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Numero do processo: 11610.001857/2001-74
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1201-000.014
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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MINISTÉRIO DA FAZENDAOf _ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Q,- + i'C' I?• , PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11610.001857/2001-74 Recurso n° 167.572 Resolução n° 1201-00.014 — 2" Câmara / 1" Turma ordinaria Data 17 de junho de 2009 Assunto Solicitação de diligencia Recorrente CITICORP MERCANTIL PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS S.A. Recorrida 10a TURMA DA DRJ SÃO PAULO/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. GyadllíG~, ADRIANA GOMESnnirEWL-Presidente ......,./, ., t, '• Clii % j'N 11 LIV 1 e 4 LEONARDO ANDRADE COUTO - Relator EDITADO EM: 04 SET 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente de turma), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Leonardo de Andrade Couto, Carlos Pelá, Regis Magalhães Soares Queiroz, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-presidente de turma). 1 .II II liii 1 III 11111 1 1 1 1 1 1 1 1 Processo n° 11610.001857/2001-74 S1-C2TO Resolução n.° 1201-00.014 Fl. 2 1‘1 , Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: DO DESPACHO DECISORIO Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório de fls.179/182, no qual foi reconhecido em parte o direito creditório alegado pelo contribuinte e, em conseqüência, foram homologadas em parte as compensações pleiteadas no limite do crédito reconhecido. Da leitura do referido Despacho Decisório,às fls.179, verifica-se que "o pleito tem por fulcro o saldo negativo da DIPJ/2001 originando-se do IRRF de R$ 7.687.159,23 e estimativas no total de R$ 9.536.793,29 em confronto com o IRPJ calculado sobre o Lucro Real (segundo cálculos na Ficha 12A apresentada pela interessada à f1.24)". Expõe a autoridade administrativa que foi expedida Intimação Fiscal à fl.133 e analisando os elementos apresentados, às fls.135/167, constatou que a intimada não . . . demonstrou/comprovou a origem dos créditos (saldo negativo do IRPJ) os quais utilizara na compensação das estimativas do imposto calculadas no ano-calendário de 2000 como declarou em DCTF, em razão do que indeferiu o reconhecimento ao direito creditório, quanto ao valor de R$ 9.536.793,29, apontado na DIPPAC 2000 a título de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa (fls.24). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente do Despacho Decisório em 21 de junho de 2004, conforme fls.202/203, o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 21 de julho de 2004, com os argumentos de fls. 251/256, acompanhada dos documentos de fls. 257/605. Argumenta o interessado que: - os procedimentos de compensação foram realizados em conformidade com as exigências legais vigentes à época, tanto no que diz respeito às declarações entregues, como no que afeta aos pedidos de restituição apresentados à Receita, inexistindo qualquer empeço formal à integral homologação ora perseguida; - a existência dos créditos compensados pode ser devidamente verificada e comprovada a partir de breve análise das DIP.Ts entregues pela Requerente nos exercícios de 1998 ,Z,000 (anos-calendário de 1997 a 1999); - conforme consta da DIPJ/98 (AC 1997), a Requerente apurou débito de IRPJ no montante de R$ 2.668.192,36, tendo efetuado dois recolhimentos que, a título de principal, totalizam R$ 2.670.731,89, restando uma diferença paga a maior de R$ 2.539,57 (doc.3); - conforme DIPJ/99 (AC 1998), a Requerente reteve na fonte e pagou "por estimativa" valor superior ao efetivamente devido no respectivo ajuste, apurando saldo negativo de IRPJ a pagar equivalente a R$ 1.541.742,85 (doc.4); - conforme DEPJ/2000 (AC 1999), a diferença existente entre o valor retido na fonte-mgo-"por-estimativ-X e-o-montante efetivdmellte d • . • . negativo de IRPJ a pagarequivalente a RS-1-6400-.289,99-(duL,.5); 2 rt-2 . . Processo n° 11610.001857/2001-74 S1-C2TO Resolução n.° 1201-00.014 Fl. 3 I - com arrimo nesses créditos acumulados, no ano-calendário de 2000, passou a Requerente a compensar os haveres com o Fisco, nos seguintes termos (...) - como visto, não apenas os valores compensados nos meses de janeiro, abril, maio e junho têm sua origem comprovada — tendo sido, nos anos anteriores, efetivamente desembolsados — como também restou à Requerente um crédito a compensar, dali para frente de R$ 9.536.509,86, em valores de dezembro de 1999 (doc.5); - a regularidade dos procedimentos de compensação adotados pela Requerente não apenas pode ser confirmada pela análise das declarações entregues à Receita nos anos de 1998 a 2002 (doc.6), como também em sua contabilidade (doc.7); - cumpridas as formalidades legais exigidas para o procedimento levado a cabo na época, bem como comprovada a origem dos valores objeto de compensação, resta impositiva a conclusão de que o Despacho Decisório não deve prosperar, impondo-se o integral acolhimento da presente manifestação de inconformidade. Requer o interessado, ao final, que seja julgado improcedente e sem efeito a parcela do Despacho Decisório que lhe foi desfavorável, reconhecendo-se a integralidade dos créditos declarados e compensados. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão 16-17.473 (fls. 661/669) indeferindo o pleito, pelo motivo de não terem sido comprovados os saldos devedores do IRPJ nos anos-calendário de 1997, 1998 e 1999; compensados com parte das estimativas devidas no ano-calendário de 2000. Devidamente cientificado (f1.673), o sujeito passivo recorre a este Colegiado (fls. 685/695, com documentos de fls. 696/1.319)reclamando que a decisão recorrida deveria ter sido precedida de diligência para que fosse apurada a veracidade dos saldos devedores do IRPJ, utilizados nas compensações não acatadas. Traz aos autos grande volume de documentos (fls.696/1.319) que comprovariam suas alegações. É o Relatório. N.-} 3 Processo n° 11610.001857/2001-74 SI -C2TO Resolução n.° 1201 -00.014 Fl. 4 Voto. Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Relator Tratam os autos de pedido de restituição do saldo devedor do IRPJ referente ao ano-calendário de 2000, a ser compensado com débitos diversos da interessada. Em primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo proferiu Despacho Decisório (fls.1791182) entendendo como não comprovados os recolhimentos efetuados a titulo de estimativa, computados na apuração do saldo devedor do IRPJ objeto do pedido. Na manifestação de inconformidade, a interessada sustenta que os valores em discussão foram quitados mediante compensação com os saldos devedores do IRPJ apurados nos anos-calendário de 1997, 1998 e 1999. Ao apreciar a reclamação, a Delegacia de Julgamento indeferiu o pleito em sua integralidade, pois não estariam comprovados os saldos devedores do IRPJ em 1997,1998 e 1999. Pelo exame dos autos, constata-se que os saldos em discussão estão devidamente informados nas respectivas DIPJs. Por esse motivo, ainda que a primeira instância julgadora possa indeferir o pleito pela não comprovação desses valores, a meu ver não pode fazê-lo sem dar ao sujeito passivo a oportunidade de justificá-los. Nesse ponto, penso que assiste razão à interessada quando reclama pela realização prévia de uma diligência a fim de que o montante em discussão fosse verificado. De fato, um exame superficial da documentação trazida aos autos com a peça recursal indica que ao menos o valor do imposto de renda retido na fonte que compôs a apuração do saldo devedor do IRPJ em 1997, 1998 e 1999 estaria devidamente demonstrado. Registre-se que os documentos em questão foram apresentados em grau recursal porque apenas com a decisão recorrida o sujeito passivo teve ciência do indeferimento do seu pleito pela não comprovação dos saldos devedores do IRPJ de períodos anteriores. Sob esse prisma, entendo que a apreciação da documentação trazida aos autos é medida justa e razoável para garantir ao sujeito passivo uma direito de defesa que, até o momento, não lhe foi concedido em sua plenitude. Do exposto, meu voto é para converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que, pelo exame dos documentos de fls. 696/1.319, seja ou não atestada a vera 'dade das alegações do sujeito passivo, a partir dos razões que motivaram a decisão recorrida. 0, •-n1"" LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4
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Numero do processo: 13502.000270/2007-96
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1201-000.006
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho declarou-se impedido de participar do julgamento.
