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Numero do processo: 10909.002666/2003-83
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/05/2003
PIS. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO.
Diante do teor da Súmula vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN.
PIS. DECADÊNCIA.
Nos casos de lançamento por homologação, aplica-se o artigo 150, § 4º do CTN, contando-se o prazo de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-000.842
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopez
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/05/2003 PIS. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO. Diante do teor da Súmula vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. PIS. DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, aplica-se o artigo 150, § 40 do CTN, contando-se o prazo de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosen rg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pel s conclusõ s. Carlos Alberto r , itas Barre o - Presidente Maria Tere artínez Lópe - Relatora EDITADO EM: 26/04/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A contribuinte, com fundamento no art. 32 do então Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela então Portaria n° 55/1998, contra decisão consubstanciada em acórdão da Primeira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes interpõe recurso especial a esta Terceira Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Inconformada, pois, com a decisão que tratou a matéria da decadência com fundamento no art. 45 da Lei n° 8.212/91, ao invés do art. 150, § 4°, do CTN. Consta do relatório do acórdão recorrido o que a seguir peço vênia para transcrever: Contra a contribuinte em epígrafe foram lavrados dois autos de infração. O primeiro, delis. 270/276. O segundo, de fls. 277/294. Tais autos de infração relativos, o primeiro, à insuficiência de recolhimento relativamente aos períodos de apuração de fevereiro, março, abril e maio de 2003, com os devidos acréscimos legais. O segundo, igualmente por insuficiência de recolhimento, relativamente aos períodos de apuração iniciados em janeiro de 1998 e encerrados em novembro de 2002, também gravado com os devidos acréscimos legais. Em sua impugnação, a contribuinte alega, preliminarmente, a decadência do direito de lançar em relação aos períodos de apuração anteriores a 29 de outubro de 1998. Especificamente com relação ao primeiro auto de infração, a contribuinte alega a desconsideração do crédito relativo aos estoques existentes em 12 de dezembro de 2002, a ser utilizado em 12 parcelas. Aduz ainda que não foram creditados os valores decorrentes dos gastos com telefonia, além de outros previstos, o que se constata pelo contido na planilha de fl. 307. Com relação ao segundo auto de infração, alega que os valores foram declarados em DIRPJ, o que afasta a multa de oficio, aplicando-se somente a penalidade pela mora. Junta jurisprudência deste Segundo Conselho de Contribuintes. Alude ainda a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição estabelecida pela Lei n2 9.718/98. Alega ainda o desrespeito à anterioridade nonagesimal. Alega a ilegalidade da taxa Selic aplicada ao lançamento. A decisão ora recorrida resume, na ementa, os seus fundamentos, pelo que a leio em sessão «is. 543/544). A ementa da decisão recorrida possui a seguinte redação: 2 Processo n° 10909.002666/2003-83 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.842 Fl. 767 NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. Decai em 10 anos o direito de a Fazenda Pública constituir, através do lançamento de oficio, o crédito tributário. Preliminar rejeitada. CONSTITUCIONALIDADE. LEI N2 9.718/98. INCOMPE- TÊNCL4. Não compete ao Conselho de Contribuintes decidir sobre a inconstitucionalidade de norma legal ou de sua aplicação. Precedentes. PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. Não logrando o contribuinte contrapor os cálculos efetuados pela Fiscalização, legítimo o lançamento das diferenças apuradas entre o cálculo do Fisco e o do contribuinte. Recurso negado. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: 1) pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer (Relator), Antonio Mario de Abreu Pinto, Sérgio Gomes Velloso e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. Designada a Conselheira Adriana Gomes Rêgo Galvã o para redigir o voto vencedor; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O apelo especial, sob entendimento de terem sido parcialmente preenchidos os requisitos de admissibilidade, apenas quanto a decadência (5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, foi recebido por meio de Despacho n° 201-382 da Presidência daquela Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Houve agravo quanto a parte não acolhida. Á luz do Regimento Interno da CSRF, rejeitado o pedido de reexame do recurso especial, interposto pela contribuinte conforme Despacho CSRF n° 058/2007, fls. 761. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso especial do Contribuinte na parte admitida, preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria cinge-se exclusivamente à decadência dos créditos lançados do PIS. Em apertada síntese: - o acórdão recorrido entende aplicável o art. 45 da Lei n° 8212/91, prazo de 10 anos; - o contribuinte (recorrente) defende a aplicabilidade do art.150, § 4°, do CTN (5 anos, contados do fato gerador), por se tratar de lançamento por homologação; A ciência dos autos de infração verificou-se em 29/10/2003 (fl.270 e 294). Tais autos de infração relativos, o primeiro, à insuficiência de recolhimento relativamente aos períodos de apuração de fevereiro, março, abril e maio de 2003, o segundo, igualmente por insuficiência de recolhimento, relativamente aos períodos de apuração iniciados em janeiro de 1998 e encerrados em novembro de 2002, também gravado com os devidos acréscimos legais. A recorrente invoca a decadência do direito de lançar em relação aos períodos de apuração anteriores a 29 de outubro de 1998. A controvérsia cinge-se em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", deve ser contado por uma das regras previstas no CTN ou pela regra prevista no art. 45 da Lei n°8.212/91. O Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula vinculante n° 8, verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4° do art. 2° da Lei n° 11.417/2006: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5 0, parágrafo único Lei n° 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) Portanto, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 não há como se manter a decisão recorrida. Resta saber se o prazo da decadência pode ser contado na forma estabelecida pelo art. 150, § 4°, do CTN. No presente caso (admitindo divergências nesta Câmara a se houve ou não pagamento parcial) o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente às 4 Processo n° 10909.002666/2003-83 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.842 Fl. 768 eventuais diferenças de PIS extingue-se em cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4°, do CTN. Entende esta Conselheira que tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição para o PIS natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 4° do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 4°), o que não se tem noticia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Sobre o assunto, aplicabilidade do art. 150, § 4 °, do CTN, tomo a liberdade de transcrever parte do voto prolatado pelo Conselheiro Urgel Pereira Lopes, relator designado no Acórdão CSRF/01-0.370, que acolho por inteiro, onde analisando exaustivamente a matéria sobre decadência, assim se pronunciou: "Em conclusão: a) nos impostos que comportam lançamento por homologação a exigibilidade do tributo independe de prévio lançamento; b) o pagamento do tributo, por iniciativa do contribuinte, mas em obediência a comando legal, extingue o crédito, embora sob condição resolutó ria de ulterior homologação; c) transcorrido cinco anos a contar do fato gerador, o ato jurídico administrativo da homologação expressa não pode mais ser revisto pelo fisco, ficando o sujeito passivo inteiramente liberado; d) de igual modo, transcorrido o quinquênio sem que o fisco se tenha manifestado, dá-se a homologação tácita, com definitiva liberação do sujeito passivo, na linha de pensamento de SOUTO MAIOR BORGES, que acolho por inteiro; e) as conclusões de "c" e "d" acima aplicam-se (ressalvando os casos de dolo, fraude ou simulação) às seguintes situações jurídicas (I) o sujeito passivo paga integralmente o tributo devido; (II) o sujeito passivo paga tributo integralmente devido; (III) osujeito passivo paga o tributo com insuficiência; (II0 o sujeito passivo paga o tributo maior que o devido; (V) o sujeito passivo não paga o tributo devido; fi em todas essas hipóteses o que se homologa é a atividade prévia do sujeito passivo. Em casos de o contribuinte não haver pago o tributo devido, dir-se-ia que não há atividade a homologar. Todavia, a construção de SOUTO MAIOR BORGES, compatibilizando, excelentemente, a coexistência de 5 procedimento e ato jurídico administrativo no lançamento, à luz do ordenamento jurídico vigente, deixou clara a existência de uma ficção legal na homologação tácita, porque nela o legislador pôs na lei a idéia de que, se toma o que não é como se fosse, expediente de técnica jurídica da ficção legal. Se a homologação é ato de controle da atividade do contribuinte, quando se dá a homologação tácita, deve-se considerar que, também por ficção legal, deu-se por realizada a atividade tacitamente homologada." Ainda sobre a mesma matéria, trago à colação, o Acórdão n° 108-04.974, de 17/03/98, prolatado pelo ilustre Conselheiro JOSÉ ANTÔNIO MINATEL, cujas conclusões acolho e, reproduzo, em parte: "Impende conhecermos a estrutura do nosso sistema tributário e o contexto em que foi produzida a Lei 5.172/66 (CTN), que faz as vezes da lei complementar prevista no art. 146 da atual Constituição. Historicamente, quase a totalidade dos impostos requeriam procedimentos prévios da administração pública (lançamento), para que pudessem ser cobrados, exigindo-se, então, dos sujeitos passivos a apresentação dos elementos indispensáveis para a realização daquela atividade. A regra era o crédito tributário ser lançado, com base nas informações contidas na declaração apresentada pelo sujeito passivo. Confirma esse entendimento o comando inserto no artigo 147 do CTN, que inaugura a seção intitulada "Modalidades de Lançamento" estando ali previsto, como regra, o que a doutrina convencionou chamar de "lançamento por declaração" Ato contínuo, ao lado da regra geral, previu o legislador um outro instrumento à disposição da administração tributária (art. 149), antevendo a possibilidade de a declaração não ser prestada (inciso II), de negar-se o sujeito passivo a prestar os esclarecimentos (inciso III), da declaração conter erros, falsidades ou omissões (inciso IV), e outras situações ali arroladas que pudessem inviabilizar o lançamento via declaração, hipóteses em que agiria o sujeito ativo, de forma direta, ou de oficio para formalizar a constituição do seu crédito tributário, dai o consenso doutrinário no chamado lançamento direto, ou de oficio. Não obstante estar fixada a regra para formalização dos créditos tributários, ante a vislumbrada incapacidade de se lançar, previamente, a tempo e hora, todos os tributos, deixou em aberto o CIN a possibilidade de a legislação, de qualquer tributo, atribuir "... ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa" (art. 150), deslocando a atividade de conhecimento dos fatos para um momento posterior ao do fixado para cumprimento da obrigação, agora já nascida por disposição da lei. Por se tratar de verificação a posteriori, convencionou-se chamar essa atividade de homologação, encontrando a doutrina ali mais uma modalidade de lançamento — lançamento por homologação. -Claro está que essa última norma se constituía em exceção, mas que, por praticidade, comodismo da administração, complexidade da economia, ou agilidade na arrecadação, o que era exceção virou regra, e de há bom tempo, quase todos os 6 Processo n° 10909.002666/2003-83 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.842 Fl. 769 tributos passaram a ser exigidos nessa sistemática, ou seja, as suas leis reguladoras exigem o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa". Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos — lançamento por declaração, hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame prévio do sujeito ativo — lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constituí, pelo contrário, declara-se a existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Essa digressão é fundamental para deslinde da questão que se apresenta, uma vez que o CTN fixou períodos de tempo diferenciados para essa atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo, determinou o art. 173 do código, que o prazo qüinqüenal teria início a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, preparado o lançamento. Essa a regra da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos 5 anos já não mais dependem de uma carência inicial para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato_gerador, já nasce para o sujeito passivo a obrigação de apurar e liquidar o tributo, sem gualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. " (grifo nosso) É o que está expresso no parágrafo 4°, do artigo 150, do CTN, verbis: "Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entendo que, desde o advento do Decreto-lei 1.967/82, se encaixa nesta regra a atual sistemática de arrecadação do imposto de renda das empresas, onde a legislação atribui às ( 7 pessoas jurídicas o dever de antecipar o pagamento do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, impondo, inclusive, ao sujeito passivo o dever de efetuar o cálculo e apuração do tributo e/ou contribuição, dai a denominação de "auto-lançamento." Registro que a referência ao formulário é apenas reforço de argumentação, porque é a lei que cria o tributo que deve qualificar a sistemática do seu lançamento, e não o padrão dos seus formulários adotados. Refuto, também, o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação de pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo Fisco decorre da insuficiência de recolhimentos, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de oficio, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. (grifo nosso) Nada mais falacioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define que "o lançamento por homologação opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a 'contrário sensu', não homologado o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributaçã o, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao "conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado", na linguagem do próprio CTN. " Em síntese, tem-se: - inaplicabilidade da Lei n° 8.212/91. Diante do teor da Súmula vinculante n2 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve obedecer às regas previstas no CTN; ii - em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se desloca da regra geral, prevista no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 40 do art. 150 do mesmo Código, hipótese em que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. 8 Processo n° 10909.002666/2003-83 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.842 Fl. 770 Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial, de forma a acolher a decadência, dentro da regra estabelecida pelo § 4° do art. 150 do CTN, e assim, para os fatos geradores ocorridos até (anteriores) 29 de outubro de 1998. te„tv, Maria Teres Martinez López 9
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Numero do processo: 10907.000097/2005-13
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA. Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam
dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários.
Impossibilidade de atribuir, de oficio, os valores como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas.
AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174, DE 2001.
É legitimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n° 10.174, de 2001, que estabelece novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, visto que tem natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência.
IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - COMPROVAÇÃO DE ORIGEM -
Não há previsão legal expressa para que a comprovação dos depósitos bancários cuja origem seja questionada em procedimento de fiscalização seja feita com coincidência exata de datas e valores (art. 42 da Lei n° 9.430/96).
Assim, logrando o contribuinte comprovar que dispunha de montante suficiente a justificar parte dos depósitos bancários transitados por suas contas, deve esta comprovação ser aceita, e excluído o referido montante da base de cálculo do lançamento.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-000.033
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento, por quebra de sigilo bancário e pela irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001.
Vencido o Conselheiro Moiés Giacomelli Nunes da Silva que as acolhe. No mérito, por unanimidade de votos, EXCLUIR o valor de R$ 16.000,00 e, por maioria de votos, CANCELAR a exigência referente à c/c do Banco hal por falta de intimação do co-titular, nos termos do voto da relatora.
Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro.
