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Numero do processo: 13841.720077/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
Simples Nacional. Débitos Tributários. Impossibilidade de Opção.
Para optar pelo regime de tributação favorecido, diferenciado e simplificado instituído pela Lei Complementar nº 123/06, o contribuinte deve regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, até o término do prazo da opção, sujeitando-se ao indeferimento da opção em caso contrário.
Numero da decisão: 1302-001.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 Simples Nacional. Débitos Tributários. Impossibilidade de Opção. Para optar pelo regime de tributação favorecido, diferenciado e simplificado instituído pela Lei Complementar nº 123/06, o contribuinte deve regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, até o término do prazo da opção, sujeitando-se ao indeferimento da opção em caso contrário.
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DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Para optar pelo regime de tributação favorecido, diferenciado e simplificado instituído pela Lei Complementar nº 123/06, o contribuinte deve regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, até o término do prazo da opção, sujeitandose ao indeferimento da opção em caso contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 72 00 77 /2 01 2- 91 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa em epígrafe, efls. 51 e 52, contra o Acórdão nº 0355224/13, proferido pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, efls 43 a 45, que manteve o indeferimento da opção da empresa pelo Simples Nacional, para o anocalendário de 2012, em vista de a não regularização de débitos em aberto no prazo determinado pela norma tributária. O aresto restou assim ementado: SIMPLES NACIONAL. DECISÃO INDEFERITÓRIA DA OPÇÃO DE INGRESSO. NÃO REGULARIZAÇÃO DAS PENDÊNCIAS NO PRAZO REGULAMENTAR. A regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação. O Termo de Indeferimento da opção, efls. 04, acusou a existência de seis débitos previdenciários em aberto, que motivaram o indeferimento da opção, a saber débitos identificados pelos nºs: 390845434; 390845442; 395682240; 395682258; 400237709 e 400237717. Nos autos constam pesquisas que demonstram que quatro dos seis débitos foram incluídos em parcelamento e estavam com a exigibilidade suspensa (efls. 24 a 30) e o débito nº 390845434 foi objeto de pagamento (DARF) em 23 de fevereiro de 2012 (efls. 15). A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 51 e 52, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que o débito nº 390845442, que ensejou o indeferimento, não foi incluído no parcelamento juntamente com os demais débitos por erro do funcionário que os inscreveu, sendo que, à época, não havia forma da própria contribuinte pesquisar os débitos e fazer o parcelamento. Reproduzo o teor do recurso, em parte: Quando da solicitação de Opção para o Simples Nacional para o ano calendário de 2012 e apontadas as pendências previdenciárias, imediatamente a empresa solicitou junto a Agência de São João da Boa VistaSP onde está subordinada, o parcelamento !do débito, uma vez não era possível fazer o parcelamento direto pelo Portal ECAC, pois a sistemática para parcelamento da Receita Previdenciária até o momento deste Recurso, é diferenciada toda e qualquer informação dependia ( e ainda depende) pois é preciso que o Agente Administrativo transforme a pendência em DEBCAD para proceder o Parcelamento da mesma. Todo esse processo foi feito. Ocorre que o Agente Administrativo que estava atendendo ao processo de Parcelamento deixou de incluir o débito 390845434 que estava inscrito em DAU. Essa informação que está sendo relatada só foi possível mediante nova pesquisa junto à Agencia em 17/02/2012 (cópia anexa) quando da ciência do indeferimento da Opção pelo Simples Nacional. Todos somos passíveis de erro, mas a empresa envidou todos os esforços para regularizar todas as pendências que foram apresentadas. Se a empresa tivesse acesso direto á pesquisa como hoje acontece, pela disponibilidade da Pesquisa de Situação Previdenciária, 1 AR – 27/11/13, efls. 49; Recurso – 26/12/13, efls. 51 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13841.720077/201291 Acórdão n.º 1302001.854 S1C3T2 Fl. 3 3 Fiscal, DAU, concordaria com o enunciado da Comunicação retro: " Pesquisas nos sistemas da RFB (fls. 36 a 42) permitem verificar que dentre os débitos motivadores do indeferimento, o débito 390845.442 estava em situação de exigibilidade ao término do prazo." mas na época dependia exclusivamente do atendimento dos Agentes Administrativos.Por qual motivo a empresa deixaria de solucionar uma única pendência que a penalizaria?A empresa foi induzida a erro e não se conforma com o resultado da 4" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de BrasíliaDRJBSB datado de 26/09/2013 e vem requerer que este Recurso seja julgado levando em conta o que foi relatado e principalmente pela maneira diferenciada com que a Receita Previdenciária até o momento trata o Parcelamento de seus débitos não disponibilizandoos diretamente ao contribuinte (...) (grifos pertencem ao original) É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. O cerne do litígio instaurado está em decidir se as alegações da recorrente de que não parcelou, ou quitou, os débitos previdenciários a tempo para optar pela sistemática de tributação diferenciada, favorecida e simplificada do Simples Nacional, por culpa exclusiva da administração tributária procedem ou não. A existência dos débitos à data da opção é inconteste, ao menos os identificados pelos nºs 390845434 e 390845442, visto que o pagamento do primeiro débito (390845434) foi efetuado apenas em 23 de fevereiro de 2012 (DARF às efls. 15) e, no que respeita ao segundo débito, nº 390845442, não há informação, nos autos, de pagamento ou inclusão em parcelamento até o presente momento, eis que ainda consta o débito como inscrito na Procuradoria da Fazenda Nacional. A argumentação da recorrente de que foi induzida em erro pelo servidor responsável pela formalização do parcelamento, bem como a acusação dos sistemas previdenciários não permitirem aos contribuintes a consulta aos débitos inscritos em dívida ativa, é frágil, pois pretende retirar todo e qualquer ônus da empresa e responsabilidade quanto à sua situação fiscal, controle e pagamentos dos tributos federais e, ao mesmo tempo, pretender usufruir do regime de favorecimento fiscal. Ora, antes da administração tributária, é dever dos contribuintes manter o controle da situação fiscal e das suas obrigações tributárias. A recorrente transfere a responsabilidade que possui em saber as próprias dívidas fiscais, débitos em aberto, para a administração fazendária, demonstrando que não possui qualquer controle sobre o pagamento Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 4 dos tributos previdenciários em atraso, ou não efetuados e, mais grave, não sabendo da existência de débito já inscrito na Dívida Ativa da União. A norma de regência para a opção pelo regime de tributação de favor fiscal é a Lei Complementar nº 123/06 e foi explicitada na Resolução CGSN nº 94/2011: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao orignal) Entendo, por conseguinte, que é ônus dos contribuintes interessados em aderir ao Simples Nacional verificar a regularidade dos pagamentos dos tributos federais junto à sua contabilidade, ainda que mantida na forma mais simplificada, e regularizálos a tempo para usufruir do benefício fiscal instituído pela Lei Complementar nº 123/06. A recorrente poderia ter solicitado a certidão negativa de débitos junto à unidade de jurisdição em tempo hábil, ou seja, antes do prazo final para a opção ao Simples Nacional ou, se mantivesse regular controle sobre os seus débitos tributários em atraso, não argumentaria a surpresa dos débitos existentes e a culpa exclusiva do órgão fazendário, que não incluiu um dos débitos no parcelamento. Em outras palavras, ao pretender se beneficiar do regime de tributação favorecido, os contribuintes têm meios para verificar suas pendências fiscais e regularizar a situação até o prazo final para exercer a opção. O favorecimento fiscal instituído pela Lei Complementar é somente para os contribuintes que não possuem pendências com débitos tributários, não se enquadrando a recorrente nesta situação em 31/01/12, pois com relação a um débito fiscal procedeu o pagamento somente em 23 de fevereiro de 2012, e o outro lhe era desconhecido e já estava inscrito em dívida ativa da União (não consta dos autos o pagamento deste). Pelo exposto, correto o pronunciamento da Turma Julgadora de Primeira Instância em declarar que a regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13841.720077/201291 Acórdão n.º 1302001.854 S1C3T2 Fl. 4 5 Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720084/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL.
É intempestivo o recurso protocolado na repartição quando expirado o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-002.886
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o Recurso Voluntário.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Helcio Lafeta Reis, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL. É intempestivo o recurso protocolado na repartição quando expirado o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL. É intempestivo o recurso protocolado na repartição quando expirado o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o Recurso Voluntário. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Helcio Lafeta Reis, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Em síntese, tratase de procedimento administrativo oriundo da lavratura do Auto de infração, de fl. 1520/1535, para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados (1PI), acrescido de juros de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 84 /2 00 7- 89 Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 mora e de multa proporcional ao valor do imposto, vez que fora apurada a infração “Inobservância do valor tributável”. Ante a falta de lançamento de imposto nas saídas de ferro gusa do estabelecimento industrial, ante a falta da inclusão do frete na base de cálculo do IPI. Apresentada a Impugnação de fl. 1842/1912, a Fiscalizada afastou os argumentos tecidos pelos Agentes, pugnando pela improcedência da exigência fiscal e pelo cancelamento do Auto de Infração. A 6ª Turma da DRJ/Recife, nos termos do r. Acórdão nº 1135.372, de 10 de novembro de 2011, considerou improcedente a impugnação sob os fundamentos conforme ementa da decisão recorrida que a seguir transcrevo, fls. 1915/1922: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS in Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 VALOR TRIBUTÁVEL FRETE. Conforme a legislação de regência, o frete realizado por empresa interdependente tem que ser incluído na base de calculo do IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, não proferidas pelo STF, sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo Aquele objeto da decisão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 INC ON S T I TUC IONALID ADE GAUD ADE . AFRONTA A PRINCiPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos bem como a afronta a princípios constitucionais está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. TAXA SELIC. Os juros de mora calculados com base na taxa SELIC estão previstos em Lei. Os aspectos relativos à constitucionalidade e legalidade de sua cobrança escapam ao âmbito do julgamento administrativo Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 16/03/2012 (sextafeira), conforme AR de fls 2433, o prazo para interposição de recurso começou a contar do dia 19/03/2012 (segunda Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13609.720084/200789 Acórdão n.º 3302002.886 S3C3T2 Fl. 258 3 feira), e a Fiscalizada, não concordando com o resultado, interpôs recurso voluntário em 20/04/2012 (sextafeira). Já às fls. 2460, a d.Serventia certificou que o referido recurso fora apresentado intempestivamente. É breve o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Sem maiores delongas, voto de forma concisa. Como se sabe, no Processo Administrativo Fiscal, o Decreto nº 70.235/72 estabelece em seu art. 33 que o contribuinte pode interpor recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência de primeira instância. In Casu, a Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 16/03/2012, uma sextafeira, de acordo com o Aviso de Recebimento de fls 2433. Assim, o prazo para interposição do recurso começou a fluir no dia 19/03/2012, segundafeira, expirando no dia 17/04/2012, quartafeira. E como a peça recursal fora apresentada somente no dia 20/04/2012, sexta feira, o mesmo encontrase intempestivo, operandose a preclusão. Dessa forma, outra solução não resta deste Conselheiro, senão votar no sentido de NÃO CONHECER o recurso por sua interposição fora do prazo. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13854.000161/2004-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Os embargos de declaração prestam-se ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. SANEAMENTO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS.
Verificada a ocorrência de erro material no acórdão embargado, pela presença de discussão de matéria que é estranha aos autos, deve ser promovido o saneamento do processo, expurgando-se do julgado o conteúdo alienígena.
Numero da decisão: 3401-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração apresentados, com efeitos infringentes, para retificar erro material do dispositivo do acórdão. Esteve presente ao julgamento a advogada Roberta Bordini Prado Landi, OAB/SP no 236.181.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração prestam-se ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. SANEAMENTO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Verificada a ocorrência de erro material no acórdão embargado, pela presença de discussão de matéria que é estranha aos autos, deve ser promovido o saneamento do processo, expurgando-se do julgado o conteúdo alienígena.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração apresentados, com efeitos infringentes, para retificar erro material do dispositivo do acórdão. Esteve presente ao julgamento a advogada Roberta Bordini Prado Landi, OAB/SP no 236.181. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração prestamse ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. SANEAMENTO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Verificada a ocorrência de erro material no acórdão embargado, pela presença de discussão de matéria que é estranha aos autos, deve ser promovido o saneamento do processo, expurgandose do julgado o conteúdo alienígena. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração apresentados, com efeitos infringentes, para retificar erro material do dispositivo do acórdão. Esteve presente ao julgamento a advogada Roberta Bordini Prado Landi, OAB/SP no 236.181. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 01 61 /2 00 4- 36 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 303 a 310)1 opostos pela empresa, em relação ao Acórdão nº 3403003.600 (fls. 250 a 259), relatado pelo Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, no qual atuei como redator designado. Alega a embargante que a decisão incorreu em erro material, pois analisou discussão inexistente nos autos (cômputo, no rateio proporcional, de receitas decorrentes de exportação de bens adquiridos de terceiros com fim específico de exportação), em omissão, no que se refere à motivação para afastar a alegação de decurso de prazo para alteração da base de cálculo da contribuição; em omissão e obscuridade, no que se refere à inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS; em omissão, na análise de provas apresentadas em relação à exclusão das receitas de complemento de preço do cálculo da receita de exportação e à inclusão na base de cálculo da COFINS; e em omissão, em relação à alegação de imunidade (art. 149 da CF/1988). Figuram ainda no presente processo recurso especial interposto pela Fazenda (fls. 261 a 271), com exame de admissibilidade às fls. 295 e 296, e contrarrazões do contribuinte (fls. 354 a 358). Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 393/394, e o processo foi a mim distribuído para inclusão em pauta de julgamento e apreciação pelo colegiado, no mérito. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 393/394, passase diretamente à análise das omissões / obscuridades / erros objetivamente apontados. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13854.000161/200436 Acórdão n.º 3401003.134 S3C4T1 Fl. 396 3 Importante destacar que no exame de admissibilidade não se estava a verificar efetivamente se houve omissões / obscuridades / erros, mas se estes haviam sido objetivamente apontados. Relevante ainda informar que com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. Como relatado, são apontados um erro material, e quatro omissões, sendo uma delas cumulada com obscuridade. Em relação ao erro material, afirma a embargante que o acórdão analisou discussão inexistente nos autos (cômputo, no rateio proporcional, de receitas decorrentes de exportação de bens adquiridos de terceiros com fim específico de exportação). E, de fato, assiste razão à embargante nesse aspecto, devendo o erro ser sanado. No voto, o relator, provavelmente por equívoco, decorrente da análise de múltiplos processos semelhantes da mesma recorrente, acabou incluindo o tema em seu voto (fls. 254 e 256). E, na análise efetuada pelo colegiado, também de diversos processos, com a presença e a sustentação oral efetuada por representante da empresa em todos, sequer foi ventilado que o presente processo, especificamente, não tratava do tema. Na ocasião, discordei do posicionamento adotado pelo relator em relação ao tema em comento, tendo sido designado para redigir voto vencedor em relação à matéria, tarefa que empreendi em vários processos, também sem tomar em conta que, no presente, a matéria não estava especificamente questionada. Em síntese, o relator do processo incluiu o tema indevidamente em seu voto, provavelmente por equívoco, decorrente da análise de múltiplos processos semelhantes da mesma recorrente, e nem a turma nem o representante da empresa perceberam, no julgamento, que havia, entre os processos, um (o presente) no qual tal tema não se fazia presente. Mister, então, sanar o erro, que afeta, inclusive, o resultado do julgamento, visto que o relator só foi vencido em tal tópico, que sequer deveria constar de seu voto. Reproduzo, abaixo, a título esclarecedor, o resultado do julgamento que resultou no acórdão embargado: "ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para excluir os valores decorrentes da venda de ativo imobilizado da base de cálculo dos meses de fevereiro e março. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Domingos de Sá Filho, que deram provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer também o direito ao cômputo das receitas decorrentes da exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo da proporcionalidade, incluindose tais valores no dividendo e no divisor (período posterior a 01/02/2004). Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP nº 246.569. Julgado no dia 26/02/215 a pedido da recorrente." (grifo nosso) Fl. 397DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Vejase, então, que o resultado deveria ter sido unânime, e não por maioria, visto que a única matéria sobre a qual não pairou unanimidade no entendimento da turma nem deveria ter sido a ela submetida. Acolho, assim, os embargos em relação ao erro material pertinentemente apontado, sanandoo da seguinte forma: a) deve ser excluído da ementa do Acórdão nº 3403003.600 o seguinte excerto: "EXPORTAÇÃO DE TERCEIROS. COMPRAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. RECEITA. SEGREGAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. As receitas de exportação consideradas na proporcionalidade com a receita bruta são aquelas decorrentes da produção própria do exportador, devendo ser segregadas daquele rol as receitas de exportação de terceiros, oriundas das compras com fim específico de exportação." b) devem ser desconsiderados, no voto do relator os seguintes excertos: "ii) inclusão ou não nas receitas de exportação, no método proporcional de cálculo (rateio proporcional) de receitas decorrentes da exportação de mercadorias de terceiros, adquiridas com o fim específico de exportação;" (fl. 254) "Inclusão ou não de receitas de exportação de bens adquiridos de terceiros com fim específico de exportação A Autoridade Fazendária asseverou que a Recorrente não tem direito ao crédito das aquisições realizadas com fim específico de exportação, uma vez que, pelo raciocínio que desenvolve, não haveria incidência das Contribuições na compra realizada pela Recorrente, e por isso ela não teria direito ao crédito. A Recorrente, por seu turno, alega que não há disposição legal que, para fins do método do rateio proporcional, determine a exclusão do cálculo da receita de exportação, dos valores correspondentes ao resultado auferido em operações de comércio exterior, realizadas na condição de empresa comercial exportadora. E diante da ausência de norma legal, defende a Recorrente, outra não deve ser a conclusão a não ser que os respectivos valores compõem a determinação do percentual de rateio, para fins do disposto no parágrafo 3 , do artigo 6 da Lei n 10.833/2003. Compartilho do mesmo entendimento da Recorrente, vez que no cálculo da proporcionalidade do crédito presumido a medida mais adequada consistiria na adoção da receita de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor. Nessa forma de cálculo, as receitas decorrentes de aquisições com fim específico de exportação ingressam tanto no dividendo, Fl. 398DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13854.000161/200436 Acórdão n.º 3401003.134 S3C4T1 Fl. 397 5 integrantes da receita de exportação, como no próprio divisor, incluídas na receita bruta, evitandose, efetivamente, distorção pela exclusão desses valores do dividendo e manutenção no divisor. Nesse sentido, reconheço o direito da Recorrente de apurar a proporcionalidade do crédito, incluindo as receitas decorrentes de exportação de produtos adquiridos de terceiro com fim específico de exportação, utilizando como forma de cálculo a receita bruta de exportação no dividendo e a receita bruta total no divisor." (fl. 256) c) devem ser desconsiderados, por consequência, o provimento dado pelo relator "para reconhecer o direito ao cômputo das receitas decorrentes da exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo da proporcionalidade, incluindose tais valores do dividendo e no divisor" (fl. 257), e todo o voto vencedor por mim redigido, que diverge do relator tão somente em relação a esse tópico. d) deve ser alterado o resultado do julgamento (aqui reproduzido à fl. 396), para: "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir os valores decorrentes da venda de ativo imobilizado da base de cálculo dos meses de fevereiro e março. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP nº 246.569. Julgado no dia 26/02/215 a pedido da recorrente." (grifo nosso) Reconhecido o erro material apontado, e saneado o processo, notoriamente sem prejuízo às partes, visto que bastou expurgar a análise indevida do tema alienígena, que não interessava a nenhuma das partes, passo a analisar as quatro omissões indicadas. A primeira omissão apontada se refere à motivação para afastar a alegação de decurso de prazo para alteração da base de cálculo da contribuição. E, nesse aspecto, a razão não socorre a embargante. Vejase que o excerto do acórdão de fls. 255/256 traz inequivocamente a citada motivação: "Ora, se o crédito surge da contraposição entre créditos e débitos da contribuição ao PIS e da consideração de valores sujeitos à contribuições e daqueles que se enquadram como receita de exportação e receita total, ao realizar pedido de ressarcimento a Recorrente tem a plena ciência que a homologação ou não de seu pedido constitui sinônimo de atividade fiscalizatória realizada acerca do crédito. E a fiscalização/análise do pedido formulado envolve a quantificação, a análise da legitimidade do crédito, que juntas configuram a liquidez do crédito, e a investigação da certeza do crédito em relação aos seus elementos formadores. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Nesse sentido, não tenho como concordar com a alegação de decadência ventilada pela Recorrente, e sequer da necessidade de lançamento de ofício no presente caso, pois que a incorporação de valores na base de cálculo do PIS se deu na tarefa de determinação do crédito objeto de ressarcimento, ao que a Recorrente se sujeita no momento em que formulada pedido de ressarcimento" Sendo inexistente a omissão, há, no máximo, inconformidade da embargante com a decisão, o que não é atacável pela via de embargos. A segunda omissão, segundo a embargante, é cumulada com obscuridade, e se refere à inclusão de receitas financeiras (variação cambial de direitos e obrigações) na base de cálculo da COFINS. Alega a embargante (fl. 306) que: Verificando o acórdão embargado, no tópico referente ao tema (fl. 257), percebese que a decisão, transcrita nos embargos (fls. 305/306), é sintética,mas isso não implica, necessariamente, omissão ou obscuridade: "A Recorrente insurgese contra o procedimento adotado pela Autoridade Fiscalizadora, reclamando que ela não deduziu da receita as variações monetárias passivas de seus direitos (ou ativas de suas obrigações) que corresponderiam a despesas. Ora, irretocável a Decisão de primeira instância, ante a ausência de autorização legal para tanto, restando claro que a Recorrente adota o regime de competência na apuração de suas variações monetárias ativas e passivas. No tocante aos demais argumentos ventilados pela Recorrente, diversos daqueles alegados na Manifestação de Inconformidade, que se restringiram a tratar da tese de defesa ora abordada, eles não podem ser conhecidos em decorrência da preclusão." (grifo nosso) Percebase, então, que a questão indicada como omissão ou obscuridade em relação aos elementos de prova é matéria secundária à análise do feito, diante da ausência de autorização legal. E a discordância, ainda que pertinente, é de mérito, em relação ao entendimento externado pela turma, o que, repisese, não constitui tema a ser manejado em embargos de declaração. A terceira omissão apontada se refere a ausência de análise de provas apresentadas em relação à exclusão das receitas de complemento de preço do cálculo da receita de exportação e à inclusão na base de cálculo da COFINS. E guarda semelhança com a anteriormente tratada, pois, pelo excerto transcrito, a análise dos documentos é matéria secundária, diante da ausência de preclusão. Transcrevase excerto inicial do voto do relator, sobre o tema (fls. 254/255): Fl. 400DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13854.000161/200436 Acórdão n.º 3401003.134 S3C4T1 Fl. 398 7 "Antes de adentrar nas matérias acima relacionadas, não posso deixar de tratar do questionamento levando pela Recorrente, de que pelo princípio da verdade material as complementações de receitas constituiriam receita de exportação, não alegadas em sua Manifestação de Inconformidade, e por essa razão poderiam ser analisadas no presente Recurso Voluntário. Como efeito, incidiu a preclusão sobre essa matéria, que não pode ser objeto de inovação nessa fase recursal, vez que a Recorrente não se dignou a discutir a natureza das receitas, limitandose a questionar pontos específicos do despacho decisório tratados como "acusação", o que implica aceitação da matéria não contestada que deixa de ser objeto de litígio. Em virtude da preclusão operada sobre tal matéria, deixo de analisar o argumento da Recorrente de que, na realidade, tais valores se referem a complemento de receita de exportação e que, por essa razão, devem ser incluídos no cálculo do crédito de PIS a ser ressarcido". Vêse, assim, que a omissão apontada é igualmente inexistente, pois a análise dos documentos apresentados não afasta a premissa adotada no julgamento do colegiado. Novamente, a discussão é de mérito, tendo sido manejados indevidamente os embargos. Ademais, deixar de analisar argumento que, por lei, não poderia ser analisado, em virtude de preclusão, não constitui omissão. Por fim, a quarta e última omissão apontada versa sobre a alegação de imunidade (art. 149 da CF/1988) externada pela empresa. E a situação não se altera em relação ao que foi anteriormente exposto, visto que a matéria foi analisada pela decisão embargada, na qual se entendeu ter operado preclusão (fl. 257): A Recorrente insurgese contra o procedimento adotado pela Autoridade Fiscalizadora, reclamando que ela não deduziu da receita as variações monetárias passivas de seus direitos (ou ativas de suas obrigações) que corresponderiam a despesas Ora, irretocável a Decisão de primeira instância, ante a ausência de autorização legal para tanto, restando claro que a Recorrente adota o regime de competência na apuração de suas variações monetárias ativas e passivas. No tocante aos demais argumentos ventilados pela Recorrente, diversos daqueles alegados na Manifestação de Inconformidade, que se restringiram a tratar da tese de defesa ora abordada, eles não podem ser conhecidos em decorrência da preclusão. Novamente, então, ausente a omissão apontada. Pelo exposto, restaram ausentes na decisão embargada as omissões e a obscuridade apontadas, sendo procedente apenas a alegação de erro material, que deve ser sanado com as medidas indicadas nas alíneas "a " a "d", retrocitadas. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Voto, portanto, no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração apresentados, em relação ao erro material apontado, para alterar o resultado do julgamento, de forma a excluir dos votos, da ementa do acórdão e da parte dispositiva (resultado do julgamento registrado em Ata) as menções ao tema do "cômputo das receitas decorrentes da exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo do rateio proporcional". Rosaldo Trevisan Fl. 402DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10980.009393/2007-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003, 2004
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por diversos meses consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-002.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. Os Conselheiros Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez votaram pelas conclusões. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(documento assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Conduta reiterada. Recorrente PETROPAR PETRÓLEO E PARTICIPAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por diversos meses consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. Os Conselheiros Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez votaram pelas conclusões. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 93 93 /2 00 7- 69 Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls.490 a 511) interposto pelo Contribuinte em 30/08/2010, com fundamento no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação à demonstração do evidente intuito de fraude para fins de qualificação da multa de ofício. 2. A Recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 110300.208, de 19/05/2010, por meio do qual a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, deu negou provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a qualificação da multa de ofício. 3. O Acórdão Recorrido foi assim ementado, na parte pertinente: MULTA QUALIFICADA DE 150% O elemento subjetivo do tipo previsto para a multa qualificada é o dolo específico, e não o dolo genérico tampouco eventual. No dolo específico deve haver a vontade da conduta descrita e a finalidade do resultado recriminado. Em face das provas trazidas aos autos pela fiscalização, a recorrente não produziu contraprovas, e sequer carreou provas quanto à saída de recursos de suas contas correntes. Houvesse a prova de que os recursos saíram das contas correntes da contribuinte e que a isso correspondiam as entradas de recursos no Livro Caixa da outra distribuidora, por desconto de cheques, o “dado fato” relevante poderia ser outro. É dizer, poderia se ter o benefício da dúvida quanto às comissões recebidas da outra distribuidora serem ou não por intermediação ocultada. Também a total falta de escrituração contábil das vendas de mercadorias da filial, por mais de um anocalendário consecutivamente, é outro “dado de fato” relevante. O conjunto desses elementos conduzem à extração de juízo de que houve o concurso de dolo específico nos comportamentos perpetrados pela contribuinte. 4. Extraise do voto condutor os seguintes trechos: Passo à apreciação da questão da multa qualificada O tipo previsto para incidência da multa qualificada (art 44, § 1°, da Lei 9430/96) contém, além de um elemento normativo (tributo), um elemento subjetivo — o dolo. Entendo que o elemento subjetivo do tipo não é o dolo genérico, mas o dolo especifico, como se extrai dos arts. 71 a 73, da Lei 4.502/64, a que faz remissão o art. 44, § 1°, da Lei 9.430/96. O dolo genérico demanda a vontade de se praticar a conduta repudiada (omissiva ou comissiva) da qual emana o resultado. Portanto, o dolo genérico é preordenado à conduta do que ao resultado. O dolo específico Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10980.009393/200769 Acórdão n.º 9101002.257 CSRFT1 Fl. 3 3 reclama, além da vontade de praticar a conduta descrita, a intenção de se obter o resultado condenado decorrente daquela conduta. Quer dizer, no dolo especifico deve haver a vontade da conduta descrita e a finalidade do resultado recriminado. Vontade e intenção não se confundem A vontade é muito mais psicológica, ao passo que a intenção é racional. No caso vertente, o fato de figurar como remetente dos cheques a recorrente tendo como favorecidas as usinas, embora os recursos fossem transferidos da Ubigás para as usinas, associado à falta de escrituração pela recorrente das receitas e comissões que lhe eram pagas pela Ubigás pela intermediação na compra dos combustíveis é um “dado de fato” relevante. E isso foi constatado por mais de um anocalendário consecutivamente. No Livro Caixa da Ubigás há os registros de saída de recursos destinadas aos pagamentos para as usinas e aí ficou demonstrado que os recursos saíam da Ubigás para pagamentos às usinas, apesar de constar como remetente dos cheques a recorrente e como favorecida as usinas. Bem verdade que no Livro Caixa da Ubigás, precedente à saída dos recursos há o registro da entrada de recursos em valor equivalente, a dar cobertura ao valor das saídas de recursos. Não houve comprovação de que os recursos ingressados no Livro Caixa da Ubigás, que são por descontos de cheques, correspondem a recursos transferidos pela recorrente. Diante da intimação feita à recorrente quanto às transferências de recursos, supostamente para as usinas (e se viu que não foram transferidas a elas), a recorrente limitouse a argüir o que já foi transcrito alhures, e que foi repetido na peça inaugural e no recurso. Significa dizer, a recorrente não logrou comprovar e nada trouxe aos autos quanto à efetiva saída de recursos de suas contas correntes. Quero com isso dizer que, em face das provas trazidas aos autos pela fiscalização, a recorrente não produziu contraprovas, e sequer carreou provas quanto à saída de recursos. Houvesse a prova de que os recursos saíram das contas correntes da recorrente e que a isso correspondiam as entradas de recursos no Livro Caixa da Ubigás, por desconto de cheques, o "dado de fato" relevante poderia ser outro. É dizer, poderia se ter o beneficio da dúvida quanto às comissões recebidas da Ubigás pela recorrente serem ou não por intermediação ocultada. Mas nada disso se deu. Também, a total falta de escrituração contábil das vendas de mercadorias da filial, também por mais de um anocalendário consecutivamente, vendas essas registradas nos Livros de Registros de Saída de Mercadorias da filial e no Livro de Registro de Apuração de ICMS da matriz, é outro "dado de fato" relevante. O conjunto de todos esses elementos, a conjunção dos "dados de fato" relevantes a que me referi, conduzemme a extrair o juízo de que houve o concurso de dolo específico nos comportamentos perpetrados pela recorrente. Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 4 5. A Recorrente afirmou que o acórdão diverge da jurisprudência administrativa e trouxe como paradigma, entre outros, o Acórdão nº 0105.435, de 21/03/2006, oriundo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado: MULTA QUALIFICADA DE 150% LEI 9430/96, ART. 44, II NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO — A hipótese prevista no art. 44, II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de evidente intuito fraude em que tenha sido tipificada a ação em um dos institutos dos artigos 71 a 73 da Lei 4502/94, e desde que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. DECLARAÇÃO INCORRETA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO APLICAÇÃO DO LANÇAMENTO DÉ OFICIO — As declarações inexatas do contribuinte, que diferem dos documentos e elementos contábeis e fiscais colocados à disposição do Fisco, não são, por si só, razão para aplicarse a multa qualificada. O lançamento de oficio desconsidera o ato do contribuinte denominado lançamento por homologação e deve se basear nos livros contábeis e fiscais, agindo nos termos do art. 142 do CTN; se não há vicio nos livros e documentos contábeis e fiscais, não há que se falar em fraude. TRANSFERÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A TERCEIRO NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE RELATIVA AO FATO GERADOR — A transferência de quotas representativas de participação no capital social da empresa autuada, ainda que a pessoas consideradas laranjas" pela fiscalização, não encontra fundamento legal para aplicação da multa qualificada de 150% do inciso II do art. 44 da Lei 9430/96, pois não pode ser considerada como fraude relativa ao fato gerador. 6. A Recorrente apresenta, em síntese, as seguintes razões recursais para o cabimento do Especial e reforma do Acórdão Recorrido: E conforme bem evidenciado na r. decisão recorrida, a imposição da multa qualificada exige o dolo específico, ou seja, individualização da conduta volitiva, devidamente demonstrada, a ensejar a sanção especial. Neste ponto, cumpre observar que foram duas as condutas analisadas neste processo: a omissão de comissões base auferidas, bem como a omissão de receitas da filial, constatada com no livro de saídas da filial. No que diz respeito ao segundo fato, é imperioso observar que a autuação se deu com base na própria escritura ao contábil da empresa. Em momento algum se aduz do processo que foi constatada existência de ocultação de, [sic] mas tão somente falta de registro nos livros contábeis (razão e diário) das operações destacadas e declaradas pela autuada. Portanto, é fato inarredável que a empresa não ocultou suas operações, porque elas foram, integralmente, registradas em sua contabilidade, através do livro de saídas de mercadorias, mesmo porque esta foi a única fonte da auditora para o lançamento fiscal das vendas de mercadorias atinente à filial da empresa. Aliado a este fato, incontroverso que a contribuinte prestou todas as informações solicitadas não havendo prova ou mesmo argumento contido nas decisões de que a contribuinte tenha atrapalhado o procedimento de fiscalização, inclusive no que diz respeito às comissões auferidas da empresa Ubigás. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10980.009393/200769 Acórdão n.º 9101002.257 CSRFT1 Fl. 4 5 Jamais poderá o Fisco, sem fazer a prova contundente e cabal da suposta conduta fraudulenta, impor sanções qualificadas. Até mesmo porque o próprio Código Tributário Nacional, em seu artigo 112, dispõe que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. 7. Quando do Exame de Admissibilidade do Recurso Especial (fls.584 a 588), o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso. 8. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls.1809 a 1822), na qual citou diversos precedentes a seu favor e defendeu, da seguinte forma, o cabimento da qualificação da multa de ofício: Consta do termo de verificação fiscal que a recorrente remetia pagamentos à Ubigás e esta, por sua vez, repassava os valores a usinas de álcool, em face da aquisição de álcool hidratado. Ou seja, quem efetuava o pagamento do álcool adquirido das usinas era a Ubigás, mas constava como remetente a Petropar. Por essa intermediação a Petropar recebia da Ubigás, como comissão, normalmente R$ 0,02 por litro de álcool adquirido. Tal fato consta no Livro Caixa da Ubigás na conta “Comissões sobre compras Álcool”, sendo que no histórico de cada lançamento relacionado a esse fato são mencionados a quem foi pago, o motivo, a quantidade, o produto, de qual usina foi adquirido o álcool e o número do cheque. Os depósitos bancários que constam como favorecida a recorrente referemse justamente ao pagamento dessas comissões, o que também é corroborado pelas cópias de cheques que constam como favorecida, já que nas mesmas são mencionados o motivo e a quem foi pago. Analisados o Livro Razão de 2003 juntamente com o Livros Diário e Razão de 2004, não fora constatada escrituração de receitas de comissões ou algo similar. Não foram constatados também nas DIPJs desses períodos receitas referentes à prestação de serviços. Foram confrontados o Livro Razão com os Livros de Registro de Saída de Mercadorias da filial 00.289.515/001044 e de Registro de Apuração de ICMS da matriz e se constatou que as receitas da filial não foram escrituradas no Razão, sendo que elas também não foram declaradas na DIPJ conforme demonstrado (fl. 364). (...) No caso relatado no presente processo, o colegiado, considerando as circunstâncias do caso concreto, quais sejam, o fato de a contribuinte recorrente figurar como remetente dos cheques tendo como favorecidas as usinas, embora os recursos fossem transferidos da Ubigás para as usinas, associado à falta de escrituração pela recorrente das receitas de comissões que lhe eram pagas pela Ubigás pela intermediação na compra dos combustíveis, e isso foi constatado por mais de um anocalendário consecutivamente, foram definitivos para que se aferisse se a conduta da contribuinte tinha de fato a intenção de fraudar o fisco. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 6 Como se referem a períodos de apuração seguidos, as infrações apuradas decorrem de prática reiterada. Tratase, assim, de típico caso de dolo reiterado, caracterizado pela prática do mesmo ilícito por seguidas vezes, no sentido de burlar o legítimo pagamento do tributo, por meio da conduta de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. (...) Além da conduta sistemática de omissão de rendimentos, o contribuinte acima identificado ainda deixou de oferecer expressivo montante de receitas à tributação, fato este que se comprova mediante a constatação de que a omissão representa a totalidade da receita de vendas da filial e a totalidade das receitas de comissões pagas, nos anoscalendário de 2003 e 2004. (...) Como visto, restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta reiterada, sistemática na prática de infrações tributárias, em deixar de escriturar a totalidade de suas receitas decorrentes de comissões e também a totalidade da receita de vendas de sua filial, por dois anoscalendários consecutivos, com o único propósito de evitar o conhecimento dos fatos geradores pela RFB. Tal conduta revela evidente intuito fraudulento, a ensejar a incidência da multa qualificada. Destarte, conforme provam os documentos constantes dos autos, o sujeito passivo, repitase, por sua ação firme, abusiva e sistemática, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal, demonstrou conduta consciente de quem procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa. (...) 9. É o relatório. Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10980.009393/200769 Acórdão n.º 9101002.257 CSRFT1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. Conheço do recurso, pois presentes todos os pressupostos de admissibilidade. 3. Como visto no relatório, a questão que chega a apreciação desta Turma da Câmara Superior diz respeito apenas à qualificação da multa de ofício. 4. Em primeiro lugar é preciso ressaltar que foram duas as infrações imputadas à ora recorrente, a saber: (i) omissão de receitas decorrente da falta de escrituração das comissões recebidas da Ubigas, conforme registrado no livro Caixa desta empresa e comprovado pelos respectivos pagamentos; (ii) omissão de receitas decorrente da falta de escrituração, nos livros Diário e Razão da contribuinte, das vendas realizadas por sua filial nº 00.289515/001044, vendas essas que, todavia, encontravamse registradas em seu livro Registro de Saídas. 5. Sobre ambas as infrações a autoridade fiscal impôs multa qualificada (150%) sob o argumento de que restou provado o evidente intuito da contribuinte em fraudar o Erário Público, nos termos do disposto no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. 6. Notese que as duas omissões de receita foram apuradas com base em prova direta, em não em presunção legal ou em presunção simples. 