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Numero do processo: 11080.731774/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face das razões de defesa apresentadas em recurso voluntário.
OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO EM DECISÃO POR VOTO DE QUALIDADE. São rejeitados os embargos que veiculam questionamento não deduzido em recurso voluntário.
Numero da decisão: 1302-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) relativamente aos temas 1, 2 e 3, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos e, por voto de qualidade, ACOLHÊ-LOS sem efeitos infringentes, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix que rejeitavam os embargos; e 2) relativamente ao temas 4, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face das razões de defesa apresentadas em recurso voluntário. OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO EM DECISÃO POR VOTO DE QUALIDADE. São rejeitados os embargos que veiculam questionamento não deduzido em recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) relativamente aos temas 1, 2 e 3, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos e, por voto de qualidade, ACOLHÊLOS sem efeitos infringentes, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix que rejeitavam os embargos; e 2) relativamente ao temas 4, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 17 74 /2 01 1- 11 Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Na sessão plenária de 11 de março de 2014, a 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho julgou recurso voluntário interposto nestes autos, assim relatado no Acórdão nº 130201.331: Contra o Contribuinte foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, exigindo um total de crédito tributário de R$ 652.468,37, aí incluídos multa de 150% e juros. Segundo o Relatório fiscal, a autuação decorre da falta de recolhimento do ganho de capital obtido na alienação de participação societária que o contribuinte detinha junto a Univias Participações S/A, utilizandose de operações simuladas em conluio com outros interessados. Segundo o fiscal autuante a posição final do quadro societário das concessionárias demonstra a saída dos grupos Sultepa, Brasília Guaíba e Castilho, substituídos pela CIBE. Os dois primeiros utilizaram a CP e a Univias para reduzir indevidamente o ganho de capital auferido na operação. A operação, embora revestida de aparente legalidade formal, se trata de uma simulação. A sequência de atos praticados, por si só evidencia um descompasso entre a real intenção do negócio e o aspecto formal conferido à operação. Para o autuante, a simulação tornouse irrefutável diante do documento “Acordo de Investimentos e Outros Pactos” de 27/09/2006 (fls. 492/536), firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária objeto da negociação. Em tal documento fica evidente que nunca houve, por parte dos alienantes, a intenção de admitir um novo sócio, mas sim se retirar da Univias e, indiretamente, alienar a participação societária detida nas concessionárias. No “Acordo de Investimentos” a operação foi previamente detalhada, garantindo às partes o efeito final desejado, qual seja, a alienação das ações sem ganho de capital para os alienantes e com ágio para o adquirente. Os fatos descritos no TVF revelam que a verdadeira intenção da BGPAR sempre foi alienar para a Robina sua participação direta na Univias, e, por consequência, sua participação indireta nas concessionárias. A vontade formalmente externada não é verdadeira, oculta, de forma deliberada, a real intenção das partes, caracterizada por simulação no art. 167 do Código Civil, cujo efeitos tributários não devem prevalecer, mas sim os efeitos tributários dos atos que se buscou dissimulou, qual seja, a alienação da participação societária com ganho de capital sujeito à tributação na forma dos arts. 418 e 426 do RIR/99. Intimado o contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese que: preliminarmente, que os autos de infração são nulos por incompetência das autoridades fiscais autuantes de Porto Alegre. que a fiscalização mergulha em uma teoria conspiratória, da qual fazem parte, também, os demais subscritores do Acordo de Investimentos e as entidades da Administração Pública, como o BNDES, o DAER/RS, o CADE, a AGERGS, todos atuando em conluio com o único objetivo de lesar o Fisco. que existiu propósito negocial para a realização da operação, já que era necessário o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias. Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 4 3 que a fiscalização desconsiderou que todos os atos listados no Acordo de Investimentos foram realmente praticados e que as empresas envolvidas submeteramse aos efeitos desses atos (inclusive fiscais). que houve adequado intervalo temporal entre as operações, independência entre as partes, existência de condições suspensivas que pendiam para o ingresso do novo sócio e o que a operação não era mera alienação de investimento, mas sim de captação de recursos condicionada ao cumprimento de requisitos. que em 2004 foi constituída a CP Construções e Participações Ltda., com vistas à exploração do Complexo Rodoviário Metropolitano. que depois de inúmeras tentativas frustradas de acordo, as concessionárias continuavam a pleitear a execução do Termo Aditivo para reequilíbrio econômico financeiro, sob pena de inviabilização da continuidade da execução dos contratos. que em janeiro de 2006 foram rerratificadas as cláusulas do Termo Aditivo, que demandaria, necessariamente, a captação de recursos no mercado para atendimento às novas exigências dele constantes. que a continuidade da execução dos contratos estava condicionada a aportes substanciais de capita. que o contexto político das concessões de rodovias, ao longo de 2005, dava indícios do lançamento da 2ª etapa do Programa Federal de Concessões, que poderia alavancar, novamente, os negócios da companhia. que em 07 de junho de 2005 foi aprovado o lançamento das licitações relativas à 2ª etapa do Programa de Licitações, tornadose mais necessária uma associação para que fossem injetados recursos na Univias. que em setembro de 2006, foi feito Acordo de Investimentos, que previu o ingresso da Robina como investidora e a emissão de bônus de subscrição como forma de captação dos recursos necessários para a continuidade dos contratos de concessão. que em 2007, foi lançada a 2ª etapa do Programa de Concessões e outro grupo ganhou a disputa de 5 dos 9 lotes disputados, mudando totalmente a estrutura de capitais dos negócios, tornando inviável a participação da UNIVIAS em outras concorrências. que isso resultou no desinteresse pelo negócio de concessões, culminando na saída da CP e da própria impugnante do Consórcio Univias. que a reestruturação societária empreendida, levou quase um ano, o que demonstra que os atos praticados não eram meros atos formais, desprovidos de motivação. que em cada uma das três etapas do Acordo de Investimentos existiam condições suspensivas para o ingresso do novo sócio com possibilidade de rescisão do Acordo. que inexistiu fraude e conluio na operação, o que torna impossível a qualificação da multa. que todas as operações foram lícitas e escrituradas, o Acordo foi divulgado em Comunicado ao Mercado e registrado no CADE. que o objetivo da operação era receber um novo investidor e não houve qualquer prejuízo ao fisco. que não há como se cogitar de conluio na operação e para provar suas alegações junta os documentos de folhas 1693 à 2079. A 1ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IRPJ/CSLL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. AUTUANTE. INOCORRÊNCIA. A competência territorial do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é nacional. Informações colhidas em procedimentos fiscais podem ser compartilhadas entre as diversas unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente da sua jurisdição territorial. No caso dos autos, os fatos que deram origem ao lançamento foram identificados em jurisdição diversa da jurisdição do contribuinte, entretanto, foi a autoridade administrativa de sua jurisdição que primeiro tomou conhecimento da infração (não tributação do ganho de capital) e efetuou o lançamento. IRPJ/CSLL SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. A alienação de participação societária utilizandose de artifícios que, ao final, resultaram em redução do ganho de capital obtido na operação, deve ser desconsiderada, recompondose as bases de cálculo desconsiderandose os fatos dissimulados. IRPJ/CSLL MULTA AGRAVADA É cabível o agravamento da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo visando o escamoteamento da base de cálculo tributável. Intimado em 13/03/12, apresentou recurso voluntário em 11/04/12, alegando basicamente o seguinte: que a simulação alegada é baseada em meras suposições e presunções, não comprovadas. que os contribuintes devem ter a liberdade de organizar seus negócios, da maneira mais econômica. que este vem sendo o entendimento adotado por este Conselho, conforme ementas abaixo transcritas: Acórdão 10247521 DESCARACTERIZAÇÃO DE TRANSAÇÃO DECLARADA PELO CONTRIBUINTE NECESSIDADE DE PROVA Para que sejam tidas como ilicitas as transações regularmente descritas pelo Contribuinte, a Fiscalização deve comprovar os fatos que alega como motivo para a respectiva descaracterização. Acórdão 10420364 SIMULAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. A acusação fiscal de prática de negócios jurídicos simulados deve estar amparada em provas inequívocas da ocorrência do vício, sem o quê não poderá prevalecer a pretendida desconsideração de tais negócios. Acórdão 10194340 DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO Não basta a simples suspeita de fraude, conluio ou simulação para que o negócio jurídico seja desconsiderado pela autoridade administrativa, mister se faz provar que o ato negocial praticado deuse em direção contrária à norma legal, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador do tributo. dos citados acórdãos vêse que a fiscalização deve estar munida de elementos suficientes para, com precisão, afirmar que a conduta do contribuinte encontrase eivada em vícios. Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 6 5 que foi ainda imposta multa qualificada de 150%, em razão da existência de "fraude" e "conluio" nas operações realizadas, sem levar em consideração que as operações envolveram a aprovação de entidades Públicas, como o BNDES, DAER/RS, CADE e AGERGS e foram amplamente divulgadas ao mercado, por exigência da CVM, o que evidencia a legitimidade da operação. que após passar pelo crivo de todos esses órgãos, a operação jamais seria implementada caso fosse eivada de vicio como afirma a fiscalização. que o Fisco tenta "desmoralizar" a Univias, uma das maiores e mais sérias empresas do setor de concessão rodoviária do Brasil. que o fiscal autuante, validou esta mesma operação em relação à Metrovias (sucessora da Robina), também signatária do Acordo, encerrando a fiscalização sem apuração de crédito tributário. que todos os atos societários e contratuais do Acordo foram executados e arquivados nas Juntas Comerciais competentes. que o bônus de subscrição, para captação de recursos foi emitido e o preço pago pela Robina. que antes do fechamento da operação, foi rescindido o Contrato de Empreitada entre as concessionárias e o Consórcio Construtor Sul, por exigência da nova investidora, o que comprova que a Recorrente e demais controladores da Univias estavam dispostos a correr o risco de rescindir o contrato em vigor, para dar seguimento às operações praticadas. que restou demonstrado que no caso havia motivação extratributária, dado o contexto politico e econômico da exploração de concessões rodoviárias no Brasil. que Olivio Dutra impôs uma redução nas tarifas entre 10% e 20% para automóveis e entre 20% e 28% para caminhões, ocasionando desequilíbrio econômicofinanceiro nos contratos. É o relatório. O Colegiado embargado acordou, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. O acórdão em tela foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. OPERAÇÃO “CASASEPARA”. SIMULAÇÃO. Deve ser mantida a exigência, ao restar comprovado que as complexas operações societárias levadas a efeito pelos interessados nunca objetivaram a admissão de novo sócio ou investidor, mas sim a alienação de participações societárias. A existência de prévio contrato escrito entre as partes, em que são detalhados todos os passos e valores envolvidos nas operações, reforça tal conclusão. Irrelevante o lapso temporal entre o início e o final das operações ter sido superior a um ano, se todas as etapas estavam previamente acordadas entre as partes. O descompasso entre a vontade aparente e a vontade real conduz à conclusão de simulação. O ganho de capital na alienação foi artificialmente reduzido, com a igualmente artificial majoração do custo de aquisição. O lançamento deve, assim, ser mantido. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 7 6 É cabível a qualificação da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo ao praticar atos simulados, com o objetivo de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. BGPAR S/A apresentou embargos admitidos nos termos de despacho de fls. 2355/2356, a seguir transcrito: Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional devolveu os autos sem manifestação (fl. 2274). Os autos seguiram para a Unidade de origem, mas antes de ser cientificada a contribuinte opôs embargos em 13/10/2014 (fls. 2278/2338), que assim devem ser considerados tempestivos. Afirma a embargante que o acórdão embargado padeceria de omissões e obscuridades, a saber: (i) obscuridade quanto às motivações extrafiscais das operações em virtude das dificuldades financeiras agravadas pelo desequilibro econômicofinanceiro dos contratos de concessão; (ii) omissão quanto à licitude do bônus de subscrição diante da impossibilidade de alienação direta das participações; (iii) omissão e obscuridade ao definir a operação como "casa e separa"; (iv) omissão quanto à impossibilidade de manutenção da multa na decisão por voto de qualidade; e A exigência em debate recaiu sobre o ganho de capital obtido na alienação de participação societária que a contribuinte detinha junto a Univias Participações S/A. Observase no recurso voluntário referências às motivações extrafiscais das operações e à licitude do bônus de subscrição, aspectos que, embora possam ter sido suplantados pelas razões determinantes para a manutenção da exigência, apresentadas no voto condutor do julgado, não foram expressamente assim considerados. Também não se identifica, no voto condutor do julgado, referências às condições suspensivas, alegadas em recurso voluntário, e que, no entender da embargante, poderiam prejudicar a caracterização da operação como "casa e separa". Por fim, com referência à manutenção da multa de ofício em decisão por voto de qualidade, é certo que este tema não integrava o recurso voluntário, e não demandaria maiores esclarecimentos. Todavia, como os demais temas demanda esclarecimentos, não há qualquer prejuízo em também admitir os embargos neste ponto. Frente ao exposto, neste juízo de cognição sumária, restam caracterizadas as omissões e obscuridades apontadas pela embargante, razão pela qual, com fundamento no art. 65, §2o, e no art. 49, §5º, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, são ADMITIDOS os embargos de declaração opostos pela recorrente, com sua consequente inclusão em lotes para sorteio, na medida em que o Conselheiro Redator não mais integra o Colegiado embargado. Observese, ainda, que nesta mesma data estão sendo admitidos embargos de declaração opostos por CP Construções e Participações Ltda e Pedrasul Construtora S/A, nos autos dos processos administrativos nº 11080.730002/201161 e 11080.732210/201103, os quais, por decorrerem das mesmas operações aqui Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 8 7 tratadas, revelam conexão na forma do art. 6º, §1º, inciso I, do Anexo II do RICARF, autorizando a distribuição conjunta ao mesmo Conselheiro Relator. Esclareçase que, como o Conselheiro Relator não mais integra o Colegiado embargado, os autos foram atribuídos por meio de sorteio a esta Conselheira, na forma do art. 49, §5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Os embargos foram opostos tempestivamente, e a embargante demonstrou aspectos que revelavam omissões e obscuridades que demandavam saneamento, nos termos expostos no despacho de admissibilidade. Por tais razões, os embargos são CONHECIDOS. Passase, assim, ao exame das alegações da embargante. Obscuridade quanto às motivações extrafiscais das operações em virtude das dificuldades financeiras agravadas pelo desequilibro econômicofinanceiro dos contratos de concessão (Tema 1) e Omissão quanto à licitude do bônus de subscrição diante da impossibilidade de alienação direta das participações (Tema 2) A embargante aduz que o voto vencedor do acórdão embargado, ao afirmar que os ditos atos simulados teriam majorado indevidamente o custo de aquisição do investimento, findando por "ocultar" o suposto ganho de capital ocorrido", desconsidera circunstâncias de extrema relevância para o deslinde do feito e o correto entendimento das operações realizadas, quais sejam, as dificuldades financeiras agravadas pelo desequilíbrio econômicofinanceiro dos contratos de concessão. Relatando as ocorrências que evidenciariam a instabilidade política no Estado do Rio Grande do Sul acerca da concessão de serviços públicos, especificamente rodovias, a demandar maciços investimentos das concessionárias, a embargante assevera que ela e suas sócias não tinham mais capacidade financeira para, sozinhas, realizar estes novos investimentos, e destaca ser sua a obrigação de preservar a qualificação econômicofinanceira apresentada por ocasião do certame público, sob pena de caducidade da concessão, na forma da legislação de regência. Como tal caducidade causaria prejuízos ainda maiores à Embargante, constitui motivo que explica a necessidade da reestruturação ocorrida. Assim, ante a decisão da embargante e das demais empresas que compunham a UNIVIAS de sair do ramo de concessões públicas rodoviárias, promoveuse estudo para decidir qual a melhor estrutura societária para alienar os investimentos realizados, ou trazer um novo investidor à UNIVIAS, com o intuito de fazer frente aos novos investimentos demandados e avaliar o endividamento das empresas. Considerando que a transferência da concessão ou mesmo do controle acionário da concessionária sem a autorização do Poder Concedente é causa de caducidade da própria concessão, necessária seria autorização expressa do Poder Concedente (DAER) bem como de demais órgãos públicos, tais como BNDES (credor) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a inviabilizar a simples e pura alienação de sua participação nas concessões públicas, sendo que, de outro lado, a UNIVIAS e a Embargante necessitavam urgentemente de novos recursos para a manutenção de sua qualificação econômico financeira. Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 10 9 Daí a contratação do Banco Pactual S/A e do escritório de advocacia Barbosa, Mussnich & Aragão Advogados, para estudo das hipóteses viáveis, sendo certo que tais pareceres, em momento algum, foram confrontados pelo voto vencedor do acórdão embargado. Concluindo pela inviabilidade da contratação de empréstimos bancários e da abertura de capital em Bolsa de Valores, restou como única alternativa a imediata entrada de um novo investidor, que para ser promovida sem a alienação das ações antes da anuência do BNDES e do DAER, foi promovida por meio do bônus de subscrição. A embargante acrescenta que: Nesse modelo, por um lado garantese o ingresso imediato de investimentos necessários à consecução do objeto dos contratos administrativos sem qualquer aumento do passivo da UNIVIAS e seus acionistas, assegurando, assim, a qualificação econômicofinanceira exigida. Por outro, concede a segurança ao novo investidor, durante o período necessário à obtenção das autorizações exigidas para alienar parte das concessionárias. Com base nisso, o novo investidor interessado no negócio desenvolvido pela UNIVIAS firmou, em setembro de 2006, com a própria UNIVIAS e as empresas que dela participavam, o Acordo de Investimentos devidamente registrado no CADE. Volvendo os olhos para o recurso voluntário, observase no tópico "IV.I.I Propósito Negocial" a abordagem acerca das ocorrências que evidenciariam a instabilidade política no Estado do Rio Grande do Sul acerca da concessão de serviços públicos, especificamente rodovias. Já com referência às alternativas consideradas para superar o fato de que a embargante e suas sócias não tinham mais capacidade financeira para, sozinhas, realizar os novos investimentos demandados pela concessão por elas detida, outra foi a abordagem em recurso voluntário. De fato, a recorrente firmou, apenas, a necessidade do ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento, e isso para justificar a previsão contratual de retirada dos demais sócios da UNIVIAS, apesar de acrescentar que o ingresso de novo sócio alavancaria as companhias em outros negócios a serem desenvolvidos, especialmente frente ao possível lançamento da 2ª Etapa do Programa Federal de Concessões, dado que a associação com um grupo economicamente forte injetaria recursos na Companhia e viabilizaria o desenvolvimento de novos negócios. Neste momento, a recorrente não abordou a necessidade de prévia autorização dos órgãos reguladores para transferência da concessão. Há apenas uma menção ao fato de que a reorganização empresaria dependia da aprovação de terceiros, sendo que as justificativas de propósito negocial são finalizadas com a observação de que as vitórias do Grupo Espanho OHL no referido programa de concessões decorreu do baixo custo de obtenção de recursos pelo lançamento de papéis ou Bolsa de Valores, gerando perda de escala para o Grupo UNIVIAS e motivando a saída da contribuinte do referido consórcio. Somente mais à frente, ao tratar das condições suspensivas do negócio, a recorrente fez referência à necessidade de aprovação dos órgãos reguladores. Já com referência à escolha do bônus de subscrição como meio para imediata injeção de capital no empreendimento, a recorrente apenas o descreveu como instrumento previsto na legislação societária para captação de recursos por companhias, e afirmou que ele foi efetivamente emitido e o preço pela sua emissão e exercício foi devidamente pago pela Robina, sem enfrentar a acusação fiscal, reproduzida pela própria recorrente, de que tais recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo simulado, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 11 10 Feitos tais esclarecimentos, vêse que o voto condutor do acórdão embargado, embora em abordagem que se prestava a demonstrar que o caso presente se alinhava àqueles que este Conselho classificou como "casasepara", acabou por demonstrar que tais justificativas não alteravam a conclusão de haver simulação para evitar a tributação sobre ganho de capital, evidenciando a partir da análise do Acordo de Investimentos que: 1) a intenção das autuadas sempre foi alienar a participação societária; 2) a autorização dos órgãos reguladores seria indispensável em qualquer forma negocial; 3) o bônus de subscrição não se prestou ao incremento do empreendimento porque repassado diretamente aos sócios da UNIVIAS por conta de mútuo; e 4) a rescisão do contrato somente foi prevista em caso de não autorização dos órgãos reguladores, vinculandose os pactuantes irrevogavelmente nas demais hipóteses. Para maior clareza, transcrevese as razões assim expostas no voto condutor do julgado: No caso sob análise, o Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 492/536) evidencia exatamente isso. A intenção de admitir um novo sócio ou investidor (supostamente a Robina) nunca esteve presente, e a intenção desde o início era alienar a participação societária que os envolvidos detinham junto às concessionárias. O acórdão recorrido bem enfatizou aspectos do negócio que evidenciam seus efeitos financeiros, com a imediata transferência dos recursos aportados pela Robina aos alienantes, confirase o seguinte excerto (fls. 2099): Esse aspecto fica mais claro quando se verifica que na mesma assembléia em que se aprovou a emissão de bônus de subscrição também houve a renúncia do direito de subscrição pelos acionistas e a aprovação da subscrição do bônus pela Robina. E, também, quando se verifica que os valores recebidos pela Univias, referentes à subscrição do bônus, foram repassados imediatamente aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo, que posteriormente foi quitado mediante resgate de ações, com lançamento contábil à débito de mútuo e à crédito de investimentos. Outro aspecto de profunda relevância a demonstrar que nunca houve, de fato, um “novo investidor” é a constatação de que, quando a Robina subscreveu as ações, já havia ocorrido redução de ações na Univias, de tal forma que o número de ações ficou quase inalterado (100 milhões contra 103 milhões, vide descrição detalhada à fl. 1610/1611). Alegam as recorrentes que, ao contrário de outras situações caracterizadas como “casasepara”, neste caso teria havido o transcurso de um lapso temporal significativo, superior a um ano. No entanto, tal lapso temporal, aqui, se torna irrelevante, visto que todos os passos estavam previamente pactuados entre as partes, até mesmo quanto a valores. Também deve ser refutada a afirmação de que não seria possível a alienação direta, mediante compra e venda, pela necessidade de autorização expressa dos órgãos concedentes. É verdade que tal autorização era indispensável para a alienação das participações societárias, mas não é menos verdade que também o foi dentro da complexa operação engendrada pelas alienantes, aqui discutida. Confirase, por exemplo, no Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 492/536), os itens 5.2 (b); 5.2.1 (f); e 5.3 (b). Acrescentese a essa observação que a hipotética ausência das indispensáveis autorizações dos órgãos reguladores seria a única situação capaz de desobrigar os pactuantes e levar à rescisão do contrato (item 5.2.2). De outra sorte, os pactuantes estavam irevogavel e irretratavelmente obrigados (item 5.1) a prosseguir nas etapas contratadas. Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 12 11 Resta, pois, demonstrada que a autorização dos órgãos reguladores seria indispensável, como o foi, qualquer que fosse a forma negocial adotada. Assim, afastada qualquer motivação extrafiscal, remanesce tão somente a motivação de redução ou supressão dos tributos devidos na alienação da participação societária. (negrejouse) Frente a tal abordagem, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, apenas para sanar a obscuridade vislumbrada na abordagem acima, a qual, apesar de centrada na caracterização da operação como "casasepara", demonstrou que as dificuldades financeiras destacadas pela embargante e o aporte de capital mediante bônus de subscrição não alteram a conclusão de que houve simulação e a recorrente pretendia, apenas, alienar seu investimento, sendo os recursos aportados pela adquirente destinados aos sócios da UNIVIAS, e não aplicados no empreendimento. Omissão e obscuridade ao definir a operação como "casa e separa" (Tema 3) A embargante aduz que, ao definir a operação in casu como operação de Casa e Separa", o voto vencedor foi omisso quanto ao fato de que as condições no presente caso eram suspensivas, e não resolutivas como os típicos casos de "Casa e Separa". Acrescenta que o voto vencedor do acórdão também foi obscuro quanto à alternativa jurídica mais simples e direta, uma vez que, como já afirmado acima, não levou em consideração a impossibilidade imposta pelo Contrato Administrativo ao qual a Embargante estava vinculada, que impossibilitava absolutamente a venda direta, hipótese esta totalmente peculiar e diversa de todos os casos de "Casa e Separa". A embargante estrutura seus questionamentos a partir das premissas de que os planejamentos denominados "casa e separa" se valem de empresa veículo com vida efêmera, com a fixação de cláusulas resolutivas que não levariam a quaisquer penalidades se não implementadas, sempre presente a possibilidade de ser adotada uma alternativa mais simples por não envolver órgãos públicos, nem agentes financeiros. Confrontando estas circunstâncias com as características do presente caso, conclui que inexiste qualquer semelhança com os demais casos analisados por este Conselho. Defende, assim, que deveria constar do voto condutor em detalhes porque reputou a operação realizada nos autos como uma operação de "Casa e Separa", abordando cada um dos critérios apontados pela Embargante (apontados acima), e não deixando de analisar as condições em que as operações ocorreram e a alternativa jurídica mais simples e direta. Inicialmente cumpre observar que o voto condutor do acórdão embargado claramente expõe as premissas que caracterizariam a dita operação "casasepara": Ao analisar as operações como um todo, o Colegiado concluiu estar diante de situação que a doutrina e outros julgamentos deste CARF têm denominado “casa separa”. Tal é o contexto, quando o possuidor de determinado ativo (no caso concreto, participações societárias) resolve dele se desfazer. No entanto, em vez de alienálo em simples operação de compra e venda, com a apuração de ganho de capital, engendra complexas alterações societárias com entrada de novo sócio com recursos financeiros e posterior retirada de sócio, de tal forma que o resultado final é que o “novo sócio”, que havia ingressado na sociedade com recursos financeiros, nela permanece com o ativo (objeto da alienação) e o “antigo sócio”, até então dono do ativo, se retira da sociedade com recursos financeiros. O ativo muda de mãos, também os recursos financeiros, tal e qual se daria em operação de compra e Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 13 12 venda, mas aqui sem a apuração de ganho de capital. O apelido “casasepara” vem da constatação de que nunca houve qualquer intenção de constituir uma sociedade, sendo certo que os “sócios” já sabiam de antemão que nunca haveriam de explorar um negócio de forma conjunta e que à entrada de um sucederia inevitavelmente a saída do outro. Logo, se a embargante entende que as demais premissas aventadas são determinantes para a conclusão de que houve ganho de capital tributável, cumprelhe demonstrar a divergência mediante veículo próprio, qual seja, recurso especial dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais. De outro lado, constatase que, em recurso voluntário, a interessada destacou que a validade das operações que geram economia fiscal seria evidenciada, dentre outros aspectos, pela existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio. Relatou tais condições, reconhecidas pela Fiscalização (aprovação pelo DAER/RS, comunicação ao BNDES sobre a transferência do controle das concessionárias, encaminhamento ao BNDES e agentes financeiros de pedido de aprovação para tal transferência de controle, obtenção da autorização do BNDES e dos agentes financeiros para a transferência do controle), e ressaltou a possibilidade de rescisão do acordo caso não obtida a autorização ou não implementadas as demais condições. Discordou, assim, da caracterização de uma alienação frente à possibilidade de rescisão do acordo, e reafirmou sua função: permitir o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. Tais argumentos foram assim enfrentados no voto condutor do julgado: Também deve ser refutada a afirmação de que não seria possível a alienação direta, mediante compra e venda, pela necessidade de autorização expressa dos órgãos concedentes. É verdade que tal autorização era indispensável para a alienação das participações societárias, mas não é menos verdade que também o foi dentro da complexa operação engendrada pelas alienantes, aqui discutida. Confirase, por exemplo, no Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 492/536), os itens 5.2 (b); 5.2.1 (f); e 5.3 (b). Acrescentese a essa observação que a hipotética ausência das indispensáveis autorizações dos órgãos reguladores seria a única situação capaz de desobrigar os pactuantes e levar à rescisão do contrato (item 5.2.2). De outra sorte, os pactuantes estavam irrevogável e irretratavelmente obrigados (item 5.1) a prosseguir nas etapas contratadas. Nestes termos, embora não se referindo expressamente às condições suspensivas aventadas pela recorrente, o Conselheiro Redator teve em conta seus efeitos e não os considerou suficientes para afastar a existência, na hipótese, de uma operação "casasepara". Em verdade, tais condições suspensivas apresentamse como diferencial nesta operação em comparação com outras já apreciadas neste Conselho, mas apenas porque a alienação do investimento dependia das prévias autorizações antes referidas para que o adquirente. Consequência deste diferencial, porém, foi apenas a distribuição da apuração do ganho de capital nos anoscalendário 2006 e 2007, em conformidade com a entrega de recursos pela adquirente, dependente do implemento das condições antes referidas, apesar de no presente caso não ter sido apurada diferença a tributar em 2007, em razão dos demais valores reconhecidos pela autuada. Até porque, ainda que pendentes condições suspensivas, os valores recebidos pela Univias, referentes à subscrição do bônus, foram repassados imediatamente aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo, que posteriormente foi Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.731774/201111 Acórdão n.º 1302001.838 S1C3T2 Fl. 14 13 quitado mediante resgate de ações, com lançamento contábil à débito de mútuo e à crédito de investimentos, como bem destacado no voto condutor do julgado. Por tais razões, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, apenas para sanar a obscuridade vislumbrada na abordagem acima, evidenciado que o voto condutor do julgado teve em conta os efeitos das condições suspensivas, mas não os considerou suficiente para afastar a existência, na hipótese, de uma operação "casasepara". Omissão quanto à impossibilidade de manutenção da multa na decisão por voto de qualidade (Tema 4) A embargante entende que o Colegiado embargado se omitiu ao deixar de observar o disposto no artigo 112 do CTN visàvis o resultado do julgamento em sede de voto de qualidade. Defende que em caso de dúvida, a decisão deve ser favorável ao réu, ou, no caso ao contribuinte, não podendo serlhe imputada qualquer penalidade, ainda que o tributo seja considerado devido. Discorre sobre o princípio do in dubio pro reo e sobre sua aplicação no âmbito do Poder Judiciário, pleiteando o cancelamento da multa de ofício. Como já adiantado no despacho de admissibilidade, tal argumento não integrava o recurso voluntário, de modo que a ausência de sua abordagem no voto condutor do julgado não representa omissão de ponto sobre o qual a Turma deveria se pronunciar. Assim, os embargos devem ser REJEITADOS neste ponto. Estas as razões para, ao final, CONHECER dos embargos, mas ACOLHÊ LOS PARCIALMENTE, e sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13819.720925/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PARCIAL
Uma vez constatada a omissão parcial de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste apresentada pelo contribuinte, procede, em parte, a infração apurada pela Fiscalização.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMISSÃO. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA
Entram no cômputo do rendimento bruto de aluguéis de imóveis, os pagamentos efetuados quando não há comprovação nos autos, através de documento hábil e idôneo. O documento apresentado não preenche os requisitos da Lei nº 6.530/78 e alterações, bem como da tabela do CRECI.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. RENDIMENTOS INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO.
O imposto de renda retido na fonte a ser considerado no cálculo do ajuste anual deve ser correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, por expressa determinação legal.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2301-004.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas a relatora e a Conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar da base do lançamento o montante de R$33.658,33, referente à compensação indevida de Imposto Retido na Fonte. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marcela Brasil de Araújo Nogueira.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Marcela Brasil de Araújo Nogueira - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PARCIAL Uma vez constatada a omissão parcial de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste apresentada pelo contribuinte, procede, em parte, a infração apurada pela Fiscalização. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMISSÃO. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA Entram no cômputo do rendimento bruto de aluguéis de imóveis, os pagamentos efetuados quando não há comprovação nos autos, através de documento hábil e idôneo. O documento apresentado não preenche os requisitos da Lei nº 6.530/78 e alterações, bem como da tabela do CRECI. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. RENDIMENTOS INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO. O imposto de renda retido na fonte a ser considerado no cálculo do ajuste anual deve ser correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, por expressa determinação legal. Recurso Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 94 1 93 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.720925/201410 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.759 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2016 Matéria IRRF Recorrente LEONILDA MONTIBELLER ZABOLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PARCIAL Uma vez constatada a omissão parcial de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste apresentada pelo contribuinte, procede, em parte, a infração apurada pela Fiscalização. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMISSÃO. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA Entram no cômputo do rendimento bruto de aluguéis de imóveis, os pagamentos efetuados quando não há comprovação nos autos, através de documento hábil e idôneo. O documento apresentado não preenche os requisitos da Lei nº 6.530/78 e alterações, bem como da tabela do CRECI. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. RENDIMENTOS INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO. O imposto de renda retido na fonte a ser considerado no cálculo do ajuste anual deve ser correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, por expressa determinação legal. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas a relatora e a Conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar da base do lançamento o montante de R$33.658,33, referente à “compensação indevida de Imposto Retido na Fonte”. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marcela Brasil de Araújo Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 09 25 /2 01 4- 10 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 01/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Marcela Brasil de Araújo Nogueira Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira. Relatório Tratase de notificação de lançamento de fls. 04/10 em razão de apuração de: omissão de rendimentos do trabalho, no valor de R$ 1.364,23 omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, no valor de R$ 24.960,00 e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, sendo glosado o valor de R$ 33.658,33 referente ao IRRF por falta de comprovação do Comprovante de Rendimentos da Fonte Pagadora. As infrações reportamse ao exercício de 2012, anocalendário 2011. A Contribuinte tomou ciência da exigência em 07/03/2014 (fl. 65) e, em 08/04/2014, apresentou a impugnação de fls. 02/03, por intermédio de mandatário, alegando, em síntese, que o montante apurado como rendimentos de aluguéis omitidos referese aos pagamentos de comissões ao administrador dos imóveis. Complementou no sentido de que a despeito de o administrador ser seu filho, isso não o impede legalmente de exercer tal atividade. Acostou recibo, no valor de R$ 42.935,10, emitido por Atilio Zaboli Filho (fl. 26). No que tange à infração de omissão de rendimentos do trabalho, alegou que houve patente erro de digitação, mas que os rendimentos seriam isentos e nada deveria ser tributado. Com relação à infração de compensação indevida de IRRF, a interessada apresentou a declaração de fls. 23/25. A Turma de Primeira Instância julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte, restando a decisão ementada como segue: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 01/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13819.720925/201410 Acórdão n.