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Numero do processo: 13819.001046/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Súmula CARF nº 02.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento.
CÓDIGO FPAS. ENQUADRAMENTO. ATRIBUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
O enquadramento do código do Fundo de Previdência e Assistência Social - FPAS, nos lançamentos de ofício, constitui-se atribuição privativa da Fiscalização, e se dá a partir da Classificação Nacional de Atividade Econômica - CNAE à qual se encontra vinculada a empresa auditada, conforme assentamento no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, na forma estabelecida no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. 3.048/99.
MULTA DE MORA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco tampouco se configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais tributárias vigentes e eficazes.
Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas nos artigos 145 e 150 da CF/88.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Súmula CARF nº 02. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 10 46 /2 00 9- 10 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 NFLD. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. CÓDIGO FPAS. ENQUADRAMENTO. ATRIBUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O enquadramento do código do Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, nos lançamentos de ofício, constituise atribuição privativa da Fiscalização, e se dá a partir da Classificação Nacional de Atividade Econômica CNAE à qual se encontra vinculada a empresa auditada, conforme assentamento no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, na forma estabelecida no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. 3.048/99. MULTA DE MORA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco tampouco se configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais tributárias vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas nos artigos 145 e 150 da CF/88. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 645 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Relatório Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2001 Data de lavratura da NFLD: 30/09/2002. Data da Ciência da NFLD: 03/10/2002. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Gerência Executiva de São Bernardo do Campo da Secretaria da Receita Previdenciária que julgou procedente em parte o lançamento tributário aviado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.512.0550, consistente em contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parcela patronal, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, às destinadas aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT) e ao prólabore, relativos a diferenças de contribuições devidas entre os valores recolhidos pela empresa e os valores apurados de acordo com a documentação apresentada, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 69/72. Apesar de notificada mediante Termo Próprio, a empresa deixou de apresentar toda a escrituração contábil do período e demais documentos relacionados à Previdência Social, que melhor subsidiariam a ação fiscal e o presente levantamento, fato que ensejou a emissão do Auto de Infração nº 35.512.0526. A empresa apresentou uma única Folha de Pagamento, para toda a empresa, consolidada no CNPJ da Matriz 60.924.040/000151,bem como o registro de todos os empregados. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações creditadas aos segurados empregados, discriminadas nas Folhas de Pagamento e declaradas na GFIP referentes ao FPAS 612 Matriz (60.924.040/000151) e Filiais (60.924.040/000585; 60.924.040/001980; 60.924.040/002790; 60.924.040/002952 e 60.924.040/003681), relativas ao período de 01/1999 à 13/2001, cujos valores encontramse relacionados no Relatório "Discriminativo Analítico do Débito DAD", e no Relatório de Fatos Geradores. As importâncias pagas a titulo de Salário Família e Salário Maternidade, na conformidade da Lei, foram deduzidas das contribuições apuradas. Os valores recolhidos pela empresa através das Guias de Recolhimento da Previdência Social e todos os recolhimentos efetuados pelos Tomadores de Serviço, referentes a retenção de 11% do valor das Notas Fiscais/Faturas emitidas pela Empresa sobre a prestação de serviço, como preceitua a Lei 9711/98, constantes no conta corrente do sistema de arrecadação da Previdência Social, assim como os valores parcelados através das LDC nº 35.184.4309 e 35.184.4295, foram devidamente considerados na apuração do quantum devido. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo apresentou impugnação a fls. 76/84. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 646 5 A Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva do INSS em São Bernardo do Campo baixou o feito em Diligência Fiscal para que fossem sanadas algumas irregularidades na formalização do lançamento, conforme despacho a fl. 212. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Substitutivo a fls. 214/218. Devidamente cientificado do inteiro teor do resultado da diligência acima apontada, o Contribuinte ofereceu aditamento à impugnação, a fls. 260/264. A Gerência Executiva de São Bernardo do Campo da Secretaria da Receita Previdenciária lavrou Decisão Administrativa textualizada na DecisãoNotificação nº 21.434.4/0127/2004, a fls. 294/320, julgando procedente em parte o presente lançamento, para dele fazer excluir a contribuição previdenciária destinada ao SAT para todo o período (02/2000 a 13/2001), bem como as parcelas de contribuições de Terceiros, apenas e tão somente quanto às destinadas ao INCRA e ao SEBRAE, no mesmo período, retificando o crédito tributário na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 267/279. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de primeira instância administrativa em 17/11/2004, conforme Aviso de Recebimento a fl. 327 e, inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o interpôs recurso voluntário, a fls. 329/344, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que estando a NFLD a carecer de qualquer um dos elementos inseridos nos artigos 202 do CTN, por si só já é o bastante para caracterizar a nulidade do lançamento fiscal, conforme consistente prescrição inserida no artigo 203 do CTN; · Que, em virtude da falta de elementos imprescindíveis à elaboração dos cálculos, a Recorrente encontrase impossibilitada a proceder à correta contestação dos valores apresentados, motivando irrefutavelmente a ofensa ao princípio constitucional do contraditório e ampla defesa; · Que os TIAF apresentados foram lavrados de forma incorreta, por deixar de constar o número do MPF; · Que a fiscalização nas empresas prestadoras de serviço com cessão de mãodeobra deverá ser procedida mediante auditoria fiscal especial. Contudo, a fiscalização realizada nas dependências da Recorrente foi exercida mediante auditoria fiscal individual; · Que o Auditor Fiscal deixou de informar o motivo pelo qual entendeu como fato gerador de obrigação previdenciária as gratificações pagas pela Recorrente; · Que a Recorrente aderiu ao REFIS, consoante FORCED retificadores datados em agosto de 2000, e a mesma confessou diversas diferenças de Fl. 659DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 contribuição dos empregados ocorridas durante o ano de 1999 e janeiro de 2000; · Que a incidência do código FPAS 612 deve ser procedido pelo principio da motivação, o que não ocorreu no presente caso, pois a aplicação do código FPAS 612 adveio sem qualquer fundamento jurídico; · Que há divergências entre os valores relacionados no Discriminativo Analítico de Debito e os valores contidos no Relatório de Aplicação de Multa, no âmbito do Auto de Infração DEBCAD n° 35.512.0607 – CFL 68; · Que a multa aplicada no Lançamento Fiscal revestese de caráter confiscatório, eis que não foi aplicado o princípio da razoabilidade; · Que o controle de constitucionalidade é realizado por meio difuso, podendo ser declarado por qualquer autoridade julgadora, seja na esfera administrativa ou judicial, através de decisões monocráticas ou colegiadas; · Inconstitucionalidade do SEST, SENAT e Salário Educação; · Requer a produção de prova pericial; Ao fim, requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. A 2ª CaJ Segunda Câmara de Julgamento do CRPS converteu o julgamento em Diligência Fiscal, para que fossem esclarecidas questões pertinentes ao lançamento em debate, conforme despacho a fls. 371/373. Em atendimento à diligência requerida, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Previdenciária de São Bernardo do Campo/SP emitiu informação fiscal a fl. 374. Devidamente cientificado do inteiro teor do resultado da diligência acima apontada, conforme edital a fl. 640, o Contribuinte deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora concedido, sem se manifestar nos autos do processo, conforme assim atesta o Despacho a fl. 642. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 647 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 17/11/2004. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios em 14/12/2004 (fl. 347), há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega que, estando a NFLD a carecer de qualquer um dos elementos inseridos nos artigos 202 do CTN, por si só já é o bastante para caracterizar a nulidade do lançamento fiscal, conforme consistente prescrição inserida no artigo 203 do CTN; A empresa argumenta que os TIAF apresentados foram lavrados de forma incorreta, por deixar de constar o número do MPF e que a fiscalização nas empresas prestadoras de serviço com cessão de mãodeobra deveria ser procedida mediante auditoria fiscal especial. Contudo, a fiscalização realizada nas dependências da Recorrente foi exercida mediante auditoria fiscal individual; Alega, também, a Autuada que o Auditor Fiscal deixou de informar o motivo pelo qual entendeu como fato gerador de obrigação previdenciária as gratificações pagas pela Recorrente. Por derradeiro, o Sujeito Passivo sustenta a inconstitucionalidade das contribuições destinadas ao SEST, ao SENAT e ao Salário Educação; Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute, não se instaurando em relação a elas qualquer litígio, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III, estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo Fl. 662DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 648 9 art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada originariamente em grau de Recurso Voluntário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Com efeito, o objeto imediato do Recurso Voluntário é a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para Fl. 663DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas expressamente em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude de preclusão legal. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O Recorrente alega que o controle de constitucionalidade é realizado por meio difuso, podendo ser declarado por qualquer autoridade julgadora, seja na esfera administrativa ou judicial, através de decisões monocráticas ou colegiadas. Vixe !!! Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 649 11 Repisese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Merece ser enaltecido que as contribuições sociais exigidas mediante os vertentes Autos de Infração têm por fundamento jurídico de validade os artigos 20 e 22, I e II, ambos da Lei nº 8.212/91, bem como as legislações específicas das Contribuições Sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos, os quais, até o presente momento, não foram ainda vitimados de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa tendo o Autuado como Autor, seja na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, ao Sujeito Passivo, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De outro plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, o que não é o caso dos autos. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. No caso dos autos, o Recorrente não demonstrou possuir em seu favor qualquer provimento judicial que tenha declarado a inconstitucionalidade das exações ora em constituição. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 650 13 Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. 2.2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Recorrente alega que, em virtude da falta de elementos imprescindíveis à elaboração dos cálculos, a Recorrente encontrase impossibilitada de proceder à correta contestação dos valores apresentados, motivando irrefutavelmente a ofensa ao princípio constitucional do contraditório e ampla defesa. Sem razão ! Mostrase valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público no Ato Administrativo trazido aos autos, nos termos dos art. 334, inciso IV, do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II, da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Fl. 667DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do Órgão Tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do seu conteúdo. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este que deve ser adimplido pelo Contribuinte, mediante documentos idôneos, de molde a se afastar a presumida fidedignidade do teor do Ato Administrativo em xeque. Ao contrário do que afirma o Recorrente, a não individualização de cada um dos fatos geradores no corpo da NFLD não implica nulidade do lançamento. Isto porque os fatos geradores aqui lançados foram apurados diretamente das folhas de pagamento da empresa e das GFIP, documentos estes apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, ou obtidos nos sistemas informatizados do CNIS, elaborados sob o seu domínio e responsabilidade, e confeccionados sob seu comando e orientação, beirando ao burlesco a alegação de que ficou impossibilitado de aferir os montantes apresentados. Nesse contexto, sendo do conhecimento pleno do Recorrente a natureza jurídica, a origem e os respectivos valores das rubricas salariais consignadas em suas Folhas de Pagamento e dos fatos geradores declarados mediante GFIP, assim como os beneficiários de tais pagamentos, revelase despicienda a reprodução de tais elementos no Relatório Fiscal desta NFLD. Destacase que as bases de cálculo apuradas pela Fiscalização a partir dos assentamentos efetuados pela própria empresa em suas Folhas de Pagamento e GFIP encontramse devidamente expostas, por competência, no Discriminativo Analítico de Débito, de molde que a sua correcção pode ser sindicada imediatamente e a qualquer tempo pelo sujeito passivo. De outro eito, as contribuições sociais ora lançadas, assim como as respectivas alíquotas, encontramse individualmente discriminadas no já citado Discriminativo Analítico de Débito, favorecendo, dessarte, o contraditório e a ampla defesa. Alertese que a Notificada teve oportunidade de demonstrar, se fosse o caso, tanto na fase de impugnação como agora, em sede recursal, que os valores absolutos lançados, apurados pela fiscalização diretamente nas folhas de pagamento e GFIP, não estariam condizentes com a realidade. Não o fez. Optou por alegar simplesmente que a fiscalização Fl. 668DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 651 15 omitiu informações, as quais eram do seu próprio conhecimento, eis que obtidas diretamente dos documentos por ela elaborados. Como visto, verificase que a NFLD em relevo foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, de forma discriminada por estabelecimento, levantamento e competência, os fatos geradores da exação, as destinações de cada tributo, os montantes apurados, bem como as diferenças a serem recolhidas. O Relatório Fiscal expõe todos os elementos que motivaram a lavratura da vertente NFLD e o Relatório Fundamentos Legais do Débito encerra todos os dispositivos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF, TIAD e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. 2.3. DO CÓDIGO FPAS O Recorrente alega que a incidência do código FPAS 612 deve ser procedida pelo principio da motivação, o que não ocorreu no presente caso, pois a aplicação do código FPAS 612 adveio sem qualquer fundamento jurídico. Não ... A indicação do código do Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS nos lançamentos de ofício constituise atribuição privativa da Fiscalização, inerente à atividade fiscal de constituir o Crédito Tributário mediante o lançamento. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 O cálculo do montante do tributo devido passa necessariamente pelo enquadramento da empresa auditada no código FPAS específico, a partir do qual se identificam as outras entidades e fundos para as quais haverá destinação de contribuições sociais. O enquadramento do código FPAS se dá a partir da Classificação Nacional de Atividade Econômica – CNAE à qual se encontra vinculada a empresa auditada, conforme assentamento no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, na forma estabelecida no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. 3.048/99. No caso dos autos, à época do lançamento, a empresa encontravase enquadrada na CNAE 60.267 TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS EM GERAL, à qual corresponde o código FPAS 612, conforme anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. 3.048/99. Por óbvio, ostentando a presunção de legitimidade e veracidade do Ato Administrativo natureza relativa, esta admite prova em sentido contrário, a ônus do Interessado. Assim, não concordando com o enquadramento realizado de ofício pela Autoridade Fiscal, o Contribuinte detém a prerrogativa do contraditório, a ser exercida na fase processual da impugnação, sob pena de preclusão, devendo o Impugnante elencar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Avulta das circunstâncias do caso que a Autoridade Lançadora, na ocasião do lançamento, operou com equívoco involuntário ao indicar em seu relatório fiscal, e tão somente no Relatório Fiscal, a destinação de contribuições sociais para o Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI, as quais são típicas do código FPAS 507, atávico às atividades industriais. Registrese que, à exceção do aludido equívoco cometido no Relatório Fiscal, o lançamento encontrase perfeito, com a correta indicação do FPAS 612, conforme se observa na página de rosto do Discriminativo Analítico de Débito, a fl. 03, onde consta consignado o levantamento NO2 GFIP 612 MATRIZ/FILIAIS, FPAS 6120, CNAE 60.267 e código de Terceiros 3139 (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT). Atento a tal divergência do Relatório Fiscal, o Órgão Julgador de 1ª Instância requestou Diligência Fiscal inquirindo a Autoridade Lançadora a respeito do enquadramento do FPAS próprio da empresa Autuada. A Fiscalização ratificou o código FPAS 612 informado ab initio no lançamento e procedeu à retificação da informação pertinente às outras entidades e fundos a quem seriam destinadas contribuições sociais (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT), estas, típicas do FPAS 612, código de Terceiros 3139, nos termos assentados no Relatório Fiscal Substituto, o qual foi levado à ciência do Contribuinte, sendolhe reaberto o prazo para oferecimento de impugnação, em honra ao princípio do contraditório e ampla defesa. Nada obstante, em seu Aditamento à defesa administrativa, a fls. 260/264, o Notificado não opôs qualquer obstrução ao código FPAS 612 mantido pela Fiscalização, conforme consignado no Relatório Fiscal substituto. Limitou a alegar que o Auditor não teria esclarecido o porquê das duas classificações: FPAS 515 e FPAS 612. Conforme já esclarecido, o código FPAS do contribuinte é único e decorre da CNAE específica da sua atividade econômica, consoante assentamento no Cadastro Nacional Fl. 670DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 652 17 de Pessoa Jurídica, na forma estabelecida no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. 3.048/99. O Relatório Fiscal Substituto veio corrigir, apenas, informação errônea assentada, por equívoco, e tão somente, no Relatório Fiscal originário, mas não no lançamento em si, conforme acima demonstrado. Inexiste, portanto, qualquer vício no lançamento ora em debate. Vencidas as preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DOS FATOS GERADORES O Recorrente alega haver divergências entre os valores relacionados no Discriminativo Analítico de Debito e os valores contidos no Relatório de Aplicação de Multa, no âmbito do Auto de Infração DEBCAD n° 35.512.0607 CFL 68. O lançamento formalizado mediante a NFLD nº 35.512.0550 referese ao levantamento NO2 GFIP 612 MATRIZ/FILIAIS, cujos valores foram declarados em GFIP com código FPAS 612 nos CNPJ da matriz e filiais. Por outro lado, mediante a NFLD nº 35.512.0542 houvese pro formalizado o referente ao levantamento NO1 GFIP 515 MATRIZ/FILIAIS, cujos valores foram declarados em GFIP com código FPAS 515 nos CNPJ da matriz e filiais. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 Já o Auto de Infração nº 35.512.0607 referese aos fatos geradores que deixaram de ser informados tanto nas GFIP FPAS 612 (NFLD nº 35.512.0550) quanto nas GFIP FPAS 515 (NFLD nº 35.512.0542). 35.512.060‐7 35.512.055‐0 35.512.054‐2 708.046,87 697.090,23 10.956,64 1.064.197,27 1.063.963,27 234,00 184.609,81 184.308,53 301,28 722.752,31 722.451,03 301,28 Daí a aparente divergência. O mesmo ocorre com os valores recolhidos em nome da Empresa Autuada a título da retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. As Guias da Previdência Social recolhidas referentes a tal retenção, e consideradas pela Fiscalização, encontramse arroladas, uma a uma, no anexo I do Relatório Fiscal, a fls. 219/252. Tais valores, todavia, não se houveram por apropriados, exclusivamente, no vertente lançamento. Ao revés, tais créditos foram apropriados nas NFLD nº 35.512.0542, 35.512.0550, 35.512.0569 e 35.512.0577, na forma exposta no Anexo II do Relatório Fiscal, a fl. 253, de maneira que o somatório das apropriações coincide com os valores recolhidos. Mostrase imperioso enaltecer que todos os recolhimentos efetuados em nome do Recorrente referentes à retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, encontramse discriminados individualmente, por competência, no anexo I do Relatório Fiscal, de maneira que a correcção dos valores recolhidos, assim como o quantitativo de recolhimentos, poderiam ter sido inquiridos imediatamente e a qualquer tempo pelo sujeito passivo, sendo certo que nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo o Recorrente não apresentou qualquer indício de prova material representativo de qualquer outro recolhimento que não tenha sido devidamente considerado pela Fiscalização. 3.2. DA ADESÃO AO REFIS O Recorrente alega ter aderido ao REFIS, consoante FORCED retificadores datados em agosto de 2000, e que confessou diversas diferenças de contribuição dos empregados ocorridas durante o ano de 1999 e janeiro de 2000. Que beleza !!!! Fl. 672DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 653 19 Ocorre que o Período de lançamento de débito da vertente Notificação Fiscal é de fevereiro/2000 a dezembro/2001. Os valores relativos às confissões de dívida fiscal, para fins do REFIS, formalizados mediante as LDC nº 35.184.4295 e 35.184.4309, encontramse discriminados no anexo III do Relatório Fiscal, a fl. 254, e referemse, exclusivamente, às competências de janeiro/1999 até janeiro/2000, inexistindo qualquer importância referente às competências objeto do vertente lançamento, cujo débito reportase às competências de fevereiro/2000 até dezembro/2001, não havendo o Recorrente produzido qualquer prova que demonstrasse haverem sido incluídos em tais parcelamentos valores relativos às competências objeto da presente NFLD nº 35.512.0550. 3.3. DA MULTA DE MORA O Recorrente alega que a multa aplicada no Lançamento Fiscal revestese de caráter confiscatório, eis que não foi aplicado o princípio da razoabilidade. Não ! Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho Fl. 673DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Citese, ademais, que a norma constitucional tributária é expressa ao vetar o efeito confiscatório aos tributos, não a seus acessórios legais, os quais possuem natureza jurídica totalmente distinta. Tributo configurase como a própria obrigação principal devida pelo sujeito passivo à Fazenda Pública, em razão da ocorrência real do fato gerador tributário estatuído na lei. A multa de ofício, por seu turno, possui natureza jurídica de penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal. Justificase a vedação constitucional à instituição de tributos com efeito de confisco pelo fato de a prestação pecuniária dessa natureza ter caráter compulsório, em razão da ocorrência inevitável do fato gerador correspondente. Caso o tributo fosse criado com alíquota por demais elevada, a própria ocorrência inevitável do fato gerador resultaria na extinção da matéria tributável correspondente, circunstância que representaria violação ao direito de propriedade. O mesmo não ocorre com as multas de natureza moratória, as quais não possuem natureza jurídica de tributo, mas, meramente, de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, na forma e nos prazos estabelecidos na legislação tributária. Ao contrário dos tributos, aqui o fato gerador da multa moratória é evitável. Aliás, é extremamente desejável pela Fazenda Pública que tal fato gerador não ocorra, por isso a inflição de penalidade pecuniária, visando a brindar a máxima efetividade às normas tributárias e a desencorajar o seu descumprimento objetivo. Nesse viés, ao ignorar as normas tributárias cogentes, e ao não recolher os tributos devidos em suas épocas próprias, apostando quiçá em suposta ineficiência da Fiscalização, o Infrator volitivamente se coloca em situação de risco calculado perante o Fisco, consciente de que a constatação de tal irregularidade irá desaguar em apenação condizente com a gravidade da infração perpetrada. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35, na redação vigente à data dos fatos geradores, estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528/97) Fl. 674DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 654 21 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Fl. 675DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Há que se destacar que escapa da competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Merece ser enaltecido que a multa de mora exigida mediante a vertente NFLD tem por fundamento jurídico de validade os artigos 34 e 35 ambos da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à data dos fatos geradores, os quais, até o presente momento, não foram ainda vitimados de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa tendo o Autuado como Autor, seja na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, ao Sujeito Passivo, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Conforme já esclarecido no item 2.1. supra, o CARF não se configura como órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária, conforme assim dispõe a Súmula nº 2 de Conselho Administrativo, de observância vinculante. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação a princípios constitucionais, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.4. DA PERÍCIA O Recorrente requer a produção de prova pericial; Fl. 676DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 655 23 Desnecessária. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide desenvolvese o presente Processo Administrativo Fiscal, estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a Fl. 677DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Impende observar, ademais, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. No caso presente, a Impugnante, em seu instrumento de defesa administrativa, além de não demonstrar a necessidade da prova pericial, também não atendeu aos requisitos legais para a realização da perícia requerida, deixando de formular os quesitos referentes aos exames desejados, tampouco o nome, endereço, e qualificação do profissional do seu perito, sendo imperiosa, portanto, a incidência do preceito inscrito no §1º do supra transcrito dispositivo legal, impondose que seja considerado como não formulado o aventado pedido de perícia. Retorna à carga o Auditado requerendo a realização de perícia. Cabe enfatizar que, no que tange à apreciação da prova, o Direito Processual Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o sistema da persuasão racional do juiz, também designado por sistema do livre convencimento motivado do Julgador, o qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes, mas deverá indicar, na decisão, os motivos que lhe formaram o convencimento. No caso vertente, não vislumbramos a necessidade de perícia, uma vez que o processo encontrase instruído com todos os elementos de prova necessários para a formação da convicção da Autoridade Julgadora. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13819.001046/200910 Acórdão n.º 2401004.196 S2‐C4T1 Fl. 656 25 As questões atinentes aos quesitos formulados foram devidamente apreciadas no bojo do presente julgado e cujo juízo de convicção somente seria alterado com a juntada de documento comprobatórios de fatos novos, os quais, nos termos da lei, deveriam ter sido NECESSARIAMENTE, coligidos aos autos na ocasião da apresentação da defesa administrativa. No caso, além de não expor os motivos que justifiquem a realização da perícia pretendida, como assim exige o inciso IV do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, o Recorrente não promoveu à juntada ao processo de qualquer documento representativo de fato novo, hábil a modificar o veredicto aviado na decisão recorrida. Chamamos a atenção para o fato de o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil ser, por força de lei, a autoridade pública competente para apreciar toda a documentação do sujeito passivo, e dela extrair eventuais débitos previdenciários não devidamente adimplidos em suas épocas próprias, circunstância que mostra ser despicienda a chamada de eventual perito, para auditar, em paralelo à autoridade em foco, o objeto do seu dever de ofício. Por tais razões, considero ser desnecessária a instauração da perícia pretendida pelo Recorrente, com fulcro no preceito inscrito no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. 4. CONCLUSÃO: Pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001199/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
Ementa:
INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE.
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS.
Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer o direito ao crédito na (i) Aquisição da Amônia, (ii) de Combustíveis e Lubrificantes, (iii) de Peças de Reposição e (iv) das Embalagens de Apresentação.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com os serviços especificados no Arquivo 6.A, exceto para: (i) serviços de manutenção na ETE, (ii) levantamento topográfico, (iii) elaboração de projetos, (iv) treinamentos, (v) serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, (vi) instalações elétricas, (vii) montagens, (viii) construção de muro e (ix) instalação de poço artesiano, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que reconheciam o direito de crédito nos gastos com serviços de manutenção na ETE.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro o Walker de Araújo.
Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para os fretes sobre venda de produto acabado e produto agropecuário.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa em relação aos gastos com frete na aquisição de insumos cuja descrição refere-se a "Diversos, Outras Cargas, Conforme NF" ou sem descrição do produto adquirido.
Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com frete (i) de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta; (ii) de remessa e retorno à análise laboratorial e (iii) de remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa do direito de crédito nos gastos com frete (i) na transferência entre os Centros de Distribuição, (ii) produto acabado, (iii) transferência do produto agropecuário para revenda, (iv) e aquisição de material para uso e consumo.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com fretes (i) na aquisição de produto agropecuário para revenda, (ii) na aquisição de ativo imobilizado (iii) na devolução de vendas e (iv) fretes diversos. Os Conselheiros Domingos de Sá, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação ao frete na devolução de vendas.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa em relação à depreciação das estantes intercambiáveis (fotos 12 e 13), prateleiras (fotos 16 a 20); equipamento de pesagem (fotos 24 a 26); balança pateleira toledo (fotos 27); empilhadeira elétrica Still (foto 31); prateleira depósito e carregador de baterias (fotos 33 a 36); transpaleteira elétrica (foto 41); carregador de baterias (foto 51); carregador de baterias (foto 60 e 61); bateria tracionara (foto 62 a 64); empilhadeira (foto 65); paleteira (foto 67) Carrinho Hidráulico (foto 83).