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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I ‘ ' __,..•';'-.. - MINISTÉRIO DA FAZENDA , . .,. , ' • ..' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO I Processo n. 13502.000270/2007-96 Recurso n° 167.879 Resolução n° 1201-00.006 — 2 Câmara / ia Turma Ordinária Data 13 de maio de 2009 . Assunto IRPJ Recorrente BRASKEM S.A. Recorrida 2a TURMA/DRJ-SALVADOR/BA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho declarou-se impedido de participar do julgamento. --- ., • ' 4> ip'.n .• ADRIANA GOREG I grsidelteÇN11,. . '14111111/21. REGIS MAGALHÃES SO • i'l: D •UEIROZ - Relator EDITADO EM: O 6 NOV 2009 Participaram, da sessão de ju :amento os conselheiros: Adrana Gomes Rego(Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alex. dre Barbosa Jaguaribe, Leonardo de Andrade Couto, Carlos Pelá, Regis Magalhães Soares Queiroz, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). _ 1 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra a decisão da DRJ (fls. 187 a 195) que julgou parcialmente procedente os lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao ano-calendário de 2002, no valor de R$2.015.664,19, acrescidos da multa de ofício proporcional de 75% e juros moratórios, além de multa isolada no valor de R$1.036.210,68, decorrente de apuração incorreta do imposto declarado na DIPJ 2003/2002 pela empresa Polialden Petroquímica S/A. O referido AIIM foi lavrado contra a Brasken S/A. em vista de ela ter incorporado a Polialden Petrowinica S/A antes da lavratura. As estimativas declaradas como quitadas em DIPJ não são as mesmas que constam como quitadas no sistema informático da RFB nem são aquelas apresentadas em DCTF, o que gerou em apuração de oficio da diferença. Como a Polialden foi incorporada pela Braskem, esta última foi intimada a apresentar o LALUR e balancetes mensais daquela, a fim de se verificar os fatos, tendo sido • apuradas as seguintes infrações: • 1- FALTA DE RECOLHIMENTO / DECLARAÇÃO INCORRETA DO IMPOSTO O contribuinte apurou na Ficha 12A, itens 1 e 2, da DIPJ 2003/2002, IRPJ de •R$16.813.232,93, e que foram deduzidos a seguir, o PAT (R$54.486,39), a Redução do Imposto (R$1.323.845,53), e o Imposto Pago no Exterior (R$56.757,17), bem como foi considerado como Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa, o montante de • R$15.378.143,84, resultando em zero de imposto de renda a pagar. Desse valor de imposto pago por estimativa considerou-se apenas R$12.991.108,61, dos quais R$6.42.V165,53 foram pagos via DARF e R$6.566.243,08 de IRRF. Dessa forma, o Imposto de Renda a pagar referente ao ano-calendário de 2002, passou a ser de R$2.387.035,22, que foi constituído através do presente lançamento de oficio. 2- MULTAS ISOLADAS / FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ISOLADA O contribuinte deixou de recolher integralmente as estimativas dos meses de fevereiro, junho, outubro e dezembro de 2002. Com relação a dezembro de 2002, a compensação realizada pela empresa não foi homologada, conforme Despacho Decisório DRF/CCI n°. 54,2e07. G incorporador tomou ciência dos lançamentos em 29/11/2007 e apresentou a_ impugnação de fls. 104/163 em 31/12/2007, juntou com os 4ocurnentos de fls. 164/184, alegando, em resumo, que a presente exigência não deve subsistir pelos seguintes motivos: Não existe saldo a pagar de imposto de renda do ano-calendário de 2002, pois a sua integralidade foi antecipada no decorrer do ref.,. 'do ano-calendário. O lançamento ocorreu ‘, em razão de erro no preenchimento da DIPJ 2003. • "- 2 Processo n° 13502.000270/2007-96 S1-C2T1 Resolução n.° 1201-00.006 Fl. 2 Que com relação à multa isolada das competências de fevereiro e junho, ocorreu a decadência do direito do Fisco de promover o lançamento dos valores. Pugnou pela impossibilidade de cumular da multa de oficio e a multa isolada do art. 44 da Lei n°. 9.430/96 para um mesmo exercício. Por último, alegou a impossibilidade de a sucessora ser responsabilizada pelas multas, tanto de ofício quanto a isolada, imputadas à sucedida. É o relatório. _ • 3 Voto Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz, relator: Tendo em vista o indício de prova da existência do saldo de IRRF juntada aos autos, proponho baixar em diligência a fim de que a autoridade originária proceda ao cotejamento da DIRF que tem a Polyaden como beneficiária, com os lançamentos referentes ao IRRF que esta realizou no Livro Diário e Razão, juntados às fls.177, 264, 265 e 266, confirmando ou afastando a efetiva existência dos créditos de IRRF lançados nos mencionados livros, cujos valores vão abaixo indicados: Histórico Valor do IRRF Fls. IRRF S/ CONTRATO DE 207,936,94 177 MUTUO IR S/ Vendas Debêntures 1.070.395,85 264, 265 e 266 DEZ/02 IR S/ Vendas Debêntures 173.427,81 264, 265 e 266 DEZ/02 IR S/ Prêmios Debêntures 122.080,08 264, 265 e 266 DEZ/02 IR S/ Prêmios Debêntures 98.792,08 264, 265 e 266 DEZ/02 Após, solicita-se à autoridade originária que verifique a repercussão do saldo de IRRF obtido do cotejamento realizado na apuração das antecipações, no período em questão no auto de infração. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões.jipós o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É o meu o. Regis Magalhães e Queiroz. 4
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720109/2017-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA.
As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram vícios formais. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM.
O material de embalagem segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem.
Numero da decisão: 3401-010.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.017, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13433.720092/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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G. PRODUCAO E DISTRIBUICAO DE FRUTAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram vícios formais. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. O material de embalagem segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.017, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13433.720092/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 01 09 /2 01 7- 75 Fl. 825DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720109/2017-75 Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS/COFINS. O pedido de crédito foi parcialmente deferido pela DRF, porquanto: “Somente podem gerar créditos das Contribuições as despesas com matéria- prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais quais o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado”; “O contribuinte elencou como insumos diversos materiais, tais como: caixas de papelão, pallets, cantoneiras, colas, fitas, sacos, dentre diversos outros produtos que, são utilizados em fase posterior ao processo de produção, no transporte, ou confecção dos equipamentos do transporte das frutas que este produz, sendo, assim, indeferidos, diante da transgressão aos conceitos de insumo dos artigos 66 da IN SRF 247 e 8o da IN SRF nº 404”; Uma nota fiscal de material de embalagem foi cancelada pelo fornecedor; Algumas notas fiscais das aquisições não foram encontradas em arquivos magnéticos ou SPED e outras apresentavam divergências com o escriturado; Parte dos créditos apurados são de mercadorias não sujeitas a incidência das contribuições; Ante o reenquadramento de parte dos créditos foi feita a reapuração do rateio proporcional entre mercado interno e exportação. Intimada a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que destaca que as aquisições que pleiteia créditos são “bens e serviços contribuírem com a viabilização do processo produtivo adotado pelo contribuinte, nele sendo direta ou indiretamente empregados e cuia subtração importa na impossibilidade mesma da produção, isto é, cuia subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes”. Para demonstrar o alegado a Recorrente traz aos autos fotos de alguns dos materiais empregados na embalagem das frutas que produz e comercializa e planilha elaborada pela fiscalização com o conjunto das glosas. Fl. 826DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720109/2017-75 A DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade uma vez que os bens que pleiteia crédito “fazem parte do processo de armazenamento e transporte do produto. Ou seja, fazem parte de um processo posterior à produção do bem destinado à venda” logo expressamente vedado o creditamento pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 2018. Não contente, a Recorrente busca guarida nesta Casa, reiterando (com grifos) o quanto descrito em Manifestação de Inconformidade somado a pedido de nulidade por vício formal do Acórdão recorrido (ausência de assinatura do Presidente da Turma da DRJ) e por cerceamento do direito de defesa por não apreciação de pedido veiculado em peça de defesa. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Em Voluntário a Recorrente apresenta dois pedidos de NULIDADE do Acórdão recorrido: um por vício formal (ausência de assinatura do presidente de Turma) outro por cerceamento do direito de defesa. As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram VÍCIOS FORMAIS. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios. É claro que a falta de assinatura ou ainda, a assinatura por pessoa incompetente pode gerar nulidade (art. 59, I do Dec. 70235/72), no entanto, o que ocorre no presente caso é que a relatora do processo na DRJ acumula o cargo de presidente de Turma. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA culmina em nulidade do julgado - claro, desde que existente – e, sem prejuízo de ser algo prolixo e um outro tanto genérico, o Acórdão da DRJ analisa em suas três últimas páginas os argumentos da Recorrente – tanto que esta última sequer aponta qual(is) tese(s) não foi(ram) enfrentada(s). Antes de adentrar o mérito, um pequeno alerta, a fiscalização, além dos créditos decorrentes da aquisição de MATERIAL DE EMBALAGEM, glosa outros, dentre estes o de aquisição de produtos não sujeitos aos pagamentos das contribuições. Em seu arrazoado a Recorrente deixa claro que apenas se insurge contra a glosa de material de embalagem descrita no item 3.1 do Despacho Decisório. Portanto, para as aquisições de materiais de embalagens não sujeitas ao pagamento das contribuições a glosa deve ser mantida – não apenas por PRECLUSÃO, mas também por expressa proibição legal (art. 3° § 2° II das Lei 10.637/02 e 10.833/03). Fixado o antedito, o MATERIAL DE EMBALAGEM segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. Fl. 827DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720109/2017-75 A Recorrente tem como atividade empresarial a produção e comercialização de frutas como manga, melancia, mamão e melão; frutas que demandam cuidados extraordinários em seu transporte para evitar perdas. Destarte, não obstante o uso do material de embalagem seja pós processo produtivo (e com isto não essencial ao mesmo), este material é relevante ao processo, sendo possível o creditamento. Portanto, deve ser revertida a glosa vinculadas com as aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (neste último caso, desde que tributado). Todavia, dentre os bens objeto de glosa listados no Anexo I do despacho decisório, outros há que não se qualificam como material de embalagem, nomeadamente Fio torcido, agr óleo, termógrafo, scfrutas, novotex, viva bd25, temperatura MOD, manutenção de equipamentos, fitilho, TNT, Agrop MPP, óleo yamalube, filhito chicote, orthene, bomba alimentadora, faca roçadeira, assento universal, reparo da bomba de direção, haste para estufa de mudas, aditivo para radiador, elemento combustível, elemento filtro sucção, elemento primário, elemento secundário, filtro de óleo lubrificante, filtro de pressão e Arte final. É claro que em alguns casos (especialmente os relacionados com manutenção de tratores) é possível conjecturar o vínculo de pertença ou de pertinência com o processo produtivo. Contudo, a Recorrente desiste expressamente de qualquer pedido que não àqueles descritos na Manifestação de Inconformidade, o que leva a reversão da glosa somente das aquisições de materiais de embalagem. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou parcial provimento para reverter as glosas das aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, Fl. 828DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720109/2017-75 cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 829DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720114/2017-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA.
As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram vícios formais. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM.
O material de embalagem segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem.
