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Numero do processo: 10865.001352/2008-21
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 20/05/2003 DECADÊNCIA. APURAÇÃO DE SALDO CREDOR, APÓS COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS. Para o IPI, considera-se pagamento a compensação dos débitos, no período de apuração do imposto, com os créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, aplicando-se à hipótese o prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Não se incluem em tal conceito, entretanto, os créditos que não sejam de titularidade do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Fez declaração de voto o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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APURAÇÃO DE SALDO CREDOR, APÓS COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS. Para o IPI, considerase pagamento a compensação dos débitos, no período de apuração do imposto, com os créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, aplicandose à hipótese o prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Não se incluem em tal conceito, entretanto, os créditos que não sejam de titularidade do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Fez declaração de voto o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10865.001352/200821 Acórdão n.º 330201.553 S3C3T2 Fl. 170 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 134 a 152 (eProcesso)) apresentado em 30 de setembro de 2011 contra o Acórdão no 1527.951, de 10 de agosto de 2011, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 111 a 122), cientificado em 01 de setembro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro a dezembro de 2003, considerou improcedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao IPI que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos não admitidos pela legislação tem sua base legal no art. 173, inciso I, do CTN. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Somente fazem jus ao crédito presumido de IPI, como ressarcimento do PIS e da Cofins, as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais exportadas diretamente ou por intermédio de comerciais exportadoras. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. ILEGITIMIDADE ATIVA. No caso de produtos fabricados por estabelecimentos cooperados que vierem a ser exportados pela sociedade cooperativa, eventual crédito pertence ao estabelecimento produtor. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI INDEVIDO. LANÇAMENTO DO IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. A concessão e o aproveitamento de qualquer benefício ou incentivo fiscal estão subordinados ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação de regência. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10865.001352/200821 Acórdão n.º 330201.553 S3C3T2 Fl. 171 3 É lícito ao Fisco proceder à glosa do crédito presumido do IPI irregularmente apropriado pela sociedade cooperativa, e, verificado o aproveitamento dos créditos presumidos indevidamente apurados, mediante recebimento de créditos por transferência, cabe o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago em razão da redução indevida do tributo a recolher. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 20 de maio de 2008 e, de acordo com o termo de fl. 4, a Interessada não teria direito ao crédito presumido escriturado, por não ser produtora e exportadora dos produtos fabricados pelos cooperados. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Auto de Infração (fls. 03/06) e Demonstrativos (fls.13/16), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$1.359.230,10, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$3.345.892,23. Na descrição dos fatos constante do auto de infração de fl.04, a fiscalização descreve no item 001 que o estabelecimento matriz da Coopersucar apurou indevidamente o crédito presumido para fins de ressarcimento das Contribuições para o PIS e COFINS, incidentes sobre os insumos aplicados em produtos exportados, em virtude de não ser produtora das mercadorias exportadas, logo não estaria abrangida pelo favor fiscal, nos moldes da Lei nº 9.363, de 1996. Ocorre que o 2º Conselho de Contribuintes através do Recurso Voluntário n°113.432, Acórdão n° 20176595 relativo ao processo administrativo n° 13807.000960/9940 cancelou o auto de infração lançado pela DEFIC/São Paulo. Embora o crédito fosse indevido não houve utilização pela matriz. E, assim decidiram que a transferência de créditos sem a efetiva utilização não poderia ser imputada ao estabelecimento matriz, portanto, a autuação deveria ser dirigida ao estabelecimento que utilizou o crédito, deixando de recolher os tributos. Iniciados os procedimentos de auditoria, através dos quais a fiscalização constatou o recebimento, a escrituração e a utilização dos créditos indevidos, via compensação no Livro de Apuração do IPI da filial ora fiscalizada, acarretando o não recolhimento do IPI no exato valor dos créditos transferidos e períodos abaixo indicados, foi efetuado o lançamento. Aos autos foi anexada a cópia do Acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes no processo nº13808.001070/90936, lavrado contra a filial, no qual foi apreciada matéria semelhante negando provimento ao recurso da Copersucar (fl.61/65). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10865.001352/200821 Acórdão n.º 330201.553 S3C3T2 Fl. 172 4 O enquadramento legal prevê infração aos artigos: Arts. 34, inciso II, 122, 127, 130, 179, 181, 182, 183, 184, 185, 186, 187, 188, 189, 199 e parágrafo único, 200 , inciso IV e 202, inciso III, do Decreto n°4.544/02 (RIPI/02). A contribuinte foi cientificada do lançamento em 20/05/2008 (fl. 03) e apresenta em 17/06/2008, a impugnação de folhas 80/91, sendo essas as suas razões de defesa: Decadência. O auto de infração foi lavrado em 20/05/2008, estando, portanto, fulminado pela decadência o período que vai do 1° decêndio de janeiro ao 2º decêndio de maio de 2003, quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente à data de 20/05/2003, na conformidade do art. 150, §4° do CTN; o fundamento único da presente exigência fiscal consiste no entendimento da fiscalização de que a cooperativa não tem direito ao crédito presumido do IPI por não ser produtora do açúcar que exporta, contudo irá demonstrar que os créditos presumidos transferidos às filiais não são indevidos, havendo que se admitir sua utilização; o auto de infração foi lavrado sob a alegação da existência, nos livros fiscais da cooperativa, de débitos do IPI não recolhidos, mas os débitos do IPI objetos da autuação tinham sido extintos por compensação com créditos presumidos do IPI. A compensação não foi aceita sob alegação de que os créditos presumidos eram indevidos, com capitulação equivocada; os débitos do IPI extintos por compensação eram oriundos de vendas de açúcar no mercado interno. Os créditos presumidos utilizados na compensação com os débitos do IPI eram decorrentes de exportações de açúcar. Tanto as vendas no mercado interno, como as exportações, foram vendas e exportações dos próprios produtores, realizadas por intermédio da cooperativa. Os créditos presumidos do IPI foram considerados indevidos sob a alegação de que a cooperativa não é produtora do açúcar que exporta; As vendas efetuadas pela cooperativa são vendas dos cooperados. No sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, como se depreende do art. 83 da Lei n° 5.764, de 1971, dispensada inclusive as procurações e formalidades, exceto o processo de filiação dos cooperados; transcreve jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes, com o entendimento de que o cooperado que vende seus produtos por intermédio de cooperativa de vendas, reveste em si próprio a dupla condição de produtor e de vendedor, ou de produtor e exportador, nos Acórdãos 201 75.187 e 20213.259, cujo trecho transcreve; a Lei 9.430/96, art. 66, ao eleger a cooperativa centralizadora das vendas em comum como ""responsável"" pelo pagamento Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10865.001352/200821 Acórdão n.º 330201.553 S3C3T2 Fl. 173 5 das contribuições do PIS e da COFINS, em consonância com o art. 121 do CTN, consagra o entendimento de que a cooperativa não tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, elegendo a condição de contribuinte, ao cooperado, somente quando decorrer do fato de que é ele quem realiza a venda (ou seja, mantém a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da obrigação), conforme item 4.1 do Parecer Normativo CST 77/76, dentre outros, o item 16 da Decisão de Consulta 190/2002 (colhido do item 17 da Nota Cosit 234/2003), que transcreve; a própria SRF mediante a Nota COSIT n° 234, de 01/08/2003, reconhece, expressamente, que, nas vendas efetuadas por intermédio de cooperativa de vendas em comum, o produtor cooperado é o próprio vendedor (no caso, exportador). Vejase, dentre outros, o item 15 da referida nota: ""15. No momento em que a cooperativa exporta a produção de determinado cooperado, é correto o entendimento de que ficam preenchidos os requisitos para a fruição do crédito presumido do IPI, vale dizer, houve industrialização e exportação. Entendemos ser razoável o argumento trazido pela Copersucar de que a exportação é realizada, na verdade, pelo cooperado. O que há de particular é que o cooperado o faz por intermédio da cooperativa centralizadora de vendas. Assim, faz jus o cooperado ao crédito presumido de IPI. (g.n.)""; com efeito, a própria Secretaria da Receita Federal reconheceu o direito do produtor cooperado ao crédito presumido do IPI, no item 18 da Nota Cosit 234, de 2003: “18. Então, chegase à conclusão de que faz jus o Cooperado ao crédito presumido de IPI quando a Cooperativa centralizadora de vendas exportar produção por ele entregue. ” resta o entendimento de que, nas operações intermediadas pela cooperativa, o verdadeiro exportador é o próprio produtor (cooperado); removido o equivocado pressuposto em que se funda o auto de infração, de que a cooperativa teria feito, por conta própria, as exportações que deram origem aos créditos presumidos do IPI, há que se reconhecer referidos créditos como absolutamente legítimos; protesta pela apresentação de razões aditivas, caso necessário, com base no princípio da verdade material, e requer, respeitosamente, o acolhimento da preliminar de decadência, e que os Eméritos Julgadores acolham integralmente de sua defesa e, em conseqüência, o cancelamento do Auto de Infração. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº2.977, de 21 de junho de 2011, o processo foi transferido em 22/06/2006, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.110. No recurso, a Interessada repetiu as alegações quanto à decadência, à natureza jurídica das cooperativas e às demais alegações da impugnação. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10865.001352/200821 Acórdão n.