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Numero do processo: 10850.722187/2017-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2012
PRELIMINAR DE NULIDADE. FALTA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO.
A controvérsia já tem entendimento consolidado na Súmula n° 46 deste Colendo CARF.
PREJUDICIAL DE MÉRITO. INSTITUTOS DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA.
A prescrição, só acontece a partir da constituição definitiva do crédito tributário, sendo que a decadência, no que respeita a controvérsia dos autos, já esta pacificada na Súmula n°148 deste CARF.
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE.
A lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro estabelece que ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Art. 3º do Decreto lei 4.657/1942.
DA ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO.
Desde que a mudança no critério jurídico esteja devidamente fundamentada, não existe óbice para o interprete.
DA ILEGALIDADE DA LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (artigo 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49.
MULTAS.
Quando a conduta do contribuinte afrontar a legislação e este ter em sua essência o instituto da penalidade, é plenamente justificável.
Numero da decisão: 2002-003.711
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13556.720059/2016-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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FALTA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO. A controvérsia já tem entendimento consolidado na Súmula n° 46 deste Colendo CARF. PREJUDICIAL DE MÉRITO. INSTITUTOS DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA. A prescrição, só acontece a partir da constituição definitiva do crédito tributário, sendo que a decadência, no que respeita a controvérsia dos autos, já esta pacificada na Súmula n°148 deste CARF. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. A lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro estabelece que ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Art. 3º do Decreto lei 4.657/1942. DA ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. Desde que a mudança no critério jurídico esteja devidamente fundamentada, não existe óbice para o interprete. DA ILEGALIDADE DA LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (artigo 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. MULTAS. Quando a conduta do contribuinte afrontar a legislação e este ter em sua essência o instituto da penalidade, é plenamente justificável. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. O julgamento deste processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 21 87 /2 01 7- 03 Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.711 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.722187/2017-03 seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13556.720059/2016-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.709, de 17 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo sobre lançamento no qual é exigido do sujeito passivo acima identificada crédito tributário de multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP. O enquadramento legal foi o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação alegando, em síntese, o que se segue: preliminar de prescrição, preliminar de decadência, falta de intimação prévia, a ocorrência de denúncia espontânea, alteração de critério jurídico, princípios, preliminar de nulidade, que a Lei 13.097, de 2015, cancelou as multas. Ciente do julgamento primeiro, o contribuinte ingressou com recurso voluntário, nos mesmos termos e alegações de sua impugnação, que em síntese apontam: preliminar de prescrição; preliminar de nulidade; princípio da publicidade; denúncia espontânea; decadência; intimação prévia. É o relatório. Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.709, de 17 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A r. decisão revisanda, julgou improcedente a impugnação. Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.711 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.722187/2017-03 Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio, alegando, preliminar de mérito, prejudicial de mérito, combatendo o mesmo. Aduz a recorrente, que o auto de infração é nulo, por falta de intimação prévia. Carece de razão o recorrente, eis que a matéria já foi amplamente discutida neste Órgão de julgamento, gerando a Súmula n° 46. “O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Diz que não foram observados os institutos da prescrição/decadência. Sem razão o recorrente, eis que a r. decisão primeira fundamentou o Acordão analisando as alegações do contribuinte, de toda sorte decido. Consiste a prescrição na perda da pretensão do direito, em virtude da inércia de seu titular no decorrer de certo período, ao passo que a decadência consiste na perda do próprio direito, em razão de não ter exercido no prazo legal. Nenhuma dessas hipóteses ocorreu no presente caso, pois a prescrição com estribo no art. 174 do CTN, só se aplica a partir da constituição definitiva do crédito tributário, ao passo que a decadência a matéria já se encontra pacificada na Súmula n°148 deste Colendo CARF. A prescrição com lastro no Art. 174 do CTN. Só se aplica a partir da constituição definitiva do crédito tributário. Já a decadência aplicada ao assunto este Colendo Órgão de Julgamento, editou a Súmula CARF n° 148. Alega a recorrente que, houve afronta ao princípio da publicidade. A lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro estabelece que ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Art. 3 do decreto lei 4.657/1942. Ataca a recorrente, a multa aplicada ao caso concreto. Da ilegalidade das multas. A sanção é um elemento que geralmente acompanha a norma jurídica, ou seja, trata-se de elemento estabelecido de antemão (princípio da legalidade da pena), o que significa que não fica a mercê do arbítrio do poder público. Como pontifica Gusmão, “só podem ser aplicadas as sanções previstas em lei: além delas, o juiz não tem escolha”. A penalidade aplicada tem estribo na legislação de regência, ademais este Órgão de julgamento não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, inteligência da Súmula n° 2. CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. Da alteração do critério jurídico de interpretação - Violação do art. 146 do CTN, na brilhante lição de Zuudi Sakakihara em Código Tributário Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.711 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.722187/2017-03 Nacional Comentado (Editora Revista dos Tribunais, 2007 – página 677), sob a coordenação de Vladimir Passos de Freitas, assim comenta: “Os critérios jurídicos adotados no exercício do lançamento são aqueles que permitem determinar a ocorrência do fato gerador e mensurar a obrigação principal decorrente. ... A norma jurídica tem sempre um sentido unívoco, que o jurista procura apreender, mediante a utilização dos meios, ou critérios, que a ciência do direito lhe oferece. ... De qualquer modo, como a diversidade de entendimento de uma mesma norma é sempre possível, não há dificuldades em aceitar que a autoridade administrativa, convencendo-se da incorreção dos critérios utilizados na constituição do crédito tributário, adote outros, vindo a interpretar o fato tributário de forma diferente.” Relativamente à denúncia espontânea, carece de razão o recorrente, já que a controvérsia a respeito da mesma, este Órgão de Julgamento pacificou entendimento deste instituto. Súmula 49 deste CARF. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto às multas, estas são plenamente cabíveis, pois tem estribo na legislação pertinente, sendo certo que o próprio recorrente as descreve em sua irresignação. Nesta quadra de entendimento, carece de razão a recorrente em sua peça de combate. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, afasto as preliminares arguidas e no mérito nega-se provimento. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-003.711 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.722187/2017-03 Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16542.720926/2015-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49.
Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46.
O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA
A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO.
Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO.
Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA.
O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
Numero da decisão: 2003-000.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 72 09 26 /2 01 5- 12 Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.957 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16542.720926/2015-12 proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando que não foi intimado previamente ao lançamento, invocando a súmula 410 do STJ; a denúncia espontânea da infração; que já quitou a obrigação principal, e por isso a multa não se aplicaria; que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN; invocou ofensa a princípios constitucionais no lançamento, inclusive o efeito confiscatório da multa; e a contrariedade à jurisprudência tanto dos tribunais, quanto do próprio CARF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário no qual pretende sejam novamente apreciadas as alegações já submetidas à apreciação da primeira instância. Requer o cancelamento do débito lançado. Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.957 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16542.720926/2015-12 É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares As questões preliminares se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Mérito Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 do CTN, uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.957 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16542.720926/2015-12 Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Alega ainda que o Manual vigente da GIFP/SEFIP 8.4 traz disciplina contraditória, pois assim estabelece: “12 - PENALIDADES Estão sujeitas a penalidades as seguintes situações: • Deixar de transmitir a GFIP/SEFIP; • Transmitir a GFIP/SEFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; • Transmitir a GFIP/SEFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005. A correção da falta, antes de qualquer procedimento administrativo ou fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza a denúncia espontânea, afastando a aplicação das penalidades previstas na legislação citada.” Entretanto, consta no referido Manual a seguinte informação: “Atualização: 10/2008”. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ou seja, em data posterior à publicação da última versão do Manual. Nota-se que o próprio dispositivo citado do Manual prevê que “Os responsáveis Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.957 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16542.720926/2015-12 estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005.”, dispositivo este que resguardou a aplicação da multa que se discute nos autos. Isso posto, não há como prover o recurso neste ponto. Da necessidade de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de ... entrega após o prazo”. O recorrente invoca a aplicação da Súmula 410 do STJ (que não possui efeito vinculante), segundo a qual “A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.” Além de não ter efeito vinculante, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido, cabe aqui a aplicação da Súmula CARF nº 2, esta sim de observância obrigatória por todos os membros desse Colegiado, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 72DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.957 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16542.720926/2015-12 Da alteração no critério jurídico de interpretação – morosidade no lançamento O recorrente alega ainda que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN. Não assiste razão à recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo a incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir o fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Da alegação de inobservância de princípios constitucionais na aplicação da penalidade Não assiste razão ao recorrente. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência, portanto não há que se falar em confisco. Das outras alegações A fim de subsidiar suas alegações, o recorrente juntou aos autos jurisprudência dos tribunais. Entretanto, a jurisprudência citada não possui efeito vinculante em relação à Administração Pública Federal, pois somente se aplicam entre as partes e nos limites das lides e das questões decididas (inteligência do art. 100 do CTN c/c art. 506 da Lei º 13.105/2015 – Código de Processo Civil). Fl. 73DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.957 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16542.720926/2015-12 No que se refere à decisão colacionada, emitida por este Conselho, além de não ser vinculante, trata-se de situação distinta daquela que se discute nos autos. Cita-se ali a impossibilidade de concomitância da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. No presente caso, além de não haver concomitância, a multa aplicada foi a prevista no inciso II (e não no inciso I) do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Por último, o fato de ter havido pagamento do tributo em nada invalida o lançamento da multa. Como expressamente assentado no inciso II do art. 32-A da Lei 8.212/91, a multa aplicada foi “de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas... no caso de ...entrega após o prazo”. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 74DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10768.902172/2006-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERROS NOS PREENCHIMENTOS DO
DARF E DA DCTF.
Constatado erros nos preenchimentos dos códigos dos tributos no Darf e na
DCTF, é de se reconhecer o direito à compensação.
Numero da decisão: 1201-003.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário reconhecendo a decadência dos créditos extemporaneamente constituídos. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10768.902151/2006-80, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Wilson Kazumi Nakayama (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Efigênio de Freitas Junior.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERROS NOS PREENCHIMENTOS DO DARF E DA DCTF. Constatado erros nos preenchimentos dos códigos dos tributos no Darf e na DCTF, é de se reconhecer o direito à compensação.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-04-20T21:55:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-04-20T21:55:39Z; Last-Modified: 2020-04-20T21:55:39Z; dcterms:modified: 2020-04-20T21:55:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-04-20T21:55:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-04-20T21:55:39Z; meta:save-date: 2020-04-20T21:55:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-04-20T21:55:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-04-20T21:55:39Z; created: 2020-04-20T21:55:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2020-04-20T21:55:39Z; pdf:charsPerPage: 1468; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-04-20T21:55:39Z | Conteúdo => S1-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10768.902172/2006-03 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-003.508 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2020 Recorrente BP BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERROS NOS PREENCHIMENTOS DO DARF E DA DCTF. Constatado erros nos preenchimentos dos códigos dos tributos no Darf e na DCTF, é de se reconhecer o direito à compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário reconhecendo a decadência dos créditos extemporaneamente constituídos. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10768.902151/2006-80, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Wilson Kazumi Nakayama (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Efigênio de Freitas Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 21 72 /2 00 6- 03 Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.508 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.902172/2006-03 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 1201-003.444, de 21 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de pedido de compensação de recolhimento de IRRF (código 0473 - rendimentos de trabalho de qualquer natureza) com débito do IRRF (código 0422-1 IRRF sobre royalties e pagamentos de assistência técnica de domiciliado no exterior) e com débito da CIDE (código 8741-1 CIDE - contribuição uso de tecnologia/serviço técnico/pagamento de royalties). A Derat (RJ) indeferiu o pedido visto que o Darf já se encontrava alocado. Irresignado com o indeferimento, o interessado apresentou manifestação de inconformidade às fis., alegando, em síntese, que: i. recolheu os tributos objetos do pedido de compensação em um único código, além de indicar codificação indevida; ii. por impossibilidade de retificação do Darf, apresentou o pedido de compensação; iii. não retificou a DCTF de forma que refletisse o pedido de compensação; iv. no trabalho de fiscalização, constatou-se que os tributos incidentes sobre remessas ao exterior foram recolhidos, mas com o código indevido, conforme termo juntado. O r. acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE D I R E I TO TRIBUTÁRIO [...] PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERROS NOS PREENCHIMENTOS DO DARF E DA DCTF. Constatado erros nos preenchimentos dos códigos dos tributos no Darf e na DCTF, é de se reconhecer o direito à compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que sustenta a ocorrência da decadência de eventual débito de CIDE e IRRF, uma vez que não teria ocorrido o lançamento. Além do que, apenas a partir da Medida Provisória 135, de 2003, é que a declaração de compensação teria passado a constituir confissão de dívida. Acrescenta que o art. 68 da Instrução Normativa 600, de 2005, é explicito quanto à necessidade de lançamento para a constituição do débito tributário. Aduziu ainda que o crédito teria sido totalmente quitado, ainda que o recolhimento tenha se verificado sob o código incorreto. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.508 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.902172/2006-03 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1201-003.444, de 21 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, é importante ressaltar que a r. DRJ reconheceu a existência do direito creditório pleiteado pela recorrente, restando sub judice o quantum do débito a ele atrelado. Percebe-se dos autos que a Recorrente indicou o valor do principal, excluindo eventuais acréscimos moratórios devidos. Quanto à incidência dos encargos moratórios, em que pese as dificuldades decorrentes da burocracia, conforme alegado pela Recorrente, note-se que, de sua parte, o Código Tributário Nacional é claro ao dispor que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.508 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.902172/2006-03 da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Da mesma forma o art. 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) Nesse sentido, a princípio, o fato de a Recorrente ter recolhido o valor devido sob o código incorreto não é o suficiente para afastar os encargos moratórios. Diferentemente de outros casos (doc. 4, anexo), em sede de contencioso administrativo não é possível que se dê ao pedido de compensação o efeito retroativo requerido pela Recorrente, reconhecendo que o recolhimento no código 0473 (rendimentos de trabalho de qualquer natureza) equivaleria aos códigos 0422 (IRRF sobre royalties e pagamentos de assistência técnica de domiciliado no exterior) e 8741 (CIDE), sob pena de violação ao art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por outro lado, assiste razão à Recorrente no que diz respeito à necessidade de se constituir o crédito tributário via lançamento. A Medida Provisória nº 2.158-35/2002 assim dispõe em seu art. 90: Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art552 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art5%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas/1725.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas/1725.htm#art4 Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.508 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.902172/2006-03 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Somente com a edição da MP 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei 10.833/2003, que derrogou o art. 90 da MP 2.158- 35/2001 e incluiu os §§ 6º a 11 no art. 74 da Lei 9.430/96, a declaração de compensação passou a constituir confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Além disso, a Solução de Consulta Interna COSIT 03, de 08 de janeiro de 2004 e o Parecer PGFN/CDA/CAT 1499/05 somente reconhecem o caráter de confissão de dívida às declarações de compensação enviadas após a vigência da Medida Provisória 135/03, ou seja, após 30 de outubro de 2003, entendimento que também se fundamenta no princípio da irretroatividade. A Súmula CARF nº 52 é clara ao estabelecer que “os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício”. Isto posto, parece não haver dúvidas de que a legislação vigente na época determinava a formalização do lançamento de ofício para fins de cobrança de eventuais diferenças apuradas. Desta forma, em se tratando de débitos relativos ao ano de 2001 e a lançamento realizado tão somente em 2012, é mister que se reconheça a decadência. Nessa linha, o decidido por esta e. Turma ao proferir o acórdão nº 1201- 002.950: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. Na data do envio do PER/DCOMP em análise (10/07/2003), a legislação vigente - art. 90 da Medida Provisória - MP 2158-35, de 24 de agosto de 2001 - determinava que, caso fosse reputada indevida a compensação, o crédito tributário deveria ser constituído por meio de lançamento de ofício, já que as Declarações de Compensação não possuíam caráter de confissão de dívida. Posicionamento alinhado à Solução de Consulta Interna COSIT 03/2004, ao Parecer PGFN/CDA/CAT 1499/05 e à inteligência da Súmula CARF nº 52. Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.508 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.902172/2006-03 Diante da ausência da lavratura do competente auto de infração para cobrança do crédito tributário, é passível de ser submetida à apreciação deste E. CARF a cobrança de eventuais saldos de débitos remanescentes da compensação não homologada. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Como os fatos geradores dos débitos de CSLL objeto das compensações ocorreram em abril e maio de 2003, portanto, em maio de 2008 (contagem pelo art. 150, §4º, do CTN) ou em 01/01/2009 (contagem pelo art. 173, I, do CTN), consumou-se a decadência. Ante o exposto, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário reconhecendo a decadência dos créditos extemporaneamente constituídos. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário reconhecendo a decadência dos créditos extemporaneamente constituídos. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.910568/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
PROVAS DAS ALEGAÇÕES.
Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. CRÉDITOS ADVINDOS DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
A simples apresentação de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de fazer surgir crédito passível de compensação, vez que tal condição facultaria ao contribuinte, segundo seu entendimento e vontade, materializar créditos oponíveis à Fazenda Pública.
Os créditos gerados a partir de retificação de declaração anteriormente prestada dependem de comprovação de liquidez e certeza.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Não se homologa Declaração de Compensação quando inexiste a comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.188
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a nulidade levantada de ofício pelo Relator.
Pelo voto de qualidade em rejeitar a Diligência proposta, vencidos o Relator e os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López.
No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso.
Vencido o Relator.
