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Numero do processo: 13830.903146/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.419
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 46 /2 01 2- 20 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903146/201220 Acórdão n.º 3402004.419 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903146/201220 Acórdão n.º 3402004.419 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.682, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903146/201220 Acórdão n.º 3402004.419 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903146/201220 Acórdão n.º 3402004.419 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903146/201220 Acórdão n.º 3402004.419 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903146/201220 Acórdão n.º 3402004.419 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903146/201220 Acórdão n.º 3402004.419 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903146/201220 Acórdão n.º 3402004.419 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.732016/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2010
OBRAS AUDIOVISUAIS ESTRANGEIRAS. EXPLORAÇÃO EM TERRITÓRIO NACIONAL. RENDIMENTOS. ROYALTIES. REMESSA AO EXTERIOR. CONDECINE. ISENÇÃO. REQUISITOS. CONTRIBUINTE. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. INCIDÊNCIA À ALÍQUOTA DE 15% (QUINZE POR CENTO). OPÇÃO DE REDUÇÃO DE 70%. CONTRAPARTIDA. INVESTIMENTOS. PROJETOS DE PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA BRASILEIRA.
É isento de Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional o contribuinte de imposto de renda incidente na fonte, à alíquota de 15% (quinze por cento), sobre importâncias remetidas ao exterior a título de rendimentos decorrentes de exploração de obras audiovisuais estrangeiras em território nacional e que opte pelo abatimento de 70% do imposto de renda devido, em contrapartida a investimentos em projetos de obras cinematográficas brasileiras previamente aprovados pela Agência Nacional de Cinema.
Aplicação do benefício do art. 3° da Lei 8.685/1993 e do art. 12 do Decreto n° 355/91, que promulgou a Convenção celebrada entre o Brasil e o Reino dos Países Baixos.
Incidência da CONDECINE afastada pelo parágrafo único do artigo 49 da Medida Provisória n° 2.228-1/2001
Numero da decisão: 3201-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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EXPLORAÇÃO EM TERRITÓRIO NACIONAL. RENDIMENTOS. ROYALTIES. REMESSA AO EXTERIOR. CONDECINE. ISENÇÃO. REQUISITOS. CONTRIBUINTE. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. INCIDÊNCIA À ALÍQUOTA DE 15% (QUINZE POR CENTO). OPÇÃO DE REDUÇÃO DE 70%. CONTRAPARTIDA. INVESTIMENTOS. PROJETOS DE PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA BRASILEIRA. É isento de Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional o contribuinte de imposto de renda incidente na fonte, à alíquota de 15% (quinze por cento), sobre importâncias remetidas ao exterior a título de rendimentos decorrentes de exploração de obras audiovisuais estrangeiras em território nacional e que opte pelo abatimento de 70% do imposto de renda devido, em contrapartida a investimentos em projetos de obras cinematográficas brasileiras previamente aprovados pela Agência Nacional de Cinema. Aplicação do benefício do art. 3° da Lei 8.685/1993 e do art. 12 do Decreto n° 355/91, que promulgou a Convenção celebrada entre o Brasil e o Reino dos Países Baixos. Incidência da CONDECINE afastada pelo parágrafo único do artigo 49 da Medida Provisória n° 2.2281/2001 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 20 16 /2 01 4- 19 Fl. 534DF CARF MF 2 Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de auto de infração de Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), mediante o qual foi lançado contra o sujeito passivo supra qualificado o crédito tributário de R$ 17.207.394,61, já incluídos a multa de ofício de 75% e os juros moratórios, atualizados até 12/2014, conforme cálculos e respectiva fundamentação legal espelhados às fls. 226/231. Esta ação fiscal também resultou em lançamentos de Imposto de Renda Retido na Fonte (autos de nº 12448.732017/201463) e de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (autos de nº 12448.732013/201485), todos eles com fundamentação deduzida em um único relatório que, no caso destes autos, encontrase acostado às fls.216/225, podendo ser assim sintetizado: (a) A Paramount Pictures Brasil Distribuidora de Filmes Ltda tem como suas únicas sócias as pessoas jurídicas PPG HOLDINGS 95 B.V. e PPG HOLDING 5 B.V, ambas sociedades organizadas e existentes de acordo com as leis da Holanda, com sede na cidade de Amsterdã; (b) Com vistas à consecução dos seus objetivos, em especial à atividade relacionada com filmes cinematográficos, a fiscalizada firmou contratos de distribuição e licenciamento com a Universal Studios International BV (Universal), sociedade registrada nos Paises Baixos, estabelecida em Amsterdã, e com a Paramount Pictures Global, divisão da VIACOM GLOBAL (NETHERLANDS) B.V., pelos quais ficava obrigada a remeter aos contratantes residentes no exterior os rendimentos decorrentes da exploração de distribuição de películas cinematográficas a cinemas no Brasil; (c) No curso da fiscalização, depois de resposta à Intimação de 28/05/2014, onde foi solicitada a comprovação dos valores lançados na DIPJ 2011 a título de Royalties e Assistência TécnicaExterior, bem como Outros Custos, o contribuinte apresentou o demonstrativo "REMESSAS PRODUTOR 2010" Fl. 535DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 3 3 com a apuração dos valores mensais remetidos ao exterior no ano de 2010 e com destaque aos abatimentos de 70% do imposto de renda que foi apurado à alíquota de 15% sobre as citadas remessas, nos termos do art. 49, da MP n° 2.2281, de 06/09/2001, c/c art. 3o da Lei 8.685/93, alterado pela Lei 10.454/02; (d) Os valores remetidos aos produtores no exterior, a título de pagamento de rendimentos decorrentes da comercialização e distribuição no Brasil das obras audiovisuais licenciadas, foram tributados como royalties, submetidos à retenção de imposto de renda na fonte, à alíquota de 15%, amparado no Decreto n° 355/91, que promulgou a Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda, entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Reino dos Países Baixos, não sendo tributados relativamente à Condecine; (e) De acordo com o art. 3o da Lei n° 8.685/93, o contribuinte do imposto de renda incidente nos termos do art. 13 do DecretoLei n° 1.089, de 1970 (alterado pelo art. 2° da Lei n° 8.685/93) poderá deduzir o valor correspondente a 70% (setenta por cento) do imposto de renda devido, desde que o incentivo fiscal seja investido no desenvolvimento de projetos, aprovados pela Ancine, para produção de obras cinematográficas brasileiras de longa metragem de produção independente, e na coprodução de telefilmes e minisséries brasileiras de produção independente e de obras cinematográficas brasileiras de produção independente; (f) A opção pelo benefício fiscal tratado no art. 3º da Lei n° 8.685/93 afasta a incidência da Condecine, na hipótese de que trata o art. 49 da Medida Provisória n° 2.228, de 2001, sendo imposto ao postulante do benefício fiscal, todavia, a adoção das providências previstas na legislação, ou seja, que o valor do imposto de renda (base de cálculo do incentivo) seja apurado nos termos do art. 2° da Lei n° 8.685/93, ou seja, (i) que as importâncias remetidas sejam tributadas à alíquota de 25%, sendo que do imposto assim apurado deve ser deduzido, como abatimento, o correspondente a 70% do imposto devido, segundo o art. 3o da citada lei; e (ii) que o contribuinte opte por aplicar o valor correspondente ao abatimento, apurado na forma do item precedente, em desenvolvimento de projetos de produção de obras cinematográficas brasileiras; (g) Deste modo, não se ajustando às condições determinadoras do afastamento da tributação da CONDECINE, de que trata o art. 49 da MP n° 2.2281, de 2001, em face do imposto não ter sido apurado na forma prevista no art. 2o da Lei n° 8.685/93, ou seja, tributado à alíquota de 25%, caracterizouse indevido afastamento da tributação da CONDECINE, e por força do disposto no art. 32, parágrafo único da Medida Provisória n° 2.2281, de 2001, sendo constituída a exigência tributária com base nas importâncias remetidas ao exterior relativas a Fl. 536DF CARF MF 4 rendimentos decorrentes da exploração de obras cinematográficas, conforme demonstrado abaixo: DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE (h) Conforme demonstrativos anexos, constatamos a existência de divergências apuradas entre os valores atribuídos a custos e despesas contabilizados, conforme ECD e os valores informados no demonstrativo "REMESSAS PRODUTOR 2010"; (i) Na análise dos elementos que compuseram a apuração das importâncias líquidas remetidas, creditadas ou entregues a produtores no exterior, decorrentes do licenciamento de direitos sobre obras cinematográficas, nos Anexos "1" e "2" apresentados pelo contribuinte em 06/06/2014, juntamente com os lançamentos contábeis constantes da Escrituração Contábil Digital, transmitida ao SPED em 16/12/2011, foram constatadas divergências constituídas das ocorrências dos fatos adiante discorridos; (j) O levantamento consiste na correção dos valores registrados como gastos empregados na apuração do "Resultado líquido Produtor", mediante ajustes dos valores das despesas e custos informados no demonstrativo "REMESSAS PRODUTOR 2010" com os registrados na contabilidade, cujos efeitos resultam na correta apuração das importâncias remetidas ou creditadas aos detentores titulares (produtores) dos direitos sobre as obras cinematográficas ou audiovisuais no exterior; (k) Relativamente aos gastos com Despesas Gerais e Outras Despesas, identificadas pelo código 5.3, os registros contábeis foram efetuados pelo valor total ao resultado liquido apurado Fl. 537DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 4 5 sem a identificação individualizada dos produtores Paramount e Universal, beneficiários das importâncias pagas ou creditadas segundo demonstrativo já citado; (l) Tendo em vista a necessidade de adequarse o procedimento de computação individualizada das despesas e custos com as respectivas receitas auferidas por cada beneficiário, a fiscalização adotou o critério de distribuição proporcional das despesas lançadas individualmente nas planilhas no código 5.3 às contabilizadas de forma totalizada; (m) Desta forma estamos aplicando a tributação do Imposto de Renda na Fonte relativa às diferenças apuradas na forma abaixo relacionada, cujas receitas, despesas e custos que compuseram as diferenças apuradas encontramse demonstradas nas planilhas "COMPARATIVO DOS CUSTOS/DESPESAS CONTABILIZADAS COM OS INFORMADOS EM PLANILHAS", anexas ao presente. 1) BASE DE CÁLCULO DO IRFONTE UNIVERSAL (n) A base de cálculo tributada, sobre a qual a fiscalizada efetuou a retenção do imposto, corresponde ao valor da receita subtraída dos custos e despesas informadas, segundo demonstrativo "REMESSAS PRODUTOR 2010" elaborado pela Fl. 538DF CARF MF 6 fiscalizada e apresentado à fiscalização. A contabilizada, por sua vez, foi apurada com base nos dados extraídos da escrituração ECD, transmitida pelo Sped à RFB. (o) Com efeito, em se tratando de diferenças relativas a rendimentos decorrentes da exploração de obras cinematográficas pagas ou creditadas a produtores no exterior, deve ser aplicado também as regras determinadoras da Condecine prevista no art. 32, da Medida Provisória N° 228/2001, com o lançamento sendo consubstanciado no processo n° 12448.732.016201419, do qual também faz parte o lançamento tratado no titulo "DA INCIDÊNCIA DA CONDECINE", supramencionado; DA RECEITA NÃO OFERECIDA A TRIBUTAÇÃO (p) Dos exames e análises levados a efeito na empresa constatouse ainda prática considerada infração à legislação do imposto de renda evidenciada pela falta de oferecimento à tributação dos valores abaixo relacionados: (q) A infração decorre do procedimento adotado na escrituração na qual o referido valor originariamente registrado como receita, e posteriormente ter sido desconsiderado, mediante lançamentos de ajustes de idênticos valores registrados a débitos e créditos resultando em não oferecimento à tributação por nulidade da receita, sem apresentação de justificativa satisfatória para o fato ocorrido; (r) Através do termo de 03/09/2014, o contribuinte foi intimado a esclarecer e/ou informar as razões determinantes dos lançamentos de ajustes contábeis efetuadas em sua escrituração, os quais implicaram na anulação da tributação dos valores registrados nas contas acima citadas. Em sua resposta de 10/10/2014 informa que o valor de R$2.482.543,47, "se refere a registro efetuado a titulo de compensação e corresponde ao somatório de todas as comissões da Universal..." Por fim, diz que os valores integram o faturamento regular relativo à exibição de filmes, lançados na conta 3.1.11.02 (Rendas de Exploração Por Produto Universal e Paramount), desacompanhados de documentação probante dos fatos relatados; (s) Idênticas argumentações também foram apresentadas em relação aos valores de receitas de publicidades correspondentes a R$ 774.881,37 e R$ 223.702,46. Estes valores, segundo a Fl. 539DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 5 7 fiscalizada, "somados, totalizam R$ 998.583,83, ou seja, se anulam e são registros para titulo de compensação em função de estornos de valores de receitas indevidas e cancelamentos ocorridos durante todo o ano de 2010, estornos estes registrados contas 3.4.19.11.05 e 3.4.19.11.16." Não obstante as versões apresentadas permanecem sem comprovação, além do que, sendo os registros efetuados a debito e a credito concomitantemente na mesma data não demonstram claramente vincularem suas motivações à receita cancelada; (w) Verificamos pela ECD a inexistência de transferências das receitas contabilizadas nas Contas 3.4.19.11.05/06/40 para as contas 3.1.11.02; (t) Contribui ainda para a afirmativa da verificação acima relatada os fatos demonstrados nas planilhas em anexo pelos quais podese concluir que os valores registrados nas "Contas 3.4.19.11.05 e 3.4.19.11.06 foram estornados na Conta 3.4.19.11.16", e os da "Conta 3.4.19.11.40 estornado na Conta 3.4.19.11.41"; Fl. 540DF CARF MF 8 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 6 9 (u) Embora intimado, em 30/09/2014, a apresentar esclarecimento sobre as diferenças apuradas consoante demonstrativo a ela anexada, dentre as quais a apontada entre as receitas registradas na ECD e as declaradas na DIPJ, o contribuinte limitouse a informar que o valor "corresponde a 84% do total demonstrado no resumo contido" em carta anterior, e que os lançamentos não teriam causado efeito no resultado. (v) Ao analisar a resposta de 03/09/2014, em relação a qual se refere a mencionada