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Numero do processo: 13884.720421/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
DEPENDENTE. FILHO MAIOR ATÉ 24 ANOS CURSANDO ENSINO SUPERIOR. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os filhos poderão ser considerados dependentes, quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-002.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. DEPENDENTE. FILHO MAIOR ATÉ 24 ANOS CURSANDO ENSINO SUPERIOR. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Os filhos poderão ser considerados dependentes, quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
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NULIDADE. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. DEPENDENTE. FILHO MAIOR ATÉ 24 ANOS CURSANDO ENSINO SUPERIOR. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Os filhos poderão ser considerados dependentes, quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 04 21 /2 01 5- 99 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13884.720421/201599 Acórdão n.º 2201002.979 S2C2T1 Fl. 211 2 (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento por meio da qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 4, que houve glosa de R$ 3.949,44 correspondentes à dedução indevida de dois dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. Segundo a Autoridade lançadora os dois dependentes lançados na declaração de ajuste anual do contribuinte são alimentandos sob a guarda da mãe, conforme decisão judicial. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 7/8, julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 190/193, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTES. É de se manter a glosa efetuada pela fiscalização quando o contribuinte deixa de apresentar documentação hábil e idônea que comprove a efetiva relação de dependência daquele assim considerado em sua declaração de ajuste anual e também no caso de alimentanda. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/07/2015 (fl. 197), o Interessado interpôs, em 16/07/2015, o recurso de fl. 199, acompanhado dos documentos de fls. 200/205. Na peça recursal aduz que seu filho Pedro Henrique de Aquino Bravini ingressou na UNICAMP no ano de 2010, estando como aluno regular em 2012, conforme comprova o Histórico Escolar que anexa à peça recursal, e não em 2013, conforme mencionado na decisão recorrida. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese à controvérsia à glosa do dependente Pedro Henrique de Aquino Bravini, uma vez que o Interessado, nesta 2ª instância administrativa, não contestou a glosa de Maria Izabel de Aquino Bravini, também lançada na declaração de ajuste anual na qualidade de dependente. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13884.720421/201599 Acórdão n.º 2201002.979 S2C2T1 Fl. 212 3 O motivo da glosa, segundo consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 4), foi que o filho do Recorrente, Pedro Henrique de Aquino Bravini, estava sob a guarda da mãe, por força de decisão judicial. Observo, no entanto, que o filho do Interessado não podia estar sob a guarda da mãe em 2012, porquanto, nesta época, já era maior de idade (22 anos, conforme Certidão de Nascimento à fl. 15). Os julgadores da instância de piso mantiveram a glosa porque entenderam que o filho do Recorrente não estava matriculado em estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau no anocalendário objeto do lançamento (2012). Os fatos narrados, por si sós, são suficientes, a meu ver, para a anulação do lançamento e da decisão recorrida. Registro, todavia, que a nulidade não será por mim proposta, haja vista que “Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta” (Decreto nº 70.235/1972, art. 59, § 3º). Isto porque o Recorrente juntou aos autos, nesta sede recursal, o Histórico Escolar de fls. 202/205, da Universidade Estadual de Campinas, que evidencia que Pedro Henrique de Aquino Bravini ingressou no ensino superior no primeiro semestre de 2010, mantendose na universidade até o segundo semestre de 2014. O § 1º do artigo 35 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabelece que os filhos poderão ser considerados dependentes, quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior, ao passo que o § 2º do mesmo artigo preceitua que os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. Nesse contexto fático e normativo, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com o dependente Pedro Henrique de Aquino Bravini, no valor de R$ 1.974,72. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 212DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000902/2010-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA - PEDIDO DE PARCELAMENTO - DESISTÊNCIA DO RECURSO - DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA - PEDIDO DE PARCELAMENTO - DESISTÊNCIA DO RECURSO - DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Recurso Especial do Procurador Provido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 09 02 /2 01 0- 72 Fl. 636DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 9202003.850 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.297.1962, por descumprimento de obrigação principal, em nome do órgão público em epígrafe, referente às competências 02/06 a 03/07, 05/07 a 13/08 e 07/09, recebido por meio de carta com aviso de recebimento, fis. 394, no valor atualizado de R$ 2.423.608,02 (dois milhões, quatrocentos e vinte e três mil, seiscentos e oito reais e dois centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes. Ainda conforme o Relatório Fiscal, fls. 61 a 73, os valores que integram a presente autuação referemse às contribuições patronais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, mais a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Constam dos autos os seguintes levantamentos: 2.1. DAL Diferença de Acréscimos Legais. Referente às diferenças decorrentes de recolhimento a menor de atualização monetária, juros ou multa de mora, considerandose como competência para lançamento aquela em que foi efetuado o recolhimento a menor; 2.2. GI GILRAT REMUNERAÇÃO EM GFIP. Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT, que deixaram de ser informados, calculados sobre a remuneração declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP (código do lançamento SAT). Contempla as competências que entraram no comparativo entre as multas aplicáveis antes e depois da edição da Medida Provisória (MP) n° 449, de 3 de novembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, e está sendo cobrada a multa anterior, por ser mais benéfica ao contribuinte; 2.3. Gil GILRAT REMUNERAÇÃO EM GFIP. Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT, que deixaram de ser informados, calculados sobre a remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). depois da edição da Medida Provisória (MP) n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, e está sendo cobrada a multa atual, por ser mais benéfica ao contribuinte; 2.4. GI2 GILRAT REMUNERAÇÃO EM GFIP. Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT, que deixaram de ser informados, calculados sobre a remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Fl. 638DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Contempla as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, em razão do vencimento ter ocorrido após a edição da Medida Provisória (MP) n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, e está sendo cobrada a multa atual; 2.5. LP LISTAGEM DE PAGAMENTO. Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declarados em GFIP. Contempla as competências que entraram no comparativo entre as multas aplicáveis antes e depois da edição da Medida Provisória (MP) n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, e está sendo cobrada a multa anterior, por ser mais benéfica ao contribuinte; 2.6. LP1 LISTAGEM DE PAGAMENTO. Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declarados em GFIP. Contempla as competências que entraram no comparativo entre as multas aplicáveis antes e depois da edição da Medida Provisória (MP) n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, e está sendo cobrada a multa atual, por ser mais benéfica ao contribuinte; 2.7. LP2 LISTAGEM DE PAGAMENTO. Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declarados em GFIP. Contempla as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, em razão do vencimento ter ocorrido após a edição da Medida Provisória (MP) n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, e está sendo cobrada a multa atual. Em sessão plenária de 11/07/2012, foi negado provimento ao Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2302001.941 (fls. 573 a 589), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 9202003.850 CSRFT2 Fl. 4 5 RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 640DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 23/08/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 23/08/2013, o Recurso Especial. Em seu recurso visa restabelecer a multa aplicada nos termos da autuação, já que o art. 35 da Lei n° 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 601 a 604. O recorrente traz como alegações: · A tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. · Houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciári · O artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. · A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. · A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A. · Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 9202003.850 CSRFT2 Fl. 5 7 · Requer ao final seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na anterior redação, confirmada pela Lei n.º 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendo se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. PRELIMINARES OA MÉRITO Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal, entendo que antes de adentrar as questões quanto ao mérito da contenda, existe uma questão prejudicial, que merece ser primeiramente enfrentada. Após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela Fazenda Nacional, o sujeito passivo apresentou às fls. 613, requerimento de desistência, considerando ter o contribuinte requerido parcelamento do lançamento em questão, senão vejamos: "O Ente público solicita desistência irrevogável e irretratável de todas as modalidades de parcelamento, inclusive de suas autarquias e fundações, que contemplem débitos passíveis, total ou parcialmente, de inclusão no parcelamento da MP 589, de 2012." De fato, o art. 14, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7/2013 é expresso ao fixar como critério formal para adesão ao parcelamento instituído a renúncia por parte do contribuinte a todo e qualquer direito que fundamente ações judiciais ou administrativas. Eis o teor do citado artigo: Art. 14. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. Diante disto, não há mais litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração. Frisese que ao aderir ao parcelamento e desistir do procedimento administrativo, renúnciando as alegações de direito, o parcelamento do débito será realizado tendo por base os exatos valores apurados pelo Fisco quando do lançamento tributário. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 9202003.850 CSRFT2 Fl. 6 9 CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda para declarar a definitividade do crédito tributário como previsto no auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 644DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15940.720177/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
No presente caso, a apresentação de provas hábeis e idôneas da origem dos depósitos bancários - conforme atestado pela fiscalização - enseja a exoneração do crédito tributário apurado com base na presunção legal de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos, motivo da negativa de provimento ao recurso de ofício.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-004.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício (remessa necessária).
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No presente caso, a apresentação de provas hábeis e idôneas da origem dos depósitos bancários - conforme atestado pela fiscalização - enseja a exoneração do crédito tributário apurado com base na presunção legal de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos, motivo da negativa de provimento ao recurso de ofício. Recurso de Ofício Negado.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No presente caso, a apresentação de provas hábeis e idôneas da origem dos depósitos bancários conforme atestado pela fiscalização enseja a exoneração do crédito tributário apurado com base na presunção legal de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos, motivo da negativa de provimento ao recurso de ofício. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 77 /2 01 2- 25 Fl. 29191DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício (remessa necessária). Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 29192DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15940.720177/201225 Acórdão n.º 2402004.983 S2C4T2 Fl. 29.192 3 Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado pela Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação procedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A apresentação de provas hábeis e idôneas da origem dos depósitos bancários enseja a exoneração do crédito tributário apurado com base na presunção legal de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos. RECURSO DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO LEGAL. A decisão de 1ª Instância Administrativa que exonerar valor superior ao limite estabelecido pelo Ministro da Fazenda deve ser objeto de recurso de ofício dirigido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Acórdão Acordam os membros da 21ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário apurado, nos termos do relatório e voto, que integram o presente julgado. Segundo a fiscalização, de acordo com o Auto de Infração (AI), como relatado pela decisão a quo: As infrações apuradas, que resultaram na constituição do crédito tributário referido, encontramse relatadas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, às fls. 732/739, a saber, em síntese: Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada – AC 2009. Omissão de Rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em Instituições Financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no AI e nos demais anexos que o configuram. Fl. 29193DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Em 20/12/2012, sextafeira, foi dada ciência à recorrente do lançamento. Contra o lançamento, O recorrente apresentou impugnação, em 21/01/2013, , acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que os depósitos eram oriundos de sua atividade de corretor de imóveis e que os valores não lhe pertenciam, só administrando e os repassando, apresentando contratos e provas do alegado Com a força probante dos argumentos e documentos, a DRJ converteu o julgamento em diligência, para os fins solicitados no relatório, qual seja, a busca da verdade sobre os argumentos do recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente, pela diligência solicitada, emitiu Termo de Informação Fiscal e Encerramento da Diligência, fls. 029.147, concluindo pela não ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente a impugnação e recorrendo de ofício ao CARF. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 29194DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15940.720177/201225 Acórdão n.º 2402004.983 S2C4T2 Fl. 29.193 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Cumprindo os requisitos da legislação, CONHEÇO DO RECURSO DE OFÍCIO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Conforme a legislação, cabe ao CARF a apreciação de decisões que extinguiram lançamentos, a partir de determinado valor. Decreto 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Portaria MF 3/2008: Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. GUIDO MANTEGA Fl. 29195DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Na análise dos autos, verificamos que a extinção do crédito tributário decorreu de análise realizada pelo próprio Fisco, instigado por manifestação da DRJ, devido à força probante dos argumentos e documentos trazidos aos autos pelo recorrente. Portanto, como a acusação, fiscalização, define que o lançamento não pode prosperar, após minuciosa análise, temos que concordar e negar provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 29196DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000604/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2006
Ementa:
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ADESÃO AO REFIS IV E DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO. EXTINÇÃO DO FEITO SEM ANÁLISE DE MÉRITO
A adesão ao REFIS IV pelo Recorrente, com a correlata desistência do recurso interposto, implica a extinção do feito sem análise de mérito.
Numero da decisão: 3402-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ADESÃO AO REFIS IV E DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO. EXTINÇÃO DO FEITO SEM ANÁLISE DE MÉRITO A adesão ao REFIS IV pelo Recorrente, com a correlata desistência do recurso interposto, implica a extinção do feito sem análise de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos, uso como meu parte do Relatório desenvolvido pela DRJJuiz de Fora quando da lavratura do acórdão n. 0940.330 (fls. 1.239/1.257), o que faço nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 06 04 /2 00 9- 82 Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase o presente de exigência de multa isolada por compensação indevida no valor de R$2.362.237,19 (fls. 5 a 8). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 06/09, a fiscalização afirma que: "Através do Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização no 06.1.06.002008008678 (documento de folha 01), o Senhor Delegado da Receita Federal do Brasil em Varginha/MG determinou a execução de procedimento fiscal no contribuinte acima especificado para o lançamento de Multa Isolada pela entrega de Declaração de Compensação que não foi homologada. ............................ O contribuinte acima identificado transmitiu eletronicamente as Declarações de Compensação abaixo relacionadas (documento de folhas 09 a 26), utilizando suposto crédito presumido de IPI pleiteado no PERDCOMP 25093.69035.130204.1.3.017720. O crédito pleiteado neste PERDCOMP foi indeferido conforme consta no processo 10660720.424/200830. (...). O Termo de Verificação Fiscal constante no processo 10660720.424/200830 diz que a operação de obtenção destes créditos presumidos de IPI foi fraudulenta, pois foram obtidos com base em operação de exportação fictícia. ............................ Acerca dos fundamentos da multa aduz a fiscalização aduz que: O art. 90 da Medida Provisória 2.15835 de 2410812001 e o art. 18 da Medida Provisória 135 de 30 de outubro, que veio a ser convertida na Lei no 10.833 de 29 de dezembro de 2003, define o lançamento da multa. (...) Já o § 2º do mesmo art. 18 da Lei no 10.833, transcrito abaixo (com redação da época), define que o percentual aplicado sobre a base de cálculo será de 150% pois, como foi dito acima, caracterizase evidente intuito de fraude. "§ 20 A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 20 do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado." (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004). Posteriormente o art. 18 da Lei nº 10.833 foi modificado pela Lei n° 11.488, de 2007. Mesmo neste caso a alteração não modificou a aplicação da multa de 150%. O crédito presumido de IPI pleiteado foi indeferido pelo fato de ter sido obtido, em tese, por meio de operações fraudulentas de exportação. Conseqüentemente, as Declarações de Compensação (descritas abaixo) que Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.000604/200982 Acórdão n.º 3402003.177 S3C4T2 Fl. 1.572 3 utilizaram este crédito foram nãohomologadas pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Varginha, conforme Despacho Decisório DRF/VAR/SAORT n° 150712008. À vista disso foi lavrado o presente auto de Infração com exigência de multa isolada de 150% por compensação indevida de débito do PIS, a seguir discriminada: Data Valor Multa Isolada 31/03/2006 R$ 2.362.237,19 Cientificada da referida exigência em 21/05/2009, segundo consta no AR da fl.31, a autuada apresentou em 01/06/2009 a impugnação das fls. 33 a 156... (...). 2. Diante deste quadro, o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1.264/1.290. Não obstante, depois de distribuído os autos neste Tribunal, o Recorrente apresentou a petição de fls. 1.565/1.568, oportunidade em que informou a sua adesão ao REFIS IV e, nos termos da legislação de regência, desistiu integralmente do recurso interposto. 3. É o relatório. Voto Relator Diego Diniz Ribeiro 4. Diante da situação fática aqui narrada, em especial da desistência da discussão realizada pelo contribuinte, resta claro que o presente Recurso Voluntário perdeu seu objeto, razão pela qual não merece ser conhecido. Dispositivo 5. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do presente Recurso voluntário, haja vista a adesão do Recorrente ao REFIS IV, com as alterações promovidas pela lei n. 12.996/14 e MP n. 651/14. 6. É como voto. Relator Diego Diniz Ribeiro Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726365/2013-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. AUSÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO.
A mera existência de decisões judiciais não transitadas em julgado, bem como decisões administrativas relativas a outros contribuintes, ao encontro das pretensões recursais, não macula de nulidade o lançamento efetuado.
IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. NÃO COMPROVAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO.
Não restando configurados satisfatoriamente na relação estabelecida entre imobiliária e corretores autônomos, os requisitos do vínculo empregatício, em especial a onerosidade e a subordinação jurídica, descabida a incidência de contribuições previdenciárias amparadas no entendimento do corretor como sendo segurado empregado, bem como as obrigações acessórias correlatas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário
Ronaldo de Lima Macedo Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. AUSÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO. A mera existência de decisões judiciais não transitadas em julgado, bem como decisões administrativas relativas a outros contribuintes, ao encontro das pretensões recursais, não macula de nulidade o lançamento efetuado. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. NÃO COMPROVAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. Não restando configurados satisfatoriamente na relação estabelecida entre imobiliária e corretores autônomos, os requisitos do vínculo empregatício, em especial a onerosidade e a subordinação jurídica, descabida a incidência de contribuições previdenciárias amparadas no entendimento do corretor como sendo segurado empregado, bem como as obrigações acessórias correlatas. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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AUSÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO. A mera existência de decisões judiciais não transitadas em julgado, bem como decisões administrativas relativas a outros contribuintes, ao encontro das pretensões recursais, não macula de nulidade o lançamento efetuado. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. NÃO COMPROVAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. Não restando configurados satisfatoriamente na relação estabelecida entre imobiliária e corretores autônomos, os requisitos do vínculo empregatício, em especial a onerosidade e a subordinação jurídica, descabida a incidência de contribuições previdenciárias amparadas no entendimento do corretor como sendo segurado empregado, bem como as obrigações acessórias correlatas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 63 65 /2 01 3- 71 Fl. 6145DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo – Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 6146DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.726365/201371 Acórdão n.