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Numero do processo: 15586.000451/2010-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008
FRAUDE. SIMULAÇÃO.
Glosase
os créditos calculados com base em notas fiscais emitidas para simular
aquisições de bens de pessoas jurídicas, quando se comprova que tais aquisições
foram efetuadas de pessoas físicas.
MULTA QUALIFICADA.
Restando comprovado o evidente intuito de fraude, mantémse
a multa de ofício
qualificada.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar quanto à inconstitucionalidade da lei
tributária. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível a exigência dos juros de mora com base na variação da taxa Selic nos
autos de infração lavrados pela Receita Federal. Súmula CARF nº 4.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.522
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do
julgamento em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, que se declarou impedido de
votar.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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SIMULAÇÃO. Glosase os créditos calculados com base em notas fiscais emitidas para simular aquisições de bens de pessoas jurídicas, quando se comprova que tais aquisições foram efetuadas de pessoas físicas. MULTA QUALIFICADA. Restando comprovado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa de ofício qualificada. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar quanto à inconstitucionalidade da lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a exigência dos juros de mora com base na variação da taxa Selic nos autos de infração lavrados pela Receita Federal. Súmula CARF nº 4. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, que se declarou impedido de votar. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Fl. 3198DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de autos de infração lavrados para exigir o PIS e a Cofins no regime não cumulativo, por falta de recolhimento das contribuições nos períodos de apuração compreendidos entre setembro de 2007 e dezembro de 2008. A falta de recolhimento decorreu de glosa de créditos fictícios calculados com base nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 e de glosa do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/04. Segundo o relatório fiscal (fls. 1833 a 2046), foi glosado o crédito relativo às aquisições de café de comerciantes atacadistas, pois o contribuinte, na realidade, adquiriu café de produtores rurais pessoas físicas e utilizou notas fiscais emitidas por aquelas empresas, as quais foram criadas unicamente para emitir notas fiscais, simulando aquisições de pessoas jurídicas, com a finalidade de se apropriar de créditos das contribuições no regime não cumulativo. Quanto às aquisições efetivamente ocorridas de pessoas físicas, foi glosado o crédito presumido a que se refere o art. 8º da Lei nº 10.925/04, sob o fundamento de que a autuada não aplica ao café nenhum dos procedimentos estabelecidos no § 6º do referido artigo. Cientificado dos autos de infração e do relatório fiscal por via postal em 11/06/2010 (fl. 2081), o contribuinte impugnou em tempo hábil os dois lançamentos, alegando, em síntese, que: 1) não existe ilegalidade em adquirir bens e serviços de pessoas jurídicas ao invés de produtor rural, a teor do que prescrevem os arts. 5º, II e 170 da CF/88, assim como as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03; 2) nos negócios celebrados tomou todas as precauções que se espera de uma empresa diligente e séria, exigindo notas fiscais das empresas com as quais transacionou; 3) as empresas com as quais negociou aparentavam ser idôneas e emitam notas fiscais de forma regular, de acordo com a legislação vigente; 4) essas empresas não podem ser desqualificadas como atacadistas pela diminuta estrutura física, pois o exercício da atividade atacadista independe do tamanho do estabelecimento e não exige que a empresa possua armazém, a teor do art. 14 do Decreto nº 7.212/10; 5) se os atacadistas foram constituídos de forma fraudulenta, a responsabilidade pelo fato cabe a eles e não às empresas com as quais celebraram negócios; 6) a opção pela negociação com empresas atacadistas e não diretamente com produtores rurais, visando a obtenção de créditos das contribuições sociais é absolutamente legal, constituindo o que se denomina planejamento tributário; 7) o planejamento tributário é uma atividade lícita, pois é admitida pelo ordenamento jurídico; 8) a conduta praticada pela recorrente não é tipificada como simulação, sendo inaplicável o art. 116, parágrafo único, do CTN. Tendo negociado diretamente com empresas atacadistas, sua conduta constitui forma de elisão fiscal e não simulação, pois em momento algum adquiriu café de produtores rurais; 9) o caso concreto não se enquadra no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, devendo a penalidade ser desqualificada para que o enquadramento da multa aplicada recaia sobre o percentual descrito no inciso I, ou seja, 75%; 10) a multa de 150% e a taxa Selic são inconstitucionais. A 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro II, por meio do Acórdão nº 33.444, de 17/02/2011, manteve o lançamento. O Acórdão recebeu a seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 Matéria não Impugnada Fl. 3199DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.000451/201061 Acórdão n.º 340301.522 S3C4T3 Fl. 2 3 Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Inconstitucionalidade. Julgamento Administrativo. Incompetência. Não compete à autoridade administrativa exercer controle de constitucionalidade de ato normativo legitimamente inserido no Ordenamento Jurídico, função própria, exclusiva e indelegável do Poder Judiciário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Ofício. Fraude. Qualificação. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. Taxa Selic Sobre os débitos para com a União, não quitados no prazo previsto pela legislação, incidirão juros de mora, calculados à taxa SELIC, acumulada mensalmente, nos termos do art 61 da Lei 9.430/96. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Planejamento Tributário. Não Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Impugnação improcedente.” Regularmente notificado daquele Acórdão em 12/04/2011, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 3103/3141, em 12/05/2011, onde basicamente reprisou as alegações oferecidas na impugnação. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário às fls. 3162 a 3193, informando que não houve impugnação e nem recurso quanto à segunda infração, glosa de créditos presumidos da Lei nº 10.925/04, pronunciandose pela manutenção do lançamento, tendo em vista que restaram comprovados os fatos narrados e a participação ativa da recorrente na fraude perpetrada. Fl. 3200DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Com o advento das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi instituído o regime não cumulativo como regra geral de incidência do PIS e da Cofins. O art. 3º, § 3º , I da Lei nº 10.637/02, instituiu o direito de o contribuinte apurar créditos sobre as aquisições de bens e serviços para serem descontados da contribuição devida, desde que tais aquisições fossem feitas perante pessoas jurídicas. Posteriormente esta previsão foi repetida no art. 3º, § 3º da Lei nº 10.833/03, quanto à Cofins. Para as empresas que negociam com o café em grãos essa situação permaneceu inalterada até o advento da Lei nº 10.925/04, quando foi criado um crédito presumido em relação às aquisições de pessoa física à alíquota equivalente a 35% da alíquota estabelecida para o cálculo do crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (art. 8º, § 3º, III da Lei nº 10.925/04). Portanto, a partir de 2002, sob o ponto de vista tributário, passou a ser mais interessante para a recorrente adquirir o café de pessoas jurídicas do que de pessoas físicas, o que de fato pode ter levado muitas empresas a terem efetuado planejamentos tributários com vistas a interpor mais um elo na cadeia produtiva, a fim de gerar os créditos aludidos no art. 3º § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Contudo, a situação neste processo nada tem a ver com planejamento tributário, como comprovam os depoimentos prestados nos autos, os documentos fiscais acostados e as demais circunstâncias de fato amplamente comprovadas pela fiscalização. Conforme revela o detalhado relatório fiscal, a origem da ação fiscalizadora foi o descompasso existente entre as movimentações financeiras e os valores declarados, nos anos de 2003 a 2006, por diversas empresas atacadistas de café em grão, que tinham em comum o fato de serem fornecedoras da TREVIZANI COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, ora recorrente. Os atos constitutivos de fls. 1769/1772 demonstram que a TREVIZANI COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA foi fundada por dois sócios: Jocimar Orlando Trevizani e Luiz Sérgio Trevizani, cada um com 50% do capital social. O objeto social da empresa é o comércio atacadista de café em grão. Os dois sócios da TEVIZANI COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, são também sócios da TREVIZANI CAFÉ LTDA, armazém geral, localizado no mesmo endereço da empresa autuada, conforme atos constitutivos de fls. 1745/1748. O exame dos documentos coligidos nas diligências efetuadas nas principais fornecedoras da recorrente às fls. 07 a 465 dos autos, revelam que, com exceção da Colúmbia Comércio de Café Ltda, criada em junho de 2001, as demais fornecedoras foram criadas entre Fl. 3201DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.000451/201061 Acórdão n.º 340301.522 S3C4T3 Fl. 3 5 os anos de 2002 e 2003, justamente quando entraram em vigor as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que instituíram o regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins. As empresas Colúmbia Comércio de Café Ltda. (fls. 07/90); Acádia – Comércio e Exportação Ltda (fls. 91/179); Do Grão Comércio e Exportação e Importação (fls. 171/270); L&L Comércio Exportação de Café Ltda (fl. 271/333); JC Bins – Cafeeira Colatina (fls. 334/406) e V. Munaldi – ME (fls. 407/465), todas fornecedoras da recorrente, movimentaram recursos financeiros que atingiram a cifra de bilhões de Reais entre 2003 e 2007, mas efetuaram recolhimentos insignificantes de tributos. Consta dos autos que a Colúmbia, a Do Grão, a L&L, a JC Bins e a V. Munaldi, nunca efetuaram nenhum recolhimento de tributos federais. Somente para citar o caso da empresa Colúmbia, consta dos autos que nos anos de 2003 a 2006 esta empresa apresentou movimentação financeira da ordem de R$ 397,8 milhões, mas declarou à Receita Federal que esteve inativa nos anos de 2004 e 2005 e que em 2006 teve receita igual a zero (fls. 47, 80 e 86 a 89). Além disso, o extrato do sistema SINAL demonstra que entre janeiro de 2003 e dezembro de 2009 não houve nenhum recolhimento de tributo federal efetuado por esta empresa (fl. 90). Mas a origem da movimentação financeira astronômica em suas contas é explicada no depoimento prestado às fls. 43/45 pelo sócio da Colúmbia, Antônio Gava, também conhecido como Bento. São dele as seguintes palavras: “(...) 4 Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída que vai para o real proprietário do café ou melhor o verdadeiro comprador de café; 5 O real comprador do café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; 6 Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Columbia e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais; (...)” Situação semelhante ocorreu nas outras fornecedoras da recorrente, conforme se pode verificar no relatório fiscal, cujas constatações estão devidamente amparadas na documentação acostada aos autos (fls. 1854 e ss.). Além dos fatos acima constatados, essas empresas fornecedoras não foram criadas a partir do livre acordo de vontades entre os sócios. Elas foram criadas com o objetivo deliberado de serem interpostas entre os produtores rurais e os verdadeiros compradores, que eram os interessados na sua criação para poderem se beneficiar dos créditos. No depoimento de fl. 257 o sócio de fachada da Do Grão, Alexandre Pancieri, declarou que: “(...) 2 Que a Do Grão foi constituída tendo como sócios o declarante e o Sr. Ricardo Vieira dos Anjos; que o declarante não sabe informar quem é o Sr. Ricardo Vieira dos Anjos; 3 Que a constituição da empresa foi feita a pedido do Sr. Luiz Fernando Mattede, sendo que não houve por parte do declarante qualquer aporte de capital na Do Grão;(...)” Fl. 3202DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O mesmo Luiz Fernando Mattede exercia a administração da Do Grão por procuração e foi um dos sócios fundadores da Acádia Comércio e Exportação (fls. 96/98), o outro fundador da Acádia foi Flávio Tardin Faria, que também era administrador da Do Grão. A Acádia teve uma movimentação financeira em suas contas de R$ 124 milhões nos anos de 2003 a 2006, mas apresentou um recolhimento insignificante de impostos federais. Luiz Fernando Mattede Tomazi é também sócio fundador da L&L Comércio e Exportação de Café Ltda (fls. 276/280), empresa que movimentou 107 milhões entre 2003 e 2006, e não recolheu nenhum centavo de imposto entre 2003 e 2009. Acrescentese a tudo isso que as empresas Do Grão, Acádia e L&L funcionam no mesmo prédio, junto com mais quatro empresas que foram fiscalizadas na mesma operação, quais sejam: Colúmbia, JC Bins, Stange’s Corretagem e V. Munaldi – ME. O depoimento prestado por Vilson Munaldi às fls. 436/438, sócio da V. MunaldiME, comprova inequivocamente que as empresas “fornecedoras” foram criadas apenas para simularem aquisições de café de pessoas jurídicas, encobrindo as operações reais que eram aquisições de pessoas físicas. São dele as seguintes palavras: “(...) 3 Que no período de 17/09/02 a 31/03/05 o declarante ficou desempregado e passou a fazer pequenos trabalhos temporários (biscates); 4 Que no período em que ficou desempregado o declarante foi procurado pelo Sr. Adelson Munaldi, contador, para a abertura de uma pessoa jurídica em nome do declarante; 5 Que foi constituída a firma individual V. Munaldi – ME em nome do declarante, que passou a figurar como titular da referida empresa, sendo que o verdadeiro proprietário é o Sr. Altair Braz Alves (...) 6 Que para figurar como titular da firma individual ALTAIR se comprometeu com o declarante a lhe proporcionar uma renda mensal no valor de um salário mínimo; 7 – Que ALTAIR BRAZ ALVES administrava empresa mediante procuração passada pelo declarante; (...)” No depoimento prestado às fls. 448/457, Altair Braz Alves confirmou as declarações de Vilson Munaldi, verbis : “(...) 12) Que após sair da NICHIO SOBRINHO CAFÉ o declarante ficou um período desempregado e depois constituiu a firma individual V. MUNALDIME, na qual figura como proprietário da empresa o Sr. Vilson Munaldi, mas que de fato o verdadeiro proprietário da firma é o declarante; 13) Que a empresa V. MUNALDIME nunca foi atacadista de café; que sequer atuou no seguimento de compra e venda de café; 14) Que a V. MUNALDIME foi criada unicamente com o objetivo de fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores (destinatários finais) de café; que o adquiriam diretamente dos produtores rurais; 15) Que a V. MUNALDIME recebia a nota fiscal do produtor rural por intermédio de um Officeboy do verdadeiro comprador de café, e, em seguida, emitia uma nota fiscal de entrada, e na mesma data, emitia uma nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador de café; (...) Fl. 3203DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.000451/201061 Acórdão n.º 340301.522 S3C4T3 Fl. 4 7 19) Que, na verdade, a operação de compra de café se dava diretamente entre o comprador final de café e o produtor rural, sendo que a V. MUNALDIME funcionava exclusivamente como repassadora de recursos financeiros das empresas compradoras de café para os produtores rurais; os quais recebiam os valores mediante depósitos em suas contas bancárias; 20) Os verdadeiros compradores de café remetiam os recursos financeiros para as contas correntes titularizadas em nome da V. MUNALDIME, que eram utilizadas para pagamento dos produtores rurais; (...) 22) Que o declarante nunca teve qualquer contato com produtores rurais no que tange às operações descritas nas notas fiscais do produtor, recebidas pela V. MUNALDIME; 23) Que o declarante informou que a V. MUNALDIME recebia em torno de R$ 0,35 (trinta e cinco centavos) a R$ 0,50 (cinquenta centavos), por saca de café, a título de comissão;(...)” Verificase que este depoimento não só descreve em detalhes o modo como a fraude era executada, mas também revela a forma como era feita a “remuneração” das empresas interpostas: não pelo preço corrente da saca de café, mas por meio de uma comissão consistente em um preço fixo por saca de café, pagos pelo verdadeiro comprador. O ganho das empresas fornecedoras não provinha do lucro da venda do café, mas sim de uma comissão pela emissão de notas fiscais baseadas num valor de pauta por saca de café. A fiscalização tomou depoimentos de vários corretores de café (fls. 515 a 610). Esses depoimentos são todos convergentes, no sentido de apontarem a existência de um “mercado de notas fiscais” para guiar o café dos produtores rurais, a exemplo do depoimento do corretor Arylson Storck de Oliveira, que às fls. 527/529 declarou o seguinte: “(...) 4) “pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o ‘mercado de nota fiscal’ chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café” ; (...)” Relativamente ao quesito conhecimento da fraude por parte da autuada, verificase que em depoimento pessoal à fiscalização (fls. 1708/1710), o próprio sócio, Jocimar Orlando Trevizani, declarou que realizou secagem e pilagem do café de produtores rurais; que o café ficou armazenado em seu depósito até o momento da venda; que Jocimar Trevizani conhece os representantes da Colúmbia, da WR DA SILVA e da V. MUNALDI; que constituiu a TREVIZANI COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA para atender a uma determinação das empresas compradoras de café; e que movimentou contascorrentes da Columbia e da WR DA SILVA. São de Jocimar Orlando Trevizani as seguintes palavras (fls. 1708/1710): “(...) 1) Que o declarante afirmou que é produtor rural na região de Vila Pavão e que possui um armazém e máquinas de pilar e secar café; que o armazém possui uma capacidade de 12.000 sacas de café; 2) Que o declarante afirmou que o seu armazém e secador de café são utilizados no beneficiamento de café de sua produção e de terceiros, produtores rurais da região (puxar, secar e pilar o café); Fl. 3204DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 (...) 5) Que, depois de pilado e ensacado, muitos produtores rurais deixam o café “encostado” no ARMAZÉM do declarante para que ele negocie em nome deles; (...) 7) Que após saber a melhor cotação do café junto aos corretores acima citados, o declarante entrava em contato diretamente com o Sr. Thiago Gava (WR DA SILVA), Sr. Guilherme Cassaro (CAFÉ BRASILE), Sr. Tadeu da CAFEJUTA (MIRANDA CAFÉ) para fechar a venda do café; 8) Que a conta corrente nº 10.1940, junto ao SICOOB NORTE – Vila Pavão em nome da COLUMBIA, foi utilizada pelo declarante para realizar pagamentos aos produtores rurais; que a referida conta corrente foi oferecida pelo Sr. Bento Gava, sendo que o mesmo deixava com o declarante talões de cheques e formulários de TED’s já assinados; que os cheques e TED’s eram preenchidos pelo declarante, pela Sra. Glaucinéia, esposa do declarante, e Sra Aparecida, cunhada do declarante; 9) Que o declarante também movimentou uma conta corrente em nome da WR SILVA, cujo número não se recorda no momento, aberta junto ao SICOOB de Nova Venécia; 10) Que o declarante afirmou que o Sr. Francisco, funcionário da SANTA CLARA em São Gabriel da Palha, alegou que a SANTA CLARA somente compraria café em nome de empresa do declarante, proprietário do armazém; 11) Que além da SANTA CLARA, outras empresas de fora do Estado, como SARA LEE, NESTLÉ, CACIQUE, MARATÁ, e outras, segundo informações repassadas pelo Sr. Fernando Alvarenga ao declarante, exigiram que a compra fosse efetuada em empresa constituída pelas pessoas que estavam intermediando a compra e venda de café do produtor rural, ou seja, empresa constituída em nome do MAQUINISTA; 12) Que em razão desses fatos o declarante constituiu a TREVIZANI COMÉRCIO DE CAFÉ, passando a operar ainda a partir do final de 2007; que a referida empresa realizou vendas, em sua maioria, para a SANTA CLARA, mas que já realizou venda para a CUSTÓDIO FORZZA; 13) Que os fornecedores da TREVIZANI COMÉRCIO DE CAFÉ são a WR DA SILVA, CAFÉ BRASILE e COLUMBIA, e que as mesmas oferecem prazo de pagamento de 10 a 12 dias, enquanto que os seus clientes SANTA CLARA e CUSTODIO FORZZA pagam a TREVIZANI, respectivamente, 2 dias e 1 dia, após a descarga; 14) Que o café que é fornecido pela WR DA SILVA, CAFÉ BRASILE e COLUMBIA é aquele do produtor rural que está encostado no armazém do declarante ou de terceiros (produtores rurais) que foram por eles beneficiados e descarregados no armazém do declarante; (...)” A movimentação de contas bancárias em nome da Colúmbia, por Jocimar Orlando Trevizani, foi confirmada nos depoimentos dos gerentes da SICOOB (Cooperativa de Crédito CentroNorte do Espírito Santo), que consta às fls. 491/493, verbis: “(...) 12. Que o declarante afirmou que o Sr. Jocimar Orlando Trevizani, apesar de não ser procurador da COLUMBIA, em algumas vezes, solicitava reserva de numerário para saques em espécie com cheques da COLUMBIA assinados pelos seus procuradores, cujos cheques eram endossados nos seus versos; (...) Fl. 3205DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.000451/201061 Acórdão n.