7. Ressaltese, entretanto, que o fato de as infrações em comento haverem sido objeto de prova direta não implica a conclusão de que tenham sido praticadas dolosamente. É esse, a meu ver, o ensinamento que nos traz a Súmula 14, do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Grifamos) 8. Da mesma forma, ainda que não seja a hipótese tratada nos presentes autos, devese ressaltar que o fato de uma infração ser apurada por meio de prova indireta (presunção) não implica a conclusão, defendida por alguns, de que seria incabível a imposição da multa qualificada. E, embora essa hipótese esteja contemplada na acima referida súmula 14, a qual não faz distinção entre prova direta e prova indireta, o CARF decidiu expor expressamente sua posição sobre esse assunto por meio de sua súmula nº 25, que assim estabelece: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Grifamos) 9. Resumindo o que foi dito acima, é inteiramente desimportante para fins da qualificação da multa de ofício o fato de a infração (omissão de receitas, despesas inexistentes, etc.) ter sido apurada por meio de prova direta ou indireta. O que importa para imposição da qualificadora é o fato de a infração (seja ela qual for) ter sido cometida dolosamente. E, por óbvio, o dolo do sujeito passivo também deve ser objeto de prova a ser produzida pela autoridade fiscal. Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 8 10. Pois bem, sobre a qualificação da multa de ofício o art. 44 da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 11. Como visto, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, somente se admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que são os que contêm o termo subjetivo (evidente intuito de fraude) demandado pela norma. Seguem os dispositivos citados: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. 12. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, a autoridade lançadora reunir elementos que a convençam da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. 13. Para enquadrarse determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade de que esteja provado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade, é pressuposto de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de obtenção de um fim em desacordo com o ordenamento jurídico ao se praticar determinada conduta. Ou ainda, nos termos do inciso I do art. 18 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 7/12/1940), é o doloso o crime quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. 14. Dolo é a intenção da prática de um ato ilícito. Sendo um aspecto interno ao agente, não se pode comprovar o dolo diretamente (a não ser por via da confissão ou, em países em que são aceitos, por meio de testes de medição da verdade), daí que o dolo deflue do conjunto de elementos a partir dos quais seja muito aceitável ter aquela sido a intenção do agente da prática e que seja pouquíssimo aceitável de que tenha sido outra a intenção. Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10980.009393/200769 Acórdão n.º 9101002.257 CSRFT1 Fl. 6 9 15. Ou ainda, sendo o dolo sempre comprovado indiretamente, a verdade é que comprovação indireta não é uma comprovação absoluta (não é possível comprovar absolutamente a intenção, que é um elemento subjetivo, interior ao agente), é sempre uma comprovação suficiente, ou seja, tratase de um convencimento de que houve comprovação. 16. As expressões "inequivocamente comprovado", "minuciosamente comprovada", "certeza absoluta do dolo", "plena comprovação", utilizadas numa velha jurisprudência dos Antigos Conselhos de Contribuintes (que, depois, chegou a ser encampada por algumas das turmas de julgamento de primeira instância), equivalem, em termos literários, ao sonho de Tartarim1 de Tarascon, personagem do clássico francês escrito por Alphonse Daudet em 1872, sonho este que consistia em caçar leões pelos corredores da casa, onde, porventura, não há senão ratos e pouco mais; ou ainda, em termos populares, a enveredar na busca de um unicórnio sabendo da inexistência do mesmo. 17. Assim, podese afirmar que a autoridade lançadora, ao qualificar a autuação, esteve convencida da intenção da prática do ilícito, ou seja, esteve convencida do dolo e da ocorrência da sonegação, o que a conduziu a aplicar a multa qualificada. Da mesma forma, o dolo estará suficientemente comprovado quando o julgador tiver firmado seu convencimento de que a conduta foi dolosa. Somente após os sucessivos convencimentos do aplicador (autoridade fiscal) e dos intérpretes (julgador/conselheiro/juiz) da lei quanto a correta subsunção dos fatos específicos à norma penal é que o dolo estará definitivamente comprovado. 18. Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? 19. Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. 20. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão). 21. Não obstante essas diretrizes, há ainda excludentes do dolo, não tanto excludentes na intenção, mas sim muito mais na consciência do ilícito; que, para sua configuração, exige que haja: i) o reconhecimento da intenção do que foi praticado; e ii) a existência de uma justificativa plausível para se ter adotado determinado comportamento (a exemplo de dúvida na interpretação de norma legal [que não se confunde com situações de simulação], erro de cálculo no qual possa ser identificado a imprecisão na fórmula do cálculo e que seja coerente com os valores daí decorrentes, etc). 1 Homem que carrega “a alma de Dom Quixote” e “o corpo barrigudo e atarracado” de Sancho Pança, personagens imortalizados pelo castelhano Miguel de Cervantes num dos maiores clássicos da literatura universal: “Dom Quixote”. Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 10 22. Na mesma linha (na verdade, na sua origem) da aferição a partir dos critérios da relevância e da recorrência (ou reiteração), situase o Acórdão nº 1201001.048, de 04/06/2014, que tive a honra de presidir ao julgamento, que teve por relator o eminente Conselheiro Marcelo Cuba Netto, e que reflete, a meu juízo, a mais evoluída e moderna jurisprudência sobre o tema. Confirase a ementa do mesmo, na parte pertinente: CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por três anos consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente. 23. Seguem trechos do voto do referido Conselheiro no Acórdão nº 1201000.841, de 06/08/2013: "Mas antes de arrolar as razões pelas quais entendo haver sido comprovado o dolo, desejo refutar a idéia segundo a qual não seria possível qualificarse a multa de ofício em casos de presunção de omissão de receita. Como a prova do dolo é sempre indireta, os defensores dessa idéia afirmam que haveria "presunção da presunção". Pois bem, quanto a isso bastaria apontarmos o texto da aludida súmula 25 do CARF, que expressamente admite a qualificação da multa em infrações apuradas por presunção legal, desde que comprovada a ocorrência do dolo em qualquer das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Mas não é só. ..., os elementos de prova juntados em qualquer processo não são propriamente "prova" dos fatos alegados pelas partes enquanto o órgão julgador não disser estar convencido de que aqueles elementos "provam" o fato alegado. ... A questão, portanto, recai sobre o "grau" de convencimento do julgador a fim de que ele possa afirmar que os elementos de prova juntados aos autos "provam" o fato alegado. As afirmações acima são particularmente importantes quando o fato a ser provado é o dolo do agente. ... Nesse sentido, o julgador dirá que está convencido de que os elementos indiretos de prova juntados aos autos "provam" o fato alegado quando atingido determinado grau de convencimento." 24. Segue também a aula proferida no voto vencedor do Acórdão nº 1201001.048, de 04/06/2014, que subsidiou a ementa transcrita acima: "Iniciemos então o exame do julgado da DRJ pela afirmação de que "[A] princípio, o dolo não se presume...'". Como é cediço, dolo é a vontade livre e consciente de uma pessoa se conduzir contrariamente ao estabelecido pela ordem jurídica. E uma vez que a vontade é algo interno à consciência humana, não pode ser ela provada por meios diretos, a não ser pela declaração prestada pelo próprio agente. Isso posto, ao contrário do afirmado pela DRJ, o dolo do agente, no mais das vezes, somente poderá ser provado por meios indiretos, em especial mediante presunção tomada a partir da experiência comum ou pela observação do que ordinariamente acontece (art. 335 do CPC). Somente na Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10980.009393/200769 Acórdão n.º 9101002.257 CSRFT1 Fl. 7 11 (raríssima) hipótese de confissão do agente é que se pode falar em prova direta do dolo. A outra afirmação do órgão a quo que merece comentário é a que diz respeito à exigência de prova "inconteste e cabal" do dolo. É que, ao contrário do alegado pela DRJ, o direito [qualquer ramo do direito] não exige que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos fatos" atinja o grau de "certeza". Admite que o convencimento se dê com base apenas em verossimilhança, ou seja, que seja provável, ainda que não seja absolutamente inconteste, que a "verdade dos fatos" seja essa e não aquela. Tratase aqui de um dos aspectos do princípio do livre convencimento motivado. Mesmo sem adentrarmos nos alicerces teóricos dessa afirmação2, é intuitivo que, no mais das vezes, o direito se contente com mero juízo de verossimilhança. Seja porque, por vezes, o grau de certeza é impossível de ser alcançado no caso concreto. Seja porque, mesmo nos casos em que teoricamente isso seja possível, a dificuldade para alcançálo tornaria o processo infindável. Apenas para ilustrar o que acima foi dito, a prova pericial lastreada em exame de DNA de duas pessoas distintas poderá concluir, com probabilidade superior a 99,99%, mas não de 100%, que uma delas é o pai biológico da outra. Acaso o direito exigisse que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos fatos" devesse alcançar o grau de "certeza", o juiz não poderia proferir sentença declarando a paternidade. Outro exemplo. No rumoroso caso Nardoni é inquestionável que, mesmo diante de um conjunto probatório robusto, não foi possível aos membros do Tribunal do Juri alcançar um convencimento com grau de "certeza" acerca da culpa dos réus. Não há dúvida de que a alegação da defesa, segundo à qual o autor do crime teria sido uma terceira pessoa que se encontrava no apartamento quando os acusados lá chegaram, apesar de improvável, não chegou a ser cabalmente afastada. Apesar disso, o Juri concluiu pela culpa dos réus, o que claramente foi feito com base em juízo de verossimilhança. Os exemplos acima referidos estão longe de ser incomuns. Em verdade os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são bastante freqüentes em todos os ramos do direito. Não me surpreenderia, inclusive, se uma eventual pesquisa sobre o assunto revelasse que os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são em número bem superior àqueles tomados em juízo de certeza. Bem, mas se é inescusável o fato de que o convencimento do julgador poderá ser validamente alcançado com base em juízo de verossimilhança, então a questão a ser discutida resumese ao grau desse convencimento. 2 Na doutrina pátria vide, dentre outros, Luiz Guilherme Marinoni, in Formação da Convicção e Inversão do Ônus da Prova Segundo as Peculiaridades do Caso Concreto (artigo acessado no sítio http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos/Luiz%20G%20Marinoni(15)%20formatado.pdf). Entre os muitos trabalhos estrangeiros sobre o assunto confira James Q. Whitman in The Origins of "Reasonable Doubt" (artigo acessado no sítio http://digitalcommons.law.yale.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1000&context=fss_papers). Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 12 Embora a jurisprudência pátria ainda não tenha expressamente estabelecido os padrões (standards) de grau de convencimento que devam ser adotado em cada caso concreto, é indiscutível que em processos penais os julgadores, ainda que intuitivamente, exigem um grau de verossimilhança alto para se declararem convencidos acerca da "verdade dos fatos" em caso de condenação. Esse padrão de grau de convencimento alto por nós empregado no âmbito do direito penal em caso de condenação é denominado no direito norte americano de evidência para além de qualquer dúvida razoável (evidence beyond a reasonable doubt)3. Em resumo, o emprego desse padrão implica que, para condenar o réu, o julgador somente se considerará convencido sobre a "verdade dos fatos" quando houver um alto grau de verossimilhança entre as alegações feitas pela acusação e aquilo que for possível concluir com base nos elementos de prova presentes nos autos. Havendo dúvida razoável, julgador deverá considerarse não convencido. Todavia, incertezas que extrapolem o limite do razoável devem ser desprezadas, tal como o foram nos exemplos antes referidos (paternidade e caso Nardoni). É certo que esse grau de convencimento alto, no mais das vezes, não é possível de ser determinado de maneira exata, comportando assim um certo subjetivismo. Em outras palavras, diante de um mesmo caso concreto, um julgador poderá se considerar convencido, para além de qualquer dúvida razoável, acerca da culpa do acusado, enquanto outro poderá entender que ainda restam dúvidas razoáveis que impossibilitam a condenação. Esse subjetivismo, entretanto, é minimizado pela necessária motivação da decisão e pelo duplo4 grau de jurisdição." 25. Dito isso, adoto neste julgamento esse rigoroso parâmetro/critério de grau de convencimento que me permita afirmar, para além de qualquer dúvida razoável, que os elementos de prova juntados aos autos "provam" o dolo do agente. Em outras palavras, segundo esse critério, os elementos de prova "provarão" o dolo se, e somente se, me proporcionarem o convencimento, para além de qualquer dúvida razoável, de que o agente agiu dolosamente. 26. Pois bem, em seu Termo de Verificação Fiscal a autoridade tributária elaborou demonstrativo (fl.364) tanto da omissão de receitas decorrente das comissões recebidas da empresa Ubigas, quanto da omissão das receitas auferidas pela filial nº 00.289515/001044. 27. Examinando primeiramente a acusação de conduta dolosa relativa à omissão das receitas auferidas pela filial nº 00.289515/001044, verificamos no referido demonstrativo que restou patente tanto a recorrência da conduta (infração praticada ao longo dos meses de março a dezembro de 2003), quanto a relevância das receitas omitidas (R$ 148.621.348,45) quando comparadas com as receitas declaradas na DIPJ (R$ 77.293.288,28). Ademais, há ainda o grave fato de a ora recorrente haver informado as receitas auferidas pela filial ao fisco estadual, mas não ao fisco federal. 28. Todos esses fatos, tomados em conjunto, autorizam concluir, para além de qualquer dúvida razoável, que a omissão das receitas auferidas pela filial não foi fruto de mero 3 Esse padrão de grau de convencimento alto é também adotado nas cortes norte americanas nos julgamentos de processos penais. Existem, todavia, outros padrões de convencimento lá empregados, todos com grau mais baixo do que o do evidence beyond a reasonable doubt. Uma explanação bastante resumida da aplicação de cada um desses padrões pode ser encontrada em http://en.wikipedia.org/wiki/Legal_burden_of_proof. 4 Essa minimização do subjetivismo é maior ainda quando se considera que o processo administrativo fiscal ainda poderá ser submetido à apreciação judicial. Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10980.009393/200769 Acórdão n.º 9101002.257 CSRFT1 Fl. 8 13 erro ou negligência contábil, mas sim da vontade livre e consciente da contribuinte em fraudar o Erário Público (sonegação dolosa). 29. Quanto à omissão das comissões recebidas da empresa Ubigas, constatase, aqui também, a recorrência da conduta (infração praticada ao longo dos meses de junho de 2003 a fevereiro de 2004). Embora o total das comissões omitidas seja pouco relevante quando comparado com as receitas declaradas nas respectivas DIPJs, restou provado nos autos que a Ubigás escriturou as mencionadas comissões em sua contabilidade, e que efetivamente realizou pagamentos a esse título à contribuinte. Em assim sendo, dado o conjunto dos fatos, também aqui formo meu convencimento de que está provado, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito da contribuinte em fraudar o Erário Público. 30. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Contribuinte. 31. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 10860.000090/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.674
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencida a Conselheira Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que negou provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencida a Conselheira Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencida a Conselheira Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .0 00 09 0/ 20 08 -2 8 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10860.000090/200828 Resolução nº 2202000.674 S2C2T2 Fl. 59 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10860.000090/200828, em face do acórdão nº 1741.641, julgado pela 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Do Lançamento O processo referese à auto de infração fl. 04/09 lavrada em face do contribuinte acima identificado, em decorrência de procedimento interno de revisão de Declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício 2003, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 19.328,20, sendo imposto suplementar apurado no valor de R$ 7.826,77, juros de mora no valor de R$ 5.631,36 (calculados até 12/2007) e multa de oficio no valor de R$ 5.870,07. De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento da seguinte infração na autuação em exame: Glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas R$ 28.461,00 mesmo após regularmente intimado, o contribuinte não apresentou comprovação da dedução de despesas médicas pleiteada em sua Declaração de IRPF do exercício de 2003; A autoridade lançadora justificou como motivo ensejador da glosa a ausência de comprovação da efetividade dos serviços prestados bem como dos correspondentes pagamentos. Da Impugnação Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte através de procurador apresentou manifestação tempestiva às fls. 01/02, anexando procuração por instrumento particular às fls. 03, documentos às fls. 10/30, alegando em síntese que: enviou à Receita Federal os comprovantes originais das despesas lançadas conforme solicitado; não há qualquer erro formal nos recibos emitidos; o pagamento feito à Unimed foi mediante desconto diretamente na sua produção mensal e os demais em moeda corrente; , em caso de dúvida quanto a veracidade dos recibos, a fiscalização poderá solicitar aos emitentes a comprovação destes; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10860.000090/200828 Resolução nº 2202000.674 S2C2T2 Fl. 60 3 requer o cancelamento da multa aplicada; É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado com a improcedência de sua impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário quanto ao que foi vencido, às fls. 50/52, onde são reiterados os argumentos lançados na impugnação. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pela análise dos autos, verificase, à fl. 24, que o contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual exercício 2003, o valor de R$ 28.461,00 como dedução de despesas médicas. De início, importante destacar que na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do Auto de Infração, à fl. 16, consta a seguinte informação: "o contribuinte regularmente intimado não apresentou qualquer comprovação da dedução de despesas médicas de R$ 28.481,00, pleiteada em sua Declaração de IRPF, exercício 2003". O contribuinte, em impugnação (fls. 3/5) apresentada em 18/01/2008 alega que teria enviado, em 11/2004, a Secretaria da Receita Federal os comprovantes originais das despesas lançadas. A ciência do contribuinte deste auto de infração somente ocorreu em 18/12/2007 (fl. 35). Salientase que não foram anexados comprovantes de despesas médicas quando da apresentação da impugnação, tampouco foram apresentados documentos comprobatórios em anexo ao recurso voluntário. Portanto, verifico que não existem nos autos deste processo administrativo documentos comprobatórios do direito do contribuinte. Todavia, o contribuinte alega que em novembro de 2004 encaminhou a documentação à fiscalização, sendo os documentos enviados os originais, segundo o contribuinte. Tanto em impugnação quanto em recurso voluntário a argumentação é a mesma, Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10860.000090/200828 Resolução nº 2202000.674 S2C2T2 Fl. 61 4 no sentido de que foram apresentados os documentos à fiscalização. Porém, eles não estão no presente processo administrativo. Ocorre que conforme referido acima, inclusive com transcrição de parte do texto de fl. 16, a fiscalização, antes de lavrar o auto de infração em desfavor do contribuinte, refere que o contribuinte foi regularmente intimado para apresentação de documentação comprobatória. Não há, contudo, prova desta intimação. Em verdade, não há nos autos o denominado dossiê fiscal que a fiscalização elabora prévio ao lançamento. Assim, diante da possível pendência de juntada de documentos, necessário que seja convertido o feito em diligência para que seja anexado aos autos o comprovante da regular intimação do contribuinte referido em fl.16, devendo ser juntado pela Unidade da Receita Federal de origem o referido termo de intimação referido à fl. 16, bem como o comprovante desta intimação (AR) e a manifestação do contribuinte à referida intimação. Caso o contribuinte não tenha se manifestado quando da intimação, necessária a juntada de termo de perempção. Ante o exposto, voto por CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte promova a juntada aos autos deste processo administrativo: 1. O(s) Termo(s) de Intimação(ções) encaminhado(s) ao contribuinte previamente ao auto de infração, em relação ao anocalendário 2012, onde tenha sido o contribuinte intimado, previamente ao auto de infração ser lavrado, para apresentação de comprovação de despesas médicas; 2. Os comprovante(s) da regular intimação(ções) do contribuinte para apresentação dos documentos comprobatórios das despesas médicas, previamente ao auto de infração ser lavrado. Fazse necessária a juntada do comprovante de intimação (carta AR). 3. A(s) resposta(s) apresentada(s) pelo contribuinte, com documentos por ele anexados (se for o caso), após ter sido ele regularmente intimado. Após a diligência ser realizada, necessária a intimação do contribuinte, oportunizandolhe o prazo legal para manifestação quanto o retorno da diligência. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721569/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece dos embargos de declaração intempestivos.