Numero da decisão: 3401-010.035
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.017, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13433.720092/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.017, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13433.720092/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
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G. PRODUCAO E DISTRIBUICAO DE FRUTAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram vícios formais. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. O material de embalagem segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.017, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13433.720092/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 01 14 /2 01 7- 88 Fl. 825DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.035 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720114/2017-88 Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS/COFINS. O pedido de crédito foi parcialmente deferido pela DRF, porquanto: “Somente podem gerar créditos das Contribuições as despesas com matéria- prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais quais o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado”; “O contribuinte elencou como insumos diversos materiais, tais como: caixas de papelão, pallets, cantoneiras, colas, fitas, sacos, dentre diversos outros produtos que, são utilizados em fase posterior ao processo de produção, no transporte, ou confecção dos equipamentos do transporte das frutas que este produz, sendo, assim, indeferidos, diante da transgressão aos conceitos de insumo dos artigos 66 da IN SRF 247 e 8o da IN SRF nº 404”; Uma nota fiscal de material de embalagem foi cancelada pelo fornecedor; Algumas notas fiscais das aquisições não foram encontradas em arquivos magnéticos ou SPED e outras apresentavam divergências com o escriturado; Parte dos créditos apurados são de mercadorias não sujeitas a incidência das contribuições; Ante o reenquadramento de parte dos créditos foi feita a reapuração do rateio proporcional entre mercado interno e exportação. Intimada a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que destaca que as aquisições que pleiteia créditos são “bens e serviços contribuírem com a viabilização do processo produtivo adotado pelo contribuinte, nele sendo direta ou indiretamente empregados e cuia subtração importa na impossibilidade mesma da produção, isto é, cuia subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes”. Para demonstrar o alegado a Recorrente traz aos autos fotos de alguns dos materiais empregados na embalagem das frutas que produz e comercializa e planilha elaborada pela fiscalização com o conjunto das glosas. Fl. 826DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.035 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720114/2017-88 A DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade uma vez que os bens que pleiteia crédito “fazem parte do processo de armazenamento e transporte do produto. Ou seja, fazem parte de um processo posterior à produção do bem destinado à venda” logo expressamente vedado o creditamento pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 2018. Não contente, a Recorrente busca guarida nesta Casa, reiterando (com grifos) o quanto descrito em Manifestação de Inconformidade somado a pedido de nulidade por vício formal do Acórdão recorrido (ausência de assinatura do Presidente da Turma da DRJ) e por cerceamento do direito de defesa por não apreciação de pedido veiculado em peça de defesa. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Em Voluntário a Recorrente apresenta dois pedidos de NULIDADE do Acórdão recorrido: um por vício formal (ausência de assinatura do presidente de Turma) outro por cerceamento do direito de defesa. As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram VÍCIOS FORMAIS. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios. É claro que a falta de assinatura ou ainda, a assinatura por pessoa incompetente pode gerar nulidade (art. 59, I do Dec. 70235/72), no entanto, o que ocorre no presente caso é que a relatora do processo na DRJ acumula o cargo de presidente de Turma. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA culmina em nulidade do julgado - claro, desde que existente – e, sem prejuízo de ser algo prolixo e um outro tanto genérico, o Acórdão da DRJ analisa em suas três últimas páginas os argumentos da Recorrente – tanto que esta última sequer aponta qual(is) tese(s) não foi(ram) enfrentada(s). Antes de adentrar o mérito, um pequeno alerta, a fiscalização, além dos créditos decorrentes da aquisição de MATERIAL DE EMBALAGEM, glosa outros, dentre estes o de aquisição de produtos não sujeitos aos pagamentos das contribuições. Em seu arrazoado a Recorrente deixa claro que apenas se insurge contra a glosa de material de embalagem descrita no item 3.1 do Despacho Decisório. Portanto, para as aquisições de materiais de embalagens não sujeitas ao pagamento das contribuições a glosa deve ser mantida – não apenas por PRECLUSÃO, mas também por expressa proibição legal (art. 3° § 2° II das Lei 10.637/02 e 10.833/03). Fixado o antedito, o MATERIAL DE EMBALAGEM segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. Fl. 827DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.035 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720114/2017-88 A Recorrente tem como atividade empresarial a produção e comercialização de frutas como manga, melancia, mamão e melão; frutas que demandam cuidados extraordinários em seu transporte para evitar perdas. Destarte, não obstante o uso do material de embalagem seja pós processo produtivo (e com isto não essencial ao mesmo), este material é relevante ao processo, sendo possível o creditamento. Portanto, deve ser revertida a glosa vinculadas com as aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (neste último caso, desde que tributado). Todavia, dentre os bens objeto de glosa listados no Anexo I do despacho decisório, outros há que não se qualificam como material de embalagem, nomeadamente Fio torcido, agr óleo, termógrafo, scfrutas, novotex, viva bd25, temperatura MOD, manutenção de equipamentos, fitilho, TNT, Agrop MPP, óleo yamalube, filhito chicote, orthene, bomba alimentadora, faca roçadeira, assento universal, reparo da bomba de direção, haste para estufa de mudas, aditivo para radiador, elemento combustível, elemento filtro sucção, elemento primário, elemento secundário, filtro de óleo lubrificante, filtro de pressão e Arte final. É claro que em alguns casos (especialmente os relacionados com manutenção de tratores) é possível conjecturar o vínculo de pertença ou de pertinência com o processo produtivo. Contudo, a Recorrente desiste expressamente de qualquer pedido que não àqueles descritos na Manifestação de Inconformidade, o que leva a reversão da glosa somente das aquisições de materiais de embalagem. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou parcial provimento para reverter as glosas das aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, Fl. 828DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.035 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720114/2017-88 cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 829DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16095.000399/2009-01
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 11/01/2004 a 29/02/2004, 11/03/2004 a 31/05/2004, 21/06/2004 a 10/07/2004, 21/07/2004 a 31/07/2004, 11/08/2004 a 31/08/2004, 11/09/2004 a 30/09/2004, 11/10/2004 a 31/01/2005, 11/02/2005 a 28/02/2005, 11/03/2005 a 10/04/2005, 21/04/2005 a 30/06/2005, 11/07/2005 a 31/07/2005, 11/08/2005 a 30/11/2005, 11/12/2005 a 31/12/2005
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA
Por força do disposto no art. 62 do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543-C do CPC, o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário referente a tributo sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que não houve antecipação de pagamento por conta das parcelas lançadas e exigidas, decai em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual ele já poderia ser exigido.
Numero da decisão: 9303-012.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: Anna Dolores
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DECADÊNCIA Por força do disposto no art. 62 do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543-C do CPC, o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário referente a tributo sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que não houve antecipação de pagamento por conta das parcelas lançadas e exigidas, decai em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual ele já poderia ser exigido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata-se de Recurso Especial do sujeito passivo contra decisão da 2ª TO da 2ª Câmara da 3ª Seção, plasmada no Acórdão nº 3202-001.473, de 24 de fevereiro de 2015 (e-fls. 525/544), integrado pelo Acórdão nº 3302-003.351, de 25 de agosto de 2016 (e-fls. 573/580), assim ementados: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 99 /2 00 9- 01 Fl. 875DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-012.623 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16095.000399/2009-01 Acórdão nº 3202-001.473: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 11/01/2004 a 29/02/2004, 11/03/2004 a 31/05/2004, 21/06/2004 a 10/07/2004, 21/07/2004 a 31/07/2004, 11/08/2004 a 31/08/2004, 11/09/2004 a 30/09/2004, 11/10/2004 a 31/01/2005, 11/02/2005 a 28/02/2005, 11/03/2005 a 10/04/2005, 21/04/2005 a 30/06/2005, 11/07/2005 a 31/07/2005, 11/08/2005 a 30/11/2005, 11/12/2005 a 31/12/2005 Ementa NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4 o do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN, contando- se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. Não gera direito a crédito os concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental/Zona Franca de Manaus e sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9 o do Decreto-Lei n° 288/67. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 3302-003.351: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 11/01/2004 a 29/02/2004, 11/03/2004 a 31/05/2004, 21/06/2004 a 10/07/2004, 21/07/2004 a 31/07/2004, 11/08/2004 a 31/08/2004, 11/09/2004 a 30/09/2004, 11/10/2004 a 31/01/2005, 11/02/2005 a 28/02/2005, 11/03/2005 a 10/04/2005, 21/04/2005 a 30/06/2005, 11/07/2005 a 31/07/2005, 11/08/2005 a 30/11/2005, 11/12/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A OMISSÃO/OBSCURIDADE. REJEIÇÃO. Fl. 876DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-012.623 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16095.000399/2009-01 Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe- se a rejeição dos embargos de declaração. Embargos Rejeitados Crédito Tributário Mantido As decisões foram prolatadas em sede de lançamento de ofício para formalização da determinação e da exigência de créditos tributários de IPI, emergentes após a glosa de créditos tomados na entrada de (i) insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus – ZFM e (ii) de materiais de manutenção e peças de reposição de máquinas. O lançamento cobriu os períodos de apuração de janeiro de 2004 a dezembro de 2005. O apelo (efls. 655/688) suscitou a ocorrência de dissídio interpretativo da legislação tributária referente à decadência e ao tratamento diferenciado deferido às sociedades empresárias estabelecidas na ZFM. A Presidência da 2ª Câmara deu seguimento ao apelo exclusivamente em relação à matéria atinente à decadência (Despacho nº S/N - 2 a Câmara, de 21 de setembro de 2017, efls. 805/810, ratificado pelo Despacho em Agravo nº - , de 19 de julho de 2018, efls. 829/833). A Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões (efls. 855/861) tempestivamente. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O apelo é tempestivo e merece admissão nos termos do Despacho do Presidente da 2ª Câmara. A matéria que aporta a esta 3ª Turma diz respeito ao termo a quo do prazo decadencial no caso de lançamento de ofício de débitos de IPI, emergentes mesmo após a compensação de créditos regularmente admitidos. A decisão recorrida reconheceu sua vinculação ao decidido no julgamento do REsp nº 973.733, eis que prolatado na sistemática dos recursos repetitivos. Nessa decisão, o STJ assentou que: "O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I. Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1o dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); Fl. 877DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-012.623 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16095.000399/2009-01 II. Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4 o , do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1o dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). O Acórdão recorrido, proferido no julgamento do Recurso Voluntário, foi irreprochável até aí. Nos aclaratórios propostos pelo sujeito passivo, no entanto, suscitou-se a peculiaridade do IPI, inscrita atualmente no parágrafo único, inc. I, do art. 183 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (RIPI/2010): Art.183. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoam-se com o pagamento do imposto ou com a compensação deles, nos termos do art. 268 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei n o 5.172, de 1966, art. 150, caput e § 1 o , Lei n o 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, Lei n o 10.637, de 2002, art. 49, Lei n o 10.833, de 2003, art. 17, e Lei n o 11.051, de 2004, art. 4 o ). Parágrafo único. Considera-se pagamento: I- o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II- o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III- a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. A inteligência do parágrafo único do art. 183 do RIPI/2010 permite concluir que o cômputo de créditos regularmente admitidos pela legislação do Imposto equivale a pagamento, quando for credor o saldo emergente ao final do período de apuração. O voto condutor do Acórdão nº 3302-003.351 (vencedor) rechaçou os vícios de que foi inquinado o Acórdão embargado, reiterando os seus fundamentos. A propósito, convém retomar o levantamento efetuado pelo Relator, no voto vencido (efls. 577/578): Período Créditos - Mercado Nacional/Externo Outros Créditos - ZFM - Glosado Total Débitos Saldo Devedor jan/04 106.153.05 37.023.72 143.176,77 1.182.604,53 1.039.427,76 50.732,76 10.122.61 60.855,37 1.244.465,51 1.183.610,14 fev/04 74.959,24 9.516.78 84.476,02 732.303,55 647.827,53 61.192,74 10.038.68 71.231,42 1.209.873,73 1.138.642,31 33.855,58 2.202.49 36.058,07 836.093,65 800.035,58 mar/04 83.487,33 10.064.72 93.552,05 846.893,74 753.341,69 121.010,12 12.89136 133.901,48 780.176,98 646.275,50 abr/04 56.953,42 9.584.38 66.537,80 548.536,14 481.998,34 69.048,20 12.668.92 81.717,12 563.513,51 481.796,39 101.71532 4.765.82 106.481,14 576.487,77 470.006,63 Fl. 878DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-012.623 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16095.000399/2009-01 Período Créditos - Mercado Nacional/Externo Outros Créditos - ZFM - Glosado Total Débitos Saldo Devedor mai/04 34.160,71 9.567.94 43.728,65 679.828,05 636.099,40 130.975,45 9.581.27 140.556,72 682.034,91 541.478,19 61.103,90 21.104.58 82.208,48 678.473,75 596.26537 jun/04 64.048,54 7.306.97 71.355,51 799.42033 728.064,72 jul/04 17.869,50 20.267.66 38.137,16 1.041.838,67 1.003.701,51 103.318,85 14.688.63 118.007,48 801.819,83 683.812,35 ago/04 102.357,41 10.222.48 112.579,89 701.993,60 589.413,71 33469,26 21.385.53 54.854,79 739.454,34 684.599,55 set/04 92.752,72 36.872.58 129.625,30 1.035.613,99 905.988,69 155.444,88 21.618.14 177.063,02 1.089.068,36 912.005,34 out/04 103.831,66 10.068.14 113.899,80 805.051,60 691.151,80 91.703,39 22.442^4 114.145,73 722.113,48 607.967,75 nov/04 220.127,41 10.354J6 230.481,77 1.053.576,18 823.094,41 107.103,79 10.096.70 117.200,49 792.099,37 674.898,88 128.676,99 12.973.41 141.650,40 647.951,19 506.300,79 dez/04 159.139,50 22.680.21 181.819,71 702.761,04 520.941,33 141.446,80 10.120.29 151.567,09 638.063,23 486.496,14 155.496,22 28.546J8 184.042,60 734.235,46 550.192,86 jan/05 97.776,61 8.048.95 105.825,56 359.339,75 253.514,19 107.87737 9.293.66 117.171,03 508.855,95 391.684,92 43.280,67 20.769.19 64.049,86 394.137,15 330.08739 fev/05 61.183,33 26.10232 87.285,65 786.237,32 698.951,67 21.323,27 15.473.26 36.796,53 622.906,51 586.109,98 mar/05 237.73835 13.08139 250.819,74 559.868,16 309.048,42 29.643,71 30.136.77 59.780,48 735.754,80 675.974,32 abr/04 18.225,87 12.748.96 30.974,83 583.52330 552.548,47 88.914,26 41.247.20 130.161,46 789.267,84 659.10638 mai/05 57.007,57 13.174.37 70.181,94 590.06933 519.887,29 88.796,54 25.334.80 114.131,34 863.089,59 748.95835 82.355,84 10.798.72 93.154,56 858.471,75 765.317,19 jun/05 130.940,60 25.487.80 156.428,40 1.117.504,05 961.075,65 54.082,07 12.881.52 66.963,59 1.169.580,27 1.102.616,68 82.486,16 21.904.29 104.390,45 1.116.369,25 1.011.978,80 jul 05 169.529,76 24.781.65 194.311,41 1.911.170,52 1.716.859,11 131.729,72 19.681.09 151.410,81 1.998.891,89 1.847.481,08 ago/05 127.772,24 38.119.38 165.891,62 1.326.744,48 1.160.852,86 151.834,86 12.661.60 164.496,46 1.591.608,12 1.427.111,66 set/09 124.278,64 12.738.50 137.017,14 1.730.199,85 1.593.182.71 135.419,76 5.522.33 140.942,09 1.496.952.36 1.356.010,27 251.048,18 25.718.70 276.766,88 1.433.623,42 1.156.856,54 Total glosado do período 844.483,54 Fl. 879DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-012.623 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16095.000399/2009-01 Extrai-se desse levantamento que o contribuinte apurou saldos devedores em todos os períodos de apuração alcançados pela exação, fato que, de pronto, faz afastar a possibilidade de aplicação do inciso III do parágrafo único. Ainda de acordo com o Relator do Acórdão nº 3302-003.351 (efls. 578), ao contrário do alegado pelo Embargante, não há nos autos comprovante de pagamento desses saldos, de sorte que não há como atestar inequivocamente a ocorrência do pagamento a que alude o § 4° do art. 150 do CTN e a própria decisão do STJ. Assim sem prova de pagamento, está correta a decisão recorrida, que, na verificação da arguição de decadência, aplicou a regra inscrita no inciso I do art. 173 do CTN. Conclusão Com essas considerações, voto por conhecer do recurso especial, para, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 880DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13975.000500/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.383
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16561.000023/2007-83
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1201-000.009
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que junte aos autos a tradução juramentada dos documentos referentes aos pagamentos efetuados no exterior, alegados na defesa, bem assim que se produza
relatório circunstanciado confrontando os valores devidos e pagos no exterior, nos termos do art.22 da Lei n8 9.249/95 c/c art.15 da Lei n° 9.430/96, nos termos do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que junte aos autos a tradução juramentada dos documentos referentes aos pagamentos efetuados no exterior, alegados na defesa, bem assim que se produza relatório circunstanciado confrontando os valores devidos e pagos no exterior, nos termos do art.22 da Lei n8 9.249/95 c/c art.15 da Lei n° 9.430/96, nos termos do voto que integram o presente julgado.