carta anterior, não verificamos nenhuma justificativa para tal diferença. (x) Portanto, nas condições em que foram as informações e esclarecimentos prestados temse a considerar insatisfatório o atendimento, posto que, além da ausência de documento probatório dos fatos alegados, não constar com precisão e clareza informações segregadas sobre o motivo da correção, data, valor e localização do lançamento de origem objeto dos ajustes efetuados em relação aos valores estornados na forma acima. No tocante à diferença demonstrada entre a receita Fl. 542DF CARF MF 10 registrada na ECD e a DIPJ, no valor de R$ 2.098.937,73, por absoluta falta de comprovação do fato que deu origem à diferença apurada, sobretudo quando se busca na afirmativa do contribuinte de que "esse valor de R$ 2.098.937,73 corresponde a 84% do total demonstrado no resumo contido na referida carta anterior", constante da resposta de 10/10/2014, a relação percentual referenciada não foi identificada nem tampouco o valor dela resultante; (y) Cabe ressaltar que por ter sido verificado na DACON que o contribuinte apurou regularmente a Cofins e Pis e tendo em vista que o valor correspondente à diferença ter sido computada na base de cálculo das referidas contribuições, bem como constarem declarados em DCTF, as contribuições não estão sendo lançadas no presente auto de infração; e (z) Por ter sido verificado que o contribuinte é detentor de saldo compensável de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, conforme demonstrativos SAPLI consultados na base informatizada da RFB, a fiscalização está procedendo, neste ato, à compensação dos referidos prejuízos fiscais e base negativa no limite legal permitido de 30% da base tributável, nos termos do art. 510 do Dec. 3.000/99 RIR/99. Em face do procedimento adotado fica o contribuinte intimado a proceder aos ajustes necessários à regularização dos respectivos saldos passiveis de compensações subseqüentes, conforme demonstrado nas planilhas de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base negativa da CSLL anexada aos respectivos autos de infração do qual este termo faz parte. O enquadramento legal do auto de infração está baseado nos artigos 32, parágrafo único, 33, § 2º, 35 inciso III, 36, inciso V, 37, caput, 38, inciso I da Medida Provisória nº 2.2281/01, com redação dada pela Lei nº 10.454/02, Lei nº 9.816/1999; artigos 44, inciso I, 61, § 3º da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07. Intimada da autuação em 03/12/2014, conforme termo de ciência de fl. 320, a contribuinte apresentou impugnação ao feito em 26/12/2014, conforme peça de fls. 326/339, cujas razões, em resumo, adiante se seguem: (i) Os valores remetidos pela Impugnante aos titulares dos direitos de exploração das obras audiovisuais estabelecidos na Holanda são tributados à alíquota de 15%, a título de imposto de renda retido na fonte, com base no artigo 12 da Convenção entre Brasil e o Reino dos Países Baixos, promulgado pelo Decreto nº 355/91; (ii) As convenções internacionais, por força do art. 96 do CTN, fazem parte da legislação tributária e o fato de a contribuinte recolher o IRRF à alíquota de 15%, faz jus aos benefícios previstos nos artigos 3º da Lei nº 8.685/93 e 13 do DecretoLei nº 1.089/70, uma vez que esses dispositivos devem ser interpretados em conjunto com o Decreto nº 355/91, para fins de alcance da real finalidade da norma;" (iii) Se o objetivo da Condecine é incentivar o desenvolvimento das atividades audiovisuais nacionais, a consequência lógica é Fl. 543DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 7 11 que os contribuintes desonerados de seu recolhimento, na hipótese de se utilizarem do benefício instituído pelo art. 3º da Lei nº 8.685/93, uma vez que, nesse caso, já estarão investindo na produção de obras audiovisuais brasileiras, sendo irrelevante, para a finalidade da norma, se os valores foram tributados à alíquota de 25% ou outra diversa, tal qual sucedido com a Impugnante; (iv) Portanto, ainda que faça o recolhimento do IR na fonte à alíquota de 15%, por força da Convenção internacional, tem a contribuinte direito ao benefício do art. 3º da Lei nº 8.685/93 (com o afastamento da Condecine), pois cumpriu o objetivo de sua própria constituição, que é o financiamento dos projetos de obras audiovisuais, não devendo prosperar a aplicação restritiva da legislação proposta pela autoridade fiscal, pois prejudicaria a própria finalidade da norma; (v) A interpretação literal não deve prevalecer em relação às interpretações teleológica e sistemática, pois se deve buscar alcançar o real objetivo da norma; Pede, ao final, seja julgado improcedente o auto de infração e cancelado o crédito tributário constituído. A decisão recorrida apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2010 OBRAS AUDIOVISUAIS ESTRANGEIRAS. EXPLORAÇÃO EM TERRITÓRIO NACIONAL. RENDIMENTOS. ROYALTIES. REMESSA AO EXTERIOR. CONDECINE. ISENÇÃO. REQUISITOS. CONTRIBUINTE. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. INCIDÊNCIA À ALÍQUOTA DE 25%. OPÇÃO DE REDUÇÃO DE 70%. CONTRAPARTIDA. INVESTIMENTOS. PROJETOS DE PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA BRASILEIRA. É isento de Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional o contribuinte de imposto de renda incidente na fonte, à alíquota de 25%, sobre importâncias remetidas ao exterior a título de rendimentos decorrentes de exploração de obras audiovisuais estrangeiras em território nacional e que opte pelo abatimento de 70% do imposto de renda devido, em contrapartida a investimentos em projetos de obras cinematográficas brasileiras previamente aprovados pela Agência Nacional de Cinema. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Fl. 544DF CARF MF 12 O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) que faz jus ao benefício previsto no art. 3° da Lei 8.685/93, e, por conseguinte, ao afastamento da CONDECINE; (ii) que para os contribuintes que se utilizam do benefício do abatimento do imposto de renda previsto no art. 3° da Lei 8.685/93, também denominada "Lei do Audiovisual", a incidência da CONDECINE foi afastada pelo parágrafo único do artigo 49 da Medida Provisória n° 2.2281/2001; (iii) que o benefício estabelecido na Lei 8.685/93 estimula o desenvolvimento de projetos de obras cinematográficas brasileiras, que é um dos objetivos da própria CONDECINE; (iv) que em virtude do investimento no desenvolvimento de projetos de produção de obras cinematográficas brasileiras, se beneficia do abatimento de 70% do imposto de renda devido sobre as importâncias pagas ou creditadas aos beneficiários estrangeiros, e faz jus ao afastamento da incidência da CONDECINE sobre tais valores; (v) que os valores remetidos aos titulares dos direitos de exploração das obras audiovisuais estabelecidos na Holanda são tributados à alíquota de 15% (quinze por cento) a título de imposto de renda retido na fonte, com base no art. 12 do Decreto n° 355/91, que promulgou a Convenção celebrada entre o Brasil e o Reino dos Países Baixos. (vi) que o objetivo da CONDECINE é financiar e, por consequência, incentivar o desenvolvimento das atividades audiovisuais no Brasil, e que este também é o objetivo do benefício instituído pelo art. 3° da Lei 8.685/93; (vii) que mesmo recolhendo o imposto de renda retido na fonte à alíquota de 15% por força da obrigatória aplicação do Acordo para evitar a dupla tributação firmado entre o Brasil e a Holanda , verificase que a recorrente faz jus ao benefício instituído pelo art. 3° da Lei 8.685/93 (com o afastamento da CONDECINE), pois cumpriu com a finalidade da própria contribuição, que é o financiamento dos projetos de obras audiovisuais nacionais; (viii) que deve ser feita uma interpretação teleológica e sistemática da norma, ou seja, a aplicação dos arts. 3°da Lei 8.685/93 e art. 13 do DecretoLei 1.089/70 em conjunto com o Decreto 355/91 (que prevê a aplicação da alíquota de 15% para o imposto de renda retido na fonte); (ix) que os arts. 96 e 98 do Código Tributário Nacional e a Constituição Federal no art. 5°, §2° preveem a necessidade de respeito aos tratados internacionais incorporados à legislação interna, de modo que a alíquota correta do imposto de renda retido na fonte é de 15% (quinze por cento); (x) cita o Ato Declaratório CODAC 20/2009 editado pela Receita Federal do Brasil com o objetivo de regulamentar o recolhimento do IRRF sobre as importâncias pagas, creditadas, empregadas, remetidas ou entregues aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, referentes aos rendimentos decorrentes da exploração no Brasil, de qualquer forma de direito sobre obras audiovisuais estrangeiras, ou por sua aquisição ou importação a preço fixo, em seu Anexo Único, definiu o código de receita de recolhimento a ser utilizado (990000010) com a opção do incentivo estabelecido pelo art. 3° da Lei 8.685/93; Fl. 545DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 8 13 (xi) que há, então, o reconhecimento da própria Receita Federal da possibilidade de utilização do benefício da CONDECINE (arts. 3° da Lei 8.685/93 e art. 13 do DecretoLei 1.089/70) nas hipóteses de recolhimento do IRRF com alíquota inferior a 25% (vinte e cinco por cento), em decorrência de convenções internacionais; (xii) que o comportamento da autoridade julgadora se afigura irrazoável e configura evidente "venire contra factum proprium" citando dispositivos do Código Civil (arts. 174, 422, 475, 476 e 477), e (xiii) que não merece prevalecer a interpretação dada pela autoridade julgadora. Pleiteia ao final a recorrente o provimento de seu recurso com a improcedência do auto de infração. A Fazenda Nacional foi devidamente cientificada dos autos, deixandose de se manifestar, conforme petição encartada aos autos e datada de 21/09/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Assiste razão à recorrente. Pela decisão vergastada, constatase que a autuação foi mantida tendo como principal motivo o fato de a recorrente ter recolhido o imposto de renda incidente na fonte, à alíquota de 15% e não pela alíquota de 25%, sendo que benefícios fiscais devem ser interpretados de modo literal, a teor do art. 111 do CTN. Consigna a decisão recorrida: Ocorre que, inobservou a decisão recorrida que a alíquota correta para o caso é efetivamente de 15% e não se está a interpretar a norma isentiva de modo extensivo. Explicase: O entendimento consignado na decisão recorrida é desacertado, uma vez que a interpretação restritiva adotada pelo julgado não está em consonância com o objetivo do benefício estabelecido pela Lei 8.685/1993, que é o de estimular o desenvolvimento de projetos de obras cinematográficas brasileiras. Fl. 546DF CARF MF 14 A recorrente faz jus ao benefício estatuído pela Lei 8.685/93, cujo art. 3° assim dispõe: "Art. 3o Os contribuintes do Imposto de Renda incidente nos termos do art. 13 do DecretoLei nº 1.089, de 1970, alterado pelo art. 2o desta Lei, poderão beneficiarse de abatimento de 70% (setenta por cento) do imposto devido, desde que invistam no desenvolvimento de projetos de produção de obras cinematográficas brasileiras de longa metragem de produção independente, e na coprodução de telefilmes e minisséries brasileiros de produção independente e de obras cinematográficas brasileiras de produção independente." Por sua vez, os arts. 32, parágrafo único; 33 e 49 da Medida Provisória 2.228 1/2001 assim estabelecem: Art. 32. A Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional Condecine terá por fato gerador: (...) Parágrafo único. A CONDECINE também incidirá sobre o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo." "Art. 33. A Condecine será devida para cada segmento de mercado, por: Itítulo ou capítulo de obra cinematográfica ou videofonográfica destinada aos seguintes segmentos de mercado: a)salas de exibição; b)vídeo doméstico, em qualquer suporte; c)serviço de radiodifusão de sons e imagens; d)serviços de comunicação eletrônica de massa por assinatura; e)outros mercados, conforme anexo. II título de obra publicitária cinematográfica ou videofonográfica, para cada segmento dos mercados previstos nas alíneas “a” a “e” do inciso I a que se destinar; (Redação dada pela Lei nº 12.485, de 2011) (Produção de efeito) III prestadores dos serviços constantes do Anexo I desta Medida Provisória, a que se refere o inciso II do art. 32 desta Medida Provisória. (...) §2° Na hipótese do parágrafo único do art. 32, a CONDECINE será determinada mediante a aplicação da alíquota de onze por cento sobre as importâncias ali referidas." Fl. 547DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 9 15 "Art.49.O abatimento do imposto de renda na fonte, de que o trata art. 3o da Lei no 8.685, de 1993, aplicarseá, exclusivamente, a projetos previamente aprovados pela ANCINE, na forma do regulamento, observado o disposto no art. 67. Parágrafo único.A opção pelo benefício previsto no caput afasta a incidência do disposto no § 2o do art. 33 desta Medida Provisória." Já o art. 13 do Decretolei 1089/70: "Art. 13. As importâncias pagas, creditadas, empregadas, remetidas ou entregues aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, como rendimentos decorrentes da exploração de obras audiovisuais estrangeiras em todo o território nacional, ou por sua aquisição ou importação a preço fixo, ficam sujeitas ao imposto de 25% na fonte." Pela conjugação dos dispositivos legais citados, as empresas poderão beneficiarse de abatimento de 70% (setenta por cento) do imposto devido (IRRF), desde que invistam no desenvolvimento de projetos de produção de obras cinematográficas brasileiras de longa metragem de produção independente, e na coprodução de telefilmes e minisséries brasileiros de produção independente e de obras cinematográficas brasileiras de produção independente e estarão desobrigadas ao recolhimento da CONDECINE. Conforme encartado no presente processo, os valores remetidos pela recorrente aos titulares dos direitos de exploração das obras audiovisuais estabelecidos na Holanda são tributados à alíquota de 15% (quinze por cento) a título de imposto de renda retido na fonte, com base no art. 12 do Decreto 355/91, que promulgou a Convenção celebrada entre o Brasil e o Reino dos Países Baixos. O art. 12 do Decreto 355/91 assim estabelece: "ARTIGO 12 Royalties 1 Os "royalties"provenientes de um Estado Contratante e pagos a um residente no outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. 