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Numero do processo: 10865.905679/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.794
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 56 79 /2 00 9- 55 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10865.905679/200955 Acórdão n.º 3201004.794 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: • Preliminarmente, a nulidade da notificação do Despacho Decisório, por não se ter observado o disposto nos artigos 214 e 215 do Código de Processo Civil, e a correspondência não ter sido entregue diretamente ao seu representante legal e seu sócio gerente; • Para efetuar sua compensação, valeuse do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991. A partir de 2003, a legislação da Receita Federal passou a obrigar que a compensação fosse efetuada por meio eletrônico. Tal exigência é descabida a luz das disposições da referida Lei, e consiste em verdadeiro óbice no aproveitamento do crédito tributário pelo contribuinte, na medida em que não consegue peticionar/esclarecer na declaração eletrônica a origem de seu crédito (declaração expressa de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal), e nem como exercer o direito de petição; • Tem direito a créditos de PIS em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos nº 2.445 e 2.449, de 1988, quando se restaurou a sistemática da Lei Complementar nº 7, de 1970, e do art. 18 da Lei nº 9.715, de 1998, que estabelecia a retroatividade do fato gerador do PIS a 01/10/1995; • Conforme entendimento da doutrina, e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para se pleitear a restituição de tributos pagos indevidamente é de dez anos contados do fato gerador (tese dos cinco mais cinco). Nesse contexto, efetuou o pedido de restituição do PIS dentro do prazo prescricional. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14043.343. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10865.905679/200955 Acórdão n.º 3201004.794 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.788, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.905673/200988, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.788): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior de PIS não cumulativo em decorrência da inconstitucionalidade da exigência do PIS com base nos Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Embora, inicialmente, tenha informado a existência de débito no período, posteriormente, em procedimento de revisão, requerendo a restituição dos valores recolhidos a maior, sem, contudo, efetuar a devida retificação das declarações de débitos transmitidas com equívocos. Aduz, ainda, que o sistema de transmissão de Pedidos de Restituição da Receita Federal do Brasil não permitia informar a origem dos créditos pleiteados (Declaração de Inconstitucionalidade pelo STF), o que levou ao despacho decisório eletrônico por insuficiência das informações, prestadas, então, em sede de Manifestação de Inconformidade. Assim, insiste, em sede recursal, que certeza e liquidez do crédito postulado decorre exclusivamente da diferença entre os valores recolhidos com base nos referidos Decretos, inconstitucionais, descrevendo minuciosamente o direito debatido quanto à tal inconstitucionalidade. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega que houve a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, dos Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10865.905679/200955 Acórdão n.º 3201004.794 S3C2T1 Fl. 5 4 fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, fazendo referência exclusivamente aos DARFs que comprovariam o recolhimento, sem, contudo, apresentar qualquer documentação contábil da empresa. Sem tal prova, resta inviável se averiguar a própria certeza e, principalmente, liquidez do crédito pretendido. Afinal, como poderia a Fiscalização, apenas de posse dos DARFs, averiguar qual a base de cálculo considerada pelo contribuinte no cálculo do tributo devido? Nesse sentido, não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Acerca das alegações quanto ao prazo de restituição do tributo considerado indevido, como consignou o acórdão recorrido, não existe interesse de agir por parte da Recorrente, uma vez que não se verifica qualquer negativa de crédito fundada em eventual prescrição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900250/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 02 50 /2 00 8- 71 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.900250/200871 Acórdão n.º 1201002.824 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratase de processo decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 757821427 que não homologou o PER/DCOMP nº 06389.61352.180504.1.3.048577. 2. O sujeito passivo declarou, por meio do referido PER/DCOMP, a compensação de débitos de COFINS (Cód. 21721), apurado em março de 2000, no montante de R$ 1.225,19. Enquanto o crédito declarado no PER/DCOMP é referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, no montante original na data de transmissão de R$ 664,36, decorrente de DARF (Cód. 5993) recolhido em 31/03/1999. 3. Sobreveio despacho decisório, no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, concluiu que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 4. Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente, acrescido de multa e juros. 5. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que na DIPJ/2000 foi apurado saldo negativo de IRPJ e, portanto, o recolhimento do DARF, declarado no PER/DCOMP, a título de estimativa mensal de IRPJ foi indevido. No mais, a contribuinte afirma que se equivocou ao preencher o PER/DCOMP, tendo em vista que declarou seu crédito como pagamento indevido ou a maior, quando, na realidade, deveria ter declarado saldo negativo. 6. Em sessão de 20 de abril, a 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0728.434. Em vista do disposto na Portaria SRF nº 1.364/2004, vigente à época, o acórdão ficou dispensado de conter ementa. 7. A DRJ/FNS não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos: (i) diante das informações constantes da DIPJ, inferese que o crédito da interessada corresponde a saldo negativo de IRPJ, entretanto a apuração de prejuízo ao final do ano calendário não torna inexigíveis, retroativamente, os débitos de estimativa mensal de IRPJ; (ii) caberia à interessada apresentar regularmente uma nova DCOMP informando corretamente a natureza do crédito. 8. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário e reforçou suas razões de defesa no sentido de que, como a base de cálculo do IRPJ e da CSLL Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13971.900250/200871 Acórdão n.º 1201002.824 S1C2T1 Fl. 4 3 em 1999 era negativa, não há imposto a pagar. Logo, o valor recolhido a título de estimativa mensal representa crédito de tributo em favor da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 9. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual 10. Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. 11. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. 12. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte indicou a existência de saldo negativo de IRPJ. 13. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 14. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.900250/200871 Acórdão n.º 1201002.824 S1C2T1 Fl. 5 4 atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). 15. Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. 16. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. 17. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 18. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 19. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13971.900250/200871 Acórdão n.º 1201002.824 S1C2T1 Fl. 6 5 20. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado 21. No presente caso, a Recorrente afirma ter apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1999 e que, portanto, os pagamentos efetuados a título de IRPJ ao longo do ano de 1999 seriam indevidos. Alega que se equivocou no preenchimento do PER/DCOMP ao declarar seu crédito como pagamento indevido ou a maior, quando se tratava de saldo negativo. 22. A DRJ, por sua vez, apesar de ter constatado que houve apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL na DIPJ/2000, concluiu que a Recorrente deveria ter apresentado uma nova declaração de compensação informando corretamente a natureza do crédito. Contudo, entendo que tal conclusão não merece prosperar. 23. Cumpre consignar que a questão sobre a possibilidade de restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal já foi objeto de longa controvérsia neste E. Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 84: “Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” 24. Diante da alegação da Recorrente de apuração de saldo negativo, a DRJ deveria ter verificado aspectos da apuração do ajuste anual do anocalendário de 1999 antes de reconhecer ou não o crédito pleiteado. 25. Na hipótese de restar comprovado, pela documentação contábil e fiscal da contribuinte, a existência de saldo negativo de IRPJ para o ano de 1999, os pagamentos a título de estimativa de IRPJ, do mesmo período, podem ser admitidos enquanto indébitos passíveis de compensação a partir da data do seu recolhimento, conforme Súmula CARF nº 84. 26. Nesse mesmo sentido, concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, relator no julgamento do processo nº 10166.901000/200936, em litígio semelhante ao presente: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.900250/200871 Acórdão n.º 1201002.824 S1C2T1 Fl. 7 6 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.” (Processo nº 10166.901000/200936, Acórdão nº 9101002.903, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 08 de junho de 2017). 27. Em consonância com a ementa acima transcrita, entendo que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais e não o saldo negativo final, não deve obstar a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. No presente caso não houve mudança na origem do direito creditório, mas sim a indicação da parte (estimativa mensal) ao invés do todo (saldo negativo). 28. Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 10 a 15 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13971.900250/200871 Acórdão n.º 1201002.824 S1C2T1 Fl. 8 7 verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. 29. Logo, considerando que a origem e a procedência do crédito não foram devidamente analisadas até o momento, entendo que cabe a unidade local proceder a verificação da suficiência do direito creditório para a compensação declarada, considerando a alegação de apuração de saldo negativo. 30. A partir da análise pela unidade local, deve ser prolatado novo despacho decisório, com abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. 31. No mais, é fundamental que sejam verificados conjuntamente, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, os PER/DCOMP’s que tenham por base o mesmo crédito. Conclusão 32. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10315.721088/2013-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir.
A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo.
Em que pese a superioridade de eventual decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas.
É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa da impugnante, que não era parte da ação judicial de mesmo objeto.
Nulidade da decisão recorrida
Aguardando nova decisão
Numero da decisão: 3402-006.368
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo. Em que pese a superioridade de eventual decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas. É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa da impugnante, que não era parte da ação judicial de mesmo objeto. Nulidade da decisão recorrida Aguardando nova decisão Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 10 88 /2 01 3- 30 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10315.721088/201330 Acórdão n.º 3402006.368 S3C4T2 Fl. 0 2 determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Versam os autos sobre PER/DCOMPs que restaram indeferidas/não homologadas, consoante razões constantes no Despacho Decisório que instrui os autos. Insatisfeita com esta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que não foi conhecida pelo colegiado a quo, sob o argumento de que a matéria estaria sendo discutida no mandado de segurança coletivo nº 2008.34.00.0011699 (nova numeração 0001162.69.2008.4.01.3400). Cientificada dessa decisão (acórdão nº 08036.916), a interessada apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese: Nos termos da Súmula nº 629 do STF, a impetração de mandado de segurança coletivo prescinde de autorização de seus associados, o que significa que esses não estão obrigados a aproveitar os benefícios obtidos na possível decisão favorável concedida no processo ajuízado pela associação, podendo, inclusive, ajuizar demanda individual própria. O período abrangido pelos créditos concedidos no processo judicial da Assobrav não é o mesmo do crédito por aquela pleiteado administrativamente, como destacou o AuditorFiscal, razão pela qual não há vinculação entre o processo administrativo e o mandado de segurança. Portanto, a alínea "c" do Ato Declaratório nº 03/96 não se aplica ao caso, devendo o recurso ser recebido e conhecido. A recorrente está sujeita à alíquota zero de PIS/Cofins sobre as receitas decorrentes de suas vendas de veículos e peças, dentro do regime de incidência monofásica ao qual está submetido, conforme disposto na Lei nº 10.833/2003, de forma que tem direito ao aproveitamento de créditos pelas suas aquisições de veículos e peças para revenda, nos termos do art. 16 da MP nº 206/2004 e do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10315.721088/201330 Acórdão n.º 3402006.368 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.362, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10315.720660/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.362) "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Importa verificar se teria havido a concomitância do presente processo administrativo com o mandado de segurança coletivo nº 000116269.2008.4.01.3400, distribuído na 17ª Vara Federal em Brasília, impetrado pela Associação Brasileira de Distribuidores Volkswagen Assobrav em face do Secretário da Receita Federal do Brasil. A questão do encerramento da discussão no âmbito administrativo quando a matéria seja submetida à apreciação judicial foi tratada nos seguintes dispositivos legais: Decretolei nº 1.737/79: Art 1º (...) (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Lei nº 6.830/80: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10315.721088/201330 Acórdão n.º 3402006.368 S3C4T2 Fl. 0 4 de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. [negritos da Relatora] A matéria foi objeto da Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Pelo que se depreende dos textos em negrito dos dispositivos acima, a renúncia ou desistência do litígio administrativo somente resta caracterizada quando a ação judicial é proposta pelo contribuinte ou sujeito passivo ou, no mínimo, integre o seu pólo ativo como litisconsorte, o que é bastante razoável, eis que a contribuinte, quando opta pela via judicial, já é sabedora da previsão de caracterização de renúncia ou desistência do seu recurso administrativo. Por certo, a contribuinte não poderia perder o direito à discussão administrativa em face da opção de outrem pela via judicial. No mais, tratandose de normas que excepcionam a regra geral de que o administrado tem direito ao devido processo legal no âmbito administrativo, é certo que não poderia haver interpretação extensiva ou ampliativa dessa exceção. Considerando, no entanto, a regulamentação um pouco dúbia dada pelo art. 87 do Decreto nº 7.574/20111, que parece abrigar a mera existência de ação judicial com o mesmo objeto, convém prosseguir um pouco mais na análise da matéria. Sobre a questão da identidade entre os objetos dos processos administrativo e judicial, o Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27/08/2014, veicula o seguinte entendimento: 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a Súmula nº 1 do CARF e a Portaria MF nº 341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos 1 Decreto nº 7.574/2011: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10315.721088/201330 Acórdão n.º 3402006.368 S3C4T2 Fl. 0 5 procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10315.721088/201330 Acórdão n.º 3402006.368 S3C4T2 Fl. 0 6 pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula nº 1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. Assim, o entendimento que prevalece na Receita Federal é no sentido de que deve ser dado ao instituto da concomitância tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10315.721088/201330 Acórdão n.º 3402006.368 S3C4T2 Fl. 0 7 No caso, embora não conste nos autos a petição inicial do referido mandado de segurança coletivo, a fim de que se possa cotejar os pedidos e causas de pedir dessa ação judicial com aqueles do presente processo, podese analisar, de imediato, a questão de a impetrante do mandado de segurança não ser a própria recorrente, mas uma entidade da qual ela é associada. Sobre o conceito de parte e substituição processual, Humberto Theodoro Júnior2, nos ensina que: (...) Assim para Liebman, "são partes do processo os sujeitos do contraditório instituído perante o juiz (os sujeitos do processo diversos do juiz, para os quais este deve proferir o seu provimento". Parte, portanto, em sentido processual, é o sujeito que intervém no contraditório ou que se expõe às suas consequências dentro da relação processual. (...) Em regra a titularidade da ação vinculase à titularidade do pretendido direito material subjetivo, envolvido na lide (legitimação ordinária). Assim, "ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico" (NCPC, art. 18). Há, só por exceção, portanto, casos em que a parte processual é pessoa distinta daquela que é parte material do negócio jurídico litigioso, ou da situação jurídica controvertida. Quando isso ocorre, dáse o que em doutrina se denomina substituição processual (legitimação extraordinária), que consiste em demandar a parte, em nome próprio, a tutela de um direito controvertido de outrem. (...) (...) Uma consequência importante da substituição processual, quando autorizada por lei, passase no plano dos efeitos da prestação jurisdicional: a coisa julgada formase em face do substituído, mas, diretamente, recai também sobre o substituído. A regra, porém prevalece inteiramente na substituição nas ações coletivas de consumo. Nestas, as sentenças benéficas fazem coisa julgada para todos os titulares dos direitos homogêneos defendidos pelo substituto processual (CDC, art. 103, III). O insucesso, porém, da ação coletiva não obsta as ações individuais, a não ser para aqueles que tenham integrado o processo como litisconsortes (CDC, arts. 94 e 103, §2º). Nesse último caso, a coisa julgada impede a repropositura da ação coletiva, mas não o manejo de ações individuais 2 THEODORO JR., Humberto. Curso de Direito Processual Civil Teoria geral do direito processual civil, processo de conhecimento e procedimento comum. v. 1. 58. ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2017, p. 270/273. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10315.721088/201330 Acórdão n.º 3402006.368 S3C4T2 Fl. 0 8 com o mesmo objeto visa pela demanda coletiva. Dizse que a pretensão individual nunca será a mesma formulada coletivamente, ou seja: o direito difuso ou coletivo nunca se confunde com o direito individual de cada um dos indivíduos interessados. Mesmo no caso dos direitos individuais homogêneos, o que se discute, coletivamente, é apenas a tese comum presente no grupo de cointeressados. Nunca ficará o indivíduo privado do direito de demonstrar que sua situação particular tem aspectos que justificam a apreciação da ação individual. (...) Com relação especificamente ao mandado de segurança coletivo, esclarece Sergio Ferraz3 que: "(...) a entidade comparece não em representação, mas em defesa dos interesses ou direitos de seus filiados. Há, pois, legitimação direta, extraordinária (substituição processual), nãointermediada, para agir. Por isso, aqui não se há de cogitar de autorização expressa, mandato etc. (...)"4. Prossegue o autor: "(...) a legitimação coletiva não exclui a individual, ainda que sobre o mesmo tema versado no writ coletivo (...). Tampouco invocável, aqui, a excludente de litispendência, eis que, no eventual ajuizamento de mandado de segurança individual e coletivo contra o mesmo ato coator, pertinente a mesma constrição, não está estritamente configurado o requisito da identidade dos autores (...)". Dessa forma, no presente caso, não se verifica a identidade entre as partes do processo administrativo fiscal e do mandado de segurança coletivo, razão pela qual não há que se falar em concomitância entre o presente processo e o referido mandado de segurança. Nesse sentido já foi decidido por este CARF, conforme ementas abaixo transcritas: Acórdão nº 3402004.614– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 20017 Relator: Carlos Augusto Daniel Neto ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. 3 FERRAZ, Sergio. Mandado de Segurança. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 73/77. 4 Vide Súmula do STF nº nº 629, nos seguintes termos:"A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes". Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10315.721088/201330 Acórdão n.º 3402006.368 S3C4T2 Fl. 0 9 A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acórdão n° 9101001.216 — 1ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2011 Relator: Antonio Carlos Guidoni Filho Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercícios: 1998, 2000, 2002 Ementa: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. É impróprio falarse em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a coexistência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicarseá ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. Recurso Especial do Procurador Negado. Ademais, não se poderia sequer alegar relação de prejudicialidade entre os processos, eis que, pelo que consta no sítio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o mandado de segurança coletivo já transitou em julgado com resultado desfavorável à associação impetrante. Dessa forma, em consonância com o disposto no art. 59, II do Decreto nº 70.235/725, entendo que deve ser declarada a 5 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10315.721088/201330 Acórdão n.º 3402006.368 S3C4T2 Fl. 0 10 nulidade da decisão recorrida para que outra seja proferida com a análise de mérito dos argumentos da impugnante, que não é parte na ação judicial. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.003785/2003-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
RESTITUIÇÃO RECEBIDA INDEVIDAMENTE - JUROS DE MORA.