Numero da decisão: 2301-004.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração por intempestividade, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Anisio Batista Madureira, OAB/DF 8.088.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece dos embargos de declaração intempestivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração por intempestividade, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Anisio Batista Madureira, OAB/DF 8.088. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 69 /2 01 1- 34 Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pela delegacia da Receita Federal em Brasília/DF em 24/03/2015, fls. 1961 e seguintes, contra acórdão desta turma proferido em 06/11/2014. Anteriormente, a Fazenda Nacional havia oposto embargos de declaração, fls. 1726 e seguintes, que não foram conhecidos por não atender o pressuposto de admissibilidade, contradição, omissão ou obscuridade, fls. 1736 e seguintes. Na ocasião da ciência, a Fazenda Nacional informou que não haveria interposição de recurso especial, fls. 1746 e seguintes. Em 06/03/2015, após movimentação para a origem, a DRF Brasília/DF deu ciência do acórdão ao contribuinte, fls. 1751 e seguintes: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Pois bem, em cumprimento ao artigo 65, §2º do Regimento Interno do CARF, o novo embargo oposto pela DRF Brasília/DF foi examinado pelo Presidente da Turma em cognição sumária que decidiu por conhecêlo em parte, devolvendo à turma seu exame, fls. 1980 e seguintes: Na esteira desse ideal, com exceção do termo final do prazo decadencial (questão de direito), é de se conhecer dos Embargos de Declaração opostos pela DRF de origem, com a finalidade de melhor aclarar a situação fática posta nos autos, se a Turma assim entender, devendo ser remetido este Despacho para o Presidente da Turma recorrida, para sua análise e, se concordar, determinar a inclusão em nova pauta de julgamento. Os embargos apontam omissões, obscuridades e contradições. Considerando que o despacho apresentou relato das alegações apontadas, apenas as transcreverei: 1) No julgamento do mérito do processo, a decisão do Colegiado manteve as exigências fiscais para trabalhadores com registro devidamente formalizado, trabalhando oito horas diárias para o contribuinte. Entretanto, a decisão incorreu em omissão e contradição ao não analisar e ao não manter o crédito tributário para o caso do Sr. ROBERTO SOEIRO SIMOES. 2) No tocante à data do aperfeiçoamento do lançamento, a decisão do Colegiado incorreu em contradição e obscuridade ao entender que o aperfeiçoamento do lançamento ocorreu somente após a realização da 3a Diligência solicitada pela Delegacia Regional de Julgamento e que "nem mesmo a SRF do Brasil, através da DRJ não entendia o que a SRF do BRASIL, através da Fiscalização, estava lançando, imagina o contribuinte, ponto vulnerável nessa relação" (Resposta aos Embargos da PGFN). Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2300004.443 S2C3T0 Fl. 2.034 3 3) A decisão do Colegiado foi omissa no que tange a diversos documentos probatórios fundamentais sobre a questão da utilização de interpostas pessoas, notadamente ao não ter analisado a documentação constante do anexo AN1FISC 74. 4) O acórdão do Colegiado “não vislumbrou a demonstração de ocorrência de simulação com a segurança que o caso exige”, dentre outros, "porque a prática adotada pelo contribuinte é recorrente em empresas que prestam serviços... ". Ocorre, entretanto, que a decisão do Colegiado foi obscura ao sugerir que a prática consuetudinária pode se sobrepor a definições instituídas pela legislação tributária e omissa ao não especificar a fundamentação legal que autorizaria essa sobreposição. 5) Ainda no que tange ao dolo, fraude e simulação, consta da decisão do Colegiado que "A simples acusação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I,do Código Tributário Nacional." 6) Ainda no que versa sobre fraudes, o item 196 do relatório fiscal, notadamente no trecho abaixo transcrito, revela que a própria POLITEC/INDRA se envolveu em fraudes à legislação trabalhista e em fraudes à licitação, com reflexos na legislação tributária: 7) Ainda no que tange a confissões, a decisão do Colegiado foi omissa, pois não se posicionou sobre diversos trechos do relatório fiscal fundamentais para a lide e que confirmam a contratação de trabalhadores por intermédio de pessoas jurídicas. A fiscalização descreveu tais trechos nos itens 196 e 197 do relatório fiscal e dentre eles, encontramse: 8) No julgamento do mérito do processo, a decisão do Colegiado manteve as exigências fiscais relacionadas ao trabalhador Leonardo Ramos de Camargo. Entretanto, a decisão incorreu em omissão e contradição ao não analisar e ao não manter o crédito tributário para centenas de segurados empregados da POLITEC/INDRA que se encontravam em situações idênticas à do trabalhador em questão. 9) No julgamento do mérito do processo, a decisão do Colegiado incorreu em omissão ao não tratar dos elementos caracterizadores da relação empregatícia, notadamente da subordinação jurídica de trabalhadores que já eram empregados da POLITEC/INDRA. 10) No julgamento do mérito do processo em questão, a decisão do Colegiado manteve as exigências fiscais para trabalhadores com registro devidamente formalizado, trabalhando oito horas Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 diárias para o contribuinte. Entretanto, a decisão incorreu em omissão e contradição ao não analisar e ao não manter o crédito tributário para centenas de segurados empregados da POLITEC/INDRA que se encontravam nessas mesmas condições. 11) A decisão do Colegiado também foi omissa ao não tratar de: a) questões relacionadas ao fato de não haver diferenças entre serviços prestados por intermédio de pessoas jurídicas, de cooperados e de empregados devidamente formalizados, todos denominados de colaboradores pelo sujeito passivo; b) diversos depoimentos de trabalhadores que confirmaram a subordinação a ditames da POLITEC/INDRA; c) declarações conflitantes e divergentes da POLITEC/INDRA sobre seu relacionamento com colaboradores (indícios de máfé e dolo). 12) A decisão do Colegiado foi omissa no que tange à disponibilização de serviços e ao pagamento de verbas típicos de empregados a teóricos "cooperados" e "pessoas jurídicas unipessoais", elementos esses que poderiam ensejar a caracterização de segurados como legítimos empregados do sujeito passivo. 13) A decisão do Colegiado foi contraditória ao se posicionar tanto pela inexistência de fraude, como pela inexistência de contratação simulada de empregados. Tais fatos podem ser verificados pela análise dos itens do relatório fiscal que tratam de contratos efetuados pela POLITEC/INDRA com tomadores de serviços (anexos AN1FISC 104 a 110). Cabe notar que contratos impedem a subcontratação de trabalhadores por parte da POLITEC, determinando que empregados deveriam ser utilizados na realização de serviços. Entretanto, restou comprovado que a POLITEC/INDRA, a exemplo dos contratos firmados com o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS – TJDFT e com a CEF CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, infringiu essas regras (itens 60 a 64, 183 e 184 do relatório fiscal). 14) A decisão do Colegiado teria sido obscura e/ou omissa ao versar sobre a utilização de provas obtidas pela fiscalização: Alega, assim, que o Acórdão hostilizado incorreu nas seguintes omissões/obscuridades: • No que tange à obscuridade, a decisão sugeriu que o fato de existirem cláusulas contratuais notoriamente contrárias à legislação tributária impediria a utilização de tais contratos para a constatação de fraudes por parte da fiscalização; • Em relação à omissão, a decisão deixou de se manifestar sobre a fundamentação legal que a fez desconsiderar os documentos/argumentos apresentados pela fiscalização e que se referem às provas obtidas junto à Justiça do Trabalho, ao Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2300004.443 S2C3T0 Fl. 2.035 5 Ministério do Trabalho e junto ao Ministério Público do Trabalho (Ação Civil Pública); 15) A decisão do Colegiado, ao manter o crédito tributário para 4 (quatro) trabalhadores e ao admitir que: • o contribuinte não escriturava em títulos próprios fatos geradores de contribuições previdenciárias relacionados a pagamentos efetuados por interpostas pessoas jurídicas (Auto de Infração DEBCAD No 37.319.5087 – AI CFL 34, mantido pela decisão); e • o contribuinte não apresentou satisfatoriamente informações solicitadas pela fiscalização (Auto de Infração DEBCAD No 37.319.5095 – AI CFL 35, mantido pela decisão), teria incorrido, conforme demonstrado abaixo, em contradição ao não corroborar procedimentos adotados pela fiscalização. 16) No julgamento do mérito, a decisão do colegiado foi contraditória ao manter somente parte das exigências tributárias relacionadas à utilização de formas jurídicas abusivas no processo que remunerou indiretamente trabalhadores. E ainda, corroborando suas as argumentações de embargos o nobre Delegado da Receita Federal do Brasil em Brasília acosta aos autos decisórios que poderiam amparar eventual divergência de entendimentos entre as Turmas do CARF, reforçando a tese da fiscalização. Posteriormente, quando conhecera do despacho do presidente da turma, a embargante apresentou manifestação de inconformidade à decisão sumária, com juntada de acórdãos deste CARF. Nela reitera os fundamentos adotados para os embargos de declaração na parte sumariamente não conhecida, fls. 1992. Chega também aos autos uma argüição de impedimento e suspeição de ex Conselheiro antes pertencente a esta turma, na sua composição anterior ao novo Regimento Interno deste CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Por sua vez, o embargado, que obteve cópia dos autos em 25/05/2015, após os embargos e o despacho que o conheceu parcialmente, fls. 1.987 e seguintes, também apresenta manifestação de inconformidade, suscita que os embargos não atendem aos pressupostos de admissibilidade, inclusive que são intempestivos, pois teriam decorridos 19 dias da ciência. Por fim, pede preferência na indicação para a pauta. Os embargos foram a mim distribuídos por sorteio eletrônico pelo fato de o relator original não mais fazer parte deste colegiado. É o Relatório. Fl. 2078DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Antes de se examinar quaisquer questões submetidas a apreciação pelo colegiado da turma, presença dos pressupostos processuais, preliminares e exame do mérito, faria necessário, antes de tudo, examinar o requerimento do recorrente quanto ao impedimento e suspeição para participar do julgamento dos presentes embargos de declaração. Contudo, uma vez que o conselheiro não mais pertence a este CARF, o pedido perdeu seu objeto: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau. ... Art. 43. Incorre em suspeição o conselheiro que tenha amizade íntima ou inimizade notória com o sujeito passivo ou com pessoa interessada no resultado do processo administrativo, ou com seus respectivos cônjuges, companheiros, parentes consanguíneos e afins até o 3º (terceiro) grau. Art. 44. O impedimento ou a suspeição será declarado por conselheiro ou suscitado por qualquer interessado, cabendo ao arguído, neste caso, pronunciarse por escrito sobre a alegação, o qual, se não for por ele reconhecido, será submetido à deliberação do colegiado. Assim, passo ao exame do cumprimento de pressupostos processuais. A competência para exame dos embargos de declaração é do colegiado da turma de julgamento que proferiu o acórdão embargado, ainda que o relator não mais pertença à turma original. No caso, o conselheiro relator do acórdão não mais exerce mandato de conselheiro em razão do deferimento de seu pedido de renúncia, o que se tornou necessária a realização de novo sorteio eletrônico por força do artigo 49, §5º do RICARF, fls. 2.032: Art. 49 (...) §5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. O disposto no artigo 49, §5º, acima transcrito, e o artigo 65, §§1º a 3º do RICARF disciplinam a competência para processamento e julgamento dos embargos de Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2300004.443 S2C3T0 Fl. 2.036 7 declaração. Nos casos de não cumprimento dos pressupostos de admissibilidade prevê o regimento a possibilidade de sua rejeição em caráter definitivo por simples despacho monocrático do presidente da turma, com pronunciamento ou não do relator/redator. O exame sumário e monocrático tem por finalidade racionalizar o sistema para evitar que embargos de declaração carentes quanto ao cumprimento de pressupostos retardem a normal tramitação do processo. Caso se conclua pela ausência de determinado pressuposto exigido pelo Regimento Interno do CARF para seu processamento, os embargos de declaração são rejeitados de pronto no exame prévio e sumário em decisão monocrática definitiva, não sendo assim indicado para a pauta; não obstante a faculdade de se entender mais adequado, por quaisquer razão, que seja exercida a competência ordinária pela turma julgadora: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: ... § 2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. De qualquer forma, com a indicação para a pauta pelo presidente da turma, devolvese ao colegiado a competência ordinária regimental para processamento e julgamento do recurso. Feitas as necessárias considerações, passo ao exame. Quando do exame sumário feito pelo anterior relator do processo, não se enfrentou o pressuposto objetivo da tempestividade. Como apontado pelo embargado, em 06/03/2015, quando se deu ciência do acórdão embargado ao contribuinte, fls. 1751, já havia se iniciado o prazo para oposição dos embargos de declaração. Inclusive, de acordo com o despacho às fls. 1.750, os autos foram encaminhados à origem em 05/03/2015. O embargado assinou o Aviso de Recebimento em 11/03/2015, fls. 1.977. Assim, qualquer que seja a data inicial considerada, os embargos somente foram opostos em 24/03/2015, fls. 1961 e seguintes, contrariando o artigo 65, §1º do RICARF. Por fim, ressaltase que pela leitura e análise dos embargos de declaração não é o caso de inexatidão material acórdão embargado, artigo 66 do RICARF: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 §1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. São indicadas supostas omissões, obscuridades e contradições: Expostas as omissões, obscuridades e contradições da decisão do Colegiado, requer a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BRASÍLIA o conhecimento e acolhimento dos presentes embargos de declaração com efeitos infringentes, para sanar as omissões, obscuridades e contradições apontadas. Assim, voto por não conhecer dos embargos opostos por serem intempestivos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 19515.720162/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em converter o julgamento em diligência.
O advogado da Recorrente fez sustentação oral.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em converter o julgamento em diligência. O advogado da Recorrente fez sustentação oral. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recursos de Ofício e Voluntário em face do Acórdão nº 0367.679 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília. (fls. 4108 e seguintes). Adoto como relatório aquele lançado na referida decisão: Contra a contribuinte supra identificada foram lavrados Autos de Infração às fls. 1450/1485, formalizando lançamentos de ofício dos créditos tributários abaixo discriminados, relativos aos fatos geradores RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 16 2/ 20 14 -0 8 Fl. 4260DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.261 2 ocorridos no período de 01/01/2009 a 31/12/2009, com acréscimo de juros de mora e da multa proporcional de 75%, a seguir detalhados: As infrações apuradas decorrem das glosas de créditos de PIS/Pasep e de Cofins no anocalendário de 2009. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL A descrição dos fatos remete ao Termo de Constatação Nº 01 de fls. 1405/1419, onde verificase que o procedimento teve como objeto a verificação, no ano calendário de 2009, das contribuições realizadas para o PIS/Pasep e Cofins, bem como do IRPJ, tendo sido procedido encerramento parcial da ação fiscal com a indicação de matérias que teriam afetado as bases de cálculo de citadas contribuições. Segundo relato da autoridade fiscal foram realizadas diversas glosas de créditos de PIS/Cofins, as quais podem ser apresentadas de forma agrupadas, da seguinte forma, de acordo com os itens 8, 9 e 10 do Termo de Constatação: a) Grupo 01: Glosa de créditos contabilizados nas contas contábeis “Outros Custos” e “Custos”, tendo como fundamento: “Crédito de valores genéricos sem discriminação”; b) Grupo 02: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços contabilizadas nas contas: prevenção de incêndios (bombeiro), polícia militar, médicos, fiscalização de portaria, fiscalização de trânsito, recepcionistas, credenciamento e ambulância e resgate, tendo como fundamento: “Diverge do ramo de atividade principal”; c) Grupo 03: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços contabilizadas nas contas: perucaria, maquiagem, tendo como fundamento: “Diverge do ramo da atividade principal, portanto não pode ser considerado insumo”; d) Grupo 04: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços contabilizadas nas contas: serviços de impressão, materiais de expediente, custo de entrega (motoboy), abastecimento de A&B, coleta de lixo, correios e telégrafos, tendo como fundamento: “O ramo de atividade do contribuinte é a produção de eventos, portanto, a despesa não tem vínculo com o ramo de atividade”; e) Grupo 05: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços contabilizadas nas contas: pavimentação, terraplanagem, pintura e recuperação, outros custos com reformas, tendo como fundamento: “Ramo de atividade principal não é de construção civil, além do mais as atividades de construção civil as contribuições para PIS e Cofins está definida sob o regime CUMULATIVO”; Fl. 4261DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.262 3 f) Grupo 06: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços contabilizadas nas contas: alpinista (rigger), carregadores, comissários, garçom, interprete, passadeiras e camareiras, profissionais de operação, profissionais de produção, técnico de áudio e filmagem, traduções e legendas, vistoriadores, vistos e contratos de trabalho, tendo como fundamento: “Serviços prestados por pessoa física não geram direito a créditos de PIS/Cofins §2º Inciso I, da Lei 10.637/2002 e Lei 10.833/2003”; g) Grupo 07: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços e de despesas contabilizadas em diversas contas, cujos fundamentos para respectivas glosas deramse com base em diversas Soluções de Consulta, conforme demonstração, a saber: h) Grupo 08: Glosa de créditos específicos a título de “Cachê Artístico em Moeda Nacional”, motivada pela falta de comprovação de documento fiscal/pagamento; e i) Grupo 09: Glosa da diferença apurada no confronto entre Planilha apresentada pelo contribuinte, discriminando os valores que serviram de base para cálculo dos créditos de PIS e Cofins, e os valores declarados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON. As glosas dos valores apropriados a maior referentes aos créditos de PIS e Cofins, durante o anocalendário de 2009, encontramse demonstrados pela autoridade fiscal por meio de planilhas, as quais foram inseridas nos Anexos I, II, III, IV, V e VI, doc. de fls. 1420/1447, cujo resumo encontrase a seguir detalhado: Fl. 4262DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.263 4 II. DA IMPUGNAÇÃO A ciência dos autos de infração foi formalizada pessoalmente em 31/01/2014, e, em 28/02/2014, a autuada apresentou a petição impugnativa acostada às fls. 1490/1576, com a apresentação das alegações a seguir sumariadas: Na introdução de sua defesa a contribuinte esclarece a sua forma de atuação no mercado de entretenimento, destacando, a realização de eventos ao vivo, atuando de forma diversificada e verticalizada, na produção de eventos artísticos, culturais e esportivos, tais como exposições, shows e espetáculos de qualquer espécie ou gênero, inclusive festivais de música, criações cinematográficas e teatrais, eventos sociais e promocionais, envolvendose em todo o processo criativo e organizacional de produção técnica e artística dos eventos que promove. Destaca alguns eventos relevantes produzidos nos últimos anos, destacando entre outros os seguintes shows: “Metallica”, “Ozzy Osbourne”, “Guns n' Roses”, “U2”, “Madonna”, sendo, ainda, responsável pela organização e produção de espetáculos artísticos e culturais, também internacionalmente reconhecidos, em cidades brasileiras tais como o “Cirque du Soleil”, o espetáculo “Rei Leão”, “Cats”, entre diversos outros, inclusive espetáculos nacionais, tratandose da maior empresa a atuar neste segmento de mercado na América do Sul e a quarta do mundo. Assevera a impugnante que, em face de sua atuação diversificada, cuida de todos os passos do processo constitutivo de produção e promoção dos seus eventos, partindo desde a contratação de artistas e espetáculos até a locação de espaços e venda de ingressos, passando se entre estes pontos à contratação de equipes de apoio de suporte aos espetáculos, tais como corpo de bombeiros, seguranças, intérpretes, profissionais de operação de mesas de som e de luzes, dentre tantos outros profissionais. Desse modo, a atuação da contribuinte alcança todas as etapas de negócio para a consecução de eventos, tais como, shows, espetáculos, teatros, circos, eventos esportivos, exposições, dentre outros. Tendo como objetivo, muitas vezes, a produção de espetáculos e eventos dentro de espaços fechados (“indoor”) e espaços abertos (“outdoor”), sendo que esses últimos, muitas vezes necessitam ser organizados, passando a ser necessária a realização de, por exemplo, obras de Fl. 4263DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.264 5 construção civil, organização de terrenos, dentre outros serviços necessários para a realização do evento/espetáculo. Informa a contribuinte que é de sua exclusiva responsabilidade a comercialização de ingressos e operação de bilheterias dos seus eventos/espetáculos, sendo adotado, para tanto, uma marca e sistema próprios: “Tickets For Fun” por meio do qual são oferecidos diversos canais de venda, tais como: pontos de venda em locais de grande circulação (postos de gasolina, shopping centers, livrarias, etc); call centers e venda online; além das bilheterias nos locais dos espetáculos. Todavia, em decorrência da facilidade de suas vendas por call centers e online, e da entrega de convites em domicílio, a impugnante afirma que cobra taxas de serviços (de conveniência, de entrega e de retirada), opções que não se confundem com a prestação de serviços de apresentação de espetáculo. A contribuinte explica que desempenha outras atividades autônomas em relação ao seu objeto principal – produção e organização de espetáculos e eventos artísticos –,citando, como exemplo, a busca de patrocínio para seus eventos, por meio do qual é feito marketing, propaganda de marca de terceiros em troca de remuneração (patrocínio), através de diversos meios de publicidades e comunicação. Aliás, esta atividade em destaque, pouco conhecida, é a responsável por boa parte das receitas auferidas pela empresa. Informa que, além dessas atividades, utiliza para seus eventos próprios espaços operados e administrados pela empresa, os quais são notoriamente conhecidos no país, citando, por exemplo, o "Citibank Hall SP" (anteriormente denominado "Credicard Hall"), o Citibank Hall RJ, o Teatro Renault (em 2009 denominado Teatro Abril). Referidos espaços, além de serem utilizados em eventos próprios, também são alugados para eventos corporativos (de empresas) ou de terceiros em geral (formaturas, casamentos ou até eventos de empresas concorrentes) ocasião em que a contribuinte fornece todo o apoio necessário a realização de tais eventos (serviço de buffet, seguranças, profissionais técnicos, médicos, limpeza, etc). No sentido de comprovar a sua atuação multifacetada, a contribuinte reproduz o artigo 3º de seu Estatuto Social, o qual estabelece o objeto social da empresa. Com relação a sua estratégia de defesa, a impugnante esclarece a adoção de argumentação por grupo de despesas, as quais tiveram os respectivos créditos de PIS e Cofins glosados, com base na identidade quanto à sua acusação pela autoridade fiscal. O procedimento supracitado também será adotado pelo Relator no presente Voto, cujo agrupamento, entretanto, seguirá o já mencionado por ocasião do relato do procedimento fiscal (Item I), e não o adotado pela contribuinte, não obstante a única diferença existente tratarse da subdivisão promovida pela requerente do Grupo 07 (glosas fundamentadas em Soluções de Consulta) em 10 (dez) subgrupos, definidos a partir de cada Solução de Consulta indicada pela autoridade fiscal. Fl. 4264DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.265 6 1. Das preliminares de nulidades suscitadas pela contribuinte 1.1. Da ausência de análise discriminada de despesas Entende a impugnante que da leitura da planilha do Anexo I do Auto de Infração, constatase que a fiscalização glosou créditos tomados pela Impugnante, relativos a diversos bens e serviços elencados em suas contas contábeis, sem apresentar a motivação para a imposição de tal glosa, limitandose a mencionar que aqueles custos ou despesas são valores genéricos sem discriminação alguma. Não havendo no Termo de Constatação Fiscal e em nenhum outro local do Auto de Infração, nenhuma linha sequer escrita destinada a demonstrar a razão pela qual o a Fiscalização desconsiderou a conta e glosou o crédito de PIS e COFINS. Entende a contribuinte que caberia à fiscalização o dever de requerer as informações adicionais à planilha de créditos fornecida, com o fito de elucidar do que se tratam as contas nela descritas, a fim de verificar se as despesas em questão caracterizamse como insumos ou não, fato que não ocorreu. Assim, entende a contribuinte estar demonstrada a ausência de motivação do Auto de Infração quanto às glosas das despesas registradas nas contas contábeis denominadas “Outros Custos” cuja consequência é a sua nulidade. 