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Numero do processo: 10850.901463/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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DIREITO CREDITÓRIO. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 14 63 /2 01 3- 66 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10850.901463/201366 Acórdão n.º 1402003.031 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado: "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2012 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição [...], transmitida em 27/12/2012, por meio da qual o contribuinte acima identificado solicita restituição de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código 2372) do período de apuração 31/03/2012. Despacho Decisório (fl. 04) da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto indeferiu o Pedido de Restituição em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. " Cientificado do Despacho Decisório por via postal em 14/05/2013, o contribuinte apresentou, em 07/06/2013, manifestação de inconformidade (fl. 03), alegando que teve indeferido seu pedido de restituição pelo fato de não ter retificado suas declarações (DCTF, DACON e DIPJ), porém pleiteia novamente o crédito afirmando ter corrigido todas as declarações." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual traz a seguinte explicação para retificar a DCTF, DACON e DIPJ: "Isto tudo foi feito quando constatado que a empresa LC ASSISTÊNCIA MÉDICA S/S LTDA, recolheu o IRPJ sendo 4,80% e a CSLL sendo 2,88% na Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10850.901463/201366 Acórdão n.º 1402003.031 S1C4T2 Fl. 4 3 sua totalidade, e a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF 1,5%, Código 1708 e o PIS/COFINS/CSLL 4,65% Código 5952." Em seu pedido, requer que se aceite as retificações das declarações, pleiteando o crédito novamente referente ao PER/DCOMP acima identificado. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.901463/201366 Acórdão n.º 1402003.031 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.078, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10850.901450/2013 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.078): "O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. O recorrente teve seu pedido de restituição indeferido o fato de que, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que retificou as declarações DCTF, DACON e DIPJ para redução de tributos, pois recolheu o IRPJ e a CSLL na sua totalidade, contudo a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF e o PIS/COFINS/CSLL. Uma vez que a administração tributária tenha iniciado procedimento fiscal para verificar as obrigações tributárias referentes a determinado período e tributo, não mais se pode falar em espontaneidade na entrega de declaração retificadora. Dessa forma, uma vez que a administração tributária emite decisão com base em declaração regularmente entregue, não é lícito que o recorrente retifique a informação que levou àquela decisão e pretenda que seja a nova informação aceita sem passar pelo crivo do Autoridade Fiscal. Sendo assim, deveria o recorrente ter apresentado sua manifestação de inconformidade acompanhada de elementos probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a efetiva ocorrência dos alegados equívocos cometidos em suas declarações anteriores, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10850.901463/201366 Acórdão n.º 1402003.031 S1C4T2 Fl. 6 5 Contudo, apesar das alegações, o recorrente não traz quaisquer documentos (notas fiscais, recibos, comprovante de pagamento) que comprovem que houve a retenção dos referidos valores de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. Além de não comprovar a retenção dos referido tributos, também não houve a demonstração de que os valores retidos seriam suficientes para quitar integralmente os tributos apurados a partir de seus livros comerciais e fiscais. Desse modo, sendo do recorrente o ônus de provar o crédito que alegava ter, nos termos do artigo 333, I, do Código de Processo Civil, e não tendo se desincumbido de referido ônus, cumpre indeferir seu pedido de restituição e de compensação, por falta de comprovação da existência do crédito. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917758/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.549
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, aduzindo que o crédito apurado é legítimo em virtude do reconhecimento de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Logo, a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, excluindo "outras receitas". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 75 8/ 20 11 -2 1 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10830.917758/201121 Resolução nº 3301000.549 S3C3T1 Fl. 3 2 A 2ª Turma da DRJ/BHE indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02054.437. A negativa do reconhecimento do crédito pela DRJ se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da ausência de DCTF retificadora e outros documentos que comprovassem as alegações da Recorrente. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF; · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas extraordinárias; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento; · Anexou planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre “outras receitas” (inclusive as receitas financeiras), DCTF, DIPJ e cópia de parte do livro razão analítico. · Ao fazer a juntada do seu livro razão, entende ser suficiente para conferência e comprovação do recolhimento indevido sobre “outras receitas”. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.538, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.904018/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.538): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10830.917758/201121 Resolução nº 3301000.549 S3C3T1 Fl. 4 3 Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Com isso, é obrigatória a observância da decisão proferida no RE nº 585.235/MG, nos termos do RICARF. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10830.917758/201121 Resolução nº 3301000.549 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, a Recorrente juntou documentos apenas em seu Recurso Voluntário DCTF, DIPJ e livro razão , justificando: Diante da plausibilidade da alegação da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pelo PIS sobre outras receitas (inclusive as financeiras). Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10830.917758/201121 Resolução nº 3301000.549 S3C3T1 Fl. 6 5 b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724722/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
INDEFERIMENTO DE PERÍCIA E DE REQUERIMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM LEI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Considera-se não formulado o requerimento de perícia apresentado em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal.
A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
A prova documental será exibida na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, a menos que ocorra alguma das hipóteses previstas na legislação que possibilite sua apresentação em circunstância diversa.
DECISÃO ADMINISTRATIVA CLARA E FUNDAMENTADA. NULIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO.
Estando a decisão de piso adequadamente fundamentada e as razões de decidir claramente expostas, possibilitando o adequado exercício à ampla defesa e ao contraditório, inexiste justificativa para sua anulação.
CLAREZA DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da autuação quando todos os requisitos previstos em lei para a lavratura do auto de infração tenham sido observados pela autoridade responsável pelo lançamento.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. COMPENSAÇÃO EM DESCORDO COM A LEI. GLOSA. PROCEDÊNCIA.
Está sujeita a glosa a compensação de valores decorrentes da prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra feita em desacordo com a lei.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKET/CARTÃO MAGNÉTICO. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011.
Para o gozo da isenção prevista na legislação previdenciária, no caso do pagamento de auxílio alimentação em ticket/cartão magnético, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de fornecimento de alimentação in natura.
PARCELA SALARIAL PAGA SOB A DENOMINAÇÃO DE AJUDA DE CUSTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. INCIDÊNCIA.
Incide contribuição previdenciária e destinada a terceiros sobre parcelas salariais pagas aos segurados da empresa, independentemente da denominação que lhe tenha sido dada.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALTERAÇÃO LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 2402-006.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro, Jamed Abdul Nasser Feitoza Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial exclusivamente para afastar a incidência da contribuição em relação ao auxílio alimentação.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INDEFERIMENTO DE PERÍCIA E DE REQUERIMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM LEI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Considerase não formulado o requerimento de perícia apresentado em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A prova documental será exibida na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, a menos que ocorra alguma das hipóteses previstas na legislação que possibilite sua apresentação em circunstância diversa. DECISÃO ADMINISTRATIVA CLARA E FUNDAMENTADA. NULIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO. Estando a decisão de piso adequadamente fundamentada e as razões de decidir claramente expostas, possibilitando o adequado exercício à ampla defesa e ao contraditório, inexiste justificativa para sua anulação. CLAREZA DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da autuação quando todos os requisitos previstos em lei para a lavratura do auto de infração tenham sido observados pela autoridade responsável pelo lançamento. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA. COMPENSAÇÃO EM DESCORDO COM A LEI. GLOSA. PROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 47 22 /2 01 0- 11 Fl. 680DF CARF MF 2 Está sujeita a glosa a compensação de valores decorrentes da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra feita em desacordo com a lei. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKET/CARTÃO MAGNÉTICO. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011. Para o gozo da isenção prevista na legislação previdenciária, no caso do pagamento de auxílio alimentação em ticket/cartão magnético, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de fornecimento de alimentação “in natura”. PARCELA SALARIAL PAGA SOB A DENOMINAÇÃO DE AJUDA DE CUSTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária e destinada a terceiros sobre parcelas salariais pagas aos segurados da empresa, independentemente da denominação que lhe tenha sido dada. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALTERAÇÃO LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro, Jamed Abdul Nasser Feitoza Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial exclusivamente para afastar a incidência da contribuição em relação ao auxílio alimentação. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0644.157, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA) que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração lavrado sob o Debcad nº 37.249.1413 para a apuração de contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, relativas às competências 01/2007 a 12/2007. Por bem retratar as razões expostas no Relatório Fiscal e na impugnação, transcrevese a parte correspondente do acórdão recorrido (fls. 621/638): Relatório Fiscal 3. Segundo o Relatório Fiscal, os valores da base de cálculo foram extraídos das folhas de pagamento/resumos (fls. 68 a 464), GFIPs (fls. 465 a 516) e em Nota Fiscal de Prestação de Serviço (fl. 517), sendo observado que: nas competências 01 a 08/2007 a Autuada não recolheu a contribuição previdenciária devida, referente aos valores pagos a titulo de ajuda de custo ao Sr. Wanderley dos Santos (valores esses obtidos nas folhas de pagamento); no ano de 2007 a empresa não possuía inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, instituído pela Lei nº 6.321, de 1976, conforme consulta ao MTE. Assim, os valores pagos referentes à alimentação, por se Fl. 682DF CARF MF 4 constituírem em uma liberalidade, foram considerados base de cálculo de contribuições previdenciárias. Para o cálculo foram utilizados os valores pagos mensalmente, a título de alimentação, obtidos nas folhas de pagamento da empresa, nas competências 01 a 12/2007, referente ao escritório centralmatriz, tendo sido abatido o valor descontado dos segurados; na competência 01/2007 a empresa compensou indevidamente o valor de R$ 14.942,18, referente à retenção da Nota Fiscal n° 221, emitida em nome da Petrobrás Transporte S/A TRANSPETRO em 29/12/2006; a empresa recolheu o valor devido à Previdência Social, referente à competência 06/2007, somente no dia 25/07/2007, gerando, assim, diferença de acréscimos legais, juros e multa, conforme demonstrado nos relatórios DD Discriminativo do Débito e DAL Diferença de Acréscimos Legais, em anexo. 3.1. As contribuições incluídas neste lançamento foram apuradas nos seguintes levantamentos: AL1 (valor Alimentação sem GFIP); AC1 (valor ajuda de custo sem GFIP); GL1 (glosa de compensação); e DAL (diferença de acréscimos legais). 4. Conforme informa a autoridade fiscal, foram emitidas Representações Fiscal para Fins Penais (RFFP), referentes à configuração, em tese, de sonegação de contribuições previdenciárias e crime contra a ordem tributária. Impugnação 5. Regularmente cientificada em 24/05/2010 (fl. 2), a Contribuinte apresentou impugnação em 22/06/2010, alegando, em síntese que: a) “a presente Defesa é plenamente tempestiva, atendendo a este pressuposto de admissibilidade a contento”; b) a presente cobrança é completamente descabida, não encontrando amparo legal que confira suporte aos seus fundamentos, dada a inexistência de débito e a ilegalidade da multa, isto porque “a diferença nesse recolhimento [...] se deu única e exclusivamente pela desconsideração do AFRF dos valores pagos a título de ajuda de custo, dos valores pagos a título de auxilio educação, e de indevida glosa sobre a nota fiscal nº 221, emitida em 29.12.2006 [...] que contabilmente foi lançada em 01/2007”, o que não trouxe qualquer prejuízo ao Fisco, uma vez que houve, efetivamente a retenção de 11%; c) a limitação ao direito de a Impugnante ter acesso aos motivos ou documentos em que se baseou o auditor para lavrar dois autos de obrigação principal e dois de obrigação acessória, “cujos fundamentos são os mesmos e geram confusão à defesa, justamente porque indevidamente seccionados, quando em verdade a motivação é única, dificultando ao defendente fazer a ampla defesa, porque repetitiva”. Desse modo, o agir do Fiscal não repercutiu apenas na ofensa ao contraditório em seu sentido estrito (formal), mas também no “desatendimento ao devido processo em sentido material, justamente porque resultou ausente a fundamentação objetiva das autuações”, tornando nulo o ato administrativo, sendo sua invalidação perfeitamente possível, “através do procedimento de revisão dos lançamentos, desencadeado com a presente defesa administrativa, o que desde já requer”; d) em relação à glosa da compensação efetuada, no valor de R$ 14.942,18, relativo à retenção da Nota Fiscal n° 221, emitida em nome da TRANSPETRO, no último dia de funcionamento do ano, efetivamente fez as retenções determinadas por lei, 11% sobre o valor da Nota, o que não foi considerado pelo AuditorFiscal. Em relação ao atraso ocorrido no pagamento da GPS relativa à competência 06/2007, Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 4 5 também não houve qualquer prejuízo ou omissão quanto ao referido lançamento de créditos indevidos e, “ainda que fossem devidos, apresenta divergências de valores em seus demonstrativos de débito, assim como deixa de observar com perfeição as bases de cálculos das exações previdenciárias lançadas”; e) “É certo que quando efetua uma venda de serviços, a Companhia tem impostos retidos, que devem ser lançados em ‘Impostos a Recuperar (Ativo)’, devendo observar sempre o valor efetivamente recebido em relação a referida Nota Fiscal”, sendo que “a referida apuração somente irá ocorrer com o pagamento da Nota Fiscal, que apesar de emitida em 29.12.2010, apenas foi paga em janeiro de 2007, quando a empresa efetuou seus ajustes no Lançamento”, de forma que o referido procedimento não gerou nenhum pretenso crédito fiscal nem mesmo qualquer prejuízo ao erário”, o que irá comprovar com a necessária perícia; f) a perícia contábil verificará que “a empresa autuada vem acumulando créditos relativos a valores que ainda não foi possível compensar e que certamente servirão de base para restituição devida a autuada, sendo certo que sempre é possível efetuar a compensação do seu crédito ao INSS, nas competências subsequentes, até zerar o seu saldo, vez as sobras existentes dos 11% de INSS retido em notas fiscais”. Também será possível apurar a existência de diferenças de acréscimos legais lançados na autuação, em face de alegada intempestividade no recolhimento efetuado com relação à contribuição devida no mês de junho de 2007; g) quanto aos valores pagos a título de alimentação aos empregados, entende que o fato da empresa não ter apresentado sua inscrição no PAT ensejou indevido lançamento, tomando aqueles valores gastos a titulo de alimentação como base tributável para a contribuição previdenciária, não considerando o fiscal que a autuada desenvolve, e já desenvolvia à época, a proteção alimentar dos seus trabalhadores; h) “Ademais, existem previsões reiteradas nas convenções coletivas de trabalho dos Sindicatos da Indústria da Construção do Estado da Bahia, firmadas pelo sindicato ao qual a empresa é filiada e o sindicato dos trabalhadores da respectiva