Nome do relator: Vanessa Pereira Rodrigues Domene
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Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de oficio, os valores como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas. AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N°. 10.174, DE 2001. É legitimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n°. 10.174, de 2001, que estabelece novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, visto que tem natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência. IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - COMPROVAÇÃO DE ORIGEM - Não há previsão legal expressa para que a comprovação dos depósitos bancários cuja origem seja questionada em procedimento de fiscalização seja feita com coincidência exata de datas e valores (art. 42 da Lei n°. 9.430/96). Assim, logrando o contribuinte comprovar que dispunha de montante suficiente a justificar parte dos depósitos bancários transitados por suas contas, deve esta comprovação ser aceita, e excluído o referido montante da base de cálculo do lançamento. Recurso parcialmente provido. -..Í, \n,:i Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. i Processo n• 10907.00009712005-13 83-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.033 Fl. 248 ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3' Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento, por quebra de sigilo bancário e pela irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001. Vencido o Conselheiro Moiés Giacomelli Nunes da Silva que as acolhe. No mérito, por unanimidade de votos, EXCLUIR o valor de R$ 16.000,00 e, por maioria de votos, CANCELAR a exigência referente à c/c do Banco hal por falta de intimação do co-titular, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. //01 ' •Ylple r. PESSOA MONTEIRO P esidente VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE Relatora FORMALIZADO EM: 03 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Silvana Mancini Karam, Núbia Matos Moura e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado, em 13/01/2005, o auto de infração de fls.121/126, no qual foi formalizado crédito tributário no valor total de R$ 138.265,56, sendo R$ 57.538,73 de imposto de renda pessoa fisica, R$ 43.154,04 de multa proporcional e R$ 37.572,79 de juros de mora, calculados até 30/12/2004. De acordo com os fatos apurados pela fiscalização, houve a omissão de receita por parte do contribuinte por depósitos bancários de origem não comprovada. O "Termo de Verificação de Infração" foi anexado às fls. 127/128 dos autos. Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação às fls. 136/146, alegando, em breve síntese, que: O lançamento é ilegítimo, tendo em vista que a presunção legal não é meio de prova e, ainda, os tribunais pátrios vêm rechaçando a tributação do contribuinte com base tão- somente em anotações de extratos bancários; Relativamente aos extratos do Banco Bradesco, teve dificuldades em demonstrar, em tempo hábil, a origem dos depósitos; 2 Processo n0 10907.000097/2005-13 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00.033 • Fl. 249 Exercendo a profissão de advogado, em muitas oportunidades recebe valores de clientes que são depositados em sua conta bancária antes de ser a estes repassados; No tocante à conta bancária do Banco Itait, os depósitos constantes dos extratos referem-se à movimentação- exclusiva de sua esposa, pois se trata de conta conjunta; neste sentido, sua esposa, exercendo a profissão de contadora, também recebe valores de clientes a serem posteriormente repassados a estes, especialmente valores destinados ao pagamento de tributos e outros encargos; Ainda que consideradas as receitas como omitidas, teriam que ser considerados os valores de R$ 17.000,00 (dezessete mil reais) e R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais), correspondentes a vendas de automóveis (Veeiro e Corsa, respectivamente); neste sentido, a quantia de R$ 16.000,00 se refere ao depósito efetuado no dia 13/01/2000 no Banco Mercantil, já que o veículo foi alienado nesta data; Excluídos dos extratos os lançamentos que não se referem a rendimento, os valores contidos no livro caixa não poderão ser considerados como receita omitida, a teor do que dispõe o art. 42, § 3 0, II, da Lei n°. 9.430/96. Em análise à impugnação sobreveio decisão de primeira instancia às fls. 153/161, que julgou procedente o lançamento de oficio, sob os seguintes argumentos: A constitucionalidade das leis não é matéria afeta aos processos administrativos, sendo que às delegacias de julgamento compete tão-somente o controle da legalidade dos autos administrativos; ainda, nos termos do art. 100, II, do CTN, as decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário; O lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei n°. 9.430/96, c,/c o art. 40 da Lei n°. 9.481/97, sendo que está sedimentado em prova material inequívoca acerca da ocorrência do fato gerador; Conforme a Lei n°. 9.430/96 não há a necessidade de comprovação, para o lançamento efetuado no caso concreto, de acréscimo patrimonial ou mesmo a identificação de sinais exteriores de riqueza; Com relação à alegada dificuldade na obtenção dos extratos do Banco Bradesco, é de se salientar que, nos termos do art. 16 do Decreto n°. 70.235/72, poderia o contribuinte ter comprovado a origem dos depósitos bancários na oportunidade da impugnação; Quanto à alegação de que exerce a profissão de advogado e, por isso, recebe valores de clientes a serem posteriormente repassados, o contribuinte não junta aos autos provas cabais neste sentido; No que tange à conta corrente do Banco hal, não há nos autos qualquer prova de que se trata de conta conjunta, haja vista que nos extratos de fls. 16/38 consta apenas o nome do autuado; As alegadas vendas dos veículos Vectra e Corsa, nos valores de R$ 17.000,00 e R$ 16.000,00, respectivamente, não foram comprovadas pelo contribuinte, que não anexou aos autos qualquer documento que comprove as citadas operações. c.te) 3 Processo n° 10907.000097/2005-13 53-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.033 Fl. 250 Devidamente intimado desta decisão, em 11/08/2005 (fls. 164), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 12/09/2005 (fls. 165/181), reforçando as argumentações apresentadas em sede de impugnação e acrescentando as seguintes: Nulidade do auto de infração, pois a fiscalização desconsiderou o fato de que a conta bancária mantida junto ao Banco baú (conta n°. 25.525-6) se trata de conta conjunta, mantida em nome do contribuinte e de sua esposa, Marilú Correia Antunes Saif; As informações foram obtidas pela fiscalização de forma ilegal, por meio da quebra do sigilo fiscal do contribuinte; No ano de 2000 era vedada a utilização de informações da CPMF para a instauração de procedimento fiscal; neste sentido, as alterações promovidas pela Lei n°. 10.174/2001 na Lei n°. 9.311/96 não podem retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos ao inicio de sua vigência; A fiscalização cometeu equívocos ao elaborar o demonstrativo dos créditos supostamente devidos, pois: A alienação do veiculo Vectra pode ser constatada por meio das declarações de rendimentos; A venda do veículo Corsa, realizada em 15/06/2000 para a Sra. Simone Costa Kolinowski, pode ser verificada pelo depósito, datado do mesmo dia, de R$ 14.860.00 na conta corrente do Banco Itaú, sendo R$ 14.000,00 em dinheiro e R$ 860,00 em cheque; Em relação à conta corrente n°. 25.525-6 (Banco adi), nos dias 12/04, 18/04, 03/05, 18/05 e 30/06/2000 foram realizados estornos de lançamentos de créditos, que foram considerados pelo Fisco como lançamentos a créditos, traduzindo, portanto, valores em duplicidade; Ainda com relação à conta corrente n°. 25.525-6 (Banco Itaú) há depósitos que representam valores recebidos de clientes para pagamento de encargos devidos por estes; neste sentido, somente do cliente "Sementes Prezzotto" os valores recebidos somam R$ 9.150,00. O Recorrente juntou documentos às fls. 182/245. É o relatório. Voto Conselheiro VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE, Relatora. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço-o e passo ao exame do mérito. Primeiramente, analiso a preliminar de nulidade do auto de infração argüida pelo Recorrente, ao argumento de que o trabalho da fiscalização teria desconsiderado o fato de 4 Processo n° 10907.000097/2005-13 S3-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.033 Fl. 251 a conta bancária mantida junto ao Banco Itaú tratar-se de conta conjunta, em nome do Recorrente e em nome de sua esposa, Sra. Marilú Correia Antunes Saie Sobre as alegadas movimentações da conta corrente realizadas pela esposa do Recorrente, ainda em sede de Impugnação, a primeira instância administrativa assim se manifestou: "Em relação à conta corrente do Banco Baú, não há nos autos qualquer prova de que se trata de conta conjunta, haja vista que nos extratos de j7s. 16/38, consta apenas o nome do autuado, portanto, não há como acolher a alegação de que a movimentação bancária era exclusiva de seu cônjuge, que por ser contadora recebia valores de clientes e os depositava em sua conta bancária, até porque não se anexou aos autos qualquer documento que comprovassem tratarem-se de recursos de terceiros." (Jls. 160) Ao Recorrente, no entanto, assiste razão A declaração de fls. 190, anexada pelo contribuinte na oportunidade da apresentação do Recurso Voluntário, atesta que a conta corrente mantida junto ao Banco Raiz, de fato, trata-se de conta conjunta. Veja-se: Em resposta a sua solicitação datada de 25 de agosto de 2005, informamos que a conta corrente número 25525-6 mantida em nossa agência trata-se de conta conjunta com a Sra. Marilú Correia Antunes Sai]' desde a data de 13.10.1992, permanecendo até a presente data sem alteração. (-)" Não bastasse tal declaração, assinada pelo gerente da instituição, Sr. João Batista de Souza Sant-Ana, verifico que nos documentos constantes dos Anexos I, II, III e IV deste processo administrativo, os extratos bancários da conta corrente do Banco Itan, de n°. 25.525-6, consignam os seguintes dados: "ExtratoAgência : 0118 Conta: 25525-6 (Horário) MILTON LUIZ SA1F E/OU 5 ESTRELAS" Os extratos do Banco kali, relativos ao ano-calendário 2000 (exercício 2001), constam às fls. 33/43 e 77/87 do Anexo I, 131/142 e 191/203 do Anexo II, 253/264 e 348/351 do Anexo III e 374/379, 392/396, 411/416, 427/430, 444/446 e 456/457 do Anexo IV. Tais documentos, vale dizer, poderiam ter sido analisados em sede de primeira instância administrativa, pela 4a Turma da DRJ de Curitiba (PR). Ao revés, limitando- se esta a verificar apenas os extratos de fls. 16/38 destes autos, no lugar dos extratos anexados nos quatro anexos aos autos principais, realizou, a meu ver, uma análise sobremaneira simplista do caso concreto. O , -\ 5 Processo n0 10907.000097/2005-13 53-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.033 Fl. 252 Cumpre mencionar que, conforme a "Declaração de Ajuste Anual Simplificada" anexada às fls. 03/04, relativa ao ano-calendário 2000 (exercício 2001), o Recorrente não declarou sua esposa como sua dependente, motivo pelo qual, sendo a conta corrente mantida junto ao Banco hal uma conta conjunta, a intimação da co-titular (no caso, sua esposa) era medida que se impunha. No caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários, nos termos do artigo 42 da Lei no. 9.430/96. Não se pode atribuir, de oficio, os valores como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas, o que, aliás, não foi aventado pelo órgão julgador de primeira instância. Assim, repiso que a prévia intimação aos titulares de contas conjuntas, uma vez que apresentam declaração anual de ajuste em separado, constitui inafastável exigência de lei material, por proporcionar, ou não, a base material da presunção legal, na medida em que não justificados, ou, justificados, os créditos questionados. Assim vem entendendo este E. Conselho de Contribuintes, determinando a anulação do auto de infração no que diz respeito às contas conjuntas cujos co-titulares não são devidamente intimados na fase fiscalizatória. Veja-se: "DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO CONHECIDA. CONTA CONJUNTA. ARTIGO 42, 6" DA LEI 9.430, DE 1.996. Ausência de intimação do co-titular da mesma conta corrente bancária. Lançamento realizado sem a devida intimação do(s) co(s)-titular(es) da conta corrente bancária contém erro material. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores creditados. Ausência de segurança quanto à base de cálculo e o valor do tributo cobrado. Hipótese de nulidade do lançamento. Embargos de Declaração acolhidos." (P CC — Segunda Câmara - Recurso n°. 142.427 — Relator: Silvana Mancini Karam — Sessão de 05/12/2007). "CONTA CONJUNTA - Em se tratando de conta conjunta, é necessário intimar todos os co-titulares da conta para que informem sobre a origem dos recursos. A divisão do total de rendimentos ou receitas pela quantidade de co-titulares somente é cabível. quando. intimados os titulares da conta não se obtenha êxito quanto à prova da titula ridade dos recursos." (1° CC — Segunda Câmara - Recurso n°. 148.321 — Relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva — Sessão de 26/01/2007). "OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA — Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do iniposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correnti.,tas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de oficio. os valores como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único corretta, sem que o outro tenha sido intimado, o 6 • Processo n° 10907.000097/2005-13 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00.033 Fl. 253 auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regra-matriz do § 6°, do artigo 42, da Lei e 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado." (1° CC — Segunda Câmara - Recurso n°. 143.804 — Relator: Naury Fragoso Tanaka — Sessão de 26/04/2007). Diante do exposto, a análise dos documentos anexados na oportunidade do Recurso Voluntário com vistas a comprovar os repasses de valores depositados pelos clientes da esposa do Recorrente (fls. 191/200 e 202/214), co-titular da conta corrente mantida junto ao Banco baú, não se mostra cabível nestes autos, já que o auto de infração se revela nulo em relação aos depósitos lançados naquela instituição financeira, conta corrente n°. 25.525-6. A mesma sorte seguem os demais argumentos e documentos relativos à mesma conta bancária. Ainda em sede preliminar o Recorrente sustenta a nulidade do auto de infração decorrente da (1) quebra do sigilo bancário e da (II) ilegal retroatividade da Lei n°. 10.174/2001. Com relação à argumentação de que a fiscalização utilizou de fonna indevida e ilegal dados dos extratos bancários do contribuinte, em que pese as alegações do Recorrente, cumpre ressaltar que o interesse coletivo deve sempre prevalecer sobre o interesse do particular, sendo certo que o sigilo trazido pela Constituição Federal diz respeito à "comunicação de dados", não se tratando, de modo algum, de sigilo absoluto. Aliás, na quase totalidade dos países ocidentais existe a possibilidade de acesso às movimentações bancárias quando tal seja importante para apuração de crimes e fraudes tributárias em geral. Além do exposto, o entendimento mais correto é no sentido de que a Lei Complementar n° 105, de 2001 e a Lei n° 10.174, de 2001, ao contrário do alegado pelo Recorrente, têm natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores à sua vigência. A teor do que dispõe o art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Sendo assim, a norma contida na Lei Complementar 105/01, que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de credito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, podendo assim alcançar fatos geradores pretéritos. A exegese do art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, considera a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, e conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/01 e da Lei 10.174/01 ao ato de lançamento de tributos que a constituição do crédito não esteja alcançada pela decadência. ": 7 Processo n° 10907.000097/2005-13 53-C3T1 Adirdão n.° 3301-00.033 Fl. 254 Insta esclarecer, ademais, que a este Conselho de Contribuintes não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula 1° CC n°. 2, "verbiS": "Súmula 1°CC e 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Sendo assim, descabida a alegação do contribuinte de que a autoridade fiscal teria se utilizado de dados de seus extratos bancários de forma ilegal, visto que tal procedimento tal total respaldo legal, não merecendo o auto de infração ser anulado por este motivo. Deixo de analisar a preliminar de "incorreção na constituição do crédito tributário" no que diz respeito à alegado alienação do veículo GM/Corsa, placa AHR-5371 e aos alegados estornos de créditos e recebimentos de encargos dos clientes do contribuinte (fls. 180/181), uma vez que tais alegações referem-se a operações efetuadas junto ao Banco Itaú, conta corrente n°. 25.525-6. Por fim, a alegado alienação do veículo GM/Vectra, placa AFI-4992, trata de matéria afeta ao mérito deste processo e, por isso, deixo para apreciá-la a seguir. Mérito: O lançamento com base na presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da lei n° 9.430, de 24/12/1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Veja-se: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § I". O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2". Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que foram auferidos ou recebidos. § 3". Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos .serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fi.sica ou jurídica; H - no coso de pessoa Pica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 ek - 8 Processo n° 10907.000097/2005-13 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.033 Fl. 255 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de Itt 80.000,00 (oitenta mil reais). g e. Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente é época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. sç 5°. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou •receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § e. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Isto porque o ônus da prova, neste caso, cabe ao interessado, no caso o contribuinte. Importa destacar também que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Logo, cabe apenas ao sujeito passivo, e não ao Fisco, trazer os elementos de prova de forma a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em sua conta corrente ao longo dos períodos base analisados. Observe-se que o art. 332 da Lei n°. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, estabelece que "todos os meios legais, bem çomo os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou defesa". Desse modo, não havendo hierarquia do valor probante dos meios de prova, excetuado o uso de provas ilícitas (art. 5 0, inciso LVI da Constituição Federal de 1988), pode-se provar qualquer situação de fato por qualquer via. Com efeito, diante do exposto, verifica-se que para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n°. 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As constatações acima afastam as alegações acerca da suposta necessidade de comprovação, por parte do Fisco, de acréscimo patrimonial a descoberto ou mesmo de sinais exteriores de riqueza. O auto de infração lavrado no caso concreto, repise-se, é resultado da verificação de omissão de rendimentos, apurada com base em valores depositados em contas bancárias para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou a origem. a • 9 Processo n° 10907.000097/2005-13 S3-C3T1 Acórdão n.• 3301-00.033 Fl. 256 Na hipótese dos autos, uma vez afastados, como receitas omitidas, os depósitos efetuados na conta corrente mantida junto ao Banco Itaú (conta n°. 25.525-6), por ser nulo o auto de infração neste particular, resta apenas a análise dos depósitos efetuados em favor da conta corrente n°. 40571122, mantida junto ao Banco Mercantil, agência 198. Pois bem. Na tentativa de comprovar a origem dos depósitos questionados pela fiscalização, especificamente no tocante aos depósitos efetuados junto ao Banco Mercantil, conta corrente n°. 40571122, agência 198,0 Recorrente sustenta: Que teve dificuldades na obtenção dos extratos do Banco Bradesco, já que este encampou o Banco Mercantil; Que exercendo a profissão de advogado recebe valores de clientes a ser a estes posteriormente repassados, o que é absolutamente comum na profissão; Que o depósito realizado no dia 13/01/2000, no valor de R$16.000,00, refere- se à quantia recebida pela venda do veiculo GMNectra, placa AFI-4992, alienado ao Sr. André Meireles, CPF n°. 222.733.879-20, fato que pode ser constatado pelo Fisco por meios das declarações de rendimentos. Todavia, com relação aos itens (i) e (ii) acima, em que pese as alegações expostas pelo contribuinte, estas se revelam carentes de qualquer comprovação. Não há nos autos, assim, documentos hábeis e idôneos que possam fazer prova a favor das alegações feitas pelo contribuinte. Quanto às dificuldades de obtenção dos extratos junto ao Banco Bradesco, em nenhum momento tais dificuldades foram atestadas por documentos obtidos pelo Recorrente, sendo que neste particular andou bem o órgão julgador de primeira instância ao afirmar que, desde a data da lavratura do auto de infração já passou tempo razoável à obtenção de tais extratos, especialmente na atual fase processual. Ainda que assim não fosse, é certo que a própria fiscalização obteve os mencionados extratos, fato que desencadeou o lançamento tributário, sendo que, exceção feita a um único depósito pontual (alegada alienação de veiculo), o Recorrente não logrou apontar, de forma individualizada, a origem de cada um dos depósitos. No tocante aos supostos valores recebidos pelo Recorrente, a serem posteriormente repassados aos seus clientes, também não observo nos autos qualquer documento que possa comprovar o alegado. Trata-se, pois, de mera alegação, desprovida de documentação apta a atestar sua veracidade. Todavia, no que diz respeito à alienação do veiculo GM/Vectra, placa AFI- 4992, o Recorrente afirma que a operação pode ser constatada pelo Fisco "em confronta de declarações". Em análise detida da "Declaração de Ajuste Anual Simplificada", anexada às fls. 03 dos autos, verifico nesta constar, no item "Declaração de Bens e Direitos", a seguinte informação: "04 — AUTOMÓVEL GM/VECTRA, ANO 1995, MOD. 1996, PLACA AFY-4992, VENDIDO PARA ANDRÉ MEIRELLES CPF N. 222.733.879-20 POR RS-17.000,00." c-Ç ",ki • to Processo n°10907.000097/2005-13 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.033 Fl. 257 O depósito em dinheiro realizado em 13/01/2000 corresponde a R$ 16.000,00. Assim, muito embora não conste na declaração de rendimentos do contribuinte a data da venda do veiculo, e muito embora haja diferença de R$ 1.000,00 entre o valor da alienação declarado ao Fisco e o valor depositado na conta corrente, tenho para mim que, neste particular, o contribuinte logrou comprovar a origem da disponibilidade econômica que resultou no depósito bancário em questão. De fato, de acordo com a jurisprudência deste E. Conselho de Contribuintes, não há previsão legal para se exigir que a comprovação da origem dos depósitos seja realizada somente a partir da indicação de operações com datas e valores coincidentes. Por tal motivo, tenho para mim que mais importante que a coincidência de tais dados é a consistência das alegações do contribuinte. Neste sentido, veja-se: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ART. 42 DA LEI IV° 9.430 DE 1996 — A justificativa dos depósitos bancários de forma individualizada não quer dizer que a comprovação da origem deve ter coincidência de datas e valores. Carece de amparo legal a exigência de coincidência de datas e valores entre os recursos disponibilizados e os depósitos bancários. Os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, comprovando com documentos a origem dos recursos depositados em instituições financeiras, somente podem ser afastados com elemento seguro de prova em contrário." (1° CC — Segunda Câmara — Recurso n". 150.715 — Relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva — Sessão de 17/10/2007). "IRPF — DEPÓSITOS BANCÁMOS — COMPROVAÇÃO DE ORIGEM — Não há previsão legal expressa para que a comprovação dos depósitos bancários cuja origem seja questionada em procedimento de fiscalização seja feita com coincidência exata de datas e valores (art. 41 da Lei n". 9.430/96). Assim, logrando o contribuinte comprovar que dispunha de montante suficiente a justificar parte dos depósitos bancários transitados por suas contas, deve esta comprovação ser aceita, e excluído o referido montante da base de cálculo do lançamento." (1° CC — Sexta Câmara — Recurso n°. 144.749 — Relator Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti — Sessão de 25/04/2007). Vale destacar que a legislação tributária não exige do contribuinte pessoa fisica a realização de escrituração fiscal, motivo pelo qual todos os recursos com origem comprovada devem servir para justificar os valores creditados em contas bancárias. Neste sentido: "IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - LEI 9.430, DE 1996 - COMPROVAÇÃO - Estando as Pessoas Físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada servem para justcar os valores depositados ou creditados em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores." (1° CC — Quarta Câmara — Recurso n°. 129.196 — Relator Remis Almeida Estol — Sessão de 05/11/2002). \,\: II Processo n° 10907.00009712005-13 83-C3T1 Acórdão n.°3301-00.033 19.258 Assim, o depósito realizado em 13/01/2000, no valor de R$ 16.000,00, foi devidamente justificado. Verifico, por fim, que muito embora o valor residual a título de "depósitos não justificados" corresponda apenas a R$ 74.742,66, ou seja, inferior a R$ 80.000,00, não é possível o cancelamento da exigência fiscal com base no art. 42, § 3 0, II, da Lei no. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n°. 9.481/97, face à existência de dois depósitos, na conta corrente do contribuinte, superiores a R$ 12.000,00. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso do contribuinte, para o fim de declarar a nulidade do auto de infração com relação aos depósitos realizados na conta corrente mantida junto ao Banco Itaü (conta n°. 25.525-6), por falta de intimação de sua co-titular, e para o fim de declarar, ainda, devidamente justificado o depósito de R$ 16.000,00, realizado em 13/01/2000, na conta corrente n°. 40571122, Banco Mercantil, agência 198. Sala das Sessões - DF, em 05 de março de 2009 i?"‘r 'N I 1 ' \ VANESS PEREIRA RODR UES DOMENE , 12 • kiiSS MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10907.000097/2005-13 Recurso n° 153.567 Voluntário TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 61 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 25 de junho de 2007, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, • credenciado junto à Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a tomar ciência do Acórdão n°3301-00.033. Brasília, NR UE TIffirge Presidente da Terceira Seção do CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência Procurador(a) da Fazenda Nacional Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13607.000837/2002-41
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Ano-calendário: 1998
SALDO NEGATIVO DE IRPJ
Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente,
poderão ser restituídos ou compensados a partir do mês de janeiro
do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de
apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial
SEL1C, calculados a partir do mês subseqüente ao do
encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da
restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao
mês em que estiver sendo efetuada.