º 330201.553 S3C3T2 Fl. 174 6 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à decadência, a Primeira Instância sustentou que, por não se tratar de crédito admitido pelo Regulamento do IPI, o prazo de lançamento seria o do art. 173, I, do CTN, tendo em conta o disposto no art. 124, III, do RIPI/2002. Conforme os dispositivos citados, havendo pagamento antecipado, o termo inicial do prazo de decadência é o dia do fato gerador, que no caso do IPI é o último dia do período de apuração do imposto. Ademais, considerase pagamento o recolhimento do saldo devedor apurado no respectivo período de apuração ou a compensação dos débitos do imposto com os créditos, sem resultar saldo a recolher, nos casos de créditos admitidos pelo Regulamento. Os créditos admitidos pelo Regulamento são os especificados a partir do art. 164 (Ripi/2002), dentre eles o crédito presumido de IPI. Devese entender por “créditos admitidos” aquelas espécies de créditos previstas no Regulamento e não os créditos apurados nos termos do entendimento do fisco. Vale dizer, quando o Regulamento fala em “créditos admitidos” referese às espécies de créditos admitidos em tese para compensação escritural e não especificamente nos valores apurados. No caso dos autos, entretanto, tratase de crédito não admitido pelo regulamento, uma vez que, como se verá mais adiante, os créditos escriturados não eram de titularidade da Interessada. Mantémse, portanto, o entendimento da Primeira Instância. Quanto ao mérito, a matéria discutida no recurso já foi objeto de julgamento anterior pela antiga 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes. No Acórdão nº 20180.501, o voto condutor foi assim fundamentado: No tocante ao crédito presumido, há que se afastarem as alegações preliminares da recorrente de que a fundamentação do auto de infração teria restado superada e que o Acórdão de primeira instância teria inovado. Segundo o auto de infração, a interessada não teria direito ao crédito presumido, em face de não se tratar de produtor, uma vez que o produtor é o associado. Considerou, ademais, que o produtor não seria exportador, razão pela qual o produtor também não teria direito ao crédito presumido. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10865.001352/200821 Acórdão n.º 330201.553 S3C3T2 Fl. 175 7 Entretanto, as argumentações quanto à inexistência do direito para o produtor não se aplicam ao presente caso, uma vez que não foi o produtor que escriturou o crédito. Já o Acórdão de primeira instância não reconheceu que o direito fosse da interessada, da mesma forma que a Nota Cosit no 234. Uma vez que o crédito foi escriturado pela interessada, em sua escrituração, e que foi transferido de sua matriz, a questão resumese à legitimidade. Nesse contexto, pouco importa que a transferência dos produtos para a cooperativa não represente venda, uma vez que se trata de saber se a escrituração dos créditos pela cooperativa é ou não regular. Afirma a recorrente que nunca pretendeu que o direito fosse seu, que seria mera mandatária dos associados e que a cooperativa seria extensão do estabelecimento produtor. Em relação a essa questão, adoto os fundamentos exarados no voto do eminente Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão no 20177.710: “No entanto, ouso divergir quanto às razões de mérito lançadas em seu voto. Conforme se pode constatar no item 4 do termo de verificação de fl. 02, a Fiscalização glosou o aproveitamento do crédito presumido efetuado pela cooperativa na contabilidade da cooperativa. O próprio relator Sérgio Gomes Velloso, ao analisar a preliminar de nulidade por duplicidade do lançamento, deixou bem claro que no caso concreto o aproveitamento do crédito presumido e a respectiva glosa ocorreram na contabilidade da cooperativa e não nos livros do estabelecimento do cooperado. Com esta conduta a cooperativa agiu como mandatária do cooperado na realização das vendas, mas agiu como senhora e ‘dona’ do crédito presumido que pertencia ao cooperado, quando dele se apropriou ao escriturálo nos seus livros e ao transferilo para suas filiais. Portanto, não posso concordar com as razões de mérito do seu voto, já que elas contrariam o disposto na Lei nº 9.363/96, que estabelece que o direito ao crédito presumido é do produtor vendedor e não de terceiros, que apenas se limitaram a comercializar a produção, como se deu no caso da Copersucar. A presente questão foi objeto de consulta formulada pela Copersucar à Administração Tributária, que culminou na Nota Cosit nº 234, de 1º de agosto de 2003. ‘No item 19.2 daquela nota, ficou estipulado que, mediante o recebimento de informações da cooperativa, cabe ao cooperado: a) calcular e apurar o crédito presumido e escriturálo em seu Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10865.001352/200821 Acórdão n.º 330201.553 S3C3T2 Fl. 176 8 livro modelo 8; b) se parte da produção tiver sido vendida pela cooperativa no mercado interno, parte do crédito presumido que for apurado pelo cooperado poderá ser usado para abater o IPI devido pela cooperativa na condição de substituta tributária e somente em relação aos débitos gerados pela produção daquele cooperado; c) remanescendo saldo credor na escrita fiscal do cooperado, após a dedução do IPI devido pela cooperativa, na condição de substituta tributária, poderá haver transferência de crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica do cooperado.’ No parágrafo 21.4 da mesma Nota ficou consignado expressamente que não cabe à cooperativa centralizadora de vendas da apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados. E no parágrafo 21.5 consta que cabe aos cooperados o cumprimento de todos os deveres instrumentais ao benefício, como a apresentação do DCP. Considerando que os documentos de folhas 04/30 comprovam que no caso concreto o procedimento da cooperativa foi exatamente o contrário do que foi estabelecido na Nota Cosit nº 234/2003, pois demonstram inequivocamente que a cooperativa apurou, calculou e escriturou em seus livros o crédito presumido que era dos cooperados, invoco o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, para aplicar a fundamentação da Nota Cosit nº 234/2003 e negar provimento ao recurso.” Observo, ainda, que o procedimento adotado pela interessada foi o de tratar o crédito como seu. A matriz apurou e escriturou o crédito, para compensálo escrituralmente, e transferiu parte do crédito para a filial. Não se trata de procedimento de associado, mas de procedimento da cooperativa. Vejase que não encontra respaldo legal a afirmação da interessada de que teria mandato “legal” para agir em nome dos associados. Primeiramente, porque o chamado “mandato legal” restringese aos atos para os quais a cooperativa foi criada, os chamados atos cooperativos. Tratase de ato regulado pelo direito privado e restrito, no caso de pessoas jurídicas, ao próprio objeto social dos associados. A obrigação tributária, por sua vez, não pode sofrer alterações, relativamente aos sujeitos passivos, sem expressa e específica previsão legal, ao teor da disposição do art. 123 do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966). Por essa razão é que se previu o modelo de adesão, no caso de substituição tributária, que, no entanto, não abrange o direito ao crédito presumido de IPI. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10865.001352/200821 Acórdão n.º 330201.553 S3C3T2 Fl. 177 9 A alegação da interessada, a respeito da conclusão, na Nota Cosit nº 234, de que “o fato de se tratar de cooperativa centralizadora de vendas não necessariamente permitiria a apuração do crédito presumido e o repasse aos cooperados”, daria azo a interpretação diversa é falaciosa, uma vez que a conclusão é de que, do fato de se tratar de cooperativa centralizadora de vendas, não decorre a permissão para apuração e transferência dos créditos. Não se justificam os atos praticados pela interessada em face da alegada ausência de anterior orientação da Cosit, uma vez que o argumento de que teria “mandato legal” é claramente improcedente. Na ausência de disposição específica em lei tributária, não poderia concluir a interessada que seu direito derivaria de interpretação de disposição específica de direito privado. Ademais, a apuração centralizada prevista em lei diz respeito a estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica produtora e exportadora. No caso das cooperativas, isso não ocorre, pois os produtores e exportadores são os associados, o que impede vislumbrarse hipótese de centralização. Portanto, a apuração e transferência do crédito presumido, da forma como realizada, foi irregular, devendo ser mantida a glosa. Isto posto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto O recurso voluntário é tempestivo, e preenche os requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria controversa envolve a utilização de crédito presumido de IPI por parte de cooperativa de produtores de cana, açúcar e álcool, compensação considerada indevida pela Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10865.001352/200821 Acórdão n.º 330201.553 S3C3T2 Fl. 178 10 O crédito presumido de IPI foi criado pela MP nº 1.484/96, posteriormente convertida a Lei nº 9.363/96, com o objetivo de aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional através da desoneração das exportações (dentro do entendimento de que não se exporta tributos). Assim, foi instituído este benefício fiscal aos exportadores, calculado a partir das aquisições de insumos destinados à fabricação dos produtos a serem enviados ao exterior. Tal matéria encontrase disciplinada no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13/12/96, transcrito a seguir: “A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs. 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” Conforme o “Contrato regulamentar da execução de disposições estatutárias de assunção de outras obrigações” apresentada pela contribuinte podemos verificar que as mercadorias produzidas pelas cooperadas serão encaminhada à COPERSUCAR para posterior comercialização dessas a terceiros e rateio proporcional do resultado das vendas entre os cooperados. A cooperativa, portanto, comercializa os produtos acabados em nome e benefício dos cooperados, indo ao encontro, inclusive, do que determina o art. 83 da lei nº 5.764/71, que dispõe: “A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo.” O conceito de empresa produtora e exportadora, para efeito da concessão do crédito presumido, inclui as empresas que possuem estabelecimentos equiparados a industrial, e promovem industrialização por encomenda. O art. 11, II do Regulamento do IPI determina que “equiparamse a estabelecimento industrial, por opção as cooperativas, constituídas nos termos da Lei nº 5.764/71, que se dedicarem a venda em comum de bens de produção, recebidos de seus associados para comercialização.” Mesmo que a cooperativa não fosse uma mera intermediária entre os cooperados e possíveis terceiros adquirentes das mercadorias, essa pode ser equiparada ao estabelecimento produtor, conforme demonstra o Regulamento do IPI. Desta forma, aquele que exporta, também é o que produz e mantém direito ao benefício fiscal do crédito presumido de IPI. Ante o exposto, mantenho meu voto de outra ocasião, para o mesmo contribuinte, vencido, proferido no Ac. 20180.258, e no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10865.001352/200821 Acórdão n.º 330201.553 S3C3T2 Fl. 179 11 (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Processo n9 0845/64.419/78 . , _,,,C).