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Numero do processo: 11080.722486/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
Recurso Voluntário Negado.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-005.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Negado. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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IRRELEVÂNCIA PARA FINS DE APLICAÇÃO DA MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Independe da intenção do agente a responsabilidade por infração à legislação tributária. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 24 86 /2 01 2- 56 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11080.722486/201256 Acórdão n.º 2402005.029 S2C4T2 Fl. 127 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 45.343 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 51.004.3488. A lavratura em questão referese à aplicação de multa pelo fato da empresa haver informado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com omissões/incorreções. As referidas guias foram enviadas à administração tributária após início da vigência da MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta com esteio no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. Cientificado do lançamento em 16/03/2012, o sujeito passivo ofertou impugnação. Na decisão recorrida deixouse de apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos de lei, sob a justificativa que, para os órgãos de julgamento administrativo, o "caput" do art. 26 do Decreto n.º 70.235/1972 impede tal análise. A inexistência de prejuízo à fiscalização e a falta de dolo ou máfé por parte do sujeito passivo não seriam motivos para afastar a multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Assim mencionou o órgão recorrido. Foram indeferidos os pedidos para produção de provas documental e testemunhal. Para a DRJ novos documentos somente podem ser apresentados no prazo de defesa, salvo os casos de exceção previstos nos incisos III e IV e § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. A perícia técnica para ser deferida, segundo a decisão a quo, teria que ser justificada e indicar o assistente técnico da empresa, além dos quesitos a serem apreciados. Inconformada com a decisão, a empresa interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, trouxe à discussão os pontos abaixo. Inexiste óbice a impedir a apreciação de temas constitucionais por órgão de julgamento administrativo. Para corroborar sua tese, apresenta doutrina de Gilberto de Ulhoa Canto. Defende que taxa Selic não deve ser utilizada para fins tributários, assim os juros devem ficar limitados a 1% ao mês. Não cabe a multa por descumprimento de obrigação acessória, posto que a empresa não prejudicou o trabalho do fisco, não autuou como dolo ou máfé, além de que o seu valor apresenta caráter confiscatório, vedado pela Carta Magna. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Assegura que o art. 136 do CTN é inconstitucional, por estipular a responsabilidade penal no sentido "objetivo". Ao final, requereu a declaração de improcedência dos AI. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11080.722486/201256 Acórdão n.º 2402005.029 S2C4T2 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da impossibilidade de reconhecimento pelas instâncias de julgamento administrativo de inconstitucionalidade de lei Para enfrentar as alegações recursais atinentes à suposta incompatibilidade de lei frente à Carta Magna, é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União, prescreve: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha de entendimento, a própria Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos do seu Anexo II: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Diante do exposto, não hei de apreciar as teses de inconstitucionalidade trazidas pela empresa, como é o caso do suposto atropelo aos princípios constitucionais da vedação ao confisco e da proporcionalidade/razoabilidade em razão multas aplicadas, além da inconstitucionalidade do art. 136 do CTN. Multa Como bem asseverou o órgão recorrido, o art. 136 do CTN veda a apreciação de elementos subjetivos para fins de responsabilidade por infrações à legislação tributária. Nesse sentido, ocorrendo a conduta tipificada na Lei, é imperiosa a imposição da penalidade 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11080.722486/201256 Acórdão n.º 2402005.029 S2C4T2 Fl. 129 7 correlata, independentemente de valoração quanto à ocorrência de dolo, máfé ou prejuízo ao erário. Quanto à inconstitucionalidade do art. 136, é matéria que não enfrentaremos, haja vista que a turma carece de competência, conforme mencionado alhures. Juros Selic Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Afastase, portanto, a tese da inaplicabilidade da taxa Selic. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 13116.721065/2013-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
ARBITRAMENTO DE RESULTADOS. BASE DE CÁLCULO.
Integra o conceito de receita bruta as receitas documentadas e os créditos/depósitos bancários sem origem documentalmente identificada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - MULTA QUALIFICADA E MULTA DE OFÍCIO - CONDUTA REITERADA
Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, presume-se que são receitas omitidas os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Fica caracterizada a ocorrência de dolo, legitimando a imposição de multa qualificada (150%) e também da multa de ofício (75%), nas hipóteses em que for constatada omissão reiterada de receitas, apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Anos-calendário: 2009, 2010, 2011
CSLL, PIS e COFINS. REFLEXIVIDADE.
Para tributos exigíveis por reflexo, à falência e elemento relevante aplica-se a mesma decisão do feito que lhes dá origem.
Numero da decisão: 1201-001.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
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EDITADO EM: 25/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 ARBITRAMENTO DE RESULTADOS. BASE DE CÁLCULO. Integra o conceito de receita bruta as receitas documentadas e os créditos/depósitos bancários sem origem documentalmente identificada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - MULTA QUALIFICADA E MULTA DE OFÍCIO - CONDUTA REITERADA Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, presume-se que são receitas omitidas os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Fica caracterizada a ocorrência de dolo, legitimando a imposição de multa qualificada (150%) e também da multa de ofício (75%), nas hipóteses em que for constatada omissão reiterada de receitas, apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anos-calendário: 2009, 2010, 2011 CSLL, PIS e COFINS. REFLEXIVIDADE. Para tributos exigíveis por reflexo, à falência e elemento relevante aplica-se a mesma decisão do feito que lhes dá origem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. . EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
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BASE DE CÁLCULO. Integra o conceito de receita bruta as receitas documentadas e os créditos/depósitos bancários sem origem documentalmente identificada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS MULTA QUALIFICADA E MULTA DE OFÍCIO CONDUTA REITERADA Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, presumese que são receitas omitidas os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Fica caracterizada a ocorrência de dolo, legitimando a imposição de multa qualificada (150%) e também da multa de ofício (75%), nas hipóteses em que for constatada omissão reiterada de receitas, apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anoscalendário: 2009, 2010, 2011 CSLL, PIS e COFINS. REFLEXIVIDADE. Para tributos exigíveis por reflexo, à falência e elemento relevante aplicase a mesma decisão do feito que lhes dá origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 10 65 /2 01 3- 60 Fl. 2691DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. . EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Relatório Tratam os presentes autos de exigência de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica IRPJ, R$ 959.615,25, da CSLL, R$ 308.307.25, da COFINS, R$ 320.812,35 e do PIS, R$ 69.509,36, acrescidas de penalidade de 75% e de 150%, e encargos moratórios SELIC, de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, atinentes aos anos calendário de 2009 a 2011. Termo de Verificação Fiscal De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 2365/2374, fundamentaram as exações o arbitramento de resultados ante a inexistência de escrituração contábil relativa aos anos calendário de 2009/2011. A base de cálculo das exigências se vinculou à receita bruta documentada e a depósitos bancários, deduzidos das receitas brutas, cujas origens, em datas e valores, justificaram os depósitos. Sobre a receita bruta documentada foi aplicada a penalidade qualificada, 150%, artigo 957, II do RIR/99, ao argumento fiscal de que o sujeito passivo agiu, intencional e reiteradamente, para impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador do IRPJ. Para os depósitos bancários sem origem identificada foi aplicada a penalidade de 75%. Fl. 2692DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13116.721065/201360 Acórdão n.º 1201001.256 S1C2T1 Fl. 3 3 Fora lavrado Termo de Solidariedade Passiva contra CARLOS ANTÔNIO NOGUEIRA, com fundamento no artigo 124, I, do CTN, ao argumento de que o contribuinte tem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Impugnação Ciente das exigências em 26/08/2013 e 27/08/2013 o sujeito passivo e o sócio solidário passivo, acostaram aos autos a impugnação, datada de 23/09/2013, através da qual alegam, em síntese o que se segue. Alega equívoco quanto à base imponível: deveria ser o somatório da receita da atividade e depósitos bancários sem identificação de origens, totalizando R$ 8.161.476,63, fls. 2233. Contudo, o somatório lançado de omissão de receita de atividade e depósitos bancários sem origem identificada, totalizou R$ 10.766,432,16. Teriam sido desconsiderados R$ 2.604.955,53 correspondentes a parte das Notas Fiscais juntadas aos autos (R$ 5.864.192,35) por inexistir correlação com os depósitos efetuados. Ainda alega que a autoridade fiscal desconsiderou a fidedignidade de outros documentos, não bastando o ingresso de numerário (depósitos) para se aferir ter ocorrido faturamento: depósitos bancários por si não configuram renda, conforme jurisprudência administrativa e judicial. Foram desconsiderados, no caso presente, documentos hábeis e idôneos, por não mostrarem coerência com o recebimento de valores nas contas correntes, transmudandose o regime de competência, na escrituração do contribuinte, para o de caixa. Suscita também a nulidade das autuações, dado caber a autoridade administrativa a prova da existência de renda, conforme artigo 142 do CTN. Teria ocorrido inversão de papéis, visto que contribuinte, ora recorrente, foi intimado a comprovar que as origens de depósitos não eram receitas. Os depósitos bancários Fl. 2693DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 constituem marco inicial de fiscalização, caberia à autoridade administrativa a prova de que constituem renda. Ainda que a Lei n° 9.430/69, art. 42, possibilite a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários, segundo o recorrente ocorreu uma presunção não permitida, sobre presunção legal, visto que a lei não permite que a fiscalização sujeite à incidência dos tributos algo além da receita. Assim, argui a ilegalidade da majoração da multa de 150% por inexistência de dolo ou fraude, conforme definições do artigo 138 do Código Civil e Acórdãos do Conselho de Contribuintes e a inconstitucionalidade da penalidade qualificada por ser confiscatória e contrariar a jurisprudência do STF, ADIN 551. Finalmente, quanto à responsabilização passiva solidária, alega o recorrente que o art. 124, I do CTN não autoriza a colocar como solidário quem não tenha relação direta com o fato gerador. Exige a demonstração cabal e inequívoca da relação do sujeito passivo com o fato gerador, conforme jurisprudência administrativa. Mesmo o artigo 135 do mesmo CTN não se aplica em inadimplemento de obrigação tributária sem excesso de poderes ou infração à lei. Decisão da DRJ/RJ1 Diante da impugnação apresentada e das alegações acima expostas, fora proferido o Acórdão nº 1263.926, pela 2ª Turma da DRJ/RJ1. Será exprimido a seguir o entendimento firmado no referido acórdão. Omissão de receitas Não foi tomado, como limite de receitas, o somatório dos depósitos bancários. Mas sim, a receita bruta documentada, R$ 5.864.192,35, e, na forma do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, créditos/depósitos bancários cuja origem não foi identificada, R$ 4.902.239,81. Fl. 2694DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13116.721065/201360 Acórdão n.º 1201001.256 S1C2T1 Fl. 4 5 Ora, se o dispositivo legal em comento autorizou a presunção legal nele reportada, em matéria de presunções legais autorizadas seu efeito é de inversão do ônus probandi. No caso, fundada em singelo, objetivo, linear e incontestável fato: o titular da conta bancária é o principal interessado nas origens de seus créditos. Não, terceiros. Fora definido no acórdão, que, por força do dispositivo legal, a fiscalização excluiu dos créditos/depósitos bancários valores oriundos de receitas brutas documentadas coincidentes com os créditos. Isto é, dos depósitos/créditos bancários passíveis de sustentação da presunção legal, R$ 8.181.476,63 foram excluídos valores de receitas que, documentalmente, justificavamlhes as origens, R$ 3.259.736,82. Portanto, remanescem, com depósitos sem origem identificada, R$ 4.902.239,81. Por pertinente, o sujeito passivo recebeu depósitos de G.&C Construções e Incorporações Ltda., e de Alberto e Pantoja Construções e Transportes Ltda., empresas inexistentes. Sob intimação, fls. 993/998, limitouse a informar se referirem a recursos de terceiros que circularam pela conta da notificada transitoriamente. Intimado a esclarecimentos, declarou que, ante o principio da Não Autoincriminação, as informações requeridas seriam prestadas diretamente em juízo. Quanto aos depósitos bancários, ao contrário do alegado, transmutavam de regime de competência para regime de caixa. Do exposto, concluiuse que, ao contrário do alegado, na forma do artigo 142 do CTN, a fiscalização se limitou a verificar a ocorrência dos fatos geradores, fundada tal verificação nas receitas comprovadamente documentadas e na presunção legal acima reproduzida. Agiu, portanto, no estrito cumprimento das normas infraconstitucionais e legais pertinentes à questão. Isto é, para a receita documentada, não declarada sob lucro presumido, R$ 5.864.192,35 foram adicionados créditos/depósitos bancários sem origem documentalmente identificada, R$ 4.902.239,81. Desta forma, entendeu que se trata de ação reiterada e intencional no intuito de impedir ou retardar as incidências tributárias sobre valores expressivos de receitas Fl. 2695DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 documentadas, auferidos ao longo de três anoscalendário. Ação, portanto, dolosa à Fazenda Nacional. Responsabilidade Passiva Solidária Por fim, quanto à responsabilidade passiva solidária, lastreada no artigo 124 do CTN, restou firmado o equívoco do entendimento fiscal. De um lado, dada a inequívoca diferenciação patrimonial civil, comercial, tributária e judicial da pessoa jurídica daquelas de seus sócios. De outro lado, exceto por expressas disposições legais em contrário a penalidade por infração se restringe ao infrator. Assim, omissões de receitas, per se, ainda que, com penalidade qualificada incidente sobre os tributos devidos, não tem o condão de sustentar a responsabilidade passiva solidária de terceiros que não participem da relação jurídica geradora da mesma exação – interesse comum, definido no artigo 124, I, CTN. Quanto ao artigo 135, do mesmo CTN, não formalizado no Termo de Responsabilidade Passiva Solidária, porém, constante do Termo de Verificação de Infração, em preliminar, ocioso mencionar que a prescrição de responsabilidade pessoal, difere da responsabilidade passiva solidária prescrita no artigo 124, I, do mesmo CTN. Igualmente, a ressaltar que a responsabilização pessoal por obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não diz respeito à legislação tributária. Sim, às leis comerciais. Tributos Reflexos Quanto ao PIS, COFINS e CSLL, para tributos exigíveis por reflexo, à falência e elemento relevante aplicouse a mesma decisão do feito que lhes dá origem. Procedência Parcial Fl. 2696DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13116.721065/201360 Acórdão n.º 1201001.256 S1C2T1 Fl. 5 7 No rastro dessas considerações, fora dado provimento parcial à impugnação para: I – manter as exigências destes autos, inclusive penalidades de 75% e de 150%, e, II – exonerar CARLOS ANTÔNIO NOGUEIRA, CPF nº 392.015.70104, da Responsabilidade Passiva Solidária. Recurso Voluntário Da decisão fora interposto Recurso Voluntário, arguindo o recorrente que deveria se compor a base de cálculo do auto da seguinte forma: omissão de receita da atividade (arbitramento) o valor de R$ 3.259.236,82 e omissão de receita (depósito bancário) o valor de R$ 4.902.239,81, totalizando R$ 8.161.476,63. Alega que a própria legislação determina que o dever da prova é do fisco, não bastando tão somente lançar sem o esteio da comprovação. Caberia à autoridade administrativa a prova do efetivo faturamento do recorrente com estes depósitos e qual o rendimento que o mesmo proporcionou. A mera movimentação financeira não traria nenhuma presunção relativa, porque não se depositam somente rendimentos. Preliminarmente, o recorrente trata da improcedência do lançamento e da nulidade do auto por violação ao art. 142 do CTN. Caberia à autoridade administrativa provar a existência de renda, não existindo ônus ao contribuinte de provar se dado depósito caracteriza renda ou não. Segundo o recorrente cabe ao agente fazendário comprovar que eventuais depósitos nas contas bancárias do contribuinte são renda, como lhe é imposto pelo art. 142 do CTN. No mérito, pugnase pela improcedência do lançamento, considerando que o fato gerador do IRPJ é a obtenção econômica ou jurídica de renda. A perspectiva dimensível do aspecto material da hipótese de incidência (matéria tributável) dos tributos lançados pela Fiscalização não é o volume de recursos financeiros que ingressa no caixa do contribuinte, mas apenas aquela espécie de ingressos que pode ser classificada como renda do contribuinte. Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 Argumenta o recorrente que os depósitos bancários, embora transitem no caixa da empresa, são meras entradas ou ingressos financeiros. O que foi feito neste lançamento tratouse, supostamente, de uma presunção não permitida, sobre uma presunção legal, o que definitivamente não pode ser aceita. Então, trazse à tona a ilegalidade da majoração da multa de 150% pela inexistência de dolo ou fraude, pleiteando a reconfiguração da hipótese de incidência da multa. Alega o recorrente que a fraude fiscal é aquela caracterizada pela prática de uma ação ou omissão intencionalmente criminosa, tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo. A acusação é a de omissão de dados da movimentação financeira. O fato da declaração de rendimentos não conter nenhum valor, de acordo com o recorrente, não é impedimento para a obtenção das informações necessárias. Sendo que isso, por si só, descaracteriza o conceito de fraude, a evitar seja majorada a multa, da forma em que realizada pela autoridade fazendária. Por fim, o recorrente suscita a inconstitucionalidade da multa de 150%, sendo esta confiscatória. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS – OMISSÃO DE RECEITAS Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13116.721065/201360 Acórdão n.º 1201001.256 S1C2T1 Fl. 6 9 Primeiramente devem ser analisados os fatos para identificar se o recorrente apresentou ou não documentação hábil e idônea apta a comprovar a origem dos depósitos bancários apurados. Resumese, que após algumas intimações solicitando esclarecimentos sobre a movimentação financeira tão superior aos valores declarados, o recorrente admitiu que havia deixado de declarar, praticamente, todos os serviços por ele prestados ao longo do período, apresentando as respectivas notas fiscais de serviço para justificar os créditos em suas contas. Ato contínuo, informou que os valores depositados pela empresa Delta Construções S/A também são relativos a prestações de serviços cujas notas fiscais foram extraviadas, requerendose a intimação da referida empresa para o fornecimento de tais comprovantes, que os anexou. Com relação aos valores depositados em suas contas pelas empresas ALBERTO & PANTOJA e G & C Construções, o sujeito passivo se negou a apresentar qualquer justificativa ou comprovação, sob a suposta proteção do Princípio da Não Autoincriminação. As notas fiscais apresentadas, inclusive as anexadas pela empresa Delta Construções S/A, perfizeram um total de R$5.864.192,35. Conseguiramse encontrar justificativa de origem para depósitos perfazendo um total de R$ 3.259.236,82. Ocorre que sobraram muitos depósitos sem comprovação de origem, totalizando o total de R$ 4.902.239,81. O recorrente alega que não possui a escrituração contábil de suas operações no período de 2009 a 2011. Ora, resta claro que o valor de R$5.864.192,35 referente as notas fiscais colhidas e apresentadas devem lastrear parte do arbitramento de lucro, por definirem a receita Fl. 2699DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 documentada de fato, conjuntamente com os R$ 4.902.239,81 presumidos como omissão de receitas, diante da indevida comprovação dos depósitos bancários. Este conjunto deve ser alvo de arbitramento do lucro por perfazer o conceito de receita bruta. Veja, o fiscal agiu no pressuposto de que houve omissão de rendimentos e a partir disso apurou imposto calculado mediante as notas fiscais apresentadas e sobre o montante dos valores movimentados e não comprovados na conta bancária do recorrente. Ressaltese, neste momento, que o recorrente teve inúmeras oportunidades de comprovar os depósitos bancários. De fato o fez em relação a alguns deles, que, portanto, não foram alvo da fiscalização. No entanto, em relação a outros tantos não foram esclarecidas a origem, sob escusas de aplicação do princípio da não autoincriminação e ausência de escrituração contábil ou simples omissão. Desta forma, parte dos lançamentos, ora discutidos, foram embasados na presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, em razão da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. Ora, tratandose de movimentação bancária, confrontados com os rendimentos declarados e oferecendo indícios de omissão de rendimentos, há condição suficiente para configurar tais documentos como representativos de gastos efetivamente realizados e, por consequência, de omissão de receitas. A identificação dos gastos representados pelos depósitos constitui dever da recorrente. Cabe apenas ressaltar, neste momento, ao contrário do alegado em preliminar pela recorrente, que não teria como haver transmutação de regime de competência para regime de caixa. A determinação é expressa e explícita quanto ao período de sua apuração, por determinação legal do art.42, § 1º, da Lei n˚ 9.430/96: Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13116.721065/201360 Acórdão n.