categoria, de que seria subsidiado o custo da refeição fornecida aos funcionários”; portanto, já havia na empresa a prática de fornecer alimentação aos empregados; i) o art. 3º da Lei nº 6.321, de 1976, declara que “não se inclui no saláriode contribuição a parcela paga pela empresa a título de Programa de Alimentação do Trabalhador, justamente porque não é salário. Assim, a parcela in natura recebida pelo empregado que estiver de acordo com o PAT não terá incidência da contribuição previdenciária”; j) “A falta da inscrição formal no PAT somente pode gerar, na forma do art. 8º do Decreto 5, de 1991, a vedação da empresa para se valer do incentivo fiscal de dedução dos gastos no seu Imposto de Renda (perdendo o direito de créditos remanescentes, inclusive) e a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória ou instrumental (como é a mera e formal inscrição no PAT, que se processa perante os Correios e está automaticamente aprovada neste mesmo momento)”. Tal raciocínio encontra guarida no art. 113, § 2º do CTN, que trata das obrigações acessórias, e que se aplica ao caso concreto, afirmandose no § 3º do mesmo dispositivo legal que a sua inobservância acarretaria somente a aplicação de multa, se houvesse previsão legal, mas nunca a cobrança de tributo; k) os julgamentos proferidos pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, abonam Fl. 684DF CARF MF 6 o direito da Defendente e reafirmam o direito à desconstituição do presente lançamento, uma vez que expressam o entendimento de que parcelas como a alimentação fornecida pela empresa não integram o salário de contribuição. Assim, não há que se falar em declarar tais valores atinentes ao PAT em GFIP e em infração ao art. 32 , IV e § 5º da Lei nº 8.212/91; l) na improvável hipótese de superação das razões expostas, protesta pela realização de perícia técnica, “visando apurar a real base de cálculo do suposto débito, cujos números foram obtidos através de amostragem”; m) traça um paralelo entre o pagamento de valores a título de ajuda de custo (mensalmente, a Wanderley dos Santos) e valores recebidos a título de licença prêmio não usufruída, auxílio transporte, auxíliocreche, auxíliobabá e outros, alegando que tais verbas não possuem natureza salarial, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária, afirmando textualmente que “as verbas pagas ao empregado para auxiliar nas despesas de aluguel, ainda que tenham denominação de auxílio ou de ajuda de custo e mesmo que pagas com habitualidade, como no caso em concreto, têm nítida natureza indenizatória, posto que visam a ressarcir o empregado pelas despesas com moradia em localidade distante do seu domicilio”; n) fazse necessária a realização de perícia para demonstrar que os valores pagos a título de ajuda de custo, buscam restituir despesas inerentes a própria atuação, jamais complementação de salário, uma vez que a autuação não é clara ao tentar desnaturar a ajuda de custo suportada pela empresa autuada; o) “temse o sintoma de que o presente processo administrativo pode vir a ser concluído, sem que tenham sido examinadas matérias constitucionais, situação em que os julgadores restringiriam sua atuação à aplicação de exclusivas normas de inferior escalão jurídico. O que não se pode admitir”, eis que ao solucionar uma questão tributária devem ser considerados os diversos princípios e normas plasmadas na Constituição, de natureza genérica (legalidade, tipicidade, anterioridade, irretroatividade, capacidade contributiva, isonomia, vedação de confisco, ampla defesa, contraditório, etc), e específica (nãocumulatividade, seletividade, progressividade, generalidade, universalidade, competência, etc.); p) insurgese quanto a aplicação de juros capitalizados e da taxa Selic aos créditos previdenciários, alegando que “o STJ já tem posição consolidada de que a Taxa Selic não pode ser aplicada cumulativamente, com outros índices de reajustamento, motivo pelo qual, não devem prosseguir as formas de cálculo elaborados pelo agente autuante”; q) compulsando o DAD anexado à NFLD em apreço, verificase que foram aplicadas multas que atingiram o patamar de 75% do débito, sendo certo que o valor seria fixo, considerando que o contribuinte entregou GFIP em todos os meses, sendo que a multa em percentual sobre lançamentos indevidos possui inequívoco intuito confiscatório; r) em face da revogação do art. 32, §§ 4º e 5º, na forma da redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009, é certo que a lei só retroage quando mais benéfica ao contribuinte, sendo, dessa forma, inaplicável a multa requerida e necessário que a autuação seja anulada; s) também é imprescindível a produção de prova documental e pericial contábil, a fim de promover um julgamento justo, pelo que requer “o deferimento de produção de prova, oportunidade em que a empresa juntará documentos e apresentará demonstrações contábeis a fim de demonstrar a correção dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária, em especial os itens relativos à indevida glosa sobre as retenções efetuadas na Nota Fiscal 221, correção do recolhimento devido em 06/2007 e os requisitos do PAT a da ajuda de custo que não Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 5 7 permitem componham a base de calculo da contribuição”, apresentando quesitos e “protestando pela juntada de quesitação suplementar”; t) requer a improcedência do lançamento de débito, reiterando que todos os documentos estão à disposição da Receita Federal e pleiteando “a comunicação quanto ao resultado desta defesa no endereço profissional dos patronos do contribuinte, sob pena de nulidade (art. 39, I, do CPC)”. Decisão de Primeira Instância Administrativa A DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente, conforme pode se verificar da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. É devida a contribuição previdenciária patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados. NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. AUSÊNCIA. Integram o saláriodecontribuição as verbas pagas pela empresa, a título de alimentação, sem a inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AJUDA DE CUSTO. A parcela recebida pelo segurado empregado a título de ajuda de custo integra o saláriodecontribuição, exceto quando paga em decorrência de mudança de local de trabalho e em parcela única. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 686DF CARF MF 8 O cálculo para a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve ser efetuado no momento do pagamento, parcelamento ou ajuizamento da execução fiscal, comparandose a legislação atual e a vigente à época dos fatos geradores. JUROS. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Possui previsão legal a incidência de juros com base na taxa Selic para fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995, sendo de caráter irrelevável. PROVA PERICIAL. LIMITES. OBJETIVOS. A perícia se destina à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, devendo o julgador refutar aquelas que entender desnecessárias ou prescindíveis. PROVAS DOCUMENTAIS. MOMENTO PARA A PRODUÇÃO. O momento para produção de provas documentais é juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas na legislação pertinente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário o sujeito passivo repisa questões trazidas na impugnação e alega adicionalmente o que segue: nulidade da decisão recorrida pelo não deferimento da realização de perícia i) para comprovar a existência de crédito de INSS pelo Contribuinte, capaz de garantir a compensação com os valores exigidos; ii) para atestar a correção do procedimento da Recorrente em relação a retenção da NF 221 emitida em nome da Transpetro, com a verificação dos lançamentos contábeis respectivos; e iii) no que respeita aos valores pagos a título de ajuda de custo, para a correta apuração da base de cálculo da contribuição exigida. Reitera o pedido de perícia a apresentado em sede impugnatória; a necessidade de perícia de ofício pelo julgador de 1ª instância se mostra ainda mais flagrante quando se demonstra que houve majoração de bases de cálculo no confronto simples entre os balancetes e Livros Razão apresentados pela recorrente à fiscalização e os constantes dos Discriminativos Analíticos de Débito DAD emitidos pela autoridade autuante; a razão desta discrepância é que a fiscalização considerou como salário de contribuição o percentual de 20% sobre a folha de pagamentos da empresa, quando o correto seria considerar tal percentagem, mas incidindo sobre os valores pagos a título de alimentação com os trabalhadores, o que importa em base de cálculo diversa e menor do que a utilizada na forma do art. 28 da Lei 8212/91, que afirma a incidência sobre 20% da totalidade dos pagamentos feitos a título de alimentação; Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 6 9 a produção de prova pericial não se realizou, não sendo nem mesmo fundamentada a sua negativa, culminando numa decisão equivocada que julgou procedente o lançamento tributário, apesar de reconhecer pela necessidade de adequar o percentual da multa aplicada para uma mais benéfica; a garantia da ampla defesa possui previsão constitucional, art. 5º, inciso LV da Carta Magna de 1988, sendo aplicada a todos os processos, judiciais e administrativos, além do que, na forma do art. 37 da Constituição Federal, os agentes estão sujeitos ao princípio da legalidade estrita, sob pena de nulidade de seus atos caso firam as garantias ou descumpram as normas jurídicas vinculantes ao seu agir; a produção de prova pericial seria o único meio para um convencimento do julgador para a improcedência da notificação ora recorrida, não seria prescindível ou impraticável; a ausência de produção da prova técnica, pericial, implicou em um prejuízo visível para a recorrente, que teve uma notificação a si imputada como procedente sem que lhe fosse garantido o direito de produzir as provas possíveis e necessárias para combater a notificação, provas estas que em sua grande maioria encontramse nos contratos ajustados, e nos lançamentos efetuados; a decisão ora recorrida, carece de fundamentação, contrariando o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, o qual exige a apresentação dos fundamentos em que as autoridades administrativas se baseiam para realizar os atos de sua competência; a decisão recorrida limitouse a repetir os termos da autuação inicial, ou seja, adotou os termos da peça de notificação inicial e repisou sua fundamentação legal, negandose, terminantemente, a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma; as razões de decidir não foram expostas pelo julgador de origem, ferindo o princípio constitucional da moralidade administrativa, que reside em analisar a norma na forma determinada pelo legislador, e não amoldála à necessidade do órgão autuante. Repisa pedidos apresentados por via impugnatória, requer que seja declarada a nulidade da decisão recorrida e a juntada de novas provas. É o relatório. Fl. 688DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINARES Nulidade da Decisão Recorrida e Pedido de Perícia e Apresentação de Novas Provas Com relação à nulidade da decisão recorrida, suscitada em razão do indeferimento de perícia requerida em sede de impugnação e à produção de novas provas, tem se que os arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/1972 estabelecem: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 7 11 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Observase, a princípio, que o inciso IV do art. 16 acima reproduzido é bastante claro quanto à obrigatoriedade de o sujeito passivo indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional designado para a realização da perícia tida por necessária. Além disso, o § 1º do mesmo artigo preceitua que, em caso de inobservância ao disposto no inciso IV, o pleito pericial considerarseá não formulado. Examinandose o conteúdo da impugnação, constatase inexistir referência ao perito que deveria ter sido indicado pela recorrente, fato que se mostra suficientemente apto a afastar a argumentação recursal quanto à nulidade da decisão recorrida, em vista de o requerimento trazido na impugnação ter sido apresentado em desacordo com a legislação que rege a matéria, ou seja, tratase de pleito pericial considerado como “não formulado” a teor das disposições normativas supracitadas. Ainda em relação à perícia, os quesitos apresentados pela recorrente foram os seguintes: 1. Queiram os Srs. Peritos especificar quais valores foram pagos pela empresa a título de Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Queiram especificar a modalidade dos valores pagos a título do PAT se deram em pecúnia ou natura, através de vales, etc 3. Queiram os Srs. Peritos especificar os valores e a que titulo se deram os pagamentos efetuados a título de ajuda de custos em favor de Wanderley dos Santos. 4. Queiram os Srs. Peritos verificar a que se refere, valor, multa e correções relativos ao recolhimento efetuado em 25.07.2007. è correto os acréscimos legais postos na autuação relativo ao recolhimento do valor devido em 25.07.2007? 5. Podem os Srs. Peritos especificar os lançamentos contábeis efetuados a título de retenção da Nota Fiscal 221. Qual a sistemática adotada? Fl. 690DF CARF MF 12 6. Podem os Srs. Peritos especificar a data de pagamento da referida nota fiscal 221, se os Créditos foram laçados no conta corrente da empresa? Bem assim se a empresa a empresa autuada possuía crédito a compensar? 7. Possui a empresa autuada débitos a título de terceiros relativo aos valores do PAT? Queiram especificar o valor. 8. E em relação a ajuda de custo. Possui a autuada valores a recolher na conta terceiros? 9. Queiram os Srs. Peritos especificar como a empresa efetuou seus lançamentos no ano de 2007, relativo aos serviços prestados? 10. É possível verificar na contabilidade os valores pagos a título férias, indenizações, salários e rescisões relativos aos empregados da matriz e filial? 11. Possuía a autuada outras autuações que lhe retirasse a natureza de primariedade, na forma do AI 37.249.1430? 12. Queiram os Srs. Peritos especificar se as parcelas salariais estão inseridas na RAIS? E na GFIP? Os documentos apresentados pela empresa são suficientes para a análise das contribuições previdenciárias? 13. RAIS e GFIP possuem a mesma base de cálculo? 14. Quais os índices e respectivos percentuais a título de juros e taxa Selic aplicados ao caso em tela? 15. A aplicação dos juros e taxa Selic é cumulativa? 16. Quanto ao percentual de multa aplicada pela fiscalização do INSS, qual o percentual aplicado em cada fase do processo administrativo? De se notar que tais quesitos dizem respeito a matéria de prova e a questões relacionadas a interpretação da legislação tributária. Tratamse de indagações que não demandam a designação de profissional com qualquer tipo de conhecimento técnico específico. A análise das normas jurídicas afetas à autuação e o exame das provas já trazidas aos autos mostramse suficientes para os deslinde de quaisquer dos questionamentos com base nos quais a recorrente busca fundamentar o pleito pericial, o qual revelase, consoante art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, absolutamente prescindível como bem concluiu a decisão recorrida, conforme trechos que se faz mister reproduzir: Da prova pericial e documental 19. A Autuada protesta pela realização de perícia para apurar a real base de cálculo em relação aos valores pagos a título de alimentação, cujos números, segundo alega, teriam sido obtidos por amostragem. Também pretende demonstrar que os valores pagos a título de ajuda de custo, buscam restituir despesas inerentes a própria atuação e não complementação de salário. Apresenta quesitos às fls. 560/561. 19.1. O Relatório Fiscal é bastante claro ao informar que, “Para o cálculo do valor do salário de contribuição referente à alimentação foram utilizados os valores pagos mensalmente a titulo de alimentação obtidos nas folhas de pagamento da Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 8 13 empresa, nas competências 01 a 12/2007, referente ao escritório centralmatriz, tendo sido abatido o valor descontado dos segurados” (subitem 3.3, fl. 56). Portanto, não se trata de “amostragem”. 19.2. Também os valores pagos a título de ajuda de custo a Wanderley dos Santos foram obtidos nas folhas de pagamento da empresa (subitem 3.2, fl. 56), as quais foram juntadas aos autos pela autoridade fiscal. 19.3. A matéria em julgamento, portanto, não demanda conhecimento técnico específico que não seja da competência da autoridade julgadora. Com efeito, como ensina Antônio da Silva Cabral, a perícia “supõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas com o processo”. E acrescenta que “antes de tudo, portanto, é necessário que o simples exame dos autos pelo julgador não seja suficiente, exigindose o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto”, não sendo este o caso, todavia. 19.4. Por outro lado, nos termos do art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972, considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972 (além da formulação de quesitos [apresentados às fls. 560/561, é necessária a indicação do nome, endereço e qualificação profissional do seu perito, o que não ocorreu no caso presente). 