º 2301004.759 S2C3T1 Fl. 95 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PARCIAL. Uma vez constatada a omissão parcial de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste apresentada pelo contribuinte, procede, em parte, a infração apurada pela Fiscalização. COMISSÃO. DEDUÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. São passíveis de dedução dos rendimentos de aluguéis recebidos pelo contribuinte os respectivos valores pagos a título de comissão, desde que devidamente comprovado o efetivo pagamento, quando o contribuinte foi instado a fazêlo. IRRF. RENDIMENTOS. BASE DE CÁLCULO O imposto de renda retido na fonte a ser considerado no cálculo do ajuste anual deve ser correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, por expressa determinação legal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A ciência do Acórdão 1266.720 19ª Turma da DRJ/RJ1, ocorreu em 22/07/2014, mediante Aviso de Recebimento AR (fl. 79). Sobreveio recurso voluntário em 21/08/2014 (fl. 81/86), em que a recorrente alegou, em apertada síntese que: quanto aos rendimento do trabalho, tratamse de proventos de aposentadoria da declarante com mais de 65 anos e que houve erro de digitação, não podendo lhe ser imputada multa e demais penalidades; que quanto à omissão de aluguéis, esclarece que tratase de valores dedutíveis relativas aos pagamentos efetuados ao administrador das locações, Sr. Atilio Zaboli Filho, OAB/SP 57.589 e que quanto à compensação indevida de IRRF, os valores estão em consonância com o informe de rendimentos financeiros fornecidos pela fonte pagadora e que se alguma divergência foi apurada, deve ser imputada à fonte pagadora e não à contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Alice Grecchi Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 01/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 O recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72 merecendo ser conhecido. A recorrente insurgese quanto a decisão de primeira instância que manteve parte do lançamento. No que se refere à infração de omissão de rendimentos do trabalho, alega a recorrente ter havido um mero erro de digitação e que bastaria uma declaração retificadora não cabendo a imposição de penalidades. Não prosperam as alegações da recorrente, uma vez que o art. 136, CTN é claro ao informar que a responsabilização por infrações, independe da vontade do agente. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Neste ponto, não merece reparos a decisão "a quo", a qual transcrevo para utilizar como razões de decidir: Todavia, há de se corrigir o valor lançado a título de rendimentos omitidos. O comprovante de fl.18 identifica rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual no valor de R$5.508,38, enquanto que a contribuinte ofereceu à tributação, na DIRPF/2012, a quantia de R$5.440,92. Assim, há de se reduzir a infração de omissão de rendimentos do trabalho para o valor de R$67,46. Esclareçase que o montante de rendimentos informado na linha 1 do quadro de rendimentos isentos no comprovante de fl. 18 inclui a parcela de décimo terceiro salário, que não se submete ao ajuste anual. Daí a necessidade de se reduzir o montante lançado. Com relação à omissão de rendimento de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, no montante de R$ 24.960,00, a recorrente alega que o valor omitido se trata de pagamento efetuado ao administrador das locações, seu filho, Atilio Zaboli Filho. A infração foi mantida com seu respectivo crédito tributário por falta de comprovação do alegado pagamento, pois entendeu a DRJ que “a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento das alegadas comissões incidentes sobre os aluguéis recebidos, quando tal exigência encontravase claramente descrita na peça fiscal como fato motivador da infração, deve ser mantida, na íntegra, a omissão de rendimentos apurada neste item da autuação”. Compulsando os documentos acostados pela recorrente, especialmente a sua DAA (fl. 47) e no recibo de fl. 26, verificase que efetivamente a recorrente efetuou pagamento a título de honorários de administração de locações ao Sr. Atilio Zaboli Filho, no valor de R$ 42.935,10. Entretanto, não há nos autos qualquer documento que vincule os serviços prestados pelo Sr. Atilio aos contratos de locações mantidos com a recorrente. Ademais, de acordo com a Declaração de Ajuste Anual da autuada, o valor pago para administração de locações é superior a 10% dos rendimentos auferidos no ano pela recorrente, incluindo pensões (fl. 44). Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 01/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13819.720925/201410 Acórdão n.º 2301004.759 S2C3T1 Fl. 96 5 De acordo com tabela do CRECI/SP, obtida através do site http://www.crecisp.gov.br/servicos/servicos.asp?acao=comissoes, verificase que as comissões para administração de aluguéis variam de 8% a 10%. ADMINISTRAÇÃO DE BENS IMÓVEIS Sobre o aluguel e encargos recebidos: 8% a 10% Valor mínimo de R$ 50,00 NOTA: A administração para clientes cuja carteira imobiliária seja, comprovadamente, superior à R$ 100.000,00(cem mil reais)/mês, o percentual será: 5% a 10% Ademais, verificase pelo recibo acostado (fl. 26), que o Sr. Atilio é advogado, não preenchendo, portanto, os requisitos da Lei nº 6.530/78 que regulamenta a profissão de corretor de imóveis. Por esses motivos, o recibo acostado pelo contribuinte não é documento válido que sirva a justificar a omissão dos rendimentos de aluguéis, mantenho a infração. No que tange à infração por compensação indevida de Imposto Retido na Fonte, sendo o valor posteriormente glosado no montante de R$ 33.658,33 referente ao IRRF por falta de comprovação do Comprovante de Rendimentos da Fonte Pagadora, a recorrente sustenta que os valores estão em consonância com o informe de rendimentos financeiros fornecidos pela fonte pagadora (Copa Comercio de Roupas CNPJ 06.236.813/000161) e que se apurada alguma divergência, deverá ser imputada à fonte pagadora. Assiste razão à recorrente, pois os documentos trazidos confirmam suas alegações. O comprovante de rendimentos (fl. 22), bem como consulta ao sistema interno da Receita Federal (fl. 70), demonstram que os rendimentos de aluguéis oriundos da referida fonte pagadora, totalizaram R$ 145.860,00 com IRRF 33.658,33. No entanto, a Declaração de Ajuste Anual contém a informação de rendimentos de R$ 131.274,00, evidenciando a omissão de R$ 14.586,00. Em que pese tenha havido omissão de rendimentos por parte da contribuinte, imperioso salientar que essa não foi o fundamento da autuação. Frisase que a contribuinte foi autuada por compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte: A Turma Julgadora de Primeira Instância, inclusive RATIFICOU que foi retido na fonte o valor de R$ 33.658,33. Entretanto, ao se referir a "rendimentos omitidos", e efetuar recálculo do IRRF com base no valor omitido, está claramente alterando o enquadramento e capitulação legal da autuação. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 01/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 A parcela de rendimentos tributáveis omitidos na DIRPF/2012 foi de R$14.586,00, com respectivo IRRF de R$4.011,15 (27,5% de R$14.586,00). Portanto, há de se excluir do montante de IRRF a parcela relativa aos rendimentos omitidos. Do total de R$33.658,33 a título de IRRF, deve ser deduzido o valor de R$4.011,15 (IRRF correspondente aos rendimentos omitidos), o que perfaz o montante a ser aproveitado no ajuste anual no valor de R$29.647,18. Assim, este item deve ser cancelado por dupla razão: a um constatado através de documentação hábil e idônea que efetivamente houve retenção na fonte, no valor informado pela contribuinte de R$ 33.658,33, não há que se falar em compensação indevida de IRRF; a dois – a DRJ não pode alterar a fundamentação, motivação e base de cálculo do lançamento, para mantêlo parcialmente. O recurso deve ser provido para cancelar este item constante da Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso em relação ao IRRF no valor de R$ 33.658,33. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Voto Vencedor Conselheira Marcela Brasil de Araújo Nogueira Peço licença para discordar da relatora em relação à infração de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF e me alinhar à decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJO (Acórdão nº 1266.720 – efls. 71 a 76), que restabeleceu parcialmente o valor do IRRF. A compensação indevida de IRRF foi de R$33.658,33, correspondente aos rendimentos tributáveis auferidos da fonte pagadora Copa Comércio de Roupas Ltda. – ME. Em face de documentação trazida pela contribuinte com a impugnação, a DRJ/RJO verificou dois fatos: 1) que houve a retenção do IRRF glosado de R$33.658,33; e 2) que houve omissão de rendimentos tributáveis da mesma fonte pagadora no montante de R$14.586,00. Considerando a impossibilidade de acrescer os rendimentos omitidos ao lançamento, a DRJ/RJO decidiu por restabelecer somente o IRRF correspondente aos rendimentos efetivamente incluídos na base de cálculo da Declaração de Imposto de Renda do exercício 2012 – DIRPF/2012, em obediência ao disposto no art. 87, IV do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, cuja base legal é o art. 12 da Lei nº 9.250, de 1995, a seguir transcrito: “Art.87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 01/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13819.720925/201410 Acórdão n.º 2301004.759 S2C3T1 Fl. 97 7 IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (Negrito) (...)” Assim, a DRJ/RJO restabeleceu o IRRF no montante de R$29.647,18, que equivale ao valor total do IRRF deduzida a parcela do imposto correspondente aos rendimentos omitidos (27,5% de R$14.586,00=R$4.011,15). A meu ver, a decisão a quo foi acertada e conforme a legislação vigente, razão pela qual, não merece reparos. Em resumo, Voto no sentido de manter a compensação indevida de IRRF no valor de R$4.011,15, isto é, confirmar a decisão da DRJ/RJO, para NEGAR SEGUIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo. Assinado digitalmente Marcela Brasil de Araújo Nogueira Redatora do Voto Vencedor Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 01/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000299/2010-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/02/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.730
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/02/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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LOGISTICS DO BRASIL LTDA EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/02/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 02 99 /2 01 0- 94 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 226 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3102001.800. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 227 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 228 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 229 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 229DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 230 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 231 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 232 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 232DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 233 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 234 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 234DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 235 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 235DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.000299/201094 Acórdão n.º 9303003.730 CSRF‐T3 Fl. 236 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 236DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725032/2012-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.
A multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 restringe-se aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 9202-004.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
PATRÍCIA DA SILVA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI E GERSON MACEDO GUERRA .
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. A multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 restringese aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. PATRÍCIA DA SILVA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 50 32 /2 01 2- 60 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI E GERSON MACEDO GUERRA . Relatório Cuidase de Recurso Especial do Procurador interposto contra o Acórdão nº 2803003.578, que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ABONO DE FÉRIAS. CONDIÇÕES IMPOSTAS EM CLÁUSULA CONTRATUAL OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. A gratificação de férias ou abono concedido sob condições de assiduidade do empregado previstas em cláusula contratual ou convenção coletiva de trabalho não possui natureza do abono previsto no art. 143 da CLT e integra o salário de contribuição. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI nº 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, tratase de impugnação contra os Autos de Infração nº 37.349.2987 e nº 37.349.2995, lavrados em 15/10/2012, que têm por objeto contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamento de alimentação in natura aos empregados, de remuneração a título de gratificação, de abono de férias relativo à assiduidade do empregado e multa por descumprimento de obrigações acessórias, no período de 01/2007 a 12/2008, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia Regional de Julgamento. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário requerendo a anulação dos autos de infração sob o argumento de que os as verbas têm natureza indenizatória e, portanto, não incide contribuição previdenciária. O recurso foi parcialmente provido por unanimidade para “I Autuação DEBCAD 37.349.2987/ 2012: manter os valores constantes da decisão de primeira instância; II Autuação DEBCAD 37.349.2995/ 2012 (CFL 68): retificar o valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, devendose aplicar o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009”. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15504.725032/201260 Acórdão n.º 9202004.268 CSRFT2 Fl. 346 3 Contra a referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o acórdão contrariou precedentes deste Conselho, apontando como paradigma os Acórdãos nº 240100.127 e nº 240100784. Ao final, requer a reforma do julgado no ponto concernente à multa aplicada, para que seja mantida a forma de cálculo realizada pela autoridade fiscal, qual seja: comparação entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II e 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35A, da MP 449/2008, aplicandose a multa mais benéfica ao contribuinte. Sem contrarrazões, subiram os autos para análise e voto. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN. Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, isto porque a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por entender que a ser a sistemática mais favorável ao contribuinte, em virtude da proibição do bis in idem. Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) Fl. 348DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15504.725032/201260 Acórdão n.º 9202004.268 CSRFT2 Fl. 347 5 pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Em julgados anteriores, vinha adotando o posicionamento de que, em respeito ao art. 106, do CTN, na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Isto porque, entendo que não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Ressalvada minha tese sobre a questão, constatase que o meu posicionamento diverge da posição deste colegiado, que em outros julgados tem se manifestado quase à unanimidade, não fosse o voto divergente da ora relatora, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda, razão pela qual modifico o meu posicionamento para me adequar à jurisprudência deste Conselho. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja restabelecida a forma de cálculo utilizada no lançamento, que já promoveu a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: Fl. 349DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Patrícia da Silva Relatora Fl. 350DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10935.720994/2011-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010
Ementa:
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-004.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 09 94 /2 01 1- 58 Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo, contra decisão proferida no Acórdão nº 3402002.454, de 19 de agosto de 2014, pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção do CARF, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). As autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Tendo a aplicação da multa e dos juros sido realizada em consonância com os dispositivos legais, mantendose o crédito principal, é de se manter a aplicação das mesmas. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10935.720994/201158 Acórdão n.º 9303004.126 CSRFT3 Fl. 423 3 Em sua peça recursal, o sujeito passivo se insurge contra a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins e contra à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O recurso teve seguimento parcial apenas quanto a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do despacho s/n, de fls. 1.701/1.705. A Fazenda Pública apresentou contrarrazões às fls. 1.709/1.712. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A questão central da lide diz respeito à possibilidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Na sessão de janeiro de 2016, essa matéria foi enfrentada por esse Colegiado, dando origem ao Acórdão nº 9303.003385, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. O conselheiro com sua habitual argúcia abordou o tema de forma profunda e didática. Como suas razões de decidir refletem minha posição sobre a matéria, peço vênia reproduzilas e utilizálas como se minhas fossem, verbis: Sobre esse tema já tive oportunidade de me manifestar algumas vezes, e sempre o fiz no sentido de não conhecer da matéria por não estar ela submetida ao rito do Decreto 70.235/1972, vez que esses acréscimos moratórios são afeitos à execução do acórdão, e, como, tal, não integraria a lide, cujo contorno fora delineado pela impugnação, e, por óbvio, esta não contemplaria tal matéria. Todavia, apesar de ainda continuar a pensar dessa forma, esse não é o entendimento do Colegiado, que por diversas vezes, entendeu ser competente para enfrentar a matéria. Diante disso, resguardo meu entendimento, e passo a adotar o da maioria, no sentido de admitir essa matéria como sujeita ao rito do PAF. Passemos agora, ao exame da questão. O Colegiado a quo afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir, esse entendimento não merece guarida, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, aí incluídos o decorrente de penalidades, conforme demonstrar seá linhas abaixo. Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. A seu turno, o 2art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 2 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10935.720994/201158 Acórdão n.º 9303004.126 CSRFT3 Fl. 424 5 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a 4Hermes ou a uma 5Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Após algumas manifestações em sentido contrário, a jurisprudência das Turmas Julgadoras do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se inclinando no sentido de admitir a incidência da Taxa Selic sobre multa de ofício. A título de exemplo, citase: a) Acórdão 9101000.539: Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. b) Acórdão 1103001.151: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. Como apontado no acórdão, posição com a qual comungo, por força do comando inserido no art. 139, combinado com o §1º do 4 Na Mitologia Grega, Hermes filho de Zeus e da misteriosa Ninfa Maia (também chamada de Noite) era considerado como mensageiro ou intérprete da vontade dos deuses do Olympo, deu origem ao termo hermenêutica. 5 Os gregos davam o nome de Pitonisas a todas as mulheres que tinham a profissão de adivinhas, porque o deus da adivinhação, Apolo, era cognominado de Pítio, quer por haver matado a serpentedragão Píton, quer por ter estabelecido o seu oráculo em Delfos, cidade primitivamente chamada Pito. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 art. 113 do CTN, não há como deixar de considerar que a expressão "crédito tributário" compreenda exclusivamente o tributo ou contribuição que deixou de ser recolhido. Consequentemente, nos termos do art. 161 Código Tributário Nacional, combinado com o § 3º do art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, caberá correção monetária da multa de ofício, por meio da aplicação da taxa Selic. Igualmente relevante é a manifestação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assentada no acórdão que enfrentou o AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR6, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva,a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990∕PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14∕9∕2009). De igual modo: REsp 834.681∕MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2∕6∕2010. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo, e dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo Sala das Sessões, em 07/06/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho. 6 MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, julgado em 04/12/2012. Unânime. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.721033/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se os embargos declaratórios, tendo em vista a ausência de qualquer omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada.
