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Numero do processo: 10510.722235/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Roberto Silva Junior, Gilberto Baptista e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Roberto Silva Junior, Gilberto Baptista e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .7 22 23 5/ 20 12 -0 0 Fl. 9726DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.722235/201200 Resolução nº 1402000.359 S1C4T2 Fl. 9.727 2 Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício (fls.9219) e de Recurso Voluntário (fl.9244/9296) ambos interpostos face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte (fls.9151/9219) que decidiu cancelar parcialmente as exigências perpetradas no Auto de Infração de fls. 2/17 e Termo de Verificação Fiscal fls. 1618/1634. Segundo o Relatório Fiscal, o Auto de Infração trata da seguinte matéria: Para a engenharia de detalhamento, construção, montagem, testes e condicionamento da obra do Gasoduto CatúPilar, Malha Nordeste II que integra o Projeto Malhas da Petrobrás, associaramse as empresas Toyo, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão, formando a NEDL – CONSTRUÇÕES DE DUTOS DO NORDESTE LTDA., uma Sociedade de Propósito Especifico, formada por meio de Acordo de Empreendimento Conjunto (Joint Venture Agreement JV) fls. 1855/1912, que é a empresa responsável pela execução completa destas atividades. Diante das recorrentes quedas na arrecadação ocorridas na empresa NEDL Construções de Dutos do Nordeste Ltda, CNPJ 06.190.355/000177, iniciouse procedimento de diligência fiscal, através de Mandado de Procedimento Fiscal n º 0520100.2009.00552, efetuado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Aracaju/SE, cujo Relatório de Diligência foi encaminhado para a Equipe Regional de Seleção e Programação dos Maiores Contribuintes – EPMAC – da 5ª Região Fiscal. A Epmac da 5ª RF, acatando algumas das sugestões contidas no Relatório de Diligência, propôs a abertura de ação fiscal em nome do sujeito passivo a fim de averiguar o correto registro de custos, despesas na contabilidade e informados na DIPJ. Ato contínuo, foi emitido no dia 30 de agosto de 2011, Termo de Intimação por meio do qual foi solicitado o Livro Razão contendo as informações sobre os valores relativos ao custo e despesas, informado ainda, que seriam solicitados, em data futura, os documentos comprobatórios de tais dispêndios, tais como contrato de prestação de serviços, contrato de mútuo, contrato de aluguéis, dentre outros, além dos documentos que comprovem seu efetivo pagamento. No dia 11 de outubro de 2011, o sujeito passivo atendeu ao que foi solicitado e apresentou os registros contábeis dos custos e despesas informados na DIPJ, constante do Termo de Intimação. Na medida em que os documentos comprobatórios foram apresentados, procedeuse à análise individual de cada um pela Fiscalização. No entanto, devido à grande quantidade de registros e de documentos correlatos, a Fiscalização decidiu fazer um “corte” de valor na ordem de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Portanto, somente foram solicitados documentos comprobatórios para a despesa igual ou superior a esse valor. Fl. 9727DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.722235/201200 Resolução nº 1402000.359 S1C4T2 Fl. 9.728 3 De posse da documentação apresentada, foram elaborados pela Fiscalização Demonstrativos contendo as contas contábeis das despesas deduzidas do lucro real. Esses Demonstrativos foram enviados ao sujeito passivo, sempre em forma de anexo de Termo de Intimação, para que ele apresentasse agora os documentos comprobatórios dos registros contábeis, além de documentos que comprovem seu efetivo pagamento. Após análise individual de cada documento apresentado, confrontandoo com o registro contábil, de acordo com o Agente Fiscal, verificouse que muitos valores registrados como despesas ou custos eram indedutíveis e por tal motivo, foram glosados da apuração do lucro real. Resumidamente, de um total de R$ 106.102.495,36, podemos dividir este valor em R$ 105.781.323,84 referente à despesas não comprovadas ou indedutíveis, R$ 170.336,14 de multa por infração fiscal indedutível, R$ 14.128,91 de multa de trânsito indedutível e R$ 136.706,47 relativo a despesa com congraçamentos e brindes. Dentro deste crédito glosado de R$ 105.781.323,83, temos os valores pagos à titulo de juros incorridos sobre empréstimos contraídos junta as empresas sócias, que a Fiscalização considerou como despesas indedutíveis . No dia 31 de maio de 2012, foram lavrados Autos de Infração relativos a IRPJ e CSLL exigindo crédito tributário do anocalendário de 2007, com multa de ofício e juros de mora. O Auto de Infração foi dividido nos seguintes pontos principais: 1 Custos e despesas operacionais, onde se analisou segundo a Fiscalização as despesas não necessárias, despesas não comprovadas e despesas indedutíveis. 2 Planejamento Tributário, com a desclassificação do contrato de mútuo, considerando as operações de empréstimos contraídos com as sócias, elisão tributária, incorrendo em abuso de direito, glosando os juros incorridos sobre empréstimos contraídos junto às empresas sócias. Foram efetuadas glosas na conta de “juros passivos” e na conta de “variação cambial passiva”, por entender o Agente Fiscal que os empréstimos efetuados pelas pessoas jurídicas que fazem parte da NEDL na verdade são aportes de capital, portanto, não são dedutíveis os juros pagos, bem como as variações monetárias passivas, essas oriundas da empresa Toyo, situada no exterior e que também faz parte da sociedade. Segundo a Fiscalização, para gerir uma obra do porte do Gasoduto CatúPilar, seriam necessários valores iniciais muito acima dos dois milhões do contrato social e por isso ao longo dos períodos seguintes, a NEDL contraiu “empréstimos” junto aos sócios quotistas em quase quatrocentos milhões de reais, por meio de mútuo, o que dá a entender que esses valores que capitalizaram a NEDL são, em verdade, aportes de capitais e não empréstimos como pretenderam as empresas sócias; logo são indedutíveis os valores pagos a título de juros sobre os empréstimos contraídos pela Recorrente, bem como as variações cambiais passivas, relativas aos empréstimos contraídos com a empresa Toyo, esta sediada no exterior. Fl. 9728DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.722235/201200 Resolução nº 1402000.359 S1C4T2 Fl. 9.729 4 Foram também arrolados como responsáveis solidários nos termos do artigo 124, inciso I do CTN as empresas Camargo Correa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão. Segundo a fiscalização, a empresa Toyo Engineering Corporation não foi arrolada como sujeito passivo solidário por ser sediada no exterior e não possuir personalidade jurídica no Brasil. Histórico processual: Após a lavratura do Auto de Infração, a Recorrente e os coobrigados ofereceram impugnação em uma única peça (fls. 1639/1747), todos sendo representados pelos mesmos patronos, juntando documentos aos autos de fls. 1748/6801. Em seguida a Recorrente apresentou petição complementando sua impugnação e juntando mais documentos as fls. 6807/8459. Ato continuo, a DRJ decidiu converter o julgamento em diligencia para que a autoridade fiscalizadora se manifestasse sobre os documentos juntados aos autos com a impugnação e com a petição complementar, conforme texto abaixo extraído da Resolução de fls. 8461/8498. "Tendo em vista a legislação fiscal que envolve a apuração de resultado, no caso de contratos a longo prazo, bem como quanto aos requisitos legais para o reconhecimento de custo ou despesa dedutível e diante da documentação e argumentos apresentados pela defesa (especificadamente para conta contábil cujo custo/despesa foi glosado), fica patente a necessidade de diligências, para que o Fisco reveja o seu trabalho como um todo, notadamente para: (i) quanto às glosas dos dispêndios que envolvem matéria técnica (serviços de engenharia para consecução do gasoduto, consultoria técnica envolvida na obra, locação de máquinas e equipamentos em geral utilizados, etc.), não se pode prescindir de provas ou perícias técnicas ou laudos técnicos, para comprovar a efetividade do serviço prestado; nesse sentido, a autoridade fiscal, sempre que entender necessário para comprovação da efetividade dos serviços prestados deve buscar a produção de tal prova ou solicitar que o contribuinte a providencie ou forneça as que lastrearam as medições efetuadas no curso da obra (como entender melhor ou adequado, caso a caso). (ii) quanto aos dispêndios de consultoria não técnica (área comercial, gerencial, administrativa, etc.) e aos demais serviços (segurança, informática, limpeza, etc.), a autoridade fiscal deve solicitar os elementos que entender necessários para atestar que tais serviços foram efetivamente prestados ou, caso contrário, justificar ou fundamentar, individualmente, o porquê desconsidera a documentação apresentada por não corresponder a serviços efetivamente prestados ou por ser abusivo o valor do gasto registrado contabilmente como despesa. (iii) quanto a contratos ou demais documentos redigidos em língua estrangeira, o contribuinte dever ser instado a apresentálos devidamente traduzidos por “tradutor juramentado”. (iv) quanto às glosas dos dispêndios cujo motivo foi a falta de documentação probatória, a autoridade fiscal deve analisar a documentação trazida aos autos pela defesa, solicitar as que faltarem ou trazer aos autos os elementos que entender necessários, para Fl. 9729DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.722235/201200 Resolução nº 1402000.359 S1C4T2 Fl. 9.730 5 fundamentar, em cada caso, o porquê desconsidera os documentos fiscais existentes, no sentido que não são nem hábeis nem idôneos para comprovar a correspondente despesa nem podem lastrear o respectivo registro contábil feito pelo contribuinte; por outro lado, salientese que, em qualquer caso, a falta de documentação hábil e idônea justifica plenamente a glosa da correspondente despesa, que por esse motivo se torna indevidamente deduzida na determinação do lucro tributável. (v) quanto às glosas dos dispêndios considerados, nos termos da legislação fiscal não necessários, nem usuais ou normais para a manutenção da atividade produtiva do contribuinte, a autoridade fiscal (em cada caso) deve posicionarse acerca dos argumentos e provas trazidos aos autos pela defesa, justificando ou fundamentando (em cada caso), quando ainda entender que determinada despesa não atende ao requisito legal da necessidade, usualidade e normalidade. (vi) quanto às glosas dos dispêndios cujo motivo foi a não comprovação do correspondente pagamento, como se viu, a resposta à pergunta de número “006” (lucro real), do “Perguntas e Respostas 2013” (site da RFB), delineia muito bem a questão, no sentido que “ressalvadas situações especais, a apropriação das despesas pagas ou incorridas deve ser feita, segundo o regime de competência, independentemente da época de seu efetivo pagamento”; no caso concreto, é crível que o contribuinte tenha se utilizado bastante da conta contábil de “fornecedores”, para registrar suas compras de mercadorias ou serviços, a prazo; por outro lado, certamente o pagamento acontecerá, ainda que meses após (essa é a praxe comercial); contudo, a inexistência total de pagamento, caso a caso, não deixa de ser sopesada como um elemento a mais para justificar ou comprovar que a despesa de fato não existiu (no entanto, cada situação deve ser analisada individualmente). (vii) e, finalmente, observase que alguns pontos específicos contidos na impugnação apresentada merecem uma análise à parte da autoridade fiscal, quais sejam, os tratados nos seguintes parágrafos da impugnação: “177”, “221”, “265”, “266”, “268”, “276”, “305”, “327” e “329”. Assim sendo, nos termos do art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, proponho o retorno do presente processo à DRF de origem para que sejam realizadas diligências, no intuito que o trabalho fiscal seja complementado e revisto como um todo. O resultado das diligências solicitadas deve constar de relatório circunstanciado, que indique quais (i) despesas deduzidas devem ser admitidas como dedutíveis, nos termos da legislação fiscal, (ii) por conseguinte, acaso haja alterações, as bases de cálculo modificadas e (iii) respectivos valores devidos do IRPJ e CSLL a serem mantidos no presente lançamento, dandose dele ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, em querendo, apresente novas razões de defesa. Após efetuado o procedimento acima solicitado, com a juntada da impugnação do contribuinte, se houver, os autos devem retornar a esta DRJ para julgamento." Em resposta a diligencia determinada e após a analise da documentação, a Fiscalização apresentou Relatório de Diligência (fls.8551/8562), acolhendo parcialmente os pleito do sujeito passivo, reduzindo o valor do Auto de Infração de R$ 106.102.495,36 para R$ 17.352.920,14 conforme demonstrativos descritos no corpo do próprio relatório. Fl. 9730DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.722235/201200 Resolução nº 1402000.359 S1C4T2 Fl. 9.731 6 Basicamente, se pode dividir este valor mantido de R$ 17.352.920,14 em dois pontos principais, o de R$ 4.575.476,35 relativo a glosa de despesas não comprovadas ou não dedutíveis e R$ 12.777.443,79 referente a despesas indedutíveis com juros sobre empréstimos contraídos com as empresas sócias da Recorrida. O sujeito passivo, se manifesta novamente nos autos por meio de três petições de fls. 8566/9147 onde junta mais documentos em relação as despesas não aceitas pela Autoridade Autuante. Em seguida os autos foram encaminhados para a DRJ, que proferiu v. acórdão acolhendo a manifestação da Fiscalização nos termos do Relatório de Diligência, e reconhecendo à mais, mediante analise dos documentos apresentados pela Recorrida, o valor de R$ 1.639.249,16 relativo a glosa de despesas não comprovadas ou não dedutíveis, mantendo o restante das exigências no valor de R$ 15.713.670,98. O valor mantido, no importe de R$ 15.713.670,98 pode ser dividido em entre dois pontos, o primeiro de R$ 12.777.443,79 relativo aos juros advindo dos empréstimos e o segundo, R$ 2.936.227,19 referente a glosa de despesas não comprovadas ou não dedutíveis. Em relação a este restante das glosa de despesas não comprovadas ou não dedutíveis que foram mantidas, o v. acórdão deixou consignado que não às reconheceu devido a falta de coincidência de valores e da necessidade de esclarecimentos complementares no sentido de fortalecer a convicção de que a documentação apresentada está apta para atestar a despesa glosada, cuja oportunidade de fazêlo foi dada no curso das diligências realizadas. (fls. 9213). Em relação aos juros advindos dos empréstimos, o v. acórdão entendeu que no caso vertente, o cerne da questão é que o Fisco fundamentou a autuação na realização de um planejamento tributário abusivo (ilícito). Pela ótica posta pelo Fisco, a questão é esclarecer como ocorreu a quitação da dívida assumida pelo contribuinte em favor das suas sócias, em razão de juros cobrados decorrentes de operações de mútuos. Frente a este ponto, entendeu ser relevante o fato de que não restou comprovado nos autos qual foi a forma de quitação do correspondente passivo assumido em contrapartida a esses encargos deduzidos na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a título de juros e variação cambial. No mais, afastou a preliminar de nulidade, o pedido de perícia, manteve a responsabilidade dos coobrigados pelo crédito exigido, e interpôs Recurso de Ofício em relação a parte do AI cancelado, registrando a seguinte ementa do v. acórdão recorrido: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando o lançamento obedeceu todos os requisitos legais necessários a essa atividade, inclusive tendo sido amplamente garantida a ampla defesa do sujeito passivo. Fl. 9731DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.722235/201200 Resolução nº 1402000.359 S1C4T2 Fl. 9.732 7 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. GLOSAS DE DESPESAS INDEDUTÍVEIS OU NÃO COMPROVADAS. São dedutívies na determinação tanto do lucro real como da base de cálculo da CSLL as despesas operacionais necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Além de necessárias, para serem dedutíveis devem ser efetivas e comprovadas por meio de documentação fiscal hábil e idônea. Ressalvadas situações especiais, a apropriação das despesas pagas ou incorridas deve ser feita, segundo o regime de competência, independentemente da época de seu efetivo pagamento. DILIGÊNCIAS REALIZADAS. Realizadas as diligências solicitadas, a Fiscalização afirmou a sua forte convicção que as despesas são necessárias, usuais e normais, retificou o seu entendimento anterior e deixou de glosar qualquer despesa por não atendimento ao requisito legal da necessidade, usualidade e normalidade. O trabalho da ação fiscal foi revisto para acatar, parcialmente, os argumentos apresentados pelo sujeito passivo, mormente quando amparados em novos elementos probantes. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESPESAS COM JUROS PAGOS ÀS EMPRESAS SÓCIAS. OPERAÇÕES DE MÚTUO. Revestese do caráter de planejamento tributário abusivo em prejuízo à Fazenda Pública, a dedução de juros decorrentes de empréstimos contraídos com as pessoas jurídicas sócias (mutuantes), contabilizados como despesas e devidos pelo sujeito passivo (mutuário) que não comprova, nos autos, a forma de quitação do correspondente passivo. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado para o lançamento principal do IRPJ estendese à CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls.9244/9296), requerendo inicialmente que o Recurso de Ofício seja julgado improvido, repisando praticamente as mesmas alegações feitas na impugnação, incluindo um item às fls. 22/40 do recurso, relativo as despesas não comprovadas e ou não dedutíveis que foram mantidas, onde alega que os julgadores "a quo" não analisaram corretamente as provas de fls. 8566/99147 e explica de forma mais detalhada as divergências apontados na decisão que fundamentaram o não reconhecimento de tais despesas. Ato contínuo, a D. Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta contrarazões as fls.9474/9492, requerendo o provimento do Recurso de Ofício e o não provimento do Recurso Voluntário. Fl. 9732DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.722235/201200 Resolução nº 1402000.359 S1C4T2 Fl. 9.733 8 Aduz em apertada síntese, que o Recurso Voluntário inovou o lançamento e trouxe fatos novos ao explicar as divergência apontadas no v. acórdão recorrido sobre os documentos que comprovariam as despesas, que os documentos apresentados após a impugnação não podem ser aceitos como provas, que deve ser mantida a responsabilidade solidária dos coobrigados. É o relatório. Fl. 9733DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10510.722235/201200 Resolução nº 1402000.359 S1C4T2 Fl. 9.734 9 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Inicialmente passo a analisar os créditos mantidos no importe de R$ 2.936.227,19, relativos aos custos e despesas operacionais que o v. acórdão considerou não comprovadas, para depois analisar o restante das matérias postas a lide. O v. acórdão "a quo" (fls.9213) manteve ao valor restante de R$ 2.936.227,19 apenas por entender que havia divergência nos documentos apresentados aos autos pela Recorrente. "Analisada a documentação apresentada, foram aceitas como comprovadas somente as despesas quando verificada, principalmente, a coincidência de valor entre a glosa e documento fiscal anexado. De modo geral, não se aceitou nenhum documento apresentado em razão da falta de coincidência de valores e da necessidade de esclarecimentos complementares no sentido de fortalecer a convicção de que a documentação apresentada está apta para atestar a despesa glosada, cuja oportunidade de fazêlo foi dada no curso das diligências realizadas." (fl. 9213 do v. acórdão recorrido). Após a leitura das explicações descritas no Recurso Voluntário (fls. 22/40 do recurso) e de compulsar os documentos de fls.8566/9147, entendo que o requerimento da Recorrente deve ser acolhido. Ao confrontar os documentos dos autos seguindo as explicações dispostas na peça recursal (fls.22/40), pude constatar que tais despesas restariam sim comprovadas e por isso poderiam ser dedutíveis. As divergências apontadas no acórdão recorrido entre os documentos de fls. 8566/9147 que impediram de conhecer o restante das despesas como comprovadas e dedutíveis, foram muito bem explicadas no corpo do Recurso Voluntário; mais especificamente às fls.22/40 da peça recursal. Neste esteira, para manter a lógica do entendimento exposto pelo Agente Fiscal em seu Relatório de Diligência, bem como a dos D. Julgadores da DRJ e após minha analise, por meio do confronto dos documentos constantes nos autos com as explicações disposta na peça recursal, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que a Autoridade Fiscal se manifeste sobre a documentação acima apontada confrontando as explicações postas nas fls. 22/40 do Recurso Voluntário. Ante o exposto e por tudo que consta nos autos, proponho converter o julgamento em diligencia para que se analise os documentos de fls. 8566/9147 confrontando as explicações postas nas fls. 22/40 do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 9734DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10665.000750/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-002.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Realizou sustentação oral pela contribuinte o Dr. Bruno Sartori de C. Barbosa, OAB nº 134.181.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Realizou sustentação oral pela contribuinte o Dr. Bruno Sartori de C. Barbosa, OAB nº 134.181. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 07 50 /2 00 9- 68 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10665.000750/200968 Acórdão n.º 2201002.984 S2C2T1 Fl. 130 2 Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5a Turma da DRJ/BHE (Fls. 74), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra Silvana Valadares Bahia Reis, CPF 631.976.85687, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 10, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 13.727,02, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até 30/04/2009. O lançamento decorre da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de valores depositados/creditados em conta bancária de titularidade da contribuinte e de seu cônjuge, no período de 01/01/2004 a 28/04/2004, uma vez que regularmente intimados, não comprovaram, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações financeiras (explicações e planilhas As fls. 11 a 18). O valor dos créditos bancários não comprovados foi rateado em partes iguais para cada um dos titulares da conta, conforme previsto no §6° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: art. 849 do Decreto IV 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 e art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 04/06/2009 (Aviso de Recebimento, AR A fl. 36 verso), em 06/07/2009, a contribuinte apresenta a impugnação de fls. 37 a 45, instruída com os documentos de fls. 46 a 70, argumentando, em síntese, que: A impugnação é tempestiva. O lançamento foi baseado em presunções e a fiscalização desconsiderou por completo as informações prestadas pela impugnante no curso do procedimento fiscal. DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS — DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E PRÓLABORE DA LINCAR PEDRAS ARDÓSIA LTDA. CREDITADOS NA CONTA CORRENTE CREDICOOP N° 1.2300 A interessada informou, no decorrer do procedimento fiscal, que os créditos bancários da conta corrente da CREDICOOP n° 1.2300 decorriam de sua atividade empresarial, bem como da de seu marido. No que tange à sua atividade, tratavase de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10665.000750/200968 Acórdão n.º 2201002.984 S2C2T1 Fl. 131 3 recebimento de prólabore e distribuição de lucros da empresa Lincar Pedras Ardósia Ltda., da qual é sócia. A impugnante e seu cônjuge são casados em comunhão universal de bens e a referida conta corrente sempre foi utilizada para a movimentação de recursos de ambos, prática absolutamente comum e em nada reprovável. Ocorre que a fiscalização simplesmente ignorou tal fato, preferindo a via mais fácil, simplista e errônea da presunção, para considerar todos os créditos ocorridos na conta corrente como se receitas tributáveis fossem, sem observar que os recursos depositados provinham das empresas, das quais a impugnante e seu marido são sócios e que todos esses rendimentos foram informados em suas DIRPF. O casamento em comunhão universal de bens não obriga a apresentação da declaração de ajuste anual no modelo completo. A opção pela declaração simplificada tem implicação tãosomente em relação A utilização do desconto padrão de 20%. Os rendimentos tributáveis, como retirada prolabore, e os rendimentos não tributáveis, como a distribuição de lucros, são declarados e tributados, se for o caso, da mesma forma que seriam no modelo completo. Não há que se falar em omissão de receita decorrente da ausência de vinculação dos valores declarados pela impugnante com os valores creditados na conta corrente. A vinculação pretendida pela fiscalização é impossível, pois se trata de conta conjunta em que foram também depositados valores recebidos pelo cônjuge a titulo de prólabore e lucros distribuídos. Como se verifica nas declarações de ajuste anual da contribuinte e de seu cônjuge, todos os valores creditados foram devidamente declarados. Assim, considerando que parte dos créditos questionados referemse a lucros distribuídos a interessada pela Lincar Pedras e Ardósia Ltda e que esses foram devidamente declarados, não há como prosperar o lançamento. De acordo com o art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, regulamentado pelo art. 51 da IN SRF n° 11, de 1996, os lucros e dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos A incidência do imposto de renda na fonte nem integrão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário pessoa fisica ou jurídica, domiciliado no Pais ou no exterior. DA EFETIVA COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS NA CONTA N° 1.2300 Restou consignado no Termo de Verificação Fiscal que não foi confirmada a entrega efetiva dos rendimentos isentos declarados, como também não foi constatado que os créditos na referida conta bancária sejam provenientes dos rendimentos isentos e não tributáveis declarados pela contribuinte. A fiscalização, sem embasamento fático e legal, decidiu considerar que os créditos bancários se referiam a rendimentos de outras Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10665.000750/200968 Acórdão n.