Pelo voto de qualidade, em manter a glosa do direito de crédito na depreciação empilhadeira (foto 07), vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Sarah Araújo.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na depreciação do equipamento denominado plastificadora (fotos 02 e 03), vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro o Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
(assinado digitalmente)
Walker Araújo
Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 99 /2 00 9- 61 Fl. 6565DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 3 2 As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer o direito ao crédito na (i) Aquisição da Amônia, (ii) de Combustíveis e Lubrificantes, (iii) de Peças de Reposição e (iv) das Embalagens de Apresentação. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com os serviços especificados no Arquivo 6.A, exceto para: (i) serviços de manutenção na ETE, (ii) levantamento topográfico, (iii) elaboração de projetos, (iv) treinamentos, (v) serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, (vi) instalações elétricas, (vii) montagens, (viii) construção de muro e (ix) instalação de poço artesiano, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que reconheciam o direito de crédito nos gastos com serviços de manutenção na ETE. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro o Walker de Araújo. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para os fretes sobre venda de produto acabado e produto agropecuário. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. Por unanimidade de votos, em manter a glosa em relação aos gastos com frete na aquisição de insumos cuja descrição referese a "Diversos, Outras Cargas, Conforme NF" ou sem descrição do produto adquirido. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com frete (i) de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta; (ii) de remessa e retorno à análise laboratorial e (iii) de remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção. Fl. 6566DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 4 3 Por unanimidade de votos, em manter a glosa do direito de crédito nos gastos com frete (i) na transferência entre os Centros de Distribuição, (ii) produto acabado, (iii) transferência do produto agropecuário para revenda, (iv) e aquisição de material para uso e consumo. Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com fretes (i) na aquisição de produto agropecuário para revenda, (ii) na aquisição de ativo imobilizado (iii) na devolução de vendas e (iv) fretes diversos. Os Conselheiros Domingos de Sá, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação ao frete na devolução de vendas. Por unanimidade de votos, em manter a glosa em relação à depreciação das estantes intercambiáveis (fotos 12 e 13), prateleiras (fotos 16 a 20); equipamento de pesagem (fotos 24 a 26); balança pateleira toledo (fotos 27); empilhadeira elétrica Still (foto 31); prateleira depósito e carregador de baterias (fotos 33 a 36); transpaleteira elétrica (foto 41); carregador de baterias (foto 51); carregador de baterias (foto 60 e 61); bateria tracionara (foto 62 a 64); empilhadeira (foto 65); paleteira (foto 67) Carrinho Hidráulico (foto 83). Pelo voto de qualidade, em manter a glosa do direito de crédito na depreciação empilhadeira (foto 07), vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Sarah Araújo. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na depreciação do equipamento denominado plastificadora (fotos 02 e 03), vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro o Walker Araújo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Fl. 6567DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 5 4 Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, relativo ao quarto trimestre de 2008, cumulado com declarações de compensação. As glosas efetuadas pela fiscalização se referiram a: 1. Aquisições de bens para revenda sujeitos à alíquota zero; 2. Aquisições de produtos não consideradas insumos: material de embalagem de transporte de produtos acabados(caixas de papelão, filme stretch, bobina lisa); produtos à alíquota zero; peças de manutenção em geral; materiais de construção; outros itens (bonés, aventais, botas, luvas, cadeado, grama); 3. Aquisições de serviços não considerados insumos: conservação e limpeza, manutenção das instalações da indústria, carga de resíduos, dedetização, fretes estabelecimentos; 4. Fretes sobre vendas relativos a transporte entre unidades de coleta e produção e entre produção e unidades de venda; 5. Encargos de depreciação de bens do imobilizado relativo a bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, a bens usados, veículos de transporte da administração, máquinas e equipamentos não ligados diretamente à produção e alguns itens por falta de comprovação documental; 6. Reclassificação de créditos presumidos da agroindústria, inseridos no ressarcimento e glosados para manter apenas a possibilidade de desconto Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou: 1. Ofensa ao princípio da nãocumulatividade das contribuições, propugnando pela tese de que os créditos deveriam ser calculados sobre os custos e despesas gerais necessários à obtenção da receita, não podendo ser restringido por normas infraconstitucionais; 2. Que embora reconhecesse correta a glosa de aquisições à alíquota zero, cometeu equívoco ao inserir na base de débitos de valores relativos a revenda de produtos sujeitos à alíquota zero; 3. Que dentre os valores relativos às glosas de material de embalagem, estavam contidos valores relativos a embalagens para apresentação; 4. Que as embalagens destinadas apenas ao transporte de produtos industrializados também deveriam ser consideradas como insumos; 5. Que os produtos glosados como insumos adquiridos à alíquota zero foram de fato tributados e se inserem no conceito de insumos; Fl. 6568DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 6 5 6. Que as peças de reposição em geral se referiam à manutenção de máquinas e equipamentos da linha de produção; 7. Que os combustíveis e lubrificantes glosados foram utilizados em geradores de energia e empilhadeiras utilizadas no setor produtivo; 8. Que os demais produtos glosados como insumos foram utilizados no processo produtivo, relacionandoos em planilha com descrição da utilização; 9. Que os serviços glosados referiamse à manutenção industrial, resfriamento do leite, dentre outras utilizações no processo produtivo; 10. Que foram glosados indevidamente fretes nas aquisições de insumos e fretes de transferência de insumos entre a coleta do leite e a indústria; que os fretes entre a indústria e os pontos de venda deveriam ser considerados fretes sobre vendas e que o despacho decisório desconsiderou os documentos apresentados; 13. Que, embora reconhecesse corretas as glosas relativas aos bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, aos bens usados, aos veículos da administração, à correção monetária do imobilizado e outros, seria cabível o creditamento sobre encargos de depreciação de edificações e benfeitorias, representados pela aquisição de materiais de construção civil e mãodeobra. Ao final, pediu o reconhecimento dos créditos a favor da recorrente. A Quarta Turma da DRJ em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0723.329, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2008 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO. A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 6569DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 7 6 ANOCALENDÁRIO: 2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete, em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado relacionado a uma "operação de venda", não gerando crédito, portanto, o frete relacionado ao mero deslocamento dos produtos acabados do estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor da empresa, onde, então, ocorrerá a efetiva venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 6570DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 8 7 As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, preliminarmente a ofensa ao princípio da verdade material e da ampla defesa, e reprisou as alegações de mérito já deduzidas na manifestação de inconformidade. Pugnou, ainda, pelo afastamento das restrições de reconhecimento do crédito fundadas em equívocos no preenchimento do Dacon, conforme decidido em primeira instância, relativamente ao preenchimento de fretes de aquisições de insumos na linha de serviços como insumos e fretes sobre operações de venda, bem como dos fretes de entre os pontos de coleta e a produção. Por fim, reiterou a necessidade de exclusão dos valores de revenda de produtos sujeitos à alíquota zero, indevidamente incluídos pela recorrente na base de cálculo dos débitos. Na seção de 20/03/2012, esta turma converteu o julgamento em diligência para: 1. Estornar os valores relativos às revendas de produtos sujeitos à alíquota zero da base de cálculo dos débitos e apurar o saldo credor efetivo; 2. Que a recorrente possa demonstrar efetivamente que embalagens são de apresentação; 3. Distinguir as peças em geral que são utilizadas em manutenções da produção das que se refiram a máquinas e equipamentos que não se encontram na produção; 4. Verificar o uso da empilhadeiras que utilizem o gás Ultrasystem como combustível; 5. Verificar onde utilizase a amônia; 6. Demonstrar onde são aplicados os serviços glosados em geral; Fl. 6571DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 9 8 7. Que a recorrente demonstre separadamente os valores de fretes sobre vendas, fretes sobre aquisições e fretes entre estabelecimentos; 8. Que a recorrente comprove a origem e a composição dos valores relativos aos encargos de depreciação; O relatório final da fiscalização partiu do seguinte quadro de valores controversos, obtido do recurso voluntário e informou para cada item: Item Valor Controverso Inicial em Recurso Voluntário Embalagem de apresentação 2.892.651,17 Embalagem de transporte 289.190,65 Materiais de Reposição 811.454,52 Combustíveis e Lubrificantes 65.260,71 Outros insumos 1.512,00 Serviços 11.716.022,07 Fretes 7.006.012,65 Encargos de depreciação 142.572,75 1. Exclusão da revenda de produtos sujeitos à alíquota zero: o relatório final informou que tal exclusão apenas aumentou o saldo de créditos presumidos, mas não alterou o saldo sujeito ao pedido de ressarcimento; 2. Embalagens de apresentação: a diligência não reconheceu como de apresentação as destinadas a "proteger contra o impacto e sujeiras externas, facilitando o transporte (grifei) e estocagem e expressar as informações de endereço, SIF e código de barras", conforme própria informação da recorrente, reconhecendo o valor de R$ 2.349.240,12 e mantendo a glosa de R$ 543.411,05; 3. Materiais de reposição: a diligência reconheceu aplicáveis em máquinas e equipamentos da produção, o valor de R$ 641.516,04, porém não diretamente como insumos, mas como acréscimo ao ativo imobilizado, sujeito a futuras depreciações; 4. Combustível usado nas empilhadeiras, gás Ultrasystem: a diligência informou o uso das empilhadeiras para transporte de bobina (embalagem lona vida) do almoxarifado à produção, bem como no recolhimento de leite da ponta da esteira até o local de reserva do leite, denominado "quarentena"; 5. Amônia: a diligência informou que o produto é utilizado em compressores para geração de água fria, usada na refrigeração de leite e derivados e nas câmaras frias para maturação de queijos; 6. Serviços em geral: a diligência informou manteve a glosa de R$ 417.206,62 referente a serviços que não possuem relação direta com o processo produtivo ou Fl. 6572DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 10 9 que deveriam ser imobilizados por se tratarem de reformas, ampliações e modernização de instalações sujeito a futuras amortizações; 7. Outros serviços como exames laboratoriais para admissão de funcionários, exames radiológicos, transporte de funcionários: mantida a glosa de R$ 52.498,87; 8. Ainda no tópico "aquisições de serviços como insumos", foi mantida a glosa de R$ 12.125,36 por não se identificar a relação entre o serviço e o processo produtivo; 9. Fretes entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento que efetuou a venda: mantida a glosa de R$ 33.892,84; 10. Frete entre o estabelecimento adquirente e o estabelecimento revendedor, no caso de bens adquiridos para revenda: mantida a glosa de R$ 12.509,00; 11. Frete na aquisição de imobilizado: mantida a glosa de R$ 16.008.90; 12. Encargos do ativo imobilizado: a diligência informou apenas que a recorrente apresentou relação dos bens e respectivo serviço de reforma, bem como fotografias identificando os referidos. A recorrente, por sua vez, manifestouse sobre o resultado da diligência, alegando inconsistências e erros nas planilhas apresentadas e requerendo o saneamento; a correção do saldo de créditos presumidos da agroindústria de R$ 18.2343,06 para 84.028,67; a juntada das informações prestadas em diligência no processo 10925.000034/201359, pois que as prestadas pela diligência foram parciais e imprecisas quanto à caracterização das embalagens para apresentação; que a diligência comprovou que as peças de reposição informadas em arquivo, cuja mídia foi juntada ao processo 10925.000034/201359 seriam consumidas em máquinas e equipamentos utilizados na industrialização; que o montante mantido em glosa de R$ 641.516,05 foi, de fato, R$ 568.616,44; que fosse reconhecido o direito à apropriação de créditos sobre a depreciação dos itens que não foram considerados insumos, pois que deveriam ser ativados no imobilizado. Continuou alegando que a diligência comprovou que os serviços relacionados no item 6.a informados em arquivo, cuja mídia foi juntada ao processo 10925.000034/201359 seriam consumidos/aplicados no processo produtivo; que em relação a estes itens, entendeu tratarem de insumos, mas caso prevalecesse o entendimento de que compõem o ativo imobilizado, deveria ser reconhecido o direito ao crédito sobre a depreciação dos referidos; que o item 6.b "demais serviços" são insumos; que reconheceu a não comprovação do item 6.c serviços cuja função não foi identificada. Concernente aos fretes, a recorrente entendeu comprovados os fretes não abordados no relatório fiscal, e reiterou o direito ao creditamento das glosas mantidas. Ao final, pediu o saneamento das inconsistências, a juntada da mídia constante do processo 10925.000034/201359 a este processo, que as intimações recaiam no subscritor da manifestação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Fl. 6573DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 11 10 Voto Vencido Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, destacase que a recorrente pugna pela juntada da mídia constante do processo 10925.000034/201359, sob pena de se caracterizar cerceamento de defesa. Porém, as provas e informações constantes no processo são suficientes à formação de convicção sobre as matérias litigadas, como se demonstrará em cada tópico a ser abordado, razão pela qual entendo desnecessária tal providência. Passando à análise dos pontos controvertidos, é necessário expor o entendimento sobre o conceito de insumos para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 6574DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 12 11 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 6575DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 13 12 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: Fl. 6576DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 14 13 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Fl. 6577DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 15 14 Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, Fl. 6578DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 16 15 isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 6579DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 17 16 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: Fl. 6580DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 18 17 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 6581DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 19 18 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. Fl. 6582DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 20 19 O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ Fl. 6583DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 21 20 (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, passase à análise específica dos pontos controvertidos. EXCLUSÃO DOS VALORES DE REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO DA BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS Concernente a este item, restou constatado pela fiscalização que esta exclusão não alterou o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento, mas apenas aumentou o saldo de créditos presumidos da agroindústria, passíveis apenas de serem descontados. A recorrente, entretanto, pede para que seja saneada a informação fiscal, corrigindo o saldo informado de R$ 18.243,06, que seria relativo ao PIS/Pasep, para R$ 84.028,67, o correto para a Cofins, tributo de que trata este processo. Com razão a recorrente, pois a exclusão das vendas montou R$ 1.105.640,44, que corresponde aos R$ 84.028,67 de acréscimo de Cofins ao saldo de créditos presumidos. Tratase de mera inexatidão material da informação fiscal. EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO E EMBALAGEM DE TRANSPORTE A fiscalização efetuou a glosa por entender que as embalagens se destinam precipuamente ao transporte de produtos acabados nos termos do artigo 4º, inciso IV e artigo 6º do Decreto nº 4.544/2002: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): [...] IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): Fl. 6584DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 22 21 I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. § 2º Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos. § 3º O acondicionamento do produto, ou a sua forma de apresentação, será irrelevante quando a incidência do imposto estiver condicionada ao peso de sua unidade. O acórdão de primeira instância manteve a glosa, salientando que algumas embalagens poderiam gerar créditos, mas pela falta de documentação probatória, tais embalagens não poderiam ser consideradas. Em recurso voluntário, a recorrente defendeu que a legislação não diferenciou conceito de embalagem de apresentação e de embalagem de acondicionamento, sendo que ambas gerariam créditos da nãocumulatividade das contribuições. Alega ainda que as embalagens destinadas a transporte não são passíveis de utilização e oneraram o custo final do produto, constituindo custo de aquisição de insumos. Quanto à glosa de outras embalagens que acondicionam os produtos comercializados, a recorrente entendeu tratarem de embalagens de apresentação, não se destinando apenas ao transporte, mas garantindo a integridade dos produtos e destaque frente aos consumidores, não sendo passíveis de reutilização. Separou o que considera embalagens de apresentação R$ 2.892.651,17 de embalagens para transporte R$ 289.190,65. A resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar as embalagens que fossem de apresentação. O relatório fiscal elaborado reconheceu o direito a R$ 2.349.240,12, mantendo a glosa de R$ 543.411,05 relativa a embalagens consideradas como de transporte. A distinção importa na caracterização da ocorrência ou não da operação de industrialização e definição da incidência do IPI quando condicionada à forma de embalagem, ou seja, situações que não são tratadas nas legislações do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos. Salientase que a legislação do PIS/Pasep e Cofins quando quis utilizar definições do IPI o fez expressamente, como no §3º do artigo 10 da Lei nº 11.051/2004: Fl. 6585DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 23 22 Art. 10. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pela pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, aplicamse, conforme o caso, as alíquotas previstas: (Vigência) [...] § 3o Para os efeitos deste artigo, aplicamse os conceitos de industrialização por encomenda do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Por outro lado, embora as IN SRF nº 247/2002, artigo 66, e nº 404/2004, artigo 8º não tenham distinguido embalagem de apresentação de embalagem de transporte, para a embalagem ser considerada insumo, devese analisar se o dispêndio com este material compõe ou não o processo produtivo, no sentido de lhe ser inerente ou essencial. As embalagens referentes a caixas de papelão referidas pela informação fiscal foram descritas pela recorrente como destinadas à proteção contra impactos, sujeiras externas e facilitando o transporte, confirmando a função precípua de transporte e armazenamento dos produtos acabados, não integrando o processo produtivo, mas a fase seguinte de estocagem e acondicionamento para remessa. Na mesma função estão as embalagens já reconhecidas pela recorrente como de transporte. Portanto, dou provimento ao recurso para admitir o creditamento sobre R$ 2.349.240,12. PEÇAS EM GERAL PARA REPOSIÇÃO A resolução que deferiu a diligência requereu que fosse discriminado que peças teriam sido utilizadas em manutenções e que peças não teriam sido utilizadas. A diligência concluiu que do valor de R$ 811.454,52 glosados, R$ 641.516,04 se referiam à manutenção de máquinas e equipamentos, mas que, aparentemente, pela natureza, teriam sido considerados como acréscimos na vida útil dos equipamentos superior a um ano, nas máquinas e equipamentos usados na industrialização e que deveriam ser contabilizados no Ativo Imobilizado para futuras depreciações, do mesmo modo que serviços utilizados na manutenção no valor de R$ 3.734,50. Por seu turno, a recorrente se manifestou no sentido de que a diligência teria confirmado que todas as peças se referem à manutenção de máquinas e equipamentos, e, que caso se entendesse pela necessidade de ativação no imobilizado, que fosse concedido o crédito relativo à depreciação. A recorrente apresentou arquivo contendo a relação de peças destinadas à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na industrialização, sendo que a autoridade fiscal questionou apenas R$ 568.616,44 (valor correspondente à soma da planilha constante na informação fiscal) como passível de imobilização, restando configurados dispêndios de manutenção industrial no valor de R$ 242.838,08. Fl. 6586DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 24 23 Relativamente ao questionamento fiscal, o artigo 346 do Decreto nº 3.000/1999 dispõe: Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único). § 2º Os gastos incorridos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo valor contábil, no novo prazo de vida útil previsto para o bem recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá: I aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem sobre os custos de substituição das partes ou peças; II apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado no inciso anterior; III escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de resultado; IV escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto. § 3º Somente serão permitidas despesas com reparos e conservação de bens móveis e imóveis se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Assim, as despesas de manutenção que acarretem o aumento da vida útil do bem, prevista na data de sua aquisição deve ser ativada e sujeita a depreciações futuras. A motivação da autoridade fiscal foi a seguinte: "Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 3 a – Peças e materiais de rep.aplic.manut.maq.e equipamentos.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos usados na industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente a conta de despesa e, portanto computadas na base de cálculo dos créditos das contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações." Fl. 6587DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 25 24 Entendo que a motivação é por demais sucinta e sem comprovação, ainda que indiciária, do aumento de vida útil, pois não evidencia como ocorreria o aumento, transparecendo, inclusive falta de convicção na alegação, ao afirmar que "aparentemente" teriam sido considerados insumos que acresceriam vida útil. Neste sentido, citamse acórdãos: Acórdão nº 1401000.769: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Ainda que se comprovasse o aumento da vida útil dos bens, estarseia diante da inobservância do regime de competência, vez que deveria ser reconhecido o direito de deduzir as despesas por meio de depreciação. Nestes casos, o procedimento que deve ser adotado pela Autoridade Fiscal é o disposto no Parecer Normativo COSIT nº 02/96, sob pena se exigir o recolhimento do tributo que se sabe será restituído, vez que a empresa terá direito a apropriar as depreciações daqueles bens ativados. Acórdão nº 130200.463: DESPESAS COM REPAROS E CONSERVAÇÃO. ATIVAÇÃO. No caso de despesas com reparos e conservação de bens, a capitalização dos montantes correspondentes só deverá ser efetivada se dos reparos ou da conservação resultar aumento da vida útil do respectivo bem. Tratandose de procedimento de ofício, cabe à autoridade fiscal demonstrar tal ocorrência e, sendo o caso, a determinação do novo valor contábil do bem, do novo prazo de sua vida útil e, por decorrência, da taxa de depreciação a ser utilizada. Acórdão nº 10517.423: BENS IMOBILIZÁVEIS POR SUA NATUREZA Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens, de forma a mantêlos em condições eficientes de operação. Se isso não ficar caracterizado ou os consertos redundarem em aumento da vida útil do bem em mais de um ano, devese imobilizálo. Recurso de oficio conhecido e improvido. Acórdão nº 10322.314: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Fl. 6588DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 26 25 Portanto, considero que o valor total de R$ 811.454,52 se refere a custos de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção, e, à vista das premissas anteriormente abordadas, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais despesas. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES A recorrente pugna pelo reconhecimento de R$ 65.260,71 relativos à utilização de gás Ultrasystem, graxas, óleos e lubrificantes que seriam usados em equipamentos do setor produtivo como empilhadeiras, máquinas do setor de leite longa vida etc. A diligência in loco confirmou a utilização das empilhadeiras no transporte de bobina para embalagem de lona vida do almoxarifado até a produção e também de esteira até o local de reserva do leite (chamado quarentena). Assim, comprovada a utilização no setor produtivo, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais aquisições. AQUISIÇÃO DE AMÔNIA Quanto a este item, a diligência in loco constatou que o produto é utilizado na sala de máquinas, em compressores para geração de água fria, posteriormente utilizada na refrigeração do leite e derivados e nas câmaras frias de maturação de queijos. Pela descrição, podese inferir que a amônia é utilizada no processo produtivo, devendo ser reconhecido o creditamento no valor de R$ 1.512,00. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS LINHA 03 E DESPESAS DE FRETES E ARMAZENAGEM NA OPERAÇÃO DE VENDA LINHA 07 A fiscalização glosou serviços informados na linha 03 das fichas 4 e 6 do DACON Serviços utilizados como insumos no valor de R$ 11.716.022,07, constantes do Anexo III relativos a manutenções das instalações industriais, carga de resíduos, dedetização, etc e ainda fretes nas aquisições de insumos, fretes entre estabelecimentos (coleta e produção, produção e venda, armazenamento de queijo e retorno do produto à empresa). Em relação à linha 07, a fiscalização glosou R$ 7.006.012,65 a este título por falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância. A recorrente apresentou em cumprimento da diligência, o detalhamento correspondente a R$ 18.451.855,22, enquanto a glosa total para estes dois itens foi de R$ 18.722.034,72, o que implica manutenção da glosa de R$ 270.179,50 por falta de comprovação. Quanto aos serviços utilizados como insumos, a glosa mantida na primeira instância fundamentouse no fato de a recorrente não ter indicado ou explicado em que consistiriam estes serviços e onde seriam aplicados. Fl. 6589DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 27 26 A recorrente defendeu que tais serviços são utilizados na manutenção industrial, no resfriamento de leite, análises laboratoriais, armazenagem, locação de equipamentos industriais e outros, sendo essenciais ao processo produtivo. A resolução, então, solicitou a demonstração de que tais serviços seriam aplicados diretamente no processo produtivo dos bens destinados à venda, cujo cumprimento resultou na Intimação Saort 20130038CCV, da qual transcrevese a parte relativa aos serviços utilizados como insumos: 6. QUANTO AOS SERVIÇOS GERAIS, tais como: ”manutenção industrial (de empilhadeira, de equipamentos de queijaria, de caldeira, do setor de produtos UHT, etc), resfriamento do leite, reforma do equipamento queijomatic, dentre outros que são utilizadas nas etapas de manipulação do produto dentro da linha de produção daquelas que não se encontram dentro da linha de produção; 6.1 APRESENTAR relação de todas as notas fiscais de ENTRADA, correspondente aos serviços gerais (item 6) que sejam aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda, contendo: CPF fornecedor/CNPJ emissor; nome do fornecedor; CNPJ estabelecimento de entrada; número da nota fiscal; data da emissão; data da entrada; CFOP; descrição do serviço; valor total; totalizador ao final de cada mês; discriminar os serviços gerais utilizados na produção dos que não se encontram na produção da empresa, por seção/setor onde podem ser localizadas. Em resposta, a recorrente informou ter apresentado as planilhas contendo os serviços utilizados diretamente no processo produtivo 6.a, uma planilha com os demais serviços 6.b, uma planilha com serviços cuja função não foi reconhecida 6.c, e notas fiscais de aquisição de insumos, informadas equivocadamente como serviços 6.d. O relatório fiscal resultado da diligência consignou que no arquivo 6.a serviços utilizados como insumos diretamente na produção a recorrente relacionou serviços que não seriam utilizados diretamente na produção ou que deveriam ser amortizados por ampliar a vida útil em mais de um ano, montando o valor de R$ 417.206,62, conforme efls. 6492 em diante. Da planilha 6.b, manteve a glosa de R$ 52.498,87 e mais R$ 12.125,36 identificados como serviços sem função identificada, que o relatório identificou como item 6.d, mas que a recorrente referiuse como item 6.c. A recorrente propugnou em sua manifestação sobre o resultado da diligência pela reconhecimento do creditamento sobre os itens 6.a e 6.b, reconhecendo como não comprovados os serviços do item 6.c. Quanto ao item 6.d, nada informou. Dentre os serviços relacionados no item 6.a, entendo que devem ser mantidas as glosas relativas a serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados totalizando R$ 153.719,29, pois que se referem a dispêndios anteriores ou posteriores à produção, bem como serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano, que pertencem ao ativo permanente, totalizando R$ 84.044,18. As tabelas abaixo discriminam tais glosas: Fl. 6590DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 28 27 DESCRIÇÃO DO SERVIÇO VALOR R$ DISPONIBILIZAÇÃO DE BACTÉRIAS P/ LIMPEZA 1.920,00 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 3.228,59 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 2.948,03 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 3.222,49 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 3.051,72 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 2.367,12 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 3.106,61 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 3.472,56 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 3.120,64 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 2.983,41 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 3.472,56 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 2.007,27 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 2.403,72 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 3.357,89 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 3.838,51 PROJ.PREV.INCÊNDIO E LEVANT. TOPOGRÁFICO 3.059,33 SERC, DE ARMAZENAGE, LIXO INDUSTRIAL 2.910,00 SERV. DESTINO FINAL LODO 19.836,00 SERV. LIMPEZA DE FOSSAS 320,00 SERV. LIMPEZA LIXO INDUSTRIAL 19.468,80 SERV. TRATAMENTO EFLUENTE BACTERIA 2.000,00 LIMPEZA FOSSA 5.600,00 LIMPEZA LAGOAS 970,00 SERV. CONTROLE EFLUENTE 2.000,00 SERVIÇO TRATAMENTO EFLUENTES 2.800,00 BATERIAIS P/ TRATAMENTO DE AGUA 2.000,00 DESTINO FINAL LODO 19.847,04 REF. MÃO DE OBRA REFORMA CONST. CIVIL 5.465,00 REF. SERV. DRENAGENS RESIDUOS INDUST 1.940,00 REF. SERV. LIMPEZA FOSSAS 320,00 SERV. DE PUXE DE GORDURA ETE 2.000,00 SERV. E LOC. CAÇANBA PUXE GORDURA 2.320,00 Fl. 6591DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 29 28 SERV. ISOLAMENTO TÉRMICO 6.498,00 SERV. ISOLAMENTO TÉRMICO Q. 4.000,00 TREINAMENTO OPERAÇÃO DE MÂQUINARIO 1.714,00 SERV. REFORMA ISOLAMENTO TÉRMICO EM TUBU 4.150,00 153.719,29 ATIVO PERMANENTE VALOR R$ SERV. INSTALAÇÃO TANQUES 2.380,09 SERV. INSTALAÇÕES REDLER CALDEIRA 4.195,71 SERV. MONTAGEM TANQUES DE ÁCIDO 1.246,80 CONSTRUÇÃO MURRO 3.250,00 MÃO DE OBRA INST ELETRICA POÇO 8.829,74 MAT. P/ CONSTRUÇÃO 1.218,84 SERV. DE MONTAGENS TQ. ÁCIDOS 12.026,02 SERV. MONT. DRENAGENS 6.882,00 SERV. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS 24.014,98 SERVICOS DE INSTALACOES ELETRICAS 20.000,00 84.044,18 GLOSA TOTAL 237.763,47 Assim, as glosas totalizam 237.763,47, ou seja, do total de R$ 417.206,62, devem ser admitidos créditos sobre R$ 179.443,15. Concernente ao item 6.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais, radiológicos, transporte de funcionários, elaboração de projetos, ginástica laboral, hospedagem, monitoramento, sistema de alarme, manutenção de ramais telefônicos etc, que não possuem inerência ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa de R$ 52.498,87. Relativamente ao item 6.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa de R$ 12.125,36. Portanto, é admissível o creditamento sobre serviços utilizados como insumos de R$ 179.443,15. Concernente aos fretes, as glosas ocorreram pela falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda ou de insumos, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância por entender ainda que a informação em linha equivocada do Dacon ensejaria a manutenção da glosa. A recorrente defende que a glosa empreendida pelo Fisco foi arbitrária, que o mero equívoco na inserção de fretes de aquisição de insumos e transferência de insumos na linha de despesas de fretes sobre a venda não pode obstar o reconhecimento ao direito creditório, e ,por fim, pugna pelo creditamento quanto aos fretes nas aquisições de insumos, entre transferências de insumos entre os pontos de coleta e a indústria, aos fretes entre a Fl. 6592DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 30 29 produção e os pontos de venda e aos próprios fretes sobre a venda, solicitando ainda a baixa em diligência, caso se entendesse que as provas juntadas fossem insuficientes. Neste sentido, a resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar os fretes em operações de venda, bem como elaborasse demonstrativo, separando o frete sobre a aquisição de insumos, sobre as operações de vendas e sobre as transferências entre estabelecimentos. Intimada a realizar a separação, com apresentação de documentação probatória, a recorrente apresentou as seguintes planilhas: a) VENDA PROD. ACABADO: Frete na venda de produtos acabados (leite e derivados). b) VENDA PROD. AGROP.: Frete na venda de produtos agropecuários (ração e farelo de trigo). c) TRANSFERÊNCIA CD: Frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR. d) TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO: Frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais. e) TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. f) COMPRA INSUMOS: Frete na compra de insumos (leite in natura, lenha e cavaco, embalagens, ingredientes, etc). g) COMPRA USO E CONSUMO: Frete na compra de insumos (peças, etc.) classificados como de uso e consumo. h) TRANSFERÊNCIA PC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais. i) TRANSFERÊNCIA PCPC: frete de leite in natura entre postos de coleta. j) COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na compra de produtos agropecuários (farelo de soja, farelo de trigo, ração, sal mineral, calcário, suplementos para ração, etc), destinados à revenda aos produtores de leite. k) COMPRA IMOBILIZADO: Frete na compra de bens para o ativo imobilizado. 1) DEVOLUÇÃO DE VENDAS: Frete referente devolução de venda de produtos acabados (leite longa vida, manteiga, etc). Fl. 6593DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 31 30 m) REMESSA ANÁLISE: Frete na remessa de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. n) RETORNO ANÁLISE: Frete no retorno de caixas/vasilhames nos quais foram remetidas as amostras de produtos (leite in natura) para análise em estabelecimentos terceirizados. o) REMESSA CONSERTO: Frete na remessa de bens (prensa, cilindro, pistão, etc.) para conserto. p) RETORNO CONSERTO: Frete no retorno de bens (filadeira, etc.) remetidos para conserto. q) DIVERSOS: Outros fretes não enquadrados nas classificações acima. O relatório final da diligência abordou apenas os fretes relacionados nas planilhas TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO, TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA e COMPRA IMOBILIZADO, entendendo pela impossibilidade de creditamento. Em manifestação ao relatório final de diligência, a recorrente reafirma o direito ao creditamento, seja como frete na aquisição de insumos, seja como fretes sobre vendas, bem como entende confirmado o creditamento sobre as demais planilhas. Inicialmente, salientase que, embora o relatório seja omisso quanto às demais planilhas, algumas descrições são suficientes para formação de convicção quanto à possibilidade de creditamento. Assim, os fretes nas aquisições de insumo devem ser reconhecidos por se tratarem de custo de aquisição, bem como os fretes de transferências de insumos entre estabelecimentos, por se tratarem de serviços consumidos durante o processo produtivo, incluindo aqui os fretes entre os pontos de coleta até a produção, conforme explicitado no FLUXO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO NA INDÚSTRIA: DE LACTICÍNIOS TIROL LTDA 01.1. TRANSPORTE 1º PERCURSO: Nesta primeira etapa há o custo de transporte, que é o valor pago ao transportador para fazer a coleta do leite na propriedade do produtor rural e sua transferência até os postos de resfriamento, ou dependendo da localização da propriedade e da indústria, o leite já é transferido diretamente para a indústria, sem passar pelo posto de resfriamento [...] 