Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10909.004753/2009-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.666
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10909.004753/2009-61
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5592218
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.666
nome_arquivo_s : Decisao_10909004753200961.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10909004753200961_5592218.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6386951
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416283525120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 548 1 547 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10909.004753/200961 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.666 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente COMPANHIA LIBRA DE NAVEGACAO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 47 53 /2 00 9- 61 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 549 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3802001.760. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 549DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 550 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 550DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 551 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 552 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 552DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 553 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 553DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 554 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 555 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 555DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 556 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 557 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 557DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 558 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 558DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10909.004753/200961 Acórdão n.º 9303003.666 CSRF‐T3 Fl. 559 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 559DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10325.721470/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2013 a 31/03/2014
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO NÃO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPROCEDÊNCIA. GLOSA.
Não atendidas as condições e exigências legais, os valores indevidamente compensados devem ser glosados. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com créditos financeiro não tributário e decorrente de cessão de terceiros titulares do direito creditório reconhecido em sentença judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2013 a 31/03/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO NÃO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPROCEDÊNCIA. GLOSA. Não atendidas as condições e exigências legais, os valores indevidamente compensados devem ser glosados. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com créditos financeiro não tributário e decorrente de cessão de terceiros titulares do direito creditório reconhecido em sentença judicial. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10325.721470/2014-13
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5591098
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.623
nome_arquivo_s : Decisao_10325721470201413.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 10325721470201413_5591098.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6382102
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416348536832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T0 Fl. 255 1 254 S2C3T0 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10325.721470/201413 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2300004.623 – 3ª Câmara / Colegiado único Sessão de 13 de abril de 2016 Matéria GLOSA DE COMPENSAÇÃO Recorrente BEM VIVER ASSOCIAÇÃO TOCANTINA PARA O DESENVOLVIMENTO DA SAÚDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2013 a 31/03/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO NÃO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPROCEDÊNCIA. GLOSA. Não atendidas as condições e exigências legais, os valores indevidamente compensados devem ser glosados. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com créditos financeiro não tributário e decorrente de cessão de terceiros titulares do direito creditório reconhecido em sentença judicial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 72 14 70 /2 01 4- 13 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10325.721470/201413 Acórdão n.º 2300004.623 S2C3T0 Fl. 256 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra a decisão denegatória do direito de compensação de contribuições previdenciárias com créditos de terceiros oriundos de sentença transitada em julgado que reconheceu direito sobre correção monetária devida sobre valores a serem reembolsados pela União a clínica conveniada com o SUS. Seguem transcrições da decisão recorrida: Período de apuração: 01/08/2013 a 31/03/2014 Ementa: COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO DE ESPÉCIE DISTINTA. CRÉDITO DE TERCEIROS. AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. GLOSA. Compensação é o procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, os valores indevidamente compensados devem ser glosados. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com créditos de espécie distinta, adquiridos de terceiros e decorrentes de ação judicial não transitada em julgado. PROCESSO ADMINISTRATIVO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Às fls. 190 consta despacho emitido pelo Núcleo de Arrecadação e Cobrança – NURAC, informando que o presente processo foi desmembrado, tendo em vista que o contribuinte parcelou parte dos débitos na reabertura do REFIS, ou seja, parcelou as competências 08/2013, 09/2013, 10/2013 e 11/2013, que foram transferidas para o processo administrativo nº 10325.721841/201459, e encaminhando o presente processo para julgamento, em face da manifestação de inconformidade tempestiva apresentada, em cumprimento ao art. 25, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 ... Os processos administrativos citados versam sobre Pedido de Habilitação de Crédito Decorrentes de Decisão Judicial Transitada em Julgado, tendo em vista o contribuinte ter adquirido, mediante Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios, créditos decorrentes do processo nº 99.001.26548, que tem como autora a Clínica de Repouso Campo Belo Ltda., CNPJ 34.389.718/000133, e como ré a União Federal, e tem como objetivo cobrar valores referentes à correção da Tabela do SUS por ocasião do Plano Real. ... Os processos nº 10325.721.399/201380, nº 10325.720.323/201418 e nº 10325.720.324/201462 foram apreciados pela Delegacia da Receita Federal de Imperatriz/MA e, resumidamente, tiveram o pedido indeferido pelas seguintes razões: (i) o contribuinte não figura no polo ativo da ação judicial; (ii) o crédito não é tributário; (iii) o crédito é de terceiros e (iv) ação judicial não transitou em julgado. ... Contra a decisão, a recorrente reitera os argumentos da manifestação: Conforme consta do relatório do DespachoDecisório nº 375/2014, o contribuinte protocolizou tempestivamente junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil resposta à carta Eqmac n° 03/2014, descrevendo as motivações pelas quais foram utilizados os créditos. Foram juntados no processo em epígrafe diversos documentos, inserindose no rol uma Certidão de Objeto e Pé do Processo, na qual se transcreve a informação do trânsito em julgado do processo (referente aos créditos) no penúltimo item. No caso em tela o referido processo já transitou em julgado e o crédito não é de natureza tributária, mas sim de natureza financeira, oriundo de decisão transitada em julgado em ação ordinária e pode ser perfeitamente objeto de contrato de cessão, pois não se opõe à natureza da obrigação, à lei ou convenção. Esclarecese que o crédito reconhecido em decisão transitada em julgado em ação ordinária, de caráter condenatório, de ressarcimento de valores oriundos de erro de cálculo de pagamento a ser realizado pela União, constituise em título executivo judicial, o que demonstra a certeza do crédito, logo, pode ser perfeitamente objeto de cessão. Observase, também, que não existe convenção entre as partes, União Federal e empresa cedente, que impeça a cessão de crédito decorrente de decisão transitada em julgado referente ao Processo n° 001265484.1999.4.02.5101, número antigo: 99.00126548. Da mesma forma, averiguase que as legislações civis e tributárias vigentes não proíbem a transferência deste crédito financeiro. Portanto, dessumese ser claramente possível a cessão do crédito financeiro a terceiro. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10325.721470/201413 Acórdão n.º 2300004.623 S2C3T0 Fl. 257 5 Ademais, cumpre lembrar que o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado possui permissão expressa na Constituição Federal para ceder a terceiros,conforme art. 78 do ADCT. Portanto, a legislação supracitada reforça o entendimento de que o crédito oriundo de decisão judicial transitada em julgado pode ser objeto de cessão de crédito, desde que decorra de precatório pendente em 13.09.2000 ou de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, conforme autorização expressa da Constituição, como no caso em tela, em que a ação fora proposta em 17/05/1999. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já se manifestou sobre a matéria, acompanhando o posicionamento exposto. A 8ª Vara Federal de Execução Fiscal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro determinou a penhora de valor, no processo originário do crédito em que se pediu a homologação, como pagamento de débito fiscal de terceiro, conforme já foi demonstrado em certidão juntada ao processo. É o Relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, dele conheço e passo ao seu exame. Conforme depreende dos autos, o crédito é oriundo sentença transitada em julgado em favor de terceiros sem, contudo, autorizar o titular da ação para transferir seu crédito, onerosa ou gratuitamente, a contribuinte com fins de compensação tributária. Isso porque existe regra jurídica exigindo o cumprimento de requisitos mínimos para a compensação: crédito próprio líquido e certo, sentença transitada em julgado e natureza tributária do crédito. No presente caso, o recorrente não atendeu a esses requisitos: Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) E o Parecer COSIT nº 11, de 19/12/2014 também exige que o interessado protocole previamente um pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. ... Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. A habilitação prévia do crédito decorrente de ação judicial é medida que tem por objetivo analisar os requisitos preliminares acerca da existência do crédito, a par do que ocorre com a ação de execução contra a Fazenda Nacional, quais sejam, legitimidade do requerente, existência de sentença transitada em julgado e inexistência de execução judicial, em respeito ao princípio da indisponibilidade do interesse público. ... Ressaltase que não se está aqui vedando a transferência de créditos decorrentes de sentenças judiciais inter pars, mas apenas apresentando os fundamentos e Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10325.721470/201413 Acórdão n.º 2300004.623 S2C3T0 Fl. 258 7 conclusão acerca de utilização em compensação tributária desses créditos por terceira pessoa que não o titular da ação judicial. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725911/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. RECONHECIMENTO. Conforme previsão constante no artigo 17 do Decreto 70.235/72, deverá o contribuinte suscitar a sua matéria de defesa em sede de impugnação, sendo vedado a inovação de argumentos em sede recursal, que não se contraponham as conclusões do julgamento de primeira instância, em razão da preclusão.
INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. RECONHECIMENTO. Conforme previsão constante no artigo 17 do Decreto 70.235/72, deverá o contribuinte suscitar a sua matéria de defesa em sede de impugnação, sendo vedado a inovação de argumentos em sede recursal, que não se contraponham as conclusões do julgamento de primeira instância, em razão da preclusão. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.725911/2010-01
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5593908
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.128
nome_arquivo_s : Decisao_10580725911201001.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 10580725911201001_5593908.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
id : 6393943
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416365314048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1878; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 247 1 246 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725911/201001 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.128 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2016 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente OLIVEIRA GIL BRAZ PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. RECONHECIMENTO. Conforme previsão constante no artigo 17 do Decreto 70.235/72, deverá o contribuinte suscitar a sua matéria de defesa em sede de impugnação, sendo vedado a inovação de argumentos em sede recursal, que não se contraponham as conclusões do julgamento de primeira instância, em razão da preclusão. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 11 /2 01 0- 01 Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725911/201001 Acórdão n.º 2402005.128 S2C4T2 Fl. 248 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por OLIVEIRA GIL BRAZ PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração 37.262.9300, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e destinadas ao GILRAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que foram apurados com base nas folhas de pagamento de empregados, notas fiscais de contribuintes individuais, livro diário e livro razão, os quais continham a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. O período do lançamento compreende as competências de 01/2006 a 13/2006, tendo sido contribuinte cientificado em 30/06/2010. O fiscal também apontou que ao caso em concreto fora a aplicada a multa de ofício de 75% trazida pela Lei 11.941/09, por ser a mais benéfica nas competências 01/2006, 02/2006, 03/2006, 04/2006, 05/2006, 06/2006, 07/2006, 08/2006, 09/2006, 11/2006, 12/2006 e 13/2006. Tal multa somente não fora mais benéfica na competência de 10/2006. Cabe salientar, que no presente caso a multa aplicada fora agravada em 50%, tendo em vista que a recorrente não atendeu intimação específica para apresentar arquivos ou sistemas digitais, pois informou que os seus sistemas de processamento não estavam preparados para disponibilizar tais informações. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a nulidade do Auto de Infração, pois dele não consta a clara e correta fundamentação quanto a motivação da autuação lavrada; 2. que em razão de sua atividade ser a de fornecimento de mãodeobra, a fiscalização deixou de considerar e abater no presente lançamento as retenções sofridas quando dos pagamentos efetuados por seus contratantes; 3. erro na capitulação legal, tendo em vista que a fiscalização aplicou multa com base em legislação revogada; 4. que o fiscal, ao efetuar o lançamento considerou, erroneamente como base de cálculo das contribuições verbas indenizatórias recebidas pelos empregados, a saber, terço de férias, aviso prévio Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 indenizado, horas extras, auxíliocreche, auxílio transporte, auxílio doença, pagamentos em acordos trabalhistas, auxílio educação, participação nos lucros e resultados, diárias de viagens e auxilio alimentação; 5. que a multa aplicada de 112,5% é confiscatória. 6. por fim, alega que juntou aos autos documentos que demonstram inconsistências no lançamento das contribuições em cada uma das competências objeto do presente Auto de Infração. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725911/201001 Acórdão n.º 2402005.128 S2C4T2 Fl. 249 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Alega a recorrente que o presente lançamento deve ser anulado em razão da ausência de motivação constante no relatório fiscal da infração, que não observou a fiel descrição do fato infringente. Sem razão. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento das contribuições não adimplidas e não declaradas em época própria, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento. Ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise do relatório fiscal de cada um dos Autos de Infração, verificase que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto e a imposição fiscal restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Não obstante, no presente caso cumpre apontar que o fiscal autuante foi por demais minucioso em demonstrar toda a fundamentação que levou às conclusões pela Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 necessidade do lançamento, tendo sido muito pontual em demonstrar, inclusive, os argumentos pelos quais entendeu por afastar as informações prestadas pelo contribuinte em sede de ação fiscal, motivos que demonstram que o auto está por demais fundamentado. Melhor sorte não aufere o recorrente, quando sustenta a nulidade, em decorrência de erro na fundamentação legal da multa aplicada. Em momento algum fora aplicada qualquer multa com base em legislação revogada. O que fez a fiscalização, a contento, foi dar o devido cumprimento ao que dispõe o art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a necessidade de que a imposição das multas o sejam feitas da forma mais benéfica ao contribuinte. Dessa forma, o fiscal comparou qual das multas seria a mais benéfica, e aplicou a legislação que corrobora tais conclusões, baseado em permissivo legal autorizador de referido procedimento. Logo, também não há qualquer nulidade a ser reconhecida sob este aspecto, de modo que rejeito as preliminares. MÉRITO Das alegações da inobservância das retenções e da lançamento efetuado sobre verbas que não devem compor a base de cálculo das contribuições. Tais alegações, por mais que constem no bojo do recurso voluntário apresentado, não foram aduzidas em sede de impugnação por parte da contribuinte, motivo pelo qual entendo que não podem ser conhecidas nesta oportunidade, em razão da ocorrência da preclusão, pois deveria o contribuinte aduzir toda a matéria de defesa em sede de impugnação. A propósito, cito o art. 16 e 17, ambos do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Ademais, quanto as retenções, a recorrente sequer acostou ao recurso voluntário qualquer documento que, ao menos, sustente as suas alegações. Quanto aos equívocos constantes no lançamento Aqui busca a recorrente demonstrar, em cada uma das competências lançadas, a ocorrência de equívocos incorridos pela fiscalização quando do lançamento, alegando por vezes que os valores lançados estão pagos, por vezes não ter entendido as conclusões do fiscal. Em seu recurso voluntário, o tema é tratado como mera repetição dos argumentos constantes na impugnação, os quais vieram a ser analisados pontualmente quando Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725911/201001 Acórdão n.º 2402005.128 S2C4T2 Fl. 250 7 do julgamento de primeira instância, que os entendeu por afastálos. Assim, considerando que a recorrente não trouxe qualquer fundamentação ou argumento capaz de infirmar as conclusões adotadas sobre o assunto pelo acórdão da DRJ, tenho que a sua conclusão merece ser mantida. Cito, a propósito, trecho do acórdão de primeira instância que, a meu ver, bem afastou os argumentos objeto do presente recurso voluntário, o qual adoto como razões de decidir. Confirase: 7.1 Janeiro/2006 Levantamento FP1 7.1.1 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 11) informa, na competência 01/2006, a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 600,00, para o Levantamento FP1. A descrição do pagamento é “Base de Calc ProLabore – Diferença Folha – GFIP”. 7.1.2 Ou seja, o valor constitui remuneração a administradores, a título de pro labore, que foi apurada através da Folha de Pagamento, e que não foi declarada em GFIP. 7.1.3 E conforme Folhas de Pagamento de 01/2006 juntadas pela Fiscalização (fl. 70), e pela Impugnante (fl. 165), tratase da rubrica “055 Pro Labore”, paga aos diretores Josenar Oliveira Souza e Solange Gil Braz de Souza, R$ 300,00 para cada um. 7.1.4 No que se refere à Guia da Previdência Social – GPS anexada pela Defendente à fl. 913, foi devidamente considerada na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal, conforme demonstra o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, à fl. 14. 7.2 Fevereiro/2006 Levantamento FP1 7.2.1 Novamente o RL – Relatório de Lançamentos (fl. 11) informa, na competência 02/2006, a base, de cálculo de contribuinte individual de R$ 600,00, para o Levantamento FP1. A descrição do pagamento é “Base de Calc ProLabore – Diferença Folha – GFIP”. 7.2.2 Ou seja, o valor constitui remuneração a administradores, a título de pro labore, que foi apurada através da Folha de Pagamento, e que não foi declarada em GFIP. 7.2.3 E conforme Folhas de Pagamento de 02/2006 juntadas pela Fiscalização (fl. 71), e pela Impugnante (fl. 179), tratase da rubrica “055 Pro Labore”, paga aos diretores Josenar Oliveira Souza e Solange Gil Braz de Souza, R$ 300,00 para cada um. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 7.2.4 No que se refere à Guia da Previdência Social – GPS anexada pela Defendente à fl. 925, foi devidamente considerada na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal, conforme demonstra o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, à fl. 14. 