Numero da decisão: 1401-001.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos declaratórios, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Interessado Fazenda Nacional EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO. Rejeitam-se os embargos declaratórios, tendo em vista a ausência de qualquer omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos declaratórios, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Livia de Carli Germano. 1 Fl. 873DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório constante do Acórdão embargado, fls. 831-846: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 466-483, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada foram apurados os fatos descritos a seguir: 1. Introdução A fiscalização iniciou-se na contribuinte Santander Investimentos em Participações S/A (SIP), CNPJ 02.736.455/000103, que, após cisão total, foi sucedida por Banco Santander (Brasil) S/A, doravante Banco Santander, CNPJ 90.400.888/000142. No curso dos trabalhos de fiscalização, constatou-se dedução indevida de despesa com perda no recebimento de direitos de crédito, razão pela qual efetuou-se lançamento de ofício de IRPJ e CSLL do ano- calendário 2007. 2. Da contribuinte A empresa Santander Companhia Securitizadora de Créditos (Securitizadora) teve sua denominação sucessivamente alterada para Santander Participações e Serviços S/A, Santander Administradora de Valores Mobiliários S/A e finalmente Santander Investimentos em Participações S/A. [...] [...] Conforme a Ata da Reunião da Diretoria da SIP realizada em 28/07/2009 (fls.397-398), houve a propositura da operação de cisão total dessa empresa, com versão de parcelas de seu patrimônio para o Banco Santander e para a Santander Advisory Service S/A (SAS), CNPJ 04.270.778/000171, extinguindo-se a SIP. Essa cisão total foi aprovada na Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31/08/2009, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária de fls.395-396. Segundo o Instrumento Particular de Protocolo e Justificação de Cisão Total da SIP com versão de parcelas do seu patrimônio para o Banco Santander e SAS (fls.399-403), o acervo líquido contábil transferido aos sucessores foi de R$979.758.052,15, sendo que R$910.345.200,67 foram vertidos ao Banco Santander. 2 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 O patrimônio transferido ao Banco Santander, conforme o art. 6º desse Instrumento, é composto de obrigações tributárias da SIP, uma vez que para a SAS foi vertido apenas o acervo líquido contábil de R$69.412.851,48, correspondentes única e exclusivamente à totalidade da participação detida pela SIP no capital social da Santander S/A Serviços Técnicos, Administrativos e de Corretagem de Seguros, CNPJ n° 53.312.907/0001-90. Assim, a sociedade sucedida SIP (anterior Securitizadora) é referida neste termo como “contribuinte”. 3. Da forma de apuração do IRPJ e da CSLL Conforme a legislação em vigor (art.14, II, da Lei nº 9.718/98 c/c art.28 da Lei nº 9.430/96), a contribuinte está obrigada à apuração do lucro real, que toma por base o lucro líquido do exercício com os ajustes definidos em lei. No ano-calendário de 2007 a contribuinte declarou o IRPJ e a CSLL por período de apuração anual, apurando os valores de R$11.246.221,18 (IRPJ) e R$4.016.542,87 (CSLL). 4. Dos fatos 4.1. Verificação de perda em operação de crédito ocorrida em 2007 A contribuinte deduziu, conforme linha 21 da ficha 05A – Despesas Operacionais, da DIPJ do ano-calendário 2007 (fls.64), o valor de R$46.270.073,49 como “Perdas em operações de crédito” em 31/12/2007. A contribuinte informou às fls.352 que o valor de R$46.270.073,49 foi deduzido como perda nos temos do art.9º da Lei nº 9.430/96, no momento de sua liquidação (13/09/2007). Conforme o Instrumento Particular de Cessão Parcial dos Direitos do Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito (fls. 89-93), celebrado entre a contribuinte e o Banco do Estado de São Paulo S/A, CNPJ 61.411.633/000187 (Banespa), a Banespa S/A Adm. de Cartões de Crédito e Serviços (Banespa ACC) detinha um crédito de R$885.000.000,00 contra a São Paulo Transportes S/A (SPT), nos termos da “Confissão de Dívidas e Reescalonamento de Dívidas e Outras Avenças”, firmado em 20/03/97 entre a Banespa ACC e a SPT. Para assegurar o recebimento dos créditos, a Banespa ACC ajuizou ação de execução contra a SPT (Processo nº 5287006, em trâmite na 21ª Vara Cível de São Paulo). Em 31/01/2002, tais créditos eram detidos pelo Banespa, que os negociou com a Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) conforme Instrumento de Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito (fls. 7988). 3 Fl. 875DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 […] Em 14/11/2003, conforme Instrumento Particular de Cessão Parcial dos Direitos do Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito (fls. 89-93), celebrado entre o Banespa e a contribuinte (Securitizadora), foram cedidos a esta os direitos relativos aos créditos (dívida da SPT) correspondentes aos itens "b" e "c" da cláusula quarta da formalização da cessão entre o Banespa e a PMSP. […] Registre-se que o objeto do contrato de promessa de cessão celebrado entre a contribuinte e o Banespa foram os direitos de crédito derivados das operações de cessão de crédito que estavam previstas em função do contrato de promessa de cessão de créditos celebrado entre o Banespa e a PMSP. 4.2. Do descumprimento de cláusula contratual pelo Banespa Nos termos da cláusula 4.4 do instrumento contratual firmado entre a contribuinte e o Banespa (fls.92), na hipótese de a PMSP se recusar, por qualquer motivo, a adquirir os créditos (e não houvesse a cessão parcial respectiva de direitos de crédito do Banespa contra a SPT para a PMSP), ficou ajustado que o cedente (Banespa), com a expressa anuência da cessionária (contribuinte), cederia a esta outros créditos de sua propriedade, em valor equivalente aos direitos de crédito advindos das aquisições parciais pela PMSP dos créditos contra a SPT detidos pelo Banespa e que deveriam ter sido cedidos (e os direitos sobre tais créditos liquidados) nas datas contratadas. Em 02/02/2004, o saldo atualizado das obrigações da PMSP, no vencimento da cessão de crédito correspondente à 2ª parcela, era de R$73.484.407,44, sendo liquidado pela PMSP. Na data de 02/02/2005, o saldo atualizado das obrigações da PMSP com o Banespa, no vencimento da cessão de crédito correspondente, era de R$92.820.706,37, o qual não foi liquidado. Intimada a justificar a não substituição dos direitos creditórios em função do inadimplemento da PMSP, a contribuinte alegou que não houve a substituição dos créditos por falta de manifestação formal da PMSP e pelo prosseguimento da atividade de cobrança visando o cumprimento dos compromissos assumidos pela PMSP junto ao Banespa (fls.383). Portanto, a contribuinte não comprovou qualquer esforço no sentido de exigir do Banespa a substituição dos direitos de crédito pelos quais havia pago, mesmo com o inadimplemento da PMSP no contrato vigente entre ela e o Banespa. Como a contribuinte era sociedade integrante do mesmo grupo econômico do Banespa, não havia interesse da primeira em acionar o segundo na busca de adimplemento do contrato 4 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 havido entre os dois. O crédito que a contribuinte detinha contra o Banespa e seu sucessor não se confunde com o crédito que o Banespa detinha contra a SPT e que fora prometido pelo Banespa em cessão à PMSP. Sendo o crédito da contribuinte um direito exigível contra seu controlador, coligado ou interligado, à época, depara-se com a vedação estabelecida no § 6º do art. 9º da Lei n° 9.430/96, na dedução de eventuais perdas havidas no recebimento de tal crédito. […] Em 2007, a PMSP resolveu adquirir os créditos contra a SPT detidos agora pelo Banco Santander (sucessor do Banespa na propriedade desses créditos), e que não tinham sido cedidos nas datas previstas no contrato inadimplido parcialmente. Assim, em 12/09/2007, pelo Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito e Outras Avenças (fls.94-105), tendo como promitente cedente o Banco Santander e como cessionária a PMSP, constou que: - a cessionária adquiriu, por Instrumentos Particulares de Contrato de Cessão Parcial de Créditos, 46,72% dos créditos detidos contra a SPT - o cedente e a cessionária, em razão do inadimplemento parcial pela cessionária, especificamente em relação à terceira e quarta promessas de cessão previstas no Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito, firmado em 31/01/2002, manifestam o interesse de realizar a cessão definitiva da totalidade dos créditos ainda detidos pelo cedente. Conforme cláusula quarta do referido Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito e Outras Avenças (fls.97), tem-se: a- a primeira cessão parcial seria efetivada em 13/09/2007, equivalente a 50% do valor dos créditos detidos pelo cedente na data da cessão; b- a segunda e última cessão parcial seria efetivada em duas parcelas distintas e sucessivas, nos dias 28/09 e 31/10 de 2007, equivalente a 100% do valor não cedido dos créditos detidos pelo cedente na data da cessão. Nos termos da cláusula quinta do mesmo instrumento contratual (fls.98), para aquisição dos créditos referidos na cláusula quarta, item "a " (primeira cessão parcial do novo contrato de Promessa de Cessão), a cessionária (PMSP) pagaria ao cedente (Banco Santander) em 13/09/2007, o preço de R$90.000.000,00. Tal valor correspondia, na relação jurídica existente entre a contribuinte e seu controlador (Banco Santander), à parcela 5 Fl. 877DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 inadimplida, em 02/02/2005, do direito de crédito derivado da cessão de direitos creditórios do contrato entre Banespa e PMSP. Por tais direitos creditórios derivados a contribuinte pagaria o valor de R$72.899.853,59, referentes aos mesmos 50% dos créditos ainda não cedidos naquela data ou 26,645% dos créditos originais e que deveriam ser cedidos pelo Banespa à PMSP. Esse crédito foi liquidado, junto ao Banco Santander, pela PMSP em 13/09/2007, no montante de R$90.000.000,00. O valor dos direitos creditórios derivados dos créditos cedidos na primeira parcela à PMSP, pelo Banco Santander, atualizado segundo a fórmula prevista no contrato celebrado entre aquelas partes (fls.94-105), era de R$136.270.073,49. As atualizações do valor originário da aquisição dos direitos creditórios em questão (valor originário de R$72.899.853,59 na data de celebração do Contrato de Cessão de Direitos Creditórios entre a contribuinte e o Banco Santander) foram contabilizadas no ativo (direitos creditórios) em contrapartida a conta de resultados (receita tributável). Na data de 13/09/2007 os créditos do Banco Santander contra a SPT cedidos à PMSP e que deram origem ao direito creditório da contribuinte contra o Banco Santander estavam avaliados em R$136.270.073,79, valor baixado do ativo correspondente. Registre-se que, para a aquisição dos créditos referidos na cláusula quarta, item "b" (segunda cessão parcial do novo contrato havido entre Banespa e PMSP), a cessionária pagaria ao cedente (Banco Santander), em 28/12/2007, o preço de R$34.000.000,00, e, em 31/10/2007, o preço de R$34.000.000,00. Tal operação produziria efeitos apenas no Banco Santander, visto não envolver o surgimento de direitos creditórios derivados, para a contribuinte. 4.3. Da vedação à dedução da perda apurada A perda apurada pela contribuinte, após a contabilização do recebimento da parcela (R$90.000.000,00) correspondente ao item "a" da cláusula quarta do Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito e Outras Avencas, firmado entre o Banco Santander e a PMSP em 12/09/2007 (fls.97), correspondeu ao valor de R$46.270.073,49, considerado despesa dedutível conforme declarado na DIPJ/2008 (fls. 64). Entretanto, o §6º do art.9º da Lei n°9.430/96 estabeleceu a vedação do reconhecimento da dedutibilidade de perdas havidas em recebimento de créditos derivados de negócios jurídicos celebrados entre controladora e controlada ou mesmo coligada ou interligada. Portanto, o legislador não conferiu a tais perdas 6 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 o atributo de dedutibilidade na apuração do resultado do exercício. O referido item "a" da cláusula quarta do instrumento contratual firmado entre o Banco Santander e a PMSP em 12/09/2007 (fls.94-105) correspondeu ao item "b" da cláusula quarta do Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito firmado entre as mesmas partes em 31/01/2002 e aditado em 30/04/2003, mediante Instrumento de Aditamento e Ratificação firmado entre o Banespa e a PMSP (fls.385-391), que possibilitou a cessão à PMSP dos correspondentes créditos detidos pelo Banespa (e depois da parcela ainda detida pelo Banco Santander) contra a SPT. 5. Da responsabilidade dos sucessores Conforme os artigos 129 a 133 (Seção 11) do Capítulo V do CTN, e o art. 207 do RIR/99, os sucessores respondem pelos créditos tributários devidos pela sucedida constituídos posteriormente aos atos de sucessão, dentre os relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. 6. Conclusão Em vista da vedação legal à dedução de perdas em operação de crédito havidas entre controladora, controlada, coligada ou interligada, e sendo a contribuinte fiscalizada, na data da apuração da perda no recebimento do direito de crédito derivado do negócio jurídico de cessão de crédito havido entre o Banco Santander Banespa e a PMSP, uma sociedade controlada, coligada ou interligada do Banco Santander, sucessor do Banco Santander Banespa, o qual, por sua vez, sucedeu o Banespa, deve ser efetuado o lançamento de ofício do IRPJ e reflexos, com a glosa da despesa indevidamente deduzida (despesa com reconhecimento de perda em operação de crédito). Os direitos de crédito havidos pela contribuinte contra o Banco Santander, embora correlacionados aos direitos derivados das cessões de crédito havidas entre o Banespa/Banco Santander Banespa e a PMSP, e tendo por objeto créditos detidos pelo Banco Santander Banespa contra a SPT, com eles não se confundem. Os pagamentos recebidos pela contribuinte em sua conta- corrente, mantida no Banco Santander, foram efetuados pelo Banco Santander, evidenciando que não houve pagamento da PMSP diretamente a ele. O pagamento do Banco Santander Banespa de 13/09/2007 (extrato de fls.235), em cumprimento ao contrato existente entre este (pessoa jurídica interligada) e a contribuinte, originou a perda indedutível nos termos do art.9º, § 6º, da Lei nº 9.430/96. 7 Fl. 879DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Pelo exposto, deve ser glosada a despesa deduzida indevidamente das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, no ano- calendário 2007, no valor de R$46.270.073,49, efetuando-se o lançamento de ofício com multa de 75%. […] Da Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 485-504, acompanhada dos documentos de fls. 505-708, alegando em síntese que: 1. Dos fatos A dedutibilidade da perda ocorreu com a PMSP, e não com empresa pertencente ao grupo Santander, conforme histórico dos fatos a seguir: […] A 10ª Turma da DRJ São Paulo I, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, […] [...] Cientificada do Acórdão em 11/04/2012 (sic, fls. 735), a contribuinte interpôs em 03/04/2012 o recurso voluntário de fls. 737-758, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Acrescentou que, conforme precedente do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 750), “são dedutíveis as perdas provenientes de renegociação de dívida, quando ficar caracterizado que o ato não se deu por mera liberalidade do credor, mas no seu interesse”. Com base em outro precedente do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, defendeu que “é legítima a dedução na determinação do lucro real, das perdas no recebimento de créditos, quando demonstrada a absoluta relação de pertinência entre as perdas sofridas e a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, o que torna as despesas necessárias e dedutíveis nos termos do art. 299 do RIR/99”. Por sua vez, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 764-776, em que sustenta, basicamente, que perda deduzida pela Securitizadora não ocorreu em face da PMSP, mas, sim, decorreu da relação jurídica firmada com o Banespa, empresa pertencente ao mesmo grupo (atualmente, Grupo Santander). Para uma perfeita compreensão do litígio, considero útil a transcrição do seguinte trecho, extraído do corpo do Acórdão embargado (fls. 847) , que delimita a presente controvérsia, de forma bastante precisa e objetiva: 8 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 De plano, convém registrar quer o minucioso relato acima apresentado permite constatar a existência de 4 contratos relevantes para o deslinde da presente questão. São eles, em ordem cronológica: 1º) Contrato firmado entre BANESPA e SP TRANS, versando sobre confissão de débito da SP TRANS em favor do BANESPA; 2º) Contrato firmado entre BANESPA e PMSP, versando sobre a cessão parcial de créditos confessados pela SP TRANS em favor do BANESPA, referidos no 1º contrato; 3º) Contrato firmado entre BANESPA e SECURITIZADORA (contribuinte), versando sobre parte dos direitos decorrentes do 2º contrato. A execução do presente contrato dependia do adimplemento da PMSP em relação ao 2º contrato, fato que não se verificou na prática; 4º) Contrato firmado entre SANTANDER e PMSP, por meio do qual a PMSP decidiu adimplir os créditos objeto do 1º contrato. A perda glosada no presente processo refere-se ao 3º contrato, firmado entre BANESPA e SECURITIZADORA (contribuinte). A solução do presente litígio resume-se a identificar se a aludida perda, deduzida pela contribuinte ocorreu em face da PMSP (conforme alegado pela recorrente) ou em face do Banespa, pessoa jurídica pertencente ao mesmo grupo econômico da contribuinte (conforme alegado pelo Fisco). Esta Turma, em sessão realizada no dia 08 de abril de 2014, negou provimento ao recurso de ofício, por meio do Acórdão nº 1401-001.166, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2007 IRPJ. DEDUÇÃO DE PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. A perda no recebimento de créditos detidos contra empresa controladora/controlada/coligada/interligada não é dedutível na apuração do lucro real, conforme a legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTO DECORRENTE. 9 Fl. 881DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Por esta razão, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL dele decorrente. Cientificada em 25/06/2014 (v. fls. 854), a contribuinte interpôs em 30/06/2014 embargos de declaração (fls. 856-862), que foram recebidos nos termos do art. 49, §7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF - RICARF. A embargante Banco Santander (Brasil) S.A. alegou omissões / contradições no Acórdão nº 1401-001.064, proferido pela 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF (fls. 831-849), relativamente às seguintes matérias: (i) Ocorrência de mora no cumprimento da obrigação assumida pela PMSP, em detrimento à recusa no adimplemento da mesma (conforme consta do v. acórdão); (ii) Explicitação das circunstâncias em que o crédito junto à PMSP fora adquirido pela Embargante (cessão de crédito e não empréstimos com garantia), assim como o seu objeto social e os prejuízos amargados por toda a cadeia de empresas que se relacionou com a PMSP; (iii) Valoração do pagamento de R$ 90.000.000,00, por meio de cheque emitido pela PMSP para quitação da dívida e da correta contabilização da perda glosada pela fiscalização e ora impugnada versus o argumento de autoridade constante do v. acórdão de que houve recusa no adimplemento da obrigação. É o relatório. 1 0 Fl. 882DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Trata-se de embargos de declaração interpostos pela contribuinte, arguindo supostas omissões no acórdão anteriormente proferido por este colegiado. Arguição de omissão quanto à ocorrência de mora no cumprimento da obrigação assumida pela PMSP, em detrimento à recusa no adimplemento da mesma (conforme consta do v. acórdão) No entender da embargante, não consta do v. Acórdão qualquer informação relacionada à mora por parte da PMSP, mas sim a assertiva – que considera incorreta – de que houve recusa na aquisição dos títulos por parte da PMSP. Não assiste razão à embargante. Ao contrário do que afirmou a contribuinte, o acórdão embargado fez, sim, clara referência à mora por parte da PMSP. Para maior clareza, transcrevo o seguinte trecho extraído do citado acórdão, fls. 848 (grifado): Conforme a cláusula 4.4 do instrumento contratual retrotranscrito, na hipótese de a PMSP se recusasse, por qualquer motivo, a adimplir suas obrigações contratuais perante o BANESPA nas datas contratadas, ficou ajustado que o cedente (BANESPA), com a expressa anuência da cessionária (contribuinte), cederia a esta outros créditos de sua propriedade, em valor equivalente aos direitos de crédito decorrentes das aquisições parciais pela PMSP dos créditos contra a SPT detidos pelo Banespa. Na data de 02/02/2005, o saldo atualizado das obrigações da PMSP com o BANESPA, no vencimento da cessão de crédito correspondente, era de R$92.820.706,37. Tal valor, contudo, não foi liquidado. Quando intimada a justificar a não substituição dos direitos creditórios, prevista em contrato, a contribuinte limitou-se a alegar que não houve a substituição dos créditos por falta de manifestação formal da PMSP e pelo prosseguimento da atividade de cobrança visando o cumprimento dos compromissos assumidos pela PMSP junto ao Banespa (fls.383). Tal alegação demonstra, cabalmente, que a contribuinte não comprovou qualquer esforço concreto no sentido de exigir do 1 1 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 BANESPA a substituição dos direitos de crédito pelos quais havia pago, mesmo após o inadimplemento da PMSP no contrato anteriormente entre ela e o BANESPA. Deve-se ter em conta que a contribuinte era sociedade integrante do mesmo grupo econômico do BANESPA. Os elementos constantes dos autos revelam, com clareza, que não houve interesse da contribuinte em acionar o BANESPA na busca de adimplemento do contrato havido entre os dois. [...] Assim, o crédito da contribuinte constituía um direito exigível contra seu controlador, coligado ou interligado, à época. Conseqüentemente, agiu corretamente o Fisco, ao aplicar a vedação prevista no § 6º do art. 9º da Lei n° 9.430/96, na dedução de eventuais perdas havidas no recebimento de tal crédito. A própria embargante reconhece que o entendimento esposado no acórdão encontra amparo nos fatos descritos e comprovados nos autos, como se observa por meio do seguinte trecho de sua peça de embargos, fls. 859: Com efeito, se considerarmos apenas a foto dos fatos no dia 3/2/05 (data em que a PMSP estava em mora, por não ter pago o avençado contratualmente), até poder-se-ia aceitar o entendimento esposado no acórdão embargado. Na realidade, a contribuinte, por meio dos presentes embargos, apenas externa sua discordância em relação ao entendimento adotado pelo acórdão embargado, como facilmente se verifica por meio da simples leitura de outro pequeno trecho de sua peça recusal, fls. 859: Porém é necessário observar o filme, que somente terminou em 13/9/07, após a aquisição definitiva, por parte da PMSP, dos direitos creditórios transferidos pelo SANTANDER à Embargante. Em outras palavras, é necessário considerar o contexto e a sucessão dos eventos, para se ter a correta interpretação dos fatos ocorridos, que justificam e autorizam a perda apurada na SIP (e contestada pelo Fisco). Deve ficar claro que os embargos declaratórios não constituem o meio recursal hábil para a contribuinte manifestar sua mera inconformidade com a decisão proferida por este colegiado. Esta espécie recursal presta-se, tão somente, para sanar eventuais omissões, contradições ou obscuridade. No caso em apreço, não se verifica nenhuma omissão, contradição ou obscuridade, razão pela qual, em relação ao presente tema, considero que os embargos não merecem ser acolhidos. 