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Numero do processo: 13820.000940/2001-86
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.642
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10380.008919/2006-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2000
DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
Inexistindo pagamento antecipado, devem ser aplicadas as regras contidas no art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos começa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário: 2000
MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Deve ser mantida a multa regulamentar aplicada no caso de informações falsas sobre rendimentos pagos e imposto de renda retido na fonte, prestadas pela pessoa física na Declaração de Ajuste Anual.
Preliminar de Decadência Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.404
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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NÃO OCORRÊNCIA. Inexistindo pagamento antecipado, devem ser aplicadas as regras contidas no art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos começa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Deve ser mantida a multa regulamentar aplicada no caso de informações falsas sobre rendimentos pagos e imposto de renda retido na fonte, prestadas pela pessoa física na Declaração de Ajuste Anual. Preliminar de Decadência Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 03/07) para exigência de crédito tributário no valor de R$ 25.103,88, com fundamento no artigo 86, § 4°, da Lei n° 8.981, de 1995. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal constantes da peça de autuação, a autoridade fiscal apurou infração à legislação tributária, em face da utilização de informações falsas sobre rendimentos e imposto de renda retido na fonte, o que resultou na aplicação de multa regulamentar de 300% (trezentos por cento). Cientificada do lançamento em 19/09/2006, conforme documento à fl. 25, a contribuinte apresentou impugnação em 18/10/2006, fls. 27/30, por meio de seu procurador (doc. procuração à fl. 33), com a seguinte argumentação: Dos Fatos no dia 07 de Março de 2006, Eu, JOSÉ ANTÔNIO DOS SANTOS JÚNIOR, Brasileiro, contador, Portador do CPF n° 247.071.20334, na qualidade de responsável pela movimentação financeira da contribuinte acima citada, compareci a Delegacia da Receita Federal aqui em Fortaleza e prestei as seguintes informações: 1) Informei aos Srs. Auditores responsáveis pela fiscalização que eu (José Antônio dos Santos Júnior) era o responsável pela movimentação financeira em referência, tendo em vista que, estava, na época com restrições cadastrais e não tinha como possuir conta bancária, e assim sendo solicitei da Sra. Kátia Roseany a permissão para utilização da sua conta bancária; 2) Informei também que procurei a Receita Federal para obter informações de como proceder para efetuar a referida declaração, e expondo a situação, fui informado, na época, que deveria efetuar a declaração de renda de acordo como os fatos aconteceram, ou seja: embora a movimentação financeira tenha sido de minha responsabilidade, teria que informar estes rendimentos na Conta onde.foram feitas as movimentações, no caso, a conta da Sra. Kátia Roseany; 3) Comuniquei também, aos Srs. Auditores, que os serviços prestados, na época, não tinham nenhum vínculo empregatício, uma vez que trabalhava com a prestação de serviços e a remuneração se dava a base de produção, e devido a este fato não tinha como comprovar estas informações solicitadas, ou seja: Não tinha carteira profissional assinada, ContraCheque, ou qualquer outro vínculo empregatício que pudesse comprovar esta realidade. 4) Diante do exposto acima também informei aos Srs. Auditores que, uma vez que não possuía mais os referidos recibos, a única forma de comprovar seria através das informações de posse da própria Receita Federal, ou seja: através dos recolhimentos da CPMF relativa as retenções da referida contribuição na conta corrente, e que assim Fl. 79DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10380.008919/200671 Acórdão n.º 280101.404 S2TE01 Fl. 75 3 poderiam ser confirmadas as informações prestadas na Declaração de renda exercício 2001, anocalendário 2000; 5) Informei também aos Srs. Auditores que, não estava mais de posse dos referidos recibos, exigidos pelos mesmos, tendo em vista que: Na época obtive informações que o prazo exigido para a guarda dos referidos documentos eram de 05 (cinco) anos e até o processamento da declaração, fato ocorrido em 2002 quando do processamento final da declaração objeto do Auto de Infração; 6) Quando da solicitação da apresentação dos recibos citados acima, e após a informação de que não os mais possuía (descrição acima citada 5), não houve o comprometimento de retorno por minha parte, como citado no Auto de Infração, uma vez que no próprio instante houve a informação prestada aos Srs. Auditores que não tinha mais como conseguir por alguns motivos (já citados acima) entre eles e outros, o fato da empresa, fonte pagadora, não estar mais em operação; Do Direito Da Preliminar Durante o ano base (relativo a Multa do Auto de Infração) houve a prestação de serviços, sem vínculo empregatício, da pessoa do Sr. José Antônio dos Santos Júnior, e que pelo fato de não poder, na época, possuir conta bancária para a movimentação dos seus rendimentos, teve que utilizar a Conta da Sra. Kátia Roseany, para tal movimentação e assim sendo e conforme orientação, na época, da própria Receita Federal, quando da prestação de contas do Imposto de Renda, teve que informar esta movimentação como de fato aconteceu, ou seja: Como os créditos entraram na contas do Contribuinte em referência, os rendimentos deveriam ser informados na sua declaração, fato este tão verdadeiro que na época teve que ser feita uma declaração retificadora para corrigir os fatos, uma vez que os valores declarados originalmente foram feitos de forma irregular, pois, volto a afirmar, os rendimentos deveriam ser informados originalmente na pessoa que havia recebido os valores na conta, e assim sendo foi feita uma declaração retificadora, conforme orientação da própria Receita Federal, para regularizar tão informação, e assim ocorrendo houve o processamento da declaração retificadora dando como concluído o processo de informações de dados de rendimentos. A falta de apresentação dos recibos solicitados pelos Srs. Auditores deuse pelo fato de não mais os possuir devido a informação também prestada, pela Receita Federal, que o prazo de guarda dos mesmos era de apenas 05 (cinco) anos e também uma vez que não tendo mais como conseguir junto a empresa (fonte pagadora), tendo em vista o fato da mesma não estar mais em operação. Do Mérito Uma vez exposto os fatos acima, e conforme o próprio Auto de Infração afirmar que a empresa (fonte pagadora) informou a DIRF para o ano calendário 2000, os valores foram devidamente informados e portanto sendo da empresa a responsabilidade pelo repasse destes valores e não do contribuinte que já teve deduzido dos seus recebimentos os valores Fl. 80DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 4 devidos ao Imposto de Renda, punindo o contribuinte (pessoa física) assim a recolher novamente os valores já deduzidos do mesmo e mais uma Multa de 300% (trezentos por cento) como penalidade pelas informações prestadas. Foi informado também, no Auto de Infração supra, que os valores informados na declaração da Sra. Kátia Roseany são fictícios, o que discordamos, uma vez que poderá ser comprovado pela Receita Federal que a movimentação foi verdadeira, bastando para isso efetuar uma pesquisa no recolhimento da CPMF do período do exercício, não podemos comprovar tão informação tendo em vista que não temos acesso a esta informação, sendo confidencial a Delegacia da Receita Federal. Quero informar também que em momento nenhum foi informado aos Srs. Auditores responsáveis pelo Auto de Infração que os rendimentos auferidos reportaramse a valores recebidos por serviços prestados, através de facção, pela empresa José Antônio dos Santos JúniorME, CNPJ 72.237.647/000142, e pago pela empresa ACAJ FASHION, CNPJ 03.635.577/000168, foi sim informado aos Srs. Auditores responsáveis pelo Auto de Infração que o Sr. José Antônio possuía uma empresa, e esta tinha como Razão social o nome de José Antônio dos Santos JúniorME, CNPJ 72.237.647/000142, e que a mesma estava sem movimentação a muito tempo. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: a) Discordamos do Fato de ser informado no AUTO DE INFRAÇÃO que não houve o comparecimento do responsável pela movimentação financeira a Receita Federal, uma vez que no próprio Auto de infração consta a informação da presença, dia 07.03.2006, o Sr. José Antônio dos Santos Júnior responsabilizandose pela movimentação efetuada e foram solicitadas; b) Outro fato que discordamos diz respeito à informação passada no Auto de Infração de que os valores recebidos eram relativo a serviços prestados, através de facção, pela empresa José Antônio dos Santos JúniorME e pagos pela empresa ACAJ FASHION, quando na realidade a informação passada foi a que a empresa José Antônio dos Santos JúniorME era de propriedade do Sr. José Antônio dos Santos Júnior e que a mesma não estava em funcionamento a tempos; c) Discordamos também da afirmação constante do Auto de Infração que concluiu que os valores informados na Declaração do Imposto de Renda Retido na FonteDIRF apresentada pela Fonte Pagadora e a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física da Contribuinte são fictícios, uma vez que para confirmar que os valores apresentados são verdadeiros, basta para tanto, efetuar pesquisas nas movimentações da CPMF dos contribuintes, entre outros controles privativos da Receita Federal; d) Gostaríamos também de impugnar este Auto de Infração tendo em vista que, segundo os Srs. Auditores responsáveis pela multa imposta, a contribuinte se beneficiou de informação, sabendo ou devendo saber da sua falsidade, e assim foi aplicado a multa de 300% (trezentos por cento), o que não concordamos com esta afirmação e discordamos conforme fatos outros expostos nesta impugnação. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10380.008919/200671 Acórdão n.º 280101.404 S2TE01 Fl. 76 5 e) Também não foi informado detalhadamente os valores originários do Auto de Infração, apenas foi colocado como base a data de 22.11.2002 e o valor da Multa Regulamentar de RS 25.103,88, não tendo sido informado detalhadamente a base de cálculo para este valor nem qual o valor original para servir como base para o cálculo da multa regulamentar. Ao apreciar o litígio, a 1a Turma de Julgamento da DRJ/Fortaleza decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/FOR nº 0811.598, de 19/09/2007, às fls. 37/46, para considerar devida a multa exigida nos autos. Com a ciência da decisão de primeira instância ocorrendo em 23/10/2007, nos termos do Aviso de recebimento AR à fl. 50, a contribuinte interpôs em 21/11/2007 o Recurso Voluntário às fls. 51/57, reiterando as razões de fato e de direito postas na impugnação, e alegando ainda que: ocorreu a decadência do lançamento, pois o fato gerador aconteceu em 2000, e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado foi o dia 1º de maio de 2001, findando o prazo em 30 de abril de 2006, sendo que o Auto de Infração foi lavrado em 14 de Setembro de 2006; também já estava alcançado o prazo decadencial para que tivesse a obrigação da guarda dos devidos recibos; são equivocadas as conclusões destacadas no acórdão recorrido, especialmente quanto ao domicílio da contribuinte e ao local de funcionamento da empresa Antônio Carlos Almeida Júnior Serviços ME; desde o início afirma que o Sr. José Antônio dos Santos Júnior prestou serviços para a empresa Antônio Carlos Almeida Júnior Serviços – ME, e pelo fato de não possuir conta bancária para a movimentação financeira dos recebimentos recebidos na época, utilizou a minha conta, porém quando da prestação de contas relativo ao Imposto de Renda procurou a Receita Federal do Brasil para orientações de como poderia fazer a prestação de contas nesta situação, e assim, foi orientado para proceder conforme foi feito, ou seja, as informações deveriam ser prestadas isoladamente pelos contribuintes que receberam os créditos em suas contas; a Receita Federal lavrou auto de infração contra os contribuintes, afirmando que havia sido cometida uma fraude no processo por parte dos contribuintes, o que não é verdade, pois o que sabemos ser verdadeiro é o fato de que os serviços foram prestados a empresa (Antônio Carlos Almeida Júnior Serviços ACAJ FASHION) sem nenhum vínculo empregatício com a empresa, e que os valores eram pagos pelos serviços prestados com as devidas deduções fiscais (IR retido na fonte); não tinha como tomar conhecimento de que os valores não haviam sido repassados pela empresa ao Fisco, uma vez que o Sr. José Antônio dos Santos Júnior era apenas prestador de serviço para a mesma, e esperamos que a Receita Federal do Brasil cobre da empresa que reteve os valores e não repassou, e não dos Contribuintes que já foram deduzidos nos seus recebimentos os valores retidos, mesmo porque a própria empresa declarou, através das prestações de contas (por meio de DIRF), que reteve os valores, e como afirma o Auto de Infração, não repassou os recursos a Receita Federal; Fl. 82DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 6 não se beneficiou de informação falsa ou que deveria saber da sua falsidade, uma vez que o serviço foi prestado à empresa, a remuneração foi paga, os descontos e as retenções foram feitas, a empresa prestou declaração para o Fisco das informações de retenção de Imposto na Fonte, e não repassou os recursos para o Fisco; o que houve foi a apropriação indevida por parte da empresa dos valores retidos, e assim acontecendo, não cabe aos contribuintes arcarem com o ônus de uma multa de 300 % (trezentos por cento) em cima de afirmações de falsidade de informações prestadas ao Fisco, e sim caberia à Receita Federal do Brasil cobrar da empresa estes valores retidos na fonte; a base de cálculo para a cobrança dos valores devidos fora efetuada de maneira irregular como consta do acórdão recorrido. Ao final de sua defesa, a recorrente entende ter demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal, e assim, espera e requer seja acolhido o recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente alega que o crédito tributário teria sido alcançado pela decadência. Entretanto, razão não lhe assiste, pois, no presente caso, quanto ao prazo decadencial, aplicase o disposto no art. 173, inciso I, do CTN (ausência de pagamento prévio). Assim, referido prazo decadencial tem como termo inicial 01/01/2002 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado) e como termo final 31/12/2006. O Auto de Infração em apreço foi cientificado à contribuinte em 19/09/2006, conforme faz prova o documento à fl. 25, portanto, dentro do prazo de cinco anos estabelecido pela legislação de regência. No mais, a legislação tributária é bastante clara quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos referentes às informações prestadas na declaração de rendimentos, ocorridas ao longo do respectivo anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período. Rejeito, portanto, a preliminar de decadência suscitada. Quanto ao mérito, a autuada alega em sua defesa que não participou de nenhuma fraude contra a Receita Federal do Brasil, uma vez que os serviços haviam sido prestados pelo Sr. José Antônio dos Santos Júnior à empresa Antônio Carlos Almeida Júnior Serviços ACAJ FASHION, tendo sido pagas as remunerações com as suas devidas deduções e retenções, que eram de depositadas em sua conta bancária, razão pela qual apresentou sua declaração de rendimentos, tendo recebido a restituição do imposto que lhe cabia, e assim, entendeu encontrarse sem nenhuma pendência com o Fisco. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10380.008919/200671 Acórdão n.º 280101.404 S2TE01 Fl. 77 7 Para maior compreensão da questão posta nos autos, vale a pena transcrever o relato da autoridade fiscal constante da peça de autuação às fls. 03/07: “Este Serviço de Fiscalização iniciou os trabalhos analisando a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2001, anocalendário 2000, ND 03/34.233.029, da contribuinte acima mencionada, e constatouse que a mesma encontravase emitida com a restituição disponibilizada em 22/11/2002, e resgatada junto ao UNIBANCO. Na referida declaração consta como fonte pagadora à empresa Antônio Carlos de Almeida Júnior ME, CNPJ 03.635.577/000168, a qual, apesar de ter apresentado Declaração do Imposto de Renda da Retido na Fonte DIRF, para o anocalendário 2000, tendo a contribuinte como beneficiário, não consta, nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, recolhimento de imposto de renda retido na fonte para tal empresa. Foi elaborado Termo de Início de Ação Fiscal para a contribuinte. Apesar de ter tomado ciência do Termo, a mesma não compareceu a esta Delegacia da Receita Federal. Em virtude da contribuinte não ter comparecido a esta Delegacia da Receita Federal, foi realizada, em 06/03/2006, diligência a residência da Sra. Maria Ilce Martins Veras (mãe da contribuinte), localizada a Rua Dr. Manuel Teófilo, 230 – Vila Betânia – Fortaleza CE. Sra. Maira Ilce nos informou que o seu genro José Antônio dos Santos Júnior é o responsável pela elaboração das declarações dela e de sua filha Kátia Roseany. Em 07/03/2006 o Sr. José Antônio dos Santos Júnior compareceu a esta Delegacia da Receita Federal, apresentou cópia de sua carteira de identidade do Conselho Regional de Contabilidade CE, número de registro: CE017395/00 e, informou que os valores apresentados na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2001, anocalendário 2000, da Sra. Kátia Roseany Martins Aragão Veras reportamse a valores recebidos por serviços prestados, através de facção, por a sua empresa José Antônio dos Santos JúniorME (KAJU Fashion), CNPJ 72.237.647/000142, e pagos pela empresa Antônio Carlos de Almeida Júnior Serviços ME (ACAJ Fashion) , CNPJ 03.635.577/000168. O contribuinte comprometeuse de retornar para apresentar a documentação comprobatória dos rendimentos recebidos pela contribuinte e não o fez. Em 26/05/2006, comparecemos à Rua Inglaterra, 150 Casa 02 Itaperi FortalezaCe, endereço constante no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, com sendo da empresa Antônio Carlos de Almeida Júnior Serviços ME (ACAJ Fashion), CNPJ 03.635.577/000168, e CONSTATAMOS os fatos a seguir descritos: Inicialmente constatamos que no endereço acima, encontrase instalado um condomínio de casa e, segundo informações do Sr. Francisco Fabiano Alves Cassiano, Fl. 84DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 8 Identidade Nr. 98002092043, CPF 538.272.01349, data de nascimento 08/11/1973, porteiro do condomínio deste agosto de 2000, neste endereço nunca existiu fabrica de confecções e que nunca viu sair confecções do condomínio. Informou ainda, que na casa número 02 residem o Sr. Júnior (*), sua esposa Kátia e seu filho. (*) Como na diligência realizada a residência da Sra. Ilce Maria a mesma informou que o Sr. José Antônio dos Santos Júnior é casado com sua filha Kátia, concluímos que o Sr. Júnior informado pelo porteiro, na realidade se trata do Sr. José Antônio dos Santos Júnior. Como a empresa Antônio Carlos de Almeida Júnior ME, CNPJ 03.635.577/000168, constante como fonte pagadora nos rendimentos informados na declaração de imposto de renda da Sra. Kátia Roseany Martins Aragão Veras, do exercício 2001, não foi localizada e tendo em vista que o endereço constante nos cadastros da Secretaria da Receita Federal como sendo da empresa, na realidade é o endereço do Sr. José Antônio dos Santos Júnior, concluímos que os valores informados na Declaração do Imposto de Renda Retido na FonteDIRF apresentada pela empresa Antônio Carlos de Almeida Júnior ME, CNPJ 03.635.577/000168 e, os valores informados na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física do exercício 2002, anocalendário 2001, da Sra. Kátia Roseany Martins Aragão Veras são fictícios.” Diante do contexto acima, face à diligência fiscal empreendida, onde foi constatado “in loco” a real situação quanto ao endereço onde reside a contribuinte, verificandose ainda a inexistência, no endereço informado ao Fisco, da empresa Antônio Carlos Almeida Júnior Serviços ME (ACAJ Fashion) CNPJ 03.635.577/000168; perdem valor os argumentos da recorrente voltados a descaracterizar as conclusões emanadas na peça fiscal, uma vez que desacompanhados de qualquer elemento probante em contrário. A contribuinte reconhece que apresentou a Declaração de Ajuste Anual retificadora tratada nos autos, no entanto, alega que não teria se beneficiado de informação falsa, pois apenas informara na referida declaração os rendimentos recebidos, à época, pelo seu esposo, Sr. José Antônio dos Santos Júnior, por serviços prestados à empresa Antônio Carlos Almeida Júnior Serviços – ME, valores estes que teriam sido depositados em sua conta bancária. Todavia, a interessada não apresentou qualquer documentação que comprovasse o recebimento desses rendimentos, tampouco o imposto retido na fonte. Como se denota dos autos, a empresa Antônio Carlos Almeida Júnior Serviços ME, apontada como fonte pagadora desses valores, não foi localizada, e mais, restou evidenciado que o endereço dessa empresa constante nos cadastros da Receita Federal do Brasil é o mesmo da residência do Sr. José Antônio dos Santos Júnior e da recorrente. Como bem destacado na decisão a quo (fls. 44/45): i) a contribuinte não apresentou uma única prova sequer de que o seu esposo trabalhou na empresa Antônio Carlos Almeida Júnior Serviços – ME (ACAJ Fashion) CNPJ 03.635.577/000168, e de que o mesmo teria efetivamente recebido rendimentos dessa suposta fonte pagadora, e que, sobre tais valores teria sido feita alguma retenção de imposto de renda na fonte; Fl. 85DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10380.008919/200671 Acórdão n.º 280101.404 S2TE01 Fl. 78 9 ii) para o rendimento de R$ 2.100,00 (referente ao mês de fevereiro) informado na DIRF apresentada pela citada empresa, a retenção de imposto de renda na fonte esperada nos termos da legislação tributária seria de até R$ 217,50, no entanto, o valor da retenção que consta da referida declaração é bastante superior a essa quantia, ou seja, a retenção foi de R$ 789,50, sendo que tal informação se repetiu em todos os meses do ano calendário em apreço, com valores bem superiores ao que seria correto; iii) não obstante a interessada pudesse ter solicitado seus extratos bancários à instituição financeira na qual mantém contacorrente, onde estariam discriminados os valores que alega tratarem de rendimentos recebidos por seu esposo da suposta fonte pagadora (empresa Antônio Carlos Almeida Júnior Serviços – ME), nada trouxe à colação nesse sentido. Por fim, relativamente à base de cálculo da multa lançada, cabe ressaltar que, o lapso na redução, quanto ao valor considerado para exigência da penalidade, nenhum prejuízo ou cerceamento causou à recorrente, não tendo, portanto, o condão de infirmar o lançamento. Destarte, temse que o acórdão recorrido não merece reparos, devendo ser confirmados seus judiciosos fundamentos. Ante ao acima exposto, VOTO em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 86DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 13802.001391/95-67
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.584
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA. DRJ/SAL VADOR/BA R E S O L U ç Ã O Nº 301-1.584 • • •.' • • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos . RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. OTACÍLIO DAN Presidente ~ IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Relatora Formalizado em: 13J MA' 2006 • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Valmar Fonsêca de Menezes, Atalina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Henrique Klaser Filho. ccs Processo nO Resolução n° 13802.001391/95-67 301-1.584 RELATÓRIO • • • • • • • Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: "Trata-se de Auto de Infração, fls. 29/32, lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL . relativa aos períodos de apuração de novembro de 1991 a fevereiro de 1992, com base no art. 1°, S 1°, do Decreto-lei n° 1.940, de 25 de maio de 1982; arts. 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto nO92.698, de 21 de maio de 1986; art. 28 da Lei nO7.738, de 09 de março de 1989. 2. O auditor fiscal informa no Termo de Verificação de fl. 27 que as bases de cálculo da contribuição foram apuradas a partir das Declarações de Rendimentos do Imposto de Renda (fls. 02/13), sobre as quais foi aplicada a alíquota de 0,5%. Informa ainda que a contribuinte, nos autos do processo judicial n° 93.0031373-8, obteve liminar (fls. 15/16) autorizando a compensação de valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL com débitos da Cofins. 3. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 27/10/1995 (fl. 33) e apresenta, em 23/11/1995, a impugnação de fl. 36, alegando que o crédito tributário em litígio foi compensado nos termos da liminar e julgamento de mérito proferido nos autos do processo judicial nO93.0031373-8 . . 4. Em 01/03/2000, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo encaminhou o presente processo à DRF/SP para que a contribuinte fosse intimada a apresentar Certidão de Objeto e Pé e respectiva sentença - se houver - da ação judicial que intentou contra a Fazenda Nacional (fl. 47). 5. Embora devidamente intimada, inclusive por edital (fls. 50/52), a contribuinte não atendeu à SRF. Após despacho de fl. 53, e em face da transferência de competência para julgamento, prevista no anexo único da Portaria SRF n° 1.033, de 27 de agosto de 2002, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento." A DRJ-SalvadorlBA indeferiu e o pedido da contribuinte (fls. 37/40); nos termos da ementa transcrita adiante: 2 I• •J Processo n° Resolução nO 13802.001391/95-67 301-1.584 "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições . Período de apuração: 28/02/1991 a 31103/1992 Ementa: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não estando amparado em medida judicial apropriada e não se comprovando a existência de depósito judicial correspondente, não se reputa suspensa a exigibilidade do crédito tributário, cabendo, no caso de lançamento de oficio, o acréscimo de juros e multa. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos não definitivamente julgados, cabe reduzir a multa de lançamento de oficio para o percentual mais benéfico aprovado em legislação superveniente. • • !. I• Lançamento Procedente em Parte" Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls.46/50), aduzindo, em suma: - que efetuou depósito judicial dos valores relativos ao FINSOCIAL quando ingressou com a Medida Cautelar, em agosto de 199 I; - que, posteriormente, por ordem judicial, procedeu ao levantamento dos valores que excediam ao percentual de 0,5%; e - que não pode a autoridade administrativa exigir o pagamento da contribuição considerada inconstitucional pelos Tribunais Superiores e que, no caso, fez coisa julgada. Pede, ao final, a procedência do recurso . É o relatório. 3 • Processo n° Resolução n° 13802.001391/95-67 301-1.584 VOTO • • • • • • Conselheira, Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço . A teor do relatado, versam os autos sobre Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, para prevenir a decadência, em razão da falta de recolhimento do FINSOCIAL, relativo ao penodo de novembro de 1991 a fevereiro de 1992 . Compulsando-se os autos, verifica-se existir liminar concedida, em sede de mandado de segurança, assegurando à contribuinte o direito de efetuar a compensação das importâncias recolhidas a maior a título de Finsocial (fi. 15). Não vislumbrando nos autos elementos que possam .embasar decisão final inconteste, bem como, norteada pela busca pela verdade real como principio informador do processo administrativo fiscal - que clama de seus atores não se conformarem apenas com a verdade formal enquanto não esgotados todos os recursos para se conhecer a verdade real - voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora diligencie junto ao contribuinte, a fim de que sejam juntados aos autos os seguintes documentos: - Certidão de objeto e pé relativa à ação judicial interposta; e -cópias legíveis das principais peças processuais: petição inicial, sentença, trânsito em julgado da sentença, cópia da apelação e das contra-razões de apelação, bem como do acórdão prolatado e do seu trânsito em julgado. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2006 ~ lRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES- Relatora '. 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 10665.001391/2003-71
Data da sessão: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, poderão ser deduzidos os valores pagos a título de contribuição previdenciária oficial.
