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Numero do processo: 13609.721742/2011-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
RATEIO DE CUSTOS OU DESPESAS. EMPRESAS DE MESMO GRUPO. CRITÉRIOS.
O rateio de custos e despesas administrativas comuns entre empresas do mesmo grupo deve ser precedido da centralização dos valores numa única pessoa jurídica, e posterior distribuição com base em critérios formalmente estabelecidos. No caso de custos/despesas com mão de obra relacionadas diretamente à atividade fim descabe em tese falar em rateio, mas sim em imputação direta de acordo com o ônus efetivamente assumido. Ainda assim, acata-se o rateio efetuado pelo sujeito passivo, se os documentos apresentados dão substância aos valores imputados.
Numero da decisão: 1402-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 RATEIO DE CUSTOS OU DESPESAS. EMPRESAS DE MESMO GRUPO. CRITÉRIOS. O rateio de custos e despesas administrativas comuns entre empresas do mesmo grupo deve ser precedido da centralização dos valores numa única pessoa jurídica, e posterior distribuição com base em critérios formalmente estabelecidos. No caso de custos/despesas com mão de obra relacionadas diretamente à atividade fim descabe em tese falar em rateio, mas sim em imputação direta de acordo com o ônus efetivamente assumido. Ainda assim, acata-se o rateio efetuado pelo sujeito passivo, se os documentos apresentados dão substância aos valores imputados.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 RATEIO DE CUSTOS OU DESPESAS. EMPRESAS DE MESMO GRUPO. CRITÉRIOS. O rateio de custos e despesas administrativas comuns entre empresas do mesmo grupo deve ser precedido da centralização dos valores numa única pessoa jurídica, e posterior distribuição com base em critérios formalmente estabelecidos. No caso de custos/despesas com mão de obra relacionadas diretamente à atividade fim descabe em tese falar em rateio, mas sim em imputação direta de acordo com o ônus efetivamente assumido. Ainda assim, acatase o rateio efetuado pelo sujeito passivo, se os documentos apresentados dão substância aos valores imputados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 17 42 /2 01 1- 36 Fl. 44170DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL nos valores de R$ 16.078.141,82 e R$ 5.795.993,54; respectivamente, referentes aos anos calendário de 2006 e 2007. O lançamento foi decorrente da glosa de despesas com pessoal apropriadas a partir do rateio de despesas dentro do mesmo grupo econômico sem que, segundo a Fiscalização, fossem demonstrados os critérios utilizados nesse rateio. Também foi apurada e autuada compensação indevida de prejuízos fiscais e saldo de base de cálculo negativa da CSLL por inexistentes. A interessada impugnou o feito arguindo em preliminar a nulidade do MPF pois não teria sido cientificado das prorrogações e da substituição do supervisor. No mérito sustenta, em apertada síntese, a legitimidade do procedimento de rateio e afirma que demonstrou por documentação hábil os critérios utilizados, a realização dos serviços e a efetividade dos dispêndios. Não houve contestação da autuação referente à dedução indevida de prejuízos fiscais e saldo de base de cálculo negativa das CSLL. O julgamento foi convertido em diligência pelo Órgão julgador de primeira instancia para que fosse verificado se, no âmbito das despesas glosadas, haveria de fato custo ou despesa própria da interessada. A autoridade responsável pela diligência reiterou em resumo que, apesar do grande volume de documentos apresentados pela interessada, as informações neles disponíveis não tinham clareza suficiente que permitisse a identificação dos critérios de rateio utilizados pela interessada para definir a parcela do custo/despesa que lhe caberia na distribuição. Em manifestação perante o relatório de diligência a interessada ratifica que os documentos apresentados demonstram precisamente o alegado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo horizonte – MG prolatou o Acórdão 0263.499 considerando a impugnação parcialmente procedente. Acatou as razões de defesa no que se refere às despesas/custos diretos do Departamento Operacional e de Manutenção por entender que não caberia ao Fisco exigir critérios de rateio em despesas diretas e além disso, o exame da documentação indicaria a atuação dos empregados na atividade fim da recorrente. Dessa decisão, a autoridade julgadora recorreu de ofício a este colegiado. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário contra a parte mantida (exceto quanto à matéria não impugnada) sustentando que em relação aos custos/despesas do Departamento Administrativo também não teria havido rateio mas imputação direta e foram em sua totalidade incorridas e necessárias apenas na recorrente. É o Relatório. Fl. 44171DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.721742/201136 Acórdão n.º 1402002.272 S1C4T2 Fl. 44.170 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Nesta mesma decisão, serão analisados os recursos voluntário e de ofício. O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A questão sob exame envolve o rateio de custos/despesas entre empresas de mesmo grupo. Mais especificamente, despesas de salários e encargos. No entendimento de que não teriam sido demonstrados os critérios de rateio junto às pessoas jurídicas Expresso Santa Luzia Ltda., Expresso Luziense Ltda. e Rodap Operadora Ltda., a Fiscalização glosou todas as despesas sob exame que foram alocadas à interessada. Releva informar que ao longo do procedimento e, principalmente, em sede de impugnação, a fiscalizada apresentou uma enorme quantidade de documentos que implicaram na conversão do julgamento em diligência pelo Órgão julgador de primeira instância. Ainda assim, a autoridade fiscal manteve o posicionamento e sustentou que a documentação não continha os elementos necessários à identificação dos critérios de rateio. A decisão recorrida estabeleceu uma distinção que se mostrou determinante nas razões de decidir. Em primeiro lugar, registrou a permissão para o rateio das despesas comuns a partir de critério que justifique e especifique de forma clara os parâmetros utilizados. A partir daí fez a ressalva de que, no presente caso, a maior parte da mão de obra estaria alocada no exercício da atividade fim da pessoa jurídica: motoristas, cobradores e pessoal de manutenção dos veículos. Seria, portanto, mão de obra direta. Nesse caso, conforme a decisão, não haveria que se falar em rateio mas em alocação direta de acordo com um sistema de apontamentos. Em seguida, considerou que nos demonstrativos de rateio apresentados pela interessada as despesas diretas vinculadas ao “Departamento Operacional” e Departamento de Manutenção” não necessitariam de indicação do critério de rateio mas sim da demonstração de que os empregados estariam a serviço da pessoa jurídica diretamente na atividade fim por ela exercida, o que teria sido feito. Por outro lado, estaria correto exigir a perfeita identificação dos critérios de rateio em relação às despesas do “Departamento Administrativo” pois, nesse caso, tratamse de despesas comuns. Com base nesse raciocínio, a decisão recorrida excluiu da exigência os valores vinculados ao “Departamento Operacional” e ao “Departamento de Manutenção” e manteve o lançamento sobre as despesas vinculadas ao “Departamento Administrativo”. Fl. 44172DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 No que se refere à exigência mantida, não há qualquer ressalva à decisão prolatada. Tratandose de despesas comuns, caberia ao sujeito passivo apresentar contrato de rateio de gastos assinado conjuntamente entre a recorrente e as demais empresas do grupo integrantes do rateio, que indicasse qual seria a empresa centralizadora dos gastos e quais seriam os critérios razoáveis e objetivos adotados. Tais critérios também não foram especificados nos contratos individuais apresentados (Territorial/Sta Luzia e Territorial/Luziense). O recurso voluntário traz argumentos um tanto contraditórios. Após afirmar que as despesas relacionadas ao “Departamento Administrativo” podem ser rateadas (sendo esse justamente o posicionamento da decisão recorrida ora endossado) sustenta que essas despesas, da mesma forma que aquelas vinculadas ao “Departamento Operacional” e ao “Departamento de Manutenção”, não foram rateadas mas sim objeto de imputação direta à recorrente. Além da contradição intrínseca, a linha de defesa traz argumento totalmente em desacordo com a realidade fática indicada nos autos. Os demonstrativos de rateio apresentados pelo próprio sujeito passivo, como o nome diz, indicam claramente a realização do rateio das despesas do “Departamento Administrativo” entre as empresas do grupo. Diferentemente do que ocorreu com as despesas vinculadas ao “Departamento Operacional” e ao “Departamento de Manutenção” , não vislumbrei nos meses do período analisado a alocação total à interessada das despesas vinculadas ao “Departamento Administrativo”. Do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Quanto à exigência exonerada, ressaltese de imediato que o entendimento no sentido de que as despesas vinculadas ao “Departamento Operacional” e ao “Departamento de Manutenção” seria custos diretos não sujeitos a rateio foi trazido pela decisão recorrida. Tal questão não foi suscitada pela interessada durante o procedimento fiscal e tampouco na impugnação. Os demonstrativos de rateio não trazem qualquer ressalva nesse sentido e a defesa do sujeito passivo manifestouse na linha de que os critérios do rateio “..obedeceu (sic) rigorosamente os padrões técnicos e legais...”. Pelo exame dos demonstrativos constatase que no período de janeiro a maio de 2006, inclusive, houve sim o rateio de despesas vinculadas ao “Departamento Operacional” e ao “Departamento de Manutenção” entre a autuada e a Expresso Santa Luzia. Também houve rateio dessas despesas entre a autuada e a Rodap Operadora em alguns meses do período sob exame. Sendo assim, penso que nos meses onde a despesa foi integralmente apropriada à interessada, a suposta inexistência de rateio decorreu simplesmente do fato de que essa despesa foi por ela incorrida na integralidade, ao menos de acordo com os controles da autuada. Portanto, ainda que as considerações da decisão recorrida quanto aos custos diretos sejam irretocáveis no aspecto teórico, não se aplicariam ao caso sob exame onde o rateio foi aplicado pelo sujeito passivo indiscriminadamente às despesas com pessoal. Da mesma forma que no caso das despesas vinculadas ao “Departamento Administrativo,” em tese aqui também caberia apresentar contrato de rateio de gastos assinado Fl. 44173DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.721742/201136 Acórdão n.º 1402002.272 S1C4T2 Fl. 44.171 5 conjuntamente entre a recorrente e as demais empresas do grupo integrantes do rateio, que indicasse qual seria a empresa centralizadora dos gastos e quais seriam os critérios razoáveis e objetivos adotados. Por outro lado, diversamente do que ocorreu com as despesas vinculadas ao “Departamento Administrativo”, aqui o sujeito passivo trouxe elementos que indicam, em primeiro lugar, a assunção dos serviços de transporte de passageiros pela interessada junto às demais empresas do rateio. Também foram trazidos aos autos documentos indicando o vínculo dos empregados diretamente ligados à atividade operacional – principalmente motoristas e cobradores e a realização dessa atividades. Nesse ponto concordo com a decisão recorrida quando afirma que, diante dessas evidências supra mencionadas, caberia à autoridade lançadora estabelecer qual seria a parcela das despesas que caberia efetivamente à interessada. Ao glosar a integralidade dos valores, a Fiscalização estabeleceu a premissa de que a recorrente não teria prestado nenhum serviço de transporte de passageiros, eis que por óbvio não poderia fazêlo sem motoristas e cobradores. Diante das folhas de pagamento, cartões de ponto e guias de operação (GO) trazidos aos autos fica a pergunta: qual(is) empresa(s) teria(m) prestado o serviço ? A resposta indicando qualquer das outras empresas integrantes do rateio não se mostra factível, inclusive pelo comparativo entre as receitas auferidas. A autuada indicou faturamento de R$ 50.867.975,05 em 2006 e R$ 51.919.340,29; em 2007. A empresa Expresso Luziense Ltda. teve faturamento de R$ 1.353.336,00 em 2006 e R$ 857.190,00 em 2007. Por sua vez, a Expresso Santa Luzia Ltda. faturou R$ 3.668.216,46 em 2006 e R$ 756.686,65 em 2007. Por fim, a Rodap Operadora faturou R$ 1,558.283,80 em 2006 e R$ 6.709.458,45; em 2007. A grande discrepância entre o faturamento da interessada e das demais empresas integrantes do grupo (e do rateio) dá substância ao argumento de que os veículos foram a ela transferidos para que prestasse os serviços de transporte e as empresas Expresso Luziense Ltda e Expresso Santa Luzia Ltda passaram a ter receitas oriundas apenas de arrendamento. Presto minhas homenagens e reconheço o esforço da autoridade lançadora e a dificuldade em compilar a mastodôntica quantidade de documentos trazidas aos autos sem um padrão de organização que permita a correta identificação dos fatos. Entretanto, concordo com a decisão recorrida no sentido de que o Fisco agiu com rigor excessivo ao considerar como imprestáveis os documentos apresentados pela defesa. Num exame ainda que perfunctório, firmei convicção de que a documentação trazida aos autos concederia à recorrente ao mínimo o benefício da dúvida, sendo merecedora de análise mais aprofundada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 44174DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Fl. 44175DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10935.001222/2008-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO RICARF
Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido.
Numero da decisão: 9303-004.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente o recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para que seja aplicada a Selic a partir do protocolo do pedido, somente sobre os créditos indeferidos, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (relatora), que conheciam o recurso e lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte, Dr. João Paulo Batista Câmara, OAB-PR nº 57789.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Substituto
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Valcir Gassen (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO RICARF Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente o recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento parcial para que seja aplicada a Selic a partir do protocolo do pedido, somente sobre os créditos indeferidos, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (relatora), que conheciam o recurso e lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte, Dr. João Paulo Batista Câmara, OABPR nº 57789. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Substituto Vanessa Marini Cecconello Relatora Júlio César Alves Ramos Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 22 /2 00 8- 18 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10935.001222/200818 Acórdão n.º 9303004.163 CSRFT3 Fl. 359 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Valcir Gassen (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 291 a 309) com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3403001.574 (fls. 281 a 289) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 25/04/2012, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI. Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Emenda: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS NÃOCONTRIBUINTES. BASE DE CÁLCULO. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins integram o cálculo do crédito presumido. Ementa: BASE DE CÁLCULO. CREDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS BENEFICIADOS. O tratamento dispensado a soja em grão se enquadra nos caos de exclusões do art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, não considerado industrialização para fins de incidência de IPI, não se reconhece o direito a inclusão a base de cálculo na determinação do crédito presumido do IPI concedido com fins de desonerar as exportações nos termos da Lei nº 9.363/96. Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10935.001222/200818 Acórdão n.º 9303004.163 CSRFT3 Fl. 360 3 O processo teve origem em pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, concedido nos termos da Lei n. 9.363/96, relativo ao período de apuração de 01/04/2001 a 30/06/2001, parcialmente deferido pela DRF competente. Foram glosadas as parcelas relativas às compras de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, exportações de soja após limpeza e secagem e atualização monetária, à taxa Selic sobre o total requerido. Apresentada manifestação de inconformidade, a mesma foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, conforme acórdão n. 1433.660 (fls. 213 a 221) . Não resignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário buscando a reforma da decisão na parte que lhe foi desfavorável, atinente à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições de soja beneficiada de pessoas físicas e cooperativas e ao direito de atualização monetária do crédito pela taxa Selic. Sobreveio julgamento de parcial provimento do recurso voluntário, por meio do acórdão n. 3403001.574 (fls. 281 a 289) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 25/04/2012, ora recorrido, para reconhecer que o crédito presumido de IPI deve ser corrigido pela variação da taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 291 a 309), alegando divergência jurisprudencial quanto à incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento do crédito presumido do IPI. Visando comprovar a divergência, a Recorrente indicou como paradigmas os acórdãos CSRF/0203.718 e 930300.720. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) é inaplicável ao caso o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, então vigente, pois os julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos, partem de premissas fáticas diversas daquelas constantes nos presentes autos; (b) aos pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI não é incabível a correção monetária pela taxa Selic, em razão de ser instituto diverso da restituição/repetição de indébito, bem como por não estar expressamente previsto em lei; (c) a Súmula 411 do STJ direcionase unicamente às hipóteses de creditamento do IPI, não se aplicando aos pedidos de ressarcimento de IPI, explicitando as diferenças entre os dois institutos a ensejar tratamento jurídico distinto. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº 3400.151, de 05/03/2015 (fls. 315 a 318), proferido pelo ilustre Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 324 a 342) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10935.001222/200818 Acórdão n.º 9303004.163 CSRFT3 Fl. 361 4 O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 09/06/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecido. No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de incidência da taxa Selic sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96. Em sede de julgamento do recurso voluntário, entendeu o Colegiado a quo ser devida a incidência da taxa Selic a partir da data da transmissão do pedido de ressarcimento até o efetivo ressarcimento ou compensação, incidência autorizada sobre a totalidade do crédito deferido, compreendidos, então, os créditos não reconhecidos pela unidade de origem (oposição ilegítima) e o montante deferido pelo despacho decisório. A matéria litigiosa já foi objeto de julgamento por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sedimentando no acórdão nº 9303002.392 o entendimento no sentido de ser devida a incidência da taxa Selic para restituição/compensação do montante do tributo pago indevidamente, em razão da mora da Administração Pública. Segue a ementa do julgado: Acórdão 9303002.392 Ementa: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. " Destaquese, ainda, ter a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia, ter confirmado a invalidade da Instrução Normativa da Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10935.001222/200818 Acórdão n.º 9303004.163 CSRFT3 Fl. 362 5 Secretaria da Receita Federal nº 23/97, e reconhecido o direito à correção dos créditos do IPI, no acórdão proferido no Recurso Especial nº 993.164/MG, de 13/12/2010, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10935.001222/200818 Acórdão n.º 9303004.163 CSRFT3 Fl. 363 6 crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10935.001222/200818 Acórdão n.º 9303004.163 CSRFT3 Fl. 364 7 ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) (grifouse) Nos termos do art. 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos são de observância obrigatória pelos Conselheiros deste Tribunal Administrativo, sendo aplicável, portanto, ao Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10935.001222/200818 Acórdão n.º 9303004.163 CSRFT3 Fl. 365 8 presente caso o entendimento consolidado pelo STJ no julgamento do Resp nº 9303002392, questão pacificada no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Portanto, aplicáveis ao presente caso os julgamentos proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça, em razão de tratarem do direito do contribuinte verse ressarcido de quantia paga indevidamente com a correção monetária dos valores pela taxa Selic desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento de IPI. Ponto controvertido é a abrangência da referida correção monetária, se incidente sobre a totalidade dos créditos, tanto para aqueles deferidos quanto para os indeferidos no despacho decisório (oposição injustificada do Fisco) ou somente sobre a parcela originariamente indeferida. Tendo em vista que a mora injustificada ou não razoável do Fisco na análise do pedido de ressarcimento de IPI constituise também em óbice à fruição dos valores pelo contribuinte, há de se fazer incidir a correção monetária pela taxa Selic sobre a totalidade dos créditos a serem ressarcidos, não merecendo, reforma, portanto, o acórdão recorrido. No mesmo sentido é o entendimento pacificado no Plenário do Supremo Tribunal Federal, que ao julgar embargos de declaração no recurso extraordinário nº 299.605 estabeleceu ser devida a correção monetária pela taxa Selic do quantum a ser restituído quando há mora injustificada no deferimento do pedido, por caracterizarse em mora ilegítima do Fisco. A decisão amoldase ao caso em exame. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Designado O colegiado dissentiu do voto da i. relatora apenas quanto à base para incidência dos juros Selic, tendo sido eu designado para redigir o acórdão quanto a isso. Em seu voto, a relatora propôs que a incidência se desse sobre todo o montante do crédito presumido, citando, inclusive, decisão do STF que a considera devida em caso de demora por parte da Administração tributária. Já a maioria a entendeu aplicável apenas sobre a parcela que não havia sido deferida até o julgamento do recurso. O argumento basilar para aqueles que assim pensaram é que o deferimento aqui reiterado se dá exclusivamente por força do disposto no art. 62 do RICARF, isto é, em face da decisão proferida pelo STJ no Resp 993.164, aliás, citado pela relatora e, este sim, Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10935.001222/200818 Acórdão n.º 9303004.163 CSRFT3 Fl. 366 9 julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Lá, como se sabe, a justificativa adotada não foi a mera demora por parte da Administração tributária demora que muitas vezes sequer ocorre e em muitos casos decorre de procedimentos da própria interessada mas a existência de ato estatal que impede o deferimento pelas instâncias competentes. Concretamente, aquele julgamento enfrentou a restrição existente na IN SRF 23/97, vinculante, como se sabe, tanto da DRF quanto da DRJ. Não tem guarida, nesta casa, por outro lado, a tese segundo a qual a incidência da selic se daria como mera atualização ou correção monetária, para a qual os tribunais superiores têm entendido dispensável previsão em lei. A taxa selic não é índice de correção monetária, mas juros, e, como tal, sua aplicação sobre qualquer parcela requer, sim, comando legal expresso. E como se sabe, ele só existe no tocante a restituições de tributos recolhidos indevidamente ou a maior, situação que difere dos ressarcimentos previstos em lei, pois neste últimos nenhum tributo foi indevidamente recolhido. Atento a isso e examinando cuidadosamente a decisão do STJ por aplicar, percebese facilmente que sua motivação não permite que se estenda a incidência da taxa selic aos valores que não foram controvertidos. Com efeito, sobre eles inexiste qualquer ato estatal impeditivo e, por isso mesmo, nada foi mesmo impedido. Ademais, a parcela que é desde o início deferida, isto é, sobre a qual não se instaura divergência entre a Administração e o administrado fica, desde logo, disponível a este último. Destarte, só se justifica mesmo a incidência da Selic sobre a parcela que o contribuinte precisou continuar discutindo administrativamente, visto que as instâncias vinculadas à IN não a poderiam conceder. Com essas considerações, votou a maioria por dar parcial provimento ao recurso da Fazenda Nacional, de modo que, embora deferida a Selic, ela se aplique apenas sobre a parcela do crédito cujo ressarcimento foi obstado pelo ato estatal de que fala o ministro Fux em seu voto, in casu, aquela atinente às aquisições efetuadas junto a nãocontribuintes. E esse é o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001763/2004-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
EMBARGOS -OMISSÃO ALEGADA INEXISTENTE
In casu, ao reforçar que os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso, é de se não conhecê-los quando inexistente a omissão alegada.