7.3 Março/2006 7.3.1 Esta competência faz parte do período fiscalizado, mas para ela não houve o lançamento de crédito na presente autuação. 7.3.2 O relatório RADA demonstra, às fls. 14 e 15, que o recolhimento efetuado através da GPS anexada à fl. 924 foi devidamente considerado na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal. 7.4 Abril/2006 Levantamento CI1 7.4.1 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 10) informa, para a competência 04/2006, a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 82,50, para o Levantamento CI1. A descrição do pagamento é “PG JOSE OLIVEIRA CONTABILIDADE – CONTA 9410003”. Levantamento FP1 7.4.2 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 11) informa, para a competência 04/2006, a base de cálculo de segurado empregado de R$ 306.694,00, para o Levantamento FP1. A descrição é “Base de Calc Empreg – Diferença Folha – GFIP”. Também informa a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 700,00, e a descrição do pagamento é “Base de Calc ProLabore – Diferença Folha – GFIP”. 7.4.3 Ou seja, estes valores constituem remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores), que foram apuradas através da Folha de Pagamento, e que não foram declaradas em GFIP. 7.4.4 Assim, do cruzamento entre os valores informados pelo Contribuinte na Folha de Pagamento, Contabilidade, e em GFIP, verificouse que não foram declaradas em GFIP a totalidade das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. 7.4.5 No que se refere à Guia da Previdência Social – GPS anexada pela Defendente à fl. 923, foi devidamente considerada na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal, conforme demonstra o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, à fl. 15. Levantamento DAL Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725911/201001 Acórdão n.º 2402005.128 S2C4T2 Fl. 251 9 7.4.6 Conforme demonstra o relatório DAL – Diferença de Acréscimos Legais, à fl. 19, para a competência 03/2006, a GPS foi recolhida com atraso, data de pagamento 24/04/2006, com recolhimento de multa a menor. 7.4.7 Portanto, foi lançada a diferença de multa de mora, levantamento DAL, a teor anexo DD – Discriminativo do Débito, fl. 06. 7.5 Maio/2006 Levantamento CI1 7.5.1 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 10) informa, para a competência 05/2006, a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 1.050,00, para o Levantamento CI1. A descrição do pagamento é “PG JOSE OLIVEIRA CONTABILIDADE – CONTA 9410003”. Levantamento FP1 7.5.2 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 12) informa, para a competência 05/2006, a base de cálculo de segurado empregado de R$ 11.295,00, para o Levantamento FP1. A descrição é “Base de Calc Empreg – Diferença Folha – GFIP”. Também informa a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 700,00, e a descrição do pagamento é “Base de Calc ProLabore – Diferença Folha – GFIP”. 7.5.3 Ou seja, estes valores constituem remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores), que foram apuradas através da Folha de Pagamento, e que não foram declaradas em GFIP. 7.5.4 Assim, do cruzamento entre os valores informados pelo Contribuinte na Folha de Pagamento, Contabilidade, e em GFIP, verificouse que não foram declaradas em GFIP a totalidade das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. 7.5.5 No que se refere à Guia da Previdência Social – GPS anexada pela Defendente à fl. 922, foi devidamente considerada na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal, conforme demonstra o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, à fl. 15. 7.6 Junho e Julho/2006 7.6.1 Estas competências fazem parte do período fiscalizado, mas para ela não houve o lançamento de crédito na presente autuação. 7.6.2 O relatório RADA demonstra, às fls. 15 e 16, que os recolhimentos efetuados através das GPS´s anexadas às fls. 920/921 foram devidamente considerados na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 10 7.7 Agosto/2006 Levantamento CI1 7.7.1 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 10) informa, para a competência 08/2006, a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 1.050,00, para o Levantamento CI1. A descrição do pagamento é “PG JOSE OLIVEIRA CONTABILIDADE – RPA N 002”. A Fiscalização fez juntada do RPA nº 002 à fl. 83. Levantamento FP1 7.7.2 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 12) informa, para a competência 08/2006, a base de cálculo de segurado empregado de R$ 316.955,10, para o Levantamento FP1. A descrição é “Base de Calc Empreg – Diferença Folha – GFIP”. Também informa a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 700,00, e a descrição do pagamento é “Base de Calc ProLabore – Diferença Folha – GFIP”. 7.7.3 Ou seja, estes valores constituem remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores), que foram apuradas através da Folha de Pagamento, e que não foram declaradas em GFIP. 7.7.4 Assim, do cruzamento entre os valores informados pelo Contribuinte na Folha de Pagamento, Contabilidade, RPA´s e em GFIP, verificouse que não foram declaradas em GFIP a totalidade das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. 7.7.5 No que se refere à Guia da Previdência Social – GPS anexada pela Defendente à fl. 919, foi devidamente considerada na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal, conforme demonstra o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, à fl. 16. 7.8 Setembro/2006 Levantamento CI1 7.8.1 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 10) informa, para a competência 09/2006, a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 1.050,00, para o Levantamento CI1. A descrição do pagamento é “PG JOSE OLIVEIRA CONTABILIDADE – RPA N 011”. A Fiscalização fez juntada do RPA nº 011 à fl. 84. Levantamento FP1 7.8.2 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 12) informa, para a Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725911/201001 Acórdão n.º 2402005.128 S2C4T2 Fl. 252 11 competência 09/2006, a base de cálculo de segurado empregado de R$ 314.160,72, para o Levantamento FP1. A descrição é “Base de Calc Empreg – Diferença Folha – GFIP”. Também informa a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 700,00, e a descrição do pagamento é “Base de Calc ProLabore – Diferença Folha – GFIP”. 7.8.3 Ou seja, estes valores constituem remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores), que foram apuradas através da Folha de Pagamento, e que não foram declaradas em GFIP. 7.8.4 Assim, do cruzamento entre os valores informados pelo Contribuinte na Folha de Pagamento, Contabilidade, RPA´s e em GFIP, verificouse que não foram declaradas em GFIP a totalidade das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. 7.8.5 No que se refere à Guia da Previdência Social – GPS anexada pela Defendente à fl. 918, foi devidamente considerada na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal, conforme demonstra o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, às fls. 16/17. 7.9 Outubro/2006 Levantamento CI 7.9.1 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 10) informa, para a competência 10/2006, a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 1.050,00, para o Levantamento CI. A descrição do pagamento é “PG JOSE OLIVEIRA CONTABILIDADE – CONTA 9410003”. Levantamento FP 7.9.2 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 11) informa, para a competência 10/2006, a base de cálculo de segurado empregado de R$ 287.339,09, para o Levantamento FP. A descrição é “Base de Calc Empreg – Diferença Folha – GFIP”. Também informa a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 700,00, e a descrição do pagamento é “Base de Calc ProLabore – Diferença Folha – GFIP”. 7.9.3 Ou seja, estes valores constituem remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores), que foram apuradas através da Folha de Pagamento, e que não foram declaradas em GFIP. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 12 7.9.4 Assim, do cruzamento entre os valores informados pelo Contribuinte na Folha de Pagamento, Contabilidade, e em GFIP, verificouse que não foram declaradas em GFIP a totalidade das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. 7.9.5 No que se refere à Guia da Previdência Social – GPS anexada pela Defendente à fl. 917, foi devidamente considerada na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal, conforme demonstra o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, à fl. 17. Levantamento DAL 7.9.6 Conforme demonstra o relatório DAL – Diferença de Acréscimos Legais, à fl. 19, para as competências 01/2006 e 02/2006, as GPS´s foram recolhidas com atraso, datas de pagamento 05/10/2006, com recolhimento de multa a menor. 7.9.7 Portanto, foram lançadas as diferenças de multa de mora, levantamento DAL, a teor anexo DD – Discriminativo do Débito, fl. 08. 7.10 Novembro/2006 Levantamento CI1 7.10.1 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 10) informa, para a competência 11/2006, a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 1.050,00, para o Levantamento CI.1 A descrição do pagamento é “PG JOSE OLIVEIRA CONTABILIDADE – CONTA 9410003”. Levantamento FP1 7.10.2 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 12) informa, para a competência 11/2006, a base de cálculo de segurado empregado de R$ 218.798,44, para o Levantamento FP1. A descrição é “Base de Calc Empreg – Diferença Folha – GFIP”. Também informa a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 700,00, e a descrição do pagamento é “Base de Calc ProLabore – Diferença Folha – GFIP”. 7.10.3 Ou seja, estes valores constituem remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores), que foram apuradas através da Folha de Pagamento, e que não foram declaradas em GFIP. 7.10.4 Assim, do cruzamento entre os valores informados pelo Contribuinte na Folha de Pagamento, Contabilidade, e em GFIP, verificouse que não foram declaradas em GFIP a totalidade das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. 7.10.5 No que se refere à Guia da Previdência Social – GPS anexada pela Defendente à fl. 916, foi devidamente considerada Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725911/201001 Acórdão n.º 2402005.128 S2C4T2 Fl. 253 13 na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal, conforme demonstra o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, à fl. 17. 7.11 Dezembro/2006 Levantamento CI1 7.11.1 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 11) informa, para a competência 12/2006, as bases de cálculo de contribuinte individual de R$ 1.050,00, e R$ 1.959,60, para o Levantamento CI1. A descrição dos pagamentos é “PG JOSE OLIVEIRA CONTABILIDADE – CONTA 9410004”. Levantamento FP1 7.11.2 O RL – Relatório de Lançamentos (fl. 12) informa, para a competência 12/2006, a base de cálculo de segurado empregado de R$ 208.988,00, para o Levantamento FP1. A descrição é “Base de Calc Empreg – Diferença Folha – GFIP”. Também informa a base de cálculo de contribuinte individual de R$ 700,00, e a descrição do pagamento é “Base de Calc ProLabore – Diferença Folha – GFIP”. 7.11.3 Ou seja, estes valores constituem remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores), que foram apuradas através da Folha de Pagamento, e que não foram declaradas em GFIP. 7.11.4 Assim, do cruzamento entre os valores informados pelo Contribuinte na Folha de Pagamento, Contabilidade, e em GFIP, verificouse que não foram declaradas em GFIP a totalidade das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. 7.11.5 No que se refere à Guia da Previdência Social – GPS anexada pela Defendente à fl. 915, foi devidamente considerada na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal, conforme demonstra o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, à fl. 18, e o anexo RDA – Relatório de Documentos Apresentados à fl. 13. 7.12 DécimoTerceiro Salário/2006 7.12.1 O Relatório Fiscal informa que apesar de intimada, a empresa não forneceu a Folha de Pagamento do 13º salário de 2006. 7.12.2 Deste modo, foi feito o lançamento por arbitramento, tendo como base apenas a massa salarial do 13º salário declarada no Livro Razão. As bases de cálculo da contribuição patronal, apuradas neste levantamento, foram calculadas através da soma do pagamento da 1ª parcela do 13º salário, com Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 14 a 2ª parcela do 13º salário, subtraindose desta soma as bases declaradas em GFIP. 7.12.3 Tal procedimento está amparado pelo §§ 3° do artigo 33, da Lei 8.212/91, como segu Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 7.12.4 A empresa junta a Folha de Pagamento do 13º salário de 2006 às fls. 778/814, que apresenta à fl. 814, na rubrica 980 “Total de Vencimentos Brutos”, o valor de R$ 141.746,43. 7.12.5 Entretanto, como demonstra a folha do Razão Analítico juntada pela própria empresa à fl. 835, este valor de R$ 141.7466,00 corresponde somente à 2ª parcela do 13º salário de 2006, sendo que foi paga a 1ª parcela no valor de R$ 72.179,00. 7.12.6 Estes valores também estão nas folhas do Livro Razão juntadas pela Fiscalização, fl. 82: as parcelas pagas a título de 13º salário de 2006 foram R$ 72.179,00 (1ª parcela) e R$ 141.746,00 (2ª parcela), totalizando o valor de R$ 213.925,00. 7.12.7 Conforme a fl. 18 do RADA, a base de cálculo do 13º de 2006 declarada em GFIP foi de R$ 25.575,00 (R$ 5.115,00 corresponde a 20% da base). 7.12.8 Deste modo, chegase à base de cálculo lançada pela Fiscalização: R$ 213.925,00 R$ 25.575,00 = R$ 188.350,00, a qual foi apurada através da contabilidade da própria empresa. E não merece reparo a metodologia de cálculo adotada, que se encontra descrita no item 19 do Relatório Fiscal. 7.12.9 No que se refere à Guia da Previdência Social – GPS anexada pela Defendente à fl. 914, foi devidamente considerada na apuração dos lançamentos de crédito na ação fiscal, conforme demonstra o anexo RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, à fl. 18. Logo, nada a prover. Do caráter confiscatório da multa Quanto ao reconhecimento do caráter confiscatório da multa aplicada, tenho que, tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725911/201001 Acórdão n.º 2402005.128 S2C4T2 Fl. 254 15 contribuições e multas, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 12448.722515/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
REMDIMENTOS DE ALUGUEIS RECEBIDOS POR DEPENDENTE DECLARADOS COMO RENDIMENTOS DE ALUGUEIS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. IRRELEVÂNCIA.
Não configura omissão de rendimentos se o contribuinte, por mero equívoco, declara valores de alugueis recebidos por dependente na ficha Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior pelo Titular, haja vista que, nesta hipótese, o valor do imposto de renda a pagar ou a restituir apurado na declaração de ajuste anual não se altera.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-002.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 REMDIMENTOS DE ALUGUEIS RECEBIDOS POR DEPENDENTE DECLARADOS COMO RENDIMENTOS DE ALUGUEIS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. IRRELEVÂNCIA. Não configura omissão de rendimentos se o contribuinte, por mero equívoco, declara valores de alugueis recebidos por dependente na ficha Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior pelo Titular, haja vista que, nesta hipótese, o valor do imposto de renda a pagar ou a restituir apurado na declaração de ajuste anual não se altera. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12448.722515/2014-06
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5584519
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.983
nome_arquivo_s : Decisao_12448722515201406.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 12448722515201406_5584519.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
id : 6356229
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416960905216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 112 1 111 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.722515/201406 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.983 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de março de 2016 Matéria IRPF Recorrente RENATO DA CUNHA RIBEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 REMDIMENTOS DE ALUGUEIS RECEBIDOS POR DEPENDENTE DECLARADOS COMO RENDIMENTOS DE ALUGUEIS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. IRRELEVÂNCIA. Não configura omissão de rendimentos se o contribuinte, por mero equívoco, declara valores de alugueis recebidos por dependente na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior pelo Titular”, haja vista que, nesta hipótese, o valor do imposto de renda a pagar ou a restituir apurado na declaração de ajuste anual não se altera. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 25 15 /2 01 4- 06 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.722515/201406 Acórdão n.º 2201002.983 S2C2T1 Fl. 113 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento por meio da qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Informa a Autoridade lançadora, na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 8), que foi constatada, na declaração de ajuste anual do contribuinte, omissão de rendimentos de alugueis, no valor de R$ 7.560,00, informados na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB. A omissão de rendimentos seria decorrente de alugueis recebidos por dependente. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/4, julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 56/58, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA PELO DEPENDENTE. Há que se manter a omissão, restando demonstrado que não foi oferecido à tributação o rendimento de aluguel auferido pelo dependente. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/04/2015 (fl. 63), o Interessado interpôs, em 12/05/2015, o recurso de fls. 66/70, acompanhado dos documentos de fls. 71/106. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Na declaração de ajuste anual do exercício 2012, anocalendário 2011, informou que auferiu o total de R$ 20.400,00 de rendimentos de alugueis recebidos de pessoas físicas, que correspondem ao valor bruto recebido relativamente aos apartamentos de números 1.112 (R$ 7.600,00), 206 (R$ 4.400,00) e 503 (R$ 8.400,00). Tais valores são comprovados pelos informes de rendimentos apresentados à Autoridade fiscal e à Autoridade julgadora de primeira instância e que são anexados ao recurso. Além de declarar apenas o valor bruto, ou seja, sem a dedução das taxas de administração, também não indicou que os valores recebidos de alugueis no valor de R$ 8.400,00 (bruto) eram na realidade de seu cônjuge, Graça Maria Ferreira Guimarães, relativo ao apartamento 503 da Rua Raul Harriot, conforme consta das informações de bens e direitos da declaração de ajuste anual. Portanto, ao invés declarar os rendimentos de alugueis de forma separada (Titular e Dependente), declarou como se todos fossem recebidos pelo Titular. Mero erro de preenchimento da declaração. Os rendimentos do Titular e da Dependente declarados conjuntamente, sem o desconto das taxas de administração, importou em restituição de R$ 349,91, mesmo valor que resultaria se tivesse declarado os rendimentos nos campos corretos, sem o desconto das taxas de administração. Com o computo das taxas de administração a restituição seria de R$ 600,43. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.722515/201406 Acórdão n.º 2201002.983 S2C2T1 Fl. 114 3 Logo, diversamente da conclusão do acórdão recorrido, verificase clara e comprovadamente a inexistência de omissão de rendimentos, mas mero erro no preenchimento da declaração que, se refeita, implicaria valor a maior a ser restituído. Ao fim, requer a reforma do acórdão e a extinção do suposto crédito tributário, em respeito ao princípio da verdade material, da autotutela e do enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A Fiscalização apurou, com base na DIMOB, uma omissão de rendimentos de aluguéis recebidos pela dependente do Interessado no valor de R$ 7.560,00. O Recorrente alega que teria cometido um erro de fato ao ter declarado o aluguel auferido pela dependente como sendo rendimento dele próprio. Para fazer prova de suas alegações junta os documentos de fls. 75/106. O “Comprovante Anual de Rendimentos de Alugueis” emitido pela Administradora do apartamento 503, situado à Rua Raul Harriot, município de Belo Horizonte (fl. 80), evidencia que a dependente do Interessado auferiu rendimentos de alugueis no montante de R$ 7.560,00, que resulta do valor total de R$ 8.400,00 menos o valor da comissão de R$ 840,00. Na declaração de ajuste anual do anocalendário de 2011, exercício 2012, foi lançado, a título de “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física” o valor total de R$ 20.400,00. Segundo o Recorrente este montante corresponde ao valor bruto recebido pelos alugueis dos apartamentos de números 1.112 (R$ 7.600,00), 206 (R$ 4.400,00) e 503 (R$ 8.400,00). Os documentos colacionados aos autos indicam se tratar de mero equívoco de informação na declaração de ajuste anual. Embora os “comprovantes de alugueis” referentes aos apartamentos 1.112 e 206 (fls. 76 e 78) não estejam nos padrões exigidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, reconheço verossimilhança nas alegações do Interessado, uma vez que os três apartamentos constam da “Declaração de Bens e Direitos” de sua declaração de ajuste anual, sendo que dois deles estão em seu nome e o terceiro em nome de seu cônjuge, que foi lançada como dependente na mesma declaração. Observo, ademais, por oportuno, que os rendimentos declarados em conjunto resultaram em restituição de valor idêntico ao que resultariam se tivessem sido declarados em campos separados da declaração de ajuste anual (rendimentos de dois apartamentos como rendimentos tributáveis recebidos pelo Recorrente e de um apartamento como rendimentos tributáveis recebidos pela dependente). Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoa física. Assinado digitalmente Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12448.722515/201406 Acórdão n.º 2201002.983 S2C2T1 Fl. 115 4 Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10166.730382/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AFERIÇÃO INDIRETA - PREVISÃO LEGAL