DÉBITOS COMPENSADOS
Para as declarações de compensação apresentadas após 27 de
maio de 2003, os débitos compensados sofrem a incidência de
acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até
a data da entrega da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 1101-000.059
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente, justificada e momentaneamente, o Conselheiro Antonio Praga, nos termos do relatório e voto que passam a
integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Antonio Praga.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário: 1998 SALDO NEGATIVO DE IRPJ Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SEL1C, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. DÉBITOS COMPENSADOS Para as declarações de compensação apresentadas após 27 de maio de 2003, os débitos compensados sofrem a incidência de acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
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I z, á- MINISTÉRIO DA FAZENDA It. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 9;:tjr,•? Int PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 13607.000837/2002-4 Recurso n° 161.068 Voluntário Matéria IRPJ ano-calendário 1998- restituição/compensação Acórdão n° 1 1 01-00.059 Sessão de 13 de maio de 2009 Recorrente SOEICOM S A - SOCIEDADE DE EMPREENDIMENTOS INDUSTRIAIS COMERCIAIS E MINERAÇÃO, atualmente denominada EMPRESA DE CIMENTOS LIZ S A Recorrida 3' Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário: 1998 SALDO NEGATIVO DE IRPJ Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SEL1C, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. DÉBITOS COMPENSADOS Para as declarações de compensação apresentadas após 27 de maio de 2003, os débitos compensados sofrem a incidência de acréscimos moratórios previstos em lei, ou seja, juros e multa, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente, justificada e momentaneamente, o Conselheiro Antonio Praga, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Antonio Praga. Ft /À/ Processo n° 13607.000837/2002-4 CCO 1/Cal Acórdão n.° 1101-00.059 Fls. 2 ANTO /R,/ PRE E T SANDRA MARIA FARONI RELATORA Formalizado em: 22 JUN 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sandra Maria Faroni, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), Aloysio José Percinio da Silva, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice Presidente). Ausente, justificada e momentaneamente, o Conselheiro Antonio Praga (Presidente). 2 Processo n" 13607.000837/2002-4 CCO /C01 Acórdão n.• 1101-00.059 Fls. 3 Relatório A empresa acima identificada recorre da decisão da 3" Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte que, por unanimidade de votos, indeferiu sua solicitação de compensação integral, confirmando o Despacho Decisório da DRF em Sete Lagoas, MG, que homologou a compensação pleiteada no limite do direito creditório pleiteado e reconhecido. O processo se iniciou com a protocolização, em 13/12/2002, "Pedido de Restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte" no ano calendário de 1998, no valor de R$ 1.205.769,67, para o qual foram apresentadas as Declarações de Compensação (DCOMP) fls. 01, 02, 87, 164, 209, 218/221 e 222/225, com o intuito de extinguir seus débitos, sob condição resolutória de ulterior homologação. A DRF reconheceu ao contribuinte, a titulo "Saldo Negativo de IRPJ" apurado no ano calendário de 1998, a totalidade crédito pleiteado, no valor de R$ 1.205.769,67. O crédito reconhecido foi utilizado para extinção dos débitos constantes das DCOMP's anexadas ao processo, resultando da homologação parcial das compensações declaradas, em função da insuficiência do crédito. O débito cuja compensação não foi homologada reporta-se à COFINS-2172, no valor de R$ 190.681,86, com vencimento em 14/02/2003 (fl. 247). Manifestando sua inconformidade, a interessada alegou que o débito em cobrança, que correspondente à COFINS apurada no mês de janeiro/2003, foi totalmente compensada da seguinte forma. (i) R$ 131.607,44 através do processo 13607.000026/2003-21; (ii) R$ 631.777,64, através deste processo. Invocando o dever da autoridade administrativa de rever de oficio seus atos em que presentes vícios que autorizem seu desfazimento, a DRF alterou a operacionalização da compensação já efetuada, para adequação às normas ditadas pela legislação vigente, apurando saldo de débitos diferente do anteriormente apurado, reabrindo novo prazo para impugnação ao contribuinte. Na nova impugnação, a interessada alega incerteza flagrante nos dois despachos, tanto nos fatos como nos valores, que afinal se mostram totalmente diferentes, inicialmente a não homologação era de COFINS, e no novo despacho passa a ser o IRPJ e CSLL. Diz que, diante de toda esta incerteza e insegurança quanto ao que se deve ser justificado e defendido, fez uma conciliação detalhada de todos os valores relativos ao pedido de restituição já integralmente deferido e dos valores compensados, no qual busca amparo para alegar que inexiste saldo remanescente , seja de COFINS, seja de IRPJ e CSLL. A decisão traz demonstrativo de como foi utilizado o crédito reconhecido na extinção dos débitos compensados pelo contribuinte nas DCOMP's apresentadas, esclarecendo: a) A ordem de compensação dos débitos corresponde à ordem cronológica da apresentação das DCOMP's, tal como determina o § 7° do art. 21 da IN SRF n° 210, de 2002 e § 7° do art. 26 da IN SRF n°600, de 2005. 3 Processo n° 13607.000837/2002-4 CCOI/C01 1Acórdão n.° 110-00.059. Eis. 4 b) As DCOMP's apresentadas até outubro de 2003 são operacionalizadas da forma preconizada no inciso 1 do art. 20 da IN SRF n°210, de 2002 e do art. 63 da IN SRF n° 600 de 2005. Vale dizer, na hipótese do débito posterior ao crédito, este é deflacionado pelos índices da taxa SELIC até a data do pagamento indevido, quando então é feito o "encontro de contas". c) Para as DCOMP's apresentadas após outubro/2003, o encontro de contas ocorre na data da apresentação da DCOMP. Vale dizer, nesta data ocorre a atualização do crédito (acréscimos dos juros de mora à taxa SEL1C), assim como o débito também é atualizado nesta data (SEL1C + multa de mora). Este procedimento encontra-se normalizado pelo art. 28 da IN SRF n°323 de 24 de abril de 2003 e art. 28 da IN SRF n°600, de 2005. Quanto à planilha feita pelo contribuinte (fl. 310), assevera a decisão que o procedimento adotado distorce o resultado final da compensação, considerando que, ainda que acrescidos ao crédito e débito os mesmos juros à taxa SEL1C, não computa a multa de mora devida em decorrência da pretensa "extinção" quando o débito já está vencido. Afinal, a Turma de Julgamento manteve o decidido no despacho decisório da DRF em Sete Lagoas, e não homologou a compensação da parcela remanescente dos débitos indicados. Ciente da decisão em 13 de junho de 2007, a interessada apresentou recurso em 12 de julho. Na peça recursal, impugna o modo como a autoridade procede à verificação das compensações em "telas dos sistemas de verificação da SRF", documentos firmados unilateralmente, aos quais o contribuinte não tem acesso e sem urna fundamentação sobre as informações deles constantes, em flagrante cerceamento de defesa. Como razões de reforma da decisão recorrida, alega, em síntese que: a) Equivoca-se a decisão ao afirmar que o contribuinte desobedeceu às regras do art. 64 da IN 600/2005 para as DComp apresentadas até da 27 de maio de 2003 e do art. 28 para as Dcomp apresentadas após aquela data, pois a formalização que se alega a destempo não pode implicar colocar o recorrente em mora. b) Não há que se falar que o contribuinte não computou a multa de mora em decorrência da pretensa extinção quando o débito já estava vencido, já que, quando das compensações, o crédito já havia sido integralmente reconhecido no pedido de restituição protocolado em 12/12/2002. c) De acordo com o art. 368 do Código Civil, a existência de crédito em favor da recorrente, quando reconhecido seu pedido de restituição, extingue a obrigação, sendo a apresentação das DComp mera formalidade para afirmar seu direito à compensação, o que afasta a mora. O fato de a DComp ter sido apresentada após o vencimento do imposto objeto da compensação não pode ser considerado recolhimento em atraso em razão da extinção da tf obrigação ter ocorrido com o reconhecimento do crédito. 4 Processo n° 13607.000837/2002-4 CCOI/C01 °Acórdão n. 1101 .00.059. Fls. 5 d) Pelas telas dos sistemas da SRF transcritas constata-se que os débitos estão sendo indexados pela Selic até a presente data, e foram utilizados inclusive para imputação da multa. O mesmo tratamento, então, deveria ser dado ao crédito remanescente. e) Sobre o alegado débito de IRRF, a recorrente informou a compensação nos respectivos meses via DCTF, o que afasta a alegada mora. yr_...„É o relatório. AVV--- 5 Pmcesso n° 13607.000837/2002-4 CCO I/C01 Acórdão n.' 1101-00.059• Fls. 6 Voto SANDRA MARIA FARONI, Conselheira Relatora. Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Não procede a impugnação à utilização de dados extraídos dos sistemas da SRF. Veja-se que o procedimento de compensação exige um acompanhamento para controle dos créditos utilizados até seu esgotamento, e tal acompanhamento só pode ser feito por sistemas de computação eletrônica. Esse fato, todavia, não representa prejuízo para a Recorrente, vez que os controles foram reproduzidos nos autos e o demonstrativo da operacionalização da compensação a partir desses controles também foi explicada no item 18 da decisão recorrida. O ceme do litígio centra-se na definição do momento em que o débito é extinto pela compensação. A recorrente invoca o art. 368 do Código Civil, para defender sua posição de que a extinção do débito se faz na data do reconhecimento do crédito. O Código Civil de 1916 estabelecia, no seu artigo 1017, que as dívidas fiscais não podem ser objeto de compensação, exceto nos casos de encontro entre a administração e o devedor, autorizadas nas leis e regulamentos da Fazenda. O Código Civil de 2002 (Lei 10.406)1 que entrou em vigor em 11 de janeiro de 2003, tratou da compensação nos artigos 368 a 380. Seu art. 374, que previa que a matéria da compensação, no que concerne às dívidas fiscais e para fiscais, se regeria pelo nela disposto, não chegou viger, pois foi expressamente revogado pelo art. da MP 104, de 9/01/2003 (Lei n° 10.677, de 2003). Assim, as compensações de que se trata se regem pelo disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/2002, decorrente da conversão em Lei da Medida Provisória n° 66/2002, verbis: Artigo 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utiliza-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § I" A compensação de que trata o capta será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2" A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação." 6 Processo n° 13607.000837/2002-4 CCO i/Coi Acórdão n.° 1101-00.059. Fls. 7 Nos termos do dispositivo legal transcrito, a extinção do débito (sob condição resolutória) ocorre com a formalização da declaração de compensação. Portanto, Declaração de Compensação não é uma formalidade sem maiores conseqüências, como postula a interessada. É o seu envio que marca a data da extinção do crédito tributário pela compensação, e não a data do débito, extinto total ou parcialmente por um crédito que lhe precedia Assim, para os débitos que se encontravam vencidos quanto da apresentação das declarações de compensação, há incidência de multa de mora e de juros de mora a partir do dia do vencimento do débito. Sobre o direito creditário do contribuinte a lei prevê, também, a incidência de juros à mesma taxa incidente sobre o débito. Em caso de direito creditório correspondente a saldo negativo de tributo apurado com base na declaração de rendimentos anual, o pagamento a maior se caracteriza indevido com o encerramento do período anual. Nesse caso, nos termos do § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995, combinado com o art. 74 da Lei n°9.532, de 1995, o termo inicial para a incidência dos juros é o mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido. Tendo a decisão recorrida observado as normas legais pertinentes, é de ser confirmada. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 13 de maio de 2009 ..v..4(SANDRA MARIA FARONI 7 Page 1 _0037600.PDF Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.006386/2007-35
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 24/08/2007
AUTO-DE-INFRAÇÃO N° 37.115.286-0
CONSOLIDADO EM 24/08/2007
OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP/GRFP.
Determina a lavratura de Auto-de-Infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em FIP/GRFP, conforme art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n.° 8.212/91.
RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA.
A correção da falta e o pedido efetuados dentro do prazo de impugnação, a primariedade do infrator e a inocorrência de circunstâncias agravantes possibilitam a relevação da multa aplicada.
RECURSO DE OFÍCIO DE VALORES INFERIORES À DETERMINAÇÃO LEGAL.
Não cabe recurso de ofício quando a exoneração ao sujeito passivo do pagamento da multa for inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), como é o caso em julgamento. Base legal artigo 1ª da Portaria MF 375 de 2001.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(Assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 24/08/2007 AUTO-DE-INFRAÇÃO N° 37.115.286-0 CONSOLIDADO EM 24/08/2007 OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP/GRFP. Determina a lavratura de Auto-de-Infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em FIP/GRFP, conforme art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n.° 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA. A correção da falta e o pedido efetuados dentro do prazo de impugnação, a primariedade do infrator e a inocorrência de circunstâncias agravantes possibilitam a relevação da multa aplicada. RECURSO DE OFÍCIO DE VALORES INFERIORES À DETERMINAÇÃO LEGAL. Não cabe recurso de ofício quando a exoneração ao sujeito passivo do pagamento da multa for inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), como é o caso em julgamento. Base legal artigo 1ª da Portaria MF 375 de 2001. Recurso de Ofício Não Conhecido
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Determina a lavratura de AutodeInfração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em FIP/GRFP, conforme art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n.° 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA. A correção da falta e o pedido efetuados dentro do prazo de impugnação, a primariedade do infrator e a inocorrência de circunstâncias agravantes possibilitam a relevação da multa aplicada. RECURSO DE OFÍCIO DE VALORES INFERIORES À DETERMINAÇÃO LEGAL. Não cabe recurso de ofício quando a exoneração ao sujeito passivo do pagamento da multa for inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), como é o caso em julgamento. Base legal artigo 1ª da Portaria MF 375 de 2001. Recurso de Ofício Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 63 86 /2 00 7- 35 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 2 Marcelo Oliveira – Presidente (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10120.006386/200735 Acórdão n.º 2301002.837 S2C3T1 Fl. 194 3 Relatório Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11/12, o AI foi lavrado por ter a empresa deixado de informar, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, valores referentes a gratificações a segurado empregado, concedida pelo cumprimento de metas préestabelecidas através de regulamento, e pagas através de cartão de premiação SPIRIT CARD, para saque em terminais eletrônicos 24 horas, descumprindo, assim, o art. 32, inciso II da Lei 8.212/91. A multa aplicada em face da ocorrente omissão foi de R$ 550.917,91 (Quinhentos e cinqüenta mil, novecentos e dezessete reais e noventa e um centavos), que equivale a cem por cento do valor devido, relativo à contribuição não declarada, limitada a um multiplicador sobre o valor mínimo, em função do número de segurados, nos termos do art. 32, inciso IV e § 5°, da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 9.528/97, combinado com o art. 284, inciso II, do RPS, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS n.° 142/2007. No decorrer da ação fiscal, a autuada corrigiu a falta, conforme cópia do resumo da GFIP, o que lhe confere a atenuante prevista no art. 291 do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/1999, e, por conseqüência, a redução da multa em 50% prevista no art. 292, inciso V, do mesmo Regulamento, resultando o valor da multa em R$ 275.458,96 ( Duzentos e setenta e cinco mil, quatrocentos e cinqüenta e oito reais e noventa e seis centavos). Impugnou dentro do prazo, requerendo a relevação da multa, já que a falta foi corrigida durante a ação fiscal e que é um contribuinte que nunca afrontou a legislação anteriormente, caracterizandose primário. A DRJ/DF julgou procedente o lançamento, relevando o valor da multa, exarando o seguinte Acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Data do fato gerador: 24/08/2007 OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP/GRFP. Determina a lavratura de AutodeInfração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em FIP/GRFP, conforme art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n.° 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA. A correção da falta e o pedido efetuados dentro do prazo de impugnação, a primariedade do infrator e a inocorrência de circunstâncias agravantes possibilitam a relevação da multa aplicada. Lançamento Procedente com relevação Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 4 Em 28.02.2008 o Contribuinte foi informado da Decisão, mas não apresentou recurso voluntário. O presente recurso de ofício chegou ao CARF para homologação da decisão da DRJ para consolidar o crédito tributário. Eis em apertada síntese o relato dos fatos. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10120.006386/200735 Acórdão n.º 2301002.837 S2C3T1 Fl. 195 5 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa,Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Tratase de recurso de ofício onde requer seja reexaminada a matéria quanto a aplicação da multa, uma vez que do valor originário, houve redução de 50%, face ao pagamento em tempo hábil. O pagamento da multa se deu no curso da ação fiscal e, como, hodiernamente, com a redação dada pelo Decreto n° 6.103/2007, alterouse somente o dispositivo, mantendose a gradação de redução em caso de pagamento da multa, acertada está a decisão de primeiro grau. Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) § 1o Recebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) GN Por outro lado, quanto o mérito do Recurso de Ofício, não podemos olvidar que há limite de valores para a admissibilidade deste. No caso em julgamento vêse que a ocorrência da infração é incontroversa, pois confessada pela Recorrida que corrigiu a falta, mediante entrega da GFIP objeto de autuação, no curso da ação fiscal. O Regulamento da Previdência Social, ao tratar da atenuação e relevação da penalidade, na redação dada ao art. 291 pelo Decreto n° 6.032, de 1° de fevereiro de 2007, estabelece: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1 A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 6 Consta do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa que não houve circunstancias agravantes e que o sujeito passivo corrigiu a falta durante a ação fiscal, preeenchendo os requisitos para relevação da multa, como ocorreu. Ocorre que entendeu a Autoridade Fiscal a necessidade da aplicação do Decreto 70.235 de 1972, em seu artigo 34, I que reza: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Entretanto não se conhece de recurso de ofício em decisão que exonera o sujeito passivo de crédito tributário (tributo e multa) inferior ao limite de alçada previsto no artigo 34, I do Decreto 70.235 de 1972, com as alterações introduzidas por meio da Lei nª 8.748 de 1993 e Portaria MF n. 375 de 2001, artigo 1ª, ‘in verbis’: Art. 1º. Os Delegados de Julgamento da Receita Federal recorrerão de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Mas, ainda mais atualizada, que impede o seguimento do presente Recurso de Ofício é o §3° do artigo 366 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 1999, combinado com o artigo 10 da Portaria MF n° 3, de 03/01/2008 Desta forma, como foi exatamente isto que ocorreu no presente caso e, preenchidos os requisitos legais, entendo cabível a aplicação da relevação da multa, nos termos do art. 291, § 1 0, do RPS, todavia, permanecendo os efeitos da presente autuação para fins de futura reincidência. CONCLUSÃO Diante do exposto, tenho que o presente Recurso de Ofício atende as exigências legais, razão pela qual, dele conheço, entretanto, no mérito NEGOLHE PROVIMENTO, porque em dissonância com a legislação hodierna, ou seja, o recurso de oficio previsto no art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n° 6.224/2007, deixa de ser interposto em razão de não ter atingido o valor de alçada, conforme o disposto no §3° desse mesmo artigo c/c rt. 10 da ortaria MF n° 3, de 03/01/2008. É como voto. (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa – Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10120.006386/200735 Acórdão n.º 2301002.837 S2C3T1 Fl. 196 7 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10580.100211/2004-53
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2003, 2004
MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. PROCEDIMENTO FISCAL SUMÁRIO.