º 2201002.984 S2C2T1 Fl. 132 4 origens. Isto não pode prosperar, pois a impugnante, sócia da Lincar Pedras e Ardósia Ltda, recebeu no decorrer de 2004 valores relativos A distribuição de lucro da empresa apurado em 31/12/2003, bem como valores relativos a prólabore. Esses valores foram efetivamente creditados na conta corrente n° 1.2300 da CREDICOOP. A declaração de ajuste anual da impugnante e as cópias do livro Caixa da empresa juntadas aos autos são hábeis e suficientes para provar a origem dos créditos na conta corrente. Todos os valores pagos foram depositados na conta por meio de cheques da Linear ou de clientes desta empresa repassados à impugnante. Os demonstrativos contábeis da empresa Linear comprovam a existência de lucros a serem distribuídos A impugnante no decorrer do ano de 2004 e de recursos disponíveis para a realização da distribuição. Se a Administração Fazendária insistir que os créditos bancários na conta n° 1.2300 caracterizam omissão de rendimentso de outras origens, a fiscalização deve provar tal fato, observando se o disposto nos arts. 923 e 924 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999. Por fim, requer que seja julgado improcedente o Auto de Infração. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Cientificado em 30/08/2010 (Fls. 82), A Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 82 a 96), via Carta AR em 02/09/2010 (fls. 98 a 99), argumentando em síntese: (...) ...a Recorrente se imiscuiu de comprovar, efetivamente, a fonte dos recursos depositados na conta bancária junto à Credicoop n.° 12300, sendo certo que os rendimentos devidamente declarados, tal como ocorre no caso dos autos, não configuram omissão de rendimentos para fins de lançamento suplementar do IRPF, como vem decidindo as Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil... (...) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10665.000750/200968 Acórdão n.º 2201002.984 S2C2T1 Fl. 133 5 Vale ressaltar, inicialmente, que a Impugnante é casada com o Sr. Murilo Ribeiro Reis em comunhão universal de bens e a referida conta corrente sempre foi utilizada para a movimentação de recursos de ambos, prática absolutamente comum e em • nada reprovável. Ocorre que a d. Turma de Julgamento ignorou tal fato, preferindo adotar a via mais fácil, a da presunção, para considerar todos os créditos lançados na conta bancária como se receitas tributáveis • fossem. Com efeito, não se observou que os recursos depositados provinhani das emprgas em que a Recorrente e seu marido são sócios, sendo todos estes rendimentos declarados em suas DIRPF's. (...) 13 Primeiro: a vinculação pormenorizada dos valores conforme pretendeu a d. Turma de Julgamento é impossível, pois se trata de conta conjunta cuja movimentação não era exclusiva da Recorrente, mas também de movimentação de seu marido, cujos recebimentos de pro labore e participação de lucros de sua atividade empresarial também eram ali creditados. 14 Segundo: como se verifica nas declarações de imposto de renda da Recorrente e de seu marido, os valores creditados foram devidamente declarados, todos eles correspondentes à retirada de pro labore (rendimentos tributáveis) e distribuição de lucros da empresa Linear Pedras de Ardósia Ltda (rendimentos isentos e não tributáveis). (...) ... a Recorrente, corno sócia da Empresa Linear Pedras de Ardósia Ltda., recebeu no decorrer do ano de 2004, distribuição de lucro da empresa apurado em 31/12/2003 e pago no decorrer do ano de 2004, bem como valores relativos a retirada de pro labore • relativo ao ano de 2004. 24 Contudo, por não movimentar conta própria neste período, a Recorrente utilizava a conta conjunta que possuía com seu marido junto a Credicoop para receber tais valores, sendo tal conduta perfeitamente usual. Ressaltese que na referida conta também eram creditados participação de lucros e retirada de pro labore das empresas na qual o marido da Recorrente era sócio. 25 Desta forma, resta mais do que confirmado a entrega efetiva dos rendimentos isentos declarados pela Recorrente, haja vista que estes foram efetivamente creditados ria conta corrente 1230 0. (...) 29 No caso concreto, os valores relativos a distribuição de lucros da empresa Lincar Pedras de Ardósia Ltda apurado em 31/12/2003 no valor de R$ 50.000,00, foi efetivamente pago à Recorrente no decorrer do ano de 2004, sendo tal pagamento declarado em sua DIRPF. Logo, não procede a assertiva de que Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10665.000750/200968 Acórdão n.º 2201002.984 S2C2T1 Fl. 134 6 não houve entrega dos rendimentos isentos e comprovação de que os créditos lançados na conta 12300 eram provenientes de rendimentos isentos e tributáveis, haja vista que os demonstrativos contábeis da referida empresa comprovam a existência de lucros a serem distribuídos Recorrente no decorrer do ano de 2004, bem como comprovam a existência de recursos disponíveis para realizar tal distribuição. ,, 30 Assim, caso pretenda a Administração Fazenddria insistir nessa descabida alegação de omissão de receitas e que os créditos bancários lançados na conta corrente 12300 no período de 01/01/2004 a 28/04/2004 configuram omissão de rendimentos de outras origens, deve a fiscalização provar tal fato. 0 que não se admite é simplesmente presumir a inexistência da distribuição de lucros conforme foi devidamente demonstrado e comprovado pela Recorrente, de acordo com a legislação vigente. (...) Em 25 de agosto de 2011, aprouve a 1a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, converter o julgamento em diligência, retornando os autos à DRF de origem a fim de que: • fossem juntadas as cópias dos extratos bancários que demonstrassem a existência dos depósitos objeto do lançamento; • se esclareçesse de que forma os extratos bancários vieram ao conhecimento da autoridade fiscalizadora, por exemplo, teriam sido espontaneamente apresentados pelo cônjuge da autuada, Murilo Ribeiro Reis, CPF 500.164.15604, ou teriam sido obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF); • fossem juntados os elementos de prova dos esclarecimentos referentes ao item acima; • fosse informado o número do processo referente à infração imputada ao cônjuge da autuada, em decorrência da cotitularidade das contas bancárias objeto do lançamento lavrado nestes autos, bem como se referido processo já foi objeto de decisões administrativas, juntando as cópias correspondentes. Em 24/08/2001 a DRF/Divinópolis(MG), respondeu a diligência (Fls. 107 a 124), informando: (...) 1) Cópias dos extratos bancários da conta 1.2300, mantida em conjunto pela autuada e seu cônjuge na Cooperativa de Crédito Rural de Pitangui Ltda, no período de jan/2004 a abr/2004, e que demonstram a existência dos depósitos objetos do lançamento estão sendo juntadas ao presente processo (Anexo 1 desta Informação contendo 11 folhas); 2) Os extratos bancários do período supracitado foram obtidos via Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10665.000750/200968 Acórdão n.º 2201002.984 S2C2T1 Fl. 135 7 (RMF) nº 06.1.07.002008000305, cuja cópia, inclusive da Solicitação de Emissão da RMF e da resposta da instituição financeira, também está sendo juntada ao presente processo (Anexo 2 desta Informação – contendo 6 folhas); 3) O processo administrativo referente às infrações fiscais imputadas ao cônjuge da Sra. Silvana, Sr. Murilo Ribeiro Reis, CPF 500.164.15604, é o de nº 10665.000737/200917 (Auto de InfraçãoIRPF) que já obteve decisão de 1ª instância (Acórdão 0227.775 da 5ª Turma da DRJ/BHE, Impugnação Improcedente) e encontrase atualmente no Conselho Administrativo de Recursos FiscaisMFDF. Tal processo abrange outros fatos geradores e sujeitos passivos, além da movimentação financeira objeto da autuação fiscal formalizada neste processo (10665.000750/200968). Finalizada a diligência, o processo foi distribuído a este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, o litígio se refere a omissão de rendimentos, oriundos da falta de comprovação das origens de depósitos bancários, no valor total de R$62.821,92, no ano base 2004. Também, verifico que todos os depósitos se encontram dentro dos limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96, na Conta corrente do CREDICOOP, CC 12300, AG 3159 3, como depósitos não comprovados, os quais não poderiam ser considerados como receitas omitidas por expressa previsão legal, pois são inferiores a R$ 12.000,00 e não excedem R$ 80.000,00, dentro de cada anocalendário. (doc. pág 15 dos autos) Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10665.000750/200968 Acórdão n.º 2201002.984 S2C2T1 Fl. 136 8 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). ( Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97 ) Lei 9.481/97: Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , passam a ser de R$12.000,00 (doze mil reais) e R$80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. É de se observar que os limites acima devem ser aplicados em benefício de cada cotitular das contas bancárias, considerando que a regra do art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96, que determina o rateio dos depósitos bancários em contas com cotitulares quando estes não comprovam a origem dos depósitos, busca tratar os cotitulares individualmente, considerandoos como um centro de imputação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Ora, considerando que cada cotitular tem rendimentos diversos e ofertam nos à tributação em suas individuais declarações de ajuste, plausível o entendimento de que os limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96 devem ser aplicados a cada cotitular, já que os limites devem ser encarados como uma benesse da Lei que excluiu do espectro da presunção legal os valores abaixo de R$ 12.000,00, desde que o somatório de tais valores não exceda o limite de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Neste sentido, citese o Acórdão 9202002.621 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 23 de abril de 2013, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2001 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. LIMITES. Os limites legalmente estabelecidos para a tributação de depósitos bancários sem origem comprovada (Lei n° 9.430/1996, art. 42, § 3 0, II) devem ser aplicados de modo a respeitar a devida proporcionalização no caso de conta bancária conjunta. A limitação imposta pelo diploma legal não pode ter seu escopo desvirtuado pela existência de mais de um titular na conta. Recurso especial negado Ademais, a Súmula CARF 61, de aplicação obrigatória por este Conselheiro, assim estabelece: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10665.000750/200968 Acórdão n.º 2201002.984 S2C2T1 Fl. 137 9 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física Como todos os depósitos são inferiores a R$12.000,00, como o seu somatório é inferior a R$80.000,00, e como o valor total da omissão é de R$62.821,92, não restará qualquer omissão de rendimentos após a exclusão da base de cálculo acima referida. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10970.720111/2012-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.
A multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 restringe-se aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 9202-004.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
PATRICIA DA SILVA- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Maria Teresa Martinez Lopez, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. A multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 restringese aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. PATRICIA DA SILVA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 11 /2 01 2- 64 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Maria Teresa Martinez Lopez, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra Relatório Cuidase de Recurso Especial do Procurador interposto contra o Acórdão nº 2402003.561, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. A associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade equiparase à empresa para fins de aplicação da legislação previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720111/201264 Acórdão n.º 9202004.263 CSRFT2 Fl. 464 3 II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, tratase de impugnação contra os Autos de Infração nº 37.343.6416 e 37.343.6424, notificado o contribuinte em 17/05/2012, que têm por objeto contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho e o descumprimento de obrigações acessórias, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia Regional de Julgamento. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário arguindo a ilegalidade da incidência de contribuição social sobre a prestação de serviços contratados com cooperativas de trabalho e impugnando a multa aplicada. O recurso foi parcialmente provido, por unanimidade para determinar o recálculo da multa de obrigação principal nos termos do art. 35, da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e para adequação da multa remanescente ao art. 32A, da Lei nº 8.212/91, caso mais benéfica. Contra a referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o acórdão contrariou precedentes deste Conselho, apontando como paradigma os Acórdãos nº 2401002.453 e nº 920202.086. Ao final, requer a reforma do julgado no ponto concernente à multa aplicada, para que seja mantida a forma de cálculo realizada pela autoridade fiscal, qual seja: comparação entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II e 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35A, da MP 449/2008, aplicandose a multa mais benéfica ao contribuinte. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Sem contrarrazões, subiram os autos para análise e voto. É o relatório. Voto Conselheira Patricia da Silva. Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações principais e acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720111/201264 Acórdão n.º 9202004.263 CSRFT2 Fl. 465 5 que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN. Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, isto porque a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por entender que a ser a sistemática mais favorável ao contribuinte, em virtude da proibição do bis in idem. Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Fl. 467DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Em julgados anteriores, vinha adotando o posicionamento de que, em respeito ao art. 106, do CTN, na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Isto porque, entendo que não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Ressalvada minha tese sobre a questão, constatase que o meu posicionamento diverge da posição deste colegiado, que em outros julgados tem se manifestado quase à unanimidade, não fosse o voto divergente da ora relatora, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda, razão pela qual modifico o meu posicionamento para me adequar à jurisprudência deste Conselho. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja restabelecida a forma de cálculo utilizada no lançamento, que já promoveu a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Patrícia da Silva Relatora Fl. 468DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720111/201264 Acórdão n.º 9202004.263 CSRFT2 Fl. 466 7 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16403.000074/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Confirmada a apresentação de manifestação sobre resultado da diligência fiscal que não foi analisado pela decisão da primeira instância, confirma-se o cerceamento do direito de defesa, devendo ser realizado novo julgamento considerando a manifestação apresentada sobre o resultado da diligência fiscal determinado pela autoridade a quo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-002.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D´Amorim.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Confirmada a apresentação de manifestação sobre resultado da diligência fiscal que não foi analisado pela decisão da primeira instância, confirmase o cerceamento do direito de defesa, devendo ser realizado novo julgamento considerando a manifestação apresentada sobre o resultado da diligência fiscal determinado pela autoridade a quo. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D´Amorim. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 00 74 /2 00 7- 28 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o processo de contestação contra indeferimento de pedido eletrônico de ressarcimento, de PIS/Pasep Não Cumulativó Exportação do 3º trimestre de 2004, no valor de R$ 362.365,99 (Per nº 31101.73794.100407.1.1.083189), cumulado com declaração de compensação (Dcomp nº 33386.80326.110407.1.3.081206), visando a extinção de débitos próprios (CSLL código 248401 do PA 11/2006). A DRF em Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório nº 359/2008, datado de 09/05/2008, indeferiu o ressarcimento pleiteado e, em conseqüência, não homologou as compensações vinculadas ao pretendido crédito, motivado pela não entrega de documentos comprobatórios que permitissem a análise do direito creditório pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 15/05/2008, a interessada, por intermédio de seu procurador legalmente habilitado, ingressou com Manifestação de Inconformidade, a seguir sintetizada. Esclarece que, dentre outras atividades, industrializa e comercializa, no mercado interno, papel sujeito à alíquota zero de PIS e Cofins, com o que acumularia créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados e consumidos em seu processo produtivo; comenta que o fisco a intimou a apresentar uma série de documentos (intimação fiscal n.º 202/2008), porém, em face do excessivo volume de documentos requeridos, solicitou dilação de prazo de mais 20 dias para cumprir a exigência fiscal, o qual foi parcialmente deferido com a concessão de 10 dias (Comunicado n.º 426/2008); sustenta que não obstante essa prorrogação do prazo, ainda assim não teria tido tempo suficiente para apresentar a ‘longa’ lista de documentação e na forma estabelecida pela intimação fiscal; em razão disso, foi solicitada novo prazo de atendimento, mas o fisco emitiu o despacho decisório não reconhecendo o seu direito creditório. Destacando a necessidade de a administração pública obedecer aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da ampla defesa e do contraditório, alega que, no caso, o tempo concedido pela autoridade a quo foi exíguo, em face do volume de documentos solicitados. Dizendo que não se negou a atender a requisição do fisco, apenas pediu um tempo maior para atendê la, entende não ser razoável e tampouco proporcional o fisco negar o pedido de dilação do prazo e simplesmente indeferir seu pedido de ressarcimento e não homologar as declarações de Fl. 452DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16403.000074/200728 Acórdão n.º 3201002.045 S3C2T1 Fl. 449 3 compensação. Diz, ainda, que os livros obrigatórios sempre estiveram à disposição da autoridade fiscal. Na sequência, ressalta os princípios constitucionais do direito a ampla defesa e da nãoprivação de seus bens, fazendo citação da jurisprudência e da doutrina, argumentando que o indeferimento de seu pleito, estaria ligado a fato cuja natureza é fundamental para a correta aplicação do direito, ou seja, verificação se as aquisições de insumos e bens aplicados no processo de fabricação do papel sujeito à alíquota zero no mercado interno gerariam direito ao crédito de PIS e de Cofins, e entendendo que teria havido flagrante desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, posto que lhe teria sido negado o direito à compensação pretendida sob o frágil argumento da não entrega de documentação para o fisco no prazo estipulado em intimação. Insiste que o alegado direito de crédito decorre da comprovação de fato relacionado à utilização de insumos e demais bens no processo produtivo de papel sujeito à alíquota zero, e, assim, para decidir sobre a eventual existência desse direito, seria obrigatório o fisco entrar em contato direto com o fato a ser provado. Suscita a realização de perícia, alegando que a mesma seria imprescindível para comprovar seu direito de crédito de PIS e Cofins, decorrente de aquisições de insumos e demais bens utilizados na fabricação de papel sujeito à alíquota zero; indicando, para tanto, perito e formulando diversos quesitos. Por fim, pede que seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade e requer a juntada de CDRom que diz conter toda a documentação solicitada pelo fisco. Quando da análise do processo por esta 3ª Turma/DRJ/Curitiba, tendo em vista a juntada de mídia na manifestação de inconformidade, que, segundo alega, conteria as informações necessárias à comprovação de seu direito creditório, devolveuse o processo à unidade de origem para que se verificasse ser a documentação assim apresentada suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, ciência à interessada dos trabalhos realizados, reabertura de prazo para apresentação de eventuais contrarrazões e, posteriormente, reenvio para este órgão julgador. Por sua vez, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa (Safis/DRF/PTG) expediu intimação n.º 19/2010 e n.º 24/2010 para que a interessada apresentasse a documentação necessária para a adequada averiguação do alegado direito creditório, com solicitação pela contribuinte e autorização de prazo adicional para o cumprimento da exigência; novo pedido de dilação de prazo, devido a dificuldades na obtenção das informações solicitadas; após, reintimação fiscal, de n.º 227/2010, volta a interpelar a interessada para, no prazo de cinco dias úteis, cumprir as precitadas intimações, de nºs 19 e 24, com novo pedido de dilação de prazo por parte da contribuinte. Em resposta ao último pedido de dilação de prazo, foi emitido o Comunicado nº 03/2010, indeferindo a solicitação e comunicando o encaminhamento dos autos à DRJ em Curitiba para julgamento. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Juntamente, foi lavrada Informação Fiscal pela Safis/DRF/PTG, noticiando brevemente os fatos havidos no processo, enfatizando as várias oportunidades dadas à contribuinte para a adequada instrução do processo e, ao final, concluindo pela impossibilidade de se verificar a consistência do crédito pleiteado. A manifestação de inconformidade foi então analisada por esta 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que, por meio do Acórdão n.º 27.572, de 28 de julho de 2010, decidiu por rejeitar as preliminares arguidas, indeferir o pedido de perícia e manter o não reconhecimento do pedido de ressarcimento, bem como a não homologação da declaração de compensação. Inconformada, a interessada interpôs o recurso voluntário, no qual requereu: (a) a declaração da nulidade do acórdão da DRJ/CTA, por afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa na diligência fiscal; (b) o reconhecimento do direito de crédito de Cofins pretendido e a homologação das compensações a ele vinculadas; (c) seja reconsiderado o indeferimento do pedido de perícia, para a interessada poder demonstrar a efetividade de seus créditos. O recurso interposto foi apreciado pela Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujos membros, por meio do Acórdão n.º 310201.063, em sessão havida em 02/06/2011, por unanimidade de votos, acataram o argumento da interessada de que a decisão de primeira instância “é lastreada em documentos juntados aos autos pela DRF/PTG após o protocolo da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e sem a sua devida cientificação” e acordaram em “acolher a preliminar de nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, determinando o retorno dos autos a DRF para proferir a intimação da recorrente da informação fiscal de fls. 145/147.” Comunicada a interessada, em 15/10/2012, desse julgado, bem como da Informação Fiscal da DRF/PTG/Safis, foi ressalvado o seu direito à manifestação de inconformidade a ser apresentada à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, na parte que lhe for desfavorável. Em 25/10/2012, apresentou contestação, argüindo que a diligência não foi cumprida na forma determinada pela DRJ, o que teria prejudicado seu direito ao crédito, com manifesto cerceamento ao direito de defesa; fala que como o trabalho fiscal não teria cumprido o papel de informar a autoridade julgadora sobre o crédito a que diz ter direito, a mencionada diligência deveria ser declarada nula, com a consequente determinação de uma efetiva apuração do direito creditório. No item “2. Diligência efetuada não responde ao que foi solicitado pela DRJ/Curitiba”, diz que, em razão de diligência solicitada pela DRJ/CTA, a DRF/PTG intimoua a apresentar uma série de documentos fiscais e contábeis, mas que, devido ao grande volume dos documentos então solicitados, teve dificuldades em atender à totalidade da intimação, trazendo aos autos, no entanto, em meio magnético (CD) os seguintes elementos: 1. lançamentos contábeis, 2. saldos mensais, 3. plano de contas e 4. centro de custos. Acrescenta que, na sequência, o órgão fiscal efetuou nova intimação requerendo os arquivos em formato digital validado por leiaute estabelecido pela RFB, para o que requereu novo prazo; no entanto, para sua surpresa, no Fl. 454DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16403.000074/200728 Acórdão n.