Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15983.000897/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES INFORMADOS NO LIVRO DE ICMS.
Caracteriza-se como prova direta da omissão de receitas, não havendo que se falar em presunção, a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ e o valor de suas receitas obtido em face das informações prestadas pela própria autuada à Fazenda Estadual.
MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. SONEGAÇÃO. DOLO.
Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Recurso de Ofício Provido.
Numero da decisão: 1402-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luis Pagano Gonçalves, que votaram por negar provimento. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Redator do Voto Vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES INFORMADOS NO LIVRO DE ICMS. Caracteriza-se como prova direta da omissão de receitas, não havendo que se falar em presunção, a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ e o valor de suas receitas obtido em face das informações prestadas pela própria autuada à Fazenda Estadual. MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. SONEGAÇÃO. DOLO. Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Recurso Voluntário Negado. Recurso de Ofício Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15983.000897/2010-11
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556389
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-001.991
nome_arquivo_s : Decisao_15983000897201011.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Leonardo de Andrade Couto
nome_arquivo_pdf_s : 15983000897201011_5556389.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luis Pagano Gonçalves, que votaram por negar provimento. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Redator do Voto Vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6243350
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125395959808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 739 1 738 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000897/201011 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402001.991 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes FAZENDA NACIONAL CED DISTRIBUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a argüição de vício formal no procedimento fiscal quando os argumentos nesse sentido não encontram eco na realidade fática dos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES INFORMADOS NO LIVRO DE ICMS. Caracterizase como prova direta da omissão de receitas, não havendo que se falar em presunção, a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ e o valor de suas receitas obtido em face das informações prestadas pela própria autuada à Fazenda Estadual. MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. SONEGAÇÃO. DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Recurso Voluntário Negado. Recurso de Ofício Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 08 97 /2 01 0- 11 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luis Pagano Gonçalves, que votaram por negar provimento. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator do Voto Vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000897/201011 Acórdão n.º 1402001.991 S1C4T2 Fl. 740 3 Relatório Tratase de autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes ao ano calendário de 2006 no montante de R$ 7.185.007,94; incluindo multa de ofício nos percentuais de 75% e 150% e juros de mora calculados até 30/09/2010. Foi apurado que o sujeito passivo omitiu valores de receita através do procedimento de indicar na conta contábil de receitas com vendas de mercadorias (3.01.01.01.1) valores inferiores àqueles registrados no Livro de Apuração do ICMS. O sujeito passivo foi intimado a esclarecer as diferenças apuradas e não se manifestou a respeito. Para essa exigência, a autoridade lançadora imputou multa de 150% sob o argumento de que a fiscalizada omitiu receita de forma continuada e apresentou DIPJ com valores zerados o que caracterizaria a sonegação nos termos do art. 71, da Lei nº 4.502/64. Também foi constatado que a interessada não informou em DIPJ e tampouco efetuou pagamento do IRPJ e da CSLL relativos ao 2º (R$ 24.124,86) e 4º trimestres (R$ 687.812,71) do anocalendário de 2006, valores esses apurados com base na escrituração contábil e balancetes apresentados. Essa irregularidade foi imputada com multa de 75%. Em impugnação, a interessada suscita a nulidade da autuação pela existência de vício formal no Termo de Constatação que ora menciona fatos ocorridos em 2009, ora cita o ano de 2010 sem precisão ou coerência, com cerceamento do direito de defesa. Sustenta a ilegalidade da autuação por ter se baseado em presunção, tendo como base apenas diferenças entre valores constantes dos livros fiscais, sem apoio na documentação que o suporta. Solicita que seja levada em consideração a situação fática do administrado. Por fim, reclama pela inexistência de crime contra a ordem tributária que justificasse a multa de 150%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas –SP, prolatou o Acórdão 0532.266 considerando a impugnação parcialmente procedente para excluir a qualificação da multa. No entendimento do Órgão julgador não haveria diferença de conduta entre as infrações apuradas que justificasse a diferença no percentual de multa. Dessa decisão, foi interposto recurso de ofício. Devidamente cientificada, a interessada recorre a esta Corte ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 4 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto RECURSO DE OFÍCIO. O recurso de ofício trata exclusivamente da imputação da multa qualificada que foi exonerada pela decisão de primeira instância. A autoridade lançadora justificou a imputação da exasperadora no seguintes termos: No entendimento da decisão recorrida, tanto o lucro do 2º e 4º trimestres como a omissão de receita foram obtidos a partir de informações contidas nos livros de manutenção obrigatória e as duas irregularidades decorreram da mesma sistemática, qual seja, a prática reiterada de falta de declaração à RFB dos valores correspondentes. Assim, a imputação da multa qualificada em apenas um dos casos fragilizaria o procedimento fiscal. Na análise fática entendo que as duas situações não são semelhantes. Em relação ao lucro apurado nos dois trimestres e não oferecido à tributação, o valor contido na escrituração contábil e balancetes foi tido como correto, ou seja, a escrituração da pessoa jurídica apresentada ao Fisco Federal refletia a realidade. Quanto à omissão de receitas, o valor indicado na contabilidade (conta contábil Receita de Vendas) e informado ao Fisco Federal era inferior àquele constante do Livro de Apuração do ICMS. Não há como se alegar simples e conveniente engano na prestação das informações quando se sabe que os valores lançados no Livro de ICMS permitem o aproveitamento de eventuais créditos gerados nas operações enquanto os dados disponibilizados ao Fisco Federal tratam exclusivamente de valores tributáveis. Sendo assim, a princípio entenderia como correto o procedimento fiscal. Entretanto, não foram as circunstâncias supra mencionadas que embasaram a Fiscalização. As razões principais da qualificação foram a omissão reiterada e a entrega zerada da DIPJ. Entendo que tais fatos poderiam sim, em tese, justificar a qualificação da multa mas no presente caso filiome à decisão recorrida pela inexistência de uma razão expressa a Fl. 742DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000897/201011 Acórdão n.º 1402001.991 S1C4T2 Fl. 741 5 justificar a diferença de tratamento em relação às duas irregularidades, motivo pelo qual nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A argüição de vício formal foi bem enfrentada pela decisão e impressiona que os argumentos defesa tenham sido ora reiterados sob tese ao nível do absurdo. Ora, a menção aos anos de 2009 e 2010 descrevem os atos praticados no procedimento fiscal realizado durante esse período. Por outro lado, todas os requerimentos e intimações deixam claro que a ação fiscal envolve fatos ocorridos no anocalendário de 2006. Simples assim. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade o que envolve inclusive o argumento quanto ao cerceamento do direito de defesa, eis que a questão das datas supra mencionada, como bem afirmou a decisão recorrida, é de fácil entendimento para qualquer pessoa de inteligência mediana. Quanto à suposta ilegalidade da autuação por mera presunção é argumento que não merece melhor sorte, pois não há que se falar em presunção no presente caso. O lançamento decorreu da apuração de omissão de receitas com base nos Livros e registros contábeis elaborados pela interessada. Num caso, temse o não oferecimento à tributação do lucro por ela apurado. No outro, constatouse diferenças não esclarecidas (ainda que objeto de intimação específica e não respondida) entre valores informados no livro de apuração do ICMS e aqueles apropriados como receita na contabilidade. È caso de omissão direta e não há que falar em presunção. Em relação à inexistência de crime contra a ordem tributária, é matéria abordada na análise do recurso de ofício. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 743DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 6 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Em que pesem os valiosos argumentos do ilustre Conselheiro Relator, ouso discordar de seu voto no que diz respeito à desqualificação da multa de ofício. Em relação às questões fáticas, sem dúvida estamos diante de duas infrações distintas, a saber: omissão de receita com vendas de mercadorias (item 18.1 do Termo de Verificação Fiscal), apurada mediante confronto entre Livro de Apuração do ICMS e escrituração contábil; resultados operacionais não declarados: valor correspondente ao lucro operacional escriturado, mas não declarado. Salientase que em relação à DIPJ2007 o contribuinte a transmitiu “zerada”, ou seja, consignando a ausência de receitas, custos e despesas no período. No entender do Relator, de fato as duas infrações são distintas e, em princípio, estaria justificada a exasperação da penalidade. Vejase: Na análise fática entendo que as duas situações não são semelhantes. Em relação ao lucro apurado nos dois trimestres e não oferecido à tributação, o valor contido na escrituração contábil e balancetes foi tido como correto, ou seja, a escrituração da pessoa jurídica apresentada ao Fisco Federal refletia a realidade. Quanto à omissão de receitas, o valor indicado na contabilidade (conta contábil Receita de Vendas) e informado ao Fisco Federal era inferior àquele constante do Livro de Apuração do ICMS. Não há como se alegar simples e conveniente engano na prestação das informações quando se sabe que os valores lançados no Livro de ICMS permitem o aproveitamento de eventuais créditos gerados nas operações enquanto os dados disponibilizados ao Fisco Federal tratam exclusivamente de valores tributáveis. Sendo assim, a princípio entenderia como correto o procedimento fiscal. Contudo, corroborando o entendimento da decisão de primeira instância, concluiu o Ilustre Relator que as duas infrações teriam sido tratadas de forma idêntica, tendo sido apresentadas as mesmas razões para a qualificação da multa, quais sejam, a omissão reiterada de receitas e a entrega zerada da DIPJ: Entretanto, não foram as circunstâncias supra mencionadas que embasaram a Fiscalização. As razões principais da qualificação foram a omissão reiterada e a entrega zerada da DIPJ. Entendo que tais fatos poderiam sim, em tese, justificar a qualificação Fl. 744DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000897/201011 Acórdão n.º 1402001.991 S1C4T2 Fl. 742 7 da multa mas no presente caso filiome à decisão recorrida pela inexistência de uma razão expressa a justificar a diferença de tratamento em relação às duas irregularidades, motivo pelo qual nego provimento ao recurso de ofício. Com o devido respeito, entendo que tal entendimento não deve prevalecer. Isso porque, ao contrário do que afirmado, a descrição do fato a respeito da multa qualificada não se aplica às duas infrações lançadas, mas tão somente à infração decorrente de omissão de receitas. A infração número 2, referente a resultados operacionais não declarados, deu ensejo à cominação de penalidade de 75%. Por oportuno, represento excertos do auto de infração: Fl. 745DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 8 Logo, a análise quanto à correição, ou não, da qualificação da multa tem que ser realizada levandose em consideração tão somente a infração referente à omissão de receitas. Passo, então, à análise da qualificação da multa em relação a essa infração. Conforme dito, em relação à omissão de receitas foi aplicada a multa de 150%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação vigente para o anocalendário de 2006, cujos excertos de interesse transcrevese a seguir: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos inc. II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, somente se admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar Fl. 746DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000897/201011 Acórdão n.º 1402001.991 S1C4T2 Fl. 743 9 demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No caso em tela, devese observar que a o contribuinte efetivamente agiu com dolo, declarando, reiteradamente, durante os meses de janeiro a dezembro de 2006, valores de receita bruta substancialmente inferiores ao montante auferido e escriturado em seu Livro de Apuração de ICMS. Valhome da tabela elaborada pela autoridade autuante no item 18.1 de seu Termo de Verificação Fiscal: Conforme se pode observar, não se trata de mera omissão de receita ou declaração inexata. Durante todo o período o Recorrente omitiu da RFB receitas efetivamente auferidas. Ora, uma mera omissão de receita advém ou da aplicação de uma presunção legal, ou ainda de um mero erro. Nesse último caso, a declaração ou recolhimento a menor de tributo advém, por exemplo, da ausência de inclusão de algumas notas fiscais em seus livros fiscais, de erro de transcrição no valor declarado, ou qualquer atofato similar. No caso dos autos, a meu ver, a autoridade fiscal logrou comprovar que o contribuinte efetivamente não cometeu mero equívoco, tanto que, em todos os mesmos, constam valores de receitas mais significativas em seu Livro de Apuração de ICMS. Ou seja, durante todos os meses do ano de 2006, o contribuinte apurou mensalmente o valor de sua receita bruta para fins de pagamento de ICMS. Em sentido diversamente oposto, o contribuinte, ao calcular mensalmente o valor de PIS e Cofins, e trimestralmente o de IRPJ e de CSLL devidos para fins de recolhimento, utilizou como base de cálculo valor consideravelmente inferior ao da receita bruta auferida para fins de apuração do ICMS. E vejase que no ano seguinte, ao transmitir a DIPJ, o contribuinte confirmou sua atitude dolosa, ao preencher e informar à RFB valores zerados a título de receitas, despesas e custos durante o anocalendário de 2006. Ora, evidentemente não estamos a tratar de erro. O fato de o contribuinte emitir notas fiscais e escriturar seus livros de acordo com essas, não pode, por si só, afastar o caráter doloso de tentar impedir, em parte, o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária. Entendo ocorrer exatamente o contrário, pois o contribuinte mostrouse organizado e competente tanto para escriturar seus livros, como para apurar o ICMS. Portanto, concluo que não se trata de erro, mas sim de atitude dolosa por parte da Fl. 747DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 10 Recorrente ao omitir do conhecimento da RFB, de modo reiterado durante doze meses consecutivos, grande parte da receita bruta escriturada para fins de apuração do ICMS. Em razão disso, entendo que a conduta levada a efeito pelo contribuinte, que restou impugnada pelo Fisco, teve como objetivo a redução dos encargos tributários devidos, utilizandose da sonegação, que se caracteriza pela ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador. A conclusão pela prática do dolo, diante de tais elementos, é uma consequência lógica e inevitável. Nesse cenário, considero suficiente a fundamentação da autoridade fiscal em relação à penalidade aplicada, uma vez que faz menção expressa à omissão de receita perpetrada de forma reiterada, conjugandose tal conduta à entrega de DIPJ com informações zeradas. Diante de tais fatos, entendo correta a aplicação da penalidade de 150%. CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 748DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006892/2001-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2000, 2001
PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). INCENTIVOS FISCAIS. ROYALTIES. RESTITUIÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
Devem incidir sobre os créditos tributários dos sujeitos passivos, decorrentes da devolução de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de pagamento de royalties e vinculados a contratos de transferência de tecnologia, averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, a partir de 01 de janeiro de 1996, os juros equivalentes à taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada.