Designado o Conselheiro Maurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Fábio Luiz Nogueira
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Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. CRÉDITOS ADVINDOS DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A simples apresentação de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de fazer surgir crédito passível de compensação, vez que tal condição facultaria ao contribuinte, segundo seu entendimento e vontade, materializar créditos oponíveis à Fazenda Pública. Os créditos gerados a partir de retificação de declaração anteriormente prestada dependem de comprovação de liquidez e certeza. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa Declaração de Compensação quando inexiste a comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a nulidade levantada de ofício pelo Relator. Pelo voto de qualidade em rejeitar a Diligência proposta, vencidos o Relator e os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Relator. Designado o Conselheiro Maurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA 2 (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Fábio Luiz Nogueira Relator (Assinado Digitalmente) Maurício Taveira e Silva Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório ITAÚ UNIBANCO S.A., já qualificado nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 105 e seguintes) contra o acórdão nº 05.32.449 , de 07 de fevereiro de 2011, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP (fls. 94 e seguintes), que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, através de PERDCOMP (fls.), relativo a crédito de CPMF, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou a nulidade do despacho decisório por lhe faltar a demonstração das razões que levaram a não homologação da compensação. Segundo ela, o Fisco não trouxe aos autos do processo nenhum elemento que, por si, realmente desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. Continua argumentando que, na circunstância dos autos, incumbiria à Receita Federal o ônus da prova do tributo de que se julga credor e nesse contexto, o ato administrativo, da forma como formalizado, impede o exercício do direito de defesa garantido constitucionalmente, pelo que, deve ser considerado nulo. Acrescenta que a DCTF originalmente apresentada não contemplava o crédito aproveitado na DCOMP o que pode ter Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Processo nº 16327.910568/200934 Acórdão n.º 330101.188 S3C3T1 Fl. 117 3 provocado a causa da não homologação da compensação. Contudo, diz que a declaração foi retificada e já apresenta o crédito em disputa. Finalizando, a interessada aponta que o pagamento indevido teria como motivo a retenção de CPMF sobre as seguintes entidades isentas: .... Para comprovação do alegado, a contribuinte afirma juntar aos autos as correspondentes Certidões de Entidade Isenta emitido pelo Ministério do Desenvolvimento Social, os extratos das contas correntes que teriam sofrido a retenção indevida e o respectivo estorno. A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, sob a seguinte Ementa: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS DE NATUREZA FiNANCEIRA CPMF Anocalendário: 2006 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente a legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise do v. Acórdão o seguinte trecho (destaques acrescentados): Importante, de início, destacar que o tratamento da declaração de compensação transmitida pela contribuinte se deu de forma eletrônica. A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. Vale lembrar que a partir da redação conferida pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 ao art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, a compensação tributária passou a ser implementada pelo sujeito passivo mediante a entrega de declaração de compensação (DCOMP), da qual constariam informações Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA 4 relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos. O efeito imediato da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição. Nesses termos, a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. lnconsistentes as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica e a compensação não é homologada. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc.), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. A interessada invoca nulidade do ato por lhe prejudicar o exercício do direito de defesa. Como se disse, a não homologação da compensação declarada tem como simples razão a indisponibilidade do pagamento apontado como indevido dado sua vinculação a débito anterior confessado pelo declarante. O referido despacho decisório, assim, nada mais precisou informar além da localização do documento de arrecadação apontado como origem do direito creditório e a verificação da sua integral utilização na quitação do débito indicado no quadro demonstrativo. Não se vislumbra, desse modo, nenhuma deficiência do ato com respeito à demonstração dos motivos que levaram a administração tributária a não homologar o procedimento. A interessada alega que a DCTF que serviu de base para o despacho de não homologação não condizia com o direito de crédito utilizado na compensação. Todavia, prossegue, a retificadora apresentada evidenciaria o pagamento indevido. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Processo nº 16327.910568/200934 Acórdão n.º 330101.188 S3C3T1 Fl. 118 5 Assim instalada a discussão, o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito. A retificadora que pretendeu demonstrar a existência do crédito por si só, não tem o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Lembrese que a entrega da declaração de compensação instrumento que a partir da edição da MP n° 66, de 2002, passou a integrar a própria essência do instituto da compensação , não prescinde da necessidade de que o credor da Fazenda Pública possa comprovar a liquidez e certeza do direito de crédito, nos termos do art. 170, da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN).Portanto, ao contrário do que defende, a interessada, em sede de procedimento de compensação, o ônus de comprovação do direito de crédito aproveitado recai sobre o contribuinte. No caso em foco, em que o crédito aproveitado em declaração de compensação teria suposta origem em pagamento maior que o apurado e devido, a comprovação da certeza e liquidez do direito atase intimamente à necessária comprovação do erro presente em declaração prestada à Administração Tributária. Vale destacar que essa exigência está expressa no artigo 147 do Código Tributário Nacional: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1° A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. ... Notese que, embora tratando de lançamento de oficio, o parágrafo que condiciona a admissão da retificadora à comprovação do erro presente em declaração anterior também se aplica aos casos em que a redução de tributo a pagar tem como efeito a desvinculação de pagamento à dívida anteriormente confessada, como veio a ser a pretensão da contribuinte. No caso dos autos, a afirmação da contribuinte é a de que o pagamento indevido teria origem em retenção de tributo sobre movimentações financeiras praticadas por entidades de assistência social isentas da contribuição. Documentação com o fim específico de comprovar essa alegação compõe as fls. 26 a 91 dos autos. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA 6 A contribuinte trouxe ao exame administrativo certidões emitidas pelo Conselho Nacional de Assistência Social, bem como extratos bancários das entidades que teriam sofrido a indevida retenção. O conjunto de extratos de contas correntes apresentado, porém, não guarda relação com o período de formação do direito de crédito aproveitado na DCOMP objeto do despacho decisório. Como se vê à fl. 12, o direito de crédito referese a pagamento indevido efetuado em 07/06/2006 referente a período de apuração finalizado em 31/05/2006. Todos os extratos de conta corrente anexados à manifestação de inconformidade porém, referemse a movimentações financeiras havidas em junho e julho de 2006 (débitos de CPMF e correspondente estorno). Assim, a falta de consistência entre o direito invocado e as provas reunidas impedem o reconhecimento do direito de crédito aproveitado na DCOMP. Assim, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada.. Não se conformando com a decisão, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, de onde se extrai, em síntese, os seguintes pontos (destaques acrescidos): A não homologação da compensação pleiteada no PER/DCOMP em referência, decorrente de despacho eletrônico, ocorreu por conta de erro do Recorrente, qual seja, a entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. Todavia, essa DCTF original já foi devidamente retificada e já contempla o crédito controvertido. O Recorrente, na qualidade de responsável tributário, efetuou a retenção e o respectivo recolhimento de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF sobre diversas operações praticadas por seus clientes, tendo em vista a ocorrência do fato gerador desse tributo. Todavia, por inúmeras razões, tais como estorno de redução de saldo devedor, estorno de transferência de valor, estorno por conta da natureza jurídica do cliente por sua natureza jurídica, dentre outros, o fato gerador da CPMF não se concretizou, sendo que o valor retido e recolhido a título desse tributo tomouse indevido. Assim, o Recorrente procedeu ao estorno dos valores relativos à CPMF indevida, conforme é possível verificar nos extratos anexos nas contas dos clientes já anexados aos autos.. Destarte, se o valor do imposto recolhido indevidamente já foi estornado para os clientes, resta cristalino que o ora Recorrente foi quem assumiu o encargo financeiro e, consequentemente, faz jus à restituição do indébito tributário ora declarado, nos termos do artigo 166 do CTN, “verbis”: ... Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Processo nº 16327.910568/200934 Acórdão n.º 330101.188 S3C3T1 Fl. 119 7 Portanto, não restam dúvidas acerca da existência do direito creditório apresentado pelo Recorrente. Todavia, comprovada a existência de direito líquido e certo a compensação efetuada, a não homologação da compensação pleiteada no Per/Dcomp em referência, decorrente de despacho eletrônico, parece ter ocorrido pela entrega de DCTF original sem a contemplação do valor desse crédito. Essa DCTF, entretanto, já foi retificada e já contempla o crédito controvertido. Sendo assim, o erro no preenchimento da DCTF não pode ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento de seu crédito e o indeferimento da compensação pretendida. Ademais, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento da DCTF. Ao final pede a reforma da decisão recorrida, com a homologação da compensação e o cancelamento da cobrança.. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro FÁBIO LUIZ NOGUEIRA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. Entendo que a decisão recorrida merece ser reformada. Como pode ser percebido à fl. 12, o despacho decisório eletrônico (como ocorre nestes casos) simplesmente considerou um valor de débito declarado em DCTF idêntico ao DARF / pagamento efetuado pelo contribuinte, não encontrando, nessa conferência, o crédito pleiteado. Ocorre que o despacho decisório eletrônico foi emitido em 11/08/2009 e a DCTF do Contribuinte já havia sido retificada, mais precisamente em 17/07/2009 (vejase recibo de entrega da declaração retificadora às fls. 20 e 23), aí constando um débito de CPMF em valor inferior. Entendo que a DCTF retificadora deve ser considerada, posto que anterior ao despacho decisório eletrônico. Como a fundamentação original do despacho decisório eletrônico não se confirmou, ou não mais existia, uma vez que a DCTF (com os valores idênticos ao DARF) já havia sido retificada, deve ser cancelado o despacho decisório. Manifesto este entendimento diante das disposições do Decreto 70.235, mais precisamente, artigo 59, Inciso II, por implicar em preterição do direito de defesa, em virtude Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA 8 de inexistência da fundamentação legal / motivação original, consoante dispõe o Artigo 18, parágrafo terceiro do mesmo Regulamento: § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Isto posto, voto no sentido de cancelamento do despacho decisório eletrônico, devendo ser realizado novo processamento da compensação. Alternativamente, deve ser anulado parcialmente, complementandose o despacho decisório, devolvendose ao sujeito passivo prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Caso não seja esse o entendimento da Turma Julgadora, proponho a conversão do julgamento em diligência, diante das considerações a seguir. Primeiro, porque não se pode menosprezar a possibilidade de erro nas Declarações e até por esse motivo é prevista a retificação, no prazo legal. E, no caso, a DCTF teria sido retificada antes do início do procedimento fiscal (despacho decisório eletrônico, por analogia). Segundo a Decisão Recorrida, “a retificadora que pretendeu demonstrar a existência do crédito por si só, não tem o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação”. Portanto, a Declaração Retificadora não foi considerada pela decisão recorrida. Entretanto, o próprio artigo 147 do CTN, transcrito pela decisão Recorrida, na verdade interfere na análise do presente recurso, pois a Declaração foi retificada “antes de notificado o lançamento”. 1 Por outro lado, o Recorrente juntou documentos e demonstrativo dos valores estornados dos clientes que parecem corroborar as suas alegações. Ao contrário do afirmado pela decisão recorrida, há sim extratos comprovando estornos de valores de CPMF feitos em julho/2007, ou seja, no mês seguinte ao recolhimento (jun/2007), relativo às entidades mencionadas (v.g. 39 e 41). Por outro lado, realmente faltou um demonstrativo cotejando os valores estornados e debitados. De todo modo, entendo que, apresentados elementos de prova, estes deverão ser verificados pela Autoridade Tributária, ainda que seja para reconhecer um valor menor do que o pleiteado pelo Contribuinte e não simplesmente negar todo o pedido se os valores não são coincidentes. Como o presente processo decorre de Despacho Decisório eletrônico, o qual tem origem nas informações prestadas pelo próprio Contribuinte, não há uma fase de instrução, 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1° A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Processo nº 16327.910568/200934 Acórdão n.º 330101.188 S3C3T1 Fl. 120 9 antes do mencionado Despacho Eletrônico. È feita apenas uma verificação nos registros do sistema da Receita Federal e aí é gerado, eletronicamente, o Despacho. Tenho para mim que até o nome “Despacho Decisório” pode ser questionado.. No procedimento que anteriormente regia a compensação, o contribuinte era intimado a apresentar os elementos e provas do seu crédito antes do deferimento ou indeferimento do seu pedido. Acredito que a mudança no instituto da compensação não pode prejudicar o direito de defesa. Nessa nova modalidade de compensação, devem ser consideradas as provas apresentadas pelo Contribuinte, na manifestação de inconformidade ou no recurso. Este Egrégio Conselho já teve oportunidade de prestigiar a busca da verdade real / material, conforme Julgados a seguir: Noto que a Administração Tributária não contestou diretamente a existência do crédito. A meu sentir os princípios da oficialidade, do informalismo moderado e, principalmente, a verdade material exigem muito mais do processo administrativo fiscal que o simples exame fundado em verificações automáticas de sistema, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinaram o despacho decisório, validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, no caso vertente não houve um único procedimento fiscal tendente a investigar a ocorrência, lastreandose o indeferimento combatido eminentemente em questões de natureza formal, sem qualquer averiguação de ordem material.(Processo nº 10983.901253/200803 Recurso nº 523.133 Voluntário Resolução nº 340300.108 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Relator Conselheiro Robson José Bayerl). Por último, peço licença para transcrever trechos do artigo de Mary Elbe Queiroz, extraído da Revista Internacional de Direito Tributário – Vol. 4 – Julho e dezembro 2005 Por Misabel Abreu Machado Dersi e outros Págs. 233 e seguintes: “... Em qualquer violação de direito deve haver um mecanismo de controle que assegure a ampla defesa do contribuinte, e se a cobrança daquele tributo, se aquele lançamento estiver errado, ele tem que ser derrubado, sim, em nome da defesa do próprio fisco. Muita gente é contra as segundas instâncias administrativas porque são órgãos paritários e normalmente cinquenta por cento do que é julgado resulta em exoneração do crédito tributário, ou por vícios formais, ou por falta de prova, ou por falta de conteúdo. Então ficam todos os secretários e fiscais – falo bastante à vontade porque sou auditora fiscal – revoltados contra essa exoneração. Mas tem que ser assim, pois quando o fisco vai discutir em juízo um crédito tributário ... e Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA 10 perde, além de não receber aquele crédito tributário ele tem que arcar com todo ônus da sucumbência. Desse modo, o momento administrativo é um momento especial para o contribuinte, em que ele vê rapidamente solucionada a sua questão, como também para o próprio fisco, já que é a oportunidade de ele rever os atos dos seus agentes. Os órgãos administrativos julgadores têm a vantagem da especialização técnica, da agilidade, menor número de processos. ... Outro número: déficit tributário inscrito em dívida ativa. Diante disso, dá para entender como é importante o Conselho de Contribuintes, porque se o Conselho de Contribuintes verifica que algo está errado, ele já acaba com esse processo e evita que eles vão parar na fila do Judiciário. Em dezembro de 2004 os débitos inscritos em dívida ativa eram ... cerca de três milhões de processos ajuizados e dois milhões em cobrança. Para toda essa demanda contamos com apenas 1.050 procuradores da Fazenda Nacional ... Mas cinqüenta por cento do que está lá não presta ... quando chega para executar descobrese que há erros na declaração e o imposto está pago”. Peço emprestado estas palavras da exConselheira, porque o custo para se resolver as questões relacionadas com a existência de crédito para compensação é infinitamente menor na instância administrativa. E a baixa dos autos em diligência não representa qualquer prejuízo para o Fisco. Muito pelo contrário, havendo verossimilhança nas alegações e ao menos um início de prova da existência desse crédito (não apenas a declaração retificadora) entendo que deva ser verificado. Se o crédito existe, será reconhecido, após uma verificação. Se não, será negado. Negarse apenas por um aspecto formal – de erro na declaração – pode se ter certeza que o contribuinte irá correr ao Judiciário, que, por sua vez, fará a verificação do que realmente importa: o crédito existe ou não existe? Ao se empurrar para o Judiciário não se enfrenta, não se resolve o problema, ele não desaparece. Ao contrário, só se protela a solução e os custos só aumentam – e muito (não é difícil imaginar o custo de acompanhamento desses processos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo Poder Judiciário, ao longo de vários anos, até o esgotamento de todos os recursos). Essa alternativa – posso garantir – é bem mais gravosa, principalmente para o Estado. Portanto, tendo em vista a plausibilidade das alegações do Recorrente e, em homenagem à busca da verdade real e da economia do processo, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem examine as alegações do Contribuinte e analise os documentos e registros do Contribuinte, para que se verifique se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. Em seguida, o contribuinte deverá ser intimado do resultado da diligência para que, no prazo de trinta dias, caso entenda necessário, apresente manifestação, sobre o resultado da diligência. Por fim, devolvamse os autos para este Conselho, para a conclusão do julgamento. Sendo vencido também na proposta de resolução, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório no valor dos documentos apresentados Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Processo nº 16327.910568/200934 Acórdão n.º 330101.188 S3C3T1 Fl. 121 11 pelo Recorrente, conforme mencionado acima, até o limite do valor do pedido de compensação. (Assinado Digitalmente) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Voto Vencedor Conselheiro Maurício Taveira e Silva – redator designado Ouso divergir da tese sustentada pelo ilustre Relator Fábio Luiz Nogueira. A interessada transmitiu PER/Dcomp cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento da DCTF, posteriormente retificada e contemplando o crédito controvertido. Não merecem prosperar as alegações aduzidas pela contribuinte, conforme se demonstrará. Inicialmente há que se registrar que o Despacho Decisório Eletrônico decorre da análise de consistência entre o Per/Dcomp, os pagamentos efetuados e as declarações elaboradas pelo sujeito passivo, dentre as quais podese destacar a Declaração da CPMF (mensal, trimestral, medidas judiciais e não incidência), DCTF e DIPJ. Por outro lado, a simples elaboração de declarações retificadoras, ainda que tempestivas, não tem o condão de tornar a última informação fidedigna a ponto de obstar a necessária demostração da liquidez e certeza do crédito surgido. Não seria razoável imaginar que o Despacho Decisório Eletrônico estivesse estritamente vinculado às declarações da contribuinte, as quais, sendo refeitas de forma consistente, impediriam o fisco de exigir a comprovação de liquidez e certeza dos créditos alegados. Nessa toada, um contribuinte mal intencionado poderia efetuar, indevidamente, a retificação de valores declarados e pagos, às vésperas do prazo decadencial impossibilitando a constituição do crédito tributário e fazendo surgir, artificialmente, um indébito inexistente a ser compensado, independentemente de comprovação. Tal hipótese não se sustenta, vez que promoveria um completo e inimaginável desequilíbrio na relação fisco contribuinte. Nesse sentido, conforme bem registrou a instância a quo, a declaração retificadora por si só não tem o condão de fazer nascer o direito de crédito, sendo necessária à comprovação da liquidez e certeza e a demonstração do erro presente na declaração anteriormente prestada à Administração Tributária, em consonância com o art. 147 e parágrafos, que assim dispõe: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA 12 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Embora a norma trate de lançamento, a previsão contida no § 1º, que condiciona a admissão da retificadora à comprovação do erro existente em declaração anterior, também se aplica aos casos em que a redução de tributo a pagar declarados em DCTF tem como efeito a desvinculação de pagamento de dívida anteriormente confessada, o que se verifica no presente caso. A aceitação de modo inconteste de declaração retificadora acarretaria a inadmissível possibilidade de que por meio de sua vontade, manifestada em sua declaração retificadora, a contribuinte pudesse gerar crédito perante à Fazenda Pública, em confronto com o disposto no art. 170 do CTN. Não se trata privilegiar aspecto formal em detrimento da verdade material. Vez que a contribuinte pretende infirmar informações anteriormente prestadas, estas devem estar respaldadas em robustas provas documentais. Todavia, a contribuinte apresenta os documentos de fls. 26/91, os quais visariam a comprovar os alegados estornos da CPMF debitada indevidamente. A conduta da contribuinte não se coaduna com sua condição de instituição financeira, acostumada a gerir recursos alheios e, portanto, a uma fidedigna e minuciosa prestação de contas dos valores de terceiros que por ela transitam diariamente. Obviamente os parcos documentos trazidos aos autos não se prestam a comprovar a pertinência dos créditos alegados. Caberia à contribuinte efetuar tabela com todos os elementos pertinentes à operação, destacandose; o correntista, a operação e o respectivo valor que deu origem ao FG, o valor da contribuição, a data do fato gerador, o período de apuração, a data de recolhimento, além dos mesmos dados referentes ao estorno, bem assim, referenciálos a documentos comprobatórios, demonstrando e comprovando, pontual e numericamente, os créditos reivindicados, de modo a evidenciar o alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro de contribuição retida na qualidade de responsável. É certo que o Decreto nº 70.235/72 encontrase norteado pelos princípios que regem o processo administrativo fiscal, dentre os quais encontrase o princípio da verdade material. Todavia, seu propósito não alberga suprir a inércia da contribuinte que, consoante o art. 16, III, do referido Decreto, já deveria ter apresentado os elementos necessários à comprovação do alegado em sua petição inicial. Imputar a instância julgadora suprir deficiência da contribuinte é subverter as obrigações no processo administrativo. Assim, vez que o crédito alegado não fora devidamente comprovado, não há como homologar as compensações declaradas. Quanto ao pedido de cancelamento de cobrança efetuada através de outro processo administrativo, não há como prosperar, pois, somente acerca destes autos este colegiado deve se manifestar. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Processo nº 16327.910568/200934 Acórdão n.º 330101.188 S3C3T1 Fl. 122 13 Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assin ado digitalmente em 29/11/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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Numero do processo: 13811.726549/2015-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE.