1 2 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Arguição de omissão pela ausência de explicitação das circunstâncias em que o crédito junto à PMSP fora adquirido pela Embargante (cessão de crédito e não empréstimos com garantia), assim como o seu objeto social e os prejuízos amargados por toda a cadeia de empresas que se relacionou com a PMSP Em relação a este tema, assim se pronunciou a embargante, fls. 860: O r. Acórdão também não leva em consideração que a Embargante tinha por por objeto a SECURITIZAÇÃO DE CRÉDITO, aceitando a afirmação pura e simples de que a Embargante “não comprovou qualquer esforço concreto no sentido de exigir do Banespa a substituição dos direitos creditórios pelos quais havia pago” […] O v. Acórdão não considerou que foi celebrada uma cessão de crédito, negócio típico de toda e qualquer sociedade securitizadora, que implica assumir risco no recebimento de créditos, em contrapartida com a oportunidade de se obter elevados ganhos. [...] Também em relação a este tema, não assiste razão à embargante. O acórdão embargado considerou, sim, seguintes fatos: i) que a embargante era uma companhia securitizadora de créditos; ii) que a embargante e o BANESPA celebraram entre si um contrato de cessão de crédito (típico de sociedade securitizadora). Para comprovar este fato, é suficiente transcrever o seguinte trecho do acórdão guerreado, fls. 847 (grifado): A perda glosada no presente processo refere-se ao 3º contrato, firmado entre BANESPA e SECURITIZADORA (contribuinte). A solução do presente litígio resume-se a identificar se a aludida perda, deduzida pela contribuinte ocorreu em face da PMSP (conforme alegado pela recorrente) ou em face do Banespa, pessoa jurídica pertencente ao mesmo grupo econômico da contribuinte (conforme alegado pelo Fisco). Para tanto, convém analisar o inteiro teor da cláusula 4 do Instrumento Particular de Cessão Parcial de Direitos firmado entre o BANESPA (cedente) e a SANTANDER COMPANHIA SEGURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS (cessionária, que figura como contribuinte no presente processo): Mais uma vez a embargante apenas externa sua discordância em relação ao entendimento adotado pelo acórdão embargado. Conforme mencionado acima, os embargos declaratórios não constituem o meio recursal hábil para esta finalidade, posto que se destina apenas a sanear eventuais omissões, contradições ou obscuridade. 1 3 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Inexistindo quaisquer destes vícios no acórdão guerreado, considero que, também em relação a este tema, os presentes embargos não merecem acolhimento. Arguição de omissão e ou contradição na valoração do pagamento de R$ 90.000.000,00 (por meio de cheque emitido pela PMSP para quitação da dívida) versus o argumento de autoridade constante do v. acórdão de que houve recusa no adimplemento da obrigação Por derradeiro, a embargante alegou o que segue (fls. 861): Em momento algum o acórdão embargado analisa ou leva em consideração que o cheque de R$ 90.000.000,00 emitido pela PMSP para quitação da dívida tratada nestes autos foi depositada em 13/9/2007 na conta corrente […] de propriedade de SANTANDER CIA SECURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS (posteriormente denominada SIP – ora Embargante), tal como demonstra o documento de fls. 628 dos autos. Em outras palavras: aquilo que fora tratado no acórdão como RECUSADO, foi efetivamente adimplido/quitado? A resposta é simples: extemporaneamente, mas SIM. Mais uma vez se equivoca a embargante. O acórdão embargado jamais afirmou que o valor em pauta nunca foi pago pela PMSP. O que o citado acórdão afirmou - corretamente - foi que a PMSP não adimpliu suas obrigações contratuais na data contratada. Para maior clareza, transcrevo mais um pequeno trecho do acórdão guerreado, fls. 848: Conforme a cláusula 4.4 do instrumento contratual retrotranscrito, na hipótese de a PMSP se recusasse, por qualquer motivo, a adimplir suas obrigações contratuais perante o BANESPA nas datas contratadas, ficou ajustado que o cedente (BANESPA), com a expressa anuência da cessionária (contribuinte), cederia a esta outros créditos de sua propriedade, em valor equivalente aos direitos de crédito decorrentes das aquisições parciais pela PMSP dos créditos contra a SPT detidos pelo Banespa. Na data de 02/02/2005, o saldo atualizado das obrigações da PMSP com o BANESPA, no vencimento da cessão de crédito correspondente, era de R$92.820.706,37. Tal valor, contudo, não foi liquidado. Quando intimada a justificar a não substituição dos direitos creditórios, prevista em contrato, a contribuinte limitou-se a alegar que não houve a substituição dos créditos por falta de manifestação formal da PMSP e pelo prosseguimento da atividade de cobrança visando o cumprimento dos compromissos assumidos pela PMSP junto ao Banespa (fls.383). 1 4 Fl. 886DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Tal alegação demonstra, cabalmente, que a contribuinte não comprovou qualquer esforço concreto no sentido de exigir do BANESPA a substituição dos direitos de crédito pelos quais havia pago, mesmo após o inadimplemento da PMSP no contrato anteriormente entre ela e o BANESPA. Diante do exposto, é forçoso concluir que, também em relação ao presente tema, os embargos devem ser rejeitados, tendo em vista a ausência de qualquer omissão, contradição ou obscuridade. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar os presentes embargos. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator 1 5 Fl. 887DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10715.001399/2011-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/12/2008 a 06/02/2009
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/12/2008 a 06/02/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/12/2008 a 06/02/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 13 99 /2 01 1- 12 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001399/201112 Acórdão n.º 9303003.753 CSRFT3 Fl. 238 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3803006.267, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001399/201112 Acórdão n.º 9303003.753 CSRFT3 Fl. 239 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001399/201112 Acórdão n.º 9303003.753 CSRFT3 Fl. 240 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001399/201112 Acórdão n.º 9303003.753 CSRFT3 Fl. 241 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001399/201112 Acórdão n.º 9303003.753 CSRFT3 Fl. 242 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001399/201112 Acórdão n.º 9303003.753 CSRFT3 Fl. 243 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001399/201112 Acórdão n.º 9303003.753 CSRFT3 Fl. 244 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001399/201112 Acórdão n.º 9303003.753 CSRFT3 Fl. 245 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.721143/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA.
Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
É isenta a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão recebida por portador de moléstia grave.
Numero da decisão: 2201-003.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos relativos ao BANESPREV.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 13/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. É isenta a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão recebida por portador de moléstia grave.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos relativos ao BANESPREV. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. É isenta a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão recebida por portador de moléstia grave. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os rendimentos relativos ao BANESPREV. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 11 43 /2 01 3- 46 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 29/04/2013, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2010, anocalendário 2009, na qual restou constatada a omissão de rendimentos no valor de R$ 98.057,11 (noventa e oito mil cinquenta e sete reais e onze centavos) recebidos do Instituto Nacional de Seguro Social, do Estado de São Paulo e do Fundo BANESPA de Seguridade Social ( BANESPREV). Constou da mencionada Notificação, na descrição dos fatos, que: da análise das informações e dos documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 98.057,11.". Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte, em sede de impugnação, aduziu, em síntese, que: a) os valores cobrados foram devidamente ajustados em sua declaração de rendimentos, recibo nº 23.88.08.19.0097, entregue em 23/05/2012; b) é aposentado e portador de nefropatia grave, razão pela qual não há de se falar que ocorreu omissão de rendimentos; c) a RFB, por meio do despacho decisório nº 0189/2013, reconheceu o deferimento do crédito que fora pleiteado em relação ao décimo terceiro salário, devendo ser acolhida a impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (MG) julgou a impugnação procedente em parte, cancelando a omissão de rendimentos em relação à fonte pagadora INSS (R$ 19.939,76) e mantendo a omissão referente às fontes pagadoras Banesprev (R$ 64.451,26) e Governo do Estado de São Paulo (R$ 13.666,09), com a seguintes considerações: a) pela análise do laudo de fls. 13, combinado com o documento de fls. 25, expedido pela perita médica do INSS, Sunny Dayse Lourenço Silva, matrícula 1510330, foi definido que o contribuinte é portador de nefropatia grave, desde 23/04/2007, doença não passível de controle; b) o autuado não juntou nos autos documento que comprova que é aposentado, mas afirmou que a RFB, no despacho decisório nº 0189/2013, reconheceu o deferimento do crédito que fora pleiteado em relação ao décimo terceiro salário; Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.721143/201346 Acórdão n.º 2201003.105 S2C2T1 Fl. 54 3 c) da análise dos documentos de fls. 28 a 30, do processo n.º 10875.721742/201289, utilizados como prova emprestada, concluise que os rendimentos de aposentadoria provém apenas do Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ nº29.979.036/000140; d) O dispositivo contido no despacho decisório nº 0189/2013 não condiciona este julgamento, pois não se trata de decisão que vincula todos os demais atos da administração tributária; e) enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, é permitido ao fisco efetuar a revisão do lançamento. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte teceu as seguintes alegações: a) valores ora cobrados, foram devidamente ajustados na declaração de IRPF; b) foi apresentada documentação referente ao laudo médico pericial expedido pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina e Ribeirão Preto e pelo Centro Integrado de Nefrologia, demonstrando o acometimento de nefropatia grave, bem como documentação atinente à concessão de aposentadoria; c) a própria Receita Federal do Brasil, por meio do comunicado n.º 718/2013, processo n.º 10875.721.7742/201289, Despacho Decisório n.º 0181/2013, reconheceu o direito à restituição do imposto sobre o 13º salário (exercício 2009, 2010 e 2011). É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis recebidos por pessoa física, no valor de R$ 98.057,11 (noventa e oito mil cinquenta e sete reais e onze centavos) referentes às fontes pagadoras INSS, BANESPREV e Governo do Estado de São Paulo. Devido ao reconhecimento do direito à isenção sobre os proventos de aposentadoria recebidos pelo INSS, diante do acometimento pelo contribuinte da patologia denominada nefropatia grave, foram excluídos do lançamento os rendimentos no valor de R$19.939,76 (dezenove mil novecentos e trinta e nove reais e setenta e seis centavos), pela Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 DRJ, remanescendo a omissão relativa aos rendimentos recebidos da Banesprev (R$64.451,26) e do Governo do Estado de São Paulo (R$13.666,09). Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.721143/201346 Acórdão n.º 2201003.105 S2C2T1 Fl. 55 5 A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Inexistindo dúvida acerca existência da moléstia grave e da validade do laudo pericial oficial, conforme consta do Acórdão da DRJ, fazse necessário apreciar a natureza dos rendimentos auferidos. No que se referem aos rendimentos provenientes do Estado de São Paulo, não restou comprovada pelo contribuinte a sua natureza específica apta a garantir o direito à isenção, de modo que não lhe assiste razão quanto a tais valores considerados omitidos. Quanto aos rendimentos recebidos pela BANESPREV (Fundo BANESPA de Seguridade Social) sociedade civil instituída pelo Banco do Estado de São Paulo S.A BANESPA, pessoa jurídica de direito privado, de fins previdenciais e assistenciais, não lucrativo, com autonomia patrimonial, administrativa e financeira restou comprovada pelo contribuinte, por meio de documentação acostada ao recurso voluntário, a percepção de complementação de aposentadoria, desde 12/01/2007, conforme declaração emitida pelo Fundo, fl. 46. Cabe ressaltar que o Decreto 3000, de 26 de março de 1999, em seu art. 39,§ 6º, dispôs sobre a isenção da complementação da aposentadoria, quando recebida por portador de moléstia grave, nos seguintes termos: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria , reforma ou pensão. (...).” No mesmo sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014, assim salientou: Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências: § 4º As isenções a que se referem os incisos II e III do caput, desde que reconhecidas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, aplicamse: III à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão recebida por portador de moléstia grave. Assim, considerando a apresentação do laudo oficial correspondente ao período pleiteado, bem como a natureza dos rendimentos recebidos do BANESPREV, restam Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 cumpridos os requisitos formais necessários ao reconhecimento da isenção, conforme o disposto no art. art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Desse modo, em obediência ao disposto no art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 39, § 6º, do Decreto 3000, de 26 de março de 1999, art. 6º, § 4º, da Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014, e ao conteúdo do Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, cumpridos os requisitos legais necessários à concessão da isenção, assiste razão ao contribuinte quanto aos rendimentos recebidos a título de complementação de aposentadoria. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os rendimentos relativos ao BANESPREV. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15758.000287/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/08/2004 a 28/02/2006
CREDITO TRIBUTÁRIO PAGO E NÃO DECLARADO. LANÇAMENTO. CANCELAMENTO POR PAGAMENTO.
Está correto o lançamento de oficio do crédito tributário recolhido mas não declarado em instrumento de confissão de dívida. Entretanto, sendo tempestivos os recolhimentos, cancela-se o auto de infração e a exigência da multa de oficio correspondente.
A diligência da delegacia de origem realizou a alocação dos pagamentos e constatou que restava um débito de R$ 100,00, que já foi pago pela recorrente.
Não há mais que se falar em manutenção do auto de infração analisado no presente processo.
Recurso Voluntário Provido
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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LANÇAMENTO. CANCELAMENTO POR PAGAMENTO. Está correto o lançamento de oficio do crédito tributário recolhido mas não declarado em instrumento de confissão de dívida. Entretanto, sendo tempestivos os recolhimentos, cancelase o auto de infração e a exigência da multa de oficio correspondente. A diligência da delegacia de origem realizou a alocação dos pagamentos e constatou que restava um débito de R$ 100,00, que já foi pago pela recorrente. Não há mais que se falar em manutenção do auto de infração analisado no presente processo. Recurso Voluntário Provido Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 02 87 /2 00 9- 39 Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15758.000287/200939 Acórdão n.º 3301002.919 S3C3T1 Fl. 1.403 2 Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Transcrevese do relatório exarado pela DRJ de Campinas SP, trecho que bem delimita a matéria tratada no presente processo: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e à contribuição para o Programa de Integração Social PIS, formalizada nos autos de infração de fls. 485/496. O feito, referente a fatos geradores ocorridos entre agosto de 2004 e fevereiro de 2006, constituiu crédito tributário no total de R$ 103.844.712,38, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 458/466, a autoridade autuante relata os fatos que motivaram o lançamento. Diz inicialmente sobre o foco da ação fiscal: A ação fiscal teve por objeto a verificação da utilização, por parte do contribuinte, de créditos decorrentes da nãocumulatividade das contribuições ao PIS e COFINS segundo a regência das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e suas alterações e foi efetuada em relação ao período de Agosto de 2004 a Abril de 2006. O auditor então referese à constatação de que a contribuinte teria utilizado créditos não autorizados na apuração dos valores devidos para o PIS e a Cofins: a) Créditos relativos a gastos com alimentação e transporte de pessoal, telefonia, prêmios de seguros, segurança e vigilância, limpeza e jardinagem: (...) A auditoria também constatou indevida utilização de crédito relativo à aquisição de nafta petroquímica: b) Créditos relativos à aquisição de Nafta Petroquímica (...) III Dos Valores Declarados e dos PER/DCOMP apresentados: No decorrer do período ora fiscalizado Agosto de 2004 a Abril de 2006 o contribuinte apresentou DCTFs Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais e efetuou recolhimentos das contribuições ao PIS e à COFINS, apurando as bases de cálculo das contribuições e respectivos valores devidos sem proceder ao desconto de créditos em relação às aquisições de nafta petroquímica e de demais insumos (exceto nafta petroquímica) utilizados para a formulação de combustíveis. Posteriormente, julgando fazer jus a esses créditos, retificou as DCTFs anteriormente apresentadas, apurando valores devidos inferiores àqueles originariamente declarados. O procedimento adotado pelo contribuinte encontrase demonstrado nas planilhas fornecidas a esta fiscalização e constantes das fls. 304 a 391 e de 405 a 420. Em tais planilhas podemos verificar detalhadamente a composição das bases de cálculo e valores apurados das contribuições, tal como Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15758.000287/200939 Acórdão n.º 3301002.919 S3C3T1 Fl. 1.404 3 originalmente declarados e recolhidos (colunas pagamento), e como posteriormente modificados (colunas recálculo). Dessa forma, encontramse atualmente declarados como devidos os valores constantes das colunas "Valores Declarados" na linha "Contribuição Líquida a Pagar" das planilhas de fls. 467 a 482. Em decorrência dessa nova apuração, o contribuinte apresentou PER/DCOMP Pedidos Eletrônicos de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação pelos quais solicita compensação dos valores que julga haver recolhido a maior a título de PIS e COFINS nãocumulativo sem relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de agosto de 2004 a abril de 2006. Referidos PER/DCOMP encontramse discriminados nos demonstrativos de fls. 483 e 484 elaborados por esta fiscalização. Nesses demonstrativos, que serão encaminhados ao Serviço de Orientação e Análise Tributária desta Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André para subsidiar a análise de referidas PER/DCOMP, estão discriminados, em valores originários, os valores dos créditos apurados em cada mês pelo contribuinte, os valores utilizados para compensação em cada PER/DCOMP, bem como os valores dos créditos efetivamente apurados por esta fiscalização, após análise das bases de cálculo e das glosas de desconto/de créditos acima relatadas. Na coluna final, constam os valores dos créditos indevidamente pleiteados e utilizados pelo contribuinte para compensação de débitos. IV. Do Lançamento: Tendo em vista que, após as glosas de descontos de créditos procedidas por esta fiscalização, os valores que se encontram espontaneamente declarados pelo contribuinte são inferiores àqueles apurados como devidos, conforme demonstrado nas colunas "Valores Apurados" dos demonstrativos de fls. 467 a 482, impõese a constituição do crédito tributário relativamente às diferenças assim encontradas, 'por meio de Auto de Infração lavrado nesta mesma data e do qual este termo é parte integrante. Importa observar que, em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de março e abril de 2006, o contribuinte não apurou valor a pagar das contribuições, remanescendo crédito a ser aproveitado em fatos geradores subsequentes. Após levadas a efeito as glosas procedidas por esta fiscalização, ainda assim não foram apurados valores devidos nesses meses, sendo reduzidos, todavia, os valores dos créditos remanescentes. Desta forma, fica o contribuinte intimado a refazer seus registros, com a finalidade de alterar os valores de citados créditos' para aqueles apurados por esta fiscalização, bem como a recolher eventuais diferenças no caso de têlos utilizado. Em sua impugnação, a Recorrente, apresentou os seguinte tópicos: (...) 