º 1201001.256 S1C2T1 Fl. 7 11 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira” Coaduna, desta forma, com o entendimento exprimido no acórdão recorrido. Configurouse situação que norteia a aplicação da presunção legal de omissão de receita, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. A presunção, no entanto, é relativa, passível de ser ilidida a qualquer momento pelo contribuinte, admitindose, portanto, prova em sentido contrário. Ocorre que a documentação apresentada e os esclarecimentos expostos não perfizeram um ato alagado de idoneidade, não sendo hábil e apto a ilidir a pretensão fiscal. O auto de infração fora lavrado embasado na receita bruta apurada através das notas fiscais apresentadas e na presunção de omissão de receitas diante dos depósitos bancários de origem não comprovada. Não há que se contestar o lançamento. Tratandose de presunção de omissão de receita, diferentemente do que ocorre nos demais lançamentos em que é obrigação da Fiscalização provar a ocorrência do fato gerador, a produção de prova cabe ao contribuinte. Não logrando êxito em apresentar documentos que comprovem/justifiquem os depósitos bancários, acabase por permitir que o auditor fiscal lance de ofício os tributos devidos com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Foi o que ocorreu. Sendo à recorrente imputado o ônus da prova, caberia a ela a apresentação de documentos aptos a comprovar a origem dos lançamentos em sua conta corrente. Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 Portanto, não há que se falar em nulidade dos lançamentos realizados, tendo em vista que a interessada não comprovou, por qualquer meio idôneo e hábil, a origem, tampouco destinação, efetividade e aplicação dos depósitos bancários. Também devem falecer quaisquer alegações que venham a negar o auferimento de renda relativo aos depósitos. Ora o recorrente fora intimado para tal comprovação, mas se manteve inábil e omisso quanto à parte dos depósitos. Não cabe, no caso concreto, se discutir o conceito de receita, quando o legislador cria uma presunção e, neste passo, não firma algo absoluto, dando oportunidade para que se produza prova em sentido contrário. Uma vez criado o instituto da presunção de omissão de receita no caso de depósitos bancários, inaplicável o art. 142 do CTN, que se mostra genérico e insuficiente para se adaptar a demanda concreta. Sendo assim, diante da patente ausência de manifestação idônea acerca do objeto da pretensão fiscal, fazse necessária a aplicação específica do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ademais, a jurisprudência do CARF se mostra fortificada e dominante neste sentido: DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê hipótese de presunção relativa de omissão de receitas ou rendimentos. A não apresentação deliberada de documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem de depósitos bancários justifica o lançamento de ofício. (Acórdão nº 1101000.775 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – publicada em 24/09/2015) “OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO POR VALORES GLOBAIS. FALTA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13116.721065/201360 Acórdão n.º 1201001.256 S1C2T1 Fl. 8 13 coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ausência de intimação que discrimine individualizadamente os créditos a serem comprovados, nos termos da lei, implica a improcedência do lançamento”. (Processo nº 18471.001400/200736, Acórdão nº 1302001.642, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 5 de fevereiro de 2015). PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIOS. Caracterizam se omissão de rendimentos os valores creditados em instituição financeira, em relação aos quais o titular, intimado, não comprove, a origem dos recursos utilizados. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.” (Processo nº 10120.009528/201011 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – publicada em 03/09/2014) O posicionamento do CARF, desta forma, está direcionado no sentido de caracterização de omissão de receita diante da não comprovação dos depósitos bancários pelo contribuinte. Por consequência lógica, portanto, a multa qualificada de 150% deverá ser mantida, respaldada pela mesma fundamentação explanada no acórdão recorrido. Fica caracterizada a ocorrência de dolo, legitimando a imposição de multa qualificada, uma vez constatada a omissão reiterada de receitas, apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, e em montante muito superior às receitas espontaneamente declaradas. Ora a conduta é dolosa partindose do pressuposto de que, além do recorrente omitir as receitas reiteradamente, ao ser intimado para comprovar tais condutas, não o fez. Se estivesse dotado de boafé em suas condutas, não teria motivo para não prestar esclarecimentos. Deve, portanto, ser mantido o lançamento fiscal, bem como a aplicação da multa qualificada. Com relação aos demais lançamentos decorrentes do IRPJ, aplicase o reflexo, visto são oriundos do principal e referemse a mesma matéria tributável, mantendose assim os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 14 Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO e afasto as preliminares suscitadas pela Recorrente para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15277.000066/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 52 77 .0 00 06 6/ 20 08 -9 2 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15277.000066/200892 Resolução nº 2402000.511 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória, que consiste em a empresa apresentar as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação, conforme art. 32, inciso IV, parágrafos 1o e 3o, da Lei no 8.212/1991, acrescentados pela Lei no 9.528/1997, combinado com o art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 04/05), a empresa apresentou a GFIP com erro de preenchimento, tendo informado indevidamente, no período de 01/1999 a 12/2007, o código FPAS 795 quando deveria informar o código FPAS 744. Informou, ainda, que durante a ação fiscal o contribuinte corrigiu as GFIP’s do período de 01/2003 a 12/2007. Não constou do relato fiscal a informação quanto à ocorrência das circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 03/06/2008 (fls. 01 e 49), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 17/26), alegando, em síntese, que: 1. Em preliminar, argúi a tempestividade da impugnação assegurando que foi intimada pelo correio em 03/06/2008, portanto, a contagem do prazo para apresentação de defesa iniciouse em 04/06/2008 e encerrouse em 03/07/2008. Aduz a nulidade do Auto de Infração, pois o mesmo padece de vício formal por não conter todas as informações necessárias para que a impugnante possa exercer o seu direito de defesa. Cita especificamente que não foi informado o período em que a infração foi cometida; 2. No mérito, alega a decadência do direito à constituição da obrigação tributária em relação ao período de 01/ 1999 a 12/2002, em razão do transcurso do prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador e em face da publicação da Súmula Vinculante n° 8 do STF, que considerou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212/91; 3. afirma a ocorrência de circunstância atenuante para o período de 01/2003 a 12/2007, tendo em vista a correção das GFIP durante a ação fiscal conforme atestado no próprio Auto de Infração. Diz fazer jus a relevação da multa nos termos do art. 291, § 1° do RPS, por ter corrigido os erros e formulado o pedido dentro do prazo de impugnação. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15277.000066/200892 Resolução nº 2402000.511 S2C4T2 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0920.751 da 6a Turma da DRJ/JFA (fls. 56/61) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação, acrescentando que seja observado o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15277.000066/200892 Resolução nº 2402000.511 S2C4T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Antes de analisarmos as questões do recurso, constatase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco) e sanadas. Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à matéria fática relacionada a intempestividade da peça de impugnação. Registrase que a DRJ, decisão de primeira instância, julgou intempestiva a impugnação da Recorrente, afirmando que o Auto de Infração impugnado foi recebido pela Recorrente em 02/06/2008, conforme Aviso de Recebimento (AR), e não levou em consideração o “Histórico do Objeto” obtido no “site” dos Correios que apontava a data de entrega em 03/06/2008 (fls. 49). Entretanto, a data do recebimento da intimação pelo sujeito passivo registrada na cópia do Aviso do Recebimento (AR) de fls. 14 não tem visibilidade nítida para a confirmação de que a data seria dia 02/06/2008 e, além disso, o ano registrado no AR (quadro da data de recebimento) encaminha para o ano de 2009, totalmente distinto dos demais documentos acostados aos autos que sinalizam para o ano de 2008. Desse modo, o fato constitutivo do lançamento fiscal ainda não está devidamente esclarecido qual seria a data de recebimento da intimação pelo sujeito passivo. Assim, pelo fato de que foram acostados cópias de documentos nos autos sobre a data de intimação do lançamento fiscal, já que esta data é relevante para o deslinde da controvérsia, resolvo converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco verifique nos documentos originais ou em outros documentos dos Correios a data de intimação do lançamento fiscal e emita Parecer ou Informação Fiscal sobre os fatos constatados. Após a elaboração da Informação, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer (Informação), com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720026/2013-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO PARA RETIFICAÇÃO DE LAPSO MANIFESTO.
Constatado lapso manifesto na ementa e no voto, acolhem-se os embargos inominados para as correções necessárias.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Embargos Inominados Acolhidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, e ratificar o conteúdo da decisão proferida no acórdão 1402-001.933 de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO PARA RETIFICAÇÃO DE LAPSO MANIFESTO. Constatado lapso manifesto na ementa e no voto, acolhem-se os embargos inominados para as correções necessárias. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Embargos Inominados Acolhidos. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 390 1 389 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.720026/201387 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402001.957 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria Inexatidão Material Embargante CONSELHEIRO FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Interessado VULCAFLEX SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA EPP e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO PARA RETIFICAÇÃO DE LAPSO MANIFESTO. Constatado lapso manifesto na ementa e no voto, acolhemse os embargos inominados para as correções necessárias. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Embargos Inominados Acolhidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, e ratificar o conteúdo da decisão proferida no acórdão 1402001.933 de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 26 /2 01 3- 87 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.957 S1C4T2 Fl. 391 2 termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.957 S1C4T2 Fl. 392 3 Relatório Os presentes autos dizem respeito à exigência dos tributos que compõem o SIMPLES NACIONAL oriundo de lançamento de ofício que identificou omissão de receitas baseada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. O processo foi julgado na sessão de 04 de março de 2015, tendo sido negado provimento ao recurso voluntário, na parte conhecida, por unanimidade (Acórdão 1402 001.933). Os autos foram encaminhados à unidade de origem, tendo retornado a esta Turma Julgadora com o seguinte despacho: "Às fls. 165188 do processo apensado nº 10970.720033/201389, consta um recurso voluntário do contribuinte referente a sua exclusão do SIMPLES NACIONAL. Apesar disso, não encontramos nos autos do referido processo o julgamento desse recurso. Sendo assim, proponho o encaminhamento dos processos ao CARFMFDF para prosseguimento." Esclareceu às fls. 386387 que tal processo não se encontrava anexado aos presentes autos, mas sim a ele vinculado, mantendo seu trâmite independente do presente processo. Naquela ocasião tais autos encontravamse na 1ª Seção do CARF aguardando distribuição/sorteio. Esclareceuse ainda que o processo nº 10970.720033/201389 de fato se trata de procedimento de exclusão do SIMPLES NACIONAL, contudo, não era prejudicial para o julgamento dos presentes autos, muito antes pelo contrário, pois a exclusão levada a efeito naqueles autos é decorrente da omissão de receita cujo crédito tributário é exigido neste processo, ou seja, para julgamento do recurso voluntário contido no processo nº 10970.720033/201389 (exclusão do SIMPLES NACIONAL) seria necessário, em primeiro lugar, o julgamento do recurso voluntário que integra a presente lide (processo antecedente/principal). Portanto, não haveria necessidade de retorno dos autos para julgamento do processo de exclusão do SIMPLES NACIONAL (nº 10970.720033/201389), muito menos para análise deste relator. Por fim, esclareceuse que o colegiado a quem competir julgar o processo decorrente (nº 10970.720033/201389) deverá ter como ponto de partida o resultado do julgamento dos presentes autos. Contudo, ao analisar os autos para dirimir a dúvida levantada pela unidade de origem, constatei inexatidões materiais tanto na ementa quanto no início do voto condutor do aresto, ambos fazendo menção a formas de tributação estranhas à presente exigência (a exigência diz respeito aos tributos que compõem o SIMPLES NACIONAL, mas tanto a ementa Fl. 392DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.957 S1C4T2 Fl. 393 4 quanto o voto fazem menção a Lucro Arbitrado e exigências isoladas e reflexas de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), conforme excertos transcritos a seguir: [...] LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e/ou documentos da escrituração comercial e fiscal. [...] Tratase de lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos à omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada [...] 2.2 LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Lucro Arbitrado) foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispões o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, que assim dispõe: [...] [grifos não apostos no original] Diante de tal constatação, às fls. 387388, propôsse ao ilustre Presidente desta Turma Julgadora a retificação de inexatidão material devida a lapso manifesto. O art. 66 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF/2015) dispõe que “As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.” Por meio do despacho de fls. 389, o Presidente da Turma retornoume os autos para relato. É o relatório. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.957 S1C4T2 Fl. 394 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Conforme relatado, o acórdão 1402001.933 recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e/ou documentos da escrituração comercial e fiscal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Recurso Voluntário Negado. Contudo, o auto de infração lavrado não dizia respeito a arbitramento de lucros, tampouco a lançamentos decorrentes, já que a exigência foi formalizada apurandose os tributos devidos com base no SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar nº 123). Fl. 394DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.957 S1C4T2 Fl. 395 6 Desse modo, a fim de corrigir tal inexatidão material, entendo que os embargos inominados devem ser acolhidos, retificandose a ementa do julgado e, tendo em vista não haver qualquer alteração nos demais pontos de convencimento e fundamentação do acórdão, ratificar a decisão do colegiado por não conhecer das arguições de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 395DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10930.000319/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
IPI. CREDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária sobre créditos escriturais do IPI.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CREDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária sobre créditos escriturais do IPI. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 03 19 /2 00 7- 72 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 37/40), a qual, por unanimidade de votos, e fundamentada em inexistência de previsão legal, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não reconheceu alegado direito à correção pela taxa SELIC de créditos presumidos do IPI. Cientificada da referida decisão em 30/01/2013 (vide AR de fls. 42), a interessada, em 01/03/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 43/48, onde aduz que teria direito à correção monetária sobres os créditos presumidos com base em jurisprudência do CARF e do Superior Tribunal de Justiça. Diante do exposto, requer a interessada seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito de aplicação da correção monetária sobre os créditos em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O mérito da contenda envolve discussão concernente a pedido de correção monetária, pela taxa SELIC, de créditos presumidos do IPI. No entanto, como já destacado na decisão recorrida, não há previsão legal que autorize o deferimento de pleito nesse sentido. Tal entendimento, inclusive, está sedimentado no Recurso Especial nº 1.035.847/RS (transitado em julgado em 03/03/2010), que, sob o regime do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, consolidou entendimento segundo o qual “a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal”. Vale lembrar que, por força do disposto no caput do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, referida decisão deverá ser obrigatoriamente observada por este Conselho. Contudo, extraise da mesma decisão que o impedimento, pela autoridade administrativa, à utilização do direito de créditos escriturais do IPI, descaracteriza referida natureza escritural, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente pela taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Referido acórdão ficou assim ementado: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10930.000319/200772 Acórdão n.º 3301002.670 S3C3T1 Fl. 70 3 POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Mas, concernente à hipótese em que se admite a atualização, tal não ocorreu no caso presente, posto que a própria petição que inaugurou o processo se restringe unicamente à discussão do alegado direito à correção monetária dos créditos escriturais do IPI (v. fls. 02/06). Assim, considerando o pacificado entendimento prolatado pelo STJ no RE nº 1.035.847/RS, e diante do disposto no caput do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, deverá prevalecer o entendimento de que, por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária de créditos escriturais do IPI. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 13502.900011/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÕES NA FONTE. INFORMAÇÕES EM DIRF.
As informações constantes do banco de dados da Receita Federal, extraídas das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras, terceiras desinteressadas no litígio, servem como prova das retenções de imposto na fonte que devem ser reconhecidas na composição do saldo negativo. Cabe ao contribuinte apresentar elementos de convicção que possam comprovar o seu direito creditório, invalidando as informações constantes das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para seu reconhecimento.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS PAGAS.
As estimativas pagas, mesmo que eventualmente recolhidas a maior, podem ser aproveitadas na composição do saldo negativo do ano calendário a que correspondem, mormente quando não demonstrado que já tenham sido objeto de restituição/compensação como estimativas pagas a maior.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS PARCELADAS.
Estimativas que tenham sido objeto de parcelamento podem ser aproveitadas na composição do saldo negativo do ano calendário a que correspondem, mormente quando se demonstra que o parcelamento vem sendo regularmente pago.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS.
Não é possível considerar no cômputo do saldo negativo estimativas que teriam sido compensadas com o próprio saldo negativo que estas teriam ajudado a compor se tivessem sido pagas. O prévio adimplemento do dever legal de estimativa é pressuposto para o nascimento do saldo negativo.