º 3201002.045 S3C2T1 Fl. 450 5 curso dessa verificação, fala que ‘sem qualquer aceno sobre o direito creditório’ a diligência foi encerrada, com o retorno do processo à DRJ/Curitiba. Prossegue, dizendo que ao final dos trabalhos de diligência, agora franqueada para contestação, o auditor fiscal emitiu a seguinte conclusão: “Tendo em vista as considerações supra, ha que se considerar a impossibilidade de verificar o quantum do crédito pleiteado pelo contribuinte, tendo em vista as inconsistências na documentação apresentada até o momento e a falta da documentação restante. Destarte, proponho o encaminhamento para a DRJ Curitiba para prosseguimento.”, a qual considera equivocada, fora do escopo determinado pela DRJ/CTA, uma vez que não foi realizada a análise solicitada, isso porque: “a missão de verificar os documentos apresentados não foi realizada, pois o que deveria ser o resultado da análise da diligência com a elaboração dos demonstrativos do crédito resumese a noticia dos documentos apresentados.”, o que demonstraria que não houve qualquer trabalho sobre os documentos que apresentou, não acreditando que de seus lançamentos contábeis ‘não seja possível identificar nenhum valor que componha o crédito postulado’, revelando que a diligência teria se acomodado com a falta de alguns documentos para negar todo o direito creditório. Agrega que a precitada diligência tinha como pressuposto verificar todo e qualquer elemento que pudesse sustentar o direito creditório, tanto é assim que o pedido de perícia só teria sido indeferido sob o argumento de que tal diligência supriria a necessidade de averiguação por profissional habilitado. Conclui esse tópico dizendo: “Desta forma, concluíse imprestável o trabalho realizado que macula a decisão ora combatido por estar baseado em conclusão equivocada.”. Sob o título “3. Do direito ao crédito da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS”, argumenta que se o fisco tivesse examinado os documentos que embasam seu direito creditório, constataria que o crédito de PIS requerido é legítimo, posto que teria origem na aquisição de insumos e bens aplicados em seu processo de fabricação de papel, conforme previsão do art. 3º, II da Lei nº 10.833, de 2003, e que estaria demonstrado em planilhas anexas; diz que o acumulo dos créditos ora debatidos decorreria de seu vínculo às operações que realiza, cujas receitas para fins de apuração do PIS e da Cofins, possuem imunidade assegurada pelo art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal de 1988, e confirmada no art. 6º, I, da Lei nº 10.833, de 2003; assim, diz que tais créditos não seriam consumidos na sistemática da não cumulatividade do PIS, pela inexistência de débitos a lhes serem contrapostos. Menciona julgado do então Segundo Conselho de Contribuintes que admitiria, como insumo gerador de crédito do PIS e da Cofins, todo e qualquer custo, gasto ou despesa vinculados ao produto ou serviço vendido, pedindo que tal tratamento seja dados aos créditos que apropriou e informou em DACON, sendo que relativamente ao 3º trimestre de 2004, apresenta o seguinte demonstrativo: Fl. 455DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Tabela à fl. 318. Reafirma que mesmo não tendo tido tempo hábil para fornecer as informações na forma requerida (arquivos magnéticos), as mesmas sempre estiveram disponíveis, por outros meios, tais como os livros de entrada, que a RFB poderia acessar para análise; acrescenta, em face dos documentos então apresentados, ser impossível não haver condições de identificar algum crédito do PIS, dentre os que pleiteou, o que demonstraria a ação extremada da nãohomologação da integralidade dos créditos objeto do presente processo. No título “4. Da comprovação do direito ao crédito de PIS em sede de recurso – laudo que atesta o crédito”, reitera que não se negou a atender a intimação fiscal, tendo pedido apenas um tempo maior para cumprila, ressalvando que seus livros de entrada, obrigatórios para apuração dos créditos, sempre estiveram à disposição do fisco, e, assim, em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, requer que o seu direito creditório possa ser analisado, insistindo em afirmar que o seu direito ao crédito reside na utilização efetiva de insumos e demais bens no processo produtivo de papel, o que ocasionou o acúmulo do crédito de Cofins objeto dos pedidos de ressarcimento e de compensações realizadas posteriormente." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECISÃO ANULADA PELO CARF. Cabe proferir novo acórdão atinente a processo cuja decisão de primeira instância foi anulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o conhecimento dos atos processuais pela contribuinte e o seu direito de resposta se encontrou plenamente assegurado, não se configura o cerceamento do direito de defesa. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito de pedido de ressarcimento, é ônus da interessada a comprovação minuciosa da existência do direito creditório; não havendo atendido de forma satisfatória intimação para apresentação de provas quanto ao direito alegado, cabível ao fisco o indeferimento de seu pleito. PEDIDO DE PERÍCIA. É prescindível o pedido de perícia que vise a comprovação de créditos da pessoa jurídica, quando se tratar de matéria que não exige conhecimento técnico específico diferente da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito, ainda mais quando envolver a falta de apresentação de provas e informações quanto aos valores dos créditos pleiteados. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16403.000074/200728 Acórdão n.º 3201002.045 S3C2T1 Fl. 451 7 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário onde repisa as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, alegando preliminarmente, a nulidade da decisão, visto que a diligência determinada pela Delegacia de Julgamento deveria verificar a documentação anexada ao processos, sendo assim, seria obrigatório a autoridade responsável pela diligência, elaborar demonstrativos sobre o direito creditório e apontar quais débitos poderiam ser homologados. Entretanto a autoridade fiscal intimou a Recorrente a apresentar uma série de documentos fiscais e contábeis, que em face do seu grande volume, não foi possível de ser entregue, o que determinou o encerramento da diligência, concluindo pela impossibilidade de verificar o direito creditório em razão das inconsistência na documentação apresentada e a falta do restante dos documentos. Alega a Recorrente que a diligência determinada pela DRJ não foi insatisfatória, pois não realizou a análise que lhe foi imposta, que resumese na notícia dos documentos apresentados e não a exigência de novos documentos. A diligência fiscal não realizou nenhum trabalho sobre os documentos apresentados, não sendo crível que a partir dos lançamentos contábeis não seja possível identificar nenhum valor que componha o crédito pleiteado. Nos termos informados pela Fiscalização, inconsistência tem significado totalmente distinto de imprestável, ou seja, pequenas inconsistência na documentação, não poderiam culminar com o indeferimento total dos créditos pleiteados. Prossegue a Recorrente afirmando que sempre deixou à disposição da fiscalização os documentos fiscais e contábeis que deram origem aos créditos pleiteados, além de ter solicitado a realização de perícia para que fosse comprovada a existência do direito ao crédito. Assim, para reforçar seu argumento e a recorrente anexou ao processo o levantamento realizado por empresa independente, que demonstra a existência do saldo credor com base na compensação, juntando ainda, em conjunto com o relatório, planilhas em Excel com o resultado dessa análise, assim como os elementos utilizados para o cálculo. No que tange ao pedido de perícia, a autoridade julgadora de forma arbitrária, decidiu por indeferir o pedido sob a alegação que somente poderia ser admitido, se restasse provado ser desnecessária à apuração dos fatos, o que não é o caso, eis que a perícia se mostra necessária para a comprovação do direito creditório da Recorrente. Quanto ao mérito do direito creditório, alega o recurso que caso o trabalho fiscal de diligência tivesse seguido o determinado pela Delegacia de Julgamento e examinado os documentos que embasam o direito creditório e que estavam a disposição da Fiscalização, seria constatado que o crédito de COFINS requerido é legítimo, pois cabe a autoridade fiscal o poderdever de averiguar se houve o cumprimento das regras contidas nas normas jurídico tributárias e levantar todos os elementos fáticos existentes para formação de sua convicção. Por fim, alega a Recorrente que a alteração nos valores tidos como devidos, previamente informados em DCTF, DACON e DIPJ, somente poderia ocorrer com a edição de ato administrativo de ofício, ou seja fazse necessário o lançamento fiscal e não poderia ser realizado no presente processo que trata de pedido de compensação. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Quando do julgamento do recurso voluntário, foi trazido aos autos pela Recorrente, a comprovação da entrega de manifestação sobre o resultado da diligência fiscal determinado pela Delegacia de Julgamento (fls. 401 a 447), que não foi apreciado por aquela autoridade julgadora, o que ensejaria o cerceamento do direito de defesa. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merece análise a alegação que a manifestação apresentada pela Recorrente, em face das conclusões da diligência fiscal não foram analisadas pela decisão de piso. A decisão de piso, não se pronunciou sobre as contrarrazões apresentadas em relação ao resultado da diligência, os documentos trazidos aos autos pela Recorrente (fls. 402 a 421) comprovam que existiu manifestação sobre o resultado da diligência fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância, determinando a realização de um novo julgamento apreciando as contrarrazões apresentadas sobre o resultado da diligência fiscal. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 458DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003875/2009-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/04/2009
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis.
Numero da decisão: 9202-003.802
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 38 75 /2 00 9- 93 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Os presentes Recursos Especiais referemse a pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional e pela Interessada, face ao Acórdão 2403 001.826 (fls. 103/117), proferido pela 3ª Turma Ordinária /4ª Câmara/2ª Seção de Julgamento/CARF. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido, conforme trechos a seguir: “Tratase de auto de infração, fls. 1/18 da numeração em papel, lavrado para constituir crédito tributário de contribuições devidas à Seguridade Social, atinentes à quota da empresa incidentes sobre a remuneração dos agentes políticos e servidores públicos ocupantes de cargo em comissão. Estas, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT/GILRAT, no montante de R$ 2.922.615,32, já incluídos os acréscimos legais. Tal cálculo encontrase explicitado em planilha demonstrativa, no Anexo I do Relato Fiscal (fl. 25 da numeração em papel). O contribuinte é órgão público do poder executivo municipal, que se declarou no período do débito com atividade vinculada ao CNAE Fiscal 84116/00 – Administração pública em geral, sem observar a alíquota RAT correspondente a essa classificação de 2%. Consta, ainda, que o Município efetuou o recolhimento na alíquota de 1% para o período de 06 a 11/2007 e 12/2008, e informou alíquota de 0% para o período de 12/2007 a 11/2008, 13/2008 e 01 a 04/2009. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls.33/40 em papel) por meio da qual defendeu que a atividade preponderante exercida por ele se sujeita ao grau de risco mínimo cuja alíquota de contribuição é de 1%. Afirmou que o Município emprega 947 dos seus 2207 funcionários em atividades vinculadas à educação, o que corresponderia a 43% da mãode obra, reconhecida como sendo de risco leve e alíquota de contribuição de 1%. Outrossim, impugnou os cálculos apresentados pela fiscalização, entendendo os como majorado, ainda que se considere a diferença entre a contribuição cobrada e a efetivamente recolhida, e apresentou uma planilha elaborada pelo departamento de gestão de pessoas, onde se demonstra que o valor eventualmente recolhido a menor seria de R$ 941.726,74 e não de R$ 1.531.661,14 como lhe foi imputado. A DRJ, analisando o caso (fls. 58/61 em papel), resolveu baixar o processo em diligência para que a delegacia de origem esclarecesse quanto ao enquadramento do contribuinte na situação prevista no §9º do art. 86 da IN MPS/SRP 03/2005, e quanto à planilha trazida pelo mesmo por ocasião do contraditório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.003875/200993 Acórdão n.º 9202003.802 CSRFT2 Fl. 11 3 Em resposta, a DRF em Limeira apresentou em fls. 64/66 informação fiscal, na qual consta que, com relação ao enquadramento, embora a fiscalização entenda que ele seja feito por remissão específica ao Anexo V do RPS no CNAE 84116/00, em homenagem ao princípio do contraditório valeuse dos códigos da Classificação Brasileira de Ocupação (CBO) informados pelo contribuinte na GFIP de 04/2009, pelo qual apurou que, dos 2166 trabalhadores nela informado, 48% estariam ligados às atividades específicas de Administração Pública (advogados, tabeliães, contadores, fiscais de tributos, serventuários da justiça, agentes, escriturários, recepcionistas, telefonistas, guardas civis, porteiros, motoristas e outros), enquanto 27% estariam vinculados às atividades de Educação (professores, diretores, programadores e orientadores de ensino, inspetores de aluno), 16% na área da Saúde e 9% na Construção Civil. Em relação à planilha apresentada, esclareceu que a diferença se deve ao equívoco do contribuinte ter considerado que se cobraria apenas 1% quando, na realidade, nos meses de 12/2007 a 11/2008 e de 01 a 04/2009 (incluindo as competências 13 – décimo terceiro salário de 2007 e 2008) a diferença se situa em 2%, uma vez que o mesmo informou alíquota de 0% em suas guias declaratórias. Foi oportunizada a ampla defesa e o contraditório ao contribuinte, contudo, este permaneceu silente. A DRJ/RPO, no acórdão n. 14.37.612, de fls. 77/85, manteve o crédito tributário em sua integralidade, por unanimidade de votos. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, em fls. 90/96 da numeração em papel, onde repisa os mesmos argumentos da impugnação. A respeito da diligência, afirma que o Município mantém seu entendimento de que a alíquota da contribuição seria de 1%. Informa, ainda, que criou o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT com a incumbência de desenvolver a caracterização de insalubridade e periculosidade de todos os servidores municipais, por intermédio do qual restará comprovada a massa preponderante de risco leve, dentro das especificidades das normas do Ministério do Trabalho e Emprego. Ao final, requereu o cancelamento do débito fiscal e acolhimento do recurso voluntário.” Em análise ao Recurso Voluntário, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nas fls. 103/117, pactuou com o entendimento apresentado pela DRJ/RPO, de que tais órgãos com CNPJ único, não necessariamente se enquadram no CNAE vinculado à Administração Pública em geral. Isto porque, pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91, os órgãos públicos são considerados empresas para os fins da Lei de Custeio da Previdência Social e, portanto, a alíquota da contribuição deverá observar a atividade preponderante, in casu, do Município. Desta feita, se o contribuinte não concorda com a imputação que lhe foi atribuída, qual seja, de que sua atividade preponderante é de Administração Pública em geral, cujo CNAE é o 84116/00, deveria ter feito prova em sentido contrário, o que não foi feito. No tocante à aplicação da multa, a Turma a quo julgou no sentido de determinar a aplicação da multa de ofício a partir da competência 12/2008 e determinar o recálculo da multa de mora até 11/2008, a primeira de acordo com o disposto no art. 35, caput, e a segunda conforme art. 32A, ambos da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 A Fazenda Nacional embargou de declaração, às fls. 119/121, arguindo omissão quanto à redação da ementa do acórdão embargado, e contradição conquanto por um lado, a decisão determinou o recálculo da multa de ofício, por outro, a aplicação da multa de ofício. Observou que, se decidir aplicar a multa de ofício, consequentemente tratase de aplicação do art. 35A da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/2009, e não do art. 35 caput do mesmo dispositivo legal. A Turma Ordinária, por sua vez, às fls. 124/125, negou provimento aos embargos sob o fundamento de que, segundo art. 65 do RICARF, a omissão se dá entre a decisão e seus fundamentos e não pelo fato de a ementa do julgamento não ter abordado todos os tópicos constantes no voto. E quanto à contradição alegada, não procede, uma vez que no caso dos autos há tanto a aplicação da multa do art. 35, quanto do art. 32 da Lei 8.212/91, não havendo o que ser esclarecido. Irresignada, às fls. 127/137, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial. Em oposição ao acórdão recorrido, aponta que o acórdão paradigma considera que o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Argumenta que se deve privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91. Em síntese, entende que a autoridade fiscal deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei 8.212/91, introduzido pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Pública foi admitido às fls. 140/143, julgando presente a divergência jurisprudencial entre os acórdãos confrontados, vindo os autos conclusos para julgamento. Às fls. 149/155, a Contribuinte igualmente interpôs Recurso Especial, reiterando os argumentos anteriormente, sem, entretanto, apresentar divergência jurisprudencial entre o aresto atacado e outras decisões prolatadas no âmbito do CARF. Intimado da interposição do Recurso Especial pela União, a Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 158/162, manifestandose sobre matéria estranha às alegações da Fazenda – tratou apenas do enquadramento da alíquota GILRAT. O Recurso Especial da Interessada restou inadmitido à fl. 168, ratificado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (fl. 169), posto que inexistentes os pressupostos de admissibilidade, como indicação de acórdãos paradigmas, com a respectiva cópia dos julgados, para demonstração da divergência jurisprudencial. É o relatório. Voto Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.003875/200993 Acórdão n.º 9202003.802 CSRFT2 Fl. 12 5 Conselheira Ana Paula Fernandes O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De outro modo, o Recurso Especial interposto pela Interessada deve ser inadmitido por não se verificar a divergência jurisprudencial a que se propõe o referido recurso. Tratase de auto de infração, fls. 1/18 da numeração em papel, lavrado para constituir crédito tributário de contribuições devidas à Seguridade Social, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT/GILRAT. O acórdão recorrido pactuou com o entendimento apresentado pela DRJ/RPO, de que tais órgãos públicos com CNPJ único, não necessariamente se enquadram no CNAE vinculado à Administração Pública em geral. Isto porque, pelo art. 15 da Lei 8.212/91, os órgãos públicos são considerados empresas para os fins da Lei de Custeio da Previdência Social e, portanto, a alíquota da contribuição deverá observar a atividade preponderante, in casu, do Município. No tocante à aplicação da multa, a Turma a quo julgou no sentido de determinar a aplicação da multa de ofício a partir da competência 12/2008 e determinar o recálculo da multa de mora até 11/2008, a primeira de acordo com o disposto no art. 35, caput, e a segunda conforme art. 32A, ambos da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. O Recurso Especial da Fazenda Nacional insurgiuse tão somente quanto à aplicação da retroatividade benigna da multa, determinada pelo art. 106, II, “c” do CNT, conforme relatório. O caso em tela trata da aplicação da multa no Direito Tributário no transcurso do tempo, pugnando assim pela análise dos artigos que se aplicam ao tema em todas as suas redações legais. Para isso, segue abaixo o quadro sinótico, que demonstra um panorama da evolução legislativa que se aplica ao tema: MULTA PELO NÃO PAGAMENTO LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação Lei 9876/99 redação original – recolhimento em atraso lançamento de ofício alterada MP 449/2008 convertida Lei 11.941/2009 Art. 35 Multa 60% (máximo) Art. 35 Multa 50% Art. 35 Manda aplicar o art. 61 (débitos lançados mas recolhimento em atraso) Insere Art. 35A Manda aplicar art. 44 (lançamento de ofício) Art. 61 Lei 9430/96 Multa 20% a 75% Art. 44 Lei 9430/96 Multa 75% MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação original redação Lei 9528/97 alterada MP 449/2008 Art. 32 sem Multa Art. 32, §5º Multa 100% Insere Art. 32A Multa 20% (limitada a) Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Deixo de transcrever aqui a redação original (1991) dos artigos legais utilizados no acórdão recorrido, uma vez que esta redação não estava vigente na época da constituição do crédito tributário. Ela consta no quadro sinótico apenas para contextualização dos percentuais de multa instituídos pelo legislador no transcurso do tempo. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, correspondem ao período em discussão nestes autos, vejamos seu texto: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) _______________________________________________________________________ Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Em casos como este a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem firmando posicionamento de que ambos os artigos 32 e 35, Lei 8212/91 tem conteúdo material análogo, e que, portanto a aplicação de ambos, embora possível na interpretação literal, seria vedada na interpretação sistemática da doutrina do Direito Tributário. Isso por que se ambos os artigos prevêem penalidade para conduta materialmente análoga estaria configurado “ bis in idem”. Nesse sentido, excerto do voto da relatora Maria Helena Cotta: Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.003875/200993 Acórdão n.º 9202003.802 CSRFT2 Fl. 13 7 por meio de Auto de Infração e de NFLD, não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. A norma transcrita anteriormente se encontra em sua redação vigente na data da constituição do crédito e de seu auto de infração, caso seguíssemos somente o princípio “tempus regit actum” esta seria a melhor aplicação da lei ao caso concreto (subsunção do fato a norma), contudo, o direito tributário abarca o instituto da Retroatividade Benigna, previsto no art. 106, CTN que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, respeitando o instituto da retroatividade benigna temos que observar se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, Em 2008 foi aprovada a Medida Provisória n. 449/2008, que insere o artigo 35 – A e 32 A ao texto legal, cuja redação no tocante aos artigos aqui discutidos permaneceu inalterada quando da sua conversão na Lei nº 11.941, de 2009. Assim os artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, uniformizaram os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, nos seguintes termos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) ________________________________________________________________________ Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desse modo, é possível afirmar que o artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 acima citada determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da já citada Lei 9430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Assim cito novamente decisão esclarecedora desta Câmara, no processo Nº 10935.006908/200714, que explicita a forma de interpretação e aplicação destes comandos legais ao longo do tempo: “ Resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.” Observese que, quando o artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 dispõe expressamente “nos casos do lançamento de ofício” e inciso I utiliza a expressão “nos casos de Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10865.003875/200993 Acórdão n.º 9202003.802 CSRFT2 Fl. 14 9 falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” percebese, claramente, que está embutido no mesmo artigo o lançamento de ofício e a falta de declaração. Diante do exposto, é necessária a reforma do acórdão recorrido, pois embora este tenha decidido no sentido de aplicar ao contribuinte a norma mais benéfica, esta não pode ser escolhida aleatoriamente, ela precisa ser aplicada dentro uma interpretação coerente do ordenamento jurídico no qual esta inserida. O que se consegue através da aplicação do artigo 44, inciso I da Lei 9.430/1996. Desse modo dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte, e para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: SE CASO DE DESCUMPRIMENTO DE: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA: · Redação anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Redação atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: · Redação anterior, se a multa aplicada, na redação do art. 35, II, da Lei n° 8.212, de 1991, · Redação atual, multa do art. 35A, incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, sendo que a soma das multas por descumprimento de obrigações principal e acessória deve ser limitada a 75%. É o voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 179DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18470.732220/2012-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. RESTABELECIMENTO.