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.240
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AFERIÇÃO INDIRETA - PREVISÃO LEGAL Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10166.730382/2012-11
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5583078
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.240
nome_arquivo_s : Decisao_10166730382201211.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10166730382201211_5583078.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6351541
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416972439552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2387; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 5.072 1 5.071 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.730382/201211 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2202003.240 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de março de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA PREVISÃO LEGAL Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 03 82 /2 01 2- 11 Fl. 5080DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDIMENTO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO CONFIGURAÇÃO Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 5081DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.073 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos pelas Recorrentes – VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA e INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME contra Acórdão nº 0352.781 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações principais: Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 37.370.1926(parte empresa) e AIOP nº 37.370.1934(Segurados): Auto de infração nº 37.370.1926 (PATRONAL) no valor de R$ 5.225.038,12 referese ao lançamento do crédito previdenciário oriundo de contribuições sociais devidas à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT (parte patronal), incidentes sobre o fato gerador apurado Auto de Infração nº 37.370.1934(Desconto de Segurados sem Apropriação Indébita) no valor de R$ 466.557,81 referese ao lançamento do crédito previdenciário oriundo de contribuições sociais devidas à Seguridade Social pelos segurados, incidentes sobre os fatos geradores apurados. O Relatório Fiscal mostra a descrição dos fatos: Primeiramente a fiscalização tentou intimar a empresa do TIPF peto correio através de vários envios de correspondências com Aviso de Recebimento, para os endereços encontrados para a empresa, mas todas as correspondências retornaram com a indicação de "MUDOUSE". Para facilitar o entendimento listo abaixo os números de identificação e controle de cada envio: SI 15808333 8 BR (Enviado para o endereço Q ADE SUL, Conjunto 3 Lote 39, Samambaia, CEP 72.314703) enviado em 27/04/2012 e devolvido em 30/04/2012. SI 15808334 1 BR (Enviado para o endereço Av Contorno A Especial 02 Lote V Sobreloja 1 Loja 1 PT, Núcleo Bandeirantes, CEP 71.705505) enviado em 27/04/2012 e devolvido em 30/04/2012. Então, após todas estas tentativas frustradas de envio do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF pelo correio e não sendo possível mesmo após outras diligências descobrir outro endereço válido para o envio do TIPF, não restou outra escolha Fl. 5082DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 a não ser a convocação da empresa para tomar ciência do TIPF através do EDITAL/DRF/BSB/DF/DIFIS n° 176 de 14 de setembro de 2012, que teve como data de desafixação e consequente marco para início da ação fiscal 02/10/2012. Pelo motivo listado acima, a fiscalização foi forçada a buscar outros meios para verificar os valores devidos pela empresa com relação aos tributos ora fiscalizados. E para melhor recuperar os valores devidos utilizou as várias bases existentes a sua disposição, onde foram encontrados dados relacionados com a empresa, quais sejam: Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF (de 2008 e 2009), Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP (de 2008 a 2010), Relação Anual de Informações Anuais RAIS (de 2008 e 2009) e Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (de 2010, pois as demais bases DIRF e RAIS não continham informações deste ano). De posse destes dados a fiscalização fez uma verificação comparativa entre os valores existentes e concluiu que existiram diversos segurados que constavam na DIRF/RAIS e não constavam na GFIP, e além disso, verificou que os valores informados pela empresa na GFIP foram muito inferiores aos valores informados na DIRF, na RAIS e na DIPJ (CUSTOS E DESPESAS COM PESSOALFICHA 70). O Relatório Fiscal aponta as dificuldades encontradas na auditoriafiscal: 23. Cabe destacar que durante a fiscalização foram encontradas algumas dificuldades, tais como: a) A empresa não foi localizada em nenhum dos endereços cadastrados, tendo sido aberta a fiscalização por EDITAL. b) Devido ao problema para se localizar a empresa foi necessária a aferição dos valores a serem apurados a partir da comparação dos dados constantes nos sistemas RAIS, DIRF, GIFP, DIPJ. c) Não foi incluído no levantamento, ora realizado, os valores encontrados em GFIP, visto que existe o procedimento de cobrança automática destes valores. d) Verificouse que a empresa estava omitindo dados nas suas declarações pela análise dos dados obtidos nos sistemas, pois em vários períodos as declarações da empresa não foram devidamente informadas, conforme listado abaixo: • DIPJ dados não informado em 2008; • RAIS dados não informados em 2010; • DIRF dados não informados em 2010. e) Pelo fato exposto acima, foi necessário, para o ano de 2008 e de 2009, apurar os valores salariais mês a mês existentes na Fl. 5083DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.074 5 GFIP, para comparandoos com os valores da RAIS e da DIRF verificar segurados com valores não declarados e proceder a devida apuração de valores. Para o ano de 2010 como não foram localizados dados na RAIS e nem na DIRF para a empresa, foi feita a apuração a partir dos valores declarados na DIPJ Custos e despesas com pessoal / Ficha 70 (excluindose destes os valores já declarados em GFIP). f) Todas as Guias de Pagamento de Previdência Social GPS constantes no sistema que possuíam os códigos 2003 / 2127 / 2631 / 2640 foram convertidos para o código 2100, para facilitar a apropriação dos valores no crédito apurado. g) Logo, todos os valores finais apurados e levantados nesta fiscalização foram aferidos com base na DIRF, GFIP, RAIS e DIPJ, após excluídos os valores já declarados em GFIP e após abatidas as GPS encontradas no sistema. O Relatório Fiscal aponta a existência de grupo econômico: 22. DESTACAMOS QUE A EMPRESA VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO, CNPJ 00.617.589/000171, pertence a Grupo econômico conforme CTN, art. 124, I e II; Lei 8.212/1991, art. 30, IX; Decreto 3.048/1999, art. 222 e Lei 12.529/2011, art. 33, conforme relatório de VÍNCULOS em anexo. 23. A empresa faz parte do grupo econômico, formado pelas empresas abaixo: • CNPJ 00.617.589/000171, Nome: VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO • CNPJ 01.835.580/000108, Nome: HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP • CNPJ 03.619.612/000155, Nome: CONDOR CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA EPP • CNPJ 03.873.406/000177, Nome: INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME 24. Os indícios que proporcionaram a esta fiscalização a certeza da existência do grupo econômico foram: a) Foi detectada a migração de empregados da empresa Visual para todas as empresas do grupo econômico a partir do ano de 2009, conforme anexos: Fl. 5084DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Condor) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X HEPX antiga GVB) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Info key) b) Constatase que todas as empresas do Grupo Econômico, de forma contumaz, sonegam informações das declarações apresentadas, para dificultar o acompanhamento e a fiscalização das suas obrigações tributárias, conforme lista em anexo (ANEXO Dados das Empresas do Grupo Econômico). c) Além da migração dos empregados, há várias Reclamatórias Trabalhistas envolvendo a Visual e as empresas do grupo, onde as mesmas respondem solidariamente (ANEXO Reclamatórias Trabalhistas). d) O Quadro Societário de cada uma das empresas do grupo em confronto com os dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS mostra que pelo menos um dos sócios já teve vínculo com a empresa Visual, o que se caracteriza em uma situação estranha onde um dos sócios das outras empresas é sempre vinculado a Visual (ANEXO consultas CNIS). e) O Senhor Nilton Monteiro Mendes, CPF 563.545.92187 é sócio tanto da HEPX antiga GVB, quanto da InfoKey (ANEXO Consulta Sócios). Os dados extraídos do Sistema Ambiente de Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros RADAR mostram a correlação de pessoas jurídicas em torno da Visual, e vincula estas empresas a Visual (ANEXO Consulta do Radar). CONJUNTO DE PROVAS 24. O presente procedimento fiscal baseouse nas informações apuradas em sistemas (DIRF, GFIP, RAIS, DIPJ e GPS). E juntamente com este processo temos os seguintes anexos: • MPF, TIPF, TEPF, outros termos/documentos • ANEXO Comparação de multas B ANEXO DIPJ AC 2009 (FICHA 70) • ANEXO DIPJ AC 2010 (FICHA 70) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2008) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2009) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2010) • ANEXO Lista das GFIPs utilizadas na apuração dos valores devidos pela empresa Fl. 5085DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.075 7 • ANEXO Cálculo da contribuição omitida em GFIP e encontrada na RAIS, DIRF, DIPJ (Al 68) • ANEXO Calculo do teto da multa a ser aplicada (Al 68) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Condor) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X HEPX antiga GVB) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Info key) • ANEXO Dados das Empresas do Grupo Econômico ANEXO Reclamatórias Trabalhistas • ANEXO Consultas CNIS • ANEXO Consulta Sócios • ANEXO Consulta do Radar O Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 2892, aponta a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária. O Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 16, aponta o lançamento de ofício com base na aferição indireta: 062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 01/2009, 13/2009 a 01/2010, 09/2010, 11/2010, 13/2010 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. O Relatório Fiscal mostra que houve a elaboração de quadro comparativo de multas até a competência 11/2008 e a partir da competência 12/2008 aplicouse a multa de ofício de 75%. A Recorrente foi intimada por meio do Edital DRF/BSB/DF/DIFIS/ nº 223, de 03.12.2012, às fls. 2882. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 05, é de: (i) em relação ao AIOP nº 37.370.1926 (parte empresa), 01/2008 a 12/2008. (ii) em relação ao AIOP nº 37.370.1934 (Segurados), 12/2008 a 12/2008. Fl. 5086DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 A Recorrente VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em relação ao Auto de infração nº 37.370.1926 (PATRONAL) que houve duplicidade de autuação, pois o AIOP 51.013.9604, é também referente à parte patronal e referese ao mesmo período fiscalizado. que as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários, tendo ocorrido, em raras oportunidades, o envio do documento sem incluir aqueles empregados recém admitidos, quando estes não apresentavam o número de inscrição no PIS mas que, quando regularizavam esta situação, as GFIP eram novamente transmitidas com estes empregados. que o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções, pois a primeira reflete a quantidade de funcionários no mês, enquanto a segunda indica a quantidade de funcionários no ano, sendo que, ao longo do ano existe grande variação no número de empregados em razão de novas contratações e de demissões, além de que, ao contrário da GFIP, a RAIS apresenta os funcionários que se encontram percebendo auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliomaternidade, ocasiões estas em que não existe o fato gerador previdenciário e a impugnante teve vários empregados nestas situações. Informa que está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento, e que o fisco poderá analisálas e chegará à conclusão de que refletem a realidade. que a multa, no percentual de 75%, afronta a constituição, além de ser ofensiva aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Colaciona julgados em que foi determinada a redução de multas aplicadas para o percentual de 20%. Por fim, requer: Seja julgada procedente a impugnação e, caso não seja este o entendimento, seja a multa reduzida de 75% para 20%. Em relação ao Auto de Infração nº 37.370.193 4(SEGURADOS). que houve duplicidade de autuação, pois o AIOP 51.013.9612, é também referente à parte dos segurados e referese ao mesmo período fiscalizado. Na seqüência a empresa reproduz, fls. 2.935/2.948, as mesmas alegações feitas para o AIOP 37.370.1926, constante acima e, da mesma forma, requer que seja julgada procedente a impugnação e, caso não seja este o entendimento, seja a multa reduzida de 75% para 20%. Fl. 5087DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.076 9 A empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL LTDA EPP apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Insurgese a empresa, fls. 2.959/2.969, contra a sujeição passiva solidária, alegando, em síntese: que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. que, ainda que houvesse grupo econômico, o simples fato de este estar configurado não a torna responsável pelos débitos tributários nos termos do art. 124, I e II do CTN, pois, para que exista responsabilidade solidária é imperioso que, além do grupo econômico, as empresa tenham atuado em conjunto em determinada operação que gerou o fato gerador da obrigação tributária (Cita Resp. 884.845SC, Rel. min. Luiz Fux, 1ª. Turma DJE 18/02/2009) e, mesmo se tratando de contribuições previdenciárias, na forma do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a responsabilidade solidária somente existe em relação à empresa que teve efetiva participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Cita jurisprudência que entende confirmar seu entendimento. que, a respeito da migração de empregados demonstrada pela Autoridade Lançadora, a contratação desses empregados não se deu em razão de grupo econômico, mas por força de convenções de trabalho firmadas entre o Sindicato das trabalhadores e Sindicato das empresas do Setor de Serviços, cuja cláusula 54a. da Convenção Coletiva de Trabalho do período 2011/2012, 2010/2011, 2009/2010 e 2008/2009 consta que “visando à manutenção e continuidade do emprego fica pactuado que as empresas que sucederem outras na prestação do mesmo serviço, em razão de nova licitação pública, novo contrato administrativo ou particular e/ou contrato emergencial, ficarão obrigadas a contratar todos os empregados da empresa anterior sem descontinuidade quanto ao pagamento de salários e a prestação de serviços...”. que, em relação à afirmação da fiscalização da existência de várias reclamatórias trabalhistas envolvendo a Visual e as empresas do Grupo Econômico ocorre que, quando vitoriosa em licitação, em razão da contratação de empregados da empresa anterior, eventuais reclamações trabalhistas ajuizadas contra a empresa que perdeu o contrato podem incluir a empresa vencedora no polo passivo, mas em razão da sucessão de empregadores, e não da existência de grupo econômico. quanto à alegação de que todas as empresas arroladas sonegam, de forma contumaz informações nas declarações apresentadas para dificultar o acompanhamento das suas obrigações tributárias, informa que todas as receitas da impugnante são decorrentes dos contratos de prestação de serviços que celebra Fl. 5088DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 com o Poder Público, sem exceção, precedidos de licitação pública e, para manter seus contratos a impugnante é obrigada a manter regular sua situação tributária e, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91 sofre retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços. quanto à alegação de que o quadro societário demonstra que pelo menos um dos sócios já teve vínculo com a empresa Visual informa que nunca um sócio da impugnante foi, simultaneamente, sócio da empresa Visual e, além disso, Nilton Monteiro Mendes nunca foi sócio ou empregado da empresa Visual. que mesmo se fosse procedente a informação de que cada um dos sócios já teve vinculo com a empresa Visual, daí não se segue, por absoluta carência de supedâneo legal, que exista grupo econômico entre a impugnante e as demais empresas mencionadas no termo impugnado, sobretudo por ser absolutamente normal que sociedades sejam desfeitas e os antigos sócios abram empresas distintas ou, até mesmo, que empregados deixem de ser empregados para abrir a própria empresa. Pelos motivos expostos, solicita que seja considerada procedente a presente impugnação e, via de conseqüência, considerado improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária e declarada a inexistência de responsabilidade solidária decorrente dessa sujeição. A empresa solidária CONDOR CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA EPP apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Hepx Serviços Construção Civil e Recuperação Ambiental Ltda. No mais, reproduz integralmente os mesmos argumentos utilizados na defesa da empresa Hepx e solicita que seja considerada procedente a presente impugnação e, via de consequência, considerado improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária e declarada a inexistência de responsabilidade solidária decorrente dessa sujeição. A empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Hepx Serviços Construção Civil e Recuperação Ambiental Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. Fl. 5089DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.077 11 No mais, reproduz integralmente os mesmos argumentos utilizados na defesa da empresa Hepx e solicita que seja considerada procedente a presente impugnação e, via de conseqüência, considerado improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária e declarada a inexistência de responsabilidade solidária decorrente dessa sujeição. A Recorrida, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº 0352.781 5a. Turma julgando procedente em parte a autuação, apenas para excluir a empresa Condor Consultoria e Administração Ltda do pólo passivo da exigência tributária, mantendo intacto o crédito tributário exigido, conforme Ementa a seguir: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a autoridade fiscal pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PUBLICAÇÕES E COMUNICAÇÕES ENDEREÇADAS AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. MULTA. CONFISCO. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, é dirigida ao legislador, não cabendo à autoridade administrativa afastar a incidência da lei. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, controle ou a administração de uma delas, compondo grupo de qualquer atividade econômica. Verificada a existência de um “grupo econômico de fato”, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. Ao reverso, não demonstrada a situação fática que demonstre a existência do grupo, devese afastar a imputação de responsabilidades. Impugnação Procedente em Parte Fl. 5090DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, apenas para excluir a empresa Condor Consultoria e Administração Ltda do pólo passivo da exigência tributária, mantendo intacto o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações. Regularmente intimada da decisão do órgão julgador “a quo”, a empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA apresentou Recurso Voluntário, combatendo e reiterando os argumentos deduzidos em sede de primeira instância: que as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários, tendo ocorrido, em raras oportunidades, o envio do documento sem incluir aqueles empregados recém admitidos, quando estes não apresentavam o número de inscrição no PIS mas que, quando regularizavam esta situação, as GFIP eram novamente transmitidas com estes empregados. que o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções, pois a primeira reflete a quantidade de funcionários no mês, enquanto a segunda indica a quantidade de funcionários no ano, sendo que, ao longo do ano existe grande variação no número de empregados em razão de novas contratações e de demissões, além de que, ao contrário da GFIP, a RAIS apresenta os funcionários que se encontram percebendo auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliomaternidade, ocasiões estas em que não existe o fato gerador previdenciário e a impugnante teve vários empregados nestas situações. Informa que está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento, e que o fisco poderá analisálas e chegará à conclusão de que refletem a realidade. que as multas de caráter confiscatório, por serem acessórias em relação ao crédito tributário devem acompanhar o principal e serem desconstituídas. Regularmente intimada da decisão do órgão julgador “a quo”, a empresa INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME apresentou Recurso Voluntário, combatendo e reiterando os argumentos deduzidos em sede de primeira instância: Fl. 5091DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.078 13 que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. que, ainda que houvesse grupo econômico, o simples fato de este estar configurado não a torna responsável pelos débitos tributários nos termos do art. 124, I e II do CTN, pois, para que exista responsabilidade solidária é imperioso que, além do grupo econômico, as empresa tenham atuado em conjunto em determinada operação que gerou o fato gerador da obrigação tributária (Cita Resp. 884.845SC, Rel. min. Luiz Fux, 1ª. Turma DJE 18/02/2009) e, mesmo se tratando de contribuições previdenciárias, na forma do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a responsabilidade solidária somente existe em relação à empresa que teve efetiva participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Cita jurisprudência que entende confirmar seu entendimento. A empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL LTDA EPP e a empresa solidária CONDOR CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA EPP não apresentaram Recurso Voluntário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.258, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe para o período objeto das autuações fiscais, 01/2008 a 12/2008: (i) se houve ou está em curso algum procedimento administrativofiscal de exclusão do SIMPLES e/ou do SIMPLES NACIONAL em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME; (ii) em caso de ter havido o procedimento administrativofiscal de exclusão, qual é o teor da decisão administrativa que fez coisa julgada; (iii) qual é a situação atual de enquadramento, em relação ao SIMPLES e ao SIMPLES NACIONAL, das empresas solidárias; Fl. 5092DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 (iv) se, em relação à empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, houve a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. (v) em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP, conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP nº 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP nº 51.013.9612 (Segurados). (vi) em função do analisado no tópico anterior (tópico v), caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. (vii) em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, se nos levantamentos efetuados pela Fiscalização há, na base de cálculo das autuações, a presença de empregados dessas empresas com fundamento na desconsideração dos vínculos empregatícios com tais empresas solidárias em prol da empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho, às fls. 3129 a 3133, na qual informa que os contribuintes foram devidamente intimados mas não apresentaram Manifestação, além de não ter sido encontrada ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativofiscal. RESPOSTAS À DILIGÊNCIA DO CARF Com o objetivo de responder aos questionamentos levantados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF passo a analisar item por item dos questionamentos: Questionamento (1): Qual é a situação atual de enquadramento, em relação ao SIMPLES e ao SIMPLES NACIONAL, das empresas solidárias: Em primeiro lugar analisando a situação das empresas com relação ao SIMPLES/SIMPLES NACIONAL (anexo as consultas realizadas): a empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, CNPJ: 00.617.589/000171, NÃO é optante pelo Simples Nacional e não foi optante pelo Simples em Períodos Anteriores. a empresa INFOKEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, CNPJ: 03.873.406/000177, NÃO é optante pelo Simples Nacional I não foi optante pelo Simples em Períodos Anteriores. a empresa HEPX SERVIÇOS, CONSTRUÇÃO CIVIL E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL LTDA EPP, CNPJ: Fl. 5093DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.079 15 01.835.580/000108, NÃO é optante pelo Simples Nacional, tendo sido optante do Simples Nacional apenas no período de 1/01/2009 a 31/12/2010 e tendo sido "Excluída por Opção do Contribuinte". Questionamento (2): Se houve ou está em curso algum procedimento administrativofiscal de exclusão do SIMPLES e/ou do SIMPLES NACIONAL em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME: Em verificação no sistema eprocessos constatouse que a empresa HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP já teve a apuração da parte patronal de 2009 a 2010 lançada nos processos comprots números 13116721106201156 e 13116720752201104. E da mesma forma a empresa INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME já confessou a parte patronal previdenciária de 2009 a 2010 nos processos comprot números 13128720123201218, 13128720267201274 e 13128720124201262. Questionamento (3): em caso de ter havido o procedimento administrativof iscai de exclusão, qual é o teor da decisão administrativa que fez coisa julgada: Prejudicado, pela resposta do item anterior. Questionamento (4): se. em relação à empresa VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO. CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, houve a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Não foi localizado por esta fiscalização nenhuma propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, conforme consulta nos sites dos tribunais (consultas dos processos existentes em anexo). Questionamento (5): em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP n° 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP n° 51.013.9612 (Segurados). A mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP NÃO impacta os levantamentos realizados pela fiscalização, pois a empresa à época da fiscalização havia enviado dezenas de GFIPS, e em conformidade com o Manual da GFIP/SEFIP, cada Fl. 5094DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 nova GFIP enviada substitui a anterior sobrepondo as informações enviadas. O problema é que no caso da empresa VISUAL foram enviadas novas GFIPs possuindo apenas informação parcial e incompleta, e infelizmente a última GFIP enviada e utilizada na fiscalização não constava todos os segurados da empresa, e por este motivo foram apurados indiretamente estes dados utilizandose a DIRF/RAIS. Ou seja, o levantamento realizado não é influenciado por apresentar a empresa alguma das GFIPS enviadas anteriormente e já substituídas por novas GFIPs, já que é válida apenas a última GFIP enviada e que esta foi utilizada à época da fiscalização para fins de apuração dos valores (em anexo GFIPS enviadas pela empresa, GFIPS utilizadas pela fiscalização, valores usados na apuração GFIP/DIRF/RAIS). Questionamento (6): em função do analisado no tópico anterior, caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. Prejudicado, devido a resposta negativa do item anterior. Questionamento (7): em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, se nos levantamentos efetuados pela Fiscalização há, na base de cálculo das autuações, a presença de empregados dessas empresas com fundamento na desconsideração dos vínculos empregatícios com tais empresas solidárias em prol da empresa VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. Não há, na base de cálculo das autuações, a presença de empregados das empresas HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e nem da empresa INFO KEY COMERCIO E SEK ''Ç S LTDA ME, pois foram utilizados na apuração apenas os segurados relacionados nos documentos relativos a empresa VISUAL L CAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, sendo até mesmo na GFIP/DIRF/RAIS apurados apenas os segurados da empresa Visual. Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 5095DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.080 17 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Delimitação da Lide. Observase que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº 0352.781 5a. Turma julgando procedente em parte a autuação, apenas para excluir a empresa Condor Consultoria e Administração Ltda do pólo passivo da exigência tributária, mantendo intacto o crédito tributário exigido. Desta forma, permanece em discussão o grupo econômico formado pelas empresas abaixo: • CNPJ 00.617.589/000171, Nome: VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO • CNPJ 01.835.580/000108, Nome: HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP • CNPJ 03.873.406/000177, Nome: INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (a) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Fl. 5096DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 Tratase de Recursos Voluntários interpostos pelas Recorrentes – VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA e INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME contra Acórdão nº 0352.781 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações principais: Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 37.370.1926(parte empresa) e AIOP nº 37.370.1934(Segurados): Auto de infração nº 37.370.1926 (PATRONAL) no valor de R$ 5.225.038,12 referese ao lançamento do crédito previdenciário oriundo de contribuições sociais devidas à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT (parte patronal), incidentes sobre o fato gerador apurado Auto de Infração nº 37.370.1934(Desconto de Segurados sem Apropriação Indébita) no valor de R$ 466.557,81 referese ao lançamento do crédito previdenciário oriundo de contribuições sociais devidas à Seguridade Social pelos segurados, incidentes sobre os fatos geradores apurados. O Relatório Fiscal também caracteriza o Grupo Econômico formado entre as empresas VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO, CNPJ 00.617.589/000171; HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP; INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados AIOPs que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 Fl. 5097DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.081 19 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos Fl. 5098DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose os AIOPs, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 5099DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.082 21 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (b) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (i) Recurso Voluntário da empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA Fl. 5100DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 que as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários, tendo ocorrido, em raras oportunidades, o envio do documento sem incluir aqueles empregados recém admitidos, quando estes não apresentavam o número de inscrição no PIS mas que, quando regularizavam esta situação, as GFIP eram novamente transmitidas com estes empregados. que o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções, pois a primeira reflete a quantidade de funcionários no mês, enquanto a segunda indica a quantidade de funcionários no ano, sendo que, ao longo do ano existe grande variação no número de empregados em razão de novas contratações e de demissões, além de que, ao contrário da GFIP, a RAIS apresenta os funcionários que se encontram percebendo auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliomaternidade, ocasiões estas em que não existe o fato gerador previdenciário e a impugnante teve vários empregados nestas situações. Informa que está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento, e que o fisco poderá analisálas e chegará à conclusão de que refletem a realidade. que as multas de caráter confiscatório, por serem acessórias em relação ao crédito tributário devem acompanhar o principal e serem desconstituídas. Analisemos por tópicos. (i.1) as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários O contribuinte aduz que as GFIPs foram enviadas corretamente, em consonância com a Folha de Salários e que, em sede de Recurso Voluntário, o envio das Folhas de Pagamento em meio digital demonstrariam esta correta transmissão da GFIP. Ora, quanto ao aspecto do envio de GFIP sem incluir os empregados recém admitidos, por se tratar de matéria exclusivamente fática mantenho a decisão do que já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 3062, na qual se observou que é obrigação da empresa cadastrar os empregados recémadmitidos de forma que quando a empresa omite os empregados em GFIP está também omitindo fatos geradores de contribuição previdenciária: A alegação de que os segurados não apresentaram a inscrição para incluílos na GFIP, da mesma maneira, não merece acolhimento, pois é obrigação da empresa cadastrar os trabalhadores que não possuírem inscrição e, no sentido de demonstrar que a motivação fornecida pelo autuado diverge da exigência contida na legislação, devemos perfilhar, de início, a obrigação cujos dispositivos são o artigo 17 da Lei n° 8.213/1991, combinado com o art. 18, I,e § 1° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, Fl. 5101DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.083 23 Anotese que em relação à argumentação feita pelo contribuinte, desde a sede de Impugnação, de que anexou as folhas de pagamento ao processo, por se tratar de matéria exclusivamente fática mantenho a decisão de primeira instância que verificou esta situação fática e concluiu que tal afirmação não procede, conforme fls. 3063: Embora a empresa tenha alegado que anexou as folhas de pagamento ao processo, verificase que tal afirmação não procede. A impugnante apenas anexou a “Relação de Empregados Demitidos” (fls. 3.061/3.182), que nada acrescenta ao julgamento do presente processo. Salientese que, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, as alegações devem vir acompanhadas de suas provas: Nestes aspectos, não prospera a argumentação do contribuinte. (i.2) o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções O contribuinte reitera as alegações feitas em sede de primeira instância, sem aduzir a novos elementos de prova. Conforme o já debatido em sede de decisão de primeira instância, embora a entrega da RAIS seja anual, as remunerações informadas nela são mensais, de forma que a utilização da RAIS foi necessária para o arbitramento (DIRF/RAIS) porque o contribuinte não fez prova com as folhas de pagamento e seus registros contábeis para demonstrar que estes documentos estariam de acordo com o que foi informado nas GFIP. O Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 16, aponta o lançamento de ofício com base na aferição indireta: 062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 01/2009, 13/2009 a 01/2010, 09/2010, 11/2010, 13/2010 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. Ademais, o arbitramento (DIRF/RAIS) foi corretamente utilizado pela AuditoriaFiscal com base no art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91, constante do anexo FLD – Fundamentos Legais do Débito. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. Fl. 5102DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 (i.3) está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento O contribuinte alega que a apresentação em meio digital da Folha de Pagamento prova que as GFIPs foram transferidas em conformidade com as Folhas de Pagamento. Para se verificar tal argumentação, entre outras, a Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.258, baixou o processo em Diligência nestes termos, mais especificamente os tópicos (v) e (vi): CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe para o período objeto das autuações fiscais, 01/2009 a 12/2010: (...) (v) em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP, conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP nº 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP nº 51.013.9612 (Segurados). (vi) em função do analisado no tópico anterior (tópico v), caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. (...) Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho, às fls. 3129 a 3133, na qual informa que os contribuintes foram devidamente intimados mas não apresentaram Manifestação, além de não ter sido encontrada ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativofiscal. RESPOSTAS À DILIGÊNCIA DO CARF Com o objetivo de responder aos questionamentos levantados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF passo a analisar item por item dos questionamentos: (...) Questionamento (5): em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP n° 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP n° 51.013.9612 (Segurados). A mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP NÃO impacta os levantamentos realizados pela fiscalização, pois a empresa à época da fiscalização havia enviado dezenas de GFIPS, e em conformidade com o Manual da GFIP/SEFIP, cada Fl. 5103DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.084 25 nova GFIP enviada substitui a anterior sobrepondo as informações enviadas. O problema é que no caso da empresa VISUAL foram enviadas novas GFIPs possuindo apenas informação parcial e incompleta, e infelizmente a última GFIP enviada e utilizada na fiscalização não constava todos os segurados da empresa, e por este motivo foram apurados indiretamente estes dados utilizandose a DIRF/RAIS. Ou seja, o levantamento realizado não é influenciado por apresentar a empresa alguma das GFIPS enviadas anteriormente e já substituídas por novas GFIPs, já que é válida apenas a última GFIP enviada e que esta foi utilizada à época da fiscalização para fins de apuração dos valores (em anexo GFIPS enviadas pela empresa, GFIPS utilizadas pela fiscalização, valores usados na apuração GFIP/DIRF/RAIS). Questionamento (6): em função do analisado no tópico anterior, caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. Prejudicado, devido a resposta negativa do item anterior. (...) Ora, em sede de Diligência Fiscal requerida pelo CARF, a AuditoriaFiscal conclui que a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP NÃO impacta os levantamentos realizados pela fiscalização, pois a empresa à época da fiscalização havia enviado dezenas de GFIPS, e em conformidade com o Manual da GFIP/SEFIP, cada nova GFIP enviada substitui a anterior sobrepondo as informações enviadas. A AuditoriaFiscal aponta ainda que a Recorrente enviava novas GFIPs possuindo apenas informação parcial e incompleta, e infelizmente a última GFIP enviada e utilizada na fiscalização não constava todos os segurados da empresa, e por este motivo foram apurados indiretamente estes dados utilizandose a DIRF/RAIS. Desta forma, a AuditoriaFiscal conclui que o levantamento realizado não é influenciado por apresentar a empresa alguma das GFIPS enviadas anteriormente e já substituídas por novas GFIPs, já que é válida apenas a última GFIP enviada e que esta foi utilizada à época da fiscalização para fins de apuração dos valores (em anexo GFIPS enviadas pela empresa, GFIPS utilizadas pela fiscalização, valores usados na apuração GFIP/DIRF/RAIS). Portanto, em função das Informações Fiscais produzidas em sede de Diligência Fiscal requerida pelo CARF, na qual se concluiu que a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP não altera os levantamentos realizados pela fiscalização, por se tratar de matéria exclusivamente fática mantenho o posicionamento da AuditoriaFiscal e concluo pela improcedência da arguentação do contribuinte neste aspecto. Fl. 5104DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 (i.4) as multas de caráter confiscatório Tanto em relação à regularidade do lançamento, debatida no tópico (a), quanto às alegações de inconstitucionalidade, debatida no tópico (b), tais argumentos da Recorrente foram afastados. Por outro lado, as multas foram aplicadas com os fundamentos legais descritos no Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 17 e fls. 24, tendo sido considerado os dispositivos legais em vigor à época dos fatos geradores. 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 01/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQÜENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 01/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redacao dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, ¨a¨, ¨b¨, ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 5. e art. Fl. 5105DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.085 27 61, parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQÜENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 602.08 Competências : 12/2008 a 13/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQÜENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.08 Competências : 13/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQÜENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Recurso Voluntário da empresa INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME Fl. 5106DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 28 que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. que, ainda que houvesse grupo econômico, o simples fato de este estar configurado não a torna responsável pelos débitos tributários nos termos do art. 124, I e II do CTN, pois, para que exista responsabilidade solidária é imperioso que, além do grupo econômico, as empresa tenham atuado em conjunto em determinada operação que gerou o fato gerador da obrigação tributária (Cita Resp. 884.845SC, Rel. min. Luiz Fux, 1ª. Turma DJE 18/02/2009) e, mesmo se tratando de contribuições previdenciárias, na forma do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a responsabilidade solidária somente existe em relação à empresa que teve efetiva participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Cita jurisprudência que entende confirmar seu entendimento. Analisemos. CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO ii.1 Aspectos gerais Nas alegações do Recurso Voluntário, pretende o contribuinte que seja afastada a coresponsabilização da empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex ofício de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. Nesse compasso, asseveram ser equivocada, no caso concreto, a aplicação do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não podendo servir como fundamento à pretensão fiscal, eis que referida matéria exige que seja apreciada anteriormente o art. 124, I, CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo a decretação da insubsistência do feito. Lei 8.212/1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (gn) Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) Fl. 5107DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.086 29 A corroborar tal entendimento, a empresa Recorrente infere que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referida pessoa jurídica não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independente e autônoma, inobstante terem possuído o mesmo controle em um determinado período. Em que pesem as razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte na peça recursal, seu entendimento não têm o condão de macular a exigência fiscal, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal e, bem assim, na Decisão Recorrida, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. ii.