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Numero do processo: 12466.000610/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 12/03/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DETALHADA DA MERCADORIA INSUFICIENTE PARA DEFINIÇÃO DO CORRETO TRATAMENTO ADUANEIRO E TARIFÁRIO. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferido o pedido de restituição do imposto de importação para Declaração de Importação (DI) na qual a mercadoria não esteja corretamente descrita, com todos os elementos suficientes à definição do correto tratamento aduaneiro e tarifário pleiteado.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA HAMONIZADO. ACORDO INTERNACIONAL. ATIVIDADE JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM PERÍCIA.
A classificação de mercadorias é atividade jurídica, calcada nas Regras constantes do Sistema Harmonizado, fruto de acordo regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, com estatura de paridade com alei ordinária brasileira, e não se confunde com a perícia. O perito, técnico em determinada área (química, mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NOME COMERCIAL. "NPEL 128". DESNECESSIDADE DE PERÍCIA.
Tendo o produto a ser classificado nome comercial que o individualize tecnicamente (no caso, "NPEL 128"), desnecessária a demanda por perícia, diante da existência de fichas técnicas sobre a mercadoria, especificando suas características.
CARF. SOLUÇÕES DE CONSULTA E DIVERGÊNCIA DA RFB. NÃO VINCULAÇÃO.
O CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado por Soluções de Consulta e de Divergência por ela emitidas, podendo emitir juízo independente sobre classificação de mercadorias, desde que calcado nas Regras do Sistema Harmonizado, e nas normas que o complementam, internacional, regional e nacionalmente.
Numero da decisão: 3401-003.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. A Conselheira Larissa Nunes Girard atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/03/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DETALHADA DA MERCADORIA INSUFICIENTE PARA DEFINIÇÃO DO CORRETO TRATAMENTO ADUANEIRO E TARIFÁRIO. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de restituição do imposto de importação para Declaração de Importação (DI) na qual a mercadoria não esteja corretamente descrita, com todos os elementos suficientes à definição do correto tratamento aduaneiro e tarifário pleiteado. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA HAMONIZADO. ACORDO INTERNACIONAL. ATIVIDADE JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM PERÍCIA. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, calcada nas Regras constantes do Sistema Harmonizado, fruto de acordo regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, com estatura de paridade com alei ordinária brasileira, e não se confunde com a perícia. O perito, técnico em determinada área (química, mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NOME COMERCIAL. "NPEL 128". DESNECESSIDADE DE PERÍCIA. Tendo o produto a ser classificado nome comercial que o individualize tecnicamente (no caso, "NPEL 128"), desnecessária a demanda por perícia, diante da existência de fichas técnicas sobre a mercadoria, especificando suas características. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 06 10 /2 01 0- 03 Fl. 318DF CARF MF 2 CARF. SOLUÇÕES DE CONSULTA E DIVERGÊNCIA DA RFB. NÃO VINCULAÇÃO. O CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado por Soluções de Consulta e de Divergência por ela emitidas, podendo emitir juízo independente sobre classificação de mercadorias, desde que calcado nas Regras do Sistema Harmonizado, e nas normas que o complementam, internacional, regional e nacionalmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. A Conselheira Larissa Nunes Girard atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila. Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Reconhecimento de Crédito decorrente de Retificação da Declaração de Importação (DI) no 08/15979325, registrada em 09/10/2008, retificada em 17/10/2008 e desembaraçada ainda em 17/10/2008, em canal vermelho. Na segunda retificação efetuada na DI, esta após o desembaraço (da classificação da mercadoria importada, “NPEL 128 – Resina Epóxida sem carga inorgânica, na forma líquida”, do código NCM 3907.30.29 para o código NCM 2910.90.90), pleiteiase o direito de restituição do imposto de importação, em função da diferença de alíquota entre os códigos, no valor de R$ 16.313,16, com fundamento “em decisão favorável proferida no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389/DF (originário do Mandado de Segurança no 2008.34.00.0029650). Os documentos referentes à DI e às retificações se encontram às fls. 3 a 13.1 Depois de ter vista aos autos da ação judicial, a fiscalização narra, na informação de fls. 117 a 119, que a empresa entendeu lhe ser favorável a decisão na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291, de 29/09/2006 (fls. 82 a 86, relativa, entre outros, a “NPEL 128”, a ser importado pela empresa, entendido como classificado no código NCM 2910.90.90), e que não houve apreciação da classificação da mercadoria pelo juízo, pelo que se recomendava a revisão aduaneira da DI. Anexase ainda aos autos a Solução de Divergência no 17, de 24/10/2007, proferida pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA), 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 319DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 319 3 que reforma a Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006, entendendo como correta a classificação do produto de nome comercial “NPEL 128” no código NCM 3907.30.29 (fls. 87 a 92). No parecer conclusivo de fls. 123 a 127, narra a fiscalização que: (a) na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006 a empresa informa que a mercadoria objeto da consulta seria o composto epóxi fenólico NPEL 134 e NPEL 128, matériaprima para fabricação de resina epóxida, enquanto nas DI declara que a mercadoria importada seria resina epóxida NPEL 134 e NPEL 138; (b) a COANA expressamente reformou a Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006, em 24/10/2007, estabelecendo que o composto epóxi fenólico NPEL 128 classificase no código NCM 3907.30.29; (c) diante da reforma, a empresa foi cientificada sobre a improcedência da retificação, diante da divergência na descrição, e da impossibilidade de laudo técnico, em função de já estarem as mercadorias fora do recinto alfandegado; (d) que a empresa reconhece que existe a resina epóxida NPEL 128, mas que não a importa, mas sim a matériaprima composto epóxi fenólico NPEL 128; (e) a empresa impetrou o Mandado de Segurança no 2008.34.00.0029650 buscando fosse declarada a nulidade da Solução de Divergência COANA no 17/2007, mantendose os efeitos da Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006, sendo a sentença pela improcedência do pedido, havendo, no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389 sido autorizada a suspensão dos efeitos da Solução de Divergência COANA no 17/2007, mediante depósito judicial da diferença de tributos; (f) embora a empresa pleiteie a nulidade da referida solução de consulta, suas declarações de importação versam sobre resina epóxida NPEL 128, e não sobre a mercadoria objeto da consulta, como atesta o próprio exportador (NAN YA PLASTIC CORP); e (g) a empresa não se desincumbe do ônus de provar que as mercadorias declaradas pelo importador e pelo exportador na declaração de importação (e em outras 48 DI) como “resina epóxida NPEL 128” em verdade se tratavam de “composto epóxi fenólico NPEL 128”. Com fundamento em tal informação, o pedido de restituição é indeferido pelo Despacho Decisório de fl. 136, datado de 11/04/2013. Ciente do despacho em 02/12/2013 (fl. 136), a empresa apresenta, em 30/12/2013, a Manifestação de Inconformidade de fls. 138 a 149, sustentando, basicamente, que: (a) importa “composto epóxi fenólico NPEL 128”, utilizado como matériaprima para fabricação de resina epóxi, e o classifica no código NCM 29.10.90.90, recolhendo o imposto de importação á alíquota de 2%; (b) a classificação foi confirmada na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006; (c) a empresa demandou retificação da DI, alterando o código NCM de 3907.30.29 para 29.10.90.90, e a autoridade fiscal a retificou e desembaraçou, mas tal retificação foi irregularmente tornada sem efeito pelo despacho decisório, sob o pretexto de que não mais se teria condição de avaliar as condições da mercadoria importada; (d) no despacho decisório, que reconhece a retificação efetuada pela fiscalização, não foi apresentada qualquer razão para que esta fosse desconsiderada; e (e) a alegação de que não havia mais condições de verificar a mercadoria é improcedente, visto que tal avaliação já foi realizada por diversas vezes pelo fisco (v.g., em agosto de 2003). A decisão de primeira instância, proferida em 28/05/2015 (fls. 225 a 231) é, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, e pela negativa de diligência, pelos seguintes fundamentos: (a) a solução de consulta formulada pelo sujeito passivo revela o pronunciamento formal da Administração sobre a classificação de mercadorias suscitada pelo consulente; (b) o pedido de retificação foi deferido por entender a autoridade fiscal que a decisão proferida no Agravo de Instrumento, ao deferir o efeito suspensivo ao recurso de apelação proposto pela requerente, implicaria atendimento ao pedido formulado pela Fl. 320DF CARF MF 4 interessada de retificação da DI em questão; (c) no momento do registro da DI encontravase em vigor a Solução de Divergência COANA no 17/2007, que determinava a classificação dos produtos denominados "resina epóxida NPEL128 e NPEL134” na NCM 3907.30.29, devendo tal norma ser cumprida pela Administração e pelo julgador administrativo da RFB; e (d) o efeito suspensivo atribuído ao recurso de agravo de instrumento pelo C.P.C. se refere unicamente às decisões de cunho positivo, ou seja, àquelas que concedem algo, não podendo tal efeito suspender uma tutela que havia sido negada pelo juízo a quo. Após ciência da decisão da DRJ, em 02/06/2015 (termo de fl. 234), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 237 a 254, em 26/06/2015 (fl. 293), alegando reiterar os argumentos expressos na manifestação de inconformidade (de que houve retificação pela autoridade aduaneira, aceitando a alteração na classificação, e de que é inaplicável ao caso a Solução de Divergência COANA no 17/2007, porque a empresa importa “composto epóxi fenólico NPEL 128”, utilizado como matériaprima para fabricação de resina epóxi, e não “resina epóxi”, como comprovam os laudos técnicos juntados aos autos), e agregando que: (a) houve decadência, contandose mais de 5 anos entre a aceitação da retificação da DI e a decisão da DRJ; (b) em nome da verdade material, deve ser demandada diligência, para análise dos laudos elaborados, sob pena de nulidade; e (c) houve alteração de critério jurídico utilizado para a classificação fiscal, e a homologação do lançamento se deu com a retificação da DI e com a concordância da classificação fiscal adotada pela recorrente. Às fls. 297 a 317 são apresentadas cópias de peças judiciais (mandado de segurança e petição) nas quais se percebe que o juízo deferiu liminar para que se desse andamento, no prazo de quinze dias, a 19 processos administrativos, no CARF, entre os quais o presente. Em 30/03/2017, o processo foi a mim sorteado, para inclusão em pauta. Ao final de abril, fui informado, por email, pela assessoria jurídica do CARF, de que haveria decisão judicial determinando o julgamento imediato do processo, pelo que o incluí na primeira pauta subsequente. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O cerne da questão tratada no presente processo, e jamais submetida a juízo pela empresa, é a correta classificação das mercadorias importadas na DI no 08/15979325. Contudo, há que se enfrentar, preliminarmente, as alegações da empresa de que teria havido decadência. Das preliminares Fl. 321DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 320 5 A alegação de decadência é afastada de plano por revelar simples equívoco da recorrente em relação aos termos a serem utilizados para contagem do prazo, pois a empresa toma o julgamento da DRJ como se fosse a negativa originária do direito de restituição, olvidandose de que a DRJ é mera instância recursal, e que a negativa deriva do despacho decisório da unidade local (11/04/2013 fl. 136), que não apresenta interstício superior a cinco anos em relação ao pedido de restituição (datado de 12/03/2010 fl. 3). Ainda como preliminar, cabe destacar que as Soluções de Consulta e de Divergência vinculam a RFB, instituição da qual faz parte tanto a autoridade aduaneira que aceitou a retificação quanto a DRJ. A Lei no 9.430/1996 o esclarece, em seus artigos 48 e 50: Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. (...) § 11. A solução da divergência acarretará, em qualquer hipótese, a edição de ato específico, uniformizando o entendimento, com imediata ciência ao destinatário da solução reformada, aplicandose seus efeitos a partir da data da ciência. § 12. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. (...) Art. 50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 e do art. 48 desta Lei. § 1o O órgão de que trata o inciso I do § 1o do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. § 2o Da alteração ou reforma mencionada no parágrafo anterior, deverá ser dada ciência ao consulente. § 3o Em relação aos atos praticados até a data da ciência ao consulente, nos casos de que trata o § 1o deste artigo, aplicamse as conclusões da decisão proferida pelo órgão regional da Secretaria da Receita Federal. (...)” Assim, descabe à DRJ se manifestar sobre o conteúdo de Solução de Consulta ou de Divergência. Passamos, no entanto, a analisar a alegação de que a mercadoria importada efetivamente não corresponde àquela constante na Solução de Divergência COANA no 17/2007, porque a empresa importa “composto epóxi fenólico NPEL 128”, utilizado como matériaprima para fabricação de resina epóxi, e não “resina epóxi”. Para avaliar a afirmação, há que se estar certo sobre haver identidade entre a mercadoria importada e aquela presente na Solução de Consulta e na Solução de Divergência. Fl. 322DF CARF MF 6 Da mercadoria efetivamente importada Na DI no 08/15979325, em análise no presente processo, a empresa declara as mercadorias que está a importar, no campo “descrição detalhada da mercadoria”, como (fl. 10): A DI no 08/15979325, recordese, foi registrada em 09/10/2008, retificada em 17/10/2008 e desembaraçada ainda em 17/10/2008, em canal vermelho (com conferência da mercadoria, ainda que por amostragem). A empresa, no campo livre “informações complementares” da referida DI, não sujeito a críticas ou a seletividade, pelo SISCOMEX, já informava que discordava da classificação que ela própria declarava na DI, dando a entender que algo a compelia a classificar o produto em tal código NCM (fl. 8): A retificação efetuada antes do desembaraço (em 17/10/2008) não se destinou a alterar a classificação da mercadoria, mas a registrar que a autoridade aduaneira responsável pelo desembaraço recusouse a reter amostra da mercadoria, por já existir outra declaração de importação da mesma empresa, contendo a mesma mercadoria (DI no 08/15513938) sob análise laboratorial (fls. 11/12): Fl. 323DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 321 7 O pedido de retificação, alterando a classificação do código NCM 3907.30.29 para o código NCM 2910.90.90, mantendo intacta a descrição detalhada da mercadoria, aqui já transcrita, foi apresentado após o desembaraço, pelo importador, invocando decisão judicial (no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389/DF, relativo ao Mandado de Segurança no 2008.34.00.0029650 peças judiciais às fls. 93 a 114). Reparese, por fim, que o pedido de retificação, apesar de alterar a classificação, mantém no texto das informações complementares a mensagem (que passa a ser contraditória) de que “a mercadoria NPEL 128 objeto da adição 001 foi classificada na posição (sic) 3907.30.29 em que pese não concordar, por entender que a classificação correta é a NCM 2910.90.90”. E adicionese que o pedido de retificação foi feito pelo importador, e inserido no SISCOMEX pela fiscalização tão somente porque após o desembaraço o importador não mais consegue, por si, inserir demandas de retificação no referido sistema. É o que dispõe a norma infralegal que disciplina a matéria, IN RFB no 680/2006, em seus artigos 44 e 45: “Art. 44. A retificação de informações prestadas na declaração, ou a inclusão de outras, no curso do despacho aduaneiro, ainda que por exigência da fiscalização aduaneira, será feita, pelo importador, no Siscomex. (...) § 3o Em qualquer caso, a retificação da declaração não elide a aplicação das penalidades fiscais e sanções administrativas cabíveis. Art. 45. A retificação da declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I de ofício, na unidade da SRF onde for apurada, em ato de procedimento fiscal, a incorreção; ou II mediante solicitação do importador, formalizada em processo e instruída com provas de suas alegações e, se for o caso, do pagamento dos tributos, direitos comerciais, acréscimos moratórios e multas, inclusive as relativas a infrações administrativas ao controle das importações, devidos, e do Fl. 324DF CARF MF 8 atendimento de eventuais controles específicos sobre a mercadoria, de competência de outros órgãos ou agências da administração pública federal. (...) § 7o A retificação a que se refere o caput independe do procedimento de revisão aduaneira de toda a declaração de importação que, caso necessário, poderá ser proposta à unidade da SRF com jurisdição para fins de fiscalização dos tributos incidentes no comércio exterior, sobre o domicílio do importador.(...)” (grifo nosso) No caso, a retificação foi feita a pedido (e não de ofício), tendo sido recomendada a revisão aduaneira pela fiscalização, tendo em vista que a aceitação definitiva da retificação pendia de decisão judicial. Tudo conforme a legislação aduaneira. No entanto, cabe destacar aqui que tanto a fiscalização quanto a recorrente parecem não perceber a sutileza do presente caso, que é distinto dos demais em análise por este colegiado nesta mesma sessão. Aqui, houve uma retificação anterior ao desembaraço, na qual, aparentemente, acordouse em estender o resultado do exame laboratorial da DI no 08/15513938 ao presente processo, mas não houve qualquer notícia posterior, nem pela Aduana nem pela recorrente, do resultado de tal análise. Das ações judiciais (AI no 2008.01.00.0706389/DF e MS no 2008.34.00.0029650) No relatório da sentença proferida no Mandado de Segurança em epígrafe, resta bem sintetizada a demanda da empresa em juízo: Adotando descrição da mercadoria diferente daquela que usou (e não retificou) na DI, a empresa afirma expressamente que formulou consulta em relação a tal mercadoria, e que a revisão efetuada pela COANA seria equivocada, por tratar de produtos diferentes dos que importa. Exemplar a informação do juízo de que a via mandamental é inadequada para discutir a classificação da mercadoria no Sistema Harmonizado: Fl. 325DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 322 9 Passa, então, o Poder Judiciário apenas a analisar eventuais vícios na decisão da RFB, não os encontrando. E não há, nos autos, nenhuma decisão judicial em sentido contrário, sendo a única tutela obtida em juízo a referente à necessidade de análise célere do pleito pela Administração, e a presente no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389, no seguinte sentido: Fl. 326DF CARF MF 10 A decisão judicial no Agravo de Instrumento é entendida pela autoridade local (fls. 117 a 119) como autorizando a empresa a classificar a mercadoria no código NCM 2910.90.90: E, por isso, é efetuada a retificação solicitada, no SISCOMEX, em 05/04/2010 (fls. 96/97), entendendose que a decisão judicial amparava a classificação a partir da interposição, em 24/01/2008 (fl. 121). No entanto, a restituição não é autorizada, tendo em vista que a descrição detalhada da mercadoria na DI, e endossada pelo exportador nas faturas comerciais, é incompatível com a tratada na Solução de Consulta (fl. 126): Fl. 327DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 323 11 Daí o indeferimento da restituição, que não contrapõe a decisão judicial, nem a retificação efetuada, pois discute tema diverso: a ausência de prova de que a mercadoria efetivamente importada na DI se tratava de “composto epóxi fenólico NPEL 128”, contrariando a própria declaração da empresa e do exportador: Equivocado, assim, o argumento de defesa que entende que o indeferimento da restituição constitui uma rediscussão da retificação efetuada na classificação, e que a classificação correta seria, segundo o fisco, a indicada na Solução de Divergência COANA no 17/2007. Dita reclassificação, demandada pela empresa e efetuada pelo fisco “em decorrência de determinação judicial”, não constituiu a razão de