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Numero do processo: 15563.000247/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Constitui rendimentos tributáveis o acréscimo patrimonial incompatível com os declarados e percebidos pelo contribuinte.
REPRODUÇÃO DOS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO
Reproduzir os argumentos apresentados em sede de impugnação. Não enfrentar a decisão recorrida. Disposto no artigo 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO COMO ORIGEM DE RECURSOS. INEXISTÊNCIA DE PROVA.
A alegação de que o acréscimo patrimonial a descoberto embasado em recursos provenientes de doação resta indispensável a prova da ocorrência desse negócio jurídico.
Numero da decisão: 2402-010.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira, Ricardo Chiavegatto de Lima (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: RAFAEL MAZZER DE OLIVEIRA RAMOS
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Constitui rendimentos tributáveis o acréscimo patrimonial incompatível com os declarados e percebidos pelo contribuinte. REPRODUÇÃO DOS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO Reproduzir os argumentos apresentados em sede de impugnação. Não enfrentar a decisão recorrida. Disposto no artigo 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO COMO ORIGEM DE RECURSOS. INEXISTÊNCIA DE PROVA. A alegação de que o acréscimo patrimonial a descoberto embasado em recursos provenientes de doação resta indispensável a prova da ocorrência desse negócio jurídico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira, Ricardo Chiavegatto de Lima (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 02 47 /2 01 0- 16 Fl. 615DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.176 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.000247/2010-16 Relatório Por transcrever a situação fática discutida nos autos, adoto o relatório do Acórdão nº 04-30.200, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS (fls. 552-561): Relatório O Auto de Infração de fls. 169/186 e 303/310, exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário consolidado em 08/2010, no valor de R$ 1.200.683,22 (um milhão, duzentos mil reais e seiscentos e oitenta e três reais e vinte e dois centavos). O lançamento originou-se das omissões de rendimentos em virtude da variação patrimonial a descoberto. Na impugnação oferecida, às fl. 327/349, o autuado alegou, em síntese, que: DOS ERROS CONSTANTE NO FLUXO FINANCEIRO ELABORADO PELO AUDITOR-FISCAL. DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. • O fluxo financeiro efetuado pela fiscalização há erros, pois considerou aumento de capital social em R$ 292.500,00 ocorrido em 2006 na empresa HOSP-RIO Material Hospitalar Ltda – EPP devidamente declarado e incorporado ao capital social, de reserva de lucros, conforme contrato social doc 9. Assim, esse valor deve ser desconsiderado como aplicação de recursos no fluxo financeiro do ano de 2006; • Os fluxos financeiros dos anos de 2006, 2007 e 2008, não foram considerados os comprovantes das doações e dos lucros distribuídos, segundo a legislação vigente; • Houve ofensa a Lei por parte da fiscalização em não considerar os comprovantes das doações e dos lucros distribuídos e exigir, além destes, documentação bancária do contribuinte para provar as efetivas transferências contidas naqueles. DO PEDIDO. • Requer o cancelamento do lançamento. Em julgamento pela DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Tributam-se as omissões de rendimentos em decorrência da variação patrimonial a descoberto, quando se verificam os excessos de aplicações sobre as origens e não comprovados pelos rendimentos declarados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 25/01/2013 (AR de fl. 566), o Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 570-607), no qual protestou pela reforma da decisão. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 616DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.176 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.000247/2010-16 Voto Conselheiro Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Relator. Da Admissibilidade do Recurso Voluntário O recurso voluntário (fls. 489-502) é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Do Mérito Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto A legislação aplicável à tributação de acréscimo patrimonial descoberto está amparada pelos artigos 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a seguir transcritos: Art. 2º. O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Acrescente-se, ainda, à legislação acima citada, o disposto no art. 55, inciso XIII do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), vigente na época dos fatos, in verbis: Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 4.506/64, art. 26, Lei n° 7.713/88, art. 3°, § 4°, e Lei n° 9.430/96, arts. 24, § 2°, inciso IV, e 70, 3°, inciso I): (...) XIII – as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86. Fl. 617DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.176 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.000247/2010-16 Ainda, por oportuno, tem-se que a exigência fiscal da efetiva comprovação da origem do acréscimo patrimonial está amparada nos artigos 806 e 807, do mesmo Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000/1999: Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069/62, art. 51, § 1°). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Feitas as considerações legais, tem-se o lançamento decorrente de duas situações: i) a distribuição de lucros pela pessoa jurídica; e, ii) doações. Ao analisar o recurso voluntário, quanto aos itens do acréscimo patrimonial a descoberto, no sentido de que houve erro no fluxo financeiro elaborado pelo auditor fiscal, assim como a distribuição de lucros de pessoas jurídicas (item “i”), o Contribuinte não atacou o acórdão recorrido, limitando-se a adequar as razões da impugnação (fls. 488-510) à fase recursal, razão pela qual, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, estando as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com aquelas perfilhadas por este relator, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa e/ou novos documentos perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor. No presente caso, me filio ao entendimento da DRJ de origem, que assim dispõe: Voto DA ADMISSIBILIDADE. A impugnação pelo fato de ser tempestiva e conter os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações posteriores, dela se toma conhecimento. DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOS ERROS CONSTANTE NO FLUXO FINANCEIRO ELABORADO PELO AUDITOR- FISCAL. O impugnante alega que o fluxo financeiro efetuado pela fiscalização há erros, pois considerou aumento de capital social em R$ 292.500,00 ocorrido em 2006 na empresa HOSP-RIO Material Hospitalar Ltda – EPP devidamente declarado e incorporado ao capital social, de reserva de lucros, conforme contrato social doc 9. Assim, esse valor deve ser desconsiderado como aplicação de recursos no fluxo financeiro do ano de 2006. Alega, também, que houve ofensa a Lei por parte da fiscalização em não considerar os comprovantes das doações e dos lucros distribuídos e exigir, além destes, documentação bancária do contribuinte para provar as efetivas transferências contidas naqueles, logos nos fluxos financeiros dos anos de 2006, 2007 e 2008, devem ser considerados tais. Antes de adentrar no mérito, a legislação tributária, assim, prescreve em relação a escrituração do contribuinte sujeita a tributação com base no lucro real e a optante pelo Fl. 618DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.176 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.000247/2010-16 regime de tributação com base no lucro presumido, nos artigos 251, 257, 258, 259 e 527, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, in verbis: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 257. A pessoa jurídica é obrigada a seguir ordem uniforme de escrituração, mecanizada ou não, utilizando os livros e papéis adequados, cujo número e espécie ficam a seu critério (Decreto-Lei nº 486, de 3 de março de 1969, art. 1º). Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admite-se a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e Contas-Correntes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). Fl. 619DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.176 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.000247/2010-16 § 1º A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. § 2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 3º Estão dispensados de registro ou autenticação o Livro Razão ou fichas de que trata este artigo. Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I - escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II - Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano-calendário; III - em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano-calendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Deve-se atentar que o contribuinte tem a obrigatoriedade de prestar informações a Autoridade Lançadora, como se depreendem dos artigos 927 e 932, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, in verbis: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 932. Havendo dúvida sobre quaisquer informações prestadas ou quando estas forem incompletas, a autoridade tributária poderá mandar verificar a sua veracidade na escrita dos informantes ou exigir os esclarecimentos necessários (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 108, § 6º). DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. Quanto a alegação do impugnante de que o aumento de capital social em R$ 292.500,00 ocorrido em 2006 na empresa HOSP-RIO Material Hospitalar Ltda – EPP decorreu de reservas de lucro, por si só, não elide o omissão de rendimentos. É necessário que o impugnante trouxesse aos autos o demonstrativo de apuração de lucros e que se este ocorreu no ano-calendário 2006, para justificar a transferência para a conta reservas de lucro, pois a empresa HOSP-RIO Material Hospitalar Ltda – EPP deve ter optado pela tributação com base no lucro presumido, que esta tem a peculiaridade quanto a distribuição. A forma de distribuição do lucro, assim, é normatizado pelo artigo 14, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e pelo artigo 51, da Instrução Normativa SRF nº 011, de 21 de fevereiro de 1996, in verbis: Fl. 620DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.176 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.000247/2010-16 Art. 14. Consideram-se isentos do imposto de renda, na fonte e na declaração de ajuste do beneficiário, os valores efetivamente pagos ou distribuídos ao titular ou sócio da microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional, salvo os que corresponderem a pró-labore, aluguéis ou serviços prestados. § 1º A isenção de que trata o caput deste artigo fica limitada ao valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta mensal, no caso de antecipação de fonte, ou da receita bruta total anual, tratando-se de declaração de ajuste, subtraído do valor devido na forma do Simples Nacional no período. § 2º O disposto no § 1º deste artigo não se aplica na hipótese de a pessoa jurídica manter escrituração contábil e evidenciar lucro superior àquele limite. Art. 51. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, também poderá ser distribuída sem a incidência do imposto, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de período-base não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputado aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995. § 5º A isenção de que trata o caput não abrange os valores pagos a outro título, tais como pro labore, aluguéis e serviços prestados. § 6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de período-base ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7º A distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos, que não tenham sido apurados em balanço, sujeita-se à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º. Assim, depreendem-se da legislação transcrita acima, que apurando o lucro contábil a pessoa jurídica poderá utilizar o montante desse lucro como reserva livre para aumento de capital. Entretanto, não poderá utilizar a esse título todo o montante do lucro contábil, devendo dele diminuir o valor do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, o valor das contribuições (CSLL, Cofins e PIS/Pasep), bem assim os valores que forem distribuídos a título de lucros ao seu titular, sócio ou acionista. Fl. 621DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.176 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.000247/2010-16 Poderá, ainda, ser distribuído a título de lucros, sem incidência de imposto de renda (dispensada, portanto, a retenção na fonte), ao titular, sócio ou acionista da pessoa jurídica, o valor correspondente ao lucro presumido, diminuído de todos os impostos e contribuições (inclusive adicional do IR, CSLL, Cofins, PIS/Pasep) a que estiver sujeita a pessoa jurídica. Acima desse valor, a pessoa jurídica poderá distribuir, sem incidência do imposto de renda, até o limite do lucro contábil efetivo, desde que ela demonstre, via escrituração contábil feita de acordo com as leis comerciais, que esse último é maior que o lucro presumido. Todavia, se houver qualquer distribuição de valor a título de lucros, superior àquele apurado contabilmente, deverá ser imputada à conta de lucros acumulados ou de reservas de lucros de exercícios anteriores. Na distribuição incidirá o imposto de renda com base na legislação vigente nos respectivos períodos (correspondentes aos exercícios anteriores), com acréscimos legais. De forma que é essencial que o impugnante demonstrasse que as distribuições de lucros atenderam a legislação acima, por meio de livros contábeis e livros auxiliares, como os documentos que fundamentaram esses lançamentos contábeis. Além do mais, são necessários as comprovações dos efetivos pagamentos, como exige o caput do artigo 14, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, porque os recibos apresentados as fls. 25, 26, 27, 33, 34, 35, 36, 37, presumem-se verdadeiras em relação aos signatários, competindo ao impugnante em sua veracidade o ônus de provar o fato, como se afere do artigo 219, Código Civil e do artigo 368, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de prová-las. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumem-se verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Como o impugnante não demonstrou por meio de livros contábeis e livros auxiliares as distribuições de lucros e, também, não comprovou os efetivos pagamentos destas ao contribuinte, não há como acolher suas alegações. (destaques originais) Assim, quanto ao mérito do recurso voluntário do acréscimo patrimonial a descoberto, no sentido de que houve erro no fluxo financeiro elaborado pelo auditor fiscal, assim como a distribuição de lucros de pessoas jurídicas (item “i” acima), voto no sentido de negar provimento. Das Doações No tocante às doações, há que destacar o previsto no Código Civil: Art. 541. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular. Fl. 622DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.176 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.000247/2010-16 Parágrafo único. A doação verbal será válida, se, versando sobre bens móveis e de pequeno valor, se lhe seguir incontinenti a tradição. Além disso, têm-se as cautelas previstas: Art. 548. É nula a doação de todos os bens sem reserva de parte, ou renda suficiente para a subsistência do doador. Art. 549. Nula é também a doação quanto à parte que exceder à de que o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em testamento Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: (...) IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação. Em síntese, o Recorrente afirma que as doações realizadas pelo tio e outras pelo pai do Contribuinte foram decorrentes de transações verbais, as quais tem previsão legal na legislação. Também, que provou tais doações a partir dos recibos de fls. 24, 30, 31, 32, 44, 45, 46, e 47, devidamente assinados pelo próprio Contribuinte. Todavia, conforme constou nas intimações fiscais (fls. 42, 48, 52 e 115), o Contribuinte foi intimado a: 1. Comprovar, através de contratos ou documentos entre as partes, registrados à época em cartório, formalizando a operação, de cópias de cheques, de DOC (cópias frente e autenticada em cartório), de extratos bancários em que se verifiquem depósitos e/ou transferências bancárias, guia do Imposto sobre transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos - ITCD e de outros meios de prova, a EFETIVA recepção dos valores lançados a título de Rendimentos Isentos e não Tributáveis e Tributados Exclusivamente na Fonte, mensalmente, referente ao(s) período(s) acima especificado(s). Por oportuno, destaco o contido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 169- 186), assim constou: Analisada toda a documentação apresentada pelo contribuinte, verificou-se que, após ter sido intimado e mesmo tendo solicitado, por duas vezes, prorrogações de prazo (atendido em ambas as vezes), o contribuinte não comprovou a EFETIVIDADE (demonstração da efetiva transferência dos recursos para o patrimônio do donatário ou do recebedor dos lucros, uma vez que a simples declaração do contribuinte de que teria havido doação/recebimento não é suficiente para afastar a tributação dos rendimentos) dos recebimentos dos valores lançados em suas DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL, referentes aos RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS, anos- calendário 2006 a 2008. Foi encerrada, então, a DILIGÊNCIA com o NPF - DILIGÊNCIA n° 07.1.03.00-2010-00087-8 convertido no 112F - FISCALIZAÇÃO n° 07.1.03.00-2010-00500-4, conforme Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, às fls. 38/39. O contribuinte foi REINTIMADO, em 01/jun/2010, através do Termo de Reintimação Fiscal no. 1.587-3/281/2010, por ciência pessoal do Sr. Jorge Roberto Menezes Chaves Fl. 623DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.176 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.000247/2010-16 (folhas 40 a 41), Auxiliar Administrativo, Procurador, uma vez mais, a comprovar, através de contratos ou documentos entre as partes, registrados à época em cartório, formalizando a operação, de cópias de cheques, de DOC (cópias frente e autenticada em cartório), de extratos bancários em que se verifiquem depósitos e/ou transferências bancárias, guia do Imposto sobre transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos - ITCD e de outros meios de prova, a EFETIVA RECEPÇÃO dos valores lançados a título de Rendimentos Isentos e não Tributáveis e Tributados Exclusivamente na Fonte, mensalmente, referente aos períodos acima especificados e ainda não devidamente demonstrado. Novamente, o contribuinte limitou-se a apresentar (folhas 42 a 45), apenas, RECIBOS DE DOAÇÃO, referentes aos valores ainda não contemplados nas respostas anteriores, conforme discriminado a seguir: [...] O contribuinte IVAN LUCIO DA SILVA PAES foi INTIMADO, através do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos no. 1.587-3/300/2010 (folhas 46 a 47), com ciência por via postal - AR (folha 48), em 15/jun/2010, a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, as EFETIVAS doações dos valores lançados em suas DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL, em favor de JORGE HENRIQUE PIRES PAES. Em sua resposta, às fls. 49, o contribuinte informa que os documentos solicitados já haviam sido apresentados (RECIBOS DE DOAÇÃO). Por sua vez, o contribuinte ANTONIO DA CRUZ FARIA foi INTIMADO, através do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos no. 1.587-3/299/2010 (folhas 50 a 51), com ciência por via postal - AR (folha 52), em 15/jun/2010, a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, as EFETIVAS doações dos valores lançados em suas DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL, em favor de JORGE HENRIQUE PIRES PAES. Em sua resposta (folha 53), o contribuinte pede, inicialmente, prorrogação de prazo para resposta e, em seguida, às fls. 54, informa que os documentos solicitados já haviam sido apresentados (RECIBOS DE DOAÇÃO). (destaques originais) Por sua vez, o Contribuinte Recorrente afirma que a fiscalização ignorou a guia e comprovante de pagamento apresentados às fls. 132-133. Sobre este fato, tem-se o que constou no Termo de Verificação Fiscal (fls. 169- 186): Nessa mesma esteira, foi emitido novo TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL/SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS, no. 1.587-3/690/2010, (folhas 126 a 127), com ciência pessoal do Sr. Jorge Roberto Menezes Chaves, em 03/ago/2010, INTIMANDO o Sr. ANTONIO DA CRUZ FARIA a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, os EFETIVOS recebimentos dos valores lançados em suas DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL, referentes aos RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS, anos-calendário 2006 a 2008. Em sua resposta (folhas 130 a 131) o referido contribuinte apresenta uma GUIA DO IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÃO (ITCD), DATADO DE 10/AGOSTO/2010, no valor de R$ 5.998,95, referente à doação de R$ 100.000,00, supostamente ocorrida em 31/mar/2007, em favor de JORGE HENRIQUE PIRES PAES. Este elemento, por óbvio, não está sendo considerado por esta autoridade fiscal na apuração de possível variação patrimonial a descoberto. Resta configurada aqui, smj, mais uma tentativa, por parte do contribuinte ora fiscalizado, em dar suporte documental às supostas doações e distribuições de lucros que lastreiam sua variação patrimonial! (destaques originais) Fl. 624DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-010.176 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.000247/2010-16 Logo, o que se tem nos autos é, de fato, é que inexiste, não só escritura pública, mas qualquer documento contemporâneo aos fatos examinados que ateste a existência das aventadas operações. Quanto à mencionada guia de ITCMD e comprovante (fls. 132-133), tem-se que o imposto quitado em 10/08/2010, ou seja, posteriormente ao início da fiscalização, sendo apto, na prática, tão somente a comprovar a declaração em si, mas não a veracidade das informações nele consignadas, a teor do disposto nos artigos 332 e 333 do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973) vigente quando dos fatos, sendo atualmente artigos 368 e 373, do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015). Ademais, ainda que essas doações tivessem realmente ocorrido, deveria ter o Contribuinte, por cautela, providenciado à ocasião escritura pública ou, ao menos, instrumento particular consignando-as, e consequente registro perante oficial de notas, para fins de lhes conferir a devida publicidade hábil a gerar efeitos frente a terceiros, como prescreve o artigo 221 e artigo 541, ambos do Código Civil. Por conseguinte, tem-se que o autuado não carreou aos autos elementos probatórios que permitissem confirmar a realização das doações que defende terem dado suporte ao seu acréscimo. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário também quanto a este mérito. Conclusões Face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos Fl. 625DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001478/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/12/2020
Omissão. Comprovada. Embargos de Declaração. Acolhidos.
Constatado ter sido omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, acolhem-se os embargos para a devida correção que, uma vez efetuada, comprova a validade da denúncia espontânea.
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 3401-009.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: RAFAELLA DUTRA MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
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Comprovada. Embargos de Declaração. Acolhidos. Constatado ter sido omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, acolhem-se os embargos para a devida correção que, uma vez efetuada, comprova a validade da denúncia espontânea. Embargos acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório Trata-se de embargos de declaração (fls. 163 e ss) opostos pelo contribuinte, identificado em epígrafe, sob alegação de omissão e contradição, contra o acórdão de n.º 3401- 008.554 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fls. 149 a 154 do e- processo), proferido na sessão de julgamento do dia 19 de novembro de 2020, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 78 /2 00 8- 70 Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.289 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001478/2008-70 Denúncia Espontânea. Multa Moratória. Exclusão. Cabimento. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. O Embargante argumenta, em resumo, que: (...) 3. Estes Embargos Declaratórios têm por objeto o aperfeiçoamento do Acórdão nº 3401- 008.554 que, no julgamento do Recurso Voluntário negou provimento ao apelo da Embargante, sob o argumento de que “Deduz-se não ter sido nada recolhido do valor parcial declarado de R$ 643.569,00, constante da declaração original, transmitida em 03/10/07, antes do pagamento, cujo vencimento ocorrera, repita-se, em 05/09/07.” 4. Ocorre que, com o devido respeito e acatamento, o acórdão incorreu em contradição e omissão, na medida em que o valor de R$ 643.569,00 declarados na DCTF original, se refere ao 1º e 2º decêndios de agosto de 2007, períodos estes não discutidos na presente lide: (...) 5. Assim, o DARF ora analisado pelos I. Julgadores refere-se ao 3º decêndio de agosto de 2007, isto é, 31/08/2007, logo não há que se falar em recolhimento parcial, tendo em vista, que o acórdão ora combatido pautou sua análise em pagamento de períodos de apuração distintos do discutido na presente demanda, motivo pelo qual tal omissão e contradição devem ser sanadas. Ainda, cabe ressaltar que os pagamentos de todos os períodos foram devidamente recolhidos: (...) 7. Restou comprovado o pagamento espontâneo por meio da DCTF original (doc. 03 do recurso voluntário), sem a declaração do período ora analisado (3º decêndio), transmitida em 03/10/2007, da guia DARF paga em 17/10/2007 (doc. 04 do recurso voluntário) e da DCTF retificadora (doc. 05 do recurso voluntário) transmitida em 29/09/2008, aqui fazendo constar o período em comento e o respectivo pagamento do 3º decêndio, conforme repisado no quadro abaixo: (...) 8. Dos documentos acima mencionados, constata-se que o recolhimento em questão, além de ter sido realizado antes da prática de qualquer ato de fiscalização, o qual só ocorreu em 13/10/2008, foi declarado em DCTF retificadora, somente após o respectivo recolhimento, o que demonstra que a Recorrente preencheu os requisitos concernentes à denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, mais um motivo pelo qual a omissão e contradição do acórdão ora combatido devem ser sanadas. Assim sendo, diante de tal permissivo legal, o acórdão ora combatido padeceu de omissão e contradição, pois a Recorrente não efetuou o recolhimento do valor relativo à multa de mora, por expressa determinação legal, uma vez que à exceção dos juros de mora, nenhum outro ônus pode recair sobre a Embargante que confessa o débito em declaração retificadora (29/09/2008) e efetua o seu pagamento até o momento dessa confissão (17/10/2007). (...) Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.289 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001478/2008-70 Ao final, a Embargante “requer que o ilustre julgador e respectiva Turma Ordinária se manifestem expressamente sobre as questões suscitadas como consequência lógica e necessária do saneamento da omissão e contradição apontados, com o consequente provimento do Recurso Voluntário”. Despacho de exame de admissibilidade às fls. 177/180. Voto Conselheiro Ronaldo Souza Dias, Relator. Em sessão plenária de 19/11/2020, foi julgado o Recurso Voluntário interposto por Itaú Unibanco Seguros Corporativos S/A, sob minha relatoria, proferindo-se a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3401-008.554. O ponto fundamental invocado para a negativa de provimento do recurso voluntário encontra-se reproduzido abaixo: Deduz-se não ter sido nada recolhido do valor parcial declarado de R$643.569,00, constante da declaração original, transmitida em 03/10/07, antes do pagamento, cujo vencimento ocorrera, repita-se, em 05/09/07. Não encontra respaldo nos documentos a afirmação do Recorrente que “efetuou seu recolhimento em atraso, corrigido monetariamente, antes da entrega da declaração original”. Contudo, o valor citado de 643.569,00 corresponde aos dois primeiros decêndios de agosto, conforme se constata às fls. 136/137, e o valor aqui examinado de 820.604,18 corresponde ao 3º decêndio, conforme fls. 140/141. Entende-se que os dois primeiros períodos de apuração de agosto, de fato, não pertenciam ao objeto do auto de infração, assim, não poderiam servir de apoio para o indeferimento do pedido do recorrente. Observe-se abaixo excerto do auto de infração (fl. 10): O fato gerador referente a 31/08/07, vencido em 05/09/07, fora pago em 17/10/07. No pagamento constou o principal com juros de mora, mas não a multa de mora., vide abaixo comprovante de arrecadação (fl. 66): Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.289 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001478/2008-70 A contribuinte, então, comunicou à RFB o pagamento em atraso (fl. 13): A DCTF (fls. 63 e ss), correspondente ao período, fora entregue em 29/09/08. Assim, conclui-se assistir razão ao embargante, pois fora omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma (art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015), que, uma vez considerado, comprova a validade da denúncia espontânea. Diante do exposto, VOTO pelo acolhimento dos embargos, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.289 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001478/2008-70 Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.000960/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3102-000.164