2). A Ilegitimidade dos Autos de Infração Lavrados para Cobrar Tributos Pagos Espontaneamente nos Respectivos Vencimentos e Ainda Acrescidos de Juros de Mora e Multa de Lançamento de Oficio. 3). O Direito da QUATTOR a Créditos Calculados sobre o Custo de Aquisição da Nafta Petroquímica. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15758.000287/200939 Acórdão n.º 3301002.919 S3C3T1 Fl. 1.405 4 4). A Legitimidade dos Créditos Calculados sobre Valores Pagos a Pessoas Jurídicas e Escriturados como insumos, Apropriados aos Custos dos Bens Produzidos de Acordo com a Boa Técnica Contábil. 5). A Multa de Oficio Não se Comunica à Incorporadora. Importante destacar que, em relação aos itens 3 e 4 acima listados, houve expressa desistência (fls. 781) do Recurso Voluntário apresentado, com a inclusão dos valores compensados no parcelamento da Lei 11.941/09. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 28/02/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS E BENS NÃO CONSUMIDOS OU ALTERADOS NO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO FABRIL. IMPOSSIBILIDADE. Não geram créditos no regime da não cumulatividade, a aquisição de bens ou produtos que não são consumidos ou tem suas propriedades alteradas no processo fabril. Assim, correta a glosa de créditos calculados sobre dispêndios com alimentação, transporte de empregados da fábrica, telefonia, segurança, vigilância, limpeza e jardinagem do estabelecimento industrial. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não geram créditos no regime da não cumulatividade, a aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 28/02/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS E BENS NÃO CONSUMIDOS OU ALTERADOS NO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO FABRIL. IMPOSSIBILIDADE. Não geram créditos no regime da não cumulatividade, a aquisição de bens ou produtos que não são consumidos ou tem suas propriedades alteradas no processo fabril. Assim, correta a glosa de créditos calculados sobre dispêndios com alimentação, transporte de empregados da fábrica, telefonia, segurança, vigilância, limpeza e jardinagem do estabelecimento industrial. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15758.000287/200939 Acórdão n.º 3301002.919 S3C3T1 Fl. 1.406 5 Não geram créditos no regime da não cumulatividade, a aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2004 a 28/02/2006 CREDITO TRIBUTÁRIO PAGO E NÃO DECLARADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. IMPROCEDÊNCIA. É cabível a constituição mediante, lançamento de oficio, do crédito tributário recolhido mas não declarado em instrumento de confissão de dívida. Sendo tempestivos os recolhimentos, entretanto, cancelase a exigência da mora de oficio correspondente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não obstante o acórdão citado foi apresentada petição por parte da Recorrente visando correção de erro formal no acórdão lavrado. Os vícios apontados foram analisados pela DRJ de Campinas que assim se decidiu: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INEXATIDÕES MATERIAIS. CORREÇÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de oficio ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de novo acórdão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A retificação a ser efetuada no acórdão originário foi assim fundamentada: Neste contexto, e tendo em conta a divergência de fato encontrada no Acórdão DRJ/CPS n° 528.086, de 2010, entre a parte dispositiva do voto condutor de um lado, e a ementa da decisão e o texto de formalização do acórdão do outro, é de se admitir a manifestação da contribuinte. No entanto, a retificação do acórdão não se fará na orientação que a interessada almeja. Notese o equivoco da manifestante em pretender ver eliminado o lapso manifesto pela alteração na orientação decisório do acórdão no sentido do seu provimento integral. Trecho do voto condutor à fl. 763 justifica a correção da constituição do crédito pelo lançamento de oficio: Primeiramente, cabe ressaltar que a constatação de diferenças nos valores de PIS e de Cofins verificadas entre os valores informados em DCTF e os que seriam Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15758.000287/200939 Acórdão n.º 3301002.919 S3C3T1 Fl. 1.407 6 efetivamente devidos, consideradas as glosas de créditos da sistemática da não cumulatividade, compelia a fiscalização, por força da atividade vinculada que esta exerce, a promover a constituição de oficio do crédito tributário. Nesse contexto, foi correto o procedimento da autoridade fiscal na constituição do crédito não confessado. Diante do exposto voto por retificar o Acórdão DRJ/CPS n° 0528.086, de 2010, apenas quanto ao trecho do texto de formalização de fls. 746 verso que passa a ser assim redigido: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo, acordam os julgadores da 3ª Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos julgar procedente em parte a impugnação, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Contra a decisão proferida, que afastou a incidência da multa nas parcelas relativas as retificações das DCTF, recorreu de ofício a DRJ de Campinas. No recurso voluntário, houve a desistência parcial noticiada as fls 781, e os argumentos apresentados na parte que permaneceu em discussão procuravam esclarecer a ilegalidade da lavratura do auto de infração sobre valores já devidamente recolhidos nas épocas próprias, fato reconhecido pela decisão recorrida, uma vez que afastou a aplicação da multa de ofício sobre os valores cobrados. Entendia ainda, a Recorrente, que o procedimento adequado a ser tomado pela autoridade administrativa seria o de não homologar as compensações efetuadas, cobrando se os valores que deixaram de ser recolhidos com multa e juros, nos termos da IN/RFB 900/2009 e impor a multa prevista no art. 7º da Lei 10.426/021 por inexatidão das informações prestadas nas DCTFS. A 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção, através da Resolução nº 3302000.246, solicitou diligência para: 1) Efetuar a alocação dos pagamentos vinculados aos débitos lançados neste processo, nos termos do que foi decido no Acórdão nº 0528.086; 2) Dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da alocação dos pagamentos, informandolhe a existência ou não de débitos remanescentes, e abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11, para manifestação. O relatório de diligência trouxe seguinte texto: Sr. Contribuinte Encaminho para ciência, Resolução do CARF nº 3302.000.246, 3ªCâmara/2ª Turma Ordinária que determinou a alocação dos pagamentos conforme acórdãos da DRJ. Procedimento efetuado, após a locação restou saldo a pagar de R$ 100,00, já recolhido e devidamente alocado. Dada ciência, o interessado tem prazo de 10 dias para, querendo, manifestarse. Após esse prazo o processo segue para julgamento do Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15758.000287/200939 Acórdão n.º 3301002.919 S3C3T1 Fl. 1.408 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator Recurso de Ofício: O recurso de ofício é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. O recurso de ofício insurgese contra o acórdão que cancelou a imposição de multa de ofício no lançamento de tributo já objeto de pagamento anterior. Como bem dito no acórdão recorrido, a ação fiscal rendeu dois produtos finais: o presente auto de infração e a proposta de homologação parcial das compensações declaradas em DCOMP, tratadas no âmbito do processo administrativo n° 10805.720234/2006 69. Tal proposta, conforme cópia (fls. 744/745) do despacho decisório extraído dos citados autos, foi acatada pela DRF jurisdicionante. A não homologação parcial se deu em razão do reconhecimento de apenas parte do direito de crédito aproveitado na compensação. Conforme os demonstrativos elaborados pela fiscalização, constante das fls. 467/484, os indébitos reivindicados pela contribuinte teriam origem na retificação das DCTFs, pelas quais foram reduzidos os valores devidos das contribuições. Entretanto, a fiscalização acatou apenas parte das reduções nos valores devidos indicados pela interessada, por conta da glosa dos descontos de créditos da não cumulatividade, matéria já examinada e superada. Em relação ao cerne do recurso de ofício, transcrevo aqui o exemplo citado no acórdão recorrido, para entendermos o motivo do cancelamento da multa de ofício: Tomese o exemplo do primeiro período abarcado pelo auto de infração, o mês de agosto de 2004. À fl. 467 dos autos, a fiscalização demonstra ter a contribuinte declarado PIS a pagar no importe de R$ 4.153.287,39. Indica ainda o demonstrativo haver o sujeito passivo recolhido a cifra de R$ 4.195.191,55, em relação a esse mês, o que daria à contribuinte, em tese, o direito creditório de R$ 41.904,16. No entanto, promovidas as glosas dos descontos da nãocumulatividade, veio a fiscalização apurar aumento no valor de fato devido: R$ 4.168.845,24, contra os R$ 4.153.287,39. A diferença de R$ 15.557,85, entre o valor apurado pela fiscalização e o constante da DCTF retificada foi levada ao auto de infração (fl. 487). Nesse montante também foi diminuído o valor do crédito tributário invocado pela interessada, havendo a autoridade fiscal reconhecidolhe pagamento indevido na cifra de R$ 26.346,31. Permeia tudo isso o fato de que existe um pagamento no montante dos valores originalmente declarados pela contribuinte. A pergunta que se deve formular diz respeito à forma que deveria agir o Fisco deparandose com a situação do caso em tela, isto é, na constatação da existência de Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15758.000287/200939 Acórdão n.º 3301002.919 S3C3T1 Fl. 1.409 8 débito não confessado em instrumento de confissão de dívida e diante da verificação de documentos de arrecadação que originalmente extinguiam esses valores. Notese que quando do início da ação fiscal, as DCTFs válidas eram as declarações retificadas que confessavam débitos minorados em relação às DCTFs originais, por conta do indevido desconto de créditos sobre aquisições que não eram passíveis de gerar esse direito. Cabe indagar se, nessa situação, a autoridade fiscal deve constituir o crédito em sua totalidade, com cobrança de multa de oficio e juros de mora sobre o valor apurado, ou se apenas deveria deduzir o valor pago pelo contribuinte, levando ao auto de infração apenas eventual diferença a descoberto. Primeiramente, cabe ressaltar que a constatação de diferenças nos valores de PIS e de Cofins verificadas entre os valores informados em DCTF e os que seriam efetivamente devidos, consideradas as glosas de créditos da sistemática da não cumulatividade, compelia a fiscalização, por força da atividade vinculada que esta exerce, a promover a constituição de ofício do crédito tributário. Nesse contexto, foi correto o procedimento da autoridade fiscal na constituição do crédito não confessado. Ao promover a glosa dos valores utilizados como crédito, a administração tributária, como se viu, acabou, ao fim, por constituir de oficio a diferença entre o montante declarado na DCTF retificadora e o valor apurado pela fiscalização (R$ 15.557,85, para a apuração de agosto de 2004, em relação ao PIS). Também, conforme tabelas de fls. 483/484, a ação fiscal terminou por reconhecer como direito de crédito, a diferença entre o montante recolhido e o valor efetivamente devido como apurado pela fiscalização (R$ 26.346,31, para o exemplo). Confrontando os pagamentos efetuados com os créditos constituídos de oficio há que se reconhecer que as parcelas dos recolhimentos originais, e que alcançam os montantes constituídos de oficio devem ser admitidos como vinculados ao crédito exigido no presente auto. Como foram pagamentos realizados antes de qualquer procedimento fiscal, a multa deve ser excluída do presente lançamento. Os juros serão excluídos na medida em que os DARFs alcançarem os débitos, por ocasião da liquidação do presente acórdão. Portanto, entendo que não assiste razão à recorrente. Assim, o acórdão recorrido está correto ao cancelar a multa lançada, já que houve pagamentos antes de qualquer procedimento fiscal. Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário intenta provar que as contribuições sociais exigidas no auto de infração que deu origem ao presente processo haviam sido integralmente pagas nos respectivos vencimentos, extinguindo as correspondentes obrigações tributárias. Para deslinde da questão, cumpre transcrever o voto do relator Walber José da Silva , no acórdão que solicitou a diligência à delegacia de origem: Como relatado, a empresa Recorrente retificou DCTF para diminuir o valor a pagar de PIS e Cofins e apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de pagamento realizado a maior, calculado pela diferença entre o valor declarado na DCTF retificadora e o valor efetivamente pago. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15758.000287/200939 Acórdão n.º 3301002.919 S3C3T1 Fl. 1.410 9 A Fiscalização constatou, pelos motivos constantes do Termo de Verificação Fiscal, que o valor a pagar de PIS e de Cofins era superior ao valor declarado na DCTF retificadora e lavrou os autos de infração controlados neste processo para constituir o crédito tributário dessa diferença, posto que não estavam declarados em DCTF (não estavam lançados), embora existisse pagamento para os débitos lançados. O lançamento foi feito com multa de ofício. Impugnado, a DRJ reconheceu a existência de pagamentos vinculados aos débitos lançados e manteve os autos de infração porque os débitos não estavam constituídos, porém excluiu a multa de ofício e determinou a alocação dos respectivos Darf aos débitos deste processo, conforme se extrai das seguintes conclusões do voto vencedor do Acórdão nº 0528.086: Confrontando os pagamentos efetuados com os créditos constituídos de oficio há que se reconhecer que as parcelas dos recolhimentos originais, e que alcançam os montantes constituídos de oficio devem ser admitidos como vinculados ao crédito exigido nos presentes auto. Como foram pagamentos realizados antes de qualquer procedimento fiscal, a multa deve ser excluída do presente lançamento. Os juros serão excluídos na medida em que os DARFS alcançarem os débitos, por ocasião da liquidação do presente acórdão. Esse posicionamento afasta a alegação da interessada de que estaria sendo compelida a pagar duplamente pelo mesmo tributo. (destaquei). Ocorre que a DRF em Santo André SP, ao liquidar o acórdão acima, fez tão somente a exclusão da multa de ofício, deixando de fazer a alocação dos pagamentos (DARF) aos débitos objeto dos autos de infração, conforme decidiu o acórdão recorrido. Em conseqüência, a DRF em Santo André intimou, indevidamente, a Recorrente a efetuar o pagamento dos débitos lançados. Como bem disse a Recorrente em sua representação contra erro material no Acórdão, ao alocar os pagamentos aos débitos, não há débitos a ser cobrado. É muito provável que isto aconteça. Deve, portanto, a DRF em Santo André SP cumprir o decidido pela DRJ em Campinas e efetuar a alocação dos pagamentos vinculados aos débitos deste processo e apresentála ao Contribuinte para eventual contestação da execução do julgado. Observese que não há lide quanto ao mérito dos lançamentos. A pendenga suscitada no recurso voluntário se deve, exclusivamente, à execução parcial da decisão da DRJ em Campinas por parte da DRF em Santo André. Isto posto, voto no sentido de converteu o julgamento em diligência à DRF em Santo André SP para as seguintes providências: Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15758.000287/200939 Acórdão n.º 3301002.919 S3C3T1 Fl. 1.411 10 1) Efetuar a alocação dos pagamentos vinculados aos débitos lançados neste processo, nos termos do que foi decido no Acórdão nº 0528.086; 2) Dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da alocação dos pagamentos, informandolhe a existência ou não de débitos remanescentes, e abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11, para manifestação; 3) Concluído, retorne o processo a este CARF para julgamento do Recurso de Ofício e do Recurso Voluntário. O relatório de diligência se resumiu ao seguinte texto: Sr. Contribuinte Encaminho para ciência, Resolução do CARF nº 3302.000.246, 3ªCâmara/2ª Turma Ordinária que determinou a alocação dos pagamentos conforme acórdãos da DRJ. Procedimento efetuado, após a locação restou saldo a paga de R$ 100,00, já recolhido e devidamente alocado. Dada ciência, o interessado tem prazo de 10 dias para, querendo, manifestarse. Após esse prazo o processo segue para julgamento do Recurso de Ofício. Portanto, a recorrente afirma que o resultado da diligência veio ao encontro do que afirmou desde o início do procedimento fiscal, isto é, a impossibilidade de terem sido formalizados lançamentos de ofício para exigir recolhimento de contribuição para o PIS e COFINS em valores que foram recolhidos nas datas dos correspondentes vencimentos, ou seja, muito antes até mesmo de se iniciar a ação fiscal, e de juros de mora. Nesse ponto, discordo da recorrente. O lançamento foi correto e adveio da constatação de diferenças nos valores de PIS e de Cofins verificadas entre os valores informados em DCTF e os que seriam efetivamente devidos, consideradas as glosas de créditos da sistemática da não cumulatividade. Assim compelia a fiscalização, por força da atividade vinculada que esta exerce, promover a constituição de ofício do crédito tributário. Nesse contexto, foi correto o procedimento da autoridade fiscal na constituição do crédito não confessado. A recorrente também afirma que bastaria que a delegacia de origem não aceitasse as suas declarações retificadoras e cobrasse os tributos. Ora, isso não é possível. Não há um exame de admissibilidade de qualquer declaração retificadora apresentada pelo contribuinte. A declaração retificadora substitui a declaração original em todos os seus efeitos. Entretanto, como bem dito no acórdão recorrido, não há lide sobre o mérito do lançamento. Considerando que a diligência da delegacia de origem realizou a alocação dos pagamentos e constatou que apenas restava um débito de R$ 100,00, que já foi pago pela recorrente, não há mais que se falar em manutenção do auto de infração analisado no presente processo. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15758.000287/200939 Acórdão n.º 3301002.919 S3C3T1 Fl. 1.412 11 Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento ao recurso voluntário nos termos da diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de origem que considerou extintos por pagamento, os débitos de PIS e Cofins lançados no processo. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 15563.000139/2009-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO.
A teor do disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, o denominado lançamento por homologação opera-se pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte no sentido de apurar o tributo devido, expressamente a homologa. O referido artigo fixa o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para que a autoridade administrativa promova essa homologação. Contudo, se comprovada a ocorrência de dolo, tal prazo, tido como decadencial, não é aplicável. Nesse caso, a decadência é regida pelas disposições do art. 173 do mesmo diploma legal.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA
Revela-se procedente a exasperação da penalidade na circunstância em que foram aportados aos autos elementos capazes de criar a convicção de que os tributos que deixaram de ser recolhidos à Fazenda Pública decorreram de conduta dolosa por parte do fiscalizado.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA.
A partir da constatação induvidosa da hipótese prevista na lei, o arbitramento do lucro constitui dever da autoridade fiscal, e não uma opção. Assim, revelando-se incontroverso o fato de que o contribuinte, embora reiteradamente intimado, não apresentou os livros de escrituração obrigatória, cabe à referida autoridade, nos exatos termos do inciso III do art. 47 da Lei nº 8.981, de 1995, determinar o lucro tributável com base nos critérios do arbitramento.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. CONSTATAÇÃO.
Reunidos ao processo elementos capazes de criar a convicção de que, embora ausentes as formalidades legais, efetivamente a pessoa jurídica encontrada no domicílio fiscal da fiscalizada a sucedeu na exploração da atividade econômica, cabível a imputação de responsabilidade por sucessão, de natureza subsidiária na circunstância em que a referida fiscalizada não cessou, legal e formalmente, as suas atividades.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA.
Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinadas pessoas com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a solidariedade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referidas pessoas no pólo passivo das obrigações constituídas.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS.
Tratando-se de prática reiterada de infração, a exclusão do SIMPLES, nos termos da legislação aplicável à matéria, tem efeitos retroativos.
PEDIDO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA.
