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Numero do processo: 14367.720009/2014-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL.
Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.
Numero da decisão: 1402-002.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 72 00 09 /2 01 4- 08 Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/06 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 7 a 42, lavrados pela DRF/MNS, no qual consta a exigência de Imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, cód. 2917, no valor de R$ 9.424.603,93, e de Contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, cód. 2973, no valor de R$ 3.395.017,41, somados a multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 8 a 16, os lançamentos de IRPJ e de CSLL se devem a apuração de amortização indevida de ágios fundamentados em rentabilidade futura de investida no anocalendário de 2010, apurados a partir da aquisição de participação societária da empresa ligada ligada Procter & Gamble Higiene e Cosméticos Ltda e do processo de reorganização societária, que culminou com a sua incorporação; bem como do ágio proveniente da aquisição e incorporação da Gillete do Brasil Ltda. e de seu processo de reorganização societária. Em ambos os casoa a autoridade fiscal considerou a prática de planejamento tributário abusivo, tendo sido o ágio gerado entre pessoas ligadas, o chamado “ágio interno”, com utilização de empresa veículo e sem substância econômica. As operações de reorganização societária do grupo empresarial P & G podem ser assim resumidas: 1) aquisição, pela fiscalizada Procter & Gamble do Brasil S/A, de 10% do capital social da Procter & Gamble Higiene e Cosméticos Ltda, junto à Rosemount Corporation, no valor de US$ 46.755.000,00, em R$ 107.237.268,00; 2) aquisição pela fiscalizada de 10% do capital social da Procter & Gamble Higiene e Cosméticos Ltda, junto à Procter & Gamble do Brasil LLC, no valor de US$ 46.755.000,00, em R$ 107.237.268,00; 3) aquisição, pela fiscalizada de 80% do capital social da Procter & Gamble Higiene e Cosméticos Ltda, que foram transferidos para aquela em contrapartida as debêntures que teriam sido subscritas pela Procter & Gamble Amazon Holding B.V, no valor de US$ 374.040.000,00, em R$ 847.312.812,00. O ágio decorrente dessas operações tiveram como suporte técnico um laudo de avaliação do capital social da empresa adquirida, elaborado por Ernest & Young, com base no valor justo de mercado, confrontado como o capital registrado no Banco Central do Brasil, de US$ 163.206.778,00, em R$ 315.278.208,44. A utilização de emissão de debêntures nessas operações, segundo a autoridade autuante, denotaria um artifício engendrado com o fito único de chegarse ao resultado de fruição do ágio criado artificialmente, na medida que as debêntures são títulos de crédito mobiliário emitidos por sociedades anônimas com a finalidade de arrecadar recursos junto ao mercado, normalmente para fins de investimento, e nessas operações nada foi arrecadado, uma vez que as aquisições desses títulos foram feitam feitas em contrapartida à quotas de capital da Procter & Gamble Higiene e Cosméticos Ltda. Quanto ao processo de aquisição do grupo Gillette, a reorganização societária promovida pode ser assim resumida: Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/06 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 1402002.209 S1C4T2 Fl. 1.691 3 1) integrando a estrutura organizacional do Grupo Internacional P&G, existiam as pessoas jurídicas de Procter & Gamble Serviços de Pesquisas Ltda e Procter & Gamble do Brasil S/A, ambas sediadas no Brasil; 2) após o processo sucessório, a Procter & Gamble Brazil Holdings B.V., tornouse controladora de Procter & Gamble Serviços De Pesquisas Ltda e de Procter & Gamble do Brasil S/A; 3) em junho/2006, a controladora Procter & Gamble Brazil Holdings B.V, decidiu aumentar o capital social da investida Procter & Gamble Serviços de Pesquisas Ltda, de R$ 107.621,06 para R$ 2.221.528.472,87, por meio da emissão de novas cotas (222.142.085.181), totalmente subscritas. Um aumento, portanto, de R$ 2.221.420.85,81, às quais foram integralizadas mediante a conferência de cotas representativas do capital social da investida Gillette do Brasil Ltda, no valor de R$ 1.382.562.002,16, e da conferência de ações escriturais representativas do capital social da investida Procter & Gamble do Brasil S/A, no valor de R$ 838.858.849,65; As cotas do capital da Gillette do Brasil Ltda, atingiram este montante, devido a uma reavaliação do valor de mercado do seu patrimônio, efetuada por uma consultoria estrangeira, Duff & Pelps, Ao passo que a equivalência patrimonial referente à participação da investidora Procter & Gamble Brazil Holdings B.V, no capital de Gillette do Brasil Ltda, correspondia a R$ 427.545.254,18, equivalente a 94,00 % do patrimônio líquido da investida, conforme indicado na DIPJ de evento especial, entregue à Receita Federal em setembro/2006, resultando numa maisvalia no montante de R$ 955.016.748,02, contabilizado no ativo diferido da Procter & Gamble Serviços de Pesquisas Ltda, sujeitandose à amortização do fundo de comércio como ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura. Na integralização de capital da Procter & Gamble Serviços de Pesquisas Ltda foram utilizadas ações da Procter & Gamble do Brasil S/A. Conforme a 20ª alteração contratual da integralizada, a controladora Procter & Gamble Brazil Holdings B.V. utilizou 10.389.276.232 ações, entre ordinárias e preferenciais, da investida que montaram o valor de US$ 369.899.836,69, e que calculado pela Ptax de compra de 06/06/2006, corresponderam a R$ 838.858.849,65, confrontados com o valor do patrimônio liquido da investida Procter & Gamble do Brasil S/A, que era proporcional à parcela das ações detidas pela Procter & Gamble Brazil Holdings B.V, e chegava a R$ 324.675.271,53 (99,86% do capital), verificouse também ter a mencionada operação, acarretado uma maisvalia no valor de R$ 471.128.690,53, que foi registrada no ativo diferido da Procter & Gamble Serviços de Esquisas Ltda, para também ser amortizada como ágio por expectativa de rentabilidade futura (fundo de comércio). Posteriormente em setembro de 2008, a Gillette do Brasil Ltda foi incorporada por Procter & Gamble do Brasil Ltda e esta teve seu capital social aumentado em valor equivalente ao montante contábil do patrimônio líquido vertido da incorporada, ou seja, novas ações ordinárias escriturais foram emitidas em valor igual ao adicionado ao capital da incorporadora, e passaram integralmente para o ativo permanente da controladora Procter & Gamble Serviços de Pesquisas Ltda. Por fim, em novembro de 2006, a Procter & Gamble do Brasil S/A, incorporou sua controladora Procter & Gamble Serviços de Pesquisas Ltda, trazendo para seu ativo integralmente todo o ágio decorrente de expectativa de resultados futuros, engendrado nas operações descritas acima. Nessas operações, a autoridade autuante considerou que o ágio foi gerado internamente, no âmbito do grupo empresarial, sem causa e artificialmente. Nada foi Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/06 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 dispendido, nenhum valor foi desembolsado, para justificar economicamente o surgimento da maisvalia, não implicaram em custo algum para Procter & Gamble Serviços de Pesquisas Ltda. Tudo foi criado de maneira irreal, tendo todas operações societárias sido realizadas no curto intervalo de 5 meses, o que denotaria assim ter sido planejado em seus detalhes com certa antecedência. Teria havido uma operação estruturada em sequência neste interregno temporal. Cada etapa da operação teria sido estudada e realizada ordenadamente para que se chegasse ao ponto da Procter & Gamble do Brasil S/A, encontrarse formalmente habilitada a utilizar o ágio irreal, como redutor das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sendo por isso considerado um planejamento tributário abusivo. Além disso, não existiu um suporte documental técnico para arrimar o valor encontrado para reavaliação do patrimônio da Procter & Gamble do Brasil S/A, pois não foi apresentado o laudo que teria dado suporte ao cálculo da expectativa de valor justo da pessoa jurídica. A autuação apresenta como fundamento legal os arts. 2º e 3º da Lei nº 7.689/88, 57 da Lei nº 8.981/95, 2º e 3º da Lei nº 9.249/95, e 247 e 249, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Cientificada pessoalmente em 01/12/2014, conforme termo de ciência de lançamento e encerramento parcial do procedimento fiscal de fls. 434 e 435, a interessada apresentou em 23/12/2014 a impugnação de fls. 1.531 a 1.578, nas quais, alega, em apertada síntese, que: 1) o objetivo central das operações societárias realizadas no Brasil decorreu do legítimo planejamento de negócios do grupo P&G após a aquisição mundial da Gillette, sendo natural que todos os efeitos comerciais e projeções de resultados sejam considerados, inclusive os efeitos fiscais; 2) o ágio teria sido gerado em legítimas operações de reorganização societária da P&G decorrentes da aquisição mundial do grupo Gillette, tendo sido observadas fielmente as normas comerciais, fiscais e contábeis pertinentes a essas operações; 3) a estrutura societária final do grupo teria ficado signifi significativamente diferente daquela existente quando da aquisição da Gillette, havendo a reunião do controle societário no exterior sob a P&G Holdings BV, além de uma clara diminuição no número de pessoas jurídicas existentes no país, resultando em ganhos de eficiência e redução de custos com a nova estrutura; 4) a dedutibilidade do ágio baseado em expectativa futura dependeria única e exclusivamente de haver aquisição em participação societária sujeita a avaliação pelo método de equivalência patrimonial, cujo custo fosse superior ao valor do patrimônio líquido da participação adquirida, e que posteriormente o investimento adquirido com ágio fosse liquidado mediante incorporação, fusão ou cisão, sendo estas condições integralmente cumpridas no caso em exame; 5) teria havido o efetivo desembolso nas operações societárias praticadas, realizadas a valor de mercado, tendo os antigos sócios da P&G Higiene e Cosméticos Ltda. apurado ganho de capital na alienação de suas quotas e recolhido o respectivo imposto de renda na fonte; 6) o ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura teria sido atestado em laudos elaborados por terceiros independentes, que também deram suporte a determinação do valor de mercado das quotas de capital adquiridas; 7) nega que a P&G Serviços tenha sido uma empresa "veículo", uma vez que era uma empresa do grupo P&G, constituída em 1978 para exploração de Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/06 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 1402002.209 S1C4T2 Fl. 1.692 5 atividade de consultoria de café, e, portanto, precisaria necessariamente estar envolvida no processo de reorganização societária do grupo, tendo sido convertida em empresa de holding, ante a decisão de descontinuidade das atividades ligadas ao setor cafeeiro pela P&G; 8) não haveria qualquer impedimento legal para o aproveitamento de ágio gerado internamente no mesmo grupo econômico, desde que a reorganização societária seja legítima, e que este conceito de ágio interno não se confunde com o mencionado nas normas da CVM e do CPC, que vedam a sua contabilização; 9) a decadência do direito de as autoridades fiscais questionarem os ágios registrados em junho de 2006 e em novembro de 2008. Por fim, requer o reconhecimento do seu direto à amortização do ágio decorrente de operações de reorganização societárias anteriormente descritas, bem como o cancelamento das exigências fiscais consubstanciadas no auto de infração, e alternativamente e sucessivamente o reconhecimento da impossibilidade de questionamento dos ágios registrados em junho de 2006 e em novembro de 2008, períodos abrangidos pela decadência. Identificada a falha de representação processual, a interessada foi intimada a saneála, providência cumprida com a juntada da procuração de fls. 1.589 a 1.590. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1275.740 considerando o lançamento integralmente procedente em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DECADÊNCIA. EFEITOS. O transcurso do prazo decadencial impede a fazenda pública de constituir o crédito tributário mediante a atividade administrativa do lançamento, não impedindo, contudo, a fiscalização de considerar fatos anteriores à ocorrência do fato gerador que tragam repercussões no cálculo do montante de tributo devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ÁGIO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA SEM MUDANÇA DE CONTROLE ACIONÁRIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA. O ágio na aquisição de participação da sociedade nacional por sociedade estrangeira, mediante interposição de holdings que foram sucessivamente incorporadas pelas autuada, sem alteração da composição do controle acionário da mesma, não tem fundamento econômico, logo é indedutível. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/06 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorreu a este colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/06 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 1402002.209 S1C4T2 Fl. 1.693 7 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. Assim, o prazo decadencial deve ter como referência o período de apuração onde tenha ocorrido a dedução. No caso sob exame, o fato gerador mais antigo objeto do lançamento foi 31/03/2010, referente ao primeiro trimestre do anocalendário. Independentemente da regra a ser aplicada, com ciência da autuação em 01/12/2014 não há que se falar em caducidade. No mérito, registrese de imediato que a jurisprudência administrativa trazida aos autos pela recorrente não é suficiente para lhe dar guarida. É notório no âmbito desta Corte que os casos de ágio envolvem peculiariedades que dificultam a pura e simples replicação de um julgamento para outras situações. Além do que, convém ressaltar que, no que se refere à amortização de ágio, a premissa básica que deve nortear qualquer análise é a regra geral da INDEDUTIBLIDADE DOS VALORES. A partir dessa premissa maior registrese que, para fins de dedução das despesas com ágio, são questões básicas a serem verificadas, ainda que outras possam se tornar relevantes: a independência entre as partes, existência de ônus em sentido estrito e ausência de empresas veículo ou de prateleira com fins exclusivamente tributários. Importa salientar quais as operações sob exame ou seja, quais transações efetivamente geraram o ágio que, no entendimento do Fisco e da decisão recorrida, teria sido indevidamente amortizado pela recorrente. Em relação à aquisição da P&G Higiene e Cosméticos, foram três operações: Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/06 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Em relação à aquisição da Gillete do Brasil, foram as seguintes operações: Na peça de defesa, a interessada apresentou extenso arrazoado historiando a questão do ágio nos aspectos contábeis e, principalmente, fiscais inclusive no que se refere aos requisitos para a dedutibilidade que, sustenta, foram todos por ele cumpridos. A argumentação do sujeito passivo, em sua grande parte, mostrarseia plenamente aceitável se não houvesse, no caso, circunstâncias específicas que desqualificam a geração do ágio. No primeiro caso, tratase de ágio gerado entre empresas do mesmo grupo econômico. Para caracterização da aquisição da participação societária que gerou o ágio deve ficar claramente identificada a ocorrência do ônus em sentido estrito. Registrese que o cerne da questão é a ocorrência de dispêndio para obter algo de terceiros, que não pertença ao adquirente, de forma a definir a aquisição. É inquestionável que o termo aquisição pode ter uma extensa gama de significados. Existem várias formas através das quais um bem ou direito muda de propriedade, com utilização de diferentes mecanismos voltados ao cumprimento das condições necessárias ao aperfeiçoamento do negócio jurídico. Entretanto, nessas situações sempre ocorre a presença do terceiro como contraparte, circunstância essa inexistente no caso sob exame. Todas as empresas participantes das operações pertenciam ao mesmo grupo econômico e eram controladas pelas mesmas pessoas. Como aceitar que uma operação societária entre elas possa gerar os mesmos efeitos que aquela efetuada entre terceiros não relacionados? O fluxo financeiro atestado pelos contratos de câmbio demonstram simplesmente uma ciranda de numerário entre as empresas do grupo que pode ter as mais Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/06 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 1402002.209 S1C4T2 Fl. 1.694 9 diversas origens. Repitase: o cerne da questão é a ocorrência de dispêndio para obter algo de terceiros, que não pertença ao adquirente, de forma a definir a aquisição. Particularmente no que se refere à operação envolvendo a emissão de debêntures, a irregularidade mostrase ainda mais flagrante porque além de a transação ter ocorrido entre pessoas ligadas, sequer houve o fluxo financeiro. A recorrente simplesmente recebeu a participação societária em troca das debêntures. No segundo caso, salientando que as operações a serem examinadas são aquelas supra identificadas, não houve qualquer desembolso. Descumpriuse portanto a premissa básica do ônus em sentido estrito. No que se refere ao propósito negocial e aos fundamentos econômicos da operação, devese salientar que não foram contestados em relação às razões finalísticas apresentadas para a formalização do negócio, mas sim nos aspectos intermediários que implicaram na criação do ágio interno concretizado exclusivamente pela presença, como sujeitos, de sociedades sob controle comum, direto ou indireto. Em outras palavras, o que se rejeita é a utilização de um artifício contábil que propicia a constituição de um suposto ágio, posteriormente amortizado com efeitos no resultado tributável da pessoa jurídica. A avaliação “feita por empresa especializada”, é hábil para atestar a rentabilidade que a participação societária poderia apresentar no futuro, mas não se presta a qualificar a diferença entre essa avaliação e o valor patrimonial como ágio. Ou seja, o laudo elaborado exclusivamente no interesse de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico pode embasar a reavaliação da participação societária, mas não a formação do ágio. Assim, entendo que as razões de defesa não são hábeis a contestar o lançamento, motivo pelo qual conduzo meu voto no sentido manter a glosa da dedução das amortizações. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/06 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13609.721302/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Restando explicitado no lançamento sua fundamentação e os critério utilizados na apuração das glosas de prejuízos fiscais, não há que se falar em nulidade. Eventuais erros cometidos na apuração da base de cálculo não tem o condão de invalidar o lançamento, devendo ser apreciados em seu mérito.
DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS.
O Fisco tem o direito de exigir do contribuinte a comprovação da existência de prejuízos acumulados disponíveis para a compensação, independente do tempo transcorrido entre a apuração desse prejuízo e data da compensação e constitui ônus do contribuinte manter as demonstrações e livros contábeis e fiscais de forma a comprovar a apuração e disponibilidade (para compensação) dos prejuízos informados na sua DIPJ. No entanto, ultrapassado o prazo quinquenal da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4º, ou o prazo do art. 173, I do CTN, (aplicável conforme o caso), esta verificação está limitada à comprovação e demonstração do prejuízo apurado, não podendo o Fisco proceder a qualquer alteração desta base, pois os fatos apurados já estão alcançados pela decadência.
Numero da decisão: 1302-001.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a alegação de nulidade do lançamento e em negar provimento ao recurso de ofício; e, por maioria de votos, em acolher a arguição de decadência, divergindo o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de votos.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Restando explicitado no lançamento sua fundamentação e os critério utilizados na apuração das glosas de prejuízos fiscais, não há que se falar em nulidade. Eventuais erros cometidos na apuração da base de cálculo não tem o condão de invalidar o lançamento, devendo ser apreciados em seu mérito. DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. O Fisco tem o direito de exigir do contribuinte a comprovação da existência de prejuízos acumulados disponíveis para a compensação, independente do tempo transcorrido entre a apuração desse prejuízo e data da compensação e constitui ônus do contribuinte manter as demonstrações e livros contábeis e fiscais de forma a comprovar a apuração e disponibilidade (para compensação) dos prejuízos informados na sua DIPJ. No entanto, ultrapassado o prazo quinquenal da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4º, ou o prazo do art. 173, I do CTN, (aplicável conforme o caso), esta verificação está limitada à comprovação e demonstração do prejuízo apurado, não podendo o Fisco proceder a qualquer alteração desta base, pois os fatos apurados já estão alcançados pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a alegação de nulidade do lançamento e em negar provimento ao recurso de ofício; e, por maioria de votos, em acolher a arguição de decadência, divergindo o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de votos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 13 02 /2 01 1- 89 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 468 2 (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix Fl. 468DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 469 3 Relatório VOTORANTIM METAIS ZINCO S.A., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário de IRPJ E CSLL no valor total de R$ 13.006.646,80, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 02/03. O acórdão decorrido traz uma descrição sumária da autuação, da qual transcrevese parcialmente, verbis: Auto de infração de IRPJ O autuante, remetendose ao relatório de auditoria fiscal a folhas 101 a 134, atribui à autuada uma só infração referente ao anocalendário de 2006, de cuja descrição adiante se faz uma síntese, segundo o que consta no lançamento. GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE – SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES – Compensação indevida de prejuízos fiscais, tendo em vista reversões dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas. Enquadramento legal: artigo 64 do Decretolei nº 1.598, de 1977; artigo 31 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 40, § 2º, do Decreto nº 332, de 04.11.1991; artigo 424, artigo 426, § 1º, ambos do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 1994 (RIR 1994); artigo 247, artigo 250, inciso III, artigo 251, parágrafo único, artigos 456, 458, 509 e 510, todos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999; artigo 34 da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996. Auto de infração de CSLL O autuante atribui à autuada uma só infração referente ao anocalendário de 2006, de cuja descrição adiante se faz uma síntese, segundo o que consta no lançamento. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES – COMPENSAÇÃO INDEVIDA – Valor apurado conforme relatório de auditoria fiscal anexado a folhas 101 a 134. Enquadramento legal: artigo 2º, e seus parágrafos, e artigo 6º, parágrafo único, ambos da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 58 da Lei nº 8.891, de 1995; artigo 16 da Lei nº 9.065, de 1995; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2.002. RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL No relatório de auditoria fiscal a folhas 101 a 134 o autuante apresenta a motivação do lançamento. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. Foi iniciado procedimento de revisão da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do anocalendário 2006, em virtude de diferenças apuradas em valores compensados de prejuízo fiscal na apuração do lucro real, e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos bases anteriores. Os valores informados DIPJ 2007 estão superiores aos valores apurados no sistema SAPLI da RFB, conforme tabela adiante. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 470 4 Período de apuração 01/2006 até 12/2006 Compensado em DIPJ Constantes nos sistemas da RFB Prejuízo compensado R$ 81.483.960,30 R$ 62.033.558,12 Base de Cálculo Negativa R$ 95.462.915,63 R$ 84.979.973,66 Da análise da planilha apresentada pelo contribuinte, concluiuse que houve compensação a maior de prejuízos fiscais do IRPJ e base de cálculo negativa da CSLL que não constam dos sistemas da RFB (SAPLI). Para melhor esclarecimento dos valores apurados pela RFB elaboraramse as planilhas abaixo que demonstram ano a ano o saldo existente e as compensações efetuadas em conformidade com os valores declarados em DIPJ. Ao final verificase que o saldo existente em 2006 confere com os dados da tabela supra. [...]*1 Os valores supracitados são em seguida usados em planilha para demonstrar as glosas efetuadas, os valores concedidos ao contribuinte pela análise das DIPJ, e para calcular, pela diferença entre ambos, o valor da glosa efetiva. PLANILHA DE GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS (EM R$) ANO VALOR DA GLOSA AJUSTE EFETUADO NA DIPJ GLOSA EFETIVA 1995 12.791.175,85 3.055.495,43 9.735.680,42 1996 1.480.329,26 0,00 1.480.329,26 1997 1.143.060,73 0,00 1.143.060,73 1998 644.205,80 0,00 644.205,80 1998 854.857,95 0,00 854.857,95 1998 90.444,66 0,00 90.444,66 2000 0,00 34.779,31 34.779,31 2001 0,00 69.418,34 69.418,34 2002 0,00 6.101.744,95 6.101.744,95 2002 6.977.873,57 0,00 6.977.873,57 2003 4.729.893,00 0,00 4.729.893,00 TOTAL 28.711.840,82 9.261.438,03 19.450.402,79 NOTA 01 : Os ajustes feitos em 1996, 1997 e 1998 na coluna VALOR DA GLOSA foram calculados pela diferença entre o valor do prejuízo fiscal calculado pelo contribuinte conforme planilha apresentada à fiscalização e o valor constante em DIPJ (ver relatório do SAPLI), ou seja: 1996 R$1.480.329,26 = R$50.909.397,99 R$49.429.068,73; 1997 R$1.143.060,73 = R$17.251.144,77 R$16.108.084,04; 1998 R$644.205,80 = R$3.932.706,28 R$3.288.500,48; 1998 R$854.857,95 = R$6.174.120,45 R$5.319.262,50 1998 R$90.444,66 = R$90.444,664,59 R$90.354.219,93 (ajuste para 99,90% do prejuízo fiscal decorrente de Cisão Parcial). NOTA 02: Os ajustes feitos em 2002 e 2003 na coluna VALOR DA GLOSA devemse a alterações dos valores compensados pelo 1 Planilhas Demonstrativas da compensação de prejuízo fiscal, ano a ano, constante do TVF. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 471 5 contribuinte (planilha) e o apurado pela fiscalização (ver relatório do SAPLI) conforme abaixo. 