Numero da decisão: 2201-002.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2000, 2001 PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). INCENTIVOS FISCAIS. ROYALTIES. RESTITUIÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Devem incidir sobre os créditos tributários dos sujeitos passivos, decorrentes da devolução de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de pagamento de royalties e vinculados a contratos de transferência de tecnologia, averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, a partir de 01 de janeiro de 1996, os juros equivalentes à taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.006892/2001-22
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556931
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.711
nome_arquivo_s : Decisao_10830006892200122.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Alexandre Naoki Nishioka
nome_arquivo_pdf_s : 10830006892200122_5556931.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6243495
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125437902848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 643 1 642 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.006892/200122 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.711 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria IRRF Recorrente 3M DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000, 2001 PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). INCENTIVOS FISCAIS. ROYALTIES. RESTITUIÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Devem incidir sobre os créditos tributários dos sujeitos passivos, decorrentes da devolução de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de pagamento de royalties e vinculados a contratos de transferência de tecnologia, averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, a partir de 01 de janeiro de 1996, os juros equivalentes à taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 68 92 /2 00 1- 22 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10830.006892/200122 Acórdão n.º 2201002.711 S2C2T1 Fl. 644 2 MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de Pedido de Restituição de efl. 2, protocolizado em 31/10/2001, abrangendo 30% dos valores de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte incidentes sobre Remessas ao Exterior, decorrentes de contratos de transferência de tecnologia devidamente averbados no INPI, com fulcro na Portaria MCT no. 803, de 28 de setembro de 2000 e Decreto no. 949, de 05 de outubro de 1993. O trâmite do feito até o momento de prolação da decisão de 1a. instância encontrase perfeitamente resumido pela autoridade julgadora de piso, na forma do excerto abaixo, aqui adotado como parte do Relatório, ipsis litteris: "(...) Ao apreciar o pedido, a autoridade administrativa exarou, em 02/04/2009, o despacho de fls. 435/439, cientificado à interessada na mesma data, deferindoo e reconhecendo o crédito de R$ 256.985,15, sem, contudo, fazer incidir os juros Selic no cálculo do valor concedido, ressalvando, ademais, que o pagamento do referido valor condicionarseia à inexistência de débitos em seu nome, tanto no âmbito da SRF, como também da PGFN. Encaminharamse, pois, os autos, ao setor competente para que se cientificasse à contribuinte da decisão proferida, como também para verificação da possível existência de tais débitos. Aos débitos existentes, a rigor da legislação vigente, foi promovida a compensação de ofício, nos termos da Intimação 10.830/SEORT/DRF/CPS/497/2009, de fl. 525, na qual a interessada, na pessoa de seu representante legal, com instrumento de procuração à fl. 526, expressamente a autorizou. Efetuada a compensação do crédito então deferido com os débitos devidamente atualizados, restou à interessada o montante de R$ 255.431,64, pelo que, emitiuse a Ordem Bancária em nome da ora Manifestante 3M do Brasil Ltda., CNPJ 45.985.371/000108, conforme comprovam os documentos de fls. 541/542 e, ato contínuo, cientificouselhe da conclusão do pagamento (fl. 543), com proposta no mesmo ato de encaminhamento dos autos ao arquivo, posto que "findo " o processo. Ocorre que, acerca da questão da nãoinclusão dos juros Selic no cálculo do valor deferido em função do pleito inicial, havia a interessada apresentado, em 04/05/2009, Manifestação de Inconformidade, acostada às fls. 480/489, acompanhada dos Fl. 644DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10830.006892/200122 Acórdão n.º 2201002.711 S2C2T1 Fl. 645 3 documentos de fls. 490/513, razão pela qual a defendente após solicitar desarquivamento dos autos, pugna pela apreciação da defesa ofertada e abaixo sintetizada. De início, resume os fatos. A seguir, quanto ao direito, desenvolve extenso arrazoado acerca da natureza e objetivo da taxa Selic e no qual assevera que, por força do parágrafo 4o , do artigo 39, da Lei n° 9.250, de 1995, há de haver a incidência dos juros Selic nos pleitos de compensação e restituição. A respaldo disso, cita as Instruções Normativas da SRF n°s 210, de 2002; 406, de 2004; 600, de 2005 e 900, de 2008 e ilustra seus dizeres com transcrições de ementas extraídas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes, nos quais houve o deferimento de semelhantes pedidos. Por fim, pugna para que seja provida a defesa; reformese a decisão prolatada e, com isso, reconheçase a aplicação da taxa Selic na correção dos valores objeto da restituição deferida. (...)" A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme Acórdão DRJ/CPS 0532.595, de efls. 587 a 594, tendo se mantido, ali, assim, o indeferimento do pleito. Cientificada da decisão de piso em 28/03/11 (efl. 598), insurgese, agora, a recoorente contra o teor do Acórdão da DRJ de origem através de Recurso Voluntário de efls. 599 a 611, onde: a) Inicialmente, sintetiza os fundamentos da decisão de piso de improcedência, quais sejam: a.1) não se confundir o pedido em análise, objeto de incentivo e ali caracterizado como ressarcimento, com a modalidade de restituição, que pressuporia a existência de pagamento indevido ou a maior; a.2) A expressa previsão contida na Instrução Normativa no. 900, de 2008, acerca da impossibilidade da incidência dos Juros SELIC sobre a compensação e restituição de créditos de IPI, PIS/PASEP e COFINS; a.3) Jurisprudência administrativa que sustentaria o posicionamento da autoridade julgadora; b) A seguir, rechaça a tese de necessidade de tratamento diferenciado dos institutos de "ressarcimento" e "restituição", defendendo que, em verdade, o ressarcimento é gênero da espécie restituição, colacionando jurisprudência administrativa a propósito; c) No que diz respeito à aplicabilidade da IN no. 900, de 2008, ressalta inexistir vedação, ali, á incidência de Juros SELIC no caso dos créditos objeto do presente feito (de IRRF), pugnando pela aplicabilidade do art. 72 da mesma IN, que estabelece sua incidência nos casos de restituição e reembolso, dispositivo que possui inciso de um de seus parágrafos tratando especificamente da modalidade de pagamento indevido ou a maior, o que denotaria a existência de outras espécies de restituição; d) Ressalta que as Ementas de decisões administrativas trazidas no bojo da decisão de piso se referem à situação fática diferente da sob análise, por se referirem a créditos de IPI, cuja atualização é objeto de expressa vedação pela já mencionada IN 900; Fl. 645DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10830.006892/200122 Acórdão n.º 2201002.711 S2C2T1 Fl. 646 4 e) Colaciona, a seguir, jurisprudência administrativa, em seu entender agora especificamente relacionada ao caso sob análise, bem como jurisprudência emanada do STJ; f) Finalmente, traz argumentação acerca da necessidade de aplicação da Taxa SELIC ao pedido em questão, sob pena de quebra da igualdade e equilíbrio da relação jurídico tributária e enriquecimento ilícito por parte do sujeito ativo (União). Pugna, assim, pelo provimento do Recurso, a fim de que, reformandose a decisão recorrida, seja determinada a aplicação de Juros SELIC sobre o montante ressarcido pela empresa. É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator O recurso é tempestivo, visto que protocolizado em 26/04/11. Reproduzo a seguir os dispositivos de interesse aplicáveis à situação fática sob análise, a saber, o art. 23 do Decreto no. 949, de 05 de outubro de 1993 e o art. 39, caput e §4o. da Lei no. 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Decreto 949/93 “Art. 23 O crédito do IR retido na fonte, a que se refere o inciso V do art. 13, será restituído (g.n.) em moeda corrente, dentro de trinta dias de seu recolhimento, conforme disposto em ato normativo do Ministério da Fazenda.” Lei 9.250/95 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição (g.n.) será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% Fl. 646DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10830.006892/200122 Acórdão n.º 2201002.711 S2C2T1 Fl. 647 5 relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) Seja pela própria dicção do referido art. 23 (que menciona o termo "restituído"), seja pelo próprio formulário disponibilizado ao contribuinte para fins de devolução do principal no caso sob análise (Pedido de Restituição), seja pelo tratamento de restituição dado ao pleito no despacho concessivo de efls. 443 a 447, entendo que o legislador e a própria Administração Tributária (a quem cabe regulamentar o instituto da restituição) não estão a respaldar, no caso sob análise, o rigor terminológico adotado pela tese da autoridade julgadora de primeira instância, de forma a que se possa estabelecer, in casu, a classificação do pleito como ressarcimento e não como restituição, tratandoos como espécies distintas para fins de incidência de juros SELIC. Rechaço ainda tal tese, que leva à posterior inaplicabilidade de Juros Selic pleiteada pelo contribuinte, com base nos princípio da razoabilidade, entendendo que, também com base em tal princípio, não se deva estabelecer, no caso específico de pagamentos de IRRF incidente sobre royaltes no âmbito do PDTI, tratamento diferenciado quanto à incidência de juros SELIC entre os institutos de ressarcimento ou restituição, visto que ambos legalmente amparados, devendose tratar, para tais fins, o ressarcimento como espécie de restituição, independentemente da caracterização da existência ou não de pagamento indevido ou a maior. Ad argumentandum tantum, entendo que, mesmo que se adotasse a tese de nãoconfusão entre os institutos de ressarcimento e restituição no caso em questão, descartandose assim, em linha com a decisão de piso, o pedido em análise como modalidade de restituição, não se poderia deixar de classificar a devolução em tela, indubitavelmente, como modalidade de reembolso, com a aplicabilidade de juros Selic, nesta hipótese, sendo expressamente devida, na forma do caput do art. 72 da Instrução Normativa RFB no. 900, de 2008. Ou seja, com base no acima disposto, entendo que não há como se dar tratamento diferenciado, em termos de incidência cabível de Juros Selic, ao presente caso e àquele em que se protocoliza pedido de restituição ou reembolso, ainda que este último esteja baseado em pagamento indevido ou a maior. Também, ressalto se alinhar o entendimento aqui adotado ao esposado no âmbito da Cãmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende do Acórdão CSRF/02 1414, de 08 de setembro de 2003, verbis: “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI).RESSARCIMENTO. TAXA SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 40 da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10830.006892/200122 Acórdão n.º 2201002.711 S2C2T1 Fl. 648 6 Por fim, com fulcro no decidido pela mesma Câmara Superior, agora no âmbito do Acórdão 9.202002.881, de 11 de setembro de 2013, entendo como inaplicável à situação fática em questão o decidido pelo STJ, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, no âmbito do REsp 1.035.847/RS, restando, assim, plenamente obedecido, pelo presente voto, o teor do art. 62, §1o. inciso II, alínea "b" do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Assim, com fulcro no acima disposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 648DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001783/2005-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUMINÁRIAS E SUAS PARTES.
As luminárias ainda que constituídas de metais comuns, não se classificam no capítulo 72 do Sistema Harmonizado mas sim no capítulo 94, mais precisamente na posição 9405.10.93. As partes de luminárias, na posição 9405.9900. Em ambos os casos por aplicação das regras gerais de classificação de números 1 e 6.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Se a classificação fiscal incorretamente utilizada pelo sujeito passivo implicar recolhimento a menor do imposto sobre produtos industrializados, é devido o imposto e sobre ele a multa prevista no art. 45 da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 3401-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 06/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Eufrásio e Leonardo Branco
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUMINÁRIAS E SUAS PARTES. As luminárias ainda que constituídas de metais comuns, não se classificam no capítulo 72 do Sistema Harmonizado mas sim no capítulo 94, mais precisamente na posição 9405.10.93. As partes de luminárias, na posição 9405.9900. Em ambos os casos por aplicação das regras gerais de classificação de números 1 e 6. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Se a classificação fiscal incorretamente utilizada pelo sujeito passivo implicar recolhimento a menor do imposto sobre produtos industrializados, é devido o imposto e sobre ele a multa prevista no art. 45 da Lei 9.430/96.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11020.001783/2005-40
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572413
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.082
nome_arquivo_s : Decisao_11020001783200540.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 11020001783200540_5572413.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Eufrásio e Leonardo Branco
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6300198
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125450485760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 740 1 739 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.001783/200540 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.082 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria Classificação fiscal Recorrente LUMIBRAS INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUMINÁRIAS E SUAS PARTES. As luminárias ainda que constituídas de metais comuns, não se classificam no capítulo 72 do Sistema Harmonizado mas sim no capítulo 94, mais precisamente na posição 9405.10.93. As partes de luminárias, na posição 9405.9900. Em ambos os casos por aplicação das regras gerais de classificação de números 1 e 6. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Se a classificação fiscal incorretamente utilizada pelo sujeito passivo implicar recolhimento a menor do imposto sobre produtos industrializados, é devido o imposto e sobre ele a multa prevista no art. 45 da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Eufrásio e Leonardo Branco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 83 /2 00 5- 40 Fl. 747DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da decisão recorrida: Tratase de Auto de Infração lavrado em 14/06/2005, referente ao período de 10/12/2000 a 31/12/2001, no valor total de R$ 418.460,14, fls. 04/12, por lançamento a menor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os enquadramentos legais das irregularidades apuradas, bem assim dos acréscimos legais, estão discriminados nos dispositivos das fls. 11/12 e 28/29. Conforme Relatório de Verificação Fiscal, 35/38, o lançamento a menor de IPI se deu pela saída de produtos “perfil Tb”, “perfil de luminária”, “luminária” e “luminária pública”, com classificação fiscal incorreta. Consta nas fls. 39/539, relatório de divergências de alíquotas dos produtos mencionados. Informa ainda o auditor que o estabelecimento não formalizou processo de consulta sobre classificação fiscal de mercadorias. Regularmente cientificado, em 24/06/2005, conforme consta do auto de infração, o autuado apresentou impugnação tempestiva em 25/07/2005, fls. 675/686, na qual, após breve relato dos fatos, alega, em preliminar, a nulidade do Auto de Infração por cerceamento do pleno direito de defesa, por não ter demonstrado o fisco as razões que o levaram a transmudar as classificações fiscais de seus produtos adotadas originariamente. No mérito, sustenta como correta a classificação fiscal adotada aos perfis produzidos na posição 7212.4070, alíquota 5%, invocando a Regra Geral 3, “a” (RGI 3, “a”), para interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), que dispõe que a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica, sendo a posição que adotou a que lhe é mais favorável. Diz que a classificação adotada pelo fisco esbarra na disposição da nota 1.d do capítulo 72. Impugna a aplicação da multa de ofício, pois entende que no máximo seria cabível a multa de mora e também por duplicidade, já que no processo 11020.000393/200552 está sendo exigida multa regulamentar prevista no art. 12, II, da Lei n° 8.218/91. Ao final, impugna a exigência de juros de mora pela taxa Selic. É o Relatório. A ele julgo necessário acrescer o que disse a autoridade autuante às fls. 35/36 (Relatório de Auditoria Fiscal): (...) O contribuinte tem por principal atividade, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ entregue pelo contribuinte, relativa os anos Fl. 748DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.001783/200540 Acórdão n.º 3401003.082 S3C4T1 Fl. 741 3 calendários 2000 e 2001, a fabricação de luminárias e equipamentos de iluminação luminárias e suas partes. (...) 2.1DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS A) PERFIL Tb Classificação fiscal correta: 9405.99.00 Dispositivos legais: RGI 1(texto da posição 9405) e 6 (texto da subposição 9405.9) da TIPI aprovada pelos Decretos de n°s. 2.092/1996 e 3.777/2001, e subsídios das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, e alterações posteriores. Ressaltese que, para corroborar o entendimento, de acordo com as ilustrações dos produtos industrializados pela empresa (folhas xx), e amostra entregue pelo contribuinte, o produto em epígrafe é parte de luminária. Igualmente de relevo que as expressões "perfil luminária" e "luminária" constam nas próprias notas fiscais emitidas pela empresa. A DRJ julgou o lançamento procedente. O recurso voluntário repete as alegações de nulidade e de correção na classificação adotada pela empresa e contra a aplicação de multa. Especificamente contra os argumentos da decisão, afirma: Inicialmente, se observa nos autos que a autoridade administrativa se utilizou de um confuso procedimento fiscal que tornou irregulares as alíquotas obtidas pela Recorrente, em decorrência da reclassificação fiscal dos produtos vendidos, para classificações diversas das utilizadas pela empresa. E é nesse ponto que reside a deficiência formal ora reclamada, que cerceia a defesa. Afinal, são desconhecidas da Recorrente as razões que levaram o Fisco a transmudar as diversas classificações fiscais adotadas originariamente pela empresa, o que o Fisco fez sem qualquer análise técnica dos produtos, ou outra, que justificasse a modificação. No tocante a este pleito da Litigante, a DRJ afirmou através do Acórdão Recorrido que “consta no relatório fiscal, fls. 35/38 um item específico para cada produto que foi classificado, com o respectivo fundamento legal (fl. 694). Todavia, esta alegação não é totalmente acertada, pois, conforme se analisa do relatório fiscal nas fls. 36 e 37, este tão somente esclarece qual seria a classificação fiscal correta para o Perfil Tb, Perfil de Luminária, e Luminária, bem como cita a base legal apta a fundamentar tais afirmações, sem, no entanto, Fl. 749DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 explicar o porquê do enquadramento dos vários produtos negociados pela Recorrente dentre estes elencados no relatório. Destaquese então, que, a despeito da breve fundamentação contida no Acórdão combatido visando contraporse à clara nulidade alegada pela Recorrente, novamente não fioou esclarecida a razão pela qual o Fisco considerou os inúmeros produtos comercializados pela Litigante como pertencentes a uma das categorias mencionadas no relatório fiscal nas fls. 36 e 37. Ademais, ressalvese, conforme se infere da fl. 36, letra "b", em parte o Fisco fundamenta a classificação por ele tida como correta, em Solução de Consulta prolatada pela Superintendência Regional da Receita Federal da 10a RF, transcrevendo apenas sua ementa. Nesse viés, considerando que as consultas formuladas e as correspondentes respostas não são disponibilizadas à Litigante, também cerceia a defesa o uso dessas para inferir ilações que redundam em exigibilidades tributárias. Nesse rumo, ainda cabe esclarecer que a consulta referenciada não foi formulada pela Recorrente, não podendo ser incluída, portanto, nos atos administrativos de caráter normativo, referenciados no art. 438 do RIPI/98. Vejase, então, que existe, além do outro já mencionado, mais um fundamento que obstaculiza o direito de defesa da Litigante. Contudo, no que tange a esta alegação, mais uma vez, o Acórdão prolatado pela DRJ de Porto Alegre, optou por manter a dúvida da Recorrente, na medida em que, cingiuse a tão somente reproduzir a Solução de Consulta questionada, alegando que “oportunamente, a fiscalização citou a Solução de Consulta SRRF 105 RF n° 17,de 02 de março de 2001, proferida no processo 11020. 002518/0021" (fl. 695). Percebese, desta maneira, que não houve qualquer manifestação no Acórdão Recorrido quanto às questões levantadas pela Litigante em sede de Impugnação capaz de aclarar as confusas alegações apresentadas pelo Fisco no Auto de Infração. Quanto ao mérito, insiste que os produtos que fabrica inseremse no capítulo 72 por força da nota de capítulo 1.d do capítulo 94. E que: Contra esta alegação,"a DRJ proferiu no Acórdão Recorrido estarem corretas as inserções dos produtos da Litigante no capítulo 94 da TIPI, fundamentando sua decisão na nota 1.k, da seção XV, da referida tabela (fl. 694,verso). Tal nota explica que não é possível introduzir “os artefatos do Capítulo 94" na seção XV, que trata dos metais comuns e suas obras. Todavia, este argumento em nada acrescenta ao presente caso, haja vista que é o próprio Fisco quem pretende enquadrar os produtos da Recorrente no capítulo 94 da TIPI, e não a Recorrente. Vejase então, que a Litigante não está contrariando a regra disposta na nota 1.k da seção XV, ao contrário do que alega o Acórdão Recorrido. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.001783/200540 Acórdão n.º 3401003.082 S3C4T1 Fl. 742 5 Portanto, em síntese, a alegação do Acórdão, no que se refere a este ponto, apenas defende que os artefatos do capítulo 94 não são considerados pertencentes ao grupo de metais comuns e suas obras. Entretanto, os produtos da Recorrente, conforme restou demonstrado neste item 2.2 do Recurso, inseremse no capítulo 72, e, com isso não existem razões que fundamentem a inclusão deste argumento no Acórdão prolatado. E finaliza o recurso pugnando estar correta sua classificação com base na RGC 3. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso é tempestivo. Devese dele conhecer, portanto. Começando pela alegação de nulidade do auto de infração, é preciso reconhecer que a peça de acusação é absolutamente franciscana no vernáculo, ao passo que prolixa em planilhas, circunstância que temos observado caracterizar os trabalhos fiscais elaborados por engenheiros de formação. Apesar disso, partilho a conclusão da relatora da decisão de primeiro grau: ele contém o estritamente necessário para a plena defesa do autuado. Senão vejamos. Como transcrevi no relatório, é a própria empresa quem declara, em sua DIPJ, ser fabricante de luminárias e partes de luminárias. Essa afirmação não é por ela rechaçada nem na impugnação nem no recurso voluntário, assim como, também já o disse no relatório, consta expressamente em notas fiscais por ela mesma emitidas. Destarte, carece de qualquer substância a afirmação do recurso, repetindo a impugnação, sobre não saber a razão pela qual a fiscalização pretende enquadrar os seus produtos no capítulo 94. A razão é simplesmente que aí se enquadram as luminárias e suas partes pela aplicação das regras de classificação do sistema harmonizado, exatamente aquelas, aliás, mencionadas pelos autuantes no relatório de auditoria fiscal. Assim o disse o acórdão atacado e disso não discrepo. Dos produtos objeto de controvérsia, apenas os perfis tb, que não contêm em sua denominação comercial qualquer indicação de se tratar de partes de luminárias, é que poderiam ensejar alguma dificuldade à defesa não fosse a ressalva feita pelas autoridades autuantes e já reproduzida por mim no relatório: Ressaltese que, para corroborar o entendimento, de acordo com as ilustrações dos produtos industrializados pela empresa (folhas xx), e amostra entregue pelo contribuinte, o produto em epígrafe é parte de luminária. Também quanto a ela não há insurgência do contribuinte, devendose presumir verdadeiras as afirmações fiscais, ainda que não tenha eu conseguido localizar nos autos as tais ilustrações. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Por fim, no que concerne à referência a uma solução de consulta, não vejo em que ela possa ter prejudicado a defesa: a transcrição da ementa serve, ao contrário, para ratificar que, no entender da SRF, luminárias se classificam no capítulo 94. Mas não foi com base exclusivamente nela que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento promoveu a classificação dos produtos: ela se baseou nas regras de classificação (RGI e RGC) e nas notas explicativas do sistema harmonizado (NESH) que expressamente mencionou no auto de infração. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade e avanço ao mérito do recurso. E para a análise da correta classificação, julgo indispensável repetir aqui que a empresa não contestou em momento algum ser fabricante de luminárias e partes de luminárias, entre as quais se inclui mesmo o produto intitulado sucintamente "perfis tb", título, aliás, dado pela própria empresa. Partese, portanto, desse ponto: queremos classificar, para efeitos de tributação pelo IPI, partes de luminárias e luminárias. E com essa premissa em mente, impossível discordar da análise empreendida pela autoridade que me precedeu no julgamento do processo, que peço vênia para aqui transcrever: A classificação defendida pelo contribuinte na posição 72.12 da TIPI que compreende “produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligados, de largura inferior a 600 mm, folheados ou chapeados, ou revestidos”, não pode ser acatada. Primeiro, porque os “perfis” produzidos pelo impugnante possuem características próprias para uso em luminárias, e a Nota 1 k) da Seção XV (Metais comuns e suas obras), a qual pertence o Capítulo 72, determina que essa Seção não compreende os artefatos do Capítulo 94, vejamos: SEÇÃO XV METAIS COMUNS E SUAS OBRAS Notas 1 .A presente Seção não compreende: k) os artefatos do Capítulo 94 (por exemplo: ...aparelhos de iluminação...) Segundo, porque a alinea “c” da Nesh da seção XV, que compreende o capítulo 72, elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das notas de seção, capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do SH, esclarece que as partes de obras que possam manifestamente reconhecerse como tais incluemse nas posições a elas referentes, conforme transcrição abaixo: C. PARTES De um modo geral. as partes de obras que possam manifestamente reconhecerse como tais incluemse nas posições a elas referentes. (griƒei) Fl. 752DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.001783/200540 Acórdão n.º 3401003.082 S3C4T1 Fl. 743 7 Página 1210: Inversamente, as partes e acessórios de uso geral (ver a Nota 2 da Seção), quando se apresentem isolados, não se consideram partes e seguem o seu próprio regime. É o que sucederia, por exemplo, com as cavilhas concebidas especialmente para radiadores de aquecimento central ou ainda com as molas especiais para automóveis. As cavilhas classificarseiam como cavilhas na posição 73.18, e não como partes de radiadores da posição 73.22, enquanto as molas caberiam na posição 73.20, referente a molas, e não na posição 87.08, que abrange partes e acessórios de automóveis. Não há dúvida de que os perfis produzidos pelo contribuinte, possuem características próprias para uso em luminárias, mais especificamente, são parte de luminárias. Era contra essa premissa básica que deveria se insurgir o contribuinte em seu recurso, demonstrando que seus produtos não possuem características próprias para uso em luminárias. Isso, no entanto, contrariaria as ilustrações e os exemplares exibidos à fiscalização. Prossegue a decisão: (...) Assim, devese verificar em qual capítulo da seção se enquadram as luminárias, pois, repetindo, as partes de luminárias são incluídas nas posições das luminárias, conforme nota acima referida. As luminárias classificamse na posição 9405 da TIPI que compreende, entre outros artefatos, os aparelhos de iluminação e suas partes, não especificados nem compreendidos em outras posições. Não há divergência quanto a esta classificação, pois, conforme salientado inicialmente, o contribuinte também utilizou posição 9405 da TIPI, para classificar as luminárias por ele produzidas. No que se refere à classificação dos perfis Tb e perfis de luminárias, a classificação adotada pelo fisco, a contrário do que alega o impugnante, não esbarra na disposição da nota l.d do capítulo 94, pois os produtos “perfis Tb e perfis de luminária não são partes de metais comuns e suas obras, mas são partes que integram a luminária. Sendo os “perfis tb e os perfis de luminária” partes destinadas a integrar a luminária e não estando eles especificados nem compreendidos em outra posição da Nomenclatura, devem, conseqüentemente, ser enquadrados nessa posição 94.05 da TIPI. Assim, tendo em vista o texto e as NESH da seção XV, tornase claro que os “perfis” produzidos pelo impugnante, se classificam na posição 9405 da TIPI, de acordo com a RGI 1. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 No âmbito da posição 9405, os “perfis” classificamse nas subposições 99.00 e as luminárias nas subposições 10.93, com exceção das utilizadas na iluminação pública e na posição 40.10, no caso das utilizadas na iluminação pública, de acordo com a RGI 6 Desse modo, pelas RGI 1, RGI 6 e Regra Geral Complementar 1 (RGC1), a classificação dos produtos em questão são no código 9405.99.00 da TIPI, em se tratando de perfis, e 9405.10.93, em se tratando de luminárias ou 9405.40.10, caso sejam luminárias utilizadas na iluminação pública. A essas abalizadas considerações, apenas julgo oportuno acrescer que a RGI 3, subsidiariamente arguida pela empresa em seu recurso, se aplicável, tampouco lhe ajudaria. Com efeito, estabelece ela: Regra 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) nos casos em que as regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Como se vê, para sua aplicação é preciso que a mesma mercadoria possa validamente se classificar em mais de uma posição. Para tanto, é estritamente necessário que as regras que lhe antecedem, isto é, as RGI 1 e 2 não permitam identificar uma exata posição para a mercadoria por classificar. No caso presente, como bem aduzido no acórdão de que ora se recorre, tem precisa aplicação a RGI 1: Regra 1 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.001783/200540 Acórdão n.º 3401003.082 S3C4T1 Fl. 744 9 Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes. Destarte, só se passa à regra 2 se a primeira regra não permitir a classificação. E só se também com a 2 não for possível é que se faz uso da regra 3. No presente caso, todavia, temse, de um lado, uma nota de capítulo que impede a classificação no capítulo 72 e um texto de posição que abarca "aparelhos de iluminação", como são as luminárias. Por fim, temse uma definição nas Notas explicativas que permite discernir entre partes de uso geral e específico. O contribuinte nada trouxe em seu recurso para demonstrar que os perfis tb e perfis de luminárias por ele fabricados possam ter outro uso que não em luminárias. No que tange à inaplicabilidade da multa de ofício, também não se pode acolher o pleito do contribuinte. Isso porque a classificação fiscal por ele pretendida implicou recolhimento a menor do tributo. Para tais casos, a legislação é clara em determinar seja ela exigida1. Tem razão o contribuinte quando aduz que esse art. 45 da Lei 9.430 foi formalmente revogado pelo artigo 40 da Lei 11.488. O motivo para tanto, todavia, não é o que pretende o contribuinte. É que, como se observa da citação, aquele artigo 45 modificava a redação do art. 80 da Lei 4.502, que primeiro previa a multa. E tal art. 80 passou a ter nova redação por força do art. 13 da mesma Lei 11.4882 1 Art. 45. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. 2 Art. 13. O art. 80 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. I (revogado); II (revogado); III (revogado). § 1o No mesmo percentual de multa incorrem: .......................................................... § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. § 7o Os percentuais de multa a que se referem o caput e o § 6o deste artigo serão aumentados de metade nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Em suma, a base legal para exigência da multa (art. 80 da Lei 4.502/64) continuou vigendo mesmo após a edição da Lei 11.488, que apenas lhe deu nova redação. Houvesse este último ato revogado a hipótese do lançamento realizado insuficiência de recolhimento do imposto ou previsto para ela uma penalidade menor, haveria espaço para aplicação do art. 106 do CTN. Não é o caso, contudo, já que a multa continua a mesma: 75% do valor do imposto não recolhido, desde que não presente qualquer circunstância qualificativa. Do mesmo modo, não cabe falar em aplicação de multa de mora, dado que o recolhimento não se fez de forma espontânea. Igualmente equivocase o recorrente quando aduz terem sido descumpridos os procedimentos previstos na Medida Provisória 2.158/2001. É que, também aqui, esqueceu se ele de ler na íntegra o ato legal mencionado. Transcrevoo, então, negritando o mais relevante: Art. 71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. § 2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento." (NR) Em suma: o prazo concedido pela autoridade fiscal no início dos trabalhos (cinco dias úteis) coadunase perfeitamente com a exigência legal. Por fim, repete o contribuinte argumento já enfrentado pela DRJ concernente à suposta duplicidade de exigência de multa. Que tal duplicidade não ocorreu, informanos ele mesmo: no outro processo a multa se deveu a divergência nos arquivos magnéticos apresentados. Ademais, neste processo, que é o que está em julgamento, há apenas uma multa lançada. Rejeito, assim, também a pretensão de exclusão da multa lançada, ou sua redução para o percentual de 20% previsto para recolhimentos espontâneos em atraso. § 8o A multa de que trata este artigo será exigida: I juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; II isoladamente nos demais casos. § 9o Aplicase à multa de que trata este artigo o disposto nos §§ 3o e 4o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (NR) Fl. 756DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.001783/200540 Acórdão n.º 3401003.082 S3C4T1 Fl. 745 11 Em consequência, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte. É assim que voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 757DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 37330.001901/2002-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Baccieri, Patricia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. A Conselheira Ana Paula Fernandes apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Marcos César Najjarian Batista, OAB/SP nº 127.352.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 17/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 37330.001901/2002-67
anomes_publicacao_s : 201512
conteudo_id_s : 5555147
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9202-003.679
nome_arquivo_s : Decisao_37330001901200267.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 37330001901200267_5555147.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Baccieri, Patricia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. A Conselheira Ana Paula Fernandes apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Marcos César Najjarian Batista, OAB/SP nº 127.352. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 17/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6238866
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125468311552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1872; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2.297 1 2.296 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 37330.001901/200267 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.679 – 2ª Turma Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Agroindústria e Produção Rural Recorrente VIRGOLINO DE OLIVEIRA CATANDUVA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Baccieri, Patricia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. A Conselheira Ana Paula Fernandes apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Marcos César Najjarian Batista, OAB/SP nº 127.352. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 17/12/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 33 0. 00 19 01 /2 00 2- 67 Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em 31/01/2002, foi lavrada contra o Contribuinte em epígrafe a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01 a 405. Em 25/02/2002, foi apresentada a Defesa Administrativa de fls. 579 em diante. Em 16/05/2002, foi exarada pelo INSS a Decisão Notificação n° 21.436./0067/2002 (fls. 1.271 em diante), assim ementada: "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO A EMPREGADOS. CARACTERIZAÇÃO DOS TRABALHADORES DO SETOR AGRÍCOLA DA AGROPECUÁRIA COMO EMPREGADOS DA AGROINDÚSTRIA. FATO GERADOR DECLARADO EM GFIP. Devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada aos empregados, nos termos do Artigo 22, inciso I e II e art. 94, da Lei n° 8.212/91, pela Agroindústria relacionada no art. 2° Caput do decretolei n° 1.146/70, entre elas a indústria de canadeaçúcar, a incidência a partir de novembro de 1991, do seu setor industrial e rural é sobre a folha de pagamento, nos termos dos art. 20, 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pelas Leis n° 8.540 de 22.12.1992, n° 9.032 de 28.04.1995 e n° 9.876 de 26.11.1999. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Em 06/06/2002, o Contribuinte apresentou Recurso Administrativo (fls. 1.309 em diante). Em 13/08/2003, o Conselho de Recursos da Previdência Social converteu o julgamento do recurso em diligência, tendo em vista a apresentação de laudo técnico contábil pelo Contribuinte (fls. 1.606 em diante). Em 31/12/2003, o Contribuinte manifestouse sobre a diligência e protestou pela juntada de parecer de renomado jurista (fls. 1.646 em diante). Dito parecer motivou nova diligência, cuja manifestação da fiscalização consta às fls. 1.763 em diante. Em 07/04/2005, o Conselho de Recursos da Previdência Social exarou a decisão de fls. 1.837 em diante, novamente convertendo o julgamento em diligência. Realizada a diligência, o processo retornou ao Conselho de Recursos da Previdência Social, que, em 11/10/2006, novamente converteu o julgamento em diligência, para cientificar o Contribuinte do seu resultado (fls. 1.935 em diante). Intimado, o Contribuinte apresentou, em 21/02/2007, a manifestação de fls. 1.972 em diante. Em sessão plenária de 24/02/2010, foi julgado pelo CARF o Recurso Voluntário nº 149.654, prolatandose o Acórdão nº 230200.412 (fls. 2.167 a 2.185), assim ementado: “EMENTA: RELAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. – ART. 149 DO CTN. Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 37330.001901/200267 Acórdão n.º 9202003.679 CSRFT2 Fl. 2.298 3 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA DA JURÍDICA. Nas relações jurídicas analisadas verificouse que o vínculo empregatício dos segurados conferiuse em relação à empresa VIRGOLINO e não em relação à AGROPECUÁRIA NSC. Para verificar a incidência de contribuições previdenciárias o que vale é a realidade fática e não a jurídica. O enquadramento de segurados registrados na AGROPECUÁRIA NSC foi de fato como prestadores de serviços à empresa VIRGOLINO OLIVEIRA. Para tanto foi considerada a forma de custeio dessa mãodeobra, a contabilização dos fatos pela empresa e a inversão do número de vínculos a partir de março de 1997. A Auditoria Fiscal provou, por meios de dados contábeis da própria recorrente que o ônus pelo pagamento dos funcionários permaneceu com a VIRGOLINO após março de 1997.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor divergente apresentado pelo Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA. Vencidos o relator Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR e o Conselheiro FÁBIO SOARES DE MELO. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Marcos Cezar Najjarian Batista, OAB/DF 16967” Cientificado do acórdão em 28/05/2012 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 2.194/2.195), o Contribuinte interpôs, em 12/06/2012, o Recurso Especial de fls. 2.196 a 2.217, com fundamento no art. 37, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. No apelo, o Contribuinte visa discutir a "irrestrita falta de justificativa plausível para o redirecionamento do vínculo de emprego dos trabalhadores registrados na empresa Nossa Senhora do Carmo". Nesse passo, alega que a transferência do vínculo de emprego, da agropecuária para a empresa industrial autuada, se fez com base apenas no custeio da mãodeobra e na inversão do número de empregados, sem se perquirir sobre os demais elementos que compõem a essência de uma relação de emprego. Como paradigmas, foram indicados os Acórdãos nºs 240100.210 e 240201.016. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 525/20122, de 123/09/2012 (fls. 2.282 a 2.284). Em seu apelo, o Contribuinte alega, em síntese, que a reorganização adotada pelo Grupo Econômico encontrase dentro da legalidade: as duas atividades antes concentradas na Agroindústria Virgolino de Oliveira foram distribuídas, permanecendo nesta a industrialização dos produtos de cana e passando para a Agropecuária Nossa Senhora do Carmo a efetiva exploração da atividade rural. Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 02/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.285), a Fazenda Nacional ofereceu, em 08/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.295), as Contrarrazões de fls. 2.286 a 2.294, contendo os seguintes argumentos, em síntese: preliminarmente, o Recurso Especial não deve ser conhecido, por tratarse de matéria eminentemente fática, situação que tem seu reexame vedado pela Col. Câmara Superior de Recursos Fiscais; no mérito, tratase de planejamento fiscal, concretizado mediante verdadeira evasão, com atos que tinham como objetivo único o não pagamento da contribuições socais, mais especificamente dos encargos previdenciários; para a recorrente foi mais interessante transferir para a Agropecuária NSC a mãodeobra da produção e canadeaçúcar, haja visto que na "Produtora rural" a contribuição patronal dos seus empregados (do setor agrícola) continuaria sendo substituída pela comercialização da produção rural; tal manobra ocorreu em função da alteração da legislação previdenciária, que declarou a inconstitucionalidade do § 2°, do art. 25, da Lei n° 8.870 de 1994, que revigorou o disposto no art. 22, da Lei n° 8.212, de 1991, passando a contribuição das agroindústrias a incidir sobre a folha de salários. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, restando perquirir sobre o atendimento aos demais pressupostos de Admissibilidade. Preliminarmente, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do apelo, por tratarse de matéria fática. De plano, há que ser especificada a matéria tratada no acórdão recorrido, conforme consta do voto vencido, que inclusive deu provimento ao Recurso Voluntário: "DO MÉRITO Nobres pares, apesar da imensidão de processos administrativos que tramitam nas duas Câmaras, concernente à contribuição previdenciária [5ª e 6ª], deste 2º Conselho de ContribuintesMF, a matéria posta não é rotineira para julgamento pelos i. Conselheiros. Trata a pretensão fiscal [lançamento] de “descaracterização de relação profissional” realizada entre os tidos funcionários e a sociedade empresária AGROPECUÁRIA NOSSA SENHORA DO CARMO S/A (NSC), com o fito de alterar a base de cálculo da contribuição previdenciária incidente, logo, deixar de ser calculada com espeque na comercialização da produção agrícola e para ser auferida pela folha de salários." Assim, até mesmo o Conselheiro Relator originário, que adotou posicionamento favorável ao Contribuinte, reconheceu que a matéria em exame não era Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 37330.001901/200267 Acórdão n.º 9202003.679 CSRFT2 Fl. 2.299 5 comum no Colegiado, já que se tratava de descaracterização de relação profissional, tendo em vista que, conforme a autuação, a transferência de empregados, da empresa industrial para a agropecuária, caracterizaria planejamento tributário, com vistas unicamente à redução da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, que ao invés de incidirem sobre a folha de pagamentos, incidiriam sobre a produção agrícola. Nesse mesmo sentido é o voto vencedor do acórdão recorrido, que assim resume a lide: "O ponto controverso reside em se verificar se a conduta utilizada pelas empresas foi um tipo de elisão fiscal permitido pelo ordenamento jurídico, ou de fato tratouse de uma situação simulada, o que é vedado de acordo com o disposto no art. 149, inciso VII do CTN." Destarte, a leitura do acórdão recorrido não deixa dúvidas, no sentido de que se trata de discussão acerca da legalidade da conduta adotada pelo Contribuinte, em função da declaração de inconstitucionalidade do § 2°, do art. 25, da Lei n° 8.870, de 1994, o que revigoraria o art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991. Nesse passo, constatase que em nenhum momento se discutiu sobre os elementos caracterizadores de vínculo empregatício, que são discutidos nas situações corriqueiras de caracterização de vínculo empregatício onerosidade, subordinação, pessoalidade e não eventualidade. Isso porque a discussão que se travou nos autos nada tem a ver com esta problemática, e sim com a legalidade do rearranjo empresarial adotado pelo Contribuinte, em face da declaração de inconstitucionalidade do § 2°, do art. 25, da Lei n° 8.870, de 1994. A despeito disso, o Recurso Especial suscita a "irrestrita falta de justificativa plausível para o redirecionamento do vínculo de emprego dos trabalhadores registrados na empresa Nossa Senhora do Carmo", indicando paradigmas em que a discussão gira em torno dos pressupostos caracterizadores de vínculo (onerosidade, subordinação, pessoalidade e não eventualidade), problemática esta que efetivamente não integrou o acórdão recorrido. Assim, de plano já se constata a falta de prequestionamento, que a princípio impede o conhecimento do Recurso Especial, conforme o art. 67, § 5º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 (art. 67, § 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009). Ressaltese que a alegada "falta de justificativa plausível para o redirecionamento", com suporte em suposta falta de demonstração dos elementos caracterizadores de vínculo empregatício, sequer foi alegada nas peças de defesa, que trouxeram inúmeros argumentos, nenhum deles abordando tal aspecto. Nesse contexto, o único paradigma apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial seria um acórdão que tratasse de situação similar à do recorrido (empresa agroindustrial que, em face da inconstitucionalidade do § 2°, do art. 25, da Lei n° 8.870, de 1994, transfere empregados para empresa agropecuária e é autuada, considerandose a forma de custeio dessa mãodeobra, a contabilização dos fatos e a inversão do número de vínculos), em que o Colegiado desse provimento ao recurso do Contribuinte por não terem sido comprovados os demais elementos caracterizadores de vínculo empregatício: subordinação, pessoalidade e não eventualidade. Entretanto, nenhum dos paradigmas atende a tais Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 características. Confirase as respectivas ementas, conforme foram colacionadas pelo Contribuinte: Paradigma Acórdão nº 240100.210 "(...) CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO ÔNUS DA PROVA VICIO MATERIAL. Deveria a autoridade fiscal ter descrito de forma mais pormenorizada os requisitos ensejadores do vínculo de emprego e não apenas descrever que os pagamentos eram contabilizados na FOPAG razão porque não há como manter o levantamento 09A. O ônus de provar a existência dos pressupostos da relação de emprego por serviços prestados à notificada é da autoridade lançadora. A ausência da plena demonstração da ocorrência do fato gerador representa vício na motivação do ato do lançamento, configurando sua nulidade." (destaques do Recorrente) Paradigma Acórdão nº 240201.016 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1993 a .31/12/1998 CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS A ocorrência dos requisitos da relação de emprego, pessoalidade, subordinação, não eventualidade e onerosidade, deverão estar perfeitamente demonstrados nos autos para que seja possível caracterizar segurados como empregados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NFLD. CARACTERIZAÇÃO. DESCRIÇÃO DEFICIENTE DOS FATOS. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL I Representa vício material à descrição deficiente do fato gerador que justifica a imposição fiscal levada a efeito pela autoridade lançadora, RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE." (destaques do Recorrente) Com efeito, os trechos acima, bem como a leitura do inteiro teor dos paradigmas, permitem constatar que de forma alguma se trata da problemática analisada no acórdão recorrido, reconhecida pelo próprio relator originário como incomum. Muito pelo contrário, os paradigmas tratam de casos corriqueiros de caracterização de vínculo empregatício, em que não foram comprovados todos os elementos de praxe: onerosidade, pessoalidade, subordinação e não eventualidade. Ademais, a jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes e do CARF sempre foi no sentido de que, tratandose de planejamento tributário, mormente envolvendo alterações substanciais na estrutura empresarial de grupos econômicos, a divergência há que ser demonstrada mediante a indicação de acórdão que trate da mesma espécie de planejamento, o que de forma alguma ocorreu no presente caso. Nesse passo, caberia ao Contribuinte indicar paradigma em que fosse aceito como correto rearranjo empresarial semelhante ao por ele perpetrado, porém nenhum dos julgados colacionados possui tal característica. Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 37330.001901/200267 Acórdão n.º 9202003.679 CSRFT2 Fl. 2.300 7 Registrese, por oportuno, que os interessados que figuram nos paradigmas indicados pelo Contribuinte (Concretiza Administração de Bens Ltda. e Unidade Radiológica Paulista Clínica Diagnóstica Para Imagem Ltda., fls. 2.237 a 2.279) sequer são empresas do ramo da agroindústria ou agropecuária, o que confirma que ditos julgados não poderiam tratar do planejamento tributário que foi objeto da autuação e exaustivamente debatido ao longo do processo. Assim, ausente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, não há que se falar em divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 37280.001313/2003-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1994 a 31/12/1998
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO.