Numero da decisão: 1201-001.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos voto do Relator. Vencida a Conselheira Ester Marques, que lhe dava parcial provimento em menor extensão, não reconhecendo como direito creditório as estimativas parceladas. O Presidente acompanhou o Relator pelas conclusões.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÕES NA FONTE. INFORMAÇÕES EM DIRF. As informações constantes do banco de dados da Receita Federal, extraídas das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras, terceiras desinteressadas no litígio, servem como prova das retenções de imposto na fonte que devem ser reconhecidas na composição do saldo negativo. Cabe ao contribuinte apresentar elementos de convicção que possam comprovar o seu direito creditório, invalidando as informações constantes das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para seu reconhecimento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS PAGAS. As estimativas pagas, mesmo que eventualmente recolhidas a maior, podem ser aproveitadas na composição do saldo negativo do ano calendário a que correspondem, mormente quando não demonstrado que já tenham sido objeto de restituição/compensação como estimativas pagas a maior. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS PARCELADAS. Estimativas que tenham sido objeto de parcelamento podem ser aproveitadas na composição do saldo negativo do ano calendário a que correspondem, mormente quando se demonstra que o parcelamento vem sendo regularmente pago. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 00 11 /2 00 9- 29 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 3 2 Não é possível considerar no cômputo do saldo negativo estimativas que teriam sido compensadas com o próprio saldo negativo que estas teriam ajudado a compor se tivessem sido pagas. O prévio adimplemento do dever legal de estimativa é pressuposto para o nascimento do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos voto do Relator. Vencida a Conselheira Ester Marques, que lhe dava parcial provimento em menor extensão, não reconhecendo como direito creditório as estimativas parceladas. O Presidente acompanhou o Relator pelas conclusões. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara , por meio da Resolução 1102000.104, de minha relatoria. Repriso a seguir o relatório da referida Resolução, para conhecimento dos fatos e alegações feitas até aquele momento. Tratase de recurso voluntário interposto por MILLENNIUM INORGANIC CHEMICALS DO BRASIL, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 1520.776, da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Salvador, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari/BA, o qual, por sua vez, não homologara as compensações de tributos tratadas nas Declarações de Compensação que são objeto do presente processo. O Despacho Decisório Eletrônico nº 816113069, que analisou o PER/DCOMP nº 39000.75990.220808.1.7.027302, transmitido em 22/08/2008, e que contém o demonstrativo do crédito alegado, encontrase assim fundamentado: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do credito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo Fl. 499DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 4 3 negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 6.107.686,46. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 2.118.834,83.” Cientificada do referido Despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, o seguinte, conforme o relatório da decisão recorrida: “a) versa o processo em causa sobre a PER/DCOMP nº 39000.75990.220808.1.7.027302, cujo crédito é o saldo negativo do IRPJ – Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, relativo ao exercício de 2006, apurado entre 01/01/2005 a 31/12/2005”; b) “cumprenos, de agora em diante, comprovar todos os fatos que demonstram o escorreito procedimento da requerente, se erro de preenchimento houve, foi por excesso de zelo, portanto a seguir, o relato que torna nulo o lançamento”; c) “em 21/02/2006, transmitimos a PER/DCOMP (inicial) nº 15084.29555.21026.1.3.021795 (anexamos), na qual consignamos o valor do saldo negativo igual a R$ 1.593.333,56”; d) “a composição do saldo negativo foi exclusivamente com base no IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras que montam o valor de R$ 2.020.403,45”. “ Nesta mesma data, elaboramos outra PER/DCOMP, a de número 20.889.76184.210206.1.3.025377 (anexamos), esta declaração acabou por contemplar o equívoco na declaração inicial, ou seja, constou o mesmo valor do saldo negativo”; e) “em 29/03/2006, transmitimos a PER/DCOMP nº 41833.19048.290306.1.3.029043, importando da declaração acima o saldo original no valor de R$ 367.862,58, a qual também contemplou o saldo negativo da inicial”; f) “em outra apuração, o saldo negativo do IRPJ, ainda equivocado, desta vez no valor de R$ 2.169.409,55, foi declarado no PER/DCOMP retificador nº 31315.71049.120606.1.7.026305, entretanto os débitos compensados foram os mesmos da original, já a somatória dos créditos constante da PER/DCOMP, viria a consolidarse com o constante das nossas apurações encerradas em 31/12/2005, por conseguinte, a informação do saldo original também ficou comprometido”; g) “uma vez constatado erro na inicial, fomos compelidos a realizar uma PER/DCOMP retificadora com o intuito de corrigir as elaboradas posteriormente a inicial” e “daí transmite a PER/DCOMP nº 23316.22153.120606.1.7.026912, que compensava os mesmos débitos da original e que acompanhou os mesmos equívocos da retificadora acima”; h) “transmitimos também a PER/DCOMP de nº 35624.65337.1206.1.7.02 6621, que compensava o mesmo debito da original e ainda com o mesmo erro de saldo original”; i) “após tantas correções entendemos termos solucionados todos os problemas anteriores, então cuidamos de enviar o PER/DCOMP nº 23013.87720.120606.1.3.026288, cujo saldo negativo constou o da retificadora e o número da PER/DCOMP foi o da inicial” e que “os problemas continuaram por conta do saldo inicial”; j) “após a entrega da DIPJ retificadora, consolidouse, finalmente, o saldo negativo do IRPJ, cujo valor é igual a R$ 2.118.834,83 (anexamos ficha da DIPJ Fl. 500DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 5 4 folha nº), então tratamos de retificar a PER/DCOMP nº 15084.29555.210206.1.3.02 1795, mais uma vez, e o fizemos através da PER/DCOMP nº 28457.59994.310706.1.7.023832, transmitida em 31/07/2006, onde a formação do saldo negativo é igual ao constante da DIPJ, entretanto, após análise detectamos que a compensação do crédito demonstrado na página 3 e 4, não corresponde à indicada na página 2, valor do saldo negativo, inadvertidamente constou o valor da PER/DCOMP retificadora anterior, portanto mais um equívoco”; k) “face ao exposto, tornouse necessário à retificação das demais PER/DCOMP’s transmitidas que declararam o saldo negativo do IRPJ incorreto’; l) “a primeira transmissão após a retificadora da inicial foi a PER/DCOMP nº 07265.77360.310706.1.7.028604, desta vez com o saldo remanescente correto e com as compensações que constam do demonstrativo 2’; m) “a segunda, na mesma data de transmissão da declaração anterior, 31/07/2006, transmitidos a PER/DCOMP nº 02762.03595.310706.1.7.02.7782, que compensou o débito constante no Demonstrativo 3”; n) “a terceira declaração a ser transmitida foi a de número 03203.52163.310706.1.7.027308, cujas compensações estão no Demonstrativo 4”; o) “a quarta foi a PER/DCOMP nº 39430.71558.310706.1.3.0214556, documento original” e que “esta declaração viria encerrarse as compensações do saldo negativo do IRPJ constante na DIPJ, entretanto a requerente, ainda, transmitiu outra PER/DCOMP compensando o debito acima com o mesmo saldo original da PER/DCOMP anterior, a esta foi atribuído o nº 37892.52438.310706.1.3.021990”; p) “em 02/04/2007, protocolamos o Termo de Intimação de Irregularidade no preenchimento de PER/DCOMP , com rastreamento nº 672425292, datado de 28/02/2007 e outro Termo em substituição ao anterior, com rastreamento nº 675965362, que versava sobre a PER/DCOMP nº 28457.59994.310706.1.7.023832, alegava que: ‘A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP é inferior ao somatório de demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ. O total do crédito demonstrado no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$ 2.169.409,55 (somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, Imposto de Renda Retido na Fonte, pagamentos, estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, estimativas parceladas e demais estimativas comp.). Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$ 6.107.686,46 (somatório dos valores da ficha 12 A linhas 12 a 18)’”. “Então, no prazo concedido pela intimação efetuamos a retificação da DIPJ e da PER/DCOMP, sanando as irregularidades apontadas no referido documento”; q) “a PER/DCOMP transmitida no dia 20/04/2007, viria a sanar as irregularidades acima apontadas, contudo vale salientar que a PER/DCOMP indicada no Termo de Intimação já constava o saldo negativo conforme a DIPJ, mas com a soma dos valores que formaram o crédito do saldo negativo incorreto, só então solucionado através da Declaração de Compensação nº 40.657.09005.200407.1.7.029069, cujos débitos compensados continuaram sendo os constantes do Demonstrativo 1”; r) “então, em 08/08/2008, fomos mais uma vez solicitados a retificar a DIPJ ou apresentar PER/DCOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período, através do Termo de Intimação – Fl. 501DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 6 5 Irregularidade no preenchimento de PER/DCOMP, conforme rastreamento nº 77815603, como constatamos que a DIPJ já informava o saldo negativo de R$ 2.118.834,83 e igualmente estava consignada na PER/DCOMP, então cuidamos, embora equivocadamente, a retificar a PER/DCOMP considerando todos os valores pagos por estimativas e retenções na fonte que somados montam o valor de R$ 6.107.686,46 e o fizemos através da PER/DCOMP nº 39000.75990.220808.1.7.02 7302, cujo Despacho Decisório com rastreamento nº 8116113069, de 19/01/2009, pretende não homologar as PER/DCOMP’s anteriormente mencionadas”; s) “resumindo, a requerente, para regularizar a situação, solicita o cancelamento de ofício das PER/DCOMP’s abaixo relacionadas, por entender não fazer sentido permanecerem ativas: a) 31315.71049.120606.1.7.026305 b) 23316.22153.120606.1.7.026912 c) 35624.65337.120606.1.7.026621 d) 28457.59994.310706.1.7.023832 e) 39000.75990.220808.1.7.027302 f) 37892.52438.310706.1.3.01990”; t) “agora temos as PER/DCOMP’s válidas abaixo identificadas com as seguintes situações: a) 15084.29555210206.1.3.021795 (inicial/original); b) 40657.09005.200407.1.7.029069 (retificadora, com crédito original na data da transmissão no valor de R$ 2.118.834,83 e saldo do crédito original no valor de R$ 1.540.779,56); c) 20889.76184.210206.1.3.025377 (original); d) 07265.77360.310706.1.7028604 (retificadora, com crédito original na data de transmissão no valor de R$ 1.540.779,56 e saldo do credito original no valor de R$ 893.363,85)”; e) 41833.19048.290306.1.3.029043 (original); f) 02762.03595.310706.1.7.027782 (retificadora, com crédito original na data da transmissão no valor de R$ 893.363,85 e saldo do credito original no valor de R$ 525.501,27)”; g) 23013.87720.120606.1.3.026288 (original); h) 03203.52163.310706.1.7.027308 (retificadora, com credito original na data da transmissão no valor de R$ 525.501,27 e saldo do crédito original no valor de R$ 357.158,20); i) 39430.71558.310706.1.3.021556 (original, com credito original na data da transmissão no valor de R$ 357.1548,20 e saldo do crédito original no valor de R$ 0,00)”; u) “finalmente, tem a requerente a firme convicção de que todas as compensações acima descritas são válidas, pois os erros sucessivos foram pontuais para dificultar as análises, o que pedimos agora é que seja analisada e homologada a PER/DCOMP nº 40657.09005.200407.1.7.029069, que certamente tornará as demais homologadas”. Finaliza a sua defesa requerendo a anulação da cobrança imposta. A DRJ afastou a preliminar de nulidade, e, no mérito, consignou que o próprio contribuinte reconhece que se equivocou no preenchimento do PER/DCOMP nº Fl. 502DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 7 6 39000.75990.220808.1.7.027302, pois inclusive solicitou, por meio da manifestação de inconformidade, o seu cancelamento, o que confirma o acerto do Despacho Decisório proferido, e que, por outro lado, o cancelamento de PER/DCOMP só é possível caso ele se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento, o que não ocorreu no caso concreto. O Acórdão n° 1520.776 possui a seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Tendo o despacho decisório preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnálo, descabe a alegação de nulidade. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 CANCELAMENTO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. O pedido de cancelamento do PER/DCOMP somente é possível se atendidos os seguintes requisitos: enquanto o mencionado pedido de compensação estiver pendente de decisão administrativa e mediante o programa PER/DCOMP. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA. ANÁLISE. Incabível a análise originária do pedido de compensação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), pois tal competência cabe ao titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) que tenha jurisdição sobre o domicilio tributário do contribuinte.” Cientificada desta decisão em 09.10.2009, conforme AR de fls. 159, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 10.11.2009, fls. 160 a 172, acompanhado dos documentos de fls. 173 a 309, no qual aduz, em síntese, o seguinte: A decisão não é justa e nem mesmo juridicamente amparada, pois o contribuinte, embora tenha cometido erro ao preencher o PER/DCOMP, era detentor de créditos suficientes para sustentar as compensações realizadas. O erro cometido pela Recorrente é evidente, um erro crasso, nada mais que um clássico erro material, inteiramente identificável, de pronto, pelo cérebro humano, cuja capacidade de análise obviamente não está presa a moldes préordenados e não expansíveis, como os de sistemas computacionais eletrônicos. O voto orientador do julgado recorrido demonstra exata compreensão do erro cometido pelo contribuinte, pois inclusive destacou, da Manifestação de Inconformidade interposta, a informação prestada que identificava com exatidão o erro cometido pela Recorrente. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 8 7 O julgado recorrido deixou de verificar e observar que, à exceção da Declaração de Compensação n° 37892.52438.310706.1.3.021990, que inexplicavelmente repetiu a compensação que uma hora e meia antes fora declarada por meio da Declaração de Compensação n° 39430.71558.310706.1.3.021556 (Vide Anexo II e Docs. 01 e 02), o contribuinte Recorrente aproveitou apenas os R$ 2.118.834,83 de saldo negativo do IRPJ informados pela DIPJ. Em prestígio ao princípio da verdade material, a autoridade julgadora deveria ter determinado a realização de diligência, da qual resultaria a constatação de que o saldo negativo alcançava R$ 2.118.834,83, e daí, portanto, até esse montante, todas as compensações realizadas deveriam ter sido homologadas. Transcreve jurisprudência administrativa acerca da verdade material e de erros de fato, e, ao final, requer o exame dos documentos anexos com o recurso, e o deferimento da realização de diligência para responder aos quesitos que formula, culminando com o provimento do voluntário e a consequente homologação das compensações efetuadas e que, somadas, não tenham significado o aproveitamento de créditos superior a R$ 2.118.834,83. Na sessão de 12 de setembro de 2012, considerando que, até aquele momento, não houvera qualquer efetiva análise acerca das parcelas, no montante de R$ 6.107.686,46, as quais teriam dado ensejo ao surgimento do direito creditório defendido em sede recursal (saldo negativo de 2005 no valor de R$ 2.118.834,83), o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: “(...) diligência, para que a autoridade fiscal na Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte adote as seguintes providências: 1. Confirme, mediante consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, a efetiva retenção de imposto, pela fontes pagadoras, dos valores informados na Declaração de Compensação no 39000.75990.220808.1.7.027302, totalizando R$ 2.020.403,45; 2. Confirme, por iguais meios, o efetivo recolhimento/compensação dos valores de estimativa informados na mesma DCOMP, totalizando R$ 4.087.283,01.” A autoridade fiscal elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 402406, no qual, em síntese, esclarece o seguinte: a interessada foi intimada a apresentar cópia autenticada dos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras, relativamente às retenções constantes da ficha 50 da DIPJ, contudo, não atendeu à intimação, assim, somente as retenções confirmadas nos sistemas internos da Receita Federal (DIRF, fls. 336342), as quais totalizam R$ 1.239.562,48, deveriam ser consideradas; com relação ao pagamento (DARF) no valor de R$ 415.647,11, relativo ao mês de Jan/2005, somente R$ 375.902,67 deveria ser levado para a composição do Saldo Negativo de 2005, pois é este o valor que foi vinculado, na DCTF, para o pagamento de IRPJ do referido mês; da mesma forma, com relação ao pagamento (DARF) no valor de R$ 572.966,94, relativo ao mês de Fev/2005, somente R$ 363.760,33 deveria ser levado para a Fl. 504DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 9 8 composição do Saldo Negativo de 2005, pois é este o valor que foi vinculado, na DCTF, para o pagamento de IRPJ do referido mês; com relação a algumas estimativas que teriam sido compensadas, as quais detalha em tabela, relativas aos meses de Fev/2005 a Jul/2005, esclarece que estas teriam sido compensadas por meio de utilização do crédito discutido nos próprios presentes autos, ou seja, com o saldo negativo de 2005 que teria sido gerado mediante o aproveitamento dessas mesmas estimativas, motivo pelo qual entende que devem essas estimativas ser desconsideradas na apuração do saldo negativo; com relação a algumas estimativas que foram originalmente objeto de compensação, as quais detalha em tabela, relativas aos meses entre Mar/2005 e Jul/2005, e que posteriormente foram objeto de parcelamento consolidado apenas em 30/10/2009, entende que também devam ser desconsideradas na apuração do saldo negativo, pois o parcelamento só começou a ser pago em outubro/2009; a interessada foi intimada a apresentar os Atos Concessórios dos beneficios fiscais de redução de 25% e de 75% do IRPJ, bem como do de redução por Reinvestimento, contudo, não atendeu à intimação, assim, somente a redução de 75%, no valor de R$ 342.374,07, deveria ser levada para a composição do saldo negativo, pois foi a única com relação à qual, mediante consultas nos arquivos da Delegacia, foi verificada a emissão de Despacho Decisório deferindo o reconhecimento do benefício. Cientificada do relatório da diligência, manifestouse o contribuinte, alegando, em síntese, o seguinte: Não tendo havido, por equívoco, a ciência da aludida intimação, não foram prestadas as informações solicitadas, o que se corrige por meio desta petição; Com relação às importâncias retidas a título de IR por diversas fontes pagadoras, verificarseá que totalizaram R$ 2.020.403,46 no ano 2005 (anexa cópias simples de comprovantes de rendimentos – docs. 1 a 7); assinalarseá nos parágrafos seguintes, com base em documentos anexos, que a Recorrente promoveu antecipações a título de IR que somaram R$ 3.401.024,34 no ano 2005 (anexa cópias dos comprovantes de arrecadação emitidos pelo sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet – docs. 8 a 19); a Recorrente, então, apresenta nesta oportunidade, em anexo, cópia do Laudo Constitutivo n° 0339/2004 (Doc. 20) da Agência de Desenvolvimento do Nordeste, subordinada ao Ministério da Integração Nacional, documento segundo o qual foi deferida ao contribuinte a questionada redução de 25% do IR; Esta petição também serve para trazer aos autos cópia do Ofício n° 0637/2012 SUDENE (Doe. 21), correspondência recipiente da notícia do envio ao Banco do Nordeste do Brasil S/A de autorização para liberação de recursos referentes ao benefício fiscal de redução por reinvestimento de 30% do IRPJ devido. demonstra, por meio de nova reconstituição da apuração do imposto, que o saldo negativo, com as considerações acima, alcança R$ 1.432.577,17. E que, além deste montante, faz jus ainda ao cômputo, no saldo negativo, dos valores de R$ 485.213,76 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 10 9 (correspondente às estimativas parceladas, após os pagamentos de todas as parcelas assumidas) e de R$ 1.914,58 (correspondente aos pagamentos já efetivados de débitos, conforme constou da tabela elaborada pela própria autoridade diligenciante); requer, assim, que seja feita nova análise dos fatos, tendo em vista a apresentação da documentação pertinente anexada, da qual com certeza irá resultar a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O contribuinte apresentou em 21.02.2006 a DCOMP no 15084.29555.210206.1.3.021795, informando crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005 no valor de R$ 1.593.333,56. Retificou o valor do crédito para R$ 2.169.409,55 em 12.06.2006, por meio da DCOMP no 31315.71049.120606.1.7.026305, retificadora da acima citada. Novamente retificou o valor do crédito, agora para R$ 2.118.834,83, em 31.07.2006, por meio da DCOMP no 28457.59994.310706.1.7.023832, retificadora da inicial. O saldo negativo então informado na DIPJ/2006, até este momento, era de R$ 2.118.834,83, conforme se infere da cópia de fls. 59. Acerca desta última DCOMP citada, o contribuinte foi intimado, em 03.04.2007, a respeito das inconsistências entre os valores nela informados e os valores constantes da respectiva Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ/2006, nos seguintes termos (fls. 95): “A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP é inferior ao somatório do demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ. O total do crédito demonstrado no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: EXERCÍCIO 2006 Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$ 2.169.409,55 (Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, Imposto de Renda. Retido na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Demais estimativas.comp. Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$ 6.107.686,46 (Somatório dos valores da FICHA 12A, LINHAS 12 A 18) Fl. 506DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 11 10 Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do periodo deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação.” Apresentou então nova DCOMP retificadora da inicial, em 20.04.2007, sob o no 40657.09005.200407.1.7.029069, a qual, contudo, manteve o mesmo valor do crédito informado anteriormente (R$ 2.118.834,83), apenas ajustando o valor das parcelas do crédito para fechar com este montante (informou IRRF de 2.020.403,45 e estimativas de R$ 98.431,38). Também apresentou DIPJ retificadora, na mesma data, na qual também manteve o saldo negativo no mesmo valor antes informado (R$ 2.118.834,83), apenas promovendo ajuste no valor das parcelas que compõe o crédito (informou IRRF de 2.020.403,45 e estimativas de R$ 4.087.283,01, o que, de qualquer sorte, continua a totalizar R$ 6.107.686,46). Acerca desta última DCOMP acima citada, o contribuinte foi novamente intimado, em 08.08.2008, a respeito das inconsistências entre os valores nela informados e os valores constantes da respectiva DIPJ/2006, em termos muito semelhantes aos da intimação anterior, verbis (fls. 106): “A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP é inferior ao somatório do demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ. O total do crédito demonstrado no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: EXERCÍCIO 2006 – 01/01/2005 a 31/12/2005 Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$ 2.118.834,83 (Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, Imposto de Renda. Retido na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Demais estimativas.compensadas). Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$ 6.107.686,46 (Somatório dos valores da FICHA 12A, LINHAS 12 A 18) Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do periodo deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação.” Apresentou então nova DCOMP retificadora da inicial, em 22.08.2008, sob o no 39000.75990.220808.1.7.027302, na qual ajustou o valor das parcelas de composição do crédito, de modo a totalizar R$ 6.107.686,46 (informou IRRF de 2.020.403,45 e estimativas pagas ou compensadas de R$ 4.087.283,01), ou seja, os mesmos valores que constavam de sua DIPJ. Aparentemente, teria assim o contribuinte cumprido integralmente as intimações que lhe haviam sido anteriormente feitas. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 12 11 Não obstante, foi neste cenário que a recorrente recebeu o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório informado na DCOMP no 39000.75990.220808.1.7.027302, e não homologou as respectivas compensações. Analisando atentamente a DCOMP no 39000.75990.220808.1.7.027302, constatase, contudo, um equívoco perpetrado pelo contribuinte. Tal equívoco, ao menos aparentemente, ocorreu de forma não intencional, já que, ao que tudo indica, sua intenção era a de ajustar as suas declarações, de modo a atender ao quanto lhe fora solicitado pela administração tributária. O erro consiste no seguinte: embora tenha informado nesta DCOMP retificadora que o saldo do crédito original disponível na data de sua transmissão fosse, uma vez mais, o mesmo valor do crédito informado anteriormente (R$ 2.118.834,83, conforme as duas DCOMP anteriores, já retificadas, e também a própria DIPJ), o contribuinte fez nela constar que o valor do saldo negativo seria de R$ 6.107.686,46, quando este na verdade é o valor da soma das parcelas de IRRF e estimativas pagas/compensadas que foram levadas ao confronto com o IRPJ devido para apurar o saldo negativo. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte reconhece que se equivocou nas informações prestadas nesta DCOMP, e chegou a solicitar o seu cancelamento. A DRJ não acatou o pedido, e, aliás, considerou que este, na verdade, confirmava o acerto do Despacho Decisório proferido. No recurso, a recorrente não mais insiste no pedido de cancelamento da DCOMP no 39000.75990.220808.1.7.027302. De acordo com as alegações apresentadas em sede de recurso, bem como de manifestação à diligência efetuada, pleiteia a recorrente que seja feita a análise do seu direito creditório. É o que se passa a fazer. Em primeiro lugar, ressaltese que a diligência solicitada foi para que se confirmassem as parcelas de quitação do imposto anual devido (fonte de R$ 2.020.403,45 e recolhimento/compensação de estimativas de R$ 4.087.283,01). Isto porque tomouse por correto o valor do imposto devido informado na DIPJ, que permaneceu inalterado, na retificadora apresentada em 20/04/2007, com relação ao da declaração original, no montante de R$ 3.988.851,63. De fato, tal figura em nenhum momento foi questionado por meio do despacho decisório proferido. Portanto, com a devida vênia, afiguramse impertinentes, neste momento processual, as observações da autoridade diligenciante no sentido de que não haveria comprovação do direito aos benefícios fiscais de redução de 25% do IRPJ e de redução por reinvestimento, os quais fariam por alterar o valor do imposto devido a ser levado ao confronto das parcelas adimplidas. Ratificase, portanto, o valor do imposto devido em 2005, no montante de R$ 3.988.851,63. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 13 12 Com relação às retenções de fonte, alega a contribuinte que, por equívoco, não teria havido a ciência da intimação que lhe fizera a autoridade fiscal, para que apresentasse cópias autenticadas dos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras. O documento de fls. 334 (Termo de Abertura de Documento no Portal e CAC) confirma que a contribuinte teve ciência da referida intimação em 08/11/2013. Aliás, o meio utilizado para a ciência (abertura de documento no Portal eCAC, link Processo Digital) foi o mesmo pelo qual a contribuinte teve ciência do relatório de diligência fiscal. Com a devida vênia, a mera apresentação, neste estágio processual, de cópias simples do que seriam informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, mesmo que não se teçam considerações quanto à (in)tempestividade das provas, não atende sequer ao quanto solicitado na intimação (cópias autenticadas dos informes de rendimentos). Assim, entendo que a mera apresentação destes documentos não justifica sequer, neste momento, um pedido de (nova) diligência com vistas à sua confirmação ou não. Tomo, portanto, como corretos os valores de retenção identificados pelo fisco mediante a sua confirmação em DIRF apresentadas à Receita Federal, conforme demonstrado na diligência efetuada (R$ 1.239.562,48). Com relação aos valores das estimativas adimplidas por diversos meios, tem se as seguintes situações. Com relação às estimativas pagas, comprova o contribuinte o recolhimento de antecipações no montante de R$ 3.401.024,34, e pede que sejam considerados, ainda, três recolhimentos que somam R$ 1.914,58, de acordo com a tabela elaborada pela própria autoridade diligenciante. Com relação a estes valores, a única discordância da autoridade diligenciante se dá com relação aos recolhimentos relativos a janeiro e fevereiro, com relação aos quais sustenta que somente o valor vinculado em DCTF para o pagamento de IRPJ dos referidos meses é que deveria ser considerado. Em outras palavras, o pagamento efetuado a maior representaria estimativa paga indevidamente ou a maior que o devido. Com a devida vênia, entendo que o raciocínio desenvolvido pela autoridade diligenciante até poderia fazer sentido, sob outras circunstâncias. Contudo, considerandose que a própria Receita Federal, à época, tinha o entendimento de que estimativas pagas indevidamente ou a maior que o devido não podiam ser objeto de restituição/compensação, e sim que somente poderiam ser aproveitadas justamente na determinação do saldo negativo do ano, o raciocínio deixa de fazer sentido. Além disto, a DRF não trouxe qualquer alegação ou elemento de prova que demonstrasse que as diferenças estivessem sendo demandadas pelo contribuinte (neste caso, em duplicidade) por meio de restituição ou compensação. Confirmo, portanto, os pagamentos no total de R$ 3.402.938,92. Com relação às estimativas parceladas, no valor total de R$ 485.213,76, também entendo assistir razão à contribuinte. Nada obstante o parcelamento tenha sido consolidado apenas em 30/10/2009, e a DCOMP em litígio tenha sido transmitida em 22/08/2008, tratase de estimativas que já haviam sido confessadas, tanto que se encontravam em cobrança quando foram objeto de parcelamento, o qual, por sua vez, caracteriza nova Fl. 509DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 14 13 confissão de dívida, cujo eventual inadimplemento dá causa à imediata rescisão do parcelamento e imediata exigência dos débitos. Além disto, conforme as informações constantes dos autos, o parcelamento vem sendo tempestivamente pago. Se tais valores, apesar de terem sido incluídos em parcelamento, não forem reconhecidos na composição do saldo negativo, a contribuinte acabará pagando duas vezes o mesmo débito, o que não é justificável sob qualquer aspecto. Confirmo, portanto, as estimativas parceladas, no total de R$ 485.213,76. Com relação às estimativas compensadas, totalizando R$ 448.081,78, por outro lado, assiste razão à autoridade diligenciante. De fato, não é possível considerar no cômputo do saldo negativo estimativas que teriam sido compensadas com o próprio saldo negativo que estas teriam ajudado a compor se tivessem sido pagas. Neste sentido, há um brilhante precedente do CARF (Acórdão 110300.761, de 13 de setembro de 2012, de relatoria do ilustre conselheiro Marcos Shigueo Takata), que bem analisa esta espécie de ocorrência, e cuja ementa possui o seguinte enunciado: “SALDO NEGATIVO DE IRPJ – PRESSUPOSTO Não é possível se operar o salto lógico e cronológico do nascimento do saldo negativo (que existiria se a estimativa fosse adimplida), para, com tal saldo negativo, adimplir a estimativa que legitimaria o saldo negativo – ainda que adimplida com encargos moratórios. O prévio adimplemento do dever legal de estimativa é pressuposto para o nascimento do saldo negativo.” Na verdade, pelo teor das alegações da contribuinte apresentadas na manifestação à diligência, verificase que a própria recorrente não contesta as observações da autoridade diligenciante. Resumindo, temse, portanto, confirmadas as seguintes parcelas: Sendo o imposto devido no valor de R$ 3.988.851,63, o saldo negativo afigurase, afinal, no montante de R$ 1.138.863,53. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório (saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005) no valor de R$ 1.138.863,53, devendo a autoridade administrativa homologar as compensações declaradas até o montante do crédito assim reconhecido, nos termos da legislação de regência da matéria. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 510DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13502.900011/200929 Acórdão n.º 1201001.264 S1C2T1 Fl. 15 14 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13839.906399/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO
O crédito de saldo negativo de CSLL foi parcialmente indeferido em razão do não reconhecimento de estimativa mensal. A extinção da referida estimativa foi empreendida por meio de compensação não homologada nos autos de outro processo administrativo. Uma vez reformada a decisão para reconhecer integralmente o crédito no outro feito com a também integral compensação da estimativa, deve-se nos presentes autos reconhecer os efeitos daquela nova manifestação decisória.