Comprovado nos autos que o imposto de renda foi retido na fonte, além da responsabilidade da fonte pagadora pelo seu pagamento, conforme determinação judicial, deve ser restabelecida a glosa do IRRF.
Numero da decisão: 2201-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.732220/201277 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.202 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2016 Matéria IRPF Recorrente VITOR DOMINGOS CARDOSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 Ementa: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. RESTABELECIMENTO. Comprovado nos autos que o imposto de renda foi retido na fonte, além da responsabilidade da fonte pagadora pelo seu pagamento, conforme determinação judicial, deve ser restabelecida a glosa do IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 22 20 /2 01 2- 77 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2010, consubstanciado na Notificação de Lançamento, que glosou o imposto retido na fonte no valor de R$ 10.698,25, da Transporte e Viação Andorinha Ltda., resultando em imposto suplementar de R$ 5.514,93. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Argumenta, em síntese, que se trata de imposto retido na fonte em ação judicial trabalhista, e que a responsabilidade do seu recolhimento seria da fonte pagadora, tendo sido demonstrado nos autos a existência de recursos destinados a esta finalidade. Tratase ainda de diferenças que incluem verbas isentas e que, se tributadas nos épocas devidas, estariam isentas do imposto. Seria incabível tributálas agregadamente, conforme jurisprudência. Apresenta cópia de sentença e extrato da ação judicial. (...) O impugnante contesta esta decisão argumentando, em síntese, que a prova da retenção do imposto seria o acordo celebrado pelas partes e homologado judicialmente (cuja cópia agora apresenta, fls. 58/59), segundo a qual o reclamante receberia o valor líquido de R$ 38.000,00 e a reclamada assumiria a obrigação de recolher o imposto devido. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: IMPOSTO NA FONTE. ACORDO. RECOLHIMENTO NÃO EFETUADO. O acordo particular não tem o condão de transferir a responsabilidade tributária nem de criar o fato jurídico da retenção do imposto na fonte, quando não comprovado o seu efetivo recolhimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 11/03/2015 (fl. 87/88) e, em 17/03/2015, fl. 89, interpôs o recurso de fls. 82/86, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18470.732220/201277 Acórdão n.º 2201003.202 S2C2T1 Fl. 3 3 O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia à glosa do imposto retido na fonte de R$ 10.698,25, da Transporte e Viação Andorinha Ltda. De acordo com a autoridade fiscal, fls. 23, o contribuinte foi regularmente intimado “a comprovar os valores compensados a título de imposto de renda retido na fonte...”, entretanto não atendeu a intimação. De início, verificase que o cálculo do imposto de renda sobre as verbas trabalhistas do processo 014.71.2003.067.01009, da 67ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro consta da fl. 70. Verificase também que a decisão homologatória assinada pela Juíza do Trabalho, Dra. Gabriela Canellas Cavalcanti, fl. 71, e a Certidão de Publicação, fl. 72, determinou que o valor fosse pago pela reclamada, Transporte e Viação Andorinha Ltda. Por sua vez, consta à fl. 73 ofício assinado pela Dra. Gabriela Canellas Cavalcanti, informando que o valor relativo ao IRRF não foi recolhido pela devedora. Ora, está absolutamente claro nos autos qual o valor do imposto de renda retido na fonte, bem como de quem é a responsabilidade pelo pagamento. Portanto, como o objeto da glosa foi a falta de comprovação dos valores compensados a título de imposto de renda, penso que a controvérsia foi solucionada, portanto, devese dar provimento ao recurso. Ressaltese que a alegação da DRJ de que foi convencionado um acordo entre as partes, exclusivamente na esfera particular, não tem qualquer fundamento, já que em consulta ao site da Justiça do trabalho do Rio de Janeiro no endereço: http://consulta.trtrio.gov.br/portal/processoListar.do, verificase que o processo nº 014.71.2003.067.01009 foi distribuído em 09/10/2003. Ademais, compulsandose o processo judicial no site supra, constatase que o Despacho da Juíza da 67ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, datado de 27/04/2009, convoca os litigantes à apreciação do acordo judicial. Vejase: Tomar ciência do despacho de fls. 599, devendo as partes comparecerem em dia e hora de audiência para apreciação e se for o caso homologação do acordo noticiado. Deverão, ainda, as partes solicitar as informações necessárias para tal junto à Secretaria da Vara. Prazo de 30 dias, sob pena de prosseguimento da execução, inclusive com penhora on line. Portanto, completamente estéril o fundamento utilizado pela autoridade julgadora a quo para negar o pedido do recorrente. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16561.720066/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2007
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
Constatado que o processo administrativo guarda relação de identidade com o processo judicial - partes, causa de pedir e pedido - caracterizada a concomitância, com a consequente prevalência do processo judicial em relação ao administrativo. Aplicação da Súmula CARF n. 1.
DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
Não incide juros de mora na hipótese de existência do depósito judicial do montante integral do crédito tributário em discussão. Aplicação da Súmula CARF n. 5.
Numero da decisão: 3201-002.100
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
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Aplicação da Súmula CARF n. 1. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Não incide juros de mora na hipótese de existência do depósito judicial do montante integral do crédito tributário em discussão. Aplicação da Súmula CARF n. 5. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 66 /2 01 1- 65 Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo administrativo de auto de infração para a cobrança de CIDE. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Cuida o presente processo da lavratura – contra o sujeito passivo discriminado em epígrafe – do Auto de Infração, que consta às fls. 1.272 e 1.276, cuja ciência ocorreu em 23/12/2011 (fl. 1.272), por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor total de R$3.015.731,38, que inclui, tão somente, contribuição e juros de mora (calculados até 12/2011), quanto à contribuição de intervenção no domínio econômico – remessas ao exterior (CIDE), cujos fatos geradores se referem a 23/01, 14/02, 23/3, 24/4, 17/5, 21/6, 20/7, 24/8, 24/9, 24/10, 22/11/2007, com descrição dos fatos, enquadramento legal e demonstrativos de apuração às fls. 1.273 a 1.275. 2. Consta, às fls. 1.277 a 1.285, o Termo de Verificação Fiscal, que é peça anexa ao Auto de Infração, por meio do qual a Autoridade Fiscal demonstra seu entendimento acerca do resultado da ação fiscal. Eis, abaixo, fragmentos do referido termo: [...] 2. No decorrer do procedimento fiscal em questão – MPF 0818500.2010.0002757, verificamos que parte do crédito tributário apurado foi depositado integralmente pela fiscalizada, suspendendo a exigibilidade do respectivo crédito tributário, conforme art. 151 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966): [...] 3. Por essa razão, separamos o crédito tributário apurado em dois Termos de Verificação Fiscal (N° 01 e 02) e dois Processos Administrativos Fiscais distintos, sendo um com exigibilidade suspensa (PAF n°16561.720066/201165) e o outro sem exigibilidade suspensa (PAF n° 16561.720096/201171). 4. O presente Termo trata do crédito tributário COM depósito integral, portanto, com exigibilidade suspensa. Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201002.100 S3C2T1 Fl. 94 3 [...] 6. O contribuinte está amparado em CIDERE e IRRF, para efetuar o depósito judicial: a. 2010.61.00.0075961; e, b. 2009.61.00.0232110 7. Na certidão de objeto e pé do processo 2010.00.0075961 consta a seguinte informação: Certifica constar às fls. 471/475 decisão deferindo a liminar requerida para as segurar à impetrante o direito de recolher o IRRF incidente sobre as remessas ao exterior à alíquota de 15%,, enquanto estiver efetuando nos autos do MS n° 2009.61.00.023211.0 o depósito judicial da CIDE, à alíquota de 10% sobre os valores dos contratos, bem como para lhe assegurar, após o trânsito em julgado daquele mandado de segurança, a regularização de seus recolhimentos à título de CIDE e IRF, mediante o procedimento de emissão de "redarf", de conformidade com o que restar decidido. Certifica constar às fls. 534/540 sentença julgando procedente o pedido, extinguindo o processo com resolução do mérito nos termos do art. 269, inciso I do CPC, confirmando a liminar anteriormente concedida, para o fim de assegurar à impetrante o direito de recolher o IRF incidente sobre as remessas ao exterior à alíquota de 15%, enquanto estiver efetuando nos autos do MS n° 2009.61.00.023211.0 o depósito judicial da CIDE, à alíquota de 10% sobre os valores dos contratos, bem como para lhe assegurar, após o trânsito em julgado daquele mandado de segurança, a regularização de seus recolhimentos à título de CIDE e IRF, mediante o procedimento de emissão de "redarf", de conformidade com o que restar decidido, ou seja: caso não tenha que recolher a CIDE, estará sujeita ao IRF de 25%, previsto no art. 685, inciso II, "a" do RIR (Dec. 3000/99) e, caso tenha que recolher a CIDE de 10%, estará, então, sujeita ao IRF de 15%, em razão da redução prevista no art. 2°A da Lei 10.168/2000 (artigo incluído pela Lei 10332/2001)... 8. No processo 2009.61.00.0232110 consta o deferimento em parte a liminar postulada, para autorizar a impetrante a depositar em juízo a CIDE incidente sobre as remessas efetuada pela impetrante às subsidiárias do grupo SAP como contraprestação pelos serviços objeto dos contratos anexados aos autos, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, com fundamento no artigo 151, II, CTN, desde que o limite do depósito levado a efeito nos autos seja no montante integral do crédito tributário exigido... 9. Adiante, é julgado improcedente o pedido e em conseqüência é denegada a segurança. Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 10. Portanto, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário está fundamentado no artigo 151, II, CTN (parágrafo 2). Sendo que os depósitos judiciais foram comprovados e instruídos no presente processo. [...] 11. A fiscalização teve início com a ciência do contribuinte no Aviso de Recebimento, do Termo de Início de Ação Fiscal, no dia 24 de janeiro de 2011. [...] 15. A contribuição incide sobre os serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes. [...] [...] 16. Como podemos notar da leitura acima [é dizer, da cláusula 3 do contrato de prestação de serviços], os serviços administrativos contratados entre as partes (SAP Brasil e outras filiais da SAP no exterior) são bastante especializados, auditoria, marketing, administração de recursos humanos entre outros. Estes serviços listados são considerados como assistência administrativa, e sofrem a incidência do CIDERE. [...] 19. [...] a partir de 1º de janeiro de 2002, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a beneficiário residente ou domiciliado no exterior a título de royalties ou pela remuneração de contratos que tenham por objeto: fornecimento de tecnologia; prestação de assistência técnica (serviços de assistência técnica e serviços técnicos especializados), serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; cessão e licença de uso de marcas; e cessão e licença de exploração de patentes, ficaram sujeitos ao pagamento da referida contribuição, calculada à alíquota de 10% (dez por cento), ainda que tais contratos não tenham sido averbados no Inpi e registrados no Bacen. 20. Assim, independe de haver ou não averbação no INPI e do registro no BACEN para que o valor pago, creditado, entregues, empregados ou remetidos ao beneficiário pelos serviços técnicos e assistência administrativa prestada esteja dentro da incidência da CIDE RE. 21. Considerando que foram apresentados contratos de prestação de serviço para comprovar a origem dos pagamentos para a SAP. 22. Considerando que os serviços listados no contrato de prestação de serviços são considerados de assistência administrativa. 23. É de se concluir que os pagamentos efetuados para a SAP AG na Alemanha estão sujeitas ao recolhimento do CIDERE. [...] Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201002.100 S3C2T1 Fl. 95 5 2.1. Consta às fls. 1.282 e 1.283 o resumo do cálculo da CIDE devida. 3. Irresignada com os lançamentos, em 24/01/2012 (fl. 1.287), apresentou a Contribuinte Impugnação às fls. 1.287 a 1.321 e juntou documentos aos autos. Eis, abaixo fragmentos de sua Impugnação, em que consta que se vale de doutrina, jurisprudência e parecer jurídico: [...] 3. A Requerente [...] tem por objeto social a prestação de serviços na área de informática, especialmente a distribuição e sublicenciamento de programas de computador [...]. 4. O software licenciado à Requerente é desenvolvido pela sociedade alemã SAP Akitiengesellsschaft System, Aplications and Products in Data Processing ("SAP AG"), única empresa que detém a tecnologia necessária para o desenvolvimento de tal programa. 5. A aplicação do software e seu correto funcionamento dependem do acompanhamento da instalação e execução do programa e tais serviços são prestados à Requerente e aos usuários finais, para que possam aprender a operar o programa de computador. No entanto, [...] a tecnologia do programa é detida exclusivamente pela SAP AG e não é transferida de modo algum ao Brasil, ou a qualquer ente licenciado. 6. [...] a Requerente celebrou contratos de prestação de serviços com a sociedade alemã SAP AG (doc nº 4). O objeto dos contratos é a prestação de determinados serviços aos usuários finais do software e também aos próprios funcionários da Requerente, tais como os serviços de consultoria, suporte e outros. 7. [...] [a Contribuinte] foi surpreendida com a lavratura [...] do presente Auto de Infração, por meio do qual [...] [são] exigidos CIDE, acrescido de juros de mora calculados com base na taxa [...] SELIC, supostamente devidos em função dos pagamentos realizados pela Requerente ao exterior em contrapartida pela prestação de serviços mencionados no item 6 acima [...]. [...] 8. [...] cumpre esclarecer que os [...] créditos tributários encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional ("CTN"), em razão da discussão travada nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0208390 (doc. n° 5) e da existência de depósitos judiciais efetuados em tais autos (doc. n° 6). 9. [...] a Requerente impetrou referido Mandado de Segurança, por meio do qual pleiteia a não incidência da CIDE sob as remessas feitas a SAP AG a título de pagamento pela prestação Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 de serviços (sem transferência de tecnologia) ligados ao software. 10. Em que pese a D. Fiscalização ter citado equivocadamente no corpo do Auto de Infração o Mandado de Segurança n° 2010.61.00.0075961 como o ensejador da suspensão da exigibilidade da CIDE demandada, a exigibilidade do aludido crédito tributário permanece suspensa nos termos do artigo 151, inciso II do Código Tributário Nacional ("CTN"), em razão dos depósitos judiciais realizados nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0208390 que, atualmente, aguarda juízo de admissibilidade dos Recursos Especial e Extraordinário interpostos em 23.8.2010 contra acórdão da Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que manteve a sentença contrária à Requerente. 11. [...] em que pese a existência de depósitos judiciais que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, a D. Fiscalização lavrou indevidamente o presente Auto de Infração de forma a constituir o pretenso crédito tributário e prevenir a decadência do direito de fazêlo. 12. Não obstante, a Requerente não pode concordar com a exigência em questão [...]. 13. [...] o Termo de Verificação Fiscal que acompanha o Auto em questão [...] toma por base disposições contratuais que regulam relações mantidas entre a Requerente e diversas subsidiárias do grupo SAP, e não o contrato de prestação de serviços de software firmado entre a Requerente e a SAP AG (matriz do grupo SAP), que dá base aos pagamentos questionados pela Fiscalização. 14. [...] basta uma simples comparação entre o teor do contrato de prestação de serviços de software firmado entre a Requerente e a SAP AG (e ora juntado aos autos doc n° 4) e a cláusula transcrita no Termo de Verificação Fiscal para levar à conclusão de que a descrição dos fatos no presente Auto de Infração está equivocada e descasada da realidade. Há, portanto, claro vício material a ensejar a nulidade do Auto de Infração ora impugnado 15. A D. Fiscalização menciona equivocadamente no Termo de Verificação Fiscal a existência do Mandado de Segurança n° 2010.61.00.0208390 apesar dos depósitos judiciais relativos à situação objeto do Auto de Infração estarem sendo efetuados nos autos Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0208390, conforme explicitado no item 10 acima , e indica na apuração dos valores para a base de cálculo do Auto de Infração ora impugnado montantes correspondentes aos depósitos judiciais realizados nos referidos autos, como forma de suspender a exigibilidade da CIDE supostamente devida sobre remessas feitas pela Requerente à empresa alemã SAP AG, como pagamento pela prestação dos serviços previstos no contrato de prestação de serviços de software firmado entre referidas empresas e mencionado no item 6 acima. Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201002.100 S3C2T1 Fl. 96 7 16. O Termo de Verificação Fiscal não é suficientemente claro a indicar exatamente qual é a relação jurídica (contrato) sobre a qual está sendo exigida a CIDE, e força a Requerente a apresentar sua defesa sem mesmo ter a certeza de quais fatos estão sendo alegados em seu desfavor. [...] 17. Vale notar que a presunção da qual a Requerente teve que se valer para formular os argumentos de defesa ora expendidos teve por base única e exclusivamente a comparação entre os valores constantes do Auto de Infração ora combatido e aqueles constantes das DARF’s relativas aos depósitos judiciais da CIDE realizados nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0208390 no ano de 2007, em claro cerceamento do direito de defesa da Requerente [...]. 18. [...] a descrição insuficiente dos fatos objeto do Auto de Infração ora combatido deve ensejar a decretação de sua nulidade, o que desde já a Requerente requer. 19. Ao lavrar o presente Auto de Infração, a D. Fiscalização desrespeitou claramente o disposto no artigo 62 do Decreto n° 70.235/72 [...]: [...] 21. [...] face o teor do artigo 62 do Decreto n° 70.235/72, e uma vez que a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por força dos depósitos judiciais, a D. Fiscalização Federal não poderia ter lavrado o Auto de Infração em referência. Portanto, o Auto de Infração em questão é improcedente. [...] 23. Nesse sentido, reconhecendo a impossibilidade de lavratura de auto de infração durante a vigência de medida judicial aonde há suspensão da exigibilidade do crédito tributário [...]. 24. [...] tendo em vista a discrepância entre o procedimento adotado pela D. Fiscalização Federal e o disposto no artigo 62 do Decreto n° 70.235/72, o Auto de Infração em tela é manifestamente improcedente, na medida em que os depósitos judiciais suspendem a exigibilidade do crédito tributário (artigo 151, inciso II , do CTN), impedindo a lavratura de Auto de Infração. [...] 26. A D. Autoridade Administrativa apenas tem competência para lavrar o Auto de Infração quando verificar a infração. Assim, não pode, em hipótese alguma, alterar a natureza do Auto de Infração (penalizar), tão somente para prevenir a decadência. 27. No caso em tela, não há que se falar em infração pois, antes mesmo de qualquer ato procedimental do Fisco tendente à efetivação do lançamento, a Requerente antecipouse e obteve perante o Poder Judiciário medidas liminares, seguidas da Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 realização de depósitos judiciais no montante integral dos supostos créditos tributários que suspenderam sua exigibilidade, impedindo a lavratura de Auto de Infração. 28. Resta claro, portanto, que o Auto de Infração não merece prosperar, pois, como ato administrativo, deve ser utilizado conforme a estrita legalidade, tendo como condição de existência a infração e a penalidade, o que não ocorreu in casu. 29. Não bastassem esses argumentos, que por si só já são suficientes para que o Auto de Infração em questão seja considerado improcedente e a exigência cancelada, a Requerente passa a seguir a demonstrar, no tocante ao mérito da questão, a total improcedência da exigência fiscal. [...] 33. [...] por tratarse de instrumento da União na área de ciência e tecnologia, a CIDE não pode alcançar bens, pessoas ou relações que não digam respeito à ciência ou tecnologia. 34. [...] em razão da redação dos artigos 149 e 218 da CF/88, bem como do artigo 1° e do caput do artigo 2° da Lei n.° 10.168/2000, [...] o aspecto material (materialidade) da hipótese de incidência da CIDE é a transmissão de conhecimentos tecnológicos provenientes do exterior, o que não ocorre no presente caso: [...] 35. [...] os serviços objeto da presente Impugnação não se confundem com serviços técnicos e de assistência técnica, muito menos com serviços de assistência administrativa e semelhantes, e previstos no parágrafo 2o do artigo 2° da Lei n° 10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei n° 10.332/2001, [...] na medida em que tais serviços implicam, necessariamente, na transferência de tecnologia, aspecto material da hipótese de incidência da CIDE: [...] 