2 Todavia, esses "royalties" podem ser também tributados no Estado Contratante de que provêm, e nos termos da lei desse Estado; mas se a pessoa que os receber for beneficiário efetivo dos "royalties", o imposto incidentenão poderá exceder a: a) 25% (vinte e cinco por cento) do montante bruto dos "royalties" provenientes do uso ou do direito de usar marcas de indústria ou de comércio; b) 15% (quinze por cento) do montante, bruto dos "royalties" nos demais casos." Fl. 548DF CARF MF 16 Depreendese da leitura do decreto que a alíquota de 25% (vinte e cinco por cento) tem aplicação sobre royalties provenientes do uso do direito de usar marcas da indústria ou de comércio, o que não é o caso dos autos, pois aqui tem aplicação o disposto na alínea "b". Na situação em debate, os royalties foram pagos aos titulares dos direitos de exploração das obras audiovisuais estabelecidos na Holanda. A título ilustrativo, a jurisprudência entende que a alíquota aplicável ao IRRF sobre royalties pagos a título de exploração de direitos de obras audiovisuais é de 15% (quinze por cento), conforme precedentes a seguir transcritos: "TRIBUTÁRIO. REMESSA DE JUROS PARA O EXTERIOR. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ALÍQUOTA DE 15%. LEI Nº 9.249/95. LEGALIDADE. COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. 1 Tratase de apelação em Mandado de Segurança em que a impetrante pretende o afastamento do recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, incidente sobre as remessas ao EUA, decorrente de pagamento decorrente de licenciamento e cessão de direitos e não prestação de serviços. 2 Legalidade da incidência da alíquota de 15% a título de imposto de renda retido na fonte sobre as importâncias pagas a empresa estrangeira autorizada a explorar direitos sobre obras audiovisuais, conforme preceitua a Lei nº 9.249/95. 3 Compensação, tendo em vista assentada jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça, deve considerar a data da propositura da ação. 5 Apelação e remessa oficial não providas." (TRF 3ª Região, TERCEIRA TURMA, AMS APELAÇÃO CÍVEL 314986 001188991.2002.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JUNIOR, julgado em 04/06/2014, eDJF3 Judicial 1 DATA:13/06/2014 ) "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RENDIMENTOS ORIUNDOS DA EXPLORAÇÃO DE OBRAS AUDIOVISUAIS. ALÍQUOTA DE 15% LEI 9.249/95, ART. 28. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA. SENTENÇA MANTIDA. 1. Não obstante a existência de leis tributárias anteriores que previam a incidência de alíquota de imposto de renda de 25% (DL 5.844/73, arts. 98 e 100 e Lei 3.470/58, art. 77; DL 1.089/70, art. 13), o art. 28 da Lei 9.249/95 reduziu a alíquota para 15% sobre os rendimentos oriundos da exploração de obras audiovisuais. 2. Legítima a pretensão autoral de aplicação da alíquota de 15% (Lei 9.249/95, art. 28) a título de imposto de renda retido na fonte, sobre as importâncias pagas a empresa estrangeira autorizada a explorar direitos sobre obras audiovisuais, porque inaplicável a norma do art. 7º da Lei 9.779/99, uma vez que os valores repassados pela primeira impetrante à segunda não se Fl. 549DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 10 17 referem à prestação de serviço; tampouco aplicável o disposto no art. 706 do Decreto 3.000/1999, pois este ato normativo infralegal não poderia, a pretexto de compilar as leis regulamentadoras do imposto de renda, inovar na ordem jurídica, para elevar a alíquota referente à retenção do imposto na fonte. 3. Possível a compensação dos valores que foram indevidamente pagos com base no art. 706 do Decreto n. 3000/99, à alíquota de 25%, com parcelas vincendas da mesma exação – imposto de renda. 4. Apelação da União e remessa oficial desprovidas." (TRF 1ª Região, SEXTA TURMA SUPLEMENTAR, APELAÇÃO CÍVEL 2002.32.00.0024048, Rel. JUIZ FEDERAL ITELMAR RAYDAN EVANGELISTA, julgado em 27/11/2013, disponibilizado DJ 06/12/2013) "TRIBUTÁRIO. OBRAS CINEMATOGRÁFICAS. RENDIMENTOS AUFERIDOS PELA DETENTORA DE DIREITOS AUTORAIS DE OBRAS AUDIOVISUAIS, RETIDOS PELA DISTRIBUIDORA NO BRASIL, E REMETIDOS PARA O EXTERIOR. IMPOSTO DE RENDA. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 28 DA LEI N. 9.249/95. 1. A Lei de Direitos Autorais (Lei n.º 9.610/98) protege as obras intelectuais e considera como tais as obras cinematográficas (artigo 7o, inciso VI). 2. A segunda impetrante (COLUMBIA PICTURES TELEVISION TRADING CORP.) é detentora de direitos autorais sobre sua obra, sendo certo que a remuneração retida pela sua distribuidora no Brasil e que lhe é repassada, decorre da exploração desses direitos autorais pela empresa exibidora. A outra parcela recebida pela distribuidora remunera a sua prestação de serviços, qual seja, a distribuição de películas da licenciante às empresas exibidoras, não se confundindo com os direitos autorais da licenciante. 3. O contrato celebrado entre as impetrantes foi o de licenciamento para a exploração de obras audiovisuais, e não contrato de locação de bem móvel, tampouco de prestação de serviços, conforme sustenta a União Federal. 4. A remessa de valores que a licenciada faz à licenciante não está sujeita à incidência do tributo à alíquota de 25%, nos termos do artigo 7° da Lei n.º 9.779/99 e artigo 706 do Decreto n.º 3000/99, na medida em que tal pagamento decorre do licenciamento dos direitos de exploração das obras audiovisuais e não da prestação de um serviço que a licenciante presta à licenciada, devendo ser aplicado o disposto no artigo 28 da Lei n.º 9.249/95. Fl. 550DF CARF MF 18 5. Remessa necessária e apelo conhecidos e desprovidos." (TRF 2ª Região, TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA, AMS APELAÇÃO CÍVEL 2000.02.01.0117254, Rel. JUIZ FEDERAL CONVOCADO JOSÉ ANTONIO LISBÔA NEIVA, julgado em 24/03/2009, disponibilizado DJ 29/04/2009 ) Frisese que não se está em discussão se a recorrente é tributada pela alíquota de 15% ou 25% em relação ao imposto de renda retido na fonte, mas se pode fazer jus ao benefício fiscal estatuído que afasta a incidência da CONDECINE. Neste contexto, perfilho o entendimento de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte à alíquota de 15% está correto, o que valida o procedimento adotado pela recorrente. Desta feita, não há incidência da CONDECINE quando o contribuinte opta pelo abatimento de 70% (setenta por cento) do imposto de renda na fonte previsto no art. 3º da Lei nº 8.685/83 e cumpre com todos os requisitos necessários, inclusive com o recolhimento do IRRF à alíquota de 15%. Cabe consignar excerto do voto proferido pela Conselheira Sandra Maria Faroni (Acórdão 110200.0892 – Aerolíneas Argentinas) sobre a aplicação dos tratados e convenções internacionais: "TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS. Não obstante o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, em se tratando de Direito Tributário a prevalência da norma internacional decorre de sua condição de lei especial em relação à norma interna. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA INTERPRETAÇÃO. Existindo acordo internacional, a interpretação das normas internas tem que ser feita em conjunto com o acordo internacional, que para tanto tem regras próprias (...)" O fato de a recorrente, repitase, de forma correta, recolher o imposto de renda retido na fonte à alíquota de 15% não afasta o benefício estatuído pelo art. 3° da Lei 8.685/1993. Com razão a recorrente quando afirma em seu recurso que: Fl. 551DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 11 19 Ademais é de se dizer que a interpretação ora posta não está a ferir a tese segundo a qual a legislação tributária que dispõe sobre isenções deve ser interpretada de forma literal (art. 111, inc. II, do CTN), pois, ao caso se aplica a interpretação teleológica que o caso merece. Relativamente a tal dispositivo infraconstitucional (art. 111, CTN), os doutrinadores já esclareceram que inteligência das leis não é matéria legislativa (Geraldo Ataliba, por todos), à vista de que determinar a interpretação literal é praticamente mutilar a compreensão da norma ou mesmo suprimila, porquanto essa mitigação pode levar a interpretação aquém da extensão do preceito normativo. Enfim, os dispositivos relativos à desoneração de tributos devem se nortear pela interpretação dada a todas as normas, no sentido de se alcançar seus propósitos e finalidades. A crítica de Rubens Gomes de Sousa, no particular, é inexcedível: "É claro que esta teoria (da interpretação literal), ligando a aplicação do direito tributário rigorosamente à letra da lei, na realidade eliminava todo o problema da interpretação, que ficava reduzido à simples análise gramatical dos textos, inclusive quando os resultados dessa análise fossem evidentemente diversos ou mesmo contrários aos objetivos visados pela lei, o que sempre podia ocorrer em razão dos defeitos de redação, ou de modificação das condições econômicas, políticas, sociais, etc., em relação às existentes ao tempo em que a lei fora feita. Além disso, esse método de interpretação tinha o inconveniente de induzir o legislador a fazer leis casuísticas, isto é, leis que procurassem prever e regular minuciosamente todas as hipóteses possíveis. Isso não é só um defeito de técnica legislativa, como ainda torna excessivamente rígido o sistema jurídico, embaraçando a evolução e o progresso.” (Compêndio de Legislação Tributária, , 2ª, Ed., Rio de Janeiro, s/d, p. 42.) O escólio do Juiz Federal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Villian Bollmann, em artigo publicado em 16.09.2005 na Revista de Doutrina nº 50 do TRF4, é elucidativo: Fl. 552DF CARF MF 20 “Logo, se a aplicação do art. 111 do CTN implicar, como consequência, tributação de situação fática da qual se fira a dignidade da pessoa humana, então aquele dispositivo legal deverá ser afastado no caso concreto, possibilitandose, assim, a isenção do tributo, pois deverá cumprir a finalidade extrafiscal prevista na regra de isenção. Em outras palavras, o art. 111 do CTN só admite interpretação e aplicação na nova ordem constitucional se não importar restrição a direitos fundamentais ao cumprir a finalidade que lhe é dada.” A jurisprudência pátria vai ao encontro do ora aduzido: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – ICM – MAQUINÁRIO AGRÍCOLA – COMPONENTES E PEÇAS – ISENÇÃO – LEI COMPLEMENTAR Nº 04/69 – MATÉRIA NÃO APRECIADA NA INSTÂNCIA A QUO – PRECLUSÃO – C.F., ART. 105, III – CTN, ART. 111, II – PRECEDENTES. A isenção concedida pela L.C. nº 04/69 às máquinas agrícolas tem como objetivo primordial o incentivo à agricultura. É impossível dissociar o principal de seus acessórios, razão por que não são tributáveis as peças e as partes que compõem as máquinas e implementos agrícolas. Tema não decidido na instância a quo, descabe apreciar em sede de recurso especial por expressa determinação da Lei Maior, ocorrendo a preclusão da matéria não ventilada em momento processual anterior. A ‘interpretação literal’ preconizada pela lei tributária objetiva evitar interpretações ampliativas ou analógicas; cabe, entretanto, ao intérprete mostrar o alcance e o sentido da norma geral e abstrata que instituiu o benefício fiscal. Recurso especial não conhecido." (STJ REsp 337714 / MG – Rel. Min. JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – j. 04/12/2001, DJ, 04.03.2002, p.200.) Nunca é demais lembrar que o legislador e o intérprete do Direito devem conciliar esforços para fazer com que o sistema jurídico seja um todo consistente e coerente, com estruturação que lhe confira lógica hermenêutica. Tércio Sampaio Ferraz Jr. leciona (sobre o processo interpretativo) “... a concepção do ordenamento jurídico como sendo um sistema dotado de unidade e consistência nada mais é que um pressuposto ideológico que a dogmática do Direito assume”. (Cf. Tércio Sampaio Ferraz Jr., Introdução ao Estudo do Direito, São Paulo, Atlas, 2003, p. 206.). Isso faz com que surjam três critérios básicos para compor a interpretação do exegeta: coerência, consenso e justiça (mesmo autor e obra, p. 286). As normas, para Eros Roberto Grau (in Ensaio e discurso sobre a intepretação e a aplicação do Direito, São Paulo, Malheiros, 2002, p. 74), devem ser harmônicas dentro de um sistema jurídico, sem haver qualquer tipo de contradição entre estas, a fim de que não seja deturpada a noção de consistência do sistema. Portanto, nada mais correto que trazer a harmonia para todas as searas do Direito através da conciliação desses três critérios. O objetivo da legislação foi o de conceder o benefício fiscal àqueles que remetem valores decorrentes da exploração de obras audiovisuais para os produtores, distribuidores ou intermediários no exterior para fins de fomento da indústria audiovisual brasileira, não sendo razoável limitar tal benefício, para os contribuintes que recolherem o imposto de renda retido na fonte baseado na alíquota de 25%, em especial, como é o caso da recorrente que possui o lídimo direito de recolher referido imposto à alíquota de 15%. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 12 21 Para bem da verdade, se é válido o resgate da interpretação teleológica das normas e igualmente do sentido de validade das mesmas, vêse que a outorga de preceitos de incentivo visam, acima de tudo, proporcionar tributação equilibrada, principalmente na matéria aqui versada em que se está diante de fomento da indústria audiovisual, em função do elevado grau de importância que representa na sociedade e da necessidade delas no meio social. Novamente, registrase o consignado pela recorrente em sua peça recursal: Fl. 554DF CARF MF 22 Merece ser destacado, ainda, que a recorrente já obteve pronunciamento favorável por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, afastando a incidência da CONDECINE por ser optante do benefício de abatimento de 70% do imposto de renda na fonte previsto no art. 3º da Lei nº 8.685/83. Tal decisão foi proferida no processo n° 12898.000607/200968 (Acórdão n° 1101000.743), de relatoria da Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, estando ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 NÃO INCIDÊNCIA DE CONDECINE. OPTANTE DO BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO PREVISTO NO ART. 3º DA LEI DO AUDIOVISUAL. Não incide CONDECINE quando o contribuinte opta pelo abatimento de 70% do imposto de renda na fonte previsto no art. 3º da Lei nº 8.685/83. Tanto a CONDECINE quanto a renúncia fiscal prevista na Lei do Audiovisual visam o desenvolvimento da indústria cinematográfica nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS QUANDO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. ADMISSÃO. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 12448.732016/201419 Acórdão n.º 3201003.097 S3C2T1 Fl. 13 23 Em observância ao Princípio da Verdade Material é admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento." Assim, ao caso concreto é de se interpretar de forma teleológica e sistemática o contido no art. 3° da Lei 8.685/1993 e 13 do Decretolei 1.089/1970, conjuntamente com o Decreto 355/1991 (o qual prevê a aplicação da alíquota de 15% para o imposto de renda retido na fonte). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 556DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726779/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DIRPF. ERRO DE FATO CARACTERIZADO.
Houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato.
Em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora.