º 2402005.271 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratamse de recursos voluntários interpostos pela empresa em epígrafe, e pelos sujeitos passivos solidários Flávio Salgado Bauer e Marcello Rodrigues Leone, contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente os autos de infração DEBCAD 51.046.4939, 51.046.4912 e 51.046.4955, relativos respectivamente às contribuições previdenciárias dos segurados empregados, patronal e devidas a terceiros, e os lançamentos por descumprimento de obrigação acessória DEBCAD 51.046.4866 e 51.046.48741 (fls. 2/104). Os fundamentos da autuação foram bem resumidos pela decisão contestada, conforme excerto que passo a reproduzir: Em 25/5/2012, por meio do TIPF o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros, os contratos de prestação de serviços junto as incorporadoras, a relação de todas as intermediações de compra e venda realizadas (contendo nome dos corretores, auxiliares vendedores, compradores, bem como os valores das transações e comissões pagas) e termo de esclarecimento definindo a forma de remuneração dos corretores de imóveis, especificando os percentuais totais das comissões cobradas com a intermediação relativos à parte da imobiliária e à parte dos corretores, bem como os valores fixos pagos aos corretores. O contribuinte, em relação às solicitações descritas, em 22/6/2012, dentre outras informações, apontou que os corretores trabalham por conta própria, sendo contratados pelos adquirentes de imóveis, trabalhando em uma relação de coordenação. Apresentou, ainda, demonstrativo contendo números do processo, número das notas fiscaisfatura emitidas por ele, nome do vendedor, nome do comprador, nome dos corretores que participaram da intermediação, respectivos números de CPF e valores de comissão auferida por esses relativamente a aproximadamente 6.000 intermediações de compra e vendas intermediadas por sua equipe (diretores, gerentes, coordenadores, corretores). No dia 11/4/2013 o sujeito passivo apresentou quatorze documentos referentes à formalização dos negócios de intermediação de operações de compra e venda de imóveis e dois contratos firmados com incorporadoras, denominados “Termo de Consultoria imobiliária, autorização de corretagem e outras avenças”. Nessa ocasião o contribuinte prestou diversas informações de como se operaria a intermediação de negócios de unidades imobiliárias relativas aos incorporadores que contratavam seus serviços de consultoria imobiliária (que consistiria, basicamente, no desenvolvimento de marketing e apresentação de produtos dos contratantes incorporadores). Transcreveuse no corpo do relatório fiscal o conteúdo de um dos “Termos de consultoria imobiliária, autorização de corretagem e outras avenças”, especificamente aquele segundo o qual o contribuinte foi contratado pela Parque Empresarial Campinas Incorporações Ltda (fl. 53/55). Também, a título de ilustração, foram apresentados no corpo do relatório fiscal (fls. 51/52): (a) uma nota fiscal fatura, emitida pelo contribuinte em 24/7/2009, contra Ibicela Empreendimentos S. A., relativa a serviços de intermediação imobiliária do empreendimento Caapuã, unidade Marajoara nº 143 e (b) o documento denominado Fl. 6147DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 RPA Integral que contém o extrato de pagamentos de comissões relativos a esse negócio. Em razão da apresentação desses documentos, procedeuse, em 15/4/2013, à intimação para apresentação de todas as notas fiscais faturas referentes a serviços relativos a serviços de intermediação, respectivo RPA integral (em meio digital), todos os contratos estabelecidos entre o sujeito passivo e os corretores envolvidos na intermediação de contratos de compra e venda (em meio digital). O contribuinte também foi intimado, em 16/4/2013, a apresentar, em meio digital, os contratos de todas as intermediações de compra e venda realizadas ou “Termo de consultoria imobiliária, autorização de corretagem e outras avenças”. Em 17/5/2013, o contribuinte apresentou cerca de 800 documentos referentes à formalização de processos de intermediação de compra e venda de imóveis, bem como 17 contratos firmados entre ele e os corretores. Apresentouse à fls. 57/60, a título de exemplo, um dos contratos firmados com a corretora Ana Carolina Bernardo. Em 5/9/2013, a autuada foi novamente intimada a apresentar todos os contratos de intermediação para alienação de unidades imobiliárias ou, os “Termos de consultoria imobiliária autorização de corretagem e outras avenças” ou, ainda, documento equivalente, relativo a 67 pessoas jurídicas, contratantes, que foram indicadas às fls. 61/63. Sendo que, em 27/9/2013, o contribuinte, após afirmar que tal solicitação já tinha sido realizada e que já haviam sido prestados esclarecimentos a respeito desses documentos, retoma seus apontamentos acerca da “informalidade reinante” nesse tipo de contratações e afirma que os documentos solicitados se referem a relações contratuais firmadas verbalmente, inexistindo documento a ser apresentado. Em síntese, o sujeito passivo informou à fiscalização que todos os adquirentes contrataram e remuneraram diretamente os corretores de imóveis nas 5.594 intermediações imobiliárias efetivadas por ele que constam nas Declarações de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB de 2009 e 2010. Além disso, deixou de apresentar os instrumentos contratuais relativos à compra e venda desses imóveis. CIRCULARIZAÇÃO Em razão desse fato foi aplicada durante o procedimento fiscal, a técnica de auditoria conhecida como circularização (diligências fiscais para obtenção e confronto de informações produzidas por pessoas distintas acerca de um mesmo negócio jurídico) junto às incorporadoras e corretores de imóveis envolvidos nos negócios dos quais o sujeito passivo participou. Foram selecionados, por amostragem, corretores pessoas físicas (indicados às fls. 63/65, item 24 do relatório fiscal) que atuaram na intermediação de negócios dos quais o contribuinte participou, com o fito de apurar a natureza jurídica real da relação entre esses corretores e o contribuinte. Por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, os corretores arrolados no item 24 foram intimados a prestar esclarecimentos e a apresentar documentos. Da mesma forma, procedeuse à intimação de algumas incorporadoras arroladas no item 27 do relatório fiscal (fl. 65) para que apresentassem todos os “Termos de consultoria imobiliária, autorização de corretagem e outras avenças” ou documento equivalente firmado com o contribuinte. Os corretores pessoas físicas, compareceram à Delegacia da Receita Federal do Brasil e, além de apresentarem a documentação, prestaram esclarecimentos por Fl. 6148DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.726365/201371 Acórdão n.º 2402005.271 S2C4T2 Fl. 109 5 meio de Termos de Declaração assinados por eles e pela Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB. A título de exemplo, apresentase (fls. 66/85) o conteúdo de um dos Termos de Declaração e as cópias de correspondências eletrônicas que demonstram a ocorrência de convocação para participação dos corretores em reuniões agendadas pelo contribuinte, a existência de obrigações dos corretores em relação ao sujeito passivo, tais como, escala para plantão de vendas e regras de atuação nesses plantões. Foram apresentadas, pelas pessoas jurídicas incorporadoras, cópias de contratos de intermediação para alienação de unidades imobiliárias, firmados entre elas e o contribuinte. Às fls. 85/86 procedeuse, a título de exemplo, a transcrição da cláusula que trata da remuneração relativa a um desses contratos. CONSTATAÇÕES FISCAIS Assim, pela análise dos documentos apresentados e com base nas declarações prestadas, principalmente por terceiros, constatouse, ao contrário do que foi formalizado, que: (a) os corretores atuaram com exclusividade para o contribuinte; (b) a maioria dos corretores de imóveis estavam à disposição dos clientes nos stands de vendas que estavam caracterizados com marcas comerciais da Lopes (autuada); (c) os corretores atuavam nos locais indicados munidos de crachá com a identificação da autuada; (d) os pagamentos aos corretores eram efetuados por meio de cheques emitidos pelos adquirentes de imóveis, sendo que, no momento da efetivação da proposta e formalização do contrato de compra e venda, o valor da comissão pela intermediação imobiliária era subtraído do valor da venda, exigindo se dos adquirentes diversos cheques, destinados à incorporadora, ao contribuinte (imobiliária) e aos trabalhadores envolvidos no processo de venda (corretores, gerentes, coordenadores, diretores, trabalhadores do setor de marketing, dentre outros); (e) os valores das comissões devidas aos corretores, supervisores, gerentes de vendas, diretores e outros compõem o recibo de comissão que é emitido em nome do corretor por meio do preenchimento de um formulário da autuada, denominado “Proposta Eletrônica” e os RPA são impressos pela Secretaria de Vendas, sendo que esses recibos não são contabilizados pelo sujeito passivo; (f) havia uma escala de trabalho dos corretores formalizados como autônomos, que lhes impunha a prestação de serviços em determinado local, em determinada data, em determinado período de tempo (horário de entrada e de saída); (g) os corretores prestavam serviços com subordinação hierárquica, cumprindo escala de trabalho determinada pelos corretores gerentes e seguindo, rigorosamente, as regras contidas no documento denominado “Regras de plantão” sob pena de punição; e (h) nenhum dos elementos obtidos durante o procedimento fiscal junto aos incorporadores e corretores de imóveis demonstrou que o serviço se dava por conta e risco do corretor, pelo contrário, todos revelaram que eles estavam efetivamente a serviço da LPS Campinas Consultoria de Imóveis – Lopes (o contribuinte). Em razão dessas constatações concluiuse que: (a) a autuada é a real contratante dos corretores que atuaram nas intermediações imobiliárias, e não os adquirentes das unidades imobiliárias; (b) a formalização e a informação de que todos os corretores de imóveis que atuaram nas 5.594 transações imobiliárias seriam contratados diretamente pelos adquirentes de imóveis (a quem se atribuiu a responsabilidade de emitir cheques em favor dos corretores, gerentes, coordenadores, diretores, trabalhadores do setor de marketing, dentre outros trabalhadores) foi feita para dissimular o vínculo da relação existente entre o corretor pessoa física e a autuada; (c) o contribuinte, na condição de empresa Fl. 6149DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 responsável pela comercialização dos empreendimentos, possui controle total sobre a prestação dos serviços de corretagem, supervisionando todas as atividades dos corretores, lhes impondo obrigações (tais como, metas de vendas, uso do crachá de identificação, participação em treinamentos, observância de normas e padrões de qualidade), determinando qual é o percentual comissão de venda devido ao corretor; e (d) todos os elementos apreciados permitem se identifique os corretores e todos os demais trabalhadores envolvidos na intermediação de vendas como segurados empregados. A conclusão acerca da caracterização dos trabalhadores envolvidos na intermediação das vendas realizada com a participação do contribuinte, na condição de segurados empregados, foi reforçada pela apresentação, pelos corretores, em diligência fiscal, de cópias de termos e atos de processos trabalhistas, por meio dos quais essas pessoas físicas pleiteiam o reconhecimento do vínculo empregatício com a autuada. À fl. 88, item 29.4.4, citase os números e a partes integrantes desses processos. Por meio dessa prática de formalização do pagamento das comissões diretamente pelo adquirente dos imóveis, o sujeito passivo deixou de incluir tais valores em sua contabilidade, deixou, ainda, de recolher as contribuições previdenciárias. Além disso, o procedimento empregado pela autuada resultou em omissão de receita, reduzindo a base de cálculo do IPRJ, da CSLL, do PIS e da Cofins. Tendo em vista o procedimento narrado, foram constituídos os lançamentos de obrigação principal já referidos, com multa agravada na forma da Lei nº 9.430/96, artigo 44, inciso I, § 1º, bem como os autos de infração de obrigação acessória por falta de inclusão das citadas apurações em GFIP e na escrituração contábil. Também foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária face aor direto presidente e sócio da empresa, Flávio Salgado Bauer, e a Marcelo Rodrigues Leone, diretor financeiro. A autuada e os sujeitos passivos solidários apresentaram suas impugnações e juntaram documentos (a empresa, às fls. 4986/4982, Flávio Salgado Bauer, às fls. 4720/4813, e Marcelo Rodrigues Leone, às fls. 5322/5344). Tais manifestações não foram acolhidas pela instância a quo, que manteve as exigências no julgamento de fls. 5389/5444, salvo no que se refere à exclusão de Flávio Salgado Bauer do pólo passivo do AI DEBCADA 51.046.4874 (CFL 38). O responsável solidário Flávio Salgado Bauer interpôs recurso voluntário em 27/11/2014 (fls. 5455/5549), pedindo a nulidade e o cancelamento do lançamento, e alegando: a nulidade do auto de infração por falta de sua notificação no curso do procedimento fiscal; a nulidade da aplicação da multa isolada "agravada", pois não houve fraude, e tal multa tem caráter confiscatório; serem legais as relações entre a imobiliária e os corretores, que têm a natureza de parceria, e que a Receita Federal é incompetente para fiscalizar relações de trabalho; nulidade do auto de infração por ter aplicado inadequadamente o art. 135 do CTN para imputação de responsabilidade solidária, dado não ter havido ato ilícito visando frustrar o crédito tributário; Fl. 6150DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.726365/201371 Acórdão n.º 2402005.271 S2C4T2 Fl. 110 7 nulidade por haver bis in idem, tendo em vista que as contribuições já devem ter sido recolhidas pelos corretores como contribuintes individuais, prestadores de serviços aos compradores. Por sua vez, a autuada interpôs recurso voluntário em 25/11/2014 (5560/5785), juntando documentos e aduzindo, em síntese, que: a relação de parceria/associação estabelecida entre a empresa e os corretores independentes não configura vínculo empregatício, tendo em vista que não preenche os requisitos de habitualidade, subordinação e onerosidade, razão pela qual não se subsume à hipótese de incidência tributária das contribuições previdenciárias; os corretores independentes jamais receberam qualquer tipo de remuneração fixa que configurasse a existência de vínculo empregatício, sendo possível que não tenham qualquer recebimento de comissão em determinado período, caso não tenham concluído nenhum negócio; os corretores independentes trabalharam por conta própria, em favor de seus próprios clientes, adquirentes dos imóveis, sem qualquer ingerência da LPS Campinas, realizando a atividade de corretagem de compra. Não houve, portanto, prestação de serviços em favor da LPS Campinas; não houve, além da prestação de serviços, pagamento de remuneração efetuado pela LPS Campinas. Os documentos anexados pela própria autoridade fiscal comprovam que a remuneração dos corretores autônomos não foi paga pela LPS Campinas. Sem pagamento, não há fato gerador da contribuição previdenciária já que esta não foi fonte de pagamento, como exige a lei; a autoridade fiscal não conseguiu provar nenhum dos aspectos acima mencionados, essenciais à caracterização do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas (serviço e pagamento). A prova produzida por amostragem (circularização) é imaterial e unilateral, e, portanto, insuficiente para provar o ponto de vista da autoridade fiscal; não se admite a alteração retroativa de critério jurídico, ex vi do art. 146 do CTN; o fato de a Receita Federal ter auditado empresa do mesmo grupo da LPS Campinas e ter concluído que a relação de parceria estabelecida com os corretores independentes não se configuraria como relação de emprego e, em outro caso, até mesmo entender que não haveria qualquer irregularidade nessa estrutura jurídica, impede que, por meio deste processo, sejam exigidos valores decorrentes da adoção de entendimento contrário; o art. 146 privilegia a boa fé, a proteção da confiança; descabe agravamento da penalidade em virtude da divergência quanto à qualificação da relação jurídica estabelecida entre a LPS Campinas e os corretores independentes; mero conflito de interpretação não se confunde com o evidente intuito de fraude requerido pela lei para o agravamento da penalidade, tanto é que o LPS Campinas jamais omitiu ou simulou qualquer tipo de operação, sempre registrando em todos os documentos possíveis e cientificando todas as partes envolvidas nos negócios sobre a forma como o negócio vinha se realizando, bem como havendo clara anuência dos órgãos reguladores da atividade econômica e da categoria profissional em relação à estrutura de trabalho que foi objeto de autuação (Secovi/Creci). Fl. 6151DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 Já o responsável solidário Marcelo Rodrigues Leone interpôs seu recurso voluntário em 25/11/2014 (fls. 5788/5956), trazendo as razões recursais da LPS Campinas, posto defendidos pelos mesmos patronos, postulando ainda o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidário, por: haver ausência de caracterização de sua sujeição passiva e falta de motivação do ato administrativo, por não estar fundamentada a aplicação do art. 124 do CTN para a imputação da responsabilidade, considerando a ausência de interesse comum; e também ausência de dolo e fraude, ou atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contratos ou estatutos, a ensejar a aplicação do art. 135 do CTN. Em 15/2/2016, a empresa junta Parecer do jurista Marco Aurélio Greco (fls. 6019/6119), o qual vai ao encontro da linha argumentativa por ela traçada em suas razões recursais. É o relatório. Fl. 6152DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.726365/201371 Acórdão n.º 2402005.271 S2C4T2 Fl. 111 9 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Os recursos foram interpostos tempestivamente e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço, passando, na sequência, a examinar o vertido pela autuada. Preliminares. A empresa defende serem nulas as autuações, uma vez que não foram excluídos os valores das comissões recebidas por corretores que ingressaram com ações trabalhistas e tiveram seus pedidos julgados improcedentes. Sem razão a postulação, pois só lhe seria dado guarida na medida em que fosse acompanhada de documentos oriundos das reclamatórias que comprovassem que, quando da constituição do crédito tributário atacado, já houvessem decisões transitadas em julgado definindo a inexistência de relação de emprego nos respectivos casos. À míngua de evidências nesse sentido, deve ser refutada a alegação. Quanto à cogitada insubsistência das autuações fiscais frente ao posicionamento adotado pela Receita Federal em outros procedimentos fiscais instaurados em face do recorrente, o que revelaria violação ao art. 146 do CTN, também tal ilação não merece amparo. A uma, porque não tratam tais procedimentos da mesma empresa, mas sim de pessoas jurídicas diversas, localizadas em bases territoriais diversas. A duas, porque foram realizadas ações fiscais distintas, as quais coligiram elementos de prova que não necessariamente se assemelhavam, pois os fatos abordados não eram os mesmos. Ainda, estáse presentemente diante de contencioso tributário, analisandose litígio entre Fisco e contribuinte concretamente estabelecido, sendo que nos procedimentos fiscais citados pela recorrente outras eram as situações, não havendo pretensão de uniformidade ou coerência necessária entre as decisões prolatadas nos diversos processos. Justamente por isso existe o sistema recursal instaurado no âmbito da fiscalização tributária, o qual permite, mediante o questionamento daquelas decisões, chegarse até à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), a qual tem como uma de suas missões a uniformização do entendimento acerca dos temas jurídicos controversos que brotam no seio da interpretação das demandas concretas Não prospera, assim, também essa alegação. Fl. 6153DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 Do mérito. O contrato de corretagem, regrado pelos arts. 722 a 729 do Código Civil, tratase de espécie de prestação de serviços em virtude do qual uma pessoa obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Distinguese da simples prestação de serviços em virtude de que a remuneração auferida depende da concretização do negócio, o que lhe confere o caráter de contrato aleatório. A atividade de corretor de imóveis tem sua regulamentação específica na Lei nº 6.530/78, que prescreve em seus art. 3º e 6º, consoante redação vigente à época dos fatos: Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. Parágrafo único. As atribuições constantes deste artigo poderão ser exercidas, também, por pessoa jurídica inscrita nos termos desta lei. (...) Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. Parágrafo único.As pessoas jurídicas a que se refere este artigo deverão ter como sócio, gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito.Parágrafo único Por sua vez, assim regra o art. 3º do Decreto nº 81.871/78: Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. No particular, a recorrente alega, em apertada síntese, que desenvolve contrato de parceria ou associação com corretores autônomos para fins de viabilizar a comercialização de imóveis cuja venda lhe teria sido autorizada pelas incorporadoras, enquanto a fiscalização defende existir, no vínculo entre a autuada e os corretores, as características da relação de emprego, razão pela qual são devidas as contribuições previdenciárias objeto de lançamento. Inicialmente, cabe trazer à colação o art. 5º do precitado decreto: Art 5º Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. Fl. 6154DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.726365/201371 Acórdão n.º 2402005.271 S2C4T2 Fl. 112 11 De sua parte, o "Termo de Consultoria Imobiliária, Autorização de Corretagem e outras avenças" às fls. 53/54, ilustrativo dos contratos firmados entre a contribuinte e as incorporadoras, explicita em seus itens. 5.1 a 5.2, que dita autorização dá azo a que aquela "cobre dos clientes compradores uma comissão básica a título de corretagem", a qual, poderá ser rateada entre os coparticipantes da intermediação. Assim, resta claro que a LPS Consultoria, ainda que dentro de um "pacote" mais amplo, pactuava a prestação de serviços de corretagem com as incorporadoras, lhe sendo devida a comissão pertinente, o que aliás é perfeitamente inteligível dada a atividade preponderante prevista no seu contrato social, a intermediação na compra e venda de imóveis. Tal prestação de serviços, pelo que se evidencia dos elementos dos autos, era realizada em regra com a participação de corretores autônomos, o que se coaduna com o preceito contido no parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, linhas acima transcrito. A lide enfrentada, como mencionado, diz respeito ao caráter da relação estabelecida entre a contribuinte e esses corretores. O contrato firmado entre essas partes é exemplificado pelo documento de fls. 57/59, "Contrato de Atividade de Corretor Autônomo". Nele constam diversos dispositivos afastando a subordinação hierárquica, exclusividade, relação empregatícia, e frisando que as despesas da atividade são por conta dos corretores, sendo que a remuneração a eles devida será contratada separadamente e quitada mediante cheques de emissão dos clientes compradores, referentes à comissões sobre as vendas realizadas. A recorrente aduz que esses contratos firmam relação associativa ou de parceria, de comunhão de esforços com vistas a obtenção do resultado final, ou seja, a concretização da venda do imóvel e consequente divisão da comissão obtida, apresentando, inclusive, parecer nesse sentido. A tese é sedutora, porém o exame dos fatos não sustenta satisfatoriamente tal entendimento. Causa espécie a parceria em questão, na qual apenas um dos ditos parceiros estabelece todas as regras e disposições concernentes à atividade objeto da avença, disponibilizando a estrutura física mesmo que pertencente à incorporadora logística e de propaganda relacionadas com o negócio. Não há comprovação alguma de que as decisões administrativas e regramentos relativos à associação tenham tido, em algum momento, ingerência ainda que marginal dos corretores ditos autônomos. Notese que os contratos pactuados entre esse corretores e a autuada eram padronizados, assim como os contratos firmados entre os corretores e os compradores, todos alinhavados consoante as orientações da autuada, à semelhança de contratos de adesão. Importa também anotar que as modificações promovidas pela Lei nº 13.097/15 no art. 6º da Lei nº 6.530/78, de modo a permitir que os corretores de imóveis associemse a imobiliárias mantendo sua autonomia profissional, sem vínculo empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, não trazem maior alento às razões da recorrente. Fl. 6155DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 12 Tanto pode se entender, como arguído pela referida, que o liame associativo entre imobiliárias e corretores era legal e que a novel prescrição apenas regrou o que já era costumeiramente aceito, como também é cabível a leitura de que essa relação não se harmonizava com o ordenamento jurídico, dando ensejo a fraudes diversas e que só com o advento da Lei nº 13.097/15 pôde encontrar abrigo, ainda assim sob a fiscalização das entidades de classe, como previsto na lei. Noutro giro, deve ser explicado que a prestação de serviços consistia, da parte da autora relativamente às incorporadoras, em envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, o que poderia ou não resultar em efetivo negócio. Face à obrigatoriedade, por força do parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, de que o atendimento ao público comprador fosse realizado por corretores pessoas físicas, a empresa efetuava suas vendas por intermédio desses corretores contratados, que lhe prestavam os serviços objeto do contrato com a imobiliária. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verificava pela consecução ou não da meta visada, a venda do imóvel. Os elementos colhidos em sede judicial, e juntados pela recorrente no recurso voluntário, bem como os coligidos pela fiscalização, apontam para o procedimento usual de vendas, a saber, o cliente em potencial adentrava nos "stands" ou plantões de vendas e era atendido pelo corretor autônomo "da vez", consoante escala de revezamento préestabelecida. Pactuado o negócio, para sua perfectibilização, o cliente era orientado a emitir diversos cheques no curso da quitação ou da entrada na compra: para a incorporadora, para a imobiliária e outros envolvidos na transação, sendo que um deles era destinado ao corretor que o havia atendido. À evidência, encontrado afinal o imóvel que lhe agradava, o adquirente não se opunha a tal condição de pagamento. Os cheques atinentes à negociação eram recolhidos à imobiliária, e, passado certo prazo, relativo ao prazo legal de desistência do negócio, o cheque referente ao corretor lhe era entregue. Sem embargo, há elementos indiciários no sentido de que existiam situações nas quais o corretor desempenhava efetivamente atuação ativa em prol do comprador, e não do vendedor, realizando buscas de potenciais interessados em sua carteira de clientes cadastrados, prospectando clientes, trazendo indicações, etc. Nesse sentido, vide as "Regras de Plantão" constantes às fls. 80/85, e depoimentos diversos levantados no procedimento fiscal. Com efeito, ainda que em geral se verificasse que a prestação de serviços se dava em benefício da imobiliária, que contava com os corretores autônomos para a consecução de sua atividadefim, não é irrelevante a presença de indícios concretos de que, em certas ocasiões, poderia haver a realização de atividade de corretagem visando atender os interesses do comprador. Não obstante, mister destacar que os lançamentos ora examinados tiveram por supedâneo a constatação, pela fiscalização, da existência de vínculo empregatício nas relações em tela. Aferição essa, digase de passagem, com esteio na legislação de regência, com destaque para os arts. 142 do CTN, 12 e 33 da Lei nº 8.212/91, 2º da Lei nº 11.457/07, e o § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS), Tratandose de trabalho prestado por pessoa física, vejamos se estão presentes os requisitos que configuram relação de emprego. Fl. 6156DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.726365/201371 Acórdão n.