, do DecretoLei n° 1.455/76, a seguir transcrito, e é punida com a pena de perdimento das mercadorias que são objeto de tal irregularidade: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela Fl. 774DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 765 21 operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) A ocultação da MICHELLI VARIEDADES e da ZL COMÉRCIO como adquirentes (encomendantes) das mercadorias constantes da DI n° 15/10390164 implica no fato de que a METALVIX cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. A cessão de nome com essa finalidade é infração à legislação aduaneira prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de Junho de 2007 e é punida com uma pena de multa de 10% do valor da operação realizada com a prática de tal irregularidade: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Portanto, a ocultação do real comprador ou beneficiário da operação de importação é infração punida com a pena de perdimento das mercadorias e a cessão de nome é penalizada com multa equivalente a 10% do valor da operação acobertada. 19 – DAS INFRAÇÕES DECORRENTES DA FALSIDADE DOCUMENTAL (...) Tanto a falsidade material quanto a ideológica ensejam a penalidade do inciso VI do art. 689, nos termos do § 3ºA, do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro): Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º , este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013) Fl. 775DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 765,5 22 No que tange à importação, devese destacar que o Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013, criou o § 3ºB do art. 689 do Regulamento Aduaneiro, o qual limitou osdocumentos cuja falsificação, na importação, ensejam a aplicação da pena de perdimento do inciso VI do art. 689. A saber, tais documentos são apenas o conhecimento de carga, a fatura comercial e o comprovante de pagamento de tributos, quando exigível. (...) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º): (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013) (...) Uma vez comprovada a fraude de valor no curso do despacho, aplicase o inciso VI do art. 689 do Decreto nº 6.759, por uso de documento falso, uma vez que tal conduta relacionase com a falsidade ideológica, e muitas vezes também material, da fatura comercial apresentada para despacho de importação. DECRETO LEI 37/66 Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; DECRETO 6.759/09 Art. 689 (...) § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013). (...) 20 – DA FALSIDADE DA FATURA DA DI Nº 15/10390164 Fl. 776DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 766 23 No decorrer deste auto de infração restou demonstrada a falsidade da fatura comercial MT0215, que instruiu a DI nº 15/10390164, havendo destaque para os seguintes pontos: 1) A comparação entre a fatura MT0215 e demais faturas comerciais emitidas pelo exportador Zhejiang Huayu Trade Co. Limited evidenciou que: a) há diferenças entre seus layouts (diagramações, disposição de informações, fontes de letras, uso de línguas distintas, etc.); b) o signatário da fatura MT0215 é diferente daquele que assina todas as faturas do exportador; c) a fatura MT0215 possui erro na grafia do nome do exportador com diferença entre o cabeçalho e o carimbo (Zhenjiang versus Zhejiang); d) a fatura MT0215 apresenta ideogramas chineses, que representam o nome do exportador, diferentes e em quantidade maior do que os apresentados nas faturas emitidas pelo exportador; e) a fatura MT0215 não guarda relação lógica de numeração sequencial com as faturas emitidas pelo exportador para diferentes importadores no Brasil em período próximo (ZH1504065, ZH1504072 e ZH1504088), além de possuir a mesma numeração de fatura utilizada para instruir despacho anterior (DI nº 15/09644611) também em nome da METALVIX (observouse, também, que as faturas que instruíram as DI’s nº 15/08703720 e 15/09644611, em nome da METALVIX, apresentam as mesmas características da fatura MT0215 relatadas neste item). 2) O valor médio declarado para as bolsas (adição 06) da DI nº 15/10390164 é de US$ 1,23/kg, o que representa, no máximo, 25% dos custos mínimos de fabricação das mesmas, que varia entre US$ 5,05/kg a US$ 6,23/kg, conforme estudo merceológico, elaborado pela Associação Brasileira das Indústrias de Artefatos de Couro e Acessórios de Viagem (ABIACAV), para bolsas de mesma classificação fiscal (NCM) das ora importadas. Assim sendo, restou comprovada que a importação das mercadorias constantes da DI nº 15/10390164 foi realizada mediante a apresentação de uma fatura com preços que não representam o real valor das mercadorias. (...) Com base nos elementos fáticos relacionados, que apontam a ocorrência de fraude, aplicase, por meio desta autuação, a pena de perdimento das mercadorias objeto de tal irregularidade, prevista no inciso VI e § 3ºA do art. 689 do Decreto nº 6.759, por uso de documento falso, uma vez que tal conduta relacionase com a falsidade ideológica e também material da fatura comercial apresentada. DECRETO LEI Nº 37/66 Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; DECRETO Nº 6.759/09 Fl. 777DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 766,5 24 Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º , este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013) 21 – DAS IMPLICAÇÕES DAS FRAUDES ADUANEIRAS (...) Em razão dos enormes prejuízos causados à economia do País, os legisladores julgaram por bem, por meio do art. 105 do DecretoLei nº 37 de 1966 e do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455 de 1976, atribuir uma pena mais gravosa à prática de fraudes nas importações, a de perda das mercadorias objeto de tais ilícitos. 22 – DA BASE LEGAL Nesse tópico a fiscalização apresenta uma síntese da base legal aplicável aos fatos deste Auto de Infração. 23 – DA LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO COM PROPOSTA DE APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO Por todo o exposto, foi proposta a aplicação da pena de perdimento das mercadorias constantes da DI nº 15/10390164, por meio do Auto de Infração constante no processo nº 12466.720477/201692, em razão das infrações previstas no art. 23, inciso V, parágrafo 1º, do DecretoLei nº 1.455/76 e do artigo 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/66. (...) 24 – DA PROPOSTA DA APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME Originalmente, nos casos de ocultação do real comprador ou de responsável pela operação de importação, mediante fraude ou simulação, havia somente a previsão da aplicação da pena de perdimento das mercadorias objeto de tal irregularidade. Porém, concluiuse que essa penalidade poderia atingir somente aquelas empresas que se mantinham ocultas nas operações de comércio exterior, ficando a responsável pela cessão de seu nome sem qualquer punição pelo ilícito praticado. Em consequência dessa constatação, por meio do art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de Junho de 2007, foi instituída uma pena de multa de 10% do valor da operação realizada com a prática dessa infração: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de Fl. 778DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 767 25 comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Portanto, a pena de perdimento e a multa por cessão de nome para acobertamento de terceiros são aplicáveis à operação de importação constante da DI n° 15/10390164, fato confirmado por meio da jurisprudência, exemplificada pela decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a seguir transcrita: Processo: AMS 5166 SC 2005.72.08.0051666 Relator(a): OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA Julgamento: 03/07/2007 Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Publicação: D.E. 01/08/2007 TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI Nº 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. (...) 5. O artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal. 6. A discussão acerca da sanção de declaração de inaptidão do CNPJ não pode ser enfrentada nesta segurança, pois o auto de infração impugnado não aplicou referida pena. A decisão que declarou a inaptidão do CNPJ foi proferida por outra autoridade, em outro procedimento, o qual, aliás, é objeto de ação ordinária que tramita na 1ª Região. 7. Denegação da segurança mantida. Improvimento da apelação. (...) Por tudo o que foi apresentado neste auto de infração, restou demonstrado que a operação de importação constante na DI nº 15/10390164 foi realizada com a Fl. 779DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 767,5 26 ocultação da MICHELLI VARIEDADES LTDA. e da ZL COMÉRCIO E LOJA DE VARIEDADES LTDA. como reais compradoras das mesmas, na qualidade de encomendantes predeterminadas, infração praticada mediante a interposição fraudulenta e simulada da METALVIX COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI entre as empresas ocultadas e o Fisco. A ocorrência da ocultação dessas empresas implica, logicamente, na cessão do nome da METALVIX COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI para o acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação de comércio internacional contida na declaração de importação objeto deste Auto de Infração. O valor aduaneiro das mercadorias constantes na DI n° 15/10390164, convertido para a moeda nacional pela taxa de câmbio da data de registro da DI, é de R$ 68.555,18 (sessenta e oito mil, quinhentos e cinqüenta e cinco reais e dezoito centavos). Desta forma, aplicase a penalidade de multa no valor de R$ 6.855,51 (seis mil, oitocentos e cinqüenta e cinco reais e cinqüenta e um centavos) à METALVIX COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI – ME por infração prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. (...) 25 – DOS REFLEXOS PENAIS Nesse tópico informa ainda que, por meio do processo nº 12466.720478/2016 37, foi formalizada representação fiscal para fins penais, haja vista que restou caracterizada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crimes contra a ordem tributária, definidos nos artigos 1º e 2º, inciso I, da Lei nº 8.137, de 27/12/1990. DA CIÊNCIA A ciência da autuação ao sujeito passivo METALVIX se deu em 14/09/2016 pela via pessoal (à fl. 581). Não obstante, consta Termo de Ciência por Abertura de MensagemComunicado informando que o destinatário teve ciência por meio de sua Caixa Postal na data de 26/09/2016.(às fls. 582583). DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte, irresignada com a autuação, apresentou Peça Impugnativa (às fls. 593636), em 14/10/2016 (ver Termo de Solicitação de Juntada à fl. 584), alegando, em síntese, conforme tópicos a seguir. Da Tempestividade • Que tomou ciência da lavratura do auto de infração em 14/09/2016, por meio de seu representante legal; Do Auto de Infração • Que, o presente auto de infração compreende lançamento de ofício para fins de aplicação de multa administrativa por cessão do nome da pessoa jurídica, com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários; Fl. 780DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 768 27 • Que, não obstante os argumentos lançados pela Fiscalização, com os quais não concorda, pois lastreados em premissas absolutamente falsas ou presunções descabidas; Dos Fatos • Que, a Impetrante tem por atividades a importação e exportação de mercadorias e o comércio atacadista de mercadorias importadas, figurou como importadora de mercadorias por sua conta própria, arroladas na Declaração de Importação – DI nº 15/10390164; • Que, todo o procedimento foi realizado respeitando os ditames legais que regem o Direto Aduaneiro, com o registro da competente DI – Declaração de Importação DI e o respectivo registro no SISCOMEX IMPORTAÇÃO; • Contudo, no ato de desembaraço aduaneiro, a Impetrante foi surpreendida com o direcionamento da declaração de importação de sua lavra para a SAPEA; • Que, os questionamentos cursados no Termo de Intimação SAPEA nº 49/2015 e seguintes não poderiam ter sido realizados no curso do despacho aduaneiro de importação de mercadorias selecionadas manualmente para o canal vermelho de conferência aduaneira. Outrossim, constitui ato abusivo e ilegal reter e condicionar a liberação das mercadorias importadas ao atendimento a essas intimações; • Que, também não se refere aquele procedimento aduaneiro a quebras de sigilos telemático e comercial como condição ao encerramento do procedimento e entrega das mercadorias importadas; • Que, ainda assim, a Impugnante respondeu a todos os questionamentos, mesmo àqueles que não diziam respeito às mercadorias importadas, o que era defeso ao ilustre auditor exigir como condição à liberação das mercadorias ilegalmente retidas; • Que, a origem, transferência e disponibilidade dos recursos utilizados também restaram demonstradas, malgrado o entendimento equivocado da Fiscalização quanto ao contrato de comodato, como será demonstrado oportunamente; • Que, também foi informado da inexistência de contrato de compra e venda até a data da resposta à Intimação nº 49/2015, em 09/09/2015. Em data posterior (final de dezembro de 2015), a Impugnante recebeu contrato assinado pelo exportador, fato anotado pela Autoridade Autuante como contradição e prova da inidoneidade das informações prestadas, mas na verdade não houve contradição ou inidoneidade alguma, pois o contrato foi firmado após a resposta à precitada intimação; • Que, esse contrato, mesmo firmado a posteriori, é de suma importância porque a assinatura aposta pelo representante do exportador é a mesma que consta na fatura comercial apresentada na DI objeto do procedimento especial, com a autenticação da instituição notarial chinesa. Isso demonstra, bem ao contrário do que ousou afirmar a Autoridade Autuante, que a fatura comercial é idônea e assinada pela mesma pessoa que assinou o contrato de compra e venda; • Que, a não obtenção da declaração de exportação não prova contradição, prova apenas que a pessoa jurídica importadora não obteve o documento; Fl. 781DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 768,5 28 • Que, não se dando por satisfeito com as respostas, o ilustre auditor exigiu informações adicionais, nos termos da Intimação SAPEA nº 56/2015, no que foi atendido. Com a entrega do contrato de compra e venda internacional, assinado após a resposta à intimação anterior, a Autoridade Autuante afirma haver contradição da Impugnante em suas respostas, quando já sabia que não havia contradição alguma; • Que, sobrevieram mais duas intimações, 012/2016 e 121/2016. Em seguida, a intimação nº 014/2016, mediante a qual foram apresentadas as notas fiscais de venda das mercadorias importadas através de duas outras DIs e documentos de transporte; • Que, mesmo a Impugnante alegando não ter pago os fretes relativos ao transporte, pois não constam em extratos bancários e tampouco nos demonstrativos contábeis, o simples fato do documento fiscal de transporte apresentar a METALVIX como tomadora dos serviços foi suficiente para que a Fiscalização afirmasse ter sido a Impugnante a pagadora; • Que, em seguida, a Fiscalização fornece planilha para demonstrar que as notas fiscais de entrada e saída foram emitidas na mesma data, o que é formalmente verdade, mas não justificam suas tendenciosas afirmações, que se não fossem tendenciosas revelariam apenas desconhecimento total de como ocorrem as importações pelos portos do Espírito Santo, o “transit time”, logística e demais problemas enfrentados pelas importadoras; Das Preliminares Da Nulidade do Procedimento de Fiscalização • Que, a Impugnante promoveu a importação de mercadorias e as submeteu ao rígido controle pertinente ao despacho aduaneiro de importação. Ao arrepio da lei, o ilustre auditor enveredou de forma arbitrária e abusiva pelo procedimento especial regulado pela IN RFB nº 1.169/2011, condicionando a liberação das mercadorias importadas à quebra de sigilos constitucionalmente garantidos, impondo a acusação da existência de fatura comercial adulterada, de que as mercadorias importadas seriam futuramente negociadas para apenas duas clientes, que não havia origem para os recursos empregados, que, por presunção, havia sido cometida a infração de subfaturamento, sabidamente dolosa; • Que, houve claro descumprimento das normas legais que regem a atuação da Administração Pública. De fato, os atos administrativos, quaisquer que sejam, devem ser motivados, devidamente fundamentados, a teor do disposto na Lei n.º 9.784/ 1999; • Ademais, o procedimento fiscal é nulo ab initio em razão de ofensa aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa e contraditório; • Que, não se pautou pelo princípio da verdade material e garantia à ampla defesa, fundamentando a autuação em ilações como falsidade material da fatura, venda futura presumida a clientes, subfaturamento sem demonstração do dolo e com base em estudos (ABIACAV), não submetidos à crítica de outras entidades ou interesses, e, por fim, ausência de origem lícita de recursos não provada; • Que, há também nulidade porque não há descrição específica das condutas típicas infrativas supostamente praticadas nos processos de importação. Assim, há flagrante violação ao disposto no artigo 10, do Decreto n.º 70.235/1972; • Que, a Fl. 782DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 769 29 douta Fiscalização não descreve qualquer conduta típica da Autuada. Descreve fatos que não estão lastreados em prova alguma, apenas ilações. Afirma estar diante de um caso falsidade material de fatura comercial com base em ilações, conclui por falsidade ideológica em face de suposto subfaturamento, mas as supostas faturas comerciais de outro exportador, que erroneamente e sem provas considera ser o mesmo (ZHEJIANG H T CO, LIMITED), apresenta valores compatíveis com a das mercadorias importadas e direcionadas para o indigitados procedimento especial, o que termina por desmontar a “tese” da Fiscalização Aduaneira; • Que, não se sabe, portanto, qual a conduta praticada pela Impugnante que mereceu a qualificação de instruir o despacho aduaneiro com documento falso. Tratase de cerceamento do direito de defesa; • Que, por essa razão, cuidase da ação fiscal imotivada, sem a observância do princípio da verdade material e com a presença de cerceamento do direito de defesa, inobservância dos princípios da legalidade, motivação, moralidade e impessoalidade, descrição dos fatos infrativos que não passam de meras ilações desprovidas de suporte probatório, conclusões exclusivamente baseadas em erros de interpretação ou em provas equivocadas, tudo a requerer a nulidade absoluta do feito fiscal; No Mérito Da Regularidade da Empresa • Que, falece razão à autoridade autuante pois atua com licitude e legalidade nas importações realizadas; Da Falsidade ideológica na fatura comercial – subfaturamento • Que, o que motivou a inclusão da declaração de importação em procedimento especial foi a alegação de que as mercadorias importadas estariam com valor muito abaixo dos praticados em importações similares. Sabese, porém, que a divergência de valores não implica subfaturamento, cujo elemento subjetivo do tipo infrativo, o dolo, tem que estar presente. E não há provas de dolo. Ciente disso, a Fiscalização teria de demonstrar a falsidade material de documentos que instruem o despacho aduaneiro de importação. Porém, ao se valer dessa estratégia comete erros grotescos; • Que, a Fiscalização busca igualmente encontrar contradições nas respostas às intimações de sua lavra para desqualificar a Impugnante; • Começa declarando que a Impugnante prestou informação falsa ao afirmar que não havia contrato de compra e venda internacional. Esqueceuse de verificar que o referido contrato veio a lume após a resposta à Intimação nº 49/2015, datada de 09 de setembro de 2015. Na verdade, as argumentações da Fiscalização é que não correspondem à verdade. Confirase a data da resposta (fl. 135) à precitada intimação, em cotejo com a assinatura do referido contrato de compra e venda internacional (fl. 404); • Que, a autenticação notarial chinesa é datada de 11/12/2015 (fl 405); • Sobreveio a Intimação nº 56/2015, de 26 de novembro de 2015. Que, em face da referida exigência, considerando que o signatário já havia sido completamente identificado na resposta anterior (Intimação 49/2015), a Impugnante apresentou o retromencionado contrato, então recentemente assinado, informando que o mesmo signatário da fatura comercial assinara o contrato de compra e venda internacional, desta feita com autenticação notarial; Fl. 783DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 769,5 30 • Todavia, de forma surpreendente a Autoridade Autuante considerou a fatura comercial falsa porque a mesma difere do layout de outras faturas comerciais, supostamente do mesmo exportador chinês, em mais um lamentável equívoco; • Que, a diferença de layouts nada prova quando se sabe que os nomes ZHENJIANG e ZHEJIANG são ambos reais e correspondem a cidades distintas na China. Não se trata, portanto, de erro de grafia, ou caligrafia como quer a Fiscalização. Enfim, são empresas distintas, ou unidades comerciais distintas, talvez coligadas ou controladas (a pessoa jurídica importadora, ora impugnante, não tem que conhecer esses detalhes), mas não há objetivamente