A restituição recebida indevidamente deve ser devolvida acrescida dos juros de mora correspondentes.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.279
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, mantendo-se o lançamento apenas em relação ao valor de R$ 54,80, relativo aos juros de mora sobre o valor da restituição indevida, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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A restituição recebida indevidamente deve ser devolvida acrescida dos juros de mora correspondentes. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, mantendo-se o lançamento apenas em relação ao valor de R$ 54,80, relativo aos juros de mora sobre o valor da restituição indevida, nos termos do/voto do Relator. FORMALIZADO EM: 0 5 FEV 2010 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Silvana Mancini Karam, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto para reforma do Acórdão n" 03- 20.357, de 30/03/2007 (fls. 32/34), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados pela contribuinte foram sumariados pela pelo órgão julgador a quo, nos seguintes termos: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto dc infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2000, ano-calendário 1999, lavrado por AFRF da DRF/Santos/SP. A ciência do lançamento ocorreu em 23/08/2003, conforme AR, fls. 16. 0 auto de infração originou-se do processamento da retificação da declaração de rendimentos sendo apurado R$1.055,95 de restituição indevida a devolver, com os devidos acréscimos legais. Em 22/09/2003, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/04, alegando que o valor correspondente a restituição indevida já foi recolhido juntamente com o saldo do imposto devido e os acréscimos legais, integrando o valor principal indicado no campo 07 do DARF em anexo. Em 20/10/2003, o contribuinte juntou complementação de sua impugnação onde ratifica o já alegado acrescentando argumentos à cerca da denuncia espontânea. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau, em votação unânime, manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 Ementa MULTA DE MORA. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora. O recurso voluntário interposto suscita as mesmas questões declinadas perante o brgdo julgador a quo. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade. Trata-se de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2000, ano-calendário 1999, lavrado para exigência da restituição indevida a devolver corrigida no valor de R$1.110,75 (fls. 53/55). k Processo n° 10845.003785/2003-45 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.279 Fl. 2 Ocorre que, tanto em sede de impugnação como no presente apelo, o contribuinte discorda do lançamento, alegando que já efetuara espontaneamente, o pagamento da mencionada quantia e dos juros de mora respectivos, sem, contudo, recolher a multa de mora, tendo em vista o disposto no artigo 138 do CTN, tudo antes da lavratura do auto de infração de fls. 53/55. De fato, o auto de infração em causa somente foi lavrado, em 22/08/2003, e o recolhimento já havia sido efetuado em 31/03/2003, conforme DARF de fls. 4, cujo valor do principal incluía o saldo do imposto a pagar de R$26.642,68 e o imposto restituído no valor de R$1.055,95 relativa à restituição recebida indevidamente. Tal procedimento foi, inclusive, reconhecido pela decisão recorrida à fls. 33, verbis: Trata-se de auto de infração originado do processamento de declaração retificadora. O contribuinte alega que já efetuou o pagamento do imposto apurado, bem como a devolução da restituição indevida, acompanhados dos acréscimos legais, antes do inicio de qualquer procedimento fiscal. Da análise dos documentos acostados aos autos pode-se verificar que foi, de fato, apresentada declaração retificadora, em 13/04/2003, e antes mesmo da apresentação desta declaração o contribuinte efetuou o recolhimento do imposto devido juntamente com o valor referente a restituição recebida indevidamente, acrescido tão somente dos juros mora tórios. A discordância resume-se no fato de que tal recolhimento não inclui a multa de mora. No entanto, a hipótese a ser examinada é de exigência da atualização monetária sobre a devolução da restituição, conforme se extrai do A. I. de fls. 53/55, e não de cobrança de multa de mora, inexistente no lançamento em exame. De fato, pelo A. I. de fls. 53/55 está sendo exigida a quantia de R$1.110,75, a titulo de "restituição indevida a devolver corrigida", conforme consignado na intimação. Ocorre que, o interessado recolheu o saldo do imposto a pagar apurado na DIPF retificadora, no valor de R$26.642,68, acrescido do valor restituído na declaração anterior (R$1.055,95), conforme se constata no campo 7 do DARF à fl. 4, remanescendo para cobrança, neste lançamento, a diferença entre o valor restituído e a sua correção, no valor principal de R$54,80. A opção de pagamento efetuada pelo interessado (devolução de restituição indevida a devolver de R$1.055,95 e saldo de imposto a pagar de R$26.642,68) deve ser observada na imputação de pagamento a ser feita pela repartição competente, até por que o artigo 43 da Lei 9.430, de 1996, dispõe que poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento em exame o valor recolhido no DARF, à fl. 04, referente 6. restituição indevida a devolver de R$1.055,95. Qualquer valor remanescendo do referido DARF deve ser utilizado na quitação do crédito tributário mantido neste lançamento (R$ 54,80), que deverá ser acrescido apenas de juros de mora. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2009. JOSt RAI 'd re • /‘A SANTOS 4
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Numero do processo: 19515.000596/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. NÃO CONSTATADA.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial aplicável é a prevista no art. 173, I, do CTN. Apenas se considera ocorrida a decadência quando decorridos mais de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento do direito de defesa se o auto de infração não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, contendo todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN.
ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. NÃO CONSTATADA.
Todos os documentos de prova que embasam o procedimento fiscal foram obtidos de forma legal, com autorização judicial, sendo os documentos e informações fornecidos por instituições financeiras americanas idôneas que comprovam a sujeição passiva do Contribuinte.
CASO BANESTADO BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES. ACORDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA EM MATÉRIA PENAL ENTRE EUA E BRASIL. LIMITAÇÕES.
Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituem-se em elementos de prova robustos de que o sujeito passivo manteve depósito bancário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal.
Não há de se falar em restrição no uso das informações repassadas à Receita Federal do Brasil para lavratura de autuações fiscais se o Estado Requerido não fez ressalva neste sentido, tampouco a 2a Vara Federal Criminal de Curitiba PR no despacho que determinou o compartilhamento de informações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR.
Restando configurado que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos do exterior, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo, tendo em vista que as provas demonstraram que tais rendimentos pertenciam efetivamente ao contribuinte.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITES. SÚMULA CARF Nº 61.
Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2301-005.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso
João Maurício Vital- Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (Presidente), Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. NÃO CONSTATADA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial aplicável é a prevista no art. 173, I, do CTN. Apenas se considera ocorrida a decadência quando decorridos mais de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa se o auto de infração não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, contendo todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. NÃO CONSTATADA. Todos os documentos de prova que embasam o procedimento fiscal foram obtidos de forma legal, com autorização judicial, sendo os documentos e informações fornecidos por instituições financeiras americanas idôneas que comprovam a sujeição passiva do Contribuinte. CASO BANESTADO BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES. ACORDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA EM MATÉRIA PENAL ENTRE EUA E BRASIL. LIMITAÇÕES. Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituemse em elementos de prova AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 96 /2 00 7- 51 Fl. 806DF CARF MF 2 robustos de que o sujeito passivo manteve depósito bancário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal. Não há de se falar em restrição no uso das informações repassadas à Receita Federal do Brasil para lavratura de autuações fiscais se o Estado Requerido não fez ressalva neste sentido, tampouco a 2a Vara Federal Criminal de Curitiba PR no despacho que determinou o compartilhamento de informações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR. Restando configurado que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos do exterior, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo, tendo em vista que as provas demonstraram que tais rendimentos pertenciam efetivamente ao contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITES. SÚMULA CARF Nº 61. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso João Maurício Vital Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (Presidente), Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 19515.000596/200751 Acórdão n.º 2301005.835 S2C3T1 Fl. 807 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte nas fls. 767/244, contra a decisão proferida pela 18ª Turma da DRJ SP1, que julgou procedente o lançamento do crédito tributário, conforme fundamentação do Acórdão da Impugnação de nº 1641.403, proferido em 04/10/2012 (fls. 740/755), cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento, enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o beneficiário de transferências bancárias no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTE NO EXTERIOR Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os recursos financeiros recebidos no exterior, tendo o contribuinte como seu beneficiário final. Impugnação Improcedente Conforme consta do Auto de Infração lavrado (fls. 299/301), acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 296/298, contra o Contribuinte foi lançado o crédito Fl. 808DF CARF MF 4 tributário no montante de R$ 2.213.087,87, sendo que R$ 905.268,33 a título de imposto, R$ 628.868,30 a título de juros de mora calculados até 30/03/2007 e R$ 678.951,24 a título de multa proporcional. Conforme consta do Auto de Infração, o Contribuinte foi identificado como beneficiário de doze operações financeiras no exterior, sendo esta identificação inequívoca, pois somente há um Lúcio Grossmann na base de dados do Cadastro de Pessoas Físicas, e teria o Contribuinte omitido valores recebidos no exterior, como beneficiário de depósitos, sendo eles (fls. 99/105): Intimado do início do procedimento fiscal contra a sua pessoa, o Contribuinte se manifesta nas fls. 122 e ss., no sentido de não reconhecer as movimentações financeiras realizadas em seu nome no exterior como beneficiário, requerendo sua exclusão do procedimento, por sujeição passiva não comprovada, visto que é passível que seja outro contribuinte homônimo o verdadeiro beneficiário dos rendimentos recebidos no Estados Unidos da América. Nas fls. 194 e ss., no termo de intimação, a autoridade fiscal presta esclarecimentos no sentido de informar que a identificação do fiscalizado restou cristalina nas informações bancárias autenticadas pelo ConsuladoGeral do Brasil em Nova York fornecidas pelo Departamento de Policia Federal, e que a ação fiscal está fundamentada nas seguintes documentações, no intuito de oportunizar a parte a ampla defesa: 1. Oficio n° 120/03 PF/FT/SR/DPF/PR, de 04/08/2003, do Delegado de Polícia Federal ao MM Juiz Federal da 2a vara criminal de Curitiba/PR, versando sobre pedido de Quebra de Sigilo Bancário no exterior, via Tratado de Mutua Assistência em Matéria Penal (MLAT); 2. Decisão do MM. Juiz Federal da 2 Vara Criminal de Curitiba/PR, de 14/08/2003, definindo extensão e compartilhamento das quebras de sigilos bancários no exterior, via MLAT (IPL 207/98); 3. Oficio n° 001/03 PF/FT/NY/SR/DPF/PR, de 27/08/2003, do Delegado de Polícia Federal ao Dr. Robert Morgenthau, "District Attorney's Office of the County of New York", solicitando o Fl. 809DF CARF MF Processo nº 19515.000596/200751 Acórdão n.º 2301005.835 S2C3T1 Fl. 808 5 afastamento de sigilos bancários e pedindo investigação criminal nos EUA; 4. "Order to Disclose", emitida pela Justiça da Suprema Corte, Judge Renee White; 5. Expediente da Sra, Rebecca Roiphe, "Assistant District Attorney of the Conty of New York", de 09/09/2003, permitindo o acesso aos dados que discrimina; 6. Oficio n°146/2004GJ do M.M. Juiz Federal Sérgio Fernando Moro de 06 de maio de 2004; 7. Decisões do M.M Juiz Federal; da 2 a Vara Criminal de Curitiba/PR, de 20/04/2004 e 27/04/2004, transferindo os dados da quebra de sigilo bancário para a Receita Federal; 8. Ofícios do Delegado da Policia Federal aos Peritos Federais Criminais FT/CC5, para emissão de Laudo Pericial referente aos elementos existentes nos arquivos magnéticos de cada conta ou subconta; 9. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1258, de 18/05/2004, demonstrando a consolidação da movimentação financeira de todas contas e subcontas administradas pela Beacon Hill (Laudo Global) e em especial; 10. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1046, de 23/04/2004, demonstrando a análise dos arquivos eletrônicos e exames das contas; 11. Cópia das informações financeiras apresentadas pelo Departamento da Policia Federal e autenticadas pelo ConsuladoGeral do Brasil em Nova York; 12. Representação Fiscal 1927/05 da Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n°463/04; 13. Informações da Receita Federal consolidando a movimentação especifica de Lucio Grossmann. Nas fls. 282/295 consta do termo de verificação fiscal que expressamente alinhavou que: · O Contribuinte foi identificado como beneficiário de doze (12) operações financeiras fora do Brasil e instado a comprovar a origem e a devida tributação desses rendimentos, o fiscalizado nega que a movimentação identificada seja sua e assevera que não possui conta bancária no exterior, logo não é titular dos recursos e não pode se manifestar sobre sua origem. Fl. 810DF CARF MF 6 · Em que se pese a garantia constitucional que a pessoa não é obrigada a produzir prova contra si, o fiscalizado não é obrigado a confirmar ou identificar os movimentos financeiros encontrados. · No entanto, a movimentação financeira, conforme descrito no histórico, foi encontrada por meio de processo regular e, em especial, são suportadas por laudos periciais e representação fiscal, sendo ainda documentada por cópias autenticadas pelo Consulado Geral do Brasil em Nova York. A identificação do fiscalizado é inequívoca, uma vez que apenas existe um único Lucio Grossmann na base de dados do CPF. Também não há sentido em buscar homônimos fora do Brasil, uma vez que, conforme descrito no histórico, toda a movimentação no exterior mantém elos de ligação com brasileiros que operacionalizavam as transações. · Portanto, as operações no exterior são rendimentos e segundo determinação do art. 38 esses rendimentos são sujeitos à tributação, sendo devido o lançamento. Nas fls. 305/376, o contribuinte apresenta sua Impugnação, na qual afirma que: · Decadência – tendo em vista que o Contribuinte entregou a Declaração de Ajuste Anual dos anos calendários de 2001 e 2002 e efetuou o pagamento do Imposto de Renda, devese aplicar o art. 150, §4º do CTN, que determina que o prazo para homologação é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Tendose que o fato gerador do IRPF Imposto de Renda Pessoa Física passou a ser mensal após a edição da Lei 7.713/88, verificase, de pronto, que o lançamento realizado pelo senhor Auditor Fiscal e referente aos fatos geradores de 02/03/2001, 14/03/2001, 27/06/2001, 11/07/2001, 05/12/2001, 11/01/2002, 01/02/2002, 19/02/2002 e 12/03/2002 foi incorretamente constituído, uma vez que a eles aplicase o princípio da decadência; · Cerceamento de defesa e erro na identificação do sujeito passivo Se de fato a fiscalização realizou a apuração do crédito tributário imputado ao contribuinte, em meio a esta confusão de documentos e conclusões, o Auto de Infração é nulo por vicio insanável. Por outro lado, se os documentos utilizados pela fiscalização diferem daqueles entregues ao contribuinte, o Auto de Infração é nulo por cerceamento do direito de defesa do impugnante. Em nenhum documento utilizado pela fiscalização imputa a correta identificação de que o Contribuinte é de fato o beneficiário; · Diferentemente do acréscimo patrimonial a descoberto, cujo cálculo matemático de entradas inferiores as saídas autorizam a presunção de existência de rendimentos não declarados, não se pode presumir a existência de rendimentos omitidos quando não se comprova que os mesmos foram auferidos e nem sequer é identificada a fonte pagadora dos citados rendimentos. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19515.000596/200751 Acórdão n.º 2301005.835 S2C3T1 Fl. 809 7 · Auto de Infração lavrado com base em indícios ação fiscal não comprova que o contribuinte Lúcio Grossmann – CPF 147.299.818 98 é titular de conta corrente aberta em Instituição Financeira no exterior da mesma forma que é impossível um contribuinte omitir algo que não exista, também é impossível que este consiga produzir prova negativa do fato. Da mesma forma, não demonstra que o mesmo tenha usado de algum artificio para remeter rendimento omitido da tributação para o exterior. Por fim, também não comprova a existência de alguma fonte pagadora que, de alguma forma tenha ligação com o impugnante. Nas fls. 740/755 consta o Acórdão da Impugnação proferido pela 18ª Turma da DRJ/SP1, na qual considerou o lançamento procedente e indeferiu os termos da impugnação, ante a seguinte razão: · Da decadência – A partir da edição da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, o imposto sobre a renda de pessoas físicas, apesar de devido mensalmente, à medida que os rendimentos forem recebidos, tem a sua apuração definitiva na Declaração Anual de Ajuste. Relativamente a contagem do prazo decadencial, que a decadência do lançamento de ofício é regulada exclusivamente pelo que dispõe o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, portanto, de plano, é de se afastar a contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, em face da ocorrência da ressalva “salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. · Aplicandose, pois, o disposto no art. 173, inciso I, do CTN, relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2001, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2003. O lançamento poderia ser efetuado em 2002, em tese, a partir do dia seguinte à data limite prevista para entrega tempestiva da declaração. Então, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2003. O prazo para se constituir o lançamento, relativamente ao ano calendário de 2001, esgotarseia em 31/12/2007. Assim, tendo o lançamento sido cientificado em 11/04/2007 (fl. 299), não há que se falar em decadência; · Com relação à nulidade, pontuase que restou constatado que a Beacon Hill Service Corporation BHSC tinha como função precípua atuar como preposto bancário financeiro de pessoas físicas e jurídicas brasileiras, de forma a encobrir a identidade dos reais beneficiários de movimentações de divisas nos Estados Unidos da América. As informações bancárias da conta administrada pela BHSC foram encaminhadas ao Brasil em arquivos de mídia eletrônica pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, nas quais foram identificadas doze (12) operações tendo o contribuinte Lúcio Grossmann como beneficiário de recursos no exterior. Posteriormente as informações bancárias foram repassadas à Fiscalização, conforme Laudos de Exame Econômicofinanceiro da Polícia Federal nº 1258/04, 1046/04 Fl. 812DF CARF MF 8 e 1496/2005 (fls. 39 a 72) e documentos de fls. 73/93 e 95/105, que demonstram, em detalhes, todos os dados e as movimentações financeiras ocorridas na conta nº 530765047 em nome da RIGLER S.A. e da conta nº 030101301 em nome da Kundo S.A., junto ao Banco JP Morgan Chase Bank e ao MTBCBC Hudson Bank, respectivamente, em Nova York, tendo o Contribuinte como beneficiário; · Toda a documentação tem fé e elaborado por peritos de confiabilidade, haja vista a total impossibilidade de qualquer tipo de alteração dos dados registrados na citada mídia eletrônica. Não se tratam de documentos elaborados pela própria Fiscalização sem valor probatório, mas sim dados conclusivos da movimentação financeira das contas mantidas pelo preposto bancário financeiro Beacon Hill Service Corporation – BHSC, que apontam o impugnante como beneficiário de recursos em divisas estrangeiras – toda a documentação seguiu procedimento regular, por via judicial, documentos estes que passaram por exame pericial no Instituto Nacional de Criminalística, do Departamento de Polícia Federal do Brasil, como se pode ver nos Laudos às fls. 39/72; · O procedimento seguiu estritamente o rito prescrito pelo Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09/12/1993, pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e pelo art. 113 da Lei n.º 11.196, de 21/11/2005, que regula o processo administrativo fiscal, assegurando ao interessado os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa insculpidos no art. 5º, inciso LV da Constituição Federal. · Todos os argumentos e esclarecimentos e todos os documentos e provas apresentados pelo contribuinte foram analisados no presente processo desde o início do procedimento fiscal, em observância ao princípio da verdade material. Não ocorreu a subtração do direito ao contraditório e à ampla defesa, pois somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela; · Todos os requisitos previstos no art. 10 e no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração; · Quanto à alegação de que a fiscalização não comprovou que o contribuinte brasileiro Lúcio Grossmann – CPF 147.299.81898 é titular de conta bancária no exterior, não demonstra que o mesmo tenha usado de algum artifício para remeter rendimento omitido da tributação para o exterior e também não comprova a existência de alguma fonte pagadora que tenha ligação com o impugnante, a DRJ entende que os dados que fundamentaram o lançamento foram obtidos do trabalho realizado pela Força Tarefa encarregada de verificar contas mantidas no exterior por instituições financeiras que atuavam como prepostos bancário financeiros de pessoas físicas e jurídicas e que, no presente processo, trata de investigação sobre a Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.000596/200751 Acórdão n.º 2301005.835 S2C3T1 Fl. 810 9 movimentação bancária da agência do Banestado em Nova Iorque. Portanto, verificase que todos os documentos de prova que embasam o procedimento fiscal foram obtidos de forma legal, com autorização judicial, sendo os documentos e informações fornecidos por instituições financeiras americanas idôneas, sendo devido o lançamento. · No que tange à alegação de que recebeu prólabore nos dois anos calendário e lucro distribuído em um ano calendário da empresa Pride Music, da qual é sócio quotista, para comprovar rendimentos, cabe esclarecer que a aceitação dos valores correspondentes a supostas distribuições de lucros e dividendos, efetuadas por empresas das quais o contribuinte é sócio, deve vir acompanhada de prova cabal e inequívoca da efetiva transferência do numerário. Assim, não comprovada, no caso em foco, a efetividade da operação na escrituração contábil da pessoa jurídica, é incabível aceitação das alegações referentes ao recebimento de prólabore e dividendos para comprovação de qualquer importância. Nas fls. 767/802 o Contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário, no qual alega que: · Decadência – tendo em vista que o Contribuinte entregou a Declaração de Ajuste Anual dos anos calendários de 2001 e 2002 e efetuou o pagamento do Imposto de Renda, devese aplicar o art. 150, §4º do CTN, que determina que o prazo para homologação é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Considerando que o Contribuinte foi cientificado em 11/04/2007, e que o fato gerador do IRPF Imposto de Renda Pessoa Física passou a ser mensal após a edição da Lei 7.713/88, verificase, de pronto, que o lançamento realizado pelo senhor Auditor Fiscal e referente aos fatos geradores de 02/03/2001, 14/03/2001, 27/06/2001, 11/07/2001, 05/12/2001, 11/01/2002, 01/02/2002, 19/02/2002 e 12/03/2002 foi incorretamente constituído, uma vez que a eles aplicase o princípio da decadência; · Cerceamento de defesa – afirma que não recebeu toda a documentação, o que lhe impossibilitou de ter pleno acesso às provas (anexo 12) e consequentemente, cerceamento de defesa – o direito ao devido processo legal é garantia constitucional do Contribuinte e se inicia antes da fase de impugnação, já na fase investigativa, sendo nulo o processo administrativo; · Erro na identificação do sujeito passivo nenhum documento utilizado pela fiscalização imputa a correta identificação de que o Contribuinte é de fato o beneficiário, aparece apenas o nome Lucio Grossmann sem identificar inequivocamente que se trata do mesmo Lucio Grossmann; Fl. 814DF CARF MF 10 · Não há relação de contas provadas, não há indicação de CPF, não há prova do recebimento de valores, portanto, não deve ser considerado correto o lançamento que imputa a sujeição passiva ao contribuinte, pois não se pode presumir a existência de rendimentos omitidos quando não se comprova que os mesmos foram auferidos e nem sequer é identificada a fonte pagadora dos citados rendimentos – Verdade Material; · Auto de Infração lavrado com base em indícios ação fiscal não comprova que o contribuinte Lúcio Grossmann – CPF 147.299.818 98 é titular de conta corrente aberta em Instituição Financeira no exterior da mesma forma que é impossível um contribuinte omitir algo que não exista, também é impossível que este consiga produzir prova negativa do fato. Da mesma forma, não demonstra que o mesmo tenha usado de algum artificio para remeter rendimento omitido da tributação para o exterior. Por fim, também não comprova a existência de alguma fonte pagadora que, de alguma forma tenha ligação com o impugnante. Este é o relatório do processo. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme constatase nas fls. 763, o Contribuinte deu ciência do resultado do julgamento em 20/12/2012 e apresenta seu Recurso Voluntário em 15/01/2015 (fl. 766), sendo, portanto, tempestivo o mesmo. Diante disso, conheço do Recurso e passo à análise de seu mérito. Mérito Tratase de lançamento de ofício, diante da omissão de recolhimento de imposto de renda do Contribuinte durante o ano de 2001 e 2002, quando o mesmo recebeu valores oriundos do exterior sem justificar a origem. Conforme comprovado nos autos, no Termo de Verificação Fiscal do Auto de Infração, o Contribuinte foi beneficiário de doze transferências internacionais durante os anos de 2001 e 2002, sendo os valores e as datas: Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.000596/200751 Acórdão n.º 2301005.835 S2C3T1 Fl. 811 11 Tratase de lançamento motivado pela Representação Fiscal nº 1927/05 (fl. 94), lavrada pela Equipe Especial de Fiscalização (constituída pela Portaria nº 463/2004), em decorrência do Memorando Circular Cofis/GAB nº 2004/00652, de 25 de junho de 2004, onde o contribuinte foi identificado como beneficiário de divisas no exterior, através das contas/subcontas mantidas /administradas no Banco Chase de Nova York pela empresa BHSC – Beacon Hill Service Corporation. Da Esfera Criminal Antes de adentrar na discussão sobre as manifestações do Recurso Voluntário, necessário pontuar que esta julgadora, na busca pela verdade material, lançou o nome do Contribuinte no sítio eletrônico do google, sendo que, em um dos primeiros links vinculativos à pessoa do Contribuinte diz respeito ao processo criminal que o mesmo responde na Justiça Federal do Estado de São Paulo, referente ao mesmo fato que originou o presente lançamento. Verificase que o Contribuinte ainda responde pelo crime de evasão de divisas sobre o mesmo fato e foi condenado na primeira instancia da esfera criminal da Justiça Federal de São Paulo (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/), cuja sentença é necessária para colocar um fim às questões pontuadas pelo mesmo em seu Recurso Voluntário. Autos 000502024.2006.4.03.6181. 02/12/2011 – Sentença: (...) JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a pretensão punitiva estatal para o fim de CONDENAR o réu LÚCIO GROSSMANN, brasileiro, casado, portador do RG n.º 10.520.7585SSP/SP, nascido aos 06/11/1969, filho de Samuel Grossmann e Marylandes Grossmann, como incurso na sanção do delito tipificado no artigo 22, parágrafo único (última parte), da Lei nº. 7.492/86 quanto aos fatos apontados na denúncia relativos aos anos de 2001, 2002 e 2003 e ABSOLVÊLO quanto aos demais fatos, forte no art. 386, VII, do Código de Processo Penal. Fl. 816DF CARF MF 12 10. INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA Fiel às circunstâncias judiciais firmadas no artigo 59 do Código Penal, verificase que o grau de culpabilidade merece reprovação em grau mediano, pois a reprovabilidade de sua conduta é significativa, eis que realizada com contornos empresarias e ligada a profissionais de dólar cabo. O réu LUCIO não ostenta maus antecedentes à luz do princípio constitucional de inocência. Os motivos do crime e as circunstâncias mediantes as quais o delito foi cometido merecem reprimenda acima do mínimo legal, tendo em vista a condição econômica favorável do réu e seu amplo conhecimento comercial. Insta, ainda, consignar a ligação do réu com alguns doleiros que operavam a subconta RIGLER (conta nº 530 765047), da conta da empresa Beacon Hill Service Corporation no JP Morgan Bank, diante de transações bancárias entre a conta do réu e a supramencionada conta, imbuída de conotações escusas. Nada há que considerar quanto ao comportamento da vítima. Sua conduta social não é tida como impertinente. Já as consequências do delito apresentam impacto social, pois serve de canal para o delito de sonegação de impostos. (...) Atualmente o processo se encontra no TRF para julgar recurso de apelação, ainda sem resultado. Portanto o Contribuinte foi condenado no delito do art. 22 da Lei nº. 7.492/86: Art. 22. Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas do País: Pena Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente. Tratase de Sentença publicada no Diário da Justiça (Livro: 3 Reg.: 220/2011 Folha (s): 1052), publicado em 02/12/2011, de livre acesso à todos. Portanto, por ser documento público e notório, de conhecimento geral, não é capaz de ensejar cerceamento de defesa, visto que, inclusive, o próprio Contribuinte tinha total ciência deste resultado quando da apresentação de seu Recurso Voluntário (Sentença é de 02/12/2011 e o Recurso foi apresentado em 15/01/2013). Por fim, antes de adentrar ao julgamento das preliminares e do mérito do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, verificase que através desta sentença há inabalável certeza de que: 1. O Contribuinte apontado neste Auto de Infração como sujeito passivo Lucio Grossmann (RG n.º 10.520.7585SSP/SP, nascido aos 06/11/1969, filho de Samuel Grossmann e Marylandes Grossmann) é de fato a pessoa indicada como beneficiária de depósitos realizados Fl. 817DF CARF MF Processo nº 19515.000596/200751 Acórdão n.