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Numero do processo: 16327.000857/2010-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007, 01/04/2008 a 30/04/2008
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO
As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento ao Recurso. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentará declaração de voto.
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente
Demes Brito- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Tereza Martinez López
Nome do relator: DEMES BRITO
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REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 57 /2 01 0- 67 Fl. 715DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 2 Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento ao Recurso. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentará declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Tereza Martinez López Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo em face ao acórdão de nº 3302001.838, o qual negou provimento, mantendo incólume a decisão da DRJ, que constitui o crédito tributário de PIS e COFINS de receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da bolsa de valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de futuros em sociedades por ações, relativo aos períodos de apuração de outubro a dezembro de 2007 e abril de 2008, conforme se verifica da sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007, 01/04/2008 a 30/04/2008 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA.FATUR AMENTO. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade dá recorrente a aquisição, para posterior revenda, de ações. A receita assim auferida é igual a faturamento e integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente ct estada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála. Recurso Voluntário Negado. Reproduzo trecho do relatório do acórdão a quo, com a descrição inicial do litígio: “Contra a ING CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS S/A foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativos a fatos geradores ocorridos nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007 e ab ril de 2008 tendo em vista que a Fiscalização constatou que a autuada adquiriu, com compromisso de alienar e efetivamente alienou, ações da Bovespa e da BM&F e as contabilizou no ativo permanente, quando deveria contabilizar no seu ativo circulante. Em consequência, ao vender as ações a Recorrente classificou a receita como sendo receita de venda de bens do ativo permanente, excluindo a da base de cálculo do PIS e da COFINS. A Fiscalização, considerando (i) que a Recorrente tem como objeto social comprar e vender, por conta própria, títulos e valores mobiliários; (ii) que quando da aquisição das ações da Bovespa e da BM&F havia prévio compromisso de alienar parte das mesmas; Fl. 716DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 716 3 e (iii) que na operação de aquisição, e posterior revenda, das ações da Bovespa e da BM&F, a receita auferida classificasse como receita operacional tributada pelo PIS e pela Cofins. Constato a falta de tributação dessa receita, a a Fiscalização lavrou os autos de infração controlados neste processo". O sujeito passivo, em seu recurso, aponta divergência jurisprudencial, e sustenta a improcedência dos lançamentos de PIS e COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da bolsa de valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de futuros em sociedades por ações, insurgese ainda, sobre o sobrestamento do feito até o julgamento do RE nº 609.096, considerando que o STF reconheceu a repercussão geral no que tange à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS/COFINS, nos termos do artigo 62A, do parágrafo 1ª da Portaria nº 256/09 do RICARF, bem como, a exclusão da aplicação de multa de ofício no que tange ao débito de PIS, tendo em vista a suspensão da exigibilidade em decorrência da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0105908 e Medida Cautelar nº 002969812.2012.4.03.0000. Em atenção ao Despacho 3300000.015 R – 3º Turma, de fls.697, “o Presidente da Câmara deu seguimento parcial ao recurso por entender que não foram atendidos os pressupostos necessários para sua admissibilidade total à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fundamentou sua negativa demonstrando que o paradigma não se prestou a comprovar a divergência, ao abordar a matéria relativa a não inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS ou subsidiariamente, ao sobrestamento do julgamento, tendo em vista a repercussão geral do STF nos autos do RE nº 609.096, bem como também não se prestou a comprovar a divergência quanto à matéria referente à admissibilidade de apresentação de novos argumentos após o oferecimento de impugnação, segundo supremacia do princípio da verdade material sobre o rigor formal. Por fim, o paradigma também não se prestou a comprovar a divergência, em relação à matéria pertinente à medida judicial que discute a constitucionalidade do §1°, do art.9.718/1998, também abarca, as receitas financeiras decorrentes de vendas de ações, mesmo de corretora de títulos e valores mobiliários. Com base no artigo 71 do RICARF, foi recepcionado o recurso especial para reexame, juntamente com o despacho que lhe negou seguimento. No que diz respeito à matéria relativa a não inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS, pela análise do paradigma apresentado, representado pelo acórdão n 0310201.490, e da decisão recorrida, verificase que não há como admitir o recurso especial. Primeiramente, tratam de sociedades com natureza jurídica e finalidade (objeto social) diferentes. Posteriormente, tanto no acórdão recorrido como no paradigma, a atividade relacionada com o objeto social da sociedade deve ser considerada receita operacional, compondo a receita bruta, conforme o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei n° 9.718/98, nos termos da decisão do STF, já que se constitui da atividade empresarial típica. Por último. Não consta do acórdão paradigma que a venda de ações de uma sociedade corretora de câmbio e títulos se constitua em receita financeira desta, mas sim que as atividades financeiras não devem ser objeto de tributação da contribuição (Cofins), por não estarem relacionadas ao seu objeto social. Em não havendo identidade fática, não há divergência jurisprudencial. No pertinente ao sobrestamento, tendo em vista a repercussão geral do STF nos autos do RE 609.096, o Sujeito Passivo somente citou o número, mas não apresentou a Fl. 717DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 4 ementa, o acórdão, o cotejamento analítico e o préquestionamento do assunto, infringindo o art.67. §§ 3° a 9' do R1CARF, sem contar que os §§ 1° e 2° do art.62—A, da Portaria n° 256/2009. Foram revogados pela Portaria MF n°545, de 18 de novembro de 2013, não havendo mais previsão de sobrestamento. Por sua vez, no tocante à matéria relativa a referente à admissibilidade de apresentação de novos argumentos após o oferecimento de impugnação, segundo supremacia do princípio da verdade material sobre o rigor formal, constatase que não há como admitir o recurso especial. No acórdão recorrido houve a apreciação da prova/argumento juntado aos autos, que seria sobre o mandado de segurança n° 2005.61.00.0105908. Sobre a forma de manifestação de esclarecimento, explicando que não seria aplicável ao presente processo. Enquanto que no paradigma (acórdão n° 920200.818, da 2° Turma da CSRF) houve o entendimento de as provas juntadas aos autos devem ser apreciadas, ainda que na fase de recurso voluntário, tendo em vista o princípio da legalidade e da verdade material. Como não houve identidade fática, não há divergência jurisprudencial. Por fim, no pertinente a medida judicial que discute a constitucionalidade do §1°. Do art.9.718/1998. Que também abarca, a receita financeira decorrente de vendas de ações, mesmo de corretora de títulos e valores mobiliários, verificase, novamente, que não há como admitir o recurso especial. Isto porque no acórdão recorrido a venda das ações. classificadas no Ativo Circulante porque foram adquiridas com vistas a futura venda, seria receita operacional típica da atividade empresarial e não estaria abrangida na ação judicial em MS n° 2005.61.00.0105908, visto que a ação judicial não se refere a esta atividade , enquanto no paradigma (acórdão n°20219.135) as receitas financeiras exigidas no Auto de Infração são objeto desta ação judicial, mas não diz que a venda de ações, nas condições citadas no processo referente ao acórdão recorrido, se classifica como receita financeira para ser abrangida por esta decisão judicial. Muito menos que esta venda não seja receita operacional típica da atividade empresarial. Por isso, não havendo identidade fática, não há divergência jurisprudencial. Diante do exposto decido por manter, na integra, o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo, apenas quanto A matéria referente à incidência das contribuições sobre a receita oriunda das operações societárias denominadas por "desmutualização", realizadas em virtude dos processos de reorganização societária sofridos pela BM&F e pela BOVESPA”. Regularmente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Demes Brito Conselheito Relator Da Admissibilidade Fl. 718DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 717 5 O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade a esta instância. Dele conheço. Em razão do Despacho 3300000.015 R – 3º Turma, de fls.697, o Presidente da Câmara deu seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo, recepcionando apenas a matéria referente à incidência das contribuições sobre a receita oriunda das operações societárias denominadas por "desmutualização", realizadas em virtude dos processos de reorganização societária sofridos pela BM&F e pela BOVESPA. Neste sentido, este julgador passa analisar somente os efeitos jurídicos da incidência do PIS/COFINS, sobre receitas advindas de operações societárias denominadas por “desmutualização”. Objeto da lide Versa o presente processo sobre o lançamento de ofício das contribuições do PIS e da COFINS sobre a receita auferida com as operações de alienação das ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, relativo aos períodos de apuração de outubro a dezembro de 2007 e abril de 2008, recebidas em razão do processo conhecido como “desmutualização”, consistente em um conjunto de alterações societárias ocorridas na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F) que deixaram de ser associações sem fins lucrativos e se transformaram em sociedade anônimas. Como consequência do processo de “desmutualização”, os detentores dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F receberam ações representativas do capital da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas. A autoridade fiscal alega que as ações recebidas deveriam compor o “ativo circulante” e, quando da venda, haveria a incidência das contribuições; o sujeito passivo entende que as ações deveriam ser classificados no “ativo permanente”, fls.493, da mesma forma que os títulos anteriormente possuídos, e, quando da venda, não sofreriam a incidência das contribuições. Para concluirmos quais são os efeitos jurídicotributários decorrentes do processo de desmutualização das bolsas, temos que verificar se as receitas decorrentes das vendas das ações seriam tributadas pelas contribuições PIS/COFINS, percorrendo de modo pragmático o processo de reestruturação societária, incluindo os dispositivos legais sobre o tema, e a correta forma de contabilização das ações recebidas no processo. Da origem dos Títulos Patrimoniais da BM&F e BOVESPA Com efeito, até o advento das operações chamadas de “desmutualização”, as bolsas de valores eram intituladas como associações civis, sem fins lucrativos, tendo como função primordial manter o sistema adequado para negociação de valores mobiliários. Contudo, a Lei nº 4.728/65, disciplinou o mercado de capitais, regulando a autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores, e sua supervisão operacional pelo Banco Central, de acordo com a regulamentação expedida pelo Conselho Monetário Nacional, a quem competia fixar as normas gerais a serem observadas na constituição, organização, funcionamento, e relativas a constituição, extinção e forma jurídica das bolsas de valores. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 6 Neste passo, eis que surge a Lei nº 6.385/76, a qual, criou a Comissão de Valores Mobiliários, disciplinando o mercado de valores e as operações realizadas na bolsa de valores. A Resolução CMN nº 1.656, de 26 de outubro de 1989, aprovou o regulamento que disciplinou a constituição, organização e funcionamento das Bolsas de Valores: CAPÍTULO I Bolsas de Valores SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, Fl. 720DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 718 7 exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Dessa forma, todas as bolsas de valores autorizadas a funcionar no Brasil ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil brasileiro vigente à época (Lei nº 3.071, de 1916, arts. 20 a 22). A Resolução nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº 1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/89, o ato constitutivo das Bolsas de Valores compreendia seu Estatuto Social assinado por todos os fundadores, devidamente registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Seu patrimônio social era dividido em títulos patrimoniais, que eram adquiridos por sociedades corretoras como requisito para sua admissão como associadas das bolsas: Art. 7º O patrimônio social das Bolsas de Valores deve ser formado mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial de emissão devem ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial. § 1º Nenhuma sociedade corretora pode adquirir mais de um título patrimonial de cada Bolsa de Valores. § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a Bolsa de Valores. § 3º A sociedade corretora, antes de iniciar suas operações, deve caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores. § 4º Aprovada a sua admissão e cumprido o disposto no parágrafo anterior, a sociedade corretora entra em pleno gozo dos direitos de associada da Bolsa de Valores. Conforme o art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução nº1.655/1989 do Conselho Monetário Nacional, para que pudessem operar no mercado de capitais por meio de recinto bursátil, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades. Art. 3° A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 8 § 1° A sociedade corretora deverá ser constituída sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 2° São condições indispensáveis para a concessão da autorização prevista neste artigo, dentre outras, a admissão como membro de bolsa de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de atividades no mercado de valores mobiliários. Também a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo “organizar e prover o funcionamento de mercados para negociação de títulos e contratos que possuam como referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias, moedas, energia, transportes, commodities e outros bens ou direitos direta ou indiretamente relacionados a tais ativos, nas modalidades à vista e de liquidação futura”. O funcionamento das bolsas de mercadorias e de futuros foi regulamentado pela Resolução CMN nº 1.645/89. Portanto, as sociedades corretoras possuíam, antes do procedimento de “desmutualização”, títulos patrimoniais das associações civis, sem finalidades lucrativas denominadas BOVESPA e BM&F. Da Desmutualização das Bolsas de Valores No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007 as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. A “desmutualização” da Bovespa ocorreu em 28 de agosto de 2007 e envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data: (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: Bovespa Holding e Bovespa Serviços S.A. (“Bovespa Serviços”); e (ii) incorporação das ações da Bovespa Serviços e da CBLC ao capital da Bovespa Holding. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços e a CBLC. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 719 9 Portanto, a associação civil sem fins lucrativos Bovespa deixou de existir em 28 de agosto de 2007, e os detentores de seus títulos patrimoniais passaram a ser acionistas da Bovespa Holding. A “desmutualização” da BM&F ocorreu em 20 de setembro de 2007, e seguiu modelo jurídico similar ao da BOVESPA: (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e (ii) a incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Em consequência das apontadas etapas, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Durante o ano de 2007, o procedimento de “desmutualização” foi seguido da abertura do capital das companhias resultantes de referida “transformação” para a negociação das respectivas ações em bolsa de valores. Em decorrência da participação no processo de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A., foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A., resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na conseqüente extinção de BM&F; Fl. 723DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 10 (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembléia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembléias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. Por fim, em assembleias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. Dos Efeitos dos registros contábeis das ações subscritas e integralizadas Passemos a questão referente à escrituração das ações recebidas pelas sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas. Originalmente, os títulos patrimoniais eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras. Com a dissolução da associação e a subsequente subscrição e integralização das ações das novas sociedades (Bovespa Holding e BM&F Holding), a recorrente deixou de possuir títulos patrimoniais e passou a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e Fl. 724DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 720 11 as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; A escrituração das ações no ativo da empresa, ou no ativo circulante, ou no ativo permanente, é baseada na possibilidade de o contribuinte escolher entre permanecer como proprietário de tais ações (permanente) ou se desfazer delas (circulante). Constatase que, desde o início do processo de desmutualização das bolsas, fica clara a intenção dos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F e da Bovespa, de, após receberem as ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetivarem a alienação dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. No caso das ações da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Dessa forma, resta claro que a recorrente pretendia vender, no curso do exercício social, como o fez, parte das ações recebidas. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo Fl. 725DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 12 de desmutualização da BM&F (o que ocorreu em 01/10/2007), no prazo de seis meses contados a partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Mencionese que a acionista poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso venda, porém não poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa; neste caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento, e registradas, na sua integralidade, no Ativo Permanente. Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 o sujeito passivo deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Da Tributação do PIS/COFINS sobre alienação de ações Com efeito, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, correto o entendimento da Fiscalização em tributar o PIS/COFINS, sobre valores obtidos com alienação das ações que constituem receita bruta operacional. Neste passo, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, preveem que a receita bruta, auferida pela pessoa jurídica, será objeto de tributação das contribuições. Vejamos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Assim, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela BOVESPA HOLDING S.A., integram a sua receita bruta operacional. Ressaltando que o sujeito passivo exerce atividade de corretora de valores mobiliários, e tem como atividade principal subscrever títulos para revendelos no mercado futuro. Aliás, essa característica das corretoras está expressamente delineado no art. 2º da Resolução nº 1.655/89: Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: (...) Fl. 726DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 721 13 II – subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. (destaques não constam no original) Temse que a recorrente, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação. e, portanto, a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita dita operacional. Concluise que as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade, decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, prevista no art. 3º da Lei nº 9.718/98. Da discussão judicial quanto à base de cálculo das contribuições sociais Como amplamente divulgado, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR o STF decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, a Cofins somente poderia incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. Entretanto, a decisão do STF não tem repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal referese ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos preveem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica) que não foram declarados inconstitucionais pelo STF. Jurisprudência dos Tribunais sobre "desmutualização" Vale a pena destacar que a matéria já recebeu manifestação do Poder Judiciário, o qual emprega o mesmo entendimento e argumentos dos enunciados descritos e manteve os lançamentos tributários, senão vejamos: TRF 2 Processo nº 000655923.2008.4.02.5101 TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO . TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a “demutualização" , deixando de Fl. 727DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 14 ser uma sociedade civil e convertendose em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de demutualização"trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisase em razão da demutualização". O fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pela impetrante com a devolução de valores, ou seja, com a própria operação de demutualização, na forma como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui supedâneo legal para a inclusão da diferença entre o que foi investido para a formação do capital social de entidade isenta e a devolução do que foi aportado na determinação do lucro da pessoa jurídica, uma vez que constitui, indubitavelmente, acréscimo patrimonial, sujeitandose à incidência do imposto de renda, nos termos dos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Não prospera a tese da apelante de que a avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência patrimonial, sistemática que estima o valor do investimento de uma sociedade em outra de acordo com as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos resultados positivos, de acordo com o artigo 225 do Regulamento do Imposto de Renda, não acarretam incidência dos tributos A avaliação pela equivalência patrimonial, consoante previsto no art. 248 da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), aplicase exclusivamente aos casos de “coligadas sobre cuja administração [a empresa] tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum (redação dada perla Lei nº 11.638/2007), não sendo este o caso dos autos que trata, na verdade, de avaliação de títulos patrimoniais que a impetrante detém nas bolsas de valores. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, o Parecer CST nº 2.254/81 e a Portaria MF 785/77, porquanto a referida Portaria, assim como os atos administrativos mencionados são anteriores à entrada em vigor da Lei 9.532/97, de 10/12/97, originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em análise. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 722 15 Recurso desprovido. TRF 3 Processo 2008.03.00.0041151 AG 325479 – 6ª Turma TRF3, decisão de 23/05/2008 [...] Observo que como a BM&F era uma associação sem fins lucrativos, os superávits obtidos ano a ano eram reinvestidos na própria bolsa, sem incidência de imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro. Pareceme que quando a BM&F converteu seu patrimônio ao qual se integra o que economizou em impostos , em uma sociedade com fins lucrativos, a diferença então verificada gerou ganho de capital e em decorrência, incide imposto sobre o que não foi pago durante a fase beneficiada pela isenção. O que de fato ocorreu, foi o processo denominado “desmutualização”, através da dissolução parcial da BM&F, que deixou de existir e cujos títulos patrimoniais foram extintos, com a respectiva restituição do seu patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma de ações da nova sociedade, a BM&F S/A. [...] TRF3 AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2008.03.00.0041151/SP DECISÃO Vistos. Tratase de agravo de instrumento com pedido de concessão de antecipação de tutela recursal, que visa à reforma de decisão proferida em Primeira instância, adversa aos agravantes. Regularmente processado o agravo, sobreveio a informação, mediante email de fls. 1658/1668, que foi proferida sentença nos autos do processo originário. Ante a perda de objeto, julgo prejudicado o presente recurso e, em conseqüência, NEGOLHE SEGUIMENTO, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, restando prejudicado o agravo regimental interposto. Oportunamente, observadas as formalidades legais, baixem os autos á Vara de origem. Intimemse. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 16 PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA. IRPJ E CSLL. INCIDÊNCIA. ARTIGO 17 DA LEI Nº 9.532/97. APLICABILIDADE. PORTARIA 785/77. PARECER NORMATIVO Nº 78/78. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº 9/81. NORMAS ANTERIORES AO ADVENTO DA LEI Nº 9.532/97. INAPLICABILIDADE. À mingua do alegado vício omissão os embargos de declaração devem ser rejeitados. No tocante à dissolução da associação BOVESPA, o julgado foi claro ao dispor que ocorreu a efetiva dissolução da sociedade BOVESPA e que, assim sendo, deveria ser observada, no tocante ao seu patrimônio, a disciplina do artigo 61 do Código Civil, acarretando na devolução do aludido patrimônio aos então associados, a ensejar, desse modo, a incidência do IRPJ e da CSLL, ex vi das disposições contidas no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. Não há, portanto, que se falar em omissão do acórdão no tocante a matéria, em especial quanto ao regramento previsto no artigo 1.113 do Código Civil que, digase, diz respeito tãosomente às sociedades e não às associações. Quanto à questão em torno da adoção do método de equivalência patrimonial para avaliação do investimento o acórdão embargado concluiu pela inaplicabilidade, à espécie, do método de equivalência patrimonial que, nos termos dos artigos 248 da Lei nº 6.404/76 e 384 do Decreto nº 3.000/99, somente teria aplicabilidade nas hipóteses de investimentos em empresas controladas ou coligadas, não sendo esse o caso vertido nestes autos. Conforme precedentes jurisprudenciais colacionados no julgado vergastado, não incide, in casu, a Portaria nº 785/77, bem assim os atos normativos correlatos, dentre os quais se incluem o Parecer Normativo nº 78/78 e Ato Declaratório Normativo nº 9/81, na medida em que anteriores ao advento da Lei nº 9.532/97, norma aplicável à espécie, conforme alhures externado. O mero intuito de prequestionar a matéria não legitima a oposição dos aclaratórios. Precedentes do C. STJ. Conforme jurisprudência firmada no âmbito do E. Supremo Tribunal Federal e do C. Superior Tribunal de Justiça, não se faz necessária a menção a dispositivos legais para que a matéria seja considerada prequestionada, bastando que a tese jurídica tenha sido aquilatada pelo órgão julgador (STF, HC 122932 MC/MT, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, j. 03/09/2014, DJe 08/09/2014; HC nº 120234, Relator Ministro Luiz Fux, j. 19/11/2013, DJe 22/11/2013; STJ, REsp 286.040, Relator Ministro Franciulli Netto, j. 05/06/2003, DJ 30/6/2003; EDcl no REsp 765.975, Relator Ministra Eliana Calmon, j. 11/04/2006, DJ 23/5/2006). Embargos de declaração rejeitados. "AMS APELAÇÃO CÍVEL Processo: 308575 000116433.2008.4.03.6100 QUARTA TURMA eDJF3 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 723 17 Judicial 1 DATA:03/11/2015. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA" TRF3. Conclusões Finais Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. É como voto é como penso. Demes Brito Conselheiro Relator Fl. 731DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 18 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Com a devida vênia ao entendimento do Conselheiro Demes Brito, no que tange à divergência quanto à classificação das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação, entendo que o registro das referidas ações devese dar em conta do Ativo Permanente. Nessa operação, vêse que a Bovespa Associação, através da cisão, verteu parte de seu patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações S.A e a Bovespa Holding S.A. A operação de cisão de entidades sem fins lucrativos encontrase resguardada nos arts. 44, inciso I e 2.033 do CC/2002, in verbis (Grifos meus): “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; [...]” “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Ao analisar o art. 44 do Código Civil1, temse que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse claro, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. Por decorrência da cisão, a parte cindida dos títulos patrimoniais foi somente substituída por ações da Bovespa Serviços e da Bovespa Holding. E, com efeito, posteriormente à essa etapa, a Bovespa Holding incorporou a totalidade das ações da Bovespa Fl. 732DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 724 19 Serviços e como consequência, os titulares das ações da Bovespa Serviços tiveram suas ações trocadas por ações da Bovespa Holding. Essa substituição das ações considerou o valor patrimonial contábil por ação da Bovespa Holding e da Bovespa Serviços – com data base de junho de 2007. Lembro que o mesmo procedimento foi adotado no caso da BM&F – onde o patrimônio foi absorvido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A. Dessa forma, é de hialina clareza que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F dos associados foram somente substituídos por ações da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A. Eis que nessa operação há apenas a “troca” dos ativos – em devolução e dissolução patrimonial, e não “aquisição” das referidas ações que demandem nova reclassificação contábil. Na cisão seguida de incorporação, há a transferência de todos os direitos e obrigações dos negócios em curso da cindida para a incorporadora sucessão universal. Com efeito, as ações substituídas pelos títulos recebem o mesmo tratamento fiscal e contábil a que eles estavam sujeitos. O que não procede tratar tais ativos como devolução do patrimônio da associação aos seus associados com posterior aquisição. Dessa forma, considerando se tratar de mera substituição de títulos patrimoniais que, por sua vez, estavam registrados no ativo permanente, quando da substituição desses títulos por ações, devem observar idêntica qualificação contábil até o momento de sua alienação. Notase que, em respeito aos Princípios que norteiam a Ciência Contábil, o detentor dos títulos quando da classificação contábil desses ativos manifestou a pretensão de Fl. 733DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 20 permanecer com esse investimento em seu patrimônio por mais de 12 meses – sem expectativa de vendêlos a curto prazo. O que alterar a classificação contábil das ações recebidas em troca dos títulos demonstraria afronta à esses princípios. No ativo circulante somente são registrados ativos de liquidez imediata. Ou seja, somente aqueles ativos que estejam destinados à venda com sentido de operação mercantil. O que se distancia do presente caso – já que a detentora dos títulos manteve esse ativo por mais de 12 meses em seu patrimônio, tendo manifestado sua pretensão de permanecer com esse ativo no momento do registro contábil. Na substituição de um ativo (títulos patrimoniais ou ações) por decorrência de cisão seguida de incorporação, vêse que os detentores/investidores se mantêm inertes frente a essa reorganização societária – efetuando somente a troca dos ativos em seu patrimônio. Tal troca não resulta em nova classificação contábil, visto que a pretensão do investidor não se alterou com a substituição do ativo. Eis que nem motivação demonstrou quando da efetivação da reorganização societária. Nova classificação contábil de ativos ocorreria somente quando ocorrer motivação por parte do futuro adquirente, pois é nesse momento que deverá expressar sua pretensão de manter o ativo adquirido por mais de 12 meses ou vendêlo em curto prazo. Tanto é assim, que o investidor que sofre a troca dos ativos não se obriga a informar o custodiante sobre a “nova aquisição”. A troca ocorre diretamente pelo custodiante sem motivação do investidor. O investimento original não foi realizado com o fim de se obter ganho por sua venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de dar participação à entidade e trazer desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à Fl. 734DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 725 21 venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Dessa forma, as ações recebidas por decorrência dessa operação devem ser registradas em contas do ativo permanente, em respeito à pretensão manifestada pelo detentor dos títulos patrimoniais à época de sua aquisição. O que, por conseguinte, entendo que eventuais receitas advindas dessa transação poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Para melhor elucidar meu entendimento, trago parte da Declaração de Voto de meu ilustre colega Gilberto de Castro Moreira Junior proferido em Acórdão 3202000.777 (Grifos meus): “[...] A fiscalização, referendada pela DRJ, entendeu que: (i) as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A não se confundiriam com os títulos patrimoniais das Associações Bovespa e BM&F anteriormente registrados no ativo permanente; (ii) a desmutualização teria consistido na devolução do patrimônio investido nas associações civis e posterior subscrição de ações das sociedades anônimas; e (iii) no momento em que os títulos detidos pela Recorrente foram transformados em ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, estas representariam direitos novos e deveriam ser classificados no ativo circulante. Não concordo, como lançado pelo relator, que “A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil”. A respeito do tema já escrevi que: Estabelece o artigo 1.113 do atual Código Civil, ao tratar da transformação das sociedades, que: Fl. 735DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 22 "Artigo 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converterse." Vêse, portanto, que o artigo supra foi totalmente inspirado no artigo 220 da Lei das Sociedades Anônimas, cujo conteúdo é o seguinte: "Artigo 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Parágrafo único. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade." [...] Com o novo Código Civil (arts. 1.113 a 1.115), as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria, semelhante à da sociedade anônima." (11) No mesmo sentido é a lição de Modesto Carvalhosa destacando jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do tema: "A doutrina e a jurisprudência são, atualmente, pacíficas no sentido de que não há constituição de nova sociedade, seja na transformação simples, seja na constitutiva, mas tão somente alteração da forma adotada anteriormente. Essa tendência é expressa no artigo ora comentado, que não faz, com efeito, qualquer distinção entre transformação simples e constitutiva, que em ambos os casos implicam sempre a permanência da mesma pessoa jurídica. Nesse sentido, Cunha Peixoto entende tratarse de simples modificação contratual. E Bulgarelli lembra que 'a doutrina brasileira mais atual propende, considerando a transformação como mera alteração contratual, em reconhecer a continuidade da sociedade que se modificou, mantendo a mesma personalidade jurídica adquirida'. Nesse sentido o acórdão na Apelação Civil n. 101.1422 (TJSP, 2461985), em votação unânime: '(...) Prevalece, contudo, o entendimento de que a transformação, prescindindo da dissolução e liquidação da sociedade que vai se transformar, não faz surgir nova sociedade, não se havendo falar Fl. 736DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 726 23 em sucessão. É a antiga sociedade mantendo a mesma personalidade jurídica, porém com outras vestes." (12) Modesto Carvalhosa também deixa claro que, sob a égide do Código Civi anterior, as sociedades civis podiam ser transformadas em sociedades comerciais: "Perguntase se também as sociedades civis (arts. 18 a 23 do C.C) podem transformarse em sociedades comerciais. No sistema jurídico brasileiro todas as sociedades com personalidade jurídica previstas no Código Civil e no Código Comercial, e ainda nas leis especiais mencionadas (Dec. nº. 3.708, de 1919, e lei societária em vigor), podem transformarse nos tipos societários comerciais acima mencionados. Podem transformarse, assim, tanto as sociedades civis com fins lucrativos, desde que o contrato social assim o preveja ou não impeça. Também poderão ser transformadas as sociedades sem fins lucrativos, como ocorre hoje em todo o mundo com os clubes e associações esportivas." (13) Com a edição do novo Código Civil, a situação não se alterou em relação às associações, sociedades simples e empresárias, havendo agora inclusive dispositivo específico regulamentando o assunto (artigo 1.113). Destaquese, outrossim, o seguinte trecho do voto do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Barros, no REsp 242.721SC, que tratou não incidência de ICMS na transformação de sociedades: "... As sociedades comerciais podem sofrer várias metamorfoses, a saber: a) transformação strictu sensu em que a sociedade passa de um tipo a outro (L. 6.404/76, Art. 220); b) incorporação operação pela qual a sociedade é absorvida por outra, desaparecendo como pessoa jurídica (Art. 227); c) fusão união com outra sociedade, com o aparecimento de uma nova pessoa jurídica (Art. 228); Fl. 737DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 24 d) cisão transferência, total ou parcial do patrimônio para outra pessoa jurídica. Em sendo total, a cisão faz desaparecer a sociedade cindida (Art. 229). Estes quatro fenômenos constituem várias facetas de um só instituto: a transformação das sociedades comerciais. Todos eles guardam um atributo comum: a natureza civil. Todos eles se consumam envolvendo as sociedades objeto da metamorfose e os titulares (pessoas físicas ou jurídicas) das respectivas cotas ou ações. Em todo o encadeamento de negócios não ocorre qualquer operação comercial. Os bens permanecem no círculo patrimonial da corporação..." (14) É de se concluir, portanto, que a transformação de sociedade não implica na sua extinção, dissolução ou liquidação. A sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente com uma roupagem jurídica diversa. Não há transmissão do patrimônio social da sociedade, havendo apenas a necessidade de observação dos preceitos reguladores da constituição e inscrição do tipo societário em que a sociedade transformada irá converterse. (Aspectos tributários da transformação de Associação sem fins lucrativos em Sociedade Simples ou Empresária. In http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.php?PID= 217174&key=4415884) Entendo, ademais, que o artigo 2033 do Código Civil também corrobora o que dito acima, já que ele estabelece que “as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no artigo 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código”. Ora, se verificarmos o artigo 44 do Código Civil1, temos que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. O artigo 61 do Código Civil2 apenas prevê o destino do patrimônio das associações em caso de dissolução. No entanto, não foi isso que efetivamente aconteceu na operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 727 25 As Associações Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas com incorporação da parcela cindida pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A, sendo que as Associações Bovespa e BM&F continuaram existindo. Houve, a meu ver, a mera substituição dos títulos patrimoniais por ações, decorrentes da operação societária de cisão e posterior incorporação da parcela do patrimônio cindido das Associações Bovespa e BM&F pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A. Tais : Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal,estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. [...] Fl. 739DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 26 Discordo, portanto, do entendimento da fiscalização no sentido de que houve a extinção das Associações Bovespa e BM&F, já que elas continuaram a existir apenas com uma mudança em seus objetos sociais. Nesse sentido, inclusive destaco os acórdãos 3404001.734 e 3403001.757 proferidos pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, senão vejamos: INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. (Acórdão 3404001.734) DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que Fl. 740DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 728 27 sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. (Acórdão 3403001.757) Sendo assim, com a continuidade das pessoas jurídicas com as mesmas atividades, mesmos associados alçados à condição de sócios, mas apenas com alteração da forma societária para Sociedades Anônimas, entendo que a contabilização de ativos em conta do permanente baseiase na intenção de permanecer com eles no momento de sua aquisição, ou seja, em momento muito anterior à operação de desmutualização das bolsas quando os títulos patrimoniais foram “adquiridos”. Este entendimento é corroborado pelos Pareceres Normativos CST 108/78 e 3/80, que trataram, respectivamente, da classificação de determinadas contas, na escrituração comercial, para os efeitos da correção monetária de que trata o Decretolei nº 1.598/77, e dos ganhos de capital, tratamento tributário correção monetária do balanço, verbis: Parecer Normativo CST 108/78 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179. III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 28 Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. (grifamos) Parecer Normativo CST 3/80 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifamos) E não se diga que referidos Pareceres Normativos seriam aplicáveis somente ao IRPJ, já que os conceitos ali utilizados são aplicáveis a todos os tributos federais. Não há como dizer que os conceitos de investimentos e ativo permanente, por exemplo, são distintos para o IRPJ, PIS e COFINS, IPI E CSLL. Por fim, destaco que, em recente parecer do Professor Eliseu Martins a que tive acesso tratando da questão da desmutualização das bolsas, é de se destacar o seguinte trecho acerca da classificação contábil dos ativos que muito se coaduna com o entendimento por mim defendido nesta declaração de voto: Quando analisamos a movimentação subsequente desses ativos e identificamos uma situação de alienação de ações em curto prazo, a primeira interpretação é a de que a classificação contábil não estava adequada. Porém essa interpretação, baseada unicamente no momento das alienações, deve ser considerada com certa restrição; afinal, a decisão de venda de um ativo pode surgir a partir de eventos isolados, e que nem sempre não previsíveis. Pode então ser comentado que a empresa já assinara compromisso de venda de parte dessas ações. Mas, de fato em nada muda a caracterização de Fl. 742DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 729 29 que se tratava de um ativo adquirido, na sua origem, para poder operar nas bolsas, portanto, um ativo permanente à época, que agora fica disponibilizado para venda. Classificado no permanente ou classificado no circulante ou mesmo, à época, no realizável a longo prazo, em nada muda: tratavase de um investimento adquirido para servir como permanente que agora poderia, sim, ser colocado à venda. Nunca fora o investimento original feito com o fim de ganho por venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de permitir à entidade o desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Entendo, portanto, que a isenção prevista no inciso IV, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 é plenamente aplicável ao caso concreto, motivo pelo qual não prospera a presente autuação fiscal. [...]” Na mesma linha, transcrevo parte do voto do ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim exarado no acordão 3403003447: “[...] A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado é sucessor de instituição financeira que possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F. Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e na incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA Fl. 743DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 30 HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 730 31 desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 32 Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigalo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento 1 (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 731 33 Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho ação judicial 2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo. [...]” Dessa forma, é de se concluir que os títulos da Bovespa e da BM&F que eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente e que as ações recebidas por sucessão universal decorrente da cisão seguida de incorporação deveriam ser registradas em seu ativo permanente. O que, por conseguinte, tornase claro que a receita de alienação dessas ações não são passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Não obstante a tudo isso, proveitosa a seguinte reflexão. Ainda que se considere equivocadamente as ações como fruto de aquisição pura motivada pelo sujeito passivo e que, portanto, não seria passível de registro em ativo permanente, importante refletir também sobre as regras impostas pela nova contabilidade, independentemente de à época ser plenamente considerada o registro contábil das ações recebidas em troca em ativo permanente Para tanto, invocase o Pronunciamento técnico CPC 30 – que contempla em seus itens 7 e 12: “Item 7. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...] Item 12. Quando bens ou serviços forem objeto de troca ou permuta, que sejam de natureza e valor similares, a troca não é vista como uma transação que gera receita. [...] Por outro lado, quando os bens são Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 34 vendidos ou os serviços são prestados em troca de bens ou serviço não similares, tais trocas são vistas como operações que geram receita” Continuando, o Pronunciamento Conceitual Básico (R1) descreve no item 4.29 que “a definição de receita abrange tanto as receitas propriamente ditas quanto aos ganhos. A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties, alugueis.” Já os “ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e que podem ou não surgir no curso das atividades usuais da entidade”. Tal Pronunciamento ainda traz em seu item 4.31 que “ganhos, incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não circulantes”. Ademais, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16, “estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios.” E, nos termos do CPC 31, a destinação de um ativo não circulante (ativo permanente) para venda não o classifica como ativo circulante (estoque), devendo ser classificado como ativo não circulante destinado a venda, especialmente à luz do quanto disposto em seu Apêndice A – Definições de termos: “Ativo Circulante é um ativo que satisfaz a qualquer dos seguintes critérios: a. esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no curso normal do ciclo operacional da entidade; b. mantido essencialmente com o propósito de ser negociado Ativo não circulante é um ativo que não satisfaz à definição de ativo circulante.” Nesta senda, vêse que os ativos adquiridos destinados à comercialização nas operações usuais da empresa devem ser registrados no ativo circulante em conta de estoque e o produto de sua venda é classificado como receita propriamente dita. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 732 35 Enquanto, ativos que não comportem a sua classificação em estoque e sejam reconhecidos no ativo não circulante, quando de sua alienação podem gerar ganhos, mas que não se enquadram no conceito de receita, uma vez que não se trata de atividade usualmente praticada pela entidade. O que resta concluir que as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais ostentam a mesma natureza, bens do ativo permanente – ou seja, ativo não circulante, na nova linguagem contábil, não se sujeitando quando se sua alienação ao PIS e Cofins. Mais ainda, caso se “ignore o Código Civil” e desconsidere equivocadamente o correto registro contábil – registrando em contas do ativo circulante, proveitoso trazer, a título de “amor ao debate técnico”, que as receitas geradas na venda dessas ações ainda assim não seriam passíveis de tributação pelas contribuições – eis que não devem ser consideradas como sendo decorrentes de suas atividades próprias. Ora, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são pessoas jurídicas integrantes do Sistema Financeiro Nacional que, dentre outras atividades, realizam a intermediação nas operações de compra e venda de títulos financeiros para seus clientes. Nos termos da ICVM 387/03, a corretora de valores é “a sociedade habilitada a negociar ou registrar operações com valores mobiliários por conta própria ou por conta de terceiros em bolsa e entidade de balcão organizado”. Além de operar com títulos e valores por conta de terceiros, as sociedades corretoras, de maneira residual, podem operar carteira própria de valores mobiliários, atuando nos mercados de bolsa e balcão. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 36 Com efeito, para que as sociedades corretoras possam operar carteira própria devem observar diversas regras estabelecidas pela CVM, por intermédio da ICVM 117/90. As sociedades corretoras que operem carteira própria devem indicar a CVM e as bolsas de valores um de seus diretores ou sócios gerentes como responsável pela operação da carteira e somente poderão aplicar na constituição e operação de sua carteira, recursos próprios. Além disso, as sociedades corretoras que operaram com carteira própria devem obedecer os seguintes limites: · O valor da carteira própria das sociedades corretoras cujo patrimônio líquido ajustado, computado a partir de 31.3.90 na forma determinada pelas normas contidas no Plano Contábil das Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), for inferior a 2.000.000 de bônus do tesouro nacional para fins fiscais não excederá, a qualquer tempo, 50% do valor do capital de giro dessas sociedades; · O valor da carteira própria das sociedades com patrimônio líquido ajustado superior a 2.000.000 de BTNF mas inferior a 3.000.000 de BTNF não excederá a qualquer tempo 60% do valor do capital de giro próprio dessas sociedades; · Para as sociedades com patrimônio superior a 3.000.000 de BTNF, o valor da carteira própria não excederá a qualquer tempo 70% do valor do capital de giro próprio. Portanto, vêse que não há que se considerar “engessadamente” que a atividade da sociedade corretora seria comprar e vender ações para si própria – pois sua atividade se resume na intermediação de negociação de títulos e valores mobiliários custodiados na CBLC por ordem de compra e venda dada por seus clientes. Tanto é assim, que há várias restrições para se alocar determinado ativo em carteira própria. O que resta considerar que eventual receita da venda das r. ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais não comporia a base de cálculo do PIS e da Cofins sob a sistemática da cumulatividade. O que resta afastar a pretensão de considerar que a receita auferia pela venda dessas ações objeto de substituição seriam enquadradas como receitas de suas atividades – para fins de se tributálas pelo PIS e Cofins. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 733 37 Sendo assim, tornase impossível tributar a receita da venda das r. ações, independentemente até mesmo de seu registro contábil, pelas contribuições ao PIS e Cofins. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Fl. 751DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 38 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Vanessa Marini Cecconello Pediuse vista destes autos para melhor compreender os fatos ocorridos e a legislação aplicada. A controvérsia posta no presente recurso especial cingese a determinar o tratamento tributário a ser aplicado à receita da venda das ações recebidas pela Contribuinte em substituição aos títulos patrimoniais que detinha da Bovespa e da BM&F, no processo chamado de "desmutualização", para efeitos de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. Tendo sido negado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, mantendose o crédito tributário lançado pela Autoridade Fiscal, a mesma interpôs perante esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o apelo especial, que foi admitido tão somente quanto à divergência jurisprudencial relativa à incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas oriundas das operações societárias denominadas como "desmutualização", realizadas em virtude dos processos de reorganização societária sofridos por BM&F e Bovespa. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização das bolsas de valores" consistiu em um conjunto de atos societários por meio dos quais a Bovespa e a BM&F sofreram abertura de capital, tendo ocorrido a cisão parcial das referidas entidades associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades anônimas (com fins lucrativos) Bovespa Holding S/A ("Bovespa Holding") e BM&F S/A ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em substituição aos antigos títulos. Em momento subsequente, a Contribuinte procedeu à alienação compulsória das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, recebidas em substituição ao antigos títulos patrimoniais, por meio de ofertas públicas, secundárias das ações da Bovespa e BM&F, transferindo a sua participação nas sociedades anônimas para os novos adquirentes. Na desmutualização, foi firmado acordo entre as bolsas e os acionistas, determinando que fosse realizada por estes a venda, no mercado, de parte das ações recebidas, em até 180 (cento e oitenta) dias a contar da desmutualização. Com a alienação, a Contribuinte auferiu resultado positivo, mas não efetuou o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as operações, por entender se tratar de venda de ativo permanente, não sujeito à tributação. Este fato deu ensejo à ação da Fiscalização e consequente constituição de crédito tributário. A Fiscalização entendeu que no processo de desmutualização o recebimento das ações consistiu em pagamento pela devolução do patrimônio das associações sem fins lucrativos, bem como havido por parte das corretoras a intenção de venda dos novos ativos, e, portanto, deveriam ser contabilizados no Ativo Circulante, estando o resultado positivo da alienação sujeito à incidência do PIS e da COFINS. Antes de se adentrar à análise da controvérsia suscitada no presente processo administrativo, entendese necessário tecer breves considerações quanto (i) ao princípio da estrita legalidade e (ii) à impossibilidade de o Fisco sobreporse à legislação privada. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 734 39 O princípio da estrita legalidade embasa o sistema jurídico brasileiro, estando previsto no rol de direitos e garantias individuais do art. 5º, caput e inciso II, da Constituição Federal, e também se constitui no mais importante dos princípios constitucionais tributários, conforme redação do art. 150, inciso I, da Constituição Federal, que proclama vedada a exigência ou aumento de tributo sem que a lei assim estabeleça. O princípio da legalidade é informado pelos valores da certeza e da segurança jurídica, sendo uma garantia do Estado de Direito e tendo o papel de proteção dos direitos dos cidadãos. No Direito Tributário, a segurança jurídica é garantida por meio da reserva absoluta de lei, que, nos dizeres de Alberto Xavier1, implica "na necessidade de que toda a conduta da Administração tenha o seu fundamento positivo na lei, ou, por outras palavras, que a lei seja o pressuposto necessário e indispensável de toda a atividade administrativa". A legalidade tributária impõe que todos os aspectos do fato gerador estejam estabelecidos em lei, os quais são imprescindíveis para a quantificação do tributo devido em cada caso concreto que venha a refletir a hipótese descrita na lei. Como consectário do princípio da estrita legalidade, está o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e ao aplicador da lei. O doutrinador Luciano Amaro2 bem sintetiza o princípio da tipicidade ao explicitar que: [...] Deve o legislador, ao formular a lei, definir, de modo taxativo (numerus clausus) e completo, as situações (tipos) tributáveis, cuja ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo. Por outro lado, ao aplicador da lei vedase a interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a taxatividade e determinação dos tipos tributários. À vista da impossibilidade de serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos ao contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costumase qualificarse de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributtum sine lege traduz "o imperativo de que todos os elementos necessários à tributação do caso concreto se contenham e apenas se contenham na lei". [...] (grifouse) Além da necessidade de observância ao princípio da estrita legalidade, na interpretação da legislação tributária é vedada a utilização de analogia para tributar, conforme artigos 108, §1º e 112, ambos do Código Tributário Nacional. A analogia é um dos instrumentos de integração previstos no CTN, e se constitui na aplicação de regra prevista para caso semelhante a uma determinada situação que não se encontra regulamentada. No entanto, referido mecanismo tem um campo de atuação restrito no Direito Tributário, justamente pela limitação que lhe é conferida pelo princípio da reserva de lei para efeitos de ser exigido determinado tributo. O art. 112 do CTN, por sua vez, também traz a interpretação restritiva como regra para as matérias referentes a infrações, penalidades e definição das hipóteses de 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 112. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 113. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 40 incidência do tributo: in dúbio pro reo. Constituise na forma de interpretação benigna preconizada pelo CTN “quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112)”3. Quanto ao tema, pertinente trazer a lição de Luciano Amaro, que conclui dizendo que em caso de dúvida, a solução a ser adotada é a mais favorável ao Sujeito Passivo, in verbis4: Na verdade, embora o art. 112 do Código Tributário Nacional pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos seus incisos I a III, diversas situações nas quais não se cuida da identificação do sentido e do alcance da lei, mas sim da valorização dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da lei, mas de “interpretação” do fato (ou melhor, de qualificação do fato). Discutir se o fato “x”se enquadra ou não na lei, ou se ele se enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do fato e das circunstâncias em que ele teria ocorrido, e não ao exame da lei, A questão atémse à subsunção, mas a dúvida que se põe não é sobre a lei, e sim sobre o fato. Já o inciso IV do dispositivo pode ser referido tanto a dúvidas sobre se o fato ocorrido se submete a esta ou àquela penalidade (problema de valorização do fato) como à discussão sobre o conteúdo e alcance da norma punitiva ou sobre os critérios legais de graduação da penalidade. De qualquer modo, o princípio in dubio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei punitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais favorável ao acusado. (grifouse) De outro lado, há de se considerar também há que ser considerada a impossibilidade de o Fisco sobreporse às normas de direito privado, nos termos dos artigos 109 e 110 do CTN. O direito tributário, embora ramo do direito público, tem estreita relação com o direito privado, utilizandose de muitos conceitos deste na sua codificação. Entretanto, a definição dos referidos conceitos presentes no direito tributário deve ser buscada na legislação de direito privado. Embora a legislação tributária possa se utilizar dos princípios do direito privado, não lhe é lícito alterar conceitos que estejam definidos na norma de direito privado. Analisando a matéria posta no recurso especial da Contribuinte sob a ótica dos princípios acima mencionados, que são informadores do direito tributário, e da legislação aplicável ao caso, entendese que assiste razão à Recorrente ao manter o registro das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222 – 223. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 9303003.469 CSRFT3 Fl. 735 41 O processo que se convencionou chamar de "desmutualização" das bolsas de valores caracterizouse pela cisão de parcela do patrimônio das associações sem fins lucrativos com a substituição dos títulos patrimoniais que antes detinham as corretoras por ações. Não há, portanto, de se falar em extinção das entidades com devolução do patrimônio social à Recorrente. A possibilidade de cisão das associações sem fins lucrativos está prevista no art. 2033 do Código Civil combinado com o art. 44 do mesmo diploma legal, dispondo que podem ser objeto de cisão, incorporação, transformação e fusão as entidades elencadas no dispositivo do art. 44 do CC, dentre elas as associações. Cumpre consignar que à Fiscalização não é permitido alterar o fato de ter ocorrido a cisão parcial das entidades, nos termos do art. 110 do CTN explicitado supra, uma vez a operação ter sido aprovada em assembleia (que exerce a função de legislador dentro das instituições), prevalecendo o princípio da autonomia de vontade das partes. Além disso, os atos da transformação societária foram devidamente arquivados na Junta Comercial e no Registro Civil das Pessoas Jurídicas competentes, tornandose válidos e definitivos no mundo jurídico. A aplicação do art. 17 da Lei 9532/97 pelo Fisco para caracterizar a desmutualização como o processo em que houve a devolução do patrimônio em decorrência da extinção das associações, implica na exigência de tributo por analogia, o que é vedado pelo art. 108, §1º do CTN, conforme antes explicitado. No sentido da vedação de tributação por analogia, há precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo o Acórdão CSRF nº 0105.059. Outro argumento que corrobora a tese defendida pelo Sujeito Passivo, é o fato de que proferida pela Receita Federal a Solução de Consulta COSIT nº 13, no ano de 1997, reiterando o caráter da neutralidade fiscal da operação da desmutualização da bolsa de valores, no mesmo sentido da Portaria MF nº. 785/77 (que trata do ganho de capital). No ano de 2007, a COSIT proferiu entendimento contrário ao da Solução de Consulta nº. 13/1997, consubstanciada na Solução de Consulta COSITI nº 10/07, posicionandose pela necessidade de tributação de eventual diferença entre o valor dos títulos e o valor das ações em razão de uma suposta subsunção da situação à regra do art. 17 da Lei 9532/97. O CARF, no acórdão nº 10194540 (processo nº 13897000840200247), de 14/04/2004, já proferiu entendimento no sentido de que o Fisco teria a obrigação de observar a Solução de Consulta COSIT nº 13/97 até o dia 30/10/2007, data em que foi publicado no DOU a mudança de posicionamento. A mudança de critério jurídico pela RFB entre uma solução de consulta e outra traz violação ao art. 146 do CTN, nos temos do já decidido nos acórdãos nºs 10704215, 10246520 e 30130892. Assim, tendo em vista que não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. Nesse sentido, acórdão nº 3403003 447, voto do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO 42 Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. Conselheira Vanessa Marini Cecconello Fl. 756DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 02/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 16327.720082/2013-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998.
A base de cálculo do PIS e da COFINS em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS e da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF.
PIS E COFINS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-002.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. A base de cálculo do PIS e da COFINS em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS e da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. PIS E COFINS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 82 /2 01 3- 92 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 16ª Turma da DRJ/RJ 1 (Acórdão nº 1259.395), que julgou procedente o lançamento de PIS e COFINS das instituições financeiras e equiparadas, tendo como base de cálculo das contribuições a totalidade das atividades desenvolvidas em torno de seu objeto social. Insurgese a Recorrente contra a pretensão fiscal, por entender que a questão já fora dirimida nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.61.00.0214374, impetrado em 29/09/2006, em face do Delegado da DEINF, por meio do qual foi concedida a liminar e a segurança para: “determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98”. A controvérsia está na seguinte questão: se as receitas provenientes da atividade estatutária da Recorrente sofrem incidência de PIS e COFINS. A fiscalização aponta que no período autuado a PERNAMBUCANAS recolheu o PIS e a COFINS somente sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas na conta Cosif n. 7.1.7.00.00.9, motivo pelo qual se impõe lançar de ofício os créditos tributários relativos às demais receitas operacionais excluídas da base de cálculo. Sustentando entendimento contrário ao do fisco, garante a Recorrente que as receitas provenientes da atividade financeira não se classificam como receitas a fazer incidir as contribuições sociais, PIS e COFINS, haja vista a declaração de inconstitucionalidade da expansão da base de cálculo prevista pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo de auto de infração de PIS e COFINS (fls. 160/174), do período de 01/2008 a 12/2008, nos valores abaixo discriminados: Cofins...............................................R$ 19.130.244,90 Juros.................................................R$ 8.377.810,72 Multa................................................R$ 14.347.683,68 PIS....................................................R$ 3.108.664,78 Juros..................................................R$ 1.361.394,24 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 12 3 Multa..................................................R$ 2.331.498,59 Segundo o Termo de Verificação (fls. 142/146) a Pernambucanas Financiadora impetrou Mandado de Segurança (Processo Judicial nº 2006.61.00.0214374) com pedido de liminar, objetivando a declaração da inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento do PIS e COFINS sobre receitas de natureza diversa à de faturamento, reconhecendo a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e o direito a compensar os valores recolhidos indevidamente. A interessada tem como objeto social a prática de operações de crédito, financiamento e investimento. Assim, o faturamento compreende a totalidade das atividades desenvolvidas em torno de seu objeto social. A autuada tributou apenas a conta rendas de prestação de serviços (COSIF 7.1.7.00.009). O Termo de Verificação Fiscal cita também o Parecer nº 2773/2007 da PGFN que concluiu que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições de PIS e COFINS. O Termo conclui que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não implica que as receitas financeiras, as rendas de operações de crédito com empréstimos e financiamentos e de aplicação de depósitos interfinanceiros, das instituições financeiras, não estão sujeitas ao PIS e COFINS, estando estas compreendidas no conceito de faturamento. Portanto, tais receitas devem ser consideradas como resultado operacional, conforme a própria Pernambucanas Financiadora apresenta no demonstrativo de provisão, integrando a base de cálculo do PIS e da COFINS. Essas operações estão contempladas em seu objeto social, conforme artigo 4º de seu Estatuto Social. A interessada foi autuada na mesma matéria em relação ao PIS e COFINS, do período de 2006 e 2007, gerando o processo administrativo nº 16327.000258/201043 que foi julgado por meio do acórdão 1625.588, da DRJ São Paulo. A interessada foi cientificada em 29/01/2013 e apresentou impugnação (fls. 186/206 e 554/574) em 27/02/2013, alegando em síntese: A Portaria RFB 1.916/2010 estabeleceu a competência da 1ª a 14ª Turmas da DRJ em São Paulo para processar e julgar os autos de infração relativos aos tributos em discussão, requer o encaminhamento desta defesa ao órgão julgador. A matéria objeto de impugnação não foi submetida à apreciação judicial; Fl. 972DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 13 4 Impetrou o MS 2006.61.00.0214374 para se eximir do recolhimento do PIS e COFINS na forma do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, abstendose a autoridade coatora de lhe exigir as contribuições sociais sobre receitas que extrapolassem o conceito de faturamento, esse entendido como os ingressos decorrentes da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. A liminar pleiteada foi concedida “para determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS nos termos do §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, abstendose a ré de proceder a qualquer ato de cobrança das referidas exações, bem como de impedir a expedição de certidões negativas ou de inscrever os nomes das impetrantes no CADIN”. A União protocolizou em 06/11/2006 agravo de instrumento contra a decisão que concedeu a medida liminar, defendendo que: a Lei 9.718/98 não padecia de inconstitucionalidade, “em relação às instituições financeiras, a questão do conceito de faturamento e do de receita bruta ganha contornos particulares, não se aplicando as mesmas categorias válidas para as empresas mercantis e prestadoras de serviços”, e “a receita operacional ou o faturamento das entidades financeiras, tendo em vista seu objeto social, tal como definido no art.17 da Lei nº 4.595/64, será composto essencialmente pelas receitas financeiras, que comporão sua maior parcela, e, em menor parte, pela receita de prestação de serviços”. Por fim, pediu a União que lhe fosse dado provimento “para considerar válida a alteração da base de cálculo pela Lei nº 9.718/98 ou, sucessivamente, para reconhecer como faturamento a receita operacional (receitas oriundas do exercício do objeto social, tal como previsto no art.28 da Lei nº 4.595/64), conforme se demonstrou acima, (...)”