1.2 Da ausência de fundamentação do conceito de “insumo” e dos critérios para enquadramento de despesa/custo no ramo de atividade da contribuinte Aduz a contribuinte que, do exame da planilha do Anexo I do Auto de Infração, constatase que a autoridade fiscal glosou créditos tomados pela impugnante relativos a diversos bens e serviços elencados em suas contas contábeis sob o fundamento de que, em relação da descrição das contas, estas “diverge(m) do ramo de atividade principal” (Grupo 2). Nesse ponto, assevera a impugnante que a fiscalização não definiu o que seria a premissa fundamental do presente lançamento de ofício: o seu conceito de “insumo” para fins de creditamento de PIS e COFINS. Tampouco define quais justificativas embasariam a consideração de que uma atividade não está compreendida no seu objeto social, tendo simplesmente alegado que os respectivos custos ou despesas “diverge(m) do ramo de atividade principal”, o que, no seu entendimento, não consubstancia motivação alguma. Pugna que tal procedimento fere determinação expressa do artigo 50 da Lei n° 9.784/99, de que o ato administrativo deve conter motivação explicita e clara, apresentando para consubstanciar seu entendimento jurisprudência do CARF (Acórdão nº 206 01806). Entende que tal fato impossibilita claramente o seu exercício do pleno direito de defesa, levando à nulidade do Auto de Infração nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto n° 70.235/72. 1.3 Da ausência de fundamentação legal (Grupo 07 – Soluções de Consulta) Fl. 4265DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.266 7 Nas glosas efetuadas relativas a diversas contas contábeis, a impugnante ressalta que a planilha do Anexo I do Auto de Infração, somente colacionou como motivação para a vedação do crédito de PIS e COFINS diversas Soluções de Consulta, emitidas pela Receita Federal do Brasil (RFB), não apontando, em nenhum momento, qual seria o fundamento legal para a desconsideração desses insumos. Desse modo, sustenta que a fiscalização somente fundamentou a suposta vedação do crédito incluso na conta contábil, com a indicação de uma Solução de Consulta, nada mais esclarecendo acerca do critério utilizado para a vedação, evidenciando infração ao disposto no inciso IV, do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72, que determina a necessidade do auto de infração indicar a disposição legal infringida, sob pena de ter a sua nulidade material declarada, ferindo, também, o direito de defesa do contribuinte (CF. art. 59, II), vez que não existe a indicação da infração legal sob a qual se subsume o fato, restando lacunoso o Auto de Infração. Pondera que as Soluções de Consulta não possuem qualquer poder legal, senão como sendo opinião da Receita Federal do Brasil consequente de consulta, sendo, quando muito, normas complementares no Direito Tributário a teor do inciso III do artigo 100 do CTN. Sustenta a contribuinte que na citada planilha presente no Anexo I existe tão somente a indicação do número da Solução de Consulta que daria amparo, segundo à fiscalização, à glosa fiscal. Afirma, entretanto, que esta vaga indicação não se configura como fundamento suficiente, pois a fiscalização deve demonstrar a correta “subsunção” do fato à hipótese prevista na Solução de Consulta às custas de causar prejuízo ao direito de defesa da impugnante. Assim, ao não realizar a subsunção do fato à norma jurídica, em decorrência do princípio da legalidade, a fiscalização cerceou o direito de defesa da contribuinte, motivo pelo qual deve ser o lançamento declarado nulo. 2. Do direito ao creditamento do PIS e da COFINS incidentes sobre os insumos adquiridos pela Impugnante · Nesse tópico, por entender que a fiscalização não fundamentou porque determinados bens e serviços adquiridos ao longo do ano de 2009 não deram ensejo a creditamento para fins de dedução das contribuições sociais devidas, e que além desse fato tampouco explicitou o conceito de insumo por ela adotado. · Nesse cenário, a contribuinte apresenta o seu entendimento do conceito de insumo, para fins da legislação do PIS e da Cofins, cujos fundamentos encontramse a seguir apresentados, em apertada síntese: · Assevera que o disposto no inciso II do art. 3º das Leis Nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 reconhece o direito ao crédito relativo a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos. Todavia, o Fisco Federal vem restringindo o alcance do termo Fl. 4266DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.267 8 "insumo", de modo a diminuir o montante a ser creditado pelo contribuinte a título de PIS/COFINS; · Afirma que o entendimento adotado pela RFB é no sentido que os créditos das contribuições devem ser interpretados, por analogia, ao conceito de insumo materializado na legislação que rege o IPI, que adota esse termo como relacionado aos bens que integram o produto final (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) ou que, no processo produtivo, sofram alteração ou desgaste; · Aponta que parte da jurisprudência tem adotado como conceito de insumo o constante nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, por entender que em decorrência da mesma materialidade existente entre o PIS/COFINS e o IRPJ, qual seja a receita, aplicase o mesmo conceito de insumo; · Afirma, ainda, que outros julgados apresentam posicionamento divergente, no sentido de que o conceito de insumo para as contribuições seja distinto. · Diverge da aplicabilidade do conceito de insumo trazido pela legislação do IPI, pois entende que não se identifica nas leis instituidoras dessas contribuições qualquer menção à possibilidade de utilização subsidiária do conceito de insumo trazido pela legislação do IPI; · Para fundamentar esse entendimento a contribuinte cita as lições apresentadas pelos doutrinadores Marco Aurélio Greco e Ricardo Mariz de Oliveira, para concluir que nas hipóteses em que o legislador tem a intenção de determinar a aplicação subsidiaria de conceito inerente a tributo diverso, isso é feito de maneira expressa, como ocorreu em relação ao crédito presumido previsto no parágrafo único do artigo 3º da Lei n° 9.363/96; · Prossegue afirmando que a legislação instituidora do PIS e da COFINS nãocumulativos não prevê a tomada de créditos somente relativos a matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem ou bens que sofram alteração no processo produtivo, pois na realidade, o artigo 3°, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, também prevê em seus vários incisos o direito ao crédito em relação a outros bens, como despesas financeiras e a diversos serviços, apresentando para convalidar esse entendimento as posições de Luís Eduardo Schoueri e Matheus Cherulli Alcantara Viana; e de Marco Aurélio Greco. Dessa forma, entende que a própria legislação concernente ao PIS e à COFINS nãocumulativos reconhece a ampla abrangência do conceito de “insumo”, uma vez que não limita os seus créditos tão somente aos bens que compõem o produto ou se desnaturam durante o processo produtivo, mas, sim, a uma maior gama de bens e serviços; Fl. 4267DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.268 9 · Para fundamentar esse entendimento cita jurisprudência do CARF, pela transcrição da ementa do Acórdão nº 930301.035 a 3ª Turma; · Sustenta que as contribuições em tela possuem notadamente materialidades distintas da intrínseca ao IPI, visto que, enquanto as contribuições ao PIS e à COFINS incidem sobre a receita do contribuinte, o IPI recai sobre o produto industrializado, trazendo à tona as lições de Ives Gandra da Silva Martins; · Reforça destacando que o CARF já se pronunciou nesse sentido, afastando a aplicação subsidiária do conceito de insumo trazido pelo IPI, haja vista que a sua materialidade é distinta da materialidade do PIS e da COFINS, trazendo aos autos ementa do Acórdão nº 3202 00226; · No tocante à aplicação do conceito de insumo trazido pela legislação do Imposto de Renda ao PIS e a COFINS afirma a contribuinte que o CARF vem reconhecendo esse aspecto em alguns casos, como decorrência da apuração do lucro e das contribuições com base na receita; · Considera que diferentemente do IPI, o conceito de "insumo" para o IRPJ não se limita apenas aos insumos destinados à produção, mas também à prestação de serviços, destacando para consubstanciar essa tese a doutrina dos juristas Ricardo Mariz de Oliveira e Ives Gandra da Silva Martins; · Com base nessa doutrina pugna pelo aproveitamento, como crédito de PIS/Cofins, todo e qualquer custo de produção (artigo 290 do RIR) ou despesa necessária à atividade da empresa (artigo 299 do RIR), nos termos do entendimento já adotado na jurisprudência do CARF, juntando, para tanto trecho do voto condutor proferido no processo n° 11065.101271/200647 (Acórdão nº 930301.035 da 3ª Turma); · Aduz que caso seja transplantado algum conceito de insumo para fins de crédito de PIS/Cofins que seja utilizado o conceito estabelecido na legislação do IRPJ devido à relação de afinidade entre os aspectos materiais das hipóteses de incidência deste último e do PIS e da COFINS; · Com base nas definições estabelecidas no Inc. II do art. 3º da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, conclui a contribuinte que a frase “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos” deve ser compreendida como “bens e serviços, essenciais para a prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos”, destacando que mencionado dispositivo não utiliza o termo “produto”, mas, sim, “produção ou fabricação”, deixando evidente que o bem ou serviço deve ser insumo do processo de produzir ou fabricar. Fl. 4268DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.269 10 · Assim, pugna que a utilização do termo “produção” leva ao entendimento que os bens e serviços, para serem enquadrados como insumos, devem estar ligados intimamente ao processo produtivo da empresa, e não necessariamente ao produto, indicando para fortalecer sua posição as lições de Marco Aurélio Greco; · Para robustecer essa tese da verificação se determinado bem ou serviço se revela essencial para o processo produtivo, a contribuinte transcreve o entendimento adotado pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF; · Nesse diapasão entende que se pode qualificar determinado bem ou serviço como insumo a partir da seguinte indagação proposta: a subtração de determinado bem ou serviço impede o processo produtivo ou implica evidente perda de qualidade do produto ou serviço prestado? · Destaca a impugnante que esse raciocínio acima exposto começou a ser identificado no E. Superior Tribunal de Justiça (STJ), trazendo como exemplo voto proferido por ocasião do julgamento do recurso especial n° 1.246.317, pelo Ministro Relator Mauro Campbell Marques, já acompanhado pelos Ministros Castro Meira e Humberto Benjamim, em que a essencialidade do bem ou serviço ao processo produtivo foi considerada fundamental para caracterizálo ou não como insumo; · Informa que o CARF vem decidindo, mais recentemente, que o conceito de insumo para os fins do creditamento do PIS e da COFINS não é equiparável a nenhum outro, sendo baseado na sua essencialidade para a produção do serviço ou bem, trazendo, para tanto, a ementa do Acórdão n° 3302001.865, proferido pela 3ª Câmara, 2ª Turma; · Com base nesse entendimento, pondera que os critérios adotados pelo CARF para o reconhecimento de que um bem ou serviço dá ensejo a crédito são: (i) a sua necessária utilização direta ou indireta na atividade do contribuinte; (ii) ser indispensável para a formação do produto ou serviço; e (iii) estar previsto no objeto social do contribuinte. Nessa linha de raciocínio afirma que esses critérios significam um distanciamento da jurisprudência administrativa da ideia de que o insumo aqui tratado seria o mesmo utilizado pela legislação do IPI, mas também cria, ao mesmo tempo, critérios próprios para a caracterização de crédito para a legislação de PIS e COFINS que, por sua vez, diferemse daqueles aplicáveis à legislação do IRPJ; · A partir dessa construção explica a contribuinte que deve existir um certo “grau de inerência” entre insumo e produção. Neste ponto, temse que tão importante quanto a existência do fator capital, ou seja, do existir de uma máquina utilizada na produção de bens, é importante, também, que ela continue a existir em condições de produzir os mesmos efeitos, com sua Fl. 4269DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.270 11 mesma qualidade. E para corroborar com tal tese apresenta ensinamentos de Marco Aurélio Greco sobre a relação de inerência entre o valor despendido e o fator de produção; · Concluindo esse tópico a impugnante pleiteia que, caso o julgamento entenda pela não aplicação do conceito de insumo, conforme previsto na legislação do IRPJ, que ao menos seja adotado aplicação do conceito de insumo em função da essencialidade do bem ou serviço para o desempenho da sua atividade econômica, para fins de apropriação de créditos de PIS/COFINS, sendo afastada por completo a noção extremamente restrita conferida aos insumos no âmbito do IPI. 3. Das glosa de créditos com fundamentação específica apresentada no Anexo I do TC Antes de apresentar seus argumentos sobre as glosas específicas, as quais serão apresentadas de forma agrupada, a contribuinte informa que seguirá, de forma limitada, apenas às acusações fiscais que embasaram a glosa das referidas despesas presentes na coluna “justificativa para a glosa” da mencionada planilha inserida no Anexo I do Auto de Infração. Afirma a contribuinte que será demonstrado ao longo de sua peça impugnatória o fato da autoridade fiscal não ter compreendido, de forma adequada, a complexidade e a gama de atribuições que estão abrangidas pela principal atividade econômica desenvolvida pela impugnante na produção, organização e execução de espetáculos artísticos. Prossegue afirmando que a fiscalização não compreendeu, também, a diversidade das outras atividades econômicas desempenhadas pela empresa igualmente previstas no seu Estatuto Social e de elevada importância para as suas finanças. 3.1. Das glosas do Grupo 01 (Contas Outros Custos) Com relação a essas glosas a contribuinte reitera a preliminar de nulidade suscitada pelo fato da fiscalização não ter tido o cuidado de verificar a composição dos lançamentos efetuados nessas contas contábeis, apresentando a justificativa na planilha como “valor genérico sem discriminação”. Não obstante a tal preliminar a impugnante apresenta planilha de fls. 1678/1680, onde discrimina custos e despesas de naturezas diversas, que no seu entendimento são essenciais para a prestação dos serviços oferecidos pela contribuinte, entre as quais destacamse: despesas com produção (materiais, montagem e desmontagem de shows, afinação de instrumentos musicais, materiais de produção, montagem de camarote para artistas, serviços de preparação vocal, entre outros), despesas relativas a diferenças de hospedagens, despesas com cachês artísticos, locação de equipamentos, implantação da estrutura do Cirque du Soleil para o espetáculo Quidam. Para comprovar as informações apresentadas na planilha juntada à impugnação, a contribuinte apresenta todas as notas fiscais Fl. 4270DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.271 12 comprobatórias dessas despesas/custos, as quais alega que não foram solicitadas pela fiscalização no curso do procedimento fiscal (doc. de fls. 1685/1748; 1750/1760; 1762/1822). 3.2. Da glosa dos Grupos 02, 03 e 04 pela motivação: “Divergências do ramo de atividade principal da contribuinte” No tocante à esse item afirma a impugnante que a fiscalização houve por bem glosar diversas despesas sob a justificativa de que divergiriam do ramo de atividade principal da contribuinte, sem levar em conta que uma das principais atividades econômicas desenvolvidas pela empresa é a promoção, organização, produção, agenciamento, programação e execução de shows e espetáculos artísticos em geral. Para fundamentar a sua argumentação a contribuinte apresenta, a título exemplificativo, contrato firmado para a produção do espetáculo Quidam do Cirque du Soleil, produzido em diversas cidades brasileiras no anocalendário de 2009, nos termos de cópia da tradução juramentada do contrato de performance teatral original, doc. de fls. 1824/1887, a qual será referenciada em diversos momentos de sua defesa. Com relação às despesas glosadas de prevenção de incêndios (bombeiro), polícia militar, médicos, fiscalização de portaria, fiscalização de trânsito, recepcionistas, credenciamento e ambulância e resgate, alega a contribuinte, em síntese, que esses dispêndios são fundamentais e imprescindíveis para as produções do espetáculo, sendo alguns, inclusive, obrigatórios para a promoção de grandes eventos destinados a grandes públicos. Assim sendo, caso a contribuinte não tivesse contratado alguns desses serviços as autoridades públicas competentes não teriam concedido as respectivas autorizações para a realização desses eventos, ficando, por consequência, impedida de prestar os seus serviços. Para ilustrar tal assertiva, a contribuinte apresenta os cuidados necessários com incêndios impostos pelo Município de São Paulo, por meio do Decreto n° 49.969/2008, e as exigências regulamentares relativas ao trânsito de carros e pessoas, policiamento e presença de equipe médica no local dos eventos, determinados pela Resolução da Secretaria do Estado do Rio de Janeiro n° 13/2007. No sentido de demonstrar todas as exigências a serem cumpridas para a realização de eventos artísticos destinados a grandes públicos, a impugnante anexa relação detalhada das referidas normas estaduais e municipais dos principais locais onde atua, doc. de fls. 1890/1973, bem como exemplos de contratos celebrados relativos à prestação de serviços médicos, doc. de fls. 1975/1984, e de serviços de bombeiros, doc. de fls. 1986/1992. Existem, ainda, cláusulas contratuais firmadas com o Cirque du Soleil, que impõem à impugnante a obrigação de obtenção de autorizações e alvarás em geral. No mesmo sentido observase que despesas incorridas com “fiscalização de portaria” e “recepcionistas”, possuem finalidade diretamente relacionada ao controle do público participante Fl. 4271DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.272 13 dos eventos promovidos — controle sem o qual não seria possível realizar espetáculos direcionados a grandes públicos. Quanto às despesas originárias de imposições regulatórias, assevera a contribuinte que o direito a créditos desses dispêndios já foram reconhecidos pelo CARF, por intermédio do Acórdão n° 3803003.749. Com relação às despesas com impressão, correios e telégrafos e custo de entrega, afirma a impugnante que tais dispêndios são fundamentais à impressão de tickets, convites e folhetos de espetáculos, bem como à sua entrega aos clientes, sendo essenciais à prestação de serviços de produção, distribuição, comercialização e intermediação de ingressos, presente no item h do artigo 3° do seu Estatuto Social, não se tratando de meras despesas de escritório. No tocante aos custos relativos a “materiais de expediente” glosados pela fiscalização, afirma que são, materiais elétricos (fios, cabos, fontes, etc), materiais de manutenção (pregos, parafusos, ferramentas), utilizados pelos profissionais de produção que devem ser considerados como insumos, tendo em vistas que possuem “elevado grau de inerência” com a prestação de serviços de produção dos eventos. Sobre os valores glosados com alimentação e bebidas adquiridos pela impugnante, alega que não se trata apenas da venda de alimentos e bebidas nos eventos produzidos, mas sim de prestação de serviços prevista no escopo dos contratos celebrados com diversas empresas, por exemplo: Telefônica, Bradesco Vida e Previdência, Assistcard do Brasil, por meio do qual é firmado cessão de direito de uso de espaço de suítes corporativas ou “camarotes” — nas dependências dos seus imóveis, entre eles o “Credicard Hall”, e o “Teatro Abril”. Para comprovar tal fato a contribuinte anexa contratos onde constam cláusulas que a obrigam a manter a limpeza das suítes, realizar serviços de manutenção das suas instalações, contratar seguro de responsabilidade civil e fornecer alimentação e bebidas, destacando que o serviço de fornecimento de alimentos e bebidas está integralmente incluído no preço contratado, doc. de fls. 1996/2126. Neste sentido, a título de exemplo, destaca a cláusula 4.1.3. do contrato pactuado com o Bradesco Vida e Previdência S.A. Além dessa cessão de uso de espaço próprio relativo a camarotes, a contribuinte informa que também promove eventos e festas corporativas nos seus imóveis, que além da cobrança do aluguel do local, realizase, também, a prestação de serviços de buffet, com oferecimento de alimentos e bebidas, juntando, para comprovar tal fato as “cartas acordo” de diversos eventos desta natureza, bem como os seus respectivos briefings (resumos relativos ao quanto contratado), doc. de fls. 2128/2173. Ressalta a contribuinte que tais atividades econômicas encontramse previstas no objeto social da empresa, sendo fato que a fiscalização não observou a complexidade das atividades desenvolvidas pela empresa. 