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Numero do processo: 10166.729152/2015-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-003.111
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13931.720042/2014-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13931.720042/2014-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 91 52 /2 01 5- 43 Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.111 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729152/2015-43 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.107, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. A contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificada do acórdão de primeira instância, a interessada ingressou com Recurso Voluntário reapresentando o texto de sua Impugnação acrescido dos argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Afirma que as GFIP foram entregues antes de qualquer intimação fiscal para prestar esclarecimentos pelo atraso. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Assevera que as multas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Aduz que a multa aplicada fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.107, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.111 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729152/2015-43 No que concerne à ausência de intimação prévia, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Sobre a infração apurada, equivoca-se a recorrente ao entender que esta poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Quanto às alegações acerca da violação aos princípios constitucionais, aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pela recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.111 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729152/2015-43 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723817/2009-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
Intimado pelo órgão fiscalizador, o contribuinte deve apresentar documentos que comprovem a ocorrência dos atos/fatos inseridos em sua Declaração de Ajuste e servem de esteio ao seu crescimento patrimonial. À míngua desses elementos, o crédito tributário constituído remanesce incólume.
DECADÊNCIA
Não existindo pagamento antecipado (mesmo parcial), aplica-se
a regra preclusiva contida no art. 173, I, do CTN (STJ, Regimento CARF, art. 62-A).
MULTA QUALIFICADA. SÚMULA Nº 25 DO CARF.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2202-001.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual
de 75%. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Intimado pelo órgão fiscalizador, o contribuinte deve apresentar documentos que comprovem a ocorrência dos atos/fatos inseridos em sua Declaração de Ajuste e servem de esteio ao seu crescimento patrimonial. À míngua desses elementos, o crédito tributário constituído remanesce incólume. DECADÊNCIA Não existindo pagamento antecipado (mesmo parcial), aplica-se a regra preclusiva contida no art. 173, I, do CTN (STJ, Regimento CARF, art. 62-A). MULTA QUALIFICADA. SÚMULA Nº 25 DO CARF. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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ÔNUS DA PROVA. Intimado pelo órgão fiscalizador, o contribuinte deve apresentar documentos que comprovem a ocorrência dos atos/fatos inseridos em sua Declaração de Ajuste e servem de esteio ao seu crescimento patrimonial. À míngua desses elementos, o crédito tributário constituído remanesce incólume. DECADÊNCIA Não existindo pagamento antecipado (mesmo parcial), aplicase a regra preclusiva contida no art. 173, I, do CTN (STJ, Regimento CARF, art. 62A). MULTA QUALIFICADA. SÚMULA Nº 25 DO CARF. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. Fl. 737DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 2 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Fl. 738DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.723817/200963 Acórdão n.º 220201.255 S2C2T2 Fl. 722 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 694/716) interposto contra Acórdão da 4ª Turma da DRJ de Curitiba (fls. 666/689), que considerou improcedente a Impugnação (fls.623/641) apresentada pelo contribuinte em face de Auto de Infração (fls. 615/619). A fiscalização analisou as obrigações fiscais referentes ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário 2003 e 2004, em relação à recorrente e seu companheiro sob regime de comunhão parcial de bens, Evaldo Marcos Pavanato. Assim, analisando cada uma das receitas e das despesas declaradas pelo casal em suas Declarações de Ajuste Anual (DAA), a fiscalização reconstituiu os recebimentos e dispêndios do período fiscalizado e verificou que a recorrente teria obtido, junto com seu companheiro, Evaldo Marcos Pavanato, acréscimo patrimonial a descoberto, nos anos de 2003 e 2004, caracterizado pela construção de residência sem a correspondente origem, já que a fiscalização desconsiderou parte dos recebimentos declarados nas respectivas Declarações Anuais de Ajustes (DAAs). Assim, foi lavrado auto de infração constituindo crédito tributário no montante de R$ 69.520,09, acrescido de juros de R$ 43.025,78, e multa (150% relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto) de R$ 105.863,27, perfazendo o total de R$ 216.826,00. O termo de verificação fiscal (fls. 597/609) e os demonstrativos do lançamento (fls. 610/611) detalham o procedimento de fiscalização, adiante referidos. Para apurar a omissão de rendimentos devido à variação patrimonial a descoberto foi utilizado o método de fluxo de caixa, apurando os acréscimos patrimoniais, mensalmente, na proporção de 50% para cada dos companheiros, a recorrente e Evaldo Marcos Pavanato, que declararam viver em união estável no período objeto do auto de infração. O companheiro da recorrente, Evaldo Marcos Pavanato, havia informado em sua DAA as despesas com a construção de uma residência no período de quatro anos: i) 2003 no valor de R$ 125.000,00; ii) 2004 no valor de 135.000,00; iii) 2005 no valor de 100.000,00; iv) 2006 no valor de R$ 102.000,00. Entretanto, após ser devidamente intimada, a Prefeitura Municipal de Curitiba apresentou Certificado de Vistoria de Conclusão de Obra e Habitese, datado de 05 de janeiro de 2005, dando conta de que construção da residência havia sido encerrada (fl. 544). Além disso, apresentou o Alvará da Construção (fls. 542 e 544) dando conta que a metragem da residência seria de 420 m2. Desta forma, a fiscalização considerou que a residência havia sido construída em 2003 e em 2004. Como o contribuinte não apresentou nenhum documento comprovando os gastos com a construção da residência, a fiscalização se viu obrigada a arbitrar o valor despendido no imóvel, multiplicando a metragem da residência 420 m2 – pelo Custo Unitário Básico (CUB) divulgado pelo Sinduscon – PR. Deste modo, a fiscalização passou a investigar se a recorrente e seu companheiro, Evaldo Marcos Pavanato, possuíam origem para o referido acréscimo Fl. 739DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 4 patrimonial, procedimento que resultou nos desdobramentos abaixo referidos, sobre cada um dos contribuintes. EVALDO MARCOS PAVANATO Em 2003 Evaldo Marcos Pavanato informou ter recebido rendimentos isentos da empresa REFLORESTADORA OVE LTDA, a título de distribuição de dividendos, o valor de R$ 53.616,09. Já, no ano de 2004, informou ter recebido, a esse mesmo título e da mesma fonte pagadora, o valor de R$ 493.750,00. A fiscalização informa que, em decorrência do processo criminal nº 2006.70.000184929, a empresa foi fiscalizada nos anos de 2004 e 2005 (fls. 44/64), e foi desconsiderada toda a sua contabilidade e, portanto, arbitrado lucro para tributação. Evaldo Marcos Pavanato, durante o processo de fiscalização, apresentou alguns documentos contábeis da empresa REFLORESTADORA OVE LTDA, indicando o pagamento de dividendos. Porém, quanto ao ano de 2003, Evaldo Marcos Pavanato não apresentou qualquer documento para demonstrar que, de fato, teria recebido os valores declarados como isentos nesse exercício. Em relação ao ano de 2004, foi aceita pela fiscalização a demonstração do recebimento de, apenas, parte dos valores declarados como isentos (R$ 38.000,00). Os demais documentos apresentados não foram aceitos porque não demonstravam ser Evaldo Marcos Pavanato o beneficiário dos recursos. Assim, dos valores declarados por Evaldo Marcos Pavanato como lucros e dividendos recebidos da empresa REFLORESTADORA OVE LTDA somente foi aceito como tendo origem comprovada o valor de R$ 38.000,00, relativo ao ano de 2004, já que não houve prova do recebimento dos demais valores; Também não foram aceitos valores declarados por Evaldo Marcos Pavanato relativos à disponibilidade financeira e à devolução de empréstimo, pois não foram apresentados quaisquer documentos comprobatórios da origem; IZABEL CHRISTINA GHERMACOVSKI RECORRENTE Não foi aceito pela fiscalização o valor de R$ 6.000,00, que a recorrente declarou como rendimento isento, que teria sido recebido a título de distribuição de dividendos da empresa ANDARE CALÇADOS LTDA, já que não foram aceitos os documentos comprobatórios (recibos) por ela apresentados. Tampouco foram aceitos os ingressos por ela declarados a título de disponibilidade financeira, por ausência de qualquer documento comprobatório de origem, e a título de venda de quotas da empresa REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA. Irresignada, a recorrente impugnou o auto de infração alegando, em síntese: a) Preliminarmente, que o direito ao lançamento do crédito tributo havia sido atingido pela “prescrição”, no período de janeiro de 2003 até outubro de 2004, em face do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. Além disso, alegou que, conforme dispõe o art. 2º da Lei nº 7.713/88 e o art. 55, inciso XIII, do RIR/99, o fato gerador do acréscimo patrimonial seria mensal, de modo que a contagem da prescrição deve ser efetuada, dessa forma, mensalmente; b) No mérito, alegou a recorrente em sua impugnação: Fl. 740DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.723817/200963 Acórdão n.