\--;a• ,... - MINISTÉRIO DA FAZENDA . _ITS. , Sessão de J7 dezembro de 19 79 AbORDÃONc-CSRF/03-0.118 Recurson° - RP/301-0.033 Recorrente - FAZENDA NACIONAL • Recorrido - 2a. CÂMARA DO 39 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CAV. DO BRASIL LTDA. . BICO INJETOR, CORPO DE PORTA INJETOR, INJETOR DE BOMBA INJETORA PARA MOTOR DIESEL. Classificam-se na subposição 84.10.90.00 da TAB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos_ de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: . ACORDAM os Membros da Cãmara Superior de Recursos . Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso eSpecial. Vencido o Conselheiro Paulo de Almeida. Sala das Se 6s to )., em 17 de dezembro de 1979 i qr AMADOR OUTP -kr /0 -4 É,R4) DEZ i PRESIDENTE - ---(410( --7-6 k..) , , /7, HINDEMBURGO r.• r. I EIX 0. RELATOR il ' I' /I ,/ifyii I / ‘ill ADHEM",SON BASTO DE ARVALHO PROCURADOR DA FAZEN- //// DA NACIONAL ‘il . Participaram, ainda, do presente julgame4o, os seguintes Conselhei - ros: ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, RANDOL- FO HENRIQUE DE SOUZA NETO, EDWALDO REIS DA SILVA, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. .._ . . _ . sa-RvIço PÚBLICO FEDERAL PROCESSO wq0845/64.419/78 RECURSO N.°, -RP/301-0.033 Acc~ NI.°, ... CSRF/03.0.118 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CAV. DO BRASIL LTDA RELATÓRIO O Recurso do Procurador da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes visa à_ re— forma de acórdão em que a maioria daquela Câmara estabeleceu o entendimento de que a bomba injetora para motores diesel e suas partes e componentes se enquadram no código 84.10.90.00 da TAB. No recurso, sustenta-se, em resumo, "que a questão reduz-se a mera aplicação normativa", devendo prevalecer o enqua dramento estabelecido pela decisão de primeira instância, enquan to perdurar o entendimento do órgão específico, isto e, enquanto não for modificado o Parecer CST n9 1.481, "sob pena de dar-se prevalencia a manifestaçOes estranhas ao procedimento, o que e defeso". Contra-arrazoando, a interessada pede a manutenção do acórdão sub judice, como "profundamente enraizado na lei apli câvel à espécie". Sustenta que o parecer da CST, em que se baseia a Procuradoria, não e um parecer normativo, não lhe sendo atri buida força normativa por lei alguma. Quanto ao mérito, sustenta que a TAB possui classi_ ficação especifica para a bomba injetora e para o motor de com_ bustão interna. As partes e peças separadas, constantes da posi _ ---t /// D M F - RJ/3.° C - C . Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n90845/64.419/78 3. Acórdão n9-CSRF/03-0.118 ção 84.10.90.00, se referem ás partes e peças separadas da bomba injetora. Não poderia ser adotada a posição 84.06.91.99, como pre tende a Fiscalização, "já que a "Qualquer outra", constante dessa posição, se refere a qualquer outra parte ou peça do motor, não da bomba injetora. Alem do mais a regra 3 da NBM e bastante cia ra, vindo também a la.Cãmara decidindo no mesmo sentido, conforme acórdãos que cita r É o e-l7//2à6rio. ,. - SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N90845/64.419/78 4. Acórdão n9 CSRF/03- 0.118 VOTO Conselheiro HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, Relator: O Recorrente sustenta o ponto de vista de que acias__. sifieação adotada pelo Fisco não pode ser modificada pois consta de parecer CST sobre o assunto. Não nos parece, entreLanto, 5rremovIvel esta razão, principalmente quando, COMO no caso, se trata, não de uma instru- ção ou parecer normativo, mas sim de um parecer subscrito por um funcionaff-io e aprovado pelo chefe imediato. Além do mais, tal parecer se refere a partes de mo- tores diesel. A interessada não discute, sob este aspecto, a sua correção. Alega, por outro lado, que se trata de partes de bombas. Este é principalmente o ponto central da eontrovér - sia: saber se o produto objeto da autuação pertence ao motor ou se é parte especifica da bomba injetora. O laudo do Departamento de Motores do Centro Técnico Aeroespacial, órgão de indiscutível auto ridade, não permite dúvida, em face de seus termos. A interessada demonstrou que o acórdão sob exame a- plicou corretamente a lei. A bomba injetora e suas partes eomponen- tes estão enquadradas no código 84.10.90.00, como determina a Nota XVI-2 letra "b", ã Seção XVI da TAB. Em face do exposto e em conclusão, nego provimento ao recurso. Brasilia, DF J , em 17 de dezembro de 197 Áé fadHINDEMBURGO DOE TEIXEIRA - RELATOR - -- Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Para efeito de cálculo do tributo e adotada como data de apuração da falta de mer- doría na descarga do veículo transpor- tador, a do lançamento do respectivo credito tributário (art. 107 e parágra fo único do Regulamento Aduaneiro). — A denúncia da infração pelo contribuin te, antes do inicio da Conferencia nal de Manifesto - procedimento fiscal praprio para apuração de falta de mer- cadoria - exime o sujeito passivo da multa correspondente (art. 138 e pará- grafo único do CTN). Recurso especial provido, em parte, pa ra restabelecer o cálculo do imposto co mo processado em 1Q- instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- cursos interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, dar provimento, em parte, ao recurso es pecial, para: (a) considerar ocorrido o fato gerador na data do lan çamento. Vencidos os Cons. Afonso Celso de Mattos Lourenço, Paulo César de Ávila e Silva e Sebastião Rodrigues Cabral; (b) excluir a multa da denúncia espontânea, nos termos do relatório e voto quppas sam a integrar o presente julgado. Vencido o Cons. Helio Loyolla de Alencastro. \.\\' Sala das Ses-,8es (DF), 21 de setembro de 1987, URGEL:PEREIRA OP - PRESIDENTE ( FiiM)ILTON 1 A 'ATAS RELATOR/J/ 7 "1' / MARC0 A 7• IO MENEGHETTI - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda. do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: JOSÉ FAÇANHA MAMEDE e EDWALDO REIS DA SILVA. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSON9 10711/002.448/85-02 RECURSO N9: RP/302-0.346 ACÓRDÃON9: CSRF/03-01.471 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: AGENCIA MARÍTIMA LAURITS LACHMANN S/A RELATÕRIO O recurso especial da Fazenda Nacional de fls. 127/ /128, rebela-se contra a decisão da egrêgia Segunda Câmara do Ter- ceiro Conselho de Contribuintes que julgou procedente o recurso do sujeito passivo, conforme a seguinte ementa: "FALTA DE MERCADORIA apurada em Conferência Final de Manifesto. Comprovada a falta, caracteriza-se a responsabilidade do transportador, nos termos dos artigos 19, parágrafo único, e 69,parágrafo único, do Decreto-lei n9 37/66. Excluída a multa por denún cia espontânea da infração (art. 138 do C.T.N.)." - As razões recursais da Procuradoria da Fazenda Na- cional insurgem-se, substancialmente, contra a decisão em tela, com base no art. 23 e respectivo parágrafo único, do D.L. n9 37/66, que - considera ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, no seu aspecto temporal, na data do registro da declaração de importação na repartição aduaneira, "quando a mercadoria é despachada para- consumo e na data em que a autoridade aduaneira apurar a falta da mercadoria, que constar como importada, ou dela tomar conhecimen- to." Acrescenta, a seguir, que "Regulamentando esta matéria os ar- //9 !k DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10711/002.448/85-02 2. Acórdão n9-CSRF/03-01.471 tigos 87, II, c, 103 e 107 do Decreto n9 91.030/85 dispõem que, quan_ do se tratar de falta de mercadoria constante de manifesto, conside- ra-se apurada a falta e ocorrido o fato gerador na data do respecti- vo lançamento, utilizando-se a taxa de câmbio vigente nesta mesma da_ ta." A decisão atacada, por seu turno, considerou como data-base para a caracterização do fato impositivo a da entrada do navio em território nacional, portanto entendeu-o ocorrido sob o as- pecto espacial e não temporal! ._ Prosseguindo em seu arrazoado, sustenta, o digno representante da Fazenda Pública, que, igualmente, não pode prosperar o outro aspecto da decisão recorrida, eis que desconsiderou, ao deci dir a exclusão da multa objeto da autuação, a visita aduaneira feita no navio, quando deu início ao procedimento fiscal. 1 Em suas contra-razões de fls. 133/137,o contribuin_ te rebate a possibilidade de vincar os argumentos recursais, pois fe - ia, a denúncia, com base no art. 138 do C.T.N., norma hierarquicamen_ te superiárJ ao regulamento aduaneiro. Disse, mais, que o procedimen to fiscal está bem definido no art. 79 do Decreto n9 70.235/72, "ne- las não se enquadrando a "visita aduaneira"." Advoga, assim, a configuração dos pressupostos fãc_ ticos ã incidência daquele comando legal, excluindo-a de qualquer res ._ ponsabilidade tributãria quanto '- ã multa arbitrada. ' Quanto ao outro item; que embasou a decisão recor- L rida para considerar o dólar fiscal, na data da entrada do navio no território nacional, sustenta, outrossim, que o Regulamento Aduanei- ro (arts. 103 e 107) não pode ser seguidõ , pois conflita com a legislação hierarquicamente superior (arts. 19, 143, 144-do C.T.N., e, ainda, arts. 19 e 24, do Decreto-lei n9 37/66). , /f , \', SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10711/002.448/85-02 3. Acórdão n9-CSRF/03-01.471 Pede, ao final, caso não prevaleça a tese de que a taxa incidente seja a da entrada do navio, que, pelo menos, conside- re-se a da data da denúncia espontânea, tese, anãs, abraçada pelo Conselheiro Edwaido Reis da Silva e pela Câmara Superior de Recusos Fis- cais. É o relatório. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10711/002.448/85-02 4. Acórdão n9-CSRF/03-01.471 VOTO Conselheiro HAMILTON DE SÃ DANTAS, relator. A matéria, quanto à denúncia espontânea, já foi objeto de inúmeros julgados desta Câmara Superior de Recursos Fis- cais. Fixo-me, portanto, na posição que já venho sustentando noutras assentadas, qual seja, a da exclusão da multa desde que a denúnciam_ terialize-se. Confirmo, assim, nesse particular, a decisão atacada, excluindo a penalidade. Quanto à taxa de câmbio a incidir, igualmente, in- clino-me, por mais consentânea e lógica, de acordo com o que vem en- tendendo a maioria do Colegiado,ou seja com a data em que a autoridade fazendária toma conhecimento da falta ocorrida, isto é, na sua apura_ ção temporal, conforme sustentado pelo Procurador da Fazenda Nacio- nal. Com as presentes considerações, tomo conhecimento do recurso especial para, em parte, dar-lhe provimento com vista a considerar a data da apuração da falta, a do aspecto temporal a que se refere, como a que deva servir de balise para o estabelecimento da taxa de câmbio devida, ou seja, a data de lançamento do crédito tri- butário. ,/47 , Brasília D.F. l 21 de setembro de 1987., // , H Á LTON DE SÃ DANTAS- e - ATOR. , 1 T Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10845.002886/86-82
Data da sessão: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 1987
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: O percentual de perda na descarga de granel líquido, fixado pela Instrução Normativa SRF 95/84 prevalece sobre- critérios
anteriormente aceitáveis para o mesmo fim, baseados em simples parecer de órgão técnico. Aplicação do disposto no art.. 100 inciso I, do CTN.