2002 R$6.977.873,57 houve em 30/11/2007 fiscalização externa, processo 10620.001277/200791, que alterou o Lucro real antes das compensações de R$1.375.493,47 para R$24.635.192,02. Esta variação de R$23.259.698,55 alterou, também, a compensação limitada a 30% sobre o lucro real de R$412.648,04 para R$6.977.873,57 (30% de 23.259.698,55); 2003 R$4.729.893,00 = R$31.529.729,06 (VER RELATÓRIO DO SAPLI) R$26.799.836,06 (PLANILHA). NOTA 03: Os valores da coluna AJUSTE EFETUADO NA DIPJ decorrem de valores de prejuízo fiscal apontados em DIPJ (ver relatório do SAPLI) que não constam na planilha apresentada pelo contribuinte, ou seja: 1995 R$3.055.495,43 = R$24.907.511,82 (DIPJ) R$21.852.016,39 (planilha); 2000 R$34.779,31 valor de resultado não operacional compensável com lucro real do período; 2001 R$69.418,34 valor de resultado não operacional compensável com lucre real do período; 2002 R$6.101.744,95 valor de resultado não operacional compensável com lucro real do período. NOTA 04: O valor da glosa de R$12.791.175,85 devese à compensação indevida do resultado da correção monetária complementar diferença IPC/BTNF informada pelo contribuinte na planilha apresentada. No final da década de 1980, havia a preocupação, devido aos altos índices inflacionários, de se proceder à correção das contas patrimoniais. Buscavase com isso expressar, em valores reais, os elementos patrimoniais e a base de cálculo sobre a qual recairia o imposto de renda no período base apurado. Esta correção monetária estava prevista na Lei 7.799/89 que optou por adotar um índice que melhor refletisse o fenômeno inflacionário, o BTNF, atualizado mensalmente pelo IPC. Essa lei obrigou, ainda, as empresas a registrar o ajuste em conta cujo saldo era computado no resultado do exercício. No anobase de 1990, houve alteração dos critérios de cálculo da correção monetária do balanço pelas Medidas Provisórias n° 189/1990, 195/1990, 200/1990, 212/1990 e 237/1990, convertidas na Lei n° 8.088, de 31/10/1990, que estabeleceu o reajuste do BTN pelo IRVF (índice de Reajuste de Valores Reais). Essa mudança gerou diferenças entre o valor real da inflação apurada pelo IPC e o fixado pelo IRVF. Atento a esta distorção, o legislador houve por bem editar a Lei n° 8.200/91, a qual, além de determinar, a partir de fevereiro/1991, que a correção monetária fosse feita pelo INPC, disciplinou os efeitos do ajuste relativo ao ano de 1990. Em seu art. 3° consta o tratamento dado à diferença verificada entre a variação do IPC e o BTNF. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 472 6 Agindo desta forma, o legislador evitou a tributação de resultados da correção monetária anteriores à edição da Lei e eliminou efeitos, positivos e negativos, em resultados futuros. O artigo 34 da IN SRF 11/96 e os artigos 456 e 458 do RIR 1999 contêm disposições da Lei n° 8.682, de 14/07/1993, e do Decreto n° 332, de 04/11/1991, que alteraram o inciso I do art. 3° da Lei 8.200/91 e acrescentaram novas medidas para o tratamento dos saldos da diferença IPC/BTN apurados. Houve, com a edição desses mandamentos legais, regras claras quanto às condições e limites temporais que deveriam ser seguidos para o aproveitamento (dedução/exclusão) do saldo devedor da diferença da correção monetária relativa ao períodobase de 1990, de prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1989. O prazo para aproveitamento era 31 de dezembro de 1998. Outra condição imposta era de que houvesse nos periodosbases de 1990 a 1993, respectivamente, lucro real suficiente para absorver seu valor (§ 2º, art. 40 do Decreto n° 332, de 04/11/1991). Essa condição não foi atendida, pois o contribuinte apurou prejuízo fiscal no período de 1990 até 1993, conforme tabela abaixo. ano Valor apurado 1990 ()Cr$684.706.346,00 1991 ()Cr$8.702.306.213,00 1992 ()Cr$42.277.408.082,00 (*) 1993 () CR$39.907.855,00 (**) (*) Saldo de prejuízo em dezembro/1992 após as compensações mensais feitas no decorrer do ano (ver planilhas 04 a 15); (**) Saldo de prejuízo em dezembro/1993 após as compensações mensais feitas no decorrer do ano (ver planilhas 16 a 25). Quanto à correção monetária suplementar da diferença de IPC/BTNF do ano base 1990, a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) já manifestou seu entendimento acerca dessa matéria ao responder a questão n° 8 do Boletim Central n° 77, de 1998, nos seguintes termos: "Se a empresa deixar de excluir o saldo do IPC (art.3º da Lei nº 8.200/91) em 98, ele não pode aproveitar nas condições do artigo 34, parágrafo único da IN 11/96? Resposta: A legislação específica que trata do aproveitamento dos saldos da correção IPC/BTNF estabeleceu um prazo máximo de dedução destes efeitos para o exercício de 1998, a partir do qual cessa o direito de exclusão. Quando o art. 34 da IN SRF nº 11/96 trata do aproveitamento de exclusões do lucro líquido para fins de apuração do lucro real em períodos posteriores ao que deveria ter sido procedido o ajuste, ele estabeleceu regras para utilização limitadas ao prazo de validade legal destas exclusões, ou seja, se uma pessoa jurídica deixou de excluir saldos de IPC/BTNF em 1997 poderá fazêlo em 1998, desde que este ajuste não produza efeitos diversos do que teria produzido em 1997, entretanto os saldos não aproveitados em 1998 não têm amparo legal para seu aproveitamento em 1999. Diante do exposto, o contribuinte teve fulminado seu direito à exclusão da correção monetária complementar IPC/BTNF referente ao períodobase 1990 (R$10.947.755,88, conforme planilha, Anexo P, e Folha n°29 da Parte B do LALUR, ambos apresentados pelo contribuinte) e à diferença IPC/BTNF referente a prejuízos fiscais apurados até 1989 (R$1.843.419,97, conforme planilha, Anexo P, e Folha n°28 da Parte B do LALUR, ambos apresentados pelo contribuinte) em 31/12/1998. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 473 7 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ( ANO A ANO) [...] **2 Os valores supracitados são em seguida usados em planilha para demonstrar as glosas efetuadas, os valores concedidos ao contribuinte pela análise das DIPJ, e para calcular, pela diferença entre ambos, o valor da glosa efetiva. PLANILHA DE GLOSA DE SALDO NEGATIVO DA CSLL VALORES EM R$ (REAIS) ANO VALOR DA GLOSA AJUSTE EFETUADO NA DIPJ GLOSA EFETIVA 1995 4.120.337,43 344,11 4.119.993,32 1998 117.533,96 0,00 117.533,96 2002 6.245.414,84 6.245.414,84 TOTAL 10.483.286,2 3 344,11 10.482.942,12 NOTA 01 : O valor da glosa em 1998, R$117.533,96 = R$117.533.952,59 R$117.416.418,63 (ajuste para 99,90% do prejuízo fiscal decorrente de cisão parcial). NOTA 02 : O valor da glosa em 2002, R$6.245.414,84 = R$6.159.7224,94 (*) + R$85.689,90 (**) (*) Valor da compensação efetuada, tendo como origem a fiscalização externa, processo 10620.001227/200791, que alterou a base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário 2002 de () R$2.727.282,07 para BC positiva da CSLL R$20.532.416,09. Essa alteração acarretou compensação de 30% deste valor = R$6.159.714,94 = 0,30 x R$20.532.416,09. (**) Valor utilizado indevidamente pelo contribuinte que consta na planilha entregue por ele. NOTA 03:0 valor de R$344,11 referese ao valor constante da DIPJ (ver relatório do SAPLI) e que não foi aproveitado na planilha entregue pelo contribuinte. NOTA 04: A glosa de R$4.120.337,43 referese à diferença de correção monetária IPC/BTNF e vale para a CSLL as mesmas considerações supracitadas para a glosa do IRPJ. Essa equiparação mostrase desnecessária, visto que o art.41 do Decreto n° 332, de 04/11/1991 já dispunha que o resultado da correção monetária de que trata o CAPÍTULO II (Da Correção Montaria com Base no IPC) não influirá na base de cálculo da contribuição social. Houve o cometimento de uma infração relativa ao IRPJ e outra relativa à CSLL. No caso do IRPJ, utilização de prejuízo fiscal acima do saldo existente conforme relatado acima, sujeita à glosa do valor compensado indevidamente. Base legal: Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99; Art.64 do Decretolei n° 1.598/1977; Art. 31 da Lei n°9.249/95; Arts. 456 e 458 do RIR/99; Art. 426, § 1º, do RIR/94; Art.424 do RIR/94; Art. 40, § 2°, do Decreto n° 332, de 4 de novembro de 1991; Art. 34 da IN SRF n° 11/96. 2 Planilhas demonstrativas das base de cálculo negativas da CSLL, ano a ano, conforme TVF. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 474 8 No caso da CSLL, utilização de base de cálculo negativa da CSLL acima do saldo existente conforme relatado acima, infração também sujeita à glosa do valor compensado indevidamente. Base legal: Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 58 da Lei n° 8.981/95; Art. 16 da Lei n° 9.065/95; Art. 37 da Lei n° 10.637/02; parágrafo único do art. 6º da Lei 7.689/88. Cientificada da autuação, a interessada apresentou impugnação tempestiva, tendo suas alegações sido sintetizadas no acórdão recorrido, verbis: IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO Conforme aviso de recebimento a folhas 135, por via postal a autuada foi notificada dos lançamentos em 21.10.2011, uma sextafeira. Em 21.11.2011 apresentou a impugnação juntada folhas 137 a 158. Os enunciados seguintes resumem o conteúdo da impugnação apresentada. Objeto da autuação Com relação à glosa procedida pela fiscalização, os valores relativos ao ano calendário de 1995, nos montantes de R$ 12.791.175,85 (IRPJ) e R$ 4.120.337,43 (CSLL), referemse ao aproveitamento da correção monetária complementar decorrente da diferença entre o IPC e o BTNF. Os valores de R$ 6.977.873,57 (IRPJ) e R$ 6.245.414,84 (CSLL) [de acordo com o relatório fiscal, do valor total de R$ 6.245.414,84, R$ 85.689,90 decorrem de valores supostamente utilizados a maior pela impugnante, o que teria sido apurado pela fiscalização com base na planilha de controle apresentada pela impugnante em 23.08.2010], relativos ao anocalendário de 2002, decorrem de divergências entre as informações constantes da DIPJ transmitida pela Impugnante e do sistema SAPLI da RFB, principalmente em razão de supostos ajustes promovidos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL por meio de lançamento de ofício (processo administrativo n. 10620.001277/200791), os quais teriam sido refletidos no sistema SAPLI, mas não na DIPJ do contribuinte. Os valores remanescentes decorrem das supostas divergências entre os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL indicados na planilha de controle da Impugnante, em comparação com as DIPJs e o sistema SAPLI, em relação aos quais não houve a adequada indicação, por parte do agente fiscal, dos motivos que justificaram as divergências supostamente apuradas no procedimento de fiscalização. Especificamente com respeito aos valores relativos a 1995, convém esclarecer que, em 10.01.1995, a impugnante ajuizou a medida cautelar preparatória n. 95.01000028, a fim de que não fosse compelida ao pagamento do IRPJ e da CSLL relativos ao período de julho a setembro de 1994, em razão da dedução integral do saldo devedor de correção monetária complementar relativa à diferença entre o IPC e o BTNF. A medida cautelar visava apenas prevenir eventual autuação por parte do fisco até que fosse proferida decisão final na ação ordinária a ser proposta pela Impugnante. A ação ordinária n. 95.01001768 foi ajuizada pela impugnante em 03.02.1995, com o objetivo de ver reconhecido o seu direito à dedução imediata e integral da correção monetária complementar relativa à diferença entre o IPC e o BTNF no anocalendário de 1990, sem a necessidade de observância das restrições previstas no artigo 3º da Lei n. 8.200/91. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 475 9 Após sentença desfavorável em primeira instância, a ação ordinária foi julgada improcedente pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região Fiscal, com base no argumento de que a dedução do saldo devedor de correção monetária complementar constituiria mero benefício fiscal, a ser usufruído dentro do prazo de seis anoscalendários (sic) a partir de 1993, conforme previsto no artigo 3º da Lei n. 8.200/91. Considerando a decisão desfavorável proferida na ação judicial em questão, bem como as supostas divergências indicadas acima, a fiscalização houve por bem recalcular o montante do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, apurados no anocalendário de 1995, recompondo as bases de cálculo desses tributos, relativas aos períodos subseqüentes àquele, o que, por conseqüência, resultou na alegada compensação a maior de tais valores no anocalendário de 2006. Porém, a autuação fiscal em questão não reúne condições para prosperar, em razão da impossibilidade de revisão de fatos ocorridos e registrados em períodos atingidos pela decadência. Da nulidade dos autos de infração O artigo 10 do Decreto n. 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal federal, estabelece expressamente os requisitos que devem ser observados pelas autoridades fiscais na lavratura do auto de infração, sob pena de nulidade. A exigência de fundamentação adequada dos atos administrativos decorre dos princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurados pelo artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988 (CF 1988). Para exercitar adequadamente o seu direito de defesa contra os atos praticados pelos agentes públicos, o administrado precisa ter acesso aos motivos de fato e de direito que os fundamentam. Assim, por ocasião da lavratura de autos de infração, as autoridades fiscais têm o dever de indicar adequadamente os fundamentos de fato e de direito que legitimam a pretensão fiscal. A ausência de indicação de fundamentos ou mesmo a sua indicação inadequada configura evidente violação aos princípios constitucionais acima mencionados, além de clara ofensa ao artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. A fiscalização, porém, não respeitou essa norma, nem tampouco os princípios constitucionais que a suportam. No relatório de auditoria fiscal, a fiscalização aponta supostas irregularidades nos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL acumulados em períodos anteriores, que teriam levado à redução dos valores passíveis de compensação pela impugnante no anocalendário de 2006. Porém, em relação a parte dos valores glosados, a fiscalização deixou de declinar os motivos que ocasionaram a alteração dos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL acumulados, limitandose a afirmar que tais diferenças decorrem de supostas divergências entre valores indicados na planilha de controle da impugnante, em comparação com as DIPJs e o sistema SAPLI. Para comprovar o alegado, apontase, a título exemplificativo, a glosa de R$ 4.729.893,00, relativa ao anocalendário de 2003. A fiscalização não descreve o motivo da glosa, limitandose a informar que existe uma diferença entre o saldo de prejuízos fiscais constante do sistema SAPLI, no valor de R$ 31.529.729,06, em comparação com o valor indicado na planilha apresentada pela impugnante, no valor de R$ 26.799.836,06. Entretanto, ao contrário do que sustenta a fiscalização, na planilha apresentada pela impugnante em 23.08.2010, em resposta ao termo de Fl. 475DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 476 10 intimação n° 1, o saldo de prejuízos fiscais indicado totaliza R$ 31.529.729,06, sendo R$ 26.799.836,16 referentes a prejuízos operacionais, e R$ 4.729.893,00 referentes a prejuízos não operacionais, o que coincide com o valor total de prejuízos fiscais constantes do sistema SAPLI. Assim, embora tenha procurado coletar as informações necessárias à exata compreensão dos motivos que deram ensejo à lavratura dos autos de infração ora impugnados, a impugnante não conseguiu compreender, com precisão, a origem das supostas diferenças que levaram o agente fiscal a proceder aos mencionados ajustes em seus saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL. Ademais, a fiscalização adotou idêntico procedimento na determinação das glosas relativas aos anoscalendário de 1996 a 1998, em relação às quais consta, na página 21 do relatório de auditoria fiscal, que os respectivos montantes teriam sido apurados pelo agente fiscal com base em supostas diferenças existentes entre os saldos de prejuízos fiscais indicados na planilha apresentada pela impugnante, em comparação com os valores constantes do relatório SAPLI da RFB, conforme tabela abaixo: Ano Calendário Prejuízo Fiscal conforme planilha da empresa R$ Prejuízo Fiscal conforme Autoridade Fiscal SAPLI R$ Diferença R$ 1996 50.909.397,99 49.429.068,73 1.480.329,26 1997 17.251.144,77 16.108.084,04 1.143.060,73 1998 3.932.706,28 3.288.500,48 644.205,80 1998 6.174.120,45 5.319.262,50 854.857,95 1998 90.444.664,59 90.354.219,93 90.444,66 Total 168.712.034,08 164.499.135,68 4.212.898,40 A impugnante não conseguiu inferir, da leitura dos autos de infração, o que teria conduzido o agente fiscal a proceder tais alterações em seus saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, nem tampouco logrou identificar a origem dos valores inseridos no sistema SAPLI e nos demais demonstrativos constantes do relatório de auditoria. A fiscalização também não indicou porque tais valores divergem daqueles constantes dos documentos que a impugnante possui, e que dão amparo aos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas por ela utilizados para fins de compensação. Os autos de infração questionados não apresentam elementos hábeis a justificar as diferenças supostamente identificadas pela fiscalização, assim como os critérios adotados para determinar os valores glosados. Na prática, o relatório de auditoria não contém os elementos necessários para que a impugnante pudesse verificar exatamente quais foram os critérios utilizados pela fiscalização para considerar que os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL apurados estariam incorretos. A ausência de uma apuração criteriosa dos valores envolvidos no caso implicou uma demonstração imprecisa dos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL supostamente compensados indevidamente pela Impugnante, principalmente quanto à sua composição. Assim, resta à impugnante tentar presumir qual a motivação da glosa realizada e quais os critérios utilizados para determinála, o que, em última análise, acaba por cercear o seu direito de apresentar uma ampla defesa. No processo administrativo fiscal, a competência para julgamento é atribuída aos próprios órgãos da administração pública, motivo pelo qual o legislador optou por estabelecer formalidades que visam proteger os contribuintes contra eventuais Fl. 476DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 477 11 abusos do poder público. Isso significa que a administração pública não pode simplesmente considerar que determinado ato da administração atingiu sua finalidade, para justificar a convalidação de eventuais vícios formais cometidos por seus servidores públicos. Certamente, o Decreto n. 70.235/72, ao estabelecer requisitos para a lavratura do auto de infração, procurou proteger os contribuintes contra eventuais abusos do poder público. Como se sabe, a administração pública está sujeita a um regime jurídico de direito público, o que lhe coloca em uma posição privilegiada em relação ao contribuinte. A relação entre a Administração Pública e o contribuinte é vertical, pois a lei lhe confere prerrogativas que não existem nas relações entre particulares. Porém, ao lado das prerrogativas, existem restrições, como, por exemplo, a necessidade de realização de licitação para contratação com particulares, a obrigatoriedade de realização de concursos para seleção de pessoal, entre outras. Entre as restrições destacase a necessidade de plena observância aos requisitos formais e materiais estabelecidos em lei para a prática dos atos administrativos, de forma que qualquer vício, por menor que seja, deve conduzir ao reconhecimento de sua nulidade, como forma de preservar os contribuintes contra eventuais abusos do poder público. A respeito do assunto, convém ressaltar que, em casos semelhantes, a jurisprudência administrativa, principalmente no âmbito do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), tem reconhecido a nulidade de autos de infração que não contêm descrição adequada dos fatos imputados ao contribuinte, com a devida justificação dos valores lançados, como se pode verificar das ementas transcritas na impugnação. Os autos de infração devem ser prontamente cancelados, tendo em vista que as autoridades fiscais deixaram de indicar adequadamente os fundamentos de fato e de direito que legitimam a pretensão fiscal, em evidente afronta ao artigo 10 do Decreto n. 70.235/72. Caso não seja decretada a nulidade dos autos de infração ora impugnados e, posteriormente, venha a ser reconhecido que a presente impugnação se baseou em premissas equivocadas, em virtude de sua fundamentação insuficiente, requer a impugnante que lhe seja concedida oportunidade para emendar os fundamentos de sua impugnação, evitandose, assim, qualquer prejuízo ao seu direito à ampla defesa. A conexão de parte dos valores glosados com o processo n. 10620.001277/200791 Os valores de R$ 6.977.873,57 (IRPJ) e R$ 6.159.714,94 (CSLL), relativos ao anocalendário de 2002, decorrem de divergências entre as informações constantes da DIPJ transmitida pela impugnante e do sistema SAPLI, em razão de ajustes promovidos nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL por meio de lançamento de ofício que originou o processo administrativo n. 10620.001277/200791. O processo administrativo em questão decorre de autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados sob a alegação de omissão de receitas caracterizada pela suposta não comprovação de devolução de mercadorias vendidas. A fiscalização ajustou o lucro real e a base de cálculo da CSLL apurados no anocalendário de 2002, com o acréscimo de receitas supostamente omitidas no valor de R$ 23.259.698,55, com a conseqüente redução dos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, em 30% desse valor. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 478 12 Ocorre que o processo administrativo n. 10620.001277/200791 ainda não foi julgado de forma definitiva na esfera administrativa, de modo que os valores relativos à suposta omissão de receitas ainda não foram definitivamente incluídos nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL apuradas pela Impugnante no anocalendário de 2002. A manutenção ou não de parte das glosas realizadas pelo agente fiscal nos autos de infração ora combatidos dependerá diretamente do julgamento a ser proferido pelo CARF nos autos daquele processo administrativo. O presente processo deve aguardar o julgamento do processo administrativo 10620.001277/200791, em virtude da íntima relação existente entre eles. Impossibilidade de recomposição da base de cálculo relativa a períodos atingidos pela decadência A fiscalização procedeu a verdadeira recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas pela impugnante no período de 1989 a 2005, com o objetivo principal de reverter os efeitos da compensação imediata da correção monetária complementar relativa à diferença entre o IPC e o BTNF, o que, por conseqüência, resultou na suposta compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, no anocalendário de 2006. Além disso, a fiscalização comparou os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL utilizados pela impugnante em cada anocalendário com os valores constantes do sistema SAPLI, com o objetivo de glosar eventuais compensações em valores superiores aos constantes dos controles da RFB. Contudo, o fisco não está autorizado a retroceder no tempo para recompor as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos fulminados pela decadência, com o objetivo de provocar eventual repercussão nas bases de cálculo apuradas em anoscalendário subseqüentes, ainda não atingidas pela decadência. Isso porque, no caso em análise, as autoridades fiscais não questionam qualquer irregularidade fiscal relativa ao próprio anocalendário de 2006, que pudesse resultar na compensação indevida de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL por parte da impugnante. Ao contrário, a fiscalização retrocedeu há quase 20 anos para reajustar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas ao período de 1989 a 2005, o que é absolutamente inadmissível no ordenamento jurídico vigente, que preza pela estabilidade das relações jurídicotributárias e pelo princípio da segurança jurídica. Em outras palavras, não pretende a fiscalização aferir a correção das compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL realizadas pela Impugnante no anocalendário de 2006 à luz de fatos jurídicos ocorridos no próprio período de apuração em questão, mas sim reverter os efeitos jurídicos de atos praticados pela Impugnante em 1995, por ocasião da dedução do saldo devedor de correção monetária complementar relativa à diferença entre o IPC e o BTNF. Se as autoridades fiscais permaneceram inertes ao longo dos cinco anos seguintes àqueles em que os fatos ocorreram, a atividade exercida pela Impugnante na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL não mais pode ser questionada, seja pela decadência do direito do Fisco de constituir c crédito tributário, seja pela homologação tácita da atividade realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 479 13 O IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujas normas atribuem ao sujeito passivo o dever de realizar os atos materiais relativos à apuração e ao recolhimento do tributo devido, independentemente de prévia manifestação por parte da administração tributária, que dispõe de um prazo de cinco anos para posterior homologação da atividade exercida pelo contribuinte. Na atividade de homologação, o Fisco deverá revisar os elementos fáticos e os critérios jurídicos utilizados pelo contribuinte na apuração do crédito tributário. Para tanto, os artigos 149, parágrafo único, e 150, parágrafo 4º, ambos do Código Tributário Nacional (CTN) estabelecem que a autoridade administrativa dispõe de cinco anos contados a partir do respectivo fato gerador para realizar a revisão de ofício da atividade exercida pelo contribuinte e, se for o caso, formalizar o correspondente lançamento. No caso de encerramento deste prazo de cinco anos sem manifestação expressa por parte do fisco, considerase tacitamente homologada a atividade exercida pelo contribuinte, com a conseqüente extinção do direito de a autoridade administrativa recusar a homologação e efetuar o lançamento de ofício. Para demarcar com precisão os limites temporais que cerceiam a autuação das autoridades fiscais, é preciso ter em mente que o ato de homologação manifestado pela administração tributária não alcança somente o pagamento do tributo antecipado, mas também os atos materiais de apuração do crédito tributário realizados pelo sujeito passivo, especialmente a determinação da matéria tributável e o cálculo do tributo devido. Assim, considerando que a atividade de homologação recai sobre a apuração do crédito tributário feita pelo contribuinte, é evidente que após o decurso do prazo decadencial para homologação, o Fisco não pode mais recompor as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, com o objetivo de efetuar ajustes que repercutirão no cálculo dos tributos devidos em anoscalendários subseqüentes, ainda não atingidos pela decadência. As considerações anteriores demonstram claramente que o ato de homologação abrange todos os atos materiais realizados pelo contribuinte em substituição à autoridade fiscal. Com base no artigo 142 do CTN, percebese que os atos materiais praticados pelos contribuintes no âmbito do lançamento por homologação envolvem a verificação da ocorrência do fato gerador, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante e do tributo devido, a sua identificação como sujeito passivo e, até, a indicação de eventual penalidade a ser aplicada. Em sua acepção técnica, a atividade de homologação consiste na confirmação, pela autoridade competente, dos atos materiais praticados pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, em substituição à autoridade fiscal. É evidente que o objeto da homologação não se restringe ao recolhimento do tributo feito pelo contribuinte, uma vez que o pagamento constitui simples modalidade de extinção do crédito tributário (artigo 156, I, do CTN), atividade esta que sempre esteve sob a responsabilidade do contribuinte, e que não se confunde com a realização do lançamento. Logo, o ato administrativo de homologação atinge não apenas o pagamento realizado pelo contribuinte, mas também a própria apuração do respectivo crédito tributário, a qual se torna imutável após a homologação tácita. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 480 14 No âmbito do lançamento por homologação o contribuinte pode aplicar a multa de mora, mas não a multa de ofício (artigo 61 da Lei n. 9.430/96). Em substancioso estudo, Hugo de Brito Machado sustenta que o objeto do ato administrativo de homologação não é o pagamento, mas sim a atividade de apuração do quantum devido realizada pelo contribuinte. Em idêntico sentido, José Souto Maior Borges sustenta que a atividade de homologação não corresponde à mera verificação do pagamento. O fisco não dispõe de prazo ilimitado para retroceder no tempo e revisar a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O procedimento de revisão da apuração feita pela Impugnante somente poderia ter sido feito dentro do prazo de cinco anos de que dispõe a autoridade administrativa para efetuar a constituição do crédito tributário, contados a partir do fato gerador, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o, do CTN. Se após a homologação o Fisco não pode efetuar o lançamento de ofício para a constituição de eventual tributo não declarado ou declarado a menor pelo contribuinte, também não terá ele legitimidade para a revisar as bases de cálculo apuradas pelo sujeito passivo e informadas em suas declarações fiscais. Após o decurso do prazo decadencial, o fisco não poderá mais recalcular as bases de cálculo de IRPJ e CSLL apuradas pela Impugnante, pois a homologação (expressa ou tácita) confere definitividade à apuração relativa aos anoscalendário de 1989 a 2005. O fisco somente poderia questionar as bases de cálculo de IRPJ e CSLL apuradas pela Impugnante nos anoscalendário de 1989 a 2005 dentro do prazo de que dispunha para a constituição do crédito tributário. A legislação deve ser interpretada a partir da premissa de que o ordenamento jurídico constitui um sistema consistente e coerente, de modo que, caso fosse possível pretender rediscutir a base de cálculo relativa a período atingido pela decadência, o fisco entraria em contradição com sua própria conduta anterior, que homologou (ainda que tacitamente) toda a atividade material realizada pelo contribuinte em relação a determinado fato gerador. A revisão das bases de cálculo de IRPJ e CSLL após mais de vinte anos gera injustificável a insegurança jurídica, em evidente afronta a esse princípio fundamental. Nada mais preocupante, em matéria tributária, do que deixar o contribuinte na incerteza em relação às bases de cálculo dos tributos por eles recolhidos, as quais caso prevaleça o entendimento ora questionado seriam passíveis de modificação ao arbítrio das autoridades fiscais, independentemente do decurso do prazo decadencial. Na esfera administrativa, existem inúmeros acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, bem como do atual CARF que reconhecem a impossibilidade de recomposição da base de cálculo de tributos relativos a períodos atingidos pela decadência, como se pode verificar da ementa dos julgados transcritos na impugnação a título exemplificativo. No acórdão n. 10192.362, transcrito na impugnação, a conselheira relatora Sandra Maria Faroni acertadamente sustenta que a Fazenda Pública não está autorizada a promover a revisão de fatos ocorridos e registrados em períodos alcançados pela decadência. Especificamente no tocante à glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumuladas, no acórdão n. 10193801, de 17.4.2002, a 1ª Câmara do antigo Fl. 480DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 481 15 Primeiro Conselho de Contribuintes manifestou entendimento no sentido de que os valores dos lucros ou prejuízos fiscais, declarados pelo sujeito passivo, não podem ser revistos após o prazo de decadência do parágrafo 4o do artigo 150 do CTN. Por último, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no julgamento do acórdão n. 0105594, de 5.12.2006, manteve decisão do 1º Conselho de Contribuintes no sentido de que a fiscalização não poderia retroagir a período superior aos últimos cinco anos para modificar o saldo de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL acumulados pelo contribuinte. No mesmo sentido, no acórdão n. CSRF/0104734, de 14.10.2003, a Câmara Superior negou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n. 10706061, por entender que "o Fisco não pode alterar o resultado de períodobase já atingido pela decadência, ainda que tal resultado seja negativo". Como se pode extrair dos julgados citados, a jurisprudência administrativa é assente no sentido de que a Administração Tributária não pode alterar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos atingidos pela decadência, nem tampouco questionar os registros contábeis e fiscais efetuados pelo sujeito passivo, principalmente em relação a fatos que nascem ou se formam em um determinado exercício, mas repercutem em vários exercícios subseqüentes. Aplicando a jurisprudência acima ao caso ora em análise, percebese claramente que o fisco não pode reduzir os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas de CSLL no anocalendário de 2006, seja mediante a reversão dos efeitos da dedução do saldo devedor da correção monetária de balanço relativa à diferença entre o IPC e o BTNF no anocalendário de 1995, seja com base em supostas diferenças entre os valores informados pela impugnante em sua DIPJ e aqueles constantes do sistema SAPLI da RFB. Esse procedimento equivale a efetuar um lançamento de oficio relativo aos períodos anteriores, uma vez que a redução dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL se vincula a um juízo de valor da fiscalização acerca da dedutibilidade ou não da correção monetária complementar, ou da correção dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumulados, o que é completamente inadmissível em relação a um período alcançado pela decadência há mais de 20 anos. Por todo o exposto, devem ser prontamente cancelados os autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados pela fiscalização, com o conseqüente cancelamento dos créditos tributários neles exigidos, incluindo a multa de ofício e os juros de mora. Inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício Subsidiariamente, caso sejam mantidos total ou parcialmente os autos de infração, deve ser prontamente afastada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, diante da ausência de previsão legal expressa. Certamente, a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições", prevista no artigo 61, parágrafo 3º, da Lei n. 9.430, de 1996, diz respeito apenas ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento, pois a multa não decorre do tributo, mas sim do descumprimento do dever legal de pagálo. Ademais, o artigo 3o do CTN é claro no sentido de que as multas não possuem natureza jurídica de tributos, pois, ao contrário da multa, que pressupõe o descumprimento do dever legal de pagálo, o tributo não constitui sanção decorrente de ato ilícito. Assim, considerando que a multa de oficio não possui natureza jurídica Fl. 481DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 482 16 de tributo, é evidente que a legislação atualmente em vigor não admite a incidência de juros sobre tais penalidades. Em reforço a este argumento, notese que a própria Lei n. 9430, de 1996, nas situações em que pretendeu autorizar a exigência de juros de mora sobre multa isolada, o fez de forma expressa e específica, como se pode verificar de seu artigo 43, parágrafo único. Na esfera administrativa, a 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes, no acórdão n. 10195.802, de 19.10.2006, afastou a aplicação da taxa SELIC sobre a multa de ofício, com base na inexistência de previsão legal para a sua cobrança. De idêntico sentido é o teor do acórdão nº 10196008, de 1.3.2007, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. A 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais adotou esse mesmo entendimento no acórdão n. CSRF/0203133, de 6.5.2008. No mesmo sentido, a 1ª Turma da Câmara Superior, ao julgar o recurso do processo nº 10680.002472/200723, reviu o seu entendimento anterior, mantendo decisão, que havia afastado a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Mesmo diante inexistência de previsão legal para incidência de juros sobre a multa de ofício, não se aplica subsidiariamente à hipótese o artigo 161, parágrafo 1º, do CTN, que estabelece a incidência de juros de mora à razão um por cento ao mês, tendo em vista que a Lei n. 9430, de 1996 é mais específica e afasta a aplicação da regra geral contida no CTN. Esta última norma contém a cláusula "salvo se a lei não dispuser de modo diverso", que é exatamente o que faz a Lei nº 9.430, ao não prever a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, exceto aquela exigida de forma isolada. A cobrança de juros sobre a multa de ofício, feita a partir do mês seguinte ao prazo de 30 dias para pagamento do auto de infração ou apresentação de impugnação, é manifestamente indevida, pela ausência de previsão legal expressa autorizando a referida cobrança, motivo pelo qual deve ser prontamente cancelada a sua cobrança, ainda que o presente auto de infração venha a ser mantido. Conclusão e pedido Por todo o exposto, a impugnante requer seja admitida, conhecida e integralmente provida a presente Impugnação, para o fim de determinar o cancelamento das exigências fiscais de IRPJ e CSLL consubstanciadas nos autos de infração ora questionados, com base nos fundamentos resumidos na impugnação. A impugnante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências e a juntada de outros documentos. Em atenção ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto n. 70235/72, com redação dada pela Lei n. 11.196, de 2005, a impugnante informa que não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos. Requer, por fim, que as futuras intimações sejam feitas em nome de seus advogados devidamente constituídos mediante a anexa procuração, no endereço a seguir indicado: rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr., 758, 16° andar, 04542000, São Paulo SP. A 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0240.240, de 29/08/2012 (fls. 292/346), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 483 17 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS SALDO PASSÍVEL DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS APURADOS EM PERÍODOS DE APURAÇÃO ANTERIORES Somente é passível de compensação com o lucro real referente a determinado período de apuração o saldo de prejuízo fiscal de períodosbases anteriores cuja formação é comprovada e que esteja de acordo com a legislação tributária, independentemente de quão remotos sejam esses períodosbases anteriores. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL SALDO PASSÍVEL DE COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS DE APURAÇÃO ANTERIORES Somente é passível de compensação com a base de cálculo da CSLL referente a determinado período de apuração o saldo de base de cálculo negativa de CSLL de períodosbases anteriores cuja formação é comprovada e que esteja de acordo com a legislação tributária, independentemente de quão remotos sejam esses períodosbases anteriores. Ciente da decisão de primeira instância em 20/09/2012, conforme Aviso de Recebimento à fl. 348, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/10/2012 conforme carimbo de recepção à folha 350. O julgamento do recurso voluntário foi sobrestado por meio da Resolução nº 1302000.297, de 08/04/2014, em face da matéria prejudicial contida no PA. nº 10620.001.277/200791, determinandose o retorno do processo à unidade de origem até a decisão final no referido processo. No recurso interposto (fls. 350/381), a recorrente repisa os argumentos trazidos na impugnação, tendo seus pontos principais sido destacados no relatório da Resolução nº 1302000.297, verbis: A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) não foram indicados os fundamentos de fato e de direito relativos a algumas glosas, limitandose a fiscalização a apontar divergências entre a planilha da recorrente e as DIPJ e o SAPLI; b) glosa relativa ao anocalendário de 2003; Como exemplo, a glosa relativa ao anocalendário 2003 (R$4.729.893,00). A fiscalização informa que existe diferença entre o saldo de prejuízos fiscais no SAPLI (R$31.529.729,06) e o valor indicado na planilha da recorrente (R$26.799.836,06). Entretanto, na planilha da recorrente, apresentada em 23/08/2010 o valor total do Fl. 483DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 484 18 saldo de prejuízos fiscais indicado totaliza R$31.529.729,06, sendo R$26.799.836,16 relativos a prejuízos operacionais e R$4.729.893,00 relativos a prejuízos não operacionais, cuja soma coincide com o valor total de prejuízos fiscais constantes do sistema SAPLI. A recorrente, assim, não conseguiu compreender a origem das supostas diferenças que levaram aos ajustes. c) Nulidade por ausência de motivação; Com relação às glosas de 1996 1998, a autoridade limitouse a apontar as diferenças entre a planilha da recorrente, em relação aos dados do SAPLI, e não indicou os motivos das divergências. Há falha na motivação. A autoridade não pode simplesmente considerar válidos os valores constantes dos sistemas da RFB sem justificar os motivos que os levam a concluir pelas informações do SAPLI, em detrimento daquelas apresentadas pelo contribuinte. A DRJ não reconheceu a falta de fundamentação. A DRJ não pode sanear, por meio de longas considerações, a falta de clareamento dos fatos. O auto de infração, assim, é nulo. d) Conexão com o processo 10620.001277/200791; Os valores de R$6.977.873,57 (IRPJ) e R$6.159.714,94 (CSLL) relativos ao anocalendário de 2002 decorrem de divergências entre a DIPJ e o SAPLI, em razão de ajustes nas bases de IRPJ e CSLL decorrentes do lançamento de ofício no PA nº 10620.001277/200791, em que a DRJ/BHE exonerou integralmente o contribuinte das exigências. Assim, esta parte do lançamento foi exonerada, também, pela DRJ no julgamento do presente processo e resta bem decidida, merecendo ser mantida; e) Impossibilidade de recomposição da base de cálculo do IRPJ e CSLL relativa a períodos atingidos pela decadência; O fisco não pode retroceder no tempo para recompor bases de cálculo do IRPJ e CSLL relativas a períodos fulminados pela decadência, com objetivo de provocar repercussão nas bases de cálculo apuradas em anoscalendário subseqüentes, ainda não atingidos pela decadência. No caso dos autos, foram reajustadas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do período de 1989 a 2005. Exemplifica, com alegação de que foi recomposto o saldo de 1995 (já exonerado pela DRJ). Não pode haver revisão de fatos ocorridos e registrados. f) Inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado, com base no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A Resolução nº 1302000.297, contém um descrição sumária dos créditos exonerados pela decisão de primeiro grau, verbis: O colegiado a quo, no acórdão nº 0240.240,de 29/08/2012, exonerou as seguintes parcelas: a) a glosa relativa ao anocalendário de 2002 (R$6.977.873,57 – IRPJ; R$6.159.714,94 – CSLL), foi integralmente exonerada em razão do julgamento favorável ao contribuinte pela DRJ/BHE no PA 10620.001277/200791 (o qual tratava de omissão de receita). Naquele processo, a fiscalização havia compensado 30% do saldo com o crédito apurado antes da compensação. Pelo cancelamento da autuação, entendeu o colegiado que o saldo deve, então reverter para o acervo; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 485 19 b) a glosa relativa ao ano calendário de 1997 foi reduzida de R$1.143.060,73 para R$14.721,14; c) a glosa de R$644.205,80, relativa ao anocalendário de 1998 foi reduzida para R$3.932,71; d) a glosa de R$854.857,95, também relativa ao anocalendário de 1998 (período após a cisão parcial) foi integralmente cancelada, e além disso, foi reconhecido um saldo de R$17.480,63 em favor da autuada; e) a glosa de base negativa de CSLL de R$6.245.414,84 foi revertida, e além disso, foi reconhecido um saldo em favor da autuada no valor de R$2.641.592,17 Em 20/05/2015, a unidade da RFB em Curvelo/MG procedeu a juntada aos autos cópia do Acórdão nº 1301000.836, proferido em 26/03/2015 no PA nº 10620.001.277/200791, que negou provimento ao recurso de ofício e não conheceu do recurso voluntário em razão de desistência (fls. 433/459), além da ciência da PFN (fl. 460) e do contribuinte (fl.461), devolvendo o processo para julgamento. Tendo em vista a extinção do mandato do conselheiro relator, o processo foi devolvido para nova distribuição e sorteio, tendo sido designado este relator na sessão de 07/04/2016. É o Relatório. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 486 20 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Tratase de apreciar recurso voluntário interposto pela interessada e recurso de ofício em face da exoneração de crédito superior ao limite de alçada, em face do Acórdão nº 0240.240, proferido pela DRJ/Belo Horizonte. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. O recurso de ofício, atende ao disposto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/20083, uma vez que o crédito exonerado, supera o limite de um milhão de reais. Assim, conheço de ambos os recursos. Preliminar de nulidade Antes de adentrar às razões de mérito dos recursos, julgo necessário apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela interessada em face da autuação. A recorrente alega que "ao realizar a lavratura dos autos de infração ora impugnados, a fiscalização não respeitou a norma inserta no art. 10 do Decreto n. 70235/72, nem, tampouco, os princípios constitucionais que a suportam, pois deixou de apresentar fundamentação adequada para parte significativa das glosas relativas aos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL utilizados pela recorrente". Como exemplo, cita a glosa relativa ao anocalendário 2003 (R$4.729.893,00). Segundo a recorrente, a fiscalização informa que existe diferença entre o saldo de prejuízos fiscais no SAPLI (R$31.529.729,06) e o valor indicado na planilha da recorrente (R$26.799.836,06). Entretanto, na planilha da recorrente, apresentada em 23/08/2010 o valor total do saldo de prejuízos fiscais indicado totaliza R$31.529.729,06, sendo R$26.799.836,16 relativos a prejuízos operacionais e R$4.729.893,00 relativos a prejuízos não operacionais, cuja soma coincide com o valor total de prejuízos fiscais constantes do sistema SAPLI. Alega que, assim, não conseguiu compreender a origem das supostas diferenças que levaram aos ajustes. Aponta que com relação às glosas de 1996 1998, a autoridade limitouse a apontar as diferenças entre a planilha da recorrente, em relação aos dados do SAPLI, e não indicou os motivos das divergências. Haveria, assim, falha na motivação. Assevera que a autoridade não pode simplesmente considerar válidos os valores constantes dos sistemas da RFB sem justificar os motivos que os levam a concluir pelas informações do SAPLI, em detrimento daquelas apresentadas pelo contribuinte. 3 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Fl. 486DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 487 21 Sustenta que a DRJ não pode sanear, por meio de longas considerações, a falta de clareamento dos fatos e que, assim, o auto de infração, é nulo. O colegiado recorrido rejeitou a alegação de nulidade, nos termos do excerto do voto, abaixo transcrito: No entanto, a argumentação da impugnante, tanto no que concerne especificamente à argüição de nulidade aqui apreciada, como no que concerne às questões de mérito suscitadas, revelam que o autuante indicou, sim, de maneira clara a motivação das glosas efetuadas. Conforme a própria impugnante afirma, o autuante no relatório de auditoria fiscal, observa que as glosas decorrem de divergências com que ele se deparou ao confrontar os dados que a autuada lhe havia fornecido no atendimento de intimação para prestar esclarecimentos com as declarações de rendimentos entregues e com as informações constantes em banco de dados da Receita Federal destinado ao acompanhamento do saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL (Sapli). Ressaltese que no relatório fiscal constam as planilhas individualizadas por período de apuração, as quais contém os números confrontados e as diferenças encontradas. Freqüentemente essas planilhas são acompanhadas de notas explicativas. Se há falhas e contradições nessas planilhas, conforme argui a impugnante (o que é examinado mais adiante por este voto, na apreciação do mérito das exigências fiscais), isso não caracteriza omissão de formalidade indispensável nem cerceamento do direito de defesa, mas erro na determinação do montante tributável ou eventualmente falta de comprovação da infração de que o sujeito passivo é acusado. Assim, em vez de nulidade, se confirmadas as irregularidades alegadas pela impugnante, o que cumpriria decidir é a improcedência do lançamento. Para ser formalmente válido, e não estar sujeito à decretação de nulidade, o lançamento não precisa ser isento de falhas no tocante ao mérito da exigência fiscal. Deve apenas não incidir em nenhum dos vícios previstos no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Isto é, deve ser lavrado por autoridade competente e não cercear o direito de defesa. A clareza e objetividade requeridas para permitir o exercício do amplo direito de defesa no caso concreto estão presentes, visto que a impugnante apresentou uma extensa e minuciosa defesa, indicando com precisão as falhas que, no seu entender, tornam improcedentes as exigências fiscais. Cumpre, pois, rejeitar a argüição de nulidade e apreciar as falhas apontadas como matéria de mérito, o que se faz nas seções subseqüentes deste voto. Também não identifico fundamento para a decretação da nulidade do lançamento. O cerne do lançamento é a glosa (parcial) de compensação de prejuízos (IRPJ) e bases de cálculo negativas (CSLL) realizada pelo contribuinte na sua DIPJ do ano calendário 2006. O procedimento adotado pela autoridade fiscal também restou claro. Após intimar a recorrente a demonstrar os prejuízos compensados no anocalendário 2006, cotejou os dados apresentados (planilha e Lalur) com aqueles constantes da base de dados da Receita Federal no sistema SAPLI, que é alimentado pelas informações prestadas pelo sujeito passivo nas suas declarações de rendimentos (DIPJ). Fl. 487DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 488 22 O critério utilizado pela autoridade fiscal foi o de privilegiar os dados constantes do Sapli, em detrimento aos informados pelo sujeito passivo, quando divergentes. Ao identificar infrações de outra natureza, tais como compensação de lucros não operacionais junto com os operacionais ou a exclusão indevida da diferença de IPC/BTNF, a autoridade fiscal apontou as inconsistências e a demonstrouas nas planilhas e notas explicativas. Eventuais erros cometidos na apuração da base de cálculo não tem o condão de invalidar o lançamento, devendo ser apreciados em seu mérito. De outra parte, o sujeito passivo se desincumbiu do ônus de impugnar o lançamento de maneira eficaz, tanto que grande parte das glosas foram canceladas pela autoridade de primeira instância. Ante ao exposto, voto pela rejeição da preliminar de nulidade do lançamento. Recurso de Ofício O acórdão recorrido exonerou as seguintes parcelas: a) a glosa relativa ao anocalendário de 2002 (R$ 6.977.873,57 – IRPJ; R$ 6.159.714,94 – CSLL), foi integralmente exonerada em razão do julgamento favorável ao contribuinte pela DRJ/BHE no PA 10620.001277/200791 (o qual tratava de omissão de receita). Naquele processo, a fiscalização havia compensado 30% do saldo com o crédito apurado antes da compensação. Pelo cancelamento da autuação, entendeu o colegiado que o saldo deve reverter ao acervo; b) a glosa relativa ao ano calendário de 1997 foi reduzida de R$1.143.060,73 para R$14.721,14; c) a glosa de R$644.205,80, relativa ao anocalendário de 1998 foi reduzida para R$3.932,71; d) a glosa de R$854.857,95, também relativa ao anocalendário de 1998 (período após a cisão parcial) foi integralmente cancelada, e além disso, foi reconhecido um saldo de R$17.480,63 em favor da autuada; e) a glosa de base negativa de CSLL de R$ 6.245.414,84 foi revertida, e além disso, foi reconhecido um saldo em favor da autuada no valor de R$2.641.592,17 Com relação ao primeiro item (a), o acórdão recorrido exonerou a glosa que havia sido efetuada em decorrência do lançamento realizado quanto ao anocalendário de 2002 em face de omissão de receitas apuradas no PA. 10620.001277/200791, em razão do julgamento favorável ao contribuinte pela DRJ/BHE naquele processo. O julgamento da DRJ no PA. nº 10620.001277/200791 favorável ao contribuinte foi submetido à apreciação do CARF que, por meio da 2ª Turma Ordinária desta Câmara proferiu o Acórdão nº 1301001.836, de 26/03/2015, negando provimento ao recurso de ofício, conforme abaixo transcrito: DEVOLUÇÃO DE MERCADORIA. COMPROVAÇÃO. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 489 23 Restando comprovado nos autos que as devoluções de mercadorias, tidas como não comprovadas e que serviram de suporte para imputação de omissão de receitas, inseriramse em mecanismo de ajuste de preço de mercadoria exportada que nenhum efeito produziu no cômputo das receitas auferidas, o lançamento tributário revelase insubsistente. MULTA ISOLADA. ANTECIPAÇÕES OBRIGATÓRIAS. INSUBSISTÊNCIA. Restando verificada a improcedência da imputação de omissão de receitas que serviu de suporte para a aplicação da multa isolada, revelase insubsistente a exigência formalizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecido o recurso voluntário em razão da desistência. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Valmir Sandri. Da referida decisão não houve recurso de nenhuma das partes, tornandose definitiva, conforme documentos juntados pela autoridade preparadora (fls. 460/461). Ante ao exposto, deve ser mantida a decisão de primeiro grau que cancelou a glosa referida no item 'a'. Com relação ao cancelamento parcial da glosa relativa ao anocalendário 1997, o acórdão recorrido traz o seguinte pronunciamento: Quanto ao anocalendário de 1997, a glosa fiscal é de R$ 1.143.060,73, que o autuante justifica pela divergência entre o prejuízo fiscal informado no demonstrativo apresentado pela autuada, igual a R$ 17.251.144,77, e o prejuízo constante do Sapli, igual a R$16.108.084,04. Em parte essa diferença decorre de a autuada ter informado que, nesse período, reconheceu como prejuízo fiscal não operacional a soma de R$ 24.515,54, enquanto o Sapli apurou um prejuízo dessa natureza de R$ 39.236,68, o que resulta numa divergência de R$14.721,14. Tal divergência se acha plenamente justificada pela fiscalização, uma vez que no relatório de auditoria fiscal se faz referência ao prejuízo fiscal não operacional apurado no Sapli. Recordese também que esses mesmos R$ 39.236,68 viriam a ser mais tarde reincorporados ao saldo compensável de prejuízos fiscais operacionais, conforme explanado nos parágrafos precedentes. Assim, não acatar essa glosa seria beneficiar indevidamente a autuada. Todavia, quanto aos restantes R$ 1.128.339,59, correspondentes à diferença entre a glosa total e os R$ 14.721,14, a glosa fiscal não está satisfatoriamente justificada. É certo que, de acordo com o Sapli, conforme se vê a folhas 65, o prejuízo fiscal teria sido de R$ 16.147.320,72, valor utilizado pelo autuante no seu levantamento. Esse valor, porém, não é confirmado pela última declaração de rendimentos apresentada pelo sujeito passivo ainda antes da ação fiscal, na qual consta que o prejuízo fiscal do anocalendário de 1997 foi igual a R$ 17.275.660,31, conforme cópia juntada aos autos pelo relator deste voto. Esse número, subtraído do prejuízo fiscal não operacional reconhecido pela autuada, coincide com a importância informada por ela à fiscalização como a contribuição do resultado negativo apurado em 1997 para a formação do saldo do prejuízo fiscal compensado Fl. 489DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 490 24 em 2006. Por outro lado, nos registros do Sapli não consta nenhuma explicação para a divergência entre as duas fontes (DIPJ e o próprio Sapli). Nem mesmo no histórico do Sapli a folhas 56 a 58 se indica alguma ação fiscal que tenha resultado na alteração do prejuízo fiscal informado na DIPJ apresentada pelo sujeito passivo. Uma vez que, não havendo fundamento jurídico nem prova material sólida o bastante para os desconsiderar, os dados da DIPJ devem prevalecer. Assim, cumpre julgar parte da glosa fiscal relativa a 1997 improcedente, reduzindo o seu valor a R$ 14.721,14. Conforme explicitado no voto condutor do acórdão recorrido não se vislumbra nos dados extraídos do sistema SAPLI (fls. 65), que consolida os dados de prejuízos fiscais constantes das DIPJ apresentadas pelo sujeito passivo, a divergência apontada pela autoridade autuante, no valor de R$ 1.128.339,59, do montante apurado pela interessada no ano 1997, exceto quanto aos resultados não operacionais, que só poderiam ser compensados com resultados da mesma natureza. Assim, mantevese apenas a glosa dos prejuízos não operacionais, do total de prejuízos a compensar, no importe de R$ 14.721.14. Desta feita, uma vez que o trabalho fiscal teve como suporte os dados informados em DIPJ pelo sujeito passivo, consolidados no SAPLI, e não se verificando a divergência com os dados informados pela recorrente durante o procedimento fiscal, deve ser mantido o cancelamento da glosa indicada no item 'b' supra. No que concerne a glosa de R$644.205,80, relativa ao anocalendário de 1998, que foi reduzida para R$ 3.932,71, a decisão recorrida trouxe o seguinte fundamento: Ainda quanto a essa primeira declaração relativa a 1998 observase outra glosa fiscal, no valor de R$ 644.205,80, a qual decorre da divergência quanto ao valor do prejuízo fiscal apurado no período entre o demonstrativo apresentado pela autuada à fiscalização e constante no Sapli. De acordo com o demonstrativo da autuada, esse prejuízo foi igual a R$ 3.932.706,28; de acordo com o Sapli de apenas R$ 3.291.792,27. Em virtude da cisão, porém, o Sapli confere à autuada o direito de acrescentar ao saldo acumulado de prejuízos fiscais um montante igual a 99,9% dessa última cifra, o que baixa o seu valor a R$3.288.500,48. Subtraindose este montante da quantia constante no demonstrativo da autuada, obtémse a diferença de R$ 644.205,80, glosada pelo fisco. A redução do saldo em virtude da cisão é inquestionável e deve ser mantida. Contudo, o valor do prejuízo fiscal informado no demonstrativo apresentado pela autuada é que está de acordo com a DIPJ entregue pela autuada e que se acha registrada como ativa nos bancos de dados eletrônicos da Receita Federal. Por outro lado, nos registros do Sapli não consta nenhuma explicação para a divergência entre as duas fontes (DIPJ e o próprio Sapli). Nem mesmo no histórico do Sapli a folhas 56 a 58 se indica alguma ação fiscal que tenha resultado na alteração do prejuízo fiscal informado na DIPJ apresentada pelo sujeito passivo. No máximo, portanto, é cabível abater 0,1% do prejuízo informado pela autuada como conseqüência da cisão, isto é, R$ 3.932,71. Uma vez que, salvo a redução em virtude da cisão, não consta dos autos fundamento jurídico nem prova material sólida o bastante para desconsiderar os dados da DIPJ, estes devem prevalecer. Seguese também que cumpre julgar parte da glosa fiscal relativa à primeira declaração de rendimentos de 1998 improcedente, reduzindo o seu valor a R$ 3.932,71. Neste ponto, a autoridade julgadora de primeiro grau identificou que os dados informados na DIPJ, em confronto com os dados consolidados no Sapli, revelaramse Fl. 490DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 491 25 divergentes, mas que a informação prestada pela interessada durante a ação fiscal com relação ao prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 1998, até o evento (cisão) coincidia com os dados informados na DIPJ (fls. 231), decidindo cancelar parcialmente a exigência, mantendo apenas a glosa proporcional (R$ 3.932,71) em face da cisão ocorrida. Também entendo que a base do lançamento decorre dos valores informados na DIPJ e consolidados no sistema Sapli. Assim, existindo divergência, não justificada pela autoridade lançadora, entre a DIPJ e os dados do Sapli, devem prevalecer os dados informados na DIPJ. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício quanto ao item 'c'. O item 'd', referese à glosa de R$854.857,95, também relativa ao ano calendário de 1998 (período após a cisão parcial) que foi integralmente cancelada, além de se reconhecer um saldo de R$17.480,63 em favor da autuada. Neste ponto o acórdão recorrido trouxe os seguintes fundamentos: Quanto à segunda declaração de rendimentos relativa a 1998, que cobre o período após a cisão até o encerramento do anocalendário em 31.12.1998, houve uma glosa de R$ 854.857,95, a qual igualmente decorre de divergência entre os números do Sapli e os do demonstrativo apresentado pela autuada. De acordo com o Sapli, no períodobase encerrado em 31.12.1998 houve um prejuízo fiscal de R$ 6.408.238,70, dos quais R$ 1.088.976,20 correspondem a resultado negativo não operacional; em conseqüência, o montante acrescentado ao saldo de prejuízo a compensar foi de R$ 5.319.262,50. Já no demonstrativo da autuada, o montante acrescentado ao saldo de prejuízos a compensar foi de 6.174.120,45, e como resultado negativo não operacional constam R$ 1.106.456,83, o que significa que, para a autuada, houve um prejuízo fiscal total de R$ 7.280.577,28. Esse número, por sua vez, está de acordo com o constante na última DIPJ entregue pela autuada, que se fez antes do início da ação fiscal da qual resultou o presente lançamento. No histórico do Sapli a folhas 56 a 58 não há registro de nenhuma ação fiscal que tenha alterado o resultado declarado pela pessoa jurídica. O autuante não fornece nenhum fundamento para preferir os dados do Sapli em detrimento dos da DIPJ. Diante de tal quadro, devem prevalecer os dados da DIPJ e a glosa fiscal julgada improcedente. Ressalvese que, não obstante, o cálculo do prejuízo fiscal não operacional constante do Sapli é o correto, porque reflete exatamente os dados da DIPJ. Isso significa que a autuada adicionou ao saldo de prejuízos fiscais acumulados até menos do que a que faria jus, pois o prejuízo fiscal não operacional que calculou supera em R$ 17.480,63 aquele corretamente indicado no Sapli. A glosa fiscal de R$ 854.857,95 foi calculada confrontandose os montantes líquidos acrescentados ao saldo acumulado de prejuízos fiscais. Logo, não somente se deve considerar indevida essa glosa, como também se fazer um ajuste favorável à autuada em montante igual ao que indevidamente acrescentou ao saldo de prejuízos fiscais não operacionais. Assim, quanto ao encerramento do anocalendário de 1998, em vez de glosa, devese efetuar um ajuste de R$ 17.480,63 em favor da autuada. Notese que, a exemplo dos ajustes contrários que se fizeram no saldo de prejuízos não operacionais, o efeito líquido deste último é nulo, visto que em 2003 é glosado todo o acréscimo que a autuada faz ao saldo de prejuízos fiscais a título de reversão de prejuízos não operacionais, o que alcança também esse montante de R$ 17.480,63. Se não se reconhecesse agora o ajuste discutido no presente parágrafo, a autuada sofreria uma glosa do seu valor em duplicidade. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 492 26 Não há reparos a fazer à decisão recorrida, que mantendo o mesmo critério adotado com relação as glosas precedentes adotou os dados informados na última DIPJ apresentada antes do início do procedimento fiscal, em detrimento dos dados do Sapli, uma vez que a autoridade lançadora não apontou o motivo da divergência entre tais documentos. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício quanto a glosa referida no item 'd'. Por fim, examino a exoneração do lançamento da CSLL em face do acórdão recorrido ter reconhecido um saldo em favor da autuada no valor de R$2.641.592,17, além da reversão da glosa de base negativa de CSLL de R$ 6.245.414,84, do anocalendário 2002, tendo em vista o cancelamento do lançamento que deu origem àquela glosa. O acórdão recorrido, após analisar a exoneração da glosa de base negativa de CSLL, de R$ 6.245.414,84, aditou que, verbis: [...]. Daí se segue que a glosa fiscal em causa deve ser considerada improcedente. A improcedência dessa glosa tem como conseqüência mais do que simplesmente restabelecer o seu valor no saldo de base de cálculo negativa. Conforme se observa no histórico das alterações da CSLL fornecido pelo Sapli (uma cópia do qual é juntada aos autos pelo relator desse voto), os dados originais da DIPJ entregue pela autuada em relação ao anocalendário de 2002 indicam uma base de cálculo negativa da CSLL antes da compensação com bases anteriores de R$ 2.727.282,07. Os dados do Sapli, nesse ponto, estão de acordo com a DIPJ apresentada pela autuada e que se encontrada registrada como ativa nos bancos de dados eletrônicos da Receita Federal (cópia juntada aos autos). Como resultado da ação fiscal mencionada no parágrafo precedente, o resultado negativo foi convertido em positivo, no montante de R$ 20.532.416,09. Em conseqüência da mudança de sinal no resultado tributável do período, o autuante efetuou de ofício a compensação com base de cálculo negativa de períodos anteriores, correspondente a 30 % do resultado positivo, isto é, R$ 6.159.724,94. Isso significa que, como efeito da ação fiscal, do saldo de base de cálculo negativa da CSLL não foram subtraídos apenas esses R$ 6.159.724,94, mas também aqueles R$ 2.727.282,07, correspondentes ao resultado negativo do próprio período de apuração. Coerentemente, a decisão de primeira instância que julgou improcedente a alteração feita pelo fisco no resultado tributável do anocalendário de 2002 teve como conseqüência o restabelecimento à situação originalmente existente, isto é, à situação conforme descrita na DIPJ entregue pela autuada. Isso pode ser verificado no histórico do Sapli atualizado, uma cópia do qual o relator deste voto juntou aos autos. Ocorre que, sem nenhuma razão aparente, no demonstrativo apresentado pela autuada (vide fls. 32) o montante que foi adicionado ao saldo de base de cálculo negativa da CSLL em virtude do resultado relativo ao anocalendário de 2002 foi de somente R$85.689,90. Daí que o autuante, ao calcular a presente glosa, apenas somou essa soma àqueles R$ 6.159.724,94, de modo que o montante glosado perfaz R$6.245.414,84. Não obstante, o ajuste que presentemente se faz neste voto leva em conta os dados constantes do Sapli e da declaração de rendimentos constante nos bancos de dados da Receita Federal. Assim, além de ser desfeita a glosa dos R$ 6.245.414,84, devem ser adicionados ao saldo de base de cálculo negativa de CSLL compensável R$ 2.641.592,17, montante que é igual à diferença entre R$ 2.727.282,07 e R$85.689,90. Daí se segue que o ajuste total favorável à autuada, em Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 493 27 relação ao anocalendário de 2002, perfaz R$ 8.887.007,01, que é igual à soma de R$ 6.245.414,84 e R$ 2.641.592,17. Aqui, uma vez mais, a autoridade julgadora de primeiro grau prestigiou os dados declarados pela interessada em sua DIPJ, ao determinar que fosse computado na base de cálculo negativa da CSLL a reversão do resultado negativo informado na DIPJ do ano calendário 2002 (fls. 245), e que fora absorvido em face do lançamento fiscal, que ao final restou cancelado. Entendo correto tal posicionamento, motivo pelo qual nego provimento ao recurso de ofício quanto ao item 'd'. Por todo o exposto, voto no sentido de negar seguimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário Superada que foi a preliminar de nulidade, impõese apreciar a preliminar de decadência do lançamento. Decadência A recorrente alega a impossibilidade de recomposição da base de cálculo do IRPJ e CSLL relativa a períodos atingidos pela decadência. Sustenta que o fisco não pode retroceder no tempo para recompor bases de cálculo do IRPJ e CSLL relativas a períodos fulminados pela decadência, com objetivo de provocar repercussão nas bases de cálculo apuradas em anoscalendário subseqüentes, ainda não atingidos pela decadência. Afirma que no caso dos autos, foram reajustadas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do período de 1989 a 2005. Exemplifica, com alegação de que foi recomposto o saldo de 1995. Conclui que não pode haver revisão de fatos ocorridos e registrados, já alcançados pela decadência. Cita extensa jurisprudência administrativa nesse sentido. Examinando detidamente os autos e os procedimentos realizados pela autoridade fiscal, entendo que, de fato, parte do lançamento foi lastreado em fatos apurados em períodos já alcançados pela decadência. A ação fiscal consistiu basicamente na verificação quanto a existência de saldos de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL acumulados suficientes para justificar a compensação feita pela interessada na sua DIPJ do anocalendário 2006. Ao ser intimado o contribuinte apresentou planilha e cópia do Lalur apontando prejuízos acumulados que remontavam ao anocalendário 1995. De posse de tais elementos a autoridade fiscal cotejou os dados com aqueles constantes do sistema Sapli, identificando algumas divergências. No exame do saldo de prejuízo acumulado do anocalendário 1995, a autoridade fiscal entendeu que no saldo informado pela interessada em sua planilha/Lalur (R$21.852.016,39) estaria incluído, indevidamente, o saldo de correção monetária de Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 494 28 IPC/BTNF, cuja exclusão do lucro fora autorizada pela Lei nº 8.200/1991, e procedeu a sua glosa do saldo a compensar. Adentrando às normas de dedutibilidade daquela diferença de correção, a autoridade fiscal entendeu, em suma, que a interessada não preenchia as condições para a sua exclusão do lucro liquido. Não obstante, a autoridade fiscal, verificando que o saldo de prejuízo acumulado em 31.12.1995 (R$ 24.907.511,82), informado no Sapli, era superior ao contido nas planilhas e controles apresentados pela recorrente, efetuou um ajuste da diferença em favor do contribuinte (R$ 3.095.495,43), e promoveu a glosa líquida no valor de R$ 9.735.680,42 na compensação do prejuízo relativo anocalendário 1995. Examinando as planilhas do Sapli (fls. 63), verificase que até 31/12/1994, havia um saldo acumulado de R$ 1.255,21 e que o contribuinte declarou um prejuízo líquido de R$ 24.906.256,61, apurado em 31/12/1995. A decisão de primeiro grau afastou a alegação de decadência por entender que esta não se aplica a possibilidade do Fisco exigir que o contribuinte comprove quaisquer fatos relacionados à apuração do prejuízo, na medida em que estes repercutem em lançamentos de exercícios futuros. Invoca a aplicação do art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme excertos do voto, verbis: Achase explícita na legislação ordinária a limitação dos efeitos da decadência, visto que o artigo 37 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece que os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Da mesma forma, o artigo 4º do Decretolei nº 486, de 1969, dispõe que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Assim, por exemplo, o contribuinte tem o direito de deduzir como despesa de depreciação um percentual do custo de aquisição de bens integrantes do seu ativo imobilizado que se acha empregado em atividade produtiva. Se determinado bem tem vida útil estimada em mais de cinco anos, como é o caso das edificações, as depreciações a ele vinculadas podem se estender por um prazo superior ao de decadência. Não obstante, o contribuinte não está dispensado de comprovar o custo de aquisição desse bem, nem adquire direito a deduzir quota de depreciação superior ao legalmente permitido apenas por ter registrado em sua escrituração custo de aquisição maior que o valor efetivamente despendido. Em tal hipótese, a decadência apenas impede que o fisco efetue a glosa de despesas que tenham afetado o resultado tributável de mais de cinco anos atrás. Com a devida vênia, me parece que o art. 37 da Lei nº 9.430/19964 visa resguardar o direito da Fazenda Nacional de exigir os comprovantes relativos a operações específicas que, embora registradas na contabilidade da pessoa jurídica num dado exercício, 4 Lei nº 9.430/96: Art.37.Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 495 29 repercutirão em lançamentos contábeis de exercícios futuros, como é o caso do exemplo, citado pela própria autoridade julgadora a quo, das quotas de depreciação de bens; ou, ainda da comprovação do custo de aquisição de bens na apuração de ganho de capital futuro e da amortização de ágio relativo à realização de determinado investimento. A ressalva legal se justifica, na medida em que tais operações embora sejam registradas num dado exercício, ao Fisco só interessará a sua comprovação quando repercutirem diretamente na apuração da ocorrência do fato gerador. Se esta repercussão só ocorre em exercício posterior é neste momento que nasce para o Fisco a possibilidade (e o interesse) de exigir a comprovação do custo ou despesa que tenha repercutido na base de cálculo apurada pelo contribuinte. O mesmo se dá se o fato repercute na apuração dos tributos em vários exercícios, subsiste o direito do Fisco de exigir esta comprovação em relação a cada um deles, como p. ex. nas citadas depreciações de bens ou amortizações dedutíveis. Entendo, todavia, que aqui a lei não está a se referir à apuração do próprio resultado (no caso prejuízos) espelhado na escrituração contábil, embora seja certo que estes resultados também poderão repercutir na apuração de resultados tributáveis de exercícios futuros. A questão central aqui discutida é se, uma vez encerrado um determinado período de apuração em que o contribuinte apurou um resultado negativo (prejuízo fiscal/base de cálculos negativa), devidamente informado em suas declarações de rendimentos (DIPJ), o Fisco teria, desde logo, um prazo para revisar/homologar tal resultado e promover, quando for o caso, ao lançamento de ofício, ou se este só iniciarseia a partir de sua compensação. É indiscutível que, uma vez encerrado o período de apuração e apresentada a DIPJ pelo contribuinte, pode o Fisco, a qualquer momento a partir daí, efetuar a revisão dos valores informados pelo sujeito passivo e, constando irregularidades, proceder ao lançamento de oficio para exigir o IRPJ e CSLL devidos, se for o caso. O Fisco, pode ainda, constatar irregularidades (omissão de receitas ou glosas de despesas indedutíveis, p. ex) que somadas não sejam suficientes para reverter integralmente o prejuízo apurado pelo contribuinte, mas tão somente para reduzilo. Nesta última hipótese, prevê o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235/19725, que constatando a infração fiscal, deve ser formalizado o auto de infração, ainda que não haja crédito tributário a exigir em face daquela apuração. O referido dispositivo tem aplicação especialmente nos casos de redução de prejuízos fiscais e bases negativas apuradas, quando não revertidos integralmente e, assim, não resultem na exigência de créditos tributários. Antes da lei ter instituído a obrigatoriedade do Fisco formalizar, por meio de auto de infração, a ocorrência de infrações redutoras do prejuízo fiscal apurado, inclusive com a instauração do litígio e observância das normas que regem o processo administrativo fiscal era bastante razoável considerar que o prazo decadencial se iniciasse, logo após o encerramento do período de apuração, apenas para os casos de exigência de crédito tributário pelo Fisco. E 5 Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 496 30 que o prazo para o Fisco glosar os prejuízos até o limite apurado somente se iniciasse quando da sua compensação pelo contribuinte. Tal perspectiva, porém, se modificou com a modificação introduzida no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, pela Lei nº 8.748/93, possibilitando a lavratura de auto de infração para a redução de prejuízos fiscais6. Outro aspecto a considerar na questão analisada é que a tributação do IRPJ e a CSLL tem por base o fato gerador chamado complexivo. Leandro Paulsen comenta que "Toda tributação relacionada a fatos geradores ditos complexivos, dáse por períodos de tempo, relativamente aos quais se afere a dimensão quantitativa do fato gerador base de cálculo para fins de apuração do montante devido. par fins de apuração do imposto devido. O fato gerador do imposto de renda e a correspondente grandeza econômica tributada é o acréscimo patrimonial havido em determinado período. [...]" 7 (grifei) O fato gerador do IRPJ e da CSLL têm como ponto de partida o confronto das receitas auferidas e custos e despesas dedutíveis registradas na escrituração contábil do contribuinte. Este resultado, ajustado por adições e exclusões, na forma da lei, constitui a base de cálculo dos tributos devido (IRPJ e CSLL) num determinado período. Ora, sendo os períodos de apuração do IRPJ e CSLL (anual ou trimestral) determinados por lei e tendo o Fisco, a partir da informação desse resultado pelo contribuinte. na sua declaração de rendimentos (DIPJ), o poderdever de revisar esta apuração e exigir eventuais tributos devidos, inclusive mediante a reversão de prejuízos apurados, entendo que não há como desconsiderar que o nascimento do prazo decadencial, para que o Fisco desconstitua as informações prestadas pelo sujeito passivo, se dê na data prevista em lei para a ocorrência do fato gerador, salvo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Assim, quando uma determinada receita ou despesa é registrada num determinado período, esta receita ou despesa passa a integrar a apuração da ocorrência do fato gerador (complexivo) daquele período, ainda que ao final seja apurado um prejuízo/resultado negativo. Desta feita, não pode o Fisco, se já ultrapassado o prazo decadencial, questionar, isoladamente, o seu montante ou dedutibilidade, quando o contribuinte vier a compensar o resultado negativo apurado, nos termos da previsão legal. Admitirse tal revisão, além do prazo quinquenal iniciado após o encerramento do período de apuração, equivale a considerar a existência de um prazo decadencial especial e indefinido para que o Fisco possa revisar as bases apuradas pelo sujeito passivo quando estas apontem prejuízo no período. Ora, se o Fisco pode desde logo, após o encerramento do período de apuração, revisar a apuração do contribuinte e formalizar, por 6 Art. 1º Os dispositivos a seguir, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que, por delegação do Decreto Lei nº 822, de 5 de setembro de 1969, regula o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. 7 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13 ed. Porto Alegre. Livraria do Advogado Editora; ESMAFE. 2011. p. 813. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 497 31 meio de auto de infração, a ocorrência de infração redutora do prejuízo ou, se superior a este, ensejadora da exigência de tributo, como justificar que tal possibilidade persista por tempo indefinido e incerto? Tal hipótese, equivaleria, também, a estender a apuração isolada de fatos e elementos que compuseram a apuração do fato gerador (complexivo) de um período, no exame de fatos geradores futuros, face à compensação do prejuízo fiscal. É certo que o Fisco tem o direito de exigir do contribuinte a comprovação da existência de prejuízos acumulados disponíveis para a compensação, independente do tempo transcorrido entre a apuração desse prejuízo e data da compensação. E, que é ônus do contribuinte manter as demonstrações e livros de forma a comprovar a apuração e disponibilidade (para compensação) dos prejuízos informados na sua DIPJ. No entanto, ultrapassado o prazo quinquenal da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4º, ou o prazo do art. 173, I do CTN, (aplicável conforme o caso), esta verificação está limitada à comprovação e demonstração do prejuízo apurado, não podendo o Fisco proceder a qualquer alteração desta base, pois os fatos apurados já estão alcançados pela decadência. Esta matéria foi recentemente enfrentada por este colegiado, que ao proferir ao Acórdão nº 1302001.796, de 01/03/2016, acolheu, por maioria, o voto da D. relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, que com sua habitual clareza e profundidade analisou situação similar, do qual colho os seguintes fragmentos, verbis: [...] Aqui, porém, a discussão não recai, apenas, sobre o art. 37 da Lei nº 9.430/96. O procedimento fiscal tem em conta a própria apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário 2004 e 2005, retificandoas por meio de auto de infração, consoante autoriza o Decreto nº 70.235/72 [...] Ou seja, o sujeito passivo informou ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa nos períodos em referência, e a lei autorizava a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte. Por sua vez, vejase o exato teor do art. 37 da Lei nº 9.430/96: [...] A lei, neste caso, fala da repercussão futura de fatos contabilizados no passado. Nada menciona acerca da compensação futura de prejuízos fiscais e, assim, não contradiz a autorização especial contida no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, acerca da retificação de prejuízos fiscais por meio de lançamento. É certo que em circunstâncias específicas, a autoridade fiscal poderia discordar da compensação futura de prejuízos fiscais ou bases negativas, ainda que não promovido lançamento anterior para retificar sua apuração. Isto porque, para além do efeito imediato da apuração de prejuízos fiscais e bases negativas, que é a demonstração da inocorrência do fato jurídico tributário (lucro) no período de sua apuração, aquela apuração tem um efeito Fl. 497DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 498 32 mediato, qual seja, a redução de bases tributáveis futuras, momento em que o sujeito passivo deveria fazer a prova da existência do prejuízo fiscal e da base negativa anteriormente apurados, mesmo que já atingido pelo prazo decadencial. Assim, se tais prejuízos não foram informados em DIPJ oportunamente, e não estão demonstrados no LALUR, consoante exige o art. 262, inciso III do RIR/99, a autoridade fiscal poderia glosar sua utilização futura, ainda que ultrapassado o prazo decadencial contado a partir da apuração original. Todavia, se estas informações foram prestadas, ultrapassado o prazo decadencial o Fisco não mais pode promover o lançamento que, desde o encerramento da apuração correspondente, estava autorizado por lei a fazer. (grifo nosso) Acrescentese, ainda, que embora o CTN estipule prazo decadencial para constituição de crédito tributário, os incisos do seu art. 173 fazem referência à formalização de lançamento, sendo certo que o auto de infração destinado à redução de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL guarda praticamente todos os contornos do lançamento previsto no art. 142 do CTN, à exceção do cálculo do montante do tributo devido e da aplicação de penalidade cabível, ante o expresso reconhecimento da autoridade fiscal de que a apuração da contribuinte subsistiu negativa. Logo, não há como negar que o auto de infração destinado à redução de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL se submete aos prazos decadenciais estipulados no CTN para fins de constituição de crédito tributário. Esclareçase, ainda, que este entendimento traz implícita a premissa de que sujeitase a homologação tácita a apuração de prejuízo fiscal regularmente escriturada e declarada pelo sujeito passivo. [...] [...] Importa assim, ter em conta a peculiaridade das obrigações acessórias impostas aos contribuintes, dentre os quais se insere a recorrente, ao optarem pela apuração do lucro real anual. Cumprelhes: escriturar contabilmente suas operações, apurar mensalmente a necessidade de recolher antecipações (estimativas), apurar o resultado do exercício em seus livros contábeis, promover ajustes previstos em lei (adições, exclusões e compensações) para determinar o lucro real no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR ou a base de cálculo da CSLL em outros demonstrativos, aplicar sobre estes as alíquotas correspondentes e do resultado deduzir as parcelas previstas na legislação, recolher o tributo eventualmente apurado, declarálo em DCTF e, no exercício subsequente, informar esta apuração em DIPJ. No cumprimento destas obrigações acessórias, pode o sujeito passivo não chegar, em sua apuração, a base de cálculo sujeita à incidência tributária, não só porque seu resultado do exercício já foi negativo ou igual a zero, como também porque os ajustes ao lucro líquido contábil geraram resultado igual a zero ou prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL. Em tais condições, é possível que apenas em razão do menor sucesso em suas atividades, o sujeito passivo não recolha tributo, nada tenha a declarar em DCTF, e apenas informe ao Fisco sua apuração no momento da entrega da DIPJ. Em tais condições, o sujeito passivo não se enquadra em uma hipótese na qual a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, nem mesmo naquela onde, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. E isto porque há uma situação Fl. 498DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 499 33 intermediária na qual a lei prevê o pagamento antecipado da exação, mas admite que ele não seja feito se a apuração do sujeito passivo disto o dispensar. E, para esta hipótese intermediária, não se pode negar que o prazo previsto no art. 150 do CTN também seja aplicável. Esta, inclusive, é uma das interpretações cogitadas pela Equipe de Trabalho constituída por esta Relatora e por Daniel Monteiro Peixoto, Gleiber Menoni Martins, Maria Inês Dearo Batista, Maria Lúcia Aguilera, Vanessa Rahal Canado e Eurico Marcos Diniz de Santi, sob a coordenação deste último, e que consta do livro Decadência no Imposto sobre a Renda – Investigação e Análise I, Editora Quartier Latin, São Paulo, 2006, p. 50: Corrente 1: A contagem do prazo decadencial do direito de lançar o crédito tributário é a do art. 150, §4º do CTN, porque: 1º) tratase de lançamento por homologação – aquele no qual a Lei atribuiu ao sujeito passivo o dever de antecipar a apuração e o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa (tributos que prescindem de lançamento = ato privativo da autoridade administrativa); 2º) o sujeito passivo adotou a conduta prescrita em Lei de informar o resultado da apuração do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, apenas não tendo efetuado qualquer declaração (DCTF) ou pagamento, relativos ao imposto devido, por falta de apuração de base tributável no período; 3º) a regularidade da conduta adotada (ausência de declaração e pagamento) encontrase confirmada pela entrega da DIPJ, instrumento previsto na legislação para a demonstração da base de cálculo apurada; Nesse contexto, o dever de antecipar o pagamento, requisito previsto em Lei para a aplicação da norma decadencial do art. 150, § 4º do CTN, somente se justifica quando apurado imposto devido. [...] Após a edição do livro que orienta o julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, o Professor Eurico Marcos Diniz de Santi dirigiu os estudos sobre particularidades do tema “Decadência” que não estavam tratadas em sua tese. E um dos resultados destes trabalhos pode ser visualizado na parte “B” do livro publicado em 2006, da qual constam os fluxogramas com as possíveis soluções para as diversas possibilidades de ocorrência da decadência no percurso da apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, e por conseqüência também da CSLL, sujeita a regras semelhantes de apuração e recolhimento. A “Situação 6”, ali constante à p. 148, destaca hipótese na qual se enquadra o caso em análise nestes autos: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 500 34 No presente caso, a contribuinte não apurou lucro nos períodos fiscalizados, mas apresentou DIPJ informando ao Fisco a apuração de prejuízo fiscal e base negativa nos anoscalendário de 2004 e 2005 (fls. 1036/1137). De outro lado, a autoridade lançadora nada menciona nos autos acerca da imprestabilidade da apuração assim informada em DIPJ, e apenas nega valor a determinadas operações irregulares. Assim, a apuração correspondente, justificando a ausência de recolhimento, foi regularmente informada ao Fisco em cumprimento a obrigação acessória que a legislação impõe aos contribuintes nestas condições, de modo que, em princípio, o prazo para sua revisão seria aquele exposto no art. 150, § 4º do CTN. [...] No caso dos autos, a autoridade fiscal procedeu a alteração da base de cálculo dos prejuízos apurados em 1995, disponível para a compensação em 2006, sob o fundamento da impossibilidade de exclusão da Diferença de IPC/BTNF pela interessada. Examinando os documentos trazidos aos autos, nem tenho como certo que tais valores estejam computados no montante de prejuízos informados pelo contribuinte na DIPJ e consolidados no Sapli em 31/12/1995, mas como a autoridade fiscal tomou como certa tal circunstância, a partir das informações apresentadas pelo contribuinte, sem aprofundarse ou pedir maiores esclarecimentos a respeito e, nem o contribuinte questionou tal entendimento, entendo que a questão deve ser examinada à luz desse fato. Ora, sendo inquestionável que o contribuinte possuía, segundo os dados da própria RFB, saldo de prejuízos em 31/12/1995 em montante superior ao informado pelo contribuinte e, ainda, que estes dados não foram questionados pela autoridade fiscal, que inclusive reconheceu as diferenças em favor do interessada, deve terse como certa a existência do referido saldo. Neste diapasão, impõese reconhecer a impossibilidade da autoridade fiscal proceder a qualquer alteração na base de cálculo (prejuízo) apurada pela interessada em 31/12/1995, uma vez que este período de apuração foi alcançado pela decadência. Assim, deve ser cancelada, da base de cálculo do IRPJ, a glosa de compensação de prejuízo no valor de R$ 9.735.680,42 relativo anocalendário 1995. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 501 35 O mesmo entendimento se aplica à glosa da base de cálculo da CSLL, no montante de R$ 4.119.993,32, efetuada sob o pressupostos de que o fundamento da impossibilidade de exclusão da Diferença de IPC/BTNF pela interessada. De acordo com o sistema Sapli (fls. 77) a interessada possuía em 31/12/1995 saldo de base de cálculo negativa de CSLL de R$ 35.486.846,15, sendo R$ 344,11 acumulado de exercícios anteriores e R$ 35.486.502,04, apurada no anocalendário 1.995. Assim, na data do lançamento não poderia a autoridade fiscal proceder a qualquer alteração da base de cálculo apurada em face do transcurso do prazo decadencial. Pelo exposto, voto no sentido de reconhecer a decadência do lançamento em face das glosas de prejuízos de R$ 9.735.680,42, relativo anocalendário 1995, na base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL no montante de R$ 4.119.993,32. O mesmo se aplica ao saldo de glosas dos anoscalendário 1997 e 1998, que subsistiram em face da cisão ocorrida em 1997. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência parcial do lançamento e cancelar as glosas de prejuízos e da base de cálculo negativa da CSLL que remanescerem após a decisão de primeiro grau. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Declaração de Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Acompanho o I. Relator no cancelamento da glosa de compensação de prejuízo no valor de R$ 9.735.680,42, relativa anocalendário 1995, mas faço algumas ponderações acerca do entendimento por mim firmado no voto condutor do Acórdão nº 1302 001.796. Isto porque, como bem exposto nos excertos transcritos pelo I. Relator, o prazo decadencial para o Fisco lavrar o auto de infração de redução de prejuízos fiscais somente flui em face dos prejuízos informados pela contribuinte em DIPJ. No presente caso, a autoridade lançadora vinculou a glosa efetiva de R$ 9.735.680,42 a irregularidades no total de R$ 12.791.175,85, que foram reduzidas pelo ajuste favorável à contribuinte de R$ 3.055.495,43, dado que os controles desta indicavam saldo de prejuízos no valor de R$ 21.852.016,39, referente ao anocalendário 1995, ao passo que na DIPJ fora informado o montante de R$ 24.906.256,61. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 502 36 Por sua vez, ao descrever as irregularidades que totalizaram R$ 12.791.175,85, a autoridade lançadora abordou aspectos que, em princípio, não estariam sujeitos a declaração e, por consequência, à revisão pelo Fisco antes da utilização do saldo de prejuízos, como é o caso da atualização do saldo de prejuízos fiscais pela diferença IPC/BTNF. Todavia, a glosa promovida pela autoridade fiscal evidencia que esta parcela foi computada no prejuízo fiscal declarado no anocalendário 1995, atraindo, assim, o prazo decadencial para sua revisão na forma antes exposta. Observo que tal atualização monetária, assim como a diferença IPC/BTNF sobre as contas patrimoniais sujeitas a correção monetária, produziriam efeitos fiscais a partir do anocalendário 1993 e sujeitavamse às condições expressas no RIR/99 e em atos normativos, citados pela Fiscalização. Porém, como relatado em impugnação, a contribuinte recorreu ao Poder Judiciário em 1995 para não se sujeitar à dedução parcelada prevista na legislação, e esta inobservância da legislação teria motivado as diferenças glosadas pela Fiscalização. A existência de ações judiciais, por sua vez, poderia postergar o termo inicial do prazo decadencial, na medida em que não é possível formalizar lançamento de redução de prejuízo fiscal na presença de decisão judicial favorável à contribuinte, ainda que precária. De fato, o lançamento com exigibilidade suspensa somente tem lugar quando há crédito tributário a ser constituído. O auto de infração de redução de prejuízo fiscal, por sua vez, sempre tem eficácia imediata, consoante justificativas que expressei em declaração de voto integrada à Resolução nº 1101000.156, nos seguintes termos: Observase nos autos que, no momento em que promovida a compensação de prejuízos aqui glosada, a contribuinte já havia sido cientificada dos lançamentos anteriores que alteraram o saldo de prejuízos disponíveis para compensação. De fato, optando pela apuração anual do lucro real no anocalendário 2003, a compensação em questão foi promovida em 31/12/2003, e o último lançamento que afetou o saldo de prejuízos fiscais, objeto do processo administrativo nº 10830.009370/200344, foi formalizado no curso daquele anocalendário. Contudo, ao contrário do que defende a interessada, os recursos administrativos interpostos contra os lançamentos anteriores somente atribuem suspensão da exigibilidade aos créditos tributários, e não afastam ou suspendem outros efeitos do lançamento. E isto porque, em sede de recurso administrativo, somente se cogita de efeito suspensivo quando a lei expressamente o diz, consoante os ensinamentos de Maria Sylvia Zanella Di Pietro8: Recursos administrativos são todos os meios que podem utilizar os administrados para provocar o reexame do ato pela Administração Pública. Eles podem ter efeito suspensivo ou devolutivo; este último é o efeito normal de todos os recursos, independendo de normal legal ; ele devolve o exame da matéria à autoridade competente para decidir. O efeito suspensivo, como o próprio nome diz, suspende os efeitos do ato até a decisão do recurso; ele só existe quando a lei o preveja expressamente. Por outras palavras, no silêncio da Lei, o recurso tem apenas efeito devolutivo. Segundo as lições da mesma doutrinadora, os atos administrativos, revestidos de presunção de legitimidade, produzem efeitos enquanto não anulados ou cancelados por autoridade competente: 8 Direito Administrativo, 18ª edição, Atlas, São Paulo, 2005, p. 640. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 503 37 A presunção de legitimidade, assim, opera no sentido da atribuição de validade aos atos administrativos, caso não restem concreta e eficazmente invalidados pelo contribuinte (de se lembrar a inadmissibilidade da negação geral); nesta hipótese, a presunção atribui força tal ao ato que pode ele instrumentar as medidas seguintes na direção de sua execução forçada. Por sua vez, o Código Tributário Nacional assim estipula a suspensão decorrente dos recursos administrativos: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. (negrejouse) Paulo de Barros Carvalho9 também restringe os efeitos da suspensão à exigibilidade do crédito tributário, subsistindo íntegro o crédito tributário em si: Nasce o direito de perceber o valor da prestação tributária no exato momento em que surge o vínculo jurídico obrigacional, equivale a dizer, quando se realiza aquele fato hipoteticamente descrito no suposto da regramatriz de incidência. Aparece, então, para o sujeito ativo, o direito subjetivo de postular o objeto, e, para o sujeito passivo, o dever jurídico de prestálo. Contando de outra forma, afirmaremos que advém um crédito ao sujeito pretensor e um débito ao sujeito devedor. Por exigibilidade havemos de compreender o direito que o credor tem de postular, efetivamente, o objeto da obrigação, e isso tãosó ocorre, como é óbvio, depois de tomadas todas as providências necessárias à constituição da dívida, com a lavratura do ato de lançamento tributário. No período que antecede tal expediente, ainda não se tem o surgimento da obrigação tributária, inexistindo, conseqüentemente, crédito tributário, o qual nasce com o ato do lançamento tributário. Ocorrendo alguma das hipóteses previstas no art. 151 da Lei n. 5.172/66, aquilo que se opera, na verdade, é a suspensão do teor da exigibilidade do crédito, não do próprio crédito que continua existindo tal qual nascera. Com a celebração do ato jurídico administrativo, constituidor da pretensão, afloram os elementos básicos que tornam possível a exigência: a) identificação do sujeito passivo; b) apuração da base de cálculo e da alíquota aplicável, chegandose ao quanto do tributo; e c) fixação dos termos e condições em que os valores devem ser recolhidos. Feito isso, começa o período de exigibilidade. A descrição concerta bem com os atributos que dissemos ter o ato jurídico administrativo do lançamento: presunção de legitimidade e exigibilidade. Com ele, inicia a Fazenda Pública as diligências de gestão tributária, para receber o que de direito lhe pertence. É o lançamento que constitui o crédito tributário e que lhe confere foros de exigibilidade, tornandoo susceptível de ser postulado, cobrado, exigido. Em passagem anterior de sua obra10, ao definir os atributos do ato jurídico administrativo de lançamento, o autor reconhece que a presunção de legitimidade está presente em todos os atos praticados pela Administração e, certamente, também qualifica o lançamento. Dado a conhecer ao sujeito passivo, será tido como 9 Curso de Direito Tributário, 17ª edição, São Paulo, Editora Saraiva, 2005, p. 439440. 10 Op. cit., p. 411. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 504 38 autêntico e válido, até que se prove o contrário, operando em seu benefício a presunção juris tantum. Por mais absurda que se apresente a pretensão tributária nele contida, o ato se sustenta, esperando que outra decisão da própria autoridade ou de hierarquia superior o desconstitua, quer por iniciativa do sujeito passivo, quer por providência de ofício, nos sucessivos controles de legalidade a que os atos administrativos estão subordinados. Neste mesmo sentido, o autor declarará a improcedência da dicotomia lançamento provisório e definitivo11, observando que a susceptibilidade a impugnações é predicado de todos os atos administrativos, judiciais e legislativos, com exceção somente daqueles que se tornaram imutáveis por força de prescrições do próprio sistema positivo. E assevera: Um ato administrativo temse por pronto e acabado quando, reunindo os elementos que a ordem jurídica prescrever como indispensáveis à sua compostura, vier a ser oficialmente comunicado ao destinatário. A contingência de estar aberto a refutações é algo que o próprio sistema prevê e disciplina, mas que não elide a definitividade da figura. Por esta razão, inclusive, esta Relatora rejeitou argumentação deduzida nos autos do processo administrativo nº 10830.0016840/200911, com vistas a afastar a multa de ofício aplicada em razão da glosa de prejuízos que, revertidos em lançamento anterior, foram utilizados pela contribuinte no período posteriormente fiscalizado. A interessada defendia que a suspensão da exigibilidade decorrente dos recursos administrativos interpostos contra o lançamento inicial a dispensariam de retificar seus controles de prejuízos fiscais e impediriam a caracterização de infração sujeita a multa de ofício. A pretensão foi afastada nos seguintes termos do voto condutor do Acórdão nº 1101000.969: A recorrente, porém, acrescenta que deveria ser afastada a multa de ofício ante a suspensão da exigibilidade do lançamento anterior. Todavia, a penalidade está prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício decorrente de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, como constatado no presente caso. A mesma Lei somente autoriza a constituição do crédito tributário sem a aplicação de multa de ofício no seguinte caso: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Por sua vez, o Código Tributário Nacional assim dispõe acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; 11 Op. cit., p. 413414. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 505 39 IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. E, não bastasse a impugnação e o recurso voluntário integrarem o inciso III, e não os incisos IV e V do art. 151 do CTN, referidos no art. 63 da Lei nº 9.430/96 como hipóteses que podem afastar a aplicação da multa em lançamento de ofício, há que se observar que o art. 151 do CTN apenas suspende a exigibilidade do crédito tributário e não todo e qualquer efeito do ato administrativo de lançamento. Como bem observa a doutrina transcrita pela recorrente, o que se suspende, portanto, é o “dever de cumprir a obrigação tributária”, qual seja, a obrigação tributária principal formalizada no lançamento questionado administrativamente. Os demais deveres decorrentes, no caso, da reversão para lucro dos prejuízos e bases negativas originalmente apurados, não estão alcançados pela suspensão estabelecida, naqueles termos, pelo Código Tributário Nacional. Acrescentese que, em sede de recurso administrativo, somente se cogita de efeito suspensivo quando a lei expressamente assim o diz. Nesse mesmo sentido, são os ensinamentos da professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (in Direito Administrativo, pág. 640, 18ª ed. 2005): [...] Assim, à falta de previsão expressa em outro sentido, os recursos administrativos têm apenas efeito devolutivo da matéria recorrida. Ou seja, se a norma em referência determina, tão só, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, claro está que apenas este efeito do ato administrativo é postergado. A reversão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa tem efeito imediato, e o lançamento de ofício de sua utilização indevida somente poderia ser impedido por conduta espontânea do sujeito passivo que revertesse esta utilização antes do início do procedimento fiscal tendente a promovêlo de ofício. Inadmissível, portanto, a conclusão da recorrente de que não haveria que se falar em retificação do saldo de seu prejuízo fiscal antes do julgamento definitivo do processo em referência. Quanto à possibilidade de “solve et repete” aventada pela recorrente, cumpriria à recorrente manejar os competentes recursos, como procedeu, e à Administração Tributária vincular o julgamento destes autos à apreciação do lançamento que lhe precede, como aqui também se verificou. E, no que tange à analogia, o Código Tributário Nacional somente autoriza sua utilização na ausência de disposição expressa. Assim, se há lei determinando a aplicação de multa de ofício no lançamento decorrente de falta de declaração e recolhimento, sua supressão somente é possível em face de outra disposição legal, consoante se verificou com a edição do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Se o legislador entendesse que, também nos casos como o presente, não houve infração a ser penalizada, certamente o dispositivo legal teria sido ampliado para alcançar hipóteses previstas em outros incisos do art. 151 do CTN. É certo que caso se verifique a reversão dos lançamentos antes promovidos, o saldo de prejuízos fiscais será restabelecido, porém, enquanto esta circunstância não se verificar, não é permitido ao sujeito passivo utilizar os valores que deveria ter excluído de seus registros no LALUR. Tais atos deveriam aguardar o desfecho dos demais processos administrativos. Inadmissível, assim, atribuir efeito financeiro retroativo a eventual decisão administrativa ou judicial que venha a desconstituir o lançamento, de modo a permitir que os prejuízos fiscais infirmados em lançamento se prestem a reduzir a base tributável no período de apuração aqui autuado. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302001.851 S1C3T2 Fl. 506 40 Esclareçase, ainda, não ter lugar, aqui, a aplicação subsidiária do art. 265, inciso IV do Código de Processo Civil, assim redigido no que importa ao presente litígio: Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; [...] § 5o Nos casos enumerados nas letras a, b e c do no IV, o período de suspensão nunca poderá exceder 1 (um) ano. Findo este prazo, o juiz mandará prosseguir no processo. Nas lições de Vicente Greco Filho12, referido dispositivo trata da denominada questão prejudicial, por ele conceituada como relação jurídica controvertida, logicamente antecedente, que subordina a resolução de outra dita principal e apta, em tese, a ser objeto de uma ação principal. No presente caso, segundo a classificação exposta pelo autor, estarseia frente a uma prejudicial externa, na medida em que a relação jurídica antecedente depende de decisão em outro processo, e não no mesmo processo em que vai ser proferida a sentença. Assim, o pressuposto para a suspensão do processo é a questão externa ser logicamente antecedente. Contudo, diante do contexto antes delineado, antes de ser uma questão prejudicial ao processo, o lançamento inicialmente formalizado infirma a própria existência do direito material pretendido pela interessada. Em conseqüência, a suspensão é inócua, pois eventual decisão favorável ao sujeito passivo somente disponibilizaria prejuízo fiscal para compensação no momento em que se tornasse definitiva e extinguisse o crédito tributário lançado. Ocorre que, no presente caso, em consulta às informações dos processos judiciais indicados pela contribuinte em impugnação (Medida Cautelar nº 95.01000028 e Ação Ordinária nº 95.01001768), apesar de a apelação interposta pela Fazenda Nacional na medida cautelar indicar que houve decisão anterior favorável à contribuinte, constatei que na ação ordinária a sentença lhe foi desfavorável, o que faria cessar os efeitos da medida cautelar. Como a apelação interposta pela contribuinte na Ação Ordinária nº 95.01001768 ingressou no TRF/1ª Região em 19/09/2001, concluí que, ao menos desde este momento, já seria possível a lavratura de auto de infração para redução do prejuízo fiscal declarado no anocalendário 1995, impondose, também por esta ótica, a declaração da decadência do direito de o Fisco promover, apenas em 2011, os questionamentos aqui veiculados. É como voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira. 12 Direito Processual Civil Brasileiro, 2º volume, 14º edição, São Paulo, Editora Saraiva, 2000, p. 63 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27 /05/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDELI PEREIRA BES SA
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Numero do processo: 10580.720369/2009-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429SP). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência.
2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.118.429SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência.