Restando comprovada a existência de erro material no acórdão guerreado, na forma suscitada pelo embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos inominados para rerratificar a decisão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-004.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher embargos inominados, para rerratificar o voto do acórdão embargado nos termos apresentados no voto.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1994 a 31/12/1998 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO. Restando comprovada a existência de erro material no acórdão guerreado, na forma suscitada pelo embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos inominados para rerratificar a decisão. Embargos Acolhidos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 37280.001313/2003-47
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5575959
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.823
nome_arquivo_s : Decisao_37280001313200347.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 37280001313200347_5575959.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher embargos inominados, para rerratificar o voto do acórdão embargado nos termos apresentados no voto. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6315219
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125488234496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 632 1 631 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37280.001313/200347 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402004.823 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DECADÊNCIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PLANTAÇÕES MICHELIN DA BAHIA LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1994 a 31/12/1998 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO. Restando comprovada a existência de erro material no acórdão guerreado, na forma suscitada pelo embargante, impõese o acolhimento dos embargos inominados para rerratificar a decisão. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher embargos inominados, para rerratificar o voto do acórdão embargado nos termos apresentados no voto. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 0. 00 13 13 /2 00 3- 47 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório O processo em questão referese a NFLD n.º 35.576.7830. O feito retornou à Turma Ordinária, após a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF do CARF haver reconhecido a decadência até a competência 05/1998 e dado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para anular a decisão da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que anulara a notificação fiscal por vício formal, por entender que seria inválido o lançamento efetuado após o vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. O processo retornou para prolação de nova decisão pela turma ordinária Com o retorno para novo julgamento, foi exarado acórdão decidindo pelo não provimento do recurso. Ocorre que no desenvolvimento do voto, por equívoco, o Relator mencionou que a decadência houvera sido reconhecida pela CSRF até a competência 04/2008, o que seria impossível de ocorrer dado que o período do lançamento restringese a 08/1994 a 12/1998. Atenta a esta questão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro II, exarou despacho requerendo que o CARF se pronunciasse acerca do período que efetivamente deveria ser afastado do lançamento em razão da decadência. É o relatório. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 37280.001313/200347 Acórdão n.º 2402004.823 S2C4T2 Fl. 633 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A manifestação da RFB deve ser recebida como embargos inominados, conforme "caput" do art. 66 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015: "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão." A ocorrência de erro material é evidente, posto que o acórdão determinou a exclusão de período sequer contemplado no lançamento, portanto, devem ser conhecidos os embargos. Mérito De fato, observo que ocorreu a mácula, posto que a Relator mencionou no voto como última decadente a competência 04/2008, quando o correto seria 05/1998. Nesse sentido, cabível a retificação do erro material apenas no voto, o qual passará a assumir a seguinte redação: "O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Consoante decisão da CSRF as competências até 05/1998 foram excluídas pela decadência, assim passarei a me ater apenas à questão de mérito, a qual se resume em definir o enquadramento previdenciário da recorrente. Vale a pena fazer um passeio prévio pelos principais fatos processuais verificados no decorrer do presente feito. Nos termos do relato do fisco (fls. 149 e segs.), a empresa no período do lançamento efetuou os recolhimentos das contribuições sociais relativas aos empregados alocados no setor rural com base na receita da comercialização da produção rural, aplicando a alíquota de 2,5%. Asseverou ainda que, sendo a empresa uma agroindústria, deveria recolher a contribuição sobre o valor da folha de salários, posto que o § 2. do art. 25 da Lei n. 8.870/1994 foi excluído do ordenamento jurídico pelo Supremo Tribunal Federal, Fl. 634DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 quando o declarou inconstitucional ao julgar a ADIN n. 1.1031/600, movida pela Confederação Nacional de Indústria. Concluiu que a declaração de inconstitucionalidade tem efeito extunc, portanto, as agroindústrias somente poderiam recolher as contribuições com base na receita da produção a partir da edição da Lei n. 10.256/2001, que introduziu o art. 22A na Lei n.º 8.212/1991. Após a apresentação da defesa, o órgão de julgamento do INSS achou por bem converter o julgamento em diligência, de modo que a autoridade notificante se pronunciasse sobre a alegação da empresa de que não se enquadra como agroindústria, sob a justificativa de que somente se dedica ao primeiro tratamento a ser implementado sobre a matéria extraída da seringueira, ou seja, a secagem do látex. Após apreciação do processo produtivo da autuada e de elementos juntados aos autos, a fiscalização se manifestou às fls. 253 e segs. para afirmar que: “Assim, considerandose que a defendente e a empresa Plantações E. Michelin Ltda desenvolvem atividades semelhantes, sendo esta classificada como produtora rural, cujo produto granulado escuro brasileiro GEB 1 é o mesmo beneficiado pela defendente e ambas exploram atividades agropecuária, sem a participação de outras atividades, conforme pode ser verificado na contabilização de receitas de vendas, 19 Considerandose enquadramento dos produtos da defendente nas posições 40.01.29.20 que trata de borracha natural, granulada ou prensada, conforme consta na TIPI, que classifica o produto no grupo de alíquota zero face ao processo rudimentar de fabricação, visto que apenas beneficia, ou seja, efetua a primeira modificação ou preparo do produto por processo sofisticado, contudo, sem retirarlhes as características originárias, entendo que a defendente comprovou ser produtora rural, devendo os débitos serem tornados improcedentes para que se possa cobrar diferenças relativas ao período de 08/94 a 03/97, correspondentes a contribuições de 2,7% sobre a comercialização de produtos rurais, que deve ultrapassar a importância de R$ 1.000.000,00 um milhão de reais. 20 Considerandose a importância da decisão a ser tomada e em decorrência dos novos documentos e esclarecimentos prestados pela empresa, submeto a apreciação da defesa apresentada, a qual efetuei, a um colegiado maior, chefia do serviço de fiscalização e setor de análise, para que ratifiquem ou retifiquem o entendimento pela improcedência do débito. 21 Estamos anexando cópias do capítulo 40 da TIPI e da Instrução Normativa 157/02, da Secretaria da Receita Federal, para melhor esclarecer a questão.” Às fls. 300/301 consta requerimento de perícia técnica pelo órgão de primeira instância com o fito de esclarecer o correto enquadramento da empresa autuada. Em razão de alegada indisponibilidade de servidores para efetuar a perícia técnica, a Delegacia da Receita Previdenciária para onde foi encaminhado o feito, o devolveu à origem. A órgão responsável pelo julgamento decidiu encaminhar a consulta à Divisão de Atos Normativos da Assessoria de Estudos Tributários e Normatização da SRP. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 37280.001313/200347 Acórdão n.º 2402004.823 S2C4T2 Fl. 634 5 Após a criação da RFB, a consulta passou à competência da Coordenação Geral de Estudos e Tributação Previdenciária que se manifestou às fls. 323 e segs. para concluir que a autuada, de acordo com a legislação aplicável, enquadrase como agroindústria, uma vez que transforma sua produção rural mediante sofisticado processo, no qual se vale de laboratório e de variada gama de equipamentos industriais. Às fls. 337 e segs., a empresa contestou o laudo da RFB. Foi exarada a decisão de primeira instância, fls. 356 e segs., na qual foi afastada a decadência e, no mérito, declarouse procedente o lançamento, sob a fundamentação de que a empresa beneficia o látex que extrai e que esta operação é considerada industrialização à luz dos arts. 4. e 5. do Decreto n. 2.637/1998 (RIPI). Feito este apanhado, já posso iniciar minhas ponderações. Inicialmente observase que para os fatos geradores ocorridos após 11/2001, vigência do art. 22A da Lei n.º 8.212/1991, essa celeuma já não mais existe, uma vez que as agroindústrias passaram a recolher as contribuições sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção. Todavia, tendose em conta que os fatos geradores contemplados no lançamento são de período anterior a esse marco normativo, a contenda, que já dura mais de dez anos desde que foi inaugurada com a apresentação da defesa, precisa ser encerrada no âmbito administrativo. Um primeiro ponto que me chama atenção é que toda discussão gira em torno da divergência de interpretações da legislação quanto à caracterização da autuada. Seria esta um produtor rural ou uma agroindústria? De cara percebo um erro conceitual nesta questão. É que, nos termos da legislação, a agroindústria é também um produtor rural. Este é um conceito mais abrangente, no qual está contido o conceito de empreendimento agroindustrial. Vejamos o que diz o Manual de Orientação das Contribuições Previdenciárias na Área Rural, editado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR em parceria com a RFB: 5. Agroindústria É o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização da produção própria ou da produção própria e adquirida de terceiros. Desenvolve duas atividades em um mesmo empreendimento econômico, com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos, por exemplo: usina de açúcar com lavoura canavieira, frigorífico com pecuária, etc. (grifei) Observase, portanto, que a agroindústria é um produtor rural pessoa jurídica que, além da produção no campo, desenvolve a atividade industrial em departamento distinto da atividade agrícola. A partir deste conceito, os dados constantes nos autos já são suficientes para elucidar o cerne do litígio, qual seja o correto enquadramento da autuada perante a legislação previdenciária no período do lançamento. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Consoante se extrai do relato fiscal, os fatos geradores de contribuições dizem respeito apenas aos trabalhadores do setor rural, uma vez que sobre os obreiros que laboravam na área industrial não houve a exigência das contribuições. De se concluir que a própria autuada recolhia as contribuições para o setor industrial com base na folha de pagamento. Isso conduz à constatação de que a empresa mantinha duas atividades distintas no seu empreendimento, qual seja a rural e a industrial. Isso pode ser facilmente visualizado na resposta à diligência fiscal, quando a Autoridade Lançadora apresenta tabela demonstrativa da remuneração para nos diversos setores da empresa (ver fl. 254). Vale a pena transcrever trecho do pronunciamento fiscal: “7 Na estrutura empresarial constam, entre outros, os setores: organização agroindústria, fábrica de látex, grupo gerador fábrica e laboratório fábrica, pelos quais passam a transformação das resinas extraídas de seringueiras próprias e as matérias primas da mesma natureza, adquiridas de terceiros, em produtos acabados (borracha).” Das palavras do Auditor, que na sequência trouxe dados contábeis relativos às remunerações pagas no ano de 2000, inferese que a empresa tinha departamentos distintos de segmentos agrícola e industrial, além de processar matériaprima adquirida de terceiros. Diante desses dados, não há muito o que se discutir sobre o enquadramento da autuada, eis que amoldase perfeitamente ao enquadramento legal de agroindústria, hoje contido no “caput” do art. 22A da Lei n.º 8.212/1991: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (...) É fato que a própria empresa já se enquadrava como agroindústria no período lançado, uma vez que recolhia a contribuição previdenciária do setor industrial sobre a folha de salários e do setor agrícola sobre a produção, isso se junta à constatação de que adquiria produtos de terceiros para processamento. Assim, o enquadramento da empresa como agroindústria foi decorrência da própria realidade contábil da empresa fiscalizada, não dá para se afirmar que o fisco tenha descaracterizado o autoenquadramento efetuado pelo sujeito passivo. Para reforçar meu entendimento, pude verificar das pesquisas juntadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarazões (fls. 441 e segs.), que a Plantações Michelin da Bahia é uma das agroindústrias da multinacional francesa do ramo de pneus que possui capacidade para produzir 10.000 ton de borracha seca por ano. Diante das evidências acima, posso concluir com segurança que a empresa autuada é um produtor rural caracterizado como agroindústria em razão de possuir departamentos distintos voltados para a cultura de seringais, extração do látex e Fl. 637DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 37280.001313/200347 Acórdão n.º 2402004.823 S2C4T2 Fl. 635 7 processamento de produção própria, além de beneficiar matériaprima adquiria de terceiros. Apenas para argumentar, friso que a decisão do INSS, que a recorrente afirma ter o condão de demonstrar a posição contraditória da Administração Tributária sobre o tema, não se presta para esse fim. Primeiro, porque diz respeito a um ato decisório de primeira instância, portanto, passível de modificação e em segundo lugar, a situação posta sob apreciação é de outra natureza. No processo sob referência, ver fls. 240 e segs., discutese lavratura efetuada contra a empresa Drebor Indústria de Artefatos de Borracha Ltda para exigência de contribuições incidentes sobre aquisições de produtos rurais. O órgão julgador, após diligência fiscal, decidiu excluir da apuração as notas fiscais emitidas pela empresa Plantações E Michelin Ltda, sob a justificativa de que esta era uma produtora rural pessoa jurídica. Esse posicionamento do órgão do INSS em nada interfere na presente lide, posto que a exclusão das notas fiscais emitidas pela empresa do mesmo grupo econômico da autuada darseia quer fosse aquela empresa caracterizada simplesmente como produtor rural ou como produtor rural agroindústria. Assim, o paradigma utilizado pela recorrente para demonstrar suposta mudança de critério jurídico do INSS não tem força para alterar a minha conclusão sobre a lide. Ressalvese, todavia, que a situação sob comento é albergada pela remissão das contribuições previdenciárias prevista na Lei n. 10.736/2003, que em seu art. 1. dispõe: Art.1o Ficam extintos os créditos previdenciários, constituídos ou não, inscritos ou não em dívidas ativas, ajuizados ou não, com exigibilidade suspensa ou não, contra as pessoas jurídicas que se dediquem à produção agroindustrial em decorrência da diferença entre a contribuição instituída pelo §2o do art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e a contribuição a que se refere o art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, em razão dos fatos geradores ocorridos entre a data de publicação daquela Lei e a da declaração de sua inconstitucionalidade. Diante desse dispositivo, deveriam ser afastadas da NFLD as contribuições relativas às competências 08/1994 a 04/1997, todavia, o reconhecimento da decadência até a competência 05/1998, pela CSRF, impossibilita a aplicação da remissão sob comento. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso quanto ao mérito da causa." Fl. 638DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Conclusão Voto por conhecer e acolher embargos inominados, para rerratificar o voto do acórdão embargado nos termos do voto acima. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 15987.000225/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006
DESPACHO DECISÓRIO. ANEXOS NÃO DISPONIBILIZADOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A ciência de despacho decisório sem a informação de todos os motivos que ensejaram na glosa dos créditos pleiteados por contribuinte, e que constam de anexo informado em Termo de Verificação Fiscal e não formalizado nos autos, caracteriza a preterição do direito de defesa, sendo nula a decisão de 1ª instância que não corrige o equívoco de forma prévia ao julgamento.
Numero da decisão: 3201-002.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira.