coisa alguma que permita supor que a fatura comercial MT0215 não seja verdadeira; • Que, tais absurdas alegações estão desprovidas de suporte probatório, mormente quando o referido signatário da fatura comercial MT0215 é o mesmo do contrato de compra e venda internacional apresentado em resposta à Intimação nº 56/2015 (fls. 372 e sgs), com autenticação notarial, que exerce função pública de estado; • Que, a Autoridade Autuante não dispõe de elementos para fundamentar as afirmações lamentavelmente apostas no Auto de Infração, quanto à falsidade material da fatura comercial. E por não ter certeza, ato contínuo termina por afirmar que a fatura é ideologicamente falsa porque houve fraude de valor, sem provar fraude, sem provar o dolo ou qualquer outro elemento que justificasse a existência de dolosa intenção de fraudar o valor; • Que, as afirmações estão baseadas na existência de mercadorias similares com valores mais elevados, sem considerar que as bolsas trazidas pela Impugnante são de qualidade inferior àquelas das suprarreferenciadas marcas mostrada no Auto de Infração; • Que, noutro giro, a afirmação da Fiscalização quanto à média de preço em face dos custos de fabricação, em suposto estudo da entidade que menciona, ABIACAV (Associação Brasileira das Indústrias de Artefatos de Couro e Acessórios de Viagem), não pode prevalecer; • Ou seja, o estudo não é confiável e não foi submetido à crítica e ao contraditório por outras associações ou interessados; • Por fim, que a Impugnante não se furta a solicitar laudo pericial que comprove os custos da matéria prima e mão de obra empregada; • Que assim, cai por terra a alegação de subfaturamento, eis que a prova trazida aos autos é contrária ao subfaturamento. Ainda que a Fiscalização demonstrasse fraude de valor, o que não é o caso, deveria provar o dolo. E nessa hipótese deveria ser aplicada a multa por subfaturamento e não se propor a aplicação da pena de perdimento. A razão é simples, deve ser aplicada ao contribuinte a penalidade menos gravosa, a teor do disposto no artigo 112 do CTN; Da Interposição Fraudulenta – Ocultação do real Comprador – Encomendante Predeterminado Da verdade material • Discorre inicialmente acerca da inobservância ao princípio da verdade material no presente caso; Das importações anteriores Fl. 784DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 770 31 • Que, conforme anota a Autoridade Autuante, existiram duas importações anteriores, cursadas nas DIs nº 15/08703720 e 15/09644611; • Que, a Autoridade Autuante afirma que a negociação com apenas dois clientes é suficiente para demonstrar a existência de encomendantes predeterminados. Notese, porém, que não há provas de que há encomendantes predeterminados com relação exclusivamente às duas importações anteriores, apenas suposições, quando muito, indícios; • Que, porém, o que de fato é estarrecedor é que a Autoridade Autuante afirma que já concluíra pela existência de encomendantes predeterminados para as mercadorias importadas e registradas nas declarações de importação anteriores; • Contudo, não há uma prova sequer, somente inferências. Mas para a Fiscalização Aduaneira foi suficiente inclusive para entender que importação futura, em curso, seria destinada aos mesmos supostos encomendantes predeterminados; • Prosseguindo, chega à conclusão que a referência “QUN”, presente na descrição das mercadorias importadas, diz respeito à sócia LIN QUN, da cliente Michelli Variedades Ltda – ME; • Contudo, “QUN” em mandarim pode significar “grupo”. É um vocábulo assaz comum. Importante frisar que, na China, não se identifica jamais uma pessoa pelo prenome, mas pelo nome de família. Assim, direcionar processos de importação para “Qun”, pessoa, seria extremamente improvável, eis que há milhões de pessoas com esse prenome na China (também em outros países); • Que, não param por aí as perplexidades. Conforme já demonstrado nesta impugnação, a Fiscalização Aduaneira erroneamente interpreta que a fatura comercial é materialmente falsa porque, pasmese, o signatário é diferente de outras faturas comerciais, supostamente do mesmo exportador. Sem mais delongas, eis que já demonstrado, NÃO É O MESMO EXPORTADOR. E mais, o signatário é o mesmo que consta do contrato de compra e venda internacional entregue à mesma Fiscalização, com autenticação notarial chinesa; • Porém, o mais grave é que as mercadorias sequer foram vendidas! Sim! As mercadorias importadas, arroladas na DI nº 15/1039016 4, apreendidas mediante o Auto de Infração, peça inicial deste processo administrativo, por óbvio ainda não foram negociadas, muito embora existam potenciais compradores (o que não é conduta infrativa). A Autoridade Autuante mais uma vez conjectura que seriam vendidas às mesmas duas clientes; • E como chega a essa brilhante conclusão? Simples, porque é o mesmo exportador, mercadorias importadas semelhantes, o mesmo lay out das faturas comerciais anteriores. Logo, a Fiscalização determina que seriam obrigatoriamente vendidas às mesmas clientes; Do contrato de comodato e da mutuante • Que, mais equívocos foram cometidos pela Autoridade Autuante ao analisar o contrato de comodato, as partes signatárias, bem como a planilha e os demonstrativos contábeis correspondentes; • Que, consoante a Fiscalização Aduaneira, a planilha colada à fl. 30 demonstra que o total do montante previsto no contrato de mútuo havia sido utilizado pela mutuaria, ora impugnante, antes do registro da declaração de importação DI nº 15/10390164, documento base do despacho aduaneiro das Fl. 785DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 770,5 32 mercadorias importadas e agora apreendidas. Apenas mais um equívoco da Fiscalização Aduaneira, como se verá; • Que, no confronto com a verdade material, temse que são os R$ 40.000,00 iniciais mais R$ 250.000,00, perfazendo o montante de R$ 290.000,00, montante acobertado pelo contrato de mútuo (às fls. 330332). O total de R$ 250.000,00 referese a novos empréstimos, não incluindo os R$ 40.000,00 entregues por ocasião da celebração do contrato. Mais uma errônea interpretação da Autoridade Autuante, com consequências extremamente danosas para a Impugnante. Vejase a cláusula primeira (fl. 331); • Que, inobstante, ao final do ano de 2015 a mutuaria já havia pago cerca de R$ 112.780,00, fato do conhecimento da Fiscalização Aduaneira, que mais uma vez cometeu grave equívoco. Vejamse os demonstrativos contábeis (passivo não circulante, fl. 498) entregues à Autoridade Autuante que comprovam inclusive o pagamento de R$ 112.780,00. Notase que ao final do ano o valor não atinge sequer o limite máximo, mesmo segundo o equivocado e tendencioso entendimento do Fisco; • Que, a Autoridade Autuante também tece considerações acerca da mutuante, AÇOVIX, que teria sido substituída nas importações pela METALVIX, Impugnante. Tal afirmativa não procede e, por conseguinte, carece de provas. A AÇOVIX não atua no comércio exterior e não mantém negócios com a METALVIX. As ilações são infundadas, mais uma vez, e a origem dos recursos empregados no comércio exterior plenamente demonstrada e justificada, apesar das tendenciosas e parciais interpretações da Fiscalização; • Que, concluindo este tópico, não houve ocultação do real comprador ou encomendante predeterminado. Não houve dano ao erário. Não houve encomenda alguma anterior à importação, não houve origem ilícita dos recursos empregados. Tudo não passa de meras suposições descoladas de suporte probatório; Do Auto de Infração Ausência de prova • Que, a regra básica é que o ônus da prova cabe a quem alegou. É o que dispõe o art. 333, I, do CPC e o art. 36 da Lei de Processo Administrativo. No que tange ao processo administrativo fiscal, a regra é a mesma; • Isto posto, ressaltese que não pode a Autoridade Autuante inferir que as mercadorias importadas e apreendidas seriam destinadas às mesmas clientes de declarações anteriores porque não há provas. É mero exercício de futurologia. Não há provas sequer que essas duas clientes seriam encomendantes predeterminadas; • Portanto, o julgamento se faz assentado no conjunto probatório. Nesse iter, demonstrado que a autuação se mostra lastreada em inferências e alegações desprovidas de suporte probatório, as quais se revelaram inverídicas, conforme demonstrado, deve a autoridade julgadora considerar improcedente a ação fiscal; DO PEDIDO • Requer a Impugnante que: (i) Seja cancelado o presente Auto de Infração ora impugnado e declarada sua nulidade; (ii) alternativamente, no mérito seja julgada improcedente a ação fiscal em face da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a multa administrativa que lhe foi imposta, extinguindose assim o respectivo processo administrativo. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 771 33 O contribuinte juntou, com a impugnação, atos constitutivos da empresa (fls. 585/592). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão (fls. 646/703) que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/08/2016 LANÇAMENTO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. EXIGÊNCIA DE PENALIDADE. Hodiernamente, no âmbito do processo administrativo tributário, a regra sobre a distribuição do ônus da prova deve ser pautada em um critério de justiça distributiva, que é o da garantia da igualdade entre partes. Dessa forma, enquanto o Fisco possui o dever de provar a ocorrência do fato gerador do tributo e/ou a prática de infração, o contribuinte tem o dever de colaborar para a descoberta dessa verdade material. Portanto, uma vez demonstrado que a Administração utilizouse de uma ampla atividade de instrução probatória e que restou latente a comprovação dos fatos apontados, resta cabível a exigibilidade da exação. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do artigo 16, do Decreto n° 70.235/1972. ARGUIÇÃO DE OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no estrito rigor da lei, devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao sujeito passivo, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCABIMENTO Não há falar em nulidade quando o auto de infração está devidamente fundamentado na legislação tributária e instruído com elementos de prova suficientes a amparar o lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/08/2016 DA APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. DESCABIMENTO. A Administração Tributária deve se pautar pelo princípio da estrita legalidade, assim como pela presunção relativa de constitucionalidade das leis e atos normativos, não competindo à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, incumbindo ao Poder Judiciário tal mister, seja no controle difuso, diante de Fl. 787DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 771,5 34 um caso concreto, seja no controle concentrado, exercido pelo Supremo Tribunal Federal STF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/08/2016 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. CABIMENTO. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É importante mencionar, ainda, que dois dos auditores componentes da turma julgadora da DRJ apresentaram declarações de votos, por possuírem divergências quanto ao teor da fundamentação apresentada pelo Relator. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 17/10/17 (vide Termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 713 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, tempestivamente (vide registro de solicitação de juntada datado de 16/11/17) Recurso Voluntário (fls. 716/750). Em seu recurso, o contribuinte reapresentou, entre as fls. 716/745, questões trazidas em sua impugnação e tratou do julgamento do processo n° 12466.720477/201692, que teve por objeto a aplicação de pena de perdimento sobre os mesmos fatos aqui discutidos. Afirmou que, naquele processo, foi afastada a hipótese de cessão de nome, que constitui o objeto dos presentes autos. Entre as fls. 745 e 750, tratou do mérito da presente autuação, e trouxe os seguintes argumentos: i) a acusação feita pela autoridade autuante foi de que o recorrente teria cedido seu nome para acobertar operações das empresas MICHELE VARIEDADES LTDA ME e ZL COMÉRCIO E LOJA DE VARIEDADES LTDAME; ii) essa acusação foi afastada, por ausência de provas, pela autoridade julgadora em instância única no processo relativo à pena de perdimento (processo n° 12466.720477/201692); iii) a decisão recorrida neste processo teria inovado ao acusar o contribuinte de ter cedido seu nome para realizar operações da AÇOVIX, pois esta não teria sido a intenção da autoridade autuante, e isto teria configurado cerceamento de defesa; iv) as empresas AÇOVIX e METALVIX pertencem a um mesmo grupo econômico, não existindo ocultação nas operações realizadas entre elas, mas apenas empréstimo de recursos legalmente, razão pela qual o fato seria atípico. Pediu ao fim: i) cancelamento do auto de infração, pois teria restado afastada, no processo da pena de perdimento e no julgamento deste processo em primeira instância, a hipótese de ocultação de terceiros; ii) reforma da decisão recorrida em relação à alegação de ocultação da AÇOVIX, em razão do cerceamento de defesa; iii) reforma da decisão recorrida, pois inexistiria tipicidade na ocultação de pessoa jurídica do mesmo grupo. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 772 35 Não juntou novos documentos com o seu recurso. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: De início, penso importante registrar que não consta do Recurso Voluntário interposto a indicação do signatário da referida peça processual, o que, em princípio, impede a sua identificação, para que se possa confirmar a regularidade da representação realizada in casu. Ocorre que, em que pese tal ausência, é possível constatar que a rubrica aposta no recurso voluntário é a mesma constante da impugnação apresentada, a qual teve por signatário o Sr. Wagner Stael de Assis, administrador da empresa (vide documento de fl. 587 dos autos). Sendo assim, em observância aos princípios da eficiência e da economia processual, penso que deverá ser admitido como regular o recurso voluntário ora analisado. Feitas essas considerações preliminares, entendo que o Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Passo, então, à análise dos fundamentos ali apresentados. 1. Do mérito da análise do caso e dos efeitos da decisão proferida no proc. 12466.720477/201692 Consoante acima narrado, em decorrência de uma mesma fiscalização, tendo por base uma mesma DI, foram lavrados dois autos de infração: o presente, em que se aplica multa por cessão de nome, e o processo nº 12466.720477/201692, em que foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias importadas. Embora reconheça que este tema encontra posicionamentos divergentes na jurisprudência administrativa, entendo que a penalidade aqui analisada disposta no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 (multa por cessão de nome), destinada ao importador ostensivo, veio apenas substituir a penalidade de declaração de inaptidão, disposta no art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Nesse contexto, poderá ser aplicada de forma cumulativa com a penalidade de perdimento disposta no art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, que via de regra busca penalizar a pessoa jurídica ocultada (adquirente de fato). No intuito de esclarecer o tema, o art. 727 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro) assim dispôs: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). Fl. 789DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 772,5 36 §1oA multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. §3oA multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). (Grifos apostos). Verificase, portanto, a possibilidade de coexistência de dois processos diversos, um para fins de exigência da multa por cessão de nome e outro para fins de aplicação da pena de perdimento, embora ambos tenham como fundamento legal uma mesma importação. O contribuinte, então, ressaltou em seu recurso que, no julgamento do processo n° 12466.720477/201692, foi afastada a hipótese de cessão de nome, que constitui o objeto dos presentes autos. Isso porque, para fins de aplicação da pena de perdimento, é essencial que seja analisada também se a infração indicada pela fiscalização, que levou à aplicação de dita penalidade, de fato ocorreu. Sendo assim, requer que, com base na conclusão obtida naqueles autos, a exigência constante do presente auto de infração seja cancelada. Ao analisar o conteúdo da decisão proferida naqueles autos, constatase, então, que a fiscalização, de fato, entendeu que não seria possível concluir, com base nos elementos probatórios constantes do auto de infração em relevo, pela ocorrência de ocultação do real comprador ou responsável pela operação (vide despacho decisório à fl. 730 e parecer do SEORT às fls. 709/728 do processo n° 12466.720477/201692). Aquele processo, inclusive, já se encontra definitivamente arquivado, após dita decisão. Em que pese este Colegiado não estar vinculado à decisão proferida naqueles autos, as razões de decidir constantes daquela decisão hão de ser analisadas nesta oportunidade, para que este Colegiado possa decidir se concorda com a conclusão ali posta ou não. E, ao realizar tal análise, entendo acertada a decisão proferida nos autos do processo n° 12466.720477/201692, motivo pelo qual transcrevoa a seguir, adotandoa como razão de decidir: DO MÉRITO 1. Da ocultação do real comprador ou responsável pela operação Alega a impugnante, em síntese: • que a fiscalização aduaneira deve demonstrar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; • que tais mercadorias são de fácil comercialização, com centenas de potenciais clientes no mercado nacional, e que a impugnante poderia têlas vendido para outras 4 clientes, porém acabou negociando as mesmas para apenas duas clientes; Fl. 790DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 773 37 • que em razão do baixo valor agregado das mercadorias e da reduzida margem de lucro, não compensa ter como rotina o procedimento de desova e armazenagem citado pela fiscalização; • que após o embarque no exterior ou após o desembarque em território aduaneiro, nada impede que as mercadorias sejam ofertadas no mercado nacional antes do desembaraço aduaneiro, o que não constitui infração e nem significa a existência de encomendante predeterminado; • que as mercadorias relativas à presente DI sequer foram vendidas ainda e não há provas de que as mesmas seriam destinadas aos mesmos supostos encomendantes, conforme alega a fiscalização; • que a expressão “QUN”, em mandarim, pode significar “grupo” (além de outros significados) e que é um vocábulo muito comum; pode também ser um nome próprio, também bastante comum, aplicável tanto a homens quanto a mulheres; • que, com relação ao contrato de mútuo firmado com a empresa AÇOVIX, ao contrário do que afirma a fiscalização, não houve extrapolação do montante total previsto no citado contrato; que a previsão constante do artigo 2º indica que o valor limite de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais) referese a novos empréstimos, não incluindo os R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) entregues por ocasião da celebração do contrato; • que, inobstante, ao final de 2015 a mutuária já havia pago cerca de R$ 112.780,00 (cento e doze mil setecentos e oitenta reais), o que se pode comprovar através dos demonstrativos contábeis entregues à fiscalização (fl. 529) • que carece de provas e não procede a afirmação de que a empresa AÇOVIX teria sido substituída nas importações pela METALVIX, ora impugnante; que a AÇOVIX não atua no comércio exterior e não mantém negócios com a METALVIX. Pois bem. Conforme relatado, foi lavrado auto de infração propondo a penalidade de perdimento das mercadorias constantes às fls. 81 a 107. No que diz respeito à ocorrência de ocultação do real comprador ou responsável pela operação, a autuação teve como fundamento o artigo 23, inciso V e parágrafos 1º e 2º do DecretoLei nº 1.455/76. Vejamos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 791DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 773,5 38 O citado artigo 23, inciso V do DecretoLei 1.455/76 estabelece que a conduta de ocultar do fisco o sujeito passivo, o real vendedor, o comprador ou o responsável pela operação de importação ou de exportação configura hipótese de dano ao Erário. No entanto, para que ocorra o aperfeiçoamento da infração, fazse necessário que a conduta tenha sido praticada mediante fraude ou simulação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros. Dessa forma, o artigo 23 do DecretoLei 1.455/76 trata de duas situações distintas. A primeira, da ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros, que pode ser comprovada ou presumida. A interposição fraudulenta presumida encontrase prevista no §2º do artigo 23 e consiste na não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação. Ambas as situações, quando constatadas pelo fisco, ensejam a aplicação da pena de perdimento. No entanto, no caso da interposição fraudulenta presumida, prevista no §2º do artigo 23, o ônus da prova cabe ao importador/exportador, que deve comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos, enquanto que na efetiva interposição fraudulenta de terceiros, o ônus da prova cabe à fiscalização, que deve demonstrar o sujeito passivo oculto, o perfil de suas transações com a empresa interposta e o dolo cometido mediante fraude ou simulação. Ou seja, quando a origem dos recursos não restar comprovada pelo importador ou exportador, presumese a interposição fraudulenta com base no §2º do artigo 23 do DecretoLei 1.455/76. Quando comprovada, cabe à fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação. É mister salientar que a intervenção de terceiros em operações de importação, por si só, não é considerada infração aduaneira. Existem formas de terceirização das importações que são reconhecidas e regulamentadas pela Secretaria da Receita Federal: a importação por conta e ordem e a importação por encomenda, que estabelecem a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros, desde que atendidas determinadas condições previstas na legislação. Para que uma operação seja caracterizada como infração aduaneira, indispensável estar presente o elemento essencial do tipo, ou seja, a conduta dolosa de ocultar o real adquirente das mercadorias importadas, por meio de fraude ou simulação. Ou, no caso da interposição presumida, a nãocomprovação, por parte do importador/exportador, da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação. Pois bem. Tendo em vista o que consta do item 23 do auto de infração (fl. 78), bem como toda condução do procedimento especial, verificase que a autuação fundamentouse essencialmente no artigo 23, inciso V e §1º do DecretoLei nº 1.455/76, ou seja, na ocorrência de ocultação do real comprador ou responsável pela operação. Não obstante, a fiscalização chegou a pontuar algumas questões que possivelmente poderiam levar à configuração da prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros, prevista no §2º do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, porém findou não se aprofundando nessa linha investigativa, tendo optado por proceder a uma ação fiscal mais completa, buscando a identificação do possível sujeito passivo oculto. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 774 39 Tanto é assim que resultaram da ação fiscal, além da proposta de aplicação da pena de perdimento ora em análise, a aplicação de multa por cessão de nome prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/07, além de Representação Fiscal Para Fins Penais contra as empresas que, em tese, foram ocultadas na operação (MICHELLI VARIEDADES e ZL COMÉRCIO). Todavia, percebese que, durante a condução do procedimento especial de fiscalização, foram levantadas algumas questões que apontavam para a não comprovação, por parte do importador, da origem de parte dos recursos utilizados na operação, o que talvez pudesse levar à constatação de interposição fraudulenta presumida, conforme previsto no §2º do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76. Isto porque a METALVIX não logrou, a princípio, comprovar a origem de crédito recebido, através de TED, no valor de R$ 61.000 (sessenta e um mil reais), na data de 05/08/2015, recursos estes utilizados para fechamento de câmbio vinculado à DI em análise. Tais valores, conforme constatado pela fiscalização, foram recebidos ao desamparo do contrato de mútuo firmado com a AÇOVIX COMERCIAL EIRELI, que previa a entrega da importância de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) à mutuária (METALVIX), naquele ato, assim como a possibilidade de que esta venha a tomar novos empréstimos, limitados ao valor máximo de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais). Até a data de 29/06/2015 já haviam sido realizados repasses à mutuária no montante total de R$ 249.400,00 (planilha de mútuo Doc. 05 pág 52), sem que tivessem ocorrido quaisquer devoluções à AÇOVIX até aquele momento (conforme declaração da autuada Doc 05 pág 10). No entanto, no dia 05/08/2015, a METALVIX recebeu crédito no valor de R$ 61.000,00, através de TED, em conta corrente do Banestes (extrato bancário Doc. 04 pág 18), não tendo prestado quaisquer esclarecimentos quanto ao desamparo de tal valor em relação ao contrato de mútuo, limitandose a fornecer apenas o balancete de 2015, tendo se omitido ainda de apresentar balancete específico da conta “contratos de mútuo” (ver descrição dos fatos fls. 29 a 33). Embora afirme a autuada em sua impugnação que houve uma interpretação equivocada das cláusulas do contrato por parte da fiscalização, e que o limite de empréstimos estipulado em R$ 250.000,00 não incluiria os R$ 40.000,00 tomados inicialmente, ainda assim o valor de R$ 61.000,00 recebido em 05/08/2015 ultrapassaria o suposto limite de R$ 290.000,00 previsto no contrato de mútuo. Alegou a METALVIX em sua impugnação, que ao final de 2015 já haveria pago cerca de R$ 112.780,00 (cento e doze mil setecentos e oitenta reais) à mutuante, afirmação esta que diverge frontalmente daquela prestada em resposta à Intimação nº 56/2015, em 16/12/2015, quando a autuada afirmou não terem sido efetuadas, até aquele momento, nenhuma devolução de valores (Doc 05 pág 10, Item 8). Fica evidente, portanto, a contradição nas informações prestadas pela METALVIX. Somese a isso a omissão por parte desta em apresentar balancete específico da conta “contratos de mútuo”, conforme narra a fiscalização. Dessa forma, entendo que, a princípio, não logrou a autuada comprovar a origem dos recursos utilizados na operação, e que, caso a fiscalização optasse por Fl. 793DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 774,5 40 enveredar para essa linha de investigação, talvez tivesse logrado constatar a ocorrência de interposição fraudulenta presumida. No entanto, conforme dito anteriormente, a fiscalização optou por prosseguir a investigação em outro sentido, o de configurar a ocultação do real comprador ou responsável pela operação. Dessa forma, cumpre examinar a presença de elementos de caracterização da referida infração no caso concreto. Nesse tipo de infração, a função do importador ostensivo é ocultar a participação do real interessado, e não intermediar a transação comercial. Assim, a interposta pessoa não intercede no negócio visando obter lucro ou comissão pela compra e venda de mercadorias importadas. Seu interesse na transação é obter vantagem ilícita pela ocultação do real adquirente. Em regra, sua atuação limitase à cessão do nome para registro da Declaração de Importação (DI) e emissão dos documentos que formalizam a operação. Por outro lado, o importador oculto não apenas banca a operação como também negocia os termos e condições com o exportador. Ou seja, é ele quem efetivamente promove a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional. É ele quem orquestra toda a transação, inclusive a participação do importador ostensivo na internalização da mercadoria importada, sendo que este último atua apenas na fase final desse processo, permitindo a emissão de documentos e o registro da operação em seu nome. No presente caso, alega a fiscalização que a METALVIX, ora autuada, teria agido como importador ostensivo, no sentido de ocultar a participação das empresas MICHELLI VARIEDADES e ZL COMÉRCIO, ora arroladas na condição de responsáveis solidárias. Da descrição dos fatos feita pela fiscalização constam diversos indícios que, com efeito, levaram à suspeita quanto à ocultação do verdadeiro responsável pela operação, tais como: a natureza atípica das mercadorias importadas (em relação à atividade principal do importador), o fato de as mercadorias constantes de 2 DIs anteriores (que possuíam a mesma natureza atípica da DI ora em análise) terem sido integralmente comercializadas com apenas duas empresas, MICHELLI VARIEDADES e ZL COMÉRCIO, cujas notas fiscais de entrada e saída foram emitidas na mesma data, imediatamente após o desembaraço aduaneiro, a expedição das mercadorias da zona primária diretamente para os clientes, o fato de as empresas MICHELLI VARIEDADES e ZL COMÉRCIO não possuírem habilitação para operar no comércio exterior (SISCOMEX), entre outros. Todas estas constatações, de fato, nos levam a pressupor a provável existência de encomendantes predeterminados para as mercadorias importadas através das DIs de nº 15/08703720 e 15/09644611, anteriores à DI ora em análise (15/10390164), e que os citados encomendantes seriam as empresas MICHELLI VARIEDADES e ZL COMÉRCIO. No entanto, dois pontos chamam a atenção. O primeiro é o fato de que estamos nos referindo a operações ocorridas anteriormente à importação sub examine, ou seja, embora as 3 importações guardem bastante semelhança entre si, inclusive no que diz respeito à natureza das mercadorias, não se pode afirmar que no caso presente as mercadorias seriam destinadas aos mesmos compradores, tendo em vista que as mercadorias foram apreendidas ainda na fase de despacho e não foram encontradas provas ao longo do procedimento Fl. 794DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 775 41 especial de quem seriam os reais “encomendantes” (caso existam) das mesmas. O segundo ponto diz respeito à inexistência de constatação do dolo nas operações. Ainda que considerássemos existirem encomendantes predeterminados para as mercadorias importadas através da DI nº 15/1039016 4, não restou clara a ocorrência do dolo, tendo em vista não terem sido apresentadas provas do envolvimento de tais “encomendantes” na transação comercial, como mandantes de fato da operação nem tampouco de qualquer vantagem ilícita que o suposto importador ostensivo, no caso a METALVIX, estaria recebendo em troca de sua participação. Portanto, entendo não ser possível concluir, com base nos elementos de prova acima mencionados, pela ocultação das empresas MICHELLI VARIEDADES e ZL COMÉRCIO na presente operação, tendo em vista que os indícios e fatos levantados contra elas referemse a importações anteriores, não sendo possível determinar se as mercadorias importadas através da DI ora em análise seriam também destinadas às mesmas empresas compradoras. Também não há como presumir que as mercadorias importadas através da presente operação seriam destinadas a algum encomendante predeterminado, seja ele quem for, tendo em vista que as mercadorias ainda não foram vendidas e que não constam dos autos provas da existência de um futuro comprador. (grifos apostos). Ou seja, concluiu a fiscalização naqueles autos que as provas produzidas no que tange a duas outras operações de importação (DIs nº 15/08703720 e 15/09644611), que não são objeto do presente auto de infração, não seriam suficientes para fins de confirmar a ocultação de terceiros em uma terceira importação. Por outro lado, entendeu que a documentação que embasou o auto de infração ora combatido não seria suficiente para fins de demonstrar a ocorrência de ocultação do real comprador no caso específico da importação objeto da DI 15/10390164. Concordo com os fundamentos acima indicados, os quais penso deverão delinear as razões de decidir do presente julgado. É importante destacar que este entendimento vai de encontro à conclusão contida na decisão proferida pela DRJ nos presentes autos, ora revisada. Ao analisar esta decisão, penso que o Relator equivocase em seus fundamentos. Isso porque, de início, justifica a imposição da multa em questão com base, primordialmente, em provas relacionadas às DIs nº 15/08703720 e 15/09644611. Em seguida, ao tratar sobre a identificação dos ocultados, concorda que os indícios de ocultação relacionados a operações anteriores não implica no seu reconhecimento imediato em operações subsequentes. Sendo assim, reconheceu expressamente que, com base nas provas trazidos aos presentes autos, não vislumbrou ocorrência de ocultação das empresas indicadas no auto de infração como ocultadas (MICHELLI VARIEDADES e ZL COMÉRCIO). Apesar disso, manteve a autuação por entender ter restado demonstrado que foi a AÇOVIX quem financiou ao menos parte da importação das mercadorias. É o que se extrai das passagens a seguir transcritas, extraídas do voto proferido pelo Relator da decisão recorrida: Nesse desiderato, como se depreende do caso em questão, a fiscalização apontou diversos ilícitos havidos envoltos nessa operação de importação de mercadorias estrangeiras (DI nº 15/10390164), na qual, a empresa METALVIX, ora autuada, ocultou a real interveniente, inclusive, mediante a apresentação de documentação comercial material e ideologicamente falsificada, pois restou Fl. 795DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 775,5 42 demonstrado haver na correspondente fatura comercial diferenças de Layout, de signatário, da grafia do nome do exportador e da numeração, bem como a ocorrência de subfaturamento de preços das mercadorias (contendo preços que representam no máximo 25% dos custos de produção comprovado em estudo merceológico, bem como pelas cotações de preços internacionais pesquisados em sites especializados, e em valores de importações de mercadorias similares, de mesma origem e condições semelhantes etc). Além disso, a fiscalização demonstrou a atipicidade dessa referida operação no tocante ao fato de as mercadorias importadas não se correlacionarem com as atividades econômicas da METALVIX registradas no CNPJ, bem como, em razão de a empresa não possuir instalações adequadas para mercadorias destinadas ao varejo. Notese que, de todas as 54 declarações de importação registradas até aquela ocasião, 03 (três) DIs chamaram a atenção: a ora em análise, DI nº 15/10390164, e as de nº 15/08703720 e 15/09644611, registradas e desembaraçadas em datas próximas à data de registro da presente DI. Sendo que essas 03 (três) DIs eram de produtos semelhantes, comumente chamados de mercadorias de bazar, tais como bolsas, mochilas, etc, sendo inadvertidamente registradas na modalidade de importação por conta própria. Outrossim, constatouse haver uma relação muito próxima entre o importador METALVIX e a AÇOVIX COMERCIAL EIRELI, cujo sócio, Sr. Wagner Stael de Assis, é também o administrador da METALVIX (assina petições e respostas às intimações junto à fiscalização), além de ser casado com a sócia da METALVIX, a Srª. Marluce Gomes Sardenberg. Que, em consulta aos sistemas internos da RFB em busca de maiores informações sobre a AÇOVIX, constatouse também que: desde agosto de 2010, a empresa deixou de operar ininterruptamente no comércio exterior, em virtude das sucessivas suspensões de sua habilitação; por outra via, a METALVIX começou a operar no comércio exterior em 2010. Apontou ainda que não se cuida de mera coincidência – como sugere a existente entre os sufixos nas denominações das empresas – a relação existente entre a AÇOVIX e a METALVIX e as operações de importação realizadas por esta última, visto que, dentre outras: 1) Há uma relação familiar e comercial muito próxima entre a importadora METALVIX Comercial Importação e Exportação, CNPJ 10.751.278/000154, e a AÇOVIX Comercial, CNPJ 05.119.550/000148, pois: a) o Sr. Wagner Stael de Assis, sócio da AÇOVIX e casado com a sócia da METALVIX, também é seu administrador; b) a AÇOVIX não possui habilitação para operar no comércio exterior, pois sua habilitação foi suspensa em 2010, próximo à habilitação da METALVIX e às suas primeiras importações; c) o histórico de importações da METALVIX é, em sua grande maioria, de mercadorias de naturezas diretamente relacionadas às atividades econômicas desenvolvidas pela AÇOVIX. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 776 43 2) A AÇOVIX é a real financiadora/pagadora das operações de importação realizadas em nome da METALVIX junto ao exportador (Zhejiang Huayu), registradas pelas DI’s nº 15/10390164, 15/08703720 e 15/09644611. Restou comprovada a utilização de recursos da AÇOVIX, provenientes de Contrato de Mútuo apresentado para comprovação da origem dos recursos financeiros utilizados nas importações citadas. No entanto, o contrato de mútuo não comprovou a origem de R$ 61.000,00, transferidos para a conta corrente da METALVIX, para o fechamento de câmbio (correspondente a US$ 17.500,00) vinculado à DI nº 15/10390164, tendo em vista que o montante contratado havia se esgotado antes mesmo da transferência deste valor; 3) A METALVIX omitiuse a apresentar livro contábil, balancete analítico da conta “Contratos de Mútuo” e comprovantes dos respectivos lançamentos, que permitiriam identificar a origem dos recursos utilizados no fechamento de câmbio citado acima; 4) Intimada a comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos restantes (correspondentes à US$ 4.404,90) necessários para complementar o pagamento das mercadorias da DI nº 15/10390164, a METALVIX informou que este saldo ainda não foi pago ao exportador. Alegou enfrentar dificuldades financeiras para quitar sua dívida com o exportador. No entanto, este argumento não prospera, pois restou comprovado que das três importações realizadas junto ao exportador, duas foram integralmente pagas e uma, a sob fiscalização, foi 80% paga. Não obstante, a METALVIX continuou a operar no comércio exterior com o registro posterior de mais quatro DI’s em um montante aproximado de US$ 120.000,00; (...) Sendo assim, diante de todo o exposto, extraise que a autoridade fiscal além de apontar a AÇOVIX como a real provedora comprovadamente dos recursos necessários para arcar com a importação (DI nº 15/10390164), enquadrando tal importação em uma operação por conta e ordem (na forma disposta pelo art. 29 da Medida Provisória nº 66/2002), visto não haver reconhecido a compatibilidade entre os valores previstos no contrato de mútuo apresentado e os valores necessários à realização da operação de importação, fato que caracteriza a sua ocultação; ao mesmo tempo, também aponta as empresas MICHELLI VARIEDADES e da ZL COMÉRCIO como as encomendantes das mercadorias em questão, pelo fato de em operações anteriores (DIs nºs 15/08703720 e 15/09644611), do mesmo exportador e mercadorias similares, as mercadorias terem sido integralmente comercializadas para essas duas empresas (exatos 50% para cada). Pois bem. Em que pese os indícios de ocultação demonstrados em relação às 02 (duas) outras operações anteriores (DIs nºs 15/08703720 e 15/09644611); quanto à acusação de se considerar as empresas MICHELLI VARIEDADES e da ZL COMÉRCIO como encomendantes das mercadorias constantes da DI nº 15/10390164, entendo como não cabalmente comprovada. Pois, o fato de se haver demonstrado uma possível ocultação em operação de importação anterior, em nada implica necessariamente sua ocorrência nas demais. Dessa forma, com base nas provas trazidas aos autos, não vislumbro se poder concluir pela ocorrência de ocultação dessas referidas empresas em relação à operação ora em apreço (DI nº 15/10390164). Fl. 797DF CARF MF Processo nº 12466.720479/201681 Acórdão n.º 3002000.584 S3C0T2 Fl. 776,5 44 Por sua vez, restou claramente demonstrado que a AÇOVIX foi quem financiou ao menos parte da importação das mercadorias contidas na DI nº 15/10390164, daí se poder concluir pela ocorrência de sua ocultação por ocasião dessa operação. Assim sendo, considero escorreita a penalidade ora aplicada. Na minha percepção, a decisão recorrida apresenta vícios e contradição em seus próprios fundamentos. A uma porque o fato de as mercadorias terem sido financiadas em parte pela AÇOVIX não é suficiente para fins de considerála como real importadora das mercadorias. A duas porque a DRJ não poderia concluir como real importador pessoa distinta da indicada no auto de infração, sob pena de se admitir verdadeira usurpação de competência (o ato de julgar não pode se confundir com o ato de lançar, não se admitindo mudança na descrição dos fatos ou mesmo de critério jurídico). A três porque não se apresenta coerente a admissão das provas trazidas aos autos relativas a operações anteriores para se entender pela ocorrência da infração de cessão de nome, mas não a admitilas para fins de identificação do real adquirente. Para que não reste qualquer dúvida quanto aos reais adquirentes indicados no auto de infração em relevo, transcrevese a seguir passagem extraída da fl. 67 dos autos: Ainda, restou demonstrado que a importação dos produtos constantes da DI nº 15/10390164 foi realizada mediante a ocultação da MICHELLI VARIEDADES e da ZL COMÉRCIO como os verdadeiros adquirentes – por meio de encomenda – dessas mercadorias. Ora, não tendo restado demonstrado nos autos quem eram os reais ocultados nas operações em relevo (a própria DRJ diverge da conclusão constante do auto de infração), não há como se aplicar a penalidade de cessão de nome combatida pelo Recorrente. Nesse contexto, seja com base no conteúdo da decisão proferida nos autos do proc. 12466.720477/201692, seja com base no conteúdo da própria decisão recorrida, não restam dúvidas que o auto de infração combatido não logrou comprovar que a infração apontada tinha por finalidade ocultar as empresas MICHELLI VARIEDADES e da ZL COMÉRCIO. Nesse contexto, não tendo sido identificados os reais adquirentes das mercadorias, penso que não há como se aplicar a penalidade por cessão de nome ora combatida. 2. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de cancelar o auto de infração combatido em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 798DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.909635/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. DIPJ. REGIME DE APURAÇÃO DISTINTOS.