º 340301.522 S3C4T3 Fl. 5 9 14. Que o declarante afirmou que as TED’s para pagamento de produtores rurais eram deixadas assinadas, em branco, por Antônio Gava e Thiago Gava para que a própria agência SICOOB efetuasse os pagamentos aos produtores rurais; 15. Que o declarante afirmou que em outras situações o próprio Jocimar já trazia as TED’S assinadas pelo Sr. Antônio Gava e Thiago Gava; (...) 17. Que o declarante afirmou que em algumas ocasiões o Sr. Jocimar indagava a respeito do saldo da conta; (...)” Jocimar Orlando Trevizani participou da abertura da conta corrente da Colúmbia, conforme evidenciam os documentos bancários relativos a esta conta que foram entregues pela SICOOB. Na fl. 496 se pode verificar que a referência particular dada no cadastro da pessoa jurídica é Jocimar Orlando Trevizani. E na fl. 501, verificase que na proposta de admissão o proponente é Jocimar Orlando Trevizani. Reforça a conclusão de que a autuada tinha conhecimento e participou ativamente da fraude, o fato de que em resposta às intimações fiscais, as fornecedoras Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia terem afirmado que era do pleno conhecimento dos comerciantes, exportadores e indústrias que as notas fiscais eram apenas fornecidas para simular aquisições de pessoas jurídicas visando encobrir a operação que real que se dava entre o comprador e o produtor rural (fl. 70/71), verbis: “(...) 2 Sim. Os grandes Atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem (sic) integral conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e COFINS. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de várias empresas, posto que muitas destas empresas que hoje atual (sic) são operadas por exfuncionários de torradores, exportadores, corretores e atacadistas. Ao que temos conhecimento, as empresas de fora do estado que recebiam nossas notas fiscais, também tinham conhecimento, já que esta prática é comum em todo país. (...) 6 Quando iniciou a fiscalização em 2007, logo depois que a nossa empresa e outras foram obrigadas a fornecer vários documentos para a Receita, todas as Torradoras de fora do Estado, como também as internas, passaram a exigir que Maquinistas que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café. Assim, surgiram empresas como (...omissis...), Trevisanni Café, (...omissis...), etc.., que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas. (...)” No que tange à movimentação das contas correntes da WR DA SILVA, consta nas declarações prestadas às fls. 69/75 pelo sócio de fachada da Colúmbia, Thiago Resende Cava, o seguinte: “(...) Que os dirigentes da Columbia Comércio de Café, também são dirigentes das empresas WR DA SILVA; a princípio a Columbia comprava e vendia café normalmente, mas devido a problemas financeiro com alguns exportadores fomos forçados a transforma a empresa em uma firma de nota fiscal a fim de quitarmos nossa dívida com nota fiscal, e posteriomente continuamos no negocio devido a necessidade dos compradores/exportadores e torradores. Sendo que no futuro viemos a adquirir a empresa WR DA SILVA, que foi aberta e trabalho por um Fl. 3206DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 período com o senhor Carliano Dario, para a IMPERIO Café, quase que exclusivamente vindo depois a me passar essa empresa, nos tivemos a necessidade de uma nova empresa pois os maquinistas, exportadores e torradores, julgaram que a Columbia estava muito velha e tinha muito tempo de uso e estava com medo da fiscalização, viemos então a trabalhar com a WR DA SILVA no lugar da Columbia mexendo com os mesmo clientes e operando da mesma forma, vindo também a abrir contas em nome da WR da Silva para substituir as da Columbia para os Clientes, segue conforme anexo: (...)” Os erros de digitação e de concordância são do original e na sequência do texto original, logo após os dois pontos, o declarante apresentou um quadro demonstrando as instituições financeiras, as contascorrentes e os nomes das empresas “de notas fiscais” que foram abertas para o mesmo fim da Colúmbia. A pá de cal para selar a comprovação de que a autuada conhecia e participou ativamente da fraude veio com as respostas dos produtores rurais às intimações enviadas pela fiscalização para que prestassem esclarecimentos e apresentassem suas notas fiscais de produtor rural do período fiscalizado. Alguns produtores compareceram pessoalmente à Delegacia da Receita Federal em Vitória para prestarem seus depoimentos e outros responderam por escrito, conforme se pode comprovar nas fls. 919 a 1240. Da leitura desses depoimentos, é possível destacar os seguintes elementos de convicção: 1) os produtores rurais negociaram diretamente a venda de seus cafés com Jocimar Orlando Trevizani e Luiz Sérgio Trevizani; 2) os sócios da Trevizani em vários casos preenchiam a nota fiscal do produtor; 3) não havia negociação dos produtores rurais com as falsas empresas que constam em suas notas fiscais; 4) os produtores rurais nunca ouviram falar dos sócios das falsas empresas; 5) o pagamento era feito em dinheiro, cheque ou transferência bancária por Jocimar Trevizani e Luiz Sérgio Trevizani ou pessoa por eles autorizada; e 6) a descarga era efetuada no Armazém da Trevizani Café Ltda. A constatação feita no parágrafo anterior é comprovada, por exemplo, pelas declarações do produtor rural Norberto Francisco Lubiana (fls. 922/923) e pelas notas fiscais por ele entregues às fls. 924/972, nas quais está consignado que o local de entrega do café era o armazém da Trevizani Café. Nas notas fiscais acostadas aos autos constam as placas dos veículos transportadores do café: MTH 6728, MQX 0697 e MPQ 9871. O extrato do sistema RENAVAN anexado pela fiscalização às fls. 1727/1728, comprova que aqueles veículos pertenciam a Jocimar Orlando Trevisani (MTH 6728) e Luiz Sérgio Trevizani (MQX 0697 e MPQ 9871). A prova da escrituração das notas inidôneas na contabilidade da recorrente foi feita por meio da juntada dos livros diário de fls. 1242 a 1251. Portanto, ao contrário do alegado pela defesa, as constatações acerca da inidoneidade das fornecedoras, do conhecimento e da participação ativa na fraude por parte da autuada não estão baseadas em meros indícios, ou em depoimentos falhos e confusos. Também não é verdadeira a alegação no sentido de que as empresas fornecedoras foram desqualificadas como atacadistas apenas por apresentarem estrutura física incompatível com o ramo de atividade. As conclusões da fiscalização estão baseadas em provas diretas e cabais coligidas durante os trabalhos, consistentes em dezenas de depoimentos pessoais, tanto de Fl. 3207DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.000451/201061 Acórdão n.º 340301.522 S3C4T3 Fl. 6 11 pessoas envolvidas diretamente na fraude, como de pessoas não envolvidas, como gerentes de instituições financeiras, corretores de café e produtores rurais. O conjunto de depoimentos provenientes de fontes distintas confirmando os mesmos fatos, ao lado de documentos fiscais demonstrando a participação direta dos sócios da autuada na fraude, a escrituração das aludidas das notas fiscais nos livros da autuada e as demais circunstâncias de fato verificadas, convergiram para a conclusão acerca da inidoneidade das fornecedoras, dos documentos fiscais por elas emitidos e da participação ativa da autuada na fraude. Com isso, estão rechaçadas todas as alegações feitas no recurso. Esta situação concreta configura fraude e nada tem a ver com planejamento tributário e, tampouco, com a norma geral antielisão prevista no art. 116, parágrafo único, do CTN. A norma antielisão foi criada para coibir a elisão fiscal e não para coibir fraudes. Acrescentese que a fiscalização, nas duzentas folhas do relatório fiscal nunca citou o art. 116, parágrafo único, do CTN. A primeira menção a este dispositivo foi feita na impugnação e a decisão recorrida deuse ao trabalho de explicar que no caso de elisão fiscal o referido parágrafo único autoriza a desconsideração do negócio jurídico lícito celebrado apenas para contornar o fato gerador da obrigação tributária. Mas o Acórdão de primeira instância deixou bem claro que o caso concreto é de fraude e não de planejamento tributário. No caso dos autos houve simulação relativa. A operação real, consistente na aquisição do café de pessoas físicas, foi dissimulada por meio de uma operação fictícia, consistente na emissão de notas fiscais que não corresponderam a uma operação efetiva, simulando aquisições de pessoas jurídicas. Provado pela fiscalização que as notas fiscais emitidas pelas “empresas de notas fiscais” não correspondiam a operações reais, restou afastada a presunção de veracidade da escrituração fiscal, sendo correta a atitude do fisco em desconsiderar os lançamentos dos créditos, a teor do que preceituam o art. 9º , §§ 1º e 2º do Decretolei nº 1.598/77 e o art. 116, I do CTN para glosar os créditos aproveitados fraudulentamente. No que tange à multa qualificada, estando comprovado o evidente intuito de fraude, foi correta a subsunção ao art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Quanto à argüição de inconstitucionalidade, a matéria é objeto da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Quanto à taxa Selic, a matéria é objeto do enunciado da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recuso. Antonio Carlos Atulim Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Fl. 3209DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13502.000433/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO.
Consoante o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC).
De acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente.
Hipótese em que se afasta a incidência da multa moratória. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-001.267
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: FABIO LUIZ NOGUEIRA
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Recorrente BMD TÊXTEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Consoante o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC). De acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente. Hipótese em que se afasta a incidência da multa moratória. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório BMD TÊXTEIS LTDA, já qualificada nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 76 e seguintes) contra o acórdão nº 1521.339, de 14 de outubro de 2009, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA (fls. 69 e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o auto de infração, em virtude de não pagamento de multa de mora em recolhimento em atraso de PIS, sob a alegação de que não cabe a exclusão da multa em denúncia espontânea, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase o presente processo de Auto de Infração eletrônico N° 0001520 (fls. 16/27), com a exigência fiscal no valor de R$ ..., referente à multa de mora (códigos 6324), pelo pagamento efetuado da contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, dos meses 01/02/03/04/05/07/11/2004, após o seu prazo de vencimento. Como enquadramento legal foi apontado o art. 160 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN); arts. 43 e 61 e §§ 1° e 2o da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 9° e parágrafo único, da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. O Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na DCTF dos 1o, 2o, 3o e 4° trimestres de 2004, onde foi constatada a falta de pagamento de multa de mora, conforme Anexo IV — Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar — Não Pagos ou Pagos a Menor (fl. 25). Cientificada do lançamento fiscal (fl. 63), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/13, cujo teor é sintetizado a seguir. • diz, após se referir à autuação, que ao proceder em 2005, uma revisão nas bases de cálculo de seus tributos e contribuições, constatou a existência de diferenças, relativamente ao exercício de 2004 (fl. 45), as quais embora não estivessem sendo objeto de cobrança por parte deste órgão Fazendário, conforme comprova a Certidão Positiva de Débitos com Efeitos Negativos, obtida em 11/01/2005 (cópia, fl. 46), foram pagas por ela integralmente e espontaneamente, conforme Darf (cópia, fls. 47/62); • informa, ainda, que para finalizar os procedimentos de regularização de sua situação fiscal apresentou, em data Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13502.000433/200731 Acórdão n.º 330101.267 S3C3T1 Fl. 104 3 posterior aos recolhimentos realizados, DCTF retificadoras relativas ao período em comento, informando ao Fisco os novos valores apurados; que, como se vê, este Órgão Fazendário somente tomou conhecimentos das diferenças apuradas em virtude de sua livre e espontânea iniciativa; • na seqüência, passa a discorrer, em extenso arrazoado, sobre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, e sustenta que esta exclui qualquer exigência de multa, seja ela moratória, ou punitiva, sobre o débito pago espontaneamente, antes de iniciado qualquer procedimento administrativo sendo, portanto, no caso sob exame, indevida a exigência da referida multa de mora, passando a transcrever, nesse sentido, vários excertos doutrinários e jurisprudenciais que entende favoráveis à sua tese. • requer, ao final, o provimento de sua impugnação, a fim de que seja cancelado o auto de infração em questão, nos termos do art. 138 do CTN. A DRJ considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, consoante a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Extraise do v. Acórdão ainda o seguinte trecho por bem esclarecer a controvérsia: Em sua impugnação a contribuinte requer o cancelamento do auto de infração em questão, sob a alegação de que a regra prevista no art. 138 do CTN exclui qualquer exigência de multa, seja ela moratória, ou punitiva, sobre o débito pago espontaneamente, antes de iniciado qualquer procedimento administrativo. Quanto a alegada denúncia espontânea, cabe aqui salientar que a mora surge, conforme disposto no Código Civil, com o inadimplemento da obrigação no prazo fixado para o seu vencimento. Inexistindo pagamento na data determinada, configurase a mora e as imposições legais dela decorrentes. Portanto, não encontra amparo jurídico a tese sustentada pela impugnante de que a denúncia espontânea da infração fiscal, com o recolhimento do tributo devido, desobriga o contribuinte Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 do pagamento da multa de mora. Na verdade, está a contribuinte dando interpretação equivocada ao disposto no artigo 138 do CTN, não podendo, pois, prosperar suas razões de defesa. Com efeito, a todo contribuinte que denunciar, de forma voluntária e antes do início do procedimento fiscal, uma infração à legislação tributária, é dado ver excluída sua responsabilidade tributária pela infração praticada, com o que terá afastado a aplicação das sanções acaso cabíveis, nos precisos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional. Isso, contudo, não autoriza a interpretação de que é indevido o pagamento da multa moratória exigida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, pois a multa de mora não tem natureza de penalidade por infração à legislação tributária, não se confundindo, pois, com a multa de ofício, esta sim revestida de caráter punitivo. O entendimento da Administração acerca da matéria, fundado nos argumentos acima tecidos, foi esposado no Parecer Normativo CST n° 61, de 26/10/1979, nos seguintes termos: (...) Os fundamentos acima aduzidos têm colhido forte repercussão no âmbito dos julgados administrativos, senão vejase: (...) transcreve acórdão do Conselho de Contribuintes Deste modo, não assiste razão à impugnante quando, invocando o art. 138 do CTN, pretende eximirse do acréscimo da multa moratória, legalmente definida, incidente sobre tributos pagos em atraso. O instituto da denúncia espontânea exclui tão somente a responsabilidade por infrações, o que significa afastar as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Contudo, como a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabe a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea. Convém salientar, ainda, que a jurisprudência citada pela impugnante, prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, bem como pelos Tribunas Regionais e Conselho de Recursos Fiscais, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, tendo validade somente inter partes. Cabe ainda observar, por oportuno, que a multa de mora ora impugnada, foi lançada com base nos arts. 43, parágrafo único, e 61, §§ 1o, 2° e 3o, da Lei do Ajuste Tributário n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim determina: "Ari; 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13502.000433/200731 Acórdão n.º 330101.267 S3C3T1 Fl. 105 5 o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1' A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, não há como exonerar a contribuinte do pagamento da multa mora pelo recolhimento da contribuição para o PIS, fora do seu prazo de vencimento. Isso posto, voto por considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Não se conformando com a decisão, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, insurgindose contra a exigência da multa de mora, que alega não ser devida no caso, por se tratar de denúncia espontânea, conforme transcrição a seguir (destaques acrescidos): Com efeito, no intuito de avaliar a correção dos procedimentos fiscais adotados desde o início de suas atividades, a Recorrente procedeu, no ano de 2005, a uma revisão nas bases de cálculo de todos os tributos federais de que é sujeito passivo; a partir da qual constatou a existência de diferenças, relativamente ao exercício de 2004 (doc. 04 da Impugnação), que, embora não estivessem sendo objeto de cobrança por parte desse d. órgão fazendário conforme comprova a Certidão Positiva de Débitos com efeitos de Negativa obtida em 11 de janeiro daquele ano (doc. O5 da Impugnação) deveriam, de fato, ter sido recolhidas. Assim, imbuída do espírito de manter a regularidade no cumprimento das suas obrigações tributárias, a Recorrente pagou, integral e espontaneamente, todos os valores efetivamente devidos, constantes dos Documentos de Arrecadação — DARF's juntados à Impugnação (doc. 06). 1.6. Para finalizar os procedimentos de regularização de sua situação fiscal, procedeu, em data posterior aos recolhimentos Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 realizados, à retificação das Declarações de Tributos e Contribuições Federais — DCTF's, relativas ao período em comento, informando ao Fisco Federal os novos valores apurados. 1.7. Como se vê, esse d. órgão fazendário somente tomou conhecimento das diferenças apuradas pela Recorrente em virtude de sua livre e espontânea iniciativa. Não fosse sua boa fé em retificar as DCTF's logo após o recolhimento das diferenças que apurou, tais débitos somente teriam chegariam ao conhecimento da administração fazendária na hipótese de instauração de procedimento de fiscalização. ... uma vez configurada a denúncia espontânea do descumprimento da obrigação tributária principal, acompanhada do pagamento integral do tributo devido, resta afastada a responsabilidade decorrente do ilícito e, conseqüentemente, a exigibilidade da cobrança de multa de mora, conforme prescreve o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN: (,,,) 2.5. Consoante se depreende da análise do dispositivo legal em destaque, para que seja deflagrada autêntica denúncia espontânea, o sujeito passivo da obrigação tributária deve atender, cumulativamente, aos seguintes requisitos: confessar o débito antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização específica relacionada com a infração; e b) se for o caso, pagar integralmente o tributo devido, acompanhado dos juros de mora. Voto Conselheiro Fábio Luiz Nogueira O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. Em relação à matéria dos autos, deve ser verificado se o recolhimento feito em atraso foi anterior ou concomitante à eventual retificação de DCTF, que deu ensejo à autuação, ou, caso não tenha ocorrido retificação, se os débitos recolhidos em atraso constavam ou não da DCTF, para que se constate a real ocorrência de denúncia espontânea; Faço essas considerações diante do disposto no artigo art. 62A do Regimento Interno do CARF, que determina sejam seguidas pelo CARF as decisões proferidas pelo STJ submetidas à sistemática dos recursos repetitivos. E Já existem decisões do C. STJ sobre a matéria, em sede de recurso repetitivo, a exemplo do RESP 149022, onde reconheceuse que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13502.000433/200731 Acórdão n.º 330101.267 S3C3T1 Fl. 106 7 tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente.. No caso, os DARF´s comprovando o recolhimento em abril de 2005, do principal, acompanhado dos juros de mora, encontramse à fl. 47 e seguintes. E os débitos foram cobrados a partir de DCTF´s retificadoras, apresentadas em maio de 2005 e maio de 2006 (auto de infração – fls. 16 e seguintes), posteriormente aos recolhimentos. Portanto, os pagamentos ocorreram em data anterior à apresentação das DCTF´s retificadoras. Entendo que restou caracterizada a denúncia espontânea, pois o débito não constou na DCTF original, só sendo incluído na declaração retificadora, após a ocorrência dos pagamentos. Feitas essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa de mora cobrada. Fábio Luiz Nogueira Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13819.001094/2004-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA.