É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Súmula CARF nº148.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
Numero da decisão: 2002-004.118
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13799.720394/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Súmula CARF nº148. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
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GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Súmula CARF nº148. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13799.720394/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 65 49 /2 01 5- 10 Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-004.118 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13811.726549/2015-10 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2002-004.098, de 17 de março de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração consubstanciando exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada da decisão do colegiado de primeira instância, a qual julgou improcedente a impugnação, a empresa apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: i. nulidade do auto de infração pela cobrança de multa inexistente; ii. prescrição da exigência; iii. ausência de publicidade quanto à entrega da GFIP; iv. caráter confiscatório da multa; v. alteração de critério jurídico e violação ao artigo 146 do Código Tributário Nacional; vi. entrega espontânea da GFIP, antes de qualquer procedimento fiscal e com os recolhimentos devidos; vii. existência de Projeto de Lei 7512/2014, prevendo a anulação de todos os débitos decorrentes da aplicação da multa em comento. É relatório. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-004.098, de 17 de março de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Acerca da nulidade suscitada, observo que o lançamento atende integralmente aos preceitos de ordem pública expressos no art. 142 do Código Tributário Nacional e apresenta os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Ressalte-se especialmente que o auto contém o Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-004.118 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13811.726549/2015-10 enquadramento legal completo e uma descrição dos fatos clara, permitindo à contribuinte conhecer a infração que lhe está sendo atribuída. Ademais, ela pôde apresentar sua defesa, garantindo-se plenamente no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. O argumento de que o auto seria nulo por veicular cobrança indevida recai sobre o mérito da exigência. Sobre a preliminar de prescrição, com base no CTN, art. 174, há que se lembrar que esta só se aplica a partir da constituição definitiva do crédito tributário. Não há que se falar em prescrição contada da entrega da GFIP, pois naquela data o crédito tributário (multa por atraso) não estava constituído, o que só acontece a partir do lançamento e ciência à contribuinte. O prazo prescricional é de cinco anos e começa a contar a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, ou melhor, desde o momento em que o titular do direito (a Fazenda Pública) pode exigir do devedor a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de recurso administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, decidido o último recurso administrativo interposto pelo contribuinte, o que ainda não ocorreu nestes autos. Ainda que se assuma que a recorrente suscita a decadência do crédito tributário, melhor sorte não lhe assiste. Impõe-se observar que nos casos de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária o prazo para a constituição do crédito tributário extingue-se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional - CTN. É nesse sentido a Súmula CARF n° 148, de observância obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Tomando-se o ano-calendário de 2010, cuja competência mais antiga deveria ser apresentada até 05/02/2010, o lançamento só poderia ser efetuado após o vencimento do prazo, ou seja, a partir de 06/02/2010. Logo, inicia-se a contagem do prazo decadencial em 1º de janeiro de 2011, encerrando-se em 31 de dezembro de 2015. Para o ano-calendário 2011, o prazo decadencial encerraria em 31 de dezembro de 2016. Dessa feita, rejeito as preliminares suscitadas. Como relatado, discute-se nestes autos a exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-004.118 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13811.726549/2015-10 Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. A alteração na legislação ocorreu no início de 2009, com a inserção do art.32-A da Lei nº 8.212, de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando a sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP, em especial com a previsão de aplicação da multa por atraso na entrega de GFIP, até então inexistente. Estando a exigência amparada em legislação em vigor e respeitado o prazo decadencial, sem reparos a se fazer à decisão recorrida. Não foi juntada aos autos a comprovação da entrega dos documentos dentro do prazo legal. Esclareço que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. A exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. Portanto, não assiste razão à recorrente ao pleitear a exclusão multa pelo fato de ter efetuado os recolhimentos previdenciários devidos. A autuação não aponta a falta ou insuficiência desse recolhimento. No tocante à alegação de espontaneidade na entrega da Declaração, trago a Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto às alegações de violação a princípios constitucionais, não cabe tal discussão na esfera administrativa de julgamento, prevalecendo a vinculação à lei, que conduz à obrigatoriedade de observância e aplicação das normas regularmente editadas. Acrescento a Sumula CARF nº2, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto ao Projeto de Lei n º 7.512, de 2014, esclareço que sua existência não impede a constituição e a exigência do crédito tributário com base na legislação em vigor e que rege a matéria. Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-004.118 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13811.726549/2015-10 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001696/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38.
Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150. §4°, do CTN.
SIGILO FISCAL. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES. POSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal sedimentou o entendimento de que o art. 6° da LC 105/2001 é constitucional e a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo.
Enunciado n° 35 da Súmula do CARF: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
O exercício da atividade rural pelo contribuinte por si só não autoriza a presunção de que toda a sua movimentação financeira teve origem nessa atividade, não afastando a necessidade de comprovação, de forma individualizada, das origens dos depósitos bancários.
Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2402-008.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150. §4°, do CTN. SIGILO FISCAL. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal sedimentou o entendimento de que o art. 6° da LC 105/2001 é constitucional e a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo. Enunciado n° 35 da Súmula do CARF: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. O exercício da atividade rural pelo contribuinte por si só não autoriza a presunção de que toda a sua movimentação financeira teve origem nessa atividade, não afastando a necessidade de comprovação, de forma individualizada, das origens dos depósitos bancários. Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
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IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150. §4°, do CTN. SIGILO FISCAL. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal sedimentou o entendimento de que o art. 6˚ da LC 105/2001 é constitucional e a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo. Enunciado n˚ 35 da Súmula do CARF: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. O exercício da atividade rural pelo contribuinte por si só não autoriza a presunção de que toda a sua movimentação financeira teve origem nessa atividade, não afastando a necessidade de comprovação, de forma individualizada, das origens dos depósitos bancários. Súmula CARF n˚ 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 16 96 /2 00 6- 79 Fl. 501DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-008.239 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001696/2006-79 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata-se de Auto de Infração (fls. 14 a 17) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos-calendário 2001 a 2004 para a exigência de crédito tributário no valor de RS 455.971,45, incluída a multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, de titularidade do autuado. Através do Acórdão n˚ 17-30.000 (fls. 448 a 457), a 3ª Turma da DRJ/SPOII julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte e manteve o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRELIMINAR – SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário. DEPÓSITO BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1º de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideram- se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ATIVIDADE RURAL. Fl. 502DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-008.239 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001696/2006-79 Somente a comprovação da origem dos recursos utilizados dos depósitos bancários é capaz de ilidir a presunção legal de omissão de rendimentos. O fato de o contribuinte possuir como fonte de renda a atividade rural, mesmo que seja sua principal fonte declarada, não permite concluir que todos os seus rendimentos sejam oriundos desta atividade. Lançamento procedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 19/03/2009 (fl. 460) e apresentou Recurso Voluntário em 09/04/2009 (fls. 461 a 498) alegando: a) indevida quebra do sigilo fiscal; b) decadência; c) os depósitos bancários não são fatos geradores do imposto de renda; d) comprovação dos depósitos decorrentes de atividade rural e; e) tributação diferenciada da atividade rural. o relatório. Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais 1. Decadência A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 14/09/2006 (fl. 382) mediante o Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física – Anos-calendário 2001 a 2004, com fulcro em omissão de rendimentos por depósitos bancários sem origem comprovada. O fato erador do R F é comple ivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica ad uirida pelo contribuinte em determinado ciclo ue se inicia no dia primeiro de aneiro e se inda no dia 31 de de embro de cada ano-calend rio. isto, ainda ue apurado mensalmente, est su eito ao a uste anual uando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano-calend rio. O entendimento está consolidado no âmbito desse Tribunal Administrativo, con orme Enunciado n˚ 38 da Súmula do CARF: Súmula CARF no 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de de embro do ano-calend rio. Fl. 503DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-008.239 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001696/2006-79 Para o emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. O Superior Tribunal de Justiça definiu a questão no julgamento do REsp 973.733/SC, processado sob o rito dos recursos representativos de controvérsia, de aplicação obrigatória nos julgamentos deste Tribunal, nos termos do art. 62, § 2º de seu Regimento Interno (Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015). Nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Nesse sentido é o entendimento desta Turma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calend rio: 2000 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150. §4°, do CTN. ( rocesso n˚ 13888.002895/2006-24, Acórdão n˚ 2402-007.104, Relator Conselheiro Gregório Rechmann Junior, 2˚ Turma Ordin ria da 4˚ Câmara da 2˚ Seção, Sessão de 14/03/2019, Publicado em 29/03/2019). No caso, deve ser aplicada a re ra do art. 150, § 4˚, do CTN por ue e iste pagamento antecipado, conforme apurado pela própria Fiscalização, nos termos do Demonstrativo de Apuração (fls. 18 a 22). O lançamento refere-se aos anos-calendário 2001 a 2004 e como houve antecipação do imposto o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se em 31/12/2001, para o fato gerador mais antigo, e tem como termo final o dia 31/12/2006, conforme re ra contida no art. 150, § 4˚, do CTN. O lançamento tributário só se considera definitivamente constituído após a ciência (notificação) do sujeito passivo da obrigação tributária (art. 145 do CTN), que no presente caso ocorreu em 14/09/2006 (fl. 382). Resta, portanto, afastada decadência. 2. Da quebra do sigilo bancário O recorrente alega a nulidade da autuação porque os extratos bancários foram obtidos com a quebra do sigilo bancário sem a devida autorização judicial. Fl. 504DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-008.239 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001696/2006-79 O Código Tributário Nacional (CTN) atribui às autoridades fiscais o poder de requisitar dos bancos e instituições financeiras todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros – art. 197, II. A Lei Complementar n˚ 105, de 10 de aneiro de 2001 (LC 105/2001), ue dispõe sobre o si ilo das operações das instituições inanceiras, estabelece no arti o 6˚ ue as autoridades fiscais podem examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Esse arti o est re ulamentado pelo ecreto n˚ 3.724, de 10 de aneiro de 2001, quanto à requisição, acesso e uso pela Secretaria da Receita Federal de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e entidades equiparadas, disciplinando a quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa. Desde a edição da norma, diversos entendimentos contraditórios foram proferidos pelos Tribunais pátrios, ora entendendo indispensável a autorização judicial para acesso aos dados, ora facultando à administração tributária o acesso direto. Em fevereiro de 2016, o Supremo Tribunal Federal sedimentou a celeuma no ul amento das A s n˚ 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859 e i ou o entendimento de ue o art. 6˚ da LC 105/2001 é constitucional e a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo. A trans er ncia de in ormações é eita dos bancos diretamente ao Fisco, e este tem o dever de preservar o sigilo dos dados. Assim, concluiu a Corte Suprema que permanecem resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, nos termos do art. 145, § 1˚, da Constituição Federal: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, nos termos do Enunciado de Súmula CARF n˚ 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pois bem. Até o advento da Lei n˚ 10.174, de 9 de aneiro de 2001, o § 3˚ do art. 11 da Lei n˚ 9.311/96 vedava a utili ação das in ormações re erentes à CPMF para constituição de crédito tributário, nos seguintes termos: Fl. 505DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-008.239 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001696/2006-79 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. A Lei n˚ 10.174/2001 alterou esse par ra o para permitir a utilização das informações relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário, in verbis: § 3 o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Ao realizar o lançamento, a autoridade fiscal deve aplicar a legislação vigente no momento da ocorrência do fato gerador, mesmo que a norma já tenha sido revogada ou modificada. Trata-se da regra material (legislação substantiva) relativa ao tributo correspondente – art. 144, caput. J o § 1˚ do art. 144 se refere às regras formais (legislação adjetiva) que regulam o procedimento de lançamento, ou seja, as normas que estipulam a competência para lançar, o modo de documentar o início do procedimento, os poderes que possuem as autoridades lançadoras, os prazos para conclusão das atividades etc. Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Desse modo, a modificação de uma norma procedimental não muda a essência de qualquer obrigação já surgida, mas tão somente o modo de sua apuração. É justamente por isso que são aplicáveis ao lançamento as normas formais que estiverem em vigor na data da realização do próprio procedimento (ALEXANDRE, Ricardo. Direito tributário. 13ª ed. Salvador: JusPodivm, 2019, p. 451). Nesse sentido, é o Enunciado n˚ 35 da Súmula do CARF: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Daí porque é válida a utilização da nova legislação para lançamento referente a fatos geradores passados, diante da aplicabilidade imediata das regras que ampliam os poderes de investigação da autoridade administrativa, não havendo que se falar em prova ilícita. Fl. 506DF CARF MF Documento nato-digital file:///C:/Users/anaclaudiaborgesdeoliveira/Documents/CARF/Março%202020/VOTOS/L9430.htm%23art42§3II file:///C:/Users/anaclaudiaborgesdeoliveira/Documents/CARF/Março%202020/VOTOS/L9430.htm%23art42§3II Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-008.239 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001696/2006-79 O procedimento de fiscalização transcorreu dentro dos limites legais, não se identificando no lançamento qualquer irregularidade no acesso às informações bancárias do recorrente. Do exposto, rejeito a preliminar de nulidade. 3. Da comprovação dos depósitos bancários oriundos da atividade rural Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1˚ de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430/96, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea, após regular intimação para fazê-lo. Segundo o preceito legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presunção de rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. No caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando o contribuinte tem a pretensão de associá-los a receitas oriundas da atividade rural, deve estabelecer vinculação individualizada de data e valores e, necessariamente, comprovar a receita de tal atividade por intermédio de documentos usualmente utilizados, tais como, nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. O que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos representada por eles. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício de existência de omissão de rendimentos. Esse indício transforma-se na prova da omissão de rendimentos apenas quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, após regular intimação fiscal, nega-se a fazê-lo, ou não o faz, a tempo e modo, ou não o faz satisfatoriamente. Desse modo, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Quanto à redução da base de cálculo do valor remanescente a 20%, sob o fundamento de que exercia exclusivamente a atividade rural, em se tratando de rendimentos (presumivelmente) omitidos esses podem, até que se prove em contrário, e qualquer atividade e não apenas naquela atividade conhecida. Assim, sem a comprovação individualizada não se justifica a imputação desses depósitos a atividade rural. Fl. 507DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-008.239 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001696/2006-79 O recorrente é quem pode e deve produzir provas acerca das origens dos depósitos bancários objetos de autuação, demonstrando precisamente a origem (fonte) dos créditos e a natureza destes, inclusive individualizadamente. Cabe ressaltar, outrossim, o que dispõe a Súmula CARF n.º 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” É função privativa da autoridade fiscal, entre outras, investigar a aferição de renda por parte do contribuinte, para tanto podendo se aprofundar sobre o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o sujeito passivo da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência, ou não, de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996. A comprovação da origem dos recursos é obrigação do contribuinte, mormente se a movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados no ajuste anual, como é o presente caso. Assim, não se comprovando a origem dos depósitos bancários, configurado está o fato gerador do Imposto de Renda, por presunção legal de infração de omissão de rendimentos, não assistindo razão ao recorrente em suas argumentações, quando corretamente se aplicou o procedimento de presunção advindo do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 849 do RIR/1999). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 508DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 18186.733119/2015-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE.