02.1. TRANSPORTE 2º PERCURSO: Nesta segunda etapa, há custo de transporte, que é o valor pago às transportadoras pelo serviço de transporte entre o posto de resfriamento e a indústria. Fl. 6594DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 32 31 Neste sentido, deve ser reconhecido o direito ao creditamento das seguintes planilhas, sobre as quais o relatório fiscal não se pronunciou: VENDA PROD. ACABADO e VENDA PROD. AGROP, por se tratarem de fretes sobre vendas, nos termos do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. COMPRA DE INSUMOS: segundo a recorrente são fretes nas compras de insumos que compõem o custo de aquisição e geram direito a crédito. Entretanto, verificase na informação prestada pela recorrente, a aquisição referese a leite in natura, lenha, cavaco, embalagens, ingredientes e descrições genéricas como diversos, outras cargas, conforme nf, ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. No caso de aquisição de leite, tratase de produto sujeito à alíquota zero, de acordo com o inciso XI do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004. Assim, como a própria recorrente expôs em sua peça recursal, o frete na compra de insumos compõe o custo de aquisição deste insumo, bem como o seguro pago pelo comprador. A base de cálculo do crédito é composta pelo custo de aquisição e sobre este aplicase a alíquota a que está sujeita o produto, no caso do leite, alíquota zero. Portanto, não há que se falar em hipótese autônoma de frete, mas sim hipótese de creditamento sobre a aquisição de um insumo, cuja base contém o frete e o seguro pagos. Porém, para os bens sujeitos à alíquota zero, não há crédito algum, nem do valor do bem, nem de frete, nem de seguro. Destarte, devem ser excluídas da planilha acima, os fretes vinculados à aquisição sujeitas à alíquota zero, bem como cuja descrição referese a "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido, por não ser possível identificar a condição de insumos. TRANSFERÊNCIA PC e PCPC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos. REMESSA ANÁLISE e RETORNO ANÁLISE: fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO por se tratar de frete utilizado em manutenção de bens da produção, segundo informação da recorrente, não havendo qualquer objeção no relatório fiscal da diligência. Porém, relativamente às planilhas abaixo, entendo que a glosa deve ser mantida: * TRANSFERÊNCIA CD frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR), TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais e TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. Fl. 6595DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 33 32 A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX sobre a hipótese de creditamento sobre fretes nas operações de vendas: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Da redação do inciso destacase a expressão “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Entendo que a especificidade da expressão indica que o inciso trata do negócio jurídico de compra e venda de mercadoria, posto que não faria sentido a restrição para as despesas operacionais de logística interna que, certamente, são suportadas pela pessoa jurídica, não havendo que se cogitar de ônus a ser suportado por um comprador, quando inexiste a compra, nem quando se refere a operações de logística interna. Por outro lado, para classificar como insumo, o serviço de frete deve possuir a natureza de custo e não de despesas operacionais, as quais excluo do conceito de insumo, não em razão de sua indispensabilidade à atividade econômica, mas em razão de ser uma despesa incorrida posteriormente ao processo produtivo. No mesmo sentido da impossibilidade de creditamento, citamse os seguintes acórdãos: Acórdão nº 220100.081, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal nesse sentido. Acórdão nº 3803003.595, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento: INSUMOS ALCANCE FRETE DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. Destacase o excerto abaixo deste acórdão: Fl. 6596DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 34 33 “Destaco que o frete empregado pela empresa é de produto acabado para estabelecimento da mesma empresa, ou seja, de mero procedimento interno de logística que constitui despesa operacional, entretanto, não passível de ser utilizada para creditamento da contribuição para o PIS/PASEP no regime da nãocumulatividade, por absoluta falta de previsão legal.” Salientase que esta turma, em recente julgado de Acórdão nº 3302002.464, assim também se posicionou: CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, incabível o creditamento relativo a tais despesas. * COMPRA USO E CONSUMO: a recorrente afirmou que se trata de frete material e uso e consumo (peças etc), cuja descrição não permite a identificação da natureza da carga e sua utilização no processo produtivo, impossibilitando o creditamento como insumos. * COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA por se tratar de frete na aquisição de bens para revenda, compondo o custo de aquisição destes bens, informados na linha 01 do DACON. A inclusão destes fretes em diligência representa inovação, pois as alegações no recurso especial referiam a fretes na aquisição de insumos, fretes internos de insumos (pontos de coleta até a unidade de produção) e fretes em operações de venda. A inclusão neste momento somente seria possível, em homenagem ao princípio da verdade material, se a recorrente comprovasse o erro cometido no preenchimento da linha 01 do DACON, o que até então não fora cogitado, nem provado na diligência. Assim, entendo incabível esta inovação em sede de diligência. * COMPRA IMOBILIZADO, pois não se refere a serviços utilizados no processo produtivo nem a frete nas operações de vendas, razão pela qual tais aquisições não geram créditos, ressalvada a possibilidade de creditamento sobre as futuras depreciações, desde que relativas a bens utilizados no processo produtivo, o que, entretanto, não restou comprovado na diligência, além de que o pedido representa inovação, pois a defesa inicial pautouse na existência de fretes como insumos, aquisição de insumos e sobre vendas. * DEVOLUÇÃO DE VENDAS: a informação prestada referese a devoluções de leite, produto com alíquota zero, cujo custo de aquisição não gera crédito, além de representar inovação nas razões recursais manifestadas em manifestação de inconformidade e impugnação, por não se tratar de frete na aquisição de insumos, ou de transferências de insumos ou produtos acabados, nem de frete na operação de venda. * DIVERSOS, pois a generalidade da descrição não permite a comprovação de sua utilização no processo produtivo ou nas operações de venda. Assim, devem gerar créditos os fretes relativos às planilhas VENDA PROD. ACABADO, VENDA PROD. AGROP, TRANSFERÊNCIA PC e PCPC, REMESSA ANÁLISE, RETORNO ANÁLISE, REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO, Fl. 6597DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 35 34 totalizando R$ 10.406.381,20, ressalvando a necessidade de a unidade de execução do acórdão apurar o crédito relativo à COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero e produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO A fiscalização glosou o creditamento sobre encargos de depreciação relativos a bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, a bens usados, a veículos da administração , à correção monetária do imobilizado e outros bens não utilizados na linha de produção, , e também relativos a bens sem comprovação documental. A resolução determinou diligência para que a recorrente comprovasse a composição e origem do valor controverso remanescente após a decisão de primeira instância, de R$ 142.572,75, devendo prestar os devidos esclarecimentos Em manifestação sobre o relatório, a recorrente nada informou sobre este tópico. Diante da falta de clareza no relatório fiscal, inferese que a autoridade tenha comprovado as informações prestadas na planilha 8.a, planilha esta que, aparentemente, não foi juntada ao processo. O valor recorrido de R$ 142.572,75 corresponde à planilha de efls. 813 em diante, juntada na manifestação de inconformidade e referese aos valores de R$ 208.536,66 relativos a bens utilizados na produção e R$ 3.056,88 relativos às edificações e benfeitorias, diminuídos de R$ 69.020,79, reconhecidos pela DRJ. Desta relação, deve ser mantida as glosas relativas a PLASTIFICADORA STRECH MJ MAILLIS NT:41508 SERRALGODAO MÁQUINAS LTDA (fotos 02 e 03), EMPILHADEIRA ELÉTRICA HYSTER NF25272 NACCO MA (foto 07), ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE (fotos 12 e 13), PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A (fotos 16 a 20), BALANÇA RODOVIÁRIA (fotos 24 a 26), BALANÇA PALETEIRA TOLEDO 2000 KG (foto 27), EMPILHADEIRA ELÉTRICA STILL BRASIL NF 64150 E (foto 31), PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO (fotos 33 a 36), TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP (foto 41), CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA (foto 51), CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM (foto 60 e 61), BATERIA TRACIONARIA BT230005 (fotos 62 a 64), EMPILHADEIRA, MARCA YALE, MODELO MR25H, C849T04205E (foto 65), PALETEIRA TXQ 25L TNN 680 GN1150 (foto 67), CARRINHO HIDRÁULICO TM 3000 680X115 (foto 83), usados para transporte, armazenamento ou estocagem de produtos acabados, totalizando R$ 99.444,28. Assim, reconhecese o direito ao creditamento de R$ 43.128,47. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre embalagens de 2.349.240,12, material de reposição de R$ 811.454,52, amônia no valor de R$ 1.512,00, combustíveis e lubrificantes de R$ 65.260,71, serviços como insumos de R$ 179.443,15, fretes de R$ R$ 10.406.381,40 e encargos de depreciação de R$ 43.128,47, todos valores referentes a base de cálculo. Fl. 6598DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 36 35 De forma ilíquida, reconheço o creditamento sobre fretes da planilha COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero e produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido, a serem calculados pela unidade responsável pela execução do acórdão, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2012. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator designado Em que pese as razões arroladas pelo ilustre Relator, peço licença para divergir em relação ao não reconhecimento de crédito sobre (i) aquisição de embalagem de transporte; (ii) frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero; e (iii) o equipamento denominado Plastificadora Strech Mj Maillis Nt:41508 Serralgodao Máquinas Ltda (fotos 02 e 03), posto que referidos bens e serviços, por integram o processo produtivo da Recorrente, devem ser considerados passíveis de creditamento. Vejamos: (i) aquisição de Embalagem de Transporte Em síntese apartada, entendeu o ilustre Relator que, por se tratar de fase posterior ao processo produtivo da Recorrente, as embalagens utilizadas com função precípua de transporte e armazenamento dos produtos acabados, não integram o processo produtivo, seja direta ou indiretamente e, nessa condição, não geram créditos. Por outro lado, entendeu que as embalagens de apresentação, por integram o processo produtivo da Recorrente, visto que por não se destinarem apenas ao transporte do produto e por alteram a apresentação do produto que embala, são passíveis de creditamento. Nessa de linha de raciocínio, o ilustre Relator manteve a glosa relativa (i) as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte no valor de R$ 543.411,05, as quais foram registradas pela Recorrente como de apresentação, (ii) as embalagens de transporte propriamente dita no montante de R$ 289.190,65, concedendo o direito a crédito sobre embalagens de apresentação no valor de R$ 2.349.240,12, conforme apurado no relatório fiscal carreada aos autos. Ou seja, do montante de R$ 3.181.841,82 pleiteado pela Recorrente a título de embalagens de apresentação e de transporte, foi mantida a glosa de R$ 832.601,70, conforme se verifica no demonstrativo abaixo: Item Custo de Aquisição Reconhecido Glosado Embalagem de apresentação 2.892.651,17 2.349.240,12 543.411,05 Embalagem de transporte 289.190,65 0,00 289.190,65 Total glosa 832.601,70 Fl. 6599DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 37 36 Entretanto, com todo respeito as razões adotadas pela ilustre Relator, entendo que independentemente de serem de apresentação ou de transporte, ou por ter sido utilizada em etapa posterior a fabricação do produto, os materiais de embalagens, seja com a finalidade de alterar o produto que embala ou de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, devem ser admitidos como insumos de produção e, consequentemente gerar créditos de PIS/COFINS. Isto porque, considerando que operação realizada pela Recorrente envolve o manuseio de produtos alimentícios, as embalagens de transporte são necessárias para proteger e evitar qualquer contato externo com o produto e principalmente evitar qualquer risco de contaminação. Desta forma, diferentemente do entendimento pelo d. Relator, este Relator entendo que, para fins de apropriação de crédito do PIS e da Cofins, é irrelevante o fato de o material de embalagem ser de apresentação ou de transporte, se tais materiais são utilizados no âmbito do processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser comercializado, como ocorreu com os materiais de embalagem destinados à proteção contra impactos, sujeiras externas e facilitando o transporte, conforme devidamente explicitado pela Recorrente em sede recursal. Ora, se tais materiais representam custos incorridos na fase de produção do bem destinado à venda, certamente, inexiste razão plausível para excluir da base de cálculo dos referidos créditos pelo simples fato de serem embalagens utilizadas no transporte do referido produto. Portanto, além do valor reconhecido pelo Relator a título de embalagens de apresentação, deve ser admitido também o crédito relativo (i) as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte no valor de R$ 543.411,05, as quais foram registradas pela Recorrente como de apresentação, e (ii) as embalagens de transporte propriamente dita no montante de R$ 289.190,65. (ii) frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero Neste ponto, o d. Relator afastou o direito de crédito relativo ao frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero com base nos seguintes fundamentos: A base de cálculo do crédito é composta pelo custo de aquisição e sobre este aplicase a alíquota a que está sujeita o produto, no caso do leite, alíquota zero. Portanto, não há que se falar em hipótese autônoma de frete, mas sim hipótese de creditamento sobre a aquisição de um insumo, cuja base contém o frete e o seguro pagos. Porém, para os bens sujeitos à alíquota zero, não há crédito algum, nem do valor do bem, nem de frete, nem de seguro. É de se ver que a fundamentação para manutenção da glosa de créditos calculados sobre fretes foi no sentido de que os bens sujeitos à alíquota zero, cuja base de cálculo do crédito já engloba o valor do frete e do seguro, não dá direito ao crédito. Em relação à esta matéria, esta Turma já adotou posicionamento contrário ao entendimento apresentado pelo i. Relator, por meio do acórdão nº 3302002.922, de relatória da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, o qual adoto como fundamento para solucionar a questão sob análise, a saber: Fl. 6600DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 38 37 Conforme acima demonstrado a fundamentação da glosa de créditos calculados sobre fretes prendese ao fato de que as aquisições dos insumos são tributados à alíquota zero, estando em desacordo com o art. 3º, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002. No entanto há precedente no CARF conforme Acórdão nº 3403 001.944, de 09/03/13, que confere uma outra interpretação ao dispositivo legal em destaque, a qual me filio por entender consentânea com os objetivos visados pela lei de regência da matéria, no tocante ao dispositivo em exame, cuja ementa a seguir se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Nesse sentido, registro excertos da referida decisão, nos termos do voto condutor: A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1º da Lei nº 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (em relação à Cofins):(grifei). “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor:(...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)”(grifei). Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). )(grifei). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Fl. 6601DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 39 38 Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. Portanto, por ser passível de creditamento, a glosa de créditos relativo ao frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero deve ser totalmente revertida. (iii) depreciação do equipamento denominado Plastificadora Strech Mj Maillis Nt:41508 Serralgodao Máquinas Ltda (fotos 02 e 03) Em relação aos créditos vinculados aos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, o ilustre Relator admitiu parcialmente o direito créditório pleiteado pelo contribuinte, mantendose a glosa apenas sobre os seguintes bens: PLASTIFICADORA STRECH MJ MAILLIS NT:41508 SERRALGODAO MÁQUINAS LTDA (fotos 02 e 03), EMPILHADEIRA ELÉTRICA HYSTER NF25272 NACCO MA (foto 07), ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE (fotos 12 e 13), PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A (fotos 16 a 20), BALANÇA RODOVIÁRIA (fotos 24 a 26), BALANÇA PALETEIRA TOLEDO 2000 KG (foto 27), EMPILHADEIRA ELÉTRICA STILL BRASIL NF 64150 E (foto 31), PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO (fotos 33 a 36), TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP (foto 41), CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA (foto 51), CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM (foto 60 e 61), BATERIA TRACIONARIA BT230005 (fotos 62 a 64), EMPILHADEIRA, MARCA YALE, MODELO MR25H, C849T04205E (foto 65), PALETEIRA TXQ 25L TNN 680 GN1150 (foto 67), CARRINHO HIDRÁULICO TM 3000 680X115 (foto 83), por entender que estes não são utilizados no processo produtivo da Recorrente. Neste ponto, a única divergência fica em relação a manutenção da glosa sobre o equipamento denominado "Plastificadora Strech Mj Maillis Nt:41508 Serralgodao Máquinas Ltda (fotos 02 e 03)", na medida em que tal equipamento, no entendimento deste Relator, integra o processo produtivo da Recorrente, na medida em que destinase, de certa forma, selar e lacrar o produto comercializado pela Recorrente. Aliás, resguardado as devidas proporções, referido equipamento possui funcionalidade parecida com o equipamento denominado Embaladora de Potes de Manteiga NF:716242 Bisignano S.A (fotos 4950), sendo que sobre este bem a glosa foi revertida. Assim, por entender que o equipamento denominado "Plastificadora Strech Mj Maillis Nt:41508 Serralgodao Máquinas Ltda (fotos 02 e 03)", integra o processo produtivo da Recorrente, a reversão da glosa é medida que se impõe. Importante registrar, que referido equipamento foi adquirido pelo montante de R$ 27.000,00 (vinte e sete mil reais) e, depreciado nos meses de 10/2008, 11/2008 e 12/2008 pelo valor mensal de R$ 225,00 (duzentos e vinte e cinco reais), totalizando o crédito do período em análise de R$ 675,00, o qual será acrescido ao montante já reconhecido pelo i. Relator. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório relativo (i) as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte no valor de R$ 543.411,05, as quais foram registradas pela Recorrente Fl. 6602DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302003.096 S3C3T2 Fl. 40 39 como de apresentação, (ii) as embalagens de transporte propriamente dita no montante de R$ 289.190,65, e (iii) encargos de depreciação do equipamento denominado "Plastificadora Strech Mj Maillis Nt:41508 Serralgodao Máquinas Ltda (fotos 02 e 03)" no valor R$ 675,00, todos valores referentes a base de cálculo. De forma ilíquida, reconheço o creditamento sobre fretes relativos à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero, a serem calculados pela unidade responsável pela execução do acórdão, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2012. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator designado. Fl. 6603DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 28/03/2016 por WALKER ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10715.002642/2004-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE DECABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
A jurisprudência administrativa e judicial tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, algum erro de fato.
EmbargosdeDeclaraçãoacolhidos.
Numero da decisão: 3201-002.152
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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HIPÓTESES DE DECABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A jurisprudência administrativa e judicial tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, algum erro de fato. EmbargosdeDeclaraçãoacolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 26 42 /2 00 4- 82 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela contribuinte acima identificada, em face do Acórdão nº. 3202000.881, de 21/08/2013 (fls. 155 e ss.), cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/08/2001 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. O indeferimento da Per/Dcomp por razões diversas daquelas que constaram como fundamento do despacho decisório, sem que o contribuinte seja cientificado e instado a manifestarse sobre a análise sumária do crédito pleiteado, realizada em sede de julgamento, caracteriza cerceamento de defesa e provoca a nulidade de decisão de primeira instância. Recurso voluntário parcialmente provido. Alega a Embargante que a decisão incorreu em omissões, obscuridade e contradições, a saber: a) A ementa do acórdão embargado não guarda relação com a questão de fundo tratada nos autos. b) O recurso voluntário questionou apenas a aplicação da multa isolada por erro de classificação fiscal mantida na decisão proferida pela DRJ. Portanto, a decisão embargada é ilegal, na medida em que a decisão da DRJ foi favorável à Embargante, que se limitou a atacar a manutenção da penalidade isolada. O acórdão embargado constitui, portanto, decisão “extra petita”. c) Os embargos são idôneos para corrigir omissões/inexatidões do acórdão embargado. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Cabe ressaltar, inicialmente, que, como cediço, os embargos declaratórios têm a finalidade de aclarar a decisão embargada ou trazer à discussão matéria omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. É o que prevê o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao assim dispor: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10715.002642/200482 Acórdão n.º 3201002.152 S3C2T1 Fl. 189 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Conforme doutrinam Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha, é omissa a decisão a) que não se manifestar sobre um pedido ou b) sobre argumentos relevantes lançados pelas partes e c) quando não apreciadas matérias de ordem pública, portanto cognoscíveis de ofício pelo magistrado, tenham ou não sido suscitadas pelas partes. Os mesmos autores consideram obscura a decisão quando ininteligível, portanto malredigida, faltandolhe a devida clareza. E contraditória, quando traz proposições inconciliáveis entre si, exemplificando com aquela em que há uma contradição entre os seus fundamentos e a sua conclusão (Direito processual civil: meios de impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais. Salvador: JusPODIVM, 2006, p. 131). Acresçase que a jurisprudência tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, um erro de fato – uma ideia equivocada sobre o que, no plano da realidade, ocorreu. Analisada a decisão recorrida, constatase, de fato, existir o vício da contradição entre os fundamentos e a conclusão da decisão embargada, tal como apontado nos embargos. É que, a despeito da causa de nulidade da decisão proferida pela DRJ – a alteração, quanto à penalidade isolada, do fundamento fáticojurídico do lançamento, mantida mesmo quando reconhecida a incorreção da classificação adotada pela fiscalização –, este relator, por uma questão de coerência com a premissa fática relatada no voto – o equívoco da classificação proposta pela fiscalização –, deveria desde logo ter proposto a improcedência do lançamento, não a anulação da decisão proferida pela instância de piso, o que, aliás, já sucedeu noutros julgamentos aqui realizados (p. ex., Acórdão nº 3202001.403, de 12/11/2014). Com efeito, constatandose que a classificação fiscal da mercadoria não é a adotada pela fiscalização nem a declarada pelo contribuinte, o lançamento deve ser julgado improcedente. Pelo exposto, voto por conhecer e ACOLHER os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para considerar improcedente o lançamento. A nova ementa do acórdão embargado passa a ser a seguinte: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/08/2001 FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso tanto daquele utilizado pela impugnante, quanto daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Recurso voluntário provido. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10882.003353/2003-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. DOCUMENTOS NOS AUTOS. INEXISTÊNCIA.
Não há cerceamento de direito de defesa do contribuinte recorrente, por falta de entrega de planilha e documentos, por ocasião da lavratura do auto de infração, quando estes estão contidos nos autos, e ao contribuinte não lhe é negado acesso.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
O pedido de restituição, estranho à lide, deve ser requerido junto a DRFB do domicílio do contribuinte, na forma estabelecida na legislação de regência.
TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS.
Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010).
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA.
Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-002.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada, e para excluir da planilha de aplicação de recursos os valores de R$83.598,06, R$7.465,28, e R$101.728,00, todos de 21/12/1998.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. DOCUMENTOS NOS AUTOS. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento de direito de defesa do contribuinte recorrente, por falta de entrega de planilha e documentos, por ocasião da lavratura do auto de infração, quando estes estão contidos nos autos, e ao contribuinte não lhe é negado acesso. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O pedido de restituição, estranho à lide, deve ser requerido junto a DRFB do domicílio do contribuinte, na forma estabelecida na legislação de regência. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada, e para excluir da planilha de aplicação de recursos os valores de R$83.598,06, R$7.465,28, e R$101.728,00, todos de 21/12/1998. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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DOCUMENTOS NOS AUTOS. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento de direito de defesa do contribuinte recorrente, por falta de entrega de planilha e documentos, por ocasião da lavratura do auto de infração, quando estes estão contidos nos autos, e ao contribuinte não lhe é negado acesso. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O pedido de restituição, estranho à lide, deve ser requerido junto a DRFB do domicílio do contribuinte, na forma estabelecida na legislação de regência. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 33 53 /2 00 3- 98 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 541 2 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada, e para excluir da planilha de aplicação de recursos os valores de R$83.598,06, R$7.465,28, e R$101.728,00, todos de 21/12/1998. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/SPOII(Fls. 462), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 300/304, acompanhado dos demonstrativos de fls. 305/307 e do termo verificação fiscal de fls.310/314, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário de 1998, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 443.013,23, composto de: Imposto R$161.339,18 Juros de mora (calculados até 30/09/2003) R$ 127.764,49 Multa Proporcional R$ 121.004,38 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 542 3 Multa exigida isoladamente R$ 22.905,18 Conforme descrição dos fatos de fls. 302 a 304, a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: omissão de rendimentos recebidos de pessoa física conforme Termo de Verificação Fiscal anexo a este auto de infração. Valor tributável: R$ 112.364,58. Enquadramento legal a fl. 302; acréscimo patrimonial a descoberto omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados e/ou comprovados, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo a este auto de infração. Valor tributável: R$ 390.068,53. Enquadramento legal a fl. 302; dedução indevida de despesas médicas glosa de deduções com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo a este auto de infração. Valor tributável: R$ 4.685,00. Enquadramento legal a fl. 303; depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou investimento mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo. de Verificação Fiscal anexo a este auto de infração. Valor tributável: R$ 79.569,80. Enquadramento legal a fl. 303; multas isoladas falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de carnêleão, apurada conforme Termo de Verificação Fiscal anexo a este auto de infração. Valor da multa isolada: R$ 22.905,18. Enquadramento legal a fl. 304. Consta do referido Termo de Verificação Fiscal de fls. 310/314 que: 1 Movimentação Financeira: o dossiê do contribuinte SIGA PF indicou que este contribuinte teve no ano de 1998 uma movimentação financeira total de R$ 39.583.759,33, tendo movimentado contas no Dresdner Bank Brasil S.A. Banco Múltiplo, HSBC Investment Bank Brasil S.A. Banco de Investimento; BankBoston Banco Múltiplo S.A., Banco Itaú S.A., Banco Sudameris Brasil S.A e Banco Mercantil de São Paulo; além dos bancos mencionados acima, o contribuinte também movimentou contas de investimentos no banco Patrimônio de Investimentos S.A. e no banco ABNAMRO S.A. que não estavam relacionados no dossiê SIGA PF; intimado a apresentar os extratos bancários relativos às suas contas bancárias e de investimentos e a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias, entre outros documentos. O Fl. 545DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 543 4 contribuinte apresentou parte da documentação solicitada. A análise dessa documentação mostrou que a maior parte das movimentações financeiras efetuadas correspondia a aplicações financeiras em fundos de investimentos e transferências entre contas do próprio contribuinte que, segundo ele, foram feitas através de DOC´s bancários. Entretanto, o contribuinte apresentou somente parte dos DOC´s que foram utilizados; observese que nos extratos mensais das instituições financeiras de investimentos não há menção ao tipo de movimentação ocorrida, sendo lançados apenas os valores de aplicações e baixas dos investimentos, diferentemente do que ocorre nos extratos de contas correntes; foram então, entregues nas diversas instituições financeiras as Requisições de Movimentações Financeiras (RMF) de n° 0811300.2003.0002 a n.° 0811300.2003.0007; de posse da documentação fornecida pelos bancos, foi possível identificarse todas as contas correntes e de investimentos que o contribuinte utilizou. Como todas as contas são conjuntas, foi intimado a indicar qual o porcentual de participação do titular e do cotitular, tendo respondido que sua participação era de 100%; após o término da análise dos extratos, através do Termo de Intimação Fiscal datado de 13/05/2003, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas bancárias, conforme Demonstrativo dos Recursos Depositados nas Contas Bancárias, anexado à intimação; em 10/06/2003, o contribuinte apresentou algumas justificativas para o: depósitos que foram efetuados em suas contas correntes e de investimentos, tendo apresentado em 30/07/2003, o restante da documentação, que segundo ele, justificava a maioria do: depósitos efetuados nas diversas contas correntes e de investimentos relacionadas no Demonstrativo dos Recursos Depositados nas Contas Bancárias; de posse da documentação, a fiscalização verificou que os depósitos cuja origem não foi comprovada mediante documentação hábil a quantia de R$ 79.569,80, valor este que está sendo tributado como depósitos bancários de origem não comprovada (fls. 88 e 89); visto que este valor está sendo tributado como origem não comprovada, foi lançado como origem na linha A2 "Rendimentos Omitidos" do Demonstrativo do Fluxo de Caixa; 2 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física: foi indicado pelo contribuinte que nove depósitos que foram efetuados em suas contascorrentes e/ou de investimentos eram provenientes de devolução de empréstimo a Sra. Margot Katz de Castro, irmã do contribuinte. Em 07/01/1998, foi firmado contrato de mútuo entre o Sr. Ricardo, a sua esposa Sra. Gabriela Eugênia Faltay de Castro e a Sra. Margot Katz de Fl. 546DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 544 5 Castro (credores) com o Sr. Egon Katz de Castro (devedor) no valor total de R$. 4.800.000,00. Nessa ocasião, o contribuinte efetuou o pagamento de R$ 904.800,00 ao Sr. Egon, por parte de Margot Katz (fl.293); porém, a soma das devoluções indicadas pelo contribuinte é igual a R$ 962.354,88, conforme planilha "Devoluções de Empréstimo" (fl. 90), sendo que a este valor deve ser acrescida a quantia de R$ 54.809,70 que consta no item 27, coluna "ano de 1998" do quadro 07 Declaração de Bens e Direitos da DIRPF, onde o contribuinte destaca o valor do saldo do empréstimo efetuado a Sra. Margot Katz de Castro (fl. 08); ou seja, o contribuinte recebeu durante o ano de 1998, a quantia de R$ 112.364,58 a mais do que o valor emprestado, quantia esta que está sendo tributada como omissão de rendimentos recebidos de pessoa física; de acordo com os artigos 43 e 44, § 1o, inciso III da Lei n.° 9.430/96, esta infração é passível da aplicação da multa exigida isoladamente; considerando que esse valor está sendo tributado como rendimento omitido, foi lançado como origem na linha A11 "Devolução de Empréstimo" do Demonstrativo do Fluxo de Caixa; 3 Variação Patrimonial a Descoberto foi feita a análise do fluxo de caixa referente ao anocalendário de 1998, conforme Demonstrativo Fluxo de Caixa (fl. 94) e constatouse que havia uma variação patrimonial a descoberto no valor de R$ 390.068,53, o que vem a confirmar a análise efetuada no item 1, ou seja, alguns rendimentos não foram oferecidos à tributação. A seguir, relaciona alguns tópicos que devem ser observados; 4 Despesas Médicas Deduzidas Indevidamente dentre as despesas médicas declaradas pelo contribuinte no quadro 05 da DIRPF, encontramse despesas no valor de R$ 4.685,00 que foram lançadas indevidamente, de acordo com os recibos apresentados: um recibo não identifica o pagador (fl. 132) e alguns recibos estão em nome de Gabriela Eugênia F. de Castro (fls. 124 a 130 e 138 a 142) que não é dependente do contribuinte e, portanto, estas despesas não são dedutíveis. Cientificado pessoalmente do lançamento em 16/10/2003 (fl. 301), o autuado apresentou, em 14/11/2003, a impugnação de fls. 338/362, por intermédio de procurador (procuração as fls. 332/333), acompanhada dos documentos de fls. 365/446, alegando que: o impugnante efetuou recolhimento parcial correspondente a R$ 57.554,88 dos rendimentos supostamente recebidos de pessoas físicas; recolhimento parcial correspondente a R$ 102.381,37 do acréscimo patrimonial a descoberto e o Fl. 547DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 545 6 recolhimento total das despesas médicas indevidamente deduzidas, com os devidos acréscimos legais; preliminarmente, alega cerceamento do direito de defesa, uma vez que a intimação deve conter todos os elementos suficientes e necessários ao amplo exercício do direito de defesa pelo contribuinte, ou seja deve trazer tudo o que for imprescindível para que o contribuinte acate a imposição fiscal ou dela discorde; no caso em tela, as conclusões do I.AFRF pautaramse em uma série de planilha e cálculos que não foram fornecidos ao impugnante no momento da intimação, mas que foram mencionados ao longo de todo o Termo de Verificação Fiscal; a DRF/Osasco somente forneceu as ditas planilhas e demais documentos para o impugnante em 30/10/2003, portanto, 14 dias após a intimação; cita julgado do Conselho de Contribuintes sobre o tema, concluindo que resta evidenciado a nulidade do auto de infração; DO MÉRITO da comprovação da origem dos depósitos bancários autuados descaracterização como rendimentos tributáveis: 03 depósitos efetuados em 23/03/1998, na conta corrente n.° 001045, do Banco Itaú, sob a alegação de que a conta de origem (c/c n.° 22.0841 e 17.6850, do Banco CCF) não é de titularidade do impugnante. Os valores de R$ 9.827,79 e R$ 43.611,16 se referem a depósitos efetuados por EGON KATZ DE CASTRO, pai do Impugnante, que foram devolvidos em 22/04/1998 (R$ 45.875,42 DOC contra o BankBoston) e em 23/04/1998 (R$ 9.244,941 cheque n.