º 220201.255 S2C2T2 Fl. 723 5 b.1) que “a totalidade dos valores imputados à impugnante como descoberto, foram efetivamente declarados por si ou por seu cônjuge, porém em sua grande maioria, na qualidade de isentos”, conforme documentação por ele apresentada. b.2), que a inversão do ônus da prova é arbitrária e que não poderiam ser utilizadas conclusões de outra fiscalização para a desconsideração dos recursos declarados; b.3) que o repasse dos valores encontrase demonstrado nos autos e que, na qualidade de sócio de empresa, Evaldo Marcos Pavanato apresentou os comprovantes de rendimentos, ao passo que a fonte pagadora procedeu ao registro dos efetivos repasses de lucros em sua contabilidade e na DIPJ, havendo incremento de patrimônio compatível com a demanda de recursos declarados; b.4) que os lucros declarados pela pessoa jurídica são suficientes para comprovação dos recursos recebidos e, em referência ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que não caberia à pessoa física comprovar a origem e eventual tributação dos recursos na pessoa jurídica; b.5) que a distribuição de dividendos foi comprovada às fls. 15/27 e 255/262, sendo equivocada a “substituição ”, pela Fiscalização, da declaração de rendimentos isentos pela omissão de rendimentos tributáveis; b.6) que a fiscalização da pessoa jurídica REFLORESTADORA OVE LTDA teria se restringido aos anos de 2004 e 2005, permanecendo incólume o ano de 2003, de modo que, nesse contexto, devem ser aceitos, como origem de recursos, os rendimentos declarados, no montante de R$ 53.616,09, corroborados pelas DIPJs e pelas contabilizações correspondentes; b.7) que na fiscalização da empresa REFLORESTADORA OVE LTDA, foram arbitrados dividendos a distribuir, no ano de 2004, o valor de R$ 50.878,10, mas somente foram aceitos pela fiscalização o valor de R$ 38.000,00; b.8) que os recursos declarados pela recorrente e por seu companheiro como disponibilidade financeira no ano de 2003 seriam valores sacados ou recebidos no ano de 2002, e que não estariam obrigados a manter documentos por mais de cinco anos; b.9) que a fiscalização possuía a comprovação da venda das quotas da empresa REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA pela recorrente, mas sequer justificou porque tais comprovações não foram aceitas; b.10) que o empréstimo devolvido em 2003 foi concedido ao irmão de Evaldo Marcos Pavanato, no ano de 2002 e devidamente declarado em sua DAA, de modo que deveriam ser aceitos os valores, sob pena de violação ao art. 845, do RIR/99; b.11) que os valores no montante de R$ 6.000,00 recebidos pela recorrente, no ano de 2004, foi devidamente comprovado por recibo apresentado (fl. 84) e, para reforçar a prova, apresentou documentos contábeis da empresa indicando a distribuição de dividendos nesse valor; Fl. 741DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 6 b.12) que seria arbitrária a imputação dos custos da obra em apenas 02 anos (até a obtenção do habitese, em janeiro de 2005), já que parte das despesas foi contraída em parcelas de até 24 vezes, além de onerar duplamente a recorrente e seu companheiro com as despesas contraídas em 2005 e 2006; b.13) que a multa qualificada (150%) era indevida, devendo ser aplicada multa de 50%, já que jamais omitiu qualquer informação à fiscalização. Além disso, não poderia ser justificada a aplicação da multa qualificada através dos fatos averiguados em fiscalização de empresa do qual o recorrente é sócio. A 4ª Turma da DRJ/CTA, em acórdão de fls. 666 até 689 negou provimento à impugnação da recorrente, mantendo, integralmente, o crédito tributário exigido no auto de infração, com base nos seguintes fundamentos: a) quanto à decadência, entendeu que seu prazo, no presente caso, é regido pela combinação do art. 149, inciso V, com o art. 173, inciso I, do CTN e que, apesar da Lei nº 7.713/88 determinar que os acréscimos patrimoniais não declarados devam ser apurados mensalmente, tais valores seriam meras antecipações, já que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física somente se verifica no último dia do exercício, em 31 de dezembro; b) a própria legislação (art. 55, XIII, do RIR/99) autoriza a presunção de omissão de rendimentos no caso de acréscimo patrimonial injustificado. E o efeito dessa presunção (relativa) é a inversão do ônus probatório, para que o contribuinte comprove a origem dos recursos que justificam o acréscimo do patrimônio. Assim, somente foram desconsiderados no cálculo de apuração do auto de infração (fl. 615) os recursos que o contribuinte não comprovou a origem através de documentos hábeis. Desta forma, em que pese o processo de fiscalização da empresa REFLORESTADORA OVE LTDA, foram consideradas as comprovações de recursos recebidos desta pessoa jurídica; c) as declarações de ajuste anual da REFLORESTADORA OVE LTDA dos anoscalendário 2003 e 2004 (fls. 255/268), assim como os “Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” (fls. 262 e 266), os livros Razão Analítico (fls. 264 e 270/271) com registros de distribuição de lucros, por si sós, não têm força probatória em relação aos fatos informados, devendo estar lastreados em documentos concretos que demonstrem o pagamento e o recebimento dos valores declarados; d) não são as conclusões do processo de fiscalização da REFLORESTADORA OVE LTDA que deram suporte ao lançamento, mas a falta de comprovação de recursos para a variação patrimonial – acréscimo a descoberto – que caracteriza omissão de rendimentos, por presunção legal. As conclusões da ação fiscal na empresa tornamse relevantes quando se verificou que o contribuinte e seu companheiro pretenderam, por meio das declarações de ajuste anual, caracterizar recebimentos de recursos isentos que, ao final, não lograram comprovar o recebimento; e) a própria jurisprudência apresentada pelo recorrente, relativa ao art. 42, da Lei nº 9.430/96, é desfavorável à sua tese, pois nela se encontra consignada a necessidade de identidade entre supostos lucros distribuídos e os depósitos bancários que, justamente, não se comprovaram no presente processo; f) a ausência de fiscalização da empresa REFLORESTADORA OVE LTDA no exercício de 2003 não afasta o ônus dos interessados de comprovar que teriam auferido os rendimentos isentos que aventam como origem de recursos. Assim, mantémse, em relação ao ano de 2003, a obrigação da pessoa física autuada de, tendo em conta a presunção legal de Fl. 742DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.723817/200963 Acórdão n.º 220201.255 S2C2T2 Fl. 724 7 omissão de rendimentos, comprovar que detinha recursos para fazer frente à variação patrimonial que se apurou a descoberto. g) o próprio art. 845 do RIR/99 (reputado como violado pela recorrente) demonstra a possibilidade de a atividade fiscal ser baseada em diversos parâmetros; h) a disponibilidade financeira do ano de 2003, declarada pela recorrente e por seu companheiro, no valor de R$ 51.000,00 e R$ 35.120,00, respectivamente, deveria ter sua origem comprovada por ambos; i) em relação a cessão de cotas da empresa REFLORESTADORA BOM SUCESSO a fiscalização teria considerado superada a questão na medida em que intimados os interessados (fls. 547 e 597) a se manifestar acerca do demonstrativo de origens e aplicações que não contemplara aquela operação (fls. 549/550 e 610/611), não houve contestação a respeito (fls. 555/557 e 623). Ainda assim, nada impediria os interessados de comprovar a efetividade da obtenção dos recursos aventados. Além disso, houve desencontro de informações, seja quanto ao valor, seja quanto à data da operação, já que a alteração contratual de venda das quotas apresenta o valor pertencente à recorrente, Izabel Cristina Ghermacovski, de R$ 26.000,00, enquanto a sua declaração de ajuste anual referente ao ano de 2003, apresentava quotas dessa empresa no valor de R$ 10.000,00. Além disso, a alteração contratual apresentava a ressalva de que o preço e as condições ajustados constariam de contrato particular em separado (fl. 216), e que o recorrente não apresentou para suposta comprovação; j) em relação à devolução de empréstimo recebida em 2004, Evaldo Marcos Pavanato não produziu prova alguma da efetividade da operação, nem mesmo a data em que teria ocorrido suposto pagamento; k) o suposto recibo datado de 31/12/2004 e que daria guarida aos recebimentos isentos da recorrente é idêntico aos recibos de fls. 84/87, de 31/12/2005, 31/10/2007 e 31/12/2007, o que constitui forte indício de que foram emitidos contemporaneamente, a despeito das datas neles apostas, o que reforça a suposição fiscal de que poderiam ter sido elaborados a qualquer tempo; l) a contabilidade da empresa ANDARE CALÇADOS LTDA, fonte pagadora dos alegados rendimentos isentos percebidos pela recorrente, verificase às fls. 642/644, quanto ao ano de 2004, apenas a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (fl. 643), que teria sido transcrita no Livro Diário, cujo Termo de Abertura, à fl. 642, apenas veio a ser registrado na Junta Comercial em 04/12/2009, após a presente autuação. E mesmo que essa contabilização tivesse sido efetuada à época, não comprovaria, por si só, a efetiva disponibilização de recursos. Bastaria, para contraporse à variação patrimonial a descoberto, a comprovação do fluxo financeiro correspondente, o que os interessados não demonstraram ter ocorrido, seja em 31/12/2004, seja em outra data; m) não houve qualquer prova dos dispêndios com a construção da residência, de modo que a fiscalização se viu sem alternativa a não ser arbitrar o valor pela multiplicação da metragem do imóvel, informada pela Prefeitura de Curitiba pelo valor do CUB, divulgado pelo SindusconPR; n) o recorrente não comprovou os recebimentos de distribuição de dividendos da empresa REFLORESTADORA OVE LTDA., no ano de 2004, em valor superior a R$ 38.000,00, de modo que o limite de distribuição de dividendos arbitrado no processo de Fl. 743DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 8 fiscalização da pessoa jurídica (no valor de R$ 50.878,10), não poderia ser aplicado pela fiscalização das pessoas físicas; o) tendo em vista a verificação de fraude, estaria correta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. O recorrente apresenta o recurso voluntário sob análise, repisando os mesmos argumentos invocados em sua impugnação. Assim, defende que: a) em razão da apuração mensal do acréscimo patrimonial a descoberto, a decadência do direito ao lançamento do crédito tributo no período de janeiro de 2003 até outubro de 2004, em face do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN; b) que os documentos apresentados fazem prova do pagamento de rendimentos isentos de IRPF, a recorrente e a seu companheiro, Evaldo Marcos Pavanato; c) que todos os recursos recebidos pela recorrente e por seu companheiro, Evaldo Marcos Pavanato, em 2003 e em 2004 foram esclarecidos ou comprovados; d) que seria arbitrária a imputação dos custos da obra em apenas 02 anos (até a obtenção do habitese, em janeiro de 2005), já que parte das despesas foi contraída em parcelas de até 24 vezes, além de onerar duplamente a recorrente e seu companheiro com as despesas contraídas em 2005 e 2006; e) que a multa qualificada (150%) era indevida, devendo ser aplicada multa de 50%, já que jamais omitiu qualquer informação à fiscalização. É o relatório. Fl. 744DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.723817/200963 Acórdão n.º 220201.255 S2C2T2 Fl. 725 9 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo DA DECADÊNCIA Alega a recorrente que o direito de constituição do crédito tributário em análise teria decaído, em relação ao ano de 2003 e aos meses de janeiro até outubro de 2004, em razão da aplicação do §4º, do art. 150, do CTN, defende que a contagem do prazo decadencial, no caso de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, deve ser efetuada mensalmente, como se o fato gerador do tributo fosse mensal, nos termos do que dispõe o art. 2º da Lei nº 7.7713/88 e art. 55, inciso XIII, do RIR/99 . Não assiste razão à recorrente. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) é tributo sujeito ao sujeito ao lançamento por homologação, modalidade de lançamento em que o contribuinte antecipa o pagamento do tributo e declara o montante devido ao Fisco, ficando esse procedimento sujeito à posterior homologação por parte da Fazenda Pública. Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, o procedimento considerase tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. Passado esse prazo, salvo a comprovação de dolo, de fraude ou de simulação, o direito de efetuar eventual lançamento de ofício encontrase atingido pela decadência. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, analisando o assunto no rito previsto no art. 543C, do Código de Processo Civil, cuja decisão é de observância obrigatória por esta Colenda Corte, nos termos do art. 62 A do Regime Interno, entendeu que no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação em que não ocorre o pagamento antecipado é aplicado o prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN, para contagem da decadência, in verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp Fl. 745DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 10 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Grifamos. Conforme se verifica na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2003 (fls. 4/6), não houve qualquer pagamento antecipado pela recorrente, fato que, conforme o entendimento jurisprudencial consolidado, afasta a incidência do art. 150, §4º, do CTN, acarretando a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Assim, iniciando o prazo de decadência em 1º/01/2005 (CTN, art. 173, I) e tendo sido lavrado o auto de infração 25/11/2009, não há que se falar em caducidade do direito fazendário à constituição do crédito tributário. Quanto ao argumento do recorrente de que o fato gerador na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto se daria mensalmente, também não assiste razão ao recorrente. Fl. 746DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.723817/200963 Acórdão n.º 220201.255 S2C2T2 Fl. 726 11 É que, como bem salientou a decisão recorrida, apesar da Lei nº 7.713/88 determinar que os acréscimos patrimoniais não declarados devam ser apurados mensalmente, tais valores caracterizamse meras antecipações, já que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física somente se verifica no último dia do exercício, em 31 de dezembro. Nesse sentido é o entendimento pacífico dessa E. Corte: Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10616064 do Processo 10845004198200292 Data: 24/01/2007 Ementa: IRPF DECADÊNCIA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada em base mensal e tributados anualmente, razão pela qual o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). FORMA DE APURAÇÃO TRIBUTAÇÃO MENSAL A partir do anocalendário 1989, o acréscimo patrimonial não justificado deve ser apurado mensalmente, confrontandose os rendimentos do respectivo mês, com transporte para os períodos seguintes dos saldos positivos de recurso, conforme determina o artigo 2º da Lei nº 7.713, 1988. PROVAS Não tendo o contribuinte logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento de ofício. Recurso negado. (Grifamos) Portanto, merece ser rejeitada a preliminar. DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Conforme relatado, o procedimento de acréscimo patrimonial a descoberto foi executado em relação ao casal Evaldo Marco Pavanato e Izabel Cristina Ghermacovski, e lançado na proporção de 50% para cada um, tendo em vista que ambos declararam conviver em união estável durante o período fiscalizado. Nos termos do art. 3º, §1º, da Lei nº 7.713/88, a constatação de acréscimo patrimonial desprovida de rendimentos que lhe sirvam de esteio constitui fato suficiente à exigência do respectivo Imposto sobre a Renda. Assim, como bem anotou a decisão recorrida, “é a própria legislação que, estabelecendo uma presunção de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto devido correspondente, sempre que se apure acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos declarados.” (fl. 674). O requisito legal que afasta a incidência do IR, obviamente, não é satisfeito com a mera referência dos rendimentos na Declaração do contribuinte, mas exige a apresentação do respectivo documento, no qual esteja retratado o respectivo ato/fato jurídico. Essa a correta linha na qual caminha a jurisprudência desse Conselho: Fl. 747DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 12 “Acórdão nº 10617200 do Processo 18471001627200609 Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Classificase como omissão de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, não logrando o contribuinte apresentar documentação capaz de ilidir a tributação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. Recurso voluntário negado.” Grifamos. Cumpre esclarecer, ainda, que, conforme se verificou ao longo do presente processo administrativo, as conclusões tecidas no processo de fiscalização da REFLORESTADORA OVE LTDA não serviram como fundamento para a constituição do crédito tributário e vieram à tona apenas para desqualificar as alegações elencadas pelo próprio recorrente. O fato investigado pela fiscalização, no presente processo, diz respeito à existência, ou não, de recursos suficientes para a construção de uma residência, pelo casal, nos anos de 2003 e 2004. É que restou comprovado, através do Certificado de Vistoria de Conclusão de Obra e Habitese, apresentado pela Prefeitura Municipal de Curitiba (fl. 544) que a construção da residência encerrouse anteriormente a 05 de janeiro de 2005 (data da emissão do certificado) Além disso, o Alvará da Construção (fls. 542 e 545) demonstrou que a metragem da residência seria de 420,77 m2. Ademais, apesar de alegar o contrário, o contribuinte não apresentou nenhum documento demonstrando gastos com a construção da residência, não restando á fiscalização outra alternativa que o o arbitramento do valor da residência, através da multiplicação da metragem do imóvel pelo CUB informado pelo Sinduscon/PR. O próprio recorrente concordou com essa conduta, conforme se verifica na fl. 555 dos autos. O fato é que os argumentos alinhados pelo recorrente sobre despesas com a construção da residência posteriores a 2003 e 2004 deveriam estar acompanhados de documentos comprobatórios, para serem considerados nesse julgamento. Do arbitramento efetuado pela fiscalização chegouse ao valor adotado como sendo o gasto na construção da residência: R$ 349.374,86. Desta forma, partiuse par análise dos rendimentos declarados pelo casal, nos anos de 2003 e 2004, para verificar se os mesmos possuíam lastro para os gastos com a residência nesse período. Entretanto, a conclusão obtida pela fiscalização foi a de que diversos rendimentos declarados pelo casal não tiveram o seu recebimento comprovado pelo casal, conforme será abaixo analisado. Fl. 748DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.723817/200963 Acórdão n.º 220201.255 S2C2T2 Fl. 727 13 A) RENDIMENTOS ISENTOS (DIVIDENDOS) RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA A.1.) Evaldo Marco Pavanato Evaldo Marco Pavanato declarou ter recebido da empresa REFLORESTADORA OVE LTDA, a título de distribuição de dividendos, no ano de 2003, o valor de R$ 53.616,09. Já no ano de 2004, informou ter recebido, a esse mesmo título e da mesma fonte pagadora, o valor de R$ 493.750,00. Para comprovar o pagamento de tais valores apresentou declarações de ajuste anual da empresa, dos anoscalendário 2003 e 2004 (fls. 255/280), “Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” (fls. 262 e 268) e Livro Razão Analítico (fls. 264 e 270/271), onde constaria o registro de distribuição de lucros. Ocorre, porém, que intimado a apresentar comprovantes do pagamento e do recebimento desses valores da REFLORESTADORA OVE LTDA, Evaldo Marco Pavanato somente demonstrou ter efetivamente recebido o valor de R$ 38.000,00, referente ao ano de 2004. Ou seja, caberia a Evaldo Marco Pavanato demonstrar, através de comprovantes que efetivamente recebeu os valores declarados como isentos, no ano de 2003 e 2004, já que as declarações da empresa e documentos contábeis não são suficientes para a comprovação da distribuição e pagamento dos lucros aos sócios. Nesse sentido, já se manifestou esse Tribunal, conforme se observa: “Acórdão nº 10616847 do Processo 109800078000010 Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ANÁLISE DA EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO Somente podem ser considerados como origens de recursos na análise da evolução patrimonial os rendimentos isentos e não tributáveis relativos à distribuição de lucros pagos por pessoas jurídicas se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade dos pagamentos.” (Grifamos). Noutros termos, deveria o contribuinte apresentar documentos comprobatórios de que foi efetivamente destinatário de pagamentos de dividendos por parte da empresa do qual era sócio. Cheques em que não constou como beneficiário ou outro documento sem referência expressa a sua titularidade jurídica não podem ser considerados pela autoridade administrativa como prova de pagamento. Até mesmo a eventual constatação de disponibilidade para distribuição de dividendos pela empresa (através do arbitramento levado a cabo no processo de fiscalização da pessoa jurídica) não faz qualquer prova de que os valores foram recebidos pelo sócio, como pretende fazer crer o recorrente. Deste modo, acertada a decisão proferida pela DRJ Curitiba quanto ao ponto. A.2) Izabel Christina Ghermacovski Também não foi aceito pela fiscalização o valor de R$ 6.000,00 que Izabel Christina Ghermacovski declarou ter recebido a título de distribuição de dividendos da empresa ANDARE CALÇADOS LTDA, cujo recebimento procurou demonstrar através da Demonstração dos Lucros ou Fl. 749DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO 14 Prejuízos Acumulados (fl. 643), do Livro Diário (fl. 645) e de recibo de pagamento por ela produzido (fl. 84). Como se pode observar na análise desses documentos, em nenhum deles há identificação de que Izabel Christina Ghermacovski foi destinatária de lucros distribuídos. Há, apenas, a informação de que foram pagos R$ 6.000,00, sem identificação do beneficiário. Além disso, conforme apontou a decisão recorrida, o recibo de fl. 84, supostamente passado em 31/12/2004, é idêntico aos recibos de fls. 85/87, de 31/12/2005, 31/10/2007 e 31/12/2007, o que, realmente, constitui forte indício de que somente foram produzidos para justificar origem de recursos para a fiscalização, a despeito das datas neles constantes. Nesse diapasão merece ser mantida a decisão proferida pela DRJ de Curitiba. B) OUTROS RECEBIMENTOS GLOSADOS PELA FISCALIZAÇÃO B.1)Disponibilidades Financeiras Além dos valores que haviam sido declarados como rendimentos isentos pelo casal, também foram desconsiderados outros suscitados ingressos, sobre os quais não houve comprovação. É o caso das alegadas disponibilidades financeiras de recursos do casal, nos montantes de R$ 35.120,00 (Izabel Christina Ghermacovski) e de R$ 51.000,00 (Evaldo Marco Pavanato), advindas do ano de 2002, informadas em DAA, que teriam como justificativa a ocorrência de saques e recebimentos previamente realizados. A recorrente alega que não teria como comprovar essas disponibilidades, pois os respectivos documentos eram anteriores a 2002 e já teria transcorrido prazo para guarda de comprovantes (5 anos). Conforme informaram, os recorrentes haviam sacado (pelo menos) parte dos valores informados como disponibilidade financeira, de modo que poderiam, assim, apresentar extratos bancários do período demonstrando os respectivos saques. Isto porque os bancos têm o dever de manter documentos pelo prazo de prescrição, conforme previsto no art. 1.194 do Código Civil. Deste modo, as instituições financeiras onde teriam ocorrido os alegados saques teriam condições de fornecer tais documentos ao casal, à época da fiscalização. Deste modo, merece ser mantida a decisão da DRJ, nesse ponto. B.2) Devoluções de Empréstimos Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à tentativa de justificar ingressos através da devolução de empréstimo pelo irmão do seu companheiro, Evaldo Marco Pavanato. É que, apesar de se tratar de relação familiar, há que se comprovar (pelo menos através de recibo assinado pelas partes ou contrato de empréstimo) que os valores foram efetivamente recebidos por Evaldo Marco Pavanato, no ano de 2004. A alegada operação não foi amparada por elemento probatório suficiente, a não ser a própria declaração de ajuste elaborada unilateralmente por Evaldo Marco Pavanato (fls. 18 e 22), que sequer identificava o seu irmão como beneficiário do empréstimo, tampouco, a data e a forma de quitação. Irretocável a decisão recorrida, também nesse ponto. B.3) Venda de Quotas da REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA. A recorrente informou ter recebido R$ 26.000,00 em relação à cessão de cotas que detinha do capital social da empresa REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA. Esse valor não foi aceito pela decisão da DRJ de Curitiba, tanto pela insuficiência probatória como pelo desencontro de Fl. 750DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.723817/200963 Acórdão n.