º 2301005.835 S2C3T1 Fl. 812 13 no exterior, proveniente da Operação Beacon Hill e promoveu evasão de divisas sem declarar à Receita Federal; 2. Que o Contribuinte foi culpado na operação, tinha conhecimento de que estava infringindo a lei e dolosamente não declarou os valores à Receita Federal; Feita esta primeira ponderação que, em busca da verdade material, noticiou aos autos a ocorrência de um fato notório e sabido, passase à análise das preliminares e do mérito do Recurso interposto pelo Contribuinte. Decadência Alega o Contribuinte que, considerando que o fato gerador do IRPF passou a ser mensal após a edição da Lei nº 7.713/88, o lançamento foi incorretamente constituído para os fatos geradores ocorridos de 02/03/2001 até 12/03/2002 abrangidos pela decadência, nos moldes do artigo 150, § 4º do CTN, não se sujeitando aos ditames do artigo 173, inciso I do CTN. A DRJ entendeu que a aplicação do art. 173, I do CTN, visto que ocorreu a ressalva do §4º do Art. 150 do mesmo diploma, visto que restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação no presente caso. No presente caso houve constatação de simulação e fraude na apresentação da DAA por parte do Contribuinte dos AnoCalendários 2001 e 2002, assim como dolo na evasão de divisas, visto que restaram comprovadas as movimentações financeiras no exterior, nas quais o Contribuinte foi beneficiário, através das contas/subcontas mantidas /administradas no Banco Chase de Nova York pela empresa BHSC – Beacon Hill Service Corporation. Inclusive houve constatação do dolo do Contribuinte em promover, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente, comprovado pela Sentença criminal pontuada no item anterior. Portanto, constatado o dolo, imputase a aplicação do Art. 173, I do CTN. Pela aplicação do art. 173, I do CTN, e tratandose de lançamento dos Anos Calendário 2001 e 2002, os fatos geradores consideramse ocorridos, respectivamente, em 31/12/2001 e 31/12/2002 (Súmula CARF Vinculante nº 38), portanto o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário esgotouse em 31/12/2007, para o AC 2001, e em 31/12/2008, para o AC 2002. Levandose em consideração que a cientificação do lançamento se deu em 11/04/2007, não há que se falar em decadência. Nulidade – Cerceamento de Defesa Sustenta o Contribuinte que a autuação é nula, uma vez que os elementos fundamentais em que se baseia a acusação são "supostas "informações" fornecidas por Autoridades internas e externas sobre rendimentos supostamente havidos no Brasil e nos Estados Unidos, que teriam sido fornecidas à d. Fiscalização e com base nos quais teria sido Fl. 818DF CARF MF 14 deduzida a acusação fiscal do Auto de Infração, verificase que essas supostas "informações" e "documentos" prestados à d. Fiscalização não foram oferecidas ao conhecimento e à apreciação do Recorrente juntamente com as cópias do Auto de Infração". Prossegue assentando que não recebeu o anexo 12 quando da intimação de início do procedimento fiscal, assim como não restou comprovado que era o Contribuinte o real beneficiário das movimentações financeiras no exterior, sendo, portanto, configurado o cerceamento no seu direito de defesa e ao contraditório, devendo o Auto de Infração ser declarado nulo. Sem razão o Contribuinte. Determina a legislação (Decreto nº 70.235, de 1972): Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verificase que, no presente caso, não ocorreu quaisquer dos incisos do artigo 10 que ensejassem a nulidade do auto de infração, ou do artigo 59 que ensejassem a nulidade do procedimento. O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, houve o correto respeito ao direito de defesa. O lançamento foi motivado por Representação Fiscal nº 1927/05 (fl. 94), lavrada pela Equipe Especial de Fiscalização (constituída pela Portaria nº 463/2004), em decorrência do MemorandoCircular Cofis/GAB nº 2004/00652, de 25 de junho de 2004, onde o contribuinte foi identificado como beneficiário de divisas no exterior, através das contas/subcontas mantidas /administradas no Banco Chase de Nova York pela empresa BHSC – Beacon Hill Service Corporation. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 19515.000596/200751 Acórdão n.º 2301005.835 S2C3T1 Fl. 813 15 Com base na documentação elencada abaixo, restou comprovado nos autos que a empresa Beacon Hill Service Corporation BHSC tinha como função atuar como preposta bancáriafinanceira de pessoas físicas e jurídicas brasileiras, buscando, assim, encobrir a identidade dos reais beneficiários de movimentações de divisas nos Estados Unidos da América, sendo que todas as informações bancárias da conta administrada pela BHSC foram encaminhadas ao Brasil em arquivos de mídia eletrônica pela Promotoria Distrital de Nova Iorque e que nas quais foram identificadas doze (12) operações tendo o contribuinte Lúcio Grossmann como beneficiário de recursos no exterior. Os documentos que comprovam a imputação do contribuinte Lúcio Grossmann como beneficiário de recursos no exterior são: 1. Oficio n° 120/03 PF/FT/SR/DPF/PR, de 04/08/2003, do Delegado de Polícia Federal ao MM Juiz Federal da 2a vara criminal de Curitiba/PR, versando sobre pedido de Quebra de Sigilo Bancário no exterior, via Tratado de Mutua Assistência em Matéria Penal (MLAT); 2. Decisão do MM. Juiz Federal da 2 Vara Criminal de Curitiba/PR, de 14/08/2003, definindo extensão e compartilhamento das quebras de sigilos bancários no exterior, via MLAT (IPL 207/98); 3. Oficio n° 001/03 PF/FT/NY/SR/DPF/PR, de 27/08/2003, do Delegado de Polícia Federal ao Dr. Robert Morgenthau, "District Attorney's Office of the County of New York", solicitando o afastamento de sigilos bancários e pedindo investigação criminal nos EUA; 4. "Order to Disclose", emitida pela Justiça da Suprema Corte, Judge Renee White; 5. Expediente da Sra, Rebecca Roiphe, "Assistant District Attorney of the Conty of New York", de 09/09/2003, permitindo o acesso aos dados que discrimina; 6. Oficio n°146/2004GJ do M.M. Juiz Federal Sérgio Fernando Moro de 06 de maio de 2004; 7. Decisões do M.M Juiz Federal; da 2 a Vara Criminal de Curitiba/PR, de 20/04/2004 e 27/04/2004, transferindo os dados da quebra de sigilo bancário para a Receita Federal; 8. Ofícios do Delegado da Policia Federal aos Peritos Federais Criminais FT/CC5, para emissão de Laudo Pericial referente aos elementos existentes nos arquivos magnéticos de cada conta ou subconta; 9. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1258, de 18/05/2004, demonstrando a consolidação da movimentação financeira de todas contas e subcontas administradas pela Beacon Hill (Laudo Global) e em especial; Fl. 820DF CARF MF 16 10. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1046, de 23/04/2004, demonstrando a análise dos arquivos eletrônicos e exames das contas; 11. Cópia das informações financeiras apresentadas pelo Departamento da Policia Federal e autenticadas pelo ConsuladoGeral do Brasil em Nova York; 12. Representação Fiscal 1927/05 da Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n°463/04; 13. Informações da Receita Federal consolidando a movimentação especifica de Lucio Grossmann. Além disto, as informações bancárias foram repassadas à Fiscalização, conforme Laudos de Exame Econômico Financeiro da Polícia Federal nº 1258/04, 1046/04 e 1496/2005 (fls. 39 a 72) e documentos de fls. 73/93 e 95/105, e demonstram, em detalhes, todos os dados e as movimentações financeiras ocorridas na conta nº 530765047 em nome da RIGLER S.A. e da conta nº 030101301 em nome da Kundo S.A., junto ao Banco JP Morgan Chase Bank e ao MTBCBC Hudson Bank, respectivamente, em Nova York, sendo o contribuinte apontado como beneficiário dessas movimentações financeiras. Tratase de documentação hábil, produzida pela Justiça Federal, com auxílio da Justiça americana, totalmente hígida para comprovar a ocorrência do fato gerador, a sujeição passiva e a base de cálculo. Toda essa documentação que acompanhou o presente processo administrativo foi fornecida ao Contribuinte desde o início de suas intimações, assim como renovado quando das diversas intimações no interregno do processo, sendolhe permitido o pleno acesso aos autos. A Autoridade Fiscal possibilitou ao Contribuinte por inúmeras vezes trazer documentos idôneos que comprovasse a inveracidade destes documentos, capazes de contrariar as informações ali constantes. Em todas as vezes o Contribuinte apenas rejeito a imposição, alegando o direito constitucional de não fazer prova contra si mesmo. Assim sendo, houve cumprimento ao devido processo legal, sendo oportunizado ao Contribuinte o direito de ampla defesa. Portanto, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, por cerceamento de defesa quando o mesmo regularmente cientifica o sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação e quando o Auto se utiliza de documento idôneo e oficial, fornecido pela Justiça Federal, bem como os demais elementos oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. Erro na Sujeição Passiva Requer a nulidade do auto lançado por constatada ilegitimidade passiva por erro na sujeição. Argumenta que não há nenhuma indicação, em toda a documentação apresentada pela Autoridade fiscal, que o nome Lucio Grossmann pertence ao Contribuinte, sendo evidentemente tratarse de um homônimo. O lançamento foi fundamentado pelos trabalhos realizados pela Força Tarefa encarregada de verificar contas mantidas no exterior por instituições financeiras que atuavam Fl. 821DF CARF MF Processo nº 19515.000596/200751 Acórdão n.º 2301005.835 S2C3T1 Fl. 814 17 como prepostos bancário financeiros de pessoas físicas e jurídicas e que, no presente processo, trata de investigação sobre a movimentação bancária da agência do Banestado em Nova Iorque. Todos os documentos de prova que embasam o procedimento fiscal foram obtidos de forma legal, com autorização judicial, sendo os documentos e informações fornecidos por instituições financeiras americanas idôneas, ressaltandose os de fls. 73/93 e 95/105 que correspondem a registros eletrônicos do Sistema FTC – Funds Transfer Control (controle de transferência de fundos), que comprovam que a Agência Banestado de Nova Iorque recebeu ordem de pagamento, cujo recurso foi repassado a um outro banco, a crédito do contribuinte fiscalizado. Nesses documentos de fls. 73/93 e 95/105 há clara identificação do nome do contribuinte e, conforme pesquisas cadastrais nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, houve a identificação do contribuinte, sem homonímia e único portador do CPF 147.299.81898 e domiciliado na Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1751, apartamento 151, Cerqueira César, São Paulo, SP, CEP 01403003 (fl. 739). Assim, esses documentos constituem prova da operação financeira realizada em que o contribuinte aparece como beneficiário de recursos transferidos para ele pela Agência Banestado de Nova Iorque, que fazia sua movimentação de reservas através do sistema FEDline do Federal Reserve (o banco central americano). Ademais, a Sentença Criminal notificada nos autos imputa a sujeição passiva pela realização do delito, que é o mesmo fato que originou o presente Auto de Infração, ao Lúcio Grossmann que apresentou impugnação e recurso voluntário, visto que na Sentença há indicação que o Lúcio Grossmann que foi condenado no delito tipificado no artigo 22, parágrafo único (última parte), da Lei nº. 7.492/86 pelo fato de operar com alguns doleiros na subconta RIGLER (conta nº 530 765047), da conta da empresa Beacon Hill Service Corporation no JP Morgan Bank, diante de transações bancárias entre a conta do Contribuinte e a supramencionada conta, é o Lúcio Grossmann inscrito no RG de n. 10.520.7585SSP/SP, nascido aos 06/11/1969, filho de Samuel Grossmann e Marylandes Grossmann. Nas fls. 760 há a juntada do RG do Contribuinte, o que comprova que ambos são a mesma pessoa: Portanto, não há que se falar em falta de comprovação da sujeição passiva, visto que restou comprovado com a documentação dos Autos que o Contribuinte foi o real beneficiário dos depósitos ocorridos no exterior. Fl. 822DF CARF MF 18 Mérito Na Declaração de Imposto de Renda do contribuinte durante do ano calendário apurado, o Contribuinte não declarou que recebeu valores advindos do exterior, sendo que, quando intimado para justificar a origem dessas ordens de pagamento, afirma desconhecer estes valores, que não teria sido o mesmo o beneficiário dos valores. Há nos autos a comprovação de que o Contribuinte recebeu tais valores durante o ano calendário de 2001 e 2002, visto que o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro, elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística, que procedeu a perícia em toda a documentação proveniente da instituição financeira Beacon Hill dos Estados Unidos, comprova que a conta corrente da subconta RIGLER (conta nº 530 765047), da conta da empresa Beacon Hill Service Corporation no JP Morgan Bank efetuou as transferências internacionais, tendo o contribuinte como beneficiário. Portanto, ao contrário do que alega o Contribuinte, há prova documental do fato gerador: há comprovação de que o Contribuinte recebeu sim valores provenientes do exterior, e de grande monta, os quais não foram objeto de tributação em seu imposto de renda durante o período apurado. Esta esfera administrativa julga pelo princípio da legalidade e da verdade material. Não há nos autos qualquer prova que determine a comprovação do que alega o Contribuinte. Ao contrário, existem provas concretas da ocorrência do fato gerador – omissão de rendimentos advindos do exterior – como exposto acima. Sobre a legalidade do lançamento e a forma da apuração, observa que a Lei 9.430/96 determina em seu art. 42: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 61 Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Portanto, a legislação determina a obrigatoriedade de o Contribuinte comprovar a origem dos depósitos recebidos quando os valores são maiores que R$12.000,00 e R$80.000,00 no ano, havendo a presunção de omissão de rendimentos nestes casos. No presente caso, os valores descobertos pela fiscalização, proveniente do exterior, são superiores ao teto suscitado pela legislação. Conseqüentemente, aplicase a Súmula 26 do CARF: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 19515.000596/200751 Acórdão n.º 2301005.835 S2C3T1 Fl. 815 19 Tal dispositivo institui uma presunção legal relativa, ou seja, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Cabe, por sua vez, ao contribuinte demonstrar, através de documentação hábil e idônea, que tal presunção mostra se inverídica. Não tendo o contribuinte se desincumbido dessa presunção, perfeitamente válido o lançamento. Ademais, sobre a legalidade das provas obtidas pela operação Beacon Hill, verificase a Jurisprudência consolidada deste Conselho: BEACON HILL PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL – REMESSA AO FISCO – AUSÊNCIA DE ILICITUDE Eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1º, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. (Acórdão n° 10617.155 Sessão de 06 de novembro de 2008) Portanto, ao receber o Laudo elaborado pela perícia criminalística, a Autoridade Fiscal apenas instaurou o procedimento de verificação, com o intuito de oportunizar o contribuinte a apresentar provas que trouxessem uma justificativa crível da origem dos valores, visto que sua Declaração de Imposto de Renda durante o período apurado omite sobre recebimento de valores advindos do exterior. PROVAS Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior os laudos emitidos pela Policia Científica com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público dos EUA, onde consta o titular das remessas de numerário. (Acórdão e 10517.010 Sessão de 28 de maio de 2008) Por fim, destacase o recente julgamento deste Conselho e outro caso proveniente da operação Beacon Hill: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial aplicável é a prevista no art. 173, I, do CTN. Decorridos mais de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado considerase ocorrida a decadência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4 Fl. 824DF CARF MF 20 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2002, 2003 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido quando todas as alegações da impugnação foram analisadas pela Delegacia de Julgamento, de forma minuciosa e detalhada. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa se o auto de infração não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, contendo todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. Verificada a ocorrência de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 a multa de ofício aplicada deve ser qualificada, nos termos do §1º do art. 44 da Lei 9.430/96. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2002, 2003 CASO BANESTADO BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES. ACORDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA EM MATÉRIA PENAL ENTRE EUA E BRASIL. LIMITAÇÕES. Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituemse em elementos de prova robustos de que o sujeito passivo manteve depósito bancário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal. Não há de se falar em restrição no uso das informações repassadas à Receita Federal do Brasil para lavratura de autuações fiscais se o Estado Requerido não fez ressalva neste sentido, tampouco a 2a Vara Federal Criminal de Curitiba PR no despacho que determinou o compartilhamento de informações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITES. SÚMULA CARF Nº 61. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 19515.000596/200751 Acórdão n.º 2301005.835 S2C3T1 Fl. 816 21 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. CARF. Acórdão 2301005.248 – 2ª Seção/ 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Julgamento 04/04/2018. Ante ao exposto, não tendo o Contribuinte demonstrada a origem dos valores recebidos do exterior, proveniente do Caso Beacon Hill, com provas hábeis de comprovar o que alega, sendo constatada a ocorrência do fato gerador, ou seja, restou fisco demonstrada a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, verificase a legalidade do lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente). Fl. 826DF CARF MF
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Numero do processo: 16408.001257/2006-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF.
O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária.
