Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.727828/2011-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de dissenso jurisprudencial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Rodrigo da Costa Pôssas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto e Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Recurso Não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.727828/2011-43
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578770
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.431
nome_arquivo_s : Decisao_11080727828201143.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 11080727828201143_5578770.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de dissenso jurisprudencial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Rodrigo da Costa Pôssas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto e Relator Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6334628
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418253799424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2158; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.549 1 1.548 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.727828/201143 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.431 – 3ª Turma Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria IPI Crédito Básico Aquisição de Insumos Isentos Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de dissenso jurisprudencial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Rodrigo da Costa Pôssas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto e Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 78 28 /2 01 1- 43 Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 9303003.431 CSRFT3 Fl. 1.550 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de IPI (fls. 565 a 596) que exige da contribuinte o imposto decorrente, dentre outras infrações, da glosa de créditos oriundos de aquisições de insumos isentos. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3302002.673, de 24 de julho de 2014, que traz a seguinte ementa, transcrita na parte que interessa ao julgamento nesta instância:: DIREITO AO CREDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada do acórdão acima a contribuinte apresentou embargos de declaração alegando omissões e obscuridades na decisão em foco, embargos que foram rejeitados por intermédio do Despacho nº 3302005, de 30/01/2015 (fls. 1.389 a 1.391). Inconformada, apresentou a contribuinte recurso especial suscitando divergência em relação a quatro matérias, dentre elas, quanto ao direito de crédito básico do IPI nas aquisições de insumos isentos (item 2.2 do especial). O recurso foi admitido parcialmente, conforme Despacho S/N de fls. 1.534 a 1539 e Despacho de Reexame de fls. 1.540/1.541, apenas quanto à questão do direito de crédito do IPI nas aquisições de insumos isentos. A Fazenda Nacional foi cientificada dos despachos acima citados, estando suas contrarrazões às fls. 1.543 a 1.546. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e, na parte admitida no exame de prelibação realizado pelo Presidente da Câmara Recorrida, ao contrário do alegado em contrarrazões, os paradigmas colacionados pela defesa comprovam o dissenso jurisprudencial. De fato, a decisão recorrida diverge frontalmente das proferidas nos acórdãos paradigmas trazidos pela Recorrente. Para que não paire dúvidas, transcrevese ementa do Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 9303003.431 CSRFT3 Fl. 1.551 3 acórdão ora sob exame, na parte que interessa ao julgamento nesta instância, e, também dos dois paradigmas: DIREITO AO CREDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. Acórdão nº 20211.612 IPI – CRÉDITO RELATIVO A AQUISIÇÕES ISENTAS – As aquisições de matériasprimas e insumos isentos geram ao adquirente crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI como se tributadas fossem, face ao princípio da não cumulatividade, conjugado com os princípios da essencialidade e seletividade. Recurso provido. Acórdão CSRF nº 0202.211 IPI. CRÉDITO DE IPI DE PRODUTOS ISENTOS Precedentes da CSRF. Conforme decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n°212.4842 RS, não ocorre ofensa à Constituição Federal (art. 153, § 3, II) quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. Cotejandose o acórdão recorrido com os dois paradigmas, o dissenso jurisprudencial é inegável, pois, no primeiro negouse direito ao crédito referente às aquisições de insumos isentos, sob o fundamento de que inexiste imposto cobrado na operação anterior. Já no Acórdão nº 20211.612 deferiuse o direito ao crédito nas aquisições de insumos isentos, como se tributados fossem, sob o fundamento de que tal permissão decorreria do princípio da nãocumulatividade conjugado com o da seletividade. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF nº 0202.211 permitiu o creditamento do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. Para tanto, arrimouse em jurisprudência do STF. A divergência de entendimento é por demais evidente. O fato de o segundo acórdão paradigma terse baseado em jurisprudência do STF, que hoje não vige mais, não tem relevância para o cotejo jurisprudencial, pois, à época não havia obrigatoriedade de o Conselho reproduzir as decisões do STF. Na realidade, a decisão da Suprema Corte foi utilizada como argumento para fundamentar o voto, mas não como causa de decidir. Demais disso, o primeiro acórdão, cita decisão do Supremo Tribunal Federal em questão de ICMS e faz alusões à semelhanças dos tributos para reforçar o entendimento de que o crédito de insumos isentos seria possível. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 9303003.431 CSRFT3 Fl. 1.552 4 Posto isso, e considerando que a matéria foi prequestionada, entendo que foram atendidos os requisitos de admissibilidade do recurso especial do sujeito passivo, nessa parte, razão pela qual dele conheço. Henrique Pinheiro Torres Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Dissentiu o colegiado do voto acima, no que tange ao conhecimento do recurso, tendo sido eu designado para sua redação. Na sequência, buscarei consignar as razões que levaram a maioria do colegiado a dele não conhecer. E, basicamente, assim entendeu o colegiado porque as decisões trazidas pelo recorrente como comprobatórias da divergência relativa ao direito de creditarse de IPI em aquisições de insumos desoneradas por força de isenção único ponto admitido segundo os despachos de exame de admissibilidade e de reexame proferidos foram proferidas enquanto plenamente vigente a decisão do STF no REsp 212.484. Com efeito, no Acórdão CSRF 0202.211, julgado em sessão de janeiro de 2006, assim expressamente se pronunciou a n. relatora para o acórdão: A discussão em tela cingese ao direito a crédito de IPI referente à aquisição de matériasprimas isentas. O tema já foi objeto de reiteradas decisões desse Eg. Conselho de Contribuintes que, na esteira da decisão proferida pelo Pleno do Eg. Supremo Tribunal Federal no RE 212.484, concluiu pela possibilidade do creditamento de IPI nessa hipótese. É o que se verifica dos seguintes julgados: E mais adiante (...) Nem se diga, nesse ponto, que o Plenário do STF teria revisto tal posicionamento quando do exame dos REs 370.682 e 353.657. Isso porque, em tal oportunidade, apenas afastou o direito ao creditamento referente à aquisição de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Quanto aos insumos isentos permanece incólume da r. decisão proferida no mencionado RE 212.484. É que o bem demonstra a seguinte decisão proferida pelo Exmo. Ministro Cezar Peluso, in verbis: Ou seja, o entendimento adotado pela e. Câmara Superior do então existente Segundo Conselho de Contribuintes baseouse exclusiva e integralmente no posicionamento Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 9303003.431 CSRFT3 Fl. 1.553 5 expresso pelo STF naquele julgamento original da matéria, ainda que reconhecendo que sua extensão a produtos NT e de alíquota zero já havia ali sido revista. No mesmo sentido, no outro acórdão apontado como paradigma, consigna o n. relator: A matéria já é conhecida deste Egrégio Conselho, e já apreciada por esta Câmara em sessão passadas. Inicialmente, entendia que o IPI não cobrado na operação anterior não poderia gerar crédito para o adquirente do produto, pelo simples fato de não existir. Contudo, a par da decisão do Supremo Tribunal Federal, analisando o princípio da nãocumulatividade consagrado pela Constituição Federal de 1988 e analogicamento comparando tal princípio aplicado ao Imposto sobre Produtos Industrializados e ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação, e, analisando a individualização da aplicação das normas jurídicas, sintome obrigado a alterar meu entendimento relativo à matéria. Senão vejamos. Notese que essa decisão (Acórdão 20211.612) é ainda anterior à acima, tendo sido proferida (1999) quando ainda vigia a extensão a que me referi no parágrafo anterior. Por outro lado, a d. relatora da decisão recorrida, após expressar sua posição acerca do direito ao creditamento, empreende extensa análise da jurisprudência do STF e do STJ para, ao final, concluir pela inexistência de qualquer decisão vinculante dos conselheiros membros do CARF. Desse modo, díspares os quadros legais/jurisprudenciais em que proferidas as decisões que se pretendeu confrontar, inadmissível o recurso, consoante a pacífica jurisprudência deste colegiado. Com base em tais considerações, decidiu a maioria não conhecer do recurso do contribuinte. Júlio César Alves Ramos Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722087/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.722087/2011-69
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5582274
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-000.319
nome_arquivo_s : Decisao_19515722087201169.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 19515722087201169_5582274.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6350960
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418256945152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 12.213 1 12.212 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722087/201169 Recurso nº Resolução nº 1301000.319 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 05 de abril de 2016 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrentes FAZENDA NACIONAL RADIAL DISTRIBUIÇÃO LTDA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 08 7/ 20 11 -6 9 Fl. 12213DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.214 2 Relatório RADIAL DISTRIBUIÇÃO LTDA, já devidamente qualificada nos presentes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. A referida Turma Julgadora, de igual modo, por ter exonerado crédito tributário em montante superior ao seu limite alçada, impetrou recurso de ofício. Aproveito fragmentos do relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever as infrações imputadas, as razões de impugnação trazidas ao processo pela fiscalizada e o resultado da diligência efetuada em razão de requisição formalizada em primeira instância. [...] O interessado foi autuado, em 30/12/2011, no IRPJ e reflexos, em razão de infrações que teriam sido cometidas nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 85.143.713,30, incluindo imposto, contribuições, multas de ofício de 150% e 75%, além de juros de mora calculados até 30/11/201. Também foram lançadas multas isoladas (50%) sobre estimativas de IRPJ não recolhidas nesses anoscalendário, bem como multas isoladas (50%) sobre estimativas de CSLL não recolhidas nos anoscalendário de 2006 e 2007 (fls. 1 a 1703). O Termo de Constatação e Verificação Fiscal (TV) aponta as seguintes infrações (fls. 1611 a 1645): “(...) A. Receitas originárias do estabelecimento filial final CNPJ 000554 Três Rios/RJ, em 2006 ... de R$ 1.898.315,93, não contabilizadas, caracterizando omissão de receitas, com agravamento da multa (150%), com reflexos de PIS e COFINS não cumulativos e CSLL; B. Resultados Operacionais do AC 2006 não declarados e não oferecidos à tributação do IRPJ e CSLL, apurados após os ajustes ..., conforme ... planilha ...‘RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO TRIBUTADOS’, anexa a este Termo (DOC 11) e, resumido ... abaixo, no montante de R$ 438.711,38: ... C. Receitas originárias do estabelecimento filial final CNPJ 000392 Contagem/MG, vendas para outros estados, sob o CFOP 6102, nos meses de junho, julho e agosto do AC 2007 ... de R$ 396.497,85, não contabilizadas, caracterizando omissão de receitas, com agravamento da multa (150%), com reflexos de PIS e COFINS não cumulativos e CSLL; D. Diferença apurada entre o ... IRPJ declarado/recolhido e o ... escriturado no DRE do Livro Diário n° 18, em dezembro de 2008 ... de R$ 87.815,48, após a Fl. 12214DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.215 3 retificação da base de cálculo do adicional de IRPJ, implicando na alteração ... do adicional de IR, transcrito nos DRE a partir do mês de julho de 2008, com a consequente alteração do IRPJ devido ... conforme ... planilha "Anexo E" do Termo de Constatação, Reintimação e Intimação Fiscal de 23/08/11 (DOC 9 linhas 14 e 16). E. Considerando a diferença apurada entre os valores de IRPJ e CSLL Estimativa devidos (conforme balanços ajustados) e os valores declarados em DCTF e recolhidos através de DARF's, sob os códigos de receita 5993 e 2484, respectivamente, procedeu se à constituição da multa isolada (50%) sobre o valor das diferenças apuradas de IRPJ e CSLL Estimativa, nos meses de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro de 2006; fevereiro e julho a dezembro de 2007 e de IRPJ Estimativa de janeiro a dezembro de 2008, ... demonstrada na Planilha ... ‘DEMONSTRATIVO VR. IRPJ E CSLL ESTIMATIVA APURADO X VR. DECLARADO AC 2006, 2007 e 2008 CÁLCULO DA MULTA ISOLADA’, anexa a este Termo (DOC 12): (...) F. Passivo fictício caracterizado pela falta de comprovação integral dos saldos de passivo, registrados na Conta "Fornecedores Diversos" 2.1.1.01.00001 (reduzida 20004), nos anoscalendário de 2007 e 2008, ... culminando na presunção de omissão de receitas das diferenças apontadas ... abaixo, com reflexos de PIS e COFINS não cumulativos e CSLL: ... G. Passivo fictício caracterizado pela falta de comprovação, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, do crédito constituído em 31/12/2007, no total de R$ 5.287.813,87 na conta 2.1.4.03.0001 (reduzida 00042) "Empréstimos", tendo sido desconsiderado o lançamento 6928, que debitou o valor de R$ 4.523.665,74, transferido da conta 1.2.1.01.90000 (reduzida 00060) "Empréstimos", com o histórico "baixa nesta data conforme relatório gerencial', tendo em vista que o referido valor referese à soma de diversas saídas da conta Banco do Brasil (conta reduzida 10124) com destino à filial RJ, por transferência, conforme históricos registrados à época dos fatos "Vr. ref. transferência para Radial RJ" ou "Transferência BB para caixa Radial Rio", não podendo agora dizer o contribuinte que se refere a pagamento de empréstimos, culminando na presunção de omissão de receitas ... de R$ 5.287.813,87, com reflexos de PIS e COFINS não cumulativos e CSLL; Dessa forma, o saldo da conta 2.1.4.03.0001 (reduzida 00042) "Empréstimos", em 31/12/2007 e em 01/01/2008, é de R$ 5.287.813,87 e não R$ 764.148,13, como consta no balancete; H. De maneira análoga à descrita no item "G" ..., desconsiderase o lançamento 2695 de 31/12/08, com histórico "pagamento empréstimo mútuo nesta data", cujo débito de R$ 376.429,26, tem como contrapartida a conta 2.2.1.01.00027 (reduzida 00054) "Empréstimos", sendo que este valor é composto por lançamentos cujos históricos não representam pagamento do empréstimo registrado na conta 2.1.4.03.0001 (reduzida 00042) "Empréstimos" sendo que os créditos constituídos no decorrer do ano de 2008 perfazem o saldo de R$ 1.102.217,22, caracterizandose como passivo fictício, pela falta de efetiva comprovação ..., culminando na presunção de omissão de receitas, ... com reflexos de PIS e COFINS não cumulativos e CSLL;” ... Os autos de infração com as bases legais das autuações constam às fls. 1566 a 1610 e consignam as seguintes infrações: Fl. 12215DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.216 4 1 omissão de receitas caracterizada por receitas não contabilizadas, com base no art. 24 da Lei n° 9.249/95, e arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288, todos do RIR/99, conforme o quadro a seguir, a cujos respectivos tributos foi acrescida a multa de 150%: ... 2 omissão de receitas caracterizada por passivo fictício na forma de manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou incomprovada, com base no art. 24 da Lei n° 9.249/95, art. 40 da Lei n° 9.430/96 e arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso III, e 288, todos do RIR/99, conforme o quadro a seguir, a cujos respectivos tributos foi acrescida a multa de 75%: ... 3 insuficiência de recolhimento de adicional do IRPJ, no AC 2008, de R$ 87.815,48, com base nos arts. 221, 541 e 542, todos do RIR/99; 4 resultado operacional não declarado correspondente ao lucro operacional escriturado, no AC 2006, de R$ 438.711,38, com base nos arts. 248, 249, 250 e 926, todos do RIR/99; 5 multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ em meses de 2006, 2007 e 2008 e CSLL em meses de 2006 e 2007, totalizando R$ 382.152,59 e R$ 119.219,55, respectivamente, com base nos arts. 222 e 843 do RIR/99, art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96, com a redação do art. 14 da MP n° 351/07. O interessado apresentou impugnação, em 26/01/2012 (fls. 1704 a 1764), por meio de seus advogados (fls. 1764 a 1773). Explica que à época dos fatos, o Sr. Paulo Cezar Tavares, seu titular, estava muito doente, vindo a falecer, o que seria a razão de tantas divergências (como a intimação recebida em 24/8/2011, que reportaria que (I) não teria considerado todas as devoluções, descontos e abatimentos a que tinha direito, e (II) teria calculado o adicional do IRPJ de forma prejudicial aos seus interesses). O mesmo teria corrido em 2008 e os valores recolhidos também são relevantes. Em resumo: os equívocos decorrentes da doença do titular (que empregava familiares) eram tais que alguns valores recolhidos não foram declarados. Isso demonstra a boafé e que não houve dolo, seja à época dos fatos geradores, seja no decorrer da fiscalização. Além disso, apesar do excelente momento do mercado interno, o estado de saúde do Sr. Paulo Cezar Tavares fez com que muitas obrigações não fossem adimplidas, do que resultou um passivo muito alto, razão pela qual a autuada recorria a empresários parceiros para obter empréstimos para capital de giro. O interessado traz, em resumo, as seguintes alegações, acompanhada de elementos (fls. 1774 a 10806): 1 os autos de infração são nulos, pois: a) de acordo com o parágrafo 1º do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, a intimação editalícia é medida excepcional, que só pode ser adotada nas hipóteses em que restarem improfícuos os demais meios de intimação; mas não foi o que ocorreu, pois a fiscalização optou pela citação editalícia, com a simplória fundamentação: Fl. 12216DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.217 5 “a ciência destes Autos de Infração está se dando por Edital, em razão da correspondência enviada por via postal, com AR, ao endereço do contribuinte, contendo os Autos de Infração, DOCs, Termo de Constatação e Verificação Fiscal e Termo de Apreensão de Livros e Documentos de 09/12/11, ter sido devolvida (reintegrada) aos correios no dia 15/12/11 (após recebida no dia 13/12/11), implicando na postergação da ciência do procedimento pelo contribuinte ...” b) no decorrer da ação fiscal foram apresentados inúmeros esclarecimentos e documentos, de modo que competia à fiscalização proceder a nova diligência, com a re postagem da intimação ou realizar outra providência antes de citar por edital; um único problema no correio justificaria o procedimento adotado? c) a fiscalização não distinguiu se a acusação fiscal é por passivo fictício caracterizado pela manutenção de obrigação já paga ou por passivo não comprovado, o que cerceia o direito de defesa; 2 o crédito tributário do ano de 2006 foi atingido pela decadência, nos moldes do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, visto que foi intimado do auto de infração em 2 de janeiro de 2012 (pois o respectivo edital, afixado em 15 de dezembro de 2011, prescrevia que a intimação se daria após 15 dias, conforme a legislação); assim, o 15° dia só seria completado ao final do dia 30 de dezembro de 2011 (sextafeira), razão pela qual a ciência deuse no dia seguinte em que houve expediente normal, ou seja, em 2 de janeiro de 2012 (segundafeira); 3 não há omissão de receita da filial Contagem, no anocalendário de 2007, que resultaria da falta de contabilização de receitas de vendas sob o CFOP 6102 (vendas para outros Estados), entre junho e agosto de 2007: ... 4 não foram analisadas as notas fiscais dessas operações, que mostrariam que, por equivoco, o CFOP 6102 foi usado em operações de transferências da filial 00392 para a filial 000554. Quanto à presunção de passivo fictício, o interessado contesta sua utilização no caso concreto e discorre a respeito das condições que permitem sua aplicação, que seriam inexistentes, neste caso, pois (I) existiria prova em sentido contrário, e (II) os indícios não seriam graves, precisos e concordantes. Após vasta argumentação nesse sentido, o interessado passa à refutação objetiva de pontos e motivos da autuação, como segue. Assim, quanto à acusação fiscal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício manutenção, na Conta "Fornecedores Diversos" 2.1.1.01.00001 (reduzida 20004), de obrigação já paga ou cuja exigibilidade não foi comprovada, nos anos calendário de 2007 e 2008 , fundamentada no art. 281, inciso III, do RIR/99, informa que finalizou a composição dos saldos da Conta Fornecedores Diversos dos anos 2007 e 2008, conforme planilhas (PLANILHA FORNECEDORES AC 2007 e 2008), que mostram que (exceto as operações com Kraft Foods do Brasil S/A, Pepsico do Brasil Ltda e Diageo Brasil Ltda., cujas obrigações contraídas em 2007 foram pagas em 2008) o saldo tributado referese aos fornecedores que estão em aberto até o momento, sendo certo que é impossível fazer prova negativa (provar que não pagou). Em outras palavras, com exceção dessas três empresas, todas as obrigações com os fornecedores abaixo relacionados (ligadas aos anoscalendário 2007 e 2008) não foram adimplidas; eis o resumo da composição dessa conta (as planilhas anexadas às fls. 1859 a 1905): ... Fl. 12217DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.218 6 3 os fornecedores acima grafados em itálico são os titulares de obrigações contraídas em 2007 e transportados para 2008, por falta de pagamento, sendo R$ 33.628.900,23 proveniente de 2007 e R$ 5.626.490,75 de 2006, fatos já reconhecidos pela fiscalização; 4 para afastar a presunção, traz declarações dos fornecedores, dos quais boa parte informa que não recebeu o preço e que a obrigação permanece em aberto; eilos: Acel Açúcar Cereais e Empreendimentos Ltda., Distribuidora de Cereais ZP Ltda., Eletro Multilog Distribuidor Indústria e Serviços Ltda., Comercial e Distribuidora Itaipu Ltda., Stoni Comércio Atacadista de Bebidas Ltda. e Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Saturno Ltda.; todas as declarações foram subscritas pelo responsável legal das empresas, conforme os contratos sociais e as pesquisas no SERASA; 5 todas as notas fiscais vinculadas à composição do saldo de passivo (relacionadas nas planilhas anexas) estão registradas nos Livros de Entrada, Inventário, GIAs, DIAPIs, Apuração de ICMS, SINTEGRA, Diário e Razão, à disposição da fiscalização; 6 demonstrado, portanto, que não se manteve obrigação já paga no passivo, não há que falar em exigência fiscal por passivo fictício; e mais: as declarações dos fornecedores provam o passivo registrado, cabendo esclarecer que a despeito de não ter pago as notas fiscais em referência, mantém bom relacionamento com os fornecedores, que estão cientes de que a manutenção deste lançamento pode fulminar a possibilidade de receber seus créditos; 7 – além disso, o autuante tributou integralmente o resultado da diferença entre o saldo total da conta de fornecedores e a composição parcial apresentada, como segue: ... 8 a análise desse quadro gera várias perguntas sem respostas; por exemplo: a) a que se refere o saldo acima? b) está correta essa base imponível? c) quais fornecedores compõem essa quantia? d) algum desses fornecedores foi pago com receita não registrada na contabilidade? e) algum desses fornecedores não foi pago? f) para presumir que se trata de passivo fictício, quais evidências de manutenção de obrigação paga e/ou incomprovadas foram apuradas? 9 atendendo à verdade material, a fiscalização deveria ter relacionado os fornecedores dos anoscalendário 2007 e 2008 e ter solicitado, circularizando, informações sobre o pagamento das obrigações; traz jurisprudência administrativa e doutrina favoráveis à sua tese; 10 por não ter efetuado a investigação, a fiscalização errou ao transportar para o AC 2008 o saldo em aberto do AC 2007; explicase: Fl. 12218DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.219 7 a) boa parte do saldo devedor de 2007 não foi paga até o momento, de modo que não poderia compor a base imponível do AC 2008, sob pena de tributar em duplicidade o mesmo fato jurídico; b) o saldo em aberto, de R$ 33.628.900,23, do AC 2007, foi integralmente adicionado ao saldo do AC 2008, vez que o valor gerado no próprio AC 2008 foi R$ 12.269.150,37, também não adimplido até o momento; c) comparese as informações da autuação (fl. 1628) com as duas planilhas que fazem o resumo geral da conta fornecedores: ... 11 segundo a fiscalização, o saldo não comprovado de 2008 seria de R$ 47.685.553,82, não obstante este montante ser composto de operações referente a 2007; vejase: ... b) como R$ 33.628.900,23 não foram pagos em 2007 (e permanecem em aberto até o momento), o saldo devedor foi transferido para o AC 2008; essa diferença é verificada na análise das planilhas anexas (docs. anexos), sintetizadas no resumo geral abaixo: ... 12 não pode ser penalizada em duplicidade pelo mesmo fato jurídico, motivo pelo qual o valor do suposto passivo fictício de 2008 não pode ser de R$ 47.685.553,82, mas, no máximo, de R$ 14.056.653,59. Já quanto à acusação fiscal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício falta de comprovação do crédito de R$ 5.287.813,87, em 31/12/2007, na conta 2.1.4.03.0001, vejase que a fiscalização imputou omissão de receita pela baixa de uma obrigação, situação que não tem respaldo no art. 281 do RIR/99. Traz jurisprudência administrativa e doutrina favoráveis à sua tese e acosta extrato bancário da conta do Banco do Brasil, com os créditos dos empréstimos de 2008, assim como, em alguns casos, do extrato bancário do mutuante e, em outros casos, de suas folhas dos Livros Razão e Diário (docs. anexos); eis o resumo dos valores em questão: ... Portanto, seria de se esperar que a fiscalização circularizasse para averiguar a veracidade das informações contabilizadas. Alternativamente, pleiteia que o valor consignado no auto de infração seja compensado com créditos (de R$ 202.415,97, conforme balanço) de PIS e de COFINS não cumulativos, nos moldes do artigo 368, do Código Civil Brasileiro e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Contesta a multa de 150%, conforme a Súmula 21 (sic) do CARF, alegando falta de prova concreta do evidente intuito de fraude, dolo, simulação ou máfé. Em face de milhares de notas fiscais emitidas diariamente, referentes a diversos tipos de operações de vendas, transferências, devoluções e cancelamentos, podem ocorrer erros esporádicos, o que é normal e demonstra que não houve intenção de lesar o fisco. Sustenta ser ilegal a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa, nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, pois essa Fl. 12219DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.220 8 penalidade representa dupla punição pelo mesmo ato, nos moldes do artigo 44 da Lei 9.430/96, conforme argumentos de praxe. O processo foi encaminhado para diligência, em 25/09/2012, para que: ” ... a fiscalização diligencie no sentido de apurar a verdade material dessas alegações, bem como tomar outras providências que julgar necessárias, para possibilitar a sua manifestação conclusiva a respeito dessas questões e de outras que entender relevantes. Por oportuno, cabe lembrar que ao final há que se dar ciência do relatório de conclusão da diligência à impugnante e observar o prazo de 10 dias para que esta se manifeste a respeito, nos termos do art. 44 da Lei n.º 9.784/99, após o que, o processo deve retornar a esta DRJ, para prosseguimento do julgamento .” A fiscalização manifestouse (fls. 11.153 a 11.177), dando ciência ao interessado em 22/12/14 (fl. 11.189) do “Relatório Fiscal” de conclusão da diligência, no qual demonstra sua análise detalhada das provas do processo e conclui que, quanto ao AC 2006 (fls. 11154 a 11156): “2.1.1.1) ... nenhum documento comprobatório que permita concluir que o referido montante não seja receita omitida foi juntado ao processo. Embora o contribuinte tenha alegado, em sua impugnação, que tratase de registro equivocado do CFOP, deveria ter comprovado, nesse oportuno momento, através da juntada das respectivas notas fiscais emitidas pelo estabelecimento Três Rios/RJ final CNPJ 0005 54, para o outro estabelecimento, em datas e valores coincidentes com os registros "equivocados', efetuados sob o CFOP 6102, bem como ter indicado os correspondentes registros dessas entradas no estabelecimento filial 000392; 2.1.1.2) Cabe ressaltar que as referidas notas fiscais emitidas (numeração, data de emissão e valor discriminados no quadro abaixo), sob o CFOP 6102, pelo estabelecimento filial 000554, registradas no Livro Registro de Saídas n° 01 AC 2005 a JUL/2009 (conforme fls. 1281 / 3661, 1282 / 3662, 1285 a 1288 / 3665 a 3668 e 1293 / 3673 do Processo), não foram localizadas no Livro Registro de Entradas AC 2006 do estabelecimento filial 000392, sob o CFOP 2152, que permitisse constatar o "equívoco" alegado: (...) [QUADRO com total de R$ 1.898.315,93]: 2.1.2) Assim, consideramse mantidos os Resultados Operacionais do AC 2006, não declarados e não oferecidos à tributação do IRPJ e CSLL, apurados após os ajustes efetuados, conforme detalhado na planilha denominada "RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO TRIBUTADOS', (DOC. 11 do Termo de Constatação e Verificação Fiscal de 09/12/11 fl. 1644 (PAD)) e, resumido no quadro abaixo, no montante de R$ 438.711,38: (...)”Quanto ao AC 2007 (fls. 11156 a 11160 e 11170 a 11172): “2.2.1) ... julho do AC 2007, o contribuinte demonstrou que houve um equívoco no registro das notas fiscais (... às páginas 1844 a 1858), embora tenha sido utilizado o CFOP 6102, tratavase ... de transferências ... da filial final CNPJ 000392 para o estabelecimento filial final CNPJ 000554, conforme Registro de Entradas às fls. 3545 e 3546 do processo, comprovando que ... R$ 377.706,00, não se trata de omissão de receitas. Fl. 12220DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.221 9 2.2.2) ... deve permanecer a adição à receita de vendas da filial final CNPJ 0003 92 (Contagem) o total de R$ 18.791,85, referentes aos valores de vendas CFOP 6102, relativos aos meses de junho e agosto/2007, não incluídos no Livro Diário 17. Cabe ressaltar que no estabelecimento de final CNPJ 000554, não há registro de entradas advindas da Radial filial 000392 nos referidos meses e subsequentes (conforme cópia do Registro de Entradas da filial Três Rios final CNPJ 000554 às fls. 3541 a 3548 do PAD), coincidentes em valor (R$ 1.250,57 junho/07 e R$ 17.541,28 agosto/07) e, considerando os registros do arquivo SINTEGRA, do estabelecimentos filial final CNPJ 000392, constatamos as correspondentes notas fiscais emitidas nos meses de junho e agosto/2007, sob o CFOP 6102, conforme segue abaixo: (...)” Eis as datas e valores do item “2.2.2” acima: 1 06/06/2007 R$ 1.250,57; 2 20/08/2007 – R$ 657,28; 3 24/08/2007 – R$ 16.884,00. O resultado do exame do saldo da conta Fornecedor do AC 2007, cujos pagamentos foram comprovados em 2008, mostra (fl. 11.160) que dos R$ 21.881.147,91 que a impugnação sustenta haver comprovação, apenas R$ 19.400.593,70 foram efetivamente comprovados. Portanto, como o total lançado referente à conta Fornecedores de 2007 foi de R$ 36.086.816,44, deve ser mantida a diferença, de R$ 16.686.222,74. O resultado do exame do saldo da conta 2.1.4.03.0001 (reduzida 00042) "Empréstimos" mostra que deve ser mantido o total de R$ 5.287.813,87, por falta de comprovação. Quanto ao AC 2008 (fls. 11156 a 11160), o resultado do exame do saldo da conta Fornecedor do AC 2008, cujos pagamentos foram comprovados em 2009, mostra (fl. 11.160) que dos R$ 13.214.949,12 que a impugnação sustenta haver comprovação, apenas R$ 11.404.807,90 foram efetivamente comprovados. Portanto, como o total lançado referente à conta Fornecedores de 2008 foi de R$ 47.685.553,82, deve ser mantida a diferença, de R$ 36.280.745,92. E ainda (fls. 11170 a 11173): “2.3.3.6) Com relação aos créditos constituídos no decorrer do ano de 2008, no montante de R$ 1.102.217,22, conforme lançamentos abaixo relacionados, cujas contrapartidas foram débitos na conta 1.1.1.02.00024 (reduzida 10124) "Bco do Brasil c/c 74.0594", o contribuinte juntou com a impugnação os documentos anexados às folhas 1974 a 2004 do PAD, como extratos bancários da Radial (fls. 1982, 1983, 1996 a 1999, 2003 e 2004 do PAD), folhas dos Livros Razão e Diário da BLITZ (fls. 1975 a 1981 do PAD), folhas dos Livros Razão e Diário da ATOS (fls. 1984 a 1995 do PAD), extrato bancário do mutuante SUPERMIX (fls. 2000 a 2002 do PAD), para demonstrar a efetividade dos ingressos de recursos, classificados como mútuos recebidos das empresas ATOS DISTRIBUIÇÃO, BLITZ E SUPERMIX: (...) [QUADRO com o total de R$ 1.102.217,22] Fl. 12221DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.222 10 2.3.3.7) ... apesar da ... SUPERMIX figurar como fornecedor que deixou de receber o valor das vendas efetuadas no AC 2006, restou demonstrada a remessa "on line" de recursos para a RADIAL, no AC 2008, sendo classificado como mútuo, conforme lançamentos acima relacionados, que resultou num total de R$ 6.390.031,09, conforme somatória do saldo inicial apurado e considerado como passivo fictício (AC 2007) no valor de R$ 5.287.813,87 com a movimentação creditada no decorrer do AC 2008, no importe de R$ 1.102.217,22. ...;” (negritouse) O interessado postou, em 16/01/15, manifestação (fls. 11.192 a 11.196) assinada por procurador (fls. 11.196 a 11.204), acompanhada de cópia do TVF (fls. 11.205 a 11.226) seguida pelas planilhas elaboradas pela fiscalização – na qual pleiteia: “prorrogação por mais 30 dias do prazo outrora concedido, para o qual foram intimados a juntar os documentos probatórios no processo administrativo em epígrafe, conforme consta da intimação postada em 20 de dezembro de 2014” O interessado protocolizou, em 20/01/15, segunda manifestação (fls. 11.296 a 11.298) assinada pelo mesmo procurador, acompanhada de cópias de Fichas de Registro de Empregado (fls. 11.299 a 11.678 e, no arquivo seguinte, fls. 11.679 a 11.968), bem como cópia de declaração da MEMOVIP GUARDA DE DOCUMENTOS LTDA., CNPJ 71.238.406/000155, de que o interessado é seu cliente e que mantinha documentos sob sua guarda (a seguir relacionados) em sua filial no bairro Chácara Campestre, em Contagem, MG, que sofreu sinistro de incêndio em 03/10/2014, devidamente comunicado às autoridades competentes, que conduzem investigações para apuração de causas e responsabilidades. O incêndio afetou 327 das 702 caixas guardadas, (fls. 11.969 a 12.012). Essa manifestação pleiteia: 1 “prorrogação por mais 30 dias do prazo ...” para poder juntar documentos probatórios, pois a empresa se encontrava em recesso de fim de ano e só teve ciência da intimação em 15/01/2015, o que tornou o prazo muito exíguo para localizar os documentos, sendo que tal busca há que ser minuciosa, pois a empresa que guarda os documentos incendiouse; 2 – a intimação foi recebida pelo porteiro do condomínio, que não é empregado do interessado, conforme Livro de Registro de Empregado ora juntado, de modo que tal recepção é irregular; 3 – há pedido expresso, juntado em 24/06/2014, para que as intimações fossem endereçadas ao seu advogado, que é o seu procurador desde o início da ação fiscal; 4 – portanto, a intimação recebida por terceira pessoa, em 22/12/2014 é irregular, pois deveria ter sido encaminhada ao escritório do procurador. A já citada 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1665.166, de 30 de janeiro de 2015, pela procedência parcial das lançamentos tributários. O referido julgado foi assim ementado: PRIMEIRO PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO. Após tomar ciência do relatório de conclusão da diligência, o interessado tem o prazo de 30 dias para manifestarse a respeito, ocasião em que a prova documental deve ser apresentada. Pedido indeferido. Fl. 12222DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.223 11 SEGUNDO PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO. Recesso de fim de ano não justifica prorrogação de prazo. O fato de o porteiro do condomínio não ser empregado do interessado não altera a data de ciência. Não há previsão legal para efetuar intimação ao sujeito passivo por via postal endereçada ao escritório de procurador ou advogado. Não há provas do alegado incêndio e tampouco de quais documentos teriam sido afetados. Por fim, não está claro como o material supostamente incendiado poderia ser recuperado pelo interessado. Pedido indeferido. NULIDADE. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Desde que antes se tenha tentado intimar por via postal, nada impede a intimação por edital. Preliminar indeferida. O contribuinte pode ser intimado pessoalmente, ou por via postal, ou, ainda, por meio eletrônico. Resultando improfícuo um desses meios, a intimação poderá ser feita por edital. Preliminar indeferida. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A impugnação apresentada evidencia que o direito de defesa não foi cerceado. Preliminar indeferida. PRESUNÇÃO. A presunção utilizada neste caso não foi presunção humana (meio de prova), mas, sim, presunção legal, à qual pode ser contraposta prova em contrário. Argumento improcedente. DECADÊNCIA. O prazo quinzenal para que a ciência do Edital pelo interessado se tornasse presumida na forma da lei esgotouse no 15º dia, qual seja, em 30/12/2011, 6ª feira, antes, portanto, do decurso do prazo decadencial referente ao anocalendário de 2006. Preliminar indeferida. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. A não contabilização de receitas configura prova direta da respectiva omissão, salvo prova em contrário. Exonerase a parte do valor tributável cuja correta contabilização foi comprovada. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A presunção legal admite prova em contrário. Exonerase a parte do valor tributável decorrente do passivo cuja veracidade foi comprovada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ADICIONAL DO IRPJ. Matéria não impugnada. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. AUTO DE INFRAÇÃO. Indeferese o pleito de compensar o valor autuado com créditos do interessado, pois a compensação de créditos possui rito próprio, exigindo o preenchimento do formulário eletrônico PER/DCOMP. MULTA. 150% Fl. 12223DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.224 12 A multa de 150% foi aplicada apenas à omissão de receita caracterizada por receita não contabilizada, ou seja, não se trata de presunção legal, mas, sim, de infração apurada por meio de prova direta. A não contabilização de receitas aponta a existência do evidente intuito de fraude, visando a sonegação, razão pela qual deve ser mantida. MULTA ISOLADA. ILEGALIDADE. A instância administrativa não se manifesta a respeito de suposta ilegalidade da legislação tributária. Em decorrência dos valores tributáveis provados na diligência, há que se exonerar algumas multas isoladas. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente, exceto que diz respeito à decadência de PIS e COFINS. Irresignada, a contribuinte autuada interpôs recurso voluntário (fls. 12.128/12.129), em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita que os pedidos de prorrogação para apresentação de documentos por ela formalizados foram efetuados de forma regular. É o Relatório. Fl. 12224DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.225 13 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Cuida a lide de exigências de IRPJ, reflexos e MULTA ISOLADA, relativas aos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) receitas relativas ao ano calendário de 2006 não contabilizadas, no montante de R$ 1.898.315,93 (infração apenada com multa qualificada de 150%); ii) diferença entre a receita escriturada no Razão e a registrada no LALUR, relativa ao ano calendário de 2006, no montante de R$ 438.711,38; iii) receitas relativas ao ano calendário de 2007 não contabilizadas, no montante de R$ 396.497,85 (infração apenada com multa qualificada de 150%); iv) diferença entre o IRPJ declarado e o escriturado, relativa ao ano calendário de 2008, no montante de R$ 87.815,48; v) insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), decorrente da recomposição das correspondentes bases de cálculo de IRPJ e de CSLL; vi) omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação dos saldos da conta FORNECEDORES relativos aos anos de 2007 (R$ 36.086.816,44) e 2008 (R$ 47.685.553,82); vii) omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação do passivo constituído em 31/12/2007 (EMPRÉSTIMOS), no valor de R$ 5.287.813,87; e viii) omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação dos valores registrados no passivo no ano de 2008, na conta EMPRÉSTIMOS, no valor de R$ 1.102.217,22. Diante dos argumentos trazidos por meio da peça impugnatória, o Relator designado para apreciar a controvérsia em primeira instância propôs (e o presidente da Turma acolheu) converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização se pronunciasse sobre as alegações trazidas pela autuada (fls. 10.822/10.825). Em atendimento à diligência requisitada, a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo produziu o Relatório de fls. 11.153/11.177, e, pelo que foi possível depreender, pronunciouse pelo cancelamento das exigências incidentes sobre as seguintes matérias: a) omissão de receitas relativas ao ano calendário de 2007 de R$ 377.706,00, em virtude da comprovação da ocorrência de equívoco no registro de notas fiscais (embora tenha sido utilizado o CFOP 6102 venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros , foi constatado que as operações diziam respeito a transferência de mercadorias entre filiais); b) passivos (conta FORNECEDORES), em 2008, nos montantes de R$ 377.277,83 e R$ 352.620,30, haja vista a comprovação dos pagamentos no ano de 2009; e Fl. 12225DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.226 14 c) mútuos no montante de R$ 1.102.217,22, haja vista a comprovação da efetividade dos ingressos dos recursos. A conclusão acerca das matérias tributáveis que devem ser desconsideradas, nos termos da proposta feita pela responsável pela diligência, foi extraída do fragmento do relatório do procedimento abaixo reproduzido. [...] 3) Diante das verificações efetuadas nos livros da empresa, documentos anexados durante a fiscalização e junto com a impugnação apresentada, os quais são partes componentes do processo nº 19515.722.087/201169 (PAD), constatase que o contribuinte comprovou o que segue, cabendo à autoridade julgadora decidir se procederá à exoneração dos referidos valores e respectivos reflexos da autuação: 3.1) AC 2007 – conforme discorrido no item 2.2.1 acima, houve equívoco no registro das notas fiscais (cópias anexadas ao processo – às páginas 1844 a 1858), sendo que embora tenha sido utilizado o CFOP 6102, tratavase de operações de transferências de mercadorias da filial final CNPJ 000392 para o estabelecimento filial final CNPJ 000554, no montante de R$ 377.706,00; 3.2) AC 2008 – Conforme demonstrado no item 2.3.1.3.2.4 acima, na planilha de composição do saldo de fornecedores AC 2008, juntada com a impugnação, o contribuinte informou a existência de novos pagamentos efetuados, em 2009, ao fornecedor: PEPSICO DO BRASIL LTDA – CNPJ 31.565.104/028349, acrescentando um total de R$ 949.015,22, ao montante considerado comprovado pela fiscalização. Entretanto, foram localizados no razão 2009, conforme letra b e Quadro 2 do referido item, restando comprovada a efetividade do pagamento de R$ 377.277,83; 3.3) AC 2008 – Com relação aos pagamentos informados aos fornecedores KRAFT e DIAGEO, mencionados nos itens 2.3.1.3.2.2 e 2.3.1.3.2.3, o contribuinte relacionou um acréscimo de pagamento, em relação aos que foram comprovados durante a fiscalização no montante de R$ 861.126,00, entretanto, constatouse que os valores das notas fiscais registradas no Livro Registro de Entradas, não correspondiam ao valor do pagamento indicado na planilha da impugnação. Assim, após verificação dos lançamentos de baixa das respectivas notas fiscais, na conta FORNECEDORES DIVERSOS – do Razão 2009, constatouse que houve um acréscimo no valor de pagamento efetuado, em 2009, relativo ao saldo em aberto na conta de fornecedores AC 2008, além do valor informado durante a fiscalização, no montante de R$ 352.620,30. Entretanto, o contribuinte está sendo intimado a apresentar as notas fiscais referidas no quadro do item 2.3.1.3.2.2 e respectivos pagamentos, para comprovar o “real” valor das notas fiscais, em razão da divergência constatada. 3.4) AC 2008 o contribuinte juntou com a impugnação os documentos anexados às folhas 1974 a 2004 do PAD, demonstrando a efetividade dos ingressos de recursos, classificados como mútuos recebidos das empresas ATOS DISTRIBUIÇÃO, BLITZ E SUPERMIX, no montante de R$ 1.102.217,22. 4) Considerando a falta de comprovação das demais alegações constantes da impugnação, o contribuinte foi INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados do recebimento do Termo de Ciência da Conclusão de Diligência e Intimação Fiscal de 15/12/14, a proceder a juntada ao processo nº 19515.722.087/201169 (PAD), dos documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, conforme relacionado no quadro abaixo, identificando cada documento, indicando a qual item se refere, bem como indicar a respectiva contabilização, a fim de comprovar os fatos alegados: Fl. 12226DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.227 15 ... Adiante, a autoridade responsável pelo procedimento de diligência apresenta quadros que, pelo que se pode supor, representam as matérias que remanesceram após a análise da documentação aportada ao processo por meio da peça impugnatória. Contudo, ao promover confronto entre as conclusões estampadas nos fragmentos antes reproduzido, correspondentes aos itens 3 e 4 do Relatório de Diligência, os quadros que se supõe sejam demonstrativos das matérias remanescentes e o decidido em primeira instância, identifico relevantes divergências. Diante de tal circunstância, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade autuante, tomando por base o quadro abaixo (elaborado com base nas infrações descritas no auto de infração de IRPJ), indique, de forma objetiva, as matérias que entende que devem ser canceladas, apontando, de forma sucinta, os motivos ou os itens do Relatório de fls. 11.153/11.177 que servem de suporte para a proposição. INFRAÇÕES FATO GERADOR VALOR 2006 1.898.315,93 1. OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS 2007 396.497,85 2007 41.374.630,31 2. OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO 2008 48.787.771,04 3. ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO 2008 87.815,48 4. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS 2006 438.711,38 01/2006 175.756,61 02/2006 20.851,55 11/2006 46.433,93 12/2006 49.087,11 02/2007 23,18 07/2007 39.129,77 08/2007 2.679,82 09/2007 2,50 10/2007 4,53 5. MULTAS ISOLADAS 11/2007 288,94 Fl. 12227DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722087/201169 Resolução nº 1301000.319 S1C3T1 Fl. 12.228 16 12/2007 3.986,90 01/2008 3.276,68 02/2008 4.705,51 03/2008 3.117,47 04/2008 3.292,63 05/2008 2.753,94 06/2008 2.857,26 07/2008 4.027,40 08/2008 3.538,33 09/2008 3.880,00 10/2008 4.638,40 11/2008 3.367,03 12/2008 4.453,10 "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 12228DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000604/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CONCESSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social é condicionada ao cumprimento dos requisitos previstos em lei. A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social impede o gozo do benefício.
A organização da sociedade civil de interesse público, enquanto mantida nessa condição, não pode se qualificar como entidade beneficente de assistência social e, portanto, não tem direito ao gozo da imunidade de contribuições para a seguridade social.
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
A escrituração nas folhas de pagamento das remunerações como bases de cálculo da contribuição evidenciam a correção do lançamento que teve por origem esse próprio documento.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2301-004.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CONCESSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social é condicionada ao cumprimento dos requisitos previstos em lei. A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social impede o gozo do benefício. A organização da sociedade civil de interesse público, enquanto mantida nessa condição, não pode se qualificar como entidade beneficente de assistência social e, portanto, não tem direito ao gozo da imunidade de contribuições para a seguridade social. FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A escrituração nas folhas de pagamento das remunerações como bases de cálculo da contribuição evidenciam a correção do lançamento que teve por origem esse próprio documento. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13826.000604/2007-79
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577778
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.454
nome_arquivo_s : Decisao_13826000604200779.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 13826000604200779_5577778.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6327161
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418263236608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 129 1 128 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13826.000604/200779 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.454 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Recorrente AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DE PARAGUAÇÚ PAULISTA AGENDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2004 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CONCESSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social é condicionada ao cumprimento dos requisitos previstos em lei. A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social impede o gozo do benefício. A organização da sociedade civil de interesse público, enquanto mantida nessa condição, não pode se qualificar como entidade beneficente de assistência social e, portanto, não tem direito ao gozo da imunidade de contribuições para a seguridade social. FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A escrituração nas folhas de pagamento das remunerações como bases de cálculo da contribuição evidenciam a correção do lançamento que teve por origem esse próprio documento. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 06 04 /2 00 7- 79 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13826.000604/200779 Acórdão n.º 2402004.454 S2C4T2 Fl. 130 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com base nos valores informados em folhas de pagamento, conforme relatório fiscal e discriminativo do débito. O lançamento foi realizado em 25/10/2007. A discussão principal no processo é o direito à imunidade tributária do §7° do artigo 195 da Constituição Federal independentemente do cumprimento dos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/91, em especial a obtenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Seguem transcrições de trechos do acórdão recorrido: CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. ENTIDADE BENEFICENTE. NÃO CUMPRIMENTO DO ARTIGO 55 DA LEI N° 8.212/91. O art. 195, § 7º da Constituição Federal, ao dispor sobre a isenção das entidades beneficentes de assistência social, prescreve que os requisitos a serem atendidos por essas entidades devem ser regulados por lei ordinária. Entidade Beneficente que não atende a todos aos requisitos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 não faz jus à isenção das contribuições previdenciárias, sendo obrigatório o lançamento dos valores devidos. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. PRODUÇÃO DE PROVAS FORA DO PRAZO LEGAL. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo exceções previstas legalmente. Lançamento Procedente ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: a AGENDE diferentemente do que consta no relatório de fiscalização, é uma entidade de caráter social sem fins Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 lucrativos. Obteve junto ao Ministério da Justiça a qualificação como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, tendo demonstrado o atendimento das exigências legais para tanto, o que não deixa dúvidas de sua função social. Nesta condição está abarcada pela imunidade prevista na CF, já que se enquadra como entidade beneficente, não podendo ser tributada. Suas atividades são típicas de Poder Público já que é este que tem a função de promover a assistência social e ações na área de saúde. A presente Notificação referese exclusivamente a contribuições incidentes sobre remunerações pagas aos segurados contratados pela AGENDE que atuaram no atendimento dos Termos de Parceria que esta firmou com o Município de Paraguaçu Paulista. Discorre robustamente sobre esses termos de parceria, traz jurisprudência. Conclui que a Notificada está desobrigada a promover recolhimentos previdenciários em decorrência do contido no art. 150, VI, "c" e § 4° e art. 195, § 7 0, da CF, até mesmo porque, do contrário, estará o poder público tributando a si próprio, mesmo que indiretamente. É o Relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13826.000604/200779 Acórdão n.º 2402004.454 S2C4T2 Fl. 131 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios de procedimento capazes de tornarem nulos quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Imunidade Como já asseverado, a discussão principal é em relação ao direito à imunidade tributária do §7° do artigo 195 da Constituição Federal independentemente do cumprimento dos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/91, em especial a obtenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, já que se trata de Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13826.000604/200779 Acórdão n.º 2402004.454 S2C4T2 Fl. 132 7 organização da sociedade civil de interesse público – OSCIP; portanto, tendo em sua natureza jurídica o regime de jurídico de direito privado sem fins lucrativos e atuando em parceria com o poder público. Antes desse exame mais específico, cabe consignar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no sentido da obrigatoriedade de cumprimento dos requisitos previstos no artigo 55 da Lei n. 8.212/91, atualmente no artigo 29 da Lei n° 12.101, de 27/11/2009, para gozo da imunidade do artigo 195, §7º da Constituição, bem como da prescindibilidade de regulamentação por lei complementar: RMS 27093 / DF DISTRITO FEDERAL RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Relator(a): Min. EROS GRAUJulgamento: 02/09/2008 Órgão Julgador: Segunda Turma Publicação DJe216 DIVULG 13112008 PUBLIC 14112008 EMENT VOL0234102 PP00244 RTJ VOL0020801 PP 00189 Parte(s) RECTE.(S): FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DA REGIÃO DE JOINVILLE FURJ ADV.(A/S): SÉRGIO ROBERTO BACK E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S): UNIÃO ADV.(A/S): ADVOGADOGERAL DA UNIÃO Ementa EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. RENOVAÇÃO PERIÓDICA. CONSTITUCIONALIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. OFENSA AOS ARTIGOS 146, II e 195, § 7º DA CB/88. INOCORRÊNCIA. 1. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social às contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 2. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições da isenção tributária das entidades filantrópicas, a exigência de que possuam o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, renovável a cada três anos. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. 4. A exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende os artigos 146, II, e 195, § 7º, da Constituição. Precedente [RE n. 428.815, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 5. Hipótese em que a recorrente não cumpriu os requisitos legais de renovação do certificado. Recurso não provido. Decisão A Turma, por votação unânime, negou provimento ao recurso ordinário, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, neste julgamento, os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Eros Grau. 2ª Turma, 02.09.2008. Cabe assinalar também que tal imunidade especial de contribuições sociais, concedida apenas para as instituições com título de entidade beneficente de assistência social, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 não se confunde com a imunidade de impostos prevista no artigo 150, VI, “c” da Constituição Federal e regulada pelos artigos 9, IV, “c” e 14 do Código Tributário Nacional: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... VI instituir impostos sobre: ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; ... Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. É que a Seguridade Social é informada, entre outros princípios, pela Universalidade e a Solidariedade, o que justifica um canal mais estreito na renúncia fiscal. De fato, o reconhecimento da imunidade do artigo 195, §7º da Constituição é sujeito a outros requisitos além daqueles já exigidos no artigo 14 do CTN: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ... Quanto à condição da recorrente, com título de organização da sociedade civil de interesse público – OSCIP, deve ser examinada a Lei n° 9.790, de 23/03/99 que dispõe sobre a concessão dessa qualificação às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos: Art. 1o Podem qualificarse como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público as pessoas jurídicas de direito Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13826.000604/200779 Acórdão n.º 2402004.454 S2C4T2 Fl. 133 9 privado, sem fins lucrativos, desde que os respectivos objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos requisitos instituídos por esta Lei. § 1o Para os efeitos desta Lei, considerase sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social. Após estabelecer os requisitos para a qualificação através do termo de parceria, a lei, já no artigo 18, deixa claro que as pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos não podem manter junto com a condição de OSCIP outras qualificações. Somente no período de 5 anos após o início da vigência da lei é que a cumulatividade pode ser mantida; após, coube à pessoa jurídica realizar sua opção. Daí o mencionado artigo 2° da Resolução n° 144/2005 do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, órgão que à época era competente para a concessão dos certificados de entidade beneficente de assistência social. Percebese que a Resolução teve vigência justamente após transcorrido o período de 5 anos, quando era facultada a cumulatividade de títulos para as OSCIP. O que significa que a partir de então, enquanto mantida a condição de OSCIP, é vedado o reconhecimento da qualificação como entidade beneficente de assistência social e, consequentemente, o gozo da imunidade especial prevista no artigo 195, §7º da Constituição: Art.18. As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, qualificadas com base em outros diplomas legais, poderão qualificarse como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, desde que atendidos aos requisitos para tanto exigidos, sendolhes assegurada a manutenção simultânea dessas qualificações, até cinco anos contados da data de vigência desta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.21637, de 2001) §1oFindo o prazo de cinco anos, a pessoa jurídica interessada em manter a qualificação prevista nesta Lei deverá por ela optar, fato que implicará a renúncia automática de suas qualificações anteriores. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.21637, de 2001). ... ARTIGO 2°: As entidades qualificadas como OSCIP, mesmo que inscritas no Conselho Municipal, Estadual ou Distrito Federal não poderão se registrar ou se certificar perante ao Conselho Nacional de Assistência Social. A meu ver, está claro que organização da sociedade civil de interesse público não se confunde com entidade beneficente de assistência social e, por força de lei, inclusive a vedada a acumulação de títulos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 No presente caso, a recorrente jamais requereu a qualificação como entidade beneficente de assistência social e sequer é possuidora de tal título; razões pelas quais é improcedente o pedido de reconhecimento da imunidade. Parcelas Remuneratórias Continuando, as GFIP e folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente e nelas estão escrituradas parcelas reconhecidamente remuneratórias, conforme dispõe a Lei n. 8.212/91. A falta de recolhimento sobre a totalidade das remunerações se deu pelo auto enquadramento equivocado como entidade imune às contribuições previdenciárias. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 35 e 35A da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13826.000604/200779 Acórdão n.º 2402004.454 S2C4T2 Fl. 134 11 DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 17933.720015/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE INTERESSE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não se conhece do recurso, face à ausência de interesse, na parte que demanda o aproveitamento de pagamento em lançamento fiscal, quando tal alocação já foi efetuada pela unidade de origem.
PAGAMENTO INSUFICIENTE. LANÇAMENTO SUBSISTENTE.
Sendo insuficiente o pagamento efetuado pelo contribuinte para quitar os valores em cobrança, subsiste, ainda que parcialmente, o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negar provimento.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE INTERESSE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se conhece do recurso, face à ausência de interesse, na parte que demanda o aproveitamento de pagamento em lançamento fiscal, quando tal alocação já foi efetuada pela unidade de origem. PAGAMENTO INSUFICIENTE. LANÇAMENTO SUBSISTENTE. Sendo insuficiente o pagamento efetuado pelo contribuinte para quitar os valores em cobrança, subsiste, ainda que parcialmente, o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 17933.720015/2011-21
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578956
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.139
nome_arquivo_s : Decisao_17933720015201121.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 17933720015201121_5578956.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negar provimento. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
id : 6336778
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418267430912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 117 1 116 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17933.720015/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.139 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente VANDER ASSUNÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE INTERESSE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se conhece do recurso, face à ausência de interesse, na parte que demanda o aproveitamento de pagamento em lançamento fiscal, quando tal alocação já foi efetuada pela unidade de origem. PAGAMENTO INSUFICIENTE. LANÇAMENTO SUBSISTENTE. Sendo insuficiente o pagamento efetuado pelo contribuinte para quitar os valores em cobrança, subsiste, ainda que parcialmente, o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 93 3. 72 00 15 /2 01 1- 21 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negar provimento. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 17933.720015/201121 Acórdão n.º 2402005.139 S2C4T2 Fl. 118 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) alterando o saldo de imposto a restituir relativo ao anocalendário 2009 de R$ 23.371,63 para saldo de imposto suplementar a pagar no montante de R$ 1.794,45 (fls. 4/9). Conforme descrito no relatório da decisão contestada: Motivou o lançamento de ofício a constatação de omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Fundação Forluminas de Seguridade Social Forluz, no valor de R$ 120.747,90, considerados indevidamente pelo contribuinte como isentos, acrescentando a autoridade lançadora que tais rendimentos referemse a resgate de previdência privada, não alcançando a isenção relativa aos proventos de aposentadoria motivados por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de doenças graves. Também motivou o lançamento a compensação indevida de imposto complementar do valor de R$ 1.933,90, esclarecendo a Fiscalização que tal valor referese a imposto a pagar apurado em declaração retificadora, e não a imposto antecipado pelo contribuinte. O interessado apresentou impugnação em 30/03/2011, informando que em 18/04/2010 transmitiu sua Declaração Anual de Ajuste – DAA/2010, onde havia imposto a restituir de R$ 3.325,54. Em 22/06/2010 retificou sua DAA, que apurou imposto a pagar de R$ 1.794,45, que somado à multa e correção, gerou recolhimento total de R$ 1.933,90, que compensou em sua nova DAA retificadora de 28/07/2010, onde consta imposto a restituir de R$ 23.371,63, que entende estar correta. Alega que em janeiro de 2009 efetuou resgate de sua conta de aposentadoria privada no valor de R$ 120.747,90, acrescentando que nesta data a FORLUZ ainda não tinha conhecimento de decisão judicial que restabeleceu aposentadoria concedida pelo INSS em fevereiro de 2005 e cancelada pela autarquia em janeiro de 2006, retroagindo a fevereiro de 2005. Argumenta que os rendimentos são isentos por ser sua aposentadoria ocasionada por invalidez em decorrência de acidente de serviço, anexando documentos que comprovariam o alegado. A instância de primeiro grau manteve parcialmente a exigência, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ALCANCE. COMPROVAÇÃO. A isenção dos rendimentos auferidos pelo contribuinte portador de moléstia grave, devidamente comprovada em laudo pericial oficial, será concedida a partir da data da constatação da doença e atinge somente as parcelas provenientes de aposentadoria, devendo ser mantida a tributação dos Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 rendimentos oriundos de resgate de contribuições à previdência privada. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. IMPOSTO COMPLEMENTAR. Não sendo comprovado o recolhimento do imposto complementar, é de se manter o lançamento. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 18/6/2013, postulando fosse considerado o valor já recolhido no valor de R$ 1.933,90, reiterando, nesse sentido, as razões da impugnação, e demandando, ao final, fosse "estornada a cobrança", sob o entendimento de que tal cobrança já estaria quitada com o aproveitamento do mencionado pagamento. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 17933.720015/201121 Acórdão n.º 2402005.139 S2C4T2 Fl. 119 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser apenas parcialmente conhecido, entretanto. Explico. Consoante informação constante à fl. 90 dos autos, já foi devidamente realizada a alocação do pagamento de fl. 88 (R$ 1.933,90) para o presente processo, "restando um saldo de R$ 267,75 de principal mais acréscimos legais" Não há, então, interesse recursal a ser defendido pelo contribuinte para fins de aproveitar o valor de R$ 1.933,90 para quitar o débito apurado no lançamento fiscal, visto que tal procedimento já foi realizado pela unidade de origem.Em decorrência, constatase superveniente ausência de utilidade recursal, requisito indispensável para a admissão dessa irresignação. Cumpre assim não conhecer do recurso, no particular. Quanto ao pleito de que fosse "estornada" a cobrança, não merece ele prosperar, pois, como explicado, remanesce saldo devedor na Notificação de Lançamento na cifra de R$ 267,75, mesmo considerando a alocação do multicitado pagamento. Ante o exposto, voto no sentido conhecer em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO. Ronnie Soares Anderson. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10611.721916/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 26/11/2010 a 30/12/2010
Ementa:
PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72.
A matéria que não foi expressamente contestada pelo impugnante é considerada não impugnada e, não se tratando de questão de ordem pública, não pode ser conhecida em fase recursal, sob pena de supressão de instância judicativa.
RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE BENS IMPORTADOS. MERCADORIAS SUJEITAS AO CANAL VERMELHO DE PARAMETRIZAÇÃO. POSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA
No presente caso a revisão decorre de erro de fato ao qual a fiscalização foi induzida, haja vista a sonegação de informações por parte do contribuinte nos documentos pertinentes à importação de mercadorias.
IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS DE CARÁTER MÉDICO-ODONTO-HOSPITALAR. NECESSIDADE DE APROVAÇÃO EXPRESA E PRÉVIA À IMPORTAÇÃO POR PARTE DA ANVISA.
A importação de produto médico-odonto-hospitalar usado ou recondicionado está sujeita a expressa e prévia aprovação da ANVISA, conforme dispõe a RDC n. 81/2008 da aludida Agência, sob pena de ofensa à saúde, o que implica a incidência do disposto no o art. art. 23, IV, §1o do Decreto-lei n. 1.455/76, c.c. o art. 105, XIX do Decreto-lei n. 37/66.