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional Como se sabe, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “ Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (gn) Fl. 5108DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 30 ii.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976 Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 116, 265 e 267, como segue: “Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6 404/76. Estes são os que se podem denominar “grupos econômicos de fato". ii.4 Aplicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 Fl. 5109DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.087 31 Por outro lado, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 trata o grupo econômico nos artigos 179, 748 e 749, na redação vigente à época da lavratura do AIOP, a seguir: Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; (Redação original) I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; (Nova redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. (gn) Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404176, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 não se refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas à hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). ii.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT Em outra via, o artigo 2º, § 2º, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo Fl. 5110DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 32 industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” (gn) Resta evidente que o artigo 2º, § 2º, da CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, à reclamatória trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem. ii.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) No presente caso concreto, ao contrário do entendimento dos Recorrentes, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato. Somente a título elucidativo, para não restar dúvidas a propósito do tema, transcreveremos abaixo a síntese das razões que levaram a fiscalização concluir pela existência de Grupo Econômico de Fato, onde o AuditorFiscal autuante, com muita propriedade/especificidade, demonstrou e comprovou os argumentos da pretensão fiscal. Observase que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº 0352.781 5a. Turma julgando procedente em parte a autuação, apenas para excluir a empresa Condor Fl. 5111DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.088 33 Consultoria e Administração Ltda do pólo passivo da exigência tributária, mantendo intacto o crédito tributário exigido. Desta forma, permanece em discussão o grupo econômico formado pelas empresas abaixo: • CNPJ 00.617.589/000171, Nome: VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO • CNPJ 01.835.580/000108, Nome: HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP • CNPJ 03.873.406/000177, Nome: INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME O Relatório Fiscal caracteriza o Grupo Econômico formado: 22. DESTACAMOS QUE A EMPRESA VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO, CNPJ 00.617.589/000171, pertence a Grupo econômico conforme CTN, art. 124, I e II; Lei 8.212/1991, art. 30, IX; Decreto 3.048/1999, art. 222 e Lei 12.529/2011, art. 33, conforme relatório de VÍNCULOS em anexo. 23. A empresa faz parte do grupo econômico, formado pelas empresas abaixo: • CNPJ 00.617.589/000171, Nome: VISUAL LOCAÇÃO SERVIÇO CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO • CNPJ 01.835.580/000108, Nome: HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP • CNPJ 03.619.612/000155, Nome: CONDOR CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA EPP • CNPJ 03.873.406/000177, Nome: INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME 24. Os indícios que proporcionaram a esta fiscalização a certeza da existência do grupo econômico foram: a) Foi detectada a migração de empregados da empresa Visual para todas as empresas do grupo econômico a partir do ano de 2009, conforme anexos: • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Condor) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X HEPX antiga GVB) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Info key) b) Constatase que todas as empresas do Grupo Econômico, de forma contumaz, sonegam informações das declarações apresentadas, para dificultar o acompanhamento e a Fl. 5112DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 34 fiscalização das suas obrigações tributárias, conforme lista em anexo (ANEXO Dados das Empresas do Grupo Econômico). c) Além da migração dos empregados, há várias Reclamatórias Trabalhistas envolvendo a Visual e as empresas do grupo, onde as mesmas respondem solidariamente (ANEXO Reclamatórias Trabalhistas). d) O Quadro Societário de cada uma das empresas do grupo em confronto com os dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS mostra que pelo menos um dos sócios já teve vínculo com a empresa Visual, o que se caracteriza em uma situação estranha onde um dos sócios das outras empresas é sempre vinculado a Visual (ANEXO consultas CNIS). e) O Senhor Nilton Monteiro Mendes, CPF 563.545.92187 é sócio tanto da HEPX antiga GVB, quanto da InfoKey (ANEXO Consulta Sócios). Os dados extraídos do Sistema Ambiente de Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros RADAR mostram a correlação de pessoas jurídicas em torno da Visual, e vincula estas empresas a Visual (ANEXO Consulta do Radar). CONJUNTO DE PROVAS 24. O presente procedimento fiscal baseouse nas informações apuradas em sistemas (DIRF, GFIP, RAIS, DIPJ e GPS). E juntamente com este processo temos os seguintes anexos: • MPF, TIPF, TEPF, outros termos/documentos • ANEXO Comparação de multas B ANEXO DIPJ AC 2009 (FICHA 70) • ANEXO DIPJ AC 2010 (FICHA 70) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2008) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2009) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2010) • ANEXO Lista das GFIPs utilizadas na apuração dos valores devidos pela empresa • ANEXO Cálculo da contribuição omitida em GFIP e encontrada na RAIS, DIRF, DIPJ (Al 68) • ANEXO Calculo do teto da multa a ser aplicada (Al 68) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Condor) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X HEPX antiga GVB) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Info key) Fl. 5113DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.089 35 • ANEXO Dados das Empresas do Grupo Econômico ANEXO Reclamatórias Trabalhistas • ANEXO Consultas CNIS • ANEXO Consulta Sócios • ANEXO Consulta do Radar Ademais, no presente caso concreto, em que ao contrário do entendimento dos Recorrentes, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, temse a Decisão Recorrida, as quais pedimos vênia para nos reportar, como se aqui estivessem escritas, eis que a peça recursal da contribuinte traz em seu bojo os mesmos argumentos da impugnação. Ainda a respeito do Grupo Econômico de Fato, caracterizado pela autoridade lançadora, impende transcrever excerto da Decisão da Recorrida, às fls. 3065 a 3070, a partir da análise do Relatório Fiscal da Infração, de maneira a rechaçar de uma vez por todas qualquer dúvida quanto a matéria em comento, in verbis: De acordo com o Relatório Fiscal, as razões de terem sido incluídas outras empresas no polo passivo do presente obrigação foram as seguintes: houve migração de empregados da empresa Visual para as demais empresas citadas; todas as empresas sonegam informações das declarações apresentadas; há várias reclamatórias envolvendo as empresas mencionadas, onde estas respondem solidariamente; pelo menos um dos sócios já teve vinculo com a empresa Visual; Nilton Monteiro Mendes é sócio tanto da empresa Hepx quanto da Infokey. A Auditoria Fiscal identificou, consoante explanação no Relatório Fiscal, a caracterização de grupo econômico de fato com fulcro no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual preconiza que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”. (...) Analisandose os elementos que formaram a convicção da Autoridade Lançadora, bem como os argumentos da defendente, verificase que, de acordo com as Convenções Coletivas das Empresas do Setor, mais precisamente às fls. 3.223 (Convenção 2011/2012), fls. 3.244 (Convenção 2010/2011) e fls. 3.258 (Convenção 2009/2010), consta cláusula que define que, em razão de nova licitação pública, novo contrato administrativo ou particular e/ou contrato emergencial, ficarão as novas empresas Fl. 5114DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 36 obrigadas a contratar todos os empregados da empresa anterior, evitando a descontinuidade. Assim, por ser procedimento comum das empresas do setor, previsto em Convenção Coletiva para evitar danos aos empregados que seriam demitidos, não se pode aceitar o argumento da fiscalização como motivo para demonstrar a utilização de recursos humanos em comum, salvo se fosse demonstrada a utilização concomitante desses empregados. No que se refere à afirmação da Autoridade Lançadora de que há várias reclamatórias envolvendo as empresas mencionadas, onde estas respondem solidariamente, é necessário esclarecer que, de fato, em razão da contratação de empregados da empresa sucedida nos contratos de licitação, é possível que tais empresas figurem no pólo passivo da exigência, sem que isso configure grupo econômico. A única empresa em que de acordo com as reclamatórias trabalhistas houve o reconhecimento de grupo econômico foi a empresa InfoKey que, segundo a Justiça, forma grupo econômico com a empresa Visual, em razão de que a InfoKey não efetuou qualquer alteração na carteira de trabalho dos empregados oriundos da Visual quando contratou os empregados, além de que, segundo o referido voto (fls. 2.839), na audiência de 08/09/2011 a empresa Visual foi representada pelo preposto Nilton Monteiro Mendes, o qual, conforme segunda alteração da empresa InfoKey passou a ser sócio aparente a partir de 05/01/2011. Neste ponto, há de se admitir que, se não houve qualquer alteração na carteira de trabalho dos empregados que foram contratados pela InfoKey (oriundos da Visual), concluise pela confusão administrativa pois, se não houve interesse em formalizar o cadastramento desses empregados junto à empresa contratante, é sinal evidente que a InfoKey tinha acesso aos dados de todos os trabalhadores, utilizandse da estrutura administrativa da Visual. Além disso, o fato do sócio Nilton Monteiro Mendes (sócio administrador da InfoKey conforme fls. 2.873) estar representando a empresa Visual, demonstra de maneira contundente a influência administrativa comum. Notese que a InfoKey, em sua defesa (fls. 3.465), alega que Nilton Monteiro Mendes nunca foi sócio ou empregado da Visual. Contudo, embora tenha rechaçado qualquer vínculo, o fato de ter estar representando a empresa Visual junto à Justiça do Trabalho deixa claro sua ingerência administrativa, ainda mais por se tratar de uma pessoa estranha ao Contrato Social desta empresa e que, formalmente, é administrador de outra empresa que atua exatamente no mesmo ramo. A fiscalização também informa que Nilton Monteiro Mendes é sócio tanto da empresa Hepx quanto da Infokey. Pois bem: em relação InfoKey, conforme acima, vimos que está configurado o grupo econômico com a empresa Visual. Resta analisar a situação da empresa Hepx. Fl. 5115DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730382/201211 Acórdão n.º 2202003.240 S2C2T2 Fl. 5.090 37 Verificase, às fls. 2.872, que Nilton Monteiro Mendes passou a ser sócio administrador da empresa Hepx a partir de 13/04/2011, segundo sistema de consulta de CNPJ. Assim sendo, Nilton Monteiro Mendes administra conjuntamente empresas que atuam na mesma atividade econômica e, neste caso, entendo que está também configurado o interesse comum, pois, no caso específico deste ramo de atividade, utilizandose de empresas diferentes que concorrem no mesmo mercado, tornase evidente o intuito de ganharem mercado, para fins licitatórios, beneficiandose mutuamente, pois, em termos de licitações, em vez de uma, haverá duas ou mais empresas participando da mesma licitação. Ou, ainda, na pior da hipóteses, se não fosse esse o caso, poderíamos, em tese, estar diante de um caso que ensejaria desconsideração de pessoa jurídica, quando determinadas empresas são utilizadas apenas para deixarem a dívida para outras empresas do mesmo segmento. É de se acrescentar que outros elementos trazidos aos autos pela fiscalização que, embora isoladamente não demonstram a formação de grupo econômico, ganham nova dimensão para demonstrar a formação do grupo, como se vê às fls. 2.779, na qual a empresa Hepx e InfoKey não entregaram a DIRF de 2010 nem a DIPJ de 2008, exatamente da mesma maneira que a empresa Visual, que também não entregou estes documentos. Pelo exposto, resta demonstrada a caracterização de grupo econômico das empresas InfoKey e Hepx, que formam grupo econômico juntamente com a empresa Visual. Verificase, portanto, que a AuditoriaFiscal não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente relacionados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Observase também que a desconsideração da personalidade jurídica, com fundamento no art. 50 do CC/2002, ocorre com o intuito de atingir o patrimônio dos sócios, quando a sociedade é por eles utilizada como meio de obter vantagens indevidas, de modo que este dispositivo não guarda relação com o presente processo administrativofiscal. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. Desta forma, não prospera a argumentação do Recorrente. Fl. 5116DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 38 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER dos Recursos Voluntários, para NEGAR LHES PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 5117DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13851.721608/2012-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Hipótese em que a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar o efetivo pagamento da despesa e não o fez.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto que deu provimento.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar o efetivo pagamento da despesa e não o fez. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13851.721608/2012-44
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5598658
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.397
nome_arquivo_s : Decisao_13851721608201244.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 13851721608201244_5598658.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto que deu provimento. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
id : 6407439
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417406550016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 140 1 139 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.721608/201244 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.397 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2016 Matéria IRPF Recorrente CLEIDE MARIA BERNARDI FRARE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar o efetivo pagamento da despesa e não o fez. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto que deu provimento. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 16 08 /2 01 2- 44 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13851.721608/201244 Acórdão n.º 2202003.397 S2C2T2 Fl. 141 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Em desfavor da contribuinte em epígrafe foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, do exercício de 2010, ano calendário de 2009, onde lhe foi exigido o montante de R$ 5.737,87 a título de imposto, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. Na descrição dos fatos, fez constar a Autoridade fiscal autuante que a contribuinte fora intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas pleiteadas como dedutíveis, em sua DIRPF, e informou que pagava em moeda corrente, a partir de saques dos vencimentos recebidos do INSS. Foram glosadas despesas no valor de R$ 7.925,00 com a profissional Patrícia Helena Frare de Campos e R$ 12.940,00 com a profissional Thais Cristina Bernardi Frare, ambas filhas da recorrente. Na impugnação a contribuinte alegou que apresentara recibos contendo todos os requisitos exigidos pela legislação, fichas odontológicas, fichas médicas e comprovantes de saques. Ao Julgar a Impugnação apresentada pela contribuinte, a DRJ em São Paulo I/SP assim dispôs, em resumo: a) Os dispositivos legais pertinentes são expressos no sentido de que a possibilidade de dedução limitase a pagamentos comprovados e enumeram os requisitos formais dos quais os recibos devem ser revestidos. Esta norma, no entanto, não dá aos comprovantes, ainda que presentes todas estas formalidades, valor probante absoluto. A apresentação destes recibos, em muitos casos, deve servir apenas como ponto de partida para a comprovação das despesas declaradas, não podendo a autoridade fiscal se satisfazer apenas com eles. Quando opta por efetuar pagamentos em dinheiro, o contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também o fisco caso haja intenção de se beneficiar desta dedução na declaração de rendimentos. E, por isso, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. Concluiu que a contribuinte não comprovou a efetividade da prestação de serviços e correspondente pagamento das despesas médicas, impondose a manutenção da glosa. Assim deuse o Julgamento de 1ª instância para considerar procedente o lançamento. Cientificada dessa decisão em 19/03/2013 (AR na folha 91), a contribuinte Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13851.721608/201244 Acórdão n.º 2202003.397 S2C2T2 Fl. 142 3 apresentou recurso voluntário em 18/04/2013, tempestivamente, como informa a Unidade preparadora, na folha 138. Em sede de recurso (fl. 93), apresenta, em resumo, as seguintes razões: efetuou os pagamentos em moeda corrente; o fato dos beneficiários serem parentes próximos demonstra sua preferência por profissionais de sua confiança; os valores então acobertados por recibos válidos; toda a documentação comprobatória está anexada, como radiografias e fotografias antesdepois; entende que assim está comprovada a efetividade do tratamento. Entende que se for mantida a autuação, será firmada a ideia de que não se pode pagar em dinheiro a profissionais de saúde que sejam parentes, sob pena de cairlhe sobre os ombros suspeita de inidoneidade. PEDE o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A controvérsia cingese à glosa de dedução com despesas médicas, no total de R$ 20.865,00 que teriam incorrido com apenas duas profissionais: Patrícia Helena Bernardi Frare e Thais Cristina Bernardi Frare, ambas filhas da contribuinte recorrente. Fora essas duas, declarou apenas despesas médicas com pagamento de plano de saúde, que foi aceito pela fiscalização. A motivação para a glosa, expressa pela Autoridade Fiscal na Notificação de Lançamento foi "falta de comprovação do efetivo pagamento", tendo a fiscalização ressaltado o fato dos beneficiários serem parentes próximos. Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLeinº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13851.721608/201244 Acórdão n.º 2202003.397 S2C2T2 Fl. 143 4 Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Cito a jurisprudência que vem se observando neste CARF: Acórdão 2801003.769 – 1ª Turma Especial. Sessão de 9 de outubro de 2014 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido Nestes autos, observo que existe o termo de intimação fiscal de folha 59 intimando a contribuinte a apresentar os comprovantes do efetivo pagamento dos serviços, representados pelos recibos encaminhados. Transcrevo mais um Acórdão deste CARF, para ilustração: DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. multa de ofício. CARF 2a. Seção 1a. Turma Especial / ACÓRDÃO 280100.497 em 12.05.2010. Publicado DOU: 16.09.2010.(destaquei) Tenho sustentado que não é possível se fazer 'juízo sobre o juízo', ou seja, a faculdade conferida por lei à Autoridade Lançadora, para concluir se havia ou não motivos para que exigisse a comprovação do pagamento. Poderseia, apenas, verificar se o procedimento transcorreu na devida forma, oportunizando ao contribuinte a apresentação de documentos que façam prova a seu favor. Como já disse o Julgador de 1ª instância, o recibo não é prova inquestionável da efetividade do pagamento, para fins de comprovação junto ao Fisco, na verificação do cumprimento das obrigações tributárias. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13851.721608/201244 Acórdão n.º 2202003.397 S2C2T2 Fl. 144 5 Transcrevo algumas observações feitas pela Autoridade julgadora de 1ª instância, em seu voto: No presente caso, os recibos emitidos pelas profissionais Patrícia Helena Bernardi Frare (fls. 4) e Thais Cristina Bernardi Frare (fls. 5/7) não atendem a todos os requisitos contidos no art. 80, §1º, inciso III, do RIR/99, anteriormente transcrito – ausente o endereço. (...) A prova definitiva e incontestável da despesa médica é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e de documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, fichas clínicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). A apresentação de recibos, por si só não tem esta capacidade. (...) O pagamento em dinheiro/moeda corrente serve muito bem para quitar um débito, mas de difícil prova perante terceiros, como no caso da redução da base de cálculo do imposto de renda mediante deduções. Os documentos de fls. 9/15 provam que a impugnante recebe benefício previdenciário e seu saque, mas não são hábeis a comprovar as despesas médicas cuja dedução foi objeto de glosa. Quanto à documentação juntada ao recurso, nas folha 97 a 100 estão os recibos questionados. Nas folhas 101 e seguintes comprovantes de que a contribuinte recebe benefício do INSS e saca no Banco Santander. Na folha 107/8 (repetidos nas folha 124/5) existe um orçamento com cronograma de tratamento odontológico, sem carimbo ou identificação de quem o emitiu. Existem diversas figuras repetidas de rosto feminino com indicação de tratamento facial e nas folhas 109/111, várias "fotografias antes e depois do tratamento", que entretanto nada permitem verificar no tocante ao efetivo pagamento do serviço. Entendo que o pagamento sistemático, que deuse por três anos calendários seguidos, em quantias de significativa monta, a odontóloga e médica, ambas filhas da contribuinte, de fato justificam a exigência da autoridade fiscal na comprovação do efetivo pagamento, uma vez que tais quantias foram pleiteadas como dedutíveis, na apuração do imposto de renda. Não é proibido pagar em dinheiro, tampouco é vedado usar serviços médicos e afins de parentes próximos, até entendese a preferência por eles, em face da confiança, mas obviamente que perante o Fisco, ao se efetuar esse tipo de pagamento, devese acobertálo de cuidados, com um zelo adicional e os simples recibos, questionados, não fazem prova irrefutável do pagamento. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13851.721608/201244 Acórdão n.º 2202003.397 S2C2T2 Fl. 145 6 Entendo que esteve regular a exigência efetuada pela autoridade fiscal e que a contribuinte não logrou êxito em atendêla, não se demonstrando nestes autos a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas. Assim sendo, os recibos questionados pela Autoridade lançadora, na forma do artigo 73 do RIR/1999, não são prova definitiva e inconteste da despesa médica e, não trazendo elementos requisitados pela fiscalização, é de ser mantida a glosa perpetrada. Assim sendo, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003024/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé e Ronaldo Apelbaum.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10909.003024/2007-25