° 562.016, do Banco Itaú); consoante se depreende facilmente, não se trata de rendimentos do Impugnante. Ao contrário, tais valores foram devolvidos ao Sr. Egon um mês depois de recebidos, razão pela qual não se pode falar em acréscimo patrimonial; tal destino deve ter a exigência no que diz respeito ao depósito de R$ 11.094,26 vez que se trata de reembolso efetuado por MARGOT, sua irmã, em razão do pagamento pelo impugnante do imposto de renda devido por ela, pagamento este feito por meio do cheque n.° 561.965, do Banco Itaú; o depósito de R$ 11.094,26 não pode ser considerado rendimento do impugnante, visto que se trata de reembolso do IR devido por MARGOT, irmã do impugnante pago pelo impugnante (R$ 11.072,12), valor esse acrescido de CPMF à alíquota de 0,20% vigente à época (R$ 11.072,12 x 0,20% = R$ 11.094,26); o depósito de R$ 6.000,00 recebido em 29/04/98, na conta corrente n.° 4.867.499, do Banco Mercantil Finasa, cumpre Fl. 548DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 546 7 esclarecer que o mesmo foi feito pela filha do impugnante, Mônica Faltay de Castro, conforme demonstra a cópia do cheque DN n.° 53088' (doc. 06); tal valor foi devidamente reembolsado à filha com a adição de RS 3.000,00 na mesma data, através do crédito de R$ 9.000,00, proveniente da conta corrente do impugnante no Banco Itaú. Por essa razão, tais valores não podem ser considerados como rendimento omitido; no que se refere aos 03 depósitos efetuados na ContaCorrente n.° 4.867.499, do Banco Mercantil, nos valores de R$ 3 440,65 (17/08/98), R$ 1.560,02 (23/09/98) e R$ 1.619,82 (09/12/98) cumpre esclarecer que são rendimentos de aposentadoria devidamente declarados, conforme comprova o Extrato Trimestral de Beneficio emitido pelo INSS, Ficha de Movimentação e Recibos de Depósitos (doc. 07); tais documentos demonstram que o impugnante recebeu em junho e julho de 1998, respectivamente, os valores de R$ 2.912,70 e R$ 543,84 decorrentes de benefício pago pelo INSS em conta específica mantida para tal fim no Banco BANESPA; esses valores (2.912,70 + 543,83 = 3.456,54) foram transferidos da referida conta para as contas citadas pelo I.AFRF (basta conferir as datas entre o saque e o crédito em conta corrente. A diferença entre os valores recebidos do INSS e os depositados se refere à CPMF e tarifas bancárias); no que refere ao valor de R$ 1.560,02 tratase de crédito retificador feito pelo Banco Mercantil que se refere à aposentadoria recebida, conforme demonstra o aviso bancário anexo (doc. 07); os valores acima mencionados totalizam R$ 77.153,70 dos R$ 79.669,80. A diferença (R$ 2.416,96) sequer poderia ter sido objeto de questionamento, vez que se refere a pequenos depósitos (de R$ 20,00 a 300,00); cita o § 3o, do artigo 42, da Lei n.° 9.430, alterada pela Lei n. 9.481/97; para concluir que se comprovada a origem dos demais depósitos, os valores individualmente inferiores a R$ 12.000,00 não podem ser considerados como receita omitida. Transcreve ementa do Recurso n.° 134.261 do Conselho de Contribuintes; da variação patrimonial a descoberto: parte dessa exigência, no valor de R$ 102.381,37 foi objeto de recolhimento. Sendo assim, resta o montante de R$ 287.687,16 a ser combatido. de ser excluído do fluxo de caixa, os rendimentos omitidos no valor de R$ 79.569,80; deve ser excluído o valor de R$ 54.809,70, pois não está incluído dentre os valores que lhe foram emprestados por Margot. Tratase ao contrário, de valor relativo à quota parte de Margot nas perdas decorrentes de Contrato de Hedge celebrado Fl. 549DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 547 8 com Banco CCF e que foram pagos pelo Impugnante. Como esse valor foi declarado pelo impugnante como saldo a receber, não haveria impacto no fluxo de caixa se o Impugnante não o tivesse incluído, por equivoco, nos pagamentos efetuados ao Banco CCF (R$ 372.284,61); devese proceder à exclusão da dedução com dependentes porque tais gastos estão incluídos entre os demais pagamentos declarados pelo contribuinte (valor de R$ 2.160,00); despesas com instrução de dependentes (no valor de R$ 4.650,71), despesas médicas no valor de R$ 4.853,00 e donativos (no valor de R$ 6.550,00) foram pagos com recursos transferidos para a conta da esposa Gabriela e que foram declarados pelo impugnante (respectivamente, códigos 2, 3 e 14 da DIRPF), sob pena de serem tomados em duplicidade; valor de RS 18.909,00 referente a aquisição de sepultura não pode ser considerado desembolso/pagamento em 1998, pois conforme comprovante de pagamento a aquisição se deu em 1996; em 21/12, DOCs emitidos contra conta de Gabriela F. Castro no Banco Dresdner, no valor de R$ 83.598,06 e no Banco ABN AMRO, no valor de R$ 7.465,28, indevidamente considerados como recursos transferidos pelo contribuinte; em 21/12, DOC de transferência de recursos da conta do impugnante no Banco CCF, no valor de R$ 101.728,00 para sua esposa Gabriela. Esses valores incluem o reembolso de parte dos recursos transferidos por Gabriela para Brasilit S/A, por conta e ordem do impugnante, em 01/12/1998. Os valores pagos pelo impugnante à Brasilit S/A foram devidamente declarados na relação de pagamentos pelo valor total de R$ 214.359,30; o valor de R$ 11.094,26 foi incluído indevidamente como rendimento omitido pelo contribuinte, pois se trata de recursos transferidos por MARGOT, para pagamento de seu imposto de renda. Tal valor deve ser considerado como proveniência de recursos, uma vez que foi usado para pagamento de impostos de MARGOT; o valor de R$ 12.030,25, item 39 da Declaração de Bens do Impugnante foi incluído no saldo de Aplicações Financeiras no fim do período no fluxo de caixa conforme fl. 94. Desse valor, R$ 12.000,00 referemse à Contribuição para Previdência Privada, indevidamente incluídos pelo impugnante na Declaração de Bens e também na Relação de Pagamentos efetuados ao Banco Patrimônio — FAPIMAX Conservador. Portanto, os R$ 12.000,00 devem ser excluídos da Declaração de Bens e do saldo final de Aplicações Financeiras no Fluxo de Caixa, sob pena de ser considerado em duplicidade; empréstimo no valor de R$ 9.827,79 de Egon Katz de Castro considerado indevidamente como recurso omitido, que foi excluído conforme item B.1 acima e que deve ser considerado Fl. 550DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 548 9 proveniência de recursos, uma vez que foi usado para pagamento de impostos incluídos entre os pagamentos declarados; empréstimo no valor de R$ 43.611,16 de Egon Katz de Castro considerado indevidamente como recurso omitido, que foi excluído conforme item B.1 acima e que deve ser considerado proveniência de recursos, uma vez que foi usado para pagamento de impostos incluídos entre os pagamentos declarados; cheque sacado da conta de Mônica Faltay de Castro, no valor de R$ 6.000,00 considerando indevidamente como recurso omitido, que foi excluído conforme item B.1 acima que deve ser considerado proveniência de recursos, uma vez que a devolução (R$ 9.000,00) foi considerada entre os pagamentos não declarados; da multa isolada da impropriedade da exigência cumulada com multa de ofício: em nenhuma hipótese merece prosperar a exigência da multa isolada, sob pena de dupla imposição de pena ao impugnante pelo mesmo fato (exigência combinada de multa de ofício e de multa isolada). Cita jurisprudência; da vedação ao confisco não só considerando que a exigência de multa de ofício e de multa isolada impõe ao recorrem e a penalidade total de 150%, patente a ofensa ao princípio da vedação ao confisco e da garantia à propriedade privada, ambos expressamente consagrados na Constituição Federal de 1988; cita jurisprudência do STF, em que restou consagrado o entendimento de que a penalidade não pode ter valor superior ao tributo e jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/SPOII entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. DEPOSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 549 10 Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$550.000,00, dentro do anocalendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Comprovado que não ocorreu o recebimento de parte dos valores considerados omitidos, mister se faz a retificação do valor tributável. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO SIMULTANEIDADE. E cabível o lançamento da multa isolada sobre carnê leão não recolhido concomitante à multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração inexata, porquanto são multas aplicáveis sobre bases de cálculo distintas e penalizam infrações diferentes. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força de nova disposição legal e do princípio da retroatividade benigna, é cabível a redução da multa isolada lançada no percentual de setenta e cinco por cento para cinqüenta por cento. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. O princípio da vedação ao confisco está previsto no art. 150, IV, da C.F. e é dirigido ao legislador de forma ra orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, um vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A multa de oficio é devida em face da infração tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei n° 11.417 de 19 de dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus Ju1gados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 550 11 Cientificado em 13/07/2009 (fl.495), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 07/08/2009 (fls. 500 a 529), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em sede preliminar o contribuinte alega que houve cerceamento ao seu direito de defesa, haja vista que uma série de planilha e cálculos não foram fornecidos ao impugnante no momento da intimação, mas sim somente 14 dias após a intimação. Neste ponto, adoto como razão de decidir parte do Acórdão recorrido, no seguinte sentido: "É na impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 dias contados da data da ciência da intimação, que o contribuinte poderá contestar o lançamento, mencionando os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (arts. 15 e 16 do Decreto n.° 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Dentro desse prazo de 30 dias, é facultado ao sujeito passivo vista do processo/requisição de cópia, na repartição fiscal que o jurisdiciona, tendo por objetivo possibilitarlhe o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhe são assegurados pelo art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal. Assim sendo, o interessado solicitou vistas do processo em 30/10/2003 (fl. 330) e em 04/11/2003 (fl. 335), por intermédio e procurador legal (procuração as fls. 332/333) e requisitou cópias do inteiro teor do processo e de parte dele, no Órgão preparador, nesse período de 30 dias em que os autos permaneceram à disposição do contribuinte, sendo atendido em todas as suas manifestações. Seria o caso de cogitar o cerceamento de defesa, se o contribuinte houvesse formulado pedido de vistas do processo e/ou cópia integral/parcial dos auto, e se tal requisição tivesse sido denegada pela autoridade administrativa. O que, definitivamente, não é o caso destes autos. Assim, o fato de a documentação relacionada no Termo de Verificação Fiscal não ter sido encaminhado ao filscalizado/autuado não dá causa ao propalado cerceamento do Fl. 553DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 551 12 direito de defesa, haja vista que os autos ficaram à disposição do autuado na repartição fiscal de sua jurisdição, durante o prazo de 30 diais contados da ciência do Auto de Infração, para plena viabilização de sua defesa. Salientese, por oportuno, que o Termo de Verificação Fiscal (fls. 310/314) é bastante claro no que se refere a descrição dos fatos/infrações apuradas/enquadramento legal aplicado, não dando ensejo à declaração de nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa." (pág. 471 dos autos) Portanto, entendo que ao contribuinte foi disponibilizado toda a documentação referente ao auto de infração, e que não houve cerceamento ao seu direito de defesa. Em razão do acima elencado, rejeito a preliminar argüida. Passo a análise do mérito. Quanto a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, resta em litígio apenas o depósito no valor de R$43.611,10, de 23/03/1998, cuja origem é o banco CCF Brasil , conta corrente 22.0841. O Recorrente, por sua vez, afirma que tal valor foi depositado, a título de empréstimo, por seu pai, Egon Katz de Castro, sendo devolvido em 22/04/1998, através do DOC conta o Bankboston. A DRJ assim se pronunciou sobre tal alegação: "O contribuinte alega que referido valor foi recebido de seu pai, EGON KATZ DE CASTRO, sendo. devolvido em 22/04/1998, através de DOC contra o BANKBOSTON, no valor de R$ 45.875,42, apresentando o documento de fl. 392 como prova. Ocorre que referido documento se refere à solicitação de DOC ao BankBoston, o que não explica a origem do valor creditado no Banco Itaú em 23/03/1998. Dessa forma, mantêmse parcialmente a omissão de rendimentos caracteriza por depósitos bancários com origem não comprovada no valor de R$ 43.611,16." (pág. 473 dos autos) Combatendo este argumento da DRJ, o Recorrente esclarece que o documento de folha 392 (396 no processo digital) prova que a conta indicada para o DOC é a mesma que realizou o depósito de R$ R$43.611,10, de 23/03/1998, e que esta conta pertence ao seu pai. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 552 13 Contudo, não entendo que o documento de folha 396 dos autos seja suficiente para comprovar a origem do depósito. É que tal documento é de produção unilateral do contribuinte; não havendo prova sequer de que o mesmo foi recepcionado pelo Bankboston. Deste modo, entendo que não há como se afirmar que a conta de origem do depósito pertence ao pai do Recorrente, nem mesmo que o depósito foi feito a título de empréstimo. Razão pela qual deve ser mantida esta parte do lançamento. Quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, passo a analisar ponto a ponto os argumentos do Recorrente. Em primeiro plano, o Recorrente pede que seja excluído da planilha de aplicação de recursos o valor de R$54.809,70, referente a devolução de empréstimo para a Sra. Margot Katz de Castro; haja vista que a própria DRJ afastou a omissão de rendimentos de pessoa física decorrente do recebimento deste empréstimo pelo Recorrente. Contudo, correta está a DRJ; é que, ao entender que o recebimento do empréstimo pelo Recorrente não seria omissão de rendimentos de pessoa física, a DRJ tratou de esclarecer que dito valor (R$54.809,70) deveria permanecer na planilha de apuração do APD como fonte de recursos. Assim, mantida a fonte de recursos no valor de R$54.809,70, e reconhecido na própria DIRPF do Recorrente o pagamento deste mesmo valor, mesmo que á título de devolução de empréstimo, não há que se falar em exclusão de tal valor da planilha de aplicação de recursos. Em segundo plano, pede o Recorrente a devolução de parte do pagamento que realizou em virtude do lançamento. Segundo o contribuinte, o mesmo pagou parcialmente o lançamento, e, após, a DRJ tratou, com a exclusão de parte da base de cálculo da omissão em decorrência de depósito bancário de origem desconhecida, de manter o valor de R$79.569,80 como fonte de recurso na planilha de fluxo de caixa. Tal fato teria levado o Recorrente a calcular equivocadamente o pagamento que realizou; razão pela qual pede a devolução do pagamento a maior. Contudo, tal pedido de restituição é estranho à lide. Devendo o contribuinte dirigirse a DRFB do seu domicílio, e pleitear tal devolução, na forma estabelecida na legislação. Pede o Recorrente, em terceiro plano, que seja incluído na planilha de aplicação de recursos o valor de R$54.809,70, referente ao empréstimo feito pela Sra. Margot Katz de Castro; haja vista que a própria DRJ afastou a omissão de rendimentos de pessoa física decorrente do recebimento deste empréstimo pelo Recorrente. Como já dito anteriormente, a DRJ, ao entender que o recebimento do empréstimo pelo Recorrente não seria omissão de rendimentos de pessoa física, tratou de Fl. 555DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 553 14 esclarecer que dito valor (R$54.809,70) deveria permanecer na planilha de apuração do APD como fonte de recursos. (pág. 474 dos autos) Realmente, conforme se verifica na planilha de folhas 95 dos autos, tal valor consta como fonte de recursos. Razão pela qual tal pedido é improcedente. Pede ainda o Recorrente que sejam excluídos da planilha de aplicação dos recursos os valores correspondentes à dedução com dependentes, dedução com despesas médicas, dedução com instrução, e dedução com donativos, sob pena de duplicidade; tendo em vista que tais valores constam na planilha como "pagamentos declarados" e como "pagamentos não declarados". Segundo o Recorrente, como todos os pagamentos acima elencados se deram com recursos transferidos para a conta da esposa Gabriela F. Castro, foram também incluídos na planilha de aplicação de recursos como pagamentos não declarados. Analisandose a planilha que inclui os valores declarados, pág 116 dos autos, percebo que estão presentes os valores declarados a título dedução com dependentes, dedução com despesas médicas, dedução com instrução, e dedução com donativos. Já na planilha de pagamentos não declarados, de página 249 dos autos, não se percebe a inclusão de nenhum deste valores. Noto, inclusive, que a fiscalização não incluiu nesta planilha os valores que constam na planilha feita exclusivamente para detectar os recursos transferidos para a conta da esposa da Sra. Gabriela F. Castro. (doc. pág. 176 dos autos) Ademais, inobstante as alegações do contribuinte, não há a apresentação de provas que comprovem a duplicidade. Mantenho, portanto, esta parte do lançamento. Por fim, com relação ao APD, solicita o Recorrente que sejam excluídos da planilha de aplicação de recursos os seguintes itens: em 21/12, DOCs emitidos contra conta de Gabriela F. Castro (esposa do Recorrente)no Banco Dresdner, no valor de R$ 83.598,06 e no Banco ABNAMRO, no valor de R$ 7.465,28, indevidamente considerados como recursos transferidos pelo contribuinte; em 21/12, DOC de transferência de recursos da conta do impugnante no Banco CCF, no valor de R$ 101.728,00 para sua esposa Gabriela F. Castro. A DRJ, ao analisar este mesmo pedido, se manifestou no sentido de que as transferências para a esposa devem ser mantidas como aplicações de recursos; in verbis: em 21/12/98, DOC emitido contra conta de Gabriela F. Castro no Banco ABNAMRO e indevidamente considerado como recurso transferido pelo contribuinte, no valor de R$ 7.465,28. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 554 15 Para comprovar o alegado, da autuado apresenta o documento de fls. 438/439. O que se vê no documento de fl. 439, entretanto, é o oposto do que alega o interessado. Referido documento demonstra a solicitação de DOC pelo contribuinte, para depósito em conta de sua esposa. Valor, pois mantido; em 21/12/98, DOC emitido contra conta de Gabriela F. Castro no Banco Dresdem e indevidamente considerado como recurso transferido pelo contribuinte, no valor de R$ 83.598,06. Para comprovar o alegado, šo autuado apresenta o documento de fls. 440/442. O que se vê no documento de fls. 441/442; entretanto, é o oposto do que alega o interessado. Referido documento demonstra a solicitação de DOC pelo contribuinte, para depósitos em conta de sua esposa. Valor, pois mantido; ' em 21/ 12/98, DOC de transferência de recursos da conta do impugnante no Banco CCF para sua esposa Gabriela, no valor de R$ 101.728,00. Esses valores incluem o reembolso de parte dos recursos transferidos por Gabriela para Brasilit S/A, por conta e ordem do impugnante, em 01/12/1998. Os valores pagos pelo impugnante à Brasilit S/A foram devidamente declarados na relação de pagamentos, pelo valor total de R$ 214.359,30. Para comprovar o alegado, apresenta os documentos de fls. 444/447. Todavia, as alegações do contribuinte não ilidem a transferência de recursos para a Senhora Gabriela,(...)(pág. 476 dos autos) Do exame dos documentos constantes dos autos, notadamente os das páginas 444 a 449, e do entendimento da DRJ, verificase que o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela autoridade fiscal no mês de dezembro foi evidenciado pelos recursos doados/transferidos pelo contribuinte a sua esposa. Ressaltese que a transferência de recursos, por si só, não comprova que o contribuinte beneficiouse dela, seja por consumo, gastos ou aquisição patrimonial. Nesse sentido, importa observar a Súmula nº 67, que abaixo se transcreve: “Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.” Este é o caso dos autos. Lançamento de acréscimo patrimonial sem a comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa ou da aplicação ou consumo da renda. Portanto, resta excluir da planilha de aplicação de recursos os seguintes itens: em 21/12, DOCs emitidos contra conta de Gabriela F. Castro (esposa do Recorrente)no Banco Dresdner, no valor de R$ 83.598,06 e no Banco ABNAMRO, no valor de R$ 7.465,28. em 21/12, DOC de transferência de recursos da conta do impugnante no Banco CCF, no valor de R$ 101.728,00 para sua esposa Gabriela F. Castro. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 555 16 No que pertine a aplicação da multa isolada, peço permissão para aplicar o inteiro teor do entendimento do Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnê leão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência deste Conselho é pacífica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por intermédio do qual se negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: “O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela”. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 da CSRF. Em resumo: a denominada "multa isolada" do art. 44, II, “a” da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicada aos casos em que não possa ser a multa exigida em Fl. 558DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10882.003353/200398 Acórdão n.º 2201002.811 S2C2T1 Fl. 556 17 conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada. Por fim, pede o recorrente a não aplicação de juros moratórios sobre a multa de ofício. Conforme se verifica nos autos, a incidência da SELIC sobre a multa não compôs o lançamento, e, com fundamento nos artigos 6 °, § 2 , e 61, § 3° , da Lei n° 9.430/1996, bem como no artigo 29, da Lei n° 10.522/2002, com a redação dada pela Medida Provisória n° 1621 31/98, somente será aplicada após a constituição definitiva do crédito tributário. Deste modo, este conselheiro não possuí competência para julgar fato alheio ao lançamento. Ademais, a Súmula CARF n°4, de aplicação obrigatória pelos conselheiros do CARF, assim estabelece: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada, e para excluir da planilha de aplicação de recursos os valores de R$83.598,06, R$7.465,28, e R$101.728,00, todos de 21/12/1998 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 559DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 11060.724243/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU - INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade sem prejuízo para a parte, quanto mais se houve no processo administrativo tributário total garantia ao contraditório e ampla defesa.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO PARA O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGRA GERAL
A contagem do prazo decadencial para o exercício do direito de crédito pelo Fisco segue a regra do artigo 173, inciso I, do CTN. Havendo pagamento antecipado, mesmo que insuficiente, do tributo sujeito ao lançamento por homologação e inexistindo dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo deverá ser realizada na forma prescrita pelo art. 150, § 4º, do CTN. No caso em apreço não houve o pagamento antecipado e portanto, aplicam-se as disposições do artigo 173, inciso I, do CTN.
QUESTÕES COM TRANSITO EM JULGADO. NÃO CONHECIMENTO.
Questões já discutidas em processo específico e com trânsito em julgado no próprio CARF não devem ser conhecidas em processo distinto.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2201-003.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e decadência (com base no art. 150, § 4º, do CTN). Por maioria de votos, não conhecer do recurso quanto ao direito a imunidade. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Relator), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Marcelo Vasconcelos de Almeida. No mérito, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para recalcular a multa de mora com base na redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, dada pela Lei 11.941/2009, e recalcular a multa por descumprimento de obrigação acessória até a competência 11/2008, com base na redação do artigo 32A da Lei 8.212/1991. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Relator) e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Sr. Jorge Anderson Corte Real, CRA/RS 17.904.
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Carlos Henrique de Oliveira - Relator.
Carlos Alberto Mees Stringari - Redator designado.
EDITADO EM: 23/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ASTROGILDO DE AZEVEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU INOCORRÊNCIA. Não há nulidade sem prejuízo para a parte, quanto mais se houve no processo administrativo tributário total garantia ao contraditório e ampla defesa. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO PARA O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGRA GERAL A contagem do prazo decadencial para o exercício do direito de crédito pelo Fisco segue a regra do artigo 173, inciso I, do CTN. Havendo pagamento antecipado, mesmo que insuficiente, do tributo sujeito ao lançamento por homologação e inexistindo dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo deverá ser realizada na forma prescrita pelo art. 150, § 4º, do CTN. No caso em apreço não houve o pagamento antecipado e portanto, aplicamse as disposições do artigo 173, inciso I, do CTN. QUESTÕES COM TRANSITO EM JULGADO. NÃO CONHECIMENTO. Questões já discutidas em processo específico e com trânsito em julgado no próprio CARF não devem ser conhecidas em processo distinto. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 42 43 /2 01 2- 91 Fl. 6526DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e decadência (com base no art. 150, § 4º, do CTN). Por maioria de votos, não conhecer do recurso quanto ao direito a imunidade. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Relator), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Marcelo Vasconcelos de Almeida. No mérito, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para recalcular a multa de mora com base na redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, dada pela Lei 11.941/2009, e recalcular a multa por descumprimento de obrigação acessória até a competência 11/2008, com base na redação do artigo 32A da Lei 8.212/1991. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Relator) e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Sr. Jorge Anderson Corte Real, CRA/RS 17.904. Eduardo Tadeu Farah Presidente. Carlos Henrique de Oliveira Relator. Carlos Alberto Mees Stringari Redator designado. EDITADO EM: 23/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira Relatório Fl. 6527DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.527 3 Tratase de crédito previdenciário referente a contribuições sociais da empresa, as devidas ao custeio do seguro acidente de trabalho e aos terceiros, decorrentes de suspensão da isenção de entidade beneficente por descumprimento dos requisitos legais para fruição do benefício constitucional. O procedimento fiscal foi instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, MPF nº 10.1.03.002010005081, do qual o contribuinte teve ciência pessoal em 20 de janeiro de 2011 (efls 2503). O contribuinte foi pessoalmente cientificado do lançamento tributário, relativo às competências 01/2007 a 12/2011, em 26 de dezembro de 2012, conforme se verifica no TEAF de efolhas 6259. Informa ainda a autoridade notificante que em 21 de março de 2012, a Recorrente foi intimada, em outro procedimento fiscal, a manifestarse sobre o cumprimento dos requisitos exigidos para que a entidade, aqui Recorrente, usufruísse da isenção da quota patronal das contribuições previdenciárias. Como decorrência desse procedimento fiscal foi emitido em 17 de julho de 2012, Termo de Notificação Fiscal suspendendo o gozo do benefício da imunidade tributária no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2011. Esses atos administrativos estão consubstanciados no processo digital de nº 11060.722784/201284 O procedimento fiscal autorizado pelo MPF supra identificado, embasador do lançamento tributária que aqui se analisa, culminou na constituição de crédito tributário no valor originário de R$ 91.691.990,52, consolidado em 26/12/2012, constituídos em quatros autos de infração referentes aos DEBCAD's 37.302.1470 e 51.017.0021 relativos à quota patronal e SAT, e 37.302.1488 e 51.017.0030 relativos à outras entidades e fundos. O descumprimento da correspondente obrigação acessória (informação em GFIP), CFL 68, foi lançado por meio do DEBCAD 37.302.1461 A autoridade lançadora no relatório fiscal, após discorrer sobre a legislação aplicável às entidades beneficentes, apresenta a explicação dos procedimentos que culminaram na perda da isenção e consequente constituição do crédito tributário (efls. 5433): "No que se refere ao direito à isenção de contribuições sociais destinadas a Seguridade Social, estabelecia o art. 55 da lei 8.212/91 que a entidade beneficente de assistência social atendesse, cumulativamente, dentre outros requisitos os seguintes: II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n° 9.528. de 10.12.97). Por sua vez, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, ao regulamentar a concessão e revogação da isenção previa no art. 206, especialmente no § 8o, incisos I a IV, a Fl. 6528DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 emissão de Informação Fiscal na qual deveriam ser relatados os fatos que determinariam a perda da isenção. § 82 O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro Jocial decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; e IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) Com a vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009 (DOU de 30/11/2009) que passou a disciplinar inteiramente a matéria, inclusive revogando o art. 55 da Lei 8.212/91. E o Decreto 7.237, de 21/07/2010, que regulamenta a Lei 12.101/2009 e revoga art. 206 do Decreto 3.048/99. No novo ordenamento acima citado, deixou de haver a previsão dos Atos Declaratórios de Concessão e de Revogação da Isenção, conforme se verifica do art. 32 e parágrafos da Lei 12.101/2009, verbis: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatara os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § I o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente Como, também, o Decreto 7.237/2010, explicita nos seu artigo 42 e parágrafos Io a 3o: Art. 42. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 40, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, devendo relatar os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § l o Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito à isenção, e o lançamento correspondente terá como termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. Fl. 6529DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.528 5 § 2o A entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contados de sua intimação. § 3o O julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Diante do exposto, e considerando o rito do processo administrativo fiscal vigente, informamos que deixamos de emitir a Informação fiscal e o Ato Cancelatório subsequente, e passamos a relatar no presente relatório as irregularidades que levaram a perda da isenção das contribuições previdenciárias pela entidade. V DA PERDA DA ISENÇÃO O HCAA apresentou as GFIPs dos anos 2007 a 2011 como isenta da cota patronal e terceiros, conforme previsto em lei, tendo informado que é uma entidade beneficente de assistência social. No exercício do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n°. 1010300.2010.00508.1, iniciamos ação fiscal junto ao HCAA em 20/01/2011. Como resultado, verificamos que o HCAA não observou os requisitos legais para que a mesma pudesse usufruir o benefício de isenção das Contribuições previdenciárias no período de 01/2007 a 12/2011. Neste aspecto, lavramos o presente Relatório de Fiscalização, que é parte integrante e inseparável dos Autos de Infração DEBCAD 37.302.1461,37.302.1470, 37.302.1488, 51.017.0021 e 51.017.0030, no qual relatamos os fatos que determinam a suspensão do benefício da isenção, em atendimento ao disposto nos artigos 5 5 da Lei n°. 9.812, de 24/07/1991, 28 da Medida Provisória 446, de 07/11/2008 e 29 da Lei 1 2 . 1 0 1 , de 27/11/2009. Os fatos ocorridos no período acima mencionado foram caracterizados pela fiscalização como infração ao disposto no artigo 55, incisos III a V da Lei n°. 8.212, de 24/07/2001, no artigo 28, incisos II, III, VII e V I I I da Medida Provisória 446, de 07/11/2008 e no artigo 29, incisos I I , I V e V da Lei 1 2 . 1 0 1 , de 27/11/2009. Os fatos ocorridos encontramse exaustivamente pormenorizados no Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284, que é parte integrante e inseparável do Termo de Notificação Fiscal de suspensão do benefício de imunidade tributária, cientificado o HCAA em 17/07/2012, pelo A. Fiscal da Receita Federal do Brasil Marcelo Figueiredo de Azevedo Júnior, os quais foram anexados ao presente Processo. "Como explicitado no parágrafo anterior, os fatos ocorridos que deram causa a suspensão da isenção da cota patronal da contribuição social previdenciária já foram exaustivamente pormenorizados no Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284, nos ateremos a citar OS itens do relatório de fiscalização com pequena descrição, enquadrando nos incisos do artigo 55 da Lei n°. 8.212, de 24/07/2001, nos incisos do artigo 28 da Medida Provisória n° 446, de 07/11/2008 e nos incisos do artigo 29 da Lei 12.101, de 27/11/2009, infringidos. Item 3.1. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 Fl. 6530DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 IMPORTAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS MÉDICOS CEDIDOS A EMPRESAS TERCEIRIZADAS E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS I E I I DO CTN Verificamos que o HCAA, quando da importação de equipamentos, equipamentos estes cuja utilização foi TRANSFERIDA/CEDIDA, mediante sua locação às empresas DIX, RSM e IRV (pessoas jurídicas com fins lucrativos), incorreu em DESACORDO ao disposto no artigo 55, inciso V da Lei n°. 8.212/91, no artigo 28, inciso III e VIII da Medida Provisória n° 446/2008, no artigo 29, incisos II e V da Lei n°. 12.101/09. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2006 a 2008, nos termos do artigo 32, § 1o da Lei n°. 12.101/2009. Item 3.2. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS I E II DO CTN Verificamos que a existência de diversas clínicas particulares que utilizam a área física e os equipamentos cedidos pelo HCAA através de contratos de terceirização da prestação de serviços médicos, o fato de o Hospital ter assumido o custo com a construção da edificação e a instalação de equipamentos onde atualmente está localizada a empresa RSM, com investimentos de R$ 5.981.914,09 para que a referida clínica particular pudesse INICIAR suas atividades em 07/2008, assim como a construção do empreendimento denominado "Policlínica Provedor Wilson Aita", que até 31/12/2011 havia custado R$ 41.829.029,22 ao Hospital, demonstram o DESVIRTUAMENTO de sua FINALIDADE, voltada para a PROMOÇÃO, proteção e recuperação da saúde, bem como o DESVIRTUAMENTO de seu PATRIMÔNIO, o qual deve ser aplicado INTEGRALMENTE na MANUTENÇÃO e DESENVOLVIMENTO de seus objetivos institucionais, em DESACORDO com o disposto nos artigos 2º, 3º e 11 do Estatuto Social, no artigo 55, incisos III e V da Lei nº 8.212/91, no artigo 28, inciso II e V da Medida Provisória nº 446/2008, e no artigo 29, inciso II e V da Lei nº 12.101/09. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2006 a 2008, nos termos do artigo 32, § 1o da Lei n°. 12.101/2009 Item 3.3. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 DESVIRTUAMENTO DO CONCEITO DE GRATUIDADE E INEXATIDÃO NO REGISTRO DE DESPESAS COM GRATUIDADES E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS II E III DO CTN Verificamos, que o HCAA, ao efetuar as transferências de inadimplências e de custos gerais de internação para as contas de resultado de despesas com gratuidades, bem como ao considerar atendimentos para pacientes particulares que não podem ser considerados como pessoas carentes e serviços médicos prestados por empresas terceirizadas como despesas com gratuidades, os quais resultaram no SIGNIFICATIVO montante de R$ 27.441.250,12 de acréscimos INDEVIDOS de contas contábeis a título de gratuidade nos Fl. 6531DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.529 7 anos de 2004 a 2011, apresentado no Anexo 21, incorreu em DESACORDO ao disposto no artigo 55, incisos III e V da Lei n°. 8.212/91, no artigo 28, inciso III e VII da Medida Provisória n° 446/2008 e no artigo 29, incisos II e IV da Lei n°. 12.101/09. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2004 a 2011, nos termos do artigo 32, § 1o da Lei n°. 12.101/2009. Item 3.4. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 INEXATIDÃO NO REGISTRO DE RECEITAS COM SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AO REQUISITO DISPOSTO NO ARTIGO 14, INCISO III DO CTN Verificamos que o HCAA ASSUMIU na Resposta de 18/05/2012 ter deixado de contabilizar em contas de resultado de receitas, a serem computadas na determinação do lucro operacional dos anos de 2007 e 2008, os depósitos bancários no montante de R$ 1.133.602,47, recebidos da PMSM como subvenção para o custeio de 22 profissionais médicos previstos no Convênio n°. 062, de 17/06/2007, e em seu Io Termo Aditivo, de 29/10/2007, em DESACORDO ao disposto no artigo 392, inciso I do RIR/99, no Parecer Normativo CST n°. 112/78, no Item 10.19.2.3 da NBC n°. T 10.19, aprovada pela Resolução CFC n°. 877/00, no artigo 14, inciso III do CTN, no artigo 55, inciso V da Lei n°. 