É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES às pessoas
jurídicas que se dediquem à atividade de prestação de serviços de técnico científico próprio de profissional de engenharia.
Numero da decisão: 1103-000.605
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES às pessoas jurídicas que se dediquem à atividade de prestação de serviços de técnico científico próprio de profissional de engenharia.
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ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES às pessoas jurídicas que se dediquem à atividade de prestação de serviços de técnico científico próprio de profissional de engenharia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. documento assinado digitalmente Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13819.001094/200401 Acórdão n.º 110300.605 S1C1T3 Fl. 96 2 Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em CampinasSP, a qual indeferiu a solicitação da contribuinte de inclusão retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). Em 31/05/2004 a contribuinte solicitou ao Delegado da Receita Federal em São Bernardo do CampoSP sua inclusão no regime do SIMPLES, com efeitos desde o ano calendário de 2002, argumentando que apesar de nada ter sido requerido quando da abertura da empresa passou a recolher mensalmente os impostos nesta sistemática, inclusive apresentando a Declaração Anual Simplificada desse anocalendário, porém, quando da recepção da declaração do anocalendário de 2003 houve recusa mediante a informação de que se tratava de não optante. A autoridade administrativa requerida indeferiu o pleito ao fundamento de que a Declaração de Firma Individual registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo expressa que objeto social da contribuinte é o comércio de softwares, equipamentos e suprimentos de informática e equipamentos de telecomunicações, prestação de serviços de suporte técnico e treinamento em informática, além de assistência técnica em equipamentos de informática e de telecomunicações, sendo que estes serviços assemelhamse aos prestados por engenheiros ou cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida e, como tal, encontram óbices no artigo 6º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Ainda, que na Solução de Divergência nº 5 da Coordenação Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, expressouse o entendimento de que a pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de manutenção de microcomputadores e periféricos em geral, por caracterizar prestações de serviços profissionais de engenharia, não pode optar pelo SIMPLES. A contribuinte então endereçou impugnação à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP na qual afirmou que tem por atividade preponderante a comercialização de equipamentos, softwares e materiais para informática e que não presta serviços de treinamento nem tampouco faz manutenção de microcomputadores e periféricos. O inconformismo foi analisado pela douta 1ª Turma de Julgamento daquela projeção que entendeu, por unanimidade de votos, que a afirmação da impugnante de que não exerceu as atividades descrita no estatuto social (leiase Declaração de Firma Individual) de prestação de serviço de suporte técnico e de assistência técnica em equipamentos de telecomunicações não se fez acompanhada de qualquer prova, motivo pelo qual indeferiu, uma vez mais, a solicitação. Acresceu, outrossim, que a Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia expressamente elenca as atividades inerentes, a saber: assistência, assessoria e consultoria; execução de obra e serviço técnico; execução de instalação, montagem e reparo; operação e manutenção de equipamento e instalação, entre outras. Ciente do decisório em 23 de julho de 2007 a contribuinte apresentou em 08 do mês seguinte o recurso de fls. 66/67 reafirmando que o titular não é engenheiro, professor ou assemelhados, bem assim, que ao promover a venda, através de demonstração, a um cliente para utilização de um software ou um hardware por mim fornecido, não estou exercendo atividade remunerada, tendo em vista que a minha remuneração se da por conta da venda e Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13819.001094/200401 Acórdão n.º 110300.605 S1C1T3 Fl. 97 3 não do treinamento, o qual deve ser entendido como instruções simples e básicas para operação do equipamento e posterior venda. O processo subiu a este Conselho e o recurso voluntário foi apreciado pela douta 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento que, por unanimidade de votos, baixou a Resolução nº 310100.025 convertendo o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem verificasse na sede da pessoa jurídica as atividades de fato exercidas pela Recorrente. Em data de 06 de julho de 2010 a autoridade fiscalizadora cumpriu a ordem mediante entrega do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos de fls. 86/87, decorrendo o encarte de cópias das notas fiscais de fls. 89 e seguintes. O processo foime sorteado em data de 22/02/2011, porém, disponibilizado (entregue) pela Secretaria da 1ª Câmara, em meio digital, somente em novembro desse ano. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, registro a plena competência deste Colegiado para apreciação da matéria ventilada nos autos, eis que delineada no artigo 2º do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, órgão resultante da unificação dos antigos Conselhos de Contribuintes feita pelo artigo 48 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vejase: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...........................................................................................) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13819.001094/200401 Acórdão n.º 110300.605 S1C1T3 Fl. 98 4 A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, dispôs sobre o regime tributário das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte e instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Em seu artigo 9º previu o legislador as atividades econômicas que não poderiam usufruir o regime de tributação incentivada, verbis: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: .................................................................................................. XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; ......................................................................................................” Ao longo do processado não se preocupou a contribuinte em carrear provas da tese que esposa, qual seja, que dentre suas atribuições não exerce atividade econômica da prestação de serviços obstaculizados, nada obstante seu ato constitutivo expressar em contrário, desprezando até mesmo a advertência (ou orientação) formulada pela r. decisão recorrida, que consignou: 5. Ora, ainda que, em proveito deste Contribuinte, se chame o disposto na Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que teria o condão de esvaziar a fundamentação da negativa da DRF de origem no ponto em que se apóia na atividade de “prestação de serviços de suporte técnico” e de “assistência técnica em equipamentos de informática” (vide art. 4º, inciso IV da referida Lei), ainda sim restaria o obstáculo – igualmente consignado pela indigitada DRF – da “prestação de serviços de suporte técnico” e de “assistência técnica em equipamentos de telecomunicações”. .................................................................................................................. 13. Presentemente, sem que o Contribuinte faça a juntada de outros instrumentos probatórios (tais os já citados: alterações de contrato social (declaração de firma individual, no caso), notas fiscais de venda de produtos, mercadorias e/ou serviços), não se pode, pura e simplesmente, à força de simples alegação, ter por desconstituída (ou até restringida) a declaração de vontade impressa na atual redação da declaração de firma individual. Ainda assim, a douta 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento entendeu, ou no mínimo ventilou, que à Administração competia lastrear a negativa com provas, nada obstante a matéria em comento versar sobre pedido de inclusão retroativa formulado pela interessada e não de exclusão de ofício do regime de tributação incentivada. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13819.001094/200401 Acórdão n.º 110300.605 S1C1T3 Fl. 99 5 Analisando, então, as provas encartadas aos autos tenho que elas não militam a favor da Recorrente. Com efeito, tratase de notas fiscais de prestação de serviços e não de simples vendas de produtos de informática. Além disso, no campo dessas notas fiscais destinado à discriminação dos serviços prestados não consta tratarse de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática, o que atrairia os ditames do artigo 4º, inciso IV, da Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2004, ao menos no que tange a possibilidade de inclusão a partir de 1º de janeiro de 2004, a ver: Art. 4o A partir de 1o de janeiro de 2004, ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, observado o disposto no art. 2o da Lei no 10.034, de 24 de outubro de 2000, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: ........................................................................... IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; § 1o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos a partir de 1o de janeiro de 2004, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 2o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos a partir de 1o de janeiro de 2004, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso. José Sérgio Gomes documento assinado digitalmente Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13819.001094/200401 Acórdão n.º 110300.605 S1C1T3 Fl. 100 6 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13312.000781/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
Ementa:
PIS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE SALDO
CREDOR.
O disposto no § 2º do artigo 5º da Lei 10.637/03 só se aplica aos casos
descritos nos incisos I, II e III do referido dispositivo, não sendo possível
estendelo
aos casos de operações no mercado interno
Numero da decisão: 3302-001.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Ementa: PIS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. O disposto no § 2º do artigo 5º da Lei 10.637/03 só se aplica aos casos descritos nos incisos I, II e III do referido dispositivo, não sendo possível estendelo aos casos de operações no mercado interno
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Ementa: PIS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. O disposto no § 2º do artigo 5º da Lei 10.637/03 só se aplica aos casos descritos nos incisos I, II e III do referido dispositivo, não sendo possível estendelo aos casos de operações no mercado interno Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 29/03/2012 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor do PIS não cumulativo relativo ao 3º Trimestre de 2003, cujos créditos seriam decorrentes dos créditos ordinários apurados com base no art. 3º da Lei 10.637/03. A DRF ao analisar o pleito da Recorrente entendeu pelo seu indeferimento em razão de somente serem passiveis de ressarcimento os créditos apurados na hipóteses do art. 5º da Lei 10.637/03, e por conseqüência, os créditos pleiteados pelo contribuinte somente poderiam ser utilizados para a dedução das parcelas devidas no mês ou ainda nos meses subseqüentes. Irresignada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese que: a) a suspensão da exigibilidade dos débitos vinculados às compensações apresentadas; b) que nos termos do § 2º do art. 5º da Lei 10.637/03 teria direto ao ressarcimento do saldo credor apurado no trimestre, bem como a compensação deste com débitos administrados pela Receita Federal. A DRJ, por sua vez, após analisar os argumentos lançados na manifestação apresentada, entendeu por bem não reconhecer o direito creditório em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. VENDAS No MERCADO INTERNO. No regime nãocumulativo, os créditos decorrentes de vendas no mercado interno são passiveis, tão somente, de dedução do valor devido da contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Após a ciência da decisão proferida foi apresentado recurso voluntário que reprisa os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13312.000781/200311 Acórdão n.º 330201.525 S3C3T2 Fl. 186 3 Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Para melhor contextualizar a matéria tratada no presente processo convém transcrever os dispositivos legais sob analise: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. (...) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13312.000781/200311 Acórdão n.º 330201.525 S3C3T2 Fl. 187 5 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Da Leitura dos dois dispositivos acima listados verificase claramente a existência de dois procedimentos distintos a serem realizados pelos contribuintes em relação à existência de saldos credores do Pis não cumulativo. São eles: (i) o aproveitamento do saldo credor nos meses subseqüentes (art. 3º, § 4º) e (ii) o ressarcimento em dinheiro dos saldos credores apurados no trimestre. (art. 5º,§ 2º). No presente processo a Recorrente pleiteou o ressarcimento de saldo credor do Pis apurado no respectivo trimestre, apurados em conformidade com o disposto no art. 3º da Lei 10.637/03. Cumpre destacar que de acordo com a documentação acosta aos autos somente existem operações efetuadas no mercado interno, não havendo informação de eventuais operações de (i) exportação de mercadorias para o exterior, (ii) prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; ou ainda, (iii) vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 Neste contexto, não vislumbro a possibilidade de aplicação do § 2º do art. 5º da Lei 10.637/03, uma vez que só pode ser aplicado aos casos listados nos incisos I, II e III do art. 5º, carecendo, por conseqüência, de fundamento legal a possibilidade de ressarcimento de saldo credor de empresa que tem sua operação limitada ao mercado interno. Para estes casos, aplicável a determinação contida no § 4º da Lei 10.637/03 que assim determina: § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes Ante ao exposto, vôo por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito, em complemento aos lançados na decisão recorrida nos termos do art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11543.000709/00-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1989 a 01/03/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DOS AUTOS. OMISSÃO.
Configurado o vício de omissão, na instrução dos autos, acolhem-se
os embargos de declaração interpostos para supri-la.
Numero da decisão: 9303-001.970
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para anular o Acórdão nº 9303-01.760, em face da desistência do recurso, determinando o retorno dos autos à DRFB de origem para as
providências cabíveis.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para anular o Acórdão nº 9303-01.760, em face da desistência do recurso, determinando o retorno dos autos à DRFB de origem para as providências cabíveis.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 174 1 173 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11543.000709/0031 Recurso nº 232.555 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303001.970 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria Restituição Recorrente Conselheirorelator Rodrigo da Costa Pôssas Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 01/03/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DOS AUTOS. OMISSÃO. Configurado o vício de omissão, na instrução dos autos, acolhemse os embargos de declaração interpostos para suprila. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para anular o Acórdão nº 930301.760, em face da desistência do recurso, determinando o retorno dos autos à DRFB de origem para as providências cabíveis. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase Embargos de Declaração interpostos, tempestivamente, por esse conselheirorelator, em face do Acórdão nº 9303001.760, assinado pelo presidente da CSRF em 01/03/2012, visando sanar omissão, nos termos do art. 65, § 1º, I do RICARF, Portaria 256, de 22 de julho de 2009 e alterações posteriores. É o relatório. Voto Tratase de Embargos de Declaração interpostos, tempestivamente, por esse conselheirorelator, em face do Acórdão nº 9303001.760, assinado pelo presidente da CSRF em 01/03/2012, visando sanar omissão, nos termos do art. 65, § 1º, I do RICARF, Portaria 256, de 22 de julho de 2009 e alterações posteriores. A PGFN interpôs Recurso Especial a esta CSRF, em síntese que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo,começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. O Recurso Especial foi votado e provido em parte, pela 3ª Turma da CSRF, em julgamento ocorrido no dia 09/09/2011. Eis a ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1989 a 01/03/1997 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PARCIALMENTE PROVIDO Ocorre que o interessado apresentou o requerimento de fls. 153, informando a desistência total do recurso em virtude de adesão ao parcelamento da Lei n° 11941/2009. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543.000709/0031 Acórdão n.º 9303001.970 CSRFT3 Fl. 175 3 Segundo estabelece a Portaria Conjunta PGFN/RFB 6/2009, norma que disciplina o parcelamento estabelecido pela Lei 11.491/2009, para aproveitar as condições do referido parcelamento, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá cumulativamente: desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos; renunciar a quaisquer alegações de direito sobre os quais se fundam os processos administrativos, até 30 dias após o prazo final previsto para efetuar a opção. Apesar de não ter sido utilizado o modelo de requerimento do Anexo I, o contribuinte manifestou expressamente a desistência do Recurso Interposto, mencionando no requerimento o número do processo administrativo, processo n° 11543.000709/0031, não deixando quaisquer dúvidas quanto aos débitos para os quais desejava o parcelamento (fl. 153). Realmente houve a omissão alegada por esse conselheiro, vez que não foi apreciado o pedido de desistência tempestivamente apresentado à DRF e ao CARF. Consoante o art. 65 do Anexo II da Portaria MF nº 256/09, Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Portanto, conforme se observa, houve uma clara omissão conforme alegado por esse embargante. O fato omitido pelo relator foi a não análise de pedido de desistência constante nos autos. Assim fazse necessária declarar a nulidade do julgamento, vez que o pedido de desistência foi anterior, nos termos da legislação referente ao tema, transcrita supra. Vez que existem os pressupostos necessários à apreciação dos embargos de declaração, voto por conhecer e acolher os presentes embargos, dandolhe efeitos infringentes para anular o julgamento anterior e homologar a desistência solicitada pelo contribuinte. Depois, remeter os autos para o órgão de origem para as providências cabíveis. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001484/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2006
Ementa: MATÉRIA DISCUTIDA ESFERA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
RENÚNCIA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,
de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
DIFERENÇA NÃO DECLARADA. COMPENSAÇÃO ALEGADA. IRRF. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte o ônus de comprovar erro no preenchimento da DCTF em função de compensação não declarada com crédito de IRRF, sendo exigido ainda, nesse caso, a comprovação da inclusão na base do respectivo rendimento na base tributável.
Numero da decisão: 1202-000.722
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer
parcialmente do recurso em razão da concomitância com o objeto de ação judicial quanto às glosas de despesas e compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 Ementa: MATÉRIA DISCUTIDA ESFERA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). DIFERENÇA NÃO DECLARADA. COMPENSAÇÃO ALEGADA. IRRF. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de comprovar erro no preenchimento da DCTF em função de compensação não declarada com crédito de IRRF, sendo exigido ainda, nesse caso, a comprovação da inclusão na base do respectivo rendimento na base tributável.