Recurso especial de divergência desprovido.
Numero da decisão: CSRF/03-01.436
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Cons. Afonso Celso de Mattos Lourenço e Paulo César de Ávila e Silva.
Nome do relator: Jose Façanha Mamede
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CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL O percentual de perda na descarga de gra nel líquido, fixado pela Instrução Nor- mativa SRF 95/84 prevalece sobre- crité- rios anteriormente aceitãveis para ornes mo fim, baseados em simples parecer (1-"J õrgão técnico. Aplicação do disposto no art.. 100 inciso I, do CTN. Recurso espe cial de divergência desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presente autos de re• curso interposto por:. AGÊNCIA MARÍTIMA GRANEL LTDA. • ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial, nos termos dorelatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Cons. Afonso Celso de Mattos Lourenço e Paulo César de Á- • vila e Silva. Sala das Sessões (DF), 26 de junho de 1987. UR,G L PER LOPDS — PRESIDENTE )1, 15, r Á tiE,j - RELATOR • LUIZ FERNANDO wIJI-EI* , DE MORAES- PROCURADOR DA FAZEN- DA NACIONAL • • Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: HÉLIO LOYOLLA DE ALENCASTRO, HAMILTON DE Sfs, DANTAS, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. • - - - -2- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N 2 10845/002.886/86-82 RECURSO N2:-RD/301-0.059 , - ACORDA0 Ng:-CSRF/03-01.436 RECORRENTE: AGÊNCIA MARÍTIMA GRANEL LTDA RECORRIDA : PRIMEIRA CAMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: .-EAZENDA NACIONAL - RELATORIO Recorre a Epigrafada contra decisao da 10 Camara do Egregio Terceiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada no acordao n g 301-25.500 (fls. 155/157), lido EM sessao E assim E- mentado: "Falta de mercadoria a granel apurada EM conferencia final de manifesto, considerado o certificado de ulagem. Agncia marítima responsavel pelo imposto devido, como con- - signataria do navio. No demonstrada a ine- , vitabilidade da perda. Isenc -a' o tributaria - no beneficia o transportador que deu causa ao Extravio dos bens. Recurso parcialmente provido. O provimento parcial foi no sentido de determinar no vo calculo do tributo a ser procedido sobre o quantitativo real da falta apurada, apontado no certificado de ulagem apresentado pela recorrente, , excluidos os 0,5% de quebra natural previstos na IN 95/84, visto tratar-se de granel líquido. A recorrente aponta divErgncia entre Esta decisZo E as proferidas nos acOrdZos (copias nos autos) das outras Càma- ras do mesmo Conselho que admitiram um percentual maior de que- , bra para os graneis liquidas, com base EM laudo do INT sobre a mataria. O Procurador da Fazenda Nacional junto 'a Cmara re- corrida teve ciEncia do recurso, conforme SE kA' 'as fls. 196. o relatOrio.,/) C- -3—, SERVICO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N P 10845/002.886/86-82 , ACORDAO NP:—CSRF/03-01.436 VOTO --- Conselheiro JOS E FAÇANHA MAMEDE, relator. A materia tem Estreita similitude com a dEscutida no RE curso RD/301-0.051, do MESMO contribuinte, julgado nesta Camara Supe rior em 29 de maio de 1987, do qual fui relatar E no qual proferi o seguinte voto, acolhido pela maioria dos membros do colEgiado, para , o Acordao CSRF/03-0.407: "A autuaçao baseou — se no laudo de arquea — — çao de fls. 5/6 que acusou falta da ordem de 0,797% do total importado de sebo bovino. , — Os Acordos nPs 29.246 (fls. 172) E 73.417 (fls. 146), das EgrEgias 2 g E 3 g Camaras, respEctivamEn te, admitem um percentual de atE 5% de quebra apurada EM processo de arqueaçao. Assim, entendo configurada a divErgEncia a pontada. No merito, dispoe o CTN, no -seu artigo 100 que: "Art. 100 — Sao normas complementares das — leis, dos tratados E das convençoes inter - nacionais E dos decretos: I — os atos normativos Expedidos pelas au - toridades administrativas; Ora, a decisao recorrida esta Embasada na j Instruçao Normativa SRF 95/84, a qual estabel ece, no SEU inciso 2, que: "2. No sara exvel do transportador o (//7) k -4- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N o 10845/0.02.886/86-82 ACORDO NP:-CSRF/03-01.436 ..,, pagamento de tributos EM razao de falta ) de mercadoria importada a granel, que se comporte dentro dos seguintes percentuais: a) 0,5% (máio por cento), no caso de gra- nel llquido ou gasoso; b) 1% (um por cento), no caso de granel , solido." .0 recorrente trouxe 'à colaço acárdos proferidos por Este Conselho, pelos quais foi admitido um percentual maior de quebra nos casos de mercadoria - liquida, a granel. Essas decisoes tinham por base pare _ , cer do INT considerando aceitaveis percentuais superio — res aos fixados na citada Instruço Normativa. Obser- va-se que todas. essa decisoes sao anteriores a publi- - caçao da referida Instruçao Normativa SRF 95/84. A epo _ _ ca, pois, tais decisoes no mereciam repto, pois no havia criterio fixado pela autoridade fiscal para a - , - - Exclusao das quebras. Apos a publicaçao da Instruo Normativa SRF 95/84, aqueles crit jrios perderam efic- cia, pois esta norma administrativa estabeleceu crit j -rios diferentes para a conceituaço desses percentuais --) de perda ou quebra. Face ao Exposto, entendendo prevalecer a disposiç -a"o contida no inciso 2 da Instruç;o Normativa 95/84, acima transcrito, nego provimento ao recurso es pécial." Isto posto, Embora reconhecendo a divergncia apontada pelo sujeito passivo, nego provimento ao recurso especial interpos- to. /n) / / Bra.s.,1ta,D.,F. 26 de junho de 1987.., / . 0 .Áf Á ÇANHA MAMEDE - LA *R 4 / /// r Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10108.000537/2003-86
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
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Numero da decisão: 3201-001.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 10 8. 00 05 37 /2 00 3- 86 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado o autos de infração do Imposto de Importação, fls. 01/06, no valor total de R$ 70.648,37, incluídos encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 02, o lançamento decorreu da infração indicada a seguir. 01 – Declaração Inexata do Valor da Mercadoria (Valor de Transação Incorreto) De acordo com o Relatório de Auditoria do Valor Aduaneiro, fls. 08/19, a presente ação fiscal originouse da seleção da DI nº 03/02394740 para o canal cinza de conferência aduaneira. Foi desenvolvida no sentido de verificar a conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador, com as regras estabelecidas pelo Acordo de Valoração Aduaneira. Posteriormente, no decorrer dos trabalhos, a fiscalização foi estendida à DI nº 03/00285340. Dessa forma, a DI nº 03/02394740 foi submetida a exame preliminar de valor na unidade de despacho, foi formalizado o processo administrativo nº 10108.000110/200388 (apenso a este) e enviado a esta Seção de Fiscalização Aduaneira para a realização do exame conclusivo. Por outro lado, a DI nº 03/00285340, por ter sido parametrizada para o canal vermelho de conferência, não seguiu os trâmites previstas na IN SRF nº 16/98. Os valores aduaneiros auditados, bem como as diferenças (entre o valor auditado e o valor declarado pelo importador) que servirão de base para o cálculo dos impostos complementares, são os seguintes: D1 nº 03102394740 DATA DE REGISTRO: 22/03/2003 NCM: 5407.73.00 VALOR FOB AUDITADO: R$ 253.719,46 VALOR DO FRETE DECLARADO: R$ 172,88 VALOR ADUANEIRO DECLARADO: R$ 160.501,10 VALOR ADUANEIRO AUDITADO: R$ 253.892,34 DIFERENÇA: R$ 93.391,24 D1 nº 03100285340 DATA DE REGISTRO: 13/01/2003 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10108.000537/200386 Acórdão n.º 3201001.235 S3C2T1 Fl. 62 3 NCM: 5407.73.00 VALOR FOB AUDITADO: R$ 216.166,62 VALOR DO FRETE DECLARADO: R$ 332,97 VALOR ADUANEIRO DECLARADO: R$ 97.506,94 VALOR ADUANEIRO AUDITADO: R$ 216.499,59 DIFERENÇA: R$ 118.992,65 Portanto, tendo sido apurado um valor aduaneiro superior àquele declarado pelo importador, foi lavrado o Auto de Infração para a cobrança de diferenças de tributos, juros e multas cabíveis (artigos 44, inciso I, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96). As alíquotas aplicáveis são: II 18 % e IPI 0 %. Enquadramento legal: Arts. 21, 69, 72, 73, inciso I, 75, inciso I, 76, 77, 82, 90, 94, 97, 103, 106, 107, 482 a 485, 489, 491, 570, 602, 603, incisos I e IV, 604, inciso IV, 659, 684 do Regulamento Aduaneiro RA, aprovado pelo Decreto nº 4.543/02, alterado pelo Decreto nº 4.765/03. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 27/08/2003, fl. 01, apresentou o contribuinte impugnação em 30/09/2003, fls. 25/27, contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. Dos Fatos Ocorre que, em 13/01/03, conforme a DI 03/00285340, registrada no SISCOMEX, a Empresa Individual Vladimir Augusto Darmansheff, importou mercadoria (tecido), sendo selecionada pelo sistema para o canal Vermelho, desembaraçada e liberada. Pois bem, como prática de seu trabalho, a mesma empresa em 22/03/03, conforme DI 03/02394740 novamente importou mercadoria (tecido), sendo selecionada pelo sistema para o canal Cinza. Com efeito, para que houvesse a liberação da mercadoria, selecionada para o canal Cinza, fezse depósito em garantia no valor de R$ 62.239,17 conforme exigência do sistema, efetuado na Caixa Econômica Federal no dia 24/03/03, e posteriormente prosseguiu Processo Administrativo nº 10108.000110/200388, discutindose a Valoração da Mercadoria, que a princípio foi de US$ 7,10 por Kg e posteriormente no exame conclusivo foi determinado US$ 3,56 por Kg. (doc.anexo). Todavia, após o exame conclusivo, o importador em 27/08/03 foi intimado a assinar Auto de Infração, referente a Débito de Imposto de Importação no Valor de R$ 70.648,37. DO Direito I Do Canal Vermelho Face ao exposto, com a chegada da mercadoria no Brasil, íniciase a fase de liberação na alfândega brasileira Fl. 63DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O importador ou o Despachante Aduaneiro, com base na documentação correspondente, elaborará a Declaração de Importação e a registrará no SISCOMEX, pagando todos os impostos e taxas de utilização, em débito automático no Sistema, caracterizando o início do Despacho Aduaneiro. Logo, Despacho Aduaneiro, é um