º 2402005.271 S2C4T2 Fl. 113 13 O exame da pessoalidade não contribui para o esclarecimento dos fatos, pois os contratos firmados não tratam da possibilidade de fazerse o corretor substituir por outro profissional para fins de prestação de serviço, do que se conclui haver, a priori, a pessoalidade ainda que de forma tênue. Também a habitualidade ou não eventualidade resta configurada, pois os contratos eram pactuados por prazo indeterminado, não estando o labor correlacionado com evento certo e determinado. No que tange à onerosidade, contudo, a situação se configura distinta. Observese não haver maior peso no argumento segundo o qual por ser o corretor pago com cheques emitidos diretamente pelo adquirente não estaria presente tal característica. Pelo contrário, não é raro que prestadores de serviço utilizemse de cheques emitidos por terceiros para pagar suas obrigações, seja para com fornecedores, seja para com prestadores terceirizados, até mesmo com o fim de eximirse de obrigações tributárias, tal como costumava acontecer quando vigente a extinta CPMF. Por outra via, a ausência de contraprestação por parte da imobiliária, ainda que o corretor realizasse esforços visando a obtenção de negócios, afasta o caráter sinalagmático típico da relação de emprego. Não obtendo resultado útil, ou seja, o fechamento da venda objetivada pela empresa, não fazia o corretor jus a qualquer recebimento. Tanto mais quando o contrato estabelecia que as despesas com a atividade corriam por conta do corretor autônomo. Desse modo, ele corria o risco de ficar sem qualquer remuneração, caso não se empenhasse devidamente na busca de negócios. Sequer um pagamento mínimo mensal, usual nos casos de vendedor empregado, se verifica na espécie. Tampouco verbas similares a décimo terceiro salário, vale refeição, etc., foram percebidas pelos corretores, nem mesmo por via transversa. E, no tocante à subordinação, cabe referir que as provas dos autos são insuficientes para a sua constatação, seja sob o prisma clássico, seja sob a ótica estrutural ou integrativa. Mister alertar que não há confundir o regramento das condições que viabilizem a própria realização da atividade buscada, no caso a corretagem imobiliária, com disposições que, necessariamente, subordinem juridicamente os profissionais em tela à autuada. Assim, natural a necessidade de diretrizes tais como as presentes no documento "Regras de Plantão", a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como escalas a serem seguidas, revezamento, preferências, uso de crachá, etc. Também a existência de treinamentos, uniformidade de procedimentos, confecção de relatórios pelos referidos não traduzemse, no contexto analisado, em indicativos mais contundentes de vínculo empregatício, mas sim em elementos que reforçam a padronização dos serviços prestados e a credibilidade transmitida aos potenciais clientes. Fl. 6157DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 14 As próprias sanções apontadas pela fiscalização, em decorrência de faltas ou atrasos no comparecimento aos plantões de venda são bastante compreensíveis, pois caso o esforço de vendas não se concretize em dimensão satisfatória, a própria imobiliária ficará comprometida perante a incorporadora, que poderá não mais requerer seus serviços. Nessa esteira, não surpreende que caso haja falta aos plantões, seja o corretor substituído por outro ou mesmo perca a vaga, em caso de reiteração nessa conduta. Vale pontuar que os depoimentos de corretores à autoridade tributária, que trazem alguns indícios da existência de relação de emprego, devem ser sopesados face a decisões judiciais apresentadas pela recorrente, de maior relevo frente à submissão ao princípio do contraditório, e que vão ao encontro da versão dos fatos tal como por ela defendida. Por conseguinte, tendo em vista a ausência dos requisitos necessários para a configuração de relação de emprego no caso vertente, em especial a onerosidade e a subordinação, quedam improcedentes os autos de infração de obrigação principal e acessória contestados. Restando insubsistentes os créditos tributários veiculados no presente processo administrativo, não permanece liame de responsabilidade ou questão de mérito levantada pelos demais responsáveis a ser dirimida, pois a existência daqueles créditos guarda relação de prejudicialidade relativamente às possíveis razões vertidas pelos sujeitos passivos solidários. Como remate destas razões cabe registrar a inexistência de incompatibilidade entre a conclusão deste julgado com as disposições do Acórdão nº 9202003.834, j. 9/3/2016 julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), sendo relator o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Isso, porque, a um, tratamse de contribuintes diversos, a duas, temse que a manutenção da exigência do IRRF naquele julgado deuse não tendo em vista a existência de prova de relação de emprego, como pressupõe a autuação veiculada nestes autos, mas sim de prestação de serviços àquela contribuinte, conforme a respectiva ementa: IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. RELAÇÃO JURÍDICA CLASSIFICAÇÃO IDENTIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. A determinação da natureza dos atos praticados e dos negócios celebrados, para fins de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelos interessados, independentemente do nome dado aos instrumentos contratuais formalizados ou dos procedimentos realizados. O pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar o fato de que o corretor prestou à imobiliária o serviço de intermediação junto a terceiros. Comprovandose a ocorrência de prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas Fl. 6158DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10830.726365/201371 Acórdão n.º 2402005.271 S2C4T2 Fl. 114 15 correspondentes obrigações tributárias.Recurso especial negado. Ante o exposto, voto no sentido de, afastando as preliminares suscitadas, DAR PROVIMENTO aos recursos voluntários. Ronnie Soares Anderson. Fl. 6159DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 12448.723096/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. GLOSA DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Correta a glosa da dedução a título de pensão alimentícia quando o contribuinte não comprova que os pagamentos foram realizados em cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente existentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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GLOSA DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Correta a glosa da dedução a título de pensão alimentícia quando o contribuinte não comprova que os pagamentos foram realizados em cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente existentes. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 30 96 /2 01 4- 11 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), fls. 047, que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 GLOSA DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Correta a glosa da dedução a título de pensão alimentícia quando o contribuinte não comprova que os pagamentos foram realizados em cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 16ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), fls. 009, tratase de : Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, devido a falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para a dedução. Glosada a dedução de pensão alimentícia efetuada por escritura pública, face não atender aos requisitos legais estabelecidos pel Lei 5.869/73, em seu artigo 1.124A. Os motivos que ensejaram o indeferimento estão descritos no lançamento. Em 13/03/2014, fls. 012 e 048, foi dada ciência à recorrente do lançamento. Contra a decisão, a recorrente apresentou impugnação, em 27/09/2013, fls. 002 e 048, argumentando, como demonstra a decisão a quo, em síntese, que: 1. informa que após 37 anos da homologação de sua separação consensual, que se traduz na sentença proferida pelo Juiz da 4ª Vara de Família, mas devido ao tempo decorrido, tornase impossível diligenciar junto aos arquivos do Tribunal de Justiça, o que levou a celebrar com sua exesposa a Escritura Pública de Declaração, a fim de deduzir os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia judicial; 2. afirma que o valor glosado de R$ 57.134,28 referese à pensão alimentícia judicial de sua exesposa Sonia Maria Alves Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12448.723096/201411 Acórdão n.º 2402005.075 S2C4T2 Fl. 97 3 de Souza, CPF nº 530.891.38700, tendo em vista que os valores pagos encontramse respaldados em recibos por ela assinados e na escritura pública de declaração lavrada junto ao 10º Serviço Notarial do Rio de Janeiro; 3. por fim, entende que a importância glosada foi corretamente declarada. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando esta improcedente, em síntese, pelo seguinte motivo: " No caso concreto, constatase pela cópia da Certidão de Casamento de fls. 14 e 15, que a separação consensual do contribuinte com Sônia Maria Alves de Souza foi homologada por sentença proferida pelo Dr. Juiz de Direito da 4ª Vara de Família do Estado do Rio de Janeiro, em 03/03/1977, por meio do processo de nº 19.040, a qual não pode ser alterada por uma simples escritura pública de declaração como pretende o impugnante. Por sua vez, vale registrar que a Escritura Pública de Declaração, anexada às fls. 18/20 é simplesmente narratória e extemporânea à separação consensual do casal que ocorreu no âmbito judicial, não atendendo, nessa situação, o disposto no art. 1.124A e, por consequência, o art. 8°, II, “f” , da Lei n° 9.250/95. Cabe ressaltar que a prestação de alimentos provisionais pode se dar por meio de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública, A par disso, se a pensão alimentícia foi concedida no âmbito judicial, ela somente pode ser alterada mediante processo judicial, de forma a dar efetivo cumprimento às decisões judiciais em respeito ao princípio da unidade de jurisdição. Dessa forma, a obrigação do alimentante de pagar alimentos decorre de decisão ou de acordo homologado judicialmente, que não pode ser substituída por qualquer outra forma, além do que os valores efetivamente pagos devem estar de acordo com o que foi judicialmente estipulado, pois do contrário há impossibilidade de deduzirse da base de cálculo do imposto de renda valores referentes à pensão alimentícia paga fora do processo judicial, o que revela que qualquer outra forma de pagamento efetuado pelo sujeito passivo que ultrapasse os limites fixados constituise em liberalidade e não será passível de dedução. Dessa feita, o contribuinte deve fazer, portanto, a prova de que sua obrigação alimentar decorre de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, que não pode ser alterado por uma simples escritura pública de declaração, sob pena de não poder ser admitida a dedução pleiteada. Assim, faltando esta comprovação, não é cabível a pretensão do impugnante. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Diante de todo o exposto, voto por considerar improcedente a impugnação que ora se analisa, para manter integralmente o crédito tributário exigido na notificação de lançamento de fls. 7/11." Em 13/07/2015, fls. 056, o recorrente foi cientificado da decisão. Inconformado com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 091, em 11/08/2015, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Alteração legal, desde 2008, beneficia o contribuinte, pois permite que as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de escritura pública possa ser deduzida do IRPF; 2. Solicita acolhimento e provimento de seu recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12448.723096/201411 Acórdão n.º 2402005.075 S2C4T2 Fl. 98 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO: A questão em litígio referese à dedutibilidade de valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de escritura pública. Destaquese que a separação do casal ocorreu por decisão judicial, de 1977, fls. 015. Em 2010, fls. 018, os ex cônjuges efetivaram a lavratura de escritura pública para, segundo a escritura, por não se lembrarem do valor da pensão, estabelecem valor anula de pensão, que não pode ser corrigido por valor inferior à correção do salário mínimo. Relembrando, segundo a fiscalização, o valor deve ser glosado, pois: Glosada a dedução de pensão alimentícia efetuada por escritura pública, face não atender aos requisitos legais estabelecidos pel Lei 5.869/73, em seu artigo 1.124A. Já a Lei citada, 5869/73, determina: Art. 1.124A. A separação consensual e o divórcio consensual, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, poderão ser realizados por escritura pública, da qual constarão as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento. (Incluído pela Lei nº 11.441, de 2007). § 1o A escritura não depende de homologação judicial e constitui título hábil para o registro civil e o registro de imóveis. (Incluído pela Lei nº 11.441, de 2007). § 2º O tabelião somente lavrará a escritura se os contratantes estiverem assistidos por advogado comum ou advogados de cada um deles ou por defensor público, cuja qualificação e assinatura constarão do ato notarial. (Redação dada pela Lei nº 11.965, de 2009) § 3o A escritura e demais atos notariais serão gratuitos àqueles que se declararem pobres sob as penas da lei. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Para a DRJ, há decisão judicial válida, em vigor, e a escritura pública não tem o condão de alterar suas determinações. Tenho que dar razão à decisão recorrida. Realmente, a determinação da Lei 5.869/73, em seu artigo 1.124A, possibilita que a separação consensual e o divórcio consensual, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, poderão ser realizados por escritura pública, mas no presente caso já havia decisão judicial, que não foi alterada. Como se nota pela análise do dispositivo legal permissivo da dedutibilidade, a análise do Fisco deve ser oriunda do instrumento que concedeu a pensão. Lei 9.250/1995: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: ... II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Há decisão judicial que amparou a separação e o pagamento de pensão. Assim, só poderiam ser deduzidas do IRPF as parcelas que estavam em acordo com o determinado na decisão judicial. Caberia ao contribuinte demonstrar os valores determinados pela decisão, a fim de que esses fossem dedutíveis. Por essa razão, nego provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10218.721049/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE.
O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-002.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN informado pelo contribuinte em sua DITR/2003.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN informado pelo contribuinte em sua DITR/2003. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 10 49 /2 00 7- 92 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 343.259,55, calculado até 30/12/2007, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Rio Tiraximim”, cadastrado na RFB sob o nº 2.321.8673, com área declarada de 104.544,0 ha, localizado no Município de Cumaru do Norte PA. A fiscalização rejeitou o VTN declarado de R$ 1.089.788,00 ou R$ 10,42/ha, sendo arbitrado o valor de R$ 7.606.621,44 ou R$ 72,76/ha, com base no VTN/ha médio apontado no SIPT. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: faz um breve relato dos fatos relacionados com a presente Notificação de Lançamento; apesar das declarações da Impugnante refletirem as reais condições do aludido imóvel, resolveu a autoridade lançadora arbitrar o VTN, para efeito de apuração do ITR devido, sob o entendimento de que não fora comprovado o valor declarado; a autoridade lançadora nada demonstra em torno dos critérios adotados – ou dos elementos considerados na avaliação imobiliária, para chegar à base de cálculo (VTN) que entende correta. Nada mais nada menos, foi arbitrado o valor de R$ 7.606.621,44, sem demonstrar, ao menos, os elementos necessários à avaliação do imóvel e os cálculos utilizados para determinação de base de cálculo tão elevada; à luz dos elementos trazidos na Notificação de Lançamento em apreço, não há a menor possibilidade de questionar a materialidade do lançamento, vez que não consta qualquer critério, elemento, que permita conhecer do arbitramento e, consequentemente, do valor tributável; a defendente dispõe de laudo de avaliação, elaborado por profissionais habilitados e especializados, que comprova ser muito menor o valor da terra nua, a preços de mercado, comparativamente com o que consta do lançamento; o lançamento não pode ser válido e eficaz se a autoridade lançadora não se desincumbir de demonstrar a determinação da matéria tributável, tal como ocorreu no presente caso; a cobrança de multa no percentual de 75% do valor do tributo tem efeito confiscatório, sendo, portanto, inválida; Fl. 463DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.721049/200792 Acórdão n.º 2201002.993 S2C2T1 Fl. 3 3 se o laudo ora carreado nos autos, elaborado antes da referida declaração de ITR, por si só, já não fosse suficiente para elidir a aludida Notificação, não há como prosperar o lançamento, vez que, manifestamente nulo por ausência de determinação de matéria tributável e cobrança de multa de efeito confiscatório; não se conhecendo da regularidade da base de cálculo do ITR, não pode prosperar a exigibilidade do crédito tributário, sob pena de se admitir lançamento por presunção, ilação; na determinação da base de cálculo do imposto, não basta a autoridade lançadora dizer que fez arbitramento, como se o ato de lançamento não estivesse sujeito a critérios legais; invocando o disposto no art. 142 do CTN, que transcreve; a partir da aplicação desses critérios legais é que se pode inferir a subsunção do fato à hipótese normativa, sob amparo da estrita legalidade – CF, art. 150, inciso I , e também a dimensão econômica do fato, tal qual determinação da matéria tributável; insiste na necessidade de serem demonstrados os elementos considerados para efeito de avaliação e arbitramento do VTN, não podendo se valer simplesmente do aludido SIPT, que não é disponibilizado para conhecimento dos Contribuintes; cita as três circunstâncias previstas no art. 14 da Lei nº 9.393/96, que transcreve, as quais podem implicar na não homologação do autolançamento; mas mesmos nessas circunstâncias cabe a autoridade lançadora fazer prova de tais eventos em procedimento de fiscalização para, depois de efetivamente demonstrados os dados da área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, aplicar o SIPT. Além desses elementos, deveria a autoridade autuante, em face do parágrafo 1º do art. 14 da citada lei, identificar também outros elementos do imóvel, nos termos em que previstos no art. 12, § 1º, inciso II, da Lei nº 8.629/93, de modo a apurar o preço atual da totalidade do imóvel, das benfeitorias indenizáveis e o seu VTN, observada a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel avaliado; no presente caso, a autoridade lançadora limitouse a arbitrar o valor da terra nua, de R$ 7.162.483,65, sem nenhuma informação em torno dos elementos anteriormente citados, remetendo o ônus da prova para a impugnante; o dever de provar a ocorrência dos requisitos previstos no art. 142 do CTN é inerente à atividade de lançamento; citando, nesse sentido, ensinamentos do Mestre José Souto Maior Borges; insiste que, pelas razões expostas, a exigibilidade do suposto crédito tributário recai sobre fato presumido, isto é, que não tem base material conhecida; quanto à pretensão de se impor à defendente o dever de fazer prova negativa em face do arbitramento levado a efeito pela autoridade lançadora, cabe observar lição de James Marins que, Fl. 464DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 com propriedade, situa a questão em outros termos, além de, ao referir ao princípio da ampla instrução probatória em torno do lançamento tributário, se posicionar contra a pretensão do fisco (inversão do ônus da prova e exigir prova negativa); nesse mesmo sentido, cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, a saber: (Acórdão nº 10809242 – Processo nº 15374.0000682/0035 , Rel. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, 8ª Câmara; Acórdão nº 10806015 – Processo nº 13709.002938/9483 , Rel. Conselheiro José Henrique Longo, 8ª Câmara, e Acórdão nº 10808411 – Processo nº 13839.004274/0011 , Rel. Conselheiro Dorivan Padovan), cujas ementas transcreve; mesmo não se admitindo, à luz da doutrina e da jurisprudência do Conselho de Contribuintes, lançamento por presunção ou, mais precisamente, lançamento por suposição, impõese à defendente exigibilidade de ITR por arbitramento sem, ao menos, demonstrar os critérios adotados; volta a questionar a multa lançada de 75%, que entende confiscatória, extrapolando qualquer critério de razoabilidade, ou proporcionalidade, em função da natureza da infração; que, na hipótese vertente, consiste em arbitramento de base de cálculo; contrariando, assim, o disposto nos arts. 5º, inciso XXII, 150, inciso IV, e 170, inciso II, da Constituição da República; discorre sobre esses temas/princípios constitucionais, citando, nesse aspecto, lição de Sacha Calmon Navarro Coelho; na seara do direito privado, introduziu alterações no Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90, art. 52, § 1º) e estabeleceu multa, no percentual de 2%, mesmo percentual (2%) estabelecido a titulo de multa pelo Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002, art. 1336); não existe base constitucional para aplicação de multa tributária no patamar de 75%; citando, a favor da sua tese, jurisprudência do STF (Recurso Extraordinário nº 91.707/MG (DJU 1, de 29/02/1980); Recurso Extraordinário nº 32.510/SP (DJU 1, de 04/08/1976), e ADIN 5511/RJ (DJU 1, de 07/03/2003, p. 23); e, na mesma direção, temse jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais, por exemplo: AGTR 34.566/rn (DJ 18/06/2002, p. 825), AC 276.280/PE – D, de 16/08/2006, p. 1116) e AC 410.595/RN (DJ 17/09/2007, p. 989), e concluindo: se há prova do VTN, consoante Laudo Pericial, não há como prosperar arbitramento de base de cálculo; esse arbitramento resvala para ilegalidade, posto que, em contrariedade ao art. 142 do CTN, é omisso quanto à determinação da matéria tributável, e multa desprovida de finalidade, não razoável ou proporcional à gravidade da infração, tem efeito confiscatório, sendo por isso mesmo inválida, em face do art. 150, inciso IV da Constituição da República. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.721049/200792 Acórdão n.º 2201002.993 S2C2T1 Fl. 4 5 Por fim, REQUER seja julgado improcedente o lançamento, objeto da Notificação de Lançamento nº 02103/01008/2007. Finalizo o relatório RESSALVANDO que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando à contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, correspondente ao VTN/ha médio constante do SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma clara e convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2003), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. DA MULTA LANÇADA (75,0%) Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, cabe exigilo juntamente com a multa lançada e os juros de mora aplicados aos demais tributos. Por expressa previsão legal, a multa lançada possui percentual mínimo de 75%. DA LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância, a autuada apresenta, tempestivamente, Recurso Voluntário (Informação Processual nº. 106/2013 – fls. 439/441), formulando seu pedido nos seguintes termos: PEDIDOS 1 Seja apreciada e acolhida a preliminar de tempestividade acima suscitada para se reconhecer a tempestividade do recurso aqui apresentado; por qualquer dos argumentos deduzidos, Fl. 466DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 sobretudo para se evitar o cerceamento de defesa è a violação de princípios elementares do direito, mormente no tocante ao sagrado direito do contraditório e da ampla defesa; suprimidos a partir dos métodos de ciência adotados nos autos e que lamentavelmente não atingiram a finalidade. 2 No mérito, à vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento total ao presente Recurso, para se acolher o laudo apresentado às fls. 333/354, aplicandose como VTN o quantum ali indicado. 3 Alternativamente, seja dado provimento ao presente recurso para se considerar a reserva legal de 80% nos termos do Novo Código Florestal, retroativamente, em razão das sanções retroativas existentes para quem produziu nas áreas que excediam a 50%, que não é o caso do recorrente, aplicandose a alíquota de 0,45 nos termos e cálculos propostos acima. 4 Seja declarado no acórdão que os juros de mora deverão incidir à taxa de 1% a.m. sobre a multa de ofício vinculada, sendo que a incidência dos juros de mora, em todos os casos, não poderão exceder àquela que a fiscalização imputar ao contribuinte a título de imposto principal. 5 Que as intimações e notificações vindouras sejam encaminhadas aos procuradores que subscrevem a presente ou no endereço administrativo da recorrente e não na sede da fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal rejeitou o VTN declarado de R$ 1.089.788,00 ou R$ 10,42/ha, sendo arbitrado o valor de R$ 7.606.621,44 ou R$ 72,76/ha, com base no VTN/ha médio apontado no SIPT. Em sua peça recursal alega a suplicante, preliminarmente, tempestividade do Recurso Voluntário, em razão da decretação da nulidade da ciência da decisão de primeira instância. No mérito, questiona o arbitramento com base no SIPT e solicita que se acolha o laudo apresentado às fls. 333/354, bem como que seja considerada, retroativamente, a área de reserva legal de 80%. Assevera ainda que “... a Administração, no uso de seu poder discricionário, pode fixar o valor da terra nua, desde que respeitados os limites impostos pela lei...”. De início, cumpre registrar que a questão da tempestividade do recurso foi superada com a Informação Processual nº. 106/2013, proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Marabá/PA, fls. 439/441, que manifestouse pela tempestividade do apelo. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.721049/200792 Acórdão n.º 2201002.993 S2C2T1 Fl. 5 7 No que tange ao VTN, verificase, pela transcrição do Parâmetro 20, fl. 09, que a autoridade fiscal se valeu do VTN médio para fins de avaliação; entretanto este Órgão já se manifestou no sentido de que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, já que essa informação não é contemplada na declaração, fundamentalmente porque contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Nesse passo, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Esse é entendimento deste Órgão, consoante as inúmeras jurisprudências colacionas: VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. (Acórdão nº 220101.584 de 18/04/2012) .... VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio obtido com base nos valores informados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. (Acórdão nº 2201002.076 de 16/04/2013) .... VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. (Acórdão nº 2201002.675, de 11/02/2005) Assim, como bem pontuou a recorrente em seu apelo "a Administração, no uso de seu poder discricionário, pode fixar o valor da terra nua, desde que respeitados os limites impostos pela lei..."; entretanto, o que se observa dos autos, é que o princípio da reserva legal foi violado, portanto, não há como manter o arbitramento perpetrado pela autoridade fiscal. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Isso posto, devese desconsiderar o arbitramento, já que a autoridade fazendária utilizou o VTN médio extraído do SIPT. Ressaltese que o segundo laudo de avaliação apresentado pelo recorrente foi rejeitado pela autoridade recorrida, fundamentalmente porque “... o VTN/ha apontado pelo autor do trabalho (R$ 10,70/ha) ficou praticamente igual ao VTN/ha declarado pelo Contribuinte na sua DITR/2003 (R$ 10,42/ha), e que esse valor representa menos de 15,% do referido VTN/ha médio, de R$ 72,76/ha, o acatamento da pretensão da contribuinte exigiria uma demonstração que não deixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, o que não aconteceu”. Frisese ainda que não consta nos autos a tela do SIPT, motivo suficiente, por si só, para o reconhecimento da nulidade da exigência, mormente pela impossibilidade de aferir a legalidade do arbitramento, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF nº 9202003.144 – 2ª Turma). Por fim, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente, o que não aconteceu no presente caso. Além do mais, não há como considerar a incidência de juros de mora ao percentual mensal de 1%, já que a exigência dos juros apurados a partir da taxa SELIC está prevista no art. 13 da Lei nº 9.065/1995 e no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, não havendo como afastála. Esse entendimento é pacifico no CARF, conforme Súmula n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN informado pelo contribuinte em sua DITR/2003. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 469DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13007.000085/2003-69
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 11/03/2003 a 20/03/2003 DCOMP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A.
É indevida a compensação de débito com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado.
DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO
PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO.
DESNECESSIDADE.
A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP nº 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, constitui confissão de divida.
A DCTF constitui confissão de divida da * totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida.
O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n 2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada
com base nas DCTF.
Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em divida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA.
TAXA SELIC.