Numero da decisão: 2201-003.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 20/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 DIRPF. ERRO DE FATO CARACTERIZADO. Houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato. Em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 20/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ERRO DE FATO CARACTERIZADO. Houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato. Em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 20/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 67 79 /2 01 4- 71 Fl. 103DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: A contribuinte acima qualificada entregou declaração de ajuste anual do exercício 2012, anocalendário 2011, indicando saldo de imposto de renda a pagar de R$ 414,10. Em virtude da constatação de irregularidades foi lavrada Notificação de Lançamento, às fls. 16/19, exigindo o recolhimento do crédito tributário suplementar no valor de R$ 5.591,60, calculado até 29.08.2014. A fiscalização informa que glosou compensação indevida de imposto complementar de R$ 4.000,00 por constatar divergência entre o valor declarado e o efetivamente comprovado. Explica que o valor declarado se refere às cotas do IRPF. A notificada interpôs impugnação, às fls. 02/05, alegando que o valor declarado erroneamente referese a imposto de renda antecipado sobre alugueres (com código de receita “0211”), que deveria ter sido lançado como carnêleão. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO COMPLEMENTAR. MANUTENÇÃO. Deve ser mantida a glosa da compensação de imposto complementar quando não houver prova em contrário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação e, em síntese, dispôs o que segue: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10580.726779/201471 Acórdão n.º 2201003.769 S2C2T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, o presente lançamento decorreu da compensação indevida a título de imposto complementar, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 4.000,00, referente à diferença entre o valor declarado de R$ 4.000,00, e o efetivamente comprovado R$ 0,00 (valor das cotas de IRPF declarados indevidamente como IR Complementar). Argumenta a recorrente que o valor cobrado já foi recolhido ao cofres do tesouro nacional, sendo que a indicação desse valor, na Declaração de Ajuste de 2012, como Imposto Complementar, decorreu de erro de digitação, cuja correção em nada altera o resultado da declaração, não implicando, portanto, qualquer prejuízo para a União, que recebeu o montante do imposto de R$ 4.000,00. A Delegacia de Origem consignou o entendimento de que, embora constem no sistemas da RFB (SIEFWEB) recolhimentos no ano 2011 com código de receita "0211", no total de R$ 4.000,00, não há comprovação da sua vinculação com os rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas. Pelo exposto, verificase que, de fato, houve o recolhimento, no ano calendário de 2011, no valor de R$ 4000,00, conforme DARFs de fls. 11 e seguintes. Embora o contribuinte tenha se equivocado ao declarar o referido valor como imposto suplementar, quando deveria ter declarado como referente ao recolhimento por meio Fl. 105DF CARF MF 4 de carnêleão; houve o recolhimento do imposto em valor coincidente com o valor exigido, o que induz a crer nos argumentos expendidos em sede recursal. Portanto, houve demonstração da plausibilidade do engano que gerou equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar erro de fato, de modo que com base no princípio da verdade material, tornase possível a revisão da declaração pela autoridade julgadora. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento, determinando a retificação dos códigos da receita. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001923/2005-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002
DIPJ. ENTREGA FORA DO PRAZO ESTABELECIDO. MULTA POR ATRASO. APLICAÇÃO.
É devida multa por atraso na entrega da DIPJ de contribuinte que apresenta declarações após o prazo assinalado para cumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1802-000.791
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2002 DIPJ. ENTREGA FORA DO PRAZO ESTABELECIDO. MULTA POR ATRASO. APLICAÇÃO. É devida multa por atraso na entrega da DIPJ de contribuinte que apresenta declarações após o prazo assinalado para cumprimento da obrigação acessória.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DIPJ. ENTREGA FORA DO PRAZO ESTABELECIDO. MULTA POR ATRASO. APLICAÇÃO. É devida multa por atraso na entrega da DIPJ de contribuinte que apresenta declarações após o prazo assinalado para cumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, [Tabela de Resultados] (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel, LeonardoHenrique Magalhães de Oliveira e Gilberto Baptista. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo sobre o auto de infração (fl. 02) por meio do qual é exigida da recorrente multa por atraso na entrega de sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ ano calendário 2002. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Impugnação (fl. 01) esclarecendo que apresentou a dita declaração fora do prazo porquanto, na qualidade de entidade “isenta” (SIC!) desconhecia a obrigatoriedade de entrega da declaração. A 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, nos termos do acórdão e voto de folhas 15 a 17, julgou o lançamento procedente, observandose que o prazo limite para entrega da Declaração, conforme consta do auto de infração objeto do presente processo fora fixado em 31/05/2003, tendo a recorrente apresentadoa extemporaneamente, em 24/06/2004, ensejando, portanto, a aplicação da penalidade pecuniária impugnada. Devidamente cientificada (fl. 20), a recorrente apresentou o requerimento de folha 21 pugnando pela redução da multa aplica. É o relatório. Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A recorrente é empresa isenta e nessa condição, relativamente ao ano calendário 2003, inegavelmente apresentou DIPJ em atraso. Sendo assim, é conveniente relembrar que a obrigação considerada descumprida pela recorrente é do rol das chamadas “obrigações acessórias”, ou seja, daquelas que o Código Tributário Nacional traduz em positivas ou negativas (obrigação de fazer ou não fazer), mirando o interesse da arrecadação e fiscalização tributária, vejamos: Artigo 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 43DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10640.001923/200510 Acórdão n.º 180200.791 S1TE02 Fl. 43 3 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (...) É cediço que as obrigações acessórias objetivam dar meios à fiscalização tributária para investigar e controlar o recolhimento de tributos, que nada mais é, do que a obrigação principal a qual o próprio sujeito passivo da obrigação acessória, ou terceiro, estejam ou possam estar jungidos, em resumo, as obrigações acessórias viabilizam a aferição do cumprimento das obrigações tributárias em geral, por tal justificativa é que as obrigações tributárias formais, muito embora independam da efetiva existência de uma obrigação principal, (a exemplo dos autos aqui discutidos visto que a recorrente é imune), se atrelam à possibilidade ou probabilidade de existência destas, dando à administração tributária meios de aferir a realidade fiscal dos contribuintes. No caso dos autos, a recorrente estava como todos os contribuintes estão adstrita ao cumprimento de obrigação acessória, aperfeiçoada na entrega da DIPJ, e o fez em inconteste atraso. É lícito depreender da sistemática vigente, portanto, que a obrigação formal deve ser cumprida da maneira legalmente estabelecida, ou seja, as informações precisam ser apresentadas a tempo e com dados fidedignos ou em caso de erro, retificadas até a data limite estabelecida. Por essas razões encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 44DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000602/2006-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
NULIDADE.
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo.
INEXATIDÕES MATERIAIS.
As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.623
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratando-se de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal de IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 341 1 340 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000602/200699 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.623 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente IBITIRAMA COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 356DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 342 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 197/202, com a exigência do crédito tributário no valor de R$514.725,74, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido anocalendário de 2001. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas constatada em razão do cotejo das informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 17/36, no Livro de Registro de Apuração de ICMS, fls. 120/144 e Relatório de Apuração de ICMS, fls. 121/180, cujas informações foram comprovadas com a análise das notas fiscais relacionadas às fls. 184/194. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 224 e art. 518 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 203/208 a exigência do crédito tributário no valor de R$301.851,67 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 6º da Medida Provisória nº 1.858, de 24 de setembro de 1999. Cientificada em 29/03/2006, fls. 200 e 206, a Recorrente apresentou a impugnação em 28/04/2006, fls. 225/237, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um breve relato do procedimento fiscal. Suscita que o lançamento é nulo, tendo em vista o prazo de somente oito dias para vista dos autos na repartição de origem. Defende que os lançamentos foram alcançados pela decadência, cujo prazo inicial deve ser determinado pelo § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo em vista a existência de pagamentos antecipados. Suscita a inexistência de matéria tributável pelas incongruências nas informações prestadas nos documentos fiscais estaduais. Estabelece que não restou comprovada a aquisição ou a disponibilidade da renda e assim não há que se falar em ocorrência do fato gerador. Aduz que os valores registrados no Livro de Apuração de ICMS Fl. 357DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 343 3 contém valores que não compõem a base de cálculo dos tributos, tais como vendas canceladas e saídas para trocas ou amostras. Defende que cabe à autoridade tributária o ônus de provar o valor da base de cálculo e a ocorrência do fato gerador do tributo lançado de ofício. Discorda da aplicação da multa de ofício proporcional e do critério utilizado de ofício para apuração dos tributos. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 43. Em face de todas as considerações [...] podem ser sintetizadas as seguintes conclusões, as quais comprovam a necessidade de afastamento da cobrança ora imposta à Impugnante: i. o fisco federal decaiu de seu direito de lançar o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 29 de março de 2001, por força do disposto no artigo 146, III, da Constituição Federal, c.c. artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, tornandose imprescindível o cancelamento de parte da autuação fiscal; ii. a d. fiscalização cerceou o direito de defesa da Impugnante, seja porque essa última teve acesso aos presentes autos poucos dias antes do prazo final para apresentação de sua defesa administrativa, seja porque não analisou e elaborou explicativos das saídas registradas no livro do ICMS que considerou como receitas. Apenas presumiu as receitas a partir do somatório das notas fiscais de saídas de mercadorias, o que não faz sentido; e iii. o auto de infração e imposição de multa está eivado de um grave vicio, na medida em que foi elaborado por meio de comparação entre os valores escriturados no Livro de Registro de Saídas de Mercadorias do ICMS da Impugnante e os valores declarados em sua DIPJ02 como 'receitas' daquele período. A d. fiscalização se esqueceu apenas de verificar que várias saídas de mercadorias não representam um ingresso efetivo de 'receitas', como 'Consignação', saídas `Sem Faturamento', 'Bonificação', 'Amostra' etc.. Para tanto, bastaria uma análise mais detalhada do Livro de Saídas, o que não foi feito no caso. 44. Ex positis, diante dos argumentos esposados ao longo da presente Impugnação, requerse o seu integral acolhimento, para que, anulandose o auto de infração e imposição de multa que exige crédito absolutamente indevido, seja determinada a extinção e o conseqüente arquivamento do presente procedimento administrativo. Subsidiariamente, requerse (i.) a lavratura de nova autuação fiscal, livre dos vícios formais da primeira e, ainda (ii.) o reconhecimento da decadência dos supostos fatos geradores ocorridos até o dia 29 de março de 2001. 45. Por fim, a Impugnante requer que todas as intimações referentes a este procedimento administrativo sejam encaminhadas aos patronos subscritores da presente, com escritório na Avenida Brigadeiro Faria Lima, n.° 1744, 6° andar, Capital do Estado de São Paulo, 01451001, telefone 3038 1000. Termos em que, Pede deferimento. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 344 4 Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 0814.024, de 11/09/2008, fls. 265/280: “Lançamento Procedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Lucro Presumido Omissão de Receitas (Receita da Atividade) Caracteriza, omissão de receitas, não elidida pela defesa, a existência de valores apurados do confronto entre as vendas registradas nos Livros Registro de Saídas de Mercadorias e de Apuração do ICMS e os valores declarados aos Fisco federal na DIPJ/2002. A alegação da defesa, de que, parte dos valores levados tributação, diriam respeito a valores que não representariam vendas efetivas, não surte nenhum efeito jurídico no sentido de descaracterizar o referido instrumento de autuação, quando não são apresentados os meios de prova pertinentes que dariam respaldo a tais alegações. Cerceamento do Direito de Defesa Não se constitui em cerceamento do direito de defesa a alegação da defesa de que somente teve acesso aos autos próximo à data de entrega da impugnação, quando os autos mostram que lhe foram propiciadas todas as condições de apresentar sua defesa em tempo hábil. Decadência: Lançamento por Homologação Não decai o direito da Fazenda Púbica de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no 1° trimestre de 2001, encerrado em 31 de março do referido anocalendário, se a Administração Fiscal da SRF efetuou o lançamento na época adequada, tendo inclusive dado ciência à impugnante antes de expirar o prazo decadencial contado à luz do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66). Tributação Reflexa: CSLL Aplicase à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, devido à intima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida plenamente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado ao Auto de Infração reflexo. Notificada em 20/03/2009, fl. 281verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17/04/2009, fls. 285/305, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui 46. Em face de todas as considerações tecidas nos itens II. a IV., supra, podem ser sintetizadas as seguintes conclusões, as quais comprovam a necessidade da reforma do v. acórdão recorrido e do afastamento da cobrança ora imposta à Recorrente: Fl. 359DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 345 5 i. o fisco federal decaiu de seu direito de lançar o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 29.03.01, por força do disposto no artigo 146, III, da Constituição Federal, c.c. artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, tornandose imprescindível o cancelamento de parte da autuação fiscal; ii. a d. fiscalização cerceou o direito de defesa da Recorrente, seja porque essa última teve acesso aos presentes autos poucos dias antes do prazo final para apresentação de sua defesa administrativa, seja porque não analisou e elaborou explicativos das saídas registradas no livro do ICMS que considerou como receitas; apenas presumiu as receitas a partir do somatório das notas fiscais de saídas de mercadorias, o que não faz sentido. Nem se alegue, outrossim, que o fato de ter sido conferido A Recorrente o direito de participar do inicio do processo fiscalizatório elide a nulidade de a ter privado do direito constitucional de acesso aos autos em tempo hábil à elaboração de defesa; e o auto de infração e imposição de multa está eivado de um grave vicio, na medida em que foi elaborado por meio de comparação entre os valores escriturados no Livro de Registro de Saídas de Mercadorias do ICMS da Recorrente e os valores declarados em sua DIPJ02 como 'receitas' daquele período. iii. A d. fiscalização se esqueceu apenas de verificar que várias saídas de mercadorias não representam um ingresso efetivo de 'receitas', como 'Consignação', saídas 'Sem Faturamento', 'Bonificação', 'Amostras' etc.. Para tanto, bastaria uma análise mais detalhada do Livro de Saídas, o que não foi feito no caso. 47. Ex positis, diante dos argumentos esposados ao longo do presente Recurso Voluntário, requerse o seu integral acolhimento, para que, reformandose o v. acórdão de primeira instância administrativa, seja cancelado o presente lançamento e, finalmente, seja determinado o arquivamento do presente processo administrativo. Subsidiariamente, requerse (i.) o reconhecimento da decadência dos supostos fatos geradores ocorridos até 29.03.01, bem assim (ii.) a lavratura de nova autuação fiscal, livre dos vícios formais da primeira. 48. A Recorrente aproveita a oportunidade para protestar pela produção de sustentação oral, de acordo com o disposto no artigo 46, inciso II, do Regimento Interno dos antigos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, c.c. Portaria do Ministro da Fazenda n.