º 220201.255 S2C2T2 Fl. 728 15 informações quanto ao valor da operação. A alteração contratual de venda atribuiu às quotas da recorrente o valor de R$ 26.000,00, enquanto na Declaração de Ajuste Anual da recorrente, referente ao ano de 2003, essas mesmas quotas foram valoradas em R$ 10.000,00. Ponderou a decisão recorrida, também, que a alteração contratual apresentava a ressalva de que o preço e as condições ajustados constariam de contrato particular em separado (fl. 216), e que a recorrente não teria apresentado tal documento. Ainda que se desconsiderasse o desencontro de informações e se tomasse como correto o valor indicado no contrato social, ainda assim, não houve por parte da recorrente a comprovação do efetivo recebimento dos valores declarados. Isto é, com a exceção da informação constante na alteração contratual, não qualquer outro indício de que os valores foram efetivamente pagos à recorrente pela venda das quotas da REFLORESTADORA BOM SUCESSO, devendo, assim, ser mantida a decisão da DRJ de Curitiba. DA MULTA APLICADA. Merece parcial provimento à irresignação da recorrente nesse ponto. Busca o recorrente a aplicação da multa de 50%, prevista na novel redação do inciso II, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Esse dispositivo é inaplicável aos casos em que o auto de infração exige tributo, ficando adstrito às hipóteses de lançamento de multa isolada. Entretanto, ingressando na análise da multa de 150% aplicada, tenho que a mesma deve ser reduzida para 75%, forte no entendimento cristalizado no âmbito do CARF (Súmula 25), segundo o qual a omissão de receitas, por si só, não constitui circunstância suficiente à aplicação da multa qualificada. Assim, tendo em vista os motivos acima expostos, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, para reduzir a multa aplicada para 75% (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 751DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 13607.720687/2015-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.861
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 72 06 87 /2 01 5- 19 Fl. 40DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.861 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13607.720687/2015-19 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 41DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.861 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13607.720687/2015-19 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 42DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.861 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13607.720687/2015-19 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10675.901035/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-Calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO POR PARTE DO RECORRENTE. Cabe a Recorrente efetuar a comprovação de seu direito creditório de forma a justificar a compensação efetuada, não cabendo ao CARF a exege-se dos documentos e demonstrações apresentadas pelo interessado. Como a Recorrente não comprova aquilo que foi alegado, não é possível auferir seu direito creditório, tornando assim impossível a ratificação da compensação por ela efetuada. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.347
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Gilberto de Castro Moreira Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AnoCalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO POR PARTE DO RECORRENTE. Cabe a Recorrente efetuar a comprovação de seu direito creditório de forma a justificar a compensação efetuada, não cabendo ao CARF a exegese dos documentos e demonstrações apresentadas pelo interessado. Como a Recorrente não comprova aquilo que foi alegado, não é possível auferir seu direito creditório, tornando assim impossível a ratificação da compensação por ela efetuada. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Paulo Sérgio Celani. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10675.901035/200844 Acórdão n.º 3202000.347 S3C2T2 Fl. 161 2 Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – Minas Gerais (“DRJ/Juiz de Fora”), como constante às fls. fls. 58/59, que negou provimento à Impugnação da Recorrente, havendo por bem manter o lançamento consubstanciado no Auto de Infração e Imposição de Multa ora guerreado: Relatório O interessado transmitiu a Dcomp n° 09252.47595.191006.1.7.047600, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido de Cofins, relativo ao período de apuração fevereiro/2003; A DRFUberlandia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 10 e seguintes), na qual alega que" apresentou oportunamente dctf retificadora no intuito de sanar a distorção e inconsistência que ocasionou a rejeição da compensação"; E o breve relatório. A decisão de fls. 58/59, proferida pela DRJ/Juiz de Fora, foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. COMPENSAÇÃO Após a instituição da Declaração de Compensação, a compensação se dá na data de transmissão da Dcomp, sendo que o crédito deve estar disponível nessa data. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ/Juiz de Fora, a qual decidiu por manter parte do crédito tributário lançado pela autoridade fiscal, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário de fls. 62/158, objetivando reformar a decisão em tela, alegando, em breve síntese, possuir o direito creditório ora analisado e que a nãohomologação das compensações efetuadas se deram em decorrência de um erro formal por ela cometido Fl. 162DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10675.901035/200844 Acórdão n.º 3202000.347 S3C2T2 Fl. 162 3 É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Compensação. Não comprovação do Direito Creditório. No que tange a questão de mérito da decisão proferida pela DRJ/Juiz de Fora, entendo não caber qualquer reparo. Pela análise da documentação acostada aos autos, a empresa apresentou a DCTF do 1º trimestre de 2003 com erro, e só efetuou sua retificação em 24/06/2008, data posterior à ciência do Despacho Decisório impugnado. A própria Recorrente reconhece tal fato em seu Recurso Voluntário Ademias, embora junte volumosos documentos em sua peça recursal, a Recorrente não traz a demonstração da apuração do valor lançado na DCTF retificadora, para que se possa certificar a sua correção. Nela também não constam quaisquer elementos que comprovam que esse novo valor fora apurado e declarado para o Fisco em data anterior à transmissão da Dcomp n° 09252.47595.191006.1.7.047600, contrariando assim, o inciso III do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, que estabelece que "a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Dessa forma, como bem fundamentado pela DRJ/Juiz de Fora, considerando que a DCTF constitui confissão de divida, os débitos nelas declarados e não pagos são exigíveis, sendo passíveis de inscrição em Divida Ativa da União para futura execução fiscal. Assim o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela empresa, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação na data da transmissão da Dcomp em análise. Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 Fl. 163DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10675.901035/200844 Acórdão n.º 3202000.347 S3C2T2 Fl. 163 4 estabelece que "na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação". Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. Ademais, cumpre destacar que, neste ponto, não houve a comprovação de que a Recorrente de fato possui saldo do direito creditório, não sendo possível, a este julgador, auferir se de fato havia ou não saldo credor a ser utilizado pelo interessado. Desta forma, face à ausência de comprovação pelo interessado da existência de seu direito creditório, foi corretamente não homologada a compensação pela RFB em Uberaba, bem como corretamente mantida tal decisão pela DRJ/Juiz de Fora. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, mantendose a decisão da DRJ/Juiz de Fora por seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 164DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002937/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE LAUDO PERICIAL APOSENTADORIA
Estão Isentos Do Imposto Sobre A Renda Os Proventos De Aposentadoria Ou Reforma Percebidos Pelos Portadores De Moléstia Grave, Mormente Quando A Inatividade Já Fora Motivada Pela Doença Prevista Em Lei. Há necessidade de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2202-001.371
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE LAUDO PERICIAL APOSENTADORIA Estão Isentos Do Imposto Sobre A Renda Os Proventos De Aposentadoria Ou Reforma Percebidos Pelos Portadores De Moléstia Grave, Mormente Quando A Inatividade Já Fora Motivada Pela Doença Prevista Em Lei. Há necessidade de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
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Há necessidade de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Fl. 226DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11516.002937/200891 Acórdão n.º 220201.371 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) decorrente de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte, no qual foi apurado imposto de renda pessoa física no valor de R$ 148.569,67 (cento e quarenta e oito mil quinhentos e sessenta e nove reais e sessenta e sete centavos), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, bem como multa isolada de R$ 74.832,54 (setenta e quatro mil oitocentos e trinta e dois reais e cinqüenta e quatro centavos), referente aos anos calendário 2003, 2004, 2005 e 2006, conforme Auto de Infração e Demonstrativos às fls. 02 e 119 a 150. Mostra o Auto de Infração que o lançamento fiscal decorreu dos seguintes fatos: 1. Omissão de Rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos à Carnê Leão decorrente de pensão alimentícia judicial, para os anoscalendário 2003, 2004, 2005 e 2006, nos valores respectivos de R$ 125.312,78, R$ 128.264,13, R$ 152.482,98 e R$ 153.897,18. Tais rendimentos tiveram origem na fonte pagadora Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina; 2. Omissão de Rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos à Carnê Leão decorrente de pensão alimentícia judicial, para os anoscalendário 2003, 2004, 2005 e2006, nos valores respectivos de R$ 1.132,01, R$ 1.377,83, R$ 1.470,53 e R$ 1.882,50. Tais rendimentos tiveram origem na fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina; 3. Omissão de rendimentos decorrentes de decisão da Justiça Federal, no ano calendário 2005, no valor de R$ 8.421,87; e 4. Multa isolada no valor total de R$ 74.832,54, para os anoscalendário 2003, 2004, 2005 e 2006, que correspondem aos valores respectivos de R$ 16.382,84, R$ 17.105,59, R$ 20.466,94 e R$ 20.877,17, por falta de recolhimento de Imposto de Renda a título de carnêleão, decorrente de rendimentos de pensão alimentícia. Relata a autoridade fiscal que por meio do Termo de Início de Fiscalização n° 192/08 solicitou à contribuinte que informasse a origem dos rendimentos isentos e não tributáveis, bem como esclarecimentos acerca da tributação dos valores recebidos a titulo de pensão alimentícia. Diz que em resposta, a contribuinte apresentou os documentos de folhas 26 a 28, e esclarecimentos, mostrando que é exesposa do Dr. João de Borba, inscrito no CPF 070.308.19934, aposentado, portador de moléstia grave, motivo pelo qual, seus rendimentos são isentos e que recebe pensão alimentícia deste, por força de decisão judicial; que enquanto era casada com o Dr. João de Borba, constava como dependente, e que os rendimentos do esposo eram isentos por força da moléstia grave; que após a separação, parte daqueles rendimentos, por força de decisão judicial, a fonte pagadora (Poder Judiciário de Santa Catarina), passou a efetuar diretamente à contribuinte o pagamento a título de pensão alimentícia; como os rendimentos que recebia eram isentos enquanto dependente, sua origem não foi alterada sendo agora informados em sua Declaração, embora em separado, também como isentos e não tributáveis. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Cita a autoridade fiscal que a contribuinte entendeu, de forma equivocada, que os rendimentos decorrentes da pensão alimentícia recebida do Sr. João de Borba eram isentos, uma vez que o exesposo é portador de moléstia grave. Relata que a beneficiária da pensão alimentícia não comprovou preencher as condições e requisitos necessários para a concessão de isenção do imposto sobre os seus próprios rendimentos., ou seja, o exesposo se enquadra na situação de isento, mas a contribuinte não comprovou que faz jus ao beneficio. Mostra que o art. 176 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que a isenção de imposto decorre de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão. Colaciona o art. 39, inc. XXXI, Regulamento do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), que trata da isenção do imposto de renda aos pensionistas com doença grave, bem como o inc. XXXIII do mesmo artigo, que trata da isenção dos proventos de aposentadoria ao portador de doença grave. Concluiu a autoridade fiscal que somente os rendimentos recebidos por pessoa portadora de moléstia grave estão alcançados pelo benefício da isenção do imposto de renda, pelo que efetuou o lançamento referente à omissão de rendimentos. Tocante à omissão de rendimentos percebidos por força de decisão da Justiça Federal, cita que a contribuinte alegou que teriam sido declarados equivocadamente como isentos e não tributáveis, recebidos a título de pensão alimentícia do Sr. João de Borba, porém, esclareceu a autoridade fiscal que tais rendimentos são diversos dos pagos a título de pensão alimentícia, pelo que considerouos como rendimentos omitidos, efetuando o lançamento fiscal e o aproveitamento do imposto retido informado em DIRF. Tocante à multa isolada, relata que a contribuinte deixou de efetuar o recolhimento do carne leão referente aos valores recebidos a título de pensão alimentícia relativos aos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, conforme determina o art. 8o da Lei n° 7.713/88. Relata que a pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na Declaração de Ajuste Anual, está sujeita à multa isolada (50%) sobre o imposto mensal (carnêleão) devido e não recolhido, conforme legislação que cita (art. 957, parágrafo único, inciso III do RIR/99; art.44, inc. II, "a", da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007). Irresignada a Recorrente apresentou impugnação de fls. 153 a 170 onde constesta o lançamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis – DRJ/FNS, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através do acórdão DRJ/FNS n° 0723.518, de 18 de março de 2011 (fls. 185/191), consubstanciando na ementa baixo transcrita: Fl. 229DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11516.002937/200891 Acórdão n.º 220201.371 S2C2T2 Fl. 3 5 Assunto : Imposto sobre a Renda de Pesso a Física IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. NATUREZA DO RENDIMENTO DO ALIMENTANTE. IRRELEVÂNCIA QUANTO AO ALIMENTANDO. ISENÇÃO. A isenção dos rendimentos do alimentante, por força de sua condição pessoal de portador de moléstia grave, não se transfere ao alimentando que não comprove preencher os requisitos do benefício isentivo. Assunto : Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade. DILIGÊNCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. Temse por prescindível a diligência requerida quanto a matéria não diz respeito ao rendimento percebido omitido, objeto do lançamento fiscal. Devidamente intimado em 13 de abril de 2011, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso em 11 de maio de 2011, de fls. 197/207, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 230DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior MOLÉSTIA GRAVE Podemos verificar que o motivo do lançamento, foi motivado pela constatação de omissão de rendimentos por parte da Recorrente, que declarou tais valores com isentos e não tributáveis. A Recorrente por força de separação judicial passou a receber pensão alimentícia do seu exconjuge que era portador de moléstia grave. A questão da isenção da moléstia grave está o disposto no artigo 30 da Lei n° 9.250/95: Art. 30 – A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito de reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Nos termos da referida norma legal, um dos requisitos que devem ser observados para o reconhecimento da moléstia grave é que a mesma deverá ser devidamente comprovada através de laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Além do mais tal isenção tem natureza personalíssima, ou seja o somente a pessoa portadora de tal moléstia teria direito a isenção. Podemos observar no caso em concreto, entendo que não é possível estender tal benefício a Recorrente, uma vez que a mesma não é portadora de moléstia grave. Desta forma entendo que não assiste razão a Recorrente quanto a essa questão. Multa Isolada Concomitância Gostaria de examir de ofício aplicação ou não da multa isolada, prevista no art. 44, § 1°, inciso III da Lei nº 9.430/96,, uma vez que já se aplica ao caso a multa albergada no inciso I do caput do mesmo artigo. Julgados anteriores desse Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, têm reconhecido a improcedência a cobrança simultânea das multas previstas no inciso I e no §1º III do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 231DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11516.002937/200891 Acórdão n.º 220201.371 S2C2T2 Fl. 4 7 Dentre os argumentos utilizados para se afastar a incidência da multa isolada, quando já haja sido aplicada a multa do inciso, I, dizse que as hipóteses previstas para ambos são diferentes e excludentes, não comportando interpretação conciliatória. Inicialmente, pelo inciso I do art. 44, a multa de ofício será aplicada juntamente com o tributo, quando não houver sido anteriormente pago (regra geral). O inciso III, por sua vez, ao tratar da multa isolada, dispõe sobre a penalidade para o não recolhimento do imposto mensal, o carnêleão, e havendo saldo de imposto apurado mediante procedimento de ofício, tão somente deve ser aplicada a multa de ofício, ou seja, a prevista no inciso I do art. 44. No julgamento do Recurso Voluntário nº 131.038, o Relator AMAURY MACIEL, em seu voto vencedor, cita excerto do acórdão proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 125.987, de 19 de março de 2002, do Ilustre Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, de 19 de março de 2002, que assim resumiu a contenda: “No que tange às multas isoladas, são duas as espécies lançadas contra o contribuinte, uma delas sobre o imposto objeto do lançamento que já está com multa de ofício e, a outra, sobre rendimentos declarados e cuja antecipação não foi realizada, não obstante tenham sido oferecidos à tributação na declaração de ajuste. A primeira hipótese não oferece grandes dificuldades, posto que visivelmente afronta toda nossa construção jurídica que repudia a dupla penalização, sobre um mesmo fato e com a mesma base de cálculo, sendo razão suficiente para recomendar seu cancelamento. Essa matéria já foi enfrentada por esta Câmara que, em diversas vezes e à unanimidade, tem decidido pelo afastamento da penalidade sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo objeto do lançamento. A outra mula isolada incide sobe a antecipação devida e não recolhida, relativamente a rendimentos declarados e oferecidos à tributação e prevista no inciso III do art. 44 da Lei n.° 9.430, que diz: (...) Isto significa dizer que, não obstante o contribuinte tenha declarado espontaneamente os rendimentos e recolhido o tributo, ou seja, cumprindo integralmente e antes do procedimentos fiscal a obrigação tributária, é penalizado com a multa de ofício isolada que é calculada com base em crédito tributário inexistente. Minha discordância em relação a essa penalidade repousa em dois aspectos, um de natureza lógica e outro de cunho legal. Pelo lado lógico, porque em situações em que essa multa alcança a hipótese de omissão de rendimentos e, ai sim, há crédito tributário lançado como também é o caso destes autos e já anteriormente decidido, esta mesma Câmara, à unanimidade, Fl. 232DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 decide pelo afastamento da penalidade, como já dito, sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente, com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo não pago. Em outras palavras, o contribuinte que omite rendimentos e não recolhe o tributo escapa da multa e, aquele que espontaneamente declara o rendimento e oferece à tributação, fica submetido à penalidade. Também à unanimidade e em relação aos casos em que o tributo é recolhido fora do prazo sem a multa de mora, este Colegiado prestigia a espontaneidade e afasta a imposição da multa isolada.” Desta forma, entendo que não é devida a multa isolada sobre os rendimentos omitidos. Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento parcial para excluir da tributação a multa isolada. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 233DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11516.002937/200891 Acórdão n.º 220201.371 S2C2T2 Fl. 5 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 11526.002937/200892 Recurso nº : _____________ TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220201.371 Brasília/DF, 18 de outubro de 2011. (Assinado Digitalmente) NELSON MALLMANN Presidente da 2ª Turma Ordinária Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 234DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 13639.720513/2015-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.908
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 72 05 13 /2 01 5- 71 Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.908 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13639.720513/2015-71 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.908 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13639.720513/2015-71 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.908 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13639.720513/2015-71 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13767.000503/99-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 20/10/1988 a 25/07/1989
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COTA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. DECRETO-LEI Nº 2.295, DE 1986. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. RECONHECIMENTO DO DIREITO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Com a edição do Parecer PGFN/CRJ nº 2601/2008 e do Ato Declaratório PGFN nº 10/2008, restou superada a discussão sobre a incidência ou não dos chamados expurgos inflacionários sobre Pedidos de Restituição. Aplica-se ao valor pleiteado pelo contribuinte a correção dos valores pela Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561, de 2007.