38. [...] para fins de caracterização da materialidade da CIDE que não ocorre no presente caso, a prestação de serviços deve resultar, obrigatoriamente, na transferência de tecnologia, como ocorre com os serviços técnicos e de assistência técnica, bem como com os serviços de assistência administrativa e semelhantes, conforme determina o parágrafo 3º do artigo 355 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99") [...]. [...] 40. [...] os contratos objeto do presente processo tem por escopo a prestação de serviços relacionados à execução das atividades usuais de âmbito administrativo/gerencial da Requerente, que de forma alguma ensejam a transferência de tecnologia . Prova disso é a anexa certidão negativa de averbação (doc. n° 7), expedidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Intelectual ("INPI"), órgão competente que, nos termos do artigo 211 da Lei Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201002.100 S3C2T1 Fl. 97 9 n° 9.279/96, deverá registrar apenas os contratos que impliquem transferência de tecnologia. [...] 41. A exigência da CIDE sobre as remessas efetuadas pela Requerente a título de pagamentos pela prestação de serviços puros é manifestamente inaplicável, já que nesses contratos de prestação de serviços não há transferência de tecnologia, aspecto material da hipótese de incidência da exação. 42. O artigo 150 da CF/88 estabelece, em seu inciso I, que nenhum tributo poderá ser exigido ou aumentado sem lei que o estabeleça. Dessa forma, é evidente a inaplicabilidade e inexigibilidade da CIDE sobre as remessas efetuadas pela Requerente, tendo em vista que os contratos de prestação de serviços que regulam os serviços objeto da presente autuação não reúnem as condições fáticas e jurídicas necessárias à configuração do aspecto material da hipótese de incidência da exação. [...] [...] 44. A averbação de contratos no INPI é disciplinada pelo artigo 211 da Lei n° 9.279/96. Referido dispositivo, conforme já mencionado, determina a averbação no INPI de contratos em que haja transferência de tecnologia a um dos contratantes, protegendo, dessa forma, o direito à propriedade intelectual. [...] 46. [...] o fato de o Decreto n° 3.949/2001 [revogado pelo Decreto n.º 4.195, de 2002] ter feito menção à averbação no INPI não indica qualquer obrigatoriedade nova, pois qualquer contrato que possua em seu escopo a transferência de tecnologia deve ser averbado no INPI, não em virtude da disposição do Decreto, mas sim em função da Lei n° 9.279/96. Admitir raciocínio diverso implicaria assumir que o Decreto n° 4.195/2002, que revogara o Decreto n° 3.949/2001, também revogou o artigo 211 da Lei de Proteção à Propriedade Intelectual e as disposições materiais da lei instituidora da CIDE. 47. [...] é evidente que a inclusão ou a posterior supressão do parágrafo único do artigo 8º do Decreto nº 3.949/2001 em nada altera o aspecto material da hipótese de incidência da CIDE. A uma, porque originalmente não estabelecera qualquer obrigação nova ao contribuinte; a duas, porque o alcance de decreto regulamentar deve limitarse às disposições legais, sob pena de inconstitucionalidade. [...] 49. [...] [em observância à lei,] não poderiam as Autoridades Fiscais entenderem que a CIDE é devida sobre quaisquer remessas ao exterior, independentemente da existência de transferência de tecnologia nas relações contratuais em Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 referência, somente pelo fato de inexistir menção no Decreto n° 4.195/2002 acerca da averbação dos contratos no INPI. [...] 50. [...] tendo em vista que a CIDE objetiva incentivar o desenvolvimento da tecnologia nacional, sua incidência, se considerada válida, deverá se ater às hipóteses de efetiva transferência de tecnologia do exterior, em respeito à materialidade da exação, nos termos da Lei n.° 10.168/2000 (artigo 2º). [...] por tratarse de instrumento de intervenção da União na área de ciência e tecnologia, a CIDE somente pode alcançar bens, pessoas ou relações que digam respeito à ciência ou tecnologia. 51. A hipótese da Requerente, todavia, é diversa. Conforme atestado pelo INPI, nos serviços prestados à Requerente não há transferência de tecnologia. Portanto, não há que se falar na incidência da CIDE no caso concreto da Requerente em decorrência do pagamento desses serviços. 52. [...] é evidente que tal exação é inaplicável na presente relação jurídica. Caso contrário, o desvio da finalidade dessa espécie tributária que visa ao financiamento da tecnologia nacional , qual seja, exigir sua cobrança de pessoas jurídicas que firmam contratos de serviços puros que não impliquem em transferência de tecnologia conforme atestou o próprio INPI no caso da Requerente , é manifestamente inconstitucional e ilegal. 54. [...] ainda que se admita a incidência de contribuição de intervenção no domínio econômico em área ou setor delimitado no contexto constitucional da Ciência e Tecnologia, tal incidência somente seria legítima se fosse possível verificar a existência de benefício específico para o sujeito passivo, ou seja, caso se concretizasse a [...] referibilidade. [...] 55. [...] ao delimitar a intervenção da União e circunscrevêla à determinada "área", a CF/88 delineou também o universo de fatos e pessoas que podem ser atingidos e beneficiados pela CIDE, ou seja, serão apenas aqueles que pertencerem à respectiva área, de forma a se concretizar o requisito da referibilidade, necessário para a caracterização do tributo como espécie de contribuição de intervenção no domínio econômico. 56. [...] o benefício a ser alcançado pela referida contribuição, qual seja, o desenvolvimento tecnológico, alcança toda sociedade, de modo que não se verifica a existência de contraprestação específica aos sujeitos passivos ou às suas respectivas áreas: a denominada referibilidade. Inequívoca, portanto, a ausência de benefício específico e de proporcionalidade na cobrança da CIDE das empresas signatárias de contratos de serviços como estes ora apresentados pela Requerente, o que desvirtua a natureza da exação como uma contribuição de intervenção no domínio econômico nos moldes do artigo 149 da CF/88. [...] Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201002.100 S3C2T1 Fl. 98 11 58. [...] constatase que tal exação é de duvidosa constitucionalidade e legalidade, uma vez que os benefícios advindos da sua arrecadação não são direcionados aos seus sujeitos passivos, e sim a toda sociedade. O incremento tecnológico nacional aproveita a todos, conforme inclusive atestado pela própria Exposição de Motivos da Lei n° 10.168/2000. 59. [...] é pacífico que a contribuição intervencionista visa tão somente corrigir imperfeições e desequilíbrios em determinada área ou setor econômico, atuando na área/setor durante o tempo em que perdurarem as distorções detectadas pelo Executivo. 60. [...] a natureza da exação impõe também como condição de sua validade a temporariedade de sua exigência, no intuito de incidir apenas e enquanto as irregularidades constatadas estejam sendo sanadas, o que não ocorre no presente caso. 61. [...] tal exação [...] não pode ser considerada uma contribuição de intervenção no domínio econômico, em razão da ausência do benefício específico a denominada referibilidade à Requerente, bem como da temporariedade da sua exigência. [...] 67. [...] admitida a natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico da CIDE, o veículo normativo em questão (Lei n.° 10.168/2000) não é competente para instituir e regulamentar a sua cobrança. A CF/88 é clara ao exigir que as contribuições previstas no artigo 149 sejam instituídas por lei complementar, e as contribuições de intervenção no domínio econômico não encontram previsão no CTN e tampouco em qualquer outra lei complementar. É o que basta para demonstrar a inexigibilidade do tributo instituído pela Lei n° 10.168/2000, ante sua inconstitucionalidade formal. 68. [...] a base de cálculo da CIDE, tal como prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 2º da Lei 10.168/00, conflita com o disposto no artigo 149, parágrafo 2º, inciso III, da CF/88, introduzido no ordenamento pátrio com a publicação, em 12.12.2001, da Emenda Constitucional n.° 33 ("EC 33/01"), que prevê a base de cálculo aplicável às contribuições de intervenção no domínio econômico. [...] 69. [...] referido dispositivo constitucional, ao prever que as contribuições de intervenção no domínio econômico podem ter alíquota ad valorem, restringiu também outro aspecto material da sua hipótese de incidência, ao dispor que este tributo poderá ter como base de cálculo somente o faturamento, a receita bruta, o valor da operação e/ou o valor aduaneiro. [...] 71. [...] em razão do teor dos dispositivos legais acima transcritos, a existência de um conflito material 10.168/00 e o artigo 149, parágrafo 2º , inciso III, da CF/88, e, nessa medida, Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 mais uma razão pela qual referida CIDE deve ser entendida como inconstitucional. [...] 73. [...] as contribuições especiais são tributos que podem assumir a feição de impostos ou taxas, na medida que o nomen iuris não passa de um rótulo do legislador, que pode criar, sob a denominação de contribuição, verdadeira taxa ou imposto. 74. Dessa forma, não existindo um benefício individual e mensurável isto é, a denominada referibilidade aos contribuintes da CIDE, de que trata a Lei n.° 10.168/2000, não há que se falar na espécie tributária delineada no artigo 149 da CF/88, o que denota tratarse de um possível imposto. 75. Assim, se configurada a natureza da exação como verdadeiro "imposto", a sua cobrança somente será válida se preenchidos todos os requisitos do artigo 154, inciso I, da CF/88 [...] 76. A CIDE não foi instituída por lei complementar, e sim pela Lei n.° 10.168/2000, o que de plano já a torna inconstitucional, em nítida violação ao artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. 77. [...] a CIDE possui o mesmo fato gerador e base de cálculo do [imposto de renda na fonte] [...], conforme se depreende da redação da alínea "a" do inciso II do artigo 685 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"), alterado pela MP 2.062, de 27.1.2001 (edição 62), e dos artigos 708 e 710 do RIR/99. 78. O tipo tributário é estruturalmente composto pela hipótese de incidência e base de cálculo. A identidade desses elementos gera ou a bitributação na hipótese de o tributo ser cobrado por diferentes autoridades ou a tributação bis in idem na hipótese de o sujeito ativo ser o mesmo. 79. A tributação bis in idem é repelida pelo sistema tributário nacional, conforme depreendese da leitura do artigo 154, inciso I, da CF/88, [...]. [...] é evidente que sua cobrança gera a tributação bis in idem, expressamente proibida pela CF/88. Tal conclusão pode ser extraída do confronto entre os artigos 685, 708 e 710 do RIR/99 e do parágrafo 2° do artigo 2º da Lei n° 10.168/2000, alterado pela Lei n° 10.332/2001 [...]. 83. Ao instituir uma suposta CIDE sobre a renda, há claro conflito material entre o disposto no parágrafo 2º do artigo 2º da Lei n.° 10.168/00 e o artigo 149, parágrafo 2º , inciso III, da CF/88, o que é mais uma demonstração de que referida exação não poderia ser considerada uma contribuição de intervenção no domínio econômico. Por conseguinte, concluise que o artigo 2º , parágrafo 2º , da ei 10.168/00, foi tacitamente revogado pela EC 33/01, bem como que a Lei n.° 10.332/01, publicada posteriormente à EC 33/01, é inconstitucional. 84. Por fim, admitindo tratarse de verdadeiro imposto, a CIDE ainda afronta o inciso IV do artigo 167 da Constituição Federal, Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201002.100 S3C2T1 Fl. 99 13 que proíbe a vinculação de receita de imposto a fundo, órgão ou despesa. Convém relembrar que a Lei n.° 10.168/2000 determina, em seu artigo 4º , que o produto da arrecadação da CIDE será destinado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico ("FNDCT") [...].entre o disposto no parágrafo 2° do artigo 2° da Lei n.° [...] 86. Diante disso, é evidente a inexigibilidade da CIDE, tendo em vista a ausência de referibilidade da exação e a utilização de base de cálculo distinta daquela prevista pela CF/88, o que impede sua caracterização como uma das contribuições do artigo 149 da CF/88, denotando sua natureza de imposto, nos termos do artigo 40 do CTN. Ademais, ainda que a CIDE seja considerada imposto, sua inexigibilidade subsiste, tendo em vista a inobservância dos artigos 154, inciso I, e 167, inciso IV, ambos da CF/88, conforme demonstrado acima. 96. [...] a exigência da CIDE, na hipótese em discussão, constitui [...] um óbice ao comércio de serviços internacional, na medida em que trata discriminatoriamente os serviços e prestadores de serviços estrangeiros, violando notadamente o artigo XVII do GATS, em contrariedade ao artigo 50, parágrafo 2º, da Constituição Federal de 1988, e ao artigo 98 do CTN. [...] 99. O artigo 161 do CTN prevê o acréscimo de juros de mora aos créditos não integralmente pagos no vencimento. Os juros de mora são, portanto, um ônus ao contribuinte que, pelo retardamento culposo da obrigação tributária, possui débito exigível pela Fazenda Pública. 100. Observese que, no caso concreto, a Requerente nunca esteve em mora no cumprimento de suas obrigações fiscais ora constituídas nestes autos, tendo em vista que, amparada por decisões judiciais e depósitos judiciais, não incorreu em atraso, impontualidade ou violação do dever de cumprir a obrigação no tempo devido. 101. Cumpre reiterar que o direito à suspensão da exigibilidade do crédito tributário através da realização de depósitos judiciais, encontrase expressamente previsto no artigo 151, inciso II, do CTN. A virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário consiste fundamentalmente na descaracterização da mora, por não haver qualquer omissão do contribuinte quanto ao pagamento do tributo. Ora, se a mora é uma conseqüência da exigibilidade não pode logicamente haver mora em relação à pretensões inexigíveis. [...] 108. Ainda no que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários. Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 [...] 109. [...] tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, a Requerente contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. [...] 110. Diante do exposto, resulta claro que a aplicação da taxa SELIC na constituição do crédito tributário apurado no Auto de Infração em objeto deve ser afastada, seja pela inocorrência de mora, ou, ainda, caso se desconsidere tal argumento, em virtude de sua inaplicabilidade para fins tributários. [...] 112. [...] caso seja necessário, a Requerente desde já protesta pela produção de todas e quaisquer provas em direito admitidas, inclusive a realização das diligências e perícias necessárias para a comprovação dos fatos e direitos ora alegados. 3.1. Finalmente, requer a Contribuinte que seja integralmente acolhida a sua Impugnação, [...] para o fim de se reconhecer a improcedência da presente autuação e das exigências fiscais ora impugnadas (incluindo a CIDE e juros de mora), com o cancelamento dos supostos débitos fiscais constantes do Auto de Infração e o conseqüente arquivamento do presente processo administrativo. 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia por meio do despacho à fl. 1.516. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. As matérias já suscitadas perante o Poder Judiciário não podem ser apreciadas na via administrativa. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. LEGALIDADE. Nos termos da Lei n.º 9.430, de 1996, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, acumulada mensalmente. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201002.100 S3C2T1 Fl. 100 15 No que tange às preliminares de nulidade da autuação, são afastadas na decisão recorrida, sob o fundamento de que a autoridade fiscal possui dentro de seu rol de atribuições o poderdever de lançar, ex vi art. 142, e seu parágrafo único, do Código Tributário Nacional, e,satisfazendo os requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972, e inocorrendo as hipóteses dispostas no art. 59 de mesmo diploma legal, não há que se falar em cancelamento ou anulação desse ato administrativo. Sobre o mérito da incidência de CIDE sobre a remessa a título de pagamento de royalties, a decisão recorrida afirma haver concomitância com ações de mandado de segurança, processos de n.º 002321164.2009.4.03.6100 e de n.º 000759697.2010.4.03.6100, , com a consequente renúncia à via administrativa. Sobre os juros de mora, observar que a sua utilização está expressamente prevista no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 1995, não cabendo à instância julgadora administrativa apreciar a validade dessa norma. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos expendidos na peça de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Inicialmente, quanto às alegações de nulidade, corroborase integralmente a decisão recorrida, não se detectando nos autos qualquer ofensas ao art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972, bem como inocorrendo as hipóteses dispostas no art. 59 de mesmo diploma legal. Não se verifica nenhum prejuízo à defesa da Recorrente, mesmo porque, toda a discussão de fundo está travando no âmbito do Poder Judiciário. A presente controvérsia versa sobre a incidência sobre remessas a título de pagamento por prestação de serviços da Recorrente, à sua matriz na Alemanha. Conforme se depreende dos autos, a Recorrente ingressou com dois mandados de segurança, de n. 2010.61.00.0075961 e 2009.61.00.0232110, referentes à discussão de incidência da CIDE sobre as operações de remessa, e outro para tenha o direito de pagar o IRRF à alíquota de 15%, para efetuar o depósito judicial, sendo que com relação à ação judicial de discussão da CIDE, constatouse que vem sendo feitos os depósitos judiciais, do montante integral do crédito tributário em discussão. Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 16 Observese que no auto de infração em tela, afirmase que se trata da constituição do crédito tributário, para preservação dos direitos fazendários da decadência, nos termos do art. 63 da Lei n. 9430/96, conforme excerto transcrito: Aliás, como referido, ao contrário do que defende a Recorrente, é expressamente prevista a hipótese de lançamento do crédito tributário para efeitos de prevenção de decadência. Portanto, é inquestionável que se está diante de hipótese de concomitância entre ação judicial e processo administrativo, pois há relação de identidade entre parte da ação judicial e o presente processo, o que impede que este seja apreciado nesta instância jurisdicional administrativa, conforme a inteligência da Súmula CARF n. 1. Destarte, no sistema jurídico brasileiro o controle de legalidade com foros de imutabilidade é de competência exclusiva do Judiciário, que sempre deverá, em última instância, manifestarande o contrário do que def sobre a legitimidade ou não de determinado ato. O Princípio da Segurança Jurídica, viga mestre do sistema jurídico, impõe que nele haja coerência interna, vedando a existência de normas jurídicas semanticamente excludentes. Trazendose o foco para o dever estatal de jurisdição, este princípio estabelece a impossibilidade de coexistência de duas normas individuais e concretas solucionadoras do mesmo conflito de interesses, sob pena de ocorrer contradição e contrariedade, que em termos jurídicos, traduzse em antinomia, ofensa ao primado da Segurança Jurídica. Nas situações em que há duas ações judiciais idênticas, estáse diante de litispendência, conceito processual de identidade artificial, que opera entre entidades lógicas iguais, ou seja, processos judiciais que têm em comum partes, pedido e causa de pedir, nos termos do art. 301, V, §§2o e 3o , primeira parte, do CPC. A norma geral e abstrata que veicula a litispendência prescreve em sua hipótese (art.301, V e §§2o e 3o do CPC) a existência de dois processos judiciais idênticos, e, em seu consequente, o dever jurídico acometido ao Estadojuiz de extinção do processo proposto posteriormente (art. 267, V do CPC). Mutatis mutandis, na hipótese em que há coexistência de processo judicial e administrativo, o mesmo raciocínio não pode ser aplicado porque se tratam de entidades lógicas que existem em planos distintos, e, por essa razão, a extinção de uma só será permitida se garantido o acesso à outra, sob pena de haver restrição ao direito do contribuinte. Como somente as tutelas do Judiciário contam com o predicado da eficácia da coisa julgada material, terá precedência: se a relação jurídica processual se desenvolver regularmente com expedição de sentença com julgamento do mérito do litígio, o contencioso administrativo será extinto, por força do Princípio da Unicidade de Jurisdição. Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201002.100 S3C2T1 Fl. 101 17 Não obstante, em relação aos juros de mora, tem razão a Recorrente, pois, é questão que não se discute nos autos, a existência de depósito judicial do montante integral do crédito tributário de CIDE em discussão, não se tratando, como afirma a decisão recorrida, de ase apreciar a constitucionalidade da taxa SELIC. Nessa hipótese, aplicase o disposto na Súmula CARF nº 5, que determina que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Em face do exposto, conheço do recurso apenas na parte que versa sobre a incidência dos juros de mora, para julgálo procedente. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 11610.727856/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2011
DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. INCAPACITADO FÍSICA OU MENTALMENTE PARA O TRABALHO. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS DE COMPLETUDE E DE CONGRUÊNCIA DA PROVA.