° 41, de 17 de fevereiro de 2009, tendo em vista a ausência, até o presente momento, de Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Termos em que, pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 360DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 346 6 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente requer que seja notificada por meio de seu procurador e no endereço daquele. Os elementos essenciais são imprescindíveis à existência, à validade e à eficácia do ato administrativo, de modo que a inobservância das formalidades legais determina seus efeitos. No processo administrativo fiscal, a intimação da Recorrente se sujeita a procedimentos próprios e na sua efetivação via postal não é dispensada a prova de seu recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ou seja, aquele fornecido pela Requerente junto a RFB para fins cadastrais (inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações). Logo, a sua pretensão não pode ser concedida, por falta de amparo legal. A Requerente pleiteia fazer sustentação oral. O Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, fixa: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II para cada processo: a) o nome do relator; b) os números do processo e do recurso; e c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. [...] Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: I ao relator, para leitura do relatório; II ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; Neste sentido, tem cabimento que a pauta da sessão de julgamento dos processos no CARF seja publicada no DOU. Também há possibilidade jurídica de que a Recorrente ou seu representante legal faça sustentação oral durante o julgamento do recurso voluntário, desde que observados os demais requisitos. A Recorrente diz que os lançamentos foram alcançados pela decadência. Vale ressaltar que a decadência é uma objeção, ou seja, é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento (art. 269 do Código de Processo Civil – CPC). Fl. 361DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 347 7 Sobre a matéria, o Código Tributário Nacional (CTN) assim determina: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Em relação contribuições para o custeio da seguridade social, o Supremo Tribunal Federal assim se pronunciou mediante o enunciado da Súmula Vinculante nº 8, a saber: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Fl. 362DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 348 8 Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29/10/20091: Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 1 Fonte:https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData= 20090918&formato=PDF; acesso em 21/01/2011. Fl. 363DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 349 9 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 901905 Inteiro Teor do Acórdão Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 15 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decadência é a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento pela sua inércia, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. É uma causa de extinção do crédito tributário (inciso V do art. 156 do CTN), bem como é tema que exige lei complementar (art. 146 da Constituição Federal). Aplicase a regra do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, no caso em que o sujeito passivo verificando a ocorrência do fato gerador do tributo sujeito ao lançamento por homologação efetive o pagamento antecipado, sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública. O lançamento pode ser expressamente homologado pelo Erário no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Findo este prazo o lançamento considerase homologado e o crédito tributário se extingue, salvo se houver dolo, fraude ou simulação ou não existir pagamento antecipado. Restou esclarecido que o termo de início da contagem do prazo decadencial do tributo em exame se rege pela regra do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, uma vez que a Recorrente procedeu aos pagamentos antecipados, fl. 40. Os Autos de Infração referentes aos quatro trimestres de 2001 foram cientificados a Recorrente em 29/03/2006. Portanto, não há que se falar em decadência por falta do decurso do prazo legal. Fl. 364DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 350 10 A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). Ademais, a Recorrente que fez opção pela tributação com base no lucro presumido devendo determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração (art. 519 e seguintes do RIR, de 1999). A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Termo de Início de Fiscalização, fls. 03/05, do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls, 41/43, do Termo de Intimação Fiscal, fls. 63, 67, 70, 103 e 105 e finalizou em 13/05/2005 com a ciência válida dos Autos de Infração, fls. 200 e 206. Nestes termos, mostrase infundada a alegação da Recorrente de a autoridade fiscal não havia apreciado a documentação apresentada. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova inclusive ter vista do processo. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. A Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido Fl. 365DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 351 11 previamente notificada para solucionar as pendências tributárias. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas e os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Os autos ficaram na unidade de jurisdição da Recorrente até 17/04/2009 com a apresentação do recurso voluntário e verificase o transcurso de um lapso temporal razoável para que os autos fossem examinados.Ademais, é aceitável a apuração da omissão de receitas mediante o cotejo das informações constantes na escrituração e os valores registrados na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 17/36, no Livro de Registro de Apuração de ICMS, fls. 120/144 e Relatório de Apuração de ICMS, fls. 121/180, cujas informações foram comprovadas com a análise das notas fiscais relacionadas às fls. 184/194. A metodologia descrita é coerente com a legislação como um instrumento para demonstrar a existência do fato econômico que se encontra no campo de incidência tributária. Assim, a solicitação deve ser indeferida. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Sobre o lucro presumido, o RIR, de 1999, determina: Art.219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). [...] Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. [...] Fl. 366DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 352 12 Art.516.A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). §1ºA opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §1º ). §2ºRelativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §2º ). §3ºA pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. §4ºA opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, §1º). §5ºO imposto com base no lucro presumido será determinado por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observado o disposto neste Subtítulo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25). [...] Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). A Recorrente fez opção pela tributação com base no lucro presumido e deve determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Este foi o regime de tributação adotado pela Recorrente e que foi regularmente observado pelas autoridades fiscais, não sendo cabível no curso da ação fiscal a sua alteração. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos Fl. 367DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 353 13 fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. Com base nos elementos disponíveis então por ela apresentados, a autoridade fiscal apurou o ilícito tributário da omissão de receitas mediante o cotejo das informações constantes na escrituração e os valores registrados na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 17/36, no Livro de Registro de Apuração de ICMS, fls. 120/144 e Relatório de Apuração de ICMS, fls. 121/180, cujas informações foram comprovadas com a análise das notas fiscais relacionadas às fls. 184/194: Trimestres do AnoCalendário de 2001 Valor da Receita – Livro de Apuração de ICMS R$ Valor da Receita – DIPJ R$ 1º 3.509.121,90 350.910,00 2º 3.293.813,20 329.380,03 3º 2.652.896,30 265.289,63 4º 2.333.144,90 233.386,52 Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar do alegado erro. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem suas afirmativas de que há incorreções no lançamento decorrentes de falta de exclusão valores que devem ser excluídos da base de cálculo apurada de ofício, tais como devoluções, amostras ou trocas. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto nesta parte. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, fixa: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 368DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 354 14 [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Diferentemente do entendimento da Recorrente, a aplicação da multa de mora é aplicável somente nos casos de pagamento espontâneo de tributo fora dos prazos de vencimento e antes do início do procedimento fiscal. De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) e depois de excluída a espontaneidade da Recorrente com a ciência do Termo de Início de Fiscalização, fls. 03/05, prevalece a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Portanto, não cabem reparos ao lançamento. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: Fl. 369DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19515.000602/200699 Acórdão n.º 180100.623 S1TE01 Fl. 355 15 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente à CSLL, tratandose de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 370DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10680.912787/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2004
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários.
TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizá-lo na compensação de débitos próprios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizálo na compensação de débitos próprios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 87 /2 00 9- 42 Fl. 466DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação de crédito pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep Folha de Salários com débitos débito(s) discriminado(s) no PER/DCOMP nº 17278.32333.311005.1.3.047241. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão recorrido, a seguir transcrito: DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 07), referente ao PER/DCOMP nº 19185.90370.311005.1.3.044435. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$1.882,46, representado por Darf recolhido em 15/09/2004 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 49, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10680.912787/200942 Acórdão n.º 3302004.609 S3C3T2 Fl. 467 3 assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e não reconhecido o direito creditório pleiteado, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 468DF CARF MF 4 Em 9/4/2012, a contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou o recurso voluntário em 9/5/2012, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade e, em aditamento, acrescentou as seguintes razões defesa: a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002. Ademais, o mencionado Decreto extrapolava previsão legal atinente aos limites de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha; c) a decisão de 1ª instância contrariava o entendimento da Receita Federal, apresentado na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, entendendo pela incidência exclusiva da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, II, do CTN; d) o Decreto nº 4.524, de 2002, e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, eram ilegais na parte que prevê a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não estava prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, especialmente, as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, que dizem respeito à cooperativas de produção e não à cooperativas de trabalho; f) a Recorrente não deduzira da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição, na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998; e g) ao final, afirmou que, sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não podia prevalecer o entendimento de 1ª instância. Na Sessão de 16 de outubro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.448, a composição pretérita deste Colegiado, converteu o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências: i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte, no período de apuração objeto do presente litígio, utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10680.912787/200942 Acórdão n.º 3302004.609 S3C3T2 Fl. 468 5 iii) Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/ 2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/ 2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv).Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii). retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. Por meio do Relatório de Diligência Fiscal colacionado aos autos, a autoridade fiscal prestou as seguintes informações: a) a contribuinte apresentara algumas considerações sobre o processo de Mandado de Segurança e as peças do citado processo encontravamse colacionadas aos autos. b) com base nas informações da memória de cálculo apresentada pela contribuinte e nos valores confirmados no balancete, elaborou o demonstrativo de “DACON Exclusões da Base de Cálculo do PIS – fevereiro de 2005 = R$ 7.693.564,89”, em que demonstrada que não havia “divergência entre a memória de cálculo e os valores no balancete. Dessa forma, concluo que as únicas exclusões efetuadas na base de cálculo do Pis foram as informadas pelo contribuinte.”; c) a consulta que originou a Solução de Consulta nº 412, de 2004 fora formalizada por meio do processo nº 10680.013505/200418, protocolizado em 10/11/2004. Os textos da consulta e da Solução de Consulta foram colacionados aos autos; e d) a autoridade fiscal da Disit/SRRF 6ª RF manifestouse sobre as questões elencadas na resolução do CARF, por meio do documento juntado aos autos. Por sua vez, a Disit/SRRF 6ª RF prestou os seguintes esclarecimentos, in verbis: 5. A Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, foi protocolizada em 10/11/2004, gerando o Processo Administrativo nº 10680.013505/200418, o qual foi “convertido Fl. 470DF CARF MF 6 em processo digital” por esta Divisão e encontrase disponível para consulta no Sistema eProcesso; 6. A análise da consulta formulada, que deu origem à SC Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, conforme expressamente informado no seu item “7”, limitouse a examinar “se as receitas que nomeia como taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição.” (grifo não consta do original); 7. Pelo simples exame da petição inicial da consulta não seria possível se constatar que a contribuinte teria, ou não, impetrado anteriormente Mandado de Segurança sobre o mesmo objeto, sendo que, a então consulente prestou as declarações de praxe, previstas no art. 3º , inciso II e alíneas a, b e c, da Instrução Normativa SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002, vigente à época em que apresentou a consulta, no sentido de que o fato exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte; 8. Dessa forma, a SC Disit06 nº 412/2004, tão somente examinou a questão posta pela contribuinte, onde, à vista dos elementos do processo, se concluiu que a consulente não preencheria, à época da análise, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade; 9. Oportuno pontuar que, antes de adentrar ao mérito da questão formulada na consulta, foi inicialmente esclarecido à solicitante que o processo de consulta visa a esclarecer dúvida sobre a interpretação da legislação tributária e não se presta a examinar eventual condição de isenção da consulente, hipótese que envolveria análise de situação de fato, qual seja, o atendimento aos requisitos fixados em lei; 10. Evidente assim o fato de que, não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta; 11. Em relação aos efeitos da consulta, tendo em vista o disposto no inciso IV do artigo 15, da então vigente IN SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002 (atual inciso IV da IN RFB nº 1.396/2013), visa tal dispositivo prevenir situação em que a demanda venha a ser objeto de mais de um processo administrativo ou judicial, de forma a se evitar decisões distintas em situações em que haja coincidência de objeto, partes e causa de pedir; 12. Conforme descrito acima, nos itens 8 a 10, a solução de consulta se ateve a analisar a questão relativa ao enquadramento das receitas descritas pela consulente na hipótese isentiva prevista na norma, concluindose que tais receitas estariam sujeitas ao recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com base na receita bruta; Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10680.912787/200942 Acórdão n.º 3302004.609 S3C3T2 Fl. 469 7 13. Consta na ementa da SC Disit06 nº 412/2004, relativamente à contribuição para o PIS/Pasep, a seguinte expressão: “A associação que remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, recolhe a contribuição com base na receita bruta.”. Não há uma efetiva concomitância entre o objeto da solução de consulta e a sentença judicial, vez que tratam de situações distintas; embora atinentes à tributação da contribuição para o PIS/Pasep, possuem objeto e fundamentos distintos; 14. Entretanto, há que se destacar que ambas as decisões (administrativa e judicial) convergem no sentido de que, a interessada está sujeita ao recolhimento de contribuição para o PIS/Pasep com base no faturamento; 15. Também é fato que, no processo de consulta administrativa não houve qualquer manifestação ou decisão da SRRF06 no sentido de que a consulente estaria sujeita exclusivamente ao recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu Faturamento, vez que tal situação não foi objeto de análise no referido processo, por não se fundamentar, e tampouco ter sido objeto de questionamento, a aplicação do art. 15 da MP 2.15835/2001, motivo pelo qual há que se concluir que, não há necessidade de reforma da SC Disit06 nº 412/2004, visto que eventual ato dessa natureza não implicaria em qualquer alteração na situação jurídica da consulente no que se refere às conclusões quanto à sua sujeição passiva relativamente à contribuição para o PIS/Pasep. (grifos do original) Cientificada do resultado da diligência, a recorrente prestou os seguintes esclarecimentos/argumentos de defesa: a) ainda que o artigo 15 da MP n.