MULTA DE OFÍCIO.
Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3805-000.130
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, poderão ser deduzidos os valores pagos a título de contribuição previdenciária oficial. MULTA DE OFÍCIO. Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Recurso provido.
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Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, poderão ser deduzidos os valores pagos a título de contribuição previdenciária oficial. MULTA DE OFÍCIO. Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, notermos do voto do Relator.à\ 1,----1.) SIDNEY ( RR RROS Presidente e Exercício \J M 1 Processo n° 10665.001391/2003-71 53-TE05 Acórdão n.° 3805-00.130 Fl. 89 i et ,s r5rdin . , re RI s • IS Relator FORMALIZADO EM: 29 JUL 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho e Núbia Matos Moura (Suplente convocada). Relatório Trata-se de Auto de Infração, fls. 05 a 12, relativo ao Imposto de Renda sobre a Pessoa Física do exercício de 2002, ano-calendário 2001, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$3.428,73, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até julho de 2003. O lançamento se reporta aos dados informados na declaração de ajuste anual da interessada, retificadora, fls. 37 a 39, entre os quais foram alteradas as seguintes rubricas: i) rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas de R$ 34.260,29 para R$ 47.092,29 em decorrência de omissão dos rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Delfinópolis, CNR1 17.894.06410001-68, no valor de R$ 12.832,00; II) despesas com instrução de R$ 3.400,00 para R$ 1.700,00, por falta de comprovação. III) na declaração originariamente apresentada, fls. 32 a 34, foi apurado saldo de imposto a restituir de R$707,76. Devidamente cientificada do lançamento, através do Aviso de Recebimento - AR de fls. 26, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/02, na qual argumenta, em síntese, que: a) o fato de ser leiga em matéria de imposto de renda a obrigou a contratar os serviços profissionais de contabilista que julgava habilitado, tornando-se, infelizmente, vítima do ocorrido em sua declaração de rendimentos; b) o montante de R$ 47.092,29 (quarenta e sete mil, noventa e dois reais e vinte e nove centavos) lançado a título de rendimentos tributáveis está correto; c) faz jus à dedução da "Contribuição Aposentadoria — Lei do Estado de Minas Gerais n° 12.278/96" no valor de R$ 811,30, constante do comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora Secretaria de Estado de Recursos Humanos e Administração do Governo do Estado de Minas Gerais, CNPJ 18.715.607/0001-13, bem corno das despesas com instrução efetuada com a dependente Thalita Morais Corrêa, conforme documentos trazidos; 2 \'' Processo n° 10665.001391/2003-71 83-T E05 Acórdão n.° 3805-00.130 Fl. 90 d) como as falhas cometidas no preenchimento da declaração foram involuntárias, sem má-fé de sua parte, requer a alteração da multa de ofício para multa de mora. Instrui a impugnação com cópia da declaração de ajuste anual relativa ao exercício em questão, fls. 13 a 15, na qual elabora novos cálculos e apura saldo de imposto a pagar no valor de R$ 2.738,13. A autoridade julgadora de primeira instância, através das fls. 46/50, julgou procedente em parte o lançamento, conforme ementa que segue transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 Deduções da Base de Cálculo do Imposto. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, poderão ser deduzidos os valores pagos a titulo de contribuição previdenciária oficial. Multa de Oficio. Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Lançamento Procedente em Parte." • Inconformada com a r. decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 53/55, reiterando os mesmos argumentos de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro SANDRO MACHADO DOS REIS, Relator Ultrapassada a questão concernente à tempestividade do presente recurso, eis que protocolado dentro do prazo legalmente estabelecido, impende que analisemos seu mérito. Conforma já mencionado, decorre o presente processo de autuação fiscal procedida em razão de omissões de receitas por parte da ora Recorrente. Em sede de impugnação, a Recorrente reconhece a omissão de receitas, mas requer a dedução de despesas efetuadas ao longo do ano-calendário de 2001. A decisão recorrida acolhe a despesa denominada de "Contribuição Aposentadoria", por se tratar de despesa com a previdência. Porém, não admite deduzir as despesas, limitadas à R$ 1.700,00, com a educação da dependente Thaísa Morais Corrêa, filha da Recorrente, sob o argumento de que não estariam comprovados os dispêndios com a instituição de ensino. 3 Processo n° 10665.001391/2003-71 S3-TE05 Acórdão n.° 3805-00.130 Fl. 91 É exatamente contra esta não dedução dos valores gastos para prover a educação de sua filha Thaísa Morais Corrêa que se insurge a Recorrente. Ora, em análise de fls. 57/71, resta inequívoco os gastos da Recorrente com sua filha, tanto é assim que foram juntados aos autos deste processo tanto os recibos emitidos pela instituição de ensino, que atestam o pagamento da mensalidade, quanto cópias dos extratos da Recorrente, que demonstram que o montante utilizado para o pagamento à instituição de ensino efetivamente foram debitados de sua conta. Dessa forma, não resta qualquer dúvidas quanto à efetiva realização da despesa que a Recorrente espera deduzir. Logo, deve ser excluída da base de cálculo do tributo devido a despesa no montante de R$ 1.700,00, relativo aos gastos com a educação de sua filha Thaísa Morais Corrêa. Passo adiante, alega a Recorrente que a multa que lhe foi aplicada foi exacerbada, configurando caráter confiscatório. Ora, sabe-se que em âmbito administrativo vigora o princípio da estrita legalidade, cabendo à Administração Pública aplicar de oficio a lei, sob pena de responsabilidade funcional, descabendo-lhe juízos de valores sobre a mesma. Nesse sentido, sendo certo que é a própria legislação tributária que determina a aplicação de multa de oficio de 75% (cetenta e cinco por cento) sobre o valor não pago do tributo, não há como questionar o caráter confiscatório da multa nesta via. Sendo assim, cabe a Recorrente, se for de seu interesse, procurar a via adequada (Poder Judiciário), para discutir o caráter confiscatório que pode ter a aplicação de determinada lei tributária. Por fim, também com base no principio da estrita legalidade, e sendo inequívoco que a Lei n° 9.065/95, em seu art. 13, determina a aplicação da taxa SELIC para correção dos débitos federais, não cabe a esta instância administrativa afastar este índice de correção em preferência de qualquer outro, devendo ser mantida a atualização dos juros moratórios por este índice. Ademais, não há dúvidas de que a SELIC deve preferir à norma geral prevista no art. 161, § 1° do CTN, já que este dispositivo diz expressamente que ele só será utilizado no caso de inexistência de lei que discipline a matéria concernente aos acréscimos moratórios. Ora, corno em âmbito federal há diploma legal próprio tratando da matéria (Lei n° 9.065/95), deve a lei especifica prevalecer, descabendo à essa via administrativa avaliar a legalidade do índice em comento, o que impossibilita a análise quanto ao suposto valor exacerbado dos juros moratórios. 4 Processo n° 10665.001391/2003-71 S3-TE05 Acórdão n.• 3805-00.130 Fl. 92 Por todo o exposto, DOU parcial provimento ao recurso, devendo apenas ser excluída da base de cálculo do tributo a despesa de RS 1.700,00, relativa aos gastos com a educação de Thaísa Morais Corrêa. É como voto. Sala das - -4..•es - e '', - 30 de junho de 2009 i?1 4910 S %14-bRO rs - • DO b..• S 1 EIS s Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10183.005909/2004-49
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário examinado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2801-001.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso para acatar a preliminar de decadência, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário examinado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acatar a preliminar de decadência, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Fl. 153DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 18/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL 2 Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 99.328,26, referente ao exercícios de 1999, a título de imposto, acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora. O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a título de resgate de previdência privada Centrus Instituto Mato Grosso de Seguridade Social, conforme informação constante da DIRF apresentada pela referida fonte pagadora. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que não ocorreu omissão de rendimentos, nem classificação errônea; mas, sim, o recebimento do valor de R$ 133.744,59, a título de resgate das contribuições feitas ao Centrus — Instituto Mato Grosso de Seguridade Social, fundo de previdência privada. Disse ainda que a matéria fora amplamente discutida na Justiça, a qual, em decisão transitada em julgado, firmou entendimento no sentido de que a tributação só seria cabível sobre o montante correspondente às contribuições efetuadas a partir de janeiro de 1996, sendo isenta, por conseguinte, a parcela correspondente ao período compreendido entre janeiro de 1989 a dezembro de 1995. Por falta de elementos suficientes à solução da lide, os autos retornaram à delegacia de origem para que fosse realizada diligência junto ao Centrus — Instituto Mato Grosso de Seguridade Social, ao contribuinte e à Justiça Federal, a fim de que fossem esclarecidos e detalhados os seguintes pontos: a) discriminar a parcela do resgate ocorrido em 1998, decorrentes das contribuições efetuadas dentro do período de janeiro/1989 a dezembro/1995, bem como das contribuições efetuadas a partir de janeiro/1996; b) confirmar a correção da DIRF apresentada pela fonte pagadora; c) verificar se o contribuinte retificou a DIRPF/2004, incluindo os resgates efetuados em 2003, decorrentes dos Alvarás de Levantamento; d) elaborar relatório com as conclusões do auditor responsável pela diligência. O resultado da diligência consta do Relatório Fiscal de fls. 99 a 100, que foi instruído com os documentos de fls. 66 a 98. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS, conforme Acórdão de fls. 103/107, julgou procedente em parte o lançamento, conforme os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: Fl. 154DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 18/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL Processo nº 10183.005909/200449 Acórdão n.º 280101.281 S2TE01 Fl. 146 3 PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES EFETUADAS ENTRE 1º DE JANEIRO DE 1989 E 31 DE DEZEMBRO DE 1995. ISENÇÃO. É isento do imposto de renda o valor do resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 17/02/2010 (fl. 113), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 116/118, em 12/03/2010. Preliminarmente, alega que a cobrança objeto do processo é insubsistente, seja por estar fulminada pelo instituto jurídico da Prescrição, seja pelo trânsito em julgado da decisão que determinou o levantamento do valor depositado, sem que houvesse qualquer recurso jurídico por parte da Receita Federal em Mato Grosso, no Processo Judicial n° 1998.58942. No mérito, defende a improcedência do lançamento, argumentando que o valor em questão foi recebido pela extinção da Entidade de Previdência Privada e não em função da devolução de contribuição. Acrescenta que o rateio ocorrido no ano de 1998 foi qualificado e aceito judicialmente como indenização, uma vez que os valores mensais pagos pelo Instituto foram interrompidos com o processo de sua Liquidação Extrajudicial, não caracterizando, assim, acréscimo patrimonial de forma a legitimar o recolhimento do Imposto de Renda. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Ressaltese que, muito embora não se possa estabelecer precisamente a que instituto faz referência o recorrente (se decadência ou prescrição), por configurarse a decadência matéria de ordem pública, cabe ao julgador reconhecêla de ofício, se verificada a sua ocorrência, o que independe de provocação do interessado. De plano, importa registrar que não houve a imposição de multa de oficio qualificada para as exigências formalizadas no presente lançamento, restrito ao exercício de 1999, anocalendário de 1998. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, como regra geral, temse que o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo e tem seu marco temporal no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, contandose, a partir dessa data, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Tal raciocínio aplicase ao caso em comento, haja vista que os rendimentos tidos como omitidos, quando submetidos a lançamento de oficio, embora apurados mês a mês, conforme previsão do artigo 2° da Lei n° 7.713/88, sujeitamse à tributação apenas na Fl. 155DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 18/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL 4 declaração de ajuste anual. Inteligência dos artigos 9° e seguintes da Lei n° 8.134/1990, especialmente do artigo 10, inciso I, do referido texto normativo. Com efeito, os valores recolhidos e/ou devidos a título de antecipação, com suas respectivas bases de cálculo, devem compor as informações prestadas através da declaração de ajuste anual, apurandose, assim, o total de imposto devido no anocalendário. Dessa forma, com relação às infrações verificadas no anocalendário 1998, o tributo lançado tem como fato gerador o dia 31/12/1998. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica deste Conselho, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de oficio pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que, no caso em apreço, o fato gerador do imposto de renda pessoa física ocorreu em 31/12/1998 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 23/12/2004 (fl. 08), resta cancelar o lançamento, por força da decadência. Apesar de eu entender que é irrelevante a existência ou não de pagamento antecipado para fins de contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, destaco que, no caso sob exame, houve pagamento antecipado, ainda que a menor, conforme Resumo do Beneficiário PF constante do extrato de fl. 13, que Fl. 156DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 18/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL Processo nº 10183.005909/200449 Acórdão n.º 280101.281 S2TE01 Fl. 147 5 reúne as informações apresentadas, em DIRF, por todas as fontes pagadoras do autuado, relativamente ao anocalendário de 1998. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para acatar a preliminar de decadência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 157DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 17/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 18/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL
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Numero do processo: 12466.001608/2003-14
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/04/2003
Ementa: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. TIPI. ÁGUAS-DE-COLÔNIA.
