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Numero do processo: 10880.690792/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que não homologara a compensação declarada, relativamente a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão da ausência de comprovação da existência do direito creditório pleiteado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu, em síntese, o apensamento de outros 22 processos correlacionados (mesma origem e fundamento do crédito), a conversão do julgamento em diligência e/ou perícia técnica (verdade material) e a homologação da compensação, alegando (i) ausência de intimação prévia à análise da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 79 2/ 20 09 -3 2 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10880.690792/200932 Resolução nº 3301000.988 S3C3T1 Fl. 3 2 declaração de compensação, (ii) a ocorrência de erros materiais em suas declarações (CFOP) e (iii) tributação indevida de receitas decorrentes de operações de vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (não incidência das contribuições) e empresas comerciais fabricantes (erro na aplicação de alíquotas). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação do crédito pleiteado, e indeferiu o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação ou a realização de perícia/diligência. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a reforma da decisão de piso, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.979, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.690781/200952, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.979): O Recurso Voluntário interposto diante da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1632.897 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário objetiva reformar a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10880.690792/200932 Resolução nº 3301000.988 S3C3T1 Fl. 4 3 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação, ou a realização de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo tem como questão central a discussão acerca de pedido de ressarcimento e compensação (PER/DCOMP) no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007. O Contribuinte alega que fez recolhimento indevido por intermédio de DARF e requer com o ressarcimento desse crédito a quitação de débitos. O entendimento da administração administrativa fiscal foi no sentido de não homologar a compensação por constatar que inexiste crédito declarado pelo Contribuinte. Diante de 22 (vinte e dois) PER/DCOMP, com o mesmo direito creditório discutido, instauraramse vinte e dois processos administrativos que possuem a seguinte numeração: 10880.690.786/200985, 10880.690.781/200952, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.915.257/200908, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.925.615/200982, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976, 10880.690.799/200954 e 10880.925.616 7/200927. No primeiro ponto do Recurso Voluntário o Contribuinte requer, como já o fez quando da interposição da Manifestação de Inconformidade, a conversão do julgamento em diligência para que fosse apensado todos os processos administrativos acima relacionados. Constatase que o presente processo, na condição de processo paradigma, contempla outros 11 (onze) processos com a seguinte numeração: 10880.690782/200905, 10880.690783/200941, 10880.690784/200996, 10880.690785/200931, 10880.690787/200920, 10880.690788/200974, 10880.690789/200919, 10880.690790/200943, 10880.690792/200932, 10880.690793/200987 e 10880.690794/200921. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10880.690792/200932 Resolução nº 3301000.988 S3C3T1 Fl. 5 4 Entendo necessária a juntada ao presente processo paradigma dos processos nºs 10880.690786/200985, 10880.690796/200911, 10880.690797/200965, , 10880.690798/200918, 10880.690791/200998, 10880.690795/200976, 10880.690799/200954 para que sejam julgados conjuntamente. Saliento que os processos nºs 10880.915257/200908, 10880.925615/2009 82 e 10880.925616/200927 já foram julgados nos acórdãos nºs 3802001.986, 3802001.987 e 3802001.997, respectivamente, em que se negou provimento ao recurso do Contribuinte. Alega também o Contribuinte, que cometeu erro na apuração de débitos de PIS e COFINS, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007, pois incluiu nas receitas decorrentes de operações de venda destinadas (i) ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (exportação indireta) e (ii) a empresas comerciais fabricantes. No primeiro caso, o Contribuinte alega que informou erroneamente o Código Fiscal de Operações e de Prestações (CFOP) nas notas fiscais de saída a rubrica 5101 – “venda de produção do estabelecimento”, sendo que o correto, no seu entendimento, seria a rubrica 5501 – “remessa de produção do estabelecimento com o fim específico de exportação”. Esse alegado equívoco resultou na incidência da tributação sobre as receitas, sendo que nas operações de exportação indireta não incidiria PIS e COFINS, de acordo com o art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, III da Lei nº 10.833/2003, com isso, passou a deter crédito objeto de PER/DCOMP. No segundo caso, o direito creditório decorre das vendas efetuadas às empresas Rassini e Magnet Marelli, empresas comerciais fabricantes, com alíquotas comuns de 1,65% e 7,6% de PIS e COFINS respectivamente e não as alíquotas diferenciadas de 2,3% e 10,8% que se aplicam às vendas para empresas comerciais atacadistas ou varejistas de acordo com o que dispõe o art. 3º, I e II da Lei nº 10.485/2002. Sustenta ainda o Contribuinte, que demonstrou o alegado por intermédio de planilhas sintéticas e analíticas acostadas aos autos e requer, em nome da verdade material, a conversão do julgamento em diligência ou designação de perícia técnica, com a devida indicação da perita contadora Sra. Sônia Regina Senhorini Rodrigues, para que se possa apurar o equívoco cometido, bem como, a existência do crédito. Assim consta do recurso (fls. 611 e seguintes): Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10880.690792/200932 Resolução nº 3301000.988 S3C3T1 Fl. 6 5 (...) Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10880.690792/200932 Resolução nº 3301000.988 S3C3T1 Fl. 7 6 (...) (...) (...) Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10880.690792/200932 Resolução nº 3301000.988 S3C3T1 Fl. 8 7 Considerando o princípio da verdade material, o Contribuinte requer em seu recurso que se promova diligência que contemple os seguintes quesitos: Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10880.690792/200932 Resolução nº 3301000.988 S3C3T1 Fl. 9 8 Com este pedido de diligência formulado pelo Contribuinte, e lembrando do pedido acerca da reunião dos demais processos, cabe salientar que no Processo nº 10880.690796/200911, processo principal, bem como em mais 8 processos, foi convertido o julgamento em diligência. Com isso considerado voto, por converter o julgamento em diligência para que a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne o presente processo (nº 10880.690781/200952), bem como os processos nºs. 10880.690.786/200985, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, ao CARF, distribuídos ao presente conselheiro relator prevento, para que sejam julgados em conjunto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que: a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10880.690792/200932 Resolução nº 3301000.988 S3C3T1 Fl. 10 9 b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne ao CARF o presente processo (nº 10880.690.792/200932), bem como os processos nºs. 10880.690781/200952, 10880.690.786/200985, 10880.690.783/2009 41, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690782/200905, 10880.690.789/200919, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.790/200943, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, para que sejam julgados em conjunto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720073/2016-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/08/2014
PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO
Há necessidade de comprovação do interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador para que se aplique as disposições constantes do artigo 124, I, do CTN. Tal comprovação se consubstancia na demonstração, pelo Fisco, de que o solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓ-LABORE.
As importâncias pagas aos sócios registradas como distribuição de lucros mas que configurem retribuição do trabalho prestado devem ser consideradas pagamentos a título de pró-labore, incidindo sobre elas a contribuição previdenciária social.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A aplicação da multa de ofício decorre do cumprimento da norma legal.
Apurada a infração, é devido o lançamento da multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-004.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Dr. José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento. Quanto à imputação de responsabilidade solidária, restaram vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama, que afastavam à responsabilidade do recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2011 a 31/08/2014 PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO Há necessidade de comprovação do interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador para que se aplique as disposições constantes do artigo 124, I, do CTN. Tal comprovação se consubstancia na demonstração, pelo Fisco, de que o solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓ-LABORE. As importâncias pagas aos sócios registradas como distribuição de lucros mas que configurem retribuição do trabalho prestado devem ser consideradas pagamentos a título de pró-labore, incidindo sobre elas a contribuição previdenciária social. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício decorre do cumprimento da norma legal. Apurada a infração, é devido o lançamento da multa de ofício. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Dr. José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento. Quanto à imputação de responsabilidade solidária, restaram vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama, que afastavam à responsabilidade do recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO Há necessidade de comprovação do interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador para que se aplique as disposições constantes do artigo 124, I, do CTN. Tal comprovação se consubstancia na demonstração, pelo Fisco, de que o solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓLABORE. As importâncias pagas aos sócios registradas como distribuição de lucros mas que configurem retribuição do trabalho prestado devem ser consideradas pagamentos a título de prólabore, incidindo sobre elas a contribuição previdenciária social. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício decorre do cumprimento da norma legal. Apurada a infração, é devido o lançamento da multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Dr. José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento. Quanto à imputação de responsabilidade solidária, restaram vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 73 /2 01 6- 21 Fl. 869DF CARF MF Processo nº 15586.720073/201621 Acórdão n.º 2201004.490 S2C2T1 Fl. 3 2 Kakazu Kushiyama, que afastavam à responsabilidade do recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 15586.720081/201677, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação formalizada pelo sujeito passivo solidário mantendo integralmente os termos do lançamento fiscal em que se exige crédito tributário, referente à contribuição da empresa prevista no artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, incidente sobre a remuneração paga sob a forma de lucros distribuídos no período de 03/2011 a 08/2014, além de multa de ofício de 75%, nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário da empresa Clinic Center S/S LTDA, CNPJ 10.826.184/000105, administrada por Valdecir Arrivabeni, CPF 493.191.83791, até a sua extinção, em 02/02/2015. Em 30/06/2015, data posterior à baixa da empresa, formalizouse procedimento fiscal através do qual se constatou que os pagamentos efetuados sob a forma de distribuição de lucros ao sócioadministrador e aos demais sócios configuravam, na realidade, remunerações vinculadas à prestação de serviços, mais especificamente, aos plantões trabalhados pelos sócios, todos médicos. Ainda segundo o relatório, no caso de lançamentos futuros efetuados após a extinção da personalidade jurídica da empresa, a responsabilidade deve ser atribuída aos administradores dos períodos dos respectivos fatos geradores (arts. 4º, 5º e 9º da Lei Complementar nº 123/2006), bem como àqueles com interesse comum nas situações que constituíram o fato gerador da obrigação principal (art. 124, inc. I da Lei nº 5.172/1966). A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo solidário, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual mantevese a responsabilidade do sujeito passivo solidário com base no interesse comum na situação Fl. 870DF CARF MF Processo nº 15586.720073/201621 Acórdão n.º 2201004.490 S2C2T1 Fl. 4 3 que constituiu o fato gerador, conforme previsto no caput, § 4º e §5º da Lei Complementar nº 123/2006 e no inc. I do art. 124 do Código Tributário Nacional (lei nº 5.172/1966). Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado.” É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 15586.720081/201677, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Henrique de Oliveira, dignos Relator e Redator designado da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018. Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Voto Vencido "Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário preenche os requisitos para sua admissibilidade e portanto o conheço. Conforme consta do relatório fiscal houve a constituição do crédito tributário após encerramento da empresa Clinic Center S/S LTDA, CNPJ 10.826.184/000105, e que foi administrada por Valdecir Arrivabeni, CPF 493.191.83791, até a sua extinção, em 02/02/2015. Houve a lavratura de termo de sujeição passiva solidária em face do recorrente com base nos termos do artigo 9ºcaput, § 4º e §5º da Lei Complementar nº123/2006 e no inc. I do art. 124 do Código Tributário Nacional (lei nº 5.172/1966): Lei Complementar nº 123/2006 Art. 9º O registro dos atos constitutivos, de suas alterações e extinções (baixas), referentes a empresários e pessoas jurídicas em qualquer órgão dos 3 (três) âmbitos de governo ocorrerá independentemente da regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do Fl. 871DF CARF MF Processo nº 15586.720073/201621 Acórdão n.º 2201004.490 S2C2T1 Fl. 5 4 empresário, da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo das responsabilidades do empresário, dos titulares, dos sócios ou dos administradores por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção. (...) § 4º A baixa do empresário ou da pessoa jurídica não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados tributos, contribuições e respectivas penalidades, decorrentes da falta do cumprimento de obrigações ou da prática comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial de outras irregularidades praticadas pelos empresários, pelas pessoas jurídicas ou por seus titulares, sócios ou administradores. § 5º A solicitação de baixa do empresário ou da pessoa jurídica importa responsabilidade solidária dos empresários, dos titulares, dos sócios e dos administradores no período da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Código Tributário Nacional Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Ocorre que, a solidariedade definida pelo art. 9º §§ 4º e 5º da referida Lei 123/2006 são aplicadas tão somente às empresas que estão sob o regime do Simples Nacional e, na espécie, não houve a comprovação por parte da fiscalização de que a empresa que foi baixada estivesse no referido regime especial de tributação. Inclusive a aferição da responsabilidade pelos termos do art. 124, I do CTN não restou comprovada pela fiscalização, sendo apenas indicado como fundamento da solidariedade o fato que o registro do distrato acarreta a extinção da personalidade jurídica da sociedade e a responsabilidade tributária caberá aos sócios. Impende ressaltar, que nos casos de sujeição passiva solidária, cabe ao Fisco promover a prova e relatar os fatos de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal que vincule o sujeito passivo solidário, não sendo possível o interesse meramente econômico e financeiro no resultado ou no proveito da situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitua o fato gerador. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso para afastar a responsabilidade solidária do recorrente no lançamento. Caso vencido na preliminar acima, no mérito, entendo que o recurso não merece prosperar. Com efeito pelo Relatório Fiscal, ficou comprovado pela autoridade lançadora que os pagamentos intitulados como distribuição de lucros eram, na realidade, remuneração decorrente de serviços prestados, quando demonstrou que vários médicos recebiam, mensalmente, valores a título de distribuição de lucros quando nem sequer figuravam no contrato social como sócios e não possuíam qualquer vínculo empregatício com a autuada, além de que as escalas de plantões Fl. 872DF CARF MF Processo nº 15586.720073/201621 Acórdão n.º 2201004.490 S2C2T1 Fl. 6 5 indicadas, provam a sua relação direta entre as escalas e a distribuição de lucros com base em valor/hora para remuneração desses plantões, recebendo os médicos adiantamentos de lucros exclusivamente em decorrência de sua atividade laboral nos plantões, longe portanto, de ser distribuição a título de lucros. Quanto à multa de ofício resta mantida, pois as razões recursais se debruçam apenas em relação ao princípio do não confisco, aplicandose nesse caso os termos da Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator" Voto Vencedor "Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pesem os argumentos e a logicidade jurídica do eminente Relator, ouso, com a devida vênia, dele discordar somente quanto à responsabilidade solidária imputada. Explico. Segundo a Autoridade Fiscal, o Recorrente é responsável solidário posto que tem interesse comum no fato gerador, como se pode inferir do seguinte excerto do Relatório Fiscal: (...)" Em que pese haver a menção a Lei Complementar nº 123/06, fica patente ao longo do relatório da imputação pelo Fisco, da responsabilidade solidária que tal argumento é complementar à verificação do interesse comum no fato gerador, fato este comprovado ao longo do relato feito pela Autoridade Lançadora. Recordemos outros pontos do mencionado relatório: Fl. 873DF CARF MF Processo nº 15586.720073/201621 Acórdão n.º 2201004.490 S2C2T1 Fl. 7 6 Linhas adiante nova explicitação: Ora, patente a motivação fiscal ao imputar, segundo as normas explicitadas pelo CTN, a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído: Há nítido interesse comum no fato gerador da obrigação tributária por parte do coobrigado. Explico. Como dito pelo ínclito Relator, o auto de infração em discussão foi lavrado em razão da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de 'distribuição de lucros', que, na visão do Fisco, são verdadeira remuneração pelo trabalho prestado, uma vez que decorrem de serviços médicos realizados em plantões, pelo Recorrente. A relação laboral apresenta nítido caráter bilateral, ou seja, a prestação de serviços pessoal é prestada por alguém em benefício de outrem. Ao recordarmos que a Constituição Federal, por meio do artigo 195, outorga competência para que o legislador institua um tributo incidente sobre a remuneração paga à pessoa física, pelo trabalho prestado, qualquer que seja o vínculo existente entre o tomador e trabalhador, e que tal tributo, contribuição social nos dizeres da Carta da República, deve ser suportado pelo empregador e também pelo trabalhador, tornase inequívoco o interesse comum, entre o tomador e a pessoa prestadora de serviços no fato gerador trabalho remunerado. Por amor à clareza, reitero: há interesse comum quanto às contribuições sociais previdenciárias, entre trabalhador e tomador de serviços, por expressa disposição constitucional, quanto ao fato gerador trabalho remunerado. Não é outra a posição da doutrina. Paulo de Barros Carvalho, no clássico Curso de Direito Tributário (Ed. Saraiva, 14ª ed., pag. 311), discorrendo sobre o tema, esclarece que o interesse comum no fato gerador: "Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributário, como por exemplo, na incidência de IPTU em que duas ou mais pessoas sejam proprietárias do mesmo imóvel" Fl. 874DF CARF MF Processo nº 15586.720073/201621 Acórdão n.º 2201004.490 S2C2T1 Fl. 8 7 Logo, forçoso reconhecer a procedência da responsabilidade solidária imputada. Tal constatação, nos leva, por via de consequência, afastar peremptoriamente as demais alegações recursais sobre o tema. Quanto a esse aspecto, invoco o contido no art. 489 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015), no seguinte dispositivo: "Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (grifouse)" Neste caso, tendo sido adotado como premissa que a imputação da responsabilidade solidária se deu com base no artigo 124, I, do CTN, e tendo ocorrido a demonstração, pela Autoridade Lançadora, do interesse comum no fato gerador, os demais argumentos apresentados pela recorrente não seriam "capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador". Ademais, o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) Fl. 875DF CARF MF Processo nº 15586.720073/201621 Acórdão n.º 2201004.490 S2C2T1 Fl. 9 8 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revela se inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n.799.509 AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, a doutrina distingue entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será, em regra, obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, em que pese o julgador deva enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, basta para tanto que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008)." CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso quanto à exclusão da responsabilidade solidária imputada. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 876DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10148.000890/2010-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
EXCLUSÃO. DÉBITO.
Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débito junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa e não pago dentro de 30 (trinta) dias da ciência do Ato de Exclusão.
Numero da decisão: 1001-000.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de perda do objeto e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da SIlva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 EXCLUSÃO. DÉBITO. Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débito junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa e não pago dentro de 30 (trinta) dias da ciência do Ato de Exclusão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10148.000890/201019 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.853 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 03 de outubro de 2018 Matéria Exclusão do Simples Recorrente DROGANOSSA FARMÁCIA E MANIPULAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 EXCLUSÃO. DÉBITO. Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débito junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa e não pago dentro de 30 (trinta) dias da ciência do Ato de Exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de perda do objeto e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da SIlva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 8. 00 08 90 /2 01 0- 19 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10148.000890/201019 Acórdão n.º 1001000.853 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 41 a 46) interposto contra o Acórdão nº 0941.351, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 32 a 37), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 EXCLUSÃO. DÉBITO. Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débito junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa e não pago dentro de 30 (trinta) dias da ciência do Ato de Exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de exclusão do regime do Simples Nacional, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/UBB nº 425378, de 01 de setembro de 2010 (fl. 07), a partir de 01/01/2011, em virtude de o interessado possuir débitos deste Regime Especial, com a exigibilidade não suspensa, conforme inciso V do art. 17 da Lei Complementar 123/2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambas da Resolução CGSN nº 15/2007. Contra tal ato, o contribuinte apresentou, em 25/10/2008, Manifestação de Inconformidade (fls. 01/06), na qual, alega ser inconstitucional a Resolução CGSN nº 15, de 2007 e que tem direito ao parcelamento ordinário instituído pela Lei nº 10.522, de 2002. Por fim, requer seja concedido o parcelamento convencional de que trata a Lei nº 10.522, de 2002 e, via de conseqüência, cancelamento do ADE e sua permanência no Simples Nacional." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise alegando preliminarmente que o presente processo teria perdido o objeto vez que o parcelamento instituído com a edição da Lei Complementar 139/2011 teria efeitos retroativos; e, no mérito, requereu a reversão da exclusão do simples bem como o deferimento do parcelamento retroativo, com base nos mesmos argumentos já exarados em primeira instância. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10148.000890/201019 Acórdão n.º 1001000.853 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 1 Da Preliminar Conforme narrado, a Recorrente alega em sede de preliminar que a Lei Complementar 139/2011 trouxe a previsão expressa de parcelamento de débitos em até 60 meses para optantes do Simples Nacional. Em que pese a referida Lei tenha sido editada em data posterior a dos fatos que culminaram no presente litígio, a Contribuinte aduz que faria tal dispositivo deve ser aplicado de forma retroativa por suposta força do art. 106 do CTN, que estabelece a possibilidade de aplicação de legislação a fato pretérito ainda não julgado definitivamente. Ora, não há como se acolher a lógica esposada pela Recorrente. É cediço que a inscrição de determinada pendência tributária em parcelamento exige o ato formal de adesão. Depende de um ato de vontade do Contribuinte em que este escolhe quais débitos se comprometerá a pagar por esta via, comunica à Administração Fazendária a sua intenção, confessa os débitos, realiza os cálculos e demais atos preparatórios necessários conforme as regras estipuladas, escolhe o número de parcelas e etc. Assim, não há que se falar em "parcelamento tácito" ou se considerar que todos os débitos existentes foram "automaticamente parcelados" assim que a legislação abriu essa possibilidade. Em verdade, somente ocorre a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários no momento em que todos os atos de adesão ao parcelamento se aperfeiçoam. No presente caso, o alcance do parcelamento autorizado pela Lei Complementar 139/2011 deve ser entendido como suficiente para que a Recorrente eventualmente incluísse os débitos já existentes à época da edição da Lei, mas ainda assim a efetiva adesão só poderia ocorrer em data posterior, e este seria o marco inicial para se considerar suspensa a exigibilidade dos débitos. Desta forma, não cabe se cogitar em retroatividade da adesão ao parcelamento, nos moldes aventados pela Recorrente, tampouco retroagir a suspensão da exigibilidade dos créditos que, porventura, tenham sido parcelados em data posterior aos fatos que culminaram na exclusão do Simples. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10148.000890/201019 Acórdão n.º 1001000.853 S1C0T1 Fl. 5 4 2 Do Mérito Superada a questão preliminar, a Recorrente se resumiu em defender o mérito do litígio com base em argumentos já defendidos em primeira instância Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: " (...) Com relação ao mérito, cumpre reproduzir parte dos arts. 17 e 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006, verbis: Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Art.31.(...) §2o Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. Devese transcrever, ainda, a alínea d do inciso II do art. 3º e o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 15, de 2007: Art. 3º A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, darseá: II – obrigatoriamente, quando: d) incorrer na hipótese de vedação prevista no inciso XVI do art. 12 da Resolução CGSN nº 4, de 2007. Art. 5º A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: I – verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; Pela legislação acima, concluise que não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP que possuir débito junto à Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. De acordo com a tela de fl. 31, os débitos motivadores da exclusão não foram regularizados no prazo de que trata o § 2º do art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006, transcrito no princípio do presente voto. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10148.000890/201019 Acórdão n.º 1001000.853 S1C0T1 Fl. 6 5 O interessado tinha débitos e não efetuou a comunicação de exclusão obrigatória e, em conseqüência foi excluído de ofício. A empresa não comprovou a regularização dos débitos motivadores da exclusão em tempo hábil, não havendo como permitir a sua permanência como optante pelo Simples Nacional. Sobre o parcelamento de débitos requerido pelo interessado que é empresa optante pelo Simples Nacional, temse que o art. 155A do CTN determina que o “parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica” e, não havia previsão legal específica de parcelamento de débitos fiscais para empresas que estivessem sob o regime de tributação simplificada até a expiração do prazo para regularização dos débitos apontados no ADE em comento. A Lei nº 10.522/2002 é anterior à instituição do Simples Nacional e não pode ser aplicada ao caso e a Lei nº 11.941, de 2009, não vedou expressamente o parcelamento às empresas optantes do Simples Nacional, porém, não o previu. O parcelamento de débitos dos optantes pelo Simples Nacional exige lei específica, nos exatos termos do artigo 155A do CTN; lei específica, que traga ferramentas de processamento de dados, com nível de detalhamento e intercâmbio de informações entre os entes tributantes, não compatíveis com as disposições das referidas leis. Somente em 11/11/2011 foi publicada a Lei Complementar nº 139, de 10/11/2011, que previu expressamente a possibilidade de se parcelar débitos do Simples Nacional na forma e condições previstas pelo Comitê Gestor do Simples Nacional. O manifestante, repisese, deixou de cumprir a alternativa que o manteria no Simples Nacional, ou seja, o integral recolhimento dos tributos, no prazo de trinta dias, contados da ciência do ADE. A opção pelo parcelamento não era válida, pelas razões já expostas. Algumas empresas até conseguiram transmitir o pedido de parcelamento à RFB, pois o ferramental disponível na rede mundial de computadores não dispunha de filtros capazes de impedir o suposto ingresso dos optantes do Simples Nacional na sistemática de parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009. Por isso mesmo, os optantes pelo Simples Nacional nesta condição conseguiam inserir dados que aparentemente os habilitavam na modalidade de parcelamento. Referidas empresas, eram inevitavelmente excluídas pelas razões técnicas e legais expostas, subsistindo, assim, as razões impeditivas que ensejavam os respectivos ADEs. Finalmente, é oportuno destacar a Portaria PGFN/RFB nº 6, de 2009: Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10148.000890/201019 Acórdão n.º 1001000.853 S1C0T1 Fl. 7 6 Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 3º O disposto neste Capítulo não contempla os débitos apurados na forma do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. A título puramente exemplificativo do entendimento do Poder Judiciário sobre o assunto, transcrevese parte da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.236.488RS: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO ESPECIAL. LEI N. 11.941/2009. VEDAÇÃO ÀS EMPRESAS OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL. PORTARIA PGFN/RFB N. 6/2009. LEGALIDADE. 1. Cuidase, na origem, de mandado de segurança onde se busca a declaração de ilegalidade da Portaria PGFN/RFB n. 6/2009, que veda o acesso ao parcelamento especial da Lei n. 11.941/2009 às empresas optantes do "Simples Nacional". 2. O fomento da micro e da pequena empresa foi elevado à condição de princípio constitucional, de modo a orientar todos os entes federados a conferir tratamento favorecido aos empreendedores que contam com menos recursos para fazer frente à concorrência, em consonância com as diretrizes traçadas pelos arts. 170,IX, e 179 da Constituição Federal. 3. O Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar n. 123, de 2006, consubstanciase em regime único de arrecadação, abrangendo tributos administradas por todos os entes políticos da Federação (arts. 1º e 13). 4. Apenas Lei Complementar pode criar parcelamento de débitos que englobam tributos de outros entes da federação, nos termos do art. 146 da Constituição Federal. 5. A Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 6/2009, que veda o acesso ao parcelamento especial criado pela União, por meio da Lei n. 11.941/2009, não é ilegal pois inexiste autorização de Lei Complementar para a inclusão dos tributos dos demais entes da Federação. 6. Consoante a redação do art. 155A, do CTN, "o parcelamento será concedido na forma e condição estabelecida em lei específica". A lei concessiva do parcelamento não contemplou os débitos do Simples Nacional, razão pela qual o ato normativo impugnado não extrapolou os limites legais. Recurso especial improvido. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10148.000890/201019 Acórdão n.º 1001000.853 S1C0T1 Fl. 8 7 Ademais, não compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) deferir pedidos de parcelamento de débitos tributários. Essa atribuição é da Delegacia da Receita Federal do Brasil da jurisdição do contribuinte, mediante declaração ou requerimento dirigido aos seus titulares. Também não compete às DRJs julgar manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de parcelamento. A apreciação por parte das DRJ somente ocorre quando há manifestação de inconformidade contra decisão dos Delegados ou Inspetores, em processos administrativos sobre a matéria, na forma dos arts. 233 e 302 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, que versa sobre o regimento interno da Receita Federal do Brasil, verbis: Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: [...]. IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. (grifei) Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...]; VI decidir sobre a concessão de regimes aduaneiros especiais e pedidos de parcelamento, sobre restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, suspensão e redução de tributos; Assim, é a Delegacia da Receita Federal do Brasil em UberabaMG o órgão competente para apreciar e deferir, se for o caso, o pedido de parcelamento de eventuais débitos para com a Fazenda Nacional. Da decisão, não cabe manifestação de inconformidade à Delegacia de Receita Federal do Brasil de Julgamento. Por conseguinte, a solução, dentro da esfera de competência da DRJ, é o indeferimento do pedido de manutenção no Simples Nacional, por faltar demonstração de que foi regularizada a situação Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10148.000890/201019 Acórdão n.º 1001000.853 S1C0T1 Fl. 9 8 da empresa dentro do prazo de trinta dias previsto no § 2º do artigo 30 da Lei Complementar nº 123, de 2006. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO por REJEITAR A PRELIMINAR de perda do objeto e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003308/2005-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2000
APLICAÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA PARA DECLARAÇÃO NÃO PERMITIDA. NÃO CABIMENTO.
Tendo em vista que o art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999 não admite retificação de declaração que tenha por objetivo mudança do regime de tributação, a aplicação da multa isolada pela apresentação desta declaração a destempo é indevida.