19.5. Há que esclarecer, ainda, que a prova pericial não é substitutiva do ônus que possui a Impugnante de provar suas alegações. Assim, ante a conduta da Contribuinte, que do seu ônus não se desincumbiu, por considerar prescindível a realização de perícia e por não atender aos requisitos legais, rejeitase o pedido, com base no art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972. O fato de o Colegiado a quo ter indeferido o pedido de realização de desnecessária perícia ou mesmo para a apresentação de provas fora do prazo estabelecido na legislação não implica preterição do direito de defesa como tenta fazer crê a recorrente. Trata se de decisão pautada nas disposições normativas que tratam do tema. Sobre os artigos da Portaria MPAS nº 357/2002, suscitados na peça recursal, embora não acudam a recorrente por fazerem referência à “faculdade” atribuída ao julgador administrativo para determinar, de ofício, a realização das perícias que entender necessárias, deveria saber o representante da apelante que, nos termos do art. 25 da Lei nº 11.457/2007, a norma aplicável ao Processo Administrativo Fiscal – PAF, inclusive no que diz respeito às contribuições previdenciárias e às destinadas a outras entidades ou fundos, os denominados “terceiros”, é, desde 1º/03/2008, o Decreto nº 70.235/1972. De igual modo, inaplicável ao presente caso a redação do art. 17 do citado Decreto nº 70.235/1972 reproduzida no recurso voluntário, cujo texto foi alterado ainda em 1997 e também do art. 19 de referida norma, que se encontra revogado desde 1993. Relativamente à assertiva aventada no apelo recursal de que a negativa de produção de prova pericial não teria sido fundamentada, “culminando numa decisão equivocada que julgou procedente o lançamento tributário, apesar de reconhecer pela necessidade de adequar o percentual da multa aplicada para uma mais benéfica”, o trecho da decisão fustigada que acima se reproduziu evidencia carecer de razão essas alegações, eis que demonstra claramente os fundamentos da decisão da DRJ/CTA. Fl. 692DF CARF MF 14 No que respeita a aplicação da multa mais benéfica ao caso ora analisado, essa constatação não tem nenhuma relação com situação que pudesse demandar a realização de perícia. Tratase tãosomente de esclarecimento sobre a aplicação de penalidade em relação a infrações tributárias a que legislação superveniente tenha atribuído sanção menos severa, de acordo com previsão contida no art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional – CTN, em razão das alterações promovidas na Lei nº 8.212/1991, pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Aliás, o cálculo da multa com a aplicação da denominada “retroatividade benigna” foi efetuado ainda por ocasião da autuação. Dessarte, tendo em vista o indeferimento de perícia e de apresentação de novas provas requeridas na impugnação encontrarse respaldado na legislação disciplinadora do PAF, não se verifica nenhuma ofensa a princípios constitucionais como o da ampla defesa, do contraditório ou da legalidade. Tampouco existem elementos que possam levar à decretação de nulidade do acórdão atacado. Ademais, pelas razão acima expostas, indefiro o pedido de perícia reiterado no recurso voluntário, assim como o requerimento para a produção de provas extemporâneas, tendo em conta que, a menos que reste demonstrada uma das situações previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o que não é o caso, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Ainda em relação à presente preliminar, há questões aqui arroladas que estão diretamente relacionadas a questões de mérito e que serão tratadas quando de sua análise. Nulidade da Decisão Recorrida por Falta de Fundamentação da Decisão Recorre o sujeito passivo ao inciso IX do art. 93 da Constituição com o intuito de demonstrar que o decisum de primeira instância administrativa carece de fundamentação. Consoante aduz, “a decisão recorrida limitouse a repetir os termos da autuação inicial, ou seja, adotou os termos da peça de notificação inicial e repisar (sic) sua fundamentação legal, negandose, terminantemente, a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma”. Ainda segundo alega, o acórdão fustigado apesar de verificar a existência de uma glosa e de créditos passíveis de compensação, não mencionou sequer a prova pericial, por entender que o pleito não atendia requisitos formais do Decreto nº 70.235/1972. Mais uma vez a contribuinte busca fundamentar sua discordância em relação ao julgamento de primeira instância administrativa a partir de normas inaplicáveis ao PAF. O art. 93 da Constituição encontrase inserido no seu Capítulo III, “Do Poder Judiciário”, ou seja, referido dispositivo está direcionado à atuação daquele Poder no julgamentos das lides judiciais. A respeito do art. 27 do ato denominado “Portaria nº 148/96” (reproduzido no apelo da contribuinte), vêse tratarse da Portaria Ministro de Estado do Trabalho MTB Nº 148, de 25 de janeiro de 1996 (publicada no DOU de 26/01/1996). Deveria o responsável pela defesa do sujeito passivo saber que esse ato normativo não tem aplicação no âmbito do Ministério da Fazenda, ainda mais em se tratando de PAF, que segue rito próprio, disciplinado em lei específica. Somente com o fim de melhor esclarecer toda essa situação, a necessidade de motivação das decisões administrativas decorre dos princípios do contraditório e da ampla defesa, insculpidos no inciso LV do art. 5º da Constituição/1988. Em termos legais, é o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 que estabelece a obrigatoriedade de que as decisões adotadas no âmbito do PAF sejam devidamente fundamentadas. Vejamos: Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 9 15 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Além do que, diferentemente do que afirma a recorrente, até mesmo em um exame perfunctório do acórdão vergastado é perceptível que a decisão nele contida encontrase perfeitamente fundamentada nas leis instituidoras das contribuições sociais abrangidas no lançamento. Ocorre que o intento da apelante é de que o julgador administrativo se ponha “a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma” tributária, afastando sua aplicação, o que, conforme se verá mais adiante é vedado pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, pelo art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF e pela Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória por este Colegiado. Sobre a alegação de necessidade de perícia com o fulcro de demonstrar a pretensa impertinência da glosa de compensação, procedida por ocasião do procedimento fiscal, ou ainda da incidência de tributação sobre valores pagos a título de ajuda de custo, reafirmase a desnecessidade de produção de prova pericial para tal. De se esclarecer, consoante já se fez no julgado sob ataque, que a prova pericial não tem o condão de substituir o ônus legalmente imposto ao recorrente de comprovar as alegações trazidas a baila no decorrer do PAF. Desse modo, não restando verificada a aduzida ausência de fundamentação ou ainda falta clareza na decisão de piso, afastase a presente preliminar, posto que as razões de decidir expostas no acórdão da DRJ/CTA mostramse assaz inteligíveis, inexistindo qualquer tipo de prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo ou mesmo ofensa ao princípio constitucional da moralidade administrativa. Nulidade por Falta de Clareza na Autuação Neste ponto, convém inicialmente asseverar que não somente o lançamento e as decisões administrativas necessitam ser fundamentadas, mas, de acordo com o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, também as razões trazidas na impugnação ou no recurso voluntário precisam evidenciar a motivação fática e os fundamentos jurídicos em que se acostam. Digo isso porque a reclamante discorre que o fato de se ter efetuado quatro lançamentos distintos em razão da mesma base de cálculo teria dificultado sobremaneira sua defesa, mas não aponta qualquer irregularidade no procedimento administrativo e nem ao menos os motivos que teriam acarretado o mencionado prejuízo ao contraditório ou à ampla defesa. Os lançamentos relacionados à obrigação principal (contribuições previdenciárias da empresa, contribuição para o financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e contribuição destinada a outras entidades ou fundos, os denominados “terceiro”) têm, de fato, a mesma base de cálculo, que é a remuneração paga aos segurados empregados, mas isso está definido em lei. Já o auto de Fl. 694DF CARF MF 16 infração por não informação de fatos geradores das contribuições sociais em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória, que em nada se confunde com as autuações pelo não recolhimento de tributo, estando, inclusive, fundamentada em disposição legal diversa. Não se pode olvidar ainda que todos os autos de infração estão apropriadamente fundamentados, carecendo de plausibilidade a tese de prejuízo à defesa, sendo natural e recorrente a adoção desse tipo de procedimento na esfera tributária. A sistemática adotada pela autoridade autuante não implica qualquer tipo de ilegalidade como sugerem as alegações recursais. Em outra esteira, o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 traz os requisitos para a lavratura de auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Analisandose o presente Auto de Infração, o Relatório Fiscal e seus demais anexos constatase que todos os requisitos previstos em lei para sua lavratura foram regiamente observados pela autoridade fiscal, verificandose completamente descabida a asserção recursal de que a autuação padeceria de vício tendente a atrair a aplicação da Súmula nº 346 do STF, com a consequente anulação do lançamento. Além disso, não se vislumbra a alegada falta de clareza no Auto de Infração e em seus anexos, acrescentandose ainda que o crédito foi constituído por servidor competente, a autuação encontrase devidamente motivada e dela consta a qualificação do sujeito passivo, a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e do período a que se refere, o valor do crédito tributário, o prazo para recolhimento ou impugnação, as disposições legais infringidas, a assinatura da autoridade autuante (com a indicação do seu cargo e do número de sua matrícula) e o local e a data de sua lavratura. Tudo em conformidade com a disciplina legal. Dito isso, rejeito preliminar de nulidade do lançamento, esclarecendo mais uma vez que questões de mérito referidas no presente tópico (multa confiscatória e pagamento de valores a título de auxílio alimentação sem a devida inscrição no PAT) serão objeto de exame em título específico. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 10 17 MÉRITO Impugnação dos Valores Lançados e Indevida Glosa das Compensações Efetuadas em Face da Retenção na Nota Fiscal 221 No que é pertinente à compensação de valores decorrentes da prestação de serviços, mediante cessão de mãodeobra, o caput do art. 31 da Lei nº 8.212/1991 impõe à empresa contratante o dever de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida no mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura. Os §§ 1º e 2º do mesmo artigo determinam que o valor retido seja destacado em nota fiscal ou fatura, para que, desse modo, a empresa prestadora possa compensar a quantia retida por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas sobre a folha de pagamento de seus segurados. Do exame da Nota Fiscal nº 221 (fl. 517), constatase que não houve o destaque de 11% (onze por cento) sobre o valor referente à prestação de serviços inserto no documento fiscal, restando descumprida a regra contida no § 1º do art. 31 da Lei nº 8.212/1991. Além do mais, a recorrente não trouxe aos autos qualquer documento apto a comprovar a alegação quanto à efetiva ocorrência da retenção. O único elemento apresentado no intuito justificar os pressupostos recursais tratase do quadro constante do “documento” de fl. 600, mas as informações ali inseridas vieram desacompanhadas das provas necessárias a respaldálas, isto é, referido impresso não se presta a legitimar os argumentos apresentados no recurso voluntário. Vale reiterar que, diversamente do que insiste em defender o sujeito passivo, mais uma vez não se está diante de circunstância que requeira a realização de perícia contábil ou algo que o valha, até mesmo no que se refere à verificação de diferenças de acréscimos legais. Tratase de matéria de prova. Tivesse a empresa elementos probatórios capazes de infirmar o feito fiscal, poderia têlos exibido no curso do próprio procedimento fiscalizatório ou por ocasião da impugnação, o que não foi feito. Pelas razões manifestadas, nego provimento ao recurso neste ponto. Base de Cálculo das Contribuições Previdenciárias A matriz constitucional das contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração dos trabalhadores em geral é a alínea “a” do inciso I do art. 195 da Constituição Federal que dispõe: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Fl. 696DF CARF MF 18 Com base na previsão constitucional, o art. 28 da Lei nº 8.212/1991 instituiu a base de cálculo sobre a qual incide as contribuições previdenciárias de empregadores e empregados, definida na lei sob a denominação de “saláriodecontribuição”. Vejamos a abrangência legal do saláriodecontribuição em relação à remuneração de segurados empregados e trabalhadores avulsos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; É certo que a Lei de Custeio Previdenciário, sendo norma de caráter tributário, não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado1, como, no meu entender, é o caso do Direito do Trabalho. Assim, ao inserir o termo “salário” na definição da base de cálculo das contribuições, a norma previdenciária buscou preservar o alcance da expressão tomada de empréstimo da legislação trabalhista, em toda a sua abragência. O conceito de salário trazido para a legislação pátria tomou por base o art. 1º da Convenção nº 95 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que tem o Brasil entre seus signatários. De acordo com referido dispositivo: ARTIGO 1º Para os fins da presente convenção, o termo "salário" significa, qualquer que seja a denominação ou modo de cálculo, a remuneração ou os ganhos susceptíveis de serem avaliados em espécie ou fixados por acôrdo ou pela legislação nacional, que são devidos em virtude de um contrato de aluguel de serviços, escrito ou verbal, por um empregador a um trabalhador, seja por trabalho efetuado, ou pelo que deverá ser efetuado, seja por serviços prestados ou que devam ser prestados. Na mesma linha, o caput do art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT arrolou como parcelas integrantes dos salários do trabalhadores utilidades decorrentes do contrato laboral como alimentação, habitação, vestuário, dentre outras: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Assim, a princípio, a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros (saláriodecontribuição) abrange toda e qualquer forma de benefício habitual 1 CTN, art. 110. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 11 19 destinado a retribuir o trabalho, seja ele pago em pecúnia ou sob a forma de utilidades, aí incluídos alimentação, habitação, vestuário, além de outras prestações e in natura. Excluise da tributação somente aqueles benefícios abrangidos por alguma regra isentiva ou que tenham sido disponibilizados para a prestação de serviços, a exemplo de vestuário, equipamentos e outros acessórios destinados a esse fim. Dessarte, a definição sobre a incidência ou não das contribuições sociais em relação às rubricas objeto de lançamento deve levar em consideração sua natureza jurídica, a existência ou não de normas que lhes concedam isenção e o cumprimento dos requisitos necessários ao usufruto desse favor legal. Auxílio Alimentação O § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 relaciona, de forma exaustiva, as diversas verbas de natureza salarial que podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Em se tratando de salário utilidade pago sob a forma de alimentação, dispõe a alínea “c” do citado § 9º: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; [...] Nos termos das disposições legais encimadas, para que a parcela referente à alimentação in natura recebida pelo segurado empregado seja excluída do saláriode contribuição é necessário que essa seja paga de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, instituído pelo Ministério do Trabalho e Emprego, de conformidade com a Lei nº 6.321/1976. A despeito do que dispõe a legislação trabalhista e previdenciária, o entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça – STJ é de que, em se tratando de pagamento in natura, o auxílioalimentação não sofre incidência de contribuição previdenciária, independentemente de inscrição no PAT, visto que ausente a natureza salarial da verba. Nesse sentido é a decisão consubstanciada no AgRg no REsp nº 1.119.787/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura , ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições Fl. 698DF CARF MF 20 para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 3. Agravo Regimental desprovido. Em virtude do entendimento pacificado no STJ, foi editado Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, com base em parecer aprovado pelo Ministro da Fazenda, o qual autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, independentemente de inscrição no PAT. Conforme alínea “c” do inciso II do § 1º do art. 62 RICARF, os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação de lei com base em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522/2002 (como é o caso do Ato Declaratório nº 3/2011). Resta, portanto, avaliar se a situação retratada nos autos se amolda ou não ao previsto em referido Ato Declaratório. Verificase das folhas de pagamento da empresa (fls. 68/464) a existência de rubrica com a denominação “alimentação” no período abrangido lançamento. O recurso voluntário esclarece que o pagamentos dessa utilidade foi feito por meio de “impressos, cartões eletrônicos, magnéticos ou outros oriundos de tecnologia adequada”, ou seja, de ticket/cartão magnético. Contudo, o Ato Declaratório nº 3/2011, bem assim os julgados do STJ que fomentaram sua edição, dentre os quais encontrase o AgRg no REsp nº 1.119.787 (ementa reproduzida acima), fazem referência a auxílioalimentação in natura, o que, nos termos da jurisprudência daquela Corte, quer dizer: “alimentação fornecida pela empresa”, o que não abrange ticket/cartão magnético que é a forma com que a recorrente disponibiliza essa espécie de salário utilidade a seus obreiros. Referida forma de pagamento, do mesmo modo, não atrai a aplicação do art. 3º da Lei nº 6.321/1976. Desse modo, para se beneficiar da isenção prevista na alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 a empresa necessitaria cumprir rigorosamente os requisitos previstos nesse dispositivo, o que não se verifica na situação ora analisada. De se esclarecer