A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua
exigibilidade. Art. 61 da Lei nº 9.430/96.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula nº 3, do 2º CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.104
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca da
matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá Filho. Fez sustentação oral pela Recorrente, o advogado Dr. Luiz Paulo Romano, OAB/DF n° 14303.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Antonio Zomer
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S2-CIT1 • Fl. SM • • MINISTÉRIO DA FAZENDA fi CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13007.000085/2003-69 Recurso n° 156.072 Voluntário Acórdão n° 2101-00.104 — 1° Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria DCOMP Recorrente BRASKEM S/A (SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO DE OPP QUÍMICA S/A) Recorrida DRJ em Porto Alegre - RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 11/03/2003 a 20/03/2003 DCOMP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de débito com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, constitui confissão de divida. A DCTF constitui confissão de divida da * totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n 2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de - inscrição em divida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LÁ o Processo no 13007.000085/2003-69 52-CIT I Acórdão n." 2101-00.104 Fl. 532 _ A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 23, do 2'2 CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / P TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá Filho. Fez sustentação oral pela Recorrente, o advogado Dr. Luiz Paulo Romano, OA : là n° 14303. — 40 I 1110 di 1 AIO MARCOS CÂNDID • Pre- dent -A r,----ri,ily foi" 41IN e • , ER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata este processo de Declaração de Compensação apresentada pela OPP QUÍMICA S/A em 31/03/2003, para quitação de débito de IPI, relativo ao período de apuração de 11/03/2003 a 20/03/2003, com crédito presumido de IPI calculado sobre insumos desonerados do imposto, adquiridos no período de 11/03/2003 a 20/03/2003, cujo direito estaria amparado em decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS. O MS foi impetrado em 06/07/2000 pelas empresas OPP PETROQUÍMICA S/A e OPP POLIETILENOS S/A e o direito declarado pelo TRF da 42 Região alcançou os créditos decorrentes dos insumos utilizados na produção nos últimos dez anos, ou seja, no período de 06/07/1990 a 06/07/2000. ir 2 processo n°13007.000085/2003-69 S2-CIT I Acórdão ft° 2101-00.104 Fl. 533 A DRF em Porto Alegre - RS não homologou a compensação efetuada pela contribuinte, com fundamento no art. 170-A da Lei n2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN), porque a decisão judicial que daria amparo à utilização dos referidos créditos ainda não havia transitado em julgado. Consta do despacho decisório que a decisão judicial autoriza apenas o creditamento do IPI na escrita fiscal da empresa, para compensação com débitos do próprio IPI, e ainda assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo autorizado a compensação dos créditos passados com outros tributos administrados pela RFB antes do trânsito em julgado da respectiva sentença e nem a utilização de créditos posteriores à data de impetração do mandado de segurança. Irresignada, a BRASKEM S/A, que incorporou a OPP QUÍMICA S/A, a qual, por sua vez, sucedera as impetrantes do mandado de segurança, apresentou manifestação de inconformidade, na qual, após requerer a suspensão da exigibilidade do débito compensado, apresenta as suas razões de defesa, que podem ser assim sintetizadas: - a Receita Federal, ao interpretar a sentença como tendo garantido o direito de aproveitamento, apenas, dos créditos anteriores à impetração do mandado de segurança, incorreu em erro tanto fático quanto jurídico. Erro fático, por inexistir nos autos qualquer negativa do direito em questão, quer na sentença, quer no acórdão do TRF da 4' Região; e erro jurídico, por tal interpretação contrariar a própria natureza do mandado de segurança, que tem por escopo a urgente proteção de direito legítimo do administrado, afastando do mundo jurídico o ato que lhe impede de exercê-lo momentaneamente e no futuro. Ao findar-se nesta premissa, a decisão estaria viciada de nulidade. Quanto aos efeitos do mandado de segurança e sua natureza, traz à colação ensinamentos da doutrina e precedentes jurisprudenciais; - a existência de decisão transitada em julgado materialmente a seu favor impossibilita a cobrança do crédito tributário, porque a Fazenda Nacional interpôs agravo regimental, recorrendo apenas parcialmente da decisão monocrática do STF, que não conheceu de seu recurso extraordinário, não atacando o mérito integral das decisões favoráveis à empresa, limitando-se a rediscutir o direito ao crédito na aquisição de insumos não-tributados (NT), a incidência de correção monetária e a definição da alíquota aplicável na apuração dos créditos objeto da lide. Em razão disso, entende que o direito ao creditamento relativo aos insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero já é matéria decidida, não sendo mais passível de reforma. Reforça seu entendimento através da exposição de ensinamentos doutrinários e em disposições legais sobre a coisa julgada; - a aplicação do art. 170-A do CTN, acrescido pela Lei Complementar n2 104/2001, aplica-se exclusivamente às ações judiciais impetradas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, não atingindo o mandado de segurança por ela impetrado, que é anterior. Este entendimento está de acordo com a jurisprudência do STJ, conforme julgados que apresenta; - obsta, igualmente, a incidência do art. 170-A do CTN sobre o caso em foco, o fato de este dispositivo ter surgido quando já existia decisão judicial, cujo teor não pode ser modificado por norma superveniente. Entender de outra forma implicaria em outorgar eficácia retroativa a essa norma, em desacordo com o sistema jurídico pátrio, que consagra o princípio da irretroatividade normativa, admitindo-a em hipóteses pontuais, como a das leis meramente interpretativas, que não é o caso. Apresenta excerto doutrinário nesse sentido; r 3 e Processo n° 13007.000085/2003-69 S2-CI TI Acórdão n.° 2101-00.104 A. 534 . - a autoridade administrativa não pode modificar a decisão judicial ou agregar comandos nela não contidos, já que inexiste na sentença previsão de aplicação do art. 170-A do CTN, conforme disposições dos arts. 468 e 469 do CPC e posicionamentos da doutrina que traz à colação; - somente o competente recurso à autoridade de superior grau hierárquico, no caso, o TRF da 4' Região, poderia desconstituir, reformar ou anular a decisão de P instância, poder este vedado à via administrativa; - a execução provisória da sentença que conceder o mandado não comporta recurso com efeito suspensivo, conforme jurisprudência do STJ e doutrina que cita, realçando que a pretensão da Fazenda Nacional, de suspender a compensação imediata dos créditos, foi duplamente denegada nos recursos por ela interpostos; - os pareceres lavrados, a seu pedido, pelos professores Arruda Alvim, Eduardo Arruda Alvim, Ovídio Baptista e Roque Antônio Carrazza ratificam seu entendimento sobre a matéria em discussão, reconhecendo a autorização para imediata compensação dos créditos, a não aplicação do art. 170-A do CTN ao caso e a ocorrência do trânsito em julgado material; - o direito de aproveitamento dos créditos sobre os insumos desonerados decorre do principio constitucional da não-cumulatividade, que emerge do § 3° do art. 153 da CF/88. A não permissão do direito ao crédito decorrente da aquisição de insumos isentos, não- tributados ou tributados à aliquota zero desnaturaria a exoneração tributária intentada, pois na saída do produto tributado ao qual se incorporam, a exação incidiria sobre o valor dos ditos insumos, anulando-a. Ampara seus argumentos nas lições de diversos doutrinadores pátrios e cita a posição do STF, dizendo que está pacificada naquela corte jurisprudência que reconhece o direito ao crédito em relação aos insurnos isentos e sujeitos à aliquota zero. Tal orientação do pretório excelso deve ser seguida pela SRF, por força do disposto no art. 1° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, cujo teor transcreve. Pugna, ainda, pelo expurgo da multa de mora e dos juros de mora, reafirmando que todas as decisões proferidas no processo judicial, garantindo o seu direito ao aproveitamento dos créditos pleiteados, não foram objeto de reforma, encontrando-se em pleno vigor até a presente data. Assim, por estar amparada em provimento judicial, aduz que não poderia ser considerada em mora, reproduzindo dispositivos do Código Civil e excertos doutrinários a respeito desse instituto. Afirma, ainda, que a sentença suspendeu a exigibilidade dos tributos na mesma medida em que reconheceu o direito aos créditos do IPI, reproduzindo o capta e § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/96 e citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STF. Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, a reforma do despacho decisório e o cancelamento das cartas de cobrança. A DR.! em Porto Alegre — RS manteve a não-homologação da compensação e a cobrança dos débitos indevidamente compensados, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/03/2003 a 20/03/2003 NORMAS GERAIS DE D REITO TRIBUTÁRIO.GERAIS ?fr 4 . Processo n° I3007.00008512003-69 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.104 Fl. 535 MANDADO DE SEGURANÇA. DENEGAÇÃO. Denegada a segurança quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de , .! aquisições de matérias-primas isentas, não-tributadas ou . sujeitas à aliquota zero, posteriormente ao ajuizamento da ação, não há provimento judicial para sua utilização. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ TRANSITO EM JULGADO A compensação como forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo gozem de certeza e liquidez. Em se tratando de créditos decorrentes de ação judicial, há necessidade do trânsito em julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. A exigência da multa de mora e dos juros moratórios decorre de expressa disposição legaL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornando-se nela definitiva. Solicitação Indeferida". No recurso voluntário, a empresa repisa as mesmas razões de defesa, acrescentando que houve equívoco do órgão julgador de primeiro grau, porque, mesmo estando vinculado ao Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional que reconhecera o direito às compensações, ignorou-o por completo. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido, para o fim de homologar as compensações, cancelando-se, por conseguinte, as cartas de cobrança dos débitos compensados. Com relação ao último pedido, a empresa argüiu perante este Colegiado, após a apresentação do recurso voluntário, como questão de ordem pública, que a cobrança intentada pela DRF é indevida, porque as declarações de compensação apresentadas antes de 31/10/2003 não constituíam confissão de dívida, a teor do disposto na Lei n 2 10.833, de 2003. No presente caso, acrescenta, também não houve confissão da divida nas DCTF, porque nelas os débitos foram quitados por compensação, não sendo declarado qualquer valor a título de saldo a pagar. Defende que nestas declarações só o saldo a pagar constitui confissão de dívida, de modo que o Fisco, se quisesse cobrar os referidos débitos, deveria ter providenciado o competente lançamento de oficio. Sem este, conclui que a compensação deve ser homologada e os débitos extintos, tendo em vista que já se operou a decadência quanto à possibilidade de lavratura do auto de infração. (4, É o relatório. i s Processo n°13007.000085/2003-69 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.104 Fl. 536 Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. Antes de adentrar na análise de mérito, convém esclarecer que a ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante, a OPP PETROQUÍMICA S/A. Além da alegação de que o parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional lhe teria sido favorável, as questões em litígio, necessárias e suficientes para a formação do convencimento deste julgador, são as seguintes: (1) existência de decisão transitada em julgado materialmente, favorável à recorrente; (2) erro da Receita Federal ao afirmar que o pedido teria sido negado para o futuro; (3) inaplicabilidade do art. 170-A do CTN ao presente caso; (4) impossibilidade de exigência de multa de mora e dos juros de mora, uma vez que a conduta da recorrente teria sido pautada em expressa determinação judicial e inconstitucionalidade da cobrança de juros com base na taxa Sebe; e (5) necessidade de lançamento dos débitos indevidamente compensados para viabilizar a sua cobrança administrativa ou judicial. 1 — Da inexistência de trânsito em julgado material da sentença As empresas sucedidas pela recorrente requereram ao judiciário, em 06/07/2000, o direito de aproveitamento do IPI apurado com base nas aliquotas de saída, relativamente às entradas dos últimos dez anos e posteriores ao ajuizamento da ação, para compensação com débitos de IPI e outros tributos administrados pela SRF. Pediram também que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos créditos e de negar- lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamente, com a inclusão dos expurgos inflacionários. A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em 23/10/2000 e juntada aos autos, foi o de aproveitamento dos créditos dos últimos cinco anos, para abatimento do IPI devido pelas saídas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela Ufir até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizatórios da SRF. A Fazenda Nacional apelou requerendo o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição, como já defendera na contestação. O Tribunal Regional Federal da 42 Região, em decisão prolatada em 21/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao creditamcnto do IPI relativo aos insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores ir c/ e 6 •5 Processo n° 13007.000085/2003-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.104 Fl. 537 ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal, aplicando-se, a partir de 1 2/01/1996, unicamente a taxa Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tomada insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE em 07/02/2008, verbis: "Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando insubsistente o ato atacado mediante o agravo; vencidos os Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não participou, justificadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. 1". Turma, 11.12.2007." No recurso extraordinário (RE n2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de 1PI sobre os insumos de aliquota zero e os não-tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IP1. O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF, porém o Egrégio Tribunal deve decidi-lo na mesma linha de suas últimas decisões, sintetizada na ementa do RE n2 370.682, julgado em 25/06/2007, assim redigida: "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPL Crédito Presumido. Insumos sujeitos à aliqztota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de instemos não tributados ou sujeitos à alíquota zero." (gr(tos acrescidos) A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao analisar a alegação de que teria ocorrido o trânsito em julgado material, concluiu que teria ocorrido o fenômeno em favor do Fisco e não da empresa, com relação aos insumos adquiridos depois da impetração do mandado de segurança e quanto ao pedido de compensação com tributos de outra natureza. Neste contexto, só se poderia falar em coisa julgada material em favor das impetrantes com relação à aquisição de insumos isentos, adquiridos nos dez anos anteriores à impetração, fato que não tem qualquer implicação no caso tratado nos presente autos, pois há informação de que as impetrantes não se utilizavam de insumos isentos. Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instância, que foi parcialmente reformulada pelo TRF da 42 Região, ao contrário do que defende a recorrente, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material, no que pertine aos créditos decorrentes de insumos de ali quota zero e não-tributados. 2 — Da inexistência de erro de interpretação na decisão recorrida Na primeira parte dispositiva da sentença, o juiz disse, taxativamente: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetra es o direito de aproveitar os valores de 7 . Processo n° I 3007.000085/2003-69 S2-CI TI Acórdão n.° 2101-00.104 Fl. 538 aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou- tributadas com alíquota zero de 1P1 como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo."(destaquei) e, na segunda parte, declarou: "O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UF1R, até 31/12/1995, e daí até o efetivo aproveitamento segundo o if 4", do art. 39, da L 9.250/1995." Não há outro aproveitamento mencionado, senão aquele constante da primeira parte do dispositivo, não havendo como "interpretar" a sentença de outra forma. Se houve inconformismo, se a sentença foi parcial, deveria a interessada apelar do resultado que lhe foi desfavorável. Não houve, pois, interpretação errônea da decisão judicial por parte da autoridade fiscal, e nem pelo órgão julgador de primeira instância, quanto ao fato de o direito reconhecido por sentença, após a decisão do TRF, estar limitado ao creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, pelas saídas dos produtos fabricados pelas impetrantes. 3 - Da limitação à compensação imposta pelo art. 170-A do CTN Se a decisão judicial só autorizou o creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, qualquer outra forma de compensação dos referidos créditos submete-se às normas que regem a compensação administrativa, ou seja, às Instruções Normativas SRF n2s 21/77, 33/99 e 210/2002. As normas citadas não autorizam a compensação de créditos decorrentes de decisão judicial, antes do seu trânsito em julgado, sendo patente a incidência, no caso, da limitação imposta pelo art. 170-A do CTN, verbis: "Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisãojudicial.(Artigo incluído pela Lcp n°104, de I0.1.2001)" Não resta dúvida de que a compensação dos créditos fictos de IPI, sob outra forma que não a do creditamento no livro de apuração, para abatimento dos débitos do próprio imposto, não encontra qualquer respaldo legal ou judicial. Conseqüentemente, não merece qualquer reparo a decisão recorrida, quando decidiu pela não-homologação das compensações dos créditos fictos com débitos do próprio IPI, intentadas fora do livro de apuração, via DCTF ou Dcomp. 4 — Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic Í A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assim estabelece, verbis: • , j . s Processo n°13007.000085/2003-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.104 Fl. 539 "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de I" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 11 ,§ 3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." A multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento se deu por culpa ou por força maior. Ocorrendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também o é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a alegação de inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição dos enunciados das Súmulas n 2s 2 e 3, que têm o seguinte teor: "Súmula nif 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." "Súmula n2 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." Portanto, o débito indevidamente compensado deve ser exigido com os consectários legais, expressamente previstos em lei. 5 - Da alegação de que os débitos não podem ser cobrados sem lançamento de oficio Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de divida, porque apresentada antes da vigência da MP n° 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de divida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, 7;r_ por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevida ente compensado, só poderá ser cobrado por meio de (y, í 9 : Processo n° 13007.000085/2003-69 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.104 Fl. 540 auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de dívida, apta a permitir a cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 6 2 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: "§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos - débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de dívida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido debito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em periodo anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. j, 10 - Processo n°13007.000085/2003-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.104 Fl. 541 _ Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo_ a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. Entende a recorrente que a confissão de dívida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tornaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, del3/0611984, verbis: "Art. 5" O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § I" O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2" Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de tnora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2" do artigo 7" do Decreto-lei n" 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da dívida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo único da Instrução Normativa n 2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: "Art. I° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à 1- Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União. i11 , Processo n°13007.000085/2003-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.104 Fl. 542 Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF es 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n" 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." Veja-se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (caput do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de dívida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O caput do art. 1 2 da IN SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em divida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em dívida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DE VIDA MENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. I. É pacifico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de procederá constituição formal do crédito tributário. e),2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, Li i2 Processo n°13007.000085/2003-69 S2-CITI Acórdão n? 2101-00.104 Fl. 543 também é pacifico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em dívida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. I. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento especifico (DCTF, GIA, GFIP e congêneres), a divida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; b) declarada a compensação por intermédio de instrumento espec(ico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição re.solutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigivel, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em dívida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos terinos do art. 205 do CTN. 3. Recurso especial não provido." 13 Processo n° 13007.000085/2003-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.104 Fl. 544 Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4° Região, ofendem ao art. 5 0, § 1°, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tornando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da dívida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. 1. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de • ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código Tributário Nacional e 74, § 2", da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3.Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de dívida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Meàida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" je e):ÇP 14 Processo n° 13007.000085/2003-69 S2-CIT1 Acórdào n.° 2101-00.104 Fl. 545 Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art.18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6 2 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o capta é a prevista nos incisos I e II ou no § 2" do art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, conforme o caso. " O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n 2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: "§ 92 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 72, apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) e )), 15 Processo n° 13007.000085/2003-69 S2-CIT1 Acórdào n.° 2101-00.104 Fl. 546 nfir § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(lncluido pela Lei n°10.833. de 29.12.2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 92 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto rt' 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso 111 do art. 151 da Lei ti2 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29.12.2003)" De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de dívida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n2 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9" a 11 do Decreto if 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § I° do art. 144 do CTN, verbis: "Ar!. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1" Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavrátura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vício de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tornar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n°70.235/72. 16 1 Processo e 13007.000085/2003-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.104 Fl. 547 • 6 — Das demais alegações do recurso voluntário Alega a recorrente que o direito de aproveitamento dos créditos fictos seria decorrência lógica do princípio constitucional da não-cumulatividade. Mas este é exatamente o fundamento jurídico em que se apóia o mandado de segurança impetrado pelas empresas OPP POLIETILENOS S/A e OPP PETROQUÍMICA S/A. A opção pela discussão na via judicial obsta a apreciação da mesma matéria na via administrativa, consoante a Súmula n 2 1 deste Segundo Conselho, redigida nos seguintes termos: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." De nada adianta, portanto, a alegação da recorrente de que o mérito do direito ao crédito de IPI é decorrência lógica do princípio da não-cumulatividade, conforme já decidiu o STF, porque esta matéria não será objeto de apreciação por parte deste Colegiado. Pugna a recorrente pelo acolhimento dos pareceres emitidos por professores e doutrinadores de escol, como suporte à sua defesa. No entanto, nada do que neles se contém é capaz de ilidir as conclusões a que se chegou no presente voto. Também não assiste razão à recorrente quando aduz que a Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional teria reconhecido o seu direito de realizar as compensações, até porque, após a vigência da Lei Complementar n2 104/2001, que introduziu o art. 170-A no CTN, o art. 12 da Lei n2 1.533/51, que rege o mandado de segurança, não mais prevalece em matéria tributária. Conclusão Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. ál tolp Lio oN 17 ER '7 Page 1 _0062900.PDF Page 1 _0063000.PDF Page 1 _0063100.PDF Page 1 _0063200.PDF Page 1 _0063300.PDF Page 1 _0063400.PDF Page 1 _0063500.PDF Page 1 _0063600.PDF Page 1 _0063700.PDF Page 1 _0063800.PDF Page 1 _0063900.PDF Page 1 _0064000.PDF Page 1 _0064100.PDF Page 1 _0064200.PDF Page 1 _0064300.PDF Page 1 _0064400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.721458/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
NULIDADE. REQUISITOS FORMAIS. INOCORRÊNCIA.
Observados no lançamento os requisitos formais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, afasta-se a alegação de nulidade.
NULIDADE. ARBITRAMENTO DE LUCRO. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O princípio do contraditório e da ampla defesa tem sua observância obrigatória somente após instaurado o litígio, sendo sua aplicação relativizada na fase inquisitória. Não obstante, considerando que não existe arbitramento de lucros condicional, a jurisprudência administrativa se firmou no sentido de que deve ser oportunizado prazo razoável para que o contribuinte apresente ou mesmo regularize sua escrita contábil e fiscal de modo a permitir a apuração do lucro de acordo com a opção manifestada nas declarações de rendimentos.
No caso concreto, se após mais de um ano em que lhe foram dadas sucessivas prorrogações de prazo para sua apresentação, o contribuinte não o fez ou o fez com deficiências que as tornaram imprestáveis para a apuração do lucro real, não há como acolher a alegação de que teve seu direito de defesa obstaculizado.
ARBITRAMENTO DE LUCROS. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO.
Constatado pelo Fisco que os lançamentos contábeis foram feitos em partidas globais, que não permitem a identificação das operações, não detalhadas em livros auxiliares; a ausência de registros da movimentação financeira na escrituração contábil, e a inexistência de controle de estoques, revela que a contabilidade apresentada é imprestável para a determinação do lucro real, sendo correto o arbitramento do lucro.
ARBITRAMENTO DE LUCROS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
Apurada a receita (conhecida) apenas com base na movimentação financeira e recebimentos de vendas por meio de cartões de crédito/débito e não tendo sido utilizada como base tributável as receitas mercantis registradas na escrituração apresentada, por ser considerada imprestável pelo Fisco, não há que se falar em bis in idem.
ARBITRAMENTO DE LUCROS. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE RECEITAS. MÉTODOS DIRETO E INDIRETO. REGULARIDADE.
Ante a imprestabilidade da escrituração contábil quanto a um exercício de sua não apresentação quanto ao outro, revela-se correto o procedimento do Fisco que apurou a base de cálculo dos tributos de forma direta (recebimentos de vendas mediante cartões de crédito/débito, reconhecidos pela própria recorrente) e indireta (omissão de receitas com base em créditos bancários de origem não comprovada, com base nos créditos bancários decorrem de presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996).