A cominação de multas isoladas pela ausência de recolhimento de estimativas de tributos deve ser precedida de exame na contabilidade da contribuinte e de intimação fiscal para o esclarecimento das compensações realizadas contabilmente, as quais extraíram a obrigatoriedade dos recolhimentos calculados em bases estimadas.
MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. APURAÇÃO DURANTE O ANO-CALENDÁRIO DA AUDITORIA FISCAL.
Não é cabível a exigência da multa isolada por estimativas de tributo não recolhidas durante o ano-calendário em que está se processando a fiscalização. A aplicação da multa isolada em espécie só é possível depois do encerramento do ano-calendário.
Numero da decisão: 1801-001.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. PROCEDIMENTO FISCAL SUMÁRIO. A cominação de multas isoladas pela ausência de recolhimento de estimativas de tributos deve ser precedida de exame na contabilidade da contribuinte e de intimação fiscal para o esclarecimento das compensações realizadas contabilmente, as quais extraíram a obrigatoriedade dos recolhimentos calculados em bases estimadas. MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. APURAÇÃO DURANTE O ANOCALENDÁRIO DA AUDITORIA FISCAL. Não é cabível a exigência da multa isolada por estimativas de tributo não recolhidas durante o anocalendário em que está se processando a fiscalização. A aplicação da multa isolada em espécie só é possível depois do encerramento do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 10 02 11 /2 00 4- 53 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório Estes autos já foram objeto da Resolução nº S1 – TE01 – 00005, de 07 de maio de 2009, fls. 643 a 647, e relatados, pelo que transcrevo o relatório: “Em operação fiscal junto à contribuinte, verificouse que a empresa em epígrafe não procedeu aos recolhimentos das CSLL estimadas, relativas aos meses de outubro de 2001, fevereiro, março e abril de 2003 e janeiro a julho de 2004. Com fulcro no artigo 841 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99), em 04/11/2004, a empresa foi autuada fls. 03 a 12 (Auto de Infração e planilhas pertinentes). A empresa entregou ao fisco as DIPJ/02 e 04, relativas aos anoscalendários de 2001 e 2003, com valores 'zerados' lis. 14 a 117. Os valores utilizados nas bases de cálculo da presente autuação foram declarados ao fisco pelo contador da empresa, consoante planilhas juntadas às fls. 118 a 120 e procuração às fls. 123. Às fls. 125 a 139 a empresa impugnou o feito, argumentando, em síntese, que: a) preliminarmente, o Auto de Infração não restou suficientemente claro quanto ao fato gerador, base de cálculo, alíquota e multa do débito lançado em 2001; b) no mérito, a fiscalização decorreu de operação denominada 'presença fiscal' e a autuação limitouse aos valores informados em planilhas entregues pela contribuinte confrontadas com os valores que constaram nas declarações entregues ao fisco, sem qualquer respaldo em outros documentos comprobatórios das infrações apuradas; c) a contabilidade não foi objeto de análise pela autoridade do lançamento; não foram considerados os créditos acumulados anuais, do próprio exercício ou de exercícios anteriores; d) a despeito das planilhas retratarem a realidade da escrituração fiscal, é mera síntese que não fornece com segurança os elementos necessários à investigação da ocorrência do fato gerador; e) todos os créditos lançados pelos auditores já foram recolhidos e as obrigações tributárias extintas, o que consta nos livros contábeis que não foram devidamente analisados; f) houve erro de preenchimento das DCTF; g) não houve falta de pagamento da CSLL, tributo objeto desse auto, tampouco pagamento intempestivo, não havendo crédito a ser exigido; Fl. 672DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.100211/200453 Acórdão n.º 1801001.232 S1TE01 Fl. 3 3 h) a análise fiscal foi tão superficial que só considerou o faturamento da empresa e não as outras receitas, tributando valores a menor do que o devido; i) a impugnante passa a analisar cada período de apuração e apontar as inconsistências do lançamento tributário em face à contabilidade, juntada, em parte, aos autos, por cópias fls. 156 a 297. Às fls.. 299 a 407 a autoridade preparadora juntou ao presente as DCTF entregues originalmente pela contribuinte, relativas aos 1°, 2o e 3o trimestres de 2004, e DIPJ/01 e 03. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA exarou o Acórdão n" 15 13344/07 às fls. 414 a 425, mantendo o lançamento tributário, reduzindo o percentual da multa isolada de 75% para 50%, em vista da edição da Lei n° 11.488/07, posterior à autuação e em observância ao princípio da retroatividade da norma tributária que trate de penalidade, quando mais benéfica. O Acórdão ora vergastado, após rechaçar a alegação preliminar de nulidade do Auto de Infração, e indeferir o pedido feito pela contribuinte de apresentação de provas posteriormente e realização de perícias, no mérito não acolheu as alegações da contribuinte de que incidira em erros ao preencher as DCTF relativas ao períodos porque as DCTF são declarações consideradas confissão de dívidas e, por essa razão, os débitos ali veiculados gozam de liquidez e certeza, podendo ser inscritos diretamente na Dívida Ativa da União. Reconheceu, todavia, que a autuação limitouse a cotejar os valores informados pela contribuinte em planilhas e nas DCTF entregues, limitandose às diferenças apontadas. Quanto às alegações da contribuinte para cada período lançado: 1) Outubro de 2001: _ a fiscalização considerou o valor informado na DCTF a título de compensação com saldo negativo apurado em 2000; _ não basta estar a compensação, em valor a maior, registrada na contabilidade da contribuinte que não apresentou os documentos que fundamentam a escrituração; _ a DIPJ/01, relativa ao ano de 2000, foi entregue com valores 'zerados' não evidenciando o saldo negativo alegado; 2) Fevereiro, março e abril de 2003: _ as compensações alegadas como existentes pela contribuinte não foram informadas nas DCTF pertinentes; _ apesar de haver demonstrado a compensação na contabilidade, não comprovou os registros contábeis com documentação correlata; _ a DIPJ/03 foi entregue totalmente 'zerada', não evidenciando qualquer saldo negativo para o período; 3) Janeiro a maio de 2004: Fl. 673DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 _ da mesma forma que no ano de 2003, as compensações não foram informadas em DCTF e a DIPJ/04, do ano anterior não evidenciou os referidos saldos negativos. Tempestivamente, a contribuinte recorreu a esse órgão colegiado de segunda instância de julgamento às fls. 430 a 445, instruindo o Recurso Voluntário com os documentos, em cópias, juntadas às fls. 446 a 639, mais Notas Fiscais de Saídas da matriz e filial, constantes dos Anexos I, II, III e IV, conforme Termo de Juntada de fls. 641, requerendo a sua análise, juntamente àqueles que instrui a impugnação. A seguir resumese suas considerações de defesa. Precipuamente, alicerça sua defesa no fato do indeferimento de perícia solicitada, que fulminou o direito de comprovar a existência dos créditos (saldos negativos apurados cm anosanteriores) compensáveis com os débitos lançados, ex qfficio. Princípio basilar do processo administrativo fiscal é buscar a verdade material dos fatos e a documentação contábil foi, sim, juntada à impugnação, deixandose apenas de fazêlo em relação às Notas Fiscais em razão de seu imenso volume quase dez mil Notas solicitandose que, em perícia, pudessem, se fosse o caso, ser periciadas em face à contabilidade apresentada. Não se pode admitir que a contabilidade da empresa, que não se comprove inidônea, seja inábil para a comprovação da existência dos saldos negativos, devidamente compensados com os créditos futuros, sem que essa seja devidamente examinada. A autuação já, por si, cometeu o equívoco de não checar a contabilidade da empresa em face aos valores informados em declarações e nas planilhas preenchidas pela própria contribuinte. Por não ter verificado a contabilidade, também não constatou a existência dos valores a compensar com os débitos que foram objeto da autuação realizada. Os erros na apresentação das DCTF não podem ser fundamento para a exigência de obrigação principal extinta. Cita amplamente doutrina sobre os pontos controversos trazidos em fase recursal. Requer, ao final, que o Acórdão atacado seja reformado, admitindose as provas colacionadas aos autos, em prestígio ao princípio da verdade material dos fatos, e desconstituição do crédito tributário lançado em vista de não haver tributo a ser recolhido, extintos em razão das compensações a que têm direito e que foram devidamente contabilizadas. [...] Da análise do que consta nos autos, entendo que resta incontroverso que a fiscalização ao auditar a empresa e lavrar todos esses Autos de Infração, de fato, não verificou a sua contabilidade, que embora seja uma micro empresa, entregou as DIPJ optando pelo regime de apuração anual, e tributando pelo Lucro Real. Assim, apesar de ter os Livros contábeis e fiscais em mãos, da matriz e filial, além de documentos diversos relacionados a ações judiciais interpostas pela contribuinte, conforme assinala no Termo de Devolução de Documentos juntado ls. 121, lavrado em 04/11/2004, na mesma data de ciência da autuação lavrada, os auditoresfiscais limitaramse a cotejar os valores das planilhas com as informações constantes das declarações entregues pela contribuinte, armazenadas nos sistemas do fisco. Com efeito, o fato de a contribuinte desmerecer os controles fiscais entregando DIPJ de vários anos 'zeradas', apesar de manter escrituração contábil completa, é digno de repulsa, mas não é suficiente para eximir a fiscalização de verificar, em auditoria, os Fl. 674DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.100211/200453 Acórdão n.º 1801001.232 S1TE01 Fl. 4 5 registros contábeis e confrontálos, por exemplo, com os valores informados em DCTF. As DCTF, de fato, veiculam débitos tributários que podem ser diretamente inscritos em dívida ativa da União, mas esse condão não lhes extrai a característica de ser uma declaração suscetível de ser preenchida com erros. E cabe à fiscalização verificar, junto aos documentos e livros contábeis, a veracidade das informações ali prestadas. Para tributar ou eximir da tributação devida. Como não poderia ser diferente, a própria Ordem de Serviço n° 01/2004, ao regular a referida operação fiscal, documento interno emitido pela Chefia da Fiscalização aos auditores designados a realizála, que poderia nem constar dos autos, explicita o que é de conhecimento de todas as autoridade administrativas competentes a realizar o lançamento tributário: 3 A execução das Verificações Obrigatórias abrangerá o cruzamento entre os valores integrantes das bases de cálculo apresentadas pelo contribuinte, relativamente aos tributos declarados em DCTF ou outra Declaração, com os livros contábeis, a fim de assegurar a sua totalidade e exatidão. [...] Na mesma ordem restou explícito que essa checagem poderia ser feita inclusive por amostragem. Todavia, as autoridades lançadoras limitaramse a esclarecer no Auto de Infração lavrado que utilizaram da planilha apresentada pelo contribuinte e que as DCTF entregues após o início da ação fiscal não seriam consideradas, mas não há qualquer esclarecimento ou observação sobre os valores registrados contabilmente, se consoantes ou dissonantes dos valores informados em DCTF originalmente entregues. Sendo assim, não concordando, data venia, com as conclusões da Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, jugo relevante para as autuações realizadas, provocadas pela retro mencionada Operação presença Fiscal, o cotejo dos valores informados em DCTF com os livros e documentações contábeis e fiscais, razão pela qual resolvo converter em realização de diligência o presente julgamento. Devolvase, pois, o presente para o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Salvador/BA, juntamente com os 55 (cinqüenta e cinco) Anexos, para que examinem a contabilidade da contribuinte e apurem se há ou não saldos credores a serem compensados com os débitos relacionados às autuações realizadas, formalizadas nos processos administrativos acima referidos, inclusive no tocante à argumentada ação judicial aventada em defesa pela contribuinte. Da realização das diligências, as autoridades fiscais designadas deverão emitir um Relatório de Diligência Fiscal consubstanciado, instruindose os demais processos citados nessa Resolução e sejam apensados entre si, por flagrantemente conexos, devendo ser objeto de julgamento pela mesma Turma desse colegiado. Diligenciada a empresa e examinada a sua contabilidade, deverão ser devolvidos à contribuinte as cópias das Notas Fiscais da matriz e filial, desentranhando desse processo os Anexos pertinentes. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Do Relatório de Diligência Fiscal, a contribuinte deverá ser cientificada e aberto prazo para se manifestar, antes da devolução dos autos para prosseguirse com o julgamento do litígio. [...]” As diligências requeridas não foram realizadas em vista da recorrente não ter apresentado os livros contábeis e fiscais solicitados pela autoridade designada, conforme Relatório Fiscal de fls. 668 e 669. Diz a autoridade fiscal que a empresa não mais possuía os livros em razão de troca de contador. No entanto, a recorrente informa às fls. 652 que “...todos os documentos, ali solicitados (no Termo de Intimação, ressalvo), encontramse anexos à Impugnação, ofertada contra o respectivo Auto de Infração, protocolada em 06/12/2004 perante a Agência da Receita Federal de Cruz das Almas, Bahia, razão porque deixa de apresentálos, nesta oportunidade.” Há flagrante divergência entre o informado no Relatório de Diligência Fiscal e a declaração da recorrente. A recorrente não tomou ciência do Relatório de Diligência Fiscal, nem foi lhe esclarecido o porque de não serem admitidos os Livros Diário e Razão juntados em cópias ao processo, que acompanham a impugnação (55 volumes). É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A presente autuação, consoante relatado, foi extremamente sumária. Apesar de haver a fundamentação legal no bojo do Auto de Infração para a exigência de multa isolada pela ausência do recolhimento das estimativas de CSLL, verificase que todo o trabalho fiscal restringiuse a dados fornecidos pelo contador da empresa e cruzamento com os dados do fisco. Além disto, a cominação da multa isolada em apreço não pode ser aplicada dentro do ano que está sendo realizada a fiscalização. Neste caso, a autoridade fiscal deve lavrar a exigência fiscal dos tributos estimados que não estão sendo recolhidos. A multa somente pode ser aplicada ao término do anocalendário. A Instrução Normativa SRF nº 093, de 24 de dezembro de 1997 disciplina em seus artigos: Art. 14. A falta ou insuficiência de pagamento do imposto ou da contribuição social sobre o lucro sujeita a pessoa jurídica aos acréscimos legais previstos na legislação tributária federal. § 1º No caso de lançamento de ofício, no decorrer do ano calendário, será observada a forma de apuração da base de cálculo do imposto adotada pela pessoa jurídica. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.100211/200453 Acórdão n.º 1801001.232 S1TE01 Fl. 5 7 § 2º A forma de apuração de que trata o parágrafo anterior será comunicada pela pessoa jurídica em atendimento à intimação específica do AuditorFiscal do Tesouro Nacional. § 3º Quando a pessoa jurídica mantiver escrituração contábil de acordo com a legislação comercial e fiscal, inclusive a escrituração do LALUR, demonstrando a base de cálculo do imposto relativa a cada trimestre, o lançamento será efetuado com base nas regras do lucro real trimestral. Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § 1º As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. § 2º Na falta de atendimento à intimação de que trata o § 2º do artigo anterior, no prazo nela consignado, o AuditorFiscal do Tesouro Nacional procederá à aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º, ressalvado o disposto no § 3º do artigo anterior. § 3º A não escrituração do livro Diário e do LALUR, até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês, implicará a desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução de que trata o art. 10, aplicandose o disposto no § 1º. Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos [...] Pela leitura dos dispositivos acima, de plano, a exigência da multa isolada dentro do próprio ano submetido à fiscalização (2004) não pode prosperar. Assim, com relação aos meses de 2004 (janeiro, fevereiro e março) tornase insubsistente a autuação. Restando os meses de outubro de 2001, fevereiro, março e abril de 2003, para a análise, acolho as razões da recorrente. Em se tratando de aplicação de multa por falta de recolhimento de estimativas, mister é que a contribuinte seja intimada a apresentar os livros contábeis para a análise dos balanços mensais (redução ou suspensão) para ter a certeza necessária que a contribuinte estava obrigada a recolher as referidas estimativas. Neste sentido é a exigência de intimação fiscal inserida na retro transcrita IN SRF nº 093/97. No procedimento fiscal não houve sequer uma intimação fiscal. Consoante já relatado, a despeito de haver um Termo de Devolução de livros contábeis e fiscais, a autoridade fiscal não os menciona sequer uma vez, pelo contrário, registra no Auto de Infração Fl. 677DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 que tratase de procedimento de verificação obrigatória no qual foram constatadas divergências entre os valores “apurados com base na escrituração contábil (vide planilha apresentada pelo contribuinte)” grifei, e os valores registrados nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A recorrente na manifestação de inconformidade se desdobra a explicar cada período considerado como CSLL – estimativa não recolhida apontada no Auto de Infração e a turma julgadora a quo faz o trabalho que competia à fiscalização. No acórdão recorrido está registrado que a contribuinte efetivamente compensou, na escrita contábil, no Livro Diário Geral, as CSLL – estimativas relativas a outubro de 2001, fevereiro, março e abril de 2003. Todavia, a turma julgadora entendeu que por não estar preenchida a DIPJ respectiva, e haver erros nas DCTF, a compensação contábil não pode ser considerada. Assevera também que não estão comprovados os créditos utilizados nas compensações contábeis. Divirjo deste entendimento. A ausência de entrega de DIPJ (ou entrega com valores zerados) do período anterior e os erros em DCTF podem ser penalizados com a multa de ofício regular exigível com o lançamento de tributo. Não pode ser motivo para exigir multa isolada por falta de recolhimento de CSLL – estimativa quando a contabilidade escriturada à época dos fatos, demonstra cabalmente que a recorrente não devia qualquer valor a este título, por compensado. E não pode a turma julgadora, sem investigar, em face a registros contábeis, afirmar que os créditos com que foram compensadas as referidas estimativas não existem apenas com fulcro na ausência de informações na DIPJ ou DCTF. Faltou motivação para o acórdão sustentarse neste ponto. Competia, na verdade, à fiscalização checar no livros contábeis se os créditos existiam ou não, se os lançamentos contábeis procediam ou não, independentemente da entrega de DIPJ pelo contribuinte. E no caso de constatar efetivamente a falta de recolhimento de tributo, explicitando as razões de indeferimento dos créditos apontados na contabilidade, deveria proceder à lavratura de auto de infração para a sua exigência. Divirjo também com o entendimento esposado no acórdão combatido sobre não serem válidas as DCTF entregues pela recorrente após iniciado o procedimento fiscal, ao tratarse de a cominação de multa isolada por não recolhimento de estimativas. A confissão dos débitos – tributos devidos – é válida, mas a norma legal citada no acórdão (artigo 7º do Decreto nº 70.235/72 – PAF) estabelece que, perdida a espontaneidade, o contribuinte não pode se eximir da multa regular carreada pelo procedimento fiscal realizado de ofício. Mais uma vez está a tratarse da multa de ofício, regular, que acompanha a exigência de tributo, no caso CSLL. Isto se houvesse sido apurada ao final dos anoscalendários, nos ajustes, que se examinam. Em suma, as multas isoladas aplicadas nos presentes autos não podem prosperar porque: a) em relação aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, a autoridade fiscal não poderia aplicála porque dentro do anocalendário que auditou; b) relativamente aos meses de outubro de 2001, fevereiro, março e abril de 2003, porque na escrituração contábil da recorrente verificouse que os valores foram devidamente compensados com saldos negativos de anosanteriores, os quais não foram auditados para saber se os créditos procediam ou não. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.100211/200453 Acórdão n.º 1801001.232 S1TE01 Fl. 6 9 Observo que a fundamentação do acórdão para não admitir as compensações contábeis realizadas no anocalendário de 2003 poderia ter sido outra. A partir de outubro de 2002 as compensações não podem mais ser feitas contabilmente, mas dependem da emissão do Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (Per/Dcomp) instituída por norma tributária. Mas esta razão não pode ser aqui argüida, por ser flagrante inovação das razões de indeferimento, atitude defesa em sede recursal por ofensa ao princípio do duplo grau de jurisdição a que faz jus a recorrente. Fundamento este voto, ainda, pela excessiva concisão na presente autuação, que não foi precedida do exame da contabilidade da contribuinte, como determina a própria Ordem de Serviço nº 01/2004 juntada às fls. 13, o que certamente demandaria a necessária Intimação Fiscal para a recorrente explicar as compensações contábeis – confirmadas no acórdão recorrido. Saliento que as autoridades de julgamento não podem suprir as falhas das autoridades responsáveis pelo lançamento tributário, devendo guardar a imparcialidade que a função exige. Por derradeiro, mas não menos importante, é o fato de a autoridade fiscal responsável pelos lançamentos tributários, ao ser provocada para examinar a contabilidade completa da recorrente (anexa em 55 volumes), eximirse do ofício argumentando que a recorrente lhe disse que não possuía mais os livros contábeis e fiscais, razão totalmente diversa daquela que colheu por declaração firmada pela recorrente. A recorrente não tomou ciência do Relatório de Diligência Fiscal. Por força dos princípios do contraditório e da ampla defesa, a ausência da ciência da recorrente consiste em cerceamento de defesa, e posterior nulidade deste acórdão, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 – PAF: Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ocorre que por tudo que o process A devolução dos autos à autoridade fiscal para sanar a falha processual não se faz necessária. O Auto de Infração para a exigência de multas isoladas pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, conforme foi o procedimento realizado, não merece subsistir. Pelo teor do parágrafo 3º do mesmo dispositivo legal – artigo 59 do PAF –, a ciência da recorrente do resultado da diligência tornase desnecessária: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Por todo o exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 679DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Ana de Barros Fernandes Fl. 680DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11543.008203/99-18
Data da sessão: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Exerci cio: 1988, 1989
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO - CORREÇÃO MONETÁRIA — EXPURGOS INFLACIONÁRIOS — Os índices de correção monetária aplicáveis na restituição administrativa de tributos e contribuições sob a responsabilidade da Secretaria da Receita Federal são aqueles previstos na NE COSAR/COSIT N° 08/97, utilizados inclusive quando da cobrança do crédito tributário.