3.3. Da glosa do Grupo 05 pela motivação: “Ramo de atividade principal não é de construção civil” Fl. 4272DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.273 14 Nesse tópico a contribuinte concorda com a constatação da fiscalização de que não se configura como uma empresa atuante no ramo da construção civil, mas discorda do entendimento que a contratação de obras de construção civil só pode ser considerada insumo para fins de creditamento por pessoas jurídicas que atuem nesse setor econômico, tratandose de equívoco cometido pela autoridade fiscal. No caso em exame tratase da contratação de serviços de pavimentação e terraplanagem para que o Cirque du Soleil pudesse implementar a montagem da infraestrutura necessária às apresentações do espetáculo Quidam em 9 (nove) capitais brasileiras, conforme detalhamento inserido na cláusula 5.1 do contrato firmado, doc. de fls. 1829/1830. Para as realizações desses eventos encontrase prevista na cláusula 6.2 de citado contrato (fls. 1832/1833) a responsabilidade da contribuinte em relações às construções necessárias que vierem a ser exigidas por qualquer autoridade governamental ou quaisquer leis aplicáveis, estatuto social ou regulamento visando a instalação integral dos equipamento de citado circo. Dessa forma, pela análise dessas cláusulas contratuais, pugna a contribuinte que existe a indicação de sua responsabilidade não apenas pela escolha do lugar, como também pela execução de serviços relativos à preparação do local escolhido, levandose em conta todas as exigências técnicas do Cirque du Soleil. Com base nessa avença contratual frisa a impugnante que fica mais do que justificado a contratação de serviços de terraplanagem e de pavimentação, apresentando, como exemplo, contrato celebrado em Fortaleza com a empresa Movespe Serviços Ltda., referentes à prestação de serviços de terraplanagem, pavimentação e infraestrutura, doc. de fls. 2175/2184. Assevera, ainda, que tais contratos foram firmados visando fornecer as condições mínimas necessárias para a instalação dos equipamentos e da infraestrutura do Cirque du Soleil, e caso não fossem implementados resultaria na não realização dos espetáculos. No tocante às despesas com “pintura e recuperação” e “outros custos com reforma” argumenta a impugnante que se tratam de despesas relativas à reforma das suas casas de espetáculos visando a sua manutenção em bom estado, atendendo as normas de segurança aplicáveis aos eventos produzidos. 3.4. Das glosas do grupo 06 pela motivação: “Serviços prestados por pessoas físicas não geram direito a créditos de PIS/Cofins” Quanto às glosas acima indicadas, relata a impugnante que as motivações que levaram à fiscalização a tomar tal atitude decorreu da circunstância dos serviços terem sido prestados por pessoas físicas, situação alcançada por impedimento do direito ao crédito de PIS/Cofins, nos termos do § 2°, inciso I, do Artigo 3°, da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003. Fl. 4273DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.274 15 Desse modo, pelo entendimento da fiscalização o mero fato de terem os serviços sido prestados por pessoas físicas já seria razão suficiente para justificar a glosa dos créditos tomados pela Impugnante. Nesse ponto diverge do posicionamento da autoridade fiscal, por entender que a condição do direito do contribuinte ao creditamento prevista no inciso I do §2° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 não é — consoante defende a Fiscalização — a hipótese de prestação por pessoa física, mas sim a hipótese de pagamento a pessoas físicas pelos serviços prestados. Nesse cenário, sustenta que houve erro crasso da fiscalização ao não atentar que a vedação de créditos relativos à pessoas físicas cingese ao pagamento e não à prestação de serviço. Assim, assevera a contribuinte que nenhum dos serviços glosados relativos ao grupo em apreço foram pagos a pessoas físicas, mas, sim, a pessoas jurídicas. No sentido de comprovar tal assertiva, a contribuinte faz juntada aos autos dos seguintes elementos: (i) contratos de prestação de serviços relativos às despesas glosadas; (ii) boa parte das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços ao longo do anocalendário de 2009. A farta documentação apresentadas encontrase às fls. 2186/3018 do presente processo, e no sentido de facilitar a sua localização a impugnante elaborou planilha com a indicação de cada uma das provas anexadas à peça impugnatória. Destaca a contribuinte que entre os contratos trazidos aos autos encontramse os relativos a prestação de serviços de limpeza, produção e de garçons, entre outros. Dessa forma, os elementos comprobatórios anexados à impugnação demonstram que nenhuma das despesas glosadas pela Fiscalização decorre de pagamento feito a pessoas físicas, mas sim a pessoas jurídicas. 3.5. Das glosas do grupo 07 fundamentadas em Soluções de Consultas. 3.5.1. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 158/2009 No tocante às glosas dos dispêndios realizados com segurança e vigilância as próprias atividades desenvolvidas pela empresa justificam que tais valores sejam considerados válidos para fins de crédito de PIS/Cofins, pois os eventos produzidos contam com grandes públicos, os quais têm como um dos riscos a possibilidade de tumultos, brigas e balbúrdias, sendo que muitos dos cuidados que precisam ser tomados decorrem, na maioria das vezes, de obrigações legais e infralegais. Com relação à contratação de seguro, assevera a contribuinte que os dispêndios dessa natureza decorrem de diversas obrigações contratuais firmadas, citando, a título de exemplo, cláusula inserida nos contratos de cessão de uso de espaço (camarotes) impondolhe o dever de contratar seguro de responsabilidade civil, bem como a cláusula 29 do contrato do Cirque du Soleil, pela qual é Fl. 4274DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.275 16 assumida a obrigação de contratar seguro para cobertura completa dos seus equipamentos, doc. de fls. 1871/1873. 3.5.2. Solução de Consulta DISIT/5ª RF nº 17/2012 Quanto à glosas das despesas com refeição e alimentação pugna a impugnante que tais desembolsos decorrem de obrigação contratual firmada na cláusula 10.3 do contrato de prestação de serviços relativo ao espetáculo Quidam do Cirque du Soleil, doc. de fls. 1839/1840. A situação supra citada também ocorre em relação ao contrato celebrado para o espetáculo musical do grupo “AC/DC”, cuja cláusula 10 estabelece o fornecimento de alimentação para o artista e sua equipe, doc. de fl. 3026. Ainda em relação às despesas com alimentação, decorrente da obrigação contratual firmada com o Cirque du Soleil, frisa a contribuinte que para atender os padrões estabelecidos por citado circo, foi necessária a contratação de serviços de acompanhamento nutricional para garantir que as exigências fossem atendidas, juntando, para tanto, contrato firmado com a empresa Conttrolare Assessoria em Segurança Alimentar Ltda., doc. de fls. 3029/3037, e respectivos Anexo I – Cronograma dos espetáculos do circo (fl. 3038), e Anexo II Manual de Boas Práticas Operacional do Cirque du Soleil Brasil. 3.5.3. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 180/2012 Sobre as glosas efetuadas relativas às despesas com hospedagens, passagens e condução aponta a contribuinte, assim como nos itens precedentes, cláusulas contratuais firmadas para a realização do espetáculo do Cirque du Soleil, que impunham a obrigação de realizar tais dispêndios para toda a equipe de referido circo. As obrigações contratuais supra citadas encontramse inseridas nas cláusulas 11 e 12 do contrato em tela, conforme doc. de fls. 1840/1841, destacando a contribuinte que a escolha das acomodações deveriam se adequar a padrões mínimos definidos pelo circo, sendo o fornecimento de hospedagem tratado como condição essencial para a celebração do contrato. Esclarece, ainda, que tais obrigações não eram restritas ao contrato firmado com o Cirque du Soleil, pois tais exigências também podem ser identificadas no contrato firmado com Banda “AC/DC”, cujas cláusulas 5 e 8 indicam as obrigações da impugnante quanto ao fornecimento de acomodações e alimentação, doc. de fls. 3024/3025. Aduz, que todas as despesas glosadas pela fiscalização encontramse registradas nas contas 313021001, 313021002, 313021004 e 313021006 e que correspondem a despesas de hospedagem e transportes incorridas com artistas e não com funcionários da empresa. Nesse ponto, alega dois fatos: (i) incompatibilidade dos valores com as despesas "corporativas" de viagens, realizadas por diretores e representantes da empresa em viagens; (ii) contabilização dessas despesas corporativas em outras contas de números 323011001, 323011002 e 323011004, não sujeitas às glosas em questão. Fl. 4275DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.276 17 Em relação às glosas com às despesas incorridas com a contratação de serviços de figurino, entende que se aplicam as mesmas razões apresentadas no tocante aos serviços de “perucaria” e “maquiagem” (Grupo 03). 3.5.4. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 181/2012 No tocante ao grupo de despesas glosadas com base na Solução de Consulta acima indicada, sustenta a contribuinte que tal procedimento adotado pela fiscalização sinaliza a má compreensão das atividades econômicas desempenhadas pela empresa, bem como das naturezas das obrigações pactuadas em contratos. Especificamente em relação a ementa da Solução de Consulta em tela, destaca a contribuinte o seguinte trecho a seguir transcrito: Despesas com publicidade, propaganda e divulgação, tais como aquelas com provedores de internet, sites de busca, emissoras de televisão e rádio e revistas periódicas, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, (...). Pela sua interpretação a impugnante pondera que o entendimento da RFB quanto à impossibilidade de geração de direito a crédito nos casos de despesas com propaganda e publicidade realizada pela pessoa jurídica restringese a promoção e divulgação da sua própria marca e produtos, ou seja, tratamse dos serviços de propaganda e marketing do próprio negócio. No caso em exame, afirma a contribuinte que as despesas glosadas a título de cinema, flyers e cartões postais, rádio, revistas, serviços de clipping, televisão, internet, jornais, mídia externa, serviços de vídeo, fotografia e filmagem e outros custos com mídia e publicidade, não estão vinculados a publicidade própria — ou seja, da própria marca "Time For Fun" —, mas sim dispêndios necessários à promoção e divulgação de marca de terceiros. Essa divulgação de marca de terceiro é demonstrada pela contribuinte, a título exemplificativo, com base em encartes de dois espetáculos – Cirque du Soleil e Blue Man Group , por meio dos quais procura evidenciar que o objetivo desses encartes supera a simples promoção do espetáculo em si, sendo, com efeito, uma forma de promoção de marca de terceiro, que contrata a empresa para este objeto especifico, identificandose nos encartes inseridos na peça impugnatória os seguintes anunciantes: American Express, Banco Bradesco, TIM, Allianz, Crystal e Nextel. Além dos dois encartes reproduzidos na peça impugnatória, a contribuinte faz juntada aos autos de outros encartes de conteúdos semelhantes, relativos a outros espetáculos, doc. de fls. 3105/3110. Prossegue afirmando que a fiscalização deixou de considerar uma das atividades econômicas inclusas em seu objeto social, especificamente na alínea “d”, do artigo 3º do seu Estatuto Social, que prevê a aquisição, negociação e transferência de direitos publicitários, bem como o agenciamento de propaganda e publicidade e sua execução e Fl. 4276DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.277 18 divulgação em veículos de imprensa, além da prestação de serviços de publicidade em geral, como acontece com os grandes teatros e espaços da contribuinte, os quais possuem nomes que promovem igualmente marca de terceiros, como por exemplo: Credicard Hall, Teatro Abril, Chevrolet Hall, entre outros. Alega que a receita dessa prestação de serviço representou, no anocalendário de 2009, mais de 28% do total de receitas auferidas pela contribuinte, apresentando, como prova relação de contratos da prestação de serviço ora tratada (fl. 1548), juntamente com cópias das respectivas notas fiscais emitidas pelos serviços prestados, doc. de fls. 3112/3695. Após fazer algumas considerações especificas sobre alguns contratos indicados, a contribuinte destaca que todos os contratos possuem uma característica comum de que, em nenhum deles, o objeto contratual é a propaganda institucional da impugnante, pois todos tem por objetivo promover marca de terceiros. Nesse cenário, entende a contribuinte que a contratação de serviços de propaganda e publicidade configurase como insumo fundamental para a prestação de serviços de promoção de marca de terceiros, sendo essenciais para a divulgação dessas marcas. 3.5.5. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 206/2011 Com relação às glosas dos serviços de telefonia fixa e móvel e de link, argumenta a impugnante que tais dispêndios referemse a custos com link e telefonia das casas de espetáculos, do website disponível para compra de ingressos e do call center disponibilizado ao público. Entende que tal entendimento genérico apontado na Solução de Consulta em tela não deve ser aplicado para empresas que possuem, como objeto social, a “comercialização de ingressos” através de “bilheterias, via internet, por telefone e entrega a domicílio, ou por qualquer outro meio”, tal como ocorre com a impugnante, nos termos do contido no artigo 3° do seu Estatuto, o qual contempla referida atividade econômica no seu objeto social. Esclarece, ainda, no tocante à venda de ingressos, que a empresa pratica a cobrança de taxa adicional relativa à conveniência oferecida por meio de aquisição do ingresso, quando esse é adquirido por meio dos guichês da “Tickets For Fun” em grandes shoppings e centros comerciais, por telefone ou mesmo através da internet. Assim a conveniência da aquisição em local de fácil acesso (guichês) ou através da internet, com a subsequente entrega dos ingressos diretamente no domicílio do cliente, configurase como um valor agregado precificado pela empresa. A atividade econômica em questão, no entendimento da contribuinte, possui natureza autônoma e diversa da atividade de produção de espetáculos na medida em que possui, inclusive, receitas próprias, sendo os insumos de telefonia e de acesso de dados e internet fundamentais para as vendas dos ingressos comercializados pela empresa. Fl. 4277DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.278 19 3.5.6. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 266/2009 Nesse tópico aponta a contribuinte que o grupo de despesas glosadas pela Fiscalização referese aos valores das taxas pagas às administradoras de cartões de créditos pelo uso desse serviço nas vendas de ingressos feitas em bilheterias, por telefone e pela internet. Elucida que a maior parte dos seus ingressos e tickets é vendida pela internet, sendo o cartão de crédito o principal meio de pagamento utilizado pelo público consumidor, sendo que as vendas realizadas por essa modalidade de pagamento são responsáveis por 92% de todos o valor do seu faturamento anual. Explicita que os contratos firmados com as administradoras de cartões de crédito evidenciam os diversos requisitos e taxas que são devidas para que seja disponibilizado, na sua página na internet, a opção de pagamento através de cartões de débito e crédito, juntando, para tanto alguns desses contratos, doc. de fls. 3697/3719, e afirma que sem a contratação dos referidos serviços não venderia metade dos ingressos, situação que inviabilizaria a realização dos eventos. 3.5.7. Solução de Consulta DISIT/7ª RF nº 398/2004 No tocante às glosas dos pagamentos de taxas condominiais, aduz a contribuinte que as casas de espetáculos de sua propriedade, bem como as locadas, são fundamentais à produção e organização de espetáculos de performance artística e musical. Desse modo, sem o pagamento das referidas taxas, a utilização das referidas casas estaria prejudicada, gerando impedimento para a realização dos eventos. Sustenta que a beleza e imponência de suas casas fazem parte dos espetáculos, não tendo a mesma liberdade de outras empresas prestadoras de serviços, que podem realizar a sua atividade em qualquer tipo de imóvel, tendo em vista que espetáculos renomados quando ocorrem em imponentes teatros possuem impacto direto na clientela alcançada. 3.5.8. Solução de Consulta DISIT/7ª RF nº 590/2004 Quanto à glosa das despesas com a contração de call center terceirizado alega as mesmas razões apontadas no item 3.5.5. (Solução de nº 206/2011), tendo em vista que a impugnante possui, como objeto social, a venda de ingressos por diversos meios, sendo tais despesas fundamentais ao desempenho de tal atividade. 3.5.9. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 72/2012 Sobre a glosa dos serviços com mão de obra temporária defende a impugnante que as Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, nos seus respectivos inciso I, §1° do artigo 3°, não deixam dúvidas de que a mão de obra só não gera direito a crédito do PIS/Cofins quando paga a pessoa física, sendo esta a única vedação prevista em lei para tanto, não sendo legítima a fundamentação da glosa com base na Solução de Consulta em tela. Fl. 4278DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.279 20 No caso da glosa procedida alega a contribuinte que a condição exigida por citados diplomas legais foi devidamente cumprida, tendo em vista que a obrigação contratual relativa à prestação de serviços de mão de obra temporária foi celebrada com pessoa jurídica, conforme contrato trazido aos autos, fls. 3721/3731, firmado com a empresa Soma Staffing Trabalho Temporário, destacando que a contratação de profissionais de produção está devidamente relacionada com seu objeto social de produção e organização de espetáculos artísticos. 3.5.10. Solução de Consulta DISIT/6ª RF nº 88/2009 Em relação à glosa de despesa com água assevera a contribuinte que tal dispêndio é imprescindível à prestação de serviços de produção de eventos, destacando que a despesa em questão contempla, além das suas despesas regulares com o fornecimento de água em suas dependências, o fornecimento de água potável aos artistas estrangeiros responsáveis pelas performances artísticas produzidas no Brasil. Nesse sentido, cita a cláusula 10.3.2 do contrato relativo ao Cirque du Soleil que impõe à contribuinte o dever de fornecer água potável à toda a equipe de artistas, doc. de fl. 1840. 4. Da glosa do Grupo 08: créditos específicos a título de “Cachê Artístico em Moeda Nacional” Trata o presente tópico da glosa de créditos específicos a título de “cachê artístico em moeda nacional” no montante de R$ 923.391,84, referentes aos meses de janeiro a março do anocalendário de 2009, em razão de não terem sido apresentados à fiscalização os correspondentes comprovantes de pagamento ou notas fiscais, ou terem sido apresentados comprovantes de pagamento a menor. No sentido de suprir tal ausência de comprovação, a contribuinte junta aos autos os comprovantes de pagamento dos valores que deixaram de ser demonstrados no curso do procedimento fiscal, nos termos de planilha de fls. 3733/3734, e documentos de fls. 3735/3872. Destaca, ainda, que a divergência identificada pela fiscalização decorre do fato da autoridade fiscal ter considerado planilha de composição das despesas com cachês entregue em 18/06/2013 (com valor total correspondente a R$ 54.180.283,89 — referente aos meses de janeiro a dezembro), sem no entanto considerar a planilha retificadora entregue posteriormente, em 13/08/2013 (com valor total de R$ 52.745.172,61), em face da constatação de inconsistência na primeira planilha, situação que será detalhada pela impugnante com maiores detalhes no próximo tópico. 5. Da glosa do Grupo 09: diferença entre Planilha apresentada pelo contribuinte e os valores declarados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON No tocante à essa glosa a contribuinte informa que, em atendimento à intimação fiscal, apresentou planilha de apuração do PIS e da COFINS na sistemática não cumulativa datada de 18/06/2013, por meio da qual detalhou a apuração da base de cálculo das contribuições sociais, bem como de todos os créditos passíveis de dedução previstos na legislação Fl. 4279DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.280 21 de regência, dentre os quais os “bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços”. Nos esclarecimentos adicionais apresentados à fiscalização a contribuinte destacou que as informações relativas aos custos e despesas com insumos inseridas na planilha foram extraídas diretamente da sua escrituração contábil. Por outro lado, os custos e despesas com insumos declarados na sua DACON 2009 foram informados com base nas notas fiscais emitidas pelos seus fornecedores. Desse modo, esclarece a impugnante a prática de dois critérios de apropriação dos custos e despesas com insumos: (i) na DACON os custos e despesas foram apropriados no mês em que efetivamente ocorreu o respectivo pagamento (regime de caixa); (ii) na planilha de 18/06/2013 os insumos foram alocados com fundamento no mês em que os custos e despesas foram incorridos (regime de competência). Prossegue a contribuinte apresentando Tabela 1 visando demonstrar as divergências de valores decorrentes da utilização dos regimes distintos de apropriação dos insumos no DACON e na planilha apresentada à fiscalização, fls. 1561, destacando que em quase nenhum mês os valores do DACON 2009 "batem" com os valores informados na planilha de 18/06/2013. Ciente da divergência supra citada, e no sentido de evitar qualquer mal entendimento por parte da fiscalização, a contribuinte sustenta que decidiu reelaborar a planilha apresentada anteriormente no sentido de utilizar os mesmos critérios adotados no preenchimento do DACON. Quanto a essa nova planilha afirma a impugnante ter efetuado o seu protocolo — bem como de outros documentos — em 13/08/2013, doc. de fls. 4101/4105. No tocante à planilha de 13/08/2013, destaca a contribuinte a existência de correlação entre a nova planilha e os valores informados no DACON, a partir da adoção de um único critério de reconhecimento de despesas e custos como insumos, conforme demonstrado na Tabela 2 inserida na peça impugnatória, fl. 1562. Não obstante o ponto acima elencado, aponta a contribuinte que esse fato não foi suficiente para impedir a fiscalização de realizar lançamento de ofício por entender pela existência de diferenças suficientes para amparar a glosa de créditos de PIS e COFINS, sendo essa diferença identificada pela autoridade fiscal e detalhada na tabela do Anexo V do Termo de Constatação Nº 01. Com relação ao lançamento do tópico em questão apresenta a contribuinte os seguintes questionamentos a seguir transcritos: Um primeiro olhar sobre a planilha utilizada pela Fiscalização já é capaz de revelar a precariedade do trabalho fiscal. Logo de início, constatase que a d. Autoridade Fiscalizadora: Fl. 4280DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.281 22 i. simplesmente ignorou a Planilha apresentada pela Impugnante em 13/08/2013, bem como os esclarecimentos informados pala Impugnante após a apresentação da sua primeira planilha, sem apresentar fundamentação alguma no TCF anexo ao Auto de Infração que fosse capaz de justificar tal desconsideração; ii. glosou o crédito da Impugnante a partir de uma mera planilha sem, contudo, produzir qualquer prova que fosse capaz de invalidar as informações presentes na sua DACON 2009 ou apontar fundamento legal para tanto; e iii. foi incongruente com a sua própria metodologia na medida em que, na planilha fiscal (Anexo V), constam apenas os meses em que houve diferenças positivas entre os custos e despesas com insumos informados na DACON 2009 e na Planilha de 18/06/2013, tendo sido omitidos os meses em que houve diferença negativa (maio, junho, julho, outubro e novembro). Frisa a contribuinte que cada uma das falhas acima apontadas enseja nulidade material do lançamento, conforme detalhamentos apontados nos pontos sequenciais, que reforçam os 03 (três) questionamentos anteriormente elencados, com fundamento nos seguintes dispositivos: · arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/1999; · arts. 10 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 Reclama, ainda, do cometimento pela fiscalização dos seguintes vícios de fundamentação na lavratura do Auto de Infração, a seguir indicados em apertada síntese: · A Fiscalização não provou e nem fundamentou o erro na apuração de créditos: Nesse ponto, entende a contribuinte que a Fiscalização, após ter constatado haver divergência de valores entre a Planilha apresentada pela Impugnante em 18/06/2013, deveria ter constituído suporte probatório, pautado em documentos fiscais e contábeis, que fossem capazes de invalidar as informações presentes na referida planilha, por meio de intimações específicas requerendo a entrega desses elementos, os quais poderiam servir para a lavratura de eventual autuação. Apresenta jurisprudência do CARF que no seu entender reforça seu posicionamento. · A fiscalização não justificou a desconsideração da Planilha de 13/08/2013: Segundo a contribuinte a autoridade fiscal não apresentou qualquer fundamento jurídico que tivesse o condão de justificar a desconsideração da planilha apresentada em 13/08/2013; · A Fiscalização omitiu meses em que houve diferença negativa: No lançamento efetuado a autoridade fiscal deixou de considerar no Anexo V do Termo de Constatação Nº 01 todos os meses em que os valores dos créditos informados na planilha apresentada em 18/06/2013 foram superiores aos valores declarados no DACON, caracterizando diferenças Fl. 4281DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.282 23 negativas. Por outro lado, as diferenças positivas foram lançadas de ofício. Ainda em relação ao último vício acima indicado, esclarece a contribuinte que, caso fossem computados os meses com diferenças negativas, não haveria diferença positiva alguma capaz de amparar a glosa em tela, tendo em vista que no montante anual haveria diferença positiva ou seja, os valores da Planilha de 18/06/2013 seriam superiores aos declarados no DACON 2009, no montante de R$ 4.453.391,11. No tocante ao mérito do regime correto para apropriação dos insumos para fins de apuração dos créditos de PIS/Cofins, competência ou crédito, alega a contribuinte que a fiscalização em nenhum momento fez qualquer alegação no sentido de definir qual o sistema correto, e o eventual prejuízo ao Erário Público. Pondera que caso houvesse alguma acusação da fiscalização nesse sentido ela seria desprovida de fundamentação, pois levandose em conta o anocalendário de 2009 como um todo, teriase a inexistência de insumo deduzido a maior, já que o que foi apropriado em determinado mês, quando muito, deveria têlo sido feito meses à frente do mesmo ano. Dessa forma eventual “prejuízo” decorreria não do montante do crédito utilizado e sim do momento eleito para seu aproveitamento. Com relação ao momento em que o crédito poderia ser utilizado, assevera a contribuinte sobre 02 (duas) possibilidades frente ao regime de competência: a antecipação ou postergação do reconhecimento do crédito, sendo que somente na primeira hipótese é que se poderia cogitar algum prejuízo ao Erário Público, situação fática que deveria ter sido apontada pela fiscalização e incluída em sua acusação fiscal, fato não observado por ocasião da lavratura do Auto de Infração, e que também não pode ser cogitado agora no julgamento da lide, sob pena de ser gerada inovação no critério jurídico do lançamento, procedimento que é proibido nos termos da legislação do processo administrativo federal. 