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Numero do processo: 10830.009195/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO QUE NÃO SE REFERE A TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE. Verificando-se que o ato administrativo foi editado por servidor competente, fundou-se em motivos evidenciados nos autos e previstos em lei como ensejadores da não-declaração da compensação, nada há que o macule, mormente ante sua regular ciência ao interessado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE. O MPF não é exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização interno, destinado ao lançamento de multas isoladas. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. CAUTELA DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO-DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Regular é a exigência de multa isolada em face de DCOMPs consideradas não- declaradas, por veicularem crédito que não se refere a tributos ou contribuições administrados pela antiga SRF. PERCENTUAL APLICÁVEL. A utilização de créditos de natureza não tributária em DCOMP justifica a aplicação de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, no percentual de 75%; a qualificação da multa fica restrita aos casos em que caracterizado o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. COEXISTÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA MORA. A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, é penalidade nova, aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado nos casos de abuso de forma e/ou fraude no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Assim, não se caracteriza como acréscimo do principal não recolhido e coexiste com eventual exigência deste acrescido de multa de mora ou de ofício. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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LEGALIDADE. Verificandose que o ato administrativo foi editado por servidor competente, fundouse em motivos evidenciados nos autos e previstos em lei como ensejadores da nãodeclaração da compensação, nada há que o macule, mormente ante sua regular ciência ao interessado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE. O MPF não é exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização interno, destinado ao lançamento de multas isoladas. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. CAUTELA DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃODECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Regular é a exigência de multa isolada em face de DCOMPs consideradas não declaradas, por veicularem crédito que não se refere a tributos ou contribuições administrados pela antiga SRF. PERCENTUAL APLICÁVEL. A utilização de créditos de natureza não tributária em DCOMP justifica a aplicação de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, no percentual de 75%; a qualificação da multa fica restrita aos casos em que caracterizado o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. COEXISTÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA MORA. A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, é penalidade nova, aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado nos casos de abuso de forma e/ou fraude no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Assim, não se caracteriza como acréscimo do principal não recolhido e coexiste com eventual exigência deste acrescido de multa de mora ou de ofício. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 2 RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório RM ASSISTENCIA ODONTOLOGICA LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que manteve em parte a exigência consubstanciada no auto de infração de que tratam este processo. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo a Multa Isolada por compensação indevida, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 175.593,60, em virtude da apresentação de Declaração de Compensação – DCOMP em 04/07/2008, com o objetivo de extinguir débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Fl. 308DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 3 mediante a utilização de créditos advindos de Obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A – Eletrobrás – número 1006046, do ano 1971. No Termo de Verificação de fls. 05/11, a autoridade lançadora assevera que, na análise da DCOMP em referência, contida no processo administrativo nº 10830.006755/200864, constatouse a existência de documentos que comprovam que os créditos pleiteados não são de natureza tributária, vez que cuidam de obrigações ao portador de títulos emitidos pela Eletrobrás. Cita dispositivos do Decreto nº 41.019/57, bem como da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 e da Lei nº 9.430/96 (art. 74), concluindo pelo cabimento da nãodeclaração da compensação, ato praticado no processo administrativo antes referido. Intimado, o contribuinte confirmou a compensação com créditos advindos de “Obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A – Eletrobrás, do ano de 197, Série V de nº 1006046”, de forma que, além da nãodeclaração da compensação, a autoridade lançadora, em conformidade com o disposto no art. 18, §4o da Lei nº 10.833/2003, promoveu o lançamento da multa de ofício isolada, duplicando o percentual de 75% porque caracterizada a situação prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/64, assim apontada: 21. No caso em análise, fácil constatar a presença de fraude no procedimento levado a efeito pela fiscalizada, haja vista inexistir amparo legal para a compensação de créditos não tributários com débitos administrados pela SRF/RFB. Ou seja, assim agindo, não poderia ser outro o intento do sujeito passivo senão criar subterfúgios, objetivando absterse de pagar dívidas tributárias líquidas e certas. Afinal de contas, uma simples procura nos julgados advindos dos nossos tribunais demonstram o total descabimento do procedimento pretendido pela autuada. Colaciono a título ilustrativo ementa da decisão STJ – Relatora Ministra Denise Arruda – prolatada nos autos do Resp 996728/RS; Recurso Especial – 2007 02408617, de 13/05/2008: [...] 22. Ademais, corroborando o até aqui exposto, trago à baila o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, publicado no D.O.U. de 14.10.2002: [...] DEMONSTRATIVO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA 23. Destarte, depreendese dos dispositivos acima transcritos que, como o contribuinte efetuou compensações ao arrepio da lei, devese aplicar a penalidade de multa isolada, qualificada por restar patente o intuito fraudulento e calculada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, conforme tabela constante do anexo a este documento, que faz parte integrante indissociável do presente. Registrese, ainda, a formalização de representação fiscal para fins penais, dado que a conduta do contribuinte é tipificada como crime contra a ordem tributária, previsto no art. 1o, inc. I e II, e art. 2o, incisos I e II, da Lei nº 8.137/90. Cientificado da exigência em 11/09/2008, o contribuinte, por seu representante legal conforme cópia do contrato social à fl. 29, apresentou em 08/10/2008 a impugnação de fls. 151/207, na qual alega, em síntese, o que segue: • Em preliminar, argúi a nulidade do processo, dado que não existe nos autos prova consistente e idônea de que o órgão autuador que lavrou o auto de infração, foi designado especificamente pela autoridade competente (superior hierárquico), autorizando a praticar atos de fiscalização, num determinado prazo, competência e Fl. 309DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 4 tributos, existindo, pois, uma nulidade insanável e insuperável, posto que falta ao auditor fiscal, legitimidade legal e constitucional para se autodesignar e instaurar por si só procedimento fiscal em eventual autuação. • Cita súmulas do Supremo Tribunal Federal STF e dispositivos legais que