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5599226
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-000.207
nome_arquivo_s : Decisao_10909003024200725.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10909003024200725_5599226.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé e Ronaldo Apelbaum. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6413545
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417414938624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.003024/200725 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.207 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de junho de 2016 Assunto Autos de Infração PIS e COFINS Recorrente DISPET IND. COM. IMP. E EXP. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé e Ronaldo Apelbaum. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .0 03 02 4/ 20 07 -2 5 Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Tratase de Autos de Infração de PIS e COFINS, relativos ao anocalendário de 2005 e lavrados contra a Contribuinte por omissão de receitas, com a qualificação da multa para 150%. A síntese dos fatos foi bem descrita na decisão de piso, que reproduzimos a seguir: No "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 416 a 431), a fiscalização revela que a empresa atua no ramo de comércio e importação de polímeros e embalagens para revenda. No curso da fiscalização, foram apuradas as seguintes infrações (as infrações que ensejaram somente exigências de IRPJ e CSLL constam do processo n° 10909.003021/200791, de modo que não serão ora relatoriadas): I Omissão de receitas da atividade A fiscalização efetuou o confronto das notas fiscais de vendas emitidas com as escrituradas no Livro de Saídas e Razão, tendo constatado que a empresa não escriturou em seu Livro de Saídas e, por conseguinte, não ofereceu à tributação, as notas fiscais constantes no "Demonstrativo de Notas Fiscais Não Registradas em 2005", que integra os autos. Deste modo, restaria caracterizada omissão de receitas no importe de R$ 2.158.963,07, ensejando a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. As exigências desses dois primeiros tributos foram formalizadas em autos separados no processo supra citado. II PIS e Cofins lançados e não registrados Consta que a fiscalizada deixou de registrar, de forma reiterada de fevereiro a dezembro de 2005, em seu Livro Diário e Razão Contábil, os valores fiscais de PIS e Cofins devidos por unidade de produto (pré formas em função da gramatura), destacados nas notas fiscais emitidas nos meses de fevereiro a dezembro de 2005, relacionadas na planilha "Demonstrativo de Notas Fiscais escrituradas sem registro ou registro a menor de PIS e Cofins em 2005". Relativamente ao mês de abril, efetuou registros de PIS e Cofins em valores inferiores que o destacado nas notas fiscais, gerando diferenças a serem cobradas de ofício. Os valores dos débitos declarados em DCTF no 1° semestre de 2005, de PIS e Cofins, foram deduzidos das infrações apuradas, no próprio auto de infração correspondente a cada contribuição. No segundo semestre de 2005, a DCTF foi apresentada com valores "zerados", ou seja, em branco, sem nenhum débito declarado. III PIS e Cofins falta de apuração e registro A fiscalizada também deixou de registrar, declarar e recolher os valores devidos de PIS e Cofins sobre as receitas de vendas escrituradas, no Livro de Saídas e Livro Razão, sujeitas a tributação pelo sistema nãocumulativo, nos meses de janeiro a dezembro de 2005, causando uma redução indevida dos valores de PIS e Cofins sobre vendas e a recolher, registrados em sua contabilidade, de modo Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10909.003024/200725 Resolução nº 1201000.207 S1C2T1 Fl. 4 3 que a fiscalização elaborou uma planilha de "Resumo Demonstrativo Receitas Escrituradas Sistema NãoCumulativo e Não Tributadas em 2005". Do montante das receitas escrituradas dessa forma, a fiscalização excluiu aqueles correspondentes às notas fiscais onde a apuração é por unidade de produto, para a correta determinação da base de cálculo e apuração dos valores mensais devidos. Diante das diversas irregularidades na apuração do PIS e da Cofins, a fiscalização elaborou a planilha "Resumo da Apuração dos Valores Devidos de PIS e Cofins em 2005", para representar numa única planilha as diferenças a serem lançadas de ofício, com base nos valores escriturados/registrados pela fiscalizada e os apurados pela fiscalização, tanto no sistema de tributação por unidade de produto (pauta), bem como no sistema nãocumulativo, ao qual a empresa está sujeita nas demais receitas de vendas. Nos meses de setembro a dezembro de 2005, embora houvesse ocorrência de infrações, foram apurados pela fiscalização valores negativos (saldo credor) de PIS e de Cofins, que poderão, a critério da fiscalizada, ser aproveitados para deduzir dos débitos relativos as mesmas contribuições em períodos posteriores. IV Da qualificação da multa O intuito de fraude e sonegação estaria presente ao longo da descrição dos fatos, tendo em vista a omissão de registro de notas fiscais de vendas de mercadorias; falta de registro do PIS e da Cofins destacados nas notas fiscais; falta de apuração e registro do PIS e da Cofins devidos com base no sistema nãocumulativo e apresentação da DIPJ do anocalendário com valores inexatos. A fiscalização formulou Representação Fiscal para Fins Penais, através do processo n° 10909.003025/200770. Impugnação Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 447 a 469, acompanhada de outros documentos, na qual apresenta em síntese os seguintes argumentos: a) Do mérito A fiscalização alega em seu "Resumo Demonstrativo Receitas Escrituradas Sistema NãoCumulativo e Não tributadas em 2005" que a impugnante teria apurado como receita sem pauta (sujeita a Cofins e PIS às alíquotas respectivas de 7,60% e 1,65%) um total de R$ 21.445.169,90. Contudo, tal valor não confere com o real valor do faturamento de 2005 escriturado em seus Livros Fiscais (Saída) e Comerciais (Diário e Razão), que monta o total de R$ 61.014.253,90, a título de valores com pauta e sem pauta. O valor sem pauta, no total de R$ 32.685.295,01, é muito superior àquele valor apurado pela fiscalização, que foi de R$ 21.445.169,90. Em assim sendo, a impugnante apurou e tributou valor de receita muito superior ao calculado pela fiscalização. Vêse que o valor de R$ 21.445.169,90 submetido à tributação foi obtido pela subtração do montante de R$ 32.685.295,01, que a fiscalização considerou como receita sem valor de pauta, da parcela de R$ 11.240.125,11, tida como Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10909.003024/200725 Resolução nº 1201000.207 S1C2T1 Fl. 5 4 receita com pauta escriturada como sem pauta, tudo demonstrado no Resumo Demonstrativo Receitas Escrituradas Sistema NãoCumulativo e Não Tributadas em 2005. Além da fórmula adotada não corresponder a verdade dos fatos, os valores constantes do mencionado demonstrativo encontramse devidamente escriturados na contabilidade da impugnante e sobre os mesmos foram calculados todos os tributos e contribuições devidos, inclusive as ora exigidas de ofício, consoante se pode atestar através dos documentos acostados na presente defesa, tais como cópias das folhas do razão n° 004, páginas 001, 0353, 0354, 0355, 0356, 0434 e 0435. Nesta linha de raciocínio concluise que, ao proceder ao lançamento de ofício, a fiscalização incidiu em bis in idem, na medida em que a impugnante já apurou e recolheu as contribuições ora repudiadas. A fiscalização também incide em duplicidade nos valores tributados no Resumo de Apuração dos Valores Devidos de PIS e de Cofins de 2005, haja vista que referido resumo possui uma coluna de Cofins exigido sobre notas fiscais ditas não registradas. No entanto, pretenso crédito já havia sido apurado sobre os valores com e sem pauta constantes de outro demonstrativo. À vista dessas impropriedades cabem os seguintes questionamentos: (a) como pode a fiscalização apurar os produtos com ou sem pauta, haja vista, não haver relatório de produtos vendidos, pois a pauta nada mais é que a apuração de unidade de produto? (b) não seria mais fácil se a fiscalização apurasse eventual diferença através de levantamento de estoque e/ou de produção, procedendo a apuração mediante aplicação da fórmula onde são levantados a quantidade comprada e a quantidade vendida, menos os estoque final? Há várias notas fiscais que estão lançadas como vendidas e são devolvidas, conforme carimbo e assinatura, as quais não foram consideradas pela fiscalização. Afora as notas devolvidas, há também muitas notas canceladas, cujas cópias das primeiras vias junta à presente impugnação. Capeadas pelo respectivo demonstrativo, iniciando pela nota fiscal n° 293, com termo final na nota fiscal n° 2085, com exceção da nota fiscal n° 1691 e 1989, não localizadas até a presente data. Notas fiscais capeadas igualmente pelo respectivo demonstrativo, iniciando sua numeração pela NF n° 274 com termo final na NF n° 3589. A fiscalização não intimou os clientes para confirmar o cancelamento e/ou devoluções das notas fiscais de vendas. Limitouse a desconsiderar as provas apresentadas e proceder ao lançamento de ofício sobre os respectivos valores. Reportase aos argumentos de defesa expendidos no processo referente à exigência de IRPJ, onde alega que restaria claro que a exigência fiscal pautouse em mera presunção de omissão de receitas, por alegada falta ou insuficiência de escrituração de notas fiscais de venda, presunção essa sem amparo legal. O fisco não cuidou de apurar e demonstrar, com segurança, eventual falha na escrituração da impugnante que pudesse justificar o lançamento de ofício, preferindo Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10909.003024/200725 Resolução nº 1201000.207 S1C2T1 Fl. 6 5 lançar mão, pura e simplesmente, da presunção legal preconizada no art. 283 do RIR/99, a qual somente se aplica à hipótese de falta de emissão de nota fiscal, o que não restou demonstrado. De qualquer sorte, ainda que prevaleça o entendimento pela manutenção parcial da exigência, requer a compensação de eventual débito com o valor do crédito a favor da empresa, apurado e reconhecido pela própria fiscalização, nos meses do 2° semestre de 2005, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal. b) Do descabimento da majoração da multa de ofício A qualificação da penalidade não tem suporte fático ou legal, pois as falhas apontadas pela fiscalização, mesmo que julgadas procedentes, não passam de meros erros de escrita e/ou simples indícios de irregularidade. Ao se admitir a aplicação de penalidade agravada em autuação pautada em mera presunção de omissão de receitas, por alegada falta ou insuficiência de escrituração de notas fiscais de venda no ano calendário de 2005, estarseia legitimando a acusação de dolo, fraude ou simulação, por presunção da presunção, em verdadeira afronta ao disposto no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, que exige a prova do crime para a exasperação da penalidade nele prevista. c) Ilegalidade dos juros Selic na correção de débitos tributários A utilização da taxa Selic seria totalmente ilegal e inconstitucional porque careceria de previsão legal e não poderia ser utilizada como índice de correção monetária, mas de remuneração do capital. A leitura das peças processuais demonstrou que a decisão de primeira instância acostada aos autos (fls. 847 a 856) estava incompleta, pois faltavam as páginas de n. 06, 08 e 12, do total de treze que deveriam compor aquele documento. Ademais, percebeuse que as páginas 05 e 07 do referido documento se iniciavam com o mesmo parágrafo, mas como a página intermediária estava faltando, não havia como saber se isso seria apenas coincidência ou efetivamente implicaria erro na impressão/anexação do documento. Nesse contexto, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência para saneamento do processo. Saneado o processo, com a anexação da decisão completa, o Contribuinte juntou, em janeiro de 2016, novos documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10909.003024/200725 Resolução nº 1201000.207 S1C2T1 Fl. 7 6 O Recurso é tempestivo e atende aos preceitos legais, razão pela qual dele conheço. A matéria em debate nos autos versa sobre autuações a título de PIS e COFINS lastreadas na acusação de omissão de receitas decorrente de notas fiscais não escrituradas e também de valores dessas contribuições, lançados e não registrados. Verificase, portanto, que o cerne da questão diz respeito à análise das provas e documentos acostados aos autos. Nesse contexto, desde a impugnação a ora Recorrente contesta os cálculos e a forma de apuração dos montantes autuados, sem sucesso, pois a decisão de piso ratificou o entendimento veiculado pela fiscalização. Entretanto, em janeiro de 2016, a interessada anexou ao processo novos documentos, que seriam relativos a procedimentos de circularização efetuados pela autoridade fiscal nos clientes da empresa e que teriam como objetivo confirmar a veracidade de algumas operações. Reproduzimos, a seguir, os argumentos da empresa: No curso do procedimento fiscalizatório a d. Fiscalização efetuou a circularização de 24 (vinte e quatro) clientes da Recorrente, solicitando desses clientes a informação de todas as notas fiscais de mercadorias comercializadas com a Recorrente, no período objeto do lançamento, qual seja, de 01/01/2005 a 31/12/2005. Todas as empresas circularizadas responderam à d. Fiscalização com a relação de todas as notas fiscais de mercadorias comercializadas; contudo, a d. Auditoria Fiscal não anexou aos autos o resultado da circularização, deixando a mesma de ser apreciada até mesmo pela d. DRJ no julgamento da impugnação da Recorrente, razão pela qual requer o recebimento e juntada ao processo do Resultado da Circularização em complemento às provas já carreadas aos autos. A juntada e a apreciação da circularização se mostra de extrema relevância no julgamento da matéria tributária objeto deste contencioso administrativo, mormente pelo fato de que confirma os argumentos de defesa apresentados pela Recorrente desde a impugnação, de que várias das notas fiscais relacionadas nas planilhas "Demonstrativo de Notas Fiscais Não Registradas em 2005" e "Demonstrativo de Notas Fiscais Escrituradas Sem Registro ou Registro a Menor de PIS e COFINS em 2005" estavam canceladas e se reportam a mercadorias que não foram comercializadas, pelo que não poderiam ser objeto dos lançamentos de ofício do PIS/Pasep e da Cofins. A corroborar que o resultado da circularização é de extrema relevância de forma a invalidar o lançamento fiscal, a Recorrente passa a expor o resultado da diligência fiscal tendo como base as informações prestadas pelas empresas circularizadas à Autoridade Fiscal: (...) Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10909.003024/200725 Resolução nº 1201000.207 S1C2T1 Fl. 8 7 Portanto, o resultado da circularização promovida pela autoridade fiscal e que foi omitido no processo merece ser conhecido e apreciado, até porque se a fiscalização decidiu pela necessidade da realização da diligência, resta evidente que o fez diante da incerteza sobre a comercialização ou não das mercadorias contidas nas notas fiscais. Evidentemente, essa incerteza restou definitivamente afastada pelo Resultado da Circularização. Chamase a atenção do Colegiado, para o fato de que nem todas as empresas clientes vinculadas às notas fiscais canceladas foram objeto da circularização, sendo importante destacar que todas as empresas circularizadas infirmam as acusações fiscais. A Recorrente quando da apresentação do Recurso Voluntário apresentou e por diversas passagens fez menção ao "Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências", onde constam os motivos dos cancelamentos das notas fiscais; todavia, ao analisar os autos se constatou que estes registros não foram anexados aos autos, razão pela qual também apresenta nesta oportunidade referido documento que contém a comprovação de que as notas fiscais foram de fato canceladas, corroborando as informações prestadas pelas empresas no procedimento fiscal de circularização. Pois bem. Entendo que a aceitação de provas fora dos prazos legais, ainda que em homenagem ao princípio da verdade material, deva ser feita com parcimônia e cuidado pelas autoridades julgadoras. Contudo, no caso sob análise constatase que não se trata de provas novas, mas de documentos e conclusões da própria autoridade lançadora, contemporâneos aos trabalhos de auditoria, mas que não constavam dos autos. Em breve análise, parecenos que os procedimentos guardam relação direta com os fatos e os montantes autuados e que a lista de notas fiscais apresentada, a título de conclusão, pode, em tese, impactar os lançamentos efetuados. A partir de tal premissa e em razão da dúvida suscitada considero relevante verificarse a idoneidade, pertinência e eventuais efeitos dos documentos acostados pela Recorrente, inclusive em homenagem ao trabalho fiscal, que foi bastante extenso e detalhado. Assim, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: a) Analise os argumentos e documentos apresentados pela Recorrente, de fls. 1.277 e seguintes, para confirmar sua validade e pertinência em relação à matéria discutida nos autos, que versa exclusivamente sobre PIS e COFINS; b) Informe, mediante relatório conclusivo, se os documentos apresentados possuem o condão de alterar os lançamentos efetuados ou se as notas fiscais e as respostas dos clientes confirmam as alegações da interessada. Em caso positivo, a autoridade deverá elaborar cálculos e anexar planilhas com os valores dos créditos devidos; Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10909.003024/200725 Resolução nº 1201000.207 S1C2T1 Fl. 9 8 c) Analise e manifestese acerca dos argumentos trazidos pela Recorrente no Recurso Voluntário, especialmente quanto às alegadas imprecisões no cálculo das contribuições, constantes às fls. 877 e seguintes do processo digital. A autoridade poderá, a seu critério, ratificar ou retificar os cálculos já efetuados, bem como anexar qualquer documento ou informação que entenda pertinente. d) Dê ciência à interessada dos relatórios elaborados e respectivas conclusões, para que esta se manifeste, se assim desejar, no prazo de 30 dias. Adotadas as providências ao norte descritas deverão os autos retornar a esta Turma e Relator, para apreciação e julgamento. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e voto por CONVERTER o julgamento em diligência. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 11251.000044/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/10/1998
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa.