que o fato de o benefício encontrarse previsto em convenções coletivas de trabalho firmada por sindicato do qual a recorrente se diz filiada não supre a necessidade de que seu pagamento ser feito de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Tampouco tem o sindicato competência para certificar a qualidade da alimentação fornecida com base no PAT como imagina a recorrente. O cumprimento dos requisitos do PAT pressupõe a regular inscrição da empresa no referido programa, em observância ao art. 2º da Portaria MTE nº 3/2002, in verbis: Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 12 21 Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). § 1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. § 2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação2 . § 3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Asseverese que, ao revés do que apregoa o sujeito passivo, a inscrição no PAT não é mera formalidade. Tratase de medida necessária que impõe à pessoa jurídica o cumprimento dos requisitos do programa e possibilita a fiscalização de sua regular execução. Digase de passagem que não é competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil verificar o cumprimento do Programa de Alimentação do Trabalhador e sim do Ministério do Trabalho e Emprego e para isso, repisese, a empresa precisa estar regularmente inscrita nesse programa. Ao órgão de fiscalizador cabe somente o lançamento das contribuições devidas em relação a pessoa jurídica que, não fazendo parte PAT, tenta se valer indevidamente da isenção de contribuições sociais. Sobre a afirmação de que a falta de inscrição no PAT somente poderia ocasionar a vedação para que autuada pudesse se valer da dedução dos gastos com o auxílio alimentação no seu imposto de renda, na forma do art. 8º do Decreto nº 5/1991, de se dizer que a isenção aqui referida está regulada em norma específica e de obrigatória observância, e essa norma é Lei nº 8.212/1991. O descumprimento dos requisitos necessários ao gozo da isenção têm como consequência lógica a incidência da exação tributária, corretamente formalizada por meio do presente auto de infração. Cabe aqui esclarecer que, não obstante o que consta do apelo recursal, o art. 111 do CTN estabelece que as normas afetas a outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Vale ressaltar que os pareceres e a jurisprudência suscitada pela recorrente, além não vincularem os julgadores administrativos, abordam circunstâncias diversas da retratada nos autos, não acudindo a recorrente. Quanto à realização de perícia técnica para apurar a real base cálculo do tributo (que teria sido apurado por amostragem), cabe aqui somente reproduzir trecho do acórdão recorrido a esse respeito, o qual é esclarecedor: Fl. 700DF CARF MF 22 19.1. O Relatório Fiscal é bastante claro ao informar que, “Para o cálculo do valor do salário de contribuição referente à alimentação foram utilizados os valores pagos mensalmente a titulo de alimentação obtidos nas folhas de pagamento da empresa, nas competências 01 a 12/2007, referente ao escritório centralmatriz, tendo sido abatido o valor descontado dos segurados” (subitem 3.3, fl. 56). Portanto, não se trata de “amostragem”. Ademais a informação contidas na decisão de piso pode facilmente ser conferida a partir das folhas de pagamento (68/464) e do relatório denominado “DD – Discriminativo do Débito” (fls. 6/9). Há ainda no recurso voluntário afirmação que dá conta de hipotética discrepância no que a fiscalização considerou como saláriocontribuição. Vejamos: A razão desta discrepância é que a fiscalização considerou como salário de contribuição o percentual de 20% sobre a folha de pagamentos da empresa, quando o correto seria considerar tal percentagem, mas incidindo sobre os valores pagos a título de alimentação com os trabalhadores, o que importa em base de cálculo diversa e menor do que a utilizada na forma do art. 28 da Lei 8212/91, que afirma a incidência sobre 20% da totalidade dos pagamentos feitos a título de alimentação, na espécie! Essas afirmações feitas no apelo recursal não têm nenhum sentido. O salário decontribuição (base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros) em relação aos segurados empregados não é representado por 20% sobre a folha de salários, mas pela totalidade remuneração paga a esses trabalhadores. Imaginase que o questionamento diga respeito não à base de cálculo, mas à contribuição da empresa, que se encontra definida no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. [...] As razões acima desenvolvidas dão conta que o auxílioalimentação pago por meio de ticket ou cartão magnético pela empresa integra o saláriodecontribuição e, por essa razão, não vislumbro qualquer defeito no lançamento, o qual fez incidir o percentual de 20% sobre essa parcela, à luz do disposto no inciso I do art. 22 da Lei de Custeio Previdenciário. Nego provimento ao recurso quanto a esta matéria. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 13 23 Ajuda de Custo Inicialmente, é preciso ressalvar que a rubrica aqui analisada não guarda identidade com valores relacionados licença prêmio, auxílio transporte, auxíliocreche, auxílio babá, auxílio préescola, prêmio por produtividade, gratificação semestral ou de balanço, diárias para viagem ou participação nos lucros e resultados. Desse modo, a cantilena contida no apelo recursal a esse respeito não será objeto de análise, pois não têm nenhuma relação com a matéria em litígio e seu conteúdo não socorre o sujeito passivo em seu intento de ver afastada a atuação. As quantias em relação às quais foi efetuado o lançamento, esclarece a recorrente, foram pagas a um de seus empregados com habitualidade para auxiliar nas despesas de aluguel e, segundo entende, teriam natureza indenizatória. Como forma de dar sustentação a seus argumentos, a apelante recorre ao § 2º do art. 457 da CLT para afirmar que as ajudas de custos não se incluem no salário, devido à sua natureza indenizatória. Ocorre que referido dispositivo, na redação vigente quando da ocorrência do fato gerador, estabelece o seguinte: Art. 457. [...] [...] § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinqüenta por cento) do salário percebido pelo empregado. [...] Não se discorda que valores pagos pelas empresas a seus empregados, a título de ajuda de custo, como forma de ressarcir despesas comprovadamente havidas com o desempenho da atividade laboral ostentam natureza indenizatória e, dessa forma, não integram o salário ou a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros. Ocorre que não se inclui na definição de ajuda de custo valores decorrentes da relação de trabalho destinados ao pagamento de despesas com aluguel, como na situação que aqui se apresenta. O conceito de salário e de saláriodecontribuição, reproduzidos alhures, abrangem, dentre outros, os valores pagos pela empresa para o dispêndio com moradia pelos empregados. Não é concebível que se suponha que ao rotular parcelas dessa natureza de “ajuda de custo” sobre elas deixarão de incidir contribuições previdenciárias ou de terceiros. De outro eito, têmse na norma previdenciária (Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, alínea “g”) a possibilidade de se excluir da base de cálculo das contribuições em referência a ajuda de custo previstas no art. 470 da CLT, desde que recebida em parcela única. Confirase: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; Fl. 702DF CARF MF 24 [...] No caso concreto, é fácil constatar que as quantias pagas ao empregado Wanderley dos Santos, sob a denominação de “ajuda de custo” não têm natureza indenizatória e não está enquadrada na alínea “g” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, restando claro seu caráter remuneratório, sendo absolutamente desnecessária a realização de perícia para se chegar a essa constatação. Também nesse ponto, a jurisprudência suscitada não guarda identidade com o caso concreto, não acudindo a recorrente. Nego provimento ao recurso. Âmbito Constitucional das Decisões Administrativas O sujeito passivo dedica boa parte de seu apelo para defender que o julgador administrativo está obrigado a apreciar questões afetas as aspectos constitucionais das normas relacionadas ao processo administrativo fiscal. No seu entender: 105 As decisões devem se revestir de plena juridicidade, atendendo aos requisitos extrínsecos e Intrínsecos, indispensáveis à validade do ato administrativo, em razão do que têm que examinar o ordenamento jurídico aplicável às contendas que lhes são submetidas à analise, principalmente a sua adequação aos ditames constitucionais. 106. Não devem ficar vinculadas e adstritas a determinados campos normativos (leis complementares, ordinárias, regulamentos, etc), nem obedecer cegamente às orientações internas das Fazendas, no caso desses preceitos encontraremse eivados de inconstitucionalidade. Não obstante os argumentos trazidos no apelo recursal, a teor art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos elencados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 14 25 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido é o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em relação à segunda instância administrativa: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em vista das normas processuais reproduzidas acima, vêse que não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de atos legais ou regulamentares, mediante afastamento de sua aplicação. Fl. 704DF CARF MF 26 Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei. In verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem lançamento de crédito tributário sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Sem razão a recorrente. Multa Aplicada A respeito das multas aplicadas, com o advento da Medida Provisória Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Nesse passo, não obstante o auto de infração ter sido lavrado em face da legislação vigente à época do lançamento, verificase possível a retroação da novel legislação, em benefício do sujeito passivo, em razão do disposto no art. 106 do CTN. In verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (Grifos nossos) Na sistemática anterior, constatada a falta de recolhimento do tributo acompanhada da infração de omitir fatos geradores em GFIP, aplicavase a multa por inadimplemento da obrigação principal (inciso do II do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 – redação antiga), cumulada com a penalidade decorrente do descumprimento da obrigação acessória (§§ 4º e 5ºdo art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 – dispositivos revogados). A multa aplicada sobre as contribuições lançadas (descumprimento da obrigação principal) variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. |O descumprimento da obrigação acessória era punido com multa correspondente a 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Com a edição da Medida Provisória 449/2008, inseriuse o art. 32A na Lei nº 8.212/1991, com a seguinte redação: Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 15 27 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Além disso, foi também alterado o art. 35 e incluído na Lei de Custeio Previdenciário o art. 35A. Referidos artigos dispõem: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19962. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 2 Art.61 .Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) [...] §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...] Fl. 706DF CARF MF 28 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19963. Do exame dos dispositivos acima descritos é possível concluir que: a) o art. 32A aplicase a situações em que se verifica, mediante procedimento de ofício, isoladamente, a não entrega de GFIP ou sua entrega com incorreções ou omissões; b) o art. 35 referese a multa de mora decorrente do pagamento em atraso, mas espontâneo, de contribuições previdenciárias (0,33% ao dia limitada a 20%); e c) o art. 35A trata da multa aplicada em procedimento de ofício no patamar ordinário de 75%, por descumprimento da obrigação principal e/ou acessória. Ressaltese que, no caso de procedimento de ofício, inaplicável é a nova redação do art. 35, visto que voltada ao recolhimento espontâneo do tributo. Pois bem, para sabermos qual à multa aplicável ao caso concreto, atendendo à retroatividade benigna estabelecida na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, será necessário analisar as peculiaridades envolvidas na ação fiscal que deu origem ao lançamento, posto ser necessário que as penalidades sopesadas apresentem natureza material semelhante, tendo em vista que as normas cotejadas devem estar voltadas para condutas de mesma espécie. Para tanto, necessário verificar se o procedimento fiscal redundou exclusivamente na aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória (não entrega ou entrega de GFIP ou sua entrega sem informação relativa a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias) ou se, além disso, o sujeito passivo deixou de recolher os tributos não informados na guia. Assim, caso se esteja diante de infração exclusivamente pelo descumprimento das obrigações acessórias previstas nos revogados §§ 4º ou 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, a penalidade mais benéfica deve ser aferida a partir da comparação entre tais dispositivos e aquelas referidas no art. 32A da mesma lei, inserido pela Medida Provisória 449/2008. No procedimento fiscal que deu ensejo à lavratura do presente Auto de Infração, foram apurados valores que a empresa autuada não considerou como base de cálculo de contribuições previdenciárias e, portanto, não computou no cálculo da contribuição previdenciária devida (obrigação principal), deixando, também, de declarar tais valores em GFIP, o que deu causa a autuação pelo descumprimento dessa obrigação acessória. Ressaltese que, a partir da inclusão do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, pela MP nº 449/2008, ocorrendo também o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente de erro ou omissão em GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído, ou seja, incabível, com fulcro na norma atual, a aplicação simultânea de multas por descumprimento de obrigação principal e acessória. Nesse caso, a multa mais benéfica deve ser calculada a partir da comparação entre soma da multa aplicada nos lançamento pelo descumprimento da obrigação principal, nos 3 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10580.724722/201011 Acórdão n.º 2402006.083 S2C4T2 Fl. 16 29 termos do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 (redação vigente à época do lançamento) e da referente à obrigação acessória de que trata o § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991 (redação vigente à época da ocorrência do fato gerador) com a multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Foi exatamente essa a sistemática adotada pela autoridade autuante, conforme os excertos do Relatório Fiscal transcritos a seguir: 20. Para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP n° 449/2008(convertida na Lei 11.941/09), a multa aplicada deve observar o princípio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. 21. Como disciplina o art. 35A da 11.941/09, nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata." 22. Em atendimento ao disposto no art. 106, II, c, do CTN, a penalidade aplicada para a lavratura deste Auto de Infração foi à introduzida pela nova sistemática de cálculo, trazida pela Lei 11.941/09, vez que ficou demonstrada que esta é a mais benéfica que a anterior Convém ressaltar que o entendimento trazido neste voto e adotado por ocasião do lançamento está em consonância com o que dispõe o art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 e a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, que tratam tanto de lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Também em consonância com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, a decisão a quo adverte que o cálculo da multa mais benéfica deve ser procedido no momento do pagamento ou do parcelamento, ou, caso não sejam efetuados, no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Em virtude disso, a recorrente reclama o refazimento do cálculo da multa. Ocorre que as condições apontadas na decisão de piso para o recálculo da multa aplicada ainda não se concretizaram, o que impossibilita sua efetivação. Essa revisão, nos termos da decisão atacada, apenas será efetuada quando do pagamento, parcelamento ou ajuizamento da execução fiscal pela PGFN, motivo pelo qual negase provimento ao recurso neste ponto. Caráter Confiscatório da Multa Aplicada Sobre o propalado caráter confiscatório da multa aplicada, demonstrouse acima que a autoridade autuante pautouse nas disposições legais relativas à matéria para a Fl. 708DF CARF MF 30 determinação da multa aplicada. Do mesmo modo, já se esclareceu que o CARF não tem competência para afastar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade. De mais a mais, a vedação ao confisco referida no texto constitucional é regra dirigida ao legislador, e que deve ser observada por ocasião da elaboração das leis. À autoridade administrativa, em vista do disposto no art. 3º do CTN, cabe aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Assim, considerandose a multa aplicada levou em consideração as norma legais de regência, as quais encontramse em pleno vigor, carece de razão as asserções recursais quanto ao malferimento do princípio de vedação ao confisco. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso para, indeferir os pedidos de realização de perícia e produção de novas provas, afastar as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 709DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10726.000001/2004-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 17/09/1998 a 17/11/2000
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
As cerâmicas "Econoprop 20/40 mesh" e "Carbo Lite 16/20 mesh" classificam-se no código 3824.90.79 da Nomenclatura Comum do Mercosul.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura do presente auto de infração.