autorizam a Administração Pública a anular seus atos ilegais, bem como se reporta à Portaria nº 4.066 que determina a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, bem como à Portaria MPAS nº 375/02 que o prevê como requisito de validade do lançamento. • Defende que o MPF não representa ato de ordenação interna, mas sim delimitação de atribuições em concreto por superior hierárquico, em patente segurança jurídica ao contribuinte fiscalizado. Entende que o art. 2o da Portaria nº 4.066 imprime ao Administrador um poderdever de emitir o MPF para instauração de procedimento de fiscalização, e reportase a doutrina abordando os atos administrativos vinculados à legalidade, citando o art. 37 da Constituição Federal. • Define como abstrata a competência atribuída ao auditorfiscal quando aprovado em concurso, e a distingue da competência concreta atribuída por superior hierárquico por meio do MPF. Cita seus pressupostos de validade contidos no art. 7o do Decreto ora tratado, e conclui que eles não teriam justificativa se bastasse ao auditorfiscal a competência abstrata. • E, não só a conduta do auditor fiscal é delimitada pelo MPF, como também é importante que tenha emanado de competente autoridade de hierarquia superior. Mais ainda, o art. 10 da mesma portaria garante a pessoalidade do auditor, uma vez que não se quer que sejam tornadas públicas informações sensíveis aos estabelecimentos, conforme doutrina que cita, no sentido de que o MPF é uma forma de legitimar e melhor controlar as ações dos seus agentes e a legalidade dos respectivos atos. • Reportase à mensagem de veto nº 11, na Lei nº 10.174/2001, que invoca a transparência conferida pelo MPF em oposição às questões colocadas contra a quebra do sigilo bancário. Assevera que o MPF é requisito indispensável à atuação de agente tributário relativamente à instauração de Processo Administrativo Tributário, e acrescenta que ele se constitui em direito público do contribuinte de não ser molestado por qualquer auditor fiscal, a qualquer tempo e em relação a quaisquer tributos. Aduz, ainda, que à semelhança dos policiais e oficiais de justiça, o auditorfiscal necessita de mandados específicos de atuação. • Reproduz entendimento contido no site da previdência social que reconhece a nulidade do lançamento não precedido de MPF. E frisa que NÃO EXISTE NOS AUTOS PROVA CONSISTENTE E IDÔNEA DE QUE O ÓRGÃO AUTUADOR QUE LAVROU O AUTO DE INFRAÇÃO, FOI DESIGNADO ESPECIFICAMENTE PELA AUTORIDADE COMPETENTE (SUPERIOR HIERÁRQUICO), AUTORIZANDO A PRATICAR ATOS DE FISCALIZAÇÃO, NUM DETERMINADO PRAZO, COMPETÊNCIA E TRIBUTOS. • Acrescenta, por fim, que: Outrossim, eventual dispensa de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal, com base em Portaria da RFB, não tem o condão de prevalecer sobre conteúdo normativo de Decreto, Lei e Constituição Federal. Existiu, em concreto usurpação de competência,na medida que seja, através de MPF ou não, o auditor fiscal não estava munido de ordem de seu superior hierárquico e competente para determinar a instauração de procedimento fiscal, Fl. 310DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 5 delimitando suas atribuições em concreto, nos limites de seu campo de atuação; em patente violação, dentre outros, ao axioma da segurança jurídica do contribuinte então fiscalizado. • No mérito, aborda o entendimento remansoso no Supremo Tribunal Federal quanto a natureza tributária do empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica, sendo infundada e inaplicável a conclusão comezinha do fiscal, ao inferir que a obrigação é crédito de origem estritamente financeira, sendo clarividente, pois, que a sua natureza é indubitavelmente tributária. • Defende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ante a discordância do contribuinte com o lançamento fiscal efetuado pela administração, nos termos do art. 151, III do CTN. Aborda o direito subjetivo do contribuinte à manifestação de inconformidade para afirmar que a autoridade fiscal desbordou os limites de suas atribuições legais e constitucionais, na medida em que é dever da Administração Pública impulsionar o processo administrativo até seu atofim (decisão final). • Menciona a possibilidade de responsabilização dos agentes que causam tal retardamento ou, pior, embaraça o devido processo legal e todos os princípios e garantias processuais pertinentes e relevantes em favor dos direitos e interesses dos contribuintes. • Reportase ao entendimento da Administração Federal Fiscal que não está obrigada ao duplo grau jurisdicional (não aceitação das Manifestações de Inconformidade) e conseqüentemente ao seu efeito suspensivo, concluindo ser ele equivocado, na medida em que o próprio Conselho dos Contribuintes, órgão colegiado e paritário de segunda instância, assevera que a Secretaria da Receita Federal tem competência para analisar pedido de compensação e/ou restituição de Empréstimo Compulsório. • Reproduz ementas de acórdãos dos Conselhos de Contribuintes e dispositivos de seu Regimento Interno, aduzindo que: Ora, uma vez criado o duplo grau de jurisdição administrativa, este se torna absoluto com relação a todos os jurisdicionados (com respectivos efeitos), em atenção e acato ao princípio constitucional da isonomia, porquanto, seria injusto que somente alguns dos sucumbentes em primeira instância administrativa, tenha a possibilidade de controlar a falibilidade do órgão inferior e afastar o inconformismo. • Assevera que o não recebimento de recurso administrativo com os devidos efeitos configura a ditadura soberana do órgão de primeira instância administrativa, esmaecendo inclusive a autoridade dos órgãos e organismos superiores sobre a revisão dos atos administrativos de seus subordinados e subalternos. • Concluindo pelo cabimento do recurso administrativo em face da não declaração da compensação, opõese ao entendimento da autoridade administrativa de que o crédito corresponderia a título público de ordem financeira, abordando o conceito de título público, sua forma de aquisição e o interesse que a norteia, para diferenciálo do empréstimo compulsório, e concluir: Portanto, a natureza dos títulos emitidos pela Eletrobrás, com o aval legal da União, não é financeira, e sim puramente tributária, uma vez que são oriundos da devolução de um empréstimo obrigatório exigido sobre o consumo de energia elétrica. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 6 Cabe esclarecer, por fim, que o artigo 4o, do CTN, determina que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais características formais adotadas pela lei a destinação legal do produto de sua arrecadação. Ou seja, uma vez tributo, sempre tributo. Assim, tornase totalmente nula e inconstitucional a decisão que desconsidera as compensações, cabendo, por conseqüência, as Manifestações de Inconformidade. • Reproduz julgado do Superior Tribunal de Justiça STJ favorável à suspensão da exigibilidade do crédito tributário no caso de interposição de recurso administrativo contra decisão que nega pedido de compensação, para fins de emissão de Certidão Positiva com efeitos de Negativa. Entende que tal arresto por si só já tem o talante de ilidir a arbitrariedade veiculada pelo despacho administrativo guerreado. • Opõese ao entendimento de que a RFB não seria competente para processar e julgar pedido de restituição/compensação envolvendo empréstimo compulsório com débitos fiscais do contribuinte, colacionando julgado do STJ de 02/12/2003 afirmando a natureza tributária do empréstimo compulsório, em razão da qual a RFB fica obrigada a admitir os efeitos da compensação, com conseqüente emissão de certidões negativas e suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, enquanto não ocorrer a eficácia preclusiva da coisa julgada administrativa. • Na seqüência, reproduz o entendimento pacificado no STJ no sentido de que não há mais limites orçamentários, de espécie e natureza