. O recurso foi convertido em agravo retido pelo TRF, não se insurgindo a União contra essa decisão. Posteriormente, a sentença de 22/11/2007 concedeu a segurança requerida, “para determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS nos termos do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, bem como para assegurar o direito à compensação dos valores pagos indevidamente, respeitado o prazo quinquenal de prescrição”. As partes apelaram, sendo que a União sustentou apenas a necessidade de reforma da sentença proferida, já que, “mesmo sob a vigência da antiga redação do art.195, inciso I, da Constituição Federal, não seria possível declarar a inconstitucionalidade da Lei em comento quanto à alteração da base de cálculo”. O ente público não observou o art. 523 do Código de Processo Civil no que concerne ao conhecimento de seu agravo retido, conformandose com a solução dada ao caso pelo magistrado, eis que não levou ao Tribunal sua irresignação quanto ao conceito de faturamento supostamente aplicável às instituições financeiras e entidades equiparadas, o que resultou no sepultamento definitivo da discussão, por preclusão. Isso significa, que a sentença concessiva da segurança, ao afastar a aplicação do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 para declarar que o conceito de faturamento “equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não autorizou a Fl. 973DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 14 5 possibilidade de incidência das contribuições sociais sobre a receita operacional da Impugnante. O magistrado, não acolhendo os fundamentos de direito contidos nas informações da autoridade coatora e no agravo de instrumento da União, reputou inexistente qualquer necessidade de diferenciação entre faturamento de instituições financeiras e faturamento de empresas comerciais ou prestadoras de serviços. O conceito de faturamento foi definido em sentença como receita bruta decorrente das vendas de mercadorias e/ou serviços de qualquer natureza. Não corresponde, pois, à receita operacional da Impugnante, nem à totalidade das atividades desenvolvidas em torno de seu objeto social. A sentença, atualmente em vigor, tem execução imediata, conforme art.14, § 3º, da Lei 12.016/09, razão pela qual o auto de infração já nasceu morto. A Impugnante pretendeu no MS 2006.61.00.0214374 obter autorização para recolher o PIS e a COFINS com base no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, ou seja, sobre a totalidade das receitas auferidas em decorrência da venda de mercadorias e/ou serviços, na esteira do entendimento firmado pelo Pleno do STF. A resistência da autoridade coatora, em suas informações, e da pessoa jurídica de direito público, em seu agravo de instrumento, que trouxeram aos autos as matérias de defesa então deduzidas, redefiniu os contornos da lide, pois discutiram o que seria faturamento para instituições financeiras e assemelhadas. O art.302 do Código de Processo Civil impõe ao demandado o ônus da impugnação especificada dos fatos narrados na petição inicial. Assim, a questão controvertida (objeto litigioso) colocada pelas partes no MS referido pode ser delimitada pela causa de pedir formulada pelo autor (inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 e constitucionalidade do caput do art. 3º da mesma lei) e pela causa excipiendi (“contradireito”) formulada pela autoridade coatora em suas informações e pela União em seu agravo de instrumento (constitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, tratamento diferenciado às instituições financeiras, inaplicabilidade dos precedentes do STF, entendimento de que faturamento é “o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica” ou “a receita operacional total”). Estabelecido o objeto do litígio, delimitado tanto pela causa petendi do autor como pela causa excipiendi do réu, o sentenciante concedeu a segurança requerida pela então impetrante, ora Impugnante, declarando a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, no que ampliou indevidamente a base de cálculo do PIS e da COFINS. No caso específico da Impugnante, a decisão judicial pode ser dividida em: (a) é inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, e (b) a base de cálculo do PIS e da COFINS corresponde ao faturamento, entendido como a Fl. 974DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 15 6 “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”. O juiz acolheu integralmente, na motivação, a causa de pedir articulada pelo autor, afastando, mesmo que não expressamente, o contradireito arguido pelo réu. Nenhuma das exceções opostas pelo réu foi agasalhada pelo magistrado. A sentença, ao conceder a segurança requerida, é a prova viva de que o contradireito alegado pelo demandado não foi acatado pelo sentenciante. Em sua apelação, a União discutiu apenas a presunção de constitucionalidade das normas e a constitucionalidade da Lei 9.718/98 sob a vigência da redação original do art.195, I, da CF/88, deixando de requerer o conhecimento preliminar do agravo retido fruto da conversão de seu agravo de instrumento. A ausência de devolução de outras questões para o Tribunal equivale à aceitação do que restou resolvido pelo sentenciante, revelando seu conformismo com a solução dada à lide. Ou seja, sepultouse definitivamente a controvérsia acerca do conceito de faturamento aplicável às instituições financeiras e equiparadas. Quando a União aceitou tacitamente a sentença, na parte em que definiu o conceito de faturamento como a receita bruta decorrente da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, ocorreu preclusão lógica, impossibilitando o ente público de suscitar essa controvérsia agora, pois incompatível com sua conduta processual anterior. E como a União interpôs seu recurso de apelação abordando apenas a constitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não lhe é dado submeter ao Tribunal sua irresignação quanto ao conceito de faturamento para as instituições financeiras e equiparadas, eis que ocorreu preclusão consumativa. Ocorrida a preclusão, o efeito, no caso, é que para a Impugnante, as contribuições sociais somente podem incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta decorrente da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Pretender incluir em tal conceito o “resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica” ou a “receita operacional total” significará retroceder no exame de uma questão cujo trato já se encontra vedado em razão da consumação da preclusão. Daí ser lícito dizer que a norma individual, criada pelo judiciário, definindo o que é faturamento para o caso da Impugnante, deverá ser observada por quem quer que seja. Para argumentar, caso o TRF da 3ª Região reforme a sentença proferida pela Justiça Federal de SP, diminuindo assim o alcance da causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, abrese o prazo para recolhimento, em 30 dias, sem incidência de multa moratória, do tributo considerado devido em decorrência da prolação de decisão judicial “nova”, conforme § 2º do art. 63 da Lei 9.430/96. Nesse contexto, o máximo admissível seria a lavratura dos autos de infração sem a multa de 75%, nos termos do art. 63 da Lei 9.430/96. Caso se entenda que as receitas decorrentes das atividades das instituições financeiras possam ser classificadas como prestação de serviços Fl. 975DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 16 7 para fins tributários, é necessário examinar o alcance dessa expressão fixado em atos normativos da própria RFB. A IN 247/2002, em seu art. 95, determina que as instituições financeiras devem apurar o PIS e a COFINS de acordo com planilha constante em seu anexo I, no qual o grupo de contas 7.1.7 referese a “rendas de prestação de serviços”, abrangendo as subcontas: Concluise que a metodologia usada pela própria RFB sempre definiu, como prestação de serviços (base de cálculo do PIS e da COFINS), apenas as subcontas do grupo 7.1.7. Se a pretensão da União é modificar esse conceito, para nele incluir todas as demais atividades que constituam o objeto social da pessoa jurídica (receita operacional total), como prestação de serviços, não é possível que se exija da Impugnante os juros moratórios e multa de ofício, nos termos do que estatui o parágrafo único do art.100 do CTN. Portanto, devem ser excluídos os juros e a multa de ofício. Os trabalhos fiscais foram permeados por erros que comprometem a certeza e liquidez do crédito tributário constituído, acarretando a nulidade dos autos de infração. A Autoridade Fiscal incluiu equivocadamente na base de cálculo das contribuições sociais valores (a) correspondentes às “Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez”, alocados na subconta “Rendas de Aplicações em Depósitos Interfinanceiros”, (b) os valores referentes à “Recuperação de Encargos e Despesas” e (c) relativos às “Outras Receitas Operacionais”, inseridos na subconta “Outras Rendas Operacionais”. A Impugnante não capta recursos de terceiros no mercado para a realização posterior de aplicações financeiras. Os valores alocados na subconta “Rendas de Aplicações em Depósitos Interfinanceiros” representam as aplicações interfinanceiras próprias da impugnante, e não de terceiros. Não podem ser consideradas receitas operacionais, assim entendidas pelo Agente Fiscal como oriundas do exercício do objeto social da empresa. Assim, a Fl. 976DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 17 8 diferença apurada nas planilhas anexas (DOC 07) deve ser excluída da exigência fiscal. Quanto aos valores alocados na subconta “Outras Rendas Operacionais”, o demonstrativo anexo (DOC nº 08) aponta que nessa subconta foram registrados valores relativos a juros incidentes sobre depósitos judiciais, juros incidentes sobre Finsocial a recuperar, juros incidentes sobre títulos da dívida agrária, etc. Tais valores não denotam receitas operacionais da Impugnante, pelo que não poderiam compor a base de incidência do PIS e da COFINS. À vista dos equívocos cometidos pela Autoridade Fiscal na apuração do crédito tributário, comprometida está sua certeza e liquidez, restando patente a nulidade dos autos de infração. Requer o cancelamento dos autos de infração, eis que lavrado em afronta à decisão judicial citada. Sucessivamente, requer sejam deferidos seus pedidos para excluir os juros e a multa lançada. Pede ainda a nulidade dos autos de infração, por ausência de certeza e liquidez do crédito tributário apurado, ante as inconsistências apontadas. A DRJ São Paulo julgou procedente o lançamento, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. O conceito de receita bruta sujeita ao PIS envolve não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. Para as instituições financeiras, a receita bruta operacional como definida nos artigos 226 e 227, do Decreto nº 1.041, de 11/01/1994, inclui as receitas provenientes de intermediação financeira, ou seja, aquelas oriundas da atividadefim dessas instituições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. O conceito de receita bruta sujeita à COFINS envolve não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. Para as instituições financeiras, a receita bruta operacional como definida nos artigos 226 e 227, do Decreto nº 1.041, de 11/01/1994, inclui as receitas Fl. 977DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 18 9 provenientes de intermediação financeira, ou seja, aquelas oriundas da atividadefim dessas instituições. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MULTA DE OFICIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a suspensão da exigibilidade na data do lançamento de ofício, cabível a multa de ofício, nos termos da legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NULIDADE. CANCELAMENTO. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. INCORREÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Nos termos do Decreto 70.235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Cabe, portanto, à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. No recurso voluntário, a recorrente discorre sobre o objeto litigioso do Mandado de Segurança por entender que “a questão central da presente autuação é estritamente processual e está assentada na interpretação das decisões proferidas no referido MS, bem como na abrangência que deve ser dada a elas”. Para a Recorrente: De acordo com a decisão liminar e com a sentença nos autos do MS, percebe se que, em ambas, o Magistrado se ancorou no boletim informativo do STF, que noticiava o resultado final dos Recursos Extraordinários n. 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. Segundo o boletim, a Suprema Corte reconheceu que o art. 3º, 1º, da Lei n. 9.718/1998, “violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF.” Assim, ao afastar a aplicação do 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, para declarar que o conceito de faturamento “equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, as decisões judiciais não autorizam, em momento algum, a possibilidade de incidência Fl. 978DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 19 10 das contribuições sociais sobre a receita operacional da Recorrente ou a decorrente de seu objeto social. Pleiteia reforma integral do acórdão recorrido para: 1) Cancelamento do auto de infração, porque lavrado em desacordo com a decisão judicial; 2) Exclusão de juros de mora e multa de 75% e, por fim, 3) Nulidade do auto de infração por ausência de certeza e liquidez. Em síntese, nos autos desta ação fiscal, é possível elencar os seguintes elementos principais em discussão: a) O auto de infração foi lavrado em desacordo com a decisão no MS 2006.614.00.0214374? b) A base de cálculo do PIS e da COFINS equivaleria à receita bruta das vendas de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza? Estão excluídas as receitas operacionais ou as decorrentes do seu objeto social? c) Deve ser excluída a aplicação da multa de 75%, nos termos do art. 63 da Lei 9.430/1996? É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. DELIMITAÇÃO DO OBJETO DO MANDADO DE SEGURANÇA 2006.614.00.021437 4 A medida liminar do mandado de segurança nº 2006.61.00.0214374 foi concedida em 27/10/2006 e prescreveu o seguinte: “determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS nos termos do §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, abstendo se a ré de proceder qualquer ato de cobrança das referidas exações, bem como de impedir a expedição de certidões negativas ou de inscrever os nomes das impetrantes no CADIN". A sentença publicada em 30/11/2007 concedeu a segurança para "determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS nos termos do §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, bem como para assegurar o direito à compensação dos valores pagos indevidamente, respeitado o prazo quinquenal de prescrição". Por sua vez, a autuação se deu por motivos diversos, conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal: Fl. 979DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 20 11 Verificouse então que a Pernambucanas Financiadora entendeu que a base de cálculo do PIS e COFINS é composta somente com as rendas de prestação de serviços (COSIF 7.1.7.00.009). Declarou em DCTF e recolheu DARF dessas contribuições utilizando como base de cálculo somente essas receitas. A Pernambucanas Financiadora impetrou Mandado de Segurança (Processo Judicial nº 2006.61.00.0214374) com pedido de liminar e ao final a segurança definitiva para que fosse declarada a inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento do PIS e da COFINS sobre receitas de natureza diversa à de faturamento (venda de mercadorias e serviços), reconhecendose a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e cumulativamente que fosse declarado, na esteira da Súmula nº 213 do STJ, o direito de compensação dos valores indevidamente recolhidos, calculados com base no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em 23.10.2003 foi concedida a segurança requerida para determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS nos termos do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, bem como assegurar o direito à compensação dos valores pagos indevidamente. A Pernambucanas Financiadora, com sede em São Paulo, conforme Contrato Social em vigor, tem como objeto social a prática de operações de Crédito, Financiamento e Investimento. O faturamento das instituições financeiras compreende a totalidade das atividades desenvolvidas em torno do seu objeto social. O artigo 17 da Lei no 4.595/64 traz o conceito legal das empresas do setor financeiro, in verbis: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparam se às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI nº 2591, entendeu por submeter as atividades do setor financeiro à disciplina do Código de Defesa do Consumidor, em face do disposto no § 20 do art. 30 da Lei 8.078/1990, que delimita o serviço como "qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista". O artigo 2º da Lei n 9.718 de 1998 definiu que a base de cálculo para o PIS e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento. O Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 357.9509/RS, ao examinar os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, abaixo transcritos in verbis, considerou inconstitucional apenas o §1º do art. 3º, estando em desacordo, portanto, apenas a expansão da base de cálculo das contribuições em questão. Lei n° 9.718/98 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 21 12 Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (...) No Parecer nº 2773/07 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional — Coordenação Geral de Assuntos Tributários, concluiuse que "têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao "plus" contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada" (destacamos). A declaração de inconstitucionalidade do § 1º, art. 3º, da Lei nº 9.718/98 não implica que as receitas financeiras, as rendas de operações de crédito com empréstimos e financiamentos e de aplicação de depósitos interfinanceiros, das instituições financeiras, não estão sujeitas ao PIS e COFINS, estando estas compreendidas no conceito de faturamento. Portanto tais receitas devem ser consideradas como resultado operacional, conforme a própria PERNAMBUCANAS FINANCIADORA apresenta no demonstrativo de provisão, integrando a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois é atividade empresarial definida em seu objetivo social. Com efeito, a sentença e a liminar restringemse a afastar a incidência do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, com fundamento na ocorrência de vício de inconstitucionalidade, o que, todavia, não autoriza inferir a impossibilidade de as receitas financeiras da Recorrente submeteremse à incidência de PIS e COFINS, na linha do pronunciamento do STF. Consoante a dicção do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo das contribuições de PIS e COFINS é o faturamento, equivalente à receita bruta, que corresponde à receita decorrente das atividades típicas, próprias da pessoa jurídica em cada ramo de atividade econômica, não se limitando à venda de mercadorias e prestação de serviços. A noção de faturamento está intrinsecamente relacionada ao resultado financeiro decorrente do exercício das atividades principais das empresas, ou seja, aquelas vinculadas ao seu objeto e que se referem, em regra, à maior parcela do ingresso de valores da pessoa jurídica, em respeito aos princípios da isonomia, capacidade contributiva e, também, aos princípios que regem a seguridade social: universalidade, solidariedade e equidade na forma de participação do custeio. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 22 13 No caso em comento, tendo em vista que as receitas financeiras resultam de operações desenvolvidas pela Recorrente no desempenho de sua atividade empresarial típica, de rigor a incidência do PIS e da COFINS sobre tais receitas. A autuação fiscal não teve como fundamento o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas sim decorre da tributação das receitas operacionais da Recorrente, de acordo com o objeto definido no seu estatuto social, as quais foram consideradas faturamento para fins de incidência das referidas contribuições. A declaração de inconstitucionalidade do §1° do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo pleno do STF nos RE 357.950, RE 390.840, RE 358.273 e RE 346.0841 não implica que as receitas financeiras, bem como as rendas de operações de crédito com empréstimos, financiamentos e de aplicação de depósitos interfinanceiros das instituições financeiras não estejam sujeitas ao PIS e à COFINS, devendo essas serem tributadas já que compreendidas no conceito de faturamento. Nesses termos: CONSTITUCIONAL. LEGISLAÇÃO APLICADA APÓS O RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO SUPREMO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS AUFERIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA ESPECÍFICA NÃO PREQUESTIONADA. DECISÃO DE RECONSIDERAÇÃO QUE ALTERA O CONTEÚDO DECISÓRIO E CONTRARIA AS RAZÕES DE DECIDIR DA DECISÃO RECONSIDERADA. REABERTURA DE PRAZO PARA RECORRER. AGRAVO IMPROVIDO. I O STF não tem competência para determinar, de imediato, a aplicação de eventual comando legal em substituição de lei ou ato normativo considerado inconstitucional. II A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Ausência de prequestionamento da primeira matéria, que impossibilita a análise do recurso quanto ao ponto. III Alteração da parte dispositiva de decisão, de forma a contrair ou exceder os 1 “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Fl. 982DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 23 14 fundamentos mantidos na decisão modificada, não configura mera correção de erro de fato, mas caracteriza nova decisão, a justificar a reabertura do prazo para recurso. IV Agravo regimental improvido. RE 582.258 AgR AgR / MG, DJ 14/05/2010. TRIBUTÁRIO. PIS. PREVIDÊNCIA PRIVADA E SEGUROS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITAS DECORRENTES DE ATIVIDADES TÍPICAS. 1. O faturamento das impetrantes se compõem de todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, englobando suas receitas financeiras, não se limitando às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços. 2. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, o “conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais." (RE 371.258 AgR, Relator Ministro CEZAR PELUSO). 3. Apelação e remessa oficial a que se dá provimento para denegar a segurança. (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, AMS 003502374.2007.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 03/10/2013, eDJF3 Judicial 1 DATA:10/10/2013). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO LEGAL. ARTIGO 557, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO A APELAÇÃO E À REMESSA OFICIAL. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS: EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS TENDO COMO BASE DE CÁLCULO AS "RECEITAS FINANCEIRAS". CABIMENTO. CONCEITO DE FATURAMENTO (RECEITA BRUTA OPERACIONAL). AGRAVO LEGAL IMPROVIDO. 1. A declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não aproveita as instituições financeiras, pois recolhem as contribuições para o PIS e COFINS com supedâneo nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo que permaneceram incólumes perante o STF tendo por base de cálculo a receita bruta operacional, assim entendido o resultado de suas atividades empresariais típicas. 2. Mesmo após a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo ocorrida em recursos extraordinários (REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084) que afastaram as receitas "não operacionais" do âmbito do faturamento, obviamente que sobejaram no entendimento da Suprema Corte, quanto a composição do faturamento, as demais realidades econômicas qualificadas como ingressos próprios da atividade empresária, que no caso das instituições financeiras e seguradoras obviamente açambarcam as receitas financeiras; convém recordar que o STF declarou que as entidades Fl. 983DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 24 15 financeiras são prestadoras de serviços (ADIN nº 2.591, Plenário, Rel. Min. Eros Grau, DJ de 04.05.2007); se efetivamente o são, resta evidente que os ingressos derivados da intermediação e aplicação de recursos são receitas operacionais (financeiras) que integram o faturamento singular das entidades e instituições financeiras (e seguradoras) e, portanto, base de cálculo de PIS/COFINS, restando salutar a recordação de que segundo o entendimento do STF, a receita bruta e o faturamento são termos equivalentes para fins jurídicos, sem embargo de haver distinções técnicas entre as referidas espécies apenas na seara contábil (por exemplo, ARE 643823 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 05/02/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe053 DIVULG 19032013 PUBLIC 2003 2013). Rememorese também que ainda para o STF o conceito constitucional de faturamento, inscrito no art. 195, I, da Constituição, equivale a receita bruta advinda tanto da venda de mercadorias quanto da prestação de serviços (por exemplo, RE 396514 AgRAgRsegundo, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 20/11/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe241 DIVULG 07122012 PUBLIC 10122012 RDDT n. 210, 2013, p. 194202) e sendo as instituições financeiras sociedades empresárias dedicadas a esse segundo segmento econômico, a receita da prestação dos serviços (exceto as "não operacionais") a que se dedica compõem o faturamento, 3. Para as instituições financeiras e seguradoras, a chamada receita financeira é da essência de suas finalidades e atividades como sociedades empresárias, é consequência das operações próprias de seus objetivos sociais. Nesse cenário econômico, repitase, as receitas financeiras compõem as receitas das atividades típicas dessa espécie empresarial, que evidentemente ostenta capacidade contributiva e deve, portanto, contribuir à vista da solidariedade a quem alude o caput do art. 195 da Constituição. 4. Agravo legal improvido. (TRF 3ª Região, SEXTA TURMA, APELREEX 0011124 18.2005.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO, julgado em 26/09/2013, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/10/2013). DIREITO PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INOMINADO. ART. 557 DO CPC. PIS/COFINS. LEIS 9.718/98, 10.637/2002 E 10.833/2003. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA. RECURSO DESPROVIDO. (...) 3. Os artigos 8º, inciso I, da Lei 10.637/02, e 10, inciso I, da Lei 10.833/03, afastam, expressamente, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado da sistemática da não cumulatividade, sujeitandoa à legislação vigente anteriormente, enquanto permanecerem em tal regime. 