As mercadorias referidas como “águas-de-colônia” no código 3303.00.20 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática de até 15%, de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002, vigente até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom nº 344/2006, de 13/12/2006, que, para adequar-se ao disposto nº Decreto no 79.094/77, fixou como condição para enquadramento nesse código tarifário uma composição aromática em concentração inferior ou igual a 10%.
Apurado em laudo técnico a existência de teor de composição aromática não superior a 15% em fatos geradores ocorridos na vigência da Nota Coana nº 253/2002, há que se considerar correta a classificação adotada.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 301-34.069
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. A conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pela conclusão.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Recorrida DRJ/FLORIANÓPOLIS/SC • Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 03/04/2003 Ementa: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. TIPI. ÁGUAS-DE-COLÓNIA. As mercadorias referidas como "águas-de-colônia" no código 3303.00.20 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática de até 15%, de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom ri 253/2002, vigente até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom di 344/2006, de 13/12/2006, que, para adequar-se ao disposto no Decreto ri2 79.094/77, fixou como condição para enquadramento nesse código tarifário uma composição aromática em • concentração inferior ou igual a 10%. Apurado em laudo técnico a existência de teor de composição aromática não superior a 15% em fatos geradores ocorridos na vigência da Nota Coana 253/2002, há que se considerar correta a classificação adotada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. / Processo n." 12466.001608/2003-14 CCO3/C01 • Acórdão n.° 301-34.069 Fls. 254 ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. A conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pela conclusão. OTAC11.10 DANTAS n • R • O - Presidente /1"0-e-ta 41eIZ NOVO ROSSARI - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, Davi Machado Evangelista (Suplente), Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente) e João Luiz Fregonazzi. Estiveram presentes os procuradores da Fazenda Nacional Diana Bastos Azevedo de Almeida Rosa e José Carlos Brochini. Fez sustentação oral a advogada Dr a Cristiane Romano OAB/SP n° 123.771. Processo n.° 12466.001608/2003-14 CCO3/C01 • Acórdão n.° 301-34.069 Fls. 255 Relatório Considerando a forma minuciosa com que foi elaborado, adoto o relatório componente do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que transcrevo, verbis: "RELATÓRIO A empresa acima qualificada importou, por meio da Dl n.° 03/0280654-1, registrada em 03/04/2003, produtos "Dune Eau de Toilette" e "Dune Lait Dior Tendre" da marca Christian Dior, descritos na Adição I, item 2, como Água de Colônia e Loção Corporal, classificando-os no código NCM 3303.00.20 como Agua de Colônia, por ter aplicado a regra 3 do SH, com alíquota de IPI de 10% e de II de 19,5% • A fiscalização, verificou que os produtos constantes na DI já haviam sido objeto de exame laboratorial em outra Dl de n2 01/0911816-7, através do qual foi constatado que os mesmos (Dune Eau de Toilette-Christian Dior), tratavam-se de "perfume, constituído de solução Hidro-Alcoólica e Substâncias Odoríferas, na forma líquida acondicionada em embalagem própria para venda a retalho", em função do teor encontrado para os componentes (laudo às fls. 26/27). Com base nessas informações e amparado pelo art. 30, isÇ 32 do Decreto n" 70.235/1972, a autoridade autuante valendo-se do referido laudo concluiu que as mercadorias importadas deveriam ser classificadas no código NCM 3303.00.10 (19,5% de II e 40% de IPI) o que gerou a lavratura do Auto de Infração de fls. 01 a 16 para exigência de R$ 8.215,82 a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e de R$ 500,00 a titulo de multa proporcional ao valor aduaneiro (mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul). A importadora depositou administrativamente os valores discutidos (Jis. 48/49) para desembaraçar as mercadorias. et qutuueada, a interessada protocolizou a defesa de fis. 28 a 45, argumentando, em síntese, a) os laudos não preenchem todos os requisitos de validade, pois não fazem prova do credenciamento do laboratório, não indicam as fontes e referências bibliográficas que fundamentaram suas conclusões; b) assim, tais falhas inviabilizaram o contraditório, afrontando o princípio da ampla defesa; c) o laudo conclui que o produto importado é extrato, baseando-se em técnica inválida, pois diferencia água de colónia de perfumes de acordo com a quantidade de concentração aromática dos produtos, não mencionando o modelo de cromatógrafo utilizado nas análises; d)a reclassificação fiscal é nula pois foi baseada em laudo emitido em outra DI, não utilizando amostras destas mercadorias importadas. Que isto só seria possível se a fiscalização provasse que se tratassem de mercadorias idênticas, o que não ocorreu. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes; Processo n.° 12466.001608/2003-14 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.069 Fls. 256 e) a ANV1SA é a única autoridade competente para atestar sobre a classificação dos perfumes e esta classifica os produtos como água de colônia ou água de perfume e não como extratos; J) as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado não versam sobre os limites de concentração aromática para distinguir água de colônia e perfume, existindo outros elementos para serem considerados e que não o foram pela fiscalização; j) o emprego de matérias primas e sua proporcionalidade não são suficientes para sua classificação e que o preço é um elemento que diferencia água de colônia de extrato; g) a se adotar a classificação pretendida pela fiscalização estaria afrontando os direitos do consumidor. h)não é exigível a multa de I% do valor aduaneiro das mercadorias por força do art. 100 do CIN, uma vez que a classificação adotada pela impugnante é baseada em • reiterada prática das autoridades administrativas (ANVISA). Ao final, considerando as razões apresentadas, a impugnante requer que seja julgado improcedente o Auto de Infração em comento, cancelando-se, em conseqüência, o crédito tributário constituído." A r Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC concluiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/FNS TI' 4.923, de 5/11/2004 (fls. 84/93), cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Datado fato gerador 03/04/2003 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. É inaceitável a invocação de preterimento de defesa quando a peça impugrzatória demonstrar o conhecimento integral da imputação, contestando as conclusões dos Laudos Técnicos com alegações e documentos. • Assunto: Classcação de Mercadorias Data do fato gerador: 03/04/2003 Ementa: DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Mantém-se a desclasscação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, na classificação fiscal determinada pela autoridade lançadora. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 03/04/2003 Ementa: PERFUMES. Produtos de perfumaria que possuem concentração de substâncias odorzferas entre 10 % e 30 % são considerados "Perfumes (extratos)", classificando-se no código NCM 3303.00.10. Assunto: Obrigações Acessórias 1L Processo n.° 12466.001608/2003-14 CCO3/C01 • Acórdão n.° 301-34.069 Fls. 257 Data do fato gerador: 03/04/2003 Ementa: MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. CABE A MULTA QUANDO A MERCADORIA É CLASSIFICADA ERRONEAMENTE. É devida a aplicação da multa de I% sobre o valor aduaneiro da mercadoria quando a mesma é classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Lançamento Procedente" No que respeita à preliminar de nulidade argüida pela interessada, de ter a fiscalização se utilizado de laudo pertinente a importação diversa, a decisão de primeira instância entendeu que a mercadoria importada e indicada na DI é idêntica àquela objeto de laudo, haja vista que se tratam de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, sendo legítima, nesse caso, a utilização da prova emprestada. • No mérito, concluiu pela classificação da mercadoria no código NCM 3303.00.10, próprio de "perfumes" ("extratos"), tendo em vista que o laudo técnico apurou teor de substâncias odoríferas superior a 10% e que o Decreto n 2 79.094, de 1977, que trata do "Sistema de Vigilância Sanitária dos Medicamentos, Insumos Farmacêuticos, Drogas, Correlatos, Cosméticos, Produtos de Higiene, Saneantes e Outros", em seu art. 49, II, define como extratos os produtos constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% e máxima de 30%. Quanto à multa de 1% por classificação incorreta, foi julgada cabível em razão da errônea classificação adotada pela interessada, afastando a invocação do art. 100 do CTN, visto que os regramentos ali indicados referem-se às autoridades administrativas fiscais, e a Anvisa não é competente para fins de classificação tarifária. A interessada recorre tempestivamente às fls. 96/130, ratificando as alegações apresentadas por ocasião de sua impugnação e aditando sua insatisfação quanto ao não acolhimento de suas pretensões pelo órgão julgador de primeira instância. Reitera estar correta • a classificação das fragrâncias comercializadas como águas-de-colônia no código NCM 3303.00.20. Reafirma que a apuração da quantidade de "substâncias odoríferas" foi obtida por diferença, vale dizer, por meio de cálculo aritmético, mediante o qual chegou-se à conclusão de que o percentual que não se classifica nem como água nem como álcool pode ser considerado como "substância odorífera"; alega que a técnica utilizada é falha pois desconsidera fatores importantes como as outras substâncias — além do etanol, da água e das substâncias odoríferas — que compõem os produtos em análise, bem como as variações que podem ocorrer no percentual de álcool por mudanças de temperatura durante os testes. Aduz que a Anvisa é o órgão governamental competente para o controle dos produtos cosméticos e para atestar a natureza das fragrâncias comercializadas pela recorrente; que as águas-de-colônia comercializadas pela recorrente são sempre registradas pela Anvisa sob o código relativo a "águas perfumadas" ou "águas-de-colônia" e que quando se trata de extratos o referido órgão não se esquiva de registrá-los sob o código relativo a extratos aromáticos, conforme se denota pelos registros acostados. Acrescenta que se as águas-de- colônia fossem classificadas como extratos, estaria sendo afrontado o art. 37, § 1 2, da Lei n2 1.2 Processo n.° 12466.00160812003-14 CCO3/C01 • Acórdão n.° 301-34.069 Fls. 258 8.078, de 1990 - Código de Defesa do Consumidor, que visa proteger o consumidor da publicidade enganosa. Requer, ao final, seja dado provimento ao recurso julgando-se improcedente a autuação e determinando-se o arquivamento do processo. No caso de não ser cancelado integralmente o crédito tributário, requer, no mínimo, o cancelamento das multas que lhe foram impostas, nos termos do art. 100 do CTN, e o cancelamento dos juros moratórios com base na taxa Selic, por ilegítima e inconstitucional. Pela Resolução n' 301-01.636, de 21/6/2006 (fls. 204/209), esta Câmara converteu o julgamento em diligência, a fim de que fosse solicitada a manifestação da Coana/SRF no que respeita aos seguintes quesitos: "a) Tendo em vista que a legislação do Ministério da Saúde (Lei re 6.360/1976, regulamentada pelo Decreto n 2 79.094/1977, e Lei re 9.782/1999), estabelece a obrigatoriedade de classificação sanitária e o registro dos produtos de perfumaria, de forma a ser indicada em cada produto a sua identificação especifica, e que tal atividade é de competência da Anvisa, e considerando o disposto no art. 4 2, 32, da IN SI?? 573/2005, que estabelece que na consulta sobre classcação de mercadorias que dependa de autorização de órgão especificado em lei, deverá ser anexada uma cópia da autorização do registro do produto, há alguma possibilidade técnica de os produtos da subposição 3303.00 terem classificação fiscal diversa da identcação e registro que lhes foi concedido pela Anvisa? b) Sem prejuízo do quesito anterior, a eventual apuração de composição aromática em laudo técnico solicitado pelas unidades fiscais da SRF, possui relevância suficiente para afastar a identificação e o registro de produto estabelecidos pelo órgão competente do Ministério da Saúde? c) As considerações contidas na Nota Coana/Cotac/Dinom rr 2 253, de 12/8/2002, representam conclusão definitiva da SRF/Coana sobre a classificação das mercadorias ali discriminadas ("Essência ou extrato", "Eau de parfum", "Eau de toilette", "Água- de-colônia" ou "eau de cologne", e "Eau fraiche), de modo a vincular essa classificação ao teor de substâncias odoríferas (essências) existente em cada produto?" • Por sua vez, cientificada da diligência retrocitada, a recorrente fez os seguintes questionamentos: "I - O Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami entendeu, conforme Laudo 0762.01, que os produtos analisados são perfumes e não águas-de-colónia. Indaga a CISA TRADING se o Laboratório extrapolou sua atribuição e competência, uma vez que sua área de atuação e competência técnica está limitada a identificar a composição dos elementos e seus percentuais, contidos num determinado produto submetido à análise, podendo ainda expedir comentários complementares, desde que relativos à sua esfera de competência, sendo da fiscalização da Receita Federal a competência para proceder à classcação fiscal 2 — É adequado, para os objetivos que se propõem os Laudos, apurar o "teor de substâncias odoríferas" por diferença, excluindo tão somente o teor de água e o teor de álcool, tal como procedeu o Laboratório, ao emitir os Laudos deste processo, considerando-se o fato que na diferença incluem-se elementos não aromáticos, tais como: emolientes, ésteres graxos, estabilizantes, antioxidantes, corantes, diluentes, protetores de radiação solar, fixadores, etc, que representam em seu conjunto, percentual expressivo na parcela da citada diferença?" , Processo n.0 12466.00160812003-14 CCO3/C01 Acórdão rt.