É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
Numero da decisão: 2002-004.084
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13964.720821/2015-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-04-24T12:48:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-04-24T12:48:24Z; Last-Modified: 2020-04-24T12:48:24Z; dcterms:modified: 2020-04-24T12:48:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-04-24T12:48:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-04-24T12:48:24Z; meta:save-date: 2020-04-24T12:48:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-04-24T12:48:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-04-24T12:48:24Z; created: 2020-04-24T12:48:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-04-24T12:48:24Z; pdf:charsPerPage: 1808; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-04-24T12:48:24Z | Conteúdo => S2-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 18186.733119/2015-91 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-004.084 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 17 de março de 2020 Recorrente JULIO DE MELLO CASTANHO NETO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13964.720821/2015-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 73 31 19 /2 01 5- 91 Fl. 38DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-004.084 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.733119/2015-91 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-004.053, de 17 de março de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração consubstanciando exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada da decisão do colegiado de primeira instância, a qual julgou improcedente a impugnação, a empresa apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: i. entrega espontânea das GFIPs; ii. pagamento integral da obrigação principal; iii. falta de intimação prévia; iv. inobservância dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; v. efeito confiscatório da multa aplicada; e vi.- inviabilidade de pagamento da exação. É o relatório. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-004.053, de 17 de março de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Como relatado, discute-se nestes autos a exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Esclareço que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não Fl. 39DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-004.084 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.733119/2015-91 só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. A exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. Portanto, não assiste razão à recorrente ao pleitear a exclusão multa pelo fato de ter efetuado os recolhimentos previdenciários devidos ou por questões financeiras particulares. No tocante à alegação de espontaneidade na entrega da Declaração, trago a Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Quanto às alegações de violação a princípios constitucionais, não cabe tal discussão na esfera administrativa de julgamento, prevalecendo a vinculação à lei, que conduz à obrigatoriedade de observância e aplicação das normas regularmente editadas. Acrescento a Sumula CARF nº2, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Fl. 40DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-004.084 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.733119/2015-91 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 41DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10640.001885/2002-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO JUDICIAL DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DA SENTENÇA JUDICIAL
Predominância da interpretação judicial sobre a administrativa. O julgador administrativo é obrigado a seguir a decisão judicial proferida em processo próprio Poder Judiciário, posto que, transitada em julgado forma lei entre as partes. Assim, as determinações judiciais há que serem cumpridas nos exatos termos em que foram proferidas.
Numero da decisão: 9303-010.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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RECONHECIMENTO JUDICIAL DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DA SENTENÇA JUDICIAL Predominância da interpretação judicial sobre a administrativa. O julgador administrativo é obrigado a seguir a decisão judicial proferida em processo próprio Poder Judiciário, posto que, transitada em julgado forma lei entre as partes. Assim, as determinações judiciais há que serem cumpridas nos exatos termos em que foram proferidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3201-000.972, de 26/04/2012 (fls. 83/88), proferida pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF/MF, que deu provimento ao recurso apresentado. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 18 85 /2 00 2- 52 Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-010.230 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10640.001885/2002-52 Do Auto de Infração O presente processo trata de Autos de Infração (fls. 40/48), que em decorrência de auditoria interna, foi lavrado para a exigência da COFINS, relativos a fatos geradores ocorridos no ano de 1997, nos quais a Fiscalização apurou falta de pagamento da contribuição, motivada por compensação em DCTF, com crédito de processo judicial que não foi autorizado. Da Impugnação e Decisão de Primeira Instância O contribuinte foi cientificado da exigência fiscal e apresentou a Impugnação (fls. 2/7), alegando em síntese que: há nulidade do auto de infração; que impetrou Ação judicial nº 94.0102278-0, onde no mérito foi proferida sentença que julgou procedente o pedido formulado condenando a Fazenda Nacional a restituir o indébito indevidamente recolhido; os débitos em questão foram devidamente compensados com créditos do FINSOCIAL. A DRJ em Juiz de Fora (MG), apreciou a Impugnação e, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 09-32.713, de 01/12/2010 (fls. 56/61), considerou improcedente, mantendo o crédito tributário exigido e, de ofício, substituir a multa de ofício pela multa de mora. Em seus fundamentos assevera que não procede a arguição de nulidade e, caracterizada a falta de recolhimento, deve persistir o lançamento. Por força do disposto no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003 e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Recurso Voluntário Cientificada em 31/01/2011 da decisão de 1ª instância, o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário tempestivamente. Tal recurso, em síntese, adota dois fundamentos: (i) a existência de manifestação judicial que declare o direito à restituição pelo contribuinte é suficiente para garantir-lhe o direito à compensação; e (ii) não há que se falar em necessidade de prova de desistência de ação interposta, pois tal requisito não encontra amparo em lei formal. Decisão recorrida Em apreciação do Recurso pela 1ª Seção de Julgamento/CARF, foi exarada a decisão consubstanciada no Acórdão n° 3201-000.972, de 26/04/2012, prolatado pela 1ª TO da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento/CARF, na qual o Colegiado deu provimento ao Recurso apresentado. Asseverou o Colegiado que: (a) ainda que a decisão judicial não tenha deferido à compensação do crédito, se o mesmo foi reconhecido, nasce o direito subjetivo do credor do indébito de optar pela sua utilização pela via da compensação com débitos. Por força do art. 62-A do RICARF, é obrigatória a observância de decisão do STJ proferida em sede de recursos repetitivos. Matéria decidida no Recurso Especial nº 1.114.404 sob o rito do art. 543-C do CPC, e (b) se nunca houve execução, não há que se falar em desistência de ação executiva; quando muito a fiscalização poderia ter exigido a apresentação da sentença que transitou em julgado reconhecendo o direito creditório, bem como o inteiro teor do respectivo processo, nos termos do caput do art. 17, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 21 de 1997. Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-010.230 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10640.001885/2002-52 Recurso Especial da Fazenda Nacional Cientificada do nº Acórdão nº 3201-000.972, de 26/04/2012, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência (fls. 90/93), apontando o dissenso jurisprudencial que visa a rediscutir o entendimento firmado pelos julgadores quanto “à possibilidade de se conceder, na via administrativa, direitos não concedidos em ação judicial”. Defende que tendo em vista o dissídio jurisprudencial apontado, requer que seja admitido o Recurso Especial e, no mérito, seja-lhe dado provimento, para reformar o acórdão recorrido. Defende que na hipótese de existir coisa julgada material, não cabe a ninguém, seja contribuinte, autoridade administrativa ou legislador, contrariá-la, sob pena de ofensa a dispositivo constitucional (art. 5º, XXXVI). Para comprovação da divergência, apresentou, a título de paradigmas os Acórdãos nºs Acórdãos nº. 203-13.554, de 05/11/2008, e nº. 204-03.266, de 04/06/2008 No cotejo do 1º acórdão paradigma indicado com o recorrido, tem-se que, nos termos do inciso II do §12 do art. 67 do RICARF, o Acórdão indicado não serve como paradigma, em virtude de, desde a data do julgado administrativo, haver, acerca da matéria, decisão judicial transitada em julgado (ocorrido em 05/04/2010), proferida nos termos do art. 543-C do antigo CPC ( REsp 1.114.404/MG – STJ). Quanto ao 2º paradigma indicado, restou consignado que não se presta como tal, vez que a decisão do Colegiado a quo foi reformada pela CSRF, por meio do Acórdão nº. 9303- 002.226, de 04/12/2003, oportunidade em que foi provido o recurso especial da contribuinte. Com estas considerações, o Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de julgamento/CARF, então, com base no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de fls. 96/100, negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Agravo Cientificada do Despacho que negou seguimento ao Recurso Especial, a Fazenda Nacional interpôs Agravo (fls. 102/104). contra o Despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, requerendo o conhecimento e o provimento do Agravo para que seja dado seguimento ao Recurso Especial. Alega que há que se observar a redação do art. 67, §15 do RICARF, uma vez que o Recurso Especial foi interposto em 25/01/2013. Portanto, o Acórdão nº 204-03.266 serve como paradigma, vez que sua reforma aconteceu somente em 14/03/2013 pelo Acórdão nº 9303- 002.226. Aduz também que no Despacho o Presidente da 2ª Câmara também não aceitou o Acórdão nº 203-13.554 como paradigma, em virtude do art. 67, §12, II do RICARF. Acontece que o litígio em questão gravita em torno da possibilidade de se conceder em via administrativa direitos não concedidos em ação judicial. Da análise das razões do Agravo, concluiu-se que a interpretação assentada no acórdão recorrido não foi submetida ao crivo dos repetitivos e, como tal, poderia ser enfrentada pelo recurso especial de divergência, desde que, evidentemente, demonstrado o cumprimento dos pressupostos materiais para seu prosseguimento. Pelas razões contidas no Despacho em Agavo de fls. 106/108, o Presidente da CSRF/CARF, decidiu que o agravo deve ser ACOLHIDO PARCIALMENTE, determinado o RETORNO dos autos à 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento para exteriorização do juízo de Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-010.230 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10640.001885/2002-52 admissibilidade do Recurso Especial acerca do “mérito da divergência prevalência da coisa julgada material que proibira a compensação". Recurso Especial da Fazenda Nacional (novo exame) O feito foi objeto de Agravo de fls. 102/104. O Presidente da CSRF houve por bem em afastar os óbices vislumbrados pelo Presidente da 2ª Câmara e determinou a devolução dos autos à 2ª Câmara da 3ª Sejul para exteriorização do juízo de admissibilidade do Recurso Especial acerca do mérito da divergência jurisprudencial quanto à “prevalência da determinação judicial mesmo quando houver restrição de direito, em virtude da supremacia da coisa julgada”. Os acórdãos indicados como paradigmas são os de n° 203-13.554 e 204-03.266. Como pode ser observado nos autos, a decisão recorrida permitiu a compensação de FINSOCIAL com COFINS, mesmo diante da improcedência desse pedido na esfera judicial. De outro lado, os acórdãos indicados como paradigma, a contrario sensu, defenderam que as decisões proferidas pelo Poder Judiciário têm prevalência sobre as proferidas pelas autoridades administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais nos exatos termos em que foram proferidas. Como se vê, restou bem caracterizado o dissídio jurisprudencial. Com estas considerações e das razões expostas no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de fls. 109/111, o Presidente da 3ª Seção de julgamento/CARF, deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões do Contribuinte Cientificada do Acórdão nº 3201-000.972, de 26/04/2012, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de sua análise de admissibilidade, o Contribuinte NÃO apresentou suas contrarrazões (não localizada nos autos). O processo, então, foi sorteado para este Conselheiro para dar prosseguimento à análise do Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator. Conhecimento O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme consta do Despacho do Presidente da 3ª Seção de julgamento/CARF (fls. 109/111), com os quais concordo e cujos fundamentos adoto neste voto. Cabe aqui esclarecer que, diferente da primeira análise elaborada no Recurso Especial (como bem pontuado no Despacho em Agravo), o primeiro paradigma, Acórdão nº 204- 03.266, ainda não havia sido modificado pela CSRF na data da interposição do recurso. Ademais, a matéria recorrida (prevalência da coisa julgada material que proibiria a compensação), cuja divergência seria igualmente comprovada com base no segundo paradigma, Acórdão nº 203-13.554, não teria sido pacificada pelo REsp nº 1.114.404/MG, julgado de acordo com rito do art. 543-C do CPC, então vigente. Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-010.230 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10640.001885/2002-52 Portanto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Mérito Para análise do mérito, se faz necessária a delimitação do litígio. No mérito, cinge-se a controvérsia quanto à “prevalência da determinação judicial mesmo quando houver restrição de direito, em virtude da supremacia da coisa julgada”. O contribuinte ajuizou Ação ordinária, distribuída sob o n" 94.0102278-0, perante a Vara Federal de Juiz de Fora da Seção Judiciária de MG, obtendo o direito de repetir as parcelas indevidamente pagas ao FINSOCIAL. No entanto, no acórdão recorrido, o Colegiado decidiu entender cabível ao contribuinte efetuar a compensação de FINSOCIAL com COFINS, independente de o contribuinte, na esfera judicial, ter apenas reconhecido o direito ao crédito, tendo sido expressamente julgado improcedente o pedido de compensação, conforme se vê do dispositivo da sentença, à fl. 31, proferida em 22/07/1997: Como se vê, a manifestação judicial na qual se funda o direito creditório não autorizou a sua compensação, mas tão somente o direito de repetir o indébito. A Fazenda Nacional, suscitou divergência quanto à possibilidade de se conceder, na via administrativa, direitos não concedidos em ação judicial. No Recurso Especial defende que na hipótese de existir coisa julgada material, não cabe a ninguém, seja contribuinte, autoridade administrativa ou legislador, contrariá-la, sob pena de ofensa a dispositivo constitucional (art. 5º, XXXVI). Portanto, o litígio em questão gravita em torno da possibilidade de se conceder, em via administrativa, direitos não concedidos em Ação judicial. Verifica-se na referida Ação judicial o Contribuinte buscou o direito de repetir, e não o querendo compensar o excesso recolhido ao FINSOCIAL, como consta de sua Petição de fl. 23, sendo que obteve somente o direito de repetir o indébito, julgado indeferido o pedido de compensação (sentença de fl. 31). Há que ser observado que o Acórdão recorrido assentou que “o Contribuinte traz em sua peça recursal precedente do Superior Tribunal de Justiça julgado sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543-C do Código de Processo Civil), segundo o qual a opção pela compensação é do credor do indébito. É o que se depreende da ementa do Recurso Especial nº 1.114.404/MG, abaixo transcrita: (...). Importante ressaltar que essa decisão motivou a edição da Súmula 461 do STJ com igual teor, a saber: “O contribuinte pode optar por receber, por Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-010.230 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10640.001885/2002-52 meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado”. (Grifei) Com base no fundamento acima e amparado pelo art. 62-A do Anexo II do RICARF, entendeu o Colegiado que o direito à compensação da Recorrente surgiu no momento que foi proferida decisão judicial reconhecendo o crédito de FINSOCIAL. No meu sentir, o Acórdão recorrido relativizou a sentença transitada em julgado que vedou expressamente a compensação pleiteada, conforme é possível extrair do presente excerto do julgado recorrido (fl. 86): “O cerne da disputa consiste em saber se a Recorrente atendeu aos requisitos para a compensação visto que, segundo a instância a quo, a manifestação judicial na qual se funda o direito creditório não autorizou a sua compensação, mas tão-somente o direito de repetir o indébito (...)”. (Grifei) Entendo não aplicável ao caso a decisão do STJ (Recurso Especial nº 1.114.404/MG), pois, nessa decisão, ressalte-se, o Superior Tribunal de Justiça, apesar de autorizar a opção do contribuinte entre compensação e repetição, nada falou acerca das hipóteses em que o julgado vedara a opção. No mesmo sentido, entendo inaplicável ao caso a Súmula CARF n° 152, abaixo reproduzida, porque ela trata apenas de casos em que se alarga o espectro da compensação que já havia sido deferida por sentença judicial: Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, observada a legislação vigente por ocasião de sua realização. Como reforço, reproduzo abaixo trecho, item ‘3’ do relatório do citado REsp 1.114.404/MG, que expõe o conteúdo da decisão reformada pelo STJ e, consequentemente, expõe a matéria fática enfrentada naquele julgamento pacificado em "repetitivo": “(...) 3- Transitada em julgado a sentença que pôs fim ao processo de conhecimento com a declaração do direito de repetição do indébito mediante compensação, descabe, na fase da sua execução, alterar o objeto demandado para transmutá-lo em devolução do indébito por precatório, pretensão só dedutível em ação própria com natureza diversa (condenatória). (Grifei) Nesse contexto, ouso discordar da decisão recorrida, uma vez que pode-se concluir que a interpretação assentada no Acórdão recorrido não foi submetida ao crivo dos “repetitivos”, uma vez que no caso específico, restou expressamente vedado na sentença a compensação. Pois bem. Sabemos todos que o faz coisa julgada, em seus limites objetivos, é parte dispositiva da sentença, consoante dispõe nosso Digesto Processual. Nesse contexto, entendo que, primeiramente se faz necessário verificar o que dispõe os artigos 502 e 503, do CPC/2015, sobre o cumprimento de decisão Judicial: Art. 502. Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. (Grifei) Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-010.230 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10640.001885/2002-52 Como é cediço, em se tratando de Pedido de Restituição de tributos lastreado em título judicial, seus contornos são dados pelo que venha a ser decido no âmbito do Judiciário, cabendo à Administração Tributária simplesmente aplica-lo, sem mais, sem menos. Nesse caminho, trilha as seguintes Súmulas: Súmula nº 5 - 3º Conselho de Contribuintes: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. É importante ressaltar que o Contribuinte obteve o direito (pedido) ao crédito de FINSOCIAL que foi reconhecido judicialmente no âmbito do processo nº 94.0102278-0, tramitado na Seção Judiciária de Juiz de Fora/MG. Já o Pedido de Compensação, como transcrito acima, foi expressamente desautorizada pela decisão proferida no processo judicial. Assim, quando o Contribuinte faz a opção por executar seu título judicial na via administrativa, por certo que descabe nela querer rediscutir o alcance daquele título que transitou em julgado, mormente quando sua parte dispositiva, acima reproduzida, é assaz indiscutível. A Administração Tributária apenas aplica o decidido, faltando-lhe competência para reler, reinterpretar o que foi definitivamente decido na via judicial. Como bem asseverado pela Fazenda Nacional, é justamente esta a questão tratada nos presentes autos, na medida em que a decisão judicial proferida nos autos da Ação Ordinária nº 94.0102278-0, não ampara a pretensão da recorrida de compensar o crédito de FINSOCIAL, vez que foi decidido expressamente improcedente esse pedido. Portanto, havendo coisa julgada material neste sentido, não cabe a ninguém, seja contribuinte, autoridade administrativa ou legislador, contrariá-la, sob pena de ofensa a dispositivo constitucional. Veja-se o que dispõe o art. 5º, XXXVI: “XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. Interpretando o referido dispositivo constitucional impõe-se a conclusão no sentido de que, quando o Poder Judiciário decide uma questão em definitivo, nem a lei pode afetar o que foi decidido, quanto mais uma decisão proferida por um Tribunal Administrativo. Ou seja, a sentença judicial faz lei entre as partes não podendo a autoridade administrativa deixar de cumpri-la ou alterar o seu mandamento sobre qualquer argumento. Deve-se respeitar a coisa julgada, conforme proteção dada pela Constituição Federal. Concluindo, como bem assentou a Fazenda Nacional, se houver coisa julgada material neste sentido, não cabe a ninguém, seja o Contribuinte, a autoridade administrativa ou legislador, contrariá-la, sob pena de ofensa ao dispositivo constitucional. Posto isto, entendo que a decisão administrativa recorrida que desborda dos limites da coisa julgada, incorre em inexatidão material, pois passar a atuar como se jurisdição Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-010.230 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10640.001885/2002-52 fosse, em sentido estrito, o que a inquina de vício material, a ensejar, mesmo de ofício, sua correção. Conclusão Desta forma, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, para, no mérito, dar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15563.720236/2017-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
LANÇAMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL
O arbitramento do lucro é uma medida extrema e excepcional, só aplicável quando não há possibilidade de se apurar o imposto por outro regime de tributação. Assim, quando estão presentes nos autos, desde a auditoria fiscal, documentos que permitam apurar o imposto pelos regimes tradicionais mostra-se incorreta a utilização do arbitramento do lucro, devendo ser considerado para o lançamento efetuado o regime de tributação adotado pelo contribuinte, no caso, o Lucro Real.