Verificado que a diferença de regimes de apuração de IRPJ e CSLL informados no PER/DCOMP e na DIPJ se deu por erro do contribuinte, sanado através da manifestação de inconformidade, deve a unidade de origem verificar a substância do crédito.
Numero da decisão: 1301-003.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar os óbices contidos no despacho decisório original e decisão de primeira instância em face da comprovação de erro no preenchimento do PER/DCOMP e a impossibilidade de transmiti-lo pelas vias usuais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. DIPJ. REGIME DE APURAÇÃO DISTINTOS. Verificado que a diferença de regimes de apuração de IRPJ e CSLL informados no PER/DCOMP e na DIPJ se deu por erro do contribuinte, sanado através da manifestação de inconformidade, deve a unidade de origem verificar a substância do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar os óbices contidos no despacho decisório original e decisão de primeira instância em face da comprovação de erro no preenchimento do PER/DCOMP e a impossibilidade de transmitilo pelas vias usuais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 96 35 /2 00 8- 44 Fl. 301DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo originado de Despacho Decisório emitido em 24/11/2008, não homologando a compensação declarada pelo Contribuinte na DCOMP de fls. 01/08, por meio da qual se indicou: I) crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004, no valor de R$ 60.943,75, da sucedida de CNPJ 00.413.450/000106, formado por retenções na fonte de código 5952 discriminadas as fls. 03, e II) débito da declarante de IRRF do período de apuração maio/2007, , conforme resumido na tabela abaixo: Entretanto, constatada a divergência entre a DIPJ e a DCOMP quanto a periodicidade de apuração do lucro real, foi emitido Despacho Decisório de não homologação da compensação nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração de saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, uma vez que a forma de apuração do lucro real indicada no PER/DCOMP difere da informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP. CNPJ do detentor do crédito: 00.413.450/000106 Forma de apuração no PER/DCOMP: ANUAL Forma de apuração na DIPJ: TRIMESTRAL Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP C0171 demonstrativo de crédito: R$ 60.943,75 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada PER/DCOMP acima identificado. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo que: "Reconhece o contribuinte que por um equivoco seu preencheu a Perd/Comp incorretamente o campo "período de apuração" como sendo Anual enquanto que o correto seria período de apuração "TRIMESTRAL. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13896.909635/200844 Acórdão n.º 1301003.689 S1C3T1 Fl. 3 3 Informa ainda que tentou enviar PERD/COMP retificadora, mas, que foi impossibilitado, pois, consta ainda como irregular a INCORPORAÇÃO efetuada em 01/08/2005 e registrada na JUCESP em: 30/08/2005, vide comprovante em anexo. Junta aos autos a DCOMP retificadora, não transmitida, em que é indicado como crédito o saldo negativo de CSLL do 4º trimestre/2004, requerendo que seja mantida a compensação efetuada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se acata a alegação de erro na indicação do . período do crédito, de anual para trimestral, se na composição do saldo negativo na DCOMP são indicadas retenções na fonte concernentes a todo o anocalendário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ. CRÉDITO DE OUTRA PESSOA JURÍDICA. INCORPORAÇÃO. Embora a ocorrência de incorporação implique a extinção da empresa incorporada e sua absorção por outra que lhe sucede em todos os direitos e obrigações, a ausência de baixa da pessoa jurídica incorporada no cadastro CNPJ, onde permanece ativa, e a prática de atos em seu próprio nome, posteriormente ao evento de incorporação, entre os quais consta, inclusive, a apresentação de DCOMP em nome próprio, além da apresentação de DIRF por fontes pagadoras por prestação de serviços após a incorporação, constituem prejudiciais para a admissibilidade da utilização, pela Manifestante, de crédito da sucedida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando não reconhecido como passível de utilização o crédito informado na respectiva declaração. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo: I) Que incorporou a sociedade Laboratório Pasteur Patologia Clínica Ltda em sessão de 17/08/2005 (Registro nº 238.442/056). Fl. 303DF CARF MF 4 II) Que a incorporada apurava IRPJ e CSLL pela sistemática do Lucro Real Trimestral, de modo que ao final do anocalendário de 2004, apurou saldo negativo de CSLL. III) Em razão do não aproveitamento do crédito pela incorporada, a incorporadora passou a ser titular dele, razão pela qual apresentou PER/DCOMP informando tal valor para compensação, bem como de valores relativos a IRRF relativos a serviços tomados junto a pessoas jurídicas. IV) O fundamento do despacho decisório foi a discrepância entre a DIPJ, que apontava sistemática de apuração trimestral, e a DCOMP, que indicou o regime anual, os quais foram esclarecidos e retificados. V) Alega que a DRF não analisou a documentação disponível, incorrendo em ofensa à verdade material. VI) Informa que em 29/09/2005, a incorporada apresentou a DIPJ relativa ao período de 01/01/2005 a 01/08/2005, em razão da incorporação, atendendo ao art. 220, §1º do RIR. VII) Que a DRJ desconsiderou a incorporação apenas pelo fato de que algumas fontes pagadores continuaram declaração pagamentos e retenções vinculadas ao CNPJ da incorporada, após a data da incorporação, e explica que isso foi um erro cometido pelos tomadores de serviços. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Tecnicamente falando, o cerne da discussão consistia na incompatibilidade verificada entre o regime de apuração do tributo informado na DIPJ (trismestral) e no PER/DCOMP (anual), razão pela qual a compensação não foi homologada pelo despacho eletrônico atacado. O Recorrente, a meu ver, logrou comprovar de forma inequívoca que houve, efetivamente, um equívoco no preenchimento da PER/DCOMP o que não quer dizer, de forma alguma, que o contribuinte faz jus ao crédito que pleiteia. Explico: Da documentação acostada aos autos, verificase que a DCOMP retificadora indica que o regime de apuração é trimestral, compatibilizandose com o que consta na DIPJ e, assim, superando o óbice que foi verificado no despacho decisório. A não transmissão da DCOMP retificadora se deu em razão de não constar no cadastro da RFB informação da sucessão entre a incorporadora e a incorporada, conforme tela juntada aos autos: Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13896.909635/200844 Acórdão n.º 1301003.689 S1C3T1 Fl. 4 5 A despeito disto, verifico que os procedimentos societários relativos à operação foram realizados, com o registro da ata de assembléia extraordinária que deliberou sobre isto, bem como se verifica que na data da incorporação foi feita a apuração do IRPJ e CSLL, pela incorporada, nos termos do art .220, §1º do RIR/99, como reconhecido pela própria DRJ: Pois bem, diante deste quadro probatório, entendo que a Recorrente faz jus à análise da substância do seu crédito, à luz dos esclarecimentos realizados, devendo o processo ser remetido à unidade de origem para tanto. A DRJ, em verdadeiro trabalho investigativo, em muito inovou quanto ao fundamento do despacho decisório, alegando que o CNPJ da incorporada permaneceria ativo, inexistindo registro de sua incorporação pela Recorrente (informação esta que parece se contraditória em relação à DIPJ nº 1275951 e aos atos societários da Recorrente). Além disso, verificou que a incorporada teria protocolizado processo nº 37166.001055/200577, com base em pedido de restituição transmitido em 19/10/2005, e, por fim, que para os anoscalendários 20062010 foram registrados pagamentos e retenções na fonte para o CNPJ da incorporada, mesmo após a incorporação (fato este apontado pelo Recorrente como erro por parte dos tomadores de serviço). Por fim, a DRJ entre na própria apuração do crédito pleiteado pelo Recorrente, matéria que foge à sua competência, razão pela qual não nos manifestaremos sobre esse ponto. Como se verifica, a DRJ transbordou, e muito, da matéria que estava sendo controvertida, enquanto fundamento da não homologação da DCOMP, trazendo novos documentos e novos fundamentos contrários ao pleito do contribuinte os quais não podem ser considerados, por não estarem abrangidos pelo despacho contestado. Desse modo, comprovado pelo Recorrente o erro no preenchimento do PER/DCOMP, e a impossibilidade de transmitilo pelas vias usuais, voto por dar provimento Fl. 305DF CARF MF 6 parcial ao Recurso Voluntário, reformando o despacho decisório para que o crédito pleiteado seja verificado à luz do pedido retificado. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 306DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.730402/2013-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 09/10/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/10/2008
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso especial de divergência, quando o recorrente deixa de apresentar acórdãos de outras turmas que deram decisões diferentes da matéria recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à denúncia espontânea e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 09/10/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/10/2008 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial de divergência, quando o recorrente deixa de apresentar acórdãos de outras turmas que deram decisões diferentes da matéria recorrida.
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/10/2008 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial de divergência, quando o recorrente deixa de apresentar acórdãos de outras turmas que deram decisões diferentes da matéria recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à denúncia espontânea e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 04 02 /2 01 3- 45 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11128.730402/201345 Acórdão n.º 9303007.831 CSRFT3 Fl. 3 2 Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 3302004022, de 30/03/2017, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11128.730402/201345 Acórdão n.º 9303007.831 CSRFT3 Fl. 4 3 AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. No presente processo discutese a procedência da multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, na forma e no prazo estabelecidos pela SRF. O contribuinte, em seu recurso especial, pede o cancelamento da multa e, subsidiariamente o acatamento da denúncia espontânea com base no art. 102, § 2º do DecretoLei 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. O Despacho de Admissibilidade, efls. 221 e seg., proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, apesar de identificar que o recurso do contribuinte foi abrangente, entendeu que ele apresentou acórdãos paradigmas somente da matéria relativa ao acatamento da denúncia espontânea. Apesar disso deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas. Não aborda questões atinentes ao conhecimento do recurso e pede o seu improvimento. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11128.730402/201345 Acórdão n.º 9303007.831 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Como visto no relatório, em seu recurso especial o contribuinte pede o cancelamento do auto de infração e, subsidiariamente, que se reconheça a ocorrência da denúncia espontânea da infração. O despacho de admissibilidade apesar de identificar que não foram apresentados acórdãos paradigmas para a matéria atinente ao cancelamento do auto de infração, somente para a questão da denúncia espontânea, deu seguimento ao recurso especial. Portanto, entendo que devemos revisitar o conhecimento do recurso. Assim dispõe o art. 67 do Regimento Interno do CARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. Da leitura, constatase que o recurso especial somente é cabível quando indicados acórdãos paradigmas de outras turmas que decidiram sobre a mesma matéria de maneira divergente. Veja como dispôs o despacho de admissibilidade acerca dos paradigmas apresentados: (...) A contribuinte manejou o presente recurso requerendo a improcedência do auto de infração com base em vários argumentos, entretanto, a única divergência colacionada foi em relação a denúncia espontânea no caso vertente, que não foi acatada. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11128.730402/201345 Acórdão n.º 9303007.831 CSRFT3 Fl. 6 5 Apontados quatro acórdãos paradigmas para sufragar as aludidas divergências, apenas foram analisados os dois primeiros (nº 3302001.879, de 27/11/2012 e 30130.519, de 24/02/2003), nos termos do § 7º do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo que o segundo paradigma veio de ser reformado pelo acórdão CSRF/0305.566, de 13/11/2007. (...) Portanto, considerou para análise somente o acórdão nº 3302001.879, o qual comprovou a divergência de interpretação da legislação em relação à possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea. Desta forma, não tendo sido apresentado acórdãos paradigmas para as demais matérias, voto por conhecer parcialmente o recurso especial apresentado pelo contribuinte somente em relação à matéria denúncia espontânea. Mérito A questão da aplicação do instituto da denúncia espontânea às infrações em que a obrigação referese a cumprimento de prazo certo, já foi muito debatida no âmbito deste colegiado. O meu entendimento é que a estas obrigações de prazo certo não é possível a aplicação da denúncia, justamente por não haver objeto para a denunciação. A infração já foi consumada e seus efeitos maléficos não são recuperáveis. Por economia processual e com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto do exconselheiro Henrique Pinheiro Torres, proferido no Acórdão nº 9303003.555, abaixo transcrito. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta e os formais "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11128.730402/201345 Acórdão n.º 9303007.831 CSRFT3 Fl. 7 6 No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tão somente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11128.730402/201345 Acórdão n.º 9303007.831 CSRFT3 Fl. 8 7 Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11128.730402/201345 Acórdão n.º 9303007.831 CSRFT3 Fl. 9 8 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11128.730402/201345 Acórdão n.º 9303007.831 CSRFT3 Fl. 10 9 No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada'. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11128.730402/201345 Acórdão n.º 9303007.831 CSRFT3 Fl. 11 10 informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. (...) Ressaltese ainda a recente edição da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11128.730402/201345 Acórdão n.º 9303007.831 CSRFT3 Fl. 12 11 Considerando que todos estes princípios e fundamentos são inteiramente aplicáveis ao presente processo, voto por conhecer parcialmente o recurso especial do contribuinte, somente no que diz respeito à possibilidade de aplicação da denúncia espontânea, e, no mérito voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.007718/2003-44
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
INOVAÇÃO RECURSAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE.
Não se conhece em fase Recursal matéria que não tenha sido objeto de impugnação em primeira instância.