° 301-34.069 Fls. 259 O processo retoma a este Conselho com a juntada da Informação n 2006/0464, de 28/12/2006, da Coana/Cotac/Dinom da SRF (fls. 226/229), na qual foram respondidos os quesitos decorrentes da diligência, e que foram acompanhados pelo Fax ri.2 490/00, de 28/12/2000, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e pela Nota tf 2006/0344, de 13/12/2006, da mesma Coana/Cotac/Dinom. A recorrente manifestou-se sobre a Informação prestada pela SRF (fls. 239/249), para aduzir que não foi observado pela Coana o critério comparativo estabelecido pelas Nesh, tendo aplicado o Decreto n 79.804/77 com o argumento de que essa norma traria conceitos de observância obrigatória pela autoridade aduaneira, frente ao silêncio do Sistema Harmonizado e da NCM sobre o tema. Finaliza salientando o correto posicionamento externado na referida Nota, no sentido de que o laudo emitido pelo Labana é nulo, porque deveria conter somente explicitações e fundamentações técnicas, não podendo se manifestar sobre seu enquadramento na NCM e requer sejam desconsideradas as incorreções apresentadas na Informação da Coana. É o relatório. Processo n.° 12466.001608/2003-14 CCO3/C01 • Acórdão n.° 301-34.069 Fls. 260 Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata-se de estabelecer a correta classificação do produto descrito pela empresa importadora como "Dune Eau de Toilette - Christian Dior". A declarante classificou a mercadoria no código NCM 3303.00.20, própria para "águas-de-colônia", enquanto que a fiscalização aduaneira entendeu que a mercadoria deveria ter sido classificada no código NCM 3303.00.10, como "perfumes" ("extratos"), em função do teor de substâncias odoríferas encontrado em laudo técnico. • As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) referentes à posição 3303 dão as seguintes informações sobre os produtos dessa posição, verbis: "A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águas-de-colónia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de titulo elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águas-de-colônia (por exemplo, água-de-colônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir-se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc. e pelo titulo geralmente menos elevado de álcool empregado." OConforme se constata, os regramentos estabelecidos pelas NESH não especificam a concentração de óleos essenciais que permita a diferenciação entre tais produtos. Apenas explicita que as águas-de-colônia diferem dos perfumes pela sua mais fraca concentração de óleos essenciais e pelo título menos elevado de álcool empregado. E em nível nacional a NCM também não estabeleceu qualquer especificação que tendesse à distinção entre tais produtos, tendo em vista que, ao instituir para a posição 3303 os itens e subitens correspondentes (7' e 82 dígitos), apenas discriminou: 3303.00.10 — Perfumes (extratos) 3303.00.20 — Águas-de-colônia A respeito da distinção, o Decreto n 79.094/1977 dispõe em seu art. 49, II, que os produtos citados compreendem, verbis: "11 Perfumes: Processo n.° 12466.00160812003-14 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.069 Fls. 261 a) Extratos — constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). b) Águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares — constituídas pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão." O Decreto acima citado regulamenta a Lei n2 6.360/1976, que dispõe sobre a vigilância sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, cosméticos, saneantes e outros produtos, inclusive na importação e na exportação (art. 554 do RA). Com a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pela Lei ri2 9.782/1999, ficou afeta a esse órgão a competência para conceder o registro dos produtos tratados no Decreto 11.2 79.094/1977, entre eles os perfumes. Assim, a competência da Anvisa, prevista no art. 79- da Lei n 9.782/1999, diz respeito ao registro dos produtos dependentes de • vigilância sanitária. No caso sob exame, a matéria foi objeto de manifestação da Coordenação-Geral do Sistema Aduaneiro da Secretaria da Receita Federal, que através da Nota Coana/Cotac/Dinom 112 253, de 1 2/8/2002, e em resposta à consulta formulada pela Divisão de Informação Comercial do Ministério das Relações Exteriores, pronunciou-se no sentido de esclarecer os critérios adotados para classificar uma preparação odorífera como "perfume" ou "extrato", ou como "água-de-colônia" na Nomenclatura Comum do Mercosul, explicitando, verbis: "7.1 "Essência ou extrato" é o pediam em sua concentração mais alta, sendo que a percentagem varia, conforme a marca, de 15% a 30% de essência diluída em álcool de 90" Gay-Lussac (GL). É o tipo mais caro de perfume e, por não serem adequados ao clima tropical, são difíceis de serem encontrados em razão da pouca comerciabilidade. O fixador (por exemplo, gordura de origem animal reproduzida em laboratório) tem um poderoso efeito de fixação que pode se prolongar por até 24 horas. 7.2 "Eau de parfum" é um perfume com menor concentração de essência, de 10% a 1111 15%, diluída em álcool etílico de 90"GL, cujo efeito de fixação chega a ultrapassar as 12 horas. 7.3 "Eau de toilette" tem concentração de essência entre 5% e 10%, diluída habitualmente em álcool de 85"GL. Seus índices de fixação não passam das 8 horas em temperaturas mais altas. 7.4 "Água-de-colônia" ou "eau de cologne" é a fragrância cuja percentagem de essência varia entre 3% e 5 670, e seu grau alcoólico fica entre 70"e 80° GL. Sua fixação não é maior do que 5 horas e seria, a priori, o ideal para o nosso clima. 7.5 "Eau fraiche"é a "água refrescante", perfumada quase sempre com pouquíssima essência cítrica (limão ou tangerina). Por isto, muitas vezes é chamada de "eau de sport". Tem uma baixa percentagem de essência, de 1% a 304 e vem quase sempre diluída em álcool de 70" ou 80" GL, havendo poucas variantes de "eau fi-aiche" que não empregam álcool. Sua taxa de fixação é mínima, de 2 a 4 horas. 8. Tendo-se em mente o exposto e considerando as NESH pode-se afirmar que os "perfumes ou extratos", citados no código 3303.00.10 da NCM, compreendem apenas as essências ou extratos (subitem 7.1). . • . Processo n.° 12466.001608/2003-14 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.069 As. 262 9. Já as mercadorias mencionadas no código 3303.00.20 da NCM, referidas como "águas-de-colônia" englobam as chamadas "eau de parfum", "eau de toilette", "eau de cologne" e "eau fraiche" (subitem 7.2 a 7.5)" Tendo em vista a existência de dúvidas sobre a classificação dos produtos, em função de divergência existente com a legislação referente à inspeção sanitária, a matéria foi objeto de submissão, determinada por esta Câmara, à Coordenação-Geral de Administração Aduaneira, órgão da SRF responsável pela classificação tarifária de mercadorias. Em resposta, esse órgão informou que para adequar-se ao Decreto it° 79.094/77, foi reformado pela Nota Coana/Cotac/Dinom II' 2006/344, de 13/12/2006, o entendimento anteriormente explicitado na Nota Coana/Cotac/Dinom n' t 253/2002, de forma que a partir dessa alteração passaram a ser classificadas no código 3303.00.10 da NCM as mercadorias constituídas pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração superior a 10% e no código 3303.00.20 as mercadorias constituídas pela dissolução de uma composição aromática em concentração inferior ou igual a 10%, em álcool de diversas • graduações. Estabelecida pelo órgão competente para se pronunciar sobre a classificação de mercadorias a confirmação de que para esse mister, e relativamente aos produtos da posição 3303, há que se levar em consideração os teores de composição aromática estabelecidos no art. 49, II, do Decreto n' 79.094/77, norma vigente relativa à inspeção sanitária, resta apenas a necessidade de se cuidar da existência de laudo que identifique esses teores, para os efeitos da classificação pretendida. Não vejo a discrepância apontada pela recorrente no que respeita ao que consta na Informação da Coana. O Decreto é claro ao dispor quanto à dissolução de composição aromática em álcool; e bem assim as Nesh da posição 3303, acima transcritas, ao se referirem sobre dissolução de óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou misturas de substâncias odoríferas artificiais, em álcool, o que também respeita à dissolução de uma composição aromática, variando apenas a concentração de essências e o título mais ou menos elevado do álcool. ODe outra parte, não houve, como alegado pela recorrente, qualquer manifestação da Coana no sentido de que o laudo técnico emitido pelo Labana é nulo e afronta a IN SRF ri2 157/98, que trata da assistência técnica para identificação e quantificação de mercadorias, tendo em vista que no laudo que embasou este processo não consta a indicação de enquadramento em posição ou código da NCM. De mais, essa restrição foi estabelecida apenas a partir da IN SRF n2 492/2005, o que não invalidaria laudo que na época tivesse sido elaborado com esse elemento. Cumpre observar que a legislação processual atribui eficácia aos laudos exarados em outros processos administrativos fiscais, quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação (art. 30, § 3 2, do Decreto if 70.235/72, acrescentado pelo art. 67 da Lei n Q 9.532/97). Trata-se do caso em exame, em que o Fisco utilizou laudo de produto com as mesmas especificações, razão pela qual considero o laudo eficaz para a finalidade a que se propõe. No caso presente, verifica-se do laudo de fls. 26/27 que o teor de substâncias odoríferas é de 12,1%, percentual que embora permita o enquadramento como "perfume" ("extrato") nos termos do 49, 11, do Decreto if 79.094/77, não alcança o limite estabelecido à . • Processo n.° 12466.001608/2003-14 CCO3/C0 I Acórdão n.° 301-34.069 Fls. 263 época da importação pela Nota Coana/Cotac/Dinom if 253, de 1 2/8/2002, que, para efeitos de classificação fiscal, orientava no sentido de considerar o produto como "água-de-colónia" quando o teor de essência não fosse superior a 15%. Cabe ressaltar que o reposicionamento interpretativo da SRF externado na Nota Coana/Cotac/Dinom ri 2 2006/344, de 13/12/2006, mais gravoso, só pode viger a partir de fatos geradores ocorridos a partir dessa data. Isso porque a interpretação anterior foi objeto de ato que atende ao disposto no art. 100, I, do CTN, e em vista do que preceitua o art. 14, § 6- 2, da IN SRF n2 740/2007, que trata do processo de consulta, regra plenamente aplicável ao caso presente tendo em vista que a Nota Coana alterada originou-se de consulta, efetuada por órgão governamental. Diante do exposto, entendo que deve ser considerada correta a classificação tarifária adotada pela recorrente e voto por que se dê provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 16 de outubro de 2007 • aerVO ROSSARI - Relator • Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900928/2017-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2015
DIREITO CREDITÓRIO. DCOMP. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o pagamento em duplicidade de DARFs com as mesmas informações, bem como do valor devido a título de tributo, do período de competência em questão, impõe-se o reconhecimento do crédito.