Numero da decisão: 9202-004.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votou pelas conclusões em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429SP). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.118.429SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 69 /2 00 9- 59 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votou pelas conclusões em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA. Relatório AI Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista classificação indevida de rendimentos na declaração de imposto de renda de pessoa física DIRPF, conforme auto de infração de efls. 03 a 10, cientificado em 13/02/2009. O contribuinte teria classificado indevidamente como rendimentos isentos e não tributáveis os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Os referidos rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, Fl. 513DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 4 3 com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003. O agente fiscal entendeu que estas verbas têm natureza eminentemente salarial e que a competência legislativa dos estados não permite que estes emitam normas sobre isenção de imposto de renda, sendo irrelevante que a lei complementar estadual denominasse essas verbas como isentas. Impugnação O auto de infrações foi objeto de impugnação, em 03/03/2009, às efls. 42 a 107 dos autos. Ao analisar a impugnação e o AI, a 3ª Turma da DRJ/SDR constatou que os rendimentos objeto da autuação se referiam a diferenças apuradas no período de 01/04/1994 a 31/08/2001 e que foram recebidos acumuladamente em 36 parcelas nos anos de 2004 a 2006, conforme disposto no art. 2º da Lei Complementar nº 20/2003 do estado da Bahia. Por se tratarem de rendimentos recebidos acumuladamente, o crédito tributário lançado foi apurado com base nas tabelas e alíquotas vigentes nos anos dos recebimentos, conforme disposto no art. 56 do Decreto nº 3.000 de 26/03/1999 RIR/99. Ocorre que em 13/05/2009, foi publicado o Despacho do Ministro da Fazenda que aprovou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287 de 12/02/2009 que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto de renda incidente sobre e rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Em vista disso, a 3ª Turma emitiu o despacho de nº 277, em 03/08/2009, às e fls. 150 e 151, visando ao retorno do processo à DRF de origem para que houvesse ajustamento do lançamento fiscal ao disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009. Posteriormente, a impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ em Salvador, em 03/03/2011, que, inicialmente, esclareceu ter a diligência fiscal ficado prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, de 26/10/2010, ao concluir pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal e, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado, conforme acórdão n° 1526.366, às efls. 154 a 159. Foram afastados valores lançados relativamente à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário, pois seriam respectivamente isentas e sujeitas à tributação exclusiva. Recurso voluntário Inconformada, a contribuinte, em 20/04/2011, apresentou recurso voluntário, às efls. 164 a 251, no qual sustentou, em resumo: · nulidade do acórdão de impugnação por não ter enfrentado questões sobre a ilegitimidade ativa da União para exigir o imposto de renda retido na fonte cujo produto pertence ao estado da Bahia, de acordo com o art, 157, inc, I, da CRFB; Fl. 514DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 5 4 · a natureza indenizatória dos valores recebidos, referentes a diferenças de URV, que foi informada pela própria fonte dos pagamentos. A própria magistratura federal através da Resolução n° 245/2002, reconheceu caráter indenizatório de abono variável concedido por lei ao Poder Judiciário, nos quais se incluiriam as diferenças de URV, o que foi igualmente adotado no Parecer n ° 529/2003 do Ministro da Fazenda e mesmo reconhecido em decisões judiciais e administrativas; · a existência de quebra do princípio constitucional da isonomia entre o Ministério Público Estadual e o Federal ao qual se aplica o entendimento da citada Resolução n° 245/2002; · a incorreção na apuração dos impostos devidos, seja pela alíquota aplicada, seja pela falta de consideração do total dos valores recebidos no período e das despesas e deduções correspondentes; além disso afirma que teriam sido tributados valores referentes à diferença de URV sobre férias indenizadas e décimo terceiro salário além dos afastados pelo acórdão de impugnação em relação à correção sobre essas verbas; · não atendimento à IN RFB nº 1.127/2010, que reduziu a carga tributária sobre os rendimentos recebidos acumuladamente; · a sua boafé bem como sua ilegitimidade passiva, pois o Estado da Bahia seria o responsável pelo pagamento do imposto; · o afastamento da multa de ofício com fulcro na Nota Técnica n° 4 – Cosit de 29/04/2009 e no Parecer PGFN/CAT n° 179/2009, bem como em acórdãos do Conselho de Contribuintes; e · a indevida tributação dos juros moratórios e correção monetária decorrentes da aplicação da URV. Acórdão CARF A 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF julgou o recurso voluntário em 19/01/2012, resultando no acórdão n° 28020013.282, às efls. 306 a 313, que deu a ele provimento parcial, por maioria de votos. Esse acórdão recebeu a seguinte ementa: IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. As verbas percebidas pelos integrantes do Ministério Público do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 6 5 JUROS MORATÓRIOS. NÃO INCIDÊNCIA DE IR. RECURSO REPETITIVO. Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. p/acórdão Ministro Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte O acórdão teve a seguinte lavra: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por unanimidade de votos afastar o imposto de renda sobre os juros moratórios e por maioria de votos excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. As Conselheiras Lúcia Reiko Sakae e Dayse Fernandes Leite davam provimento em menor extensão por exigir a multa de mora no lugar da multa de ofício. RE da Fazenda Em 04/09/2013, foi apresentado recurso especial de divergência RE da Fazenda, às efls. 315 a 324, contestando a aplicação do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, pois na espécie não seria aplicável o REsp nº 1.227.133/RS do STJ, uma vez que este trata de juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e no presente litígio as verbas recebidas não têm natureza indenizatória. A Procuradora apresenta como paradigmas os acórdãos: nº 2101002.018 da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara e 2801002.871 da 1ª Turma Especial, ambos da Segunda Seção de Julgamento do CARF, prolatados em 22/01/2013 e 23/01/2013, respectivamente. Admissibilidade do RE da Fazenda A Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, em 14/10/2014, no despacho de efls. 326 a 329, deu seguimento ao RE da Fazenda, relativamente à discussão sobre a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora, com fundamento nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente quando da apreciação daquele RE. Contrarrazões do contribuinte Fl. 516DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 7 6 Cientificado (efl. 331) do acórdão do recurso voluntário, do RE da Fazenda e da admissibilidade deste em 16/12/2014 (efl. 333), o contribuinte apresentou contrarrazões em 31/12/2014, conforme consta às efls. 416 a 431. Afirma a correção do acórdão recorrido no tocante ao caráter indenizatório dos juros moratórios, que não implicaria aumento patrimonial, sendo correto afastar a incidência do imposto de renda sobre eles, com base no decidido no REsp nº 1.227.133 do STJ apreciado no regime do art. 543C do CPC, devendo esse entendimento ser acatado em julgamentos do CARF por força do art. 62A do RICARF. Afirma ainda que os acórdãos paradigmáticos juntados pela Fazenda não evidenciariam situação fática idêntica à do processo em causa. O Acórdão nº 2101002.018 trata de questão decorrente de ação trabalhista, por rescisão de contrato de trabalho, não aplicável ao caso concreto. Já o acórdão nº 2801002.871, manejaria recurso voluntário que excluiria autuação referente à multa de ofício, entendendo que o contribuinte fora induzido a erro pela fonte pagadora, acarretando hipótese de erro escusável. Pelas razões aduzidas, requer que o RE não seja provido. RE Contribuinte Ainda em 31/12/2014, à vista do acórdão de recurso voluntário, o contribuinte apresentou Recurso Especial de Divergência (RE), às efls. 336 a 367, questionando: 1. a incidência do imposto de renda sobre diferenças de URV, por terem estas natureza indenizatória reconhecidas em Lei Complementar do estado da Bahia, analogamente à interpretação de Lei Federal dada em resolução do Ministro da Fazenda, com base em acórdão de nº 210201.687 prolatado na 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF; e 2. necessidade de cancelamento por erro material do lançamento, em face da incorreta apuração do imposto ao apurálo pelo regime de caixa em vez do de competência em sintonia com o decidido no REsp 1.118.429/SP do STJ, na sistemática do art. 543C do CPC, atendendo ao disposto no art. 62A do RICARF e trazendo como paradigma o acórdão nº 2801003.595 da 1ª Turma Especial da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Requer por fim a reforma total do acórdão recorrido pela não incidência do imposto de renda sobre as diferenças de URV, ou, alternativamente, seu cancelamento pelo erro material na apuração do imposto pelo regime de caixa. Admissibilidade do RE do Contribuinte A Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, em 17/07/2015, no despacho de efls. 465 a 469, deu seguimento parcial ao RE do contribuinte, ao afastar o Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 8 7 pleito de cancelamento por erro material na autuação, pois o paradigma desta matéria estava tratando de condenação em ação judicial enquanto o recorrido se referiria a recebimento de verbas decorridas diretamente de lei em sentido formal e material. Foi dado seguimento ao RE tãosomente em relação à primeira divergência para que fosse rediscutida a questão da não incidência do imposto de renda sobre diferenças de URV e sua alegada natureza indenizatória, com fundamento nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, vigente quando da apreciação daquele RE. No despacho de efls. 470 e 471, o Presidente do CARF, com base no artigo 71 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, confirmou as conclusões do despacho acima, dando seguimento parcial ao RE do contribuinte apenas no toante à questão da não incidência do imposto de renda sobre diferenças de URV e sua alegada natureza indenizatória. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do RE do contribuinte em 13/10/2015 (efl. 503), a Procuradoria da Fazenda, na mesma data, às efls. 504 a 510, que a lei tributária impõe a tributação do imposto de renda das pessoa física sobre o rendimento bruto e que a legislação federal invocada pelo contribuinte para isentar tais rendimentos só se aplicaria aos magistrados federais e ao ministério público federal. A legislação para isenção tem interpretação literal e só pode ser concedida mediante lei específica. A legislação estadual não pode afetar a esfera federal de tributação, concedendo isenção não prevista para o imposto de renda sobre verba salarial. Pelo exposto, a Procuradora da Fazenda afirma a improcedência do RE do contribuinte na matéria admitida e requer sua denegação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, os recursos atendem aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles conheço, bem como das contrarrazões trazidas aos autos. RE do contribuinte Inicialmente, é de se analisar o RE do contribuinte, na matéria que foi admitida: a não incidência do imposto de renda sobre diferenças de URV, por terem estas natureza indenizatória reconhecidas em Lei Complementar do estado da Bahia. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 9 8 peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 10 9 diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 11 10 da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 12 11 tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o recálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. RE da Fazenda Quanto ao conhecimento, de início, cabe ressaltar que, no mesmo sentido do que é afirmado pelo contribuinte em contrarrazões, o próprio despacho de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional entendeu que o acórdão paradigma nº 2101002.018 da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, trata de incidência de juros moratórios sobre valores recebidos em decorrência de ação trabalhista, não sendo este o caso em litígio, não se prestando para comprovação da divergência alegada. Todavia, diferentemente do que também é argumentado em sede de contrarrazões, o acórdão nº 2801002.871 da 1ª Turma Especial, da Segunda Seção de Julgamento do CARF trata da incidência de imposto de renda sobre juros moratórios havidos sobre as diferenças de URV, tanto que discorre sobre eles às efls. 148 a 152 daquele processo e nesta última efl. conclui: Dessa forma,constatado que os valores decorrentes da incidência dos juros moratórios se subsumem à hipótese descrita no artigo 43 do CTN (acréscimo patrimonial), não pode haver dúvidas a respeito da incidência do IR. Portanto, realmente há que se conhecer e prosseguir a apreciação do RE da Procuradora, cuja matéria em questionamento é a incidência de imposto de renda sobre juros moratórios havidos quando do recebimento de diferenças de URV. No tocante a essa questão, entendo que somente ficam fora do campo de tributação os juros devidos (i) no âmbito da extinção da relação de emprego ou (ii) decorrentes de verbas não tributáveis. No caso, não há que se falar em extinção da relação de emprego. Adicionalmente, como entendo que as verbas em questão têm natureza remuneratória, os correspondentes juros devem ser tributados. Tal tema foi recentemente enfrentado nessa 2ª Turma, em 10/03/2016, em acórdão de nº 9202003.872, com voto da lavra do e. relator Dr. Heitor de Souza Lima Junior, por mim acompanhado, e por isso adoto os argumentos lá utilizados, os quais peço vênia para abaixo reproduzir: ...creio que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, , a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 (ambas, assim, posteriores às decisões colacionadas pela recorrente) estabelece: (Grifos do original) REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 13 12 VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. p/ acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) Fl. 523DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 14 13 (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: a) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e b) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. No caso do presente processo, os pagamentos de diferenças não decorreram de ações trabalhistas como até mesmo o contribuinte afirmou em suas contrarrazões ao RE da Fazenda no contexto de despedida ou rescisão, pois houve pagamento direto pela fonte e decorrência da citada Lei Complementar nº 20/2003 do estado da Bahia. Já quanto à natureza indenizatória dos juros, pelo posicionamento adotado frente ao RE do contribuinte, anteriormente analisado, não se está a tratar de verba principal isenta; logo, os juros que seguem ao principal pago também não o seriam. Pela análise acima, é de se conhecer desse recurso para darlhe provimento. Conclusão Pelas razões expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento em parte ao recurso do contribuinte, para determinar o recálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720369/200959 Acórdão n.º 9202004.226 CSRFT2 Fl. 15 14 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10120.008421/2004-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Evidenciado que o voto condutor do julgado não apreciou alegação de decadência, ou seja, uma prejudicial à análise do mérito, deve ser suprida a omissão.
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, §4º, CTN. OCORRÊNCIA.
Com a declaração de inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e a edição da Súmula Vinculante nº 8 do STF, o prazo de decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito relativo ao PASEP rege-se pelas regras do Código Tributário Nacional, ou seja, 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao PASEP do período de 01/01/1994 a 30/11/1995.
Robson José Bayerl - Presidente substituto.
Waltamir Barreiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: WALTAMIR BARREIROS
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OMISSÃO. Evidenciado que o voto condutor do julgado não apreciou alegação de decadência, ou seja, uma prejudicial à análise do mérito, deve ser suprida a omissão. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, §4º, CTN. OCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e a edição da Súmula Vinculante nº 8 do STF, o prazo de decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito relativo ao PASEP regese pelas regras do Código Tributário Nacional, ou seja, 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao PASEP do período de 01/01/1994 a 30/11/1995. Robson José Bayerl Presidente substituto. Waltamir Barreiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 84 21 /2 00 4- 16 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para exigir do contribuinte o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) referente ao período de 01/01/1994 a 30/09/2003. O Estado de Goiás vinha recolhendo referida contribuição à alíquota de 1% sobre as receitas correntes próprias, menos as deduções legais, ao passo que o art. 2º, inc. II, alíneas 'a' e 'b', da Lei Complementar n. 8/1970, supostamente, determinaria a alíquota de 2%. Do procedimento fiscal, resultou o lançamento, em 23/12/2004, da importância de R$ 48.182.469,97 no tributo principal e de R$ 46.972.035,02 em juros de mora, totalizandose R$ 95.154.504,99 (fl. 379) 1. Salientase, desde já, que o lançamento foi realizado com o intuito de se evitar a decadência, haja vista que havia, à época, ordem judicial favorável ao contribuinte no Mandado de Segurança nº 2000.35.00.0091340 (JFGO TRF1), dispensandoo do pagamento do referido tributo enquanto não fosse definitivamente julgado o processo nº 10120.000805/0051 (instância administrativa). Devidamente cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 403424), alegando, em breve resumo: (a) preliminarmente, a decadência de parte do crédito tributário impugnado; (b) a impossibilidade da cobrança do diferencial de alíquotas de 1% para 2%; (c) a semestralidade da base de cálculo do PASEP; (d) a impossibilidade de tributação de repasses ao FUNDEF; e (e) a impossibilidade de cobrança de valores objetos de pedido de compensação ainda não apreciados pela via administrativa. Inobstante os argumentos exarados, a DRJ de Brasília/DF, em 22/3/2005, decidiu pela manutenção integral do crédito tributário constituído (430436), cujo Acórdão nº 13.276 restou assim ementado: “Decadência O prazo de decadência das contribuições sociais é de dez anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Deduções da Base de Cálculo Excluemse da base de cálculo da contribuição tãosó os valores autorizados pela legislação de regência e quando comprovada sua existência na escrita e documentação contábilfiscal da contribuinte. Alíquota aplicável – Fatos geradores até 02/1996 A alíquota aplicável para os fatos geradores anteriores a março de 1996 é de 2% por força do art. 2º, inciso II, alíneas 'a' e 'b' da Lei Complemetar 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão referemse à numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocesso) Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10120.008421/200416 Acórdão n.º 3401003.115 S3C4T1 Fl. 1.003 3 8/1970, tendo em vista a suspensão da execução dos DecretosLeis 2.445 e 2.449/1988 pela Resolução do Senado nº 49, de 09/10/1995. LC 07 e 08/1970 – Prazo de Recolhimento – Base de Cálculo – Semestralidade 'O art. 6º da Lei Complementar 07/70 não se refere à base de cálculo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses depois. A melhor exegese deste dispositivo é no sentido de a lei regular prazo de recolhimento de tributos'. Lançamento para Prevenir a Decadência A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do inciso V do art. 151 do CTN autoriza o fisco a efetuar o lançamento para prevenir a decadência. Lançamento Procedente” Desta decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 452478), dando ensejo à Resolução nº 20400.056 (fls. 485489) prolatada pelo Segundo Conselho dos Contribuintes, cuja solicitação de diligência concentrou na comprovação, por parte do Recorrente, das diferenças de base de cálculo por ele alegadas no referido recurso. Em resposta, foi elaborado Relatório Fiscal das Diligências Realizadas, com anexos compostos por diversos relatórios contábeis e outros documentos anexados aos autos (fls. 778780). Ato contínuo, o mesmo colegiado prolatou a Resolução nº 20400.476 (fls. 802808), determinando a juntada da decisão definitiva do processo administrativo nº 10120.000805/0051, bem como a adoção de outras providências previstas na referida resolução, notadamente em relação ao período de 05/2002 a 05/2003. Como resultado, foi exarada a Informação Fiscal SEORT/DRF/GOI nº 255, de 21 de dezembro de 2011, cujas conclusões são ora transcritas (fls. 909918): a) O presente lançamento de ofício envolve débitos de PASEP concernentes a dois períodos bem distintos (antes e após a vigência da Medida Provisória nº 1.212/95), cujas normas legais aplicáveis exigem a utilização de metodologia de cálculos distintas): b) Os débitos de PASEP, relativos aos períodos de Janeiro/1994 a Dezembro/1995, objetos do presente lançamento de ofício, foram apurados pela fiscalização, confrontando os valores apurados com os valores recolhidos ou parcelados, no entanto, os valores apurados pela fiscalização não observaram a regra da semestralidade da base de cálculo, o que resulta em valores superiores aos calculados por meio da referida regra. Ressaltase que as decisões administrativas proferidas no âmbito do processo nº 10120.000805/0051 foram no sentido de aplicar a regra da semestralidade da base de cálculo o que exigiu, inclusive, a correção dos débitos parcelados através do processo nº 10120.000448/9465 e seus incidentes; c) Os valores de PASEP pagos ou parcelados, relativos aos períodos de Janeiro/1994 a Novembro/1995, são coincidentes aos valores apurados mediante aplicação da regra da semestralidade, não remanescendo saldo a cobrar caso seja aplicada tal regra, sendo que a única exceção referese ao PASEP relativo ao mês de Dezembro/95, pois, neste caso, inexiste pagamento ou parcelamento, bem como confissão de dívida, devendo, assim, ser mantido o valor objeto do lançamento de ofício; d) Os débitos de PASEP, relativos aos períodos de Novembro/1999 a Setembro/2003, objetos do presente lançamento de ofício, foram aqueles valores apurados pela fiscalização que excederam aos valores pagos (Novembro/1999 a Março/2000), Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 parcelados (Dezembro/2000 a Dezembro/2001) ou compensados (Junho/2003 a Setembro/2003). A fiscalização não considerou os Pedidos de Compensação, relativos aos períodos de Novembro/1999 a Março/2000 e de Dezembro/2000 a Setembro/2001 e as Declarações de Compensação, relativos aos períodos de Maio/2002 a Maio/2003, formuladas no âmbito do processo nº 10120000805/0051, pois estes pleitos não possuem força de confissão de dívida; e) Já foi proferida decisão administrativa final no processo nº 10120000805/0051, através do Despacho Decisório DRF/GOI nº 1.918/2011 (cópias às fls. 859/890), com caráter de definitividade, mantendo o indeferimento do Pedido de Restituição, nos termos do Despacho Decisório DRF/GOI nº 232, de 15/09/2000, sendo que as compensações constantes nos Pedidos de Compensação e nas Declarações de Compensação foram, respectivamente, indeferidas e não homologadas por inexistência do crédito do contribuinte; f) As ordens judiciais proferidas nos Mandados de Segurança nº 2000.35.00.0091340 e 2000.35.00.0191340 impossibilitavam a cobrança dos débitos de PASEP, constantes nos Pedidos ou Declarações de Compensação vinculados ao direito creditório analisado no processo nº 10120000805/0051, enquanto não concluída a fase do contencioso administrativo concernente a pedido de restituição do crédito formulado no processo nº 10120000805/0051. Já atingida a condição resolutória prevista nas supracitadas ordens judiciais, estas perderam seus efeitos, logo, os débitos indevidamente compensados, controlados nos processos nº 10120000805/0051 e 10120 008421/200416, poderão ser cobrados pela RFB, vez que adquiriram exigibilidade plena; e g) Como a administração tributária encontravase impedida, em razão das ordens judiciais supracitadas, de realizar a apuração do crédito e, consequentemente, de analisar a correção das compensações vinculadas ao pretenso crédito pleiteado no processo nº 10120000805/0051, enquanto não concluído o contencioso administrativo naqueles autos, não ocorreu a conversão dos Pedidos de Compensação em Declaração de Compensação, bem como não ocorreu a homologação tácita destas compensações. Desse modo, descabe lançar mão de qualquer procedimento de correção quanto aos débitos de PASEP, concernentes aos períodos de apuração Novembro/1999 a Setembro/2003, lançados de ofício nos presentes autos administrativos, visto encontrar corretos. Tendo transcorrido in albis o prazo para manifestação, o contribuinte, em 27/09/2012, apresentou Termo de Desistência Parcial do seu pleito, seguindo a discussão apenas no que tange ao período de 01/1994 a 11/1995 (fl. 933), restando, consequentemente, prejudicada a análise das competências posteriores. Em sede de Recurso Voluntário, a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF exarou breve decisão de mérito, pela qual se considerou que, concentrandose o recurso tão somente nas competências 01/1994 a 11/1995, deve ser respeitada a regra da semestralidade para apuração da base de cálculo do PASEP, não havendo crédito tributário a ser exigido. Assim, por unanimidade, deuse provimento ao Recurso Voluntário, por meio do Acórdão assim ementado (fls. 971977): “SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. A semestralidade do PASEP é decorrente do artigo 14 da Lei 7.618/72. Recurso Voluntário Provido.” A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, arguindo, em breve síntese, que (a) há omissão do julgado no que toca à preliminar de decadência alegada pelo contribuinte em Recurso Voluntário; e (b) fica prejudicado o mérito referente à base de cálculo do tributo. Os embargos opostos foram conhecidos para efeito da análise da decadência (fls. 984993). Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10120.008421/200416 Acórdão n.º 3401003.115 S3C4T1 Fl. 1.004 5 Por meio de decisão de admissibilidade, os embargos opostos foram admitidos apenas quanto ao ponto ‘a’, eis que quanto ao ponto ‘b’ se verifica a tentativa de reforma do julgado sem qualquer amparo nas hipóteses de embargos de declaração, e discordância da conclusão do julgado não justifica esta via recursal (fls. 9971000) É o relatório. Voto Conselheiro Waltamir Barreiros O recurso é tempestivo e os demais requisitos formais da peça recursal foram confirmados pelo i. Conselheiro designado para este fim, Robson José Bayerl, merecendo a aprovação do Presidente desta Egrégia Turma. Desde logo, ressaltase a existência de interesse recursal da recorrente, eis que os embargos de declaração não visam, diretamente, à reforma da decisão, mas, isto sim, a seu aprimoramento, quando existente algum vício (omissão, contradição ou obscuridade) que possa comprometer a higidez da prestação jurisdicional administrativa. Verificamse os seguintes fatos processuais: (a) a alegação de decadência do direito de lançamento foi objeto de impugnação do contribuinte (fls. 403424); (b) o julgamento da DRJ exarou entendimento já superado sobre a temática (fl. 430436); (c) o contribuinte interpôs Recurso Voluntário que devolve a matéria à análise jurisdicional (fls. 452478); e (d) o acórdão do CARF (fls. 971976) não apreciou a prejudicial de mérito aventada. A decadência constitui, assim, uma prejudicial à análise de mérito, isto é, deve ser apreciada antes da matéria de fundo, cuja análise não é sequer procedida se a decadência é acolhida (falta de interesse). A propósito, a lógica processual pressupõe a análise sucessiva de certas matérias antes de outras, a saber: (i) admissibilidade; (ii) preliminares; (iii) prejudiciais de mérito; e (iv) mérito. O julgamento inoportuno de um dos pontos, antes de outros prévios, caracteriza omissão que merece ser corrigida. Pois bem, o Acórdão DRJ/BSA nº 13.276, prolatado em 22 de março de 2005, negou razão ao contribuinte a respeito da decadência, ao seguinte fundamento (fl. 430 436): O art. 45, inciso I, da Lei 8.212/1991 dispõe que o prazo de decadência é de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ser concluído, sendo inadmissível a discussão da constitucionalidade da lei na esfera administrativa, eis que privativa do poder judiciário. Não bastasse isso, o DecretoLei 2.052/1983, arts. 3° e 10, determinam que, "litteris": Art. 3º Os contribuintes que não conservarem, pelo prazo de dez anos a partir da data fixada para o recolhimento, os documentos comprobatórios dos pagamentos efetuados e da base de cálculo das contribuições, ficam sujeitos ao pagamento das Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 parcelas devidas, calculadas sobre a receita média mensal do ano anterior, deflacionada com base nos índices de variação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, sem prejuízo dos acréscimos e demais cominações previstos neste Decretolei. Art. 10 A ação para cobrança das contribuições devidas ao PIS e ao PASEP prescreverá no prazo de dez anos, contados a partir da data prevista para seu recolhimento. Assim, não se aplica ao caso o parágrafo 4º do art. 150 do CTN como pretende a interessada. Tal entendimento, contudo, encontrase superado pela Súmula Vinculante nº 8 do STF, que expressa: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário”. A partir da publicação da súmula, como é sabido, a Administração Pública fica vinculada aos seus ditames, de modo que não se pode decidir de forma que lhe seja contrária, ainda que em sede de processo jurisdicional administrativo. Às hipóteses de resistência à posição sumular, aplicamse os ditames do § 3º do art. 105A da Carta Magna que assim expressam: "Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada." Portanto, considerandose que (i) se cuida de débitos de PASEP, relativos a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1994 e novembro de 1995; (ii) é um tributo sujeito a lançamento por homologação; e (iii) houve antecipação do pagamento do tributo (mesmo que à alíquota de 1%), aplicamse ao caso as disposições do art. 150 do CTN, a saber: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Sob a égide dessa normativa, o prazo decadencial é de 5(cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador. Ora, lançamento se deu em 23/12/2004, momento no qual, de longe, já se encontrava decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir os créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos entre 1994 e 1995. Em tal consonância estão os precedentes do CARF sobre o tema: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1997 a 28/02/1998 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Com a declaração de inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e a edição da Súmula Vinculante nº 8 do STF, o prazo de decadência do direito da fazenda pública constituir o crédito tributário relativo ao PIS regese pelas regras do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento por homologação é de cinco anos. Na hipótese de existir o pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º do Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10120.008421/200416 Acórdão n.º 3401003.115 S3C4T1 Fl. 1.005 7 CTN, o prazo é contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Na hipótese de inexistência de pagamento antecipado, o prazo deve ser contado pela regra do art. 173, I, do CTN, considerandose exercício seguinte o ano civil seguinte ao ano de ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Negado. (CARF – Acórdão nº 9303000.857. Processo nº 16327.003575/200392. Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim – Câmara Superior de Recursos Fiscais/3ª Turma. Sessão de 26 de abril de 2010) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Se configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operandose em cinco anos, contados da data do fato gerador. Se inexistir a antecipação do pagamento e a declaração de débito, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contando se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Existindo a declaração de débito, ainda que sem o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN, operandose a decadência em cinco anos, contados da data do fato gerador. O que ocorreu no caso vertente. Precedente do STJ RESP 973.733. Recurso Voluntário Provido. (CARF – Acórdão nº 3202001.605. Processo nº 16327.002244/200335. Rel. Cons. Tatiana Midori Migiyama – 3ª Seção/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária. Sessão de 18 de março de 2015) Nesse norte, devem ser providos os presentes Embargos, de forma a sanar os vícios constantes do Acórdão nº 341002.643 do CARF (fls. 971976), e, por consequência, a reforma do Acórdão nº 13.276 da DRJ de Brasília/DF, para que seja reconhecida a decadência do direito de constituição de crédito de PASEP no período de 01/1994 a 11/1995. Conclusão: Ante o exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento ao Recurso Voluntário no que toca à decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao PASEP do período de 01/01/1994 a 30/11/1995. Waltamir Barreiros Relator Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10530.001282/2004-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA.