A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário declarou-se impedida.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 DESPACHO DECISÓRIO. ANEXOS NÃO DISPONIBILIZADOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A ciência de despacho decisório sem a informação de todos os motivos que ensejaram na glosa dos créditos pleiteados por contribuinte, e que constam de anexo informado em Termo de Verificação Fiscal e não formalizado nos autos, caracteriza a preterição do direito de defesa, sendo nula a decisão de 1ª instância que não corrige o equívoco de forma prévia ao julgamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15987.000225/2007-61
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573502
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.065
nome_arquivo_s : Decisao_15987000225200761.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 15987000225200761_5573502.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário declarou-se impedida.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6307384
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125500817408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 3.500 1 3.499 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15987.000225/200761 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.065 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria RESSARCIMENTO COFINS Recorrente ULTRAFÉRTIL S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 DESPACHO DECISÓRIO. ANEXOS NÃO DISPONIBILIZADOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A ciência de despacho decisório sem a informação de todos os motivos que ensejaram na glosa dos créditos pleiteados por contribuinte, e que constam de anexo informado em Termo de Verificação Fiscal e não formalizado nos autos, caracteriza a preterição do direito de defesa, sendo nula a decisão de 1ª instância que não corrige o equívoco de forma prévia ao julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário declarouse impedida. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 25 /2 00 7- 61 Fl. 3500DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida, incluindo excertos extraídos do voto. Cuida o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte aproveita créditos não cumulativos da contribuição COFINS, apurados nos meses de outubro de 2005 a dezembro de 2006, dos mercados externo e interno, visando a extinção de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Desta, conforme a autoridade do Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort) da DRF em Santos, os créditos pleiteados foram submetidos à conferência, quanto à regularidade fiscal e contábil, pelo Serviço de Fiscalização da mesma delegacia, que, após diligenciar junto à empresa, lavrou os Termos de Verificação Fiscal de fls. 136/143. Dando seguimento à análise fiscal, e com base nos Termos de Verificação Fiscal, o Seort exarou o Despacho Decisório n° 123/2009, homologando parcialmente as compensações, até o limite do crédito deferido, fundamentando: (...) FUNDAMENTAÇÃO O pedido formulado traz por fundamento legal a autorização, estabelecida no artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, para que as pessoas jurídicas, que apuram seu lucro pelo real, possam constituir créditos de Cofins, relativos a insumos e outros itens, destinados à produção de seus bens ou serviços, com vistas à não cumulatividade da contribuição. A referida norma legal ainda autoriza a manutenção e o aproveitamento dos créditos, relacionados com a produção de mercadorias destinadas à exportação, para compensação com outros tributos ou ressarcimento, quando eles excederem o valor da própria contribuição devida no período, como mostra seu artigo 6º, a seguir transcrito. (...) Atinente ao aproveitamento dos créditos de Cofins, incidentes sobre insumos utilizados na produção de mercadorias isentas da contribuição, vendidas no mercado interno, sua autorização legal está prevista no artigo 17 da Lei n° 11.033/2004, combinado com o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005, abaixo transcritos, regulamentados pelo artigo 21 da Instrução Normativa RFB n° 600/2005. (...) Portanto, diante da legitimidade do procedimento, o pedido em questão foi submetido ao Serviço de Fiscalização desta Delegacia, de cuja ação fiscal junto ao domicílio da contribuinte, descrita em detalhes no Termo de Verificação e Constatação Fiscal juntado aos autos, decorreu a convalidação de apenas parte deles, conforme planilha abaixo. Fl. 3501DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15987.000225/200761 Acórdão n.º 3201002.065 S3C2T1 Fl. 3.501 3 [...] Vale lembrar que dos créditos acima, convalidados pelo Serviço de Fiscalização desta DRF, foi já deduzida a Cofins devida no mês, conforme determina o artigo 21 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, remanescendo aqueles que são passíveis de compensação e/ressarcimento, conforme planilha a seguir. [...] Isto posto, com base no acima exposto, com fundamento no artigo 170 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional, na Lei n° 10.833/2003 e alterações posteriores, no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 e na legislação comentada, proponho que os créditos de Cofins, acima relacionados, possam ser utilizados nas compensações pleiteadas no processo em exame até os limites deferidos. A contribuinte, irresignada com o teor do despacho decisório, que deferiu em parte os crédito por ela utilizados em compensação, apresentou manifestação de inconformidade, alegando: A Requerente é pessoa jurídica de direito privado que tem como atividades preponderantes: (i) a produção, industrialização e comercialização de fertilizantes e produtos similares, de defensivos agrícolas, corretivos de solo e demais insumos agrícolas e pecuários; e, (ii) o aproveitamento industrial de minérios fosfatados e associados, incluindo nestes o aproveitamento de outros minérios e minerais, associados ou não a estes e também a obtenção de outros produtos químicos. Por estar sujeita à apuração da COFINS pela sistemática da não cumulatividade, a Requerente calcula e escritura créditos da referida contribuição, referente às aquisições realizadas, nos termos do artigo 3° da Lei n° 10.833/03. Tendo em vista que grande parte das vendas que realiza está sujeita à alíquota zero da COFINS ou é exportada, a Requerente regularmente apura saldo credor da contribuição. O excesso de créditos apurados é utilizado para a compensação de valores devidos de outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme disposto no art. 5o da Lei 10.833/03. Consignou a manifestante que após ter apresentado as declarações de compensação, a DRF em Santos realizou procedimento fiscal que concluiu pela glosa em parte dos créditos por utilizados. Conforme quadro abaixo, a manifestante demonstra o resultado das compensações após as glosas, incluindo os saldos a pagar: [...] Continuou a interessada: Fl. 3502DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 De acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal e respectivos Anexos que acompanham o despacho decisório lavrado, o indeferimento das compensações pautouse na glosa dos créditos apropriados sobre a aquisição dos seguintes itens: Anexo 1: Aquisições de mercadorias e produtos, partes e peças e serviços, especialmente serviços de transportes para estabelecimento industrial, adquiridos como bens e insumos de produção supostamente em desacordo com o aproveitamento de crédito previsto no art. 3°da Lei n° 10.833/03; Anexo 2: Aquisição de bens e insumos de produção adquiridos com alíquota zero da COFINS; Anexo 3: Despesas e custos lançados como créditos a descontar, tais como aquisições de mercadorias e produtos, partes e peças e serviços adquiridos como bens e insumos de produção, supostamente não enquadrados nos direitos de crédito no art. 3oda Lei n° 10.833/03; Anexo 4: Aquisição de veículos sujeitos à substituição tributária e posteriormente revendidos pelos mesmos valores de aquisição, cuja receita foi debitada na apuração da COFINS; Anexo 5: Operações de fretes sobre importação de matérias primas, tendo como itinerário a movimentação realizada entre os estabelecimentos de Santos/SP e Cubatão/SP; Anexo 6: Operações de fretes sobre transferências realizadas entre os estabelecimentos de Catalão/GO e Cubatão/SP. Inicialmente é preciso destacar que os mencionados Anexos 5 e 6 não foram formalizados pela Fiscalização, como se percebe pelo simples manuseio dos autos do Procedimento Administrativo Fiscal n° 15987.000225/200717. Ou seja, a Fiscalização, em flagrante violação aos princípios da motivação e fundamentação dos atos administrativos, da ampla defesa e do devido processo legal, deixou de apresentar a Requerente exatamente quais as operações foram objeto de glosa, impedindo a conferência dos itens e valores considerados no cálculo dos créditos que afirma não serem passíveis de desconto na apuração da COFINS. Tal fato, por si só, macula de nulidade o presente procedimento fiscal, devendo ser determinado pela Autoridade Administrativa que se refaça o procedimento fiscal de modo a permitir à Requerente o pleno exercício de sua defesa, que, na presente hipótese, ficará restrita à matéria de direito que se pode depreender da insuficiente fundamentação utilizada pela Fiscalização. Além das glosas efetuadas, a Fiscalização ainda indeferiu a "declaração retificadora n° 14778.69615.300806.1.7.11 8050por aumentar o valor do débito nela incluso, procedimento que viola o artigo 59 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005." Não obstante demonstrarseá, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas, que o despacho decisório proferido pela Fl. 3503DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15987.000225/200761 Acórdão n.º 3201002.065 S3C2T1 Fl. 3.502 5 Delegacia da Receita Federal em Santos/SP não reúne condições de subsistir, devendo ser prontamente canceladas as exigências dos valores não compensados nos autos do presente procedimento administrativo, assim como devidamente acatada a retificação do PER/DCOMP n° 14778.69615.300806.1.7.11 8050, uma vez que realizada em plena conformidade com a legislação de regência. Em seguida, a contribuinte passou a contra argumentar, longamente, sobre as diversas glosas efetuadas pela fiscalização, as quais serão abordadas no voto. Dentre os argumentos correlacionados pela manifestante, verificase notadamente os seguintes pontos: direito de crédito sobre Bens e Serviços Utilizados como Insumo Operações de transporte; direito de crédito sobre Bens e Serviços Utilizados como Insumo. Itens contemplados com alíquota zero; direito de crédito sobre Bens e Serviços Utilizados como Insumo. Despesas não autorizadas: a) Serviços utilizados como insumo; b) Gastos com armazenagem e movimentação interna; c) Locação de equipamentos. direito de crédito sobre aquisição de veículos; Fretes sobre importação de matérias primas; Fretes de transferências entre centros; Impossibilidade de indeferimento da retificação de PER/DCOMP. Ao final, requereu o reconhecimento do direito creditório, conforme se segue: IV. PEDIDO Por todo o acima exposto, requerse seja declarada a (i) nulidade do lançamento fiscal no que tange à ausência de indicação precisa dos itens glosados relativamente aos Anexos 5 e 6 que deixaram de ser formulados pela Fiscalização; assim como (ii) a total improcedência do lançamento fiscal impugnado com o reconhecimento dos créditos de COFINS decorrentes: (i) Das operações de frete decorrentes da aquisição de mercadorias e produtos, partes e peças e serviços adquiridos como bens e insumos de produção, listados no Anexo 1 da Fiscalização; Fl. 3504DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 i) Da aquisição de bens e insumos de produção adquiridos com alíquota zero do PIS e da COFINS, listados no Anexo 2 da Fiscalização, que sejam aplicados na produção de itens cuja saída é regularmente tributada; (iii) Da aquisição de serviços e partes e peças adquiridos como insumo e listados no Anexo 3 da Fiscalização, uma vez que empregados na manutenção do equipamentos industriais da Requerente, assim como os valores pagos em decorrência da armazenagem externa de insumos e na locação de equipamentos empregados nas atividades da Requerente, uma vez que devidamente autorizados pela legislação de regência. (iv) Das operações de frete decorrentes da importação de matéria prima, indicados pela Fiscalização; (v) Das operações de frete correspondente à transferência de matéria prima entre estabelecimentos da Requerente. Por fim, requerse seja reconhecido o deferimento do PER/DCOMP retificador n° 14778.69615.300806.1.7118050, nos termos do art. 79, §3°da INn° 900/08. Nesses termos, Pede deferimento. Sobreveio decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 DCOMP. NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR DE PIS. APROVEITAMENTO SEM PREVISÃO LEGAL. Os créditos calculados sobre os insumos vinculados às operações de venda de mercadorias e serviços sujeitos tributação normal da COFINS, poderão ser descontado com a respectiva contribuição apurada nos períodos subseqüentes, não existindo previsão legal para aproveitamento do saldo de crédito mediante compensação. FRETE NA COMPRA DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. GASTOS COM ARMAZENAGEM E MOVIMENTAÇÃO INTERNA Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de Fl. 3505DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15987.000225/200761 Acórdão n.º 3201002.065 S3C2T1 Fl. 3.503 7 distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito. AQUISIÇÕES NÃO ONERADAS PELA CONTRIBUIÇÃO As aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição não dão direito ao crédito. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. IMPOSSIBILIDADE Somente os serviços diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto geram crédito da contribuição social. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Constatando equívocos nas informações prestadas pela DRF/Santos acerca das datas de intimação da decisão recorrida e da apresentação do recurso voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF decidiu pela conversão do julgamento em diligência para esclarecimentos. A contribuinte foi intimada pela DRF /Santos para manifestarse, tendo apresentado os documentos de fls. 3456 a 3497, que comprovam ter a recorrente sido intimada do acórdão nº 0531.721 em 17/01/2011 e interposto o recurso voluntário em 15/02/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente sustenta ter ocorrido cerceamento ao seu direito de defesa decorrente da não disponibilização dos anexos 5 e 6 a que faz alusão o Termo de verificação Fiscal (TVF). Em análise ao TVF, o mesmo apresenta diferentes justificativas para a glosa dos créditos, utilizandose da anexação de seis documentos para demonstrar e distinguir os créditos glosados, nestes termos: Os valores dos CRÉDITOS registrados nos demonstrativos de Apuração do PIS e da COFINS, dos períodos de Outubro/2005 a Dezembro/2006, apresentados .pela empresa e que não estavam contemplados nas legislações vigentes, como origens de créditos das contribuições, foram objeto de glosas, as quais estão demonstradas nos anexos adiante especificados. Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 Os anexos 5 e 6, a que faz alusão a recorrente, são assim descritos no TVF: ANEXO 5 O Anexo 5 corresponde ao Demonstrativo das diferenças de Fretes sobre importação de MatériasPrimas, referente ao período de janeiro/2006 a outubro/2006, apresentado pela empresa, cujos valores foram registrados como base de créditos das contribuições, nos meses de setembro e outubro de 2006, sendo: Períodos Apuração Fretes na Importação set/06 out/06 774.248,61 1.459.133,84 Total 2.233.382,45 Da análise efetuada no demonstrativo de Fretes sobre Importação de MatériasPrimas constatase que em sua maioria os fretes foram efetuados pela Transportadora Meca, tendo como itinerário a movimentação registrada entre as unidades de Santos/SP e Cubatão/SP. ANEXO 6 Este demonstrativo, também, faz referência as glosas de créditos de Fretes sobre Transferências entre centros registradas nos períodos de 2006. Ressaltando, que a empresa registrou como base de créditos das contribuições no mês de setembro de 2006, o total dos fretes ocorridos nos períodos de janeiro/2005 a setembro/2006, em sua maioria as despesas com a Transportadora Ferrovia Centro Atlântica S/A, tendo como itinerário a movimentação de mercadorias registrada entre as unidades de Catalão/GO e Cubatão/SP. Com relação aos fretes relacionados nos Anexos 5 e 6, acima citados, a legislação especifica que poderão ser descontados os créditos das contribuições calculados sobre as despesas com fretes nas operações de vendas, conforme o art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 2, de 17 de fevereiro de faz referência à glosa de créditos. (grifo nosso) A decisão recorrida não contesta o fato de não terem sido formalizados neste processo os aludidos anexos 5 e 6 a que faz referência o TVF. Afirma, contudo, que tal fato não corresponde a cerceamento ao direito de defesa, nestes termos: Da análise dos trechos presentes na manifestação de inconformidade, verificase que a interessada sabia exatamente quais operações foram glosadas, de quais produtos, em quais serviços, como também tem ciência que o trabalho da Fiscalização pautouse nos documentos fiscais que ela própria forneceu quando regularmente intimada. Vejase que não há necessidade da Fiscalização individualizar cada uma das operações que levaram à glosa dos créditos calculados sobre Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15987.000225/200761 Acórdão n.º 3201002.065 S3C2T1 Fl. 3.504 9 fretes, uma vez que estas operações por sua natureza não permite a geração de crédito. Neste contexto, o montante glosado atingiu a totalidade das operações e foi fundamentado em documentação apresentada pela própria contribuinte, conforme documentos de folha 142, combinado com Demonstrativo das Diferenças dos registros nos Demonstrativos de Apurações de períodos de Set a Dez/2006 (fls. 01 em diante do Anexo VI). O mesmo se verifica dos fretes de transferências entre centros, registrados pela Impugnante entre as unidades de Catalão/GO e Cubatão/SP. Embora tenha sido argumentado pela interessada o desconhecimento das glosas efetuadas pela Fiscalização, a contribuinte mais uma vez demonstra saber exatamente o tipo de operação, entre quais unidades de seu parque fabril, que tipo de transporte, a matéria prima transportada, denominando os citados fretes como sendo "operação de circulação de insumos". Conclui afirmando que não há o que se falar em cerceamento de direito de defesa, pois a contribuinte teria demonstrado saber exatamente quais despesas não foram consideradas na apuração dos créditos da Cofins não cumulativa. Em que pese o entendimento exposto pela 3ª Turma da DRJ Campinas/SP, os arquivos que deixaram de ser anexados aos autos, conforme informado no Termo de Verificação Fiscal, demonstram e justificam as glosas efetuadas. Neles deveriam estar descritos quais os fretes sobre importação de matérias primas e quais os fretes sobre transferências entre centros tiveram os créditos glosados. A falta de tais elementos claramente impediu o conhecimento completo da contribuinte acerca dos motivos que ensejaram na glosa de seus créditos, ensejando em cerceamento de seu direito de defesa. Tratase, notadamente, de mero equívoco da autoridade fiscal que formalizou o ato, e que poderia ser facilmente resolvido por meio da disponibilização destes anexos a recorrente, por meio de sua juntada aos autos. A decisão recorrida, contudo, ao proceder ao julgamento sem dar conhecimento a contribuinte dos anexos 5 e 6, ensejou em preterimento ao direito de defesa deste, de forma que a mesma deve ser declarada nula, à luz do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, voto pela declaração de nulidade da decisão recorrida, a fim de que seja disponibilizado à recorrente os aludidos anexos 5 e 6 do Termo de Verificação Fiscal, com a concessão do prazo de 30 dias para apresentarem nova impugnação, bem como seja proferida nova decisão por este órgão julgador de 1ª Instância Administrativa. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.001080/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. FATOS GERADORES ATÉ MAIO/2007.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 101).