É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2401-004.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da Decisão Administrativa de Primeira Instância, por cerceamento do direito de defesa, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que se promova a efetiva e formal intimação do Sujeito Passivo a respeito das Informações Fiscais a fls. 335/338 e 347/348, e lhe seja assinalado o prazo normativo para que, assim desejando, possa se manifestar nos autos do processo.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1998 a 31/10/1998 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação. Processo Anulado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11251.000044/2009-41
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578751
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.009
nome_arquivo_s : Decisao_11251000044200941.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11251000044200941_5578751.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da Decisão Administrativa de Primeira Instância, por cerceamento do direito de defesa, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que se promova a efetiva e formal intimação do Sujeito Passivo a respeito das Informações Fiscais a fls. 335/338 e 347/348, e lhe seja assinalado o prazo normativo para que, assim desejando, possa se manifestar nos autos do processo. Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6334382
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417519796224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 559 1 558 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11251.000044/200941 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.009 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente TRANSPORTES E TURISMO EROLES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 31/10/1998 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revelase o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da Decisão Administrativa de Primeira Instância, por cerceamento do direito de defesa, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que se promova a efetiva e formal intimação do Sujeito Passivo a respeito das Informações Fiscais a fls. 335/338 e 347/348, e lhe seja assinalado o prazo normativo para que, assim desejando, possa se manifestar nos autos do processo. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 44 /2 00 9- 41 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidentesubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000044/200941 Acórdão n.º 2401004.009 S2C4T1 Fl. 560 3 Relatório Período de apuração: 01/05/1998 a 31/10/1998. Data da lavratura da NFLD: 03/11/1999. Data da Ciência da NFLD: 05/11/1999. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.039.5152, consistentes em contribuições patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados em Reclamatórias Trabalhistas e sobre o pagamento a pessoas físicas e jurídicas, estas prestadoras de serviços, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 31/32. Os valores relativos aos processos trabalhistas foram apurados com base nas iniciais e nas sentenças apresentadas à Fiscalização, deduzindose valores já recolhidos, quando da apresentação da GRPS. Os valores levantados relativos a pagamentos a pessoas físicas e Notas Fiscais de Pessoas jurídicas foram levantados conforme análise dos livros diários (não encadernados e não autenticados), sem análise dos referidos recibos, que apesar de solicitados, não foram exibidos à Fiscalização. Contas utilizadas: 422.131.01018 (Assist. Jurídica), 411.010.l5 (Proc. trab.), 423.010.16 (Servs. Prest p/ terceiros) Após tomar ciência da autuação, por via postal, em 05/11/1999, fl. 45, a Notificada apresentou impugnação a fls. 50/57. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência de Guarulhos/SP baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fl. 333. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos a fls. 335/338. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência de Guarulhos/SP baixou o feito uma vez mais em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões controvertidas ainda presentes no lançamento, conforme Despacho de Diligência a fls. 347/348. Em atendimento, a Fiscalização emitiu nova Informação Fiscal a fls. 472/473. A Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos lavrou Decisão Administrativa aviada na DecisãoNotificação nº 21.025.0/0015/2001, a fls. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 476/481, julgando procedente em parte o lançamento, para retificar a base de cálculo na forma proposta pela Fiscalização, em sede de Diligência Fiscal, mantendo o Crédito Tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR a fls. 482/488. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 05/02/2001, conforme recibo a fl. 549. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 490/497, requerendo a anulação da Decisão de 1ª Instância, em razão de cerceamento de defesa. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000044/200941 Acórdão n.º 2401004.009 S2C4T1 Fl. 561 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 05/02/2001. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 20/02/2001, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO SANEAMENTO DO PROCESSO. Antes de adentrarmos a cognição meritória urge ser sanada uma irregularidade de cunho eminentemente processual. No curso da instrução do processo, após o oferecimento da impugnação, o feito foi baixado em diligência fiscal para que a Fiscalização se manifestasse a respeito de documentos e de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fl. 333. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora emitiu Informação Fiscal a fls. 335/338. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência de Guarulhos/SP baixou o feito uma vez mais em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões controvertidas ainda presentes no lançamento, conforme Despacho de Diligência a fls. 347/348. Em atendimento, a Fiscalização emitiu nova Informação Fiscal a fls. 472/473. Compulsando os autos do processo, entretanto, verificamos não existir qualquer elemento de prova material de que o Notificado houvesse sido intimado das Informações Fiscais a fls. 335/338 e 347/348, tampouco prova de reabertura de prazo para impugnação aos termos de tais Informações Fiscais, sendo certo que as considerações Fl. 603DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 veiculadas em tais documentos fiscais motivaram a retificação do débito em foco, assim como serviram de suporte à manutenção do Crédito Tributário remanescente. O proferimento de decisões administrativas sem que tenha sido oportunizado ao Contribuinte a faculdade de se manifestar a respeito do resultado dos Incidentes Processuais em questão se configura, ao nosso sentir, hipótese de cerceamento de defesa, uma vez que as argumentações expendidas pela Fiscalização, em sede de Diligência Fiscal, foram assimiladas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, sem a contradita da parte adversa, e tidas, obviamente, como não contestadas, em flagrante ofensa ao princípio “audiatur et altera pars”. Revelase o Direito Processual Administrativo refratário ao proferimento de Decisões em que reste configurada qualquer modalidade de preterição ao direito de defesa, as quais já nascem sob o estigma da nulidade. Dessarte, se nos afigura ter sido espezinhado o Devido Processo Legal, eis que a Decisão de 1ª Instância foi emitida sem a oportunidade de contradita, por parte do Notificado, aos argumentos expendidos pela Fiscalização em Informações Fiscais, acostadas aos autos em sede de diligência Fiscal. A situação fática retratada no presente caso, consistente na usurpação do direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade da Decisão Notificação nº 21.025.0/0015/2001, a fls. 476/481, por cerceamento de defesa, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que se promova a efetiva e formal intimação Fl. 604DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000044/200941 Acórdão n.º 2401004.009 S2C4T1 Fl. 562 7 do Sujeito Passivo acerca do teor das Informações Fiscais a fls. 335/338 e 347/348, e lhe seja assinalado o prazo normativo para que, assim desejando, possa se manifestar nos autos do vertente Processo Administrativo Fiscal a respeito do resultado das Diligências Fiscais acima mencionadas. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto por ANULAR a DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, por cerceamento de defesa, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que se promova a efetiva e formal intimação do Sujeito Passivo a respeito das Informações Fiscais a fls. 335/338 e 347/348, e lhe seja assinalado o prazo normativo para que, assim desejando, possa se manifestar nos autos do processo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Relator. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005127/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
A patologia foi comprovada por laudo pericial, com menção ao período em que contraída a doença, de modo a autorizar o contribuinte a fazer jus a isenção da Lei nº. 7.713/1988, em seu artigo 6°, inciso XIV.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Vencido na votação o Conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento ao recurso.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A patologia foi comprovada por laudo pericial, com menção ao período em que contraída a doença, de modo a autorizar o contribuinte a fazer jus a isenção da Lei nº. 7.713/1988, em seu artigo 6°, inciso XIV. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10768.005127/2009-43
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5618515
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.353
nome_arquivo_s : Decisao_10768005127200943.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALEXANDRE TORTATO
nome_arquivo_pdf_s : 10768005127200943_5618515.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Vencido na votação o Conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6462856
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417530281984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1236; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 56 1 55 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.005127/200943 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.353 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ALEXANDRE LUIZ GASPAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A patologia foi comprovada por laudo pericial, com menção ao período em que contraída a doença, de modo a autorizar o contribuinte a fazer jus a isenção da Lei nº. 7.713/1988, em seu artigo 6°, inciso XIV. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 51 27 /2 00 9- 43 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Vencido na votação o Conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10768.005127/200943 Acórdão n.º 2401004.353 S2C4T1 Fl. 57 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1245.709 – 20° Turma da DRJ/RJ1 (fls. 30/33), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ), que julgou improcedente a impugnação (fls. 01/02) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento nº. 2006/607420300592067 de fls. 18/22 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 401.78 a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, decorrente da glosa de despesas com despesas médicas declaradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 20/22) a fiscalização informa a glosa de R$ 1. 915.61, correspondente à Omissão de rendimentos recebidos de pessoa Jurídica – Instituto Nacional do Seguro Social, nos seguintes termos: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de 1.915,61, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido(IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Em sede de impugnação (fls. 01/02), o contribuinte trouxe ao presente processo administrativo os seguintes argumentos: a) Que é portador de cegueira legal da vista direita e parcial da vista esquerda (50%) e tumor craniofaringeoma com malácea frontal e desordem Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 endocrinológica, estes adquiridos a partir da cirurgia craniana e agravados após a segunda e terceira cirurgias feitas no ano de 1995. b) Que tal direito não foi requerido antes devido a dificuldades em conseguir atendimento médico na área oftalmológica. Devidamente intimado do acórdão proferido pela DRJ/RJ em 28/09/2012 (A.R. fl. 50) o contribuinte apresentou o seu recurso voluntário de fl. 35 em 23/10/2012, alegando, em síntese: a) Que possui os laudos que comprovam que a sua moléstia já havia sido contraída na época que apresentou sua impugnação (2006). b) Que no mesmo período apresentou laudo atualizado, porém sem a data retroativa, pois não tinha conhecimento da necessidade. c) Em anexo, apresentou os documentos médicos que tem de anos anteriores. d) Solicita que os laudos que apresenta sejam apreciados, a fim de que tenha direito a referida isenção. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10768.005127/200943 Acórdão n.º 2401004.353 S2C4T1 Fl. 58 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, inciso XIV, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, a qual trata de isenção por moléstia grave e moléstia profissional, assim dispõe: Art.6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira,hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. O artigo 30 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 dispõe: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Ainda, a Instrução normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, normatizou o disposto no art. 6°, XIV da Lei n° 7.713, de 1988, e alterações posteriores , assim esclarecendo: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia ( ...) 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria reforma ou pensão, quando a doença. for preexistente; II Do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo Pericial. Importante destacar que o fundamento dos rendimentos considerados omitidos se deu ante a não comprovação, por meio de documentos, que atestassem que tais rendimentos fossem proventos de aposentadoria ou pensão. Como podese depreender dos diplomas legais acima citados, há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um diz respeito à natureza dos valores recebidos, os quais devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro, se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Em que pese o contribuinte tenha trazido ao processo laudos médicos (de 2009 e 2006) nestes não constam a data retroativa em que teria sido contraída a doença. Desse modo, tais documentos, realmente, não poderiam atender a concessão de isenção relativa ao imposto de renda do ano calendário de 2005. Trazidas novas provas pelo contribuinte no Recurso Voluntário apresentado (fl 35) verificouse novos laudos médicos e anos ateriores, os quais justificariam o seu direito à isenção, vejamos: Os novos laudos apresentados pelo contribuinte diferem dos apresentados anteriormente no que se refere a data retroativa em que a doença foi contraída, eis que nos no laudo de fl. 41/45, consta ser portador das doenças "há 14 anos". Nesse contexto, entendo que restou comprovado que o contribuinte é portador da moléstia grave desde o ano de 1995. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10768.005127/200943 Acórdão n.º 2401004.353 S2C4T1 Fl. 59 7 Assim, ante a ausência de comprovação por parte do recorrente que atestem que os rendimentos considerados omitidos são proventos de aposentadoria ou pensão, ainda que intimado para tal, entendo que devem ser mantidas as glosas realizadas em face das despesas médicas declaradas pelo contribuinte e apontadas pela autoridade fiscal como indevidas. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721793/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.581
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Luciana de Souza Espíndola Reis e Andréa Brose Adolfo. Fez sustentação oral a Fazenda Nacional, representada pela Dra.Raquel Godoy de Miranda Araújo Aguiar.
João Belinji Junior - Presidente
Ivaccir Júlio de Souza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo e Alice Grecchi.