indeferimento, mas a impossibilidade de se saber se a mercadoria efetivamente importada era a descrita pelo importador e pelo exportador como “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida” (tanto antes quanto depois da reclassificação), endossada pela indisponibilidade da mercadoria para análise. Da Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291, de 29/09/2006 A empresa, apesar de não incluir a referida Solução de Consulta no campo referente à justificativa da retificação, expressamente a menciona em sua defesa, defendendo que trata exatamente dos produtos que importa. Vejase, sobre o tema, a descrição no relatório da consulta (fl. 82): Fl. 328DF CARF MF 12 No relatório da Solução de Consulta são mencionados diversos laudos, de períodos e declarações distintos, mas com o mesmo nome comercial de “NPEL 128”, um deles (FUCAMP) concluindo que a mercadoria era “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida”, outro (IPT), que era uma “resina epóxi”, e outros (Maria C. H. Tcharbadjian e USP) que era “composto epóxi fenólico”. Não tendo sido possível ao laboratório da Aduana (LABOR) analisar a mercadoria, a classificação foi feita com base nas informações prestadas pelo consulente, como assevera a conclusão da Solução de Consulta (sintética, por sequer trafegar pelos textos das posições e notas do Sistema Harmonizado fl. 86): Assim, sequer houve análise efetiva da mercadoria pela Aduana durante o processo que culminou na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006. Mas o relatório da Solução de Consulta é suficiente para que perceba que havia diferentes entendimentos a respeito do que seria o produto de nome comercial “NPEL 128”. Poderia ser o produto de nome comercial “NPEL 128” uma “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida” (exatamente como a recorrente declarou na DI e como declarou o exportador na fatura comercial) ou um “composto epóxi fenólico” (como a própria recorrente defende que era o produto que importava). É nesse sentido que busca a Solução de Divergência COANA no 17/2007, com base na própria ficha técnica do produto de nome comercial “NPEL 128”, sua definição, obtendo o seguinte resultado: A nosso ver, então, pouco resta a eventual laudo técnico, sendo fácil classificar o produto a partir das próprias informações sobre sua composição, fornecidas na ficha técnica. E foi exatamente o que fez a Solução de Divergência COANA no 17/2007, que, indubitavelmente, trata do mesmo produto “NPEL 128”, agora sim percorrendo detidamente as Regas do Sistema Harmonizado. Aliás, se não tratasse de tal produto a divergência sequer faria Fl. 329DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 324 13 sentido que ela reformasse a Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006. Vejase, para afastar qualquer dúvida, de qual produto do qual trata a solução de divergência (fl. 88): Assim, pouco importa que a empresa, ao alterar a classificação, tenha eventualmente esquecido de alterar também a descrição detalhada da mercadoria de “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida” para “composto epóxi fenólico”. Isso porque o produto tem nome comercial conhecido, que permite, tecnicamente, sua categorização (“NPEL 128”). A prestação de informação incorreta na descrição da mercadoria tem como consequência, aqui, apenas o afastamento da discussão sobre esta conter todos os elementos necessários ao correto tratamento aduaneiro e enquadramento tarifário pleiteado, visto que o presente processo não trata de multa por erro na descrição da mercadoria. Entendemos, sabendo do que se trata o “NPEL 128”, ser possível a classificação da mercadoria, segundo as regras do Sistema Harmonizado, acordo internacional do qual o Brasil é signatário, tendo sido regularmente incorporado seu texto ao ordenamento jurídico nacional, o que confere ao tratado a estatura de paridade com a lei ordinária brasileira, como entende o STF (v.g., ADIN no 1.480/DF). Inócua, assim, a realização de diligências, pois se sabe a própria composição da mercadoria, em grau suficiente para se ter certeza sobre sua classificação no Sistema Harmonizado, qualquer que seja sua descrição detalhada na DI. No entanto, cabe esclarecer que o contencioso que a DRJ não podia oferecer à empresa, discutindo o mérito das Soluções de Consulta e Divergência, pode ser objeto de análise por este CARF, órgão externo à RFB. Na sequência, tratase do tema, após considerações iniciais esclarecedoras sobre a classificação de mercadorias. Da classificação de mercadorias A classificação de mercadorias se presta primordialmente à uniformização internacional. De nada adiantaria, por exemplo, pactuar alíquotas sobre o imposto de importação internacionalmente, se não fosse possível designar sobre quais produtos recai o acordo. A "Babel" de idiomas sempre foi um fator de dificuldade para o controle tributário e aduaneiro, e também para a elaboração de estatísticas de comércio internacional, e é agravada pelas diversas denominações que uma mercadoria pode ter mesmo dentro de um mesmo idioma (v.g., no Brasil, a tangerina, também denominada de mexerica, bergamota ou mimosa, entre outros). Embora haja registro de iniciativas no século XIX, na Europa, de confecção de listas alfabéticas de mercadorias, é em 29/12/1913, em Bruxelas, na segunda Conferência Internacional sobre Estatísticas Comerciais, que 29 países chegam à primeira nomenclatura de Fl. 330DF CARF MF 14 real importância, dividindo o universo de mercadorias em 186 posições, agrupadas em cinco capítulos: animais vivos, alimentos e bebidas, matériaprima ou simplesmente preparada, produtos manufaturados, e ouro e prata. Depois de diversas iniciativas, como a Nomenclatura de Genebra, da década de 30 do século passado, e a Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas, de 1950, com o nome alterado, em 1974, para Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira – NCCA, chegase à Convenção do “Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), aprovada em 1983, e que entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 1988.2 A Convenção do SH é hoje aplicada em âmbito mundial, não só entre os 155 países signatários, mas em suas relações com terceiros. No Brasil, a referida convenção foi aprovada pelo Decreto Legislativo no 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto no 97.409, de 23/12/1988, com depósito internacional do instrumento de ratificação em 08/11/1988. Desde 1o de janeiro de 1989, a convenção é plenamente aplicável no Brasil, tendo, segundo entendimento dominante em nossa suprema corte, "status" de paridade com a lei ordinária.3 O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) é uma nomenclatura estruturada sistematicamente buscando assegurar a classificação uniforme de todas as mercadorias (existentes ou que ainda existirão) no comércio internacional, e compreende seis Regras Gerais Interpretativas (RGI), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, e 21 seções, totalizando 96 capítulos, com 1.244 posições, várias destas divididas em subposições de 1 travessão (primeiro nível) ou dois (segundo nível), formando aproximadamente 5.000 grupos de mercadorias, identificados por um código de 6 dígitos, conhecido como Código SH.4 Desde que não contrariem o estabelecido no SH, os países ou blocos regionais podem estabelecer complementos aos seis dígitos internacionalmente acordados, e utilizar a codificação inclusive para temas e tributos internos. A Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), que serve de base à aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC), acrescenta aos seis dígitos formadores do código do Sistema Harmonizado mais dois, um referente ao item (sétimo dígito) e outro ao subitem (oitavo dígito). A inclusão de um par de dígitos efetuada na NCM demandou ainda a edição de Regras Gerais Complementares (RGC) às seis Regras Gerais do SH (para disciplinar a interpretação no que se refere a itens e subitens) e de Notas Complementares.5 2 DALSTON, Cesar Olivier. Classificando Mercadorias: uma Abordagem Didática da Ciência da Classificação de Mercadorias. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2014, p. 182187; BIZELLI, João dos Santos. Classificação fiscal de mercadorias. São Paulo: Aduaneiras, 2003, p. 14; e TREVISAN, Rosaldo. A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros (coords.). Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 358361. 3 Sobre a estatura de paridade dos tratados internacionais regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro com as leis, vejase a ADIn n. 1.480DF. 4 Além do constante estabelecimento de atualizações na nomenclatura, decorrentes de descobertas e aperfeiçoamentos de novos produtos, há publicações complementares que auxiliam no processo de designação e classificação de mercadorias, como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH (expressando o posicionamento oficial do CCAOMA), o índice alfabético do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas, publicado pelo CCAOMA, os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do Sistema Harmonizado, criado pela convenção, e os atos normativos emitidos por autoridades nacionais a respeito de classificação de mercadorias. 5 Em 01/01/1995, tendo em vista o Tratado de Assunção, os entendimentos havidos no âmbito do Mercosul, e a publicação do Decreto n. 1.343, de 23/12/1994, a antiga Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), que utilizava dez dígitos (os seis do SH mais dois para itens e dois para subitens), deu lugar à Tarifa Externa Comum (TEC), uniformemente adotada por todos os membros do bloco. Tal evolução serviu de base à substituição, em Fl. 331DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 325 15 Assim, se o Brasil, por exemplo, pactua internacionalmente as alíquotas máximas (no âmbito da Organização Mundial do Comércio OMC) ou a alíquota extrabloco (no âmbito do MERCOSUL) do imposto de importação para determinada classificação, tais pactos são aplicáveis ao que se entende internacionalmente abarcado por tal classificação. Não pode assim, o Brasil, dar a determinada expressão, utilizada na nomenclatura do SH, significado ou amplitude distinta da ali estabelecida, de modo a tornar não uniforme o termo, internacionalmente, sob pena de ser a medida, inclusive, interpretada como tratamento discriminatório no âmbito da OMC (Artigos I e III do GATT). É notório que a classificação de mercadorias é hoje tema complexo, que demanda atenção de especialistas na matéria. No entanto, não se pode confundir especialistas em classificação de mercadorias com especialistas em informar o que são determinadas mercadorias (em geral, peritos). O perito não tem a função de classificar mercadorias na nomenclatura. O perito químico, por exemplo, tem a função, entre outras, de, a partir da composição de determinada mercadoria, informar qual é seu nome técnico e quais são suas características. Esses aspectos são eminentemente técnicos. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. Tais atividades não se confundem. No presente processo, já se sabe o nome técnico da mercadoria, e as características necessárias a sua classificação, e, por isso, é realmente inócua a diligência demandada pela empresa. Podese, então, classificar a mercadoria com fundamento nas Regras do Sistema Harmonizado à luz das informações prestadas nos próprios elementos já carreados aos autos. Cabe, no entanto, informar que a análise de classificação fiscal a ser empreendida por este colegiado administrativo, no curso do contencioso, no caso concreto, não se confunde com aquela que foi objeto de Solução de Consulta e de Solução de Divergência, aplicável, de forma geral, à empresa, o que é melhor esclarecido no tópico seguinte. Da relação do processo contencioso de classificação de mercadorias com o processo de consulta sobre classificação de mercadorias É um pressuposto do Sistema Harmonizado que para toda e qualquer mercadoria existente haja uma e tãosomente uma classificação correta na codificação de seis dígitos internacionalmente acordada (à qual, como exposto, foram agregados posteriormente, em 1995, dois dígitos, no âmbito do MERCOSUL). 01/01/1997, após a publicação do Decreto n. 1.767, de 28/12/1995, da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 332DF CARF MF 16 Na era da complexidade e da multifuncionalidade, contudo, nem sempre é fácil (aliás, quase sempre é difícil) identificar a correta classificação das mercadorias. Ainda mais porque a classificação envolve temas técnicos multidisciplinares, a serem apreciados à luz das Regras Gerais acordadas internacionalmente, e com auxílio de mecanismos gerenciados pela própria Convenção que disciplina o Sistema Harmonizado. O Sistema Harmonizado, como estabelece a própria convenção (Artigo 1o, “a”), compreende as posições (quatro primeiros dígitos) e subposições (quinto e sexto dígitos) e seus respectivos códigos numéricos, as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, bem como as seis Regras Gerais para interpretação (Anexo da Convenção), permitindo desdobramentos regionais (como o efetuado no âmbito do MERCOSUL, com a inclusão de item e subitem/sétimo e oitavo dígitos, e de duas Regas Gerais Complementares). A convenção cria ainda um Comitê (Artigo 6o), composto por representantes dos Estados Partes, estando entre as funções do Comitê (Artigo 7o, “b”) “redigir as Notas Explicativas, Pareceres de Classificação e outros pareceres para interpretação do Sistema Harmonizado” e formular recomendações em caso de controvérsias entre Estados Partes sobre interpretação e aplicação da convenção (Art. 10, 2). Assim, são hoje instrumentos para interpretação e aplicação das Regras do Sistema Harmonizado, além do texto da própria Convenção (e suas emendas), as seguintes publicações complementares: (a) as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH)6, expressando o posicionamento do Conselho de Cooperação Aduaneira/CCA (conhecido como Organização Mundial de Aduanas/OMA), o índice alfabético do SH, também publicado pela OMA; e os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do SH7. Ao lado destes atos internacionais há ainda manifestações no âmbito do MERCOSUL8 e atos normativos nacionais, como Instruções Normativas (IN) da RFB e Atos Declaratórios Interpretativos da RFB (ADI). Para que o comerciante, industrial ou importador classifique as mercadorias a serem transacionadas neste vasto universo, seja para fins tributários, de tratamento administrativo ou outro, ou ainda para simples finalidade estatística, é preciso um conhecimento específico nem sempre disponível internamente nas empresas. E, como a classificação fiscal incorreta pode ocasionar, por exemplo, uma maior (ou menor) tributação, uma permissão (ou restrição, ou ainda vedação) à importação, ou mesmo a aplicação de penalidades, tornouse necessário o estabelecimento de um mecanismo pelo qual o órgão público nacional aplicador da convenção esclarecesse previamente aos comerciantes/industriais/importadores a correta classificação as mercadorias transacionadas, contribuindo para a segurança jurídica no comércio (nacional ou internacional). Antes mesmo da existência do Sistema Harmonizado, o processo de consulta sobre classificação de mercadorias já esteve9 inserido no próprio texto da norma que disciplina o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, Decreto no 6 A última versão traduzida para língua portuguesa das NESH foi aprovada pela Instrução Normativa no 1.260/2012. Segundo o art. 94, parágrafo único do atual Regulamento Aduaneiro (Decreto n. 6.759/2009), a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NCM será feita com observância das Regras Geria Interpretativas e Complementares, das Notas Complementares e, subsisiariamente, das NESH. 7 A IN RFB n. 1.459, de 28/03/2014 aprova o texto dos pareceres de classificação do Comitê do SH, e adota as decisões correspondentes. 8 A Comissão de Comércio do MERCOSUL (CCM) tem um Comitê Técnico (CT n. 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias") específico para o tratamento do tema. 9 Em verdade, ainda está ali inserido, devendose, na aplicação dos artigos correspondentes, observar também os comandos legais posteriores, que prevalecem em caso de divergência com a disicplina estabelecida no Decreto n. 70.235/1972. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 326 17 70.235/1972 (arts. 46 a 58), que estabelecia processo em instância única (art. 54, III, “a”), a ser julgado pelo Coordenador do Sistema de Tributação. Já sob a égide do Sistema Harmonizado, a consulta sobre classificação de mercadorias ganha, no Brasil, disciplina legal e processo próprios, nos arts. 48 e 50 da Lei no 9.430/1996, aqui já citados, e que mantêm a apreciação em instância única, por órgão central (se a consulta for efetuada também por órgão central ou entidade representativa de âmbito nacional) ou regional da Secretaria da Receita Federal (hoje RFB). O texto do comando legal revela clara preocupação com a celeridade, com a eficiência, com a publicidade e com a segurança jurídica. E a disciplina da lei, em matéria de classificação de mercadorias, vem tanto nos Regulamentos Aduaneiros (Decreto no 4.543/2002 art. 701; e Decreto no 6.759/2009 – art. 790), como nas diversas (e sucessivas) Instruções Normativas da RFB sobre a matéria, sempre mantida a instância única, aliada à disciplina para recurso de divergência e da representação. Efetuei análise detalhada do tema em Declaração de Voto apresentada no Acórdão no 3403 003.186, de 20/08/2014, no qual também discuti os efeitos da consulta sobre o processo administrativo contencioso (naquele caso, referente a auto de infração, que adapto a este, que trata de pedido de restituição). Podese afirmar que a consulta sobre classificação de mercadorias se presta aparentemente a duas finalidades: (a) sanar dúvida do comerciante/industrial/importador sobre caso concreto, e (b) confirmar (ou não) o entendimento do comerciante/industrial/importador sobre a classificação empregada, protegendoo contra eventuais entendimentos diversos nas unidades fiscais da RFB. Há ainda uma terceira finalidade (relevante, mas pouco explorada), que seria a manutenção da livre concorrência (finalidade que não será tratada aqui por fugir ao escopo direto deste estudo).10 Contudo, ao analisar a legislação sobre a matéria, percebese que a primeira finalidade (sanar dúvida) é apenas aparente, pois no momento da consulta a empresa já deve indicar a classificação fiscal adotada e a pretendida, e os correspondentes critérios utilizados, (além de dados técnicos detalhados). Ademais, a consulta não se destina a mera prestação de assessoria jurídica ou contábilfiscal pela RFB. Retirase, assim, do cenário, a sedutora argumentação de que a consulta se presta a simplesmente ajudar o comerciante/industrial/importador a entender as Regras do Sistema Harmonizado ou a ensinálo como classificar as mercadorias que deseja transacionar. Concluise, então, que a real finalidade da consulta é confirmar (ou não) o entendimento do comerciante/industrial/importador sobre a classificação empregada, protegendoo contra eventuais entendimentos diversos nas unidades fiscais da RFB. E tal propósito é suficientemente nobre e homenageia a segurança jurídica, pois evita que a empresa, 10 Se um comerciante/industrial/importador tem convicção da classificação adotada para determinado produto, mas tem ciência de que seus concorrentes utilizam outra classificação (às vezes, simplesmente para recolher menos tributos ou fugir a controles administrativos/aduaneiros), deveria existir um mecanismo tão ágil quanto a consulta para que, numa espécie de delação em prol da livre concorrência, o fisco pudesse garantir o recolhimento uniforme de tributos e o exercício uniforme dos controles apropriados. O próprio formulário eletrônico de consulta deveria permitir que a empresa revelasse (se soubesse) quais outras empresas comercializam/industrializam/importam o mesmo produto, e as respectivas classificações adotadas. Isso certamente contribuiria em proporção mais larga que a inicialmente imaginada pela IN para a uniformização da classificação de mercadorias no país. Fl. 334DF CARF MF 18 detentora de resposta oficial da RFB sobre qual é a classificação do produto transacionado seja surpreendida com entendimentos regionais, locais ou até individuais do fisco em sentido diverso. Abremse, assim, três possibilidades, em relação à consulta, partindose da premissa (para tornar mais completo o exemplo) de que a classificação adotada seja diferente da pretendida (e de que a empresa cumpra as demais regras necessárias à formulação da consulta, principalmente no que se refere à espontaneidade): (a) a resposta à consulta confirma a classificação adotada; (b) a resposta à consulta confirma a classificação pretendida; e (c) a resposta à consulta indica como correta uma terceira classificação. Em qualquer dos casos, durante o período da consulta (do protocolo até o 30o dia seguinte à ciência do resultado) não se pode iniciar qualquer procedimento fiscal relativamente à mercadoria consultada, e não são devidos acréscimos moratórios no caso de eventual pagamento. São os efeitos do próprio procedimento interno, independentemente do resultado da consulta. Sintetizando nosso raciocínio, também detalhado na Declaração de Voto formulada no Acórdão no 3403003.186, de 20/08/2014, temos que o atendimento ao resultado da solução de consulta/divergência impede a lavratura pela RFB de auto de infração em relação à matéria consultada. E o não atendimento ao resultado da solução de consulta, por sua vez, permite a lavratura da autuação, ou a negativa de restituição, que devem ser objeto de julgamento por rito absolutamente diverso daquele inerente ao processo de consulta, e com apreciação restrita à matéria objeto da autuação ou do pedido de restituição. No processo de consulta a solução dada pelo fisco se alastra no tempo, além do período que vai da consulta até a ciência do consulente. Não havendo disposição posterior (v.g. solução divergente, revogação de ofício ou ato normativo superveniente), os efeitos são eternos. E no processo de consulta sempre haverá a indicação da classificação correta, seja ela a adotada pelo consulente, a pretendida pelo consulente, ou outra. No processo de determinação e exigência de crédito tributário, referente a autuação ou a pedido de restituição, a solução dada restringese ao caso concreto analisado, sendo imprestável a vincular a fiscalização em casos ou períodos diversos, ainda que para o mesmo produto e para a mesma empresa. E em tal processo, não há a necessidade de que o julgador chegue à classificação correta. Basta que consiga comprovar que a classificação/argumentação adotada na autuação ou no pedido de restituição estava correta ou que deve ser afastada (sem que seja necessário seguir a busca pela classificação correta). Em suma, o afastamento dos efeitos da consulta se dá apenas dentro do rito processual relacionado às consultas, e não no rito de determinação e exigência de crédito tributário, ou de pedido de restituição, no qual a análise é restrita ao caso autuado, no período autuado, com os elementos constantes na autuação (sejam ou não eles simples cópia dos externados na Solução de Consulta/Divergência). E, por óbvio, a resposta obtida no processo de consulta não inibe o contencioso administrativo provocado pelo fisco em autuação, ou pela empresa, em pedido de restituição. Por isso, ao mesmo tempo em que se compreende ter a DRJ alegado estar vinculada pela Solução de Consulta/Divergência, decindindo ser a classificação aquela já fixada pela RFB e informada à própria empresa, passase aqui, no CARF, órgão externo à RFB, a analisar a procedência do pedido de restituição, no caso concreto, e com efeitos somente sobre ele, de forma independente ao resultado da Solução de Consulta/Divergência. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 327 19 Da classificação da mercadoria importada (“NPEL 128”) Como exposto no tópico anterior, a descrição do produto de nome comercial “NPEL 128” deixa pouca margem de dúvidas ao classificador. E a ficha técnica indicada na Solução de Divergência não representa palpite sobre o produto extraído da internet, mas efetivamente ficha técnica de instituição especialista no tema. Aliás, não é difícil endossar a definição do “NPEL 128” nos sites especializados sobre o tema, inclusive fazendo menção ao fabricante “NAN YA”: “NAN YA EPOXY RESIN NPEL128 General: NPEL128 is a liquid resin,which is manufactured from bisphenolA and epichlorohydrin. It is recognized as standard form which vari ations have been developed. Cured NPEL128 always offers quality and high purity properties in applications,such as maximun mechanical strength,good chemical resistance and excellent heat resistance,etc.” (disponível em: http://www.compositesone.com/wp content/uploads/2013/07/NPEL128.pdf, acesso em 09 mai.2017) “Product Class:Resin Product Name:NPEL128 Supplier Name:NanYa NPEL128 is a liquid resin, which is manufactured from bisphenolA and epichlorohydrin. It is recognized as the standard form which variations have been developed. Cured NPEL128 always offers quality and high purity properties in applications, such as maximum mechanical strength, good chemical resistance and excellent heat resistance, etc.” (disponível em: http://www.fitzchem.com/npel128.html, acesso em 09 mai.2017) “IDENTIFICATION OF THE PRODUCT AND OF THE COMPANY Trade name: NPEL128 Company identification: NAN YA Plastics Corporation Ingredients: BisphenolA epoxy resin(number average molecular weight < 700)” (disponível em: http://www.ankushenterprise.com/pdf/epoxy_resins/epoxyNPEL 128.pdf, acesso em 09 mai.2017) “Nan Ya NPEL128 Multiple Nan Ya Plastics Corp Fl. 336DF CARF MF 20 NPEL128 is a liquid Bisphenol A type epoxy resin.” (disponível em: http://maroon.maroongroupllc.com/products/nan ya%20npel128, acesso em 09 mai.2017) “NPEL 128R Technical DataSheet | Supplied by Nan Ya Lesscrystallizable, epoxy resin produced with bisphenolA and epichlorohydrin. Used in cationic electrodeposition coating and solventfree paint. Offers nonvolatility when curing, small shrinkage, very good dimension stability and electric and mechanism properties, water and chemical resistance, very good adhesive performance with metals, woods, concrete, ceramic and glass, very good performance on hardness and abrasion and storage stability. Can be used in combination with various hardeners, diluents and fillers.” (disponível em: http://coatings.specialchem.com/product/rnanyanpel128r, acesso em 09 mai.2017) Veja que não se está exemplificando o exposto com sítios de “blogs” ou “wikipedia”, ou sites leigos/vulgares sobre o tema, mas em catálogos internacionais, por meio dos quais, inclusive, é possível comprar o produto de nome comercial “NPEL 128”, produzido pelo fabricante “NAN YA”. E, sabendose das características do produto, não é difícil acompanhar o raciocínio empreendido na Solução de Divergência COANA no 17/2007, o que, por óbvio, não se confunde com aplicála ao caso. De acordo com a Regra Geral Interpretativa (RGI) no 1, do Sistema Harmonizado: “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes”. Vejamos, então, os textos das posições em discussão, a posição 29.10, defendida como correta pela empresa no pedido de retificação e a posição 39.07, na qual a empresa originalmente classifica os produtos: Para se resolver o presente contencioso, desnecessário seguir adiante na classificação (determinando, na sequência, o quinto, o sexto, o sétimo e o oitavo dígitos do código NCM, obrigatoriamente nessa ordem, em função da RGI no 6 e da Regra Geral Complementar – RGC no 1), bastando informar qual a posição correta (quatro primeiros dígitos, que é por onde se inicia a classificação, em obediência à RGI no1, aqui já transcrita. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 328 21 E a mesma RGI no1 remete às notas de capítulo, como a Nota 1, “a” do Capítulo 29, que estabelece: Como o equivalente epóxido do “NPEL 128” se estende ao longo de uma faixa, não se pode entender ser o produto de constituição química definida, sendo incabível a classificação na posição 29.10. Logo, a classificação do “NPEL 128” jamais poderia ser a solicitada na retificação (código NCM 2910.90.90). Por mais que não seja aqui necessário endossar a classificação externada na Solução de Divergência COANA no 17/2007 (código NCM 3907.30.29), bastando afastar a posição pretendida no pedido de restituição, cabe destacar que, internacionalmente, há precedentes no sentido de que o código SH correto é 3907.30, como a lista de concessões tarifárias da Nova Zelândia, afetada pelo mesmo Sistema Harmonizado (SH), com vigor internacional, nos seis primeiros dígitos: 3907.30.09: Epoxy resin, viz: NPEK114, NPEK115, NPEK 132, NPEF164X, NPEF170, NPEF185, Free Free 99 999554E 3/03 NPSN134X90, NPSN901X75, NPEF187, NPES601, NPES604, NPES607, NPES609A, NPEL128, NPES609C, NPES609D, NPES627, NPES629, NPES901, NPES902, NPES903, NPES904, NPES301, NPSN301X65, NPSN 301X75. (grifo nosso) (disponível em: http://www.customs.govt.nz/news/resources/listsandguides/docu ments/approvals.pdf, acesso em 09 mai.2017) Caso se desejasse adquirir o produto, adicionese ainda, a título ilustrativo, que as informações dos exportadores/vendedores, disponíveis em seus sítios web, informam (v.g., Resin NPEL Buyers e Drum NPEL Buyers) ser a classificação tarifária no código SH 3907.30. E, recordese, os seis primeiros dígitos, conforme o SH, são de caráter internacional. Reiterese que o CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado pelas Soluções de Consulta e Divergência por ela emitidas, podendo analisar de forma independente a matéria, como aqui se faz, por mais que haja coincidência de argumentos em relação àqueles invocados na Solução de Divergência COANA no 17/2007. Assim, é absolutamente irrelevante, neste julgamento administrativo, eventual afastamento judicial da Solução de Divergência COANA no 17/2007, pois as razões de decidir desta turma não são dela extraídas, mas apenas com ela coincidentes. No pedido de restituição, é inegável que a empresa discorda da própria descrição detalhada da mercadoria por ela inserida (e mantida) na DI, e endossada pelo exportador. Com razão, então, a unidade local em indeferir o pleito, por carência probatória. Fl. 338DF CARF MF 22 E adiciono à carência probatória algo que, no presente processo, poderia ter sido suscitado pela defesa: o fato de a declaração de importação ter sido objeto de retificação, e desembaraçada em canal vermelho, com a classificação defendida pelo fisco, mas que teria havido recusa em retirada de amostra, em função de tal providência já ter sido tomada na DI no 08/15513938. Poderia a empresa ter trazido aos autos o resultado da análise laboratorial na DI no 08/15513938, ou mesmo discutido tal laudo, que ela mesma defendia aplicável à DI em análise no presente processo. No entanto, optou a recorrente por apenas tecer alegações comuns a todos os demais processos em análise nesta sessão, para os quais não se registrou a sutileza aqui narrada. Aliás, em nome da verdade material, verifiquei que a DI no 08/15513938 foi registrada em 01/10/2008 e desembaraçada em 02/10/2008, em canal verde (portanto, sem conferência aduaneira), tomando como correta a classificação no código NCM 3907.30.29. E tal DI é também objeto de pedido de restituição, pela recorrente, no processo administrativo de no 12466.000611/201040, a ser analisado por este colegiado nesta mesma sessão de julgamento. Naqueles autos não se noticia a realização de análise laboratorial na DI, nem a extração de amostras. Por se tratar de pedido de restituição, não se tem dúvidas de que caberia à postulante a prova do direito de crédito, ônus do qual a recorrente não se desincumbe a contento no presente processo. E, aqui neste voto, destacase que, ainda que, eventualmente, superada a alegação de carência probatória, em virtude do aqui exposto, em relação ao nome comercial do produto, restaria incorreta a classificação demandada. E não pode o colegiado autorizar a restituição de quantia que se sabe indevida. Com relação à alegação de alteração de critério jurídico, inaugurada no recurso voluntário, com fundamento no artigo 146 do Código Tributário Nacional, é conveniente destacar que aqui que, ao contrário dos processos comumente tratados por este colegiado sobre o tema, encontrase, efetivamente, no caso, uma alteração de critério jurídico. O critério jurídico (seja ele correto ou incorreto) fixado pela fiscalização, para a empresa, após a ciência da Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291, de 29/09/2006, era o de que a classificação do produto de nome comercial “NPEL 128” se dava no código NCM 2910.90.90. E tal entendimento foi revisto pela Solução de Divergência COANA no 17, de 24/10/2007, que passou a entender que o mesmo produto deveria ser classificado no código NCM 3907.30.29. Reparese que não poderia o novo entendimento externado na Solução de Divergência COANA no 17/2007 retroagir a importações da empresa efetuadas antes de sua emissão (em 2006, por exemplo). Mas não é o que se vê nos autos, que trata de importação de 2008. E a retificação proposta após o desembaraço aduaneiro e registrada no SISCOMEX pela fiscalização, a pedido da empresa, está longe de constituir um critério jurídico, ou uma homologação de lançamento, afinal de contas, deuse em função de decisão judicial, a título precário, e que ainda pendia de análise definitiva. Se houve, em tal ato de retificação, um critério jurídico, tal critério seria o seguinte: “respeitese a decisão judicial”. Tal decisão judicial até podia ser um óbice à apreciação pelos órgãos que necessitavam da Solução de Divergência COANA no 17/2007 para decidir, como a unidade local da RFB e a DRJ, mas tal problema não se apresenta neste tribunal administrativo, que pode emitir decisões de forma independente à externada em Soluções de Consulta e Divergência proferidas pela RFB. Para fazer jus à restituição, deveria a empresa comprovar que a mercadoria que sempre declarou como “resina epóxi” não era resina epóxi (erro de fato), não com laudos Fl. 339DF CARF MF Processo nº 12466.000610/201003 Acórdão n.º 3401003.768 S3C4T1 Fl. 329 23 técnicos contraditórios, mas com demonstração inequívoca, ou ao menos convincente o suficiente para demandar diligência a fim de melhor esclarecer os fatos. Mas, a nosso ver, tal tarefa esbarraria, ainda, na comprovação da correção da classificação demandada, diante da existência de nome comercial para o produto, como aqui exposto. E fracassa a defesa nas duas providências. Das considerações finais Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000184/2007-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS.
Em relação ao período que engloba o regime de apuração cumulativo do PIS/COFINS, as contribuições têm por base de cálculo o faturamento, cujo conceito já está consolidado pelo STF no sentido de compreender apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Desse modo, as subvenções não se consubstanciam em entradas financeiras decorrentes da venda de mercadorias ou serviços, logo, esses benefícios concedidos não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS na sistemática cumulativa.
Numero da decisão: 9303-005.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Em relação ao período que engloba o regime de apuração cumulativo do PIS/COFINS, as contribuições têm por base de cálculo o faturamento, cujo conceito já está consolidado pelo STF no sentido de compreender apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Desse modo, as subvenções não se consubstanciam em entradas financeiras decorrentes da venda de mercadorias ou serviços, logo, esses benefícios concedidos não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS na sistemática cumulativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 01 84 /2 00 7- 35 Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 9303005.270 CSRFT3 Fl. 412 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 330201.000, proferido pela 3º Câmara/2º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da COFINS e o PIS cumulativos as receitas de crédito presumidos de ICMS referente ao período de aplicação da lei nº 9.718/98. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata se de recurso voluntário (fls. 305 a 328) apresentado em 14 de maio de 2010 contra o Acórdão no 1811.605, de 20 de novembro de 2009, da 2ª Turma da DRJ/STM (fls. 286 a 302), cientificado em 20 de abril de 2010, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de janeiro de 1996 a janeiro de 2004 (Cofins) e janeiro de 1996 a novembro de 2002 (PIS), considerou procedente em parte a impugnação O auto de infração foi lavrado em 21 de fevereiro de 2007, de acordo com o termo de fls. 62 a 81. Basicamente, a Fiscalização apurou a não inclusão de “crédito presumido de ICMS” e de descontos incondicionais ("bonificações concedidas”,“bonificações financeiras” e “descontos concedidos") na base de cálculo das contribuições. A decisão recorrida, restou assim ementada: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. O mandado de procedimento fiscal MPF inclui, obrigatoriamente, a verificação da correta apuração da base de cálculo de todos os tributos Federais dos últimos cinco anos. Além disso, eventual falta de inclusão de tributo ou período não implica nulidade, por se tratar de instrumento de controle administrativo não essencial à validade do lançamento. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 9303005.270 CSRFT3 Fl. 413 3 AÇÃO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. PRAZO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A concessão de prazos menores do que vinte dias, quando não há oposição aos pedidos de prorrogação apresentados pela interessada e não há demonstração de prejuízo para a apuração dos valores lançados, não implica nulidade do procedimento fiscal. O cerceamento de defesa somente pode ocorrer na fase litigiosa do procedimento de apuração e exigência de crédito tributário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva doPlenário do Supremo Tribunal Federal. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Recurso Voluntário Provido em Parte" Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 9303005.270 CSRFT3 Fl. 414 4 Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "Recentemente, o STF, através de controle difuso, declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Em tais decisões, o Pretório Excelso entendeu que o citado dispositivo havia ampliado a base de cálculo do PIS e da COFINS, todavia não esclareceu qual “conceito”de faturamento remanescia após a decisão. Assim, levando em conta tais considerações e que no presente caso está‑ se diante de receita de subvenção de custeio, que, nos termos da legislação tributária e societária, é considerada receita operacional, a Fazenda Nacional entende que é perfeitamente aplicável o caput do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, sem cogitar do §1º". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 20179.596 e 20401.911. No despacho de admissibilidade, o Presidente da Câmara admitiu o Recurso. fls 363/366, considerando que houve a comprovação de divergência do acórdão recorrido, e para a matéria em discussão receitas operacionais na base de cálculo do PIS e da COFINS, que não foram fulminados por decisões judiciais nos regimes previstos no artigo 67, §12, do RICARF. Embora exista decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal – STF, e decisões do STJ no regime repetitivo (art. 543C do CPC), no sentido de considerar inconstitucional a ampliação da base de cálculo prevista no §1º do artigo 3º da Lei 9.718, o conceito de faturamento ainda permanece como objeto de discussões. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, fls.374/386. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não das contribuições cumulativas do período de aplicação da lei nº 9.718/98, sobre o crédito presumido de ICMS. Com efeito, compulsando os autos, entendo como improcedente o lançamento, considerando os períodos de fevereiro de 2002 a janeiro de 2004, para a Cofins, e de fevereiro a novembro de 2002, para o PIS, as exigências foram efetuadas com base na Lei nº 9.718, de 1998, relativamente ao crédito presumido de ICMS, que não representam faturamento. Portanto, não se trata de receita e não devem ser tributados. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 358.273, definiu nos seguintes termos: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 9303005.270 CSRFT3 Fl. 415 5 jungindo as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Neste passo, corroboro do mesmo entendimento da turma a quo, o qual utilizo como complemento de minhas razões de decidir. Vejamos: "Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11075.000184/200735 Acórdão n.º 9303005.270 CSRFT3 Fl. 416 6 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Portanto, o lançamento é improcedente nos períodos de fevereiro de 2002 a janeiro de 2004, para a Cofins, e de fevereiro a novembro de 2002, para o PIS, as exigências foram efetuadas com base na Lei no 9.718, de 1998, relativamente ao crédito presumido de ICMS, que não representa faturamento" Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente). Demes Brito Fl. 419DF CARF MF
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Numero do processo: 10508.720529/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 09/01/2007 a 23/01/2007
DRAWBACK, MODALIDADE DE SUSPENSÃO. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. INADIMPLEMENTO DO REGIME. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O princípio da vinculação é de observância obrigatória no âmbito do regime de drawback, modalidade suspensão, que exige que os insumos importados devem ser aplicados no produto exportado, integrando-o fisicamente ou se consumindo no processo de produtivo.
O descumprimento do princípio da vinculação física implica descumprimento do regime drawback suspensão e, em consequência, exigência dos tributos suspensos, em face da aplicação do regime, com os devidos acréscimos legais.