Numero da decisão: 1401-001.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO O crédito de saldo negativo de CSLL foi parcialmente indeferido em razão do não reconhecimento de estimativa mensal. A extinção da referida estimativa foi empreendida por meio de compensação não homologada nos autos de outro processo administrativo. Uma vez reformada a decisão para reconhecer integralmente o crédito no outro feito com a também integral compensação da estimativa, deve-se nos presentes autos reconhecer os efeitos daquela nova manifestação decisória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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A extinção da referida estimativa foi empreendida por meio de compensação não homologada nos autos de outro processo administrativo. Uma vez reformada a decisão para reconhecer integralmente o crédito no outro feito com a também integral compensação da estimativa, devese nos presentes autos reconhecer os efeitos daquela nova manifestação decisória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 63 99 /2 01 2- 75 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A empresa acima qualificada, por meio do PER/DCOMP nº 33684.38981.250908.1.3.039726, requereu restituição de pretenso crédito de saldo negativo de CSLL relativo ao exercício de 2008 (AC 2007), no valor original de R$ 2.355.158,47, e compensação do referido crédito com débitos próprios através de DCOMPs que especifica. A DRF/Jundiaí, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 19 (nº 038104141) resolveu por homologar parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 14919.47547.241108.1.3.030924, tendo em vista o crédito reconhecido (parcialmente) ter sido insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Saldo negativo informado na DCOMP e DIPJ: R$ 2.355.158,47 Saldo negativo reconhecido (confirmado): R$ 1.702.829,00 De acordo com a “Analise do Crédito”, do valor da estimativa de Junho de 2007, requerida compensação por meio do PER/DCOMP nº 40528.70047.300707.1.3.035886, no montante de R$ 652.329,47, R$ 652.329,47 não foi confirmado, resultando em não homologação da compensação do sobredito PER/DCOMP. Não se conformando, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27), alegando, em apertada síntese, que a compensação pleiteada no PER/DCOMP nº 40528.70047.300707.1.3.035886 ainda está pendente de decisão final a ser proferida nos autos do Processo Administrativo nº 13839.720127/201018, devendo ser aguardada, em razão de apresentação de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o direito creditório pleiteado. Acrescenta que o CARF já se manifestou acerca da possibilidade de julgamento em conjunto de processos administrativos quando há conexão entre os mesmos. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13839.906399/201275 Acórdão n.º 1401001.489 S1C4T1 Fl. 229 3 DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 162 a 164) negou provimento à impugnação pela singela razão de considerar que "A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei". DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 171 a 178, em que requer o julgamento conjunto com o processo administrativo nº 13839.720127/201018 e o reconhecimento integral do crédito pleiteado nos respectivos processos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes De fato, o presente feito é, no meu entender, conexo com nº 13839.720127/201018. Aqui, o valor não reconhecido de R$ 652.329,47 é relativo à estimativa de CSLL de junho de 2007, que foi compensada, sob o crivo da homologação negada pela autoridade fiscal. Lá, discutese justamente o indeferimento parcial do crédito pleiteado e que serviu de razão para o indeferimento da homologação desse específico débito (fl. 63 daquele processo). No referido feito (13839.720127/201018), porém, votei pelo reconhecimento integral do crédito pleiteado e, consequentemente, pela homologação das compensações declaradas, dentre as quais, a estimativa de CSLL de junho de 2007, no valor de R$ 652.329,47. Transcrevo abaixo o teor do meu voto naquele feito: Isso posto, rejeito a preliminar para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário com o fim de reconhecer o montante integral pleiteado de saldo negativo de CSLL no total de R$ 2.785.115,28 (dois milhões e setecentos e oitenta e cinco mil, cento e quinze reais e vinte e oito centavos) e promover as compensações correspondentes. A decisão do colegiado foi divergente da minha, mas apenas para dar provimento ao pleito por acatar a preliminar suscitada. Desse modo, o resultado prático foi o mesmo. Abaixo, transcrevo a referida decisão: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar para ANULAR o segundo despacho decisório e assim restabelecer o primeiro (despacho) que homologou expressa e integralmente as compensações. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator) e Antonio Bezerra Neto que propunham o provimento no mérito. Pelo exposto, voto pelo provimento integral do recurso voluntário. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES – Relator Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000031/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
LUCRO ARBITRADO.
Correto o arbitramento do lucro da pessoa jurídica quando esta, regulamente intimada para tanto, deixa de apresentar à autoridade fiscal os livros Diário e Razão, ou o livro Caixa.
Numero da decisão: 1201-001.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário a fim de que sejam excluídos dos créditos de PIS/Cofins lançados, os respectivos valores dessas contribuições que tenham sido, antes do início da ação fiscal, declarados em DCTF, pagos ou parcelados, conforme item 6, parte final, do voto condutor.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. Correto o arbitramento do lucro da pessoa jurídica quando esta, regulamente intimada para tanto, deixa de apresentar à autoridade fiscal os livros Diário e Razão, ou o livro Caixa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. Correto o arbitramento do lucro da pessoa jurídica quando esta, regulamente intimada para tanto, deixa de apresentar à autoridade fiscal os livros Diário e Razão, ou o livro Caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário a fim de que sejam excluídos dos créditos de PIS/Cofins lançados, os respectivos valores dessas contribuições que tenham sido, antes do início da ação fiscal, declarados em DCTF, pagos ou parcelados, conforme item 6, parte final, do voto condutor. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1220.014, exarado pela 4ª Turma da DRJ 1 no Rio de Janeiro RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 00 31 /2 00 6- 65 Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12963.000031/200665 Acórdão n.º 1201001.268 S1C2T1 Fl. 3 2 Contra a contribuinte foram lavrados os autos de infração de fls. 620/675, para exigência de IRPJ com base no lucro arbitrado, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL, relativos aos fatos geradores ocorridos nos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004. No termo de verificação fiscal de fls. 678/683 a autoridade relata, em síntese, o seguinte: a) que intimada e por diversas vezes reintimada para tanto, a fiscalizada deixou de apresentar os livros Diário e Razão ou Caixa relativos aos anos de 2001 a 2004; b) que apesar de haver informado receitas expressivas ao Fisco estadual no período sob exame, apresentou as respectivas DIPJs “zeradas”, bem como não informou em DCTF débitos de IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS (2001 a 2004) e Cofins (2002 a 2004); c) que intimada, também não justificou as divergências encontradas entre as declarações entregues ao Fisco estadual e as apresentadas ao Fisco federal; d) que diante da impossibilidade de auditar a contabilidade, arbitrou o lucro da pessoa jurídica com base na receita escriturada no livro Registro de Apuração do ICMS e nas informações prestadas na Declaração de Apuração e Informações do ICMS DAPI; Proposta impugnação ao lançamento, a DRJ de origem decidiu pela sua procedência parcial (fls. 1035/1054), para afastar a exigência da contribuição para o PIS e da Cofins relativas aos meses de janeiro a novembro de 2001, sob o argumento de que foram elas alcançadas pelo decurso do prazo decadencial estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN. Inconformada com a parcela da exigência mantida, a interessada interpôs recurso voluntário, pedindo, ao final, o seu cancelamento, sob as seguintes alegações, em síntese (fls. 1081/1104): a) nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a DRJ indeferiu o pedido de perícia e a conversão do julgamento em diligência; b) decadência do IRPJ e da CSLL referentes aos três primeiros trimestres do ano de 2001, tendo em vista o disposto no art. 150, § 4º, do CTN; c) não foram considerados no lançamento os valores recolhidos pela empresa, conforme anexos I e II, o que implica duplicidade de cobrança. Da mesma forma, também deixaram de ser considerados os valores pagos por meio de parcelamento automático, conforme anexo III, e os parcelamentos de que cuidam os processos nos 13656.500866/200657 e 13656.500867/200600, conforme anexo IV; d) a autoridade não atentou para o fato de que nos anos de 2003 e 2004 a contribuição para o PIS e a Cofins estavam sujeitas ao regime de não cumulatividade. Ademais, a maior parte dos produtos comercializados pela empresa já havia sofrido incidência daquelas contribuições na indústria, por força dos arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833/2003; e) a autuação não levou em conta os prejuízos fiscais acumulados; f) a omissão de receita encontrase lastreada em mera presunção, não havendo a autoridade tributária cabalmente demonstrado a ocorrência do fato gerador dos tributos ora exigidos; Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12963.000031/200665 Acórdão n.º 1201001.268 S1C2T1 Fl. 4 3 g) reconhecida a improcedência do lançamento do IRPJ decorrente de omissão de receita, restam também indevidas a contribuição para o PIS, a Cofins e a CSLL; h) é ilegal a exigência de juros de mora calculados com base na taxa Selic; i) a multa de 75% ofende os princípios constitucionais da razoabilidade e da proibição ao confisco. Pede ainda a recorrente a produção de prova pericial. Trazidos os autos à apreciação, a Turma resolveu converter o julgamento em diligência, no seguintes termos (fl. 1107 e ss.): Tendo em vista todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, a fim de que: a) seja a contribuinte intimada a demonstrar, para cada nota fiscal de saída emitida após 01/04/2004, a receita auferida com a venda de produtos sujeitos à incidência monofásica da contribuição para o PIS e da Cofins; b) seja realizada diligência a fim de verificar, ainda que por amostragem, a veracidade do demonstrativo acima requerido; c) seja elaborado demonstrativo que informe para cada fato gerador mensal, trimestral ou anual, conforme o caso, ocorrido no período de 2001 a 2004, o valor do IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL declarado em DCTF (apresentada antes do início da ação fiscal), pago ou parcelado; d) seja elaborado relatório de diligência e concedido prazo de trinta dias para que a interessada, se assim o desejar, apresente contrarrazões. Realizada a diligência, a autoridade local afirma, como conclusão de seu relatório, o seguinte: Análise da questão posta acima, temos: 1º Desde o início do primeiro Termo junto a empresa esta não apresentou os documentos e livros necessários a cabal fiscalização de sua atividade mercantil; 2º Transcorrido todo o lapso temporal necessário e plausível para que respondesse aos itens contidos nos Termos de Intimação Fiscal levados a efeito contra a fiscalizada, esta em sua conduta reiterada em não responder levou a fiscalização a proceder ao arbitramento de seu lucro com base em dados obtidos junto à Receita Estadual de Minas Gerais. 3º Neste atual procedimento fiscal determinado pelo Colendo Colegiado do CARF, continua a fiscalizada com sua conduta de não apresentar resposta técnica que venha ao encontro da Verdade Material argüida em sede de sua defesa, e não corroborada por documentos fiscais que lhes deem supedâneo. Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12963.000031/200665 Acórdão n.º 1201001.268 S1C2T1 Fl. 5 4 4º Os sócios quotistas faleceram, e a Procuração dos Advogados que representam a fiscalizada pereceu no ato morte daquele que a subscreveu. 5º O único que pode hoje ainda responder pela fiscalizada, é o sócio quotista à época dos fatos, que em função de sua responsabilidade perante este período fiscalizado é que o mesmo vem aos autos responder ao requerido pelo CARF. 6º No entanto, confessa não poder responder ao CARF, pois inexiste contabilidade, livros, talonários de NF e outros documentos. 7º Somente existe todo o exposto e razões da constituição do crédito tributário com fulcro e supedâneo nos documentos levados aos autos. Desta forma entendemos que envidamos todos os esforços em atender a demanda do CARF, porém a fiscalizada não produz as necessárias demonstrações, planilhas e nem possui mais nenhum talonário de NF para que possamos proceder ao exame de consistência e materialidade, na busca da verdade material argüida em sede de Recurso Voluntário atinente aos fatos envolvidos nesta fiscalização. Intimada para tanto, a recorrente não apresentou contrarrazões ao relatório de diligência. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) PRELIMINARES DE NULIDADE Pede a interessada seja declarada a nulidade do lançamento, sob a alegação de que a autoridade fiscal deixou de aproveitar os prejuízos fiscais existentes. Não assiste razão à contribuinte. A compensação de prejuízos fiscais só é admitida quando adotado o regime do lucro real. No caso, uma vez que a fiscalizada deixou de apresentar sua escrita contábil, o regime de tributação adotado foi o lucro arbitrado, o qual não admite a compensação de prejuízos fiscais. Pede também a recorrente seja declarada a nulidade da decisão de primeiro grau em razão do indeferimento de seu pedido de perícia. Não há como acolherse o pleito da interessada. A Turma recorrida entendeu que os documentos acostados aos autos eram suficientes para o julgamento, daí porque Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12963.000031/200665 Acórdão n.º 1201001.268 S1C2T1 Fl. 6 5 considerou ser prescindível a perícia. Sendo uma providência sobre a qual cabe ao órgão julgador deliberar, haveria nulidade apenas se a DRJ não houvesse apontado as razões do indeferimento, o que não ocorreu. 3) PERÍCIA Reitera ainda a recorrente seja deferido por esta Turma o pedido de perícia com vistas a comprovar a existência de prejuízos fiscais, aferição da base de cálculo e comprovação de pagamentos parciais. O pedido de perícia foi, contudo, suprido pela diligência determinada por esta Turma, a qual não foi cumprida a contento justamente em razão de a contribuinte não haver apresentado os documentos que lhe foram solicitados. 4) DECADÊNCIA O lançamento referese a fatos geradores do IRPJ, PIS, Cofins e CSLL ocorridos durante o período de janeiro de 2001 a dezembro de 2004. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 22/12/2006 (fl. 684). A DRJ de origem reconheceu, com base no art. 150, § 4º, do CTN a decadência dos créditos tributários do PIS e da Cofins relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a novembro de 2001. Em seu recurso a interessada insiste seja também reconhecida a decadência do direito de o Fisco constituir os créditos tributários do IRPJ e da CSLL em relação aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2001. Não assiste razão à recorrente. Como explicado pela DRJ de origem, não tendo havido pagamento quanto ao IRPJ e à CSLL no período em questão, a contagem do prazo decadencial é feita com base no art. 173, I, do CTN, e não no art. 150, § 4º, como pretende a recorrente. Em sendo assim, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esses créditos tributários poderiam ter sido lançados é 01/01/2002. O prazo decadencial de cinco anos se esgotaria, então, apenas em 31/12/2006, ou seja, em data posterior a que a contribuinte foi cientificada da exigência. 5) OMISSÃO DE RECEITAS Alega a recorrente que não basta a presunção ad hominis para realização do lançamento tributário, sendo necessário elementos comprobatórios seguros da ocorrência da omissão de receitas. Pois bem, ao contrário do afirmado pela defesa, a presunção ad hominis é aceita como prova em todos os ramos do Direito, inclusive no do Direito Tributário. O que importa para a comprovação dos fatos por presunção é que os indícios presentes nos autos sejam capazes de convencimento. Seja como for, no caso dos presentes autos o lançamento não foi feito com base em presunção, e sim por prova direta, qual seja, o confronto entre: (i) as declarações Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12963.000031/200665 Acórdão n.º 1201001.268 S1C2T1 Fl. 7 6 prestadas pela própria contribuinte ao Fisco estadual, onde informa haver auferido receita em montante significativo nos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004, e; (ii) as DIPJs apresentadas também pela contribuinte ao Fisco federal, informando não haver auferido receita naqueles mesmos períodos. 6) PIS/COFINS Alega a recorrente que o fiscal esqueceuse de que o regime do PIS/Cofins é o da nãocumulatividade, a teor do disposto na Lei nº 10.637/2002 e na Lei nº 10.833/2003. Ocorre que conforme disposição expressa contida no art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 10 da Lei nº 10.833/2003, as pessoas jurídicas tributadas pelo IRPJ com base no lucro arbitrado, como é o caso dos presentes autos, permanecem sujeitas ao regime cumulativo do PIS/Cofins. Argumenta também a defesa ser indevido o PIS/Cofins para os fatos geradores ocorridos nos anos de 2003 e 2004, haja vista que, na condição de comerciante atacadista de bebidas, está sujeita à alíquota zero dessas contribuições, a teor do disposto nos arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833/2003, que assim prescrevem: Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º O disposto neste artigo, relativamente aos produtos classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água, refrigerante e cerveja sem álcool. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º A pessoa jurídica produtora por encomenda dos produtos mencionados neste artigo será responsável solidária com a encomendante no pagamento das contribuições devidas conforme o estabelecido neste artigo. Art. 50. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS em relação às receitas auferidas na venda: I dos produtos relacionados no art. 49, por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 2oda Lei no9.317, de 5 de dezembro de 1996; O argumento da defesa é coerente, entretanto, caberia a ela demonstrar, por meio de suas notas fiscais de venda, o montante da receita que se enquadra no dispositivo acima, já que seria possível que a empresa comercializasse outros produtos não sujeitos à alíquota zero do PIS/Cofins. Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12963.000031/200665 Acórdão n.º 1201001.268 S1C2T1 Fl. 8 7 E, embora os autos tenham sido baixados em diligência a fim de que fosse dada à contribuinte nova oportunidade para que promovesse essa demonstração, a interessada não o fez. Por fim, alega a recorrente que a fiscalização deixou de considerar os pagamentos e parcelamentos por ela realizados a título de PIS/Cofins. Aqui assiste razão à recorrente. De fato, à fl. 712 e ss. encontramse diversas DCTFs transmitidas antes da ciência ao início da ação fiscal, ocorrida em 05/05/2006, bem como de DARFs com recolhimentos de PIS/Cofins realizados também antes do início da ação fiscal. Também à fl. 945 e ss. há extratos emitidos pela própria SRF comprovando pagamentos do PIS/Cofins realizados antes do início da ação fiscal. Há ainda à fl. 970 e ss. parcelamentos de PIS/Cofins deferidos antes daquela data. Isso posto, dos créditos tributários de PIS/Cofins contidos no autos de infração devem ser excluídos os respectivos valores declarados em DCTF, pagos ou parcelados antes do início da ação fiscal. 7) JUROS E MULTA Alega a interessada ser ilegal a exigência de juros de mora com base na taxa Selic. Ocorre que sobre o assunto o CARF assim se manifestou por meio de sua Súmula nº 4, de observância obrigatória por parte de seus membros: Súmula CARF nº 4 (DOU de 09/12/2010): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Argumenta ainda a recorrente ser confiscatória a multa de 75% imposta sobre o valor dos tributos lançados. Entretanto é de se dizer que este Conselho não detém competência para se manifestar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 a na Súmula CARF nº 2, in verbis: Decreto nº 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12963.000031/200665 Acórdão n.º 1201001.268 S1C2T1 Fl. 9 8 (...) Súmula CARF nº 2 (DOU de 09/12/2010): O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 8) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário a fim de que sejam excluídos dos créditos de PIS/Cofins lançados, os respectivos valores dessas contribuições que tenham sido, antes do início da ação fiscal, declarados em DCTF, pagos ou parcelados, conforme item 6, parte final, deste voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10865.004247/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
SERVIÇOS HOSPITALARES - CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
SELIC