4. O conceito de faturamento, por sua vez, mesmo sem a majoração do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, não exclui as receitas decorrentes de operações típicas da atividade empresarial, como as oriundas da locação de bens Fl. 984DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 25 16 imóveis e as receitas financeiras, no caso de instituições desta natureza ou equiparadas, conforme jurisprudência consolidada. (...) (TRF 3ª Região, TERCEIRA TURMA, AI 002600316.2013.4.03.0000, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS MUTA, julgado em 17/07/2014, eDJF3 Judicial 1 DATA:22/07/2014). Ademais, a Recorrente alega que as informações prestadas pela autoridade coatora e a argumentação da União no Agravo de Instrumento redefiniram os contornos da lide. Nos termos do artigo 128 do CPC: “O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte.” Os limites da lide são impostos pelo pedido, como bem ressalta o voto divergente da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, no Acórdão nº 3402002.601, da 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, em sessão de 27 de janeiro de 2015: Assim, ainda que, na remota possibilidade de que a lide judicial pudesse ser redefinida após a impetração, não haveria que se falar em concomitância do processo judicial, vez que esta deve ser aferida no momento em que foi proposta a ação judicial. A eventual decisão da lide fora dos limites em que foi originalmente proposta tratase de questão diversa, atinente ao cumprimento de determinação judicial. Depois, não é plausível a tese da recorrente de que teriam redefinido os contornos da lide inicial (art. 128 do CPC) as matérias de defesa suscitadas nas informações e no Agravo de Instrumento, efetuadas no sentido de esclarecer ao Poder Judiciário a diferença da questão para as instituições financeiras em relação às demais empresas mercantis e prestadoras de serviços. Além do que, o pedido sucessivo da União no Agravo do Instrumento, para reconhecer como faturamento a receita operacional da impetrante, em nada pode afetar, obviamente, a delimitação da lide principal do mandado de segurança. Cumpri ressaltar que no acórdão nº 3402002.601 supracitado, de relatoria de Gilson Macedo Rosenburg Filho, no qual a Recorrente figurou como parte, a matéria era idêntica (diferente apenas em relação ao período 2006 e 2007). A decisão lá proferida foi de se reconhecer a concomitância entre os processos administrativo e judicial, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2007 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 26 17 MULTA DE OFÍCIO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Não cabe lançamento de multa de ofício quando a exigibilidade do crédito esteja suspensa por decisão judicial quando do início da ação fiscal. A despeito r. decisão, assim não entendo, pois o mandado de segurança não tem o mesmo objeto do presente processo administrativo. É de se concluir, que: (a) o provimento judicial obtido no caso concreto silenciou em relação à abrangência do que seriam receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias das instituições financeiras (e, por exclusão, do que seriam “receitas financeiras” de instituições financeiras) para fins de tributação pelas contribuições; e (b) a discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência das contribuições não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Pleno do STF (RE 357.950, RE 390.840, RE 358.273 e RE 346.084), em relação à base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que pertine às instituições financeiras, temse o seguinte: No julgamento do RE 390.840/MG, concluise do voto do Ministro relator Marco Aurélio, que se considera receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Por sua vez, no votovista do Ministro Cezar Peluso, depreendese que faturamento ou receita bruta é o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo das contribuições. Concluiu o Ministro em seu voto: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”... Quanto ao caput do art. 3º, julgo constitucional, para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. O Ministro Peluso, em esclarecimentos, enfatizou: Quando me referi ao conceito construído, sobretudo, no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo Fl. 986DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 27 18 incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. Da análise do julgamento do STF, observase que restou, portanto, assentado que faturamento é o produto das atividades típicas, ou seja, os ingressos que decorram da razão social da empresa. Ademais, o alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmouse a jurisprudência consolidada pelo STF nos leading cases: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.... Restou pacificado que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não afastou a tributação sobre as receitas oriundas do exercício das atividades empresarias típicas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Salientase, porém, que a incidência de PIS e COFINS, especificamente, sobre as receitas financeiras das instituições financeiras está sendo julgada no RE 609.096/RS, no qual foi reconhecida a repercussão geral do tema, o que implica reconhecer que a matéria não foi objeto dos julgamentos dos RE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG e, consequentemente, ainda não foi decidida pela Suprema Corte. Apesar de o STF ter posicionamento assentado no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, não o tem sobre a delimitação do que seriam “receitas financeiras” de instituições financeiras (como a Recorrente), e se comporiam a base de cálculo Fl. 987DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 28 19 das contribuições. O tema, como dito, está presente no RE nº 609.096/RS, de reconhecida repercussão geral (Tema 372). Porquanto, resta ilógico entenderse que o segundo tema resta abarcado por decisão proferida em relação ao primeiro. Nesse sentido, a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03/06/2014). Descabida, em vista disso, a alegação da Recorrente que “objetivou afastar a exigência do PIS/PASEP e da COFINS sobre a totalidade das suas receitas (tal como estatuído no inconstitucional 1º do art. 3º de Lei 9.718/98, e, com isso, recolher tais contribuições apenas sobre o seu faturamento, assim definido pelo STF2 como sendo a receita bruta advinda exclusivamente da venda de mercadorias e/ou prestação de serviço.” Portanto, as receitas decorrentes das atividades do setor financeiro podem ser classificadas estão sujeitas à incidência das contribuições do PIS e da COFINS, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, considerado inconstitucional pelo STF. Por conseguinte, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto, por entender que compõe o faturamento, para fins de quantificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, a soma das receitas decorrentes da atividade operacional típica prevista no objeto social da Recorrente. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. LEI Nº 9.430/1996, ART. 63 Não merece acolhida o pedido de exclusão da multa de ofício de 75% lançada pela Fiscalização. 2 No julgamento dos Res n. 346.084/PR; n. 357.950/PR; n. 358.273/RS e n. 390.840/MG. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 29 20 Como dito acima, por entender que o comando do mandado de segurança não foi violado pelo presente processo administrativo, não há falarse em lavratura do auto de infração com exigibilidade suspensa, por isso resta afastada a prescrição do art. 63 da Lei nº 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Nesse diapasão, por reconhecer que não houve violação à decisão do MS 2006.61.00.0214374, descabe o cancelamento da multa aplicada. Em decorrência mantenho a aplicação de multas e juros. ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR ILIQUIDEZ DO AUTO DE INFRAÇÃO No Recurso Voluntário, novamente não ficou demonstrado que houve causa de nulidade nos autos de infração por iliquidez. Sem novos argumentos em sede de Recurso Voluntário, adoto a fundamentação da decisão da DRJ para afastar a nulidade alegada, conforme se expõe a seguir. Alega a impugnante que a fiscalização teria incluído equivocadamente na base de cálculo das contribuições lançadas valores correspondentes a “Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez”, alocados na subconta “Rendas de Aplicações em Depósitos Interfinanceiros”, que representariam aplicações interfinanceiras próprias da impugnante, e não de terceiros, motivo pelo qual não poderiam ser consideradas receitas operacionais, assim entendidas pelo Agente Fiscal como oriundas do exercício do objeto social da empresa. Conclui que essa diferença (planilha de fls.534545 e 879890) deve ser excluída da exigência fiscal. A empresa afirma também que teriam sido incluídos equivocadamente na base de cálculo dos autos de infração valores referentes a “Outras Receitas Operacionais”, inseridos na conta “Outras Rendas Operacionais”, na qual teriam sido registrados valores relativos a juros incidentes sobre depósitos judiciais, juros incidentes sobre Finsocial a recuperar, juros incidentes sobre títulos da dívida agrária, etc., que não denotariam receitas operacionais da Fl. 989DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 30 21 impugnante, e assim não poderiam compor a base de incidência do PIS e da COFINS (planilhas de fls. 544 e 545, 889 e 890). Conclui pela nulidade dos autos de infração, eis que comprometida sua certeza e liquidez. Alega ainda que foram incluídos indevidamente os valores referentes à recuperação de encargos e despesas, contudo, não consta tal rubrica nas planilhas (fls. 11/55) que serviram para apuração da base de cálculo das contribuições lançadas. Cabe inicialmente esclarecer que o Depósito Interfinanceiro (ou Interbancário) –DI é um instrumento financeiro cuja finalidade é transferir recursos entre as diversas instituições financeiras, possibilitando a fluidez do setor financeiro. A instituição financeira que necessitar captar recursos de outras instituições financeiras, por conta de uma saída de recursos maior que sua disponibilidade em caixa, emite um título denominado CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro ou Interbancário) e toma a quantia que necessitar de outra instituição que possuir sobra de dinheiro, garantindo, assim a liquidez de suas operações. Nas palavras de Jorge K. Niyama: Pode acontecer de, em uma instituição financeira captadora de depósitos, serem realizadas, transitoriamente, mais retiradas (resgates) do que as esperadas, fazendo, com isso, que ela apresente dificuldades para “zerar” sua posição de tesouraria, já que os recursos dos depositantes encontramse aplicados, normalmente, em operações de crédito. Em situação como essa, a instituição, em vez de recorrer ao auxílio do Banco Central do Brasil (linha de redesconto ou assistência financeira), pode recorrer a outras instituições, que tenham tido “sobras” de caixa, para a cobertura desse déficit. Assim, os depósitos interfinanceiros, também conhecidos como CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro), caracterizamse como instrumentos de regulação de liquidez entre as próprias instituições financeiras integrantes do SFN. (Niyama, Jorge Katsumi. Gomes, Amaro L. Oliveira. Contabilidade de Instituições Financeiras. Ed. Atlas, SP, 2012, pag.144). Portanto, tratase de empréstimos que as instituições financeiras realizam entre si com a finalidade de manter a liquidez do setor financeiro. Como já explicado anteriormente, se uma instituição financeira presta um serviço (por exemplo, um empréstimo, seja com recursos próprios ou não, a outra instituição financeira) cuja remuneração se efetiva pelo recebimento de juros, isso não retira dessa remuneração o fato dela ser uma contraprestação devida pelo exercício de atividade típica e usual de instituição financeira, de modo que essa receita constitui o próprio faturamento da empresa. Ademais, cabe ressaltar que, conforme a escritura pública de constituição da empresa (fls. 8), art. 4º, “A sociedade tem por objeto a prática de todas as Fl. 990DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 31 22 operações de crédito, Financiamento e investimentos permitidos pelas leis e regulamentos aplicáveis à espécie, atuais ou futuras, (...)”. Repitase que tais receitas são reconhecidas como operacionais pelo próprio Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, na conta 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez, do grupo 7.1 – Receitas Operacionais. A empresa alega que os valores de juros incidentes sobre depósitos judiciais, juros incidentes sobre Finsocial a recuperar, juros incidentes sobre títulos da dívida agrária, etc., inseridos na conta Outras Rendas Operacionais, não denotariam receitas operacionais, todavia, não apresentou nem documentos hábeis e suficientes a comprovar que tais valores possuem natureza de receitas não operacionais, nem os respectivos lançamentos contábeis indicando sua classificação em contas de receitas não operacionais, de acordo com a afirmação da impugnante de que tais receitas não denotariam receitas operacionais. Cabe esclarecer que a conta 7.1.9.99.009 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS segundo o plano de contas da COSIF tem a seguinte função: Registrar as rendas operacionais que constituam receita efetiva da instituição, no período, para cuja escrituração não exista conta específica, bem como para a reclassificação dos saldos credores apresentados por contas de resultado de natureza devedora, decorrentes do registro da variação cambial incidente sobre operações passivas com cláusula de reajuste cambial, devendo a instituição manter controle analítico para identificar as rendas da espécie, segundo a sua natureza. A instituição deve manter controle analítico para identificar as rendas da espécie, segundo a sua natureza. O § 4º do art.16 do decreto 70.235/72 (PAF) reza que a prova documental será apresentada na impugnação. Sobre a questão, o art.15 do mesmo decreto, dita: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Entendo que o dever de prova é tanto do agente fiscal (art. 9º do PAF), que fundamentou a autuação em tela nos dispositivos legais contidos nos autos de infração, baseandose em documentos contábeis e fiscais, fornecidos pela própria Recorrente, bem como é também da Recorrente (art.15 e 16 do PAF), que, contudo, não comprovou suas alegações neste caso, implicando em negar provimento à alegação de nulidade por iliquidez do auto de infração. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.720082/201392 Acórdão n.º 3301002.885 S3C3T1 Fl. 32 23 CONCLUSÃO Por conseguinte, considerandose que as receitas recebidas pela Recorrente em razão da realização de seu objeto social constituemse em receitas operacionais, as quais se enquadram no conceito de faturamento para fins de cálculo do PIS e da COFINS, deve ser mantida a decisão administrativa de primeira instância em sua integralidade, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Sala de Sessões, em 16 de março de 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 992DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/0 4/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 19985.723161/2015-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos (psicólogo) e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda pessoa física, poderão ser deduzidas as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas, que foi o caso dos autos.
Apresentada documentação comprobatória das despesas com previdência privada que motivaram a autuação por dedução indevida da base de cálculo do imposto de renda, resta a glosa insubsistente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos (psicólogo) e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda pessoa física, poderão ser deduzidas as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas, que foi o caso dos autos. Apresentada documentação comprobatória das despesas com previdência privada que motivaram a autuação por dedução indevida da base de cálculo do imposto de renda, resta a glosa insubsistente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 31 61 /2 01 5- 51 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19985.723161/201551 Acórdão n.º 2402005.358 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 09/17, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2013, anocalendário de 2012, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: 1. previdência privada e FAPI no valor de R$21.137,59, glosa das contribuições à previdência da Fundação Copel; 2. dependentes no valor de R$3.949,44. Foram indicados como dependentes Claudia Lustoza de Almeida Gonçalves e Eduardo de Almeida Gonçalves; 3. instrução no valor de R$ 3.091,35, declarado como pago à Associação de Ensino Novo Ateneu; 4. despesas médicas no valor de R$39.754,72, identificadas às fls. 14 dos autos. De acordo com a fiscalização, as despesas declaradas como pagas à empresa Qualylife Serviços Ltda nos valores R$18.000,00 e RS15.000,00, se referem a honorários médicos, da equipe cirúrgica, de auxiliares e instrumentadora. Observa que por se referir a empresa de nutrição (atividade constante na nota fiscal de serviço eletrônica) a dedução não tem previsão legal. Conforme relatado pela fiscalização a empresa não está registrada no Cadastro Nacional de Estabelecimento Hospitalar e os cheques apresentados para comprovação dos desembolsos são nominados a terceiros. A decisão de primeira instância (fls. 65/70) julgou procedente em parte a impugnação, pois reconheceu a dedução de parte das despesas médicas no valor de R$ 6.755,02 e a dedução dos dependentes e das suas instruções, mantendose somente os valores de glosa da previdência privada (FAPI) no valor de R$21.137,59 e de despesas médicas no valor de R$33.000,00 (R$ 15.000,00 + R$ 18.000,00). Cientificado da decisão de primeira instância em 13/10/2015 (fls. 74), o interessado interpôs, em 29/10/2015, o recurso de fls. 76/84. Nas razões recursais aduz que: 1. os valores a título de previdência privada e FAPI (R$ 21.137,59) referemse ao pagamento da contribuição em benefício próprio, observado o limite de 12% dos rendimentos tributáveis declarados; 2. os valores a título de despesas médicas no valor de R$33.000,00 foram pagos à Qualylife Serviços Ltda – ME, conforme cópia do cheques de números nº 1284 e 1285, de 13/12/2012, doBanco ITAÚ. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A controvérsia recursal cingese às despesas médicas no valor de R$33.000,00, pagas à Qualylife Serviços Ltda – ME, e às despesas pagas a título de previdência privada e FAPI no valor de R$21.137,59. I GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS: Qualylife Serviços Ltda – ME. Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas médicas, psicólogo, e com dentistas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19985.723161/201551 Acórdão n.º 2402005.358 S2C4T2 Fl. 4 5 O Recorrente apresentou cópias das notas fiscais referentes aos pagamentos efetuados em favor da empresa Qualylife Serviços Ltda – ME (CNPJ 06.311.359/000166) no valor de R$33.000,00, correspondente à soma de R$15.000,00 e R$18.000,00, conforme documentos anexos (Notas Fiscais de fls. 25/26), acompanhadas de recibos assinados pelo médico Lauro Araki (CPF 47037075949) e de cópias dos cheques (fls. 27/28) nº 001284 e 001285 nos valores de R$15.000,00 e R$18.000,00, respectivamente, com a indicação de pessoa jurídica diversa daquela autora da Nota Fiscal (em nome da empresa GREENCRED). A decisão de primeira instância entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Não foram considerados comprovadas as despesas declaradas em nome de Qualylife Serviços Ltda. ME nos valores de R$ 15.000,00 e R$ 18.000,00. Conforme descrito no lançamento, as Notas Fiscais apresentadas (fls. 25/26) registram na discriminação dos serviços tratarse de tratamento médico, porém a empresa responsável pela emissão do documento tem como atividade desenvolvida a de nutrição. Refiro ter sido efetuada consulta no cadastro da RFB, ficando constatado que a empresa emitente da nota fiscal citada está efetivamente cadastrada com o CNAE Fiscal nº 8650002 – atividades de profissionais de nutrição. Portanto, não desenvolve atividade da área médica. Entendo importante reafirmar a inexistência de previsão legal de deduções de despesas da atividade de nutrição da base legal do imposto de renda. Observo ter o contribuinte apresentado cópias dos cheques (fls. 27/28) nº 001284 e 001285 nos valores de R$ 15.000,00 e R$ 18.000,00 respectivamente, com a indicação de pessoa jurídica diversa daquela autora da Nota Fiscal. Nos documentos (cheques) foi indicado o nome da empresa GREENCRED como sendo a recebedora dos citados valores. Convém referir, ainda, que figura nos autos às fls. 24, cópias de recibos de pagamentos dos valores R$ 15.000,00 e R$ 18.000,00, emitidos pelo médico Lauro Araki, CPF 47037075949. Registro ter sido efetuado verificação na declaração de ajuste (exercício 2013) deste profissional (médico), ficando constatada a ausência do oferecimento desses valores à tributação, quer como recebido de pessoa física ou da pessoa jurídica emissora da nota fiscal apresentada (Qualylife Serviços Ltda. ME). Assim, em razão do exposto, a documentação apresentada não foi considerada hábil e suficiente para comprovar a efetividade da despesa declarada. Glosa mantida no valor de R$ 33.000,00 (R$ 15.000,00 + R$ 18.000,00). [...]” Entendo que as Notas Fiscais (fls. 25/26), emitidas pela empresa Qualylife Serviços Ltda ME (CNPJ 06.311.359/000166), no valor de R$33.000,00 (R$15.000,00 + R$18.000,00) – acompanhadas de recibos assinados pelo médico Lauro Araki (CPF 47037075949) indicando a numeração das Notas Fiscais 76 e 77 –, contendo inclusive o nome do beneficiário e o seu CPF, são suficientes para demonstrar a efetividade dos pagamentos com Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 despesas de honorários médicos, pois evidenciam a prestação do serviço como o seu respectivo beneficiário e o desembolso dos valores. Com relação ao CNAE da pessoa jurídica emissora das notas fiscais se resumir a atividades de profissionais de nutrição, entendo que isso, por si só, não é suficiente para descaracterizar a idoneidade da prestação dos serviços utilizados pelo Recorrente, pois este é um consumidor adquirente de boafé de serviços médicos e não pode ser responsabilizado pela suposta inidoneidade de notas fiscais emitidas pela empresa prestadora dos serviços médicos, desde que a nota fiscal demonstre tanto o pagamento, este materializado pelas cópias dos cheques (fls. 27/28) nº 001284 e 001285 nos valores de R$15.000,00 e R$18.000,00, como a operação de prestação de serviços médicos constantes do artigo 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995, no caso dos autos os serviços de honorários médicos. Registrase, ainda, que os fatos tanto dos cheques conterem a indicação de pessoa jurídica diversa daquela autora da Nota Fiscal como da ausência do oferecimento dos valores à tributação pela pessoa que os recebeu, por si sós, não permitem concluir que não houve a prestação de serviços médicos, nem permitem afirmar que os pagamentos não ocorreram, pois tais fatos estão fora do campo de controle ou da esfera de atuação do paciente, no caso o Recorrente, que recebeu a prestação desses serviços. Neste passo, podemos afirmar que não existe previsão legal especifica para responsabilizar o Recorrente por fatos que estão fora de seu controle subjetivo, desde que ele não participe da execução material desses fatos, que foi o caso evidenciado nos autos. Com isso, é forçoso concluir que existe fundamento que autorize o restabelecimento das despesas médicas no valor de R$33.000,00, correspondente à soma de R$15.000,00 e R$18.000,00, conforme Notas Fiscais de fls. 25/26. II GLOSA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA A decisão de primeira instância entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas realizadas a título de previdência privada, nos seguintes termos: “[...] a) Dedução de despesas com previdência privada e FAPI O contribuinte apresentou o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte de fls. 22, que registra o valor da contribuição para a previdência privada e FAPI em 2012, de R$ 21.137,59. O documento não identificou os valores por beneficiários, item solicitado pela fiscalização no Termo de Intimação Fiscal de 03/01/2014, de fls. 48 dos autos. O comprovante apresentado, em razão do não atendimento à exigência fiscal, não foi considerado suficiente para comprovar a despesa declarada. Glosa mantida. [...]” Em sede de recurso, o Recorrente apresenta Declaração de fls. 97, assinada pelo Gerente de Beneficio da Fundação COPEL, afirmando que o Sr. Luiz Fernando de Arruda Gonçalves (Recorrente) é o único titular beneficiário do Plano Previdenciário no ano de 2012. Isso permite afirma que o Recorrente comprovou, no anocalendário de 2012, o pagamento de R$21.137,59 para a previdência privada, estilo PGBL, em seu próprio nome, já que ele era o único beneficiário do Plano Previdenciário e, por consectário lógico, não há que se falar em identificação de beneficiários ou outros beneficiários do plano. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19985.723161/201551 Acórdão n.º 2402005.358 S2C4T2 Fl. 5 7 Assim, não deve ser mantida a glosa oriunda da previdência privada, pois o Recorrente se desincumbiu satisfatoriamente do ônus de prova as despesas realizadas a título de previdência privada (PGBL) no valor de R$21.137,59. III CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$33.000,00 e da despesa paga a título de previdência privada e FAPI no valor de R$21.137,59, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 11065.722512/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO.
Os Embargos de Declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso. Inexistente, no caso, o vício de omissão apontado pela Embargante.