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). DIFERENÇA NÃO DECLARADA. COMPENSAÇÃO ALEGADA. IRRF. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de comprovar erro no preenchimento da DCTF em função de compensação não declarada com crédito de IRRF, sendo exigido ainda, nesse caso, a comprovação da inclusão na base do respectivo rendimento na base tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso em razão da concomitância com o objeto de ação judicial quanto às glosas de despesas e compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente Fl. 479DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 480 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 481 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou procedentes os autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 126135) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 136141), por meio dos quais se exige da autuada o crédito tributário total de R$ 17.082.204,57, incluindo juros moratórios calculados até 31/07/2009. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório dos fatos resumido no voto condutor da decisão recorrida, in verbis. Os motivos e as circunstâncias determinantes do lançamento se encontram descritos no Termo de Verificação de Infração de fls. 142145 e, em síntese muito apertada, são os seguintes: que o período em que ocorreram os fatos geradores já fora objeto de auditoria fiscal, na qual havia sido arbitrado o lucro em função de irregularidades na escrituração, e cujo lançamento foi anulado pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Assim, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba autorizou o reexame do período para ser analisado o resultado contábil apurado pelo contribuinte em sua escrita, por ser de conhecimento da repartição a pretensão da contribuinte de pleitear a existência de elevadas somas relativas a prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Por isso, os procedimentos de verificação se concentram na análise das despesas contabilizadas pela autuada, em especial aquelas relativas ao contrato por ela celebrado com a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina – APPA, referente às instalações onde a empresa opera; que a contribuinte procedeu à mudança na contabilização de seu contrato de arrendamento celebrado com a APPA, conforme detalhamento adiante. Essa mudança deu origem a pedido de restituição de IRPJ e CSLL que teriam sido recolhidos indevidamente, conforme PAF nº 10907.001984/200266. As alterações contábeis se encontram detalhadas nos seguintes termos: A mudança na contabilização do contrato do contribuinte com a APPA se operou na seguinte forma: No dia 01/06/02 foi criada a conta do passível exigível a longo prazo ‘2.2.03.01.01.03 – CTO ARRENDAM.(CONCESSÃO)’, na qual foram lançados R$ 185.339.512,83 a título de saldo devedor do contrato e R$ 54.128.210,96 de variação monetária desde julho/99. Nesta mesma data foram criadas as contas do ativo diferido ‘1.3.03.01.01.03 – CTO.ARRENDAM.(CONCESSÃO)’, na qual foram lançados R$ 168.240.826,89 a título do valor do contrato celebrado com Fl. 481DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 482 4 a APPA, e ‘1.3.03.03.01.05 – () CONTRATO ARRENDAMENTO’, na qual foram lançados R$ 20.165.852,00 a título de valores já amortizados do diferido. Foram feitos também outros lançados, que colocaram no ativo da empresa todos os pagamentos de IR e CSLL feitos desde julho/99. Os lançamentos que compõem esta mudança estão no Demonstrativo de Lançamentos a Título de Ajuste Contábil em 01/06/02, parte integrante deste auto. Como resultado imediato, os lucros acumulados da empresa, que antes da mudança estavam em R$ 4.023.757,82, sofreram um decréscimo de R$ 70.028.395,83, se tornando prejuízos acumulados de R$ 66.004.638,01. Até a mudança da sistemática de contabilização, as parcelas pagas à APPA eram lançadas nas contas transitórias de custo ‘4.1.01.01.01.04 – MOVIMENTAÇÃO DE CONTÊINER’ e ‘4.1.01.01.01.05 – ARRENDAMENTO TEVECON’, sendo depois alocadas em contas de resultado. O valor médio mensal destas parcelas pagas à APPA nos cinco primeiros meses de 2002 foi de R$ 454.163,168. Após a mudança, as parcelas pagas à APPA passaram a reduzir a conta do passivo ‘2.2.03.01.01.03 – CTO.ARRENDAM.(CONCESSÃO)’. Como despesa passouse a contabilizar na conta de despesa operacional ‘3.3.01.04.01.03 – AMORTIZ.CTO.ARRENDAMENTO’ a amortização do valor registrado na conta do ativo diferido, o qual foi rateado entre sete contas de despesas antes de ser transportado para apuração do resultado do exercício. A despesa mensal média lançada a este título nos últimos sete meses do ano foi de R$ 1.088.098,93. A conta do passivo representativa do contrato de arrendamento passou a ter seu saldo corrigido pelo IGPM. As despesas financeiras resultantes foram contabilizadas na conta ‘3.3.03.02.01.11 – VAR.CONTRATO ARRENDAMENTO’. Observamos que este procedimento foi determinante na apuração dos resultados da empresa, pois só de junho a dezembro de 2002, tais despesas financeiras totalizaram R$ 58.432.634,23.” que o contrato se refere à utilização das instalações portuárias da APPA contra o pagamento de remuneração mensal, equivalendo a um contrato de aluguel das instalações portuárias; que a cláusula oitava traz apenas uma estimativa do contrato – R$ 150 milhões , que não se configura em obrigação do contribuinte e nem como despesa já incorrida. E que os únicos dispêndios da contribuinte foram as parcelas mensais, que à época da mudança da contabilidade representavam algo em torno de R$ 464 mil mensais; Fl. 482DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 483 5 que a contribuinte, por meio de alteração de interpretação e contabilização, pretendeu criar uma ficção, deduzindo de suas receitas gastos com amortização do ativo diferido, valores que à época inicial da mudança eram em mais de R$ 1 milhão mensais. Além disso, pretendia deduzir despesas financeiras sobre uma dívida que nunca foi contraída, que resultaram em despesas fictícias de R$ 58 milhões, somente em relação à metade de 2002. Tendo a fiscalização considerado indevida a alteração dos procedimentos contábeis, glosou as despesas dela decorrentes. O TVI assim descreve as infrações: “Infrações Apuradas Na presente ação fiscal foram apuradas as três infrações abaixo expostas: Glosa das despesas com variações monetárias passivas, decorrentes da conta do passivo criada para representar o valor do contrato de arrendamento. Glosa da compensação de prejuízos fiscais, uma vez que tais prejuízos foram glosados nos Autos de Infração presentes nos processos 10907.000043/200809 e 10907.002493/200828. Lançamento da diferença entre o valor escriturado e o valor confessado pela empresa em DCTF. Os enquadramentos legais de cada uma das parcelas se encontram descritos no campo próprio do auto de infração. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 11/08/2009 (fls. 137) e apresentou tempestivamente, em 09/08/2009, a impugnação de fls. 154166, instruída pelos documentos de fls. 168204, veiculando as alegações adiante sintetizadas: Preliminares 1 Nulidade Argumenta que a revisão de períodobase já fiscalizado não se conforma com as disposições dos artigos 142, c/c 145, 146 e 149 do CTN; que a simples autorização do Delegado da Receita Federal do Brasil não é suficiente para alterar as regras do art. 149 do CTN; que é necessária a existência de uma razão maior, um erro material acontecido na primeira fiscalização, o que não houve. Adiciona que, na primeira fiscalização, o autuante se empolgou e acabou, sem grande trabalho, por desclassificar a escrita dos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005, arbitrando o lucro e formalizando a exigência, cujo lançamento foi anulado pelo Conselho de Contribuintes; Reclama do fato de ter sido o titular da DRF de Curitiba, e não o de Paranaguá, quem forneceu a autorização para nova auditoria. Afirma que não houve erro material, enganos ou Fl. 483DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 484 6 equívocos na primeira fiscalização, e que entende que está havendo um excesso de exação fiscal que vem colocando, inclusive, apreensão na continuidade de suas operações. 2 – Outras razões Registra não concordar com os motivos e nem com o procedimento fiscal. Afirma que, pela leitura do auto de infração e seus termos, a fiscalização entende que o PAF nº 10907.001984/200266 já teria sido extinto, via julgamento do Conselho de Contribuintes, o que evidenciaria que todos os procedimentos que adotou em sua contabilidade estariam fiscalmente errados e, portanto, seus efeitos glosados. Enfatiza que o PAF nº 10907.001984/200266 não se exauriu, encontrandose ainda em fase de recurso. Argumenta que, uma vez que a autuação está embasada nos assuntos que ainda estão discutidos administrativamente no Conselho de Contribuintes, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, aplicase ao lançamento aqui discutido o efeito suspensivo constante do art. 151, III, do CTN, de sorte que não lhe pode ser exigido qualquer tipo de ação enquanto não terminado, de forma definitiva, o processo administrativo, e que sequer o trintídio para a impugnação deveria fluir, e sim permanecer em ‘standby’, aguardando a decisão do Conselho, por versarem sobre o mesmo assunto. Alegações de mérito 1. Do Contrato com a APPA Argumenta que o autuante atribui ao contrato firmado com a APPA a natureza de simples contrato de locação, passando por cima da conclusão do Conselho de Contribuintes de que o mesmo se enquadra na natureza jurídica típica dos contratos de concessão, independente da denominação de contrato de arrendamento. Afirma que, por tal razão, o contrato tem que, obrigatoriamente, ser analisado sob os aspectos e normas do direito público que, por ser especial, difere, em muito, do contrato privado. As cláusulas, condições, formatação, conteúdo, etc., devem obedecer às disposições da norma pública. Argumenta que o valor estimado de R$ 150.000.000,00 é o valor mínimo que o Estado estaria disposto a receber do licitante vencedor para permitir que este assumisse a prestação de serviços portuários. Adiciona que foi vencedora porque se dispôs a pagar ao Estado, no mínimo, R$ 172.850.164,55, em 25 anos, prestar o melhor serviço e cobrar a menor tarifa. Afirma que a prova de que o valor ofertado é o valor do contrato que assumiu pagar está no art. 56 da própria Lei de Concessões (nº 8.666/93), que transcreve. Afirma que prestou caução, depositando na Tesouraria da APPA uma apólice de seguros no montante de R$ 5.000.000,00, e indaga: “se o contrato de concessão não tem um valor de obrigação, se este valor é mera estimativa, como pôde ser ele Fl. 484DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 485 7 paradigma de cálculo do valor da garantia exigida pela concessão?” Informa que a apólice de seguros já está em R$ 10.954.694,27, e novamente indaga: “Se o contrato de concessão não tem um valor e também a ele não se aplicam correções, como o valor da garantia mais do que dobrou nesses 8 anos de atividade do TCP? Qual valor foi parâmetro da atualização?” Afirma que a resposta lógica é o valor do contrato de Concessão do TCP. Acrescenta que outro argumento em favor de sua posição de manter a atual sistemática de contabilização, reconhecendose devedor dos valores ora questionados, está contido no Edital 009/97, na parte em que descreve os objetivos da Concessão. Afirma acreditar que a APPA, como ente público, deve ter sua contabilidade escorada em orçamentos plurianuais, nos quais são estimadas as receitas e fixadas as despesas. Diz que, com certeza, o valor a ser recebido da TCP lá aparece em sua totalidade e devidamente corrigido por índices estimados. Afirma que tal registro é necessário porque o Poder Público precisa saber, com segurança, o quanto vai arrecadar para não gastar mais do que arrecadou, e assim deixar de ser administrativa e penalmente cobrado. Requer que lhe seja concedido, por isonomia, o mesmo tratamento concedido à empresa Concessionária de Rodovias do Oeste de São Paulo VIAOESTE S/A, para a qual o Conselho de Contribuintes, em matéria idêntica, julgou procedente e correta a contabilização do Contrato de Concessão daquela Rodovia, inclusive quanto às glosas feitas no auto de infração combatido. Comparandose a esse paradigma, sustenta que, como seu procedimento está correto e até agora não houve ainda pronunciamento administrativo definitivo, não há porque se falar em retificação e glosa dos prejuízos fiscais, até porque a DRJ/Curitiba não se manifestou quanto às impugnações apresentadas nos PAF nº 10907.000043/200809 e 10907.002493/200828. Reportandose à terceira parcela do lançamento (diferença entre o valor escriturado e o valor confessado em DCTF), afirma não existir diferença a ser cobrada. Acrescenta que a fiscalização informa estar de posse de toda a sua escrituração e que poderia ter verificado que, para o valor lançado como crédito tributário (R$ 389.740,63), há na contabilidade em seu poder a justificativa da diferença. Afirma que se trata de uma compensação havida com imposto de renda que lhe foi retido na fonte quando resgatou aplicação financeira. Sustenta que essa compensação não foi lançada em DCTF porque, na época, o sistema da RFB não aceitava essa informação, ficando a mesma registrada apenas em sua contabilidade. É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 486 8 No voto condutor da decisão recorrida ficou assentado, incialmente, que, embora os fatos determinantes da lavratura do auto de infração analisado eram os mesmos apreciados no PAF nº 10907.001984/200266, julgado definitivamente pela CSRF através do Acórdão nº 910100.445, de 04/11/2009, no tocante aos anoscalendário de 1999 a 2002, a questão ali decidida dizia respeito apenas aos anoscalendário de 1999 a 2002, enquanto o lançamento apreciado no presente processo diz respeito aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2003 e 31/12/2004. Os julgadores a quo entenderam não estar vinculados àquela decisão. Ademais, consideraram, in verbis, que “aspectos relevantes dos fatos não foram levados pelo Relator ao exame dos demais membros da Turma, de sorte que aludida decisão se encontra assentada em premissas equivocadas e convicções pessoais divorciadas da técnica contábil” (grifos no original), e decidiram não haver óbice à reapreciação da questão com relação a períodos posteriores, cabendo a cada julgador decidir com base em sua livre convicção. No acórdão nº 910100.445, da CSRF, ficou definido, in verbis: “IRPJ. CSLL. CONTRATO DE CONCESSÃO DE SERVIÇOS OU BENS PÚBLICOS. AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE DAS VARIAÇÕES PASSIVAS DA DÍVIDA. POSSIBILIDADE. A assinatura de contrato de concessão de serviço público ou e bens públicos com o Poder Público provoca reflexos no patrimônio do contribuinte que devem ser contabilizados (tanto os direitos adquiridos quanto as obrigações assumidas). É legítimo ao particular, parte em contrato de concessão de serviços ou bens públicos, amortizar o valor pago ou devido ao Poder Concedente em parcelas iguais durante o prazo de contrato de concessão e deduzir, de acordo com o regime de competências, as variações passivas da dívida decorrentes de expressas previsões no contrato de concessão.” A DRJ analisou o acórdão prolatado pela CSRF e decidiu em sentido contrário, justificando exaustivamente os pontos de discordância com o julgado, a partir da análise de normas técnicas de contabilidade. Por evidenciar o raciocínio do julgador a quo, transcrevo o último item da decisão que traz, em resumo, as conclusões do voto, verbis: 6 – Conclusões Esta impugnante assinou um contrato de arrendamento de instalações portuárias para a exploração de serviço público. Obteve, portanto, por um lado, a concessão, representativa do direito de explorar tal serviço. Em contrapartida, obrigouse a duas prestações distintas: (i) realizar benfeitorias nas instalações arrendadas, nos termos previstos no contrato; e (ii) prover mensalmente à arrendante uma remuneração composta por uma parte fixa, que por sua vez se subdivide em uma parte devida já desde o início, e outra parte que passará a ser devida somente quando forem concluídas certas benfeitorias, e por uma parte variável, calculada em função dos serviços efetivamente prestados. No contrato, as duas distintas prestações foram estimadas pelo valor unificado de R$ 150.000.000,00. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 487 9 Esta impugnante escriturou esse valor total como passivo, em contrapartida ao direito de utilizar as instalações e à expectativa das receitas correspondentes. Esse critério de contabilização teve como objetivo apenas o avultamento das despesas mensais, pela apropriação em cada mês da correção pelo IGPM sobre todo o passivo, permitindo assim a postergação do recolhimento do IRPJ e da CSLL. Por não se encontrar previsto, autorizado ou determinado em normas contábeis, o critério não pode ser acolhido por esta Turma Julgadora. É fato que Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil já emitiram soluções de consultas autorizando tal critério de contabilização e que, em PAF específico, esse procedimento foi referendado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, com relação ao período anterior ao anocalendário de 2003. Contudo, esta Turma Julgadora deve levar em consideração que se trata de matéria exclusivamente de cunho contábil, e não compete à Receita Federal do Brasil ou ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – baixarem normas contábeis, uma vez que tal competência já foi deferida pelo legislador ao Conselho Federal de Contabilidade. Assim, esta Turma Julgadora se encontra vinculada às normas técnicas baixadas pelas autoridades competentes. Ademais, nem as soluções de Consulta das SRRF e tampouco o Acórdão da CSRF se dão ao trabalho de explicitarem as normas contábeis que concedem supedâneo ao seu entendimento de que tal direito deva ser contabilizado no ativo, e que tal obrigação reúna condições para ser, já no início do contrato, contabilizada no passivo. Por outro lado, mesmo sem qualquer fundamento em norma válida posta, concessionários de serviços públicos passaram a adotar aludida sistemática de contabilizar no passivo os valores das obrigações globais contraídas nos contratos. Nesse contexto, a mais abalizada fonte produtora de conhecimentos contábeis deste País, o IBRACON, atendendo demanda da Comissão de Valores Mobiliários – CVM , foi instado a se pronunciar a respeito da higidez técnica do procedimento. No documento resultante desse exaustivo trabalho constou que foi examinada a correção de três possibilidades de contabilização, a saber: I – Não reconhecimento dos ativos e compromissos decorrentes de contratos de concessão de serviço público e alocação dos encargos contratuais durante o prazo da concessão; II – Reconhecimento dos ativos e obrigações oriundas de contratos de concessão da exploração de serviço público no ato de sua contratação, ao seu valor nominal; e Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 488 10 III – Reconhecimento dos ativos e das obrigações oriundos de contratos de concessão da exploração de serviço público no ato de sua contratação, a valor presente e diferimento da variação monetária (reajuste) das obrigações. Examinadas tais alternativas, os acadêmicos concluíram que somente os valores efetivamente pagos a título de concessão deve ser considerado como aplicação de recursos em direito de concessão, no ativo imobilizado intangível. Por exclusão, o valor que não foi pago – e que corresponde ao passivo alegado – não deve ser reconhecido contabilmente. Os estudiosos da contabilidade evidenciaram expressamente o desacerto do procedimento adotado pela impugnante de considerar como ativo e passivo os valores ainda não pagos (item II acima), pelas seguintes razões, verbis: “Entretanto, o reconhecimento do direito de exploração como ativo e, consequentemente, da obrigação de longo prazo a ele vinculada, normalmente indexada a uma taxa que visa a refletir, no mínimo, os efeitos inflacionários, pressupõe o atendimento às duas seguintes premissas básicas: desconto a valor presente, na data de aquisição do direito, sobre o valor da obrigação e dos ativos; e a atualização monetária do ativo e das respectivas amortizações acumuladas. A atualização monetária das demonstrações contábeis, como é de amplo conhecimento, não pode ser adotada na escrituração mercantil em virtude da vedação contida na Lei nº 9.249/95”. Naquela ocasião, a CVM abstevese de implementar as recomendações do IBRACON, tendo em vista a existência de estudo da matéria por parte do IASB, e da necessidade de convergência da norma nacional com a internacional. Posteriormente, já resultante da convergência com a norma internacional, veio a ser editada a mencionada “IT 08 – Contratos de Concessões”, segundo a qual, para a parte do vínculo contratual que tiver a natureza de arrendamento – o que se aplica à remuneração que permanecerá a ser paga em parcelas mensais – a norma relevante para a contabilização é a “NBC T 10.2 – Operações de Arrendamento Mercantil”; e para a parte do vínculo relativa à construção de benfeitorias – ativo intangível – se aplica a própria “IT 08 – Contratos de Concessões”, mas a ativação somente deve ocorrer após o dispêndio respectivo. Não existe a hipótese de contabilizar um ativo intangível que ainda não foi pago. É de clareza meridiana, portanto, que, sob a ótica dos preceitos contábeis, jamais foi correto ou recomendável o procedimento contábil adotado pela impugnante. Primeiro, após analises exaustivas, tal procedimento foi expressamente repudiado pelos formadores do conhecimento contábil, pela entidade que os representa, o IBRACON. Posteriormente, foi descartado na norma legal que disciplinou a contabilização das concessões governamentais, a “IT 08 – Contratos de Concessões”. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 489 11 Por consequência, o procedimento correto é não reconhecer no ativo e no passivo os valores a que a concessionária se obrigou – mas ainda não incorreu a título de remuneração e realização de benfeitorias. Por consequência, é correta a glosa das variações monetárias calculadas sobre esse passivo formado indevidamente e apropriadas como despesas. Com tais fundamentos, a turma da DRJ/Curitiba julgou procedente o lançamento editando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 CONTRATO QUE, AO ARRENDAR INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS, ESTABELECE CONCESSÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. FORMA DE CONTABILIZAÇÃO PELO ARRENDATÁRIO, EM FACE DOS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS VIGENTES NO BRASIL. O contrato pelo qual o particular arrenda do poder público instalações portuárias, obtendo concessão para explorálas por longo prazo em troca do compromisso de realizar benfeitorias e remunerar mensalmente o órgão concedente é, na essência, um arrendamento e como tal deve ser contabilizado, a teor dos princípios contábeis que sempre vigoraram no Brasil, antes e depois da Resolução CFC que aprovou a “Interpretação Técnica ICPC 08 Contratos de Concessão”, resultante da convergência com as normas internacionais. A circunstância de tal contrato possuir, ou não, natureza de concessão governamental é absolutamente irrelevante para a sistemática de contabilização dos direitos e obrigações dele emanadas, uma vez que a forma de contabilização decorre da essência do fato contábil, e não da denominação ou gênero do contrato. DIREITO CONTRATUAL DE UTILIZAR INSTALAÇÕES E PRESTAR SERVIÇOS PÚBLICOS CONCEDIDOS E A CORRESPONDENTE OBRIGAÇÃO DE REALIZAR BENFEITORIAS E EFETUAR PAGAMENTOS MENSAIS. A assinatura de contrato de arrendamento de instalações portuárias, que implica concessão do direito de explorar o serviço público correspondente, em troca de realizar benfeitorias e efetuar pagamentos mensais, provoca reflexos no patrimônio do contribuinte. Entretanto, a contabilização de tais direitos, como a de todos os outros, sujeitase às normas técnicas baixadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Assim, não existindo qualquer princípio contábil que autorize ou recomende a contabilização de vínculo contratual que, na essência, corresponde a operação de arrendamento mercantil operacional, não deve ser contabilizado no ativo o direito à utilização e tampouco contabilizado no passivo a obrigação de pagamentos futuros dos encargos do arrendamento. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 490 12 MATÉRIA CONTÁBIL. VINCULAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL E DO CARF AOS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS VIGENTES. Tanto a Receita Federal do Brasil como o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao decidirem sobre matéria estritamente contábil, vinculamse aos princípios contábeis e às Normas Brasileiras de Contabilidade de natureza técnica editadas por quem detém a competência legal de fazêlo, sendo vedado aos seus integrantes estipularem procedimentos contábeis embasados apenas no entendimento pessoal de seus membros, mormente quando provocarem evidentes distorções patrimoniais reconhecidas pelos próprios contribuintes interessados. Inconformada com a decisão, da qual foi cientificada em 30/11/2010 (fl.269), a recorrente apresentou recurso voluntário em 22/12/2010 (fl.272 e ss), com os questionamentos a seguir. Preliminarmente, alega: (1) ofensa ao princípio da certeza do direito ou da segurança jurídica, por entender que as decisões que forem prolatadas pelo CARF ou pela CSRF, não podem ser modificadas, contestadas ou não aceitas pelos órgãos fiscalizadores subalternos ou de instancia inferior, sob pena do estabelecimento do mais completo caos no relacionamento fisco e contribuinte, e (2) nulidade do lançamento, pelos motivos sustentados na impugnação e pela decisão contida no Acórdão 910100445, da 1ª. Turma da CSRF, (fls. 212222) prolatado em 04/11/2009, que determina o retorno dos Autos e o refazimento dos PAF's pela DRF de Paranaguá ou Curitiba. No mérito, alega inicialmente, que o acórdão da CSRF determinou “o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para que seja proferido outro despacho decisório quanto aos pagamentos relativos às quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001 e no primeiro e segundo trimestres de 2002", considerando que “a partir de abril de 2001, momento em que o contribuinte assumiu os direitos e obrigações inerentes ao contrato de concessão é que lhe é possível proceder às retificações que deseja aplicar em sua contabilidade”. Ou seja, do mês de abril de 2001 em diante, a Receita Federal do Brasil reconheceu e concedeu ao ora Recorrente, retificar a sua contabilidade de acordo com o decidido no acórdão. Aduz que, em antecipação às providências que até o momento não haviam sido praticadas pela DRF de Paranaguá (ou Curitiba), refez sua contabilidade fiscal para o período determinado pela CSRF e incluiu os valores apurados na adesão que fez aos termos da Lei nº 11.941/2009, aguardando no momento a necessária consolidação dos valores fiscais ali apurados para posterior recolhimento aos cofres públicos. Sobre a alegada natureza da concessão do contrato, sustenta que o assunto já foi pacificado pelo entendimento e estudos trazidos pela CSRF no corpo do Acórdão 9101 00445, prolatado em 04/11/2009 e requer que as considerações da CSRF quanto à conclusão do contrato da recorrente ser um contrato de concessão e não de arrendamento sejam definitivas. Sobre a correta contabilização dos direitos e das obrigações decorrentes do contrato, ao consultar o site específico do COSIF, em www.cosif.com.br, constatase que a referência correta é a ICPC01, (motivada pelas regras internacionais de contabilidade IFRI 12), que trazia em seu bojo a NBCIT08, por fim convertida na Resolução nº 1261/2009, mas Fl. 490DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 491 13 que todas as normas contábeis referidas datam de dezembro de 2009, e os fatos aqui analisados estão dentro dos anos de 2003 e 2004. Alega a inexistência de controvérsia a respeito da forma de contabilização dos direitos e obrigações relativos a contratos de concessão. Afirma a impossibilidade de se lançar no passivo o total estimado dos pagamentos previstos no contrato, já que em 2005 não existiam as normas, princípios e raciocínios referidas na decisão recorrida. Pede que seja mantido seu entendimento de lançar, em seu passivo, o valor de R$ 150.000.000,00, porque corresponde ao valor do contrato de concessão e de corrigilo com base na variação do IGPM porque este foi o fator de correção ajustado no mesmo contrato, o qual, pelas suas características, muitas vezes obrigou a recorrente a registrar receita de correção ao invés de despesa, face à variação negativa muitas vezes ocorrida com esse fator, sendo essa receita, desde então, integralmente oferecida à tributação como espécie de variação monetária ativa. Sobre a afirmação de que “não seria possível estimar com algum grau de segurança nem mesmo as parcelas da APPA...etc", destaca o comentário dos Auditores Fiscais nas notas explicativas às demonstrações financeiras de 2007 e 2008, anexadas ao recurso, e sustenta que isso é possível, como fez a empresa de auditoria Ernest Young. Em relação ao tópico referente a “cabal demonstração do desacerto das Soluções de Consulta e do Acórdão da CSRF”, alega que as Soluções de Consultas das empresas Rodovia dos Lagos S/A Via Lagos e da Concessionária do Sistema Anhanguera Bandeirantes S/A, validaram o lançamento contábil de ativos e passivos e a dedução como despesa dos encargos de correção, respaldando o procedimento adotado pela recorrente que, num primeiro momento apresentou prejuízos ao contabilizar as atualizações passivas, apenas apresentando lucro depois de passado o efeito natural dos ajustes. Anexa cópia das últimas demonstrações financeiras, com Parecer dos Auditores Independentes. Quanto à dedução do imposto retido, afirma que o programa da RFB da DCTF/2005 não possibilitava a informação pretendida, tendo efetuado a compensação em sua contabilidade, conforme documentos constantes do presente processo, e declarado valores líquidos da compensação efetuada. Por fim, com base no que dispõe o CTN, art. 156, IX combinado com o art.100, II, III e parágrafo único, e mais a decisão constante do Acórdão 910100445, da 1ª Turma, prolatado em 04/11/2009 pela CSRF, requer seja declarado extinto o presente processo administrativo. Em contrarrazões juntadas aos autos, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional sustenta a legalidade do lançamento pelos fundamentos a seguir expostos. Preliminarmente, sustenta: que não ocorreu ofensa ao princípio da segurança jurídica pela decisão de primeira instância; que o Acórdão nº 910100445 da CSRF não deve influenciar a análise do objeto dos presentes autos, não havendo litispendência entre eles, por abordarem fatos geradores distintos; e mesmo que se entenda esta, não há previsão legal de Fl. 491DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 492 14 obrigatoriedade de adotar a mesma conclusão, citando a Súmula n° 473 do STF e, por fim, que as decisões prolatadas pelo CARF não possuem caráter vinculante, nos termos do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o qual faculta o julgamento conjunto. Quanto ao mérito, aduz estar incorreta a contabilização adotada pelo contribuinte dos direitos e obrigações advindos do contrato firmado com a APPA. Delimita a controvérsia dos autos ao momento em que o contrato firmado com a APPA interfere no patrimônio do Recorrente: se desde a sua assinatura e pelo seu valor integral; ou, ao longo de sua vigência (conforme é executado) e pelas contraprestações periodicamente devidas pelo contratado. Sustenta que o lançamento está correto, já que o valor estimado do contrato não pode ser contabilizado a débito como ativo diferido, por se referir à própria execução do contrato, não podendo ser considerado como um gasto préoperacional à sua execução, de acordo com o inciso V do art. 179 da Lei nº 6.404/1976, na redação vigente à época. Tampouco o valor total estimado do contrato corresponde a uma despesa a pagar passível de correção monetária, vez que o valor integral do contrato não era devido pela recorrente desde a sua assinatura, representando apenas uma garantia. Cita o inciso IV do art. 4º da Lei nº 8.630/1993, a qual dispõe sobre o regime jurídico da exploração dos portos organizados e das instalações portuárias. Indica que a mensuração do valor total do contrato serve apenas para estabelecer a modalidade de licitação que será cabível na fase précontratual, assim como para avaliar o empreendimento a ser realizado, nos termos dos art. 3º e 5º do Decreto nº 4.391/2002, o qual regulamenta os dispositivos da Lei n° 8.630/1993 relativos ao "arrendamento" de áreas e instalações portuárias. Aduz que consulta formulada pela CCR no âmbito do processo CVM nº RJ2002/7805 definiu que essa forma de registro contábil é incorreta, pois reconhece na contabilidade da empresa um prejuízo fiscal significativo e irreal, o qual foi desconsiderado pela Fiscalização. Sobre a diferença entre o valor escriturado e o valor confessado em DCTF, destaca que a recorrente apenas se insurge contra uma parcela da autuação, no montante de R$ 389.740,73, referente ao IRPJ apurado no segundo trimestre de 2005, que corresponderia ao montante de IRRF pago no resgate de uma operação financeira e que fora compensado com o valor do IRPJ devido naquele período. Assim, os demais valores apurados permanecem incontroversos. Contesta a versão da recorrente, afirmando que o registro dessa dedução era possível e obrigatória na sua Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — DIPJ (linha 13) e que a falta dessa declaração não pode ser suprida pelo simples registro nos documentos contábeis a fim de reduzir o imposto a ser pago. Sustenta que, além de não ter declarado em sua DIPJ o IRRF que considerou dedutível, a recorrente também não comprovou a efetiva retenção do IRRF deduzido exclusivamente em sua contabilidade, assim como não comprovou que a aplicação financeira resgatada integrou a base de cálculo do IRPJ, estando correta a autuação. Ao final, pede que seja negado provimento ao recurso voluntário. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 493 15 Posteriormente à suspensão do julgamento do processo pautado na sessão de 02/02/2012, em razão de pedido de vista dos autos por membro do colegiado, a PGFN apresenta petição, protocolada em 07/02/2012, em que, pela primeira vez, dá notícia do ajuizamento da ação ordinária nº 500270306.2011404.7008, perante a Justiça Federal de ParanaguáPR. Informa que a concomitância entre o pedido administrativo objeto deste processo e o judicial decorre da verificação de que a ação ordinária foi ajuizada pelo contribuinte com o objetivo de suspender a exigibilidade dos créditos tributários que contrariem o conteúdo do Acórdão n° 910100.445, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresenta cópia da petição inicial apresentada pelo contribuinte no processo judicial, da contestação interposta pela Fazenda Nacional e do andamento processual extraído sítio eletrônico da Justiça Federal do Estado do Paraná. É o relatório. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 494 16 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora PRELIMINAR DE CONHECIMENTO Inicialmente, diante da notícia trazida aos autos pela PGFN, fazse necessário averiguar a concomitância entre as matérias discutidas no âmbito judicial e no presente processo administrativo. Como relatado, através do processo nº 10907.001984/200266, a recorrente obteve decisão favorável a sua tese de reconhecimento do valor do contrato no ativo para fins de comprovação da redução do lucro pela amortização respectiva e que gerou o crédito objeto de pedido de restituição naquele processo. No atual recurso voluntário, sustenta ofensa ao princípio da certeza do direito ou da segurança jurídica, considerando que a natureza do contrato é assunto pacificado naquela decisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, e requer que a conclusão de que se trata de contrato de concessão e não de arrendamento seja definitiva. Em outros termos, a recorrente pretende que se adote a mesma conclusão adotada pela CSRF no processo nº 10907.001984/200266, quanto ao registro do valor total previsto no contrato como ativo diferido e reconhecimento das despesas decorrentes. O lançamento objeto deste recurso constituise na glosa das despesas de amortização e de variação monetária registradas na apuração do resultado em decorrência do registro, em conta de ativo diferido, do valor total do referido contrato. Examinando os autos, verificase que, até 2002, eram registrados apenas os gastos decorrentes de suas prestações mensais (serviços portuários, investimentos no Terminal e pagamentos mensais) como custos operacionais a exploração do Terminal de Paranaguá, da ordem de 454 mil reais por mês. A partir de 2001, a recorrente retificou os registros contábeis e passou a registrar o valor total previsto no contrato de R$ 150.000.000,00 como ativo diferido, em contrapartida ao passivo exigível a longo prazo, sobre o qual incide correção monetária, aumentando o custo mensal total para montante aproximado de oito milhões de reais. Ou seja, pretendeu a recorrente realizar antecipadamente as despesas decorrentes da contratação. Os lançamentos contábeis efetivados pela recorrente após a retificação foram: (i) um débito na conta do ativo diferido, a ser amortizada ao longo da vigência do contrato, gerando uma despesa mensal durante esse prazo; e (ii) um crédito no passivo como contas a pagar, sobre a qual incide correção monetária, gerando outra despesa mensal durante esse prazo. As despesas de variações monetárias passivas realizadas nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2005 foram glosadas neste processo. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 495 17 Assim, embora no processo julgado definitivamente, a análise da natureza jurídica do contrato que permitiu à recorrente a exploração das instalações portuárias serviu de fundamento para o reconhecimento das despesas decorrentes do registro do valor no ativo diferido no período de abril de 2001 a junho de 2002, que justificaram o pedido de restituição de valores recolhidos a maior naquele período e, no caso sob análise, discutase a validade da autuação a título de glosa das despesas decorrentes do reconhecimento de valores indevidos a título de ativo diferido, diante dos requisitos previstos nos arts. 299 e 300 do RIR/99, no recurso voluntário apresentado, depreendese que, da definição quanto à natureza do contrato firmado pela recorrente com a APPA, em 10/04/2001, depende a verificação da correção da forma de contabilização dos direitos e deveres decorrentes do contrato que deu ensejo à autuação. O ilustre relator do Acórdão CSRF nº 910100445, do referido processo, após tecer comentários sobre diversos aspectos da natureza do contrato e da forma de contabilização, concluiu seu voto nos seguintes termos: “... os encargos da concessão assumem, desde a assinatura do contrato, a natureza de despesas incorridas para a obtenção da exploração do sistema portuário. ... já na assinatura do contrato, a totalidade do preço da concessão, qualquer que fosse o cronograma de pagamentos, deve ser reconhecida cm contrapartida a conta de ativo que registre o respectivo direito de exploração. ... A existência da obrigação correspondente a ser registrada como passivo denota que a Recorrente não pode evitar o desembolso com tal obrigação, uma vez que tal conduta acarretaria imposição de sérias penalidades conforme disposto no edital e no contrato. ... Em conclusão, portanto, a quantia paga ou devida ao Poder Concedente pela concessão do direito de exploração submetese ao regime de amortização, pelo prazo de duração do direito. O direito de exploração da atividade concedida é registrado no ativo permanente, em contrapartida a uma conta de passivo exigível representativa da obrigação assumida pela concessionária, pelo valor pago ou devido ao Poder Concedente. O valor do ativo é amortizado em parcelas iguais, pelo prazo de duração do contrato de concessão, aplicandose os arts. 301 e 325 do RIR/99. ... As variações ativas ou passivas a que se sujeita a obrigação assumida pela concessionária em face do Poder Concedente devem ser registradas na conta patrimonial representativa de referida dívida, a contrapartida de resultado, de acordo com o regime de competência, nos termos dos arts. 375 e 377 do RIR/99 (...)” (destaquei) Vêse que o referido acórdão acatou a dedutibilidade das despesas para fins de apuração do resultado do exercício, a partir da interpretação da natureza do contrato de exploração do sistema portuário, considerado contrato de concessão, passível de amortização pelo prazo de duração do direito (25 anos). Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 496 18 Na decisão ora recorrida, os julgadores de primeira instância reconheceram que, na essência, os fatos determinantes da lavratura do auto de infração analisado decorrem do mesmo contrato, cuja forma de contabilização foi apreciada pela Câmara Superior, mas afastaram, contudo, a aplicação pura e simples daquela decisão ao presente processo, por entenderem que não o julgamento deste não estaria atrelado ao daquele. A ação judicial referida pela PGFN foi protocolada pelo contribuinte, ora recorrente, na Justiça Federal do Paraná, em setembro de 2011, posteriormente à apresentação do recurso voluntário em análise, trazendo o seguinte pedido, litteris: 11. Em face disso, o Autor requer a concessão da tutela antecipada, para o fim de: (i) Determinar que a Ré, por intermédio de seus agentes, se abstenha da prática de qualquer ato de cobrança — seja lançamento de oficio ou lavratura de auto de infração — com fundamento no indeferimentos (sic) parcial do pedido de restituição nº 10907.001984/200266, no que tange à contabilização do contrato de arrendamento pelo TCP no período de julho de 1999 a abril de 2001. (ii) Como consequência, requerse também que seja determinado que a Ré se abstenha da prática de qualquer ato contrário à decisão administrativa definitiva já proferida pela CSRF, no sentido de efetuar cobrança com fundamento da negativa de validade do registro contábil do contrato de arrendamento para o período posterior a abril de 2001. IV. DO PEDIDO Em face do exposto, o Autor requer que a presente ação seja julgada procedente, para: a) conceder ou confirmar a tutela antecipada, nos termos acima requeridos. (destaquei) Cabe ressaltar que, ao indeferir o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, por ausência de verossimilhança suficiente das alegações, a Mm. Juíza da Vara Federal de ParanaguáPR, transcrevendo trecho da decisão da DRJ proferida em processo referente a outros períodos (10907.001644/201045), expressamente reconheceu que “defende o autor que a contabilização do contrato de concessão, definida no Acórdão nº 910100.445 da Câmara Superior de Recursos Fiscais deverá ser utilizada durante toda sua vigência de 25 anos”, mas que em análise preliminar concluiu que aquele acórdão, “relativo ao PAF nº 10907.001984/200266, não gerou o direito à parte autora de adotar a forma de registro contábil lá descrita para qualquer outra competência que não as estritamente analisadas, [...] e deferidas na decisão” (destaquei). É o que se extrai do seguinte trecho, disponível em http://www.jfpr.jus.br, in verbis: Analisando então os documentos e decisões administrativas anexadas à petição inicial, entendo relevante considerar as razões expostas para indeferimento de pedido semelhante relativo a competências posteriores, expostas no minucioso Acórdão 0632.371 da 1ª Turma da DRJ/CTA, proferido no PAF nº 10907.001644/201045. Desta decisão, serão Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 497 19 transcritos apenas alguns trechos, para que seja possível desenvolver o raciocínio pelo qual não vislumbro que o direito da parte autora pode ser de fato verificado de plano. Defende o autor que a questão da forma correta de contabilização do contrato de concessão, que deverá ser utilizada durante toda sua vigência de 25 anos, já foi definida no Acórdão nº 910100.445 da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Contudo, a 1ª Turma da DRJ/CTA, de forma diferente, defendeu que: 'Preambularmente, detectamos que o PAF 1907.001984/200266 foi julgado, em instância derradeira, pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Conselho Administrativo de Recursos fiscais (CARF), no Recurso Especial do Contribuinte nº 142.831 (Acórdão nº 910100.445, de 04/11/2009, juntado às fls... Essa decisão é irreformável no âmbito administrativo, definitividade que é referenciada, e sem precisão técnica, como 'coisa julgada administrativa'. Em verdade, tratase apenas de impossibilidade de alteração da decisão no âmbito administrativo, não se confundindo com o instituto da 'coisa julgada', estabelecido no art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal. O referido PAF 1907.001984/2002 66 tem como objeto exclusivamente 'pedido de restituição' cumulado com 'pedido de compensação'. Na dicção da decisão de 1ª instância, proferida anteriormente por esta mesma 1ª turma de Julgamento, assim foi relatado: Em 07/08/2002, a contribuinte acima qualificada protocolizou o Pedido de Restituição de fls. 01, acompanhado da petição de fls. 0206, e instruído com os documentos de fls. 0783. o indébito pretendido destinavase ao implemento da compensação constante do pedido de Compensação de fls. 84. É inequívoco que o pedido do contribuinte, no PAF sob comento, limitase a restituição de valores e à utilização desse crédito para a compensação com débitos tributários. E o pedido fixa os lindes do objeto da demanda e, pois, do objeto a ser decidido. A decisão final no PAF, proferida pela CSRF do CARF, apresenta do seguinte conteúdo em seu dispositivo (conforme fl..., verso, do presente processo): Pelos fundamentos acima expostos, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte, para manter a decisão recorrida no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e da CSLL apurados no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2000 e primeiro trimestre de 2001, e para determinar o retorno dos autos à Delegacia da receita Federal de origem, para que seja proferido outro despacho decisórios quanto aos pagamentos relativos às quotas do IRPJ e da CSLL apurados no segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001 e nos primeiro e segundo trimestres de 2002 nos termos dos itens (i) a (iv) acima. A decisão da CRRF mantém parcialmente a decisão recorrida, no que se refere ao período do segundo trimestre de 1999 até o primeiro Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 498 20 trimestre de 2001 e a invalidou no que se refere ao período do segundo trimestre de 2001 até o segundo trimestre de 2002. na parte em que invalidou a decisão recorrida, a CSRF não reformou diretamente a decisão, isto é, não proferiu ela mesma, CSRF, nova decisão substitutiva da decisão a quo. Ela apenas invalidou a decisão recorrida, para o período já delimitado, e fixou os critérios que deverão ser obrigatoriamente seguidos pela Delegacia da Receita Federal quando da prolação de nova decisão a respeito do objeto do PAF critérios esses indicados nos itens 'i' a 'iv', referenciados ao final do dispositivo. Os limites objetivos da decisão da CSRF cingemse à fixação dos critérios dos itens 'i' a 'iv' especificamente para a finalidade de prolação de nova decisão substitutiva da decisão que fora invalidada no próprio PAF, qual seja, nova decisão a respeito dos pedidos de restituição e de compensação feitos pelo contribuinte naquele PAF. Assim, quando a Delegacia da Receita Federal for reanalisar o próprio PAF em que foi exarada a decisão para proferir nova decisão a respeito dos pedidos nele vinculados restituição e compensação não poderá afastarse dos critérios estabelecidos como obrigatórios pela CSRF. Outrossim, para qualquer outra finalidade, as autoridades preparadoras e as autoridades julgadoras não se encontram vinculadas aos critérios 'i' a 'iv' fixados no precedente da CSRF. Isto é inerente à própria feição do aspecto objetivo da vinculação determinada pela coisa julgada (administrativa), isto é, pelo precedente fixado pela CSRF. (...) Entendo, portanto, que o que restou decidido alhures, mesmo tendo transitado em julgado com relação ao período de 1999 até o segundo trimestre de 2002, não vincula a decisão a ser proferida nestes autos, relativa a período posterior e mesmo em relação ao próprio período decidido, até porque está evidente que aspectos relevantes dos fatos não foram levados pelo Relator no exame dos demais membros da Turma, de sorte que aludida decisão se encontra assentada em premissas equivocadas e convicções pessoais divorciadas da técnica contábil. (...) Como visto, a competência do CARF limitase ao julgamento de questões que versem sobre a aplicação referente a tributos administrativos administrados pela Receita Federal do Brasil, de sorte que em momento algum foi deferida seja ao CARF, seja à CSRF competência para baixar normas contábeis. (...) Acolho o entendimento acima transcrito para defender, ao menos nesta análise preliminar, que o que foi definido no Acórdão nº 910100.445, relativo ao PAF nº 10907.001984/200266, não gerou o direito à parte autora de adotar a forma de registro contábil lá descrita para qualquer outra competência que não as estritamente analisadas, conforme definido no pedido inicial constante no caso concreto, e deferidas na decisão. Diante disto, não vislumbro qualquer ilegalidade no auto de infração representado no Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 499 21 PAF nº 10907.001644/201045, também mencionado na inicial como ilegal ter adotado interpretação diversa do acórdão que se quer tomar como paradigma, por ter chegado à solução diversa para outras competências compreendidas na execução contratual, uma vez que sua extensa fundamentação técnica traz fortes argumentos para defender entendimento contrário. (destaquei) Notese que, em que pese mencionar decisão da DRJ lavrada em outro processo (de nº 10907.001644/201045), a qual tem o mesmo teor da proferida nestes autos, a Mm. Juíza denega o pedido de extensão a “competências posteriores”, não abrangidas pela decisão da CSRF, o que abrange todos os períodos em que se discute a glosa de despesas decorrentes da contabilização do contrato com a ATTA, incluindo este caso. Diante dos fatos expostos, não resta dúvida que o recorrente optou por levar ao conhecimento do Poder Judiciário seu pleito de aproveitamento da decisão definitiva da CSRF para impedir a cobrança de créditos tributários referentes aos períodos subsequentes, o que inclui o caso concreto, e faz com que a situação presente se enquadre nos exatos termos da Súmula CARF nº 1, que dispõe, literalmente: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Deve seguir a mesma sorte o item referente às glosas decorrentes da compensação indevida de prejuízos fiscais apurados, assim como da base de cálculo negativa da CSLL, tendo em vista as reversões dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas nos períodosbase 2002, 2003 e 2004, através dos Autos de Infração dos processos 10907.000043/200809 e 10907.002493/200828, os quais se referem a períodos anteriores, mas com a mesma fundamentação deste. Assim, não conheço do recurso, em razão da concomitância com o objeto de ação judicial na parte em que se refere às glosas de despesas e compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL. Todavia, em relação ao terceiro item do lançamento, referente à diferença entre o valor escriturado e o valor confessado em DCTF, por não tangenciar o objeto da ação judicial, e estando presentes os pressupostos recursais, o recurso ofertado administrativamente deve ser conhecido. Passo a examinar as alegações da recorrente. Contabilização versus declaração Quanto ao lançamento da diferença entre o valor escriturado e o valor confessado em DCTF, a recorrente contesta justificando se tratar de compensação que fez em sua contabilidade com crédito de IRRF sobre aplicações financeiras, sem registrar na DCTF porque, na época, o sistema da RFB não aceitava essa informação. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 500 22 Ocorre que a compensação deveria ter sido obrigatoriamente informada na DIPJ/2005, conforme instruções de preenchimento do MAJUR, verbis: 10.1.3 IRPJ Lucro Real Trimestral Códigos 1599/1, 0220/1 e 3373/1 As pessoas jurídicas obrigadas à apuração do lucro real nos termos do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998, bem como as não obrigadas que adotarem esta forma de tributação, devem, ao preencher o campo "Total do imposto líquido a pagar, apurado no período, antes de efetuadas as compensações" da Ficha Valor do Débito", observar as orientações apresentadas a seguir. (...) 10.1.3.1 Total do imposto líquido a pagar, apurado no período, antes de efetuadas as compensações Neste campo deve ser informado o valor total do imposto devido, apurado no trimestre. O valor a ser informado é o resultante da aplicação da alíquota do imposto de renda sobre a base de cálculo, acrescido do adicional do imposto, após deduzidos o imposto de renda pago ou retido sobre valores que compõem a base de cálculo do imposto e os incentivos fiscais e antes de efetuadas as compensações, observados os limites legais estabelecidos, conforme a seguir demonstrado: O valor a ser informado pelas pessoas jurídicas em geral é: LUCRO REAL x Alíquota de 15% ( + ) Adicional (vide subitem 10.1.3.2) DEDUÇÕES ( ) Operações de Caráter Cultural e Artístico ( ) Programa de Alimentação do Trabalhador ( ) Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI) / Agropecuário (PDTA) ( ) Atividade Audiovisual ( ) Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente ( ) Isenção de Empresas Estrangeiras de Transporte ( ) Incentivos Regionais de Redução e/ou Isenção do Imposto ( ) Incentivo de Redução por Reinvestimento ( ) Imp. Pago no Exterior s/Lucros, Rendim. e Ganhos de Capital ( ) Imposto de Renda Retido na Fonte ( ) Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgãos Públicos ( ) Imposto de Renda Retido na Fonte por Entidade da Administração Pública Federal ( ) Imp. Pago Incidente sobre Ganhos no Mercado de Renda Variável = TOTAL DO IMPOSTO LÍQUIDO A PAGAR, ANTES DE EFETUADAS AS COMPENSAÇÕES Atenção: (...) 10.1.3.3 Outras considerações: I Imposto de Renda Retido na Fonte Estão incluídos, na dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte, os valores relativos às retenções efetuadas sobre: as receitas da prestação de serviços caracterizadamente de Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10907.001484/200909 Acórdão n.º 120200.722 S1C2T2 Fl. 501 23 natureza profissional, as comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou mediação de realização de negócios civis e comerciais, os serviços de propaganda e publicidade, as receitas de prestação de serviços de administração de convênios, multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização e juros remuneratórios de capital de que trata o art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995. Incluemse, também, na dedução do IRRF, as retenções efetuadas sobre rendimentos de renda fixa e de renda variável que compuseram a base de cálculo do imposto no período, observada legislação pertinente.” (destaquei). Para a DCTF deve ser transposto o valor líquido a pagar, já compensado com as retenções sofridas no período. Dos autos se extrai que nenhum valor a título de IRRF foi declarado na linha 13 da Ficha 12A da DIPJ/2005 (fl.250). Ademais, sendo ônus do contribuinte comprovar a retenção e a tributação dos rendimentos respectivos, também não foram carreados aos autos provas da efetiva tributação da receita correspondente às retenções alegadas. Assim, voto por não conhecer parcialmente do recurso, quanto às glosas de despesas e compensação indevida de prejuízo fiscal e base de cálculo da CSLL, em razão de concomitância com o objeto da ação ordinária nº 500270306.2011404.7008, ajuizada pelo recorrente na Justiça Federal de ParanaguáPR e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11159.000201/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2010
DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de
Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência a multa correspondente.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3301-001.392
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência a multa correspondente. Recurso Negado.
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 03/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Alan Fialho Gandra, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidasede recurso em face do acórdão que manteve a multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Contribuições Sociais – DACON, ao mês de janeiro de 2010, no valor total de R$ 500,00 (valor mínimo), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – DACON. 0 cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributaria, sujeita o infrator A aplicação das penalidades legais. 0 DACON relativo ao mês de janeiro/2010 deveria ser apresentado até o 5° (quinto) dia útil do mês de março/2010 (05/03/10). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Conforme o relatório do acórdão recorrido, trata o presente processo de multa expedida através da Notificação de Lançamento de fl. 11, decorrente do atraso na entregado Dacon referente ao mês de janeiro de 2010, no valor total de R$ 500,00 (valor mínimo). 2. Sendo a data do vencimento da exigência em 26.04.2010, considerase tempestiva a impugnação apresentada em 07.04.2010 (fls.01/10), na qual a interessada, emsíntese: a) Reclama de uma série de dificuldades criadas pela Receita Federal relativas a dificuldades técnicas e de informação; b) A nova regra de apresentação mensal do Dacon a partir de janeiro de 2010 somente foi disciplinada pela Instrução Normativa RFB no 1.015, de 05.03.2010 (DOU de 08.03.2010), causando problema para as empresas; c) Alega falta de clareza na Instrução Normativa que vigorou até 07.03.2010, no que se refere à entrega do Dacon mensal pelas empresas que entregavam semestralmente, fato que somente foi aclarado com a IN 1.015, de 2010; d) Afirma haver constado informação errada no sitio da Receita Federal na internet, quando havia a previsão de prazos para apresentação dos demonstrativos mensal e semestral; e) Falta clareza e objetividade na sucessiva edição de atos para regulamentar a matéria em questão. Cientificada em 17/02/2011 (AR fl. 30), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 31 e seguintes, em 04/03/2011, em síntese, reiterando as razões constantes de sua impugnação. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11159.000201/201018 Acórdão n.º 330101.392 S3C3T1 Fl. 61 3 Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. A multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7º da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º. A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifado) Ademais disto, nem mesmo quando presente a denúncia espontânea, o que não é o caso, ainda assim é devida a multa decorrente do atraso na entrega de declaração, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de março de 2012 ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 35301.003210/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/04/1994, 01/11/1995, 31/12/1988
PREVIDENCIARIO. CUSTEIO. DESCARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO
PACTUADO. DECADÊNCIA
1-Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e como não houve a comprovação por parte da fiscalização de que não houve antecipação de pagamento, aplica-se a regra do artigo 150 § 4° do CTN.