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 1301-002.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , NEGAR provimento aos recursos. Fez Sustentação oral o Sr. Fábio Mendonça e Castro, OAB/DF Nº 18.484.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO. A teor do disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, o denominado lançamento por homologação opera-se pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte no sentido de apurar o tributo devido, expressamente a homologa. O referido artigo fixa o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para que a autoridade administrativa promova essa homologação. Contudo, se comprovada a ocorrência de dolo, tal prazo, tido como decadencial, não é aplicável. Nesse caso, a decadência é regida pelas disposições do art. 173 do mesmo diploma legal. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA Revela-se procedente a exasperação da penalidade na circunstância em que foram aportados aos autos elementos capazes de criar a convicção de que os tributos que deixaram de ser recolhidos à Fazenda Pública decorreram de conduta dolosa por parte do fiscalizado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA. A partir da constatação induvidosa da hipótese prevista na lei, o arbitramento do lucro constitui dever da autoridade fiscal, e não uma opção. Assim, revelando-se incontroverso o fato de que o contribuinte, embora reiteradamente intimado, não apresentou os livros de escrituração obrigatória, cabe à referida autoridade, nos exatos termos do inciso III do art. 47 da Lei nº 8.981, de 1995, determinar o lucro tributável com base nos critérios do arbitramento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. CONSTATAÇÃO. Reunidos ao processo elementos capazes de criar a convicção de que, embora ausentes as formalidades legais, efetivamente a pessoa jurídica encontrada no domicílio fiscal da fiscalizada a sucedeu na exploração da atividade econômica, cabível a imputação de responsabilidade por sucessão, de natureza subsidiária na circunstância em que a referida fiscalizada não cessou, legal e formalmente, as suas atividades. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinadas pessoas com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a solidariedade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referidas pessoas no pólo passivo das obrigações constituídas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. Tratando-se de prática reiterada de infração, a exclusão do SIMPLES, nos termos da legislação aplicável à matéria, tem efeitos retroativos. PEDIDO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO. A teor do disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, o denominado lançamento por homologação operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte no sentido de apurar o tributo devido, expressamente a homologa. O referido artigo fixa o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para que a autoridade administrativa promova essa homologação. Contudo, se comprovada a ocorrência de dolo, tal prazo, tido como decadencial, não é aplicável. Nesse caso, a decadência é regida pelas disposições do art. 173 do mesmo diploma legal. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA Revelase procedente a exasperação da penalidade na circunstância em que foram aportados aos autos elementos capazes de criar a convicção de que os tributos que deixaram de ser recolhidos à Fazenda Pública decorreram de conduta dolosa por parte do fiscalizado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA. A partir da constatação induvidosa da hipótese prevista na lei, o arbitramento do lucro constitui dever da autoridade fiscal, e não uma opção. Assim, revelandose incontroverso o fato de que o contribuinte, embora reiteradamente intimado, não apresentou os livros de escrituração obrigatória, cabe à referida autoridade, nos exatos termos do inciso III do art. 47 da Lei nº 8.981, de 1995, determinar o lucro tributável com base nos critérios do arbitramento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. CONSTATAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 01 39 /2 00 9- 00 Fl. 5850DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.851 2 Reunidos ao processo elementos capazes de criar a convicção de que, embora ausentes as formalidades legais, efetivamente a pessoa jurídica encontrada no domicílio fiscal da fiscalizada a sucedeu na exploração da atividade econômica, cabível a imputação de responsabilidade por sucessão, de natureza subsidiária na circunstância em que a referida fiscalizada não cessou, legal e formalmente, as suas atividades. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinadas pessoas com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a solidariedade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referidas pessoas no pólo passivo das obrigações constituídas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. Tratandose de prática reiterada de infração, a exclusão do SIMPLES, nos termos da legislação aplicável à matéria, tem efeitos retroativos. PEDIDO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , NEGAR provimento aos recursos. Fez Sustentação oral o Sr. Fábio Mendonça e Castro, OAB/DF Nº 18.484. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 5851DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.852 3 Fl. 5852DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.853 4 Relatório FRIGOTI DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA e OUTROS, já devidamente qualificados nos presentes autos, inconformados com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõem recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Aproveito o relatório constante na decisão de primeira instância exarada em 15 de maio de 2014 para descrever os fatos e as razões trazidas por meio das impugnações interpostas. Trata o presente processo do auto de infração de fls. 864 a 907, lavrado pela DRF/NIU, no qual consta a exigência de: • Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 6.889.436,01, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros moratórios; • Contribuição para o programa de integração social (PIS), no valor de R$ 1.885.388,75, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros moratórios; • Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), no valor de R$ 3.132.646,21, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros moratórios; e • Contribuição para o financiamento social (COFINS), no valor de R$ 8.701.795,02, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros moratórios. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 866 a 868 e do termo de verificação fiscal de fls. 843 a 855, os lançamentos se devem a apuração de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, apesar da autuada ter sido regularmente intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários em suas contas, tendo sido efetuado o arbitramento do lucro, tendo em vista que a contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, mesmo após ter sido notificada para tanto. Em razão da apuração da infração acima mencionada por 3 (três) anos consecutivos, a interessada foi excluída do Simples, a partir de 01/01/2004, pela prática reiterada de infração à legislação tributária, com fundamento no artigo 14, inciso V, e 15, inciso V, da Lei n° 9.317/96, o que se fez através da publicação do Ato Declaratório Executivo n° 26, de 07/05/2009, expedido pelo DelegadoAdjunto da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu. Em razão da constatação da ocorrência de sonegação, na forma prevista no art. 71, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a utilização de interpostas pessoas, foi aplicada a multa qualificada, no percentual de 150 %, tendo sido ainda feita representação fiscal para fins penais, uma vez que a conduta apurada caracterizaria crime contra ordem tributária, previsto na Lei nº 8.137/90. A autuação tem como fundamento legal os artigos 27, inciso I, e 42 da Lei nº 9.430/96, e artigos 532 e 537, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Fl. 5853DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.854 5 Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). O arbitramento do lucro foi efetuado com base no inciso II, do art. 530, do RIR/99. Foi ainda atribuída pela autoridade fiscal a coresponsabilidade tributária às pessoas jurídica e físicas e abaixo listadas: • Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, CNPJ nº 08.630.890/000127, sucessora; • Pedro de Freitas Nogueira, CPF nº 129.301.48772, sócio, pessoa interposta; • Luiz de Freitas Nogueira, CPF nº 129.301.30725, sócio, pessoa interposta; • José Cláudio Chagas Nogueira, CPF nº 831.963.15720, procurador e sócio de fato; e • Carlos Augusto Chagas Nogueira, CPF nº 023.272.17776, e sócio de fato. A responsabilidade subsidiária pelo crédito tributário lançado da pessoa jurídica acima mencionada, decorreria da sua condição de sucessora da autuada, uma vez que permaneceu em atividade, com fundamento no art. 133, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN). Os sócios Pedro de Freitas Nogueira e Luiz de Freitas Nogueira responderiam solidariamente pelo crédito tributário lançado por terem, em tese, praticado atos com infração a lei, caracterizados como crimes contra ordem tributária, e em decorrência da dissolução irregular da sociedade, com fundamento no art. 135, inciso I, conjugado com o art. 134, inciso VII, do CTN. Quanto a José Cláudio Chagas Nogueira e Carlos Augusto Chagas Nogueira, sócio do Frigorífico Novo Meriti, pela prática, em tese, de infração ao contrato social, responderiam solidariamente pelo crédito tributário, com fulcro no art. 135, inciso I, conjugado com o art. 134, inciso VII, do CTN, tendo aquele ainda infringido no inciso II, do art. 135, da mesma norma, em virtude de que foi procurador da autuada com poder para movimentação de suas contas correntes. Em decorrência do lançamento foram arrolados bens e direitos da interessada e dos demais responsáveis solidários, conforme termos de fls. 908 a 919. Cientificada da autuação em 24/06/2009, conforme AR de fl. 940, a interessada apresentou em 23/07/2009 impugnação de fls. 954 a 972, de fls. 1095 a 1097, de fls. 1157 a 1159 a de fls. 1219 a 1222 , nas quais, alega a tempestividade, e: 1) a nulidade da autuação, tendo em vista a falta de elementos comprobatórios da suposta infração, bem como ante a atipicidade da conduta da impugnante, a ausência de dolo ou mesmo de culpa; 2) que a autuação por arbitramento feriu os princípios do estado de direito, da legalidade restrita, na medida que só estaria autorizada a ser usada em último recurso, por absoluta ausência de qualquer outro elemento que possua mais condições de aproximarse do lucro real; 3) que possui todos os livros e documentos contábeis pertinentes e devidos, sendo, por isso, válida sua escrituração, estando a mesma à plena disposição do Fisco; Fl. 5854DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.855 6 4) requer que seja feita a perícia contábil em sua escrita fiscal de modo a comprovar a regularidade da mesma, e respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Por fim, requereu o arquivamento da autuação, considerandose procedente a impugnação. Cientificada da autuação em 24/06/2009, conforme AR de fl. 943, Pedro de Freitas Nogueira apresentou em 23/07/2009 impugnação de fls. 1024 a 1035 e 1040 a 1051, nas quais, alega os mesmos argumentos da impugnação da autuada fazendo os mesmo pedidos, além de pugnar por sua ilegitimidade passiva, tendo em vista que a autuada possui personalidade própria, com autonomia patrimonial, que a autuada originária não cessou suas atividades, e é dotada de liquidez, que seu comportamento não possui tipicidade que desse azo a atribuição de solidariedade. Cientificados da autuação em 24/06/2009, conforme AR de fl. 943, Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, José Cláudio Chagas Nogueira e Carlos Augusto Chagas Nogueira, apresentaram em 22/07/2009 impugnação de fls. 5515 a 5525, nas quais, alegam os mesmos argumentos da impugnação da autuada fazendo os mesmo pedidos, além de pugnar por suas ilegitimidades passivas, tendo em vista que não há sucessão com a autuada e o Frigorífico Novo Meriti, que esta não faz parte do mesmo grupo econômico da autuada, tendo quadros societários diversos, sendo na verdade concorrentes. Não haveria provas da existência de qualquer relação entre empresas, razão pela qual seu comportamento não possui tipicidade que desse azo a atribuição de solidariedade. Através do Acórdão nº 1232.878, de 19/08/2010 esta turma de julgamento não deu provimento as impugnações supramencionadas, julgando procedente o lançamento e a responsabilidade tributária solidária de todos os interessados. Contra a referida decisão todos os interessados apresentaram recursos voluntários aos quais foram julgados em 04/12/2013 pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que por meio do acórdão nº 1302001.267 anulou a decisão de primeira instância, tendo em vista que a mesma deixou de apreciar os argumentos da impugnação apresentada pela pessoa jurídica Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda., José Cláudio Chagas Nogueira e Carlos Augusto Chagas Nogueira, tendo em vista que as referidas peças impugnatórias foram formalizadas em processos administrativos distintos (processos administrativos nº 10735.001291/200969, 10735.001292/2009 11, 10735.001293/200958 e 10735.001294/200901), que, por ocasião do julgamento em primeira instância, tramitavam em separado do presente processo. Após a ciência dos interessado do teor da decisão da segunda instância administrativa, os autos foram remetidos para esta turma de julgamento para que fosse elaborada nova decisão. Para uma melhor compreensão acerca da ocorrência dos fatos acima, destaco a seguir, em ordem cronológica, aspectos relevantes refletidos nos autos a partir da instauração da fase litigiosa. Em 19 de agosto de 2010, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o acórdão nº 1232.878, fls. 1.305/1.3181, por meio do 1 Numeração do arquivo digital. Fl. 5855DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.856 7 qual julgou improcedentes as impugnações interpostas pela autuada e pelos responsáveis solidários LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA e PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA. Em 06 de outubro de 2010, apresentaram recursos voluntários: a autuada (fls. 1.345/1.361); PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA e LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA (fls. 1.387/1.407); FRIGORÍFICO NOVO MERITI DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA, JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA (fls. 1.408/1.421). Em 04 de dezembro de 2013, a 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara, prolatou o acórdão nº 1302001.267, por meio do qual decretou a nulidade da decisão exarada em primeira instância em virtude da constatação de que a impugnação apresentada conjuntamente por FRIGORÍFICO NOVO MERITI DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA, JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA, não havia sido apreciada. Esclarece o citado acórdão que referida impugnação foi formalizada em processos distintos. O voto condutor do acórdão em referência assinala: Fazse necessário relatar que o processo administrativo nº 10735.001291/200969, ao qual estão apensados os processos nº 10735.001292/200911, 10735.001293/200958 e 10735.001294/200901, foi, em ocasião anterior, distribuído mediante sorteio a este Conselheiro, para relato e voto. Ao examinálos, constatouse que tratavam de impugnação aos lançamentos objeto do presente processo nº 15563.000139/200900, apresentadas pela pessoa jurídica Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda. e os Srs. José Cláudio Chagas Nogueira e Carlos Augusto Chagas Nogueira. Mediante a Resolução nº 130100.048 (fls. 260/261 do processo nº 10735.001291/200969), de 15/03/2012, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF determinou que o processo nº 10735.001291/200969 fosse juntado ao presente processo nº 15563.00013/200900, e que este último fosse distribuído a este Conselheiro, por conexão. A mencionada Resolução foi cumprida. O presente processo nº 15563.000139/200900 vem agora para julgamento, e a ele está juntado por apensação o processo nº 10735.001291/200969. A esse, por sua vez, já se encontravam apensados os processos nº 10735.001292/200911, nº 10735.001293/200958 e nº 10735.001294/200901. Em 15 de maio de 2014, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o acórdão nº 1265.437, fls. 5.633/5.647, por meio do qual considerou definitiva a decisão que excluiu a fiscalizada da sistemática do SIMPLES e julgou improcedentes as impugnações interpostas pela autuada e pelos responsáveis solidários. Referido julgado restou assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS E FÍSICAS. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos Fl. 5856DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.857 8 praticados com infração de lei, bem como da adquirente, a qualquer título de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, que continuar a respectiva exploração. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO. Considerase definitiva a decisão que excluir a pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples ante a ausência de impugnação. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE QUESITOS E DE PERITO. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de perícia sem a indicação de quesitos, bem como de nome, endereço e qualificação profissional do perito. SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO. A prática reiterada de infração à legislação tributária é causa de exclusão da pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NEGATIVA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS PELA PESSOA JURÍDICA. A lei autoriza o Fisco a fixar os lucros tributáveis, mediante arbitramento, quando falte a documentação comprobatória da escrita contábil, situação que alcança a hipótese de ela não ter sido apresentada pela pessoa jurídica após regular intimação para fazêlo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, após regular intimação, autoriza o lançamento do imposto correspondente, por presunção legal de omissão de rendimentos, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizado pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS e COFINS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Fl. 5857DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.858 9 Em 08 de julho de 2014, a autuada interpôs RECURSO VOLUNTÁRIO, fls. 5.655/5.661, sustentando: a exclusão das "competências" de janeiro a junho de 2004, em virtude de "prescrição"; o fato de a movimentação financeira não representar medida de faturamento; a deficiência da autuação em razão da desconsideração dos valores declarados no ano calendário de 2004; a necessidade de retorno dos autos à unidade administrativa de origem para que seja determinada perícia técnica nos extratos bancários e nos documentos contábeis existentes; a tributação segundo o regime a que estava submetida; a irretroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES; e a improcedência da alegação de interposição fraudulenta de pessoas e, por decorrência, a insubsistência da multa qualificada de 150%. Em 21 de setembro de 2015, foi emitido DESPACHO DE SANEAMENTO, fls. 5.685/5.686, para que fosse promovida a ciência do acórdão nº 1265.437 a FRIGORÍFICO NOVO MERITI DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA, PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA, LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA, JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA, vez que foi constatado que a ciência em referência só havia sido promovida em relação à contribuinte autuada. Cientificados da decisão exarada em primeira instância, conforme avisos de recebimento de fls. 5.700, 5703, 5.706, 5.709 e 5.712, interpuseram recurso voluntário: FRIGORÍFICO NOVO MERITI DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA, JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA, fls. 5.716/5.749, por meio do qual alegam: que o abandono das atividades da FRIGOTI não se deu de forma ardilosa e com premeditação, como insinua a Fiscalização; que o fato de ter existido no mesmo local empresas com o mesmo ramo de atividade não constitui prova da ocorrência de sucessão empresarial; que, relativamente às pessoas jurídicas objeto de circularização, foram desconsideradas as respostas que militavam em favor da demonstração da ausência de sucessão empresarial; que, no que tange aos valores das notas fiscais, os comentários da Fiscalização são feitos sem "o menor nexo lógico, chegando mesmo a misturar com valores de notas de outros fornecedores"; que os fatos apurados pela Fiscalização demonstram que "enquanto a FRIGOTI reduzia as suas atividades (por motivos sic de saúde de um dos sócios e não por fraude tributária como alegado pela Autoridade Fiscal) FRIGORÍFICO NOVO MERITI não absorvia o seu faturamento, tendo que trilhar um caminho próprio e independente"; que qualquer empresa envolvida na atividade de distribuição frigorífica de alimentos tem como fornecedora a PERDIGÃO, que é a empresa de maior expressão no setor; que "várias empresas, com os mais variados sócios e não apenas os mencionados pelo Auditor Fiscal, têm seus negócios na Estrada Arthur Sendas nº 1.752, através de relação de locação comercial com FERNANDES COUTINHO FRIGORÍFICO LTDA., cabendo destacar, ainda, que os contratos relativos à FRIGOTI e FRIGORÍFICO NOVO MERITI foram devidamente juntados à primeira defesa; Fl. 5858DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.859 10 que, no caso, não se trata de utilização do mesmo espaço físico, mas, sim, do mesmo endereço, que comporta o funcionamento de várias empresas ao mesmo tempo; que são improcedentes as alegações da Fiscalização acerca de uma suposta utilização de uma mesma MARCA; que