MULTA QUALIFICADA. APLICACÃO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
Numero da decisão: 1302-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito , negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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REQUISITOS FORMAIS. INOCORRÊNCIA. Observados no lançamento os requisitos formais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, afastase a alegação de nulidade. NULIDADE. ARBITRAMENTO DE LUCRO. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O princípio do contraditório e da ampla defesa tem sua observância obrigatória somente após instaurado o litígio, sendo sua aplicação relativizada na fase inquisitória. Não obstante, considerando que não existe arbitramento de lucros condicional, a jurisprudência administrativa se firmou no sentido de que deve ser oportunizado prazo razoável para que o contribuinte apresente ou mesmo regularize sua escrita contábil e fiscal de modo a permitir a apuração do lucro de acordo com a opção manifestada nas declarações de rendimentos. No caso concreto, se após mais de um ano em que lhe foram dadas sucessivas prorrogações de prazo para sua apresentação, o contribuinte não o fez ou o fez com deficiências que as tornaram imprestáveis para a apuração do lucro real, não há como acolher a alegação de que teve seu direito de defesa obstaculizado. ARBITRAMENTO DE LUCROS. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO. Constatado pelo Fisco que os lançamentos contábeis foram feitos em partidas globais, que não permitem a identificação das operações, não detalhadas em livros auxiliares; a ausência de registros da movimentação financeira na escrituração contábil, e a inexistência de controle de estoques, revela que a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 14 58 /2 00 9- 11 Fl. 13105DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.106 2 contabilidade apresentada é imprestável para a determinação do lucro real, sendo correto o arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO DE LUCROS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Apurada a receita (conhecida) apenas com base na movimentação financeira e recebimentos de vendas por meio de cartões de crédito/débito e não tendo sido utilizada como base tributável as receitas mercantis registradas na escrituração apresentada, por ser considerada imprestável pelo Fisco, não há que se falar em bis in idem. ARBITRAMENTO DE LUCROS. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE RECEITAS. MÉTODOS DIRETO E INDIRETO. REGULARIDADE. Ante a imprestabilidade da escrituração contábil quanto a um exercício de sua não apresentação quanto ao outro, revelase correto o procedimento do Fisco que apurou a base de cálculo dos tributos de forma direta (recebimentos de vendas mediante cartões de crédito/débito, reconhecidos pela própria recorrente) e indireta (omissão de receitas com base em créditos bancários de origem não comprovada, com base nos créditos bancários decorrem de presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996). MULTA QUALIFICADA. APLICACÃO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito , negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Fl. 13106DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.107 3 Relatório ITATICO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0337.272, de 07 de junho de 2010, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BrasíliaDF, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do auto de infração relativo ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no valor de R$ 28.558.787,14 (incluindo juros de mora e multa de ofício calculados até a data da lavratura), tendo o lançamento sido realizado mediante arbitramento de lucros e apontando omissões de receitas apuradas com base em créditos bancários de origem não comprovada. Irresignada, impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal, alegando em síntese: a) A nulidade do lançamento em face de erros formais que teriam se verificado no auto de infração, gerando incerteza jurídica e preterição ao direito de defesa. b) Que o arbitramento de lucro levado a efeito não observou os requisitos legais, pois a fiscalização não teria buscado os dados necessários para a apuração do lucro real, tendo se recusado a receber os documentos apresentados e optado pelo arbitramento, por ser método mais fácil de apuração do imposto, em prejuízo do contribuinte. c) Que o arbitramento teria tributado pela segunda vez a mesma grandeza econômica, o que constitui conduta vedada no ordenamento jurídico. d) Que os valores tidos como receitas omissas teriam sido, na verdade, contemplados no arquivo magnético entregue ao agente fiscal, no dia 19/08/2009, bem como nos documentos juntados na fase de impugnação. e) Que se tratariam de valores decorrentes da atividade comercial da empresa, ou seja, vendas de mercadorias e que, pelo número de lançamentos restaria comprovado o lastro econômico das receitas declaradas unilateralmente pelo agente fiscalizados como omitidas. f) Que, no máximo teria cometido irregularidade de ordem formal, que seria passível de retificação e desdobramento contábil em livros auxiliares. g) Que os depósitos e entradas de cartões de crédito/débito não estariam soltos ou injustificados, como teria dito o agente fiscal no TVF, não podendo ser taxados como omissão de receita, por constituírem as próprias receitas declaradas e tributadas pelos Fiscos Estadual e Federal. h) Que o valor da base de cálculo utilizado pela Autoridade Fiscal não representaria aritmeticamente os valores localizados nos extratos. Fl. 13107DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.108 4 i) Que a multa qualificada em percentual de 150% seria confiscatória, em desacordo com o princípio constitucional disposto no inciso IV do art. 150, da Constituição Federal. j) Que é ilegal a aplicação dos juros de mora com base na taxa Selic, defendendo a aplicação do percentual de 12% a.a. Ao final da impugnação pleiteou, ainda, a realização de diligências e de perícia contábil, visando a apurar o lucro real. A 2ª Turma da DRJ em BrasíliaDF analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0337.272, de 07 de junho de 2010 (fls. 13020/13049), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 PRELIMINAR. NULIDADE. ERROS FORMAIS DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando foram cumpridos todos os requisitos essenciais do auto de infração, fixados no art. 10 do PAF, e dos lançamentos em geral, constantes do art. 142 do CTN. Somente a ausência total dessas formalidades é que implica invalidade do lançamento. A impugnação apresentada pela contribuinte revelou conhecimento plenodas infrações imputadas. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCESSUAL. O art. 5º, inciso LV da CF/88 garante o direito ao contraditório e à ampla defesa apenas em fase de contencioso (ou seja, litigiosa), o que somente ocorre na esfera administrativa quando da apresentação de impugnação ao lançamento efetuado. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia quando prescindível para solução da lide, ainda mais quando formulado sem observância dos requisitos exigidos pela legislação processual. MÉRITO. APURAÇÃO COM BASE NO LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. Evidenciados os requisitos prescritos na legislação, está correto o procedimento levado a efeito pelos agentes do Fisco no tocante à apuração do IPPJ com base no lucro arbitrado. MÉRITO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Fl. 13108DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.109 5 O art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza considerar como receitas omitidas os montantes relativos a depósitos bancários cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea pelo contribuinte devidamente intimado para tanto. MÉRITO. BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE DA MERA ALEGAÇÃO. A contribuinte não foi capaz de apontar objetivamente quais valores supostamente estariam eivados de vício. No processo administrativo fiscal é necessária a apresentação pelo sujeito passivo dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a impugnação, dos pontos de discordância e das razões e provas que possuir, sob pena de preclusão. Não se admitem meras alegações desprovidas de fundamentos e o momento processual adequado para apresentação de tais provas seria a fase de impugnação. MULTA CONFISCATÓRIA. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. A autoridade administrativa não tem atribuição para conhecer, no mérito, a argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, uma vez que tal competência é exclusiva do Poder Judiciário, em face dos princípios constitucionais da separação do poderes e da unidade de jurisdição. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O CTN autoriza que lei ordinária fixe os juros de mora a taxa diversa do percentual de 1% ao mês. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento da CSLL aplicase o decidido em relação ao auto de infração do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos fáticos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento da Cofins aplicase o decidido em relação ao auto de infração do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos fáticos. Fl. 13109DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.110 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2005, 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento do PIS aplicase o decidido em relação ao auto de infração do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos fáticos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão de primeira instância em 21/07/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 13057, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/08/2010 conforme carimbo de recepção à folha 13059. No recurso interposto (fls. 13059/13097), alega preliminarmente os pontos que se seguem: A) Que o auto de infração é nulo, pois contem erros formais, deixando de atender os preceitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. B) Que o arbitramento levado a efeito pela fiscalização é nulo, pois não atendeu aos requisitos legais, pois como medida de caráter excepcional só poderia ser tomada se constatada a completa inviabilidade de obter dados confiáveis para a apuração da verdade material. C) Que para que a autoridade fiscal arbitre o lucro deverá resta inequívoca a conduta dolosa do contribuinte, o que só se constata após o exame acurado da escrituração fiscal, conduta esta não observada no caso concreto. D) Que a empresa entregou à fiscalização arquivos eletrônicos contendo seus assentamentos contábeis referentes ao ano de 2005 e a fiscalização rejeitou a entrega do exercício seguinte, que lhe permitiria apurar o lucro real auferido, optando pelo caminho mais fácil de apuração do IRPJ por meio do arbitramento, conforme provariam as declarações de fls. 7385, 7388 e 7389. E) Que o ônus causado pelo arbitramento para a recorrente se agrava, que em face da sua atividade (supermercado) opera com margens reduzidas de lucro, afetando sua capacidade econômica ao tributar o PIS e a Cofins no regime cumulativo, o que ofende ao princípio da capacidade contributiva. F) Que ocorreu cerceamento ao direito de defesa pela violação do princípio do contraditório, na medida em que durante o procedimento fiscal não foi feita nenhuma intimação à recorrente acerca do arbitramento do lucro, nem ofertada qualquer oportunidade para que este pudesse ter sido evitado. G) Que após a autoridade fiscal ter se recusado a receber os documentos contábeis faltantes, a recorrente foi surpreendida com a intimação dos Autos já lavrados, com base no arbitramento. Fl. 13110DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.111 7 H) Que a jurisprudência administrativa quanto ao arbitramento é no sentido de que o arbitramento do lucro, como procedimento extremo, só deve ser aplicado quando o contribuinte, intimado de forma clara e objetiva para a regularização de sua escrita, concedendose prazo razoável, deixa de atender a fiscalização. I) Que "no caso em tela, resta inequivocamente comprovado que o cerceamento de defesa da contribuinte se perpetrou em duas vertentes: a) pela adoção do arbitramento fora das estritas hipóteses legais autorizadas; e b) pela ausência de intimação da contribuinte, da decisão administrativa que definiu o arbitramento como mecanismo técnico de procedimento do lançamento de ofício", devendo se declarado nulo o lançamento. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: J) Que os valores considerados como receitas omitidas pela fiscalização com base na movimentação bancária, são, na verdade, decorrentes da atividade comercial da recorrente de "foram reconhecidas e escrituradas de forma direta, mas não analítica na conta Caixa, sem ter registro de per si nos demais livros contábeis, mas que tal comportamento não está vedado pelo RIR/99, que autoriza a existência de contas sintéticas". K) Que no máximo, a contribuinte teria cometido irregularidade de ordem formal, passível de retificação e desdobramento contábil em livros auxiliares. L) Que "resta claro que os depósitos e entradas de cartões de crédito/débito não estão soltos ou injustificados como diz o agente fiscal no TVF, não podendo ser taxados como omissão de receita, por constituírem as próprias receitas declaradas e tributadas pelo Fisco Estadual e Federal, não podendo ser desmembrados dos registros já apresentados aos referidos órgãos, motivo pelo qual a perícia está sendo requerida nesta impugnação e precisa ser deferida, afim de comprovar a veracidade destas alegações". M) Que o arbitramento realizado "acabou por tributar pela segunda vez a mesma grandeza econômico, e que constitui conduta vedada no nosso ordenamento jurídico". N) Que a base de cálculo adotada pelo agente fiscal fulmina todos os Autos de Infração de nulidade insanável, visto que " jamais se aproximou das operações de venda de mercadorias (atividade econômica da fiscalizada), passíveis de fiscalização e auditoria por estarem idônea, integral e fidedignamente registradas nos livros próprios, os quais jamais foram solicitados neste procedimento fiscal". O) Que "as planilhas de fls. 7.404 e 7.405 que apuram o resultado obtido pela fiscalização e declarado como Receita Bruta estão eivadas de vícios materiais insanáveis, quais sejam: a) aritméticamente o valor apresentado não decorre dos valores localizados nos extratos bancários; e b) os valores considerados de forma absoluta como receita representada pelas operações com cartões de crédito/débito e bancárias, na verdade jamais se constituíram fato gerador da obrigação tributária e o agente fiscal não tem poder de convertêlos ao arrepio da lei em fato gerador" P) Que "a intenção da Autoridade Fiscal de converter depósitos bancários e pagamentos de cartões de cartões de crédito/débito em fato gerador não podem prosperar por violar o princípio da Regra Matriz de Incidência Tributária, esculpido pelo artigo 114 do CTN". Fl. 13111DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.112 8 Q) Que há necessidade de realização de perícia contábil para levantamento correto e preciso da base de cálculo a ser utilizada. R) Que o agravamento da multa qualificada teria se fundamentado é insustentável seguintes razões: falta de entrega de DCTF e DIPJ; DIPJ entregue zerada; alta movimentação bancária; e ausência dos livros e documentos contábeis, que são contraditórias com o Termo de Verificação Fiscal. S) Que o Termo de Verificação Fiscal faz referência a diversas intimações e respostas da empresa impugnante, estas quase sempre acompanhadas da documentação requerida e, quando não se fez acompanhar dos elementos requeridos, todas foram encaminhadas com pedidos fundamentados de dilação de prazo, todos deferidos, exceto o último. T) Que não há no TVF qualquer menção à negativa da contribuinte em apresentar qualquer documento e que, contrário, todas as intimações foram atendidas e quando não puderam ser, pedidos formais de prorrogação de prazo foram apresentados. U) Que "a aplicação do disposto no Art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo Art. 70 da Lei nº 9.532/97, somente se justifica nos casos em que os contribuintes não atendam às intimações fiscais", conduta esta não adotada pela recorrente durante o procedimento fiscal. V) Que, assim, não há que se falar no agravamento da multa pelo não atendimento às intimações fiscais, quando os próprios agentes confirmam que a documentação foi apresentada. X) Que a multa agravada de 150% constituise em verdadeiro confisco, não permitido pela Constituição. Z) Que é imprescindível a conversão deste julgamento em diligência "para que as Autoridades Fiscais, agora compromissadas com a verdade real, utilizandose dos mesmos elementos que já compõem o processo administrativo, apure o lucro real da empresa contribuinte e a partir daí possa refazer o lançamento tributário do IRPJ com base no lucro real, da CSSL sobre o novo valor apurado do IRPJ, e as contribuições ao PIS e COFINS sejam calculadas pela sistemática da não cumulatividade em conformidade com a legislação vigente". Ao final a recorrente requer que: "seja recebido este recurso administrativo, nos seus regulares efeitos, e que seja julgado procedente para julgar improcedentes os autos de infração lavrados em desfavor da empresa contribuinte recorrente que compõem o Processo Administrativo nº 10166 721.458/200911. ALTERNATIVAMENTE. caso não seja este o entendimento de Vossas Excelências que: a) com relação ao Ano de 2005 se considerem os assentos contábeis apresentados em meio magnético pela empresa recorrente e que o IRPJ seja recalculado através da modalidade do lucro real, com o recalculo da CSLL a incidir sobre o novo valor do Fl. 13112DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.113 9 IRPJ, e que as contribuições ao PIS e COFINS sejam recalculadas pela sistemática da não cumulatividade; b) com relação ao Ano de 2006 seja o IRPJ apurado pelo lucro real, com fulcro nos extratos de movimentação bancária da recorrente e que o IRPJ seja recalculado, com o recalculo da CSLL a incidir sobre o novo valor do IRPJ, e que as contribuições ao PIS e COFINS sejam recalculadas pela sistemática da não cumulatividade; c) que julguem prejudicado o agravamento da multa e que esta se limite àquela regularmente instituída pela legislação vigente para os lançamentos de ofício." É o Relatório. Fl. 13113DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.114 10 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende os pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. Preliminares de nulidade A recorrente suscita, preliminarmente, a nulidade do lançamento sob dois aspectos: Primeiro: o auto de infração é nulo, pois contem erros formais, deixando de atender os preceitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Segundo: O arbitramento levado a efeito pela fiscalização é nulo, pois não atendeu aos requisitos legais, pois como medida de caráter excepcional só poderia ser tomada se constatada a completa inviabilidade de obter dados confiáveis para a apuração da verdade material. Quanto à primeira arguição, embora a recorrente alegue que o auto de infração lavrado conteria erros formais e discorra longamente, inclusive citando extensa doutrina, não indica quais seriam os erros formais cometidos. Examinando o Termo de Verificação Fiscal e os autos de infração lavrados não vislumbro quaisquer vícios, pois preenchem todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/721. Assim rejeito a preliminar de nulidade sob o primeiro aspecto. No que tange ao segundo aspecto, a recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado em face da violação do princípio do contraditório, pelo fato de que, durante o procedimento fiscal, não foi feita nenhuma intimação à recorrente acerca do arbitramento do lucro, nem ofertada qualquer oportunidade para que este pudesse ter sido evitado. 1 Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 13114DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.115 11 Alega, ainda, que para que a autoridade fiscal arbitre o lucro deverá restar inequívoca a conduta dolosa do contribuinte, o que só se constata após o exame acurado da escrituração fiscal, conduta esta não observada no caso concreto. Sustenta que a empresa entregou à fiscalização arquivos eletrônicos contendo seus assentamentos contábeis referentes ao ano de 2005 e a fiscalização rejeitou a entrega do exercício seguinte, que lhe permitiria apurar o lucro real auferido, optando pelo caminho mais fácil de apuração do IRPJ por meio do arbitramento. Afirma que, após a autoridade fiscal ter se recusado a receber os documentos contábeis faltantes, a recorrente foi surpreendida com a intimação dos Autos já lavrados, com base no arbitramento. Suscita a jurisprudência administrativa quanto ao arbitramento, no sentido de que o arbitramento do lucro, como procedimento extremo, só deve ser aplicado quando o contribuinte, intimado de forma clara e objetiva para a regularização de sua escrita, concedendose prazo razoável, deixa de atender a fiscalização. Conclui a preliminar, protestando pela nulidade do lançamento em face do cerceamento do seu direito de defesa: "a) pela adoção do arbitramento fora das estritas hipóteses legais autorizadas; e b) pela ausência de intimação da contribuinte, da decisão administrativa que definiu o arbitramento como mecanismo técnico de procedimento do lançamento de ofício". Analisando todos os termos lavrados e respostas apresentadas pela interessada no curso da ação fiscal, entendo que não lhe assiste razão quando alega que teve seu direito de defesa cerceado pela autoridade fiscal em face desta ter procedido ao lançamento com base no arbitramento dos lucros. Desde o Termo de Início da Ação Fiscal, lavrado em 19/082008 (fls. 3/6), e cientificado em 04/09/2008, quando a autoridade fiscal intimoua a apresentar: o Livros de Apuração do Lucro Real LALUR, os arquivos contábeis digitais e disponibilizar os livros contábeis (Diário/Razão) para conferência, a recorrente teve inúmeros pedidos de prorrogação de prazo para apresentar os ditos documentos, somente vindo a entregar parte deles (CDRom contendo arquivos digitais dos lançamentos contábeis do ano de 2005) em 12/08/2009. Na oportunidade não apresentou nenhum arquivo de 2006 nem os livros contábeis que teriam sido levados a registro na Junta Comercial. Naquele momento, a empresa mais uma vez pediu prorrogação de prazo para a apresentação dos elementos faltantes, que foi outra vez concedido pela autoridade fiscal,tendo este prazo se esgotado sem que a interessada se desincumbisse de sua obrigação. Ocorre, ainda, que examinando os arquivos contábeis entregues a autoridade lançadora detectou diversas inconsistências nos lançamentos contábeis e lavrou termo de constatação, intimando a interessada a prestar os esclarecimentos necessários. Em sua resposta (fls. 325/329), apresentada por meio dos procuradores que a representavam durante o procedimento, a interessada revelou que não possuía escrituração regular no início da fiscalização e que as inconsistências e lacunas encontradas na contabilidade apresentada se deviam ao fato de que a mesma teve de ser elaborada para atender à fiscalização e como se referiam a fatos ocorridos há bastante tempo seria impossível recompôlos com maior riqueza de detalhes. A mera transcrição dos excertos extraídos da Fl. 13115DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.116 12 resposta pela autoridade fiscal no seu TVF (fls. 7391), já é suficiente para demonstrar a ausência de confiabilidade da escrita apresentada, verbis: [...] Após análise dos arquivos digitais apresentados, foram detectadas diversas. inconsistências nos lançamentos contábeis, com fortes indícios de que a contabilidade apresentada não refletia fidedignamente as operações realizadas pela empresa. Sendo assim, essa fiscalização entendeu por bem notificar o contribuinte de esclarecimentos necessários acerca da contabilidade apresentada, antes de receber quaisquer documentos contábeis adicionais. Dessa forma, o contribuinte foi notificado do Termo de Constatação Fiscal (fls. 320 a 323), com ciência via AR dos Correios em 27/08/2009 (fls. 324). Ofício apresentado pela própria fiscalizada, em atendimento ao Termo de Constatação Fiscal, confirmou que a empresa não mantinha escrituração contábil à época do início da fiscalização, e que teve dificuldades em remontar as operações realizadas no período: "Ainda merece ser esclarecido que a disposição adotada para o plano de contas, balancetes, e lançamentos contábeis sob análise foi a que se apresentou possível de ser executada por esta consultoria, visto que, como é sabido desta fiscalização, a contabilidade de data tão remota está sendo completamente refeita agora, por ser ao tempo do recebimento do TIAF, inexistente. ... de modo que não foi possível adotar critério mais acurado ou com maior riqueza de detalhes, tanto pelo incontável volume de documentação x tempo x mãodeobra, tanto pelo absoluto desconhecimento das atividades e rotinas contábeis desempenhadas no lapso temporal em comento. ... Por todas as situações fáticas já ressaltadas nas respostas anteriores, merece destaque o fato de que a contabilidade era inexistente, tanto mais impossível seria em tão breve lapso de tempo parametrizar contas banco, movimentação bancária diária e os documentos contábeis apresentados. Diante dessa proposição, os lançamentos referidos por esta notificação no item "E" não representam nem parcialmente nem a totalidade da movimentação bancária realizada no período, mas tão somente, conduta de conciliação de saldo bancário, nos termos esclarecidos" (ofício recebido, fls. 325 a 329) [...] Ante tal resposta e sequer tendo sido apresentados o LALUR e os livros contábeis devidamente registrados e, ainda, nenhum registro contábil relativo ao ano de 2006, mesmo depois das inúmeras prorrogações de prazo, a autoridade fiscal decidiu encerrar o procedimento com a apuração do lucro, mediante o arbitramento dos lucros obtidos em 2005 e 2006. Não encontrei nos autos nenhum registro de que a autoridade fiscal teria se recusado a receber a escrituração do ano de 2006, como alega a recorrente. Ao contrário. Na sua resposta apresentada em 12/08/2009 (fls. 309), a interessada requereu, uma vez mais, a dilação de prazo para a entrega dos documentos contábeis para o ano de 2006, tendo sido concedido prazo pela fiscalização até 01/09/2009. Fl. 13116DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.117 13 De fato, a autoridade fiscal não comunicou previamente à interessada que iria encerrar o procedimento fiscal mediante o arbitramento de lucros, porém também é