ERRO DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE CORREÇÃO EM INSTÂNCIA RECURSAL.
Como não é possível corrigir em sede de Recurso Voluntário e de Ofício a forma da tributação escolhida pelo Auditor Fiscal para lavrar o Auto de Infração, de lucro arbitrado para lucro real (erro de direito), sob pena de se incorrer em ofensa ao artigo 146 e inciso IV do artigo 149, ambos do CTN, deve ser cancelado o Auto de Infração.
Numero da decisão: 1402-004.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Luciano Bernart, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 LANÇAMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL O arbitramento do lucro é uma medida extrema e excepcional, só aplicável quando não há possibilidade de se apurar o imposto por outro regime de tributação. Assim, quando estão presentes nos autos, desde a auditoria fiscal, documentos que permitam apurar o imposto pelos regimes tradicionais mostrase incorreta a utilização do arbitramento do lucro, devendo ser considerado para o lançamento efetuado o regime de tributação adotado pelo contribuinte, no caso, o Lucro Real. ERRO DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE CORREÇÃO EM INSTÂNCIA RECURSAL. Como não é possível corrigir em sede de Recurso Voluntário e de Ofício a forma da tributação escolhida pelo Auditor Fiscal para lavrar o Auto de Infração, de lucro arbitrado para lucro real (erro de direito), sob pena de se incorrer em ofensa ao artigo 146 e inciso IV do artigo 149, ambos do CTN, deve ser cancelado o Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 36 /2 01 7- 14 Fl. 6605DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.606 2 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Luciano Bernart, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 6606DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.607 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão que julgou improcedente a impugnação da Recorrente e de seus coobrigados responsáveis solidários, conforme muito bem explanado no relatório do v. acórdão recorrido. Antes de colacionar o relatório do v. acórdão recorrido, apresentarei um resumo. Tratase de auto de infração que glosou despesas e custos redutores do lucro real e da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS/COFINS, que segundo a fiscalização foram geradas por meio de compras simuladas de mercadorias e matériaprima com empresas consideradas noteiras. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls 4578/4635) e os Autos de Infração, a Recorrente, que tem por objeto social o comércio de ferro, aço, plástico, produtos metalúrgicos etc, simulava comprar mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras (GRANMETAL, POLIMETAL e METAIS BANDEIRANTES), as chamadas "noteiras", que, inexistindo de fato, proporcionavam a geração fictícia de custos e despesas redutores do lucro real e da base de cálculo das contribuições nãocumulativas. Também a Recorrente atuava no mesmo grupo econômico de outras empresas (SPARTACO, IPANEMA, VENEZA, ATURIA, VISCONTE, entre outras), para, ao final, beneficiar pessoas físicas e jurídicas da família RIPANI, conforme procura demonstrar a Fiscalização. Assim, entendeu o Auditor Fiscal que ocorreu simulação absoluta subjetiva (utilização de interpostas pessoas inexistentes de fato) e objetiva (registro de operações comerciais fictícias) e de fraude fiscal (pois a simulação gerou custos e despesas que foram utilizados para reduzir indevidamente o lucro real e as bases de cálculos da Cofins e do PIS/Pasep nãocumulativos), acrescida da falta de colaboração dos interessados em esclarecer a origem dos recebimentos, quando claramente poderiam fazêlo, tudo isso revela a existência de um grupo de pessoas conluiadas em ilaquear o Fisco, a fim de se locupletarem dos tributos sonegados pelas pessoas físicas ou jurídicas autuadas como contribuinte ou responsáveis. Fl. 6607DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.608 4 Segundo a fiscalização, devido ao tipo de infração constatada e os custos e despesas glosados comprometerem a avaliação do lucro tributável, precisou arbitrar o lucro nos termo do artigo 530, inciso II e o artigo 532, ambos do RIR/99. A receita tributável para o arbitramento foi encontrada pela fiscalização através das notas fiscais emitidas e recebidas pela Recorrente no ano de 2013, extraídas do sistema SPED. A Fiscalização encontrou a receita a ser arbitrada por meio da soma do valores das Notas Fiscais de Vendas (Demonstrativo de Notas Fiscais de Vendas), subtraindo o valor das notas fiscais de vendas devolvidas (Demonstrativo de Notas Fiscais de Devolução). A partir dos demonstrativos mencionados, foi composta a receita ajustada em conformidade com o quadro indicado na fl. 43 do TVF. Em seguida, após ter encontrado a receita, aplicou o coeficiente sobre a base de cálculo encontrada nos termos dos artigos 224, 518, 519, 532 e 537 do RIR/99 e os artigos 15, caput, 16, 20 e 24, caput e § 2º, da Lei nº. 9.249/95 c/c os artigos 27, I, 28 e 29, I, da Lei nº. 9.430/96. (ou seja 9,6% para o IRPJ e 12% para a CSLL). Também foi tributada pelo PIS e COFINS sobre a receita encontrada pela fiscalização. Ou seja, para o cálculo dos valores devidos do PIS e de COFINS, aplicamse as respectivas alíquotas cumulativas de 0,65% e 3% sobre as receitas mensais encontradas, nos Fl. 6608DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.609 5 termos do art. 24, § 2º, da Lei nº. 9.249/95, posto que, em razão do arbitramento do lucro, afastouse o regime da nãocumulatividade. Ademais, foi imposta responsabilidade solidárias para as pessoas físicas e jurídicas abaixo indicadas, com fundamento nos artigos 121, 124 e 135, caput, II e III, do Código Tributário Nacional (CTN), as seguintes pessoas físicas e jurídicas, multa qualificada e multa agravada de 225%. A responsabilidade do Sr. Carlos Roberto dos Santos foi imputada nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, por ser sócioadministrador da Recorrente. A responsabilidade do restante das pessoas físicas e jurídicas foi imputada nos termos do artigo 124, inciso I do CTN devido a constatação da fiscalização de grupo econômico e confusão patrimonial, com existência de sócios em comum nas empresas indicadas. CARLOS ROBERTO DOS SANTOS 645.695.60806 ARIOVALDO RIPANI 486.273.56815 RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI 255.747.81808 WALDEMAR RIPANI JUNIOR 164.233.75879 ELIZABETH RIPANI 072.127.00851 MAURO RIPANI 053.733.02830 IPANEMA COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA EIRELI 61.087.482/000153 SPARTACO INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA 07.192.303/000100 VENEZA EMPREENDIMENTOS PARTICIPACOES E ADMINISTRACAO DE BENS LTDA 55.373.542/000100 ATURIA INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA EPP 11.127.868/000173 VISCONTE INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS EIRELI EPP 14.683.819/000105 Das pessoas jurídicas e físicas acima indicadas, além da Recorrente, foram consideraras tempestivas apenas as impugnações do Carlos Roberto, Veneza Empreendimentos, Waldemar Ripani Júnior, Elizabeth Ripani e Mauro Ripani. A empresa Ipanema não apresentou impugnação e as demais, o Sr. Ariovaldo, o Sr. Rapahel, a Spartaco, a Aturia e a Visconte foram consideradas intempestivas. De resto, adoto o relatório do v. acórdão para melhor explicar os fatos. Tratase de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ (fls 4754/4773), da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL (fls 4774/4793), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls 4807/4820), Fl. 6609DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.610 6 da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls 4794/4806), com fatos geradores ocorridos no ano 2013, levantados sob o regime do lucro arbitrado e perfazendo o crédito tributário no montante de R$ 97.113.532,61, já computados os juros moratórios e a multa de ofício qualificada e agravada (225%). Foram notificados como responsáveis solidários pelo crédito tributário, com fundamento nos artigos 121, 124 e 135, caput, II e III, do Código Tributário Nacional (CTN), as seguintes pessoas físicas ou jurídicas: [...] De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls 4578/4635) e os Autos de Infração, o contribuinte, que tem por objeto social o comércio de ferro, aço, plástico, produtos metalúrgicos etc, simulava comprar mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras (GRANMETAL, POLIMETAL e METAIS BANDEIRANTES), as chamadas "noteiras", que, inexistindo de fato, proporcionavam a geração fictícia de custos e despesas redutores do lucro real e da base de cálculo das contribuições nãocumulativas; atuava no mesmo grupo econômico de outras empresas (SPARTACO, IPANEMA, VENEZA, ATURIA, VISCONTE, entre outras), para, ao final, beneficiar pessoas físicas e jurídicas da família RIPANI, conforme procura demonstrar a Fiscalização. FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO Da constituição, domicílio e administração da sociedade A sociedade foi constituída em 29.01.2003, sob a forma de sociedade limitada, com o objeto social "comércio de metais ferrosos e não ferrosos em geral; importação e exportação de metais, produtos de forjarias, fundição, sucatas, fios e plásticos em geral". O contrato social consolidado em 05.03.2003 declara sua sede na Rua Teodoro de Beaurepaire, n° 34, Vila Dom Pedro I, São Paulo (SP), com filial na Rua Felix Busso Asseburg, n° 20, sala 39, Centro, Itajaí (SC), e registra como sócios VALDIR RIBEIRO SARMENTO, CPF 943.103.94868, e CARLOS ROBERTO DOS SANTOS, CPF 645.695.60806, este com poderes exclusivos para administrar a sociedade. Conforme Alteração Contratual registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 15.09.2014, a fiscalizada transferiu sua sede do Estado de São Paulo para o atual endereço, na Estrada da Guarita, n° 219, São Benedito, Nova Iguaçu (RJ). Do início da fiscalização A fiscalização principiou no referido endereço em 21.12.2015, não tendo sido, porém, localizada a empresa no endereço cadastral informado à Receita Federal do Brasil (RFB). Frustrada a entrega do Termo de Início de Fiscalização, o seguimento da ação fiscal foi efetuado através de Edital, tendo sido a fiscalizada e seu sócioadministrador intimado em Fl. 6610DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.611 7 05.01.2016 a prestar esclarecimentos e a apresentar livros e documentos. Além disso, foram notificados do termo de início pela via postal o sócioadministrador e os estabelecimentos filiais. Da inaptidão da inscrição no CNPJ Não tendo sido localizada no endereço informado no CNPJ, foi declarada a inaptidão da sua inscrição no CNPJ, conforme Ato Declaratório Executivo n° 66/2016, publicado no DOU em 19.07.2016, resultado do processo administrativo 15563.720079/201668. Das Informações Relativas às Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) Em 05.01.2016, 20.04.2016, 30.06.2016, 08.09.2016, 21.11.2016, 05.04.2017, 17.06.2017, 31.07.2017 e 27.09.2017, a fiscalizada e seu sócioadministrador foram novamente intimados a apresentar os mesmos elementos solicitados anteriormente, deixando, contudo, de fazêlo. A Fiscalização obteve junto ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) arquivos digitais relativos às Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) emitidas e destinadas à fiscalizada no ano de 2013. A partir do exame das informações contidas nas NFe destinadas à fiscalizada, identificaramse os três maiores fornecedores, por volume de vendas, correspondentes a 86,52% do volume total, os quais se encontram no quadro abaixo: CNPJ (8 dígitos) NOME Valor dos Itens Menos Desconto NFe (R$) 16.501.435/000150 POLIMETAL COMERCIO DE METAIS LTDA 285.662.434,98 15.520.289/000147 GRANDMETAL COMERCIO DE METAIS E RESINAS LTDA. 131.073.957,22 17.057.814/000165 METAIS BANDEIRANTES COMERCIO EM GERAL LTDA 108.907.500,36 Diligências foram iniciadas em relação a essas empresas, inicialmente por via postal; mas, sem qualquer resposta dos diligenciados, a autoridade fiscal se dirigiu ao domicílio de cada qual, onde deveriam funcionar as empresas, tendo sido constatado, porém, que nenhuma delas se encontrava estabelecida no endereço informado à RFB, conforme Termo de Constatação lavrado. A fim de investigar a regularidade das operações das diligenciadas, bem assim o cumprimento de suas obrigações junto ao Fisco, foram efetuadas pesquisas nos sistemas disponíveis à RFB, cujas considerações encontramse relatadas abaixo: Fl. 6611DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.612 8 POLIMETAL COMÉRCIO DE METAIS LTDA CNPJ Segundo consta do cadastrado a pessoa jurídica foi aberta em 17/07/2012 (07/2012), na forma de Sociedade Empresária Limitada, tendo como atividade econômica na data da consulta o CNAE 4687703 (Comércio atacadista de resíduos e sucatas metálicos). A última composição societária disponível aponta como sócios MANOEL DE SOUZA (sócio administrador), CPF 858.900.00527, e ARNALDO LUIS GOMES DA SILVA, CPF 170.009.15811. A inscrição no CNPJ está ATIVA. O sócioadministrador Manoel de Souza foi intimado a prestar esclarecimentos, mas não se manifestou. O sócio Arnaldo Luis Gomes da Silva não foi localizado no endereço constante do CPF. DIMOF Apesar de ter emitido notas fiscais eletrônicas relativas a operações de venda em valores expressivos (em 2013, no total de R$ 288.552.732,59), a empresa não possui registro de movimentação financeira, conforme consulta na base de dados da RFB alimentada por DIMOF. DIPJ e DCTF A empresa está omissa em relação à entrega de declarações à Receita Federal, notadamente a DIPJ e a DCTF, desde sua constituição. SPED Contábil Não há registro no Sistema Público de Escrituração Digital SPED de entrega da escrituração contábil. SINAL Não há registro de arrecadação tributária nos sistemas de controle da RFB, desde a constituição da empresa. CCORGFIP A empresa nunca apresentou GFIP (consulta até a competência maio/2017). DIRPF Não há registro de DIRPF entregue pelo sócio administrador MANOEL DE SOUZA, CPF 858.900.00527, o que é indício de que o mesmo possui perfil econômicofiscal incompatível com o porte da empresa, que movimenta milhões de reais em mercadorias vendidas, conforme dados constantes de NFe. Em relação ao sócioadministrador ARNALDO LUIS GOMES DA SILVA, CPF 17 0.009.15811, conforme informações declaradas em DIRPF, seu perfil econômicofiscal também é incompatível com o porte da empresa, visto que informou como Bens e Direitos apenas o valor de R$ 5.000,00, relativo ao "CAPITAL DA SUA FIRMA INDIVIDUAL: ARNALDO LUIS GOMES DA SILVA FRANCA ME CNPJ/MF: 0 0.23 3.115/00 0126". CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) Em relação ao sócio ARNALDO LUIS GOMES DA SILVA, há informação de vínculo empregatício, como empregado, com remuneração Fl. 6612DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.613 9 inferior a R$ 2.000,00, corroborando o perfil econômicofiscal incompatível com o porte da empresa. Inscrição Estadual e SINTEGRA De acordo com consulta à Inscrição Estadual, a empresa está com sua situação cadastral enquadrada como "IMPEDIDO", estando sua inscrição estadual (n° 79.713.929) desativada de ofício desde 30/07/2012. Outrossim, em consulta ao Sintegra, constatouse que seu cadastro está na situação "NÃO HABILITADO", desde de 30/07/2012, data também da concessão da inscrição, o que indica que a empresa nunca esteve apta a comercializar produtos ou realizar operações com incidência de ICMS no estado do Rio de Janeiro. INTERNET Em pesquisa ao Google, não encontramos site da empresa. BAIXA DA INSCRIÇÃO NO CNPJ As informações colhidas levam à conclusão de que a empresa diligenciada nunca operou desenvolvendo as atividades econômicas descritas no CNPJ, tendo sido constituída tão somente para funcionar como "noteira", emitindo documentos fiscais representativos de operações fictícias, sendo, portanto, inexistente de fato desde sua inscrição no cadastro. Em vista disso, foi providenciada, através do processo administrativo n° 15563.720117/201761, a baixa da inscrição dessa pessoa jurídica no CNPJ, conforme Instrução Normativa RFB n° 1.634, de 06 de maio de 2016, tornandose inidôneos os documentos emitidos, na forma do art. 47, §3°, IV, da mesma IN, desde sua abertura, ou seja, 17.07.2012. GRANDMETAL COMERCIO DE METAIS E RESINAS LTDA CNPJ Segundo consta do cadastrado, a pessoa jurídica foi aberta em 17/04/2012 (05/2012), na forma de Sociedade Empresária Limitada, tendo como atividade econômica na data da consulta o CNAE 24 4 9199 (Metalurgia de outros metais nãoferrosos e suas ligas não especificados anteriormente). A última composição societária disponível aponta como sócios ANTONIO DOS SANTOS MIRANDA (sócioadministrador), CPF 418.738.66704, e HELMUT KOTSCHY, CPF 031.648.537 34. A inscrição no CNPJ foi declarada INAPTA, na data de 28/08/2015. Ao ser intimado a prestar esclarecimentos, o Sr. Helmut Kotschy informou 'que não tem condições de esclarecer os itens elencados no Termo de Intimação..., uma vez que além de não conhecer, nem tampouco participar das sociedades GRANDMETAL COMÉRCIO DE METAIS E RESINAS LTDA, e CARMAX COMERCIAL LTDA,... há muito vem sendo vítima de profissionais inescrupulosos que vêm se utilizando da sua documentação pessoal para a prática de crimes desta natureza'. A fim de fazer prova do alegado, juntou Registro de Ocorrência Policial e Termo de Declaração prestada à autoridade policial. Ao ser intimado a prestar esclarecimentos, o Sr. Antonio dos Santos Miranda informou que "por meio de fraude a empresa Fl. 6613DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.614 10 GRANDMETAL COMÉRCIO DE METAIS E RESINAS LTDA foi constituída com meu nome e CPF, por pessoas desconhecidas, que no dia 20.03.2013 tomei conhecimento da fraude, e na mesma data apresentei uma NOTÍCIA CRIME NA 52 a DP,.. . e os Peritos constataram que o documento original na JUCERJA, onde contém a assinatura São Falsas... de posse do LAUDO DE EXAME GRAFOTÉCNICO dei ciência à JUCERJA...". A fim de fazer prova do alegado, juntou Laudo de Exame Grafotécnico, Requerimento na JUCERJA, Notícia Crime e Ato Declaratório Executivo. DIMOF Apesar de ter emitido notas fiscais eletrônicas relativas a operações de venda em valores expressivos (em 2013, no total de R$ 132.661.411,81), a empresa não possui registro de movimentação financeira, conforme consulta na base de dados da RFB alimentada por DIMOF. DIPJ e DCTF A empresa está omissa em