jurídica à compensação face à nova legislação vigente, para concluir pela ineficácia, inefetividade e incompatibilidade da súmula nº 418 de 01/06/1964 e do invocado ato declaratório interpretativo SRF nº 17/2002, frente à Constituição Federal de 1988. • Opõese à idéia de que a Eletrobrás é o único órgão competente para o pedido, e responsável pela restituição dos valores oriundos do empréstimo compulsório sobre energia elétrica, na medida em que a União (Tesouro Nacional) é co responsável solidária pela satisfação do crédito, conforme manifestações do STJ. • E, tendo em conta que a interpretação da legislação tributária, mormente quando envolve restrição de direitos, deverá ser de forma mais benéfica ao contribuinte, afirma que a SRF, juntamente com os Conselhos de Contribuintes, essencialmente, devem ser os órgãos da União Federal, competentes para a análise da matéria envolvendo tributos federais, no caso, empréstimo compulsório sobre energia elétrica, independente, por óbvio, de qual guia foi utilizada para o recolhimento, na medida em que o instrumento físico de recolhimento não pode ser critério jurídico de atribuição de competência. • Em seu entendimento, a SRF seria competente para analisar o mérito do direito creditório, a ocorrência do fato gerador, a restituição e outros aspectos, bem como o 3o Conselho de Contribuintes teria competência especializada para julgar tais recursos, ao passo que a STN tem por uma de suas atribuições principais a emissão, resgate e administração de títulos públicos de origem financeira, onde não se fala em contribuintes, mas sim em investidor que visa o lucro e no gozo da sua plena autonomia de vontades, o que não é o caso. • Reprisa que as obrigações da Eletrobrás não são títulos de origem financeira e acrescenta: Ademais, a SRF (PORT. INTERMINISTERIAL MF/MPS Nº 23, DE 02/02/06) é órgão competente para proceder a compensação de crédito de origem tributária a Fl. 312DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 7 favor do contribuinte com débitos fiscais e parafiscais (INSS), inscritos ou não na Dívida Ativa da União, utilizandose o SIAFI, sendo que o crédito utilizado na extinção do débito fiscal em nome do sujeito passivo será debitado à conta do tributo respectivo, e a parcela utilizada para a extinção do débito em nome do contribuinte será creditada à conta do INSS (§8o do art. 3o). • Retoma a defesa da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fazendo referência a decisão da MM. Juíza Federal Substituta da 3a VF de Campinas, Dra. Raquel Coelho Dal Rio Silveira (processo 2006.61.05.0147423), bem como da MM. Juíza Federal da 1a VF em Campinas, Dra. Luciana da Costa Aguiar Alves Henrique (processo nº 2007.6.1.05.0000933), do MM. Juiz Federal da 3a VF em Campinas, Dr. José Eduardo de Almeida Leonel Ferreira (processo nº 2007.61.05.0003260) e da MM. Juíza Federal da 1a VF em Piracicaba, Dra. Daniela Paulivich de Lima (processo nº 2007.61.09.0108974), todas favoráveis à suspensão da exigibilidade em razão de manifestações de inconformidade apresentadas. • Ainda, reproduz julgado do TRF/5a Região favorável ao direito da Agravante de efetuar a compensação com o empréstimo compulsório em procedimento administrativo. • Aborda o direito subjetivo às certidões, ante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de sua discussão administrativa, argumentando que uma vez considerada não declarada a compensação, óbvio ululante, apex iures, que os débitos fiscais informados e objeto do encontro de contas, não podem ser constituídos em definitivo (pois nessa lógica o procedimento não existiu) sem que antes seja dada a oportunidade de ampla defesa ao contribuinte contra ilegalidades e inconstitucionalidades, ou seja, não devem ser cobrados antes da oportunidade de discussão administrativa sob pena de cerceamento de defesa. • Reportase ao art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que entende demonstrar a viabilidade de restituição/compensação de receitas de outros órgãos ou entidades que não a SRF, lembrando, por óbvio e como ressaltado alhures, que o instrumento físico de recolhimento (DARF, recibo de depósito, guia de recolhimentos) não pode ser critério jurídico de atribuição de competência, pois o tributo foi arrecadado [...]. • Defende a possibilidade de resgate, restituição, compensação e de garantia das obrigações da Eletrobrás face a União Federal, na medida em que não há razão jurídica válida e solúvel para não atribuir certeza, liquidez e exigibilidade às ditas obrigações, caracterizandose sua negativa como afronta aos axiomas da propriedade, da moralidade pública, razoabilidade, proporcionalidade, ética, dentre outros. • Reproduz parecer do eminente jurista Hugo de Brito Machado, afirmando que a conversão de obrigações em ações preferenciais (tipo “b”) é direito potestativo que depende de ato volitivo exclusivo do seu detentor, e o direito de compensar, em sede de sua defesa substancial, não depende de acionamento do Estado em exercício do direito objetivo de ação. Em conseqüência, a União, como devedora, deve de bom grado, não só aceitar, como também, se for o caso, proceder o encontro de contas (moralidade pública, razoabilidade, proporcionalidade, ética dentre outros), mormente, porque a certeza, liquidez e exigibilidade é aferível de plano e por índices fixados pelo Egrégio STJ. • Ressalta que não se trata de hipóteses de repetição do indébito, mas de valores impagos de exação devida conforme a lei, com responsabilidade civil do Estado de Fl. 313DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 8 um crédito de origem tributária, até porque a Eletrobrás é uma sociedade de economia mista, não sujeita ao prazo prescricional do Decreto nº 20.910/32, alterado pelo Decreto nº 4.597/42, devendose aplicar a regra geral do Código Civil, que prevê o prazo vintenário para as ações pessoais, mormente, porquanto a União, através da solidariedade legal, assume expressamente a responsabilidade pela satisfação do crédito, “em qualquer hipótese”, sendo que se o Estado não devolver ao contribuinte as importâncias tomadas compulsoriamente com a atualização integral estará caracterizado o enriquecimento ilícito e o confisco. • Compara a situação em questão com aquela em que o devedor oferece, em execução fiscal, precatório emitido pelo Estado exeqüente, e invoca a farta jurisprudência, mormente neste Egrégio Tribunal de superposição em matéria infraconstitucional, decidindo pela possibilidade de penhora de precatórios, abordando as características das obrigações da Eletrobrás, para afirmar que não há que se falar em rejeição da garantia, posto que a oferta implica num inexorável encontro patrimonial entre as partes e, demais disto, a recorrente impugnante demonstrou ser credora da União Federal. • Cita julgado do Ministro Relator Teori Albino Zavascki quanto às obrigações da Eletrobrás serem títulos hábeis para, inclusive, garantia de execução fiscal (RESP 796116/RS), acrescentando a possibilidade de compensação em execução fiscal (Resp 785081/RS), e até em exceção de préexecutividade (Resp 696438/RJ), pois tratase de crédito líquido e certo reconhecido de plano na própria cártula (por lei federal) e por seus devedores e responsáveis legais (Resp 524092 e 468395/SC). • Menciona autorização do então ministro Antônio Palocci para que a Procuradoria da Fazenda Nacional aceitasse tais obrigações em pagamentos de tributos, conforme matéria veiculada na revista “Isto é Dinheiro”, edição 402, o que demonstra total insubmissão e vai de encontro ao vergastado posicionamento do órgão autuador da multa isolada, além de desmerecer totalmente o ato declaratório interpretativo SRF nº 17/2002, pelo Secretário da Receita Federal. • Reportase à Emenda Constitucional nº 30/2000 que consagrou o direito subjetivo público de compensação tributária, com poder liberatório de créditos vencidos e não liquidados e, ainda, franqueou a