2 -Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vinculo laboral do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigo 12, I, 'a' e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, § 2° do
Regulamento da Previdência Social -RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.077
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 08/1996. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência ate 11/1995. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/1994, 01/11/1995, 31/12/1988 PREVIDENCIARIO. CUSTEIO. DESCARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. DECADÊNCIA 1-Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e como não houve a comprovação por parte da fiscalização de que não houve antecipação de pagamento, aplica-se a regra do artigo 150 § 4° do CTN. 2 -Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vinculo laboral do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigo 12, I, 'a' e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, § 2° do Regulamento da Previdência Social -RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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CUSTEIO. DESCARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. DECADÊNCIA 1-Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e como não houve a comprovação por parte da fiscalização de que não houve antecipação de pagamento, aplica-se a regra do artigo 150 § 4° do CTN. 2 -Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa fisica prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vinculo laboral do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigo 12, I, 'a' e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, § 2° do Regulamento da Previdência Social -RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / la Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 08/1996. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por DE OUZA — Relatora CLEUSA VIE declarar a decadência ate 11/1995. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SA AIO FREIRE - Presidente Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 35301.003210/2006-43 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.077 Fl. 329 Relatório Trata-se de Crédito Previdencidrio lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito -NFLD n° 35.495.993-0, lavrada em complementação à NFLD 0 35.371.592-1, da qual foram suprimidos os lançamentos nesta constantes, por força de determinação contida no Acórdão 001177/2004, da 2a Câmara de Julgamento do CRPS, tornados nulos por vicio formal: Ausência de Fundamento Legal da aferição indireta. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 47/56, o Crédito Previdencidrio ora lançado, refere-se às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes â. parte dos empregados, parte da empresa, financiamento da complementação das prestações do seguro acidente do trabalho — SAT até a competência junho/1997 e financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, a partir da competência julho/1997, no período de 04/1994 e 11/1995 a 12/1998. Segundo o referido relatório fiscal, constitui fato gerador das contribuições objeto do presente lançamento, as remunerações pagas a diversos segurados, relacionados no presente relatório fiscal, com sócios de empresas contratadas pela empresa, enquadrados na categoria de segurado empregado, pela fiscalização, vez que restaram evidenciado os elementos caracterizadores do vinculo empregaticio, porém a fiscalização constatou de forma consistente, a presença de elementos formadores da relação empregaticia. Informa o auditor fiscal que em todos os casos, os contratos entre elas e a Rádio Globo S/A são particularizados. Para cada uma das empresas existe um instrumento especifico contratando o serviço de cada sócio individualmente, conforme se verifica dos itens 10.4 a 10.9 (fls. 43/51). Tempestivamente a empresa notificada apresentou impugnação às fls. 62/115 alegando, em síntese, o seguinte: No que diz respeito aos lançamentos relativos â. rubrica "Despersonalização da Pessoa Jurídica", ocorreu a decadência do direito de se efetuar o lançamento desta NFLD, acostando aos autos doutrina e jurisprudência; Que a fiscalização deveria apenas ter retificado o erro formal encontrado na NFLD 35.371.592-1, e não poderia ter inovado, alterando de forma retroativa o critério do lançamento original, conforme artigo 173, II do Código Tributário Nacional; Que a autoridade fiscal invadiu a competência exclusiva da justiça do trabalho para reconhecer a existência de vinculo empregaticio nas relações trabalhistas; Que não pode ser feita a desconsideração da personalidade jurídica das empresas que prestam serviços à Notificada, através de seus sócios, pois não há previsão legal para tal, pois o parágrafo iini9co do artigo 116 do CTN não foi regulamentado, além disso, o fundamento legal invocado, artigo 229, § 2° do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99, não é aplicável à hipótese em tela; Que a fiscalização não pode caracterizar a existência de vinculo empregaticio nos termos do artigo 3° da Consolidação das Lei dos Trabalho, eis que não está presente o elemento da subordinação, caso esta se configurasse, seria o caso de enquadrar os contratos celebrados entre pessoas jurídicas como de cessão de mão-de-obra; Que quanto ao lançamento "Contratos Artísticos", ocorre também, a decadência, bem como a invasão de competência da Justiça do Trabalho no que tange A. caracterização do vinculo empregaticio; além disso a autoridade fiscal não pode presumir a ocorrência de fatos geradores, mas apenas arbitrar a respectiva base de cálculo, nos termos do artigo 33, § 3° da Lei n° 8212/91, por fim requereu a insubsistência da NFLD, por absoluta falta de amparo legal. A Delegacia da Receita Previdencidria —Rio de Janeiro — Centro, por meio da Decisão — Notificação n° 17.401.4/0199/2006, julgou procedente o lançamento, trazendo a decisão a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃ 0 PREVIDENCIA RL4. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Verificada a prestação de serviços por segurados que preencham os requisitos do art. 12, inciso I, alínea "a" da Lei 8212/91, não importando qual tenha sido a forma de contratação, competente o auditor fiscal do INSS para lançar as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneragii o paga. A contração de segurados através de pessoa jurídica interposta autoriza a desconsideração desse contrato, uma vez caracterizados os pressupostos da relação de emprego. LANÇAMENTO PROCEDENTE Contra a decisão, a contribuinte interpôs recurso especial a este Conselho, confoillie razões expendidas As fls. 258/305, em que alega que a decisão deve ser reformada, reiterando todas razões aduzidas em sua impugnação. Ao final pede que a referida decisão seja reformada para cancelar ao NFLD em questão , com a conseqüente extinção do Crédito tributário Houve depósito recursal obrigatório, nos termos da legislação em vigor, conforme documento de fls. 307. A Secretaria da Receita Previdencidria ofereceu contra-razões (fls. 315/317). o relatório. 4 Processo n°35301.003210/2006-43 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.077 Fl. 330 Vo to Conselheira Cleusa Vieira de Souza, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e preparado com o depósito recursal. Antes de proceder à análise de mérito das razões do presente recurso, cumpre apreciar, como preliminar, a decadência suscitada Com relação à qual, vale esclarecer que até a Seção do mês de maio/2008, esta Camara de julgamento, bem como esta Conselheira mantinha o entendimento de que a constituição do crédito previdencidrio, aplicava-se as disposições contidas na Lei n° 8212/91, art. 45 que determina: "o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se em após dez anos a contar do 1° dia do exercício seguinte aquele que o crédito poderia ter sido constituído". Entretanto, o Supremo Tribunal Federal - STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, sendo vejamos: Súmula Vinculante n° 8"Scio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a la Turma do STJ pronunciou-se nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CT1V, ART. 150, ,sç ).PRECEDENTES DA 1" SEC -A- O. 1. omissis 2. omissis 3. 0 prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CT1V, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4 0 do art. 150 do CTN. Precedentes da 1" Seção: ERESP 101.407/SP, MM. An Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Francitilli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zawtscki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a la Turma do STJ, mais uma vez, pronunciou-se nos temos da ementa colacionada: "EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁ RIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCICIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART 150, § 4°). PRECEDENTES DA la SEÇÃO. I. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe a lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas a Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp n° 616348/MG) 2. 0 prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pãblica constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 6 Processo n° 35301,003210/2006-43 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.077 Fl. 331 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, to mando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " , há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. a orientação também defendida em doutrina: "Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica as relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributciria, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o calculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. E neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelá-lo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente a do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere a regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário a Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6" ed., p. 1011) "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fczzendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in cdbis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada" (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CIN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404) No caso em exame, por se tratar de contribuições relativas As remunerações de alguns trabalhadores, enquadrados pela fiscalização, com segurados empregados, e possível concluir que essas não são as únicas contribuições a cargo da empresa e devidas pelos segurados, de responsabilidade de Recorrente, portanto, como não houve a demonstração por parte da fiscalização que não houve a antecipação de pagamento, para a aplicação da rega contida no artigo 173, entendo que há que se aplicar ao caso a regra do art. 150, § 4 0, do CTN. , ou seja, conta-se o prazo decadencial a partir do fato gerador. Assim, como se trata de um lançamento efetuado em substituição de outro anulado por vicio formal, há que se verificar a decadência, considerando a época do primeiro lançamento, cuja NFLD foi emitida em 27/09/2001. Dessa maneira, as contribuições apuradas referentes a competência de 04/1994 e ao período de 11/1995 a 08/1996 já se encontravam fulminadas pela decadência, razão porque acolho a preliminar suscitada para excluir do presente lançamento, as contribuições relativas aos períodos mencionados. Superada a preliminar suscitada, passo A apreciação das razões de mérito do presente recurso. Conforme relatado, trata-se de Crédito Previdencidrio lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Debito -NFLD ri° 35.495.993-0 que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 27/56, foi lavrada para complementar a NFLD n°35.371.592-1, da qual foram suprimidos os lançamentos, nesta constantes, os quais foram anulados por vicio formal, por meio do Acórdão n° 2aCaRCRPS/1177/2004 e se refere As contribuições devidas A. Seguridade Social, correspondentes A. parte dos empregados, parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, além das contribuições devidas a terceiros (FNDE, Salário Educação, INCRA SENAC SESC e SEBRAE), no período de 04/1994 e de 11/1995 a 12/1998. Informa o citado relatório fiscal que o fato gerador das contribuições objeto do presente lançamento são as remunerações pagas aos trabalhadores enquadrados, pela fiscalização, na categoria de segurados empregados, vez que restaram evidenciados os elementos caracterizadores da relação do vinculo empregaticio. Em sua impugnação, bem como em suas razões de recurso, a recorrente aduz: Que a fiscalização deveria apenas ter retificado o erro formal encontrado na NFLD 35.371.592-1, e não poderia ter inovado, alterando de forma retroativa o critério do lançamento original, conforme artigo 173, II do Código Tributário Nacional; Nesse sentido, vale esclarecer que, conforme se verifica dos autos, o presente lançamento foi efetuado para substituir rubricas excluídas da NFLD n°35.371.592-1, por vicio formal, os quais haviam sido lançados por aferição indireta, sem a devida indicação do fundamento legal que autorizava tal procedimento. Contudo, esclarece a autoridade lançadora que, no decorrer da fiscalização que originou o presente lançamento, a empresa apresentou novos elementos que permitiram a apuração da base de cálculo sem o mesmo arbitramento utilizado anteriormente. Nesse caso, nem seria admissivel o procedimento de aferição indireta, uma vez estando a fiscalização de posse de elementos que possibilitavam a correta identificação da base de cálculo. Não houve, portanto, nenhuma alteração dos critérios jurídicos, como afirma a recorrente, de apuração do crédito, apenas, a apuração de acordo com a legislação pertinente, com base em nova documentação trazida pela contribuinte. Com relação ao argumento de que a autoridade fiscal invadiu a competência exclusiva da justiça do trabalho para reconhecer a existência de vinculo empregaticio nas 8 Processo n° 35301.003210/2006-43 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.077 Fl. 332 relações trabalhistas, também, não lhe confiro razão, porquanto, nos termos do § 2° do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social —RPS, aprovado pelo Decreto no 3048, em que se pautou a autoridade lançadora, constatada a existência das condições referidas no incido I do caput do artigo 9°, do mesmo regulamento, c/c o art. 12, inciso I alínea "a" da Lei n° 8212/91, o Auditor fiscal deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o devido enquadramento como segurado empregado. Importa salientar, ainda, que não se trata aqui de estabelecer o reconhecimento de vinculo de emprego para os fins da Justiça do Trabalho, mas tão-somente para a caracterização do trabalhador como segurado empregado, sujeito à incidência de contribuições previdencidrias. Ressalte-se, todavia, que na esfera previdencidria, como na trabalhista, o contrato de emprego, é um contrato-verdade, se aplica o conceito da primazia da realidade, ou seja, verificada a existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego, cabe a fiscalização enquadrar o trabalhador nessa categoria, e foi o que ocorreu no presente caso, a fiscalização ao verificar o preenchimento das condições referidas nos dispositivos legais encimados, enquadrou como segurados empregados os efetivos prestadores daqueles serviços em que ficaram patentes os elementos caracterizadores da relação de emprego: não eventualidade, a habitualidade, a subordinação, a onerosidade, a pessoalidade (exclusividade). Em que pese o argumento de que não pode ser feita a desconsideração da personalidade jurídica das empresas que prestam serviços à Notificada, através de seus sócios, pois não há previsão legal para tal, pois o parágrafo único do artigo 116 do CTN lido foi regulamentado, não lhe cabe razão, eis que, como já dito, no presente caso, a desconsideração a personalidade jurídica não significa desconstituição a pessoa jurídica, mas simplesmente, para fins previdencidrios, desconsiderou-se a interposição da pessoa jurídica como contratada, já que essa foi somente utilizada para disfarçar a relação trabalhista real. Com efeito, o entendimento adotado pelo AFPS se mostra coerente, correto e irretocável, na medida em que a situação fática apurada acenava para uma realidade oposta a que alega o contribuinte. Dessa maneira, correto é lançamento, porquanto observou todos os requisitos legal§ para a sua constituição, especialmente aqueles do artigo 142 do CTN e do artigo 37, da Lei n. ° 8.212/91 e assim, a despeito da argumentação apresentada pelo recorrente, não vejo nela qualquer fundamento que possa levar à desconstituição do crédito previdencidrio ora atacado, uma vez que se encontra revestido das formalidades legais exigidas para a sua constituição. Por todo o exposto VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, no sentido de acolher a preliminar de decadência, para excluir do lançamento as contribuições relativas á. competência 04/1994 e aquelas relativas ao período de 11/1995 a 08/1996, nos termo do artigo 150 § 4° do Código Tributário Nacional e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo inalterada a Decisão —Notificação —DN n° 17.401.4/0199/2006. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 CLEUSA VIEIRA DE SOUZA - Relatora 9 e abril de 2010 Brasil MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 35301.003210/2006-43 Recurso n°: 147.764 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto â. Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2" -01.077 ELIAS S • ilk • F' IRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 15374.003392/00-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IRRF. BENEFÍCIOS INDIRETOS. DESPESAS COM VEÍCULOS. ÔNUS DA PROVA DO DESVIO DE UTILIZAÇÃO. Correto o entendimento de que cabe à fiscalização comprovar que o uso de veículos, devidamente registrados no imobilizado da pessoa jurídica, estaria sendo feito em atividades estranhas ao seu funcionamento e não nas suas atividades operacionais.