Numero da decisão: 3402-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso quanto às questões preclusas e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 26/11/2010 a 30/12/2010 Ementa: PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. A matéria que não foi expressamente contestada pelo impugnante é considerada não impugnada e, não se tratando de questão de ordem pública, não pode ser conhecida em fase recursal, sob pena de supressão de instância judicativa. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE BENS IMPORTADOS. MERCADORIAS SUJEITAS AO CANAL VERMELHO DE PARAMETRIZAÇÃO. POSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA No presente caso a revisão decorre de erro de fato ao qual a fiscalização foi induzida, haja vista a sonegação de informações por parte do contribuinte nos documentos pertinentes à importação de mercadorias. IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS DE CARÁTER MÉDICO-ODONTO-HOSPITALAR. NECESSIDADE DE APROVAÇÃO EXPRESA E PRÉVIA À IMPORTAÇÃO POR PARTE DA ANVISA. A importação de produto médico-odonto-hospitalar usado ou recondicionado está sujeita a expressa e prévia aprovação da ANVISA, conforme dispõe a RDC n. 81/2008 da aludida Agência, sob pena de ofensa à saúde, o que implica a incidência do disposto no o art. art. 23, IV, §1o do Decreto-lei n. 1.455/76, c.c. o art. 105, XIX do Decreto-lei n. 37/66.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10611.721916/2012-12
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589261
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.051
nome_arquivo_s : Decisao_10611721916201212.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10611721916201212_5589261.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso quanto às questões preclusas e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6374473
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418278965248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 428 1 427 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10611.721916/201212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.051 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria MULTA ADUANEIRA Recorrente J.F.COMÉRCIO E SERVIÇOS DE EQUIPAMENTOS ELETROELETRÔNICOS LTDA. Recorrida UNIÃO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 26/11/2010 a 30/12/2010 Ementa: PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. A matéria que não foi expressamente contestada pelo impugnante é considerada não impugnada e, não se tratando de questão de ordem pública, não pode ser conhecida em fase recursal, sob pena de supressão de instância judicativa. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE BENS IMPORTADOS. MERCADORIAS SUJEITAS AO CANAL VERMELHO DE PARAMETRIZAÇÃO. POSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA No presente caso a revisão decorre de erro de fato ao qual a fiscalização foi induzida, haja vista a sonegação de informações por parte do contribuinte nos documentos pertinentes à importação de mercadorias. IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS DE CARÁTER MÉDICOODONTO HOSPITALAR. NECESSIDADE DE APROVAÇÃO EXPRESA E PRÉVIA À IMPORTAÇÃO POR PARTE DA ANVISA. A importação de produto médicoodontohospitalar usado ou recondicionado está sujeita a expressa e prévia aprovação da ANVISA, conforme dispõe a RDC n. 81/2008 da aludida Agência, sob pena de ofensa à saúde, o que implica a incidência do disposto no o art. art. 23, IV, §1o do Decretolei n. 1.455/76, c.c. o art. 105, XIX do Decretolei n. 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 19 16 /2 01 2- 12 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso quanto às questões preclusas e, na parte conhecida, negarlhe provimento. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente e que visa a perseguição das seguintes exigências aduaneiras: (i) pena de perdimento de bens importados em razão de dano ao erário decorrente da importação de mercadorias sem autorização da ANVISA e que seja atentatória à saúde (art. 23, IV, §1o do Decretolei n. 1.455/761, c.c. o art. 105, XIX do Decretolei n. 37/662), pena essa convertida em multa no valor aduaneiro dos bens importados em razão da impossibilidade da sua apreensão; (ii) multa exclusivamente imposta em razão da importação de mercadoria atentatória à saúde pública, nos termos do art. 107, VII, alínea "b" do Decretolei n. 37/66; e (iii) multa pelo descumprimento de manter em guarda os documentos relativos à operação de importação fiscalizada e de apresentálos para a fiscalização. 2. Tais exigências resultaram na presente autuação, cujo valor total equivale a importância de R$ 29.865,43. 3. Devidamente notificado, o contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 317/326, oportunidade em que alegou, em síntese: (i) que requereu a anuência do DECEX para a importação das mercadorias em comento, quando não foi constatada qualquer irregularidade na transação, sendo autorizada a importação dos equipamentos em questão, de acordo com as LI deferidas (10/28058289, 10/33439902 e 10/28647110); 1 "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...). IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...). § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (...)." 2 "Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...). XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem públicas; (...)." Fl. 429DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.721916/201212 Acórdão n.º 3402003.051 S3C4T2 Fl. 429 3 (ii) que os bens aqui importados (equipamentos automatizados para análises bioquímicas de fluídos fisiológicos por colorimetria, turbidimetria e absorbância e analisadores hematológicos) só precisam de autorização da ANVISA para fins de importação quando se tratar de bens usados e que, no presente caso, os bens importados eram recondicionados, conforme atestam os documentos que instruíram a importação, em especial as invoices; (iii) que os bens importados foram submetidos ao canal vermelho de parametrização, razão pela qual a revisão aduaneira aqui realizada seria atentatória a garantia constitucional do ato jurídico perfeito, bem como aos princípios da confiança e da segurança jurídica, além de implicar alteração do critério jurídico do lançamento. 4. Uma vez processada a aludida Impugnação foi julgada improcedente pela DRJRecife, consoante se depreende da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 26/11/2010, 15/12/2010, 30/12/2010 Mercadorias de importação proibida sujeitamse à pena de perdimento. Revendidos os bens, cabe a conversão dessa pena em multa. O funcionamento das empresas que importam, exportam, transformam, sintetizam, embalam/reembalam, armazenam ou distribuem produtos médicos constantes das Leis nºs 6.360, de 1976, e 9.782, de 1999, regulamentadas pelos Decretos nºs 9.094, de 1977, e Decreto nº 3.029, de 1999, depende de autorização e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. O importador dos equipamentos médicos usados/recondicionados (Colorímetro, do código NCM 9027.50.10, e Analisador hematotógico, do código NCM 9027.80.99) não possuía esse registro quando da ocorrência dos fatos geradores das importações. Além disso, relativamente à importação do Analisador hematotógico, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 81, de 2008, da Anvisa, estabelece a obrigatoriedade de seu licenciamento nesse órgão, na hipótese de ele destinarse ao uso médicoodontohospitalar (destaque 001), informação omitida quando da importação do equipamento (inserção de dados no Siscomex). Foram, portanto, descumpridas exigências administrativas que regem o controle das importações, sujeitos, portanto, os equipamentos, à pena de perdimento, que será convertida em multa no valor aduaneiro dos bens, em razão de sua revenda, em consonância com arts. 23, §3º (com a redação do art.59 da Lei nº 10.637, de 2002, e alteração do art. 81, inc. III, da Lei nº 10.833, de 2003), e 26 do Decretolei nº 1.455, de 1976 c/c art. 692 do Decreto nº 6.759. Mercadorias atentatórias à saúde. Multa. Os equipamentos médicos irregularmente importados são considerados danosos, atentatórios à saúde, ensejando, portanto, a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inc.VII, “b” do Decretolei nº 37, com a redação do art.77 da Lei nº 10.833/2003 (multa fixa de R$ 1.000,00 por DI). Manutenção em boa guarda dos documentos de instrução das declarações aduaneiras e obrigação de apresentálos às autoridades quando exibidos. Descumprimento. Multa. A não apresentação da documentação que acobertou as transações de comércio exterior realizadas, objeto das DI investigadas, enseja a aplicação da multa prevista no art. 710 do Decreto nº 6.759/2009, com a redação do art. 70, II, “b”, 1, da Lei nº 10.833/2003 (5% sobre o valor aduaneiro dos bens). Fl. 430DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/11/2010, 15/12/2010, 30/12/2010 Revisão Aduaneira. O reexame do despacho aduaneiro é procedimento previsto em lei. A Revisão Aduaneira deve ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, conforme dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 150, § 4º, e 156, inciso V, c/c o artigo 54 do Decreto lei nº 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º do Decreto lei nº 2.472, de 1988. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 5. Uma vez notificado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 403/423, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sua Impugnação, bem como acresceu que: (i) a sanção que implicou a pena de perdimento, convertida em multa, é nula, uma vez que a fiscalização não precisou o tipo legal que teria sido descumprido, em ofensa, pois, ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, i.e., o princípio da tipicidade; (ii) ainda em relação a sobredita sanção e de forma subsidiária, haveria um erro de tipo, uma vez que o fato no qual se enquadraria a conduta do contribuinte seria aquele descrito no art. 706, inciso I, alínea "a" do Decreto n. 6.759/09, o que implicaria uma multa de 30% do valor aduaneiro e não a pena de perdimento; e (iii) em relação à multa pelo descumprimento do dever de guarda e de apresentação de documentos fiscais exigidos pela fiscalização, seria esta sanção nula, uma vez que a fiscalização não apontou em concreto qual seria o documento fiscal exigido e não entregue pelo Recorrente. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 7. O recurso voluntário é tempestivo e atende parcialmente as demais exigências formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento em parte, conforme será melhor esclarecido abaixo. I. Da preclusão de parte dos fundamentos fáticojurídicos invocados pelo Recorrente 8. Conforme desenvolvido no Relatório alhures o contribuinte foi autuado em razão da imputação de três distintas sanções, quais sejam: (i) pena de perdimento de bens importados em razão de dano ao erário decorrente da importação de mercadorias sem autorização da ANVISA e que seja atentatória à saúde (art. 23, IV, §1o do Decretolei n. 1.455/76, c.c. o art. 105, XIX do Decretolei n. 37/66), pena essa convertida em multa no valor aduaneiro dos bens importados por conta da impossibilidade da sua apreensão; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.721916/201212 Acórdão n.º 3402003.051 S3C4T2 Fl. 430 5 (ii) multa pela importação de mercadoria atentatória à saúde pública, nos termos do art. 107, VII, alínea "b" do Decretolei n. 37/66; e, ainda (iii) multa pelo descumprimento de manter em guarda os documentos relativos à operação de importação fiscalizada e de apresentálos para a fiscalização. 9. Acontece que, em sua Impugnação de fls. 317/326, o ora Recorrente se limitou a questionar apenas a primeira exigência fiscal, deixando, todavia, de questionar as demais sanções. Dessa feita, está precluso o direito do contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, debater as demais exigências aqui tratadas (itens "ii" e "iii" alhures), nos exatos termos do disposto no art. 17 do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 10. Não se tratando de questões de ordem pública, que poderiam ser reconhecidas de ofício e em qualquer grau de jurisdição, em razão da aplicação subsidiária do art. 485, § 3o, c.c. o art. 15, ambos do Novo Código de Processo Civil3, não poderia o Recorrente, em grau recursal, inovar a lide, sob pena de haver notória supressão de instância judicativa. 11. Neste sentido, não conheço dos fundamentos desenvolvidos pelo Recorrente no sentido de combater (i) a multa pela importação de mercadoria atentatória à saúde pública (art. 107, VII, alínea "b" do Decretolei n. 37/66) e (ii) a multa pelo descumprimento de manter em guarda os documentos relativos à operação de importação fiscalizada e de apresentálos para a fiscalização. II. Da reclassificação fiscal perpetrada e a pena de perdimento convertida em pena de multa imposta para o Recorrente 12. Um dos pontos em que se apega o Recorrente em suas razões recursais é de que os bens importados e aqui analisados foram submetidos ao canal vermelho de parametrização, ou seja, foram sujeitos à conferência documental e física por parte dos agentes da aduana no momento do correlato desembaraço. 13. Assim, ainda segundo preconiza o contribuinte, promover uma revisão aduaneira em situações como a aqui narrada implicaria, em verdade, em revisão do critério jurídico do lançamento, o que, por seu turno, atentaria contra a garantia constitucional do ato jurídico perfeito, bem como aos princípios da confiança e da segurança jurídica. 14. Tenho para mim que, a depender da situação fática que permeia o caso, tais fundamentos podem ser validados. Registrese, desde logo, que não ignoro o disposto no art. 54 do DecretoLei nº 37/1966, c.c. o art. 570 do Decreto nº 4.543/2002, que prevêem, após o desembaraço, a possibilidade dos agentes aduaneiros promoverem a revisão para fins de 3 "Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...). 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...)." "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Fl. 432DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 apuração de regularidade do pagamento dos tributos, bem como a correição das informações prestadas pelo importador na DI. 15. Acontece que tais dispositivos não andam só, devendo ser interpretados em compasso com outros dispositivos do ordenamento jurídico nacional, dentre os quais destacase o disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional, além de princípios que permeiam este mesmo ordenamento, dentre os quais faço especial menção ao princípio da moralidade da Administração Pública, da proteção da confiança do administrado e, ainda, o sobreprincípio da segurança jurídica. 16. Assim, em princípio, a revisão aduaneira seria possível para aquelas hipóteses em que a mercadoria importada não foi sujeita ao canais de parametrização que impliquem a conferência física dos bens importados ou, ainda, quando se está diante de um erro de fato (e não de direito), em especial quando este erro decorre de uma indução (ainda que culposa) promovida pelo contribuinte por conta de equívocos no preenchimento dos documentos atinentes aos produtos importados. 17 Neste mesmo sentido, transcrevo trecho de preciso voto da lavra do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, proferido quando do julgamento do processo administrativo n. 11829.720034/201249, in verbis: (...) A revisão aduaneira prevista pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, diploma recepcionado como lei complementar pela Constituição da República de 1988. Assim, prestase a revisar os erros de fato, mas jamais os erros de direito. Ao se propor a alterar os termos da relação que mantém com o contribuinte, o Estado deverá fazêlo apenas com relação aos fatos geradores ainda a serem praticados, sem alcançar aqueles já praticados, pois o passado prossegue resguardado: sob o crivo dos novos critérios, de uma nova política fiscal, decidirá o contribuinte se continuará ou não a realizar importações, resguardado o direito de organizar os seus negócios. (...). 18. Aliás, forte em tais premissas, é que acompanhei o voto vencido da então Relatora dos autos n. 10314.005143/200460, Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, por meio do se defendeu a impossibilidade de revisão aduaneira na hipótese de erro de direito. 19. Fixadas tais premissas, convém debruçarse sobre o caso decidendo para avaliar se estamos diante de uma revisão aduaneira por erro de direito, o que conflitaria com os dispositivos legais e princípios há pouco referidos ou, todavia, se estamos diante de um erro de fato, que permitiria o trabalho de revisão com arrimo no art. 54 do DecretoLei nº 37/1966, c.c. o art. 570 do Decreto nº 4.543/2002. 20. Como já mencionado no relatório, os bens importados são equipamentos de diagnósticos e de análises químicas empregados no âmbito médicoodontológicohospitalar. Por sua vez, os códigos tarifários onde se classificaram as mercadorias importadas são os seguintes: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.721916/201212 Acórdão n.º 3402003.051 S3C4T2 Fl. 431 7 Códigos NCM Mercadorias Utilizações 9027.50.10 Colorímetros Para diagnóstico humano 9027.80.99 Outros aparelhos para análises químicas Para uso médicoodonto hospitalar 21. Os colorímetros são aparelhos empregados em análises químicas e bioquímicas e que servem para determinar o grau de concentração de determinadas substâncias presentes em uma solução. Por seu turno, os outros aparelhos utilizados em análises químicas e que foram objeto da importação são, em suma, aparelhos de uso médicoodontohospitalar empregados para a contagem de células sanguíneas, i.e, servem para a determinação de tempo de coagulação ou análises para diagnóstico. Não obstante, é possível se verificar das DIs acostadas com a Impugnação que tais aparelhos não eram novos, ma sim recondicionados. 22. A importação de tais aparelhos está sujeita a expressa e prévia aprovação da ANVISA, conforme dispõe a RDC n. 81/2008 da aludida Agência. Vejamos: “DISPOSIÇÕES GERAIS DE IMPORTAÇÃO A importação de bens ou produtos sob vigilância sanitária deverá ser precedida de expressa manifestação favorável da autoridade sanitária, na forma deste Regulamento. 1. Somente será autorizada à importação, entrega ao consumo, exposição à venda ou à saúde humana a qualquer título, de bens e produtos sob vigilância sanitária, que atendam às exigências sanitárias de que trata este Regulamento e legislação sanitária pertinente. 1.1. Os bens e produtos sob vigilância sanitária, destinados ao comércio, à indústria ou consumo direto, deverão ter a importação autorizada desde que estejam regularizados formalmente perante o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária no tocante à obrigatoriedade, no que couber, de registro, notificação, cadastro, autorização de modelo, isenção de registro, ou qualquer outra forma de controle regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 1.2. A autorização de importação de bens e produtos sob vigilância sanitária por pessoa física ou jurídica darseá obrigatoriamente a partir do cumprimento de diretrizes técnico administrativas e de requerimento por meio de peticionamento, eletrônico ou manual, disponibilizados e regulamentados pela ANVISA. 1.3. As informações integrantes do peticionamento, eletrônico ou manual, de que trata o subitem anterior, relativas à importação de bens e produtos, na forma deste Regulamento, deverão corresponder fidedignamente às constatadas quando da sua inspeção e fiscalização sanitária. (,,,) Fl. 434DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 3. Caberá ao importador e/ou detentor da regularização do produto a obrigação pelo cumprimento e observância das normas regulamentares e legais, medidas, formalidades e exigências ao processo administrativo de importação, em todas as suas etapas, desde o embarque no exterior até a liberação sanitária no território nacional. 3.1. Incluirseá no disposto neste item a obrigação de adotar medidas idôneas, próprias e junto a terceiros contratados para a importação de bens ou produtos sob vigilância sanitária, que evitem ou impeçam prejuízo à saúde. 3.2. O disposto neste item não eximirá o terceiro contratado de cumprir e observar as normas regulamentares e legais, medidas, formalidades e exigências previstas neste Regulamento. 4. Na importação de bens e produtos sob vigilância sanitária com classificação tarifária NCM/SH não prevista no Capítulo XXXIX deste regulamento, a autoridade sanitária estará desobrigada de efetuar perante o SISCOMEX operações de exigência, autorização de embarque e de deferimento ou indeferimento no Licenciamento de importação. 4.1. O disposto neste item não exime a fiscalização sanitária. 5. Os prazos para as medidas, formalidades e exigências previstas neste Regulamento contarseão a partir do primeiro dia útil a contar da data do seu recebimento. (...). MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO DO SISCOMEX MÓDULO IMPORTAÇÃO Das Disposições Gerais 1. A importação de bens e produtos sujeitos ao licenciamento não automático no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, dispostos no Capítulo XXXIX deste Regulamento, destinada à pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, sujeitarseá obrigatoriamente a prévia e expressa anuência da ANVISA por meio de deferimento da licença de importação, como entidade integrante do sistema. 2. O importador de bens e produtos sob vigilância sanitária além de cumprir as exigências sanitárias previstas neste Regulamento para as diferentes finalidades de importação, deverá apresentar à autoridade sanitária competente da ANVISA o pleito de fiscalização e liberação sanitária da importação, por meio de petição para fiscalização e liberação sanitária de que trata o subitem 1.2. do Capítulo II deste Regulamento. Do Registro do Licenciamento de Importação 3. O registro do licenciamento de importação deverá ser feito pelo importador ou seu representante legal, habilitado, por meio do SISCOMEX, Módulo Importação. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.721916/201212 Acórdão n.º 3402003.051 S3C4T2 Fl. 432 9 3.1. O importador será responsável perante a autoridade sanitária competente pela classificação do produto na Tabela de Tratamento Administrativo, do SISCOMEX. 3.2. O importador de bens e produtos sujeitos a licenciamento não automático ficará obrigado a registrar mediante o preenchimento dos campos da “Ficha do Fornecedor” da Licença de Importação LI, no SISCOMEX, as informações relacionadas ao fabricante e exportador. 3.3. O importador de aparelhos, instrumentos e acessórios integrantes da classe de produto médico ficará obrigado a registrar nos campos da “ficha mercadoria”, da Licença de ImportaçãoLI, no SISCOMEX, as informações referentes à: a) identificação do produto, nome, especificação (cada especificação deverá corresponder a um item) e modelo ou apresentação comercial, assim como das partes e acessórios que o acompanhem; b) condição do produto, se novo ou recondicionado. 3.4. O importador deverá obrigatoriamente registrar no campo “informações complementares” da Licença de ImportaçãoLI: a) número ou código da regularização da empresa importadora no tocante à Autorização de Funcionamento de Empresa especificando atividade(s) quando se tratar de importação de produtos pertencentes as classes de medicamentos, cosméticos, perfumes, produtos de higiene pessoal, saneantes, produtos médicos, produtos para diagnóstico in vitro, matériaprima e insumos destinados à indústria farmacêutica; bem como as importações terceirizadas sob status de conta e ordem; (...) 3.5. No campo da “ficha mercadoria” da Licença de ImportaçãoLI, a regularização do produto e respectiva validade no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária SNVS. 4. A importação de produtos destinados à indústria e comércio deverá efetuarseá, exclusivamente, por meio de registro no SISCOMEX, Módulo Importação, respeitadas as diretrizes para as demais finalidades de importação previstas nos demais Capítulos deste Regulamento. 5. A importação de bens e produtos quando sujeito a licenciamento não automático LI SISCOMEX, dispostas em Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, deverá atender aos procedimentos administrativos e exigências documentais integrantes do Capítulo XXXIX deste Regulamento. Da Autorização de Embarque do Licenciamento de Importação 6. Não será concedida autorização de embarque ou deferimento do Licenciamento de ImportaçãoLI, de bens e produtos integrantes dos procedimentos administrativos descritos no Fl. 436DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Capítulo XXXIX, que não atendam às exigências sanitárias dispostas neste Regulamento ou em outros diplomas legais sanitários em vigência. (...) Do Deferimento do Licenciamento de Importação 8. O deferimento do Licenciamento de Importação pela ANVISA implicará na fiscalização dos bens e produtos antes do desembaraço aduaneiro, a critério da autoridade sanitária competente ou sempre que assim for exigido por força deste Regulamento. 9. O deferimento do Licenciamento de Importação darseá após cumprimento, pelo importador, das exigências sanitárias ou nos casos previstos nos Capítulos deste Regulamento. (...)” (grifos nosso) 23. Percebese do regulamento acima que, em se tratando de licenciamento não automático de importações junto ao SISCOMEX como ocorre no caso ora examinado (art. 37 da Portaria Secex nº 10, de 24.05.20104) compete ao importador de bens sujeitos à fiscalização da vigilância sanitária apresentar à ANVISA pleito de fiscalização e liberação sanitária do bem, o que não ocorreu no caso em tela. 24. Ademais, na correlata LI, o importador deve indicar o órgão anuente envolvido, dentre os quais destacase a ANVISA, sob pena de induzir a fiscalização aduaneira em erro de fato, já que os agentes aduaneiros ficam impossibilitados de saber que a mercadoria importada está sujeita a prévia e expressa anuência de um específica agência fiscalizatória, o que indevidamente limita a sua análise apenas à questão afeta ao comércio exterior propriamente dito. Em relação a LI 10/28058297, v.g., a Recorrente se limita a indicar como órgão anuente o DECEX, sem, todavia, fazer a mesma indicação para a ANVISA. O mesmo ocorreu em todas as demais LIs aqui tratadas. 25. Dessa feita, resta patente que não se está diante de um erro de direito, mas sim de um erro de fato, o que permite a revisão aduaneira com fundamento no art. 54 do DecretoLei nº 37/1966, c.c. o art. 570 do Decreto nº 4.543/2002. 26. Com base em tais fundamentos, fica também rechaçada a tese desenvolvida pelo contribuinte que as importações em referência contaram com a aprovação do DECEX, o que seria suficiente para validar a sua operação.No caso das mercadorias especificadamente importadas pela Recorrente, a anuência do DECEX era condição necessária, mas não suficiente para a importação regular das mercadorias aqui tratadas, na medida em que também se fazia necessária a prévia e expressa autorização da ANVISA. 27. Outrossim, diferentemente do que alega o Recorrente, houve precisa subsunção do fato apurado pela fiscalização àquele previsto no plano normativo, com a expressa indicação do seu fundamento, qual seja, o art. art. 23, IV, §1o do Decretolei n. 1.455/76, c.c. o art. 105, XIX do Decretolei n. 37/66. 28 . Segundo tais dispositivos legais, fundamentos da autuação, deve haver o perdimento da mercadoria estrangeira importada que atente contra determinados valores tutelados pelo direito, dentre eles a saúde. No presente caso, há ofensa à saúde na medida em 4 "Importações de Material Usado Procedimentos Gerais Art. 37. A importação de mercadorias usadas está sujeita a licenciamento não automático, previamente ao embarque dos bens no exterior." Fl. 437DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.721916/201212 Acórdão n.º 3402003.051 S3C4T2 Fl. 433 11 que o Recorrente importa produto médicoodontológicohospitalar sem a prévia e expressa autorização da ANVISA, a quem competia verificar se a utilização dos produtos importados poderiam ou não trazer malefícios para a saúde dos seus usuários. 29. Por fim, não há que se falar em erro na capitulação da sanção aplicada. Segundo o contribuinte, eventual sanção devida seria nos termos do disposto no art. 706, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro abaixo transcrito: Art. 706. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 169, caput e § 6º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): I de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea “b”, e § 6º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o); e (...). 30. A sanção aqui aplicada não decorre da importação de mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente, mas sim pelo fato do Recorrente ter importado mercadoria sujeita a anuência da ANVISA, sem, todavia, cumprir com tal exigência, o que, por conseguinte, implicou a importação de mercadoria que atenta contra a saúde, exatamente como prevê, de forma específica, o art. 105, XIX do Decretolei n. 37/66. Dispositivo 31. Ante o exposto, voto para conhecer parcialmente o recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, para negarlhe provimento. 32. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 438DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001036/2003-12
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2002
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
À mingua de comprovação da existência de crédito líquido e
certo, mantém-se a decisão recorrida.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.949
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Walber José Da Silva.
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200803
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. À mingua de comprovação da existência de crédito líquido e certo, mantém-se a decisão recorrida. Recurso negado.
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 10850.001036/2003-12
conteudo_id_s : 5586920
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 201-80.949
nome_arquivo_s : Decisao_10850001036200312.pdf
nome_relator_s : Walber José Da Silva.
nome_arquivo_pdf_s : 10850001036200312_5586920.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2008
id : 6365623
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418284208128
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-03T18:12:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-03T18:12:20Z; Last-Modified: 2009-08-03T18:12:20Z; dcterms:modified: 2009-08-03T18:12:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-03T18:12:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-03T18:12:20Z; meta:save-date: 2009-08-03T18:12:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-03T18:12:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-03T18:12:20Z; created: 2009-08-03T18:12:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-08-03T18:12:20Z; pdf:charsPerPage: 1173; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-03T18:12:20Z | Conteúdo => MF - SEGUNDO consamo DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIG!Nkl. BrasIlia. _,24/ 1 CCO2/C01 Fls. 59 Sdwo .r5osa Mat.: Suas $1 745 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10850.001036/2003-12 Recurso n° 135.281 Voluntário de Contribuintes Matéria Cofins Acórdão n° 201-80.949 Sessão de 11 de março de 2008 me:Pir-seguni° O:020.?Htátixica tio adi da Recorrente DECAERO DE CARLI AEROAGRICOLA LTDA. - Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. À mingua de comprovação da existência de crédito líquido e certo, mantém-se a decisão recorrida. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. iN • e elika Ck, I SE '1,4 MARIA COELHOteSir Presidente WALB JOSÉ DA LVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Antônio Ricardo Accioly Campos e Gileno Gurjão Barreto. ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10850.001036/2003-12 CONFERE COM O OFJC n NAL CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.949 Brasília, g .ip o ¡zoa. Fls. 60 Sihriog Gota Mac Sapa 91745 Relatório No dia 22/04/2003 a empresa DECAERO DE CARLI AEROAGRÍCOLA LTDA., já qualificada nos autos, apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01, declarando que efetuou a compensação dos débitos ali consignados com crédito reconhecido no Processo n2 10850.001471/2002-58. A DRF em São José do Rio Preto - SP não homologou as compensações efetuadas porque inexiste o crédito pleiteado no processo acima indicado, conforme Despacho Decisório de fl. 25. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 31/32, na qual alega, resumidamente, que apresentou recurso contra a decisão que não reconheceu o crédito pleiteado e usado nesta compensação, requerendo a "suspensão de qualquer medida contrária ao livre e pleno exercício de sua atividade". A 1 1 Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão n 2 14-12.619, de 08/05/2006, esclarecendo que a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do débito que se pretende compensar. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/06/2006, conforme AR de fl. 38, e, discordando da mesma, ingressou com o recurso voluntário de fls. 39/52, alegando, em apertada síntese, que: 1 - o alheamento da decisão em relação aos fundamentos da defesa é patente e não deixa dúvidas quanto à nulidade da decisão monocrática, ora recorrida; 2 - lei ordinária não pode revogar lei complementar e, portanto, tem direito à isenção da Cofins outorgada pelo art. 62 da Lei Complementar n2 70/91, que não foi revogada pela Lei n2 9.430/96. Cita jurisprudência do STJ; e 3 - é líquido e certo o crédito pretendido e que inexiste dispositivo legal estabelecendo a decadência para haver contribuição paga indevidamente. A restituição pretendida não é de tributo e não está sujeita às normas pertinentes de Direito Tributário. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 20/11/2007, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 58. É o Relatório. ;#1- ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10850.001036/2003-12 CONFERE COMO OR.CINAL CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.949 SrasUa, cif ?te Fls. 61 Mo. SSosa Mat : 1745 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator A empresa DECAERO DE CARLI AEROAGRICOLA LTDA. apresentou Declaração de Compensação de débitos seus com créditos de PIS supostamente reconhecido no Processo n2 10850.001471/2002-58. A Unidade Local da RFB não homologou as compensações porque inexiste crédito em favor da recorrente reconhecido no processo supracitado. Ciente do Despacho Decisório, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade junto à DRJ em Ribeirão Preto - SP, alegando que o crédito estava sendo discutido no processo informado na declaração e requerendo a "suspensão de qualquer medida contrária ao livre e pleno exercício de sua atividade". A 12 Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu o pedido da recorrente, esclarecendo que o débito deste processo está com a exigibilidade suspensa em face da apresentação da manifestação de inconformidade. Sobre a alegação de nulidade da decisão recorrida a recorrente está equivocada, como se demonstrará. Relativamente à nulidade da decisão recorrida, a recorrente não apontou qual argumento não foi apreciado pela Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP. Ou, como ela mesma diz, que argumento ficou "alheio" ou não foi enfrentado pela decisão recorrida. Lendo o voto condutor do Acórdão recorrido, pode-se constatar que a decisão enfrentou os dois únicos argumentos da manifestação de inconformidade, a saber: i) o crédito está sendo discutido no Processo n 2 10850.00147112002-58; e ii) suspensão de qualquer medida contrária ao livre e pleno exercício de sua atividade. Sobre o primeiro argumento não há litígio. Em nenhum momento a decisão recorrida negou que a recorrente esteja pleiteando crédito no Processo n 2 10850.001471/2002- 58. Também foi esclarecido que a apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade de débito compensado indevidamente, em resposta ao requerimento da recorrente para suspender qualquer medida contrária "ao livre e pleno exercício de sua atividade". Pelas razões pretéritas, entendo desprovida de qualquer fundamentação legal e fática a alegação de nulidade da decisão recorrida. São estranhos à lide os argumentos da recorrente sobre ao direito à isenção da Cofins e sobre a extinção do direito de pleitear restituição de contribuição paga indevidamente. Neste processo nem a recorrente, antes da apresentação do recurso voluntário, nem a DRF e nem a DRJ trataram desses temas. Portanto, são absolutamente impertinentes os argumentos da recorrente. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORGINAL- • . Processo n.° I 0850.001 036/2003-12 SrasIlia, 4:2 (i1 ° / 700g ' - CCO2/COI Acórdão n.°201-80.949 sseio RS -1" Fls. 62 Mat . SiSpe 81745 Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das S - sões, em 1 de março de 2008. / Á i ! WALB ',1 JOSÉ DA SI VA á 1‘ Page 1 _0067500.PDF Page 1 _0067700.PDF Page 1 _0067900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725918/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS. INFRAÇÃO INCONTROVERSA MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente não se insurgiu quanto à imputação que lhe fora imposta por ocasião do lançamento, este é considerado como incontroverso, configurando-se o descumprimento da obrigação acessória de apresentação de livros e documentos devidamente requeridos pela fiscalização tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS. INFRAÇÃO INCONTROVERSA MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente não se insurgiu quanto à imputação que lhe fora imposta por ocasião do lançamento, este é considerado como incontroverso, configurando-se o descumprimento da obrigação acessória de apresentação de livros e documentos devidamente requeridos pela fiscalização tributária. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.725918/2010-15
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5593913
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.130
nome_arquivo_s : Decisao_10580725918201015.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 10580725918201015_5593913.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
id : 6393948
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418286305280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 247 1 246 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725918/201015 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.130 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS Recorrente OLIVEIRA GIL BRAZ PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS. INFRAÇÃO INCONTROVERSA MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente não se insurgiu quanto à imputação que lhe fora imposta por ocasião do lançamento, este é considerado como incontroverso, configurandose o descumprimento da obrigação acessória de apresentação de livros e documentos devidamente requeridos pela fiscalização tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 18 /2 01 0- 15 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725918/201015 Acórdão n.º 2402005.130 S2C4T2 Fl. 248 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por OLIVEIRA GIL BRAZ PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração 37.262.9342 (CFL 38), lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado apresentar documentos devidamente solicitados pela fiscalização por meio de TIAD. Consta do relatório fiscal que a empresa não apresentou (i) a folha de pagamentos do 13 salário de 2006, (ii) documentos de suporte dos lançamentos contábeis nas contas AJUDA DE CUSTO 9400019, PROLABORE 9400013, ASSES HON PROFIS 9410003, e AUTEN RECON 9410004 e (iii) a tabela de incidência gerada pelo sistema de folha de pagamento. O período do lançamento compreende as competências de 01/2006 a 13/2006, tendo sido contribuinte cientificado em 30/06/2010. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a nulidade do Auto de Infração, pois dele não consta a clara e correta fundamentação quanto a motivação da autuação lavrada; 2. que em razão de sua atividade ser a de fornecimento de mãodeobra, a fiscalização deixou de considerar e abater no presente lançamento as retenções sofridas quando dos pagamentos efetuados por seus contratantes; 3. erro na capitulação legal, tendo em vista que a fiscalização aplicou multa com base em legislação revogada; 4. que o fiscal, ao efetuar o lançamento, erroneamente considerou como base de cálculo das contribuições verbas indenizatórias recebidas pelos empregados, a saber, terço de férias, aviso prévio indenizado, horas extras, auxíliocreche, auxíliotransporte, auxílio doença, pagamentos em acordos trabalhistas, auxílio educação, participação nos lucros e resultados, diárias de viagens e auxilio alimentação; 5. que a multa aplicada de 112,5% é confiscatória. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 6. que a multa aplicada já fora objeto de outros autos de infração; 7. por fim, a não incidência de juros sobre a multa aplicada, ilegalidade da SELIC; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725918/201015 Acórdão n.º 2402005.130 S2C4T2 Fl. 249 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Alega a recorrente que o presente lançamento deve ser anulado em razão da ausência de motivação constante no relatório fiscal da infração, que não observou a fiel descrição do fato infringente. Sem razão. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento de multa por ter deixado de declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições a seu cargo, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento. Ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise do relatório fiscal de cada um dos Autos de Infração, verificase que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto e a imposição fiscal restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador da multa e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Não obstante, no presente caso cumpre apontar que o fiscal autuante foi por demais minucioso em demonstrar toda a fundamentação que levou às conclusões pela necessidade do lançamento. Melhor sorte não aufere o recorrente, quando sustenta a nulidade, em decorrência de erro na fundamentação legal da multa aplicada. Em momento algum fora aplicada qualquer multa com base em legislação revogada. O que fez a fiscalização, a contento, foi dar o devido cumprimento ao que dispõe o art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a necessidade de que a imposição das multas o sejam feitas da forma mais benéfica ao contribuinte. Dessa forma, o fiscal comparou qual das multas seria a mais benéfica, e aplicou a legislação que corrobora tais conclusões, baseado em permissivo legal autorizador de referido procedimento. Logo, também não há qualquer nulidade a ser reconhecida sob este aspecto, de modo que rejeito as preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, a presente autuação é decorrente da não apresentação de documentação solicitada quando da ação fiscal levada a efeito em face da recorrente. Ao que percebo do recurso voluntário, a recorrente não se insurge contra tal imputação constante no Auto de Infração, defendendo ter apresentado todos os documentos que lhe foram solicitados. Ao contrário, conforme se verifica dos autos e das respostas aos termos de intimação, a própria contribuinte declara não ter apresentado os documentos, por não possuílos, o que torna a infração incontroversa. Ademais, toda a matéria objeto do recurso voluntário, já fora analisada por esta Turma quando do julgamento dos autos do processo n. 10580.725913/201092, a seguir transcrita: AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. RECONHECIMENTO. Conforme previsão constante no artigo 17 do Decreto 70.235/72, deverá o contribuinte suscitar a sua matéria de defesa em sede de impugnação, sendo vedado a inovação de argumentos em sede recursal, que não se contraponham as conclusões do julgamento de primeira instância, em razão da preclusão. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Incidem juros legais sobre a multa de ofício aplicada quando do lançamento. Precedentes. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725918/201015 Acórdão n.º 2402005.130 S2C4T2 Fl. 250 7 SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. A propósito, cito os argumentos de decidir daquela oportunidade, os quais também adoto no presente caso. A seguir: Das alegações da inobservância das retenções e da lançamento efetuado sobre verbas que não devem compor a base de cálculo das contribuições. Tais alegações, por mais que constem no bojo do recurso voluntário apresentado, não foram aduzidas em sede de impugnação por parte da contribuinte, motivo pelo qual entendo que não podem ser conhecidas nesta oportunidade, em razão da ocorrência da preclusão, pois deveria o contribuinte aduzir toda a matéria de defesa em sede de impugnação. A propósito, cito o art. 16 e 17, ambos do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Ademais, quanto as retenções, a recorrente sequer acostou ao recurso voluntário qualquer documento que, ao menos, sustente as suas alegações. Do caráter confiscatório da multa Quanto ao reconhecimento do caráter confiscatório da multa aplicada, tenho que, tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições e multas, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 161DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Aplicação de Juros Sobre a Multa O assunto já foi objeto de calorosos debates por este Eg. Conselho, de modo que acabou por ser fixada a tese de que a incidência dos juros não é considerada como medida ilegal quando da lavratura do lançamento das contribuições previdenciárias. A propósito, cito o seguinte precedente: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 30/08/2008 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Decadência reconhecida por qualquer das regras do Código Tributário Nacional. PLR PAGA A DIRETORES NÃO EMPREGADOS.IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETOS. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Tendo em vista que a recorrente impetrou Mandado de Segurança e Ação Ordinária com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, pleiteando o reconhecimento da não incidência das contribuições sobre pagamentos creditados a diretores não empregados, é de se reconhecer a renúncia ao contencioso administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n. 01. PLR PAGA A SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE MEMÓRIAS DE CÁLCULO DOS VALORES PAGOS. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO EFETUADO. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A não apresentação das memórias de cálculo dos valores pagos a título de PLR autoriza que o lançamento das contribuições tidas por devidas seja realizado pela sistemática do arbitramento em conformidade com o art. 33 da Lei 8.212/91, o que não foi observado no presente caso, já que, pela não apresentação, houve a simples descaracterização do acordo levado a efeito pelas partes. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). PAGAMENTO VINCULADO A PERMANÊNCIA DO EMPREGADO NA EMPRESA E EM SUBSTITUIÇÃO DAS VANTAGENS SALARIAIS DEVIDAS DURANTE O PERÍODO DO LABOR. PARCELA DE NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA. Tendo em vista que o pagamento do bônus de contratação se deu de forma a retribuir os trabalhos prestados na empresa contratante, com expressa determinação contratual de que o mesmo substitui e engloba todas as vantagens que o empregado poderia auferir no exercício de suas funções junto ao contratante, além de exigir lhe tempo mínimo de permanência na empresa, é de se reconhecer a natureza salarial da verba, devendo compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 2401003.708, Rel. Conselheiro Igor Araújo Soares) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725918/201015 Acórdão n.º 2402005.130 S2C4T2 Fl. 251 9 Juros Selic Por fim, a insurgência acerca da aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: ”Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720786/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento apreciar e julgar manifestação de inconformidade apresentada por contribuintes contra despacho decisórios em pleitos repetitórios.