Recurso especial da Fazenda Nacional provido.
Numero da decisão: CSRF/03-05.682
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nanci Gama e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
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Recurso especial da Fazenda Nacional provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Cámara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade . DAR provimento ao recur so especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Susy Gomes Hoffinann (Relatora), Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nanci Gama e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que negavam provimento ao recurso.. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo,.. 41W} Aiii.fa 0 PL GA Presidente OTACÍLIO DAN Redator designado FORMALIZADO EM.: CARTAXO Processo n0 11543 008203/99-18 e'leórdtio n 0 03 -05,682 CSRF/703 FsX )00 Participaram, do julgamento os Conselheiros. Otacflio Dantas Carraxo, Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes, Rosa Maria de Jesus Da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama e Alexandre Andrade Lima Da Fonte Filho. Processo n° 11543 008203 199-18 Acórno n 003O5..682 CSRF,T03 103.t. Relatório Cuida-se de Recurso Especial do Procurador que tem por objeto parte da decisão da 2'. Câmara do 3 0 . Conselho de Contribuintes que autorizou a restituição dos valores pagos a titulo de cota café corn a aplicação dos expurgos inflacionários. O contribuinte ingressou corn pedido de restituição, fls.01, cumulado corn pedido de compensação de crédito com débito de terceiro, fls. 02 a 06 e 497 a 514, corn fundamento na Ação Ordinária de Repetição de Indébito, n'.. 93_0003705-6, impetrada pela MCKINLAY S/A junto 6. 2" Vara da Justiça Federal do Estado do Espirito Santo, no qual pleiteou o reconhecimento da inconstitucionalidale da exigência da cota de contribuição na exportação de café. O pedido foi baseado na sentença transitada em julgado que assim dispõe (fls. 84 dos autos): "Isto posto e por tudo mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE A PRESENTE AÇÃO PARA DECLARAR INCIDEN TER. TAN TUM A INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DA QUOTA DE CONTRIBUIÇÃO prevista no Decreto-lei n. 2.295/86 e, em conseqüência CONDENAR a UNIÃO FEDERAL a restituir ao autor as importâncias indevidamente recolhidas a este titulo, conforme o pedido e comprovação documental, observada a prescrição qüinqüenal, visto que no cão, operou-se a prescrição em relação aos pagamentos efetuados antes do termo inicial desta , dia 05 de novembro de 1988 Juros de mora devidos a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva, nos termos do art. 167, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Correção monetária de conformidade com a Súmula n. 46 do Egrégio Tribunal Federal de Recursos " A Súmula diz: Nos casos de devolução do depósito efetuado em garantia de instância e de repetição de indébito tributário, a correção monetária é calculada desde a data do depósito ou do pagamento indevido e incide até o efetivo recebimento da importância reclamada.," A sentença foi mantida na questão dos juros e correção monetária, posto que a apelação foi relativa apenas ao prazo prescricional (fls. 129 e seguintes, em especial, 137) As fls.. 517 ha a desistência da execução do julgado junto ao Poder Judiciário . Fls. 699 — Parecer SEORT — item 6 A Delegacia da Receita Federal em Vitória proferiu parecer (fls 699/709) alegando o que segue: 3 Processo n° 11543 008203 199-18 Acórclao n.° 03-05,.682 CtiltIVT02, Fis Sr' 1) que a autorização para o pedido de restituição/conipensação, época da protocolização dos pedidos — 12/1999 — et a dada pela IN SRF n° 21/97, A pai/ir da edição do IN SRF n°. 41/2000, restou proibida. a compensação de débitos do sujeito IXIS5i1 .0 com créditos de terceiros, exceto, em relação aos- débitos- consolidados no âmbito cio REFIS, .2) no caso em tela, a compensação é possível face à protocolização tempestiva do pleito Dessa forma, a interessada cedeu setts créditos bs- empresas Cervejaria Kaiser Brasil Lida e a Cervejarias Kaiser Nordeste S/A, - 3,) com relação à atualização do crédito, C111 virtude de ausência de determinação expresso na sentença, solicitou-se esclarecimentos â Procuradora Geral da Fazenda Nacional, que informou que a correção dos créditos de deve dar pelos mesmos critérios adotados pant a cobrança de débitos fiscais em atraso. Assim sendo, deve-se utilizar os indices constantes da NE/COSIT/COSARn° 08/97; 4) por fim, foi proposto o deferimento do pedido, reconhecendo-se o direito creditório, atualizando-se os indices constantes cia NE/COS1T/COSAR n° 08/97 Em despacho decisório, o Delegado da Receita Federal (fls309/710) reconheceu o direito creditório 0 crédito deverá receber os acréscimos dos juros SELIC, na forma dos artigos 39, § 4', da Lei n°. 9.250/95 e do artigo 38 da IN SRF 210/2002, tendo como termo inicial o mês de Janeiro/1996 até Novembro/1999. A empresa MCKINLAY foi devidamente intimada da decisão em 16/04/03. Em 23/05/03, a empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls.759/781), aduzindo que os indices utilizados pela decisão da Receita Federal não correspondem aos indices de correção monetária pleiteados, os quais decorrem dos expurgos inflacionários de diversos planos econômicos, Ademais, alega que a decisão recorrida determina que sejam aplicados os juros SELIC somente até o trânsito em julgado da decisão judicial que declarou o crédito da recorrente, em clara afronta à Lei n°. 9.250/95 e à pacifica jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que determinam o cômputo dos referidos juros desde 1° de janeiro de 1996 até o mês imediatamente anterior ao da efetiva restituição, acrescido de 1%. Por fim, sustenta que de acordo com a Súmula n°. 46 do antigo Egrégio Tribunal Federal de Recursos a correção monetária é calculada desde a data do pagamento indevido e incide ate o efetivo recebimento da importância reclamada. Em 07/08/03 a empresa Cervejaria Kaiser Brasil Ltda protocolizou petição informando que foi intimada, por carta cobrança da unidade local n°. 06.01.07/00, a regularizar débitos de 1PI, referente ao processo n°. 11543.008203/99-18. Alegou a empresa Cervejaria Kaiser, que a Delegacia da Receita Federal ern Vitória expediu, equivocadamente, intimação em nome da Cervejaria Kaiser, ao invés de intimar a empresa MCKINLAY. Ç-\) -1 Processo n° 11543 008203/99-18 Acórdão n ° 03-05.682 CSP.F/T03 fts 004,2/ Em 29/08/03 a empresa Cervejaria Kaiser apresentou manifestação de inconformidade (fis..819/857) requerendo a rilecisão de primeira instância seja reformada, para que seja reconhecido o direito de restituição/compensação devidamente corrigido. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis proferiu acórdão (fls.901/906) indeferindo a solicitação feita na manifestação de inconformidade, alegando que na devolução de indébito devem ser observados os indices fixados por decisão judicial transitada em julgado, ou, caso não abordados os mesmos percentuais de correção monetária adotados para cobrança de débitos fiscais em atraso. As empresas MCKINLAY e a CERVEJARIA KAISER BRASIL apresentaram recurso voluntário (fls..909/940) alegando praticamente os mesmos fundamentos argUidos nas manifestações de inconformidade, face ao indeferimento da correção monetária solicitada.. O Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão (f1s,9841999) minucioso dando provimento, por maioria, ao recurso voluntário, sob o fundamento de que no calculo do valor a ser restituído ao contribuinte devem ser inseridos os expurgos inflacionários correspondentes, com base nos precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Primeira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais.. Assim sendo, deve-se incidir a taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art, 39, § 4° da Lei n°. 9.250/95, a partir de 01/01/1996. A União Federal apresentou recurso especial (fls.1026/1030) esclarecendo que não ha ordem judicial a ser cumprida no sentido de fazer incluir no cálculo do tributo a ser restituído/compensado valores a titulo de expurgos inflacionários, Assim sendo, a autoridade administrativa deve seguir a orientação do Parecer Normativo AGU/MF n°. 01/96, que informa que a correção dos créditos deve-se dar pelos mesmos critérios adotados para a cobrança de débitos fiscais em atraso. Portanto, resta concluir que os indices constantes da NE./COSIT/COSAR n°. 09/97 se prestam a. atualização monetária, até 31 de dezembro de 1995, de valores passíveis de restituição ou compensação, relativamente a pagamentos ou recolhimentos efetuados no período de 01/01/1998 a 31/12/1991, expressa a variação inflacionária do período, a mesma constante dos indices — OTN, BIN e UFIR — usados pela SRF quando da cobrança de créditos tributários de períodos idênticos. Observe-se que o Recurso especial não trata sobre a aplicação da taxa SELIC. Em síntese é o relatório. 5 Process° n° 11543 008203/99-18 Ac6rdilo n '03-05.682 CSRFT1-03 10 513 Voto Vencido Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, Relatora Conheço do Recurso Especial por preencher os requisitos legais. O presente Recurso tem por objeto a inclusão dos expurgos inflacionários nos valores a serem restituidos à empresa Recorrente, O objeto do presente processo administrativo 6 o pedido de restituição, fls.01, cumulado com pedido de compensação de crédito corn débito de terceiro. ils. 02 a 06 e 497 a 514, com fundamento na Ação Ordinária de Repetição de Indébito, n°. 93.0003705-6. impetrada pela MCKINLAY S/A junto h 2' Vara da Justiça Federal do Estado do Espirito Santo, na qual pleiteou o reconhecimento da inconstitucionalidade da exigência da cota de contribuição na exportação de café Inicialmente, deve-se considerar que o ceme da questão trazida no caso em tela diz respeito ao reconhecimento da inclusão de expurgos inflacionários no cômputo dos valores a serem restituídos ao contribuinte, tendo em vista que transitou em julgado a decisão judicial que reconheceu a restituição de valores recolhidos no período de 11/10/1988 a 05/07/1989, a titulo de "quotas de contribuição ao IBC". Por conseqüência, deve ficar claro que não se trata de prazo de repetição de indébito, apenas a aplicação dos expurgos A Delegacia da Receita Federal em Vitoria reconheceu o direito creditório da contribuinte, determinando que fossem aplicados os juros SELIC somente até o trânsito em julgado da decisão judicial que declarou o indébito tributário, aplicando, tão-somente, a Norma Cosit 08/97, com base no Parecer SEORT n°. 284/2003 que levou em conta as considerações da Procuradoria da Fazenda Nacional.. A Unido Federal esclareceu que não há ordem judicial a ser cumprida no sentido de fazer incluir no cálculo do tributo a ser restituido/compensado valores a titulo de expurgos inflacionários. Assim sendo , a autoridade administrativa deve seguir a orientação do Parecer Normativo AGU/MF a°. 01/96, que informa que a correção dos créditos deve-se dar pelos mesmos critérios adotados para a cobrança de débitos fiscais em atraso. Entretanto, não é o que ocorre de fato pois a decisão transitada em julgado. no que tange à correção monetária, indubitavelmente, determina a sua inclusão "Isto posto e por tudo mais que dos autos consta JULGO PROCEDENTE A PRESENTE AÇÃO PARA DECLARAR INCIDENTER TANTUM A INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DA QUOTA DE CONTRIBUIÇÃO prevista no Decreto-lei n. 2.295/86 e, em conseqüência CONDENAR a UNIÃO FEDERAL a restituir ao autor as importâncias indevidamente recolhidas a este titulo, conforme o pedido e comprovação documental, observada a prescrição qüinqüenal, visto que no caso, operou-se a prescrição em relação aos pagamentos efetuados antes do termo inicial desta dia 05 de novembro de 1988. Juros de mora devidos a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva, nos termos do art. 167, parágrafo Unico do Código Tributário Nacional. 6 Processo 1)0 11543 008203/99-18 Ac4:51d5o n ° 03-05,682 CSRFITO3 Fls. X IV! Correção monetária de conformidade corn a Súmula n. 46 do Egregio Tribunal Federal de R.ecursos." Por sua vez a referida Sumula citada no julgamento diz: Nos casos- de devolução do depósito efetuado ein garantia de invkincia e de repetição de indébito tributário, a correção monetária é calculada desde a data do depósito ou do pagamento indevido e incide até o efetivo recebimento da importd??cia reclamada Aos olhos desta Conselheira a questão está muito clara e a incidência dos expurgos inflacionários é medida que se impõe por ser legal, moral e justa. A questão acerca da inclusão dos expurgos inflacionários não é nova. Ao contrario, foi exaustivamente tratada pelo Poder Judiciário, tanto nas instâncias sinaulares como nas instâncias superiores tanto que tal questão, reiteradamente decidida faz parte de Resolução do Conselho Federal n. 561 de 02 de julho de 2007 que aprovou o Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal Diz o referido manual: 1. 2 CORREÇÃO MONETÁRIA Será tratada nas seções seguintes e contemplará cada tipo de liquidação, exceto quanto Its notas e item abaixo.. NOTA 1: Incide correção monetária ainda que omisso o pedido inicial ou sentença 1 2 I EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Devem-se considerar, também, os expurgos inflacionários, IPC/IBGE integral já consolidados pela jurisprudência, salvo decisão judicial em contrário, nos seguintes períodos' - jan/89 .= 42,72% - fev/89 = 10,14% - março/90 dfev/91 = IPC/1BGE em todo o período. No item 4 do mesmo capitulo ao tratar da repetição de indébito faz o seguinte: 4. REPETVO DE INDÉBITO TRIBUTARIO 4,1 correção monetária Ao tratar dos indexadores colocou os seguintes 1964 a fev/86, ORTN De mar/86 a jan/89, OTN, observando-se que os débitos anteriores a .jan/89 deverão ser multiplicados, neste mês, por 6,17; - jan/89, IPC/IBGE, de 42,72% (expurgo en? substituição ao BTN) - fev/89, IPC/IBGE, de 10,14% (ex....) - de mar/89 a mar/90, BTN - de mar/90 afev/91, 7 Processo n° 11543 008203/99-18 Acói do ri 0 03-05.682 cswro3 ns A. 10- Ora; a incluso dos expurgos inflacionários constou no referido Manual pelo fato público e notório de que a jurisprudência já esta totalmente consolidada neste senticio, conforme se depreende das ementas de julgados do Superior Tribunal de . Justiça abaixo transcritas: "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO: EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DO DL Ale) 2.288/86 (ART 10 E PARÁGRAFO ÚNICO) - PRESCRIÇÃO CONTADA DA PUBLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO N° 50/95 (10/10/95) - TAXA SELIC. 1. 0 empréstimo compulsório instituido pelo D1 n° .2.288/86 (art.12) inconstitucional (STF, RE n° 121 .336/CE e RE V 175.38.5-4/SC). Exigência suspensa pela Resolução n° 50, de 10/10/95, do Senado da Republica. Repetição pela média do consumo (SUMULA 25/TRF1 e § da art 16 do DI n a 2.288/86) 2. Prazo prescricional contado da publicação da Resolução n° 50, de 10/10/95, do Senado Federal conto .forma de maior eficácia e abrangência da decisão do STF, reparadora do ilícito abusivo praticado pelo governo contra o contribuinte 3. Os expurgos inflacionários aplicados pelos governos pás 1986 são devidos (indices proclamados pelo STJ) independentemente de pedido expresso como reposição do poder aquisitivo nos períodos de alto inflação. 4. Correção monetária ('SÚMULA n° 46 do extinto TFR até DEZ 1995. Taxa SELIC a partir de I° .LIA' 96 (Lei n° 9 250/95), que exclui a correção monetária e asjw-os moratórias. 5.. Apelação provida.' pedido procedente. 6 Peças liberadas pelo Relator ein 06/04/2004 para publicação do acórdão" (TRF Regido — Apelação Cível n° 2000.38.00.033878-9 / MG — 7' Turma — Rel. Des.. Federal Luciano Tolentina Amaral — DJ. 30.04 2004). "TRIBUTÁRIO - REPETIÇÃO DE INDEBITO - CORREÇÃO MONETÁRIA — INCIDÊNCIA TERMO INICIAL, LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA - IPC - APLICAÇÃO. - A JURISPRUDÊNCIA DA CORTE, NA ESTEIRA DA ORIENTAÇÃO CONSOLIDADA NA SUMUIA 46 DO TFR, FIRMOU O ENTENDIMENTO NO SENTIDO DE QUE A CORREÇÃO MONETÁRIA, NA HIPÓTESE DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO, DEVE SER CALCULADA DESDE A DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO E INCIDE ATE O EFETIVO RECEBIMENTO DA IMPORTÂNCIA POSTULADA. II - TAMBÉM A JURISPRUDÊNCIA DO ST1 SE PACIFICOU NO SEA7IDO DE QUE, NOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO DE 8 Processo nb 115 ,13 008203/99-18 Acórdão n 003,05 .682 CSI2FTTO3 ris 10 SENTENÇA, DEVEM SER APLICADOS OS INDICES DO IPC QUE REFLITAM A VERDADEIRA INFLAÇÃO DO RESPECTIVO PERÍODO (STI — Resp. 74183 / DF - Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS — In Turma — DJ 04 03 1996) (destaca-se) Ainda, devem ser trazidos para análise os termos do parecer da Advocacia Geral da União n°. 