Numero da decisão: 9303-004.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMBARGOS -OMISSÃO ALEGADA INEXISTENTE In casu, ao reforçar que os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso, é de se não conhecê-los quando inexistente a omissão alegada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 63 /2 00 4- 67 Fl. 865DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão 9303000.893 – que refletiu o entendimento do Colegiado ao dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo para reconhecer a decadência do crédito tributário relativo ao período cujos fatos geradores ocorreram entre 31.1.99 a 31.11.99, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, conforme ementa assim consignada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 PIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ATIVIDADE EXERCIDA PELO CONTRIBUINTE. Nas hipóteses de tributos submetidos à modalidade de lançamento por homologação, em que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação, o Fisco dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologálo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex vi do disposto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN). A ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento. COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º, CTN. Por outro lado, ainda que se exija pagamento para incidência do artigo 150, § 4º, do CTN, e partindose do pressuposto de que houve compensação, com os mesmos efeitos extintivos do pagamento do tributo ainda que não comprovada a sua suficiência e que não formalmente homologada é imperioso admitir que a contagem do prazo decadencial Fl. 866DF CARF MF Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303004.347 CSRFT3 Fl. 866 3 deve se pautar pelo preceituado no artigo 150, §4º, do CTN, é dizer, tem o seu termo a quo na data da ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Contribuinte Provido” Em Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, foram suscitados omissão e contradição, trazendo como argumentação, em síntese, que: · O acórdão embargado declarou a decadência de tributos informados em DCOMP/DCTF e que a constituição do crédito somente ocorreu por meio da lavratura do auto de infração; O que, por conseguinte, tendo a embargada informado anteriormente ao Fisco, por meio de DCOMP/DCTF, os referidos créditos tributários, em respeito à Sumula 436, já haviam sidos constituídos; · Caso superada a tese do auto lançamento, o Juízo havia deferido liminar impeditiva de lançamento; · Cabe rememorar que a teor do disposto no CTN, art. 173, inciso I, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. · Em face de que a r. sentença concedeu a segurança, confirmando a liminar, temos que até a presente data nem mesmo caberia ao Fisco lavrar auto de infração em desfavor da Embargada. O que, por conseguinte, a decadência no caso presente nem mesmo se iniciou; · Cabe, então, concluir que os créditos tributários não decaíram. · No que tange à questão se a compensação difere da suspensão de exigibilidade, de logo cabe registrar que o caso em tela não tem identidade com a situação referida no enunciado nº 48 de Súmula do e. CARF: “A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração.” · O caso presente não versa sobre suspensão de exigibilidade, mas compensação. Fl. 867DF CARF MF 4 Em Despacho às fls. 859 a 863, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais declarou procedentes parcialmente as alegações suscitadas, admitindo os embargos de declaração pela ocorrência de omissão quanto à apreciação da existência de liminar para fins de aplicação do prazo decadencial. Para tanto considerou o que segue: [...] Entretanto, em relação ao segundo ponto levantado pela embargante, constatase a omissão alegada. A questão acerca do prazo de decadência, se contado pelo art. 150, § 4º, do CTN, ou pelo art. 173 do mesmo Código, foi objeto de apreciação da turma julgadora que prolatou o acórdão ora embargado, mas sem considerar, expressamente, a existência de liminar impeditiva de lançamento. A embargante alega a aplicação do disposto no art.173, inciso I, do CTN, visto que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguiria após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como teria havido óbice para a ação da autoridade fiscal no exercício do lançamento, o prazo decadencial teria início segundo as regras do referido artigo. [...]” É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise dos autos do processo, não conheço dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional, da parte em que se considerou procedente as alegações em Despacho de Admissibilidade de embargos – qual seja, quanto à ocorrência de eventual omissão quanto à apreciação da existência de liminar para fins de aplicação do prazo decadencial. Para melhor elucidar meu entendimento, trago que em todos os julgamentos, quer sejam, aqueles apreciados pela DRJ, pela antiga Quarta Câmara do Fl. 868DF CARF MF Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303004.347 CSRFT3 Fl. 867 5 Segundo Conselho de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais desse Conselho – consta do relatório a existência de liminar concedida por conta do Mandado de Segurança Preventivo de nº 97.00621359. Eis o que traz cada um dos arestos consignados em cada instância: 1. Acórdão da DRJ: 1.1. Ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: DECADÊNCIA. PIS. SEGURIDADE SOCIAL. 0 direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme previsto em lei ordinária. [...]” 1.2. Relatório: “[...] Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, o Mandado de Segurança Preventivo com pedido de liminar n° 97.0062135:9 foi distribuído, originariamente, em 22 de 4 dezembro de 1997 à 20a Vara Civil, para o fim de proceder a compensação dos valores "pagos a maior" nos exercícios de 1994 e 1995 a título de contribuição ao PIS, correspondentes ao excedente ao que seria devido sobre a base de cálculo constitucionalmente prevista (conceito do art. 44 da Lei n° 4.506/64, não incluídas as receitas financeiras) com os valores vincendos da mesma contribuição, nos moldes do art. 66 da Lei n°8.383/91, art. 39 da Lei no 9.250/95 e art. 74 da Lei 9.430/96, sendo a Liminar deferida em 27 de dezembro de,1997 e que os autos encontramse conclusos para prolação de sentença. Fl. 869DF CARF MF 6 Diante do constatado, conclui a fiscalização, não tendo o contribuinte recolhido a contribuição a6 PIS dos anoscalendário de 1999 e 2000 e sim compensado. Com créditos oriundos da ação judicial, será a mesma lançada de oficio, com a exigibilidade suspensa e sem multa de oficio (em consonância com o art. 151, inciso IV, do CTN e com o art. 63 da Lei n° 9.430/96) a fim de evitar o instituto da decadência e aguardar decisão judicial final. [...] 1.3. Voto: [...] Segurança Preventivo com pedido de liminar n° 97.00621359 que foi distribuído, originariamente, em 22 de dezembro de 1997 à 20 Vara Civil, sendo a Liminar deferida em 27 de dezembro de 1997 e que os autos encontramse conclusos para prolação de sentença. A medida liminar foi concedida nos seguintes termos (fls.45): "Defiro. a medida liminar para assegurar o direito da impetrante, salvo de autuação fiscal, proceder a compensação dos valores "pagos a maior" nos exercícios de 1994 e 1995 a título de contribuição ao PIS, correspondentes ao excedente ao que seria devido sobre a base de cálculo constitucionalmente prevista (conceito do Art. 44 da Lei n° 4.506/64, não incluídas as receitas financeiras com os valores vincendos da mesma contribuição, nos moldes do art. 66 da Lei n° 8.383/91, art. 39 da Lei n°9.250/95 e art.. 74 da Lei 9.430/96; [...] Portanto, verificase que os Valores de janeiro de 1999 novembro de 1999 não foram atingidos 'pela decadência, uma vez que o auto de infração foi Fl. 870DF CARF MF Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303004.347 CSRFT3 Fl. 868 7 cientificado ao sujeito passivo em 13 de dezembro de 2004, muito antes de esgotarse o prazo de dez anos previsto na Lei nº 8.212/91, art. 45. [...] 2. Acórdão de Recurso Voluntário: 2.1. Ementa: “[...] PIS. DECADÊNCIA. O prazo para a autoridade administrativa constituir pelo lançamento os créditos da contribuição ao PIS é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que já o poderia fazer, a teor do art. 173, 1 do CTN, sempre que o sujeito passivo não efetue o recolhimento antecipado previsto no caput do art. 150 do mesmo código, isto sim que configura o lançamento por homologação. [...]” 2.2. Relatório: “[...] Por bem descrever os fatos de que trata o processo, adoto o Relatório da decisão recorrida que passo a transcrever. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, o Mandado de Segurança Preventivo com pedido de liminar n° 97.00621359 foi distribuído, originariamente, em 22 de dezembro de 1997 à 20º Vara Civil, para o fim de proceder a compensação dos valores "pagos a maior" nos exercícios de 1994 e 1995 a título de contribuição ao PIS, correspondentes ao excedente ao que seria devido sobre a base de cálculo constitucionalmente prevista (conceito do art. 44 da Lei nº 4.506/64, não incluídas as receitas financeiras) com os valores vincendos da mesma contribuição, nos moldes do art. 66 da Lei n° 8.383/91, art. 39 da Lei n° Fl. 871DF CARF MF 8 9.250/95 e art. 74 da Lei 9.430/96, sendo a Liminar deferida em 27 de dezembro de 1997 e que os autos encontramse conclusos para prolação de sentença. [...]” 2.3. Voto: [...] De se registrar, inicialmente, que não está em discussão a apuração do crédito tributário lançado. Com efeito, tais valores foram extraídos diretamente da contabilidade da autuada e foram por ela mesma reconhecidos em suas DCTF entregues. Igualmente incontroverso, administrativamente, é o direito de crédito que lastreia a compensação promovida. Submetida a questão ao Poder Judiciário, ali será definida, cabendo tãosomente à administração dar cumprimento àquela decisão. Por isso mesmo, o crédito foi constituído com exigibilidade suspensa em respeito à decisão: judicial não definitiva que assegurou o direito à compensação praticada pela empresa. Por fim, também não remanescem dúvidas de que a autuada não realizou qualquer recolhimento em DARF da exação combalida nos meses objeto da autuação, isto é, de janeiro de 1999 a dezembro de 2000. [...] Afastada assim a aplicação da Lei n° 8.212, resta, no entanto, averiguar a norma aplicável. É que entendo que o artigo 150 do CTN, que cuida do lançamento por homologação e define o prazo de cinco anos contados do fato gerador da obrigação, somente tem aplicação quando o contribuinte cumpre os procedimentos previstos no caput, isto é, determina a matéria tributável, apura o montante a recolher e o recolhe. É este conjunto de procedimentos que confere à União, sujeito ativo da exação, a obrigação de se pronunciar Fl. 872DF CARF MF Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303004.347 CSRFT3 Fl. 869 9 sobre ele. Não havendo tais procedimentos, ou os havendo de forma incompleta pela ausência de recolhimento, não é de homologação que se cuida, mas sim de mero lançamento de ofício por descumprimento legal por parte do obrigado. E neste caso, o prazo a ser obedecido pela administração tributária é o que estabelece o art. 173, I do CTN, isto é, ainda de cinco anos, mas já agora contados estes do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. No caso em concreto, já se disse, ausentes quaisquer recolhimentos face ao apelo à instância judicial. Optou a empresa, portanto, em deixar de recolher a contribuição, amparada por decisão, ainda não definitiva, oriunda daquele Poder. Assim procedendo, descumpriu o comando do art. 150 do CTN, sujeitando se às conseqüências daí advindas. Por este motivo, entendo que o prazo decadencial aplicável aos fatos geradores controversos, isto é, janeiro de 1999 a novembro do mesmo ano,,cbmeça a contar em 1° de janeiro de 2000, encerrandose, destarte, em 31 de dezembro de 2005. Desse modo, nenhum dos períodos incluídos no auto de infração encontrase fulminado pela decadência como pretendido pela empresa. Logo, nesse ponto, nego provimento ao recurso para considerar não decaídos os créditos objeto do lançamento perpetrado. 3. Acórdão de Recurso Especial: 3.1. Ementa: “[...] COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º, CTN. Por outro lado, ainda que se exija pagamento para incidência do artigo 150, § 4º, do CTN, e partindose Fl. 873DF CARF MF 10 do pressuposto de que houve compensação, com os mesmos efeitos extintivos do pagamento do tributo ainda que não comprovada a sua suficiência e que não formalmente homologada é imperioso admitir que a contagem do prazo decadencial deve se pautar pelo preceituado no artigo 150, §4º, do CTN, é dizer, tem o seu termo a quo na data da ocorrência do fato gerador. [...]” 3.2. Relatório: “[...] A recorrente foi fiscalizada e, em 13 de dezembro de 2004, teve lançado contra si auto de infração relativo à falta de pagamento de PIS dos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 2000, para prevenir a decadência. Tal fato deveuse à existência de medida liminar concedida para compensar o PIS dos anos calendários 1999 e 2000. (Mandado de segurança preventivo nº 97.00621359, distribuído originalmente à 20ª Vara Cível, liminar concedida em 27 de dezembro de 1997). O julgamento realizado na antiga Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes expressamente reconheceu que o lançamento não poderia ser realizado com base no art.. 45 da lei nº 8.212, de 1991, mas entendeu cabível a aplicação do prazo previsto no art. 173, I do CTN, vez que não houve pagamento (por força da liminar em vigor) e o prazo, assim, deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que teria ocorrido o fato gerador. [...] 3.3. Voto vencido, após transcrição do voto do acórdão recorrido: [...] Pelo exposto, nego provimento ao recurso do contribuinte para acolher a norma contida no art. 173, I. do CTN como o dia a partir do qual devese contar o Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303004.347 CSRFT3 Fl. 870 11 prazo quinquenal para exercer o direito de lançar o tributo não pago por ocasião do fato gerador." 3.4. Voto vencedor: “[...] Em que pesem os fundamentos expendidos no voto proferido pela Ilustre Conselheira relatora, entendo, data máxima vênia, que eles não devem prevalecer. Com efeito, é de se destacar, inicialmente, que a circunstância de ter ou não ocorrido o pagamento é irrelevante para incidência do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN. Tratandose de tributo cujo lançamento é por homologação, referido dispositivo assevera que o prazo de cinco anos contase da ocorrência do fato gerador. Esse entendimento, a propósito, encontra ampla guarida na jurisprudência administrativa, sendo de se destacar, dentre outros, os seguintes precedentes: [...] Por outro lado, ainda que se considerasse que há necessidade da ocorrência de pagamento para incidência do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN, fato é que a compensação tributária consiste em instituto jurídico que, à luz do artigo 156 do CTN, também extingue o crédito tributário, equiparandose ao pagamento efetivo do tributo. Partindose do pressuposto de que houve extinção do crédito tributário através da compensação – ainda que não comprovada a sua suficiência e que não formalmente homologada – tendo a autoridade fiscal possibilidade de conhecimento da referida extinção, é imperioso se admitir que a contagem do prazo decadencial, in casu, deve se pautar pelo preceituado Fl. 875DF CARF MF 12 no artigo 150, § 4º, do CTN, é dizer, tem o seu termo a quo na data da ocorrência do fato gerador. [...]” Depreendendose da leitura de todos os acórdãos e especificamente aquele ora embargado – o proferido pela CSRF, vêse que o Colegiado considerou a informação de que o sujeito passivo detinha liminar concedida em Mandado de Segurança – conforme consta do relatório do acórdão. Ademais, o voto vencedor do acórdão da CSRF fez referência ao voto proferido pela Ilustre Conselheira relatora que, à época, trouxe a transcrição do voto do relator do acórdão recorrido – que, por sua vez, fez referência à liminar concedida ao sujeito passivo. Em vista do exposto, não há que se acolher os embargos de declaração, pois, a meu sentir, não ocorreu a omissão da informação de existência da liminar. Inclusive, cabe trazer que a própria DRJ, além de ter analisado a liminar em questão, trouxe em seu relatório, entre outros: “Verificase, assim, que a presente autuação teve como único e exclusivo objetivo a constituição do suposto crédito tributário, de modo a forrarse dos efeitos de eventual decadência, sendo expressamente reconhecida a suspensão da exigibilidade por força da medida liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 97.00621359 (doc. 03).” O que, por conseguinte, passouse a tratar do prazo decadencial discutido nos autos do processo – se cabível ou não o prazo decadencial do art. 45 da lei 8.212/91, ou do art. 173, inciso I ou do art. 150, § 4º, do CTN – considerando ou não a compensação como “pagamento” para fins de aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Tendo sido consignado em acórdão de Recurso Especial – a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN para o caso em comento, declarando a decadência de a autoridade fazendária efetuar o Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16327.001763/200467 Acórdão n.º 9303004.347 CSRFT3 Fl. 871 13 lançamento tributário referente aos períodos compreendidos entre janeiro e novembro de 1999. Cabe trazer que não cabe a oposição de Embargos de Declaração para se reexaminar ou rediscutir matéria objeto de decisão do Colegiado. Ademais, é de se destacar ainda que a alegação da Fazenda Nacional de que a “decadência nem mesmo se iniciou” em razão da “liminar impeditiva de lançamento”, não constituiu fundamento original do lançamento – não merece evoluir, vez que, contrariamente ao alegado, o lançamento foi realizado justamente “a fim de evitar o instituto da decadência” em razão da ausência de recolhimento dos débitos de PIS, os quais foram compensados com fundamento na decisão liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 97.00621359, conforme constou do Termo de Verificação Fiscal acima referido – que, por sua vez, já transcrevi anteriormente. O que, por conseguinte, conhecendo os embargos de declaração e acolhendoos estaríamos inovando a fundamentação do lançamento. Em vista de todo o exposto, não conheço os Embargos de Declaração, vez não ter ocorrido a omissão alegada. Tatiana Midori Migiyama Fl. 877DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.000643/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O julgador tem a prerrogativa de indeferir pedido de diligência, notadamente àquela cujo pleito é demasiadamente genérico, sem a formulação de questionamentos pontuais merecedores de uma análise para saneamento da suposta dúvida.
PRELIMINAR DE DUPLICIDADE DE AUTUAÇÕES.
Não há que se falar em duplicidade de autuações quando os objetos dos autos de infração são distintos.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO.
Uma vez comprovada pelo contribuinte a procedência parcial das suas alegações, há de ser reconhecido o direito ao crédito da COFINS, conforme levantamento realizado pela decisão recorrida.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO.
Uma vez comprovada pelo contribuinte a procedência parcial das suas alegações, há de ser reconhecido o direito ao crédito do PIS, conforme levantamento realizado pela decisão recorrida.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. SÚMULA Nº 14 DO CARF.
Nos termos da súmula nº 14 do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses em que não tenha havido a comprovação do evidente intuito de fraude.
Recurso Voluntário Negado.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, vencido o Conselheiro Marcelo Giovani que votou no sentido de dar-lhe parcial provimento, exclusivamente para fins de manter a multa qualificada de 150%, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Semíramis de Oliveira Duro, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O julgador tem a prerrogativa de indeferir pedido de diligência, notadamente àquela cujo pleito é demasiadamente genérico, sem a formulação de questionamentos pontuais merecedores de uma análise para saneamento da suposta dúvida. PRELIMINAR DE DUPLICIDADE DE AUTUAÇÕES. Não há que se falar em duplicidade de autuações quando os objetos dos autos de infração são distintos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. Uma vez comprovada pelo contribuinte a procedência parcial das suas alegações, há de ser reconhecido o direito ao crédito da COFINS, conforme levantamento realizado pela decisão recorrida. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. Uma vez comprovada pelo contribuinte a procedência parcial das suas alegações, há de ser reconhecido o direito ao crédito do PIS, conforme levantamento realizado pela decisão recorrida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. SÚMULA Nº 14 DO CARF. Nos termos da súmula nº 14 do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses em que não tenha havido a comprovação do evidente intuito de fraude. Recurso Voluntário Negado. Recurso de Ofício Negado.