conjunto de atos praticados pelo Fiscal que tem por finalidade o desembaraço aduaneiro (autorização da entrega da mercadoria ao importador) mediante a conclusão da conferência da mercadoria, o cumprimento da legislação tributária e a identificação do importador. No SISCOMEX, a Receita Federal emitirá um Comprovante de Importação (C.1) que comprovará a liberação alfandegária. Para tanto, após o registro da D.1. o sistema automaticamente selecionará, por parametrização, o canal de conferência aduaneira da operação, que no caso em pauta foi o vermelho, que nele se realiza o exame documental e a verificação física da mercadoria para a efetivação do desembaraço aduaneiro, isto é , pelo Fiscal. Enfim, no caso em pauta, o importador pagou todos os tributos, taxas e demais encargos, para que seja feito o Desembaraço Aduaneiro pela Autoridade Competente (Fiscal), para a liberação da mercadoria, restando claro que não ficou nada pendente a ser pago, pois então a mercadoria não seria liberada. Portanto, não houve infração legal alguma, para que seja lavrado Auto de Infração no canal Vermelho, pois o Desembaraço Aduaneiro seguiu todos os parâmetros legais exigidos e assinado pela Autoridade Competente (Fiscal). II Do Canal Cinza Face ao exposto supra citado nos fatos, houve depósito em garantia para seja realizado o Desembaraço Aduaneiro, liverandose a mercadoria, e, discutindose a valoração em processo administrativo de exame conclusivo. Ora, aponta HUGO DE BRITO MACHADO, que: “o sujeito passivo da obrigação tributária tem o direito a que o montante do crédito tributário respectivo seja determinado em procedimento administrativo regular, com observância das leis e dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa". Deste modo, pode se concluir que o processo administrativo fiscal é um direito do cidadão contribuinte, que encontra respaldo na própria Constituição Federal. Cabe lembrar, que a instauração do contencioso administrativo gera o significativo efeito de suspender a exigibilidade do tributo discutido. Esse efeito decorre da própria disposição legal prevista no Código Tributário Nacional em seu artigo 151. Isso quer dizer que, havendo instauração do processo administrativo, o crédito deixa de ser devido até que haja uma decisão definitiva no referido processo. Deste modo, se a exigibilidade do crédito está suspensa, não pode a Administração Fazendária intentar qualquer meio obliquo de cobrança deste. O efeito da suspensão, além de legal, é efetivamente reconhecido pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, como também outros Tribunais brasileiros, que tem decidido no sentido de reconhecer o direito do cidadão de não ser cobrado, muito menos ser passivo de qualquer penafidade pelo fisco, enquanto pendente processo administrativo tributário. Não obstante, também suspendem a exigibílidade do crédito tributário, o depósito do seu montante integral, ou seja, o depósito efetuado em garantia. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10108.000537/200386 Acórdão n.º 3201001.235 S3C2T1 Fl. 63 5 Enfim, sobre o desfazimento do ato pela Administração, voltando, à súmula nº 473, do STF colhemse o voto do Ministro Relator Néri da Silveira argumenta as seguintes passagens (RTJ, 119/1176 A 1180): “Desde que a administração reconheça que praticou um ato contrário ao direito vigente, cumprelhe anulálo o quanto antes, para restabelecer a legalidade administrativa. (...)”. De compreenderse é, destarte, que o ato administrativo contrário à lei ou praticado sem base em lei quando, por sua natureza, a ela, deveria estar vinculado, é, em princípio suscetível de anulação pela própria autoridade administrativa, pois dele nenhum direito pode ter nascido “(...) pois só na hipótese de ter sido a lei obedecida é que deles poderia nascer um direito público subjetivo (...)”. Desta forma, temse que a Fazenda Pública ao praticar medidas que importem em restrição à atividade do contribuinte ou responsável tributário, sem que tenha sido observado o que estabelece o ordenamento jurídico, acaba por agir de forma ilícita, e, portanto, produzindo um ato passível de ser declarado indo. Do Pedido I Canal Vermelho Isto posto, é o presente para requerer à Vossa Digníssima Autoridade, declarar nulo o auto de infração do canal Vermelho, pois foram cumpridos todos os requisitos exigidos por lei, sendo Desembaraçada a Mercadoria e liberada pela Autoridade Competente (Fiscal). II Canal Cinza Que seja recolhida a diferença somente do montante de impostos estabelecido no exame conclusivo de valoração e a importância recolhida era débito automático no ato do registro da DI, determinando o direito do contribuinte levantar o restante do depósito em garantia efetuado na Caixa Econômica Federal, pois inexiste a possibilidade de multa, porque conforme o supra citado, estava suspensa a exigibilidade do crédito tributário.” O pleito não foi conhecido, tendo em vista impugnação intempestiva, nos termos do acórdão DRJ/FOR no 0813.145, de 17/03/2008, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, às fls. 34/38, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 13/01/2003, 22/03/2003 IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. Não se conhece da impugnação apresentada após o prazo de trinta dias para impugnação da exigência. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA.” O julgamento foi no sentido de não ter sido instaurado, tempestivamente, o contraditório, considerase não impugnada a exigência. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua Fl. 65DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 peça impugnatória. Ressaltando, no entanto, que houve cerceamento de defesa, tendo em vista que a impugnação não foi intempestiva, pois protocolou a mesma junto ao órgão preparador em 25/09/2003 e não em 30/09/2003, segundo o julgador de decisão a quo. O recorrente afirma que houve cerceamento de defesa, tendo em vista que a impugnação não foi intempestiva, pois protocolou a mesma junto ao órgão preparador em 25/09/2003 e não em 30/09/2003, segundo o julgador de decisão a quo. Tendo em vista que o litígio, no âmbito de recurso voluntário, traz questionamento de cerceamento de defesa, portanto, referente à tempestividade ou não da impugnação com fins de instaurar o contraditório em primeira instância, foi baixado o mesmo em diligência para esclarecimentos, pois, no julgamento de primeira instância, traz os seguintes fatos: Data de ciência dos autos de infração – 27/08/2003 (quartafeira). Termo inicial para contagem do prazo de 30 dias para impugnação – 28/08/2003 (quintafeira). Termo final – 26/09/2005 (sextafeira) Data de entrega da impugnação – 30/09/2005 (terçafeira). No entanto, como observei, existe um outro carimbo, no alto à direita com data de 25/09/2003 e com assinatura. Em resposta, à diligência 320100.133, em 25/05/2010, há a confirmação da tempestividade da impugnação, conforme Despacho de Encaminhamento da Inspetoria da Receita Federal em CorumbáMS, às fls. 59/60 O processo foi redistribuído a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Em sede de preliminar, da leitura do acórdão da DRJ, a impugnação não foi conhecida, tampouco o mérito foi enfrentado, tendo em vista que a defesa foi considerada fora do prazo previsto na legislação. Contudo, através da diligência solicitada, foram esclarecidos os fatos e confirmada a tempestividade. Como os argumentos constantes da impugnação, não foram totalmente apreciados pelo decisão da primeira instância, em sendo assim, voto no sentido de anular a decisão da primeira instância para que seja realizado novo julgamento daquela autoridade, para apreciar todas as alegações constantes da impugnação apresentada, pois do contrário, fica caracterizado o cerceamento de defesa do recorrente, que é um direito seu/pleno, garantido pela Constituição Federal/88, prejudicandoo no seu exercício do contraditório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10108.000537/200386 Acórdão n.º 3201001.235 S3C2T1 Fl. 64 7 O Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa é assegurado pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, o qual pode ser traduzido como: audiatur et altera pars, que significa “ouçase também a outra parte”. É um princípio do devido processo legal, caracterizado pela possibilidade de resposta e a utilização de todos os meios de defesa em Direito admitidos. No meio processual, especificamente na esfera do direito probatório, ele se manifesta na oportunidade que os litigantes têm de requerer a produção de provas e de participarem de sua realização, assim como também de se pronunciarem a respeito de seu resultado. Registrese que a diligência realizada observou sobre o instrumento de outorga de poderes. No entanto, devese intimar o contribuinte para, no prazo de 15 (quinze) dias, ratificar os atos praticados pelo procurador que subscreve a impugnação e o recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para anular o processo, a partir da decisão da primeira instância, inclusive. Determinando um novo julgamento da DRJ apreciando a impugnação protocolada. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/06/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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'..., °jsk-m ,;Mr - MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO PROCESSO N9 13673/000.142/90-44 Sessão de28 de agosto de L9 92 ACORDÃO N2C8RF/01- 01. 