por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Luciana de Souza Espíndola Reis e Andréa Brose Adolfo. Fez sustentação oral a Fazenda Nacional, presentada pela Dra.Raquel Godoy de Miranda Araújo Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10980.721793/2013-94
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5591886
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-000.581
nome_arquivo_s : Decisao_10980721793201394.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980721793201394_5591886.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Luciana de Souza Espíndola Reis e Andréa Brose Adolfo. Fez sustentação oral a Fazenda Nacional, representada pela Dra.Raquel Godoy de Miranda Araújo Aguiar. João Belinji Junior - Presidente Ivaccir Júlio de Souza - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo e Alice Grecchi. por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Luciana de Souza Espíndola Reis e Andréa Brose Adolfo. Fez sustentação oral a Fazenda Nacional, presentada pela Dra.Raquel Godoy de Miranda Araújo Aguiar.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6385335
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417862680576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1414; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.721793/201394 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.581 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 17 de fevereiro de 2016 Assunto CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PADRAO GRAFIA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Luciana de Souza Espíndola Reis e Andréa Brose Adolfo. Fez sustentação oral a Fazenda Nacional, representada pela Dra.Raquel Godoy de Miranda Araújo Aguiar. João Belinji Junior Presidente Ivaccir Júlio de Souza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo e Alice Grecchi. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 21 79 3/ 20 13 -9 4 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 3 2 por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Luciana de Souza Espíndola Reis e Andréa Brose Adolfo. Fez sustentação oral a Fazenda Nacional, presentada pela Dra.Raquel Godoy de Miranda Araújo Aguiar. RELATÓRIO Na forma do Relatório abaixo, o i.Julgador a quo retratou o processo em comento. Compulsei os autos e corroborando sua narrativa, com grifos de minha autoria, abaixo a reproduzo na íntegra: " 1. O presente processo (Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fls. 02) tem por objeto impugnação aos seguintes Autos de Infração, lavrados em face da empresa PADRÃO GRAFIA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA (Padrão Grafia),acima identificada: 1.1 Auto de Infração n° 51.025.2400, fls. 03/15, referente às contribuições previdenciárias da empresa, incidentes sobre remunerações pagas a segurados contribuintes individuais e empregados, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – Sat/Rat, no período de 01/2009 a 06/2012 e valor de R$ 6.969.469,66, consolidado em 17/04/2013, e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%. 1.2. Auto de Infração n° 51.025.2419, fls. 16/25, referente às contribuições descontadas pela empresa de segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2009 a 06/2012 e valor de R$ 2.789.046,59, consolidado em 17/04/2013, e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%. 1.3. Auto de Infração n° 51.025.2427, fls. 26/36, referente às contribuições da empresa para outras entidades ou fundos (terceiros), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, no período de 01/2009 a 06/2012 e valor de R$ 1.775.103,23, consolidado em 17/04/2013, e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%. 2. O procedimento fiscal e os lançamentos efetuados, bem como a fundamentação legal, estão explicitados no Relatório Fiscal (fls. 37/57) e nos demais anexos dos Autos de Infração e documentos constantes dos autos (fls. 58/163). Do Relatório Fiscal, extraemse, em síntese, as seguintes considerações: De 07/2007 a 06/2012, a empresa Padrão Etiquetas Ltda ME (Padrão Etiquetas), optante pelo Simples, gerou receita para pagar apenas 10% de sua folha de pagamento (Receitas Brutas Declaradas em PGDAS: R$ 2.194.525,25; e Total da Etiquetas era garantida por empréstimos mensais feitos pela Padrão Grafia. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 4 3 A Padrão Etiquetas tinha uma mínima movimentação em aquisição de matéria prima, gerando baixa produção de produtos para venda, e, conseqüentemente, Custo de Mercadorias Vendidas quase nulo. Não se identificou custo de serviços vendidos o que indica ter a Padrão Etiquetas pouquíssima atividade mercantil própria. Praticamente todo o recurso financeiro da Padrão Etiquetas advém de empréstimos da Padrão Grafia. Portanto, há total dependência econômica da empresa Padrão Etiquetas em relação à Padrão Grafia. Assim, a análise das informações contábeis revela que a Padrão Etiquetas é uma fração da Padrão Grafia, sem existência autônoma, existindo basicamente para servir a Padrão Grafia. As duas empresas pertencem aos mesmos sócios e possuem atividades semelhantes e estão localizadas na mesma quadra, estando fisicamente interligadas, conforme mapa aéreo. Todo o maquinário de impressão e corte é de propriedade da Padrão Grafia, não havendo pagamento de aluguel pela Padrão etiquetas para uso do imóvel, dos maquinários e nem das instalações. Durante todo o período fiscalizado, 01/07/2007 a 30/06/2012, a empresa Padrão Grafia gastou apenas R$ 144.349,63 com empregados (contas 3201020007 SALÁRIOS E ORDENADOS e 3201020018 FGTS R$ 14.157,08) uma média de R$ 2.000,00 por mês. Faturou, no mesmo período, R$ 27.129.920,30, com média mensal de R$ 376.805,00. Portanto, fica claro o desequilíbrio entre as empresas: uma existe para faturar e outra apenas para registrar e pagar os empregados. Padrão Etiquetas é optante pelo Simples, declarando um baixo faturamento e um alto número de empregados, média de 215 por mês, e os dois sócios administradores. Por exemplo, na competência 06/2012, tinha 225 trabalhadores: 160 na atividade gráfica, 11 em vendas, 40 na administração e o restante em manutenção e atividades de apoio. Padrão Grafia apura seu lucro pelo regime de Lucro Presumido, tendo faturamento alto e baixo número de empregados, em média 3 empregados (dois gerentes e um trabalhador em impressão gráfica), e os dois sócios administradores. Os documentos de gestão de recursos humanos e tributários das empresas são emitidos em formulários idênticos e pelo mesmo sistema de informática. Identificouse que Padrão Grafia efetuava pagamentos aos empregados da Padrão Etiquetas, saindo os valores das contas bancárias da Padrão Grafia diretamente para as contas dos trabalhadores. A Padrão Grafia processava, emitia as folhas de pagamento, e efetuava os pagamentos diretamente aos empregados da Padrão Etiquetas, bem como gerava e transmitia GFIPs com mesmo usuário e mesma senha; RAIS e CAGED. Diante desses fatos, fica evidente que os empregados da Padrão Etiquetas estão a serviço da Padrão Grafia e que o controle gerencial, financeiro e administrativo das empresas era único e centralizado na Padrão Grafia, a demonstrar que a Padrão Grafia contratou a prestadora Padrão Etiquetas, com grande número de empregados, empresa optante pelo Simples Nacional, para que esta se beneficiasse de regime favorecido de tributação, havendo sonegação das Fl. 289DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 5 4 contribuições sociais patronais incidentes sobre a folha de pagamentos dos empregados e contribuintes individuais. A prova colhida revela que a Padrão Grafia para reduzir seus custos tributários utilizou se do artifício da criação da pessoa jurídica aparentemente independente Padrão Etiquetas. Constituiuse contra a empresa Padrão Grafia as contribuições previdenciárias e para terceiros incidentes sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais da Padrão Etiquetas, cuja responsabilidade é da Padrão Grafia. A base de cálculo foi apurada a partir das GFIPs apresentadas pela Padrão Etiquetas, não tendo a Padrão Grafia recolhimentos referentes aos fatos geradores lançados. Aplicouse a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. 3. Cientificada dos lançamentos em 24/04/2013 (fls. 03, 16 e 26), a empresa apresentou em 21/05/2013 (fl. 167), a impugnação de fls. 167/182, acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fl. 222), acompanhadas dos documentos de fls. 183/197 alegando, em síntese, que: a) Do devido processo legal. Ao desconsiderar o vínculo empregatício dos trabalhadores com a empresa Padrão Etiquetas e atribuílo à impugnante, o fisco carece de proporção e razoabilidade e ofende aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, posto que a defesa resta prejudicada, não dispondo a impugnante de documentos e nem de detalhes relativos às relações de emprego e nem de poderes de fiscalização para buscar elementos de defesa. A empresa Padrão Etiquetas, esporádica prestadora de serviços da impugnante, informou ter pago todos os tributos previdenciários, assinou declaração e forneceu documentos espontaneamente, mas isso não é suficiente para a plena defesa da autuada. Para observar o devido processo legal material, o fisco deveria ter constituído a exigência contra a empresa Padrão Etiquetas e chamado a impugnante ao processo administrativo fiscal como responsável solidária, em litisconsórcio passivo. O fisco não observou todas as contribuições previdenciárias patronais e de empregados, não observou todos os documentos previdenciários e fiscais entregues, não observou as ações judiciais com trânsito em julgado. Curiosamente, o fisco não se utilizou das GFIPs para favorecer ou descontar valores da impugnante, mas delas se valeu para apurar a base de cálculo. Se a impugnação não for totalmente procedentes, haverá enriquecimento ilícito da União pela cobrança de valores já pagos pela empresa Padrão Etiquetas, sendo impossível para a impugnante, sem expressa autorização, buscar a restituição dos valores já pagos pela Padrão Etiquetas. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 6 5 Na absurda hipótese de ser mantida alguma exigência tributária, não poderá a impugnante fazer ratificação de GFIP e nem poderá pedir a restituição de valores pagos, pois quem pagou tais valores foi a empresa Padrão Etiquetas. Dessa forma, para se atender ao devido processo legal e se evitar decisão e ato normativo ofensivo à proporcionalidade e razoabilidade, impõese a nulidade do lançamento fiscal. b) Incompetência para a desconsideração de vínculo. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil descaracterizou as relações de emprego celebradas pela empresa Padrão Etiquetas, estabelecendo o vínculo com a impugnante, em usurpação da competência dos Auditores Fiscais do Trabalho (Lei n° 10.593, de 2002, art. 11; e Consolidação das Leis do Trabalho, arts. 626 e 631). O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência apenas para proceder ao correto enquadramento do trabalhador como segurado empregado e não para desconsiderar a relação de emprego com um empregador para caracterizála com outro, não constando dentre as atribuições e competências da Secretaria de Receita Federal do Brasil autorização para desfazer e estabelecer vínculos empregatícios (Lei n° 11.457, de 2007, arts. 2° a 6°; Lei n° 8.212, de 1991, arts. 33, caput, 125A, caput e §§ 1° e 3°; e Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, art. 229, § 2°). c) Não caracterização da utilização de pessoa interposta. A conclusão pela utilização de pessoa interposta resulta de análises de cunho subjetivo e de uma visão ultrapassada e que desconhece o setor da impugnante. A impugnante não conhece todas as relações comerciais que detinha a empresa Padrão Etiquetas, mas, mesmo na hipótese de tal empresa ter, à época, sua continuidade e existência advindas de empréstimos mensais feitos pela Padrão Grafia, tal fato é extremamente comum no mercado empresarial, sendo um erro utilizálo como fundamento do lançamento. A utilização de um mesmo endereço nada comprovaria. De qualquer forma, as empresas se utilizavam de áreas completamente separadas, sendo distintos os endereços, conforme mapa de localização constante dos autos, estando em ordem as autorizações municipais e os alvarás de funcionamento. Além disso, as empresas atuam em ramos diferentes (uma na impressão de etiquetas e adesivos, material plano; e a outra impressão de material plástico em alto relevo e emblemas tridimencionais), com emprego de maquinário diverso em razão de suas atividades. É inverdade a alegação de uma empresa existir apenas para faturar e outra apenas para registrar e pagar os empregados, embora o faturamento dos serviços efetuados pela empresa Padrão Etiquetas fosse insuficiente para pagar a folha de pagamento. A Padrão Etiquetas honrava todos os compromissos trabalhistas, previdenciários e fiscais mediante endividamento, comprovadamente contabilizado nas Fl. 291DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 7 6 duas empresas, conforme item 17 do Relatório Fiscal, a comprovar a correção e conduta das empresas envolvidas. Não há prova de que a impugnante pagava diretamente os salários dos empregados da empresa Padrão Etiquetas. A própria fiscalização reconheceu a correção da contabilidade da Padrão Etiquetas e detalhou que o pagamento da folha adveio de empréstimos mensais da Padrão Gráfica, totalizando em 30/06/2012, o montante de R$ 18.759.902,56. O Relatório Fiscal não cita o contrato de mútuo apresentado em 12/03/2013, em anexo. Sendo uma prática comercial comum que se encontra disciplinada na lei civil brasileira, o mútuo de dinheiro realizado dentro dos conformes legais é perfeitamente viável, caso seja necessário para sobrevivência econômicofinanceira das empresas, não havendo qualquer ilícito a ser aplacado. Ambas as empresa possuem contrato de prestação de serviços contábeis e trabalhistas com o mesmo escritório de contabilidade, responsável pela escrituração da contabilidade, controle e emissão de todos os documentos trabalhistas e previdenciários das duas empresas. Afirmar que todos esses documentos eram gerados e emitidos pela Padrão Grafia é desespero para fazer valer a tese de que as duas empresas são uma só. A fiscalização cai em contradição ao desconsiderar as relações jurídicas da empresa Padrão Etiquetas e ao mesmo tempo utilizar as GFIPs declaradas por essa empresa para apuração da base de cálculo. É lógico que o fiscal não pode tratar o mesmo documento de forma contraditória, ou seja, é bom e válido para ser usado contra o contribuinte, mas é inválido para ser usado em seu favor. Além disso, fiscalizouse a empresa Padrão Etiquetas pelo fato de a mesma não ter apresentado toda a documentação requerida pelo Fisco o que comprova a existência dessa empresa e validade do seu relacionamento jurídico com seus funcionários. d) Dos valores pagos e GFIPs apresentadas. Conforme declaração da pessoa jurídica Padrão Etiqueta, foram pagos todos os tributos previdenciários devidos, conforme alguns comprovantes de pagamento, sendo esse fato de conhecimento do fisco. Destarte, o lançamento fiscal como efetuado acarreta o inegável enriquecimento ilícito da União, eis que se exige tributos já recebidos. Na hipótese de ser mantida a exigência fiscal, requer o desconto dos valores já pagos a título de contribuição dos segurados, terceiros e empresa, devendo recair a mesma sorte sobre qualquer multa lançada por suposta omissão de GFIP, pois a impugnante não poderia apresentálas para funcionários registrados por outra empresa. Ademais, o objetivo e a função declaratória/informativa da GFIP foi cumprida pelas GFIPs entregues pela Padrão Etiquetas, utilizadas inclusive para a definição da base de cálculo, sendo plenamente válidas para a Previdência Social e para o FGTS. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 8 7 e) Pedidos. Preliminarmente, requer a improcedência da autuação por ofensa ao devido processo legal e por incompetência da autoridade lançadora para “criar” vínculo empregatício e, no mérito, pela total improcedência dos autos de infração fundados em meras suposições e, subsidiariamente, o correto e justo desconto dos valores já pagos. Pretende provar o alegado por todas as provas admitidas, em especial os documentos anexados e outros que porventura venha a alcançar. 4. É o relatório. " DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do Acórdão de fls.223, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA , em 29 de julho de 2013, exarou o Acórdão n° 06. 42.494, mantendo os créditos tributários. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Reiterando as alegações que fizera em primeira instância, a recorrente, em 29/08/2013, interpôs Recurso Voluntário de fls.237. DAS CONTRARAZÕES Conforme registro de fls. 262, em 29/10/2013, a Procuradoria Geral da Fazenda apresentou CONTRARAZÕES onde asseverou que não merecem reparo o auto de infração e o acórdãos de primeira instância ao tempo que requereu seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendo‑ se a decisão recorrida. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 9 8 VOTO DA TEMPESTIVIDADE E DA ADMISSIBILIDADE O Recurso é tempestivo Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA AUTUAÇÃO E DOS REGISTROS CADASTRAIS No relatório fiscal consta que os autos foram lavrados durante Procedimento Fiscal em face do contribuinte PADRÃO GRAFIA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA , instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09.1.01.002012015494, com ciência do sujeito passivo em 29/08/2012 e que os lançamentos fiscais ora relatados tiveram origem em informações colhidas também no procedimento fiscal instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09.1.01.002012012576 junto à empresa PADRÃO ETIQUETAS LTDA ME. Ainda sobre o Relatório Fiscal, a autoridade autuante registrou que empresa/contribuinte tem como atividade principal a impressão de material para adesivos auto colantes, entretanto no Comprovante de Inscrição de Situação cadastral no sítio da Receita, para o CNPJ 81.214.587/000133 autuado, a empresa tem outra denominação GRAFIA AUTOADESIVOS TECNICOS LTDA e registra no CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIASo n 46.47801 referente ao Comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria . Também a empresa referida no Procedimento Fiscal MPF n° 09.1.01.002012 012576 como PADRÃO ETIQUETAS LTDA ME, CNPJ 03.021.244/000149, apresenta o nome de H7 ETIQUETAS LTDA ME.na situação " BAIXADA" " INTRODUÇÃO 1 Este relatório é parte integrante do processo administrativo fiscal identificado pelo referido controle de protocolo, denominado COMPROT N° 10980721.79394, contendo os Autos de Infração DEBCAD n°s 51.025.2400, 51.025.2419 e 51.025.2427, lavrados durante Procedimento Fiscal em face do contribuinte em epígrafe, instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09.1.01.002012 015494, com ciência do sujeito passivo em 29/08/2012, para verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais devidas à Previdência Social e a terceiros conveniados. 2 A empresa/contribuinte tem como atividade principal a impressão de material para adesivos auto colantes. (..) 4 Os lançamentos fiscais ora relatados têm origem em informações colhidas no presente procedimento fiscal, bem como no procedimento fiscal instaurado pelo Mandado de Fl. 294DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 10 9 Procedimento Fiscal MPF n° 09.1.01.002012012576 junto à empresa PADRÃO ETIQUETAS LTDA ME (adiante indicada apenas pelo nome PADRÃO ETIQUETAS), CNPJ 03.021.244/000149, com ciência do sujeito passivo " REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO81.214.587/0001 33MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA11/04/1989 NOME EMPRESARIALGRAFIA AUTOADESIVOS TECNICOS LTDA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA)******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL18.13099 Impressão de material para outros usos CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS46.47801 Comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOUROR DIOGO MUGIATTI NÚMERO590 COMPLEMENTO CEP81.730360 BAIRRO/DISTRITOBOQUEIRAO MUNICÍPIOCURITIBA ENDEREÇO ELETRÔNICO TELEFONE(41) 30150205 ENTE FEDERATIVO RESPONSÁVEL (EFR)***** SITUAÇÃO CADASTRALATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL Aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 30 de maio de 2014.Emitido no dia01/09/2015às13:17:05 de Brasília). REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO03.021.244/0001 49MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA NOME EMPRESARIALH7 ETIQUETAS LTDA ME Fl. 295DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 11 10 TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA)******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO******** NÚMERO******** COMPLEMENTO CEP******** BAIRRO/DISTRITO******** MUNICÍPIO******** ENDEREÇO ELETRÔNICO TELEFONE(41) 30154686 ENTE FEDERATIVO RESPONSÁVEL (EFR)***** SITUAÇÃO CADASTRALBAIXADA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRALINEXISTENTE DE FATO SITUAÇÃO ESPECIAL******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL******** Emitido no dia01/09/2015às13:15:51(data e hora de Brasília). A baixa da inscrição não implica em atestado de inexistência de débitos tributários do contribuinte e não exime a responsabilidade tributária dos seus titulares, sócios e administradores de débitos porventura existentes. No Relatório Fiscal não consta registro sobre eventual autuação da empresa referida no MPF n° 09.1.01.002012012576, PADRÃO ETIQUETAS LTDA ME , CNPJ 03.021.244/000149 . Aduz que , também na Relação de Anexos apontados não se faz menção de lançamentos em face da supra citada empresa : " 51 Além deste relatório fiscal, integram o presente processo os seguintes anexos: •Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo DCCTP, que detalha os valores originais, juros e multas dos lançamentos contidos no permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado; •Relatório de Lançamentos RL, que mostra, por competência, as bases de cálculo dos valores lançados nos autos de infração; •Fundamentos Legais do Débito FLD, que informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores; •Instruções para o Contribuinte IPC, que fornece ao sujeito passivo orientações, dentre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Secretaria da Receita Federal, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 12 11 •Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Termos lavrados durante a ação fiscal;processo ora relatado; Capas dos Autos de Infração DEBCAD n°s 51.025.2400, 51.025.2419 e 51.025.2427; •Discriminativo do Débito DD, que discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções •Planilha com demonstrativo da Tabela de Rubricas, na qual as empresa relacionam o Código e a descrição da Rubrica utilizadas em suas folhas de pagamento, demonstrando a igualdade na definição do número do código e sua descrição, comprovando que ambas foram elaboradas pela mesma pessoa; Planilha com demonstrativo do Plano de Contas das duas empresas, as contas utilizadas pela PADRÃO ETIQUETAS em sua contabilidade possuem o mesmo código e a mesma descrição das contas utilizadas pela PADRÃO GRAFIA; Impressão de tela de consulta ao sistema GFIPWEB das competências 07/2007, das empresas PADRÃO GRAFIA e PADRÃO ETIQUETAS, 05/2008, da empresa PADRÃO ETIQUETAS, e 11/2008 da PADRÃO GRAFIA, nas quais observa se que o responsável pela entrega da GFIP das duas empresas é a mesma pessoa; Planilha demonstrativa do RAZÃO da conta contábil n° 2201010001 PADRÃO ETIQUETAS PASSIVO na qual fica demonstrado que a PADRÃO GRAFIA emprestava suprimentos mensalmente para a PADRÃO ETIQUETAS pagar salários e benefícios aos seus empregados." CONCLUSÃO Diante do que foi exposto, determino que os autos retornem em DILIGÊNCIA às origens para que se esclareça as divergências cadastrais apontadas bem como seja informado se a empresa referida no MPF n° 09.1.01.002012012576 , PADRÃO ETIQUETAS LTDA ME , CNPJ 03.021.244/000149 fora autuada. Confirmada a sobredita indagação, colacionar o Relatório Fiscal de autuação com registro do eventual Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do SIMPLES, e , se tiver havido impugnação, qual o número do processo e em que fase em que se encontra. Relevante ressaltar que tanto esta Resolução quanto a Informação Fiscal com as informações requeridas devam ser notificadas ao Contribuinte e que se abra prazo para que , em querendo, este ofereça manifestação. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.721793/201394 Resolução nº 2301000.581 S2C3T1 Fl. 13 12 É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