Numero da decisão: 1402-002.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada, nos temos do relatório. e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. FATOS GERADORES ATÉ MAIO/2007. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 101).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13502.001080/2008-77
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572589
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-002.087
nome_arquivo_s : Decisao_13502001080200877.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 13502001080200877_5572589.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada, nos temos do relatório. e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6302828
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125506060288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 6.122 1 6.121 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.001080/200877 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.087 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2016 Matéria GLOSA DE DESPESAS Recorrente MARRIOT BRASIL HOTELARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 CONTRATO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS PAGAS A CONTROLADORA NO EXTERIOR . DEDUÇÃO. VEDAÇÃO LEGAL. São indedutíveis como despesas operacionais os valores pagos a controladora domiciliada no exterior como remuneração de serviços decorrentes de contrato de assistência técnica (inciso II, do § 2º, do art. 354, do RIR/99) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. FATOS GERADORES ATÉ MAIO/2007. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 101). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada, nos temos do relatório. e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 10 80 /2 00 8- 77 Fl. 6122DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 6123DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13502.001080/200877 Acórdão n.º 1402002.087 S1C4T2 Fl. 6.123 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Controla o presente processo diversos autos de infração, conforme demonstrativo seguinte, lavrados em ll de junho de 2008 e cientificados ao contribuinte via postal, em 20/06/2008, que abrangem fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. [...] Descreve o auto de infração que o contribuinte teria praticado as seguintes infrações à legislação dos referidos tributos: 1 Custo ou Despesas não Comprovadas conforme Termo de Verificação Fiscal. 2 Insuficiência de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados, conforme Termo de Verificação Fiscal. 3 Multas Isoladas pela falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada, conforme Termo de Verificação Fiscal. Em relato mais detalhado, o Termo de Verificação Fiscal, fls.09/12, informa o quanto segue: Glosa de Despesas. “...verificouse a emissão de Invoices pela Marriot Intemacional, INC, tendo como destinatário a Marriot do Brasil Hotelaria Ltda. Tais documentos estão redigidos em inglês, contém diversas linhas individualizando serviços e valores. Os relatórios apresentados continham a cotação do dólar utilizada pela empresa. Após a conversão dos valores contidos nas Invoíces para moeda nacional, verificouse que os mesmos foram apropriados em várias contas de despesa.” “Através do tenho de Intimação n° 0002, de 19/02/2008, a empresa foi intimada a apresentar a documentação comprobatória de tais lançamentos, demonstrar que as despesas foram efetivamente incorridas, bem como mostrar a necessidade, usualidade e normalidade de cada despesa à atividade da empresa e manutenção da fonte produtora. Também foi intimada a informar a data de pagamento de cada invoice, bem como a vinculação societária com a Marriot Internacional inc.” “Em resposta, o contribuinte informou que a única comprovação das despesas são as invoices que foram emitidas, e que as mesmas seriam decorrentes de contrato de serviço de Marketing celebrado entre Marriot Intemacional, INC e Marriot do Brasil Hotelaria Ltda. Quanto a comprovação da necessidade, usualidade e normalidade das despesas, a empresa apresentou planilha onde consta descrição dos serviços em inglês, a explicação em português e a justificativa de que tais serviços são necessários para “operação dos hotéis em padrões da empresa”. Fl. 6124DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 O Fisco enquadrou a autuação nos artigos 299 e seus parágrafos do RIR/99 e 354 também do RIR/99. Em razão de tais glosas de despesas, os valores foram adicionados com base na escrituração do contribuinte no LALUR, nos respectivos meses com o objetivo de apurar as estimativas devidas, sendolhe imputada a multa isolada para o IRPJ e para a CSLL. Também foi motivo de autuação as diferenças encontradas no confronto entre o LALUR e a DCTF, pois constatouse que: (i) no anocalendário de 2003 0 contribuinte apurou lucro real mas não o informou em DCTF, (ii) no anocalendário de 2004 o contribuinte apurou no LALUR um lucro real de R$ 108.425,55 porém na DIPJ informou um prejuízo de R$ 6.958,86 e, (iii) no ano de 2005 apurou um lucro real de R$ 1.085.103,73 no LALUR, enquanto na DIPJ informou o valor de R$ 1.085.106,73. Informase ainda que tais valores estão sendo exigidos em autos separadamente, tendo em vista já terem sido apurados pelo contribuinte no LALUR e também informados parcialmente na DIPJ. Ciente da autuação o contribuinte apresenta Impugnação à mesma em 21 de julho de 2008, conforme folha 354, onde traz os seguintes argumentos contra o lançamento fiscal: Informa que procedeu ao recolhimento de parcela incontroversa do valor objeto da autuação, com a redução legal prevista de 50% sobre as penalidades cabíveis, tanto no que se refere ao IRPJ, como quanto à CSLL, sendo tais valores decorrentes das diferenças apuradas entre os montantes informados na DIPJ e aqueles escriturados no LALUR, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. Anexa DARF doc. 4 Quanto a glosa de despesas. Inicialmente pugna pela possibilidade de juntada posterior de documentos em homenagem ao princípio da verdade material e alega que o fará com respaldo no artigo 16, § 4°, I, do Decreto n ° 70.235/72. Alega que o lançamento tributário se deu por presunção e que, sendo o mesmo um ato administrativo, está adstrito às normas legais que lhe disciplinam a forma, o conteúdo e a oportunidade. Assim, o lançamento, como individualização tributária, há de reportarse forçosamente à legislação e aos fatos que imponham a sua aplicação. Que a autoridade tributária deve comprovar se o fato gerador da obrigação tributária verificouse de fato, cabendo a mesma procurar por todos os meios, circunstâncias e condições exatas em que o fato gerador previsto em lei ocorreu. Diz ser a autuação combatida decorrente de desconsiderações de fatos por parte da fiscalização, a qual se limitou analisar somente parte da documentação apresentada, sem proceder à investigação que seria indispensável à válida constituição do crédito tributário. Assegura ser evidente que, no contexto da autuação ora contestada, o fiscal autuante baseouse em simples presunção, do que decorre a impossibilidade de cobrança de tributo. Isso porque, como e sabido, o que gera tributação é o comportamento (fato imponível) adequado à prescrição normativa estabelecida em lei (hipótese de incidência). Ressalta que qualquer procedimento administrativo fiscal deve ser norteado pela busca da verdade material, sob pena de nulidade. Que no caso em tela a Fl. 6125DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13502.001080/200877 Acórdão n.º 1402002.087 S1C4T2 Fl. 6.124 5 fiscalização verificou toda a documentação que consta inclusive dos autos e simplesmente desconsiderou o suporte fático do procedimento fiscalcontábil adotado pela Impugnante, que, em momento algum, se furtou às suas obrigações tributárias. Argumenta que no curso da fiscalização foram apresentados todos os documentos e elementos necessários para comprovar o correto procedimento adotado pela Impugnante. Expõe a Impugnante que, antes de proceder à individualização dos documentos que suportam as despesas operacionais efetivamente incorridas, deve ser ressaltado que a respectiva comprovação é hoje admitida de forma ampla, inclusive por meio de provas indiretas (cópias de contratos, correspondências, etc.), transcreve acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes e da DRJ/Rio de Janeiro. Informa que em 01/02/2002, firmou Contrato de Serviços de Marketing (doc. 06) com a Marriott lntemational, em razão de sua intenção de arrendar e administrar um hotel internacional fullservice e, por meio do referido instrumento, a Marriott Internacional se comprometia a providenciar, ou determinar que suas afiliadas providenciassem, fora do Brasil, um programa internacional de Publicidade, Promoção e Vendas, destinado a promover o hotel da Impugnante. Que tal acordo é apto a respaldar várias despesas de marketing realizadas pela Impugnante. Em relação a alguns dos serviços objeto da glosa, a Impugnante chegou a obter informações extraídas do próprio site do grupo Marriot, no Brasil e no exterior, por meio das quais se identifica de forma irrefutável a necessidade, usualidade e normalidade do gasto em questão, dentre os quais destacase o Marriott Reward, um programa de fidelidade por meio do qual o associado acumula pontos, sendo reconhecido em mais de 2.700 hotéis no mundo todo, além de vôos gratuitos e benefícios que incluem prioridade no checkin (doc. 08). Que a despeito destes indícios juntados por meio da presente impugnação, a impugnante está certa de que os “Considerandos” e “Serviços” descritos no segundo instrumento (em que a impugnante é denominada “Operadora” e a Marriott Internacional é designada “Marriott”) dispensam maiores digressões sobre o tema. Transcreve clausulas de contrato e, observa que da confrontação dos instrumentos acima (clausulas contratuais) com as despesas glosadas, sobressai cristalina a impropriedade do procedimento adotado pela autoridade fiscal. Que tal equívoco é ainda mais evidente quando consideramos que todas as faturas relacionadas aos serviços em questão foram disponibilizadas ao mesmo, estando acostadas à presente defesa quanto à integralidade do período autuado, juntamente com correspondências, emails e outros documentos que reforçam a efetividade das mesmas (2003 doc. 09; 2004 doc.l0; 2005 doc.l1). Que o Demonstrativo dos Valores Glosados por cta e mês, aponta, ainda, gastos com Honorários Advocatícios os quais, deixaram de ser mencionados expressamente no Termo de Verificação Fiscal. Explica que tais importâncias são também objeto do Contrato Internacional de Prestação de Serviços, (doc. O7), expressamente previstos na Tabela 4. Observa que o instrumento em questão envolve a disponibilização de serviços próprios (diretamente prestados pela Marriott Intermational) ou de terceiros, uma Fl. 6126DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 vez que a empresa estrangeira, apesar de possuir uma estrutura administrativa, fiscal, societária, pode terceirizar a prestação de serviços, como se deu no que tange a área jurídica. Que como se denota do mesmo “Demonstrativo dos Valores Glosados Por Conta e Mês” o fiscal glosou valores identificandoos como “Despesas Diversas”. A toda evidência, tal indicação imprecisa impossibilita a defesa da Impugnante, incidindo em cerceamento de defesa, pelo que devem ser cancelados, como já decidiu, de forma reiterada, o Conselho de Contribuintes. Também no caso em apreço, carece de motivação a glosa de despesas classificadas como “Diversas”. Na hipótese dos dispêndios em questão estarem atrelados ao relato constante do Termo de Verificação, havendo igualmente de ser cancelados uma vez que a relação contratual existente entre a impugnante e a Marriott International, bem como a materialidade da relação entre as mesmas já restou comprovada pelos itens anteriores. Da lnaplicabilidade do Artigo 354 do RIR/99 ao caso Concreto. Discorda da aplicação do referido artigo a indedutibilidade das despesas uma vez que tal dispositivo se aplica somente àquelas hipóteses que envolvam transferência de tecnologia, o que, por óbvio, não ocorre na presente situação. Transcreve Acórdão da 8” Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, fls. 395, que em verdade trata de ROYALTIES (Art. 352) e não de Assistência Técnica, como enquadrado pelo Fisco. Ainda em sua defesa a impugnante argumenta que: I ` “... outro traço característico do conceito de assistência técnica no direito tributário brasileiro consiste no pagamento de contraprestação compatível com uma estimativa baseada na produção (faturamento, lucro) da empresa contratante (artigo 12 da Lei n° 4.131/1962), sendo estipulados por percentual da receita (Lei n° 4.506/64, artigo 52).” E, “como se denota dos contratos anexados a presente defesa (docs. 06 e 07), que suportam as despesas realizadas, não há que se falar em pagamento de percentuais, mais sim de valores fixos (alguns inclusive a preço de custo), ...” Conclui que ante ao exposto, no presente caso, é manifesto, não estamos diante de assistência técnica, adstrita aos termos e limites contidos no artigo 354 do RIR, mas a prestação de serviços que, para serem considerados dedutíveis para fins de apuração do IRPJ, devem obedecer aos parâmetros de necessidade, usualidade e normalidade contidos no artigo 299 do mesmo Regulamento. Alega ainda da ocorrência de erro material decorrente da aplicação das alíquotas de 15% e 25% para cálculo da CSLL devida nos anos de 2004 e 2005 e que tal equívoco pode ser facilmente identificado pelas planilhas constantes de fls. 97/101 da autuação. Também há contestação relativa à falta de recolhimento/declaração de IRPJ no anocalendário de 2003, alegase que a autuação merece reparo na medida em que o fiscal autuante, apesar de reconhecer um recolhimento de R$ 135.427,25, cobra todo o valor tido como devido para o período, no montante de R$ 144.365,05 acrescido da multa de 75%, pelo simples fato de tal pagamento não ter sido declarado em DCTF. Requer que seja reconhecida a extinção de parte do crédito tributário que a Impugnante reconhece como devido, decorrente da falta de recolhimento do IRPJ e Fl. 6127DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13502.001080/200877 Acórdão n.º 1402002.087 S1C4T2 Fl. 6.125 7 CSLL, pelo pagamento, nos termos do artigo 156, I, do CTN, com o beneficio de redução das penalidades aplicadas. Quanto à parte remanescente seja acolhida a presente impugnação para decretar a improcedência do lançamento principal combatido (IRPJ) relativo à glosa de despesas e, em conseqüência, daquele decorrente, lavrado para cobrança da CSLL e, no tocante à suposta falta de recolhimento do IRPJ referente ao ano de 2003, acolher a presente impugnação para reduzir a cobrança no valor de R$ 144.365,05 diante do reconhecimento do recolhimento de R$ 135.427,25 e, aínda, na hipótese dos itens precedentes não serem acatados, acolher a presente impugnação para reduzir os valores cobrados a título de multa isolada, em decorrência de erro material no cálculo do imposto devido, decorrente da aplicação da alíquota de 15% para o ano de 2004 e de 25% para o ano de 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1520.777 acolhendo parcialmente a impugnação excluindo a exigência da multa de ofício e dos juros de mora sobre parte dos valores de estimativas recolhidos espontaneamente e corrigindo a alíquota da CSLL equivocadamente utilizada. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 6128DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Tendo em vista a aceitação do sujeito passivo quanto a parte da autuação, remanesce no litígio a exigência decorrente da glosa de despesas com prestação de serviço junto à Marriot Internacional, INC e a multa isolada. A indedutibilidade das despesas teve por base os seguintes motivos suscitados pelo fisco e endossados pela decisão recorrida: a não comprovação da efetividade da prestação dos serviços bem como da necessidade e usualidade e também ausência de documentação hábil e idônea para demonstrálos. Além disso, foi argüida a impossibilidade da dedução pela vedação legal estabelecida no inciso II, do § 2º, do art. 354 do RIR/99. Admito a dificuldade natural em demonstrar a realização de serviços que não tenham como resultado bens materiais. Sob esse prisma, sem olvidar da responsabilidade do sujeito passivo em demonstrar tudo que foi registrado na escrituração, penso que tratase de hipótese onde sob a égide do bom direito devese ampliar o leque de provas passives de aceitação. Aqui, no que se refere aos requisitos formais, os invoices são documentos típicos em operações que envolvem agentes domiciliados no exterior contendo as especificações do negócio no que concerne fundamentalmente às condições de pagamento. Seria o equivalente à fatura e como tal entendo que comprovam o vínculo entre as partes quanto à operação a que se referem. Ainda que demonstrado o vínculo, isoladamente, os invoices não teriam informações suficientes que identificassem com precisão a natureza dos serviços prestados, informação essa fundamental para a verificação pelo Fisco das condições de dedutiblidade. Entretanto, os contratos devidamente traduzidos cumprem tal mister formando com os invoices um conjunto probatório de força probante considerável. Não vislumbrei no Termo de Verificação e tampouco na decisão recorrida algum questionamento no que tange à idoneidade desses documentos. A dificuldade de verificação em função da redação em língua estrangeira foi suprida com as traduções apresentadas. Em relação à efetiva realização dos serviços, a autoridade lançadora baseou suas conclusões com foco no que seria a ausência de documentos hábeis, pois não indicou que outro procedimento caberia à interessada para atestar as operações. Assim, superada a questão da documentação, conforme visto acima, não prospera o entendimento da Fiscalização. Quanto à necessidade e usualidade das despesas o exame dos contratos deixa claro que se referem a prestação de serviços no ramo hoteleiro, onde a Marriot Internacional, INC; transfere à interessada a expertise em diversas atividades inerentes ao setor com vistas à obtenção do denominado padrão de excelência Marriot. Pareceme razoável que o incremento na qualidade dos serviços prestados dentro do padrão de qualidade estabelecido pela Fl. 6129DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13502.001080/200877 Acórdão n.º 1402002.087 S1C4T2 Fl. 6.126 9 controladora seja um objetivo e uma necessidade da controlada. Aqui também não vislumbro irregularidade nas despesas. Por outro lado, no que se refere à vedação legal estabelecida no inciso II, do § 2º, do art. 354 do RIR/99, entendo que assiste razão à decisão recorrida quando da análise dos contratos. Como auxílio para definição da natureza jurídica dos contratos celebrados entre a interessada e a controladora sirvome das lições de Amal Nasrallah. 1 A autora compara os conceitos de royalties sob a ótica interna e nos termos das convenções internacionais no modelo da OCDE. A partir daí faz uma distinção entre os contratos de prestação de serviços e assistência técnica. Naquele, a prestação de serviços é o objeto principal do contrato. A empresa limitase a utilizar a experiência e os conhecimentos usuais da profissão. Tratase, em princípio, da realização de uma prestação de serviços, submetida ao regime de lucro das empresas. Não haveria transferência de tecnologia, mas aplicação da tecnologia. Quanto à remuneração, é fixada com base no custo demonstrado por critérios relativos ao trabalho desenvolvido como, por exemplo, em função do número de horas despendidas. Já no contrato de assistência técnica, segundo Amal Nasrallah, a prestação de serviços tem natureza complementar ou acessória em relação ao objeto principal do contrato, sendo este a transmissão de informação tecnológica. Voltando ao caso sob exame, no que se refere à remuneração, as cláusulas contratuais de pagamento vinculado à receita 1,5% das receitas brutas para cada período contábil – não condizem com um contrato de prestação de serviços nos termos da definição supra. A partir das definições acima, o exame dos contratos é revelador quanto à natureza. Algumas cláusulas merecem transcrição (destaques acrescidos): [...] A Marriott deverá fornecer o Programa internacional de Publicidade, Marketing, Promoção e Vendas. [...] A Marriott providenciará programas específicos de treinamento considerados essenciais para o benefício de empregados de nivel gerencial executivo do Hotel em épocas e locais a serem determinados pela Marriott. A Marriott, tempos em tempos, poderá oferecer, ou determinar que se ofereça, a uma ou mais de suas Afiliadas outros programas de treinamento (inclusive cursos, conferências, seminários e materiais) para beneficiar Empregados do Hotel em épocas e locais a serem razoavelmente determinados pela Marriott. [...] 