relação à entrega de declarações à Receita Federal, notadamente a DIPJ e a DCTF, desde sua constituição. SPED Contábil Não há registro no Sistema Público de Escrituração Digital SPED de entrega da escrituração contábil. SINAL. Não há registro de arrecadação tributária nos sistemas de controle da RFB, desde a constituição a empresa. CCORGFIP A empresa nunca apresentou GFIP (consulta até a competência maio/2017). Inscrição Estadual e SINTEGRA De acordo com consulta à Inscrição Estadual, a empresa está com sua situação cadastral enquadrada como "IMPEDIDO", estando sua inscrição estadual (n° 79.728.160) desativada de ofício desde 15/08/2012. Também, em consulta ao Sintegra, constatouse que seu cadastro está na situação "NÃO HABILITADO", desde de 15/08/2012, data também da concessão da inscrição, o que indica que a empresa nunca esteve apta a comercializar produtos ou realizar operações com incidência de ICMS no Estado do Rio de Janeiro. INTERNET Em pesquisa ao Google, não encontramos site da empresa. INAPTIDÃO DA INSCRIÇÃO NO CNPJ No curso de procedimento fiscal anterior, declarouse inapta a sua inscrição no CNPJ, por não ter sido localizada no endereço informado à RFB, conforme providências constantes do processo administrativo 18470.721877/201551. No processo administrativo 10872.720298/201638, foram tornados inidôneas, para todos os efeitos tributários, as notas fiscais emitidas pela diligenciada durante os anoscalendários de 2012 e 2013, conforme Ato Declaratório Executivo n° 33, de 09/09/2016. BAIXA DA INSCRIÇÃO NO CNPJ As informações colhidas levam à conclusão de que a empresa diligenciada nunca operou desenvolvendo as atividades econômicas descritas no CNPJ, Fl. 6614DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.615 11 tendo sido constituída tão somente para funcionar como "noteira", emitindo documentos fiscais representativos de operações fictícias, sendo, portanto, inexistente de fato desde sua inscrição no cadastro. Em vista disso, foi providenciada, através do processo administrativo n° 15563.720115/201772, a baixa da inscrição dessa pessoa jurídica no CNPJ, conforme Instrução Normativa RFB n° 1.634, de 06 de maio de 2016, tornandose tornando inidôneos os documentos emitidos, na forma do art. 47, §3°, IV, da mesma IN, desde sua abertura, ou seja, 17/04/2012. METAIS BANDEIRANTES COMÉRCIO EM GERAL LTDA CNPJ Segundo consta do cadastrado a pessoa jurídica foi aberta em 10/10/2012 (10/2012), na forma de Sociedade Empresária Limitada, tendo como atividade econômica na data da consulta o CNAE 24 4 9199 (Metalurgia de outros metais nãoferrosos e suas ligas não especificados anteriormente). A última composição societária disponível aponta como sócios EVERALDO DE OLIVEIRA (sócioadministrador), CPF 151.411.46820, e ANA MARGARITA PUJOL ROCHA, CPF 831.168.26749 (sócioadministradora). A inscrição no CNPJ está ATIVA. O sócio Everaldo de Oliveira, apesar de intimado, não se manifestou. A Sra. ANA MARGARITA PUJOL ROCHA prestou declarações dizendo, dentre outras afirmações, não ser sócia da empresa, que seus documentos foram furtados em 1995, que não conhece a empresa CARMAX COMERCIAL LTDA, COMERCIO EM GERAL LTDA, nem seus sócios. A fim de fazer prova do alegado, juntou Registro de Ocorrência Policial. DIMOF Apesar de ter emitido notas fiscais eletrônicas relativas a operações de venda em valores expressivos (em 2013, no total de R$ 109.773.891,77), a empresa não possui registro de movimentação financeira, conforme consulta na base de dados da RFB alimentada por DIMOF. DIPJ e DCTF A empresa está omissa em relação à entrega de declarações à Receita Federal, notadamente a DIPJ e a DCTF, desde sua constituição. SPED Contábil Não há registro no Sistema Público de Escrituração Digital SPED de entrega da escrituração contábil. SINAL Não há registro de arrecadação tributária nos sistemas de controle da RFB, desde a constituição a empresa. CCORGFIP A empresa nunca apresentou GFIP (consulta até a competência maio/2017). DIRPF Não há registro de DIRPF entregue pelo sócio administrador EVERALDO DE OLIVEIRA, CPF 151. 411.468 20, o que é indício de que o mesmo possui perfil econômico Fl. 6615DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.616 12 fiscal incompatível com o porte da empresa, que movimenta milhões de reais em mercadorias vendidas, conforme dados constantes de NFe. CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) Em relação ao sócio EVERALDO DE OLIVEIRA, há informação de vínculo empregatício, como empregado, até 22/06/2012, com remuneração inferior a R$ 1.000,00, corroborando o perfil econômicofiscal incompatível com o porte da empresa. Inscrição Estadual e SINTEGRA De acordo com consulta à Inscrição Estadual, a empresa está com sua situação cadastral enquadrada como "IMPEDIDO", estando sua inscrição estadual (n° 79.797.286) desativada de ofício desde 12/11/2012. Outrossim, em consulta ao Sintegra, constatouse que seu cadastro está na situação "NÃO HABILITADO", desde de 12/11/2012, data também da concessão da inscrição, o que indica que a empresa nunca esteve apta a comercializar produtos ou realizar operações com incidência de ICMS no estado do Rio de Janeiro. INTERNET Em pesquisa ao Google, não encontramos site da empresa. BAIXA DA INSCRIÇÃO NO CNPJ As informações colhidas levam à conclusão de que a empresa diligenciada nunca operou desenvolvendo as atividades econômicas descritas no CNPJ, tendo sido constituída tão somente para funcionar como "noteira", emitindo documentos fiscais representativos de operações fictícias, sendo, portanto, inexistente de fato desde sua inscrição no cadastro. Em vista disso, foi providenciada, através do processo administrativo n° 15563.720116/201717, a baixa da inscrição dessa pessoa jurídica no CNPJ, conforme Instrução Normativa RFB n° 1.634, de 06 de maio de 2016, tornandose tornando inidôneos os documentos emitidos, na forma do art. 47, §3°, IV, da mesma IN, desde sua abertura, ou seja, 10/10/2012. Da contabilização de compras fictícias A Fiscalização verificou que as compras efetuadas junto aos fornecedores da fiscalizada foram contabilizadas a débito da conta de resultado "4.1.1.01.0001 COMPRA DE MATERIAIS DE REVENDA", tendo como contrapartida a conta do passivo "2.1.1.01.0001 FORNECEDORES DIVERSOS", no total de R$ 635.689.263,75, sendo que R$ 525.436.311,36 constituem compras junto às referidas empresas, representando 82,6561%. Por sua vez, do total de lançamentos a débito da conta "2.1.1.01.0001 FORNECEDORES DIVERSOS", no importe de R$ 269.031.383,45, apenas R$ 2.000.000,00 referemse a pagamentos efetuados à GRANDMETAL, R$ 1.300.000,00 à METAIS BANDEIRANTES e nenhum valor à POLIMETAL. Com base nessa disparidade, a autoridade fiscal concluiu que não ter havido pagamento, o que corrobora o entendimento de que houve o registro de operações meramente fictícias. Fl. 6616DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.617 13 Em vista disso, a autoridade fiscal assevera ter havido simulação de compras de mercadorias e/ou insumos de pseudofornecedores que não possuíam existência de fato, as chamadas empresas "noteiras", emissoras de notas fiscais representativas de operações simuladas, para reduzir ou suprimir impostos e contribuições de forma artificiosa, inflando custos e utilizando créditos fictícios para desconto/compensação de impostos/contribuições nãocumulativos. Observa, também, que o mesmo procedimento fraudulento já havia sido identificado em procedimento fiscal anterior, que deu origem ao processo administrativo 10932.720088/201515. Na ocasião, foram identificadas como "noteiras" as seguintes empresas: NOME CNPJ BLACK METAIS COMERCIO DE METAIS LTDA 13.121.820/000183 M & G COMERCIO DE METAIS FERROSOS LTDA 12.447.776/000133 MALOX COMERCIO DE METAIS LTDA 12.060.773/000142 DOGMA INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA 11.131.981/000122 NEWSMETAL COMERCIO DE METAIS E RESINAS LTDA 12.985.232/000125 STILL INDUSTRIA E COMERCIO DE ALUMINIO E METAIS LTDA 11.3 51.734/000131 Da movimentação financeira (Carmax) Segundo a Fiscalização, presentes pressupostos legais para se acessar a movimentação bancária do autuado por intermédio de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), foram obtidos os extratos bancários junto ao Banco Bradesco S/A e Itaú Unibanco S/A, à luz dos quais se passaram a conhecer os destinatários dos recursos sacados das contas da fiscalizada. Os dados cadastrais das contas, os cartões de assinatura e os cheques emitidos revelaram que o sócioadministrador CARLOS ROBERTO DOS SANTOS era quem movimentava as contas, assinando os cheques. A autoridade fiscal estampou vultosa movimentação nas contas do autuado, da ordem de R$ 349.554.488,81, a crédito, e R$ 349.476.077,80, a débito. Os cheques emitidos e efetivamente debitados das contas em valor igual ou superior a R$ 10.000,00 totalizaram R$ 235.234.373,27. Desse montante, a expressiva quantia de R$ 147.155.766,38 foi sacada em favor de BLACK METAIS COMERCIO DE METAIS LTDA (CNPJ 13.121.820/000183), através de 181 cheques nominais à empresa, mais 2 cheques nominais a Carmax cujos valores foram depositados em conta da empresa, o que representa 42,52% do total dos valores debitados (148.605.766,38/349.476.077,80): Fl. 6617DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.618 14 Beneficiário Cheque Valor Total Qt.Operações BLACK METAIS 148.605.766,38 183 SPARTACO IND. COM. METAIS LTDA. 8.018.561,25 39 IPANEMA COML. IMP. EXP. LTDA. 8 161.891,83 18 Total Geral 164.786.219,46 240 Das verificações relativas a BLACK METAIS COMÉRCIO DE METAIS LTDA Em contrapartida, a autoridade fiscal verificou inexistir no SPED/NFe documentos fiscais emitidos pela Black Metais cujo destinatário fosse a Carmax. Também não se registraram lançamentos contábeis da fiscalizada relativos a compras junto à Black Metais. Dessa forma, erigiuse forte indício de que a pessoa jurídica servira para ocultar os reais beneficiários das operações da fiscalizada. Outros elementos adiante relatados reforçam essa conclusão, na visão da Fiscalização. Em diligência efetuada em 17.09.2014 na Black Metais, no endereço situado à Avenida Elísio Cordeiro de Siqueira, 1179, Jardim Santo Elias, São Paulo (SP), constante do CNPJ, constatouse que no local havia uma loja de móveis, concluindo se que essa empresa inexistia de fato no referido local e que flagrantes irregularidades fiscais descritas no Relatório de Diligência indicam se tratar de mera empresa de fachada. Em consulta realizada nos documentos arquivados na Junta Comercial de São Paulo JUCESP, apurouse que o Sr. FÁBIO ANDRADE DE LIMA, um dos sócios administradores da empresa Black Metais, propôs ação judicial em face da JUCESP para anulação do contrato social que constituíra a aludida pessoa jurídica, sob a alegação de nunca a ter aberto. Por sentença transitada em julgado em 11.10.2016, julgouse parcialmente procedente o pedido para anular o ato administrativo de constituição da pessoa jurídica, com efeitos ex nunc. A Junta Comercial deu cumprimento à decisão judicial, com registro no cadastro da empresa. Portanto, assim como se dera em relação ao ano de 2011, em que a Black Metais fora identificada como "noteira" no processo administrativo 10932.720088/201515 (atualmente no Carf), essa empresa não passou de interposta pessoa em relação à Carmax. Tendo em vista que a empresa não foi localizada e sua constituição foi anulada, requisitouse a movimentação financeira da Black Metais em conta existente no Banco Bradesco S/A. Os documentos apresentados em resposta à RMF, em particular os dados cadastrais, cartões de assinatura e cheques emitidos, mostram o sócio de nome FÁBIO ANDRADE DE LIMA como quem aparentemente movimentava a conta, assinando os cheques. No entanto, como já relatado, o Sr. Fl. 6618DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.619 15 FÁBIO ajuizou ação judicial para anulação do contrato social da BLACK METAIS, sob a alegação de nunca a ter aberto. Analisando os extratos, identificouse vultosa movimentação financeira, da ordem de R$ 151.453.217,27, a débito, e R$ 151.297.767,64, a crédito. Do total dos créditos, R$ 148.439.966,38 (98,11%) representam recursos com origem na Carmax, explicitamente identificada no extrato bancário. As fitasdetalhe do caixa relativas a cheques nominais à própria Black Metais trouxeram informações acerca dos reais beneficiários dos valores sacados, através de depósito em conta corrente. Chamaram a atenção da autoridade fiscal os beneficiários relacionados no quadro abaixo, juntamente com os valores envolvidos: Beneficiário Depósito/Cheque Valor Total (R$) ARIOVALDO RIPANI 706.141,88 ATURIA INDUSTRA E COMERCIO DE METAIS LTDA EPP 360.000.00 ELIZABETH RIPANI 66.000.00 MAURO RIPANI 56.000.00 RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI 300.000.00 SPARTACO INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA 2.877.278.60 VENEZA EMPREEIND. PARTICIPACOES E ADM. DE BENS LTDA 905.000.00 VISCONTE INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS EIRELI EPP 49.016.256.00 WALDEMAR RIPANI JUNIOR 178.000.00 Total Geral 54.464.676.48 Dos resultados da ação fiscal anterior (processo administrativo 10932.720088/201515) A autoridade fiscal traz a notícia de que a Carmax fora autuada em 2015 em relação a fatos geradores de 2010 e 2011, tendo sido constatada prática fraudulenta semelhante à aqui imputada. Tratase do processo administrativo 10932.720088/201515, que tramita no contencioso administrativo, estando atualmente aguardando julgamento do recurso voluntário no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Naquela autuação, a fiscalizada “simulava comprar mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras, as chamadas "noteiras", que não possuíam existência de fato, conforme Fl. 6619DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.620 16 comprovado por esta Delegacia e pelo trabalho do Escritório de Pesquisa e de Investigação da 7ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, através de diligências in loco”. Registrouse ainda que “no rastreamento de recursos da empresa CARMAX, movimentado principalmente através da Agência 0559 SP/USP Radial Leste do Banco Bradesco S/A, constatouse que vários cheques favoreciam pessoas vinculadas à família RIPANI, entre eles, ARIOVALDO RIPANI”. “As atividades empresariais ocultas da família RIPANI atingiram um grau elevado de sofisticação, que, além das interposições de pessoas no quadro societário da CARMAX, visando ao não atingimento dos nomes dos reais beneficiários (os RIPANI), com o objetivo de manter os transportes das mercadorias sob controle e no anonimato, constituíram a empresa ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELLI ME, CNPJ 11.272. 163/000140, ... , cujos sócios no período de 22/10/2009 a 14/11/2013 eram ARIOVALDO RIPANI CPF 486. 273 . 56815 e RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI CPF 255. 74 7. 81808” . Anota a Fiscalização, ainda, que “os recursos retornavam aos ‘caixas’ da organização em forma de depósitos e/ou transferências bancárias advindos dessas empresas inidôneas, simulando operações comerciais que jamais existiram, tanto pela própria inexistência dessas empresas, tanto pela própria mecânica fraudulenta das operações que simulavam a quitação de títulos, quando em verdade os recursos favoreciam os reais beneficiários”. Foram identificados vários pagamentos a ARIOVALDO RIPANI e a outras empresas ligadas à família RIPANI, nos anos de 2010 e 2011, a saber: ARIOVALDO RIPANI, CPF 486.273.56815 R$ 892.930,69 SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA, CNPJ 09.061.934/000108 R$ 3.479.377,01 IPANEMA COMERCIAL EXP E IMP LTDA, CNPJ 61.087.482/000153 R$ 1.738.557,36 VENEZA EMP PARTICIP E ADM DE BENS LTDA, CNPJ 55.373.542/000100 R$ 286.000,00 ATURIA IND. E COM. DE METAIS LTDA, CNPJ 11.127.868/000173 R$ 51.824.992,02 SPARTACO IND E COM DE METAIS LTDA, CNPJ 07.192.303/000100 R$ 43.884.284,70 Da formação de grupo econômico com outras empresas A autoridade fiscal relaciona diversas empresas que comporiam com a autuada um mesmo grupo econômico, por diversas razões: compartilhamento do mesmo endereço, empresas pertencentes ao mesmo grupo de pessoas, existência de confusão patrimonial, revelada pela concessão de empréstimos entre si, sem qualquer Fl. 6620DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.621 17 comprovação formal (entre ARIOVALDO RIPANI, RAPHAEL RIPANI e SPARTACO; entre ELIZABETH RIPANI, MAURO RIPANI, RAPHAEL RIPANI, VENEZA e SPARTACO), idêntico perfil de atividade (CARMAX, METALTUBOS, SUPERLIGAS), presença no quadro societário de pessoa que não possui perfil econômicofiscal compatível com o porte das empresas (ARTUR SANTOS DA PAIXÃO, sócio das empresas SUPERLIGAS; RUBENS MORRONE, sócio também da SUPERLIGAS, da METALTUBOS e da PIRANI), beneficiários dos recursos receberam procuração com amplos poderes para gerir negócios das diversas sociedades (ARIOVALDO RIPANI era o procurador da empresas SUPERLIGAS, IPANEMA, PIRANI, METALTUBOS). A existência do grupo econômico foi reconhecida por decisão judicial exarada no Processo de Execução Fiscal nº 0058812.46.2003.4.03.6182, que tramitou na 9ª Vara da Justiça Federal de São Paulo. Em vista disso, a autoridade fiscal assevera que ao menos as seguintes empresas integraram o mesmo grupo econômico: NOME CNPJ METALTUBOS COMÉRCIO DE METAIS LTDA 54.242.805/000170 SUPERLIGAS METAIS E LIGAS LTDA 57.916.587/000109 SPARTACO IND E COM DE METAIS LTDA 07.192.303/000100 PIRANI IND. COM. DE METAIS LTDA 46.929.212/000159 IPANEMA COMERCIAL EXP E IMP LTDA 61.087.482/000153 SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA 09.061.934/000108 VENEZA EMP PARTICIP E ADM DE BENS LTDA 55.373.542/000100 ATURIA IND. E COM. DE METAIS LTDA 11.127.868/000173 ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELLI –ME 11.272.163/000140 VISCONTE INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS EIRELI – EPP 14.683.819/000105 Dos Reais Beneficiários das Operações Fraudulentas A Fiscalização concluiu que o autuado operara, no ano 2013, do mesmo modo fraudulento que nos anos de 2010 e 2011, sendo que desta feita fazendo uso também de outras entidades, com ou sem existência de fato, que atuaram como “noteiras’ e/ou serviram para ocultar os reais beneficiários das operações, como Fl. 6621DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.622 18 a BLACK METAIS COMERCIO DE METAIS LTDA. Esta última, afirma, fora identificada como ‘noteira” em relação ao ano de 2011. Já no ano de 2013 não emitiu NFe, mas por sua conta bancária transitaram vultosas somas com origem em contas bancárias da fiscalizada CARMAX. Exatamente para o 2013 foram identificadas como beneficiárias de recursos provenientes diretamente da fiscalizada as seguintes empresas do grupo econômico: a) IPANEMA COMERCIAL EXP E IMP LTDA, CNPJ 61.087.482/000153 R$ 8.161.891,83 b) SPARTACO IND E COM DE METAIS LTDA, CNPJ 07.192.303/000100 R$ 8.018.561,25 54. Outrossim, foram identificadas como beneficiários indiretos de recursos da fiscalizada, que transitaram por conta bancária da empresa BLACK METAIS, as seguintes empresas e pessoas físicas: a) ARIOVALDO RIPANI, CPF 486.273.56815 R$ 706.141,88; b) ATURIA IND. E COM. DE METAIS LTDA, CNPJ 11.127.868/000173 R$ 360.000,00; c) ELIZABETH RIPANI, CPF 072.127.00851 R$ 66.000,00; d) MAURO RIPANI, CPF 053.733.02830 R$ 56.000,00; e) RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, CPF 255.747.81808 R$ 300.000,00; f) SPARTACO IND E COM DE METAIS LTDA, CNPJ 07.192.303/000100 R$ 2.877.278,60; g) VENEZA EMP PARTICIP E ADM DE BENS LTDA, CNPJ 55.373.542/000100 R$ 905.000,00; h) VISCONTE IND. E COM. DE METAIS EIRELI EPP, CNPJ 14.683.819/000105 R$ 49.016.256,00; i) WALDEMAR RIPANI JÚNIOR, CPF 164.233.75879 R$ 178.000,00 55. Os beneficiários acima identificados foram intimados pela Fiscalização, diretamente ou através de seus representante legais, a fim de esclarecerem as relações fáticas e jurídicas mantidas com as empresas, bem como a que título receberam delas valores identificados em transações bancárias. Em resposta, uns declararam não possuir elementos nos “arquivos pessoais” para atender à solicitação, outros sustentaram desconhecer o recebimento de valores de dada empresa. Fl. 6622DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.623 19 Em vista disso, concluiu a Fiscalização: 59. Vêse, pois, que os intimados ou apresentaram respostas insipientes ou simplesmente mantiveramse silentes. Notadamente, quando instados a esclarecerem a que título receberam da empresa BLACK METAIS valores depositados no Banco Bradesco, os intimados ARIOVALDO RIPANI, RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, ELIZABETH RIPANI, MAURO RIPANI, WALDEMAR RIPANI JÚNIOR, ATURIA IND. E COM., VIS CONTE IND. E COM., SPARTACO IND. E COM. e VENEZA EMPREENDIMENTOS disseram não lembrar do referido crédito, situação improvável visto que os depósitos em conta corrente dos beneficiários eram efetuados com regularidade e em valores expressivos. 