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. ICMS. EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importaçao, incidentes na importação de bens e serviços, conforme decisão do STF sob repercussão geral, no Agravo Regimental no RE 559.607, cujo resultado deve ser reproduzido nos julgamentos deste Conselho.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Cofins-Importação o valor do ICMS, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, e a Conselheira Lenisa Prado, que davam integral provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOMINGOS DE SÁ FILHIO - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. INADIMPLEMENTO DO REGIME. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O princípio da vinculação é de observância obrigatória no âmbito do regime de drawback, modalidade suspensão, que exige que os insumos importados devem ser aplicados no produto exportado, integrandoo fisicamente ou se consumindo no processo de produtivo. O descumprimento do princípio da vinculação física implica descumprimento do regime drawback suspensão e, em consequência, exigência dos tributos suspensos, em face da aplicação do regime, com os devidos acréscimos legais. BASE DE CÁLCULO PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. ICMS. EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep Importação e CofinsImportaçao, incidentes na importação de bens e serviços, conforme decisão do STF sob repercussão geral, no Agravo Regimental no RE 559.607, cujo resultado deve ser reproduzido nos julgamentos deste Conselho. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 05 29 /2 01 2- 38 Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 955 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo das Contribuições para o PIS/CofinsImportação o valor do ICMS, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, e a Conselheira Lenisa Prado, que davam integral provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente. (assinado digitalmente) DOMINGOS DE SÁ FILHIO Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve na integra o lançamento de contribuição para o PIS e COFINS apurado no período de 09 de janeiro de 2007 a 23 de janeiro de 2007. Extraíse da descrição dos fatos e enquadramento legal que o crédito tributário apurado relativo às Contribuições Sociais para o PIS e a COFINS decorrentes das operações realizadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, na modalidade suspensão. Acusação se refere à inadimplência do cumprimento dos termos e compromissos dos Atos Concessionários de Drawback decorrente das importações registradas no ano calendário de 2007, especificamente, com relação aquisição no mercado externo de amêndoas de cacau com suspensão de tributos incidentes. Apontamse como inadimplência do regime especial as importações realizadas por meio das DIs registradas sob os números: 07/00358271. 07/00358280, 07/00358298, 07/00991900, 07/00358263 e 07/00991888, registradas no período de 09.01.2007 a 23.01.2007, respectivos, resultou na importação de 4.879,50 toneladas de amêndoas de cacau, classificadas na Tarifa Externa Comum no Código 1801.00.00, autorizadas pelos Atos Concessórios 2006/0189053, 2006/0189010 e 2007/00000182. O ponto nodal da questão encontra na comprovação da utilização integral da matéria prima importada pelo regime especial na aplicação dos produtos destinados à exportarão, no entendimento das Autoridades Aduaneiras no regime de drawback é Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 956 3 imprescindível a vinculação física, entre a mercadoria importada com o incentivo e o produto posteriormente exportado. Não há discussão em relação aos prazos de cumprimento dos Atos Concessórios. O motivo do lançamento decorre exatamente da vinculação física, segundo os agentes fiscais, não lograram êxito, mesmo mediante detida análise dos fatos e dos documentos apresentados pelo contribuinte e, sobretudo, a partir da aplicação de um estudo lógico sistemático sobre a capitulação legal e infralegal que rege a matéria. Contrapondo a razão da lavratura do auto de infração, afirma a Recorrente que cumpriu à risca a obrigação estabelecidas nos Atos Concessionários, tanto é que o DECEX – Departamento de Operações de Comércio Exterior atestou e certificou o fiel cumprimento do quanto assumido pela Recorrente, tendo considerado os respectivos Atos plenamente adimplidos, uma vez que efetivamente promoveu as exportações nas quantidades e nos prazos pactuados. Sustenta, também, a falta de liquidez e certeza das exigências apuradas por estimativas por configurar mera presunção, razão pela qual pede nulidade do auto de infração. Alegou, ainda, fase de impugnação, decadência do direito da Fazenda lançar, visto que, o auto de infração foi lavrado em 14.12.2012, posteriormente foi retificado pelo Termo Aditivo ao Termo de Verificação Fiscal do qual tomou conhecimento em 26/12/2012, sendo que todas as importações foram efetuadas antes de 14/12/2007, conforme se vê das “DIs”. No mérito, em síntese, sustenta a inexistência de toda e qualquer norma que define como requisito básico a vinculação física entre insumos e produtos finais adquiridos e exportados, como condição de obtenção do benefício fiscal do drawback, repudia, ainda, o trabalho fiscal baseado em estimativas. Sustenta, também, a fungibilidade dos insumos importados, desde que seja dentro do prazo do ato concessionário, que a substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime de drawback., traz à colação o Parecer Normativo CST nº 12/97 e Ato Declaratório nº 20/96 e jurisprudência da Câmara Superior. Ciente do Acórdão em 06 de dezembro de 2013, foi o voluntário interposto em 19 de dezembro de 2013. Em razões recursais, reprisa os argumentos tecidos na fase impugnatória. É o que tinha a relatar. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filhio, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 957 4 A controvérsia se refere à vinculação física entre aplicação de insumo importado com os benefícios aduaneiro especial de “drawback”, na modalidade suspensão e os produtos exportados. A acusação é de que os atos concessórios deixaram de ser cumpridos. Constatado alegação prejudicial ao mérito da questão colocadas a título de preliminar, antes de examinar a matéria de fundo, examinar. Preliminar – DAFALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DAS EXIGÊNCIAS APURADAS POR ESTIMATIVA – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Alega a Recorrente que a determinação da quantidade de amêndoas de cacau nacionais supostamente utilizadas na fabricação de produtos exportados sob o regime de drawback e da quantidade de amêndoas e pó de cacau importados sob o regime drawback utilizados na fabricação de produtos destinados ao mercado interno foi feita com base em meras estimativas. Não pode prevalecer o argumento de que o cálculo da quantidade insumos importados sob o regime de drawback utilizado na fabricação de produtos destinados ao mercado interno seja fruto de presunção e estimativas a levar ao afastamento da verdade material dos fatos. Penso na mesma linha do julgador de piso, que a metodologia aplicada na apuração da utilização das amêndoas e pó de cacau importadas e empregadas nos produtos comercializados no mercado interno decorrem de método adotado no sentido de apurar a quantidade empregada. Não vislumbro qualquer prejuízo quanto ao método adotado, diante da necessidade de quantificar e identificar os insumos empregados, o processo adotado serviu para apurar a produção, além do que permitiu ao contribuinte se defender da acusação na integralidade. Constatada pela fiscalização deficiência da documentação apresentada, a fiscalização aplicou por estimativa os valores de insumos empregados com base no próprio método adotado pela Fiscalizada, por essa razão não pode prevalecer os argumentos traçados no recurso. Motivo pelo qual rejeito a alegação. PRELIMINAR 2 – DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA REALIZAR O LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Acentua a Interessada a perda do direito da fazenda exigir por meio de lançamento tributo relativa às importações antes de 22 de abril de 2008, devido lapso de tempo superior a cinco anos dos fatos geradores. Como é de conhecimento geral, as importações albergadas pelo regime drawback suspensão, o prazo para contagem do interregno de cinco anos inicia a partir do exaurimento do tempo concedido no Ato Concessório, acrescido de 30 dias. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 958 5 Considerando inexistência de qualquer pagamento de tributo, no caso de contribuição social, PIS e COFINS, quando do desembaraço dos insumos importados, o prazo de decadência desloca para o primeiro dia do exercício do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado em consonância com o disposto pelo art. 173 do CTN. No caso examinado as importações ocorreram em janeiro de 2007, prazo para o cumprimento janeiro de 2008. O Auto de Infração foi lavrado em dezembro de 2012, portanto, dentro do qüinqüídio, sendo assim, não há como falar em perda de prazo por parte da Fazenda. Sendo assim, cabe rejeitar a preliminar de decadência. NO MÉRITO Resistindo, alega a Recorrente inexistência de requisito na concessão do benefício atrelado a vinculação física, e, além da possibilidade de substituição de produtos estrangeiros por outros de idêntica espécie, qualidade e quantidade na fabricação dos produtos, em obediência ao critério da fungibilidade dos insumos. Não discussão em relação aos prazos de cumprimentos dos Atos Concessionários. Da leitura que se faz dos autos, o lançamento advém da intolerância de que os produtos exportados cujas “RE’s” vinculadas ao regime tenham sido produzidos por outras mercadorias ou insumos, que esteja no estoque mesmo sendo idêntica espécie, qualidade e quantidade, que não aquelas importadas com a suspensão de tributos. O drawback na modalidade suspensão, é a operação pela qual o contribuinte se compromete a importar insumo (mercadoria), assume o compromisso de exportar após o beneficiamento. Na modalidade suspensão o interessado se compromete a realizar exportação de um ou mais produtos em determinadas quantidades e valores, obtendo o direito de adquirir com suspensão de tributos, determinadas quantidades de insumos necessários a produção de bens, complementação ou acondicionamento. Tratandose de incentivo fiscal, não há dúvida de que a fiscalização seja em qualquer das modalidades de competência de fiscalização é da Receita Federal do Brasil, em revisão ao cumprimento dos requisitos e do atendimento das condições para o aproveitamento do regime. Ao DECEX compete, na modalidade suspensão, proferir o despacho de baixa do ato concessório como devidamente cumprido pelo beneficiário. Ao tempo dos fatos geradores a matéria era disciplinada pelo comando do art. 78 do Decretolei nº 37/1966, que dispõe: “Art. 78 – Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I – restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 959 6 II – suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III – isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. A leitura desses dispositivos pelo Fisco é restritiva (interpretação literal) a não permitir fungibilidade. É cediço que os bens móveis que podem substituirse por outros da espécie, qualidade e quantidade, permite. A política de exportação traçada para incrementar e agregar valor aos produtos brasileiros decore da necessidade do país produzir bens de qualidade internacionalmente reconhecida, daí instituição do regime de drawback. Essa ferramenta é essencial a possibilitar a competição no exterior por desonerar os produtos dos tributos incidentes sobre os insumos. Em razão disso que a competência de fomentar o crescimento da utilização desse incentivo fiscal e controlar é do DECEX, cabendo a ele proferir o despacho de baixa do ato concessório como devidamente cumprido pelo beneficiário. Não há dúvida de que a exportação é a meta principal, requisito cogente a ser cumprido pelas empresas que obtém o benefício fiscal, portanto, a relevância a ser atribuída, sem prejuízo da revisão da RFB, ao regime drawback é o cumprimento das condições pré estabelecidas. A identificação física dos insumos (mercadorias) com os bens produzidos, a meu sentir é secundária, esse controle exercido pela RFB deve se ater se ao tempo da produção havia matéria prima da mesma espécie, qualidade e quantidade, em estoque ou que essas tenham sido adquiridas no mercado nacional no mesmo período. Portanto, o fato da fabricação darse com insumo constante do estoque ou adquiridos, sem que seja com os importados é compreensível e aceito em obediência no princípio de fungibilidade definida pelo art. 85 do Código Civil Brasileiro. Se os insumos se equivalem, supera a exigência da identidade, pois o emprego de insumo da mesma característica, qualidade e quantidade, não desvirtuam o drawback, deve ser aceito em homenagem o esforço de incrementar as exportações com o objetivo de aumentar as divisas em moedas internacionais. Sobre esse tema, princípio da identidade física versus o princípio da equivalência. Suficiência da equivalência, STJ em julgamento em sede de Recurso Especial, assim manifestou: “DRAWBACK. SODA CAUSTICA. EMPREGO DE MATÉRIA PRIMA IDÊNTICA NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO EXPORTADO. BENEFÍCIO FISCAL. 1. é desnecessária a identidade física entre a mercadoria importada e a posteriormente exportada no produto final, para fins de fruição do benefício de drawback, não havendo nenhum óbice a que o contribuint4 dê outra destinação às matérias primas importadas quando utilizado similar nacional para a Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 960 7 exportação.” (STJ. 1ª T. Resp. 413.564/RS, rel. p/Acórdão José Delgado, Primeira Turma, ago/2006). Em outro julgado: “DRAWBACK. PRINCÍPIO DA IDENTIDADE. ADOÇÃO. EXCEPCIONALMENTE, DO PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO FISCAL. Nos termos do Decretolei nº 37/66 e do Decreto nº 91.030/85, o regime aduaneiro especial denominado drawback constitui um incentivo à exportação, e ao mesmo tempo um benefício fiscal ao importador, consubstanciado na isenção, restituição ou suspensão dos tributos incidentes sobre a importação. 2. Caso em que a empresa executa, optante do regime de drawback suspensão, utilizouse do insumo importado – soda cáustica – para outras finalidades e, quando da exportação, utilizouse de similar nacional, também soda cáustica. O que, numa análise mas restritiva, configurou infração., porquanto o contribuinte não teria cumprido o regime a que se submeteu. 3. O drawback constitui um incentivo à exportação e a legislação de regência da matéria deve ser interpretada em consonância com a sua finalidade, que é a exportação e que foi efetivada. Assim, conquanto a modalidade de drawback suspensão adote o princípio da identidade, entendido como a obrigatoriedade da mercadoria a exportar conter insumo importado, o principio se aplica quando possível a identificação física do insumo importado (é ou não importado), adotandose, no mais, a equivalência. O fato de utilizar ou não o insumo importado, tratandose de insumo que é transformado quando da utilização no produto final, não desvirtua o regime isencional, que prevê como regra básica, em todas as suas modalidades, a efetivação da exportação. 4. O ato declaratório nº 20/96, que consigna não haver necessidade do insumo estrangeiro nas mercadorias exportadas para os fins do gozo do regime de drawback isenção (que também adota o princípio da identidade), já sinaliza para a adoção do princípio da equivalência, sendo que, não se vislumbra – nem isso foi ressalvado pelo Fisco, embora referido pela embargante – qual o prejuízo fiscal que o procedimento acarretou.” (TRF4, 2ª T. AC 97.04.55958/RS. Tânia Escobar, fev/00). No caso concreto, tratase de insumo fungível, amêndoas de cacau. Insumo que se permite substituílo por outro. Tenho que a exigência da identificação física é inadequada e dispensável. O reconhecimento expresso dáse com edição da Medida Provisória nº 497/2010, convertida na Lei nº 12.350, que dá nova redação ao art. 17, da Lei nº 11.774/2008, que dispõe: “Art. 17 Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade quantidade, importados ou adquiridos no mercado Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 961 8 interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo.” Esse assunto foi examinado pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção, tema idêntico nos autos de 10831.005884/200825, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, pela maioria, reconheceu a inexigibilidade da identificação física, adotando o princípio da fungibilidade, cujo fundamento adoto como razão de decidir: “O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Das preliminares A defesa alegou nas entrelinhas de seu recurso a nulidade da decisão de primeira instância porque a DRJ teria se desgarrado dos fundamentos da autuação e deixado de enfrentar objetivamente os argumentos de impugnação. Não tem razão o contribuinte, pois conforme deflui do relatório, o acórdão da DRJ enfrentou o mérito da questão e refutou todas as alegações do contribuinte. A única matéria não enfrentada foi a questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, que não caracteriza nulidade porque na fase julgamento da impugnação tal exigência ainda não constava do processo. No que tange à decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos tributos devidos em relação aos atos concessórios 156001/0003321 e 156001/0003488, a defesa se escorou no art. 150, § 4º do CTN para sustentar a caducidade parcial do lançamento. Entretanto, nas importações sob o regime de drawback não existe pagamento antecipado de tributo nem atos preparatórios do lançamento praticados pelo sujeito passivo, fatos que não permitem a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Além disso, nos casos de drawback, a inércia da administração tributária não decorre de sua desídia, mas sim da impossibilidade de fiscalizar o cumprimento do ato concessório antes do advento do termo final pactuado. Sendo assim, inexistindo o pagamento antecipado do tributo a que alude o art. 150, § 1º do CTN, o prazo para o lançamento dos tributos suspensos no regime de drawback deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN e o termo de início da contagem é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu o termo final para cumprimento do regime. Esse entendimento é pacífico na CSRF, conforme Acórdão 9303 000150, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Período de apuração: 27/01/1997 a 27/08/1997 DRAWBACK ISENÇÃO. TERMO DE INÍCIO DA DECADÊNCIA. Nos casos de importação realizada ao abrigo do regime aduaneiro especial de drawback, não há lançamento, Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 962 9 pagamentos ou atos preparatórios praticados pelo sujeito passivo, o que, de per si, afasta qualquer tipo de homologação. Conseqüentemente, o termo inicial da decadência é deslocado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. (...)" No caso dos autos é incontroverso que os termos finais para cumprimento dos atos concessórios impugnados pelo contribuinte foram 18 e 23 de julho de 2003. Sendo assim, segundo a regra do art. 173, I, do CTN, o fisco teria prazo até 31/12/2008 para efetuar o lançamento. Considerando que o contribuinte foi notificado dos lançamentos em 16/10/2008, os autos de infração devem ser considerados hígidos. Foi alegada, ainda, nulidade por cerceamento de defesa e violação do art. 9º do PAF por ausência de motivação, uma vez que embora a fiscalização tenha dito que "as análises estão detalhadas nas planilhas em formato Excel", a planilha que foi entregue ao contribuinte não possuiria demonstrativo algum indicando especificamente qual insumo foi utilizado na industrialização de produtos referentes a outro ato concessório (também não identificado) e muito menos aponta qual insumo foi empregado na industrialização de determinado produto comercializado no mercado interno. A análise dessa preliminar se confunde com a questão de mérito e com ela será analisada. Do mérito. O cerne da autuação é a não comprovação, por parte do contribuinte, da observância do princípio da vinculação física, ou seja, segundo a fiscalização nem a contabilidade e nem os controles da produção e do estoque do contribuinte permitem identificar em quais produtos teriam sido aplicados os insumos importados com suspensão (ácido adípico, trietilenodiamina, trimetilolpropano, Silicone, monoetilenoglicol, MDI puro, MDI modificado, butanodiol, diácidos AGS e dietilenoglicol). Segundo a fiscalização, essa falta de comprovação em relação às exportações dos anos de 2001 e 2002 decorreu do fato das fichas de estoque apresentarem movimento mensal e não diário. A partir de 2003, tais registros passaram a ser diários, mas, segundo o fisco, "as fichas de controle não possuem dados suficientes para possibilitar, em ordem cronológica, a apuração do estoque permanente bem como não discriminavam as entradas de acordo com os documentos fiscais hábeis e o acompanhamento da movimentação dos insumos importados/adquiridos e dos produtos exportados/vendidos, ao longo de toda a vida do Ato Concessório em apreciação, efetivando assim a vinculação física". (fls. 142/143) No email de fl. 205, o contribuinte confirma a constatação fiscal de que os controles de 2001 e 2002 foram preenchidos com os dados consolidados do movimento do mês, inviabilizando a Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 963 10 aferição do cumprimento da vinculação física do insumo importado com o produto exportado. Quanto aos demais exercícios, verificase nas fls. 157 a 169 que o "Razão Analítico do Produto" menciona a data e o número da nota fiscal de aquisição, a destinação dos insumos para industrialização, mas não especifica qual o produto elaborado e nem apresenta dados relativos à saída dos produtos finais, como número de nota fiscal, adquirente, RE ou DDE, o que também inviabiliza a verificação de qual (ou quais) insumos adquiridos com suspensão foi (ou foram) aplicados em produtos exportados. Portanto, os documentos anexados aos autos comprovam que na contabilidade do contribuinte não é possível estabelecer a vinculação física entre os produtos importados ao amparo do regime especial com os produtos exportados. A fiscalização continuou a intimar o contribuinte para que ele comprovasse a vinculação física dos insumos importados com suspensão aos produtos exportados. O contribuinte apresentou então o programa de processamento de dados utilizado no controle da produção. Ao tentar fazer a validação dos dados do referido programa a fiscalização constatou inconsistência e narrou os seguintes fatos (fl. 144 a 145): "(...) Verificouse que as importações e aquisições dos insumos bem como as saídas sob qualquer título, incluindo as vinculadas aos atos concessórios, se misturavam no decorrer do tempo, não havendo segregação contábil por ato concessório da mesma forma do que ocorria quanto aos estoques físicos, conforme já relatado. (...) A análise também demonstrou que: I o contribuinte utilizavase de saldos de produtos sem vinculação ao beneficio fiscal do drawback para cumprir produções destinadas a atender dado ato concessório independentemente qual fosse. II o contribuinte também se utilizava de saldos de produtos importados sob a égide de atos concessórios e portanto com suspensão de impostos, para a industrialização de produtos destinados ao mercado interno. Estas análises estão detalhadas nas planilhas em formato Excel, por insumo / ato concessório e constam da mídia não regravável PHILIPS no CDR CWLHT 0251 9308, que passa a ser parte integrante e indissociável deste auto. Com isso fica demonstrado que não havia a preocupação por parte da fiscalizada do atendimento ao principio da vinculação fisica. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 964 11 (...)"Nos arquivos PDF anexados ao eprocesso não é possível localizar a planilha Excell entregue ao contribuinte por meio do CDR CWLHT 0251 9308. Entretanto, compulsando os autos do processo físico, constase a existência de 11 CDs com inúmeras planilhas Excell contendo dados que foram extraídos do programa de controle da produção ("toolbox"). O contribuinte alegou que houve cerceamento de defesa e violação do art. 9º do PAF por ausência de motivação, pois embora a fiscalização tenha dito que "as análises estão detalhadas nas planilhas em formato Excell", a planilha que lhe foi entregue não possui demonstrativo algum indicando especificamente qual insumo foi utilizado na industrialização de produtos referentes a outro ato concessório (também não identificado) e muito menos aponta qual insumo foi empregado na industrialização de determinado produto comercializado no mercado interno. Relativamente ao art. 9º do Decreto nº 70.235/72, não tem razão o contribuinte, pois as planilhas foram juntadas aos autos do processo físico. A exigência contida no art. 9º do PAF consiste em que a fiscalização junte as provas de suas alegações no momento em que notifica o contribuinte do auto de infração. E isso foi cumprido, pois as planilhas que demonstrariam a imprestabilidade do programa "toolbox" como meio de comprovação da vinculação física estão no processo. Entretanto, o exame do conteúdo dessas planilhas revela que, ao contrário do alegado pela fiscalização, não existe nenhum detalhamento e nenhuma explicação acerca da interpretação dos dados nelas contidos. Os números foram apresentados de forma absoluta e vieram desacompanhados de explicações que justificassem as acusações contidas nos excertos do termo de verificação acima transcritos. O mero exame das planilhas sem uma explicação acerca da interpretação dos dados não permite aferir se as compras com suspensão, as compras no mercado interno e as saídas se "misturavam no decorrer do tempo". Também não permitem aferir que "não havia segregação contábil por ato concessório". E nem identificam quais foram os insumos importados com suspensão que foram desviados para o mercado interno e quais foram os insumos adquiridos no mercado interno que foram desviados para cumprimento de atos concessórios. Tampouco existe indicação precisa de qual ato concessório foi cumprido com a aplicação de produtos adquiridos no mercado interno. O mero exame das planilhas desacompanhado de uma explicação quanto à interpretação dos dados nelas contidos caracteriza falta de motivação quanto à imprestabilidade do programa "toolbox" como meio de comprovação da vinculação física. De certo modo, nesta parte da desqualificação do programa como meio de prova da vinculação física, a acusação chega a ser contraditória porque o mesmo programa considerado Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 965 12 imprestável para fazer a comprovação da vinculação física, possibilita a constatação de que insumos foram desviados para o mercado interno e que insumos adquiridos no mercado interno foram aplicados no cumprimento de compromissos firmados em atos concessórios. Mas a fiscalização não indica quais foram os insumos e nem quais foram os atos concessórios. É certo que ao contribuinte incumbia o ônus de provar o respeito ao princípio da vinculação física, mas também é certo que cabe ao fisco o ônus de provar os fatos alegados para desqualificar o meio de prova apresentado pelo contribuinte, no caso, o programa "infomining toolbox". O exame dos números apresentados pela fiscalização sem uma explicação quanto à sua interpretação, não permite aferir as acusações contidas nos excertos do relatório fiscal acima transcritos. A defesa pediu a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, entretanto, o cerceamento de defesa, em razão do vício na motivação (uma vez que não se diz o porquê das acusações) atingiu o lançamento apenas em relação às exportações cuja comprovação da vinculação física está relacionada à desqualificação do programa "infomining toolbox" como meio de prova, uma vez que em relação às operações ocorridas nos anos de 2001 e 2002, o próprio contribuinte confirma que não tem como fazer a comprovação da vinculação física (fl. 205). Sendo assim, para aqueles que consideram imprescindível a observância do princípio da vinculação física e entenderem que houve o vício na motivação alegado pelo contribuinte, os lançamentos deverão ser mantidos em relação às exportações ocorridas nos anos de 2001 e 2002 e cancelados em relação aos valores decorrentes de exportações ocorridas a partir do ano calendário de 2003, cujo suporte residiu exclusivamente na desqualificação do programa "infomining toolbox". Da exigência da vinculação física. O art. 78 do Decretolei nº 37/66 estabelece implicitamente a necessidade de vinculação física entre os insumos importados sobre o regime de drawback com os produtos a serem futuramente exportados. O dispositivo legal não utiliza as expressões "vinculação física" ou "identidade física", mas tal exigência é intrínseca à natureza do regime de drawback. A lei exige que o insumo importado com o benefício integre a mercadoria que será futuramente exportada. Portanto, existe amparo legal para que o fisco exija a observância do chamado princípio da vinculação física. Entretanto, em certos casos, notadamente quando os insumos a serem empregados em produtos exportados se caracterizarem com bens fungíveis, a exigência da vinculação física tornase um fim em si mesmo, pois a eventual substituição do insumo importado sob o regime especial pelo mesmo insumo adquirido Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 966 13 no mercado interno, ou importado sem a suspensão dos tributos, não acarreta prejuízo algum ao fisco e nem à livre concorrência. O prejuízo ao fisco não ocorre porque embora haja substituição do produto importado com suspensão por outro adquirido com o pagamento de tributos, as quantidades, valores e prazos de cumprimento do atos concessórios foram cumpridos pelo contribuinte. E prejuízo à livre concorrência também não ocorre porque o custo da empresa não se altera com a substituição do insumo importado com suspensão pelo insumo adquirido com tributação. A questão então é saber se nesse caso específico de fungibilidade dos insumos e de cumprimento dos demais requisitos do ato concessório, se é possível flexibilizar a exigência de identidade física. A resposta se encontra no art. 2º da Lei nº 9.784/99. O referido dispositivo legal estabelece que a Administração Pública obedecerá ao princípio da razoabilidade. O verbo "obedecer" foi empregado na forma imperativa. Ou seja, não se trata de uma faculdade da Administração, mas sim de um dever. Por outro lado, a questão de mérito versada neste processo é idêntica àquelas decididas pelo STJ nos RESP 341.285 e 413.564. Em ambos recursos aquele Tribunal, que tem a competência constitucional para ditar a interpretação do direito federal, aplicou o princípio da razoabilidade para flexibilizar o princípio da vinculação física nos casos em que os insumos importados sob o regime de drawback eram bens fungíveis e o beneficiário do regime não incorreu em fraude e nem acarretou prejuízo ao fisco. No caso concreto, a fiscalização não questionou o cumprimento dos atos concessórios sob os aspectos das quantidades e valores exportados e nem quanto aos prazos de cumprimento. Inexistindo questionamento da fiscalização quanto a esses aspectos, a conclusão só pode ser no sentido de que não existiu prejuízo ao fisco no caso concreto. Assim como nos dois acórdãos do STJ, a empresa autuada importou produtos químicos, que se caracterizam com bens fungíveis, e não se cogitou de fraude ou dolo do contribuinte. Desse modo, em cumprimento ao comando do art. 2º da Lei nº 9.784/99, e com base nos dois precedentes do STJ, considero que o princípio da razoabilidade deve ser aplicado ao caso concreto para afastar a exigência de vinculação física entre os insumos importados com o benefício do drawback e os produtos exportados em cumprimento dos atos concessórios. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 967 14 Como decorrência desse afastamento, devem ser integralmente cancelados todos os autos de infração albergados neste processo”. Com esses fundamentos, conheço do recurso e dou provimento para cancelar o lançamento. É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao afastamento do princípio da vinculação física. A recorrente defende a inexistência de fundamento legal para a aplicação da necessidade de vinculação física entre insumo importado e produto exportado, bem como a indevida inclusão de ICMS na base de cálculo de PIS/PasepImportação e Cofins Importação. Em relação à necessidade de vinculação física entre insumos importados, o artigo 341 do RA /2002 dispõe que "As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas." Já o artigo 342 determina que "as mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; ou c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; II no caso de renúncia à aplicação do regime, adoção, no momento da renúncia, de um dos procedimentos previstos no inciso I; e III no caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessório, requerimento de regularização junto ao órgão concedente, a critério deste." Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 968 15 A interpretação de tais dispositivos leva à conclusão da necessidade de aplicação dos insumos importados, integralmente, nos produtos a serem exportados, objeto do ato concessório. Socorrome dos ensinamentos do Conselheiro José Fernandes do Nascimento proferido no voto condutor do Acórdão nº 3102002.127, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: "Da inobservância do princípio da vinculação física. No âmbito do regime drawback, modalidade suspensão, a observância do princípio da vinculação é expressamente determinada no inciso II do art. 78 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, a seguir transcrito: Art. 78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; [...] (grifos não originais) Da mesma forma, dispunha o inciso I do art. 335 do Regulamento Aduaneiro de 2002, vigente na época dos fatos geradores objeto das presentes autuações. No âmbito da legislação complementar, o assunto encontravase disciplinado no art. 21 na Portaria Secex nº 04, de 1997, e nos atos normativos que lhe seguiram1, com o seguinte teor, in verbis: Art. 21 – O Regime de Drawback, modalidade suspensão, condiciona a empresa beneficiária ao adimplemento do compromisso de exportar, no prazo estipulado no Ato Concessório de Drawback, produtos na quantidade e valor determinados, em cujo processo de industrialização serão utilizadas as mercadorias a importar ao amparo do Regime. (grifos não originais) Da leitura dos referidos preceitos normativos, fica evidente que a vinculação física entre insumo importado e produto exportado é requisito essencial do regime drawback suspensão, que exige que o insumo importado, após submetido a processo de produção (beneficiamento, fabricação, complementação e acondicionamento), seja exportado sob a forma de produto industrializado. Por força da vinculação entre insumo e produto, o beneficiário do regime deve comprovar que aplicou os insumos importados no processo produtivo da mercadoria exportada. 1 As seguintes Portarias sucederam a referida Portaria: Portaria Secex nº 11, de 2004; Portaria Secex nº 14, de 2004; Portaria Secex nº 35, de2006, Portaria Secex nº 36, de 2007 e Portaria Secex nº 25, de 2008. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 969 16 Tratase, portanto, de condição imprescindível para a comprovação do drawback em comento. A contrário senso, ao regime drawback suspensão não se aplica o princípio da fungibilidade, que se caracteriza pela permissão de substituição do insumo importado por outro de mesmo gênero, quantidade e qualidade equivalentes, conforme alegado pela recorrente. Não é demais ressaltar que o princípio da fungibilidade tem aplicação restrita ao regime drawback isenção, conforme expressamente prevê o inciso III do art. 78 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir reproduzido: Art. 78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: [...] III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. [...] (grifos não originais) [...] O entendimento acima também foi confirmado em recentes julgados da CSRF, como nos Acórdãos nº 9303003.465, 93030011.346 e 9303002.833, cuja ementa transcrevese: PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO Portanto, nego provimento ao recurso voluntário quanto a esta matéria. De outro giro, a recorrente pugnou pela exclusão do ICMS na base de cálculo de PIS/PasepImportação e Cofins Importação. Nesta questão, destacase que a inclusão do ICMS foi considerada inconstitucional no julgamento do Agravo Regimental no RE 559.607, com repercussão geral reconhecida, com trânsito em julgado em 11/12/2015, cuja ementa transcrevese: PIS E COFINS – IMPORTAÇÃO – ARTIGO 149, § 2º, INCISO III, ALÍNEA “A”, DA CARTA FEDERAL – LEI Nº 10.865/04 – CONSTITUCIONALIDADE FORMAL – BASE DE CÁLCULO – VALOR ADUANEIRO – INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS E DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES – INCONSTITUCIONALIDADE – MODULAÇÃO DOS EFEITOS – REJEIÇÃO. O Supremo, no Recurso Extraordinário nº Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10508.720529/201238 Acórdão n.º 3302003.717 S3C3T2 Fl. 970 17 559.937/RS, relatora ministra Ellen Gracie, acórdão redigido pelo ministro Dias Toffoli, concluiu pela inconstitucionalidade, por afronta ao artigo 149, § 2º, inciso III, alínea “a”, da Carta Federal, da inclusão dos valores da contribuição ao PIS e da Cofins e do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços nas bases de cálculos dessas mesmas contribuições sociais quando incidentes na importação de bens e serviços. Apreciando declaratórios, o Pleno assentou não se tratar de situação excepcional a autorizar a modulação dos efeitos da decisão. Portanto, os valores lançados relativos a título de PIS/PasepImportação e CofinsImportação devem ser ajustados, excluindose as parcelas relativas ao ICMS da base de cálculo das referidas contribuições, por aplicação do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as parcelas de ICMS da base de cálculo das referidas contribuições. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 996DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721583/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/12/2008
CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS.
A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias e sociais para custeio da seguridade social e das outras entidades e fundos a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais
DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO.
No tocante à relação previdenciária, na existência de negócios acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por meio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA.
Aplica-se a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando presentes elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
Correta a comparação realizada pela Autoridade Fiscal pois obedeceu os ditames legais.
Numero da decisão: 2202-003.908
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para reduzir a multa aplicada no período 01/07/2007 a 30/11/2008, para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art.61 da Lei nº 9.430/96). Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Cecília Dutra Pillar - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias e sociais para custeio da seguridade social e das outras entidades e fundos a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO. No tocante à relação previdenciária, na existência de negócios acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por meio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA. Aplicase a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando presentes elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECÁLCULO. MP 449/2008. LEI 11.941/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 15 83 /2 01 2- 12 Fl. 3625DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.626 2 dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. Correta a comparação realizada pela Autoridade Fiscal pois obedeceu os ditames legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para reduzir a multa aplicada no período 01/07/2007 a 30/11/2008, para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art.61 da Lei nº 9.430/96). Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Cecília Dutra Pillar Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13971.721583/201212, em face do acórdão nº 0946.953 julgado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Fl. 3626DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.627 3 No presente processo constam autos de infração cuja ciência do sujeito passivo deuse em 11/06/2012, mediante o recebimento pessoal pelo representante legal da autuada, conforme consta no formulário inicial dos autos de infração (fls.572; 594). 1)AIOP DEBCAD nº 37.352.5885, (fls.572/593) consolidado em 11/06/2012, no valor de R$682.997,84, relativo ao período de 07/2007 a 13/2008, contendo a cobrança de contribuições previdenciárias patronais, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração segurados empregados e contribuintes individuais. Os fatos geradores foram identificados nos seguintes levantamentos: a)F1FL PAGTO IRIE 072007 a 13/2008, onde se exigiu a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais de 20,0%, e o SAT/RAT de 2%, sobre a remuneração dos empregados no período de 07/2007 a 12/2008, bem como a multa de ofício de 75%. b)F6 FL PAGTO DIZZA 072007 a 13/2008 onde se exigiu a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais de 20,0%, e o SAT/RAT de 2%, sobre a remuneração dos empregados no período de 07/2007 a 12/2008, bem como a multa de ofício de 75%. 2) AIOP DEBCAD nº 37.352.5893( Fls 594/606) consolidado em 11/06/2012 , no valor de R$142.189,76 relativo ao período de 07/2007 a 13/2008, para cobrança da contribuição social de custeio das entidades e fundos – SALÁRIOEDUCAÇÃO; INCRA; SENAI; SESI; SEBRAE, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados. Os fatos geradores foram identificados nos levantamentos: F2 –FL PAGTO IRIE TERC 0707 A 1108, onde se exigiu a contribuição patronal de 5,8%, incidente sobre a remuneração dos empregados no período de 07/2007 a 12/2008, com a incidência da multa de mora de 24%. F3 –FL PAGTO IRIE TERC 1208 A 1308, onde se exigiu a contribuição patronal de 5,8%, incidente sobre a remuneração dos empregados em 12/2008, e 13º salário, com a incidência da multa de ofício qualificada de 150%. F7 –FL PAGTO DIZZA TERC 0707 A 1108, onde se exigiu a contribuição patronal de 5,8%, incidente sobre a remuneração dos empregados no período de 07/2007 a 11/2008, com a incidência da multa de mora de 24%. Fl. 3627DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.628 4 F8 –FL PAGTO DIZZA TERC 1208 A 1308, onde se exigiu a contribuição patronal de 5,8%, incidente sobre a remuneração dos empregados no período de 12/2008 e , 13º salário, com a incidência da multa de ofício qualificada de 150%. No relatório fiscal de fls. 610/615 o auditor informa que, concomitantemente, realizou ação fiscal nas empresas IRIE INDÚSTRIA DE CALÇADOS LTDA E DIZZA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA, optantes do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), comprovado que estas empresas não dispunham de patrimônio e capacidade operacional, necessários à realização de seu objeto social e foram constituídas com o propósito de abrigar mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades da autuada, pretendendo desta forma, elidirse a incidência da contribuição previdência patronal que recairia sobre a folha de pagamento dos empregados e contribuintes individuais da autuada. Os empregados das empresas IRIE e DIZZA foram caracterizados como empregados da autuada. Na ação fiscal foram formalizados processos administrativos com protocolos 13971.721558/201239 e 13971.721559/201283 de representação fiscal para baixa de ofício dos CNPJ das empresas IRIE e DIZZA com fundamento legal no art. 27 da Instrução Normativa RFB nº 1.183 de 19/08/2011. Nas representações fiscais acostadas às fls. 536/551 e 552/567 a autoridade lançadora detalha os fatos que embasaram a baixa de ofício das inscrições no CNPJ e, em conseqüência, o lançamento das contribuições previdenciárias patronais para custeio da seguridade social e para custeio das outras entidades e fundos. Do relato fiscal destacamse, em síntese, os seguintes pontos. A empresa DIZZA está inativa desde 02/2011; todos empregados foram transferidos para a empresa IRIE; o endereço registrado no seu Contrato Social Rua Valdemiro Silva nº 100, São João Batista /SC não existe; No endereço constante do Contrato Social da IRIE – Rua Maria Maximila Cardoso 1314, em Canelinha/SC existe um galpão onde funciona um atelier com algumas máquinas e cerca de 10 empregados. No local não se vê estrutura para funcionamento de uma empresa com 80 empregados. Em visita no local de funcionamento da empresa autuada verificouse que a IRIE aloca seus funcionários nas instalações da ANGELI, utiliza seu maquinário e equipamentos. A DIZZA quando em atividade funcionava no mesmo endereço da empresa ANGELI, ou seja na Rua Mário Cipriano 73, em São João Batista/SC. Fl. 3628DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.629 5 a Sra. Cristiane da Silva Leal, é a sócia proprietária detentora de 99% de participação da DIZZA, mas também é empregada da empresa IRIE. a Sra Claudia Joice Teixeira Paulista é sócia administradora da IRIE com 99% de participação e no período de 10/2007 a 12/2010 também era empregada da DIZZA O Sr Maicon Rogério é sócio da DIZZA e da IRIE, com 1% de participação e ao mesmo tempo é empregado da ANGELI. O objeto social das empresas é a industria de calçados; o faturamento da DIZZA no ano de 2007 foi inferior à despesa com folha de pagamento e nos anos de 2008 a 2010 superou tal despesa em valor inexpressivo. o faturamento da empresa IRIE é pouco superior à sua folha de pagamento nos exercícios de 2007 a 2010. No ano de 2011 a folha de pagamento extrapolou em muito o valor de seu faturamento. As empresas DIZZA e IRIE, desde a constituição somente prestaram serviços para a autuada ANGELI. As empresas DIZZA e IRIE não possuem patrimônio próprio. A escrituração contábil não registrava as movimentações com custos e despesas indispensáveis ao desenvolvimento de suas atividades tais como: energia elétrica; telefone; materiais de consumo. A gestão administrativa e financeira da empresa IRIE é exercida pelos sócios administradores da ANGELI Sr. Edson Luiz Angeli e Sra RoseMeri dos Santos Angeli em visita ao local de funcionamento da empresa autuada foram realizadas várias entrevistas com empregados, apurandose que laborando no mesmo local foram encontrados trabalhadores da empresa IRIE e ANGELI. O auditor destaca inclusive a confusão dos trabalhadores na identificação dos proprietários das empresas, a maioria citou como seus empregadores os sócios da ANGELI. Em decorrência dos fatos narrados o auditor fiscal concluiu que os empregados das empresas IRIE e DIZZA, na verdade, preenchem os requisitos essenciais de caracterização do vínculo empregatício com a empresa ANGELI, quais sejam da pessoalidade, não eventualidade, subordinação, onerosidade. Conclui, ainda, o auditor existir, no caso, a criação simulada de pessoa jurídica, por interpostas pessoas e parentes para assim eximir a empresa controladora do pagamento de contribuição previdenciária e outros tributos, com o claro objetivo de lesar o fisco. Sustentando os fatos narrados foram anexadas aos autos às fls 14/567 cópias dos contratos sociais e alterações das empresas; Fl. 3629DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.630 6 termos de verificação física, contendo a entrevista feita com os empregados da ANGELI e IRIE, cópia dos balanços patrimoniais e demonstrações financeiras, cópia de recibos de IRPJ e demonstrativos de faturamento, cópia de rescisões de contratos de trabalho, extratos do sistema informatizado da previdência social CNIS, demonstrando os empregadores antigos e atuais de alguns funcionários transferidos. No tocante à multa, explica o auditor no relatório fiscal que, nas competências anteriores a 11/2008, para cumprir ao disposto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, que estabelece a aplicação da multa mais benéfica, em face da alteração na legislação previdenciária implementada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, foi feita a comparação mensal entre os valores da multa de ofício e a soma da multa de mora e multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 68) , conforme planilha anexada às fls.535 comprovouse que a multa mais benéfica foi a multa de oficio de 75% prevista na nova legislação. Esclarece, no entanto, a autoridade lançadora que a partir da competência 12/2008, com a vigência da multa de ofício, com base no art. 44 §1º inciso I, da Lei 9.430/1996, combinado com o art. 72 da Lei 4.502/1964 foi imputada a multa qualificada de 150%. Por fim, informa que os fatos narrados demonstram a existência de indícios, em tese, dos ilícitos penais sonegação fiscal definido no art. 337 –A do Código Penal, e crime contra a ordem tributária, definido no art. 1º da Lei 8.137/1990, com redação dada pela Lei 9.964 de 10/04/2000, motivo pelo qual foi formalizada Representação Fiscal Para Fins Penais, com vistas ao encaminhamento ao Ministério Público Federal para as providencias cabíveis. Cientificada do lançamento, a autuada ofereceu em 11/07/2012 as impugnações de igual conteúdo, acostadas às fls. 2029/2063 e 2720/2754 dos autos. Nas peças de defesa a empresa, após qualificarse e resumir os fatos que levaram à autuação, apresentou as alegações contra o lançamento, propugnando que a concorrência forçou as empresas brasileiras a buscarem novos padrões, novos modelos de organizações, para fazerem frente aos novos desafios de competitividade, assim a DIZZA Ind. e Com. De Calçados Ltda. e IRIE Ind. de Calçados Ltda optaram por não produzir calçados, mas tão