1 NASRALLAH, Amal. Diferença entre royalties e remuneração dos serviços de assistência técnica em contratos internacionais e nacionais, Disponível em:<https://tributarionosbastidores.wordpress.com>. Acesso em 04/11/2015. Fl. 6130DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 A Marriott fornecerá ao hotel, tanto em sua sede quanto em outras unidades regionais, serviços e programas especiais distintos daqueles descritos nas Cláusulas l.0l e 1.02, cujos serviços e programas se destinam a beneficiar o Hotel como integrante do Sistema Marriott, doravante aqui denominados “Serviços e Programas Especiais” [...] A Marriott deverá disponibilizar para o Hotel, o Sistema de Reservas, sendo que o Hotel deverá, necessariamente, utilizar esse Sistema de Reservas. [...] A Marriot deverá disponibilizar ao Hotel um Sistema de Gestão de Ativos, sendo que o Hotel deverá, necessariamente, utilizar esse Sistema de Gestão de Ativos. [...] Percebese que relativamente à diversas atividades inerentes ao ramo hoteleiro os contratos não envolvem simplesmente uma prestação de serviços mas praticamente uma imposição de sistemas operacionais e métodos de trabalho tendo como objeto principal um “pacote fechado” de transmissão de expertise nessa área de atividade ou, em outras palavras, transferência de tecnologia no âmbito de serviços hoteleiros com vistas à implantação do “padrão Marriot”. Do exposto, penso que as despesas sob exame têm origem em contratos de assistência técnica. Nesse ponto, divirjo do acórdão recorrido apenas por entender que houve efetivamente a transferência de tecnologia enquanto aquela decisão considera que tal circunstância não seria relevante para definição da natureza do contrato. Com relação às despesas com honorários advocatícios, não há como darlhes tratamento diferenciado eis que incluídas no contrato e como tal voltadas ao mesmo objetivo de implantação do padrão Marriot de qualidade. Tratandose de contratos de assistência técnica celebrados com controladora domiciliada no exterior, submetemse às restrições impostas pelo inciso II, do § 2º, do art. 354, do RIR/99 e as despesas a eles referentes são indedutíveis. Merece citação acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região em caso idêntico onde a Fiscalização também não acatou a dedução de despesas incorridas por empresa do ramo hoteleiro em contratos junto à controladora no exterior: PROC. : 95.03.0762731 REOAC 275664 ORIG. : 0004190718 15 Vr SAO PAULO/SP PARTE A : SAO PAULO HILTON HOTEL LTDA ADV : CLAYTON BRANCO e outros PARTE R : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADV : JULIO CÉSAR CASARI E CLAUDIA AKEMI OWADA REMTE : JUIZO FEDERAL DA 15 VARA SAO PAULO Sec Jud SP Fl. 6131DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13502.001080/200877 Acórdão n.º 1402002.087 S1C4T2 Fl. 6.127 11 RELATOR : JUIZ CONV. ROBERTO JEUKEN / TURMA SUPLEMENTAR DA SEGUNDA SEÇÃO TRIBUTÁRIO. IRPJ. REMESSA DE NUMERÁRIO A CONTROLADORA SEDIADA NO EXTERIOR. DESPESAS OPERACIONAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS. ISENÇÃO. PROVA PERICIAL. 1. Não se verifica mácula na exigência hostilizada, tendo em vista que incide o IRPJ sobre remessas a controladora sediada no exterior, a título de despesas pela prestação de serviços técnicos especializados. É certo que a autora gozava de isenção deste tributo, restrita porém, nos termos do artigo 24, do Decretolei nº 55/66, a aquele decorrente do lucro real oriundo da sua atividade hoteleira, quando explorada pela mesma, donde não apanhar aquela outra situação. 2. Nos termos da prova pericial, tais despesas, em princípio, se enquadrariam como custos e despesas operacionais, e, provadas a sua efetividade, gozariam de plena dedutibilidade do lucro operacional, etapa precedente à apuração do lucro real, base de incidência do aludido tributo. Porém, existe vedação legal específica para o caso, segundo o disposto no art. 52, parágrafo único, da Lei nº 4.506/64. 3. Remessa oficial a que se dá provimento. Tratase de remessa necessária em ação ordinária aviada com vistas à anulação de débito fiscal decorrente de Auto de Infração lavrado após apuração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativo aos anosbase de 1974 a 1977, incidente sobre remessas ao exterior efetuadas à sócia majoritária. Sustenta a inicial que improcede a autuação, na medida em que as remessas efetuadas à sua holding, Hilton International Corporation, consubstanciavamse em reembolsos de despesas por esta incorridas para implantação e funcionamento do hotel no Brasil, estando respaldadas por contrato devidamente registrado junto ao BACEN, ou seja, tratase de pagamento de serviços técnicos especializados prestados no exterior, invocando a Súmula 585 do Pretório Excelso, donde caracterizarse como despesas operacionais e, portanto, dedutíveis. Alega, ainda, que estava isenta do pagamento de Imposto de Renda no período de 18.10.71 a 18.10.81, nos termos do art. 24 do Decretolei nº 55/66 e Parecer Normativo CST nº 244/71, benefício consubstanciado no Ato de Isenção nº 175/73. Informa, ainda, a existência de ação onde se discute incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre as mesmas remessas. A r. sentença julgou procedente a ação arrimada no laudo pericial, sob o fundamento de que as remessas efetuadas à holding situada no exterior não o foram a título de lucros ou rendimentos, mas reembolso e ressarcimento de despesas incorridas pela controladora estrangeira para a manutenção dos objetivos essenciais da autora, tendo por base contrato celebrado entre as partes e registrado no BACEN. Afirmou a inaplicabilidade do disposto no inciso II, do parágrafo único do art. 52, da Lei nº 4.506/64, porque o Decretolei nº 55/66 e o Decretolei nº 1.191/71 concederam isenção fiscal de todos os tributos federais, excetuadas as contribuições previdenciárias, aos hotéis que preenchessem os requisitos indicados nestes diplomas, certo que foi com base nos mesmos que as autoridades fiscais concederamlhe a isenção decenal em foco. Os autos subiram a esta Corte por força da remessa obrigatória. Fl. 6132DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Cuidase de reexame necessário em face de sentença acolhendo pretensão volvida à anulação de débito fiscal decorrente de Auto de Infração lavrado após apuração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativo aos anosbase de 1974 a 1977, incidente sobre remessas efetuadas à sócia majoritária sediada no exterior, por infração aos art’s. 178, “a”, e 295, ambos do Decreto nº 76.186/75 (RIR), cujo fundamento de validade deita lastro no art. 52 da Lei nº 4.506/64. Transcrevo os dispositivos legais que interessam ao deslinde da matéria: [...] No caso dos autos, a perícia contábil respondeu afirmativamente ao quesito nº 02 da autora, no sentido de que a mesma goza do benefício da isenção do Imposto de Renda estabelecido no art. 24 do Decretolei 55/66 e Parecer Normativo CST 244/71, conforme despacho exarado no Processo 200.013/72, que transcreve (fls. 122), bem como que há contrato de prestação de assistência técnica administrativa e de serviços técnicos especializados firmado entre a autora e Hilton International Corporation devidamente registrado no Banco Central do Brasil e pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (fls. 123 – quesito nº 03), de cujas cláusulas extraise que a autora obrigouse a reembolsar Hilton International Co. as despesas incorridas para a implantação e funcionamento do Hotel no Brasil (fls. 126 – quesito nº 04). Em resposta ao quesito nº 06 (fls. 127), por outro lado, afirma que essas despesas, em princípio, se enquadrariam como custos e despesas operacionais, e, provadas a sua efetividade, gozariam de plena dedutibilidade do lucro operacional. No entanto, existe vedação legal específica para o caso, segundo o disposto no art. 52, parágrafo único, da Lei nº 4.506/64 (...) Este entendimento é corroborado pela ressalva constante do próprio Registro do Contrato no Banco Central do Brasil, segundo o qual as remessas de rendimentos contratuais previstas neste Certificado não se enquadram nas disposições do Artigo 12 da Lei nº 4.131, de 03.09.62, em face do que dispõe o Parágrafo único do Artigo 52 da Lei nº 4.506, de 30.11.64. E ao quesito nº 12, fls. 134, que buscava saber se, mesmo estando obrigada a acrescentar tais remessas ao lucro real, estaria obrigada a pagar o Imposto de Renda face seu Ato de Isenção nº 175/73, respondeu que este o fulcro da questão a ser decidida pelo juízo, pois o lançamento fiscal está fundado no artigo 295 do Regulamento do imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 76.186/75 (...) certo que a isenção de imposto de renda concedida à Autora corresponde, não resta a menor dúvida, a um incentivo fiscal destinado ao desenvolvimento do turismo, regulado no título citado (art. 278 a 286). Ao quesito da União, assim formulado, De acordo com o Ato 175/73, não é exato que a única isenção visada pelo mesmo, nos termos do artigo 24, do Decreto lei nº 55/66, era a relativa ao pagamento do imposto de renda de pessoa jurídica incidente sobre os lucros reais e tributáveis, oriundos da atividade hoteleira, quando explorados pelos respectivos proprietários, beneficiários do Ato 175/73, respondeu o perito afirmativamente. Destarte, de todo este contexto ressai que a autuação hostilizada não padece de ilegalidade, sendo devido o IRPJ sobre as remessas efetivadas ao exterior à sua holding, pois a isenção contida no Ato 175/73 não abrange o débito em cobrança. ANTE O EXPOSTO, dou provimento à remessa oficial, para reformar a r. sentença, nos termos supracitados, invertida a sucumbência, inclusive verba honorária no patamar de 10% do valor da causa. Registrese que a nteressada nterpôs recurso especial que não foi conhecido no STJ e a decisão transitou em julgado. Fl. 6133DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13502.001080/200877 Acórdão n.º 1402002.087 S1C4T2 Fl. 6.128 13 Passase a analisar a questão da multa isolada. O pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Fl. 6134DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui expostoa, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância Fl. 6135DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13502.001080/200877 Acórdão n.º 1402002.087 S1C4T2 Fl. 6.129 15 essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Fl. 6136DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.2. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 3 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. 2 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 3 Idem, Idem Fl. 6137DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13502.001080/200877 Acórdão n.º 1402002.087 S1C4T2 Fl. 6.130 17 Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual votaria por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Entretanto, ressaltando o entendimento supra exposto, é meu dever funcional nesta Corte seguir o entendimento consolidado nas Súmulas do CARF. Nessas condições, foi editada a Súmula CARF nº 101 que consolidou o posicionamento do Órgão em sentido diverso ao por mim esposado: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. As discussões que culminaram da referida Súmula deixaram claro que não resta dúvida quanto à aplicação apenas a fatos geradores anteriores à mudança legislativa trazida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Ainda que submetendome ao entendimento sumulado, ressalto que a concomitância só existe no ponto em comum. Em outras palavras, a multa isolada é concomitante até o limite em que sua base de cálculo for menor ou igual à base de cálculo da multa proporcional. No presente caso, após a decisão de primeira instância que corrigiu a aplicação a maior da alíquota da CSLL para apuração do valor devido a título de estimativa, a base de cálculo da multa isolada para o IRPJ e para a CSLL foi inferior à da multa proporcional em todos os períodos abrangidos pelo procedimento. Sendo assim considerando que todos os fatos geradores atingidos pela exigência são anteriores à mudança legislativa em comento, voto por cancelar a exigência da multa isolada. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 6138DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 Fl. 6139DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.901830/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, embargos de declaração não se reveste em recurso destinado à rediscussão do direito.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, embargos de declaração não se reveste em recurso destinado à rediscussão do direito. Embargos rejeitados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10768.901830/2006-31
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567011
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.743
nome_arquivo_s : Decisao_10768901830200631.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 10768901830200631_5567011.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6274457
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125513400320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 154 1 153 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.901830/200631 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301002.743 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria Embargos de Declaração Embargante NUMERAL 80 PARTICIPAÇÕES S.A. (nova denominação de SANTOS BRASIL S.A.) Interessado NUMERAL 80 PARTICIPAÇÕES S.A. (nova denominação de SANTOS BRASIL S.A.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, embargos de declaração não se reveste em recurso destinado à rediscussão do direito. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 30 /2 00 6- 31 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901830/200631 Acórdão n.º 3301002.743 S3C3T1 Fl. 0 2 Relatório Em sessão transcorrida em 23 de julho de 2014, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802003.346, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que a decisão vergastada fora omissa na medida em que não teria enfrentado a "ausência de prova da existência do crédito reclamado, não se acatam os argumentos do Recorrente quanto à homologação total da compensação declarada". Segundo a embargante, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário[...] restou amplamente esclarecido e comprovado que no DARF que fundamentou o PER/DCOMP acima identificado, foram localizados alguns pagamentos que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos da EMBARGANTE não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. As evidências das razões alegadas pela EMBARGANTE constam na DCTF retificadora, através da qual Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901830/200631 Acórdão n.º 3301002.743 S3C3T1 Fl. 0 3 podemos observar um crédito correspondente ao valor informado no PER/DCOMP, acima descrito. 04.1 Assim, diante das razões constantes do Despacho Decisório originário, fica claro que essa SRFB não reconheceu o crédito que foi informado pela EMBARGANTE na DCTF; e, por conseguinte, está considerando o valor total do DARF pago totalmente utilizado na sua própria apuração. 05 Na verdade, o que não foi observado tanto no voto quanto no acórdão nº 3802003.346, foi a necessidade de desoneração da multa moratória, tendo em vista que houve a efetiva compensação. Na sequência, depois de fazer sua análise sobre os procedimentos de compensação a partir da IN SRF nº 21/97, questiona "como poderia a Requerente protocolar o PER/DCOMP na data do vencimento do tributo, se a disponibilização do programa e as instruções para preenchimento do Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) somente foi disponibilizada após o vencimento da obrigação?". E ressalta que não teria sido enfrentada no acórdão a questão atinente à aduzida impossibilidade de a embargante protocolar declaração de compensação com base nas determinações da IN SRF nº 210/2002. Defende que "na época do vencimento do tributo e do envio do PER/DCOMP [...] não existia uma determinação legal para entrega na data de vencimento do tributo". Por fim, ressalta a embargante que a Nota Cosit nº 1, de 18/01/2012, decidiu pela validade da aplicação dos efeitos da denúncia espontânea nas hipóteses de extinção do pagamento por compensação tributária. Diante do exposto, requer a embargante o conhecimento e o provimento dos presentes embargos, com fulcro no "pronunciamento sobre as omissões expostas e sobre a denúncia espontânea". É o relatório. Voto A ciência da decisão recorrida se deu em 13/05/2015 (efls. 137). Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 18/05/2015 (efls. 140). Assim, considerando o disposto no artigo 5º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 70.235/721, resta claro que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015). Há, pois, que se conhecer da petição em tela. Conforme relatado, vêse que a embargante procura rediscutir o pleito inerente ao pedido de compensação objeto dos autos, alicerçada em suposta omissão no acórdão no que concerne à "necessidade de desoneração da multa moratória, tendo em vista que houve a efetiva compensação", bem como quanto à questão atinente à aduzida 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901830/200631 Acórdão n.º 3301002.743 S3C3T1 Fl. 0 4 impossibilidade de a embargante protocolar declaração de compensação com base nas determinações da IN SRF nº 210/2002. Não obstante, todos os argumentos suscitados pela recorrente foram devidamente tratados na decisão vergastada, de forma que não há nenhuma omissão passível de saneamento mediante embargos de declaração. Isso e válido também quanto à reclamada caracterização de denúncia espontânea. O seguinte trecho do voto condutor da decisão recorrida demonstra que as supostas omissões guerreadas não ocorreram. Confirase: O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901830/200631 Acórdão n.º 3301002.743 S3C3T1 Fl. 0 5 Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901830/200631 Acórdão n.º 3301002.743 S3C3T1 Fl. 0 6 Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 432 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Também comungo com as razões de decidir da instância a quo em relação aos pedidos de retificação de DARF e de PER/DCOMP, que devem ser dirigidos à unidade jurisdicionante do sujeito passivo, sendo digno de nota o fato de o recolhimento indicado no PER/DCOMP (DARF de filial) já ter sido alocado, não estando, pois, disponível para compensação. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) 2 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901830/200631 Acórdão n.º 3301002.743 S3C3T1 Fl. 0 7 Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Diante do que foi acima exposto vêse que nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF3, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição", e que a embargante, com sua argumentação, vislumbra, na verdade, rediscutir o direito, o que é inadmissível em sede de embargos de declaração. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de vício que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 26 de janeiro de 2016. Francisco José Barroso Rios – Relator 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720001/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DESRESPEITO A CAPACIDADE ECONÔMICA DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA.
Constatada a omissão de receita perpetrada pelo contribuinte, apresenta-se insubsistente qualquer alegação de ofensa à capacidade econômica do contribuinte.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COMPROVADA. LIMITE DE RECEITA ULTRAPASSADO. PROCEDÊNCIA.
Não há que se falar em suspensão dos Atos Declaratórios de Exclusão quando motivados por excesso de receita bruta, apurado em procedimento de fiscalização, cujos lançamentos estão sendo mantidos também.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. OMISSÃO DE RECEITA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE INTENÇÃO DO SÓCIO.
A ação ou ausência de ação (omissão) em descumprir a obrigação de manter escrituração regular de seus negócios leva ao necessário reconhecimento e mantença da responsabilidade dos sócios.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente.
Numero da decisão: 1201-001.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator.