Não havendo comprovação ou indício contemporâneo ao fato gerador que a patologia acometida pela dependente a impossibilitava de trabalhar, não se admite a dedução do imposto de renda relativa à dependente supostamente incapacitada mentalmente para o trabalho após o momento da ocorrência do fato gerador. Inteligência do art. 77 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea da dependência de sua filha no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
As despesas com instrução são dedutíveis na declaração de ajuste anual para pagamentos devidamente comprovados, efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei. Inteligência do art. 81 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas com instrução na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea da dependência de sua filha no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO E MÉDICAS Recorrente SALADINO ESGAIB Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2011 DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. INCAPACITADO FÍSICA OU MENTALMENTE PARA O TRABALHO. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS DE COMPLETUDE E DE CONGRUÊNCIA DA PROVA. Não havendo comprovação ou indício contemporâneo ao fato gerador que a patologia acometida pela dependente a impossibilitava de trabalhar, não se admite a dedução do imposto de renda relativa à dependente supostamente incapacitada mentalmente para o trabalho após o momento da ocorrência do fato gerador. Inteligência do art. 77 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea da dependência de sua filha no mesmo anocalendário da obrigação tributária. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com instrução são dedutíveis na declaração de ajuste anual para pagamentos devidamente comprovados, efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 72 78 56 /2 01 2- 14 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 até o limite anual individual estabelecido em lei. Inteligência do art. 81 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas com instrução na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea da dependência de sua filha no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11610.727856/201214 Acórdão n.º 2402005.022 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2011, ano calendário de 2010, onde, em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual (DAA), foram glosadas dedução de dependente no valor de R$1.808,28, por falta de prova de incapacidade física ou mental, despesas com instrução no valor de R$2.830,84, por ser da filha cuja dependência não foi comprovada (Deborah Torres), e despesas médicas no valor de R$16.877,86, por se tratar de despesas de não dependente (Deborah Torres), acrescentado de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação, conforme fls. 02/03, alegando, em síntese, a glosa é indevida porque tratase da filha Deborah Torres Esgaib incapacitada para o trabalho, por ser portadora de patologia psiquiátrica grave (Transtorno Bipolar Tipo I CID10 F31.7), conforme conteúdo do laudo médico do Prof. Dr. Beny Lafer – CRM 57.815, que a assiste desde o ano de 2001, não havendo assim fundamento jurídico para a glosa de dependente e também das despesas com instrução e despesas médicas que se referem à mesma, em conformidade com o artigo 8º, inciso II, alínea “b” e “a”, da Lei 9.250/95. Junta documentos e pede prioridade na análise com base no Estatuto do Idoso. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/07/2014 (fl. 70), o interessado interpôs, em 13/08/2014, o recurso de fls. 72/87. Nas razões recursais aduz que a autuação decorreu de apuração de dedução indevida a título de dependente, pois sua filha não exerce sua profissão por total impossibilidade psíquica, conforme atestado médico que ora apresenta, pretendendo que assim seja restabelecida a correspondente dedução de dependente, bem como as deduções com despesas médicas e com instrução da dependente. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. GLOSAS DO DEPENDENTE E DESPESAS DE INSTRUÇÃO E MÉDICAS DO DEPENDENTE A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas realizadas a título de dependente (filha Deborah Torres Esgaib, CPF 570.981.74149) e despesas de instrução e médicas desse dependente, nos seguintes termos: “5. O contribuinte diz que dependente é sua filha Deborah Torres Esgaib – CPF 570.981.74149, que é incapacitada para o trabalho, juntando a certidão de nascimento e Atestado Médico comprovando a incapacidade física ou mental, comprovantes relativos à instrução e despesas médicas. 6. Comprovando a incapacidade física ou mental a tempo da exigência, não caberia o lançamento das glosas em questão, porém, o documento juntado foi emitido em 23 de maio de 2.012 para declarações de ajuste do imposto de renda do exercício de 2011. Não há no documento indicação do período em que ocorreu a incapacidade, embora o contribuinte diga que está sob a assistência médica do mesmo profissional desde 2001, não trouxe nenhuma prova disso e de quando teve início e o tempo da permanência da incapacidade, razão porque não é aceita. 7. Com relação às despesas médicas e de instrução, estas estão vinculadas à comprovação da dependência da filha Deborah, devendose observar, no entanto, que para caracterizar despesa médica dedutível há que se complementar à prova juntada – Clínica Físio & Vida Reabilitação Ltda. (R$ 1.280,00) – com provas de que a empresa tem um responsável pelo serviço prestado que seja profissional habilitado com registro no órgão da classe.” Em sede de recurso, o interessado apresenta, à fl. 76, o atestado emitido, em 12/08/2014 e em complemento ao atestado de 23/05/2012, pelo Professor Dr. Beny Lafer (CRM 57.815), o qual afirma que Deborah Torres Esgaib está sob seus cuidados e, em virtude da gravidade de sua enfermidade, a sua incapacidade para o exercício de atividades profissionais persiste desde o início de seu tratamento médico (2001), por apresentar CID10 F31.7 (Transtorno Bipolar Tipo I). Com isso, o Recorrente alega à improcedência do lançamento fiscal. Entendo que não assiste razão o Recorrente, pois o documento de fl. 76 apenas complementa o atestado emitido em 23/05/2012 (fl. 15) e sinaliza que a incapacidade laboral persiste desde o ano de 2001, entretanto não existe qualquer documento contemporâneo ou anterior ao fato gerador que a patologia acometida pela dependente a impossibilitava de trabalhar. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11610.727856/201214 Acórdão n.º 2402005.022 S2C4T2 Fl. 4 5 Em outras palavras, os documentos acostados aos autos, que sinalizam a incapacidade laboral da dependente, são extemporâneos a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária do anocalendário de 2010, pois foram emitidos em 23/05/2012 (fl. 15) e 12/08/2014 (fl. 76). Logo, os atestados médicos emitidos exclusivamente após a ocorrência do fato gerador não são suficientes, por si sós, para firmar juízo de certeza ou juízo de convencimento da incapacidade para o trabalho da dependente (filha maior de 25 anos) no ano calendário da obrigação tributária, necessitando de outras provas que a corroborem. Por sua vez, os documentos de pagamentos efetuados em favor da Universidade Paulista (UNIP), referentes à educação de 3° grau, curso de Direito, da dependente Sra. Deborah Torres Esgaib (fl. 32) apontam que a dependente exercia atividade educacional. Isso permite afirmar que os elementos de prova contêm contradições internas entre o exercício de atividade para o trabalho e o exercício de atividade acadêmica, materializandose na incoerência ou na incongruência dos elementos juntados aos autos. Nessa senda da incongruência probatória, o que se percebe é a identidade entre o fato da filha maior de 25 anos ser incapacitada para o trabalho, decorrente da doença transtorno bipolar tipo I, e o fato de estar exercendo normalmente atividade acadêmica, sem qualquer evidência nos autos de que ela não levava uma vida além das normalidades do diaa dia, ou sem qualquer evidência do uso de medicamentos. Com isso, dentro dos elementos de valoração da prova de completude1 e de coerência, impõese afirmar que o Recorrente não se desincumbiu de comprovar a incapacidade para o trabalho de sua filha Deborah Torres Esgaib e, por consectário lógico, esta não é sua dependente, a teor do art. 77, § 1o e inciso III, do RIR/1999, aprovado pelo Decreto 3.000/1999, e do inciso III do art. 35 da Lei 9.250/1995. Isso porque inexistem documentos ou indícios nos autos, anteriores ou contemporâneos ao anocalendário 2010, que atestem a incapacidade laboral da dependente. Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR): Dependentes Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1o Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; 1 Completude da prova: se todas as provas disponíveis nos autos forem levadas em consideração na decisão. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2o Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). § 5 É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). Portanto, considerando que o contribuinte não comprovou dentro do ano calendário de 2010, por meio de documentos idôneos e hábeis, que a patologia acometida pela dependente a impossibilitava de trabalhar, não se admite a dedução do imposto de renda relativa à referida dependente. Resta apreciar, ainda, a glosa de despesas com instrução e médicas da suposta dependente. Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "b", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas com instrução, os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas: b) a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1°, 2°, e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11610.727856/201214 Acórdão n.º 2402005.022 S2C4T2 Fl. 5 7 e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais. (g.n.) O Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados em favor da Universidade Paulista (UNIP), referentes à educação de 3° grau, curso de Direito, da suposta dependente Sra. Deborah Torres Esgaib (fl. 32). No mesmo caminho, a cópia documental de fl. 17 aponta os pagamentos realizados em favor da Sul América Companhia de Seguro de Saúde, referentes ao plano de saúde da suposta dependente Sra. Deborah Torres Esgaib (fl. 17). E os documentos de fls. 18/31 e fl. 81 apontam os pagamentos com outras despesas médicas. Diante desse contexto, com relação às despesas médicas (fl. 17 e fls. 18/31 e fl. 81) e de instrução (fl. 32), estas estão vinculadas à comprovação da dependência da filha Deborah e como não foi demonstrada a dependência, impõese afirma que o Recorrente também não se desincumbiu satisfatoriamente do ônus de provar que tais despesas são dedutíveis do imposto de renda de pessoa física e, com isso, essas despesas médicas e de instrução não atendem as regras dos arts. 80 e 81 do RIR/1999. Assim, deve ser mantida a glosa oriunda das despesas médicas (fl. 17 e fls. 18/31 e fl. 81) e de instrução (fl. 32), referentes às despesas da filha cuja dependência não foi comprovada. Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR): Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1o O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2 Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4o As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Despesas com Educação Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 16327.001487/2010-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2005, 2006, 2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que davam provimento. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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A. Interessado FAZENDA NACIONAL e ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005, 2006, 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que davam provimento. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 87 /2 01 0- 85 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 9303003.487 CSRFT3 Fl. 993 2 Tratase de recurso especial do Sujeito Passivo, por meio do qual se busca a reforma do Acórdão nº 3202000.68, onde foi negado provimento aos recursos voluntários e de ofício, conforme ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 COFINS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. GERENCIAMENTO DO FLUXO DE CAIXA. DESPESAS CORRELATAS. As despesas relacionadas à prestação de serviço de gerenciamento o fluxo de caixa (“cash management”) não se caracterizam como despesas de captação, por não possuírem as características de uma operação de captação. Portanto, não são dedutíveis da base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2005, 2006, 2007 PIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. GERENCIAMENTO DO FLUXO DE CAIXA. DESPESAS CORRELATAS As despesas relacionadas à prestação de serviço de gerenciamento o fluxo de caixa (“cash management”) não se caracterizam como despesas de captação, por não possuírem as características de uma operação de captação. Portanto, não são dedutíveis da base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O PIS e a Cofins são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de modo que, havendo pagamento e inexistindo dolo, fraude ou simulação, a decadência regese pelo disposto no art. 150, §4° do CTN. Contudo, não havendo pagamento (nos termos do inciso I do artigo 156/CTN), o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do CTN. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINICIPAL. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recursos Voluntário e de Ofício negados. Desse acórdão, dissentiu o sujeito passivo e voltou aos autos para apresentar recurso especial, onde defende a nulidade da decisão que teria inovado o lançamento; a inaplicabilidade do art. 173, inciso I, do CTN , e a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 9303003.487 CSRFT3 Fl. 994 3 O então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF analisando o especial apresentado pelo sujeito passivo, deulhe seguimento parcial, apenas no tocante ao último item, qual seja, ao da incidência de juros de mora sobre multa de ofício. O despacho de fls. 951 a 958, referente a essa admissibilidade, foi submetido ao reexame necessário do Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que manteve, na íntegra, o despacho do Presidente da câmara recorrida. No prazo oferecido para contrarrazoar, a Fazenda Nacional veio aos autos para pugnar pelo improvimento desse recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso apresentado pelo sujeito passivo é tempestivo, e, na parte admitida pelo Presidente da câmara recorrida, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo ser aqui conhecido nessa parte. A delimitação da lide devolvida a este Colegiado é muito simples, restringe se à incidência de juros de mora sobre multa de ofício, já que as demais matérias trazidas no recurso especial não passaram no exame de prelibação. Sobre esse tema já tive oportunidade de me manifestar algumas vezes, e sempre o fiz no sentido de não conhecer da matéria por não estar ela submetida ao rito do Decreto 70.235/1972, vez que esses acréscimos moratórios são afeitos à execução do acórdão, e, como, tal, não integraria a lide, cujo contorno fora delineado pela impugnação, e, por óbvio, esta não contemplaria tal matéria. Todavia, apesar de ainda continuar a pensar dessa forma, esse não é o entendimento do Colegiado, que por diversas vezes, entendeu ser competente para enfrentar a matéria. Diante disso, resguardo meu entendimento, e passo a adotar o da maioria, no sentido de admitir essa matéria como sujeita ao rito do PAF. Passemos agora, ao exame da questão. O Colegiado a quo afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir, esse entendimento não merece guarida, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, aí incluídos o decorrente de penalidades, conforme demonstrarseá linhas abaixo. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 9303003.487 CSRFT3 Fl. 995 4 A seu turno, o 2art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária), verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, observarseá, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a 4Hermes ou a uma 5Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à 2 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 4 Na Mitologia Grega, Hermes filho de Zeus e da misteriosa Ninfa Maia (também chamada de Noite) era considerado como mensageiro ou intérprete da vontade dos deuses do Olympo, deu origem ao termo hermenêutica. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 9303003.487 CSRFT3 Fl. 996 5 penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Após algumas manifestações em sentido contrário, a jurisprudência das Turmas Julgadoras do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se inclinando no sentido de admitir a incidência da Taxa Selic sobre multa de ofício. A título de exemplo, cita se: a) Acórdão 9101000.539: Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. b) Acórdão 1103001.151: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. Como apontado no acórdão, posição com a qual comungo, por força do comando inserido no art. 139, combinado com o §1º do art. 113 do CTN, não há como deixar de considerar que a expressão "crédito tributário" compreenda exclusivamente o tributo ou contribuição que deixou de ser recolhido. Consequentemente, nos termos do art. 161 Código Tributário Nacional, combinado com o § 3º do art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, caberá correção monetária da multa de ofício, por meio da aplicação da taxa Selic. Igualmente relevante é a manifestação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assentada no acórdão que enfrentou o AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR6, assim ementado: 5 Os gregos davam o nome de Pitonisas a todas as mulheres que tinham a profissão de adivinhas, porque o deus da adivinhação, Apolo, era cognominado de Pítio, quer por haver matado a serpentedragão Píton, quer por ter estabelecido o seu oráculo em Delfos, cidade primitivamente chamada Pito. 6 MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, julgado em 04/12/2012. Unânime. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.001487/201085 Acórdão n.º 9303003.487 CSRFT3 Fl. 997 6 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990∕PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14∕9∕2009). De igual modo: REsp 834.681∕MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2∕6∕2010. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 997DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 10580.725171/2009-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente
Numero da decisão: 9202-004.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 01/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI e GERSON MACEDO GUERRA.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 01/07/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 71 /2 00 9- 61 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI e GERSON MACEDO GUERRA. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. A citada verba corresponde a diferenças de remuneração verificadas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV, em 1994. Na apuração da exigência não foram considerados valores com origem em décimo terceiro salário e em abono de férias. A forma de cálculo aplicada foi a determinada no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda no DOU de 11/05/2009, que dispõe sobre rendimentos recebidos acumuladamente, levando em conta as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, seno o cálculo mensal e não global (fls. 11). Em sessão plenária de 06/06/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, exarandose o Acórdão nº 220201.181 (fls. 269 a 278), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO Fl. 544DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 544 3 ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte" A decisão foi assim registrada: " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez." O processo foi enviado à PGFN, que não interpôs Recurso Especial (fls. 281). Cientificado do acórdão em 30/04/2013 (AR Aviso de Recebimento de fls. fls. 368), o Contribuinte opôs, em 03/05/2013, os Embargos de Declaração de fls. 334 a 348, rejeitados conforme o Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 374/375. Intimado da rejeição de seus Embargos Declaratórios em 05/09/2013 (fls. 449), o Contribuinte interpôs, em 13/09/2013, o Recurso Especial de fls. 452 a 486, fundamentado no art. 67, do Anexo II, do RICARF, visando rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 25/06/2015 (fls. 525 a 528). Em seu Recurso Especial, o Contribuinte alega, em síntese: Fl. 545DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Natureza indenizatória das diferenças da URV. Não incidência do Imposto de Renda a URV nasceu com a MP 434/94, como medida necessária ao controle inflacionário à época e substituta do padrão monetário até então vigente; assim preceitua o art. 1º da Medida Provisória n. 434/94: Art. 1° Fica instituída a Unidade Real de Valor (URV), dotada de curso legal para servir exclusivamente como padrão de valor monetário, de acordo com o disposto nesta medida provisória. § I o A URV, juntamente com o cruzeiro real, integra o Sistema Monetário Nacional, continuando o cruzeiro real a ser utilizado como meio de pagamento dotado de poder liberatório, de conformidade com o disposto no art. 3o. § 2o A URV, no dia I o de março de 1994, corresponde a CR$ 647,50 (seiscentos e quarenta e sete cruzeiros reais e cinqüenta centavos). a função a ser exercida pela URV era de compensar a perda do poder aquisitivo resultante da inflação desenfreada, verificada à época, como dispõe a própria Medida Provisória: Art. 4o O Banco Centrai do Brasil, até a emissão do Real, fixará a paridade diária entre o cruzeiro real e a URV, tomando por base a perda do poder aquisitivo do cruzeiro real. [...] § 2o A perda de poder aquisitivo do cruzeiro real, em relação à URV, poderá ser usada como índice de correção monetária. assim, começa a definirse a moldura das parcelas em exame; a norma legal tinha por intuito conferir segurança à economia, garantindo que a nova moeda não restasse contaminada pelo ciclo inflacionário, sendo caracterizada a URV como expressão da perda do poder aquisitivo da moeda antiga cruzeiro real; há, portanto, evidente caráter compensatório da URV desde a sua gênese, o que certamente conduz à conclusão pela não incidência do Imposto de Renda, como bem adotado pelo Primeiro Acórdão; as parcelas referentes às diferenças de URV não representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou do trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, na oportunidade da conversão de cruzeiro real para URV e, consequentemente, reposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado, na tentativa de reparar prejuízos; assim sendo, os valores obtidos das diferenças de URV tiveram a finalidade de ressarcir o Recorrente pela reposição de quantias que deveriam integrar a remuneração, e que não integraram, causandolhe dano material, cuja reparação somente veio a ocorrer posteriormente quando, após o julgamento de uma Ação Ordinária no Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, foi editada a Lei Complementar baiana n° 20/2003; desse modo, a URV é indenização e não salário; aqui, vale registrar que o acordo para o pagamento das diferenças de remuneração do Recorrente que ocorreu quando houve a conversão do Cruzeiro Real em URV, Fl. 546DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 545 5 em 36 parcelas, para os membros do Ministério Público do Estado da Bahia, se deu através da Lei Estadual Complementar n° 20/2003, não correspondendo a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda, o que tornaria clara a natureza salarial; configura, isto sim, permuta de um direito por moeda, ou seja, a realização de um direito de forma diversa da sua natureza, o que consubstancia a natureza indenizatória da verba; possuindo a URV o caráter de verba indenizatória, não se afigura legal a incidência da exação tributária; não por outro motivo que o Supremo Tribunal Federal editou a Resolução n. 245, com o propósito de conferir tratamento definitivo à controvérsia, deixando claro que se