Conforme dicção da Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1401-001.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade; vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano que anulava o lançamento e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da autuação as receitas tipicamente hospitalares, nos termos da diligência. Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano que dava provimento em maior extensão para excluir também as receitas de natureza não identificadas na diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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SELIC Conforme dicção da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 42 47 /2 00 8- 44 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade; vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano que anulava o lançamento e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da autuação as receitas tipicamente hospitalares, nos termos da diligência. Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano que dava provimento em maior extensão para excluir também as receitas de natureza não identificadas na diligência. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio. Relatório DA AUTUAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foi lavrado auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, acrescido de juros e multa de 75%. Foi alcançado pela fiscalização o exercício de 2006, no qual se constatou como irregularidade, conforme termo de verificação, a aplicação de percentual do lucro presumido inferior ao devido pela legislação tributária. Conforme a acusação fiscal, a autuada, ao revés de aplicar o percentual de 32% relativo às prestações de serviço em geral, determinou seu lucro presumido por meio do percentual de 8% destinado às atividades hospitalares e, no curso da ação fiscal, não comprovou ter exercido atividades passíveis desta qualificação. A autuação, desse modo, resumiuse à constituição do crédito relativo à diferença de percentual. DA IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 36 a 58, por meio da qual aduz o que se segue. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004247/200844 Acórdão n.º 1401001.435 S1C4T1 Fl. 180 3 Preliminarmente, requer a nulidade do auto de infração por ausência de motivação, descrição insuficiente dos fatos e do direito, cerceamento do direito de defesa e violação do devido processo legal. A autoridade fiscal não teria apresentado os fundamentos fáticos e de direito para a autuação; e só teria encaminhado o auto de infração desacompanhado do termo de verificação fiscal. Reproduz acórdão com antigo Conselho de Contribuintes que teria anulado a autuação em razão de não ter sido dada ciência o termo de verificação fiscal. Aduz ainda que, no procedimento de lançamento, a autoridade fiscal teria desconsiderado declarações apresentadas em obrigação acessória, esclarecimentos e outros documentos, como o contrato social e relatórios de atendimento, para constituir o crédito tributário em seu desfavor com o singelo argumento de “ausência de provas”. Ademais, o excesso de rapidez com que realizou o procedimento não primaria pela legalidade ao deixar de empreender seus deveres de efetiva comprovação dos fatos alegados, pois não poderia inverter o ônus contra o contribuinte. O lançamento teria, assim, sido realizado indevidamente com base em mera presunção. O lançamento não poderia prevalecer, pois estaria pautado em equivocada interpretação da legislação tributária e dos fatos que dizem respeito ao contribuinte, cuja atividade se enquadraria como serviço médico hospitalar, para fins de aplicação do disposto no art. 15, §1°, inciso III, letra "a" da Lei n° 9.249/95. Literalmente, “o serviço efetivamente prestado pela impugnante pode perfeitamente ser considerado como complementação médico hospitalar”. Afirma que (...) se juntou perante a fiscalização, além das devidas informações, contrato social cujo objeto é Atendimento Médico Hospitalar (serviço médico hospitalar), bem como relatório de atendimento em diversos hospitais. Cabe esclarecer que juntamente com a impugnação juntase novamente relatório dos serviços médicos prestados em diversos hospitais no ano de 2005, o que demonstra claramente a natureza de serviço hospitalar do contribuinte (...) Aduz ainda que, apesar de que a autoridade fiscal não ter citado qualquer ato infralegal, estes eventuais atos não teriam aptidão para legitimar o lançamento, porque violariam o princípio da legalidade. Afirma que o cerne da questão se refere à interpretação da expressão “serviços hospitalares”, a qual teria sido adotada pelo STJ como “diretamente atrelada à saúde humana”, o que teria sido confirmado inclusive pela própria Secretaria da Receita Federal mediante soluções de consulta reproduzidas na peça de defesa. Por fim, contesta a aplicação dos juros à taxa SELIC por lhe faltar “respaldo jurídico” e o percentual de 75% da multa de ofício por violação da razoabilidade, proporcionalidade e proibição de confisco. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 118 a 127) negou provimento à impugnação nos termos que se seguem. Não haveria razões para anulação do lançamento, uma vez que, in verbis: (...) na peça impositiva e nos respectivos anexos a autoridade fiscal descreve detalhadamente o suporte fático e documental que embasaram o lançamento, bem assim os praticados na apuração da base imponível, com intimação endereçada A. fiscalizada para que comprovasse a prestação dos serviços hospitalares, com abertura de prazo para instrução probatória. Do que consta dos autos verificase que a autoridade fiscal discriminou no relatório correspondente o objeto do auto de infração, a saber, apuração indevida do coeficiente de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre receitas da atividade médica quando o correto seria 32%, valores apurados com base nas receitas declaradas pela contribuinte. Ademais, todas as informações por ela prestadas foram levadas em conta para a imposição tributária. Ocorre que ela não comprovou a realização de serviços hospitalares referidos no art. 15 da Lei n. 9.249, de 1995, regulamentado pelo art. 27 da Instrução Normativa SRF n. 480, de 15/12/2004, e pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 18, de 23/10/2003, que lhe permitiriam submeter à tributação base de cálculo correspondente a 8% do resultado. De fato, além do contrato social e das alegações vertidas no expediente de fls. 12/14 não há qualquer elemento que comprove ter efetivamente praticado serviços de natureza hospitalar tal como preceitua a legislação antes citada. Ressaltese que os formulários que apresentou (fls. 16/21) além de se referirem a valores pagos aos sócios da contribuinte, descrevem resultado obtido no decorrer do anocalendário de 2008. Quanto ao mérito, a discussão, inclusive à luz do ônus probatório, diria respeito à interpretação do que são “serviços hospitalares” e, portanto, a quais atividades seria dispensado o percentual diferenciado para aferição do lucro presumido. Na época dos fatos, essa interpretação estaria fixada pela IN/SRF nº 480/04, com a redação dada pela IN/SRF 539/05. Para fins de enquadramento como prestadora de serviço hospitalar, o dispositivo pertinente (art. 27) teria previsto três tipos de exigência, in verbis: “a) caráter empresarial da pessoa jurídica; b) natureza das atividades desenvolvidas; e c) estrutura física do estabelecimento”, os quais deveriam ser cumpridos cumulativamente. Todavia, o contribuinte não provou cumprir nenhum deles. Com relação à contestação relativa ao percentual da multa e da taxa de juros, em síntese, asseverou que a autoridade administrativa não é competente para afastar aplicação de disposição expressa de lei. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004247/200844 Acórdão n.º 1401001.435 S1C4T1 Fl. 181 5 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 130 a 150, mediante o qual repisou (na verdade, reproduziu literalmente) exatamente os argumentos já trazidos na impugnação. Só inovou ao contestar a incidência de juros sobre a multa de ofício. Alegou ausência de previsão legal e citou jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes que corroboraria sua posição. DA DILIGÊNCIA Por meio da Resolução 1201000.053 (fls. 159169), na qual fui relator, a Primeira Turma da Segunda Câmara resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: (...) converter o presente julgamento em diligência para que o autor do feito, ou outro AuditorFiscal designado para tanto, intime o contribuinte para que este: a) esclareça o significado de cada um dos códigos de serviços constantes das planilhas juntadas ao feito e comprove este significado por meio, por exemplo, de documentação fornecida pelo agente emissor das planilhas; b) destaque os códigos atinentes ao serviço de consulta médica daqueles atinentes aos serviços tipicamente hospitalares segundo o entendimento fixado nesta resolução; e c) elabore demonstrativo trimestral, por médico prestador, em que se discriminem os valores relativos aos serviços tipicamente hospitalares daqueles de consulta médica. Por fim, solicitase à autoridade fiscal que verifique se os valores constantes dos esclarecimentos e demonstrativos apresentados pelo contribuinte correspondem àqueles que serviram de base à presente autuação e, ao final, elabore relatório circunstanciado do resultado da diligência em que deve constar a discriminação de eventuais divergências. Encerrada a instrução processual, deverá ser novamente intimado o recorrente para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. Em atenção ao solicitado, a autoridade fiscal promoveu a diligência (documento de fl. 173 com nove arquivos indexados) e destacou os seguintes montantes trimestrais para o anocalendário de 2005: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 Instado a se manifestar pela autoridade fiscal, o diligenciado aduziu: (i) que a autuação deveria ser anulada, pois calcada em provas frágeis, o que se comprova pela própria necessidade da realização de diligência; alternativamente (ii) exclusão dos valores que não foram identificados como consultas médicas. Solicitou ainda a dilação do prazo para se manifestar em mais 20 dias, o que não foi atendido pela autoridade fiscal. É o relatório do essencial. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004247/200844 Acórdão n.º 1401001.435 S1C4T1 Fl. 182 7 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Relator Antes de nos debruçarmos sobre o objeto da lide, cumpreme reafirmar o que já destaquei no relatório. O recurso voluntário é, na verdade, uma cópia praticamente exata da impugnação. A defesa, em momento algum, combateu qualquer dos fundamentos da decisão recorrida. Resumiuse apenas a reproduzir ipsis litteris o que já havia apresentado na reclamação inicial. Tecidas essas considerações, exceto em relação à questão originariamente apresentada – os juros sobre a multa –, cumpreme apenas verificar a correção da decisão de primeiro grau. Preliminar de nulidade O procedimento de fiscalização está para o inquérito policial, assim como o contencioso tributário para a ação penal, vale dizer, o primeiro é inquisitivo. O contraditório é exercido durante o julgamento administrativo. Ao contribuinte é dada a oportunidade de apresentar suas razões na impugnação e não antes. Desde que o auto de infração contenha os elementos necessários para que o sujeito passivo possa exercer com plenitude a sua defesa na fase contenciosa – como é o presente caso –, não há que se falar em nulidade. O lançamento pode ser realizado até por procedimento interno sem prévia publicidade ao sujeito passivo. O cerne do presente feito está na interpretação de “serviços hospitalares”, o que foi identificado desde a defesa inaugural pelo sujeito passivo, inclusive com referências expressas na sua peça de defesa à jurisprudência específica. Com relação ao suposto não encaminhamento do termo de verificação, ainda que isso tivesse ocorrido, em nada macularia o direito de defesa do sujeito passivo. A autoridade não está obrigada a encaminhar ao autuado todos os elementos do feito acusatório, mas apenas darlhe ciência da sua existência. Do contrário, não faria sentido a ciência via edital, a menos, é claro, que no edital, documento exposto ao público, devesse constar todos os elementos da acusação, o que seria um absurdo. Com relação à jurisprudência do Conselho de Contribuintes, reproduzida pela recorrente, esta só declarou nulo o procedimento fiscal em razão de o termo de verificação, naquele caso, ter sido produzido após a ciência da autuação, ou seja, o referido documento acusatório não constava do processo durante o prazo para a defesa, o que, indiscutivelmente, prejudicou o seu exercício. Não foi o ocorrido nestes autos. Não há, desse modo, qualquer razão para declarar a nulidade da autuação. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 Mérito – percentual do lucro presumido Na oportunidade do primeiro julgamento, assim conduzi o meu voto quanto à aplicação do percentual mitigado de 8%: A questão central do presente lançamento está assentada na qualificação jurídica da atividade desempenhada pelo contribuinte, em face da dicção legal que estabelece uma exceção relativa ao percentual de aferição do lucro presumido para os serviços hospitales mais branda (8%) em relação àquele fixado para os serviços em geral (32%). Abaixo, reproduzimos a legislação vigente à época dos fatos: Lei nº 9.249/95 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; O conceito de serviços hospitalares foi questão já enfrentada pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a qual foi sucedida por esta turma de julgamento. Naquela oportunidade, negamos provimento à defesa por unanimidade, conforme ementa abaixo transcrita da lavra do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho: SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada. (Acórdão nº 10323236; de 30/11/2007) Ao reexaminarmos a questão posteriormente, na oportunidade em que fui relator, mantivemos o mesmo posicionamento, estampado no Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004247/200844 Acórdão n.º 1401001.435 S1C4T1 Fl. 183 9 acórdão 120100.321, de 01 de setembro de 2010, cuja ementa abaixo transcrevo: SERVIÇOS LABORATORIAIS LUCRO PRESUMIDO PERCENTUAL a razão teleológica para a diferenciação entre os percentuais de aferição do lucro presumido está na pressuposta diversidade da margem de lucro entre as atividades empresariais. O que justifica um percentual significativamente menor e determina os contornos semânticos da própria expressão “serviços hospitalares” são seus elevados custos, cujo principal e mais significativo componente são os valores investidos nos equipamentos hospitalares, dentre os quais, os laboratoriais. Em razão disso, as atividades de exames laboratoriais devem também ser tributadas pelo percentual mitigado relativo aos serviços hospitalares. Naquela oportunidade, teci os seguintes fundamentos de decidir: Pela leitura da ementa, sem necessidade de adentramos às minúcias do voto, a razão de decidir busca identificar a teleologia da diferenciação entre os percentuais de aferição do lucro presumido. No caso, entendeuse que a legislação fixa o percentual em razão da presumível margem de lucro de cada atividade. Nesse caso, a prestação de serviços hospitalares se diferenciaria das demais prestações de serviço em razão dos seus elevados custos, o que justificaria um percentual significativamente menor e determinaria os contornos do próprio conceito de “serviços hospitalares” para fins de incidência tributária. Desse modo, como a prestação pessoal de serviços médicos não impõe gastos superiores aos dos serviços em geral, também não poderia ser enquadrada na denominação legal “serviços hospitalares” para fins tributários. Essa razão de decidir se coaduna com provimentos recentes do STJ. Naquela oportunidade, transcrevi em meu voto a seguinte decisão (AgRg nos EREsp 883537 / RS, publicado em 01/07/2010: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ART. 15, § 1º, III, ALÍNEA "A", DA LEI N. 9.249/95. CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1116399/BA, JULGADO EM 28/10/2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos dos arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95, é benefício fiscal concedido de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 10 2. A Primeira Seção deste Tribunal Superior pacificou o entendimento acerca da matéria, no julgamento do RESP 1116399/BA, sob o regime do art. 543C, do CPC, em 28/10/2009, que restou assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004247/200844 Acórdão n.º 1401001.435 S1C4T1 Fl. 184 11 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. 3. Destarte, restou assentado, àquela ocasião que: "Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. In casu, o Tribunal a quo, com ampla cognição fático probatória, assentou que a empresa recorrida presta serviços de diagnóstico por imagem, compreendendo a radiologia em geral, ultrasonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, densitometria óssea e mamografia, os quais, consoante fundamentação expendida, enquadramse no conceito legal de serviços médicohospitalares, estabelecido pela Lei 9.249/95. 5. Agravo regimental provido para dar parcial provimento ao recurso especial, excluindose da base de cálculo reduzida as simples consultas médicas, consoante a fundamentação expendida, mantendose, no mais, a decisão de fls. 308/323. Naquela época, não havia destacado que essa decisão nada mais fez do que seguir provimento do próprio STJ em recurso repetitivo, o qual atualmente vincula nossas decisões por determinação regimental. Abaixo, transcrevo sua ementa (RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 – BA): DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249∕95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 12 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429∕95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249∕95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249∕95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727∕08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249∕95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249∕95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004247/200844 Acórdão n.º 1401001.435 S1C4T1 Fl. 185 13 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ. 7. Recurso especial não provido. Tanto a minha posição, quanto a do STJ fixada em recurso repetitivo, chegam à mesma conclusão em diversas situações; por exemplo, as atividades laboratoriais se submetem ao percentual de 8%, ao passo que as simples consultas médicas devem ser tributadas pele percentual de 32%. Todavia, elas partem de pressupostos distintos, os quais conduzem a conclusões distintas para outras situações. Entendo que o percentual mitigado para os serviços hospitalares decorre do fato de que essa atividade opera concretamente com margens significativamente inferiores àquelas praticadas na prestação de serviços em geral, uma vez que necessitam de investimentos em equipamentos caros e que depreciam rapidamente em razão do acelerado avanço da medicina. Não há, desse modo, uma concessão de benefício, mas sim a adequação da lei à específica capacidade contributiva manifestada nesse tipo de atividade. Já o STJ entende que a diferenciação é um benefício fiscal, ou seja, o legislador teria estabelecido a diferença tributária, não em razão de considerar a existência de signos contributivos diversos, mas sim para atingir escopos de cunho social, no caso, de fomentar atividades de saúde. Todavia, ainda assim, não interpretou o dispositivo com margens totalmente dilatadas. No entender da Corte Superior, não são todas as atividades ligadas à promoção da saúde, que teriam sido beneficiadas pelo percentual mitigado, nem sequer àquelas exclusivamente prestadas pela classe médica, como as consultas, mas apenas aquelas tipicamente promovidas em hospitais, ainda que possam eventualmente ser prestadas em ambiente externos, como as UTIs móveis e os exames laboratoriais. Desse modo, meu entendimento não é mais nem menos restritivo àquele estampado pelo STJ. Em atividades ligadas à saúde, com custos elevados e margens estreitas de lucro, ainda que não fossem típicas do ambiente hospitalar, decidiria pela aplicação do percentual de 8%, enquanto o STJ aplicaria o de 32%. Já para as atividades com elevada margem de lucro, mesmo típicas do ambiente hospitalar, decidiria pelo percentual de 32%, ao passo que o STJ entende que o percentual aplicável é o de 8%. Neste último caso, podemos citar o valor que uma clínica recebe diretamente do paciente em razão de o médico ter realizado uma intervenção cirúrgica num hospital. Notese, nesse caso, que o valor chega “limpo” à clínica, uma vez que o paciente paga outra parcela diretamente ao hospital em razão do uso de suas instalações e equipamentos. O recurso repetitivo julgou o caso de um laboratório, o qual, independentemente do critério adotado, deve ser tributado pelo percentual Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 14 de 8%, uma vez que é atividade típica de ambiente hospitalar e de elevado custo. Entendo, todavia, que essa decisão é paradigmática e deve ser aplicada de forma vinculante a todas as situações em que se discute a sua qualificação como serviço hospitalar para fins de aplicação do percentual mitigado, uma vez que o STJ deixou bem claro que esta era a sua intenção ao julgar o caso, ou seja, não visou exclusivamente definir a tributação dos laboratórios, mas sim de todos os serviços executados tipicamente em hospitais. No presente feito, foram apresentadas, na peça impugnatória, planilhas às fls. 71 a 104, que são relativas a valores recebidos supostamente pela clínica em razão de serviços prestados por seus sócios atinentes ao período da impugnação. Em tais planilhas, fornecidas pela UNIMED, são relacionados pagamentos por serviços prestados em hospitais por sócios da autuada, mas a identificação precisa do tipo de serviço foi feita apenas por meio de códigos e a defesa não teceu qualquer esclarecimento do significado destes códigos. O fato de os serviços terem sido prestados em hospitais não faz prova suficiente de que são típicos de hospitais; podem ser atinentes a consultas médicas. Todavia, é um indício suficiente para aprofundarmos a investigação. Em face do primado da verdade material que dá amplos poderes à autoridade julgadora de buscar as provas que considerar necessárias para formar sua convicção acerca da existência do fato jurídico tributário, entendo que devemos converter o julgamento em diligência. Antes, porém, de minudenciarmos o teor da diligência, é oportuno ainda destacar que a autoridade julgadora de primeiro grau não analisou a referida documentação, o que poderia, em tese, caracterizar cerceamento ao direito de defesa do contribuinte e resultar a nulidade da decisão recorrida. Todavia, a ausência de análise foi por culpa da própria defesa, uma vez que afirmou na peça impugnatória ter juntado as mesmas planilhas apresentadas durante a fase de fiscalização e estas foram analisadas pela Delegacia de Julgamento. Ademais, em face das razões de direito que adotou para julgar, esses documentos não alterariam a sua decisão. Dessarte, não há que se cogitar nulidade da decisão recorrida pelo fato de não ter aprofundado o exame das referidas planilhas. Essa tarefa cabe a este colegiado. Não há razões para alterar o meu entendimento sobre o tema, o qual foi aplicado pela autoridade fiscal na condução da diligência. Dessarte, devem ser afastados os valores relativos aos procedimentos hospitalares e mantidos aqueles atinentes às consultas. Com relação aos demais valores não precisamente discriminados pelo contribuinte, devemos previamente decidir de quem é o ônus da prova. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004247/200844 Acórdão n.º 1401001.435 S1C4T1 Fl. 186 15 Ora, o percentual para a prestação dos serviços em geral é de 32%, só excepcionados os serviços hospitalares. Como os serviços hospitalares são definidos objetivamente e excepcionam a regra geral de tributação, uma vez que a autoridade fiscal da obtenção de receitas por um prestador de serviços, cabe ao sujeito passivo fazer a prova de que os montantes identificados se enquadram na exceção. Inconstitucionalidade do percentual punitivo A alegação de que o percentual de 75% da multa de ofício viola a razoabilidade, a proporcionalidade e a proibição de confisco visa afastar previsão legal por meio de controle de constitucionalidade; competência estranha a este colegiado, conforme previsto na Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Juros SELIC Quanto aos argumentos pela não aplicação dos juros segundo a taxa SELIC, esse tema já consta de súmula, cuja aplicação é obrigatória: “Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Juros sobre multa de ofício Por fim, no tocante aos juros sobre multa de ofício, entendo que se trata de tema de âmbito da fase não contenciosa, uma vez que não é objeto do lançamento, mas sim da atividade de cobrança, a qual não está submetida ao crivo deste colegiado. Por isso, dele não tomaria conhecimento. Essa, porém, não tem sido a posição adotada por este colegiado que previamente tem decidido conhecer a questão. Assim, passo a enfrentála. De início, vale reproduzir acórdão em que também se conheceu do assunto, no qual foram considerados devidos os juros: Número do Recurso: 155344 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10845.000196/9534 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrente: PRÓPRIA S.A. ADMINISTRAÇÃO E IMÓVEIS (SUCEDIDA POR Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 16 BRASCOR S.A. IMÓVEIS E PORTICIPAÇÕES) Recorrida/Interessado: 2ª TURMA/DRJSALVADOR/BA Data da Sessão: 25/05/2007 00:00:00 Relator: Sandra Maria Faroni Decisão: Acórdão 10196177 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Inteiro Teor do Acórdão Ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a Selic. Assim tem se inclinado a jurisprudência deste Conselho e com ela me alinho. Dois artigos da Lei n° 9.430/96 conduzemme a essa posição e abaixo os transcrevo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Tal dispositivo, combinado com o art. 43 (onde se Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10865.004247/200844 Acórdão n.º 1401001.435 S1C4T1 Fl. 187 17 prevê a multa isolada ou acompanhada de tributo) e seu parágrafo único, levanos à conclusão de que os juros de mora devem incidir sobre a multa de ofício, após o seu vencimento. Conclusão Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso com o fito de excluir dos valores lançados pelo percentual de 32% apenas aqueles identificados pelo sujeito passivo como receitas hospitalares, nos termos do relatório de diligência fiscal. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11065.723860/2012-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CONCURSO DE AGENTES. COMUNHÃO DE DESÍGNIOS.SOLIDARIEDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUTUAÇÃO. LANÇAMENTO. ATOS DESCONSIDERADOS.