Numero da decisão: 9202-007.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF. O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 12 57 /2 00 6- 30 Fl. 606DF CARF MF 2 Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 280101.816, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF de fls. 227 a 231, do qual fazem parte os demonstrativos de apuração de fls. 232/243, o demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 244/249, o termo de verificação fiscal, fls. 222/224, o termo de encerramento de fl. 250 e os demais documentos e demonstrativos constantes dos autos, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 287.509,97, sendo R$ 159.912,42 de imposto suplementar e R$ 15.990,97 de multa de mora de 10%, prevista no art. 964, I, "b", do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda de 1999RIR/1999, além de R$ 111.606,58 de juros de mora calculados até 30/11/2006. Decorreu tal lançamento da apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, conforme detalhado no termo de verificação fiscal, de fls. 222/224, e no auto de infração, às fls. 228/231. O representante legal do espólio do Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 252/250. A DRJ/SDR, às fls. 279/286, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O representante legal do espólio do Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 295/302. A 1ª Turma Especial de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 529/537, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. O fato gerador relativo ao ganho de capital ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do anocalendário. Assim, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4o, do CTN. Para os ganhos de capital, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. GANHO 0DE CAPITAL. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 9202007.541 CSRFT2 Fl. 10 3 A alienação de participação societária efetivada após o advento da Lei nº 7.713, de 1988, ainda que subscrição ou aquisição da participação tenha ocorrido anteriormente a 1983, sujeitase à apuração de ganho de capital. LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Os valores pagos ao sócio a título de participação nos lucros somente são isentos do imposto quando restar comprovado nos autos a existência de lucros regularmente apurados passíveis de distribuição em razão da observância da proporcionalidade entre os valores distribuídos e a participação de cada sócio no capital da empresa. Recurso voluntário negado. Cientificado, o representante legal do espólio do Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, às fls. 547/551, os quais restaram rejeitados às fls. 554/555. Novamente cientificado, às fls. 560/563, o representante legal do espólio do Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: IRPF Ganho de Capital Decretolei nº 1.510/1976. Segundo o acórdão recorrido, a alienação de participação societária efetivada após o advento da Lei n.° 7.713, de 1998, ainda que a subscrição ou aquisição da participação tenha ocorrido anteriormente a 1983, sujeitase à apuração de ganho de capital. Porém, segundo os acórdãos paradigmas, a isenção prevista no artigo 4º, letra “d”, do Decretolei n.° 1.510, de 27 de dezembro de 1976, representa direito adquirido incorporado ao patrimônio do contribuinte. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 595/597, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: IRPF Ganho de Capital Decretolei nº 1.510/1976. A União apresentou Contrarrazões, às fls. 599/604, reforçando os argumentos de mérito. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF de fls. 227 a 231, do qual fazem parte os demonstrativos de apuração de fls. 232/243, o demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 244/249, o termo de verificação fiscal, fls. 222/224, o termo de encerramento de fl. 250 e os demais documentos e demonstrativos constantes dos autos, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ Fl. 608DF CARF MF 4 287.509,97, sendo R$ 159.912,42 de imposto suplementar e R$ 15.990,97 de multa de mora de 10%, prevista no art. 964, I, "b", do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda de 1999RIR/1999, além de R$ 111.606,58 de juros de mora calculados até 30/11/2006. Decorreu tal lançamento da apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, conforme detalhado no termo de verificação fiscal, de fls. 222/224, e no auto de infração, às fls. 228/231. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: IRPF Ganho de Capital Decretolei nº 1.510/1976. O Contribuinte defende que muito antes da edição da Lei n° 7.713, de 1988, revogando a isenção do IRPF, já possuiria direito adquirido por ter cumprido a única condição imposta para o gozo do benefício fiscal, que seria a manutenção da participação societária por cinco anos. Assim, cingese a discussão acerca do direito a não incidência do IRPF, se este já estava consagrado e fazia parte do patrimônio jurídico do contribuinte. E se a garantia desse direito lhe seria advindo do transcurso do tempo protegido indiscutivelmente pelo texto constitucional pátrio. O Contribuinte recorre do seguinte trecho do acórdão recorrido: Portanto, de acordo com a legislação vigente à época da alienação da participação societária, o ganho de capital sujeita se à tributação, sendo incabível a alegação de direito adquirido à isenção que foi expressamente revogada em legislação posterior. Em oportunidades anteriores inclusive, manifestei meu posicionamento contrário ao pleito do Contribuinte, por entender que embora injusto, as isenções tributárias possuem uma conotação temporal imediata, nos seguintes termos: No caso específico, o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital ocorreu no momento da alienação, ou seja, em 31 de outubro de 2003. Portanto, na vigência da Lei n° 7.713, de 1988. Cabe informar que a isenção, conforme a doutrina clássica, adotada pelo Supremo Tribunal Federal, é a dispensa legal de determinado tributo devido, podendo ser concedida de forma geral ou específica, mediante lei. No que tange, especificamente, à sua revogação ou modificação, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975). O inciso III do artigo 104 diz expressamente que a isenção pode ser revogada ou modificada por lei, entrando em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação, quando se refere a impostos sobre o patrimônio ou a renda, conforme se vê a seguir: Fl. 609DF CARF MF Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 9202007.541 CSRFT2 Fl. 11 5 Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Isso quer dizer que, em se tratando de isenção, prevalece a regra da revogabilidade a qualquer tempo, salvo nos casos de isenção condicional e concedida a prazo certo, que não é a situação em análise. Por fim, citase a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, especifica em relação à matéria com o advento da Lei nº 7.713, de 1988, conforme reproduzida na ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO. REQUISITOS PARA IRREVOGABILIDADE. ART. 178 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. LEI 7.713/1988. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. A irrevogabilidade da isenção concedida, nos termos do art. 178 do CTN, só ocorrerá se atendidos os requisitos de prazo certo e condições determinadas. Situação não configurada nos autos. 2. O art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76 fixa o termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), não determinando o termo final, ou seja, é isenção por prazo indeterminado, revogável, portanto, por lei posterior. 3. Com o advento da Lei 7.713/88 operouse a revogação da isenção. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1.164.494/RS 09 de fevereiro de 2010) Assim sendo, considerando que o DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogado, deve ser aplicada a Lei nº 7.713, de 1988, aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Todavia, como muito bem ressaltado em julgamento recente neste colegiado, em voto da relatoria da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, proferida nos autos 10830.723738/201352, o Superior Tribunal de Justiça ao manifestarse sobre a matéria em sede de julgamento de repetitivo de controvérsia aponta entendimento diverso, totalmente favorável ao Contribuinte. Tal entendimento restou recepcionado pela consultoria jurídica da Procuradoria da Fazenda Nacional que, com base na Portaria PGFN nº 502/2016, fez constar no item 1.22 do rol da lista dos "Temas com dispensa de contestar e/ou recorrer" a alínea 'u' que expressamente reconhece o direito adquirido à isenção prevista no Decretolei nº 1.510/76: 1.22 Imposto de Renda (IR) Fl. 610DF CARF MF 6 u) Alienação de participação societária Decretolei 1.510/76 Isenção Direito adquirido Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. Em 27 de junho de 2018, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 12/2018 comunicando a aprovação do Parecer SEI nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda. Referido ato declaratório possui o seguinte teor: O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do PARECER SEI Nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 22 de junho de 2018, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1.164.768/RS, AgRg no REsp 1.231.645/RS, REsp 1.659.265/RJ, REsp 1.632.483/SP, AgRg no AgRg no AREsp 732.773/RS, REsp 1.241.131/RJ, EDcl no AgRg no REsp 1.146.142/RS e AgRg no REsp 1.243.855/PR. O Ato Declaratório em questão altera significativamente o deslinde da questão, agora em favor dos Contribuinte, no sentido de que este quando detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária Registrese que tal parecer quando assinado pelo Ministro de Estado vincula os Conselheiros deste colegiado, conforme RICARF, art. 62. Diante do exposto, conheço do recurso interposto pela Contribuinte para no mérito darlhe provimento nos limites do Ato Declaratório PGFN nº 12/2018. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 9202007.541 CSRFT2 Fl. 12 7 É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 612DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.001013/2003-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL, PRESERVAÇÃO
PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA, EXIGÊNCIA DE ADA.
OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. SÚMULA CARF nº 41. A
não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pela
IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
ÁREA UTILIZAÇÃO LIMITADA — COMPROVAÇÃO.
Deve-se excluir da área tributável do imóvel rural as áreas de utilização limitada devidamente comprovadas por documento hábil e idôneo, em caráter específico, expedido por Órgão ambiental estadual.
Recurso provido,
Numero da decisão: 2101-000.423
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. SÚMULA CARF n" 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pela IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ÁREA UTILIZAÇÃO LIMITADA — COMPROVAÇÃO. Deve-se excluir da área tributável do imóvel rural as áreas de utilização limitada devidamente comprovadas por documento hábil e idôneo, em caráter específico, expedido por Órgão ambiental estadual. Recurso provido, Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recúfso, na's termos do voto do Relator. t / / ." .-------"CA O MARCÔS/C-aDIDO - Presidente i -' . OSTA SANTOS - Relatar MARC JOSÉ RA t FORMALIZADO EM: 24 SE -T 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Robinson Passos de Castro e Silva e Gonçalo Bonet Allage, Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 11-15.516 (fls. 82/98), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fis 01/11, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 1999, relativo ao imóvel denominado "Seringal Limpa", localizado no município de Machadinho D'Oeste — RO, com área total de 21,109,0ha, cadastrado na SRP sob o n° 4,696.863-6, no valor de R$ 9937,45 (nove mil novecentos e trinta e sete reais e quarenta e cinco centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 29/08/2003, perfazendo um crédito tributário total de R$ 24A52,96 (vinte e quatro mil cento e cinqüenta e dois reais e noventa e seis centavos), 2 No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/1999 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Termo de Constatação e Verificação fis, 07/08, a fiscalização apurou as seguintes infrações: exclusão, indevida, da tributação de 2,000,0ha de área de preservação permanente; exclusão, indevida, da tributação de 13,240,0ha de área de utilização limitada; 3. O contribuinte foi intimado em 05/06/2003 a apresentar Certidão de inteiro teor ou matrícula atualizada do registro imobiliário e ADA — Ato Declaratório do lbama ou de órgão que tenha recebido delegação por convênio, fis 22/24, AR fis, 25. Em 09/07/2003 foi enviada correspondência informando que a análise da declaração continuava sendo feita, fls 26, tendo o AR retornado com a marcação "Não Atendido", AR fis 27 Novamente, em 15/08/2003, foi enviada correspondência informando que a análise da declaração continuava sendo feita, fis 29, tendo o contribuinte tomado ciência, AR fls. 30. Em 26/08/2006 foi feita reintimação, fls 31/33, com o mesmo teor da primeira, tendo o contribuinte tomado ciência conforme AR fis 34. 4. Não tendo recebido os documentos solicitados por intimações e reintirnações, o auditor enviou correspondência ao Cartório Serviço Notarial e Registrai de Machadinho D'Oeste-RO, solicitando cópia de certidões de inteiro teor dos registros de quaisquer imóveis de propriedade do contribuinte, fls. 35/36 5. As exclusões indevidas, conforme Termo de Constatação e Verificação fl& 07/08, têm origem na ausência de comprovação de protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA e da internpestividade de averbação na escritura do imóvel 6 O Auto de Infração foi postado nos correios em 15/09/2003 sendo devolvido com a marcação "Recusado", AR fl& 12, Foi novamente postado em 30/09/2003, para o mesmo endereço do AR anterior, tendo o contribuinte tomado ciência em 07/10/2003, AR de fls. 14 2 Processo n° 10240.001013/2003-88 S2-C1 TI Acendo n." 2101-00.423 F1 2 7. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 06/11/2003, a impugnação de fls. 58/70, alegando, em síntese: 1 — "O Auditor fiscal ao lançar de oficio o 1TR/99, desconsiderou a declaração apresentada pelo contribuinte, e não considerou que o imóvel pertence a zima Reserva Florestal criada pelo estado de Rondônia." 11 — "O imóvel do Contribuinte ora recorrente está encravado em área de interesse ecológico conforme se comprova com a certidão da SEDAM, Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Rondônia apresentada ao auditor fiscal, onde atesta que, o imóvel denominado SERINGAL URUPÁ, esta dentro da Zona 4 do Zoneamento sócio econômico e ecológico do estado de Rondônia," III— "Por força da Lei Complementar 52/91, os proprietários de imóvel rurais encravado dentro da zona 4, estão obrigados a preservar a totalidade das florestas do imóvel." IV—transcreve ementa da DRJ Manazts-AM. V—transcreve a Lei 9.393/96, art. 10, § 1°, letras "a" e "b" VI — transcreve o § 70 do art. 10 da Lei n° 9393, de 1996, incluído pelo art. 3 0 da Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/2001, afirmando que "dispensa o contribuinte de comprovar previamente a averbação da reserva legal, obrigando-o a pagar o tributo, somente se não existir a reserva legal," VII— transcreve o art. 150 da constituição federal, VIII — "A obrigação de averbar as reservas legais, apresentação do ADA e outras informações cadastrais, constantes da Lei 9,383/96 caracterizam-se como obrigação tributária acessória." IX — "Em momento algum a lei que regulamentou o ITR, acima mencionada penaliza o contribuinte que não averbou a reserva legal do seu imóvel, ou averbou fora do prazo, ou deixou de apresentar ADA junto ao IBAMA." X - É importante ressaltai; que e a declaração da ADA foi entregue, ao MAMA, conforme cópia anexa. XI — "É importante observar que a reserva legal do imóvel objeto do presente, encontra-se devidanzente averbada, de acordo com a averbação 03 da matricula 8.384 do cartório de registro de imóveis da comarca de Ariquemes-RO, 50% da área do imóvel encontra-se preservada, pelo termo de responsabilidade de preservação de Floresta. Datado de 14 de março de 1.994, Conforme AV-0001-0018." XII — "É de suma importância fazer questionamentos a respeito da divergência legislativa em relação averbação de reserva legal." 3 XIV — "o código florestal, lei 4771 de 1965 no artigo 44, estabelece que, deve ser averbado 50% da área do imóvel para fins de preservação de florestas, "reserva legal do imóvel". XV — "A medida provisória 2166-67 de 24 de Agosto de 2001 altera o artigo 16 do código florestal, Lei 4771/1965, e altera o percentual da averbação da reserva legal na Amazônia Legal para 80% das áreas dos imóveis, e o Decreto 4297 de 10 de Julho de 2002, no artigo 21, estabelece que será obedecido o Zoneamento Econômico e Ecológico de cada Estado." XVI — "É importante esclarecer, que os órgãos públicos não informou aos contribuintes da obrigatoriedade da apresentação da ADA, inclusive quando o contribuinte queria saber informações a respeito do mesmo, nem a SRF, nem o IBAMA ou o INCRA, sabia dar informações." XVII - Indaga-se até quando a Recorrente ficaráprejudicada por ter apresentado o ADA fora do prazo? XVIII — "O lançamento do IT'R sobre o imóvel da Recorrente incluindo a área de reserva legal e de preservação permanente, é totalmente ilegal, por não esta previsto em lei e fere de morte o principio da legalidade esculpido no inciso 11 do artigo 50 da Constituição Federal, segundo o qual, "NINGUÉM SERÁ OBRIGADO A FAZER OU DEIXAR DE FAZER ALGUMA COISA SENÃO EM VIRTUDE DE LEI". XIX — "fere também, o principio da legalidade dos tributos descritos no inciso I do artigo 150, segundo o qual, "A UNIÃO, OS ESTADOS AO DISTRITO FEDERAL E OS MUNiCiFIOS NÃO PODERÃO EXIGIR OU AUMENTAR TRIBUTOS SEM LEI QUE O ESTABELEÇA" XX — "o lançamento do ITR/99 sobre a propriedade do contribuinte, fere ao principio constitucional da proibição de confisco, fere também o princípio do direito de propriedade", Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a pio manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício.. 1999 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE'. COMPROVAÇÃO, A exclusão de área declarada como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do 1TR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo lhama ou por órgão delegado através de convênio, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO, A exclusão de área declarada como de reserva legal da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo lhama ou por- órgão delegado através de convênio, mediante Ato Declarató rio Ambiental 4 Processo n° 10240.001 O 13/200.3-88 Acórdão n 2101-00.423 S2-C1TI H 3 (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da D1TR. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende ainda de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador, Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício; 1999 Ementa. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR, Não se encontra abrangida pela competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da inconstitucionalidade de atos legais ou da ilegalidade dos atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, uma vez que neste Juízo eles se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar-lhe execução. DECISÕES ADMINISTRATIVAS EFEITOS As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiadas não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, Lançamento Procedente No recurso voluntário de fls. 102/115 a contribuinte suscita as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau. Submetidos os autos a julgamento na Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, os membros do colegiado decidiram por converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução de n° 302-1 452 (fls. 126/131), Após as providências adotadas, vieram os autos a julgamento nesse colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MF ri° 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3 0, III. É o relatório. 5 Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relatar O recurso atende os requisitos de admissibilidade, Cumpre a este Colegiado se manifestar sobre as glosas das áreas de preservação permanente e utilização limitada, conforme se verifica no Demonstrativo de Apuração do ITR do exercício de 1999, à ft 05. Sobre a exigência do ADA, a jurisprudência pacífica da 2 Turma da CSRF deste CARF firmou-se no sentido de que somente após a vigência da Lei n° 10,165, de 27/12/2000, para exclusão da área tributável do ITR, tornou-se imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal (Acórdãos n's 9202-00.006 e 9202- 00A 94, sessão de 17/08/2009 e 18/08/2009, respectivamente). Restabelece-se, portanto, a área declarada pelo autuado a título de preservação permanente (2_000,00 hectares), cujo beneficio fiscal está condicionado apenas à apresentação tempestiva do ADA. Neste sentido, para espancar qualquer dúvida sobre a matéria, foi editada a Súmula CARF n° 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Em relação à área de utilização limitada excluída pelo interessado da tributação na DITR do exercício de 1999 (11240,0 hectares), firmo convencimento de que o recurso voluntário em exame também deve ser provido. A exclusão das áreas de preservação permanente, de reserva legal e de interesse ecológico, para fins de apuração da área tributável, no cálculo do ITR, está prevista nas alíneas "a" e "b", do inciso II, do § 1°, do artigo 10, da Lei n° 9.393, de 19/11/1996, verbis: Art. 10. (.) § 1"Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4,771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Neste sentido, estabelece o artigo 10 do Decreto ri° 4.382, de 19/09/2002, para que possa se beneficiar da exclusão da base de cálculo do ITR, o sujeito passivo deve apresentar ato emitido por órgão competente, federal ou estadual, como a seguir transcrito: 6 Processo n° 10240001013/200.3-88 S2-C1T1 Acórdão n.Ï 2101-00,423 El. 4 Art, 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I - de preservação permanente (Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal, arts 2" e 3", com a redação dada pela Lei n" 7,803, de 18 de julho de 1989, art. 19; II - de reserva legal (Lei n" 4.771, de 196.5, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n" 2 166-67, de 24 de agosto de 2001, art. 1, 111 - de reserva particular do patrimônio natural (Lei n" de 18 de julho de 2000, art.. 21; Decreto n" 1922,. de .5 de junho de 1996); IV - de servidão florestal (Lei n" 4.771, de 196.5, art, 44-A, acrescentado pela Medida Provisória n' 2J66-67, de 2001); V - de interesse ecológico para a proteção dos ecos:sistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, .federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos 1 e lido capta deste artigo (Lei n°9393, de 1996, art. 10, áç 1", inciso II, alínea " b" VI - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n" 9393, de 1996, art. 10, § 1", inciso II, alínea " c"). § 2°A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR, Conforme dispõe o artigo 29 do Decreto n° 70135, de 1972, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. A manifestação de Órgão governamental acerca dos fatos que compõem a matéria do litígio sempre teve maior relevância como elemento de prova nos julgamentos realizados nesta Câmara. Pois bem. Entendo que o Oficio n° 1.145/GAB/SEDAM/2009 (fl. 156 — que se reporta à situação do imóvel à época da ocorrência do fato gerador), em resposta aos questionamentos formulados na Resolução de n" 302-1A52 (fl. 131), dão suporte à pretensão do recorrente, e confirmam as informações indicadas no documento à ft 71. No contexto do zoneamento que vigeu até 05/06/2000, a Zona 4 pertence às reservas extrativistas sem alteração dos ecossistemas, onde não se permite o desmatamento a corte raso nem atividades agropecuárias. Com efeito, no presente caso, verifica-se que o imóvel rural denominado Seringal Urupá tem sua área total inserido na Zona 4, nos termos da Lei Complementar' n° 52/91 do Estado de Rondônia. O Mapa da 1 1' aproximação do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico do Estado de Rondônia, à fl. 72, expedido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental, é específico em relação ao imóvel rural de que trata o lançamento em exame, e espanca qualquer dúvida a respeito. 7 JOSÉ RAIM TA SANTOS Por fim, deve-se ressaltar que, na esteira da jurisprudência uníssona do CAIU, materializada na Súmula n.° 2, não compete a este Conselho pronunciar-se acerca da ineonstitucionalidade de leis. Isto porque, tendo tais normas obedecido o trâmite previsto na Lei Maior para ingressar no ordenamento jurídico, tomam-se cogentes e, portanto, são plenamente aplicáveis as aliquotas do ITR, sendo prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, julgar a relação de pertinencialidade das normas com o ordenamento. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, restabelecendo as áreas de preservação permanente e utilização limitada de 2.000,0 e 13.240,0 hectares, respectivamente, conforme indicado pelo recorrente em sua DITR do exercício de 1999 (fl. 05) Sala das Sessões D5-em 02 7 de fevereiro de 2010 ll --
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Numero do processo: 13971.004384/2008-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 9202-007.529
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva. Fl. 290DF CARF MF 2 Relatório Trata-se de Auto de Infração de Obrigação Acessória, Debcad 37.188.505-1, em razão de o sujeito passivo ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 34/36), não foram registradas em GFIP as remunerações pagas sob a forma de “utilidades” – planos de saúde oferecidos em desacordo com a Lei nº 8.212/1991 (planilha de fl. 33) e salários pagos a representantes de venda da empresa, caracterizados como segurados empregados (planilha de fl. 32) Segundo consta do Relatório Fiscal que integra o Processo nº 1371.004401/2008 (fls. 72/80 daquele processo), o qual se refere à Representação Fiscal para Fins Penais relacionada à presente autuação, além da multa ora analisada, o procedimento fiscal resultou nos seguintes lançamentos: Obrigações Principais: DEBCAD n° 37.1888.502-7 – Contribuições previdenciárias a cargo da empresa; DEBCAD n° 37.188.504-3 – Contribuições devidas a outras entidades ou fundos / Terceiros; e DEBCAD n° 37.188.503-5 – Contribuições de segurados; Obrigações Acessórias: DEBCAD N° 37.188.506-0 (CFL 69) – em razão de a empresa ter prestado informações em GFIP; e DEBCAD N° 37.188.507-2 (CFL 38) – por apresentar livros contábeis se o atendimento às formalidades legalmente exigidas. Com relação aos lançamentos que interessam ao caso em exame, relacionados às obrigações principais, dados extraídos do sistema Comunicação e Protocolo – Comprot dão conta que somente o registrado sob Debcad nº 37.188.502-7 (Processo nº 13971.004381/2008-26) chegou a ser impugnado, mas o contribuinte não se insurgiu contra a da decisão de primeira instância administrativa, que reconheceu a procedência do lançamento. Em relação aos demais, não há informação sobre apresentação de contestação, ou seja, tratam- se de créditos tributários que não são mais passíveis de discussão na esfera administrativa. Abaixo, relaciona-se esses processos, os quais encontram-se arquivados: Processo Debcad Situação 13971.004381/2008-26 37.188.502-7 Arquivado 13971.004383/2008-15 37.188.504-3 Arquivado 13971.004382/2008-71 37.188.503-5 Arquivado Retornado-se à situação vertente, tem-se que, em sessão plenária de 16/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatando-se o Acórdão nº 2803-002.471 (fls. 230/236), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/10/2008 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13971.004384/2008-60 Acórdão n.º 9202-007.529 CSRF-T2 Fl. 3 3 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32- A da Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado à PGFN em 13/08/2013 e, em 07/10/2013, o Procurador da Fazenda Nacional considerou-se intimado (Despacho de fl. 237). Na mesma data foi interposto o Recurso Especial de fls. 243/252 (Relação de Movimentação de fl. 239). O apelo está fundamentado no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, e visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional requer que seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que prevaleça o entendimento de que deve ser verificado, na fase de execução, qual a norma mais benéfica ao contribuinte: se a soma das multas previstas na legislação vigente à época do lançamento (art. 35, II e 32, IV, da norma revogada) ou aquela prevista no art. 35-A, incluído pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300- 032/2014, de 23/01/2014 (fls. 253/256). Cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 07/04/2014 (fl. 259), o Contribuinte, em 14/04/2014, interpôs embargos de declaração tempestivos. Referidos embargos foram rejeitados tendo o embargante sido notificado da decisão em 26/09/2014. Em 22/04/2014, o Sujeito Passivo apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 260/267) alegando, em síntese, o que segue: a) o Recurso Especial não pode ser conhecido, porque: - o entendimento sobre matéria já está pacificado pela Câmara Superior de Recursos Ficais - CSRF em sentido diverso; Fl. 292DF CARF MF 4 - os paradigmas indicados não representam o atual entendimento do Conselho Administrativo de recursos Fiscais - CARF, não sendo aptos a demonstrarem a alegada divergência, o que é expressamente exigido pelo art. 67, § 4º, do Regimento Interno do CARF; - a CSRF pacificou o entendimento de que a multa aplicada, nos casos de incorreções em GFIP, deve ser aquela prevista no art. 32-A da Lei n° 8.212/91 (em atenção à retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. Reproduz trecho do Acórdão 9202-002.745 e cita os Acórdãos nº 9202-002.747 e nº 9202-002.721; - não houve prequestionamento por parte da Fazenda Nacional, o que contraria o § 3º do art. 67 do Regimento Interno do CARF. Transcreve trecho do dispositivo; - não ocorreu a demonstração da alegada divergência visto que: a União apontou, para comprovar a suposta divergência acerca do tema em questão, paradigmas que sequer representam o atual entendimento. Cita decisões do CARF; os paradigmas indicados não poderiam ser sequer aplicados no caso em apreço, pois o paradigma representado pelo Acórdão n° 9202- 02.086, por exemplo, versa sobre a aplicação simultânea de duas multas em relação à obrigação principal e acessória; no entanto, o acórdão recorrido não trata dessa questão, ou seja, no caso do Acórdão recorrido, diversamente do que ocorreu no acórdão paradigma, não foi discutida a aplicação de sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo, não havendo, portanto, efetiva divergência jurisprudencial; b) a norma mais benéfica para a contribuinte, sem dúvida, é aquela prevista no art. 32-A, I, da Lei n° 8.212/91 (trazida pela Lei n° 11.941/09), conforme restou consignado na decisão atacada; Requer sejam recebidas as suas contrarrazões, para que o Recurso Especial não seja conhecido ou, alternativamente, seja julgado totalmente improcedente. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando, à luz das contrarrazões, também apresentadas tempestivamente, perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade, para tanto, convém reproduzir o art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época de sua apresentação: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13971.004384/2008-60 Acórdão n.º 9202-007.529 CSRF-T2 Fl. 4 5 § 1° Para efeito da aplicação do caput, entende-se como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9° As ementas referidas no § 7° poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. . § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. (Grifou-se) De início, há que se esclarecer que a pacificação de entendimento no âmbito deste Conselho é externado por meio da edição de súmulas da Câmara Superio de Recursos Fiscais – CSRF. Tanto assim que o § 2º do art. 67 é bastante claro ao estabelecer que: “Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF”. Fl. 294DF CARF MF 6 Assim, à luz do § 4º do citado artigo, atendidos os demais pressupostos regimentais, a indicação de até duas decisões divergentes por matéria, que não tenham sido reformadas ou superadas por entendimento pacificado por meio de súmula, mostra-se suficiente para que o recurso seja admitido. No que diz respeito ao prequestionamento, o § 3º do art. 64 é expresso no sentido de ser esse um requisito é voltado exclusivamente a recurso especial apresentado pelo contribuinte. Sobre o argumento de que a divergência não teria sido demonstrada em virtude de as situações retratadas nos acórdãos recorrido e paradigma serem distintas, diferentemente do que se afirma nas contrarrazões, no caso em apreço, assim como nas situações trazidas como paradigma, além de multa por descumprimento da obrigação acessória de ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, restou esclarecido no relatório que o sujeito passivo também fora autuado por falta de recolhimento do tributo propriamente dito. Os lançamentos por descumprimento de obrigações principais, repise-se, foram formalizados por meio dos seguintes processos: - 13971.004381/2008-26, DEBCAD nº 37.188.502-7 - Contribuições previdenciárias a cargo da empresa; - 13971.004383/2008-15, DEBCAD nº 37.188.504-3 - Contribuições devidas a outras entidades ou fundos / Terceiros; - 13971.004382/2008-71, DEBCAD nº 37.188.503-5 - Contribuições de segurados, não descontadas ou recolhidas pela empresa como determinado por lei. Ademais, a Impugnação interposta pela Recorrente (fls. 38/83), faz expressa referência às autuações impostas ao contribuinte em razão do descumprimento de obrigações principais, citando inclusive os números dos DEBCAD de cada uma delas e é dedicada quase que exclusivamente a rebater aspectos relacionados a tais autuações, o que demonstra que os contextos fáticos espelhados nas decisões recorrida e paradigmas são em tudo similares. A respeito da asserção de que a Fazenda não teria comprovado o dissenso jurisprudencial porque os paradigmas não representariam entendimento do CARF, restou demonstrado alhures que isso somente serviria de óbice ao conhecimento do apelo recursal caso o entendimento consubstanciado na decisão recorrida representasse jurisprudência pacificada na esfera administrativa por meio de súmula da CSRF, o que, como se verá adiante, não é o caso. Mérito Especificamente com relação à penalidade, a decisão recorrida determinou o recálculo da multa, mediante aplicação da sanção prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/1991 (na redação dada pela Lei nº 11.941/2009). A Fazenda Nacional, por sua vez, entende que deve ser verificado, na fase de execução, qual a norma mais benéfica ao contribuinte: se a soma das multas previstas na legislação vigente à época do lançamento (art. 35, II e 32, IV, da norma revogada) ou aquela prevista no art. 35-A da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Conforme já restou demonstrado, no mesmo procedimento fiscal foram exigidas multas por descumprimento de obrigação principal, bem como por descumprimento de obrigação acessória por falta de declaração de fatos geradores em GFIP. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13971.004384/2008-60 Acórdão n.º 9202-007.529 CSRF-T2 Fl. 5 7 Nesse caso, diferentemente do que defende do sujeito passivo, a retroatividade benigna deve ser aplicada em conformidade com a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009. Tal entendimento, que coincide com a tese exprimida no Recurso Especial, restou pacificado no CARF, a partir da publicação da Súmula CARF nº 119. Senão vejamos: "Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996." Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, dou-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 296DF CARF MF Relatório Voto
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Numero do processo: 16306.000053/2010-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INDICADOS DE ESTIMATIVAS DE IRPJ (ANO-CALENDÁRIO 2008) E CSLL (ANOS-CALENDÁRIOS 2008 E 2009). LUCRO REAL NEGATIVO EM 2008, INEXISTÊNCIA DE CSLL DEVIDA AO FINAL DO MESMO PERÍODO E DIMINUTO RESULTADO TRIBUTÁVEL EM 2009.
CANCELAMENTO DA COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO. LINDES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE.
O contribuinte argumenta que, a despeito do não reconhecimento do direito creditório, deveria a cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL de 2008 e 2009 ser cancelada, eis que não se apurou qualquer tributo devido ao final de 2008 (lucro real negativo e CSLL recolhida, via DARF, em valor muito superior à contribuição devida ao final do período) e que a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido da impossibilidade de
cobrança de estimativas após o término do respectivo ano-calendário.
A questão atinente a cobrança dos débitos confessados por alegadamente serem indevidos não integra os estritos limites do Processo Administrativo Fiscal de compensação, cujo objeto cinge-se à análise da higidez dos créditos apontados e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados
espontaneamente pelo contribuinte. Existência de instrumentos eficazes para ilidir cobrança indevida, a despeito de confessada, mas em sede própria.
Numero da decisão: 1101-000.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Fez declaração de voto, a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Luis Eduardo Schoueri (OAB/SP nº 95.111).