371 Recurso ag i RD/104-0.483 Recorrente s JEFERSON SANTANA. Recorrida : QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL • I.R-P.J. - MICROEMPRESA - DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - DEVER DE PRESTAR - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DISPENSA. A microempresa, "ex vi" do disposto no artigo 13 da Lei nQ 7.256, de 1984, está dispensada do cumprimento da obrigação acessória que consiste na apresentação da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica. Incabível, portanto, a aplicação de penalidade pelo desatendimento a intimação do Fisco para que fosse feita a entrega da citada declaração. Recurso Especial a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por JEFERSON SANTANA. ' ACORDAM os Membros da Cámara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, dar provimento ao recuso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ven cidos os Cons. Evandro Pedro Pinto, Carlos Walberto Chaves Rosas e Mário Albertino Nunes (suplente), que negavam-lhe provimento. Vkas SessOes (DF), em 28 de agosto de 1992., mAYWOMni,, - PRESIDENTE 4101 -SE ASTIoolíââaís, CABRAL RELATOR VGA~ 1 - .410TCELso IERRET-4, DE CAMPOS - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL (substituto) -, 1 v.v. f I _ Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: IRINEU SIMIANER, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, DICLER DE ASSUNÇÃO, JUARE Z DE MORAIS , AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES (substituto). Ausentes o Cons. AQUILES RODRI- GUES DE OLIVEIRA (substituído por WILFRIDO AUGUSTO MARQUES) e o Pro- curador, Dr. IRAN DE LIMA (substituído por AFONSO CELSO FERREIRA DECAM POS). 4 -ffle 'Á (11i ! . . . ' , ,- 3 , I , , 3 , .,.;, ; - - ; 1 , , , r" 4.z.4* /5 • • • • • •,••-, 1W?:* SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N°13673/000.142/90-44 RECURSO N9: RD/104-0.483 ACORDA0 NS: CSRF/01-01.371 RECORRENTE: JEFERSON SANTANA INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES i RELATÓRIO I, í 1, 1 I O sujeito passivo na presente relação jurídico tributária, já I I (qualificado nos presentes autos, inconformado com a decisão prolatada pela Colenda Quarta Câmara do Colendo Primeiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão ni2 104-8,473 de 14 de maio 1 de 1991 ,recorre a ésta Câmara Superior na pretensão de reforma do mencionado Aresto, o qual tem esta ementa: 1 1 • "OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA - ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - IRPJ - A falta de entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, ou sua apresentação fora do prazo legal, caracteriza infração ao disposto no artigo 592 do regulamento do imposto (RIR/80), sujeita à aplicação da multa prevista no artigo 723, do mesmo ato legal. Recurso provido em parte." 1 1 Cientificada dessa decisão em 25 de setembro de 1991 , o 11 I contribuinte ingressou com Recurso Especial para esta Superior Instância Administrativa, sustentando em resumo: , II a) além de Microempresa, necessitada de recursos financeiros, ,1 1 pouco importaram os direitos de sua isenção até mesmo pelo que prescreve o Código Civil: "onde não há devedor não há credor", apesar de na persistente obstinação de tão somente punir com a imposição da multa desconhecem de forma injusta que pelo menOs o seu dever de entregar a declaração de rendimentos foi cumprida de forma espontânea, o que afasta qualquer alegação em contrário, pois se existente tal obrigação acessória, a mesma foi cumprida sem omissão; . N'r X.4* )1 .2SERVICO PUBLICO FEDERAL Processo n9 13673/000.142/90-44 Acôrdão n9-CSRP/01-01.371 b) em razão da obsessiva persistência na imposição da penalidade,i injustificando-se os inúteis esforços da empresa e de seu contador,' caso continuem a desmerecer as afirmações coerentes contidas no documento que anexa por cópias, a qual vem complementar outros' anteriormente juntados, como a decisão unânime de Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e tantas outras razões de defesaH simplesmente desprezadas, cometendo assim uma injustiça para com ai firma; c) se a razão de direito e justiça possui obrigatoriedade del igualdade para todos, também não é justo que apenas a região caipiraí seja vítima de incoerentes respostas quanto a aplicação discriminadaj da multa, pois se trata de lei ou obrigação de caráter geral,' nacional, referente à Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica; d) para reforçar ainda mais as incabíveis normas empregadas de uma aparente e normal discriminação, estranha principalmente a, persistência pela ocorrência de pequena anormalidade diante dasi circunstâncias que apresenta: as contradições de atitudes quanto al impunidade para tantas empresas que se omitiram e não entregaram suas declarações, o que se constitui em mais uma injusta medida, já que sequer vem sendo molestadas, punidas, multadas ou simplesmente notificadas. É o relatório. t"n )41 lir SERVICO PUBLICO FEDERAI- PROCESSO NQ 13673/000.142/90-44 .3 Acórdão nQ CSRF/01-01.371 VOTO Conselheiro SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL - Relator: O recurso atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Devendo, pois, ser conhecido. Como visto do relato, o ponto central da controvérsia reside em definir se a pessoa jurídica enquadrada como MICROEMPRESA está ou não sujeita a apresentar, à Fiscalização, Declaração do Imposto de Renda, por ser mencionado ato classificado como uma OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA e,, como tal, expressamente dispensado através do artigo 13 da Lei nQ 7.256, de 1984. Mencionado diploma legal declara isenta a Microempresa do pagamento do Imposto de Renda, desde que observados os requisitos por ela fixados, dispondo textualmente os seus artigos 13 a 16: "Art. 13 - A isenção referida no art. 11 abrange a dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias, salvo as expressamente previstas nos arts. 14, 15 e 16 desta Lei. Art. 14 - O cadastramento fiscal da microempresa será feito de ofício, mediante intercomunicação entre o órgão de registro e os órgãos cadastrais competentes. Art. 15 - A microempresa está dispensada de escrituração, ficando obrigada a manter arquivada a documentação relativa aos atos negociais que praticar ou em que intervir. Art. 16 - Os documentos fiscais emitidos pelas microempresas obedecerão a modelo simplificado, aprovado em regulamento, que servirá para todos os fins previstos na legislação tributária." SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 13673/000.142/90-44 .4 Acórdão n9-CSRF/01-01.371 O mestre Aliomar Baleeiro, "in" DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 10 Q ed., Forense, R.J., p. 450, nos ensina: "II. OBRIGAÇÃO DE DAR E FAZER ETC. - Como adverte Pugliese (Der. Financ., México, 1939, p. 57), a lei tributária geralmente encerra preceitos de fazer, não fazer ( ou abster-se), tolerar. Isso se reflete na obrigação tributária que é precisamente a de dar quantum do tributo, fazer (declaração, informar etc.), não fazer (importações proibidas, transportar mercadorias desacompanhadas de guia, concorrência a monopólio fiscal etc.), tolerar (exames de livros e arquivos, apuração de stocks, inspeção de mercadorias nos envoltórios etc.)." Comentando o artigo 115 do C.T.N., o renomado autor, à página 457 da obra citada, preleciona: "Separadamente, refere-se o Código ao fato gerador da obrigação principal e ao da acessória. O desta é a situação prevista em lei, que obriga alguém a praticar ou abster-se de certos atos diversos do pagamento do tributo ou de pena pecuniária. Exemplos: informar o Fisco sobre terceiros, remeter certos documentos, não transportar mercadoria desacompanhada de guia, prestar-se à inspeção de livros mercantis e arquivos, balanço ou verificação do stock etc. (ver arts. 113, 121 e 122). O CTN estatui que fato gerador da obrigação acessória "é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática -ou abstenção do ato...". Mas - acreditamos -, da definição desse fato gerador há de constar expressa e especificamente quais delas. Isso não poderá ficar ao arbítrio da autoridade fiscal (C.F., art. 153, S 2Q)." No caso do Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, a legislação impõe às pessoas físicas e jurídicas, contribuintes ou não, inúmeras obrigações relacionadas, na sua grande maioria, com a prestação de informações, esclarecimentos, manutenção de registros ou assentamentos, emissão de documentos etc.. 4 SERNACO PUBLICO FEDERAL Processo n9 13673/000.142/90-44 .5 AcórdÃo n9-CSRF/01-01.371 Da leitura dos artigos retro transcritos fica evidente que a Lei dispensou a microempresa de cumprir qualquer obrigação tributária de natureza acessória, exceto: a) o cadastramento, efetivado "ex officio"; b) a manutenção da documentação que tenha dado causa ou seja decorrente de todos os atos negociais por ela praticados ou nos quais venha a intervir; e c) na emissão de documentos seja obedecida a forma denominada de "modelo simplificado", conforme dispuser o Regulámento. Dispõe o artigo 113 da Lei n Q 5.172 de 1966 (C.T.N.): "Art. 113 - A obrigação tributária é principal ou acessória. S 1Q - A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. S 2 Q - A obrigação acessória decorre da legislação tributária, tem por objeto as prestações positivas ou negativas nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. S 3 Q - A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A obrigação tributária decorre sempre de Lei e se traduz como uma relação jurídica que se estabelece entre duas pessoas: a) de um lado, a pessoa jurídica de direito público, o sujeito ativo ou titular da competência para exigir o cumprimento da obrigação; e b) do outro lado, no polo passivo da relação jurídica, está a pessoa, física ou jurídica, obrigada a satisfazer tal obrigação, e que geralmente tem por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária (obrigação principal). O objeto da obrigação tributária acessória, como se depreende do texto legal transcrito, são prestações (positivas ou negativas) de fazer ou de não fazer alguma coisa, sempre impostas pela Lei, e visam primordialmente, a arrecadação ou a fiscalização dos tributos. 4. 