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C ; 15211.• 4 .:-1..1-1 MINISTÉRIO DA FAZENDA ic,.. : .‘0',p, '' .4" *le '" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS lers/41„ ":11:1C11:": ;:. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO TZZ•r t • To Processo n° 16561.000023/2007-83 Recurso ri° 166.707 Resolução n° 1201-00.009 - r Câmara / 1° Turma Ordinária Data 13 de maio de 2009 Assunto IRPJ Recorrente ACCOR PARTICIPAÇÕES S.A. Recorrida 5' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colcgiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que junte aos autos a tradução juramentada dos documentos referentes aos pagamentos efetuados no exterior, alegados na defesa, bem assim que se produza relatório circunstanciado confrontando os valores devidos e pagos no exterior, nos termos do art.22 da Lei n8 9.249/95 c/c art.15 da Lei n° 9.430/96, nos termos do voto que integram o presente julgado. eattiomc_ a te-- ADRIANA GO • ' EG - PresidenteO ALEXANDRE 4• ... IS, JAGUARIBE - Relator I EDITADO EM: T i g DEZ .t09 Participaram, da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego(Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Leonardo de Andrade Couto, Carlos Pelá, Regis Magalhães Soares Queiroz, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). i Relatório Trata os autos de Recurso Voluntário aviado contra acórdão da S a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, que manteve integralmente o lançamento guerreado. A decisão recorrida teve seu acórdão lavrado da seguinte forma: "Assunto: Imposto sobre a renda de pessoa jurídica — IRPJ Ano-Calendário: 2002, 2003 LUCROS NO EXTERIOR — TRIBUTAÇÃO. Os lucros inurèriclos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disporfibilização previstas na legislação em vigor. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR — DOCUMENTOS EM LINGUA ESTRANGEIRA. INADMISSIBILIDADE. 1 :Para produzirem efeitos legais no País e valerem em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, os documentos em língua estrangeira deverão ser traduzidos para o português por tradutor juranientado e registrados no Registro de Títulos e Documentos. : LUCROS NO EXTERIOR — EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL — TRIBUTAÇÃO. Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do ano-calendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do ano- calendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE — 4" TRIMESTRE DE 2002 — NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A partir de 01/12/2002, todas as compensações devem ser efetuadas através da entrega da Declaração de Compensação, ainda que o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição. MULTA DE OFICIO —1NCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da multa de oficio tem previsão legal, não competindo à esfera administrativaanáj -e da legalidade ou inconstitucioncdidad de normas jurídicas. . frs 2 Processo n° 16561.000023/2007-83 SI-C2T1 ftesuluçào n.° 1201-00.009 Fl. 2 Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO -- CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 DIFERENÇA DIPJ X DCTF — ITEM NÃO IMPUGNADO — INEXISTÊNCIA DE LIDE. Não é objeto da lide o item da autuação não impugnado pela contribuinte, que informa haver providenciado o respectivo recolhimento, o qual há que ser verificado pela autoridade competente. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. DECORRÊNCIA. Os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL relativos à tributação em bases universais (TBU) decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende à CSLL. MULTA DE OFÍCIO — INCONSTITUCIONALIDADE. aplicação da multa de oficio tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalklade de normas jurídicas. Lançamento procedente." O lançamento do IRPJ e da CSLL está constituído da seguinte forma: 1. Ano-calendário: 2002 "Exclusão indevida do lucro liquido do resultado positivo da equivalência patrimonial de investimento no exterior, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo." Capitulação legal: Artigo 43, § 2° e artigo 143 do CTN; Art. Art. 74 da MP n° 2.158-35, de 24/08/2001; art. 7° da IN/SRF 213 de 07/10/2002. 2. Ano-calendário: 2003 "Falta de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, dos lucros auferidos no exterior, por filiais, sucursais, controladas, ou coligadas, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo." Capitulação legal: Art. 25, §§ 2°c 3", da Lei 9.249/95; art. 16 da Lei 9.430/96; art. 249, inciso II e 394, do RIR199. 3. Ano- calendário: 2002 "Falta de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL dos lucros apurados até 31/12/2001 por controladas ou coligadas no exterior e ào disponibilizados antes de 31/12/2002, conforme Tenuo de Verificação Fiscal anexo.'LI.. .. Capitulação legal; art. 25 §§ 2' e 3', da Lei 9.249/95; art. 16 da Lei 9.430/96; art. 249, inciso II e 394, do RIR/99; art. 3" da Lei 9.959/00; art 43 e 143 do CTN e art. 74, parágrafo único, da MP 2.158-35, de 24/08/2001. 4 — Ano-calendário 2002 "No curso da ação fiscal, foi apurada a falta de apresentação da declaração de compensação relativa a débito do IRPI do 4° trimestre de 2002, além do referido débito não ter sido declarado em DCTF, conforme Termo de Verificação em anexo." Capitulação legal: Art. 841 do RIR199; Art. 74, §§ 1° e 2° , da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da MP 11066 de 29/08/2002 (convertida na Lei 10.637/2002). Inconformada com o desfecho do julgamento de primeiro grau, manejou o Recurso Ordinário, aonde, em síntese, aduz o seguinte: Que o disposto no artigo 74 da MP n° 2.158-35, de 2001, é ilegal e inconstitucional, não servindo, portanto, como fundamento para a exigência veiculada pelos autos de infração guerreados, no que se refere à obrigatoriedade de se adicionar ao lucro liquido do exercício de 2002, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, os resultados positivos auferidos por coligada sediada no exterior, nos anos de 1996 a 2001. Afirma que os lucros auferidos pela sociedade estrangeira, coligada da ora recorrente, tem sua origem em lucros auferidos e distribuídos Por sociedade a ela coligada, sediada na Argentina, os quais já foram tributados naquele País, não se justificando a tributação também no Brasil, conforme dispõe a legislação vigente, em especial, os artigos 26 da Lei n° 9.249/95 e art. 15 da Lei n° 9.430/96, reproduzidos no artigo 395 do RIR/99 e o artigo 14 da i 1N/SRF n° 213/2002. Tais resultados no exterior não estariam sujeitos a nova tributação no Brasil, haja vista ser necessário promover a compensação do imposto pago no exterior com o devido no Brasil, sobre esses mesmos rendimentos, limitada tal compensação ao montante do IRPJ e da CSLL devidos sobre os rendimentos, evitando-se o denominado "bis in idem". i Vai alem, ao afirmar que ao exigir a inclusão dos resultados positivos auferidos . .. pelas coligadas e controladas, para fins de apuração do imposto, a própria lei tratou de dispor sobre os resultados que seriam reconhecidos por conta da necessária avaliação daqueles investimentos no exterior por meio do procedimento conhecido corno equivalência patrimonial, o que poderia resultar na tributação em duplicidade do mesmo rendimento. Ocorre que em nenhum momento, a MP n°2.158-35, de 2001, trata dos resultados de equivalência patrimonial c o artigo 7° da IN SRF n° 213, de 2001, ao contrário do que concluiu a r. Decisão recorrida, só confirma que o resultado da avaliação de investimentos no exterior pelo método da equivalência patrimonial deve ter o tratamento que a legislação especifica lhe determinou, e esta não determina a tributação de tais resultados, justificando, portanto, ser cancelado o lançamento. No que tange à tributação dos resultados no exterior relativa ao ano-calendário de 2003, valeriam os mesmos argumentos que já expusera ao tratar da tributação relativa ao período de 1996 a 2001. O resultado apurado pela Inversiones Vervins em 2003 (US$ 550.260,76) é muito inferior aos dividendos recebidos de sua coligada na Argentina, Accor Argentina, no valor de US$ 2.206.701,00, os quais ficariam sujeitos à tributação pelo imposto de renda das empresas na Argentina, não cabendo, portanto, aplicar-se lovka tributação no Brasil sobre tal valor, confonne dispõe a legislação vigente e antes citada. , j ..1( 4 Processo ir 16561.000023/2007-83 SI-C2T1 Resolução n.° 1201-00.009 Fl. 3 Afirma, por fim, que o procedimento adotado quanto ao IRPJ do 4° trimestre de 2002 está absolutamente correto, eis que o tributo foi quitado mediante compensação, fundamentando tal entendimento no artigo 21 da IN/SRF n°210/2002. A Procuradoria da Fazenda Nacional, a seu turno, apresentou contra-razões ao recurso ordinário aviado, aduzindo, em síntese, o seguinte. Acerca da alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade da do artigo 74 da MP 2158-35 de 2001, alega que embora haja uma Ação de Direta de Inconstitucionalidade (n° ! 2.588), em tramitação no E. Supremo Tribunal Federal, que este Conselho não é competente para declarar a inconstitucionalidade de normas jurídicas, pelo que há uma presunção de legitimidade da norma até que esta venha a ser declarada inconstitucional. Quanto a compensação do imposto pago na Argentina com o devido no Brasil, admite sua possibilidade, todavia, afirma que os documentos trazidos não preenchem os requisitos do artigo 224 do Código Civil, uma vez que estão em língua estrangeira. Relativamente à equivalência patrimonial de investimentos no exterior, que o fato oponível, no caso, foi a exclusão do resultado da equivalência patrimonial apurado na avaliação do investimento da recorrente, ara fins de determinação do lucro real e da base de ! cálculo da CSLL, indevidamente realizada visto que a legislação vigente exige a tributação de tal resultado (cita o artigo 7° e 200 da IN SRF 213/2002). Acerca da compensação de créditos de IRPJ com débito de IRPJ, sem apresentação da "Declaração de Compensação", referente ao 4° trimestre de 2002, que a partir da MP 66/2002 todas as compensações deveriam ser efetuadas via de Declaração de Compensação, inexistindo distinção na norma legal quanto à compensação de tributos da mesma espécie. É o breveório rel 5 . . VOTO CONSELHEIRO ALEXANDRE B. TAGUARIBE A recorrente foi autuada por não haver oferecido à tributação lucros decorrentes de investimentos na empresa Inversiones Vervins S.A., sediada em Montevidéu - Uruguai — nos anos-calendário de 2001 e 2003 e pelo resultado da equivalência patrimonial do investimento em 2002. Antes de entrar no mérito da questão, é importante ressaltar que, ainda em sede de impugnação, a ora recorrente, afirmou que a principal receita da empresa Inversiones Vervins adveio de dividendos recebidos de sua coligada na Argentina — Accor Argentina S.A., atual denominação da Servicios Ticket S.A. e que os resultados apurados pela Inversiones são muito inferiores aos dividendos recebidos de sua coligada Scrvicios Ticket, por lucros auferidos e tributados na Argentina à alíquota de 33%, conforme documentos que acostou. Assim, todo o resultado apurado pela Inversiones Vervins (US$ 6.669.170,72, no período de 1996 a 2001 e US$ 501.260,76 em 2003), já foi tributado em seu país de origem. Dessa maneira, face o disposto no artigo 26 da Lei n°9.249 e artigo 15 da Lei n° 9.430/96, tais resultados no exterior não estariam sujeitos a nova tributação no Brasil, uma vez que a recorrente poderia promover a compensação do imposto pago no exterior com o tributo devido no Brasil sobre esses mesmos rendimentos, limitada tal compensação ao montante do IRPJ e da CSLL devidos sobre tais rendimentos. A decisão recorrida não nega tal possibilidade, todavia, não reconheceu tal direito, ao argumento de que os documentos trazidos pela recorrente estariam em língua estrangeira. A análise dos documentos de fls. 837/981, realmente denota que os referidos documentos estão em língua espanhola, todavia, seu perfunctório exame denota que efetivamente houve o pagamento de tributos, tanto pela empresa Inversiones Vervins, quanto pela empresa Servicios Ticket em seus países de origem. Dentro desse diapasão, ante ao princípio da verdade material e como tributo não é penalidade e somente pode ser cobrado na exata proporção do que é devido e como os documentos acostados aos autos denotam com transparência solar que a recorrente tem valores a compensar, entendo que o processo não está pronto para julgamento, devendo, por via de conseqüência, ser convertido em diligência, para as seguintes providências: - Intimar a recorrente para, no prazo de 60 dias, providencie a tradução juramentada dos documcntos de fls. 837/981, bem assim, anexe outros que julgue necessário à comprovação dos tributos pagos no exterior alegados em sua defesa. - Recebidos os documentos comprobatórios do tributo pago, na forma legal, seja efetuado um relatório circunstanciado acusando a existência ou não de tributo a pagar no Brasil verificando as repercussões de tais pagamentos em face do disposto no artigo 26 da Lei n°9.249 c/c artigo 15 da Lei n°9430/9 e IN SRF 213 de 7 de outubro de 2002 (art.14). Dar ciência do latório à contribuinte para se manifestar, querendo no prazo de 15 dias. • É como vot ( Alexandr r osa Jaguaribe4 e
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003166/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO.