8.212/91, no artigo 28, inciso VII da Medida Provisória n° 446/2008 e no artigo 29, inciso IV daLein0. 12.101/09. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2007 a 2008, nos termos do artigo 32, § 1o da Lei n°. 12.101/2009. Item 3.5. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 ALUGUEL DE TERRENO À EMPRESA ALT E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS I E II DO CTN O HCAA sempre SOUBE que o imóvel localizado à Rua Gaspar Martins, 1478 seria sublocado pela empresa ALT à empresa DE FRANCE, uma vez que a Cláusula 6a do contrato firmado em 06/03/2006 (fls. 2334 e 2335) estabelece que o imóvel a ser construído sobre o terreno locado poderia ser utilizado pelo locatário no comércio de REVENDA DE AUTOMÓVEIS, podendo o locatário SUBLOCAR o imóvel SEM consentimento prévio do HCAA. Entendemos que o HCAA possuía plenas condições de construir no imóvel atualmente ocupado pela empresa DE FRANCE as edificações necessárias para a prestação de serviços médicos voltados para a promoção, proteção e recuperação da saúde, os quais representam a sua FINALIDADE, disposta no artigo 3o de seu Estatuto Social (fls. 569 a 578). Entretanto, o HCAA optou por favorecer ENORMEMENTE seu ex Diretor Administrativo, tendo efetuado a locação de imóvel localizado em área NOBRE da cidade de Santa Maria RS à empresa ALT, pelo valor IRRISÓRIO de R$ 200,00, o que demonstra que o mesmo DESVIRTUOU o seu patrimônio, disposto no artigo 11 de seu Estatuto Fl. 6532DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Social (fls. 569 a 578), deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN para a manutenção de sua imunidade tributária, quais sejam: não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título (Redação dada pela Lei Complementar n°. 104, de 10/01/2001) (inciso I); aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais (inciso II), bem como deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 55, inciso V da Lei n°. 8.212/91, no artigo 28, inciso III da Medida Provisória n° 446/2008 e no artigo 29, inciso II da Lei n°. 12.101/09 para a manutenção da isenção à CPP, de que a EBAS aplicasse integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Além disso, o HCAA, ao ASSUMIR que deixou de registrar em conta de resultado de receita com aluguéis o montante de R$ 972,00 de aluguéis devidos pela empresa ALT no período de 04/2008 a 03/2009, de acordo com o Anexo 24, incorreu em DESACORDO ao disposto no artigo 14, inciso III do CTN, de que a EBAS, para assegurar sua imunidade tributária, deve manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2006 a 2011, nos termos do artigo 32, § 1o da Lei n°. 12.101/2009. Item 3.6. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 O ENVOLVIMENTO DO HCAA NO ÂMBITO DA OPERAÇÃO FARISEU E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS I E II DO CTN Em consonância com o entendimento da Polícia Federal exposto no RP/IPL n°. 389/2004 (fls. 24 a 106), verificamos que o HCAA, ao efetuar pagamentos no montante de R$ 168.000,00 pelos serviços prestados pelas empresas BM ASSESSORIA EM ADMINISTRAÇÃO e BM APOIO EM ADMINISTRAÇÃO no período de 22/06/2007 a 26/12/2011, os quais estão mais para serviços de LOBISTA do que para os serviços de consultoria previstos nos contratos de 13/06/2007 e 01/09/20 por utilizar parte de seus recursos em um esquema ILÍCITO para a obtenção FRAUDULENTA de renovações de seus CEBAS junto ao CNAS, o que implicou no DESVIRTUAMENTO de sua FINALIDADE, voltada para a PROMOÇÃO, proteção e recuperação da saúde, bem como no DESVIRTUAMENTO de seu PATRIMÔNIO, o qual deve ser aplicado INT ORALMENTE na MANUTENÇÃO e DESENVOLVIMENTO de seus objetivos institucionais, de acordo com o disposto nos artigos 2o, 3o e 11 de seu Estatuto Social (fls. 569 a 578). Além disso, o HCAA deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN para a manutenção de sua imunidade tributária, quais sejam: não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título (Redação dada pela Lei Complementar n°. 104, de 10/01/2001) (inciso I); aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais (inciso II), bem como deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 55, inciso V da Lei n°. 8.212/91, no artigo 28, inciso III e VIII da Medida Provisória n° 446/2008 e no artigo 29, incisos II e V da Lei n°. 12.101/09 para a manutenção da isenção à CPP, de que a EBAS aplicasse integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais e não distribuísse resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto. Fl. 6533DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.530 9 Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2007 a 2011, nos termos do artigo 32, § Io da Lei n°. 12.101/2009. Item 3.7. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 A REMUNERAÇÃO DO EXDIRETOR EXECUTIVO ALFREDO LONGHI E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS I E II DO CTN Para o gozo da imunidade, as instituições de assistência social, tais como o HCAA, estão obrigadas a atender os requisitos dispostos no artigo 12, § 2o da Lei n°. 9.532, de 10/12/1997, sendo que a alínea "a" dispõe quanto à NÃO remuneração, por qualquer forma, de seus DIRIGENTES pelos serviços prestados. A restrição à remuneração de dirigente das entidades imunes disposta no artigo 12, § 2o, alínea "a" da Lei n°. 9.532/97 não constava do CTN. Entretanto, o descumprimento de tal requisito pode ser considerado como uma distribuição disfarçada de lucros, em afronta ao disposto no artigo 14, inciso I do CTN. Ademais, o artigo 55, inciso IV da Lei n°. 8.212/91 dispõe que para usufruir a isenção da CPP, os DIRETORES, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da EBAS NÃO podem ser remunerados e NÃO podem usufruir vantagens ou benefícios a qualquer título. Sendo assim, verificamos que o HCAA incorreu em DESACORDO ao disposto no artigo 4°, § 3o da IN/SRF n° 113/98, no artigo 14, inciso I do CTN e no artigo 55, inciso IV da Lei n°. 8.212/91. Adicionalmente, o HCAA contabilizou a débito da conta de resultado "Viagens e Ajuda de Custo" (códigos 3104003 e 4020203019), do grupo "Despesas Administrativas" (código 3104) e da conta de resultado "Reclamatória Trabalhista" (código 4020102010), do grupo "Despesas com Pessoal" (código 40201), os montantes de R$ 3.154,35 e R$ 13.000,00, no total de R$ 16.154,35 de despesas E NECESSÁRIAS com o Sr. ALFREDO LONGHI no período de 25/09/2009 a 23/08/2011, em DESACORDO ao disposto no artigo 14, incisos I e II do CTN e no artigo 55, inciso Vda eir. 8.212/91. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2004 a 2011, nos termos do artigo 32, § Io da Lei n°. 12.101/2009." (negritos originais, sublinhados nossos) Consta explicitamente do Relatório Fiscal (fls 5441), que os créditos tributários foram apurados nas folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte, GFIP's entregues no código 639, na qual constava somente as contribuições descontadas dos segurados e das remunerações declaradas em RAIS. Informa ainda a autoridade Fiscal que procedeu o lançamento, por tipo de levantamento, a saber (fls. 5440): "Os fatos geradores de contribuição previdenciária apurados no desenvolvimento da auditoria fiscal, foram classificados por Tipo de Levantamento, levandose em consideração o período ao qual ocorre o tipo de multa menos severa, e conjugados ainda com a natureza da Fl. 6534DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 contribuição a ser apurada, de modo a emitir autos de infração distintos em: a) contribuição da empresa, inclusive RAT para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (antigo seguro acidente do trabalho) e adicionais por exposição a agentes nocivos, e ainda, b) contribuição da empresa devida a outras entidades (Terceiros), conforme segue: LEVANTAMENTO A Remuneração de Segurado Empregado e contribuinte individual para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre a remuneração do segurado "Empregado" e do contribuinte individual, relativamente ao período 01/2007 a 11/2008, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal (FPAS 515). LEVANTAMENTO A2 Remuneração de Segurado Empregado e contribuinte individual para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocaD ii dente sobre a remuneração do segurado "Empregado" e do contribuinte individual, rela vãmente ao período 12/2008 a 12/2011, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal (FPAS 515). LEVANTAMENTO B Remuneração de Segurado Empregado exposto a agentes nocivos para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP incidente sobre a remuneração do segurado "Empregado", relativamente ao período 01/2007 a 11/2008, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal. (FPAS 515). LEVANTAMENTO B2 Remuneração de Segurado Empregado exposto a agentes nocivos para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP incidente sobre a remuneração do segurado "Empregado", relativamente ao período 12/2008 a 12/2011, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal. (FPAS 515). LEVANTAMENTO C Remuneração de Segurado empregado localizado em obras de construção civil para apuração das contribuições incidente sobre a remuneração do segurado "empregado", cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP, relativamente ao período 01/2007 a 11/2008, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal. (FPAS 507). LEVANTAMENTO C2 Remuneração de Segurado empregado localizado em obras de construção civil para apuração das contribuições incidente sobre a remuneração do segurado "empregado", cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP, relativamente ao período 12/2008 a 12/2011, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal. (FPAS 507). O contribuinte teve ciência pessoal do lançamento tributário, relativo às competências 01/2007 a 12/2011, em 26 de dezembro de 2012, conforme se verifica no TEAF de efolhas 6259. Inconformado, apresentou tempestivamente, em 27 de janeiro de 2013, impugnação (efls .6267). Fl. 6535DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.531 11 A 7ªTurma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu o acórdão 1042.968 (fls 6290), pela qual manteve na íntegra o lançamento tributário. A decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. O direito à isenção das contribuições sociais, previsto no art. 195, § 7º da Constituição Federal está condicionado, ao cumprimento cumulativo dos requisitos exigidos pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 e artigo 28 da Medida Provisória nº. 446/2008, sendo que o não atendimento a qualquer de tais requisitos autoriza a suspensão da isenção e o lançamento dos créditos tributários, no período correspondente. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas, em matéria decadencial, aos prazos estabelecidos Código Tributário Nacional, contados da ocorrência do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme tenha havido, ou não, antecipação de pagamento parcial, respectivamente. Em relação às multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, o prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, haja vista a impossibilidade de antecipação do pagamento da exigência quando da ocorrência da infração. MULTA. RETROATIVIDADE A aplicação da multa obedece a legislação de regência, retroagindo a lei posterior somente no caso de ser mais benéfica para o contribuinte. Impugnação Improcedente" Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 04 de abril de 2013 (AR de fls. 6319), o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls 6326), em 06 de maio de 2013, tempestivamente portanto. Fl. 6536DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Na peça recursal, manifesta sua inconformidade, repetindo os argumentos da impugnação e requer a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e insubsistentes os lançamentos. São, resumidamente, seus argumentos: Nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa da Recorrente, uma vez que antecipouse ao julgamento do processo matriz, no qual se discute especificamente a insubsistência da cassação da imunidade ; é entidade beneficente de assistência social e de promoção e recuperação da saúde, mantendo e renovando seu CEBAS há 41 anos e Declaração de Utilidade Pública Federal há 44 anos e Registro no CNAS desde 1951, não tendo fins lucrativos há 109 anos. Por tudo isso goza de imunidade tributária referente aos impostos nos termos do artigo 150, VI, "c", da Constituição Federal ; goza também da isenção das contribuições previdenciárias nos termos do artigo 195, § 7º, da Carta Magna, nos termos da jurisprudência uniforme do STF; cumpre os requisitos cumulativamente do artigo 14 do CTN e os da Lei de Custeio da Previdência (artigo 55) e os previstos no artigo 29 da Lei nº 12.101/09; comprovou, periodicamente, o atendimento aos requisitos legais com a apresentação do Relatório Anual de Atividades, Balanços e demais demonstrativos contábeis, sendo ainda mais completos os entregues à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria requer a nulidade de primeira instância em razão do descumprimento dos §§ 9º e 10º do artigo 32 da Lei º 9.430/96 que estabelece que "as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente"; que a suspensão da imunidade é ilegal, por pretensa inobservância das disposições do artigo 14 do CTN. Porém a suspensão da imunidade resultou da publicação do Ato Declaratório Executivo DRF/STM nº 29 de 10/09/12, contra o qual foi interposta contestação, ainda não julgada. que segundo a Lei nº 12.101/09, a constatação do descumprimento dos requisitos para o gozo deve ser precedida de representação da RFB ao Ministério da Saúde, e somente após o cancelamento da certificação pelo Ministério é estarão cumpridos os requisitos para o lançamento tributário. que todos os fatos que levaram à suspensão da imunidade foram refutados e nenhum deles é suficientemente forte ou verdadeiro para sustentar a decretação da suspensão da imunidade; após atacar os pontos que embasaram a suspensão da isenção (fls 6339/6341), alega decadência parcial do lançamento relativa ao período de 01 a 12 de 2007, em face da contagem do prazo decadencial das contribuições previdenciárias estar prevista no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN; Fl. 6537DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.532 13 apontou equívocos na exigência fiscal, em especial quanto à multa aplicável pois o § 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91 foi revogado pela MP nº 449/08, cabendo somente a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96 O recurso vem a ser conhecido pela 1ª Turma da 3ª Câmara desta 2ª Seção, que, em sessão de 10 de março de 2015, por meio da Resolução 2301000.526, converte o julgamento em diligência para que se anexe cópia do Relatório Fiscal do processo 11060.722784/201284 e cópias das decisões sobre o ADE nº 29/12. Tais peças foram anexadas, dentre elas destacamos a decisão consubstanciada no Acórdão 1202001.201, de 24 de setembro de 2014, prolatado pela 2ª TO da 2ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, abaixo ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007 IRPJ. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. Caracterizado o descumprimento de requisito previsto no CTN, art. 14, inciso III, suspendese a imunidade ao IRPJ, prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. O prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador somente nos casos em que, cumulativamente, (a) o contribuinte efetuar pagamento antecipado do respectivo crédito tributário e (b) não estiverem presentes as hipóteses de dolo, fraude e simulação. MULTA. QUALIFICAÇÃO. Não havendo sólidos e inquestionáveis elementos comprobatórios da ocorrência de específica atitude dolosa fraudulenta, retirase a qualificadora de multa de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CSLL, PIS E CO FINS. ISENÇÃO. DESATENDIMENTO DE REQUISITOS. RITO APLICÁVEL. Constatado que a entidade não atendeu aos requisitos para gozo de isenção, a fiscalização relatará os fatos que demonstram o não atendimento e lavrará o auto de infração ao período correspondente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ IRPJ E CSLL. LUCRO REAL. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO DO LALUR. Não tendo o sujeito passivo apresentado Lalur, descabe a apuração de resultados com base no lucro real. Fl. 6538DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO LUCRO REAL. REGIME NÃOCUMULATIVO.INAPLICABILIDADE. A aplicabilidade do regime nãocumulativo é condicionada à apuração do IRPJ com base no lucro real. HOSPITAIS E OUTROS ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. Os hospitais, prontos socorros, clínicas médicas, odontológicas, de fisioterapia e de fonoaudiologia, e os laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, estão sujeitos à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a totalidade das receitas auferidas, mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), respectivamente, sendo vedado a essas entidades a segregação, na receita bruta, do valor correspondente aos produtos relacionados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, utilizados como insumos na prestação de seus serviços, bem como a aplicação de alíquotas zero das referidas contribuições sobre parcelas da receita bruta relativa dos mencionados produtos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS HOSPITAIS E OUTROS ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. Os hospitais, prontos socorros, clínicas médicas, odontológicas, de fisioterapia e de fonoaudiologia, e os laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, estão sujeitos à incidência cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a totalidade das receitas auferidas , mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento),respectivamente, sendo vedado a essas entidades a segregação, na receita bruta, do valor correspondente aos produtos relacionados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, utilizados como insumos na prestação de seus serviços, bem como a aplicação de alíquotas zero das referidas contribuições sobre parcelas da receita bruta relativa dos mencionados produtos." Cientificado do cumprimento da diligência e da juntada dos documentos, o Recorrente se manifesta, tempestivamente, reiterando os argumentos de seu recurso e requerendo a nulidade da decisão de primeira instância e o enfrentamento do presente Recurso após a decisão do processo principal. É o relatório do necessário. Voto Vencido Fl. 6539DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.533 15 Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, como se verifica inclusive da Resolução prolatada pela 1ª Turma da 3ª Câmara, e portanto passo à apreciação. Tratase de retorno de diligência na qual foi solicitado a juntada das decisões de primeiro e segundo graus administrativo relativo ao processo de suspensão da imunidade tributária da Entidade Recorrente. Tais decisões, cujas ementas transcreveuse no relatório acima, mantiveram a suspensão decidida pela DRF Santa Maria/RS. Cumprida a diligência requerida e devidamente cientificada a Recorrente, analisemos o Recurso Voluntário na ordem da apresentação das alegações. DA ENTIDADE RECORRENTE IMUNE DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A Recorrente reitera sua condição de entidade imune de contribuições sociais. Alega que tal condição decorre da manutenção e renovação contínuas de CEBAS e Declaração de Utilidade Pública Federal, além de registro no CNAS. Alega também que tal condição decorre do cumprimento do requisito da apresentação do Relatório Anual de Atividades, Balanços e demais demonstrativos contábeis à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria. Não obstante as alegações, entendo serem os requisitos mencionados, por si só, insuficientes. Além de cumprilos, as entidades para fruírem a imunidade prevista no artigo 150, VI, 'c', e aquela que mais nos interessa no caso concreto, a do artigo 195, § 7º, ambos da Carta Magna, devem cumprir os requisitos legais. É justamente a verificação desse cumprimento, ou descumprimento segundo a Fiscalização, sobre a qual versa o lançamento tributário vergastado. Tais argumentos já foram enfrentados no processo principal (11060.722784/201284), julgado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, cujo excerto abaixo foi retirado do voto condutor da decisão (fls 6475), em face de minha total concordância com as razões de decidir apresentadas: "Tais certificações, todavia, no entender desta relatoria, por si só não são absolutas para garantir os benefícios fiscais em tela, uma vez que a legislação de regência, especialmente a Lei nº 9.532/97, art. 12, a Lei nº 9.430/96, art. 32, a Lei nº 8.212/91, art. 55 e a Lei nº 12.101/2009, art. 29, autorizam a fiscalização a provar eventual descumprimento dos requisitos exigidos para a fruição dos benefícios de imunidade/isenção e, se for o caso, a decretação de seu cancelamento e a constituição das exigências fiscais pertinentes. Diante disso, salvo melhor juízo, as certificações exibidas não vedam o procedimento fiscal instaurado." (negritamos) Fl. 6540DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 16 Nesse sentido, não havendo, nesse ponto, nenhum fato provado pelo contribuinte que contrarie as alegações da Fiscalização, entendo não caber razão ao Recorrente, nesse ponto. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR CERCEAMENTO DE DEFESA Alega a Recorrente ao pleitear a nulidade da decisão de primeira instância: "Conforme previsto nos §§ 9o e 10 do art. 32 da Lei n° 9.430/96, que estabelece procedimentos nos casos de suspensão de imunidade/isenção, "as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente". Também, o § 1o do art. 9o do Decreto n° 70.235/72 sugere que os lançamentos formalizados contra o mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos pretensos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, podem ser objeto de um único processo. Evidentemente, no caso, não é essencial que os Autos de Infração sejam inseridos em um único processo. O que se questiona aqui é a realização do julgamento de processo decorrente antes do julgamento do processo principal. Embora não haja previsão legal direta acerca da possibilidade de sobrestamento do processo administrativo, no caso, por não serem mutuamente excludentes as tramitações do processo matriz com o processo decorrente, por questão de lógica e coerência o processo decorrente deve aguardar o julgamento do processo matriz. Afinal, o decidido no lançamento principal também deve ser estendido ao processo decorrente em vista da estreita correlação de causa e efeito entre eles existente" Como bem mencionado pelo Recorrente, tanto a Lei nº 9.430/96 quanto o Decreto 70.235/72 não são peremptórios quanto a formalização em um mesmo processo, indicando um procedimento que por vezes, no interesse da Administração Tributária, pode não se realizar. Tal interesse deve ser observado, sempre na confluência entre os princípios que regem o processo administrativo tributário dentre os quais o contraditório e a ampla defesa quando há motivo determinante para tal exceção. É o que observo no caso em concreto. O julgamento administrativo, no mais das vezes, é realizado por câmaras especializadas em cada tributo administrado pela Receita Federal do Brasil. Com tal especialização, além da óbvia qualidade do julgamento, obtémse maior produtividade e portanto menor tempo de duração do processo até seu trânsito em definitivo. Mister realçar que tal especialização não ocorre somente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais como também nas turmas das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Com essa motivação e com a certeza da inexistência de prejuízo ao contribuinte em face da total possibilidade de defesa constatável pelos conteúdos das impugnações e recursos apresentados e da garantia do contraditório, não observou nenhum dos requisitos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 que trata das nulidades no processo administrativo. Fl. 6541DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.534 17 Mister não olvidar que o julgamento do processo principal já tramitou pela duas instâncias, tendo sido reconhecida a procedência da suspensão determinada. Tal processo se encontra, na presente data, aguardando julgamento de Recurso Especial da Fazenda Nacional, somente quanto à forma de apuração do lucro real e à multa qualificada, pela egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário nessa parte. DA ILEGAL SUSPENSÃO DA IMUNIDADE No entender da Recorrente a suspensão da imunidade quanto às contribuições previdenciárias contrariou as disposições da Lei 12.101/2009, pois tal suspensão deve ser precedida por representação da RFB ao Ministério da Saúde. Não se pode concordar com tal argumentação. O artigo 32 da Lei 12.101/2009 é de claríssima redação e determina que constatado o descumprimento dos requisitos, a fiscalização deve lavrar o auto de infração correspondente, cabendo à entidade o direito ao contraditório nos termos do processo administrativo fiscal. Vejamos a letra da lei: "Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente." (destaques nossos) Os ditames legais foram estritamente seguidos no caso em tela. Houve a fiscalização, precedida pela expedição de Ato Declaratório Executivo que determinou a suspensão da imunidade e consequente lavratura dos autos de infração cabíveis, tudo consoante se observa no relatório acima produzido. O devido processo administrativo fiscal segue o rito determinado pelo Decreto nº 70.235/72. Por essas razões não se pode concordar com a ilegalidade arguída nesse ponto. Passando as questões de mérito que motivaram a suspensão da isenção, ou seja o descumprimento dos requisitos apontados pela Fiscalização, a Recorrente os recorda, sinteticamente, em seu recurso (fls 6337): Fl. 6542DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 18 "a) Importação dos equipamentos médicos cedidos a empresas terceirizadas e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN b)Terceirização dos serviços médicos e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN; c)Desvirtuamento do conceito de gratuidade e inexatidão no registro de despesas com gratuidades e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos II e III do CTN; d)Inexatidão no registro de receitas com subvenções para custeio e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, inciso III do CTN; e)Aluguel de terreno à empresa ALT e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN; f)Envolvimento do HCAA no âmbito da operação Fariseu e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e I I d o CTN; g)Remuneração do exDiretor Executivo Alfredo Longhi e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN." Passando a combatêlos, individualmente e na ordem apresentada, argumenta (fls 6339): "Nesse panorama, defendendo seu legítimo direito à imunidade tributária, o HCAA alegou, quanto à acusação da letra "a", acima referida, que a utilização de equipamentos médicos importados é matéria que está sendo discutida perante o Poder Judiciário, razão pela qual descabe seu exame na via administrativa Ademais, a terceirização de serviços é um moderno .mecanismo que propicia a eficiência administrativa e econômica, não admitindo o enquadramento, ainda mais quando desacompanhada de uma mínima análise de seus resultados, nas disposições dos incisos I e II do art. 14 do CTN, isto é, como procedimento vedado às entidades que fruem de imunidade tributária. Por outro lado, se o desenvolvimento do serviço prestado pelo Hospital exige equipamentos importados, e se estes contribuem no tratamento de pessoas carentes, tais compras devem ser incentivadas, tudo em prol do atendimento eficiente e eficaz. Afinal, o que deve ser combatido é o desequilíbrio entre inversões com atendimento a carentes e os benefícios fiscais fruídos em vista da isenção, e não a modernização dos equipamentos e o aperfeiçoamento dos métodos de atendimento. Quanto ao argumento fiscal de "terceirização dos serviços médicos" ("b"), o Impugnante já argumentou (fls. 5315 / Fl. 6543DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.535 19 5316), o que ora se reafirma, que tal terceirização visa a objetivos essenciais ao bom atendimento do HCAA, como, por exemplo, a oferta de serviços de alta complexidade e tecnologia a um custo mais reduzido. Também, defendeu que a terceirização dos serviços não retira o caráter de filantropia, nos termos dos preceitos constitucionais e da legislação em vigor. Por fim, relatou que não existe absolutamente nenhuma prova ou mesmo qualquer indício de que o ora Recorrente distribuiu parcela de seu patrimônio ou renda, a qualquer título, ou de que não aplicou integralmente no país seus recursos para manutenção dos objetivos institucionais." (destaques nossos) Em que pese a estranheza do investimento realizado para que outrem opere as instalações e equipamentos do contratante, vez que a terceirização dos serviços em regra é realizada para minimizar custos do contratante, entregando à prestadora de serviços toda a responsabilidade do fazer, restando ao tomador a única responsabilidade de pagar, não há nos autos a comprovação de que houve distribuição de patrimônio ou renda da Recorrente às empresas prestadoras. Nesse sentido, não se pode concordar sem conteúdo probatório robusto trazidos ao autos com os argumentos da fiscalização quanto ao desvirtuamento do PATRIMÔNIO ou RENDA da Recorrente quando da terceirização. Haveria desvirtuamento do patrimônio se os equipamentos adquiridos fossem cedidos ou transferidos a terceiros, afastando aquele que tem a propriedade de tal patrimônio de seu uso e gozo. A terceirização como se pode inferir dos autos, se dá nos estabelecimentos do Contribuinte (cuja construção, aliás, é tida como desvirtuamento de finalidade pela Autoridade Fiscal), e mais, os serviços são prestados no interesse da Entidade, serviços de saúde, com o uso desses equipamentos, sem os quais, por óbvio, os serviços não poderiam ser realizados. Nesse sentido, vejo uso e gozo pela Recorrente, claro que por intermédio do prestador de serviço. Quanto à transferência de renda, esta só se pode asseverar, se a margem de lucro do Hospital, for muito inferior aquela que ele obteria se ele mesmo realizasse os serviços. Veja que tal afirmação depende de uma análise tanto nos custos da tomadora de serviços quanto na prestadora de serviços, ainda mais ao se recordar que tal análise demandaria ainda a observação dos custos de imobilização nos quais a Recorrente incidiu. Nada disso foi juntado aos autos pelo Fisco, o que, por ser ponto fundante de suas alegações, ou seja, ponto constitutivo de seu direito, deveria ser provado pelo Auditor Fiscal. Mister ressaltar que tal entendimento é o mesmo constante do voto do Acórdão 1202001.201, prolatado pela 2ª TO da 2ª Câmara desta 2ª Seção, que manteve a suspensão da isenção: "Nesse panorama, se analisada a arguição da recorrente, deve se reconhecer que a terceirização de serviços é legal, admitida inclusive por instituições imunes, e até sugerida no âmbito administrativo, conforme conclusões emanadas do XIV Fl. 6544DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 20 Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, reproduzidas no recurso voluntário: “Para que os hospitais filantrópicos não tenham problemas trabalhistas com seus médicos é melhor que tentem a contratação dos profissionais através de empresas jurídicas, como clínicas, pois assim em vez de se contratar o médico, contratase a clínica e a vinculação se torna civil e não trabalhista”. Por outro lado, caso fosse efetiva a acusação da fiscalização, de que as terceirizadas estariam se beneficiando com lucros exorbitantes, estaria superada a argumentação da recorrente. Porém, embora fossem apontados, isoladamente, muitos números, não há provas efetivas de que os contratos, nesse aspecto, favoreciam as terceiras empresas. E não há como negar o peso que a fiscalização e o acórdão recorrido, atribuíram à questão. Isso pode ser observado, por exemplo, pelo entendimento descrito na parte em que o voto a quo justificou a manutenção da multa qualificada, cuja fraude estaria espelhada, principalmente, na terceirização. Diz o voto condutor: “Dos fatos de que fiscalização lançou mão para qualificar a multa, o que mais chama a atenção é ter o interessado aplicado uma vultosa parcela de seu patrimônio à formação de estruturas destinadas à prestação de serviços médicos. Adicionalmente, dotoua de pessoal próprio. No entanto, apesar de todo esse esforço, em vez de explorar diretamente essas estruturas – repito, criadas com recursos e pessoal próprios , cedeu seu uso a terceiros, cessão essa que redundou na obtenção de alguma receita por parte do interessado, porém em um valor muito inferior ao volume de receitas obtidas pelos terceirizados exploradores. A meu ver, esse tipo de operação é, como diz a fiscalização, fraudulento, na medida em que serviu para uma disfarçada distribuição para terceiros de resultados do interessado”. (...) Ante essas considerações, especialmente por imprecisos os números, por pertenceram à entidade as estruturas e por legais os procedimentos de terceirização dos serviços relatados, não há como declarar infringidos, pelos aspectos em tela, os incisos I e II do art. 14 da Lei nº 5.172/66 (CTN)." (destacamos) Por todo o exposto, não se verifica a motivação da suspensão da isenção quanto a estes pontos, isto é a cessão de equipamentos médicos importados e a terceirização dos serviços médicos. Passando ao item 'c' das alegações da Recorrente, que versa sobre "o desvirtuamento do conceito de gratuidade e inexatidão do registro de despesas com gratuidade", além da afirmação da Entidade que superou as gratuidades legalmente exigidas, encontramos os seguintes argumentos(fls 6340): "Nesse passo, a Defesa aponta ainda regulamentação atual, trazida na esteira da Lei n° 12.101/2009, destacando a Portaria Fl. 6545DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.536 21 "M/MS n° 1.970/2011 (Ministério da Saúde), específica para as entidades de saúde, que introduziu "regras mais amenas ao cumprimento dos procedimentos de Certificação (CEBAS) e ao alcance da desoneração de Contribuições Sociais" (fl. 5320). Inclusive, conforme já arguido, quanto à prestação de gratuidades, essas regras mais amenas estão sendo aplicadas "com efeito retroativo pelo Ministério da Saúde (assim como pelo MEC e MDS) nos exames dos processos anteriores a 2009" (fl. 5321)." Nesse ponto não podemos dar razão à Recorrente. Segundo, consta do Relatório Fiscal (fls 5437), houve "transferências de inadimplências e de custos gerais de internação para as contas de resultado de despesas com gratuidades, bem como ao se considerar atendimento para pacientes particulares que não podem ser considerados como pessoas carentes e serviços médicos prestados por empresas terceirizadas como despesas de gratuidade" sendo que tais lançamentos constam do anexo 21 do Relatório Fiscal do processo principal. Ora, a Recorrente não se contrapõe, faticamente, contra tais lançamentos, se limitando a argumentar que cumpriu os limites de gratuidade com sobras e que o Ministério da Saúde relativizou as regras quanto às prestações de gratuidades. Não há comprovação de fato modificativo ou impeditivo da alegações fiscais. A Recorrente incide no mesmo erro das alegações não comprovadas quanto a imputação fiscal, ao se insurgir contra a "inexatidão no registro de receitas com subvenção para custeio". Vejamos suas alegações (mesma fls 6340): "Já quanto ao item "d" ("inexatidão no registro de receitas com subvenções para custeio"), o HCAA alegou que a inocorrência de registro desses valores em Receita não fez base de cálculo à gratuidade em nenhum exercício. Ainda assim, reconheceu que pode ter havido equívoco procedimental em relação à escolha do grupo contábil para registro, sendo utilizadas contas de passivo e não de resultado. Entretanto, salientou que, mesmo com o recalculo de gratuidades (fl. 5327), o HCAA teve aplicações em gratuidade superior ao exigido na legislação competente." Aqui impende ressaltar que a própria Recorrente reconhece a omissão quanto ao reconhecimento da receita da subvenção, o que torna a questão incontroversa e patente o descumprimento da legislação, em especial quanto ao disposto. A escrituração contábil e regular, e portanto exata, é ponto crucial para a fruição das isenções tributárias. Somente com tal metodologia, pode a Administração Tributária verificar o cumprimento dos ditames legais para o gozo da vantagem fiscal. Toda a legislação de regência sobre o tema exige da entidade isenta, com rigor, tal procedimento. Tanto assim o é que a Lei nº 8.212/91, 12.101/09 e o próprio CTN, fixandonos somente na legislação que nos afeta mais diretamente, contém tal disposição. Não obstante, não se pode acatar a alegação de que, mesmo ao se recalcular a receita, houve o atingimento do mínimo legal de gratuidade a ser ofertado pela entidade, um vez que o próprio cálculo das gratuidades ofertadas deve ser revisto consoante nosso entendimento exarado no ponto anterior do voto. Fl. 6546DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 22 Ao não apresentálo, e por isso têlo desconsiderado, não se pode concordar com sua utilização para validar o presente tópico. Logo, se verifica o descumprimento do presente requisito, consubstanciado no item 'd' acima. Quanto ao aluguel do terreno à empresa ALT, item 'e' acima, a Recorrente alega ser o negócio lícito e sem vedação legal em face dos efeitos econômicos ocorridos, com geração de receita aplicada no seu desiderato estatutário. Porém entendo que tal locação contém ilegalidade flagrante, posto que firmada com empresa de seu diretor. Vejamos as alegações fiscais: "O HCAA sempre SOUBE que o imóvel localizado à Rua Gaspar Martins, 1478 seria sublocado pela empresa ALT à empresa DE FRANCE, uma vez que a Cláusula 6a do contrato firmado em 06/03/2006 (fls. 2334 e 2335) estabelece que o imóvel a ser construído sobre o terreno locado poderia ser utilizado pelo locatário no comércio de REVENDA DE AUTOMÓVEIS, podendo o locatário SUBLOCAR o imóvel SEM consentimento prévio do HCAA. Entendemos que o HCAA possuía plenas condições de construir no imóvel atualmente ocupado pela empresa DE FRANCE as edificações necessárias para a prestação de serviços médicos voltados para a promoção, proteção e recuperação da saúde, os quais representam a sua FINALIDADE, disposta no artigo 3º de seu Estatuto Social (fls. 569 a 578). Entretanto, o HCAA optou por favorecer ENORMEMENTE seu exDiretor Administrativo, tendo efetuado a locação de imóvel localizado em área NOBRE da cidade de Santa Maria RS à empresa ALT, pelo valor IRRISÓRIO de R$ 200,00, o que demonstra que o mesmo DESVIRTUOU o seu patrimônio, disposto no artigo 11 de seu Estatuto Social (fls. 569 a 578), deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN para a manutenção de sua imunidade tributária, quais sejam: não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título (Redação dada pela Lei Complementar n°. 