Numero da decisão: 1401-006.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, para reconhecer o crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF, no valor original de R$332.864,67, e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito disponível.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: André Severo Chaves
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DCOMP. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. Comprovado o pagamento em duplicidade de DARF’s com as mesmas informações, bem como do valor devido a título de tributo, do período de competência em questão, impõe-se o reconhecimento do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, para reconhecer o crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF, no valor original de R$332.864,67, e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito disponível. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de nº 107-010.024, da 12ª Turma da DRJ/07, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. No caso em exame, a recorrente transmitiu a DCOMP nº 34861.68266.081215.1.3.04-9802, em que pleiteou crédito de pagamento indevido ou a maior de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 09 28 /2 01 7- 77 Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.193 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.900928/2017-77 IRRF, no valor original de R$ 332.864,67, referente ao DARF (código 5706) de mesmo valor, recolhido em 26/10/2015, relativo ao período de apuração de 31/10/2015. A unidade de origem, ao emitir o Despacho Decisório (e-Fl. 34), localizou o pagamento do DARF, entretanto, não reconheceu o crédito, vez que o pagamento estaria integralmente alocado em débitos declarados pela contribuinte. É o que se observa no recorte a seguir: Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte apresentou os seguintes argumentos, sintetizados no acórdão da DRJ: - O mesmo tributo (IRRF - período de apuração 3º decêndio - outubro de 2015) foi pago duas vezes (pagamento em duplicidade), como pode ser visto nos DARFs em anexo, que possuem rigorosamente os mesmos códigos, período de apuração, vencimento e valor. Diferenciam-se apenas pelas datas de pagamento, sendo que o DARF relativo ao dia 05/11/2015 foi utilizado para zerar a dívida na DCTF, enquanto que o DARF relativo ao dia 26/10/2015 foi utilizado para compensar débito de PIS e COFINS por meio de Per/Dcomp. - Na DCTF original foi incluído apenas o débito de RS 332.864,67, enquanto que o pagamento fora de R$ 665.729,34. - Mesmo pagando um valor de R$ 665.729.34 com um débito de apenas RS 332.864,67, foi cobrado do contribuinte no despacho decisório o valor de RS 339.721,69 indevidamente. No acórdão proferido pela DRJ, esta destacou as seguintes razões: (...) Constata-se, portanto, que está correta a alocação, em primeiro lugar, o recolhimento efetuado em 26/10/2015 de R$ 332.864,67, objeto do pleito, para pagamento do tributo de código 5706, período de apuração 31/10/2015, valor de R$ 332.864,68. O valor residual de R$ 0,01 foi retirado do Darf pago em 05/11/2015. O equívoco provocado pelo próprio contribuinte em informar como pagamento indevido o Darf recolhido em 31/10/2015, em vez do recolhimento efetuado em 05/11/20115, Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.193 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.900928/2017-77 impediu que a análise do direito creditório prosseguisse na verificação do correto valor do débito declarado. Desta maneira, temos que o Despacho Decisório está correto, pois ao analisar eletronicamente a dcomp aqui discutida levou em consideração as informações contidas no documento preenchido pelo próprio contribuinte. Não havia como reconhecer o direito creditório de um Darf que já estava corretamente alocado ao débito a que ele se refere, como já dito anteriormente. Ocorre que o débito declarado em DCTF não necessariamente se configura no real valor a ser pago do tributo. Neste sentido o contribuinte não trouxe na manifestação de inconformidade qualquer documento fiscal e/ou contábil que se pudesse verificar neste julgamento o real valor devido pelo contribuinte a título de retenção na fonte sobre ganho de capital com o mesmo período de apuração e data de vencimento a que se referem os citados recolhimentos. (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 12/08/2021 (e-Fl. 54), inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e-Fls. 57 a 68) e demais documentos (e-Fls. 69 a 79). Em sede de recurso voluntário, a contribuinte além de reiterar as alegações da Manifestação de Inconformidade, apresenta os seguintes fundamentos: i. Argumenta que o crédito decorreu de pagamento em duplicidade, porque o valor efetivamente devido a título de IRRF incidente sobre os JCP, no período de outubro de 2015, correspondeu tão-somente a R$ 332.864,67, valor devidamente quitado por meio do DARF recolhido em 05/11/2015; ii. Aduz que o valor inicialmente recolhido em 26/10/2015 gerou um crédito de pagamento indevido, tendo sido utilizado na DCOMP em litígio; iii. Entende que, se a autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que não haveria prova sobre o valor devido de IRRF sobre o JCP, deveria tê-la intimado a apresentar os documentos necessários; iv. Defende que, em razão da ausência de qualquer intimação para apresentação de documentos, devem ser considerados os documentos apresentados em sede recursal. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.193 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.900928/2017-77 Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Inicialmente, ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. Tem-se que o indébito pleiteado teve como origem o pagamento em duplicidade de DARF de IRRF incidente sobre JCP, no valor de R$ 332.864,67. Como visto no relatório, não restam dúvidas quanto aos pagamentos realizados no mesmo valor. A DRJ constatou ainda que o DARF recolhido em 26/10/2015 fora integralmente alocado com o débito declarado em DCTF, e que o DARF recolhido em 05/11/2015 teve o valor de R$ 0,01 alocado no em débito, restando um saldo de R$ 332.864,66. Contudo, a autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que, como a contribuinte informou como pagamento indevido o primeiro DARF recolhido, tal equívoco impediu a análise efetiva do crédito, e que como não foram apresentados documentos do valor devido de IRRF, não teria como reconhecê-lo. Penso que não assiste razão à DRJ. De fato, houve um equívoco por da contribuinte, que deveria ter indicado no PER/DCOMP o DARF cujo valor pago não estivesse alocado em débitos declarado em DCTF. Ou seja, no caso deveria ter informado o saldo referente ao DARF recolhido em 05/11/2015. Contudo, ao instaurar o contencioso administrativo, o contribuinte se valeu da manifestação de inconformidade justamente para esclarecer o equívoco cometido. Entendo que o posicionamento da DRJ não observou minimamente o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal. Isto porque, mesmo constatando os pagamentos realizados, e um saldo disponível na totalidade do valor do crédito pleiteado, utilizou-se de argumentos estritamente formais para não reconhecer o crédito, bem como da exigência de elementos que até então não estavam em discussão no processo. Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.193 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.900928/2017-77 Em razão desse histórico processual, para este relator, o crédito já seria passível de reconhecimento mediante o já demonstrado pagamento em duplicidade dos DARF’s, bem como da disponibilidade de saldo disponível não alocado em DCTF, conforme tela a seguir: Contudo, a fim de corroborar ainda mais a existência do crédito, e em diálogo com a decisão recorrida, a contribuinte apresentou os seguinte documentos adicionais que comprovam o valor devido de IRRF sobre o JCP: i. Ata de Reunião do Conselho de Administração (e-Fls. 72 e 73), ocorrida em 30/09/2015, regularmente protocolada na Junta Comercial, que demonstra a aprovação do conselho para distribuição aos acionistas da quantia de R$ 2.219.097,79 a título de JCP; ii. Demonstrativo de que o valor foi pago pela empresa para as acionistas Termoelétrica Potiguar – TEP, no valor de R$ 1.331.458,77, e Petrobrás (Petróleo Brasileiro S/A), no valor de R$ 887.639, 12; iii. Comprovantes de transferências bancárias para as acionistas (e-Fls. 76 a 79). Desse modo, considerando que os elementos apresentados confirmam que o valor devido de IRRF para a competência de 10/2015 era de R$ 332.864,67, e constatando-se a duplicidade do pagamento, entendo que o erro formal cometido pelo contribuinte deve ser superado, devendo-se reconhecer integralmente o crédito declarado na DCOMP, devendo a autoridade fiscal proceder a revisão de ofício para fins de correção das declarações, nos termos do PN Cosit nº 08/2014. Conclusão Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.193 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.900928/2017-77 Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, para reconhecer o crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF, no valor original de R$ 332.864,67, e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito disponível. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 113DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900352/2006-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE.
Ano Calendário: 2003
CREDITAMENTO DE CIDE. COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE INDÉBITO. O creditamento de CIDE paga a título de royalties para fins de
compensação com débitos da mesma contribuição é faculdade conferida pela MP nº. 2.15970/2001. A não utilização dessa faculdade não torna indevido o pagamento efetuado referente a CIDE de períodos posteriores, não havendo qualquer pagamento a maior a ser utilizado em compensação com débito de COFINS.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.291
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1 1 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.900352/200634 Recurso nº 323.054 Voluntário Acórdão nº 3202000.291 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de junho de 2011 Matéria CIDE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente INNOVA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE. Ano Calendário: 2003 CREDITAMENTO DE CIDE. COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE INDÉBITO. O creditamento de CIDE paga a título de royalties para fins de compensação com débitos da mesma contribuição é faculdade conferida pela MP nº. 2.15970/2001. A não utilização dessa faculdade não torna indevido o pagamento efetuado referente a CIDE de períodos posteriores, não havendo qualquer pagamento a maior a ser utilizado em compensação com débito de COFINS. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. José Luiz Novo Rossari – Presidente Irene Souza da Trindade Torres – Relatora Editado em 22/06/2011. Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Mara Cristina Sifuentes e Antônio Spolador Junior. Presente ao julgamento a Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 11080.900352/200634 Acórdão n.º 3202000.291 S3C2T2 Fl. 2 2 advogada Sandra Pistor OAB/RS 26.413/RS, que não fez sustentação oral em razão de não ter apresentado mandato. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Trata o presente processo de análise de compensações de COFINS com crédito da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE. O despacho decisório de fls. 26 indeferiu as compensações, porque os pagamentos estavam integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. A empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 03/06), dizendo, em suma, que: (1) a Medida Provisória nº 2.15968/2001 prevê um crédito de 100%da CIDE sobre os royalties pagos ao exterior; (2) Tal crédito pode ser utilizado como redução da contribuição devida nos pagamentos ou créditos subseqüentes de royalties; (3) a empresa teria pago CIDE sem ter apurado os créditos a que fazia jus; (4) percebendo isso, apurou os créditos e compensouos com o valor pago a título de CIDE, apurando, como conseqüência, pagamentos a maior; (5) a PER/DCOMP visa compensar esse valor pago a maior com débitos de COFINS, com base no art. 74 da Lei n" 9.430/1996. Pede homologação das compensações efetuadas. A DRJPorto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado (fls. 36/39), nos termos da decisão cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMINIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. A restituição de tributo fica condicionada à comprovação da ocorrência de pagamento, indevido ou a maior. A extinção do crédito tributário pelo pagamento é definitiva, de modo que não cabe modificar a forma de extinção para fins de considerar indevido o pagamento efetuado. Pedido de restituição indeferido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 11080.900352/200634 Acórdão n.º 3202000.291 S3C2T2 Fl. 3 3 Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 43/49), repisando os mesmos argumentos expendidos na inicial. Ao final, requereu o total provimento do Recurso Voluntário, reformando a decisão a quo, para homologar a declaração de compensação (PER/DCOMP 13405.85588.151003.1.3.044121) e, consequentemente, anular o débito oriundo da não homologação desta compensação. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Cuidam os autos de pedido de homologação de compensação declarada pela contribuinte INNOVA S/A, relativo a alegados créditos de CIDE com débitos de COFINS, referente ao PER/DCOMP nº . 13405.85588.151003.1.3.044121, cujo valor compensado não homologado totaliza o montante de R$ 452.761,92, inclusos o principal, juros e multa (fl. 26). A MP nº. 2.15970/2001 concedeu a utilização de crédito de 100% relativo ao pagamento de CIDE sobre royalties, no período de apuração de 01/01/2001 a 31/12/2003, devendo tal crédito ser utilizado exclusivamente para fins de dedução do pagamento de CIDE em relação a períodos posteriores. Vejase: Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei no 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 11080.900352/200634 Acórdão n.º 3202000.291 S3C2T2 Fl. 4 4 II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. A contribuinte efetuou pagamentos de CIDE nos períodos de 2001 a 2003 (DARF às fls. 10/12) e poderia terse utilizado dos créditos de 100% desses valores pagos para compensar com débitos da CIDE referentes a períodos posteriores. Acontece, porém, que a recorrente não se creditou dos valores pagos e deixou de fazer a compensação, efetuando pagamentos de CIDE em relação a períodos dos quais poderia terse utilizado desse créditos. A não utilização da faculdade de creditamento que a lei lhe concedeu não faz com que os pagamentos efetuados pela interessada em relação à CIDE de períodos posteriores tenham sido indevidos. A CIDE paga era contribuição exigível e foi paga no estrito limite do valor devido. A não utilização dos créditos não tem o condão de transformar o pagamento de contribuição devida em pagamento a maior, indevido. Não houve pagamento de CIDE maior que o devido, houve uma opção da contribuinte em não se utilizar dos créditos da CIDE para compensar com os débitos da mesma contribuição. Nesse sentido, bem asseverou a decisão recorrida ao afirmar que em verdade, os valores recolhidos pela empresa não são nem pagamentos a maior, nem indevidos. À época do pagamento eles eram exigíveis, visto que a empresa não havia apurado o crédito da CIDE, nem efetuado a dedução que a legislação lhe facultava. Não há, portanto, qualquer pagamento a maior de CIDE que possa ser utilizado para compensar com débitos de COFINS, razão pela qual não merece reparo a decisão de primeira instância. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI
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Numero do processo: 12466.003424/2003-99
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.621
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem; na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem; na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. OTACÍLIO ~SCARTAXO Presidente )A~S- • • i , • S Y Relatora FMANN Formalizado em: f14 JUL 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Valmar Fonsêca de Menezes, Atalina Rodrigues Alves, Irene Souza da Trindade Torres e Carlos Henrique Klaser Filho. ccs Processo n° Resolução nO 13466.003424/2003-99 301-1.621 RELATÓRIO • • • • O presente processo administrativo. trata de impugnação feita pela empresa Indústria e Comércio Quimetal contra lançamento de tributo - IPI sobre importação, acrescido dos consectários legais, multa de ofício de 75%, multa por declaração inexata de mercadoria, conforme auto de infração lavrado e trazido às fls. I a 16 dos autos. Em síntese verifica-se que a discussão central do processo cinge-se à classificação fiscal dos produtos: • Creation Ted Lapidus • Ted Lapidus pour Homme Ted Lapidus .• Lapidus pour Homme Ted Lapidus • Lapidus Woman Eau de Toilette. Consoante consta dos termos do lançamento de fls., ao realizar a conferência física dos produtos das citadas Dis foram retiradas amostras e enviadas ao Labaoratório Nacional de Análises Luiz Angerami. Nos laudos apresentados pelo referido laboratório constatou-se que todos os produtos tratavam-se de perfumes (NCM 3303.00.10), enquanto que nos documentos aduaneiros e fiscais da Recorrente a classificação fiscal adotada indicava que tais produtos classificavam-se como água de colônia (NCM 3303.00.20). . Com fundamentos nos referidos laudos e no previsto no parágrafo 30. Do artigo 30 do Decreto 70235-72, a Recorrente foi autuada sob o fundamento de que as referidas mercadorias importadas deveriam ser classificadas no código NCM 3303.00.10 (21% de II para os fatos geradores ocorridos em 2000, 20,5% de II para os fatos geradores ocorridos em 2001, 19,5% de II para fatos geradores ocorridos em 2002, e 40% de IPI), com a exigência do valor histórico de R$ 112.639,75 a título de IPI, com o acréscimo da multa de ofício de 75%, juros de mora e multa de R$ 6.000,00 a título de multa proporcional ao valor aduaneiro pelo fato da mercadoria ter sido classificada:incorretamente na NCM. Em razão da lavratura do Auto de Infração que veiculou o lançamento do IPI e consectários legais e que veiculou a imposição das multas a Recorrente apresentou a defesa de fls. 104 e seguintes alegando em sua defesa que: • os laudos emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami não podem fundamentar o lançamento tributário e a • 2 • • • • • • Processo nO Resolução n° 13466.003424/2003-99 301-1.621 imposição das multas, pois a conclusão dos referidos laudos para a classificação das mercadorias como perfumes e não como água de colônia é baseada em referências bibliográficas que não são citadas no referido laudo o que o invalida por evidente cerceamento de defesa. • Se, eventualmente, a classificação fiscal das mercadorias objeto do presente processo administrativo feita pela fiscalização, atribuindo-lhes a classificação de perfume, se deu em virtude do previsto no artigo 39 do Decreto 79094/77 que faz a distinção entre perfumes e águas de colônia em função da quantidade de concentração aromática existente no produto, não poderia fiscalização ter feito tal classificação pois tal atribuição cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária nos termos do artigo 2°. da Lei 9782/99 c/c com o art. 80., parágrafo 10., inciso II1 da referida lei . • Nesse raciocinio a Recorrente defende que "a partir desse marco legislativo, definir, regulamentar e fiscalizar colônia, água perfumada e perfume, compete única e exclusivamente, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, não cabendo à Receita Federal, com fundamento em norma anteriormente editada, cumprir com essas funções." .• Alega a Recorrente que ao pretender importar tais mercadorias realizou as diligências necessárias junto à ANVISA que classificou tais mercadorias no grupo 2010470 como "águas perfumadas", de tal modo que o órgão competente indicou que tais mercadorias enquadravam-se na classe de águas perfumadas/águas de colônia . • Alegou, ainda Recorrente em sua defesa que uma vez que o Brasil é integrante do Mercosul e signatário do Tratado de Assunção, o Decreto 79094/77 é contrário ao referido Tratado quando faz distinção entre águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares como produtos constituídos pela dissolução de até 10% de composição aromática em álcool de diversas graduações, pois nos demais países não essa distinção, o que faz como que a tributação sobre os perfumes importados seja menor . • Apresenta razões para afastar a incidências dos juros de mora pela taxa SELIC e alega que a multa de oficio aplicado tem efeitos confiscatórios. Após a apresentação da impugnação a Recorrente apresentou a documentação que indicava que de forma diversa ao indicado no laudo de fls. A concentração de substância odorífera do produto Lapidus Woman Eau de Toilette atinge 8%, enquanto que no laudo (fls 28) a indicação era do percentual de 11.8%. • 3 • Processo n° Resolução n° 13466.003424/2003-99 301-1.621 • • • • • • No julgamento feito na DRJ foi mantido o lançamento em sua integralidade pelos seguintes fundamentos: • Não houve cerceamento de defesa em vista de não constar nos laudos técnicos que embasaram o lançamento e a imposição de multa as referências bibliográficas que fundamentaram a conclusão do laudo. De acordo com o voto condutor do julgado que poderia a Recorrente ter trazido bibliografia específica para o deslinde da questão . '. O contraditório foi bem estabelecido vez que a Recorrente defendeu-se cabalmente da imposição fiscal, consignando que a Recorrente sequer fez pedido de perícia. • Quanto ao cerne da questão - classificação dos produtos - o voto condutor traz os seguintes fundamentos: "Para a autoridade autuante, os aludidos produtos devem classificar- se no código relativo a perfumes (extratos), com base nos Laudos Técnicos expedidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami (...) e na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizados n. I, e não como águas de colônia, conforme declarado pela interessada. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) relativas à posição 3303, trazem os seguintes elementos de juízo sobre a matéria: A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas . (ormas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks), e as águas de colônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo . Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de (lores, essências absolutas ou misturas de susbstâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador . As águas de colônia (por exemplo, água-de-colônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confúndir-se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado. " • 4 • • • • • • • Processo nO Resolução n° 13466.003424/2003-99 301-1.621 Conforme se depreende da leitura do trecho transcrito, não resta qualquer razão à interessada, quando em sua impugnação, defende a classificação de acordo. com a potência olfativa decrescente, afirmando que não se conhece, no mundo, diferenciação entre água- de-colônia e perfume de acorda com a concentração de substâncias aromáticas. Nesse particular, apesar de as NESH estabelecerem tal critério, de alcance universal, com validade em todos os países que adotam o Sístema Harmonízado de Designação e de Codificação de Mercadorias, elas não especificam os límites definidos para que se identifique, a partir de concentração de elementos odorificos, quando se trata a mercadoria de um perfume (extrato) ou de água- de-colônia. Assim, inexistindo, no âmbito da própria Nomenclatura do Sistema Harmonizado um balizamento específico, é lícito se recorrer, para a . correta caracterização dos bens, às regras existentes em normas ou regulamentos específicos do no país, posto que se trata de desdobramento local, em nível de item e subitem. De forma apropriada, trouxe a impugnante aos autos a menção ao Decreto n . 7909, de 05/0111977, que ao tratar do sistema de vigilância sanitária a que se submetem medicamentos, insumos farmacêuticos, drogas, correlatos, cosméticos, produtos de higiene, saneantes e outros, define em seu artigo 9, inciso 11- Perfumes, as seguintes categorias: "a) Extratos - constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). b) Aguas perfumadas, águas de colônia, loções e similares- constituídos pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão. " No caso sob análise, o que. se verifica é que todos os produtos apresentam, segundo os laudos de fls. 20 a 25,28 e 29, concentração . de essências (substâncias odoríferas) superior a 10%. Desse modo, consoante o disposto pelo art. 49 do Decreto n. 79.094/1977, não resta qualquer dúvida de que eles são considerados como perfumes (extratos). Para que se inserissem na categoria de águas-de-colônia, como entende a interessada, necessariamente teriam que possuir uma concentração de essências inferior ao limite de 10%, circunstância refutada pela análise laboratorial efetivada. • No voto condutor também foi afastada a alegação de que a competência para a classificação do produto caberia apenas à ANVISA, bem como foi mantida a cobrança das multas e dos juros de mora pela taxa SELIC. • 5 .' Processo n° Resolução n° 13466.003424/2003-99 301-1.621 • • • •I, • • • . Em vista da confirmação do lançamento tributário e da imposição das multas veiculados no AUTO DE INFRAÇÃO, a Recorrente, em tempo hábil, apresentou o Recurso Voluntário trazendo os mesmos argumentos da impugnação e ao final pedindo a realização de novo laudo técnico ou aditamento do existente para indicar a bibliografia utilizada nos laudos trazidos aos autos e o provimento integral do Recurso. É o relatório . 6 • Processo n° Resolução nO 13466.003424/2003-99 301-1.621 VOTO • • • • Conselheira Susy Gomes Hoffinann, Relatora O Recurso foi apresentado tempestivamente e a matéria versada nos autos é de competência do Terceiro Conselho de Contribuintes, por isso dele conheço e passo a aprecIar. Trata-se de estabelecer a correta classificação do produto descrito pela empresa importadora na respectiva DI. A Recorrente classificou a mercadoria no código NCM 3303.00.20, própria para "águas de colônia", enquanto que a fiscalização aduaneira entendeu que a mercadoria deveria ter sido classificada no código NCM 3303.00.10, como "perfumes", em função do teor de substâncias odoriferas encontrado em laudo técnico. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) referentes à posição 3303 dão as seguintes informações sobre os produtos dessa posição, verbis: "A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águas-de-colônia, cujafunção principal seja a de perjitmar o corpo. I- • Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de fiores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e umfixador ou estabilizador. As águas-de-colônia (por exemplo, água-de-colônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir-se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc. e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado. " . Conforme se constata, os regramentos estabelecidos pelas NESH não especificam a concentração de óleos essenciais que permita a diferenciação entre tais produtos. Apenas explicita que as águas-de-colônia diferem dos perfumes pela • 7 Processo nO Resolução nO 13466.003424/2003-99 301-1.621 • • • • sua mais fraca concentração de óleos essenciais e pelo título menos elevado de álcool empregado. E em nível nacional a NCM também não estabeleceu qualquer especificação que tendesse à distinção entre tais produtos, tendo em vista que, ao instituir para a posição 3303 os itens e subitens correspondentes (7º e 8º dígitos), apenas discriminou: 3303.00.10 - Perfumes (extratos) . 