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DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O julgador tem a prerrogativa de indeferir pedido de diligência, notadamente àquela cujo pleito é demasiadamente genérico, sem a formulação de questionamentos pontuais merecedores de uma análise para saneamento da suposta dúvida. PRELIMINAR DE DUPLICIDADE DE AUTUAÇÕES. Não há que se falar em duplicidade de autuações quando os objetos dos autos de infração são distintos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. Uma vez comprovada pelo contribuinte a procedência parcial das suas alegações, há de ser reconhecido o direito ao crédito da COFINS, conforme levantamento realizado pela decisão recorrida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. Uma vez comprovada pelo contribuinte a procedência parcial das suas alegações, há de ser reconhecido o direito ao crédito do PIS, conforme levantamento realizado pela decisão recorrida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 06 43 /2 01 0- 01 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 2 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. SÚMULA Nº 14 DO CARF. Nos termos da súmula nº 14 do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses em que não tenha havido a comprovação do evidente intuito de fraude. Recurso Voluntário Negado. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, vencido o Conselheiro Marcelo Giovani que votou no sentido de darlhe parcial provimento, exclusivamente para fins de manter a multa qualificada de 150%, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Semíramis de Oliveira Duro, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora). Fl. 802DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000643/201001 Acórdão n.º 3301003.068 S3C3T1 Fl. 11 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante de fls. 673/694 dos autos: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 06 a 29 contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, referente aos períodos de apuração de 01/2005 a 12/2005, no valor de R$ 5.037.622,72 incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2010. Foi também lavrado Auto de Infração de fls. 30 a 53, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, referente aos períodos de apuração de 01/2005 a 12/2005, no valor de R$ 22.906.387,10 incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 29/05/2009. Nos Termos Complementares à Descrição dos Fatos (fls. 10 a 24 e 34 a 48), a autoridade lançadora registra, em síntese, o seguinte: a) Os lançamentos foram efetuados em decorrência da constatação de que o sujeito passivo apurou indevidamente os créditos do PIS e da COFINS incidência nãocumulativa; b) Foram verificados os arquivos digitais das notas fiscais de entrada, entregues à fiscalização, referentes aos insumos adquiridos no mercado interno, cujas planilhas foram reunidas sob a forma de anexo aos autos. Os valores informados no DACON e não comprovados pela fiscalização foram glosados e constituídos o PIS e a COFINS; c) O sujeito passivo apresentou as contas de energia elétrica relativas ao ano de 2005. Foram glosados os valores informados no DACON e não comprovados; d) O sujeito passivo foi intimado a comprovar as despesas de armazenagem de mercadoria e frete nas operações de venda. Foram verificados os arquivos digitais das notas fiscais de entrada entregues à fiscalização, referentes às aquisições de serviços de transporte. Não havia registro de notas fiscais referentes a despesas com armazenagem de mercadorias. As diferenças apuradas entre os valores informados no DACON e os valores comprovados foram glosadas; e) Com relação aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, foram verificados o Livro Razão e o arquivo excel contendo listagem dos bens, máquinas e equipamentos, com data de aquisição, valores contábeis, data de início e término da depreciação. Foram glosados os valores não comprovados; f) Intimado a apresentar registros contábeis e notas fiscais referentes às devoluções de vendas, o sujeito passivo limitouse a apresentar o Livro Razão e os arquivos digitais das notas fiscais de entrada, cujas planilhas foram reunidas sob a forma de anexo. Foram glosados os valores informados no DACON e não comprovados; Fl. 803DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 4 g) O contribuinte informou que a base de cálculo considerada na apuração dos créditos informados na linha 22 das fichas 06 e 12 do DACON se deu com base na aquisição de insumos importados. Apresentou listagem e extratos das DI. O aproveitamento dos créditos do PIS e da COFINS apurados com base nos insumos importados aplicase exclusivamente em relação às contribuições efetivamente pagas nas importações dos insumos. Verificouse dos extratos das DI que em nenhuma importação houve o recolhimento das contribuições e por esta razão, efetuouse a glosa de todos os créditos informados no DACON; h) Foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150% (art. 44, II da Lei 9.430/96, c/c art. 19 da Lei 9.317/96) tendo em vista que os fatos apurados comprovaram que o sujeito passivo agiu de forma comissiva e dolosa, na tentativa de reduzir os tributos devidos; i) O sujeito passivo tentou fraudar a fiscalização tributária, fazendo declaração sabidamente falsa sobre suas rendas para eximirse do pagamento dos tributos. A conduta dolosa ficou configurada a partir da comparação entre os créditos informados no DACON e sua escrita fiscal e contábil e a documentação entregue à fiscalização; j) Relativamente aos créditos apurados sobre as aquisições de insumos, o contribuinte não atendeu à intimação, deixando de apresentar registros contábeis segregados entre aquisições no mercado interno e no exterior. O exame dos arquivos demonstrou que em todos os meses, de forma sistemática, o sujeito passivo informou no Dacon valores superiores aos constantes das notas fiscais; k) Relativamente aos créditos apurados sobre despesas com energia elétrica, o contribuinte informou no mês de julho de 2005, valor superior ao constante da nota fiscal; l) Relativamente aos créditos apurados com base nas despesas de armazenagem e frete, o contribuinte não atendeu à intimação, deixando de apresentar os contratos celebrados com as prestadoras de serviços e as notas fiscais comprovadoras das despesas. O exame dos arquivos digitais demonstrou que em vários meses o sujeito passivo informou no DACON valores muito superiores aos constantes nas notas fiscais; m) Quanto aos créditos apurados sobre os encargos de depreciação, o contribuinte deixou de apresentar listagem dos bens adquiridos no mercado interno a partir de 01/05/2004, documentação comprobatória das aquisições e registros contábeis segregando os bens adquiridos em data anterior e posterior a 01/05/2004. O exame do arquivo magnético apresentado demonstra que em todos os meses o sujeito passivo informou na DACON valores mais de 420% superiores àqueles calculados de acordo com a listagem de bens; n) Quanto aos créditos sobre as devoluções de vendas, o contribuinte deixou de apresentar as notas fiscais comprobatórias das operações. O exame dos arquivos digitais demonstrou que em vários meses o sujeito passivo informou no DACON valores muito superiores aos constantes das notas fiscais; o) Quanto aos créditos apurados nas importações de insumos, o contribuinte apresentou listagem e o extrato das DI, onde se constata que não foram efetuados recolhimentos de PIS e de Cofins sobre as importações, não obstante haver menção ao cálculo dos tributos no corpo das DI e na listagem. Apesar disso, o contribuinte informou à fiscalização ter feito os recolhimentos, bem como informou nas DACONs estes valores a título de crédito a que teria direito; Fl. 804DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000643/201001 Acórdão n.º 3301003.068 S3C3T1 Fl. 12 5 p) Tendo em vista a conduta dolosa do sujeito passivo, ficou caracterizado o evidente intuito de fraude, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, configurando também, em tese, crime contra a ordem tributária, conforme art. 2º, I do CTN. Sendo indiscutíveis as provas de dolo e fraude, o termo inicial de contagem do prazo decadencial para o lançamento se desloca do art. 150, § 4º para o art. 173, I do CTN. O enquadramento legal citado nos Autos de Infração foi: artigos 1º, 3º e 5º da Lei 10.833/03 e artigos 1º, 3º e 4º da Lei 10.637/2002. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta em fls. 28 e 52. Após tomar ciência das autuações em 30/12/2010 (fl. 54), a empresa autuada, inconformada, apresentou, em 28/01/2011, as impugnações de fls. 01 a 22 do processo em apenso nº 15553.000126/201166 (PIS) e 01 a 21 do processo em apenso nº 15553.000124/201177 (COFINS), alegando, em síntese que: a) Não pode a autuada admitir a legitimidade do auto de infração lavrado, visto que o mesmo consigna procedimentos eivados de nulidade por parte da autoridade fiscal; b) O fiscal autuante desatendeu alguns itens essenciais ao lançamento, conforme art. 142 e parágrafo único do CTN; c) Consoante o disposto no Decretolei 05/75 a peça de autuação deverá conter um certo número de requisitos de forma a conferirlhe validade. Na espécie, faltam elementos comprobatórios daquilo que se encontra supostamente materializado na peça impositiva; d) A autuação é indevida visto que a defendente nunca deixou de cumprir com suas obrigações, sejam elas municipal, estadual ou federal; e) Os valores dos bens utilizados como insumos são os escriturados nos registros fiscais de entradas de mercadorias e serviços com códigos específicos para as referidas transações e não por data de emissão dos documentos fiscais como entendeu o Fisco. Assim, tornamse nulas as glosas efetuadas. Junta o Anexo I contendo demonstrativo espelhando a classificação fiscal 1.101 e 2.101 e o Anexo II, arrolando a documentação envolvida; f) Quanto às despesas com energia elétrica, todas as contas foram apresentadas, demonstrando o correto proceder da autuada. Melhor dirá a perícia solicitada na presente impugnação; g) Quanto às despesas com armazenagem de mercadorias e frete nas operações de venda, a impugnante apresentou toda a documentação representativa do seu crédito quando solicitada no curso da fiscalização. O anexo I retrata a classificação fiscal 13.52 e 23.52, relativas ao frete e o Anexo IV contém sua comprovação; h) Foi ilegítima a glosa efetuada em relação aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. A realização de prova pericial dirimirá qualquer dúvida quanto à matéria; i) A impugnante forneceu toda a documentação representativa do seu crédito apurado com base nas devoluções de venda. O anexo I contém as classificações fiscais relativas às devoluções, identificadas pelos códigos 14.10, 22.01, 22.02, 22.03 e 24.10. O Anexo III apresenta a documentação comprobatória do crédito; Fl. 805DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 6 j) Quanto aos créditos a descontar de PIS e COFINS importação, os valores foram utilizados com base nas aquisições de insumos importados. A impugnante forneceu à fiscalização DVD com todas as DI no ano de 2005. Ocorre que em 2005 o SISCOMEX ainda não disponibilizava campo para identificação dos citados tributos, sendo estes apresentados apenas na folha de Dados Complementares nº 2. Uma breve consulta ao sítio da RFB demonstra a arrecadação realizada. E mais, por força de ato normativo, não há liberação de carga sem o pagamento do tributo. Junta o Anexo V que demonstra o acerto do seu procedimento; k) Não procede a multa qualificada, pois em momento algum a impugnante agiu de forma comissiva e dolosa na tentativa de reduzir os tributos devidos; l) A imposição de multa qualificada sob a alegação de um comportamento inidôneo não comprovado desqualifica a peça impositiva e o fato punível em si; m) Qualquer multa que ultrapasse as raias da razoabilidade (100%, 150%) desnaturamse e, ao invés da medida punitiva por exação, tornamse mero confisco, violando o princípio constitucional da utilização de tributo com efeito de confisco; n) Assim, requer a desconstituição da qualificação da multa, caso permaneça algum item a ser cobrado; o) As alegações da fiscalização pecam pela fragilidade, não se subsumem ao ordenamento legal vigente e estão manchadas pela indelével nulidade intrínseca p) A exigência fiscal não pode prosperar, vez que a mesma está requerendo tributo sem o devido respaldo legal, apresentandose em total descompasso com a realidade factual e jurídica; q) Requer a realização de exame pericial contábil. Indica perito e apresenta quesitos que entende serem fundamentais para a elucidação da controvérsia. Ao analisar o caso, a DRJRJ2 entendeu por julgar parcialmente procedente as impugnações apresentadas, no sentido de manter o crédito tributário relativo ao PIS e à COFINS conforme valores indicados nos quadros constantes do voto da relatora, com o acréscimo de multa de ofício reduzida para 75% e juros de mora equivalente à taxa SELIC. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000643/201001 Acórdão n.º 3301003.068 S3C3T1 Fl. 13 7 PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá o pedido de perícia que considerar prescindível ou impraticável, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Na apuração do PIS e da Cofins no regime nãocumulativo é cabível a apropriação de créditos legalmente previstos quando comprovados através de registros na escrituração contábil e fiscal da empresa e de documentação hábil a eles correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa exige, como condição imposta pela lei, prova robusta que demonstre, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte. Face à referida decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (vide fls. 703/721 dos autos), por meio do qual repisou os argumentos trazidos nas suas impugnações administrativas no que tange à nulidade e ao mérito. Excluiu, apenas, o pleito relativo à inaplicabilidade da multa de 150%, visto que já acolhido pela decisão recorrida, que a reduziu para 75%. De outro norte, inovou trazendo um tópico preliminar de duplicidade de autuação (lavratura de dois autos de infração exigindo PIS e COFINS no período de março a dezembro de 2005 vide documentos anexados às fls. 722 e seguintes dos autos), bem como insistiu no pedido de perícia, indicando nesta oportunidade o seu perito e elaborando os quesitos que entende serem fundamentais à elucidação da controvérsia. Juntou ao seu Recurso tão somente documentos relativos aos processos que informa estarem em duplicidade. Os autos, então, vieramme conclusos para julgamento tanto do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, quanto do Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 8 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: No caso dos autos, é cabível Recurso de Ofício, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 2º da Portaria MF nº 03/2008. O Recurso Voluntário, por seu turno, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passase, então, à análise de ambos os recursos. I. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conforme narrado no relatório acima, o contribuinte interpôs recurso voluntário por meio do qual, no que tange aos argumentos de nulidade e de mérito, repisou os argumentos trazidos em sua impugnação. Ainda, insistiu no seu pleito de realização de perícia, bem como trouxe preliminarmente um tópico não trazido em sua impugnação, de duplicidade de autuação (lavratura de dois autos de infração exigindo PIS e COFINS no período de março a dezembro de 2005 vide documentos anexados às fls. 722 e seguintes dos autos). Inicialmente, no que tange ao argumento de duplicidade da autuação, embora tal fundamento não tenha constado da impugnação inicialmente apresentada pelo contribuinte, entendo que tal pleito deva ser analisado por este Conselho, em atenção ao princípio da verdade material. Isso porque, caso a cobrança, de fato, estivesse sendo realizada em duplicidade, conforme indicado pelo contribuinte, não haveria como se manter tal cobrança adicional, sob pena de se admitir verdadeiro enriquecimento indevido por parte da União. Ademais, é cediço que os notórios vícios materiais podem até ser reconhecidos de ofício. Contudo, ao analisar os processos indicados pelo contribuinte, constatase que não há que se falar em cobrança dúplice. Isso porque, da análise dos documentos anexados às fls. 722 e seguintes dos autos, os processos ali indicados, apesar de corresponderem ao mesmo período das autuações ora analisadas, exigem diferença de PIS e de COFINS em razão da insuficiência de recolhimento realizado, apurada através do cotejo entre os valores informados em DACON e os valores declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados. Inclusive, apesar de intimado e reintimado a esclarecer o motivo pelo qual os valores informados em DACON estariam superiores aos valores declarados em DCTF, o contribuinte não se manifestou no prazo legal, gerando, portanto, a obrigação de pagar os valores atinentes às diferenças identificadas. A presente demanda, por seu turno, versa sobre insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS nãocumulativos, face à apuração indevida de créditos, conforme valores indicados nos DACONs. Ou seja, naqueles processos estão sendo cobradas as diferenças entre os valores declarados em DCTF e os valores indicados nos DACONs. Não tendo o contribuinte, apesar de intimado e reintimado, informado a razão dessas diferenças, considerouse correto o montante indicado nos DACONs. De outro norte, por meio da presente demanda estão sendo cobradas as diferenças identificadas em razão da glosa de créditos indevidos, justamente com base nos valores indicados nos DACONs. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000643/201001 Acórdão n.º 3301003.068 S3C3T1 Fl. 14 9 Nessa ótica, uma vez constatada a diferença entre os objetos e as exações exigidas em um e em outro caso, entendo que deve ser afastado o argumento preliminar do contribuinte de duplicidade de autuações. Até porque, caso haja algum montante já quitado pelo contribuinte nos autos dos processos às fls. 722 e seguintes dos autos que possam influenciar diretamente nos valores apurados na presente demanda, é certo que o contribuinte poderá excluílos quando da execução do presente julgado, por meio da comprovação da sua respectiva quitação. Destaque se, outrossim, que o contribuinte não apontou em seu Recurso qualquer valor específico que pudesse corresponder à duplicidade que pretende fazer crer existente, tendo apontado uma suposta duplicidade de forma genérica. Quanto ao pedido de realização de perícia, entendo que foi acertada a decisão da DRJRJ2 que entendeu por negála. Naquele oportunidade, ressaltou corretamente o Relator que a defesa e comprovação dos argumentos do contribuinte poderia ser realizada por meio da juntada de documentos aos autos, tornandose despicienda a realização de perícia para fins de constatar se os valores indicados na autuação estão corretos. Outrossim, é válido salientar que, apesar de muitos dos argumentos da impugnação já terem sido acolhidos na decisão de primeira instância administrativa, a qual reduziu substancialmente o montante exigido com base na documentação anexada em sua impugnação, o contribuinte, em seu recurso, limitouse a reproduzir os argumentos trazidos em sua impugnação, de forma genérica, sem que trouxesse aos autos qualquer rebate quanto aos novos valores apontados pela DRJRJ2, e sem que tivesse juntado qualquer documentação adicional tendente a comprovar o direito ao crédito cuja glosa restou mantida. Como se não bastasse, constatase dos quesitos apresentados pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário que os questionamentos elaborados pelo mesmo são genéricos, pretendendose a confirmação de que os créditos apurados nas aquisições de PIS e COFINS estariam supostamente corretos. Ora, poderia o contribuinte, em seu Recurso, ter apontado os valores que entendia corretos, juntando a documentação comprobatória correspondente, como o fez em sua impugnação administrativa, cuja análise levou à redução considerável dos valores lançados. Entendo, portanto, que não há necessidade de realização de perícia neste caso concreto. No que tange aos argumentos de nulidade e de mérito constantes do Recurso Voluntário, verifico que estes já foram devidamente analisados pela minuciosa decisão proferida pela DRJRJ2, a qual, após análise dos argumentos e documentação acostada aos autos pelo contribuinte, acolheu parcialmente o pleito deste, consoante resumo abaixo indicado: (i) nulidade: afastou este argumento, uma vez que todos os requisitos legais foram devidamente observados; (ii) aquisição de insumos: ao passo que reconheceu a precariedade da planilha na qual se baseou a autoridade fiscal, informou que tampouco os valores indicados nos DACONs estariam corretos, visto que o contribuinte teria considerado na base de cálculo o valor total das notas fiscais relativas a aquisições em cada mês, sem observar determinados ajustes negativos previstos na legislação de regência. Sendo assim, com base na documentação apresentada pelo contribuinte (notas fiscais e livro registro de entradas), Fl. 809DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 10 realizou o levantamento dos valores corretos, considerando os registros efetuados no livro Registro de Apuração nos CFOPs 1.101 e 2.101, devidamente comprovados através das notas fiscais correspondentes e as exclusões do IPI incidente nas aquisições, as devoluções de compras registradas nos CFOPs 5.201 e 6.201 e as aquisições de bens importados por conta e ordem da empresa adquirente (vide planilhas de fls 10/12 dos autos). (iii) energia elétrica: considerou correta a glosa efetuada, mantendo o crédito tributário no montante de R$ 2.824,87 relativo ao PIS e R$ 13.011,51 relativo à COFINS. Destacou, contudo, que embora a autoridade autuante tenha demonstrado corretamente os valores acima citados, equivocouse ao elaborar a tabela de consolidação dos créditos tributários constituídos, tendo repetido, na transposição do PIS apurado, o valor da COFINS. Sendo assim, corrigiu, de ofício, o erro material identificado. (iv) frete nas operações de venda: também reconheceu a precariedade da planilha na qual se baseou a autoridade fiscal, tendo elaborado novo levantamento dos valores devidos, conforme planilha de fls. 13/14 dos autos; (v) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: entendeu por manter os valores indicados no auto de infração, visto que o contribuinte não apontou concretamente qualquer falha na apuração fiscal, nem trouxe qualquer documentação apta a comprovar os seus argumentos; (vi) devoluções de vendas: diante da documentação comprobatória apresentada pelo contribuinte em sua impugnação, foi reduzido o montante devido, conforme planilha de fl. 688 dos autos; (vii) créditos a descontar de PISImportação e COFINSImportação: em razão da possibilidade de aproveitamento de crédito do PIS e da COFINS pela pessoa jurídica importadora no caso de importação de insumos, e estando comprovados os recolhimentos das contribuições incidentes nas importações realizadas nos períodos autuados, procedeuse ao cancelamento dos créditos constituídos de ofício, mantendose apenas as diferenças correspondentes à parcela dos créditos declarados no DACON, cujos pagamento não restou comprovado (vide planilha de fl. 689 dos autos); (vi) valores consolidados: ao final, apresenta planilha às fls. 693/694 dos autos, em que restam indicados os valores das contribuições devidas relativas a cada item analisado e o crédito tributário a ser mantido nos autos de infração. No que se refere ao item (i) acima (nulidade), entendo que procedeu corretamente a DRJRJ2. O contribuinte alegou nulidade processual de forma genérica, muitas vezes confundida com o mérito da causa, e sem que tivesse apontado qualquer vício específico que pudesse macular os autos de infração em epígrafe. Uma vez que os requisitos dispostos no art. 10 do Decretonº 70.235/1972 restaram devidamente observados na hipótese dos presentes autos, há de ser afastado tal argumento do contribuinte. Quanto ao mérito da demanda, indicados nos itens (ii) a (vi) acima, verifica se que a decisão recorrida analisou, um a um, os pontos levantados pelo contribuinte, tendo acolhido alguns deles na medida em que apresentada documentação comprobatória quanto ao direito creditório. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000643/201001 Acórdão n.º 3301003.068 S3C3T1 Fl. 15 11 A solução desta contenda, portanto, gira necessariamente em torno da documentação apresentada pelo contribuinte e sua capacidade de comprovar a higidez dos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos registrados pelo sujeito passivo. As glosas mantidas dizem respeito à ausência de comprovação por parte do contribuinte, e não à ausência de direito a crédito relativo a determinada rubrica (ou seja, não foi objeto da impugnação e do recurso voluntário interposto, ou mesmo da decisão recorrida, o direito ao crédito face à natureza dos insumos, por exemplo). E, no caso dos presentes autos, constatase que a decisão recorrida trouxe em seu bojo uma análise meticulosa e detalhada da documentação apresentada pelo contribuinte em sua impugnações. Nesse contexto, entendo que concluiu corretamente a DRJRJ2 pelo cancelamento de parte das autuações, visto que, em atenção ao princípio da verdade material, não cabe a manutenção da glosa de valores cujos créditos restaram devidamente comprovados pelo contribuinte. De outro giro, também concluiu de forma acertada por manter a glosa quanto a valores não comprovados pelo contribuinte. E tais conclusões, insertas na decisão recorrida, não restam minimante abaladas pelo Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, em especial quando se observa que este não impugnou os novos valores identificados pela DRJRJ2, limitandose a reproduzir, de forma genérica, os argumentos trazidos em sua impugnação, sem que tivesse acrescentado argumentos que pudessem por em cheque as diferenças remanescentes, ou colacionado provas adicionais. Destaquese, por exemplo, quanto ao pretendido crédito relacionado à energia elétrica, ter a decisão recorrida ressaltado que, para fins de comprovação do alegado, bastaria ao contribuinte ter juntado aos autos cópia de uma única fatura referente ao mês de julho de 2005, o que não foi providenciado pela empresa. Em seu recurso voluntário, o contribuinte, novamente, não traz essa comprovação, limitandose a alegar que todas as contas teriam sido apresentadas, e que a perícia requerida confirmará o seu direito. É certo, contudo, que não há necessidade de realização de perícia para fins de comprovação de pagamento relativo à conta de energia elétrica. É válido mencionar, pois, que o contribuinte, em seu Recurso Voluntário, não combateu quaisquer dos ajustes realizados pela decisão recorrida, que levaram à manutenção parcial das glosas realizadas pela fiscalização, limitandose a defender a regularidade da integralidade dos seus créditos. Não há, pois, elementos nos autos aptos a afastar as conclusões insertas na decisão recorrida. Face à ausência de fundamentação e inexistência de provas quanto à regularidade dos valores integrais dos créditos aproveitados, resta forçoso concluir que agiu corretamente a DRJRJ2 em seu levantamento. Por tais razões, no que tange à matéria probatória, entendo que a decisão recorrida apresentase irretocável, devendo ser mantida em sua integralidade. Isso porque, uma vez comprovada pelo contribuinte sujeito à incidência de PIS e COFINS sob o regime não cumulativo, por meio da documentação trazida aos autos, a higidez de parte dos créditos indevidamente glosados pela fiscalização, tornase imperativo o reconhecimento do direito à manutenção de tais créditos. Nesse sentido, transcrevese a seguir decisão proferida por este Conselho: Fl. 811DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 12 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. Comprovado em diligência a procedência parcial das alegações do recurso, devese conceder os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal. (Processo nº 16682.720155/2011 35, 23/02/2016, Acórdão nº 3201002.056) Recurso Voluntário Provido em Parte. Logo, voto, por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo incólume a decisão recorrida, cujos fundamentos adoto como razão de decidir. II. DO RECURSO DE OFÍCIO. A análise do Recurso de Ofício, por seu turno, deverá acobertar: (i) os valores reduzidos com base na documentação anexada pelo contribuinte; (ii) a redução correspondente à redução da multa aplicada de 150% para 75%. No que concerne ao item (i), consoante analisado no tópico imediatamente anterior, procedeu corretamente a DRJRJ2 ao realizar a redução dos valores indicados pela fiscalização. Uma vez que o contribuinte logrou comprovar a correção parcial dos créditos, indevidamente glosados pela fiscalização, tornase imperativo o seu reconhecimento, em atenção ao princípio da verdade material. De outro norte, no que tange ao item (ii), entendo, novamente, que se apresenta irretocável a decisão recorrida, visto que não restou demonstrado o "evidente intuito de fraudar ou de sonegar". Sendo esta condição requisito indispensável à aplicação da gravosa penalidade no elevado percentual de 150%, e não restando esta comprovada nos autos, correta a decisão recorrida que determinou a sua redução para o percentual de 75%, inclusive com base no que determina a súmula nº 14 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Nesse sentido, trazse à colação decisão proferida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em sessão realizada em 13/04/2016 nos autos do Processo nº 10530.7234465/201169 (Acórdão nº 2201003.074): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no acórdão. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. SÚMULA CARF Nº 14. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000643/201001 Acórdão n.º 3301003.068 S3C3T1 Fl. 16 13 Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. (Grifos apostos) Voto, portanto, por negar provimento ao Recurso de Ofício. Da conclusão Diante de todo o exposto acima, voto no sentido de negar provimento tanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, quanto ao Recurso de Ofício, mantendo hígida a decisão proferida pela DRJRJ2 que acolheu parcialmente a impugnação apresentada pelo contribuinte. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 813DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Numero do processo: 16707.004020/99-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1995, 1996
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA EM RELAÇÃO À SÚMULA. INADMISSIBILIDADE.
O dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial de divergência de que trata o art. 67 do Anexo II do RICARF se estabelece entre acórdãos exarados por colegiados julgadores que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Tendo a Recorrente indicado divergência em relação à súmula do CARF, não se pode admitir o recurso especial.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996
NATUREZA DOS ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541/1992. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Ao estabelecer, por meio dos art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a tributação em separado sobre a totalidade dos valores apurados a título de omissão de receita, tratou o legislador de definir quantitativamente a hipótese de incidência dos tributos. Não se tratando de cominação de penalidade, não há que se falar na aplicação do principio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, "c", do CTN ao caso.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1995, 1996
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1995, 1996
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de IRRF.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte no que se refere ao cálculo da multa pelo atraso na entrega das DIPJ e, em conhecê-lo quanto à retroatividade benigna. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento na parte conhecida. Votou pelas conclusões a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Luís Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausente momentaneamente a Conselheira Nathalia Correia Pompeu. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1995, 1996 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA EM RELAÇÃO À SÚMULA. INADMISSIBILIDADE. O dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial de divergência de que trata o art. 67 do Anexo II do RICARF se estabelece entre acórdãos exarados por colegiados julgadores que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Tendo a Recorrente indicado divergência em relação à súmula do CARF, não se pode admitir o recurso especial. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995, 1996 NATUREZA DOS ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541/1992. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Ao estabelecer, por meio dos art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a tributação em separado sobre a totalidade dos valores apurados a título de omissão de receita, tratou o legislador de definir quantitativamente a hipótese de incidência dos tributos. Não se tratando de cominação de penalidade, não há que se falar na aplicação do principio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, "c", do CTN ao caso. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1995, 1996 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1995, 1996 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de IRRF. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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DIVERGÊNCIA EM RELAÇÃO À SÚMULA. INADMISSIBILIDADE. O dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial de divergência de que trata o art. 67 do Anexo II do RICARF se estabelece entre acórdãos exarados por colegiados julgadores que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Tendo a Recorrente indicado divergência em relação à súmula do CARF, não se pode admitir o recurso especial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996 NATUREZA DOS ARTIGOS 43 E 44 DA LEI N° 8.541/1992. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Ao estabelecer, por meio dos art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a tributação em separado sobre a totalidade dos valores apurados a título de omissão de receita, tratou o legislador de definir quantitativamente a hipótese de incidência dos tributos. Não se tratando de cominação de penalidade, não há que se falar na aplicação do principio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, "c", do CTN ao caso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1995, 1996 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 40 20 /9 9- 19 Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16707.004020/9919 Acórdão n.º 9101002.410 CSRFT1 Fl. 1.782 2 Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1995, 1996 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de IRRF. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte no que se refere ao cálculo da multa pelo atraso na entrega das DIPJ e, em conhecêlo quanto à retroatividade benigna. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento na parte conhecida. Votou pelas conclusões a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Luís Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausente momentaneamente a Conselheira Nathalia Correia Pompeu. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório TERRA FIRME SERVIÇOS DE FOTOCÓPIAS LTDA (ex W.P HOTÉIS E SERVIÇOS LTDA) recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 1.624 e ss., contra o acórdão de Recurso Voluntário nº 10515.641 (fls. 996 e ss. Volume V4 do e processo) de 26/04/2006, o qual, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, e aos acórdãos de embargos de declaração de nºs 10517.252, de 15/10/2008 (fls. 1.543 e ss. Volume V7 do eprocesso) e 130100.157, de 18/06/2009 (fls. 1.573 e ss. Volume V7 do eprocesso). Transcrevese a ementa do acórdão nº 10515.641: Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16707.004020/9919 Acórdão n.º 9101002.410 CSRFT1 Fl. 1.783 3 ARBITRAMENTO DO LUCRO A desclassificação de escrita para fins de arbitramento de lucro somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real da empresa, o que não ocorreu no presente caso. LIVRO DIÁRIO REGISTRO APÓS A DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS IDONEIDADE DE SEUS ASSENTAMENTOS PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL Padecem de idoneidade probatória os assentamentos de livro Diário registrados em data posterior à prevista para a entrega da declaração de rendimentos do ano ao qual se referem e, principalmente, se estes apresentam valores diversos dos consignados no SAPLI. OMISSÃO DE RECEITAS INCONSISTÊNCIAS CONTÁBEIS As vendas a prazo, para empresas que apuram o lucro pela sistemática do lucro real, ensejam o lançamento a débito da conta dos Clientes (ou similar) e a crédito da Conta Receita. A verificação, na escrituração do contribuinte, de lançamentos que demonstrem que tais vendas foram maiores de que os valores lançados na conta clientes, ou que não houvera a concernente contrapartida na conta Receita, evidencia omissão de receitas IRPJ DEDUÇÃO DO PIS COFINS E CSLL Devem ser excluída da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as contribuições devidas a titulo de PIS e COFINS. O recurso foi parcialmente admitido por meio dos Despachos de efls. 1.736 e ss. e 1.757, tão somente em relação às matérias revogação do caráter de penalidade dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/1992 e equívoco no cálculo da multa pelo atraso na entrega das DIPJ. No que se refere à matéria da revogação do caráter de penalidade dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/1992 (retroatividade benigna), a Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos a seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão nº CSRF/0105.287: IRPJ / CSL / IRF LUCRO PRESUMIDO OMISSÃO DE RECEITAS ANO DE 1995— REVOGAÇÃO DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI 8541/92 CARÁTER PENAL DO DISPOSITIVO EFEITOS DA RETROATIVIDADE BENIGNA Levando em conta que o art. 43, § 2°, da Lei 8541/92, impunha penalidade no caso de omissão de receita ao determinar que fosse tributada a totalidade da omissão, e que o mesmo foi revogado pelo art. 36 da Lei 9249/95, deve ser obedecida a retroatividade benigna prevista no art. 106, "c", do CTN. Excluindose a penalidade, a receita omitida deveria ser tributada tal qual a receita declarada, conforme o art. 28 da Lei 8981/95 com aplicação dos índices para obtenção da base tributável, pelo regime do lucro presumido; entretanto não cabe ao julgador refazer o lançamento, tornandose inevitável o cancelamento do lançamento. Acórdão nº CSRF/0105.561: Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16707.004020/9919 Acórdão n.º 9101002.410 CSRFT1 Fl. 1.784 4 IRPJ — IRRF — CSLL — OMISSÃO DE RECEITAS — ARTS. 43 e 44 DA LEI N° 8.541/92 — REVOGAÇÃO — CARÁTER PENAL — RETROATIVIDADE BENIGNA. A revogação, pela Lei n° 9.249/95, dos arts. 43 e 44 da Lei n°9.541/92, de natureza nitidamente penal, conduz à aplicação da retroatividade benigna do art. 106, "c", do CTN, o que importa no cancelamento da exigência, pois ao julgador falece competência para retificar o lançamento. Já no que se refere à matéria do cálculo da multa pelo atraso na entrega das DIPJ, a Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação à Súmula CARF n° 69. Em relação à matéria da revogação do caráter de penalidade dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/1992 (retroatividade benigna), as alegações de mérito e o pedido da Recorrente, são sintetizados a seguir: a) os acórdãos paradigma confirmam que "a revogação, pela Lei n° 9.249/95, dos arts. 43 e 44 da Lei n°9.541/92, de natureza nitidamente penal, conduz à aplicação da retroatividade benigna do art. 106, 'c', do CTN, o que importa no cancelamento da exigência"; b) "ficou assentado que o PIS e a COFINS são dedutíveis da base de cálculo da CSLL e que o PIS, a COFINS e a CSLL são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, no que diz respeito ao ano de 1995" (faz menção a julgados); c) requer a Recorrente "seja revogado o caráter penal inserido no lançamento e sejam aplicadas as alíquotas normais ao lançamento". Com relação à matéria do cálculo da multa pelo atraso na entrega das DIPJ, os argumentos/pedido são os seguintes: a) considerando que o valor da multa por atraso na entrega das DIPJ foi calculada sobre o valor do IRPJ apurado no auto de infração, e que o valor do imposto também é calculado sobre o valor do lucro líquido, "se a base do IR for alterada, o imposto também deverá ser recalculado, o que implicará na redução do valor da multa"; b) o Colegiado que prolatou o acórdão recorrido se equivoca ao afirmar que "o pedido de retificação da apuração do resultado do período não possui qualquer relação com a multa de ofício aplicada pelo descumprimento de uma obrigação acessória", sendo que, como afirmara em sede de embargos declaratórios "a comprovação do equívoco poderá ser facilmente comprovada pela verificação da DIPJ, de fl. 171, onde foi consignado o IRPJ NEGATIVO DE R$ 11.186,53, tendo a fiscalização considerado como POSITIVO DE R$ 11. 186,52, não tendo o pleito sido sequer, ventilado, muito menos apreciado". Assinala que tal equívoco caracteriza inexatidão material, devendo ser retificado de ofício; c) acrescenta que as reduções dos valores lançados do IRPJ dos anos de 1995 e 1996 terão repercussão no valor de multa; d) conclui que "esse Colegiado tem o dever de recalcular o valor da multa, que foi lançada, à razão de 20% sobre o IRPJ devido que, após as decisões de 1ª, de 2ª instância e dos embargos, foi sensivelmente reduzido"; Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16707.004020/9919 Acórdão n.º 9101002.410 CSRFT1 Fl. 1.785 5 e) requer a Recorrente "seja recalculado o valor da multa constante no Auto de Infração, face à determinação da SÚMULA Nº 69" A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 1.762 e ss.), aduzindo em relação à primeira matéria admitida, em essência, o que segue: a) não há falar em retroatividade benigna da Lei nº 9.249/1995, uma vez que não se verifica qualquer das hipóteses do art. 106 do CTN. Justifica tal afirmativa dizendo que "os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 estabelecem formas de tributação para situações diferenciadas, notadamente de falta de recolhimento do imposto devido", sendo que o art. 24 Lei 9.249/1995 "determinou forma diversa da tributação de omissão de receitas – de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase, resultando em exigência menos onerosa ao contribuinte". Acrescenta que "tributo não é sanção" e que "é usual em nosso ordenamento jurídico a redução da base de cálculo ou de alíquotas de tributo sem que isso acarrete sua aplicação retroativa e a restituição de tributo pago sob a vigência da lei revogada"; b) que "os que defendem a aplicação retroatividade da Lei nº 9.249/95 com fulcro no artigo 106 do CTN referemse não apenas ao cálculo da penalidade cabível em razão da omissão de receita, mas do tributo em si, aplicando alíquotas e base de cálculo previstos na nova lei a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução". Em relação à segunda matéria admitida, argumenta que a divergência em relação ao teor de Súmula CARF não configura hipótese de interposição de recurso especial, conforme o art. 67 do Anexo II do RICARF. Ao final requer que seja "inadmitido/improvido o recurso especial, com a conseqüente manutenção do entendimento do entendimento adotado pelo v. acórdão recorrido". É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. Embora tempestivo, o recurso deve ser conhecido apenas no que se refere à matéria da retroatividade benigna, pelas razões a seguir expostas. Preliminar de inadmissibilidade parcial do recurso Como relatado, argumenta a Fazenda Nacional em suas contrarrazões que o recurso especial não pode ser admitido quanto à matéria do cálculo da multa pelo atraso na entrega das DIPJ, uma vez que a Recorrente indicou divergência entre o acórdão recorrido e Súmula do CARF (de nº 69), hipótese não contemplada no Regimento Interno do CARF. A leitura do art. 67 do Anexo II do RICARF vigente quando da interposição do presente recurso especial (RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009) indica que a divergência a sustentar recurso especial somente pode se estabelecer entre "decisões" de colegiados distintos do CARF (ou dos Conselhos de Contribuintes), e que as decisões em Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16707.004020/9919 Acórdão n.º 9101002.410 CSRFT1 Fl. 1.786 6 questão se restringem a acórdãos. Vejamse, nesse sentido, as referências aos termos "decisões", bem como "acórdão" e "ementa(s)", contidas no caput e parágrafos do art. 67 a seguir (destacouse): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. (...) § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. (...) § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Ora, em que pese as súmulas decorrerem da prolação de reiterados acórdãos no mesmo sentido, com eles não se confundem. Não há dúvida, portanto, que ao deixar de indicar acórdão paradigma em relação ao qual o acórdão recorrido estampa interpretação divergente da legislação tributária, o presente recurso especial deixou de observar os antes transcritos requisitos do art. 67 do Anexo II do RICARF, não podendo ser admitido. Não fosse por essa razão, a simples leitura da Súmula nº 69 do CARF, indicada como paradigma, evidencia que seu enunciado se dirige à pessoa física, não se aplicando à Recorrente. Confirase (destacouse): Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16707.004020/9919 Acórdão n.º 9101002.410 CSRFT1 Fl. 1.787 7 A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Acolho, portanto, a preliminar de inadmissibilidade trazida pela Fazenda Nacional, e não conheço do recurso especial no que se refere à matéria do cálculo da multa pelo atraso na entrega das DIPJ. Retroatividade benigna Conforme relatado, a Recorrente alega, em síntese, que a revogação, pela Lei n° 9.249/1995, dos arts. 43 e 44 da Lei n° 8.541/1992, retroage, por força da retroatividade benigna estabelecida pelo art. 106, inciso II, "c", do CTN, razão pela qual deve ser "revogado o caráter penal inserido no lançamento" e devem ser "aplicadas as alíquotas normais ao lançamento". Como se vê nos autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 425 e ss.), o lançamento correspondente à infração de omissão de receitas relativa a fatos geradores ocorridos no anocalendário 1995 seguiu o comando do art. 43, §§ 2° e 4º, da Lei n° 8.541/1992, com a redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.064/1995, que estabelece a incidência da alíquota de 25% sobre a totalidade receita omitida, de forma direta e definitiva, sem que essa receita venha a compor a base de cálculo do imposto. No que se refere ao Imposto sobre a Renda na Fonte (autos de infração de às efls. 457 e ss.), o lançamento seguiu o comando do art. 44 da mesma Lei. Confiramse os dispositivos: Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, a alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 1° O valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento, quando for o caso, das contribuições para a seguridade social. § 2° O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, bem como a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (...) § 4° Considerase vencido o imposto e as contribuições para a seguridade social na data da omissão. Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (...) Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16707.004020/9919 Acórdão n.º 9101002.410 CSRFT1 Fl. 1.788 8 A revogação dos dispositivos em questão pelo art. 36, inciso IV, Lei n° 9.249/1995, levou alguns a entender, equivocadamente, que não mais se poderia aplicar a sistemática prevista nos dispositivos revogados mesmo para fatos anteriores à vigência da revogação (que se dá a partir de 1º de janeiro de 1996). O argumento era que os artigos revogados possuíam caráter de penalidade por estarem contidos no Título IV da Lei n° 8.541/92, referente a "Penalidades", atraindo a aplicação do princípio da retroatividade benigna insculpido no art. 106, inciso II, "c", do CTN. No entanto, tal tese se revela equivocada e não encontra eco nesse Colegiado desde há muito tempo. Com efeito, ao estabelecer, por meio do art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/1992, a tributação em separado sobre 100% dos valores apurados a título de omissão de receita, tratou o legislador de definir quantitativamente a hipótese de incidência dos tributos. Ainda que gravosa tal incidência, não tem a natureza de penalidade. Entender diferente seria conceber que a definição da base de cálculo é uma definição de penalidade. Assim, não há falar na retroatividade benigna do art. 106, inciso II, "c", do CTN, vez que, como se viu, não se está diante de nova lei que comina penalidade menos severa. Vejamse, nesse sentido, os acórdãos desta 1ª Turma da CSRF de nºs 9101 00.337 (25 de agosto de 2009, Relatora Conselheira Adriana Gomes Rêgo), 910100.225 (28 de julho de 2009, Relatora Conselheira Karem Jureidini Dias), e 910100.513 (26 de janeiro de 2010, Relator Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho), todos com votação unânime. Por oportuno transcrevo a ementa dos dois último na parte de interesse: 910100.225 IRPJ. 1RRF. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÃO DO ART. 43 DA LEI N° 8.541/92, ALTERADO PELA LEI N° 9.064/95. O atual entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que a norma veiculada pelos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 não tem caráter de penalidade, dão sendo, portanto, aplicável os efeitos da retroatividade benigna. 910100.513 IRPJ E CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. ART. 43 DA LEI N. 8.541/92. LUCRO REAL. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA_ CARÁTER PENAL. INEXISTÊNCIA. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. O art. 43 da Lei a 8.541/92, com a redação dada pela Medida Provisória n. 492/94, quando prevê a tributação em separado e definitiva das receitas omitidas pelo contribuinte, não tem natureza de penalidade, ainda que no período base no qual o contribuinte tenha omitido a receita seu resultado tributável tenha sido negativo (prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa). Tratase de norma que define a base de cálculo do imposto e da contribuição social, no caso específico da omissão de receita. Inexiste, pois, previsão legal para aplicação do principio da retroatividade benigna ao caso. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16707.004020/9919 Acórdão n.º 9101002.410 CSRFT1 Fl. 1.789 9 ......................................................................................................... .............................. IRRF. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. ART. 44 DA LEI N 8541/92. ALIQUOTA DE 25%. CARÁTER PENAL. INEXISTÊNCIA. O art. 43 da Lei n. 8.541/92, quando prevê a tributação das receitas omitidas pelo IRRF, por presunção de distribuição de lucros aos sócios, à alíquota de 25%, não tem natureza de penalidade, ainda que no período base no qual o contribuinte tenha omitido a receita a alíquota do IRRF para o caso de distribuição regular de lucros aos sócios fosse menor. Tratase de norma que define a alíquota do imposto incidente na fonte, no caso específico da presunção de distribuição de lucros por emissão de receita. Inexiste, pois, previsão legal para aplicação do princípio da retroatividade benigna ao caso. Nego provimento, portanto, ao recurso especial no que toca à presente matéria. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso especial no que se refere à matéria do cálculo da multa pelo atraso na entrega das DIPJ e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à matéria da retroatividade benigna. Adriana Gomes Rêgo Relatora. Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 19647.008239/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira. Fez sustentação oral, pela recorrente, Silvana Guerra Barreto, OAB PE n.º 18.616.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira. Fez sustentação oral, pela recorrente, Silvana Guerra Barreto, OAB PE n.º 18.616. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente).