Numero da decisão: 9303-010.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen (suplente convocado), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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COTA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. DECRETO-LEI Nº 2.295, DE 1986. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. RECONHECIMENTO DO DIREITO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Com a edição do Parecer PGFN/CRJ nº 2601/2008 e do Ato Declaratório PGFN nº 10/2008, restou superada a discussão sobre a incidência ou não dos chamados expurgos inflacionários sobre Pedidos de Restituição. Aplica-se ao valor pleiteado pelo contribuinte a correção dos valores pela Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561, de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen (suplente convocado), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 05 03 /9 9- 32 Fl. 938DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-010.128 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13767.000503/99-32 Cuida-se de Recurso Especial de divergência do Contribuinte dirigido à CSRF, interposto contra o Acórdão nº 303-33.050, de 25/04/2006, da 3ª Câmara do 3ª Conselho de Contribuintes do MF, que negou provimento ao Recurso Voluntário (fls. 664/685). Do Pedido de Restituição/Despacho Decisório Trata-se de Pedido de Restituição/Compensação com débitos de terceiros, referente a valores recolhidos no PA de 10/1988 a 07/1989, a titulo de "quotas de contribuição ao IBC", previstas no Decreto-Lei nº 2.295, de 1986. O referido Pedido de Restituição (fl. 02), baseou-se em decisão judicial transitada em julgado obtida pela Contribuinte em 28/01/1999. A DRF em Vitoria/ES, proferiu o Despacho Decisório (Parecer Seort nº 878/2003 - fls. 575/582), deferindo parcialmente o pleito formulado. Foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 387.664,39, acrescido de juros SELIC. Decidiu-se, também, considerar os Pedidos de Compensação mencionados no Parecer à fl. 582, entretanto, obedecidos os termos da IN SRF n° 210/2002. Consta dos autos que a Contribuinte cedeu seus créditos à empresa VINHOS SALTON S/A (antiga denominação de NICCHIO SOBRINHO CAFÉ LTDA.). Manifestação de Inconformidade e Decisão DRJ Cientificado do Despacho Decisório, a Contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade (fls. 585/600), alegando em síntese que, a autoridade julgadora deferisse o pedido de restituição dos valores pagos a titulo de "quota de contribuição sobre a exportação de café", acrescido dos expurgos inflacionários ocorridos no período, matéria consagrada na Súmula nº 41 do TRF/1ª Região, além da aplicação da taxa SELIC. A DRJ em Florianópolis/SC, prolatou o Acórdão nº 4.044, de 30/04/2004 (fls. 632/638), indeferindo a Manifestação formulada, sintetizado da seguinte forma: “merece ser integralmente indeferido o pleito da interessada referente à modificação administrativa dos índices de correção monetária aplicáveis sobre os valores indevidamente recolhidos a titulo de “Quota de Contribuição ao IBC”. Para todos os fins de direito, devem ser observados os índices oficiais estabelecidos pela NE/SRF/COSIT/COSAR nº 08/97, tendo em vista a inexistência de outros índices expressamente fixados pelo Poder Judiciário. No presente processo, o litígio restringe-se â questão dos índices de correção monetária que devem ser utilizados em sede de repetição de indébito. Do Recurso Voluntário Após intimada e, inconformada com a decisão de piso, a Recorrente interpôs o seu Recurso Voluntário, conforme documento apenso às fls. 640/661. Em seu arrazoado, mantêm na integra os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, como também, rebate os argumentos utilizados pela decisão a quo, quanto aos índices de correção monetária aplicáveis sobre os valores indevidamente recolhidos a titulo de “quota de contribuição ao IBC”, pugnando pela correção desses valores com base na norma de execução COSIT/COSAR n° 08 de 27/06/97, acrescidos dos índices inflacionários consagrados na Súmula n° 41 do TRF/1ª Região, além da aplicação da Selic. Dessa forma, alude que para que haja a plena e justa correção do indébito, os mesmos deverão ser acrescidos dos índices consagrados pela jurisprudência, não somente dos Tribunais Superiores, como também àquela dominante do próprio Conselho de Contribuintes, quais sejam: "JAN/89 (42,72%), FEV/89 (6,31%), MAR/90 (30,46%), ABR/90 (44,80%), FEV/91 (13,89%)". Cita e transcreve inúmeras jurisprudências emanadas pelos Tribunais Superiores e pelo Conselho de Contribuintes/MF. Da Decisão recorrida Fl. 939DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-010.128 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13767.000503/99-32 Quando da apreciação do Recurso pelo Colegiado, foi exarada a decisão consubstanciada no Acórdão n° 303-33.050, de 25/04/2006, que negou provimento ao Recurso Voluntário. Em seus fundamentos, entendeu-se que, “(...) só é possível o cômputo dos expurgos inflacionários pacificados no seio da jurisprudência administrativa e judicial, bem como a aplicação da taxa Selic, ainda que não tenham sido expressamente reconhecidos na sentença, quando não tenham sido explicitamente rechaçados”. No voto vencedor, restou esclarecido que, ao deferir a correção monetária, a sentença delimitou quais os índices que deveriam ser aplicados, rechaçando os demais índices que costumeiramente se reconhece no âmbito administrativo, em decorrência da exaustiva jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Uma vez que a correção monetária foi expressamente delimitada pela Sentença Judicial, impõe-se impedimento a que este Conselho de Contribuintes aplique os expurgos inflacionários, amplamente admitidos pela jurisprudência judicial e administrativa. Dos Embargos de Declaração Consta do Despacho de fls. 686/687, que a relatora designada a redigir o voto vencedor do Acórdão n° 303-33.050, apresenta Embargos de Declaração, alegando omissão, uma vez que avaliando melhor os autos, bem como o procedimento judicial que o embasa, pode concluir que, em verdade, houve omissão e a mesma foi prolatada em desacordo com o conjunto probatório que lhe embasa. Os embargos foram admitidos pela Presidente da Terceira Câmara que determinou a deliberação pelo Colegiado. Ao analisar os embargos foi prolatado o Acórdão nº 303-35.387, de 18/06/2008 (fls. 749/752), restando consignado no voto vencedor que para o período a que se refere o presente processo, tanto na exigência de créditos tributários eventualmente cobrados do contribuinte, quanto nas restituições de valores pagos indevidamente, a Receita Federal do Brasil utiliza, a titulo de acréscimos para atualização monetária, os índices previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27 de junho de 1997. E, conclui que “(...) Portanto, salvo nos casos em que haja decisão judicial que especifique a aplicação desses "expurgos", o que não aconteceu no presente processo, entendo que a administração tributária não está autorizada a aplicar qualquer índice de atualização fora daqueles previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97, razão pela qual voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO”. Recurso Especial do Contribuinte Cientificada do Acórdão nº n° 303-33.050, de 25/04/2006, integrado pelo Acórdão de Embargos nº 303-35.387, de 18/06/2008, que negou provimento ao Recurso Voluntário, a Contribuinte interpôs Recurso Especial de divergência conforme petição de fls. 767/787. Em conclusão, com base nas razões expostas no Despacho do Exame de Admissibilidade de Recuso Especial de fls. 848/849, o Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF, considerou o pleito intempestivo, não havendo como se vislumbrar a abertura da via especial à Recorrente. Logo, entendeu desnecessário o exame das demais exigências regimentais à admissibilidade do apelo e, negou seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do pedido de Reexame Cientificada do Despacho acima, a contribuinte não se conformando, requereu Recurso Especial para reexame do Despacho que lhe negou seguimento. Fl. 940DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-010.128 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13767.000503/99-32 Recepcionado para análise, em 09/10/2015, o Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), consubstanciado nas considerações expostas no Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial de fl. 850, negou seguimento em face de sua intempestividade, nos seguintes termos: “Diante do exposto decido por manter, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, que negou seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo”. Da medida Judicial x Aferição da intempestividade Conforme Despacho da Procuradorias da Fazenda Nacional de fls. 920/921, a Vinícola Salton S/A (atual denominação da Nicchio Sobrinho Café Ltda), propôs a Ação Ordinária nº 0073538-09.2015.401.3400, a qual tramitou perante o Juízo da 4ª Vara Federal do Distrito Federal (fls. 891/892). Assim sendo, em cumprimento à decisão judicial, suspendeu-se a exigibilidade das inscrições objeto dos PAF mencionados nos itens 2 e 3 da decisão e, ainda determinou o recebimento e o processamento do recurso especial de divergência interposto no presente processo. Isto posto, o processo foi encaminhado à esta 3ª Turma da CSRF deste CARF, para cumprimento da decisão judicial retro noticiada. Do exame do Recurso Especial do Contribuinte Como relatado, por força de medida judicial (fls. 891/892) e encaminhamentos constantes do Despacho PSFN/JUNDI/PNG nº 467/2018 (fls. 920/921) e Despacho de Encaminhamento de fl. 922, supera-se a aferição da tempestividade do Recurso Especial e passa- se à nova análise de exame de admissibilidade do recurso especial. O contribuinte requer que seu recurso seja conhecido e provido, afim de que, com base nos argumentos trazidos e nos acórdãos paradigmas apresentados, seja o crédito corrigido monetariamente com a aplicação dos expurgos inflacionários, nos percentuais previstos na “Tabela Única” aprovada pela 1ª Seção do STJ (que agrega ao Manual de Cálculos da Justiça Federal e a Jurisprudência do STJ). Como se vê, a divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito “à aplicação dos expurgos inflacionários, à título de correção monetária”, nos créditos decorrentes de recolhimento do FINSOCIAL, já reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado. A fim de demonstrar o necessário dissídio jurisprudencial foram indicados, como paradigmas, os Acórdãos nº 2102-003.103 e 9303-003.084. Na decisão recorrida constante no Acórdão nº 303-33.050, devidamente integrado pelo Acórdão de Embargos nº 303-35.387, restou assentado que não há autorização legal para a Administração Tributária corrigir o valor do indébito utilizando-se os índices chamados “expurgos inflacionários”, ao contrário, deveriam ser aplicados os índices de atualização previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/97. Por sua vez, no primeiro paradigma trazido (nº 2102-003.103), a Turma julgadora entendeu que deveria ser aplicada a atualização do direito creditório com base nos índices do Manual de Cálculos da Justiça Federal, em razão do decidido pelo STJ em sede de recurso repetitivo (art. 543-G do CPC). No mesmo sentido, no segundo paradigma trazido (nº 9303-003.084) restou decido pela aplicação dos chamados “expurgos inflacionários”. Com base nas razões expostas no Despacho de Análise de Admissibilidade de Recurso Especial de fls. 923/927, o Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção/CARF, deu seguimento Fl. 941DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-010.128 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13767.000503/99-32 ao recurso interposto pela Contribuinte, admitindo a rediscussão quanto a aplicação dos expurgos inflacionários, à título de correção monetária, nos créditos decorrentes de recolhimento do FINSOCIAL, já reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado. Das contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificado da admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, assentadas na petição de fls. 929/933. Requer que seja negado provimento ao recurso especial, mantendo-se incólume o julgado recorrido. Em suas razões, aduz que não há na Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 08/97, nenhuma ilegalidade ou contrariedade aos princípios da moralidade e do enriquecimento ilícito, a