Numero da decisão: 1001-001.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 INOVAÇÃO RECURSAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhece em fase Recursal matéria que não tenha sido objeto de impugnação em primeira instância.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhece em fase Recursal matéria que não tenha sido objeto de impugnação em primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 77 18 /2 00 3- 44 Fl. 32DF CARF MF Processo nº 13807.007718/200344 Acórdão n.º 1001001.001 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 26 a 27) interposto contra o Acórdão nº 1611.822, proferido 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 18 a 21), que, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 1999 Ementa: MULTA REGULAMENTAR. A entrega da DCTF é obrigação acessória autônoma e formal, não alcançada pelo instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Lançamento Procedente" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Por meio do Auto de Infração de fl. 09, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1° e 2° trimestre do ano calendário de 1999. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN), artigo 11, do Decretolei n° 1.968/1982, com redação dada pelo artigo 10 do Decretolei n° 2.065/1983; artigo 30 da Lei n° 9.249/1995; artigo 1° da IN SRF n° 18/2000; artigo 7° da Lei n° 10.426/2002 e artigo 5° da IN SRF n° 255/2002. Não se confonnando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 a 07, na qual alega, em síntese, o seguinte: que a cobrança da multa ora exigida ofende a vários principios de direito Tributário e inclusive à dispositivos Constitucionais. que a(s) DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise alegando que como empresa pertencente ao SIMPLES não tinha a obrigação de entregar DCTF, logo a declaração entregue em atraso jamais deveria ter sequer sido entregue. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 13807.007718/200344 Acórdão n.º 1001001.001 S1C0T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Conforme se extraí de sua Impugnação (fls. 2 a 8) o Contribuinte apresenta farta defesa abrangendo diversos argumentos que justificariam o cancelamento da multa lavrada, tais como: ofensa ao princípio da legalidade, ofensa ao princípio da anterioridade, caráter confiscatório das multas (ofensa ao princípio do não confisco), proibição do aumento progressivo da multa e, por fim, invoca o instituto da denúncia espontânea. Todos estes argumentos já foram devidamente tratados e afastados pelo acórdão de piso. Em decorrência do indeferimento de seu pleito a Recorrente insurgese contra a decisão pelo recurso ora em análise. Contudo, nesta segunda instância a Recorrente muda diametralmente a sua linha de defesa, deixando de tratar de todos os argumentos supra elencados, prestandose a arguir que como empresa optante do SIMPLES à época dos fatos, não tinha a obrigação de apresentar DCTF, tendo a mesma sido apresentada a destempo por mero equívoco de seu funcionário. Independente da veracidade dos fatos narrados, devese pontuar que tal argumentação não se trata apenas de matérias de direito, mas sim verdadeiros fatos novos que são trazidos aos autos apenas nesta segunda instância. Ora, conforme os dispostos do Decreto 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente atacada pelo sujeito passivo. Outrossim, é a impugnação que inicia e delimita a fase litigiosa, isto é, o presente processo administrativo. Segue os excertos: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. " Desta forma, uma vez que em primeira instância a Recorrente não arguiu os fatos que traz apenas no bojo do seu Recurso Voluntário, tal matéria se encontra fora dos contornos da presente lide, não podendo ser inaugurada nesta fase processual. Outrossim, salientase que a Contribuinte não tornou a tratar de nenhuma das alegações constantes em sua Impugnação inicial, logo, o presente Recurso não possui qualquer matéria passível de apreciação por este juízo. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 13807.007718/200344 Acórdão n.º 1001001.001 S1C0T1 Fl. 5 4 Assim, ainda que o presente Recurso Voluntário tenha sido apresentado tempestivamente, não pode ter seu conteúdo conhecido sob pena de supressão do necessário duplo grau de jurisdição. Desta forma, VOTO por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004028/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
NULIDADE DE LANÇAMENTO.
Constatada a inexistência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE.
O contribuinte foi intimado durante a ação fiscal, com observância das normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, inclusive após o resultado da diligência, garantindo-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ- PASSIVO FICTÍCIO. CONTAS FORNECEDORES E FINANCIAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO, POR OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO DO SALDO EXISTENTE AO FINAL DE ANO-CALENDÁRIO ANTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO.
Caracteriza-se a ocorrência de omissão de receitas, quando o contribuinte, ainda que insistentemente intimado a tal, se omite em apresentar os documentos que comprovariam os saldos das rubricas Fornecedores e Financiamentos (curto e longo prazo), em 31/12/2002. Não há que se falar na exclusão, do saldo da conta Fornecedores ao fim do período fiscalizado, do saldo da mesma rubrica existente ao final do ano-calendário anterior, a não ser que o contribuinte comprove, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, assim como a respectiva escrituração, que a obrigação perdurou desde o final do ano-calendário anterior, até o seguinte.
OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
Numero da decisão: 1201-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 NULIDADE DE LANÇAMENTO. Constatada a inexistência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. O contribuinte foi intimado durante a ação fiscal, com observância das normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, inclusive após o resultado da diligência, garantindo-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ- PASSIVO FICTÍCIO. CONTAS FORNECEDORES E FINANCIAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO, POR OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO DO SALDO EXISTENTE AO FINAL DE ANO-CALENDÁRIO ANTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO. Caracteriza-se a ocorrência de omissão de receitas, quando o contribuinte, ainda que insistentemente intimado a tal, se omite em apresentar os documentos que comprovariam os saldos das rubricas Fornecedores e Financiamentos (curto e longo prazo), em 31/12/2002. Não há que se falar na exclusão, do saldo da conta Fornecedores ao fim do período fiscalizado, do saldo da mesma rubrica existente ao final do ano-calendário anterior, a não ser que o contribuinte comprove, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, assim como a respectiva escrituração, que a obrigação perdurou desde o final do ano-calendário anterior, até o seguinte. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE DE LANÇAMENTO. Constatada a inexistência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. O contribuinte foi intimado durante a ação fiscal, com observância das normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, inclusive após o resultado da diligência, garantindose, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ PASSIVO FICTÍCIO. CONTAS FORNECEDORES E FINANCIAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO, POR OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO DO SALDO EXISTENTE AO FINAL DE ANO CALENDÁRIO ANTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO. Caracterizase a ocorrência de omissão de receitas, quando o contribuinte, ainda que insistentemente intimado a tal, se omite em apresentar os documentos que comprovariam os saldos das rubricas Fornecedores e Financiamentos (curto e longo prazo), em 31/12/2002. Não há que se falar na exclusão, do saldo da conta Fornecedores ao fim do período fiscalizado, do saldo da mesma rubrica existente ao final do anocalendário anterior, a não ser que o contribuinte comprove, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, assim como a respectiva escrituração, que a obrigação perdurou desde o final do anocalendário anterior, até o seguinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 28 /2 00 7- 29 Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.102 2 OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplicase idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório O acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (DRJ/SPO I), julgou improcedente a impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JUR1DICA IRPJ Ano calendário: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. OBEDIÊNCIA AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. Somente serão considerados nulos aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstancias previstas pelo art. 59 do Decreto n° 70.235/1972; não ocorrendo nenhuma daquelas hipóteses, não há que se falar em nulidade do lançamento. Tendo sido plenamente atendido o principio do devido processo legal e, com este, permitido o exercício dos princípios do contraditório e da ampla defesa, esta por meio de impugnação apresentada, não há Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.103 3 que se falar, por igual, em cerceamento ao direito de defesa. Rejeitadas as alegações nesse sentido. PASSIVO FICTÍCIO. CONTAS FORNECEDORES E FINANCIAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO, POR OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO DO SALDO EXISTENTE AO FINAL DE ANOCALENDÁRIO ANTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO. Caracterizase a ocorrência de omissão de receitas, quando o contribuinte, ainda que insistentemente intimado a tal, se omite em apresentar os documentos que comprovariam os saldos das rubricas Fornecedores e Financiamentos (curto e longo prazo), em 31/12/2002. Não há que se falar na exclusão, do saldo da conta Fornecedores ao fim do período fiscalizado, do saldo da mesma rubrica existente ao final do anocalendário anterior, a não ser que o contribuinte comprove, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, assim como a respectiva escrituração, que a obrigação perdurou desde o final do ano calendário anterior, até o seguinte. O DOCUMENTOS JUNTADOS. NÃO COMPROVAÇÃO DE SUA ESCRITURAÇÃO. INSUFICIÊNCIA A COMPROVAR OS SALDOS DAS CONTAS DE OBRIGAÇÕES. DILIGÊNCIA PLEITEADA. NÃO ATENDIMENTO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. Cópias de documentos juntados, por si só, são insuficientes a comprovar a efetividade dos saldos das contas de Fornecedores e Financiamentos, desde que não comprovada a sua respectiva escrituração, de maneira a dar suporte aos efetivos saldos contábeis das mencionadas contas. Ainda que tais elementos tenham sido trazidos pela impugnação, o contribuinte, apesar de insistentemente instado a comprovar a escrituração, omitiuse em demonstrar a efetividade da mesma. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Por decorrer dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram a exigência do IRPJ, igual destino deverão ter as exigências dele reflexas. Lançamento Procedente. Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, foram lavrados 4 (quatro) Autos de Infração, por meio dos quais foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ (fls. 95) R$ 27.229.650,89 (vinte e sete milhões, duzentos e vinte e nove mil, seiscentos e cinqüenta reais e oitenta e nove centavos); Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.104 4 PIS (fls. 100) R$ 1.802.932,70 (um milhão, oitocentos e dois mil, novecentos e trinta e dois reais e setenta centavos); COFINS (fls. 105) R$ 3.278.059,45 (três milhões, duzentos e setenta e oito mil, cinqüenta e nove reais e quarenta e cinco centavos), e; CSLL (fls. 110) R$ 9.809.202,59 (nove milhões, oitocentos e nove mil, duzentos e dois reais e cinqüenta e nove centavos), e; Dessa forma, o valor consolidado dos créditos tributários acima totalizou a importância de R$ 42.119.845,63 (quarenta e dois milhões, cento e dezenove mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e sessenta e três centavos), ai incluídos os valores do imposto/contribuições, das multas de oficio e dos juros de mora (estes calculados até 31110/2007). Segundo o descrito no "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 90/92), as irregularidades que vieram a motivar mencionados lançamentos consistiram em, verbis: 1. Em 18/05/2006, mediante o Termo de Inicio de Ação Fiscal, o contribuinte foi intimado, na pessoa de seu representante legal (instrumento de procuração juntado ao processo), a apresentar os livros e documentos relativos ao ano calendário 2002, conforme solicitado em intimação. 2. 0 contribuinte apresentou apenas unia parte da documentação solicitada. 3. Intimamos o contribuinte em 29/08/2006 para preencher o demonstrativo entregue, um para cada conta, detalhando a composição dos saldos das seguintes contas em 31/12/2002: Fornecedores; Financiamentos a Curto Prazo, Financiamentos a Longo Prazo e apresentar a documentação comprobatária que justifique os saldos das contas. 4. Foram apresentados pelo contribuinte apenas os documentos representativos de empréstimos bancários efetuados pelo contribuinte junto a instituição financeira, os quais totalizam valores contratados de R$ 3.280.443,00, todos anexados ao processo administrativo fiscal. 5. Em 17/11/2006, intimamos novamente o contribuinte para elaborar demonstrativo, um para cada conta, detalhando a composição dos saldos das seguintes contas em 31/12/2002: Fornecedores; Financiamentos a Curto Prazo, Financiamentos e Longo Prazo; apresentar a documentação comprobatória que justifique os saldos das contas elencadas no item anterior e apresentar toda a documentação que dá suporte à escrituração dos livros fiscais e comerciais do período fiscalizado. 6. A intimação foi enviada juntamente com o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar por via postal com aviso de recebimento — AR, anexado ao processo. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.105 5 7. Foram entregues apenas alguns livros contendo notas fiscais de saídas, Registro de Apuração do ICMS na 015 e Diário Geral e 37 e 38 relativo ao ano calendário de 2002. 8. Reintimamos outra vez o contribuinte em 02/03/2007 para apresentação dos livros, documentos e esclarecimentos solicitados na intimação anterior. 9. Reintimação enviada por via postal com aviso de recebimento — AR anexado ao processo, onde consta sua recepção em 08/03/2007. 10. Entregues parceladamente até novembro de 2007 alguns documentos: livro de notas fiscais de saída, algumas notas fiscais de compras, Razão Analítico de 2002, Diário Geral e 35 e 36 e Razão Analítico de 2001. 11. Nenhum outro documento, livro ou esclarecimento foi apresentado a essa fiscalização. 12. Esgotados todos os prazos regulamentares sem qualquer outra manifestação do contribuinte. 13. Apuramos o montante das omissões de receitas correspondentes à manutenção no passivo de valores não comprovados pelo contribuinte, que devidamente intimado e reintimado, diversas vezes, não apresentou qualquer documentação comprobatõria da veracidade dos valores registrados em contas do passivo, conforme demonstrativo a seguir: Conta do Passivo Fornecedores Financiamentos Financiamentos Total a curto prazoa longo prazo (A) Escriturado e30.101.783,0916.441.305,53341.907,1946.884.995,81 declarado (B) Comprovado 0,003.280.443,000,003.280.443,00 (A) — (B) Omissão de30.101.783,09 13.160.862,53341.907,1943.604,552,81 Receita 14. Exceção feita ao valor de R$ 3.280.443,00 relativo a financiamentos de curto prazo contratados com o Bank Boston S/A, aceitos por essa fiscalização com base nos contratos de empréstimo e abertura de crédito e nos extratos bancários apresentados e anexados ao processo. 15. Os valores escriturados e declarados foram obtidos do Balancete de Verificação constante no livro Diário Geral n. 38 (fls. 509 e 510) e da DIPJ Ano Calendário 2002 ND 0065574, anexados ao processo. 16. Procedemos ao lançamento de ofício do crédito tributário apurado no valor de R$ relativo d manutenção em contas do passivo de valores para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou com documentação idônea a sua existência, ficando caracterizada a omissão de receita, nos termos do art. 40 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.106 6 17. (...)18. Fica o contribuinte intimado a corrigir o valor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da contribuição social controlados no LALUR. 19. (...) 20. A presente ação fiscal restringiuse à verificação da existência de passivo fictício (não comprovado) anocalendário de 2002 mediante as informações disponíveis e os livros, documentos e esclarecimentos prestados pelo contribuinte, ficando, desde já, ressalvado o direito da Fazenda Pública efetuar novas verificações no mesmo período, se novos fatos vierem a ser conhecidos, enquanto não transcorrido o prazo decadencial. 