a responsabilização é relativa aos tributos do fundo ou estabelecimento adquirido, não dizendo respeito à integralidade dos tributos devidos pelo alienante; que, tendo ficado demonstrado que a FRIGOTI permaneceu em suas atividades até 2008, as exações devem ser exigidas dela, e, somente no caso de não satisfação da dívida, caberá ao FRIGORÍFICO MERITI cumprir com a obrigação; que a tese sustentada pela Fiscalização para servir de suporte à responsabilização dos Srs. José Cláudio Chagas Nogueira e Carlos Augusto Chagas Nogueira não encontra suporte fático nem jurídico, devendo ser desconsiderada; que a existência de uma procuração com poderes exclusivos para movimentação de contas não autoriza a conclusão de que o Sr. José Cláudio exercia função de administrador da FRIGOTI. É o Relatório. Fl. 5859DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.860 11 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS), relativas aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, formalizadas em virtude imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos de origem não comprovada. Esclareço inicialmente que não identifico nos autos interposição de recurso por parte de LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA e PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA. Aprecio, pois, os recursos voluntários interpostos. FRIGOTI DISTRIBUIDORA E TRANSPORTADORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA "PRESCRIÇÃO" Alega a Recorrente que os lançamentos tributários devem ser revisados, visto que as competências de janeiro a junho de 2004 devem ser excluídas da autuação, uma vez que passados mais de cinco anos da data da lavratura do auto de infração. De certo, a Recorrente quis fazer referência à DECADÊNCIA, e não à PRESCRIÇÃO. Para que se possa apreciar a ocorrência, ou não, de caducidade do direito de a Fazenda constituir os créditos tributários correspondentes aos fatos geradores apontados pela Recorrente, tornase necessário, primeiro, analisar a procedência, ou não, da qualificação da penalidade aplicada, visto que, em tal circunstância (qualificação da penalidade), há um deslocamento do termo inicial do prazo de decadência. Vejo também como relevante a análise, de início, dos elementos relacionados à caracterização, pela Fiscalização, de sucessão empresarial. Objetivando contextualizar a ação fiscal e destacar os elementos que serviram de suporte à imputação de multa de ofício de 150% e de sucessão empresarial, colho do Termo de Verificação e Constatação de fls. 814/826 as seguintes informações: i) a ação fiscal na autuada foi deflagrada a partir da constatação de movimentação financeira incompatível com a receita declarada no período de 2004 a 2006, cabendo observar que nos anos de 2005 e de 2006 ela foi OMISSA na apresentação de declaração; ii) embora intimada a apresentar livros e documentos, a fiscalizada não apresentou quaisquer documentos ou informações, fosse por escrito, fosse por meio verbal; Fl. 5860DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.861 12 iii) diante do silêncio da contribuinte, foram expedidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) à Instituições Financeiras, objetivando obter os extratos bancários correspondentes às contas movimentadas pela investigada; iv) com base em informações obtidas da Junta Comercial do estado do Rio de Janeiro (JUCERJA), o quadro societário da fiscalizada era o seguinte: PALMERINDO FERREIRA DA COSTA e WILSON DE CARVALHO FERNANDES, até 29/12/2004; PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA e LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA a partir de 30/12/2004 (não foi verificada a existência de DISTRATO SOCIAL); v) no local indicado como sendo o domicílio fiscal da autuada, não foram identificadas instalações ou logotipos da empresa, mas, sim, da pessoa jurídica FRIGORÍFICO NOVO MERITI (o nome MERITI encontravase impresso nos uniformes dos funcionários que estavam presentes por ocasião da visita da Fiscalização); vi) indagado acerca da FRIGOTI, funcionário que encontravase na Portaria da empresa informou que desconhecia tal empresa, momento em que asseverou que não existia outra empresa em funcionamento naquele local que não a FRIGORÍFICO NOVO MERITI; vii) o gerente da empresa FRIGORÍFICO NOVO MERITI, Sr. JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA, é filho do Sr. PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA, sócio da fiscalizada, e, indagado acerca da FRIGOTI, informou que a empresa havia sido encerrada por dificuldades econômicas e devido a problemas de saúde de seu pai, e que, no lugar dela, havia sido fundada, por ele e pelo Sr. CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA, a empresa FRIGORÍFICO NOVO MERITI; viii) pesquisas em controles internos da Receita Federal indicaram que a autuada integra um conjunto de seis empresas instaladas no mesmo endereço, sendo que nenhuma delas havia sido encerrada; ix) conforme quadro de fls. 816, em cinco das seis empresas acima referenciadas, constatase ao menos uma das seguintes pessoas físicas: PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA, LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA, JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA (não obstante, a Fiscalização assegura que em todas as empresas havia pelo menos um desses senhores); x) em virtude da ausência de esclarecimentos acerca da origem dos recursos movimentados em contas bancárias, a fiscalizada foi excluída do SIMPLES com fundamento na prática reiterada de infração (Ato Declaratório Executivo nº 26, de 07/05/2009), tendo sido intimada a apresentar livros que viabilizassem a apuração das exações devidas segundo o regime de tributação de opção, porém, nada foi apresentado; xi) para a Fiscalização, a autuada representa a quinta empresa de um total de seis, constituídas pelo que denominou FAMÍLIA NOGUEIRA, no mesmo endereço, com objeto idêntico ou similar, sendo que nenhuma foi regularmente encerrada; xii) os sócios originais da fiscalizada, Srs. PALMERINDO FERREIRA DA COSTA e WILSON DE CARVALHO FERNANDES não detinham, à época em que participavam do quadro societário, capacidade econômica para constituir uma empresa do porte da fiscalizada (quando constituída, o seu capital era de R$ 100.000,00); Fl. 5861DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.862 13 xiii) foi constatado que os Srs. PALMERINDO FERREIRA DA COSTA e WILSON DE CARVALHO FERNANDES haviam sido funcionários de alguma das seis empresas da FAMÍLIA NOGUEIRA; xiv) juntamente com extratos bancários do BRADESCO, foram identificados diversos instrumentos de procuração outorgando poderes ao Sr. JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA, filho do sócio da fiscalizada Sr. PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA, para movimentar a conta bancária da FRIGOTI; xv) o prédio no qual encontramse domiciliadas as seis empresas identificadas é de propriedade do Sr. JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA xvi) no ano em que a fiscalizada apresentou declaração ao Fisco (2004), foi informada uma receita bruta de R$ 552.329,76, enquanto os créditos em conta bancária totalizaram R$ 92.527.640,80; xvii) embora a alegação seja em sentido contrário, comparandose os contratos sociais da fiscalizada e da FRIGORÍFICO MERITI, verificase que elas têm o mesmo objeto social; xviii) o atual Contrato Social consolidado da FRIGOTI e o Contrato Social da FRIGORÍFICO NOVO MERITI, em suas cláusulas quartas (terceira, no Contrato Social original da FRIGOTI), possuem exatamente a mesma redação, inclusive com o mesmo erro de pontuação, conforme reprodução abaixo: A sociedade tem por objeto a exploração do ramo de distribuição e comércio de carnes de bovinos. suínos e seus derivados, bem como, de gêneros alimentícios em geral xix) convergem para a caracterização da sucessão, os seguintes dados: conforme DIPJ de 2004 e de 2007 (2005 e 2006 a empresa foi omissa), a FRIGOTI praticamente cessou suas atividades; em 2004 a receita foi de R$ 552.329,76 e em 2007 foi de R$ 137.547,01; nesse período, o número de empregados foi reduzido de vinte para dois; o FRIGORÍFICO NOVO MERITI, ao contrário, teve nesse mesmo período elevado crescimento de sua folha de pagamento; xx) com base em circularização foi possível caracterizar a cessação das atividades da FRIGOTI e a continuidade da exploração da atividade pelo FRIGORÍFICO NOVO MERITI, e a constatação da existência de contatos comuns para as duas empresas (Sr. MARCELO2 e R&A REPRESENTAÇÕES LTDA); xxi) notas fiscais de emissão da FRIGOTI, colhidas no procedimento de circularização, indicam no logotipo da FRIGOTI a expressão FRIGORÍFICO MERITI e representa o mesmo logotipo da FRIGORÍFICO NOVO MERITI, como acréscimo da expressão NOVO. 2 O número de telefone associado a este senhor pertence à Dulucar Transportes, também localizada no mesmo endereço da FRIGOTI e do FRIGORÍFICO NOVO MERITI e igualmente pertencente a membros da família (Srs. Luiz Márcio Chagas Nogueira e Marcelo Alfenas Nogueira). Fl. 5862DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.863 14 Com base nos elementos acima explicitados, a Fiscalização, com fundamento nas disposições normativas e legais adiante apontadas, promoveu: a) o arbitramento do lucro (inciso III do art. 530 do RIR/99); b) a qualificação da multa de ofício aplicada (inciso I, parágrafo 1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996); a imputação de sucessão empresarial à FRIGORÍFICO NOVO MERITI (inciso II do art. 133 do Código Tributário Nacional); e a imputação de responsabilidade tributária aos Srs. PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA, LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA, JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA. Em discussão, portanto, a partir dos elementos apontados nos itens de i a xxi acima, a qualificação da penalidade, o arbitramento do lucro, a responsabilidade subsidiária imputada à pessoa jurídica FRIGORÍFICO NOVO MERITI e a responsabilidade tributária solidária imputada aos Srs. PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA, LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA, JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA. A meu ver, os elementos acima elencados, isoladamente, não têm o condão de servir de suporte nem à qualificação da penalidade, nem à imputação de responsabilidade. Porém, como habitualmente temse dito, visto o "filme" como um todo, servem de lastro tanto para uma coisa como para a outra. Com efeito, estamos diante de um conjunto de empresas, todas localizadas em um mesmo endereço, administradas por pessoas integrantes de uma mesma família, em que, no que tange à fiscalizada, resta patente: a interposição de pessoa no seu quadro societário; a movimentação financeira de recursos vultosos, declarada em montante significativamente inferior ou mesma não declarada; a cessão gradativa da exploração da atividade econômica; e a comprovada continuidade por meio de empresa pertencente ao mesmo grupo familiar. Para entender como procedente as medidas adotadas pela Fiscalização que ora aprecio (qualificação da penalidade, imputação de responsabilidade tributária e arbitramento do lucro), destaco os seguintes os elementos: titularidade do capital do Grupo de empresas distribuída entre pessoas integrantes de uma mesma família; a ausência de escrituração das operações; a evidente interposição de pessoas no quadro societário da fiscalizada, caracterizada pela titularidade formal do seu capital em nome de funcionários de empresa integrante do Grupo e a subsequente outorga de procuração a verdadeiro titular; as evidências refletidas em documentos fiscais e nos atos societários; e as evidências descritas pela autoridade fiscal a partir das circularizações efetuadas. Como é cediço, na circunstância em que o dolo está presente na conduta infracional, a decadência regese pelas disposições do art. 173 do Código Tributário Nacional, e não pelo § 4º do art. 150 do mesmo diploma. No caso vertente, em que o fato gerador mais antigo ocorreu em janeiro de 2004 e o lançamento foi efetivado em junho de 2009, considerado o inciso I do art. 173 acima mencionado, descabe falar em caducidade do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, eis que ela detinha poderes para fazêlo até 31 de dezembro deste mesmo ano (2009). Fl. 5863DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.864 15 DEPÓSITOS BANCÁRIOS Argumenta a Recorrente que a movimentação bancária não representa medida idêntica de faturamento, vez que envolve valores referentes à devolução de fornecedores (compras estornadas), aportes financeiros de sócios, empréstimos bancários, transferências entre contas, etc. Diz que, além disso, ao invés de a autuação incidir apenas sobre a diferença, foram desconsiderados os valores efetivamente declarados no ano de 2004. Equivocase a Recorrente. É certo que a movimentação bancária pode mesmo corresponder à devolução de fornecedores, aportes financeiros de sócios, empréstimos bancários, transferências entre contas, etc., porém, uma vez não comprovado que o crédito feito em conta corrente bancária teve qualquer dessas origens ou qualquer outra não tributável, nasce para o Fisco o direito de tributar tal crédito como omissão de receitas. É o que estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, senão vejamos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos Fl. 5864DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.865 16 nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Vêse, pois, que, no caso, o ônus de provar que o crédito bancário não decorre de receita omitida é do contribuinte. Notase, também, que inexiste na lei a presunção de que os depósitos bancários alcançam, necessariamente, os valores declarados, ou a determinação de que, para fins de tributação com suporte na presunção, devese excluir os valores declarados. No caso, caberia à autuada provar que referidos valores declarados transitaram pelas suas contas bancárias, e mais: que os valores declarados foram confessados em instrumentos declaratórios próprios ou foram devidamente recolhidos. PERÍCIA TÉCNICA Alternativamente, a Recorrente solicita que o presente processo retorne à unidade administrativa de origem para que seja determinada a realização de uma perícia técnica nos extratos bancários e documentos contábeis, a fim de que se possa apurar o valor correto base tributável supostamente omitida. Impróprio o solicitado pela Recorrente. Como dito, tratandose de tributação com base em depósitos bancários, o ônus probatório é invertido, de modo que revelase absolutamente impertinente requerer que, por meio de perícia ou diligência, o Fisco envide esforços para colher provas que caberia ao fiscalizado apresentálas. Ademais, em conformidade com o inciso IV e §1º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, no caso de perícia, além da formulação dos quesitos referentes ao exame desejado, o contribuinte deve indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, considerandose não formulado o pedido que tenha sido efetuado sem a observância de tais requisitos. REGIME DE TRIBUTAÇÃO E EXCLUSÃO DO SIMPLES Sustenta a Recorrente que, no caso, uma vez determinada a base tributável, o regime de tributação a ser adotado deveria ser o utilizado por ela, "e não o criado pelo Auditor Fiscal e apurado de modo retroativo". Diz que os efeitos da exclusão do SIMPLES operam de modo ex nunc, e não ex tunc. Aqui, à evidência, não se trata de regime de tributação "criado pelo Auditor", mas, sim, de aplicação de regime de tributação diante da constatação da ocorrência da hipótese autorizadora prevista na lei. De igual forma, a disciplina acerca dos efeitos da exclusão do SIMPLES é ditada pela lei. No presente caso, como se verifica na transcrição abaixo, o inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996, diploma legal que regia a sistemática simplificada de recolhimento de tributos e contribuições até então vigente, estabelecia de forma expressa a retroatividade dos efeitos da exclusão. Fl. 5865DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.866 17 Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: ... V prática reiterada de infração à legislação tributária; ... Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ... V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. MULTA QUALIFICADA Alega a Recorrente que a qualificação da penalidade teve por fundamento a existência de interpostas pessoas, mas que, no período investigado, a empresa já era de titularidade do Sr. PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA e LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA, "sendo desnecessária qualquer medida de desconsideração de personalidade jurídica, afastando, assim, a alegação de interposição fraudulenta de pessoas. Penso que os elementos justificadores da qualificação da penalidade e o juízo acerca da procedência da medida, já foram devidamente apontados (os elementos) e declinados (juízo). No mais, cabe apenas destacar que, no caso, não estamos diante de desconsideração de personalidade jurídica, mas, sim, de identificação da verdadeira titularidade dos recursos financeiros movimentados e, por decorrência, da imputação da responsabilidade pelos tributos advindos da renda refletida na movimentação dos recursos. FRIGORÍFICO NOVO MERITI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS EIRELI, JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA APLICAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES DO ART. 133 DO CTN Alegam os Recorrentes que o abandono das atividades da FRIGOTI não se deu de forma ardilosa e com premeditação, como insinua a Fiscalização. Afirmam que o fato de ter existido no mesmo local empresas com o mesmo ramo de atividade não constitui prova da ocorrência de sucessão empresarial. Argumentam que, relativamente às pessoas jurídicas objeto de circularização, foram desconsideradas as respostas que militavam em favor da demonstração da ausência de sucessão empresarial. Sustentam que, no que tange aos valores das notas fiscais, os comentários da Fiscalização são feitos sem "o menor nexo lógico, chegando mesmo a misturar com valores de notas de outros fornecedores". Afirmam que os fatos apurados pela Fiscalização demonstram que "enquanto a FRIGOTI reduzia as suas atividades (por motivos sic de saúde de um dos sócios e não por fraude tributária como alegado pela Autoridade Fiscal) FRIGORÍFICO NOVO MERITI não absorvia o seu faturamento, tendo que trilhar um caminho próprio e independente". Alegam que qualquer empresa envolvida na atividade de distribuição frigorífica de alimentos tem como fornecedora a PERDIGÃO, que é a empresa de maior expressão no setor. Argumentam ainda que "várias empresas, com os mais variados sócios e não apenas os mencionados pelo Auditor Fiscal, têm Fl. 5866DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.867 18 seus negócios na Estrada Arthur Sendas nº 1.752, através de relação de locação comercial com FERNANDES COUTINHO FRIGORÍFICO LTDA., cabendo destacar, ainda, que os contratos relativos à FRIGOTI e FRIGORÍFICO NOVO MERITI foram devidamente juntados à primeira defesa; que, no caso, não se trata de utilização do mesmo espaço físico, mas, sim, do mesmo endereço, que comporta o funcionamento de várias empresas ao mesmo tempo; que são improcedentes as alegações da Fiscalização acerca de uma suposta utilização de uma mesma MARCA; que a responsabilização é relativa aos tributos do fundo ou estabelecimento adquirido, não dizendo respeito à integralidade dos tributos devidos pelo alienante; que, tendo ficado demonstrado que a FRIGOTI permaneceu em suas atividades até 2008, as exações devem ser exigidas dela, e, somente no caso de não satisfação da dívida, caberá ao FRIGORÍFICO MERITI cumprir com a obrigação; que a tese sustentada pela Fiscalização para servir de suporte à responsabilização dos Srs. José Cláudio Chagas Nogueira e Carlos Augusto Chagas Nogueira não encontra suporte fático nem jurídico, devendo ser desconsiderada; e que a existência de uma procuração com poderes exclusivos para movimentação de contas não autoriza a conclusão de que o Sr. José Cláudio exercia função de administrador da FRIGOTI. Como já dito, tenho por suficientes os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal, tanto para a exasperação da penalidade aplicada, como para a imputação de responsabilidade tributária, seja em relação ao FRIGORÍFICO MERITI, seja em relação às pessoas físicas indicadas na peça de autuação. Equivocamse os Recorrentes ao sustentarem que, no caso do art. 133 do CTN, a responsabilidade tributária não alcança a integralidade dos tributos devidos pelo sucedido. À evidência, tratandose de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, relativamente aos fatos geradores ocorridos até a data do evento, a responsabilidade tributária em questão alcança a integralidade dos tributos devidos. Importa destacar, contudo que, em convergência com sustentado pelos Recorrentes, no que diz respeito à responsabilidade tributária imputada ao FRIGORÍFICO MERITI, ela teve por suporte, acertadamente, o disposto no inciso II do art. 133 do CTN, de modo que ela tem caráter subsidiário. Repiso que, para fins de apreciação das questões suscitadas pelos Recorrentes, especialmente os relacionados à sucessão empresarial e à responsabilidade dos Srs. José Cláudio Chagas Nogueira e Carlos Augusto Chagas Nogueira, é necessário jogar luzes sobre os fatos aportados ao processo de forma conjunta, e não isoladamente. Não obstante, diferentemente do sustentado na peça recursal, tenho como de extrema relevância para corroborar a conclusão esposada no presente pronunciamento, a constatação da existência de PROCURAÇÃO outorgando poderes ao Sr. José Cláudio para movimentar recursos da fiscalizada. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 5867DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1301002.054 S1C3T1 Fl. 5.868 19 Fl. 5868DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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