que se refere a Recorrente. “(...) Com o devido respeito, o pleito recursal representa o desbordamento dos limites impostos ao julgamento administrativo pelo princípio da imutabilidade da coisa julgada, assim como o princípio da legalidade, e não pode ser mantido por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Isso porque não se pode admitir, na instância administrativa, a correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeça aos expressos contornos do título judicial” (...). Conclui ressaltando que não pode a Administração Pública alterar a decisão transitada em julgado, incluindo índices de correção monetária que não foram objeto de discussão na seara judicial, ou seja, que não foram reconhecidos como sendo direito do contribuinte. O processo, então, foi sorteado para este Conselheiro para dar prosseguimento à análise do Recurso Especial interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator. Conhecimento O recurso do Contribuinte é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme consta do respectivo Despacho do Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção/CARF (fls. 923/927), com o qual concordo e cujos fundamentos adoto neste voto. Portanto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Mérito Para fins de delimitação da lide, cumpre referir que no presente recurso, discute-se a divergência quanto a seguinte matéria: “rediscussão quanto a aplicação dos expurgos inflacionários, à título de correção monetária, nos créditos decorrentes de recolhimento do FINSOCIAL, já reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado”. A divergência cinge-se à não incidência dos expurgos inflacionários da correção monetária, conforme a Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561/2007, do Conselho da Justiça Federal, no cálculo dos créditos pleiteados na esfera administrativa. Fl. 942DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-010.128 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13767.000503/99-32 A contribuinte assevera em seu recurso que seja o crédito, corrigido monetariamente com a aplicação dos “expurgos inflacionários”, nos percentuais previstos na “Tabela Única” aprovada pelo STJ (que agrega ao Manual de Cálculos da Justiça Federal e a Jurisprudência do STJ), a fim de haja a completa recomposição do seu patrimônio. Na decisão recorrida (Acórdão nº 303-33.050, integrado pelo Acórdão de Embargos nº 303-35.387), restou assentado que tanto na exigência de créditos tributários eventualmente cobrados do contribuinte, quanto nas restituições de valores pagos indevidamente, a Receita Federal do Brasil, a titulo de acréscimos para atualização monetária, aplica-se os índices previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08 de 27, de 1997. No que se refere aos chamados "expurgos inflacionários" reclamados, não há autorização legal para corrigir o valor do indébito demonstrado por esses índices. Pois bem. Trata-se de matéria já bastante discutida no âmbito desta 3ª Turma de julgamento, de forma que adoto o entendimento exarado no Acórdão CSRF nº 9303-008.467, de 16/04/2019 (PAF nº 10280.000411/99-54), de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, que restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS G ERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. RECONHECIMENTO DO DIREITO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Com a edição do Parecer PGFN/CRJ nº 2601/2008 e do Ato Declaratório PGFN nº 10/2008, restou superada a discussão sobre a incidência ou não dos chamados expurgos inflacionários sobre pedidos de restituição. Aplica-se ao valor pleiteado pelo contribuinte a correção dos valores pela Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561/2007. No Voto condutor daquele Acórdão, são, basicamente, transcritas as citadas normas da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o que aqui também faço e, que adoto-as como razão de decidir: “PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008: (...) 19. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, recomenda-se sejam autorizadas pelo Senhor Procurador Geral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 10/2008: O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601 /2008, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de Fl. 943DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-010.128 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13767.000503/99-32 interposição de recursos e a Fl. 353 DF CARF MF Processo nº 10280.000411/9954 Acórdão n.º 9303008.467 CSRFT3 Fl. 354 5 desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007." (Grifei) JURISPRUDÊNCIA: AgRg no RESP 935.594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007). Como se vê, resta claro que sobre os créditos reconhecidos administrativamente sejam aplicados os índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. Conclusão Forte no acima exposto, conheço do Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte para, no mérito, dar-lhe provimento, reformando o Acórdão recorrido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 944DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15758.000575/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano calendário: 2003
MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
A caracterização de ação dolosa visando a reduzir o montante do imposto devido dá ensejo à aplicação da multa qualificada. Confissão do autuado de que contratou profissional que conseguia maior restituição do imposto de renda. Penalidade agravada mantida.
Numero da decisão: 2202-001.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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APLICABILIDADE. A caracterização de ação dolosa visando a reduzir o montante do imposto devido dá ensejo à aplicação da multa qualificada. Confissão do autuado de que contratou profissional que conseguia maior restituição do imposto de renda. Penalidade agravada mantida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. NELSON MALLMANN Presidente ODMIR FERNANDES Relator EDITADO EM: 30/11/2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Júnior e Helenilson Cunha Pontes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 8a Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo que manteve a autuação do IRPF sobre a glosa das deduções despesas medicas e com instrução. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 2 Adoto o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 24/28, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2003, exercício 2004, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 20.340,88, sendo R$ 6.593,91 referentes a imposto, R$ 9.890,86 referentes à multa proporcional e R$ 3.856,11 são cobrados a título de juros de mora, calculados até 30/06/2008. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 19/21) e dá conta dos seguintes aspectos: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTES. Efetuada a glosa de deduções com dependentes, pleiteadas indevidamente, valor tributável de R$ 3.816,00, multa de ofício de 150%; DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Efetuada a redução da base de cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme demonstrado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, valor tributável de R$ 7.244,65, com multa de ofício de 150%. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Efetuada a redução da base de cálculo com despesas de instrução, pleiteadas indevidamente, conforme 'demonstrado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, valor tributável de R$ 7.992,00, multa de oficio de 150%; DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. Efetuada a redução da base de cálculo com despesas de Previdência Privada, pleiteada indevidamente, conforme demonstrado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, valor tributável de R$ 7.060,35, multa de ofício de 150%; Informa a autoridade fiscal no referido Termo de Verificação e Constatação Fiscal que o contribuinte inseriu deduções fictícias e/ou inexistentes em suas Declarações de Ajuste Anual dos anos base de 2003 e 2004 (exercícios de 2004 e 2005), com o intuito de reduzir o imposto devido, o que ensejou a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%.. Esclarece, ainda, a autoridade autuante, que a habitualidade deste procedimento caracteriza, em tese, a incursão nos arts. 1°, incisos I e II, e 2°, inciso I, da Lei n° 8.137/90, motivando a elaboração da Representação Fiscal para Fins Penais. ‘ Nas razões de recurso pede apenas a exclusão da multa sustentando que não houve dolo ou máfé na declaração de rendimentos apresentada. Contratou contador para fazer sua declaração e não conseguiu localizar esse profissional. Voto Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 15758.000575/2008 Acórdão n.º ADC220201.429 S2C2T2 Fl. 2 3 O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. O Recorrente pede apenas a exclusão da multa, de forma que admite a infração, praticada, segundo alega, pelo contador que fez sua declaração de rendimentos. Na impugnação também só se voltou contra a exigência da multa de agravada de 150%. A responsabilidade tributária pela declaração de rendimentos é pessoal do contribuinte e não pode ser transferida a outrem, ainda que o contribuinte seja totalmente leigo na matéria e contrate profissional para essa tarefa. Nos dias de hoje, com internet, e a orientação detalhada da Receita Federal com programa que interage com o declarante, qualquer pessoa, por mais leiga que seja, possui condições de fazer sua declaração de rendimentos. Não pode se confundir a responsabilidade dele, contribuinte perante o fisco, com a responsabilidade do contador para com o contribuinte, são objetos distintos, que não se confundem. O contador contratado ou qualquer outro profissional prestador de serviços, sempre responde pelos danos e prejuízos que causarem aos tomadores dos serviços, salvo exclusão contratual, sem que essa possa ser debitada a Receita Federal. O Recorrente admite a infração e, ao que consta, pagou o tributo exigido na presente autuação. A multa de oficio de 75% decorre da infração, seja ou não intencional e não pode ser reduzida, nem cancelada, sua exigência é pelo fato objetivo, não se indaga sobre o elemento subjetivo do agente, infringiu a lei deve se sujeitar a multa. Diferente é a multa qualificada de 150% que depende dos requisitos subjetivos do agente, a vontade e a intenção de sonegar e exige a comprovação do dolo, da fraude ou da simulação do infrator para configuração (cf., art. 44, Lei 9.430, de 1996, com a redação da Lei 11.488, de 2007). O autuado foi ouvido a fls14 e confessa que contratou uma pessoa conhecida por João Piauí para fazer sua declaração de rendimentos porque “ele tinha uma fórmula de conseguir maior restituição do imposto de renda.” Com essa confissão do autuado vemos que a aplicação da multa agravada foi acertada e deve prevalecer. Ante o exposto, conheço e nego provimento ao recurso para manter a decisão recorrida e a autuação. Odmir Fernandes – Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 11516.723202/2016-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.776
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 32 02 /2 01 6- 13 Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.776 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.723202/2016-13 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.776 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.723202/2016-13 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.776 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.723202/2016-13 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 18108.002305/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. MÉRITO.
Sendo nulo o lançamento se lavrado em desconformidade com as determinações legais e normativas aplicáveis, resta prejudicada a análise das questões de mérito.
Numero da decisão: 2402-008.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por falta de enfrentamento dos fundamentos da decisão recorrida.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, FranciscoIbiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos.
Nome do relator: RAFAEL MAZZER DE OLIVEIRA RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por falta de enfrentamento dos fundamentos da decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, FranciscoIbiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos.