21. (...) Pela prática das irregularidades acima descritas, foram dados por infringidos os seguintes dispositivos legais: IRPJ art. 24 da Lei no 9.249/1995; art. 40 da Lei n° 9.430/1996; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso III e 288, do RIR11999 (fls. 97); PIS arts. 10, 3° e 3°, da Lei n° 10.637/2002 (fls. 102); COFINS arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002 (fls. 107), e; CSLL art. 2° e 44, da Lei n° 7.689/1988; arts. 19 e 24, da Lei n° 9.249/1995; art. 1°, da Lei n 9.316/1996; art. 28, da Lei n° 9.430/1996; art. 6° da MP ri° 1.858/1999 e reedições (fls. 112). O contribuinte, por sua Diretora, foi cientificado dos teores dos referidos Autos de Infração em 07/12/2007 e, com os mesmos não se conformando, em 08/01/2008, por seu representante legal (fls. 147), impugnouos (fls. 126/853), alegando, em síntese, que: • os Autos de Infração foram lavrados sob a alegação de que, supostamente, o contribuinte teria omitido receitas, em razão da manutenção, no passivo, de valores não comprovados, apesar de intimado e reintimado, por diversas vezes, a tal; • isso, inobstante a apresentação das notas fiscais que deram origem aos valores registrados nas contas de passivo, o que e confirmado pela própria autoridade fiscal nos itens 7 e 10 do Termo de Verificação Fiscal, tais como...., além de outros elementos não mencionados pela citada peça, a fiscalização lavrou os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, por presunção, desconsiderando as provas apresentadas pelo contribuinte; • assim, a autuação não foi motivada, implicando na nulidade do lançamento, pois a fiscalização limitouse a afirmar que a empresa teria omitido receita, sem maiores considerações, em flagrante cerceamento ao direito de defesa da Autuada. Ainda que assim não fosse, a análise do mérito levará a conclusão de que o crédito reclamado não é devido, visto não haver sido cometida a infração apontada; Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.107 7 • preliminarmente, a exigência, por força do principio da legalidade, depende da ocorrência de fatos que se subsumam as hipóteses de incidência descritas pelas normas jurídicas. Impõe se, portanto, exaustiva e imparcial verificação de tais eventos, de forma a submeteremse ao trazido pelas normas legais, dada a estrita vinculação a que se sujeita o agente público, além de se subordinar, o processo administrativo, dentre outros, aos princípios da tipicidade cerrada e da verdade material; • deve obediência, ainda, ao principio da verdade material, que orienta a atividade administrativa concernente à fiscalização e controle do cumprimento das obrigações tributarias e deveres instrumentais correi atos, vinculado que é, ao já referido principio da legalidade, que se tornaria inócuo se não considerada a verdade material. Traz jurisprudência; • há que ser assegurado, ao contribuinte, recorrer a todos os meios de provas a comprovar os fatos relativos as obrigações tributárias, sejam elas principais ou acessórias, a ele imputados, de forma a serem atendidos os princípios da ampla defesa e do contraditório, implementados por meio do devido processo legal; • assim, houvesse sido, o levantamento fiscal, elaborado corretamente, concluirseia de forma inexorável pela extinção do credito tributário e a ausência de motivação fática para a lavratura do auto de infração ora impugnado. Deveriam ser aprofundadas as investigações, de forma a confirmar (ou não) a presunção imaginada, permitindose inclusive a colaboração do particular interessado, ainda que o ônus da prova seja da própria Administração, Cita doutrina, a embasar tal entendimento; • e, dada a ansiedade arrecadatória, deixaram de ser apreciadas, pela ação fiscal, as provas apresentadas pela fiscalizada, de maneira a resultar em autuação contra o contribuinte, tendo a mesma presumido que os valores componentes dos saldos das contas "Fornecedores" e "Financiamentos" (a curto e longo prazo), em 31/12/2002, constituíssem omissão de receitas; • não foi, sequer, considerado o saldo existente em 31/12/2001, na conta "Fornecedores", no valor de R$ 18.410.267,19, ao passo que foi utilizado para fins da exigência, apenas, o saldo da mencionada rubrica em 31/12/2002, como se o valor de 2002 não tivesse um ponto de partida em 2001. Essa presunção que se quer combater, já que desconsideradas as provas apresentadas, ou seja, que a Autuada mantém passivos fictícios no montante equivalente à integralidade dos valores das contas "Fornecedores" e "Financiamentos a longo prazo" e praticamente a totalidade da conta "Financiamentos a curto prazo" referentes a 31/12/2002; • e a autuação se concretizou, visto que o agente fiscal não se deu ao trabalho de analisar os documentos da empresa, que estavam em seu poder ate 27 de dezembro de 2007, como pode ser comprovado pelo anexo "Termo de Devolução de Livros e Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.108 8 Documentos" (doc. 02), tendo considerado como omissão de receitas os saldos das contas acima citadas. Não necessita a Autuada tecer maiores considerações para demonstrar o quão incabível é a dita presunção do agente fiscal.; • todo ato administrativo, para ser válido, deve estar apoiado em dois fatores: (1) existência de lei a autorizálo e (2) ocorrência de situação fática a enquadrarse no previsto por aquela. A ausência de quaisquer deles faz com que o ato venha a padecer de vicio; deve ser, portanto, motivado, em decorrência dos princípios da legalidade e moralidade. Cita doutrina, concluindo por dizer que os autos de infração são nulos, em razão da ausência de motivação fática e, quiçá, legal, de forma a justificar suas manutenções, visto que o autuante não agiu com a diligência, prudência e profundidade que deveriam nortear sua atuação, valendose de presunção em ofensa ao principio da legalidade, para concluir equivocadamente que a empresa teria deixado de pagar os tributos devidos, em manifesta afronta d busca da verdade material. E mais; • ao presumir a ocorrência de omissão de receitas, a autoridade fiscal (1) não considerou os documentos apresentados pelo contribuinte, sem qualquer motivação a tal; (2) não levou em conta o saldo da rubrica "Fornecedores", existente em 31/12/2001 e; (3) entendeu corresponder a receitas omitidas, o saldo da mencionada conta, como se fosse possível d Autuada, realizar vendas sem custo. Violou, assim, os princípios da estrita legalidade, da tipicidade e da capacidade contributiva, em que a obrigação de pagar tributo instalase apenas quando verificada a ocorrência do fato gerador previsto na hipótese da norma geral abstrata, calculandose a exação com base na medida monetária desse fato, que deve ser comprovado por documentos; • dessa forma, a autuação, da maneira como formulada, não pode prosperar, em razão de haver violado os princípios da legalidade e da ampla defesa; • objetivando comprovar a atitude abusiva e ilegal do autuante, junta contratos mantidos junto a instituições financeiras, justificando a integralidade dos saldos declarados nas contas de Financiamentos....(doc. 05).; • já em relação à conta "Fornecedores", ao se presumir que seu saldo, em 31/12/2002, corresponde a omissão de receitas, antes mesmo de qualquer análise documental, e pressupor que a venda de mercadorias não possui custo e que a movimentação de estoque não teve um ponto de partida em 01 de janeiro de 2002, como saldo de 31 de dezembro de 2001, o que é inadmissível. Traz jurisprudência, concluindo por dizer — com base no voto do relator do reproduzido Acórdão que toda venda pressupõe custo (especificamente no caso da Autuada, sociedade empresarial voltada ao comércio) e que, a ansiedade de se proceder ao lançamento, em razão da proximidade do prazo de decadência de lançar se esvair, não pode justificar tamanha arbitrariedade, de considerar a integralidade do saldo da conta Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.109 9 "Fornecedores", receita omitida. Reproduz mais jurisprudência (fls. 138), dizendo que o Conselho de Contribuinte não admite a presunção fiscal como faro gerador de tributos....; • assim, todos os elementos disponibilizados pela interessada, no decorrer da ação fiscal, e que não foram por esta reconhecidos, impedem que a fiscalização presuma que o saldo da conta "Fornecedores" de 31 de dezembro de 2002 representa omissão de receita e assim e receita tributável pelo IRPJ, CSL, PIS e COFINS, como procedido pelo i. fiscal. 0 livro Razão e o balanço da empresa apontavam que o saldo da citada rubrica correspondia, em 31/12/2001, a R$ 18.410.266,00, importância essa que deveria, de plano, ser excluída da ilegal presunção de omissão de receita, o que revela a baixa qualidade do trabalho fiscal e a nulidade da autuação; • assim, somente o movimento do anocalendário de 2002 é que deveria ser objeto da ação fiscal, visto que as operações realizadas antes de 2001, as quais compõem o saldo de inicio do ano de 2002 devem ser excluídas haja vista que decaiu o direito da fazenda de realizar fiscalizações e lançamentos sobre valores anteriores a 2001. Dessa forma, cabe deduzir, de pronto, o saldo existente em 31/12/2001, passando o valor da conta "Fornecedores", em 31/12/2002, a R$ 11691.515,90, mesmo sem terem 'do levados em conta os documentos apresentados por esta defesa (doc. 03), comprobatórios de tal saldo, de forma a contestar a espúria e ilegal presunção formulada pela autoridade fiscal; • devem, ainda, ser considerados os valores devidamente comprovados, relativos a operações com fornecedores internacionais (doc. 04), assim como dos contratos mantidos com instituições financeiras (doc. 05), de forma a se constatar que a presunção de omissão de receita é manifestamente indevida e ilegal, o que revela a nulidade do presente auto de infração por falta de motivação. E, diante do já posto, ainda que não venha a ser caracterizado como nulo o lançamento, a análise do mérito (a seguir) concluirá pela sua improcedência; • a presunção é manifestamente indevida, visto que a Autuada comprova, por documentos idôneos, que a conta "Fornecedores" teve movimento adequado e é devidamente suportada por aqueles, ainda que não considerados pela fiscalização, deixando esta de verificar a efetiva ocorrência do fato gerador, na forma do art. 142 do CTN, para simples e ilegalmente presumir omissão de receita o saldo integral da mencionada rubrica. Junta cópias de documentos referentes a fornecedores nacionais (doc. 03), que comprovam as emissões e pagamentos, inclusive com prova em extratos bancários o valor de aproximadamente sete milhões de reais; • somase, ainda, a esse valor, algo em torno de cinco milhões de reais, devidamente documentada e referente a fornecedores internacionais (doc. 04), que compõem o valor contábil da conta Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.110 10 fornecedores e que indevidamente foi presumida como receita omitida pela fiscalização federal.; • repisa, dizendo que não restam dúvidas de que o movimento da conta "Fornecedores" da Autuada, durante o ano de 2002, foi de apenas R$ 11.691.515,90, sendo a presunção de omissão de receita, no valor de R$ 30.101.78309, sem qualquer base fática e, assim, manifestamente abusiva e ilegal. Aquele primeiro valor, portanto, é que deveria ser objeto de fiscalização e autuação; a somatória dos documentos (docs. 03 e 04) ora juntados — continuam as buscas, objetivando encontrar a sua totalidade — praticamente comprova a totalidade dos valores que deveriam ser objeto de fiscalização, ou seja, dos R$ 11.691.515,90 (movimento de 2002), a Autuada traz documentos que totalizam R$ 11.582.016,09; • fica, portanto, evidenciado que o lançamento, tendo considerado como omissão de receita o saldo integral da mencionada rubrica, não tem respaldo fatico ou legal, constituindo verdadeira arbitrariedade da fiscalização que, premida pelo prazo decadencial simplesmente abriu mão de realizar o trabalho de fiscalização para apenas e tão somente desconsiderar os documentos mantidos pela empresa. Dessa forma, a presunção de omissão de receita deve ser afastada, pois não houve falta de escrituração e tampouco a manutenção de obrigação sem exigibilidade comprovada.; • de maneira semelhante deuse em relação as contas de "Financiamentos" (a curto e longo prazos), consideradas, em quase sua totalidade, como receita omitidas, apesar de verdadeiras. Junta, a comproválas, cópias de contratos de financiamento, empréstimos e abertura de créditos referentes a 2002 (doc. 05), que compõem os saldos contábeis das contas de financiamento, alem de alguns extratos bancários. Não conseguiu a juntada integral dos documentos, dada a mudança de seus arquivos, porém protesta pela juntada posterior de outros elementos, requisitados junto as instituições financeiras (doc. 06); • comprovada, então, a inexistência de omissão de receitas, inaplicáveis os dispositivos legais apontados como ofendidos, razão pela qual a autuação de IRPJ, no valor de R$ 27.229.650,89 e de CSLL, no valor de R$ 9.809.202,59, não podem prosperar. Da mesma forma, as exigências relativas ao PIS e a COFINS, são manifestamente indevidas. • pede, ao final, diante de todo o exposto, seja acolhida a impugnação e, pelos argumentos ali expendidos, seja reconhecida a improcedência dos lançamentos. Face, então, a impugnação apresentada, o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/SPO 1, conforme despacho de 12/02/2008 (fls. 861), tendo sido, posteriormente, distribuído a 4a Turma de Julgamento, para que fosse apreciada a lide posta. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.111 11 Diante dos elementos apresentados até então pelos autos, seja no tocante as acusações que foram formuladas contra o contribuinte, que culminaram nos lançamentos objeto do presente, seja em relação aos argumentos e elementos trazidos pela defesa, entendeu por bem, isto em 06/06/2008, o Presidente (e Relator do presente) da mencionada Turma de Julgamento, fosse o processo baixado para a realização de diligências (fls. 862/863), a ser cumprida pela DEFIS/SPO/DIFIS/COMERCIO, objetivando sanar eventuais dúvidas e, com os esclarecimentos a elas atinentes, buscar condições de forma a propiciar ser proferido o devido Acórdão. Dessa forma, diante dos elementos apresentados pela mencionada defesa, concluiu, então, pela formulação dos quesitos abaixo, de forma a que, desde que devidamente atendidos, dirimissem as dúvidas existentes e permitissem a pronta apreciação da lide posta. Foram eles (fls. 863), verbis: • Quais deles integraram, efetivamente, os saldos das rubricas "Fornecedores", "Financiamentos a Curto Prazo" e "Financiamentos a Longo Prazo", em 31/12/2002? • Na hipótese de terem integrado tais saldos, qual a sua influência em relação aos lançamentos efetuados? • Quando teriam ocorrido suas quitações? • Foram devidamente escriturados (fato este a ser observado tanto na realização das operações aquisições/ financiamentos — como por ocasião de suas quitações)? Em 29/08/2008, o diligenciante (o próprio autuante) lavrou "Termo de Inicio de Procedimento Fiscal" (fls. 865/866), intimando a interessada a apresentar, no prazo de 20 dias, dentre outros: (1) Demonstrativo conforme modelo anexo, uma para cada conta, detalhando a composição das seguintes contas em 31/12/2002: Fornecedores, Financiamentos a Curto Prazo, Financiamentos e Longo Prazo, de acordo com os valores declarados em sua DIP J/2003,....; (2) Apresentar a documentação comprobatória que justifique os saldos das contas elencadas no item anterior; (3) Livro Diário onde sem encontrem contabilizados os lançamentos correspondentes; De tal determinação o contribuinte foi cientificado, via postal, em 28/08/2008, conforme comprova o respectivo Aviso de Recebimento — AR — (fls. 867). Em 03/10/2008, face ao não atendimento da Intimação acima, foi lavrado "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 868), de semelhante teor ao acima (desta vez reintimando a interessada ao atendimento, no prazo de 05 dias úteis), do qual, naquela mesma data, o contribuinte tomou conhecimento, também via postal, conforme atesta o respectivo AR (fls. 870). Diante, ainda, de nova omissão da parte do contribuinte, lavrou se, em 20/10/2008, novo "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 872), Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.112 12 também de semelhante teor, reintimandoo mais uma vez, a cumprir o determinado, em igual prazo aquele concedido no procedimento anterior. Deste o contribuinte foi cientificado na mesma data, conforme AR de fls. 874. Em 10/11/2008 (cuja recepção deuse em 19/11/2008), o contribuinte manifestouse, por meio de missiva (fls. 876) e respectivos anexos (fls. 878/929), do qual destaco os seguintes excertos, verbis: " vem, respeitosamente, d presença de 'V.Sa., em face do Termo de Intimação Fiscal, informar que os documentos requeridos já se encontram em poder da D. Fiscalização desde 2006, quando iniciouse o MPF 08.1.90.002006011470 (Doc.02), o qual teve por objeto o mesmo período (2002). Em decorrência de tal MPF, foi lavrado o respectivo Auto de Infração (doc.03), o qual foi devidamente impugnado e aguarda julgamento (Doc.04). Dessa forma, não há que se falar em apresentacdo de documentos já em poder da Fiscaliza cão, de modo que não pode ser caracterizado o não atendimento da intimação pela contribuinte." (grifos meus). Também em 19/11/2008, foi lavrado "Termo de Intimação e Encerramento de Procedimento Fiscal" (fls. 930), levado a conhecimento, via postal, do contribuinte naquela mesma data (vide AR, de fls. 931), por meio do qual este veio a ser intimado a, diante do encerramento do procedimento fiscal de diligência, manifestarse sobre o resultado da mesma, no prazo máximo de 10 dias, na forma do art. 44 da Lei n° 9.784/1999, dispositivo este combinado com outros, também citados, integrantes do RIR/1999. Do "Relatório Fiscal" (fls. 933/935), datado de 18/11/2008, de lavra do diligenciante — sobre o qual caberia a manifestação acima — reproduzo os seguintes itens, verbis: "( ) 5. Decorridos mais de 80 dias, o sujeito passivo ainda não se manifestou, apesar de diversas vezes intimado. 6. Fica evidente que o sujeito passivo não deseja colaborar para o esclarecimento do alegado em sua impugnação, obstando qualquer possibilidade nesse sentido. 7. Dessa forma, relata essa fiscalização apenas as suas considerações sobre as alegações formuladas na impugnação. 9. Alega que não existe motivação fcitica para o lançamento de oficio, que deveria a fiscalização aprofundar a investigação e permitir inclusive a colaboração do particular interessado para apuração dos faros. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.113 13 11. Vejamos, o sujeito passivo foié cientificado do inicio do procedimento fiscal em 18/05/2006, que culminou no lançamento de oficio para constituição do crédito tributário apurado em 07/12/2007. 12. A fiscalização intimou e reintimou o sujeito passivo para demonstrar a composição dos saldos das contas auditadas, aguardando por um período de um ano e quatro meses, sem que lhe fossem apresentados os documentos solicitados, prazo esse at exagerado, demonstrando que a fiscalização concedeu todas as oportunidades para que o fiscalizado exercesse amplamente seus direitos. 13. A qual falta de oportunidade de colaboração com a fiscalização se referiria o patrono da causa? A qual falta de aprofundamento da investigação teria deixado de tentar a fiscalização? Não existiria motivação fática então? 14. A fundamentação de fato e jurídica da autuação e clara, a manutenção em contas do passivo de valores para os quais o sujeito passivo, devidamente intimado, não comprovou com documentação idônea a sua existência. 15. Alega no item 3 da impugnação que apresentou as notas fiscais que deram origem aos valores registrados nas contas de passivo, o que seria confirmado pelo auditor fiscal no itens 7 e 10 do Termo de Verificação Fiscal. 16. Distorce os faros o impugnante, o que foi registrado nesses itens é que foram entregues algumas notas fiscais de compras, não relacionadas com fornecedores, sendo de pagamento d vista (materiais para consumo, despesas, etc), portanto impertinentes à análise. 17. Falta com a verdade ao afirmar no item 18 da impugnação que foram entregues duplicatas e contratos com fornecedores que não teriam sido analisados. Teria a fiscalização registrado indevidamente um fato inexistente? Seria de bom alvitre que a impugnante demonstrasse onde consta a consignação desse fato, que lhe permite tal afirmação. (...) 22.0 sujeito passivo apresentou apenas documentos que não demonstram a procedência de suas alegações. 23. Diante dos fatos narrados, e visto que o sujeito passivo deixou de apresentar qualquer documentação ou sua escrituração, essa fiscalização tem a relatar o que segue. 24. Não há como informar se alguns dos documentos apresentados efetivamente integraram o saldo das rubricas citadas em 31/12/2002 e sua influência nos lançamentos efetuados. 25. Não há como determinar quando ocorreram as quitações dos títulos representativos das obrigações. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.114 14 26. Não há como verificar a correta escrituração dos documentos representativos dessas operações assim como as suas respectivas quitações. 27. Todo o procedimento de fiscalização realizado como o de diligência demonstram claramente o intuito do sujeito passivo de se omitir em prestar informações ou apresentar documentos relacionados à comprovação dos fatos alegados. 28. Dessa forma, restaram na impugnação simples alegações não comprovadas. 29. Em tempo, entregue em 19/11/2008 resposta do sujeito passivo alegando que não se configura o não atendimento da intimação pelo fato de que a fiscalização esta com os documentos requeridos desde 2006. 