EDITADO EM: 25/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada)
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DESRESPEITO A CAPACIDADE ECONÔMICA DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA. Constatada a omissão de receita perpetrada pelo contribuinte, apresenta-se insubsistente qualquer alegação de ofensa à capacidade econômica do contribuinte. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COMPROVADA. LIMITE DE RECEITA ULTRAPASSADO. PROCEDÊNCIA. Não há que se falar em suspensão dos Atos Declaratórios de Exclusão quando motivados por excesso de receita bruta, apurado em procedimento de fiscalização, cujos lançamentos estão sendo mantidos também. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. OMISSÃO DE RECEITA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE INTENÇÃO DO SÓCIO. A ação ou ausência de ação (omissão) em descumprir a obrigação de manter escrituração regular de seus negócios leva ao necessário reconhecimento e mantença da responsabilidade dos sócios. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15956.720001/2011-13
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572573
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.263
nome_arquivo_s : Decisao_15956720001201113.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 15956720001201113_5572573.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente. (Assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator. EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada)
dt_sessao_tdt : Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6302694
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125536468992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.720001/201113 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.263 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2016 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES E OUTRAS Recorrente JOSÉ ELIZIO DE MORAES & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 NULIDADE. DESRESPEITO A CAPACIDADE ECONÔMICA DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA. Constatada a omissão de receita perpetrada pelo contribuinte, apresentase insubsistente qualquer alegação de ofensa à capacidade econômica do contribuinte. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COMPROVADA. LIMITE DE RECEITA ULTRAPASSADO. PROCEDÊNCIA. Não há que se falar em suspensão dos Atos Declaratórios de Exclusão quando motivados por excesso de receita bruta, apurado em procedimento de fiscalização, cujos lançamentos estão sendo mantidos também. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. OMISSÃO DE RECEITA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE INTENÇÃO DO SÓCIO. A ação ou ausência de ação (omissão) em descumprir a obrigação de manter escrituração regular de seus negócios leva ao necessário reconhecimento e mantença da responsabilidade dos sócios. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 01 /2 01 1- 13 Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente. (Assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator. EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada) Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em face de acórdão da DRJ que manteve os lançamentos efetuados, conforme demonstrativo abaixo: TRIBUTO VALOR DO TRIBUTO VALOR DOS JUROS DE MORA VALOR DA MULTA VALOR TOTAL IRPJ 28.715,40R$ 13.833,99R$ 41.842,53R$ 84.391,92R$ PIS 21.031,17R$ 10.130,06R$ 30.643,42R$ 61.804,65R$ CSLL 28.715,40R$ 13.833,99R$ 41.842,53R$ 84.391,92R$ COFINS 84.822,23R$ 40.889,31R$ 123.603,57R$ 249.315,11R$ INSS 244.926,20R$ 118.031,54R$ 356.898,30R$ 719.856,04R$ Além disso, o acórdão manteve a aplicação da multa de 75% sobre a insuficiência de recolhimento referente às receitas declaradas, bem como, manteve também, a aplicação da multa de 150% sobre a omissão de receita, tendo em vista que o contribuinte, reiteradamente, escriturou e declarou receita menor do que a real, configurando o intuito de sonegar tributos. Inclusive, foi apresentada a representação fiscal para fins penais e foram lavrados termos de sujeição passiva solidária em nome dos sócios com base no art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN). E por último, a decisão atacada manteve os efeitos dos Atos Declaratórios Executivos nº 64 e 65, de 2011, excluindo o contribuinte da sistemática do Simples Federal e Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2007, por ter auferido receita bruta superior a R$ 2.400.000,00. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso alegando, praticamente, os mesmos fundamentos da impugnação: Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.720001/201113 Acórdão n.º 1201001.263 S1C2T1 Fl. 3 3 que o auto de infração deve ser julgado improcedente por ser nulo de pleno direito, uma vez que fere os artigos 145, § 1º, e 150, IV, da Constituição Federal e também aos seus princípios. Os agentes fiscais não levaram em consideração a atividade econômica, os rendimentos e o patrimônio do contribuinte, fazendo da exigência um verdadeiro confisco; que é improcedente qualquer tributação que tenha como fato gerador ou base de cálculo exclusivamente depósitos bancários. O valor consignado no extrato bancário como “depósito” não se caracteriza como renda, nos termos do art. 43, I e II do Código Tributário Nacional (CTN). Referido artigo não institui qualquer presunção, seja legal ou simples, uma vez que, apenas, determina claramente quais são os fatos geradores do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza; que o art. 161 do CTN limita os juros de mora a 1% ao mês, salvo disposição legal expressa em contrário. A taxa de juros prevista no art. 192, § 3º, da CF deve ser aplicada independentemente da expedição de normatividade integradora, pois se cuida de norma constitucional de eficácia plena, de aplicabilidade imediata; que pelo que consta na página 07 do Termo de Conclusão da Ação Fiscal, item 2, que a “presunção legal” invocada pelo fiscal para aplicação do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e, consequentemente, da multa de 150%, é decorrente de sua interpretação subjetiva e fiscalista da legislação e dos fatos, pois não restou comprovada qualquer ação ou omissão dolosa da impugnante tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, já que todo o faturamento encontravase lastreado em notas fiscais regular e tempestivamente emitidas e, por culpa e não dolo comprovado, parcialmente não escrituradas; que se restar decidido pela aplicação da multa agravada, esta deve ser aplicada tão somente sobre as “presumidas receitas” decorrentes da movimentação bancária, discriminadas na coluna “B” do quadro “totais mensais das omissões de receita” (fl.05 do Termo de Conclusão da Ação Fiscal), e não sobre os valores das notas fiscais regular e tempestivamente emitidas e, por lapso, não escrituradas; que a multa deve ser reduzida para valores razoáveis, para que não tenha caráter confiscatório, devendose observar o disposto no art. 112 do CTN. A redução da multa de 75% para 2% é feita, por equidade, com base na legislação comercial que, hoje, não reconhece quaisquer multas, inclusive moratórias, em percentuais de 10% ou 20%, em face da atual política econômica do país, chegando a ser ilegal cláusula contratual que assim estipule; que é improcedente a sua exclusão do simples, pois sendo excluído o movimento bancário da receita, o contribuinte estará dentro do limite de R$ 2.400.000,00, mesmo se for considerado as notas fiscais que deixaram de ser informadas na DIPJ, conforme demonstrativo de fl.4 do Termo de Conclusão da Ação Fiscal; que são improcedentes os Atos Declaratórios Executivos 64 e 65, devendo seus efeitos ser suspensos até julgamento final da presente impugnação; que é improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra Neide Maria Franzin de Moraes, sócia da empresa impugnante, uma vez que não ficou comprovado que aquela tenha agido com excesso de mandato ou que tenha infringido qualquer legislação. Não houve a desconsideração da personalidade jurídica da impugnante para que Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 seja autorizado o lançamento das obrigações da pessoa jurídica em nome pessoal de seus sócios diretores e proprietários; que é improcedente a representação fiscal para fins penais, pois não ficou comprovado o dolo. Ainda que venha a ser reconhecida alguma omissão, será ela decorrente de lapso ou desconhecimento, cabendo ao fisco o ônus da prova de fraude; e A contribuinte Neide Maria Franzin de Moraes intimada em razão de Sujeição Passiva Solidária, apresentou impugnação de fls.877 a 889, trazendo as mesmas alegações acima transcritas. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais, portanto, deve ser apreciado. Preliminar Nulidade Alega o contribuinte que o presente auto é nulo, isto porque, não teria sido observada a capacidade econômica contributiva do contribuinte. Destacase que no presente caso, a autoridade fiscal agiu rigorosamente nos limites da lei, procurando atingir a finalidade legal que é a busca do interesse público, não constatando, em seu procedimento, qualquer ofensa às normas constitucionais ou infraconstitucionais, portanto, não há que se falar em nulidade. Além do mais, a constatada omissão de receita perpetrada pelo contribuinte, conforme será mais detalhadamente abordada, somente enfraquece qualquer alegação de ofensa à capacidade econômica do contribuinte. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Mérito Exclusão do Simples É infundada a alegação do contribuinte de que a sua exclusão do simples é improcedente, isto porque restou amplamente comprovado nos autos que ele omitiu receitas relativas aos depósitos bancários de origem não comprovada e às notas fiscais emitidas e não escrituradas, consequentemente, constatouse também que a soma da receita omitida excedeu o limite determinado pela norma do Simples Nacional. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.720001/201113 Acórdão n.º 1201001.263 S1C2T1 Fl. 4 5 Notase que não se trata de apenas um lapso, como quer fazer acreditar o contribuinte, mas sim de uma verdadeira intenção de omitir receita de forma reiterada. Tanto é verdade que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse alterar tal constatação, trouxe apenas alegações. Portanto, não há que se falar em suspensão dos Atos Declaratórios de Exclusão, uma vez que foram motivados por excesso de receita bruta, apurado em procedimento de fiscalização, cujos lançamentos estão sendo mantidos também. Omissão de Receitas e Insuficiência de Recolhimento Conforme mencionado no item anterior, ficou constatado nos autos que o contribuinte omitiu receitas relativas aos depósitos bancários de origem não comprovada e às notas fiscais emitidas e não escrituradas, sendo, portanto, legítima a cobrança de tributos componentes do Simples calculados sobre a diferença não declarada. Uma vez constatado a omissão de receitas, devese ser mantida a aplicação da multa de 75%, percentual mínimo aplicado no lançamento de ofício. Incabível o pedido de redução dos percentuais da multa, pois, a aplicação do percentual de 75% decorre de expressa previsão legal de natureza de Direto Público e não Privado, sendo assim, não cabia à autoridade fiscalizadora e nem cabe aos julgadores deste Conselho, a redução do percentual. Depósitos Bancários Em relação à omissão de receita apurada com base em depósitos bancários, trago como fundamento o contido na Súmula CARF nº 26, assim, ao Fisco basta apenas demonstrar o indício da omisssão de receita, enquanto que ao contribuinte cabe rechaçar todos os indícios, com provas consistentes, sob pena de serem presumidos verdadeiros, senão vejamos: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Em outras palavras, reputase verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. Neste ponto, cabe ressaltar que o Contribuinte trouxe diversas alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade da presunção de omissão de receita baseada em movimentação bancária, contudo, falhou na tarefa de trazer provas que refutassem a presunção prevista em lei. No mesmo sentido, afasto por conseqüência lógica, a singela alegação do contribuinte de que caberia ao Fisco provar a origem dos depósitos bancários, vez que a previsão legal contida no art. 42 da Lei n. 9.430/96. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 Matéria não impugnada Quanto à matéria não impugnada, constatase que o contribuinte, realmente, não impugnou a omissão de receita apurada com base nos valores das notas fiscais emitidas e não escrituradas. A singela alegação de que as omissões cometidas decorreram de um lapso ou de um desconhecimento não afasta, contudo, a preclusão do seu direito de impugnar esta matéria. Assim, deve ser mantido o lançamento baseado nas notas fiscais emitidas pelo contribuintes e não escrituradas e declaradas. Sujeição Passiva Solidária O contribuinte e a própria Sra. Neide Maria Franzin de Moraes, contra a qual foi lavrado termo de Sujeição Passiva Solidária, alegam que a responsabilização desta última deveria ser afastada, isto porque, o Fisco não conseguiu provar o seu envolvimento. Contudo, tal entendimento não deve prosperar, senão vejamos: Neide Maria Franzin é sócia e consta em contrato social, portanto, a sua ação ou ausência de ação (omissão) em descumprir a obrigação de manter escrituração regular de seus negócios, uma vez que escrituraram apenas parte das notas fiscais emitidas leva ao necessário reconhecimento e mantença de sua responsabilidade. Nos presentes autos, restou claro ter trazido a autoridade fiscal, provas indiciárias da omissão de receita, seja decorrente de movimentação financeira de origem não comprovada, ou relacionada à ausência de escrituração de notas fiscais. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, coerentes e convergentes. Neste sentido e considerando que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente, não restam dúvida sobre o acerto do combatido Termo de Sujeição Passiva Solidária, devendo esta ser mantida. Inconstitucionalidade Em sua defesa, o contribuinte apresentou artigo técnico sobre princípios constitucionais, onde trazia o entendimento de que seria possível a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo por Tribunais Administrativos Fiscais. Entretanto, ressaltase que, este respeitável Conselho Administrativo Federal sumulou o entendimento de que é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade das leis, in verbis: Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.720001/201113 Acórdão n.º 1201001.263 S1C2T1 Fl. 5 7 Portanto, somente o Poder Judiciário possui competência privativa, atribuída pela Constituição Federal, para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. Multa Qualificada O contribuinte impugnou a multa de 150% alegando que não ficou comprovada a conduta dolosa, que se tratava de um verdadeiro confisco e, requereu a sua exclusão ou redução. Ressaltase que no presente caso, constatouse que o contribuinte auferiu receita por meio de notas fiscais e depósitos bancários não registrados contabilmente e nem declarados ao Fisco. O contribuinte praticou tal conduta, reiteradamente, durante todo o ano calendário de 2006, pois desta forma, poderia se manter, indevidamente, no Simples. Portanto, tal conduta revelou a intenção de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Ficou constatado o propósito de fraudar o Fisco, tendo sido correta a aplicação da multa de 150%. Com relação à solicitação de redução da multa aplicada, por entender ter caráter confiscatório. Cabe aclarar que a multa aplicada tem fundamento em norma compatível com a Constituição Federal e, possui natureza de Direito Público e não Privado, portanto, não há que se falar em confisco e muito menos em redução. Juros de Mora O Contribuinte alega que os juros de mora aplicados com base na Taxa Selic são indevidos, isto porque ultrapassam o limite constitucional, devendo ser recalculado. Já em sede de Recurso, o Contribuinte alega que o respeitável acórdão foi omisso com relação da incidência ou não dos juros a multa de ofício. Com acerto, o respeitável acórdão manteve o entendimento sumulado de que são exigíveis os juros moratórios com base na Taxa Selic, senão vejamos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. E ainda, com relação a nova argumentação trazida pelo contribuinte em sede recursal, qual seja, a incidência dos juros sobre a multa de ofício, cabe ressaltar que, caso o contribuinte tivesse analisado o demonstrativo do cálculo dos débitos cobrados que fazem parte do corpo do auto de infração, teria constatado que tais juros não incidem sobre a multa de ofício, portanto, infundada esta alegação. Diante do exposto acima, CONHEÇO dos Recursos apresentados para afastar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO, devendo ser mantido o crédito tributário exigido e o termo de sujeição passiva solidária lavrado. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 É como voto. (Assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.003407/2002-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
RESSARCIMENTO DE IPI. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. DILIGÊNCIA FISCAL QUE RECONHECE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS.
Uma vez realizada diligência fiscal por meio da qual a Autoridade Administrativa expressamente reconhece que cabe ao contribuinte o aproveitamento do saldo credor de IPI acumulado, impõe-se a procedência do Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3201-002.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO DE IPI. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. DILIGÊNCIA FISCAL QUE RECONHECE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. Uma vez realizada diligência fiscal por meio da qual a Autoridade Administrativa expressamente reconhece que cabe ao contribuinte o aproveitamento do saldo credor de IPI acumulado, impõe-se a procedência do Recurso Voluntário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10875.003407/2002-23
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5571592
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.004
nome_arquivo_s : Decisao_10875003407200223.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 10875003407200223_5571592.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6296410
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125544857600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 370 1 369 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.003407/200223 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.004 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria IPI Recorrente LABORATORIOS PFIZER LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO DE IPI. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. DILIGÊNCIA FISCAL QUE RECONHECE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. Uma vez realizada diligência fiscal por meio da qual a Autoridade Administrativa expressamente reconhece que cabe ao contribuinte o aproveitamento do saldo credor de IPI acumulado, impõese a procedência do Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 34 07 /2 00 2- 23 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls. 304 /310). Por bem abordar a questão, transcrevo o relatório constante do referido acórdão: A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com fulcro na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, no que concerne ao período em epígrafe, no importe de R$192.037,64. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, SP, com base em informação fiscal, indeferiu o pleito e não homologou as compensações vinculadas, porque não houve esgotamento do saldo credor existente na escrita fiscal em 31/12/1998, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, art. 5º, § 3º; por outro lado, fabricante de produtos não tributados (NT), a contribuinte deixou, quanto ao trimestre em tela, de efetuar os estorno das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados nos produtos NT, conforme a IN SRF nº 33, de 1999, art. 2º, § 3º. Na informação fiscal é relatado, pela autoridade incumbida das averiguações, que, intimada a apresentar um demonstrativo de esgotamento do saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, entre outras coisas (justificativa de aproveitamento de créditos sob a rubrica “Outros Créditos”, com CFOP 4.99), a empresa deixou de apresentar os elementos solicitados e de prestar os esclarecimentos indispensáveis. Insatisfeita com a decisão administrativa, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade, instruída com cópias do livro Registro de Apuração do IPI e de documentos comprobatórios de compensação, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. O pedido de ressarcimento diz respeito apenas a créditos de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos com alíquota zero; 2. Os créditos referentes ao saldo credor do IPI existente em 31/12/1998 foram objeto de pedido de ressarcimento e compensação já liquidado pelo órgão fazendário competente, com o devido estorno no livro Registro de Apuração do IPI, conforma cópias anexadas à manifestação; 3. Que a “sobra” relativa ao saldo credor de foi estornada conforme cópia juntada do livro; 4. Os valores irrisórios de créditos referentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados à industrialização de produtos NT são segregados do saldo credor do imposto e posteriormente estornados, não sendo utilizados os Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10875.003407/200223 Acórdão n.º 3201002.004 S3C2T1 Fl. 371 3 créditos na escrita fiscal ou incluídos em pedidos de ressarcimento; 5. A matéria constante do pleito é regida pela Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, que inovou o assunto (possibilidade de do crédito de IPI nas compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados em produtos tributados com alíquota zero, sendo possível a compensação), e não pelo RIPI/98; Por fim, é requerido o acolhimento da manifestação de inconformidade para a reforma do Despacho Decisório, com o conseqüente deferimento do pedido de ressarcimento e a homologação das compensações. Em seu Recurso Voluntário (fls. 314/330) a Recorrente reiterou os termos de sua impugnação. Os autos foram remetidos a esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por meio de Resolução nº 3102000.229 de 24 de outubro de 2012 (fls. 338/341), determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Como demonstrado no relato acima, a discussão travada é sobre a existência de crédito de IPI, assim em atenção as questões postas, decidese a conversão do julgamento em Diligência para determinar que os autos retornem a unidade origem, autorizando a recorrente a realizar uma nova escrituração nos termos da IN nº 33/1999, apurando o crédito objeto do ressarcimento, identificando os produtos não tributados. Em seguida, após ser emitido parecer da fiscalização, o contribuinte de ser intimado para manifestação no prazo de 30(trinta) dias, em seguida os autos devem retornar ao CARF e ser cientificada Procuradoria da Fazenda Nacional. Por conseguinte, foi elaborada, pela Delegacia da Receita Federal em GuarulhosSP a Informação Fiscal de fls. 350/352, com a seguinte conclusão: Desta forma, com base na Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, e nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779/99, entendo, que cabe ao contribuinte o aproveitamento do saldo credor de IPI acumulado no 4º trimestre do anocalendário 2000, no montante de R$ 192.037,64. (cento e noventa e dois mil, trinta e sete reais e sessenta e quatro centavos), conforme pleiteado através da formalização do Pedido de Ressarcimento constante do processo nº 10875.003.407/200223. Diante disso, proponho o encaminhamento ao SECAT, desta DRF, para ciência deste termo ao contribuinte, conforme pela Resolução nº 3102000.229 / 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 24/10/2012, e posterior envio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Era o que tinha a informar. Foi dada ciência ao contribuinte acerca da informação fiscal, tendo este deixado de se manifestar. Após, os autos foram novamente remetidos a este CARF e a mim redistribuídos em face da renúncia da Conselheira Relatora originária. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do Relatório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos, em resposta à solicitação de diligência efetuada por este CARF, reconheceu a totalidade do crédito objeto do pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente: Pelo exposto, nos termos da Informação Fiscal de fls. 350/352, transcrita no relatório e parte integrante também da fundamentação, voto por dar provimento a Recurso Voluntário interposto para confirmar a totalidade do crédito de IPI pleiteado. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