somente parte deles (solas, cabedais, etc) atendendo a demanda local. A defesa, em síntese, foi pautada nos seguintes pontos: solicitam o efeito suspensivo, em relação à suspensão do CNPJ das empresas DIZZA e IRIE, e, consequentemente, a sua permanência no SIMPLES, para que possam continuar a existir, sem graves repercussões a seus clientes e, principalmente, funcionários e familiares; Fl. 3630DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.631 7 destaca que é de extrema naturalidade empresas serem criadas somente para a fabricação de solas, palmilhas, cabedais e etc, e mesmo assim terão o mesmo objeto social qual seja a fabricação e industrialização de sapatos, mesmo que suas atividades sejam totalmente diversas apesar de se complementarem; ressalta que “esta característica de proximidade entre os distintos segmentos industriais pertencentes a uma mesma cadeia produtiva apresenta papel relevante para a organização da cadeia de valor. Visto que, a concentração geográfica entre as empresas que compõem o complexo courocalçadista é um ponto fortíssimo da cadeia para a aquisição de vantagens competitivas, devido ao acesso facilitado à informação e tecnologia, respostas rápidas aos problemas imprevistos e cooperação entre as empresas”. diz que não restam dúvidas quanto a legalidade das operações comerciais realizadas entre ANGELI e as empresas DIZZA e IRIE, pois os argumentos da Fiscalização retratam uma auditoria superficial que foi realizada nas operações da Impugnante. Ao afirmar que a ANGELI mantém as empresas DIZZE e IRIE "com objetivo único de eximirse da contribuição previdenciária patronal e as destinadas a terceiros” a fiscalização demonstra que tomou caminho tendencioso ao desconsiderar a situação fática encontrada, sem expor e caracterizar de forma convincente que a administração da DIZZA e IRIE é feita pela autuada. aduz que a fiscalização não comprova a efetiva existência de grupo econômico, ao contrário, suas conclusões se baseiam em meras conjecturas, fruto de presunção, sendo inegável reconhecer que padecerem de absoluta ilegalidade, o que impõe a imediata cassação do ato; Destaca que regulando essa situação a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa. n° 971/2009, onde no art. 494 determinou que somente quando se identificar situações de direção, controle ou administração de empresa por outra, temse identificada a existência de grupo econômico; reclama que a fiscalização não pode afirmar que a DIZZA não dispunha de sede exclusiva ou própria, que a estrutura era insuficiente ou inexistente, se a ação fiscal ocorreu meses após o fechamento de suas portas; aduz que em momento algum buscou a fiscalização informações a respeito da existência de atos de administração da DIZZA e IRIE, como assinatura de cheques, contratos firmados, carteiras de trabalho, etc.. que efetivamente são assinados por seus sócios administradores constantes nos contratos sociais; diz que a inexistência de sede da DIZZA dáse pelo encerramento de suas atividades e que no caso da IRIE a própria fiscalização comprovou a existência de sua sede, onde realiza parte de suas atividades e que por questões de logística Fl. 3631DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.632 8 outra parte do trabalho é realizado nas dependências das empresas contratantes; ressalta que a terceirização de serviços é algo extremamente comum e muito implementada nos dias de hoje, sendo raras as situações em que os serviços terceirizados não sejam realizados dentro da sede da contratante; salienta não ser vedado que uma empresa contrate como funcionário pessoa que é sócia de empresa que lhe presta serviços, bem como é incoerente penalizar a ANGELI “por prestigiar as empresas de um dos seus funcionários. Ou seja, caso a Sra. RosiMeri ou o Sr. Edson Luiz não tivessem bom relacionamento com seu funcionário, e desse prioridade à uma terceira empresa, a DIZZA e a IRIE não teriam seus CNPJ's suspensos, e a ANGELI não estaria sendo compelida à realizar o pagamento de contribuições previdenciárias de funcionários que não os seus”. Destaca que os serviços prestados pela IRIE, e, anteriormente, também pela DIZZA, se configuram como atividades meio. A fabricação de solas, palmilhas e cabedais sem os demais passos necessários à confecção de um calçado, distinguiram os trabalhos realizados por DIZZA e IRIE e o prestado pela ANGELI ao entregar um par de sapatos pronto para o uso; as atividades da Impugnante, bem como da IRIE e, anteriormente, da DIZZA, não são resguardadas de exclusividade, as atuações se deram de forma independente. “Por mais que as empresas DIZZA e Irie mantenham operações mercantis predominantemente com a ANGELI, o que não ocorreu por opção, mas sim por falta desta. No entanto, o que não revelou a fiscalização, mesmo tendo acesso às notas fiscais é que tanto a DIZZA quanto a IRIE prestaram serviços para outras empresas”. as empresas apesar de não terem patrimônio expressivo , são sim proprietárias de veículos2, máquinas e equipamentos que permitem o desenvolvimento de seu objeto social; ao contrário do afirmado pela fiscalização, que diz ter a ANGELI arcado com os pagamentos e manutenção das empresas DIZZA e IRIE, fato é que nas situações em que as entradas eram menores do que as saídas, as empresas DIZZA e IRIE não se socorriam à ANGELI, mas sim à empréstimos bancários, criando capital de giro e honrando seus pagamentos; como tomadora de serviço a ANGELI é responsável solidária nas questões trabalhistas, todavia, após ser condenada solidariamente na justiça do trabalho, a autuada passou a exigir das empresas prestadoras de serviços (neste caso DIZZA e IRIE) a prestação de contas (quitação) das verbas previdenciárias dos funcionários que, mesmo não sendo seus, lá laboravam; as conclusões da equipe fiscal, quanto à irregularidade na contabilização das despesas, não podem estar fundamentadas em Fl. 3632DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.633 9 presunções e assim desconsiderar a existência de energia elétrica, telefone, etc... no estabelecimento comercial. Não é compreensível presumir, pela ausência dos registros de pequenas despesas na contabilidade das empresas, que é a ANGELI quem arca com tais custos das empresas DIZZA e IRIE; as empresas IRIE e DIZZA, regularmente prestam serviços a outras empresas, fato este não indicado pela fiscalização, pois não realizou seleção por amostragem, mas, sim uma seleção das notas fiscais emitidas à ANGELI. denotando assim suposta exclusividade, que conforme resta comprovado não existiu. “quanto à confusão feita por alguns funcionários quanto aos donos de respectivas empresas, e diante da figura da terceirização de serviços, é extremamente aceitável que confusões ocorram eventualmente, até mesmo porque os sócios da ANGELI circulam por toda a fábrica, e por todos os conhecerem, e saber que são os responsáveis pela empresa, em certo momento pensou que o futuro de seus trabalhos também estaria na mão destes”. reclama que no período do lançamento fiscal, enquanto optantes do SIMPLES as empresas DIZZA e IRIE realizaram inúmeros pagamentos e que a fiscalização apesar de relatar a contabilização dos valores já recolhidos, não fez o abatimento dos valores já pagos a título de SIMPLES; por fim, requer que seja reconhecida a improcedência total do auto de infração e tendo em vista a grande quantidade do conjunto probatório a ser produzido, requer desde já seja autorizada a juntada posterior, nos termos do §6° do art. 21 do Dec. 70.235/1972, de documentação suplementar que está sendo levantada, especialmente aqueles documentos que dependem de terceiros (órgãos públicos e instituições financeiras). A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 3548/3582, reiterando as alegações expostas em impugnação. A contribuinte, em anexo ao seu recurso, junta documentos a fim de comprovar os fatos de seu direito. A fl. 3588 do autos, a contribuinte junta os comprovantes de cheques DIZZA, assim como anexa comprovantes de cheques da empresa IRIE (fls. 3592/3596) e termo de rescisão de contrato de trabalho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Fl. 3633DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.634 10 O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, cabe referir que em relação aos documentos juntados em fase recursal, entendo que estes devem ser recebidos por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado. Desconsideração do negócio jurídico. Efeitos. A auditoria fiscal analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, constatou a necessidade de caracterização de vínculo previdenciário, na condição de segurado empregado dos trabalhadores até então registrados nas empresas DIZZA e IRIE, optantes do SIMPLES, com vistas à cobrança da contribuição patronal para custeio da seguridade social e das outras entidades e fundos. De início é pertinente ressaltar que o fato gerador no lançamento em comento, decorre da obrigação da empresa, de recolher contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, previstas no art. 22 inciso I, II e III da Lei nº 8.212/1991. Os acontecimentos descritos no relatório fiscal evidenciam uma situação fática completamente divergente da situação jurídica. Por meio dos mesmos, em consonância com a autoridade lançadora, é possível firmar a convicção de que as empresas terceirizadas e optantes pelo SIMPLES, constituem empresas interpostas utilizadas pela empresa PRINCIPAL para contratar empregados com redução de encargos previdenciários. Não se trata aqui de configuração de vínculo empregatício, pois o mesmo existe de forma evidente, vêse que os formalismos dos contratos de trabalho foram observados junto às empresas terceirizadas, todavia nas relações trabalhistas deve prevalecer a situação fática, sendo aplicável, ao caso, o princípio da primazia da realidade sobre a forma. Por esse princípio a realidade fática prevalece sobre qualquer instrumento formal utilizado para documentar o contrato, pois as circunstâncias e o cotidiano na relação empregatícia pode ser diversa daquilo que ficou documentado. A essência do ato jurídico é o fato e não a forma, no caso, convence a fiscalização que o efetivo empregador diverge da formalidade aparente. Assim, respaldado no princípio da primazia da realidade, nas normas previstas nos artigos 9º e 444 da CLT, no Enunciado 331 do TST, artigo 142 do CTN, art. 33 da Lei nº 8.212/1991 e 229 § 2º do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impõese à fiscalização, no uso de sua atribuição funcional, a desclassificação do vínculo empregatício dos empregados das empresas terceirizadas e o reconhecimento de vinculação com a empresa locadora dos serviços, com a consequente exigência legal das contribuições previdenciárias e sociais. Ao contrário do que afirma a autuada a fiscalização de forma diligente e cuidadosa narrou a situação fática com riqueza de detalhes, bem como os escorou na escrituração contábil das terceirizadas, configurandose, desta forma, em elementos robustos de confirmação da situação presenciada. O acusatório fiscal teve como suporte para o presente lançamento, o convencimento de que o propósito da empresa autuada era de criar uma situação jurídica com vistas a dissimular os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Verificase pelas Fl. 3634DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.635 11 informações extraída dos autos, que o convencimento foi formado levandose em conta dados e fatos detectados pelo auditor fiscal no decorrer do procedimento, que para isto, utilizou recursos vistos e colhidos junto às empresas. Do narrado, verificase que a autuada, visando gozar indevidamente dos benefícios do SIMPLES, terceirizou por meio de empresas utilizadas e criadas exclusivamente para tal finalidade, mão de obra de sua atividadefim. Não merece acolhida a alegação da empresa de que não houve por parte da fiscalização demonstração, nem tampouco fundamentação das supostas ilicitudes cometidas pela contribuinte que amparam o presente lançamento, pois o fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes ou pelos contribuintes. As hipóteses para caracterizar um planejamento tributário como abusivo são bastante diversificadas, vão desde a fraude à lei até a falta de propósito negocial, com abuso de direito, de forma, entre outras. Nesse sentido, a Lei Complementar nº 104, de 2001, introduziu um parágrafo único no artigo 116 do Código Tributário Nacional (CTN), vejamos: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Todos os fatos explanados no relatório fiscal contemplam provas evidentes de que a situação fática diverge da situação jurídica, pois a localização física, os controles gerenciais, financeiros e administrativos das empresas é único e realizado pela empresa autuada ANGELI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA, tendo a fiscalização, em consequência, concluído pela dissimulação na execução dos serviços prestados pelas empresas DIZZA e IRIE , com a finalidade de elidir contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social e das outras entidades e fundos, já que tais empresas eram optante pelo SIMPLES. Ressaltese, ainda, que a situação relatada nos autos pela fiscalização foi capaz de demonstrar que as empresas DIZZA e IRIE se mostraram existentes apenas no plano formal. Na prática, se revelou um artifício criado para ocultar o verdadeiro e único sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de trabalhadores, qual seja a autuada ANGELI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA. Destarte, as evidências trazidas aos autos demonstram que não se está diante de três empresas, mas, sim, de apenas uma. O exame da estrutura e da movimentação das três pessoas jurídicas indica trataremse materialmente de uma só empresa. A aparência de três empresas atuando de forma autônoma e independente permitiu que duas delas optassem pelo sistema instituído pela Lei do Simples, importando em redução no recolhimento da carga Fl. 3635DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.636 12 tributária, uma vez que receberam tratamento tributário favorecido ocasionando verdadeira evasão fiscal. Diante dos fatos, não restou outra opção à fiscalização, a não ser descaracterizar a relação formal existente e considerar, para efeitos do lançamento tributário, a relação real entre as empresas. Destarte, o auditor adequadamente se baseou nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP's das empresas interpostas para apurar o valor das remunerações. Ou seja, utilizouse de documentos das empresas que considerou integrantes da estrutura do sujeito passivo para identificar a base de cálculo das contribuições devidas. Cabe ressaltar que a desconsideração da personalidade jurídica, no presente caso, não significa desconstituição da pessoa jurídica, mas apenas não reconhecêla como tal no que diz respeito à contribuição previdenciária. Em vista do explanado, entendo correto o lançamento do crédito ora constituído, pois foi consubstanciado em provas e evidências suficientes e tem amparo legal no artigo 142 e parágrafo único do CTN, e ainda seu art. 149, VII, in verbis: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (grifouse) A autuada reclama que a fiscalização deixou de considerar expressivos créditos das empresas DIZZA e IRIE que recolheram na condição de optante SIMPLES, todavia, comete notório equívoco, porque a sistemática de tributação neste regime especial consiste no recolhimento integrado de vários tributos e não só de contribuição previdenciária. Aliás cumpre ressaltar que diante do disposto no art. 44 § 6º da IN nº 900 de 31/12/2008, vigente na data de constituição do crédito tributário, é vedada a compensação nesta modalidade de recolhimento. O referido dispositivo dispõe o seguinte: Art.44. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. § 6º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Portanto, não carece razão ao contribuinte. Fl. 3636DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.637 13 Multa aplicada. No tocante a multa aplicada, em relação ao período anterior a 11/2008, a fiscalização procedeu realizou o comparativo entre as multas, antes e após a edição da Medida Provisória (MP) n.º 449/2008 (DOU de 04/12/2008), convertida na lei n.º 11.941/2009, por força da retroatividade benéfica em matéria de penalidades (art. 106, II, “c” do CTN), conforme demonstrado na planilha acostada aos autos. Entendo que merece reparos o acórdão quanto a esta matéria. Ocorre que na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora, cujo percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou a Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75%, podendo esta ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Desse modo, antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% a 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); Após a Medida Provisória nº 449/08, nos termos do art. 61, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Evidente, portanto, que a norma construída a partir da edição da Medida Provisória nº 449/08 é mais benéfica ao contribuinte, pois está limitada ao percentual de 20%, devendo ser aplicado o disposto no art. 106, II, alínea "c", do CTN, que impõe a aplicação retroativa de lei que comina penalidade menos gravosa ao contribuinte. Deste modo, a multa de mora deve ficar limitada a 20%, nos termos da fundamentação. Multa qualificada (competências posteriores a 12/2008) Quanto as competências posteriores a 12/2008, entendo por regular a qualificação da multa, aplicada em percentual de 150%, haja vista o conjunto de elementos probantes carreados aos autos, sustentando a conduta do sujeito passivo com vistas a excluirse do pagamento das contribuições patronais para custeio da seguridade social e as outras entidades e fundos. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício com multa qualificada (150%) em relação a omissão de rendimentos recebidos por pessoa jurídica, por ter entendido que o contribuinte fiscalizado agido com a intenção de suprimir ou reduzir, deliberadamente, o Fl. 3637DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.638 14 tributo, caracterizando a conduta ilegal com evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Por sua vez, assim dispõe os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 supra referidos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Consoante demonstrado, nos casos de lançamento de ofício, a regra é a aplicação da multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. Analisando os autos, entendo por correto o posicionamento adotado pela autoridade autuante, haja vista a dissimulação na execução dos serviços prestados pelas empresas DIZZA e IRIE , com a finalidade de elidir contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social e das outras entidades e fundos, já que tais empresas eram optante pelo SIMPLES. Deste modo, não prosperam as razões do contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir a multa aplicada no período 01/07/2007 a 30/11/2008, para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Fl. 3638DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.639 15 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Cecília Dutra Pillar Redatora designada Multas Peço licença para divergir do voto do Ilustre Relator apenas no que pertine às multas incidentes sobre contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) e incluídas em lançamento fiscal, que é o caso dos autos. Verificase que na mesma ação fiscal foram lavrados quatro autos de infração decorrentes de descumprimento de obrigações principais. O presente processo contém os autos de infração Debcad nº 37.352.5885 (contribuições da empresa e para o SAT/RAT) e Debcad nº 37.352.5893 (contribuições devidas a terceiros), referentes às competências 07/2007 a 13/2008. Consoante se depreende do Relatório Fiscal de fls. 610/614 e da planilha demonstrativa das multas aplicadas, de fls. 535, quando da constituição dos créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias, em obediência ao princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), a fiscalização realizou a comparação entre as multas previstas na legislação vigente à dada da ocorrência dos fatos geradores e a legislação atual, concluindo que no período de 07/2007 a 11/2008, se mostrou mais benéfica ao contribuinte a multa prevista na legislação atual, correspondente a 75%. Nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. À época da ocorrência dos fatos geradores, as penalidades de multa estavam disciplinadas pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999, remetendo os percentuais de multa ao momento do pagamento das obrigações previdenciárias em atraso e prevendo multas diferenciadas para pagamento espontâneo (inciso I), para pagamento de contribuições incluídas em Notificação Fiscal de Lançamento, ou seja, o lançamento de ofício, realizado pela Autoridade Fiscal (inciso II) ou pagamento de obrigações inscritas em dívida ativa (inciso III). Observese que, apesar da denominação de "multa de mora" expressa no caput do artigo 35 em referência, concluise ser "de ofício" a natureza jurídica da multa aplicada sobre as contribuições inseridas em lançamento fiscal (prevista no inciso II do mesmo artigo). Com as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a multa pelo pagamento em atraso de obrigações não incluídas em notificação fiscal de lançamento (anteriormente prevista no art. 35, inciso I) Fl. 3639DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.640 16 passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/1996. Por sua vez, para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, inciso II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que remete ao art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Notase que a multa decorrente do lançamento de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, é única, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento do tributo devido quanto a não declaração do tributo em GFIP, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. Até o advento das alterações promovidas pela MP 449/2008, os contribuintes submetidos a auditoria fiscal eram autuados tanto pela conduta do inadimplemento de contribuições (obrigação principal) quanto pela falta de declaração das contribuições devidas em GFIP (descumprimento de obrigação acessória). As multas por descumprimento de obrigação acessória (também constituídas em lançamento de ofício) aplicadas na vigência da legislação anterior sobre as infrações relativas à falta/inexatidão de declarações (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP) estavam previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/1991. Assim, com relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (AI Debcad nº 37.352.5885) ocorridos até 11/2008 e lançados de ofício pela Autoridade Fiscal, como é o caso dos autos, a verificação da penalidade mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, alínea "c", do CTN) foi realizada pela fiscalização, mediante a comparação da multa que seria devida com base na antiga redação do art. 35, II da Lei nº 8.212/1991, somada às multas por falta/inexatidão de GFIP (estipuladas na redação anterior do art. 32, §§ 4º, 5º, 6º, da Lei nº 8.212/1991) e o resultado foi comparado com a multa prevista no atual art. 35A, da Lei nº 8.212/1991, concluindo pela aplicação da multa de 75% . Já, com relação às contribuições devidas a terceiras entidades ou fundos (lançadas de ofício no AI Debcad nº 37.352.5893), cujos valores não são considerados na penalidade por omissão ou incorreção em GFIP, as multas até a competência 11/2008 foram comparadas diretamente entre a legislação de regência (24%) e a atual (75%), tendo sido aplicadas no índice de 24%. Estes procedimentos estão disciplinados no § 3º do art. 476 da Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 971/2009 e no art. 476A, incluído naquela IN, pela Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010. Nesse contexto, a tese esposada pelo i. Relator não prevalece, tendo em vista que o presente lançamento fiscal, é um crédito tributário constituído pela fiscalização, portanto tratase de lançamento de ofício, sendo descabida a comparação da multa aplicada com a multa de mora incidente sobre pagamentos em atraso, realizados de forma espontânea pelos contribuintes. Ademais, pela análise dos autos, constatase que a aplicação da multa não foi questionada pelo sujeito passivo. Não tendo sido arguida tal matéria em sede recursal, e não se Fl. 3640DF CARF MF Processo nº 13971.721583/201212 Acórdão n.º 2202003.908 S2C2T2 Fl. 3.641 17 tratando de questão de ordem pública, entendo que não cabe a este colegiado conhecêla de ofício, sob pena de extrapolar os limites do recurso e incorrer em decisão ultra petita. Portanto, correta a comparação das penalidades realizada pela fiscalização e corretos os percentuais de multa aplicados nos lançamentos. (assinado digitalmente) Cecília Dutra Pillar Redatora designada Fl. 3641DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720143/2007-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas.