Se houver convencimento de que a conduta dos agentes, em concurso, configura materialidade delitiva, a comunhão de desígnios impõe autuar ambos contribuintes infratores. Cumpre, no mínimo, intimar por solidariedade o partícipe sob pena de caracterizar cerceamento de defesa para o único autuado na medida em que, nos autos, não se tenha sido oportunizado a devida manifestação do segundo, mormente na hipótese em que sobre este ,majoritariamente, recaia os argumentos que motivarem o lançamento.
Na forma do contido na previsão do Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional - CTN, a Autoridade Administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento à preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Daniele Souto Rodrigues.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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CONCURSO DE AGENTES. COMUNHÃO DE DESÍGNIOS.SOLIDARIEDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUTUAÇÃO. LANÇAMENTO. ATOS DESCONSIDERADOS. Se houver convencimento de que a conduta dos agentes, em concurso, configura materialidade delitiva, a comunhão de desígnios impõe autuar ambos contribuintes infratores. Cumpre, no mínimo, intimar por solidariedade o partícipe sob pena de caracterizar cerceamento de defesa para o único autuado na medida em que, nos autos, não se tenha sido oportunizado a devida manifestação do segundo, mormente na hipótese em que sobre este ,majoritariamente, recaia os argumentos que motivarem o lançamento. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 38 60 /2 01 2- 29 Fl. 678DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento à preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Daniele Souto Rodrigues. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Na forma do descrito no Relatório Fiscal de fls. 21, podese resumir que foram lançados em nome da Calçados D’Luna Ltda. os créditos correspondentes às contribuições previdenciárias patronais e àquelas destinadas a terceiros, apuradas por aferição indireta, com base nas remunerações constantes das GFIPs e folhas de pagamento da empresa Calçados Gugui Ltda., referentes ao período de janeiro de 2009 a novembro de 2009. Abaixo trechos que elucidam o encimado: “1. Da ação Fiscal Este relatório é parte integrante do processo administrativo nº 11065.723.860/201229 integrado pelos Autos de Infração abaixo discriminados: 1.1. AI DEBCAD nº 51.014.9464, referente a contribuições previdenciárias patronal sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas por aferição indireta. 1.2. AI DEBCAD nº 51.014.9472, referente a contribuições devidas pela empresa a Outras Entidades (SENAI, SESI, SEBRAE, INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO), apuradas por aferição indireta. 1.3. AI DEBCAD nº 51.014.9480, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, por não incluir nas folhas de pagamentos as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais. 2. O período de lançamento do crédito previdenciário 2.2 O período corresponde a 01/2009 a 12/2009 (inclusive 13º salário). 3. Quanto ao fato gerador dos Autos de Infração emitidos 3.1. O fato gerador dos créditos previdenciários é as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais apuradas por aferição indireta com base nas Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e respectivas folhas de pagamento da empresa CALÇADOS GUGUI LTDA., CNPJ nº 07.765.218/000186, doravante denominada GUGUI, caracterizados por esta fiscalização como segurados da CALÇADOS D`LUNA LTDA., doravante denominada D`LUNA. Em anexo GFIP e folha de Fl. 680DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 pagamento de 02/2009 e 10/2009, por amostragem, da Gugui. 3.1.1. A identificação dos segurados empregados e contribuintes individuais, as competências e as remunerações pagas constam no “ANEXO 1 – REMUNERAÇÃO APURADA POR AFERIÇÃO INDIRETA COM BASE NA FOLHA DE PAGAMENTO DA EMPRESA CALÇADOS GUGUI LTDA CNPJ Nº 07.765.218/000186”. 3.1.2. Intimamos também a empresa Gugui a apresentar documentos conforme o Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, de 26/04/2012. 3.1.3. A partir dos elementos constantes neste relatório, demonstraremos que a empresa Gugui, optante pelo SIMPLES desde a sua constituição em 27/12/2005, foi utilizada para criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. Estas 2 (duas) empresas de fato constituem uma única entidade empresarial desde a constituição da Gugui. A D`Luna vinha utilizando a mão de obra dos empregados e contribuintes individuais cadastrados como da Gugui para reduzir a tributação sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que “de fato” trabalhavam para a D`Luna. ”( grifos de minha autoria) Destacando que os elementos de prova estão basicamente assentados na Diligência fiscal realizada na empresa denominada CALÇADOS GUGUI LTDA , conforme descrito no item 3.1.3 do Relatório Fiscal , esta fora constituída meramente para a criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`LUNA sujeito passivo da autuação em comento, verbis: “3.1.3. A partir dos elementos constantes neste relatório, demonstraremos que a empresa Gugui, optante pelo SIMPLES desde a sua constituição em 27/12/2005, foi utilizada para criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. Estas 2 (duas) empresas de fato constituem uma única entidade empresarial desde a constituição da Gugui. ” Conforme o registrado no item 17 do sobredito Relatório Fiscal, aduz que houvera sido procedida concomitante ação fiscal na empresa CALÇADOS GUGUI LTDA :”( grifos de minha autoria) Na seqüência aludiu suspeição quanto aos endereços das empresas : “3.3.3. A Gugui foi constituída em 27/12/2005 praticamente no mesmo endereço da D`Luna 3.3.4. Na figura 1 mostra o endereço da D`Luna localizada no nº600 e na figura 2 o endereço da Gugui de nº 586. Verificase que ambos indicam o mesmo complexo industrial ” Entendeu a Autoridade autuante que a suspeição adquiriu maiores contornos de ilicitude pelo fato do número de telefone nas notas fiscais e fatura telefônica de 03/2007, EXTEMPORÂNEA à ação fiscal , ressaltese , datada de 10/10/2012 ; Fl. 681DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 4 5 “3.3.5. Para corroborar, verificamos que nas notas fiscais confeccionadas pela Gugui, consta impresso o “Fone: (51) 35471433” como seu telefone, conforme cópia em anexo. Entretanto, esse número pertence à D`Luna conforme cópia da nota fiscal da própria fiscalizada, e fatura do telefone da Brasil Telecom de 03/2007, em anexo.” Continuando, em razão também do vínculo familiar, afirma que com os elementos que até então dispusera teria chegado a conclusão da ilicitude aventada: “3.4.2. As informações dos demonstrativos acima revelam que os sócios da D`Luna e Gugui têm forte vínculo familiar. 3.4.3. Gustavo Timmen Schmidt e Guilherme Timmen Schmidt são irmãos e são filhos de Geraldo José Schmidt. 3.4.4. Chegamos a conclusão de que a existência da Gugui era apenas de fachada, justificada somente para abarcar os empregados da fiscalizada. É evidente que a administração das 2 (duas) empresas é única pois de fato não existe separação entre elas. Ajudaram a formar convencimento da suposta irregularidade o fato de que no mês 01/2006, primeiro mês de funcionamento da Gugui, dos 211 empregados admitidos, 204 eram oriundos da D`Luna que migraram para a nova empresa : “3.6.1. Analisando os vínculos dos segurados empregados das empresas D`Luna e Gugui, por meio das informações prestadas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP constatamos que houve um movimento de migração de funcionários da fiscalizada para a Gugui. Essa constatação fortalece ainda mais a nossa convicção de que a Gugui foi constituída com o fim específico de cadastrar os empregados que de fato prestavam serviços para a D`Luna. No mês 01/2006, primeiro mês de funcionamento da Gugui, dos 211 empregados admitidos, 204 eram oriundos da D`Luna.” As sobreditas informações foram obtidas no sistema interno da Receita Federal do Brasil “DATAPREV/CNISCadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS Cidadão/Período de Contribuição: “3.6.3. Por meio das fichas de vínculos extraídos do sistema interno da Receita Federal do Brasil “DATAPREV/CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS Cidadão/Período de Contribuição” Referindose aos elementos da empresa que não foi autuada, a Autoridade autuante firmou convicção de que restara evidente que houvera manipulação de resultados: “3.7.2. Quanto ao faturamento da Gugui, é evidente que houve manipulação de resultados para manter a receita abaixo do limite de enquadramento no SIMPLES (R$2.400.000,00 a partir de 2006). Fl. 682DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 3.7.3. Quanto à análise do faturamento versus massa salarial, percebese que o percentual da massa salarial sobre as receitas relativa à Gugui é bem superior à da D`Luna. Enquanto que na Gugui esse percentual vai de 67,86 % a 88,32%, na fiscalizada é 1,09% a 1,94%. Em 2005, antes da constituição da Gugui, esta relação era de 11,46% o que corresponde mais à realidade conforme demonstrado na coluna (5) da tabela.” Às fls 27, efetuaramse cálculos baseados em competências 2005 a 2009: “ 3.7.1. Elaboramos a tabela abaixo com dados das 2 (duas) empresas relativos ao número de empregados, faturamento e massa salarial dos anos 2005 a 2009. Quanto ao número de empregados, consideramos a média mensal de empregados de cada empresa por ano. O resultado revela que a soma dos empregados da 2 (duas) empresas se manteve constante (coluna 6). É nítido que no ano 2006, quando foi constituída a Gugui, o número de empregados da D`Luna diminuiu drasticamente. Entretanto, apesar da redução de empregados da D`Luna, seu faturamento aumentou ano a ano (coluna 3). (...) 3.9 Ausência de Patrimônio (Máquinas e Equipamentos) e Custo com a Produção Por meio dos registros contábeis e do Balanço Patrimonial da Gugui constatamos que ela não possui máquinas e equipamentos para a utilização na prestação de serviços de industrialização. Também não foram constatados lançamentos com custos de fabricação tais como insumos, água, energia elétrica, manutenção de equipamentos, depreciação ou aluguéis de equipamentos, somente valores relativos à mão de obra. Isso vem reforçar a evidência de que a Gugui não existiu de fato. Tudo indica que ela foi constituída unicamente para abarcar parte das despesas com folha de pagamento da fiscalizada. O demonstrativo de resultados abaixo demonstra claramente isso. A Receita Bruta é calculado na medida para cobrir as despesas com pessoal. (...) A síntese dos argumentos para autuação poderia ser apresentada tal qual o descrito no item 4 do Relatório Fiscal: “4. Quanto ao “planejamento tributário” 4.1. Em face dos fatos relatados, ficou claro que o “planejamento tributário” utilizados pela D`Luna, com a utilização da empresa Gugui optante pelo SIMPLES, teve como propósito criar uma situação jurídica com vistas a dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. As constatações relatados no item “3” evidenciam a intenção da empresa em reduzir a tributação através do artifício de utilizar empresas optantes pelo SIMPLES” Fl. 683DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 5 7 DA IMPUGNAÇÃO Compulsados os autos , corroborando os destaques, transcrevo o que forra alegado na forma do descrito no Relatório a quo : “em preliminar, argüi a nulidade dos lançamentos, haja vista a ocorrência de vícios no procedimento fiscal, os quais terlheiam cerceado o direito de defesa. Mais especificamente, a um, o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fl. 64/65) menciona o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n.º 1010700.2012.00355, enquanto que o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fl. 68) faz referência ao MPF n.º1010700.2011011238, do qual a empresa não teria tomado conhecimento; a dois, embora intimada a apresentar notas fiscais utilizadas na base de cálculo do crédito do PIS/COFINS em 15 de junho de 2012, o MPF somente foi alterado para abranger tais tributos em 22 de junho de 2012. No mérito, examina, inicialmente, os indícios da ação fiscal, quais sejam aqueles concernentes aos objetivos sociais, ao domicílio fiscal, ao quadro societário, à relação faturamento x custo da mãodeobra, à exclusividade nas atividades, à inexistência de maquinário próprio e custo com a produção, à energia elétrica, aos aportes financeiros e à correta interpretação da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho TST. Analisa, ainda, outros aspectos relevantes, “não levantados pela fiscalização”, quais sejam as razões empresariais, o risco econômico do empreendimento e a impossibilidade de desconsiderar negócios jurídicos indiretos. Insurgese também contra as multas aplicadas, apontando a impossibilidade de aplicação da multa qualificada e a inexistência de dolo específico. Finalmente, refere a necessidade de compensação dos valores recolhidos na sistemática de tributação estabelecida pelo Simples. No tocante aos indícios considerados na ação fiscal, observa, inicialmente, que as operações realizadas encontram respaldo e estão em perfeita consonância com as leis vigentes no País, nada podendo ser imputado à empresa que contrarie qualquer norma legal, pois não existe lei que proíba a terceirização de atividades produtivas, bem como é evidente que todas as operações são realizadas às claras e com registro documental. Tem, assim, que a Fiscalização não logrou êxito em demonstrar Fl. 684DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 que os atos praticados não foram realizados ou não eram válidos, como também não demonstrou a existência de negócio jurídico oculto, sem o qual não há que falar em dissimulação. Observa, ainda, que a Lei Complementar n.º 104/2001, que abriu a possibilidade de as autoridades administrativas desconsiderarem atos ou negócios dos contribuintes, até a presente data, não se encontra regulamentada por lei ordinária. Logo, não pode servir como embasamento legal para o lançamento ora impugnado. Em relação aos objetivos sociais, tem como evidente que a atividade das duas empresas não é a mesma. Mais especificamente, enquanto a impugnante é fabricante de calçados, detentora de marcas próprias, e responsável pelo desenvolvimento de coleções, fabricação e comercialização, a Calçados Gugui Ltda. dedicavase, de fato, ao beneficiamento de calçados, isto é, constituíase em autêntico “atelier” que executava etapas/fases da cadeia produtiva do calçado. As atividades, embora integrantes do mesmo ramo – setor calçadista –,eram completamente distintas. Quanto ao domicílio fiscal, aponta evidente erro na identificação dos domicílios das empresas por parte da Fiscalização – provavelmente porque os fatos mencionados no Relatório Fiscal foram coletados a partir de um cenário bastante modificado, tendo em vista que a Calçados Gugui Ltda. encerrou suas atividades empresariais no ano de 2010. Ressalta, ainda, que o Relatório Fiscal é omisso em relação a questões relevantes e capazes de evidenciar a realidade dos fatos, qual seja a efetiva separação física entre os estabelecimentos industriais – a exemplo do que ainda hoje ocorre em relação à empresa que atualmente ocupa o imóvel onde outrora ficava a sede da Calçados Gugui Ltda. Ademais, inexiste vedação legal a que duas ou mais empresas operem na mesma área geográfica ou no mesmo complexo industrial. Quanto ao número de telefone impresso nas notas fiscais da Calçados Gugui Ltda., número este pertencente à autuada, afirma que se trata de “extremo apego ao formalismo” por parte da Fiscalização. A semelhança de leiaute das notas fiscais, decorrente do fato de que os talonários foram confeccionados pela mesma gráfica, pode ter induzido a esta em erro. De qualquer sorte, a Calçados Gugui Ltda. possuía telefone próprio, suportando os ônus financeiros daí decorrentes, inclusive com apropriação das despesas em sua contabilidade. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 6 9 No que pertine ao quadro societário, considera que o fato de os sócios das empresas Calçados D’Luna Ltda. e Calçados Gugui Ltda. serem parentes não é suficiente para a descaracterização das relações empresariais entre elas existentes. Também nada há de ilegal em haver parentes ou exempregados no quadro societário das empresas em análise, ou mesmo no fato de manterem estreito trato comercial. No tocante à relação faturamento x custo da mãodeobra das empresas em questão, a impugnante admite ser ela que, em face das peculiaridades inerentes à terceirização/descentralização de etapas/fases do processo de fabricação de calçados (industrialização por encomenda), compra a matériaprima e a remete para ser industrializada em outras empresas, executando, ao depois, as etapas/fases finais do processo produtivo e realizando a venda final do produto. Assim, em razão da terceirização, e visando a melhor eficiência de suas operações e melhor competitividade, o custo com pessoal representa um menor peso em relação ao seu faturamento. Já a Calçados Gugui Ltda. seria uma empresa especializada na prestação de serviços de industrialização por encomenda, cuja execução exige menos produtos intermediários e mais empregados, o que representa, logicamente, um maior peso em relação ao custo total de sua atividade. Quanto à exclusividade nas atividades da Calçados Gugui Ltda., assevera a impugnante que, não raro, existem estabelecimentos industriais com número extremamente reduzido de clientes a quem prestam serviços, muitas vezes, de forma exclusiva, sem que isso represente simulação de negócios. Refere, ainda, a um, que jamais houve exclusividade de parte da autuada para com a Calçados Gugui Ltda., tanto que outras empresas executavam a mesma etapa/fase da industrialização realizada por esta última; a dois, que, a partir de agosto de 2009, a Calçados Gugui Ltda. passou a prestar serviços de industrialização para outras empresas, tais como a Calçados Peres Ltda.; e, a três, que devem ser excluídos do lançamento os períodos nos quais não há comprovação de emissão de notas fiscais da Calçados Gugui Ltda. para a impugnante. Em relação à inexistência de maquinário próprio, esclarece que, na indústria calçadista é bastante comum que máquinas sejam cedidas em comodato para a empresa executora da industrialização encomendada, nada havendo de ilegal nisso. Ressalta, ainda, que a cessão de máquinas para a executora da etapa terceirizada tem o Fl. 686DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 objetivo de “garantir a produção e a qualidade que talvez a prestadora dos serviços não conseguisse alcançar com maquinário próprio, muitas vezes ultrapassado do ponto de vista tecnológico, além do risco de estragar a matéria prima.” Não se trata, portanto, de um “benefício” ou “ingerência”, mas tãosomente de preocupação com a qualidade dos produtos que irá ofertar no mercado. Quanto à ausência de lançamentos com custos de fabricação, sustenta, a um, que, conforme demonstrativos contábeis constantes dos autos, existem registros correspondentes a aluguéis, telefone, despesas com veículos e manutenção de equipamentos; a dois, que a água consumida era oriunda de poço artesiano; e, a três, que, tendo em vista que as máquinas foram cedidas em comodato, não haveria que se falar em “depreciação” ou “aluguéis” pelo seu uso. No tocante à energia elétrica, a impugnante assinala que o pagamento dessa despesa seria, por força contratual, de sua responsabilidade. Também não vê qualquer problema ou impedimento em “se acertar, no preço contratado pelos serviços de industrialização, o abatimento do valor correspondente a eventuais rubricas suportadas pela encomendante”. No que pertine aos aportes financeiros efetuados em benefício da Calçados Gugui Ltda., explica tais repasses tendo em vista o vínculo afetivo/familiar existente entre os sócios das empresas, o que obviamente facilitou a relação de parceria entre elas. Acresce que tais recursos não foram simplesmente transferidos, sendo devidamente contabilizados como empréstimos (passivos/ativos, conforme o caso) e pagos (devolvidos) periodicamente, “inclusive através da ‘compensação’ nos valores antecipados para a GUGUI por conta de industrializações em andamento (conta ‘adiantamento a fornecedores’ da autuada).” Finalmente, tem como equivocada a interpretação da