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DA ZONA DE SÃO MANUEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 15/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de impugnação (fls. 398 a 423) a Auto de Infração (fls. 371 a 383) de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS, por FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, relativo a fatos geradores ocorridos no anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, lavrado pela DEINF/SPO, em 05/07/2006, com exigibilidade suspensa, por força depósito integral realizado nos autos do Processo judicial 2000.61.08.0044270. 2. O crédito tributário, assim constituído, foi composto pelos valores a seguir discriminados: COFINS R$ 73.232,99 Fl. 522DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000960/200621 Resolução n.º 3102000164 S3C1T2 Fl. 487 2 Juros de Mora (calculados até 30/06/2006) R$ 51.978,96 Valor do crédito tributário apurado R$ 125.211,95 3. Como enquadramento legal do tributo, o autuante assinala o artigo 1°, da Lei Complementar 70/91, os artigos 2°, 3° e 8°, da Lei 9.718/98, com as alterações das Medidas Provisórias 1.807/99 e 1.858/99 e reedições, os artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51, do Decreto 4.524/02, e o artigo 18, da Lei 10.684/03 (fls. 373 e 374). Para os juros de mora, indica o artigo 61, parágrafo 3°, da Lei 9.430/96 (fl. 381). 4. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 384 a 387), a autoridade noticia que efetuou o lançamento da COFINS, para os períodos de apuração de 06/2000 a 04/2001, 07/2001, 08/2001, 11/2001, 12/2001, 04/2002 a 11/2002, 01/2003 a 05/2003, e 07/2003 a 09/2003, para prevenir a decadência, com exigibilidade suspensa, sem multa de oficio, em razão do depósito do montante integral do crédito tributário, consoante o artigo 4°, do Decretolei 1.737/79, nos termos do Parecer COSIT 02/99. O referido depósito foi efetuado no processo judicial 2000.61.08.0044270, cujo objeto é a declaração de inexistência de relação jurídica quanto à obrigação para recolhimento da COFINS sobre atos cooperativos. 5. Cientificado do lançamento em 12/07/2006 (fl. 393), o autuado protocolizou a impugnação em 11/08/2006 (fls. 397 e 398), na qual alega, em resumo, que: i) efetuado o lançamento em 15/07/2006, carecem de legalidade as exigências dos créditos referentes ao período de 06/2000 a 07/2001, pelo transcurso do prazo decadencial de 5 anos previsto no artigo 150, parágrafo 40, do CTN, não valendo o prazo decenal do artigo 45, da Lei 8.212/91, artigo este que viola o artigo 146, inciso III, da CF, consoante a doutrina e jurisprudência, cujos excertos colaciona; ii) o auto de infração seria nulo porque a autoridade fiscal teria se baseado em norma inconstitucional, o artigo 3°, da Lei 9.718/98, que ampliou indevidamente o conceito de faturamento, contido na Lei Complementar 70/91, correspondente ao produto da receita operacional, e fez da receita bruta a base de cálculo da contribuição, com violação ao artigo 195, parágrafo 4°, c/c o artigo 154, inciso I, da CF, conforme doutrina e jurisprudência, cujos excertos colaciona; iii) a edição da Emenda Constitucional 20/98 não alterou a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98, porque esta não mais existia como lei válida quando do início da vigência da citada Emenda, conforme entendimento do STF manifestado em excerto que colaciona; iv) a Taxa SELIC, tanto na forma de juros como de correção monetária, seria inconstitucional, pois contrariaria o princípio da legalidade, inscrito no artigo 150, inciso I, da CF, já que sua estipulação ficou sujeita a atos infralegais, além de possuir natureza remuneratória de títulos, não podendo ser aplicada nas situações de inadimplemento de tributos em que seriam cabíveis juros moratórios; ainda, pelos termos do artigo 13, da Lei 9.065/95 a taxa seria acumulada mensalmente, contrariando o ordenamento jurídico que repele a capitalização dos juros, a teor do disposto no artigo 253, do Código Comercial, além de não estar conforme a Súmula 121, do STF, e entendimento do STJ manifestado em excerto que colaciona; v) por último, a autoridade fiscal deixou de aplicar a legislação correta no lançamento, ferindo o artigo 142, do CTN, o princípio da legalidade, e o da tipicidade do artigo 97, do CTN. Fl. 523DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000960/200621 Resolução n.º 3102000164 S3C1T2 Fl. 488 3 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Carece de legitimidade a constituição de créditos tributários levada a efeito após o transcurso do prazo decadencial de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MÉRITO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃODA MATÉRIA. Irresignação endereçada diretamente à inconstitucionalidade de dispositivos legais não é matéria passível de apreciação por parte das instâncias julgadoras administrativas, pois que lhes falece competência para obstar eficácia de lei em razão do referido vício, atribuição esta exclusiva do Poder Judiciário. JUROS. CAPITALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O sistema de capitalização não é admitido na atualização dos créditos tributários, para o que, por força das normas vigentes, os índices mensais de juros são acumulados por soma aritmética, não por soma geométrica, evitandose, assim, a incidência de juros sobre juros. APLICAÇÃO INCORRETA DA LEGISLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É improcedente a alegação de aplicação incorreta da legislação quando a fundamentação legal consignada pela autoridade fiscal mostrase apropriada para legitimar a exigência integram a ao obrigação quanto a todos os elementos que lançada. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário apresentado pela recorrente. Conforme se depreende dos autos, a contribuinte impetrou ação judicial requerendo a declaração de inexistência de relação jurídica no que concerne à obrigatoriedade de recolhimento da Cofins. Administrativamente, discute, dentre outros, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pela Lei 9.732/98. Fl. 524DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000960/200621 Resolução n.º 3102000164 S3C1T2 Fl. 489 4 A Contribuição em epígrafe tem origem na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. No que concerne à sujeição passiva e ao campo de incidência, assim dispunha a norma legal. Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O artigo 6º da Lei Complementar isentava da contribuição algumas entidades, dentre elas as sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos. Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; II as sociedades civis de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; III as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Com o advento da MP 2.158_35, ainda em edição anterior à identificada por este número, revogouse, com efeitos a partir de 30 de junho de 1999, o inciso III do artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91. Art.93.Ficam revogados: (...) IIa partir de 30 de junho de 1999: a)os incisos I e III do art. 6o da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; Por força destas alterações na legislação, na data de ocorrência dos fatos geradores deste processo, a isenção objeto da lide estava normatizada pelo artigo 2º da MP 2.158_35/01. Fl. 525DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000960/200621 Resolução n.º 3102000164 S3C1T2 Fl. 490 5 Art.2oO art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.3o................................................... ................................................... §2o................................................... ................................................... IIas reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; ................................................... §6oNa determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: Ino caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (grifos meus) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c)deságio na colocação de títulos; d)perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e)perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; A meu ver, ante tais disposições legais resta incontroverso que, na data da ocorrência dos fatos geradores do crédito tributário objeto da lide, a isenção da Cofins atingia não mais a totalidade das receitas decorrentes dos atos cooperativos. Em lugar disso, a legislação passou a admitir apenas as exclusões arroladas no parágrafo 6º do artigo 3º da Lei 9.718/98 com a redação introduzida pelo artigo 2º da MP 2.158/01. Por outro lado, fácil perceber que receitas de outra natureza não estão contempladas no texto legal original, qual seja, a Lei Complementar 70/91, já que, como se viu, aquela especificou exclusivamente “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”. De fato, a exigência encontra fundamento legal na Lei 9.718/98 que, ao promover o famigerado “alargamento da base de cálculo”, inclui na base tributável toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil, nos seguintes termos. Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 526DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000960/200621 Resolução n.º 3102000164 S3C1T2 Fl. 491 6 Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, a inconformidade dos contribuintes alcançados pelo alargamento levou o assunto ao Poder Judiciário. A matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, considerada como de repercussão geral, nos seguintes termos. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Tal como disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, conforme alteração introduzida pela Portaria 586/2010, as matérias de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Código do Processo Civil Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. Fl. 527DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.000960/200621 Resolução n.º 3102000164 S3C1T2 Fl. 492 7 § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Da leitura do auto de infração contatase que a base de cálculo do lançamento sub judice foi a receita bruta, tal como identificada no Anexo I ao Relatório de Auditoria Fiscal, folhas 388 392 do processo. Não havendo detalhamento da base de cálculo utilizada pela fiscalização, necessário que o processo retorne à repartição de origem para que sejam identificadas cada uma das receitas integrantes da base tributável, de tal sorte a permitir que sejam apartadas aquelas originárias dos atos cooperados, com as exclusões admitidas em Lei, das demais receitas. Por todo o exposto, VOTO POR CONVERTER o julgamento em diligência para especificação dos valores das receitas originadas dos atos cooperados e respectivas exclusões, nos termos do parágrafo precedente. Sala de Sessões, 02 de março de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 528DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 12157.000137/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3102-000.215
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro declarou-se impedida.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro declarouse impedida. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos adoto em parte o relatório da primeira instância que passo a transcrever. " Prefácio Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 2 2 Estes autos citam onze empresas, três delas denominadas "Perdigão Agroindustrial S/A", em diferentes momentos, como segue: CNPJ fatos até 29 de setembro de 95 (fl 2622) até 30 de maio de 1997 (fl 2623 c/c 2624) até 27 de feveriro de 2009 (fl 2624) 89.421.903/000150 Perdigão Agroindustrial S/A (1) 82.829.730/000164 Perdigão Alimentos S/A Perdigão Agroindustrial S/A (2) 86.547.619/000136 Perdigão S/A Com e Ind. Perdigão Agroindustrial S/A (3) Para evitar o risco de misturar fatos de homônimas, aduzimos ao nome o índice (1 ), (2) e (3), destacando que o CNPJ é o critério para diferenciar as personalidades. Com base em cautelar proposta na 11ª VFSP, de n° 96382530, a sucessora (CNPJ 86.547.619/000136 declara em DCTF ter compensado créditos tributários de PIS apurados entre 08/2001 e 08/2002 (fl 2 a 14). Essas compensações informadas em DCTF's foram convalidadas parcialmente pela auditoria fiscal competente, a qual determinou a cobrança dos saldos pendentes. A sucessora se insurgiu , administrativamente contra ã cobrança e por meio de Mandado de Segurança obteve decisão monocrática (ora submetida ao TRF) para que sua inconformidade seguisse o rito processual do PAF (Decreto 70.235/72). O Pis apurado entre 8/2001 e 8/2002, objeto deste processo, foi informado nas DCTF's acostadas como tendo sido compensado com base em decisão judicial. Os limites desta discussão são os da coisa julgada, não podendo exceder às petições iniciais, às regras de formação do indébito de PIS determinadas judicialmente a partir dos comprovantes que as acompanharam, e ao modo pelo qual o Judiciário rege sua utilização. Intimações Formação do Crédito Perdigão Agroindustrial S/A (3), Cnpj 86.547.619/000136, fora intimada a apresentar documentos, dentre outros, cópias dos DARF's que pretende utilizar e de peças judiciais, em especial as petições iniciais (fl 60/61). Em resposta disse haver ação para declaração de inconstitucional idade dos DL's e manutenção e aplicação da LC 7/70, que não há execução, e argui: a) cópias das iniciais não seriam necessárias (fl 93 e 94); Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 3 3 b) teria crédito de Pis/Cofins dos Cnpj's/períodos de apuração/datas de pagamento/vencimento: Pis (tabela fl. 2665) Cofïns (tabela fl. 2665) Utilização do indébito Perdigão Agroindustrial S/A (3) (Cnpj 86.547.619/000136) diz que: a) autocompensou débitos de Pis apurados de 12/96 a 04/98 (fl 151); b) compensou débitos próprios de Pis em DCTF de 08/2001 a 08/2002, conforme fls 2 a 14 c/c fl 151 (objeto de controle deste processo); c) compensou débitos de Pis de 09/2002 a 01/2003 (fl 151); d) compensou por declarações (Dcomp) débitos próprios de Pis e de outras naturezas incorridos entre 7/12/2005 e 4/1/2006 (fls 151 a 153). Tais. comportamentos teriam como base os seguintes fatos: a) decisões nas ações cautelar 9600382530 (fls 2 a 14) e ordinária 97.00007588 (fl 19); e b) pagamentos de Pis e Cofins com crédito de IPI do Proc. 13.986.001418/9708 (fl. 1003). Informa que não localizara alguns documentos (fl 56/157). Decisão Administrativa (fls 2005 a 2009) Pela sentença monocrática, a formação do indébito deveria partir dos comprovantes acostados pelas sucedidas às petições iniciais . No entanto, o quantum foi apurado com base em Darf's e comprovantes de arrecadação certificados, código 3885 (fls. 1249/1696) e bases de cálculo para as quais o contribuinte apresentou cópias dos balancetes e que constaram das planilhas demonstrativas (fls. 104/115 e 1901/1903). Os Darfs apresentados e comprovados foram vinculados aos novos valores do PIS, com base na LC 7/70, utilizando a base de cálculo do 6° mês anterior. O cálculo foi feito pelo critério de Pis —Semestralidade para nove sucedidas (fl 2002): CNPJ 82.829.730/000164 Perdigão Agroindustrial S/A (2) (Perdigão Alimentos S/A); CNPJ 81.418.550/000127 Perdigão Rações Paraná Ltda; CNPJ 59.403.246/000157 Perdigão Avícola Rio Claro Ltda; CNPJ 92.692.433/000254 Sulina Alimentos S/A; CNPJ 79.505.863/000170 Tobby Nutrição Animal Ltda; CNPJ 82.745.118/000103 Videira Investimentos e Participações Ltda; CNPJ 49.870.777/000104 Itapevi Agrícola Ltda; Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 4 4 CNPJ 52.501.061/000136 Frigorífico Mococa S/A; CNPJ 89.421.903/000150 Perdigão Agroindustrial S/A (i). A incorporada Chester Avícola CNPJ 81.306.722/000170 (fl 117) não foi incluída na apuração do crédito, pois não teria sido apresentada planilha demonstrativa da base de cálculo nem balancetes. O auditorfiscal competente da DERAT/EQITD/DIORT atualizou os créditos com base na decisão judicial e convalidou até o limite do crédito calculado as compensações em DCTF da requerente dos períodos de apuração 12/96, 1/97 a 12/97,1/98 a 4/98, 8/2001 a 6/2002, e quanto ao período de 7/2002, até o montante de R$ 417.023,85. Restou para os meses de 8 a 11/2002 e 1/2003 saldo devedor de R$ 660.810,69 (fl 2008/2009). As compensações foram parcialmente convalidadas e a sucessora foi cientificada do cálculo e da cobrança dos débitos não convalidados (amortizados). Não houve ato de nãohomologação de compensação (§ 2º art 212, Portaria 125, de 4/3/2009). Segundo o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB e julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso, ou a nãohomologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere (Portaria MF n° 125, de 4 de março de 2009, artigo 212, § 2°). Não caberia conhecer a insurgência contra ato de nãoconvalidação por refugir às competências de DRJ (§ 2º, art 212, da Portaria 125, de 4/3/2009). A defesa se insurge contra o ato de nãoconvalidação (não em face de ato de nãohomologação de compensação). Não estando inserto na esfera de competência da DRJ não caberia conhecer estes pontos. Mandado de Segurança 2009.61.00.0180535 No entanto, em 29/05/2009 a sucessora fez petição administrativa (fl 2024) e em Mandado de Segurança obteve liminar para suspender a exigibilidade e a prescrição e equiparar essa