Numero da decisão: 3201-003.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário declarou-se impedida, tendo sido substituída pelo conselheiro suplente Renato Vieira de Avila.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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As cerâmicas "Econoprop 20/40 mesh" e "Carbo Lite 16/20 mesh" classificamse no código 3824.90.79 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura do presente auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário declarouse impedida, tendo sido substituída pelo conselheiro suplente Renato Vieira de Avila. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 6. 00 00 01 /2 00 4- 64 Fl. 2765DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação (II), no valor de R$ 250.724,43 (duzentos e cinquenta mil, setecentos e vinte e quatro reais e quarenta e três centavos), Juros de mora no valor de R$ 176.566,93 (cento e setenta e seis mil, quinhentos e sessenta e seis reais e noventa e três centavos), Multa proporcional no valor de R$ 188.043,32 (cento e oitenta e oito mil, quarenta e três reais e trinta e dois centavos), referentes à autuação de folhas 0117. Há também uma segunda autuação (às. 1835) referente à exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no valor de R$ 276.996,91 (duzentos e setenta e seis mil, novecentos e noventa e seis reais e noventa e um centavos), Juros de mora no valor de R$ 194.225,48 (cento e noventa e quatro mil, duzentos e vinte e cinco reais e quarenta e oito centavos), Multas proporcionais no valor de R$ 195.580,75 (cento e noventa e cinco mil, quinhentos e oitenta reais e setenta e cinco centavos) e R$ 3.244,52 (três mil, duzentos e quarenta e quatro reais e cinqüenta e dois centavos). 0 relato das infrações praticadas está às folhas 3638. Ali consta que o importador, por meio das declarações de importação relacionadas na autuação submeteu em despacho para consumo Mercadorias descritas como feldspato, NCM/SH 2529.10.00, cuja tributação era 7% de II e 0% de IPI, sendo que a descrição das Mercadorias constante nos extratos das DIs se referem à denominação "Cerâmica Econoprop 20/40 mesh para estimulação de poços de petróleo" e "Cerâmica Carbo Lite 16/20 mesh com qualidade de uso em poços de petróleo". Em resposta ao Termo de Intimação Safia n° 126/2006, a empresa, por meio de tradutor juramentado, apresentou tradução das informações técnicas disponíveis no sítio do fabricante Carbo Ceramics (www.carboceramics.com), das quais se destacam: a) ponto de fusão 4000°F, e b) propriedades químicas adicionais (% em peso) AI2O3 51; S1O2 45, TiO2 2 e Fe2O3. A Nota Explicativa do Sistema Harmonizado referente à Posição 2529 menciona verbis: "o feldspato, a leucita, a nefelina e a nefelinasienito são compostos complexos de silicatos de alumínio e de um metal alcalino ou alcalinoferroso", e a Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 10726.000001/200464 Acórdão n.º 3201003.625 S3C2T1 Fl. 3 3 tradução juramentada não acusa a presença de metal alcalino ou alcalinoferroso. O importador apresentou, em resposta ao Termo de Intimação Safia n° 103/2003, o Laudo de Análise n° 10004/00 de 26/06/2000, emitido pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda e referente à DI n° 00/05380426, onde consta: "análise semiquantitativa por fluorescência de raiosX: identificado como elementos predominantes silício e alumínio, contendo pouco titânio e ferro, além de outros elementos em menor quantidade". Concluiu a Fiscalização Aduaneira que o laudo não acusou a presença de metal alcalino ou alcalino ferroso, sendo que o item II (Conclusão) do Laudo cita verbis: "Tratase de preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro". No fim do procedimento fiscal, concluiuse que as Mercadorias importadas não poderiam ser classificadas sob o código 2529.10.00, sendo que, levando em consideração as conclusões do Laudo de Análise n° 10004/00, as Mercadorias importadas têm natureza de "preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro", o que remete à Posição 3824.9079, cobrando, em auto de infração, a diferença de tributos. Lavrado o auto de infração em tela e intimada a contribuinte (fls. 243), ingressou a mesma tempestivamente com a impugnação de fls. 247267 por meio da qual alega: alega haver classificado as Mercadorias nos últimos cinco anos sem qualquer questionamento por parte da Alfândega, muitas vezes até com análise documental e verificação física, sendo que a classificação adotada se deu com base em informações repassadas pelo fabricante do produto; alega decadência do eventual crédito das DIs registradas no ano 1998: 98/09268831 e 98/12721665; a classificação como feldspato se deveu ao fato de que a cerâmica em questão possui em sua composição metais alcalinos, característicos da Posição 2529 da TEC; a classificação pretendida pelo fiscal elimina a possibilidade da cerâmica ser tipificada em qualquer uma das posições correspondentes aos produtos do capitulo 25 da TEC, posicionamento inadmissível ante ao fato de que cerâmicas são produtos típicos, perfeitamente classificáveis no capitulo 25, mormente, como mulita, ainda que não se admita a classificação como feldspato; inconformada com a classificação pretendida pela fiscalização que, equivocadamente enquadraram os produtos no Capitulo 38 da TEC, a impugnante, demonstrando sua boafé em definir a natureza do produto, encomendou dois laudos técnicos de laboratórios e profissionais distintos. Fl. 2767DF CARF MF 4 o laboratório A indica a presença de mulita e cristobalita; já o laboratório B afirma que: "Nestas seqüências de processamento o caulim passa da forma cristalina de caulinita para mulita, conforme a reação: O silica impurificará o produto na forma cristalina de cristobalita. Finalmente o produto é resfriado e classificado granulimetricamente. Portanto, os produtos mais corretamente caracterizados como mulita e deveriam se classificados na posição 25.08.60.00, embora o produto seja um caulim calcinado." defende que, pelo fato de ter sido detectada a presença de mulita nas análises acima mencionadas, o produto deve ser classificado no Capitulo 25 da TEC, sob o código 2508.60.00 (mulita), sendo que, conforme exposto no laudo A, a cristobalita, uma das formas de sílica, foi encontrada em quantidades ínfimas, não devendo prevalecer para fins de classificação do produto, conforme determina a Instrução normativa (IN) SRF n°157/2002; defende a classificação das Mercadorias no código NCM/SH 2508.60.00 (mulita) pela aplicação da Regra 3b do Sistema Harmonizado; a tributação do II e do IPI do código NCM indicado nos laudos, 2508.60.00 (mulita), é a mesma da indicada na classificação adotada pela impugnante, 2529.10.00 (feldspato), não havendo qualquer prejuízo ao fisco; a impugnante adotou a classificação mais rudimentar do produto, e não a mais precisa correspondente ao produto mulita, sendo que tanto o feldspato como a mulita possuem a presença da mesma substância: aluminosilicato; defende a aplicação do artigo 146 do Código Tributário Nacional; afirma que agiu conforme a própria administração, ou com o aval desta, restando evidente que, se a administração interpreta a lei em determinado sentido, tal prática constitui norma complementar da lei (artigo 100, CTN); solicita, também, a aplicação do artigo 112, CTN, que prevê a interpretação benigna ao acusado em caso de dúvidas. Solicita, então, que sejam considerados insubsistentes os Autos de Infração, com o conseqüente cancelamento dos débitos neles constantes. Mediante o despacho de fls. 346 o processo foi encaminhado a esta DRJ/FNS para julgamento. Em despacho de fls. 347, foi o processo devolvido por esta DRJ por inconformidades, tendo o processo retornado para a IRF Macaé. Corrigida a Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 10726.000001/200464 Acórdão n.º 3201003.625 S3C2T1 Fl. 4 5 inconformidade foi o processo novamente remetido a esta DRJ para julgamento (fls. 348)." O pleito foi julgado procedente em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FNS 099.488, de 22/03/2007, às fls. 349/374, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 17/09/1998 a 16/11/2000 LAUDO PERICIAL Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada, pela impugnante, a improcedência desses laudos ou pareceres, o que não ocorreu no presente caso. PREPARAÇÃO QUÍMICA A BASE DE ÓXIDOS 0 produto "preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro", se classifica no código 3824.90.79, conforme a Regra n°1 do Sistema Harmonizado. ERRO DE FATO A identificação de mercadoria é elemento fático, sendo que somente a mudança de critério jurídico, e não o erro de direito, obsta à revisão aduaneira. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a fazenda pública constituir o crédito tributário decai em cinco anos. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do II e do IPI, é exigível a diferença de impostos. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE." O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória, ressaltando: (i) sempre classificou como feldspato, o produto, deveuse ao fato de a cerâmica possuir na sua composição metais alcalinos, de posição 2529 da TEC e o fez, ainda, de acordo com as informaçöes que Ihe foram disponibilizadas pela empresa Carbo Ceramics, fabricante do produto; Fl. 2769DF CARF MF 6 (ii) apresenta laudos as fls. 396 a 398; (iii) da análise dos laudos, constatase a presença de mulita, produto classificado sob código 2508.60.00; (iv) que o feldspato é um precursor mineralógico da mulita, sendo ambos utilizados na indústria de materiais cerâmicos. Ambos estão classificados no mesmo capitulo 25 da TEC; (v) a tributação a título de II e IPI para os produtos feldspato e mulita é a mesma; (vi) que o produto ou é o caulim calcinado (excetuado pela TEC) ou é mulita que não sofre qualquer calcinação; (vii) que tanto o caulim calcinado quanto a mulita estão previstos no CapItulo 25 da TEC; (viii) houve mudança de critério jurídico; e (ix) solicita diligência/perícia. Posteriormente, a recorrente apresenta um terceiro laudo técnico que em seu entendimento, classifica as substâncias importadas como "mulita". O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido convertido o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 320100.122 de 29 de abril de 2010. Mencionada Resolução determinou a adoção das seguintes providências: "Ante o exposto, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que seja anexada a declaração de importação 00/05380426 cujo laudo de n° 10004/00 (fl. 39) do LABOR, prestouse à identificação pericial da mercadoria objeto de desclassificação na presente autuação." A diligência foi devidamente cumprida em 22/11/2012. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Como visto a controvérsia reside se as mercadorias importadas pela recorrente estão corretamente classificadas sob o código 2529.10.00 ou se a classificação a ser adotada é a pretendida pela fiscalização, qual seja, a do código 3824.9079. A matéria já foi objeto de apreciação por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por ocasião do julgamento do processo n° 10711.004764/200524, cuja conclusão filiome. Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 10726.000001/200464 Acórdão n.º 3201003.625 S3C2T1 Fl. 5 7 Em referido processo, a decisão, por unanimidade de votos, foi no sentido de considerar a mercadoria denominada "carbolite" dever ser classificada no código 3824.9079, como se depreende da ementa a seguir reproduzida: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/04/2001 Apresentação de Laudo Técnico na Fase Recursal A faculdade de determinar, de ofício, a realização de diligência ou perícia, por via oblíqua, autoriza que, excepcionalmente, se conheça de laudo técnico juntado aos autos juntamente com o recurso voluntário. Atentaria contra a economia processual converter o julgamento em diligência para que fossem realizados novos exames a fim de apurar aquilo que o sujeito passivo já realizou ou, o que seria mais grave, determinar a juntada aos autos daquilo que já se encontra juntado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/04/2001 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. Ademais, não se pode falar em mudança de critério jurídico se a identificação e a classificação fiscal da mercadoria foram referendadas pelo Fisco, que só entregou a mercadoria mediante a retirada de amostra e assinatura de termo de responsabilidade. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/04/2001 Carbolite. Classificação Produto comercialmente denominado Carbolite, composto de Mulita, obtida artificialmente por meio de processo de calcinação, e Sílica como criatobalita, classifica se no código 3824.90.79 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. Fl. 2771DF CARF MF 8 A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser recolhido. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/04/2001 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O erro na indicação da classificação fiscal ou a insuficiência na descrição da mercadoria não são suficientes para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Parcialmente Provido" Do voto, destaco os seguintes excertos: "2.1 Classificação do Produto Comercialmente Denominado Carbolite Aduz o sujeito passivo que a mercadoria em litígio seria melhor classificada no item 2508.60.00 Mulita, em face de que o produto comercialmente denominado “Carbolite” seria predominantemente formado desse material Assim, em observância ao disposto na Regra Geral de Interpretação nº 3 a), esse seria o código a ser empregado para a classificação do produto. Com o devido respeito, não acompanho tal raciocínio. Explico. Registra o Parecer Técnico acostado pelo Sujeito Passivo, mais precisamente no trecho à fl. 291 (destaquei). "3.1.6. A mulita não é um produto químico no sentido de ser sua obtenção conseguida por meio de uma reação química. É um mineral, natural, encontrado na natureza. Pode, no entanto, ser obtido artificialmente através da calcinação com temperaturas elevadas, ou via fusão, de substâncias minerais que contenham alumina e sílica em sua estrutura." Mais adiante, informa o mesmo parecer, no trecho à fl. 292: "3.1.11. 