3303.00.20 - Águas-de-colônia Sobre tais produtos, o Decreto nº 79.094/1977 dispõe, em seu art. 49, lI, que os produtos citados compreendem, verbis: "I! - Perfumes: a) Extratos - constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). b) Aguas perfumadas, águas de colônia, loções e similares - constituídas pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão. " o Decreto acima citado regulamenta a Lei nº 6.360/1976, que dispõe sobre a vigilância sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, cosméticos, saneantes e outros produtos, inclusive na importação e na exportação (art. 554 do RA) . Com a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pela Lei nº 9.782/1999, ficou afeta a esse órgão a competência para conceder o registro dos produtos tratados no Decreto nº 79.094/1977, entre eles os perfumes. Assim, a competência da Anvisa, prevista no art. 7º da Lei nº 9.782/1999, diz respeito ao registro dos produtos dependentes de vigilância sanitária. No caso sob exame, a matéria foi objeto de manifestação da Coordenação-Geral do Sistema Aduaneiro da Secretaria da Receita Federal, que através da Nota Coana/CotaclDinom nº 253, de Iº/8/2002, e em resposta à consulta formulada pela Divisão de Informação Comercial do Ministério das Relações Exteriores, pronunciou-se no sentido de esclarecer os critérios adotados para classificar uma preparação odorífera como "perfume" ou "extrato", ou como "água- de-colônia" na Nomenclatura Comum do Mercosul, explicitando, verbis: • 8 • • • • • • Processo nO Resolução n° 13466.003424/2003-99 301-1.621 "7.1 "Essência ou extrato" é o perfume em sua concentração mais alta, sendo que a percentagem varia, conforme a marca, de 15% a 30% de essência diluída em álcool de 90° Gay-Lussac (GL). É o tipo mais caro de perfume e, por não serem adequados ao clima tropical, são difíceis de serem encontrados em razão da pouca comerciabilidade. O fixador (por exemplo, gordura de origem animal reproduzida em laboratório) tem um poderoso efeito de fixação que pode seprolongar por até 24 horas. 7.2 "Eau de parfum" é um perfume com menor concentração de essência, de 10% a 15%, diluída em álcool etílico de 90° GL,cujo efeito de fIXação chega a ultrapassar as 12 horas. 7.3 "Eau de toilette" tem concentração de essência entre 5% e 1O%, diluída habitualmente em álcool de 85° GL. Seus índices de . fIXação não passam das 8 horas em temperaturas mais altas . 7.4 "Água-de-colônia" ou "eau de cologne" é a fragrância cuja percentagem de essência varia entre 3% e 5%, e seu grau alcoólico fica entre 70° e 80° GL. Sua fixação não é maior do que 5 horas e seria, a priori, o ideal para o nosso clima. 7.5 "Eau fraiche"é a "água refrescante", perfumada quase sempre com pouquíssima essência cítrica (Iímão ou tangerina). Por ísto, muitas vezes é chamada de "eau de sport". Tem uma baixa percentagem de essência, de 1% a 3%, e vem quase sempre diluída em álcool de 70' ou 80° GL, havendo poucas variantes de "eau (raíche" que não empregam álcool. Sua taxa de fixação é mínima, de 2 a 4 horas. 8. Tendo-se em mente o exposto e considerando as NESH pode-se afirmar que os ''perfumes ou extratos ", citados no código 3303.00.10 da NCM, compreendem apenas as essências ou extratos (subitem 7.1). 9. Já as mercadorias mencionadas no código 3303.00.20 da NCM, referidas como "águas-de-colônia" englobam as chamadas "eau de parfum ", "eau de toilette ", "eau de cologne" e "eau fraíche" (subitem 7.2 a 7.5)" • Verifica-se, preliminarmente, que existem divergências entre o Laboratório de Análises (conforme laudo), a Anvisa e a Coana sobre o teor de substâncias odoriferas (essências) que caracterizam os extratos, conforme indicado abaixo. 9 : Processo nO Resolução n° 13466.003424/2003-99 301-1.621 LABORATÓRIO ANVISA COANA I 0/0 essências 10-25% 10-30% 15-30% • I I.' • • De outra parte, e embora o procedimento fiscal tenha utilizado como base o teor de substâncias odoríferas encontrado no laudo, não se verifica na legislação do Sistema Harmonizado, nem na parte nacional decorrente desse Sistema (itens e subitens), qualquer regramelito que vincule a classificação ao referido teor. Assim, entendo que a Nota CoanalCotac/Dinom nº 253/2002 antes transcrita esboça apenas considerações sobre a matéria, sem que as colocações ali feitas venham a representar conclusão definitiva da SRF/Coana sobre a classificação das mercadorias objeto da autuação. No entanto, a Nota referida é um fato que pode ter contribuído para a classificação dos produtos importados nos códigos pleiteados pelo importador, tendo em vista que tal Nota foi distribuída à Divisão de Informação Comercial do Ministério das Relações Exteriores. Cumpre ressaltar que para a classificação tarifária na SRF de produtos cujo registro dependa de autorização de órgão governamental competente, como é o caso dos produtos de perfumaria, é requisito essencial a anexação de cópia da autorização do registro do produto junto ao referido órgão, conforme estabelece a IN SRF nO573, de 2005, em seu art. 4º, S 3º. Trata-se, pois, de elemento básico no exame de processos de consulta sobre classificação de mercadorias. Diante do exposto, e em vista da falta de convicção para a definitiva decisão processual, em face das controvérsias que surgem a respeito da matéria, voto no sentido de ser o julgamento convertido em diligência à unidade da SRF de origem, a fim de que seja solicitada a manifestação da Coana no que respeita aos seguintes quesitos - devendo ser oferecida oportunidade à recorrente de formular seus quesitos, se qUiser: a) Tendo em vista que a legislação do Ministério da Saúde (Lei nº 6.360/1976, regulamentada pelo Decreto nO 79.094/1977, e Lei nº 9.782/1999), estabelece a obrigatoriedade de classificação sanitária e o registro dos produtos de perfumaria, de forma a ser indicada em cada produto a sua identificação específica, e que tal atividade é de competência da Anvisa, e considerando o disposto no art. 4º, S 3º, da IN SRF nº 573/2005, que estabelece que na consulta sobre classificação de mercadorias que dependa de autorização de órgão especificado em lei, deverá ser anexada uma cópia da autorização do registro do produto, há alguma possibilidade técnica de os produtos da subposição 3303.00 terem classificação fiscal diversa da identificação e registro que lhes foi concedido pela Anvisa? b) Sem prejuízo do quesito anterior, a eventual apuração de compOSlçaO aromática em laudo técnico solicitado pelas unidades fiscais da SRF, possui relevância suficiente para afastar a identificação e o registro de produto estabelecidos pelo órgão competente do Ministério da Saúde? • \O • --. Processo n° Resolução n° 13466.003424/2003-99 301-1.621 • • • • • • c) As considerações contidas na Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253, de 1./8/2002, representam conclusão definitiva da SRF /Coana sobre a classificação das mercadorias ali discriminadas ("Essência ou extrato ", "Eau de parfum ", "Eau de toilette ", "Agua-de-eolônia" ou "eau de eologne ", e "Eau fraiehe "), de modo a vincular essa classificação ao teor de substâncias odoríferas (essências) existente em cada produto? Antes do retomo do processo a este Conselho, deverá a recorrente ser informada do inteiro teor da resposta do órgão demandado, a fim de que possa, querendo, se manifestar a respeito. Sala das Sessões, em 20 dejunho de 2006 SBJ'~;:'tF~N-Rd,oorn li 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000898/2007-27
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
PAGAMENTO POSTERIOR À CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. EFEITOS.
O recolhimento efetuado após a ciência da notificação não tem o caráter de denúncia espontânea, portanto, não é hábil para descaracterizar a infração cometida, sendo cabível o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora.
MULTA DE OFÍCIO.
É cabível a aplicação de multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, independentemente da intenção do agente (art. 136 do CTN).
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS NÃO DECORRENTES DE APOSENTADORIA, PENSÃO OU REFORMA.
O benefício da isenção do imposto de renda, concedido aos portadores de moléstia grave, somente se aplica aos proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Os rendimentos de natureza diversa não estão isentos do imposto.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-001.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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EFEITOS. O recolhimento efetuado após a ciência da notificação não tem o caráter de denúncia espontânea, portanto, não é hábil para descaracterizar a infração cometida, sendo cabível o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, independentemente da intenção do agente (art. 136 do CTN). ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS NÃO DECORRENTES DE APOSENTADORIA, PENSÃO OU REFORMA. O benefício da isenção do imposto de renda, concedido aos portadores de moléstia grave, somente se aplica aos proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Os rendimentos de natureza diversa não estão isentos do imposto. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Fl. 81DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 19.443,30, referente ao exercício de 2004, a título de imposto (R$ 8.824,65), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 6.618,48), além de juros de mora (R$ 3.700,17). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, tendo em vista que o contribuinte classificou indevidamente como isentos os rendimentos pagos pela Fundação Universidade Estadual do Ceará R$ 18.190,66 e pelo Terceiro Ofício de Registro de Imóveis R$ 37.100,00. Em sua impugnação, o contribuinte concordou com a tributação dos rendimentos recebidos do Terceiro Ofício de Registro de Imóveis, no valor de R$ 36.600,00 e não no valor de R$ 37.100,00 como consta do Auto de Infração, requerendo, ainda, as deduções indicadas na peça de defesa, e a dispensa da multa de 75%, ou a sua redução para o valor mínimo. No que tange aos rendimentos auferidos pelo cargo de professor da Fundação Universidade Estadual do Ceará no valor de R$ 18.190,66, sustentou que nenhum imposto de renda é devido desde a data de assinatura do Laudo Pericial que comprova a doença grave causadora da isenção fiscal. Defendeu, também, a aplicação da isenção do pagamento do imposto de renda incidente sobre os rendimentos auferidos do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará a partir de 03 de outubro de 2002. A 1ª Turma da DRJ/Fortaleza/CE, conforme Acórdão de fls. 36/42, julgou procedente o lançamento, conforme os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. Nos termos da legislação que rege a matéria a isenção somente se aplica a rendimentos de aposentadoria reforma ou pensão. MULTA DE OFÍCIO. A multa aplicável no lançamento de oficio prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 27/09/2007 (fl. 46), o interessado, representado por seu advogado (fl. 56), interpôs recurso voluntário de fls. 47/54, em 26/10/2007, pretendendo a reforma da decisão recorrida para que, no tocante aos rendimentos auferidos do 3° Ofício de Registro de Imóveis, seja computado o DARF relativo ao pagamento do imposto devido, reconhecendo a multa aplicada em 20% com extinção do Fl. 82DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL Processo nº 10380.000898/200727 Acórdão n.º 280101.422 S2TE01 Fl. 77 3 crédito tributário exigido. Quanto aos valores percebidos da Universidade Estadual do Ceará, requer seja reconhecida a isenção do Imposto de Renda sobre os respectivos rendimentos recebidos a partir da data do laudo médico (Outubro/2002). É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, esclareçase que o pagamento efetuado após a ciência da notificação do lançamento, relativo à tributação dos rendimentos auferidos do 3° Ofício de Registro de Imóveis não tem o caráter de denúncia espontânea, portanto, não é hábil para descaracterizar a infração cometida, sendo cabível o lançamento da multa de ofício, até porque a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, já considerada a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. Ressaltese, ainda, que a responsabilidade por infrações à legislação tributária não depende da intenção do agente, conforme o art. 136 do Código Tributário Nacional. Quanto ao aproveitamento do recolhimento realizado em 27/04/2007 (cópia de DARF de fl. 58), cabe à autoridade executora aproveitálo após confirmação. Também não há reparos a serem feitos no acórdão recorrido no que diz respeito aos rendimentos provenientes da Universidade Estadual do Ceará, eis que a isenção aos portadores de moléstia grave alcança apenas os proventos de aposentadoria ou reforma, bem como as respectivas complementações. Assim, além da condição de ser o beneficiário dos rendimentos portador de doença contemplada na norma legal, é necessária a condição de terem os rendimentos a natureza acima referida. No caso em tela, as provas carreadas aos autos não deixam qualquer dúvida quanto à natureza diversa dos rendimentos objeto de discussão, limitado ao período compreendido pelo anocalendário 2003, porquanto a aposentadoria do contribuinte foi concedida em 04/07/2004 (fl. 70). Portanto, o contribuinte somente poderia usufruir da isenção do imposto de renda a partir da data de sua aposentadoria. Destaquese que a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, em seu art. 111, inciso II, dispõe expressamente que a legislação que diga respeito à outorga (concessão) de isenção deve ser interpretada literalmente, o que significa que não é possível dar outro sentido aos termos adotados pela lei, sendo vedada a extensão da isenção a outras hipóteses. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL 4 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 84DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL
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