Numero da decisão: 1001-000.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000 APLICAÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA PARA DECLARAÇÃO NÃO PERMITIDA. NÃO CABIMENTO. Tendo em vista que o art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999 não admite retificação de declaração que tenha por objetivo mudança do regime de tributação, a aplicação da multa isolada pela apresentação desta declaração a destempo é indevida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 33 08 /2 00 5- 91 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.003308/200591 Acórdão n.º 1001000.986 S1C0T1 Fl. 59 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS) mediante o Acórdão nº 1023.012, de 02/12/2009 (efls. 20/35), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Tratase de auto de infração para cobrança de multa por atraso na entrega de declaração de informações, no valor de R$ 8.923,69. Em 30/6/00, a contribuinte apresentou DIPJ do exercício 2000 como optante do lucro real e, em 4/10/00, entregou DIPJ relativa ao mesmo exercício como optante do lucro presumido. O sistema informatizado considerou ter havido troca do regime de tributação, aceitando a última declaração como original. Por decorrência, houve o lançamento da multa (MPs 1.99026/99 e 2.18949/01, art. 18; IN SRF 166/99). A impugnante alega não ser devida a multa pois retificou declaração entregue no prazo (espontaneidade). A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido transcrevese, verbis: (...) MÉRITO A contribuinte pede o cancelamento da multa em razão da ocorrência da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN; contudo, tal efeito não se aplica As obrigações acessórias, como é o caso das entregas de declarações. 0 Superior Tribunal de Justiça tem entendimento nesse sentido, consoante acórdão de sua Primeira Turma, em julgamento ocorrido em 27/2/07: (...) A DIPJ do lucro presumido é considerada original, uma vez que teve por objetivo a mudança do regime de tributação. Sua entrega em 4/10/00 foi intempestiva;portanto, passível de multa. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÕES. A denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não se aplica às obrigações acessórias. DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO ORIGINAL. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11065.003308/200591 Acórdão n.º 1001000.986 S1C0T1 Fl. 60 3 A apresentação de declaração com mudança no regime de tributação importa em reconhecêla como original, sendo devida a multa quando for entregue após o prazo previsto na legislação. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 20/01/2010, conforme Aviso de Recebimento à efl. 38, a recorrente apresentou recurso voluntário em 10/02/2010, conforme carimbo de recepção à efl. 39. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto (efls. 39/43), a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, apresenta novos argumentos e "requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração, bem como do crédito tributário dele decorrente". Pois bem, vamos aos fatos: 1 Prazo para a entrega das declarações: 30/6/2000; 2 DIPJ Ex 2000, tributação lucro REAL entregue em 30/6/2000; 2 DIPJ Ex 2000, tributação lucro PRESUMIDO entregue em 04/10/2000; Assim, estamos diante da aplicação do art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999, que dispõe que não é admitida retificadora com alteração no regime de tributação, verbis: Art. 5º No caso de DIPJ ou DIRPJ, não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. Vejam que há uma contradição no lançamento, digase lançamento informatizado, pois se não se permite a mudança de regime de tributação, como punir a entrega de Declaração (a destempo) que muda o regime de tributação? Ora, se a alteração no regime de tributação não é admitida, a Declaração pelo Lucro Presumido não deveria ser aceita, assim, esta declaração deveria ser cancelada de ofício. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11065.003308/200591 Acórdão n.º 1001000.986 S1C0T1 Fl. 61 4 Só se admitiria a multa se esta fosse aplicada devido à mudança do regime de tributação após o prazo de entrega da declaração. Não é o caso e também não há previsão legal. Só se admitiria a multa se esta fosse aplicada devido à opção da contribuinte pelo Lucro Presumido, caso a mesma tenha feito, no ano corrente, o primeiro pagamento do tributo por esta sistemática e tivesse apresentado a declaração pelo Lucro Real de forma indevida. No entanto, consta nos autos, à efl. 19, que a mesma sempre foi optante pelo lucro Real. Outrossim, não há, nos autos, qualquer informação a respeito deste pagamento, assim como não foi este o fundamento do voto condutor do acórdão recorrido. Assim, manter o Auto de Infração com base nesta lógica, após a obtenção da informação, via uma possível diligência, seria a prática de uma inovação administrativa por parte deste colegiado, o que não é admitido no direito. Assim, entendo que não cabe a aplicação da multa isolada pela entrega da Declaração pelo Lucro Presumido a destempo quando esta altera a forma de tributação em relação à declaração anterior. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901254/2016-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3002-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
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DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 12 54 /2 01 6- 98 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10882.901254/201698 Acórdão n.º 3002000.439 S3C0T2 Fl. 3 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 38/39 dos autos: "DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 114601175, emitido eletronicamente em 10/05/2016, referente ao PER/DCOMP nº 23253.44408.041115.1.3.048948. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/11/2010, no valor de R$ 25.671,75. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: PRIMEIRA NULIDADE • O despacho é nulo porque pretende cobrar R$ 7.477,26 a título de multa. • A cobrança é improcedente por três razões: 1) não está prevista em Lei; 2) o valor cobrado está incorreto: q a multa está limitada a 20% do principal; q o principal é R$ 25.671,75; q 20 % de R$ 25.671,75 é igual a R$ 5.134,35, e não R$ 7.477,26; 3) o despacho não traz a fundamentação legal da multa. SEGUNDA NULIDADE O despacho é nulo porque pretende cobrar R$ 2.803,97 a título de juros Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10882.901254/201698 Acórdão n.º 3002000.439 S3C0T2 Fl. 4 3 § o termo inicial da contagem dos juros é a data da transmissão da DCOMP, 04/11/2015; § o termo final da contagem dos juros é da data do despacho decisório, 10/05/2016; § aplicandose a SELIC do referido período sobre o valor total de R$25.671,75, apurase juros em valor menor do que o exigido. MÉRITO • 1) O DARF estava disponível para ser compensado no sítio da própria Receita Federal. § Os sistemas de verificação impedem a transmissão da DCOMP quando o crédito não existe. § A DCOMP transmitida foi devidamente recepcionada. § Se a DCOMP transmitida foi aceita, o DARF estava disponível para compensação e o crédito é válido. • 2) O crédito decorre de pagamento a maior de COFINS. Isso se deu em virtude da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A exclusão do ICMS da base de cálculo é matéria analisada segundo o rito dos recursos repetitivos pelo STJ. • 3) O despacho deixou de indicar o dispositivo legal infringido. PEDIDO Diante do exposto, pedese posterior juntada de prova, anulação do despacho decisório e homologação do PER/DCOMP.". Resumindo, o contribuinte em 04/11/2015 protocolou pedido de compensação em razão de suposto pagamento indevido de COFINS (23253.44408.041115.1.3.048948) (fls. 25/29) no valor de R$ 25.671,75. O contribuinte teve negado sua homologação em razão "das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." (fls. 30 Despacho Decisório). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 04/09) requerendo a nulidade do despacho decisório em virtude de vicio formal insanável um vez que "o próprio Despacho Decisório não traz em seu bojo o fundamento legal de tal exigência" bem como, a "suposta multa de mora ... traz valor a maior" ou seja, do valor de R$ 25.671,75 "vinte por cento disso dá o valor de R$ 5.180,89 e não o valor de R$ 5.632,42" prosseguiu argumentando que "como o próprio Despacho Decisório de data de a 10 de maio de 2016, diz, a data inicial da contagem dos juros é a data de transmissão da DCOMP, novembro de 2015. A SELIC acumulada de novembro de 2015 a maio de 2016 é de 6,50%, conforme tabela da Receita Federal que ora anexamos. Desta forma se pegarmos o principal R$ 25.671,75 e aplicarmos a SELIC do período, 6,50%, temos a quantia de R$ 1.668,66 e não a quantia do Despacho Decisório, que é de R$ 2.803,97." Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10882.901254/201698 Acórdão n.º 3002000.439 S3C0T2 Fl. 5 4 A DRJ/BHE proferiu o Acórdão nº 0273.582 (fls. 37/45) por meio do qual decidiu pela improcedência em relação às alegações na manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte e indeferiu o pedido de posterior juntada, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, não conheceu do direito creditório postulado, bem como deixou de homologar as compensações do pedido apresentado. O acórdão foi assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 51/64) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa e, ainda, em razão da infringência ao art. 142 do CTN e b) "porque tratase de pagamento indevido de COFINS, uma vez que o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a inclusão do ICMS base de cálculo da COFINS.". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte em razão de suposto pagamento indevido de COFINS tinha ou não crédito para realizar compensação com tributo da mesma espécie. Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, "in verbis": "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10882.901254/201698 Acórdão n.º 3002000.439 S3C0T2 Fl. 6 5 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.)." Alega o contribuinte que "há, no presente caso, preterição do direito de defesa, ensejando a anulação do Despacho Decisório" tendo em vista que não lhe foi dado oportunidade de autoregularização na análise do PER/DCOMP. Não é esta, porém, a conclusão que eu chego na análise da presente demanda. Isso porque, é dever do contribuinte demonstrar qual a origem do recolhimento indevido para se valer da compensação. Entretanto, se houver discordância da análise preliminar disponibilizada e a retificação não for cabível, o contribuinte não deve, como resposta à oportunidade de autorregularização, apresentar justificativas ou documentos comprobatórios, devendo sim aguardar o recebimento do despacho decisório e, dentro do prazo legal, poderá, então, apresentar manifestação de inconformidade instruída com os documentos comprobatórios que julgar pertinentes. Portanto inocorreu o alegado cerceamento de defesa eis que, ao contrário do que aduz, o contribuinte teve toda a oportunidade no curso do presente processo administrativo para demonstrar a origem, quantificação e liquidez e certeza do crédito restituendo, com as respectivas retificações nos autolançamentos anteriores, até agora não demonstrados. Já em relação à nulidade em razão da infringência ao art. 142 do CTN como alegado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, ou seja, afirmando que "desta forma vemos que, para que haja a legítima cobrança de tributos, é necessária a clara descrição dos fatos e da disposição legal infringida". Pois, bem, notese que no despacho decisório (fls. 30) a fiscalização foi explicita e dispôs de forma clara o enquadramento legal nos seguintes termos: "Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Sendo assim, entendo que não assiste razão as alegações feitas pelo contribuinte. Dessa forma, rejeito as preliminares apresentadas pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. O Acórdão da DRJ aduz que "o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação". Sendo assim, o contribuinte deixou de apresentar nos autos a prova dos fatos alegados, ou seja, "o sujeito passivo vinculou ao débito declarado o DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado." e, ainda, por fim, "a apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo, apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, também não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior." Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10882.901254/201698 Acórdão n.º 3002000.439 S3C0T2 Fl. 7 6 Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Assim, embora não se ignore os efeitos da recente declaração de inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS pelo STF (RE n. 574706) que, em tese podem aproveitar ao contribuinte, também não se pode ignorar que estes efeitos somente se viabilizam mediante a demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo cujo ônus incumbe ao contribuinte (art. 170 do CTN c/c art. 373, I do CPC), inocorrente no caso concreto. Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10882.901254/201698 Acórdão n.º 3002000.439 S3C0T2 Fl. 8 7 Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001589/2005-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/09/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. IDENTIDADE FÁTICA. NECESSIDADE
Ausente a necessária identidade fática, não há como concluir que a divergência entre os resultados dos acórdãos recorrido e paradigmas possa ser atribuída à divergência interpretativa, nem, consequentemente, como admitir o recurso especial de divergência.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/09/2002
RELEVAÇÃO DE PENALIDADE E DISPENSA DOS JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. LIMITES.
O parágrafo único do art. 100 do CTN limita a exclusão de penalidade e juros de mora às hipóteses em que o Contribuinte agiu de acordo com a orientação da Administração Pública, consubstanciada, dentre outras hipóteses, em ato administrativo de caráter normativo.
Assim sendo, restando demonstrado que não havia qualquer ato que orientasse o contribuinte a não recolher o quantum, ou que suscitasse dúvida acerca do seu cálculo, mas exclusivamente acerca do preenchimento de aspectos da declaração de importação que não influenciavam nessa apuração, não há como reconhecer a aplicabilidade da excludente.
Numero da decisão: 9303-007.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, apenas em relação à matéria Retroatividade da norma e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, quanto à Relevação de penalidades, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/09/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. IDENTIDADE FÁTICA. NECESSIDADE Ausente a necessária identidade fática, não há como concluir que a divergência entre os resultados dos acórdãos recorrido e paradigmas possa ser atribuída à divergência interpretativa, nem, consequentemente, como admitir o recurso especial de divergência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 24/09/2002 RELEVAÇÃO DE PENALIDADE E DISPENSA DOS JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. LIMITES. O parágrafo único do art. 100 do CTN limita a exclusão de penalidade e juros de mora às hipóteses em que o Contribuinte agiu de acordo com a orientação da Administração Pública, consubstanciada, dentre outras hipóteses, em ato administrativo de caráter normativo. Assim sendo, restando demonstrado que não havia qualquer ato que orientasse o contribuinte a não recolher o quantum, ou que suscitasse dúvida acerca do seu cálculo, mas exclusivamente acerca do preenchimento de aspectos da declaração de importação que não influenciavam nessa apuração, não há como reconhecer a aplicabilidade da excludente.
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IDENTIDADE FÁTICA. NECESSIDADE Ausente a necessária identidade fática, não há como concluir que a divergência entre os resultados dos acórdãos recorrido e paradigmas possa ser atribuída à divergência interpretativa, nem, consequentemente, como admitir o recurso especial de divergência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DATA DO FATO GERADOR: 24/09/2002 RELEVAÇÃO DE PENALIDADE E DISPENSA DOS JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. LIMITES. O parágrafo único do art. 100 do CTN limita a exclusão de penalidade e juros de mora às hipóteses em que o Contribuinte agiu de acordo com a orientação da Administração Pública, consubstanciada, dentre outras hipóteses, em ato administrativo de caráter normativo. Assim sendo, restando demonstrado que não havia qualquer ato que orientasse o contribuinte a não recolher o quantum, ou que suscitasse dúvida acerca do seu cálculo, mas exclusivamente acerca do preenchimento de aspectos da declaração de importação que não influenciavam nessa apuração, não há como reconhecer a aplicabilidade da excludente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, apenas em relação à matéria Retroatividade da norma e, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 15 89 /2 00 5- 66 Fl. 477DF CARF MF 2 mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, quanto à Relevação de penalidades, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo Contribuinte em que se pugna pela reforma do Acórdão nº 3101001.576, integrado pelo Acórdão nº 3402003.232. Confira se sua ementa: DEVIDA A CIDE SOBRE OS GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO: BUTANO E PROPANO Incidência prevista na Lei n 10.336, de 19 de dezembro de 2001, regulamentada pelas INs 107 e 219 de 2001. INCOMPETÊNCIA DO CARF não é competente para se pronunciarse sobre inconstitucionalidade de lei tributária Sumula n. 02. TAXA DE JUROS SELIC A partir de 1 de Abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Sumula n.04. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Em síntese, suscitase divergência interpretativa acerca de duas matérias, denominadas: “1. Retroatividade da norma”; e 2. Relevação de penalidades. A primeira, admitida por meio do despacho em Agravo às efls. 453 a 460 e a segunda, por meio de despacho em Exame de Admissibilidade às efls. 374 a 378. Ciente do conteúdo dos despachos a Fazenda Nacional apresenta suas contrarrazões, aduzindo, em síntese, em preliminar, a nãocaracterização de divergência interpretativa acerca da primeira matéria e, no mérito, o acerto da decisão recorrida em relação às duas matérias. É o Relatório. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 11128.001589/200566 Acórdão n.