0 processo de produção da mulita no estado sólido é simples: as substâncias minerais que servirão como matérias primas são misturadas (por exemplo, resíduos de caulim e alumina; a alumina calcinada e sílica, etc.) sendo a mistura assim obtida alimentada em fornos de calcinação onde as temperaturas podem atingir 1.880°C. Em lugar de fomos elétricos para a calcinação, podem ser utilizados fornos de microondas com a mistura de caulim e alumina — o processo é mais rápido do que nos fornos convencionais. Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 10726.000001/200464 Acórdão n.º 3201003.625 S3C2T1 Fl. 6 9 3.1.12. No caso em comento, a fabricante do Carbolite obtém a mulita diretamente do caulim mineral, o qual é processado por processos físicos, gerando a mulita, normalmente acompanhada de cristobalita, em decorrência da presença de sílica (Si02), no produto calcinado." Assim, não resta dúvida de que, embora a mulita seja encontrada na natureza, o produto alvo do presente julgamento é obtido por meio de calcinação. Nesse ponto, é preciso recordar que as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado devem ser aplicadas na ordem em que estão dispostas, ou seja, só se poderia aplicar a Regra 2, se a mesma não conflitar com a Regra 1 e assim sucessivamente. Confirase, a propósito a dicção da Regra RGI nº 1 em sua parte final (original não destacado): "1.OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES." Pois bem. No caso do presente litígio, ainda que se discutisse que grau de concentração da Mulita poderia induzir à consideração de que o Carbolite seria exclusivamente formado por esse material, não há como acatar a classificação pleiteada. Confirase o que diz a nota 1 do Capítulo 25 (original não destacado): "1.Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições." Notar que a posição 2508, estabelece, efetivamente, disposições contrárias ao texto da nota de seção, pois admite que alguns dos produtos enumerados sejam obtidos por meio de calcinação, confirase: "2508 OUTRAS ARGILAS (EXCETO ARGILAS EXPANDIDAS DA POSIÇÃO 68.06), ANDALUZITA, CIANITA, SILIMANITA, MESMO CALCINADAS; MULITA; BARRO COZIDO EM PÓ (TERRA DE "CHAMOTTE") E TERRA DE DINAS 2508.10.00 Fl. 2773DF CARF MF 10 Bentonita 2508.20.00 Terras descorantes e terras de pisão (terras de "fuller") 2508.30.00 Argilas refratárias 2508.40 Outras argilas 2508.50.00 Andaluzita, cianita e silimanita 2508.60.00 Mulita 2508.70.00 Barro cozido em pó (terra de "chamotte") e terra de dinas" Como é possível observar, a expressão “mesmo que calcinadas”, seguida de ponto e vírgula, referese aos produtos antecedentes, quais sejam: outras argilas, andaluzita, cianita e silimanita. Consequentemente, tal exceção não se estende aos produtos seguintes: mulita, barro cozido em pó e terra de dinas. O que se pode perceber, portanto, é que a subposição 2508.60.00, de fato, só se prestaria para classificar a mulita pura, obtida por processo diverso da calcinação ou encontrada na natureza. Restaria, assim, investigar se a classificação proposta pelo Fisco efetivamente seria a que melhor classificaria o produto. Quanto a esse ponto, após analisar a composição do produto e a sua aplicação, (aumento da área de drenagem do leito poroso ou “empacotamento” ou contenção da areia”), não foi identificada posição mais específica para sua classificação. Assim, forçoso é referendar o código tarifário sugerido no auto de infração: 3824.90.79. De fato, não foi localizada posição mais específica do que a 3824 para a classificação do produto em questão: "3824 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES 3824.10.00 Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição 3824.20 Ácidos naftênicos, seus sais insolúveis em água e seus ésteres 3824.30.00 Carbonetos metálicos não aglomerados, misturados entre si ou com aglutinantes metálicos 3824.40.00 Aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concretos (betões)" Outrossim, dentre os desdobramentos da posição 3824 não se identifica igualmente subposição que contemple o produto importado. "3824.50.00 Argamassas e concretos (betões), não refratários 3824.60.00 Sorbitol, exceto o da subposição 2905.44 Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 10726.000001/200464 Acórdão n.º 3201003.625 S3C2T1 Fl. 7 11 3824.7 Misturas contendo derivados peralogenados de hidrocarbonetos acíclicos com pelo menos dois halogênios diferentes 3824.90 Outros" Consequentemente, a subposição a ser utilizada é a 3824.90 e, dentre os subitens em que tal se desdobra, igualmente em face de não haver subitem mais específico e de que o produto não possui componentes orgânicos, deve ser considerado o subitem 3824.90.79. "3824.90.7 Produtos e preparações à base de elementos químicos ou de seus compostos inorgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições 3824.90.71 Cal sodada; carbonato de cálcio hidrófugo 3824.90.72 Preparações à base de sílica em suspensão coloidal; nitreto de boro de estrutura cristalina cúbica, compactado com substrato de carbeto de volfrâmio (tungstênio) 3824.90.73 Preparações à base de carbeto de volfrâmio (tungstênio) com níquel como aglomerante; brometo de hidrogênio em solução 3824.90.74 Preparações à base de hidróxido de níquel ou de cádmio, de óxido de cádmio ou de óxido ferroso férrico, próprios para a fabricação de acumuladores alcalinos 3824.90.75 Preparações utilizadas na elaboração de meios de cultura; trocadores de íons para o tratamento de águas 3824.90.76 Compostos absorventes à base de metais para aperfeiçoar o vácuo nos tubos ou válvulas elétricas 3824.90.77 Adubos ou fertilizantes foliares contendo zinco ou manganês 3824.90.78 Preparações à base de óxido de alumínio e óxido de zircônio, com um conteúdo de óxido de zircônio superior ou igual a 20%, em peso 3824.90.79 Outros"" Muito embora, no processo n° 10711.004764/200524 tenha se analisado a mercadoria denominada "Carbolite", entendo que o raciocínio exposto tem aplicação, também, a mercadoria "Econoprop". Temse, ainda, que a classificação fiscal no que tange a mercadoria "Econoprop" de igual modo já foi apreciada pelo CARF. Em decisão proferida, por unanimidade de votos, no processo 10726.000068/200707 fixouse o entendimento de que a classificação correta a ser adotada é a do código 3824.90.79, conforme ementa a seguir colacionada: Fl. 2775DF CARF MF 12 "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 30/11/2000 a 30/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO QUÍMICA A BASE DEÓXIDOS. O produto descrito no laudo como preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro classificase no código 3824.90.79, conforme a Regra n° 1 do Sistema Harmonizado, daí porque a reclassificação fiscal operada mostrouse correta. Recurso Voluntário Negado." Para fins de demonstrar que o julgado referido referese a cerâmica "Econoprop 20/40", do voto, transcrevo: "A descrição das mercadorias constante nos extratos das DIs se referem à denominação "Cerâmica Econoprop 20/40 mesh para estimulação de poços de petróleo" e "Cerâmica Carbo Lite 16/20 mesh com qualidade de uso em poços de petróleo", sendo ambas fabricadas pela empresa americana Carbo Ceramics." Assim, constatase que as decisões ora adotadas como razões de decidir se amoldam ao caso concreto, pois se referem exatamente às cerâmicas "Econoprop 20/40 mesh" e "Carbo Lite 16/20 mesh" Com relação aos demais argumentos tecidos pela recorrente de que houve mudança de critério jurídico por parte da administração fazendária (art. 146 do CTN) e que agiu de boafé (art. 100, inc. III do CTN), entendo que não lhe assiste razão. A restrição da realização de lançamento de ofício, por mudança de critério jurídico, encontra previsão no art. 146 do Código Tributário Nacional, in verbis: "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." De forma diversa ao pretendido pela recorrente, entendo que, no caso em apreço, os procedimentos adotados pela fiscalização não afrontaram o art.146 do CTN e foram realizados em conformidade com os preceitos normativos que disciplinam o assunto, portanto, não merece provimento o seu pleito. Da decisão recorrida destaco: "Temse que o art. 146 do Código Tributário Nacional, mencionado pela autuada, se aplica a casos em que a revisão fiscal se faz, não para reparar uma ilegalidade, mas para alterar elernentos que a lei deixa à escolha da autoridade administrativa ("critérios jurídicos"). Ou seja, visa aquele dispositivo legal impedir a rnigracão de um critério legalmente válido para outro igualmente legítimo, porém mais gravoso. Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 10726.000001/200464 Acórdão n.º 3201003.625 S3C2T1 Fl. 8 13 (...) Em seu livro "Curso de Direito Tributário", São Paulo, Malheiros Editores, 1996, pág. 121, o professor Hugo de Brito Machado sintetiza o seu entendimento: "Não se trata da questão relativa ao erro. Mudança de critério jurídico não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito, embora a distinção, relativamente a este último, seja útil. Há erro de direito quando o lançamento é feito ilegalmente, em virtude de ignorância ou errada compreensão da lei. O lançamento, vale dizer, a decisão da autoridade administrativa situase, neste caso, fora da moldura ou quadra de interpretação que a Ciência do Direito oferece. Ha mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado." (...) Apenas para esclarecirnento em termos gerais, deve ser observado que adoção de critério jurídico pela administração ocorreria se a autoridade fiscal após proceder aos exames que lhe competem, nos casos de lançamento por homologação, expressamente homologasse os procedimentos efetuados pelo fiscalizado, pois a homologação expressa seria um ato administrativo constitutivo/declaratório e como tal seria indicativo de adoção do critério jurídico quanto ao ato homologado. 0 desembaraço aduaneiro sem uma declaração expressa de homologação não implica em adoção de qualquer critério jurídico, conforme se depreende dos arts. 450 do RA e 150 do CTN. (...) No art. 450 do RA observase que nenhuma referência há no sentido de o desembaraço aduaneiro constituirse ato de homologação expressa. Pela leitura do art. 150 do CTN depreendese que só existem dois tipos de homologação: a expressa (que ocorreria caso o art. 450 do RA dissesse que o desembaraço constitui homologação, ou, se expressamente a autoridade administrativa assim tivesse declarado) e a tácita Fl. 2777DF CARF MF 14 (que ocorre por decurso de prazo cinco anos se não houver estipulação legal em contrário). Tanto a legislação aduaneira não considera o desembaraço aduaneiro homologação expressa que a mesma legislação prevê que é possível a revisão aduaneira, decorrente do autocontrole dos atos administrativos, até a ocorrência da decadência do crédito tributário. A revisão é prevista no artigo 570 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, in verbis, cujo fundamento de validade é o artigo 54 do Decreto lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472/88." Ratifica o entendimento exposto na decisão vergastada a jurisprudência do CARF: "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 20/07/2007, 19/02/2008, 20/08/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS (...) ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INTELIGÊNCIA DO ART. 146 DO CTN NA REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira é procedimento expressamente previsto na legislação pertinente e não vulnera o art. 146 do CTN. Recurso Voluntário Negado" (Processo 19647.000747/200937; Acórdão 3201003.015; Relator Conselheiro MARCELO GIOVANI VIEIRA; sessão de 24/07/2017) "Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 30/06/2010 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2. APLICAÇÃO. Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 10726.000001/200464 Acórdão n.º 3201003.625 S3C2T1 Fl. 9 15 efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). (...)" (Processo 11080.731133/201247; Acórdão 3401004.020; Relator: Conselheiro: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO; Sessão de 24/10/2017) CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato Gerador:28/03/2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. A classificação indicada pela fiscalização na NCM tem com base nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH) e em obediência as normas, regras estipuladas na TEC/NCM e TIPI/NCM, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, e dos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e mediante das conclusões dos laudos técnicos oficiais. MATÉRIA NÃO CONTESTADA A empresa submeteu a despacho aduaneiro três mercadorias que tiveram as suas classificações fiscais mudadas pela fiscalização e sobre essas alterações, a mesma não se manifestou expressamente nas suas peças de defesa, tampouco no resultado da diligência, daí, considerase matéria não contestada. REVISÃO ADUANEIRA Por expressa autorização legal, o despacho aduaneiro está sujeito à revisão aduaneira no prazo decadencial, que é de cinco anos, a contar da data da infração, após o qual está extinto o direito da Fazenda de impor penalidade (art. 139 do DecretoLei nº 37/66). MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura do presente auto de infração. Dessa forma, não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela Fl. 2779DF CARF MF 16 de Incidência do IPI (TIPI). (...)" (Processo 11128.006502/2005 47, Acórdão 3201002.603; Relatora Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM; Sessão de 28/02/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 2780DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.000323/2010-28
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL.