Numero da decisão: 9101-001.373
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 0 Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior votou pelas conclusões. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarou-se impedida. Fez sustentação oral a Dra. Vivian Casanova OAB/RJ 128.556.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José Ricardo da Silva
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IRRF. BENEFÍCIOS INDIRETOS. DESPESAS COM VEÍCULOS. ONUS DA PROVA DO DESVIO DE UTILIZAÇÃO. Correto o entendimento de que cabe a. fiscalização comprovar que o uso de veículos, devidamente registrados no imobilizado da pessoa jurídica, estaria sendo feito em atividades estranhas ao seu funcionamento e não nas suas atividades operacionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 0 Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior votou pelas conclusões. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarou-se impedida. Fez sustentação oral a Dra. Vivian Casanova OAB/RJ 128.556. OTACtLIO DANTAS TAXO - Presidente. Th JOSE RIC '• " O 0.-16.11 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente, justificadamente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1163/1171) contra decisão parcialmente não unânime proferida no Acórdão n° 103-23.188, na sessão de 12 de abril de 2007 (fls . 1151/1160), pela extinta Terceira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por contrariedade is provas constantes nos autos e à lei, com espeque no art. 70 do então vigente Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, Anexo II, de 25 de junho de 2007, o qual, no seu inciso I, disptie que cabe recurso especial ao Procurador da Fazenda Nacional de decisão não unânime da Câmara quando "for contrária à lei ou à evidencia de prova". A controvérsia posta em discussão pela Procuradoria da Fazenda Nacional está devidamente delineada no seu Recurso Especial, conforme segue ( fl s. 1164): No que interessa ao presente recurso, a DRJ assim entendeu a questão da despesa com veículos da recorrida: "DESPESAS COM VEÍCULOS. As despesas operacionais com veículos são dedutiveis, desde que comprovado que as mesmas mantêm intrínseca relação com a produção e comercialização dos bens e serviços." No Termo de Constatação de Irregularidades, constante da Peça Básica (fls. 218), a matéria em discussão está assim descrita: "Após análise da relação de veículos apresentada pela empresa e constantes do seu imobilizado Os. 55), constatamos que não há nenhum veículo registrado que esteja intrinsecamente relacionado com a produção ou comercialização de bens e serviços nos termos do disposto no Parágrafo Único do art. 25 da Instrução Normativa SRF n° 11, de 21/02/1996." Sendo assim, a matéria tributável que remanesce à nossa apreciação se resume à glosa de despesas com veículos, considerada pela autoridade de fiscalização como remuneração indireta. A decisão guerreada está assim ementada (fls. 1151): IRRF. BENEFÍCIOS INDIRETOS. DESPESAS COM VEiCULOS ONUS DA PROVA DO DESVIO DE unuzAçÃo. Cabe à fiscalização caracterizar o uso de veículos em beneficio dos sack's e não nas atividades operacionais da pessoa jurídica. Consta do voto condutor da decisão recorrida que (fls. 1151): (-) A referida relação de veículos contem 1 (um) Verona, 1 (um) Tempra, 1 (um) Monza, 1 (um) Kadet, I (um) Mondeo, 2 (dois) Escort e 3 (três) Parati. Por outro lado, em nenhuma das 7 (sete) intimações expedidas, a autoridade fiscal solicitou da fiscalizada comprovação da utilização dos veiculas na sua atividade operacional. 2 Processo n° 15374.003392/00-61 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101- Fl. 2 No recurso (voluntário), a autuada informou possuir época mais de 800 clientes ativos, 1.050 fornecedores e prestadores de serviços e 500 funcionários; juntou quadro de utilização dos veiculas porfiinciondrio e reiterou a afirmação de uso dos veículos na sua atividade operacional. 0 quadro demonstrativo apresentado apenas indica vinculação dos veículos aos funcionários que supostamente os utilizam, sem, no entanto, fornecer maiores detalhes de controle (A1.112/1.113). Nesse item de autuação a fiscalização não apresentou os elementos caracterizadores da infração apontada, limitando-se a concluir pelo desvio de utilização da atividade operacional da fiscalizada sem respaldo em provas. Nesses casos, para os quais inexiste suporte legal para utilização de presunções, incumbe ao fisco reunir os elementos comprobatórios da infração indicada. Sobre Onus probatório do fisco, assim dispõe o Decreto lei 1.598/77, no seu Art. 9°: "Art 9° - A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, coin base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § I° - A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos /labels, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2° - Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1°. § 3° - O disposto no § 2' não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração." Dando sequência a esses fundamentos, o voto condutor recorre ainda ao art. 79 do Decreto n° 5.844/43, verbis (fls. 1160): "Art. 79. Far-se-6 o lançamento ex officio: § 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indicio veemente de sua falsidade ou inexatidão. Faz citaçâo doutrinária e conclui que: 3 Dessa forma, entendo que a infração não foi devidamente provada pela autoridade fiscal, o que, ressalve-se, não significa dizer que não tenha ocorrido no mundo real, no entanto, não pode ser sustentada como verdade processual. No seu recurso, argumenta o representante fazendirio que: Inicialmente convém, desde já, asseverar que o fato das intimações fiscais em face da recorrente não ter tratado especificamente das despesas com veículos, não afasta o fato notório de que, a contribuinte deveria comprovar a necessidade e efetividade destas despesas e seu laço intrínseco com suas atividades, o que não foi feito em momento algum, seja no momento inquisitivo, seja no curso do presente processo administrativo instaurado. Alias, o próprio Relator admite que não houve qualquer comprovação por parte do contribuinte de que a utilização dos veículos por seus funcionários está entrelaçada com sua atividade operacional. 0 artigo 242 do RIR/94 dispõe que as despesas operacionais devem ser consideradas aqueles gastos não computados nos custos, mas necessários ás transações ou operações da empresa, e que, além disso, sejam usuais e normais ei atividade da empresa. Ou seja, os gastos devem estar intrinsecamente relacionados com a produção ou manutenção dos bens e serviços prestados pela empresa contribuinte. Feitas estas considerações iniciais já consabidas, deve- se então analisar o ponto nevrálgico dos autos. Na realidade, a questão pauta-se no fato de se saber a quem compete o ônus da prova para que tais despesas sejam ou não consideradas despesas operacionais e como tais, passíveis de dedução do imposto de renda. Contudo, como bem inclusive reconheceu o Relator, a recorrida apenas listou os automóveis de sua propriedade e os gastos coin tais veículos, não juntando qualquer documento que demonstrasse indícios de que tais bens estavam relacionados com sua atividade. Convem destacar, como foi jet ressaltado na decisão da primeira instância (fl. 1022), que os DARFs pagos de fls. 310/313 que a interessada sustentou se tratarem de pagamentos efetuados em fiinção da utilização mista dos veiculas, a mesma não comprovou que tais valores se referiam aos dias não fiteis (destaque-se: criteria este puramente aleatório) em que os veículos foram utilizados ou de qualquer outro tipo de remuneração de seus empregados. Ademais, com este argumento expresso tecido em suas razões recursais, somente reforça-se a ilação de que os veículos não estavam essencialmente relacionados com a produção de forma intrínseca, como requer a lei. Fazendo citação de precedentes do extinto Conselho de Contribuintes, mediante transcrição da ementa desses julgados, conclui seus argumentos asseverando que Desta maneira, resta induvidoso que o r. acórdão violou o artigo 242 do RIR/94. Além de violar as normas do 4 Processo n° 15374.003392/00-61 CSRF-T1 AcOrcLio n.° 9101- Fl. 3 procedimento administrativo fiscal federal previsto no Decreto n° 70.235/71, corn a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97, da qual estabelece que é 'Onus do contribuinte apresentar as provas para afastar a exigência fiscal. 0 recurso foi admitido consoante Despacho n° 103-0.167/2008 (fls. 1124), tendo a contribuinte contra arrazoado os argumentos fazendarios, assim sintetizados (fls. 1178/1187): - que no Termo de Intimação ao qual foi dada ciência et Recorrente em 1° de setembro de 2000, solicitou a autoridade, genericamente: "e) discriminar, por cada mês de 1997, as seguintes contas de custos/despesas (fichas 04, 05 e 06 — declaração de IRPJ): (.) - despesas c/ veículos. tendo, em Termo de Intimação posteriormente apresentado, feito apenas a seguinte solicitação: "g) despesas: apresentar cópia do Razão de despesas de manutenção e legais de veiculas constantes do imobilizado da empresa, fazendo uma relação dos mesmos;" que nada mais lhe teria sido solicitado pela fiscalização, tendo assim entendido que todas as dúvidas porventura existentes teriam sido devidamente esclarecidas e que os elementos fornecidos foram suficientes para convencer a autoridade fiscal da necessidade das despesas, sendo surpreendido pelo recebimento de Termo de Constatação de Irregularidades no qual as despesas relativas a todos os veículos da Recorrida foram consideradas como "Remuneração Indireta", sob o argumento de que Após análise da relação de veículos apresentada pela empresa e constantes de seu imobilizado (fls.), constatamos que não há nenhum veiculo registrado que esteja intrinsecamente relacionado com a produção ou comercialização de bens e serviços nos termos do disposto no Parágrafo Unico do art. 25 da Instrução Normativa SRF 11, de 21.02.1996. que essa análise fiscal teria sido efetuada sem a devida atenção, porquanto incluíra na sua relação de veículos considerados como remuneração indireta uma empilhadeira, que, muito embora tenha tido sua glosa afastada pela decisão de primeira instancia, bem demonstra a absoluta deficiência do exame levado a cabo pela autoridade lançadora na valoração das provas que solicitara da Recorrida; que depois de se pedir ao contribuinte, submetido à fiscalização, que apresente os documentos "x" e "y" para comprovar a dedutibilidade de uma despesa, não pode, tendo o contribuinte apresentado esses documentos e uma vez encerrada a fiscalização, considerar não dedutivel a despesa sob o pretexto de que não foi provado fato que somente seria passível de comprovação mediante a apresentação do documento "z", não solicitado ao contribuinte; - que não é cabível o argumento recursal de que estaria sendo desatendido o disposto no art. 242 do R1R194, porquanto a questão não se trata do que ocorre no momenta posterior ao lançamento em que de fato há um "Onus do contribuinte para apresentar as provas para afastar a exigência fiscal", mas no momento prévio ao lançamento, em que a autoridade fiscal tem o dever de provar a ocorrência do fato gerador; - que razão assistiria a Procuradoria da Fazenda se estivéssemos diante de uma situação a que se aplicasse uma presunção legal relativa, como, por exemplo, a prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Com efeito, se o extrato bancário do contribuinte indica a existência de depósito em relação ao qual o contribuinte não logra demonstrar sua origem, basta apenas esse fato para que fique caracterizada a omissão de receita. A fiscalização não precisa, uma vez constatada a existência de deposito de origem não comprovada, ir atrás de outros indícios ou provas para lavrar o auto de infração. - que estaríamos, assim, diante de uma presunção simples, f 7endo-se necessário que a autoridade fiscalizadora demonstre, mediante provas ou indícios robustos, a irregularidade tributária do contribuinte. E necessário que a autoridade empenhe os esforços necessários para coletar todos os elementos que realmente lhe permitam concluir sobre a existência da infração. Não exercida de modo satisfatório essa atividade de investigação, não pode ser mantido o lançamento, como bem demonstra a decisão proferida por esta Primeira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, assim ementada (.); - que em se tratando de veículos que à primeira vista não seriam utilizados nas atividades operacionais da empresa, ao contrário do que ocorre no caso de o veiculo ser uma empilhadeira, caberia à autoridade fiscal averiguar qual a utilização que aos mesmos era dada pela fiscalizada, já que se trata de veículos (um Verona, um Tempra, um Monza, um Kadet, um Mondeo, dois Escort e três Parati) que poderiam, em princípio ser utilizados (corno de fato foram) no atendimento aos quase mil clientes que a Recorrida atendia nos mais diversos locais; - que, nesse contexto, se alguma dúvida ainda restava a autoridade fiscal sobre a utilização dos veículos nas atividades operacionais da Recorrida, deveria ter solicitado a ela a sua comprova cão, coisa que não fez em nenhuma das sete intimações expedidas, como bem observou o relator da decisão recorrida, quando afirmou que: "Por outro lado, em nenhuma das 7 (sete) intimações expedidas, a autoridade fiscal solicitou da fiscalizada comprovação da utilização dos veículos na sua atividade operacional." - que, por fim, quanto à abundante Jurisprudência trazida pela Recorrente, a Recorrida alerta para o fato de que as referidas decisões somente dizem, o que é corretíssimo, que o sujeito passivo tem o dever de demonstrar a dedutibilidade de suas despesas, (...) Mas para que alguma delas pudesse, como pretende a Procuradoria da Fazenda, aplicar-se ao presente caso, seria necessário que reconhecesse a possibilidade de a autoridade fiscal glosar despesa, como indedutível, quando em nenhum momento, ao longo do procedimento de fiscalização, questionou a dedutibilidade ou dela pediu prova.(...) Não sendo este o caso, nenhuma das decisões trazidas pela Procuradoria da Fazenda aplica-se a presente hipótese. o relatório. 6 Processo n° 15374.003392100-61 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101- Fl. 4 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator. O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e assente em lei, obtendo seguimento através do Despacho n° 103-0.167/2008 (fls. 1174), devendo ser conhecido em face de a sua fundamentação ter sido por decisão não unânime proferida em contrariedade A lei ou As provas constantes dos autos, prevista no inciso I do art. 7° do então vigente Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, Anexo II, de 25 de junho de 2007. Extrai-se do relatório que a questão a ser apreciada diz respeito exclusivamente à dedutibilidade de despesas com veiculas, à luz do que disciplina o art. 242 do RIR/94, porquanto a necessidade das despesas para a atividade da empresa com os veículos relacionados não teria sido comprovada, havendo o acórdão combatido, segundo os argumentos recursais, violado também as normas do procedimento administrativo fiscal, Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei ri° 9.532/97, que atribuira ao contribuinte o emus probatório para afastar a exigência fiscal. No caso sob análise, a fiscalização considerou desnecessárias as despesas incorridas com veículos que supostamente não teriam relação com a atividade da empresa, partindo do principio de que sendo esses veículos (automóveis para transporte de passageiros) não guardaria relação alguma com as atividades de produção e comercialização de bens e serviços desenvolvidos pela então fiscalizada. A propósito, vê-se que a fiscalização não se empenhou em buscar evidências de que referidos veículos não eram utilizados pela empresa para o desenvolvimento das suas atividades, passando a considerar, de pronto, que as despesas com a manutenção dos mesmos seriam desnecessárias, certamente pelo simples fato de serem automóveis para transporte de passageiros. Com efeito, não considero ser essa a forma correta de se glosar despesa com veículos cuja propriedade é da empresa que se encontra sob ação fiscal, pois a autoridade de fiscalização dispõe de meios legais que podem e devem ser utilizados para que sua acusação esteja baseada em elementos probatórios da sua real procedência. Entendo, assim, com a devida vênia da recorrente, que o acórdão guerreado está correto ao afirmar que, por se tratar de uma presunção simples, o ônus da prova de que tais veículos não seriam utilizados nas suas atividades é do fisco, o qual sequer se dispôs a requerer da fiscalizada que justificasse o porquê da existência de tais veículos no seu imobilizado, já que, à primeira vista, o entendimento fiscal era o de que os mesmos não seriam utilizáveis nas atividades da fiscalizada. Peço vênia para transcrever excertos do voto condutor da decisão recorrida, que de forma precisa expôs o porquê da inconsistência do lançamento fiscal: 7 No recurso (voluntário), a autuada informou possuir à época mais de 800 clientes ativos, 1.050 fornecedores e prestadores de serviços e 500 funcionkrios; juntou quadro de utilização dos veículos por funcionário e reiterou a afirmação de uso dos veículos na sua atividade operacional. Nesse item de autuação a fiscalização não apresentou os elementos caracterizadores da infração apontada, limitando-se a concluir pelo desvio de utilização da atividade operacional da fiscalizada sem respaldo em provas. Nesses casos, para os quais inexiste suporte legal para utilização de presunções, incumbe ao fisco reunir os elementos comprobatórios da infração indicada. Sobre Onus probatório do fisco, assim dispõe o Decreto lei 1.598/77, no seu Art. 9°: "Art 9° - A determinação do lucro real pelo contribuinte esta sujeita a verificacdo pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1° - A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2° - Cabe a autoridade administrativa a prova da inveracidctde dos fatos registrados com observância do disposto no § 1°. § 3° - 0 disposto no § 2' não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o Onus da prova de fatos registrados na sua escrituração." Por essas razões considero que a decisão recorrida atende As determinações do dispositivo acima transcrito, pois, se os veículos estavam devidamente registrados no imobilizado da empresa, não havendo prova de que os mesmos estivessem sendo utilizados em atividades que lhe seriam estranhas, mostra-se inconsistente a imposição fiscal. Sendo assim, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. fl ---,--- José a
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Numero do processo: 11610.022453/2002-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1996
PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RE 566.621 - STF.
REPERCUSSÃO GERAL.
Para as ações e pedidos de repetição realizados antes da vigência da lei complementar nº 118/05 (considerado, aqui, a vacatio legis de 120 dias da sua publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”.
Para as ações e pedidos de restituição realizados após a vigência da lei complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplica-se o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento.
Numero da decisão: 1401-000.732
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, tão somente para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Fernando Luis Gomes de Matos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RE 566.621 STF. REPERCUSSÃO GERAL. Para as ações e pedidos de repetição realizados antes da vigência da lei complementar nº 118/05 (considerado, aqui, a vacatio legis de 120 dias da sua publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”. Para as ações e pedidos de restituição realizados após a vigência da lei complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, tãosomente para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Retornemse os autos para a DRF de origem para que, ultrapassando a prejudicial de prescrição, avance na análise do mérito do presente pedido de restituição. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11610.022453/200203 Acórdão n.º 140100.732 S1C4T1 Fl. 663 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 632633, grifado): Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face de indeferimento do pedido de restituição no montante de R$ 111.260,66 (fl. 01), referente a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) apurado no anocalendário 1996, conforme cópias de Declarações de Rendimentos (fls. 154 a 349 e 380 a 520) por diversas empresas que teriam sido incorporadas pela requerente. 2. A autoridade administrativa em 19/11/2003, às fls. 586 a 589, indeferiu o pedido, protocolizado em 18/12/2002, sob o fundamento de que o direito de o contribuinte pleitear a restituição do indébito estaria decaído, conforme o disposto no Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal (AD/SRF) n° 96, de 26 de novembro de 1999. Observase que, como a solicitação já foi indeferida na análise das preliminares (no caso, decadência), não foi realizada apreciação do mérito do pedido. 3. Cientificada em 05/12/2003 (fls. 590 verso) do despacho decisório de fls. 586 a 589, a contribuinte, irresignada, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 591 a 596, instruída com os documentos de fls. 592 a 601, na qual alega em síntese que não houve a decadência de seu direito de pedir a restituição, pois, como a CSLL é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sua extinção ocorre apenas cinco anos após a data do fato gerador, com a homologação das informações declinadas ern DCTF, nos termos do § 4° do artigo 150 e inciso VII do artigo 156, ambos do CTN, começando a partir de então a correr o prazo decadência de cinco anos previsto no artigo 168, inciso I, do CTN e no AD/SRF n° 96/1999, conforme jurisprudência administrativa transcrita. Segundo a manifestante, no presente caso como os fatos geradores ocorreram em 1996, o crédito tributário somente foi extinto em 2001, momento a partir do qual começou a correr o prazo decadencial que somente findou em 2006 e que não prejudica o presente pedido de restituição que foi protocolizado em 2002. A 1ª Turma da DRJ São Paulo I, por unanimidade, indeferiu a solicitação da contribuinte, e não homologou a compensação pretendida. O Acórdão 1615.098, foi assim ementado (fls. 632): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo e acessórios pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Cientificada do Acórdão em 26/11/2007 (fls. 638), a contribuinte, em 29/11/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 639651, reiterando o argumento de que o prazo prescricional para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, contados da data da homologação do lançamento, que, se for tácita, ocorre após cinco anos da realização do fato gerador. Argumentou que o art. 3º da Lei Complementar nº 118/05 somente pode ter eficácia prospectiva. Considerou inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da aludida lei, que determina a aplicação retroativa do ser artigo 3º, consoante já decidiu o STJ (lª Turma, REsp n° 740.639/SP e AgRg no Ag 639885/SP). É o relatório. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11610.022453/200203 Acórdão n.º 140100.732 S1C4T1 Fl. 664 5 Voto O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Análise da prescrição Conforme relatado, versa o presente litígio sobre pedido de restituição referente a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) apurado no anocalendário 1996. A autoridade administrativa não analisou o mérito do pedido de restituição, indeferindoo preliminarmente, sob o fundamento de que o direito de o contribuinte pleitear a restituição do indébito estaria decaído, conforme o disposto no Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal (AD/SRF) n° 96, de 26 de novembro de 1999. Ao apreciar a manifestação de inconformidade interposta pela contribuinte, a 1ª Turma da DRJ São Paulo I, por unanimidade, também se absteve de apreciar o mérito do pedido, por também considerar que o direito de o contribuinte pleitear a restituição do indébito encontravase decaído. O Superior Tribunal de Justiça, por reiteradas decisões firmadas pacificamente no âmbito de sua jurisprudência, fixou entendimento de que o prazo de restituição dos tributos pagos no âmbito do regime de lançamento por homologação deveria ser contado da data da homologação do pagamento, e não da data do pagamento. Esse entendimento, alcunhado de “tese dos cinco mais cinco”, deferia aos contribuintes que não tiveram o seu pagamento expressamente homologado pela autoridade fiscal, que postulassem a restituição de tributos em até cinco anos após a homologação tácita do pagamento, ou seja, passados cinco anos da ocorrência do fato gerador. Contrariamente a este entendimento, foi editada a Lei Complementar nº 118/05 que, a título interpretativo, previu que, nos casos de pedido de restituição, o prazo prescricional para postular a restituição deveria ser contado da data do pagamento; e não da data da homologação do pagamento. Surgiu, então, questionamento acerca da aplicação retroativa de referida lei, que foi julgada definitivamente pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS, tendo ficado assentado o seguinte: 1) Para as ações e pedidos de repetição realizados antes da vigência da lei complementar nº 118/05 (considerado, aqui, a vacatio legis de 120 dias da sua publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”; Fl. 666DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 2) Para as ações e pedidos de restituição realizados após a vigência da lei complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. O art. 62A do RICARF determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim sendo, transcrevo a ementa do julgado do Excelso Pretório, in litteris: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11610.022453/200203 Acórdão n.º 140100.732 S1C4T1 Fl. 665 7 Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. A referida decisão transitou em julgado no dia 27 de fevereiro de 2012. No caso dos autos, o pedido de restituição postulado pelo Recorrente ocorreu antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05, razão pela qual é forçoso reconhecer que os alegados indébitos objeto do presente processo (referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1996), ainda não estavam prescritos, por ocasião do presente pedido de restituição (protocolizado em 18/12/2002), de acordo com as regras de contagem do prazo estabelecidas pelo STF. Superada a prejudicial de prescrição do direito de repetir o indébito, resulta óbvio que este colegiado não pode avançar na análise do mérito do presente processo, sob pena de supressão de instância. Neste termos, considero que os presentes autos devem retornar à unidade de origem, para que se proceda a análise do mérito do presente pedido de restituição. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, tãosomente para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito, determinandose o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito objeto de restituição, assim como de sua suficiência e legalidade da compensação pleiteada. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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