30. Constatase novamente o caráter protelatório adotado pelo sujeito passivo, visto que a documentação alegadamente em poder da fiscalização foi devolvida em 27/12/2007, conforme Termo de Devolução de Livros e Documentos de fls. 857. ( )". (grifei). Por fim, em 01/12/2008, mediante "Termo de Encaminhamento" (fls. 937), o presente processo retornou a esta DRJ/SP 1, mais especificamente a esta 4a Turma de Julgamento, para sua devida apreciação. E o relatório. Passo ao voto.” O contribuinte interpôs o recurso voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa, especialmente: (a) nulidade dos lançamentos por violação aos princípios da verdade material e ampla defesa; (b) nulidade da diligência realizada, em virtude de defeito de motivação do termo de verificação fiscal que a iniciou; (c) decadência do direito do Fisco lançar tributos com base nos passivos mantidos pelo contribuinte em sua escrituração em 31.12.2001; (d) insubsistência dos lançamentos em decorrência do fato de (i) os saldos das contas fornecedores e financiamentos estarem comprovados a partir dos documentos apresentados em impugnação administrativa; e (ii) a fiscalização ter atribuído como receita omitida praticamente a integralidade dos valores mantidos em conta de passivo em sua escrituração (contas fornecedores, financiamentos a curto prazo e financiamento a longo prazo). De acordo com o contribuinte, ainda que tais valores pudessem ser considerados receita omitida, seria de rigor o arbitramento do lucro no período, o que não ocorreu. Reitera, ao final, requerimento de conversão do julgamento em diligência para exame dos documentos juntados aos autos, sua escrituração e comprovação de suas alegações. Em Resolução nº 1102000.149, esta 1ª Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência, finalizada segundo o Relatório Fiscal (fls. 1.085 a 1.089), não impugnado pelo Recorrente. Em virtude da modificação da composição desta Turma Ordinária, mediante novo sorteio, fui designado relator. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.115 15 É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido confirmou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, ratificando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. DECADÊNCIA A decadência foi suscitada pelo Recorrente, com as seguintes considerações: 33.Mantém a decisão ora atacada a autuação sobre a totalidade do saldo da conta de fornecedores em 31 de dezembro de 2002, afastando as alegações de decadência do saldo desta mesma conta em 31 de dezembro de 2001, qual seja o saldo inicial. 34. Para tentar justificar o despropósito da decadência assevera que "quer fazer, o contribuinte, que o saldo do rubrica fornecedores existente em 31/12/2001 mantevese estático, isto é no decorrer do anocalendário 2002, não foram efetuadas quaisquer aquisições (a prazo) e, tampouco quaisquer pagamentos, seja daquele saldo existente, seja de compras realizadas." 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.116 16 No entanto, observase o prazo do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, considerando a omissão de receitas oriunda de passivo mantido em 31/12/2001, transferido para o próximo exercício. Logo, não foi extemporâneo o lançamento de ofício, datado de 07/12/2007. III. MÉRITO Em Resolução nº 1102000.149, a 1ª Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência com seguinte propósito: Conforme salientado no relatório supra, a Contribuinte registrou em 2002 diversos lançamentos em contas de passivo, denominadas “fornecedores”, “financiamentos a curto prazo” e “financiamentos a longo prazo”, num total a débito de R$46.884.995,81, dos quais, após ter sido regularmente intimada, apenas R$3.280.443,00 foram comprovados. Nesses termos, R$43.604,552,81 serviram de base para lançamento de IRPJ e CSLL pela sistemática do lucro real e demais tributos reflexos, sob acusação de omissão de receitas decorrente de passivo fictício. Em impugnação, a par de impugnar o critério jurídico adotado para os lançamentos de IRPJ e CSLL, a Contribuinte traz documentos à colação que, no seu entender, seriam suficientes para a comprovação dos débitos lançados nas citadas contas de passivo. Diante do volume de documentos juntados pela Contribuinte e da própria proporção das contas de passivo utilizada como base de incidência dos tributos lançados, o Colegiado a quo determinou a realização de diligência para que citados documentos fossem auditados e cotejados com a escrituração da Contribuinte. Citada diligência não foi bem sucedida pois, entre outros motivos, a Contribuinte não atendeu aos requerimentos da Fiscalização para a entrega de documentos necessários à realização da nova auditoria. Diante de tal fato, proferiuse o acórdão recorrido sem que fosse procedido ao exame dos documentos apresentados pela Contribuinte em sede de impugnação. Nada obstante a Contribuinte tenha contribuído significativamente para o insucesso da diligência proposta pelo Colegiado a quo, o caso demanda a realização de nova auditoria nos documentos e na escrituração da Contribuinte, ante (i) a quantidade de documentos juntados aos autos e que não tiveram mínima consideração pela instância anterior; (ii) o regime de apuração do IRPJ e CSLL eleito pela Fiscalização; e (iii) a tributação de praticamente a totalidade das contas “fornecedores” e “financiamentos a curto e longo prazos” sob a presunção legal de omissão de receitas. Por tais fundamentos, sem prejuízo da ulterior análise dos argumentos de direito aduzidos pela Contribuinte e considerados os demais elementos constantes dos autos, oriento voto no Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.117 17 sentido de converter o julgamento em diligência para (i) Atestar, de forma conclusiva e justificada, a autenticidade e escrituração dos documentos acostados pela Contribuinte anexos à impugnação, tanto no tocante à realização de operações (aquisições e financiamentos), quanto no que se refere às respectivas quitações (ii) Cotejar, de forma conclusiva e justificada, as contas de passivo “fornecedores”, “financiamentos a curto prazo” e “financiamentos a longo prazo” conforme encerramento dos anoscalendário de 2001 e 2002, identificando lançamentos que sejam comuns a ambos os exercícios fiscais e indicando os valores respectivos; (iii) Também de forma conclusiva e justificada, atestar quais documentos acostados aos autos pela Contribuinte integraram os saldos das rubricas "Fornecedores", "Financiamentos a Curto Prazo" e "Financiamentos a Longo Prazo", em 31/12/2002. Na hipótese de terem integrado tais saldos, qual a sua influência em relação aos lançamentos efetuados?Quando teriam ocorrido suas quitações? Se necessário, circularizar fornecedores e credores da Contribuinte. (iv) Das verificações efetuadas, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. O Relatório Fiscal, não impugnado, reiterou os mesmos fatos que proporcionaram a exigência tributária: Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.118 18 Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.119 19 De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.120 20 teor, ressalvando que inexistiram novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: Por todo o acima relatado temse, em apertada síntese, que (1) a autuação se deu pela não comprovação documental dos saldos das contas "Fornecedores", "Financiamentos a Curto Prazo" (esta comprovada parcialmente) e "Financiamentos a Longo Prazo", caracterizando, então, a presunção da ocorrência de omissão de receitas em valor correspondente aqueles não comprovados. Por outro lado, (2) a defesa apresentada pugna, (2.1) preliminarmente, pela violação do principio da busca da verdade material, assim como vários outros; inexistência de motivação legal e fática que levasse ao lançamento, tornandoo nulo; falta de aprofundamento dos trabalhos fiscais, de maneira a se confirmar, ou não, a presunção apontada; não análise (desconsideração), pela fiscalização, dos elementos apresentados no decorrer de seus trabalhos, e; inobservância do saldo existente na conta "Fornecedores", ao final do ano calendário anterior (2001), que deveria vir a ser excluído da base de cálculo da exigência, por decaído o direito da Fazenda em relação ao mesmo. Já, quanto ao (2.2) mérito, diz trazer documentos que comprovam, em relação a conta "Fornecedores", sua efetividade ern aproximadamente R$ 12,0 milhões (entre fornecedores nacionais e internacionais); repisa aspectos preliminares, como a inobservância do saldo da referida conta em 31112/2001 (excluindoo da base de cálculo da exigência), assim como a inocorrência de análise, pela fiscalização, de elementos apresentados; diz juntar, por igual, documentação a comprovar, ao menos parcialmente, os saldos das contas de "Financiamentos" (curto e longo prazo), e; pede, ao final, como comprovada a inexistência da infração apontada, que as autuações sejam julgadas improcedentes. Por sua vez, esta Turma de Julgamento, buscando esclarecer as divergências existentes — entre o apontado pela ação fiscal e o alegado pela impugnação, assim como pelos elementos por esta última trazidos — determinou a baixa do presente processo, para fins de realização de diligências e, para tanto, foram formulados quatro simples quesitos que, atendidos, no entender do Relator, permitiriam condições de apreciação. Não se logrou, entretanto, êxito na realização das diligências propostas, sob a alegação, da parte do contribuinte, de que os documentos requeridos para tal fim encontravamse em poder da fiscalização desde 2006, quando iniciados os trabalhos fiscais, dai porque não haveria que se falar em apresentação de documentos já em poder da Fiscalização, de forma a descaracterizar o não atendimento de intimação (ões) formulada (s). Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.121 21 Inicialmente, cumpre dizer que, por todo o acima trazido, em vários momentos da defesa apresentada e, sob os mais diversos motivos, o contribuinte prega pela nulidade dos lançamentos. Segundo o disposto no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, são nulos, apenas, e tão somente, (I) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e (II) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No entanto, as alegações quanto a pretensa nulidade, assim como os demais tratados pelos autos, serão objeto de apreciação do decorrer do presente voto. Como uma das preliminares argüidas, o contribuinte alega que houve violação ao principio da busca da verdade material, preceito esse que norteia o processo administrativo fiscal; prossegue, dizendo que a ação fiscal não levou em conta as provas apresentadas pela fiscalizada, assim como deixou de aprofundar suas verificações, de maneira que, caso assim o fizesse, restaria como inexorável a extinção do crédito tributário, face a ausência de motivação fática a exigilo. Diz, ainda, que se deveria permitir, quando do andamento da ação fiscal, a sua colaboração, ainda que o ônus da prova coubesse a Administração, além de assegurarlhe recorrer de todos os meios de prova a comprovar os fatos a ele imputados, de forma a serem atendidos os princípios da ampla defesa e do contraditório, implementados por meio do devido processo legal. Um breve histórico, entretanto, dos fatos ocorridos mostrados pelos autos no decorrer da ação fiscal, e as alegações trazidas pela defesa apresentada, mostrará uma série de contradições trazidas por esta última. Senão, de se ver: • Em 18/05/2006, foi lavrado "Termo de Inicio de Ação Fiscal" (fls. 52/53), por meio do qual o contribuinte foi intimado a apresentar os elementos lá elencados, dentre os quais destaco: Livros Diário e Razão Auxiliar, Registros de Entradas e Saídas, Registro de Inventário, balanço/balancetes, documentos fiscais que deram suporte a escrituração do contribuinte, elementos esses, em sua totalidade, relativos ao anocalendário 2002; • Já em 29/08/2006, lavrouse "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 61/62), por meio do qual a interessada foi intimada ao preenchimento de planilhas especificas, detalhando a composição das contas contábeis relativas a "Fornecedores" e "Financiamentos" (a curto e longo prazos), assim como a apresentar a documentação que justificasse a existência dos saldos de tais rubricas em 31/12/2002; • Em 17/11/2006, nova intimação (fls. 80) foi lavrada, por intermédio da qual foram requisitados os mesmos elementos que a anterior — dado o não atendimento daquela — acrescido de toda a documentação que dá suporte à escrituração dos livros fiscais e comerciais do período fiscalizado (anocalendário 2002); Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.122 22 • Nova intimação (fls. 83), desta vez lavrada em 02/03/2007, de semelhante teor, requisitando os mesmos elementos já solicitados nas anteriores, dado o não atendimento daquelas; Finalmente, em 30/11/2007, isto é, passados quase que 19 (dezenove) meses após iniciados os trabalhos fiscais, foi lavrada a peça acusatória ("Termo de Verificação Fiscal", de fls. 90/92), apontando a irregularidade que motivou os lançamentos, qual seja, a não comprovação — diante do não atendimento das intimações acima elencadas, o que veio, em realidade, a frustrar o desenvolvimento regular dos trabalhos fiscais — dos saldos das contas "Fornecedores" e "Financiamentos". Por conta, ainda, da diligência (fls. 862/863) solicitada por esta Turma de Julgamento, em 06/06/2008, objetivando sanar dúvidas surgidas entre as acusações que foram imputadas ao contribuinte e a defesa pelo mesmo apresentada, foram lavradas as seguintes notificações: • "Termo de Inicio de Procedimento Fiscal" (fls. 865/866), datado de 26/08/2008, por meio do qual a interessada foi intimada a apresentar (1) demonstrativo conforme modelo anexo, uma para cada conta, detalhando a composição dos saldos das seguintes contas em 31/12/2002: Fornecedores, Financiamentos a Curto Prazo, Financiamentos a Longo Prazo, de acordo com os valores declarados em sua DIPJ/2003....(2) documentação comprobatória que justifique os saldos das contas elencadas no item anterior, (3) Livro Diário onde se encontrem contabilizados os lançamentos correspondentes e (4) outros elementos ; • "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 868/869), datado de 03/10/2008, por meio do qual se repetiram, basicamente, os termos da determinação anterior; • "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 872/873), lavrado em 20/10/2008, de teor semelhante as duas anteriores. Em 19/11/2008, portanto, antes da lavratura da última peça acima, foi recepcionada missiva do contribuinte (fls. 876), datada de 10/11/2008, dando conta que o não atendimento as intimações anteriores (datadas, respectivamente, de 26/08/2008 e 03/10/2008, conforme acima) se deu em razão de os documentos requeridos já se encontram em poder da D. Fiscalização desde 2006, além de que não há que se falar em apresentação de documentos já em poder da Fiscalização, buscando, com tais justificativas, descaracterizar não haver atendido aquelas determinações. Retornando no tempo, apesar de tais alegações, em 27/12/2007, isto é, 20 (vinte) dias após o término da ação fiscal, foi elaborado "Termo de Devolução de Livros e Documentos" (fls. 857), por meio do qual o autuante fez retornar ao contribuinte, os elementos ainda em seu poder, quais sejam: (1) Livros Diário Geral n° 35, 36, 37 e 38, (2) Livros Razão Analítico de2001 e 2002,(3) Livro Registro de Apuração do ICMS II 15 e (4) Livros Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.123 23 contendo notas fiscais de vendas encadernadas. E a própria defesa apresentada vem a corroborar tal assertiva, por meio do trazido por seu item 21 (fls. 132), em absoluta contradição ao reproduzido no parágrafo precedente. No dia seguinte, isto é, em 28/12/2007, foi lavrado "Termo de Encerramento de Fiscalização" (fls. 858), do qual o contribuinte foi cientificado por meio de seu Gerente Administrativo e Financeiro, e do mesmo faço o seguinte destaque "Todos os livros e documentos entregues a essa fiscalização foram devolvidos ao contribuinte, mediante termo, no mesmo estado em que foram recebidos". Mais uma contradição, portanto. Em suma, devido ao não atendimento — fundamentado nas justificativas acima reproduzidas — novamente se viram frustrados os procedimentos fiscais, de maneira a impedir um melhor esclarecimento da pendência existente. E a busca da verdade material não deve ser limitada a uma das partes envolvidas no litígio, como alega a interessada; deve, ao contrário, ser o objetivo de ambos que dele participam, seja, no caso, o fisco, seja o contribuinte. Ora, o breve relato acima traz uma única certeza: quem violou o denominado principio da verdade material foi, sem qualquer sombra de dúvida, o próprio contribuinte, ao se esquivar, seguidamente (seja no decorrer dos trabalhos fiscais, num primeiro momento, seja por ocasião da realização da diligência solicitada, numa fase posterior), de atender o determinado pela fiscalização, procedimento esse que contradiz, de maneira evidente, o trazido pela defesa apresentada. Como poderia, a fiscalização, aprofundarse em seus trabalhos (conforme insinuado pela impugnação), se impedida de acessar os elementos/dados que, apesar de insistentemente requisitados, eramlhe negados, por omissão do contribuinte???? Quais métodos — alternativos — deveriam ser utilizados pela fiscalização, diante de tal situação???? Quais os motivos que levaram a interessada a omitir a apresentação, em quaisquer das fases, de provas que poderiam, inclusive, elidir as exigências formuladas, ainda que parcialmente???? Como considerar efetivos os saldos das contas, as quais voltadas os trabalhos de auditoria, sem a sua comprovação documental e suas respectivas contabilizações???? Essas, como um sem número de outras questões que poderiam vir a ser levantadas, não encontram respostas nos autos, de forma a não se compreender o comportamento adotado pela Autuada, que redundou nas exigências objeto do presente. E, diante dos elementos trazidos pela impugnação, desde que efetivos, verdadeiros, restaria muito pouco a ser comprovado em relação as rubricas "Fornecedores" e "Financiamentos" (de curto e de longo prazos), de maneira a mitigar, mesmo que parcialmente, a exigência fiscal, qual seja: a comprovação, na escrita comercial, da efetividade de tais obrigações, cujos saldos, em 31/12/2002, vieram a ser objeto de informações Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.124 24 prestadas por meio da D1PJ/2003, assim como nas respectivas demonstrações contábeis (especificamente no balanço patrimonial) da interessada. Outra conclusão a que se pode chegar, dado o posicionamento adotado pelo contribuinte, repitase, em quaisquer das fases dos trabalhos fiscais, nas quais recusouse, peremptoriamente, a colaborar com o bom andamento daqueles, é que os documentos apresentados pela defesa (planilhas, cópias de boletos bancários, cópias de contratos de financiamentos/empréstimos, etc., que, por si só, não comprovam integrarem quaisquer das rubricas mencionadas) não teriam sido objeto de escrituração; houvessem sido regularmente escriturados, não haveria qualquer motivo a justificar a omissão verificada. Presente ai, a motivação fática (alegada, pela defesa, como inexistente), qual seja, a não comprovação documental, assim como a sua respectiva escrituração, a dar o devido suporte as exigências formuladas. Por ocasião da apreciação das alegações em relação ao mérito, voltarei a apreciar, em maiores detalhes, os aspectos relativos a motivação, seja ela fática ou legal. Fala, também, a impugnação apresentada, ainda em sede de preliminares, que deveria ser assegurado, ao contribuinte, o exercício de seus direitos relativos a ampla defesa e ao contraditório, fundamentados que são na existência do devido processo legal. Tais princípios foram perfeitamente obedecidos no caso presente, visto a acusação e as exigências haverem sido devidamente formalizadas, por meio do presente, consolidando se na possibilidade do exercício ao contraditório; quanto a ampla defesa, foi, por igual, plenamente exercida, por meio da substancial impugnação apresentada — muito embora, repitase, contraditória em relação aos fatos apontados pelos autos — de maneira a se concluir que houve total observância dos princípios