4 , seRvico PUBLICO FEDERAL Processo n9 13673/000.142/90-44 .6 Acórdão n9-CSRF/01-01.371 O Regulamento aprovado com o Decreto n2 85.450, de 1980, no "LIVRO IV, TITULO I, CAPITULO I, SEÇÃO I a III" (arts. 587 a 618), elenca várias normas que devem ser observadas pelas pessoas físicas e jurídicas quanto à apresentação da declaração de rendimentos, inclusive indicando modelos aprovados pelo órgão competente e exigindo a assinatura do contribuinte ou seu representante legal. A declaração de rendimentos apresentada pelo contribuinte, como se sabe, tem poi''Objero colocar à disposição da pessoa jurídica de direito público, titular da competência para lançar e exigir o cumprimento da correspondente obrigação (sujeito ativo), os elementos considerados necessários à formalização da exigência tributária. DE PLÁCIDO E SILVA, em sua obra NOÇÕES DE FINANÇAS E DIREITO FISCAL", 2 2 ed., Guaira, p.1 279, analisando alguns aspectos da legislação do Imposto de Renda, editadas através do Decreto-lei n2 5.844, de 23.9.43, registra: "116. LANÇAMENTO E NOTIFICAÇÃO DO IMPOSTO - O imposto sobre a renda é de ordem dos lançados. A declaração serve de índice para esse lançamento, que é promovido, após o exame e verificação dos esclarecimentos nela constantes, pela autoridade encarregada desse serviço. Antes que se processe o lançamento, pelo qual se procura cumprir a incidência legal do imposto, a repartição competente, pelo funcionário encarregado da revisão, fará um exame da declaração, solicitando• esclarecimentos do contribuinte ou determinando diligências, que julgue necessárias. Julgado exatas tõdas as informações prestadas pelo contribuinte, dará o lançamento por efetivo. E dele notificará o contribuinte, pessoalmente ou por carta registrada." Vê-se, pois, que sempre foi a declaração de rendimentos considerada uma peça cujas informações ali contidas possibilitam (mas não integram) o lançamento tributário, cuja competência, apesar da evolução tecnológica, dos meios de comunicação etc., continua sendo privativa da autoridade administrativa e, de tal ato, decorre a constituição do crédito tributário.'( 14 I • -, , sERvico PUBLICO FEDERAL Processo n9 13673/000.142/90-44 .7 Acórdão n9-CSRF/01-01.371 É . inegável que a apresentação da declaração de rendimentos se traduz numa obrigação acessória que, uma vez descumprida, enseja aplicação de penalidade pecuniária e, nesse caso, se converte em obrigação principal (CTN, art. 113, S 3g). Tendo a Lei n Q 7.256, de 1984, dispensado a MICROEMPRESA de apresentar declaração de rendimentos, e sendo certo que se trata de obrigação acessória, não pode haver ' aplicação de penalidade pecuniária. No caso, não há falar em descumprimento do objeto da prestação positiva ( de fazer), pois o Sujeito passivo, no caso a Microempresa, está expressamente afastada do rol daquelas pessoas obrigadas a entregar o formulário declarando seus rendimentos. Se inocorre a obrigação acessória, como admitir sua conversão em obrigação principal para o fim de exigir o pagamento de penalidade pecuniária. A decisão recorrida, no caso, merece reforma. Dou provimento ao Recurso Especial interposto. Brael.Ua - D.F., em 28 de a.o.-t;( de 1992. /( /r SEBASTI 7 er; e :4;,, mS CABRAL - RELATOR. 4/000/P 11 - - Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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ACORDÃON°C.SRF/0.1.4.-405 Recurso n° RP/104-0.112 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: ANTONIO RODRIGUES DA CUNHA CASTRO JONIOR I.R.P.F. - CÉDULA "G" - FALTA DE ESCRITU- RAÇÃO - TRIBUTAÇÃO. Inobservadas as regras de apuração do rendimento líquido, estabe lecidas no artigo 54 e incisos, do R.I.R. aprovado com o Decreto n9 76.186/75, e sen do conhecida a receita bruta auferida,re--- jeitam-se as deduções e reduções incompro vadas, face à omissão do contribuinte, "J a base de cálculo é determinada pela re- ceita bruta, porém, limitada a 15% no seu montante, á vista do disposto no § 19 do artigo 60 do Regulamento. Entretanto, no primeiro exercício de inobservãncia da for ma cabível de apuração do lucro liquido, pode ser tolerada a irregularidade se a re ceita bruta excedeu o limite pertinente em valor tão pequeno que, no curso do ano-ba se, poderia não ser previsível o enquadr-a- mento do contribuinte noutra das forma-s- do artigo 54 e incisos, do R.I.R./75, con siderando-se, também, que os limites são reajustados ao término do ano-base. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para res- tabelecer a exigência referente ao exercício de 1979 e 1980. Vencidos os Cons. Waldevan Alves de Oliveira, Luiz Miranda, Francisco Amaral Ma- ) so e Pedro Martins Fernandes que negaram provimento total ao V. V. ~ IrSala das ,S-snes DF, em 17 de fevereiro de 1984 / AMADOR O -'."9---4-- r ` r, 1 AN DEZ - PRESIDENTE SEBASTI ft toy,5,,á,,ip, UE CABRAL op, - RELATOR 4 r ir LUIZ ERN.u, 'e OL IRA DE MORAES - PROCURADOR DA FA- Bm— v japim Le yneeklirlia ivor.rt Participaram, ainda, do presente ju1gamento os seguintes Conselheiros RAUL PIMENTEL, JACINTO DE MEDEIROS CALMON e URGEL PEREIRA LOPES. Ausen- te justificadamente o Cons. OSWALDO SANT'ANNA. _ 3 e vt' SERVIÇO PUBLICO FEDERAL r(.0rj PROCESSO N. 0650/050.592/81-02 -Aí P:OCIAU30,c1Y RECURSO N.° : —RP/104-0.112 -cswy01-0.405 :19-j-YJA RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: ANTONIO RODRIGUES DA CUNHA CASTRO JONIOR RELATORIO O Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à 4a. Câmara do 19 Conselho de Contribuintes, com respaldo no que es tabelece o artigo 39, inciso I, do Decreto n9 83.304, de 1979, re- corre a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais contra a decisão consubstanciada no Acórdão n9 104-3.816, de 14.7.83, assimementado: "CÉDULA "G" - RENDIMENTOS - ARBITRAMENTO - COEFICIEN TE - É inaplicável, como coeficiente para arbitra- mento do rendimento tributável resultante da explo- ração das atividades agrícola ou pastoril e das in- dústrias extrativas vegetal e animal, o porcentual de 15% estabelecido como limite máximo para cômputo do rendimento líquido tributável(DL. 902/69, art. • 49, § 69, acrescentado pelo art. 19 do DL.1.074/70; DL. 1.494/76, art. 12; DL. 1.584/77, art. 49). En- quanto não forem fixados, conforme determinação le- gal, os critérios para o arbitramento, a tributação dos rendimentos classificáveis na Cédula "G" far- -se-á à vista dos elementos que permitam apurar are ceita bruta, as despesas de custeio e os investimen: tos incentivados realizados durante o ano-base conseqüência, chegar à identificação do rendimento líquido tributável." Em sua peça recursal endereçada a esta Superior tãncia Administrativa, sustenta o Douto Procurador in v bis: D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0650/050.592/81-02 2. Acórdão n9-CSRF/01-0.405 "4. A decisão recorrida inadmitiu o arbitramen- to, entendendo "excessivamente rigoroso o arbitramen to na Cédula "G" pela falta de escrituração contábil, mormente como alega o interessado, ser possuidor de escrita rudimentar, demonstrando nos autos, ainda, a prestesa com que atende a todas as intimasões da Lis calização". Referese ainda:às anteriores decisoes da Quart-a- Clmira,desconsiderando o arbitramento sobre a receita eu =~-nln - e iree~-' ee e --aind=a—não—baixadasnox mas pertinentes pelo Ministro da Fazenda( § 19 do ci= tado art. 54). 5. A lei impõe aos contribuintes três formas de apuração dos resultados da atividade agrícola, emfun çao do montante da receita bruta(RIR/75, art. 54;RIR7 80, mesmo artigo). 6. A forma contábil(forma C), na qual estaria enquadrado o contribuinte, exige escrituração regu- lar, em livros registrados, até o encerramento do ano base, em órgãos da Secretaria da Receita Federal. Es sa obrigação acessória imposta aos contribuintes ob- jetiva a apuração exata da base de cálculo do impos- to, como forma normal e geral de tributação. 7. A escrituração deve evidenciar areceita bru ta total, as deduções, por despesas de custeio e pr:J juízos de exercícios anteriores, e a reduções por iri vestimentos, para obtenção do rendimento tributável': 8. Todas as deduções e reduções estão sujeitas a comprovação, através de escrituração e de documen- tos idOneos(RIR/75, artigos 43, 54, III, 62 e 64;RIR/ 80, mesmos dispositivos). Se não comprovadas, por o- missão do contribuinte, como neste caso, não podem ser admitidas. 9. Em decorrência, e sabendo-se que, em qual- quer hipótese, o rendimento líquido tributável na Cé dula "G" está limitado a 15% da receita bruta (RIR/ 75, art. 60, § 19; RIR/80, mesma indicação), e conhe cida esta, serão esses 15% a base de cálculo do im- posto. • 10. A Colenda Quarta Câmara, ao não admitir oar bitramento, mas conhecendo a receita bruta, poderi-a-: e deveria ter aplicado a lei, desprezando as deduções e reduções e tributando o limite de 15% dareceitabru ta. Não haveria qualquer prejuízo ãcontribuintes,uma- vez que a ninguém é dado desconhecer a lei e, pelo princípio da eventualidade, deveria ter expendido to das as suas defesas. De outro lado, a exigenci tri—d //)// SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0650/050.592/81-02 3. Acórdão n9-CSRP/01-0.405 butéxia permaneceria igual à inicialmente formulada. Ao julgador cabe aplicar a lei à hipótese concreta, se gundo o brocardo "lura novit curia". O direito é sem- pre certo: os fatos é que são controversos e, no caso em foco, foram amplamente discutidos." Não foram apresentad contra-razOes, conforme certi- _ i ff ,L9=iiroenr-~=~1~.1., • .. _a .11~AINV 1, Ir f 1 ir É o relatór, r ///7 ir SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0650/050.592/81-02 4. Acórdão n9-CSRF/01-0.405 VOTO -Conselheiro -SEBASTI-AO-RODRIGUES-GARRAL, -Relator O assunto colocado para julgamento já foi objeto de inúmeras decisOes por parte desta Cãmra Superior, podendo-se citar, dentre outros, os Acórdãos de números: CSRF/01-0.262, CSRF/01-0.266, CSRF/01-0.327 e CSRF/01-0.329. Sinteticamente as razOes básicas do posicionamento adotado por este Colegiado são: a) é indiscutível o fato consistente em que os rendi- mentos auferidos nas atividades agrícolas estão su 5 jeitos ã incidência do imposto sobre a renda, sen- do certo, portanto, que em regra sofrem tributação os rendimentos classificáveis na cédula "G", oriun dos das atividades agrícolas e que cuida o artigo 38 do RIR aprovado pelo Decreto n9 76.186/75; b) no pertinente ã forma de apuração do rendimento tri butável, deve ser observado o preceito legal con- tidono artigo 54 e incisos do mesmo Regulamento ou seja: forma estimada (A), através de escrituração rendimentar (B) e via contabilização completa (C); c) caso inexista a forma preconizada na legislação pa ra apuração dos rendimentos líquidos, o melhor in- dicador para determinar o livro tributável conti- nua sendo o rendimento bruto auferido pelo contri- buinte; d) que em qualquer hipótese, o rendimento tributável, seja aquele declarado pelo sujeito passivo, seja o apurado pela fiscalização, deve observar o limite de 15% da receita bruta auferida no período-base , por força do disposto no artigo 69, § 19 do R.I.R. baixado com o Decreto n9 186/75; e) não há falar em arbitramento do lucro, mas sim em tributação