º 9303007.470 CSRFT3 Fl. 478 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Antes de adentrar na análise das razões recursais, julgo relevante revisitar o exame de admissibilidade pois, a meu ver, o recurso não preenche os pressupostos para o seu prosseguimento com relação à primeira matéria recursal, no caso, a denominada “Retroatividade da norma”, pois os acórdãos apontados como paradigma não se prestam à demonstração da divergência. Neste ponto, esclareçase, o recorrente visa a afastar a cobrança da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (CIDE) sobre a importação de gás Butano, sob a alegação de que a incidência combatida padeceria de ilegalidade, já que amparada nas Instruções Normativas SRF nº 107/2001 e 219/2002, esta última aplicada, segundo alega, retroativamente. O acórdão recorrido, por sua vez, assentou o entendimento de que a Lei nº 10.336/2001 instituiu a incidência da CIDE sobre a importação e a comercialização de petróleo, gás natural, álcool etílico e seus respectivos derivados, e que as instruções normativas teriam se limitado a disciplinar aspectos práticos do preenchimento da Declaração de Importação. Confirase (destaques editados): A Lei nº 10.336/2001 que instituiu a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Cide, incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível, a que se refere os arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. O art. 3º do referido diploma legal assim dispõe: (...) A IN/SRF 107, de 2001, a meu ver, não ampliou a incidência da CIDE e nem modificou as suas alíquotas; apenas dispôs quanto ao modo como os produtos devem ser informados na Declaração de ImportaçãoDI, no tocante à unidade de medida estatística e aos códigos da nomenclatura Comum do Mercosul NCM que devem ser utilizados, dentre outras normas de procedimento. Quanto a IN/SRF 219, de 2002, complementando a IN/SRF 107, informa os códigos da NCM e respectivas unidades de medida estatística de outras mercadorias classificadas como gás liquefeito de petróleo a serem indicados na DI. Como visto, em nenhuma passagem o aresto assume a premissa de que os atos normativos teriam inovado retroativamente e criado uma incidência não prevista em Lei. Essa é uma alegação veiculada no recurso especial e que, data vênia, não pode ser demonstrada a partir dos paradigmas, que tratam da aplicação de legislação diversa a fatos igualmente diversos. Fl. 479DF CARF MF 4 Com efeito, o paradigma nº 10246.116 tratou da possibilidade de se aplicar o ADN Cosit nº 96/99 a pedidos de restituição formulados quando ainda estaria em vigor o ADN Cosit nº 04/99. Confirase: Destarte, a análise do presente recurso fica subsumido a três pontos relacionados com o instituto da decadência, quais sejam, estaria o Recorrente amparado pelo disposto no ADN Cosit 04/99? Ou estaria o Recorrente sob os efeitos do AD n° 96/99? Ultrapassados esses dois pontos, e utilizando a sistemática posta no CTN, seriam aplicados ao presente caso os ditames do artigo 168, I? (...) Todavia, fazse necessário a análise do disposto no AD n° 96/99, visto que tal dispositivo normativo veio reduzir consideravelmente o prazo para pleito da restituição, tendo por base o deslocamento do dies a quo do prazo decadencial, estabelecendo que o prazo de cinco anos para que o contribuinte pudesse pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, deve ser contados da data da extinção do crédito tributário, sendo tal entendimento obrigatório, inclusive às restituições de Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os rendimentos recebidos como verbas indenizatórias a título de incentivo a adesão a Programa de Desligamento Voluntário — PDV. Ainda que se entendesse como plausível o deslocamento do início de contagem do prazo decadencial, posto no artigo 168, inciso II, para o inciso I do mesmo artigo, ainda assim, no presente caso não há que ser acatado tal pretensão, senão vejamos. O ADN Cosit n° 04/99 que estipulou o prazo decadencial em observância ao disposto no artigo 168, II, do CTN foi publicado no Diário Oficial da União em 28 de janeiro de 1999, tendo sua vigência e efeitos surgidos com a circulação do referido diário, portanto, a partir da referida data, o que proporcionou aos diversos contribuintes postos na referida situação o direito de verem sua pretensão reconhecida até o termino do prazo decadencial de cinco anos, estipulado tanto no artigo 168, quanto no próprio Ato Declaratório. Todavia, o AD n° 96/99 somente veio ter vida no ordenamento jurídico pátrio a partir de sua edição e publicação no DOU, isto na data 30 de novembro de 1999, o que impede de alcançar direitos adquiridos já consumados, como no presente feito. (...) Ora, a situação em análise encontrase perfeitamente delineada nos ensinamentos acima transcritos, vez que o Recorrente exerceu seu direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente, reconhecido pelo ADN Cosit n° 04/99, perfeitamente em consonância com o ordenamento jurídico pátrio, o que impede a conclusão quanto a possibilidade de retroação da norma nova como forma de regular fato pretérito. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 11128.001589/200566 Acórdão n.º 9303007.470 CSRFT3 Fl. 479 5 De outra banda, o paradigma de nº 9101002.199, analisando a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, considerou a penalidade descabida em razão de que, à época dos fatos ali debatidos, a obrigação que se alega descumprida ainda não estava em vigor. Confirase os seguintes excertos: A questão aqui diz respeito à incidência ou não da legislação que institui a multa em discussão e da aplicação em si da norma que rege as obrigações acessórias, mas não restaria afetada pelo § 1º do art. 144. Não se está a discutir se a norma procedimental pode retroagir para atingir períodos anteriores à sua instituição, no que diz respeito às informações em si. Isto está mais que assentado, considerando as decisões dos tribunais superiores em relação à CPMF e à LC 105/2001. A questão é se as normas aplicáveis ao caso permitiriam a exigência do procedimento relativamente ao exercício de 2001, exercício em que foram publicadas (este aspecto será verificado com mais profundidade mais adiante). (...) Compulsando as razões de decidir do Ac. nº 20309.828, que também são sucintas, não há referência ao §1º do art. 113 do CTN, no que diz respeito à possibilidade de retroação de norma. A razão é simples. Este dispositivo trata de retroação de norma material, que impõe ou atribui obrigações ao contribuinte, mas não trata de retroação de multas tributárias, que é o caso dos presentes autos. E as normas que instituíram a obrigação discutida in casu trazem especificidades em relação a sua aplicação no anocalendário de 2001, o que impacta, também a aplicação da multa. (...) Na verdade, o problema está em que a obrigação acessória, na forma como foi exigida pela autoridade administrativa, para o anocalendário 2001, não era passível de ser exigida. Essa exigência era possível tão somente pela sistemática anterior ou, como diz a norma, por opção do contribuinte já previamente comunicada. Como foi visto anteriormente, as alterações no artigo 11 da Lei nº 8.218/91, e a modalidade de declaração instituída pela IN/SRF nº 86/2001, criaram uma nova obrigação acessória, mesmo que por meio de legislação tributária no conceito do artigo 96 do CTN. Não é possível, portanto, comparar o raciocínio desenvolvido pelos paradigmas com o que foi aqui traçado, pois a premissa que orientou o aresto recorrido, repita se, formada a partir de um contexto fáticonormativo diverso, é a de que não houve aplicação retroativa. Dito de forma diversa: não é possível extrair dos arestos apontados como paradigmas qualquer raciocínio acerca da vigência da Lei nº 10.336/2001, aqui debatida, pois o debate ali travado sequer tangenciou essa discussão. Fl. 481DF CARF MF 6 Sem que se possa empreender essa comparação, acolher o recurso especial de divergência do contribuinte representaria, por via indireta, facultar a apresentação do já extinto recurso especial “do Procurador”, por suposta contrariedade à Lei. Repisese, a suposta incompletude da Lei e sua complementação retroativa por atos da Secretaria da Receita Federal do Brasil fazem parte das alegações recursais, mas não foram referendadas pelo acórdão recorrido. Cumpre registrar que o despacho em Agravo sugere que esta primeira matéria não teria sido alvo do necessário prequestionamento pelo acórdão recorrido. Entretanto, com a devida licença, penso que, quando o voto condutor assumiu a premissa de que a exação estaria referendada pela Lei nº 10.336/2001 (independentemente da edição dos atos administrativos de caráter normativo), acabou afastando as duas alegações: de ilegalidade e de irretroatividade. Com relação à segunda matéria, denominada “Relevação de penalidades”, supostamente baseada na aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN, entendo, por outro lado, bem caracterizados os pressupostos de admissibilidade do recurso especial de divergência, vez que o paradigma trata de litígio idêntico e ocorreu o necessário prequestionamento da matéria. Confirase o voto condutor do acórdão de 1ª instância, do qual foram retirados os fundamentos para a manutenção da penalidade (destaques editados): Relativamente à penalidade aplicada, poderseia aventar a aplicação do disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN, que exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valer monetário da base de cálculo do tributo, na hipótese de observância, por parte do contribuinte, das normas complementares relacionadas no capta do citado artigo. (...) Entretanto, ainda que plausível a argumentação, como regra geral de direito tributário, a tese não prospera no caso concreto. É que o parágrafo único do art. 100 do CTN dispensa multas e juros enquanto o contribuinte se conduza com observância dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, no caso, a IN SRF n° 107/2001. Assim, em consonância com a tese aventada, após a publicação da IN SRF n°219/2002, foram eliminadas quaisquer dúvidas que pudessem ser alegadas quanto à abrangência da expressão "gás liquefeito de petróleo" contida na lei, podendo, a partir de então, o sujeito passivo ter se valido da regra legal em comento, para recolher espontaneamente, sem multas ou juros, a contribuição relativa aos fatos geradores anteriormente ocorridos Entretanto, no mérito, não se vislumbra como acolher as razões recursais. Encontrase pacificado na jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e do CARF que o Propano e o Butano são espécies do gênero “Gás Liquefeito de Petróleo” e que essa definição não decorre das instruções normativas nº 107/2001 e 219/2002, mas da estrutura do Sistema Harmonizado, sabidamente muito anterior a esses atos e à própria Lei nº 10.336/2001, responsável pela instituição da exigência litigiosa. A título de exemplo, confirase: Fl. 482DF CARF MF Processo nº 11128.001589/200566 Acórdão n.º 9303007.470 CSRFT3 Fl. 480 7 Acórdão nº 3302005.2261: INCIDÊNCIA CIDECOMBUSTÍVEL. GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO. BUTANO E PROPANO. A Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, prevê a incidência da CIDEcombustível sobre o gás liquefeito de petróleo, gênero do qual o propano e o butano são espécies. Acórdão nº 30332.0762: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE — As hipóteses de incidência da CIDE foram estabelecidas pela Lei nº. 10.366/01, não podendo ser removidas nem criadas através de ato administrativo. A contribuição em causa incide sobre as importações de propano bruto liquefeito e butano liquefeito ex vi do art. 5º., VI da citada lei. Igualmente relevante é citar o seguinte excerto do votocondutor: “Indiscutível, portanto, a imputação da mencionada contribuição sobre todas as formas de gás liquefeito de petróleo, independentemente de sua estrutura química. Esta é aspecto primordial para a classificação do produto, mas irrelevante para a incidência tributária. Tanto assim é que a lei, nos diversos incisos do art. 5º., onde são definidas as mercadorias que se submetem à exação, jamais cuidou das respectivas classificações fiscais. Os butanos liquefeitos, como integrantes da categoria “gases liquefeitos de petróleo, devem ser tributados por força da Lei 10336, e não do ato normativo infralegal. Acórdão nº 30131.6953 CIDE SOBRE IMPORTAÇÃO. IN SRF nº 107, de 2001. IN SRF nº 219, de 2002. INEXISTÊNCIA DE AFRONTA À LEI 10.336 QUE INSTITUIU A CIDE. A INSRF 107/2001 não inovou nem criou qualquer hipótese de incidência, bem como a INSRF 219/2002 apenas se referiu sobre as disposições do inciso VI do artigo 2 da INSRF 107/2001, somente indicando os códigos NCM referentes aos produtos especificados pertencentes ao gênero sobre os quais já estava prevista a incidência da contribuição na Lei 10.336/2001 no seu artigo 2, inciso VI. Aliás, o próprio paradigma que demonstraria a divergência quanto à aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN assentou essa mesma interpretação. 1 Conselheira Sara Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Julgado por maioria em 26/02/2018. 2 Conselheiro Sérgio de Castro Neves. Julgado por unanimidade em 15/06/2005 3 Conselheira Atalina Rodrigues Alves. Julgado por maioria em 15/03/2005 Fl. 483DF CARF MF 8 Assumindo essa premissa, não se vislumbra como enquadrar os fatos aqui debatidos no referido dispositivo legal, cuja redação relembro, no intuito de dar maior clareza à linha de raciocínio (destaques acrescidos): Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Ora, se estamos assumindo a premissa (que aliás não pode ser revista no presente litígio, já que a matéria não teve seguimento) de que, nos termos do art. 3º, V da Lei nº 10.336/2001 a CIDE sempre incidiu sobre a importação e a comercialização de butano e propano, espécies do gênero Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), não se poderia assumir que o contribuinte agira em observância à Instrução Normativa nº 107, de 2001, pois o ato limitouse a tratar de aspectos procedimentais relativos à cobrança da contribuição sobre gases liquefeitos e à forma pela qual deveriam ser declarados. Confirase: Art. 2º Para os efeitos do preenchimento da Declaração de Importação (DI), que será registrada no SISCOMEX, a Cide Combustíveis devida pelas pessoas jurídicas que procedam à importação dos produtos relacionados no art. 3º da Lei nº 10.336, de 2001, será apurada com base nas seguintes alíquotas específicas: I gasolinas, valor de R$ 501,10, devido por metro cúbico (m³) importado; II diesel, valor de R$ 157,80, devido por m³ importado; III querosene de aviação, valor de R$ 21,40, devido por m³ importado; IV outros querosenes, valor de R$ 25,90, devido por m³ importado; V óleos combustíveis (fuel oil), valor de R$ 11,40 multiplicado pela densidade do produto, expressa em toneladas por metro cúbico (t/m³), devido por m³ importado; VI gás liquefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta, valor de R$ 0,1046, devido por kg líquido importado; Fl. 484DF CARF MF Processo nº 11128.001589/200566 Acórdão n.º 9303007.470 CSRFT3 Fl. 481 9 VII álcool etílico combustível, valor de R$ 0,02254, devido por litro (l) importado. É certo que a forma com que o § 2º do referido art. 2º da Instrução Normativa nº 107, de 2001 foi redigida poderia até suscitar dúvida quanto ao preenchimento das Declarações de Importação, pois orienta o contribuinte, para fins estatísticos, a classificar o produto na posição 2711.19.10, confirase: § 2º Para fins de apresentação da DI relativa aos produtos referidos no caput deverão ser utilizados os seguintes códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e respectivas unidades de medida estatística: NCM PRODUTO Unidade de Medida Estatística 2710.11.51 Gasolina de aviação m3 2710.11.59 Gasolinas m3 2710.19.11 Querosene de aviação m3 2710.19.19 Querosenes m3 2710.19.22 Óleos combustíveis, do tipo "fueloil" m3 2711.19.10 Gás liqüefeito de petróleo kg líquido Como é possível perceber, o disciplinamento da cobrança da contribuição litigiosa ficou a cargo do caput do art. 2º, enquanto o § 2º desse mesmo artigo orientou o contribuinte no preenchimento da declaração, no que se refere ao código NCM e respectiva unidade de medida estatística a ser adotada. Verificase que dito § 2º, deixou de distinguir o gás butano e sua respectiva unidade de medida estatística, fato posteriormente corrigido pela IN 107. No entanto, cumpre registrar que, em nenhuma passagem, referido § 2º restringe a incidência da contribuição ao gás de cozinha. Aliás, tal dispositivo sequer trata do cálculo do quantum da contribuição. No entanto, resta a meu ver evidente que tal imperfeição da norma procedimental suscitaria, no máximo, dúvida quanto ao preenchimento da NCM e, especialmente, da unidade de medida estatística, jamais quanto ao alcance da hipótese de incidência prevista na Lei 10.336/2001. Melhor dizendo, os únicos erros aos quais o contribuinte poderia alegar ter sido induzido seria o preenchimento do código da NCM, caso interpretasse que todos os gases liquefeitos de petróleo teriam que seguir o código 2711.19.10, próprio do gás de cozinha, ou, em contraposição, eventual erro na indicação da unidade de medida estatística a ser adotada para o butano, por falta de orientação expressa na norma procedimental. Ocorre que, no presente litígio, não discute a imposição de multa de 1% por erro no preenchimento da declaração, disciplinada no art. 84 da MPV nº 2.15835/2001, mas multa por falta de recolhimento. Assim sendo, por mais plausível que fosse a alegação de que o § 2º da IN 107/2001, em sua versão original, suscitaria dúvidas, tais dúvidas a meu ver, restringemse ao preenchimento da DI, não afetando o alcance da contribuição. Assim sendo, não há que se falar em aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN. Fl. 485DF CARF MF 10 Ante o exposto, deixo de tomar conhecimento do especial de divergência no que se refere à matéria denominada “Retroatividade da norma” e nego provimento ao recurso relativamente à matéria “Relevação de penalidades”. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.722580/2016-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/09/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
O Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição, constados da data da ciência postal da decisão DRJ, é intempestivo, pelo que dele não se deve tomar conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-005.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em virtude da sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 104 1 103 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.722580/201616 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.704 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. Recorrente FIDO CONSTRUTORA MONTAGENS INDUSTRIAIS, IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/09/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. O Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição, constados da data da ciência postal da decisão DRJ, é intempestivo, pelo que dele não se deve tomar conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em virtude da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 25 80 /2 01 6- 16 Fl. 104DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração para a exigência de multa isolada decorrente de compensação indevida efetuada em Declaração de Compensação (Dcomp) apresentada com falsidade, a teor do art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. A síntese do processo até a interposição da Impugnação Administrativa pode ser depreendida do relatório do Acórdão n.º 1465.421 da 4ª Turma da DRJ/RPO: "O termo de verificação fiscal e auto de infração encontramse às fls. 20/27. De acordo com os autos, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação (Dcomp), às fls. 2/6, cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de agosto/2011, que não foi homologada pelo fato de o pagamento indicado na declaração já ter sido totalmente utilizado para extinguir a própria contribuição (processo nº 10850.905214/201269, em apenso). Por meio do acórdão, de fls. 9/15, a 14ª Turma de Julgamento desta DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório. Posteriormente, a relatora do acórdão da DRJ realizou representação (fls. 17/19) comunicando, em resumo, que a contribuinte informou o mesmo Darf utilizado na declaração acima citada em várias outras Dcomp, com o crédito pleiteado ultrapassando em muito o valor do efetivo recolhimento. Sendo assim, a representação sugere que se analise a possibilidade da existência de falsidade, prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, e consequentemente a possibilidade de se lavrar a multa isolada, no percentual de 150%, nele prevista. O que foi feito, conforme auto de infração acima citado. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação, de fls. 30/40, alegando, preliminarmente, em síntese, que a imposição da penalidade viola os princípios da legalidade e da tipicidade cerrada por ausência de adequação dos fatos descritos no auto. Argumenta que a exigência da multa isolada nos patamares havidos atualmente não mais se sustenta. Prossegue a impugnante informando que as multas de ofício atualmente aplicadas têm origem em legislação das décadas de 80 e 90, período em que se vivia sob o auge da inflação e o tributo perdia consideravelmente seu valor entre a data da autuação e o momento do recolhimento. Informa que os percentuais altíssimos ali previstos embutem uma memória inflacionária para compensar a desvalorização da moeda e que atualmente não têm mais sentido e servem a interesses arrecadatórios e levam ao confisco. Alega ainda que são comuns autos de infração com acumulação dessas penalidades, com percentuais superiores a 300%. Aduz que os tribunais administrativo e judiciário já reconhecem isso em seus julgamentos, conforme julgados que cita, e que o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu a repercussão geral do julgamento da constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao mérito, argúi que não se encontram nos autos quaisquer comprovações da ocorrência do fato gerador e que, na ausência de elementos probatórios, os livros fiscais da autuada merecem prevalecer. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10850.722580/201616 Acórdão n.º 3402005.704 S3C4T2 Fl. 105 3 Alega que o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) prevê que o ônus da prova é do Fisco, cabendolhe a comprovação do ilícito. Argumenta também que a fiscalização baseouse em suposições de cunho pessoal e não realizou diligências para averiguar os fatos, pois estando a escrituração da contribuinte regularmente apresentada não é dado ao Fisco o poder de rejeitála utilizandose de conjecturas infundadas. Assim, a fiscalização deveria ter aprofundado as investigações e, existindo elementos suficientes, lavrar o auto de infração. (...) Posteriormente, alega que o percentual da multa de 150% caracterizaria o confisco, indo de encontro ao art. 150 da Constituição Federal (CF) e deveria ser cancelada. Cita julgados em Ações Diretas de Inconstitucionalidade onde são analisados o princípio do nãoconfisco. Alega também que o lançamento também feriria, além da vedação do confisco, os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Por fim, contesta a cobrança dos juros e multa aplicados sobre o crédito tributário relativo à compensação indeferida, pois não houve fato nem obrigação tributária." (efls. 49/50) Referidos argumentos trazidos na peça de Impugnação foram julgados improcedentes, com a manutenção integral do Auto de Infração. Intimada da decisão pela via postal em 12/05/2017 (efl. 63), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 21/06/2017 (e fls. 64/75). Esse é o relatório no que concerne o presente acórdão. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O recurso é intempestivo e não merece ser conhecido. Como relatado, a Recorrente foi intimada do acórdão em 12/05/2017 (sexta feira), conforme aviso de recebimento acostado aos autos à efl. 63. Com isso, o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação do Recurso Voluntário, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235/721 e contado na forma do art. 5º deste mesmo Decreto2 e art. 66 da Lei n.º 9.784/993, iniciouse no primeiro dia útil seguinte, 15/05/2017 (segundafeira), encerrando 1 "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." 2 "Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." 3 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. § 1o Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal. § 2o Os prazos expressos em dias contamse de modo contínuo. § 3o Os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, temse como termo o último dia do mês." Fl. 106DF CARF MF 4 definitivamente em 13/06/2017 (terçafeira). Assim, mostrase intempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo em 21/06/2016 (efl. 64). A intimação do sujeito passivo foi devidamente realizada na forma dos arts. 10 e 11 do Decreto n.º 7.574/2011, no endereço postal do contribuinte fornecido à Administração Tributária, no cadastro da Receita Federal, com a prova de recebimento: "Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: (...) II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); (...) § 2o Para fins de intimação por meio das formas previstas nos incisos II e III, considerase domicílio tributário do sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67): I o endereço postal fornecido à administração tributária, para fins cadastrais; e (...) Art.11. Considerase feita a intimação:(Redação dada pelo Decreto nº 8.853, de 2016) (...) II se por via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso II, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67);" Diante do exposto, deixo de conhecer o Recurso Voluntário apresentado, por intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.901310/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13005.901308/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 13 10 /2 00 9- 91 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13005.901310/200991 Acórdão n.º 1301003.434 S1C3T1 Fl. 3 2 sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13005.901308/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de IRPJ, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum. Ademais, que não possuía competência para autorizar retificação de DComp ou assim determinála de ofício, nem mesmo se manifestar a respeito do indeferimento de pedido de retificação decidido pela Delegacia, por sêla definitiva. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defendese com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, ademais, destaquese planilhas de cálculo, LALUR e outros documentos. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13005.901310/200991 Acórdão n.º 1301003.434 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.432, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.901308/2009 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.432): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a PerdComp para realizar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. Apresentou planilha de cálculo, LALUR e DIPJ em sede recursal. O ponto aqui é que a PerdComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pelo recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que documentos sejam analisados a fim de analisar o efetivo erro e consequentemente seu direito de crédito. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13005.901310/200991 Acórdão n.º 1301003.434 S1C3T1 Fl. 5 4 Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da PerdComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000298/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235-1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF.
É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.235-1/MG, no qual reconheceu-se a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.
IPI NÃO DESTACADO EM NOTAS FISCAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE.
O IPI não destacado e não cobrado do adquirente não pode ser excluído da base de cálculo das contribuições.
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de IPI é legítima e possui previsão legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
As aquisições de gases oxigênio e acetileno utilizados pela recorrente em cortes de chapa de aço no processo industrial geram créditos da não-cumulatividade das contribuições.
DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS EXPORTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
A devolução de bens somente gera crédito da não-cumulatividade se a receita de venda dos referidos bens tiverem integrado o faturamento do mês ou de mês anterior e tiverem sido sujeitas à tributação não-cumulativa.
PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS.
As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns.
As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. AQUISIÇÃO
A aquisição, a que se refere o inciso I do §1º dos artigos 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, deve ser entendida como a tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa.
EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS.
Aplicam-se ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas.
Numero da decisão: 3302-006.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o montante relativo a "outras receitas", à exceção de "fretes diversos", dos demonstrativos de apuração de PIS e Cofins nos regimes cumulativos, para reconhecer o crédito da não-cumulatividade sobre as aquisições de gases oxigênio e acetileno utilizados pela recorrente em cortes de chapa de aço no processo industrial, para incluir as receitas financeiras nas receitas não-cumulativas e refazimento do rateio proporcional de créditos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235-1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.235-1/MG, no qual reconheceu-se a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. IPI NÃO DESTACADO EM NOTAS FISCAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. O IPI não destacado e não cobrado do adquirente não pode ser excluído da base de cálculo das contribuições. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de IPI é legítima e possui previsão legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. As aquisições de gases oxigênio e acetileno utilizados pela recorrente em cortes de chapa de aço no processo industrial geram créditos da não-cumulatividade das contribuições. DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS EXPORTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A devolução de bens somente gera crédito da não-cumulatividade se a receita de venda dos referidos bens tiverem integrado o faturamento do mês ou de mês anterior e tiverem sido sujeitas à tributação não-cumulativa. PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. AQUISIÇÃO A aquisição, a que se refere o inciso I do §1º dos artigos 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, deve ser entendida como a tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa. EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS. Aplicam-se ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas.
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INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235 1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. IPI NÃO DESTACADO EM NOTAS FISCAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. O IPI não destacado e não cobrado do adquirente não pode ser excluído da base de cálculo das contribuições. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 02 98 /2 00 6- 51 Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.887 2 Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de IPI é legítima e possui previsão legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. As aquisições de gases oxigênio e acetileno utilizados pela recorrente em cortes de chapa de aço no processo industrial geram créditos da não cumulatividade das contribuições. DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS EXPORTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A devolução de bens somente gera crédito da nãocumulatividade se a receita de venda dos referidos bens tiverem integrado o faturamento do mês ou de mês anterior e tiverem sido sujeitas à tributação nãocumulativa. PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. AQUISIÇÃO A aquisição, a que se refere o inciso I do §1º dos artigos 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, deve ser entendida como a tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa. EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS. Aplicamse ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas. Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.888 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o montante relativo a "outras receitas", à exceção de "fretes diversos", dos demonstrativos de apuração de PIS e Cofins nos regimes cumulativos, para reconhecer o crédito da nãocumulatividade sobre as aquisições de gases oxigênio e acetileno utilizados pela recorrente em cortes de chapa de aço no processo industrial, para incluir as receitas financeiras nas receitas nãocumulativas e refazimento do rateio proporcional de créditos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Autos de Infração de PIS/Pasep, Cofins e CIDE, relativos ao período de dezembro/2000 a abril/2004 (PIS/Pasep), dezembro/2000 a fevereiro/2006 (Cofins) e CIDE em maio/2002 e fevereiro/2004. As infrações constatadas foram (Termo de Constatação Fiscal nº 2, efls. 2575/2605): PIS/Pasep: 1. Valores de outras receitas não oferecidas à tributação no período de 12/2000 a 11/2002, conforme balancetes; 2. Exclusão indevida de IPI não destacado em nota fiscal de venda de açúcar e não recolhido, com base em decisão judicial obtida no Mandado de Segurança nº 2003.61.06.0033784; 3. Excesso de dedução de CIDE dos valores devidos a título de PIS/Pasep, infringindo o disposto no artigo 8º da Lei nº 10.336/2001; 4. Glosas de créditos da nãocumulatividade: 4.1. Glosa nº 01: créditos de aluguéis por falta de comprovação, relativos a contratos de locações de pessoas físicas, segundo informação da recorrente; 4.2. Glosa nº 02: glosa de energia elétrica referente aos meses de 12/2002 e 01/2003; 4.3. Glosa nº 03: falta de comprovação de créditos; Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.889 4 4.4. Glosa nº 04: glosa de valores de ICMS a pagar incidente sobre fretes de vendas; 4.5. Glosa nº 05: glosa de gases oxigênio e acetileno utilizados em cortes de chapas de aço, não se enquadrando no conceito de insumo; 4.6. Glosa nº 06: valor utilizado em duplicidade; 4.7. Glosa nº 07: glosa de crédito sobre devolução de açúcar exportado; 5. Refazimento do rateio de custos, encargos e despesas comuns,, uma vez que a recorrente não considerou as receitas cumulativas relativas à venda de álcool e consideração indevida das receitas financeiras; 6. Glosa de duplicidade de créditos no mês de 12/2003; 7. Desfazimento de ajustes positivos de créditos nos meses de 10/2004 e 04/2005; Cofins: Além das infrações relatadas para o PIS/Pasep, houve a glosa do complemento de preço de aquisição de canadeaçúcar ao longo de 2003, efetuado em 2004, incluindoo no estoque de abertura de produtos acabados. CIDE: Falta de recolhimento e/ou declaração de CIDE devida nos meses de 05/2002 e 02/2004. Em impugnação, a recorrente aduziu que: 1. O conceito de faturamento exposto originalmente na Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional; 2. O valor do IPI, embora não destacado, estava incluído no preço do produto; 3. A CIDE pode ser deduzida no mesmo período de apuração e que ajuizou o Mandado de Segurança nº 2005.61.06.0074199 para discutir a matéria; 4. A glosa sobre a falta de comprovação do contrato de locação não deve persistir, pois poderia ser feito ajuste oral entre as partes; a Lei nº 10.684/2003 foi interpretativa ao trazer a despesa de energia elétrica como parcela a gerar crédito e que a IN SRF nº 358/2003 não poderia definir o que se enquadraria ou não como insumo; relevação da multa em relação à glosa 03; que o ICMS a pagar incidente sobre fretes de vendas pode ser creditado; os gases oxigênio e acetileno são insumos aptos a gerar créditos; relevação da multa quanto à glosa 06; nulidade do auto de infração por erro de fundamentação quanto à glosa 07 ou, subsidiariamente, relevação da multa de ofício; quanto ao ajuste, requer que seja mantido o efetuado pela recorrente, de acordo com o disposto no artigo 3º §8º da Lei nº 10.637/2002; relevação da multa em relação ao lançamento em duplicidade de 12/2003; as receitas Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.890 5 financeiras devem compor o rateio, em virtude de ausência de norma legal, dispondo de modo contrário; os ajustes de créditos, embora extemporâneos, existiram e são autorizados por lei. 5. O reconhecimento do crédito deve ser feito no momento do pagamento do preço, isto é, pelo custo incorrido e não no momento da entrada da mercadoria; 6. A divergência quanto à infração de falta de recolhimento de CIDE decorre de divergência de cálculos, sendo que o cálculo da recorrente está correto. Ao final, pede a nulidade das autuações. A Quarta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1426.949, julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A inexistência de contestação não instaura o litígio e impossibilita a apreciação da matéria, em consonância com o que preceitua o artigo 17 do Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972. COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES. As alegações desacompanhadas de provas que as corroborem devem ser desconsideradas no julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. As multas de oficio possuem natureza objetiva e são exigidas diante da constatação da falta de pagamento do imposto, quando exigido de oficio, estando o julgador impossibilitado de estabelecer graduação no cometimento da falta pela interessada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000, 30/06/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 30/11/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.891 6 30/11/2003, 31/01/2004, 30/04/2004 PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para a PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. CIDE COMBUSTÍVEIS. COMPENSAÇÃO. A possibilidade da compensação da CIDE com a contribuição somente pode ser exercida quando for anterior e efetivamente paga. SISTEMÁTICA DE NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. 0 cálculo dos créditos na sistemática de nãocumulatividade encontrase restrita aos casos expressamente previstos na legislação, sendo vedada sua extensão a itens e condições não previstos na legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2000, 30/06/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/04/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/01/2005, 30/04/2005, 31/01/2006, 28/02/2006 COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para a Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. CIDE COMBUSTÍVEIS. COMPENSAÇÃO. A possibilidade da compensação da CIDE com a contribuição somente pode ser exercida quando for anterior e efetivamente paga. SISTEMÁTICA DE NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. 0 cálculo dos créditos na sistemática de nãocumulatividade encontrase restrita aos casos expressamente previstos na legislação, sendo vedada sua extensão a itens e condições não previstos na legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 31/05/2002, 28/02/2004 CIDE COMBUSTÍVEIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. Impugnação Improcedente Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.892 7 Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O primeiro ponto atacado pela recorrente diz respeito ao conceito de faturamento para efeito de incidência das contribuições no regime cumulativo. De fato, no Termo de Constatação Fiscal nº 2, a autoridade fiscal incluiu na base de cálculo os montantes relativos a "outras receitas". No demonstrativo de apuração do PIS cumulativo (efl. 361), a base de cálculo foi apurada pela soma do faturamento com outras receitas e com as exclusões das receitas de exportação, do IPI destacado e das devoluções de vendas. Por seu turno, a recorrente arguiu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo já declarada pelo STF. A respeito, a apuração da base de cálculo das contribuições no regime cumulativo é regida pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, cujo alargamento de base contido no §1º teve a inconstitucionalidade reconhecida nos leading cases RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG, e assentada no RE 585.2351/MG, com repercussão geral reconhecida, nos termos da seguinte ementa: EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.893 8 serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....”(grifei) Tal decisão deve ser reproduzida nos julgamentos administrativos no âmbito deste Conselho, conforme disposto no §2º do artigo 62 do Anexo II do atual RICARF, aprovado pela Portaria MFnº 343/2015. Assim, a receita bruta sujeita à incidência da Cofins restringese às vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Verificando os balancetes de efls. 2425 em diante, constatase que as outras receitas se referem ao grupo 3.1.2 Outras Receitas Operacionais, incluindo os subgrupos Receitas Diversas (rubricas "Fretes diversos", "Outras receitas", Receitas com Equivalência Patrimonial") e Receitas Financeiras ("Descontos Obtidos", "Juros Recebidos", "Receitas c/ Aplicações Financeiras"). À exceção de "fretes diversos" que necessariamente correspondem a serviços, as demais rubricas se referem a outras receitas operacionais inseridas no alargamento declarado inconstitucional, devendo ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins apuradas no regime cumulativo, itens 1.2.1 e 3.2.1 do Termo de Constatação Fiscal nº 02. Prosseguindo em sua defesa, a recorrente aduziu a exclusão dos valores de IPI embutidos nos preços de venda de suas mercadorias. A própria recorrente admitiu que não efetuou o destaque do IPI em suas notas fiscais em razão de medida judicial obtida em mandado de segurança. O IPI consiste em exclusão da receita bruta, conforme o inciso I do §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, vigente à época dos fatos: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; No mesmo sentido, a IN SRF nº 247/2002: Exclusões e Deduções Gerais Art. 23. Para efeito de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre o faturamento, observado o disposto no art. 24, podem ser excluídos ou Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.894 9 deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores: I das vendas canceladas; II dos descontos incondicionais concedidos; III do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), quando destacado em nota fiscal e cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; [...] Ocorre que não houve qualquer destaque de IPI a ser cobrado dos adquirentes da mercadoria, em razão e, justamente, devido à medida judicial obtida pela recorrente, sendo despicienda a alegação de que o IPI estaria embutido nos preços, a uma porque não há qualquer prova do alegado e a duas, porque seria a confissão de enriquecimento ilícito por parte da recorrente que estaria cobrando IPI dos adquirentes ao mesmo tempo que demandara no Judiciário pela não incidência da exação. Assim, apenas o IPI destacado, cobrado do adquirente, é excluído da base de cálculo. Portanto, afastase a alegação da recorrente. Concernente à exclusão indevida do IPI nos períodos de apuração no regime nãocumulativo, valem as mesmas considerações já tecidas para o regime cumulativo e mantémse a glosa fiscal na matéria. Continuando, a recorrente pugnou pela correção das compensações das contribuições com a CIDE, alegando que efetuou a compensação nos termos do §1º do artigo 8º da Lei nº 10.336/2001 e que a argumentação fora objeto do Mandado de Segurança nº 2005.61.06.0074199. Em consulta processual ao site do TRF 3º Região (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?numeroProcesso=00074 199120054036106), obtémse o Acórdão nº 8.458/2013, cuja ementa e decisão transcrevemse: APELAÇÃO CÍVEL Nº 000741991.2005.4.03.6106/SP 2005.61.06.0074199/SP RELATOR : Juiz Federal Convocado HERBERT DE BRUYN APELANTE : USINA SANTA ISABEL LTDA ADVOGADO : EMILIANE PINOTTI CARRARA AVILE e outro APELADO : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : FERNANDO NETTO BOITEUX E ELYADIR FERREIRA BORGES TRIBUTÁRIO CIDE LEI Nº 10.336/2001 (ARTº 8º) REDAÇÃO DA LEI Nº 10.636/2002 DECRETOS NºS. 4.565/2003 E 5.060/2004 DEDUÇÃO DOS VALORES PAGOS NA IMPORTAÇÃO OU NA COMERCIALIZAÇÃO INTERNA DE Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.895 10 PETRÓLEO E SEUS DERIVADOS, GÁS NATURAL E SEUS DERIVADOS E ÁLCOOL ETÍLICO COMBUSTÍVEL, COM VALORES DA CONTRIBUIÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS LIMITAÇÃO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE PROVA. 1. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre a importação e comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível, instituída pela Lei n. 10.336, de 19/12/2001, cuja base de cálculo é a unidade de medida adotada na Lei para os produtos nela mencionados (art. 4º), tem suas alíquotas fixadas no art. 5º dessa Lei da seguinte forma: "Art. 5º A CIDE terá, na importação e na comercialização no mercado interno, as seguintes alíquotas específicas (Redação da Lei nº 10.636, de 2002): (...) VIII álcool etílico combustível, R$ 37,20 por m3." (Incluído pela Lei nº 10.636, de 2002) 2. Previstas determinadas deduções do montante a recolher, no art. 7º, estabelece o art. 8º da Lei n. 10.336/2001: "Art. 8º O contribuinte poderá, ainda, deduzir o valor da CIDE, pago na importação ou na comercialização, no mercado interno, dos valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidos na comercialização, no mercado interno, dos produtos referidos no art. 5º, até o limite de, respectivamente: (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002). (...). VIII R$ 13,20 e R$ 24,00 por mS, no caso de álcool etílico combustível (Incluído pela Lei nº 10.636, de 2002). § 1º A dedução a que se refere este artigo aplicase às contribuições relativas a um mesmo período de apuração ou posteriores". 3. Fundado no art. 177, § 4º, b, da Constituição Federal, introduzido pela Emenda Constitucional n. 33, de 11/12/2001, estatuiu o art. 9º da referida Lei: "Art. 9º O Poder Executivo poderá reduzir as alíquotas específicas de cada produto, bem assim restabelecêlas até o valor fixado no art. 5º. § 1º O Poder Executivo poderá, também, reduzir e restabelecer os limites de dedução referidos no art. 8º". 4. Com base nesse dispositivo, o Decreto n. 4.565, de 1/1/2003, reduziu proporcionalmente as alíquotas da CIDE e os limites de dedução do PIS/COFINS, antes de o Decreto n. 5.060, de 30/4/2004, introduzir nova alteração, reduzindo a zero a alíquota da CIDE incidente sobre o álcool etílico combustível, bem como o limite de dedução da PIS/COFINS para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004. Semelhante comportamento, todavia, atinhase apenas a objetivos de política econômica, consistentes em evitar onerar excessivamente os contribuintes, com o fito de minimizar o impacto inflacionário. 5. Em nenhum momento a Lei n. 10.366/2001 lhes atribuiu, incondicionalmente, o direito pretendido. Ao contrário, seu próprio art. 8º previa limites para essa dedução, assim como o art. 9º da Lei possibilitava ao Poder Executivo reduzir as alíquotas e esses limites, que poderiam, tal como aconteceu, serem fixados em zero, independentemente de qualquer Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.896 11 proporcionalidade entre ambos. Com efeito, não há, na Lei, nenhuma alusão quanto à necessidade da compensação em foco ser completa. Estatuiu, somente que "a dedução a que se refere este artigo aplicase às contribuições relativas a um mesmo período de apuração ou posteriores" (art. 8º, § 1º, Lei n. 10.336/2001), concluindose que, nas hipóteses nas quais o montante arrecadado a guisa de CIDE fosse superior aos limites de dedução fixados para o PIS/COFINS, era possível, senão a dedução dos valores excedentes no mesmo período, ao menos posteriormente, como assinalado no dispositivo. Nesse passo, só com a fixação do limite em zero, a partir do Decreto n. 5.060, de 30/4/2004, que passou a surtir efeitos a partir de 1/5/2004, tornouse inviável semelhante dedução. Precedentes: (STJ, 1ª Turma; REsp 963169/PR; proc. n. 2007/01441322; Relator Min. JOSÉ DELGADO; DJe 28/04/2008); (TRF 3ºª Região; 3ª Turma; proc. n. 00066809620064036102; AMS 292988; Rel. Des. Fed. CECILIA MARCONDES; eDJF3 Judicial 1 de 03/10/2011, p. 278). (grifos não originais) 6. Ademais, a apelante pretende deduzir os valores relativos à CIDE pagos e ainda não aproveitados das contribuições relativas ao PIS/COFINS incidentes nas operações sobre a produção e comercialização de álcool etílico combustível no mercado interno, referentes aos períodos em que não havia "débitos suficientes de PIS/COFINS". Embora sugira, na fundamentação da peça vestibular, que desde julho de 2003 "passou a ser efetivamente onerada", não indica e nem prova, concreta e precisamente, os períodos de apuração da CIDE cuja dedução pretende. Evidentemente, impossível saber se a pretensão da apelante referese à CIDE apurada antes ou posteriormente à 1/5/2004 (a distribuição da ação ocorreu em 28/7/2005) data a partir da qual os novos créditos gerados a título de CIDE não mais seriam dedutíveis do PIS/PASEP bem como se o valor arrecadado, caso se trate do período anterior, excedia ou não os limites estipulados na legislação, desmerecendo, pois, acolhida o recurso. grifos não originais) ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 07 de fevereiro de 2013. HERBERT DE BRUYN Juiz Federal Convocado Observase que a argumentação da recorrente foi levada ao Judiciário, conforme afirmado por ela própria, estando, pois afastado seu conhecimento no âmbito administrativo. É o que dispõe o Decreto nº 7.574/2011, consolidando as normas do Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 87: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.897 12 renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No mesmo sentido, o art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF e a Súmula CARF nº 1: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso, aplicase o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, que assim concluiu: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.898 13 outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto nº 70.235, de 1972; Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.899 14 l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB nº 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996. Destarte, deixase de conhecer as alegações relativas à matéria objeto da ação judicial e declarase formalmente a definitividade do lançamento no âmbito administrativo, cabendo à unidade administrativa de origem a verificação do atual andamento processual e os efeitos das decisões vigentes sobre a matéria em questão. Continuando em sua defesa, a recorrente refutou as glosas efetuadas pela autoridade fiscal. A glosa nº 01 referese à falta de comprovação de despesas de locação e que seriam contratos firmados com pessoas físicas. Por sua vez, a recorrente apenas afirmou que os contratos foram firmados oralmente, sem contudo trazer qualquer prova das condições contratadas como locador, valores etc, de modo a verificar o cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei, como a utilização do bem alugado nas atividades da empresa, o locador ser pessoa jurídica, conforme disposto no artigo 3º, inciso IV e §2º, I, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 . Assim, mantémse a glosa fiscal. A glosa nº 02 referiuse às despesas de energia elétrica nos meses de dezembro/2002 e janeiro/2003. De seu turno, a recorrente defende que a Lei nº 10.684/2003, em seu artigo 25, apenas explicitou uma questão controversa, esclarecendo sua interpretação. No caso, o artigo 25 da Lei nº 10.684/2003 é resultado da conversão do artigo 1º da MP nº 107/2003, publicada em 11/02/2003, que introduziu o inciso IX no artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, a partir de 1º de fevereiro de 2003. Em sua exposição de motivos1, restou evidente que a referida medida provisória teve por objetivo recuperar dispositivos que haviam sido afastados ou alterados na conversão da MP nº 66/2002 na Lei nº 10.637/2002, não se tratando, por conseguinte, de mera interpretação autêntica de qualquer dispositivo original da Lei nº 10.637/2002. Ressaltase que a energia elétrica nos meses de dezembro/2002 e janeiro/2003 poderia gerar créditos como insumos. A recorrente possui como objeto social descrito no artigo 3º de seu Estatuto Social (efl. 2699) a "atividade de produção de açúcar, destilação de álcool, ambos derivados da canadeaçúcar, a geração de energia elétrica e a comercialização no mercado interno e externo de tais produtos e subprodutos". Assim, em princípio, a energia elétrica utilizada na atividades produtivas poderiam gerar direito a crédito, ao passo que nas atividades administrativas ou comerciais, o crédito não poderia ser concedido. Todavia, a recorrente não informa nem comprova as parcelas de energia elétrica consumida nas atividades produtivas, distinguindoas das consumidas nas atividades comerciais ou administrativas. Mantémse, assim, a glosa fiscal. 1 2. Destarte, propõese a inclusão do inciso VI no § 3o do art. 1o; do inciso IX e §§ 10 e 11 no art. 3o; e do inciso X no art. 8o da referida lei, recuperando dispositivos da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002, afastados ou alterados pelo projeto de conversão ou vetados por ocasião de sua sanção conforme razões de veto (Mensagem no 1.243, de 30 de dezembro de 2002). Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.900 15 Quanto às glosas 03 (falta de comprovação), 06 (duplicidade em maio/2005) item 2.3.8.3 do TCF nº 02 (duplicidade de crédito de material de embalagem e intermediário em dezembro/2003), a recorrente apenas pede a relevação da multa de ofício. Porém, a responsabilidade por infrações, em regra, independe da intenção do agente, conforme disposto no artigo 1362 do CTN. A multa de ofício aplicada decorre do comando do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1423 do CTN. A glosa nº 04 referiuse ao ICMS a pagar incidente nos fretes nas operações de vendas, com ônus suportado pelo vendedor e que o ICMS cobrado na substituição tributária não compõe a base de cálculo. Por sua vez, a recorrente destacou que o ICMS a pagar pode gerar crédito por haver o efetivo desembolso. A descrição da glosa feita pela autoridade fiscal parece se referir ao ICMS a pagar na condição de substituto tributário, incidente sobre os fretes de venda contratados pela recorrente. Tal ICMS a pagar decorrente da cobrança a título de substituição tributária não compõe a base de cálculo de quem cobra nem seu recolhimento ao erário consiste em despesa do substituto tributário, que não pode se apropriar do valor deste ICMS a pagar a título de substituição tributária como créditos das contribuições. Salientase que o ICMS a pagar decorrente das operações próprias também não gera crédito das contribuições, por se tratar de despesas de vendas, sem previsão legal para tal creditamento. Mantémse a glosa. A glosa nº 05 referese aos gases oxigênio e acetileno utilizados pela recorrente em cortes de chapa de aço no processo industrial. É necessário, inicialmente, expor o entendimento da definição de insumos para este relator. Neste aspecto, a nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) 2 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.901 16 a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.902 17 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.903 18 limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.904 19 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que havia divergência no STJ sobre o tema. No REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos. Em 22/02/2018, o STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.905 20 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Embora publicado, tal acórdão ainda não transitou em julgado, sendo sua aplicação ainda não obrigatória. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.906 21 Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.907 22 sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, porém não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.908 23 com aquele definido na legislação do IPI restrito às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.909 24 Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal. Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não geram, em regra, créditos da nãocumulatividade, pois são aplicados aos produtos já acabados. A partir da definição acima, entendo que a utilização dos gases de oxigênio e acetileno em cortes de chapa de aço no processo industrial geram créditos da não cumulatividade das contribuições, razão pela qual a glosa deve ser revertida. No que tange à glosa 07, a recorrente pugna pela nulidade da autuação, uma vez que a autoridade fiscal a fundamentou no inciso VII do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. A glosa se referiu à devolução de açúcar exportado. De fato, o fundamento legal correto corresponde ao inciso VIII e não o VII, mencionado no Termo de Constatação Fiscal nº 02: VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.910 25 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Contudo, tal equívoco no enquadramento legal não acarreta qualquer prejuízo ou cerceamento à defesa da recorrente, pois que a infração está perfeitamente delineada e se refere à devolução de bens que foram exportados, ou seja, não sofreram a incidência das contribuições e, portanto, sua devolução não gera crédito. Subsidiariamente, a recorrente pede a relevação da multa de ofício, que, conforme já visto, é incabível. Prosseguindo, a recorrente refutou o refazimento do rateio de créditos comuns, efetuado pela fiscalização, alegando apenas que atendeu ao disposto no §8º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002. A fiscalização refez o rateio sobre os custos com a canadeaçúcar, incluindo as receitas cumulativas decorrentes da venda de álcool e não apenas as receitas isentas e nãocumulativas, como havia sido efetuado pela recorrente. No caso, os §§ 7º, 8º e 9º do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, abaixo transcritos, prevêem que os créditos relativos aos custos comuns serão rateados proporcionalmente às receitas não cumulativas, em relação à receita bruta total, o que implica a inclusão das receitas cumulativas de vendas de álcool no denominador. Correto, portanto, o refazimento do rateio. § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. Ainda sobre o cálculo do rateio, a fiscalização excluiu as receitas financeiras a partir da redução de sua alíquota a zero pelo Decreto nº 5.164/2004, entendendo que referida redução excluiria as receitas financeiras da incidência nãocumulativa das contribuições. Por seu turno, a recorrente propugna pela ausência de base legal para excluir as receitas financeiras do rol de receitas nãocumulativas. Inicialmente, destacase que a redução da alíquota a zero não retira uma receita do campo de incidência das contribuições, não altera o fato gerador da incidência tributária. Para se definir a natureza da receita, se cumulativa ou não, devese verificar, em Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.911 26 princípio, o rol disposto nos artigos 8º da Lei nº 10.637/2002 e 10 da Lei nº 10.833/2003. A inclusão neste rol leva a receita para o regime cumulativo, seja por condição subjetiva (operadoras de planos de saúde, instituições financeiras, determinadas sociedades cooperativas), seja por condição objetiva, isto é, o tipo de receita auferida, conforme os diversos incisos destes artigos. Além destes marcos normativos, a legislação pode prever que determinada receita não permite a vinculação de créditos a si, como é o caso das exportações de produtos adquiridos com o fim específico, conforme previsão contida no §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, o que exclui tal receita da condição de nãocumulativa, embora não esteja prevista no rol dos artigos 8º da Lei nº 10.637/2002 e 10 da Lei nº 10.833/2003. Destarte, as receitas financeiras, embora sujeitas à alíquota zero, não estão excluídas do rol de receitas sujeitas à nãocumulatividade e devem integrar as receitas não cumulativas no numerador, bem como a receita bruta total no denominador, devendo o recurso voluntário ser provido nesta parte. Em complemento, adoto as razões de decidir esposadas no Acórdão nº 3402 005.330, proferido em 20/06/2018, pela 2º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento, cuja ementa parcial e excerto do voto condutor transcrevemse abaixo: [...] PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). Excerto: "I Rateio Proporcional Receitas Financeiras Como se sabe, os créditos das contribuições do PIS e da Cofins podem somente ser apropriados pela contribuinte em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo), o crédito da contribuição deverá ser apurado em conformidade com o disposto nos arts. 3º, §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep): Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.912 27 Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei] § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual obtido pela razão entre a receita bruta não cumulativa e a receita bruta total auferida pela empresa no mês. Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas aos insumos sobre os quais são apurados os créditos, não deveriam ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos. No entanto, as receitas financeiras integram, sim, a receita bruta não cumulativa, inclusive, posteriormente aos períodos de apuração sob análise, mediante o Decreto nº 8.426/2015, foram restabelecidas as alíquotas das contribuições de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. Nessa linha também é a orientação da própria Cosit órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.913 28 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (...) Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições ou da necessidade de ter havido pagamento das contribuições para o cômputo nas receitas brutas. Temse como princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). 1 Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração. Nesse mesmo sentido já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão cuja ementa se transcreve abaixo, relativamente a consideração das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas: Processo nº 16366.000413/200689 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.312–4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.914 29 Caracterizada a omissão sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras, da Receita Bruta da Exportação não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime não cumulativo. Embargos acolhidos Também no Acórdão nº 3201002.235–2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim decidido: (...) Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, §8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.915 30 (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. (...) Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o correspondente ressarcimento/compensação no montante adicional. Além do acórdão supracitado, cabe destacar, ainda, os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3402002.166: RATEIO PROPORCIONAL. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003. As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como “receitas financeiras”, devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), devem compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). Acórdão nº 330201.172: RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. Para o cálculo do rateio proporcional, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. O total da receita compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Acórdão nº 3801002.668: REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade das contribuições sociais, no Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.916 31 valor da receita bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas, a exemplo das receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS, receitas financeiras e de recuperação de custos. Acórdão nº 3202000.597: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS nãocumulativo. Acórdão 3201002.235: CRÉDITOS DE PIS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento do PIS e da Cofins, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos." Quanto à glosa de ajustes positivos de créditos, a fiscalização deslocou as despesas dos meses de 10/2004 e 04/2005 para os meses de 05/2004 e 01/2005, respectivamente, por se referirem a estes últimos, embora lançadas extemporaneamente pela recorrente nos meses 10/2004 e 04/2005. Esta alegou apenas a relevação da multa, o que já foi afastado, conforme exposto anteriormente. Destacase que, de fato, não houve uma glosa efetiva das despesas, mas apenas seu deslocamento para meses anteriores, o que implica tratamento favorável à recorrente. Constatase, em verdade, que não houve lançamentos de PIS/Pasep nos períodos acima mencionados, nem para de Cofins nos meses de 05/2004 e 10/2004. Já nos meses de 01/2005 e 04/2005, houve lançamentos de Cofins, uma vez que o retorno da despesa para o mês de 04/2005, diminuiria o lançamento de 04/2005, mas aumentaria o do mês 01/2005, fazendo com que a recorrente sofresse maior incidência de juros de mora. Portanto, o procedimento adotado pela fiscalização foi mais favorável à recorrente. Além das matérias já tratadas acima, que se aplicam tanto aos lançamentos de PIS/Pasep quanto de Cofins, houve uma infração específica de Cofins atinente ao creditamento do complemento do preço da canadeaçúcar, cuja entrega do produto ocorrera ao longo de 2003 (regime cumulativo para a Cofins), ao passo que o efetivo pagamento ocorrera em 2004, quando a recorrente tomou os referidos créditos, alegando que o momento de reconhecimento créditos é o do pagamento e não o da entrada da mercadoria. Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.917 32 Neste aspecto, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis emitiu o Pronunciado Técnico CPC nº 30, tratando da mensuração de receitas. Em seus itens 14 em diante, dispôs sobre o momento de reconhecimento das receitas: Venda de bens 14. A receita proveniente da venda de bens deve ser reconhecida quando forem satisfeitas todas as seguintes condições: (a) a entidade tenha transferido para o comprador os riscos e benefícios mais significativos inerentes à propriedade dos bens; (b) a entidade não mantenha envolvimento continuado na gestão dos bens vendidos em grau normalmente associado à propriedade e tampouco efetivo controle sobre tais bens; (c) o valor da receita possa ser mensurado com confiabilidade; (d) for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade; e (e) as despesas incorridas ou a serem incorridas, referentes à transação, possam ser mensuradas com confiabilidade. 15. A avaliação do momento em que a entidade transfere os riscos e os benefícios significativos da propriedade para o comprador exige o exame das circunstâncias da transação. Na maior parte dos casos, a transferência dos riscos e dos benefícios inerentes à propriedade coincide com a transferência da titularidade legal ou da transferência da posse do ativo para o comprador. Tais casos são típicos das vendas a varejo. Em outros casos, porém, a transferência dos riscos e benefícios da propriedade ocorre em momento diferente da transferência da titularidade legal ou da transferência da posse do ativo. 16. Se a entidade retiver riscos significativos da propriedade, a transação não é uma venda e a receita não pode ser reconhecida. A retenção de risco significativo inerente à propriedade pode ocorrer de várias formas. Exemplos de situações em que a entidade pode reter riscos e os benefícios significativos da propriedade são: (a) quando a entidade vendedora retém uma obrigação em decorrência de desempenho insatisfatório que não esteja coberto por cláusulas normais de garantia; (b) nos casos em que o recebimento da receita de uma venda em particular é contingente, pois depende da venda dos bens pelo comprador (genuína consignação); (c) quando os bens expedidos estão sujeitos à instalação, sendo esta uma parte significativa do contrato e ainda não tenha sido completada pela entidade; e (d) quando o comprador tem o direito de rescindir a compra por uma razão especificada no contrato de venda e a entidade vendedora não está certa da probabilidade de devolução. [...] Prestação de serviços 20. Quando a conclusão de uma transação que envolva a prestação de serviços puder ser estimada com confiabilidade, a receita associada à transação deve ser reconhecida tomando por base o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte. O desfecho de uma Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.918 33 transação pode ser estimado com confiabilidade quando todas as seguintes condições forem satisfeitas: (a) o valor da receita puder ser mensurado com confiabilidade; (b) for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade; (c) o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte puder ser mensurado com confiabilidade; e (d) as despesas incorridas com a transação assim como as despesas para concluíla puderem ser mensuradas com confiabilidade4. 21. O reconhecimento da receita com referência ao estágio de execução de uma transação é usualmente denominado como sendo o método da percentagem completada. Por esse método, a receita é reconhecida nos períodos contábeis em que os serviços são prestados. O reconhecimento da receita nessa base proporciona informação útil sobre a extensão da atividade e o desempenho dos serviços prestados durante o período. O Pronunciamento Técnico CPC 17 – Contratos de Construção também exige o reconhecimento da receita nessa mesma base. As exigências naquele Pronunciamento são geralmente aplicáveis ao reconhecimento da receita e dos gastos associados a uma transação que envolva a prestação de serviços. 22. A receita somente deve ser reconhecida quando for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade. Porém, quando surgir incerteza acerca da realização de valor já incluído na receita, o valor incobrável, ou o valor com respeito ao qual a recuperação tenha deixado de ser provável, deve ser reconhecido como despesa, e não como ajuste (dedução) do valor da receita originalmente reconhecida. [...] 24. O estágio de execução de uma transação pode ser determinado por diversos métodos. A entidade deve escolher um método que mensure com confiabilidade os serviços executados. Dependendo da natureza da transação, os métodos podem incluir: (a) levantamento ou medição do trabalho executado; (b) serviços executados até a data, indicados como percentual do total dos serviços a serem executados; ou (c) a proporção entre os custos incorridos até a data e os custos totais estimados da transação. Somente os custos que efetivamente possam ser identificados com os serviços executados até a data devem ser incluídos nos custos incorridos até a data de mensuração. Da mesma forma, somente os custos que reflitam serviços executados ou a serem executados devem ser incluídos nos custos totais estimados da transação. Para efeito de reconhecimento das receitas de prestação de serviços, os pagamentos parcelados e os adiantamentos recebidos de clientes não correspondem, necessariamente, aos serviços executados. 25. Para fins práticos, quando os serviços prestados correspondam a um número indeterminado de etapas, durante um período específico de tempo, a receita deve ser reconhecida Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.919 34 pelo método linear durante tal período, a menos que haja evidências de que outro método represente melhor o estágio de execução da transação. Quando determinada etapa for muito mais significativa do que quaisquer outras, o reconhecimento da receita deve ser adiado até que essa etapa seja executada. Verificase que a orientação contábil é no sentido de se reconhecer a receita de venda de bens quando ocorrer a transferência dos riscos e benefícios mais significativos inerentes ao direito de propriedade, além da observância de outros aspectos mencionados no item 14 do CPC. Do lado da prestação de serviços, o reconhecimento dever ser pelo estágio de execução do serviço, a ser medido por levantamento ou medição ou proporção entre custos incorridos e custos totais estimados, ou seja, devese apurar o estágio de execução correspondente ao serviço executado, quando este corresponder a várias etapas. No caso de um serviço a ser executado em uma única etapa, o reconhecimento deverá ocorrer quando da execução da etapa. A Solução de Consulta Cosit nº 111/2014 reconheceu a aplicação do CPC 30 ao analisar o regime de competência e o auferimento de receitas em situação de vendas canceladas, conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. O fato gerador da Cofins no regime de apuração não cumulativa é o auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas, o que ocorre quando as receitas são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Não integram a base de cálculo da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, as receitas referentes a vendas canceladas. No que diz respeito à prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado (no todo ou em parte), seja porque os serviços não foram prestados de acordo com o contrato, seja porque os serviços prestados, sem a sua anuência, não foram contratados, ou seja porque o valor cobrado não tem previsão contratual. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que Fl. 2920DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.920 35 ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir talcondição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Cofins. Todavia, se as causas que motivarem tal cancelamento, configurarem vendas canceladas, o correspondente valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo dessa Contribuição no mês da devolução. DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, arts. 3º e 4º, caput, e § 1º; Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, § 1º, “a” e “b”; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.1; Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 2, de outubro de 2012), item 21. No mesmo sentido, o Manual de Contabilidade Societária4 da FIPECAFI ao dispor sobre estoques, entendendo que o momento de contabilização das compras coincide com a transmissão do direito de propriedade, não se ligando apenas ao aspecto legal, mas principalmente à transferência de riscos e benefícios futuros. Transcrevese o trecho da obra para melhor esclarecer: "O momento da contabilização de compras de itens do estoque, assim como o das vendas a terceiros, em geral, coincide com o da transmissão do direito de propriedade dos mesmos, embora o conceito de ativo esteja ligado não só aspecto legal, mas principalmente a transferência de riscos e benefícios futuros. Dessa forma, na determinação sabre se os itens integram ou não a conta de estoques, o importante não é sua posse física, mas o direito de sua propriedade; em seguida, há também que se discutir a figura do controle e ainda as dos riscos e benefícios. Assim, deve ser feita uma análise caso a caso visando identificar potenciais eventos onde haja transferência dos principais benefícios e riscos. [...] 5.2.2 Compras em trânsito Não devem ser incluídas as compras cujo transporte seja de responsabilidade do vendedor (FOBdestino), nem as mercadorias recebidas de terceiros (quando a empresa é consignatária ou depositária), nem os materiais comprados, mas sujeitos à aprovação. Neste último caso, a integração aos estoques se dará apos a aprovação. 4 IUDÍCIBUS, Sérgio. MARTINS, Eliseu. GELBCKE, Ernesto Rubens. SANTOS, Ariovaldo do. Manual de Contabilidade Societária Aplicável a todas as sociedades. São Paulo, Editora Atlas, 2010. p. 72/73. Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.921 36 De outro giro, sob o aspecto legal, o Código Civil dispõe em seu artigo 1.2265 que os direitos reais (dentre eles o direito de propriedade) sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por ato inter vivos, somente se adquirem com a tradição e que até o momento da tradição, conforme artigo 4926, os riscos da coisa correm por conta do vendedor e os do preço por conta do comprador, ressalvadas as situações de que tratam os parágrafos deste artigo. Defluise que a emissão da nota fiscal não caracteriza, por si, a aquisição, pois que os riscos, em regra, ainda correm por conta do vendedor. Portanto, em princípio, o regime de competência do crédito deve ser o da aquisição, assim entendida, a tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa. Neste sentido, citamse acórdãos deste conselho: Acórdão nº 3801005.038: [...] MOMENTO DO CREDITAMENTO. O cálculo do crédito de PIS e de COFINS deverá levar em conta as aquisições de bens, serviços e insumos ocorridas no mês, sendo que o termo "aquisição" exige o recebimento e contabilização do bem pelo destinatário. Crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Acórdão nº 3201001.361: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE FRETE PARA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. MOMENTO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO. As despesas relativas a frete para aquisição de insumos geram direito a crédito de PIS não cumulativo, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. Considerase adquirido o frete, para efeitos de creditamento de PIS, no momento da conclusão do transporte dos insumos adquiridos, ou seja, na entrada dos referidos insumos no estabelecimento do adquirente. Excerto do voto condutor: "Para a fiscalização, o mês em que os bens e serviços foram adquiridos e as despesas foram incorridas corresponde ao mês da emissão das respectivas notas fiscais. Tal entendimento foi 5 Art. 1.226. Os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com a tradição. 6 Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.922 37 confirmado pela instância a quo. Contudo, esse não parece ser o momento em que tais despesas são incorridas. No caso do serviço de transporte contratado para transportar os insumos a serem utilizados na produção da Recorrente, o serviço somente pode ser considerado como adquirido quando o frete é concluído, ou seja, quando o insumo transportado ingressa no estabelecimento da Recorrente. Isso porque o serviço é um bem imaterial e, como tal, a sua aquisição deve ser considerada no momento em que o seu objeto se aperfeiçoa, pois essa hora é a que mais se aproxima da tradição do bem material. Antes disso, não há como considerar que o referido bem imaterial foi adquirido." Acórdão nº 3403001.340: Excerto do voto vencedor: "Neste passo, admitir o cômputo de créditos apurados sobre tais valores equivale a fazer retroagir as disposições das Medidas Provisórias 66/02 e 135/03, convertidas nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, haja vista que, se pagos na época oportuna, isto é, quando de sua aquisição, não haveria que se falar em créditos da não cumulatividade, demais disso, por disposição própria de referidos diplomas legais, o momento de apropriação dos créditos se concretiza na aquisição do insumo, a teor do art. 3º, § 1º das leis em comento, ainda que outro seja o momento do pagamento, como sói ocorrer nas compra a prazo. Seu aspecto temporal é a efetiva entrada dos insumos no estabelecimento, pouco importando que coincida com o pagamento, ou seja, o marco é fixo, aplicandose à compra para entrega futura, onde há antecipação de pagamento pela aquisição, para aquela que o pagamento se dá em momento futuro a partir da aquisição, ou mesmo que seja saldada em prestações." Estas razões acima fundamentaram a decisão proferida no Acórdão nº 3302 003.155, processo 19515.722441/201317, no qual restou decidido que o momento é o da tradição da coisa móvel, conforme a ementa abaixo: [...] CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. AQUISIÇÃO A aquisição, a que se refere o inciso I do §1º dos artigos 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, deve ser entendida como a tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa. [...] Destacase, ainda, que esta turma também já se pronunciou sobre a questão específica do complemento de preços no Acórdão nº 3302003.216, processo Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.923 38 13971.005200/200960, de lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujas razões expostas nos termos abaixo: "Da glosa dos créditos calculados sobre os complementos de valor. De acordo com referido Relatório de Auditoria Fiscal (item 29 fls.), no período de apuração do crédito pleiteado, a recorrente adquiriu produtos (soja e outras commodities) de pessoas jurídicas para revenda, que dependia da fixação do preço definitivo a posteriori (modalidade de compra a “preço a fixar”), em que a entrega era feita em várias remessas, com preço unitário provisório, cujo preço definitivo somente era definido no final. Dada essas características, frequentemente, havia complementação do valor a ser pago pela adquirente, se o preço final fosse superior aos praticados nas remessas com preços provisórios. Caso contrário, ou seja, se o preço das remessas resultasse superior ao preço definitivo, havia a devolução simbólica de certa quantidade do bem e o acerto financeiro da diferença apurada. Segundo a fiscalização, no período analisado, a recorrente adquiriu parte das mercadorias (soja e outras commodities) com direito a crédito e outra parte sem direito a crédito ((bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo) da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, porém apropriou créditos sobre os valores integrais dos complementos de preço, isto é, sem excluir a parcela dos créditos referente às mercadorias adquiridas sem direito a crédito. No caso, se não havia amparo legal para apropriar o valor do crédito calculado sobre o valor da aquisição desse tipo mercadoria, por óbvio, o valor complementar do preço da operação também não podia propiciar direito a crédito da referida contribuição. (grifos não originais) Aliás, a recorrente sequer questionou a legalidade da glosa em questão, tendo se limitado a solicitar a produção de prova pericial, para reavaliar o critério de apuração e a exatidão dos valores das glosas efetuadas pela autoridade fiscal, o que, evidentemente, não se justifica, por se tratar de valores calculados com base nos dados contidos nos documentos fiscais emitidos pela própria recorrente e extraídos dos arquivos por ela fornecidos à fiscalização. Logo, se existisse algum equívoco na apuração dos valores dos créditos glosados, cabia a recorrente apurar qual seria o valor correto e apresentar o correspondente demonstrativo de cálculo, acompanhado da documentação que o corroborasse. Como não o fez, deve arcar com o ônus dessa omissão. Ademais, na ausência de tais elementos, não cabe a este Colegiado converter o julgamento em Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 16004.000298/200651 Acórdão n.º 3302006.063 S3C3T2 Fl. 2.924 39 diligência para suprir a ausência de prova não coligida aos autos oportunamente pela recorrente. Por todas essas razões, mantémse a glosa do valor integral do crédito, conforme apurado pela fiscalização." Defluise, portanto, que os complementos de preços pagos no período em que a recorrente estava sujeita ao regime nãocumulativo, mas decorrente de aquisições efetuadas no regime cumulativo, não geram créditos das contribuições nãocumulativas, compondo, todavia, eventual estoque de abertura, restando correto o procedimento fiscal. Por fim, a recorrente alegou que as diferenças de CIDE resultam de mera divergência de cálculos nos meses de maio/2002 e fevereiro/2004 e que seus cálculos estão corretos. Já a fiscalização elaborou o demonstrativo de efl. 1938, informando as bases de cálculo, alíquotas, valor apurado de CIDE, valores declarados/recolhidos e saldo a recolher de CIDE. A alegação da recorrente não tratou de nenhum aspecto da apuração realizada e demonstrada pela fiscalização, limitandose a dizer que sua apuração era correta, sem contudo indicar as supostas divergências de cálculo. Portanto, não havendo qualquer insurgência específica quanto às bases de cálculo, alíquotas, valores apurados e valores recolhidos/declarados adotados pela fiscalização, reputase correto o demonstrativo de efl. 1938 e o lançamento efetuado. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o montante relativo a "outras receitas", à exceção de fretes diversos, dos demonstrativos de apuração de PIS e Cofins nos regimes cumulativos, para reconhecer o crédito da nãocumulatividade sobre as aquisições de gases oxigênio e acetileno utilizados pela recorrente em cortes de chapa de aço no processo industrial, para incluir as receitas financeiras nas receitas nãocumulativas e refazimento do rateio proporcional de créditos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2925DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002256/2003-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2003
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS RETROATIVOS.