6. Da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício No tocante à esse tópico, caso não sejam acolhidas as razões de defesa, com o consequente cancelamento do Auto de Infração, entende a contribuinte que deva ser afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos dos artigos 161 do CTN e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Afirma a impugnante que o art. 61, "caput" e parágrafo 3º da Lei n° 9.430/96, em consonância com o artigo 161 do CTN, somente autoriza a incidência de juros sobre o valor do principal lançado. Prossegue indicando jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes que sinalizam para citado entendimento. 7. Da aplicação ao artigo 112 do CTN em caso de voto de qualidade Fl. 4282DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.283 24 Nesse item assevera a impugnante que o artigo 112 do CTN determina que, havendo uma interpretação mais favorável ao contribuinte quanto à aplicação de penalidades, esta deve obrigatoriamente prevalecer em caso de dúvida. Por essa determinação o legislador manifestou a sua intenção de garantir que não se atribuísse ao contribuinte o ônus da incerteza, nas situações em que o próprio Fisco reconhece a impossibilidade de precisar o que se deve entender da norma tributária. No caso de julgamentos realizados em colegiados afirma a contribuinte ser comum a existência de resultados com empate de votação, sendo então necessário a adoção do voto de qualidade para deslinde da questão em favor do contribuinte, como determina o artigo 112 do CTN. Argumenta ser esse o entendimento do STF, manifestado por ocasião do julgamento da AP 470 ("caso do mensalão"), com base em excerto de trecho do voto do Ayres Brito, que na apreciação de ação penal proferiu a posição de que o empate de votos de um órgão colegiado representa a existência de dúvida, o que demanda decisão a favor do acusado quanto à aplicação de penalidades, respeitandose o princípio da presunção de inocência, previsto no artigo 5°, inciso LVII da Constituição Federal. Desse modo, com a aplicação desse entendimento na área penal, deve o mesmo ser estendido ao Direito Tributário, bem como a todos os demais ramos do Direito que trazem a aplicação de penalidades, vale dizer, para o "Direito Sancionador". A decisão recorrida julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. APLICAÇÃO CASO A CASO. EMPRESA PRODUTORA DE ESPETÁCULOS. Não deve ser aplicada, na conceituação de insumo para fins de determinação da base de cálculo da COFINS não cumulativa, o critério restrito estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, nem tampouco critério mais amplo aplicado na legislação do imposto de renda, que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo da Cofins é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte; for indispensável para a formação do produto/serviço final e for relacionado ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso, levandose em conta se a sua não implementação geraria prejuízo ou impedimento ao objeto da contribuinte, que atua no segmento de produção de espetáculos musicais e teatrais. Fl. 4283DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.284 25 COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. INOBSERVÂNCIA DE ATIVIDADE DA EMPRESA. As glosas genéricas, promovidas por supostas atividades não desenvolvidas pela contribuinte, não podem ser justificadas apenas pelo nome da conta contábil adotada para consolidação dos registros contábeis, quando existem evidências nos autos de que os insumos em questão estão relacionados com os serviços realizados pela autuada, de conformidade com o seu objeto social. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ERRO DA SUBSUNÇÃO DO FATO À VEDAÇÃO DO CRÉDITO Não pode prosperar a glosa de créditos com o fundamento de que os valores foram pagos para pessoas físicas, quando ficou comprovado nos autos terem os mesmos sidos efetuados para pessoas jurídicas, decorrentes de prestação de serviços vinculados ao objeto social da empresa, sendo identificado vício material pela subsunção incorreta do fato jurídico tributário à hipótese de incidência, configurandose erro de direito, não havendo o surgimento da obrigação tributária objeto dos valores exigidos de ofício. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. GLOSA COM FUNDAMENTO EM SOLUÇÃO DE CONSULTA. IMPROCEDÊNCIA. O entendimento firmado pela Administração Tributária em processo de Solução de Consulta não pode ser aplicado, de forma genérica, em relação aos insumos apropriados pela contribuinte, quando são apresentadas evidências de que os consulentes realizavam atividades distintas da fiscalizada, notadamente pelo fato dessa Solução ter sido o fundamento exclusivo para implementação das glosas. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. GLOSA. FALTA DA COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Deve ser afastada a glosa de crédito quando a contribuinte apresenta na fase impugnativa nota fiscal ou comprovante de pagamento não entregue por ocasião do procedimento fiscal. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. GLOSA. APURAÇÃO POR DIFERENÇA DE PLANILHA E DACON. IMPROCEDÊNCIA. A simples apuração de diferença entre elementos elaborados e apresentados pela contribuinte não tem o condão de justificar a glosa de créditos de Cofins, notadamente quando existem nesses mesmos elementos meses em que os valores informados no DACON foram inferiores aos valores informados em Planilha entregue no curso da ação fiscal. Desse modo, não pode prosperar o lançamento feito apenas em relação aos meses em que a autoridade fiscal identificou diferenças positivas entre esses elementos, indicando falta de aprofundamento na investigação, tendo em vista que, nos valores anuais, a planilha usada para justificar as exigências mensais apresentou valores de créditos inferior ao utilizado no DACON, levandose, ainda, em conta a possibilidade de aproveitamento de saldo de créditos em meses subsequentes. Fl. 4284DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.285 26 COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. REFORMAS. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos realizados com benfeitorias em prédios próprios ou alugados não estão vinculados à prestação de serviço realizada pela contribuinte, e sim destinamse a conservação e aperfeiçoamento desses bens, tratandose, desse modo, de despesas necessárias para a empresa, mas que não atendem à premissa formulada ao conceito de insumo para fins de apuração da base de cálculo da Cofins, que exige a vinculação direta a determinado espetáculo, como condição essencial para sua realização. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. CONDOMÍNIOS. IMPOSSIBILIDADE. Taxas de condomínio pagas em função da utilização de prédios próprios e alugados por pessoa jurídica no exercício de suas atividades não se confundem com aluguéis, inexistindo a possibilidade de interpretação extensiva que permita o desconto de crédito correspondente. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. TELEFONIA FIXA E MÓVEL. TAXAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. CALL CENTER. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos realizados com telefonia fixa e móvel, taxas de cartões de crédito e call center terceirizado e com mão de obra temporária não geram direito aos créditos da Cofins, quando não existem provas nos autos de que esses dispêndios estejam vinculados a qualquer contrato de produção de espetáculo, não sendo, portanto, decorrentes de avenças contratuais, configurandose, desse modo, como despesas gerais da empresa, não vinculadas à produções específicas, o que somente autoriza o seu aproveitamento para fins da legislação do IRPJ, como despesas necessárias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nas mesmas glosas de créditos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento da Cofins constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à contribuição para o PIS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE PENALIDADE. A penalidade constitui débito decorrente do tributo ou contribuição, sendo alcançada pela incidência dos juros de mora. Fl. 4285DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.286 27 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMPATE DE VOTOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento de primeira instância encontrase disciplinado pela Portaria MF nº 341/2011, que conferiu ao Presidente da Turma, além do voto ordinário, o voto de qualidade, sendo inaplicável a previsão contida no artigo 112 do CTN no caso de empate de votos na apreciação da lide. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do valor exonerado, houve interposição de Recurso de Ofício, devolvendo a matéria à julgamento desse colegiado, e houve, também, a interposição de recurso Voluntário pelo contribuinte, sumariado da seguinte forma (fl. 4179): É o relatório. Fl. 4286DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.287 28 RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente, em sua peça recursal, discorre longamente acerca de sua atividade e peculiaridades de sua atuação. Quanto ao litígio, traz alegação preliminar de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, antes discorrendo acerca da natureza jurídica do PIS e da COFINS não cumulativas, aborda as glosas mantidas pela decisão recorrida, assim como se irresigna quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e quanto ao voto de qualidade. Especificamente quanto ao mérito, contribuinte discorre acerca da sistemática de apuração dos créditos de PIS e Cofins peurados pela sistemática da não cumulatividade, destacando a natureza das referidas contribuições, assim como a necessária distinção quanto ao regime de apuração do IPI. Destaca, ainda, a necessidade da completa compreensão das atividades exercidas pela Recorrente para a correta aplicação do conceito de "insumo" previsto na legislação de regência do PIS e da Cofins. Pois bem. A matéria é debate, é, portanto, a definição do conceito de insumo trazido pelas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 para fins de autorização da apuração de créditos de PIS e Cofins. A partir dessa definição, com a exata compreensão das atividades exercidas pelo contribuinte, é que se deve passar ao exame de cada uma das classes de créditos apropriados. Essa questão já é há muito debatida por essa Turma julgadora e por esse CARF, inclusive, com recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (ainda não publicada), que vêm concluindo pela necessária distinção do conceito de insumo da legislação do PIS e da COFINS relativamente ao IPI (conceito restritivo) e do Imposto de Renda (conceito amplo). Para não mais me estender quanto à esse aspecto, cito, em resumo, a ementa do acórdão recorrido, em sede do qual a DRJ analisou de forma precisa a questão: COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. APLICAÇÃO CASO A CASO. EMPRESA PRODUTORA DE ESPETÁCULOS. Não deve ser aplicada, na conceituação de insumo para fins de determinação da base de cálculo da COFINS não cumulativa, o critério restrito estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, nem tampouco critério mais amplo aplicado na legislação do imposto de renda, que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo da Cofins é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte; for indispensável para a formação do produto/serviço final e for relacionado ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso, levando se em conta se a sua não implementação geraria prejuízo ou impedimento ao objeto da contribuinte, que atua no segmento de produção de espetáculos musicais e teatrais. Fl. 4287DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.288 29 Desse modo, necessário o acurado exame acerca de cada uma das glosas mantidas pela DRJ e objeto de Recurso pela Contribuinte. Ressalto, nesse aspecto, que para o apurado exame das despesas incorridas pela Recorrente, reputo necessário alguns esclarecimentos a serem prestados pela Autoridade Preparadora, especificamente quanto aos seguintes grupos de glosas: Grupo 9 "Solução de Consulta 206/2011" As glosas a serem examinadas são as seguintes: Tratase, portanto, de serviços de telefonia contratados pela Recorrente. Entendeu a DRJ, no acórdão recorrido: Desta forma, não pode ser aceita a argumentação da contribuinte de que a simples descrição do objeto social da empresa, constante de seu contrato social, nos termos do contido no artigo 3° do seu Estatuto, que consta a “comercialização de ingressos” através de “bilheterias, via internet, por telefone e entrega a domicílio, ou por qualquer outro meio”, seja suficiente para que os gastos com telefonia, fixa ou celular, se enquadrem no conceito de insumo previsto na legislação do PIS/Cofins e, portanto, gerarem direito a crédito das contribuições ora tratadas. Ademais, diferentemente dos demais itens já analisados neste Voto, a contribuinte não indica qualquer contrato de produção de espetáculo em que exista obrigação contratual para dar suporte à esses gastos com telefonia, pois, na verdade, tais dispêndios configuramse como despesas gerais da empresa não vinculadas à espetáculos específicos, o que somente autoriza o seu aproveitamento para fins da legislação do IRPJ, como despesas necessárias. (destaques nossos) Em contradita, aduz a Recorrente que, dentre as atividades exercidas, encontra se a venda de ingressos via internet e telefone. Desse modo, verificarseia tratarse de produto essencial para tal prestação de serviços, o que autorizaria a tomada de créditos relativos ao PIS e à COFINS. Pois bem, nesse ponto, entendo necessária a seguinte distinção. De um lado, é certo que, para todo e qualquer exercício de atividade empresarial, é necessária uma estrutura mínima de telefonia e internet. O custo com essa estrutura mínima, como decidiu a DRJ, é custo genérico que apenas poderia ser computado na apuração do IRPJ. Lado outro, a prestação de serviços de venda de ingressos pelo telefone, necessariamente, pressupõe uma estrutura diferenciada de telefonia e internet, sem a qual seria Fl. 4288DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.289 30 inviável o exercício da atividade de venda de ingressos. É certo que uma estrutura básica, mínima, usual a toda e qualquer atividade empresarial não atenderia às necessidades de uma empresa que realiza atividade de vendas por telefone. Assim, nessa situação específica, ante a especificidade da natureza deste serviço de venda de ingressos por telefone, os custos incorridos deverão ser apropriados como insumo necessário para a prestação do serviço. O argumento apresentado pela DRJ segundo o qual a apropriação do crédito dependeria da apresentação, pelo contribuinte, de "qualquer contrato de produção de espetáculo em que exista obrigação contratual para dar suporte à esses gastos com telefonia", data maxima venia, não merece prosperar. Com efeito, a venda de ingressos por telefone não é atividade que se vincula a um determinado e específico espetáculo, mas, sim, a todos os eventos por ela realizados. Ou seja, exigir a vinculação a um espetáculo específico seria o mesmo que pressupor que a estrutura necessária para a prestação do serviço de venda de ingressos por telefone (equipamentos, estrutura com rede, atendentes, etc.) devesse ser temporária, assim como é a montagem de uma "tenda de circo". Ora, restou evidenciado nos autos o grande volume de espetáculos e eventos culturais promovidos pela Recorrente. Notase, ainda, que tais eventos são constantes, e não esporádicos, sazonais. Logo, também será constante a necessidade de estrutura para a venda de ingressos por via telefônica. Assim, diante do entendimento exposto, reputo necessária a verificação, pela Autoridade Preparadora, acerca da natureza das despesas classificadas nos "Grupo 9": se destinadas à estrutura básica, essencial a toda e qualquer atividade (despesa geral), ou se se trata de uma estrutura diferenciada, própria para suportar a atividade de venda por telefone. Tal comprovação se dá, essencialmente, por meio da apresentação de contratos a ser solicitada ao contribuinte, assim como demais documentos de prova. Grupo 10 "Solução de Consulta 266/2009" O grupo 10, glosado pela fiscalização, compreende despesas da seguinte natureza: O fundamento utilizado pela DRJ para a manutenção da glosa de tais despesas é similar àquele exposto relativamente às despesas com telefonia: Tanto que para justificar a sua argumentação a impugnante apresenta diversos contratos firmados com as administradoras de cartões, evidenciando os diversos requisitos e taxas que são devidas para que seja disponibilizado, na sua página na Internet, a opção de pagamento através de cartões de débito e crédito, doc. de fls. 3697/3719. Dessa forma, evidenciase que esses contratos firmados com as administradoras de cartões não estão vinculados a qualquer contrato de produção de espetáculo em que exista obrigação contratual para dar suporte à esses gastos com citadas taxas, pois, na verdade, tais dispêndios configuramse como despesas gerais da empresa, não Fl. 4289DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.290 31 vinculadas à espetáculos específicos, que podem ser aproveitadas para todos os eventos realizados pela empresa, conforme inserção efetuada em sua página da Internet, fato que somente autoriza o seu aproveitamento para fins da legislação do IRPJ, como despesas necessárias. (destaques nossos) Também nesse aspecto, ressalto a necessidade de se verificar o exato objeto das despesas glosadas pela fiscalização: se decorrentes das "taxas de administração" cobradas pelas operadoras sobre os recebimentos de pagamentos realizados com cartão de crédito, ou se tais despesas possuem natureza diversa. Embora o acórdão da DRJ mencione a juntada de contratos, verifico tratarse de termos aditivos e anexos que contêm definições conceituais, mas sem identificar o exato objeto de tais contratos. Desse modo, aqui também reputo necessária a realização de diligência para que a Autoridade Preparadora defina o exato objeto dos contratos cuja despesa respectiva foi glosada sob argumento de se tratar de despesa geral da empresa. Grupo 13 "Solução de Consulta 72/2012" As glosas em questão dizem respeito à contratação de mão de obra temporária: De acordo com a DRJ: Do exame do objeto do contrato evidenciase que a contração pode ser motivada tanto para suprir necessidade regular ou extraordinária, sendo que o fato concreto somente ficará consignado por ocasião da solicitação da contribuinte do preenchimento de função carente de mão de obra. Assim, constatase que o contrato em questão não se encontra vinculado a qualquer espetáculo produzido pela empresa, podendo ser utilizado para suprir qualquer carência de mão de obra da empresa em determinado momento. Inicialmente, para fins de atendimento à legislação de regência, é preciso que a Fiscalização esclareça se as glosas efetuadas se referem à pagamento direto à pessoa física ou por meio de pessoa jurídica. Ademais, mais uma vez verificase a necessidade de distinção acerca da natureza das contratações. É preciso perquirir acerca das despesas especificamente glosadas pela Fiscalização se as contratações em específico ocorreram em razão de despesas ordinárias (p. ex. tarefas administrativas ordinárias) ou extraordinárias (p. ex. espetáculos específicos / profissionais especializados). Fl. 4290DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.720162/201408 Resolução nº 3201000.655 S3C2T1 Fl. 4.291 32 Pelo exposto, voto no sentido de converter o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora, mediante intimação do contribuinte para a apresentação dos documentos e esclarecimentos necessários, informe: (i) relativamente às despesas classificadas nos "Grupo 9": se destinadas à estrutura básica, essencial a toda e qualquer atividade (despesa geral), ou se se trata de uma estrutura diferenciada, própria para suportar a atividade de venda por telefone. (ii) quanto às despesas relacionadas no "Grupo 10" para que se defina o exato objeto dos contratos cuja despesa respectiva foi glosada sob argumento de se tratar de despesa geral da empresa. (iii) acerca do "Grupo 13", se as contratações em específico foram realizadas junto a Pessoas Físicas ou Pessoas Jurídicas e, no segundo caso, se ocorreram em razão de despesas ordinárias (p. ex. tarefas administrativas ordinárias) ou extraordinárias (p. ex. espetáculos específicos / profissionais especializados), definindo exatamente a natureza de cada uma das contratações glosadas. Após, concedase vista à Recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias para que possa se manifestar acerca do resultado da diligência fiscal. Em seguida, remetamse os autos para julgamento. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 4291DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 15959.720285/2013-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO FORMULÁRIO PER/DCOMP. SUPERAÇÃO.