cuida de verba indenizatória os abonos conferidos aos magistrados federais em razão das diferenças de URV e, por esse motivo, isentos da contribuição previdenciária do imposto de renda: RESOLUÇÃO N° 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2o e §§ da Lei n° 10.474, de 27 de junho de 2002. Art. I o É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2o da Lei n° 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2o Para os efeitos do artigo 2o da Lei n° 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que Inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recalculo da representação (194%); [...] Art. 3o Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no Inciso I do artigo 2o, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: [...](grifos aditados) ressaltese que o Ministério Público da União, por força da simetria verificada pela Lei n. 10.477/2002, também é contemplado com a isenção que cuida a Resolução n. 245/2002, senão vejase o art. 2o da mencionada Lei, que dispõe sobre a remuneração dos membros do Ministério Público Federal: Fl. 547DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei nº 9.655. de 2 de iunho de 1998. é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. [...] (grifos nossos) ademais, salientese que o ProcuradorGeral da República, Geraldo Brindeiro, adotou o mesmo entendimento da Excelsa Corte, autorizando, em 23 de dezembro de 2002, em despacho que ora transcrevese, que fosse dado ao pagamento do abono variável, no qual se incluem as diferenças de URV, devidos do Ministério Público da União, a mesma interpretação conferida pelo Supremo Tribunal Federal na Resolução n. 245/2002: Considerando a Resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002, do Supremo Tribunal Federal, encaminhada a esta Procuradoria Geral da República pelo Presidente daquela Corte, pela qual ficou definida como indenizatória a natureza jurídica do abono variável de que trata o art. 2o da Lei 10.474/2002, bem como estabelecia a sistemática de restituição da contribuição previdenciária e do imposto de renda retido na fonte sobre o referido abono, entre janeiro de 1998 e maio de 2002; considerando que a Lei 10.474/02 guarda estreita correlação com a Lei 10.477/02, determinando, em seu art. 2o o pagamento do abono variável para os membros do Ministério Público da União, de forma análoga àquele estabelecida para os membros da magistratura; considerando a equivalência entre a remuneração dos membros do Poder Judiciário e do Ministério Público da União; considerando, ainda, a , manifestação da Secretaria de Pessoal do Ministério Público Federal no Processo n° 1.00.000.011735/200283, aprovada pela SecretarlaGeral do Ministério Público Federal, AUTORIZO que se dê ao pagamento do abono variável devido aos membros do Ministério Público da União a mesma interpretação conferida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal ao abono variável da magistratura por meio da Resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002. (grifos aditados) embora a Resolução voltese para a magistratura federal e, como exposto, para o Ministério Público da União, a equiparação do tema é impositiva e legítima para o caso em tela, como bem exposto no Primeiro Acórdão Paradigma. tanto é assim que, na hipótese da categoria do membro do Ministério Público da Bahia, como é o caso do Recorrente, houve a edição da Lei Complementar nº 20/2003, determinando a natureza indenizatória das parcelas referentes às diferenças de Cruzeiro Real para URV: Art. 3o São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2o desta Lei. como se vê, a Lei Complementar n. 20/2003 mais completa que as demais leis federais previu expressamente a natureza indenizatória da parcela recebida, pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia a título de diferenças de URV. neste ponto, importa saber se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica desta verba que tenha sido atribuída por lei estadual, e a resposta é não; Fl. 548DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 546 7 como é cediço, toda lei goza de presunção de constitucionalidade, portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, falece competência ao Fisco Federal para afastar a qualificação jurídica ali contida; para afastála, portanto, é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não ocorreu com a Lei Complementar nº 20/2003; é evidente que esta razão exclusivamente formal presunção de constitucionalidade poderia ser objetada com o argumento de que, ainda que se trate de lei, se o preceito nela contido for manifestamente inconstitucional por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocadamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", então o Fisco federal poderia ser recusar a acatar a qualificação jurídica contida em Lei estadual (cita doutrina de Marco Aurelio Greco); ademais, se o diferencial de URV estava incluído no chamado abono variável e se este tem caráter indenizatório em relação aos Magistrados e Procuradores da República como efetivamente o tem , não se pode negar que tenham o mesmo caráter em relação aos membros do Ministério Público dos Estados; como brilhantemente sustentado pelos Conselheiros da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, no Primeiro Acórdão Paradigma, tratase, em verdade, de normas que versam exatamente sobre a mesma matéria, mas que se distinguem tão somente porque emanadas de entes políticos diversos União e Estado da Bahia e produzidas em favor de destinatários diversos; se a interpretação conferida às diferenças auferidas pelos Membros do MPF, com base no ar. 2o da Lei n° 10.477/2002, foi de que tais parcelas possuem natureza indenizatória, igual entendimento deve ser adotado em relação às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia, com base na Lei complementar n° 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve necessariamente haver o mesmo direito; este, inclusive, é o posicionamento adotado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, que reconhece a natureza indenizatória das verbas recebidas pelos membros do Ministério Público dos Estados: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3.Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o Fl. 549DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 abono variável e provisório de que trata o artigo 2° da Lei n° 10.474, de 2002. 4.Recurso especial conhecido em parte e não provido. (grifos aditados) por fim, esclareçase que a natureza indenizatória da verba não foi, em momento algum, reconhecida no bojo de qualquer lei, seja esta referente à Magistratura Federal (Lei n° 10.474/2002) ou ao Ministério Público Federal (Lei n° 10.477/2002), mas sim pelo órgão jurisdicional supremo, através da edição de Resolução, o que afasta, de logo, a argumentação de que estender a natureza indenizatória às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público dos Estados seria promover uma afronta ao princípio da legalidade tributária. entendimento diverso do aqui exposto consubstanciaria literal afronta ao princípio constitucional da isonomia, segundo o qual não se pode dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram na mesma situação fática, como se demonstrará a seguir. Princípio constitucional da isonomia o caso em tela nos remete ao conceito aristotélico de igualdade, cautelosamente dilapidado e inserido no contexto social ao longo dos séculos, tratando igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida das suas desigualdades; este é o ponto crucial da presente questão, inclusive tendo sido abordado pelo Primeiro Acórdão Paradigma, pois os descontos tributários pretendidos pela autoridade fiscal representam uma afronta ao princípio isonômico constitucionalmente garantido no art. 5o da Carta Magna; digase mais: haveria uma ofensa dupla ao mencionado princípio, pois, além de dispensar tratamento diferenciado entre os membros da Magistratura Federal e dos Ministérios Públicos Estaduais, em face de situações fáticas iguais, referentes à não tributação de verbas da mesma natureza, ou seja, natureza indenizatória similar do mesmo fato reposição do percentual de 11.98% aos vencimentos dos magistrados federais e promotores de justiça , estaria também dispensando tratamento não isonômico entre os membros do Ministério Público da União e Estadual; ora, o simples fato de possuírem âmbitos de atuação distintos não pode levar à conclusão de que, quando do recebimento das mesmas verbas, os membros do Ministério Público da União sejam beneficiados com a isenção da contribuição previdenciária e do imposto de renda, enquanto que os membros do Ministério Público do Estado sejam apenados com a tributação; conceituase o Ministério Público, de acordo com o art. 127 da Constituição Federal de 1988, como a "instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindolhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis"; entretanto, porque essencial ao exercício da jurisdição, as funções do Ministério Público são exercidas perante todos os organismos judiciários do país; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 547 9 desse modo, há o Ministério Público Federal, ramo que oficia perante cada uma das Justiças da União e perante os Tribunais de superposição (Supremo Tribunal Federal de Superior Tribunal de Justiça) e os Ministérios Públicos dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, que atuam junto às respectivas Justiças; tratase de ramos diferentes da mesma instituição, Ministério Público, com a mesma missão constitucional, teleologicamente definida pela fórmula contida no art. 127 e pelas funções institucionais arroladas no art. 129 da Constituição Federal; como aceitar, sem pisar na Constituição da República, que para a mesma instituição. Ministério Público, se adote um tratamento mais benéfico para um ramo, já que os procuradores da república não pagam imposto sobre a verba ora em discussão, em detrimento de um tratamento mais gravoso para outro ramo da mesma instituição, onde se encontra alocado o Recorrente, Procurador de Justiça aposentado do Estado da Bahia? ora, se a verba é a mesma repisese, ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, na oportunidade da conversão do cruzeiro real para URV e consequentemente reposição de quantias (diferenças) que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado, na tentativa de reparar prejuízos , por óbvio, a natureza só pode ser a mesma indenizatória e, assim sendo, escapa a incidência tributária; se os Magistrados federais e Procuradores da República foram isentados do recolhimento do Imposto de Renda na fonte e da contribuição previdenciária, tendo incluído as parcelas das diferenças de URV, o tratamento igualitário se impõe em face da ordem constitucional, ao membro do Ministério Público estadual, como é o caso do Recorrente, em razão da mesma natureza indenizatória entre as verbas, não se pode impor tratamento tão desigual; não se pode admitir que a tributação a que uns estejam submetidos seja diferente daquela a que submetidos todos os que se encontrem em situação equivalente no âmbito público, em razão da função por eles exercida; mais que isso: não se pode imaginar que a União pretenda tributar os agentes estaduais e municipais de forma diversa da que o faz para „us agentes, pois isso seria clara hipótese de discriminação odiosa violadora da isonomia ad interno da Administração Pública; isto significa afirmar, por exemplo, que o Imposto federal sobre a Renda não pode alcançar rendimentos auferidos por agentes estaduais que exerçam função judicante, diferentemente do que ocorrer em relação a rendimentos da mesma natureza auferidos por aqueles que exerçam as mesmas funções no âmbito federal; e mais: que os critérios utilizados para qualificar juridicamente certas verbas não sejam diferentes quando se tratar de agente federal ou estadual, pois esta é, também, uma forma de discriminação. tratandose de isonomia tributária, cumpre deixar claro que viola a isonomia não apenas cobrar de uns e não de outros (pessoas ou rendimentos), mas também reconhecer inexistir incidência em relação a uns e não reconhecêla em relação a outros; Fl. 551DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 desonerar uns e não fazêlo em relação a outros é tão discriminatório quanto aumentar a exigência apenas de uns; dessa forma, os descontos que a autoridade fiscal pretende implementar ao Recorrente, membro do Ministério Público Estadual, não há dúvidas, viola o art. 150 da Constituição Federal de 1988 que proíbe expressamente o tratamento desigual entre os contribuintes: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos: (grifos aditados) do dispositivo acima transcrito se extrai a impossibilidade de tratamento desigual entre os membros do Ministério Público da União e dos Estados, ainda que as parcelas recebidas pelos mesmos possuam denominações distintas, já que, como demonstrado, a proibição de distinção se mantém independentemente da denominação jurídica dos rendimentos recebidos; na verdade, a denominação da verba é irrelevante, é, isto sim, a natureza jurídica de determinada verba que importa para fins de incidência tributária; nestes termos, se uma verba é remuneratória de um serviço, ainda que receba outra denominação, haverá a incidência do Imposto federal; de igual sorte, possuindo a verba natureza indenizatória, não haverá a incidência do Imposto de Renda, independentemente da denominação adotada; no caso em tela, pouco importa se os membros do Ministério Público da União recebem "abono variável" montante que engloba as diferenças de URV e os membros do Ministério Público da Bahia recebem "valores indenizatórios de URV", já que, em que pese a denominação seja distinta, a verba é a mesma e , portanto, deve receber o mesmo tratamento; apenas dessa forma, equiparandose todos os que se encontram diante da mesma situação fática, magistrados/procuradores federais e promotores de justiça, estaria obedecendo ao princípio constitucional da isonomia, tão prestigiado pela nossa Constituição; admitir o contrário como fez o acórdão ora recorrido, divergindo do posicionamento adotado pela 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF é atribuir apenas à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União uma vantagem exclusiva e casuística, o que é discutível sob o ponto de vista ético, legal e moral; pelos fundamentos aqui expostos, resta mais do que clarificada a divergência entre os acórdãos cotejados, razão pela qual o acórdão recorrido deve ser imediatamente reformado, para declarar a não incidência do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos pelo ora Recorrente à título de "diferenças de URV", seja porque tais rendimentos possuem natureza indenizatória e, portanto, não estão inseridos no campo de incidência do imposto federal, seja em razão o necessário tratamento isonômico entre os membros dos Ministérios Públicos da União e do Estado, o que se requer desde já. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 548 11 Da não incidência do imposto de renda sobre juros moratórios. o acórdão ora recorrido se pronuncia de forma sucinta acerca da manutenção dos juros moratórios, mantendo o valor correspondente. nessa senda, a ausência de enfrentamento da matéria pelo acórdão recorrido, apenas mantendo a parcela correspondente aos juros moratórios, diverge frontalmente daquele adotado pela 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF, constante do Acórdão n. 280102.264 (paradigma); em idêntica situação fática, a 1a Turma Especial da 2a Seção de julgamento do CARF entendeu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para excluir da base de cálculo lançada tanto a multa de ofício de 75%, quanto a parcela referente aos iuros moratórios, enquanto que manteve as parcelas de juros de mora na decisão recorrida; neste ponto, vale a transcrição de trecho do voto proferido no Acórdão nº 280102.264 (paradigma), já que o mesmo contraria diretamente o quantum sustentado no acórdão recorrido, senão vejase: Por outro lado, com base no posicionamento da Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp n° 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e Res. N° 8, de 2008/STJ, que tratam dos recursos repetitivos, verificase que foi negado provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional e manteve o acórdão da 4a Região, o qual havia decidido que não cabe a tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física sobre os juros moratórios incidentes sobre valores recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, por se tratarem de verbas indenizatórias. Respaldado nesse entendimento, entendo que devem ser refeitos os cálculos de fls. 10, que embasam o lançamento, de modo a contemplar a exclusão dos valores recebidos a título de iuros, identificados nos documentos de fls. 19/21 (considerados no demonstrativo de fls. 10). (grifos aditados) vêse que os Conselheiros da mencionada Turma Especial utilizaram, em seus fundamentos, o acórdão proferido pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.227.133/RS, cuja ementa segue abaixo transcrita: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZA TÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. (grifos aditados) fez bem a 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF em adotar o posicionamento do STJ acima transcrito, já que, conforme art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito Fl. 553DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 12 proferidas por aquele Tribunal, na sistemática prevista no art. 543B e 543C, do CPC, devem necessariamente ser reproduzidas pelos Conselheiros, em seus julgamentos, senão vejase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1 o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2o O sobrestamento de que trata o § 1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos aditados) nessa senda, havendo matéria julgada pelos Tribunais Superiores sob o rito dos artigos 543B e 543C, os quais reconhecem, respectivamente, a repercussão geral do tema e a repetitividade deste, o posicionamento consolidado deverá ser adotado por este Ilustre Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme transcrito acima; assim, as decisões administrativas devem obedecer e acatar a jurisprudência consolidada acerca de determinada matéria, objetivando uniformizar a aplicação e o entendimento sobre uma matéria no caso concreto há, no caso, como já demonstrado, Recurso Especial n° 1.227.133/RS, julgado sob o rito do artigo 543C do CPC, o qual reconhece a natureza indenizatória dos juros de mora, excluindoos da incidência do Imposto de Renda; o referido entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça reconheceu a natureza indenizatória dos juros de mora, haja vista que estes representam uma indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio pela mora do devedor, não havendo incidência do Imposto de Renda; seguindo a tradicional divisão dos juros em compensatórios/ remuneratórios e moratórios, podese dizer que o juro de mora é um fruto civil consistente no valor auferido pelo uso do dinheiro alheio, decorrente da privação do credor de seu uso durante um determinado período; no caso, observese que os juros de mora constantes do cálculo da diferença de URV, realizado pelo Ministério Público do Estado da Bahia, visaram recompor o patrimônio do agente público, lesado pela demora na percepção de seus direitos, privado durante o período em que não foram oportuna e mensalmente pagos os valores devidos; os juros de mora representam, portanto, tradicionalmente, uma indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio, àquilo que perdeu o credor (agente público) pela mora do devedor (Estado da Bahia); hoje, entretanto, com a evolução jurisprudencial, legislativa e doutrinária pertinente à proteção dos direitos, sobretudo personalíssimos, impõese que tais indenizações, para serem completas, abarquem os bens materiais e imateriais; com isso, devese considerar que o conteúdo indenizatório dos juros moratórios abarca não só a reparação do período de tempo em que o credor, com profunda insatisfação, permaneceu privado da posse do bem que lhe seria devido por direito, mas, Fl. 554DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 549 13 também, os possíveis e eventuais danos morais, ainda que remotos, os quais não precisam sequer ser alegados, tampouco provados. abrangendo os juros moratórios, em tese, de forma abstrata e heterogênea, eventuais danos materiais, ou apenas imateriais, que não precisam ser discriminados ou provados, não se pode conceber que aqueles representem simples renda ou acréscimo patrimonial, não se enquadrando na forma do art. 43 do Código Tributário Nacional; não é por outra razão que o Min. Cesar Asfor Rocha, em voto proferido no julgamento do Recurso Especial n° 1.227.133/RS, considera derrogado o art. 16 da Lei n. 4.506/1964 que estabelece serem, os juros de mora, classificados como rendimentos do trabalho. Pela importância, as lições do Nobre Ministro: O parágrafo único do dispositivo aqui reproduzido [art. 16 da Lei n. 4.506/1964], a meu ver, encontrase derrogado, tendo em vista que, na linha do que afirmei acima, destinandose atualmente os juros de mora a indenizar, de forma ampla e heterogênea, danos materiais e imateriais, é incompatível com o art. 43 do Código Tributário Nacional e com o atual Código Civil, ambos diplomas posteriores à Lei n. 4.506/1964. [...] In casu, a tributação dos juros de mora pagos juntamente com as diferenças de URV, desnatura o perfil constitucional do Imposto sobre a Renda, pois a variação em comento não aumenta ou acresce o patrimônio do contribuinte, sendo evidente desde logo o seu caráter indenizatório; por estas razões, tais valores não podem ser base de cálculo para o imposto em debate, posto que referida aquisição de disponibilidade não representa, de forma alguma, acréscimo patrimonial ou renda, mas uma recomposição do que não foi pago no momento oportuno; assim sendo, não havendo acréscimo patrimonial, mas apenas uma recomposição dos valores pagos em momento diverso do devido, não é justificável a incidência do tributo sobre os juros de mora; tal entendimento vem sendo, inclusive, aplicado pelo próprio Superior Tribunal de Justiça em recursos que versam sobre a incidência de Imposto de Renda sobre iuros moratórios decorrentes de diferença de URV, conforme segue: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA IN DE NIZA TÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. NÃO INCIDÊNCIA. ERRO DE PREMISSA. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EFEITOS INFRINGENTES. 1. Discutese nos autos a incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios sobrevindos de diferenças salariais decorrentes da conversão dos vencimentos em URV no ano de 1994. 2. A despeito de o caso dos autos não se enquadrar na hipótese de reclamatória trabalhista prevista no REsp 1.227.133/RS, julgado sob o regime do art. 543C do CPC, há orientação nesta Fl. 555DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 14 Corte no sentido de que o valor oaao em pecúnia, a título de iuros moratórios, tem por finalidade a recomposição do patrimônio e , por isso, natureza indenizatória por forca de dívida não quitada, o que afasta a incidência do imposto de renda. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, mantendo o não conhecimento do recurso especial, por outro fundamento (grifos aditados). admitir o contrário como fez o acórdão ora recorrido, divergindo do posicionamento adotado pela Ia Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF é permitir a incidência de imposto de rend? sobre parcela que não representa acréscimo patrimonial, em flagrante violação à Constituição Federal de 1988; apenas por amor ao debate, vale registrar o quantum sustentado pelo Rel. Min. Teori Albino Zavascki quando do julgamento do Recurso Especial n° 1.227.133/RS, que teve o seu voto vencido; segundo o renomado Ministro, a conclusão acerca da incidência do Imposto de Renda sobre a parcela referente aos juros moratórios requer uma verificação da natureza jurídica da verba principal (se indenizatória ou remuneratória) sobre a qual os juros incidem a fim de se estabelecer a natureza jurídica dos juros e a sua submissão ao imposto de renda ou não; data máxima vénia, equivocase o Ministro, razão pela qual, inclusive, o seu voto restou vencido pelos demais Ministros; com o respeito que lhe é devido, urge esclarecer que, no âmbito do Direito Tributário, para fins de tributação da renda, a relação existente entre o principal e o acessório deve ser examinada com cautela, sobretudo tendo em vista o art. 43, §1°, do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: [...] § 1° A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. diante da circunstância de que o rendimento ou receita independe da denominação, da origem ou da forma de percepção para ser oferecida à tributação, a parcela objeto de estudo deve ser aferida de forma autônoma, no pendente, para fins da verificação da hipótese de incidência; nesta linha de raciocínio, o Min. Arnaldo Esteves Lima, em voto proferido no julgamento do Recurso Especial n° 1.227.133/RS, sustenta: Se a verba principal for de natureza remuneratória ou indenizatória, para efeitos de exigência do imposto de renda, não terá relevância para o acessório. Não há falar em extensão. Nesse contexto, os juros de mora, quanto ao aspecto tributário, não obstante seu caráter acessório, não podem seguir a sorte da prestação principal a que se referem, (grifos aditados) Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 550 15 desse modo, ainda que se entenda tributável, para fins de Imposto de Renda, as parcelas recebidas a título de "diferenças de URV" o que não se espera não há que se falar em extensão de tal entendimento aos juros moratórios, vez que, em âmbito tributário, o acessório não segue a sorte do principal; por fim, é imperioso observar que, neste caso específico, não se trata apenas de apresentação da divergência existente entre as Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas, também, de demonstração da necessidade de adoção do entendimento exposto pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n° 1.227.133/RS, julgado sob o rito do artigo 543C do CPC, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF; sendo assim, ainda que os Nobres Conselheiros entendam, em seu íntimo, pela incidência do imposto de renda sobre a parcela referente aos juros moratórios o que se admite apenas por debate, já que sabe, o Recorrente, da boa técnica dos membros deste Conselho estes deverão reproduzir o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, em prestígio ao art. 62A do Regimento Interno do CARF. Ao final, a Contribuinte pede: seja reformado in totum o acórdão recorrido, declarando a não incidência do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos pelo ora Recorrente à título de "diferenças de URV", conforme posicionamento exposto no acórdão n. 210201.687 pela 2a Turma Ordinária da Ia Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF ou, caso assim não entenda este Ilustre Conselho, seja parcialmente reformado o acórdão ora vergastado, para determinar a exclusão da parcela referente aos juros moratórios, em consonância com o exposto no acórdão n. 280102.264 pela Ia Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF, seja porque tal montante não representa acréscimo patrimonial apto a ensejar a incidência do imposto federal, seja em observância ao art. 62A do Regimento Interno do CARF. O processo foi encaminhado à PGFN em 29/06/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 386) e, em 14/07/2015, a Fazenda Nacional ofereceu as Contrarrazões de fls. 387 a 398 (Despacho de Encaminhamento de fls. 399), alegando, em síntese: Preliminar de não conhecimento do recurso o Despacho nº s/n – 2ª Câmara de 25 de junho de 2015 reconheceu como comprovada a caracterização da divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão n. 2801 02.264, alegadamente quanto à “não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora”; todavia, o recorrente não logrou êxito na demonstração da divergência jurisprudencial; em primeiro lugar, observase que a recorrente sequer pleiteia a demonstração de divergência quanto à “não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora”, como assentou o referido despacho de admissibilidade; Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 16 na verdade, objetivou a recorrente a exclusão dos juros de mora do presente lançamento, confirase trecho do recurso especial: 2.8. Na remota hipótese deste Conselho entender de forma diversa daquela sustentada pelo primeiro paradigma apresentado, impõese a verificação da divergência existente entre a decisão recorrida e aquela proferida pela 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF, constante do Acórdão n. 280102.264 (Segundo Acórdão Paradigma) (Doc. 04), que, em similar hipótese, excluiu do débito tanto a multa de ofício, quanto a parcela referente aos juros moratórios, conforme Ementa abaixo: (...) 2.9 Também aqui o cotejo das Ementas revela clara divergência sobre o tema. Enquanto que o acórdão recorrido manteve a autuação e juros de mora, excluindo apenas a multa de ofício, o segundo acórdão paradigma proferido pela Ia Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF, a contrario sensu. defende a exclusão tanto da multa de ofício, quanto dos juros moratórios. na verdade, objetivou a recorrente a exclusão dos juros de mora do presente lançamento; portanto, a pretensão da recorrente nada tem a ver com a “não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora”, pretende apenas a exclusão dos juros de mora do lançamento. nesse passo, o acórdão nº 280102.264 não se mostra com apto à configuração do dissenso, pois trata de outra questão totalmente estranha e diversa da discutida nestes autos e sequer se reporta à possibilidade de exclusão dos juros do lançamento, como quer a recorrente. noutro passo, a exigência dos juros de mora, além de encontrar amparo na lei, não é alvo de divergências jurisprudenciais que possam justificar o manejo de recurso especial cujo fim precípuo é a uniformização de teses jurídicas. Para comprovar seguem dois enunciados da Súmula de Jurisprudência deste Eg. Conselho: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. logo, como o recorrente não logrou êxito em demonstrar a diversidade das teses jurídicas contrapostas, não ficou comprovada a divergência jurisprudencial suscitada; ante os argumentos expendidos, em sede preliminar, devese negar seguimento ao recurso especial manejado, diante da ausência de demonstração da divergência jurisprudencial. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 551 17 Mérito do recurso a não incidência do IRPF sobre os valores percebidos a título de “valores indenizatórios de URV” aos membros da Magistratura Federal e do MPU constitui isenção e como tal deve ter sua aplicação analisada sob o prisma mais restritivo possível; nos termos do art. 153, III, da Constituição Federal, compete à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. em face do que dispõe o art. 146, III, a, da Constituição Federal, a Lei nº 5.172/66 assim definiu o fato gerador do Imposto de Renda: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” em conformidade com o § 1º do artigo transcrito, incluído pela Lei Complementar nº 104/2001, e também o § 4º do art. 3º da Lei nº 7.713/88, a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título; em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções; a partir da interpretação sistemática das normas jurídicas acima, temos que os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda; desta forma, a regra é a tributação destes valores e, somente, nas situações excepcionalmente elencadas nas Leis nºs 9.665/98 e 10.477/2002, conforme Resolução 245/2002 do STF, encampada pelo Ministro da Fazenda por meio do Parecer PGFN nº 923/2003, é que a incidência de IRPF deve ser afastada, e não é este o caso dos autos; a instituição de benefício fiscal desonera a carga tributária, causando uma exceção ao entendimento de que tal carga deve ser suportada por todos os sujeitos passivos previstos em lei a fim de que o Estado possa atingir seus objetivos e cumprir suas obrigações, e, portanto, sua análise deve ser a mais cautelosa possível (cita doutrina de Ives Gandra da Silva Martins); desta forma, qualquer benefício que reduza o ingresso de divisas nos cofres públicos deve ser interpretado restritivamente, ou seja, a interpretação deve ser literal; as principais normas jurídicas que tratam de isenção (tributária), estabelecendo os contornos fundamentais do instituto, são as seguintes: Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 18 Constituição "Art. 150. (...) §6 Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, § 2º, XII, g." Código Tributário Nacional “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares.” diante dos comandos constitucionais e legais transcritos não subsiste dúvida: a isenção é exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação e deve ser veiculada por meio de lei; como exceção à regra, a isenção comporta interpretação e aplicação restritivas, portanto somente as hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador podem gozar do “favor tributário” da isenção; estas premissas foram e são sufragadas veementemente na ordem jurídica nacional: “RESP RECURSO ESPECIAL – 529577 Relator(a) FRANCISCO FALCÃO Sigla do órgão STJ Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte DJ DATA:14/03/2005 PG:00201 TRIBUTÁRIO. IPI. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DO DIREITO AO RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 1º DA LEI 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL QUE ATINGE SOMENTE AS MERCADORIAS INTEGRADAS NO PROCESSO Fl. 560DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 552 19 PRODUTIVO DE PRODUTO FINAL DESTINADO À EXPORTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO C. STF. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL NÃO CONHECIDO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO C. STF. I O art. 1º da Lei 9.363/96 disciplina o reconhecimento do direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI somente em relação às mercadorias agregadas em processo produtivo a produto final destinado à exportação. II A desoneração da carga tributária, como benefício fiscal, e em exceção à regra geral que é a incidência dos tributos que gerarão o crédito presumido, deve ser interpretada nos exatos termos da previsão legal, sem ampliação ou redução de seu alcance.(...)” “Processo AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 1093720 Relator(a) HUMBERTO MARTINS Sigla do órgão STJ Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte DJE DATA:04/05/2009 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC – INEXISTÊNCIA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – MÁQUINA IMPRESSORA OFFSET – BENEFÍCIO FISCAL – REGIME DE ALÍQUOTA ZERO – REQUISITOS – INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA – ART. 111, INCISO II, DO CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida. 2. As isenções, diante da inteligência do art. 111, inciso II, do CTN, devem ser interpretadas literalmente, ou seja, restritivamente, pois sempre implicam renúncia de receita. 3. A aplicação de alíquota zero na importação da máquina impressora offset em comento é concedida apenas quando preenchidos os requisitos previstos na Portaria MF n. 279/96, o que, segundo o Tribunal de origem, não ocorreu, afastandose a violação do art. 111, II, do CTN. Agravo regimental improvido. Indexação VEJA A EMENTA E DEMAIS INFORMAÇÕES. Data da Decisão 14/04/2009 Data da Publicação 04/05/2009.” “AgRg no REsp 1093720 / RJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/01970838 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 14/04/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 04/05/2009 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC – INEXISTÊNCIA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – MÁQUINA IMPRESSORA OFFSET – BENEFÍCIO FISCAL – REGIME DE ALÍQUOTA ZERO – REQUISITOS – INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA – ART. 111, INCISO II, DO CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida. 2. As Fl. 561DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 20 isenções, diante da inteligência do art. 111, inciso II, do CTN, devem ser interpretadas literalmente, ou seja, restritivamente, pois sempre implicam renúncia de receita. 3. A aplicação de alíquota zero na importação da máquina impressora offset em comento é concedida apenas quando preenchidos os requisitos previstos na Portaria MF n. 279/96, o que, segundo o Tribunal de origem, não ocorreu, afastandose a violação do art. 111, II, do CTN. Agravo regimental improvido.” no que se refere à Resolução STF nº 245/2002 cabe observar, que a mesma restringese ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União; esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda; em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção; nesta seara, atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto; não se trata, no caso concreto, de mera equiparação de benefício previsto em lei federal (competente para reger a matéria) para a Magistratura Federal a membro da Magistratura Estadual/Ministério Público Estadual, mas sim de elastecer a concessão de uma isenção por analogia, diante da inexistência de previsão legal, o que não se pode permitir; neste sentido colacionamse os seguintes julgados: "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DE SERVIDORES. CONVERSÃO DA URV PARA O REAL. PARCELA RESULTANTE DAS DIFERENÇAS APURADAS. NATUREZA SALARIAL. RESOLUÇÃO 245/STF. INAPLICABILIDADE. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. ART. 4º DA LEI 1.060/50. INDEFERIMENTO EXPRESSO DO PEDIDO PELO TRIBUNAL A QUO. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. 1. As verbas percebidas por servidores públicos, resultantes da diferença apurada na conversão de sua remuneração da URV para o Real, têm natureza salarial, por isso que estão sujeitas à incidência de imposto de renda e de contribuição previdenciária. (Precedentes: EDcl no RMS 27.336/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 14/04/2009; RMS 27.338/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2009, DJe 19/03/2009; AgRg no RMS 25.995/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2009, DJe 01/04/2009; RMS 28.241/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 18/02/2009; AgRg no RMS 27.614/RS, Rel. Ministro HERM HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2008, DJe 13/03/2009) 2. A Resolução Administrativa 245 do Supremo Tribunal Federal é inaplicável Fl. 562DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 553 21 in casu, porquanto versa sobre as diferenças da URV referentes, especificamente, ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei 9.655/98, sendo certo o reconhecimento da natureza indenizatória da aludida verba no bojo da mencionada Resolução. (Precedentes: AgRg no RMS 27.577/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2008, DJe 11/02/2009; AgRg no RMS 27.614/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2008, DJe 13/03/2009; RMS 19.088/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/04/2007, DJ 20/04/2007) 3. A mera declaração do interessado acerca da hipossuficiência é bastante à concessão da gratuidade da justiça, sendo certo certo que referido documento revestese de presunção relativa de veracidade, suscetível de ser elidida pelo julgador que entenda haver fundadas razões para crer que o requerente não se encontra no estado de miserabilidade declarado. (Precedentes: RMS 27.338/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2009, DJe 19/03/2009; RMS 27.582/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/11/2008, DJe 09/03/2009; RMS 26.588/MS, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, QUARTA TURMA, julgado em 02/09/2008, DJe 15/09/2008; AgRg no AgRg no Ag 978.821/DF, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/08/2008, DJe 15/10/2008) 4. In casu, restou assente nas instâncias ordinárias (fls. 43/44) que, in verbis: "(...) pelo disposto no § 1º do referido artigo, "presumese pobre, até prova em contrário, quem afirmar essa condição nos termos desta lei, sob pena de pagamento até o décuplo das custas judiciais". Isto é, a lei consagra a presunção juris tantum de pobreza. No caso vertente, entretanto, inicialmente não foi indeferido o benefício da Assistência Judiciária Gratuita, mas tãosomente se determinou que apresentasse comprovante de rendimentos e/ou cópia da declaração de imposto de renda/isento. Tal determinação, por sua vez, apresentase justificada à medida que houver dúvida sobre a sinceridade do pedido e/ou sobre a necessidade da parte demandante. Com a apresentação do documento requerido às fls. 41, temse agora sim por indeferir o pedido de Assistência Judiciária, visto que o montante das custas é reduzido, e tal documento revela rendimentos superiores a R$ 6.000,00 mensais." 5. Exclusão da multa imposta com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, ante a ausência de intuito protelatório por parte da recorrente, porquanto ausente provimento jurisdicional a ensejar interesse em procrastinar do feito. 6. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 22 Recurso ordinário parcialmente provido, para excluir a multa imposta com base no art. 538 do CPC.” ROMS 200900116260. Luiz Fux. 1ª Turma. STJ. Publicado em 03/08/2010 “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE DIFERENÇAS PAGAS A TÍTULO DE URV. 1. Afastase a alegada ofensa ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, pois o acórdão denegatório do mandado de segurança está claro e suficientemente fundamentado, muito embora o Tribunal de origem tenha decidido de forma contrária aos interesses do impetrante. Isso, contudo, não significa omissão, mormente por terem sido abordados todos os pontos necessários para a integral resolução da controvérsia. Da mesma forma, é cabível a aplicação de multa por oposição protelatória de embargos de declaração na espécie, tendo em vista a inexistência de omissão, contradição ou obscuridade e a sucessiva utilização do incidente processual. Nesse sentido: RMS 28.241/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 18.2.2009. 2. Quanto à alegada ofensa ao art. 4º, § 1º, da Lei 1.060/50, o recurso ordinário nem sequer deve ser conhecido. Isto porque, de acordo com o art. 169, V, do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, compete ao Relator processar e julgar os pedidos de assistência judiciária, ressalvada a competência do 1º Vice Presidente para, nos termos do art. 44, III, do mesmo Regimento, processar e julgar os pedidos de assistência judiciária antes da distribuição e quando se tratar de recurso extraordinário ou especial. E ressalvadas as exceções previstas nesse Regimento, o seu art. 233 dispõe que caberá agravo regimental, no prazo de cinco (5) dias, de decisão do Presidente, dos VicePresidentes ou do Relator, que causar prejuízo ao direito da parte. No caso, contra a decisão que indeferiu o pedido de assistência judiciária o impetrante não interpôs agravo regimental, ficando preclusa, portanto, a discussão da matéria perante este Tribunal Superior. Por outro lado, embora seja possível a renovação, no ato de interposição do recurso, do pedido de assistência judiciária que, formulado na petição inicial, vem a ser denegado na instância de origem, fazse necessária a comprovação, no segundo pedido de gratuidade da justiça, da mudança na situação econômica do recorrente que não lhe permita pagar as custas processuais, sem prejuízo do sustento próprio ou da família. 3. Este Tribunal Superior firmou sua jurisprudência no sentido de que os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda e à contribuição previdenciária. 4. A jurisprudência desta Corte também se firmou no sentido de que a Resolução Administrativa nº 245, do Supremo Tribunal Federal, Fl. 564DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 554 23 não se aplica a casos como o dos presentes autos, pois tal resolução faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei 9.655/98. Ademais, não se trata de decisão proferida em ação com efeito erga omnes, de modo que não pode ser considerada como fato constitutivo, modificativo ou extintivo de direito suficiente para influir no julgamento da presente ação mandamental. 5. Recurso ordinário parcialmente conhecido, porém não provido.” ROMS 200801608971. Min. Mauro Campbell. STJ. 2ª Turma. Publicado em 30/09/2010. logo, deve ser mantido o acórdão recorrido, rejeitandose o pleito de sua reforma demandado pela recorrente; quanto aos juros de mora, melhor sorte não merece a pretensão da recorrente; com efeito, sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal e uníssona jurisprudência deste Eg. Conselho: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. desse modo, deve ser mantido o acórdão atacado, negandose provimento ao recurso especial da contribuinte. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja negado seguimento ao recurso especial interposto pela contribuinte e, caso não seja este o entendimento sufragado, requer que, no mérito, seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão recorrido por seus próprios fundamentos, bem como com fundamento nas razões expendidas acima. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 24 não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do apelo, no que tange à segunda matéria, alegando que, ao se mencionar "juros de mora", a Contribuinte estaria se referindo aos juros Selic incidentes sobre o crédito tributário, e não sobre a verba de juros por ela recebida. Entretanto, o Recurso Especial é por demais claro, no sentido de que os "juros de mora" referidos são efetivamente aqueles recebidos juntamente com os rendimentos acumulados, mormente na parte em que se demonstra a divergência, mediante a indicação na ementa do paradigma. Confirase: "2.8. Na remota hipótese deste Conselho entender de forma diversa daquela sustentada pelo primeiro paradigma apresentado, impõese a verificação da divergência existente entre a decisão recorrida e aquela proferida pela 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF, constante do Acórdão n. 280102.264 (Segundo Acórdão Paradigma) (Doc. 04), que, em similar hipótese, excluiu do débito tanto a multa de ofício, quanto a parcela referente aos juros moratórios, conforme Ementa abaixo: (...) Acórdão n. 280102.264 (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007. NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA INSTITUCIONAL A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis n° Fl. 566DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 555 25 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimento. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte, (grifos aditados) 2.9 Também aqui o cotejo das Ementas revela clara divergência sobre o tema. Enquanto que o acórdão recorrido manteve a autuação e juros de mora, excluindo apenas a multa de ofício, o segundo acórdão paradigma proferido pela Ia Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF, a contrario sensu. defende a exclusão tanto da multa de ofício, quanto dos juros moratórios. Com efeito, o trecho destacado na ementa do paradigma não deixa dúvidas acerca da matéria suscitada, que é "juros de mora recebidos acumuladamente". Não bastasse isso, nas razões de recurso, ao tratar desta matéria, a Contribuinte assim a intitula: "4.1. DA NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS MORATÓRIOS." No mais, as razões de recurso seguem focando no Recurso Especial 1.227.133/RS, que nada tem a ver com juros Selic incidente sobre o crédito tributário, mas sim com a matéria efetivamente suscitada, que é a verba de juros recebida acumuladamente. Diante do exposto, conheço integralmente do recurso e passo à sua análise. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 26 As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 556 27 Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 569DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 28 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10580.725171/200961 Acórdão n.º 9202004.236 CSRFT2 Fl. 557 29 prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 30 Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Salientese que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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