60. No caso de ARIOVALDO, RAPHAEL e WALDEMAR, além da frequência, os depósitos, em sua maioria, foram feitos em valor determinado, que se repetia (obs. depósito no valor de R$ 20.000,00). No caso de ELIZABETH e MAURO, os frequentes depósitos foram feitos, em sua maioria, no valor de R$ 7.000,00. 61. Todos os citados personagens (pessoas físicas e jurídicas), beneficiários de recursos financeiros da fiscalizada, estiveram envolvidos direta ou indiretamente com as operações da organização, ou fazendo parte do grupo econômico ou administrando empresa dele integrante, consoante já demonstrado anteriormente. 62. Tendo lhes sido dada a oportunidade para esclarecimentos, através de intimação, mantiveramse silentes ou não apresentaram justificativas convincentes. 63. Considerando que comprovadamente receberam, sem justificativa plausível, recursos provenientes da fiscalizada, ainda que por intermédio da BLACK METAIS, concluise serem todos corresponsáveis pelas operações fraudulentas, a saber: ATURIA IND. E COM. DE METAIS LTDA, SPARTACO IND E COM DE METAIS LTDA, VENEZA EMP PARTICIP E ADM DE BENS LTDA, VIS CONTE IND. E COM. DE METAIS EI RELI EPP, IPANEMA COMERCIAL EXP E IMP LTDA, ARIOVALDO RIPANI (procurador de diversas empresas do grupo e, no ano fiscalizado, sócioadministrador das empresas SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA E ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELLI ME) , RAP HA EL EDUARDO SILVEIRA RIPANI (procurador de ARIOVALDO RIPANI e, no ano fiscalizado, sócioadministrador das empresas SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA e ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELLI ME), WALDEMAR RIPANI JÚNIOR (sócioadministrador da VENEZA, empresa com sede no mesmo endereço da filial da fiscalizada com CNPJ 05.504.647/0002 55), ELIZABETH RIPANI (sócioadministrador da VENEZA) e MAURO RIPANI (sócioadministrador da VENEZA) . Do arbitramento do lucro Fl. 6623DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.624 20 O contribuinte, originalmente submetido à sistemática do lucro real trimestral, teve seu lucro tributável arbitrado pela autoridade fiscal com base no art. 530, II, do RIR/99, segundo o qual se aplica o arbitramento no caso de a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. Na espécie, sustenta a Fiscalização restar comprovado que a contabilidade não espelhava a realidade das operações comerciais (registro de compras fictícias) e bancárias realizadas pela empresa, sendo, portanto, imprestável para a apuração do lucro real, visto que não registra grande parte das transações realizadas pela empresa e/ou que não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas. A base de cálculo foi determinada pela aplicação do percentual de 9,6% sobre o montante das receitas documentadas em NFe emitidas pela fiscalizada e existente na base do SPED, tendo sido descontadas as NFe de devoluções, conforme demonstrativo abaixo: A contribuições do PIS/Pasep e da Cofins foram a apuradas sob o regime da cumulatividade, já que não se lhe aplica o regime oposto, por força do inciso II do art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e no inciso II do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Cientificados da pretensão fiscal pela via editalícia em 05.01.2018 (fls 4888/4889) e em 26.01.2017 (fls 4869/4870), o contribuinte apresentou impugnatória em 20.02.2018 (fls 5363/5405), aduzindo questões preliminares e de mérito com vistas a infirmar os autos de infração. Fl. 6624DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.625 21 Em seguida, foi proferido v. acórdão recorrido julgando improcedente a impugnação, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 INTIMAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE. É nula a intimação por edital intentada sem o pressuposto do insucesso das demais formas de intimação. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece da impugnação apresentada intempestivamente. PEDIDO DE PERÍCIA. REALIZAÇÃO PRESCINDÍVEL. Há que se denegar o pedido de realização de procedimento pericial quando se encontrarem presentes nos autos elementos suficientes à adequada instrução probatória e à formação da livre convicção fundamentada da autoridade julgadora, o que bem demonstra ser prescindível a sua realização. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PEDIDO DE DESCONSIDERAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO. ART. 83 DA LEI 9.430/96. PEDIDO NÃOCONHECIDO. Não compete a esta instância administrativa qualquer ingerência no trâmite da representação, que, sendo peça destinada ao Ministério Público, de regra, acompanha incólume o desenrolar da lide tributária até a decisão final no processo administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 GLOSA DE VALORES DE COMPRA PRÓXIMOS DAQUELES REGISTRADOS NA DIPJ. CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. A lei, ao prever o arbitramento do lucro, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Verificado que a contabilidade registra transações que não existiram no mundo real, o que resultou em glosas próximas da totalidade das compras registradas na DIPJ, não há como se quantificar o Custo de Mercadorias Vendidas (CMV), o que torna a contabilidade imprestável para a apuração pelo lucro real, impondose, por conseguinte, o arbitramento dos lucros para fins Fl. 6625DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.626 22 de apuração do IRPJ e da CSLL em cada um dos períodos de apuração lançados. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2013 MULTA DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. QUALIFICAÇÃO. Qualificase a multa de ofício quando restar comprovada a prática simulatória que tenha por objetivo reduzir ou excluir tributo. MULTA DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. AGRAVAMENTO. O agravamento da multa pela não apresentação dos arquivos e sistemas digitais, conforme hipótese prevista no inciso II, § 2º, do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, deve ser aplicado em um contexto de recusa deliberada de atendimento às intimações, com claro intuito de impedir ou prejudicar, de forma essencial, a constituição do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO FEITA POR EDITAL. CARACTERIZAÇÃO. A circunstância das intimações, não atendidas pelo sujeito passivo, terem sido feitas mediante edital não afasta a possibilidade do agravamento da penalidade, uma vez feitas (as intimações) em conformidade com as normas que regulam o procedimento fiscal, pois aquelas produzem os mesmos efeitos das intimações pessoais ou por via postal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE JURÍDICO COMUM. COMPROVAÇÃO. São solidariamente obrigadas ao pagamento do crédito tributário lançado contra o contribuinte as demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico ou ainda as que tenham participado das práticas ilícitas apuradas, desde que comprovado o interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Comprovada a existência de atos praticados com infração de lei, é correto atribuir aos administradores, de direito ou de fato, tanto da empresa autuada como de outras do mesmo grupo econômico, que tenham atuado em conjunto na realização de tais práticas ilícitas, responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado de ofício, durante o período em que detinham poder de gerência. Fl. 6626DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.627 23 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2013 PIS/PASEP. COFINS. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA PELO LUCRO ARBITRADO. SUJEIÇÃO COMPULSÓRIA AO REGIME CUMULATIVO. A legislação das contribuições é expressa ao determinar que a pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado sujeitase compulsoriamente ao regime cumulativo. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente interpôs Recuso Voluntário, repisando os mesmos argumentos da impugnação e posteriormente apresenta recurso complementar informando que o Fisco Paulista proferiu decisão cancelando autuação entendendo que a Carmax existia de fato no ano de 2013. Os coobrigados também interpuseram Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 6627DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.628 24 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O recurso da empresa autuada é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos na legislação pertinente, motivo pelo qual, o admito. Do arbitramento do lucro real: Primeiramente, insta ressaltar que esta C. Turma já analisou processo análogo, que glosou os custos e despesas dos anos de 2010 e 2011, com a mesma empresa Recorrente, com a mesma matéria e documentos contábeis. Tratase do processo administrativo 10932.720088/201515, onde este Colegiado decidiu reformar decisão proferida pela DRJ, em sede de Recurso de Ofício, por entender que seria possível apurar o lucro real com os documentos constantes nos autos. Ou seja, a DRJ havia cancelado a infração por entender que seria necessário o arbitramento do lucro e esta C. Turma, em sede de Recurso de Ofício, ao analisar os documentos constantes nos autos e os que deram base a atuação entendeu que era possível a apurar o lucro real, conforme foram lavrados os autos de Infração objetos daquele processo de final 201515, reformando o julgado "a quo". Vejamos a ementa e o voto vencedor do v. acórdão proferido por esta C. Turma nos autos do processo 10932.720088/201515. Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL Deve ser considerado para os lançamentos efetuados o regime de tributação adotado pelo contribuinte, no caso, o Lucro Real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 6628DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.629 25 COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. LUCRO REAL. O regime da não cumulatividade da COFINS e PIS deve ser aplicado para os contribuintes tributados pelo imposto de renda com base no lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010,2011 APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO. NINGUÉM PODE BENEFICIARSE DA PRÓPRIA TORPEZA. Não pode o contribuinte aproveitarse da conduta, em desacordo com as normas legais, de simular a compra de mercadorias de outras empresas "noteiras". Segue o votovencedor: O i. relator, no seu voto, por considerar que a fiscalização equivocouse na apuração e lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, a vista dos elementos presentes nos autos e no voto da DRJ/POA, concluiu no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, mantendo exonerados a totalidade dos créditos tributários constituídos. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício para reformar a decisão recorrida e restabelecer os lançamentos efetuados. A fim de esclarecer a conclusão da decisão de 1º Instância, reproduzse o seguinte trecho do voto condutor do Acórdão da DRJ/POA: "A contribuinte apurou seus resultados, no período autuado, pelo lucro real. A apuração nessa sistemática exige a escrituração de todas as receitas, resultados operacionais e não operacionais, de todos os custos e despesas da empresa, bem como sua regular contabilização e comprovação. A apuração do lucro real é precedida da apuração do lucro líquido, que, ajustado por critérios definidos na lei fiscal, vai redundar no lucro a ser tributado. É o previsto no art. 247 do RIR/99: Art.247.Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º). §1ºA determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, §1º). [...] Fl. 6629DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.630 26 O lucro líquido do períodobase, por seu turno, é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial, de acordo com o art. 248 do RIR/99. Por fim, conforme estabelecem os artigos 277 e 278 do RIR/99, o lucro operacional decorre do lucro bruto, o qual corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. Com esses dispositivos em mente, é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas." (grifo nosso). Não merece prosperar o entendimento do Acórdão da DRJ/POA, ou seja, que "é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas", pois no caso concreto, comprovouse que a contribuinte simulou a compra de mercadorias de empresas "noteiras", conforme detalhado a seguir. A contribuinte foi constituída sob a interposição fraudulenta de pessoas físicas, além disso, simulava comprar mercadorias de outras empresas "noteiras". A empresa transacionou fictamente com empresas inexistentes, totalizando mais de R$ 185 milhões em 2010 e mais de R$ 196 milhões em 2011, em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta. Transcrevese a seguir os trechos do Termo de Verificação de Infração que afirmam estes fatos: 1.8. A empresa CARMAX, constituída sob a interposição fraudulenta dessas pessoas físicas, movimentou em instituições financeiras recursos que juntos perfizeram o montante de R$ 609.515.988,45 no período de 2008 a 2011. 1.9. A empresa CARMAX simulava comprar mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras, as chamadas "noteiras", que não possuíam existência de fato, conforme comprovado por esta Delegacia e pelo trabalho do Escritório de Pesquisa e de Investigação da 7a Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, através de diligências "in loco", a serem mostrados ao longo desse Termo. Nessa acepção fática, a CARMAX transacionou fictamente com empresas inexistentes, totalizando mais de R$ 185 milhões em 2010 e mais de R$ 196 milhões em 2011, em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta. 1.10. Pela análise da Contabilidade de 2010, a CARMAX transacionou um valor de R$ 185.187.709,84 em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta, em um total no valor de R$ 243.123.621,39 em notas fiscais, o que significa que 76% de todas as suas compras foram consideradas fictas (COMPRAS Fl. 6630DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.631 27 DE MERCADORIAS EM 2010), conforme mostrado em sua Contabilidade apresentada via SPED. 1.11. Pela análise da Contabilidade de 2011, a CARMAX transacionou um valor de R$ 196.965.543,62 em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta, em um total no valor de R$ 259.575.283,67 em notas fiscais, o que significa que 75% de todas as suas compras foram consideradas fictas (COMPRAS DE MERCADORIAS EM 2011), conforme mostrado em sua Contabilidade apresentada via SPED. Descrevese a seguir o trecho do Termo de Verificação de Infração que descrevese o "modus operandi" da contribuinte: 7.1. A CARMAX simulou em sua contabilidade operações comerciais que não existiam, sendo que estas representavam meras simulações com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores, através de valores que não representavam reais operações mercantis. Tal fato é corroborado tanto pela própria inexistência da maioria das empresas fornecedoras, tanto pela própria mecânica das operações mercantis fictas. 7.2. Durante os andamentos dos trabalhos, constatamos que, dentre alguns de seus fornecedores, constavam empresas com registros no relatório produzido pela DRF Nova Iguaçu/RJ. 7.3. Nas diligências realizadas nessas empresas, constatamos que as mesmas apresentam "inexistências de fato" e servem para a produção de notas fiscais para o acobertamento da saída de recursos financeiros, com finalidades distintas de operações comerciais de compra e venda. Tais transações comerciais são meras simulações. 7.4. A simulação consistia na emissão de um determinado cheque para o pagamento de um título comercial de uma fornecedora inexistente que, contabilizado em sua escrita fiscal, transparecia aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal a efetiva realização da transação comercial que representava. O rastreamento dos recursos em nível de contacorrente bancária demonstrava a improcedência do lançamento, já que os recursos, em verdade, eram direcionados a terceiras pessoas, fisicas e jurídicas, totalmente estranhas às operações que representavam, tudo isso obviamente à margem da escrita contábil e fiscal. 