O princípio da formalidade moderada recomenda seja feita a análise do mérito do pedido de restituição do indébito quando os elementos constantes dos autos evidenciam que, por mero equívoco, o contribuinte, ao preencher o formulário eletrônico PER/DCOMP, responde com a palavra SIM a pergunta que deveria ser respondida com a palavra NÃO.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2201-003.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
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EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO FORMULÁRIO PER/DCOMP. SUPERAÇÃO. O princípio da formalidade moderada recomenda seja feita a análise do mérito do pedido de restituição do indébito quando os elementos constantes dos autos evidenciam que, por mero equívoco, o contribuinte, ao preencher o formulário eletrônico PER/DCOMP, responde com a palavra “SIM” a pergunta que deveria ser respondida com a palavra “NÃO. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 9. 72 02 85 /2 01 3- 80 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15959.720285/201380 Acórdão n.º 2201003.061 S2C2T1 Fl. 52 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de contribuição previdenciária (fl. 02) relativo à competência 10/2008, no valor de R$ 1.383,40. O contribuinte formalizou o pedido por meio do aplicativo PER/DCOMP em 23/04/2010, informando pagamento indevido ou a maior para a matrícula CEI nº 33.280.02380/88, recolhido em GPS sob o código 2208 (fls. 4/7). O pedido foi indeferido pelo DespachoDecisório de fls. 8/10, sob o argumento de estar fundamentado em alegação de inconstitucionalidade de dispositivo legal que não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF em Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI ou em Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADECON, e que também não teve a sua execução suspensa pelo Senado Federal. O Requerente apresentou a Manifestação de Inconformidade de fl. 14, que foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/FNS (fls. 23/29), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PEDIDO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe em âmbito administrativo a apreciação e deferimento de crédito tributário com fundamento em inconstitucionalidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou ação declaratória de constitucionalidade, nem tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal. PER/DCOMP RETIFICADOR. NECESSIDADE DE ENVIO À RFB POR MEIO DO APLICATIVO. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido programa. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/01/2015 (fl. 32), o Interessado interpôs, em 06/02/2015, o recurso de fl. 34, acompanhado dos documentos de fls. 35/39. Na peça recursal aduz que informou no formulário PER/DCOMP, erroneamente, a palavra “SIM, quando o correto seria a palavra “NÃO”. Pleiteia neste recurso o reconhecimento de seu direito creditório. Voto Fl. 52DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15959.720285/201380 Acórdão n.º 2201003.061 S2C2T1 Fl. 53 3 Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator O Recorrente teve o seu pedido de restituição indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto por ter respondido, com a palavra “SIM”, a seguinte pergunta constante do formulário eletrônico PER/DCOMP: O CRÉDITO, perfeitamente identificado no presente documento eletrônico, TEM como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade, nem tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal? O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade onde, nas razões de mérito, explicitou: Por um lapso do preenchimento do pedido de restituição, foi informada a resposta SIM, sendo que o correto é NÃO, por isso, estou enviando a retificação do pedido, conforme cópia anexa, para dar andamento ao pedido de restituição da Contribuição Previdenciária, recolhida em duplicidade. Os ilustres julgadores da instância de piso, ao invés de apreciarem o mérito do pedido ou converterem o julgamento do processo em diligência para que a Autoridade competente se manifestasse a respeito do mérito da controvérsia (procedência ou improcedência do pedido), indeferiram o pleito do contribuinte utilizando, como razões de decidir, a questão da cópia do pedido de retificação anexada à Manifestação de Inconformidade, passando ao largo da alegação do contribuinte de que teria se equivocado no preenchimento do formulário. Confira: No que tange a alegação de que estaria enviando documento retificador, tendo apresentado, para tanto cópia do citado documento, observo que tal cópia não comprova ter sido enviada, uma vez que veio desprovida de tal comprovação (fl. 15). Em consulta ao Sistema Informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não consta, de fato, ter sido enviada, uma vez que somente consta o PER/DCOMP original, sem retificadoras, conforme tela extraída em 15/12/2014, que aqui se colaciona: (...) A legislação permite a retificação do pedido via PER/DCOMP, mas deve ser enviado por meio do aplicativo, nestes termos: (...) Por todo o exposto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito crédito do interessado. À evidência, o Recorrente foi cientificado do DespachoDecisório em 15/08/2014 e do Acórdão de 1ª Instância em 13/01/2015, de modo que novo pedido de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15959.720285/201380 Acórdão n.º 2201003.061 S2C2T1 Fl. 54 4 restituição por meio eletrônico sequer seria aceito, porquanto estaria prescrito o direito de pleitear a restituição, haja vista que o suposto indébito teria sido recolhido no ano de 2008. Acrescento, ademais, que a finalidade do processo administrativo fiscal é justamente o controle da legalidade. Assim, se no bojo do contencioso administrativo o contribuinte reconhece que houve um equívoco no preenchimento do formulário de restituição do indébito, equívoco este plenamente plausível diante da redação ambígua da pergunta constante do formulário eletrônico, deve a Autoridade julgadora, em meu entendimento, analisar o mérito do pedido formulado, da forma que melhor lhe aprouver, mas não negar a prestação administrativa sugerindo o impossível ao contribuinte. Do contrário, nenhuma serventia teria o processo administrativo. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para anular a decisão recorrida e para que outra seja proferida mediante a análise do mérito da controvérsia. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720905/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010
PEREMPÇÃO - Não se conhece do mérito de recurso intempestivo, porque protocolado fora do prazo previsto no art. 33° do Dec. 70.235/72.
RECURSO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2201-002.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
EDITADO EM: 03/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2010 PEREMPÇÃO - Não se conhece do mérito de recurso intempestivo, porque protocolado fora do prazo previsto no art. 33° do Dec. 70.235/72. RECURSO NÃO CONHECIDO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora. EDITADO EM: 03/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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RECURSO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente Substituto assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. EDITADO EM: 03/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 09 05 /2 01 3- 04 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11080.720905/201304 Acórdão n.º 2201002.995 S2C2T1 Fl. 225 2 Relatório NILON ERLING, recorre da decisão proferida no acórdão 1042.774 – 8ª Turma da DRJ/POA, de 08 de março de 2013, fls. 109/113, que julgou improcedente sua impugnação. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 12/18, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de ofício e juros de mora, totalizando R$ 16.705,61, calculados até 28/12/2012, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2010, anocalendário de 2009. A fiscalização informa às fls. 14 que constatou omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas, no valor de R$ 20.170,22. Às fls. 15/16, informa ter glosado despesa médica no valor de R$ 10.000,00. O notificado apresentou impugnação, de fls. 02/05, alegando que os aluguéis foram declarados por sua esposa, pois os bens que geraram o rendimento são comuns. Quanto à despesa médica disse que os pagamentos foram feitos em moeda corrente e que os recibos apresentados atendem os requisitos previstos pelo art. 80, § 1º, III, do Regulamento do Imposto de Renda. Cientificada às fls.117, em 18 de março de 2013 interpõe o recurso voluntário de fls.119/123, em 22 de abril de 2013, onde reitera os argumentos expendidos na inicial e pede revisão do acórdão recorrido para ver exercitado seu direito. Despacho de fls. 222, assim versou: O contribuinte em epígrafe apresentou Recurso Voluntário em 22/04/2013 após ciência da Intimação do Resultado da Impugnação em 18/03/2013. Sendo assim, PROPONHO o encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para julgamento e procedimentos cabíveis.(...) Através do despacho de fls.223, recebo o processo. É o Relatório. Voto Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11080.720905/201304 Acórdão n.º 2201002.995 S2C2T1 Fl. 226 3 Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Tratase de exigência para o imposto de renda das pessoas físicas, referentes ao ano calendário de 2009, nos termos da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 14/15, por: a) omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 20.170,22 (enquadramento legal: arts.1º a 3º e §§ da Lei nº 7713/88; arts.1º a 3º da Lei 8134/90; arts.1º e 15 da Lei 10.451/2002, arts.49 a 53 do Decreto 3.000/99 RIR/1999); b) Glosa do valor de R$ 10.000,00 indevidamente deduzido a título de Despesa Médica, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução (enquadramento legal: arts.8º, inciso II alínea "a" e §§ 2º e 3º, da Lei 9250/95; art.43 a 48 da INSRF nº15/2001 , arts. 73,80 e 83, inciso II do Decreto 3.000/99 RIR/1999). Analiso a admissibilidade do recurso voluntário, nos termos do artigo 33 do Decreto 70237/1972, no tocante à tempestividade: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão O prazo para interposição de recurso voluntário contra a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. A regra geral sobre contagem de prazos no processo administrativo fiscal é estabelecida pelo art. 5º , do Decreto nº. 70.235/72: "Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." No caso, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeiro grau, no dia 18 de março de 2013, uma segundafeira , portanto a contagem tem inicio no dia 19 de março, na terçafeira, o dia seguinte. Contandose os 30 dias regulares para a interposição temse o dia 17 de abril, uma quartafeira. Contudo só há o protocolo do recurso em 22 de abril de 2013, segunda feira, cinco dias após o prazo final. A tempestividade da peça recursal é requisito necessário para o seu conhecimento, de forma que, sem ela, ocorre a preclusão temporal, que extingue o processo sem julgamento do mérito. O reconhecimento da intempestividade se dá nos moldes do artigo 35 do Decreto 70235/72: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11080.720905/201304 Acórdão n.º 2201002.995 S2C2T1 Fl. 227 4 Art. 35.O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Ainda, o Código de Processo Civil assim dita: Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito:(Redação dada pela Lei n° 11.232, de 2005) (...) V quando o juiz acolher a alegação de perempção,litispendência ou de coisa julgada; Nessa conformidade não conheço do recurso porque intempestivo. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10380.003197/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO RECOLHIDO EM DARF. RESP Nº 886.462 - RS E RESP Nº 962.379-RS. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, regularmente declarados e pagos a destempo, em que o recolhimento extemporâneo deu-se em data posterior à regular constituição do crédito tributário, verificada quando da transmissão da DCTF.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO RECOLHIDO EM DARF. RESP Nº 886.462 - RS E RESP Nº 962.379-RS. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, regularmente declarados e pagos a destempo, em que o recolhimento extemporâneo deu-se em data posterior à regular constituição do crédito tributário, verificada quando da transmissão da DCTF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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NÃO CONFIGURAÇÃO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO RECOLHIDO EM DARF. RESP Nº 886.462 RS E RESP Nº 962.379RS. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, regularmente declarados e pagos a destempo, em que o recolhimento extemporâneo deuse em data posterior à regular constituição do crédito tributário, verificada quando da transmissão da DCTF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 31 97 /2 00 7- 40 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003197/200740 Acórdão n.º 3302003.113 S3C3T2 Fl. 420 2 Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração eletrônico de DCTF por falta de recolhimento de multa moratória, cientificado em 22/03/2007. Em impugnação, a recorrente alegou, em preliminares, a nulidade da autuação por não conter a hora da lavratura do Auto de Infração nem a indicação do cargo do auditor fiscal autuante, a nulidade pela falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e a nulidade pela falta de embasamento legal plausível, sem demonstrar a alegada infração. No mérito, propugnou pela aplicação da denúncia espontânea da infração, por ter efetuado os pagamentos do principal e juros de mora, antes de qualquer procedimento fiscalizatório e antes da entrega de qualquer declaração (DCTF, DACON, SIPJ etc). A Terceira Turma da DRJ em Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0823.178, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 AUSÊNCIA DA HORA DA LAVRATURA E DO CARGO DA AUTORIDADE LANÇADORA. NULIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO À DEFESA. INOCORRÊNCIA. A ausência de indicação da hora de lavratura, assim como do cargo da autoridade lançadora, por si só, não determinam a nulidade do lançamento posto que não houve a demonstração nos autos de qualquer prejuízo à defesa, decorrente desse fato. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. NÃO EXIGÊNCIA LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação, por expressa disposição legal. (art. 11, inc. IV Portaria RFB nº 4.328, de 2005) LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, regularmente declarados e pagos a destempo, em que o recolhimento extemporâneo deuse em data posterior à regular constituição do crédito tributário, verificada quando da transmissão da DCTF, situação observada nos fatos geradores objeto do lançamento. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003197/200740 Acórdão n.º 3302003.113 S3C3T2 Fl. 421 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando as alegações quanto às preliminares de nulidade da autuação pela falta da hora de lavratura, pela falta de indicação do cargo do autuante e pela falta de Mandado de Procedimento Fiscal. No mérito, aduz que a DRJ cometeu erro de fato, e que o valor que serviu de base à imputação da multa moratória foi incluído em DCTF após a compensação declarada no PER/DCOMP 04047.12998.250603.1.3.040626, que foi recolhido em duplicidade mediante o DARF de 29/10/2004 e o PER/DCOMP nº 21580.69112.130208.1.3.047595, controlado no processo 10380.901155/200695. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente propugnou em preliminares pela nulidade do Auto de Infração em virtude da falta de aposição da hora de lavratura, da falta de indicação do cargo do autuante e da falta de Mandado de Procedimento Fiscal. Quanto à falta da hora de lavratura no Auto de Infração, descabem maiores considerações, em razão da publicação da Súmula CARF nº 7, de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Ademais, a ausência de formalidades não essenciais não enseja a nulidade do Auto de Infração, se a recorrente não demonstra o efetivo prejuízo à sua defesa, o que não ocorreu no presente, uma vez que demonstrou total compreensão dos fatos imputados. Por sua vez, a alegação de falta de indicação de cargo não procede, pois o item 7 do Auto de Infração é claro ao dispor que o autuante é Auditor Fiscal da Receita Federal, cuja competência para a constituição do crédito tributário está expressa no artigo 6º da Lei nº 10.593/20021 e pacificada na Súmula CARF nº 8: 1 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003197/200740 Acórdão n.º 3302003.113 S3C3T2 Fl. 422 4 Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. A recorrente alega ainda a falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF como requisito cuja ausência demandaria a nulidade da autuação. Porém, a Portaria SRF nº 6.087/2005, vigente à época da lavratura do Auto de Infração, dispunha em seu artigo 11, inciso IV, que o MPF não seria emitido no caso de revisão interna de declarações: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: [...] IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais). A autuação decorreu de auditoria interna de DCTF, conforme as IN SRF nº 45/98 e nº 77/98, sendo, portanto, hipótese prevista no inciso IV do artigo 11 acima transcrito, não havendo qualquer irregularidade no procedimento adotado. Destarte, não há qualquer reparo a fazer na decisão recorrida, estando afastadas as nulidades argüidas. No mérito, a recorrente aduz erro de fato cometido pelo colegiado a quo, quanto à consideração de que os recolhimentos teriam sido realizados após a entrega das DCTFs, o que afastaria a aplicação da denúncia espontânea. A aplicação do instituto da denúncia espontânea encontrase pacificada no STJ, com os julgamentos dos REsp nº 962.379 – RS, REsp nº 886.462 – RS e do REsp nº 1.149.022 SP, submetidos à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisões definitivas devem ser reproduzidas nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62, §2º do Anexo II do RICARF. Transcrevemse as ementas: RECURSO ESPECIAL Nº 886.462 RS (2006/02031840) EMENTA TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1 Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) [...] Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003197/200740 Acórdão n.º 3302003.113 S3C3T2 Fl. 423 5 dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido . 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. RECURSO ESPECIAL Nº 962.379 RS (2007/01428689) EMENTA TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003197/200740 Acórdão n.º 3302003.113 S3C3T2 Fl. 424 6 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003197/200740 Acórdão n.º 3302003.113 S3C3T2 Fl. 425 7 Assim, nos termos dos Acórdãos dos REsp nº 962.379 – RS e REsp nº 886.462, a prévia declaração e constituição do crédito tributário pelo contribuinte, mediante a entrega de declaração com natureza de confissão de dívida, afasta a aplicação do instituto da denúncia espontânea quanto ao recolhimentos extemporâneos, posteriores ao prazo de entrega da declaração, relativamente aos tributos previamente declarados. Por outro lado, o REsp nº 1.149.022 – SP decidiu que no caso de declaração parcial do débito, acompanhada do respectivo pagamento integral, aplicase a denúncia espontânea em relação à diferença a maior objeto de declaração retificadora, desde que o contribuinte efetue o pagamento desta diferença, concomitante à apresentação da declaração retificadora, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. A DRJ manteve o crédito tributário relativo à competência Jan/03, por considerar que o pagamento efetuados foi à data de entrega da DCTF, de acordo com o entendimento esposado nos REsp nº 962.379 – RS e REsp nº 886.462. Por sua vez, a recorrente alega que o valor que serviu de base à imputação da multa moratória foi incluído na DCTF de 26/06/2003, após a compensação declarada no PER/DCOMP 04047.12998.250603.1.3.040626, que foi recolhido em duplicidade mediante o DARF de 29/10/2004 e o PER/DCOMP nº 21580.69112.130208.1.3.047595, controlado no processo 10380.901155/200695. O quadro abaixo esclarece o histórico: A DCTF retificadora entregue em 26/06/2003 possui o mesmo valor do débito declarado para PIS/Pasep relativo a janeiro/2003 constante das DCTF retificadoras subseqüentes, juntadas no recurso voluntário, inclusive a atualmente ativa, entregue em 17/07/2009, no caso, R$ 654.973,93, efls. 179, 220, 267, 316, . A extinção deste valor ocorreu mediante compensação de R$ 637.471,07 e exigibilidade suspensa de R$ 17.502,86, informações estas constantes na última DCTF retificadora entregue em 17/07/2009 e nas entregues em 2008 e 2009. Por outro lado, a DCOMP 04047.12998.250603.1.3.040626 compensou débito de PIS/Pasep de jan/2003 no valor de R$ 575.750,61, efl. 375 e a recorrente afirmou que o DARF recolhido de R$ 61.794,80 é justamente a diferença entre o valor informado como compensado em DCTF (R$ 637.471,07) e o valor informado como compensado na DCOMP (R$ 575.750,61). Constatase que a diferença é, de fato, R$ 61.720,46, e corresponde ao valor amortizado como tributo no Auto de Infração, efl. 46. Portanto, verificase que, primeiramente, a DCOMP compensou parte do débito já declarado na DCTF de 15/05/2003 (R$ 630.955,23 de débito apurado e saldo a pagar, superior a R$ 575.750,61, efl. 366) e o DARF quitado em 29/10/2004, corresponde ao restante Período de Apuração Valor Originalmente Declarado Data DCTF Original Valor Declarado em Retificadora Data DCTF Retificadora Data do recolhimento Jan/2003 630.955,23 15/05/2003 654.973,93 26/06/2003 29/10/2004 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003197/200740 Acórdão n.º 3302003.113 S3C3T2 Fl. 426 8 do débito declarado na retificadora em 26/06/2003. Assim, não há que se falar em denúncia espontânea relativa a este DARF, pois a data de seu recolhimento (29/10/2004) é posterior à data das DCTF relativas a este débito (15/05/2003 e 26/06/2003), sendo aplicáveis as decisões dos REsp nº 962.379 – RS e REsp nº 886.462. Por fim, a recorrente pugna pela duplicidade de quitação do débito tributário recolhido, mediante o DARF de R$ 61.720,46 e mediante a DCOMP nº 21580.69112.130208.1.3.047595. Verificase que esta DCOMP compensou débitos de PIS/Pasep relativos a outubro e novembro de 2002, no valor original de R$ 2.880,99, efls. 384/385, não se referindo, portanto, ao valor de R$ 61.720,46 correspondente a janeiro de 2003, declarado parte na DCTF de 15/05/2003 e parte na DCTF de 26/06/2003, e quitado, parcialmente, mediante o DARF objeto desta autuação. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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