01, de 11.06.96 (DOU 18 01.96), citado pela recorrida, que explictamente autoriza a aplicação da correção monetária na situação idêntica ao do presente processo Em especifico refiro-me aos itens 29, 30 e 39 do indigitado Parecer, que transcrevo, para fundamental - o presente voto: 29.. Na verdade, a correção monetciria não constitui um "plus" a exigir expressa previsão legal. t, antes, a atualização da divida (devolução da quantia indevidamente cobrada a titulo de tributo.), decorrência natural da retenção indevida, constitui expressão atualizada do quantitativo devido. 30. 0 principio da legalidade, no sentido amplo recomenda que o Poder Público conceda administrativamente, a correção monociria de parcelas a serem devolvidas, uma vez que foram indevidamente recolhidas a titulo de tributo, ainda que o pagamento (ou o recolhimento) indevido tenha ocorrido antes da vigência da Lei e. 8.383/91. E com ele, outro principio: o da moralidade, que impede a todos, inclusive ao Estado, o enriquecimento sem causa, e que determina ao "beneficiário" de uma norma o reconhecimento do mesmo dever na situação inversa, 39. Podemos concluir este Parecer invocando os princípios constitucionais informadores e conformadores do sistema jurídico brasileiro,podemos concluí-lo pela existência implícita, nas leis vigentes, da regra que determina a incidência da correção monetária sempre que procedimento inverso beneficiar o agente violador da norma (não cobrar indevidamente); podemos dizer, coma o Ministro Leitão de Abreu (voto no ERE 77.698-SP, RTJ 75/810), que a alegada "lacuna não constitui, assim, lacuna verdadeira, porém lacuna meramente aparente, integrável ou suprível mediante interpretação"; podemos afirmar que q atualização se compreende no dever de restituir, para que a restituição seja completa; podamos acrescentar, ainda, que não se constituindo um plus, a correção integra o principal; podemos deixar claro que a restituição no momento em que for efetuada, compreende o valor pago ou recolhido na data em que tal fato ocorrer, coin a atualização, que lhe preserva o valor aquisitivo, o poder de compra; podemos deixar ressaltado o valor moral a ser preservado (o não enriquecimento ilícito do ente público que coercitivamente impôs a cobrança indevida Fixaremos, desta forma, a interpretação das leis, na forma do inciso X do artigo 40 da Lei Complementar n°. 73/93. No caso sob exame, vimos que a jurisprudência há muito tempo se pacificou. Nos últimos anos, não há 9 Process() n" 11543 008203/99-18 Ac6rd5o o "03-05,682 CSRF/T03 Frs iü43 um só julgado que, em hipótese como a tratada nester autos, tenha deixado de reconhecer a incidência da correção monetária Com a unanimidade dos Tribunais e Juizes decidindo no 117eS1110 sentido, persistir a .Adminisnagdo em orientação diversa, sabendo que, se levada aos tribunais, terá de reconhecer, porque existente, o direito invocado, é agir contra o interesse público; é desrespeitar o direito alheio, e valer-se de sua autoridade para, enz beneficio próprio, procrastinar a satisfaçcio de direito de terceiros, procedimento incompatível com o bem público para cuja realização foi criada sociedade estatal e da qual a Administração, como o próprio nome diz, é a gestora A Ad117i17iStração não deve, desnecessária e abusivamente, permitir que, coin sua ação ou omissão, seja o Poder Judiciário assoberbado com causas- cujo desfecho todos já conhecem.. O acúmulo de ações dispensáveis ocasiona o emperramento da máquina judiciária, prejudica e retarda a prestação jurisdicional, provoca, enfim, pela demora no reconhecimento do direito, injustiças, pois, como, na célebre Oração aos Mops, disse Rui Barbosa, "justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesto." (edição da Casa de Rui Barbosa, Rio, 19.56, p. 63). E, para isso, o Poder Público não deve e não pode contribuir. Em conseqüência, tendo enz vista o sistema jurídico brasileiro, a doutrina e a jurisprudência dos tribunais Superiores, outra conclusão nos resta, senão proclamar que: "Na repetição do indébito tributário, é devida atualização monetária, calculada desde a data do pagamento ou recolhimento indevido até a data do efetivo recebiinento da imporffincia reclamada." E, para finalizar, é importante registrar que a Camara Superior de Recursos Fiscais tem, na esteira dos julgamentos do Superior Tribunal de Justiça, decidido pela inclusão dos expurgos inflacionários. Neste sentido, por exemplo, é o acórdão proferido no Processo n°, 10735.000173198-92, pelo Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer, Recurso n°, 203-116520, abaixo transcrito: "CORREÇÃO MONETÁRIA — RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO — PRINCÍPIO DA MORALIDADE — CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 37 — EXPURGOS INFLACIONÁRIOS — STJ — 1990 — IPC PRECEDENTES — Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação das indices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de indices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao principio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado.Recurso provido". Ainda neste sentido, temos as seguintes ementas: "RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Não atendidos, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os pressupostas de admissibilidade do Recurso Especial de Divergência interposto. Recurso não conhecida RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO, CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULG46 0 10 Processo n° 11543 008203/99-18 Ac(ird5o n "03-05.682 CSRFTTO3 Fls INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. No cálculo do valor a ser restituído ao Contribuinte devem ser hirer/dos os expurgos inflacionários correspondente-s_ Precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Primeira Turma da Cámara Superior de Recursos Fiscais Pr ovido o Recurso Especial do Contribuinte". CSRF — 03-04 108, Terceira Turma) "CORREÇÃO MONETÁRIA — RESTITUIÇA." 0 E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO — PRINCIPIO DA MORALIDADE — CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 37 — EXPURGOS INFLACIONÁRIOS — STJ — 1990 — IPC PRECEDENTES — Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos indices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de indices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao principio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilicito do Estado. Recurso provido". (CSRF 02-01.713, Segunda Turma) "RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO A MAJOR ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO INDÉBITO — 1NDICE DE CORREÇÃO. A devolução de tributo inconstitucionalmente exigido haverá de ser feita ao sujeito passivo sob os indices que melhor reflitam o poder de corrosão da moeda brasileira. A Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n°. 08/97 não atende e não reflete a desvalorização da moeda no período por ela compulsado". (CSRF —01-04.673, Primeira Turma) "RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO.. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL, TRANSITADA EM JULGADO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS, No calculo do valor a ser restituído ao Contribuinte devem ser inseridos os expurgos inflacionários correspondentes. Precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Primeira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais.. SELIC. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição. nos termos do artigo 39, § 4° da Lei n'. 9.250/95. a partir de 01/01/96". (Recurso 134.392, Processo n°, 11060,002207/99-61, Cons.. Luis Antônio Flora) "PEDIDO DE RESTITUIÇA.O/COMPENsAçÃo, COTA DE. CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFE. DECRETO-LEI 2.295/86. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. OPÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA EXPURGOS INFLACIONÁRIOS, TAXA SELIC. Aplica-se os expurgos pacificados no seio da jurisprudência, quais sejam, 42,72% (ian189), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (maio/90) e 21,87% (fev/91), bem como é devida a aplicação da taxa SELIC, a partir de 1° de janeiro de 1996, por força do artigo 39, parágrafo 4 0, da Lei n° 9 250/95" (Recurso 133.392, Processo n°. 13767.000208/00-28, Cons. Nilton Luiz Bartoli) 11 Processo n 11543.005203/99-18 Acórdao n "03-05 682 CSR17113 Fls A WV, "INDÉBITO TRIBUTÁRIO — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA. A correção monetária não constitui aumento ou acréscimo, mas sim, a recomposição do valor da moeda que fora corroido pelo processo inflacionario, sendo devida a correção monetária efetiva sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Pública". (Recurso 127..831, Processo 10920.001654/98-46, Cons. Julio Cezar da Fonseca Furtado) "RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO A MAIOR ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO INDÉBITO — INDICE DE CORREÇÃO. A devolução de tributo inconstitucionalmente exigido haverá de ser feita ao sujeito passivo sob os indices que melhor reflitam o poder de corrosão da moeda brasileira.. A Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR. n°. 08/97 não atende e não reflete a desvalorização da moeda no período por ela compulsado". (Recurso 107-128.955, Processo n°. 13896.000873/00-46, Cons.. Victor Luis de Salles Freire) Diante de tais considerações, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, deve o titular ter seu crédito corrigido monetariamente, não se admitindo a adoção de indices inferiores expurgados que são: i) janeiro/89: 42,72%; ii) fevereiro/89: 6,31% iii) março/90: 30,46% iv) abril/90: 44,80% v) maio/90: 2,36% vi) janeiro/96: taxa selic Assim sendo, conclui-se que a restrição alegada pelo órgão de Primeira Instância em relação aos indices de correção monetária pleiteados pela recorrida contribuinte mostra-se descabida, Diante do exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo o acórdão proferido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes para declarar que na compensação de indébito tributário deve ser aplicada a correção monetária dos expurgos inflacionários, mantendo-se a decisão da r. Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É como voto.. Sala das Sessões, em 16 de junho de 2008. SUSY GOMES) H01 - ANN Processo n" 11543M08203/99-18 AceIrdilo n_" 03-05.682 Voto Vencedor Conselheiro OTACIL10 DANTAS CAR TAXO, redator designado Corn as merecidas homenagens ao brilhantismo do voto condutor, ouso abrir a discordância por razões que, no mérito, se opõem as suas conclusões. Conforme relatado, a matéria em foco constitui-se, exclusivamente, do direito de aplicar, ou não, os expurgos inflacionários, ou seja, os indices que o governo excluiu do aferimento oficial da inflação, aos indébitos utilizados para extinguir o crédito tributário da COFINS, pelo instituto da compensação. No relatório acima a ilustre relatora reproduz a sentença transitada em julgado, na qual o Juizo determinou "correção monetária de conformidade corn a Súmula n° 46 do Egrégio Tribunal Federal de Recursos". A referida Sumula, por sua vez determina: Nos casos de devolução do depósito efetuado em garantia de instância e de repetição de indébito tributário, a correção monetária é calculada desde a data do depósito ou do pagamento indevido e incide aid o efetivo recebimento da importáncia reclamada Não há ordem no dispositivo da decisão judicial no sentido de inclusão dos expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária do indébito reconhecido, que somente podem ser aplicados na execução administrativa quando determinados judicialmente.. 0 manual de cálculos produzido no âmbito da Justiça Federal - Manual de Orientaçao de Procedimentos- flora Cálculos na Justiça Federal — estabelece a aplicação dos expurgos inflacionários somente nos cálculos realizados no âmbito do Poder Judiciário. No âmbito administrativo a orientação seguida é a contida no Parecer Normativo AGU/MF n° 01/96 que dispõe que a correção dos créditos deve-se dar pelos mesmos critérios adotados para a cobrança de débitos fiscais em atraso Ao determinar a aplicação dos mesmos indices utilizados pela Fazenda Pública, o Parecer AGU/MF estabeleceu o procedimento a ser adotado no âmbito da Administração Tributária.. De fato, a Norma de Execução COSIT n° 08/97 unicamente explicita os indices oficiais utilizados, tanto para exigir exação vencida e não recolhida, quanto para restituir indébitos tributários. No contexto do julgamento administrativo a atualização de indébitos fiscais ou de créditos tributários, mirando a isonomia das partes da relação jurídica, é processada corn aplicação dos mesmos indices utilizados tanto para calcular o indébito quanto para calcular o crédito constituido . Consoante legislação tributária em vigor, a atualização monetária, ate 31/12/95, tanto dos valores recolhidos indevidamente quanto dos valores devidos, deve ser efetuada com 13eZt Proccsso n" 11543 008203/99-18 Acórdão n° 03-05.682 CSRF/T03 Eis ik 1081 base nos indices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08. de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4", da Lei n° 9.250/95. Com estas considerações, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para excluir os expurgos inflacionários do .pálculo de atualização do indébito. f -s OTACILIO DAN CARTAXO 14 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Serviço de Documentação e Informação - CARF CARF-MF Fl Processo re2 : 11543.008203/99-18 Recorrente : MCKINLAY S/A TERMO DE CIÊNCIA DE PROCESSO Concedi, nesta data ciência do Acórdão n° 03-05.682 — 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 16 de junho de 2008, -Hs, 1.068 a 1.081 dos autos do processo acima a Daniela Ferreira da Silva Delia Volpe OAB/SP n° 255.093 credenciado, conforme Procuração nos autos Brasilia, 07 de dezembro de 2010 trt Sueli Tolentino Mendes da Cruz Chefe do Serviço de Documentação e Informação Declaro que, nesta data, tive ciência do Acórdão n° 03-05.682 — 3' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 16 de junho de 2008, fls. 1.068 a 1.081 dos autos do processo acima, no Serviço de Documentação e Informação do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais - CARE Brasilia, 07 de dezembro 2010. OAB/.3P
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Numero do processo: 11065.001865/2006-59
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
O procedimento da ação fiscal atendeu a todos os requisitos da legislação e ofereceu à fiscalizada todas as oportunidades de defesa. Toda a documentação apresentada foi devidamente analisada e levada em consideração quando do lançamento, e as infrações estão devidamente detalhadas no Relatório Fiscal
Além disso, é de quem pleiteia a dedução o ônus de comprová-la, não podendo se transferir essa obrigação ao Fisco.
Desta forma, o lançamento não padece de qualquer nulidade.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1a INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita, não se tem por omisso o julgado.
Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação.
DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos.
Hipótese em que o recorrente não teve sucesso em comprovar as deduções ainda pleiteadas.
PEDIDO DE PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. IMPOSSIBILIDADE.
Impossível se admitir o pedido para reconstituir, ou obter a 2a via, dos documentos não localizados (extraviados), pois o ônus de comprovação é de quem pleiteia a dedução, e isso deve ser feito no momento oportuno.
RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES PARA O MODELO SIMPLIFICADO. IMPOSSIBILIDADE.