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarouse impedido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira. Fez sustentação oral, pela recorrente, Silvana Guerra Barreto, OAB PE n.º 18.616. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente). Relatório Trata o presente de lançamentos que constituem e exigem PIS e COFINS, sob op fundamento de diferença entre o valor escriturado e o declarado e pago, para os seguintes períodos de apuração, respectivamente: 01.05.2002 a 31.05.2002, a 31.10.2002 e 01.12.2002 a 30.04.2007 ; e 01.05.2002 a 31.05.2002, 01.07.2002 a 31.10.2002, 01.12.2002 a 30.06.2003 e a 30.04.2007. Na impugnação, além de defender a correção do seu procedimento, a contribuinte afirmou que os autos de infração possuíam diversos erros e incongruências, e que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 08 23 9/ 20 07 -3 5 Fl. 31689DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 3 2 deveriam ser revistos e anulados, com o começo de um novo procedimento de fiscalização, onde se possa averiguar corretamente a existência de débitos de Pis e Cofins. Antes da decisão final dos Julgadores de 1ª instância, diligências foram realizadas, mas a contribuinte continuou acusando a existência de equívocos nos resultados assim obtidos. Segundo resumo no relatório do Acórdão n. 3402001.699: Inicia apontando equívoco cometido pela autoridade fiscal, haja vista que o auto de infração aborda, apenas, exigência sobre COFINS, desconsiderando os supostos débitos de PIS. Argumenta que a diligência é inconclusa pois não deixaria expresso, em momento algum, o montante devido em virtude do auto de infração em discussão, alegando, ainda, inexistência do débito ali formalizado, posto que não se consideraram créditos resultantes de devolução de mercadorias sobre as quais já houve tributação e estornos de provisões a maior de Cofins desconsideradas na apuração da contribuição da contribuição a recolher. Mais especificamente no que tange os documentos apresentados, alega que foi elaborada planilha considerando apenas o Livro Razão, sendo desconsiderada, na diligência, o Conjunto Documental 3, que demonstraria o valor apurado e devidamente recolhido por meio de DARF e PER/DCOMP. Desenvolve argumentação, pautado em doutrina : jurisprudência, sobre a imprescindibilidade de realização de perícia contábil, visando esclarecer seis situações elencadas. Ao fim, requer "(i) julgamento da procedência da impugnação para ser anulado o auto de infração em tela; (ii) caso entenda a impossibilidade da anulação, que seja deferido o pleito de realização da perícia contábil solicitada; (iii) seja julgado infundado o lançamento de oficio que foi devidamente adimplido através de PER/DCOMP e/ou DARF. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, proferiu o Acórdão de n°. 1128.591, por meio do qual dava parcial provimentoà impugnação e recorria de ofício pela parte exonerada. o Acórdão ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. As informações da contabilidade fazem prova contra o sujeito passivo, cabendo a ele demonstrar a sua inveracidade. A autuação está devidamente fundamentada quando baseada em dados colhidos junto à própria contabilidade. DECADÊNCIA. Havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. Não havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do não confisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. Fl. 31690DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/06/2003,01/08/2003 a 30/04/2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. As informações da contabilidade fazem prova contra o sujeito passivo, cabendo a ele demonstrar a sua inveracidade A autuação está devidamente fundamentada quando baseada em dados colhidos junto ã própria contabilidade. DECADÊNCIA. Havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. Não havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do não confisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os Julgadores de 1º piso rejeitaram as preliminares arguidas e, no mérito, deram procedência parcial, para manter em parte os créditos contidos nos Autos de Infração para: I alterar os valores dos créditos tributários do PIS, utilizandose da coluna "Valores do PIS alterados (neste voto)" do demonstrativo do item 68 deste voto; II alterar os valores dos créditos tributários da Cofins, utilizandose da coluna "Valores da Cofins alterados (neste voto)" do demonstrativo do item 69 deste voto; III declarar insubsistentes as cobranças do PIS em relação aos seguintes períodos: dez/2002, jul/2004, ago/2004, set/2004, out/2004, nov/2004, dez/2004, jan/2005, fev/2005, mar/2005, jun/2005, ago/2005, out/2005, dez/2005, jan/2006, fev/2006, mar/2006, abr/2006, mai/2006, jun/2006, jul/2006, set/2006, out/2006 e abr/2007; IV declarar insubsistentes as cobranças da Cofins em relação aos seguintes períodos de apuração: jul/2004, nov/2004, dez/2004, jan/2005, fev/2005, mar/2005, jun/2005, ago/2005, out/2005, dez/2005, mai/2006, jun/2006, jul/2006, ago/2006, set/2006, out/2006, dez/2006 e abr/2007; V manter os demais valores do PIS exigidos no auto de infração citado, conforme a coluna "Valores do PIS mantidos (lançados pela Fiscalização)" do demonstrativo do item 68 deste voto; Fl. 31691DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 5 4 VI manter os demais valores da Cofins exigidos no auto de infração citado, conforme a coluna "Valores da Cofins mantidos (lançados pela Fiscalização)" do demonstrativo do item 69 deste voto; VII os valores discriminados nos itens I, II, V e VI deverão ser exigidos com os acréscimos legais (multa de ofício de 75% e juros de mora). A contribuinte ingressa com recurso voluntário por meio do qual pede a realização de perícia, alega decadência e traz as razões por que entende devem ser anulados os lançamentos, segundo resumo elaborado pelo Relator do acórdão anteriormente citado, que reproduzo em parte: Preliminarmente, entende ter ocorrido cerceamento de seu direito de defesa, quando do indeferimento da perícia contábil e pede, portanto, que seja decretada a nulidade do julgado em discussão. Ultrapassada a preliminar, ataca, assim como o fez em sede de impugnação, o critério adotado pela Fiscalização na verificação de regularidade fiscal, quando lavrou o Auto de Infração a partir "de mera comparação nos montantes escriturados contabilmente com o declarado pela RECORRENTE na DCTF, DACON ou DIPJ", quando, no seu entender, a atividade fiscalizatória deveria ser pautada no Princípio da Realidade dos Fatos, sendo imprescindível a efetiva ocorrência do fato gerador, de modo que possíveis equívocos em sua escrituração contábil não podem significar a referida ocorrência do fato gerador de Pis e Cofins, quando estes foram devidamente corrigidos meses depois. Após explanações acerca da "Metodologia de cálculo para a apuração do PIS e da COFINS" e anexar a seu recurso exemplos de como deveria ter sido efetuado o cálculo dos débitos e créditos de Pis e Cofins, chegou a conclusão de que realizou pagamentos a maior referente aos referidos tributos, não havendo que se falar em débitos perante o Fisco, devendo ser cancelada a autuação em discussão. Este processo chega ao CARF e é submetido a julgamento na sessão de 21 de março de 2012 quando o Colegiado decidiu negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. O Acórdão n.º 3402001.699 ficou assim ementado: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2007 RECURSO DE OFÍCIO PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO. A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre as receitas tributáveis (art. 2o), podem ser descontados os créditos legalmente permitidos (art. 3o), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e registros do contribuinte. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL. NULIDADE DO PROCESSO. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova Fl. 31692DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 6 5 necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333, II do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratandose de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula n° 02, do CARF. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173,1 DO CTN. A arguição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173,1 do CTN. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 30/04/2007 RECURSO DE OFÍCIO PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO. A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre as receitas tributáveis (art. 2o), podem ser descontados os créditos legalmente permitidos (art. 3o), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e registros do contribuinte. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL. NULIDADE DO PROCESSO. Fl. 31693DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratandose de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula n° 02, do CARF. DECADÊNCIA. INEXISTENCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173,1 DO CTN. A arguição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173,1 do CTN. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. A contribuinte inconformada, ingressou com Embargos de Declaração, por meio do qual apontou omissão e contradição e erro material nesse Acórdão. Os Embargos foram acolhidos, com efeitos infringentes, para reformar totalmente o acórdão recorrido e e determinar a realização de nova diligência. A Ementa do Acórdão n. 3402008239, de 22 de agosto de 2013, ficou assim ementado: Processo n° 19647.008239/200735 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 3402000.587 4a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2013 Matéria P PIS/COFINS Recorrente AREVA RENEWABLES BRASIL S/A (ATUAL DENOMINAÇÃO DE KOBLITZ S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Fl. 31694DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 8 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. CIRCUNSTÂNCIAS EXCEPCIONAIS. PREMISSA EQUIVOCADA. ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA DE OUTRO RECURSO CABÍVEL. CABIMENTO. Apoiandose o julgamento em premissa equivocada, ocasionando erro material na decisão, e não havendo outro recurso cabível na processualística administrativa, é admissível a atribuição dos excepcionais efeitos infringentes aos embargos de declaração, podendo ser modificado o julgamento anterior para corrigir o equívoco, inclusive, se for o caso, para ser designada a realização de diligência para o aprofundamento da materialidade e dimensão do fato gerador objeto do lançamento tributário. Acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes para alterar o resultado do julgamento anterior (Acórdão n° 3402001.699), modificandoo para: "Acordam os membros da 4a Câmara /2a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator". Embargos conhecidos e acolhidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 30/04/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. CIRCUNSTÂNCIAS EXCEPCIONAIS. PREMISSA EQUIVOCADA. ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA DE OUTRO RECURSO CABÍVEL. CABIMENTO. Apoiandose o julgamento em premissa equivocada, ocasionando erro material na decisão, e não havendo outro recurso cabível na processualística administrativa, é admissível a atribuição dos excepcionais efeitos infringentes aos embargos de declaração, podendo ser modificado o julgamento anterior para corrigir o equívoco, inclusive, se for o caso, para ser designada a realização de diligência para o aprofundamento da materialidade e dimensão do fato gerador objeto do lançamento tributário. Acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes para alterar o resultado do julgamento anterior (Acórdão n° 3402001.699), modificandoo para: "Acordam os membros da 4a Câmara /2a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator". Embargos conhecidos e acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, com efeitos infringentes, para converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. A diligência determinada tinha a seguinte orientação e demanda: Ante ao exposto, conheço e acolho os Embargos Declaratórios para se lhes atribuir os excepcionais efeitos modificativos do julgado (Acórdão n° 3402 Fl. 31695DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 9 8 001.699), para o fim de converter o julgamento em diligência, no sentido de que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: Recompor a base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, no período objeto do lançamento, para o fim de aquilatar se o faturamento e a totalidade das receitas declaradas pelo sujeito passivo constam de seus registros contábeis como um todo, assim como se foram registradas nas DACON's, DIPJ's, DCTF's e congêneres, bem como se foi efetivada a exclusão das receitas das referidas bases de cálculo, e compensações respectivas, reversões de provisões, tudo nos termos permitidos pela legislação de regência desses tributos; Ao recompor as bases de cálculo das contribuições, esclarecer o critério de reconhecimento da receita adotado pelo sujeito passivo, informando se havia alguma receita que seria passível de ter seu reconhecimento postergado para fins de oferecimento à tributação, nos termos legais, e se referido evento (se existente), provocou ajustes contábeis por parte do contribuinte, com efeitos nas apurações dessas contribuições e nos valores declarados em DACON's, DCTF's e congêneres; Para o período em que vigente a nãocumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS, objeto de lançamento, verificar as operações geradoras de créditos passíveis de serem descontados pelo sujeito passivo dos valores a recolher das referidas contribuições, nos termos dos arts. 3°, das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03 e respectivas alterações e demais legislação em vigor, através da análise dos registros contábeis da empresa, como um todo (não apenas as contas consolidadoras de Pis/Cofins a recuperar), cotejando com os valores que foram registrados nas DACON's e/ou DIPJ's e/ou DCTF's; A partir da recomposição das bases de cálculos das contribuições (alínea "a", acima) e das bases de cálculos dos créditos (alínea "b", acima), efetivar a recomposição dos saldos devedores das contribuições, ou dos saldos de créditos a compensar, estes quais passíveis de transporte para o período seguinte, sempre confrontando com os valores declarados nas DACON's e/ou DIPJs e/ou DCTFs do sujeito passivo; Efetivado o confronto solicitado a partir dos itens acima, emitir Relatório Conclusivo sobre a existência e, se o caso, respectivos montantes de saldos devedores remanescentes do lançamento, que estejam sem pagamento ou compensação (contemporâneos ao lançamento), e que, portanto, o sujeito passivo tenha deixado de recolher aos cofres públicos, à época do lançamento; Dar vista do Relatório Conclusivo da diligência ao sujeito passivo, para que se manifeste, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, após o que os autos devem retornar a esse Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento no julgamento. Em atendimento a esta diligência a autoridade fiscal local, conclui, às fls. 2681 2720, expondo a metodologia adotada, e propondo revisão dos valores originais devidos de PIS e de COFINS para cada ano de 2002 a 2007. A contribuinte, cientificada deste resultado, apresenta manifestação por meio da qual retoma seus argumentos de que ocorreram equívocos na apuração, pede a realização de perícia ou a anulação dos lançamentos. Seria as seguintes as inconsistências suscitadas pela recorrente: Fl. 31696DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 10 9 · não foram consideradas as exclusões da base de cálculo previstas em lei (ex.: IPI das vendas canceladas, receitas de venda de ativo imobilizado); · não foram considerados os abatimentos autorizados em lei, mês a mês, das contribuições devidas dos tributos já pagos nas operações anteriores, especialmente no que tange às despesas com aquisições de bens e serviços utilizados como insumos no seu processo produtivo; · deixou de considerar os valores referentes as retenções das contribuições na fonte, para deduzir das valores a pagar; · deixou de considerar os valores objetos de parcelamento e pagos (nos respectivos processos administrativos); · deixou de considerar os valores acumulados, que devem ser transportados para aproveitamento mês a mês. · houve erros de cálculo e de soma nas planilhas. É o relatório. VOTO A tempestividade e os demais requisitos de admissibilidade já haviam sido admitidos nos Acórdãos proferidos por este Colegiado. Senhores Conselheiros, retomo as bases do Acórdão que admitiu os Embargos e reformou a decisão colegiada anterior. Eles concluíram que havia erros. Assim sendo, bem refletindo sobre o ocorrido no caso em concreto, tenho que, embora seja correto que a contabilidade seja instrumento hábil para lastrear o lançamento tributário, quando este ato fiscal estiver baseado em "diferenças" entre o contabilizado e o "declarado/pago", devese levar em consideração não só o que estiver contabilizado em uma conta contábil, mas também e à exaustão, o que se encontrar declarado, e também não apenas em uma declaração. A opção do contribuinte pelo uso mensal dos créditos foi manifestada pelo registro dos mesmos nas apurações refletidas nas DACON's e demais declarações instituídas pela própria Administração no interesse do controle e fiscalização, de cujo descumprimento gera, inclusive, a imposição de multas. Portanto, se é correto considerar os créditos registrados pelo contribuinte em sua contabilidade, não menos correto é que os valores constantes das DACON's e demais declarações obrigatórias sejam igualmente considerados, desde que, evidentemente, tenham existência fática real e comprovável. E, para que se "validem" (ou não) os lançamentos dos créditos (e exclusões de receita etc.), que estejam registrados nas DACON's e demais declarações, aí sim se deverá aprofundar na análise da contabilidade da entidade, não apenas no Razão das contas de Pis/Cofins a Recolher ou Pis/Cofins a Recuperar, mas também, nas compras que geram créditos em cada um dos respectivos períodos, nas devoluções e cancelamentos, nos encargos de depreciação e amortização, despesas financeiras (quando geradoras de crédito), retenções na fonte e assim por diante, tudo para que seja conferido se os valores constantes das DACON's conferem com os valores transportados para a DCTFs e com aqueles registrados pela Fl. 31697DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 11 10 contabilidade "como um todo", não apenas, à toda evidência, nas contas de "somatório" de créditos a recuperar ou de obrigações fiscais a recolher. Portanto, após discorrer sobre esses aspectos de fato, passeando pela prova que já se encontrava nos autos, pela diligência promovida pela DRJ, bem como pela análise do próprio julgamento da DRJ, e das demais peças constantes da lide, tenho que realmente o Acórdão embargado laborou em equívoco material, na medida em que considerou carente de prova as alegações suscitadas pela então Recorrente, quando em verdade havia ele trazido elementos de prova que permitiam constatar, mesmo que o fosse por amostragem em alguns casos, que efetivamente o ato fiscal laborara em erro no dimensionamento da materialidade do lançamento tributário. Havia sim, provas suficientes para verificar que não foram considerados, em sua plenitude, os créditos provenientes das aquisições de mercadorias para revenda, insumos (bens ou direitos), devoluções e cancelamentos, e, por ventura, outros geradores de créditos, pelo fato de não terem sido objeto de "lançamento contábil" com periodicidade mensal, bem como pela falta de "transporte" dos saldos credores de um mês para o subsequente (como fez a DRJ), gerando assim distorção na contabilidade em relação aos lançamentos de créditos feitos nas DACON's e/ou demais declarações obrigatórias (DIPJ, DCTF etc.), nestas quais os referidos créditos haviam sido A contribuinte, diante do resultado obtido em resposta à diligência solicitada, elenca aparentes equívocos que teriam sido cometidos pela unidade de jurisdição e que comprometeriam os cálculos e a liquidez e certeza da exigência fiscal. Esclareço que, em meu ponto de vista, nesta etapa de verificação dos valores devidos nos lançamentos, não cabe se preocupar com a decisão da DRJ que havia exonerado parte desse lançamento originário, ou se preocupar que estariam havendo uma reforma in pejus à contribuinte. Essa matéria poderá ser apreciada pelo Colegiado somente após conhecer os valores originários corrigidos dos lançamentos em discussão. Ao apreciar a informação prestada pela autoridade local realmente não consigo obter certeza de que ela observou fielmente o disposto na demanda de diligência proferida por este Colegiado. Ela afirma, por exemplo, que: "consideramos que as compensações consideradas já estão imbuídas de todas as deduções, compensações, isenções, exclusões, devoluções consignadas e disponíveis para o contribuinte. Não restando, portanto, mais nenhum valor a ser reduzido do valor apurado a recolher." ... Foram recompostas as base de cálculo do PIS e da COFINS nos períodos solicitados pela diligência, com a alocação dos valores demonstrados pelo contribuinte no Livro Razão nos Balancetes mensais, nas DIPJ'S, nas DACON's e nas DCTF's confrontados com as DCTF's arquivadas e pagamentos efetuados. Nesta recomposição estão considerados os períodos sujeito ás duas sistemáticas, tanto a cumulativa quanto a não cumulativa, na conformidade das leis n° 9.718/98, 10.637/02 (Pis) e 10.833/03 (Cofins). As devoluções, deduções, exclusões, compensações e créditos existentes estão consideradas e alocadas na planilha na rubrica "compensações não cumulativas/crédito", para os instrumentos contábeis/fiscais que ali são apresentados. Fl. 31698DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 12 11 Quanto aos esclarecimentos prestados pelo contribuinte quando da entrega da documentação solicitada com a demonstração dos diversos grupos que compõem sua receita, relativos ao mercado interno e externo, receitas financeiras, receitas operacionais e nãooperacionais; suas exclusões do IPI, da receita financeira, do ganho na alienação do imobilizado e do cancelamento de vendas; dos créditos obtidos nos insumos de bens e serviços, nos encargos de depreciação, nos aluguéis, fretes, etc, seus valores, como se verifica na planilha acostada já estão consignados, tanto na obtenção da base de cálculo, como na obtenção dos valores do PIS e da COFINS a recolher. .. Constatase na análise da planilha acostada valores divergentes nas diversas bases de cálculo consideradas pelo contribuinte, no Razão e Balancetes, nas DIPJ's, nas DACON's e nas DCTF's. Para efeito de apuração da contribuição restante devida adotamos como critério a maior das bases de cálculo disponíveis/apresentadas nos instrumentos legais disponibilizados pelo contribuinte. Considerandose as DCTF's a partir de 2004, não constatamos: compensações por processo administrativo, compensações outras, deduções com DARF, parcelamentos e saldo a pagar; nos arquivos desta SR F/D R F/Recife, tanto para o PIS como para a COFINS até o ano de 2006. Em algum instante o contribuinte se refere a que obedece a normas contábeis para a apuração de suas contribuições. Entendemos que nenhuma norma contábil pode/deve se sobrepujar a norma legal vigente, em detrimento da arrecadação dos tributos e contribuições estabelecidos por Lei. Nas DIPJ's estão presentes os valores cumulativos e nãocumulativos diminuídas das compensações totais/créditos, restando o saldo que ficou a pagar. Nas DCTF's estão considerados todos os códigos de pagamento em DARF apresentados na mesma. Nos DACON's estão compensados os valores da cumulatividade e da não cumulatividade, assim como inclusos os saldos a pagar/recolher apresentados pelo contribuinte cumulativos e nãocumulativos, portanto apresentado o saldo total da contribuição a recolher/pagar. Este saldo fica isento de qualquer dedução/redução. A autoridade fiscal informa, por exemplo, que incluiu os abatimentos não cumulativos mês a mês, mas não demonstra; outro exemplo, informa que incluiu as deduções do que havia sido recolhido na fonte, mas não demonstra. Sendo assim, s.m.j., não consigo encontrar elementos e informações que me permitam analisar os supostos erros apontados pela contribuinte e que estariam comprometendo os cálculos. Há a possibilidade de que a própria contribuinte, face à objetividade das explicações e da planilha da Informação Fiscal, esteja identificando equívocos que seriam debelados se esclarecidos pela autoridade fiscal. Portanto, proponho a este Colegiado seja o julgamento convertido em diligência para que o processo retorne à Unidade de jurisdição para: · atender e observar o teor do Acórdão anterior, que determinou a diligência, e atender e observar este Acórdão; Fl. 31699DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.008239/200735 Resolução nº 3401000.946 S3C4T1 Fl. 13 12 · informar e demonstrar como foram incluídas na apuração os valores a que se referem a contribuinte em sua manifestação como equívocos; havendo, informar as motivações para não aceitar esses valores na apuração; · intimar a contribuinte desta demonstração e oferecerlhe prazo de 30 dias para se manifestar; · após o recebimento desta manifestação, persistindo divergência metodológicas, realizar perícia contábil; · juntada a perícia contábil aos autos, manifestarse a seu respeito; · dar ciência à contribuinte de todo esse conjunto e prazo de 30 dias para ela se manifestar, se desejar. · Retornar este processo ao CARF para prosseguimento. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira relator. Fl. 31700DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10167.001378/2007-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 18/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE
BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP
449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA
PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIC - CENTRO DE INTEGRACAO CULTURAL LTDA - ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/09/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 01 67 .0 01 37 8/ 20 07 -6 6 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma zembro de 2016 zembro de 2016 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - APLICAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL CIC - CENTRO DE INTEGRACAO CULTURAL LTDA - ME CIC - CENTRO DE INTEGRACAO CULTURAL LTDA - ME Fl. 752DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial, de e-fls. 694/707, interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2301-004.072, julgado na sessão do dia 17 de julho de 2014, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 SIMPLES. ADESÃO. NÃO COMPROVAÇÃO Não demonstrada a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, são devidas as contribuições patronais à Seguridade Social. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente, referente no AI DEBCAD 37.315.801-7. Recurso Voluntário Provido em Parte De acordo com a DRJ, a autuação apresenta os seguintes fundamentos: a) AI DEBCAD nº 37.315.799-1 - período 07/2007, 10/2007 a 12/2008 (inclusive 13º salário), valor original de R$ 111.599,32: contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, incluídos os Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10167.001378/2007-66 Acórdão n.º 9202-005.047 CSRF-T2 Fl. 753 3 valores destinados ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT e contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais; b) AI DEBCAD nº 37.315.800-9 - 07/2007, 10/2007 a 11/2008 e 13º salário/2007, valor original de R$ 22.800,13: contribuições sociais devidas às outras entidades e fundos incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE; c) AI DEBCAD nº 37.315.801-7, FL 68 07/2007, 10/2007 a 11/2008 e 13º salário/2007,valor original de R$ 30.488,60: como as remunerações foram informadas em GFIP, mas com a informação de opção ao SIMPLES, resultou em que as remunerações não foram tratadas pela empresa como bases de cálculo para fins de contribuição da cota patronal. Foi aplicada penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social –RPS. 2. Informa ainda a Auditoria Fiscal que a empresa esteve aderida ao SIMPLES FEDERAL até a competência 06/2007. A empresa solicitou em 10/07/2007 a inclusão no SIMPLES NACIONAL, todavia a solicitação foi indeferida em 01/10/2007. Entretanto, no período de 07/2007 e 10/2007 a 12/2010 entregou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, informando estar aderida ao SIMPLES; Na origem, trata o presente processo de Auto de Infração, de e-fls. 03 (DEBCAD nº 37.008.989-8), em razão de a Contribuinte ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação, no período de 04/2000 a 07/2006. De acordo com a fiscalização os fatos geradores que o Contribuinte deixou de informar referem-se à remuneração paga, devida ou creditada, aos segurados e aos contribuintes individuais prestadores de serviços eventuais (autônomos), nessa categoria incluído o pró labore dos sócios da empresa. Diante de tal lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação de e-fls. 65/74, requerendo a improcedência do auto de infração. A Delegacia da Receita Previdenciária em Brasília/DF manteve o lançamento, de acordo com a Decisão-Notificação nº 23.401.4/083/2007, e-fls. 90/94. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, e-fls. 99/113, que foi julgado pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção, na sessão do dia 16 de julho de 2014, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Fl. 754DF CARF MF 4 Recurso Voluntário para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do Art. 32-A, da Lei nº 8.212/1991, caso seja mais benéfica ao sujeito passivo. Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de e-fls. 694/707, requerendo a reforma do acórdão recorrido, no ponto que determinou a aplicação do art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35-A, do mesmo diploma legal, para que seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendo-se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35-A da Lei nº 8.212/91. Acórdão nº 2401-00.127, utilizado como paradigma, apresenta a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, trata-se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA - APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão referente ao processo nº 35415.001129/2006-41) Conforme despacho de e-fls. 724/727, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, sendo o processo encaminhado à origem para intimação do Contribuinte. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10167.001378/2007-66 Acórdão n.º 9202-005.047 CSRF-T2 Fl. 754 5 O Contribuinte intimado, conforme AR de e-fls. 732 apresentou Contrarrazões de e-fls. 735/739, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da PGFN. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cinge-se a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcreve-se: AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - Fl. 756DF CARF MF 6 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35- A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5 o , ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5 o , ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente - descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal - deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcreve-se excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10167.001378/2007-66 Acórdão n.º 9202-005.047 CSRF-T2 Fl. 755 7 previdenciários, lavrava-se em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito - NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa - art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 758DF CARF MF 8 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35-A que dispõe o seguinte, “Art. 35-A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplica-se multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva-nos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, refere-se a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais - NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal - AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32-A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10167.001378/2007-66 Acórdão n.º 9202-005.047 CSRF-T2 Fl. 756 9 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observe-se que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 - que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 760DF CARF MF 10 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput dar-se-á por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo dar-se-á: I - mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II - de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrar-se em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10167.001378/2007-66 Acórdão n.º 9202-005.047 CSRF-T2 Fl. 757 11 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os não-impugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35- A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitar-se-á àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 762DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002105/2004-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. A dedutibilidade de despesas depende sejam atendidas as condições previstas no art. 299 do RIR/99. Cabe ao contribuinte comprovar sua efetiva realização, bem como a sua necessidade, normalidade e usualidade.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, bem como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1301-002.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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A dedutibilidade de despesas depende sejam atendidas as condições previstas no art. 299 do RIR/99. Cabe ao contribuinte comprovar sua efetiva realização, bem como a sua necessidade, normalidade e usualidade. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Sujeitamse à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, bem como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 05 /2 00 4- 54 Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 18471.002105/200454 Acórdão n.º 1301002.130 S1C3T1 Fl. 1.507 2 Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Relatório Cuida o presente processo de auto de infração exigindo IRRF, IRPJ e, como reflexo, CSLL relativamente ao anocalendário de 2000 (fls. 194/258). Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 140/152), em procedimento de fiscalização foram verificadas as seguintes irregularidades: (i) ausência de documentação hábil e idônea referente aos valores contabilizados como “Despesas com Viagem” e “Despesas com Diretoria”, sendo, portanto, consideradas como despesas indedutíveis; e (ii) remuneração indireta a beneficiário não identificado em relação à despesas com aluguel de imóveis, veículos, cartão de crédito e serviços funerários, sendo consideradas estas despesas como indedutíveis, além de ter sido realizado o lançamento de IRRF sobre estes valores. Apresentada impugnação, esta foi julgada parcialmente procedente pela 4ª Turma da DRJ/RJOI (fls. 380/412). Na referida decisão, foi integralmente mantida a glosa das despesas com viagem, despesas diversas com diretoria e despesas de veículos. Por seu turno, em relação à remuneração indireta, foi afastada a glosa relativa à conta “Despesas Diversas com Diretoria”, tendo o contribuinte comprovado o oferecimento destes valores à tributação, mantendose, contudo, a glosa relativa às despesas com veículos, conservação de veículos, IPVA, corretagem, seguros e aluguel. No que tange ao IRRF incidente sobre a remuneração indireta de beneficiários não identificados, o julgador explicou que, por ter íntima relação com o auto de infração de IRPJ, o lançamento de IRRF deve ter a mesma sorte, sendo, portanto, excluídas da base de cálculo do imposto as despesas efetuadas com diretoria. O quanto decidido em relação ao IRPJ também foi aplicado à CSLL, por via reflexa. Ao final, a Turma da DRJ chegou às seguintes conclusões: DA CONCLUSÃO Isto posto, e com a certeza de que o procedimento fiscal transcorreu dentro dos ditames previstos pelo Decreto n° 70.235/1972, julgo o mérito, composto pelos lançamentos de IRPJ, IRRF, os quais VOTO PELA PROCEDÊNCIA PARCIAL, conforme se demonstra abaixo e o lançamento da CSLL, voto pela PROCEDÊNCIA. Todos acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 18471.002105/200454 Acórdão n.º 1301002.130 S1C3T1 Fl. 1.508 3 Cumpre ressaltar, ainda, que o relator preencheu o FAPLI e o FACS (em que pese a procedência deste último o qual não fora preenchido pelo fisco à época da elaboração do auto de infração), tendo em vista os novos valores mantidos de IRPJ. E mais, como o fisco, quando da elaboração do lançamento computou como prejuízo a compensar de períodos anteriores, o valor total objeto do somatório tanto do prejuízo já compensado na DIPJ (fls. 09), como do novo valor tributável exigido de oficio, perfazendo um total de R$ 60.759,71, montante este objeto de dedução conforme demonstrativo do auto de infração (fls. 105), em face da impossibilidade de modificação pela decadência, o valor anteriormente exigido de imposto no valor de R$ 5.530,93 deverá ser objeto da exigência e não o valor total efetivo do auto de infração de IRPJ de R$ 6.382,13. Intimado da decisão em 27/08/2007 (fl. 440), o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 25/09/2007 (fls. 444/460), no qual alega, em síntese, que todas as despesas glosadas encontramse devidamente comprovadas e que todas são necessárias à atividade da empresa. Em relação à remuneração indireta, o Recorrente ressalta que “tais valores referemse a despesas operacionais pagas com cartão de crédito corporativo, ou seja em nome da empresa, em viagens no Brasil e no exterior, tanto da diretoria executiva que opera na área comercial e de vendas, bem como de funcionários da área de exportação e assistência técnica, que como já informamos, são absolutamente necessárias ao atendimento das necessidades de nossos clientes”. Todas estas despesas estariam justificadas no “Anexo 004” do recurso. Sustenta, ainda, que os demais lançamentos também são improcedentes. Por não atingir os valores estipulados na Portaria/MF nº 3/2008, não foi interposto Recurso de Ofício. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 18471.002105/200454 Acórdão n.º 1301002.130 S1C3T1 Fl. 1.509 4 Tratamse de autos de infração de IRPJ e CSLL relativos à glosa de despesas consideradas indedutíveis, referentes ao anocalendário de 2000, e de auto de infração de IRRF relativo à remuneração indireta a beneficiários não identificados. A DRJ reconheceu a improcedência da glosa no valor total de R$ 36.850,38 registrado na conta “Despesas Diversas Diretoria” por ter o contribuinte comprovado que ofereceu os referidos valores à tributação. Por via reflexa, este montante também foi excluído do lançamento de IRRF. Permaneceu, entretanto, a glosa relacionada às seguintes contas: Despesas com Viagem, Despesas com Conservação de Veículo, Despesas Com Veículos, Despesa de Corretagem, Despesa de Seguros, Despesa de Aluguel e IPVA. Como tributação reflexa, permaneceu a exigência de IRRF sobre estas mesmas contas, com exceção dos valores relacionados às Despesas com Viagem. Pois bem. Primeiramente, impende destacar que o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 determina serem operacionais as despesas incorridas, não computadas nos custos, necessárias ao desenvolvimento da atividade empresarial e à manutenção da fonte produtora, devendo representar dispêndio usual ou normal à atividade da pessoa jurídica. Confirase: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. As condições de dedutibilidade definidas pelo artigo acima transcrito foram esclarecidas pela Coordenação do Sistema de Tributação –CST no Parecer Normativo CST nº 32, de 17.08.1981, que traz as seguintes definições: (i) necessidade: “(...) o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos.”; e (ii) usualidade ou normalidade: “(...) despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio.” Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 18471.002105/200454 Acórdão n.º 1301002.130 S1C3T1 Fl. 1.510 5 Assim sendo, para que seja considerada necessária, a despesa deve ser inerente, relacionada ou decorrente da atividade que a pessoa jurídica desenvolve. 1 Por sua vez, a usualidade/normalidade pressupõe que a despesa seja costumeira ou ordinária ao tipo de transações, operações ou atividades desenvolvidas. Além de atender a estas condições, temse que a despesa deve ser incorrida, o que pressupõe sejam atendidos os requisitos de existência, certeza e liquidez. Em outros dizeres, a despesa incorrida apresenta tais requisitos na medida em que é exigível, determinada ou determinável e configurase como a decorrência de uma prestação. 2 Por seu turno, no que tange ao lançamento de IRRF, temse que está sujeito à incidência, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, quando não comprovada a incorporação ao salário dos beneficiários. É o que prevê o art. 675 do RIR/99: Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 1º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). Portanto, não tendo sido verificados os beneficiários dos referidos pagamentos ou sua incorporação ao salário dos beneficiários, a autoridade autuante não somente procedeu ao lançamento do IRPJ e de CSLL por glosa de despesas, mas também cobrou o IRRF devido sobre tais pagamentos à alíquota de 35%. A fim de comprovar a efetiva ocorrência e a necessidade das citadas despesas, o contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário o quanto segue: a) Despesas com Viagem – Contas 3211011400 e 3211020300: despesas referentes somente a passagens aéreas compradas na agência de viagens Rondini Viagens e Turismo Ltda., CNPJ 00.321.624/000100, todas elas devidamente comprovadas por documentação fiscal, conforme ANEXO 001 do recurso. As viagens efetuadas foram para atender às necessidades dos clientes do contribuinte com vendas e assistência técnica, sendo relativas ao deslocamento de engenheiros, técnicos, gerente comercial, gerente de marketing e exportação, etc.; b) Despesas com Conservação de Veículos, Despesas com Veículos e IPVA – contas 3211040500 e 3211030400: considerando que a empresa possuía 11 (onze) veículos no ano 2000, a proporção daquelas despesas apresentadas, por veiculo numa periodicidade mensal, são irrelevantes uma vez que essas despesas são de cunho operacional da empresa, não podendo assim ser considerado pela auditora fiscal como remuneração indireta. Se a empresa 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de Renda. Ed. Revista dos Tribunais. São Paulo. 1977 2 FILHO, Edmar de Oliveira Andrade. Imposto de Renda das Empresas. Ed. Atlas. São Paulo. 2004 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 18471.002105/200454 Acórdão n.º 1301002.130 S1C3T1 Fl. 1.511 6 possuía na época 11 veículos no ano 2000, logo a despesa mensal por veículo, neste ano era de R$ 122,51 (Despesa total de R$ 16.171,42 dividido por 11 veículos e o resultado dividido por 12 meses), não representando de forma nenhum abuso nas despesas de utilização de veículos da empresa para fins que não estejam relacionados com a sua atividade operacional. A atividade da empresa exige a utilização de veículos em diversos segmentos ligados à sua área produtiva, comercial e gerencial. Todos os veículos, ao término do expediente, ficam no pátio da empresa na Av. Itaóca e, também, no escritório localizado na praia do Flamengo, conforme consta no contrato de locação de imóvel (ANEXO 003); c) Despesas de Corretagem e Seguro – Contas 3216052300, 3211050100 e 3211010102: ocorreu um equívoco de classificação contábil, uma vez que os valores ali registrados referemse efetivamente a despesas com seguros de veículos; e d) O quanto alegado em relação à autuação de IRPJ deve ser aplicado, por via reflexa, aos autos de infração de CSLL e de IRRF. Feitas essas considerações iniciais, passarei a analisar cada um dos grupos de despesas. Cumpre registrar que o contribuinte nada alegou em relação às despesas com aluguel, razão pela qual esses valores vão ser considerados não impugnados, sendo, consequentemente, considerado procedente o lançamento em relação a este ponto. 1. Despesas com Viagem – Contas 3211011400 e 3211020300 O contribuinte trouxe aos autos diversos comprovantes de aquisição de passagens aéreas e justifica que essas despesas são necessárias à empresa na medida em que se referem ao deslocamento de funcionários com o intuito de atender a clientes situados em outras localidades. A questão da dedutibilidade de despesas com viagem já foi debatida por este Colegiado em diversas oportunidades. Entendese que serão dedutíveis as despesas comprovadas com documentação idônea e que estejam ligadas à atividade empresarial. Não basta trazer aos autos boletos de pagamento à Rondini Viagens e Turismo Ltda., sem identificação, ao menos, de quais produtos ou serviços foram adquiridos. Resta ao contribuinte comprovar a importância dessas viagens para seus negócios, demonstrando o destino das viagens e quais colaboradores viajaram a pedido da empresa, bem como é preciso relacionar os motivos que ensejaram a necessidade dessas viagens. Nesse sentido, já se manifestou este Colegiado em outras oportunidades: (...) DESPESAS DE VIAGEM. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Tratandose de gastos com viagem, para fins de dedução, não basta que sejam apresentam elementos que demonstrem que a despesa foi efetivamente paga, é essencial que sejam reunidos ao processo documentos que comprovem que o dispêndio era necessário à fonte produtora dos rendimentos. 3 3 ACÓRDÃO 1301001.346 – 1ª Seção – 3ª Câmara – 1ª Turma Ordinária – Sessão de 06/11/2013 Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 18471.002105/200454 Acórdão n.º 1301002.130 S1C3T1 Fl. 1.512 7 Considero, portanto, correta a glosa dessas despesas por não estarem atendidos os requisitos de dedutibilidade exigidos pelo art. 299 do RIR/99. 2. Despesas com Conservação de Veículos, Despesas com Veículos e IPVA – contas 3211040500 e 3211030400 Nos termos do art. 13, III, da Lei nº 9.249/95, as despesas com conservação, manutenção, seguros e quaisquer outros gastos com bem móveis somente podem ser deduzidas na apuração do lucro real e da CSLL caso estejam intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Confirase: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; O contribuinte alega que a empresa despendia somente R$ 122,51 por mês com cada veículo, o que comprova que não haveria abuso na utilização destas despesas. Ademais, sustenta que os veículos são utilizados na área produtiva, comercial e gerencial da empresa, sendo que após o término do expediente, todos os veículos permanecem no pátio da empresa. O fato de as despesas serem de pequena monta e a simples alegação de ligação com a atividade da empresa não elide a necessidade de que seja devidamente comprovada a sua necessidade, normalidade e usualidade. O contrato de locação acostado às fls. 915/923 não demonstra que os veículos permanecem na empresa depois do expediente. Não há, sequer, menção à existência de nove vagas de garagem. Não merece, portanto, guarida as alegações da Recorrente, pois não restou comprovada a relação intrínseca dessas despesas com a produção ou comercialização dos bens e serviços, devendo ser mantida a autuação neste ponto. 3. Despesas de Corretagem e Seguro – Contas 3216052300, 3211050100 e 3211010102 Apesar de suas alegações, o contribuinte, em momento algum, trouxe aos autos quaisquer documentos que comprovem que as referidas despesas referemse a pagamento de seguros de veículos. Além disso, não há, também, qualquer documentação que comprove a necessidade destes veículos no desenvolvimento da atividade empresarial. Entendo ser correta a glosa destas despesas. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 18471.002105/200454 Acórdão n.º 1301002.130 S1C3T1 Fl. 1.513 8 Em razão da íntima relação de causa e efeito com o auto de infração de IRPJ e de CSLL, e não tendo o contribuinte esforçadose para demonstrar quem são os beneficiários dos pagamentos ou a incorporação dessas despesas em seus salários, o lançamento de IRRF deve seguir a mesma sorte em relação ao decidido para as autuações de IRPJ e CSLL. Assim sendo, deve permanecer a exigência de IRRF sobre as seguintes contas: Despesas com Conservação de Veículo, Despesas Com Veículos, Despesa de Corretagem, Despesa de Seguros, Despesa de Aluguel e IPVA, para os quais o contribuinte não trouxe aos autos documentos que comprovassem a realização, causa e beneficiários dos referidos pagamentos. Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negar lhe provimento, mantendose o lançamento fiscal, conforme decidido no Acórdão exarado pela DRJ. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 10469.721463/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. CONTRADIÇÃO AFERIDA A PARTIR DE PARÂMETROS EXTERNOS. ERRO NA APRECIAÇÃO DA PROVA OU NA APLICAÇÃO DO DIREITO. NÃO CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração, além das hipóteses de omissão e obscuridade do acórdão, quando este apresentar contradição entre seus fundamentos ou entre os fundamentos e a parte dispositiva, não desafiando embargos declaratórios a contradição verificada a partir de parâmetros externos à decisão, bem como para obter novo julgamento, ou corrigir eventuais erros no exame da prova ou na aplicação do direito.
ERRO NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. VÍCIO MATERIAL.
O erro na determinação da data da ocorrência do fato gerador não constitui vício formal nem inexatidão material, mas vício substancial decorrente da imputação de prática de ato não ocorrido, a repercutir na autuação, que, desse modo, não pode prosperar, em razão da inexistência de fundamento fático.
DECISÃO. DESNECESSÁRIO O EXAME EXAUSTIVO DE TODOS OS PONTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO.