tendo por base a receita do contribuin- te, adotando-se como critério uma das duas hipóte- ses viáveis: diferença entre receita bruta e dedu- çOes e reduçOes comprovadas, desde que não ceda /2/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0650/050.592/81-02 5. Acórdão n9-CSRF/01-0.405 a 15% dessa mesma receita, receita bruta, descon- sideradas as deduções ou reduções, por incomprova das, obedecido o limite de 15% do rendimento bru to. Direcionadas as linhas mestras da tributação nos ca- sos_gnue o contribuinte tenha desatendido aos preceitos legais con tidos no artigo 54 do Regulamento aprovado pelo Decreto n9 76.186/75, deve o julgador verificar se restou tipificada a hipótese de o sujei to passivo haver deixado de escriturar suas operações por uma das for mas exigidas pela legislação de regência, e se na apuração do rendi- mento tributável a fiscalização observou o limite imposto pela legis lação citada. Para certos casos específicos, quando a receita bru- ta auferida pelo contribuinte não tenha excedido de mérito ao limite a partir do qual estaria sujeito a manter escrituração rendimentar ou contábil, e tendo presente que se tratava do primeiro exercício em que o sujeito passivo tenha inobservado as regras de apuração do resultado a que estava sujeito; considerando que os limites da recei ta bruta, tomados como parâmetros para adoção de uma das três formas emumeradas no artigo 54 e incisos do R.I.R. baixado com o Decreto n9 76.186/75, são fixados ao final de cada ano-base, com exigência no exercício financeiro correspondente; e, por último, sendo certo que O fluxo de recursos oriundos das atividades agrícolas não apresenta certa regularidade, a fim de permitir ao contribuinte, com certa an- tecedencia, avaliar se irá ou não enquadrar-se em determinada situa ção específica, considerou-se razoável admitir como aceitáveis os re gistros mantidos pelo sujeito passivo, "por não detectados prejuízos para a Fazenda Pública", e em razão de que a aplicação da Lei não de ve estar desacompanhada dos princípios que norteiam a boa justiça" (CSRF/01-0266/82, voto, in fine). No exercício de 1978, considerada a exclusão determina- da pela autoridade julgadora monocrática, a receita bruta auferida per maneceu em Cr$ 5.066.873,00, enquanto que o limite fixado era ,d "' Cr$/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0650/050.592/81-02 6. Acórdão n9-CSRF/01-0.405 5.361.000,00. Resulta do acima exposto que o contribuinte deveria manter escrituração rudimentar, vez que sua receita bruta não ultra- passou o limite fixado para que o controle devesse ser feito sob a forma contãbil. Estã provado que o sujeito passivo possui livro "Cai xa", onde estão registrados todas as operações realizadas noperiodo- -base- Dou provimento em parte ao recurso espec 1, afim de restabelecer a tributação nos exercícios de 1979 e 19800 Brasília, DF, em 17 de fevereiro d- '84. I O SEBASTIÃO ',111p14 S CABRAL - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Divergência quan to ao nome de fabricante em mercadoria im- portada. Comprovado que se trata de peça fabricada por encomenda da importadora, pa ra uso exclusivo na composição de produtos de sua fabricação no país, em regime de en treposto industrial, tem-se por irrelevan- te a divergência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis7') cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso espe e /r ? Sala das Se..: '(DF), em 23 fe julh. de 1982. DOR OU', / 5/ Alk A ', E là •;, 1DEZ - PRESIDENTE f. /A- • • • i : _of CAVAL • N 1 - RELATOR LUIZ FERNAN60 e. VEIRA DE MORAE. - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, .inda, do pres-nte julgamento, os seguintes Conselheiros: LUIZ CARLOS NOGUEIRA, HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, PAULO DE ALMEIDA,PAU LO CÉSAR DE AVILA E SILVA, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N. 2 0830/052.422/81-27 RECURSO N.° : —RP/3 O 3-0 . 699 ACÓRDÃO N.° : CSRF/ O 3-0.962 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: IBM DO BRASIL INDOSTRIA DE MAQUINAS E SERVIÇOS LTDA. RELATÓRIO Pelo Acórdão n9 21. 9 7 2 , a Douta Câmara recorrida deu_provimento a recurso do contribuinte, em decisão assim ementada de fls. 127. "Infração Administrativa ao controle das importa- ções - Divergência quanto ao nome do fabricante, mantidas, porém, as características da mercadoria. Inaplicável a penalidade proposta." Do recurso especial (fls. 129 ), releva transcre- ver os itens 7 a 21, quanto segue: "7. O presente processo versa sobre matéria que passou a ocorrer atualmente em razão da nova legislação levando a douta maioria a aceitar a ar- gumentação da interessada como válida. 8. A multa aplicada foi em decorrência de des cumprimento das normas de controle das importa--1. ções criadas pela Lei n9 6.562, de 18 de setembro de 1978, que deu nova redação ao artigo 169 do De- creto-lei n9 37/66. 9. n oportuno lembrar aos ilustres julgadores, que o artigo 169 em questão tinha a seguinte reda- ção: "Art. 169 - O artigo 60 da Lei n9 3.244, de 14 de agosto de 1957 ,' sa a vigora i com a seguinte redação:, (1 ' . DM F -'á/ .° C - C - Secgraf - 1600/77,R SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0830/052.422/81/27 2. AcOrdão n9-CSRF/03-0.962. "Art. 60 - As infraçOes de natureza cambial, apuradas pela repartição a- duaneira, serão punidas com: I - multa de 100% do respectivo va- lor multa de 100% do valor da fraude . 10. Ora, em razão das questOes surgidas, sempre ! que havia divergência entre a mercadoria submetida à despacho e aquelas constantes de guias de importação ! ou licenças de importação, o Poder judiciário passou a decidir, considerando inexistente a infração cam- bial de 100% (considerada elevada) em razão do des- cumprimento de normas de importação. 11. O Poder Executivo encaminhou ao Congresso Na cional, projeto de lei, dando outras características à infração, e com a nova denominação de InfraçaSes Ad ministrativas ao Controle das importaç6es, procurou estabelecer diferentes percentuais, variando de 20 a ! 100% para a aplicação daquela multa, levando em con- ta, variáveis circunstâncias, inclusiVé de tempo, prazos etc. 12. Assim é, qüe no artigo 29, inciso III estabe lece: "Descumprir doutros requisitos de controle de infração, constantes ou não de guia de im portação ou documento equivalente: d) Não compreendidos nas alíneas antena- res: Pena: multa de 20% (vinte por cento) ! do valor da mercadoria. 13. É exatamente o caso presente. A interessada através de documentos que instruiram o despacho adua neiro apresenta divergências em relação à guia de IE portação emitida pela Cacex para aquele fim especifi cou, caracterizando-se a infração administrativa aos controles de importação, a que se refere a Lei 6.562/ /78. 14. Diz expressamente aquela Lei em seu artigo - 29 § 79, que: "Não constituirão infraçaes: II - nos casos do inciso III dó caput deste artigo, se alterado pelo éSrgao competente os dados constantes da guia de importação ou de documento equivalentes:. III- a im.orta ão de máQuinas e e.uu:amentpâtI / SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0830/052.422/81-27 3. Acórdão n9-CSRF/03-0. 962. declarante origináveis de determinado pais, constituindo um tudo inte2rado, embora conte nham partes ou componentes produzidos em ou-. tros paises que não o indicado na guia de im portaçao." 15. Assim, torna-se necessário para que não ve- nha a ser considerada como infração, que a interessa da promova alteração na guia de Importação, através ¡ do aditivo para sanar eventuais divergências ocorri- ¡ das após sua inscrição. 16. Outrossim, somente não será considerada in- 1 fração quando esta divergência, relacionada com ou- tro país de fabricação mas apenas e exclusivamente ocorrer em relação à componentes de um só equipamen- to. 17. No caso em tela, a interessada fez constar da Di de fls. como fabricante a própria IBM Corpora- tion, quando na realidade e de outra empresa. 18. No ato de conferência física da mercadoria ¡ ficou constatada a divergência, originando-se o Auto 1 de Infração de fls. 19. A interessada admite que o fabricante foi ou ¡ tra empresa, tentando a penas justificar com a alega- ção de que se trata de encomenda exclusiva. 20. No presente processo -- a mercadoria foi fa- bricada por outra empresa que não a IBM, em desacor- do com o que foi autorizado pela Cacex na G.1., cons tituindo-se em infração administrativa ao controle das importaçOes. 21. A vista do exposto, resta a necessidade impe riosa da reforma do Acórdão recorrido, praticanto a- . to de inteiraereparado_aJUSTIÇA!" Não houve Conta-raz8e- do sujeito pas:' o(P É o relatório. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0830/052.422/81-27 4. Acórdão n9-CSRF/03-0.962. VOTO Conselheiro FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE, Relator: Reporto-me ao brilhante voto do Conselheiro Luiz Car los Nogueira, Relator do Acórdão recorrido, "in verbis" (fls.128 ): "Versa o presente processo sobre divergência constatada pela fiscalização no tocante ao fabrican- te da mercadoria importada. Diversos são os casos que chegam a esta Cãma ra versando sobre a mesma materia, os quais, dado 77", sua semelhança têm sido providos por se considerar que não constitui infração a ocorrência de pequenas divergências, desde que não impliquem em diferença de valor, peso ou quantidade. No caso em exame, a fiscalização não impug- nou outros itens da Guia de Importação, tais como: preço, peso, quantidade, item tarifário, etc., res- tringindo-se tão somente ao nome dos fabricantes. Assim, guardando coerência com meus votos an teriores, dou provimento ao recurso." Ademais, com a documentação de fls. e seguintes fi ca comprovada a alegação da importadora de que trata de peças fabri- cadas por encomenda sua, para uso exclusivo na fabricação de seus produtos no pais, em regime de entreposto industrial. Por tais circunstâncias, torna-se irrelevante a di- vergência do nome do fabricante, no caso sem nenhuma im portância pa- ra o controle das importn8es. r isto, voto para que se negue provimento ao recur so especial. L, -\ .;la das Se: Oes jul o de 1982. • f. 0 0 , C S MART NS - EITE , vALCANTD - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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