Declinada a competência para a 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Artigo 3° do Regimento Interno.
Numero da decisão: 9101-001.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade dos votos, em NÃO CONHECER do recurso para declinar competência para a segunda turma da CSRF.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres Presidente (Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausente, justificadamente os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Valmar Fonsêca de Menezes.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade dos votos, em NÃO CONHECER do recurso para declinar competência para a segunda turma da CSRF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres Presidente (Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausente, justificadamente os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Valmar Fonsêca de Menezes.
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Declinada a competência para a 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Artigo 3° do Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade dos votos, em NÃO CONHECER do recurso para declinar competência para a segunda turma da CSRF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres Presidente (Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausente, justificadamente os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Valmar Fonsêca de Menezes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 12 82 /2 00 4- 60 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10530.001282/200460 Acórdão n.º 9101001.631 CSRFT1 Fl. 5 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte em face do Acórdão de n° 19400.089, proferido pela Quarta Turma Especial do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 09 de dezembro de 2008. Cuidase de autuação referente ao Imposto de Renda de 2001, em que a contribuinte Maria de Fátima de Souza Oliveira teve glosados os valores de imposto retido na fonte (R$ 16.577,72) e previdência oficial (R$ 8.039,48) de sua declaração em virtude de recebimento de rendimentos de verbas trabalhistas decorrentes de processo judicial em que a fonte pagadora, responsável pelo recolhimento dos tributos, não o fez, mesmo tendo retido tais valores. Além disso, também foram glosados R$ 2.160,00 relativos a dois dependentes: sua mãe, que em declaração de contribuinte isento, afirmou não ser dependente de ninguém, e um menor, sustentado e educado pela contribuinte mas que não está sob sua guarda. Em sua defesa, a contribuinte alegou que não pode ser responsabilizada pelo crédito tributário, haja vista que a fonte pagadora desses rendimentos reteve os tributos devidos, mas que não realizou o pagamento dos mesmos. Além disso, argumentou também que nos anos de 2003 e 2004 foram realizados pagamentos de tributos relativos aos valores questionados pelo fiscal de, respectivamente, R$ 10.873,07 e R$ 6.802,04. Ao final, reconheceu que não detém a guarda do menor e anuiu com a glosa relativa aos dependentes declarados. Houve julgamento da DRJ (fls. 192/195), que considerou que a responsabilidade pelo pagamento de tributo incidente sobre rendimentos pagos sem retenção do imposto de renda na fonte sobre verbas incontroversas em ação trabalhista é do beneficiário dos rendimentos, mas que reduziu o valor cobrado. Irresignada, a contribuinte recorreu de tal decisão (fls. 202/237). Sobreveio acórdão da Quarta Turma Especial do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 249/252) que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, em decisão que restou assim ementada: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA Somente ensejaria nulidade a decisão proferida por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL AUSÊNCIA DE RETENÇÃO RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa fisica do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido A. respectiva retenção (Súmula n° 12, do Primeiro Conselho de Contribuintes). IRRF COMPENSAÇÃO Somente pode ser compensado no ajuste anual o imposto de renda comprovadamente retido pela fonte pagadora sobre os rendimentos incluídos na declaração. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10530.001282/200460 Acórdão n.º 9101001.631 CSRFT1 Fl. 6 3 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARACÃO DE RENDIMENTOS BASE DE CÁLCULO A multa de mora por atraso na entrega na declaração de ajuste anual é equivalente a um por cento ao mês ou fração sobre o imposto • devido, ainda que integralmente pago. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Não se conformando com a decisão, a contribuinte apresentou Recurso Especial (fls. 270/296) reafirmando argumentos já feitos em sua impugnação e em seu recurso voluntário, no sentido de se decretar a nulidade/improcedência do auto de infração face à ilegitimidade passiva da recorrente na relação jurídicotributária, uma vez que o recolhimento dos tributos deveria ter sido feito pela fonte pagadora, posicionamento esse dito em conformidade com acórdãos da segunda e sexta câmara do então Primeiro Conselho dos Contribuintes. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Esclarecida a situação, cabe agora analisarmos a impossibilidade de prosseguimento do julgamento nesta sessão, haja vista o seguinte: Primeiramente, cumpre ressaltar que a despeito dos autos terem sido encaminhados para distribuição à 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não identifiquei nos mesmos intimação à Fazenda Nacional para que esta apresentasse contrarrazões e, eventualmente, seu próprio Recurso Especial. Às fls. 298 observase tão somente um Despacho da Secretaria da Receita Federal (Delegacia de Feira de Santana – Bahia) com a seguinte determinação: “O contribuinte acima identificado apresentou RECURSO em 01/10/2010 às fls. 270/297, anexa a este processo, tempestivamente, conforme AR às fls. 269, também anexo a este. Encaminhese ao Conselho de Contribuinte (...) para apreciação e medidas cabíveis.” Na folha seguinte, pelo Despacho DRJ/SDR n° 726 de 26/10/2010 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador apenas determinou que “Tendo em vista a interposição de Recurso Especial pela Contribuinte acima identificada (fls. 270 a 296), o processo deverá ser movimentado para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (código de movimentação 01151690)”. Nos autos que recebi não identifiquei qualquer ciência da decisão pela Fazenda Nacional. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10530.001282/200460 Acórdão n.º 9101001.631 CSRFT1 Fl. 7 4 Além disso, verifico que esta Seção de Julgamento não é competente para apreciar questões relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física, sendo competente a 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Artigo 3° do Regimento Interno do CARF. Por todo o exposto, entendo que o processo deve ser saneado para que se verifique a ciência da decisão por parte da Fazenda Nacional e seja declinada a competência dessa turma, devendo ser remetido o processo para julgamento pela competente 2ª Seção do CARF. Sala das Sessões, em 17 de abril de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 316DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 11516.720633/2013-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-002.220
Decisão:
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reconhecer a omissão suscitada e determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador de primeira instância a fim de que seja proferido decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas no acórdão original. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Roberto Silva Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 63 3/ 20 13 -7 7 Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Resolução nº 1402000.220 S1C4T2 Fl. 1.307 2 Relatório Transcrevese inteiro teor da Informação em Embargos por mim prestadas ao Presidente deste colegiado para fins de exame de admissibilidade dos embargos opostos pelo Contribuinte: Tratase de embargos de declaração opostos por IZE BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA (fls. 12851293) em face do acórdão nº 1402001.908, julgado na sessão de 04 de fevereiro de 2015. A exigência diz respeito a autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 680762) lavrados em razão de suposta omissão de receita decorrente de subvenção recebida de Pessoa Jurídica de Direito Público Crédito Presumido de ICMS – Programa PróEmprego do governo de Santa Catarina, com fundamento legal no art. 3º da Lei nº. 9.249/95 e arts. 521 e 528 do RIR/99. Especificamente em relação ao PIS e a COFINS, a autoridade lançadora ressalta que a partir de 28/05/2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa destas contribuições, não mais incide sobre o valor das subvenções governamentais, a exemplo do crédito de ICMS objeto do Programa PróEmprego, uma vez que o inciso XII do art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Logo, no auto de infração, essas contribuições foram lançadas até maio de 2009. Apresentada impugnação, os membros da 3ª Turma da DRJ/FNS, por maioria de votos, julgaram procedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido (fl. 11161142), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe a receita bruta para fins de tributação do IRPJ, apuração pelo Lucro Presumido, o valor relativo ao crédito escritural incentivado de ICMS crédito presumido de ICMS, pois a desobrigação de recolher a integralidade do ICMS, operacionalizado por meio do referido benefício fiscal, não se traduz em auferimento de receita a ser tributada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL/PIS/COFINS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Resolução nº 1402000.220 S1C4T2 Fl. 1.308 3 Os autos foram remetidos de ofício a esta Corte Administrativa, sendo que este colegiado, ao analisálos, proveu o recurso de ofício, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO. A caracterização de subvenção para investimento não depende da vinculação da aplicação dos recursos recebidos em empreendimentos. Para fins da subvenção, vinculação é relacional ao propósito da subvenção. Se a intenção ou propósito de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar investimento, estáse diante de transferência de capital, e, pois, de subvenção para investimento, registrável como reservas de capital, e não como receita. Se um incentivo fiscal é concedido como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, o custo desse incentivo representa subvenção para investimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Recurso de ofício provido. A embargante tomou ciência do acórdão em 19/08/2015 (uma quarta feira – fl. 1283), iniciandose o prazo recursal para a apresentação dos embargos no primeiro dia útil seguinte (20/08/2015, uma quintafeira). Logo, temse que prazo fatal para sua oposição se deu em 24/08/2015 (segundafeira). Tendo os embargos sido opostos em 21/08/2015 (fl. 12841294), os mesmos mostramse tempestivos. Alega a embargante que o acórdão contém omissões e contradição que necessitam ser supridas pelo colegiado. Em primeiro lugar, aduz haver nulidade processual verificada antes mesmo do julgamento do recurso de ofício, matéria que poderia ser conhecida pelo colegiado até mesmo de ofício. Argumenta que quando foi cientificada da decisão de primeira instância que cancelou a exigência não lhe foi oportunizado o direito ao oferecimento de contrarrazões ao recurso de ofício, o que prejudicou o seu exercício de seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A esse respeito, requer a anulação do processo a partir da ciência do Acórdão da DRJ/FNS. Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Resolução nº 1402000.220 S1C4T2 Fl. 1.309 4 A respeito das supostas omissões e contradição contidas no acórdão embargado, assim se manifestou a embargante (grifos do original): Inicialmente cabe destacar que quando do julgamento de primeira instância, vários assuntos de defesa elencados na impugnação não foram apreciados pelo Acórdão da 3ª Turma da DRJ/FNS, pelo simples fato de que um dos argumentos apresentados na impugnação se mostrou suficiente para o cancelamento de toda exigência fiscal. Por força de Recurso Necessário, o processo foi remetido a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para exame do recurso de ofício; contudo, ao dar provimento ao recurso de ofício e restabelecer a exigência fiscal, no entender da Embargante, com a devida vênia , deveria essa d. Turma Julgadora aprofundar o exame das demais razões de defesa apresentadas em sua peça impugnatória, sob pena de não o fazendo, incorrer em cerceamento ao direito de defesa da Embargante que não teve os demais aspectos de defesa apreciados. O v. Acórdão embargado em seu relatório expõe às fls. 1248/1249 os pontos apresentados na defesa, mas, tanto no voto vencido (fls. 1252/1261) como no voto vencedor (fls. 1262/1268), não houve enfrentamento das questões preliminares e das diversas outras razões de mérito apresentadas na impugnação. A apreciação das questões preliminares e dos demais assuntos de mérito apresentadas na impugnação se mostra necessário, inclusive para que seja satisfeita a exigência do devido prequestionamento de todas as matérias postas na impugnação, com vista a eventual futuro recurso especial da Embargante. Sem o devido enfrentamento das questões por este d. Colegiado a Recorrente poderá ser constrangida a negativa de eventual recurso especial em diversos pontos. A necessidade de suprir omissão atinente ao exame de todas as questões postas em defesa se mostra imprescindível [...] Em seguida, lista e explica os pontos em que entende haver necessidade deste colegiado suprir o acórdão embargado. Em resumo: preliminar de mérito não apreciada: item IV.1 da peça impugnatória – Do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal erro na essência quanto à classificação e análise dos contornos do regime especial em apreço; mérito não apreciado (transcrição ipsis literis): A decisão a quo, objeto do Recurso Voluntário, anulou a autuação sob o forte argumento de que o benefício fiscal da impugnante, ora embargante, de crédito presumido de ICMS, não seria nem subvenção para investimento e muito menos subvenção para custeio, sendo mero redutor fiscal a ser apropriado em conta gráfica. No Acórdão ora embargado, Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Resolução nº 1402000.220 S1C4T2 Fl. 1.310 5 embora haja expresso entendimento no voto de que o benefício seria sim subvenção para investimento (inovando e aperfeiçoando o lançamento), não houve enfrentamento no que diz respeito à tese central da decisão a quo, em especial aos motivos pelos quais o voto vencedor, na instância inicial (DRJ), desconsiderou o benefício como subvenção, para determinar a não incidência dos tributos cobrados. Destarte, requer desta R. Turma o enfrentamento da referida tese, para suprir a omissão em relação a tal fundamento, de modo a permitir a embargante conhecer a motivação por meio da qual a Turma desqualifica os referidos argumentos; A incompetência da União Federal em tributar benefício fiscal concedido pelos Estados, interferindo na competência alheia, tese esta não enfrentada; A ausência de capacidade contributiva, considerando que a empresa opera no lucro presumido e neste sentido não há qualquer acréscimo patrimonial capaz de gerar riqueza tributável, também não analisada; O Acórdão embargado, em seu voto vencedor, ao final (fls. 1267/1268), baseou o entendimento sob argumentos de que a contabilização não estaria adequada, uma vez que constatou distribuição de lucro. Todavia, omitiuse a informar e analisar, de forma precisa, se tal distribuição de lucro se dera ou não em função do benefícios [sic] fiscal em questão. Em outras palavras, não há, de forma clara, a assertiva se a distribuição alegada se deu ou não em função do benefício, de modo que se requer sua análise pontual, suprindo a omissão para informar, expressamente, se é possível identificar, com tais informações, se efetivamente a distribuição de lucro alegada está necessariamente atrelada ao benefícios fiscal; A respeito da pretensa contradição, assim aduz a embargante: [...] A Embargante chama a atenção ao fato de que o argumento lançado no voto vencedor como determinante ao provimento do recurso de ofício em momento algum constou no Termo de Verificação Fiscal! Em verdade, o voto vencedor inova nas razões de lançamento ao trazer fundamento que nunca foi motivo do lançamento. Assim deve também esta Turma se manifestar acerca da inovação trazida pelo Voto Vencedor, cuja razão primordial para manutenção do lançamento somente surgiu quando do julgamento do recurso de ofício, não sendo em nenhum momento objeto das razões do lançamento fiscal. Isto se mostra como evidente contradição a ser sanada,[...] Em suma, são esses os argumentos entabulados pela embargante. Ao final, requer a Embargante sejam conhecidos e providos os Embargos Declaratórios, a fim de que seja conhecida a nulidade do processo a partir Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Resolução nº 1402000.220 S1C4T2 Fl. 1.311 6 do termo de ciência de fl. 1115, com o retorno dos autos a origem para retomada do feito com a abertura de prazo à embargante para contrapor as razões do recurso de ofício. Acaso seja superada a nulidade apresentada, requer seja conhecido e provido os presentes Embargos Declaratórios, a fim de que sejam sanadas as omissões de todas as questões apresentadas em peça impugnatória e que não foram enfrentadas pelo Acórdão nº. 0732086 (3ª Turma da DRJ/FNS) nem mesmo pelo Acórdão nº. 1402 001.908, além de sanar a contradição ao final apresentada, e, entendendo pela procedência dos argumentos, seja dado efeito modificativo aos aclaratórios a fim de reformar o v. Acórdão negar provimento ao Recurso de Ofício. Caso não se vislumbre a possibilidade de concessão de efeito modificativo, requer seja ao menos conhecido e provido os embargos declaratórios com o fito de que sejam enfrentadas todas as razões preliminares e de mérito apresentadas pela Embargante em sua impugnação, de forma a garantir o devido prequestionamento de todas as matérias. Passo à análise do preenchimento dos pressupostos para sua admissibilidade. DOS PRESSUPOSTOS PARA ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS Nos termos do art. 65, § 2º, do Regimento Interno do CARF – RICARF (Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) fui designado para me pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos opostos. Pois bem, dispõe o art. 65 do RICARF que “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Os embargos opostos mostramse tempestivos, conforme já abordado. Em primeiro lugar, no que atine ao pedido anulação do processo a partir do termo de ciência da decisão de primeira instância, entendo não haver qualquer omissão no acórdão embargado. De todo modo, não vislumbro qualquer óbice ao exercício da ampla defesa e do contraditório por parte da embargante, uma vez que pode apresentar sua tese a todo o colegiado por meio da sustentação oral levada a efeito na sessão de julgamento. Além disso, não há qualquer previsão legal, infralegal ou mesmo regimental que determine que a unidade preparadora, ao intimar o contribuinte a respeito da procedência de sua impugnação, lhe franqueie o direito a apresentar contrarrazões ao recurso de ofício. Salientase ainda que, embora não haja previsão expressa prevendo a apresentação de contrarrazões em recurso de ofício, nada impediria que o contribuinte a apresentasse. E também nada consta que em sua sustentação oral tenha requerido a anulação parcial dos atos processuais nos moldes requeridos em seus embargos. Assim sendo, entendo que não procede seu pedido de anulação parcial dos atos processuais a partir da ciência da decisão de primeira instância. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Resolução nº 1402000.220 S1C4T2 Fl. 1.312 7 Já em relação às omissões e contradição apontada, analisando os pontos levantados pela embargante, entendo lhe assistir razão parcialmente. No que atine à preliminar, a decisão de primeira instância assim se pronunciou: Requer a Impugnante, em preliminar, a nulidade material e formal dos autos de infração em razão de erro na essência quanto à classificação e análise dos contornos do regime especial em apreço. Quanto a argüição da Impugnante, muito embora tenha tratado a análise do regime especial de tributação do ICMS, que consiste em identificar sua natureza jurídica e preceituar o adequado tratamento tributário, como matéria preliminar, tratase, de fato, de questão de mérito e como tal será analisada. Sem dúvida não se trata de questão preliminar, mas sim de mérito da exigência, portanto, entendo que não há omissão a suprir no acórdão embargado, ao menos em relação a tal ponto. Contudo, no mérito, a decisão de primeira instância adotou premissa distinta tanto da autuação quanto da defesa para cancelar a exigência, deixando de analisar os diversos aspectos contidos na impugnação. No julgamento do recurso de ofício, este colegiado acabou por provê lo, concluindo que o benefício fiscal em questão embora se tratasse, realmente, de subvenção para investimento, não teriam sido preenchidos os requisitos legais para que tais valores não fossem levados ao crivo da tributação. O voto condutor de tal aresto, contudo, deixou de se pronunciar sobre as diversas teses de defesa apresentadas em sede de impugnação, as quais, em razão do recurso de ofício e de seu efeito devolutivo, deveriam, de fato, ter sido enfrentadas pelo colegiado. No que atine à suposta alteração dos fundamentos legais do lançamento, caracterizando inovação vedada em lei, não há contradição qualquer no voto condutor do julgado, refletindo, tão somente, o entendimento firmado pelo colegiado naquela ocasião. Desse modo, existentes as omissões apontadas, entendo que os embargos aclaratórios devem ser admitidos única e exclusivamente para suprir omissão quanto aos pontos de defesa, de mérito, contidos na impugnação e devolvidos a este colegiado em face do recurso de ofício. Isso posto, proponho ao Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF que os embargos sejam PARCIALMENTE ADMITIDOS. É o relatório. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Resolução nº 1402000.220 S1C4T2 Fl. 1.313 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. INTRODUÇÃO Em primeiro lugar, cumpreme destacar que não participei da sessão de julgamento em que o recurso de ofício foi julgado. Assim consta no primeiro parágrafo do voto condutor do aresto embargado: Tendo em vista que o redator designado não mais compõe este colegiado, por determinação do Presidente desta turma julgadora atuarei como redator designado ad hoc, ressalvando que os fundamentos do entendimento ora firmado baseiamse nas razões adotadas pela turma julgadora na data da sessão de julgamento, não retratando, necessariamente, meu entendimento sobre o caso concreto. Pois bem, passo à análise do mérito dos embargos. Conforme relatado, o voto condutor do aresto embargado deixou de se pronunciar sobre as diversas teses de defesa apresentadas em sede de impugnação. Contudo, tendo em vista a impugnação ter sido julgada procedente com base em tese distinta tanto da autoridade julgadora, quanto da própria impugnante, já naquela instância deixouse de analisar os demais argumentos de defesa apresentados pela então impugnante. Nesse cenário, entendo não ser possível avançar no presente julgamento, pois qualquer que viesse a ser o resultado do julgamento, ou a ora Embargante, ou a Fazenda Nacional, não fariam jus ao reexame da matéria. Assim sendo, entendo que os autos devem retornar à turma julgadora de primeira instância a fim de que seja proferida decisão complementar abordando os demais argumentos de defesa da impugnante. CONCLUSÃO Isso posto, voto acolher os embargos de declaração para reconhecer a omissão suscitada e determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador de primeira instância a fim de que seja proferido decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas no acórdão original. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15586.720246/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificadas omissões na decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de suprir os vícios apontados.
INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CUSTO DE NAVIOS. DESPESAS DE EMBARQUE.
Comprovada a vinculação dos gastos incorridos com custos de navios e com as demais despesas na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, afasta-se a glosa que foi fundamentada apenas na não vinculação.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA.