Súmula 331 do TST, na medida em que os pressupostos da relação de emprego (notadamente a subordinação, principal elemento caracterizador) não estão explicitamente comprovados nos autos. Aduz que, atualmente, seja em decorrência das novas necessidades econômicas, seja pela prevalência do entendimento de que a legislação pátria não proíbe a intermediação de mãodeobra, admitese a terceirização da atividade principal da empresa, não havendo que se falar em fraude, desde que ausente a pessoalidade e a subordinação à empresa contratante. “Em verdade, se o serviço do obreiro é essencial à atividade econômica da empresa tomadora, até pode a terceirização ser Fl. 687DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 7 11 considerada ilícita, mas somente se provada a subordinação e a pessoalidade, o que não se visualiza no presente caso.” (Grifado no original.) “Essa nova posição é refletida na Súmula 331 do TST, conforme expresso no item IV desse verbete jurisprudencial.” Em relação a outros aspectos relevantes não levantados pela Fiscalização, a impugnante elenca, por primeiro, as razões empresariais que a levaram a terceirizar etapas/fases do processo produtivo, quais sejam, em síntese, a um, a minimização de problemas de rotatividade de mãodeobra, permitindo a manutenção de um quadro de empregados estável para atender a determinado nível de produção, de maneira que eventuais demandas seriam supridas por meio da contratação de empresas que se dedicam à industrialização por encomenda; e, a dois, a melhora de sua eficiência e competitividade em um mercado cada vez mais globalizado, mantendo seu foco nas atividades de maior valor agregado. Não se trata, portanto, de simulação “uma vez que o negócio jurídico não foi efetuado com único propósito de escapar de tributos, mas sim com objetivos econômicos e empresariais verdadeiros, ainda que o resultado proporcione uma economia tributária”. Seria, no máximo, um planejamento tributário, aceito tanto na doutrina como na jurisprudência. Ademais, a estrutura de negócio montada pela impugnante é legítima, nada sendo realizado de forma oculta. Afirma também que o argumento de que a operação de terceirização (industrialização por encomenda) foi realizada apenas para economizar tributos não é apto para a desconsideração de negócios jurídicos praticados sem qualquer ilicitude. Ainda quanto à licitude da relação empresarial entre as empresas arroladas pela Fiscalização, salienta, a título exemplificativo, que, apenas nos meses de setembro de 2008 e setembro de 2009, foram emitidas pela impugnante centenas de notas fiscais de remessa de matériaprima para industrialização por terceiros. Tal operação foi realizada com diversas outras empresas além da Calçados Gugui Ltda., inclusive da mesma etapa/fase do processo produtivo e com exclusividade – revelada pela ordem seqüencial das notas fiscais. Sob esta ótica, o contribuinte não pode ser acusado de fraude fiscal por organizar suas atividades de modo menos Fl. 688DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 oneroso do ponto de vista fiscal, respeitando, assim, os princípios constitucionais da legalidade e da livre iniciativa. Inclusive, um dos grandes princípios da boa gestão negocial é buscar formas de reduzir custos e, via de conseqüência, economizar tributos. Além disso, se a impugnante é, como aponta a Fiscalização, engenhosa a ponto de construir uma seqüência de atos apenas para evitar a tributação a que estaria sujeita caso registrasse a mãodeobra como se fosse sua, bastaria que ela tivesse contratado empresas informais que empregam, em geral, mãodeobra que trabalha sem vínculo empregatício, caracterizando uma situação de informalidade na relação trabalhista. Quanto ao risco econômico do empreendimento, sustenta que a Calçados Gugui Ltda. assumia integralmente o risco econômico do empreendimento. “Portanto, não existe a alegada relação de dependência econômica entre as empresas. Era a Calçados Gugui Ltda. que efetivamente pagava suas contas, inclusive sendo responsável por buscar recursos financeiros junto a instituições financeiras quando necessário. Enfim, era efetivamente autônoma e independente, não havendo qualquer indício de ingerência da impugnante na administração de seus negócios.” Refere, neste passo, que os Balanços Patrimoniais e os Demonstrativos do Resultado do Exercício que se encontram nos autos demonstram que as despesas e os custos operacionais – por exemplo, indenizações trabalhistas, aluguel, telefone, despesas com veículos e manutenção de equipamentos – eram suportados integralmente pela Calçados Gugui Ltda. e devidamente apropriados em sua contabilidade. Ademais, aponta, como prova de que a Calçados Gugui Ltda. funcionava como empresa independente, os registros de despesas típicas de uma empresa “normal”, tais como material de limpeza, material de expediente, honorários de contador, transporte de empregados e honorários médicos. Refere, ainda, a existência de empregados do setor administrativo e de apoio na Calçados Gugui Ltda., consoante se depreende das folhas de pagamento juntadas aos autos pela Fiscalização. Concluindo, afirma que os lançamentos contábeis acima indicados convergem para o mesmo sentido: a impugnante é uma empresa que entrega sua matériaprima para que outras realizem o beneficiamento, porém não arca com os custos destas, “hipótese que poderia ensejar a conclusão de simulação.” Fl. 689DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 8 13 Finalmente, aponta a impossibilidade de desconsiderar negócios jurídicos indiretos, na medida em que “não há qualquer ilicitude na hipótese de o contribuinte escolher o caminho menos oneroso do ponto de vista fiscal, sob pena de, absurdamente, se ter de admitir que o contribuinte deve sempre escolher o caminho da maior onerosidade fiscal.” “Isso porque o contribuinte tem o direito de se auto organizar, não estando obrigado a optar pela forma fiscalmente mais onerosa. Esta busca da menor carga tributária legalmente possível envolve o uso das liberdades individuais prestigiadas pela Constituição (por exemplo, da livre iniciativa: art. 1.º, IV e art. 170, ‘caput’; e da livre concorrência: art. 170, IV).” Afirma que a principal diferença entre o negócio indireto e a simulação é a de que nesta “há desconformidade entre o desejado e o praticado, obrigando as partes a realizar atos paralelos ocultos para desfazer ou neutralizar os efeitos do praticado. Já no negócio indireto as partes desejam e mantêm o ato praticado, assumindo as consequências e os ônus da forma jurídica escolhida, que poderá resultar eventual economia de tributos.” “Enfim, as partes têm liberdade para, diante de uma determinada situação fática, optar por regulála por meio de uma estrutura jurídica usual (negócio jurídico direto) ou de uma estrutura jurídica não usual (negócio jurídico indireto). Inexiste no ordenamento jurídico brasileiro qualquer dispositivo que vede seja adotado o negócio jurídico indireto (terceirização), muito menos que obrigue seja utilizado o negócio jurídico direto (contratação direta). Obviamente, desde que não haja simulação, como no presente caso, eis que o negócio praticado apóiase num motivo empresarial, tendo apenas por efeito eventual redução da carga tributária.” Conclui que, no caso em apreço, não há simulação porque todas as cláusulas do negócio jurídico realizado são verdadeiras: a contratação da Calçados Gugui Ltda.foi verdadeira, não há simulação na remessa das matériasprimas nem na industrialização realizada pelas empresas; “não há mentira na cobrança dos serviços prestados, muito menos nos valores faturados; todos os tributos incidentes sobre a operação escolhida foram recolhidospelas partes; enfim, não há mentira na adoção da estrutura jurídica escolhida.” Em relação às multas aplicadas, a impugnante aponta, inicialmente, a impossibilidade de aplicação da multa Fl. 690DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 qualificada de 150%, haja vista a inexistência de dolo específico. Entende que a multa estabelecida no artigo 44, parágrafo 1.º, da Lei n.º 9.430/96, somente se justifica nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que deve ser interpretada restritivamente. Aduz que não ficou demonstrado nos autos o “evidente intuito de fraude” por parte da impugnante, capaz de justificar a extrapolação da multa. Tratase, no caso, de aplicar o princípio da legalidade estrita e da correta interpretação da legislação, inclusive em face do disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional CTN. “Via de conseqüência, meros indícios não servem como prova de fraude.” “Em verdade, todas as operações da impugnante foram praticadas de forma lícita, legítima e às claras, sem qualquer ocultação, não havendo qualquer ato ou negócio mascarado passível de imposição de multa qualificada por fraude.” Não existiu, assim, o dolo específico pedido no “caput” dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, “elemento essencial para se promover a qualificação da multa de ofício.” Por derradeiro, no que pertine à compensação dos valores recolhidos, observa a impugnante que não há um único argumento ou alegação da autoridade fiscal no sentido de que a Calçados Gugui Ltda. não cumpriu com os requisitos legais para adesão ao regime tributário especial do Simples, donde conclui que tanto o faturamento como a atividade por ela desenvolvida não representam óbice à tributação privilegiada. Em assim sendo, caso prevaleça o entendimento levado a efeito para constituição dos créditos tributários lançados, “consubstanciado na tese de ‘empresa de fachada’ c/c ‘as duas empresas de fato são uma só’”, considera que todos os recolhimentos efetuados no regime simplificado seriam indevidos e passíveis de repetição. Por outras palavras, “o Fisco, ao requalificar os fatos para considerar as duas empresas como uma só entidade empresarial, reconhece que parte do tributo devido foi efetivamente pago, ainda que por outra entidade ou com outra rubrica.” (Grifado no original.) Observa que, no período objeto da fiscalização, os valores recolhidos no regime tributário simplificado totalizam R$ 275.062,68, os quais poderão ser validados/confrontados com o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 9 15 Ademais, haja vista que compete à RFB fiscalizar as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos tributos federais recolhidos através do Simples Federal (artigo 17 da Lei n.º 9.317/96) e do Simples Nacional (artigo 33 da Lei Complementar n.º 123/2006), a eles é aplicável o disposto no artigo 74 da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.637/2002 Portanto, em regra, todos os tributos sob a administração da Secretaria da Receita Federal são compensáveis, ainda que uns sujeitos ao Simples e outros submetidos ao sistema usual, não havendo qualquer vedação legal à pretendida compensação, na remota hipótese de subsistência do lançamento. Assim, impõese a compensação, mês a mês, e sem qualquer limitação de percentual, dos valores relativos aos tributos federais recolhidos indevidamente pelas empresas por via do Simples Federal e Nacional, com os créditos ora constituídos, eis que todos são tributos administrados pelo mesmo órgão. Salienta, por oportuno, que o artigo 23 da Lei n.º 9.317/96 e o Anexo II da LC n.º 123/2006 permitem a visualização do montante referente a cada um dos tributos federais consolidados nos respectivos regimes, o que afasta qualquer óbice à compensação por eventual dificuldade de operacionalização deste procedimento. Em não sendo acatados tais argumentos, pelo menos o montante da contribuição patronal previdenciária inserido no recolhimento unificado do Simples (R$ 154.637,68) deverá ser compensado, sob pena da ocorrência de “bis in idem”, vedado pelo ordenamento jurídico. A não ser assim, em prevalecendo o lançamento tributário impugnado, haverá nova exigência, integral, da mesma contribuição, sem contemplar a diferença já recolhida, ocorrendo, portanto, uma sobreposição tributária. Ao final, requer seja acolhida a preliminar suscitada, anulandose todos os autos de infração por conta dos erros/vícios apontados. No mérito, postula seja declarada a improcedência dos lançamentos, cancelandose os autos de infração impugnados. Sucessivamente, caso não sejam eles desconstituídos integralmente, requer (a) seja desconsiderada a imputação de simulação para fins de aplicação da multa de 150%; e (b) sejamcompensados, mês a mês, os valores relativos aos Fl. 692DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 tributos recolhidos pela Calçados Gugui Ltda., na sistemática do Simples, com os créditos ora constituídos.”( Grifos de minha autoria) DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Porto ( RS) DRJ/ POA, em 13 de março de 2013, exarou Acórdão de n°1042.794, fls. 598, negando provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. Fls.630, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação. DA DILIGÊNCIA Às fls. 662, em 17 de setembro de 2013, na forma da Resolução n 2403000.185, este Colegiado anui pedido do Relator para os autos retornem em DILIGÊNCIA à origem de modo que fosse providenciada a juntada dos seguintes elementos: “Mandado de Procedimento Fiscal – MPF ; Relatório Fiscal da ação fiscal ; Auto( s) de infração; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal –TEPF; Informação Fiscal solicitando a EXCLUSÃO DO SIMPLES em razão da atividade fraudulenta; Resposta da Autoridade Administrativa quanto a EXCLUSÃO DO SIMPLES;e Informação se houve IMPUGNAÇÃO da empresa quanto ao ATO DE EXCLUSÃO do SIMPLES, bem como qual é o número do eventual processo onde a empresa estaria refutando a motivação da penalidade lhe imposta.” DA RESPOSTA DA DILIGÊNCIA Às fls. 672, o Relatório da ação fiscal registra que : Tratase de MPF de Diligência expedida com o objetivo específico de proceder à coleta de informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda. Assim, através da Diligência fiscal, foram requisitados e obtidos os documentos e informações necessárias. Em relação à empresa Calçados Gugui Ltda não houve lançamento fiscal (Auto de Infração) e, por conseguinte, a necessidade de elaboração de Relatório Fiscal relativo à diligência. Auto(s) de Infração: Não foram constituídos Autos de Infração, tendo em vista que o MPF de Diligência tinha o objetivo específico de coletar Fl. 693DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 10 17 informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda e pelo fato da empresa Calçados Gugui Ltda ter atendido ao requisitado pela fiscalização no procedimento de DILIGÊNCIA. Informação Fiscal solicitando a EXCLUSÃO DO SIMPLES em razão da atividade fraudulenta: A referida Informação Fiscal não foi efetuada tendo em vista que, por ocasião do encerramento da DILIGÊNCIA FISCAL, a empresa já havia sido excluída do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/01/2011, por motivo de débito com a Fazenda Pública Federal. Em consulta à Suíte de Aplicativos da RFB/Portal de Serviços/Cálculo e Pagamentos/Simples NacionalAcesso para Entes Federativos, verificase que a Calçados Gugui Ltda se encontra excluída do SIMPLES. Incluímos ao processo cópia da consulta do Histórico dos Eventos pelo Simples Nacional às fl. 671. Resposta da Autoridade Administrativa quanto a EXCLUSÃO DO SIMPLES e Informação se houve IMPUGNAÇÃO da empresa quanto ao ATO DE EXCLUSÃO do SIMPLES, bem como qual é o número do eventual processo onde a empresa estaria refutando a motivação da penalidade lhe imposta: Conforme informamos no item anterior não foi efetuada Informação Fiscal de Exclusão do SIMPLES. Após a exclusão do sistema SIMPLES NACIONAL com efeitos a partir de 01/01/2011, a empresa protocolou, via Internet, nova solicitação em 31/01/2011 que foi indeferida por problemas fiscais (por possuir débitos previdenciários e não previdenciários com a Receita Federal do Brasil).” . DAS CONTRARAZÕES Às fls. 1066, contrapondo os argumentos dispostos na Resposta da Diligência, a recorrente reitera que não assiste razão na motivação do lançamento. Aduz que a Resposta da Diligência bem como as contrarazões, concomitante a tudo mais que instruíra o auto em comento, serão analisadas de modo sistêmico na condução do voto. É o relatório. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Extraído do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, o registro abaixo transcrito revela que a ação fiscal fora autorizada para analisar as competências 01/2008 a 12/2009: “PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO (..) PERÍODOS : 01/2008 a12/2009” Às fls. 64, na emissão do Termo de início de Procedimento se confirma que a ação fiscal foi iniciada para apuração do período supra, 01/2008 a 12/2009. Entretanto, excedendo ao que fora determinado, a Autoridade autuante requereu documentação retroativa a 01/2005 : “ Fica o sujeito passivo INTIMADO a apresentar os elementos discriminados abaixo, com base no inciso III do art. 32 e nos § 1° e 2° do art. 33, ambos da Lei n° 8.212/1991, nos prazos respectivos, estabelecidos no art. 19 caput e § 12 da Lei ns 3.470/1958, com a redação dada pela Medida Provisória n 2.15835/2001. Prazo: 20 dias Período de apuração: 01/2005 a 12/2009 Balanços patrimoniais (Ativo, Passivo e Demonstração Resultados) Contrato social e todas as alterações Cópia de comprovante de residência, CPF e RG dos representantes legais e contador Cópia do Certificado de Registro de Veículo dos veículos de sua propriedade constantes no Ativo Imobilizado/Veículos na contabilidade Documentos de caixa 01/2006, 09/2006, 03/2007, 12/2007, 04/2008, 11/2008, 03/2009 e 12/2009 Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores Fl. 695DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 11 19 Notas fiscais de entrada 02/2006, 10/2006, 02/2007, 10/2007, 03/2008, 12/2008, 04/2009 e 11/2009 Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados mesmas meses acima O s arquivos em meio digital solicitados se referem a: Folha de Pagamento e contabilidade período 01/2005 a 12/2009 Registro de empregados de Adão Leal, Ailton Hanich, Carina Salazer Timmen, Eder Horbach, Gladenor Adriano Roos, Laerte Alexandre Wust, Luiz Antonio Schmidt e Vilma Bernadete da Silva Relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado, com respectivos valores, e cópia das escrituras ” Às fls. 177, consta Recibo de Entrega de Arquivos Digitais confirmando que a autuada fez entrega da documentação solicitada. Conforme fls. 65, o Termo de início de Procedimento foi entregue em 26/04/2012.Assim, as competências 03/07 e anteriores que auxiliaram a argumentação do lançamento de período posterior, na oportunidade já teriam sido alcançadas pelo Instituto da Decadência. Os itens 3.7.1, 3.9 e , 4.4 do Relatório Fiscal registram que a Autoridade autuante pautou seu convencimento utilizandose de elementos da documentação decaída. Na forma do comando do art. 60 do Decreto 70.235/72, por influir na solução, tal procedimento macula a conclusão: “ Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. “ 3.7.1. Elaboramos a tabela abaixo com dados das 2 (duas) empresas relativos ao número de empregados, faturamento e massa salarial dos anos 2005 a 2009. Quanto ao número de empregados, consideramos a média mensal de empregados de cada empresa por ano. O resultado revela que a soma dos empregados da 2 (duas) empresas se manteve constante (coluna 6). É nítido que no ano 2006, quando foi constituída a Gugui, o número de empregados da D`Luna diminuiu drasticamente. Entretanto, apesar da redução de empregados da D`Luna, seu faturamento aumentou ano a ano (coluna 3). (...) 3.9 Ausência de Patrimônio (Máquinas e Equipamentos) e Custo com a Produção Fl. 696DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Por meio dos registros contábeis e do Balanço Patrimonial da Gugui constatamos que ela não possui máquinas e equipamentos para a utilização na prestação de serviços de industrialização. Também não foram constatados lançamentos com custos de fabricação tais como insumos, água, energia elétrica, manutenção de equipamentos, depreciação ou aluguéis de equipamentos, somente valores relativos à mão de obra. Isso vem reforçar a evidência de que a Gugui não existiu de fato. Tudo indica que ela foi constituída unicamente para abarcar parte das despesas com folha de pagamento da fiscalizada. O demonstrativo de resultados abaixo demonstra claramente isso. A Receita Bruta é calculado na medida para cobrir as despesas com pessoal. Calçados Gugui 2006 2007 2008 2009 ReceitaBruta1.762.988,142;123.873,3;2..014.624,90; 1.452.827,65 (...) 