° 2.15835 não tenha sido objeto de análise, a Solução de Consulta n.° 412/2004 era expressa no sentido de que a Recorrente “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários”, inclusive, esse fora o entendimento manifestado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 3a Seção de Julgamento, por meio do acórdão 3403002.500, em que apreciada a mesma situação, com diferença apenas quanto ao período do crédito e do débito compensado; b) as duas divergências apontadas no relatório fiscal de valor pouco significativo decorreram de mero erro contábil, mas que não impossibilitava a confirmação, pelo fiscal, dos valores que compuseram as exclusões da base de cálculo do “PIS Faturamento, que não envolvem nenhuma das deduções previstas no artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, em especial as sobras”; c) antes da análise das informações colhidas em diligência e explicações acima, imprescindível que esta Turma de Julgamento se pronunciasse sobre a ilegalidade do Decreto n.° 4.524/2002 ao incluir as sobras como dedução que motivaria a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha sem respaldo legal, especialmente, tendo em conta que esta seria a única dedução passível de aproveitamento pela Recorrente (cooperativa de trabalho Fl. 472DF CARF MF 8 médico), dentre as hipóteses de dedução ensejadoras da cobrança concomitante da Contribuição para o PIS/Pasep Folha e da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento. As demais deduções previstas no artigo 32 são todas aplicáveis a cooperativas de produção; d) a dedução das sobras não se encontrava dentre as deduções do artigo 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 (aplicáveis somente a cooperativas de produção e não de trabalho), bem como não se podia fundamentar tal hipótese na Lei 10.676/2003 que, apesar de prever a dedução das sobras, não mencionava, em momento algum, que, ao deduzir as sobras da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, estarseia diante do nascimento do fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep Folha. Assim, somente era possível a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha cumulativamente com a Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento apenas das cooperativas de produção, caso realizada alguma das exclusões do referido art. 15; e e) este Conselho tinha competência para se pronunciar sobre a ilegalidade de atos do Poder Executivo, conforme já decidira a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 3a Seção, por meio do acórdão n° 3202000.378 e 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, por intermédio do acórdão nº 3401001.805. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões de direito e de fato. A questão jurídica diz respeito a legalidade do § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas no referido artigo contribuirá, cumulativamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. As questões de fato cingese em saber (i) se a Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, reconhecera que a consulente, ora recorrente, estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu faturamento e (ii) e se há provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, das deduções previstas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º da Lei 10.676/2003, e regulamentadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. Em relação a primeira questão, a recorrente alegou que, como a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício não constava da redação do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, era ilegal § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que previa a inclusão da referida dedução, dentre as condições necessárias para enquadrar a recorrente como contribuinte da Contribuição para o PIS/Pasep incidente, cumulativamente, sobre a folha de salários e sobre o faturamento. A redação do referido preceito regulamentar tem o seguinte teor, in verbis: Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 15, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36): Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10680.912787/200942 Acórdão n.º 3302004.609 S3C3T2 Fl. 470 9 I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, observado o disposto no § 1º; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. [...] § 4º A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. [...] (grifos não originais) A simples leitura revela que a redação dos incisos do caput do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 não prevê a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício. A previsão dessa dedução somente ocorreu a partir da vigência da Medida Provisória 1.85810/1999, conforme estabelecido no art. 2º da Lei 10.676/2003, que, no seu art. 1º deu redação definitiva à referida dedução. Assim, como a redação do caput do art. 151 da Medida Provisória 2.158 35/2001 não contempla a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do 1 "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; Fl. 474DF CARF MF 10 Exercício, inequivocamente, o questionado preceito regulamentar excedeu ao que determinava o comando legal regulamentado, o que é suficiente para inquinálo de ilegal. Entretanto, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, fora das situações excepcionadas no seu § 6º, é expressamente vedado a esta instância administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A mesma vedação consta do art. 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015) e implica perda do mandato nos termos do art. 45, VI, do RICARF/2015. Não se pode olvidar, ademais, que, embora os referidos preceitos legal e regimental refirase a fundamento de inconstitucionalidade, obviamente, ele alcança a hipótese de ilegalidade, sob pena de completa subversão ao princípio da hierarquia das normas, que põe a normal constitucional no ápice. Em outras palavras, se há vedação para o afastamento sob fundamento inconstitucionalidade com mais razão tal proibição também se estende para os casos de ilegalidade. Superada a questão jurídica, passase a analisar as questões de fato. A primeira a ser analisada diz respeito ao que ficou determinado na SC Disit06 nº 412/2004. Para a recorrente, a referida SC havia determinado que a recorrente estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o faturamento. Para justificar o seu entendimento, a recorrente transcreveu o excerto, extraído da citada SC, em que afirmado que ela “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários.” De outra parte, a autoridade fiscal da Disit06 alegou que a citada solução de consulta limitouse a afirmar que se as receitas descritas pela consulente na petição inicial (taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sobrevivência e atuação da recorrente) não se enquadravamse nas hipóteses dos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001. Ainda esclareceu a citada autoridade que “não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta.” A razão está com a autoridade fiscal. No caso em tela, a condição que sujeita a recorrente à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento e sobre a folha de salários não são os arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001, mas o inciso I do § 2º do art. 15 da citada MP. E esse preceito legal não foi objeto da consulta, por conseguinte, sobre ele não houve qualquer análise e orientação no âmbito da referida SC. Dirimida a primeira questão de fato, passase à análise da segunda, que diz respeito à existência de provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, quaisquer das deduções discriminadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º2 da Lei 10.676/2003, e consolidadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." 2 " Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10680.912787/200942 Acórdão n.º 3302004.609 S3C3T2 Fl. 471 11 De acordo com o Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade fiscal concluiu, in verbis: Verificase que, para este mês, não há divergência entre a memória de cálculo e os valores no balancete. Dessa forma, concluo que as únicas exclusões efetuadas na base de cálculo do Pis foram as informadas pelo contribuinte. De fato, com base na análise dos dados apresentados nos referidos balancetes em cotejo com os informados na referida memória de cálculo, confirmase que não há ivergência entre os valores apresentados nos referidos documentos. Assim, resta comprovado que, no período em referência, a recorrente não utilizou quaisquer das referidas deduções, especialmente, a dedução das sobras apuradas na DRE do período. Além disso, independentemente, da demonstração do referido equívoco, uma leitura atenta dos referidos balancetes revela que a recorrente, no período, não deduziu nenhum dos valores dos itens discriminados no artigo 32 do Decreto 4.524/2002, incluindo as sobras apuradas na DRE. Dessa forma, uma vez demonstrado que a recorrente não estava sujeita a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salários, obviamente, o valor da contribuição recolhido a esse título, com o código 8301, era indevido. E o fato de a recorrente não ter procedido, previamente a apresentação da DComp, a retificação da DCTF, obviamente, não tem o condão de transformar em devido o valor do recolhimento indevido. Entender de modo diverso implicaria valoração excessiva da forma em menoscabo ao conteúdo, com evidente afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal. Por todas essas razões, chegase a inexorável conclusão que o valor recolhido indevidamente a título da “Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários”, código 8301, com os devidos acréscimos legais, é passível de compensação, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso, para reconhecer o direito de a recorrente realizar a compensação até o limite do valor crédito reconhecido. (assinado digitalmente) § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999." Fl. 476DF CARF MF 12 José Fernandes do Nascimento Fl. 477DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.000193/2008-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
PLR. PERIODICIDADE. OBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL.
Nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, era vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos.
Numero da decisão: 9202-005.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PERIODICIDADE. OBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL. Nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, era vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 01 93 /2 00 8- 61 Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.576 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento de obrigção principal lavrada sob o nº 37.123.818, à efl. 02 a 120, no montante de R$ 550.240,92. O lançamento tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontadas em época própria, da empresa, bem como a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a destinada a terceiros, apuradas no período compreendido entre 01/2002 a 12/2002 sobre os valores pagos aos segurados empregados a titulo de Participação nos Lucros e Resultados. O lançamento foi consolidado em 18/12/2007 e cientificado à contribuinte em 20/12/2007, com relatório fiscal da infração às efls. 138 a 56. A contribuinte apresentou impugnação aos lançamentos, em 21/01/2008, às efls. 406 a 460. Já a 8ª Turma da DRJ/BHE, em 29/10/2008, no acórdão nº 0219.522, às efls. 917 a 935, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 09/09/2014, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 780 a 810, onde, em apertado resumo, foram apresentados os seguintes argumentos, cuja síntese extraio do relatório do acórdão recorrido: 1. Em preliminar, alega que ocorreu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências 01/2002 a 09/2002, a teor do que dispõe o §4° do artigo 150 do CTN, vez que o lançamento ocorreu em 20/12/2007. 2. No mérito, alega que o lançamento é improcedente, pois a PLR não possui natureza salarial. 3. Questiona se é permitido ao legislador ordinário modificar a natureza dos valores pagos a titulo de PLR, que, em observância à Constituição Federal de 1988, artigo 7°, inciso XI e artigo 218, §4°, são desvinculados da remuneração. 4. Diz que o entendimento da fiscalização está equivocado, pois a fixação de metas e resultados a serem cumpridos pelos funcionários é suprível quando Convenção Coletiva de Trabalho já traz regras claras e objetivas a este respeito, e o agente fiscal as desconsiderou. 5. Mesmo que não existissem tais critérios e metas, cabe analisar se a Lei n° 10.101/00 efetivamente exige sua instituição nos casos de programas de participação nos lucros estipulados em Convenção Coletiva de Trabalho. Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.577 3 6. Por último, vale questionar a legitimidade de lei ordinária (art. 30 da Lei n° 10.101/00) para impor limites ao montante pago pelo empregador a seus funcionários a titulo de PLR, já que a Constituição Federal não pretendeu tal restrição. 7. Afirma que ao legislador ordinário, destinatário da regra de competência constitucional, é vedado regular, de forma a incluir a PLR como base de cálculo da contribuição previdenciária — não havendo competência para tributar, não há o que pretender isentar. 8. Diz que o requisito essencial é a existência do lucro, qualquer outra condição decorrente de legislação ordinária deve ser entendida como inconstitucional. Acrescenta que no caso concreto, em todas as competências fiscalizadas, houve geração de lucro suficiente para justificar os pagamentos efetuados. Cita doutrina e jurisprudência. Conclui que o lançamento deve ser julgado nulo, pois não pode ser exigida contribuição sobre verba de natureza não remuneratória, assim definida por dispositivo constitucional. 9. Desta forma, a norma infraconstitucional reguladora do instituto poderá apenas determinar o modo de sua criação e implementação, mas sempre desvinculada da remuneração. Como dito, o legislador ordinário não tem poderes para modificar a natureza da verba paga, definida constitucionalmente como desvinculada da remuneração. 10. Ora, se a PLR é definida constitucionalmente como desvinculada da remuneração, qualquer que fosse a limitação imposta pelo legislador ordinário, esta não haveria de ser observada. Por isso é que os pagamentos feitos antes mesmo da regulamentação consideravamse também como parcelas desvinculadas da remuneração. 11. A Autoridade Fiscal tributou a PLR paga porque entendeu que não havia qualquer negociação entre a Recorrente e seus empregados ou diretores, tampouco fixação de metas e resultados, desconsiderando, por completo, as Convenções Coletivas do Trabalho nas quais a empresa está abrangida. 12. Desta forma, segundo a fiscalização, houve o descumprimento do § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00. Acrescenta que, ao contrário do que defende a autoridade fiscal, o estabelecimento de metas ou resultados é uma faculdade dada as partes e não uma obrigatoriedade imposta pela legislação. 13. A exigência legal é de que o instrumento (a CCT, no caso) fixe, de forma clara e objetiva, o direito substantivo (participação no lucro) e adjetivo (como esta será feita) do trabalhador. Ou seja, apenas exigese que exista efetiva participação em LUCROS ou RESULTADOS e que esta se dê por meio de um CRITÉRIO OBJETIVO. 14. Com efeito, o interesse tutelado pelo dispositivo em comento é de que exista uma efetiva participação dos trabalhadores no Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.578 4 lucro. Os seus incisos são meros indicativos da forma como esta poderá ocorrer, não sendo vinculantes. 15. Dito de outra forma, a prevalecer a exigência ora guerreada, haveria a outorga de competência à autoridade fiscal para alterar a letra da norma legal, tomando por imperativo o que literalmente foi posto como facultativo. 16. Disserta sobre a força normativa das Convenções Coletivas de Trabalho. Cita doutrina e jurisprudência. Diante do exposto, inafastável a conclusão de que a Convenção Coletiva, firmada validamente pelas partes acordantes, que estipula a favor dos empregados o direito à percepção de parcela à titulo de PLR, determinando expressamente sua natureza não remuneratória, bem como traçando os critérios objetivos para seu gozo, é norma de autoridade legitimada pela Constituição Federal e, por isso, não pode ser afastada pela Justiça do Trabalho, muito menos pela Autoridade Fiscal Previdenciária. 17. Outro ponto que merece destaque referese à disposições do § 2 do art. 3° da Lei n° 10.101/00, cuja inconstitucionalidade é patente, ao vedar o pagamento da PLR "em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil". Para tanto, reportase a Recorrente às suas argumentações expendidas no 3.2.1, supra, que tratam da extensão e da abrangência do inciso XI do art. 7° da Constituição Federal. Ou seja: não pode o legislador infraconstitucional estabelecer limitação a direito do trabalhador que a Carta Magna tratou de assegurar expressamente. 18. Notese que em nenhum dos julgados acima houve menção a qualquer tipo de restrição quando se discutiu a abrangência do art. 7°, XI da Carta Magna. Além disso, é preciso reiterar que os pagamentos feitos pela Recorrente a titulo de PLR decorreram de Convenção Coletiva de Trabalho que determinou, lastreada naquele art. 7° da Constituição, um plano mínimo de participação dos funcionários nos lucros da empresa. Dessa forma, o empregador (in casu, a Recorrente) pode — e é até salutar que o faça —,arrimando na CCT, implementar a participação de seus funcionários nos lucros de maneira mais consistente, incentivandoos a se empenhar ao máximo em suas respectivas funções. 19. E é importante ressaltar que a Autarquia Previdenciária entende como tributável a PLR paga pela Recorrente não por esta ter distribuído lucros a seus empregados e diretores mais de duas vezes por ano. Diversamente, o lançamento se deu porque a empresa, em opção gerencial que lhe é facultada, fracionou, em mais de um momento, a PLR que a legislação lhe permite pagar. 