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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DÉBITOS INDICADOS DE ESTIMATIVAS DE IRPJ (ANOCALENDÁRIO 2008) E CSLL (ANOS CALENDÁRIOS 2008 E 2009). LUCRO REAL NEGATIVO EM 2008, INEXISTÊNCIA DE CSLL DEVIDA AO FINAL DO MESMO PERÍODO E DIMINUTO RESULTADO TRIBUTÁVEL EM 2009. CANCELAMENTO DA COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO. LINDES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte argumenta que, a despeito do não reconhecimento do direito creditório, deveria a cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL de 2008 e 2009 ser cancelada, eis que não se apurou qualquer tributo devido ao final de 2008 (lucro real negativo e CSLL recolhida, via DARF, em valor muito superior à contribuição devida ao final do período) e que a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo anocalendário. A questão atinente a cobrança dos débitos confessados por alegadamente serem indevidos não integra os estritos limites do Processo Administrativo Fiscal de compensação, cujo objeto cingese à análise da higidez dos créditos apontados e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados espontaneamente pelo contribuinte. Existência de instrumentos eficazes para ilidir cobrança indevida, a despeito de confessada, mas em sede própria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 00 53 /2 01 0- 14 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR 2 Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Fez declaração de voto, a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Luis Eduardo Schoueri (OAB/SP nº 95.111). (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga, José Ricardo da Silva, Edeli Pereira Bessa e Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão que restou assim ementada, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRRF. COMPROVAÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA TRIBUTAÇÃO. NECESSIDADE. Para que o IRRF possa ser deduzido do valor do Imposto de Renda a ser pago, é necessário que: (i) o contribuinte apresente comprovante de retenção emitido em seu nome, pela fonte pagadora, e (ii) as receitas correspondentes integrem a base de cálculo do imposto devido. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NO EXTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Não há comprovação da origem, tipo, montante, nem foram apresentados documentos exigidos pela legislação tributária de modo a permitir verificar a existência e a possibilidade do aproveitamento de eventual imposto pago no exterior. DIREITO CREDITÓRIO. Não foi reconhecido crédito em favor do contribuinte, razão pela qual mantémse a decisão recorrida. O contribuinte alegadamente apurou Saldo Negativo de IRPJ no ano calendário 2007, sendo que apresentou Declarações de Compensação nas quais indicou, dentre outros débitos, alguns atinentes a estimativas de IRPJ e CSLL atinentes aos anoscalendários 2008 e 2009 (débitos arrolados à fl. 421). Fl. 503DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 1101000.971 S1C1T1 Fl. 3 3 Após a interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou desistência parcial do recurso, sendo que procedeu ao recolhimento de todos os débitos indicados, à exceção daqueles atinentes às citadas estimativas de IRPJ e CSLL de 2008 e 2009. Os seguintes excertos, extraídos dessa petição de desistência parcial (fls. 420 432), divisam bem a única matéria devolvida a esse Colegiado, litteris: Como se pode verificar, a Requerente efetuou o pagamento de parte dos débitos, exigidos no presente processo, exceto os seguintes: (...) Tais valores são relativos a (i) estimativas mensais de IRPJ – código de receita 2362; e (ii) estimativas mensais de CSLL – código de receita 2484. A escolha dos débitos que permaneceriam sob litígio não foi aleatória. Inicialmente, devese relatar que, após a realização de estudos doutrinários e jurisprudenciais, a Requerente concluiu que seria pertinente o pagamento de parte do que está sendo exigido nestes autos, em razão de não pretender levar adiante a discussão acerca do mérito do crédito utilizado para compensação dos débitos exigidos. Contudo, apesar de proceder à desistência da discussão acerca do mérito do crédito utilizado para compensação, parte dos referidos débitos – referente a estimativas mensais de IRPJ e CSLL – continuam inexigíveis, motivo pelo qual não se justificaria seu pagamento, bem como a desistência total do recurso voluntário. Com efeito, em sua impugnação, e em seu recurso voluntário, a Requerente apresentou duas ordens de argumentos para justificar a improcedência dos débitos exigidos: (i) legitimidade do crédito utilizado; e (ii) impossibilidade de exigência dos débitos relativos a estimativas de IRPJ e CSLL. Atenta a essa dúplice linha de defesa, a Requerente admite ser pertinente a desistência da discussão afeita à legitimidade dos créditos utilizados. Logo, procedeu ao pagamento, e, ora, encerra a discussão, apenas quanto aos débitos cobertos, exclusivamente, por essa linha argumentativa (descritos na “tabela 2”, supra). Não pretende a Requerente, entretanto, desistir da sua segunda linha de defesa, segundo a qual seriam inexigíveis os débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, mormente quanto à parcela que extrapola o total do IRPJ e da CSLL devidos no anocalendário de 2008 e 2009 – débitos estes indicados na “tabela 3”, acima. Por esse motivo, tais débitos continuam em discussão, e, nesses moldes, requer a Requerente seja o recurso voluntário protocolado nos presentes autos processado e julgado. (fls. 421423; sem grifos no original) Os débitos de estimativas indicados nas Declarações de Compensação em referência são os seguintes: Fl. 504DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR 4 IRPJ: janeiro e fevereiro de 2008; CSLL: janeiro, maio e junho de 2008; fevereiro, junho e julho de 2009. Alega o contribuinte que a cobrança de tais débitos deveria ser cancelada a despeito do reconhecimento da impertinência do crédito de Saldo Negativo de IRPJ, eis que apurou lucro real negativo no anocalendário de 2008 e que recolheu CSLL (DARF) em valor muito superior ao que foi apurado como devido ao final do respectivo anocalendário. Assevera que, para além da apuração de resultado negativo no período, é pacífica a jurisprudência no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo ano calendário. Em relação às estimativas de CSLL de 2009 – anocalendário em que diminuto resultado tributável –, suscita essa impossibilidade de cobrança após a conclusão do exercício em referência e pede, quando menos, que a cobrança das estimativas se resuma ao valor de tributo que apurou no período, com o cancelamento da fração sobressalente. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo (fl. 390), razão pela qual dele tomo conhecimento. Consoante narrado acima, a controvérsia vertente limitase ao pedido do contribuinte, no sentido de que, a despeito de ter aberto mão da discussão sobre a pertinência do crédito que indicara, devem ser canceladas as cobranças atinentes às estimativas de IRPJ e CSLL dos anoscalendários 2008 e 2009, que foram compensadas com o pretenso Saldo Negativo de IRPJ de 2007, ante a inexistência de IRPJ ou CSLL devidos ao final de 2008 e a jurisprudência no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo exercício, temse que igualmente não deve ser o pleito acatado. De fato, os lindes do processo administrativo derivado de não homologação de Declaração de Compensação não comportam tal análise: aqui, cabe aos julgadores unicamente se pronunciar sobre a higidez dos créditos e sobre a sua suficiência para a amortização dos débitos confessados. Ademais, percebese claramente que o pronunciamento, por esse Conselho, acerca da cabal e inafastável existência de prejuízo fiscal no seio de processo em que tal questão não é examinada verticalmente pode representar algo efetivamente temerário: com efeito, é possível que o resultado apurado pelo sujeito passivo venha a ser contestado pelo Fisco, do que poderia resultar a transformação do prejuízo inicialmente apurado pelo sujeito passivo em efetivo resultado tributável, informação essa que não necessariamente tornarseá disponível para os julgadores do processo de compensação. Salientese que existem outras razões pelas quais um débito efetivamente confessado – a exemplo das estimativas que o sujeito passivo pretendeu compensar – pode vir a tornarse dívida inexigível. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 1101000.971 S1C1T1 Fl. 4 5 Essas discussões, percebese, não podem ser empreendidas no seio do processo administrativo fiscal, de modo que, caso o sujeito passivo venha a sofrer a cobrança de débitos que, apesar de confessados, entende indevidos, dispõe ele de uma pletora de remédios para fazer face à exigência descabida, nenhum dos quais atinente ao julgamento de correição da compensação declarada. Uma última reflexão: de acordo com o contribuinte, deverseia, no processo em epígrafe, fulminar a cobrança do débito que pretendeu compensar com um crédito inexistente, ante o argumento de que o débito, confessado, seria inexigível. Ora, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou a tese de que até mesmo os débitos tributários prescritos que venham a ser pagos pelos contribuintes são repetíveis, vez que, ao contrário do que se passa na esfera cível, não há que se falar em obrigações naturais no seio do direito tributário. Em se admitindo a cogência do argumento do contribuinte, o que deveria esse Tribunal Administrativo fazer numa situação em que, além de o débito apontado na DCOMP ser aparentemente inexigível, o crédito indicado efetivamente exista? Deveria esse Egrégio Conselho pronunciarse sobre a inexigibilidade dos débitos, preservando os hígidos créditos para aproveitamento futuro? É notório que isso não poderia ter lugar. O que norteia o julgamento de processo de compensação é o crédito alegado, o que se constata até pelo fato de que, na investigação acerca da Seção desse Egrégio CARF competente para a apreciação de Recursos manejados em processos de compensação, a pedra de toque será a natureza do crédito, pouco importando o tributo que com ele se pretendeu compensar. Não merece acolhida, portanto, o Recurso Voluntário em apreço. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente aduz, em sustentação oral, que desistiu do direito creditório em litígio, parcelou os demais débitos compensados e pretende agora, apenas, o cancelamento dos débitos de estimativas liquidados por meio das compensações aqui em litígio, ou seja, centrando suas alegações apenas no pedido sucessivo que integra seu recurso. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR 6 Vislumbro a controvérsia suscitada no pedido sucessivo da recorrente sob ótica diversa do I. Relator, e assim preliminarmente manifestome favoravelmente acerca da possibilidade de apreciação da exigibilidade de débitos compensados ao longo do processo administrativo formado a partir da nãohomologação da compensação. A lide, no âmbito da compensação, circunscrevese à validade, ou não, do ato de nãohomologação, que pode estar motivado pela apreciação da existência, suficiência e disponibilidade dos créditos utilizados, mas implicitamente também expressa a exigibilidade dos débitos compensados, na medida em que determina sua cobrança quando não reconhecido direito creditório suficiente para sua extinção definitiva. Em tais circunstâncias, o sujeito passivo pode se opor à nãohomologação porque o débito compensado não existe, foi informado em duplicidade, ou em montante superior ao devido, inclusive reportandose a valores já alcançados pelo direito creditório reconhecido, e assim indevidamente extintos por parcela que deveria ter sido destinada ao débito remanescente. Em suma, ao facultar ao sujeito passivo o direito de questionar o ato de nãohomologação, o legislador permitiulhe abordar todos os aspectos envolvidos na compensação, não só no que tange à mensuração do crédito, como também em relação à liquidação dos débitos, aí incluídos os critérios de imputação e os próprios tributos considerados. Além disso, o ato de nãohomologação pode se fundamentar, apenas, na impossibilidade de compensação do débito informado pelo sujeito passivo, caso ele se enquadre em uma das hipóteses expressas ou implicitamente previstas no art. 74, §3o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada a partir da Lei nº 10.637/2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, mas não convertido em lei) Fl. 507DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 1101000.971 S1C1T1 Fl. 5 7 VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, mas não convertido em lei) IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, mas não convertido em lei) [...] Em tais circunstâncias, o litígio em torno do ato de nãohomologação possivelmente nem adentrará a aspectos concernentes ao direito creditório utilizado pelo sujeito passivo, mas sim se limitará às características do débito compensado e do momento no qual a compensação foi declarada. Ressalto que no cenário assim delineado, ao manifestarse contrariamente à exigibilidade do débito vinculado à compensação, o órgão julgador poderá, eventualmente, afirmar novamente disponível parcela de crédito utilizada em compensação. Mas isto porque desfaz os efeitos de compensação equivocadamente formulada pelo sujeito passivo, fazendo prevalecer a verdade material. E, se referido crédito foi reconhecido e ainda não estiver prescrito quando se tornar definitiva a decisão administrativa acerca da compensação antes formalizada, o sujeito passivo poderá destinálo a outra compensação, ou mesmo pleitear sua restituição, caso ainda não o tenha feito. Os órgãos de julgamento exercem a função de controle da legalidade do crédito tributário mediante provocação do sujeito passivo. Assim, não podem se omitir no dever de declarar um tributo indevido, quer em sede de lançamento, quer frente a um ato de nãohomologação de compensação, dado que por meio deste a autoridade competente afirma não só a inexistência ou indisponibilidade de um crédito, mas também a existência de um débito indevidamente compensado. Por certo o debate em torno do direito creditório é mais freqüente no âmbito das compensações, na medida em que os débitos normalmente existem e para afastar sua exigibilidade a compensação é formalizada. É sob este prisma que vejo, nas normas regimentais, a escolha daquele parâmetro para definição da competência dos órgãos de julgamento. Todavia, embora admita a apreciação da exigibilidade do débito compensado, entendo que a recorrente não tem razão em sua argumentação. Em 29/02/2008 a interessada formalizou DCOMP para utilização do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2007, e ao crédito ali informado vinculou outras declarações apresentadas até 25/08/2009 para liquidação, dentre outros, de débitos de estimativas de IRPJ e CSLL apurados ao longo dos anoscalendário 2008 e 2009. Em 16/03/2010 foi editado o ato de nãohomologação das compensações por inexistência do crédito informado, cientificado à interessada em companhia de documentos de cobrança (DARF) para recolhimento, dentre outros débitos, das estimativas que restaram exigíveis em decorrência daquele ato. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR 8 Em sua defesa, aduz a interessada que apurou prejuízo fiscal nos anos calendário 2008 e 2009, e que é pacífica a jurisprudência no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do correlato anocalendário. De fato, em dezembro de 2012 foi aprovada a Súmula CARF nº 82 firmando o entendimento de que após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Todavia, os paradigmas que sustentam referido enunciado invalidam atos de constituição do crédito tributário promovidos pelos agentes fiscais, e não por meio de confissão do sujeito passivo, como é o caso dos débitos indicados em DCOMP. Para além disso, ao analisar argumento semelhante deduzido nos autos do processo administrativo nº 16306.000037/201013, observei que a recorrente não expunha todos os aspectos de sua apuração referente ao anocalendário 2007, agora aqui tratada, a qual evidenciava saldo negativo composto, dentre outras deduções, pelas estimativas que a recorrente lá afirmava inexigíveis a partir da nãohomologação das compensações promovidas com o saldo negativo do anocalendário 2006. Nestes autos a recorrente insiste em sua defesa, pretendendo o cancelamento das estimativas apuradas ao longo dos anoscalendário 2008 e 2009, estando em pauta o processo administrativo nº 16306.000059/201083 que trata de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2008 composto, dentre outras deduções, por estimativas que a recorrente agora afirma inexigíveis. Resta evidente, assim, que ao compensar débitos de estimativas, o sujeito passivo passa a ter a possibilidade de com elas formar novo crédito de saldo negativo e compensar outros tributos, atribuindo efeitos econômicos a uma operação que posteriormente pretende desqualificar simplesmente porque identificou prejuízo no anocalendário em que as estimativas foram apuradas. Outras circunstâncias poderiam ter se verificado hipoteticamente: · O sujeito passivo poderia ter apurado saldo negativo ao final do ano calendário, composto pelas estimativas compensadas, mas sem utilizálo em compensação ou pleitear sua restituição. Em tais condições, poderia argumentar que nada lhe seria exigível, vez que não havia tributo devido ao final do anocalendário; e · O sujeito passivo poderia ter apurado tributo devido ao final do ano calendário, e evitado ou reduzido seu recolhimento em razão da dedução das estimativas compensadas. Em tais condições, poderia argumentar que somente lhe seria exigível o tributo devido no ajuste anual, e não as estimativas indevidamente compensadas, vez que já encerrado o anocalendário. A questão, então, cingese ao procedimento que deve ser adotado pela autoridade fiscal quando identifica estimativas exigíveis após o encerramento do ano calendário. Como dito, a Súmula CARF nº 82 soluciona a questão relativamente às estimativas não recolhidas, ali não se cogitando de estimativas compensadas por meio de DCOMP que restem nãohomologadas. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 1101000.971 S1C1T1 Fl. 6 9 A Lei nº 9.430/96 é clara quanto às conseqüências em relação ao sujeito passivo que, obrigado, deixe de pagar as estimativas devidas: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] A redação estabelecida a partir da Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, segue a mesma linha: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR 10 IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, a argumentação contida na decisão recorrida não é integralmente válida, porque o fato de o sujeito passivo declarar em DCTF débitos de estimativas de IRPJ e CSLL não é suficiente para autorizar a imediata inscrição em Dívida Ativa para efeito de cobrança executiva, na forma do art. 5o, §2o do Decretolei nº 2.124/84. Ao menos nos casos em que esta declaração é desacompanhada de qualquer forma de quitação do débito, a lei reprime a omissão do sujeito passivo com a aplicação de multa isolada, e não com a cobrança do débito de estimativa. Contudo, cabe ao intérprete definir as conseqüências expressas na lei também se aplicam aos casos em que o sujeito passivo não se omite, mas sim promove a extinção da estimativa devida mediante a entrega de DCOMP, extinção esta que pode se tornar definitiva após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos concedido para análise da operação pela autoridade fiscal. E, neste ponto, destaco que a redação dada pela Lei nº 10.833/2003 ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 (§§ 9o a 11), permitindo a interposição de manifestação de inconformidade e recurso voluntário contra o ato de nãohomologação, conferiu ao débito compensado suspensão da exigibilidade durante o contencioso administrativo, qualquer que seja sua natureza. Frente a tais circunstâncias, editado o ato de nãohomologação, a autoridade administrativa concede ao sujeito passivo a possibilidade de, espontaneamente, quitar o débito compensado, sem discutir administrativamente a compensação. Caso a interessada optasse por atender a esta recomendação, sustentaria a utilização da estimativa no correspondente período de apuração, quer para formação de outro saldo negativo, quer para reduzir o tributo verificado no ajuste anual, e tais apurações não poderiam ser questionadas sob esta ótica. Porém, como o sujeito passivo optou por interpor manifestação de inconformidade e o posterior recurso voluntário, o débito compensado passou a estar com a exigibilidade suspensa, sendo inaplicáveis as conseqüências estabelecidas no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em face daqueles que deixam de pagar as estimativas devidas. Eventualmente poderseia questionar qual providência seria adotada se o sujeito passivo, ao restar vencido em sua pretensão, não recolhesse as estimativas indevidamente compensadas. Poderseia argumentar que estas estimativas não seriam passíveis de cobrança executiva porque a lei assim não autoriza. Todavia, como demonstrado, a lei não aborda diretamente as providências que devem ser adotadas em face de estimativa indevidamente compensada, mormente quando sua exigibilidade é restabelecida em razão da definitividade do ato de nãohomologação de Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 1101000.971 S1C1T1 Fl. 7 11 compensação. Assim, caberá à autoridade administrativa competente para agir em tais circunstâncias interpretar a lei e definir os procedimentos que serão adotados. O órgão julgador, no âmbito da análise do ato de nãohomologação da compensação, é incompetente para se manifestar, antecipadamente, sobre as controvérsias que poderão surgir a partir do momento em que os débitos aqui compensados recuperarem sua exigibilidade. Nesta fase processual, os débitos de estimativa indevidamente compensados estão com exigibilidade suspensa em razão da discussão administrativa da compensação, e à época em que as compensações foram formalizadas eles eram devidos, de modo que não há razão para cancelálos. Por tais razões, acompanhando o I. Relator nos demais aspectos de seu voto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Numero do processo: 13310.000042/2002-69
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO.