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VÍCIO FORMAL. MÉRITO. Sendo nulo o lançamento se lavrado em desconformidade com as determinações legais e normativas aplicáveis, resta prejudicada a análise das questões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por falta de enfrentamento dos fundamentos da decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Relatório Trata-se de crédito lançado pela Fiscalização, contra a empresa Contribuinte que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 600-622, referiu-se às contribuições sociais previdenciárias devidas à Seguridade Social pela Notificada (do financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa) e também às destinadas a outras Entidades (salário educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) declaradas em GFIP, assim como diferenças de acréscimos legais, período de 01/2002 até o décimo terceiro de 2006, com valor de R$ 385.371,14 (trezentos e oitenta e cinco mil, trezentos e setenta e um reais e catorze centavos) consolidado em 12/12/2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 23 05 /2 00 7- 06 Fl. 9347DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-008.220 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.002305/2007-06 Consoante referido relatório, fls. 600-622, a contabilidade da empresa foi desconsiderada pela Fiscalização, pois o Auditor Fiscal considerou que a contabilidade não espelhava a realidade das operações da empresa. A Contribuinte apresentou impugnação tempestivamente às fls. 638-750, procuração (fl. 754), contrato social (fls. 756-763) e documentos (fls. 764-8881). Quando do julgamento pela DRJ, a mesma converteu o julgamento em resolução (fls. 8925-8949), pois entendeu necessária a realização de diligência para a manifestação do Auditor Fiscal Notificante para que: “7. Considerando que da fiscalização resultaram notificações com aspectos intrinsecamente ligados (em especial, a forma de aferição e de aproveitamento de crédito, conforme consta deste despacho e que, em sendo analisado e revisto, pode gerar consequências em grande parte dos débitos, com formalização de lançamentos fiscais distintos por CNPJ e CEI's, e, conseqüentemente, com novo aproveitamento dos créditos), nos termos das considerações acima expostas, verifica-se que é necessária a manifestação do Auditor Fiscal Notificante para que: 7.1. esclareça a razão e a fundamentação de ter reunido todo o lançamento no estabelecimento matriz, uma vez que as obras existentes eram possíveis de serem particularizadas e calculadas as contribuições devidas em separado (inclusive duas foram objeto de parcelamento durante a ação fiscal que foi interrompida e retomada para a formalização do LCD, consoante informado pelo próprio Auditor em seu relatório fiscal, vide item 87 às fls. 510); 7.2. esclareça a razão de não ter calculado as contribuições decorrentes das obras de construção civil conforme previsto na IN MPS/SRP n° 03/05 (em especial, quanto ao CUB); 7.3. esclareça a apropriação de guias de obra encerrada CEI 21.902.05938/73 - incluída em outro parcelamento anterior (processo n° 35.454.419-5), vide RADA - relatório de apropriação de documentos apresentados, fls. 35/52. 7.4. esclareça se - e porque - as GFIP's das obras não foram consideradas; 7.5. esclareça a fundamentação legal para proceder à alteração dos documentos da empresa (GPS, LDC) modificando a destinação dos mesmos. 7.6. manifeste-se sobre os argumentos da impugnação que entender necessários de esclarecimentos, em especial quanto: 7.6.1. à fundamentação de ter adotado critérios diversos para o lançamento do débito (maior valor) e os créditos da empresa (menor valor); 7.6.2. à compensação não integral das contribuições confessadas em LDC; 7.6.3. à justificativa do suposto "desaparecimento de saldo" nos registros contábeis; 7.6.4. à não terceirização da obra denominada São Caetano do Sul fase 1 e 2; 7.6.5. à planilha comparativa entre bases de cálculo, fls. 582/593; 7.7. se confirmado o equívoco no procedimento de aferição indireta em relação às obras, que através de diligência fiscal o Auditor desfaça as modificações implementadas (LDC, GPS), retornando os documentos ao estado original e recalcule todos os valores lançados, separando-os por estabelecimentos/obras e atribuindo os respectivos créditos. Tal tarefa deverá ser demonstrada através de planilhas e novo relatório fiscal que deverá conter além dos elementos previstos ordinariamente no art. 37 da Lei 8.212/91, também todas as explicações quanto às alterações realizadas a fim de possibilitar o exercício do contraditório e da ampla defesa do contribuinte.” Fl. 9348DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-008.220 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.002305/2007-06 Em pronunciamento do Agente Fiscal (fls. 8957-8983), de forma conclusiva, o mesmo expôs que deveria ser mantido o crédito tributário lançado, rebatendo os argumentos da impugnação e documentos. Oportunizado o contraditório à Contribuinte, a mesma se manifestou nos autos (fls. 8989-9043, requerendo a improcedência do lançamento por insubsistente e por descumprimento legal de norma. Em novo julgamento, sem adentar ao mérito do lançamento, entendeu a DRJ (fls. 9051-9091) pela nulidade do lançamento por vício formal, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 Ementa: NULIDADE. É nulo o lançamento se lavrado em desconformidade com as determinações legais e normativas aplicáveis, o que acarreta cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos. O lançamento deve ser revisto de oficio pela autoridade administrativa, na forma da Lei 9.784/99. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso de seu domicílio fiscal tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Lançamento Nulo Ainda, constou no referido acórdão que “Deixa-se de recorrer de ofício ao Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, com alterações da Lei n° 10.522/02, e de acordo com o art. 1° da Portaria MF n° 13/21 / 8, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado não excede a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais)”. Também, com a decisão, expediu-se ofício à Delegacia de jurisdição competente para cientificá-la e para as providências cabíveis. Intimada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 9101-9129) protestando pela manutenção da nulidade declarada, alegando, ainda, decadência das competências 01/2002 a 11/2002, quanto ao “desparecimento de saldo” seja o mesmo declarado insubsistente, e por fim, seja insubsistente a alegação de terceirização da obra denominada Residencial Jardim São Caetano I e II. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Relator. O recurso voluntário foi interposto tempestivamente, mas deixo de conhecer o mesmo, visto o cancelamento total do lançamento tributário. Fl. 9349DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-008.220 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.002305/2007-06 Com exposto no relatório acima, a DRJ entendeu pelo cancelamento do lançamento em razão de vício formal, como destaco: “(...) 7.32. Considerando: 7.32.1. que foi realizada centralização de lançamentos no CNPJ da matriz, não tendo sido observada a regra de lançamento em separado por estabelecimento (obras e estabelecimento administrativo, que possuem diversidade de identificação - CNPJ/CEI, de documentos (exemplos: folhas de pagamento, recibos, faturas, etc), de registros contábeis em contas específicas, de GFIP e GPS independentes); 7.32.2. que foi criado um terceiro método para a obtenção da base de cálculo das contribuições aferidas indiretamente, em afastamento das regras previstas no Decreto 3.048/99 e Instrução Normativa n° 03/05, sem que restasse demonstrada a impossibilidade de aplicação das regras existentes incisos I e II do art. 473 da IN n° 03/05; 7.32.3. que não consta fundamentação legal quanto ao aproveitamento dos créditos da empresa com destinação diversa dos recolhimentos (guias de recolhimento distintas no CNPJ e nas matrículas CEI's das obras, e, créditos oriundos de levantamentos anteriores - LDC's); 7.33.4. Por tudo aqui exposto é de se concluir que o lançamento está contaminado de tal forma que é impossível prosperar validamente. (...) 8.4. Ressalte-se que a Administração, atendendo aos princípios da legalidade e da verdade material e, exercendo o controle do lançamento tributário, tem o dever-poder de reexaminar os seus atos, podendo anulá-los ou revogá-los, nos termos do art. 53 da Lei n° 9.784/99 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, aplicado subsidiariamente, e da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, in verbis: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Súmula 473 do STF - "A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial." 8.5. Com efeito, não poderá prevalecer o presente lançamento, uma vez que não foi possível o seu saneamento, restando caracterizado vício de legalidade (art. 53 da Lei n° 9.784/99), que acarreta prejuízo ao direito de defesa do contribuinte e determina a nulidade do lançamento (art. 59 do Decreto n° 70.235/72), senão vejamos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 9350DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-008.220 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.002305/2007-06 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. 8.6. Observa-se que o presente caso não se trata de mera irregularidade, incorreção ou omissão nos termos do art. 60 supra transcrito, nem se encaixa no § 3° do art. 59, pois o lançamento não observou a legislação vigente o que resultou em cerceamento de defesa do Contribuinte, razão pela qual não há outra solução senão a anulação de ofício do presente crédito previdenciário pelas razões expostas acima, nos termos do art. 61 do mencionado e transcrito Decreto n° 70.235/72. 8.7. Nestas condições, pelas razões acima mencionadas que conduzem à nulidade do presente lançamento, desnecessária qualquer consideração sobre os argumentos apresentados em impugnação pela autuada. (...) 9.2. Ante o exposto, o presente lançamento não foi lavrado em conformidade com as determinações legais e normativas aplicáveis, consoante o art.142 do CTN; art. 37 da Lei n.° 8.212/91; art. 230 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99 e, ainda, art. 53 da Lei n° 9.784/99 e art. 59 do Decreto n° 70.235/72 de forma a viabilizar o seu regular prosseguimento, motivo pelo qual, há que se declarado, de oficio, a sua nulidade e determinada a emissão de novo lançamento. CONCLUSÃO 10. O presente lançamento não se encontra revestido das formalidades legais, pois foi lavrado em desacordo com a legislação pertinente que rege o caso concreto, acarretando cerceamento de defesa. 10.1. Diante do exposto, voto pela nulidade do lançamento e encaminhamento de representação fiscal à DEFIS/DIPAC/SAPAF, juntamente com os autos, após a intimação do contribuinte, visando a emissão de novo lançamento de débito o qual deverá ser realizado em consonância com a legislação pertinente em vigor.” Em recurso, embora tais matérias também tenham sido alegadas em impugnação e manifestação após diligência, a Contribuinte Recorrente protesta pela manutenção da nulidade declarada, alegando, ainda, decadência das competências 01/2002 a 11/2002, quanto ao “desparecimento de saldo” seja o mesmo declarado insubsistente, e por fim, seja insubsistente a alegação de terceirização da obra denominada Residencial Jardim São Caetano Fases 1 e 2. E, a meu ver, tais questões estão prejudicadas de análise, visto o defeito do lançamento tributário, questão que antecede à análise do mérito do lançamento. Fl. 9351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-008.220 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.002305/2007-06 Conclusão Neste sentido, voto por não conhecer do recurso do recurso voluntário, por falta de enfrentamento dos fundamentos da decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos Fl. 9352DF CARF MF Documento nato-digital
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