Numero da decisão: 3402-003.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência dos vícios apontados, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os Embargos de Declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso. Inexistente, no caso, o vício de omissão apontado pela Embargante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência dos vícios apontados, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 25 12 /2 01 1- 53 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma clara síntese do processo até a interposição do Recurso Voluntário, pedese vênia para transcrever abaixo o relatório do Acórdão n.º 3403003.271, ora embargado: "O estabelecimento filial 0004 de INTERNATIONAL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA DA AMÉRICA DO SUL LTDA., localizado em Canoas/RS, teve lavrado contra si o Auto de Infração das fls. 237 a 239, para formalizar a determinação e exigência de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relativo aos períodos de apuração mediados pelas datas de 01/04/2007 a 31/12/2008, no valor total de R$ 3.766,239,29. Segundo o Relatório da Ação Fiscal, fls. 246 a 261, a autuação decorreu da utilização indevida da suspensão prevista no art. 5º da Lei nº 9.826 de 23 de agosto de 1999, alterado pelo art. 4º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, aplicável às vendas para montadoras de veículos automotores. Constatouse a revenda de bens importados sem a apuração do imposto, em operação que não autorizava a suspensão. Em impugnação, fls. 264 a 280, o sujeito passivo esclarece seu objeto social, informando que se dedica à fabricação, distribuição e venda de motores a diesel destinados aos segmentos veicular, agrícola, industrial e marítimo, importando da Argentina produtos como motores de partida, válvulas, reguladores de injeção e filtros. Em 2007 e 2008, parte desses produtos importados pelo estabelecimento autuado foi remetida para o estabelecimento da MWM International Motores S.A. ( MWM ), em São Paulo/SP, de outra firma pertencente ao mesmo grupo econômico. A parte que permaneceu no estabelecimento importador foi empregada na industrialização de veículos automotores, conforme atestariam as declarações subscritas por MWM, em cumprimento à exigência prevista no parágrafo único do artigo 5º da Instrução Normativa SRF nº 296, de 6 de fevereiro de 2003. No mérito da autuação, articula o art. 8º da INSRF nº 296, de 2003, para argumentar que são duas condições para o gozo da suspensão: (i) que o estabelecimento importador seja um estabelecimento industrial; (ii) que nele existam bens empregados na produção de produtos autopropulsados. Sublinha que é estabelecimento industrial e que fabrica produtos automotivos, industrializando motores para automóveis, camionetas e outros utilitários. Refuta a alegação de que não é estabelecimento industrial, mas apenas equiparado, não se lhe aplicando o benefício da suspensão do IPI em relação às saídas ocorridas em 2007 e 2008. Argúi a impossibilidade de se dispensar tratamento diferenciado entre estabelecimento industrial e os equiparados, referindose ao art. 4 , inc. I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Rechaça o art. 23, inc. II, da IN SRF nº 296, de 2003 segundo o qual o benefício não se aplica a estabelecimento equiparado a industrial (salvo quando a equiparação se dá na hipótese em que a empresa comercial atacadista adquire produtos resultantes da industrialização por encomenda) por ser norma secundária, com caráter regulamentar, não podendo erigir restrições outras, não constantes em Lei. Lembra que, segundo a exposição de motivos da referida lei, a finalidade da suspensão do IPI é reduzir o custo operacional do setor automotivo. Contesta a aplicação da multa de lançamento de ofício, reputada abusiva e em confronto com o art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88, até porque não houve fraude, sonegação, dolo ou má fé, bem como a Fl. 744DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11065.722512/201153 Acórdão n.º 3402003.184 S3C4T2 Fl. 744 3 utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic. Insurgese também contra a incidência dos juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. A 2ª Turma da DRJ/REC julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 1142.617, de 10 de setembro de 2013, fls. 522 a 529, teve ementa vazada nos seguintes termos (Rel. AFRFB Emanuel Carlos Dantas de Assis): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 SAÍDAS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. SIMPLES REVENDA. INAPLICABILIDADE DO BENEFÍCIO. O benefício estabelecido pelo art. 5º da Lei nº 9.826/99, alterado pelo art. 4º da Lei nº 10.485 de 2002, que suspende o IPI nas saídas de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças de produtos autopropulsados não se aplica na simples revenda, mesmo quando quem dá saída é estabelecimento industrial, já que em relação a essas operações o revendedor é considerado comercial de bens de produção, apenas equiparado a estabelecimento industrial e o benefício é restrito aos fabricantes. CONSECTÁRIOS LEGAIS. EVASÃO. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A utilização de suspensão indevida, acarretando o não recolhimento do tributo devido e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autorizam o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Processo Administrativo Fiscal. DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE FATOS A ESCLARECER. DESNECESSIDADE. Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizála quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador e a solução do litígio dela independe. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O voto condutor da decisão administrativa de primeiro grau desprezou as insinuações de ilegalidade e inconstitucionalidade e não conheceu da insurgência contra a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. No mérito, rechaçou categoricamente a possibilidade de o estabelecimento industrial autuado gozar da suspensão estatuída no art. 5 da Lei nº 9.826, de 1999, alterado pelo art. 4 da Lei nº 10.485, de 2002, quando importa mercadorias e as remete, sem reindustrializálas, a estabelecimento de outra firma. Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/REC. O arrazoado de fls. 541 a 564, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma, uma a uma, as razões de defesa já manifestadas na impugnação. Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório." (fls. 648650 grifei) Fl. 745DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Ao Recurso Voluntário foi dado parcial provimento somente para cancelar a incidência de juros sobre a multa de lançamento de ofício. Aquele Acórdão, ora embargado, foi ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE APLICÁVEL. MODUÇÃO DO PERCENTUAL. IMPOSSIBILIDADE. A multa a ser aplicada em procedimento ex officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 MERCADORIAS IMPORTADAS. REVENDA SAÍDAS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. SUSPENSÃO. INAPLICABILIDADE. Só fazem jus ao benefício da suspensão ao componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, nas respectivas saídas promovidas por estabelecimento industrial ou por comerciais atacadistas, quando adquirem produtos resultantes da industrialização por sua encomenda, àquele equiparado. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Por entender que os I. Julgadores deixaram de apreciar argumento aventado naquela peça recursal (em destaque no relatório acima), foram aviados os Embargos de Declaração sob análise. Segundo a Embargante, não foi analisado o argumento subsidiário trazido no Recurso Voluntário de suspensão do IPI para estabelecimentos equiparados a industrial (tópico III.b A impossibilidade de se dispensar tratamento díspar entre estabelecimento industrial e àqueles a ele equiparados fls. 551/559). No despacho de fls. 728729 os aclaratórios foram admitidos pelo I. Presidente desta turma: "No que concerne à admissibilidade dos embargos, considero que o contribuinte apontou objetivamente a omissão e que, por tal razão, os embargos devem ser submetidos ao colegiado para deliberação. Com base nesses fundamentos, e considerando o disposto no art. 65, § 7º, do RICARF, movimento nesta data o processo para a Secretaria da Quarta Câmara na atividade "Distribuir/Sortear" a fim de que este processo seja incluído em um lote para sorteio a um dos relatores no âmbito da Turma 3402, que era a turma à qual pertencia o relator originário, o exConselheiro Alexandre Kern." (fl. 729) É o relatório. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11065.722512/201153 Acórdão n.º 3402003.184 S3C4T2 Fl. 745 5 Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne Admitidos os Embargos, por tempestivos, entendo que eles devem ser rejeitados, eis que inexistente a omissão do acórdão quanto ao argumento subsidiário trazido no Recurso Voluntário. De fato, ao analisar o mérito da exigência principal, o acórdão, ainda que de forma sintética, analisou integralmente a argumentação aventada no item III do Recurso Voluntário, entendendo que no caso, a empresa atuou como estabelecimento equiparado a industrial na forma do art. 9º, I, do RIPI/2002, não sendo passível de aplicar a suspensão, na forma do art. 5º da Lei n.º 9.826/1999. Transcrevese a seguir os exatos termos do acórdão embargado: "Mérito – exigência do principal – aplicação indevida da suspensão nas saídas de produtos importados pelo estabelecimento Conforme relatado, a questão central do litígio diz respeito à possibilidade de o estabelecimento industrial autuado gozar da suspensão estatuída no no (sic.) art. 5 da Lei nº 9.826, de 1999, alterado pelo art. 4 da Lei nº 10.485, de 2002, quando importa mercadorias e as remete, sem reindustrializálas, a estabelecimento de outra firma (MWM, situado em São Paulo). As razões manifestadas na peça recursal demonstram a necessidade de repisar o que já havia sido explicado na decisão recorrida: em momento algum, a Autoridade Fiscal autuante desqualificou a natureza industrial do estabelecimento, reconhecendo expressamente que este se dedica à industrilaização de motores. A imputação é a de que, enquanto mero revendedor de mercadorias, sem nelas realizar qualquer etapa de industrialização, o estabelecimento não faz jus à suspensão do imposto nessas saídas porque, nessas operações, não as realiza como industrial, mas como equiparado, nos termos do inc. I do art. 9º do RIPI/2002. A impossibilidade de suspensão, nessas operações, decorre da interpretação sistemática da legislação. O benefício da suspensão foi instituído pelo art. 5º da Lei 9.826, de 1999: Art. 5º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 1º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 2º A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) Fl. 747DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 3º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 4º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput deverá constar a expressão ‘Saída com suspensão do IPI’ com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 5º Na hipótese de destinação dos produtos adquiridos ou importados com suspensão do IPI, distinta da prevista no § 2º deste artigo, a saída dos mesmos do estabelecimento industrial adquirente ou importador darseá com a incidência do imposto. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 6oO disposto neste artigo aplicase, também, a estabelecimento filial ou a pessoa jurídica controlada de pessoas jurídicas fabricantes ou de suas controladoras, que opere na comercialização dos produtos referidos no caput e de suas partes, peças e componentes para reposição, adquiridos no mercado interno, recebidos em transferência de estabelecimento industrial, ou importados. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 6º O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o § 5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A inteligência do caput do art. 5º fazme concluir que só fazem jus ao benefício da suspensão componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, que saem de estabelecimento industrial. O benefício também é estendido a estabelecimentos equiparados a industrial pelo §6º, somente no caso de sociedades comerciais atacadistas que adquirem produtos resultantes da industrialização por sua encomenda." (fls. 651/652 grifei) Veja que o acórdão recorrido se posicionou claramente quanto à não aplicação da suspensão do IPI no presente caso uma vez que, em se tratando de equiparação à industrial, o dispositivo legal somente o estende quando "sociedades comerciais atacadistas que adquirem produtos resultantes da industrialização por sua encomenda", na forma do art. 17, §5º da MP 2.189491, que não é o caso. Este posicionamento, inclusive, está em consonância com outras manifestações deste Conselho: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2005 (...) SAÍDA DO ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO. A suspensão do IPI prevista no art. 5º da Lei nº 9.826, de 1999 está restrita ao IPI incidente na importação e ao IPI incidente na saída do estabelecimento industrial dos produtos que relaciona, não se estendendo à saída de produtos importados, em operação de mera revenda, do estabelecimento 1 "Art. 17. Fica instituído regime aduaneiro especial relativamente à importação, sem cobertura cambial, de insumos destinados à industrialização por encomenda dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior. (...) § 5o A empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda equiparase a estabelecimento industrial." Fl. 748DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11065.722512/201153 Acórdão n.º 3402003.184 S3C4T2 Fl. 746 7 equiparado a industrial." (Processo n.º 10830.001543/200629. Sessão 22/03/2012. Relatora Silvia de Brito Oliveira. Acórdão n.º 3402001.696 grifei) "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. REGIME SUSPENSIVO. SETOR AUTOMOTIVO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados na saída de mercadorias do estabelecimento, prevista no art. 5° da Lei n° 9.826/99, com a redação dada pelo art. 4° da Lei n° 10.485/2002, não é aplicável aos estabelecimentos equiparados a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no § 5° do art. 17 da Medida Provisória n° 2.189 49, de 23 de agosto de 2001. (...) Recurso Voluntário Negado." (Processo n.º 10830.010870/200833. Sessão 04/02/2011. Relator Ricardo Paulo Rosa Acórdão n.º 310200.906 grifei) Assim, por ter enfrentado o argumento subsidiário da Recorrente, ainda que de forma sintética, entendo que o acórdão recorrido não possui o vício de omissão apontado pela Embargante, não merecendo reparo por meio de aclaratórios na forma do art. 65 do RICARF2. O que busca a Embargante é a efetiva rediscussão da matéria já julgada, passível de ser realizada na via recursal própria e não por meio de Embargos. Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração opostos, por serem tempestivos, mas os rejeito por não vislumbrar os vícios apontados. É como voto. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora 2 "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 10665.000079/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
MULTA. CONFISCO. SÚMULA 2-CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que institui penalidade.
DECADÊNCIA. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O prazo decadencial na aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória tem início no momento em que a obrigação deveria ter sido cumprida.
Numero da decisão: 3401-003.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CONFISCO. SÚMULA 2CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que institui penalidade. DECADÊNCIA. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O prazo decadencial na aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória tem início no momento em que a obrigação deveria ter sido cumprida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 00 79 /2 01 0- 99 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração lavrado em 22/01/2010 (fls. 2 a 8)1 (com ciência na mesma data fl. 8) para exigência de multa no valor de R$ 1.130.000,00, com base no art. 57, I da Medida Provisória no 2.15835/2001 (R$ 5.000,00 por mês), por falta de entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) referente ao quarto trimestre de 2002 e aos quatro trimestres de 2003, com créditos utilizados para compensação com débitos de IRPJ e CSLL, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (TVF), e sintetizado na tabela de fl. 5. No TVF de fls. 9 a 16 (com anexos às fls. 17 a 33), narrase que: (a) a fiscalização buscou verificar a procedência dos créditos presumidos de IPI registrados no livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) de 2005, usados para compensar débitos objeto de diversos PER/DCOMP, cf. tabela de fl. 9; (b) foram, no curso do procedimento fiscal, solicitados, entre outros documentos, cinco DCP, referentes ao quarto trimestre de 2002 e aos quatro trimestres de 2003; e (c) em resposta, a empresa informou que não localizou os comprovantes de entrega dos DCP. No mais, o TVF analisa as compensações (quadroresumo ao final da fl. 15), determinando a reconstituição da apuração do IPI do estabelecimento matriz. A empresa apresenta a Impugnação em 19/02/2010 (fls. 98 a 112), alegando, em síntese, que: (a) a autuação foi lavrada após o prazo legal de cinco anos da data de entrega dos demonstrativos, operandose a decadência, conforme art. 173, I do CTN; (b) o DCP foi preenchido pela empresa, que apenas não conseguiu localizar os comprovantes de entrega, até porque seu prazo de guarda havia expirado; (c) a multa é confiscatória, e variou de 260% a 862% do crédito de IPI auferido; e (d) conforme demonstrado no Anexo 5 do TVF, os créditos presumidos são procedentes. A decisão de primeira instância, proferida em 24/02/2014 (fls. 195 a 203) é pela improcedência da impugnação, rejeitando a alegação de decadência, mas reconhecendo, de ofício, a redução da multa aplicada, em função de retroatividade benigna. Acorda a DRJ que: (a) somente a empresa que deseje se beneficiar de crédito presumido de IPI está obrigada a apresentar DCP, transcrevendo as disposições normativas procedimentais sobre a matéria; (b) no caso, o aproveitamento de créditos do quarto trimestre de 2002 e dos quatro trimestres de 2003 ocorreu somente em 2006, e, tendo sido cientificada a empresa em 22/01/2010, ainda não havia sido esgotado o prazo quinquenal para formalização da exigência previsto no art. 173, I do CTN; (c) a multa é por falta de entrega de DCP, sendo irrelevante a procedência ou não do crédito presumido; (d) aos órgãos administrativos de julgamento é vedado afastar norma legal sob fundamento de inconstitucionalidade; e (e) após a lavratura da autuação, o art. 57, I da Medida Provisória no 2.15835/2001 foi alterado (inicialmente, pela Lei no 12.766/2012, e, depois, pela Lei no 12.873/2013, reduzindo a multa mensal de R$ 5.000,00 para 1.500,00, aplicandose, ao caso, a retroatividade benigna de que trata o art. 106, II, "c" do CTN, mantendose a autuação, mas reduzindo o valor da multa para R$ 339.000,00. Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 206) em 21/03/2014, apresentase o recurso voluntário de fls. 207 a 223 (em 22/04/2014), reiterando a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10665.000079/201099 Acórdão n.º 3401003.148 S3C4T1 Fl. 242 3 argumentação expressa na impugnação, e acrescentando que, mesmo após a redução da multa em função da retroatividade benigna, os valores cobrados excedem em quase todos os períodos, o montante do crédito de IPI utilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Recomendável iniciar a análise do caso pelos temas incontroversos. Não há dúvidas, nos autos, de que a recorrente, tendo utilizado crédito presumido de IPI, deve apresentar Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP). Também não há dúvidas de que tal obrigação se alastra a todos os períodos geradores de crédito, inclusive, no caso, o quarto trimestre de 2002 e os quatro trimestres de 2003. Por fim, em relação à parte não contenciosa, não há dúvida de que a multa aplicada é por deixar de cumprir a obrigação acessória de apresentar a DCP, sendo que essa constatação já afasta logicamente a argumentação da recorrente no sentido de que o fato de terem sido concedidos os créditos impediria a aplicação da multa. Como a própria recorrente destaca ao início de sua peça recursal, opera uma clara distinção entre a obrigação tributária principal e a obrigação tributária acessória. Assim, a multa aplicada simplesmente pela falta de apresentação das DCP em nada é influenciada pela procedência dos créditos. Restam, assim, somente dois temas efetivamente contenciosos a discutir: a existência ou não de confisco na aplicação da multa e a eventual ocorrência de decadência. O primeiro dos temas não é passível de discussão neste tribunal administrativo, por força da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. A multa em comento é regularmente instituída em lei (art. 57, I da Medida Provisória no 2.15835/2001), e foi, inclusive, reduzida por legislação superveniente, em favor da recorrente. O juízo sobre eventual caráter confiscatório, no caso, somente seria possível mediante discussão constitucional, recordandose, a título meramente esclarecedor, que o princípio da vedação ao confisco constitucionalmente consagrado (art. 150, IV da CF/1988) se refere a tributo, e não a penalidade: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 IV utilizar tributo com efeito de confisco; (...)" (grifo nosso) Sobre a alegação de decadência, como destacou a DRJ, transcrevendo excertos das Instruções Normativas que regem a entrega de DCP, "somente a partir da utilização do crédito presumido de IPI apurado com base nas Leis no 9.363/96 e 10.276/2001, respectivamente, é que a pessoa jurídica fica obrigada à apresentação do DCP". O prazo decadencial na aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória tem início no momento em que a obrigação deveria ter sido cumprida. E, no caso, a obrigação de apresentar as DCP (embora estas se refiram a informações de períodos anteriores) se concretizou em 2006, quando houve o aproveitamento do crédito, não havendo interstício maior do que cinco anos entre a data em que deveria ter sido cumprida a obrigação e o lançamento da multa por seu descumprimento. Ausente, assim, a configuração de decadência. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 16707.001498/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DIREITO CREDITÓRIO OUTRORA RECONHECIDO.