Numero da decisão: 3201-002.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento apreciar e julgar manifestação de inconformidade apresentada por contribuintes contra despacho decisórios em pleitos repetitórios.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16682.720786/2011-54
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5579139
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.112
nome_arquivo_s : Decisao_16682720786201154.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 16682720786201154_5579139.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6338041
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418303082496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.004 1 1.003 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720786/201154 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.112 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2016 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento apreciar e julgar manifestação de inconformidade apresentada por contribuintes contra despacho decisórios em pleitos repetitórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação apresentada pela recorrente cujo crédito corresponde à pagamento a maior de Cofins do período de apuração de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 86 /2 01 1- 54 Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.720786/201154 Acórdão n.º 3201002.112 S3C2T1 Fl. 1.005 2 28/02/2003, no valor original do crédito inicial de R$ 4.800.457,64, com o qual pleiteia compensar débito de Cofins do período de apuração de fevereiro de 2004. Em análise a Dcomp apresentada pela recorrente, decidiu a DERAT/RIO pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação da compensação. Cientificada, apresentou a recorrente manifestação de inconformidade. A 4º Turma da DRJ/RJ2, em análise à petição da recorrente, formalizou despacho no qual não conhece da manifestação de inconformidade, com a seguinte justificativa: [...] Como se pode notar, ainda que tenha sido formalmente interposta manifestação de inconformidade, a supostamente inaugurar fase litigiosa sobre o crédito fiscal, na realidade o próprio contribuinte afirma que se equivocou, salienta do que o crédito a que se refere o pedido de compensação em apreço PER/DCOMP 33746 150304.13 048800 (fls. 02 06) — reporta se a créditos auferidos "nos períodos compreendidos entre fevereiro de 1999 a dezembro de 2001". Já o PER/DCOMP aqui tratado referese a crédito declarado relativo a suposto pagamento indevido em março de 2003 (fl. 05). Ou seja, na verdade não há litígio sobre a inexistência do alegado credito no referido PER/DCOMP. O que se está a pleitear, de fato, consiste na retificação do pedido. Tal petição não pode ser recebida como manifestação de inconformidade prevista no §9° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, tendo em conta a ausência de litígio quanto ao direito creditório utilizado no DCOMP e apreciado pela DRFB, uma vez que não se discute a existência do crédito que fundamentou o ato de não homologação. As alegações da interessada objetivam somente evitar a cobrança de seus débitos. [...] Cientificada do despacho, apresentou a recorrente recurso voluntário. Em análise aos autos, a DEMAC/RJ decidiu pelo não encaminhamento do recurso voluntário ao CARF. Impetrou, então, a recorrente Mandado de Segurança, no qual requer: IV – DO PEDIDO Por todo o exposto, requer a Impetrante a concessão de MEDIDA LIMINAR, "inaudita altera pars", se dignando V.Exa. a (i) determinar o imediato recebimento, processamento e julgamento do Recurso Voluntário interposto, com fulcro no § 10 do artigo 74 da Lei n.° 9.430/96, em face da decisão que Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.720786/201154 Acórdão n.º 3201002.112 S3C2T1 Fl. 1.006 3 indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada em face da decisão que não homologou a compensação formalizada no Processo Administrativo n.° 10768.720135/200751; (ii) reconhecer o direito da Impetrante de exaurir a via administrativa para discutir a compensação formalizada nos autos do Processo Administrativo n.° 10768.720135/200751 que deverá seguir o rito previsto pelo Decreto n° 70.235/72; e (iii) conseqüentemente reconhecer a suspensão da exigibilidade do referido debito fiscal alocado no Processo Administrativo de Débito n.° 16682.720376/201111, nos termos do Inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, ate o transito em julgado da decisão final administrativa, de modo a não consubstanciar óbice renovação da Certidão de Regularidade Fiscal da Impetrante. A concessão da liminar é medida que se impõe, sob pena de se reconhecido o direito da Impetrante pela sentença de mérito já se terem avultado de maneira irreversível os prejuízos efetivamente sofridos pela Impetrante. Requer, ainda, uma vez prestadas as informações pelas D. Autoridades Coatoras, e ouvido o Ministério Público, que o presente "writ" seja julgado totalmente procedente, reconhecendose o direito liquido e certo da Impetrante (i) interpor os Recursos previstos pelos §§ 9° e 10 do artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 para discutir a legalidade da compensação formalizada no Processo Administrativo n.° 10768.720135/2007 51; (ii) percorrer toda a esfera administrativa para discutir a legalidade da referida compensação devendo o contencioso administrativo instaurado ser processado sob o rito estabelecido pelo Decreto n.° 70.235/72; e (iii) que o débito discutido nos autos do Processo Administrativo n.° 10768.720135/200751 (alocado no Processo Administrativo de Débito n.° 16682.720376/201111), permaneça COM exigibilidade suspensa, nos termos do Inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, até o transito em julgado da decisão administrativa. (grifo nosso) O pedido de medida liminar foi indeferido. A Juíza Federal Substituta da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro, contudo, em sentença de mérito, reverteu seu entendimento inicial e concedeu a segurança a recorrente, nestes termos: Do exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar a Autoridade Impetrada que dê regular seguimento à Manifestação de Inconformidade interposta pela Impetrante nos autos do Processo Administrativo nº 10768720135/0751, mantendo suspensa a exigibilidade do crédito tributário consubstanciado no Processo Administrativo de Débito nº Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.720786/201154 Acórdão n.º 3201002.112 S3C2T1 Fl. 1.007 4 16682.720376/201111, até o encerramento da discussão na esfera administrativa, nos termos do art. 74, §11 da Lei nº 9430/96. (grifo nosso) O processo foi encaminhado a 4º Turma da DRJ/RJ2 para cumprimento da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança. A 4ª Turma da DRJ/RJ2 proferiu, então, resolução, determinado o encaminhamento dos autos ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, com a seguinte motivação: [...] Sendo assim, uma vez que em sua inicial, o autor, de forma clara, pleiteou o “processamento e julgamento do Recurso Voluntário interposto, com fulcro no § 10 do artigo 74 da Lei n.° 9.430/96, em face da decisão que indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada em face da decisão que não homologou a compensação formalizada no Processo Administrativo n.° 10768.720135/200751...” ; e a Juíza, por sua vez, na sentença, concedeu a segurança, “para determinar à Autoridade Impetrada que dê regular seguimento à Manifestação de Inconformidade interposta pela Impetrante nos autos do Processo Administrativo nº 10768720135/0751...” impõese que os autos sejam encaminhados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação do recurso voluntário. [...] O processo, então, foi distribuído a este Conselheiro para o julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O presente processo foi encaminhado ao CARF para julgamento em decorrência de decisão judicial. Observo, contudo, que a decisão judicial, ao contrário do afirmado pela 4ª Turma da DRJ/RJ2, determina que seja conhecida e julgada a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não que o processo seja encaminhado ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. Percebase que a 4ª Turma da DRJ/RJ2, para interpretar o dispositivo da sentença, utilizou o pedido da recorrente relacionado a medida liminar, e não o pedido do próprio mandado de segurança, que era mais amplo. A recorrente pleiteia em medida liminar que seja determinado “(...) o imediato recebimento, processamento e julgamento do Recurso Voluntário interposto (...)”. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.720786/201154 Acórdão n.º 3201002.112 S3C2T1 Fl. 1.008 5 Já em relação ao pleito principal a recorrente pede que seja reconhecido “(...)o direito liquido e certo da Impetrante (i) interpor os Recursos previstos pelos §§ 9° e 10 do artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 para discutir a legalidade da compensação formalizada no Processo Administrativo n.° 10768.720135/200751; (ii) percorrer toda a esfera administrativa para discutir a legalidade da referida compensação devendo o contencioso administrativo instaurado ser processado sob o rito estabelecido pelo Decreto n.° 70.235/72 (...)” Observo, neste ponto, que os citados dispositivos correspondem tanto ao julgamento da manifestação de inconformidade quanto do Recurso Voluntário: Art. 74: O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com transito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa devera cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...] § 9° É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7°, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (grifo nosso) Apesar do pedido de liminar ter sido indeferido, em sentença, decidiu o juízo pela concessão da segurança “(...) para determinar a Autoridade Impetrada que dê regular seguimento à Manifestação de Inconformidade interposta pela Impetrante (...)”. Analisandose este dispositivo, à luz do pleito da recorrente, qual seja de que seja garantido seu direito a interpor os recursos previstos pelos §§ 9° e 10 do artigo 74 da Lei n.° 9.430/96, entendo que o Poder Judiciário determinou que a Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente deve ser conhecida e julgada, sendo concedido a recorrente o direito de interpor recurso voluntário frente a esta decisão, caso tenha interesse. Diante do exposto, não conheço do recurso e declino a competência do seu julgamento para a 4ª Turma da DRJ/RJ2, para que seja cumprida a decisão judicial. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.720786/201154 Acórdão n.º 3201002.112 S3C2T1 Fl. 1.009 6 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001860/2003-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO INTERNA. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. ART. 173, I, DO CTN.
Verificada contradição interna decorrente de lapso manifesto na aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, acolhem-se os embargos de declaração, com efeito modificativo, passando a exclusão do crédito tributário em virtude da decadência a alcançar apenas os fatos geradores de outubro e novembro de 1997.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para sanar o vício apontado, passando a exclusão do crédito tributário em razão da decadência a alcançar apenas os fatos geradores de outubro e novembro de 1997. Esteve presente ao julgamento o Dr. Carlos Roberto C. Parreira, OAB/DF 38.358.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO INTERNA. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. ART. 173, I, DO CTN. Verificada contradição interna decorrente de lapso manifesto na aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, acolhem-se os embargos de declaração, com efeito modificativo, passando a exclusão do crédito tributário em virtude da decadência a alcançar apenas os fatos geradores de outubro e novembro de 1997. Embargos acolhidos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13819.001860/2003-49
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5614939
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.186
nome_arquivo_s : Decisao_13819001860200349.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13819001860200349_5614939.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para sanar o vício apontado, passando a exclusão do crédito tributário em razão da decadência a alcançar apenas os fatos geradores de outubro e novembro de 1997. Esteve presente ao julgamento o Dr. Carlos Roberto C. Parreira, OAB/DF 38.358. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6455412
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418319859712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.001860/200349 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402003.186 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de julho de 2016 Matéria PIS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ELEVADORES OTIS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO INTERNA. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. ART. 173, I, DO CTN. Verificada contradição interna decorrente de lapso manifesto na aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, acolhemse os embargos de declaração, com efeito modificativo, passando a exclusão do crédito tributário em virtude da decadência a alcançar apenas os fatos geradores de outubro e novembro de 1997. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para sanar o vício apontado, passando a exclusão do crédito tributário em razão da decadência a alcançar apenas os fatos geradores de outubro e novembro de 1997. Esteve presente ao julgamento o Dr. Carlos Roberto C. Parreira, OAB/DF 38.358. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 18 60 /2 00 3- 49 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3402001.860, sob alegação de que o julgado estaria eivado do vício da contradição, na parte em que decidiu pela decadência parcial do direito do fisco. Segundo a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, a contradição residiria no fato de que o acórdão aplicou a regra do art. 173, I, do CTN, em razão da inexistência de pagamento antecipado, mas excluiu indevidamente o fato gerador ocorrido em dezembro de 1997, pois o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado é 01/01/1999. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Com razão a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional. O acórdão está viciado por contradição interna, causado por lapso manifesto na aplicação da regra do art. 173, I, do CTN. Segundo esse dispositivo legal o prazo de decadência do direito do fisco deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso concreto, o lançamento relativo ao fato gerador ocorrido em dezembro de 1997 só poderia ser efetuado a partir de janeiro de 1998. Sendo assim, o primeiro dia do exercício seguinte ao ano de 1998 é 01/01/1999, de forma que o crédito tributário relativo a dezembro de 1997 poderia ser lançado de ofício até 31/12/2003. Tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 27/06/2003 (fl. 130), o lançamento relativo ao fato gerador de dezembro de 1997 permanece hígido frente à decadência. Com esses fundamentos, voto no sentido de que os embargos de declaração sejam acolhidos com efeito modificativo, a fim de sanar o vício apontado, passando a exclusão do crédito tributário em virtude da decadência a abranger apenas os fatos geradores de outubro e novembro de 1997. (Assinado com certificado ditigal) Antonio Carlos Atulim Fl. 777DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.001860/200349 Acórdão n.º 3402003.186 S3C4T2 Fl. 3 3 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721917/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Descabe a alegação de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais e o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento.
REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO.
As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados.
Os veículos usados serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitando-se ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação.
Para beneficiar-se desse regime especial de tributação, o sujeito passivo não se exime de emitir, em cada operação comercial e nos momentos adequados, as correspondentes notas fiscais de entradas e saídas dos veículos usados.
Afastado o referido regime especial, as omissões de receitas apuradas devem ser tributadas pela regra geral, no caso, obedecendo a opção do sujeito passivo pela determinação do imposto pelo lucro presumido.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a qualificação da multa, mormente quando a essa prática reiterada ainda se constatou a existência de notas fiscais antedatadas.
DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos litígios decorrentes, referentes a outros tributos, quanto à mesma matéria fática.
Numero da decisão: 1401-001.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso
.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Descabe a alegação de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais e o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Os veículos usados serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitando-se ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Para beneficiar-se desse regime especial de tributação, o sujeito passivo não se exime de emitir, em cada operação comercial e nos momentos adequados, as correspondentes notas fiscais de entradas e saídas dos veículos usados. Afastado o referido regime especial, as omissões de receitas apuradas devem ser tributadas pela regra geral, no caso, obedecendo a opção do sujeito passivo pela determinação do imposto pelo lucro presumido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a qualificação da multa, mormente quando a essa prática reiterada ainda se constatou a existência de notas fiscais antedatadas. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos litígios decorrentes, referentes a outros tributos, quanto à mesma matéria fática.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10680.721917/2011-54
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589221
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.583
nome_arquivo_s : Decisao_10680721917201154.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10680721917201154_5589221.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6374433
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418374385664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 62; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 67 1 66 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.721917/201154 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.583 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de abril de 2016 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente FERNANDES RASO INTERMEDIAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Descabe a alegação de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais e o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Os veículos usados serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Para beneficiarse desse regime especial de tributação, o sujeito passivo não se exime de emitir, em cada operação comercial e nos momentos adequados, as correspondentes notas fiscais de entradas e saídas dos veículos usados. Afastado o referido regime especial, as omissões de receitas apuradas devem ser tributadas pela regra geral, no caso, obedecendo a opção do sujeito passivo pela determinação do imposto pelo lucro presumido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a qualificação da multa, mormente quando a essa prática reiterada ainda se constatou a existência de notas fiscais antedatadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 19 17 /2 01 1- 54 Fl. 6061DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 68 2 DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos litígios decorrentes, referentes a outros tributos, quanto à mesma matéria fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 6062DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Belo HorizonteMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: 1 DO LANÇAMENTO. Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 02/57, a saber: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (lançamento principal), no valor de R$ 1.623.837,78, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 28/02/2011. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (lançamento reflexo), no valor de R$ 927.783,22, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 28/02/2011. Contribuição para o PIS/Pasep (lançamento reflexo), no valor de R$ 553.165,34, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 28/02/2011. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (lançamento reflexo), no valor de R$ 2.553.243,49, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 28/02/2011. I.1 DESCRIÇÃO DOS FATOS. IRPJ E REFLEXOS. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: "001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 Durante o procedimento de fiscalização constatamos que o contribuinte deixou de escriturar e/ou oferecer à tributação parte de suas receitas derivadas da venda de veículos usados e da prestação de serviços de correspondente bancário junto a bancos e empresas financeiras. Assim, havendo valores de tributos e contribuições não declarados e/ou pagos tornase necessário efetuar o lançamento de ofício dos valores devidos, tudo conforme explicado no termo de verificação fiscal, fls. 58 a 71, que é parte integrante e indissociável deste auto de infração. (...) 002 RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 RECEITA BRUTA MENSAL SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS i Durante o procedimento de fiscalização constatamos que o contribuinte deixou de escriturar e/ou oferecer à tributação parte de suas receitas derivadas da venda de veículos usados e da prestação de serviços de correspondente bancário Fl. 6063DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 70 4 junto a bancos e empresas financeiras. Assim, havendo valores de tributos e contribuições não declarados e/ou pagos tornase necessário efetuar o lançamento de ofício dos valores devidos, tudo conforme explicado no termo de verificação fiscal, fls. 58 a 71, que é parte integrante e indissociável deste auto de infração. (...) 003 RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 RECEITA DA ATIVIDADE Durante o procedimento de fiscalização constatamos que o contribuinte deixou de escriturar e/ou oferecer á tributação parte de suas receitas derivadas da venda de veículos usados e da prestação de serviços de correspondente bancário junto a bancos e empresas financeiras. Assim, havendo valores de tributos e contribuições não declarados e/ou pagos tornase necessário efetuar o lançamento de ofício dos valores devidos, tudo conforme explicado no termo de verificação fiscal, fls. 58 a 71, que é parte integrante e indissociável deste auto de infração." I.2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL TVF (FLS. 58/71). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. I DO PROCEDIMENTO FISCAL. A ação fiscal teve início em 06/04/2010 quando o representante legal do contribuinte recebeu o Termo de Início de Procedimento Fiscal, no qual eram solicitados livros e informações, notadamente os Livros Diário e Razão ou Livro Caixa. Em 13/04/2010 a empresa apresentou a resposta, juntando cópia do contrato social e da 4a alteração; informando que não possui nenhuma ação judicial referente à matéria tributária proposta contra a União. Em relação aos outros itens solicitou prorrogação pelo prazo de 30 dias. Foi concedida a prorrogação até o dia 13/05/2010 para a apresentação da resposta, conforme fls. 165/181. Em 13/05/2010 o contribuinte apresentou outro pedido de prorrogação por 30 dias para apresentar os livros e extratos bancários solicitados. Acrescentou que em 2006 e 2007 o regime de tributação era lucro presumido, mas não informou se era regime de caixa ou competência. Face ao pedido do contribuinte e as informações acerca do extravio dos Livros Fiscais, foi lavrado o Termo de Intimação n° 1, fls. 182 concedendo prazo até 10/06/2010 para que o contribuinte reconstituísse sua escrita e apresentasse uma planilha demonstrando as receitas com vendas de veículos próprios novos e usados; vendas de veículos em consignação; receitas de intermediação de financiamentos e outras receitas (especificando as significativas), bem como apresentasse planilha discriminando os veículos usados vendidos, informando valor e data da aquisição do veículo, o valor e a data de sua venda. Em 14/06/2010 novo pedido de prorrogação foi apresentado, sendo deferido a prazo até 23/06/2010, fls. 182/185. Em 24/06/2010 a empresa apresentou novo pedido de prorrogação, afirmando que no intuito de atender a intimação da Receita Federal, "vem esclarecer que na falta de localização dos livros solicitados está providenciando a reconstituição dos dados contábeis e fiscais através da movimentação financeira mensal refletida nos extratos bancários junto às respectivas instituições financeiras. No intuito de buscar as informações de maneira concisa, solicitamos novamente a prorrogação do prazo, tendo em vista o volume de informações e documentos exigidos na intimação'" Nesta mesma data foi entregue ao contribuinte o Termo de Reintimaçâo n° 01, concedendo prazo até 14/07/2010 para apresentar a resposta ao Termo de Intimação n° 1. Em 24/07/2010, o contribuinte apresentou o LivroCaixa referente Fl. 6064DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 71 5 ao anocalendário de 2006, fls. 389 a 434 e planilhas referentes aos meses de 2006 contendo a relação dos veículos vendidos, fls. 95/126, o custo de aquisição e o valor de venda, além do chamado "retorno", isto é, o valor pago pelas empresas financeiras pelo serviço prestado pela empresa na captação e processamento do pedido de financiamento/arrendamento do veículo. Foi concedido prazo até 23/08/2010 para a apresentação dos documentos referentes ao ano de 2007, fls. 186 a 187. Em 23/08/2010 o contribuinte apresentou novo pedido de prorrogação por 30 dias. Face ao pedido foi entregue Termo de Reintimação n° 2, intimando o contribuinte a entregar os documentos relativos ao ano de 2007 até o dia 08/09/2010. Nesta data foram apresentadas as planilhas referentes aos veículos vendidos em 2007, fls. 127 a 164, mas não apresentou o Livro Caixa. Assim sendo, foi entregue ao contribuinte o Termo de Reintimação n° 3 intimandoo a refazer a escrita relativa ao ano de 2007 até o dia 20/09/2010. Em 28/09/2010 foi entregue pelo contribuinte o Livro Caixa relativo ao ano de 2007, fls 435 a 483. Após analisar as planilhas relativas aos veículos vendidos, que incluíam a margem obtida na venda, seja de veículos próprios, seja de veículos em consignação, bem como informações acerca do "retorno" pago pelas financeiras, concluímos pela existência de algumas imprecisões na referida planilha. Assim, em 04/11/2010, foi o contribuinte intimado, através do Termo de Intimação n° 4, a reapresentar a planilha citada, sendo concedido prazo até 17/11/2010. Nesta data o contribuinte apresentou pedido de prorrogação por 30 dias e a devolução dos livros Caixa para fins de conferência. O pedido foi indeferido, visto que o contribuinte teve mais de 6 (seis) meses para refazer seus livros, conferir suas vendas e produzir a planilha com as informações sobre os veículos vendidos. Além disso, os Livros Caixa foram escriturados de forma eletrônica tendo o contribuinte os registros originais dos mesmos, sendo, pois, dispensável a devolução dos livros. Assim, concluímos que o pedido era totalmente descabido, sendo indeferido, fls. 192 a 193. Após analisar as planilhas apresentadas pelo contribuinte e considerando que estas apresentavam inexatidões, concluímos ser necessária a realização de uma circularização junto as empresas que declararam pagamentos em favor da fiscalizada. Assim sendo, foram enviados termos de intimação solicitando às fontes pagadoras que: justificassem os pagamentos efetuados à Fernandes Raso nos anoscalendário de 2006 e 2007, conforme declarado em DIRF, juntando cópia da documentação comprobatória (notas fiscais, recibos, etc); apresentassem uma planilha contendo as datas de liquidação das faturas, valores brutos das prestações de serviço; valores de impostos e contribuições retidos em fonte e, ainda, caso os pagamentos fossem decorrentes de prestação de serviço pela Fernandes Raso na captação de financiamentos, leasing, etc, apresentassem uma planilha indicando a placa dos veículos que foram financiados/arrendados e os valores creditados em favor de Fernandes Raso, seja a título de comissão/retorno, etc, seja a título de transferência do valor financiado/arrendado. As instituições financeiras diligenciadas responderam aos termos de intimação indicando os pagamentos efetuados à diligenciada, conforme fls. 196 a 388, sendo que a BV Financeira não indicou a placa dos veículos financiados. A fiscalização teve problemas em obter as informações das duas empresas do grupo Santander (Santander Leasing e Banco Abn Amro Real), mas após diversos contatos conseguimos que fossem prestadas melhores informações. Em suas primeiras respostas este grupo encaminhava as planilhas de forma digital e Fl. 6065DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 72 6 juntava em uma única planilha informações das duas empresas. Assim, em resposta datada de 13/12/2010 código Santander VR 78000000034031, fls. 328, afirmou que as informações do Santander Leasing poderiam ser obtidas na planilha apresentada filtrandose as informações constante da coluna "empresa" com o código 013, conseqüentemente as informações do banco Abn Amro Real estavam nas linhas em que o código da empresa era 002. Efetuado o filtro na planilha somente para as informações desta empresa "013", constatamos que as informações estavam completas, isto é, os valores das comissões pagas pelas prestações de serviços, os veículos financiados e a placas destes veículos foram todas compatíveis com as informações constantes da DIRF. Por outro lado, as informações do Banco Abn Amro Real estavam incompletas e permaneceram incompletas em relação à identificação dos veículos financiados. Porém, a empresa enviou, fls. 345 a 368, cópia dos relatórios indicando os pagamentos efetuados à fiscalizada, comprovando o efetivo pagamento dos valores indicados nas DIRF. Enviou planilhas complementares que indicaram mais alguns veículos financiados, mas não todos. Apesar disso, a grande maioria dos veículos financiados pelo Banco Abn Amro Real foram identificados, o que possibilitou o cruzamento das informações com aquelas prestadas pela fiscalizada, fls. 331 a 388. II DA TRIBUTAÇÃO DAS VENDAS DE VEÍCULOS USADOS. A empresa fiscalizada foi constituída em 1996 e tem por objeto social a "intermediação, corretagem e estacionamento de veículos automotores e o comércio varejista de veículos novos e usados", conforme cláusula 2a do contrato social e alterações, fls. 167 a 176. A fiscalizada entregou suas D1PJ relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007 pelo lucro presumido e efetuou os recolhimentos nesta forma de apuração do lucro. Logo é válida sua opção por esta forma de tribulação. Por outro lado, afirmou em suas solicitações de prazo para a apresentação do livro caixa que o livro original havia se extraviado e que iria recompor o livro a partir dos extratos bancários. Os LivrosCaixa dos anos de 2006 e 2007 foram recompostos e os extratos contendo toda sua movimentação bancária foram apresentados. Dessa forma é possível se verificar a movimentação financeira da empresa, sendo desnecessário arbitrarse o lucro. Nos LivrosCaixa escriturados a fiscalizada tratou todos os veículos comercializados como se tivessem sido comprados e posteriormente vendidos, não havendo operações de venda sob consignação. No mesmo sentido, deixou de identificar na planilha apresentada à fiscalização quais veículos haviam sido comercializados sob consignação e quais tinham sido objeto de compra e venda. O tratamento tributário das operações de compra e venda de veículos usados é diferenciado por imposição do legislador ordinário, conforme o disposto no art. 5° da Lei n° 9.716, de 1998, assim redigido: "Art. 5°. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, Fl. 6066DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 73 7 sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. " (negritamos) A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa SRF n° 152, de 1998, regulamentou este dispositivo legal. O art. 2° da citada IN assim dispõe: "Art. 2°. Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1" Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veiculo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2°. O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Art. 3°. A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os demonstrativos de apuração das bases de cálculo a que se refere o artigo anterior. Art. 4°. As disposições desta Instrução Normativa aplicamse exclusivamente para efeitos tributários. " (negritamos) Em relação à CSLL, há que se registrar o que dispõe a Instrução Normativa SRF n° 390, de 30 de janeiro de 2004: (...) Em relação ao PIS e à Cofins, assim dispõe a Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002: (... ) Da análise da legislação, concluise que o contribuinte tem a opção de equiparar, para fins de tributação, as operações de compra e venda de veículos usados às operações de vendas sob consignação. Porém, para que esta faculdade seja validamente exercida são necessários dois requisitos: 1 Emitir nota fiscal de entrada quando da aquisição do veículo, contendo o valor de sua aquisição, e nota fiscal de venda, contendo o valor da operação quando da venda do veículo; e 2 Manter em boa guarda os demonstrativos de apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições apurados com base no permissivo legal. Os requisitos legais para uma opção válida justificamse pela especificidade e excepcionalidade do tratamento previsto em Lei. Assim, a emissão das notas fiscais de entrada e saída dos veículos e sua apresentação quando requisitada pela Receita Federal é requisito fundamental para a manutenção da Fl. 6067DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 74 8 tributação pela sistemática instituída pelo art. 5o da Lei 9.716/1988, não podendo ser aceita à equiparação adotada pelo citado regime se as notas fiscais não tiverem sido emitidas. Devese, ainda, considerar que a manutenção em boa guarda das notas fiscais é também necessária, porque a partir delas poderseia reconstituir, em um procedimento de fiscalização, a base de cálculo dos tributos nas citadas operações na excepcionalidade de perda dos demonstrativos elaborados pelo contribuinte nos períodos de apuração determinados pela legislação. Portanto, não tendo o contribuinte apresentado as notas fiscais de entrada e saída dos veículos vendidos; não ter mantido em boa guarda estas notas fiscais; bem como, não ter comprovado se ao menos tais notas fiscais foram emitidas, não é possível aplicar ao contribuinte, para fins de tributação pelo 1RPJ e demais tributos, o regime disposto no art. 5°o da Lei 9.716/1998, sendolhe aplicável a regra geral de tributação das empresas optantes pelo lucro presumido, conforme disposto no caput do art. 518 e 519 do RIR/99. (...) Isto é, o lucro presumido do contribuinte será apurado pela aplicação do coeficiente de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta advinda da venda de veículos, desprezandose assim, o custo de aquisição dos veículos usados vendidos. Da mesma forma deve ser aplicado, para fins de tributação pela CSLL, o disposto nos art. 88 e 89 da Instrução Normativa SRF n° 390 de 30/01/2004 (...). (... ) Ou seja, é aplicável à tributação pela CSLL o coeficiente de 12% sobre a receita bruta advinda da venda de veículos para se apurar a base de cálculo desta contribuição. No tocante a tributação para o PIS e para a Cofins, igualmente não são aplicáveis as disposições do art. 10, §§4° a 6o , do Decreto n° 4.524/02, devendo ser aplicado a regra geral da tributação do PIS e da Cofins para os optantes pelo lucro presumido, isto é, as alíquotas de 0,65% e 3% sobre a receita bruta, conforme disposto no art. 8o , II da Lei 10.637/2002 e art. 10, II da Lei 10.833/2003. III DAS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O contribuinte além da receitas advindas da venda de veículos usados, também obtém receitas através da prestação de serviços às empresas financeiras e de arrendamento mercantil como correspondente bancário com base no permissivo constante da Resolução n° 3.110/2003 do Banco Central do Brasil. Os serviços prestados pela fiscalizada às instituições financeiras eram basicamente a recepção e conferência de pedidos de financiamento e/ou arrendamento mercantil; recepção e conferência de documentos comprobatórios da ficha cadastral dos interessados; prestação de informações aos interessados no financiamento e/ou arrendamento mercantil. Considerando a natureza da receita e o disposto no art. 519 do RIR/99, concluise que estas receitas devem ser tributadas no lucro presumido utilizando o coeficiente de presunção de 32% {trinta c dois por cento), conforme inciso III do Fl. 6068DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 75 9 referido artigo, visto tratarse de receitas de prestação de serviço em geral, não lhes sendo aplicável qualquer dos outros percentuais elencados, e também porque a receita da empresa é superior a R$120.000,00 no ano. (... ) Em relação à CSLL aplicase a regra geral determinadas pelos art. 88 e 89 da Instrução Normativa SRF n° 390/2004, ou seja, como se trata de prestação de serviço em geral a base de cálculo deve corresponder a 32% (trinta e dois por cento) da receita bruta, conforme art. 89, I da referida IN (... ) (... ) Em relação ao PIS e Cofins estas receitas são tributadas pela regra geral do PIS e Cofins cumulativo a que estão sujeitas as empresas optantes do lucro presumido, isto é, as alíquotas são de 0,65% e 3%, respectivamente. IV DA APURAÇÃO DOS VALORES A SEREM LANÇADOS. O contribuinte apresentou as DIPJ originais dos exercícios de 2007 e 2008, anoscalendário de 2006 e 2007, com a tributação do lucro de forma presumida. Os valores de IRPJ e CSLL declarados em DCTF, fls. 624 a 698, e recolhidos são idênticos àqueles apurados nas DIPJ e Dacon entregues, fls. 624 a 721. Em suas DIPJ informou, para fins de apuração do lucro tributável, receitas sujeitas ao coeficiente de presunção de 8% e receitas sujeitas ao coeficiente de 32%, apurou o lucro tributável e o valor devido e efetuou o recolhimento devido nos exatos valores constantes das DIPJ. Em relação a CSLL informou cm 2006 receitas sujeitas ao coeficiente de presunção dc 12% e receitas sujeitas ao coeficiente de 32%. Por outro lado, em 2007 informou apenas receitas sujeitas ao coeficiente de 32%. Apurou o valor devido e efetuou o recolhimento nos exatos valores informados na DIPJ. Em relação ao PIS e a Cofins, os valores declarados em DCTF destas contribuições correspondem aos valores apurados aplicandose as alíquotas de 0,65% e 3% sobre as receitas informadas na DIPJ e Dacon. Analisando as planilhas elaboradas pela fiscalizada e as informações obtidas junto às empresas que financiaram os veículos vendidos pela fiscalizada e que, também, pagaram por serviços prestados pela fiscalizada, concluímos que houve recolhimento a menor e/ou falta de declaração de valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins e que, portanto, devem ser objeto de lançamento de ofício. Para apurar os valores que devem ser objeto de lançamento tomamos os procedimentos descritos a seguir. De posse das planilhas elaboradas pela fiscalizada com a identificação dos veículos por ela vendidos, verificamos que seu Livro Caixa foi reconstituído nos exatos termos destas planilhas, isto é, indicando como receita os valores indicados nas planilhas e foram escriturados como objeto de compra e venda todos os veículos elencados nas planilhas. Assim sendo, entendemos que os veículos relacionados na planilha foram efetivamente vendidos pela fiscalizada. Como já dito anteriormente, as empresas financeiras diligenciadas informaram o montante das transferências efetuadas à fiscalizada, seja a título de pagamento pelos serviços prestados, seja pelos valores financiados pelos adquirentes dos veículos. As empresas Banco BMG S.A., Itaú Unibanco S.A., Banco Itaucard Fl. 6069DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 76 10 S.A., Banco Itauleasing S.A., Santander Leasing S.A. c Banco Abn Amro Real S.A. identificaram as placas dos veículos financiados. Em alguns casos foram identificados os efetivos valores de venda dos veículos e em outros casos somente o valor financiado. No caso das empresas do grupo Itaú (Bancos Itaucard, ItauLeasing, Itaú Unibanco) foi indicado o percentual da entrada efetuada pelo comprador do veículo e a partir deste percentual e do valor financiado foi possível calcularse o valor de venda do veículo. Com o objetivo de identificar possíveis veículos financiados que não constam das planilhas elaboradas pela fiscalizada, efetuamos um cruzamento entre as placas informadas pelas financeiras correspondentes aos veículos financiados com as placas constantes das planilhas elaboradas pela fiscalizada. Foram identificamos diversos veículos financiados e, portanto, vendidos pela fiscalizada, que não constam das planilhas por ela entregues à fiscalização. Assim, elaboramos as planilhas "Veículos vendidos financiados e não informados como vendidos", fls. 80 a 94, cujos valores são receitas omitidas pela empresa, visto que não foram escrituradas em seus LivrosCaixa e/ou informadas à Receita Federal. Tais receitas estão resumidas na planilha "Resumo das vendas de veículos não informadas pelo contribuinte", fls. 82 a 83, e é objeto de uma infração separada no auto de infração. Ressaltamos que, quando o valor da operação de venda foi informado pela empresa diligenciada foi este considerado como valor da receita de venda, do contrário foi considerado o valor financiado, visto que este é o preço mínimo pelo qual o veículo foi vendido e ser esta uma situação mais benéfica ao contribuinte. Em relação às receitas de prestação de serviço, utilizamos exclusivamente os valores informados pelas empresas financiadoras de veículos (contratantes dos serviços) e que foram informados em DIRF, fls. 484 a 499, visto que estas empresas informaram as datas dos pagamentos, efetuados via depósito ou transferência eletrônica para as contascorrente da fiscalizada, sendo possível pelo exame dos extratos bancários da fiscalizada constatarse o efetivo recebimento destes valores. Os valores da receita de prestação de serviços foram relacionados nas planilhas "Receitas de Prestação de Serviços", fls. 80 a 81, os valores de imposto de renda retido em fonte pelas fontes pagadoras também foram relacionados junto a estas planilhas e serviram para compensar o imposto apurado quando do lançamento, visto que o contribuinte não tinha anteriormente aproveitado este imposto retido. Esta é também uma infração a ser objeto de lançamento no auto de infração. Para fins de tributação do IRPJ as receitas a serem consideradas e os valores a serem compensados (IRPJ já pago e retido em fonte) estão resumidas na planilha "IRPJ Resumo das Receitas a Tributar e Valores a Compensar", fls. 72 a 73, na qual estão discriminadas as receitas sujeitas à tributação pelo lucro presumido com coeficiente de presunção de 8%, isto é o valor das vendas de veículos declaradas (constante das planilhas elaboradas pela fiscalizada) e as receitas omitidas pela fiscalizada. Também, estão discriminadas as receitas sujeitas ao coeficiente de 32%, decorrentes da prestação de serviços; os valores declarados em DCTF e/ou pagos pela fiscalizada que devem ser compensadas no lançamento; e os valores de IRRF retido pelas tomadoras de serviço da fiscalizada, que não foram aproveitados, e que, portanto, devem ser compensados no lançamento de ofício. Em relação a CSLL foram elaboradas as planilhas "CSLL Apuração das Receitas a Tributar e Valores a Compensar", fls. 74 a 75, que discriminam as receitas de vendas de veículos sujeitas ao coeficiente de 12% para apuração da base Fl. 6070DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 77 11 de cálculo da CSLL, isto é o valor das vendas de veículos declaradas (constante das planilhas elaboradas pela fiscalizada) e as receitas omitidas pela fiscalizada. Também estão discriminadas as receitas de prestação de serviço sujeitas ao coeficiente de 32% para apuração da base de cálculo da CSLL, bem como o valor da CSLL declarada em DCTF e/ou paga pela fiscalizada e que devem compensar o valor apurado da CSLL quando do lançamento de ofício. Em relação ao PIS e a Cofins, foram elaboradas as planilhas "PIS Apuração dos Valores a Lançar de Ofício" e "Cofins Apuração dos Valores a Lançar de Ofício" , fls. a 76 a 79, nas quais são apurados os valores de PIS e Cofins a serem lançados. Para tanto, apurouse o valor devido das contribuições aplicando se as alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente, sobre as receitas declaradas ou omitidas da fiscalizada. Do valor apurado descontouse o valor já declarado em DCTF e/ou pago pela fiscalizada e que deveriam ser descontados de ofício, chegandose nos valores das contribuições para o PIS e a Cofins a serem lançados de ofício. Apurados os valores a serem tributados e as compensações possíveis, efetuamos o lançamento de ofício do IRPJ e de seus reflexos (CSLL, PIS e Cofins) em auto de infração do qual este termo é parte integrante e indissociável. V DA MULTA QUALIFICADA. A Fiscalizada atua em um ramo de atividade que possui um regime favorecido de tributação, conforme art. 5° da Lei n° 9.516/1998, que lhe permite que o pagamento dos tributos seja efetuado sobre a diferença entre o preço de venda e o preço de compra dos veículos que revende, desde que cumpridos determinados requisitos. Apesar disso, a Fiscalizada omitiu receitas tributáveis em montantes acentuadamente superiores às receitas informadas em suas DIPJ, deixando de recolher IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre estas receitas omitidas. Além disso, não procedeu à escrituração da totalidade desta movimentação em seu Livro Caixa. O contribuinte, também, auferia receitas por prestações de serviços a empresas financiadoras de veículos e deixou de oferecer à tributação tais valores. Tal procedimento repetiuse em todos os meses dos anoscalendário de 2006 e 2007, quando informou em suas DIPJ e Dacon receitas em valores bastante inferiores aos realmente auferidos. É pacifico na jurisprudência administrativa que a pura omissão de receitas não é motivo de qualificação da multa de ofício. Entretanto, nesta fiscalização a receita omitida é tão superior à informada em sua DIPJ que a única conclusão possível é que a fiscalizada agiu com a intenção deliberada de subtrair do conhecimento da Fazenda Pública o auferimento de receitas sujeitas à tributação. Sobre a aplicação de multa nos lançamentos de ofício assim dispõe o art. 44 da Lei 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei n° 11.488/2007: (... ) Assim, dispõe a Lei n° 4.502/1964: (... ) O art. 71 da Lei n° 4.502/64 diz que o fato gerador ocorre e o contribuinte mediante artifícios, tenta impedir ou retardar de alguma forma (para Fl. 6071DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 78 12 com isso se valer talvez de eventual extinção dos créditos tributários pela decadência), que a autoridade o detecte. Verificase que a sonegação pode mesmo ser caracterizada com a omissão de operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal, ou mesmo omissão de declaração sobre rendas, bens ou fatos. No caso presente, como acima dito, o contribuinte deixou de declarar receitas auferidas, bem como deixou de pagar os tributos e contribuições sobre essas receitas, e ressaltese mais uma vez, em índices bastante elevados. O contribuinte quando elaborou as planilhas com os veículos vendidos reconheceu que o ganho nas vendas destes veículos e com as prestações de serviço às empresas financeiras era bastante superior ao informado nas DIPJ e Dacon. Porém, este reconhecimento não foi espontâneo, somente se deu porque estava sob procedimento fiscal, visto que teve logo período até o início da ação fiscal e não tomou qualquer providência para prestar as informações corretas ao fisco ou mesmo efetuar ao correto pagamento dos tributos e contribuições devidos. Assim, inferese que o contribuinte livre e conscientemente direcionou seu agir para impedir ou retardar o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias federais, da ocorrência dos fatos geradores. Portanto, fica evidente o intuito de sonegar, como definido no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, devendo ser aplicada a multa qualificada sobre os créditos tributários lançados por esta fiscalização, relacionados a todas as infrações apuradas (...). Por outro lado, a Lei n° 8.137, de 27/12/90, dispõe que são crimes contra a ordem tributária, (...). Logo, tendo o contribuinte omitido informações à administração tributária acerca de suas operações e entregando DIPJ com informações erradas sobre suas receitas com vistas a eximirse do pagamento de tributos e contribuições incidiu nos tipos legais que definem tais ações como crimes contra a ordem tributária. Dessa forma, esta fiscalização é obrigada pela legislação fiscal a lavrar termo de representação fiscal para fins penais relatando os fatos apurados para que sejam, no tempo certo, tomadas as medidas necessárias. II DA IMPUGNAÇÃO. Tendo sido dele cientificado pessoalmente em 21/03/2011, o sujeito passivo contestou o lançamento em 20/04/2011, mediante o instrumento de fls. 736/758. Adiante compendiamse suas razões. I DA TEMPESTIVIDADE. Inicialmente, ressalta a tempestividade da defesa apresentada. II RESENHA DOS FATOS. A Impugnante destaca as infrações apuradas pela Fiscalização: OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE: caracterizada por vendas de veículos financiados junto ao ABN AMRO REAL, BMG S/A, ITAÚ, ITAUCARD, ITAÚ LEASING, SANTANDER LEASING e SAFRA S/A, e não informados como vendidos. Fl. 6072DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 79 13 Informa o Fisco ter constatado que o contribuinte deixou de escriturar ou oferecer à tributação parte de suas RECEITAS DERIVADAS DA VENDA DE VEÍCULOS. II.2 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: caracterizada por COMISSÕES recebidas em face da venda de veículos financiados junto ao ABN AMRO REAL, BMG S/A, ITAÚ, ITAUCARD, ITAÚ LEASING, SANTANDER LEASING e SAFRA S/A. Informou o Fisco ter constatado que o contribuinte deixou de escriturar ou oferecer à tributação parte de suas RECEITAS DERIVADAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. II.3 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL SOBRE A VENDA DE VEÍCULOS: caracterizada pelas vendas de veículos financiados junto ao ABN AMRO REAL, BMG S/A, ITAÚ, ITAUCARD, ITAÚ LEASING, SANTANDER LEASING e SAFRA S/A. Informou o Fisco ter constatado que o contribuinte deixou de oferecer à tributação parte de suas RECEITAS DERIVADAS DA VENDA DE VEÍCULOS. III PRELIMINARES. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E EXATIDÃO DO TRIBUTO. Alega, no processo administrativo predomina o princípio da verdade material. Ao reclamante não só é facultado levar aos autos novas provas, como é dever da autoridade administrativa utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento, ou mesmo mandalas produzir, trazendoas aos autos, quando sejam capazes de influenciar a decisão. Diz, em face do princípio da verdade material, no processo administrativo é, pois, absoluta a preponderância dos fatos sobre os argumentos das partes e sobre a opinião pessoal do julgador. Preponderância da essência sobre a forma. DÁSE A EXATIDÃO LEGAL DO TRIBUTO QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO FORMALIZADO CORRESPONDE, RIGOROSAMENTE, À SUBSUNÇÃO DO FATO CONCRETO NA RESPECTIVA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Aduz, nesse diapasão, o trabalho fiscal contém ERROS E CONCLUSÕES EQUIVOCADAS que foram levadas a efeito pela fiscalização, penalizando o contribuinte inclusive com a qualificação da multa de ofício. Confira se: 1) O trabalho fiscal levou em conta as informações prestadas por instituições financeiras a respeito dos veículos financiados. Concluiu que parte dos veículos vendidos estavam escriturados em Livro Caixa ou faziam parte da planilha elaborada pelo contribuinte. Concluiu também que parte dos veículos financiados não foram informados pelo contribuinte, nem nos Livros Caixa nem nas Fl. 6073DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 80 14 planilhas elaboradas pelo contribuinte, caracterizando, em sua opinião, a omissão de receitas. MAS, os veículos considerados omitidos não são de PROPRIEDADE do contribuinte. Sequer existem nos autos quaisquer provas nesse sentido. É certo que o impugnante possui, dentre outros, como objeto social, a intermediação e corretagem de veículos. Nesse sentido, as informações prestadas pelas instituições financeiras não autorizam concluir que todos os veículos que foram financiados são de propriedade do contribuinte. Informam apenas que foram financiados por intermédio do impugnante e indicam a comissão correspondente obtida. A prova material para sustentar que alguns dos veículos financiados e não informados como vendidos pertenciam ao impugnante é a PROPRIEDADE DO VEÍCULO. Por amostragem, o impugnante juntou aos autos os Anexos "A" e "B", relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007, contendo os documentos que informam que os veículos objeto da imputação fiscal PERTENCIAM A TERCEIROS. 2) Pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 165/166), o contribuinte foi intimado a informar, em seu item 5, o regime de tributação adotado nos anos calendário de 2006 e 2007, competência ou Caixa. Nos anoscalendário de 2006 e 2007 o contribuinte escriturou os Livros Caixa pelo "REGIME DE CAIXA". Entretanto, ao se examinar as planilhas, dos anoscalendário de 2006 e 2007, elaboradas pela fiscalização e denominadas de VEÍCULOS FINANCIADOS E NÃO INFORMADOS COMO VENDIDOS (fls. 82/94) constatase o seguinte: 2.1) Em relação ao ABN AMRO REAL (fls. 90/94): Na elaboração da planilha a fiscalização considerou a data do pagamento (regime de caixa) e em vez de considerar o valor liberado levou em conta o valor financiado (regime de competência). Constatase também a tributação de valores em face de veículos apenas indicados pela placa. Nesse caso é absurdo: Tais veículos sequer foram contratados!!! 2.2) Em relação ao BANCO ITAUCARD (fls. 87/88): Na elaboração da planilha a fiscalização considerou a data do contrato (regime de competência) e em vez de considerar o valor liberado (regime de caixa) levou em conta o valor do bem calculado, ou seja, o valor estimado do bem!!! O erro é grosseiro. 2.3) Em relação ao BANCO ITAU UNIBANCO (fls. 85): Na elaboração da planilha a fiscalização considerou a data do contrato (regime de competência) e em vez de considerar o valor liberado (regime de caixa) levou em conta o valor do bem calculado, ou seja, o valor estimado do bem!!! O erro é grosseiro. 2.4) Em relação ao BANCO ITAULEASING (fls.86): Na elaboração da planilha a fiscalização considerou a data do contrato (regime de competência) e em vez de considerar o valor liberado (regime de caixa) levou em conta o valor do bem calculado, ou seja, o valor estimado do bem!!! O erro é grosseiro. Afirmase: as provas trazidas aos autos pela autoridade fiscal estão eivadas pelo vício. Fl. 6074DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 81 15 (... ) 3) O contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar uma planilha, em relação aos anoscalendário de 2006 e 2007, demonstrando as receitas com vendas de veículos próprios novos e usados; vendas de veículos em consignação; receitas de intermediação de financiamentos e outras receitas, especificando as mais significativas e apresentar planilha discriminando os veículos usados vendidos, informando valor e data da aquisição do veículo, o valor e data de sua venda. O contribuinte apresentou as planilhas de vendas relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, conforme fls. 95/126 e 128/164 dos autos. A Fiscalização circularizou junto às instituições financeiras (fls. 196 a 388) a fim de que fossem justificados os pagamentos que foram efetuados à Fernandes Raso Intermediações Ltda e apresentar planilhas dos pagamentos das comissões e financiamentos, indicando as placas dos veículos objeto do financiamento. Após as respostas das instituições financeiras a fiscalização intimou o contribuinte a reapresentar as planilhas de vendas dos anoscalendário de 2006 e 2007. Em resposta, o impugnante solicitou à fiscalização a documentação obtida junto a terceiros para que pudesse refazer as planilhas, com certeza e segurança. Entretanto teve seu pedido indeferido pela autoridade fiscal. O impugnante registra que em momento algum foi solicitado por parte da fiscalização as notas fiscais de entrada de compra de veículos em consignação ou as notas fiscais ou recibos de compra de veículos usados e novos bem como as notas fiscais de saída e relativas às vendas dos veículos ou quaisquer outros documentos fiscal ou contábil emitido pelo contribuinte. Dessa forma, a autoridade fiscal considerou tributável a receita bruta das vendas de veículos e aplicou em relação ao contribuinte o regime disposto no artigo 518 e 519 do RIR/1999. (... ) Ora, o contribuinte sempre escriturou as notas de entrada de compra e saída de veículos e emitiu os recibos de compra e vendas de veículos nos anoscalendário de 2006 e 2007. A conclusão da autoridade fiscal não é verdadeira. Na realidade a fiscalização jamais pediu, solicitou ou intimou o contribuinte para que apresentasse tais documentos. Entretanto, os documentos relativos às transações com a compra e venda de veículos sempre existiram e nessa oportunidade foram juntados aos autos, perfazendo os Anexos de n°s. 01 a 12 Anocalendário de 2006 e Anexos 01 a 12 Anocalendário de 2007. Isso posto, é possível aplicar ao contribuinte, para fins de tributação pelo IRPJ e demais tributos, o regime disposto no art 5° da Lei 9.716/1988, até porque é mais benéfico e lastreado em lançamento de ofício. Destarte, não é cabível a tributação das vendas brutas de veículos, mormente quando a fiscalização não carreou para os autos, a prova mínima, de que os documentos em questão já tivessem sido solicitados e negados a sua disponibilização pelo contribuinte. Os fatos narrados nos itens anteriores confirmam que a fiscalização levada a efeito junto ao contribuinte não procede, devendo os autos de infração lavrados, ser cancelados. Fl. 6075DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 82 16 IV MÉRITO DAS AUTUAÇÕES. IV.1 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. Diz, o lançamento não procede, pois, os veículos objeto da exação não pertencem ao impugnante, conforme os documentos obtidos por amostragem e contidos nos Anexos "A" e "B" e juntados à presente impugnação. Ademais, a Fiscalização NÃO COMPROVOU COM DOCUMENTOS HÁBEIS que os veículos supostamente não declarados e/ou não escriturados pertençam ao contribuinte. Portanto, desde que não comprovado pelo Fisco o efetivo pagamento de aquisição, pelo contribuinte, dos supostos veículos financiados, não autoriza a presunção de omissão de receitas. Da mesma forma, o lançamento da multa qualificada de 150% não procede. IV.2 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A autoridade fiscal identificou veículos que foram objeto de financiamento junto às instituições financeiras e cujos serviços foram prestados com a intermediação da empresa Fernandes Raso Intermediações Ltda. E mais, as comissões pagas foram informadas pelas instituições bancárias e parte desses valores foi escriturada e/ou declarada. Pois bem. Admitese que o erro aconteceu, MAS, não se pode afirmar de imediato a existência de sonegação fiscal. Ademais, a parte dessas comissões não escrituradas foi verificada pela autoridade fiscal nos Livros Caixa de 2006 e 2007 que foram reconstituídos, baseandose as informações ali escrituradas somente nos extratos bancários. Por outro lado, verificase que no anocalendário de 2006, o contribuinte informou em sua DIPJ/2007 (fls. 707/708), no Demonstrativo do IRPJ e CSLL Retido na Fonte, ficha n° 54 fls. 09 e 10, a totalidade dos rendimentos da Prestação de Serviços. Ora, tratase de DECLARAÇÃO INEXATA. Se a intenção do contribuinte era a sonegação fiscal tais informações não teriam sido prestadas. Não foram inseridas em sua DIPJ/2007 informações incorretas. Não se revelou assim a intenção dolosa. Tratase de omissão de receitas simples, que não está sujeita à qualificação da multa de ofício. A jurisprudência administrativa já pacificou que a simples omissão de receitas e/ou declaração inexata, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. IV.3 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL SOBRE A VENDA DE VEÍCULOS. Acontece que o contribuinte possui, em sua maioria, as notas fiscais de entrada e saída de veículos, nos termos da legislação tributária. Nesse sentido, juntou ao processo os Anexos n°s 01 a 12 Anocalendário 2006 e Anexos n°s 01 a 12 Anocalendário 2007. Fl. 6076DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 83 17 Admitise que, havendo valores de tributos e contribuições escriturados e não pagos tornase necessário efetuar o lançamento de ofício dos valores devidos. Assim, o lançamento na forma em que foi produzido deve ser cancelado e realizado novo lançamento de ofício, na forma preconizada pelo art. 5° da Lei 9.716/1988, inclusive por ser mais benéfico ao contribuinte. IV.3.1 DA TRIBUTAÇÃO DAS VENDAS DE VEÍCULOS USADOS ANOSCALENDÁRIO DE 2006 E 2007. Diz, no que toca ao art. 5° da Lei n° 9.716/1998, a Lei em questão não exige do contribuinte que os veículos sejam adquiridos e vendidos sob consignação. Ela equipara a compra e venda de veículos automotores, para efeitos tributários, como operação de consignação, ou seja, tributase a diferença entre o preço de venda e o preço de custo. Admitese aqui que os Livroscaixa apresentados pelo contribuinte contém erros, que são escusáveis, em razão da reconstituição dos mesmos estar baseada nos extratos bancários. Nesse sentido, as planilhas entregues à Fiscalização também contém erros, sejam de valores indicativos da compra e/ou da venda, sejam de veículos informados como sendo de propriedade da empresa, porém, não localizadas as suas aquisições. Entretanto, os documentos juntados nos Anexos de n°s 01 a 12 de 2006 e 01 a 12 de 2007 referemse aos veículos automotores adquiridos e vendidos e lastreiam todas as transações efetuadas pelo contribuinte nos autos em questão. Dessa forma, os LivrosCaixa reconstituídos bem como as planilhas apresentadas ficam retificados pelos documentos apresentados nessa impugnação. IV.3.2 DAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADA E DE SAÍDA. Os requisitos para que a faculdade de equiparação, para fins de tributação, seja validamente exercida é a emissão da Nota Fiscal de Entrada e Saída, contendo os valores da operação. A fiscalização entende que não pode ser aceita a equiparação adotada pelo citado regime se as notas não tiverem sido emitidas. O contribuinte não concorda com o posicionamento da autoridade fiscal. O art. 5° e seu parágrafo único da Li 9.716/1998 é base legal que por ficção jurídica, equiparou os contratos de compra e venda mercantil de veículos usados ao de consignação quando praticados por pessoas jurídicas que tenham formalmente declarado esse objeto social, em seus atos constitutivos. Esses são os destinatários da norma. Esse requisito é essencial e é complementado pela comprovação de que sua atividade é exercida nesse mercado. Os requisitos acessórios são a emissão da nota fiscal de entrada e saída. Tais documentos servem para comprovar que o veículo que entrou é o mesmo que saiu, visto que veículos automotores são bens móveis não fungíveis. Nesse sentido, face ao Imposto de Renda, podese afirmar que os recibos e as notas fiscais de compra de veículos bem com os recibos e os contratos de compra e venda levam ao mesmo resultado. Fl. 6077DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 84 18 Urge destacar o seguinte ponto: documentos equivalentes à nota fiscal ou recibo, para efeito da legislação do imposto de renda. Nas operações de compra e venda mercantil de veículos automotores, embora a compra e venda esteja perfeita e acabada, como contrato consensual, para que ele seja cumprido é necessária a transferência do domínio o que se faz com a entrega da mercadoria. Notese que a emissão da nota fiscal, embora necessária para o cumprimento da obrigação do vendedor, não é elemento constitutivo da compra e venda. Na realidade, a exigência de emissão de nota fiscal como instrumento de controle do imposto de renda é elemento estranho à sua sistemática. Foi introduzido pela lei em questão como um esforço para combater a sonegação desse tributo e de contribuições através de multa (art. 2°), draconiana, digase de passagem, e autorizar a tributação com base em novas formas de presunção de omissão de receitas se, além de falta da referida nota, não for emitido recibo ou documento equivalente, e não se poder determinar a operação ou operações em que houve a omissão (arts. 6° e 9°). E isso porque, mesmo que não tenha havido emissão de nota fiscal, pode ter havido emissão de outro documento que sirva para a escrituração da receita e determinação do fato gerador do imposto de renda (art. 43 do CTN), que não se confunde com o fato gerador do imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou o Imposto de Circulação de Mercadorias (ICMS), que pressupõe, necessariamente, a saída de mercadoria ou a prestação de serviços sem emissão de nota fiscal ou documento equivalente. O legislador transplantou exigência de documento fiscal próprio do IPI e ICMS, para o imposto de renda, de modo que não se pode aplicar esse tratamento sem ter em linha de conta a especificidade desse imposto (IR). Assim, a não emissão de Nota Fiscal, por si só, não caracteriza omissão de receita, ante os recibos ou outros documentos emitidos pelo sujeito passivo (contrato de compra e venda) onde sejam consignadas suas receitas, cabendo ao fisco a prova da não contabilização de receita constatada e referenciada em outro documento que não a nota fiscal. Também, no silêncio da manifestação da autoridade, prevista no artigo 1°, § 2°, da Lei n° 8.846/94, se o contribuinte utiliza outro documento equivalente que sirva à escrituração da receita e determinação do fato gerador do imposto de renda (CTN, art. 43), estará satisfeito o requisito contido no parágrafo único, do art. 5° da Lei n° 9.716/98. Se válida a exceção face às notas fiscais de saída o mesmo entendimento se aplica às notas fiscais de entrada. Nesse contexto, o Impugnante requer sejam acolhidas as aquisições e vendas de veículos automotores sem a emissão das respectivas notas fiscais de entrada e saída, em que pese a emissão de recibos de compra e recibos de venda ou contrato de compra e venda de veículos. Isto porque, na sistemática do imposto de renda, os recibos, contratos de compra e venda e outros documentos equivalentes, desde que comprovadas as operações que lhe deram causa, suprem validamente a falta de emissão das respectivas notas fiscais de entrada e saída, afetas à atividade de compra e venda de veículos automotores. IV.3.3 ÔNUS DA PROVA. Fl. 6078DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 85 19 Cita ementas de acórdãos do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Alega, combinando o disposto na legislação tributária e a jurisprudência administrativa e considerandose as peças dos autos, no âmbito tributário, ao Fisco caberia o ÔNUS DA PROVA da imputação perpetrada, volvendose para a pesquisa da verdade na averiguação aguda dos fatos. Entretanto, os fundamentos e as razões do Fisco não justificaram de maneira irrefutável a existência da infração, pois, os documentos inequívocos trazidos à colação pelo Impugnante provam fatos, OU AO MENOS COLOCA EM DÚVIDA A FORÇA PROBANTE DOS INDÍCIOS APONTADOS PELO FISCO. Ineficaz, pois, a pretensão fiscal e punitiva (multa qualificada). Diz, contudo, a Impugnante se desincumbiu do seu ÔNUS PROBATÓRIO, quando trouxe aos autos os elementos que justificam o seu direito líquido e certo de se beneficiar da equiparação prevista no artigo 5° da Lei n° 9.716/1998. Não se pode imaginar de forma açodada que os valores das vendas de veículos sejam tributados a forma prevista dos artigos 518 e 519 do RIR/99, sem que haja antes uma investigação mais aprofundada de todos os fatos que circunstanciaram as operações. V. DA MULTA QUALIFICADA FRAUDE E SONEGAÇÃO FISCAL NÃO COMPROVADA. IMPOSSIBILIDADE DE AGRAVAMENTO. A Impugnante discorda do entendimento do Fisco utilizado para qualificar a multa de ofício. Vejamos: 1) Não restou comprovada, em sua totalidade, a omissão de receitas e 2) Não restou comprovado o evidente intuito de fraude. Em primeiro, porque em relação às vendas de veículos financiados e não declarados o contribuinte comprovou com documentos hábeis e idôneos a improcedência da acusação, trazendo aos autos os Anexos "A" e "B", contendo os documentos que atestam a propriedade daqueles veículos por terceiros. Em segundo, somente parte das receitas decorrentes da prestação de serviços deixou de ser oferecida à tributação. Nesse sentido, não há que se falar em intenção dolosa, pois, o contribuinte informou em sua DIPJ/2007, a totalidade dos rendimentos decorrentes da prestação de serviços. Tratase, à evidência dos fatos, de declaração inexata. Ora, o preceito da lei pune com a multa qualificada a omissão de informação e não a declaração incorreta. Em terceiro, porque em relação aos veículos constantes das planilhas entregues à Fiscalização, tais veículos estavam escriturados em seu LivroCaixa. A omissão seria dolosa se os mesmos sequer estivessem escriturados. Tal fato entretanto não ocorreu. Em que pese algumas das informações prestadas estarem sendo retificadas na presente impugnação, com a juntada da documentação constante dos Anexos de n°s 01 a 12 de 2006 e Anexos de n°s 01 a 12 de 2007, tal fato também não configura o evidente intuito de fraude, não comprovado pela Fiscalização. Fl. 6079DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 86 20 A jurisprudência, não só administrativa como também a judicial, consagra o entendimento de que a fraude deve ser provada com elementos seguros de provas, sendo insuficientes indícios ou meras suspeitas para autorizar a majoração da penalidade aplicada. A falta de declaração, a simples omissão de receitas ou a prestação de declaração inexata, por si só, não justifica a adoção de multa qualificada. Com efeito, não há QUALQUER prova CONCRETA e inequívoca de sonegação, fraude ou conluio, a justificar a aplicação da multa qualificada aplicada nos autos de infração IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Não pode prevalecer, pois, o entendimento da autoridade fiscal. VI DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DA CSLL, PIS E COFINS. Os autos de infração lavrados em face da CSLL, PIS e COFINS decorrem dos mesmos fundamentos que serviram de base para o lançamento do IRPJ. Assim, o decidido neste deve ser aplicado naqueles. VII PEDIDOS FINAIS. Em face de todo o exposto, requer a Impugnante seja acolhida a sua defesa, determinandose o CANCELAMENTO INTEGRAL dos Autos de Infração datados de 21/03/2011, relativos aos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em face dos vários fundamentos expostos acima. A presente impugnação fiscal contém 26 (vinte e seis) anexos, identificados da seguinte forma: "A" anocalendário 2006; "B" anocalendário 2007; 01 ao 12 anocalendário de 2006 e 01 ao 12 anocalendário de 2007. III DAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS. Por meio da Resolução n° 2.001.407, da 2° Turma/DRJ/BHE, de 14 de junho de 2011 (documento de fls. 5356/5371), o julgamento do processo foi convertido em diligência para verificarse as inconsistências apontadas pela defesa que anexou aos autos os documentos de fls. 917 a 5354. Abaixo, transcrevese os principais pontos da aludida Resolução: "RESOLUÇÃO 2.001.407 2a Turma da DRJ/BHE. (...) Fundamentalmente, como se vê, a Fiscalização desconsiderou o regime tributário aplicável às operações de compra e venda de veículos usados, por força do disposto no art. 5° da Lei n° 9.716, de 1998, e demais atos normativos devidamente evidenciados no TVF, ao argumento que não lhe foram apresentadas as notas fiscais de entrada e saída dos veículos vendidos, não mantidas em boa guarda pelo contribuinte, nem havendo comprovação se ao menos tais notas fiscais foram emitidas. Fl. 6080DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 87 21 Contudo, na defesa, o Impugnante, afirmando que sempre escriturou as notas de entrada de compra e saída de veículos e emitiu os recibos de compra e vendas de veículos nos anoscalendário de 2006 e 2007, combateu a conclusão fiscal e juntou aos autos os documentos relativos às transações com a compra e venda de veículos, notadamente, os constantes dos Anexos de 01 a 12, do Anocalendário de 2006; e Anexos de 01 a 12, do Anocalendário de 2007 (documentos a partir das fls. 917 até 5354). Diante disso, defendeu a aplicação, para fins de tributação pelo IRPJ e demais tributos, do regime disposto no art 5° da Lei 9.716/1988. Ainda, o Impugnante, em relação às receitas omitidas levantadas pela Fiscalização com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras, que os veículos considerados, para tanto, não são de propriedade dele. Mas que, exercendo a atividade de intermediação e corretagem de veículos, esses foram financiados por intermédio dele, que obteve a comissão correspondente. Nesse sentido, explica que, por amostragem, juntou aos autos os Anexos "A" e "B" (documentos de fls. 770/916), relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007, contendo os documentos que informam que os veículos objeto da imputação fiscal PERTENCIAM A TERCEIROS. Mais ainda, o Impugnante apontou supostos equívocos cometidos pela Fiscalização nas planilhas, dos anoscalendário de 2006 e 2007, denominadas de VEÍCULOS FINANCIADOS E NÃO INFORMADOS COMO VENDIDOS (fls. 82/94). Os aventados erros foram indicados nos subitens "2.1 a 2.4", da sua defesa. Logo, em resumo: (i) a defesa juntou aos autos, aproximadamente, 4 mil documentos, dentre os quais contratos e notas fiscais de entrada e saída de veículos, documentos esses não analisados pela Fiscalização no curso do procedimento fiscal; (ii) a legislação fiscal, notadamente, o art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1988, e demais atos normativos (devidamente evidenciados no TVF), permite que as empresas que tenham como objetivo social declarado em seus atos constitutivos a compra e venda de veículos automotores regime especial de tributação equiparando a compra e venda desses bens às operações de consignação, exigindo, para tanto, a emissão de notas fiscais de entrada e saída; (iii) em relação às omissões de receitas apuradas em razão das informações prestadas pelas instituições financeiras, a defesa além de apontar incongruências nos demonstrativos fiscais, alegou que o contribuinte efetuou mera intermediação, auferindo comissão por tal serviço e que os veículos objeto da imputação fiscal PERTENCIAM A TERCEIROS; (iv) para provar o alegado no item anterior, salienta que Fl. 6081DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 88 22 juntou, por amostragem, aos autos os Anexos "A" e "B" documentos de fls. 770/916. A propósito, considerando que a questão posta nos autos envolve, além do contrato típico de compra e venda de veículos, a comercialização de veículos em consignação, vale trazer à tona os conceitos explicitados na Solução de Consulta n° 1, SRRF09/Disit, de 13 de janeiro de 2010, acerca de duas modalidades obrigacionais básicas: contrato de comissão e contrato estimatório. Senão vejamos. "SOLUÇÃO DE CONSULTA N 1, SRRF09/DISIT, de 13 de janeiro de 2010. (...) DO CONTRATO DE COMISSÃO Também chamado de "consignação por comissão" ou "comissão mercantil", é regulado pelos arts. 693 a 709 do Código Civil (CC), Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. De acordo com o art. 693 do CC, "o contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente" (sem destaque no original). (... ) (... ) nesses contratos, o comissário age em seu próprio nome, embora à conta do comitente (art. 693 do CC). Ademais, "o comissário fica diretamente obrigado para com as pessoas com quem contratar, sem que estas tenham ação contra o comitente, nem este contra elas, salvo se o comissário ceder seus direitos a qualquer das partes " (art. 694 do CC). Por essas características, fica claro que o contrato de comissão não se confunde com a mera intermediação de negócios. Afinal, "o intermediário é a pessoa que se coloca entre duas outras para realizar entre elas um contrato" (REQUIÃO, Rubens. Do representante comercial. 