Em virtude do novo ordenamento jurídico, os documentos de constituição do crédito previdenciário emitidos pelo Auditor Fiscal da Receita Federal passam a denominar-se “Auto de Infração”, não sendo mais permitidas as lavraturas de “NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito” em procedimento fiscal.
DECADÊNCIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
Conforme previsão contida no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PERÍCIA. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. REQUISITOS.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Deverá restar demonstrada nos autos a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia, cuja necessidade não se comprova.
GRUPO ECONÔMICO. COMUNHÃO SOCIETÁRIA,
ADMINISTRATIVA, CONTÁBIL, ESTABELECIMENTO E FATORES
DE PRODUÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
Havendo comunhão societária, de estabelecimento, fatores de produção, estrutura administrativa e financeira, bem como unicidade de comando entre todas as empresas apontadas, configura-se, de fato, a existência de grupo econômico.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPORTÂNCIA DEVIDA. Ocorrendo
recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua
apresentação deficiente, a fiscalização pode lançar de ofício a importância
devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. tendose
em conta a alteração da
legislação que trata das multas previdenciárias, devese
analisar a situação
específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao
contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.851
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para limitação da multa ao percentual de 75%.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. Em virtude do novo ordenamento jurídico, os documentos de constituição do crédito previdenciário emitidos pelo Auditor Fiscal da Receita Federal passam a denominar-se “Auto de Infração”, não sendo mais permitidas as lavraturas de “NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito” em procedimento fiscal. DECADÊNCIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. Conforme previsão contida no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PERÍCIA. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. REQUISITOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Deverá restar demonstrada nos autos a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia, cuja necessidade não se comprova. GRUPO ECONÔMICO. COMUNHÃO SOCIETÁRIA, ADMINISTRATIVA, CONTÁBIL, ESTABELECIMENTO E FATORES DE PRODUÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. Havendo comunhão societária, de estabelecimento, fatores de produção, estrutura administrativa e financeira, bem como unicidade de comando entre todas as empresas apontadas, configura-se, de fato, a existência de grupo econômico. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPORTÂNCIA DEVIDA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a fiscalização pode lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. tendose em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DE ARTEFATOS DE POLIURETANO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. Em virtude do novo ordenamento jurídico, os documentos de constituição do crédito previdenciário emitidos pelo Auditor Fiscal da Receita Federal passam a denominarse “Auto de Infração”, não sendo mais permitidas as lavraturas de “NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito” em procedimento fiscal. DECADÊNCIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. Conforme previsão contida no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PERÍCIA. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. REQUISITOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Deverá restar demonstrada nos autos a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia, cuja necessidade não se comprova. GRUPO ECONÔMICO. COMUNHÃO SOCIETÁRIA, ADMINISTRATIVA, CONTÁBIL, ESTABELECIMENTO E FATORES DE PRODUÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. Havendo comunhão societária, de estabelecimento, fatores de produção, estrutura administrativa e financeira, bem como unicidade de comando entre todas as empresas apontadas, configurase, de fato, a existência de grupo econômico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 66 /2 00 8- 13 Fl. 3036DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPORTÂNCIA DEVIDA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a fiscalização pode lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. tendose em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para limitação da multa ao percentual de 75%. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenco Ferreira do Prado. Fl. 3037DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 11065.003166/200813 Acórdão n.º 2402003.851 S2C4T2 Fl. 3.037 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 09/09/2008 (fl. 02), decorrente do não recolhimento da contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e da contribuição incidente sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, no período de 01/01/2003 a 31/12/2007. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 156/2.935) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – MG, ao analisar o presente caso (fls. 2.940/2.989), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) o Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido e cientificado de acordo com as normas que o regem; (ii) os documentos de constituição de crédito passaram a se chamar Auto de Infração, e não mais Notificação Fiscal de Lançamento de Débito; (iii) o arbitramento da base de cálculo pode ser utilizado quando a documentação do sujeito passivo não se mostre idônea o suficiente para permitir a apuração do montante devido; (iv) ocorrendo a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, a autoridade fiscal pode lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova; (v) se no exame da escrituração contábil a Fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados, estas serão apuradas por aferição indireta; (vi) o controle e a direção das empresas é único, configurando grupo econômico e a responsabilidade solidária; (vii) foram atendidos os requisitos do art. 142, 148 e 149 do Código Tributário Nacional; (viii) o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (ix) a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional; (x) a administração pública está sujeita ao princípio da legalidade; e (xi) a autoridade julgadora poderá indeferir as perícias formuladas pelo contribuinte quando considerálas prescindíveis. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 2992/3033) argumentando em suma que: (i) antes de se lavrar a autuação, deve ser expedido o competente mandado de procedimento fiscal; (ii) não foram expedidos mandados de procedimentos fiscais complementares; (iii) deveria ter sido lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD e não Auto de Infração; (iv) as competências anteriores a agosto de 2003 estão decaídas; (v) é nula a autuação, por não ter oportunizado a produção de prova pericial pela Recorrente; (vi) não existe grupo econômico; (vii) a aferição indireta só poderia ser utilizada em situações excepcionais; e (xix) não foram abatidos os valores já recolhidos pela UNIFABRIL a título de contribuição dos empregados. É o relatório. Fl. 3038DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que houve falhas na presente autuação, uma vez que (i) antes de ter sido lavrada, deveria ter sido expedido o competente mandado de procedimento fiscal; (ii) não foram expedidos mandados de procedimentos fiscais complementares; e (iii) deveria ter sido lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD e não Auto de Infração. Contudo, como é possível analisar na fl. 69, a Recorrente foi corretamente intimada em 28/02/2008 da lavratura do mandado de procedimento fiscal, tendo inclusive sido informado o número para consulta no site da Receita Federal do Brasil (10.1.07.00 2008.001014) e o respectivo código de acesso (52005805), o qual inclusive pôde ser confirmado nesta data mediante consulta na internet, no endereço eletrônico <www.receita.fazenda.gov.br>, no qual são relacionados também as prorrogações ocorridas. Ainda, analisando as fls. 69/99, constatase que a Recorrente foi devidamente intimada e acompanhou todas as fases do procedimento de fiscalização, constando também do relatório fiscal (item 7 – outras informações, fls. 125) que “a auditoria foi atendida pelos Srs. Jean Marcel Rick, contador das empresas Uniflex e Polibhela, Gelcy José Holscher, responsável pela área de recursos humanos de todas as empresas, e Pedro Osório Correa, sócio da Polibhela e contador da Unifabril, aos quais foram repassados todos os esclarecimentos necessários desta ação fiscal.” Não há, portando, motivos que justifiquem a nulidade alegada pela Recorrente. Em relação ao fato de ter sido lavrado um Auto de Infração, e não uma Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, é importante ressaltar que, com a alteração do art. 37 da Lei nº 8.212/91, ocorreu apenas uma mera alteração na nomenclatura da autuação, não havendo nesse tocante qualquer cerceamento de defesa aos contribuintes. A Recorrente sustenta também que a autuação é improcedente em relação às competências anteriores a agosto de 2003, posto que estariam fulminadas pela decadência, requerendo a aplicação, ao caso, da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Nesse tocante, verificase que a própria DRJ (fls. 2972/2973), por decorrência do disposto na Súmula 8 do STF e do art. 103A da CF/88, afastou a aplicação do prazo decadencial decenal. Todavia, manteve o lançamento do período questionado pela Recorrente, com fundamento no art. 173, I, do CTN, por entender que não houve recolhimento antecipado sobre os fatos geradores objeto da autuação. Todavia, verificase pela análise do RL – Relatório de Lançamentos (fls. 49/50) que no levantamento FP1 – FPA Empregados foram deduzidos em cada competência desse levantamento os Descontos de Segurados – DS, com origem FPA UNIFABRIL, o que evidencia ter havido pagamento parcial ao menos em relação a tal exigência, cujos recolhimentos foram inclusive deduzidos do lançamento pelo próprio fiscal autuante. Havendo pagamento parcial, seria possível, em tese, a aplicação ao caso da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, em decorrência do entendimento proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 11065.003166/200813 Acórdão n.º 2402003.851 S2C4T2 Fl. 3.038 5 controvérsia nos termos do art. 543C do CPC, de reprodução obrigatória neste Conselho por força do art. 62A, caput, do RICARF. Contudo, no caso ora em análise, verificase que a conclusão fiscal foi de que as empresas simularam uma situação que não aparenta a realidade dos fatos apurados, a fim de utilizar tratamento tributário diferenciado com a finalidade de evadir as contribuições previdenciárias patronais (item 4.1.3 do Relatório Fiscal, fls. 121), sendo que o próprio art. 150, § 4º, do CTN, excetua a sua aplicação na ocorrência dessa situação. Desse modo, ao contrário do que pretendido pela Recorrente considerando a previsão contida no art. 173, inc. I, do CTN, nenhum dos períodos exigidos na presente autuação foram atingidos pela decadência. Com relação ao inconformismo da Recorrente pelo indeferimento do pedido de produção de prova pericial, também não lhe assiste razão. Não se vislumbra a ocorrência do alegado cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia solicitada, uma vez que a Recorrente não logrou justificar adequadamente os supostos equívocos cometidos pela fiscalização que, em tese, mereceriam maiores esclarecimentos para o deslinde da questão. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/72 estabelece: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Da leitura do dispositivo, verificase que a Recorrente não cumpriu os requisitos necessários para à formulação de perícia. Nesse tocante, alega a Recorrente que era imperioso que os quesitos ofertados fossem respondidos, pois eles esclareceriam se o valor recolhido pela UNIFABRIL em relação aos segurados constantes na sua folha foi descontado deste AI, bem como se os funcionários da UNIFABRIL estavam sujeitos ao GILRAT de 3%, conforme alega que foi constituído neste AI. Sustenta que não teriam sido abatidos do presente lançamento os recolhimentos das contribuições dos segurados efetuados pela UNIFABRIL. Contudo, verificase pelo mesmo RL – Relatório de Lançamentos já mencionado (fls. 49/58) que no levantamento FP1 – FPA Empregados, foram efetuados em cada competência desse levantamento os Descontos de Segurados – DS, com origem FPA UNIFABRIL, justamente os buscados pela Recorrente, não expondo esta os motivos que pudessem justificar uma perícia para esclarecimentos de uma eventual incorretude dos valores. Quanto ao argumento da necessidade da perícia para esclarecer a alíquota do GILRAT, verificase que esta matéria sequer foi objeto de lançamento no presente processo. Logo, sem razão a Recorrente no tocante à perícia e ao abatimento dos segurados. A Recorrente afirma ainda que inexiste grupo econômico entre ela e as demais empresas mencionadas na presente autuação, tais como UNIFABRIL e POLIBHELA. Ocorre que, como também ficou bem evidenciado no Relatório Fiscal e consignado pela r. decisão da DRJ, há comunhão de sócios, estabelecimento, fatores de produção, estrutura administrativa e financeira, etc., entre todas as empresas apontadas. Fl. 3040DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 6 Neste sentido, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009, em seu artigo 494, define grupo econômico nestes termos: “Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”. Ainda, o art. 243 da Lei 6.404/76, regulamenta a questão acerca da formação do grupo econômico, através da figura das sociedades coligadas, controladoras e controladas, in verbis: “Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. § 1 São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores”. Ou seja, não basta a mera participação societária para que esteja configurado um grupo econômico, mas sim, conforme preceitua o art. 243, § 1º da Lei nº 6.404/76, haja a flagrante influência no processo decisório e estratégico que uma empresa exerce sobre outra. Ademais, como reconhece a própria Recorrente em seu recurso voluntário, diversas hipóteses levam a reconhecer a existência do grupo econômico, como (i) as procurações de todas as empresas estarem em nome de um único representante; (ii) os funcionários que estão laborando na UNIFABRIL estarem registrados em face da Recorrente; (iii) uma única central telefônica para todas as empresas; (iv) haver funcionários e esposas dos sócios registradas como responsáveis nas demais empresas inscritas no regime SIMPLES de tributação; (v) empregado da UNIFABRIL que atende rotinas de folha de pagamentos da POLIBHELA e UNIFLEX; (vi) preposto que atua nas reclamatórias trabalhistas em nome de todas as empresas; (vii) movimentação de recursos entre as empresas para pagamentos das respectivas folhas de pagamento e títulos comerciais; (viii) gastos com software de folha de pagamento suportado por uma única empresa em benefício também das demais; (ix) cessão gratuita pela POLIBHELLA da área em que funciona a operação da UNIFABRIL; (x) cessão de gerador da UNIFLEX para utilização na UNIFABRIL; (xi) utilização de cartões corporativos das empresas pelo mesmo colaborador, para fins de pesquisas e análise de mercados em favor das empresas, dentre outras situações apontadas pela fiscalização que demonstram a confusão patrimonial e social existente. Por oportuno, cumpre salientar que o julgador não está obrigado a tecer considerações sobre todos os pontos argumentados pelas partes, sendo suficiente que se manifeste sobre os elementos essenciais para solucionar a lide. Nesse sentido, o relatório fiscal (fls. 101/125) e a decisão recorrida deixaram bastante claro que de fato as empresas compartilham das mesmas sedes, quadro societário e administrativo, estrutura financeira e mão de obra, não restando dúvidas em relação à existência de grupo econômico. Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 11065.003166/200813 Acórdão n.º 2402003.851 S2C4T2 Fl. 3.039 7 Assim, conforme prescreve o art. 142 do CTN, compete à autoridade fiscal, por ocasião do lançamento, verificar se de fato há essa influência no processo decisório e estratégico. Analisando o entendimento deste CARF no voto condutor do processo 11474.000151/2007921, verificase que: “No presente caso, ao contrário do entendimento da recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório da Notificação Fiscal, corroborado pela decisão recorrida, de onde vênia para transcrever excerto por bem resumir a situação contemplada nos autos, especialmente quando a peça recursal da contribuinte traz em seu bojo os mesmos argumentos da impugnação, in verbis: Ademais, em relação às alegações da notificada de que a fiscalização não apresentou provas suficientes para comprovar a sua tese de simulação, temos que, os elementos trazidos aos autos pela fiscalização, tais como: a empresa possui sócios em comum e são membros da mesma família; as empresas funcionam no mesmo endereço; a prestação de serviços se dá "exclusivamente" a Engecass; as máquinas e equipamentos utilizados pelas prestadoras de serviços (empresas B e C), encontramse escriturado apenas no ativo imobilizado da empresa A, mesmo após a terceirização da atividade industrial desta; as elétricas, águas e esgoto das três, também são lançadas, somente, na "conta despesa" da empresa A, confirmam que se trata simulação ou constituição de empresas por interpostas pessoas, as quais ao contrário do que argumenta a impugnante não são autônomas e independentes entre si. Verificase, portanto, que o fisco previdenciário não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizalas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente elencados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam”. Desta forma, considerando que vários fatores deixaram claro a relação existente entre a Recorrente e as demais empresas envolvidas, não merece provimento o recurso neste ponto em razão de estar configurado de fato a existência de grupo econômico. De se destacar que foi tal situação que também justificou o procedimento de arbitramento no lançamento realizado. De acordo com a Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da autuação, havendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a fiscalização pode inscrever de ofício importância que reputar devida, inclusive por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário (art. 33, § 3º e 6º). 1 Processo 11474.000151/200792, Rel. Conselheiro Rycardo Henrique M. de Oliveira, julgado em 09.10.2008, acórdão 20601.463 Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 8 A fiscalização constituiu o crédito tributário no uso dessa prerrogativa. A Recorrente, por outro lado, não se desincumbiu da prova em contrário, limitandose tão somente a questionar o procedimento que, como visto, tem base legal para ser aplicado. Por fim, em relação à multa, verificase que a DRJ já determinou a observância, por ocasião do pagamento ou parcelamento, da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, em decorrência das alterações promovidas pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09. Nesse tocante, apenas observo que embora a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 limitase ao percentual de 75% do valor principal, deve esta ser aplicada caso a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) supere o seu patamar. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para a limitação da multa ao percentual de 75%. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 28/02/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
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Numero do processo: 13975.000499/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801000.382
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0221.10502.AY3F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13975.000499/200764 Despacho n.º 3801000.382 S3TE01 Fl. 2 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada com o objetivo de ver compensados créditos seus relativos à depósito judicial efetuado a título de Cofins, com débitos referentes à mesma exação e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC entendeu de não homologála, em razão de que o valor objeto de depósito judicial, depois convertido em renda da União em face de decisão transitada em julgado desfavorável à contribuinte, não se conformava como recolhimento indevido ou a maior. É que a contribuinte havia ido ao Poder Judiciário com o fim de se ver desobrigada de apurar a Cofins e o PIS pelo regime da não cumulatividade, mas ao final do litígio não logrou êxito em sua demanda, restando convertidos em renda todos os depósitos judiciais efetuados na pendência da solução final da pendenga. Assim, analisando a DRF/Blumenau/SC os valores dos depósitos convertidos em renda e os valores devidos à titulo da contribuição no âmbito do regime da nãocumulatividade, constatou a inexistência de créditos contra a Fazenda Nacional remanescentes (na verdade, os depósitos seriam até mesmo insuficientes para o adimplemento integral do valor devido no respectivo período de apuração), o que justificou, portanto, a não homologação da compensação intentada. Irresignada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte, por meio de seu procurador legal, manifestação de inconformidade na qual afirma que o auditorfiscal que analisou seu pleito repetitório incorreu em equívoco ao entender que estava ela se apropriando de créditos referentes à ação judicial no âmbito da qual não havia tido êxito. Alega que o direito creditório não se relaciona com o objeto da ação judicial em si, mas com o permissivo legal constante do artigo 2.o da Instrução Normativa SRF n.o 658, de 04/07/2006, que expressamente permite que as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa no PIS e na Cofins, permaneçam tributadas no regime da cumulatividade em relação às receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, desde que tais contratos tenham prazo de duração superior a um ano e se refiram a construção por empreitada ou a fornecimento, a preço determinado, de bens e serviços. Assim, como a contribuinte teria contratos nestas condições, o que quer ver repetido são os valores que foram indevidamente incluídos nos depósitos judiciais por não estarem submetidos à nãocumulatividade, e não créditos relativos ao objeto do provimento judicial que lhe foi desfavorável. Demanda a contribuinte, assim, pela homologação integral de sua compensação. Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0221.10502.AY3F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13975.000499/200764 Despacho n.º 3801000.382 S3TE01 Fl. 3 3 A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: RECURSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE INOVAÇÃO NAS ALEGAÇÕES SUBMETIDAS A INSTÂNCIAS DISTINTAS Não é lícito ao contribuinte, em sede de recurso administrativo submetido à instância ad quem, inovar nas alegações levadas à apreciação da instância a quo. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o relator entendeu perfeitamente a forma pela qual esta recorrente utilizou os seus créditos, beneficio trazido pelo art. 2º da IN 658/06; em que pese no acórdão vergastado haver a compreensão de que a recorrente se utiliza dos fundamentos corretos para apurar os seus créditos, mas se julgam impossibilitados de analisar o pleito por causa de supressão de instância; sendo cristalino o direito da recorrente, reconhecido pela própria administração pública, não seria o caso ser levado às vias judiciais, o que seria dispendioso para as partes, inclusive com custos de honorários para Fazenda Nacional; o impasse poderia ser resolvido com um simples decisório de declinação de competência para autoridade competente homologar a compensação; acreditava que bastava esclarecer os fatos e direito para autoridade competente homologar sua Dcomp, não havia interesse de atingir uma instância ad quem, como dito, fora induzida em erro de endereçamento quando poderia apenas esclarecer os fundamentos motivadores da Dcomp; o mais justo seria reconsiderar a decisão e declinar a competência para a DRF em Blumenau, a fim de que esta possa analisar os esclarecimentos prestados por esta contribuinte e homologar sua Dcomp; caso não seja reconsiderada a decisão prolatada por esta Egrégia Seção de julgamento ao menos permita que a contribuinte retifique sua Dcomp de acordo com o permissivo previsto no art. 2º da IN 658/06; a solução para o presente caso não exige maiores esforços interpretativos, tratase apenas de mero erro de preenchimento da Dcomp, esta contribuinte não pode ser lesada por isso, inclusive, em decisões do conselho de contribuintes, vêm mantendo o entendimento de que os contribuintes não podem ser lesados pelo mero erro de fato; Por fim, requereu a reforma do acórdão atacado e que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário homologando as Declarações de Compensação realizadas pela recorrente, confirmando o direito desta aos créditos tributários Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0221.10502.AY3F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13975.000499/200764 Despacho n.