4. Quanto ao “planejamento tributário” 4.1. Em face dos fatos relatados, ficou claro que o “planejamento tributário” utilizados pela D`Luna, com a utilização da empresa Gugui optante pelo SIMPLES, teve como propósito criar uma situação jurídica com vistas a dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. As constatações relatados no item “3” evidenciam a intenção da empresa em reduzir a tributação através do artifício de utilizar empresas optantes pelo SIMPLES (...) 4.4. Assim, os fatos relatados no item “3”, na forma identificada reduz a tributação da empresa, bem como a utilização dos conceitos de “abuso de forma, abuso de direito e simulação”, temas abordados no item “6” deste relatório, ficou identificado que quem realmente remunerou os empregados da empresa Gugui foi a empresa fiscalizada. Portanto a empresa D`Luna é contribuinte em relação aos fatos geradores relativos à remuneração auferida pelos empregados da empresa Gugui. ” .Destacandose que o crédito fora constituído para o período 01/2009 a 12/2009, não obstante, no Relatório Fiscal, conforme registro às fls 21, a Autoridade autuante afirma no item 3.1.3 que “.. a empresa Gugui, optante pelo SIMPLES desde a sua constituição em 27/12/2005, foi utilizada para criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. Estas 2 (duas) empresas de fato constituem uma única entidade empresarial desde a constituição da Gugui.” Conforme registro no item 3.1.3 do Relatório Fiscal, se a Autoridade autuante constatou que a infração vinha ocorrendo desde 12/2005 no caso em comento, crime tributário continuado caracterizado nos autos como simulação – para as competências compreendidas no período 04/07 a 04/2012, não alcançadas pela decadência, não haveria óbice para se constituir créditos. A emissão de novo mandado retroagindo a ação fiscal para 04/2007 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 12 21 e ampliando para 04/2012 teria fulcro na obrigação prevista no parágrafo único do art. 142 do Código tributário Nacional – CTN: “Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” “2.2 O período corresponde a 01/2009 a 12/2009 (inclusive 13º salário). (..) 3.1.3. A partir dos elementos constantes neste relatório, demonstraremos que a empresa Gugui, optante pelo SIMPLES desde a sua constituição em 27/12/2005, foi utilizada para criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa D`Luna. Estas 2 (duas) empresas de fato constituem uma única entidade empresarial desde a constituição da Gugui. A D`Luna vinha utilizando a mão de obra dos empregados e contribuintes individuais cadastrados como da Gugui para reduzir a tributação sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que “de fato” trabalhavam para a D`Luna. ” ( grifos de minha autoria) DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA Conforme o § 3o do art. 31 da Lei n 8.212/91 cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza, verbis:“ § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. ( Redação dada pela Lei n° 9.711, de 1998)” DA RETENÇÃO O sobredito artigo determina que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, verbis : “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente Fl. 698DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.” Cumpre ressaltar que somente a partir de 01.01.2009, as empresas optantes pelo SIMPLES, que prestarem serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada não estão mais sujeitas à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços emitidos. PERÍODO ANTERIOR AO CRÉDITO CONSTITUÍDO No item 3.8.1 do Relatório Fiscal a Autoridade autuante registra que a receita da empresa Gugui, nos autos como interposta pessoa, é constituída exclusivamente de serviços de industrialização por encomenda prestada para a fiscalizada: “3.8 – Industrialização por encomenda 3.8.1. A Receita da Gugui é constituída exclusivamente de serviços de industrialização por encomenda prestada para a fiscalizada. No ANEXO 4 – RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR CALÇADOS GUGUI LTDA., listamos as notas fiscais, por competência, escolhida de forma aleatória. Podemos verificar que, além da emissão de notas fiscais de serviços serem exclusivas à fiscalizada, elas são seqüenciais e periódicas. Podemos também constatar por meio das cópias do Razão da conta contábil 31 01 01 00300 Serviços Prestados P/Terceiros dos anos 2006 a 2009 da Gugui, em anexo, que o total da receita mensal é igual à soma das notas fiscais relativos à mãodeobra emitidas para a D`Luna relacionadas no Anexo 4 com exceção do ano de 2009 que corresponde a 88% do faturamento. 3.8.2. Por outro lado, na fiscalizada as despesas com a industrialização está registrada na conta 4.1.01.04.02123 – Industr. Efetuadas por Terceiros.” Diante do acima, se constatados nos contratos e notas fiscais que houvera prestação de serviços caberia autuar a empresa contratante nos períodos anteriores a 01.01.2009 em razão da obrigação de reter 11% do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. DA SOLIDARIEDADE Conforme o descrito no Relatório Fiscal, as duas pessoas jurídicas arroladas tinham interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores da obrigação principal. O art. 124 do Código Tributário Nacional CTN define que nestas circunstâncias são solidárias as pessoas envolvidas,verbis : “ Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; ” Na forma do art. 151 da Instrução normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, vigente por ocasião do lançamento, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal: “Art. 151. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da Fl. 699DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 13 23 obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal.” No mesmo diapasão do sobredito, o art. 152 da mesma referida Instrução RFB nº 971 atribui solidariedade aos entes abaixo transcritos : “ art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei n 8.212,de 1991; IV a empresa tomadora de serviços com a empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, até a competência janeiro de 1999; V a empresa tomadora de serviços com a empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, conforme disposto no art. 31 da Lei n 8.212,de 1991; VII as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal, conforme dispõe o art. 124 do Código Tributário Nacional – CTN; ” Desse modo, a empresa CALÇADOS GUGUI LTDA, classificada como interposta pessoa, deveria ter sido intimada por solidariedade. Aduz que consultado os autos, não registra que houvera intimação com o propósito em tela. DA AUSÊNCIA DE AUTUAÇÃO DA INTERPOSTA PESSOA Na forma do Relatório de Fundamentos Legais FLD, às fls.10, o item 703.01 revela que a penalidade imputada à Recorrente teve fulcro no art. 44 , §1°, onde nos casos de lançamento de ofício, são aplicadas multas de 150% valor este em princípio previsto no percentual de 75% mas que fora duplicado posto que cometera ilícito previsto nos comandos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964: “703 SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO 703.01 Competências : 01/2009 a 11/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, parágrafo1. da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 50% (75% x 2) 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Fl. 700DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Aplicar em dobro sonegação, fraude ou conluio Lei 9430/96, art. 44, parágrafo 1º: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. ” Muito embora a penalidade imposta revele que a Autoridade autuante concluiu ter havido CONLUIO entre a empresas que sofreram concomitante ação fiscal, na Resposta da Diligência às fls. 672, fez registro não foram constituídos autos de infração para a empresa partícipe. Justificou que não o fizera tendo em vista que o procedimento fiscal naquela empresa teve o objetivo específico de coletar informações e documentos: “ Auto(s) de Infração: Não foram constituídos Autos de Infração, tendo em vista que o MPF de Diligência tinha o objetivo específico de coletar informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda e pelo fato da empresa Calçados Gugui Ltda ter atendido ao requisitado pela fiscalização no procedimento de DILIGÊNCIA.” Do exposto, se houve conluio constatado não se pode deixar de autuar os partícipes até porque a omissão vislumbra permissão para manutenção das operações tidas como ilícitas . Fl. 701DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 14 25 DAS ALEGAÇÕES EM CONTRARAZÕES Às fls 675, a Recorrente interpôs ContraRazões à Resposta da Diligência e argüiu “ A descaracterização de uma pessoa jurídica não pode se dar de forma súbita, sem que a pessoa jurídica efetivamente atacada (no caso, CALÇADOS GUGUI LTDA) se defenda em processo administrativo próprio ” Na seqüência alegou que “ Portanto, tendo em vista que a fiscalização negou existência de fato de uma pessoa jurídica regularmente constituída (GUGUI), relegandoa a mero departamento da autuada, a ausência de defesa da , CALÇADOS GUGUI LTDA em processo administrativo próprio encerra, indubitavelmente, cerceamento de defesa. ” DOS RECOLHIMENTOS DA EMPRESA NÃO AUTUADA Na forma do texto abaixo transcrito, não tendo logrado êxito em sede de impugnação a Recorrente reiterou em grau de recurso solicitação para apropriar os valores recolhidos pela empresa CALÇADOS GUGUI LTDA que o fizera na forma do Regime Simplificado de Tributação SIMPLES : “ Mesmo assim, por máxima cautela e para argumentar, a prevalecer o procedimento levado a efeito para constituição dos créditos tributários lançados no presente auto de infração, consubstanciado na tese de "empresa de fachada" c/c "as duas empresas de fato são uma só", significa dizer que todos os recolhimentos efetuados no regime simplificado são indevidos Em outras palavras, o Fisco, ao requalificar os fatos para considerar as duas empresas como uma só entidade empresarial, reconhece que parte dotributo devido foi efetivamente pago, ainda que por outra entidade ou com outrarubrica. Nesse sentido, no período objeto da fiscalização, os valores recolhidos no" regime tributário simplificado totalizam R$ 275.062,68 (does. anexo 07 do . Processo nò 11065.723.859/201202). Tais valores poderão ser validados/confrontados com o sistema informatizado da RFB Impende ressaltar que compete a Secretaria da Receita Federal1 fiscalizar as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos tributos federais recolhidos através do Simples Federal (art. 17 da Lei n° 9.317/96) e com o Simples Nacional (art". 33 da LC n° 123/06).(...) Em não sendo acatados os argumentos acima, pelo menos, o montante da 'contribuição patronal previdencia ria" inserido no recolhimento unificado do SIMPLES ("INSS/CPP" R$ 154.637,68) deverá ser compensado, sob pena da ocorrência de "bis in idem", vedado pelo ordenamento jurídico Fl. 702DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 Nesse sentido, é lícito concluir que o Ente tributante está cobrando mais de um tributo do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador, vez que já havia sido recolhida a parcela de contribuição revidenciária patronal dentro dopagamento único tributário simplificado. A prevalecer o lançamento tributário impugnado, haverá nova exigência, integral,, da jnesma contribuição, sem contemplar a diferença já recolhida, havendo, portanto, uma sobreposição tributária. De forma incoerente, a autoridade fiscal atribui à impugnante a intenção de fraudar e de se locupletar, de iludir o Fisco, enquanto que ao mesmo tempo procura cobrar duplamente a contribuição previdenciária sem ressalvar "diferenças em favor do contribuinte, ou seja, sem se limitar à diferença daquilo que seria devido caso realmente fossem procedentes suas alegações.” Entendo pertinente abater os valores recolhidos posto que se fosse caso de terem sido efetuados mediante GPS esses teriam sido apropriados de ofício . Lido o Relatório Fiscal e compulsado com os autos, muito embora os razoáveis indícios trazidos à colação, estes ficaram maculados pelos sobreditos vícios que inquinaram de nulidade o lançamento. A recorrente argüiu nulidade. Ainda que não o fizesse, a nulidade é matéria de ordem pública. É cediço que, a teor dos arts. 267 , § 3º , e 301 , § 4º , do CPC – subsidiariamente exortado, as matérias de ordem pública podem e devem ser conhecidas ex officio pelo órgão jurisdicional. DA NULIDADE A inteligência do § 1º, II do artigo 59 do decreto 70.235/72 ,nas circunstancias , impõe observar a nulidade: “ Art. 59. São nulos: § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.”. Os vícios instalados na produção do auto, em sua dinâmica, caracterizaram defeito de composição insanável que influíram na solução do litígio. Na forma do art. 60 c/c 61, impõe declarar a nulidade: “ Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” De tudo que foi exposto, tendo havido convencimento de que a conduta dos agentes, em concurso, configurara materialidade delitiva, a comunhão de desígnios impõe autuar ambos contribuintes infratores. Cumpre, no mínimo, intimar por solidariedade o partícipe sob pena de caracterizar cerceamento de defesa do único autuado sem que nos Fl. 703DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 15 27 autos tenha sido oportunizado a devida manifestação do segundo até porque sobre este recai a quase totalidade dos argumentos que motivarem o lançamento. A circunstância descrita inquina de nulidade o crédito constituído. Na forma do ocorrido, o lançamento em comento restou eivado de vício material comprometedor do crédito então constituído Na hipótese desta Colenda Turma não esposar os argumentos até aqui trazidos, na forma do previsto no § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/72, adentro ao mérito para dar provimento ao contribuinte: Art. 59. São nulos: (..) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ( Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993) DO MÉRITO DA DILIGÊNCIA Às fls. 662, em 17de setembro de 2013, na forma da Resolução n° 2403000.185, este Colegiado anui pedido do Relator para os autos retornem em DILIGÊNCIA à origem de modo que fosse providenciada a juntada dos seguintes elementos: “Mandado de Procedimento Fiscal – MPF ; Relatório Fiscal da ação fiscal ; Auto( s) de infração; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal –TEPF; Informação Fiscal solicitando a EXCLUSÃO DO SIMPLES em razão da atividade fraudulenta; Resposta da Autoridade Administrativa quanto a EXCLUSÃO DO SIMPLES;e Informação se houve IMPUGNAÇÃO da empresa quanto ao ATO DE EXCLUSÃO do SIMPLES, bem como qual é o número do eventual processo onde a empresa estaria refutando a motivação da penalidade lhe imposta.” DA RESPOSTA DA DILIGÊNCIA Às fls. 672, o Relatório da ação fiscal registra que : “Tratase de MPF de Diligência expedida com o objetivo específico de proceder à coleta de informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda. Assim, através da Diligência fiscal, foram requisitados e obtidos os documentos e informações Fl. 704DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 necessárias. Em relação à empresa Calçados Gugui Ltda não houve lançamento fiscal (Auto de Infração) e, por conseguinte, a necessidade de elaboração de Relatório Fiscal relativo à diligência. Auto(s) de Infração: Não foram constituídos Autos de Infração, tendo em vista que o MPF de Diligência tinha o objetivo específico de coletar informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda e pelo fato da empresa Calçados Gugui Ltda ter atendido ao requisitado pela fiscalização no procedimento de DILIGÊNCIA. Informação Fiscal solicitando a EXCLUSÃO DO SIMPLES em razão da atividade fraudulenta: A referida Informação Fiscal não foi efetuada tendo em vista que, por ocasião do encerramento da DILIGÊNCIA FISCAL, a empresa já havia sido excluída do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/01/2011, por motivo de débito com a Fazenda Pública Federal. Em consulta à Suíte de Aplicativos da RFB/Portal de Serviços/Cálculo e Pagamentos/Simples NacionalAcesso para Entes Federativos, verificase que a Calçados Gugui Ltda se encontra excluída do SIMPLES. Incluímos ao processo cópia da consulta do Histórico dos Eventos pelo Simples Nacional às fl. 671. Resposta da Autoridade Administrativa quanto a EXCLUSÃO DO SIMPLES e Informação se houve IMPUGNAÇÃO da empresa quanto ao ATO DE EXCLUSÃO do SIMPLES, bem como qual é o número do eventual processo onde a empresa estaria refutando a motivação da penalidade lhe imposta: Conforme informamos no item anterior não foi efetuada Informação Fiscal de Exclusão do SIMPLES. Após a exclusão do sistema SIMPLES NACIONAL com efeitos a partir de 01/01/2011, a empresa protocolou, via Internet, nova solicitação em 31/01/2011 que foi indeferida por problemas fiscais (por possuir débitos previdenciários e não previdenciários com a Receita Federal do Brasil).” e a impossibilidade de desconsiderar negócios jurídicos indiretos. Observa, ainda, que a Lei Complementar n.º 104/2001, que abriu a possibilidade de as autoridades administrativas desconsiderarem atos ou negócios dos contribuintes, até a presente data, não se encontra regulamentada por lei ordinária. Logo, não pode servir como embasamento legal para o lançamento ora impugnado. Como se vê no destaque abaixo extraído da resposta da Diligência, embora toda a argumentação do mérito do lançamento esteja assentada nos documentos obtidos na diligência realizada na empresa tida como interposta, razão pela qual teriam sido desconsiderados os atos por ela praticados em relação ao recorrente, nenhuma penalidade fora imposta à diligenciada. A empresa sequer fora notificada de que seus atos em relação à autuada Fl. 705DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.723860/201229 Acórdão n.º 2403002.705 S2C4T3 Fl. 16 29 teriam sido invalidados. Desse modo , os argumentos do mérito no lançamento se apresentam mitigados : "Em relação à empresa Calçados Gugui Ltda não houve lançamento fiscal (Auto de Infração) e, por conseguinte, a necessidade de elaboração de Relatório Fiscal relativo à diligência. Auto(s) de Infração: Não foram constituídos Autos de Infração, tendo em vista que o MPF de Diligência tinha o objetivo específico de coletar informações e documentos para subsidiar o procedimento de fiscalização junto à empresa Calçados D’Luna Ltda e pelo fato da empresa Calçados Gugui Ltda ter atendido ao requisitado pela fiscalização no procedimento de DILIGÊNCIA. Informação Fiscal solicitando a EXCLUSÃO DO SIMPLES em razão da atividade fraudulenta: A referida Informação Fiscal não foi efetuada tendo em vista que, por ocasião do encerramento da DILIGÊNCIA FISCAL, a empresa já havia sido excluída do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/01/2011, por motivo de débito com a Fazenda Pública Federal." DO ARTIGO 116 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Não obstante o sobredito, é compulsório observar o contido na previsão do Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional CTN ressaltando que a Autoridade Administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. ( Incluído pela Lcp n 104, de 10.1: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. ( Incluído pela Lcp n 104, de 10.1.2001) Deveras, incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001, o Parágrafo Único do art. 116 admite que autoridade administrativa desconsidere atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, entretanto determina que sejam observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.Desse modo, ainda que se Fl. 706DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 configure fortes indícios o lançamento não prospera em razão de que se impõe à Autoridade Administrativa observar norma específica ainda por ser estabelecida. DA ECONOMIA PROCESSUAL De tudo que foi exposto, por economia processual, deixo de enfrentar demais alegações do mérito. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 707DF CARF MF Impresso em 04/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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