5a ed. Rio de Janeiro: Forense, 1994. p. 77), ao passo que o comissário, como visto acima, age em seu próprio nome e fica diretamente obrigado perante os adquirentes. "O comissionário contrata em nome próprio: inserese no suporte fático, manifestando a vontade e fazse inserir como figurante no próprio negócio jurídico. " (PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Tratado de direito privado. 3a ed. Rio de Janeiro: Borsoi, 1972. t. 43, p. 284 destaque do original.) "Contrato de comissão é aquele pelo qual uma das partes, pessoa natural ou jurídica, o comissário, obrigase a realizar atos ou negócios em favor de outra, o comitente, segundo instruções deste, porém no próprio nome do comissário. Este se obriga, portanto, perante terceiros em seu próprio nome. O comissário figura no contrato com terceiros como parte, podendo quedarse desconhecido o comitente, se assim for conveniente. Geralmente, o comissário omite o nome do comitente, porque opera em nome próprio, mas pode ocorrer que haja interesse mercadológico na divulgação do comitente, como fator de dinamização das vendas ou negócios em geral. " (VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil. 8a ed. São Paulo: Atlas, 2008. v. 3, p. 283) "A comissão é o contrato pelo qual uma pessoa (comissário ou comissionário) adquire ou vende bens, em seu próprio nome e responsabilidade, mas por ordem e Fl. 6082DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 89 23 por conta de outrem (comitente), em troca de certa remuneração, obrigandose para com terceiros com quem contrata (CC, art. 694). O comissário contratará diretamente com terceiros em seu nome, ou no de sua firma comercial, vinculando se obrigacionalmente, respondendo por todas as obrigações assumidas; logo, as pessoas com quem contratar não poderão acionar o comitente, que também não poderá acionálas, a não ser que o comissário tenha cedido seus direitos a qualquer uma delas (ao comitente ou àqueles com quem efetivou negócio)." (DINIZ, Maria Helena. Tratado teórico e prático dos contratos. 6a ed. São Paulo: Saraiva, 2006. v. 3, p. 481 destaques nossos.) "A peculiaridade do contrato de comissão está em que o comissário, agindo por conta do comitente, todavia não atua em nome deste. Nas relações com terceiros não tem o comissário necessidade de declinar o nome do comitente. Declineo ou não, responde o comissário perante terceiros: as pretensões destes dirigemse imediatamente contra o comissário e não contra o comitente." (FALCÃO, Amilcar de Araújo. O conceito de consignação como fato gerador do Imposto de Vendas e Consignações. Revista de Direito Administrativo, v. 62, p. 33, out./dez. 1960.) (... ) Novamente de acordo com a Cosit, entendese que a atividade exercida pelo comissário é um serviço (nesse sentido, DINIZ, op. cit., v. 3, p. 486). Tanto que o art. 703 do CC dispõe que "ainda que tenha dado motivo à dispensa, terá o comissário direito a ser remunerado pelos serviços úteis prestados ao comitente, ressalvado a este o direito de exigir daquele os prejuízos sofridos" (sem destaque no original). Ou seja, tratase mesmo de um serviço e não de duas vendas, ao contrário do que ocorre no contrato estimatório: "A lei 187 prevê duas hipóteses diferentes nos arts. 8° e 9°, que podem ser designadas respectivamente consignação por comissão e consignação por venda. No primeiro caso (art. 8°) o consignante remete a mercadoria ao consignatário para que este a venda por conta e ordem do consignante, ao preço previamente fixado por este, ficando com direito apenas a uma comissão pelo serviço prestado e devendo prestar contas ao consignante pelo total do preço da venda: nesta hipótese ocorre somente uma venda, do consignante ao comprador, porquanto o consignatário é simples representante ou comissário do vendedor consignante (...)." (SOUSA, Rubens Gomes de. Compêndio de legislação tributária. Rio de Janeiro: Financeiras, 1952. p. 380 destaque nosso.) "Não significa isso que na comissão mercantil haja duas vendas, uma do comitente ao comissário e outra do comissário a terceiros. A operação é uma só. O comissário não tem a propriedade, o domínio da mercadoria que lhe é entregue pelo comitente: admitirse venda autônoma feita pelo comissário seria conceber a configuração de uma venda a non domino, por alguém que não tem a propriedade do bem vendido. " (FALCÃO, loc. cit.) (... ) Como já foi visto, nos itens anteriores, além de a atividade em questão ser um serviço, o art. 693 do CC deixa claro que a venda mediante comissão é feita pelo comissário "à conta do comitente ". (... ) Fl. 6083DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 90 24 DO CONTRATO ESTIMATÓRIO Também chamado de "consignação por vendas" ou "consignação mercantil", é regulado pelos arts. 534 a 537 do CC. De acordo com o art. 534 do CC, "pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens móveis ao consignatário, que fica autorizado a vendêlos, pagando àquele o preço ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituirlhe a coisa consignada" . Como bem observa a Cosit, o artigo não parte da premissa de que o consignatário tem a livre disposição da coisa consignada. Ao contrário, fica ele "autorizado" a vender a coisa. O titular de um direito não fica autorizado a exercêlo, simplesmente o exerce. Será que isso autoriza a considerar esse contrato como de mera intermediação (... ) A resposta poderia ser afirmativa, se entendêssemos que, no contrato estimatório, o adquirente o compra diretamente do consignante. Todavia, sinalizando em sentido contrário à mera intermediação, a doutrina entende que, no contrato estimatório, o consignatário atua em nome e conta próprios: "O contrato estimatório é o negócio jurídico em que alguém (consignatário) recebe de outrem (consignante) bens móveis, ficando autorizado a vendêlos, em nome próprio, a terceiro, obrigandose a pagar um preço estimado previamente, se não restituir as coisas consignadas dentro do prazo ajustado (CC, art. 534). " (DINIZ, op. cit., v. 2, p. 4 destaque nosso.) "Embora apresente afinidades com o mandato, o consignatário não representa o consignante na venda, de modo que atua em nome próprio com relação a terceiro. A consignação é irrelevante e estranha a este último. " (VENOSA, op. cit., v. 3, p. 91.) "Autorização pode ser confundida com outorga de poderes, que se dá no mandato ou na representação. Mas, como salientamos, não há outorga de qualquer poder nem representação no contrato estimatório. O consignatário atua perante terceiros como se fosse o real proprietário das coisas, porque exerce em nome próprio e não como representante do consignante o poder de disposição que lhe foi regularmente transferido." (LÔBO, Paulo Luiz Netto. Comentários ao Código Civil. São Paulo: Saraiva, 2003. v. 6, p. 251 destaques nossos.) "Entendese por consignação mercantil o contrato pelo qual uma pessoa consignador ou consignante, entrega a outra consignatário, mercadorias, a fim de que esta última as venda por conta própria e em seu próprio nome, prestando o consignatário ao consignante o preço entre ambos ajustado para a operação, qualquer que seja o valor alcançado pela venda feita a terceiros. " (FALCÃO, op. cit., p. 34 destaque nosso) Como atua em seu próprio nome e conta, o consignatário é mais que um mero intermediário. Seria intermediação se sua atuação se restringisse a pôr em contato adquirente e vendedor: "Se A incumbe C de interporse, em contatos com B, para a conclusão de determinado negócio jurídico bilateral entre A e B, sendo a sua atividade no exclusivo interesse de A, que lhe prestará a remuneração, se concluído o negócio jurídico, há contrato de intermediação (...)." (PONTES DE MIRANDA, Francisco Fl. 6084DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 91 25 Cavalcanti. Tratado de direito privado. 3a ed. Rio de Janeiro: Borsoi, 1972. t. 43, p. 243 destaque nosso.) Destarte, como se trata de algo mais que uma mera intermediação, é facultado às pessoas jurídicas que vendem veículos mediante contrato estimatório (arts. 534 a 537 do CC) o ingresso no Simples Nacional. Esclarecida a possibilidade de opção, passase à questão do Anexo da Lei Complementar n° 123, de 2006, no qual devem ser tributadas as receitas dessa atividade. De acordo com a doutrina, o objeto do contrato estimatório é um bem, não um serviço: "O contrato estimatório é inconfundível com o contrato de comissão (...). Na comissão de venda há a atividade do comissário como conteúdo, o que de modo nenhum se observa no contrato estimatório. (...) O objeto do contrato estimatório, stricto sensu, é o bem vendível que foi estimado para que o outorgado ou o vendesse (ou o comprasse) ou o restituísse." (PONTES DE MIRANDA, op. cit., t. 39, p. 397 e 406 destaques nossos.) Como bem observa a Cosit, a compra e venda de mercadorias difere do contrato estimatório única e tãosomente quanto ao momento da transferência do domínio do bem. Na compra e venda, ela ocorre com a tradição; no contrato estimatório, no momento em que o consignatário vende os bens a terceiro ou decide ficar com eles, pagando ao consignante o preço previamente ajustado. No momento da venda a terceiro dos bens recebidos em consignação, ocorrem duas operações simultâneas de venda: do consignante para o consignatário e deste para o terceiro. Nesse sentido, a doutrina é pacífica: "Na consignação, o comerciante remete a outro a mercadoria, com a menção do preço (por um dos modos por que pode ser determinado), e declara que o consignatário pode adquirila por aquele preço, dentro de certo prazo, ou sem prazo (= até que o consignante revogue a declaração à semelhança do que se passa com o mandato). Entendese que a venda pelo consignatário implica aquisição pelo preço estipulado." (PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Tratado de direito cambiário. Campinas: Bookseller, 2000. v. 3, p. 218.) "Nesta hipótese, como o consignatário vende em seu próprio nome, ocorrem evidentemente duas vendas simultâneas: uma do consignante ao consignatário e outra do consignatário ao comprador (...). " (SOUSA, loc. cit. destaque nosso.) "Há uma maneira de ser íntima, substancial, interior, na consignação mercantil, que lhe dá tipicidade específica. É que nela duas operações de venda transcorrem, quando se completa a operação. No momento em que o consignatário vende a mercadoria a terceiro, automaticamente ele a compra ao consignante. " (FALCÃO, op. cit., p. 35 destaque nosso.) As duas operações simultâneas de venda que ocorrem no momento da venda a terceiros ficam bem caracterizadas no Ajuste Sinief n° 2, de 9 de dezembro de 1993, que, ao disciplinar procedimentos fiscais a serem observados na prática de operações de consignação mercantil, prevê dupla emissão de nota fiscal de mercadorias, uma pelo consignante, outra pelo consignatário, in verbis: Cláusula primeira Na saída de mercadoria a título de consignação mercantil: Fl. 6085DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 92 26 I o consignante emitirá nota fiscal contendo, além dos demais requisitos exigidos, o seguinte: a) natureza da operação: "Remessa em consignação "; Cláusula terceira Na venda da mercadoria remetida a título de consignação mercantil: I o consignatário deverá: a) emitir nota fiscal contendo, além dos demais requisitos exigidos, como natureza da operação, a expressão "Venda de mercadoria recebida em consignação"; II o consignante emitirá nota fiscal, sem destaque do ICMS e do IPI, contendo, além dos demais requisitos exigidos, o seguinte: a) natureza da operação: Venda; Em suma, o tratamento a ser dado é o de venda, não de serviço aliás, mais um motivo para não considerar a atividade vedada pelo art. 17, inciso XI, da Lei Complementar n° 123, de 2006 (já transcrito acima), que se restringe a serviços"" Então, a venda de veículos em consignação, mediante contrato de comissão ou contrato estimatório, é feita em nome próprio, não configurando mera intermediação de negócios. Por sua vez, o contrato de comissão tem por objeto um serviço do comissário, cuja receita auferida é a comissão; já o contrato estimatório recebe o mesmo tratamento da compra e venda. Relevante, no caso concreto, é que, assim como no contrato típico de compra e venda de veículos, nos outros contratos, seja de comissão ou estimatório, para beneficiarse do regime especial de tributação de que trata o art. o art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1988, a empresa não se exime de cumprir os requisitos da lei, quais sejam, emitir, em cada operação e nos momentos adequados, as correspondentes notas fiscais de entrada e a de saída dos veículos objeto de comercialização. Feitas essas considerações, tendo em vista a legislação especial que envolve o caso concreto, as alegações do Impugnante apontando inconsistências no levantamento fiscal e que os documentos juntados aos autos precisam passar pelo crivo da Fiscalização para uma análise mais criteriosa, proponho o retorno do presente processo à DRF de origem para que sejam realizadas diligências, no intuito de: (a) apurarse possíveis inconsistências no levantamentos das bases de cálculo tributadas no presente lançamento; (b) verificadas inconsistências, as bases de cálculo deveram ser refeitas, em sua totalidade, observandose, além das regras pertinentes à apuração do lucro presumido, o regime especial de tributação previsto no art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1988, nos casos em que existir a documentação prevista em lei (nota fiscal de entrada e saída dos veículos comercializados), seja no contrato típico de compra e venda, seja no de comissão ou seja no estimatório; (c) e, uma vez elaborado o demonstrativo acima, indicar os valores do imposto e demais contribuições que devem ser mantidos no julgamento. Fl. 6086DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 93 27 O resultado das diligências solicitadas deve constar de relatório circunstanciado, que evidencie, se for o caso, os itens acima mencionados, dandose dele ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, em querendo, apresente novas razões de defesa. IV RELATÓRIO FISCAL DE DILIGÊNCIA. Feitas as diligências acima solicitadas, a Fiscalização elaborou o "RELATÓRIO FISCAL DE DILIGÊNCIA" (documento de fls. 5519/5529), acompanhado dos demonstrativos fiscais de fls. 5530 a 5588. Abaixo, transcrevese os principais pontos do aludido Relatório: "(... ) III DAS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE NA IMPUGNAÇÃO (... ) 2 EM RELAÇÃO AOS VEÍCULOS FINANCIADOS E NÃO INFORMADOS COMO VENDIDOS (... ) O impugnante se confundiu ao dizer que a prova da propriedade de um veículo se faz única e exclusivamente com o Certificado de Registro de Veículo, conforme diz ao juntar alguns destes documentos nos anexos "A" e "B". Os veículos, aeronaves e embarcações são bens móveis que por sua natureza e possíveis usos tem, na forma da legislação, um controle mais rígido por parte do estado. Este controle traduzse na obrigatoriedade se efetuar o registro da propriedade destes bens em determinados órgãos estatais, Detran, Anac e Capitanias dos Portos. No caso específico dos veículos automotores, toda vez que é realizada uma alienação, o vendedor deve observar o prazo de 30 dias para efetuar a comunicação de venda ao órgão executivo de trânsito do Estado, no caso o Detran, para que o mesmo possa estar ciente de que este veículo deixou de ser da propriedade do vendedor. Umas das formas de se fazer esta comunicação ao Detran é utilizandose do "Certificado de Registro de Veículo" que em seu verso contém uma autorização nos seguintes termos: "Autorizo o Departamento Estadual de Trânsito Detran, transferir o registro deste veículo, para:". Além dessa autorização ainda possui o seguinte aviso: "a) o vendedor se isenta de qualquer responsabilidade administrativa, civil ou criminal a partir da data acima, cabendo ao comprador a imediata transferência de registro do veículo para o seu nome; b) a transferência de registro poderá ser comunicada pelo vendedor, remetendo cópia deste documento ao Detran, após devidamente preenchido e firmado". Assim, esta obrigatoriedade de se registrar o veículo somente existe porque o estado precisa saber quem é o proprietário do veículo para aplicar sanções administrativas (incluindo as multas de trânsito) e para possíveis casos de responsabilização civil e penal do proprietário. Segundo o Código Civil de 2002, Lei 10.406/2002, somente o registro de bens imóveis é condição para a aquisição da propriedade, vide art. 1.245 do CC: (...) Fl. 6087DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 94 28 No caso dos bens móveis, são 8 (oito) as formas principais de aquisição da propriedade: usucapião, ocupação, do achado tesouro, tradição, especificação, confusão, comistão e adjunção. Em nenhuma destas formas há o requisito do registro como forma de transferência da propriedade, pelo contrário a propriedade se transfere pela tradição, conforme dispõe o art. 1.267 do CC: (...) No caso dos veículos existe a chamada tradição ficta que ocorre quando o vendedor entrega ao comprador as chaves do veículo. Além disso, é comum no mercado de veículos usados que a venda a um intermediário (pessoa física ou empresa de comércio de veículos usados) ocorra sem que a transferência seja comunicada aos Departamentos de Trânsitos. O contribuinte sabe desta prática, tanto é assim que no "Contrato Particular de Comissão Mercantil", vide página 929, existem dois conjuntos de campos, um identificando o Contratante (alienante) e o segundo identificando o nome que consta do CRV como sendo o proprietário. No "Termo de Compromisso e Responsabilidade", vide página 3145, há um campo para que o alienante, que assina o termo, diga o nome que consta no Registro do Detran como sendo o proprietário do veículo, que pode não ser o do alienante. Assim, os documentos juntados nos anexos "A" e "B" somente provam uma única coisa, que ocorreu a venda daquele veículo. Fato este admitido pelo impugnante ao dizer que recebeu comissões por ter intermediado os financiamentos aos adquirentes dos veículos. Entretanto, a atuação do contribuinte não se limitou a de ser mero intermediário na obtenção do financiamento para a venda do veículo, mas efetivamente atuou como vendedor do veículo, seja atuando em nome próprio, seja atuando como consignante, como abaixo demonstraremos. A cláusula 6 do Contrato de Prestação de Serviços de Intermediário celebrado entre o Banco ABN AMRO REAL S.A e outros e o contribuinte (pág. 339 do processo) dispõe que: “6. A liberação dos recursos para o pagamento do bem financiado ou do bem objeto de arrendamento mercantil será efetuada mediante cheque cruzado e intransferível, de emissão das CONTRATANTES, a favor do vendedor do bem, ou mediante de titularidade do vendedor do bem” (negritamos) crédito em conta de depósitos à vista”. As cláusulas 5 e 8 do Convênio de Negócios Itaured e Outras Avencas, página 304, dispõe que: 5 Objetivo O Contratante financiará a aquisição ou arrendará veículos comercializados pela Revenda, ao consumidor final, designado Cliente, seu exclusivo critério. 5,1 A Revenda prestará serviços ao Contratante de encaminhamento de proposta c controle de documentação para a contratação de financiamento ou arrendamento mercantil, ambos designados operação, e de obtenção e encaminhamento de proposta de adesão a seguro de proteção financeira, designado seguro. 5.2) O veículo objeto da operação será de propriedade da Revenda entregue a ela para venda. 8. Liberação dos recursos – O Contratante liberará os recursos referentes às operações em uma das contas correntes indicadas no item conforme determinado em cada operação pela Revenda. Fl. 6088DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 95 29 8.1. Na hipótese 4e contratação de arrendamento mercantil, a Revendedora receberá do Cliente, em nome da contratante, a prestação à vista do valor residual garantido. 8.1 Revenda será titular do valor mencionado no subitem 6.1desobrigandose da entrega ao Contratante, na hipótese de este creditar apenas o valor referente hipótese de este creditar apenas o valor a diferença entre entre esse valor e o preço de venda do veiculo na conta corrente indicada pela Revenda. 8.1.2, O lançamento a credito na conta corrente da Revenda comprovará a sua entrega pelo Contratante. 8.2. A Revenda, que não correntista do Banco Itaú S/A, arcará com os custos referentes às ordens de crédito utilizadas na liberação dos recursos” (negritamos) Logo, os veículos financiados pelas instituições financeiras devem pertencer a Contratada (Contribuinte), sendo os valores correspondentes ao financiamento e/ou arrendamento depositados em conta bancária pertencente ao contribuinte. Nas planilhas "VEÍCULOS FINANCIADOS E NÃO INFORMADOS COMO VENDIDOS", anexas ao presente relatório, indicamos o banco e a página do processo que mostra o crédito do valor financiado em conta corrente do contribuinte, os extratos foram apresentados pelo contribuinte em resposta ao termo de início de diligência. Em regra, os valores foram creditados na conta mantida no Banco ABN AMRO REAL na data constante da coluna "Data do Contrato" ou "Data de Emissão do Contrato". Assim, a alegação do contribuinte de que não participou como vendedor dos veículos não encontra amparo nos fatos, visto ser inacreditável que instituições pertencentes a grupo do porte do Santander (ABN AMRO REAL), do ITAÚ e do BMG iriam creditar valores de financiamento de veículos em contas de depósitos de terceiros (no caso o contribuinte) que nada tivesse a ver com a relação negocial e em flagrante desrespeito aos contratos assinados entre estas instituições e o contribuinte e às normas bancárias emanadas pelo Banco Central do Brasil, conforme Resolução Bacen n° 3.110, de 31 de julho de 2003, que trata dos correspondentes bancárias e que no art. 4°, inciso VI que determina que: Art. 4o Os contratos referentes à prestação de serviços de correspondente nos termos desta Resolução devem incluir cláusulas prevendo: .... VI – que, nos contratos de empréstimos e de financiamentos, a liberação de recursos deve ser efetuada mediante cheque nominativo, cruzado e intransferível, de emissão da emissão da instituição financeira contratante a favor do beneficiário ou da empresa comercial vendedora, ou crédito em conta de depósitos à vista do beneficiário ou da empresa comercial vendedora; (negritamos) Concluiuse dos fatos acima citados que o contribuinte é o beneficiário do valor liberado dos financiamentos e/ou arrendamentos, seja no caso de venda em nome próprio seja como empresa comercial vendedora, no caso em que o veículo lhe foi entregue para venda. Considerando, em ambas as hipóteses, a inexistência das notas fiscais de entrada e saída dos veículos, não é possível a aplicação do art. 5° da Lei n° 9.716/1998 que permite a equiparação tributária das operações de compra e venda às operações de consignação por comissão. Dessa forma, os valores de venda devem ser tributados pela regra geral da apuração do lucro presumido, isto é, considerase Fl. 6089DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 96 30 lucro o valor obtido pela aplicação do coeficiente de 8% sobre o valor das receitas auferidas com as vendas de veículos. Quanto às alegações sobre a forma de apuração dos valores, temos a comentar o que se segue. Em relação às planilhas do ABN AMRO REAL não foram indicados somente placas dos veículos, mas placa, marca, chassi e número do contrato de financiamento e como já explicado acima estes veículos foram efetivamente vendidos pelo contribuinte, seja por ser de sua propriedade, seja porque foi a ele entregue para venda, em ambos os casos, sem a devida emissão das notas fiscais de entrada e saída. Acrescentamos n as planilhas "VEÍCULOS FINANCIADOS E NÃO INFORMADOS COMO VENDIDOS", anexas ao presente relatório, o banco e a página do processo que mostra o crédito do valor financiado em conta corrente do contribuinte. Quanto à afirmação de que foi erroneamente considerado o valor de financiamento e não o valor liberado, tem razão o contribuinte, visto que o valor financiado normalmente inclui o IOF e a TAC (taxa de abertura de crédito) que são valores que não são transferidos ao vendedor. Assim, iremos considerar na apuração o valor liberado. Quanto às datas elas estão corretas, visto que os valores referentes aos financiamentos e/ou arrendamentos foram creditados em conta corrente nas datas já utilizadas. Logo, utilizamos o regime de caixa. Em relação aos BANCO ITAUCARD, ITAÚ UNIBANCO E ITAULEASING, o contribuinte afirmou que: "Na elaboração da planilha a fiscalização considerou a data do contrato (regime de competência) e em vez de considerar o valor liberado (regime de caixa) levou em conta o valor do bem calculado, ou seja, o valor estimado do bem!!! O erro é grosseiro." Também nas planilhas "VEÍCULOS FINANCIADOS E NÃO INFORMADOS COMO VENDIDOS" referente a estes bancos financiadores, incluímos o banco e a página do processo que mostra o crédito do valor financiado em conta corrente do contribuinte, demonstrando que houve efetivamente uma venda por parte do contribuinte, como acima explicado. A coluna "data do contrato" é a data de liberação dos valores em conta corrente. Portanto, não utilizamos "regime de competência", mas da data de liberação dos valores "regime de caixa". Quanto à afirmação de que estamos utilizando valor estimado do bem, não é verdadeira esta informação. Nas vendas financiadas de veículos as instituições financeiras, em regra, somente financiam uma parte do valor de venda, por questão de garantia do crédito. Assim, uma parte do valor de venda deve ser dada como entrada, a parcela restante pode ser financiada. Logo, sabendose do valor percentual da entrada e do valor do financiamento, é questão matemática calcular o valor de venda do bem. As instituições financeiras do grupo ITAÚ informaram o valor financiado e o valor liberado do bem e o percentual de entrada que foi registrado no contrato. Dessa forma, foi possível calcularse o valor de venda do bem. Não há estimativa, mas mero cálculo utilizandose do processo matemático conhecido como "regra de três simples". Ou seja, sendo "x" o percentual da entrada efetuada e (100% x%) é igual ao valor liberado, dividindose o valor liberado por (100% x%) obtêmse o valor de venda do veículo. Como se vê uma simples operação matemática, longe de qualquer processo de estimativa de valor que utilize métodos heterodoxos de se apurar um valor de venda. Muito antes pelo contrário, é um método, pois utiliza a matemática simples, de se obter o preço de venda de um bem. Fl. 6090DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 97 31 Registrese que nas planilhas referente ao lançamento, utilizamos equivocadamente o valor financiado, que inclui TAC e IOF, e como já dito acima, deveríamos ter utilizado o valor liberado. Assim, nas planilhas anexas a este relatório utilizaremos este valor para o cálculo do valor da venda. 3 EM RELAÇÃO ÀS RECEITAS DE VENDAS DE VEÍCULOS INFORMADAS NAS PLANILHAS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE (... ) Verificamos os 24 anexos acima referidos e constatamos que foram juntadas informações sobre 476 operações com veículos no ano de 2006 e 521 operações do ano de 2007. Analisando a documentação juntada do ano de 2006, verificamos que 47 destas operações apresentam as notas fiscais de entrada e saída. Em relação a 2007 verificamos que são 70 as operações com ambas as notas fiscais. Assim, das 997 operações referidas nos 24 anexos somente 117 contém a documentação exigida pela legislação pelo art. 5° da Lei n° 9.716/1998 para que sejam as operações de compra e venda equiparadas às vendas realizadas por consignação por comissão. Portanto, ao contrário do que afirma o contribuinte, é pequena a quantidade de operações, menos de 12%, que possuem as notas fiscais de entrada e saída. Quanto às demais alegações de que recibos ou outros documentos emitidos pelo sujeito passivo (contrato de compra e venda) podem ser aceitos para suprir a ausência de emissão de notas fiscais exigidas pela Lei 9.716, são questões de direito que não cabem à Fiscalização analisar. Apenas ressaltamos, que da documentação juntada, recibos de compra, recibos de venda, Promessas de Compra e Venda, etc. Existe um número significativo destes documentos sem a aposição de assinaturas das partes, isto é, existem documentos que a outra parte vendedor, comprador ou consignante não assinaram o termo. Logo, são documentos que não provam nada. O contribuinte alegou em sua impugnação que: "Admitese aqui que, os Livroscaixa apresentados pelo contribuinte contêm erros, que são escusáveis, em razão da reconstituição dos mesmos estar baseada nos extratos bancários. Nesse sentido, as planilhas entregues à fiscalização também contém erros, sejam de valores indicativos da compra ou da venda, sejam de veículos informados como sendo de propriedade da empresa, porém, não localizada as suas aquisições. Entretanto, os documentos juntados nos Anexos de n°s 01 a 12 de 2006 e 01 a 12 de 2007 referem se aos veículos automotores adquiridos e vendidos e lastreiam todas as transações efetuadas pelo contribuinte nos anos em questão. Dessa forma, os LivrosCaixa reconstituídos bem como as planilhas apresentadas ficam retificados pelos documentos apresentados nessa impugnação". Considerando a alegação do contribuinte entendemos por aceitar as novas planilhas como sendo aquelas referentes aos veículos escriturados nos Livros Caixa, ainda mais que a quase totalidade dos veículos constaram das planilhas originalmente apresentadas à fiscalização. Fl. 6091DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 98 32 Analisando estas planilhas, que sumarizam as informações constantes da documentação anexada à impugnação, constatamos que existem veículos que foram objeto de devolução aos "consignantes". Assim, estas operações devem ser totalmente desconsideradas nas apurações, visto não se tratar de efetiva venda. (...) As operações que possuem notas fiscais de entrada e saída, conforme requerido pelo art. 5° da Lei 9.716/1998 e na diretriz determinada pela resolução da DRJ, serão objeto de apuração em separado sendo a margem entre o valor de venda e o de compra considerada receita tributável e o coeficiente aplicável na apuração do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL será de 32%. Por outro lado, as demais operações excluídas as citadas nos parágrafos anteriores, devem ser tributadas pela regra geral do lucro presumido, ou seja, o coeficiente aplicável será o de 8% para apuração do lucro presumido e de 12% para a formação da base de cálculo da CSLL. Visto não terem sido cumpridos os requisitos legais para a equiparação das vendas de veículos usados às vendas por consignação por comissão. 