O ressarcimento autorizado pela Lei nº 9.363/96 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez
do crédito pleiteado, impõe-se o seu indeferimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.049
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pelas conclusões. Fez sustentação Ora o Dr. Sergio Silveira Melo.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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' SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13310.000042/2002-69 Recurso n° 156.957 Voluntário Acórdão n° 2101-00.049 — I' Câmara / 1* Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2009 Matéria IPI - Ressarcimento Recorrente CALÇADOS ANIGER NORDESTE LTDA. Recorrida DRJ em Belém - PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I PI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N 2 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. O ressarcimento autorizado pela Lei n2 9.363/96 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõe-se o seu indeferimento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / 1' TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurs• O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pel: 'oclusões. Fez sustentação Ora e Dr. Sérgio Silveira Melo. r— -n e e e A O MARCOS CÂNDI R O Pr; idente r— eo , 1 ei) e • Processo n° 13310.000042/2002-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.049 Fl. 906 11 Ardn Yrs: ONW• MER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao 2° trimestre de 2002, apresentado em 01/10/2002, com fundamento na Lei n2 9.363/96. O processo de industrialização da requerente desenvolve-se em estabelecimentos de terceiros, desde o beneficiamento do couro, feito por curtumes especializados, até a fabricação dos calçados, feita pela Cocalqui — Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda. Analisando a documentação contábil da empresa, o Auditor-Fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 67/96 e Informação Fiscal de fls. 300/301, constatou que não havia controle individualizado das operações de industrialização por encomenda e intimou a requerente a elaborá-los. Depois de reiteradas intimações sem que a empresa lograsse apresentar e comprovar a existência de controles apropriados, propôs o indeferimento total do pleito. A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza - CE, acatando o parecer da fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, registrando em seu despacho de fl. 302 que a motivação da decisão foi a falta de comprovação do direito aos créditos pleiteados, de acordo com a legislação pertinente. Irresignada, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1 - o Agente Fiscal, com um pouco mais de bom senso, com base nos dados que sempre estiveram à sua disposição, poderia constatar onde e para que finalidade teriam sido utilizados todos os insumos adquiridos; 2 - para comprovar o crédito presumido alegado, o Agente Fiscal deveria ter verificado se. a) as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem com direito a crédito foram adquiridas no mercado nacional; b) as aquisições mencionadas estão suportadas por documentos fiscais hábeis e idôneos, devidamente registrados nos livros contábeis e fiscais; 2 Processo n° 13310.000042/2002-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.049 Fl. 907 c) as exportações informadas foram efetivamente realizadas (Registro de Exportação — RE e SD); d) as receitas totais correspondem aos valores informados pela contribuinte em outras obrigações acessórias, como, por exemplo, na DIPJ; e) o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais foi realizado corretamente; e f) o cálculo do Crédito Presumido informado pela Contribuinte estava correto; 3 - o Auditor-Fiscal não teria levado em conta as centenas de notas fiscais de compra de matérias-primas e de demais insumos de produção colocadas à sua disposição e nem verificado as dezenas de notas fiscais de exportação, B/Ls, REs, SDs, contratos de câmbio de exportação, etc; 4 - o crédito presumido deveria ser calculado com base nas aquisições de insumos e no percentual de participação das receitas de exportação na receita total da empresa exportadora, não havendo necessidade de se saber quais teriam sido os insumos aplicados nas exportações realizadas; 5 - o valor dos insumos poderia ser calculado somando-se o estoque no inicio de um determinado período às aquisições, e diminuindo-se as saídas não aplicadas na produção e o estoque final do mesmo período; 6 - a solicitação de documentos feita pelo Auditor-Fiscal somente poderia ter sido realizada por alguém com algum distúrbio psíquico ou de má-fé. Mesmo assim, teria disponibilizado ao Auditor-Fiscal os seguintes documentos, os quais seriam mais do que suficientes para confirmar as exportações realizadas e a aquisição dos insumos utilizados na produção. livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias, livros de inventário, documentos comprobatórios da efetivação da exportação (RE, SD, BL, Contrato de Câmbio), livros diário e razão e fichas técnicas de produção; 7 - se a fiscalização tinha alguma dúvida em relação a quais insumos e suas respectivas quantidades foram utilizados na fabricação dos calçados exportados, bastaria ter multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo; e 8- os pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI requeridos antes de 2001 foram deferidos sem que a fiscalização levantasse qualquer problema. Por fim, requereu a contribuinte: (1) a realização de perícia para esclarecer os quesitos que constam das fls. 327/328; (2) a reforma da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza - CE para se deferir o pedido de ressarcimento; e j. 3 • Processo n° 13310.000042/2002-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.049 E. 908 (3) a atualizado do valor pleiteado pela taxa Selic desde a data do protocolo do processo até a data do efetivo ressarcimento. A DRJ em Belém — PA manteve inalterado o despacho decisório, indeferindo o pedido de perícia e negando o direito ao ressarcimento e às compensações, por falta de comprovação da liquidez e certeza dos créditos. No recurso voluntário, ao qual foram juntados diversos documentos, a empresa repisa e reforça os seus argumentos de defesa, reiterando a alegação de que produziu e exportou milhares de pares de calçados, fazendo jus ao crédito presumido solicitado. Reitera, também, o pedido de realização de perícia, para o fim de confirmar o seu direito ao ressarcimento, elaborando uma série de quesitos que, a seu ver, precisariam ser respondidos. Por fim, requer o deferimento integral do pedido de ressarcimento, devidamente atualizado pela taxa Selic, bem como a homologação das compensações inerentes a este processo. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. O ressarcimento do IPI é beneficio fiscal que pode ser deferido apenas para a empresa que seja contribuinte deste imposto. E contribuinte do IPI é o estabelecimento responsável pela operação industrial, mesmo que realizada em estabelecimento de terceiro, alugado, arrendado ou por qualquer outro meio cedido para a fabricação de seus produtos (PN n2 124/74). Quando a industrialização é feita em estabelecimentos de terceiros, a empresa não é contribuinte direta mas por equiparação. A operação que equipara a recorrente a estabelecimento industrial e, portanto, que a toma contribuinte do IPI, está prevista inciso IV do art. 92 do RIPI/98 e do RIPI/2002, nos seguintes termos: "Art. 9" Equiparam-se a estabelechnento industrial: 113 IV - os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matérias-primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei n° 4.502, de 1964, art. 4 0, inciso III, e Decreto-Lei ri" 34, de 1966, —51:ffart. 2", alteração 33`);" Todo contribuinte deve atentar para as normas constantes do Regulamento do IPI (Decreto n2 2.637/98 — RIPI/98 e Decreto n2 4.544/2002 — RIPI/2002), pois que, sem a sua observância, não se pode receber os incentivos fiscais relativos a este imposto, como o ressarcimento de créditos, sejam eles básicos ou presumidos. • 4 • Processo n°13310.000042/2002-69 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.049 Fl. 909 As normas de controle dos insumos, quando a industrialização é feita fora estabelecimento adquirente e exportador dos produtos fabricados por terceiros, são ainda mais rígidas do que aquelas que devem sem cumpridas pelos estabelecimentos industriais. Na industrialização por encomenda, o direito de escrituração dos créditos exige do equiparado a industrial um rigoroso controle documental das operações industriais, sem o qual não haverá direito a ressarcimento/compensação. O Auditor-Fiscal não inventa os controles contábeis que exige da empresa. Ao contrário, só exige aqueles que estão previstos nas normas pertinentes à escrituração das empresas que pretendem requerer o ressarcimento de créditos do IPI. Não tem sentido, pois, a reclamação de que houve excessivo rigor formal por parte da fiscalização, quando esta registrou a falta de coerência da escrituração contábil da empresa, no que tange à emissão de notas fiscais, ao controle de estoques e à movimentação de insumos e produtos acabados entre o seu estabelecimento e o da prestadora dos serviços de industrialização. Em se tratando de industrialização por encomenda, o controle da produção é, sem dúvida, muito mais trabalhoso para a empresa, uma vez que, aos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agrega-se a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Neste passo, as remessas de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem, recipientes, moldes, matrizes ou modelos devem ser cuidadosamente registradas e controladas na contabilidade das duas empresas, por meio da emissão dos documentos fiscais próprios, principalmente as notas fiscais de remessa. Este controle deve estender-se ao processo de fabricação, com acompanhamento efetivo da utilização dos insumos, e alcançar o retorno dos produtos industrializados, com registro em separado da devolução dos insumos/produtos. No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade física dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceu- se uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 67/96 . Entre elas, destaca-se a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e vice-versa. Se a requerente do crédito de IPI não mantém os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na fabricação dos produtos exportados, não há que se falar em direito ao ressarcimento do crédito presumido. Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meio dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. ', O que se tem é uma empresa que adquiriu insumos e exportou calçados, - 1.1registrando estas operações nos livros ntábeis próprios. Não se tem, todavia, a prova de que o s - • Processo n°13310.000042/2002-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.049 Fl. 910 processo industrial foi, de fato, desenvolvido pela Cocalqui sob encomenda da Calçados Aniger, porque não se tem nem mesmo a comprovação de que os insumos adquiridos por esta foram utilizados no processo de industrialização realizado por aquela. O bom senso das autoridades fiscais não pode ir além do que dispõe o regulamento do IPI e as demais normas que tratam da matéria. Em se tratando de incentivo fiscal, a prova não se faz por presunção mas de forma direta. E os documentos examinados pela fiscalização e aqueles juntados aos autos pela empresa não foram suficientes para demonstrar onde e para que finalidade foram utilizados os insumos adquiridos por meio das notas fiscais apresentadas. A falta desta comprovação, outrossim, não pode ser suprida pela visita do Auditor-Fiscal ao estabelecimento fabril da recorrente, que se presta para a averiguação da existência efetiva do processo industrial, constatação esta que, por si só, não garante o direito ao ressarcimento. O indeferimento do ressarcimento dos créditos, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido exportações de calçados pela Aniger. O que se concluiu foi que os controles existentes, efetuados de maneira precária e desvinculada das remessas de insumos e do retorno dos produtos acabados, não permitiu a aferição do direito ao crédito e, conseqüentemente, ao ressarcimento, porque não se comprovou a incorporação dos insumos aos produtos exportados. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, tanto de crédito presumido quanto de créditos básicos, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, mormente quando a empresa possui mais de um estabelecimento industrial, como é o caso da recorrente, que se situa em Quixeramobim — CE e possui pelo menos uma filial industrial, situada no sul do país, no município de Campo Bom - RS. Para a continuidade do deferimento dos pedidos nos anos subseqüentes não é suficiente que a empresa seja a mesma ou que não tenha havido alteração do processo produtivo. A verificação fiscal, por decisão da autoridade administrativa, pode ser realizada apenas nos livros e documentos, como no caso anterior, ou in loco, como no caso presente. Decisões em sentido contrário podem surgir, não porque os Auditores-Fiscais são distintos, mas porque os períodos são diferentes e os exames podem ser mais ou menos aprofundados. Por conseqüência, também não se pode afirmar que uma decisão está correta e a outra errada, ou vice-versa, pois ambas foram proferidas à vista das provas produzidas nos respectivos processos. Quanto à reiteração do pedido de perícia, feita no recurso voluntário, há que se registrar que não cabe ao julgador determinar a produção de novas provas, mas apenas investigar sobre a exatidão e veracidade daquelas existentes nos autos, produzidas pelas partes. Se o Fisco examinou o processo industrial das empresas envolvidas na operação industrial (Calçados Aniger e Cocalqui) e concluiu pela inexistência ou total imprestabilidade dos controles mantidos por ambas, para o fim de demonstrar a incorporação dos insumos aos produtos vendidos ou exportados, cabia à recorrente ilidir esta acusação, por meio da apresentação de documentação comprobatória de suas alegações. No entanto, enxertaram-se nos autos uma enormidade de documentos, como laudos do processo produtivo, notas fiscais de aquisição de insumos, contratos de câmbio de exportação, etc., que nada têm a ver com o motivo do não reconhecimento do direito ao ressarcimento, que foi a inexistên& de controles rígidos, que permitam a identificação da 6 de- Processo n° 13310.00004212002-69 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.049 Fl. 911 realização de industrialização por encomenda, nos moldes preconizados pelo Regulamento do I P I. Por outro lado, a documentação que acompanhou o recurso voluntário também não trouxe qualquer elemento que demonstre a existência de controles confiáveis da movimentação dos insumos e dos produtos fabricados, entre a recorrente e o estabelecimento industrializador. A realização de mais um exame na mesma documentação não seria capaz de modificar a realidade dos fatos, registrada nos autos e caracterizada, inclusive, pela falta ou atraso injustificado no atendimento das intimações expedidas pela fiscalização. A questão da necessidade de realização de perícia é prerrogativa do julgador, conforme dispõem os arts. 18 e 29 do Decreto n2 70.235/72, a seguir transcritos: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine". (Redação dada pelo art. 1" da Lei n°8.748/93). "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A regra do processo administrativo fiscal é que são conhecidos todos os documentos que instruírem a impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e tempestivamente. É da essência da relação processual (arts. 14, 15 e 16, inciso III, do Dec. n2 70.235/72, com as alterações posteriores) que as alegações estejam devidamente comprovadas Desta forma, compete ao contribuinte municiar-se das provas necessárias para refutar a acusação fiscal, não se admitindo a juntada posterior de novos documentos, salvo nas hipóteses taxativamente excepcionadas pelo § 42 do art. 16 do Dec. n2 70.235/72. Portanto, existindo nos autos elementos suficientes para a solução do litígio, e não podendo a autoridade julgadora suprir eventual falta do contribuinte, no que concerne à formação das provas de suas alegações, mantém-se o indeferimento do pedido de perícia. Por fim, registra-se que o pedido de atualização do ressarcimento pela taxa Selic restou prejudicado, em face do indeferimento do direito, na análise de mérito. Ante todo o exposto, em preliminar, indefere-se o pedido de perícia e, no mérito, nega-se provimento ao recurso. Sala ' as sõ -s, em 06 de maio de 2009. V 7 Page 1 _0076900.PDF Page 1 _0077000.PDF Page 1 _0077100.PDF Page 1 _0077200.PDF Page 1 _0077300.PDF Page 1 _0077400.PDF Page 1
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