irresignação a uma Manifestação de Inconformidade, razão pela qual houve encaminhamento a esta DRJ para julgamento (fl 2610). Em 6/1/2010 a sucessora anexa decisão judicial que atribui à irresignação efeito suspensivo à cobrança dos créditos tributários compensados e determina seu processamento na forma do artigo 74 da Lei 9.430/96. O MS segue sob o reexame necessário (fl 2621, verso). A Irresignação Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 5 5 Na irresignação em face da nãoconvalidação da compensação informada nas DCTF's, a sucessora diz, em linhas gerais, que a decisão merece reforma por: (I) desconsiderar pagamentos de PIS por suposta ausência de comprovação do efetivo recolhimento e da base de cálculo; (II) não incluir no cálculo do indébito períodos em que se verificou suposta insuficiência dos pagamentos de PIS com base na LC n° 07/70 (saldo negativo) e unificar as bases de cálculo de PIS das empresas incorporadas;(III) exigir PIS devido com base na LC n° 07/70 em períodos de apuração em que não se verificou a ocorrência do fato gerador. Buscamos a seguir transcrever sinteticamente esses argumentos. Item 4.1 Pagamentos Comprovação pelo Livro Diário A defesa diz que o Diário comprova cada recolhimento e pede suas inclusões: (fl. 2.668) Diligência A defesa diz que juntou cópia do Livro Diário que atesta os efetivos recolhimentos de PIS, pois a manifestação da autoridade administrativa compreende períodos de apuração do indébito, cujos fatos geradores ocorreram a mais de 10 anos, e a localização de todos os documentos que embasaram tais lançamentos fiscais nem sempre é possível no prazo para a manifestação. Por entender serem suficientes as provas documentais contidas nos autos, a Contribuinte requer que os pagamentos considerados sejam incluídos no cálculo do indébito. Caso se julgue que tais provas não são suficientes, pede que o processo seja baixado em diligência, conferindose à contribuinte prazo razoável para que sejam buscados nos arquivos da empresa outros elementos que o fisco julgue suficientes para corroborar os lançamentos contábeis referidos. Item 4.2 Crédito de IPI Processo 13.804.001418/9708 [ o despacho atacado diz "os valores informados como compensados no processo n° 13804001418/97 não foram comprovados e por isso não foram incluídos (fl. 203)" (fl 2007) ] A defesa alega compensações de Pis com esse ressarcimento de IPI (fl 2030): Para isso a defesa anexa cópias de documentos (Doctos 3 e 4), dentre as quais consta despacho/homologando compensações dos processos apensos e do de ressarcimento (fl 2119). Item 4.3 Pagamentos não considerados CNPJ 89.421.903/000150, Perdigão Agroindustrial S/A (1) Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 6 6 A defesa pede reconsideração, dizendo que com a base de cálculo (fl 2003) apurouse o valor devido mas não formam deduzidos, por equívoco, os pagamentos a seguir: Periodo de Apuração Vcto fl. VALOR Processo Parcelamento 19/01/1993 923 185.795.124,00 10925.000039/93‐86 Janeiro de 1993 24/02/1993 931 3.957.488.430,60 Item 5 Desconsideração de pagamentos por não comprovação de base de cálculo Quanto às empresas Chester Avícola Ltda. e Sulina Alimentos S/A (períodos de apuração 01/1989 a 06/1989 e 03/1990 a 06/1990) a defesa diz que anexou aos autos documentos comprobatórios das bases de cálculo, que tratará nos itens 5.1. e 5.2. Item 5.1 A empresa diz estar anexando cópia de balancetes (doc 5). A defesa diz que não foi possível localizar todos os documentos comprobatórios, inclusive os balancetes, no exíguo prazo para manifestação. A defesa diz que juntou outros documentos que comprovam a veracidade das bases de cálculo utilizadas Declarações de Imposto de Renda, memórias de cálculo e Documentos de Arrecadação de PIS e FINSOCIAL. A defesa diz que para os períodos anteriores a 1990, alternativamente ao balancete, foram apresentados Documentos de Arrecadação de PIS/FINSOCIAL (DARF) e memórias de cálculo de PIS (5 empresas na tabela fl 2034). A defesa diz que nos períodos de apuração 11/89 e 12/89 foram utilizadas as bases de cálculo de PIS dos meses 05/89 e 06/89 (fl. 1.221), respectivamente, DecretoLei n° 3.445/49, as quais suplantam o faturamento. A defesa diz que: os documentos de arrecadação anexados (fls. 1221 a 1222 e 1313) especificam as bases de cálculo de PIS e FINSOCIAL; se os pagamentos foram aceitos pela Receita Federal do Brasil, as respectivas bases de cálculo também foram confirmadas; o autolançamento foi homologado. A defesa diz que as memórias de cálculo produzidas na época serviram de base para apuração dos valores pagos a título de FINSOCIAL, o qual tem a mesma base de cálculo do PIS, e que foram homologados integralmente pela SRF. Se os valores pagos foram confirmados pela fazenda pressupõese que as bases de cálculo estejam corretas. Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 7 7 A defesa diz que não há motivo para desconsiderar as provas carreadas. A defesa diz que a partir de 1990, alternativamente, foram apresentadas Declarações de Imposto de Renda e Declaração de Imposto de Renda é documento hábil e suficiente para fazer prova das bases de cálculo de PIS. A defesa diz que as informações prestadas nas DIRPJs foram ratificadas pela Fazenda à época em que foram apresentadas, portanto, concluise que os dados informados, incluindo as bases de cálculo do FINSOCIAL, ora utilizadas para o cálculo do PIS (LC n° 7/70), são verdadeiros. A defesa requer que as bases de cálculo apresentadas em substituição aos balancetes sejam aceitas. Item 5.2 Inexistência de Base de Cálculo Semestral A defesa diz que foi exigido PIS devido com base na LC n° 07/70 em períodos de apuração em que não se verificou a ocorrência do fato gerador do tributo. A empresa alega que há duas situações em que inexiste base de cálculo. Em ambas o valor efetivamente devido a título de PIS corresponde a "zero". Na primeira, em face do início das atividades e na segunda, em virtude da ausência de faturamento. A defesa diz que na primeira situação, encontramse as empresas Chester Avícola Ltda, Perdigão Avícola Rio Claro Ltda. e Perdigão Rações Paraná Ltda. A defesa alega que no início das atividades inexiste base de cálculo e diz que o valor devido de PIS corresponde a "zero": (tabela fl. 2.670) A defesa diz que para Chester Avícola Ltda, a base de cálculo do PIS do período de apuração 05/1989 é o faturamento do mês 11/1988, a base de cálculo do mês 06/1989 corresponde ao faturamento do mês 12/1988 e assim sucessivamente. A defesa diz que Chester iniciou suas atividades em 13/04/1989 (Doc. 06, portanto, só há faturamento (base de cálculo do PIS) a partir do mês 05/198 há recolhimento indevido nesse período, porque à época os pagamentos foram feitos pelos DecretosLei, posteriormente declarados inconstitucionais, cuja base era o faturamento do próprio mês. Portanto, não existem valores efetivamente devidos, mas há pagamentos indevidos. Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 8 8 A defesa diz que Perdigão Avícola Rio Claro Ltda iniciou suas atividades em 30/08/1988 e Perdigão Rações Paraná Ltda tem data de abertura 23/06/1989 (Doc. 06). A defesa diz que na segunda situação estão as empresas Frigorífico Mococa S/A, Itapevi Agrícola Ltda e Videira Investimentos e Participações Ltda, pois inexiste base de cálculo, ou seja, não houve faturamento no sexto mês anterior ao período de apuração, conforme tabela a fl. 2.671 A defesa requer que os períodos supra mencionados integrem o indébito de PIS, visto que todos os pagamentos efetuados são indevidos. Item 6 A empresa alega indevidas a inclusão no cálculo do indébito de períodos em que se verificou insuficiência dos pagamentos de PIS com base na LC n° 07/70 (saldo negativo) e a unificação das bases de cálculo de PIS das empresas incorporadas. A defesa diz que a Fazenda fez amplo encontro de contas global ( e não mês de apuração a mês de apuração como foi assegurado) apurando e cobrando contribuições coro base na aplicação retroativa da Lei Complementar n° 7/70, situação a que não estava autorizada, pois fez ampla compensação tributária, sem dispor de um crédito líquido e certo oponível ao contribuinte e fez um único cálculo para todas as empresas. A defesa diz que Perdigão Agroindustrial S/A (3) (CNPJ 86.547.619/000136), sucedeu as incorporadas em todos os seus direitos e obrigações e as datas de baixa são (certidões, fls 2.349 a 2.368): EMPRESA CNPJ Data de baixa Sulína Alimentos S/A 92.692.433/000254 31/07/1990 Frigorifício Mococa S/A 52.501.061/000136 30/04/1991 Perdigão Rações Paraná Ltda. 81.418.550/000127 31/05/1991 Chester Avícola Ltda. 81.306.722/000170 01/07/1991 Tobby Nutrição Animal Ltda. 79.505.863/000170 17/04/1995 Itapevi Agrícola Ltda. 49.870.777/000104 17/04/1995 Videira Investimentos e Participações Ltda. 82.745.118/000103 17/04/1995 Perdigão Agroindustrial S/A (1) 89.421.903/000150 29/09/1995 Perdigão Agroindustrial S/A (2) (antes Perdigão Alimentos) 82.829.730/000164 31/05/1997 Perdigão Avícola Rio Claro Ltda. 59.403.246/000157 31/05/1997 Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 9 9 A Requerente diz que: o Fisco unificou as bases de cálculo de todas as empresas (fls. 1.800/1.808 e 2002/2004) e nos períodos em que se verificou suposta insuficiência de pagamento (recálculo com base na LC 7/70) em determinada empresa o saldo devedor remanescente era imputado nas sobras de pagamentos de outros meses, inclusive nas sobras das outras empresas; os cálculos devem ser segregados, visto que, à época dos pagamentos indevidos, as empresas possuíam personalidades distintas, ou seja, os cálculos eram efetuados de forma individualizada, sem prejuízo da sucessão; no cálculo do Fisco não há correspondência de períodos de apuração entre débito e crédito (indébito). A administração fazendária efetua a amortização do valor total apurado como devido (com base na LC n° 7/1970) mediante compensação coro pagamentos realizados a esse mesmo título em relação a períodos de apuração diversos; quando o valor pago em relação a um período de apuração não é suficiente para a amortização do débito sob análise, o Fisco realiza a compensação do saldo devedor remanescente com pagamentos realizados em outros meses de apuração. Tantos quantos bastarem para a compensação integral do valor apurado como devido com base na LC n° 7/1970 e considerado pelo Fisco como não pago; as autoridades administrativas efetuam a compensação dos saldos insuficientes de pagamentos das contribuições com indébito verificado em outros meses de apuração; o valor a ser ressarcido acaba sendo reduzido artificialmente, em face da inclusão indevida de períodos de apuração em relação aos quais o cotejo entre os valores pagos (com base nas normas vigentes à época) são menores do que aqueles que seriam devidos com base na aplicação retroativa da LC n° 7/1970; sem autorização legal ou judicial, a Fazenda, de forma indireta, cobra supostas insuficiências de recolhimentos do PIS. Inclusive, essa pretensa insuficiência só ocorre em função do recálculo da contribuição, eis que quando a requerente recolheu essa contribuição, no passado, o fez segundo a sistemática então vigente, corretamente, extinguindo o crédito tributário regularmente, sem que houvesse qualquer reclamação do Fisco, notificação ou qualquer outro meio de constituição e cobrança dos créditos. A defesa diz que às fls 2039 e 2040 tabelou os períodos de apuração (PA's) em que a fazenda teria apurado insuficiência de pagamento (saldo negativo): (tabela fl. 2.673) A defesa diz que na ação ordinária, a contribuinte não restou "condenada" a pagar eventuais diferenças recolhidas a menor; restou assegurado a ela o direi ao ressarcimento do indébito, mediante compensação; e mesmo que se pudesse extrair daquela decisão uma suposta condenação da requerente, não poderia o Fisco prescindir da regular constituição do crédito tributário, pois as bases de cálculo são outras e os prazos de pagamento também. A defesa diz que se o Fisco quisesse cobrar contribuições hoje, relativas à aplicação da LC n° 07/70, deveria ter se acercado de um instrumento competente de sorte a assegurarlhe esse suposto direito. Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 10 10 A defesa alega que a pretensão do Fisco é totalmente ilegal e ofende a coisa julgada, pois desrespeita o procedimento regular de constituição e exigência dos créditos tributários da Fazenda. Item 6.1 A defesa diz que foi assegurado à requerente o direito de apurar o indébito de PIS, consistente na diferença positiva entre o que foi recolhido a maior com base nos DecretosLeis nos 2.445 e 2.449, ambos de 1988, em confronto com a LC n° 07/70, sem estar obrigada a compensar eventual tributo não recolhido no momento oportuno, pois o título. executivo detido pela Requerente assegurou um direito dela e não criou um direito subjetivo do Fisco em seu desfavor (contra o contribuinte). A defesa diz que de acordo com a sentença proferida nos autos da ação ordinária n° 97.00007588 (fls. 167/173) foi assegurado à Requerente, o direito de compensar o montante recolhido indevidamente a título de PIS, transcrevendo: "Pelas razões expostas, JULGO PROCEDENTE OS PEDIDOS da cautelar e da principal, reconhecendo corretos os pagamentos da contribuição para o PIS, com fulcro na Lei Complementar 07/70, indexados conforme a legislação vigente à época do recolhimento e, reconheço o direto da(s) autora(s) de compensar as importâncias recolhidas indevidamente, comprovadas pelos documentos que instruem a inicial, com o próprio PIS, nos termos da Lei n" 8.383191, aplicandose a correção monetária utilizada na cobrança dos tributos, desde o recolhimento indevido, e acrescido dos juros legais, a partir do trânsito em julgado desta decisão (artigos 161 e 167, do C. T.N.)." A defesa diz que é ilegal o expediente utilizado pela Fazenda para reduzir artificialmente o indébito da empresa e exigir créditos tributários em relação aos períodos de apuração em que os pagamentos realizados pela empresa foram insuficientes em face do recálculo contemplar a correta aplicação da Lei Complementar n° 07/70 e não dos DL's 2.445/88 e 2.449/88. A defesa diz que a sentença proferida na Ação Ordinária tem efeitos declaratórios, não podendo a Fazenda Pública simplesmente "executá la", eximindose do dever de lançar eventual diferença de tributo que não tenha sido recolhido na época própria. A empresa transcreve doutrina sobre efeitos de ações judiciais declaratórias e rescisória. A defesa diz que não há ordem na Ação Ordinária que permita à autoridade administrativa exigir ou dar por quitado um tributo sem que haja lançamento e sem que haja um pagamento antecipado pelo próprio sujeito passivo. A defesa diz que seria preciso que o Fisco demonstrasse de que forma o seu pretenso crédito se mostra líquido e certo, autorizandolhe a compensar eventuais diferenças com o crédito apurado pela Requerente. Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 11 11 A defesa diz que a pretensão do Fisco, além de ofender a coisa julgada, malfere também o princípio da Segurança Jurídica (art 6° da LICC e 468 do CPC) pois o contribuinte não poderia supor que os Decretos Leis nos 2.445 e 2.449 viessem a ser declarados inconstitucionais. A defesa diz que se reconhecido o caráter declaratório da decisão proferida na Ação Ordinária supra referida cabem as ponderações que a Doutrina faz acerca dos efeitos da sentença meramente declaratória. A defesa diz que o Fisco despreza o efeito imperativo da sentença proferida na Ação Ordinária que assegurou o direito creditório da Requerente, previsto no artigo 468 do Código de Processo Civil, negandolhe, portanto, vigência. Item 6.2 A defesa diz que recolhimentos a menor somente poderiam ser cobrados pelo Fisco mediante regular constituição do crédito tributário, por meio do competente lançamento (art 142, CTN). Transcreve doutrinas sobre o lançamento. A defesa diz que o encontro de contas realizado pelo Fisco viola frontalmente o artigo 142 do CTN (transcreve doutrina sobre o art 142). A defesa diz que a Fazenda não procedeu dessa forma, eis que pura e simplesmente deduz na apuração do indébito da requerente os saldos negativos verificados no confronto entre os valores pagos pela empresa com base na sistemática vigente por ocasião dos recolhimentos e os devidos com base na LC n° 7/1970, ao arrepio da lei que normatiza a espécie. A defesa diz que a Fazenda, realizando a cobrança indireta do crédito tributário, deixa de observar a forma prescrita em lei. A defesa diz que o Fisco, constatando quaisquer irregularidades nas compensações efetuadas de acordo com a legislação vigente na época do encontro de contas (Leis 8.383/91, art. 66 e 9.430/96, art. 74), somente poderia exigir eventuais diferenças mediante lançamento de oficio, garantindo o devido processo legal, segundo o rito do Decreto n° 70.235/72. A defesa transcreve doutrina sobre a legalidade. A defesa diz que a apuração do montante do indébito tributário a que faz jus a Requerente e a exigência de créditos tributários pelo Fisco são circunstâncias absolutamente distintas; aquela deve ser realizada de acordo com o provimento jurisdicional em que restou assegurado o ressarcimento do indébito e esta deve obediência às normas relativas à constituição e à exigência dos créditos tributários da Fazenda. A empresa diz que satisfez a obrigação na época oportuna, de acordo com as normas que então vigiam; por essa razão, a exigência de qualquer valor decorrente de pagamento a menor em face da aplicação retroativa da sistemática da LC n° 7/1970 somente poderia se verificar mediante a regular constituição do crédito tributário. Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 12 12 A defesa diz que a solução de consulta n° 45, de 21/03/2002, proferida Superintendência Regional da Receita Federal da 5 a Região Fiscal deixa claro como deve ser feito o confronto dos valores. A defesa diz que o procedimento pretendido pelo Fisco é totalmente ilegal e ofende frontalmente o artigo 142 do Código Tributário Nacional. A defesa diz que, caso tenha recolhido a menor a título de PIS, porque a legislação que lhe alterou a sistemática de recolhimento foi julgada inconstitucional, caberia ao Fisco, com todas as garantias e privilégios que já lhe são asseguradas, efetuar a constituição da diferença do crédito que julga devido, conforme determina o art. 142 do CTN. Alega decadência do fisco em constituir o crédito tributário pelo artigo 142 do CTN, com base nos artigos 150 e 173 do CTN. A defesa diz que no caso em apreço já transcorreu o prazo decadencial para que tal providência fosse tomada. A defesa diz que o Fisco não pode exigir qualquer suposto saldo insuficiente de pagamento de PIS com base na LC n° 07/70, eis que está extinto o seu direito pela decadência. Nem se alegue, por outro lado, que a Fazenda somente poderia aplicar a LC n° 07/1970 a partir do trânsito em julgado da decisão que declarou como indevidos os recolhimentos realizados a título de PIS pela empresa com base nos DecretosLeis 2.445 e 2.449, ambos de 1988, eis que estes desde o ano de 1995 já haviam sido suspensos por força da Resolução n° 49/95 do Senado Federal, em face da decretação da inconstitucional idade pelo Supremo Tribunal Federal. A defesa diz que quer ver assegurado o critério de apuração que considera correto, mês a mês, com cálculos segregados por empresa, e exclusão dos períodos de apuração em que o cotejo entre os valores pagos da contribuição e os efetivamente devidos a esse mesmo título revelaram saldos negativos (pagamentos insuficientes). Item 7 Valor de Pis igual a Zero (fl 2049) A defesa diz que foi exigido PIS com base na LC 7/70 em períodos em que não houve fato gerador. A defesa diz que de acordo com a LC 7/70 a contribuição para o PIS das empresas comerciais e industriais, como a Requerente, tem como fato gerador o faturamento e, como base de cálculo, o faturamento, em valores históricos (sem correção monetária), do sexto mês anterior. A defesa diz que nos períodos compreendidos entre outubro/1990 a março de 1991 para a empresa Perdigão Rações Paraná Ltda. e nos períodos de dezembro/1991, agosto a outubro/1993 para a empresa Itapevi Agrícola Ltda. não houve faturamento, ou seja, não ocorreu o fato gerador da contribuição ao PIS (transcreve tabela). A defesa diz que o Fisco calculou a contribuição devida nesses meses com base no faturamento do sexto mês anterior (LC n° 7/70) e Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 13 13 confrontou com os valores pagos na sistemática dos DecretosLei 2.445 e 2.449/88. A Contribuinte diz que para os períodos de apuração em que não houve a ocorrência fato gerador faturamento não havia crédito a recolher, de modo que todos os pagamentos efetuados com base nos DecretosLei reputamse indevidos. A Contribuinte requer que para os meses em que não há ocorrência de fato gerador faturamento o montante integral dos recolhimentos efetuados a título de PIS seja reputado indevido. Item 8 A empresa requer (fl 2050): admissão da manifestação de inconformidade; considerar todos os pagamentos e compensações realizados, inclusive os comprovados por meio do livro Diário, ou converter o julgamento em diligência para juntar documentos; considerar as bases de cálculo dos DARF de Pis/Finsocial, memórias de cálculo e Declarações de IRPJ; segregar os créditos por empresa mês a mês apurando apenas as diferenças positivas entre os DL's e a LC 7/70, respeitando a decadência de constituir débitos na atualidade e não à época; não exigir Pis com base na LC 7/70 em período sem fato gerador; homologar as compensações; revisar a numeração do processo. Renumeração A defesa requereu revisão de numeração do processo por erro a partir da fl 980. O pedido foi deferido, com retorno à autoridade preparadora para providências. A autoridade preparadora saneou o processo e o devolveu para prosseguimento. Na transcrição das tabelas da defesa (acima) já colocamos os novos números, quando alterados. Juntada de documentos após a manifestação de inconformidade Em 30/6/2009 a empresa requer juntada de documentos (fl 2404 a 2538, vol XII e XIII). Suspensão de exigibilidade Em 8/9/09, a Derat suspendera a exigibilidade dos débitos compensados (fl 2545). Na ação mandamental, em 3/11/2009, foi atribuída à petição administrativa a suspensão da cobrança do tributo compensado, Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 14 14 determinando seu processamento na forma do artigo 74 da Lei 9.430/96. Essa decisão está submetida ao reexame necessário (fl 2621, verso)." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador e se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, mas não se justifica quando o fato possa ser demonstrado pela juntada de documentos. JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto nas alíneas "a" a "c" do § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2002 CÁLCULO DO INDÉBITO POR EMPRESA. AUSÊNCIA DE COMANDO. ÚNICA SUCESSORA. DESCABIMENTO. Não havendo comando judicial para separar os cálculos de diferenças mensais e tendo a ação' judicial uma única sucessora dos direitos e obrigações das autoras e representadas não cabe refazer cálculos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2002 COMPROVANTES ANEXOS À INICIAL. NÃO INCLUSÃO. Na execução das ações cautelar e ordinária a formação do indébito pelo cálculo das diferenças mensais nos períodos lá discutidos deve partir dos comprovantes de recolhimento que teriam sido anexos àquelas petições iniciais, pois o magistrado assim o determinou expressamente. Não demonstrado que os comprovantes anexados a estes autos correspondem aos que instruíram as petições iniciais submetidos ao contraditório e sobre os quais o magistrado declara força probatória, seus valores e os das bases de cálculo a eles contrapostas para os cálculos das diferenças mensais entre os DL's 2.445/88 e 2.449/88 e o sistemas da LC 7/70 não podem compor o encontro de contas. Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 15 15 PETIÇÃO INICIAL PARA VALIDAR A LC 7/70. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. A apuração de eventual diferença Pis entre os DL's 2.445/88 e 2.449/88 e o sistema da LC 7/70 em desfavor da empresa expressamente mencionada na sentença não está ao desamparo da coisa julgada. Não cabe retirar do encontro de contas base de cálculo mensal que gera saldo em desfavor da sucessora. SISTEMA DA LC 7/70. FATO GERADOR DE PIS COMPOSTO POR FATURAMENTO NO MÊS DE APURAÇÃO (PA) E NO SEXTO MÊS ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. Com a validação do sistema da LC 7/70, a obrigação tributária decorre de ter havido faturamento no sexto mês anterior, não exigindo simultâneo faturamento no mês a que se refere a apuração ("Período de apuração"). PAGAMENTO DE PIS COM CRÉDITO DE RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITO NÃO DISCUTIDO JUDICIALMENTE. Estes autos decorrem de compensação informada nas DCTF's de 8/2001 a 8/2002, com base em decisões judiciais relativas ao Pis pago entre 29/11/91 e 14/11/95. O processo de ressarcimento de IPI (13.986.001418/9708) citado na defesa também trata do Pis de agosto de 1998. Tal pagamento de Pis não pode ser aqui apreciado, por não estar comprovado que tenha constado dentre os discutidos judicialmente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998 PEDIDO JUDICIAL DE COMPENSAÇÃO DE PIS COM DÉBITO DE OUTRAS ESPÉCIES REJEITADO. COISA JULGADA. NÃO CONVALIDAÇÃO. A coisa julgada determina a compensação do direito creditório de Pis apenas com débitos de Pis. O processo de ressarcimento de IPI 13.986.001418/9708 citado na defesa também trata da Cofins de agosto de 1998. Logo, a compensação de débito de Pis com Cofins foge ao escopo dos autos e não cabe no ato de convalidação parcial atacado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário alegando em sede preliminar o cerceamento do direito de defesa, em razão da desconsideração das provas juntadas após a manifestação de inconformidade, do indeferimento de realização de diligência. Alega indevida a delimitação do direito creditório somente aos documentos constantes das iniciais das ações judiciais, desconsiderando documentos juntados ao processo administrativo e as operações das empresas incorporadas Chester Avícola Ltda., Frigorífico Mococa S.A., Perdigão Rações Paraná Ltda. e Sulina Alimentos S.A. Quanto ao mérito repisa os argumentos já apresentados na impugnação. Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 16 16 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Conforme descrito no relatório a discussão que ora se apresenta trata de questão de fato, visto a existência de decisão judicial em favor da Recorrente, quanto ao direito em compensar os indébitos de PIS referentes ao recolhimento da contribuição com base nos DL 2.445/88 e 2.449/88. A justificativa para a glosa dos créditos consta de relatório fiscal, do qual extraio o trecho abaixo (fls. 2007 a 2008). "(1) foram considerados apenas os efetivos recolhimentos dos DARF e comprovantes de arrecadação, com código 3885, apresentados com base nas certificações de fls. 1249/1309, 1311/1496 e 1499/1696; os valores informados como compensados no processo n° 13804 001418/97 não foram comprovados e por isso não foram incluídos (fl. 203); (2) foram consideradas as bases de cálculo para os quais o contribuinte apresentou cópias dos balancetes e que constam das planilhas demonstrativas (fls. 104/115 e 1901/1903); no caso da incorporada Chester Avícola, não foi apresentada planilha demonstrativa da base de cálculo, nem cópia dos balancetes, não sendo por isso incluída na apuração do crédito; só foram apresentados balancetes da incorporada Sulina Alimentos S/A para os períodos de apuração de janeiro/89 até abril/89 (fl. 460/471); (3) procedeuse ao cadastramento no CTSJ dos pagamentos efetuados no código 3885 à partir dos DARF apresentados e comprovados vinculandoos aos novos valores do PIS, com base na LC n° 7/70, utilizando a base de cálculo do 6° mês anterior; (4) a atualização dos créditos foi feita com base na decisão judicial nos períodos em que houve determinação expressa, sendo aplicado nos demais o índice padrão; (5) foi efetuado o cadastramento dos débitos de PIS dos períodos de apuração 08/2001 a 08/2002 que o contribuinte compensou em DCTF; (6) inicialmente foram feitas as vinculações dos pagamentos com os valores apurados conforme a Lei n° 7/70; após foram realizadas as compensações; Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 17 17 (7) no caso dos valores recolhidos a título de parcelamento, o cadastramento foi feito com alternância de período de apuração, haja vista o CTSJ suportar apenas um período de apuração por pagamento cadastrado; (8) os relatórios produzidos pelo programa CTSJ são os seguintes: demonstrativos de apuração de débitos (fls. 1699/1707), de pagamentos (fls. 1708/1762) e de vinculações auditadas (fls. 1763/1900)." Do recurso constam pedidos de apreciação das provas trazidas aos autos em momento posterior e os documentos referentes a documentos que não constavam da peça inicial da ação judicial. De pronto, entendo que a posição restritiva, adotada pela autoridade a quo não pode prosperar. A sentença prolatada na decisão judicial foi clara ao determinar o direito da Recorrente de calcular o PIS com base nos Lei 7/70, afastando a tributação com base nos DL 2.445/88 e 2.449/88. Na sentença é determinado que os créditos serão apurados mediante ação fiscalizadora da Receita Federal, responsável por fazer as auditorias necessárias e calcular os créditos a que teria direito a Recorrente. Esta posição foi adotada pela Unidade de Origem, que no relatório fiscal que serviu de base ao Despacho Decisório. Refez todos os cálculos e determinou os créditos, inclusive considerando as empresas que foram incorporadas pela Recorrente. O despacho decisório foi claro ao identificar os motivos que levaram a glosa parcial dos créditos. De outro giro, também não pode prevalecer a posição defendida pela Recorrente, que os créditos sobre recolhimentos indevidos com base nos DL 2.445/88 e 2.449/88, seriam líquidos e certos, não cabendo a sua redução com os débitos de PIS apurados na sistemática da LC 7/70 e também de que os cálculos deveriam ser feitos individualmente, considerando cada empresa incorporada. Entendo que o cálculo determinado na sentença judicial foi claro ao determinar o recálculo do PIS utilizando os critérios da decisão judicial, assim correto o entendimento da Unidade de Origem em refazer os cálculos utilizando a apuração com base na LC 7/70 e apurando os valores recolhidos a maior do PIS. Quanto ao cálculo global, incluindo das empresas incorporadas, também não merece reparo a posição adotada pela Delegacia da Receita Federal. Os direitos e deveres das empresas incorporadas passam a fazer parte da incorporadora e os cálculos para efeito de indébito tributário deverão ser assim considerados, como todo um conjuntos de obrigações e direitos. Estamos diante de um despacho decisório realizado pela autoridade fiscal e entendo não existir nenhum obste legal ou equivoco neste procedimento. Entretanto, quando a pessoa fiscalizada é cientificada de decisão que lhe é desfavorável tem o direito ao contraditório e que sejam analisadas as suas alegações. Caso a autoridade, responsável pela apreciação destes argumentos, entenda que as provas apresentadas não são suficientes para a convicção no julgamento poderá determinar a busca destas provas, por meio direto, se lhe for possível ou por determinação de diligência nos termos previstos no Processo Administrativo Fiscal – PAF. Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 18 18 No caso em tela, o enfrentamento da lide passa por aceitar os documentos apresentados após a manifestação de inconformidade. A apresentação de documentos após a impugnação é matéria tratada no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72. "Art. 16. A impugnação mencionará: ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. " Nos termos do art. 16, a prova documental será apresentada na impugnação, sendo permitida a apresentação em outro momento do processo, quando atendida uma das três hipóteses, previstas no artigo. Neste sentido, destaco a alínea "a" do referido artigo, que permite a apresentação de prova documental quando fica demonstrada a impossibilidade da sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. A manifestação de inconformidade, como é cediço, possui o prazo de 30 dias para ser protocolizada. A Recorrente tomou conhecimento do despacho decisório, onde foi constatado que diversos créditos foram glosados em razão da falta de comprovação documental. Os documentos trazidos aos autos quando da apresentação da manifestação, tentaram comprovar os créditos e em momento seguinte após a apresentação da manifestação foram trazidos novos documentos, sob o arrimo que completariam àqueles já apresentados na manifestação de inconformidade, em razão da dificuldade da sua apresentação, por tratarse de período longo de cerca de 10 anos, o que gerou dificuldades para apresentação, somente sendo possível a apresentação neste novo momento após a apresentação da manifestação de inconformidade. A discussão sobre a apresentação de documentos após a impugnação é fato bastante discutido neste Conselho. A análise da vedação do artigo. 16 do CTN, vem no sentido de impedir que documentos apresentados em momentos posteriores a impugnação dificulte a conclusão do processo e a sua decisão final. Visto que se fosse indiscriminadamente aceitos documentos e alegações após a impugnação, os julgamento poderiam ser intermináveis. A apresentação pura e simples de fatos e documentos com viés de procrastinação não podem ser aceitos. Entretanto, existem situações em que a discussão da lide passa por questões fáticas que por documentos apresentados durante o percurso processual causariam a solução de forma definitiva da lide. Tais documentos se não apreciados podem envolver discussões futuras que nada ajudam as partes. Nestes casos, entendo que, quando entendido que tais documentos influenciam diretamente a solução da lide e de forma Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 19 19 justificada, não puderam ser apresentados no momento oportuno. Entendo que devam ser aceitos e considerados para o julgamento. Tal posição também foi adotada no Acórdão 9202 01.914, exarado pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão do dia 30/11/2011, de Relatoria do i. Conselheiro Manoel Coelho de Arruda Junior. Daquela decisão transcrevo parte da ementa que entendo bastante elucidatória e da qual, peço vênia, para também fazer dela minhas razões de decidir. "PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovado a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 40, do Decreto n° 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrála aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência." A falta de comprovação documental é fato preponderante para a solução da presente lide. Entendo, que o principio da verdade material e da ampla defesa, são intrínsecos ao Processo Administrativo Fiscal e em que pese o fato, do seu informalismo contido, estes corolários não podem ser afastados, devendo pelo contrário, ser privilegiados, visto que, qualquer discussão administrativa que seja maculada, por procedimentos processuais questionáveis, pode vir no futuro a ser objeto de novas discussões, o que sem dúvida, afasta um dos grandes benefícios do processo administrativo, que busca abreviar a solução do litígios a contento das partes, portanto, mais uma vez, considerando a manutenção da ampla defesa, entendo que devese analisar os documentos trazidos aos autos após a impugnação e em momento anterior ao julgamento da primeira instância. Assim, firme neste entendimento. Acredito que o para o prosseguimento do julgamento e necessário a apreciação dos documentos trazidos aos autos no momento posterior a impugnação. Diante do exposto e buscando a verdade material dos fatos, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que unidade preparadora analise os documentos apresentados pela Recorrente na impugnação e posteriormente em 30/06/2009, verificando as alegações constantes da impugnação e do Recurso para comprovar os créditos alegados. A auditoria promovida pela Unidade de Origem deverá atender os mesmos critérios que foram adotados quando da elaboração do despacho decisório, refazendo os Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 12157.000137/200825 Resolução n.º 3102000.215 S3C4T3 Fl. 20 20 cálculos do PIS, considerando todas as operações referentes às empresas incorporadas como uma única empresa. Apurando o PIS nos termos da LC 7/70 e abatendo os recolhimentos que possam ter ocorrido com base nos DL 2.445/88 e 2.449/88, apurando o valor do indébito tributário. Do resultado da diligência deverá ser cientificada a Recorrente, para em querendo se manifestar no prazo de 30 dias. Devolvendo os autos em seguida a este Conselho para a retomada do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722928/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA DE OFÍCIO. DUPLA PENALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. SUBSISTÊNCIA DO EXCESSO SANCIONATÓRIO. MATÉRIA TRATADA NOS PRECEDENTES DA SÚMULA CARF Nº 105. ADOÇÃO E APLICAÇÃO DO COROLÁRIO DA CONSUNÇÃO.
Não é cabível a imposição de multa isolada, referente a estimativas mensais, quando já aplicada multa de ofício no mesmo lançamento.
É certo que o cerne decisório dos Acórdãos que erigiram a Súmula CARF nº 105 foi precisamente o reconhecimento da ilegitimidade da dinâmica da saturação punitiva percebida pela coexistência de duas penalidades sobre a mesma exação tributária.
O instituto da consunção (ou da absorção) deve ser observado, não podendo, assim, ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar o valor de um determinado tributo concomitantemente com outra pena, imposta pela falta ou insuficiência de recolhimento desse mesmo tributo, verificada após a sua apuração definitiva e vencimento.
Numero da decisão: 1401-005.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Letícia Domingues Costa Braga, André Severo Chaves e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: André Severo Chaves
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DUPLA PENALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. SUBSISTÊNCIA DO EXCESSO SANCIONATÓRIO. MATÉRIA TRATADA NOS PRECEDENTES DA SÚMULA CARF Nº 105. ADOÇÃO E APLICAÇÃO DO COROLÁRIO DA CONSUNÇÃO. Não é cabível a imposição de multa isolada, referente a estimativas mensais, quando já aplicada multa de ofício no mesmo lançamento. É certo que o cerne decisório dos Acórdãos que erigiram a Súmula CARF nº 105 foi precisamente o reconhecimento da ilegitimidade da dinâmica da saturação punitiva percebida pela coexistência de duas penalidades sobre a mesma exação tributária. O instituto da consunção (ou da absorção) deve ser observado, não podendo, assim, ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar o valor de um determinado tributo concomitantemente com outra pena, imposta pela falta ou insuficiência de recolhimento desse mesmo tributo, verificada após a sua apuração definitiva e vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Letícia Domingues Costa Braga, André Severo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 29 28 /2 01 2- 17 Fl. 338DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.598 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.722928/2012-17 Chaves e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente. Transcreve-se o relatório da DRJ que resume o presente litígio: Em nome da interessada foram lavrados autos de infração exigindo o crédito tributário assim discriminado, com juros de mora calculados até 29/02/2012: O lançamento da CSLL é reflexo do efetuado para o IRPJ. Consoante a Descrição dos fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constante do auto de infração de IRPJ, foram apontados os seguintes ilícitos tributários: 001 - RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS 002 - MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Cientificada em 14/03/2012, a interessada apresentou impugnação em 13/04/2012, na qual, em resumo, assim se manifestou: As decisões do Conselho de Contribuintes são uniformes em relação à aplicação da multa isolada, após o encerramento do exercício social, de forma mais favorável aos contribuintes. A título de ilustração segue acórdão abaixo: [...] Além disso, quando o assunto é a concomitância da multa isolada e da multa de ofício, as decisões do Conselho são ainda mais veementes quanto a sua impossibilidade, conforme se exemplifica pelos seguintes acórdãos: [...] À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, evidente a impossibilidade de cumulação da multa de oficio com a multa isolada, posto que as mesmas representam penalidades sobre uma mesma infração, o que significaria punir injusta e ilegalmente a contribuinte duas vezes pelo mesmo fato, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, reconhecendo-se o parcelamento para pagamento dos créditos de IRPJ e CSLL, Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.598 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.722928/2012-17 acrescidos de juros e multa de oficio, com as devidas reduções de 40% das multas de oficio, bem como cancelando-se o débito fiscal relativo às multas isoladas de IRPJ e de CSLL. É o relatório do necessário. Transcreve-se a ementa do acórdão de 1ª instância: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ao julgar o caso, a DRJ destacou as seguintes razões: Antes de adentrar ao litígio, esclareço que o art. 7º, inciso V, da Portaria MF n.º 341/2011, que disciplina o funcionamento das Delegacias de Julgamento, determina que o julgador observe as normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei n.º 8.112/90), bem assim o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. Ademais, segundo o art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal é “vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, exceto nas hipóteses previstas no § 6º do mesmo dispositivo, as quais não se amoldam ao presente caso. Por fim, os acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, embora inestimáveis fontes de consulta, não vinculam este colegiado, em razão da ausência de dispositivo legal que lhe confiram eficácia normativa, nos termos do inciso III do art. 100 do CTN. Circunscrito, então, o contexto em que se dará este julgado, passo ao exame do litígio, o qual se restringe à existência da multa isolada em razão da "falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada", uma vez que a cobrança de IRPJ e CSLL, bem como de seus acréscimos legais, foi transferida para o processo de parcelamento nº 18208-081.669/2015-18, conforme extratos de fls. 300/301. Na espécie, a multa isolada pela falta de pagamento da estimativa mensal está expressamente prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, oriunda da conversão da MP nº 351/2007. Tal disposição encontra-se plenamente eficaz no mundo jurídico, vinculando, assim, esta instância administrativa. A lei estabelece a exigência isolada da multa "sobre o valor do pagamento mensal [...] que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente" [destaquei]. Portanto, a aplicação da multa isolada independe do encerramento do ano-calendário e do valor do tributo então apurado. Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.598 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.722928/2012-17 Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 - DOU de 29/12/19971, vigente à época dos fatos geradores, determina expressamente lançamento de ofício da multa isolada, após o término do ano-calendário, em razão da falta de pagamento da estimativa mensal. Ao ensejo: Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringir-se-á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § 1º As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. (...) Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do ano-calendário, o lançamento de ofício abrangerá: I - a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II - o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. [Grifei]. Além disso, para o período em questão, a possibilidade de aplicar, simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual já foi objeto de decisão por parte da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão CSRF nº 9101-002.749, na sessão de 04/04/2017. A título de razões de decidir, transcrevo fragmento do voto condutor do referido Acórdão: A lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou, o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, desde que antecipe pagamentos mensais, a título de estimativa, que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. Observe-se: [...] Vê-se, então, que a pessoa jurídica, obrigada a apurar seus resultados de acordo com as regras do lucro real trimestral, tem a opção de fazê-lo com a periodicidade anual, desde que, efetue pagamentos mensais a título de estimativa. Essa é a regra do sistema. [...] A lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou, o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, desde que antecipe pagamentos mensais, a título de estimativa,que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. Observe-se: [...] Vê-se, então, que a pessoa jurídica, obrigada a apurar seus resultados de acordo com as regras do lucro real trimestral, tem a opção de fazê-lo com a periodicidade anual, desde que, efetue pagamentos mensais a título de estimativa. Essa é a regra do sistema. [...] Ora, a vinculação entre os recolhimentos antecipados e a apuração do ajuste anual é inconteste, até porque a antecipação só é devida porque o sujeito passivo opta por Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.598 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.722928/2012-17 postergar para o final do ano-calendário a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Contudo, a sistemática de apuração anual demanda uma punição diferenciada em face de infrações das quais resulta falta de recolhimento de tributo pois, na apuração anual, o fluxo de arrecadação da União está prejudicado desde o momento em que a estimativa é devida, e se a exigência do tributo com encargos ficar limitada ao devido por ocasião do ajuste anual, além de não se conseguir reparar todo o prejuízo experimentado à União, há um desestímulo à opção pela apuração trimestral do lucro tributável, hipótese na qual o sujeito passivo responderia pela infração com encargos desde o trimestre de sua ocorrência. Na redação original do art.44 da Lei nº 9.430, de 1996, esta penalidade foi prevista nos mesmos termos daquela aplicável ao tributo não recolhido no ajuste anual ,ou seja, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, inclusive no mesmo percentual de 75%,e passível de agravamento ou qualificação se presentes as circunstâncias indicadas naquele dispositivo legal. Veja-se: [... ]Frente a tais circunstâncias, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi alterado pela Medida Provisória nº 351, de 2007, para prever duas penalidades distintas: a primeira de 75% calculada sobre o imposto ou contribuição que deixasse de ser recolhido e declarado, e exigida conjuntamente com o principal (inciso I do art. 44), e a segunda de 50% calculada sobre o pagamento mensal que deixasse de ser efetuado, ainda que apurado prejuízo fiscal ou base negativa ao final do ano- calendário, e exigida isoladamente (inciso II do art. 44). Além disso, as hipóteses de qualificação (§1º do art. 44) e agravamento (2º do art. 44) ficaram restritas à penalidade aplicável à falta de pagamento e declaração do imposto ou contribuição. Observe-se: [...] As consequências desta alteração foram apropriadamente expostas pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no voto condutor do Acórdão nº 9101-002.251: [...] Destaque-se, ainda, que a penalidade agora prevista no art. 44,inciso II da Lei nº 9.430, de 1996, é exigida isoladamente e mesmo se não apurado lucro tributável ao final do ano-calendário. A conduta reprimida, portanto, é a inobservância do dever de antecipar, mora que prejudica a União durante o período verificado entre data em que a estimativa deveria ser paga e o encerramento do ano-calendário. A falta de recolhimento do tributo em si, que se perfaz a partir da ocorrência do fato gerador ao final do ano-calendário, sujeita-se a outra penalidade e a juros de mora incorridos apenas a partir de 1º de fevereiro do ano subseqüente. Diferentes, portanto, são os bens jurídicos tutelados, e limitar a penalidade àquela aplicada em razão da falta de recolhimento do ajuste anual é um incentivo ao descumprimento do dever de antecipação ao qual o sujeito passivo voluntariamente se vinculou, ao optar pelas vantagens decorrentes da apuração do lucro tributável apenas ao final do ano-calendário. E foi, justamente, a alteração legislativa acima que motivou a edição da referida Súmula CARF nº 105. [Destaques do original.] O entendimento do referido Acórdão foi assim resumido em sua ementa: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.598 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.722928/2012-17 apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Isto posto, voto por considerar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento da multa isolada. Cientificada da decisão de primeira instância em 27/03/2019, inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 22/04/2019. Em sede de recurso, a contribuinte, reitera o pedido de improcedência da multa isolada, alegando a ocorrência de “bis in idem” e hipótese de consunção das penalidades, bem como a violação à Súmula nº 105 do Carf, argumentando que a alteração legislativa da Lei nº 11.488/07 manteve o mesmo núcleo normativo. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. Tem-se que a controvérsia remanesce exclusivamente sobre a aplicação da multa isolada de 50%, prevista no Art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, pela falta de recolhimento das estimativas mensais. Trata-se, portanto, de matéria eminentemente de direito, e bastante controversa no presente órgão administrativo. Ressalta-se que esta matéria fora objeto de julgamento recente na 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 9101-005.080, em que por força do Art. 19-E da Lei nº 13.988/2020 entendeu que não é cabível a imposição de multa isolada, Fl. 343DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.598 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.722928/2012-17 referente a estimativas mensais quando, no mesmo lançamento já é aplicada a multa de ofício. É o que se verifica na ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007 CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA DE OFÍCIO. DUPLA PENALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. SUBSISTÊNCIA DO EXCESSO SANCIONATÓRIO. MATÉRIA TRATADA NOS PRECEDENTES DA SÚMULA CARF Nº 105. ADOÇÃO E APLICAÇÃO DO COROLÁRIO DA CONSUNÇÃO. Não é cabível a imposição de multa isolada, referente a estimativas mensais, quando, no mesmo lançamento de ofício, já é aplicada a multa de ofício. É certo que o cerne decisório dos Acórdãos que erigiram a Súmula CARF nº 105 foi precisamente o reconhecimento da ilegitimidade da dinâmica da saturação punitiva percebida pela coexistência de duas penalidades sobre a mesma exação tributária. O instituto da consunção (ou da absorção) deve ser observado, não podendo, assim, ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar o valor de um determinado tributo concomitantemente com outra pena, imposta pela falta ou insuficiência de recolhimento desse mesmo tributo, verificada após a sua apuração definitiva e vencimento. Por concordar com as razões de decidir do Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, responsável pela redação do voto vencedor, adoto-as como fundamento deste voto: O tema da aplicação cumulada das multas isoladas e de ofício vem sendo largamente discutido no âmbito do contencioso administrativo tributário federal há décadas, sendo, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 105, verbete este que exprime a posição institucionalmente pacificada sobre a matéria. Confira-se o teor do entendimento sumulado: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Ocorre que, entende a I. Relatora que a Súmula CARF nº 105 aplicar-se-ia apenas aos fatos jurídicos ocorridos antes do ano-calendário de 2007, em face de alteração legislativa promovida àquele tempo no art. 44 da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 11.488/2007, que acabou revogando o inciso IV do seu §1º, expressamente mencionado na referida súmula. Porém, também há muito, este Conselheiro firmou seu entendimento no sentido de que a alteração procedida por meio da Lei nº 11.488/2007 não modificou o teor jurídico das prescrições punitivas do art. 44 da Lei nº 9.430/96, apenas vindo para cambiar a geografia das previsões incutidas em tal dispositivo e alterar algumas de suas características, como, por exemplo a percentagem da multa isolada e afastar a sua possibilidade de agravamento ou qualificação. Assim, independentemente da evolução legislativa que revogou os incisos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e deslocou o item que carrega a previsão da aplicação multa isolada, o apenamento cumulado do contribuinte, por meio de duas sanções diversas, pelo simples inadimplemento do IRPJ e da CSLL (que somadas, montam em 125% sobre o mesmo tributo devido), não foi afastado pelo Legislador de 2007, subsistindo incólume no sistema jurídico tributário federal. Fl. 344DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.598 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.722928/2012-17 E foi precisamente essa dinâmica de saturação punitiva, resultante da coexistência de ambas penalidades sobre a mesma exação tributária – uma supostamente justificada pela inocorrência de sua própria antecipação e a outra imposta após a verificação do efetivo inadimplemento, desse mesmo tributo devido –, que restou sistematicamente rechaçada e afastada nos julgamentos registrados nos v. Acórdãos que erigiram a Súmula CARF nº 105. Comprovando tal afirmativa, confira-se a clara e didática redação da ementa do v. Acórdão nº 1803-01.263, proferido pela C. 3ª Turma Especial da 1ª Seção desse E. CARF, em sessão de julgamento de 10/04/2012, de relatoria da I. Conselheira Selene Ferreira de Moraes (o qual faz parte do rol dos precedentes que sustentam a Súmula CARF nº 105): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano- calendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento de perícia, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora, ex vi do disposto no art. 18, do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS DE SAÍDA E CUPONS FISCAIS. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO. Não comprovado que as notas fiscais de saída e cupons fiscais correspondem a uma mesma operação, resta configurada a omissão de receitas. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (destacamos) Como se observa, o efetivo cerne decisório foi a dupla penalização do contribuinte pelo mesmo ilícito tributário. Ao passo que as estimativas representam um simples adiantamento de tributo que tem seu fato gerador ocorrido apenas uma vez, posteriormente, no término do período de apuração anual, a falta dessa antecipação mensal é elemento apenas concorrente para a efetiva infração de não recolhê-lo, ou recolhê-lo a menor, após o vencimento da obrigação tributária, quando devidamente aperfeiçoada - conduta que já é objeto penalização com a multa de ofício de 75%. E tratando-se aqui de ferramentas punitivas do Estado, compondo o ius puniendi (ainda que formalmente contidas no sistema jurídico tributário), estão sujeitas aos mecanismos, princípios e institutos próprios que regulam essa prerrogativa do Poder Público. Assim, um único ilícito tributário e seu correspondente singular dano ao Erário (do ponto de vista material), não pode ensejar duas punições distintas, devendo ser aplicado o princípio da absorção ou da consunção, visando repelir esse bis in idem, instituto explicado por Fabio Brun Goldschmitd em sua obra¹. Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.598 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.722928/2012-17 Frise-se que, per si, a coexistência jurídica das multas isoladas e de ofício não implica em qualquer ilegalidade, abuso ou violação de garantia. A patologia surge na sua efetiva cumulação, em Autuações que sancionam tanto a falta de pagamento dos tributos apurados no ano-calendário como também, por suposta e equivocada consequência, a situação de pagamento a menor (ou não recolhimento) de estimativas, antes devidas dentro daquele mesmo período de apuração, já encerrado. Registre-se que reconhecimento de situação antijurídica não se dá pela mera invocação e observância da Súmula CARF nº 105, mas também adoção do corolário da consunção, para fazer cessar o bis in idem, caracterizado pelo duplo sancionamento administrativo do contribuinte – que não pode ser tolerado. Posto isso, verificada tal circunstância, devem ser canceladas todas as multas isoladas referentes às antecipações, lançadas sobre os valores das exigências de IRPJ e CSLL, independentemente do ano-calendário dos fato geradores colhidos no lançamento de ofício. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para cancelar a multa isolada aplicada no Auto de Infração, referente à falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 346DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11516.721308/2011-60
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 9202-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à DIPRO/COJUL, para devolução à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial, com posterior retorno ao relator, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à DIPRO/COJUL, para devolução à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial, com posterior retorno ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração de obrigação acessória, Debcad nº 37.313.301-4, lavrado com fundamento no art. 12, inciso III, da Lei 8.218, de 29/08/1991, em razão de a empresa ter deixado de apresentar arquivos digitais da parte contábil, solicitados pela fiscalização, relativos ao período de 01/2006 a 12/2007. Em sessão plenária de 15/01/2020, foi julgado recurso voluntário, prolatando-se o Acórdão nº 2402-008.037 (fls. 193/202), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. LEI APLICÁVEL. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 21 30 8/ 20 11 -6 0 Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 9202-000.269 - CSRF/2ª Turma Processo nº 11516.721308/2011-60 Incabível a aplicação de lei geral (Lei nº 8.218/91) quando há lei específica regulando a mesma conduta (Lei nº 8.212/91), conforme o princípio da lex specialis derrogat lex generalis. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior e Luís Henrique Dias Lima, que negaram provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Henrique Dias Lima. O processo foi encaminhado à PGFN em 21/02/2020 (fl. 203) e, em 06/04/2020 (fl. 235), foi interposto o Recurso Especial de fls. 204/234, visando rediscutir a matéria “aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória - incorreções em arquivos digitais”. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o despacho de fls. 238/241. Ocorre que no corpo do Recurso Especial há requerimento para que se possibilite os devidos ajustes no lançamento, caso não se entenda pela sua manutenção integral, ou, subsidiariamente, seja reconhecida a natureza formal do vício a inquinar o auto de infração, de modo a possibilitar a incidência do disposto no inciso II, do art. 173, do CTN, na hipótese de não serem acatados os demais pleitos formulados na peça recursal, conforme se observa do trecho que se transcreve a seguir: Ad argumentandum tantum, caso não se entenda pela manutenção integral do lançamento, requer que seja possibilitada a realização dos devidos ajustes, sem cancelamento ou decretação de nulidade do auto de infração. Ainda, em atenção ao princípio da eventualidade, subsidiariamente, caso não acatados os pleitos já formulados, requer que seja reconhecida a natureza formal do vício a inquinar o lançamento, de modo a possibilitar a incidência do disposto no inciso II, do art. 173, do CTN. Contudo, o exame de admissibilidade não abordou essas matérias. Voto Do exposto no relatório, verifica-se que, no caso, consta do Recurso Especial requerimentos para que, na hipótese de a CSRF não entender pela manutenção do lançamento i) sejam efetuados os devidos ajustes para a adequação do valor multa; ou ii) que o Auto de Infração seja anulado por vício formal. Entretanto, como referidas matérias não foram abordadas no exame de admissibilidade do apelo da Fazenda Nacional, entendo necessário remeter os autos à câmara de origem para sua complementação. Em virtude do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos sejam encaminhados à 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento com vistas complementação do despacho de admissibilidade, mediante exame das matérias acima especificadas. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13886.001920/2008-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2008
INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS
Provado que o contribuinte não possui débito para com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, descabe a sua exclusão do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-002.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão, número 14-35.308 da 9ª Turma da DRJ/RPO, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o ADE DRF/MRA n° 351595, de 22 de agosto de 2008, que declarou a exclusão do Contribuinte do Simples Nacional, devido à existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, sem exigibilidade suspensa. alega. Os débitos inscritos em divida ativa estão relacionados nas folhas 32 e 65. A ora recorrente em sua manifestação de inconformidade argumentou que não apresentou as declarações de ITR de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 porque a área de terra AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 19 20 /2 00 8- 34 Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.469 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13886.001920/2008-34 registrada está devidamente cancelada por força de Provimentos da Justiça do Estado do Amazonas. A DRJ indeferiu o pedido, alegando, em síntese que: O contribuinte alega que não apresentou as declarações de -ITR de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 porque a área de terra registrada está devidamente cancelada por força de Provimentos da Justiça do Estado do Amazonas. A referida alegação no sentido, de que os débitos inscritos em divida ativa, os quais motivaram o ADE, estão cancelados não procede. Isso porque, conforme a consulta realizada no sistema de Divida Ativa da Unido, na folha 49 a 59, com a data de 17/06/2009, verifica-se que referidos débitos estão em situação ativa, ou seja, não estão com a exigibilidade suspensa. Portanto, os créditos inscritos em divida ativa impedem sua permanência no Simples Nacional, conforme o art. 17, V da Lei Complementar n° 123/2006. Cientificada em 24/11/2011 (fl.79), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 20/12/2011 (fl 85). Em seu recurso, a recorrente afirma que: Embora o Ato Declaratório.Executivo DRF/PCA n° 351595 que excluiu a recorrente do Simples Nacional tenha sido editado em 22 de agosto de 2008, seus efeitos foram suspensos, pela manifestação de. inconformidade apresentada antecipadamente pela recorrente (fl. 64). Antes que essa sua manifestação fosse julgada pela 9a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto/SP, a Delegada Marisete Marques Pavan "devolveu os autos do processo administrativo fiscal à Agência da Receita Federal em Americana/SP, com fundamento na.Norma de Execução COSIT/CODAC/COCAJ n° 01, de 15 de março de 2010, para que,- no novo prazo de 30 (trinta) dias previsto nessa norma, a: recorrente efetuasse o pagamento dos débitos- tributários ou apresentasse nova impugnação, a fim de tornar sem efeito a sua exclusão do Simples Nacional (fl. 67). Dessa maneira, tendo em vista que a recorrente foi notificada em 03.09:2010 do novo prazo que lhe foi concedido {Comunicado 13886/AME/0906/2010 - fls. 70/71) e regularizou os débitos tempestivamente (em 29.09.2010 - 26° dia), é induvidosa a impossibilidade de ser efetivada a sua exclusão do regime diferenciado de tributação. O fato de a recorrente ter deixado de juntar anteriormente, no processo administrativo tributário, as cópias dos'Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARFs) e dos respectivos comprovantes de pagamento não a impede de, permanecer enquadrada no Simples- Nacional, haja vista que a regularização dos débitos ocorreu durante o novo prazo assegurado pela Norma de Execução COSIT/CODAC/COCAJ n° 01, de 15 de março de 2010, muito antes de sua defesa ser decidida na primeira instância de julgamento. A decisão da 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (22.11.2011 - fls. 74/75) somente,foi proferida mais de 1 (um) ano após a"data em que a recorrente efetuou o pagamento dos tributos pêlos quais era cobrada (29.09.2010 - does. 02/04-A) e que, em tese, motivou sua exclusão do Simples Nacional:" Argumenta que o ADE deveria ser revogado posto que os débitos foram devidamente quitados apresenta jurisprudência administrativa em seu favor. Discorre sobre a origem do problema (ausência de entrega de DITR - Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.469 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13886.001920/2008-34 Pugna pela juntada de documentos na fase recursal, Princípio da Verdade Material, cita a Constituição Federal - CF e legislação pertinente, além de jurisprudência deste CARF. Assim, em julgamento, ocorrido em 02 de setembro de 2020, através da resolução de número 1001-000.375, foi decidido, por unanimidade, a sua conversão em diligência. Trata- se, pois, de retorno de tal diligência. Em 06 de novembro de 2020, por unanimidade de votos, foram acolhidos embargos inominados, para corrigir inexatidões materiais, para integrar a resolução supra, acórdão 1001-002.202, no qual foi proferida a seguinte decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme a data em que, de fato, a recorrente tomou ciência do ADE DRF/PCA n° 351595 (fl. 66), confirme a idoneidade e a data de recolhimento dos documentos de arrecadação anexados (fls 101 a 107) e conclua se as pendências impeditivas a sua continuidade no Simples foram sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. O Recurso Voluntário foi tempestivo e apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. A Unidade de Origem anexou o relatório conclusivo (fl.182), que apresentou o seguinte resultado: Primeiramente, conforme descrito na Resolução n£' 1001-000.375 do próprio CARF (fls.146-149), a DRJ concedeu novo prazo de 30 dias para a recorrente se manifestar (fl.67). Esta comunicação foi feita em 30/08/2010 pela Agência da Receita Federal do Brasil em Americana/SP, através da Comunicação 13886/AME/0906/2010 (fl.71), cujo AR encontra-se digitalizado na fl.72, com carimbo datado de 03/09/2010 e juntada ao processo em 08/09/2010. Com relação aos documentos de arrecadação anexados nas fls.101-107, os 3 (três) pagamentos foram localizados no sistema SIEF, todos com data de arrecadação 29/09/2010 (fls.167-171). Estes pagamentos foram utilizados para extinguir por pagamento as inscrições nº 8080100551736, 8080100903357 e 8080500024105 (fls.172-181), que são os débitos motivadores da exclusão (fls.164). Assim, tendo em vista que as inscrições motivadoras da exclusão foram extintas por pagamentos efetuados em 29/09/2010, é possível afirmar que os débitos foram sanados dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados tanto da data do carimbo do AR (03/09/2010), quanto da data da própria comunicação (30/08/2010). Assim, provada a inexistência dos débitos, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.469 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13886.001920/2008-34 Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10410.001156/92-02
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 1995
Numero da decisão: 302-00.738
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em enviar o recurso ao Egrégio 2º Conselho de Contribuintes por tratar de matéria de sua competência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: UBALDO CAMPELLO NETO
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Numero do processo: 13748.000342/2010-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2003-003.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Savio Salomão de Almeida Nóbrega, Wilderson Botto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Savio Salomão de Almeida Nóbrega, Wilderson Botto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Savio Salomão de Almeida Nóbrega, Wilderson Botto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 19/22), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2009. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$1.284,93 para saldo de imposto a pagar de R$2.750,23. A notificação noticia a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 03 42 /2 01 0- 18 Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-003.399 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.000342/2010-18 Impugnação Cientificada à contribuinte em 27/5/2010, a NL foi objeto de impugnação, em 16/6/2010, às fls. 2/24 dos autos, na qual a contribuinte alegou que os rendimentos seriam isentos por tratar-se de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/CGE que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 32/35): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. SERVIÇO MÉDICO OFICIAL – Somente são isentos os rendimentos de aposentadoria quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 10/2/2012 (fl. 39), a contribuinte, em 24/2/2012 (fl. 40), apresentou recurso voluntário, às fls. 40/43, alegando, em apertado resumo, que teria sido diagnosticada de doença grave em abril de 2007, fazendo jus à isenção do IR para seus rendimentos de aposentadoria. Indica a juntada de documento emitido pela Junta Médica estadual, acrescentando que, tão logo obtenha cópia, irá juntar inteiro teor do processo correspondente. Em 25/4/2012 (FL.48), a recorrente solicitou a anexação dos documentos de fls. 49/93. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre rendimentos de aposentadoria recebidos pela contribuinte. A autuação não reconheceu a isenção pleiteada, apontando que o laudo médico apresentado não atenderia os requisitos legais. Sobre o assunto, trago as súmulas CARF n os 43 e 63, de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 43 Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-003.399 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.000342/2010-18 Portanto, para reconhecimento da isenção pleiteada, é necessária a comprovação da existência de duas condições concomitantes: (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e (ii) que o contribuinte seja portador de uma das patologias previstas pela legislação de regência atestado em laudo médico que cumpra os requisitos legais. Junto à impugnação, foram apresentados laudos/declarações de fls.8, 10/12, que, como consignado pela autoridade julgadora de primeira instância, não foram emitidos por serviço médico oficial, não cumprindo uma das exigências para reconhecimento da isenção. Em sede de recurso, para complementar a documentação anteriormente apresentada, a contribuinte junta documento de fl.41, constituindo-se em declaração emitida pela Superintendência Central de Perícias Médicas e Saúde Ocupacional, dando notícia de que a contribuinte passou por junta médica, a qual concluiu pela existência de patologia grave a partir de 19/4/2007. Por ocasião do recurso, a contribuinte juntara o protocolo de fl.43, demonstrando que já solicitara cópia de inteiro teor do processo da junta médica, anexando-o a posteriori às fls. 48/92, os quais devem ser recepcionados e analisados. Do exame dos documentos acostados, entendo que resta demonstrado que a contribuinte faz jus ao benefício pleiteado a partir do mês de abril de 2007. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando a omissão atribuída à contribuinte. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16682.900277/2018-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.001
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a Unidade Preparadora: 1 Esclarecer as razões da DCTF retificadora não ter sido considerada na emissão do despacho decisório; 2. Intime o contribuinte a demonstrar e comprovar os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado; 3. Junte os documentos extraídos dos sistemas da RFB que embasaram a decisão da DRJ para negar o crédito. Divergiram quanto à realização da diligência os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-002.996, de 27 de maio de 2021, prolatada no julgamento do processo 16682.900070/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a Unidade Preparadora: 1 Esclarecer as razões da DCTF retificadora não ter sido considerada na emissão do despacho decisório; 2. Intime o contribuinte a demonstrar e comprovar os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado; 3. Junte os documentos extraídos dos sistemas da RFB que embasaram a decisão da DRJ para negar o crédito. Divergiram quanto à realização da diligência os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-002.996, de 27 de maio de 2021, prolatada no julgamento do processo 16682.900070/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou Improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 27 7/ 20 18 -8 0 Fl. 437DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.001 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900277/2018-80 Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Podemos sintetizá-los: Diz que na DCTF original apurou CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) no valor de R$ 31.142.985,71, ao qual foi vinculado o pagamento de R$ 19.607.599,82 e compensações de R$ 821.287,46 e R$ 165.304,23, sendo a parcela remanescente do débito, de R$ 10.548.794,20, suspensa por força de depósito judicial. Alega que, mediante nova apuração, resultou débito em valor menor, informado na DCTF retificadora, permanecendo suspensa a mesma parcela correspondente ao depósito judicial, de modo que, frente ao recolhimento efetuado, remanesceu crédito de pagamento a maior. Afirma que o novo e correto valor do débito acima foi devidamente informado também em DACON e EFD retificadores, os quais, em que pesem terem sido transmitidos em datas diferentes, deram-se antes da análise da DCOMP em litígio. Entende que tal procedimento se mostra adequado ao disposto no Parecer Normativo COSIT nº 2/2015, que analisa a necessidade e o momento das retificações para reconhecimento do pagamento a maior. Acusa que a razão da não homologação da compensação foi a não retificação efetiva do débito de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) a pagar, apesar das declarações retificadoras, conforme conclui da análise da consulta ao extrato da DCTF retificadora ativa, segundo a qual a retificação não surtiu efeito em razão do motivo "parcelado", fundamento que alega não fazer qualquer sentido: Reitera que embora a informação do motivo não faça qualquer sentido, o documento evidencia que a declaração relativa a (o) CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) efetivamente apurado não foi computada pela RFB. Destaca que a falta de efeito da retificação do débito teve como consequência a utilização integral do pagamento para quitação de débito inexistente (porque retificado), conforme evidenciam as informações complementares da análise do crédito, constantes do Despacho Decisório, que aponta a alocação integral do pagamento ao débito declarado na DCTF retificada. Contrapõe-se, dizendo que todas as retificações atenderam ao disposto nas normas regulamentares, inexistindo motivo para que o débito informado na declaração retificadora não produzisse efeito. Alega que o art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010, vigente à época, bem como o art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 2012, permitiam a Fl. 438DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.001 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900277/2018-80 retificação nos termos em que efetuada; assim como o art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 1.252, de 2012, permitia a retificação da EFD nos mesmos termos. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reforçou seus argumentos reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo a integral homologação da compensação. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Em que pese o bem fundamentado voto do relator, ouso dele divergir pelos seguintes fundamentos. Entendo que a DCTF retificadora deve ser analisada preliminarmente ao julgamento desse processo. E também deve ser informado pela unidade preparadora a razão de não ter havido a análise da DCTF retificadora, e o porquê de constar a informação de parcelamento nos documentos analisados e anexados pela unidade da RFB. Como bem afirmado pelo relator, a DCTF retificadora deveria ter sido analisada pela autoridade fiscal de origem, uma vez que substitui a original de forma integral, e foi entregue antes do despacho decisório eletrônico. Existem precedentes nesse Conselho no dois sentidos, tanto para anular o despacho decisório e prolatar novo despacho, considerando os documentos acostados aos autos, no caso a DCTF retificadora, quanto no sentido de converter o julgamento em diligência para efetuar-se a análise pela unidade e posteriormente efetuar-se o julgamento pelo CARF. Diante de todo o exposto, voto por converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a Unidade Preparadora: 1 Esclarecer as razões da DCTF retificadora não ter sido considerada na emissão do despacho decisório; 2. Intime o contribuinte a demonstrar e comprovar os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado; 3. Junte os documentos extraídos dos sistemas da RFB que embasaram a decisão da DRJ para negar o crédito. Seja dada ciência a recorrente sobre o teor da informação fiscal e prazo para se pronunciar, não inferior a 30 dias. Ao final retornem os autos ao CARF para prosseguir com o julgamento. CONCLUSÃO Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.001 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900277/2018-80 Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a Unidade Preparadora: 1 Esclarecer as razões da DCTF retificadora não ter sido considerada na emissão do despacho decisório; 2. Intime o contribuinte a demonstrar e comprovar os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado; 3. Junte os documentos extraídos dos sistemas da RFB que embasaram a decisão da DRJ para negar o crédito. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 440DF CARF MF Documento nato-digital
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