A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, que se torna definitiva com sua entrega, e é irretratável após o prazo final de apresentação.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de 1a instância, indeferir os pedidos de produção de novas provas e de retificação das declarações para o modelo simplificado, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. O procedimento da ação fiscal atendeu a todos os requisitos da legislação e ofereceu à fiscalizada todas as oportunidades de defesa. Toda a documentação apresentada foi devidamente analisada e levada em consideração quando do lançamento, e as infrações estão devidamente detalhadas no Relatório Fiscal Além disso, é de quem pleiteia a dedução o ônus de comprová-la, não podendo se transferir essa obrigação ao Fisco. Desta forma, o lançamento não padece de qualquer nulidade. NULIDADE DA DECISÃO DE 1a INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita, não se tem por omisso o julgado. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação. DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que o recorrente não teve sucesso em comprovar as deduções ainda pleiteadas. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. Impossível se admitir o pedido para reconstituir, ou obter a 2a via, dos documentos não localizados (extraviados), pois o ônus de comprovação é de quem pleiteia a dedução, e isso deve ser feito no momento oportuno. RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES PARA O MODELO SIMPLIFICADO. IMPOSSIBILIDADE. A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, que se torna definitiva com sua entrega, e é irretratável após o prazo final de apresentação. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de 1a instância, indeferir os pedidos de produção de novas provas e de retificação das declarações para o modelo simplificado, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
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INEXISTÊNCIA. O procedimento da ação fiscal atendeu a todos os requisitos da legislação e ofereceu à fiscalizada todas as oportunidades de defesa. Toda a documentação apresentada foi devidamente analisada e levada em consideração quando do lançamento, e as infrações estão devidamente detalhadas no Relatório Fiscal Além disso, é de quem pleiteia a dedução o ônus de comprovála, não podendo se transferir essa obrigação ao Fisco. Desta forma, o lançamento não padece de qualquer nulidade. NULIDADE DA DECISÃO DE 1a INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita, não se tem por omisso o julgado. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação. DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 18 65 /2 00 6- 59 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 103 2 Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que o recorrente não teve sucesso em comprovar as deduções ainda pleiteadas. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. Impossível se admitir o pedido para reconstituir, ou obter a 2a via, dos documentos não localizados (extraviados), pois o ônus de comprovação é de quem pleiteia a dedução, e isso deve ser feito no momento oportuno. RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES PARA O MODELO SIMPLIFICADO. IMPOSSIBILIDADE. A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, que se torna definitiva com sua entrega, e é irretratável após o prazo final de apresentação. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula CARF nº 4). Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de 1a instância, indeferir os pedidos de produção de novas provas e de retificação das declarações para o modelo simplificado, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 104 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 e 31 a 39, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003 e 2004, para glosar deduções indevidas de despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$11.757,66, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 41 a 56), acatada como tempestiva, onde pugnou pela nulidade do lançamento devido à omissão na descrição da matéria tributável, questionou a ausência de verificação da contrapartida dos lançamentos glosados, afirmou que restou violado o principio da ampla defesa em função da concessão de prazos insuficientes, defendeu que houve a análise parcial, o que importou em lançamento baseado em evidências e não provas, o que contraria os termos da legislação, e postulou a inexigibilidade da Taxa Selic e da multa de ofício. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 58 a 63): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O estrito cumprimento das regras prescritas no Processo Administrativo garante ao contribuinte o direito de ampla defesa e do contraditório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 105 4 GLOSA DE DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de oficio, prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. "SÚMULA 1° CC N° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, nos período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 24/09/2007 (fl. 71), o contribuinte apresentou, em 24/10/2007, o recurso de fls. 72 a 98, onde defende: a) a nulidade da decisão de 1a instância, que não apreciou o argumento de que a fiscalização era imprestável, pois não orientou como proceder, caso não localizasse os recibos extraviados; b) que a nulidade do lançamento deve ser reconhecida de ofício, pois a fiscalização cometeu diversos procedimentos irregulares; não analisou a integralidade dos dados, argumentos e documentos ofertados/solicitados; não indicou a origem e o destino dos valores considerados; não autorizou/concedeu prazo para se reconstituir (e/ou obtenção da 2a via) dos documentos não localizados; e realizou procedimento exclusivamente baseado em indícios e não em provas; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 106 5 c) que o lançamento tributário deve descrever, sob pena de nulidade, detalhadamente a conduta do contribuinte e os fundamentos que motivaram a imposição fiscal, não bastando a simples menção aos dispositivos legais aplicados, sob pena de cerceamento de defesa; d) que a fiscalização concedeu prazo insuficiente para pesquisa e resposta ao Termo de Intimação Fiscal, em especial para se efetuar a reconstituição e/ou obtenção da 2a via dos documentos não localizados (extraviados); e) que em nenhum momento foi esclarecido, se, no caso da não localização dos documentos originais solicitados, seria possível a substituição por segundas vias ou cópias obtidas juntos aos emitentes e/ou declarações dos favorecidos sobre a existência/veracidade dos mesmos, nem se oportunizou esse procedimento; f) que em nenhum momento foi efetuada, por parte da SRF, verificação da autenticidade desses lançamentos, ou seja, se esses valores foram lançados nas declarações de receita/rendimentos dos favorecidos; g) que houve a análise parcial, o que importou em lançamento baseado em evidências e não provas, o que contraria os termos da legislação; h) que, da despesa de R$26.016,65 do ano de 2002, R$118,65 são relativos ao Plano de Saúde da Golden Cross de dezembro; R$2.425,00 se referem a despesas com educação (Colégio Arista – CNPJ 92.023.159/001030); e que gostaria de poder ter retificado a declaração para o modelo simplificado; i) que, da despesa de R$16.736,44 do ano de 2003, R$2.320,68 são relativos ao Plano de Saúde da Golden Cross, ao qual é ainda associada; R$400,00 se referem a despesas médicas, que agora comprova; R$170,00 e R$172,01 são despesas com educação (FATEC – CNPJ 89.252.431/000159); e que gostaria de poder ter retificado a declaração para o modelo simplificado; j) que a taxa Selic é inexigível por ser inconstitucional; k) que a multa de ofício é inexigível por ser confiscatória. Ao final, informa que anexa novos documentos ao recurso, e pugna pela nulidade da decisão recorrida ou do lançamento, pelo direito de reconstituir, ou obter a 2a via, dos documentos não localizados (extraviados) e pela oportunidade de retificar as declarações com o uso do modelo simplificado. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 101, que também trata do envio dos autos então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 107 6 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Ação fiscal e lançamento: A contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2003 (fls. 9 a 11), ter auferido rendimentos tributáveis de R$78.769,00, e deduziu despesas médicas no valor de R$27.866,00, assim discriminadas: NOME DO BENEFICIÁRIO VALOR COLEGIO ARISTA 2.425,00 CENTRO TERAPEUTICO 890,00 GOLDEN GROSS 1.968,00 SUELI 1.510,00 RONALDO 2.400,00 CENTRO EDUCACIONAL 3.716,00 RENATO FAILACE 2.225,00 HB ANALISE CLINICA 927,00 ROSANGELA UEBEL 2.697,00 JOSE DOSSIM 698,00 HOSPITAL DE CARIDADE 986,00 JOSE RENATO 1.416,00 PATRICIA DO AMARAL 1.932,00 CARLOS FARIAS 1.762,00 JOSE RENATO 2.314,00 TOTAL 27.866,00 Já na declaração de ajuste do exercício de 2004 (fls. 12 a 14), informou ter auferido rendimentos tributáveis de R$60.038,63, e deduziu despesas médicas no valor de R$16.738,44, assim discriminadas: NOME DO BENEFICIÁRIO VALOR MARCOS AURELIO 1.350,00 JOCELY VIEIRA 1.314,00 DENISE RODRIGUES 1.212,00 ERALDO DE AZEVEDO 465,00 MAURO JOAQUIM 722,00 ALEXANDRA POULTON 614,35 TATIANA RECH 289,00 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 108 7 JANETE POLANCZK 256,00 JULIO M. OINTO 312,00 GILMAR LONARDO 850,00 VALDEMAR POLIDO 1.120,00 MARGARET CARVALHO 1.450,00 MONICA LUPION 750,00 EDILSON AVILA 433,00 DJALMA SAYAO 914,00 MARCOS ROVINSKI 568,00 CELSO BLACHER 628,00 GOLDEN CORSS 2.320,68 FATEC 1.170,41 TOTAL 16.738,44 Após intimada a apresentar todos os comprovantes de despesas médicas em 15/3/2006 (fls. 15 a 16), a contribuinte solicitou prorrogação de prazo por 30 dias (fl. 17), pedido concedido no mesmo termo, e finalmente terminou por informar não possuir os recibos e por solicitar o parcelamento dos débitos em 19/04/2006 (fl. 19). Apesar da informação de não possuir mais os documentos, apresentou uma nota fiscal (fl. 21) e o demonstrativo de mensalidades do plano de saúde (fl. 22), relativos ao anocalendário de 2002. Entretanto, a fiscalização considerou comprovado apenas o plano de saúde (R$1.849,35), pois o recibo médico era relativo a pessoa não dependente. Todas as demais despesas médicas foram glosadas. Preliminar de nulidade da decisão de 1a instância: Preliminarmente, a recorrente pugna pela a nulidade da decisão de 1a instância, que não apreciou o argumento de que a fiscalização era imprestável, pois não orientou como proceder, caso não localizasse os recibos extraviados Entretanto, verifico que o julgador a quo optou por rejeitar todas as preliminares de nulidade de forma conjunta, afirmando não ter ocorrido qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972; que antes da impugnação não há que se falar em cerceamento de defesa; que não houve qualquer prejuízo, pois o contribuinte demonstrou ter plena compreensão das infrações; e que houve correta emissão de Mandado de Procedimento Fiscal. Vale ressaltar que o julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita, não se tem por omisso o julgado. Desta forma, entendo que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, pelo que rejeito a preliminar de nulidade de decisão de 1a instância suscitada. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 109 8 Preliminares de nulidade do lançamento: Ainda em sede preliminar, a recorrente defende que o lançamento deve ser considerado nulo, porque cometeu diversos procedimentos irregulares; não analisou a integralidade dos dados, argumentos e documentos ofertados/solicitados; não indicou a origem e o destino dos valores considerados; não autorizou/concedeu prazo para se reconstituir (e/ou obtenção da 2a via) dos documentos não localizados; realizou procedimento exclusivamente baseado em indícios e não em provas; e não descreveu detalhadamente a conduta do contribuinte. Afirma ainda que a fiscalização concedeu prazo insuficiente para pesquisa e resposta ao Termo de Intimação Fiscal; não esclareceu se, no caso da não localização dos documentos originais solicitados, seria possível a substituição por segundas vias ou cópias obtidas juntos aos emitentes e/ou declarações dos favorecidos sobre a existência/veracidade dos mesmos, nem oportunizou esse procedimento; e não verificou se os prestadores de serviço declararam as receitas correspondentes. Entretanto, entendo que os argumentos não podem prosperar. Verifico que o procedimento da ação fiscal, acima descrito, atendeu a todos os requisitos da legislação e ofereceu à fiscalizada todas as oportunidades de defesa. E, em resposta ao termo de intimação, a contribuinte informou não mais possuir os recibos e concordou com a autuação, afirmando sua intenção de parcelar. De qualquer modo, é de quem pleiteia a dedução o ônus de comprovála, não podendo se transferir essa obrigação ao Fisco. Além disso, verifico que toda a documentação apresentada foi devidamente analisada e levada em consideração quando do lançamento, e que as infrações estão devidamente detalhadas no Relatório Fiscal de fls. 31 a 33. Desta forma, rejeito as preliminares de nulidade do auto de infração. Despesas Médicas: Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 110 9 a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. No voluntário, a recorrente argumenta que: a) os R$118,65 glosados da despesa com o Plano de Saúde da Golden Cross se referem ao mês de dezembro de 2002, que não consta do comprovante anual; b) ainda no ano de 2002, o valor de R$2.425,00 na verdade se trata de despesas com educação (Colégio Arista – CNPJ 92.023.159/001030); c) as despesas com plano de saúde no ano de 2003 são reais, e que ela continua associada a Golden Cross. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 111 10 Entretanto, esses argumentos, apesar de razoáveis, não são comprovados com quaisquer documentos, e portanto não servem para comprovar deduções da base de cálculo do imposto de renda. A contribuinte pleiteia a dedução de R$400 pagos ao Dr. Ronaldo Neves Brum, cirurgiãodentista, CPF no 392.581.14000, comprovada pelo recibo de fl. 94, datado de 26/03/2003. Entretanto, essa despesa não foi pleiteada na declaração de ajuste de 2004 (fls. 13 e 14), e o recibo não atende aos requisitos da legislação, pois não descreve qual o tratamento realizado, nem especifica quem foi o beneficiário do serviço odontológico. Na fl. 94, consta ainda a cópia de Nota Fiscal de Serviço emitida pelo Centro Terapêutico e Estética Odete Ltda, CNPJ no 73.847790/000119, em 12/3/2003, no valor de R$989,00, relativo a uma consulta de orientação. Contudo, além dessa despesa não ter sido pleiteada na declaração de ajuste de 2004 (fls. 13 e 14), o documento fiscal não permite determinar se o pagamento se relaciona a serviço médico, odontológico, psicológico, fisioterápico, fonoaudiológico, hospitalar ou de terapeuta ocupacional, não sendo possível se admitir que se enquadre entre as possibilidades legais de dedução. Finalmente, a contribuinte traz dois comprovantes de pagamento a FATEC— FUND APOIO TEC E CIENCIA, um de R$170,00 pago em 5/3/2002 (fls. 95 e 96) e outro de R$172,01, pago em 14/10/2002 (fls. 97 e 98), que a recorrente diz se referirem a despesas com educação. Contudo, um dos pagamentos se refere ao ano de 2001, que não é objeto do lançamento sob análise. E quanto ao desembolso feito no ano de 2002, não é possível se concluir que se trata de despesa de instrução, pois o boleto de pagamento não traz qualquer informação a esse respeito. Dessa forma, concluo que nenhuma das despesas glosadas foi devidamente comprovada, pelo que mantenho o lançamento do principal. Pedido para produzir novas provas: No voluntário, a contribuinte solicita o direito de reconstituir, ou obter a 2a via, dos documentos não localizados (extraviados). Contudo, como já se disse, o ônus de comprovação é de quem pleiteia a dedução, e isso deve ser feito no momento oportuno. Passados mais de seis anos do lançamento, a interessada teve tempo suficiente para produzir as provas que julgasse necessário. Desta forma, indefiro o pedido. Pedido de retificação para o modelo simplificado: A recorrente solicita, ainda, caso seus argumentos anteriores não sejam aceitos, a oportunidade de retificação de declaração pelo modelo simplificado. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 112 11 Entretanto, a escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, que se torna definitiva com sua entrega, e é irretratável após o prazo final de apresentação. Observese que o parágrafo único do art. 18 da Medida Provisória nº 2.189 49, de 23 de Agosto de 2001, determina que cabe a Receita Federal do Brasil estabelecer as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos para a retificação de declaração. E o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, veda a troca de modelo após o prazo previsto para a entrega da declaração. Ademais, após o início da ação fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade para atos anteriores, nos termos do §1o do art. 7o do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não havendo mais a possibilidade de retificação da declaração. Nesse sentido, o pedido deve ser indeferido. Multa de ofício e juros de mora: Do mesmo modo, não assiste razão ao recorrente quando defende a inconstitucionalidade e o caráter confiscatório da multa de ofício. Essa penalidade está prevista explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Quanto aos juros de mora, nunca é demais enfatizar que a assunto não comporta mais discussão no âmbito do CARF com a publicação da Súmula CARF nº 4 (antigas Súmulas nos 4 do 1º e 3º Conselhos de Contribuinte e 3 do 2º Conselho de Contribuinte), que possui o seguinte conteúdo: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão: Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de 1a instância, indeferir os pedidos de produção de novas provas e de retificação das declarações para o modelo simplificado, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.001865/200659 Acórdão n.º 2101002.044 S2C1T1 Fl. 113 12 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 36392.002014/2007-23
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/08/2005, 01/12/2005 a 30/04/2006, 01/07/2006 a 31/08/2006
SALÁRIO INDIRETO. PROGRAMA DE INCENTIVO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO
A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PROGRAMA DE INCENTIVO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 20 14 /2 00 7- 23 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 31/05/2007, relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores de premiações pagas através cartões de incentivo. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PAGAMENTO ATRAVÉS DE CARTÃO ELETRÔNICO POR INTERMÉDIO DE EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. PROVA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. I A contratação de outra empresa que viabilize forma de pagamento eletrônico de parte da remuneração não retira a natureza remuneratória da parcela paga a segurados empregados. II A apresentação de razões e provas documentais deve obedecer às regras contidas no art. 7°, da Portaria RFB n° 10.875/2007. III Indeferese o pedido de perícia quando este se mostra prescindível. ... 2. Consoante Relatório Fiscal de fls. 31/44, os valores considerados como base de cálculo das contribuições apuradas foram obtidos a partir das notas fiscais, as quais foram emitidas pela SPIRIT MARKETING PROMOCIONAL LTDA., para a empresa QUALIVIDA FARMÁCIA E CONVENIÊNCIA LTDA (contabilizadas nas contas 30.4255 — Propaganda e Publicidade e 30.721 — Serviços prestados por Pessoa Jurídica) e das planilhas de fls. 80/96. 2.1. Segundo o Auditor Fiscal notificante a empresa QUALIVIDA FARMÁCIA firmou contrato de prestação de serviços (fls. 45/48) com a empresa SPIRIT MARKETING para o fornecimento dos cartões SPIRIT CARD. O objetivo do referido contrato é a premiação dos funcionários, prepostos ou parceiros comerciais indicados pela empresa. A empresa notificada, FARMACIA IMPERATRIZ, faz parte do grupo econômico formado pelas empresas QUALIVIDA FARMÁCIA e FARMA DRUGS LTDA, desta forma, seus funcionários foram incluídos na relação dos beneficiários do cartão de premiação SPIRIT CARD. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: 4.1. Não há dolo por parte da empresa. 4.2. O lançamento não se amolda ao Art. 142 do Código Tributário Nacional (Lei n°5.172/1966). Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36392.002014/200723 Acórdão n.º 2402003.123 S2C4T2 Fl. 228 3 4.3. O lançamento deve seguir determinados preceitos e ser efetivado levandose em conta os destinatários, sejam da Administração Pública, sejam os contribuintes, advogados etc. 5.1. Interpretação equivocada de que sobre os prêmios fornecidos através de cartões incidem as Contribuições Previdenciárias. 5.2. O pagamento de prêmios não era efetuado de forma habitual. 5.3. Tal rubrica é mero incentivo e não deve ser considerada base de cálculo. Disserta sobre a nova dinâmica nas relações de trabalho e sobre o papel do Estado. 5.4. Discorre sobre o Art. 5º, II e 37 da Constituição da República. Solicita o deferimento de perícia. Disserta sobre o conceito de ampla defesa. Remete ao principio da razoabilidade. 5.5. Disserta, também, sobre as parcelas que devem e não devem compor a base de calculo das Contribuições Previdenciárias. Distingue a remuneração em dinheiro e utilidades. 5.6. Alega faltar fundamentação ao lançamento e que não pode haver cobrança de Contribuições Previdenciárias com base em lacunas da Lei 8.212/1991 e alterações. 5.7. Por derradeiro, requer, a juntada de novos documentos, produção de provas, inclusive por perícia e a improcedência do lançamento. É o Relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36392.002014/200723 Acórdão n.º 2402003.123 S2C4T2 Fl. 229 5 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. No mérito Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 O artigo 28 da Lei nº 8212/91 ao definir o salário de contribuição dos segurados empregados assim o estabelece: Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição I para o segurado empregado e trabalhador avulso a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador dos serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Pela leitura dos dispositivos legais acima transcritos verificase que os prêmios, independentemente da forma como são pagos, possuem natureza salarial e compõem a remuneração do empregado. Embora negue a existência de habitualidade nos pagamentos, não traz a recorrente contraprovas que prevaleçam sobre os documentos juntados pela fiscalização. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13706.001677/2003-11
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/06/2003
CRÉDITOS FINANCEIROS. RESTITUIÇÃO. DCOMP. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. VEDAÇÃO.
A compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional cuja restituição é objeto de processo próprio, indeferido pela autoridade administrativa competente, ainda pendente de decisão definitiva, com débitos tributários, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), em novo processo, é expressamente vedada em lei, além de implicar duplicidade de pedidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Vencida a conselheira Andréa Medrado Darzé.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Vencida a conselheira Andréa Medrado Darzé. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1893; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 581 1 580 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.001677/200311 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.695 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria PIS DCOMP Recorrente SHELL BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/06/2003 CRÉDITOS FINANCEIROS. RESTITUIÇÃO. DCOMP. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. VEDAÇÃO. A compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional cuja restituição é objeto de processo próprio, indeferido pela autoridade administrativa competente, ainda pendente de decisão definitiva, com débitos tributários, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), em novo processo, é expressamente vedada em lei, além de implicar duplicidade de pedidos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Vencida a conselheira Andréa Medrado Darzé. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 16 77 /2 00 3- 11 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensações dos débitos tributários de PIS e Cofins, vencidos na data de 13/6/2003, objetos da Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 19, protocolada em 04/6/2003, com crédito financeiro decorrente de pagamentos indevidos e/ ou maior de PIS, cuja repetição foi objeto do processo administrativo nº 10070.002227/200117. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) no Rio de Janeiro não homologou a compensação dos débitos declarados sob o argumento de que o direito de a recorrente repetir/compensar os créditos financeiros declarados, discutido naquele processo, não foi reconhecido, conforme parecer e despacho decisório às fls. 249/251. Inconformada, com aquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 264/272), insistindo na homologação, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “1. em 28/12/2001, na vigência da redação original do art. 74 da Lei nº 9.430, de 31/12/1996, o recorrente protocolou, perante a SRF, pedido de restituição da totalidade do crédito da contribuição para o PIS, recolhido a maior no período de janeiro de 1992 a abril de 1996 (doc. 02, fls. 236/237), e, na mesma data, também protocolou ‘pedido de compensação’ para quitar, por compensação, a COFINS relativa a janeiro de 2002, com parte do referido crédito (do. 03, fls. 238); 2. o recorrente protocolou mensalmente perante a SRF, ‘pedido de compensação’, posteriormente ‘declaração de compensação’ (em face da redação dada ao rt. 74 da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 10.637, de 30/12/20002) para quitar, por compensação, tributos e contribuições vincendos, com parte do crédito de PIS não restituído, decorrente do pedido de restituição acima referido; 3. o pedido de restituição e parte dos pedidos e das declarações de compensação formaram o processo administrativo nº 10070.002227/200117, que se encontra pendente de julgamento definitivo na esfera administrativa (doc. 04. fl. 239) por força da interposição de recursos especiais pelo recorrente e pela recorrida contra decisão proferida pela Segunda Câmara do Conselho de Contribuintes (docs. 05 e 06, fls. 240/319); 4. em 04/06/2003, foi protocolada a pressente ‘declaração de compensação’ para quitar, por compensação, débitos de COFINS e de PIS com parte do crédito relativo ao PIS, não restituído, objeto do processo nº 10070.002227/200117, sendo que, na referida data, a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, alterado pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002, não vedava a utilização na compensação de créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição, pendente de decisão administrativa na data do encaminhamento da ‘declaração de compensação’; 5. ou seja, a IN SRF nº 210/02 extrapola sua competência, na medida em que cria óbice à compensação não previsto no CTN, nem na redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, vigente à época em que protocolada a presente ‘declaração de compensação’; 6. com efeito, apenas com a edição da Lei nº 11.051, de 29/12/2004, é que foi incluído o § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que passou a vedar a compensação de Fl. 582DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.001677/200311 Acórdão n.º 3301001.695 S3C3T1 Fl. 582 3 valor objeto de pedido de restituição já indeferido pela autoridade competente, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão final na esfera administrativa; 7. ocorre que essa vedação prevista no § 12 da Lei nº 9.430/96, incluída pela Lei nº 11.051/04, não é aplicável ao presente caso, porque somente passou a produzir efeitos a partir de sua vigência, ou seja, em 30/12/2004, conforme se verifica do disposto no art. 34, III, da Lei nº 11.051/04, enquanto a ‘declaração de compensação’ que dá origem ao presente processo nº 13706.001677/200311 foi protocolada em 04/06/2003; 8. pelo exposto, requerse seja conhecido o presente recurso e reformada a decisão não homologatória da compensação, já que o recorrente tem direito de utilizar os créditos decorrentes de pagamento indevidos do PIS – não prescritos, porque utilizado dentro do decêndio legal, conforme reconhece a jurisprudência sedimentada do STJ e dos Conselhos de Contribuintes (conforme anexos, fls. 167/204); e porque sua base de cálculo, nos termos da LC nº 07/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem a incidência de correção monetária nesse período – devidamente corrigidos pela taxa SELIC.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1322.395, datado de 26 de novembro de 2008, às fls. 469/476, sob a seguinte ementa: “INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (495/509), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação dos débitos tributários declarados, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade e, ainda, a possibilidade do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais analisar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos administrativos e a não aplicação do art. 21, § 4º, da IN SRF nº 210, de 2002. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Conforme demonstrado nos autos e reconhecidos pela recorrente, no presente recurso voluntário, a totalidade dos créditos (indébitos) financeiros do PIS, cuja parte foi declarado na Dcomp em discussão foi objeto do pedido de restituição no processo administrativo nº 10070.002227/200117. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, com débitos tributários vencidos de responsabilidade da mesma pessoa jurídica, mediante apresentação de declaração de compensação (Dcomp), foi instituída por meio da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, 74, c/ a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, que assim dispunha, à data de protocolo da presente declaração, em 4 de junho de 2003: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: [...]; § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.” Em cumprimento a este parágrafo 5º, a Secretaria da Receita Federal expediu a IN SRF nº 210, de 30/9/2002, que assim dispunha: “Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da ‘Declaração de Compensação’. § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...]. § 4º O sujeito passivo poderá utilizar, na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da ‘Declaração de Compensação’. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.001677/200311 Acórdão n.º 3301001.695 S3C3T1 Fl. 583 5 No presente caso, a recorrente protocolou em 2001, o processo administrativo nº 10070.002227/200117, requerendo a restituição da totalidade dos indébitos decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou a maior da contribuição para o PIS, efetuados nos termos dos Decretos Leis nº 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988. Por meio do Parecer nº 46/02 e do Despacho Decisório, cópias às fls. 238/239 e às fls. 240, respectivamente, a Derat no Rio de Janeiro indeferiu o pedido de restituição, intimando a recorrente da decisão em 9 de julho de 2002. Contra aquele despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que analisada e indeferida pela DRJ Rio de Janeiro, nos termos do Acórdão nº 1.777, datado de 10 de janeiro de 2003, cópia às fls. 241/247. Inconformada com o indeferimento do pedido de restituição, interpôs recurso voluntário que foi julgado e dado provimento parcial, nos termos do Acórdão nº 20215.953, proferido pela Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. Ainda, inconformada com o provimento parcial, apresentou recurso especial para CSRF, visando a afastar a decadência parcial reconhecida por aquela Câmara e, conseqüentemente, o direito à repetição integral dos indébitos pleiteados. Também, a Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou recurso voluntário contra o acórdão daquela Câmara, pleiteando o indeferimento integral da restituição. Julgados os recursos especiais, os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria de votos, ao da recorrente, nos termos do Acórdão nº 0203.759, datado de 11/02/2009. Assim, não há amparo para homologar a compensação dos débitos tributários declarados na Dcomp em discussão. Primeiro, porque as normas legais vigentes, na data de protocolo da Dcomp, § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, c/c o § 4º do art, 21, da IN SRF nº 210, de 2002, citados e transcritos anteriormente, vedavam a apresentação de declaração visando a compensação de crédito financeiro objeto de pedido de restituição já indeferido. Ratificando, esta vedação, a nova redação do art. 74, da Lei nº 9.430, de 27/1996, determinada pela nº 11.051, de 2004, estabelece expressamente: “Art. 74. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . [...]. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...]. VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Fl. 585DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...].” Em segundo lugar, independente da vedação legal, conforme demonstrado anteriormente, o crédito financeiro declarado e utilizado na Dcomp em discussão foi objeto de pedido administrativo próprio cuja decisão, na data de protocolo da declaração, ainda continuava pendente. No processo administrativo nº 10070.002227/200117, a decisão definitiva reconheceu, em parte, o direito da recorrente. Assim, os indébitos do PIS correspondentes ao crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão deverão ser repetidos naquele processo. Como a decisão administrativa definitiva naquele processo foi prolatada em 11 de fevereiro de 2009, há mais de 3 (três) anos, aquela decisão já deve ter sido cumprida, com a restituição dos indébitos não alcançados pela prescrição/decadência. Quando da interposição do presente recurso voluntário, em 30 de janeiro de 2009 ou de sua reapresentação em 3 de agosto daquele mesmo ano, a recorrente não informou sobre a restituição dos indébitos deferida naquele processo. A homologação da compensação dos débitos declarados na Dcomp em discussão implicaria duplicidade de repetição de parte dos indébitos, ou seja, do crédito financeiro declarado nesta Dcomp. A suscitada ilegalidade e/ ou inconstitucionalidade de atos administrativos ficou prejudicada porque a não homologação da compensação dos débitos declarados não teve como fundamento tais atos, mas sim a vedação prevista em lei e a duplicidade de pedido. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 586DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10166.721887/2010-14
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE
INFORMAÇÕES
Toda empresa está obrigada a prestar todas as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização, na forma estabelecida pela legislação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.767
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram
em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE INFORMAÇÕES Toda empresa está obrigada a prestar todas as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização, na forma estabelecida pela legislação. Recurso Voluntário Negado
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 533DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 25/08/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, infringindo, dessa forma, o inciso III, do art. 32, da Lei 8.212/91, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c o art. 225, inciso III e § 22 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração, a empresa deixou de apresentar, apesar de intimada por meio de TIF nº. 4, de forma discriminada por segurado, valores de diversos benefícios concedidos (auxílio transporte ou auxílio alimentação), bem como a documentação de suporte dos lançamentos contábeis neles relacionados, tendo apresentado apenas parte da relação solicitada no TIF. A autoridade autuante informa, ainda, que o Contribuinte não apresentou a documentação de suporte de todos os lançamentos contábeis que constavam do Anexo II do referido Termo, de modo a comprovar que não se tratava de pagamento efetuado em pecúnia a segurado obrigatório do RGPS. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0343.441, da 5a Turma da DRJ/BSB, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, reitera que o processo foi instruído ao arrepio do Decreto 70.235/72, pois tal norma não autoriza a utilização de meio virtual como prova para exigir tributos, o que, segundo entende, não prejudica somente a recorrente, mas também o próprio julgador, pois estarão tolhidos e cerceados de analisar trabalhos elaborados pela fiscalização. Alega falta de previsão legal e requer que o julgamento seja convertido em diligência para suprir a ausência de documentos impressos, de forma a permitir à autoridade julgadora analisar a documentação elaborada pela autoridade lançadora, com fé pública. Sustenta que a autoridade lançadora não comprovou suas alegações, mas apenas elaborou unilateralmente planilhas, cerceando o direito de defesa da recorrente, uma vez que impossibilitou o acesso aos documentos que supostamente escoraram os lançamentos. Reitera que não consta, do relatório fiscal, qualquer documento contábil e/ou folhas de pagamento, tampouco GFIP e arquivo em meio digital, mas somente planilhas diversas elaboradas somente pelo fiscal autuante. Requer que seja decretada a nulidade do lançamento e, caso isso não ocorra, que sejam os autos baixados em diligência para sanar os vícios apontados. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10166.721887/201014 Acórdão n.º 2301002.767 S2C3T1 Fl. 2 3 No mérito, alega que não houve descumprimento da obrigação acessória alegada, eis que a recorrente sempre atendeu prontamente a autoridade fiscal, inclusive fornecendo todos os documentos e esclarecimentos nos exatos termos das TIFs, conforme atesta os expedientes de entrega da citada documentação. Argumenta que foram lavrados 4 termos de intimação e que somente em relação a um deles o fiscal autuante se queixa de não ter sido completamente atendido, o que não significa dizer que houve falta de atendimento a termo, pois houve inclusive pedido de prorrogação de prazo para atendimento da parte da documentação que não tinha sido atendida. Ressalta que a intimação se torna impossível de ser atendida, pois o próprio lançamento atesta que foi feito o pagamento em dinheiro, não havendo necessidade de provar o óbvio, sendo que os documentos apresentados foram utilizados pela autoridade fiscal para fazer os lançamentos, conforme constou em vários trechos dos relatórios fiscais das obrigações principais. Conclui que não há como afirmar que houve falta de atendimento a fiscalização, pois que em nenhum momento a recorrente deixou de cumprir os termos de intimações fiscais, fato admitido pela própria autoridade autuante, devendo, pois o presente auto de infração de obrigação acessória cair por terra, por ser medida de justiça. É o relatório. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega que o processo foi instruído ao arrepio do Decreto 70.235/72, pois tal norma não autoriza a utilização de meio virtual como prova para exigir tributos, o que, segundo entende, não prejudica somente a recorrente, mas também o próprio julgador, pois estarão tolhidos e cerceados de analisar trabalhos elaborados pela fiscalização. Porém, o Decreto 70.235/72, citado pela recorrente, estabelece que: Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais a que se refere o caput deste artigo poderão ser encaminhados de forma eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (...) Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. (...) Art. 24. O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. Parágrafo único.Quando o ato for praticado por meio eletrônico, a administração tributária poderá atribuir o preparo do processo a unidade da administração tributária diversa da prevista no caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Dessa forma, verificase que, ao contrário do que afirma a recorrente, o processo foi instruído em conformidade com o que dispõe o Decreto 70.325/72, que prevê a apresentação em meio magnético dos atos processuais. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10166.721887/201014 Acórdão n.º 2301002.767 S2C3T1 Fl. 3 5 Ademais, o mesmo Decreto supra citado estabelece que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse sentido, como todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelo contribuinte encontramse nos autos, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. Da mesma forma, encontramse nos autos, mesmo que por meio eletrônico, toda a documentação elaborada pela autoridade lançadora, e com fé pública, já que o Governo Federal regulamentou as atividades de Certificação Digital, por meio da MP 2.2002/2001, garantindo, dessa forma, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica, bem como a realização de transações eletrônicas seguras. Como bem asseverou a Relatora do Acórdão recorrido, “O certificado digital da Infra Estrutura de Chaves Públicas Brasileira garante, por força da legislação atual, validade jurídica aos atos praticados com seu uso, de modo a proporcionar segurança nas transações eletrônicas e incentivar a adoção do processo eletrônico nos órgãos dos Poderes da União.” Portanto, todos os elementos necessários para a formação de convicção pela autoridade julgadora estão presentes nos autos. A recorrente protesta pela realização de diligência fiscal. Todavia, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o AI muito bem instruído e fundamentado O art. 18, do mencionado Dec. 70.235/72, estabelece: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Portanto, as autoridades julgadoras de primeira instância, ao entenderem ser prescindível a produção de novas provas, indeferiram, com muita propriedade, o pedido de diligência. Assim, indeferese o pedido de diligência, por considerála prescindível e meramente protelatória, uma vez que, como amplamente exposto acima, não há necessidade de suprimento de documentos impressos. A recorrente ainda alega que não consta, do relatório fiscal, qualquer documento contábil e/ou folhas de pagamento, tampouco GFIP e arquivo em meio digital, mas somente planilhas diversas elaboradas somente pelo fiscal autuante. Contudo, conforme restou claro no relato fiscal, as planilhas foram elaboradas a partir dos dados extraídos das folhas, GFIP e lançamentos contábeis. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Cumpre observar que a autoridade autuante deixou claro, no Relatório Fiscal, que o próprio contribuinte apresentou arquivos digitais contendo os lançamentos contábeis, informações da folha de pagamento, além do valor do auxílio alimentação pago pela empresa, arquivos esses autenticados pelo contribuinte. Se a empresa entende que alguns dos valores constantes das citadas planilhas estão em desacordo com os dados por ela mesma fornecidos, caberia à ela comprovar o alegado, apresentando, nem que fosse por amostragem, cópias dos registros contábeis ou das folhas de pagamento ou das GFIPs que demonstrassem o erro. Porém, não o fez, se limitando a alegar cerceamento de defesa. Ademais, é objeto do presente processo administrativo o Auto de Infração lavrado por ter a empresa deixado de apresentar parte da documentação solicitada pela fiscalização, na forma por ela estabelecida. Assim, não procede a alegação de cerceamento de defesa, uma vez que a empresa deixou de apresentar parte dos documentos solicitados por meio de TIF. Nesse sentido, rejeito as preliminares suscitadas. A autuada assevera, ainda, que o acórdão recorrido ignorou provas constantes dos autos, teses e argumentos trazidos pela ora recorrente, não enfrentando todos os pontos apresentados para análise contenciosa, cerceando o direito de defesa e agredindo o princípio do duplo grau de jurisdição, consagrado pelo PAF. Porém, vale ressaltar que o órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido. REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10166.721887/201014 Acórdão n.º 2301002.767 S2C3T1 Fl. 4 7 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.) Verificase que a decisão de primeira instância demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhe foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela autuada. Ademais, a recorrente apenas alega, mas não aponta quais os tópicos não foram objeto de análise no Acórdão recorrido. Portanto, não se verifica a nulidade alegada pelo contribuinte. No mérito, a recorrente afirma que não houve descumprimento da obrigação acessória alegada, eis que sempre atendeu prontamente a autoridade fiscal, inclusive fornecendo todos os documentos e esclarecimentos nos exatos termos das TIFs. No entanto, não apresentou, de forma discriminada por segurado, os valores de diversos benefícios concedidos (auxílio transporte ou auxílio alimentação), bem como a documentação de suporte dos lançamentos contábeis neles relacionados. Ou seja, não os apresentou da forma constante do TIF. Cumpre reiterar que o auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de prestar todas as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização, na forma estabelecida pela Administração Pública, consoante determinação contida no art. 32, inciso III, da Lei 8.212/91, transcrito a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS e ao Departamento da Receita Federal DRF todas as Fl. 539DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (Secretaria da Receita Federal, conforme Lei nº 8.490, de 19/11/92) Portanto, ao deixar de apresentar os documentos na forma estabelecida pela autoridade autuante no TIF, a recorrente infringiu obrigação a todos imposta, prevista na legislação previdenciária. E como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Pelo exposto, constatase que, o ao contrário do que afirma a recorrente, o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 540DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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