certo que a interessada não apresentou os livros contábeis registrados, nem a escrituração do ano de 2006 até a data da lavratura dos autos de infração (22/12/2009). Predomina na doutrina e na jurisprudência deste órgão julgador o entendimento de que o princípio do contraditório e da ampla defesa tem sua observância obrigatória somente após instaurado o litígio, sendo sua aplicação bastante relativizada na fase inquisitória. Não obstante, considerando que não existe arbitramento de lucros condicional, a jurisprudência administrativa, inclusive invocada pela recorrente, se firmou no sentido de que deve ser oportunizado prazo razoável para que o contribuinte apresente ou mesmo regularize sua escrita contábil e fiscal de modo a permitir a apuração do lucro de acordo com a opção manifestada nas declarações de rendimentos. No caso concreto o contribuinte teve mais de um ano para recompor (na verdade, elaborar) sua escrituração contábil, que já deveria estar disponível no início do procedimento fiscal, e apresentála ao Fisco. Se após mais de um ano em que lhe foram dadas sucessivas prorrogações de prazo para sua apresentação, a interessada não o fez ou o fez com deficiências que as tornaram imprestáveis para a apuração do lucro real, não há como acolher a alegação de que teve seu direito de defesa obstaculizado. No que concerne ao exame da imprestabilidade da escrituração apresentada (do ano de 2005), tratase de matéria de mérito a ser apreciada mais adiante. Ante ao exposto, voto por rejeitar a segunda preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. Mérito A recorrente alega que as receitas tidas como omitidas pela fiscalização, apuradas com base na sua movimentação financeiras, são decorrentes da atividade comercial e estão devidamente reconhecidas e escrituradas de forma direta na contabilidade apresentada e o fato dos lançamentos terem sido feitos de forma sintética constituiria mera irregularidade formal, passível de retificação e desdobramento contábil em livros auxiliares. Afirma que os depósitos e entradas de cartão de crédito não podem ser taxados como omissão de receitas por se constituírem nas próprias receitas declaradas e tributadas pelos fiscos estadual e federal. Sustenta que o arbitramento realizado "acabou por tributar pela segunda vez a mesma grandeza econômica, e que constitui conduta vedada no nosso ordenamento jurídico". Examinando estas primeiras alegações da recorrente entendo que não é possível lhes dar guarida ante ao conjunto de fatos e elementos trazidos aos autos. Os registros contábeis apresentados à fiscalização no curso do procedimento fiscal (relativo ao ano de 2005), não peca apenas por aspectos formais, decorrente de lançamento feitos de forma agrupada, que seriam passíveis de detalhamento em livros auxiliares, como alega a recorrente. Além desse aspecto, ressaltado pelo Fisco, cuja ausência dos livros auxiliares impedem a correta identificação, autenticidade e idoneidade dos registros contábeis em cotejo Fl. 13117DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.118 14 com os documentos que lhes dariam suporte, a fiscalização apontou que eram praticamente ínfimos os registros acerca da sua movimentação financeira, composta de diversas contas bancárias, e da ausência de saldo na conta de estoques no início de 2005. Em sua resposta ao Termo de Constatação lavrado pela autoridade fiscal apontando as inconsistências dos registros contábeis, a própria interessada reconheceu a inexistência de registros de controle de estoques e que a movimentação financeira em contas bancárias registradas não refletiam "nem parcialmente nem a totalidade da movimentação bancária realizada no período, mas tão somente, conduta de conciliação de saldo bancário, nos termos esclarecidos" . Ora, a ausência desses registros da movimentação financeira na escrituração contábil, bem como a inexistência de controle de estoques, torna tal contabilidade imprestável para a determinação do lucro real. Assim, não são apenas aspectos formais que foram questionados pela autoridade fiscal. Também não se acolhe a alegação de que o arbitramento realizado acabou por tributar pela segunda vez a mesma grandeza econômica, pois ante a ausência de credibilidade da escrituração contábil apresentada, a fiscalização efetuou a apuração da receita (conhecida) apenas com base na movimentação financeira e recebimentos de cartão de crédito, que no dizer da própria recorrente referemse aos recursos recebidos em decorrência de sua atividade comercial. Não se utilizou como base tributável as receitas mercantis registradas na escrituração apresentada, de modo que não há que se falar em bis in idem. Com relação ao anocalendário de 2006 a recorrente não apresentou os registro contábeis no curso do procedimento fiscal. Em sede de impugnação trouxe aos autos cópias do Livro Diário (fls. 10605/13018), que padecem dos mesmos vícios dos registros contábeis de 2005. Assim, entendo que procedeu corretamente a autoridade fiscal ao apurar os tributos devidos com base no arbitramento do lucro, nos termos do art. 530 do RIR/99. Outro ponto contestado pela recorrente referese à base de cálculo adotada pela autoridade fiscal que padeceria de vício insanável ao eleger os depósitos bancários e os recebimentos de cartão de crédito como as grandezas passíveis de tributação, deixando de lado as operações de venda de mercadorias que segundo ela estaria registradas integral e fidedignamente nos livros próprios. Alega também que "as planilhas de fls. 7.404 e 7.405 que apuram o resultado obtido pela fiscalização e declarado como Receita Bruta estão eivadas de vícios materiais insanáveis, quais sejam: a) aritmeticamente o valor apresentado não decorre dos valores localizados nos extratos bancários; e b) os valores considerados de forma absoluta como receita representada pelas operações com cartões de crédito/débito e bancárias, na verdade jamais se constituíram fato gerador da obrigação tributária e o agente fiscal não tem poder de convertêlos ao arrepio da lei em fato gerador". Sustenta que "a intenção da Autoridade Fiscal de converter depósitos bancários e pagamentos de cartões de cartões de crédito/débito em fato gerador não podem prosperar por violar o princípio da Regra Matriz de Incidência Tributária, esculpido pelo artigo 114 do CTN". Fl. 13118DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.119 15 Conforme já observado, a escrituração contábil (digital) apresentada pela recorrente padecia de vícios quer a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira e determinar o lucro real. Assim, estando de posse dos extratos bancários e das informações obtidas junto às operadoras de cartão de crédito/débito, a autoridade fiscal elegeu como base segura para o lançamento os valores apurados com base em tais elementos. Deste modo, tratou as operações de cartões de créditos/débito, efetivamente creditadas em favor da interessada, como recebimentos de vendas realizadas (Receita de Vendas apuração direta). Com relação à movimentação financeira junto às instituições bancárias, a autoridade fiscal excluiu os créditos decorrentes dos recebimentos das empresas de cartão de créditos/débitos, e intimou a interessada a justificar a origem dos demais créditos e depósitos. Intimada e reintimada a justificar a origem desses créditos a recorrente se manteve omissa. Não justificada a origem desses créditos, a autoridade fiscal utilizouse da presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, apurando outro montante de receitas de forma indireta. De se observar que em momento algum a interessada questiona em sua defesa que os recebimentos de cartões de crédito/débito e os créditos bancários apontados pela fiscalização decorram de suas atividades operacionais. Ao contrário, afirma textualmente em seu recurso que "os depósitos e entradas de cartões de crédito/débito não estão soltos ou injustificados como diz o agente fiscal no TVF, não podendo ser taxados como omissão de receita, por constituírem as próprias receitas declaradas e tributadas pelo Fisco Estadual e Federal". Com relação aos alegados erros aritméticos nas planilhas que apuraram as receitas com base em créditos bancários, a recorrente não fez qualquer indicação e/ou demonstração de sua ocorrência, o que torna inviável sua aferição pelo julgador. Não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização teria convertido depósitos bancários e pagamentos de cartões de cartões de crédito/débito em fato gerador, pois os fatos geradores dos tributos lançados (IRPJ/CSLL, PIS e Cofins) são o lucro e o faturamento. O Fisco apurou a base de cálculo desses tributos de forma direta (recebimentos de vendas mediante cartões de crédito/débito) e indireta (omissão de receitas com base em créditos bancários de origem não comprovada). Ora, a recorrente não nega que os recebimentos de cartões de crédito/débito decorrem de suas vendas e as receitas apuradas com base nos créditos bancários decorrem de presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e tem seu reflexo nas contribuições sociais (CSLL/PIS/Cofins), nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/1996. Os respectivos fatos geradores dos tributos lançados foram, pois, calculados em conformidade com a legislação de regência. A recorrente suscita, ainda, a necessidade de realização de perícia contábil e/ou diligências com vistas à correta apuração das bases de cálculos dos tributos. Fl. 13119DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.120 16 Por todos os motivos já exposto, entendo que não há qualquer razão para o deferimento de diligências e perícias, pois todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora e pela interessada compõem um conjunto completo e suficiente para que este colegiado possa apreciar as razões de defesa e decidir sobre a higidez ou não dos lançamentos. Assim, rejeito o pedido. Por fim, há que se apreciar as alegações da recorrente dirigidas contra a aplicação da multa de ofício qualificada. A recorrente aponta que o "agravamento" da multa qualificada teria se fundamentado nas seguintes razões: falta de entrega de DCTF e DIPJ; DIPJ entregue zerada; alta movimentação bancária; e ausência dos livros e documentos contábeis, que são contraditórias com o Termo de Verificação Fiscal. Observa que o Termo de Verificação Fiscal faz referência a diversas intimações e respostas da empresa impugnante, e que não há no TVF qualquer menção à negativa da contribuinte em apresentar qualquer documento e que, contrário, todas as intimações foram atendidas e quando não puderam ser, pedidos formais de prorrogação de prazo foram apresentados. Alega que, assim, não há que se falar no agravamento da multa pelo não atendimento às intimações fiscais, quando os próprios agentes confirmam que a documentação foi apresentada e, ainda, que a multa agravada de 150% constituise em verdadeiro confisco, não permitido pela Constituição. Antes de enfrentar as demais alegações da recorrente, impõese afastar desde logo a apreciação da alegação de confisco que configuraria a inconstitucionalidade da aplicação da multa de 150%. Como é cediço, é vedado a este colegiado afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do art. 62 do Anexo II do Ricarf, ressalvadas as hipóteses ali previstas2. 2 Portaria MF. 343/2015 Anexo II (RICARF) : Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1° O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1973. Fl. 13120DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.121 17 Tal apreciação também é vedada aos conselheiros do CARF pela Súmula CARF nº 2. 3 Com relação aos demais argumentos, verificase que as alegações apresentadas pela recorrente seriam adequadas se a imputação feita no lançamento correspondessem ao agravamento da multa por falta de atendimento às intimações da fiscalização, previsto no art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/1996. Ocorre que o lançamento da multa de ofício foi feito com a aplicação do percentual duplicado, nos termos do § 1º da Lei nº 9.430/1996, em face da constatação das hipóteses previstas nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 (TVF fls. 7408). 4 Assim, não há como se apreciar as alegações trazidas pela recorrente, porquanto não aplicada a multa agravada. Pelo exposto, rejeito as alegações da recorrente e voto pela manutenção da multa no percentual aplicado. Lançamentos reflexos Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento das contribuição sociais (CSLL, PIS e Cofins) as conclusões relativas ao IRPJ. Assim, voto por negar provimento ao recurso também em relação à CSLL, PIS e Cofins. 3 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Fl. 13121DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10166.721458/200911 Acórdão n.º 1302001.886 S1C3T2 Fl. 13.122 18 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, quanto ao mérito, de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 13122DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA
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Numero do processo: 13982.721049/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2001
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS.
A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação da empresa implica o arbitramento do lucro, notadamente quando se apura a existência de controles paralelos destinados a reduzir a base tributável.
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO.
Com relação ao período em que a Empresa optara pelo regime do lucro presumido, nos termos do disposto pelo art. 24, caput, da Lei n. 9.249/95, nos casos de apuração de omissão de receita, a tributação obedecerá o regime pelo qual optou o Sujeito Passivo.
DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO.
Quando as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2001
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Os sócios são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei.
Numero da decisão: 1201-001.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares suscitadas e em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum acompanhou o Relator, em relação à preliminar de decadência, pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2001 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação da empresa implica o arbitramento do lucro, notadamente quando se apura a existência de controles paralelos destinados a reduzir a base tributável. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Com relação ao período em que a Empresa optara pelo regime do lucro presumido, nos termos do disposto pelo art. 24, caput, da Lei n. 9.249/95, nos casos de apuração de omissão de receita, a tributação obedecerá o regime pelo qual optou o Sujeito Passivo. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. RECORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO. Quando as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os sócios são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei.
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BEBIDAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2001 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação da empresa implica o arbitramento do lucro, notadamente quando se apura a existência de controles paralelos destinados a reduzir a base tributável. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Com relação ao período em que a Empresa optara pelo regime do lucro presumido, nos termos do disposto pelo art. 24, caput, da Lei n. 9.249/95, nos casos de apuração de omissão de receita, a tributação obedecerá o regime pelo qual optou o Sujeito Passivo. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. RECORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO. Quando as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 10 49 /2 01 2- 87 Fl. 37609DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os sócios são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares suscitadas e em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum acompanhou o Relator, em relação à preliminar de decadência, pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los e Ronaldo Apelbaum. Relatório Por bem descrever os diversos fatos que ensejaram a presente autuação, reproduzo, a seguir, os principais excertos do relatório da decisão de primeira instância: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração, no tocante aos anoscalendário (ACs) 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, pelos Regimes Tributários do LUCRO ARBITRADO (ACs 2007, 2009, 2010, 2011) e do LUCRO PRESUMIDO (AC 2008), relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), fls. 3/177, Termo de Encerramento, fls. 178, Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, fls. 179/193, Termos de Sujeição Passiva Solidária, fls. 36316/36320, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados, incluindo encargos legais. Fl. 37610DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 4 3 Oportuno salientar, outrossim, que o Contribuinte optara por apresentar suas Declarações (DIPJs) pelos Regimes Tributários a seguir especificados, fls. 244/361: As infrações detectadas pela Fiscalização e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos citados Lançamentos, e com valores e datas do fato gerador discriminados às fls. 3/177, relativas aos anoscalendário de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, bem como detalhadas no Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, fls. 179/193, além de evidenciadas no Demonstrativo de Apuração das Receitas, fls. 36.222/36.224, que motivaram a lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, fls. 36.316/36.320, podem ser assim descritas: 1. OMISSÃO RECEITAS–RECEITA BRUTA MENSAL MERCADORIAS, AC 2008; 2. OMISSÃO RECEITAS–RECEITA BRUTA MENSAL MERCADORIAS, ACs 2007, 2009 A 2011; 3. OUTRAS RECEITAS CONTABILIZADAS NÃO DECLARADAS, AC 2008; 4. OUTRAS RECEITAS CONTABILIZADAS NÃO DECLARADAS, ACs 2007, 2009 A 2011; 5. OUTRAS RECEITAS VALORES CONTABILIZADOS, ACs 2007, 2009 A 2011. Os procedimentos que levaram às autuações foram assim apresentados pela autoridade lançadora: Em 06/03/2012, teve início o Procedimento Fiscal com o desiderato de verificar o regular cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ do período de 01/2007 a 12/2011, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF 09.2.03.00.2012.001027 e Termo de Início de Ação Fiscal, pela Pessoa Jurídica A S Bebidas Ltda., CNPJ 07.342.939/000183. As prorrogações do MPF foram cientificadas ao Contribuinte. Da mesma forma, impende salientar que o Sujeito Passivo teve sua espontaneidade excluída, consoante Termos lavrados durante o Procedimento Fiscal. Em 28/09/2012 o MPF em questão foi alterado de forma a contemplar a verificação da COFINS e do PIS do período de 01/2007 a 06/2011. Tendo em vista a digitalização do Feito, os documentos referenciados no Relato serão mencionados pela citação dos seus nomes, salientandose que todos constam em anexo ao processo. Fl. 37611DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 5 4 À vista do exposto, no exercício regular das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no curso da Ação Fiscal levada a efeito na Empresa A S Bebidas Ltda., CNPJ 07.342.939/000183, e de acordo com o disposto pelos artigos 904, 905, 910, 911 e 927 do Decreto 3.000, de 26/03/1999 (RIR/1999), constataramse as infrações a seguir descritas. QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Conforme Contrato Social anexo, o Autuado desempenha a atividade de comércio atacadista de cerveja, chopp, refrigerantes, bebidas destiladas e água mineral. A administração da Empresa é exercida pelos Sócios Sidinei Alberti e Alessandra de Mello Rodrigues, conforme cláusula 16a do referido Contrato Social. MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL Por meio do Ofício 241/GAECO/mrds/11 de 19/10/2011, o Ministério Público do Estado de Santa Catarina encaminhou cópia integral do Laudo Pericial 164425/2011 emitido pelo Instituto Geral de Perícias do Núcleo Regional de Perícias de Joinville SC, e que se refere a exame pericial de "Busca de Evidências Fraude Fiscal" realizado nos equipamentos de informática da Empresa A S Bebidas Ltda CNPJ 07.342.939/000183 apreendidos nos autos do PIC Processo Investigatório Criminal 001/2011/6° PJC, instaurado pela 6a Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó SC (os documentos citados constam do anexo LAUDO PERICIAL). Por sua vez, por meio Ofício adrede mencionado foram disponibilizadas cópias dos documentos arrecadados nos autos 049.11.0005501, 049.11.0016791 e 049.11.0017038, todos da Vara Única da Comarca de Pinhalzinho SC. Consta do anexo denominado de MEDIDA CAUTELAR cópia da Decisão exarada pelo Juiz de Direito Sólon Bitencourt Depaoli, a qual autorizou que os documentos referidos fossem franqueados para análise da Receita Federal do Brasil. De acordo com os documentos probatórios carreados pelo Ministério Público do Estado de SC, se infere, em resumo, que a Empresa A S Bebidas Ltda. comercializava mercadorias sem a emissão de notas fiscais e, sendo assim, acarretou prejuízos ao Erário Público pelo não cumprimento regular de suas obrigações tributárias perante a Fazenda Pública. LAUDO PERICIAL 164425/2011 O Laudo Pericial 164425/2011, emitido pelo Instituto Geral de Perícias do Núcleo Regional de Perícias de Joinville SC Secretaria de Estado da Segurança Pública de SC, foi realizado nos equipamentos de informática da Empresa A S Bebidas Ltda. (apreendidos nos estabelecimentos dessa Empresa em Chapecó e Videira) e respondeu os quesitos indicados às fls. 180/182, apresentando as informações solicitadas. Fl. 37612DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 6 5 CONCLUSÕES DA FISCALIZAÇÃO A partir das informações do Relato, fls. 180/182, e por meio de uma rápida digressão, percebeuse que, por meio de software fornecido pela Empresa CTA Sistemas, a Empresa A S Bebidas Ltda possuía dois controles sobre suas vendas. No primeiro estão as vendas com notas fiscais. Estas representam as vendas regulares, sendo que tais valores guardam relação com o montante de receitas declaradas à RFB. O segundo corresponde às vendas totais da Empresa, ou seja, vendas com a emissão de nota fiscal e vendas sem a emissão de nota fiscal. Ainda nesta senda, o Ministério Público de SC, por meio do Ofício 241/GAECO/mrds/11, encaminhou à Receita Federal do Brasil cópia do Laudo Pericial 164425/2011 do Instituto de Criminalística, acompanhado de um DVD contendo informações digitais relativos aos arquivos acima citados. Da análise dos documentos recebidos, constatouse que a Empresa AS Bebidas Ltda. lograra proveito do esquema fraudulento multicitado, visto que tal esquema, na forma que foi edificado, lhe permitia manter um controle sobre todas a suas vendas (Arquivo Gerencial). Concomitantemente, verificouse haver um controle relativo somente à parte das suas vendas declaradas ao Fisco (Arquivo Fiscal). ESCUTAS TELEFÔNICAS Constou dos autos, em síntese, cópia do Relatório de Interceptação Telefônica 08/GAECO/2011Chapecó (FINAL) do qual emergiam as seguintes informações: A Empresa AS Bebidas Ltda, Matriz e Filial com sedes em Chapecó e Videira, respectivamente, comercializava bebidas sem a necessária emissão dos documentos fiscais, mercadorias estas que eram adquiridas da Empresa INAB Indústria Nacional de Bebidas Ltda Cervejas Colônia ao desamparo de documentos fiscais. Por ocasião das vendas das mercadorias adquiridas irregularmente, a Empresa AS Bebidas Ltda, Matriz e Filial com sedes em Chapecó e Videira, respectivamente, emitia documentos "extrafiscais" denominados de "ORÇAMENTOS CLIENTES" que acompanhavam o transporte e eram deixados nos Adquirentes (bares e mercados) para fins de controle. Tais documentos somente eram emitidos quando o sistema informatizado que gerenciava as vendas fornecido pela Empresa CTA Sistema Ltda. recebia informação codificada de “VIAGEM 81”, significando que se tratava de uma venda sem documento fiscal. TERMOS DE DEPOIMENTOS CONSTANTES DO PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO CRIMINAL MP DE SC Fl. 37613DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 7 6 Ademais, constam dos autos cópias dos Termos de "Depoimento/Declarações/Interrogatório e Vida Pregressa", donde emerge a descrição do modus operandi da Empresa AS Bebidas Ltda., depoimentos esses de Pessoas encarregadas de criar e controlar os sistema informatizados da Empresa AS Bebidas Ltda., fls. 183/185, daí advindo a relevância de tais Depoimentos. PROCEDIMENTO FISCAL A partir dos Arquivos carreados pelo Ministério Público do Estado de SC, em especial aqueles exarados por obra do Laudo Pericial, extraíramse as conclusões que permearam o Procedimento Fiscal, fls. 185/189. A Empresa AS Bebidas Ltda. possuía sistema informatizado que lhe permitia o controle de vendas cujas receitas eram mantidas à margem de sua escrita regular. No arquivo denominado de FISCAL, verificouse constarem as receitas de vendas ancoradas em documento fiscal idôneo (emissão de nota fiscal), e que representavam aquelas declaradas ao Fisco. (...) Inferese que os valores constantes desses Arquivos a título de vendas totais diferem daqueles valores contabilizados pelo Sujeito Passivo, conforme anexo RAZÃO (Demonstrativo dos totais de receitas contabilizadas). Na planilha denominada de DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS RECEITAS – AS BEBIDAS LTDA., de lavra das Autoridades Fiscais, ficou demonstrada a discrepância entre a receita de vendas de mercadorias contabilizadas pelo Sujeito Passivo e aquela constante das vendas totais da Empresa, conforme apontado no Laudo Pericial. Sendo assim, escancarada a divergência entre as receitas contabilizadas/declaradas e as receitas constantes do Arquivo carreado pelo Laudo Pericial, o Sujeito Passivo foi intimado por meio do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL 02. Por meio do mesmo Termo o Sujeito Passivo foi instado a comprovar o custo das mercadorias vendidas relativas às vendas mencionadas no ARQUIVO GERENCIAL MENSAL LAUDO PERICIAL CHAPECÓ/VIDEIRA e que constavam dos Arquivos relativos às Unidades da AS Bebidas em Chapecó e Videira (constantes dos CDs encaminhados ao Sujeito Passivo). Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 02 o Sujeito Passivo asseverou que "não reconhece as operações relacionadas nos Arquivos digitais, sendo que todas suas operações estão devidamente registradas nos documentos contábeis da Empresa (..). Fl. 37614DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 8 7 Considerando a resposta do Sujeito Passivo, foram adotadas as seguintes providências por parte das Autoridades Fiscais: ARBITRAMENTO RESULTADO ANOSCALENDÁRIO 2007/2009/2010/2011 Relativamente aos anoscalendário 2007, 2009, 2010 e 2011, o Sujeito Passivo fora optante pela apuração do IRPJ/CSLL pelas regras do lucro real anual, conforme DIPJ. Às Pessoas Jurídicas que apuram seu resultado por meio do lucro real, a legislação tributária impõe requisitos, quais sejam, a de manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, fls. 186. De tal requisito emerge que a legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Não há de se considerar idônea a existência de duas escriturações por parte do Sujeito Passivo, quais sejam a escrituração denominada FISCAL, que se refere aos valores contabilizados e para os quais foi emitido documento fiscal idôneo, e a denominada GERENCIAL, na qual estão todas as vendas efetuadas pelo Autuado, e que por dedução da segunda em relação à primeira, dá conta da existência de valores relativos a receitas de vendas não oferecidas a tributação. Por sua vez, entendese que os valores correspondentes ao custo de aquisição de mercadorias e que guardam relação direta com a apuração da omissão de receitas (detectada pela falta de escrituração das vendas) podem ser levados em consideração na determinação da base tributável, haja vista que ao fim derivam, no período em questão, de operação vinculada àquela que está sendo tributada pelo Fisco. Da mesma forma, entendese que cabe ao Contribuinte, como artífice único do ilícito, construir a prova (comprovação dos custos) em seu favor. Sendo assim, por meio do Termo de Intimação Fiscal 02, o Sujeito Passivo foi instado a comprovar o custo das mercadorias vendidas relativas às vendas mencionadas no ARQUIVO GERENCIAL MENSAL LAUDO PERICIAL e que constam dos Arquivos relativos às Unidades da A S Bebidas em Chapecó e Videira, constantes dos CDs encaminhados ao Sujeito Passivo. Quanto a essa indagação, em sua resposta o Contribuinte nada comprovou. A existência de receitas de vendas de mercadorias mantidas à margem do conhecimento do Fisco bem como a inércia do Sujeito Passivo em comprovar o custo relativo a essas mercadorias justificam que o resultado dos anoscalendário de 2007/2009/2010 e 2011 seja apurado de acordo com as regras do lucro arbitrado, com arrimo no Decreto 3.000/1999 (RIR/1999). Fl. 37615DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 9 8 A não escrituração dos totais de receitas denota que a contabilidade da Pessoa Jurídica não atende aos princípios consagrados pela legislação comercial e pela técnica contábil, evidenciando a não confiabilidade do lucro real apurado. Deste modo, a escrituração comercial acompanhada do documentário fiscal é o meio material de conferirse o resultado da Pessoa Jurídica, apurado com base no lucro real. Se a Empresa, ainda que intimada no curso da fiscalização, não a apresenta, cabível se torna o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida. Nesse caso, a receita bruta conhecida do Sujeito Passivo é aquela contabilizada acrescida da receita omitida. ANO CALENDÁRIO DE 2008 LUCRO PRESUMIDO Nesse anocalendário acima a Empresa AS Bebidas Ltda. apurou o IRPJ de acordo com as regras do lucro presumido, conforme DIPJ em anexo. Conforme o art. 24 da Lei 9.249/1995, fls. 187, o lucro presumido do anocalendário de 2008 foi recalculado de forma a contemplar a receita omitida pela Empresa AS Bebidas Ltda., montante este que consta da Coluna 10 Omissão Receitas Vendas de Mercadorias da planilha DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS RECEITAS – AS BEBIDAS LTDA. Ainda com relação ao anocalendário de 2008, apurouse, com as devidas provas documentais, que as receitas relativas a "receitas de bonificação", "descontos obtidos" e "vendas de bens", colunas (4), (5) e (6) da planilha DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS RECEITAS – AS BEBIDAS LTDA. não foram oferecidas à tributação e também não foram declaradas na DIPJ respectiva. LANÇAMENTO DE PIS E COFINS O Autuado, originariamente, durante os anoscalendário de 2007, 2009, 2010 e 2011 apurou o PIS e a COFINS pelo regime nãocumulativo, haja vista que nesses anoscalendário foi optante pelo lucro real. Todavia, conforme exposto, a Fiscalização apurou o resultado para os anoscalendário citados na forma do lucro arbitrado, pelo que a apuração do PIS e da COFINS passou a atender os critérios da cumulatividade. Não obstante parte expressiva das receitas do Autuado tenha gênese na venda de mercadorias (cervejas e refrigerantes) sujeitas à apuração monofásica do PIS e da COFINS, identificaramse, nos Arquivos denominados de ARQUIVOS GERENCIAL MENSAL LAUDO PERICIAL CHAPECÓ 2007/2008/2009/2010/2011 e ARQUIVOS GERENCIAL MENSAL LAUDO PERICIAL VIDEIRA 2007/2008/2009/2010/2011, receitas de vendas de mercadorias sujeitas à apuração do PIS e da COFINS, não sujeitas à alíquota zero. Fl. 37616DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 10 9 Os totais de receitas sujeitas à incidência do PIS e da COFINS compulsados nos Arquivos citados totalizaram os valores demonstrados, fls. 188. Os valores tributados pelo Sujeito Passivo, conforme DACONS, totalizaram os montantes descritos, fls. 188/189. Sendo assim, os montantes de receitas omitidas sujeitas ao PIS e à COFINS corresponderam aos valores discriminados às fls. 189. Os valores descritos foram informados nos Autos de Infração de PIS/PASEP e de COFINS, como a infração 001 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP e 001 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS. APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL Conforme salientado, analisando os lançamentos contábeis disponibilizados pelo Contribuinte, as Autoridades Fiscais constataram a existência de receitas de vendas de mercadorias não contabilizadas e que não foram oferecidas à tributação pela Empresa A S Bebidas Ltda. A omissão de receitas foi amiudada na planilha DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS RECEITAS – AS BEBIDAS LTDA. (coluna 10) e teve gênese nos Arquivos diretório / Videira / Quesito04 / VendasTotais e no diretório / Chapecó / Quesito04 / VendasTotais encaminhado pelo Laudo Pericial. As informações da planilha DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS RECEITAS – AS BEBIDAS LTDA foram informadas no Auto de Infração de IRPJ da seguinte forma: a) Omissão de Receitas de Vendas de Mercadorias (coluna 10) Informada como a infração 003 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS OMISSÃO DE RECEITAS. Anoscalendário de 2007/2009/2010 e até 06/2011 (Lucro Arbitrado). b) Venda de Mercadorias (coluna 3) – Referemse às receitas contabilizadas pelo Sujeito Passivo. Informada como a infração 004 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS RECEITAS CONTABILIZADAS. Anoscalendário de 2007/2009/2010 e até 12/2011 (Lucro Arbitrado). c) Demais receitas do anocalendário de 2008 (Soma das colunas 4, 5 e 6). Referemse às demais receitas (bonificações, descontos obtidos e vendas de bens) contabilizadas pelo Sujeito Passivo, porém não declaradas. Informada como a infração 002 DEMAIS RECEITAS E RESULTADOS OUTRAS RECEITAS Fl. 37617DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 11 10 CONTABILIZADAS E NÃO DECLARADAS. Anocalendário de 2008 (Lucro Presumido). d) Omissão de Receitas de Vendas de Mercadorias (coluna 10) Informada como a infração 001 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS OMISSÃO DE RECEITAS. Anocalendário de 2008 (Lucro Presumido). e) Demais receitas do anocalendário de 2007/2009/2010/2011 (Soma das colunas 4, 5 e 6). Referemse às demais receitas (bonificações, descontos obtidos e vendas de bens) contabilizadas pelo Sujeito Passivo. Informada como a infração 005 DEMAIS RECEITAS E RESULTADOS OUTRAS RECEITAS VALORES CONTABILIZADOS (Lucro Arbitrado). Do Demonstrativo de Apuração constante do Auto de Infração constaram os valores recolhidos (e declarados em DCTF) pelo Sujeito Passivo na forma de apuração originariamente por ele utilizada (real e presumido), e que foram deduzidos após se apurarem tais dados. MULTA 150% Com relação às infrações que dizem respeito às receitas de vendas de mercadorias omitidas (constantes dos Arquivos encaminhados pelo Laudo Pericial) pela Empresa AS Bebidas Ltda., a multa de oficio imputada foi a de 150 % pelas razões a seguir aduzidas: A juízo das Autoridades Fiscais, o Autuado adotou conduta que teve por desiderato impedir o conhecimento por parte da Administração Tributária do total das Exações devidas pela mesma durante os anoscalendário de 2007 a 2011. Durante o período fiscalizado (anoscalendário 2007 a 2011), a Empresa fiscalizada praticou de forma reiterada ato que modificou a característica essencial do fato gerador de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, de modo a reduzir o montante devido, ao omitir de sua escrituração contábil e fiscal vendas de mercadorias. A constatação dos fatos ocorreu a partir da análise de documentos apreendidos na sede da Empresa AS Bebidas Ltda., o que foi amiudado por ocasião deste Relato. A forma reiterada (05 anos) de omitir receitas de vendas (as quais eram controladas por meio de escrituração paralela), fruto de esquema organizado para lesar os cofres públicos, caracterizou a intenção do Agente (Titular da Empresa Fiscalizada) de produzir o resultado decorrente da prática daqueles atos, caracterizado pela redução do montante dos tributos devidos. Para a correta apuração dos tributos devidos, necessário se faz a comparação das Declarações apresentadas pelo Sujeito Fl. 37618DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 12 11 Passivo, com sua escrituração contábil e fiscal. No caso da Empresa Fiscalizada tal comparação é possível, porém os dados inseridos em sua escrituração contábil no período de 2007 a 2011 são inexatos, não refletem a realidade dos fatos, logo as Declarações apresentadas padecem de veracidade. Este fato retardou o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da Autoridade Fazendária, pois antes de a Ação Fiscal ser iniciada, o conhecimento que a Fazenda Pública possuía do fato gerador era o erroneamente informado pela Empresa Fiscalizada nas DIPJs e DACONs. Não fosse a Ação da Fiscalização, os fatos geradores do Auto de Infração não teriam chegado ao conhecimento da Administração Tributária. Relativamente à infração 01, a multa de ofício considerada também foi a de 150%, visto que, não obstante tais receitas terem sido contabilizadas pelo Sujeito Passivo, não compuseram a apuração do seu resultado e tampouco foram declaradas em DIPJ. O fato de o Contribuinte apresentar DIPJs com informações falsas ou inexatas à Receita Federal do Brasil, ou de, embora estar obrigado a entregar tal Declaração, não têla feito, caracteriza a conduta prevista pelo artigo 2º da Lei 8.137/1990, fls. 191. É na omissão do Contribuinte (não escrituração de receitas) ou na prestação de informações falsas (receitas escrituradas, porém não declaradas ao Fisco) que se verifica a fraude que justifica o percentual da multa aplicada, visto que, por meio dessas condutas, o Contribuinte se esconde, esperando que o Fisco nada descubra, e assim não possa exercer o seu direito (constituir o crédito tributário) no prazo decadencial, acarretando assim prejuízos aos cofres públicos. Por todo o exposto, concluiuse que o Autuado incorreu no disposto pelos artigos 71 e 72 da Lei 4.502, de 30/11/1964, os quais definem a conduta de sonegação e fraude, fls. 191. Ao deixar de inserir na escrituração contábil e fiscal as informações relativas aos totais de suas vendas, a Empresa AS Bebidas Ltda. retardou o conhecimento por parte da Fazenda Nacional das circunstâncias materiais da obrigação tributária principal. A prática dessa inserção/utilização fez parte da rotina administrativa da Empresa Fiscalizada, o que comprovou que a intenção do Agente sempre foi de reduzir os tributos devidos. Ao incorrer na prática de sonegação e fraude, o Contribuinte se sujeitou à multa prevista pelo §1º do artigo 44 da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 11.488/2007, fls. 191/192. Desta maneira, frente às ações/omissões do Autuado, as Autoridades Fiscais fixaram a multa de ofício em 150% no que se refere às infrações citadas. MULTA 75% Fl. 37619DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 13 12 Com referência às infrações 04 e 05, a multa de ofício considerada foi a de 75%, visto que tais valores estavam contabilizados e haviam sido declarados à RFB por meio da DIPJ e da DACON. Tais valores somente constam do Auto de Infração por conta da alteração (pela Fiscalização) do regime de apuração de lucro real para lucro arbitrado. PRAZO DECADENCIAL Tendo sido apurado que o Contribuinte não declarara à RFB os resultados tributáveis por ele obtidos, e ficando configurado o evidente intuito de fraude, afastouse a aplicação do disposto pelo § 4o do art. 150 do CTN (homologação tácita) e se levou a contagem do prazo decadencial para efetivação do Lançamento de Ofício para o disposto pelo inciso I do art. 173 do mesmo CTN. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Com relação aos fatos mencionados no Termo descrito, formalizouse a Representação Fiscal para Fins Penais nos Autos do Processo Administrativo Fiscal Digital 13982.721050/201210. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A par da fundamentação legal mencionada no Relato do Termo descrito, a base legal da Autuação demonstrada constou do quadro ENQUADRAMENTO LEGAL dos Autos de Infração lançados. ARROLAMENTO DE BENS O processo de arrolamento de bens foi formalizado nos Autos do Processo Administrativo Fiscal Digital 13982.721053/201245 (Empresa), 13982.721052/201209 (Sra. Alessandra), 13982.721051/201256 (Sr. Sidinei). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Entendeuse que os Administradores da Empresa AS Bebidas Ltda. e que, conforme o Contrato Social constante dos autos, são os Senhores SIDNEI ALBERTI e ALESSANDRA DE MELLO RODRIGUES, devem ser considerados Sujeitos Passivos Solidários da Autuação descrita, haja vista que, a juízo das Autoridades Fiscais, ficou caracterizado o disposto pelo inciso III do artigo 135 do CTN, fls. 192/193. É de se ressaltar que os Senhores SIDNEI ALBERTI e ALESSANDRA DE MELLO RODRIGUES, enquanto Administradores da Empresa A S Bebidas Ltda., estavam em posição de influir para a não ocorrência das infrações. No sentido da natureza solidária da obrigação, foi trazida à colação Jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, fls. 193. Fl. 37620DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 14 13 DISPOSIÇÕES FINAIS O descrito TERMO DE VERIFICAÇÃO E DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL fez parte integrante dos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS constantes dos autos. Na mesma data do Termo descrito, também foram entregues ao Sujeito Passivo cópias dos seguintes documentos: Autos de Infração, DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS RECEITAS A S BEBIDAS LTDA., TERMO DE VERIFICAÇÃO E DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL, e foram devolvidos ao Sujeito Passivo os Livros de Apuração do Lucro Real – LALUR dos anoscalendário de 2007, 2009, 2010 e 2011. E, para surtir os efeitos legais, lavrouse o Termo descrito, em três vias de igual teor e forma, assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e pelo Representante/Preposto do Sujeito Passivo. Quanto ao teor das impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos, assim relatou a decisão recorrida: Como se pode extrair dos autos do Processo Tributário Administrativo, o Agente Fiscal utilizou, como suporte probatório para a capitulação da infração, exclusivamente documentos originários dos autos 049.11.0005501, 049.11.0016791 e 049.11.0017038, todos da Vara Única da Comarca de Pinhalzinho/SC. A prova produzida teria sido realizada sem ser oportunizado o exercício do contraditório e ampla defesa pelos próprios Réus, violando garantias constitucionais fundamentais para a validade do processo que importou na constituição do crédito. Desta forma, o Contribuinte impugna e contesta a sanção imposta, posto que imputada prática de infração tributária material, sem a devida comprovação documental do ocorrido. Nulidade Lançamento Tributário Violação Súmula Vinculante 24 STF. A Súmula Vinculante 24 do STF, nos termos do art. 103A da CF, impõe a todos os Órgãos do Poder Judiciário, bem como à Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, a impossibilidade de tipificação de crime material contra a ordem tributária antes do lançamento definitivo do débito. Esta posição acolhida pela Corte Suprema do País impossibilita que qualquer procedimento criminal, principal ou investigativo, relacionado a ilícitos tributários, seja promovido sem a efetiva constituição de crédito por parte do competente procedimento administrativo fiscal finalizado, quando se vislumbra a constituição definitiva do débito. No caso dos autos, a Autuação Fiscal originouse de ato de cumprimento a procedimento penal preparatório onde se autorizou judicialmente a quebra do sigilo telefônico e busca e Fl. 37621DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 15 14 apreensão de bens de Empresas, inclusive da AS Bebidas Ltda., sob fundamento de alegado ilícito tributário. A investigação criminal instaurada contra as Empresas tinha como fato preponderante a suspeita de possíveis ilícitos tributários, os quais poderiam ser comprovados com a atuação presente dos AuditoresFiscais junto à Pessoa Jurídica suspeita, e não através de procedimento investigatório sem qualquer justa causa, sob pena de desrespeito à Súmula Vinculante 24. Sabese, igualmente, que a Fazenda Estadual tem competência e liberdade para fiscalizar as Empresas que realizem atividades sujeitas à incidência tributária de competência estadual, inclusive acerca do cumprimento ou não de obrigações tributárias. Assim, toda a prova colhida no procedimento penal instaurado está maculada por vício insanável, devendo ser imediatamente inutilizado todo o material colhido e utilizado como fundamento do Lançamento do crédito, pelo que se destaca Decisão Judicial, fls. 36.480/36.481. Não fosse tamanha ilegalidade na instauração de Procedimento Investigatório sem a devida constituição do crédito em desfavor do Investigado, o Fisco utilizouse de tais informações para efetuar o Lançamento combatido. A ilegalidade da determinação de quebra desse sigilo e também da busca e apreensão, bem como o descumprimento da Súmula Vinculante 24, que desencadearam a Autuação, contaminam o Ato, tornandoo nulo de pleno direito, verificado o que afirmou o Superior Tribunal de Justiça na esteira desse entendimento, fls. 36481/36482. Ademais, a quebra de sigilo telefônico e a busca e apreensão são fatos diretamente ligados à prática de crimes, atos estes desnecessários à Fazenda Estadual, já que cabe a esta intimar o Contribuinte para apresentar, em determinado prazo a ser assinalado, os documentos que o Fisco entende necessários à apuração do cumprimento da legislação tributária. Importante colocar, outrossim, que o Código de Proteção ao Contribuinte (Lei Complementar 313/2005) estabelece, em seu artigo 43, que: "a comunicação pela Administração Tributária ao Ministério Público, contra o Contribuinte, pela eventual prática de crime contra a ordem tributária, só poderá ser apresentada após o encerramento do processo administrativo que confirme o crédito tributário". Tal dispositivo vai ao encontro do que determinou o STF na proposta de Súmula Vinculante 24, assim como já vinham decidindo ambas as Cortes Superiores, quando ficou claro que qualquer ato relacionado à persecução criminal, mesmo os preparatórios, que tenham ligação direta com o inadimplemento de tributos, só podem ser realizados após esgotado o Fl. 37622DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 16 15 procedimento administrativo que apurou e constituiu o referido crédito. Portanto, o procedimento tributário a partir de Ato Judicial ilegal será também nulo de pleno direito, pelo princípio da contaminação dos atos realizados em decorrência de ato declarado nulo, assim como o é a Notificação Fiscal que a ele seguiu. DECADÊNCIA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 2007 Tratandose de tributo por homologação, para que o Fisco analise o Lançamento e apure divergências, o prazo decadencial se extingue em cinco anos da ocorrência do fato gerador, na esteira do que dispõe o §4° do art. 150 do CTN, fls. 36.483. O fato gerador do tributo ocorre com o auferimento da receita, como dispõe o art. 2o do Decreto 4.524/2002. Como se verifica do processo administrativo, a Exigência Fiscal e o Auto de Infração foram cientificados ao Contribuinte somente no final do mês de outubro de 2012. Por lei, e para a efetivação da segurança jurídica garantida pela Constituição, todos os Lançamentos efetuados antes do prazo de cinco anos da Exigência Fiscal restaram definitivamente homologados na forma como realizados pela Contribuinte, operandose a decadência, no presente caso, a todos os fatos geradores e Declarações até o mês de setembro de 2007, sendo pacífica nesse sentido a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, o que é corroborado com a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, fls. 36.484/36.485. Acrescentase que o próprio Termo de Verificação confirmou que no ano de 2007 houve a efetiva declaração dos créditos tributários exigidos, com o recolhimento dos valores devidos. Portanto, mesmo que haja a constituição complementar dos créditos por meio do Lançamento de oficio, devem estes créditos respeitar o disposto no art. 150, §4°, do CTN. Assim, há de se reconhecer a decadência quanto aos créditos cujo fato gerador foi constituído até setembro de 2007. Operouse a decadência, também, quanto à aplicação das penalidades e multas impostas aos créditos anteriores a setembro de 2007, visto que, para que seja subsistente a sanção, necessária a constituição de crédito, o que não pode ser perfectibilizada sobre estes períodos, pela extinção do crédito resultante da configuração da decadência. Desta forma, atingido o crédito pela decadência, deve este ser extinto, bem como afastada a aplicação da multa pelo seu Lançamento de Oficio. Fl. 37623DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 17 16 UTILIZAÇÃO DE PROVAS ACOSTADAS POR MEIO DE COMPARTILHAMENTO. PRODUÇÃO DE PROVA REALIZADA EM ARREPIO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL Extraiuse da análise dos documentos juntados ao processo administrativo tributário que o Auto de Infração impugnado teria se apoiado unicamente em declarações prestadas em fase de procedimento investigatório promovido pelo Ministério Público Catarinense. Grande parte das Declarações acostadas foram colhidas na presença tão somente do Representante do Parquet e de Auditor da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina, em nenhum deles foi possibilitado o exercício do contraditório por parte do Contribuinte principal, tampouco com a participação do Contribuinte Solidário. Todavia, apesar de não ter sido possibilitado o exercício do contraditório que abarca o devido processo legal, essencial para validade do processo judicial e administrativo, o Ente Fiscal teria utilizado tais provas para imputação de suposta infração tributária ao Contribuinte, o que atentaria contra a legalidade processual. Toda a prova colhida no procedimento investigatório que foi compartilhado com este Ente Fiscal teria se resumido a declarações prestadas, sem qualquer prova documental que sustentasse as afirmações obtidas, em total desrespeito ao devido processo legal. (...) Assim, não sendo possível a utilização dos documentos compartilhados, por ausência de contraditório, e não colhido pelo Agente Fiscal qualquer outro meio de prova capaz de sustentar o Auto de Infração impugnado, a rejeição da Notificação é medida que se impõe. UTILIZAÇÃO DE PRESUNÇÃO. ILEGALIDADE. ÔNUS DA PROVA QUE COMPETE À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE PROVA. A Autoridade Fiscal valeuse da presunção para a constituição do crédito tributário objeto da Notificação Fiscal. Vale repetir: "A partir dos arquivos carreados pelo Ministério Público do Estado de SC, em especial aqueles exarados por obra do Laudo Pericial, extraemse as seguintes conclusões que permearam o presente procedimento fiscal". A utilização de presunções no Direito Tributário deve ser realizada com parcimônia, pois a utilização de premissas fáticas não comprovadas através de prova robusta normalmente culminam em erro. Fl. 37624DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 18 17 Todavia, o Auto de Infração teria sido embasado tão somente em prova testemunhal, sem qualquer prova material que tivesse o condão embasar tais depoimentos. O Auto de Infração narrou suposta venda de mercadoria sem a devida emissão de nota fiscal e sem escrituração nos documentos fiscais, razão pela qual foi promovido Lançamento de Ofício, aplicandose multa de 150% por configuração de fraude, nos seguintes termos: (...) É leviano o lançamento de tributo embasado em suposta fraude relatada em depoimentos sem a devida comprovação material do fato. Vale frisar, que o Fisco se limitou a lançar todas as supostas vendas de mercadorias informadas pelo Ministério Público do Estado de Santa Catarina, sem efetivar o efetivo cotejo entre a relação de vendas de mercadorias e as escriturações fiscais apresentadas. Agindo assim, o Agente Fiscal utilizou o método presuntivo de que todas as movimentações apresentadas como não acompanhadas de documento fiscal foram efetivadas. Ocorre que essa presunção pode ser facilmente refutada, porquanto agindo da mesma forma o Fisco Estadual notificou diversas Empresas, sendo que em sua grande maioria foram anuladas as Notificações, porquanto existiam as notas fiscais e escriturações. (...) O Contribuinte/Impugnante agiu sempre dentro dos limites da lei, jamais sonegando um único centavo em impostos, não tendo praticado nenhuma irregularidade. Todas as operações realizadas foram lícitas, com o cumprimento de todas as obrigações fiscais. Assim, requereu o Contribuinte a aplicação da lei, declarando a legitimidade dos atos praticados por falta de comprovação individualizada e específica a respeito de cada uma das operações de venda e entrega de mercadorias realizadas e que serviram de base de cálculo para a imposição da multa objeto da Notificação Fiscal. Não fosse isso, importante consignar que, além de o Agente Fiscal indevidamente utilizar os documentos compartilhados para apuração do crédito tributário, o Fisco utilizou as conclusões tiradas do Ministério Público Estadual para formar seu convencimento quanto à suposta ocorrência de fraude e sonegação. Ou seja, não teria sido feita a correta apuração dos fatos por parte do Ente Fiscal capaz de deixar indene de qualquer dúvida a conclusão tirada pela Fiscalização. (...) Fl. 