Numero da decisão: 9202-005.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 01 43 /2 00 7- 24 Fl. 101DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 18/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2801003.051 (fls. 63 a 73), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. RECONHECIMENTO PARCIAL PELO CONTRIBUINTE DE SUBAVALIAÇÃO NA DITR. VALOR DO IMÓVEL NA ESCRITURA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõese do valor do imóvel, conforme Escritura pública, devendo esse ser utilizado. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para alterar o lançamento, atribuindose o valor de R$ 48,39 (quarenta e oito reais e trinta e nove centavos) por hectare para o VTN do imóvel em questão, no exercício de 2004, nos termos do voto do Relator." Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 9202005.427 CSRFT2 Fl. 102 3 O processo foi encaminhado à PGFN em 10/07/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 74) e, em 15/07/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 75 a 81 (Despacho de Encaminhamento de fls. 82). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão nº 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 07/03/2014 (fls. 84/85). Cientificado em 21/05/2014 (AR Aviso de Recebimento de fls. 87), o Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 09/06/2014, as Contrarrazões de fls. 89 a 98, datadas de 06/06/2014. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão nº 210200.609. Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe similitude fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e no paradigma indicado. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, o arbitramento do VTN com base no SIPT não foi aceito pelo fato de a autoridade lançadora ter adotado o VTN médio das DITRs entregues no município, sem levar em conta os aspectos preconizados pela legislação de regência, tais como a capacidade potencial da terra. Assim, acolheuse VTN apurado conforme Escritura Pública apresentada pelo próprio Contribuinte. Confirase a respectiva ementa: “A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e Fl. 103DF CARF MF 4 exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõese do valor do imóvel, conforme Escritura pública, devendo esse ser utilizado." Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 210200.609 – a Fazenda Nacional colaciona o seguinte trecho da respectiva ementa, visando demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial: "ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT.” A leitura da ementa acima poderia levar à conclusão de que efetivamente teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, o exame do paradigma, em sua integralidade, permite conhecer o contexto em que ele foi proferido. Nesse passo, verificase que, além de retratar uma situação distinta daquela analisada no recorrido, não se pode afirmar que nesse paradigma estarseia defendendo a tese de que o SIPT, somente com a média das DITR, seria válido. Confirase os principais trechos da ementa e do voto vencedor desse paradigma: “ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR 0 VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido (...) Agora, passase a apreciar a defesa do item II (no tocante ao valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 9202005.427 CSRFT2 Fl. 103 5 publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, segundo a classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas " (Recurso n° 135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)" (fls. 218 e 219). Além disso, o recorrente agora junta Laudo Técnico complementar, no qual se demonstra que o valor do SIPT referese ao preço de terras comercializadas e não da terra nua, como inclusive se pode ver pelos formulários preenchidos pela EmaterMG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma fonte de informação, qual seja, a Emater MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT). Como se pode constatar, no caso do paradigma o Contribuinte se insurge contra o arbitramento pelo SIPT, alegando falta de publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como por se referir a preços de terras comercializadas, e não da terra nua. Ao final, pede que, caso seja mantido o arbitramento, que para o exercício de 2001 seja adotado o menor dos valores do SIPT. Assim, no intuito de enfrentar os argumentos de defesa, o Relator assim se manifesta quanto ao SIPT: “No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 44712002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27), e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. No ponto, sem razão o recorrente. A decisão recorrida ratificou o arbitramento perpetrado pela autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a Fl. 105DF CARF MF 6 atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.6533) e pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aqueles do SIPT. (...) Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 , em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio referese ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela EmaterMG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a 293. Dessa forma, aqui não se acata a defesa de que os valores do SIPT se referiam ao valor total do imóvel. Ainda se deve anotar que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT 14.6533, vigente desde 30106/2004, data esta anterior à produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o laudo produzido em conformidade com tal Norma seria meio hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra nua declarado estava defasado, já que o próprio contribuinte confessou que utilizara o mesmo valor de 1996 (para os exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa do recorrente. Por fim, quanto ao pedido para reduzir o valor do exercício 2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o contribuinte tem razão. Explico. É de conhecimento de todos que, em arbitramento, havendo possibilidades diversas, utilizase a modalidade que mais favorece ao contribuinte . Inclusive , no âmbito da tributação da pessoa fisica, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n° 8.021/90, verbis: (...) No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (grifei) Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 9202005.427 CSRFT2 Fl. 104 7 Destarte, verificase que em momento algum o paradigma defende, de forma genérica, que o arbitramento pelo SIPT pode ser efetuado com base apenas no valor médio das DITR. O que fica claro no voto condutor do aresto é que, naquele caso específico, em que estão presentes os dois critérios de arbitramento – pela média das DITR e pela aptidão agrícola – não há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizarse o VTN de menor valor que, nesse caso específico, é o VTN apurado pela média das DITR. Assim, as situações fáticas são distintas, a saber: no acórdão recorrido, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base apenas no valor médio das DITR, sem levar em conta a capacidade potencial da terra, e é esta a motivação que levou à sua desqualificação; no paradigma, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base nas duas modalidades – média das DITR e aptidão agrícola – e em nenhum momento o Relator defende que ele seja levado a cabo apenas com base na média das DITR; o que ocorre é que existe um pedido do Contribuinte para que se adote, dentre os diversos valores constantes do SIPT, o menor deles, que no caso é o da média das DITR, daí que nos trechos citados pela Recorrente o Relator tão somente fundamenta o atendimento a esse pleito. Destarte, o paradigma indicado não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que, diferentemente do que ocorreu no recorrido, o arbitramento não se limitou ao VTN médio das DITR. Tampouco no caso do julgado guerreado houve pedido do Contribuinte, no sentido da adoção de valor ligado ao arbitramento, até porque, repitase, só lhe foi aplicado um valor, qual seja, o da média das DITR. O valor apresentado pelo Contribuinte nada tinha a ver com o arbitramento da Fiscalização e sim com Escritura Pública do imóvel. No presente caso, o dissídio interpretativo somente restaria demonstrado, com a colação de acórdão em que, efetuado o arbitramento com base no SIPT, levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola, dito arbitramento fosse mantido. Com efeito, o paradigma indicado não retrata tal situação fática, portanto não resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por não atender aos pressupostos de admissibilidade. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 107DF CARF MF 8 Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720174/2011-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010
COFINS. REGIME DE SUSPENSÃO. EXCEÇÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA QUE REALIZE ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE CAFÉ.
Verificando-se que a sociedade cooperativa vende tanto café cru quanto café beneficiado por ela, enquadra-se a mesma na exceção ao regime de suspensão das contribuições sociais previsto no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, a saída deverá ser tributada normalmente, fazendo jus a adquirente ao crédito integral.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010
PIS. REGIME DE SUSPENSÃO. EXCEÇÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA QUE REALIZE ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE CAFÉ.
Verificando-se que a sociedade cooperativa vende tanto café cru quanto café beneficiado por ela, enquadra-se a mesma na exceção ao regime de suspensão das contribuições sociais previsto no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, a saída deverá ser tributada normalmente, fazendo jus a adquirente ao crédito integral.
Numero da decisão: 3402-004.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para suprir a omissão apontada e, no mérito, reconhecer o direito de crédito integral nas aquisições de cooperativas que também comercializem café beneficiado. Sustentou pela recorrente o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP 197.072.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 COFINS. REGIME DE SUSPENSÃO. EXCEÇÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA QUE REALIZE ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE CAFÉ. Verificando-se que a sociedade cooperativa vende tanto café cru quanto café beneficiado por ela, enquadra-se a mesma na exceção ao regime de suspensão das contribuições sociais previsto no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, a saída deverá ser tributada normalmente, fazendo jus a adquirente ao crédito integral. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 PIS. REGIME DE SUSPENSÃO. EXCEÇÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA QUE REALIZE ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE CAFÉ. Verificando-se que a sociedade cooperativa vende tanto café cru quanto café beneficiado por ela, enquadra-se a mesma na exceção ao regime de suspensão das contribuições sociais previsto no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, a saída deverá ser tributada normalmente, fazendo jus a adquirente ao crédito integral.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para suprir a omissão apontada e, no mérito, reconhecer o direito de crédito integral nas aquisições de cooperativas que também comercializem café beneficiado. Sustentou pela recorrente o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP 197.072. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REGIME DE SUSPENSÃO. EXCEÇÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA QUE REALIZE ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE CAFÉ. Verificandose que a sociedade cooperativa vende tanto café cru quanto café beneficiado por ela, enquadrase a mesma na exceção ao regime de suspensão das contribuições sociais previsto no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, a saída deverá ser tributada normalmente, fazendo jus a adquirente ao crédito integral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 PIS. REGIME DE SUSPENSÃO. EXCEÇÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA QUE REALIZE ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE CAFÉ. Verificandose que a sociedade cooperativa vende tanto café cru quanto café beneficiado por ela, enquadrase a mesma na exceção ao regime de suspensão das contribuições sociais previsto no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, a saída deverá ser tributada normalmente, fazendo jus a adquirente ao crédito integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para suprir a omissão apontada e, no mérito, reconhecer o direito de crédito integral nas aquisições de cooperativas que também AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 74 /2 01 1- 97 Fl. 135353DF CARF MF 2 comercializem café beneficiado. Sustentou pela recorrente o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP 197.072. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela RIO DOCE CAFÉ S/A contra o Acórdão CARF nº 3402002.979, sob fundamento de omissão quanto a análise da possibilidade de manutenção pela Embargante do crédito integral (PIS/COFINS 9,25%) nas aquisições de café das cooperativas. Aproveita os Embargos para reiterar as razões jurídicas de manutenção do crédito integral, com fundamento no art. 9º, §1º, II da Lei nº 10.925/2004, cumulado com o art. 8º, §§ 6º e 7º da mesma lei, para afirmar que não haveria suspensão na venda no mercado interno de PIS/COFINS quando se tratar de operação realizada por cooperativa que exerça atividades com o produto NCM 09.01 (café) de forma cumulativa a padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café, ou separar por densidade dos grãos. Aponta a omissão no seguinte trecho do acórdão: Ou seja, as cooperativas e as pessoas jurídicas consideradas cerealistas que realizarem a venda de café/insumo para a fiscalizada, que é pessoa jurídica tributada com base no lucro real devem fazêlo com a suspensão da incidência das contribuições. Aos adquirentes possibilitase a apuração de crédito presumido sobre o valor das compras. (fl. 135.247) Aponta também a existência de notas fiscais nos autos que demonstram que a venda de café advindo de cooperativas não foi simples venda de café cru, mas com beneficiamento, apontando uma lista de exemplos, rol de fl. 135.314. No exame de admissibilidade, verificouse a omissão e, diante de potencial efeito infringente da decisão dos Embargos, abriuse vista à Procuradoria da Fazenda Nacional para manifestação, com fundamento na aplicação subsidiária do Novo Código de Processo Civil, especialmente seus artigos 15 e 9º. A PFN apresentou extensas contrarrazões, sustentando, em síntese, que a Embargante adquire café cru em grãos dos produtores rurais pessoas físicas, de cooperativas, cerealistas e de outras pessoas jurídicas, para posteriormente beneficiálos e exportar ou vender Fl. 135354DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 3402004.088 S3C4T2 Fl. 3 3 no mercado interno, atraindo a aplicação da regra de suspensão da incidência de PIS/Cofins sobre a venda efetuada para a Embargante, nos termos da IN RFB nº 660/2006. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Os Embargos de Declaração são voluntário e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. Antes de adentrar a notoriamente complexa legislação do PIS e da Cofins não cumulativos, é preciso analisar os fatos trazidos aos autos pelo Embargante. No acórdão embargado, foi consignado expressamente que "as cooperativas e as cerealistas deveriam efetuar a venda do café utilizado como insumo nas atividades da contribuinte interessada com a obrigatória suspensão da incidência das contribuições. À RIO DOCE, caberia a apuração de créditos presumido, apenas.". Partiuse do pressuposto de que todas as aquisições de café efetuadas junto às cooperativas seriam de café cru, sujeito ao beneficiamento e armazenagem pela Embargante. Todavia, tal assunção não estava adequada às provas dos autos, e as notas fiscais das operações com Cooperativas não foram corretamente consideradas no acórdão embargado. Não se olvide que se trata de um processo com mais de 130 mil páginas, cuja análise se encontra, mais das vezes, restrita pelas limitações temporais dos processos administrativos e os prazos regimentais, que eventualmente comprometem uma análise exauriente de processos com documentação excepcionalmente farta. Fato é que o Embargante apontou, nos autos, notas fiscais de aquisição de café beneficiado das cooperativas, como se vê abaixo: Fl. 135355DF CARF MF 4 Fl. 135356DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 3402004.088 S3C4T2 Fl. 4 5 Além disso, faz referência também aos seguintes documentos: Desse modo, podese afirmar que está comprovado nos autos que as sociedades cooperativas realizam atividade de beneficiamento de café, ainda que também realizem a venda de café cru. Compulsando a Lei 10.925/2004, temse que ele determina os casos em que a venda da mercadoria estará sujeita a suspensão das contribuições sociais em seu art. 9º: Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 135357DF CARF MF 6 III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Como se vê, a lei traz uma exceção expressa à suspensão das contribuições, afastando desse regime as pessoas jurídicas tratadas nos §§ 6º e 7º do art. 8º da mesma lei, que assim diz: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase PRODUÇÃO, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). Ou seja, o artigo 8º, §7º dá às cooperativas que realizem produção de café entendida como o "exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial" direito ao crédito presumido sobre as suas aquisições de café cru junto a pessoa física ou cooperado pessoa física. Além disso, por força da remissão legal do art. 9º, §1º, II, as saídas de café de cooperativa que exerça atividade de "produção" não estará sujeita à suspensão legal. É dizer: o art. 8º, §1º, I dá um tratamento geral às cooperativas de produção agropecuária, mas o artigo 9º Fl. 135358DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 3402004.088 S3C4T2 Fl. 5 7 traz regra específica para as cooperativas que realizem a atividade de "produção do café", nos termos do art. 8º, §7º da lei citada. Vejase, mais, que a exceção trazida no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 tem natureza subjetiva, e não objetiva. As vendas efetuadas pela sociedade cooperativa que realize produção de café estarão excepcionadas, independente da natureza do café vendido seja ele cru ou beneficiado pois se trata do regime jurídico da pessoas jurídicas daquela natureza. Ou seja, não importa que as vendas para a Embargante sejam de café cru, sendo juridicamente relevante, sim, a natureza jurídica e funcional da cooperativa vendedora. Portanto, parece que se torna uma questão eminentemente probatória, acerca de como demonstrar que as cooperativas realizam atividade de produção, para fim de excluílas do regime de suspensão. E para isso, pareceme que basta que se demonstre que a cooperativa também vende café beneficiado por ela, isto é, adquirido de cooperado pessoa física ou de pessoa física e beneficiado para venda. Para isto, entendo que a apresentação de notas fiscais que demonstrem que, além do café cru, as cooperativas também beneficiam e vendem café beneficiado, é prova suficiente da sua condição subjetiva que a enquadra na exceção do regime de suspensão das contribuições sociais. Desse modo, ela deve recolher o PIS/Cofins integral nas suas saídas, do mesmo modo que, ao contrário do sustentado pela fiscalização, tem direito a Embargante ao crédito integral dessas aquisições. Portanto, voto por dar provimento aos Embargos de Declaração, reconhecendo efeitos infringentes para alterar o dispositivo da decisão embargada, reconhecendo o direito de crédito integral nas aquisições de cooperativas que também comercializem café beneficiado. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 135359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905575/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.796
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 75 /2 01 2- 76 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13888.905575/201276 Acórdão n.º 3201002.796 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.323, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13888.905575/201276 Acórdão n.º 3201002.796 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.905575/201276 Acórdão n.º 3201002.796 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.905575/201276 Acórdão n.º 3201002.796 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.905575/201276 Acórdão n.º 3201002.796 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13888.905575/201276 Acórdão n.º 3201002.796 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13888.905575/201276 Acórdão n.º 3201002.796 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13888.905575/201276 Acórdão n.º 3201002.796 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.723680/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. ESCRITURA PÚBLICA.
A escritura pública faz prova do ato e dos fatos nela declarados, inclusive quanto a data da operação e o valor adotado para efeito da apuração do ganho de capital devido pelo contribuinte em face da operação nela mencionada.
A escritura pública é dotada de fé pública e, apesar de não gozar de presunção absoluta de veracidade, seus conteúdos só podem ser infirmados por prova inequívoca produzida por quem os contesta.
DATA DA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL.
Se o interessado alega e não comprova na impugnação a data de aquisição do imóvel, por meio de documentação hábil, em assim sendo, a escritura pública constitui-se no único documento atestando a data de aquisição do imóvel, e é válido para ser utilizado na apuração do ganho de capital.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, sem comprovação junto ao Fisco da origem dos recursos utilizados nessas operações, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova.
CONTRATOS DE MÚTUO.
O recebimento ou concessão de empréstimo somente pode ser considerado para justificar a origem de depósitos bancários, quando comprovado de forma inequívoca a transferência das quantias envolvidas.
LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO.