A opção pelo Simples Nacional , irretratável para todo ano-calendário deve ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção a pessoa jurídica pode regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1003-000.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. A opção pelo Simples Nacional , irretratável para todo anocalendário deve ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção a pessoa jurídica pode regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 03 23 /2 01 0- 28 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13116.000323/201028 Acórdão n.º 1003000.025 S1C0T3 Fl. 45 2 A Recorrente formalizou a de Opção pelo Simples Nacional. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fl. 04, pedido fundamentandose no fato de que: Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não esta suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Débitos 1) Débito Código da Receita :594 Nome do Tributo : DASN MULTA ATRASO/FALTA [...]: Período de Apuração: 01/07/2008 Saldo Devedor : R$ 683,06 Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BSA/MG nº 0348.211, de 10.05.2012, efls. 2426: OPÇÃO. DÉBITOS NA DATA LIMITE. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas com débitos, sem exigibilidades suspensa, existentes junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 31.05.2012, efl. 28, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.06.2012, fls. 2942, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Referente ao cumprimento dos requisitos para deferimento da Opção pelo Simples Nacional no caso de existência de débitos aduz que: Foi verificado que houve uma alteração na data da regularização das pendências, e que no ano de 2010 não coincidiu com o termino do prazo para opção, tal alteração sobrepôs automaticamente a Resolução CGSN 04, de 30 de maio de 2007, art.l° parágrafo 1° inciso I. Dessa forma a empresa nunca esteve em conflito com a lei, e permanece rigorosamente em dia com suas obrigações principais e acessórias. Percebese que, com a necessidade da baixa dos débitos de forma manual em (09/03/2010), a inclusão não poderia ter sido feita de outra forma, pois nessa época, o prazo para opção e regularização das pendências, já haviam expirado em (03/02/2010), assim lamentavelmente a empresa só ficou desenquadrada por falta de estrutura dos sistemas operacionais daquele período. Uma vez comprovado, com base nesses elementos de convicção, que a empresa atendeu todas as exigências do órgão arrecadador dentro do prazo estabelecido, tornamse nulo a decisão de julgamento de indeferimento. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13116.000323/201028 Acórdão n.º 1003000.025 S1C0T3 Fl. 46 3 Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, incluindoa no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno porteSimples Nacional cancelandose a ratificação a decisão da Delegacia de jurisdição do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente se insurge contra o indeferimento da Opção Pelo Simples Nacional ao argumento de regularizou sua situação fiscal no prazo legal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente (art. 3º da Lei 4.717, de 29 de junho de 1965). Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.000323/201028 Acórdão n.º 1003000.025 S1C0T3 Fl. 47 4 Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional é a manifestação unilateral da administração pública e o motivo indicado é a existência de débitos com a RFB, cuja exigibilidade não esteja suspensa vincula o ente federativo que o emitiu, uma vez que esta questão é afeta à repartição constitucional de competências tributárias Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência, de sua validade e de sua eficácia. Ademais o ato administrativo deve ser motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente1. O pressuposto é de que não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção a pessoa jurídica pode regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo2. Ainda atinente a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordinário com Repercussão Geral RE 6275433 com trânsito em julgado em 14.11.2014, cuja decisão definitiva de mérito ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4: Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida. Microempresa e empresa de pequeno porte. Tratamento diferenciado. Simples Nacional. Adesão. Débitos fiscais pendentes. Lei Complementar nº 123/06. Constitucionalidade. Recurso não provido. 1. O Simples Nacional surgiu da premente necessidade de se fazer com que o sistema tributário nacional concretizasse as diretrizes constitucionais do favorecimento às microempresas e às empresas de pequeno porte. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em consonância com as diretrizes traçadas pelos arts. 146, III, d, e parágrafo único; 170, IX; e 179 da Constituição Federal, visa à simplificação e à redução das obrigações dessas empresas, conferindo a elas um tratamento jurídico diferenciado, o qual guarda, ainda, perfeita consonância com os princípios da capacidade contributiva e da isonomia. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Recurso Extraordinário nº 62.7543/RS. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Dias Toffoli. Julgado em 30 out. 2013. Publicado no DJe em 20 out.2014. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+627543 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+627543%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos& url=http://tinyurl.com/a35tf3a>. Acesso em 27 mai. 2018. 4 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.000323/201028 Acórdão n.º 1003000.025 S1C0T3 Fl. 48 5 2. Ausência de afronta ao princípio da isonomia tributária. O regime foi criado para diferenciar, em iguais condições, os empreendedores com menor capacidade contributiva e menor poder econômico, sendo desarrazoado que, nesse universo de contribuintes, se favoreçam aqueles em débito com os fiscos pertinentes, os quais participariam do mercado com uma vantagem competitiva em relação àqueles que cumprem pontualmente com suas obrigações. 3. A condicionante do inciso V do art. 17 da LC 123/06 não se caracteriza, a priori, como fator de desequilíbrio concorrencial, pois se constitui em exigência imposta a todas as pequenas e as microempresas (MPE), bem como a todos os microempreendedores individuais (MEI), devendo ser contextualizada, por representar também, forma indireta de se reprovar a infração das leis fiscais e de se garantir a neutralidade, com enfoque na livre concorrência. 4. A presente hipótese não se confunde com aquelas fixadas nas Súmulas 70, 323 e 547 do STF, porquanto a espécie não se caracteriza como meio ilícito de coação a pagamento de tributo, nem como restrição desproporcional e desarrazoada ao exercício da atividade econômica. Não se trata, na espécie, de forma de cobrança indireta de tributo, mas de requisito para fins de fruição a regime tributário diferenciado e facultativo. Em conformidade com o que determina a Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, a situação fiscal pode ser regularizada, desde que seja efetivada no prazo legal de opção pelo Simples Nacional: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009). (grifos acrescidos) Está registrado no voto condutor do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BSA/MG nº 0348.211, de 10.05.2012, efls. 2426, cujos fundamentos de fato e de direito devem ser adotados nesta segunda instância de julgamento: Em face da data de registro do Termo de Indeferimento temse que a manifestação de inconformidade é tempestiva. Como atende aos demais requisitos Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.000323/201028 Acórdão n.º 1003000.025 S1C0T3 Fl. 49 6 de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, dela tomo conhecimento. A requerente contesta o débito de natureza não previdenciária exigido no valor de R$ 683,06, relativo à multa por falta ou atraso na DASN do período de apuração 01/07/2008, alegando que regularizou a pendência dentro do prazo para enquadramento. Equivocase a interessada. Com efeito, a Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece em seu artigo 17, inciso V, condição impeditiva para recolher tributos na sistemática do Simples Nacional a existência de débitos: [...] Consoante o que dispõe a Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, tal impedimento era passível de regularização, desde que tal regularização se desse no mesmo prazo concedido para fazer a opção pelo Simples Nacional: [...] No caso dos autos, verificase que, contrariando o alegado na manifestação de inconformidade, a contribuinte a rigor, não regularizou o débito constante do Termo de Indeferimento da opção pelo Simples Nacional até o prazo limite para fazer a opção por essa sistemática de apuração. Salientase que, para o anocalendário de 2010, esse prazo final ocorreu em 29/01/2010, último dia útil do mês de janeiro daquele ano. O recolhimento de fl. 05, confirmado nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme telas de fls. 21 e 22, se deu após esse prazo, exatamente em 01/02/2010. Assim, diante da existência de débito de natureza não previdenciária não regularizado dentro do prazo limite de opção pelo Simples Nacional para o ano calendário de 2010, correto o indeferimento do pedido de inclusão. Especificamente sobre a Opção pelo Simples Nacional, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tão somente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). O indeferimento do Termo de Opção pelo Simples Nacional no presente caso deveria ter sido efetivada até 29.01.2010, ou seja, último dia do mês de janeiro do ano calendário de 2010, re referente ao débito de multa isolada por atraso da entrega da DASN de julho de 2008, fls. 02 e 20, conforme expressa previsão legal. Restou comprovado que a Recorrente regularizou a situação fiscal no dia 01.02.2010, de acordo com os sistemas internos da RFB e Despacho da DRF/Anápolis/GO de 15.04.2010, fls. 2021. Diante da existência de débito em cobrança até dia 29.01.2010 referente a opção pelo Simples Nacional do anocalendário de 2010, está correto o indeferimento do pleito. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). A falta de cumprimento das condições legais impede o deferimento da Opção pelo Simples Nacional. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.000323/201028 Acórdão n.º 1003000.025 S1C0T3 Fl. 50 7 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000403/2005-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
Ementa:
SIMPLES. INCLUSÃO. POSSIBILIDADE. ATIVIDADE NÃO VEDADA EM LEI.
A prestação de serviço técnico de instalação elétrica e manutenção não se equipara a serviço prestado por engenheiro eletricista, segundo Resolução da própria entidade de Classe CONFEA. Assim, não há impedimento ao ingresso ou permanência da pessoa jurídica no SIMPLES.
Numero da decisão: 9101-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 Ementa: SIMPLES. INCLUSÃO. POSSIBILIDADE. ATIVIDADE NÃO VEDADA EM LEI. A prestação de serviço técnico de instalação elétrica e manutenção não se equipara a serviço prestado por engenheiro eletricista, segundo Resolução da própria entidade de Classe CONFEA. Assim, não há impedimento ao ingresso ou permanência da pessoa jurídica no SIMPLES.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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INCLUSÃO. POSSIBILIDADE. ATIVIDADE NÃO VEDADA EM LEI. A prestação de serviço técnico de instalação elétrica e manutenção não se equipara a serviço prestado por engenheiro eletricista, segundo Resolução da própria entidade de Classe CONFEA. Assim, não há impedimento ao ingresso ou permanência da pessoa jurídica no SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 04 03 /2 00 5- 74 Fl. 146DF CARF MF 2 Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 180301.193, onde se cancelou exclusão ao SIMPLES perpetuada no âmbito da Lei 9.137/96, pela constatação de que a prestação de serviço técnico de instalação elétrica e manutenção não se equipara a serviço prestado por engenheiro eletricista, não encontrando óbice à opção pela sistemática do SIMPLES. O processo tem origem no Ato Declaratório Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/Sorocaba n° 14 de 22 de novembro de 2007, fl. 22, com fundamento no artigo 9°, V e §4° da Lei 9.317, em razão do exercício de "prestação de serviços de construção civil", atividade econômica que não permite a opção pela sistemática do SIMPLES, referente ao período compreendido pelo ano de 2001. O Contribuinte apresenta impugnação em que aduz que nunca exerceu atividade específica de construção civil e que sua atividade preponderante é de venda de material elétrico, com pouca ênfase em instalação elétrica e manutenção. Refere que a atividade de instalação elétrica não é atividade exclusiva de engenheiro civil e que por essa razão não encontrase vedada pela norma disciplinadora da sistemática do SIMPLES, estando pois amparada sua inclusão na mesma. A autoridade de primeira instância entendeu que o lançamento era procedente, vez que a atividade exercida pela recorrente realmente encontrase nas vedações previstas pelo artigo 9° da Lei 9.317/96. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. ATIVIDADE NÃO VEDADA EM LEI. A prestação de serviço técnico de instalação elétrica e manutenção não se equipara a serviço prestado por engenheiro eletricista, segundo Resolução da própria entidade de Classe CONFEA. Assim, não há impedimento ao ingresso ou permanência da pessoa jurídica no SIMPLES. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10855.000403/200574 Acórdão n.º 9101003.595 CSRFT1 Fl. 147 3 Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." Cientificada da decisão, Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência alegando o acórdão ora recorrido não merece prosperar, pois a instalação e manutenção elétrica configuram atividade vedada ao Simples. O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo não haver reparos a serem feitos no despacho de admissibilidade, portanto, dele conheço. Sobre o mérito da questão, entendo, também, que não merece prosperar a pretensão fazendária. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência, alegando que a atividade em questão é atividade complementar à construção de imóveis, enquadrando se, portanto, na vedação do parágrafo 4° do art. 9° da Lei n° 9.317/96, que possui a seguinte redação: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V ‑ que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; § 4º Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. A Fazenda também se baseia no ADN 30/99, no seguinte sentido: O Ato Declaratório Normativo n° 30, de 14 de outubro de 1999, da Coordenação do Sistema de Tributação — Cosit, estabelece a que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, Fl. 148DF CARF MF 4 abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: I ‑ a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; II ‑ sondagens, fundações e escavações; (...) VI‑ pintura, carpintaria, instalações elétricas, hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e VII — quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Compreendo que a referida vedação alcança, apenas, as pessoas jurídicas que se dediquem à construção de imóveis, e o § 4° do mesmo dispositivo não tem o condão de modificar a extensão do que expresso naquele inciso. Mencionado parágrafo 4º apenas expõe as diversas facetas da regra do inciso V, sem aumentar o seu alcance, exercendo as seguintes funções: 1) explica que nem todas as obras de construção civil são consideradas construção de imóvel; 2) esclarece que é irrelevante a titularidade do imóvel; 3) informa que o conceito de imóveis alcança as edificações e as benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo (no que se aproxima da definição de imóvel do art. 79 Código Civil); e 4) estabelece, por meio de exemplos (construção, demolição, reforma, ampliação), quais obras de construção civil estão alcançadas pelo conceito de construção de imóvel. Nesse contexto, outra não pode ser a conclusão, senão a de que a vedação existente só afasta a possibilidade de opção pelo Simples para a empresa com atividades de construção civil que resulte na construção de imóveis e que, portanto, as atividades descritas no ADN 30/99, para impedirem o ingresso ou permanência da pessoa jurídica na sistemática simplificada de recolhimento, não podem ser analisadas isoladamente, mas sim demonstradas como integrantes de um conjunto que resulte na edificação de imóveis No presente caso, a atividade realizada não se encontrava englobada no âmbito da construção de imóveis. Logo, não há como enquadrar tal atividade na vedação legal. Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10855.000403/200574 Acórdão n.º 9101003.595 CSRFT1 Fl. 148 5 Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13679.720029/2017-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada.
Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pela Recorrente supre a exigência legal.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RENDAS DE ALUGUÉIS.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2001-000.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pela Recorrente supre a exigência legal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RENDAS DE ALUGUÉIS. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pela Recorrente supre a exigência legal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RENDAS DE ALUGUÉIS. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira – Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 9. 72 00 29 /2 01 7- 37 Fl. 74DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão à tributação de rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.934,16, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2013. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A contestação do Lançamento é parcial tendo em vista que no que se refere à omissão de rendimentos de aluguéis não houve demanda contestativa de parte da Recorrente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: (...) Em desfavor da contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento (fls. 36/41), relativamente ao ano calendário 2013, na qual foi apurado saldo de Imposto de Renda Pessoa FísicaSuplementar no valor de R$ 5.934,16, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, conforme demonstrativo (fl.6). (...) Tratase de impugnação parcial. No que diz respeito a Omissão de Rendimentos de Aluguéis da SavegnagoSupermercados LTDA, CNPJ: 71.332.150/000160, no nome do dependente da contribuinte, a impugnante concorda com esta infração. A lide restrita a Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia GraveNão Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado (R$ 59.317,50). Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13679.720029/201737 Acórdão n.º 2001000.357 S2C0T1 Fl. 75 3 Na Notificação de Lançamento o motivo do rendimento ser indevidamente considerados como isento por Moléstia Grave foi que: a contribuinte não apresentou laudo pericial emitido por serviço médico oficial. A defesa alega que o valor contestado é isento, conforme laudo médico comprovando que é portadora de moléstia considerada grave e que é rendimento decorrente de aposentadoria. De início, cabe analisar a questão relacionada à isenção de rendimentos em virtude da existência de moléstia grave. A matéria é regida pelo Regulamento do Imposto de Renda – 1999 (RIR/99), aqui reproduzida nos trechos pertinentes: (...) A Instrução Normativa RFB Nº 1.500, de 2014, que estabelece normas gerais da legislação do IRPF, dispõe sobre os requisitos mínimos do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, in verbis: (...) Para efeito de reconhecimento da isenção, sem prejuízo das demais exigências legais, somente podem ser aceitos laudos periciais emitidos por instituições públicas, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos médicos expedidos por entidades privadas (hospitais, clínicas ou médicos particulares), não podem ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. (...) A isenção aqui tratada é de caráter individual, pois a lei restringe a abrangência do benefício às pessoas que preencham determinados requisitos. Dessa forma, o reconhecimento da isenção pela Administração Tributária é realizada caso a caso, de acordo com o pedido e os documentos apresentados, nos quais o interessado deve comprovar o atendimento aos requisitos e condições para o gozo do benefício fiscal. Passemos a análise do caso concreto. À fl. 17 consta Carta de Concessão/Memória de Cálculo do Benefício, que é concedida aposentadoria por tempo de contribuição a contribuinte a partir de 28/02/2003. Na Fl. 22 consta Carta de Concessão/Memória de Cálculo do Benefício, que é concedida pensão por morte previdenciária a contribuinte a partir de 10/04/2010. Na Notificação de Lançamento consta que a fonte pagadora dos Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave é o Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ: 29.979.036/000140. Diante dos documentos constantes nos autos do processo se chega a conclusão que os rendimentos recebidos pela defendente e Fl. 76DF CARF MF 4 Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave são provenientes de aposentadoria e pensão. A contribuinte apresenta à fl. 16 Relatório Médico com o timbre do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto assinado pelo Dr. Lucas Eduardo Albieri, emitido em 17/01/2017. Este Relatório Médico não pode ser aceito, pois não contem o número do registro no órgão público do profissional que o emitiu. Além do mais este relatório tem como Emissão 17/01/2017 e não diz desde quando a contribuinte é portadora da moléstia. O ano calendário em lide é 2013. Não ficou comprovado no decorrer de procedimento fiscal e na impugnação, através de documentação hábil e idônea, que a defendente era portadora de moléstia grave, prevista em lei para isenção, no ano calendário em lide. De todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, para determinar a manutenção do resultado apurado na Notificação de Lançamento. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, pelo não reconhecimento do direito à isenção pleiteada referente período. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) (...) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13679.720029/201737 Acórdão n.º 2001000.357 S2C0T1 Fl. 76 5 (...) (...) (...) Fl. 78DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A contestação do Lançamento é parcial tendo em vista que no que se refere à omissão de rendimentos de aluguéis não houve demanda contestativa de parte da Recorrente. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13679.720029/201737 Acórdão n.º 2001000.357 S2C0T1 Fl. 77 7 O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 80DF CARF MF 8 II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. A Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados. A Recorrente é portadora de moléstia grave desde março de 2010, conforme laudo médico pericial oficial emitido pelo Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, ou simplesmente Hospital das Clinicas de Ribeirão Preto, vinculado à Secretaria da Saúde, autarquia mantida pelo Governo do Estado de São Paulo. O documento é de órgão público estadual e contém a indicação oficial da instituição, do médico que firma o relatório e atesta que a Contribuinte é portadora da moléstia Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13679.720029/201737 Acórdão n.º 2001000.357 S2C0T1 Fl. 78 9 grave desde março de 2010, como se vê às fls. 16 e 71 do processo. De consistente comprovação também a pensão e a aposentadoria que recebe como fonte de renda às fls. 17 a 22 do processo. Assim sendo, a documentação que comprova a existência da moléstia grave da Contribuinte é válida para habilitála ao benefício da isenção do imposto sobre rendas de pensão e aposentadoria. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria como constante na declaração do Imposto sobre a Renda. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000755/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 29/10/2004, 31/01/2005
MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO.