Considerando que os embargos de declaração são restritos à análise da omissão no acórdão, deverá ser mantido o entendimento anteriormente proferido pelo colegiado concernente à questão não contestada, no sentido de reconhecer o direito creditório vislumbrado pela interessada, todavia, sem a incidência da taxa SELIC.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3301-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos opostos pela interessada, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Francisco José (relator) e Andrada, que davam parcial provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do voto vencedor
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Interessado CIDA CENTRAL DE INDUSTRIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. ADMISSIBILIDADE. Admitirseá embargos de declaração, dentre outras hipóteses, quando o acórdão for omisso com respeito a questão sobre a qual deveria ter se pronunciado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS/PASEP. REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS, CUJA UTILIZAÇÃO FOI IMPEDIDA PELA FAZENDA. POSICIONAMENTO DO STJ. Nos casos em que a Administração Fazendária obstaculiza a utilização de créditos tributários, é cabível a incidência dos juros Selic. Aplicável o entendimento do STJ, exarado por meio do Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 1.035.847/RS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO CREDITÓRIO OUTRORA RECONHECIDO. Considerando que os embargos de declaração são restritos à análise da omissão no acórdão, deverá ser mantido o entendimento anteriormente proferido pelo colegiado concernente à questão não contestada, no sentido de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 14 98 /2 00 6- 12 Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 16707.001498/200612 Acórdão n.º 3301002.871 S3C3T1 Fl. 0 2 reconhecer o direito creditório vislumbrado pela interessada, todavia, sem a incidência da taxa SELIC. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos opostos pela interessada, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Francisco José (relator) e Andrada, que davam parcial provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator do voto vencedor Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Em sessão transcorrida em 12 de novembro de 2014, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção do CARF deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3403003.414, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 40 DA LEI 10.865/2004. IN 446/2004. Se em relação à operação de aquisição não foi aplicada a suspensão da incidência, por falta de preenchimento dos requisitos legais habilitação do comprador como empresa preponderantemente exportadora, emissão de declaração pelo comprador ao vendedor e informação da suspensão na nota fiscal , tal operação encontrase sujeita à regular incidência da contribuição, de maneira que tem o vendedor de recolher a contribuição Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 16707.001498/200612 Acórdão n.º 3301002.871 S3C3T1 Fl. 0 3 sobre a receita daquela operação e tem o comprador de tratar a operação de aquisição como hipótese ordinária de creditamento, na forma do art. 3º da Lei nºs 10.637/2002. Recurso provido. Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que a decisão em questão foi omissa na medida em que não teria se pronunciado sobre a correção do crédito pela taxa SELIC, nos termos da alínea "b" de seu recurso. Ressalta ainda a embargante que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, mediante acórdão nº CSFR/0202.708, de 24/04/2007, já se pronunciou pela necessidade de "atualização pela taxa SELIC a partir do momento em que é apresentado o pedido de ressarcimento/compensação dos créditos tributários". Assevera ainda que tal entendimento foi uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EResp 468926/SC) e reiterado em Recurso Repetitivo (REsp 1035847/RS e REsp 993164/MG), devendo assim ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62A do Anexo II de seu Regimento Interno então vigente. Diante do exposto, requer a embargante o acolhimento dos presentes embargos para que, sanada a omissão, seja reconhecido o direito ao crédito pleiteado devidamente corrigido pela taxa SELIC. O processo em tela foi sorteado para este relator pelo fato de o relator original do processo não mais exercer mandato de conselheiro junto ao CARF, configurando, pois, a hipótese de que trata o § 6º do artigo 49 do anexo II ao Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, abaixo transcrito: § 6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. É o relatório. Voto Vencido A ciência da decisão recorrida se deu em 30/03/2015 (efls. 1209). Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 25/03/2005 (efls. 1204), ou seja, antes mesmo de o sujeito passivo ser considerado ciente do acórdão via disponibilização do mesmo em sua caixa postal eletrônica. Há, pois, que se conhecer da petição em tela, dada sua notória tempestividade. Quanto ao mérito dos embargos, de fato, como asseverado pela recorrente, consta, da alínea "b" de seu pedido (efls. 1183), b) seja reconhecido, in totum, o direito creditório pleiteado para que seja restituído à recorrente, devidamente corrigido pela Taxa Selic, respeitando a jurisprudência dominante dessa corte. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 16707.001498/200612 Acórdão n.º 3301002.871 S3C3T1 Fl. 0 4 (grifo nosso) A correção do crédito pela taxa SELIC também consta da manifestação de inconformidade, conforme efls. 929 (fls. 659 do processo em papel). A questão analisada e deferida em favor da interessada diz respeito ao crédito do saldo credor do PIS nãocumulativo apurado no 1º trimestre de 2005 em relação a receitas de exportação. O CARF entendeu existir direito creditório em relação às aquisições consideradas como não enquadradas no artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, que diz respeito à suspensão da incidência do PIS e da COFINS quando da venda matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Assim, considerando que as aquisições de camarão feitas pela interessada estavam sujeitas às contribuições citadas, legítimo o reconhecimento do direito ao creditamento por parte da recorrente, a teor do disposto no artigo 3º da Lei nº 10.637/2002. Mas a decisão em questão não examinou se, sobre tais créditos, a interessada faria jus à correção pela taxa SELIC, argumento o qual, conforme ressaltado, foi abordado pela embargante tanto no recurso voluntário quanto na manifestação de inconformidade. Necessário, pois, analisar tal questão. Do pedido de atualização dos créditos do PIS nãocumulativo pela taxa SELIC Relativamente ao pedido da interessada para a correção de seus créditos pela taxa SELIC, importa destacar que existe vedação legal expressa à correção dos créditos do PIS, apurados no regime da nãocumulatividade, pela referida taxa. Tal vedação, com efeito, está consignada no artigo 13 da Lei n° 10.833/03, que trata da COFINS não cumulativa, mas cujo preceito é também aplicável ao regime do PIS nãocumulativo por força do inciso VI do artigo 15 da mesma lei. Referidos preceitos encontramse abaixo transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dentre as hipóteses citadas no caput do artigo 13 está o aproveitamento de créditos excedentes nos meses subsequentes (§ 4o do artigo 3o) e a possibilidade de compensação com débitos próprios ou de ressarcimento dos créditos em tela pelas pessoas jurídicas exportadoras (§§ 1o e 2o do artigo 6o), que se subsume ao pleito da reclamante, inerente a pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação (efls. 02/16 e 39/41). Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 16707.001498/200612 Acórdão n.º 3301002.871 S3C3T1 Fl. 0 5 Quanto à jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do STJ, citada pela interessada, a mesma não se aplica ao caso corrente. O acórdão CSFR/0202.708, assim como os Embargos no Recurso Especial nº 468926/SC e o Recurso Especial nº 1035847/RS, dizem respeito à atualização monetária no caso de oposição do fisco ao creditamento do IPI. Por seu turno, o Recurso Especial nº 993164/MG reconhece o direito à correção pela taxa SELIC do crédito presumido para ressarcimento do PIS/Pasep e da COFINS instituído pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996. Assim, em vista da existência de preceito legal que, explicitamente, veda a correção dos créditos do PIS apurados no regime da nãocumulatividade, não há como acolher o pleito da interessada nesse sentido. Considerando que os embargos de declaração são restritos à análise da omissão no acórdão, deverá ser mantido o entendimento anteriormente proferido pelo colegiado concernente à questão não contestada, no sentido de reconhecer o direito creditório vislumbrado pela interessada, todavia, sem a incidência da taxa SELIC. Da conclusão Por todo o exposto, voto para conhecer dos embargos opostos pela interessada, dada sua tempestividade, acolhendoos em vista da necessidade de saneamento da omissão contida no acórdão, para dar parcial provimento ao recurso, mantendo o entendimento anteriormente proferido pelo colegiado quanto ao reconhecimento do direito creditório guerreado, mas sem a incidência da taxa SELIC. Sala de sessões, em 15 de março de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 16707.001498/200612 Acórdão n.º 3301002.871 S3C3T1 Fl. 0 6 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fui designado pelo Presidente da Turma para ser o redator do voto vencedor. Peço vênia ao Ilmo Relator para divergir do seu entendimento. Para tanto, adotarei o voto vencedor constante do Acórdão n° 3301002.843, proferido por esta turma, da lavra do Conselheiro José Henrique Mauri: "Em recente oportunidade, quando relatei o Processo 11020.720074/200729, tratando da mesma matéria, manifesteime no sentido de que o Recurso Especial nº 1.035.847/RS, embora tenha sido proferido em torno de outro tributo IPI, seria aplicável para as contribuições para o PIS e Cofins. Esse entendimento foi acompanhado pela maioria do colegiado, emergindo o Acórdão 3301002.739, que ora o reproduzo, como minhas razoes de voto. COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. ÓBICE CRIADO PELA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. O desfecho do Recurso Especial nº 1.035.847/RS, julgado conforme procedimentos previsto para os Recursos Repetitivos, Acórdão transitado em julgado em 03/03/2010, embora tenha sido proferido em torno de IPI, aplicase a todos os casos de pedidos de ressarcimento, quando o creditamento, regularmente solicitado pelo contribuinte, tenha sido indevidamente obstaculizado em face de resistência normativa ou por meio de ato expresso emitido pela administração impedindo sua utilização. O art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que é devida a atualização dos créditos, com base na Selic. A questão posta referese ao cabimento, ou não, de correção monetária sobre o valor do crédito a ser ressarcido/compensado. Esse assunto já mereceu inúmeras manifestações com divergentes entendimentos no âmbito desse Conselho, todavia o desfecho do Recurso Especial nº 1.035.847/RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado conforme procedimentos previsto para os Recursos Repetitivos, Acórdão transitado em julgado em 03/03/2010, que, embora tenha sido proferido em torno de outro tributo IPI, a circunstância aqui referida mostrase equivalente, determinou, definitivamente, o caminho a ser trilhado. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 16707.001498/200612 Acórdão n.º 3301002.871 S3C3T1 Fl. 0 7 Restou concluído, naquele REsp, que, havendo resistência normativa ou através de ato expresso emitido pela Administração, impedindo a utilização do crédito, posteriormente reconhecido, passa a existir o direito à correção monetária. No presente caso, a resistência da administração mostrouse na parte que houve deferimento apenas parcial do crédito em face da inclusão, de ofício, dos valores de transferência de ICMS nas bases de cálculo da COFINS, diminuindo o valor a ressarcir Os créditos pleiteados deixaram de ser utilizados por força de ato proibitivo emanado da própria Fazenda, transmudandose a sua natureza de mero crédito escritural, para constituirse uma “dívida” de valor. Foi nesse sentido que discorreu o julgado no REsp, razão pela qual se destaca parte do julgado: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. “1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. [...] Utilizo, como se minhas fossem, as palavras do Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, relator do Acórdão n.º 3402002.370: "Como dito, embora o julgado transcrito tenha sido proferido em sede de IPI, a verdade é que o raciocínio se aplica aos créditos escriturais como um todo, no sentido de que, havendo permissão legal para tomada dos créditos e o contribuinte não os escriturou no devido tempo, por sua própria mora ou omissão, não fará jus aos juros e correção, pois que não pode imputar ao Poder Público uma penalização que decorre de sua própria inércia. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 16707.001498/200612 Acórdão n.º 3301002.871 S3C3T1 Fl. 0 8 No entanto, o inverso também é verdadeiro, na medida em que, havendo oposição da Administração Tributária, no tocante ao direito de escriturar determinados créditos, ou pela sua diminuição por inserção indevida de “débitos” em sua base de cálculo, inibindo o contribuinte de lançálos no tempo oportuno ou obrigandoo a correr o risco de glosa ou mesmo de indeferimento de créditos acumulados, forçandoo, com isso, a buscar guarida num processo litigioso, administrativo ou judicial, será então debitada a mora ao Poder Público, que dessa forma, deverá permitir a incidência de SELIC sobre os créditos que até então tinham seu registro vedado, por norma expressa ou oposição na interpretação dada pela Administração Pública." Esse entendimento acabou sendo contemplado na Súmula nº 411, do STJ, que se transcreve: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" A aplicabilidade deste entendimento e posicionamento a todos os tipos de créditos escriturais também já foi discutido pelo próprio STJ que, em decisão da 2ª Turma, nos autos do REsp nº 1.203.802/RS, cujo relator foi o Min. Herman Benjamin, em 03.02.2011 (DJe 03.02.2011), expressou seu entendimento como abaixo se alinha: “1. O regramento específico para os créditos de PIS e Cofins apurados na forma do art. 3º das Leis 10.637∕02 e 10.833∕03 só permite que sejam deduzidos do montante a ser pago a título da própria contribuição. No entanto, havendo saldo credor acumulado ao final do trimestre, é possível a compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, conforme autoriza o art. 16 da Lei 11.116∕2005. 2. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.035.847∕RS (assentada de 24.6.2009), submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), pacificou o entendimento de que somente é devida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI nos casos em que o direito ao creditamento não foi exercido no momento oportuno, em razão de óbice normativo instituído pelo Fisco. O mesmo raciocínio aplicase aos créditos escriturais de PIS e Cofins obtidos na forma do art. 3º das Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003, já que não há previsão legal que admita sua correção monetária.” (grifei) No mesmo sentido, analisandose a simples demora na análise de pleito de ressarcimento declinado pelo contribuinte, subsumirseia a chamada “resistência ilegítima” da Administração, autorizando, consequentemente, a incidência da correção monetária. Aquele mesmo Superior Tribunal de Justiça, pela sua 2ª Turma (REsp nº 1.331.033 – SC, Rel. Ministro Mauro Campbell, julgado em 02 de abril de 2013) posicionou se favoravelmente a incidência da SELIC, sendo que do voto do Relator cabe destacar: Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 16707.001498/200612 Acórdão n.º 3301002.871 S3C3T1 Fl. 0 9 “Decerto, essa lógica é pertinente quando estamos a falar de créditos escriturais recebidos em um período de apuração e utilizados em outro, ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados em períodos de apuração subsequentes (se forem utilizados em um mesmo período de apuração não há diferença de correção monetária, vejase o votovista vencido do Min. José Delgado no REsp. n. 212.899 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Garcia Vieira, julgado em 5.10.1999). Se o Fisco impede a utilização desses créditos escriturais, seja por entendêlos inexistentes ou por qualquer outro motivo, a hipótese é de incidência de correção monetária, se ficar caracterizada a injustiça desse impedimento. Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais créditos para utilizálos posteriormente em sua escrita fiscal por opção sua ou imposição legal, não há que se falar em correção monetária, pois a postergação do uso foi legítima. Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente. (...) A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima´. Desse modo, o óbice do fisco a ensejar a incidência de correção monetária se deu em uma e outra hipóteses: a do reconhecimento espontâneo do crédito pela administração tributária com mora e a da negativa do reconhecimento do crédito pela administração tributária vindo a ser reconhecido apenas pela via judicial.” Do mesmo modo, a Primeira Seção (congregando as 1ª e 2ª Turmas do STJ – competente para julgar essa matéria), acabou firmando posicionamento nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 16707.001498/200612 Acórdão n.º 3301002.871 S3C3T1 Fl. 0 10 1.220.942/SP, de Relatoria do Min. Mauro Campbell Marques (julgado em 14.04 e publicado no DJE em 18.04.2013), reiterando os mesmos termos acima, no qual cita expressamente o trecho relativo ao PIS e COFINS, acima transcrito, na própria Ementa do referido julgado, deixando expresso que o Recurso Representativo de Controvérsia REsp nº 1.035.847/RS (Rel. Min. Luiz Fux), aplicase também a todos os casos de pedidos de ressarcimento, quando os créditos deles objeto deixam de ser meramente “escriturais”. Assim sendo, com ainda mais razão, em havendo oposição da Administração tributária tolhendo o aproveitamento integral ou tempestivo dos créditos, será devida a correção monetária. E para tal fim, se entende como vedação ou oposição ao aproveitamento dos créditos, a prolação de Despacho que diminuir o seu saldo credor. Ao aplicar a SELIC aos créditos reconhecidos tardiamente, administrativa ou judicialmente, ao contribuinte, ainda que sejam oriundos de anteriores créditos escriturais, se estará meramente recompondo o poder aquisitivo da moeda e, ao mesmo tempo, compensando o contribuinte pela demora do Estado em reconhecer um direito. Assim sendo, voto pela admissão da incidência da taxa Selic sobre o valor dos créditos acumulados pelo contribuinte na parte que houve o indeferimento pela adição dos valores decorrentes da transferência de créditos de ICMS e que fez diminuir o referido saldo credor, em sintonia com o Recurso Especial nº 1.035.847/RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado conforme procedimentos previsto para os Recursos Repetitivos, Acórdão transitado em julgado em 03/03/2010." Com base no acima exposto, voto por conhecer dos embargos e conferirlhes efeitos infringentes, reconhecendo o direito à incidência dos juros Selic sobre os créditos de PIS. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 31/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903910/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e redator ad hoc da formalização da Resolução
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e redator ad hoc da formalização da Resolução Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 03 91 0/ 20 08 -9 5 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 809 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1433.106, às fls. 47 a 55: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n.o s 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, seriam, respectivamente, R$ 1.959,26, R$ 17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam no despacho decisório; que haveria saldo suficiente para compensação do tributo informado em PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência". Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 810 3 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em “valores exatos” (R$ 800.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora quitado da seguinte forma: · R$ 56.470,37 Darf recolhido em 30/05/2003, com multa e juros, totalizando R$ 70.390,31; · R$ 10.711,46 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; · R$ 76.208,64 mediante compensação por meio do DComp 16895.65143.21050.31304.8488; · R$ 19.116,06 mediante compensação por meio do DComp 17482.92249.03110.31304.8560 (já homologada). Fl. 811DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 811 4 desta forma, se verifica que o valor integral da guia embatida não foi utilizado para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003, e este montante, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando várias outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a nãohomologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao “Tipo do Crédito” a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de ter preenchido “Pagamento Indevido ou a Maior” defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção “Saldo Negativo do IRPJ” (anocalendário de 2003); todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao “tipo de crédito” informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e istorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; Fl. 812DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 812 5 a incorreção foi ratificada pela 5ª Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o “Tipo do Crédito” como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo “tipo do crédito”; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores “pagos a maior” (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a “renda” ou contribuição social sobre o “lucro líquido”, o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; Fl. 813DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 813 6 portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a “decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização”, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 814 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães redator ad hoc. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada, na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de janeiro/2003, no valor total de R$ 858.160,00 (principal mais acréscimos). A compensação é para quitação de débitos de IR Fonte. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 858.160,00 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos da Contribuinte. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, demonstrando que os valores apropriados nestes outros PER/DCOMP eram diferentes daqueles informados no despacho decisório, e que estas outras compensações não teriam consumido todo o crédito, ao contrário do alegado pela Delegacia de origem. Ao examinar este e outros processos que tratam do mesmo direito creditório, a Delegacia de Julgamento (DRJ) observou que os valores dos débitos objeto dos outros PER/DCOMP eram diferentes (e bem menores) que aqueles mencionados pelo despacho decisório que não homologou a presente compensação e, superando esse óbice, deu prosseguimento ao exame do reivindicado direito creditório. Nesse contexto, a DRJ consignou que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário não seriam pagamentos passíveis de compensação, e que, assim, caberia examinar a eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo no período em questão. Contudo, diante do que havia nos autos, concluiu a DRJ que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, ao final do anocalendário, caso a contribuinte apure saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, este sim passível de restituição ou compensação, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição Fl. 815DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 815 8 ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Certo, por outro lado, que a diferença de antecipação realizada a maior pode ser deduzida do imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes ao longo do anocalendário em curso, mas assim se permite justamente porque envolvidas parcelas de antecipação da mesmo natureza, sem incidência de qualquer índice de correção. Mencionese, a respeito do tema, entendimento manifestado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão n.° 1.102, de 01 de setembro de 2010, proferido em face do Recurso Voluntário n.° 515.908, interposto contra decisão da 3a Turma de Julgamento da DRJ/Belo HorizonteMG, relator o conselheiro José Sérgio Gomes, cuja ementa assim dispõe: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDARIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro real anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de Iº de janeiro subsequente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do ano calendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido " Fl. 816DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 816 9 Por tudo isso, concluise que os "recolhimentos mensais por estimativa" a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN e no art. 74, parágrafo 3o , da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo ou contribuição, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente antecipação a ser computada, ao final do período, na apuração de eventual saldo negativo passível de repetição. No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJestimativa mensal, código de arrecadação 2362. Sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência, como acima demonstrado, há que se examinar a eventual apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa e as retenções na fonte (IRRF) são considerados pela Lei como antecipações do imposto devido (IRPJ). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. No que se refere ao IRRF, somente poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar e, eventualmente, contribuir para a formação do saldo negativo de IRPJ, se atender ao previsto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção, bem como, cumulativamente, atender ao disposto no § 2o do art. 76 da Lei n° 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF será permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto, in verhis: Lei n° 7.450/1985 "Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos ". Lei n° 8.981/95 Fl. 817DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 817 10 "Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; (...) § 2o Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de Io de janeiro de 1995 integrarão o lucro real". Como corolário do exposto, esta 5a Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo de IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro "Diário", principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de IRPJ, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo T do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou tais elementos, limitandose às alegações acima referenciadas. As cópias de PER/DCOMP juntadas à impugnação, e o demonstrativo apresentado, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 818 11 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. O primeiro ponto a esclarecer é que não mais subsiste o argumento contido na decisão recorrida defendendo restrições para restituição ou compensação de recolhimentos indevidos ou a maior a título de estimativas mensais. A matéria inclusive já foi sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, não há óbice para que a Contribuinte busque a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. No caso concreto, não há dúvidas de que o crédito reivindicado corresponde a pagamento a maior de estimativa, e não a saldo negativo do período. Prova disso é que a Contribuinte começou a promover compensações com o referido crédito ainda no curso do próprio ano de 2003, antes mesmo da data para o ajuste anual (31/12/2003), conforme o PER/DCOMP objeto do processo 10865.903909/200861. Um segundo aspecto importante para a solução do presente processo é que as considerações contidas na decisão recorrida a respeito da comprovação do direito creditório valem tanto para indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa, quanto para indébito decorrente de apuração de saldo negativo no ajuste anual. As duas situações exigem a comprovação dos atributos de certeza e liquidez em relação ao indébito. Para o seu aproveitamento, ele precisa existir, ter o seu valor definido, e ainda estar disponível para a compensação. Inicialmente, a Delegacia de origem confirmou a existência do pagamento apresentado como origem do crédito, mas consignou que ele já havia sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos da Contribuinte, em razão da apresentação de outros PER/DCOMP. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento observou que os valores dos débitos objeto destes outros PER/DCOMP eram diferentes e bem menores que aqueles mencionados pelo despacho decisório que não homologou a presente compensação e, superando esse óbice, deu prosseguimento ao exame do reivindicado direito creditório. Admitindo, então, a possibilidade de restituição/compensação do indébito como saldo negativo, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez de seu direito creditório. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 819 12 No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Não há nem mesmo uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Foi essa dinâmica de produção de prova que orientou a evolução do presente processo, não obstante a decisão recorrida tenha defendido restrições preliminares quanto à compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. No caminhar do processo, a Contribuinte foi se insurgindo contra os óbices apontados pela Administração Tributária, no que toca à existência e à disponibilidade de seu direito creditório. E essa formação gradativa da prova é comum aos processos de restituição/ compensação, não havendo que se falar em inovação nos fundamentos da negativa, nem na necessidade de elaboração de novo despacho decisório, nem em situação que poderia dar ensejo ao reconhecimento da homologação tácita da compensação, etc. Cabe é examinar os documentos que a Contribuinte juntou aos autos nessa fase recursal, em razão das considerações contidas na decisão recorrida sobre a necessidade de comprovação do indébito. Procurando comprovar a existência e a disponibilidade de seu direito creditório, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário: Demonstrativo de todas as compensações realizadas com o crédito ora examinado; DIPJ do anocalendário 2003; DCTF´s trimestrais referentes ao anocalendário 2003; cópia do Livro Diário contendo Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos no Período, referentes aos anos de 2003 a 2005; Demonstrativo da composição da receita bruta mensal abrangendo o período em questão; Lançamentos realizados na conta “1.1.34.1.1.234IRPJ2003DARF Rec Indevido”; Balancetes Analíticos de 2003; e LALUR de maio/2003 em diante. Pela ficha 11 da DIPJ, e também pela DCTF, o valor da estimativa de janeiro/2003 seria de R$ 162.507,07. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1301000.316 S1C3T1 Fl. 820 13 As estimativas foram apuradas com base na “receita bruta e acréscimos” até o mês de abril, e a partir do mês de maio a apuração das estimativas se deu mediante balancetes de suspensão/redução. De acordo ainda com a DIPJ, a Contribuinte apurou prejuízo em 2003, e todas as antecipações ao longo do ano, a título de recolhimento de estimativa (R$ 250.122,08) e de retenção de IR na fonte (R$ 193.631,24), converteramse em saldo negativo no montante de R$ 443.753,32. Esse saldo negativo englobou apenas o valor de R$ 162.507,07 como estimativa de janeiro. A indicação, portanto, é de que houve recolhimento a maior para a referida estimativa, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a sua disponibilidade para as várias compensações realizadas pela Contribuinte, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF nº 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães, redator ad hoc Fl. 821DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724017/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 40 17 /2 01 3- 81 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento em 09/09/13 (fls. 13 a 17), referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2011. O lançamento decorreu da omissão de rendimentos do trabalho, recebidos da Fonte Pagadora Serviço Autônomo de Água e Esgoto CNPJ 71.480.560/000139, no valor de R$ 17.989,80. O enquadramento legal, bem como descrição dos fatos encontramse às fls. 44. Informa a autoridade fiscal que o valor omitido foi apurado conforme informações prestadas a Secretaria da Receita Federal do Brasil e que o contribuinte não apresentou Laudo Médico Pericial emitido em data recente por órgão oficial, que comprovasse ser portador de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 18/09/2013 (fl. 48). Em 17/10/2013 apresentou impugnação, juntada às fls. 02 a 09. Em sua defesa, informa que é portador desde junho de 1995 de neoplasia maligna, tendo sido submetido a cirurgia para retirada de tumor maligno no intestino e, desde essa época até atualmente, encontrase sob acompanhamento médico, submetendose semestralmente a exames de laboratórios, radiodiagnóstico e exames de colonoscopia. Esclarece que submeteuse recentemente a perícia realizada pela Secretaria de Saúde do Município de Sorocaba que atestou ser o impugnante portador de doença grave conforme documentos que junta. Informa tratarse os rendimentos lançados de complementação recebidos acumuladamente que não sofrem tributação por força do disposto na Lei nº 7.713/88. Alega ainda que não omitiu o valor lançado, pois consta na aba de rendimentos isentos e não tributáveis. A Turma de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação, restando ementado conforme segue: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL. A pessoa física portadora de moléstia grave deverá apresentar à fonte pagadora, para fins de gozo da isenção do imposto de renda sobre os valores por ela recebidos de proventos de aposentadoria, laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios que contenha informação de que a moléstia é ou não passível de controle e, caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10855.724017/201381 Acórdão n.º 2301004.699 S2C3T1 Fl. 109 3 A ciência do Acórdão 0253.015 9ª Turma da DRJ/BHE (fl. 59), ocorreu em 14/02/2014 (fl 69), conforme Aviso de Recebimento AR. Sobreveio recurso voluntário em 14/03/2014 (fls. 71/79), repisando os fundamentos da peça impugnatória. Acostas documentos, já existentes no processo, às fls. 80/102. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade previstos no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972, merecendo ser conhecido. O contribuinte insurgiuse contra o lançamento efetuado, pois alega ser portador de doença grave, descrita no rol de moléstias isentivas do Imposto de Renda. Justificou em sua defesa que não houve omissão dos rendimentos, mas sim que foram lançados no campo de rendimentos não tributáveis. Analisando os documentos coligidos pelo interessado (fls 18/21), denotase que há um conjunto probatório no sentido de atestar a existência da doença alegada. Para o deferimento da benesse pleiteada o artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) ser portador de moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). No tocante ao segundo requisito, a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifei) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 No que se refere à comprovação acerca da natureza dos rendimentos auferidos pelo contribuinte, tornase despicienda análise aprofundada, uma vez que restou incontroverso que o contribuinte é aposentado, para tanto, mencionando somente o documento de fl. 29. Da leitura do voto do julgador de Primeira Instância, denotase que o elemento fulcral da controvérsia é a exigência de Laudo Pericial com a informação se a doença é passível de controle e, em caso afirmativo, a data de validade do laudo. [...] Para comprovação da condição de portador de moléstia grave foi juntado a fl. 21 um atestado emitido pelo Centro de Saúde Márcia Mendes, Prefeitura de Sorocaba, que informa que o contribuinte é portador de neoplasia maligna de colon esquerdo e que foi submetido a colectomia em 06/06/1995 e posteriormente a quimioterapia e que encontrase sob acompanhamento médico. O documento, no entanto, não contém todos os requisitos previstos na legislação para que o contribuinte usufrua da isenção em questão já que não informa se a doença é passível de controle e, em caso afirmativo, não apresenta o prazo de validade do laudo. [...] Com a devida vênia, esta relatora discorda do entendimento do julgador "a quo", uma vez que os laudos apresentados pelo contribuinte se prestam a confirmar a existência de moléstia grave, inclusive com data de início. Analisando os documentos médicos acostados pelo recorrente, principalmente o Atestado emitido pelo Centro de Saúde Márcia Mendes da Secretaria da Saúde de Sorocaba SP (fl. 21), verificase que o referido é datado de 10/10/2013. Ou seja, é documento novo, emitido após a lavratura do Auto de Infração. O Laudo Médico atesta que o contribuinte é portador de neoplasia maligna de colon esquerdo CID 153.2/6 e que foi submetido a colectomia em 06.06.95. A exigência de que contenha no Laudo Pericial a informação se a doença é passível de controle e/ou data de validade do documento é desnecessária no caso concreto, uma vez que a data de emissão do Atestado/Laudo é posterior à data da autuação e contém a declaração que o Sr. Luiz Perilli É portador de neoplasia maligna desde 1995. Requerer que o Laudo Pericial contenha informações irrelevantes, in casu, tratase de formalismo excessivo, uma vez que os elementos trazidos como conjunto probatório são fartos e se prestam a demonstrar a veracidade das alegações do contribuinte. Entendo, pois, que é plenamente possível reconhecer que no exercício de 2011, anocalendário 2010, o contribuinte fazia jus benefício da isenção, pois a moléstia acometida pelo Recorrente se enquadra entre as doenças isentivas do IRPF, (NEOPLASIA MALIGNA), conforme foi comprovado pelos laudos anexados ao processo. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10855.724017/201381 Acórdão n.º 2301004.699 S2C3T1 Fl. 110 5 (Assinado Digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13971.002394/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.000454/200649, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES NACIONAL mediante o Ato Declaratório Executivo nº 62, de 07/05/2009.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.000454/200649, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES NACIONAL mediante o Ato Declaratório Executivo nº 62, de 07/05/2009. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.000454/200649, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES NACIONAL mediante o Ato Declaratório Executivo nº 62, de 07/05/2009. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 02 39 4/ 20 10 -8 5 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.002394/201085 Resolução nº 2401000.487 S2C4T1 Fl. 385 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 Data de lavratura do Auto de Infração: 18/05/2010. Data da ciência do Auto de Infração: 21/05/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.253.9815, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados e a Segurados Contribuintes Individuais, cujos fatos geradores houveramse por apurados nas Folhas de Pagamento da empresa autuada, não declaradas em GFIP, devido a informação incorreta no campo referente à opção do SIMPLES, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 78/81. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas, não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, os seguintes fatos geradores: · Levantamento SE: Remuneração de Segurados Empregados da empresa autuada, cujos valores constam discriminados em folhas de pagamentos, nas competências 07/2005 e 13/2006. · Levantamento CI: Remuneração de Segurados Contribuintes Individuais da empresa autuada, cujos valores constam discriminados em folhas de pagamentos nas competências 07/2005 e 13/2006. De acordo com a Resenha Fiscal, os lançamentos são resultantes da EXCLUSÃO da autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), com efeito retroativo a 01/01/1997, conforme o Ato Declaratório Executivo nº 062, de 07/05/2009, a fl. 84, lavrado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.000454/200649. Consta dos autos que a Autuado ofereceu Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo nº 62, de 07/05/2009, nos autos do PAF nº 13971.000454/200649, o qual foi julgado improcedente pela 6ª Turma da DRJ/FNS, nos termos do Acórdão nº 0718.157 – 6ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 182/192, sendo mantida a exclusão da empresa CARISMA COMERCIO DE MALHAS LTDA da sistemática do SIMPLES. Consta, também, que em face do Acórdão nº 0718.157 – 6ª Turma da DRJ/FNS, suso citado, que a CARISMA COMERCIO DE MALHAS LTDA interpôs Recurso Fl. 386DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.002394/201085 Resolução nº 2401000.487 S2C4T1 Fl. 386 3 Voluntário, cópia a fls. 196/225, cujo julgamento em grau de 2ª Instância Administrativa não consta dos autos. No presente lançamento foram considerados como créditos as parcelas de valores destinadas ao INSS, recolhidos pelas empresas em DARF — COD 6106, no período do lançamento. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa, a fls. 118/141. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0730.786 6ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 332/354, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito lançado em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi intimado da Decisão de 1ª Instância no dia 04/04/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 356. Inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo principal interpôs Recurso Voluntário a fls. 358/378, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o processo relativo à exclusão do SIMPLES ainda se encontrava em trâmite por ocasião da lavratura do Auto de Infração que deu origem ao presente processo; · Que a fiscalização anteriormente efetuada na empresa Cativa Têxtil Indústria e Comércio Ltda concluiu, equivocadamente, que os empregados da ora Recorrente seriam empregados de fato daquela Empresa. Aduz que a conclusão trazida no Auto de Infração e decisão da DRJ combatida neste recurso ê diversa, já que deles se infere que a ora Recorrente teria sido constituída por interpostas pessoas, e nada se fala a respeito de quem seria o empregador de fato dos empregados registrados na Recorrente, presumindose, consequentemente, que tais empregados sejam de fato contratados diretamente pela ora Recorrente, o que conflita com o processo administrativo anteriormente apreciado, envolvendo a empresa Cativa Têxtil. · Que é nula a decisão proferida nos presentes autos, já que o órgão julgador deixou de se manifestar sobre os argumentos tecidos pela ora Recorrente na Impugnação apresentada, relativos à exclusão do SIMPLES; · Que é indevida a aplicação da multa em face do Recorrente; · Que “Quanto ao indeferimento de provas, verificase mais uma incoerência na decisão proferida, já que não houve requerimento expresso de realização de perícia pela ora Recorrente, conforme se verifica da leitura da alínea “d” de sua Impugnação”; · Que as intimações sejam encaminhadas aos advogados da Recorrente; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.002394/201085 Resolução nº 2401000.487 S2C4T1 Fl. 387 4 Ao fim, requer que o procedimento fiscal seja julgado nulo. 2. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 04/04/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 03/05/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 3. DAS PRELIMINARES 3.1. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO O Recorrente argumenta que o processo relativo à exclusão do SIMPLES ainda se encontrava em trâmite por ocasião da lavratura do Auto de Infração que deu origem ao presente processo; A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na confirmação ou não da efetiva exclusão da empresa autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. De acordo com a Resenha Fiscal, os lançamentos são resultantes da EXCLUSÃO da autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), com efeito retroativo a 01/01/1997, conforme o Ato Declaratório Executivo nº 062, de 07/05/2009, a fl. 84, lavrado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.000454/200649. Consta dos autos que a Autuado ofereceu Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo nº 62, de 07/05/2009, nos autos do PAF nº 13971.000454/200649, o qual foi julgado improcedente pela 6ª Turma da DRJ/FNS, nos termos do Acórdão nº 0718.157 – 6ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 182/192, sendo mantida a exclusão da empresa CARISMA COMERCIO DE MALHAS LTDA da sistemática do SIMPLES. Consta, também, que em face do Acórdão nº 0718.157 – 6ª Turma da DRJ/FNS, suso citado, que a CARISMA COMERCIO DE MALHAS LTDA interpôs Recurso Voluntário, cópia a fls. 196/225, cujo julgamento em grau de 2ª Instância Administrativa não consta dos autos. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.002394/201085 Resolução nº 2401000.487 S2C4T1 Fl. 388 5 Avulta das circunstâncias do presente caso que o veredictum a ser proferido no vertente Processo Administrativo Fiscal depende visceralmente do desfecho definitivo a que alcançar o julgamento PAF nº 13971.000454/200649, no qual se debate a manutenção da empresa em tela na sistemática do SIMPLES. Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, pugnamos pela conversão do julgamento do presente feito em diligência fiscal, para que se aguarde o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.000454/200649, suso citado, devendo a diligência ora requestada ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF acima mencionado. PARA QUE NÃO RESTEM DÚVIDAS, A PRESENTE DILIGÊNCIA FISCAL DEVE SER CONCLUÍDA SOMENTE APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTERPOSTA PELO AUTUADO EM FACE DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 062/2009, E OS PRESENTES AUTOS RETORNADOS A ESTE COLEGIADO, TÃO SOMENTE, COM A JUNTADA AO VERTENTE PROCESSO DE CÓPIA DA DECISÃO DEFINITIVA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Nº 13971.000454/200649. Além disso, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.000454/200649, devendo ser acostada aos presentes autos cópia da decisão definitiva em apreço. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 13028.000069/2003-28
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Somente os insumos que se submeteram à incidência da contribuição na operação de aquisição pelo produtor-exportador compõem a base de cálculo do incentivo, situação essa em que não se incluem as aquisições junto a pessoas físicas.
Numero da decisão: 2101-000.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange aos insumos adquiridos de pessoa física. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Designado o conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho e Antônio Carlos Atulim.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente os insumos que se submeteram à incidência da contribuição na operação de aquisição pelo produtorexportador compõem a base de cálculo do incentivo, situação essa em que não se incluem as aquisições junto a pessoas físicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange aos insumos adquiridos de pessoa física. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Designado o conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho e Antônio Carlos Atulim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 8. 00 00 69 /2 00 3- 28 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000069/200328 Acórdão n.º 2101000.097 S2C1T1 Fl. 171 2 Relatório Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Porto Alegre/RS, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Tratase de ressarcimento de crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n° 9.363, de 13/12/1996, em parte negado por despacho decisório da DRF de origem por tratarse de aquisições efetuadas a pessoas físicas. Na manifestação de inconformidade, a interessada esclarece que adquire pedras semipreciosas a garimpeiros e alega que só poderiam ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido "as compras de matériaprima de pessoas físicas, se houvesse previsão legal, o que não há" e que o beneficio foi instituído para compensar os exportadores do PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre toda a cadeia e não apenas sobre a última operação. A DRJ Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Tãosomente as aquisições de insumos que sofrerem a incidência do PIS/Pasep e da Cofins geram direito ao crédito presumido do IPI instituído para ressarcimento dessas contribuições. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomase conhecimento. Considerando o teor da decisão constante da ata de julgamento, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido do voto exarado no acórdão nº Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000069/200328 Acórdão n.º 2101000.097 S2C1T1 Fl. 172 3 20219.239, de 6 de agosto de 2008, pelo mesmo redator designado neste processo, que versou sobre a mesma matéria controvertida nos presentes autos: Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Cuido neste voto apenas da possibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, para ressarcimento da Contribuição para o PIS e da Cofins, dos insumos adquiridos de nãocontribuintes (pessoas físicas ou cooperativas). O crédito presumido de IPI foi instituído pela Medida Provisória nº 948, de 23/03/95, convertida na Lei nº 9.363/96, com a finalidade de estimular o crescimento das exportações do país, desonerando os produtos exportados dos impostos internos incidentes sobre suas matériasprimas e visando permitir maior competitividade destes no mercado internacional. O art. 12 da Lei nº 9.363/96 dispõe que o crédito presumido tem natureza de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo, verbis: "Art. 12 A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." (negritei) O Crédito Presumido é um beneficio fiscal, e sendo assim, a sua lei instituidora deve ser interpretada restritivamente, a teor do disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional CTN, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Com efeito, tratandose de normas nas quais o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. Nesse sentido, Carlos Maximiliano, discorrendo sobre a hermenêutica das leis fiscais, ensina: "402 — III O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presumese não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos." Destarte, a empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a quantia Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000069/200328 Acórdão n.º 2101000.097 S2C1T1 Fl. 173 4 desembolsada sob a forma de crédito presumido compensável com o IPI e, na impossibilidade de compensação, na forma de ressarcimento em espécie. O art. 1º, retrotranscrito, restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições [...] incidentes nas respectivas aquisições", referindose o legislador ao PIS e à Cofins incidentes sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora, ou seja, nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor não sofreram a incidência das contribuições, não há como enquadrálas no dispositivo legal. Há quem sustente que o percentual de cálculo do incentivo (5,37%) é superior ao empregado no cálculo das contribuições que visa ressarcir e que, por isso, o incentivo alcançaria todas as aquisições, inclusive aquelas que não sofreram a incidência das referidas contribuições. Entretanto, o fato de o crédito presumido visar a desoneração de mais de uma etapa da cadeia produtiva não autoriza que se interprete extensivamente a norma, concedendo o incentivo a todas as aquisições efetuadas pelo contribuinte. Alfredo Augusto Becker, ao se referir à interpretação extensiva, assim se manifestou: "... na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de certa analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha." (negritei) Ora, se a interpretação extensiva cria regra jurídica nova, é claro que sua aplicação é vedada pelo art. 111 do CTN, quando se trata de incentivo fiscal. Assim, não há como ampliar o disposto no art. 1º da Lei nº 9.363/96, que limita expressamente o incentivo fiscal ao ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições do produtorexportador, não o estendendo a todas as aquisições da cadeia comercial do produto. Desta forma, se em alguma etapa anterior da cadeia produtiva do insumo houve o pagamento de PIS e de Cofins, o ressarcimento tal como foi concebido não alcança esse pagamento específico. Se fosse assim não haveria necessidade de a norma especificar que se trata de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, ou, o que dá no mesmo, incidentes sobre as aquisições do produtor exportador. Reforça tal entendimento o fato de o art. 52 da Lei nº 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtorexportador quando houver restituição ou compensação da contribuição para o PIS e da Cofins pagas pelo fornecedor de matériasprimas na etapa anterior, ou seja, o estorno da parcela Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000069/200328 Acórdão n.º 2101000.097 S2C1T1 Fl. 174 5 de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor que obteve a restituição ou compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo na hipótese em que a contribuição paga pelo fornecedor foilhe, posteriormente, restituída, não se pode utilizar, no cálculo do incentivo, as aquisições em que este mesmo fornecedor não arca COM o tributo na venda do insumo. Pensar de outra forma levaria à conclusão absurda de que o legislador considera, no cálculo do incentivo, o valor dos insumos adquiridos de fornecedor nãocontribuinte, que não pagou a contribuição, e nega esse direito quando há o pagamento com posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria direito ao incentivo sem que houvesse o ônus do pagamento da contribuição e na segunda não. Ressaltese, ainda, que a norma incentivadora também prevê, em seu art. 3º, que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtorexportador. A vinculação legal da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que devem ser consideradas, no cálculo do incentivo, somente as aquisições de insumos que sofreram a incidência direta das contribuições. A negação dessa premissa tornaria supérflua a disposição do art. 3º da Lei nº 9.363/96, contrariando o principio elementar do direito que prega que a lei não contém palavras vãs. Portanto, o que se vê é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que deveria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando o incentivo fiscal para hipóteses não previstas. Ademais, o Poder Judiciário já se manifestou contrariamente à inclusão das aquisições de nãocontribuintes no cálculo do crédito presumido de 1P1, conforme se depreende do Acórdão AGTR 32877CE, julgado em 28/11/2000, pela Quarta Turma do TRF da 5ª Região, sendo relator o Desembargador Federal Napoleão Maia Filho, cuja ementa tem o seguinte teor: "TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A TÍTULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI JURES AO CREDITAMENTO. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000069/200328 Acórdão n.º 2101000.097 S2C1T1 Fl. 175 6 I. Tratandose de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art. 1º da Lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 1. Sendo as exações PIS/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas físicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito de seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência ..." O mesmo entendimento foi esposado pelo Desembargador Federal do TRF da 5ª Região, no AGTR 33341PE, Processo nº 2000.05.00.0560937, que, à certa altura do seu despacho, asseverou: 'A pretensão ao crédito presumido do IPI, previsto no art. 1º da Lei 9.363, de 13.12.96, pressupõe, nos termos da nota referida, o ressarcimento das contribuições de que tratam as leis complementares nº 07, de 07 de setembro de 1970; 08, de 03 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem' utilizados no processo produtivo do pretendente. ºOra, na conformidade do que dispõem as leis complementares a que a Lei n 9.363/96 faz remição, somente as pessoas jurídicas estão obrigadas ao recolhimento das contribuições conhecidas por PIS, PASEP, e COFINS, instituídas por aqueles diplomas, sendo intuitivo que apenas sobre o valor dos produtos a estas adquiridos pelo contribuinte do IPI possa ele se ressarcir do valor daquelas contribuições a fim de se compensar com o crédito presumido do imposto em referência. Não recolhendo os fornecedores, quando pessoas físicas, aquelas contribuições, segue não ser dado ao produtor industrial adquirente de seus produtos, compensarse de valores de contribuições inexistentes nas operações mercantis de aquisição, pois o crédito presumido do IPI autorizado pela Lei n°9.363/96 tem por fundamento o ressarcimento daquelas contribuições, que são recolhidas pelas pessoas jurídicas ...." Essas decisões judiciais evidenciam o acerto do entendimento aqui exposto, no sentido de que não há incidência da norma jurídica instituidora do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, quando estas contribuições não forem exigíveis nas operações de aquisição, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo da empresa produtora e exportadora. Ante o exposto, nego provimento ao recurso quanto aos insumos adquiridos de nãocontribuintes, por entender que estes custos Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000069/200328 Acórdão n.º 2101000.097 S2C1T1 Fl. 176 7 não devem integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Diante do exposto, o voto é encaminhado no sentido de negar provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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