A alegação de recebimento de valores a título de distribuição de lucros não é suficiente para justificar os depósitos bancários, sem a apresentação de escrituração contábil demonstrando a apuração de resultados que possibilitem a distribuição alegada e a comprovação da efetiva transferência do valor distribuído por meio de provas inequívocas.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010 GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. ESCRITURA PÚBLICA. A escritura pública faz prova do ato e dos fatos nela declarados, inclusive quanto a data da operação e o valor adotado para efeito da apuração do ganho de capital devido pelo contribuinte em face da operação nela mencionada. A escritura pública é dotada de fé pública e, apesar de não gozar de presunção absoluta de veracidade, seus conteúdos só podem ser infirmados por prova inequívoca produzida por quem os contesta. DATA DA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Se o interessado alega e não comprova na impugnação a data de aquisição do imóvel, por meio de documentação hábil, em assim sendo, a escritura pública constitui-se no único documento atestando a data de aquisição do imóvel, e é válido para ser utilizado na apuração do ganho de capital. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, sem comprovação junto ao Fisco da origem dos recursos utilizados nessas operações, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova. CONTRATOS DE MÚTUO. O recebimento ou concessão de empréstimo somente pode ser considerado para justificar a origem de depósitos bancários, quando comprovado de forma inequívoca a transferência das quantias envolvidas. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. A alegação de recebimento de valores a título de distribuição de lucros não é suficiente para justificar os depósitos bancários, sem a apresentação de escrituração contábil demonstrando a apuração de resultados que possibilitem a distribuição alegada e a comprovação da efetiva transferência do valor distribuído por meio de provas inequívocas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. ESCRITURA PÚBLICA. A escritura pública faz prova do ato e dos fatos nela declarados, inclusive quanto a data da operação e o valor adotado para efeito da apuração do ganho de capital devido pelo contribuinte em face da operação nela mencionada. A escritura pública é dotada de fé pública e, apesar de não gozar de presunção absoluta de veracidade, seus conteúdos só podem ser infirmados por prova inequívoca produzida por quem os contesta. DATA DA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Se o interessado alega e não comprova na impugnação a data de aquisição do imóvel, por meio de documentação hábil, em assim sendo, a escritura pública constituise no único documento atestando a data de aquisição do imóvel, e é válido para ser utilizado na apuração do ganho de capital. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, sem comprovação junto ao Fisco da origem dos recursos utilizados nessas operações, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova. CONTRATOS DE MÚTUO. O recebimento ou concessão de empréstimo somente pode ser considerado para justificar a origem de depósitos bancários, quando comprovado de forma inequívoca a transferência das quantias envolvidas. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 36 80 /2 01 3- 72 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 358 2 A alegação de recebimento de valores a título de distribuição de lucros não é suficiente para justificar os depósitos bancários, sem a apresentação de escrituração contábil demonstrando a apuração de resultados que possibilitem a distribuição alegada e a comprovação da efetiva transferência do valor distribuído por meio de provas inequívocas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11516.723680/201372, em face do acórdão nº 1272.173, julgado pela 11ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 359 3 Tratase de lançamento de crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF efetuado por meio do Auto de Infração lavrado em 25/11/2013, fls. 266/278, em face do contribuinte acima identificado, no montante de R$ 3.701.416,28, sendo R$ 1.821.466,91 de imposto, R$ 513.849,19 de juros de mora, calculados até 11/2013, R$ 1.366.100,18 de multa proporcional calculada sobre o principal. Consistiram as infrações apuradas na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e ganho de capital na alienação de bens e direitos, relativas aos anos calendário de 2009 e 2010. Relativamente a todo o procedimento fiscal desenvolvido, foi lavrado o Relatório Fiscal de fls. 241/265, datado de 25/11/2013, parte integrante do Auto de Infração. A seguir uma síntese das informações relativas ao procedimento fiscal: Em 12/04/2013 foi recepcionado o Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 03/05 que intimou o sujeito passivo a apresentar os extratos bancários de contascorrentes, de aplicações financeiras e cadernetas de poupança de todas as contas por ele mantidas, inclusive de titularidade do cônjuge e outros dependentes em instituições financeiras no Brasil e no exterior referentes período de 2009 a 2010, entre outros questionamentos. Em 08/05/2013, o contribuinte apresentou cópia dos extratos do Banco do Brasil, contacorrente 17.6761, agência 3164X, dos anos fiscalizados (fls. 12/70) e solicitou a prorrogação de prazo para atendimento dos demais documentos. Em 03/06/2013 foram apresentados os extratos do Banco Sicredi, contacorrente 388, agência 2606, dos anos sob análise (fls. 119/146). Em 24/06/2013, foi emitido o Termo de Intimação 001, fls. 147/154, para que o sujeito passivo comprovasse a origem dos recursos nas operações dos créditos/depósitos efetuados nas contas do Banco do Brasil e Sicredi. A resposta do contribuinte foi juntada às fls. 161/163, acompanhada dos documentos de fls. 164/174. Nesta resposta o contribuinte relaciona alguns depósitos, com as respectivas justificativas, que conforme fls. 252/253 do Termo de Verificação Fiscal, foram consideradas pela fiscalização como depósitos com origem comprovada. Os créditos considerados como não comprovados encontramse relacionados no Termo de Verificação Fiscal, fls. 253/260, com as respectivas totalizações mensais e ensejaram a infração de omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. A fiscalização apurou, ainda a infração de ganho de capital relativa a alienação do imóvel, matrícula nº 06534, em Porto Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 360 4 Belo, SC, (fls. 262/263) baseado em escritura pública, fls. 211/214. De acordo com a autoridade lançadora, o fiscalizado deixou de apurar o ganho de capital pela venda do imóvel (terreno), que possuía na proporção de 50%, no valor de R$ 511.185,67. Em seu relatório de fl. 262 o fiscal autuante efetuou o lançamento entendendo que a data da alienação do referido imóvel teria ocorrido em 08/06/2010, conforme a seguir reproduzido: Representação Fiscal para Fins Penais Entendeu a fiscalização haver indícios da prática de crime contra a ordem tributária, baseado no inciso I e II do art. 1º e inciso I do art 2º da Lei 8.137/90, embora não tenha aplicado a multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art 44 da Lei nº 9.430/96. Foi também formalizada, em relação ao presente Auto de Infração, a Representação Fiscal para Fins Penais – Processo nº 11516.723681/201317, para comunicação ao Ministério Público da prática de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. Arrolamento de Bens Foi protocolizado o comunicado de existência de débitos – Arrolamento de Bens, sob o nº 11516.723682/201361. Impugnação Cientificado por meio do seu representante legal, do lançamento em 25/11/2013, o contribuinte apresentou sua impugnação às fls. 282/301, anexando a documentação de fls. 305/309, em 20/12/2013, alegando, em síntese, que: Fatos Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 361 5 Afirma que comprovou a totalidade dos elementos questionados pela autoridade autuante, bem como a origem dos depósitos transitados em suas contas bancárias, de forma clara e inequívoca. E, que o Fisco teria desconsiderado quase a totalidade das provas apresentadas. Preliminares Presunção Legal/Reserva Legal Alega que o auto de infração teria sido confeccionado com base em “presunção por Forçados Indícios ou “Presunção Comum”, mas não por presunção legal, deixando de considerar o art 112 do CTN, que cita juntamente com doutrina de Aliomar Baleeiro. Nesta linha de raciocínio entendeu que o fiscal autuante deixou a seara fiscal para inverter o ônus da prova. Entendeu que a infração imputada de omissão de rendimentos por supostos depósitos bancários fundouse em presunção sem o amparo legal. Argumenta que o Fisco não apurou e demonstrou a efetiva ocorrência da suposta omissão de rendimentos, baseandose no art 281, inciso II do RIR/99, que apenas se aplica a hipóteses de falta de escrituração/contabilização de pagamentos efetuados, que não restou demonstrado nos autos. Decadência – Infração de Ganho de Capital A infração baseouse na alienação do imóvel registrado sob a matrícula nº 06534, do RGI de Porto Belo, Santa Catarina, no valor de R$ 2.000.000,00, em 08/10/2010, na proporção de 50% atribuída ao impugnante, sendo que 25% ao próprio e 25% a sua esposa, Edilene Teresinha Trentini Fasolo. O imóvel teria sido alienado em 30/01/2007, conforme Compromisso de Compra e Venda de Terreno a Prazo (fls. 305/308), e, que deixou de mencionar tal fato na respectiva escritura junto ao Cartório de Registro de Imóveis por um lapso. O lançamento se deu em 25/11/2013, e o fato gerador 30/01/2007, passados quase 7 anos, operandose assim, a decadência, nos termos do art 150, § 4º do CTN. Para corroborar seu entendimento cita jurisprudência do CARF. Cita os artigos 1º e 2º da Lei nº 7.713/1988, bem como trechos do estudo publicado pela Unafisco Sindical. Entende que o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador não foi verificado no caso em tela, pleiteando a nulidade do lançamento. Mérito Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 362 6 Alega que o fiscal autuante não procedeu à apuração conforme a legislação, não apresentou qualquer prova concreta para respaldar a exigência, tampouco aprofundou as investigações. Entende que esclareceu e demonstrou os elementos solicitados e que estes não foram considerados pela Fiscalização. Infração Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não comprovada 1) Os valores abaixo decorreram de devolução de empréstimo concedido a Lindomar Pasqualotto, no valor de R$ 200.000,00, conforme declaração de fl. 309. 2) O valor de R$ 9.900,00, item 62 (fl. 149), de 07/05/2009, diz respeito à devolução de empréstimo concedido pelo impugnante a Anderson Rodrigo Mafessoli, no valor de R$ 10.000,00, sendo que a diferença de R$ 100,00 foi paga em espécie, conforme consta na DIRPF respectiva. 3) Os valores abaixo referemse à Distribuição de Lucros da empresa Fasolo e Passos Ltda, CNPJ nº 05.077.069/00137, no anocalendário de 2009, e consignado na DIRPF correspondente, no valor total de R$ 250.000,00. 4) O item 65 do Termo de Intimação 001, fl. 149, datado de 29/05/2009, no valor de R$ 7.000,00 é inerente a ressarcimento de seguro residencial. 5) O item 221 da Tabela 01, do Termo de Intimação 001, fl. 152, no valor de R4 5.300,00, datado de 02/06/2010 e o item 222 no valor de R$ 4.700,00 de 04/06/2010, representam devolução do empréstimo concedido para Maurílio Manoel da Silva Junior, no valor de R$ 50.000,00, conforme lançado em sua DIRPF, no anocalendario de 2010, sendo que o saldo de R$ 15.000,00 teria sido pago ao Fiscalizado em espécie. Quanto aos demais depósitos classificados pela Fiscalização como de origem não comprovada entende que de acordo com jurisprudência do CARF não seriam fato geradores do imposto, sustenta ainda que o art. 42 e §§ não admitem lançamento baseado em depósitos bancários, inclusive por carência de tipificação e enquadramento legal. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 363 7 Verdade Material dos Fatos Afirma que a alegação do Auditor de ausência de documentação hábil comprobatória dos fatos reais é equivocada. Entende que a integralidade dos fatos informados pelo impugnante efetivamente ocorreram. Discorre entre outras colocações que: Conclui este tópico citando doutrina e defendendo que no processo administrativo o que se busca é a verdade material como interesse da própria administração. Ilegalidade dos juros SELIC Apresenta o Impugnante amplo discurso, com citações de jurisprudência, legislação e ensinamentos doutrinários, acerca da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic, e conclui pelo afatamento da taxa Selic para fins de correção de tributos, por falta de previsão legal, inadequação entre a natureza da taxa como criada e regulamentada pelo Banco Central e por estar maculado pela inconstitucionalidade material e formal. Finaliza sua impugnação requerendo a nulidade do ato, por entender demonstrada a existência de vicio insanável, ante a ilegalidade da presunção comum como prova, bem como a ocorrência de decadência quanto a infração 002 (ganho de capital). Protesta por juntada de novas provas, documentos, etc, até o deslinde da questão. Anexa às fls. 305/308, cópia do “Compromisso de compra e venda de terreno a prazo”e à fl. 309 declaração da empresa Pasqualotto Construtora e Incorporadora Ltda. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 364 8 A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 338/355, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar Ilegalidade da "presunção comum" como prova. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 365 9 § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Rejeito a preliminar, portanto. Preliminar Infração de Ganho de Capital – Decadência A fiscalização apurou a infração de ganho de capital relativa a alienação do imóvel, matrícula nº 06534, em Porto Belo, SC, (fls. 262/263), na proporção de 50%, em função da participação do sujeito passivo na propriedade do imóvel, no valor de R$ 511.185,67. O contribuinte se insurge contra a infração, defendendo que a operação não teria ocorrido em 08/06/2010, conforme a escritura pública de fls. 211/214 e sim 30/01/2007, de acordo com o documento de fls. 305/308 e que por um lapso ocorrido à época da lavratura da escritura, que não fez constar nesta escritura pública nem o citado documento (Compromisso de Compra e Venda), tampouco a data de sua concretização. O recorrente alega, ainda, que o lançamento estaria decadente, defendendo que a operação de venda imobiliária, teria sido realizada em 30/01/2007, face ao lançamento constituído em 25/11/2013, ou seja, passados quase 7 anos da ocorrência do fato gerador. Conforme bem destacou a DRJ, "a lide resumese na determinação da data da ocorrência da transação imobiliária, se 30/01/2007, como quer o interessado, de fato o lançamento estaria decadente, ou 08/06/2010, conforme entendeu a autoridade lançadora". Inicialmente, é de se observar que a escritura pública é dotada de fé pública, e apesar de não gozar de presunção absoluta de veracidade, seus conteúdos só podem ser infirmados por prova inequívoca produzida por quem os contesta. Assim dispõe a jurisprudência administrativa do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes: "PROVA Todos os fatos registrados em escritura pública, até prova em contrário, são tidos como verdadeiros. A simples declaração das partes envolvidas, de que a compra do imóvel foi simulada, é insuficiente para infirmar os fatos devidamente consignados em instrumento público." (Ac. 10611994, sessão de 19/06/2001).”. "IRPF VENDA DE IMÓVEL VALIDADE DA PROVA DOCUMENTO PÚBLICO "VERSUS" DOCUMENTO PARTICULAR DATA, FORMA E VALOR DA ALIENAÇÃO FLUXO DE CAIXA Somente não deve prevalecer para os efeitos fiscais a data, forma e valor da alienação constante da Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 366 10 Escritura Pública de Compra e Venda, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual deste não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deuse da forma prevista no outro contrato (particular). Assim, não cabe, para efeito do "fluxo de caixa acréscimo patrimonial a descoberto", pretender, contra a prova dos autos, que a transação se operou na forma de permuta, sem torna, se o contrato público afirma que foi alienação normal, com recebimento de valor." (Ac. 10416587, sessão de 23/09/1998).” "PROVA DE ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS ESCRITURA PÚBLICA A escritura pública de compra e venda é o instrumento formal previsto para a transmissão da propriedade de bem imóvel. Os dados nela transcritos sobrepõemse a qualquer outro, salvo se restar comprovado, de maneira inequívoca, que os elementos constantes da escritura definitiva não correspondam à efetiva operação, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova que se contraponha a dados nela constante." (Ac. 10417067, sessão de 08/06/1999).” O recorrente trouxe o documento de fls. 305/308, para respaldar sua pretensão, qual seja, um “Compromisso de Compra e Venda de Terreno a Prazo”, datado de 30/01/2007, que por si só não é documento hábil para desconstituir uma escritura pública. Notese que existe a menção no referido Compromisso da forma de pagamento, documentos estes (conforme reprodução a seguir), que não foram trazidos aos autos: Desta forma, considero a data da operação, 08/06/2010, mantendo o lançamento na forma que foi lavrado pela autoridade lançadora, por não existir nos autos prova robusta e concreta que tenha o condão de desconstituir a escritura pública de fls. 211/214. Infração Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não comprovada Inicialmente o contribuinte afirma que a fiscalização não considerou todos os elementos trazidos pelo recorrente. Esta afirmação não corresponde à realidade fática, uma vez que houve a aceitação das justificativas do contribuinte quanto aos créditos listados às fls. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 367 11 252/253, sendo que as demais justificativas não foram consideradas como comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos. Passase a análise das justificativas apresentadas pelo contribuinte neste recurso. O contribuinte listou os seguintes créditos para análise da devida comprovação de sua origem: 1. Os valores abaixo seriam referentes à devolução de empréstimo concedido a Lindomar Pasqualotto, no valor de R$ 200.000,00, conforme declaração de fl. 309. A comprovação de empréstimos tratase de matéria já extensamente examinada pelos tribunais administrativos, e a jurisprudência firmouse mansa e pacificamente no sentido de não acolher as alegações de empréstimos desacompanhadas das provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário, com indicação de valor e data coincidentes, conforme ementa abaixo do CARF neste sentido. EMPRÉSTIMOS. O recebimento de empréstimo, somente pode ser considerado para justificar acréscimo patrimonial a descoberto ou origem em depósitos bancários, quando comprovado de forma inequívoca a transferência das quantias envolvidas. (Acórdão 2202002.806, Relatora DAYSE FERNANDES LEITE, julgado em 11/09/2014) Em se tratando de contrato de mútuo, a lei não exige a forma escrita, conforme arts. 586 e 592 do Código Civil. O Código Civil assim disciplina sobre o contrato de mútuo. Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Sobre a prova do instrumento particular em relação a terceiros, assim estipula o Código Civil. Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor, mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. [...] Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1º do art. 654. A Lei dos Registros Públicos (Lei nº 6.015/73) dispõe: Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição: Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 368 12 I – dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; No presente caso, o Recorrente não apresentou nenhum documento que possa comprovar as suas alegações, limitandose a trazer contratos de mútuos com reconhecimento de firma posterior a autuação. Não entendo ser prova, suficiente para afastar os lançamentos realizados, devendo ser mantido quanto a este ponto. Assim, não demonstrado com prova hábil e idônea que os créditos em contas correntes estão relacionados aos contratos de mútuo apresentados. 2. Justifica que o valor de R$ 9.900,00, item 62 (fl. 149), de 07/05/2009, dizia respeito à devolução de empréstimo concedido pelo recorrente a Anderson Rodrigo Mafessoli, no valor de R$ 10.000,00, sendo que a diferença de R$ 100,00 teria sido paga em espécie, conforme consta na DIRPF respectiva. Este valor não foi tributado, tendo sido aceita a justificativa do contribuinte pelo fiscal autuante, vide tabela de fl. 252. Portanto, não faz parte desta lide, conforme já se pronunciou a DRJ. 3. Informa que os valores seguintes seriam correspondentes à Distribuição de Lucros da empresa Fasolo e Passos Ltda, CNPJ nº 05.077.069/000137, no anocalendário de 2009, e tendo sido consignado na DIRPF correspondente, no valor total de R$ 250.000,00. No que diz respeito à distribuição de lucros, temse que a isenção sobre a distribuição dos lucros apurados a partir de janeiro de 1996 foi introduzida por meio da Lei nº 9.249/1995, que assim dispôs, em seu art. 10: “Art. 10º. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior.” Nesse sentido, cabe transcrever o artigo 48 da Instrução Normativa SRF nº 93/1997, in verbis: Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. §1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. §2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 369 13 II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. §3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. §4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º , §4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995. §5º A isenção de que trata o caput não abrange os valores pagos a outro título, tais como pro labore, aluguéis e serviços prestados. §6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. §7º O disposto no §3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do §2º, após o encerramento do trimestre correspondente. §8º Ressalvado o disposto no inciso I do §2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no §4º. Dos dispositivos acima reproduzidos, depreendese que os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, como regra geral, não estão sujeitos à tributação, desde que devidamente comprovada a existência de tais lucros e a sua distribuição, por meio de documentos que demonstrem a efetiva saída dos recursos das pessoas jurídicas e o recebimento destes pelo contribuinte, bem como a tributação na pessoa jurídica responsável pela distribuição. Tal demonstração se faz necessária porque a distribuição de lucros não sofre tributação na pessoa física do sócio, por já ter sido tributada na pessoa jurídica, o que torna indispensável a comprovação de sua existência. A não adoção de tal procedimento abriria um precedente temerário, por tornar possível que rendimentos sujeitos à tributação pudessem ser declarados como isentos, burlando, assim, a cobrança do imposto. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 370 14 Outrossim, do exame dos autos, verificase que não foram anexados elementos que subsidiassem o alegado, tais como escrituração dos valores distribuídos pela empresa Fasolo e Passos Ltda, acompanhada dos respectivos comprovantes dos valores pagos, com a comprovação de forma inequívoca da transferência de numerário entre a empresa e o sujeito passivo. Sendo assim, o recebimento de valores a título de distribuição de lucros para justificar a origem de depósitos bancários, deve ser comprovado, no mínimo, com a apresentação de escrituração contábil demonstrando a apuração de resultados que possibilitem a distribuição alegada e a comprovação da efetiva transferência do valor distribuído. 4. Defende que o item 65 do Termo de Intimação 001, fl. 149, datado de 29/05/2009, no valor de R$ 7.000,00 seria decorrente de ressarcimento de seguro residencial. Não foram apresentadas provas de que o depósito citado fosse ressarcimento de seguro residencial, conforme alegou. 5. O item 221 da Tabela 01, do Termo de Intimação 001, fl. 152, no valor de R$ 5.300,00, datado de 02/06/2010 e o item 222 no valor de R$ 4.700,00 de 04/06/2010, representam devolução do empréstimo concedido para Maurílio Manoel da Silva Junior, no valor de R$ 50.000,00, conforme lançado em sua DIRPF, no anocalendário de 2010, sendo que o saldo de R$ 15.000,00 teria sido pago ao Fiscalizado em espécie. Os valores supra referidos não foram comprovados, por falta de apresentação de provas conforme já explicado no item 1), visto que os empréstimos citados não se fizeram acompanhar das provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário, com indicação de valor e data coincidentes. Quanto aos demais depósitos, o contribuinte alega que não podem servir de base para o lançamento por falta de enquadramento legal e tipicidade. E, mais uma vez não cabe razão ao contribuinte, já que a partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários é disciplinada pelo art 42 da Lei nº 9.430/1996, já anteriormente transcrito, com alteração introduzida pelo art. 4º da Lei nº 9.481/1997, e bem lastreou a autuação ora em análise. Por oportuno, trancrevo trecho do voto do acórdão da DRJ, muito bem analisado pela DRJ de origem: Vale ressaltar que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício, por expressa disposição legal, transformase na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Para elidir a presunção legal de que depósitos em conta corrente sem origem justificada referemse à renda omitida, deve a interessada, durante o procedimento fiscal ou na fase impugnatória, apresentar os documentos que venham a comprovar inequivocamente possuir os depósitos bancários origem já submetida à tributação ou não tributável. É dever do Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11516.723680/201372 Acórdão n.º 2202003.757 S2C2T2 Fl. 371 15 contribuinte demonstrar a origem de cada um dos depósitos ou então arcar com o peso da presunção. Tal ônus repetese, decorre da lei. Para comprovar que a origem dos recursos depositados/creditados nas contas correntes do recorrente deveria ele ter demonstrado, de forma concreta e individual e apresentado provas hábeis e idôneas, devendo ser destacado que alegações genéricas, não podem ser acatadas como hábeis ao afastamento da presunção. Em regra, ou o contribuinte comprova a origem de cada um dos depósitos por documentos hábeis e idôneos, de forma individualizada, ou então se submete ao texto legal que prevê a tributação de omissão de rendimentos baseada em depósitos/créditos cuja origem não comprovar. Taxa SELIC A Lei nº 9.065/1995, que deu nova redação a dispositivos da Lei nº 8.981/1995, dispôs, em seu art. 13, que, a partir de 1º de abril de 1.995, os juros de mora de que trata a Lei nº 8.981/1995, art. 84, I e §§ 1º, 2º e 3º, incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, serão equivalentes à taxa referencial do SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Neste sentido, a Súmula CARF nº 4, a qual dispõe que: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, improcedente tal pedido. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904088/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 88 /2 01 4- 17 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10875.904088/201417 Acórdão n.º 1301002.460 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de CSLL, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10875.904088/201417 Acórdão n.º 1301002.460 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10875.904088/201417 Acórdão n.º 1301002.460 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10875.904088/201417 Acórdão n.º 1301002.460 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10875.904088/201417 Acórdão n.º 1301002.460 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.907922/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.018
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.907922/201114 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402004.018 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente AJINOMOTO DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 79 22 /2 01 1- 14 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.615 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de PIS não cumulativo(a) exportação. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13888.907922/201114 Acórdão n.º 3402004.018 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 245DF CARF MF
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