possibilidade jurídica de cessão destes créditos. Tal norma constitui permissivo a favor dos contribuintes, podendo compensar seus créditos com os saldos devedores de natureza fiscal, devidamente apurados, inclusive, com a possibilidade de cessão. E isto independentemente de legislação de ordem infraconstitucional, tratandose de norma constitucional de aplicação imediata, que não pode sofrer restrições pelo art. 170 do CTN, ou pelos §§12 e 13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004. • Conclui que as obrigações da Eletrobrás caracterizam título certo, líquido e exigível, ou seja, vencido e não liquidado, e impingem poder liberatório ao crédito para proceder o encontro de contas com débitos fiscais da entidade devedora, no caso, perante a União Federal, responsável solidária em qualquer hipótese. • Trata, então, da imprescritibilidade das debêntures da Eletrobrás, afirmando que elas são títulos de crédito (cambiais), e assim penhoráveis e imprescritíveis, podendo, inclusive, garantir execuções fiscais, inexistindo razão jurídica válida e solúvel para não atribuir certeza, liquidez e exigibilidade às ditas obrigações. Em tais condições, sobre a matéria recai exclusivamente as disposições do Mercado de Capitais e Direito Societário, de forma que tais títulos conferem indubitavelmente, aos seus portadores, o direito de crédito oponível contra qualquer dívida (art. 620, CPC), mormente, no enfrentamento com os débitos fiscais federais. Fl. 314DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 9 • Quanto ao enquadramento legal nas hipóteses do art. 1o, inciso I, II e art. 2o incisos I, II da Lei nº 8.137/90 e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17/2002 assevera inicialmente que: Em que pese o denodo do agente fiscal, em patente equívoco e desvirtuamento interpretativo, em exercício sofismático e isolado de entendimento, tentou emoldurar a situação fenomênica (procedimento de compensação) no antecedente normativo de feição penal, para lhe atribuir uma penalidade, fato este que, iniludivelmente, não deve encontrar encaixe. • Reafirma que o crédito adveniente do empréstimo compulsório sobre energia elétrica possui natureza tributária. Assevera que pleiteia o pagamento integral e irrestrito do seu débito fiscal, e que o auditor fiscal açodadamente classificou sua hialina conduta como supressão ou redução de tributos e acessórios. • Cita a inadimplência presente na maioria das unidades econômicas de produção, a falta de sintonia entre os prazos comerciais e de recolhimento de tributos, além da confiscatória multa moratória e compensatória pela inadimplência fiscal para afirmar que: Obviamente, as empresas e empresários encontramse em situação de verdadeiro estado de necessidade ou no de inexigibilidade de conduta diversa, na medida em que, além de não dispor de recursos suficientes nos prazos peremptoriamente estabelecidos, o pouco que ingressa em caixa, tem que ser direcionado ou para pagar os impostos em dia, ou para honrar a folha de salários e as obrigações junto aos seus fornecedores, visando a manutenção e sobrevivência da respectiva unidade produtiva, sob pena de cerrar as portas, quebra e falência. • Diferencia a condição de inadimplente do sonegador, afirmando que a sonegação consiste no ato de omitir, fraudar, falsificar, ocultar ou inserir qualquer informação não verdadeira, com o intuito de evitar o pagamento do tributo, caracterizado pela máfé e dolo do contribuinte, inexistindo antijuridicidade na inadimplência. • Entende necessário o dolo para caracterizar a sonegação, inexistindo crime se age com imprudência, negligência ou imperícia, além de ser exigido o dano, com a supressão ou redução do tributo devido, exceto quanto ao art. 2o, inciso I da Lei nº 8.137/90 (crime formal ou de mera conduta). Assevera daí que: Para o caso, a objetividade jurídica resguardada pelas hipóteses do art. 1o, inciso I, II e art. 2o incisos I, II da lei nº 8.137/90, está na integridade de informações sobre o fato econômico ocorrido, no sentido de garantir o lançamento do crédito tributário a ser definitivamente constituído, através, de homologação ulterior. • Na medida em que os fatos geradores foram declarados, a única conseqüência jurígena que deve ser atribuída à eventual inadimplência seria de natureza administrativa, ou seja, a incidência de multa moratória e juros compensatórios, sendo que de forma alguma pode infligir responsabilidades penais. Assevera que jamais, dolosamente, incorreu em ato visando omitir, fraudar, falsificar, ocultar ou inserir qualquer informação não verdadeira, mas sim pleiteou, de forma clara e limpa, o pagamento integral e irrestrito dos seus débitos fiscais através do procedimento compensatório. • Ainda, quanto ao Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17/2002, não se caracterizam as hipóteses ali previstas, dada a natureza tributária do empréstimo compulsório sobre energia elétrica e por não existir expressa disposição de lei Fl. 315DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 10 negando a possibilidade de compensação com esta espécie tributária, ou de instrumento ou cártula que a represente. • Aborda a inconstitucionalidade do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17/2002, dado que o princípio da legalidade impõe que ninguém seja punido por fato atípico, exigindose lei que o defina, para o que não se presta um Ato Declaratório Interpretativo. Ademais, a pena restritiva de liberdade, pressupõe impossibilidade de garantia e proteção suficiente do bem jurídico através de outros instrumentos à disposição do Estado, de forma que a inadimplência tributária, compensações e restituições indevidas (o que não é o caso) podem ser facilmente rechaçadas por sanções administrativas de caráter patrimonial (multa, juros, etc), sendo que bastam estes procedimentos e instrumentos de cobrança para preservar ou restaurar a ordem jurídica. • Menciona a proibição de incriminações vagas ou indeterminadas, reportando se aos casos em que o legislador delegou e permitiu específica e expressamente a complementação de sentido e significado dos conceitos adotados na norma penal, o que não se verifica na Lei nº 8.137/90, onde o legislador não delegou nem permitiu, especifica e expressamente, a complementação de sentido e significado de “fraude”, sendo, que o Secretário da Receita Federal imiscuiu e invadiu a competência constitucional do Poder Legislativo Federal. Até porque, fraude é um conceito extremamente fechado, robustecido de conteúdo e que não necessita de complementação, contendo sempre a idéia de engano, logração, esconder uma qualidade viciada visando, sempre, algo ilícito Com efeito, as hipóteses trazidas à baila, incisos I e III do objurgado artigo único, do ato declaratório interpretativo SRF nº 17/2002, quais sejam, caracterizam evidente intuito de fraude quando o crédito oferecido à compensação, de natureza não tributária ou não passível de compensação por expressa disposição de lei, não guardam compatibilidade semântica com a idéia nuclear que impregna o conceito de fraude, pois, em nenhuma das situações têmse engano, logração, ou ocultação da qualidade viciada objetivando algo ilícito, contrariamente, tais procedimentos são realizados de maneira clara, límpida e colocados para análise pela autoridade competente, com amplitude de cognição e instrução processual. • Adverte o risco trazido por leis penais em abundância, e a necessidade de cautela, antes de se elevar um comportamento à condição de crime. Acrescenta a necessidade de prova da fraude, inclusive quanto ao seu elemento subjetivo, na medida em que ela não se presume. • Opõese à aplicação da multa, invocando o art. 100 do CTN para exclusão de penalidades, na medida em que não procedeu de forma indevida, mas sim observou a legislação vigente, realizando compensação com crédito exclusivamente de origem tributária, e já chancelada pelo Órgão máximo Fazendário (Min. Palloci – revista Isto é Dinheiro nº 402) e, ainda, com aceitação jurídica no próprio poder Judiciário. • Reprisa os argumentos relativos à natureza do crédito compensado e acrescenta que a multa é estratosférica e desproporcional, como já repudiado pelo STF, em patente transferência inconstitucional do patrimônio do contribuinte para um Tesouro ávido e insaciável por receita. • Faz referência às reduções trazidas pela MP nº 303/2006, a confirmar que os encargos são gordurosos e absurdos, bem como à prática de usura pelo Erário, para concluir pelo seu direito à redução dos valores exigidos, além de seu direito à total exclusão da multa e juros aplicados pela inexistência de compensação indevida. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 11 • Haveria, ainda, ofensa ao princípio da capacidade contributiva, na medida em que a multa em muito supera o capital social da empresa (R$ 10.000,00), a ensejar sua falência e demais conseqüências daí decorrentes. Aborda os conceitos de propriedade e de confisco, e a violação ao direito subjetivo constitucional da empresa de funcionamento e exercício de atividade econômica, agindo o Fisco na contramão dos valores e princípios concernentes à continuidade da atividade econômica e o da função social, verbi gratia, a legislação de recuperação judicial e extrajudicial, pontualmente, no art. 47 da lei 11.101/2005. • Conclui que as multas trarão prejuízos incalculáveis e muitas vezes irremediáveis, destacando que elas são ilegais e inconstitucionais pela extinção sob condição resolutória de ulterior homologação e inexigíveis pela fluência do trâmite administrativo e concluindo que Frisese, portanto, que a empresa encontrase, em clareza solar, na situação de regularidade fiscal. Os débitos fiscais, com base na ordem jurídica vigorante, foram compensados perante a receita federal e além da fluência do trâmite administrativo, mormente em se tratando de exceção substancial extintiva de direitos (compensação), suspender a exigibilidade do crédito tributário, nos termos da ordenação em vigência, os mesmos estão extintos sob condição resolutória de ulterior homologação. • A legislação autoriza o contribuinte que apurar crédito contra a União compensálo perante a Secretaria da Receita Federal, e o Poder Judiciário admite a restituição de créditos decorrentes de empréstimo compulsório, ainda que de terceiros, e a Portaria Interministerial MF/MPS nº 23/2006 determina a compensação de ofício antes de devolução de eventual saldo remanescente, o que permite ao contribuinte auxiliar o fisco na realização do encontro de contas, sem qualquer limitação de espécie tributária ou destinação de receita. • O CTN, por sua vez, apenas permite que a lei regulamentadora estipule condições e garantias, sem restringir a utilização de créditos. Da mesma forma, a Administração Federal não pode fazer uma interpretação restritiva da norma reguladora (lei ordinária), suprimindo direitos do contribuinte. • Inexiste lei proibindo a compensação em referência, pelo contrário, a ordem vigorante faculta o encontro de contas pelo contribuinte, ressalvado, o direito do fisco (em sentido lato) de exercer sua atividade fiscalizadora, mormente quando se tratar de tributos lançados por homologação. E, quanto aos créditos tributários nestas condições, estão eles extintos até que se verifique a eficácia da “coisa julgada” administrativa sobre os valores envolvidos, além da suspensão da exigibilidade em razão da discussão administrativa, impondose o reconhecimento da situação de regularidade fiscal da empresa. • Pede, assim: o a declaração de nulidade do procedimento fiscal e do conseqüente lançamento, porque não precedidos de MPF ou de qualquer documento (tido como a primeira exigência necessária após a capa de autuação do processo administrativo fiscal), proferido por superior hierárquico, designando os limites e atribuições de determinado auditor fiscal.; o o cancelamento das multas exigidas, ante as flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades, ressaltandose a suspensão da exigibilidade de tais valores; o a emissão de Certidão Negativa de Débitos junto à Secretaria da Fazenda Nacional (extinção sob condição resolutória de ulterior homologação), ou Fl. 317DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 12 a certidão positiva com efeito de negativa (suspensa exigibilidade pelo tramite administrativo); o a abstenção de inscrever e cobrar os referidos créditos em favor da União; o o cancelamento e/ou suspensão da cobrança dos débitos declarados, em razão da discussão administrativa; o a não inclusão do nome da Requerente no CADIN até que se verifique a eficácia preclusiva da coisa julgada administrativa, mormente no processo de compensação. • Por fim, protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, e, com espeque no art. 31 do Decreto nº 70.235/72 com redação dada pela Lei nº 8.748/93, a decisão contenha relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse expressamente, a todas às razões de defesa suscitadas pelo impugnante, ou seja, de maneira específica. À fl. 212 a autoridade junta cópia da primeira página da manifestação de inconformidade oferecida nos autos do processo administrativo nº 10830.006755/200864, noticiando à fl. 213 que, na medida em que as compensações foram consideradas não declaradas, o recurso ocorreu fora do prazo para Recurso Hierárquico (art. 59 da Lei 9.784/99). Em conseqüência, consignase que a cobrança dos débitos correspondentes será continuada. A decisão recorrida está assim ementada: COMPETÊNCIA. ATO DE NÃODECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. APRECIAÇÃO EM JULGAMENTO. Embora as Delegacias de Julgamento não tenham competência para apreciar recurso contra atos de nãodeclaração, na medida em que este é pressuposto da aplicação da multa de ofício isolada, e o reconhecimento de sua eventual nulidade independeria de recurso do interessado, é possível a apreciação dos argumentos do impugnante, mas apenas com vistas a definir o cabimento de representação à autoridade competente para revisão de ofício do ato questionado. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO QUE NÃO SE REFERE A TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE. Verificandose que o ato administrativo foi editado por servidor competente, fundouse em motivos evidenciados nos autos e previstos em lei como ensejadores da nãodeclaração da compensação, nada há que o macule, mormente ante sua regular ciência ao interessado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE. O MPF não é exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização interno, destinado ao lançamento de multas isoladas. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. CAUTELA DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃODECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Regular é a exigência de multa isolada em face de DCOMPs consideradas nãodeclaradas, Fl. 318DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 13 por veicularem crédito que não se refere a tributos ou contribuições administrados pela antiga SRF. PERCENTUAL APLICÁVEL. A utilização de créditos de natureza não tributária em DCOMP justifica a aplicação de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, no percentual de 75%; a qualificação da multa fica restrita aos casos em que caracterizado o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. COEXISTÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA MORA. A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, é penalidade nova, aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado nos casos de abuso de forma e/ou fraude no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Assim, não se caracteriza como acréscimo do principal não recolhido e coexiste com eventual exigência deste acrescido de multa de mora ou de ofício. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final conclui (verbis): (...) DA CONCLUSÃO Frisese, portanto, que empresa encontrase, em clareza solar, na situação de regularidade fiscal. Os débitos fiscais, com base na ordem jurídica vigorante, e além da fluência do tramite administrativo, mormente, em se tratando de exceção substancial extintiva de direitos, suspender a exigibilidade do crédito tributario, nos termos da ordenação em vigência, os mesmos estão extintos sob condição resolutória de ulterior homologação. A situação de regularidade fiscal por meio de procedimento administrativo, não s6 é robustecido pelo entendimento do Egrégio STJ, como também por Tribunais Regionais (TRF 5° Região 1° Turma Processo: 200305000325585 UF: AL e Data da decisão: 06/05/2004 — Relator. Desembargador Federal Ubaldo Ata ide Cavalcante), no sentido de que o contribuinte, tem o direito de compensar, com seus próprios débitos. Assim, o legislador ordinário, muito menos a Administração Pública Federal, não pode, nem por arremedo, fazer uma interpretação restritiva da norma reguladora (lei ordinária),suprimindo direitos do contribuinte, garantidos por lei complementar (Código Tributário Nacional), inclusive, pela curva axiológica condensada no bojo do texto constitucional. Com efeito, de plano é possível reconhecer a situação de regularidade fiscal da empresa contribuinte, principalmente, diante da analise no âmbito administrativo Fl. 319DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 14 de situações extintivas de direitos, sendo forçoso a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários envolvidos (Receita Federal) até decisão final (artigo 151, Ill do CTN e legislação pertinente), sob pena de decisões conflitantes e da consolidação do indigitado solve et repete. De mesmo modo, não pode o Fisco, por via da tributação absurda e multa isolada estratosférica lavada a termo através do presente Auto de Infração, desrespeitar este primado fundamental do Estado de Direito, sob pena de praticar CONFISCO (Art 150 da CF: Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco), vedado expressamente pelo texto constitucional Portanto, 6 direito, não sõ a reducão em patamares tolerantes e mais razoáveis, como também, a total exclusão de toda multa e juros aplicados indevidamente. evitandose, assim, o lucro com a usura (multa de mora + iuros remuneratdrios + atualizacão + multa isolada), sem o menor esforco (simplesmente com uma neoativa de pedido de compensactio em única instância l e com a pratica do terrorismo inconstitucional (multa • exorbitante e desproporcional). makinstitucionalizado. Defluise, diante do esposado. Que o presente Recurso Voluntário dove ser aceito e a cobrança dos débitos declarados (no prazo , nos termos da legislacao aplicAvel), multa isolada Kira* devem ser cancelados e suspensos tendo em vista (we tais valores estão sob discussão administrativa sendo clue o Estado não pode iungir o contribuinte ao pagamento do débito fiscal, obstando o sou direito constitucional (através de multas desproporcionail). através das vergastadas sancões politicos. sob pena de "fechamento das aortas* , empecend42 a continuidade e OfelierVaCtiO da atividade económica e profissional. Portanto, estabelecidas as malversadas sanções políticas, é imperioso, não só uma redução em patamares tolerantes e mais razoáveis, como também a total exclusão de toda multa e juros aplicados indevidamente, em patente atenção aos direitos públicos subjetivos da proporcionalidade e razoabilidade, capacidade contributiva, vedação ao confisco (art. 150), direito de propriedade (art. 50, XXII), devido processo legal (art. 5°, UV), a livre prática de atividades econômicas licitas (parágrafo único do art. 170), liberdade de exercício profissional (art. 5°, XIII) e dignidade da pessoa através da valorização do trabalho e do exercício da atividade econômica licita (caput do art. 170, inciso Ill e IV do art. 1°), devendo estes axiomas e preceitos consagrados, serem colocados em lugar de destaque na ordem jurídica vigorante. • DOS PEDIDOS Diante do exposto, com fulcro no sobredito e na inarredivel plausibilidade jurídica das teses postuladas, fundamentada na doutrina, entendimento jurisprudencial, liminares concedidas, sentenças, Constituição Federal e legislação vigente, requer se de Vossa Senhoria: 1) Sejam acatados os fundamentos argaidos nesta impugnação, cancelando as multas axial das e suspendendo o (Amite administrativo do presente auto de infração, pelas flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades (evidente que mesmo com a exclusão da muita isolada, ainda sim, o fisco obtém resultados absurdamente positivos. Podendo, se for o caso, receber iuros, multas de more e demais encargos, sendo. lamals, prejudicado), ressaltandose, que tais valores, encontramse suspensos conforme dispas o artigo 151, inciso Ill do Código Tributário Nacional e legislação pertinente; Fl. 320DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 15 2) a abstenção de qualquer prática de natureza repressivel em desfavor da Requerente, sendo forçoso a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários envolvidos (Receita Federal) até decisão final (artigo 151,111 do CTN e legislação pertinente), sob pena de decisões conflitantes e da consolidação do indigitado solve St repete; 3) a abstenção de inscrever e cobrar os referidos créditos (insubsistentes o com a exigibilidade suspense) em favor da união; 4) cancelamento e/ou suspensão da cobrança referente aos débitos declarados, WU vez que tais valores estão sob discussão administrativa; 5) não inclusão do nome da Requerente no CADIN até que se verifique a eficácia preclusiva da coisa julgada administrativa, mormente do processo de compensação; Protesta, ainda, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção, especialmente pela juntada de novos documentos, oitiva de testemunhas, depoimentos pessoais e pendas, tudo quando se fizer necessário. Requerse, por derradeiro, com espeque no art. 31 do Decreto n° 70.235/72 com redação dada pela Lei no 8.748193, a decisão contenha o relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos As razões de defesa suscitadas pelo impugnante, ou Seja, de maneira especifica, tudo como medida da mais acurada JUSTIÇA!!! É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 16 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, trata o presente processo de Auto de Infração relativo a Multa Isolada por compensação indevida, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 175.593,60, em virtude da apresentação de Declaração de Compensação – DCOMP em 04/07/2008, com o objetivo de extinguir débitos tributarios, mediante a utilização de créditos advindos de Obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A – Eletrobrás – número 1006046, do ano 1971. Em seu recurso voluntário, a contribuinte contesta veementemente a exigência bem como os fundamentos da decisão recorrida, cujo voto condutor é da lavra da ilustre julgadora Edeli Pereira Bessa, atualmente conselheira da 1a. Turma da 1a. Camara da 1a. Seção do CARF, a seguir transcritos: DA ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE MPF Inicialmente com referência aos vícios alegados em decorrência da ausência, nos autos, de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, e conseqüente ordem emitida por autoridade competente (superior hierárquico), autorizando a praticar atos de fiscalização, num determinado prazo, competência e tributos, notase que o impugnante não atentou para a Portaria RFB nº 4.066/2007, a qual, assim como a Portaria RFB nº 11.371/2007 que lhe sucedeu e estava vigente à época do procedimento fiscal, dispensa a emissão de MPF nos seguintes casos: Art. 10. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de formalização de exigência de crédito tributário constituído em termo de responsabilidade ou pelo descumprimento de regime aduaneiro especial, lançamento de multas isoladas, revisão aduaneira e formalização de abandono ou apreensão de mercadorias realizada por outros órgãos; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho realizado em operação ostensiva; IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais); V destinado, exclusivamente, à aplicação de multa por não atendimento à intimação efetuada por AFRFB em procedimento de diligência, realizado mediante a utilização de MPFD; Fl. 322DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 17 VI destinado à aplicação de multa por não atendimento à Requisição de Movimentação Financeira (RMF), nos termos do art. 4º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001; e VII destinado à verificação de ocorrência de avaria ou extravio de mercadorias sob controle aduaneiro. § 1º Na hipótese de realização de diligência, em decorrência dos procedimentos fiscais de que trata este artigo, deverá ser emitido MPFD. § 2º Para fins do disposto no inciso II do caput, considerase revisão aduaneira o procedimento destinado a identificar irregularidades fiscais relativas ao despacho, com base tão somente nos elementos probatórios disponíveis no âmbito da RFB. E, no presente caso, vêse no Termo de Início de Fiscalização juntado às fls. 23/25, que foi ele lavrado na DRF Campinas e cientificado ao contribuinte por via postal, à semelhança do que anotado no Auto de Infração (fls. 3/15), confirmando que o procedimento fiscal se desenvolveu internamente, e teve por finalidade o lançamento da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/03, e alterações, em razão de proposta apresentada após a revisão interna de DCOMP, acolhida no Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS à fl. 22, no qual o Chefe do SEORT/DRF/CPS, no exercício da competência que lhe foi delegada pelo Titular da Unidade por meio da Portaria nº 121/2007, determinou a efetivação das providências ali propostas. Assim, além de não se confirmar a necessidade de emissão de MPF, por se tratar de um procedimento fiscal interno, também se infirma a alegação de que a autoridade lançadora teria se autodesignado e, por si só, instaurado o procedimento fiscal em curso. Desnecessário, assim, abordar os demais argumentos que se dirigem à caracterização da competência concreta para fins de validade do lançamento e ao necessário resguardo de informações sensíveis aos estabelecimentos, bem como ao direito público do contribuinte de não ser molestado por qualquer auditor fiscal, a qualquer tempo e em relação a quaisquer tributos. Está evidente nos autos – não por meio de MPF, que era dispensável no caso, mas sim no Despacho Decisório de fls. 22 – que o superior hierárquico do AuditorFiscal responsável pelo trabalho realizado anuiu com sua proposta de lançamento da multa isolada. Em conseqüência, irrelevante também se mostra a discussão quanto à possibilidade de uma Portaria da Receita Federal do Brasil dispensar a emissão de MPF. Registrese, ainda, que o Termo de Início de Fiscalização também aponta a existência do RPF nº 08.1.04.002008009415, documento que registra a existência do procedimento fiscal, emitido para controle desta atividade nos casos em que não é necessária a emissão de MPF. De toda sorte, cumpre também consignar que, diversamente do que expressado pelo impugnante, é pacífico o entendimento no âmbito administrativo de que o MPF é mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por portarias da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência atribuída Fl. 323DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 18 ao auditor fiscal e não o desoneram da atividade obrigatória e vinculada do lançamento. O art. 142 do Código Tributário Nacional expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. E esta autoridade, nos termos da Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e do Decreto nº 2.225, de 1985, é o auditor fiscal da Receita Federal. Logo, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever indeclinável de promover o lançamento. Neste sentido direcionase o Conselho de Contribuintes, conforme ementas a seguir transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. (Acórdão nº 20308483 de 16/10/2002) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (...) (Acórdão 10707268 de 13/08/2003) NORMAS PROCESSUAIS MPFMANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO RECURSO EX OFFICIO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos do Decretolei nº 2.354/54, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. Recurso de ofício a que se dá provimento. (Acórdão 10706952 de 29/01/2003) MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Acórdão 10514070 de 19/03/2003). Por conseguinte, ainda que houvesse alguma inobservância da norma infralegal, isto em nada macularia o lançamento. Fl. 324DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 19 DA IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO, MEDIANTE DCOMP, DE CRÉDITOS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO PAGO EM CONTAS DE ENERGIA ELÉTRICA Na seqüência, o contribuinte aborda a viabilidade da compensação por ele promovida, defendendo que seu crédito tem natureza tributária. E, não obstante, como já dito, este não seja espaço para discussão do despacho decisório que considerou nãodeclaradas as compensações, passase à análise dos argumentos que guardam correlação com a caracterização da hipótese de aplicação da multa isolada. Neste âmbito, vêse que o impugnante centrou sua tese em alguns aspectos do contencioso administrativo e de decisões do Superior Tribunal de Justiça, sem dar relevo ao fato de que todo o Sistema Tributário converge para a inadmissibilidade de compensações com créditos que não tenham natureza tributária. De fato, o Código Tributário Nacional e as leis que regulam a compensação no âmbito dos tributos da União, administrados pela antiga SRF, não deixam margem a qualquer interpretação no sentido da admissibilidade das operações pretendidas. Tal modalidade de extinção de crédito tributário somente poderia ser autorizada por lei, e nos exatos limites fixados pelo Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Neste contexto, os créditos de natureza não tributária nunca foram admitidos como passíveis de compensação com tributos e contribuições. Está explícito no dispositivo reproduzido que os créditos passíveis de compensação são aqueles formados em face da Fazenda Pública e em favor de uma pessoa na condição de sujeito passivo, conceito este trazido pelo próprio CTN e equivalente a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art. 121, caput). Inexiste, portanto, qualquer interpretação restritiva da norma reguladora (lei ordinária), suprimindo direitos do contribuinte. E, operando no âmbito do que autorizado pelo art. 170 do CTN, a Lei nº 8.383/91, posteriormente alterada pela Lei nº 9.065/95, apenas autorizou a compensação entre débitos e créditos de mesma natureza, ou seja: débitos tributários com créditos tributários e débitos de receitas patrimoniais com créditos de receitas patrimoniais. Ainda, a referida Lei determinou que os débitos e créditos tributários deveriam corresponder à mesma espécie de tributo ou contribuição, na medida em que a compensação era feita sem pedido, e somente com esta limitação não haveria reflexos na repartição de receitas tributárias: Fl. 325DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 20 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Com a Lei nº 9.430/96, somente foi acrescida a permissão de compensação entre tributos de espécies diferentes. Os créditos continuaram sendo, apenas, aqueles passíveis de restituição ou ressarcimento, e sempre referentes a um tributo ou contribuição administrados pela antiga SRF, na forma do inciso I do art. 73 daquela lei, ao qual se reporta o art. 74, alegado pelo impugnante: Art.73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art.74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. E, mais