É válida a decisão que, embora não examinando de forma expressa e exaustiva todas as alegações e fundamentos trazidos pelo contribuinte, esteja apoiada em fundamentos válidos e suficientes para dar respaldo à decisão e apresente uma resposta à pretensão trazida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1301-002.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para sanando as omissões apontadas: (i) afastar do lançamento de imposto de renda na fonte os valores para os quais a diligência identificou divergência na data da ocorrência do fato gerador; e (ii) afastar do lançamento de imposto de renda na fonte o valor de R$ 101.086,92 (reajustado), relativo ao débito em conta corrente de R$ 65.706,50, em 13/05/2005. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que atribuía efeitos infringentes em menor extensão quanto ao ponto (i). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araujo Macedo e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Interessado CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. CONTRADIÇÃO AFERIDA A PARTIR DE PARÂMETROS EXTERNOS. ERRO NA APRECIAÇÃO DA PROVA OU NA APLICAÇÃO DO DIREITO. NÃO CABIMENTO. Cabem embargos de declaração, além das hipóteses de omissão e obscuridade do acórdão, quando este apresentar contradição entre seus fundamentos ou entre os fundamentos e a parte dispositiva, não desafiando embargos declaratórios a contradição verificada a partir de parâmetros externos à decisão, bem como para obter novo julgamento, ou corrigir eventuais erros no exame da prova ou na aplicação do direito. ERRO NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. VÍCIO MATERIAL. O erro na determinação da data da ocorrência do fato gerador não constitui vício formal nem inexatidão material, mas vício substancial decorrente da imputação de prática de ato não ocorrido, a repercutir na autuação, que, desse modo, não pode prosperar, em razão da inexistência de fundamento fático. DECISÃO. DESNECESSÁRIO O EXAME EXAUSTIVO DE TODOS OS PONTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. É válida a decisão que, embora não examinando de forma expressa e exaustiva todas as alegações e fundamentos trazidos pelo contribuinte, esteja apoiada em fundamentos válidos e suficientes para dar respaldo à decisão e apresente uma resposta à pretensão trazida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 14 63 /2 01 0- 45 Fl. 4767DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.768 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para sanando as omissões apontadas: (i) afastar do lançamento de imposto de renda na fonte os valores para os quais a diligência identificou divergência na data da ocorrência do fato gerador; e (ii) afastar do lançamento de imposto de renda na fonte o valor de R$ 101.086,92 (reajustado), relativo ao débito em conta corrente de R$ 65.706,50, em 13/05/2005. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que atribuía efeitos infringentes em menor extensão quanto ao ponto (i). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araujo Macedo e José Roberto Adelino da Silva. Fl. 4768DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.769 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA. contra o Acórdão nº 1301001.921 (fls. 4.624 a 4.638), da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 INEXATIDÕES MATERIAIS E ERROS DE CÁLCULO. APRECIAÇÃO DE FATOS E DOCUMENTOS. Na circunstância em que a autoridade julgadora, emprestando significativa elasticidade ao princípio da verdade material, eis que nenhuma documentação foi apresentada no curso da ação fiscal e nem mesmo aportada aos autos por meio da peça impugnatória, decide pela conversão do julgamento em diligência para que documentos trazidos ao processo até a data do julgamento em segunda instância sejam apreciados, a referida verificação deve limitarse à confirmação, ou não, da ocorrência de inexatidões materiais e erros de cálculo, capazes de alterar os lançamentos tributários efetivados, não cabendo à autoridade responsável pelo procedimento requisitado pronunciarse sobre questões de mérito. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. PRESUNÇÕES LEGAIS. APLICAÇÃO CONJUNTA. POSSIBILIDADE, As presunções estampadas no art. 42 da Lei n° 9.430/96 (omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada) e no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995 (incidência de imposto de renda na fonte nos casos de ausência de comprovação da operação, da sua causa ou a identificação de beneficiários de pagamentos), cuidam de situações absolutamente distintas, inexistindo óbice de qualquer natureza acerca da possibilidade de serem aplicadas conjuntamente. Na primeira (depósitos bancário), o titular dos créditos bancários ingressa na relação jurídicotributária como contribuinte, com base na imputação, por presunção da lei, de que omitiu receitas. A segunda, trata de incidência de imposto na fonte, também por presunção, na circunstância em que não for comprovada a Fl. 4769DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.770 4 operação ou a sua causa, ou, ainda, em que não restarem identificados os beneficiários dos pagamentos, mas, neste caso, a fonte pagadora ingressa na relação jurídicotributária como responsável, haja vista o pressuposto de que os recursos percebidos pelo destinatário eram passíveis de tributação. DECADÊNCIA. Na ocorrência de dolo. fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributado Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesse caso, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). A expressão EXERCÍCIO a que alude o referido comando legal só pode ser concebido como o ano posterior ao correspondente ao da concretização das hipóteses de incidência, pois, em conformidade com a lei (art. 175 da Lei n° 6.404, de 1976), o exercício social tem duração de um ano. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de tributos ou contribuições cuja exigibilidade encontrase suspensa, diante do fato de que, nessa situação, a obrigação passa a ser incerta, visto que dependente do crivo da autoridade julgadora competente, já não cabe mais falar em despesa incorrida, pois estará ela sujeita a uma manifestação futura acerca da sua própria existência. Indedutíveis, pois, ex vi do disposto no parágrafo 1º do art 41 da Lei n° 8.981/95, o PIS e a COFINS, lançadas por via reflexa e contestadas administrativamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator. Sustenta a embargante que o acórdão contém inexatidões materiais, omissões e contradições, que se evidenciam quando confrontado o acórdão com o resultado da diligência requisitada pelo órgão prolator da decisão. O presente processo tem por objeto a exigência de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IR na fonte, no montante de R$ 14.576.811,80 apurado a partir do exame de extratos bancários. A autoridade lançadora, no relatório de fls. 413 a 437, afirmou que a autuada se valera de uma pessoa jurídica fictícia, denominada Free Way Fomento Mercantil Ltda., por cuja conta bancária, aberta originalmente no BCN e depois transferida para o Banco Bradesco, fez passar copiosa movimentação financeira. A partir da constatação desse fato e, considerando que a contribuinte, embora intimada a fazêlo, não comprovou a origem dos valores depositados na conta bancária por ela movimentada, a Fiscalização, com fulcro na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, lavrou autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Fl. 4770DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.771 5 Examinando os lançamentos a débito na mesma conta bancária, a Fiscalização apurou pagamentos sem causa a pessoas não identificadas, o que deu ensejo à exigência de IR na fonte. Irresignada, a contribuinte impugnou os lançamentos, arguindo preliminarmente decadência. Disse que os documentos não foram apresentados à autoridade fiscal por motivo de força maior, uma vez que a instituição financeira não remetera os documentos solicitados. No mérito, alegou que os valores que transitaram pela conta bancária estariam vinculados a operações de factoring. Aduziu que não foram consideradas nos lançamentos as despesas bancárias, nem a dedutibilidade do PIS e da Cofins. A 3ª Turma da DRJ Recife, no Acórdão nº 1138.066 (fls. 2.162 a 2.169), negou provimento à impugnação. Foi interposto recurso volutário. Nele, a contribuinte reiterou a impossibilidade de apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização, mas afirmou que antes do julgamento pela DRJ, já haviam sido apresentados vários documentos, que não foram considerados por aquele órgão julgador, o que caracterizaria cerceamento de direito de defesa e contrariedade ao princípio da verdade material. Além disso, a decisão da DRJ teria inexatidões materiais e erros de cálculo, devendo por essa razão ser anulada, para que outra fosse proferida. Arguiu decadência e a ilegalidade do lançamento feito com base em depósitos bancários. No mérito, alegou que a movimentação financeira tem sua origem em operações de factoring, as quais só podem ser tributadas pela diferença entre o valor pago e o recebido. Disse ainda que deveriam ser admitidos como dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores correspondentes a despesas bancárias e os relativos ao PIS, à Cofins e aos juros respectivos. Questionou, por último, a aplicação de multa qualificada. A Resolução nº 1301000.190 (fls. 3.548 a 3.552) converteu o julgamento em diligência, a fim de que a unidade de origem analisasse a documentação acostada aos autos. A Resolução indicou especificamente os documentos que haviam de ser examinados. Elaborado o relatório, com as conclusões da diligência, dele deveria ser intimada contribuinte para, querendo, se manifestar. Conforme consta do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 4.512 a 4.529), alguns depósitos tiveram a sua origem vinculada a operações de factoring, e alguns valores debitados na conta tiverem os respectivos beneficiários identificados. A contribuinte, ao se manifestar sobre tais conclusões, se ateve basicamente a contestar o fato de que vários documentos deixaram de ser analisados na diligência. Devolvidos os autos ao CARF, foi proferido o Acórdão nº 1301001.921 (ementa acima transcrita), dando parcial provimento ao recurso, apenas para excluir os valores apontados no relatório da diligência. Em face dessa decisão, foram interpostos embargos declaratórios. A embargante alega terem ocorrido inexatidões materiais. Disse que o relatório de diligência afirma a comprovação documental de que o pagamento da quantia de R$ 65.706,50 é relativo a contrato de factoring. Todavia, não obstante essa conclusão, o próprio relatório de diligência Fl. 4771DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.772 6 deixou de excluír esse valor. Portanto, pede a embargante que seja excluído o valor correspondente ao IR na fonte de R$ 35.380,42. Alega omissão do acórdão embargado que, mesmo tendo acolhido o resultado da diligência e reconhecido as inexatidões materiais, não cancelou o lançamento. Relativamente ao erro de datas de alguns débitos na conta bancária, reconhecido no relatório de diligência, disse que em razão da decadência já não se mostra possível qualquer retificação, mas apenas o cancelamento. A esse respeito, o acórdão embargado silenciou. Existiriam, por outro lado, omissões e contradiões entre a decisão e seus fundamentos, relativamente aos documentos apresentados pela embargante, mas não apreciados, apesar da determinação do colegiado nesse sentido e apesar de os documentos terem sido apresentados até a data da resolução CARF nº 1301000.190. Disse ainda que o Acórdão nº 1301001.921, ao acolher as concluões do relatório de diligência, sem qualquer restrição, incorreu nos mesmos erros do relatório, vez que deixaram de ser apreciados dezesseis adendos (contendo documentos), remetidos à Receita Federal até 11/03/2014. Apontou também equívocos e contradições entre o relatório da diligência e a prova dos autos; bem como, equívocos e contradições entre as conclusões do acórdão e o relatório da diligência. Aduziu que os equívocos e as contradições inerentes ao relatório de diligência se comunicam com o acórdão embargado, já que este acolheu, sem alterações, as conclusões do relatório. Afirmou a embargante que o acórdão embargado deixou de examinar o ponto suscitado no título III do recurso voluntário, itens 104 a 141. Constatouse, nesse ponto, a manutenção do lançamento, abrangendo tanto depósitos, quanto cheques pagos, em divergência com a orientação oficial da Receita Federal, expressa por meio do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 051/1994, que esclarece, para as empresas de factoring, que a receita nessa atividade é a diferença entre a quantia expressa no título adquirido e o valor pago. A síntese dos embargos de declaração está naquilo que a embargante chama de cinco verdades incontestáveis, conforme abaixo reproduzido: "Conforme já exposto nos TÍTULOS XI e XII destes embargos, existem cinco verdades incontestáveis, confirmadas pelas provas nos autos: a) A diligência fiscal confirmou a existência e acolheu, como legítimas, diversas operações de factoring; b) O acórdão confirmou, de forma integral, as conclusões da diligência, quando concluiu: 'Acolho, por inteiro, o pronunciamento da autoridade responsável pela diligência,...' c) Contraditoriamente a essas 2 verdades, o julgador não reconheceu esses fatos, quando afirmou que 'não existe suporte que autorize presumir que as movimentações correspondentes dizem respeito a operações de FACTORING'. d) Confirmandose a existência de contratos de factoring, aplicase o disposto na orientação oficial da SRF, através do ADN COSIT N°051, de 28/9/1994. Fl. 4772DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.773 7 e) A jurisprudência do CARF é unânime, ao decidir que, quando a empresa se dedica à atividade de factoring, deve ter seus lucros tributados, pelo valor do deságio nas operações contratadas e não pelo montante dos depósitos tidos como omitidos, pois 'não há como admitir que os depósitos bancários, sem origem comprovada, reflitam a receita sonegada, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou prestadoras de serviços'. (fl. 4.715) Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 4.764 a 4.765. É o relatório. Fl. 4773DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.774 8 Voto Vencido Conselheiro Roberto Silva Júnior, Relator. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e os seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual a turma deveria pronunciarse. São inadmissíveis, entretanto, quando o objetivo que se persegue é um novo julgamento; ou quando se pretende rediscutir matérias já examinadas, corrigir erro na valoração da prova ou na aplicação do direito. Também são incabíveis embargos declaratórios nos casos em que a contradição apontada não for interna à própria decisão, ou seja, quando não envolver choque entre os seus fundamentos ou choque entre estes e a parte dispositiva da decisão. Portanto, não abre espaço aos embargos contradição entre a decisão e as provas, ou entre a decisão e relatórios, pareceres, orientações ou qualquer outra peça que esteja nos autos. Examinando, com base nesses parâmetros, os embargos opostos pela contribuinte, concluise que eles não podem ser acolhidos. É que a embargante aponta como contradição e omissão o fato de o auditor fiscal responsável pela diligência não ter examinado todos os documentos apresentados até a data da Resolução nº 1301000.190. Se esse fato tivesse efetivamente ocorrido, ele comprometeria a diligência como instrução probatória e, talvez, comprometesse também o acórdão, mas não pelos vícios de omissão, contradição ou obscuridade, que são os únicos que dão ensejo a embargos de declaração. Portanto, embargos de declaração não seriam o meio adequado para atacar o suposto problema. Porém, o auditor fiscal responsável pela diligência não cometeu o erro que a embargante está atribuindo a ele. O auditor fez exatamente aquilo que dele foi pedido. A Resolução nº 1301000.190 não determinou que se examinassem todos os documentos, nem fixou data ou marco temporal. A resolução foi específica, indicando os documentos a serem examinados pelos números das folhas em que se encontravam. Observemse os termos em que a diligência foi solicitada: Norteado pelo princípio da verdade material, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade administrativa de origem promova a análise da documentação constante das folhas a seguir especificadas (numeração do arquivo digitalizado), devendo reunir em relatório as conclusões extraídas da análise que ora se requer e oferecer prazo para que a contribuinte, se quiser, aditar razões. (g.n.) Fls. 547/594; 596/638; 644/701; 709/756; 759/959; 965/1013; 1017/1157; 1160/1388; 1392/1553; 1557/1683; 1688/2028; 2033/2160; 2186/2193; 2197/2215; 2219/2268; 2272/2302; 2342/2357; 2489/2732; 2736/2750; 2753/2800; 2803/3003; 3008/3169; 3173/3401; 3406/3546. (fl. 3.552) A diligência cingiuse ao que foi especificado. O auditor fiscal se ateve ao exame daquilo que foi pedido. Os documentos que estavam fora daquela relação não deveriam Fl. 4774DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.775 9 mesmo ser examinados. Ainda que o auditor fiscal quisesse, não poderia ir além do que fora determinado. Talvez a Resolução nº 1301000.190 devesse ser mais abrangente. Porém, ser mais abrangente ou mais restrito na diligência é critério de decisão que não pode ser questionado, nem revisto em sede de embargos declaratórios. É possível que a 2ª Turma Ordinária, ao adotar essa postura, tenha levado em conta o fato de o procedimento de fiscalização ter se iniciado em dezembro de 2007 (fl. 2). Não obstante, no final de 2010, quando a contribuinte apresentou impugnação, não o fez acompanhada de todos os documentos probatórios, que foram sendo apresentados de forma parcial, de tal modo que até 2014, quando da Resolução nº 1301000.190, ainda havia documento a ser apresentado. É difícil imaginar que uma entidade empresarial necessite de mais de seis anos para reunir documentos fiscais e contábeis que, em tese, deveriam estar em seu poder. Por mais que se prestigie a busca da verdade material, é preciso estabelecer um limite para a aceitação de documentos apresentados extemporaneamente. A Resolução nº 1301.000.190, certo ou errado, estabeleceu um, cuja validade e adequação não podem ser examinadas aqui. A embargante apontou a existência de erros nas datas em que determinados débitos na conta bancária, tidos pela Fiscalização como pagamento sem causa a beneficiário não identificado, foram considerados no lançamento. Tais incorreções, embora confirmadas no relatório de diligência, foram ignorados pelo acórdão embargado. Tem razão a embargante quanto à existência do erro, mas não quanto às consequências que ela supõe advirem desse erro, que consiste em mera inexatidão material devida a erro de digitação. Consta do Relatório Fiscal de Diligência a seguinte conclusão (fls. 4.512 a 4.529): Analisando os lançamentos efetuados pela fiscalização e confrontandoos com os extratos bancários, identificamos que as datas dos débitos efetuados na conta corrente estão de acordo com o informado pelo contribuinte no adendo 23. Dessa forma, elaboramos a planilha abaixo indicando o valor tributado, data considerada pela fiscalização no auto de infração e a data correta do efetivo débito em conta corrente; (fl. 4.526) (g.n.) Dados do auto de infração Dados do extrato bancário Data Valor Data Valor 28/02/2005 96.201,50 01/03/2005 96.201,50 28/02/2005 23.139,72 01/03/2005 23.139,72 28/02/2005 113.926,54 01/03/2005 113.926,54 28/02/2005 4.191,22 01/03/2005 4.191,22 28/02/2005 6.735,18 01/03/2005 6.735,18 Fl. 4775DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.776 10 28/02/2005 4.000,00 01/03/2005 4.000,00 31/03/2005 7.465,60 01/04/2005 7.465,60 31/03/2005 7.000,00 01/04/2005 7.000,00 31/03/2005 20.052,00 01/04/2005 20.052,00 29/04/2005 40.000,00 02/05/2005 40.000,00 29/04/2005 10.382,28 02/05/2005 10.382,28 29/04/2005 7.500,00 02/05/2002 7.500,00 27/06/2005 4.000,00 01/07/2005 4.000,00 29/06/2005 5.506,00 04/07/2005 5.506,00 (fl. 4.526) A Fiscalização identificou o erro mediante o confronto do auto de infração de Imposto de Renda na fonte com os extratos bancários. O equívoco igualmente se evidencia pelo exame da "RELAÇÃO DOS CHEQUES DEBITADOS DA CONTA 135933 DO BRADESCO" (fls. 17 a 24), anexa ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 0002 (fls. 8 a 9). Na referida relação, os valores discriminados no quadro acima estão, no que tange às datas, em conformidade com os extratos. Notase, pois, que o problema se deve a erro de digitação ocorrido no momento de elaborar o auto de infração. Mais precisamente, no momento de transferir (digitar) os dados de uma tabela para outra. É tipicamente uma inexatidão material, cuja correção se poderia fazer até de ofício pela autoridade lançadora, na forma do art. 32 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Tendo em vista a alegação da embargante de que já não caberia corrigir o lançamento, dado o decurso do prazo decadencial, restando ao órgão julgador apenas anular do ato administrativo, importa dizer que o erro de digitação aqui verificado não alterou o valor do tributo devido (IR na fonte), nem o valor da multa, que permanecem inalterados, mesmo depois da correção do erro. A consequência que essa inexatidão projetou sobre o crédito tributário restringese aos juros, cujo termo inicial, relativamente àqueles débitos, foi antecipado em um mês, de modo que o valor que se referia a março foi imputado ao mês de fevereiro e assim sucessivamente, como demonstra o quadro acima. Esse erro pode ser corrigido, independentemente do decurso do prazo decadencial, que só seria óbice à realização de um novo lançamento ou de um lançamento complementar. Aqui não se trata de uma coisa, nem de outra, mas apenas de eliminar excesso de juros de mora. Portanto, a correção do erro deve ser determinada, a fim de imputar cada um dos valores a seu respectivo mês. A par dessa inexatidão, a embargante alegou que o relatório de diligência expressamente reconhecera que a documentação apresentada fora suficiente para comprovar que o débito de R$ 65.706,50 estava vinculado a contrato de factoring e, assim, não poderia ser tido como pagamento sem causa. Fl. 4776DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.777 11 Tem razão a embargante. O débito na conta corrente de R$ 65.706,50, feito em 13/05/2005, foi considerado como pagamento sem causa a beneficiário não identificado. Por isso, depois de reajustada a base de cálculo, o pagamento ingressou no lançamento por R$ 101.086,92, como se verifica da fl. 483 do auto de infração de IR na fonte (fls. 466 a 506). Entretanto, na diligência, o auditor fiscal entendeu ter sido demonstrado que um contrato de factoring era a causa do pagamento. Estes são os termos do relatório: Itens 2729 (R$ 69.000,00) – tendo havido a comprovação documental do pagamento de contrato de factoring, será excluído da tributação sobre pagamento a beneficiário não identificado o valor de R$ 65.706,50; as duplicatas recebidas em contrapartida do citado contrato não foram tributadas como omissão de receita, portanto, não há alteração a ser feita nesse lançamento; (fl. 4.518) Embora o relatório expressamente declarasse que a causa do pagamento estava demonstrada, não foi o valor (nem o líquido, nem o reajustado) inserido no quadro que relacionava os pagamentos cujos beneficiários haviam sido identificados (fl. 4.529). O acórdão embargado adotou todas as conclusões do relatório de diligência e, para especificar aquilo que havia de ser executado pela unidade local, reproduziu os quadros em que as alterações estavam consolidadas. Porém, ao fazêlo, trouxe para o voto condutor da decisão o mesmo erro contido no relatório de diligência. Tratase, pois, de inexatidão material que decorre, tanto quanto a anterior, de erro de digitação. Por conseguinte, deve ser excluído do lançamento do Imposto de Renda na fonte o valor de R$ 101.086,92 (base de cálculo reajustada). A embargante sustenta, ainda, que o Acórdão nº 1301001.921 deixou de examinar a alegação de que a Receita Federal, mediante o ADN Cosit nº 051/1994, explicitou que a receita proveniente da atividade de factoring é a diferença entre o valor de face indicado no título adquirido e o valor pelo qual se deu a aquisição. A omissão teria ficado evidenciada pelo fato de que a diligência reconhecera que alguns valores que transitaram pela conta bancária tinham origem em operações desse tipo. A alegação não procede. Os valores que foram associados a operações de factoring foram integralmente excluídos da tributação, conforme se vê do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 4.512 a 4.529). Excluíramse os depósitos de origem comprovada e os pagamentos cuja causa se demonstrou. Remanesceram aqueles valores para os quais a embargante não logrou fazer prova da origem, no caso de créditos, nem da causa, no caso de pagamentos. Aliás, à mingua da comprovação da origem ou da causa, não se pode falar que os valores sejam decorrentes de operações de factoring ou de qualquer outro negócio jurídico. Notese que a empresa que tinha por objeto social a realização de operações de factoring era a entidade denominada Free Way Fomento Mercantil Ltda., empresa fictícia criada, segundo o relatório da Fiscalização, para fraudar o Fisco. Fl. 4777DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.778 12 A embargante, ao contrário, tinha por objeto social atividades tipicamente comerciais. Consta da DIPJ do ano base 2005 que a sua atividade econômica era o comércio atacadista de artigos de armarinho (fl. 88). Mas se isso não bastasse, ao examinar a cláusula primeira do Aditivo nº 03 Após Consolidação (fls. 75 e 76), que alterou o contrato social da embargante, percebese que entre as diversas atividades que constituem seu objeto não se acha a de factoring. CLÁUSULA PRIMEIRA DAS ALTERAÇÕES DE ENDEREÇO E OBJETIVO DA FILIAL A filial n° 04, com NIRE: 24900113731 e CNPJ: 08.326.720/000587, está situada na Av. Cap. Mor Gouveia, n° 1364 Cidade da Esperança CEP: 590704000 Nata/RN, e neste ato fica transferida para a Rua Leonel Leite, n.