4 DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA (... ) Em relação às vendas dos veículos não informados nas planilhas e que o contribuinte quis provar que não eram de sua propriedade, demonstramos no item III 2 que efetivamente o contribuinte vendeu aqueles veículos, seja por conta própria, seja por comissão mercantil, pois foi o beneficiário dos valores. Portanto, não corresponde a verdade tal assertiva do contribuinte. Quanto à alegação de que ocorreu apenas uma declaração inexata, basta comparar os valores declarados com os efetivamente apurados para constatar que não se trata de mera declaração inexata. Mesmo admitindose corretas as alegações do contribuinte de que deveria ser tributado pela margem entre a venda e a compra, constatase pelas planilhas apresentadas pelo contribuinte a total dissonância entre os valores declarados e os reais valores a serem oferecidos à tributação. Quanto a alegação de que escriturou os valores vendidos nos Livros Caixa, estes somente foram escriturados sob intimação da fiscalização, ou seja, não houve espontaneidade no ato de escriturar do contribuinte. Mesmo assim, não estando espontâneo deixou de escriturar diversos veículos vendidos. Estes fatos por si só demonstram que o contribuinte ao longo dos anos de 2006 e 2007, tinha o evidente intuito de sonegar, seja prestando informações falsas à Fazenda Nacional, seja omitindo informações para subtrair tributo devido. A par destes fatos, e para corroborar o fato de que o contribuinte sempre quis sonegar, prestando informações falsas ou omitindo informações, constatamos pela análise dos documentos juntados pelo contribuinte na impugnação, que algumas das notas fiscais são antedatadas, logo operações simuladas, a teor do disposto no art. 167 do Código Civil. Tal fato demonstra o desrespeito com que o contribuinte trata a legislação tributária. Pretendeu utilizar como elementos de prova documentos totalmente inidôneos, visto que antedatados, tal fato demonstra o intuito do Fl. 6092DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 99 33 contribuinte de querer levar vantagem frente a administração tributária, subtraindo tributo devido. (...) IV DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA Analisados os argumentos do contribuinte e a documentação anexada aos autos que comprovaria as alegações e tendo em vista a determinação emanada da Resolução da DRJ que baixou o processo em diligência, efetuamos os procedimentos abaixo para sanear as inconsistências apuradas. A) Em relação à infração de omissão de receitas de prestação de serviços, nenhuma alteração deve ser efetuada, prevalecendo as planilhas de fls. 80 a 81. B) Em relação à infração de omissão de vendas de veículos financiados e não informados à fiscalização, devemos elaborar novas planilhas para corrigir as seguintes inconsistências apuradas: 1. Alterar para as vendas financiadas pelos Bancos Itaucard, Itauleasing e Itaú Unibanco o cálculo do valor da venda para utilizar no cálculo o valor liberado ao invés do valor financiado, pelas razões anteriormente citadas; 2. Em relação aos veículos financiados pelo ABN AMRO REAL, excluir da tributação os veículos de placas GTH9024 e GUM6921, visto que os mesmos foram vendidos em 2005 e o crédito dos valores neste mesmo ano de 2005; 3. Excluir da tributação 4 veículos que não possuem indicação da placa e do contrato de financiamento, sendo os valores excluídos da tributação os indicados na tabela abaixo; VALOR FINANCIADO VALOR LIBERADO MÊS 10.000,00 10.000,00 Dez/06 19.900,00 19.900,00 Jan/07 30.500,00 30.500,00 Nai/07 5.600,00 5.600,00 Jul/07 C) Em relação aos veículos informados pelo contribuinte nas planilhas e que compõem seu Livro Caixa, efetuamos os seguintes ajustes: 1. Aceitar as novas planilhas apresentadas, utilizandoas para efetuar as análises sobre os valores que devem ser tributados; Fl. 6093DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 100 34 2. Excluir destas planilhas os veículos que possuem indicação de que houve a devolução aos "consignantes"; 3. Elaborar a planilha "VEÍCULOS VENDIDOS COM EMISSÃO DAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADA E SAÍDA", contendo as operações em que foram emitidas notas fiscais de entrada e saída para os veículos vendidos e apurar nestas operações a receita tributável. No caso, tendo sido cumpridos os requisitos legais do art. 5° da Lei 9.716/1998, a receita tributável foi calculada sobre a margem entre o valor de compra e o de venda. E o coeficiente a ser utilizado na apuração do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL é de 32%; 4. Para as demais operações elaboramos a planilha "VEÍCULOS VENDIDOS E RELACIONADOS NA PLANILHA DA IMPUGNAÇÃO" que sumariza mensalmente as receitas do contribuinte com a venda de veículos, visto que não cumpridos os requisitos legais para equiparação das vendas de veículos usados às operações de consignação. Apurados os valores de receitas a serem consideradas na tributação, elaboramos as planilhas "RESUMOS DAS RECEITAS A TRIBUTAR E DOS VALORES A COMPENSAR" que contêm o resumo das receitas por coeficiente de tributação do IRPJ e CSLL, incluindo os valores de IRPJ e CSLL declarados em DCTF e os valores de IRRF retidos, valores estes que devem ser compensados na apuração dos valores devidos e que o foram no lançamento ora objeto de impugnação. Também elaboramos, para cada ano, as planilhas "PIS APURAÇÃO DOS VALORES A LANÇAR DE OFÍCIO" e "COFINS APURAÇÃO DOS VALORES A LANÇAR DE OFÍCIO", que contêm o resumo das receitas tributáveis por estas contribuições e os valores declarados em DCTF e que devem ser compensados na apuração dos valores devidos, compensação esta efetuada quando do lançamento original e que ora é objeto de impugnação. Todas as planilhas citadas são parte integrante e indissociável do presente relatório de diligência. Este foi elaborado seguindo as determinações da Resolução da DRJ/BHE que baixou o processo em diligência. (... ) Ressaltamos que em face da apresentação de documentos (notas fiscais) que resultam em operações simuladas (art. 167 do CC), efetuamos a apreensão destes documentos, sendo os mesmos juntados à Representação Penal lavrada com a notícia do fato. O contribuinte recebeu em substituição as notas apreendidas uma cópia autentica do documento juntado à impugnação." A Impugnante foi pessoalmente cientificada em 31/10/2012 do resultado das diligencias (ciência contida às fls. 5529). Nessa mesma data, no Termo de Encerramento de Diligência (documento de fls. 5594), foilhe reaberto o prazo, para apresentar manifestação acerca do Relatório de Diligência. V IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR. Cientificada, em 31/10/2012, do "RELATÓRIO FISCAL DE DILIGÊNCIA", a defesa, em 26/11/2012, apresentou impugnação complementar (fls. 5614/5639), cujos principais pontos são: Fl. 6094DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 101 35 "(... ) A fiscalização elaborou novos quadros demonstrativos, assim discriminados: I) VEÍCULOS FINANCIADOS E NÃO INFORMADOS COMO VENDIDOS: a) ABN AMRO REAL, fls. 5538 a 5543, dos autos, b) BMG S/A, fls. 5544 a 5545, dos autos, c) SANTANDER LEASING, fls. 5546, dos autos, d) ITAULEASING, fls. 5546 a 5548, dos autos, e) ITAÚ UNIBANCO, fls. 5549, dos autos e f) ITAUCARD, fls. 5550 a 5552, dos autos. Às fls. 5553/5554 elaborou planilhasresumo dos "supostos" veículos financiados e não informados como vendidos em face dos anoscalendário de 2006 e 2007. II) VEÍCULOS VENDIDOS COM EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS DE ENTRADA E SAÍDA ANOSCALENDÁRIO DE 2006 E 2007: fls. 5555 a 5559, dos autos. III) VEÍCULOS VENDIDOS E RELACIONADOS NA PLANILHA DA IMPUGNAÇÃO ANOCALENDÁRIO DE 2006: fls. 5560 a 5574, dos autos. IV) VEÍCULOS VENDIDOS E RELACIONADOS NA PLANILHA DA IMPUGNAÇÃO ANOCALENDÁRIO DE 2007: fls. 5575 a 5588, dos autos. Em relação às planilhas citadas nos itens III e IV, cabe de imediato alguns esclarecimentos e conclusões, a saber: 1) Na impugnação original o contribuinte apresentou 12 anexos, em relação ao anocalendário de 2006 (fls. 917 a 3120, dos autos) e mais 12 anexos em relação ao anocalendário de 2007 (fls. 3121 a 5354, dos autos). Tais anexos foram compostos por documentos relativos a cada transação. Assim, foram lastreados com cópias dos recibos de compra de veículos, recibos/contratos de promessa de compra e venda, notas fiscais de entrada e saída e documentos contábeis, conforme cada operação. 2) Em face do Termo de Início de Procedimento Fiscal (Diligência), fls. 5373, o contribuinte reapresentou os originais dos anexos citados e forneceu 24 planilhas relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, onde resumem, mês a mês, detalhadamente, as informações colocadas à disposição da fiscalização nos anexos já apresentados em sua impugnação (fls. 5377). Isto por quê? Existiram transações com: veículos próprios; veículos deixados em consignação que foram objeto de nota fiscal de entrada e saída e veículos deixados em consignação que foram objeto de nota fiscal de entrada e recibo de venda ou contrato de compra e venda. Tal detalhamento fezse necessário porque as transações com veículos deixados em consignação e que foram objeto de nota fiscal de entrada e recibo de venda ou contrato de compra e venda faz parte do MÉRITO da impugnação. Entretanto, as planilhas entregues em 19/09/2011, fls. 5377, NÃO FORAM JUNTADAS AOS AUTOS PELA AUTORIDADE FISCAL. Tais planilhas estão sendo REAPRESENTADAS nesta impugnação complementar, conforme Anexo I. Fl. 6095DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 102 36 Por sua vez, a autoridade fiscal noticiou no sentido de que existe um número significativo de documentos constantes dos anexos n°s 01 a 12 2006 e n°s 01 a 12 2007, apresentados pelo contribuinte, que não estão assinados pelas partes que participaram daquelas operações (fls. 5525 a 5526). (... ) Dessa forma, podemos concluir que: a) As planilhas referidas nos itens III e IV omitiram informações que foram prestadas pelo contribuinte. b) as planilhas elaboradas pela autoridade fiscal e pelo contribuinte estão contaminadas por vícios insanáveis, que as tornam imprestáveis para lastrear qualquer informação, registro ou lançamento. Em face da autoridade fiscal observa se uma grande CONTRADIÇÃO: Se existem documentos sem assinatura das partes e por isso não provam nada, não podem esses mesmos documentos servir para lastrear a elaboração das novas planilhas da fiscalização (fls. 5560 5574 e 5575 a 5588). c) As planilhas que já haviam sido apresentadas pelo contribuinte e que não foram juntadas aos autos, serão reapresentadas, retificadas, nessa impugnação complementar. Retificadas por quê? A informação prestada pela autoridade fiscal revelou irregularidades insanáveis, posto que, foi retirado daqueles documentos todo o seu potencial probatório, colocando em risco a credibilidade da prova. Por fim, esclarecemos que aquelas transações baseadas em documentos inválidos e, portanto, consideradas inexistentes no mundo jurídico, relacionadas a título de “COMPRAS E VENDAS DE VEÍCULOS COM DOCUMENTAÇÃO IMPRESTÁVEL, e referemse ao Anexo II (relativo ao período de janeiro a dez/2006) e ao Anexo III (relativo ao período de janeiro a dez/2007). As demais planilhas retificadas estão assim denominadas e numeradas: VENDAS DE VEÍCULOS PRÓPRIOS – COM EMISSÃO DE RECIBO DE COMPRA E RECIBO DE VENDA OU E CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA: Anexo IV (JAN/DEZ/2006) e Anexo V (jan/dez/2007) VENDAS DE VEÍCULOS DE TERCEIROS – COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL DE ENTRADA E NOTA FISCAL DE SAÍDA: Anexo VI (JAN/DEZ/2006) e Anexo VII (jan/dez/2007) e VENDAS DE VEÍCULOS DE TERCEIROS – COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL DE ENTRADA E RECIBO DE VENDA OU CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA: ANEXO VIII (JAN/DEZ/2006) e ANEXO IX (JAN/DEZ/2007) Fl. 6096DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 103 37 RESUMO DOS VALORES A TRIBUTAR = ANOSCALENDÁRIO DE 2006 E 2007:Anexo X. Do exame do Relatório Fiscal de Diligência inferese (fls. 5519 a 5529): A) ITEM III2: VEÍCULOS FINANCIADOS E NÃO INFORMADOS COMO VENDIDOS O cerne da questão é: os veículos constantes das planilhas acima NÃO PERTENCEM ao contribuinte. Entretanto, no caso de vendas de veículos de terceiros as situações podem ser diferentes. Vejamos: (...) 1 Veículo de terceiro, recebido com consignação, vendido à vista: se o valor da venda (NF de saída, contrato/recibo de venda) for superior ao valor da compra (NF entrada) tributase junto ao contribuinte o lucro/margem. O valor da venda pertence ao proprietário do veículo que foi vendido, ou seja, ao consignante. 2 Veículo de terceiro, recebido com consignação, vendido financiado: se o valor da venda (NF de saída, contrato/recibo de venda) for superior ao valor da compra (NF entrada, recibo/contrato) tributase junto ao contribuinte o lucro/margem. O valor da venda pertence ao proprietário do veículo que foi vendido, ou seja, ao consignante. Entretanto, nesse caso, haverá o recebimento de comissão pela captação e processamento do pedido de financiamento e que será levada à tributação. 3 Veículo de terceiro, recebido somente para intermediação, vendido financiado ou não: O valor da venda pertence ao proprietário do veículo que foi vendido. Entretanto, nesses casos, haverá o recebimento de comissão das instituições financeiras, pela captação e processamento do pedido de financiamento ou haverá recebimento de comissão paga diretamente pelo proprietário do veículo vendido. (... ) Nas situações descritas no item 2 e item 3 (quando financiado), por força contratual com as instituições financeiras, a liberação dos recursos para pagamento do veículo vendido financiado será a favor do vendedor do bem, que nos casos em questão é o contribuinte "Fernandes Raso Intermediações Ltda". Nesse sentido o contrato citado pela autoridade fiscal que foi assinado com o banco ABN AMRO REAL, fls. 339. No mesmo sentido o contrato de fls. 304, denominado "Convênio de negócios Itaucred e outras avencas". (... ) Ora, não se pode concluir, pelo simples fato de haverem recebimentos de valores em conta corrente do contribuinte, que os mesmos pertença do contribuinte. Não se pode concluir também, pelo simples fato de haverem financiamentos, que os veículos ali contratados pertençam do contribuinte. Fl. 6097DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 104 38 Pois bem. A conclusão a que chegou a autoridade fiscal é equivocada quanto ao fato de que os veículos financiados DEVEM PERTENCER ao contribuinte. Tal afirmação não está amparada em prova segura, trazida aos autos. É contraditória! Os elementos seguros de prova foram trazidos aos autos pelo contribuinte em sua impugnação e constam dos Anexos "A" e "B" juntados, e contém os documentos hábeis e idôneos, que afastam de forma meridiana a pretensão fiscal. Por outro lado, AD ARGUMENTANDUM, faremos comentários às novas planilhas trazidas junto ao "Relatório Fiscal de Diligência" e em face da documentação já anexada anteriormente aos autos pela fiscalização. 1) EM RELAÇÃO AO BANCO ITAUCARD, ITAÚ UNIBANCO E ITAULEASING (fls. 5547/5552). Preliminarmente, a autoridade fiscal não trouxe nenhum elemento novo após a realização da diligência. Informa o "Termo de verificação Fiscal", fls. 60: "As instituições financeiras diligenciadas responderam aos termos de intimação indicando os pagamentos efetuados à diligenciada, conforme fls. 196 a 388, sendo que a BV Financeira não indicou a placa dos veículos financiados. " (destacamos). Ora, compulsando os autos constatamos que a afirmação acima não é procedente. Vejamos: 1) Não constam dos autos as respostas aos termos de intimação de fls. 297 a 302; 2) Os documentos de fls. 303/304 não foram assinados pelas partes contratantes e contratada e 3) Não constam dos autos os respectivos contratos que embasaram a elaboração das planilhas de fls. 305 a 324. Notese que no "Relatório Fiscal de Diligência", fls. 5525/5526, a autoridade fiscal se pronunciou no sentido de que o contribuinte juntou aos autos um "número significativo de documentos sem a aposição de assinaturas das partes, isto é, existem documentos que a outra parte vendedor, comprador ou consignante não assinaram o termo. Logo, são documentos que não provam nada". (destacamos) Considerando que a atividade fiscal é plenamente vinculada à lei, não se pode aceitar lançamento tributário com base na documentação trazida aos autos pela fiscalização, pois, irregulares. Os documentos juntados sem encaminhamento formal, ou seja, cartas resposta aos termos de intimação não são seguros de prova. Contratos sem assinaturas das partes é inexistente. Destarte, a documentação acostada aos autos pela fiscalização revela irregularidade insanável. Assim: 1) Os lançamentos fiscais lastrados em tais documentos não são seguros de prova, ou seja, não são hábeis para sustentar a constituição de crédito tributário; Fl. 6098DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 105 39 2) As planilhas elaboradas pela fiscalização não podem embasar cobrança de tributo, pois eivadas de vício insanável e 3) Os documentos apresentados pelo contribuinte, Anexos "A" e "B" da impugnação representam a prova mínima da veracidade dos fatos alegados em sua defesa. Por sua vez, em face da discussão a respeito da utilização de "Bases de cálculo Estimadas", sustenta a autoridade fiscal que os valores calculados dos bens foram obtidos por meio de operação matemática regra de três simples deduzidos a partir dos valores dos percentuais de entrada e dos valores dos financiamentos. Aqui também, esses elementos foram trazidos aos autos pela fiscalização, sem embasamento legal, carentes de documentação hábil e idônea, tais como os contratos assinados pelas partes. 2) EM RELAÇÃO AO BANCO ABN AMRO REAL (fls. 5538/5543). Preliminarmente, a autoridade fiscal não trouxe nenhum elemento novo após a realização da diligência. Essa instituição financeira diligenciada respondeu aos termos de intimação e encaminhou: a) Contrato de Prestação de Serviços de Intermediário (fls. 337 a 341); b) planilhas de pagamentos de comissões e Corretagens, relativas aos anos calendário de 2006 e 2007 (fls. 343 a 368). Às fls. 370, encaminhou "Relatório de Prestação de Serviços", informando o seguinte: "Outrossim, informa que não temos como relacionar cada placa de veículo, para cada comissão paga individualmente, pois as comissões eram pagas por um total de valores envolvendo vários financiamentos (placas). Ademais estamos enviando um novo relatório com valores pagos por mês, onde envolve vários veículos". (destacamos). A autoridade fiscal juntou aos autos as planilhas de fls. 371 a 376, as planilhas de fls. 377 a 382 e as planilhas de fls. 383 a 388. Deduzimos que os elementos que embasaram tais planilhas foram encaminhados pela instituição financeira supracitada. As planilhas de fls. 377 a 388 referemse aos pagamentos de comissões ao contribuinte nos anoscalendário de 2006 e 2007, sendo que, parte foi objeto de tributação pela fiscalização. (... ) Examinandose todas as planilhas juntadas pela fiscalização podemos inferir que o contribuinte é realmente o intermediário. E não poderia ser diferente, pois, o contrato assinado entre as partes é de "Prestação de Serviços de Intermediário", fls. 337 a 341. Aliás, as planilhas juntadas pela fiscalização apenas reforçam o alegado pelo contribuinte. Ora, não existem nos autos quaisquer documentos que autorizem afirmar com certeza e segurança que os veículos financiados pertençam exclusivamente ao contribuinte. O que podemos afirmar com segurança e certeza é que os veículos que Fl. 6099DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 106 40 foram considerados pela fiscalização como vendidos, mas não informados, não pertencem ao contribuinte. Assim: 1) Os lançamentos fiscais lastrados em tais documentos não são seguros de prova, ou seja, não são hábeis para sustentar a constituição de crédito tributário; 2) As planilhas elaboradas pela fiscalização não podem embasar cobrança de tributo, pois eivadas de vício insanável. Por sua vez, a discussão a respeito da utilização de Bases de cálculo em função dos valores financiados ou em face dos valores liberados, não se sustenta. A autoridade fiscal quer levar a tributação valores que não pertencem ao contribuinte. Tais valores pertencem a terceiros, os reais vendedores dos veículos financiados. Os documentos apresentados pelo contribuinte, Anexos "A" e "B" da impugnação representam a prova mínima da veracidade dos fatos alegados em sua defesa. (... ) Por todo o exposto, o lançamento fiscal realizado NÃO PROCEDE. 3) EM RELAÇÃO AO BANCO SANTANDER LEASING (fls. 5546). Preliminarmente, a autoridade fiscal não trouxe nenhum elemento novo após a realização da diligência. Essa instituição financeira diligenciada respondeu aos termos de intimação (fls. 327 a 328). (... ) Examinandose todas as planilhas juntadas pela fiscalização podemos inferir que o contribuinte é realmente o intermediário. E não poderia ser diferente. Aliás, as planilhas juntadas pela fiscalização apenas reforçam o alegado pelo contribuinte. Ora, não existem nos autos quaisquer documentos que autorizem afirmar com certeza e segurança que os veículos financiados pertençam exclusivamente ao contribuinte. O que podemos afirmar com segurança e certeza é que os veículos que foram considerados pela fiscalização como vendidos, mas não informados, não pertencem ao contribuinte. Assim: 1) Os lançamentos fiscais lastrados em tais documentos não são seguros de prova, ou seja, não são hábeis para sustentar a constituição de crédito tributário; 2) As planilhas elaboradas pela fiscalização não podem embasar cobrança de tributo, pois eivadas de vício insanável. Por sua vez, a discussão a respeito da utilização de Bases de cálculo em função dos valores financiados ou em face dos valores liberados, não se sustenta. A Fl. 6100DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 107 41 autoridade fiscal quer levar a tributação valores que não pertencem ao contribuinte. Tais valores pertencem a terceiros, os reais vendedores dos veículos financiados. Os documentos apresentados pelo contribuinte, Anexos "A" e "B" da impugnação representam a prova mínima da veracidade dos fatos alegados em sua defesa. (... ) Por todo o exposto, o lançamento fiscal realizado NÃO PROCEDE. 4) EM RELAÇÃO AO BANCO BMG S/A (fls. 5544/5545). Preliminarmente, a autoridade fiscal não trouxe nenhum elemento novo após a realização da diligência. Essa instituição financeira diligenciada respondeu aos termos de intimação (fls. 220 a 273). (... ) Examinandose todas as planilhas juntadas pela fiscalização podemos inferir que o contribuinte é realmente o intermediário. E não poderia ser diferente. Aliás, as planilhas juntadas pela fiscalização apenas reforçam o alegado pelo contribuinte. Ora, não existem nos autos quaisquer documentos que autorizem afirmar com certeza e segurança que os veículos financiados pertençam exclusivamente ao contribuinte. O que podemos afirmar com segurança e certeza é que os veículos que foram considerados pela fiscalização como vendidos, mas não informados, não pertencem ao contribuinte. Assim: 1) Os lançamentos fiscais lastrados em tais documentos não são seguros de prova, ou seja, não são hábeis para sustentar a constituição de crédito tributário; 2) As planilhas elaboradas pela fiscalização não podem embasar cobrança de tributo, pois eivadas de vício insanável. Por sua vez, a discussão a respeito da utilização de Bases de cálculo em função dos valores financiados ou em face dos valores liberados, não se sustenta. A autoridade fiscal quer levar a tributação valores que não pertencem ao contribuinte. Tais valores pertencem a terceiros, os reais vendedores dos veículos financiados. Os documentos apresentados pelo contribuinte, Anexos "A" e "B" da impugnação representam a prova mínima da veracidade dos fatos alegados em sua defesa. A interpretação elástica dos fatos pela autoridade fiscal sucumbirá frente ao primado da estrita legalidade. (... ) Por todo o exposto, o lançamento fiscal realizado NÃO PROCEDE. 5) CONCLUSÃO: Fl. 6101DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 108 42 O contribuinte quando atua vendendo veículos de terceiros não é o real beneficiário do valor liberado dos financiamentos. O valor da parte financiada pertence ao terceiro, este sim, sujeito à tributação. Em se tratando de venda de veículos próprios, aí sim, os valores liberados dos financiamentos certamente pertencem ao contribuinte. Nesse caso, tais valores vão compor a sua receita bruta operacional. No caso dos autos, a autoridade fiscal, ao promover o lançamento de ofício, não produziu qualquer elemento de prova que pudesse embasar a presunção posta no auto de infração, de que os veículos financiados e não informados como vendidos pertencessem ao contribuinte. Não há como transferir, in casu, o ônus da prova ao contribuinte. Logo, os veículos constantes das planilhas elaboradas pela fiscalização a título de "Veículos financiados e não informados como vendidos", nos anoscalendário de 2006 e 2007, não pertence ao contribuinte. Nesse sentido, os valores apurados não se revelam receitas omitidas pela empresa. B) ITEM III3: EM RELAÇÃO ÀS RECEITAS DE VENDAS DE VEÍCULOS INFORMADAS NAS PLANILHAS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE. (... ) Em face da diligência a autoridade fiscal elaborou novas planilhas, em relação aos anoscalendário de 2006 e 2007 e denominadas "VEÍCULOS VENDIDOS COM EMISSÃO DAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADA E SAÍDA" e "VEÍCULOS VENDIDOS E RELACIONADOS NA PLANILHA DA IMPUGNAÇÃO" (fls. 5555 a 5588). Na realidade as planilhas elaboradas pelo contribuinte e entregues em atendimento ao Termo de Diligência identificaram os veículos que foram SUPOSTAMENTE vendidos/financiados. Por que SUPOSTAMENTE? Por que os documentos que deram suporte à elaboração das planilhas mensais não foram considerados hábeis e idôneos pela autoridade fiscal, como já mencionado anteriormente. (... ) A dialética processual é regulamentada pelo princípio do contraditório. Nesse sentido toda prova produzida por uma das partes deve ser submetida à outra parte para contestação, se quiser. Ocorrendo essa oportunidade, possibilita à parte contrariar a prova produzida, seja pelos seus meios, seja pelo seu conteúdo, e até mesmo realizar a chamada contraprova. A diligência teve início em 23/08/2011 e término em 31/10/2012, ou seja, a documentação probatória do contribuinte foi analisada no transcurso de 01 (um) ano e 05 (cinco) meses. Nesse período foram examinados inclusive os extratos bancários do contribuinte. Ao final, a autoridade tributária desqualificou parte da documentação da empresa à luz da sua idoneidade, no sentido de que a mesma não provava nada. Pois bem. RAZÃO ASSISTE À AUTORIDADE FISCAL. Fl. 6102DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 109 43 A documentação trazida aos autos pelo contribuinte, em face dos anexos relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007 contém vícios e por sua vez os tornam imprestáveis e assim, deles não se originam direitos, nem para o contribuinte e nem para a administração tributária. (...) Não há dúvidas: DOCUMENTO NÃO ASSINADO É UM DOCUMENTO INVÁLIDO, INEXISTENTE NO MUNDO JURÍDICO. (... ) De todo o exposto, concluise: FAZSE NECESSÁRIO A RETIRADA DOS DOCUMENTOS QUE FORAM JUNTADOS AOS AUTOS E QUE SÃO VICIADOS E, PORTANTO INEXISTENTES NO MUNDO JURÍDICO. (... ) Nesse sentido, apenas as situações relatadas nas letras "a", "c", "i", "k", "m" e "n" foram consideradas pelo contribuinte, como válidas, e levadas a efeito na elaboração das planilhas constantes dos Anexos IV a IX, dessa impugnação complementar. As situações relatadas nas demais letras foram consideradas pelo contribuinte como inválidas, e levadas a efeito na elaboração das planilhas constantes dos Anexos II e III, dessa impugnação. Esses anexos contêm as informações e indicação dos documentos que não estão assinados pelas partes contratantes e que de acordo com a autoridade fiscal, NÃO PROVAM NADA. O auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas deve ser comprovado com documentos de indiscutível idoneidade e conteúdo. O princípio da verdade material no processo administrativo fiscal não admite a DÚVIDA. (... ) Dessa forma, o contribuinte elaborou novas planilhas, que são parte integrante dessa impugnação complementar, relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007 e denominadas "COMPRAS E VENDAS DE VEÍCULOS COM DOCUMENTAÇÃO IMPRESTÁVEL". Tais transações devem ser excluídas da tributação, por questão de justiça. As planilhas fazem parte do Anexo II (relativo ao período de janeiro a dez/2006) e ao Anexo III (relativo ao período de janeiro a dez/2007). Registrese: Em face dos documentos considerados imprestáveis, retificamse os Livros caixa já apresentados. Tudo de acordo com a conclusão da autoridde fiscal que realizou a diligência e em observância do princípio da legalidade. Por outro lado, em atendimento ao Termo de diligência de 23/08/2011 o contribuinte entregou à fiscalização 24 (vinte e quatro) planilhas, intituladas Fl. 6103DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 110 44 "COMPRAS E VENDAS DE VEÍCULOS" E RELATIVAS AOS ANOS CALENDÁRIO DE 2006 E 2007 (fls. 5377). Nessas planilhas o contribuinte destacou as operações que foram realizadas em diversas formas, a saber: 1) realizou operações com veículos próprios, lastreadas em recibos de compra e venda; 2) realizou operações com veículos consignados, lastreadas em notas fiscais de entrada e saídas e 3) realizou operações com veículos consignados, lastreadas em notas fiscais de entrada e recibos de venda ou contratos de promessa de compra e venda. Entretanto, a autoridade fiscal não observou tal detalhamento ao elaborar as suas novas planilhas e omitiu informações a respeito dos documentos as transações, tais como: a indicação do número da nota fiscal de entrada ou do recibo de compra (fls. 5560 a 5574 e 5575 a 5588). O certo é que o contribuinte RETIFICA as planilhas já apresentadas, seja em face da exclusão das compras e vendas com documentação imprestável, e que fazem parte dos Anexos II e III da presente impugnação complementar, seja para melhor identificar as situações na forma em que realmente ocorreram. O contribuinte esclarece que não juntou nenhum documento novo e que as planilhas retificadas estão lastreadas na documentação constantes dos Anexos n°s 01 a 12 2006 e 01 a 12 2007 (fls. 917 a 5354). As planilhas retificadas estão denominadas e numeradas conforme abaixo e fazemos os seguintes comentários: a) VENDAS DE VEÍCULOS PRÓPRIOS COM EMISSÃO DE RECIBO DE COMPRA E RECIBO DE VENDA OU CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA: Anexo IV (JAN/DEZ/2006) e Anexo V (jan/dez/2007). As transações com veículos próprios, adquiridos para revenda, sujeitamse à tributação pelo Lucro Presumido, sendo que a base de cálculo (valor da venda) deve ser deduzida pelo coeficiente de 8%. b) VENDAS DE VEÍCULOS DE TERCEIROS COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL DE ENTRADA E SAÍDA: Anexo VI (JAN/DEZ/2006) e Anexo VII (jan/dez/2007). As transações com veículos de terceiros, em consignação, com emissão de nota fiscal de entrada e saída, sujeitamse à tributação pelo Lucro Presumido, observado o regime especial de que trata o art. 5°, da Lei n° 9.716/98, sendo que a base de calculo (margem) deve ser deduzida com o coeficiente de 32% a respeito do qual existe a discussão doutrinária e judicial no sentido de ser 8%. c) VENDAS DE VEÍCULOS DE TERCEIROS COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL DE ENTRADA E RECIBOS DE VENDA OU CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA: Anexo VIII (JAN/DEZ/2006) e Anexo IX (jan/dez/2007). Fl. 6104DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 111 45 Entende o contribuinte que as transações com veículos de terceiros, em consignação, em que houve emissão de nota fiscal de entrada e não houve a emissão da nota fiscal de saída, sujeitamse também à tributação pelo Lucro Presumido, observado o regime especial de que trata o art. 5°, da Lei n° 9.716/98, combinado com o art. 1° e § 2°, da Lei n° 8.846/94 sendo que a base de calculo (margem) deve ser deduzida com o coeficiente de 32% a respeito do qual existe a discussão doutrinária e judicial no sentido de ser 8%. O contribuinte em sua impugnação original, item IV. 3.2, sustenta a discussão nesse sentido, amparado no disposto nos artigos 1° e 2°, da Lei n° 8.846, de 02/01/94, (...). (... ) Finalmente, reiteramos os termos de nossa impugnação original e no sentido de não reconhecer as novas planilhas elaboradas pela autoridade fiscal, pois, eivadas de vício insanável, colocando em dúvida a exação fiscal. C) ITEM III4: EM RELAÇÃO À MULTA QUALIFICADA E AO TERMO DE APREENSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS. (... ) Registrese que a diligência determinada pela DRJ/BHE foi no sentido de averiguar possíveis inconsistências nas bases de cálculo do lançamento original. Tal diligência não autoriza a fiscalização a contrapor fatos ou razões trazidas aos autos pela impugnação tempestiva. Ora, não se admite no processo administrativo fiscal a "REPLICA" da autoridade autuante, principalmente em relação às questões de mérito. O processo está em fase de julgamento junto à primeira instância (DRJ/BHE) e somente a este colegiado é permitido se manifestar a respeito da impugnação. Entretanto, tendo em vista o disposto no artigo 17, do Decreto 70.235/72, o contribuinte contesta veementemente o disposto no Termo de Apreensão de Documentos, fls. 5589/5590, dos autos. (... ) Em regra, somente é possível demonstrar que alguém desejou algo e declarou coisa diversa, se houver prova dos fatos que circundam a alegação da SIMULAÇÃO. Nesse sentido, a autoridade fiscal afirma fatossimulados, mas, sequer prova os fatos. (...) O que importa é saber se os indícios noticiados se revelam de maneira inequívoca, ou seja, requerse como antecedente lógico que as notas fiscais apreendidas realmente fossem antedatadas, inidôneas. Frisese: As imputações não podem ser compreendidas fora de cada caso concreto. A autoridade fiscal equivocadamente examinou as notas fiscais em questão, realizando uma convicção distorcida dos fatos, talvez, até por desconhecimento da sistemática da consignação mercantil. Nessa operação uma pessoa consignante Fl. 6105DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 112 46 entrega a outra consignatária mercadorias, a fim de que sejam vendidas a terceiros. A mercadoria fica exposta ao público em geral. Para atender às exigências fiscais deverá correr a emissão de nota fiscal de entrada, com a finalidade exclusiva de compor o estoque do consignatário. Caso ocorra a devolução da mercadoria recebida de pessoa física ou jurídica em consignação mercantil, deverá emitir nota fiscal de devolução. Pois bem. As supostas provas da simulação estão nos autos. A título de informação, os documentos fiscais estão assim identificados: As notas fiscais nªs2859, de 09/08/2006 e 2866, de 16/08/2006 referemse a NOTAS FISCAIS DE DEVOLUÇÃO/CONSIGNAÇÃO As notas fiscais nªs 2860, de 10/08/2006, 003110, de 17 /01/2007 e 003357 de 15/06/2007 referemse a NOTAS FISCAIS DE VENDAS/CONSIGNAÇÃO (...) Ora, o contribuinte emitiu as notas fiscais em atendimento à legislação tributária. E obvio que as notas fiscais acobertam as operações do contribuinte. E mais: As Notas Fiscais de Entrada sempre serão emitidas ANTES das Notas Fiscais de Vendas ou documento equivalente, no caso, recibos de venda ou contratos de promessa de compra e venda. O contrário é que não pode! Também, as Notas fiscais de Devolução sempre serão emitidas APÓS as notas fiscais de entrada pertinentes. Afirmase: O procedimento do contribuinte na escrituração das notas acima citadas está correto e não possui quaisquer vícios que possa macular as operações. Aliás, estão correto e não possui quaisquer vícios que possa macular as operações. Aliás estão corretos em relação a todas as notas fiscais apresentadas nos anexos nªs 01 a 12 – 2006 e Anexos nªs 01 a 12 – 2007 A acusação que fez a autoridade fiscal é GRAVE e IRRESPONSÁVEL, quando afirmou que o contribuinte “pretendeu utilizar como elementos de prova documentos totalmente inidôneos” (destacamos) Inidôneo é o conhecimento da autoridade fiscal a respeito dos fatos e da legislação tributária que rege a matéria. A SIMULAÇÃO NÃO SE PRESUME, PRECISA SER NECESSARIAMENTE COMPROVADA. O ônus da prova é da fiscalização e deste ela não se desincumbiu. É o que dispõe o inciso VII, do art. 149 do CTN. D) DA ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS CAIXA 2006 E 2007 EM FACE DAS PLANILHAS CONSTANTES DO ANEXO I, DA IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR. (...) Nesse sentido os documentos considerados inválidos pela autoridade fiscal e constante dos anexos 11 e 111 da presente impugnação complementar devem ser excluídos, pois o critério é o da verdade material. Se assim não for, as planilhas apresentadas não podem surtir qualquer efeito. Entretanto, a existência de Fl. 6106DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 113 47 documentação com vício insanável como já revelado pela autoridade tributária, autoriza a revisão do lançamento em beneficio do contribuinte. E) DO PEDIDO. Em face do todo o exposto e em observância do princípio da Verdade Material, requer o impugnante o acolhimento das razões expendidas e reiterandose os termos de sua impugnação original, em relação aos períodos fiscalizados Requer também, tendo em vista o processo n. 10680.721.954/201162 – Representação Fiscal para Fins Penais seja juntada cópia dessa impugnação complementar, em face da lavratura do Termo de Apreensão de Documentos Fiscais, de 31/10/2012 (fls. 5589/5590). Fazem parte da presente impugnação complementar os Anexos denominados I a X (anoscalendário de 2006 e 2007). É o relatório. A DRJ Manteve em PARTE os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006, 2007 MATÉRIA NÃOLITIGIOSA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Os veículos usados serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Para beneficiarse desse regime especial de tributação, o sujeito passivo não se exime de emitir, em cada operação comercial e nos momentos adequados, as correspondentes notas fiscais de entradas e saídas dos veículos usados. Afastado o referido regime especial, as omissões de receitas apuradas devem ser tributadas pela regra geral, no caso, obedecendo a opção do sujeito passivo pela determinação do imposto pelo lucro presumido. DILIGÊNCIAS REALIZADAS. São cabíveis ajustes nas bases de cálculo levantadas e respectivos tributos lançados, em função de diligências efetuadas. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Fl. 6107DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 114 48 Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado em procedimento fiscal que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário, repetindo literalmente os mesmos argumentos já aduzidos anteriormente na impugnação. É o Relatório Fl. 6108DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 115 49 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Delimitação da lide – parte não litigiosa Já na fase impugnatória o contribuinte abriu mão de discutir a infração relativa às receitas decorrentes das comissões pagas ao contribuinte pelas instituições financeiras como contraprestação pelos serviços executados na qualidade de correspondente bancário (intermediação de financiamentos pactuados entre a instituição financeira e o comprador do veículo). Portanto, a referida matéria encontrase fora da lide. Entretanto, houve contestação quanto à qualificação da multa de ofício exigida, no percentual de 150%, que acompanham os valores principais devidos dos tributos lançados. Ou seja, a discordância recaiu, unicamente, sobre a duplicação da multa de 75% para 150%. Preliminar de nulidade A Recorrente pleiteia a nulidade do lançamento, mas na essência a sua insurgência é contra o mérito, pois margeia seu questionamento alegando sempre que o Fisco não tenha se incumbido do ônus da prova. A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez. A esse respeito a DRJ foi bastante minuciosa: (...) Ocorre que, no curso do procedimento, foram feitas diversas intimações para que o contribuinte apresentasse seus livros contábeis ou fiscais, bem como planilhas relativas aos veículos vendidos, tendo a Fiscalização, em vista da alegação que o livro caixa original houvera se extraviado, aceitado a sua recomposição. Assim, Os LivrosCaixa dos anos de 2006 e 2007 foram recompostos e os extratos bancários contendo a movimentação financeira da empresa foram apresentados, motivo pelo qual não se procedeu ao arbitramento do lucro. Mais ainda, após análise da documentação obtida junto ao contribuinte, o Fisco, ao verificar inexatidões, efetuou o procedimento de circularização junto às Fl. 6109DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 116 50 instituições financeiras com as quais ele mantinha operações comerciais, notadamente, para financiar os compradores de veículos vendidos pela empresa. Foram, então, procedidas as intimações de praxe aos bancos, em síntese, para que informassem ou justificassem os pagamentos efetuados à empresa Fernandes Raso, ora Impugnante, nos anos de 2006 e 2007. Obtidas as respectivas respostas das instituições financeiras envolvidas, efetuouse o cruzamento dessas informações com aquelas prestadas pelo contribuinte. Assim, os demonstrativos fiscais que embasam a autuação decorrem desse conjunto de provas, obtidas de forma lícita e legítima. No TVF, o Fisco narra minuciosamente o procedimento fiscal e especifica ou indica as planilhas que elaborou contendo informações detalhadas dos veículos comercializados pela empresa. As diligências efetuadas após a autuação, o foram para sanar as supostas inconsistências apontadas na defesa. Mais ainda, para garantia do princípio da verdade material, no intuito que a tributação incida com base nos fatos como se apresentam na realidade. Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: .............................................................................................................. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....) Por conseguinte, as razões de mérito suscitadas em sede preliminar serão enfrentadas como se mérito fossem. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade. MÉRITO Por pertinente cabe aqui reproduzir o resumo feito pela decisão de piso que muito bem conseguiu contextualizar a presente lide: 1.3. RESUMO DA LIDE. Cuida o presente lançamento das exigências do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e dos respectivos reflexos da CSLL, PIS/Pasep e Cofins. Fl. 6110DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 117 51 A tributação decorreu das infrações constatadas no curso do procedimento fiscal, substancialmente caracterizadas pelo fato de o contribuinte não escriturar nem oferecer à tributação parte das suas receitas derivadas das vendas de veículos usados e da prestação de serviços de correspondente bancário. As multas de ofício aplicadas foram qualificadas, no percentual de 150%, com base no art. 957, II, do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996), porque a Fiscalização entendeu que a conduta do contribuinte ao deixar de escriturar grande parte das receitas que auferiu, omitindo vendas de veículos em montante acentuadamente superior às informações prestadas em suas DIPJ, o que se traduziu em recolhimento a menor dos tributos devidos nessas operações, caracterizou o evidente intuito de fraude, como definido na Lei n° 4.502, de 1964, arts. 71 a 73. Na determinação dos valores tributáveis, o Fisco aplicou ao contribuinte a regra geral de tributação das empresas optantes pelo lucro presumido (arts. 518 e 519, do RIR/1999), pela qual o lucro tributável decorre da incidência dos percentuais de 8% e 12% sobre as receitas decorrentes das vendas de veículos, respectivamente, para determinação do IRPJ e da CSLL; e de 32% sobre as receitas de prestação de serviços. O PIS e a Cofins foram determinados pela sistemática da cumulatividade (base de cálculo e alíquotas definidas nas respectivas legislações de regência), a que estão sujeitas as empresas optantes pelo lucro presumido. Fundamentalmente, o Fisco entendeu que o contribuinte, por não apresentar notas fiscais de entrada e saída, nem manter em boa guarda estas notas fiscais, não fazia jus ao regime especial disposto no art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1988, e demais atos normativos (devidamente evidenciados no TVF), o qual permite que empresas que tenham como objetivo social declarado em seus atos constitutivos a compra e venda de veículos automotores regime especial de tributação equiparando a compra e venda desses bens às operações de consignação, exigindo, para tanto, a emissão de notas fiscais de entrada e saída. A ação fiscal encontrase minuciosamente narrada no TVF, acompanhado dos correspondentes demonstrativos de apuração das bases de cálculo levantadas. Discordando do lançamento, o contribuinte apresentou argumentos de defesa, onde combateu todas as infrações ou irregularidades que o Fisco lhe imputou e anexou aos autos 26 (vinte e seis) Anexos: "A", de 01 a 12, do Anocalendário de 2006; e "B", de 01 a 12, do Anocalendário de 2007 (documentos a partir das fls. 917 até 5354). As narrativas contidas tanto no TVF como na Impugnação encontramse resumidas no relatório que antecede ao presente voto. Nesse ponto, o julgamento do processo foi convertido em diligência, notadamente para que a Fiscalização verificasse as inconsistências apontadas na impugnação e analisasse os documentos anexados pela defesa. Foram, então, realizados os procedimentos pertinentes à diligência solicitada. Concluída, elaborouse Relatório Fiscal de Diligência, onde o Fisco rebateu alegações postas na defesa e admitiu algumas inconsistências nas planilhas fiscais originais elaboradas. Substancialmente, fezse as seguintes considerações: (i) no ramo de atividade do contribuinte (revenda de veículos novos e usados), a prova da propriedade não se faz única e exclusivamente com o "Certificado de Registro de Veículo", pois nesse mercado é usual que a venda a um Fl. 6111DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 118 52 intermediário ocorra sem que a transferência de propriedade indicada nesse Certificado seja comunicada ao correspondente Detran; (ii) o contribuinte não se limitou a ser mero intermediário na obtenção de financiamento para a venda do veículo, mas efetivamente atuou como vendedor do veículo, seja em nome próprio ou como consignante; (iii) o contribuinte foi o beneficiário do valor liberado nos financiamentos; (iv) nas planilhas originais, foi usado erroneamente o valor financiado, quando o correto seria o valor liberado, erro esse corrigido nas planilhas anexas ao presente relatório; (v) ao analisar a documentação juntada pela defesa nos 24 Anexos, constatou que das 997 operações neles referidas somente 117 possuem a documentação exigida pelo art. 5° da Lei n° 9.716, de 1998 (notas fiscais de entrada/saída); (vi) quanto aos demais documentos juntados (recibos de compra/venda e contratos de compra/venda), ressaltou que há um número significativo desses sem a aposição de assinaturas das partes (comprador, vendedor ou consignante não assinaram o termo); (vii) entendeu por aceitar as novas planilhas apresentadas pelo contribuinte na impugnação, relativamente aos veículos escriturados nos Livros Caixa, ainda mais que a quase totalidade dos veículos constaram das planilhas originalmente apresentadas à Fiscalização; (viii) constatou que houve veículos que foram objeto de devolução aos "consignantes", operações essas excluídas das planilhas fiscais de apurações dos valores tributados; (ix) quanto à qualificação da multa, rebateu a alegação do contribuinte que ocorrera mera declaração inexata, pois mesmo que todas as operações fossem tributadas pela margem da compra e venda (como postula o Impugnante), verificase pelas planilhas apresentadas pelo contribuinte a total dissonância entre os valores declarados e os reais oferecidos à tributação; (x) e corroborando ainda mais o intuito de sonegar do contribuinte, ao prestar informações falsas, constatou que algumas das notas fiscais juntadas por ele na impugnação complementar são antedatadas, caracterizando operações simuladas, a teor do disposto no art. 167 do Código Civil; essas notas fiscais foram apreendidas e juntadas à Representação Fiscal lavrada com a notícia do fato. Na parte final do relatório de diligência, titulada por "DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA", foram sintetizadas as alterações mencionadas e indicadas as novas planilhas elaboradas, para determinação dos valores devidos, quais sejam: (a) "VEÍCULOS FINANCIADOS E NÃO INFORMADOS COMO VENDIDOS" (Bancos ABN AMRO REAL, BMG, SANTANDER LEASING, ITAULEASING, ITAÚ UNIBANCO, ITAUCARD), (b) "VEÍCULOS VENDIDOS COM EMISSÃO DAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADA E SAÍDA", (c) VEÍCULOS VENDIDOS E RELACIONADOS NA PLANILHA DA IMPUGNAÇÃO", (d) "RESUMO DAS RECEITAS A Fl. 6112DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 119 53 TRIBUTAR E DOS VALORES A COMPENSAR" (IRPJ e CSLL), e (e) "PIS e COFINS APURAÇÃO DOS VALORES A LANÇAR DE OFÍCIO". Discordando, o contribuinte apresentou impugnação complementar. Sintetizando, evidenciamse as seguintes alegações ou pontos de defesa: (1) questiona a planilha "veículos vendidos e relacionados na planilha da impugnação", salientando que existiram transações com veículos deixados em consignação que foram objeto de nota fiscal de entrada e recibo de venda ou contrato de compra e venda; (2) reapresentou planilhas anteriormente entregues à Fiscalização (não juntadas aos autos), objeto do "Anexo I"; (3) alega que tanto as planilhas elaboradas por ele (contribuinte) como pela autoridade fiscal estão contaminadas por vícios insanáveis, que as tornam imprestáveis para lastrear qualquer informação, registro ou lançamento; (4) quanto à planilha "veículos financiados e não informados como vendidos", ressalta que o cerne da questão é: os veículos constantes dessa planilha NÃO PERTENCEM ao contribuinte; (5) defende que a tributação incide sobre o lucro/margem (NF de saída ou contrato/recibo de venda superior à NF de entrada ou recibo/contrato), ou no caso de intermediação, a comissão paga pela instituição financeira; (6) por força contratual, salienta que a liberação dos recursos pela instituição financeira para pagamento do veículo vendido financiado será a favor do vendedor, no caso, o contribuinte "Fernandes Raso Intermediações Ltda"; (7) rebate o Fisco dizendo que não se pode concluir, pelo simples fato de haver recebimentos de valores em conta corrente do contribuinte, que esses lhe pertençam; (8) reafirma que realmente é mero intermediário, afirmando que os veículos considerados pela Fiscalização como vendidos, mas não informados, não pertencem ao contribuinte; (9) alega que as planilhas apresentadas por ele (contribuinte) contém veículos supostamente vendidos/financiados, porque os documentos que a embasaram não foram considerados hábeis e idôneos pela autoridade fiscal; (10) o contribuinte RETIFICA as planilhas já apresentadas, seja em face da exclusão das compras e vendas com documentação imprestável (Anexos II e III impugnação complementar), seja para melhor identificar as situações na forma em que realmente ocorreram (Anexos IV a IX impugnação complementar); (11) em relação à multa qualificada, defende que a diligência solicitada pelo órgão julgador não autoriza à Fiscalização contrapor fatos ou razões trazidas aos autos pela impugnação tempestiva; (12) entretanto, tendo em vista o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, o contribuinte contesta veementemente o disposto no Termo de Apreensão de Documentos (fls. 5589/5590); Fl. 6113DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 120 54 (13) ao final, requer o acolhimento da suas razões, reitera os termos da impugnação original e, tendo em vista o processo relativo à Representação Fiscal para Fins Penais; requer ainda a juntada de cópia dessa impugnação complementar, em face da lavratura do Termo de Apreensão de Documentos Fiscais, de 31/07/2012 (fls. 5589/5590). REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO DISPOSTO NO ART. 5° DA LEI N° 9.716/1998. Como se vê, a lide gira, de uma forma geral, em torno da adequação ou não ao regime especial de tributação, disposto no art. 5° da Lei nº 9.716/1998 e regulamentado pela IN SRF nº 152, de 1998: Lei nº 9.716/1998: (...) Art. 5°. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitando se ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação." (Grifos acrescentados) IN SRF nº 152, de 1998: “(...) §1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Art. 3° A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os demonstrativos de apuração das bases de cálculo a que se refere o artigo anterior. (...)” (grifos acrescentados) Tratase, pois, de regime especial de tributação que permite às empresas que tenham como objetivo social declarado em seus atos constitutivos a compra e venda de veículos automotores utilizarse de forma de tributação que equipara a compra e venda de Fl. 6114DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 121 55 veículos usados às operações de consignação, porém com a determinação de que, em cada operação, haja emissão das correspondentes notas fiscais de entrada e saída. É que o legislador usou da única racionalidade possível para fazer face à equiparação de uma operação de compra e venda (atividade objeto social do contribuinte) com uma operação de consignação de pagamento por comissão. Afinal, em uma operação de compra e venda não se dispõe propriamente de um valor de comissão, mas sim de receita de vendas e custo de aquisição. Dessa forma, a única forma de viabilizar a equiparação seria mesmo fazer equivaler a diferença entre o valor da receita de venda e o valor do custo de aquisição do veículo com o valor da comissão recebida na operação de consignação por comissão. Despiciendo aqui entrar em maiores considerações já muito bem feitas pela DRJ em relação à diferenciação que existe entre os conceitos de contrato de comissão, contrato estimatório e mera intermediação. Para o que importa basta terse ciência que as vendas de veículos em consignação, mediante contrato de comissão ou contrato estimatório, como bem demonstrou a DRJ, são feitas em nome próprio, e assim não configuram mera intermediação de negócios. O contrato de comissão tem por objeto um serviço do comissário, cuja receita auferida é a comissão; já o contrato estimatório recebe o mesmo tratamento da compra e venda. Por uma ou por outra via, a Recorrente aqui se enquadra, passando longe de ser uma mera intermediária, mesmo porque as instituições financeiras não iriam creditar os valores financiados em "conta de terceiros", se fosse o caso dela ser uma mera intermediária. E digo que não é necessário se demorar no aplainamento dessas diferenças porque para as operações com veículos usados, tanto no contrato típico de compra e venda quanto de comissão ou estimatório, para beneficiarse do regime especial de tributação de que trata o art. o art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1988, a empresa possui a extrema necessidade cumprir rigorosamente os requisitos da lei, quais sejam, emissão das notas fiscais de entrada e saída, em cada operação, dos veículos objeto de comercialização e isso não foi feito adequadamente, como se verá mais adiante. O ponto fulcral da questão é o fato de no contrato comissão ou estimatório, a venda é feita em nome próprio e a tributação do lucro presumido recaindo normalmente sobre o preço faturado do veículo. A tributação diferenciada somente seria cabível na venda de veículos usados, desde que existentes as respectivas notas fiscais de entrada e saída. Já para a mera intermediação, a tributação recai exclusivamente sobre a comissão recebida. Tanto é assim que quanto às vendas de veículos usados onde esse mandamento foi cumprido, ou seja, nas quais foram emitidas as respectivas notas fiscais de entrada e saída, conforme apurado pelo Fisco nas diligências realizadas, objeto da planilha "VEÍCULOS VENDIDOS COM EMISSÃO DAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADA E SAÍDA", a tributação recaiu sobre a margem (venda menos compra), nos termos do art. 5° da Lei n° 9.716, de 1998. E não se alegue que no caso concreto a busca da verdade material e o ônus da prova foram desrespeitados. O que se vê, é o contrário. Um esforço muito grande do fiscal e da DRJ, inclusive baixando o processo em diligência para se buscar a verdade material. A esse respeito, cabe aqui reproduzir parte da decisão de piso onde deixa isso bem claro: Fl. 6115DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 122 56 Mais ainda, após análise da documentação obtida junto ao contribuinte, o Fisco, ao verificar inexatidões, efetuou o procedimento de circularização junto às instituições financeiras com as quais ele mantinha operações comerciais, notadamente, para financiar os compradores de veículos vendidos pela empresa. Foram, então, procedidas as intimações de praxe aos bancos, em síntese, para que informassem ou justificassem os pagamentos efetuados à empresa Fernandes Raso, ora Impugnante, nos anos de 2006 e 2007. Obtidas as respectivas respostas das instituições financeiras envolvidas, efetuouse o cruzamento dessas informações com aquelas prestadas pelo contribuinte. Assim, os demonstrativos fiscais que embasam a autuação decorrem desse conjunto de provas, obtidas de forma lícita e legítima. No TVF, o Fisco narra minuciosamente o procedimento fiscal e especifica ou indica as planilhas que elaborou contendo informações detalhadas dos veículos comercializados pela empresa. As diligências efetuadas após a autuação, o foram para sanar as supostas inconsistências apontadas na defesa. Mais ainda, para garantia do princípio da verdade material, no intuito que a tributação incida com base nos fatos como se apresentam na realidade. E, revisados os autos e de tudo quanto constou dos mesmos, após inclusive o processo ter sido baixado em diligência, o que se constatou efetivamente é que o contribuinte não se limitou a de ser mero intermediário na obtenção do financiamento para venda do veículo, mas efetivamente atuou como vendedor do veículo, seja atuando em nome próprio, seja atuando como consignante, porém sem emitir as respectivas notas fiscais de entrada e saída, e assim não se subsumindo ao regime especial de tributação onde se pode abater os custos, tributandose pela margem, mesmo para o caso de lucro presumido. E de tudo quanto constou dos autos o fato de os valores correspondentes aos financiamentos ou arrendamentos terem sido creditados pelas instituições financeiras em contas bancárias de titularidade do contribuinte é sim, até prova em contrário, um fortíssimo indício que ele os vendia em nome próprio, seja como proprietário mesmo ou consignante. Outrossim, como bem colocado pelo fiscal: (...) no ramo de atividade do contribuinte (revenda de veículos novos e usados), a prova da propriedade não se faz única e exclusivamente com o "Certificado de Registro de Veículo", pois nesse mercado é usual que a venda a um intermediário ocorra sem que a transferência de propriedade indicada nesse Certificado seja comunicada ao correspondente Detran. No mínimo, o contribuinte assumiu riscos. Notadamente, a falta de registros contábeis individualizados para cada operação implicou o fato que os pagamentos feitos pelos bancos fazerem, sim, prova que ele auferiu receitas próprias. Por todo o exposto, concluo que o contribuinte não faz jus ao referido regime especial de tributação, devendo as omissões de receitas apuradas pela Fiscalização ser tributadas pela regra geral, no caso, obedecendo a opção do contribuinte pela determinação do imposto com base no lucro presumido. Também concordo com a DRJ no que concerne a rejeição das planilhas apresentadas pela defesa na impugnação complementar, por não se espelharem em documentos Fl. 6116DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 123 57 fiscais hábeis e idôneos (notas fiscais de entrada e saída) nem em escrituração contábil e fiscal adequada para as indicações nelas contidas. Afinal, recibos ou contratos não são documentos equivalentes nem podem substituir as notas fiscais de entradas e saídas, para fins da tributação especial prevista no aludido art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1998. Apesar de a fiscalização trazer provas que precisariam ser infirmadas pela recorrente, bem assim a DRJ ter reforçado mais ainda os argumentos da fiscalização, a recorrente faz ouvido de mercador contentase em repetir literalmente as mesmas justificativas que foram reportadas para o fiscal e para a DRJ. Sem atentar, inclusive em relação aos inúmeros reparos acatados pela DRJ, por ocasião do retorno de diligência e que já estão superados. Os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar desses princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, estão implícitos nos mesmos, também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo, é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso, corrijaos e supereos pela sua atividade sintetizadora de órgão revisor. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto também como razões de decidir os fundamentos mito bem postos pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: Um dos pontos importantes da defesa é a alegação que o contribuinte é mero intermediador de veículos vendidos, ao argumento central, notadamente em relação à planilha de veículos financiados e não informados como vendidos, que os veículos constantes dessa planilha não pertencem a ele. Todavia, tal alegação não se sustenta. Primeiramente, quanto à propriedade dos veículos usados comercializados pelo contribuinte, como bem salientou o Fisco no TVF, é comum nesse mercado que ela se transfira com a mera tradição (entrega do veículo usado ao vendedor), sem comunicação aos Departamentos de Trânsitos. Não há mudança no registro do veículo, mas a propriedade passa para o vendedor que realiza venda em nome próprio. Somente no caso da mera intermediação é que a tradição (colocação do veículo no pátio do intermediário) não representa transferência de propriedade. O contribuinte não possui para grande parte das operações aqui tributadas, a documentação legal exigida (notas fiscais de entrada e saída), nem tampouco Fl. 6117DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 124 58 efetuou uma escrituração contábil e fiscal que evidenciasse adequadamente as situações jurídicas possíveis nesse ramo de atividade, quais sejam, vendas de veículos em consignação, mediante contrato de comissão ou estimatório ou a mera intermediação de negócios. Aquelas são tributadas por regime especial, desde que obedecidos os requisitos legais pertinentes (emissão de notas fiscais de entrada/saída); nesta, tributase apenas a receita pertinente à mera intermediação, que deve ser reconhecida contabilmente (escrituração comercial ou livro caixa, no caso de lucro presumido), devendo também estar calcada em documentação hábil e idônea (contrato de intermediação, notas fiscais, recibos, etc.). A todo tempo, a defesa invoca a seu favor que o contribuinte esteve sempre na situação de mero intermediador. No entanto, não produziu nos autos provas nesse sentido, simplesmente porque, além da documentação legal exigida nesses casos (notas fiscais de entradas e saídas inexistentes para cerca de 88% das operações tributadas), faltou por parte do contribuinte uma escrituração contábil que evidenciasse adequadamente essa situação de mero intermediador. Citando a Lei n° 8.846, de 1994, art. 1°, §2°, a defesa alegou que a legislação não exige a emissão de notas fiscais de entrada e saídas. Nesse sentido, defende que recibos ou contratos seriam a mesma coisa que tais notas. Entretanto, também não se sustenta tal tese. De plano, digase que no caso aqui em voga prevalece o princípio da especificidade, pelo qual a norma especial não derroga a geral, mas aplicase na situada concreta nela tratada. A Lei de Introdução ao Código Civil, DecretoLei n° 4.657, de 1942, art. 2°, §2°, prescreve que: "a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior" Ocorre que a norma disposta no art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1998, constituise em norma especial, que não derroga o art. 1°, §2°, da Lei n° 8.846, de 1994, mas é de aplicação obrigatória para equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as vendas de veículos usados. Ainda, outra interpretação não pode ser extraída do próprio texto da Lei n° 8.846, de 1994. Senão vejamos. "LEIN° 8.846, DE 21 DE JANEIRO DE 1994. Art. 1°. A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. 1° O disposto neste artigo também alcança: a) a locação de bens móveis e imóveis; b) quaisquer outras transações realizadas com bens e serviços, praticadas por pessoas físicas ou jurídicas. 2° O Ministro da Fazenda estabelecerá, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, os documentos equivalentes à nota fiscal ou recibo podendo dispensálos quando os considerar desnecessários." (Grifos acrescentados) Fl. 6118DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 125 59 A regra geral é a da emissão da nota fiscal no momento da efetivação de cada operação, podendo o Ministro da Fazenda autorizar a emissão de documentos equivalentes, dispensandoa quando considerála desnecessária. No entanto, no caso do mencionado art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1998, nas operações nele mencionadas as emissões de notas fiscais nunca podem ser consideradas desnecessárias, pois é o próprio texto legal que determina a obrigatoriedade da sua emissão, vale repetir a transcrição do seu parágrafo único: "Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. " (Grifos acrescentados) Desse modo, recibos ou contratos não são documentos equivalentes nem podem substituir as notas fiscais de entradas e saídas, para fins da tributação especial prevista no aludido art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1998. Noutras alegações, o Impugnante salienta: "A diligência teve início em 23/08/2011 e término em 31/10/2012, ou seja, a documentação probatória do contribuinte foi analisada no transcurso de 01 (um) ano e 05 (cinco) meses. Nesse período foram examinados inclusive os extratos bancários do contribuinte. Ao final, a autoridade tributária desqualificou parte da documentação da empresa à luz da sua idoneidade, no sentido de que a mesma não provava nada." A defesa arrimase nas considerações feitas pelo Fisco no tocante às irregularidades constatadas nos documentos apresentados (notadamente que são inidôneos os recibos por falta de assinaturas), no intuito de enfraquecer o lançamento. Para tanto, chega mesmo a concordar com o relato fiscal e diz que tais documentos não provam nada, nem podem ser utilizados para tributar. Acontece que o contribuinte tenta transferir para o Fisco a sua incúria, descuido ou falta de zelo no cumprimento das suas obrigações tributárias, quando não emitiu os documentos fiscais determinados por lei, emitindo outros, de forma irregular (como noticiou o Fisco no TVF), e que não substituem aqueles (previstos em lei). Vale dizer que os vícios contidos na documentação apresentada pela defesa são de responsabilidade única e exclusiva do contribuinte (quem somente deve sofrer as conseqüências dessas irregularidades). Mas tal documentação, por evidente, não deixa de compor o conjunto probatório das infrações a ele imputadas, na medida em que também se constitui em indícios que atestam as vendas de veículos efetuadas. Ainda, não se pode deixar de notar que a defesa, quando apresenta tal argumento, está se valendo da própria torpeza. Entretanto, é consagrado em Direito o princípio que a ninguém é dado valerse da própria torpeza ("nemo auditur propriam turpitudinem allegans"). Disso decorre, dentre outros efeitos, que ninguém pode invocar o dolo ou a torpeza para anular ato ou reclamar indenização. Em suma, ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza. As considerações relatadas no TVF que desqualificam os documentos trazidos aos autos pelo contribuinte, o foram, fundamentalmente, para afastar a tributação diferenciada prevista no referido art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1998. Fl. 6119DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 126 60 De outro lado, todo o conjunto probatório, que inclui além dessa documentação, livroscaixa reconstituídos e os créditos bancários em decorrência do financiamento de veículos vendidos revela que o contribuinte auferiu receitas, as quais quando existentes as respectivas notas fiscais de entradas e saídas para as operações comerciais com veículos usados faziam jus à tributação diferenciada (32% incidente sobre a margem, saída menos entrada); caso contrário, deveriam sofrer a tributação normal prevista para o lucro presumido (8% incidente sobre o valor da venda, desconsiderando a entrada). Não se pode perder de vista que a tributação das aludidas operações de vendas de veículos feitas pelo Impugnante, que não pagou corretamente os tributos delas advindos, é dever do Fisco, à luz do art. 142, "capuf e parágrafo único, do CTN. 3.2.2 Conclusão. No contrato comissão ou estimatório, a venda é feita em nome próprio e a tributação diferenciada somente é cabível na venda de veículos usados, desde que existentes as respectivas notas fiscais de entrada e saída. Já para a mera intermediação, a tributação recai exclusivamente sobre a comissão recebida. Contudo, não se pode deixar de dar razão à afirmação feita pelo Fisco no sentido que: "a atuação do contribuinte não se limitou a de ser mero intermediário na obtenção do financiamento para venda do veículo, mas efetivamente atuou como vendedor do veículo, seja atuando em nome próprio, seja atuando como consignante'". Conquanto a defesa tenha tentado enfraquecêlo, o fato de os valores correspondentes aos financiamentos ou arrendamentos terem sido creditados pelas instituições financeiras em contas bancárias de titularidade do contribuinte é sim um forte indício que ele os vendia em nome próprio, seja como proprietário mesmo ou consignante. No mínimo, o contribuinte assumiu riscos. Notadamente, a falta de registros contábeis individualizados para cada operação implicou o fato que os pagamentos feitos pelos bancos fazem sim prova que ele auferiu receitas próprias. Tratase, pois, de regime de tributação diferenciado, para o qual a lei expressamente determina à empresa revendedora de veículos usados emitir, para cada operação e nos momentos adequados, as correspondentes notas fiscais de entradas e saídas. Enfim, o contribuinte não faz jus ao referido regime especial de tributação, devendo as omissões de receitas apuradas pela Fiscalização ser tributadas pela regra geral, no caso, obedecendo a opção do contribuinte pela determinação do imposto com base no lucro presumido. Rejeitamse, pois,, as planilhas apresentadas pela defesa na impugnação complementar, as quais não se espelham em documentos fiscais hábeis e idôneos (notas fiscais de entrada e saída) nem em escrituração contábil e fiscal adequada para as indicações nelas contidas. Todavia, quanto às vendas de veículos usados nas quais foram emitidas as respectivas notas fiscais de entrada e saída, conforme apurado pelo Fisco nas diligências realizadas, objeto da planilha "VEÍCULOS VENDIDOS COM EMISSÃO DAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADA E SAÍDA", a tributação deve Fl. 6120DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 127 61 incidir sobre a margem (venda menos compra), nos termos do art. 5° da Lei n° 9.716, de 1998. Portanto, mantenho os lançamentos nos exatos termos propostos pela DRJ. Da qualificação da multa de 150% Assoma claro nos autos que a empresa impugnante, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, adiante reproduzido: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Nestes termos, como nos autos está devidamente evidenciado que o contribuinte, ao longo de vários anos, omitia receitas tributáveis em montante acentuadamente superior às receitas informadas nas suas DIPJ e Dacon de forma contínua e reiterada para os anoscalendário de 2006 e 2007, deixando de recolher os tributos devidos. Também não escriturou a totalidade das suas operações em seu Livro Caixa, inclusive as receitas auferidas com a prestação de serviços como correspondente bancário para as instituições financeiras que financiavam os veículos por ele vendidos. Mas isso não é tudo. Conforme bem colocado pela decisão de piso: Posteriormente, quando da realização das diligências, o Fisco, ao analisar os documentos entregues pelo contribuinte, constatou que algumas das notas fiscais foram antedatadas. Assim, destacando que tal fato caracteriza operações simuladas, a teor do art. 167 do Código Civil, apreendeu tais documentos e salientou que o contribuinte sempre quis sonegar tributos. Ora, tal constatação reforça ainda mais os motivos e fundamentos invocados no TVF, que, por si só, já seriam suficientes para a qualificação da multa de ofício. Em relação à “prática reiterada” de omissão de receitas constituir condição suficiente para a caracterização do evidente intuito de fraude, pauto o meu sistema de referência em cima da impossibilidade epistemológica (limites do conhecimento) de se caracterizar o evidente “intuito” de fraude nos termos postos por alguns julgados. Parto do princípio de que não se deve nunca interpretar uma lei quando o resultado dessa exegese leve a absurdos tais como o de imaginar que o dolo ou “o evidente intuito de fraude” devam ser extraídos da mente do sujeito passivo e não das circunstâncias fáticas que permeiam todo o Fl. 6121DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.721917/201154 Acórdão n.º 1401001.583 S1C4T1 Fl. 128 62 contexto onde a prática aconteceu. É o elemento objetivo que se deve procurar e daí, a partir dele, valendose do raciocínio lógico e probabilístico, extrair aquilo que o impregna: o elemento subjetivo (dolo). Dessa forma, a prática de omitir receitas por mais dois anos de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Não se pode aqui imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Diante desse contexto, devem ser mantidas a multa qualificada de 150%. Lançamentos Reflexos (CSLL, Pis e Cofins) Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 6122DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