20. Explicando de outro modo, o que se quer dizer é que a Recorrente não paga PLR a empregados ou diretores em valores Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.579 5 iguais mais de duas vezes ao ano. O que se dá é o cálculo de uma única PLR anual a ser paga a todos os funcionários no mês de fevereiro de cada exercício. Ocorre, porém, que, com base em previsão expressa nos Acordos Coletivos e Convenções Coletivas do Trabalho de que é parte, a Recorrente antecipa uma fração desse lucro distribuível no mês de agosto anterior (seu cálculo se dá com base no balanço semestral realizado pela empresa). 21. Partindo dessa lógica, seria de se esperar que, no exercício de 2002, a Recorrente distribuísse a seus funcionários a PLR anual calculada sobre o balanço do exercício anterior, dela subtraindo a antecipação ocorrida em agosto de 2001. Esse foi o exato montante pago aos segurados. A única peculiaridade que houve foi o adiantamento de uma pequena parte dessa quantia (a ser paga em fevereiro), que foi distribuída no mês antecedente, isto é, em janeiro. 22. Com isso, o que se quer dizer é que, no exercício de 2002, a Recorrente não distribuiu nada além do que a CCT previa a titulo de PLR. Apenas a quantia que seria paga a esse titulo em fevereiro teve uma fração paga antecipadamente em janeiro. Isso, no entanto, tem justificativa nos próprios instrumentos coletivos de trabalho (Convenções e Acordos). 23. SOBRE A PLR DOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS 23.1. Sobre as contribuições apuradas com base em valores pagos a titulo de PLR a Diretores estatutários (não empregados), argumenta que a pretensão fiscal é nula, pois a participação dos administradores no lucro da instituição é uma faculdade prevista na Lei das SAs e não uma obrigatoriedade. Cita o artigo 152 da Lei 6.404/76 e esclarece que a participação dos administradores no lucro de qualquer entidade depende de expressa previsão no respectivo estatuto social, e esses administradores somente fardo jus à participação nos lucros no exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório. Conclui que esta regra é eventual, a depender de uma condição que pode ou não se implementar. Afirma que não se pode equiparar essa distribuição de lucro a rendimento de trabalho. A participação dos diretores nos lucros da empresa, desde que desvinculada do salário e paga nos termos da legislação especifica, não constitui salário de contribuição. Cita doutrina e jurisprudência. 23.2. Na absurda eventualidade de se confirmar a procedência do lançamento ora discutido, o que se admite apenas a titulo argumentativo, a multa de mora aplicada in casu, com fulcro no art. 35, I, II e Ill, da Lei n.° 8.212/91, deverá ser imediatamente cancelada, eis que recentemente revogada pela Lei n.° 11.941/09 (lei de conversão da MP n.°449108). 23.3. Conforme claramente se constata, portanto, as multas cominadas nos incisos do art. 35 foram, todas elas, revogadas pela Lei n.° 11.941/09. Diante disso e tendose em vista o comando do art. 106, II, do CTN, que impõe a retroação da lei tributária sancionadora mais benéfica ao contribuinte (como Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.580 6 ocorre na hipótese), a penalidade aplicada à Recorrente deve ser desconstituída de pronto.Foram também citadas as empresas que compõem o Grupo Mercantil do Brasil. 24. Requer a Recorrente o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, a fim de que seja reformada a decisão recorrida. 25. QUANTO A RESPONSABILIDADE DO GRUPO ECONÔMICO 25.1. O Banco Mercantil do Brasil S.A, assim como diversos coobrigados apresentaram recursos, que contém, em síntese os mesmos argumentos, quais sejam: 25.2. Afirmam que foi comunicado da responsabilidade solidária imputada no bojo da presente NFLD com fundamento legal na Lei 8.212/91, artigo 30, inciso IX. 25.3. Alega que a responsabilidade solidária não é matéria de livre criação e alteração do legislador ordinário, pois a Constituição Federal de 1988 estabelece que o trato da matéria deve ser por meio de lei complementar. Cita o artigo 146 da Constituição Federal e o artigo 124 do CTN. Afirma que o interesse comum não é revelado pelo interesse econômico no resultado, mas pelo interesse jurídico na situação que constitui o fato gerador. Diz que em momento algum restou demonstrada a participação ou realização por parte da impugnante na situação que constituía o fato gerador das contribuições supostamente devidas pela Companhia de Seguros Minas Brasil. Acrescenta que o simples fato de pertencer ao mesmo grupo econômico não é situação suficiente para a aplicação da responsabilidade solidária prevista no CTN, artigo 124, inciso I. Cita jurisprudência. 25.4. Argumenta que não existe no CTN qualquer dispositivo que fundamente a atribuição da responsabilidade tributária do grupo econômico a que pertence o autuado originário. Diz que a desconsideração da personalidade jurídica pretendida pela fiscalização só sera possível caso fique comprovado o abuso da personalidade jurídica. Cita o Código Civil de 2002, artigo 50. 25.5. Requer seja anulada a atribuição de responsabilidade solidária imputada pelo oficio n° 202/2008/DRF/BHE/SEFIS. Esse recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 08/10/2014 o no acórdão 2401003.726, às efls. 1367 a 1397, que tem as seguintes ementas: PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, devese tributar Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.581 7 apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. ESCOLHA DA LUCRATIVIDADE COMO CONDIÇÃO PARA PAGAMENTO DA VERBA. ATENDIMENTO À NORMA DE REGÊNCIA. Não destoa da Lei da n.º 10.101/2000 o acordo que fixa a lucratividade da empresa como critério para pagamento da verba. GRUPO ECONÔMICO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA EXPRESSA PREVISÃO NO ART. 30, IX DA LEI 8212/91 Nos termos do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91 as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei quanto ao recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social. Importante destacar que em momento algum o recorrente questiona a existência do referido grupo, mas tão somente que isso não seria suficiente para a imputação da solidariedade. DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS E RESULTADOS SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. De acordo com a Súmula CARF nº 99: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre o mesmo fato gerador. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.582 8 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 11/2002. II) Por unanimidade de votos, rejeitar a exclusão dos responsáveis solidários. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. RE da Fazenda Intimada para ciência do acórdão em 10/11/2014 (efl. 1402), a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 18/12/2014, interpôs recurso especial de divergência (efls. 1403 a 1409) àquele acórdão. A Procuradora responsável indica divergência do acórdão a quo relativamente ao acórdão paradigma nº 230200.256. Neste, há o entendimento de que devese manter o lançamento sobre todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados, tendo em vista o descumprimento da periodicidade prevista na norma legal. Assim divergiu do recorrido ao considerar que mesmo diante do descumprimento do requisito periodicidade, há que se descaracterizar como PLR apenas a parcela paga com inobservância da periodicidade de um semestre civil. Em face do cotejo analítico realizado, a Procuradora da Fazenda requereu o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência, para que se reforme o acórdão recorrido, restabelecendose a integralidade do lançamento. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho às efls. 1421 a 1424, datado de 27/01/2016, concluindo pelo atendimento de todos os requisitos para que se desse seguimento à matéria recorrida pela Fazenda. Contrarrazões da contribuinte Intimada (Intimação nº 212/ de 01/103/2016, efl. 1430) do acórdão nº 2401 003.726, do recurso especial de divergência e do despacho de sua admissibilidade, em 08/03/2016 (efl. 1456), a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Fazenda em 18/03/2016, às efls. 1469 a 1477. Como preliminar, pretende a nulidade do despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência da Fazenda, pois não haveria a alegada divergência no paradigma indicado. Afirma que em análise detida do acórdão paradigma, concluise que o entendimento nele expresso é de que somente a parcela paga em desacordo com o critério de periodicidade seria integrante do saláriodecontribuição. Tenta demonstrar que a Procuradoria Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.583 9 colaciounou trechos do voto que não esclareciam adequadamente a decisão tomada e transcreve outro segmento do voto do relator: "A recorrente pagou a verba participação nos lucros em desacordo com a legislação especifica. A recorrente descumpriu o disposto no § 2º, art. 3º da Lei n ° 10.101, ao fazer mais de um pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil. Qualquer parcela paga em desacordo com a legislação integra em sua totalidade o saláriodecontribuição. (...) Não cumprido os requisitos previstos na lei específica há que se considerar a parcela paga em desacordo com o ordenamento jurídico, como parcela integrante do saláriodecontribuição." Daí, conclui que o paradigma na verdade entende que somente a parcela em desacordo com a legislação de regência é que deve integrar o saláriodecontribuição e não a totalidade da PL; mesma decisão do acórdão a quo. Seus argumentos pela manutenção do acórdão recorrido vão na mesma direção deste e são sustentados por jurisprudência administrativa e judicial. Ao final, a contribuinte requer que seja realizado novo juízo de admissibilidade do recurso especial, em face à inexistência de divergência na matéria recorrida e, caso assim não se entenda, requer que se negue provimento ao recurso especial de divergência da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. No questionamento da contribuinte quanto à nulidade do despacho de admissibilidade, saliento que não seria questão de nulidade, mas de apreciação dos argumentos por ela trazidos aos autos, visando a que, em verdade, não fosse conhecido o recurso especial de divergência da Fazenda, por falta de comprovação de divergência em face do paradigma apresentado. Nesse sentido, a contribuinte extraiu dois parágrafos do acórdão paradigma nº 230200.256, que nos levariam a crer que a posição do voto vencedor seria no mesmo sentido do acórdão recorrido. Contudo, se observarmos mais atentamente o voto, verificamos que o parágrafo sublinhado pela contribuinte é posterior não só ao que tratou a periodicidade, como ela e a Procuradoria da Fazenda destacaram, mas também de outros, tratando de matérias distintas. Para esclarecimento da questão, transcrevo um trecho maior, contendo todos os parágrafos em questão: A recorrente pagou a verba participação nos lucros em desacordo com a legislação especifica. A recorrente descumpriu Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.584 10 o disposto no § 2º, art. 3º da Lei n ° 10.101, ao fazer mais de um pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil. Qualquer parcela paga em desacordo com a legislação integra em sua totalidade o saláriodecontribuição. Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Além de ter pago em periodicidade inferior a um semestre civil, o que já é suficiente para manter a autuação, a recorrente não atendeu ao comando legal previsto no art 2º da Lei 10.101. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. Apesar de terem sido objeto de acordo coletivo, não há disciplina quanto à forma de recebimento, os requisitos que devem ser atendidos pelos empregados, De acordo com o principio comezinho da hermenêutica jurídica, havendo alguma possibilidade de se conferir às palavras utilizadas no texto legal algum significado próprio, deve o intérprete optar por tal resultado interpretativo, em detrimento daquela interpretação pela qual a palavra se revele inútil. Desse modo, caso o colegiada não aprecie o que se entende por regras adjetivas e substantivas, o texto legal se torna inócuo, sendo letra morta, sem razão de existência, A expressão regras adjetivas e substantivas possuem uma razão de existência, pois a intenção do legislador foi possibilitar ao empregado o conhecimento prévio do que precisa fazer e do quanto receberá de participação nos lucros, até mesmo para poder demandar, caso os valores não lhe sejam entregues pela empresa. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.585 11 Os termos de acordos juntados são sempre posteriores aos resultados obtidos, portanto não provam que os empregados possuíam conhecimento prévio dos instrumentos celebrados. Além do mais, os valores pagos eram fixos e independiam de qualquer tarefa executada pelos empregados, para ter direito à verba bastaria ter o vínculo empregatício. Não cumprindo os requisitos previstos na lei específica há que se considerar a parcela paga em desacordo com o ordenamento jurídico, como parcela integrante do saláriodecontribuição. (grifos na transcrição). A conclusão do relator foi a seguinte: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo que parte do lançamento já foi atingida pela fluência do prazo decadencial. (Negritei.) Já o acórdão desse paradigma tinha a seguinte redação: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que aplicava o artigo 150, § 4º, O Conselheiro Rogério de Lellis Pinto (Suplente) acompanha o Relatar só pelas conclusões, pois diverge quanto à Participação nos Lucros e Resultados, e no mérito, por unanimidade de votos, manter os demais valores lançados, nos termos do voto do Relator. (Grifei.) Assim, em face de todo o transcrito, me parece claro que os valores lançados naquele processo foram integralmente mantidos no acórdão por, no mínimo, duas razões de decidir: desrespeito à periodicidade dos pagamentos a título de PLR e falta de regras claras e objetivas anteriormente aos resultados obtidos. O provimento parcial teria decorrido da decadência de parte dos períodos lançados. Ou seja, como houve múltiplos descumprimentos da legislação, o contribuinte, em sede de contrarrazões, afirma que não se pode atribuir exclusivamente ao descumprimento do requisito da periodicidade a tributação de todas as parcelas pagas a título de PLR, uma vez que a manutenção dos valores não decaídos poderiam se dar em razão de outro dos motivos apontados. Aliás, entende que a afirmação "Qualquer parcela paga em desacordo com a legislação integra em sua totalidade o saláriodecontribuição" pode se referir tanto a parcela de adiantamento paga a título de PLR, o que daria razão à contribuinte, ou parcela de qualquer Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.586 12 das distintas rubricas recebidas pelos empregados e sujeitas à nãoincidência, permitindo a interpretação da Procuradoria. Entretanto no excerto do paradigma acima reproduzido, chama atenção a colocação, no voto condutor, de que o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil já seria suficiente para manter a tributação, nos termos abaixo reproduzidos: Além de ter pago em periodicidade inferior a um semestre civil, o que já é suficiente para manter a autuação, a recorrente não atendeu ao comando legal previsto no art 2º da Lei 10.101. Ora, essa colocação espanca quaisquer dúvidas acerca do entendimento esposado no paradigma: o descumprimento do requisito da periodicidade é suficiente para a tributação de toda a verba lançada. Portanto, no entender deste relator há divergência comprovada e, assim, conheço do recurso. Vencida a questão do conhecimento, passo à análise de mérito. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, § 9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art.28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (Negritei.) Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma, o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adéquam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. A matéria admita no recurso trata de requisitos da Lei nº 10.101/2001, que se impõe como necessários aos acordos para que os pagamentos de PLR sejam como tais considerados e por isso excluídos da incidência de contribuições previdenciárias. Com apoio no art. 111 do CTN, entendo que qualquer norma que leve à isenção tributária, deve ser tratada de forma literal e restritiva, e, sob essa ótica, passo à análise das matérias recorridas. No que concerne à periodicidade dos pagamentos a título de PLR, a Procuradora defende que não se admita o pagamento de mais de duas parcelas da PLR dentro de um mesmo semestre civil, sem vulnerar o disposto na legislação de regência, contaminando todos os pagamentos a esse título. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.587 13 À época dos fatos geradores, a lei 10.101/2000 também não admitia o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo que os dois prazos eram cumulativos e não uma opção. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, também em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos fora da estipulação legal a compor o conceito de salário de contribuição. Assim descrevia o dispositivo legal a respeito, então vigente: Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado,nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil,ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Aliás, em voto sobre esta matéria já me posicionei, em oportunidades anteriores, no sentido de que o pagamento de verbas a título de PLR, quando é descumprido o requisito de periodicidade, desvirtua a natureza de todos os valores pagos, que passam a ter natureza salarial. Assim, todas as parcelas seriam, em tese, no entender deste relator, sujeitas à tributação. Portanto, voto por dar provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 15504.000193/200861 Acórdão n.º 9202005.706 CSRFT2 Fl. 1.588 14 Fl. 1588DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.722381/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/04/2009, 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008, 31/12/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso voluntário intempestivamente apresentado.