Confirmada a exclusão do SIMPLES, em virtude do exercício de atividade vedada pelo art. 9º da Lei nº 9.317/96, os efeitos dessa exclusão retroagem ao mês subseqüente àquele em que ocorreu a situação excludente, conforme determinada o art. 15, II, da Lei nº 9.317/96.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1202-000.718
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2003 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS RETROATIVOS. Confirmada a exclusão do SIMPLES, em virtude do exercício de atividade vedada pelo art. 9º da Lei nº 9.317/96, os efeitos dessa exclusão retroagem ao mês subseqüente àquele em que ocorreu a situação excludente, conforme determinada o art. 15, II, da Lei nº 9.317/96. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS RETROATIVOS. Confirmada a exclusão do SIMPLES, em virtude do exercício de atividade vedada pelo art. 9º da Lei nº 9.317/96, os efeitos dessa exclusão retroagem ao mês subseqüente àquele em que ocorreu a situação excludente, conforme determinada o art. 15, II, da Lei nº 9.317/96. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.002256/200377 Acórdão n.º 120200.718 S1C2T2 Fl. 85 2 Tratase de exclusão do SIMPLES da empresa Serviara Serviços Ltda. ME pelo Ato Declaratório Executivo nº 16, de 07/04/2009, da DRF em Blumenau, SC, fls.47, a seguir transcrito: “O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM BLUMENAU/SC, no exercício da competência prevista no art. 283, inciso I, do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF n° 125/2009, e de acordo com o disposto no art.14, inciso I, da Lei n° 9.317/96, resolve: Art. 1° Excluir do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, nos termos do Despacho Decisório DRF/BLU n° 042/2009 (processo n° 13971.002256/200377), a pessoa jurídica SERVIARA SERVIÇOS LTDA. ME, CNPJ n° 04.809.237/000179, por ter incorrido na hipótese de vedação prevista no art. 9º, inciso XII, alínea "f", da Lei n° 9.317/96. Art. 2° A exclusão de que trata o presente Ato Declaratório produz efeitos a partir de 01/02/2003, conforme dispõe o art. 15, II, da Lei n° 9.317/96. Art. 3° A pessoa jurídica poderá apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de ciência deste ADE, manifestação de inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto n° 70.235/72. Art. 4° Não havendo apresentação de manifestação de inconformidade no prazo de que trata o art. 3° a exclusão tornarseá definitiva.” A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 49/52, questionando a retroatividade da exclusão realizada, informando que deveria ocorrer apenas a partir de 01/01/2004, fls. 49/52; Em 10 de julho de 2009 foi prolatado o Acórdão nº 0716.908, da 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis, fls. 73/74, que considerou improcedente a solicitação apresentada. Os fundamentos dessa decisão são os seguintes: “Empresa excluída do Simples por desenvolver atividade vedada pela alínea "f", do inciso XII, do artigo 9°, da Lei 9.317/96. Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII que realize operações relativas a: j) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.002256/200377 Acórdão n.º 120200.718 S1C2T2 Fl. 86 3 A manifestação de inconformidade não se manifesta acerca do mérito da exclusão, questiona exclusivamente o fato de produzir efeitos a partir de 01/02/2003. Conforme despacho da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau (folha 55), "propomos a exclusão do contribuinte em face do Simples Federal com efeitos retroativos a 01/02/2003, porquanto esta corresponde à data de início do mês subseqüente à emissão da nota fiscal n° 057 (fls. 11), a qual consubstanciou a vedação em comento." A Lei 9.317/96, em seu artigo 15, estabelece que a exclusão produzirá efeitos a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente. Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei; Além da nota fiscal já mencionada, constam do processo várias outras notas fiscais (folhas 11 a 23) e o contrato de prestação de serviço com a Braskarne (folhas 24 a 29), datado de 3 de junho de 2002. Considero que a exclusão com efeitos a partir de 01 de fevereiro de 2003 cumpre com o estabelecido na lei e voto pelo indeferimento da solicitação.” Cientificada em 24 de agosto de 2009, AR de fls. 76, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário de fls. 77/82, protocolado em 23 de setembro de 2009, fls. 77, onde alega o seguinte: 1 cumpre salientar que, desde a sua constituição, o objeto social da sociedade é "a prestação de serviços auxiliares de motorista, cobrança extrajudicial, escriturários e mensageiro nas áreas administrativas e industriais, conserto e manutenção de equipamentos elétricos, eletrônicos e industriais", e nessa condição teve deferida e mantida a sua opção pelo SIMPLES em 11/12/2001. Essa situação permaneceu até 06 de outubro de 2006, sem nenhuma impugnação pelo órgão concedente, ou seja, a Receita Federal do Brasil; 2 cumpre esclarecer, que a Recorrente foi incluída e mantida no sistema SIMPLES, e desde então jamais houve qualquer alteração relevante no seu objeto social e nem nas suas atividades, de forma que a Receita Federal do Brasil sempre teve conhecimento dessa situação e considerou válida a opção pelo sistema SIMPLES; 3 devese salientar também, que a Recorrente não praticou nenhum ato de simulação ou fraude que pudesse induzir o agente público em erro para o deferimento e manutenção da sua opção pelo SIMPLES, esteve sempre de boafé, acreditando estar agindo na legalidade; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.002256/200377 Acórdão n.º 120200.718 S1C2T2 Fl. 87 4 4 no caso, a contribuinte estaria desde 01/02/2003 em situação de vedação à permanência no SIMPLES, porém, continuou efetuando recolhimentos pela sistemática do SIMPLES, sem que a Receita tomasse qualquer providência a respeito até abril de 2009; 5 entende a Recorrente que sequer houve descumprimento de obrigação acessória de informar ao Fisco que não preenche mais as condições para permanência no SIMPLES pois sempre exerceu as mesmas atividades, desde a sua constituição, não podendo trazer como conseqüência o pagamento retroativo de diferenças de tributos, sendo o ato de exclusão tardio, porque o sujeito ativo recebeu os valores e, apesar de ter as informações quanto aos fatos que implicariam a exclusão, permaneceu silente até o ato de exclusão; 6 o Ato Declaratório de afastamento do SIMPLES só pode gerar efeito desde a ocorrência da situação excludente somente na hipótese de mudança da atividade após o ingresso no regime simplificado, sem que tal fato tenha sido comunicado ao sujeito passivo; 7 se a Recorrente já exercia atividade impediente à opção pelo SIMPLES, a hipótese não seria de exclusão e sim de indeferimento da opção. Se a opção foi admitida, tem se ato administrativo revestido da presunção de legitimidade, que só pelos meios próprios poderá ser desconstituído; 8 a alteração de critério jurídico por parte da autoridade administrativa não tem o condão de ensejar a revisão do lançamento e, por conseguinte, atribuir efeitos retroativos ao ato de exclusão (art. 146 do CTN), respaldando a exigência do pagamento de diferenças de tributos. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito apenas a retroatividade da exclusão do SIMPLES de empresa que exercia atividade vedada, art. 9º da Lei nº 9.317/96, haja vista que em sua defesa a pessoa jurídica acatou a exclusão efetuada, não se manifestando a esse respeito. O despacho da DRF em Blumenau propôs a exclusão da empresa do Simples Federal, tendo efeitos retroativos a 01/02/2003, o mês subseqüente à emissão da nota fiscal n° 057, nos termos do art. 15 da Lei nº 9.317/96. A exclusão foi sustentada pelo Relatório da DRF Blumenau, acostado aos autos às fls. 43/45, do qual extraio o seguinte excerto: “Preliminarmente, cumpre observar que, de acordo com as informações extraídas dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB (fls. 39/42), o contribuinte teve sua opção pelo SIMPLES deferida em 11/12/2001. Da consulta aos sistemas corporativos, foi possível também inferir que sua principal atividade está enquadrada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE sob o código "8299.7.99 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.002256/200377 Acórdão n.º 120200.718 S1C2T2 Fl. 88 5 outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente". Passando à análise dos fatos apontados na Representação Administrativa de fls.02/03, concluise que os argumentos e elementos de prova ofertados pela fiscalização comprovam, de fato, ter o contribuinte incorrido na hipótese prevista no art. 9°, inciso I, alínea "f", da Lei n° 9.317/96, senão vejamos: Em 21/08/2003, nos termos do mandado de procedimento fiscal MPF n° 09073207, iniciouse fiscalização seletiva para verificação do cumprimento das obrigações relativas às contribuições sociais administradas pelo INSS, especialmente voltada à análise de processo de restituição de valores. Como resultado, a fiscalização apurou que o sujeito passivo prestou serviços vedados à sua permanência no SIMPLES Federal, conforme prescreve o art. 9°, XII, "f", da Lei n° 9.317/96. Tal inferência mostrase fartamente documentada através das amostras das notas fiscais emitidas entre 09/01/2003 e 08/07/2003 (fls. 11/23), bem como dos contratos de prestação de serviços firmados com BRASKARNE COMÉRCIO E ARMAZÉNS GERAIS LTDA, CNPJ 82.109.265/000197, e SEARA ALIMENTOS S/A, CNPJ...02.914.460/000150, respectivamente em 01/12/2002 e 01/01/2002, com aditamento em 01/03/2003. De acordo com os históricos das referidas notas fiscais, o contribuinte, além de prestar serviços de limpeza às empresas SEARA e BRASKARNE, também lhes disponibilizou pessoal para a realização de trabalhos em suas dependências mediante a observância dos horários (jornada) e normas estabelecidos pela contratante, de modo a restar configurada, nos termos dos contratos de prestação de serviços de fls. 23/37, a cessão/locação de mãodeobra por parte da SERVIARA SERVIÇOS LTDA. ME. Ao prestar serviços com as características acima descritas, concluise que o sujeito passivo incorreu na hipótese prescrita pelo art. 9º, XII, "f", da Lei n° 9.317/96, in verbis: "Art. 9º. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII que realize operações relativas a: f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra;" (grifo nosso) Em tal situação, isto é, verificada a hipótese de vedação ao SIMPLES, o sujeito passivo deve, ainda nos termos da Lei n° 9.317/96, ser excluído de ofício do sistema, conforme segue: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13971.002256/200377 Acórdão n.º 120200.718 S1C2T2 Fl. 89 6 exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei; Diante do exposto, em que restou comprovada a ocorrência da hipótese de vedação prevista no art. 9°, inciso XII, alínea “f” da Lei n° 9.317/96, e, sobretudo, com base nos arts. 12, 14, inciso I, e 15, inciso II, deste mesmo dispositivo, propomos a exclusão do contribuinte em face do SIMPLES Federal com efeitos retroativos a 01/02/2003, porquanto esta corresponde à data de início do mês subseqüente à emissão da nota fiscal n° 057 (fls. 11), a qual consubstanciou a vedação em comento.” O art. 15, II, da Lei nº 9.317/96 prevê que nos casos dos autos, cujo fato excludente aconteceu em janeiro de 2003, a exclusão do SIMPLES deve retroagir ao mês subseqüente àquele em que aconteceu a irregularidade. Portando, os efeitos dessa exclusão devem retroagir a 01/02/2003, não assistindo razão à recorrente quando alega que os efeitos da exclusão deveriam acontecer a partir de 01/01/2004. Tendo a exclusão sido realizada de conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.317/96, ou seja, “a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente,” deve ser negado provimento ao recurso voluntário. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO
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