7.5. Em que pese a inexistência de fato dessas empresas, que atuavam na condição de pseudofornecedoras da contribuinte CARMAX, as mesmas eram movimentadas mediante interposição de pessoas, já que os respectivos quadros sociais de direito eram compostos por pessoas cujo patrimônio declarado não apresentava representatividade econômica, conforme demonstram as declarações de Imposto de Renda Pessoa Física das mesmas. Verificase que a contribuinte pretendese beneficiar do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) na determinação do Lucro Fl. 6631DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.632 28 Líquido, que servirá de ponto de partida para obtenção do Lucro Real, aproveitandose da conduta, em desacordo com as normas legais, de simular a comprar mercadorias de outras empresas "noteiras". Com base nesse argumento, concluise no Acórdão de 1ª Instância que é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas. Não merece prosperar as alegações da contribuinte e o entendimento do Acórdão da DRJ/POA, pelas seguintes razões: primeiramente, não há custo de mercadorias em operações de compra que foram simuladas e, em segundo lugar, aplicase ao presente caso o princípio nemo auditur propriam turpitudinem allegans, ou, em outras palavras, ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Este princípio, de aplicabilidade geral em qualquer área do Direito, referese a questões de que nenhuma pessoa pode fazer algo incorreto e/ou desacordo com as normas legais e depois alegar tal conduta em proveito próprio. Não há que se aproveitar a alegação da contribuinte de que deve ser aproveitados os custos das mercadorias em operações comprovadamente simuladas, conduta esta em desacordo com as normas legais. Quanto ao regime de tributação, constatase que a contribuinte apresentou sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos anoscalendário de 2008 a 2011, sendo adotada a forma de tributação LUCRO REAL, com apuração trimestral do Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1RPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (DIPJ2010; DIPJ2011). Apresentou ainda o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON dos anoscalendário de 2008 a 2011, sendo adotado o regime não cumulativo de apuração das contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Tendo sido afastadas as alegações de que"é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas", deve ser considerado para os lançamentos efetuados o regime de tributação adotado pela contribuinte, isto é o LUCRO REAL, e consequentemente o regime não cumulativo de apuração das contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Ressaltase, ainda, que o arbitramento do lucro é uma medida extrema, só aplicável quando não há possibilidade de apurar o imposto por outro regime de tributação, portanto mostrase correto a utilização da apuração pelo Lucro Real no Fl. 6632DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.633 29 lançamento das infrações, tendo em vista que este regime foi o adotado pela contribuinte. Pois bem. Utilizando os mesmo fundamento da DRJ na decisão de primeira instância no processo análogo acima indicado, a fiscalização também decidiu arbitrar o lucro neste Auto de Infração, por entender que devido a infração cometida por meio da simulação e da fraude praticada pela Recorrente, não poderia confiar nos registros contábeis fornecidos pela autuada (ou seja toda a contabilidade estaria fraudada e inutilizada) e, por isso, não teria como saber de forma precisa o montante do estoque inicial para calcular o Custo da Mercadoria Vendida CVM que deveria integrar ao lucro liquido e posteriormente a receita exigida. Devido a tal impossibilidade de encontrar o CVM a fiscalização decidiu arbitrar o lucro ao invés de apenas glosar os custos e despesas gerados pelos documentos inidôneos emitidos para acobertar as operações de compra de mercadorias consideradas simuladas. Também da mesma forma do processo acima indicado, ou até mais completo, constam dos autos, a DIPJ/2014 indicando a tributação pelo lucro real trimestral, a DCTF de janeiro de 2013, Livro Razão completo do ano 2013, Demonstrativos de notas fiscais de Vendas, Demonstrativo de notas fiscais de compras e Demonstrativo de notas fiscais de devolução das mercadorias vendidas, documentos estes que serviram para formular a autuação. Consta ainda no Termo de Verificação Fiscal, que através do sistema SPED a fiscalização teve acesso a toda contabilidade da empresa Recorrente, ou seja, teve acesso tanto ao ECD, quanto a EFD (fl. 7 do TVF), bem como através de RMF obteve acesso a toda movimentação bancária do ano de 2013. Vejam, de acordo com os documentos acima indicados, o contribuinte entregou por meio do SPED todo documentação contábil e fiscal, sendo que a fiscalização tinha condições de determinar e apurar o lucro real e identificar a efetiva movimentação financeira e bancária, devendo ser afastada as regras do arbitramento previstas no artigo 509 do RIR/99. Sendo assim, devido a extrema semelhança entre os dois processos, bem como os documentos acostados aos autos, ao que me parece, a fiscalização tinha condições de apurar o lucro real da empresa e glosar as despesas e custos que foram gerados em operações fictícias de compra de mercadoria, eis que obteve acesso a contabilidade completa, livro razão, todas as notas fiscais emitidas relativas as compra, as venda e as de devolução de mercadorias, podendo chegar a receita tributável sem a necessidade de arbitrar o lucro. Ademais, entendo não ser correto o fundamento da fiscalização para arbitrar o lucro, no sentido de que não consegue chegar ao valor do custo da mercadoria vendida (CVM), eis que não existe tal custo em operações de compra simulada e também não deve ser incluído no cálculo da despesa glosada. Vejam, não estamos falando de infração de omissão de receita ou falta de pagamento de imposto, mas de glosa de despesa e custos originados em operações de compra de mercadorias, onde o montante que deve ser exigido deve ser exatamente o da despesa ou Fl. 6633DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.634 30 custo indevido que reduziu a base de cálculo do imposto a pagar. Sendo assim, não verifico a necessidade de se apurar o lucro pelo arbitramento eis que no caso dos autos o valor a ser autuado deve ser o somatório das despesas e custos indevidos gerados nas compras simuladas. O fato de a fiscalização desconsiderar a contabilidade da Recorrente e entender que por tal motivo não poderia chegar ao montante exato do estoque inicial para calcular o custo da mercadoria vendida não interfere no valor das despesas e custos indevidos glosados, que podem ser apurados com base nos valores dos documentos (notas fiscais) emitidos para acobertar as operações fictícias. Assim, entendo não ser necessário saber o valor do custo da mercadoria vendida para se apurar os custos e despesas indevidos que foram glosados, bem como entendo que a fiscalização teria condições para apurar o lucro real, sendo desnecessário o arbitramento do lucro. E, se não era necessário apurar o IRPJ e a CSLL pela sistemática do arbitramento do lucro, eis que é medida extrema, utilizada apenas em hipóteses excepcionais, podendo a fiscalização apurar o lucro real, o PIS e a COFINS decorrentes deveriam ser calculadas pela sistemática do regime nãocumulativo, o que não ocorreu no caso concreto. Desta forma, como não é possível alterar a forma da tributação escolhida pelo Auditor Fiscal para lavrar o Auto de Infração de lucro arbitrado para lucro real (erro de direito), sob pena de se incorrer em ofensa ao artigo 146 e 149 do CTN, entendo que os Autos de Infração devem ser cancelados. Vejamos a ementa do v. acórdão 9101003.157, proferido pela C. Câmara Superior da Primeira Seção de Julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE MODIFICA CRITÉRIO DO LANÇAMENTO DE IRPJ. CTN, ART. 146. ERRO DE DIREITO. CTN, ART. 149, IV. DECRETO 70.235/1972, ART. 59, II, §3º. A decisão da DRJ que altera o regime de apuração do IRPJ, de lucro real para lucro presumido, é nula, por ofensa ao artigo 146, do Código Tributário Nacional. O erro de direito não é passível de correção por julgadores administrativos, em observância ao artigo 149, IV, do Código Tributário Nacional. O artigo 59, §2º, do Decreto nº 70.235/1972, autoriza seja superada a nulidade do lançamento tributário quando a autoridade julgadora “puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo”. Não há previsão legal para superação da nulidade para prolação de decisão desfavorável ao sujeito passivo. Fl. 6634DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.635 31 Conclusão: Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recuso Voluntário e dou provimento para cancelar os Autos de Infração. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 6635DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10950.904858/2009-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1001-000.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta verifique, em seus sistemas de controle, se há pagamento disponível no valor principal de R$ 1.216,32, de código 8053, para o período de apuração do terceiro decêndio de março de 2006, e se o débito confessado no período, de R$ 895,10, foi alterado por eventuais DCTF retificadoras.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, José Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta verifique, em seus sistemas de controle, se há pagamento disponível no valor principal de R$ 1.216,32, de código 8053, para o período de apuração do terceiro decêndio de março de 2006, e se o débito confessado no período, de R$ 895,10, foi alterado por eventuais DCTF retificadoras. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Machado Millan - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, José Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório O presente processo trata de declaração de compensação (DCOMP às fls. 02 a 06) que utiliza como crédito pagamento a maior de IRRF, código 8053, efetuado em 05/04/2006, no valor de R$ 321,22 (crédito utilizado R$ 79,01). Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que resume o litígio: Por meio da Declaração de Compensação – Dcomp de nº 14846.70722.300606.1.3.04-4018 (fls. 2 a 6), apresentada em 30 de junho de 2006, o interessado compensou crédito próprio relativo a pagamento indevido de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no valor de R$ 79,01 com débito também próprio administrado por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Em Despacho Decisório proferido em 22 de junho de 2009 (fl. 34), do qual o contribuinte foi cientificado no dia 2 de julho daquele mesmo ano (fl. 37), a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF em Maringá/PR não homologou a compensação, uma vez que o pagamento informado já havia sido utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .9 04 85 8/ 20 09 -1 4 Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1001-000.284 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10950.904858/2009-14 Inconformado, o interessado apresentou, em 3 de agosto de 2009, a manifestação de inconformidade de fls. 8 a 12, à qual juntou os documentos de fls. 13 a 32. Preliminar. Suspensão de exigibilidade. Nesse documento, inicialmente, solicita que o débito em cobrança permaneça com sua exigibilidade suspensa em virtude da apresentação da manifestação de inconformidade. Nesse sentido, cita o art. 66 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, e o art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN, além de jurisprudência administrativa. Duplicidade. Erro de preenchimento. Na sequência, alega que efetuou recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF em duplicidade para o mesmo período, a primeira vez em 10/03/2006 e a segunda em 31/03/2006, motivo pelo qual transmitiu Dcomp visando compensar esse valor com débitos seus relativos ao mesmo imposto. Também informa que errou ao preencher sua Dcomp, o que ocorreu ao prestar as informações relativas aos campos Crédito Original na Data da Transmissão e Saldo do Crédito Original. Daí, alega que tal equívoco não deveria obstar seu crédito nem seu direito de compensação desses valores, já que o erro material não pode estar à frente do direto de compensar valores pagos em duplicidade. Pelo que expôs, requer a reforma da decisão proferida pela DRF Maringá, solicitando também a suspensão da exigibilidade do débito até que ocorra o julgamento definitivo deste processo, pedindo ainda que não seja emitido auto de infração ou exigida multa de mora, tendo em vista já estar o débito declarado. Por fim, pede que não seja aplicada multa isolada punitiva, posto que o crédito tributário ainda se encontra em análise. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, no Acórdão às fls. 48 a 51 do presente processo (Acórdão 06-33.903, de 06/10/2011 – relatório acima), julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de apuração: 21/03/2006 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP PREENCHIDA CORRETAMENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez inexistente o direito creditório declarado e, por sua vez, não comprovada a ocorrência de erro no preenchimento da Dcomp, deve ser mantida a decisão original. No voto, a decisão ponderou que o interessado alega que apesar de ter informado como crédito um DARF de IRRF, vencido em 05/04/2006, no valor de R$ 321,22, sua compensação utilizou, na verdade, o DARF de IRRF, vencido em 15/03/2006, no valor de R$ 225,22. Observa que, contudo, uma observação atenta do procedimento realizado pelo contribuinte demonstra que, de fato, o DARF utilizado na compensação foi aquele no valor de R$ 321,22: Entretanto, uma observação atenta do procedimento realizado pelo contribuinte demonstra que, de fato, o Darf utilizado na compensação foi aquele no valor de R$ 321,22, ao contrário do afirmado na manifestação de inconformidade. Isso porque, Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1001-000.284 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10950.904858/2009-14 realizando-se os cálculos de compensação desse suposto crédito com os débitos a ele vinculados (fls. 41 a 43), verifica-se que o resultado mostra total compatibilidade entre crédito e débitos, enquanto a compensação realizada com o Darf no valor de R$ 225,22 resulta em enorme discrepância, representada por falta de crédito para a quase totalidade de um dos débitos compensados (fls. 45 a 47). Portanto, não resta qualquer dúvida de que o interessado buscou, na verdade, declarar a compensação que realizou com o Darf de IRRF, vencido em 05/04/2006, no valor de R$ 321,22, não havendo qualquer erro na indicação do direito creditório na Dcomp apresentada. Argumentou que, por isso, admitir a utilização de crédito diferente do original, sem comprovação de erro no preenchimento da DCOMP, significaria aceitar a alteração do crédito indicado, o que era contrário à legislação sobre o assunto, que veda qualquer alteração na DCOMP após o Despacho Decisório. Argumentou ainda que, diferentemente do informado na manifestação de inconformidade, os DARF citados não se referem ao mesmo período de apuração. Sendo de valores distintos, nada nos autos permite concluir que são relativos ao mesmo fato gerador e que houve duplicidade de recolhimento. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/11/2011 (intimação com ciência pessoal, à fl. 54), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20/12/2011 (recurso às fls. 57 a 65, carimbo aposto à primeira folha). A ele anexa a DCTF do 1º Semestre de 2006 (fl. 75 a 135), na qual constam os débitos de código 8053 do semestre (fls. 100 a 115), mostrando débito, no mês de março, apenas no terceiro decêndio, no valor de R$ 895,10 (fl. 106), indicando pagamento no valor principal de R$ 1.216,32. Defende que, assim, os DARF de 10/03 e 31/03/2006, nos valores de R$ 225,22 e 321,22 constituem pagamentos em duplicidade. Argumenta, contra o entendimento da decisão de primeira instância, que como a DCTF declarou o débito do terceiro decêndio de março de 2006 em valor já quitado por outro DARF, não há dúvida de que o pagamento em questão (R$ 321,22) resta disponível para a compensação pleiteada. Além disso alega, novamente, erro no preenchimento da DCOMP. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972 e Decreto nº 7.574/2011, que regulam o processo administrativo-fiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório, o contribuinte alega que o DARF de valor R$ 321,22, referente ao terceiro decêndio de março de 2006 (fl. 31), de código 8053, constitui pagamento em duplicidade. Isso porque haveria outro DARF, no valor principal de R$ 1.216,32, também referente ao período de apuração de 31/03/2006, também pago em R$ 05/04/2006, no mesmo Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1001-000.284 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10950.904858/2009-14 código 8053, informado em DCTF como destinado a quitar o débito do período, de R$ 895,10 (fl. 106). A DCTF em questão, às fls. 75 a 135, original, foi apresentada em 05/10/2006, bem antes do Despacho Decisório, de 22/06/2009 (fl. 34). Então, a princípio, toma-se como correto o valor ali confessado. Já o suposto pagamento de R$ 1.216,32 não consta no processo. E, conforme Despacho Decisório à fl. 34 e tela de sistema da Receita Federal à fl. 47, o pagamento utilizado para quitar o débito confessado no período, de R$ 895,10, foi o de R$ 321,22, e não outro no valor de R$ 1.216,32. Assim, para saber se há crédito, é necessário confirmar a existência e disponibilidade do outro pagamento alegado, no valor de R$ 1.216,32. É necessário checar, ainda, se houve DCTF retificadora alterando o débito confessado para o período de apuração de 31/03/2006. Por isso, voto por converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que esta verifique, em seus sistemas de controle, se existe pagamento no valor principal de R$ 1.216,32, de código 8053, para o período de apuração do terceiro decêndio de março de 2006, e se tal pagamento encontra-se disponível. Além disso, para que verifique se o débito confessado no período, de R$ 895,10, foi alterado por eventuais DCTF retificadoras, anexando tais DCTF. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (documento assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital
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