37625DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 19 18 Relatou a Autuação Fiscal, corroborada pelos documentos apresentados, que durante todo o período objeto da Autuação, teria havido a efetiva declaração e recolhimento do tributo declarado. Tal fato é inconteste, seja pelo próprio Agente Fazendário, quanto pela documentação compartilhada. Todavia, mesmo sendo confirmado o recolhimento dos tributos declarados, vislumbrarseia na Autuação a inexistência de qualquer desconto referente a tais valores, o que implica em grave irregularidade. Ao assim agir o Sujeito Ativo tributário está exigindo valores indevidos, porquanto já teria havido adimplemento, mesmo que parcial, dos valores cobrados pela Notificação. Essa irregularidade não se resumiria a apenas uma competência tributária, mas a todas as competências, o que implicaria em nulidade que só poderá ser sanada com o cancelamento do Auto de Infração. Não fosse a falta do desconto entre as verbas efetivamente recolhidas e os créditos complementares lançados, pela alteração no regime de tributação do Lucro Real para o Lucro Arbitrado, verificase que sobre esse crédito complementar foi aplicada multa isolada no percentual de 75%, em total dissonância ao Ordenamento Legal posto. A aplicação da multa de 75% é possibilitada pelo art. 44, I, da Lei 9.430/1996, porém limitada à diferença do imposto não recolhido. Assim, tendo havido a desconsideração do valor declarado e recolhido para a constituição do total devido, o Agente Fiscal teria aplicado de forma equivocada a multa, utilizando como base de cálculo todo o valor lançado e não a diferença de valor, como prescreve a norma legal, razão pela qual deveria ser cancelada a infração. APLICAÇÃO DE LUCRO PRESUMIDO AO ANO DE 2008. IMPOSSIBILIDADE. O Auto de Infração combatido partiu da premissa da equivocada presunção de que teria havido circulação de mercadoria sem a efetiva emissão e escrituração junto aos documentos fiscais, tendo, sob essa ótica, desconsiderado os documentos fiscais da Empresa e, ausentes tais documentos exigidos, alterouse a metodologia de apuração do Lucro da Pessoa Jurídica de Lucro Real para Lucro Arbitrado. Ocorre que tal premissa, no entender do Agente Fiscal, só seria válida para os anoscalendário 2007/2009/2010/2011, porquanto nesses anos a apuração do Lucro da Empresa se dera pela modalidade do Lucro Real, tendo sido excluído da implicação do Lucro Arbitrado o anocalendário 2008. Fl. 37626DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 20 19 Entretanto, essa distinção não pode ser aceita pelo Contribuinte, vez que, por determinação legal do art. 530, II, do Decreto 3.000/1999, se consideradas imprestáveis as escriturações fiscais que o Contribuinte estiver obrigado a manter, deve o lucro ser obtido através do Lucro Arbitrado. Não há qualquer preceito normativo que possibilite a aplicação do Lucro Presumido quando não dada confiabilidade às escriturações fiscais. Portanto, por imposição legal, inaplicável a apuração do lucro através do Lucro Presumido. Pelo que se extrai da Autuação, a suposta fraude implementada não resultaria em mera omissão de receita que possibilitasse a aplicação do art. 24 da Lei 9.249/1995. Ademais, como narrado anteriormente, o Agente Fiscal teria considerado imprestáveis os documentos fiscais do Contribuinte, não podendo, com isso, aplicar o Lucro Presumido ao ano calendário 2008, apenas sob o argumento de ser mais gravoso ao Contribuinte. Portanto, caso mantida a Autuação, mesmo que embasada em presunção infundada, porquanto ausente o devido cotejo analítico dos dados apresentados por compartilhamento e os apresentados pela Empresa quando do recolhimento dos tributos, deve ser aplicada sobre os valores de 2008 a modalidade do Lucro Arbitrado. Em 19 de julho de 2013, a terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Fortaleza julgou improcedente, por unanimidade, a pretensão dos responsáveis solidários, mantendo integralmente os lançamentos efetuados. Isso porque a decisão contida no Acórdão nº 0825.986 da 3ª Turma da DRJ/FOR não conheceu da impugnação da Pessoa Jurídica, por intempestiva, e julgou apenas as impugnações das Pessoas Físicas com sujeição passiva solidária. Inconformada com a decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Também apresentaram voluntários, nos mesmos termos da pessoa jurídica, os sócios solidários. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Posteriormente, foram protocolizadas, pelos sujeitos passivos, retificações aos Recursos Voluntários, no intuito de alterar o disposto no item 4 da peça de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Fl. 37627DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 21 20 Os recursos são tempestivos e atendem aos pressupostos legais. De plano, ressaltese que a impugnação apresentada pela Contribuinte foi considerada intempestiva na decisão de 1a instância, conforme já relatado. Apesar disso, como os recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários são praticamente idênticos ao interposto pela Contribuinte, os argumentos de defesa serão integralmente apreciados neste voto. Preliminarmente, pugna a defesa pela aplicação do princípio da legalidade tributária, com a tese de que, em nome da verdade material, devam ser aceitos os documentos juntados posteriormente à impugnação. A análise dos referidos documentos nos leva a concluir que se trata de enorme apanhado de notas fiscais, que supostamente subsidiariam e confeririam legitimidade às operações da empresa. Conquanto não vislumbre óbice em aceitálos, destaco que a mera apresentação das notas, sem qualquer planilha ou análise que justifique a sua apreciação, em nada altera o meu entendimento acerca do caso, de forma que aceito os documentos, da forma como acostados aos autos. Todavia, considero desnecessária, como requer a defesa, a conversão do julgamento em diligência, posto que entendo presentes nos autos todos os elementos necessários à análise do caso, com a consequente possibilidade de livre convicção dos julgadores, conforme prescreve o artigo 18 do Decreto n. 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Ante o exposto, rejeito o pedido de diligência formulado. Ainda em caráter preliminar, aduz a defesa que houve decadência para os períodos anteriores a setembro de 2007, visto que não foram efetuados pagamentos a título de IRPJ e CSLL porque a base de cálculo de tais exações teria sido negativa no período. Na mesma linha de raciocínio, afirma que também não houve pagamentos de PIS e COFINS no período porque apurou "excesso de créditos em relação aos débitos". Não assiste razão à defesa. A ausência de pagamento desloca o dies a quo para início da contagem do prazo decadencial, nos termos do artigo 173, I, do CTN, para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Com a publicação do Recurso Especial n. 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, que teve como relator o Ministro Luiz Fux, a matéria encontrase definida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e deve, portanto, ser seguida neste Colegiado, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 37628DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 22 21 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Fl. 37629DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 23 22 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) De se notar ainda que, no caso sob análise, houve qualificação da multa no caso de certas receitas, o que, por si só, também ensejaria, nessas hipóteses, a aplicação do artigo 173, I, do CTN. Conquanto se tenha apurado, conforme relato da decisão recorrida, pagamento apenas no caso da CSLL, ainda assim não se materializaram os efeitos da decadência, conforme bem apontado naquele acórdão: Lançamento da CSLL, anocalendário 2007: No que se refere ao Lançamento da CSLL, embora deva ser considerado efetivamente ocorrido o fato gerador à semelhança do IRPJ, ou seja, tributação pelo Lucro Real e apuração Anual, anocalendário de 2007, em 31 de dezembro deste ano, como foi verificada a ocorrência de pagamento dessa Contribuição, conforme registrado pelos Sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), de acordo com o Extrato a seguir reproduzido, tornouse aplicável a esse tópico o art. 150 do CTN – Lançamento por Homologação. Assim, no presente caso, o termo inicial para contagem do prazo decadencial da CSLL é o dia 31/12/2007, o qual encerra em 31/12/2012. Como os Autuados (Pessoas Físicas Solidárias) foram cientificados do Lançamento em 05/10/2012 e 09/10/2012, fls. 36.316/36.222, legítimo, também, o Lançamento da referida Contribuição. Assim, ante o conjunto de fatos e respectivos efeitos jurídicos, rejeito a preliminar de decadência suscitada. Quanto à nulidade do lançamento, por suposta violação à Súmula 24 do STF, sob o argumento de que teria havido ilegalidade na instauração do procedimento investigatório, entendo que descabe a pretensão da defesa. A Súmula Vinculante 24 do STF determina: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. Pareceme evidente que o comando acima dirigese ao Ministério Público, titular da ação penal prevista na Lei n. 8.137/90. Nada impede, nesse sentido, que provas colhidas e comunicadas oficialmente, pelo Ministério Público e pela Justiça Estadual de Santa Catarina, sejam utilizadas pelas autoridades da Receita Federal. Aliás, este é o exato teor do ofício encaminhado ao fisco federal. Tratase, pois, de conjunto probatório lícito, obtido por autoridades competentes e repassado, para providências, para a Receita Federal. Sua inclusão nos autos, portanto, em nada colide com o preceito esposado pelo artigo 30 da Lei n. 9.784/99: Fl. 37630DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 24 23 Art. 30. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos. Nesse sentido, afasto todos os argumentos da Recorrente acerca da invalidade das provas trazidas aos autos, assim como entendo que a Súmula Vinculante 24 não cuida de hipótese veiculada neste processo. Também descabe o argumento de que as autuações ocorreram por mera presunção, sem qualquer prova material que embasasse os depoimentos tomados pelas autoridades de Santa Catarina ou os documentos compartilhados pelo Ministério Público. Como bem destacado na decisão recorrida: Conforme amplamente mencionado e descrito nos autos, de acordo com os documentos probatórios carreados pelo Ministério Público do Estado de Santa Catarina (SC),inferiuse que a Empresa Autuada comercializava mercadorias sem a emissão de notas fiscais, havendo sido verificado que, a partir das informações detectadas em pesquisas realizadas nos equipamentos de informática da Autuada, conforme Laudo Pericial emitido pelo Instituto Geral de Perícias do Núcleo Regional de Perícias de Joinville SC Secretaria de Estado da Segurança Pública de SC, que a Empresa Autuada, por meio de software fornecido pela Empresa CTA Sistemas, possuía dois controles sobre suas vendas, caracterizandose o primeiro pelas vendas com notas fiscais ou vendas regulares, cujos valores guardavam relação com o montante de receitas declaradas à RFB, e o segundo correspondendo às vendas totais da Empresa, ou seja, vendas com a emissão de nota fiscal e vendas sem a emissão de nota fiscal. De posse de tais dados, deduziuse que a receita real do Contribuinte constituiuse da receita contabilizada acrescida da receita omitida. (grifamos) Tratase, portanto, de prova direta, baseada em dois arquivos pertencentes à própria empresa, nos quais a fiscalização, conforme relatado no Termo de Verificação, apurou que os valores totais de vendas diferem daqueles escriturados pela Contribuinte. Tanto assim que foi elaborada planilha com o demonstrativo de apuração de receitas, que foi objeto de intimação específica à empresa, que em resposta disse, apenas, que "não reconhecia as apurações relacionadas nos arquivos digitais". Quanto ao argumento de que devem ser descontados da base de cálculo apurada pela fiscalização os "descontos incondicionais" dados por fornecedores, entendo que não há matriz jurídica para tal procedimento. Diz a defesa que recebia, a título de bonificação, mercadorias em quantidade superior ao adquirido dos fornecedores, notadamente da empresa INAB (conforme notas acostadas aos autos, junto com os recursos voluntários). Em seu entendimento, tratarseia de procedimento corriqueiro no mercado, conhecido como "dúzia de treze", e que a quantidade a maior deveria ser considerada como desconto incondicional e, portanto, o valor correspondente não estaria sujeito à tributação. O argumento, de certa forma inusitado, cai por terra a partir do próprio exemplo trazido pela interessada. De se notar que consta dos voluntários nota fiscal que Fl. 37631DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 25 24 demonstraria tal circunstância, ou seja, a existência da suposta "bonificação não tributável". Ocorre que a análise da referida nota nos leva a concluir em sentido contrário, pois o campo desconto aparece "zerado" (fls. 36.825). Aliás, parece irrazoável, segundo o raciocínio da defesa, que na nota fiscal mencionada, cujo aquisição total seria de 900 litros de chopp, 30% dessa quantidade, ou seja, 270 litros, sejam objeto do tal "desconto incondicionado". Esse montante, matematicamente, é muito superior ao argumento de "dúzia de treze", formulado pelos interessados. Como a nota fiscal indica, inclusive, que esses 270 litros compuseram a base de cálculo do ICMS, parece me desprovido de sentido o argumento, razão pela qual afastoo. Ademais, os interessados nem se deram ao trabalho de apresentar planilhas, estudos ou análises exaustivas que demonstrassem, de modo cabal, a existência de tal prática, pugnando apenas pela conversão do julgamento em diligência para reajuste da base de cálculo. A defesa também contesta a utilização do lucro arbitrado para o 3o e 4o trimestres de 2011, sob o argumento de que "não foi encontrada receita omitida para os meses entre julho e dezembro". Acerca do arbitramento do lucro para os exercícios de 2007, 2009, 2010 e 2011, assim se manifestou o acórdão de 1a instância, cujos raciocínio acolho integralmente: Não há de se considerar idônea a existência de duas escriturações por parte do Sujeito Passivo, quais sejam a escrituração denominada FISCAL, que se refere aos valores contabilizados e para os quais foi emitido documento fiscal idôneo, e a denominada GERENCIAL, na qual estão todas as vendas efetuadas pelo Autuado, e que por dedução da segunda em relação à primeira, dá conta da existência de valores relativos a receitas de vendas não oferecidas a tributação. Por sua vez, entendese que os valores correspondentes ao custo de aquisição de mercadorias e que guardam relação direta com a apuração da omissão de receitas (detectada pela falta de escrituração das vendas) podem ser levados em consideração na determinação da base tributável, haja vista que ao fim derivam, no período em questão, de operação vinculada àquela que está sendo tributada pelo Fisco. Da mesma forma, entendese que cabe ao Contribuinte, como artífice único do ilícito, construir a prova (comprovação dos custos) em seu favor. Sendo assim, por meio do Termo de Intimação Fiscal 02, o Sujeito Passivo foi instado a comprovar o custo das mercadorias vendidas relativas às vendas mencionadas no ARQUIVO GERENCIAL MENSAL LAUDO PERICIAL e que constam dos Arquivos relativos às Unidades da AS Bebidas em Chapecó e Videira, constantes dos CDs encaminhados ao Sujeito Passivo. Quanto a essa indagação, em sua resposta o Contribuinte nada comprovou. A existência de receitas de vendas de mercadorias mantidas à margem do conhecimento do Fisco bem como a inércia do Sujeito Passivo em comprovar o custo relativo a essas Fl. 37632DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 26 25 mercadorias justificam que o resultado dos anos calendários de 2007/2009/2010 e 2011 seja apurado de acordo com as regras do lucro arbitrado, com arrimo no Decreto 3.000/1999 (RIR/1999). A não escrituração dos totais de receitas denota que a contabilidade da Pessoa Jurídica não atende aos princípios consagrados pela legislação comercial e pela técnica contábil, evidenciando a não confiabilidade do lucro real apurado. Deste modo, a escrituração comercial acompanhada do documentário fiscal é o meio material de conferirse o resultado da Pessoa Jurídica, apurado com base no lucro real. Se a Empresa, ainda que intimada no curso da fiscalização, não a apresenta, cabível se torna o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida. Nesse caso, a receita bruta conhecida do Sujeito Passivo é aquela contabilizada acrescida da receita omitida. Entendo que a imprestabilidade da escrituração mantida pela empresa macula todos os exercícios que tiveram o lucro arbitrado, independente do fato, hipotético, de que em algum mês não tenham sido constatadas omissões de receitas. Aliás, caberia à empresa demonstrar o alegado, por meio de documentos e provas hábeis, o que não ocorreu no presente caso. Também não há como aceitar, por insuficiência de provas, a tese de que parte das operações tributadas referese a transferências entre os estabelecimentos da empresa. Isso porque os interessados não demonstram quais seriam essas operações, individualizandoas e apresentando as respectivas notas fiscais de remessa. De nada adianta mencionar, a título de exemplo, uma página do Razão de 2011, visto que a escrituração contábil foi afastada justamente por não refletir, dentro dos parâmetros legais, a real atividade da empresa. Conquanto se possa admitir que houve transferências entre os estabelecimentos, a legitimidade e o detalhamento dessas operações carecem de demonstração cabal, o que seria possível, por exemplo, mediante a apresentação da respectiva documentação, algo que não foi feito ao longo da fiscalização nem tampouco juntado posteriormente ao processo. No que tange à possibilidade de dedução da base de cálculo relativa ao lucro presumido apurado em 2008, entende a Recorrente que há valores pagos que não foram considerados pela fiscalização, nos seguintes termos (grifos no original): Observase à fl. 12 do processo administrativo a dedução do montante de R$ 7.083,12 do cálculo do IRPJ adicional, muito embora a DIPJ do exercício 2009 demonstre que no 1o Trimestre de 2008 a Recorrente declarou o valor de R$ 26.707,55, tendo recolhido esse montante, conforme comprovantes de pagamento que ora se junta (R$6.083,24, R$6.173,37 e R$14.450,94). A mesma situação ocorreu em relação aos demais trimestres, onde se observa uma dedução de R$ 5.294,25 no 2o Trimestre quando deveria ser de R$ 22.235,62; de R$ 5.281,90 para o 3o Trimestre quando deveria ser o montante de R$ 22.204,73; de R$ 9.947,68 para o 4o Trimestre quando deveria ser o valor de R$ 33.869,18. Fl. 37633DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 27 26 Relativamente à CSLL o mesmo fato pode ser verificado dos comprovantes de pagamentos que ora se junta e da DIPJ do exercício 2009. No 1o Trimestre de 2008 a Recorrente declarou e recolheu o montante de R$ 17.662,08; no 2o Trimestre o valor de R$ 15.247,23; no 3o Trimestre o valor de R$ 15.230,54 e no 4o Trimestre o valor de R$ 21.529,36. Em todos esses períodos a autoridade fiscal não deduziu quaisquer valores da CSLL devida pela Recorrente, conforme se observa das fls. 120/123. Todavia, o argumento está incorreto. A fiscalização informa que descontou do montante autuado os valores que foram declarados na DIPJ relativa a 2008. Ao observarmos a declaração, de fls. 262 a 265, contatamos que o imposto apurado pela empresa, para o primeiro trimestre, foi de R$ 26.707,55, exatamente aquele que consta dos comprovantes de pagamento apresentados junto com o Recurso Voluntário (fls. 37.559 e seguintes). Assim, concluise que os valores recolhidos pela empresa dizem respeito aos montantes originalmente declarados. No entanto, os cálculos da fiscalização são relativos ao valor que deixou de ser declarado e que deve ser acrescido na determinação da base tributável, conforme planilhas de fls. 12 e seguintes, que integram os Autos de Infração. Como ali se apura o valor a ser adicionado à base declarada, decorrente dos procedimentos de auditoria, está correto o raciocínio do Fisco, que autuou a diferença sonegada e apenas descontou, no cálculo do adicional, o valor já oferecido à tributação pela empresa. A análise dos demais trimestres de 2008 nos leva a idêntica conclusão, razão pela qual não assiste razão à interessada. Em relação à tributação reflexa, especialmente quanto ao PIS e à COFINS, também agiu corretamente a fiscalização, que assim descreveu o procedimento: A autuada originariamente durante os anos calendários de 2007, 2009, 2010 e 2011 apurou o PIS e a COFINS pelo regime não cumulativo, haja vista que nestes anos calendários foi optante pelo lucro real. Conforme exposto no item 7.1 acima, esta fiscalização apurou o resultado para os anos calendários citados na forma do lucro arbitrado, sendo assim, a apuração do PIS e da COFINS deve passar a atender os critérios da cumulatividade. Em que pese parte expressiva das receitas da autuada tenha gênese na venda de mercadorias (cervejas e refrigerantes) sujeitas à apuração monofásica do PIS e da COFINS, identificamos nos arquivos denominados de ARQUIVO GERENCIAL MENSAL LAUDO PERICIAL CHAPECÓ 2007/2008/2009/2010/2011 e ARQUIVO GERENCIAL MENSAL LAUDO PERICIAL VIDEIRA 2007/2008/2009/2010/2011, (em anexo) receitas de vendas de mercadorias sujeitas à apuração do PIS e da COFINS. (ou seja, não sujeitas a alíquota zero). Fl. 37634DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 28 27 Os cálculos relativos ao PIS e à COFINS constam das tabelas de fls. 188 e 189 e estão de acordo com a legislação de regência, razão pela qual não merece reparos a decisão recorrida, inclusive no que respeita às infrações penalizadas com 75% a título de multa. Na sequência do raciocínio, também devem ser mantidas as autuações decorrentes da omissão de receitas, cujas multas foram qualificadas (150%) ante a constatação de fraude e sonegação, assim descritas pela autoridade fiscal (destaques no original): A juízo destas autoridades fiscais, a autuada adotou conduta que teve por desiderato impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas pela mesma durante o ano calendário de 2007 a 2011. A empresa fiscalizada praticou de forma reiterada durante o período fiscalizado (anoscalendário 2007 a 2011), ato que modificou a característica essencial do fato gerador de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil de modo a reduzir o montante devido, ao omitir de sua escrituração contábil e fiscal vendas de mercadorias. A constatação dos fatos ocorreu a partir da análise de documentos apreendidos na sede da empresa AS Bebidas Ltda já amiudado nos itens 4, 5 e 6 deste relato. A forma reiterada (05 anos) de omitir receitas de vendas (as quais eram controlados por meio de escrituração paralela), fruto de esquema organizado para lesar os cofres públicos, caracteriza a intenção do agente (titular da empresa fiscalizada) de produzir o resultado decorrente da prática daqueles atos, que é a redução do montante dos tributos devidos. (...) É na omissão do contribuinte (não escrituração de receitas) ou na prestação de informações falsas (receitas escrituradas, porém não declaradas ao Fisco) que reside a fraude que justifica o percentual da multa ora aplicada, visto que, por meio destas condutas, o contribuinte se esconde na esperança de que o Fisco nada descubra, e assim não possa exercer o seu direito (constituir o crédito tributário) no prazo decadencial, acarretando assim prejuízos aos cofres públicos. Com efeito, os documentos trazidos aos autos nos levam a concluir que havia um esquema premeditado e recorrente de sonegação tributária, conforme apurado pelo Ministério Público de Santa Catarina, inclusive com a utilização de software especificamente voltado para a fraude, cuja existência é reconhecida, em depoimento, pelo Sr. Sidinei Alberti (fls. 183): SIDINEI ALBERTI (administrador da empresa A S Bebidas Ltda) o qual declarou que: "Viagem 81 era o código para venda sem nota; o vendedor já digitava num palmtop que era utilizado pelo vendedor já ficava registrado que a venda seria "viagem 81", ou seja, sem nota; o programa utilizado no palmtop foi desenvolvido ela empresa CTA; (..) Alex tinha conhecimento Fl. 37635DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 29 28 das vendas feitas com "viagem 81", ou seja, sem nota, e gerava os dados no sistema para a contabilidade. De se notar que a utilização de contabilidade paralela e o emprego de software para fins fraudulentos são condutas tipificadas pela legislação brasileira como crimes contra a ordem tributária, descritos nos artigos 1o e 2 o da Lei n. 8.137/90: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:(Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; Fl. 37636DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13982.721049/201287 Acórdão n.º 1201001.460 S1C2T1 Fl. 30 29 V utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Pena detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. (grifamos) Como restou demonstrado que a empresa possuía contabilidade paralela, conforme arquivos obtidos pelas autoridades públicas e constantes do Laudo Pericial n° 164425/2011, emitido pelo Instituto Geral de Perícias do Núcleo Regional de Perícias de Joinville/SC Secretaria de Estado da Segurança Pública tornase de rigor a manutenção da multa qualificada. Não se trata, como alega a Recorrente, de mera presunção, mas de fatos e documentos públicos que não foram infirmados, por meio de provas e documentos hábeis, pela interessada. Por fim, deve ser mantida a responsabilidade solidária dos sócios SIDNEI ALBERTI e ALESSANDRA DE MELLO RODRIGUES, posto que o artigo 135 do Código Tributário Nacional atribui responsabilidade pessoal na hipótese de atos praticados mediante infração à lei. Nesse sentido, pareceme que os sócios da empresa tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento e diretamente participaram da sua efetivação, como reconhecido, inclusive, pelo Sr. Sidnei em depoimento às autoridades policiais. A existência de dois controles paralelos, criados e utilizados com o propósito de reduzir fraudulentamente a carga tributária da empresa revela a intenção dos sócios de descumprir, dolosamente, a legislação tributária e os atrai para o pólo passivo da obrigação, na qualidade de responsáveis solidários. Ante o exposto CONHEÇO dos Recursos Voluntários dos responsáveis solidários e, no mérito, voto por NEGARLHES provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 37637DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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