º 3801000.382 S3TE01 Fl. 4 4 relativos aos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, na forma detalhada apresentada nos presentes autos, de acordo com o permissivo previsto no art. 20 da IN 658/06. Alternativamente, requereu a reforma da decisão no sentido de que seja declinada a competência para a DRF em Blumenau, a fim de que esta possa analisar os esclarecimentos prestados por esta contribuinte e homologar sua Dcomp. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0221.10502.AY3F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13975.000499/200764 Despacho n.º 3801000.382 S3TE01 Fl. 5 5 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente desde a manifestação de inconformidade insiste na tese de que o seu direito creditório tem fundamento na Instrução Normativa nº 658/2006, inclusive colacionou diversos documentos neste sentido, como demonstrativos de cálculo das contribuições PIS e Cofins e relação dos contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 com prazo superior a (um) ano. Consignese que o art. 2º da Instrução Normativa nº 658/2006 estabelece: Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF e na Dacon, além de informações decorrentes de ação judicial. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Não se compartilha com a tese de que houve supressão de instância, visto que as provas documentais foram apresentadas na manifestação de inconformidade, de acordo com o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da Dacon/DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da Dacon/DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0221.10502.AY3F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13975.000499/200764 Despacho n.º 3801000.382 S3TE01 Fl. 6 6 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente. Neste sentido, os dados da Dacon retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição Cofins e eventuais pagamentos a maior decorrentes da incidência não cumulativa das receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 com prazo superior a um ano. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 31/01/2005, em especial verifique se houve pagamento a maior em face das receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 com prazo superior a um ano; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0221.10502.AY3F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FLAVIO DE CASTRO PONTES em 28/08/2012 16:39:16. Documento autenticado digitalmente por FLAVIO DE CASTRO PONTES em 28/08/2012. Documento assinado digitalmente por: FLAVIO DE CASTRO PONTES em 28/08/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.0221.10502.AY3F Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 572052F494179D491863886C50C36322D0B244BB Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13975.000499/2007-64. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10840.901876/2009-83
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.391
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Despacho n.º 3801000.391 S3TE01 Fl. 2 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhida a maior no período de apuração de 30/11/2002. A DRF de Ribeirão Preto, SP, por meio de despacho decisório de fl. 4, não homologou a compensação declarada, porque o pagamento a maior ou indevido indicado no PER/Dcomp, foi integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. A interessada ingressou com manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: A totalidade do crédito apurado pelo contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP advém do indevido recolhimento da Cofins sobre receitas não operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição. É do domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal. Assim, uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Apresentou a cópia do balancete analítico para comprovar a alegação de recolhimento indevido sobre receitas não operacionais e financeiras. Salientou que se a autoridade julgadora entender necessário a realização de perícia contábil os documentos contábeis da empresa estarão à disposição da fiscalização e pediu que seja homologada a compensação realizada e declarado extinto o crédito tributário efetivamente compensado. Solicitou ainda que nas intimações e notificações conste o nome do advogado da empresa. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia somente se justifica quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador ou a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Despacho n.º 3801000.391 S3TE01 Fl. 3 3 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÕES DO STF PROFERIDAS INCIDENTALMENTE. A Lei n° 9.718, de 1998, constitui norma legal regularmente editada segundo o processo legislativo estabelecido, tem presunção de legitimidade e vige enquanto não for afastada do sistema jurídico brasileiro. Decisões do STF, acerca do alargamento da base de cálculo da Cofins, proferidas incidentalmente beneficiam apenas as partes das respectivas ações: não possuem efeito erga omnes. INTIMAÇÃO EM NOME DO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: Preliminar: Da nulidade da decisão recorrida devido ao cerceamento do direito de defesa da recorrente produziu a seu favor forte provas materiais, aptas a comprovarem que o indébito tributário, alvo de pedido de compensação, via PER/DCOMP, foi oriundo da incidência e recolhimento indevidos da contribuição "COFINS" sobre receitas não operacionais/ financeiras, que jamais podem compor a base de cálculo da COFINS; a Autoridade Julgadora a quo indeferiu o pedido de perícia contábil, sob o ledo fundamento de que a sua produção, nestes autos não se justifica; e, a r. decisão de primeira instância administrativa é nula de pleno direito, em função do cerceamento ao direito de defesa da Recorrente; a Recorrente produziu a seu favor forte indício de prova material, mediante a juntada de DARF, DCTF, DIPJ e extrato de seu balancete, todos aptos e necessários para comprovar a indevida incidência e recolhimento da COFINS sobre receitas não operacionais e financeira; que a prova pericial era indispensável na vertente demanda administrativa, uma vez que o contribuinte apresentou mais de 40 PER/DCOMP's, tornandose impraticável a juntada da cópia dos livros fiscais Razão e Diário em todos os procedimentos administrativos, ao passo que, em razão das alegações do contribuinte e das provas pré constituídas por este, já existiam indícios suficientes e necessários para que fosse demandada a perícia contábil ao Fisco, pelo Órgão Julgador Administrativo; a r. decisão administrativa de primeira instância é nula de pleno direito, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, já que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado, e ainda, Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Despacho n.º 3801000.391 S3TE01 Fl. 4 4 impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Da conversão do julgamento em diligência seja verificada a conformidade do crédito apurado pelo Contribuinte, ora Recorrente, nada justifica a não homologação dos créditos apropriados e compensados, sendo imperiosa a determinação, portanto, por essa Egrégia Turma Julgadora, a conversão do presente processo em diligência para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos da COFINS, quais a Recorrente efetivamente possui; a Recorrente reitera que todos os seus documentos contábeis estão à disposição, e requer a conversão do julgamento em diligência, para que seja produzida prova pericial pelo Fisco, no intuito de se perfilhar o correto cotejo dos livros fiscais Razão e Diário estabelecidos e regularmente preenchidos pela Recorrente, para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos da COFINS, indevidamente recolhidos pela Recorrente sobre a base de cálculo "receitas não operacionais e financeiras". Mérito a questão jurídica em torno da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, teve sua repercussão geral reconhecida pelo plenário do STF, que em Sessão de 10.09.2008, ao julgar questão de ordem no RE 585.235/MG, reafirmou a inconstitucionalidade do susodido dispositivo legal, e ainda, aprovou proposta de edição de Súmula Vinculante sobre o tema, como se denota pelo excerto colacionado ao recurso; seguindo o paradigma proferido pelo STF, a jurisprudência do então designado Segundo Conselho de Contribuintes, ao enfocar os efeitos da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo artigo 3º2 da Lei nº 9.718/98, é uníssona ao dispor que a decisão plenária definitiva do STF deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras; ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é facultado declarar a inconstitucionalidade de lei regularmente editada, entretanto, não constitui declaração de inconstitucionalidade a extensão dos efeitos de decisão do plenário do excelso STF, por corresponder à ultima decisão que a matéria pode obter em qualquer instância; prosseguimento desta demanda administrativa, por anos a fio, pela simples resistência da autoridade julgadora administrativa em reconhecer o entendimento uníssono do STF sobre a questão atinente à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS, conferida pelo § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, efetivamente, macula os princípios norteadores da atividade administrativa, dentre os quais merecem destaque os princípios da legalidade, finalidade, economia, moralidade, eficiência e razoabilidade. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Despacho n.º 3801000.391 S3TE01 Fl. 5 5 Por fim requereu: preliminarmente, que fosse declarada a nulidade da r. decisão administrativa de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa e a conversão do julgamento em diligência; no mérito, que fosse julgado procedente seu recurso; que fosse intimada do julgamento para apresentar sustentação oral perante este Egrégio Tribunal. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Despacho n.º 3801000.391 S3TE01 Fl. 6 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tenhase presente que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Despacho n.º 3801000.391 S3TE01 Fl. 7 7 do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre o conceito de faturamento. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901876/200983 Despacho n.º 3801000.391 S3TE01 Fl. 8 8 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição parcial de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição Cofins e eventuais pagamentos a maior. Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido no acórdão da DRJ: (...) para comprovar que a totalidade do crédito compensado via PER/Dcomp neste processo advém do indevido recolhimento da Cotins sobre receitas não operacionais e financeiras, o contribuinte inseriu no processo um simples extrato de balancete mensal (fl. 47). Esse documento, por si só, desacompanhado dos livros fiscais Razão e Diário estabelecidos e regularmente preenchidos na forma da lei, não representaria, em nenhuma hipótese, prova hábil suficiente para reconhecimento de direito creditório. (grifouse) Por outro lado, é notório que boa parte dos contribuintes recorreu ao Poder Judiciário em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, o que implica, em tese, na renúncia à esfera administrativa. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) informe se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. Em caso positivo, fazer uma síntese do andamento processual; b) apure a correta composição da base de cálculo da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 30/11/2002, segundo o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. c) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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