° 1377 Lojas Arco 204C, 205C e 206C Shopping 10 Alecrim CEP; 59037820 Natal/RN, e passa a ter o seguinte objetivo: Comércio varejista de miudezas, confecções, papelaria, tecidos, aviamentos, plásticos ferragens, perfumes, produtos de higiene pessoal, produtos de higiene e limpeza e conservação domiciliar, artigos para presentes, papel, papelão, cartolina, cartão e seus artefatos, artigos escolares e de escritório, brinquedos e artigos recreativos, alumínio, inox, artigos para os serviços de cama, mesa, copa e cozinha, utilidades domésticas, eletroportáteis, artigos de embalagens e descartáveis, equipamentos e suprimentos para informática. (fl. 75) (g.n.) Observese que o próprio relatório de diligência identificou como causa de alguns pagamentos a compra de mercadorias: Itens 1923 (R$ 3.806,86) tendo havido a comprovação documental do pagamento de compra de mercadorias, esse valor será excluído da tributação sobre pagamento a beneficiário não identificado; Itens 2427 (R$ 21.342,67) tendo havido a comprovação documental do pagamento de compra de mercadorias, esse valor será excluído da tributação sobre pagamento a beneficiário não identificado; (fl. 4.525) (g.n.) Como se constata, a embargante não tinha formalmente a atividade de factoring dentre as que constituíam seu objeto social. Mas, ainda que tal atividade fosse objeto social da empresa, a pretensão de tributar a diferença entre o valor de face do título e o valor pago por sua aquisição seria inviável, pois o percentual de desconto varia de acordo com alguns fatores, tais como o emitente e a espécie do título, o prazo para resgate, o grau de risco, os juros praticados pelas instituições financeiras etc. Por essas razões, a receita nas atividades de factoring só pode ser aferida diante do respectivo contrato. Mas se o contrato existisse e fosse apresentado, já não subsistiria o lançamento com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O tratamento tributário havia de ser o específico para aquele tipo de receita. Eis a razão pela qual o acórdão embargado não se deteve na análise desse ponto; afinal, os depósitos em conta bancária poderiam ser oriundos de qualquer atividade. Fl. 4778DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.779 13 Por fim, convém registrar que é pacífico o entendimento segundo o qual é desnecessário que, ao proferir a decisão, o órgão julgador aprecie expressamente todas as questões trazidas pela recorrente. Basta que existam fundamentos válidos e suficientes para dar respaldo à decisão, e que esta contenha uma resposta à pretensão deduzida pela contribuinte. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, apenas para corrigir as seguintes inexatidões materiais: a) vincular os valores considerados, no auto de infração de Imposto de Renda na fonte, como pagamento sem causa a beneficiário não identificado, às datas dos respectivos débitos em conta corrente, conforme demonstrado no quadro abaixo: Pagamento sem causa a beneficiário não identificado Data Valor Data Valor 01/03/2005 96.201,50 01/04/2005 7.000,00 01/03/2005 23.139,72 01/04/2005 20.052,00 01/03/2005 113.926,54 02/05/2005 40.000,00 01/03/2005 4.191,22 02/05/2005 10.382,28 01/03/2005 6.735,18 02/05/2002 7.500,00 01/03/2005 4.000,00 01/07/2005 4.000,00 01/04/2005 7.465,60 04/07/2005 5.506,00 b) excluir do lançamento de Imposto de Renda na fonte o valor de R$ 101.086,92 (reajustado), relativo ao débito em conta corrente de R$ 65.706,50, em 13/05/2005; No mais, ratificase a parte dispositiva do Acórdão nº 1301001.921, especificamente no tange à exclusão dos valores depositados na conta corrente cujas origens foram confirmadas, bem como a exclusões dos débitos que representam pagamentos oriundos de contratos de factoring, conforme demonstrado no acórdão. (assinado digitalmente) Roberto Silva Júnior – Relator Fl. 4779DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.780 14 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Coubeme a redação do voto vencedor, que se restringe às consequências da imputação de práticas tributadas em lançamento de ofício com embasamento no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, perante a alegação de que existe erro nas datas apontadas no auto de infração, para a ocorrência de tais práticas. Esclareçase, antes de tudo, que os fatos geradores de que se cogita referem se a lançamentos a débito no extrato da conta bancária nº 1359633, agência 3070, no Bradesco. Segundo a Embargante, há divergência entre as datas de realização dos citados lançamentos bancários e as datas consignadas no auto de infração, com referência às práticas tributadas na forma do artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, consoante o quadro a seguir: Dados do auto de infração Dados do extrato bancário Data Valor Data Valor 28/02/2005 96.201,50 01/03/2005 96.201,50 28/02/2005 23.139,72 01/03/2005 23.139,72 28/02/2005 113.926,54 01/03/2005 113.926,54 28/02/2005 4.191,22 01/03/2005 4.191,22 28/02/2005 6.735,18 01/03/2005 6.735,18 28/02/2005 4.000,00 01/03/2005 4.000,00 31/03/2005 7.465,60 01/04/2005 7.465,60 31/03/2005 7.000,00 01/04/2005 7.000,00 31/03/2005 20.052,00 01/04/2005 20.052,00 29/04/2005 40.000,00 02/05/2005 40.000,00 29/04/2005 10.382,28 02/05/2005 10.382,28 29/04/2005 7.500,00 02/05/2002 7.500,00 27/06/2005 4.000,00 01/07/2005 4.000,00 29/06/2005 5.506,00 04/07/2005 5.506,00 O fato gerador do IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 é o pagamento despido da comprovação da causa ou da operação, ou efetuado a beneficiário não identificado. O vencimento desse tributo coincide com o dia do pagamento da respectiva importância, a teor do § 2º do aludido artigo 61 da Lei nº 8.981/1995. Ressaltese, pois, que a lei destaca cada pagamento para a incidência tributária, vinculandoos a vencimentos diários, sempre coincidentes com as datas em que os correspondentes pagamentos foram efetuados: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Fl. 4780DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.781 15 § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” Nesse rumo, fica patente que o auto de infração tem o vício insanável de imputar à fiscalizada a prática de atos que não ocorreram, uma vez que não se provou terem ocorrido nas datas apontadas no auto de infração. E não se diga que aí teria havido vício formal ou inexatidão material sujeitos a correção. Vício formal consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato (artigo 2º, parágrafo único, letra “b”, da Lei nº 4.717/1965 Lei da Ação Popular). Podese dizer que o vício formal, segundo uma concepção restrita, é aquele que se verifica no próprio documento que exterioriza o ato administrativo, ou, segundo uma concepção ampla, é a mera desobediência ao rito procedimental, como ensina Maria Sylvia Zanella Di Pietro1: “Encontramse na doutrina duas concepções da forma como elemento do ato administrativo: 1. uma concepção restrita, que considera forma como exteriorização do ato, ou seja, o modo pelo qual se exterioriza; nesse sentido, falase que o ato pode ter a forma escrita ou verbal, de decreto, portaria, resolução etc; 2. uma concepção ampla, que inclui no conceito de forma, não só a exteriorização do ato, mas todas as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. “... É verdade que, na concepção restrita de forma, considerase cada ato isoladamente; e na concepção ampla, considerase o ato dentro de cada procedimento. Neste último, existe, na realidade, uma sucessão de atos administrativos preparatórios da decisão final; cada ato dever ser analisado separadamente em seus cinco elementos; sujeito, objeto, forma, motivo e finalidade. Por outro lado, inexatidão material é aquele equívoco que, uma vez corrigido, não altera o conteúdo da decisão2. A doutrina do Código de Processo Civil traz o exemplo clássico da inversão do nome das partes, quando o nome do autor é trocado pelo nome do réu, e viceversa. Alexandre Freitas Câmara descreve outra situação hipotética de erro material: quando, por exemplo, o juiz condena o réu a pagar R$ 20.000,00 ao autor, acrescidos da cláusula penal moratória de 10%, no total de R$ 24.000,00. Pela leitura da sentença, percebese o erro de cálculo, mas fica claro que o réu foi condenado a pagar R$ 20.000,00 acrescidos da 1 Direito administrativo, 12ª ed. São Paulo: Atlas, 2000, p. 192. 2 CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de processo civil, vol. I, 3ª edição. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 1999, p. 375/376. Fl. 4781DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.782 16 cláusula penal moratória de 10%, pouco importando, para a condenação, o erro matemático cometido pelo juiz3. Portanto, não é possível acolher a possibilidade de vício formal – já que não se vislumbra defeito no instrumento ou no procedimento – como também impende rechaçar a possibilidade de inexatidão material, considerando que a correção da data da ocorrência do fato gerador provocaria alteração no cômputo dos juros moratórios, a repercutir, indubitavelmente, no crédito tributário constituído de ofício. Ademais, sólida jurisprudência deste Conselho repudia a correção da data da ocorrência do fato gerador na instância julgadora, já que se trata de vício material: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A confusão na descrição do fato imponível e o erro na eleição da data do fato gerador caracterizam vícios substanciais do lançamento efetuado.” (acórdão nº 1102001.151, sessão de 30/07/2014, relator João Otávio Oppermann Thomé) “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal.” (acórdão nº 9101002.146, sessão de 07/12/2015, relator Rafael Vidal de Araújo) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a efetiva ocorrência de omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, cabe conhecer e acolher os embargos, para corrigila. IRPJ ERRO NA DETERMINAÇÃO DO FATO GERADOR 3 Idem. Fl. 4782DF CARF MF Processo nº 10469.721463/201045 Acórdão n.º 1301002.126 S1C3T1 Fl. 4.783 17 A data fato gerador do IRPJ, no caso de disponibilização de lucros acumulados durante o ano de 2001, por efetiva distribuição ou por eventos que causem a disponibilização de lucros acumulados, é 31/12/2001, tornando nulo por vício material o lançamento efetuado que considerou a data do fato gerador 31/12/2002.” (acórdão nº 1402001.367, sessão de 10/04/2013, relator Frederico Augusto Gomes de Alencar) Feitas as presentes considerações, acolho as razões da Embargante para afastar do lançamento de imposto de renda na fonte os valores para os quais a diligência identificou divergência na data da ocorrência do fato gerador. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 4783DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.733733/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
REVERSÃO DE PROVISÃO. DILIGÊNCIA. EFEITOS NO RESULTADO. DEDUÇÃO.
Uma vez provado em diligência que a contribuinte registrou provisões indedutíveis que geraram adições no Lalur para anulação dos efeitos contábeis de tais provisões e uma vez comprovado que, no momento da reversão das provisões e consequente anulação das despesas geradas em contrapartida no resultado, ela excluiu os respectivos valores para cancelar os efeitos das adições antes realizadas, não há o que reparar no Acórdão da DRJ, devendo ser mantido o cancelamento do Auto de Infração.
Numero da decisão: 1401-001.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas-Boas, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia de Carli Germano.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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Reversão de provisões. Recorrente Fazenda Nacional Interessado Unilever Brasil Gelados do Nordeste S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 REVERSÃO DE PROVISÃO. DILIGÊNCIA. EFEITOS NO RESULTADO. DEDUÇÃO. Uma vez provado em diligência que a contribuinte registrou provisões indedutíveis que geraram adições no Lalur para anulação dos efeitos contábeis de tais provisões e uma vez comprovado que, no momento da reversão das provisões e consequente anulação das despesas geradas em contrapartida no resultado, ela excluiu os respectivos valores para cancelar os efeitos das adições antes realizadas, não há o que reparar no Acórdão da DRJ, devendo ser mantido o cancelamento do Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso de Ofício. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 37 33 /2 01 2- 74 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar VillasBoas, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia de Carli Germano. Relatório Tratase de Recurso de Ofício em face de Acórdão nº 0958.032 da 1ª Turma da DRJ/JFA, que julgou, por unanimidade de votos, totalmente procedente a Impugnação da contribuinte. Valhome do Relatório do Acórdão da DRJ para a descrição inicial dos fatos: "Em decorrência da revisão da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário de 2009, contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre Lucro Líquido nos valores de R$ 12.994.864,30 e R$ 4.680.311,15, respectivamente, mais a multa de ofício de 75%, conforme enquadramento legal constante nos autos e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente, calculados até 01/2013. Do Termo de Informação Fiscal, consta, em síntese, o seguinte: o contribuinte foi intimado a justificar o valor de R$ 52.003.457,24 informado na Linha 69 “() Outras Exclusões”, da Ficha 09A – “Demonstrativo do Lucro Real – PJ em Geral”, da sua DIPJ 2010; em resposta, o contribuinte assim se expressou: “referese a exclusão dos saldos das provisões não dedutíveis, constantes do balanço de 31/12/08, os quais foram adicionados na base de cálculo do IRPJ no ano calendário de 2008. Por oportuno, vale destacar que os saldos das referidas provisões constantes do balanço de 31/12/2009 encontramse adicionados na linha 39 – ficha 09A, obtendose desta forma, pela diferença entre as duas linhas, o valor revertido ou efetivamente pago em 2009.”; que, embora o contribuinte tenha utilizado a linha 09A/69, é a linha 09A/40 que trata do assunto relativo às provisões não dedutíveis; que o contribuinte, ao contrário do determinado no MANFIS e no PERGUNTAS E RESPOSTAS da DIPJ 2010, tentou justificar a exclusão sob análise com base em valores que foram extraídos de contas patrimoniais (conclusão a que se chega quando comparamos o documento identificado por “A2” com os documentos identificados por “B12” a “B19”). Ele deveria ter demonstrado e comprovado quais contas de resultado, representativas das reversões das provisões não dedutíveis, foram creditadas, afetando assim positivamente no cálculo do lucro líquido; Cientificado em 13/03/2013, o contribuinte apresentou impugnação em 12/04/2013 (fls. 82/106), na qual alega, em síntese, o seguinte: I Da Tempestividade. II Dos Fatos. III – Preliminarmente: Do Cerceamento do Direito de Defesa – Presunções, Indícios, Incerteza dos Critérios para Autuação. que na descrição dos fatos e enquadramentos legais do auto de infração, deveria imputar com clareza os fatos incorridos pelo contribuinte; que nos itens 4.1.1 a 4.1.3 do auto de infração, o agente fiscalizador limitouse em discorrer sobre a suposta ilegalidade do fato, sem ao menos justificar seu posicionamento; Fl. 746DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10480.733733/201274 Acórdão n.º 1401001.673 S1C4T1 Fl. 7 3 que a base legal da eventual irregularidade apenas menciona o artigo 250, I do RIR, Decreto nº 3.000/1999; que a constituição do crédito tributário demonstrase em desacordo com os princípios que norteiam a administração pública, a qual de forma temerária transportou ao contribuinte a incumbência de identificar a eventual infração, havendo, portanto, claro cerceamento de defesa; IV – Do Mérito. que a fiscalização reconhece que o montante da provisão discutida fora efetivamente oferecido à tributação pelo IRPJ e pela CSLL nos anos calendários anteriores; que os saldos das contas patrimoniais de provisões existentes em 31.12.2009 já foram efetivamente tributados pelo IRPJ e pela CSLL em períodos anteriores, de maneira que as variações dessas provisões é que impactaram na apuração do IRPJ referente ao ano calendário de 2009; Para realizar esse procedimento, o Impugnante, na apuração do seu Lucro Real e de sua base de cálculo da CSLL, adiciona o valor das contas patrimoniais de provisão no ano corrente, na sua totalidade, e exclui da apuração dos tributos os valores dos saldos das contas patrimoniais de provisão do período anterior para que, desse modo, as variações das contas patrimoniais de provisão constituições adicionais ou reversões impactem as bases dos tributos. que o fato de não ter apresentado a variação dessas contas patrimoniais de provisões não dedutíveis em campo específico na DIPJ (5A/linha 24/25), mas sim no campo "outras exclusões", não resultou em nenhum prejuízo ao erário. que na apuração do IRPJ e da CSLL, o impugnante sempre exclui o saldo patrimonial das provisões do ano anterior, e tendo feito assim, obviamente, adiciona o saldo das contas patrimoniais de provisão. uma vez que a adição dos saldos patrimoniais das provisões não foi questionada, considerar isoladamente a exclusão (dos valores relativos ao ano anterior), significa fazer o contribuinte tributar duas vezes as contas patrimoniais de provisão, significa ainda que a base de cálculo dos tributos extrapola o lucro contábil da empresa, de onde parte o cálculo do IRPJ e CSLL. IV.1 Da possibilidade de exclusão dos valores de provisões não dedutíveis já tributados em períodos anteriores. IV.2 Necessidade da busca da verdade material no processo administrativo fiscal. que é imprescindível que o fisco observe que a sistemática de escrituração das provisões não dedutíveis, na DIPJ de 2009, não resultou em nenhum prejuízo ao erário, de maneira que é essa a premissa do caso em questão; IV.3 Sistemática de exclusão das provisões não dedutíveis realizadas durante o ano calendário de 2009. que Impugnante realizou o seguinte procedimento em sua escrita fiscal: (i) Exclusão do valor total dos saldos de contas patrimoniais de provisões do exercício imediatamente anterior (R$ 52.003.457,24); e (ii) Adição do saldo final das contas patrimoniais de provisões do exercício analisado (R$ 35.765.398,21); (iii) que a diferença de R$ 16.238.059,03 resultou em reversão; IV.4 Da necessidade de baixa dos autos em diligência para o alcance da verdade material. caso o órgão julgador entenda que os argumentos até aqui expostos não sejam suficientes para comprovar a necessidade de cancelamento do auto de infração, fazse necessária a baixa dos autos em diligência, visando à Fl. 747DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 4 conferência minuciosa das despesas incorridas pelo Impugnante objeto de glosa pela autoridade fiscal. que a falta de apresentação dos demais demonstrativos das contas restantes ocorreu única e exclusivamente pela falta de tempo hábil em levantar a documentação necessária, razão pela qual se mostra nítida a necessidade de os autos baixarem em diligência. V — Do Pedido. requer que o auto de infração seja anulado ou julgado improcedente; protesta pela juntada posterior de todos os documentos necessários à comprovação do alegado e que seja deferida a realização de perícia, quando então o impugnante indicará seu assistente técnico. requer que todas as intimações e notificações sejam encaminhadas ao seu procurador. A fim de possibilitar a adequada instrução do presente processo, propiciando as condições necessárias ao julgamento do contencioso administrativo, o processo retornou em diligência para a unidade de origem para que: seja verificado junto à contabilidade do contribuinte se efetivamente houve o reflexo nas contas de resultado dos lançamentos efetuados nas contas patrimoniais da tabela acima. seja confirmado que os R$ 35.765.398,21 estão incluídos no montante informado na Ficha 9A/linha 39 (outras adições) na DIPJ 2010, bem como correspondem a despesas de provisões indedutíveis. em face do apurado, se for o caso, seja refeito os cálculos dos tributos lançados de ofício. Cientificado do Termo de Diligência de folhas 275/276, o contribuinte apresentou alegações adicionais de defesa nas folhas 723/725, requerendo o cancelamento da exigência". O Acórdão da DRJ ficou, então, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IRPJ. REVERSÃO DE PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. EXCLUSÃO AUTORIZADA. Admitese que, na determinação do lucro real de um períodobase, seja excluída, do respectivo lucro líquido, a receita decorrente da reversão de provisão constituída no períodobase anterior que tenha sido objeto de ajuste, por adição, na apuração do lucro real. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 INTIMAÇÕES NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. As intimações e notificações, no processo administrativo fiscal, devem obedecer às disposições do Decreto nº 70.235/72, devendo ser endereçadas ao domicílio fiscal do sujeito passivo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" Em decorrência do provimento da Impugnação, no próprio Acórdão a DRJ consignou, conforme determina a legislação, que estaria sendo interposto o Recurso de Ofício em face do julgamento pela procedência total da Impugnação. É o relatório. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 10480.733733/201274 Acórdão n.º 1401001.673 S1C4T1 Fl. 8 5 Voto Conselheiro MARCOS DE AGUIAR VILLASBÔAS Relator. Conforme mencionado no relatório, o Recurso de Ofício foi interposto em conformidade com a legislação, motivo pelo qual passo à sua análise. O caso é relativamente simples, pois, na diligência realizada por determinação da DRJ, ficou confirmado que as provisões apontadas pela contribuinte haviam sido adicionadas ao resultado dela num primeiro momento e que se tratavam de despesas indedutíveis, conforme trecho abaixo do Acórdão da DRJ que faz menção à diligência: "Para justificar a exclusão no Lalur, o contribuinte deve demonstrar que se trata de reversão de provisão que, quando constituída, foi adicionada no Lalur e tributada. Para isso, o procedimento pode ser um dos seguintes: a) Constituir provisão pela diferença para completar o novo saldo, e adicionar o respectivo valor no LALUR, sem nenhuma exclusão (quando o saldo aumentou), ou excluir (reversão) a diferença do valor no LALUR (quando o saldo diminuiu) ou, b) Reverter integralmente o saldo inicial (saldo final do ano anterior), excluí lo no LALUR, constituir nova provisão pelo saldo final e adicionála no Lalur. (o que é a mesma coisa que apenas adicionar/excluir a diferença). Tendo em vista não haver documentação suficiente para comprovar o alegado pelo contribuinte, foi solicitada diligência à unidade de origem e a autoridade fiscal informou que: Sobre o terceiro parágrafo, as folhas 272 do processo acima, onde a DRJ pede que seja verificado junto à contabilidade do contribuinte se efetivamente houve o reflexo nas contas de resultado dos lançamentos efetuados nas contas patrimoniais da tabela acima. Resposta: Temos a esclarecer que o contribuinte desta vez apresentou farta documentação onde demonstra que houve reflexos nas contas de resultado dos referidos lançamentos. Quando da fiscalização esta documentação não tinha sido apresentada, o que aconteceu agora. No quarto parágrafo as folhas 272, pede que seja confirmado que os R$ 35.765.398,21 estão incluídos no montante informado na Ficha 9A/linha 39 (outras adições) na DIPJ 2010, bem como correspondem a despesas de provisões indedutíveis. Resposta: O valor de R$ 35.765.398,21 está incluído no montante informado na ficha 9A linha 39, assim como correspondem as despesas de provisões indedutíveis, conforme ficou comprovado na documentação analisada e acostada ao presente. Dessa forma, comprovase que o valor de R$ 52.003.457,24 foi adicionado ao lucro líquido (Ficha 09A/linha 39) e na DIPJ 2010, anocalendário 2009, esse valor foi integralmente excluído (Ficha 09A/linha 69) e adicionado o valor de R$ 35.765.398,21 (Ficha 09A/linha 38 Total: R$ 36.642.703,46) (fl. 269)". Fl. 749DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 6 Após as respostas apresentadas pela diligência, a DRJ, com base em inúmeros precedentes do CARF que citou, decidiu por reconhecer o direito à exclusão dos valores correspondentes à reversão das provisões. Não há o que ser reformado no Acórdão da DRJ. De fato, restou comprovado em diligência que a contribuinte havia registrado provisões indedutíveis que afetaram o seu lucro real e, com a reversão das provisões, o efeito tem que ser uma espécie de "estorno" (reversão) dos efeitos antes produzidos, para que não haja tributação sem causa legítima. A título de fundamentação da correção do entendimento esposado pelo Acórdão da DRJ, acrescentase aos precedentes já citados por ela um breve trecho da ementa de um recente Acórdão desta mesma turma: "PROVISÃO PARA PERDAS PROVÁVEIS E PARA CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. Comprovada que a sistemática adotada pelo contribuinte de adição e exclusão de provisão não culminou com a dedução indevida de provisão indedutível, afastase a autuação, já que não houve lesão ao Fisco" (CARF, 1ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma, Acórdão nº 1401001.508, Rel. Fernando Mattos, Sessão de 21/01/2016). Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 750DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /08/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS
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