À luz do art. 8º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deve ser apurado com base no valor das notas fiscais de aquisição dos bens no mesmo período de apuração do crédito, não havendo amparo legal para ajustar o valor dessas aquisições pelo preço médio dos produtos em estoque.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas na decisão embargada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos; b) pelo voto de qualidade, para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para apuração dos créditos presumidos sobre transferências entre filiais. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Verificadas omissões na decisão embargada, acolhemse os embargos de declaração para o fim de suprir os vícios apontados. INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CUSTO DE NAVIOS. DESPESAS DE EMBARQUE. Comprovada a vinculação dos gastos incorridos com custos de navios e com as demais despesas na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, afastase a glosa que foi fundamentada apenas na não vinculação. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. À luz do art. 8º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deve ser apurado com base no valor das notas fiscais de aquisição dos bens no mesmo período de apuração do crédito, não havendo amparo legal para ajustar o valor dessas aquisições pelo preço médio dos produtos em estoque. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas na decisão embargada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos; b) pelo voto de qualidade, para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de converter o julgamento em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 46 /2 01 1- 04 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 diligência para apuração dos créditos presumidos sobre transferências entre filiais. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos em tempo hábil pelo contribuinte ao Acórdão nº 3403002.754, sob o argumento de que existem omissões no referido julgado. Primeira omissão. Segundo a embargante, o colegiado reconheceu, em tese, o direito à tomada do crédito sobre os dispêndios com serviços portuários na prestação de serviços a terceiros. Entretanto, não reconheceu esse direito in concreto, por ter considerado que a recorrente não apresentara a documentação comprobatória da vinculação entre os gastos com despesas portuárias e a prestação de serviços a terceiros, em relação ao trimestre em questão. Após ter requerido cópia integral do processo, a defesa percebeu que a petição por ela protocolizada em 27 de novembro de 2013, com os documentos relativos ao 3º Trimestre de 2007, não havia sido juntada aos autos, o que fez com que o processo fosse julgado sem que os conselheiros tomassem conhecimento das referidas provas. Assim, por razão alheia ao controle e vontade da embargante e dos conselheiros, mas sim por falha exclusiva de procedimentos internos do CARF, a decisão recorrida omitiuse de se pronunciar sobre documentos que haviam sido regularmente apresentados antes de iniciado o julgamento do recurso voluntário, situação que deve ser sanada por meio destes embargos. Segunda omissão. Segundo a embargante, a fiscalização glosou o crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004), sob o argumento de que a empresa o registrou em momento posterior à efetiva aquisição da soja e com base em valor diverso do constante das notas ficais de aquisição. Em resposta, a defesa demonstrou que a sistemática adotada para apuração do crédito presumido tinha amparo legal, considerandose as particularidades da aquisição de soja. Ao analisar essa questão, o colegiado, de maneira inédita, decidiu manter a glosa sob o único fundamento de que o crédito presumido da agroindústria não poderia ter sido utilizado em pedido de ressarcimento. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720246/201104 Acórdão n.º 3402003.162 S3C4T2 Fl. 5 3 Acontece, que o pedido de ressarcimento apresentado pela empresa não contempla o crédito presumido da agroindústria, pois se refere exclusivamente a créditos relativos às aquisições no mercado interno, vinculadas à receita de exportação. Tal fato pode ser comprovado por meio da análise do DACON às fls. 244/285. No referido documento, o crédito presumido de PIS foi efetivamente utilizado da forma como proposta pelo Colegiado, exclusivamente para a dedução da PIS devida nos meses de julho, agosto e setembro de 2007, não havendo qualquer saldo remanescente compondo o valor do crédito pleiteado no pedido de ressarcimento. É por tal motivo que as autoridades fiscais nunca acusaram a Embargante de ter pleiteado a restituição dos créditos presumidos e esse assunto nunca ter sido objeto de controvérsia. Ao analisar o pedido de ressarcimento apresentado, a fiscalização decidiu também analisar e glosar o crédito presumido, fato que implicou, entre outros motivos, a reapuração da PIS do período e o indeferimento do crédito pleiteado. Tendo sido comprovado que a situação fática existente neste processo é diferente da considerada na decisão embargada, ainda pende de exame a questão da validade do crédito presumido da forma apurada pelo contribuinte, omissão que merece ser sanada por meio destes embargos de declaração. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Relativamente à primeira omissão, tendo em vista que o despacho de admissibilidade de embargos de fls. 779/781 constatou que o Acórdão embargado foi proferido sem a análise dos documentos que haviam sido protocolados pela defesa em 27/11/2013, é necessário suprir a omissão alegada pela embargante. A omissão se refere à análise de provas, pois o Acórdão 3403002.754 analisou a questão de direito, relativa à tomada do crédito sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos, tendo rechaçado a interpretação da DRJ, e reconhecido o direito em tese. O problema foi que os documentos comprobatórios anexados com a impugnação não se referiam a este trimestrecalendário e os documentos pertinentes protocolados pelo contribuinte em 27/11/2013 só apareceram nos autos após a prolação do acórdão embargado. Sendo assim, esta turma não pode analisar a questão de direito, pois ela já foi decidida pela extinta Turma 3403, restando apenas verificar se os documentos protocolados pelo contribuinte em 27/11/2013 comprovam o fato alegado e se eles podem ser aceitos à luz do que preceitua o art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No que concerne à preclusão do direito de apresentar documentos, o art. 16 do PAF regula o procedimento em relação ao julgamento de primeira instância, estabelecendo uma preclusão quanto a documentos apresentados após a impugnação, mas esse dispositivo legal não veda a possibilidade de o CARF apreciar a documentação serôdia. Pelo contrário, Fl. 784DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 existe previsão expressa no art. 16, § 6º, no sentido de que os documentos serôdios deverão permanecer no processo para serem analisados em segunda instância, no caso de haver interposição de recurso. Sendo assim, e diante do silêncio do Regimento Interno quanto à apresentação serôdia de documentos, entendo que os documentos apresentados pelo contribuinte em 27/11/2013 podem e devem ser conhecidos por este colegiado, sem que ocorra nenhuma ofensa a qualquer dispositivo legal que seja. Acrescento que no caso concreto nem se pode alegar que haveria supressão de instância, pois se tivessem sido juntados com a impugnação, a DRJ não teria apreciado esses documentos, pois para manter a glosa ela alterou o critério jurídico adotado pela fiscalização, conforme se pode comprovar no seguinte excerto, extraído do voto condutor do Acórdão 3403 002.754: "(...) Neste tópico, a decisão de primeira instância foi mais radical que a própria fiscalização, pois entendeu que a legislação não dá respaldo ao rateio das despesas, encargos e custos comuns, quando uma parte poderia gerar o crédito e a outra parte representa despesas operacionais. A DRJ chegou a essa conclusão analisando a literalidade dos arts. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, os quais se referem ao rateio na hipótese de parte das receitas da pessoa jurídica estarem sujeitas ao regime cumulativo e parte ao regime não cumulativo. Tendo em vista que a lei silenciou quanto à hipótese de rateio com base na despesa, entendeu a DRJ que não haveria direito à tomada do crédito por ausência de previsão legal. A interpretação literal da DRJ não foi correta, pois de um lado, o direito de os contribuintes tomarem o crédito sobre serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros foi contemplado no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10833/03. E de outro lado, o art. 299, do RIR/99 conceitua o que são despesas operacionais. Se determinados gastos incorridos pela filial Santos configuram custo na prestação de serviços a terceiros e ao mesmo tempo despesa operacional da própria empresa, se não houver um sistema de custos integrado com a contabilidade, a única forma de garantir o direito estabelecido nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02 é fazer o rateio dessas despesas com base no percentual de mercadorias de terceiros em relação ao total de mercadorias movimentado a cada mês. Este foi também o entendimento da fiscalização, pois ela admitiu o crédito obtido mediante rateio e somente glosou as despesas identificadas no ANEXO II com a indicação "santos armaz", que ela não conseguiu identificar como sendo diretamente relacionadas a serviços prestados a terceiros. Assim, o único fato a ser provado pela defesa para o fim de elidir a glosa é a existência de vinculação dessas despesas com o embarque de mercadorias de terceiros efetuados no trimestre. (...)" Por tais razões, voto no sentido de que o colegiado admita e conheça dos documentos protocolados pela defesa em 27/11/2013. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720246/201104 Acórdão n.º 3402003.162 S3C4T2 Fl. 6 5 Em sede de recurso e também nos documentos protocolados em 27/11/2013, o contribuinte explicou a forma e os critérios utilizados no rateio e alegou que tais documentos comprovam a vinculação de parte dos gastos com o serviço prestado a terceiros. Analisandose a documentação apresentada às fls. 669/711, verificase que restou plenamente comprovada a vinculação dos gastos com os serviços prestados a terceiros. Esses documentos permitem identificar os custos com navios e as demais despesas envolvidas, os nomes dos navios envolvidos e as quantidades de cargas pertencentes à empresa ADM e a terceiros movimentadas por cada embarque realizado e a cada mês do trimestre calendário em questão. Portanto, comprovada, em relação ao terceiro trimestre de 2007, a vinculação de uma parte das despesas com o embarque de cargas de terceiros, deve ser revertida a glosa efetuada no ANEXO II, sob a rubrica "santos armaz". No que concerne à segunda omissão, a defesa também tem razão, pois analisandose os dados consignados nas fichas 14 e 15B do DACON às fls. 244/285, verifica se que não houve pedido de ressarcimento do crédito presumido, mas apenas seu aproveitamento para dedução dos valores do PIS a serem recolhidos. Quanto ao mérito, a defesa argumentou, em síntese, que em virtude da flutuação do preço da soja, o preço efetivo do produto só é conhecido ao final do contrato de fornecimento. Em razão disso, existe uma diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustado no final do contrato. O preço consignado na nota fiscal do vendedor pode ser inferior ou superior ao que é fixado no final do contrato, daí a razão de o contribuinte adotar o método de apurar o custo (e o crédito presumido) com base no valor médio da soja estocada, o que não foi aceito pela fiscalização. A embargante argumentou com o disposto no art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/2004, mas ignorou o disposto no § 2º do mesmo dispositivo legal, que para maior comodidade permitome transcrever: Art. 8º Omissis... § 1º Omissis... § 2oO direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1odeste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3oO montante do crédito a que se referem o caput e o § 1odeste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: Da leitura conjunta dos dois parágrafos acima transcritos, concluise que a lei determina o cálculo do crédito presumido relativo a determinado período de apuração, tomando por base o valor das aquisições ocorridas no próprio mês. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 A interpretação pretendida pela recorrente só seria viável, caso não existisse o parágrafo 2º. Mas o parágrafo 2º existe e ele determina que somente bens adquiridos ou recebidos no mesmo período de apuração do crédito é que podem gerar o crédito presumido. Portanto, o pleito da recorrente deve ser rejeitado, pois à luz do art. 8º, § 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido deve ser apurado com base no valor das notas fiscais relativas à aquisição de bens ocorridas no mesmo período de apuração do crédito. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas no Acórdão 3403002.754, e, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas efetuadas no ANEXO II sob a rubrica "santos armaz". (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 787DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13603.724622/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Os embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, devendo ser rejeitados quando não presentes os pressupostos de dúvida, contradição ou omissão no acórdão recorrido.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Acompanhou o julgamento pelo contribuinte o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrahim, OAB/MG n° 110.372.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Os embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, devendo ser rejeitados quando não presentes os pressupostos de dúvida, contradição ou omissão no acórdão recorrido. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Acompanhou o julgamento pelo contribuinte o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrahim, OAB/MG n° 110.372. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 46 22 /2 01 1- 41 Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.662 2 Relatório Em sessão transcorrida em 29 de janeiro de 2016, esta Primeira Turma Ordinária deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3301002.812, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Fl. 3662DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.663 3 Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.664 4 passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento O dispositivo do voto condutor do acórdão embargado segue abaixo transcrito: Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, no seguinte sentido: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3586/3591; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.665 5 VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. (grifouse) Aduz a d. Procuradoria que o acórdão em tela incide em omissão, contradição e dúvida a respeito das questões que elenca, as quais seguem abaixo discriminadas. Especificamente no que concerne ao item II do dispositivo acima transcrito, cujo entendimento foi o de "reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF)", aduz a Fazenda Nacional que referido entendimento se alicerçou no equivocado argumento de que os serviços prestados pela citada empresa seriam inerentes a um "sistema de controle de fluxo de produção e dos estoques ligados à produção", conforme seguinte trecho extraído do voto condutor do acórdão: [...] Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. Segundo a Fazenda Pública, o equívoco restaria caracterizado diante da leitura da Cláusula Primeira do contrato firmado entre a embargada e a GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., cujo objeto estaria restrito à disponibilização de mãodeobra sob a gerência de órgão de planejamento da CNH. Assim o contrato contemplaria apenas a cessão de mãode obra, e não a prestação de serviços, como, ressalta, entendera a decisão de primeira instância, segundo a qual os serviços prestados pela citada empresa teriam caráter nitidamente administrativo. Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.666 6 Assim, entende a Fazenda Nacional que deveria ser afastada a possibilidade de creditamento inerente às despesas contratuais com a pessoa jurídica GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.. Em relação ao item V do dispositivo acima transcrito, concernente ao afastamento da reclassificação de créditos efetuada pela fiscalização (item 4.2 do TVF), entendeu a Fazenda Pública que seria contraditória a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, eis que inadmissível o embargado valerse do desconto da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 10.865) conjuntamente com o direito de compensação ou restituição do crédito veiculado pelo artigo 15 da mesma lei. Ressalta que a decisão da DRJ entendeu não ser possível a cumulação de ambos os benefícios fiscais, e que enquanto o artigo 17 da Lei nº 10.865 veicula norma de exclusão do crédito tributário, o artigo 15 da mesma lei trata de previsão de não cumulatividade. Ainda, aduz a d. Procuradoria que o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário com repercussão geral, já se pronunciara sobre a impossibilidade de utilização concomitante da benesse da exclusão do crédito e da não cumulatividade. Reproduz a ementa do acórdão proferido nos autos do RE nº 398.365/RG, e ressalta que muito embora citado decisum trate do IPI, a questão foi analisada sob a ótica do artigo 153, inciso IV, § 3º, inciso II, da Constituição Federal, aplicável à nãocumulatividade das contribuições sociais. Reportase ainda a Fazenda Pública à interpretação literal de que trata o artigo 111 do CTN. Diante do exposto, e dada a aduzida necessidade de saneamento das supostas obscuridades, contradições e omissões, requer sejam acolhidos e providos os presentes embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Inicio a análise dos presentes embargos declaratórios apreciando os questionamentos da d. Fazenda Pública quanto ao item II do dispositivo do voto condutor da decisão embargada, cujo entendimento foi no sentido de "reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF)". A Fazenda Nacional alega equivocado o argumento segundo o qual os serviços prestados pela citada empresa são inerentes a um "sistema de controle de fluxo de produção e dos estoques ligados à produção", conforme trecho extraído do voto condutor do acórdão, reproduzido linhas acima. Para a Fazenda Pública, a leitura da Cláusula Primeira do contrato firmado entre a interessada e a GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. restringiria o objeto do contrato à disponibilização de mãodeobra sob a gerência de órgão de planejamento da CNH. Dessa forma, o contrato contemplaria apenas a cessão de mãodeobra, e não a prestação de serviços, Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.667 7 como, ressalta, teria entendido a decisão de primeira instância, segundo a qual os serviços prestados pela citada empresa teriam caráter nitidamente administrativo. A Cláusula Primeira do contrato referenciado, no qual se alicerça a Fazenda Pública, segue abaixo reproduzida: De pronto, releva destacar que a cláusula primeira acima transcrita não se restringe à "disponibilização de três colaboradores" e, portanto, a mãodeobra, mas também, em parágrafo distinto, à "identificação das restrições dos métodos e processos produtivos (gargalos)" com a sugestão de "alternativas em prazos que possibilitem ações técnicas corretivas". Ou seja, entendemos que o contrato em tela contempla, sim, o "controle de fluxo de componentes nas instalações fabris [...] essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, 'depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time'" (nos termos da decisão embargada). Isso é corroborado pela Cláusula Sétima do contrato em evidência, segundo a qual a execução dos serviços pela contratada ocorrerá, também, "em local diverso das dependências da CONTRATANTE". Confirase: Ademais, conforme demonstrado no voto condutor do acórdão embargado, a suposta restrição do contrato em tela à sessão de mãodeobra não foi levantada em nenhum momento pela fiscalização. Com efeito, a fundamentação adotada pela fiscalização para a glosa do creditamento pelos serviços pagos à empresa GFL foi a impossibilidade de creditamento em face de serviços de "Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante". Isso é reiterado pela fiscalização quando reproduz a ementa da Solução de Consulta Nº 125/2007 da DISIT da 10ª RF, segundo a qual "não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada". Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.668 8 Foi fundado nessa premissa que analisamos a questão e entendemos que [...] em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Confirase o correspondente trecho da decisão embargada abaixo reproduzido: Das glosas objeto do item 3.2 do TVF: serviços não empregados diretamente na industrialização A fiscalização glosou o creditamento correspondente a alguns serviços que não foram “empregados diretamente na industrialização”. Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão: Instado, conforme Termo de Intimação nº 0551/2011, a informar quais tipos de serviços prestavam as empresas Fiat do Brasil S/A e GFL Gestão de Fatores Logísticos, e a apresentar os respectivos contratos, a empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte: “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A: [...] Serviços prestados à INTIMADA pela GFL GESTÃO DE FATORES LOGÍSTICOS LTDA: • Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante.” Nenhuma destas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos. Os serviços prestados pela Fiat do Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matérias primas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada. As contas contábeis responsáveis pelo registro dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre serviços, conforme resposta ao Termo de Início entregue em 08/06/2011, são as de nos 144240 e 144241, e a esmagadora maioria dos lançamentos referemse a serviços prestados pelas duas empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal nº 149087 da Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito o contribuinte afirmou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.669 9 fiscais, em 2010, referentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos expostos acima, é vedada a geração de créditos. Deste modo, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nas memórias de cálculo entregues em 08/07/2011, em resposta ao Termo de Início, deve ser glosado [...] A análise do problema envolve essa que talvez seja a questão mais controvertida em relação à nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. [...] Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (os destaques em negrito não constam do original) Vale ressaltar, ainda, que, diferentemente do que afirma a d. Procuradoria, a decisão de primeira instância também não se fundamentou na apontada restrição do contrato referido à sessão de mãodeobra, conforme comprova o seguinte trecho da decisão em referência: 4. SERVIÇOS NÃO EMPREGADOS DIRETAMENTE NA INDUSTRIA LIZAÇÃO. ITEM 3.2 DO TVF. A DRF glosou tais despesas em virtude de a legislação somente autorizar o creditamento sobre serviços utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, e desde que aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto e prestados por pessoa jurídica domiciliada no país. Afirma que a contribuinte não observou essa regra ao apurar os créditos das contribuições, indicados nas memórias de cálculo apresentadas, enquanto que, instada a informar quais os tipos de serviços prestados pelas pessoas jurídicas Fiat do Brasil Ltda. e GFL Gestão de Fatores Logísticos, a recorrente esclareceu que a primeira prestou serviços relativos ao comércio exterior, contabilidade geral, controle fiscal, gestão tributária e societária e assessoria a expatriados enquanto que a última teria prestado serviços relativos a gerenciamento das operações de Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.670 10 transporte e acompanhamento de entrega de materiais e componentes. Nenhuma dessas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos, eis que possuem caráter nitidamente administrativo. Em adição, a DRF informou que os serviços destacados correspondem à esmagadora maioria dos lançamentos contábeis nas contas nº 144240 e nº 144241, com exceção da nota fiscal nº 149087 da pessoa jurídica Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito a contribuinte informou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas fiscais concernentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos, é vedada a geração de créditos das contribuições em exame. Assim, concluiu a DRF, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nos documentos acostados, foi objeto de glosa. Conforme evidenciado, podem ser considerados insumos para efeitos fiscais somente aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na fabricação ou na produção de bens, ou na prestação de serviços. Desse modo, os serviços em tela não podem ser tidos por insumos. Em adição, embora a requerente alegue que esses serviços são essenciais, não foi o critério da indispensabilidade ou essencialidade, como visto, que motivou a legislação ora em exame. (grifos nossos) Como se vê, também na decisão da DRJ é ressaltado que a natureza dos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. é a de "gerenciamento das operações de transporte e acompanhamento de entrega de materiais e componentes", tendo entendido a decisão de primeira instância, com base na rejeição do critério da "indispensabilidade ou essencialidade" acolhido na decisão embargada , que "nenhuma dessas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos, eis que possuem caráter nitidamente administrativo". Assim, em vista de a aduzida (e equivocada) restrição à sessão de mãode obra no contrato firmado entre a interessada e a GFL, em nenhum momento, ter servido de fundamentação para a glosa dos créditos (seja pela unidade de origem, seja pela DRJ) o que revela inadmissível inovação argumentativa em sede de embargos , e ainda, pelo fato de referido contrato, com efeito, contemplar a "identificação das restrições dos métodos e processos produtivos (gargalos)" com a sugestão de "alternativas em prazos que possibilitem ações técnicas corretivas", demonstrando albergar o "controle de fluxo de componentes nas instalações fabris", como destacado na decisão embargada, entendo que, nessa parte, deverão ser rejeitados os embargos da d. Procuradoria da Fazenda Nacional, eis que demonstrada a perfeita higidez da decisão em tela e, portanto, a ausência de quaisquer dos pressupostos de admissibilidade de embargos de declaração (obscuridade, omissão ou contradição). O d. Procuradoria também se insurgiu contra o entendimento objeto do item V do dispositivo do voto condutor do acórdão embargado, o qual reproduzo novamente: V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.671 11 Segundo a Fazenda Pública, seria contraditória a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, eis que inadmissível o embargado valerse do desconto da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 10.865) conjuntamente com o direito de compensação ou restituição do crédito veiculado pelo artigo 15 da mesma lei. Ressalta que a decisão da DRJ entendera não ser possível a cumulação de ambos os benefícios fiscais, e que enquanto o artigo 17 da Lei nº 10.865 veicula norma de exclusão do crédito tributário, o artigo 15 da mesma lei trata de previsão de não cumulatividade. Faz referência ainda ao RE nº 398.365/RG, cujo entendimento deveria ter sido observado na decisão embargada. Não obstante, da análise dos argumentos contidos no voto condutor do acórdão recorrido, vêse que, no mesmo, não há nenhuma contradição entre o que foi decidido e os fundamentos do acórdão que justifique o acolhimento dos presentes embargos declaratórios. Tãosomente foi adotada uma interpretação específica dentre entendimentos possíveis na lamentável colcha de retalhos que é a legislação inerente ao regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. No caso, o colegiado entendeu que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, ao admitir a compensação e o ressarcimento também em relação aos créditos decorrentes da incidência do PIS e da COFINS sobre as importações nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, abrangia as mercadorias discriminadas no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004, por entender que aduzido dispositivo (artigo 17) trata de um subconjunto das hipóteses amplamente abordadas pelo artigo 15, principalmente considerando o teor do parágrafo 8º do mesmo artigo 17, segundo o qual "o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei" (grifei). Segundo o entendimento exarado no acórdão, a especificidade do artigo 17 referenciado seria inerente à forma de apuração dos créditos, prescrita em seu parágrafo 2º, o qual, no caso dos bens de que trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 (“máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”), correspondia a 2% e a 9,6%, respectivamente, para o PIS e para a COFINS, nos termos da redação à época vigente do artigo 1º da Lei nº 10.485/20021, a que remete o inciso III do artigo 2º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Exceção, pois, às alíquotas gerais de 1,65% para o PIS e de 7,6% para a COFINS, prescritas pelo caput do artigo 2º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Evidentemente, acaso exista dissenso jurisprudencial no âmbito deste CARF, poderá a questão ser questionada via recurso especial, mas não mediante embargos de declaração, eis que este recurso não pode ser utilizado para a rediscussão do direito. Da conclusão 1 Art. 1° As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 3301002.957 S3C3T1 Fl. 3.672 12 Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de dúvida, omissão ou contradição que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pela Fazenda Pública, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 28 de abril de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10805.900834/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3201-001.971
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata-se de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado Fl. 191DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade, a qual a DRJ julgou improcedente, nas seguintes palavras: A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem de crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem de crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Alega a interessada que a referida declaração de compensação se deu pelo motivo de ter recolhido o PIS pelo regime não-cumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, excluiu as cooperativas desse regime, incluindo no regime cumulativo, com efeitos a partir de 01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora. Porém afirma a DRJ que esse fato, não implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Confira-se: Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime não- cumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito, nada impede que os valores devidos a título de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo, pois, mesmo que a alíquota se já superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhidos e já menor do que o realmente devido. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária, através da declaração de Fl. 192DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10805.900834/2008-71 Acórdão n.º 3201-001.971 S3-C2T1 Fl. 2 3 compensação, conforme art. 147 do CTN, fato que não ocorreu no caso narrado. Logo o direito creditório não pode ser admitido. Confira-se: Observe-se que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange a existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na faze em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I; b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito; c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte do Fisco. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, nossa Turma, por unanimidade, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Todavia, entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente, com base na documentação existente nos autos, intimando a contribuinte para apresentar dados adicionais, se necessário. Cumprindo-se ao determinado na Resolução, foi elaborado Relatório Fiscal e, em seguida, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Contudo, a Turma enviá-los mais uma vez à unidade de origem, a fim de que a Recorrente fosse cientificada do Relatório Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente pleiteou a compensação de débito seu com crédito decorrente de pagamento a maior de PIS. A unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que o alegado crédito estava vinculado à quitação de outra obrigação devida pela Recorrente, que, no entanto, em sua manifestação de inconformidade, sustentou que o pagamento a maior resultou do fato de a cooperativa ter recolhido a contribuição sob regime de apuração não cumulativo, quando deveria tê-la recolhido na sistemática cumulativa. A DRJ não acolheu as razões de defesa, ao fundamento de que a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório. Assentou, ainda, que o erro de aplicação do regime de apuração não comprovaria o pagamento a maior, cabendo ao contribuinte o ônus de prová-lo. No recurso voluntário, a Recorrente juntou comprovantes da origem do pagamento a maior, em função da utilização equivocada do regime de apuração, nos quais informados dados coincidentes com os inseridos na DCTF retificadora. Em face dos argumentos encartados na primeira Resolução (a segunda destinou-se apenas a cientificar a Recorrente do teor do Relatório Fiscal), a Turma baixou os autos em diligência, para que a unidade de origem certificasse o valor do crédito, com base na documentação existente nos autos, intimando a Recorrente a apresentar dados adicionais, se necessário. No Relatório Fiscal de fls. 172/174, a autoridade diligenciadora conclui que o valor original do indébito tributário que a Recorrente teria direito a requerer a restituição e/ou compensação com débitos tributários próprios é de R$ 3.120,70 (três mil, cento e vinte reais e setenta centavos), o mesmo pleiteado no PER/DCOMP. Solucionado o litígio, portanto. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Relatório Voto
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Numero do processo: 10140.721824/2013-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 21 82 4/ 20 13 -0 7 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10140.721824/201307 Resolução nº 2402000.561 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por MARIA DO CARMO PEREIRA ALARCOM, inventariante dos bens deixados por ALMIRA NUNES PEREIRA, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento através da qual fora apurada inconsistência na declaração de renda Pessoa Física ano calendário 2008 dA recorrente, pois esta não fora considerada como portadora de moléstia grave, nos termos da legislação do imposto de renda. O lançamento considerou tributáveis os rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, uma vez que, conforme a notificação de lançamento, não fora apresentado no presente processo laudo médico oficial atestando a data do início da moléstia da recorrente. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: que conforme laudo juntado aos autos, é portadora de insuficiência cardíaca congestiva desde 1999, merecendo, pois, usufruir da isenção; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10140.721824/201307 Resolução nº 2402000.561 S2C4T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Conforme já relatado, tratase de recurso interposto pela pessoa de MARIA DO CARMO PEREIRA ALARCOM, inventariante dos bens deixados pela contribuinte autuada. Fato é que, mesmo considerando que subsista o interesse do espólio em questionar o lançamento objeto dos autos do presente processo, ao que vislumbrei, carece de comprovação de legitimidade, uma vez que o recurso fora interposto e subscrito pela pessoa de MARIA DO CARMO PEREIRA ALARCOM, que se intitula como inventariante da contribuinte, sem mesmo, juntar aos autos do presente processo, o termo de compromisso de inventariante ou qualquer documentação que comprove tal alegação. Assim, necessário se faz sua comprovação como parte legítima a questionar os direitos e deveres a cargo do falecido. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar a intimação da Recorrente para que esta junte nos autos o referido termo de compromisso de inventariante. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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