Numero da decisão: 2201-003.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em face da intempestividade observada.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 26/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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PRAZO. INOBSERVÂNCIA. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso voluntário intempestivamente apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em face da intempestividade observada. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 26/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 23 81 /2 01 1- 74 Fl. 393DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 311/366) apresentado em face do Acórdão nº 0956.481 (fls. 231/250), da 6ª Turma da DRJ/JFA, que negou provimento à impugnação (fls. 124/131) do sujeito passivo ao auto de infração (fls. 4/20) pelo qual se exige crédito tributário relativo a Imposto sobre a Renda da Pessoa Física IRPF e acréscimos legais tendo por base de cálculo ganho de capital obtido na alienação de direitos representados por precatórios judiciais e proventos de aposentadoria declarados como isentos. Segundo a descrição dos fatos constante do auto de infração, a fiscalização teria apurado omissão de ganhos de capital obtidos com a cessão de direitos decorrentes de precatórios judiciais que foram alienados à Telemar Norte Leste S/A. Teria havido duas alienações, em março e abril de 2009, pelos valores líquidos, após descontados depósitos para AL Previdência e DAR de recolhimento de imposto de renda para o Estado de Alagoas, de R$ 223.630,96 o primeiro e R$ 220.858,81 o segundo. Esses valores teriam sido declarados como rendimentos isentos por moléstia grave. Também teria sido identificada a classificação indevida de rendimentos de aposentadoria declarados como isentos por moléstia grave, uma vez que o Exame Pericial e Psiquiátrico emitido por médicos do corpo médico da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Alagoas teria concluído ser o contribuinte portador de transtorno de personalidade, o que provocou sua aposentadoria, mas não doença mental. Ainda segundo a autoridade fiscal, instada a se manifestar se a doença especificada no laudo mencionado se enquadra entre as doenças a que a legislação tributária identifica como moléstia grave para fins de isenção, a Junta Médica Seccional o Ministério da Fazenda em Alagoas teria esclarecido, com base no exame pericial e psiquiátrico da SSP, que a doença diagnosticada não se enquadra como alienação mental. Em razão disso, houve lançamento com base nos valores que foram indevidamente declarados nos anoscalendário de 2006 a 2008 e 2010 como isentos por moléstia grave. O lançamento foi impugnado pelo sujeito passivo o que deu origem ao Acórdão acima identificado, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada pelos motivos especificados na legislação de regência. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10410.722381/201174 Acórdão n.º 2201003.904 S2C2T1 Fl. 394 3 JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SUSTENTAÇÃO ORAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indeferese, por falta de previsão legal, o pedido para sustentação oral por parte do contribuinte no âmbito da 1ª instância do contencioso administrativo fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO OFICIAL. A comprovação de moléstia grave, para fins de isenção do imposto de renda pessoa física, é feita através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal ou do Município, na forma como determinada pela legislação tributária. Para que os proventos de aposentadoria por moléstia grave sejam isentos do imposto de renda, a doença diagnosticada deve estar enquadrada entre as especificadas na legislação do referido imposto. A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO EM SEPARADO. Apurase o ganho de capital obtido na cessão de direitos, representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, sobre a diferença positiva entre o valor de alienação (valor líquido recebido do cessionário pela cessão de direitos do precatório) e o custo de aquisição (igual a zero na cessão original, na medida que não há valor pago pelo precatório), devendo ser tributado em separado, à alíquota de 15%, razão pela qual não integra a base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual do cedente (contribuinte). INEFICÁCIA DE CONVENÇÕES PARTICULARES. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública. Os particulares podem pactuar o que desejarem desde que não deixem de pagar os tributos decorrentes dos créditos contra a Fazenda Pública, que não perdem a sua natureza jurídica mesmo se transferidos a terceiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 395DF CARF MF 4 A ciência dessa decisão ocorreu em 25/02/2015, conforme atesta documento que se encontra anexado ao processo a fl. 309, e o Recurso Voluntário foi protocolado em 30/03/2015 (fls. 311/366). Em suas razões de recorrer, o sujeito passivo alega, em síntese, que: 1. O recurso é tempestivo porque a intimação do Acórdão recorrido teria ocorrido em 03/03/2015, de forma que o prazo recursal se encerraria em 02/04/2015. 2. O auto de infração é nulo, porque baseada em exegese apressada da norma isencional e porque negou validade à isenção de imposto de renda por não acatar o diagnóstico de Transtorno da Personalidade AntiSocial como ensejador do benefício. 3. Não é porque o Código Tributário Nacional estabelece a literalidade como regra de interpretação da isenção que este possa ser recepcionado como um postulado que dispensa a observância dos princípios constitucionais, em especial o da razoabilidade e da proporcionalidade. 4. A matéria não é de trato exclusivo do fisco e o Judiciário, a quem cabe a última palavra, tem dado uma interpretação diferente da defendida em âmbito administrativo, conforme procura evidenciar por jurisprudência que colaciona. 5. O contribuinte discute a titularidade dos depósitos feitos para a AL Previdência, matéria que parece ser estranha a esse processo, onde o lançamento foi feito pelo valor líquido recebido, descontados esses depósitos. 6. Do valor recebido com absurdo deságio ainda devem ser destinados valores ao pagamento de sucumbência e de comissões pagas a um "faz não sei o que". 7. Não foi o recorrente quem postulou a isenção do imposto de renda, essa conduta foi adotada pela Diretoria de Pessoal do E. Tribunal de Justiça de Alagoas, de forma que a responsabilidade por isso não pode ser atribuída ao recorrente. 8. No mérito, tanto o Laudo Pericial que justificou sua aposentação como o Parecer Técnico por ele contratado são convergentes em suas conclusões, caso contrário do Laudo apresentado pela fiscalização que é um Laudo em Tese, já que produzido sem o paciente, o que lhe retira validade, conforme evidencia jurisprudência que transcreve. 9. Apresenta informações sobre a visão de especialistas acerca da doença diagnosticada no sujeito passivo. 10. Transcreve Acórdão de jurisprudência administrativa que questiona a atribuição de valor zero ao custo de aquisição de precatórios. Com base no exposto, pede a cassação da decisão recorrida e o cancelamento do débito fiscal reclamado neste processo. É o que havia para ser relatado. Voto Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10410.722381/201174 Acórdão n.º 2201003.904 S2C2T1 Fl. 395 5 Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme se extrai do relatório, o contribuinte teve ciência do Acórdão nº 0956.481, da 6ª Turma da DRJ/JFA, que negou provimento à sua impugnação, em 25 de fevereiro de 2015, o que é atestado pelo AR juntado a fl. 309, que identifica como conteúdo a Intimação nº 48 do Processo nº 10410.722381/201174. Esta informação é ratificada pelo Extrato do Processo que está a fls. 370/371. O dia 25/02/2015 foi uma quartafeira e o prazo começou a correr no dia seguinte, 26/02/2015, uma quintafeira, dia útil. Tendo transcorridos três dias no mês de fevereiro, o prazo se encerrou em 27/03/2015, uma sextafeira, também dia útil. O recurso foi protocolado em 30/03/2015. Ao tratar da admissibilidade do recurso, o apelante afirma "a intimação do v. Acórdão foi efetivada, no dia 03032015 (v. cópia anexa)". Ocorre, porém, que o único documento juntado com essa data é a procuração que foi outorgada ao patrono (fl. 367). Evidenciada a intempestividade do recurso voluntário apresentado, ele não merece ser conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado, tendo em vista que intempestivo. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 397DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001172/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2005, 2006
EMBARGOS. LAPSO MANIFESTO. INEXATIDÃO. ERRO.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
Numero da decisão: 2202-004.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202-002.965, de 21/01/2015, alterar a decisão embargada para "dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores de R$ 75.550,00 para o ano calendário de 2002, de R$ 70.850,00 para o ano calendário de 2004, de R$ 77.029,00 para o ano calendário de 2005, e para reduzir a multa aplicada para 75%".
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2005, 2006 EMBARGOS. LAPSO MANIFESTO. INEXATIDÃO. ERRO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
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MULTA DE OFÍCIO. Embargante CONSELHEIRO MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Interessado JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2005, 2006 EMBARGOS. LAPSO MANIFESTO. INEXATIDÃO. ERRO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202002.965, de 21/01/2015, alterar a decisão embargada para "dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores de R$ 75.550,00 para o ano calendário de 2002, de R$ 70.850,00 para o ano calendário de 2004, de R$ 77.029,00 para o ano calendário de 2005, e para reduzir a multa aplicada para 75%". (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 11 72 /2 00 7- 85 Fl. 1154DF CARF MF 2 Relatório Na conclusão do voto do Acórdão 2202002.495, de 16 de outubro de 2013, que tratou sobre a autuação baseada em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem devidamente comprovada, nos anos calendário de 2002, 2004 e 2005, do contribuinte em epígrafe, disse o Relator que: Com base no acima exposto, voto pelo PARCIAL PROVIMENTO do Recurso Voluntário, para excluir da autuação os valores de R$64.600,00 para o ano calendário de 2002, de R$ 65.000,00 para o ano calendário e 2004 e de R$ 75.569,57 para o ano calendário de 2005, e para reduzir a multa aplicada para 75%. Entretanto, ao longo de seu voto, aquele Relator havia tratado ainda de "valores lançados em duplicidade" que não constaram de sua conclusão e, no Acórdão que restou consignado, foi omitida a redução da multa de ofício para 75%. Vejamos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores de R$ 64.600,00 no ano calendário de 2002, R$ 65.000,00 no ano calendário de 2004 e R$ 75.569,57 no ano calendário de 2005. Tais deslizes motivaram os embargos de declaração opostos pelo contribuinte em 17 de fevereiro de 2014 (fl. 1084), que foram admitidos conforme despacho de fls. 1093. Assim, proferiuse o Acórdão 2202002.965, de 21 de janeiro de 2015 (fl. 1.104)a fim de sanar os vícios apontados. Ali constou, entretanto que: Acordam os membros do colegiado, acolher os embargos de declaração para que seja retificado o Acórdão (220202.495, 16/10/2013), sanando a contradição suscitada, apontando para que seja dado provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$75.550,00, R$70.850,00 e R$77.029,57, respectivamente, nos anos calendários 2002, 2004 e 2005. Novamente, como se pode observar, foi esquecida a redução da multa ao percentual de 75%, que deveria constar do dispositivo. Ademais, na conclusão de seu voto, o Relator dos embargos disse que: Face ao exposto, voto por ACOLHER os embargos de declaração para que seja RETIFICADO o acórdão embargado, para que seja excluído, além dos valores mencionados do acórdão embargado, o para excluir da base de cálculo os valores de R$75.550,00, R$70.850,00 e R$77.029,57, respectivamente, nos anos calendários 2002, 2004 e 2005.(destaquei) O uso da expressão "além dos valores mencionados do acórdão embargado", acima destacada, mostrouse impróprio e causou dúvidas na Unidade que deveria executar a decisão, que por essas razões manifestouse nas fls. 1141 e ss. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 16004.001172/200785 Acórdão n.º 2202004.003 S2C2T2 Fl. 1.147 3 Essa manifestação da DRFB em Araçatuba/SP foi admitida como "embargos inominados", pelo Presidente desta Turma Ordinária, no uso de sua competência regimental, nos seguintes termos (fl. 1143 e ss.): Pelo que se vê, embora tenha o Conselheiro Relator excluído da exigência os valores relativos à duplicidade dos depósitos, acabou por acrescentar, indevidamente, os valores excluídos no Acórdão nº 2202002.495, já que na parte dispositiva do voto constou “... para que seja excluído, além dos valores mencionados do acórdão embargado (...) os valores de R$75.550,00, R$70.850,00 e R$77.029,57”. Ademais, na conclusão do julgado, deixou novamente de mencionar a redução da multa aplicada para 75%, conforme consta do voto vencedor do acórdão original (Acórdão nº 2202 002.495). Ante o exposto, converto a informação prestada pela DRF em Araçatuba/SP em embargos inominados apresentados por este Conselheiro, no sentido de corrigir os lapsos apontados (exclusão de valores da base de cálculo e redução da multa aplicada para 75%). É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A análise de admissibilidade do recurso interposto já foi efetuada por ocasião do despacho do Presidente da Turma e, assim sendo, dele tomo conhecimento. No primeiro Acórdão, nº 2202002.495, de 16 de outubro de 2013, a leitura do voto deixa claro que a intenção do Relator, que foi acompanhado por unanimidade, era: a) excluir da base de cálculo do lançamento R$ 64.600,00 no ano calendário de 2002; excluir R$ 65.000,00, no ano calendário de 2004 e excluir R$ 75.569,57 no ano calendário de 2005. b) além desses valores acima mencionados, decidiuse também excluir "valores lançados em duplicidade", que conforme sua análise, estão listados e especificados em quadro demonstrativo no Acórdão 2202002.965, de 21 de janeiro de 2015 (fl. 1104 e 1109). Esses "valores lançados em duplicidade" somam R$ 18.260,00, para os três anos envolvidos. c) reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Portanto, o resultado da análise do recurso do contribuinte pela Turma Julgadora, conforme tratado no voto do primeiro Acórdão e discriminado e especificado no voto do segundo Acórdão, ambos acima citados, é: DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para excluir da autuação os valores de R$ 75.550,00 para o ano calendário de 2002, de R$ 70.850,00 para o ano calendário Fl. 1156DF CARF MF 4 de 2004, de R$ 77.029,00 para o ano calendário de 2005, e para reduzir a multa aplicada para 75%. CONCLUSÃO Considerando o exposto, VOTO no sentido de acolher os embargos opostos para, sanando o vício apontado no Acórdão 2202002.965, de 21 de janeiro de 2015, fazer constar no dispositivo que restou decidido: “dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores de R$ 75.550,00 para o ano calendário de 2002, de R$ 70.850,00 para o ano calendário de 2004, de R$ 77.029,00 para o ano calendário de 2005, e para reduzir a multa aplicada para 75%” (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 1157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.904969/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.900
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido.
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PIS/COFINS. Recorrente DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02045.475, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 49 69 /2 01 2- 33 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10665.904969/201233 Acórdão n.º 3301003.900 S3C3T1 Fl. 3 2 fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, tempestivamente, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese, o seguinte: verificase pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, porém segundo se apurou no Dacon retificador o valor do débito nãocumulativo devido seria inferior ao efetivamente recolhido, resultando um saldo a ser compensado no PerDcomp; deve ser esclarecido que, na época própria, o contribuinte realizou a devida retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório; contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode conduzir a que seja violado o princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda que posteriormente demonstrada, de forma cabal e inequívoca, a existência do crédito que se pretende compensar; Requerendo, ainda, o acolhimento da manifestação de inconformidade para o fim de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.883, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10665.900851/201236, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.883): "O Recurso Voluntário, de 22 de agosto de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458, de Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10665.904969/201233 Acórdão n.º 3301003.900 S3C3T1 Fl. 4 3 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido. O prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão. Observase no presente processo que a Decisão recorrida foi proferida em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento (fls. 95): TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 09/07/2013 8:14h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Contribuinte: 21.759.758/000188 DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013 Já às fls. 96 apurase no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/07/2013 Acórdão de Manifestação de Inconformidade DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013 Constatase assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento e pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22 de agosto de 2013. Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107): Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10665.904969/201233 Acórdão n.º 3301003.900 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário foi apresentado em 22/08/2013, e a data da ciência da decisão da DRJ, por decurso de prazo, também ocorreu em 19/07/2013. Comprovado está que também nestes autos o recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 dias, portanto, intempestivamente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 97DF CARF MF
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