apontados. Prossegue, ainda, a impugnação apresentada, também como uma de suas preliminares, dizendo que a ação fiscal deveria levar em conta, por ocasião da realização de seus trabalhos, o saldo existente na rubrica "Fornecedores" em 31/12/2001 (R$ 18.410.267,19), como ponto de partida para se obter o saldo da mesma conta, desta vez em 31/12/2002 (R$ 30.101.783,09), reduzindoo, por conseqüência, do valor encontrado nesta última data. Observase, pelas colocações feitas, o despropósito das mesmas; quer fazer entender, o contribuinte, que o saldo da rubrica "Fornecedores", existente em 31/12/2001, mantevese estático, isto é, no decorrer do anocalendário de 2002, não foram efetuadas quaisquer aquisições (a prazo) e, tampouco, quaisquer pagamentos, seja daquele saldo existente, seja das compras realizadas (isto é, na hipótese de terem ocorrido) no período fiscalizado. Efetuaria, então, compras a prazo, com vencimentos superiores a um ano???? E suas vendas a prazo???? Seriam Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.125 25 realizadas obedecendo a esse mesmo lapso temporal???? E, caso os saldos da conta sofressem redução, de um ano calendário para o outro???? Não poderiam, raciocinando como o contribuinte, virem a ser objeto de auditoria???? Mais algumas questões sem respostas, segundo os autos Evidentemente, nem a mais leiga pessoa, numa simples olhadela, deixaria de observar as variações entre os saldos da referida conta, nas datas apontadas, concluindo, sem qualquer sombra de dúvidas, que, de duas uma: ou (1) aquisições ocorreram durante o anocalendário de 2002 ou, (2) corresponderia a uma pretensa atualização monetária, hoje (e já a época) inexistente. E, ainda na remota possibilidade de que esta última hipótese viesse a se concretizar, fosse ela pela generosidade de algum(ns) fornecedor(es), fosse por eventual litígio, ou qualquer outra circunstância, ainda assim restaria ao contribuinte comprovar a efetividade das obrigações contraídas, e pendentes, em ambas as datas. Descabidas, portanto, as alegações formuladas em relação ao aproveitamento (dedução) do valor do saldo da conta "Fornecedores", existente em 31/12/2001, daquele havido ao final do anocalendário subseqüente, e relativo a mesma conta contábil. Ainda em sede de preliminares, a interessada pugna, novamente, pela nulidade dos lançamentos, fundamentando tal entendimento no fato de que os mesmos deveriam estar sustentados em dois fatores: (1) a existência de lei a autorizálo e (2) ocorrência de situação fática a enquadrarse no por aquela previsto. Ao se falar em nulidade dos lançamentos, devese recorrer, de pronto, ao estabelecido pelo art. 59, por seus incisos I e II, do Decreto n° 70.235/1972 — já mencionado anteriormente — que estabelece as situações (qualquer delas) em que, se dando, tornaria nulo o ato administrativo. Assim fala o referido dispositivo: "Art. 59. Sao nulos: I — os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Como, de maneira clara e límpida estabelecido pelo reproduzido dispositivo, somente em ocorrendo quaisquer das situações ali estabelecidas, é que se pode dar por nulo o ato; tratase, portanto, de numerus clausus, isto é, mesmo em ocorrendo qualquer outra hipótese, que não uma delas, não a torna suficiente a viciar o procedimento, de maneira a dálo por inepto. E a interessada, em momento algum dos autos, logrou comprovar a ocorrência de, ao menos uma, que seja, daquelas Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.126 26 circunstancias apontadas pelo dispositivo legal, de forma a dar o devido suporte as suas alegações sobre tornar inválidos os lançamentos. E, em realidade, não tendo ocorrido quaisquer das situações lá estabelecidas, é de se dar por perfeitos os lançamentos efetuados. Por outro lado, em relação aos fatores que dariam suporte ao lançamento, cabe dizer que, dentre outros, o mesmo se fundamentou no previsto pelo art. 281, inciso III, do RIR/1999 (que tem por base legal o art. 40, da Lei n° 9.430/1996), que assim determina: • "Art. 281. Caracterizase corno omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: III —a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada." (grifei). Assim, a hipótese legal se enquadra, de maneira perfeita, ao apontado pela fiscalização, qual seja, presumiuse a ocorrência de omissão de receitas (caput), em valor correspondente aquelas obrigações não comprovadas pelo contribuinte (parte final do inciso III). E tal presunção se deu em razão do comportamento omissivo da parte do contribuinte, ao não comprovar a efetividade da quase totalidade dos saldos das contas "Fornecedores" e "Financiamentos", existentes em 31/12/2002, conforme já dito, por reiteradas vezes, pelo presente voto. E, até pelo simples fato de se tratar de uma presunção legal, o dispositivo ainda estabelece permissivo, ao contribuinte, de apresentar provas de forma a tornála improcedente; entretanto a interessada, a par da tolerância da lei, ainda assim mantevese omissa, seja durante os quase 19 meses em que perdurou a ação fiscal, seja num momento seguinte, em que se buscou sanear o processo por meio da diligência solicitada. Diz, ainda, em relação ao tópico presente, a impossibilidade da ocorrência de vendas sem custos. Quanto a tal alegação, houvesse o contribuinte comprovado a efetiva existência de suas exigibilidades, tornando improcedente a presunção apontada, certamente justificaria, por igual, a existência de eventuais custos a ela atinentes. Ainda assim, tornase difícil acreditar que a pessoa jurídica venha a deixar de lado custos e/ou despesas, apropriandoos de maneira integral e, com tal fato, buscando a redução da base de cálculo do imposto. Dessa forma, ausentes quaisquer das circunstâncias previstas pelo art. 59, do Decreto n° 70.235/1972, não há que se falar em nulidade do lançamento; por outro lado, o fato deste encontrar se devidamente fundamentado, seja no aspecto legal, seja no aspecto fático (com o perfeito enquadramento da situação ocorrida, com o descrito pela norma legal), ao contrário do apregoado pela impugnação, é de se dar por correto o lançamento da maneira em que formulado. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.127 27 Outro aspecto destacado pela impugnação, diz respeito a que o autuante não teria se dado ao trabalho de analisar os documentos apresentados pela empresa, segundo esta, em poder daquele até após o encerramento da ação fiscal, conforme citado pelo "Termo de Verificação Fiscal", por seus itens 7 e 10 (fls. 90). Para melhor entender tais alegações, convém reproduzir mencionados itens da peça acusatória. Dizem eles, respectivamente, verbis: "7. Foram entregues apenas alguns livros contendo notas fiscais de saídas, Registro de Apuracáo do ICMS /IQ 015 e Diário Geral n° 37 e 38 relativo ao ano calendário de 2002" e "10. Entregues parceladamente at novembro de 2007 alguns documentos: livro de notas fiscais de saída, algumas notas fiscais de compras,Razdo Analítico de 2002, Diário Geral 11,2 35 e 36 eRazdo Analítico de 2001." Assim, a par dos parcos elementos elencados (isto é, entregues ao Auditor Fiscal, no decorrer de seus trabalhos), o que se nota é que, em relação ao assunto tratado pelo processo (presunção da ocorrência de omissão de receitas diante da não comprovação de contas do passivo, quais sejam "Fornecedores" e "Financiamentos"), dentre os elementos disponibilizados, apenas alguns (Livros Diário e Razão e, possivelmente, algumas notas fiscais de compras, sem qualquer menção, entretanto, a que anocalendário estas se reportariam) se relacionariam ao referido tema. Dessa forma, não houve a possibilidade de se efetuar o confronto entre os (escassos, repitase) elementos (algumas notas fiscais de compras) disponibilizados, com o contido na escrituração comercial, impedindo, de se repisar, qualquer maior aprofundamento nos trabalhos realizados pelo autuante, ao menos em relação a rubrica "Fornecedores". Das contas de "Financiamentos", então, não ha qualquer menção, comprovando que, em relação a estas, nenhum (se é que se encontravam devidamente escriturados, conforme já dito) elemento foi trazido a verificação do Auditor Fiscal. Ern síntese: ou foram entregues os Livros Diário e Razão, ao autuante, ou foram trazidos, pela impugnação, uma série de documentos que se desconhece haverem sido objeto de escrituração. Em nenhuma das fases processuais, ambos tiveram o mesmo destino, de maneira a impedir a comprovação de sua veracidade e contabilização. Assim sendo, por todos os motivos acima postos, deve ser rejeitada a totalidade das preliminares argüidas, visto serem destituídas de qualquer fundamento, a lhes dar a devida sustentação. Limitaramse, como bem pode ser visto, a simples alegações, de caráter meramente protelatório. Já, quanto ao mérito, propriamente dito, a interessada junta uma série de elementos planilhas, boletos bancários, contratos, Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.128 28 inclusive de cãmbio, firmados com estabelecimentos bancários, todos em cópias reprográficas dizendo se tratarem dos comprovantes que justificariam, mesmo que parcialmente os saldos das contas "Fornecedores" e "Financiamentos", tenham sido estes a curto ou a longo prazo, existentes em 31/12/2002. Entretanto, apesar da quantidade de elementos trazidos, estes, por si só, são de pouca ou nenhuma serventia a comprovação da efetividade dos saldos daquelas rubricas, isto porque, não se tem como comprovar estarem, ou não, os mesmos (tais elementos) devidamente escriturados, de maneira a serem alcançados mencionados saldos. E, justamente, isso, foi o que se buscou sanar (ou atender ao principio da verdade material, conforme já dito), por meio da diligência solicitada — frustrada, entretanto, diante da nova omissão da interessada, com já o fizera por ocasião dos trabalhos de auditoria fiscal — com a formulação de, apenas, 4 (quatro) simples quesitos que, devidamente atendidos, tornaria mais ágil, sem qualquer sombra de dúvidas, a apreciação do litígio existente. Fôssemos nos ater, apenas, aos elementos trazidos pela impugnação, alguns deles poderiam se voltar contra as próprias pretensões da interessada. A guisa de exemplos, pode ser citada uma pequena amostragem, abaixo sintetizada: 1. "Contrato de Abertura de Crédito Fixo", de n° 119.400.411 (fls. 813/818), no valor de R$ 800.000,00, firmado em 12/08/2002, junto ao Banco do Brasil S/A, com vencimento (final) em 09/12/2002; 2. "Contrato de Abertura de Crédito em Conta Corrente", de n°119.400.244 (fls. 819/825), firmado em 10/04/2002, também junto ao Banco do Brasil S/A, no valor de R$ 1.000.000,00, com vencimento para 12/12/2002; 3. "Contrato para Desconto de Cheques — Cláusulas Especiais", de no 00814360590 (fls. 826/827), no valor de R$ 190.000,00, firmado com o Banco do Brasil S/A, com vencimento para 25/11/2002. Apesar de haverem sido juntados, para fins de comprovação, caso tenham sido quitados nos vencimentos respectivos e, devidamente escriturados, tais obrigações não poderiam, jamais, constar daquelas pendentes, e integrarem o saldo da rubrica "Financiamentos a Curto Prazo", em 31/12/2002 Por ai se vê que, a mera juntada de elementos objetivando a comprovação da efetividade de obrigações, é, por si só, insuficiente a comproválas, visto que as mesmas deveriam estar acompanhadas, também, de provas relativas a sua escrituração, de maneira a justificálas, de maneira plena, tanto por ocasião de suas realizações (aquisições/financiamentos), como de suas respectivas quitações. Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.129 29 Quanto aos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e COFINS), por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram a exigência do IRPJ, igual destino deverão ter. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de que os lançamentos sejam considerados PROCEDENTES, devendose dar prosseguimento a cobrança do crédito tributário mantido, conforme demonstrativo abaixo. DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO E MANTIDO IRPJ R$ 10.866.216,09 Multa R$ 8.149.662,06 PIS» R$ 719.475,12 Multa = R$ 539.306,34 COFINS = R$ 1.308.136,58 Multa = R$ 981.102,43 CSLL = R$ 3.914.442,98 Multa = R$ 2.935.832,21 O Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova, que é próprio do Recorrente. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, identicamente, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para o contribuinte. O atual Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no artigo 374: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 19515.004028/200729 Acórdão n.º 1201002.339 S1C2T1 Fl. 1.130 30 Frisese que o Recorrente, conquanto questione a improcedência da exigência, irresignado sobre a ausência de verificação de eventuais documentos fiscais ou contábeis, nada acrescentou em termos de prova, hábil e idônea, elidindo a válida e motivada omissão de receitas. As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo de nova perícia ou outra diligência, segundo o artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972. O próprio Recorrente não colaborou com a última diligência, solicitando prazo adicional para envio de documentos, sem encaminhamento posterior. O Relatório Fiscal não foi contraditado, prevalecendo a omissão de receitas e os respectivos créditos tributários, constituídos através de Auto de Infração. Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário, rejeitando a nulidade arguida e a decadência, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 1130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903809/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo elabore relatório circunstanciado detalhando todas as ocorrências relacionadas às vinculações de todos os créditos informados em DCTF pelo contribuinte para o tributo 5706-1, apurado no 1ª semana de janeiro de 2003.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo elabore relatório circunstanciado detalhando todas as ocorrências relacionadas às vinculações de todos os créditos informados em DCTF pelo contribuinte para o tributo 57061, apurado no 1ª semana de janeiro de 2003. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 172/181 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 118/123, a qual indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada, mediante o qual a DEINF SÃO PAULO não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP nº 16822.69698.111105.1.3.042601, de pagamento de IRRF, código de receita 5706, relativo a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 80 9/ 20 09 -9 9 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.903809/200999 Resolução nº 2201000.337 S2C2T1 Fl. 194 2 4/1/2003, no valor de R$ 49.500.000,00, com débito de IRRF relativo ao dia 11 de novembro de 2005. Em 20/04/2009 (fls. 24) foi emitido despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 202.515,81. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP Da Manifestação de Inconformidade Recebida a cientificação da mencionada decisão em, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: a) No encerramento do período base de 2002, registrou valor relativo ao IRRF, por estimativa, incidente sobre Juros Sobre Capital Próprio, no montante de R$ 49.500.000,00. b) Em 8/3/2003, recolheu o IRRF estimado no montante de R$ 49.500.000,00. c) Por ocasião do pagamento dos Juros Sobre Capital Próprio, verificou que o valor efetivamente devido a título de IRRF, perfazia o montante de R$ 49.297.484,19, restando, portanto, um crédito tributário no valor de R$ 202.515,81, relativo à diferença entre o que foi recolhido por estimativa e o que seria de fato devido. d) Este fato está registrado na DCTF do 1° trimestre de 2003. e) Utilizou o crédito para pagamento do IRRF Juros Sobre Capital Próprio Residentes no Exterior código 94534, devido em 11/11/2005. f) Tais fatos estão devidamente demonstrados nos documentos anexos. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fl. 118): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 08/01/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.903809/200999 Resolução nº 2201000.337 S2C2T1 Fl. 195 3 88/97, praticamente repetindo os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recorrente apresentou o Per/DComp nº 16822.69698.111105.1.3.042601, declarando o crédito existente no valor de R$ 202.515,81. Anexou aos autos os seguintes elementos de prova, que segundo seu entendimento, daria direito ao crédito a que teria direito: • Cópia de Darf no valor de R$ 49.500.000,00 (fls. 26). • Cópia de recibo de entrega da DCTF e das páginas 1 a 4 da DCTF relativa ao 1º trimestre de 2003 (fls. 28/32). • Cópia da PER/Dcomp (fls. 34/39). • Cópia de recibo de entrega da DCTF e das páginas 1 a 17 da DCTF relativa ao mês de novembro de 2005 (fls. 41/58). Na fundamentação do despacho decisório constante à fl. 72, extraímos o seguinte trecho: Primeiramente cumpre observar que não foi anexado nenhum elemento da escrituração contábil ou fiscal para demonstrar que o IRRF efetivamente devido perfazia o montante de R$ 49.297.484,19, e não de R$ 49.500.000,00. (...) Prosseguindose na análise do mérito do pedido verificamos que a situação indicada no despacho decisório é confirmada pela DCTF anexada pela contribuinte. O pagamento de R$ 49.500.000,00 foi integralmente alocado a débito no valor de R$ 51.916.467,89. Ao confrontarmos as informações constantes da DCTF, com aquelas constantes da DIPJ e da DIRF entregues pela contribuinte, constatamos os seguintes fatos: • Na DCTF o valor do débito relativo a pagamento efetuado em 4/1/2003 é de R$ 51.916.467,89. • Como a contribuinte afirmou que tal débito era relativo ao período base de 2002, consultamos a DIPJ relativa a este ano calendário e verificamos que na linha 47, da Ficha 06B Juros Sobre o Capital Próprio, consta o valor de R$ 946.982.751,91 (fls. 61). • Ao consultarmos a DIRF relativa ao ano calendário de 2002, constatamos que o valor dos rendimentos tributáveis no ano, no código Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16327.903809/200999 Resolução nº 2201000.337 S2C2T1 Fl. 196 4 de receita 5706, equivale a R$ 768.571.602,50, e o valor do IRRF a R$ 89.255.707,96 (fls. 62 e 64/67). • Não há rendimentos tributáveis declarados no código de receita 9453 IRRF Juros Sobre Capital Próprio Residentes no Exterior. • Ao consultarmos a DIRF de 2003, verificamos que no mês de janeiro foram declarados rendimentos tributáveis no valor de R$ 14.371.095,54, e imposto retido no valor de R$ 1.658.714,01, no código de receita 5706 (fls. 63) As informações constantes das declarações não são convergentes. Logo, a análise dos elementos de prova constantes dos autos demonstra a impossibilidade de atestarmos a veracidade da alegação de que o IRRF efetivamente devido perfazia o montante de R$ 49.297.484,19, sendo que não restou comprovada a existência do direito creditório de R$ 202.515,81. Por outro lado, consta da DCTF constante à fl. 153: No caso, há divergência ou mesmo dúvida quanto a comprovação da vinculação do pagamento dos R$ 49.500.000,00 e quanto à sua utilização. Aparentemente, só foi utilizado, para pagamento, o valor de R$ 49.297.484,00 e que confirmaria o direito creditório do contribuinte. Conclusão Diante do exposto converto o julgamento do processo em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo elabore relatório circunstanciado detalhando todas as ocorrências relacionadas às vinculações de todos os créditos informados em DCTF pelo contribuinte para o tributo 57061, apurado na 1ª semana de janeiro de 2003. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.903809/200999 Resolução nº 2201000.337 S2C2T1 Fl. 197 5 (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 197DF CARF MF
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