É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada DIF-Papel Imune, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001.
Numero da decisão: 9303-006.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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LTDA. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 29/10/2004, 31/01/2005 MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO. É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada “DIFPapel Imune”, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 07 55 /2 00 5- 11 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10945.000755/200511 Acórdão n.º 9303006.668 CSRFT3 Fl. 154 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 92 a 106), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 3403000.665, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 82 a 88), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE DIFPAPEL IMUNE. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO COM PAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. A apresentação da DIFPapel Imune, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 116 a 118), a PGFN defende que a multa pela falta de apresentação da DIFPapel Imune no prazo estabelecido pela legislação seja aplicada pelo número de meses de atraso – como foi levado a efeito na lavratura do Auto de Infração (fl. 27) –, com fulcro nos arts. 11 e 12 da IN/SRF nº 71/2001, que têm por fundamento de validade o art. 16 da Lei nº 9.779/99, sendo o cálculo feito com base no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. A Unidade de Origem apresentou Embargos de Declaração (fls. 122 a 124), no sentido de sanar omissão no acórdão recorrido, para execução da sentença, a fim de que fosse dito se a multa se aplicaria pelo número de meses de atraso, seria de três meses (pela DIF ser trimestral) ou de apenas um mês por declaração. Os Embargos foram acolhidos (fls. 126 a 128), mas, em função da extinção da Turma que exarou o acórdão embargado, foram apreciados pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, mediante Acórdão nº 3201002.154 (fls. 129 a 134). No voto condutor é dito o seguinte: “Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência de lapso material manifesto, pois, o voto vencedor constante do acórdão não esclareceu as penalidades mantidas na decisão. Para sanar a contradição, entendo que o melhor caminho seja a alteração do voto vencedor da decisão prolatada no Acórdão 3403000.665, para alterar a ementa do acórdão que passara a ter a seguinte redação: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10945.000755/200511 Acórdão n.º 9303006.668 CSRFT3 Fl. 155 3 DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE – DIF PAPEL IMUNE. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO COM PAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. A apresentação da DIFPapel Imune, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE – DIF PAPEL IMUNE. MULTA POR NÃO ENTREGA OU ENTREGA EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa pela não entrega ou entrega em atraso da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune – DIFPapel Imune, prevista no art. 57 da MP n° 2.15835 foi modificada pelo art. 1º da Lei n° 11.945/09. Tendo em vista a reforma para aplicação de penalidade menos gravosa, aplicase a retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea "a" do CTN, reduzindose a multa para o valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e. de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais empresas para cada DIFPapel Imune não entregue ou entregue em atraso Recurso parcialmente provido”. Em informação datada de 14/06/2016 (fl. 137), a Fazenda Nacional diz que “está ciente do r. Acórdão nº 3201002.154, e que não haverá a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais”. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Como visto, o acórdão recorrido foi reformado, no julgamento dos Embargos de Declaração da Unidade de Origem, mas tão somente para esclarecer que se deveria aplicar apenas uma multa por DIFPapel Imune não entregue ou entregue em atraso. A PGFN disse que não apresentaria Recurso Especial contra esta decisão, mas entendo que isto não representa uma “desistência” do recurso anterior, pois o que ela defende é a aplicação da multa calculada pelo número de meses de atraso, e não em valor único, pelo que dele conheço. No mérito, não vou adentrar aqui em maiores discussões, pois a matéria trazida à apreciação é mais que conhecida nesta Turma, inclusive com diversos Votos de minha lavra, como o do Acórdão nº 9303004.953, proferido em 10/04/2017, em decisão unânime, sendo que na Sessão a composição do Colegiado era muito similar: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10945.000755/200511 Acórdão n.º 9303006.668 CSRFT3 Fl. 156 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Não se pode dizer que agiu incorretamente a Fiscalização, pois o Auto de Infração foi lavrado em 21/03/2005 (fls. 26 a 28). O fato é que a retroatividade benigna do art. 106, II, “c” do CTN é plenamente aplicável ao caso, sendo somente cabível uma multa, em valor único, por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês de atraso. De toda forma, para que não fiquemos somente adstritos ao dito na ementa do meu voto adotado como exemplo, transcrevo abaixo a legislação pertinente, na parte que interessa à discussão, para bem aclarar o assunto: Lei nº 9.779/99 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. IN/SRF nº 71/2011 Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10945.000755/200511 Acórdão n.º 9303006.668 CSRFT3 Fl. 157 5 magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, caracteriza a situação prevista no inciso II do art. 7º, sem prejuízo da aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.15834, de 27 de julho de 2001. MP nº 2.15435/2001 (Redação original) Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (...) Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Lei nº 11.945/2009 Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (...) § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: (...) II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. (...) § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: (...) II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Código Tributário Nacional Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10945.000755/200511 Acórdão n.º 9303006.668 CSRFT3 Fl. 158 6 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial, cabendo à Unidade de Origem verificar a condição da autuada à época (Microempresa, EPP / Demais), para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903057/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP com demonstrativo de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, referente ao período de apuração de abril de 2009. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando sua decisão na alocação integral do pagamento a outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 03 05 7/ 20 13 -8 2 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10120.903057/201382 Resolução nº 1201000.351 S1C2T1 Fl. 3 2 Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que diante da não homologação, foi verificado que a empresa cometeu erro material ao declarar na DCTF um débito fictício, solicitando que seja, assim, processada e homologada a PER/DCOMP inicialmente apresentada, uma vez que, a empresa não deve ser apenada por esse equívoco formal que não desnatura a compensação realizada. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento em primeira instância e, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente face à ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação. A DRJ/RPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: A não homologação da compensação decorreu da inexistência do crédito utilizado, pois o valor recolhido correspondeu ao débito expresso na DCTF que se achava ativa na data em que o despacho decisório foi emitido. Estando o pagamento integralmente alocado, não havia saldo disponível para suportar a extinção do crédito tributário pretendida pelo contribuinte. A partir da ciência do contribuinte do despacho decisório que negou a compensação requerida, deixa de existir a espontaneidade e a retificação da DCTF somente será válida caso esteja acompanhada de elementos de prova suficientes para o convencimento da autoridade fiscal quanto ao erro praticado no documento retificado, conforme disposto no artigo 9º, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974/2009. De acordo com o §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caberia ao contribuinte não só a juntada das declarações retificadoras, mas também a apresentação de outros elementos, tais como cópias de livros contábeis e fiscais com os lançamentos dos valores apropriados na apuração, capazes de demonstrar o propalado erro cometido no preenchimento da declaração original. Ao invés disso, o contribuinte limitouse a indicar o erro cometido na DCTF com base no balancete, o que não é suficiente para a comprovação do alegado erro praticado pelo sujeito passivo. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) houve recolhimento a maior de IRPJ referente ao mês de abril de 2009; (ii) o erro no preenchimento da DCTF acabou por refletirse no valor a maior constante do DARF; (iii) a partir da análise da DIPJ, LALUR e balancete de verificação é possível observar o valor do IRPJ apurado no mês de abril de 2009. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10120.903057/201382 Resolução nº 1201000.351 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.339, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10120.903043/201369, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de abril de 2007 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do período de apuração de abril de 2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.339), adequandoa ao caso concreto: "[...] Conforme visto, a recorrente trouxe aos autos documentação robusta no que tange à apuração do IRPJ devido no mês em referência. No entanto, [...], há que se proceder à verificação quanto à liquidez e certeza do crédito, no que se refere aos demais períodos não incluídos nos presentes autos, considerandose, mutatis mutandis, o contido nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10120.903057/201382 Resolução nº 1201000.351 S1C2T1 Fl. 5 4 Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; b) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do anocalendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000203/2002-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1996 a 30/04/1996, 01/08/1996 a 31/10/1996, 01/05/1997 a 30/11/1997, 01/02/1998 a 30/11/1998, 01/05/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a 30/01/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EQUÍVOCOS NAS PREMISSAS DE FATO. OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA.
Padece de vício de obscuridade a decisão que adota premissas fáticas não comprovadas em processo para alcançar a conclusão estampada no voto, cabendo o seu saneamento mediante acolhimento dos embargos de declaração que apontam a inconsistência.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, § 4º DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. APLICAÇÃO.
A teor da decisão proferida pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça no REsp 973.733/SC, julgado sob o rito do recurso repetitivo (ART. 543-c do CPC) e de observância obrigatório no CARF (art. 62 do RICAR/15), a aplicação da forma de contagem do lapso decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN exige o recolhimento, ainda que parcial, do tributo devido, sendo que a ausência de pagamento atrai as disposições do art. 173, I do mesmo codex.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-005.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para ratificar o Acórdão nº 3401-002.155, de 27/02/2013, quanto à decadência.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1996 a 30/04/1996, 01/08/1996 a 31/10/1996, 01/05/1997 a 30/11/1997, 01/02/1998 a 30/11/1998, 01/05/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a 30/01/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EQUÍVOCOS NAS PREMISSAS DE FATO. OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA. Padece de vício de obscuridade a decisão que adota premissas fáticas não comprovadas em processo para alcançar a conclusão estampada no voto, cabendo o seu saneamento mediante acolhimento dos embargos de declaração que apontam a inconsistência. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, § 4º DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. APLICAÇÃO. A teor da decisão proferida pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça no REsp 973.733/SC, julgado sob o rito do recurso repetitivo (ART. 543-c do CPC) e de observância obrigatório no CARF (art. 62 do RICAR/15), a aplicação da forma de contagem do lapso decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN exige o recolhimento, ainda que parcial, do tributo devido, sendo que a ausência de pagamento atrai as disposições do art. 173, I do mesmo codex. Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para ratificar o Acórdão nº 3401-002.155, de 27/02/2013, quanto à decadência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1996 a 30/04/1996, 01/08/1996 a 31/10/1996, 01/05/1997 a 30/11/1997, 01/02/1998 a 30/11/1998, 01/05/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a 30/01/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EQUÍVOCOS NAS PREMISSAS DE FATO. OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA. Padece de vício de obscuridade a decisão que adota premissas fáticas não comprovadas em processo para alcançar a conclusão estampada no voto, cabendo o seu saneamento mediante acolhimento dos embargos de declaração que apontam a inconsistência. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, § 4º DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. APLICAÇÃO. A teor da decisão proferida pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça no REsp 973.733/SC, julgado sob o rito do recurso repetitivo (ART. 543c do CPC) e de observância obrigatório no CARF (art. 62 do RICAR/15), a aplicação da forma de contagem do lapso decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN exige o recolhimento, ainda que parcial, do tributo devido, sendo que a ausência de pagamento atrai as disposições do art. 173, I do mesmo codex. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para ratificar o Acórdão nº 3401002.155, de 27/02/2013, quanto à decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 03 /2 00 2- 02Fl. 1757DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão 3401002.155, julgado na sessão de 27/02/2013, na parte que reconheceu a decadência do período anterior a julho/1997, exclusive, por força do disposto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Alega a embargante que houve omissão do julgado quanto à existência de antecipação de pagamentos, ainda que parciais, nas competências 05/1997 e 06/1997, o que implicaria o afastamento do art. 150, § 4º do CTN e conseqüente aplicação do art. 173, I do mesmo diploma, conforme entendimento fixado no REsp 973.733/SC, julgado sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. Em 17/03/2016, através da Resolução nº 3401003.143, o julgamento foi convertido em diligência para prestação de informações. Posteriormente, em 30/08/2017, Resolução nº 3401001.184, foi o processo devolvido à unidade preparadora para complementação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O aclaratório sub examine foi submetido ao juízo de admissibilidade exigido pelo art. 65, §§ 2º e 7º do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015), preenchendo os requisitos exigidos para seu conhecimento. Revendo os termos do aresto argüido, verifico que o colegiado, naquela assentada, acolheu o entendimento ora defendido pela embargante, consoante o qual o emprego do art. 150, § 4º do CTN exigiria o recolhimento, ao menos parcial, do valor apurado a título de tributo, como se extrai da seguinte passagem do voto condutor: Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 19515.000203/200202 Acórdão n.º 3401005.009 S3C4T1 Fl. 1.758 3 “Alega a Recorrente que estão decaídos os lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos na data do lançamento, pois o prazo de decadência para o lançamento dos tributos sujeitos à homologação é de cinco anos, a contar da data do fato gerador. Neste ponto, tem razão a Recorrente. Conforme o demonstrativo elaborado pelo auditorfiscal, juntado na fl. 447, houve antecipação do pagamento, ainda que não tenha sido em sua integralidade. Por essa razão o prazo decadencial é de cinco anos, a contar da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Conforme decisão do STJ no Recurso Especial nº 973.733, julgado pela sistemática do art. 543C, do CPC, a exceção ao termo a quo no prazo decadencial para o lançamento de ofício dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorre somente quando o contribuinte não antecipa o pagamento, o que não é caso.” Como acentuado pela embargante, a irresignação repousa na afirmação que haveria antecipação de pagamento para os períodos de apuração questionados, a partir dos dados constantes da planilha de apuração de fls. 447. Neste ponto, de fato, havia uma inconsistência na premissa adotada pelo eminente Relator, porquanto aludido demonstrativo não afirmava categoricamente que houve recolhimentos nos períodos indagados, mas tãosomente a existência de valores pagos e/ou declarados em DCTF, não sendo possível concluir pelos elementos acostados aos autos que os valores indicados teriam sido extintos parcialmente por pagamento. Entretanto, diversamente do que apregoa o recorrente, a ausência dessa informação não enseja, imediatamente, o emprego do art. 173, I do Código Tributário Nacional, mas, sim, a verificação da existência desses pretensos recolhimentos, em homenagem ao princípio da verdade material, uma vez que se trata de lançamento para exigência de crédito tributário. Nessa vereda, as diligências determinadas trouxeram aos autos os elementos necessários para aplicação segura do entendimento fixado no REsp nº 973.733/SC, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos e de observância impositiva no âmbito do CARF, consoante art. 62 do seu regimento interno (Portaria MF nº 343/15), com a juntada aos autos dos extratos de DARFs, efls. 1.636/1.637 e 1.753/1.754, confirmando a existência de pagamentos, ainda que parciais, referentes aos períodos de apuração maio/97 e junho/97, sendo esses os únicos reclamados pelo arguente. Ante o exposto, tratandose de debate eminentemente fático, uma vez comprovada a quitação parcial dos valores em testilha, ratificase a decisão exarada no acórdão embargado (3401002.155, de 27/02/2013) para reconhecer a decadência do período anterior a julho/1997, como decidido na ocasião. Com estas considerações, voto por acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para ratificar, quanto à decadência, o Acórdão nº 3401002.155, de 27/02/2013. Robson José Bayerl Fl. 1759DF CARF MF 4 Fl. 1760DF CARF MF
score : 1.0