104, de 10/01/2001) (inciso I); aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais (inciso II), bem como deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 55, inciso V da Lei n°.8.212/91 e no artigo 29, inciso II da Lei n°. 12.101/09 para a manutenção da isenção à CPP, de que a EBAS aplicasse integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Além disso, o HCAA, ao ASSUMIR que deixou de registrar em conta de resultado de receita com aluguéis o montante de R$ 972,00 de aluguéis devidos pela empresa ALT no período de 04/2008 a 03/2009, de acordo com o Anexo 24 ao Relatório de Fiscalização (fls. 5072 a 5308), incorreu em DESACORDO ao disposto no artigo 14, inciso III do CTN, de que a EBAS, para assegurar sua imunidade tributária, deve manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão" Fl. 6547DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.537 23 Entendo que o negócio em si, a locação por valor inferior ao do mercado, pode sim, em face da incorporação da construção ao patrimônio da Recorrente, ser viável e não constituir desvio de finalidade pela Entidade. Porém, vejo, no caso, ofensa à prescrição constante do artigo 55, inciso IV da Lei 8.212/91 e do inciso I do artigo 29 da Lei nº 12.101/09, consubstanciada na proibição de percepção por parte dos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores de remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título. Clara a vantagem ou benefício concedido. Patente o descumprimento de requisito legal para o gozo de isenção mencionado no item 'e', em razão da oferta de vantagem indevida ao seu diretor. Analisemos agora a questão do envolvimento do HCAA no âmbito da operação Fariseu da Polícia Federal. Por conta do acerto da conclusões e do detalhamento das razões de decidir e ainda, por ter este julgador o mesmo entendimento, reproduzo nesse ponto com a devida licença os termos do voto constante do acórdão 1202001.201 (fls 6483): "Envolvimento do HCAA do Âmbito da Operação Fariseu A operação Fariseu é a denominação de uma operação da Polícia Federal, que identificou procedimentos relacionados a agentes, principalmente advogados, que operavam no Conselho Nacional de Assistência Social no sentido de ver aprovados os pleitos de seus clientes perante aquele Conselho. Evidentemente, como qualquer entidade imune, também a recorrente mantinha processos de seu interesse que tramitavam naquele órgão administrativo. Nesse contexto, a fiscalização, fundada em processos administrativos e judiciais instaurados pela operação Fariseu ou conexos a esta, colheu páginas de denúncias contra terceiros, dos quais extraiu conclusões que justificariam infrações imputáveis ao HCAA, fortes o suficiente para caracterizarem infrações ao disposto nos incisos I e II do art. 14 do CTN. Em sua defesa prévia, o HCAA refutou as acusações, sintetizadas no parágrafo ora transcrito: “Com efeito, a insinuosa conclusão desta auditoria fiscal de que teria o HCAA utilizado parte de seus recursos em um esquema ilícito para a obtenção fraudulenta de renovações de seus CEBAS junto ao CNAS, é açodada e flagrantemente desrespeitosa à própria Justiça, que nada concluiu sobre as pífias denúncias do IPL 389/2008. Isso porque, além de não ter havido indiciamento das pessoas referidas nas mencionadas degravações telefônicas, muito menos de qualquer membro da direção do HCAA, em face do que ali constou, não houve, igualmente, denúncia penal em relação a estes fatos” (fl. 6110). Em outra parte a fiscalizada conclui: Fl. 6548DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 24 “A fiscalização não pode se sobrepor ao exame de questões fáticas probatórias submetidas ao Judiciário, tanto na esfera civil como criminal. Até porque, não há julgamento definitivo em tais ações, pelo contrário, a Ação Civil Pública seque teve juízo de valor sobre o seu recebimento, enquanto que a ação penal está apenas na fase de instrução e julgamento” (fl. 6111). De fato, compulsando o amplo relatório fiscal (fls. 5072 a 5308), não ficou comprovado, nas explanações em pauta, o envolvimento efetivo do HCAA ou de seus diretores nas denúncias formuladas. Nesse panorama, as alusões fiscais a pretensos ilícitos não podem ser tidas como caracterizadoras de ilegalidades capazes de sustentar a suspensão da imunidade/isenção do HCAA." (destaques nossos) Por concordamos em tudo e por tudo com o voto do Conselheiro Relator, não vemos motivos nesse ponto que ensejem a suspensão da isenção da Recorrente. Por fim, caminhando para o item 'g', remuneração do ExDiretor Alfredo Longhi, consta do recurso voluntário as seguintes alegações: "Por fim, quanto ao item (g) "remuneração do exDiretor Executivo Alfredo Longhi", refere o ora Recorrente (fl. 5332) que o Sr. Alfredo Longhi ingressou no HCAA como Diretor Administrativo empregado, depois contratado na sua pessoa jurídica ALT Assessoria e Consultoria de Empresas Ltda. Portanto, jamais o mencionado empregado exerceu a função de dirigente estatutário a quem se direciona a vedação remuneratória de que trata o art. 3o, VIII, do Decreto n° 2.536/98. Esse direcionamento específico também consta na Lei n° 12.101/2009 (art. 29, inc. I) que veda remuneração de Diretores "em razão das competências, funções ou atividades que sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos" (sublinhamos). Idêntica redação foi assumida pelo Decreto regulamentador dessa nova Lei Decreto n° 7.237/2010 em seu art. 40, inc.l. Este elenco normativo repete ipsis litteris a regra vedatória de remuneração do citado art. 3o, VIII do Decreto n° 2.536/98, vigente à época." Embora o entendimento deste julgador seja pela impossibilidade de remuneração de quaisquer diretores da entidades que usufruem das imunidades condicionais postas pela Carta Magna, é inegável o movimento do legislador pátrio no sentido da profissionalização e consequente remuneração dos dirigentes das EBAS. Tal constatação decorre de simples leitura da legislação de regência, em especial da Lei 12.101/09, que teve a redação de seu inciso I do artigo 29 alterada pela Lei 12.868/13 e novamente pela Lei 13.151/15, ambas com interpretação mais alargada quanto à possibilidade da remuneração dos dirigentes das EBAS. Nesse sentido, entendo como cabível os argumentos do Recorrente nessa parte. CONCLUSÃO QUANTO AO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO Fl. 6549DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.538 25 Consoante se pode verificar da análise das alegações da Recorrente e dos requisitos constantes do Relatório Fiscal, houveram desconformidades na conduta da entidade que ensejam, por expressa disposição legal, a suspensão da fuição da isenção das contribuições sociais previdenciárias. Recordemos. Houve o descumprimento da comprovação das gratuidades exigidas por lei, uma vez que considerou como tal inadimplências e prestação de serviços de terceiros. Também foi constatado pela Fiscalização a ausência da escrituração como receita de subvenções . Descumpriuse, portanto, a exigência da manutenção de contabilidade regular e formal, e portanto exata. Tal conduta ofende não só o inciso III do artigo 14 do CTN como também o inciso IV do artigo 29 da Lei 12.101/09. Por outro lado, a entidade permitiu que seu diretor obtivesse nítida vantagem ao locar um terreno de sua propriedade para que a empresa deste diretor construísse um prédio e o sublocasse a terceiros, com óbvia vantagem financeira. Ao assim proceder, ofendeu as disposições do artigo 55, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e do inciso I do artigo 29 da Lei nº 12.101/09. Por todo o exposto, entendo não terem sido cumpridos os requisitos previstos no artigo 55 da Lei de Custeio da Previdência Social, vigente durante parte do período fiscalizado, tampouco os constantes do artigo 29 da Lei nº 12.101/09 que revogou o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, o que enseja a suspensão da isenção da contribuições sociais previdenciárias. Nego provimento ao recurso voluntário quanto à suspensão da isenção das contribuições previdenciárias. DA DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO A recorrente pleiteia a decadência dos créditos tributários constituídos relativos ao período de 01 a 11/2007 por força da aplicação da contagem do prazo decadencial com base no artigo 150, § 4º, do CTN, em razão dos pagamentos efetuados pela Recorrente. Segundo o entendimento consolidado pelo STJ, consubstanciado no recurso repetitivo REsp nº 973.333/SC, julgado 12/08/09, pela 1ª Seção com relatoria do Min. Luiz Fux, a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário nos lançamentos de ofício segue, como regra geral, o estabelecido no artigo 173, inciso I, do Códex Tributário. Excepcionase a regra geral quando houver pagamento antecipado do tributo objeto do lançamento tributário, mesmo que parcial. Ressaltese a ausência necessária da ocorrência de fraude, dolo ou simulação por parte do sujeito passivo, para a aplicação da regra excepcional. Com essas considerações, analisemos o pedido da Recorrente. Segundo consta do recurso, a Recorrente recolheu as contribuições previdenciárias devidas pelos seus funcionários e por ela retida, relativa a todo período Fl. 6550DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 26 fiscalizado. Esse é o fundamento de seu pedido para a aplicação da contagem do prazo decadencial pela regra esculpida no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, senão vejamos: "Destarte, por ausente dolo, fraude ou simulação, e por existentes recolhimentos da Contribuição Previdenciária, embora inexigível, na sistemática trilhada, a Contribuição Previdenciária Patronal, as exigências lançadas de ofício neste processo, referentes a fatos geradores anteriores a 27/12/2007, estavam extintos por homologados tacitamente (art. 156, inc. VII, do CTN) quando da notificação do lançamento, em 27/12/2012" (destaques não constam do recurso) Decerto que as contribuições previdenciárias vertidas aos cofres públicos pela Entidade se referem às contribuições devidas pelos segurados da Previdência Social. Tais contribuições encontramse previstas no artigo 195, inciso II da Constituição Federal. Já as contribuições previdenciárias devidas pelo empregador, empresa e seus equiparados, constam no mesmo artigo 195, porém no inciso I. Vejamos a redação da Carta: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício b) a receita ou o faturamento c) o lucro; II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201;" (negritamos) Nítida a diferença e óbvia a distinção. O contribuinte da quota do trabalhador é o próprio segurado da Previdência Social. Enquanto que a empresa, contribuinte da chamada quota patronal, é mera responsável pela retenção e recolhimento do tributo, nos termos da Lei de Custeio da Previdência Social, o que não exime o trabalhador do dever tributário, vez que é ele sem dúvida que arca com o ônus da exação. Logo, no caso em tela, não há que se falar em antecipação do pagamento, e portanto, não há o que se homologar quanto as contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente. Como ela bem reconhece em seu recurso voluntário, no trecho acima transcrito, no seu entender, à época dos fatos, havia isenção das contribuições previdenciárias patronais. Logo, nos termos da legislação aplicável, e com base no entendimento do STJ, de aplicação obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62 do RICARF, a Fl. 6551DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.539 27 contagem do prazo decadencial para o lançamento tributário em apreço deve ser realizada nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN em razão da ausência de pagamento antecipado, vez que se tratam de exigências tributárias distintas, embora com a mesma destinação constitucional, tal qual ocorre com as contribuições previdenciárias, PIS/Cofins e CSLL. Do exposto, nego provimento ao voluntário quanto a decadência parcial pleiteada. QUANTO À MULTA APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Alega a Recorrente, sobre as alterações da redação da Lei nº 8.212/91 pela Lei 11.941/09, que: "Todavia, independentemente de qualquer outra decisão, por si só, a multa não pode prosperar pelas razões a seguir arroladas: o dispositivo legal da multa aplicada art. 32, § 5o, foi revogado pela MP n° 449/2008 e pela Lei n° 11.941, de 2009; apesar das infrações autuadas não estarem situadas no tempo no Auto de Infração DEBCAD 37.302.1461 (fl. 5377), o que caracteriza nulidade por cerceamento de defesa (art. 59, inc. II, do Dec. n° 70.235/72), mas presumindo que estas correspondam a períodos anteriores à revogação referida em "a", ainda assim a multa lançada não pode ser mantida; a teor do art. 37 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, "constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento"; conjugando o exposto em "c" com o determinado pelo art. 35A da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, nos casos de lançamento de ofício somente cabe a multa de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ou seja, somente cabe a multa de ofício. Assim, ante a revogação do art. 32, § 5o, da Lei n° 11.941/2009, e considerando que a partir da vigência desta última somente é cabível a multa do art. 44 da Lei n° 9.430/96, que foi aplicada, não é exigível, retroativamente, sobre os mesmos fatos lançados de ofício, uma multa regulamentar que foi revogada" (negritamos) Abaixo reproduzimos o voto constante da decisão de primeira instância, com o qual concordamos pelos mesmos fundamentos jurídicos (fls. 6315) "Cumpre observar que a norma que rege a aplicação das penalidades é aquela vigente na época da prática da infração face ao assim disposto no Código Tributário Nacional: Fl. 6552DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 28 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Notese que a autoridade fiscal, em razão do disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN, procedeu a comparação entre a multa calculada conforme a legislação vigente na data da lavratura do auto de infração (após edição da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/5/2009) e a multa aplicável conforme o que previa a legislação quando da ocorrência dos fatos geradores, com vistas a aplicar a multa mais favorável ao contribuinte (fls. 6053/6054). Do resultado dessa comparação foram aplicadas nos Autos de Infração debcads nºs. 37.302.1461 e 37.302.1470 as multas previstas na legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, pois a lei posterior não beneficiou a contribuinte. Assim, nas competências de 01/2007 a 11/2008, foi aplicada no AI debcad nº. 37.302.1470, relativo a descumprimento de obrigação principal, a multa de mora prevista no art. 35, II, “a”, da Lei nº 8.212/91; e, no AI debcad nº. 37.302.1461, relativo a descumprimento de obrigação acessória, a multa prevista no § 5º do art. 32, da Lei nº 8.212/91, conforme demonstrativo Comparativo da Multa Aplicada anexo aos autos nas fls. 6053/6054. Não há, portanto, a alegada duplicidade de penalização, já que se tratam de fatos diversos. Em relação ao AI debcad nº. 37.302.1488, concernente ao lançamento de contribuições destinadas a outras entidade e fundos, a comparação, com vistas às aplicação da penalidade menos onerosa para o contribuinte, é feita somente entre a multa de 75%, estabelecida pela MP n.º 449/2008, e a multa de 24%, de que trata o artigo 35, inciso II, alínea “a”, da Lei n.º 8.212/91, haja vista que essas exações não são consideradas no cálculo da multa de que trata o artigo 32, inciso IV, e parágrafo 5.º, da Lei n.º 8.212/91, incluídos pela Lei n.º 9.528/97. (...) Nesse contexto, vêse que o procedimento adotado, relativamente a aplicação da multa, se deu em obediência ao disposto no art. 476A da Instrução Normativa 971, de 2009, que dispõe: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em Fl. 6553DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.540 29 sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Sem reparos, portanto, os dispositivos aplicados e mencionados no relatório fiscal, e o procedimento quanto à aplicação da multa." Nesse mesmo sentido, do cotejamento entre os valores obtidos com a aplicação das disposições constantes no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 com as prescrições constantes no artigo 35, inciso II e no seu parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91, com a redação anterior a dada pela Lei nº 11.941/09, quando do lançamento de ofício do tributo devido com a penalidade pela declaração inexata em GFIP, encontramos posicionamento da CSRF, representado pelo Acórdão 9202003.807, de 17/02/2016, de lavra do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO. Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art.32,§5º, da Lei no . 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar,para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória n o .449, de 2008. Estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%." Tendo sido verificada a situação mais benéfica ao contribuinte e respeitado o entendimento majoritário na Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendo procedente o lançamento nessa parte. Conclusão Fl. 6554DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 30 Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário em sua inteireza. Carlos Henrique de Oliveira Relator Voto Vencedor Este voto vencedor referese a 3 pontos da decisão: 1. não conhecimento do recurso quanto ao direito à imunidade; 2. recálculo da multa de mora com base na redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, dada pela Lei 11.941/2009; e 3. recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória (GFIP) até a competência 11/2008, com base na redação do artigo 32A da Lei 8.212/1991. Analisarei as questões na ordem acima apresentada. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO AO DIREITO À IMUNIDADE Na apresentação do relatório, por parte do relator, ficou registrado que a questão do direito à imunidade está tratada noutro processo, especificamente o de nº 11060.722784/201284. Abaixo transcrevo trecho do relatório contendo o mencionado acima. Informa ainda a autoridade notificante que em 21 de março de 2012, a Recorrente foi intimada, em outro procedimento fiscal, a manifestarse sobre o cumprimento dos requisitos exigidos para que a entidade, aqui Recorrente, usufruísse da isenção da quota patronal das contribuições previdenciárias. Como decorrência desse procedimento fiscal foi emitido em 17 de julho de 2012, Termo de Notificação Fiscal suspendendo o gozo do benefício da imunidade tributária no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2011. Esses atos administrativos estão consubstanciados no processo digital de nº 11060.722784/2012 84 Durante os debates, o representante do recorrente afirmou que a questão do direito à imunidade havia transitado em julgado quando discutida na processo 11060.722784/201284. Fl. 6555DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.541 31 Entendo que este processo trata de obrigação principal, que o direito à imunidade foi objeto de outro processo, que a questão transitou em julgado (naquele processo) e que esse assunto não deve aqui ser conhecido. RECÁLCULO DA MULTA DE MORA COM BASE NA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI Nº 8.212/1991, DADA PELA LEI 11.941/2009 O período de apuração do presente processo compreende as competências de 01/2007 a 12/2011. Entendo que, com base nas razões abaixo apontadas, para o período até 11/2008, a multa de mora deve ser recalculada. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 6556DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 32 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2008, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade Fl. 6557DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724243/201291 Acórdão n.º 2201003.141 S2C2T1 Fl. 6.542 33 menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. RECÁLCULO DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (GFIP) ATÉ A COMPETÊNCIA 11/2008, COM BASE NA REDAÇÃO DO ARTIGO 32A DA LEI 8.212/1991. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; Fl. 6558DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 34 II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Designado Fl. 6559DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15521.000147/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005
LANÇAMENTO. PRAZO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo pagamento, aplica-se o prazo decadencial previsto no contida no artigo 173, inciso I, do CTN, para constituição do crédito tributário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005
LANÇAMENTO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. ERRO INSANÁVEL. ARTIGO 142 DO CTN. ARTIGO 10 DO DECRETO 70.235/1972. IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
É improcedente o lançamento, viciado por erro insanável no cálculo e a determinação do montante de tributo devido, que retira o caráter de certeza e de que deveria se revestir a ocorrência do fato gerador e a liquidez na apuração da sua quantificação.
Numero da decisão: 3401-003.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que dava provimento para converter o julgamento em diligência e promover os ajustes necessários no lançamento. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Sr. Angelo Tsukalas, RG 23.681.954-9.
ROBSON JOSE BAYERL - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. ARTIGO 142 DO CTN. ARTIGO 10 DO DECRETO 70.235/1972. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARE ALTA DO BRASIL NAVEGACAO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005 LANÇAMENTO. PRAZO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo pagamento, aplicase o prazo decadencial previsto no contida no artigo 173, inciso I, do CTN, para constituição do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005 LANÇAMENTO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. ERRO INSANÁVEL. ARTIGO 142 DO CTN. ARTIGO 10 DO DECRETO 70.235/1972. IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. É improcedente o lançamento, viciado por erro insanável no cálculo e a determinação do montante de tributo devido, que retira o caráter de certeza e de que deveria se revestir a ocorrência do fato gerador e a liquidez na apuração da sua quantificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que dava provimento para converter o julgamento em diligência e promover os ajustes necessários no lançamento. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Sr. Angelo Tsukalas, RG 23.681.9549. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 47 /2 00 9- 34 Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 2 ROBSON JOSE BAYERL Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório Por bem narrar os fatos, inicialmente, adoto o relatório da decisão recorrida: “Tratase de auto de infração de folhas 1469/1479, que formaliza exigência de COFINS no valor total de R$ 8.681.660,06, aí incluídos principal multa e juros, em cumprimento ao MPF nº 0710400/00173/2008. Consta nos autos, que em cumprimento ao procedimento de verificações obrigatórias, a autoridade fiscal constatou divergências entre os valores escriturados e os valores declarados pela contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), como também nos recolhimentos efetuados pela fiscalizada nos períodos de 01/02/2004 a 31/12/2005. Abaixo se reproduz o cotejo das informações contábilfiscais efetuado pela fiscalização: No Termo de Verificação Fiscal, folhas 1481/1498, consta que: a ação fiscal teve inicio em 26/05/2008 com o Termo de Inicio da Ação Fiscal emitido em 20/05/2008; Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 15521.000147/200934 Acórdão n.º 3401003.181 S3C4T1 Fl. 2.156 3 o regime contábil da Sociedade é "Competência", sendo o regime fiscal "Caixa"; a autuada possui contratos de afretamento com a Petrobrás, que subsidiaram o reconhecimento das receitas da contribuinte; por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 0355, foi solicitado à contribuinte esclarecer as divergências apuradas entre os dados contabilizados na escrita fiscal, as informações prestadas na DCTF e nos recolhimentos efetuados nos anos de 2004 a 2007, divergências estas discriminadas no relatório de cotejo das informações contábilfiscais; a contribuinte em resposta esclareceu: a) as divergências apontadas entre os dados contabilizados na escrita fiscal e as informações prestadas em DCTF na realidade não existem; b) os lançamentos contábeis primariamente efetuados pela Sociedade em cada um dos meses em que a fiscalização apontou as supostas divergências; c) os lançamentos contábeis dos valores realmente devidos, os quais foram efetuados posteriormente (seja através de complementos ou ajustes); e d) os valores que foram reportados nas respectivas DCTFs; Por fim, concluiu a autoridade autuante que, durante o procedimento de Verificações Obrigatórias, tendo constatado divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, discriminadas no relatório de cotejo das informações contábilfiscais, promoveu o lançamento da COFINS cumulativa. A contribuinte, cientificada da autuação por Aviso de Recebimento em 14/09/2009, folha 1500, apresentou em 13/10/2009 impugnação, folhas 1503/1514, alegando preliminarmente a decadência do direito da RFB de lançar os créditos tributários nos períodos de fevereiro/2004 a agosto/2004, nos termos do artigo 150, parágrafo quarto, do Código Tributário Nacional. No mérito, afirma que para se apurar a base de cálculo da contribuição social, impõese a análise do efetivo faturamento da impugnante, através de seus documentos fiscais (faturas e notas fiscais, assim como DACONs e também DCTFs e PER/DCOMPs) e contábeis (análise das contas de Resultado e também das contas de Passivo e Ativo, averiguando todos os créditos, débitos e estornos nelas lançados). Expõe que não se pode vislumbrar a composição da base de cálculo de um tributo pela singela e incompleta averiguação de isolados lançamentos contábeis, pertencentes a esta ou aquela conta especifica, tal e qual procedeu a autoridade fiscal. Afirma que ao não ser recomposta a base de cálculo da COFINS como determina a Lei, o agente fiscal não fez a devida comprovação da existência Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 4 de um débito de natureza tributária, como se demonstrará a improcedência do lançamento. Aduz que a partir da análise dos documentos, demonstra claramente que os pagamentos da COFINS foram integralmente realizados, o que evidencia a total inobservância por parte da autoridade autuante dos documentos lhe foram apresentados no decorrer da fiscalização. A autuada, passa então a demonstrar o mecanismo utilizado para apuração e recolhimento do tributo, expondo como exemplos três dos meses não alcançados pela decadência, quais sejam: setembro de 2004, janeiro e dezembro de 2005: III.1 SETEMBRO DE 2004 3.1.1. Observando o documento de Apuração da COFINS no Ano Calendário de 2004 (doc. 01A), constatasse que a Impugnante, após utilizarse de devidos créditos, apurou os valores de R$ 103.094,53 para COFINS cumulativa e R$ 61.228,74 para COFINS nãocumulativa, totalizando, assim, R$ 164.323,27 (vide itens A1 + A2 doc. 01). 3.1.2. Vale esclarecer que os valores de A1 e A2 foram devidamente contabilizados, conforme se verifica pelas provisões realizadas e demonstradas no Razão Analítico (RZ), respectivamente, nas datas 30/09/2004 e 31/10/2004 (docs. RZ5 e RZ6). 3.1.3. Notase ainda, que no documento integrante do presente auto (doc. 04A), especificamente na Coluna "Contab.", consta o valor de R$ 148.196,70, referente ao período de setembro de 2004, que encontrase erroneamente verificado e citado, pois se correto o questionamento pelo fisco, o valor a ser esclarecido seria de R$ 164.323,27, conforme provisões mencionadas anteriormente (docs. RZ5 e RZ6), e não R$148.196,70 acima mencionado. 3.1.4. Dando continuidade ao cálculo da apuração do tributo devido no período ora abordado, observase ainda que, na Apuração da COFINS no Ano Calendário de 2004 (doc. 01A), os valores R$ 134.818,96 e R$ 759,87, constantes nos itens A3 e A4, são referente à COFINS retida na fonte por Pessoa Jurídica (PJ), bem como retenção a maior de PJ, respectivamente, os quais foram devidamente compensados e contabilizados, conforme compensações realizadas nas datas 30/09/2004 (doc. RZ5) e 31/10/2004 (doc. RZ6). 3.1.5. Também compensado foi o crédito de COFINS de meses anteriores, o qual alcançou o montante de R$ 10.800,20, se pode verificar no lançamento contábil realizado na data 31/10/2004 (A5 do doc. 01 e doc. RZ6) e na Apuração da COFINS no AnoCalendário de 2004 (doc. 01A). 3.1.6. Salientase, por oportuno, que os valores A7 1 e A7 2 do doc. 01, correspondem a multa e juros pagos via PER/DCOMP (doc. 05A) e estão devidamente contabilizados (vide docs. RZ6 e RZ8). 3.1.7. Por fim, após a adoção dos procedimentos acima expostos, a Impugnante apurou, contabilizou, compensou via PER/DCOMP (doc. 05A) e Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 15521.000147/200934 Acórdão n.º 3401003.181 S3C4T1 Fl. 2.157 5 informou em DCTF (vide doc. 04A) corretamente a COFINS a pagar, no montante de (A6) R$ 17.944,26 (docs. 01, 01A, RZ8 e 05A), portanto não restou a menor possibilidade de questionamento pelo fisco e/ou esclarecimento por parte da Impugnante, em relação a valores pendentes. 3.1.8. Passemos a janeiro de 2005. III.2 JANEIRO DE 2005 3.2.1. Passemos a expor a mesma linha de raciocínio, porém com valores diferentes. No documento de Apuração da COFINS no Ano Calendário de 2005 (doc. 02A), constatase que a Impugnante, após utilizarse de devidos créditos, apurou os valores de R$ 101.474,31 para COFINS cumulativa e R$ 55.988,52 para COFINS nãocumulativa, totalizando, assim, R$ 157.462,83 (vide itens 3 1 + B2 doc. 02). 3.2.2. A Impugnante provisionou corretamente os valores de R$ 156.779,00 (31 doc. 02) em 31/01/2005 e de R$ 683,80 (32 doc. 02) em 31/10/2005, conforme demonstrado em suas movimentações contábeis no Razão Analítico (docs. RZ8 e RZ11), alcançando o valor total apurado de R$ 157.462,83, o qual restou mencionado anteriormente. 3.2.3. Notase ainda, que no documento integrante do presente auto (doc. 04A), especificamente na Coluna "Contab.", consta o valor de R$ 272.643,25, referente ao período de janeiro de 2005, que encontrase erroneamente verificado e citado, pois se correto o questionamento pelo fisco, o valor a ser esclarecido seria de R$ 157.462,83, conforme provisões mencionadas anteriormente (docs. RZ8 e RZ11), e não R$ 272.643,25 acima mencionado. 3.2.4. Dando continuidade ao cálculo da apuração do tributo devido no período ora abordado, observase ainda que, na Apuração da COFINS no Ano Calendário de 2005 (doc. 02A), os valores de B3 e B4 (doc. 02) somam R$ 135.809,60, referente a COFINS retida na fonte por Pessoa Jurídica (PJ), bem como retenção a maior de PJ, respectivamente, os quais foram devidamente compensados e contabilizados, conforme compensações realizadas nas datas 31/01/2005 (doc. RZ9) e 31/10/2005 (doc. RZ11). 3.2.5. Salientase, por oportuno, que o valor de R$ 178,63 (B6 doc. 02), devidamente contabilizado (doc. RZ13) correspondem à COFINS a recuperar, tendo em vista que a Impugnante outrora realizou pagamento de tributo a maior. 3.2.6. Por fim, após a adoção dos procedimentos acima expostos, a Impugnante apurou, contabilizou, recolheu mediante DARF e informou em DCFT (vide doc. 04A), efetivamente a COFINS de janeiro de 2005, no valor de R$ 21.831,86 (B5 do doc. 02, docs. RZ9 e 06A), portanto não restou a menor possibilidade de questionamento pelo fisco e/ou esclarecimento por parte da Impugnante, em relação a valores pendentes. 3.2.7. Para encerrar, vejamos dezembro de 2005. Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 6 III.3 DEZEMBRO DE 2005 3.3.1. Finalmente, observando a Apuração da COFINS no Ano Calendário de 2005 (doc. 03A), constatase que a Impugnante, após utilizarse de devidos créditos, apurou o valor de R$ 346.075,78 para COFINS não cumulativa. 3.3.2. A Impugnante provisionou corretamente o valor de R$ 346.075,78 (Cl doc. 03) em 31/12/2005, conforme demonstrado em suas movimentações contábeis no Razão Analítico (docs. RZ13 e RZ14). 3.3.3. Notase ainda, que no documento integrante do presente auto (doc. 04A), especificamente na Coluna "Contab.", consta o valor de R$ 429.369,40, referente ao período de dezembro de 2005, que encontrase erroneamente verificado e citado, pois se correto o questionamento pelo fisco, o valor a ser esclarecido seria de R$ 346.075,78, e não R$ 429.369,40 acima mencionado. 3.3.4. Dando continuidade ao cálculo da apuração do tributo devido no período ora abordado, observase ainda que, na Apuração da COFINS no AnoCalendário de 2005 (doc. 03A), o valor de C2 (doc. 03) é de R$ 181.653,12, referente à COFINS retida na fonte por Pessoa Jurídica (PJ), o qual foi devidamente compensado e contabilizado, conforme compensação realizada em 31/12/2005 (doc. RZ13). 3.3.5. Por fim, após a adoção dos procedimentos acima expostos, a Impugnante apurou, contabilizou, compensou via PER/DCOMP (Docs. 07A 01 e 7A 02), bem como informou em DCTF (vide doc. 04A), efetivamente a COFINS de dezembro de 2005, no valor de R$ 164.422,66 (C3 + C4 de doc. 03, docs. 03A, RZ15, RZ16, 07A 01 e 7A 02), portanto não restou a menor possibilidade de questionamento pelo fisco e/ou esclarecimento por parte da Impugnante, em relação a valores pendentes. Por fim, a autuada, passar então a discorrer acerca da inobservância por parte da fiscalização do princípio da verdade real na lavratura do presente lançamento. No pedido, requer a apreciação da presente impugnação, para que, acolhendose a prejudicial de mérito, seja reconhecida a decadência dos valores lançados pertinentes as competências de fevereiro a agosto de 2004. No mérito, requer seja julgado improcedente o lançamento, com o conseqüente arquivamento do processo, seja por sua nulidade, eis que não observado o Principio da Verdade Real, seja pela inconsistência da exigência formulada”. Em sessão do dia 18/10/2012, a 16ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade, julgou procedente a impugnação apresentada, exonerando totalmente o crédito tributário lançado, em acórdão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 31/08/2004 DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 15521.000147/200934 Acórdão n.º 3401003.181 S3C4T1 Fl. 2.158 7 É pacifico o entendimento de ser qüinqüenal o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais, iniciandose sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado na ausência de pagamento. Havendo pagamento, a contagem do prazo iniciase da data do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005 LANÇAMENTO. ERRO INSANÁVEL. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. É improcedente o lançamento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, viciado por erro insanável no cálculo e a determinação do montante de tributo devido”. Diante dessa decisão, considerando a exoneração de crédito tributário em valor total histórico de R$ 8.681.660,06 (oito milhões, seiscentos e oitenta e um mil, seiscentos e sessenta reais, seis centavos), em razão do disposto no artigo 34, inciso I. do Decreto nº 70.235/1972 e do valor previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, o Presidente de Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 interpôs recurso de ofício, tendo os autos sido remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. Com a distribuição dos autos deste processo à minha relatoria, ocorrida na sessão do dia 17/03/2016, coloco o processo em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d’ Oliveira Como relatado, ao julgar a impugnação apresentada pelo contribuinte, a decisão recorrida apreciou duas questões: decadência de parte do lançamento (fatos geradores ocorridos entre 02/2004 e 08/2004) e improcedência do auto de infração. Quanto ao primeiro ponto, a decisão recorrida expôs duas regras para a verificação da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação: aplicação da regra especial contida no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, da Lei nº 5.172/1966 (“Código Tributário Nacional” ou “CTN”), quando ocorre o pagamento, e aplicação da regra geral contida no artigo 173, inciso I, do CTN, na hipótese de inexistir qualquer pagamento. Com isso, examinado os fatos do caso concreto, conclui que somente os fatos geradores ocorridos no mês de março de 2004 estariam atingidos pela decadência, pelas razões a seguir: Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 8 “No presente caso, consultando os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, folha 1970, verificase que, em relação aos períodos de apuração fevereiro/2004 a agosto de 2004, reclamados como decaídos, há apenas recolhimento da COFINS para o período de apuração fevereiro/2004. Assim, aplicase a regra decadencial prevista no §4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional para este período de apuração (fevereiro/2004). Para os demais períodos de apuração (março/2004 a agosto/2004), a regra decadencial aplicada é a regra geral prevista no artigo 173, inciso I, qual seja, aquela em que a contagem do prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando os períodos de apuração março/2004 a agosto/2004, o início da contagem do prazo fatal é 01/01/2005, terminando em 31/12/2009, ou seja, após a ciência do presente lançamento (14/09/2009). Portanto, assiste razão em parte a autuada na preliminar para cancelar por decadência o período de apuração fevereiro/2004. Os períodos de apuração março/2004 a agosto/2004 ficam mantidos”. Nesse ponto, por estar em linha com o entendimento que possuo sobre a matéria, a meu ver, não merece reparos a decisão recorrida. Com relação ao segundo ponto, temse que, nos termos do artigo 142, caput, do CTN: “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. (grifos nossos) E, conforme disposto no parágrafo único desse artigo, a atividade do lançamento é obrigatória, o que significa dizer que, uma vez verificado o nascimento do vinculo pessoal entre o sujeito ativo e passivo, a Administração estará obrigada a efetuar o lançamento, e também é atividade vinculada aos termos previstos na lei tributária, de modo que, na atividade de lançamento, deve a autoridade administrativa observar as leis de regência, pois, do contrário, poderá o ato ser anulado, como ensina Hely Lopes Meireles: “Atos vinculados ou regrados são aqueles para os quais a lei estabelece os requisitos e condições de sua realização. (...) Desatendido qualquer requisito, comprometese a eficácia do ato praticado, tornandose passível de anulação pela própria Administração, ou pelo Judiciário, se assim o requerer o interessado. (...) O essencial é que a peça inicial (auto de infração) descreva os fatos com suficiente especificidade de modo a delimitar o objeto da controvérsia e a permitir a plenitude da defesa. Processo com instauração imprecisa quanto à qualificação do fato, e sua ocorrência no tempo e no espaço, é nulo.” 1 Na esfera federal, o artigo 10 do Decreto 70.235/1972 prescreve os requisitos a serem observados pela autoridade administrativa na lavratura de auto de infração, in verbis: 1 “Direito Administrativo Brasileiro”, Ed. RT, 14ª edição, 1989, SP, pp. 143 e 586. Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 15521.000147/200934 Acórdão n.º 3401003.181 S3C4T1 Fl. 2.159 9 “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. (grifos nossos) No que diz respeito à determinação da base de cálculo, leciona a doutrina que, “é, pois, um conceito que abrange dois fenômenos bem distintos entre si: uma determinação em abstrato e uma determinação em concreto. A determinação em abstrato é realizada pela lei, ou diretamente, ou por via indireta, através de definições redutivas ou conceitos de segundo grau; por seu turno, a determinação em concreto iniciase aí mesmo onde terminou o processo de concretização legal. Estáse então perante uma determinação do fato na sua existência e ou nas suas qualidades, que exige uma atividade mediadora do órgão de aplicação do direito; atividade que já não é de interpretação da lei, mas de simples fixação dos fatos, embora, claro, dentro dos limites legais. (...) [a determinação da base de cálculo] desdobrarse necessariamente ou numa atividade interpretativa da caracterização do fato ou numa atividade probatória da sua descoberta ou valoração” 2. (grifos nossos) No caso ora analisado, a fiscalização realizou o lançamento exclusivamente com base no cotejo entre as informações contidas em conta contábil apresentada pelo contribuinte e as declarações prestadas pelo contribuinte em DCFT. Como observado pela decisão recorrida, “Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal e demais documentos constantes dos autos do processo, constatase que não foram realizadas outras análises fiscais, como por exemplo, a auditoria da base de cálculo da COFINS, a verificação da utilização de retenções na fonte, ou ainda, a auditoria quanto à existência das duas sistemáticas de apuração da COFINS para os períodos de apuração objeto do lançamento, nem, tão pouco, a análise de possíveis créditos da contribuinte e sua apropriação/utilização”. Assim, verificase que, apesar de autoridade fiscal dispor de amplos poderes de fiscalização, a teor do disposto no artigo 195, do CTN3, para atingir o fim de verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável, o Fiscal autuante se 2 Xavier, Alberto. “Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário”. Forense. Rio de Janeiro. 2001. p. 3839. 3 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 10 limitou ao mero cotejo da contabilidade do contribuinte com as informações constantes em DCFT. Resultado desse trabalho é a existência das seguintes inconsistências, que levaram ao reconhecimento da improcedência do lançamento pela decisão recorrida: (i) os valores apontados pela fiscalização na tabela “Cotejo de Informações ContábilFiscais” que é parte integrante do Auto de Infração não são encontrados nos registros contábeis; (ii) na conta contábil utilizada existem registros adicionais ao referente às provisões de COFINS; (iii) apesar da contribuinte prestar serviços à Petrobrás e, em razão disso, sofrer retenção na fonte nos pagamentos a ela efetuados, tal fato não foi considerado na apuração da base de cálculo. Com relação à diferença entre os valores constantes na contabilidade e os apontados no Auto de Infração, vejam a análise realizada na decisão recorrida: “Compulsandose o razão analítico apresentado pela contribuinte, conta contábil nº 2114003 1414 (fls. 1565/1586), que fundamenta a autuação, verificase, de pronto, que alguns dos valores apontados pela fiscalização no “Cotejo das Informações Contábil Fiscais” não são encontrados nestes registros contábeis. No período de apuração julho/2004, por exemplo, a autoridade fiscal aponta como diferença a ser esclarecida pela contribuinte de COFINS cumulativa: Extraindose os dados do período julho/2004, no razão analítico, conta nº 2114003 1414, COFINS, fls. 1671/1673, chegase aos seguintes registros: (...) Resumindo os registros acima, temse: No exemplo, a contribuinte indica um valor de contribuição social apurada de R$ 125.661,09, acrescido de um ajuste de R$ 576,29, como lançamentos a crédito. Existem também uma compensação de R$ 125.370,14 e a utilização de crédito de abril/2004, á débito. Na planilha de folha 1665, a contribuinte demonstra outro valor da COFINS cumulativa para julho/2004: R$ 125.336,89. Por esta planilha, o valor da COFINS não cumulativa seria de R$ 900,49, e o valor de retenção na fonte COFINS de R$ 125.370,14, mesmo valor encontrado no razão analítico. Na DIPJ, de folha 65, verificase que o valor relativo à retenção na fonte é de R$ 125.370,14, utilizada como dedução nas duas sistemáticas COFINS cumulativa (R$125.336,89) e da COFINS não cumulativa (R$ 33,25). Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 15521.000147/200934 Acórdão n.º 3401003.181 S3C4T1 Fl. 2.160 11 No DACON, folha 2087, o valor informado para COFINS não cumulativa corresponde ao indicado pela contribuinte na planilha de folha 1665: R$ 900,49. Dos dados expostos acima, os registros contábeis não confirmam os valores apontados pela fiscalização para julho/2004, não havendo nos autos outros documentos juntados pela autoridade autuante que possam dar força à acusação. Levantandose outro período de apuração, janeiro/2005, a autoridade fiscal aponta como diferença a ser esclarecida pela contribuinte de: Extraindose os dados do período janeiro/2005, no razão analítico, conta nº 2114003 1414, COFINS, fls. 1675/1680, chegase aos seguintes registros: (...) Resumindo os registros acima, temse: Neste período, verificase que a contribuinte registrou, separadamente, as provisões da COFINS nas sistemáticas cumulativa e não cumulativa. Ainda assim, o valor apontado pela fiscalização não é o que consta dos registros contábeis da COFINS cumulativa. No razão analítico está registrado o valor de R$ 106.144,66 e não R$ 272.643,25. Já no DACON, folha 2011, a COFINS cumulativa apurado soma a importância de R$ 60.309,66. Na planilha apresentada pela autuada, folha 1666, não há registro da COFINS cumulativa para o período janeiro/2005. Portanto, mais uma vez não há evidência, pelos registros acima expostos, da correção dos valores apontados pela fiscalização, nem tão pouco dos registros da própria interessada em relação à janeiro/2005. Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 12 E assim, não havendo nos autos outros documentos juntados pela autoridade autuante, não há como aceitar os valores por ela apontados, tornando a acusação frágil”. Além disso, a conta contábil utilizada englobava outros registros contábeis, além das provisões para pagamento da COFINS, conforme descrito na decisão recorrida: “Outro ponto que se extrai da conta contábil nº 2114003 1414 (fls. 1565/1586), o que também se verifica nos exemplos acima, é que nesta conta há diversos registros, além das provisões da contribuição social, demonstrando que esta conta contábil não se presta ao confronto direto com a DCTF: utilizações das retenções na fonte dos contratos com a cliente Petrobrás; utilização de créditos escriturais de períodos anteriores; pagamentos da contribuição social; compensação com indébitos de períodos anteriores”. Por último, o ponto mais relevante. Conforme se verifica na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (“DIRF”) acostada aos autos às fls. 1971 e seguintes, referente aos anos de 2004 e 2005, valores consideráveis foram retidos a título de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS (Código de Receita 6190) nos pagamentos realizados pelas tomadoras de serviços da contribuinte. Tais valores não foram levados em consideração pela fiscalização. É bem verdade que as declarações retificadoras constantes nos autos foram transmitidas após o lançamento (por exemplo, com relação às de maior valor, da Petrobrás, a de 2004 foi transmitida em 10/09/2010 fls. 1973, enquanto que a de 2005 foi transmitida em 09/02/2011 – fls. 1976). De qualquer maneira, há nos autos resposta da Petrobrás a termo de intimação, no qual ela informa o valor das notas fiscais relativas ao ano de 2004, juntando as respectivas cópias, nas quais há indicação de que a prestadora estava sujeita à retenção na fonte, por força da Lei nº 10.833/2003 (fls. 494 e seguintes dos autos /fls 520 e seguintes do processo eletrônico e seguintes). Essa matéria foi abordada na decisão recorrida, da seguinte forma: “Ademais, apesar da contribuinte ser prestadora de serviço de fretamento de embarcações à Petrobrás, conforme está consignado no Termo de Verificação Fiscal, não há qualquer menção disto pela fiscalização, nem do fato de que a retenção na fonte da cliente Petrobrás necessariamente entra no cálculo da contribuição devida, como abatimento, nos termos da legislação, a partir do mês da retenção. A contribuinte afirmou isto em resposta à intimação fiscal, usando o verbo “compensar”. Nas consultas efetuadas aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, folhas 1971/1978, verificase que a contribuinte possui valores em DIRF na condição de beneficiária. Reproduzindose os valores da citada DIRF junto à cliente Petrobrás, na tabela abaixo, chegase aos valores de retenções na fonte: Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 15521.000147/200934 Acórdão n.º 3401003.181 S3C4T1 Fl. 2.161 13 Tendose em conta os valores em DIRF acima, e comparandoos com os registros a débito na conta contábil utilizada, concluise que tais valores foram indevidamente desconsiderados no trabalho fiscal. A título de exemplo, nos períodos de apuração agosto/2004, fevereiro/2005, setembro/2005 e novembro/2005, se tivessem sido levados ao cálculo, e sem se considerar outros registros e/ou fatores constantes do próprio razão analítico da autuada (como as duas sistemáticas de apuração da COFINS), os valores registrados de retenção na fonte seriam suficientes para zerar a diferença apurada pela fiscalização: Ressaltese que, em que pese a tabela comparativa acima, também não é possível identificar se a contribuinte poderia ou não utilizar as retenções na fonte para abater a COFINS cumulativa, objeto da autuação, pois não é possível identificar a qual sistemática pertenceriam estas retenções na fonte. Tal verificação também não foi objeto da presente autuação. Como exemplo, Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 14 na DIPJ, folha 65, a contribuinte abate da contribuição social cumulativa e da não cumulativa os valores das retenções na fonte junto à Petrobrás. Assim, em verdade, a conta contábil apresentada não se presta ao confronto direto com a DCTF, de forma que o resultado final deste confronto, se não esclarecida pela contribuinte, fosse levada ao lançamento de COFINS cumulativa. Não se levou em conta a apuração da contribuição social, tão pouco os registros à débito na conta contábil auditada”. Com bem pontuado na decisão recorrida, não se está aqui a confirmar se tais valores poderiam ser utilizados e, nessa possibilidade, se seriam suficientes para redução da base de cálculo da COFINS devida no período, mas uma vez que as principais atividades da contribuinte estão sujeitas à retenção, o tomador de serviços da Recorrente foi intimado e apresentou notas fiscais que indicavam a necessidade de retenção no pagamento, a consideração de tal aspecto na determinação da base de cálculo da COFINS é essencial para a regularidade do lançamento. Essa inconsistência somada à divergência entre os valores da contabilidade e a existência de outros registros na conta levada em consideração pela Fiscalização para realizar o cotejo acaba por retirar a certeza e liquidez de que deveria se revestir o lançamento, prejudicando o direito de defesa do contribuinte, em violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e devido processo legal (CF/88, art. 5º, LIV e LV), além de subtrair da autoridade julgadora o controle do processo. Nesse cenário, acredito que a atividade probatória de determinar a existência e a quantidade da matéria exigível foi falha e deficiente, não logrando demonstrar a motivação e subsistência do lançamento. E tais vícios só poderiam ser sanados com a reabertura de um trabalho de fiscalização, no qual fossem examinados adequadamente outros elementos que concorrem para uma adequada fixação da base de cálculo da COFINS no caso concreto, como outros documentos disponíveis à Fiscalização, além da contabilidade e da DCFT; como as retenções efetuadas ou o porquê de sua desconsideração; eventuais compensações realizadas no período, ou seja, que fosse levantado todo um conjunto probatório que permitisse, ao final, a determinação e lançamento do montante de COFINS porventura não pago no período, com o grau de certeza e liquidez exigido pela Lei de regência. Contudo, nessa etapa do processo, o levantamento de tais informações não é possível, pois o órgão julgador não tem competência para fiscalizar e lançar. Portanto, a meu ver, tais vícios acarretam a confirmação da improcedência reconhecida pela decisão recorrida. Nesse sentido, pelo afastamento de lançamentos em desacordo com o art. 10 do Decreto n. 70.235/72, trago as seguintes decisões: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Auto de Infração que não consigna a disposição legal infringida, bem como a determinação da exigência, padece de vício formal que implica em nulidade, ex vi dos inc. IV e V do art. 10 do Decreto n. 70.235/72. É de se declarar nulo o processo. Relator: João Baptista Moreira”. (Número do Recurso: 114657; Câmara: PRIMEIRA CÂMARA; Número do Processo: 10845.002553/9157; Data da Sessão: 05/06/1992) ***** Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 15521.000147/200934 Acórdão n.º 3401003.181 S3C4T1 Fl. 2.162 15 “AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE TIPIFICAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE AMPLA DEFESA. É nulo o Auto de Infração que não identifique claramente os motivos de sua emissão e, sendo o caso, não expresse os motivos de rejeição, desqualificação ou desconsideração da prova documental apresentada em atendimento de intimação, assim impedindo ou dificultando o exercício do direito constitucional de ampla defesa do sujeito passivo”. (Número do Recurso: 124009; Câmara: PRIMEIRA CÂMARA; Número do Processo: 13975.000156/0099; Data da Sessão: 25/02/2003) ***** “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO – NULIDADE. É nulo o auto de infração que não preencha os requisitos formais indispensáveis, previstos no do art. 10 do Decreto n° 70.235/72”. (Número do Recurso: 125008; Câmara: SÉTIMA CÂMARA; Número do Processo: 10805.003127/9441 ;Data da Sessão: 22/03/2001) Diante do exposto, concordando com as razões apresentadas na decisão recorrida, proponho a esse Colegiado que reconheça que o auto de infração lavrado improcedente, por não atender ao disposto nos artigos 142 do CTN, 10, incisos III e IV, do Decreto 70.235/1972, eis que falhou na descrição do fato e na determinação da matéria tributável, motivo pelo qual voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L
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Numero do processo: 10140.722196/2011-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUB-ROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 - CONCOMITÃNCIA COM AÇÃO JUDICIAL - SÚMULA Nº 1 DO CARF - APRECIAÇÃO DE MATÉRIAS DISTINTAS DA AÇÃO JUDICIAL.
O Acórdão do RE 363.852/MG declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Com o advento da lei 10.256/2001, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de sub-rogação, previsto no art. 30, IV, da lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional.
Nos termos da Súmula CARF nº 1 importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Restando constatado que existe concomitância entre o mérito do processo administrativo e do judicial, só deverá ser conhecida pelo colegiado administrativo a matéria apresentada em recurso voluntário distinta do processo judicial.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-003.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a definitividade do lançamento apenas no que tange ao tributo, por aplicação da Súmula CARF nº 1, com retorno dos autos à Câmara a quo, para discussão da retroatividade benigna da multa. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso para declarar a definitividade do lançamento na esfera administrativa, por aplicação da Súmula CARF nº 1, e a Conselheira Patrícia da Silva, que negou provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.061 1 1.060 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10140.722196/201115 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.776 – 2ª Turma Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria Contribuição sobre a comercialização da Produção Rural pessoa Física Lei 10.256/2001 Subrrogação Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONACENTRO COOP. DOS PRODUTORES DO CENTRO OESTE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONCOMITÃNCIA COM AÇÃO JUDICIAL SÚMULA Nº 1 DO CARF APRECIAÇÃO DE MATÉRIAS DISTINTAS DA AÇÃO JUDICIAL. O Acórdão do RE 363.852/MG declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Com o advento da lei 10.256/2001, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de subrogação, previsto no art. 30, IV, da lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional. Nos termos da Súmula CARF nº 1 importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Restando constatado que existe concomitância entre o mérito do processo administrativo e do judicial, só deverá ser conhecida pelo colegiado administrativo a matéria apresentada em recurso voluntário distinta do processo judicial. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 21 96 /2 01 1- 15 Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.062 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a definitividade do lançamento apenas no que tange ao tributo, por aplicação da Súmula CARF nº 1, com retorno dos autos à Câmara a quo, para discussão da retroatividade benigna da multa. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso para declarar a definitividade do lançamento na esfera administrativa, por aplicação da Súmula CARF nº 1, e a Conselheira Patrícia da Silva, que negou provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – RedatoraDesignada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.063 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração, AI DEBCADs nos 37.352.475 7 (efl. 02), 37.352.4765 (efl. 10), 37.352.4773 (efl.18), 37.352.4781 (efl.34) e 37.359.9765 (efl. 48), em que foram constituídos créditos referentes a contribuições previdenciárias retidas de produtores pessoas físicas, incidentes sobre a retenção comercialização de produção rural , e em razão de multa por descumprimento de obrigações acessórias, elaborados em 23/09/2011, com ciência em 26/09/2011. Em sua impugnação, às efls. 371 a 376, a cooperativa contestou o auto de infração. A 3ª Turma da DRJ/CGE considerou improcedente a impugnação, por unanimidade, conforme disposto no acórdão n° 0430.444 de 23/01/2013, às efls. 399 a 410, mantendo a integralidade do crédito lançado. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 464 a 475. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento em 21/01/2014, pelo acórdão 2803002.909, às efls. 1209 a 1214, que tem a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RURAL. SUBROGAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIDA PELA STF. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. RICARF. Recurso Voluntário Provido O referido acórdão dispõe: ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior que entende pela aplicação da súmula 1 do CARF. Relativamente às matérias recorridas, o acórdão tratou apenas da questão da subrogação, pois entendeu desnecessária a análise dos demais argumentos. Acatou a idéia de que julgado do STF no RE 596.177 – RS declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei 8.540/92, e assim a subrogação fundamento do lançamento teria caído por terra. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 1217 a 1228, em 19/02/2014, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado. Tal entendimento seria suportado pelos acórdãos paradigmas: 230201.599 e 2402001.724. Argumenta que, apenas a Lei nº 8.540 de 22/12/1992 foi objeto da decisão proferida no RE nº 363.852/MG, fundamento da decisão ora recorrida e, nos termos daquele decisum, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998 seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.064 4 pessoa física, inclusive da subrogação. Com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanou se o referido vício. Pelas razões expostas, o Procurador pleiteou o provimento do RE para que se reforme o acórdão recorrido. O Presidende da 3ª Câmara da Segunda seção de Julgamento do CARF através do Despacho n° 2300137/2014, às efls. 1230 a 1233, deu seguimento ao Recurso Especial, por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 26/02/2014. Cientificada do resultado do julgamento de seu recurso voluntário e do prosseguimento do RE da Fazenda em 06/04/2015 (efl. 1244), a contribuinte apresentou contrarrazões pedindo que se negue provimento ao RE. Argumenta que a subrogação nas obrigações do produtor rural empregador pessoa física, foi incluída no ordenamento jurídico pelo art. 30, IV da Lei n ° 8.212/1991, na redação das Leis n° 8.540/1992 e 9548/1997, o que estava inclusive disposto no AI. Assim, ainda que alterada a redação do art. 25 da Lei 8.212/1991, a redação do art. 30, inc. IV, estaria mantida e por isso remanesceria a inconstitucionalidade da subrogação. Subsidiariamente, insurgese contra a aplicação de multa, alegando ser aplicável ao caso LEX MITIOR, art. 32 § 5o da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009. É o relatório. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.065 5 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. No mérito, de pronto, como prejudicial entendo ter ocorrido a concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, pelo fato de haver identidade entre o pedido realizado em ação judicial e o objeto do auto de infração aqui discutido, vejamos: a) no processo judicial é pedido que seja declarada a inexistência de relação jurídica entre a interessada e a União, no tocante à comercialização da produção, nos seguintes termos: "Do Pedido Final ... Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica, que espera, seja a final julgada inteiramente procedente, para o efeito de que seja reconhecida a inexistência de relação jurídica e impossibilidade da realização do fato gerador da contribuição sobre o valor da produção de seus cooperados entregues para a comercialização coletiva, em razão dos fundamentos seguintes: ..." b) no auto de infração, é tratada a mesma relação jurídica: "Fatos Geradores ... As contribuições lançadas referemse às contribuições do produtor rural pessoa física, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do art. 25 da Lei n° 8.212 de 24/07/1991, publicada no Diário Oficial da União n° 142, de 25/07/1991, e suas alterações posteriores. A empresa pessoa jurídica adquirente fica sub rogada da obrigação do recolhimento destas contribuições, face o que dispõe o art. 30, inciso IV, da citada Lei." Não concordo com o entendimento da 1ª instância, de que a concomitância não estaria configurada, em face da diferença entre as fundamentações para afastamento da relação jurídica: (a) na ação judicial, o fundamento seria a natureza jurídica da entidade e de suas operações e (b) no presente processo, a inconstitucionalidade das normas que embasaram o auto de infração, nos seguintes termos: "Verificase, pelo exame da Petição Inicial do Processo Judicial n° 2008.60.00.0087140, anexada às fls. 426 a 443, que os Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.066 6 fundamentos prolatados pela interessada são diversos aos postulados nesta sua peça impugnatória, pois, no foro judicial, a impugnante requer a inexistência de relação jurídica em função dos atos que pratica, enquanto que, no presente processo, a sua persecução trilha pela inconstitucionalidade das normas aplicadas." Com efeito, a concomitância da discussão se dá em face da matéria e não da fundamentação. Assim, resta definitiva a constituição do crédito tributário na esfera administrativa. Ademais, entendo que o recurso deve ser integralmente provido, haja vista que a referida decisões do STF não se referiu à inconstitucionalidade do art. 30, inc. IV, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528 de 10/12/1997, mas à inconstitucionalidade da própria tributação do produtor rural, pessoa física, com base na receita bruta ou no faturamento, pois até a vigência da EC 20 de 15/12/1998 demandaria lei complementar para sua tributação. Se esta não pode ser tributada a subrogação inexistiria por mera consequência lógica e não por inconstitucionalidade própria. A partir da referida emenda constitucional e da existência de nova lei regulando a relação jurídica da pessoa física com o fato gerador, a subrogação do art. 30, inc. IV, automaticamente incide. Argumentos que apoiam tal entendimento constam de forma clara e didática em voto da ilustre Conselheira Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no acórdão nº 2401003.896 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Segunda Seção, por isso peço vênia para transcrevêlo: Quanto ao mérito cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da matéria, considerando o recurso apresentado pelo recorrente. O presente AIOP referese a contribuições devidas à seguridade social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física (conforme relatório fiscal), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, (compra de bovinos para abate) bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 01/2010 a 12/2010. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei n° 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3° do art. 4° da MP n° 83/02, convertida na Lei n° 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei n° 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/1997 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.067 7 acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP n° 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97 A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei n° 8.620/93) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP n° 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3° da Lei 10.256/2001 no art. 6° da Lei 9.528/1997. "Art.6° A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge a partir do não fosse o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário n° 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI N° 8.212/91 ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/98 Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.068 8 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. (...) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei n° 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional n° 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.069 9 Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário n° 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1° DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: "A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4ª Região", assim conclui acerca das decisões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis n°s 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei n° 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário n° 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8°; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.070 10 declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional n° 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998 Assim, há que se destacar que a Lei n° 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei n° 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos: No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.071 11 inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e n°9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE .585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei n° 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional n° 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei n° 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/2010 a 12/2010, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei n° 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Esse entendimento já vinha sendo corriqueiramente aplicado nos julgados desta turma do colegiado, contudo, ao adentrarmos a questão da subrogação descrita no art. 30, IV da lei 8212/91, nas redações dadas pelas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, entendeu a turma, que a subrogação, acabou no resultado do julgamento sendo por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de subrogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Citese do TRF: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE n° 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC n° 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.072 12 bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade." (Apelação n° 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUB ROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4. DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei n° 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à subrogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7° A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por sub rogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.073 13 Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, "deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91". Lei n°8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1° A Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12 ......................................................................... V ................................................................................ a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não continua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de empregados, utilizados a qualquer titulo, ainda que de forma não continua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do pais do domicilio; Art. 22 ................................. §5° O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.074 14 §1° O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2° A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3° Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4°Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30 ......................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam subrogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor." Ora, caros leitores, o fato de o art. 1° da Lei n° 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea 'a' do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212/91, nas alíneas 'a' e 'b' do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas 'b', 'c' e 'd' do mesmo inciso V acima citado para 'c', 'd' e 'e', respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.075 15 pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na sub rogação encartada no inciso . V do art. 30 da Lei n° 8.212/91. Aliás, o vocábulo "subrogação" assim como a referência ao "inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91" somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97. Realmente, ao verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei n° 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei n° 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE n° 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei n° 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.076 16 produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.077 17 aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino "lex specialis derogat generali". A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial". Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97" não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a sub rogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: III a empresa adquirente, Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.078 18 consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. (...) Pelas razões expostas, voto no sentido de prover o recurso, para declarar a definitividade do crédito tributário objeto do auto de infração ora discutido, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.079 19 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Considerando todas as colocações do ilustre relator Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Gomes, devo dizer que concordo com a interpretação por ele adotada acerca da existência de concomitância no mérito entre o presente processo e a ação judicial promovida pelo recorrente, todavia, entendo que a aplicação da Súmula nº 1 do CARF seja restrita as matérias em discussão no processo, ou seja, envolve todas as matérias levadas ao judiciário pelo recorrente. Vejamos o teor da súmula: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ao observarmos os termos da decisão proferida pela turma a quo, qual seja, acórdão 2803002.909, fls. 1209 a 1214, verificamos que o colegiado ao aplicar a decisão do STF, que declarou a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, acabou por não apreciar outras questões descritas no recurso voluntário do sujeito passivo. Segue a ementa do acórdão: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RURAL. SUBROGAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIDA PELA STF. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. RICARF. Recurso Voluntário Provido Por outro lado, é possível verificar no item 4 do Recurso Voluntário, alegações não apreciadas por parte do colegiado, e que pelos argumentos constantes dos autos não encontramse em discussão no âmbito judiciário, vejamos: 4. Da imposição da multa com fundamento em dispositivo revogado. O lançamento tributário foi lavrado em 23.09.2011, imputando à recorrente a prática da infração descrita no § 5 o , do art. 32, da Lei n° 8.212/91. Nessa ocasião — 23.09.2011 — a referida disposição que serviu de base para a imposição da penalidade (§ 5o , do art. 32, da Lei n° 8.212/91), há muito que já havia sido expressamente revogado pelas disposições da Lei n° 11.941/2009. Ainda assim, quando do lançamento, cuja competência é privativa da autoridade administrativa lançadora (art. 142, do CTN), a disposição que serviu de base para a imposição de penalidade já não mais figurava no ordenamento jurídico vigente. Assim, o enquadramento daquela indigitada infração, quando do lançamento representativo de ato jurídico regrado, em Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.722196/201115 Acórdão n.º 9202003.776 CSRFT2 Fl. 1.080 20 disposição legal já revogada, configura inequívoco erro de direito a macular a imposição de penalidade. Aqui não se trata de aplicação do princípio da retroatividade benigna. Esse princípio teria aplicação se a revogação houvesse ocorrido após a imposição da penalidade e com a superveniencia de lei mais benigna. Não é o caso dos autos, como já esclarecido, restando evidente o erro de direito que não autoriza novo lançamento. Ademais, com a pretensão de aplicação da garantia da retroatividade benigna, acaba a autoridade julgadora por dar nova tipificação legal a um ato regrado, a um lançamento tributário, cuja atividade é privativa da autoridade lançadora, vedada essa atividade por parte do órgão julgador, como pacificado em remansosa jurisprudência dessa Colenda Corte. Ou seja, entendo que correto o posicionamento de que todo o mérito do presente lançamento foi levado ao poder judiciário, contudo nos termos da Súmula n. 1, deve haver manifestação da turma a quo acerca dos argumentos do recorrente de que a multa aplicada não encontravase em vigor no momento da autuação, razão pela qual questionou sua aplicação. Dessa forma, entendo que o colegiado deverá se manifestar quanto a argumentação da multa aplicada no presente lançamento, já que referida matéria, no meu entender não se encontra abrangida pela ação judicial promovida pelo sujeito passivo. CONCLUSÃO Face o exposto encaminho por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso por aplicação da Súmula CARF nº 1, com retorno dos autos à Câmara a quo, para discussão da retroatividade benigna da multa. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 12466.001931/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida.
AUTO DE INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELEMENTOS DE PROVA.
Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica. No caso o responsável solidário não trouxe ao processo qualquer elemento de prova para afastar a acusação fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida. AUTO DE INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELEMENTOS DE PROVA. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica. No caso o responsável solidário não trouxe ao processo qualquer elemento de prova para afastar a acusação fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 19 31 /2 00 6- 31 Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.537 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.538 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 01 a 19, por meio do qual é formalizada a exigência do crédito tributário, no valor de R$ 1.052.845,00, em razão, segundo a descrição dos fatos, de a empresa Líder Importação e Exportação Ltda, na condição de importadora, haver promovido despachos aduaneiros com base nas declarações de importação relacionadas às fls. 17 e 18, ocultando o real adquirente das mercadorias objeto de importação, no presente caso a empresa Bulym Comércio de Tecidos e Roupas Ltda. A constatação da ocorrência de ocultação do real adquirente das mercadorias, relativamente aos despachos em menção, teve origem no âmbito do procedimento especial de fiscalização realizado junto à empresa Líder Importação e Exportação Ltda. A empresa Líder foi incluída em mencionado procedimento após análise de requerimento de habilitação e da sua atuação como operador no comércio exterior. As razões trazidas pela autuação, para sustentar mencionada acusação, em síntese, são: A ocultação, por parte da Líder, de empresas que a contratam para fazer importação na modalidade “por conta e ordem de terceiros” e que ficam ocultas nas respectivas transações. Esse modo de operar ficou constatado pela análise de contratos firmados com empresas nacionais adquirentes de mercadorias importadas, as quais, não estão vinculadas à Líder nem habilitadas a operar no comércio exterior; A liquidação de contratos de câmbio, por parte da Líder, relativamente a importações indicadas tanto na modalidade “por conta própria” como na “por conta e ordem de terceiros”, com recursos dos adquirentes das mercadorias. Essa constatação teve suporte em planilhas apresentadas pela Líder. As declarações de importação relativas às operações “por conta e ordem de terceiros” foram registradas como sendo operações “por conta própria”, porém, no curso do procedimento em destaque, a empresa Líder declarou ter efetuado a importação por conta e ordem de terceiros, e de que esses foram responsáveis pelos recursos necessários à liquidação cambial; Verificação de operações informadas na modalidade “por conta própria” e, com recursos provenientes de empréstimos junto ao Bandes (Fundap), relativas aos anos de 2003, 2004 e 2005 no montante de R$ 37.762.054,00, sendo que, por conta desses empréstimos foram creditados R$ 4.325.275,86; Constatação, em análise da formação de preços das mercadorias importadas nos anos de 2003, 2004 e 2005, de que em várias notas fiscais de entrada e de saída os campos “natureza da operação” não foram preenchidos com os códigos C.F.O.P. de compra e de venda, mas sim, com o código C.F.O.P. 3.949 relativo a outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificado e, o C.F.O.P. 6.949 relativo a outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado. Com isso, confirmando não se tratar de operação de compra e venda de mercadorias; Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.539 4 Existência, no campo “dados adicionais” das notas fiscais, de informação dando conta de se tratar de “mercadorias recebidas por conta e ordem de terceiros”, nas notas fiscais de entrada e, de “remessas de mercadorias recebidas para terceiros”, nas notas fiscais de saída; Nas operações de importação informadas como sendo “por conta própria”, a empresa cometeu enganos ao informar sobre os exportadores, mostrando desconhecimento sobre as operações de importação; Informação, por parte da Líder, de que até dezembro de 2003 somente realizou operações por conta e ordem de terceiros, sem lucro, e com utilização de recursos financeiros dos adquirentes das mercadorias, quando na realidade registrou importações “por conta própria” em valores que atingiram quase 3 milhões de reais no período; Verificação de que a empresa Líder estava autorizada a registrar operações “por conta e ordem de terceiros” apenas para as empresas adquirentes YHP Confecções Ltda., Korefios Indústria e Comércio de Fios Ltda., Indústrias Têxteis Sueco Ltda., MTC Advanced Importação Eletrônica Ltda. e Geotex Indústria e Comércio Ltda., porém, de acordo com documentos apresentados, constatouse que a mesma promovia, também, importação para outras empresas, sem declarar essas operações como sendo “por conta e ordem de terceiros” ; Não verificação, mesmo nos casos de mercadorias saídas como sendo operação de venda (nota fiscal com o código C.F.O.P. 6.102), de acréscimos, ao valor da mercadoria importada, relativos aos valores das despesas incorridas para a importação, tais como: capatazia, armazenagem, transportes, taxas, etc. nem mesmo de margem de lucro. Sendo que essa situação é incompatível com a atividade comercial, somente explicada para fins de ocultar os reais adquirentes das mercadorias; Constatação, em análise dos demonstrativos contábeis, da empresa Líder, relativos aos de 2003 e 2004 do registro de créditos na conta do Passivo Circulante – Adiantamento de Clientes Nacionais, no valor de R$ 3.862.539,90, isto até dezembro de 2003. A partir do terceiro trimestre de 2004, a conta Adiantamento de Clientes Nacionais deixa de existir sendo criada a conta Depósitos Pendentes, também, no Passivo Circulante, para registrar obrigações de curto prazo com terceiros. Os valores creditados, no ano de 2004, consideradas as duas contas, foi de R$ 31.253.961,46. Esses valores, antecipados pelos reais adquirentes das mercadorias, em verdade foram a fonte de financiamento da Líder para realizar as importações; e Ao declarar as importações que ocorreram sob a responsabilidade de terceiros, como se fossem operações “por conta própria”, a empresa Líder simulou a realização de uma transação comercial que na realidade ocorreu com a participação de empresas nacionais que acabaram por ficar ocultas; No âmbito do mencionado procedimento especial de fiscalização podese conhecer o modo em que a empresa Líder operou a importação de mercadorias e, em face disso, a autuação concluiu: a) pela falta de capacidade financeira dos sócios e da empresa; b) pela ocorrência de simulação no registro de importações próprias; c) pela ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas; e d) pela ocorrência de interposição fraudulenta na importação. Assim, com base no disposto no inciso XXII do art. 618 do Decreto nº 4.543/2002 foi proposta a aplicação da pena de perdimento das mercadorias. Porém, Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.540 5 tendo em vista a impossibilidade da apreensão das mercadorias, foi proposta a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, como disposto no §1º do art. 618 do Decreto nº 4.543/2002. Referido valor aduaneiro foi apurado conforme planilha de fls. 17 e 18. Com isso, foi lavrado o auto de infração (fls. 02 a 22), estando no pólo passivo da relação jurídica aduaneira na condição de contribuinte, a empresa Líder Importação e Exportação Ltda e, na condição de responsável solidário a empresa BULYM Comércio de Tecidos e Roupas Ltda. Como se vê no auto de infração (fl.03) a exigência da multa em questão encontrase formalizada com pluralidade de sujeição passiva. A empresa Líder Importação e Exportação Ltda. está posta no pólo passivo da relação jurídica aduaneira em caso, na condição de contribuinte (inciso I do art. 103 e inciso V do art. 603, ambos do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), e a empresa BULYM Comércio de Tecidos e Roupas Ltda., na condição de responsável solidário (inciso III do art. 105 do Decreto nº 4.543/2002). Cientificadas da exigência que lhes foi imposta, a empresa Líder Importação e Exportação Ltda, por intimação pessoal, conforme declaração de ciência posta o auto de infração (fl.03), e a empresa BULYM Comércio de Tecidos e Roupas Ltda., por intimação via postal, conforme aviso de recebimento juntado à fl. 24, apenas essa última apresentou impugnação. A impugnação apresentada pela BULYM Comércio de Tecidos e Roupas Ltda encontrase às fls. 42 a 57, com documentos acostados às fls. 58. As alegações trazidas pela BULYM Comércio de Tecidos e Roupas Ltda são, em síntese, que o auto de infração deve ser declarado nulo por afrontar o disposto no artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972 com as alterações da Lei nº 8.748/1993, assim como ao disposto no inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal, e nos artigos 47, 48, 49, 282, 283 e 284 do Código de Processo Civil. Requer seja anulado o auto de infração. O presente processo foi julgado por esta DRJ, em 04/09/2009, que proferiu o Acórdão nº 0717.447, com a ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O auto de infração ou notificação de lançamento desacompanhado dos termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito é nulo em razão do cerceamento do direito de defesa dos acusados. Em voto de lavra deste relator foi registrado o entendimento unânime de que havia nulidade no auto de infração em apreço pelo fato de que os autos não haviam sido instruídos com os elementos de prova das acusações consubstanciadas no auto de infração, o que caracterizaria cerceamento do direito de defesa das acusadas. Em razão de recurso de ofício o processo foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que, em decisão, por maioria de votos, anulou a decisão desta DRJ. Referida decisão foi proferida por meio do Acórdão nº Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.541 6 3201000.645 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 01/03/2011 (fls. 76 a 82), com a seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — ATO MERAMENTE IRREGULAR. Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o tome inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a "motivação" feita pela autoridade administrativa que integra a "formalização" do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS DE PROVA PRODUZIDOS EM PROCESSO AUTÔNOMO SANEAMENTO DE IRREGULARIDADE E REABERTURA DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO Se o ato meramente irregular praticado no processo em que foi aplicada a pena de perdimento consiste na ausência de elementos de prova produzidos em processo diverso de inaptidão da importadora, a decisão da instância a quo deve ser anulada para que o órgão fiscalizador instrua o processo de modo a garantir à responsável solidária da importadora o direito ao contraditório e à ampla defesa. Tal direito se garante mediante o saneamento da irregularidade e a reabertura do prazo para impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O voto proferido pelo CARF conclui da seguinte forma (fl.81): Diante de todo o exposto, voto por anular a decisão recorrida, determinando ao órgão fiscalizador que transcreva nos autos do processo em epígrafe a íntegra do processo de inaptidão do CNPJ da contribuinte, assegurandose à BULYM Comércio de Tecidos e Roupas Ltda a reabertura do prazo para apresentar impugnação em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, o processo foi encaminhado à unidade preparadora que instruiu os autos com os documentos de folhas 84 a 2475, deu ciência da decisão do CARF ao contribuinte e concedeu novo prazo para que a interessada “Bulym Comércio de Tecidos e Roupas Ltda” apresentasse nova impugnação. (fl. 2476 e 2477). Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.542 7 A interessada apresentou a impugnação de folhas 2478 a 2493, na qual alega, em síntese, que: Há desrespeito ao contraditório e ampla defesa, prescritos no art. 5º e seu inciso LV, da Constituição Federal, pois “a totalidade do auto se baseia em documentos e declarações produzidas pela, ou obtidos junto a Líder, que de posse deles, pode plenamente exercer o contraditório, valorando a documentação, questionando fundamentadamente a interpretação dada pelo agente, ou até silenciando, por conveniência, mesmo que isso prejudique terceiros. Já a impugnante, somente agora, depois de determinada a multa, pode ter acesso aos fatos apurados pelo fisco, em nenhum momento, durante o processamento do auto nº 12466.001855/200663, foi intimado a manifestarse ou a prestar esclarecimentos sobre os fatos apurados no procedimento de investigação. Desta forma, ficou o impugnante impedido de dispor desta documentação, portanto não pode valorála, tampouco questionar a interpretação que a agente lhes deu, ficando, talvez, a mercê do silencio da Líder, que pode ter conseguido um devedor solidário pra compartilhar seus débitos.” (sic) O fato de ter sido disponibilizada a documentação somente agora não tem o condão de sanar o vício formal apontado, o que decreta a nulidade do auto. Houve desatendimento do art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, pois não foram descritas as condutas praticadas, por este ou aquele, para que houvesse delimitação dos atos praticados e o estabelecimento de suas responsabilidade, requisitos indispensáveis para a configuração do ilícito. Os documentos acostados posteriormente não tem o poder de sanar as nulidades apontadas, apenas evidenciam o cerceamento de defesa imposto à impugnante. O auto de infração relaciona diversas empresas que teriam cometido irregularidades junto com a empresa Líder, todavia somente a impugnante integra o auto como responsável solidária. Cuidase, em verdade, de litisconsórcio necessário, conforme disposto nos artigos 47, 48 e 49 do CPC. Mesmo que se tratasse de lavratura de autos isolados para cada uma das empresas mencionadas, tal fato “deveria estar descrito na peça, por disposição expressa do artigo 9, da Lei nº 8748/93, 281, 282 do C.P.C. e do 5º, LV da Constituição Federal.” (sic) Os documentos que instruíram o auto de infração não são suficientes para que se possa fazer uma análise crítica do contexto, pois não se encontram os extratos da movimentação bancária para que pudessem ser comparados com notas fiscais ou declarações de importação, a fim de verificar o que foi eventualmente pago. A simples existência de um contrato, como o que foi juntado aos autos, não permite a conclusão de que existiram operações, como também, em caso afirmativo, que tais negócios estariam maculados, pois nada impede a impugnante de adquirir mercadorias de um importador, desde que, pague o preço e os tributos. A autuação carece de atenção aos princípios da legalidade e da imparcialidade, além de não ter apresentado a devida fundamentação ao não estabelecer o nexo de causalidade. “Enfim, não é possível crerse apenas nas palavras de uma empresa que recebeu financiamento e não o contabilizou; que afirma num momento que faz importações por conta própria e depois por conta e Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.543 8 ordem; que aduz ter trabalhado vários anos sem lucro, mesmo com um movimento bancário fabuloso, em detrimento de outra fiel e boa cumpridora de sua obrigações, que não teve sua contabilidade, documentação e movimentação bancária verificada.” (sic) Os desmazelos e desarranjos da Líder não podem atingir a impugnante, que sempre agiu de boa fé, que, inclusive, é presumida. Inexistem elementos objetivos e subjetivos que respaldem a extensão da responsabilidade da Líder para a impugnante. A pretensão fazendária viola as disposições do art. 5º, LV e 93, IX da Constituição Federal e art. 9º do Decreto nº 70.235/1972. Requer sejam acolhidas as preliminares e declarado nulo o auto de infração ou, alternativamente, para argumentar, seja “levantado” o auto. Ao julgar esta segunda impugnação, a 1ª Turma da DRJ/FlorianópolisSC proferiu o Acórdão nº 0733.133, de 30/10/2013, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com referida decisão o responsável solidário apresentou recurso voluntário, por meio do qual repete exatamente os mesmos argumentos constantes de sua impugnação. É o relatório. Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.544 9 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Nulidade Nesse aspecto, o presente processo é bem sui generis. Ocorre que no primeiro julgamento pela DRJ/Florianópolis foi decretada a nulidade do lançamento e apresentado o correspondente recurso de ofício. Por sua vez, ao analisar o recurso de ofício, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, decidiu que não houve a alegada nulidade e devolveu o processo para saneamento e inclusão dos elementos constantes do processo de inaptidão do CNPJ. Portanto a análise de nulidade do lançamento a ser aqui realizada, pressupõe o auto de infração com os elementos juntados a partir do Acórdão do Recurso de Ofício. Com essas considerações, esclareço que não vislumbrei no auto de infração constante do presente processo, qualquer mácula que pudesse tornálo nulo. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN: Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.545 10 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao recorrente conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. As questões apontadas pelo contribuinte referemse à metodologia de apuração e ocorrência ou não dos fatos geradores, que são relativas ao mérito da autuação. Não há nem incerteza e nem falta de liquidez na autuação, pois o valor exigido está apontado e a matéria tributável devidamente caracterizada e fundamentada. A análise de mérito destas questões podem levar à improcedência do lançamento e não a sua nulidade. Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Mérito O contribuinte faz um ataque generalizado ao auto de infração sempre focado no cerceamento do direito de defesa, pois segundo ele não teria sido ouvido quando da produção dos elementos de provas no processo nº 12466.001855/200663 o qual teria respaldado a conclusão da fiscalização de que a Líder Importadora teria importado produtos por conta e ordem da recorrente, mas teria aposto fraudulentamente nas Declarações de Importação que as importações foram realizadas por conta própria. Na verdade os elementos constantes do processo nº 12466.001855/200663, trazidos ao presente processo, demonstram de maneira inequívoca que a Líder Importadora, aliada a diversas outras empresas, inclusive a recorrente, articulou um modo de agir para atuar no comércio exterior, na importação de bens, com o objetivo de fraudar a fiscalização aduaneira inserindo elementos inexatos em suas declarações de importação. Esses elementos estão exaustivamente descritos tanto no auto de infração do presente processo quanto no relatório da fiscalização, fls. 2378/2403, fazendo referência a diversos elementos de prova. Constam entre estes elementos o contrato de prestação de serviços assinado entre a recorrente e a importadora, fls. 26/30, cuja cláusula primeira determina que a importadora Líder intermediará com exclusividade, todos os negócios de comércio internacional da recorrente. Na cláusula segunda consta que a Líder Importadora agirá por conta e ordem da recorrente. Ora, não dá para negar que nas importações efetuadas, objetos da autuação, a Importadora efetuou a importação por conta e ordem da recorrente, mas fez constar nos procedimentos de importação que estava efetuando a operação por conta própria. A própria importadora confessou este procedimento, o qual, aliás, sendo bem sucedido, geraria economia de impostos para a recorrente. Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.546 11 Penso que a acusação está bem fundamentada, sendo que a recorrente não consegue trazer um único início de prova em seu favor. Sua defesa resumese em negar os fatos e que estaria refém de elementos de acusação alheios à seu controle. Não é verdade, a própria recorrente confirma a autenticidade do contrato. Os demais elementos, registrese, restritos às Declarações de Importação de fls. 20, são elementos comuns tanto ao importador quanto à recorrente. Somente a título de exemplo, não sei se seria suficiente para afastar a exigência, mas a recorrente poderia, a respeito dessas importações específicas, ter comprovado por meio dos seus controles contábeis e bancários, de que não teria adiantado os recursos financeiros à importadora. Que teria pago a ela exatamente o valor constante das faturas constantes das notas fiscais de saídas da importadora, etc. De forma, que reputo a acusação correta, sendo que a defesa nada trouxe a seu favor que pudesse afastar a acusação fiscal. Além disto, o acórdão recorrido analisou a impugnação repelindoa com os argumentos constantes do voto do relator. Por sua vez a recorrente, no seu recurso voluntário, traz uma cópia exata de sua impugnação, nada contestando em relação a decisão recorrida. Por esta razão, e por concordar com o acórdão recorrido, transcrevo abaixo trechos do referido voto, utilizandoos também como razão de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. (...) Inicialmente, cumpre esclarecermos sobre a exigência postulada e sobre a motivação da qual decorre. Para tal permitome utilizar os termos do voto do ilustre Julgador Cícero Pereira Peres Martins, quando tratou de processo decorrente de caso semelhante, com as adaptações necessárias ao caso em tela: A motivação da exigência em apreço, como consubstanciado na descrição dos fatos, tem sua origem no âmbito dos despachos aduaneiros efetuados com base nas declarações de importação indicadas pela autuação às fls. 17 e 18. Segundo a autuação, essas declarações de importação foram formalizadas, pela empresa Líder Importação e Exportação Ltda., na condição de importadora, com a informação de que as respectivas operações de importação se faziam ‘por conta própria’. No entanto, em face de informações e declarações obtidas no âmbito de procedimento especial de fiscalização, junto à empresa Líder, sobre o modo em que a mesma opera suas importações, a autuação sustenta a conclusão de que as operações em trato foram, efetivamente, realizadas, ‘por conta e ordem de terceiros’, cuja caracterização básica encontrase no art. 27 da Lei nº 10.637, de 2002, e não ‘por conta própria’ (v. fls.07 a 18). É essa, portanto, a motivação da exigência em trato. Com isso, tendo em vista o prescrito na norma contida no art. 23 e seu § 1º do Decretolei nº 1455, de 07 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, cuja regulamentação encontrase no inciso XXII do art. 618 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, a autuação propôs a aplicação da pena de perdimento das mercadorias em questão. No entanto, em razão de as mesmas (mercadorias) não serem localizadas, foi proposta, com base no § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1455, de 1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, cuja regulamentação encontrase no § 1º do art. 618 do Decreto nº 4.543, de 2002, a conversão da pena de perdimento em multa pecuniária equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. É essa multa, Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.547 12 portanto, a exigência que se encontra formalizada por meio do auto de infração em trato. Postas essas considerações, passamos a analisar as alegações da empresa Bulym Comércio de Tecidos e Roupas Ltda, que figura como sujeito passivo no auto de infração, na qualidade de responsável solidário. As alegações da impugnante são no sentido de que seu direito de defesa restou prejudicado por não ter sido cientificada e não ter tido a oportunidade de acompanhar as investigações realizadas na empresa importadora, Líder. Alega ainda que não foram apresentados os extratos da movimentação bancária da importadora, fato que impede a verificação dos pagamentos realizados frente às importações. Tais argumentos não socorrem a impugnante. Os documentos que foram analisados pela fiscalização, depois da decisão do CARF, foram acostados aos presentes autos. Deles, como já dito, restou a comprovação de que a importadora realizou importações declarandose como importadora e adquirente das mercadorias quando, em verdade, as operações eram realizadas por conta e ordem de reais adquirentes, ocultas fraudulentamente, mediante simulação. Cotejandose os registros contábeis com os documentos fiscais e de importação, assim como com as declarações dos responsáveis pela importadora, comprovase o cometimento da infração acusada. Assim, da mesma forma como procedeu a fiscalização, bastaria a impugnante proceder à análise dessa documentação para concluir da mesma forma. Se conclusão diferente a impugnante chegasse, restarlheia demonstrar as eventuais incorreções praticadas pela fiscalização para que os Órgãos julgadores pudessem analisar. Todavia, resumirse a, genericamente, contestar os documentos e o procedimento adotado pela fiscalização, sem nada acrescentar aos autos, sem apresentar nenhuma prova contrária às irregularidades acusadas, é atitude que não pode ser aceita como prova de que as importações não foram realizadas de forma fraudulenta. De se registrar que consta dos autos contrato estabelecido entre a importadora e a ora impugnante para realização de importações por sua conta e ordem. (v. fl. 26 a 30). Para contestar o documento como prova da ocultação fraudulenta da adquirente das mercadorias, já que as operações foram realizadas sem que se declarasse a impugnante como adquirente das mercadorias, a impugnante deixa a entender que realizou operações de importação por sua conta e ordem, mas que também adquiriu mercadorias já importadas pela empresa Líder. E ainda quer que se proceda a diligência para se determinar quais foram esses negócios realizados. A alegação possui evidente tentativa de protelar a decisão do presente processo. Como se sabe, é no momento da impugnação que se deve apresentar as provas do que se alega. Assim, se a alegação é de que a impugnante realizou outros negócios com a importadora e que esses negócios comprovariam a regularidade das operações, não há porque realizar diligências, pois ditos negócios devem ser de pleno conhecimento da impugnante. Assim, com base no que dispõe os art. 18 e art. 28, in fine, do Decreto nº 70.235/1972, a diligência solicitada deve ser indeferida, pois prescindível à solução do litígio, além do fato de ser da impugnante a obrigação da trazida das provas do que alega. Improcedente também a alegação de que há nulidade processual pelo fato de somente a impugnante constar como responsável solidária, quando a descrição do Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12466.001931/200631 Acórdão n.º 3301002.942 S3C3T1 Fl. 2.548 13 auto de infração faz referência a diversas outras empresas que seriam as adquirentes ocultas das mercadorias importadas. A descrição dos fatos do auto de infração desnuda o modus operandi da importadora. Esclarece que as operações de importação que realizava em seu nome eram, em verdade, por conta e ordem de diversos adquirentes, ou seja, os reais interessados nas operações de importação permaneciam ocultos mediante uma simulação. De acordo com o que determina o inciso V do art. 95 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, o adquirente da mercadoria importada por sua conta e ordem responde solidariamente com o importador pela infração cometida. Por óbvio, o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem somente pode responder por aquelas mercadorias que adquiriu. Portanto, corretamente o auto de infração em apreço traz como responsável solidário somente a ora impugnante pois, como dito, a autuação se refere unicamente às importações realizadas por sua conta e ordem e não por outrem. (...) Somente para complementar, as alegações do recorrente no que diz respeito ao "litisconsórcio necessário" são totalmente desprovidas de razão. As acusações constantes do presente processo referemse unicamente às declarações de importação relacionadas à fl. 20, as quais não têm qualquer vínculo com outras empresas que constam do relatório da investigação. No processo administrativo de exigência tributária não existe a figura do litisconsórcio, mas sim do(s) responsável(is) solidário(s), que no presente processo figura somente o recorrente pelos motivos já expostos na autuação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10831.013070/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 22/06/2007
AVARIA E DANO. MERCADORIA SUBMETIDA A INTEMPÉRIE ENQUANTO AGUARDA RECEPCIONAMENTO PELO DEPOSITÁRIO.
Não se pode responsabilizar o transportador pelos tributos na constatação de dano: (1º) cuja causa reside na condição climática a que submeteu a carga enquanto aguardava o atendimento do depositário, carga desembarcada sem conhecimento de que o depositário não iria recebê-la; adicionado ao fato de que (2º) eles não foram informados pelo agente de carga de cuidados especiais para proteção da mercadoria com relação à umidade e à chuva.
Numero da decisão: 3401-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara deAraújo Branco.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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AVARIA. Recorrente ABSA AEROLINHAS BRASILEIRAS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/06/2007 AVARIA E DANO. MERCADORIA SUBMETIDA A INTEMPÉRIE ENQUANTO AGUARDA RECEPCIONAMENTO PELO DEPOSITÁRIO. Não se pode responsabilizar o transportador pelos tributos na constatação de dano: (1º) cuja causa reside na condição climática a que submeteu a carga enquanto aguardava o atendimento do depositário, carga desembarcada sem conhecimento de que o depositário não iria recebêla; adicionado ao fato de que (2º) eles não foram informados pelo agente de carga de cuidados especiais para proteção da mercadoria com relação à umidade e à chuva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara deAraújo Branco. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 30 70 /2 00 7- 83 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Relatório Trata este processo de lançamentos que constituem e exigem Imposto de Importação, IPI, PIS importação e COFINS Importação, adicionados de multa de ofício e juros de mora, a partir do vencimento. A autoridade fiscal, em procedimento de Vistoria Aduaneira, solicitada pelo importador, registrou que as mercadorias contidas em 35 dos 45 volumes (caixas de papelão) acobertados pelo conhecimento aéreo MAWB 045 6500 4015 HAWB 10080910 estavam avariadas em decorrência da umidade proveniente desses volumes terem sido expostos à chuva. A autoridade fiscal decidiu ser o transportador quem deveria ser responsabilizado pelos tributos apurados na avaria. Em seu entendimento, a manipulação entre o veículo transportador e a área da recepção junto ao depositário ocorreu sob a responsabilidade do transportador. E a alegação deste de que a carga permaneceu sob chuva intensa por que havia um congestionamento da INFRAERO não altera o fato da responsabilidade do transportador. O transportador impugnou os lançamentos alegando, em resumo: · tratavase carga preparada por agente de carga, e não pelo transportador; e que nessa situação não tinha conhecimento sobre o conteúdo e domínio sobre as condições de embalagens (que eram caixas de papelão); que os documentos de identificação da carga não trazem informações sobre a necessidade de proteger a mercadoria de chuva; que contratada por agente para transportar carga, não está autorizada a alterar a embalagem ou mudar as formas de acondicionamento; · A INFRAERO somente informou que não receberia a carga depois que ela já estava desembarcada e movimentada para a recepção do armazém; a transportador registrou no sistema MANTRA a condição de negativa do depositário para receber a carga e dela estar submetida à chuva aguardando a entrega à INFRAERO. · A INFRAERO estava congestionada e por longo tempo de espera a carga esteve à mercê da chuva que acometia fortemente o Aeroporto de Viracopos. · que a suposta avaria não ocorreu por sua falta ou culpa; · que a situação se caracteriza caso fortuito e força maior. · que a responsabilidade pelo dano foi do depositário que não recebeu a carga. · que o dano se baseia na afirmação de se deu oxidação nas mercadorias, mas essa condição não ficou comprovada. Os Julgadores da 23ª Turma da 1ª Delegacia da Receita Federal em São Paulo (DRJ SP1) consideraram improcedente a impugnação e mantiveram o crédito tributário exigido. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10831.013070/200783 Acórdão n.º 3401003.162 S3C4T1 Fl. 3 3 A contribuinte ingressou com recurso voluntário, repisando os argumentos postos em sua impugnação, adicionando suas considerações de que os julgadores de 1º piso não analisaram a responsabilidade do depositário para a mesma finalidade, ou seja, de criar condições necessárias para que os volumes apresentados pelo transportador fossem devidamente recepcionados e protegidos. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. O fundamento legal para o lançamento está no artigo 60, parágrafo único, do Decretolei n. 37, de 1966, e nos artigos 591 e 593 do Regulamento Aduaneiro vigente á época (Decreto n. 4.543/2002). CAPÍTULO III DA AVARIA, DO EXTRAVIO E DO ACRÉSCIMO Seção I Das Disposições Gerais Art. 580. Para os fins deste Decreto, considerase (Decretolei no 37, de 1966, art. 60): I avaria, qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou o seu envoltório; II extravio, toda e qualquer falta de mercadoria; e III acréscimo, qualquer excesso de volume ou de mercadoria, em relação à quantidade registrada em manifesto ou em declaração de efeito equivalente. Parágrafo único. Será considerada total a avaria que acarrete a descaracterização da mercadoria. Seção II Da Vistoria Aduaneira Art. 581. A vistoria aduaneira destinase a verificar a ocorrência de avaria ou de extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível (Decreto lei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). § 1o A vistoria será realizada a pedido, ou de ofício, sempre que a autoridade aduaneira tiver conhecimento de fato que a justifique, devendo seu resultado ser consubstanciado em termo próprio. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 § 2o No caso de remessa postal internacional, a vistoria atenderá ainda às normas da legislação específica. § 3o Não será efetuada vistoria após a saída da mercadoria do recinto de despacho. Art. 582. O volume que, ao ser descarregado, apresentarse quebrado, com diferença de peso, com indícios de violação ou de qualquer modo avariado, deverá ser objeto de conserto e pesagem, fazendose, ato contínuo, a devida anotação no registro de descarga, pelo depositário. Parágrafo único. Sempre que o interesse fiscal o exigir, o volume deverá ser cerrado com dispositivo de segurança pela fiscalização aduaneira e isolado em local próprio do recinto alfandegado. Art. 583. Cabe ao depositário, logo após a descarga de volume avariado, ou a constatação de extravio, registrar a ocorrência em termo próprio, disponibilizado para manifestação do transportador, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Art. 584. Não será iniciada a verificação de mercadoria contida em volume que apresente indícios de avaria ou de extravio de mercadoria, enquanto não for realizada a vistoria. § 1o Se a avaria ou o extravio for constatado no curso da verificação, esta será suspensa até a realização da vistoria, adotandose, se necessário, as cautelas referidas no parágrafo único do art. 582. § 2o Não havendo inconveniente, poderá ser dado prosseguimento ao despacho, em relação às mercadorias contidas nos demais volumes. Art. 585. O volume cuja abertura, pela natureza do conteúdo, dependa da presença de outra autoridade pública, somente será vistoriado com o atendimento dessa formalidade. Art. 586. Poderá ser dispensada a realização da vistoria se o importador assumir a responsabilidade pelo pagamento do imposto de importação e das penalidades cabíveis. Parágrafo único. A desistência implicará perda de benefício de isenção ou de redução do imposto, na proporção das mercadorias contidas em volumes extraviados. Art. 587. Assistirão à vistoria, a ser realizada em dia e hora fixados pela autoridade aduaneira, o depositário, o importador e o transportador. Parágrafo único. Poderá, ainda, assistir à vistoria qualquer pessoa que comprove legítimo interesse no caso. Art. 588. A Secretaria da Receita Federal poderá editar ato complementar à implementação do disposto nesta Seção . ... Seção IV Da Responsabilidade pelo Extravio, Avaria ou Acréscimo Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei no 37, de 1966, art. 41): I substituição de mercadoria após o embarque; II extravio de mercadoria em volume descarregado com indício de violação; III avaria visível por fora do volume descarregado; IV divergência, para menos, de peso ou dimensão do volume em relação ao declarado no manifesto, no conhecimento de carga ou em documento de efeito equivalente, ou ainda, se for o caso, aos documentos que instruíram o despacho para trânsito aduaneiro; V extravio ou avaria fraudulenta constatada na descarga; e Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10831.013070/200783 Acórdão n.º 3401003.162 S3C4T1 Fl. 4 5 VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados. Parágrafo único. Constatado, na conferência final do manifesto de carga, extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria, inclusive a granel, serão exigidos do transportador: I no extravio, o imposto de importação e a multa referida na alínea "d" do inciso III do art. 628; e II no acréscimo, a multa referida no inciso III do art. 646. II no acréscimo, a multa referida na alínea "a" do inciso III do art. 646. (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. Art. 594. As entidades da Administração Pública indireta e as empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público, quando depositários ou transportadores, respondem por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1o Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2o As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. A situação descrita na vistoria e no processo é de que a carga havia sido desembarcada pelo transportador e levada à recepção do armazém da INFRAERO, que se negou a recebêla imediatamente. O transportador aguardou o atendimento com a carga submetida a chuva intensa. A inspeção dos volumes dessa carga verificou que 35 do total dos volumes (caixas de papelão) estavam molhadas. Que o importador, na vistoria aduaneira, concluiu que as mercadorias desses volumes molhados estavam absolutamente comprometidas pela umidade. Além disso, ao ler o conhecimento aéreo originário das embalagens de transporte verifico que foi emitido por agencia de carga (Yusen Air & Sea Service Co ltd) do qual constam informações de que são 43 volumes contendo mercadorias do tipo 'partes de automóveis' (new auto parts). E que esse agente de carga contratou a ABSA Aerolinhas Brasileiras SA para o transporte de Tokyo para Viracopos. Mas no conhecimento aéreo não consta qualquer informação sobre providências específicas para proteção ou tratamento das cargas. A partir dessa descrição, concluo que a razão deve assistir a recorrente e procurarei expor as razões desse meu entendimento. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Primeiramente, sublinho que a avaria registrada pela autoridade aduaneira foi atribuída à chuva a que as caixas de papelão ficaram submetidas. A causa do suposto dano às mercadorias foi atribuída à chuva ocorrida após o desembarque das cargas. Essa é questão não questionada pelas partes. Com essa delimitação, ficam excluídas as inúmeras hipóteses alternativas de que a umidade nas mercadorias teria sido causada por outro fator que não a chuva, e que teria sido causada em outro momento que não após o desembarque das cargas e já dentro do aeroporto alfandegado. Pois bem, senhores conselheiros, prossigamos. A área do aeroporto internacional está submetida a regras especiais para o tratamento das cargas provenientes do exterior. Depois de desembarcadas, nenhum dos operadores logísticos pode dar destinação à carga, ou à mercadoria, sem o monitoramento, controle ou autorização das autoridades aduaneiras. Por exemplo, o transportador não pode movimentar a carga desembarcada para seu próprio depósito, ou retornar para a aeronave, ou retirála do área alfandegada, sem autorização aduaneira. Regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto 6.759, de 2009): Art. 5o Os portos, aeroportos e pontos de fronteira serão alfandegados por ato declaratório da autoridade aduaneira competente, para que neles possam, sob controle aduaneiro: I estacionar ou transitar veículos procedentes do exterior ou a ele destinados; II ser efetuadas operações de carga, descarga, armazenagem ou passagem de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas; e III embarcar, desembarcar ou transitar viajantes procedentes do exterior ou a ele destinados. ... Art. 8o Somente nos portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados poderá efetuar se a entrada ou a saída de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 34, incisos II e III). ... Art. 56. Os agentes ou os representantes de empresas de transporte aéreo deverão informar à autoridade aduaneira dos aeroportos, com a antecedência mínima estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os horários previstos para a chegada de aeronaves procedentes do exterior. Art. 57. Os volumes transportados por via aérea serão identificados por etiqueta própria, que conterá o nome da empresa transportadora, o número do conhecimento de carga aéreo, a quantidade e a numeração dos volumes neste compreendidos, os aeroportos de procedência e de destino e o nome do consignatário. Art. 58. As aeronaves procedentes do exterior que forem obrigadas a realizar pouso de emergência fora de aeroporto alfandegado ficarão sujeitas ao controle da autoridade aduaneira com jurisdição sobre o local da aterrissagem, a quem o responsável pelo veículo comunicará a ocorrência. Parágrafo único. A bagagem dos viajantes e a carga ficarão sob a responsabilidade da empresa transportadora até que sejam satisfeitas as formalidades de desembarque e descarga ou tenha prosseguimento o vôo. Art. 59. As aeronaves de aviação geral ou não engajadas em serviço aéreo regular, quando procedentes do exterior, ficam submetidas, no que couber, às normas desta Seção. Parágrafo único. Os responsáveis por aeroportos são obrigados a comunicar à autoridade aduaneira jurisdicionante a chegada das aeronaves a que se refere o caput, imediatamente após a sua aterrissagem. ...... Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10831.013070/200783 Acórdão n.º 3401003.162 S3C4T1 Fl. 5 7 Art. 63. A mercadoria descarregada de veículo procedente do exterior será registrada pelo transportador, ou seu representante, e pelo depositário, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1º O volume que, ao ser descarregado, apresentarse quebrado, com diferença de peso, com indícios de violação ou de qualquer modo avariado, deverá ser objeto de conserto e pesagem, fazendose, ato contínuo, a devida anotação no registro de descarga, pelo depositário. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 2º A autoridade aduaneira poderá determinar a aplicação de cautelas fiscais e o isolamento dos volumes em local próprio do recinto alfandegado, inclusive nos casos de extravio ou avaria.(Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Uma carga pode permanecer em pátio, sem ter sido entronizado no armazém, mas também estará sob controle aduaneiro e sob responsabilidade do Aeroporto. O sistema MANTRA prevê que essas situações sejam registradas, sob pena de serem consideradas irregulares e ensejarem penalidades ao transportador, ou ao agente de carga, ou mesmo à administração da infra estrutura aeroportuária. O transportador registrou no MANTRA tal fato, neste caso. De fato, o transportador permanece com a custódia da carga não recepcionada pelo depositário. Contudo, para a apuração da responsabilidade tributária por avaria ou dano na carga e na mercadoria nessa situação, a meu ver, deve ser apurada com cuidado. O artigo 60, parágrafo único do Decretolei n. 37, de 1966, é claro: a responsabilidade por extravio ou danos era de quem lhe deu causa. Na situação aqui descrita, ele não tinha opção para evitar a submissão á chuva, a não ser a oferecida pela administração do aeroporto, com sua infraestrutura e funcionalidades de apoio, e a oferecida pelo depositário, com sua infraestrutura e funcionalidade de apoio. O transportador foi ao depositário para efetuar a entrega da carga, mas este não a aceitou momentaneamente. Durante este tempo de espera, o transportador não teve condições ou opção para esperar o recepcionamento em local protegido da chuva. Se fosse um caso de extravio, muito provavelmente o transportador teria que explicar por que isso ocorreu com as cargas sob sua custódia. Mas, não, aqui temos um caso de avaria. O dano ou avaria, neste caso, está inequivocamente ligada à chuva que o transportador não pode evitar por que o depositário não cumpriu com a expectativa de recebê la no momento em que a carga havia sido oferecida a ele. Tenho como certo que essa situação exclui a responsabilização do transportador pelo dano. Ele não tinha alternativa para evitar a causa do dano. A meu ver, é de se aplicar a inteligência do disposto no artigo 595 do Regulamento Aduaneiro vigente na época. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Com essas considerações, proponho a este Colegiado dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 11080.723401/2015-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2012
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2202-003.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 34 01 /2 01 5- 08 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11080.723401/201508, em face do acórdão nº 0368795, julgado pela 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por AuditorFiscal da DRF/Porto Alegre/RS, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2012, anocalendário 2011. Após a revisão da Declaração de Ajuste Anual, o imposto a restituir foi ajustado de R$ 6.086,40 para R$ 4.972,65. O lançamento decorreu da constatação da seguinte infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Dedução indevida de despesas médicas, sendo glosadas as seguintes despesas, por não ter sido apresentado documentos comprobatórios, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal: Luciana Weis R$ 350,00; Ronaldo Oliveira da Silva R$ 3.500,00; José Neri da Silva R$ 200,00. Valor glosado: R$ 4.050,00. O Enquadramento Legal encontrase na referida notificação. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 26/03/2015, conforme Aviso de Recebimento (fl. 40). Em 13/04/2015, no pedido de impugnação (fl. 02), o contribuinte questiona a glosa da despesa médica e afirma que os recibos e/ou notas fiscais contém todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Requer acolhida a presente impugnação. É o relatório. Inconformado com a improcedência de sua impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário à fl. 66, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.723401/201508 Acórdão n.º 2202003.345 S2C2T2 Fl. 73 3 O recurso voluntário de fl. 66 foi apresentado em 17/08/2015, conforme se verifica pelo protocolo DE No presente caso, a ciência se deu por via postal comprovada por aviso de recebimento –AR com data de 08/07/2015, conforme fl. 62 Em fl. 70 dos autos há a seguinte informação:: "O contribuinte em epígrafe apresentou Recurso Voluntário em 17/08/2015, após ciência da Intimação do Resultado do Julgamento da Impugnação em 08/07/2015". Assim, considerandose que o contribuinte tomou ciência do resultado do acórdão ora recorrido em 08/07/2015 (quartafeira), iniciase o prazo recursal em 09/06/2015 (quintafeira), tendo por término 07/08/2015 (sextafeira). Não sendo feriado em nenhuma das datas referidas, temse que o recurso voluntário apresentado em 17/08/2015 é intempestivo e, portanto, não deve ser conhecido. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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