uma vez, com a alteração do art. 74 da Lei nº 9.430/96 em 2002, nenhum acréscimo se fez quanto à possibilidade de compensação de créditos de natureza não tributária. Ao contrário, sua utilização permaneceu não autorizada, mas agora por expressa vedação, a partir do momento em que a compensação passou a ter efeitos extintivos do crédito tributário, na ocasião de sua declaração à Receita Federal, nos termos da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 326DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 21 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. Mais à frente, a Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, novamente reiterou a impossibilidade de compensação de créditos que não tivessem natureza tributária, mas agora fixando penalidade para a inobservância desta regra: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Ainda, com a edição da Lei nº 11.051, publicada em 30 de dezembro de 2004, foi criada a hipótese de nãodeclaração para as compensações com créditos que não se referissem a tributos ou contribuições administrados pela antiga SRF, dentre outras hipóteses, momento em que foi afastada, inclusive, a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, em decorrência da discussão desta matéria no âmbito administrativo. Seus dispositivos são a seguir reproduzidos: Art. 4º O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 327DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 22 "Art. 74. ................................................................................ § 3º ....................................................................................... IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. ............................................................................................. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação." (NR) .................................................................................................................... Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: ............................................................................................. "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ............................................................................................. Fl. 328DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 23 § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................................. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) Registrese, também, que em paralelo às alterações legislativas, frente aos abusos de forma que se verificaram nas declarações de compensação, atos normativos no âmbito da Receita Federal também atribuíram conseqüências mais gravosas às compensações que destoassem significativamente daquelas admitidas em Lei. Neste sentido, a Instrução Normativa SRF nº 226, de 18 de outubro de 2002 determinou o liminar indeferimento da compensação pleiteada cujo direito creditório alegado tenha por base [...] b) título público; inclusive com a aplicação de penalidade agravada, porque presumido o evidente intuito de fraude, na forma do Ato Declaratório Interpretativo nº 17, de 2 de outubro de 2002. Mais adiante, a compensação passou a ser admitida apenas mediante declaração em meio eletrônico (aprovada pela Instrução Normativa SRF nº 320/2003), quando o interessado apurasse crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição, ou crédito do IPI, passível de ressarcimento, restando a previsão de declaração em formulário apenas para as demais hipóteses não previstas no sistema eletrônico, mas admitidas pela legislação federal, conforme Instrução Normativa SRF nº 323/2003: Art. 3º Os formulários a que se refere o art. 44 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional, embora admitida pela legislação federal, não possa ser requerido ou declarada à SRF mediante utilização do programa PER/DCOMP, aprovado pela Instrução Normativa SRF nº 320, de 11 de abril de 2003. Parágrafo único. Na hipótese de descumprimento do disposto no caput, considerarseá não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação. Ali, em 2003, começava a se constituir, portanto, a nãodeclaração da compensação, quando esta não tivesse por origem crédito de natureza tributária, e assim divergisse dos parâmetros da declaração eletrônica e da previsão legal de compensação. Tal hipótese subsistiu no art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, até tomar corpo na Lei nº 11.051/2004. Evidente, portanto, que, em 2008, dúvidas não remanesciam acerca da impossibilidade de compensação de créditos de natureza nãotributária, com tributos administrados pela antiga SRF, mediante DCOMP. É certo que este Fl. 329DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 24 veículo foi admitido como meio para o contribuinte promover o encontro de contas, mormente quando se tratar de tributos lançados por homologação, restando ao Fisco o direito de exercer sua atividade fiscalizadora, mas tendo tal declaração, como requisito, a existência de um crédito relativo a tributos administrados pela antiga SRF. E, no que tange à natureza do empréstimo compulsório, observese que sequer é pacífico na doutrina e na jurisprudência a conceituação de empréstimo compulsório como tributo. Oportuna, neste sentido, a lição de Hugo de Brito Machado, in Curso de Direito Tributário, 20a edição, p. 6667: A natureza jurídica do empréstimo compulsório tem sido tema de profundas divergências, mas a maioria dos tributaristas brasileiros tem afirmado ser o empréstimo compulsório um tributo. O Supremo Tribunal Federal, todavia, entendeu não se tratar de tributo, mas de um contrato coativo, e essa orientação foi consagrada na súmula de sua jurisprudência predominante (Súmula n. 418). A vigente Constituição Federal, no capítulo dedicado ao Sistema Tributário, estabelece que a União poderá instituir empréstimos compulsórios, (a) para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência e (b) no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. Neste último caso, a instituição do empréstimo há de respeitar o princípio da anterioridade. [...] Ressaltese que a Constituição Federal de 1988 estabeleceu, para garantia do contribuinte, que os empréstimos compulsórios só podem ser instituídos por lei complementar, e que a aplicação dos recursos deles provenientes é vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. Insistimos em esclarecer que, do ponto de vista de uma Teoria Geral do Direito, e tendo em vista o conceito universal de tributo como receita, no sentido não apenas financeiro, mas econômico, o empréstimo compulsório não é tributo, pois não transfere riqueza, no sentido econômico e não apenas no sentido financeiro (Lei n. 4.320, de 17.3.1964, arts. 9o e 11, §§ 1o e 2o). Mesmo assim, para fins didáticos, e tendo em vista o art. 148 da Constituição Federal de 1988, preferimos colocar o empréstimo compulsório como uma das espécies de tributo. De toda sorte, admitir que os empréstimos compulsórios possuem natureza tributária em nada favorece o autuado, pois não se está utilizando o indébito decorrente do empréstimo compulsório pago a maior ou indevidamente, mas sim suposto direito de crédito contra a Eletrobrás representado por uma cártula. Ou seja, o crédito pretendido não representa o reverso da relação jurídicotributária que obriga o contribuinte ao pagamento do empréstimo compulsório, mas sim uma nova relação jurídica decorrente dos títulos emitidos pela Eletrobrás: o que se está discutindo é o cabimento ou não do resgate de uma obrigação (um título de crédito), e não do empréstimo compulsório pago via lançamento nas contas de consumo de energia elétrica. Fl. 330DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 25 Aliás, tratando especificamente das obrigações em face da Eletrobrás, o Superior Tribunal de Justiça já deixou assentado que a devolução de empréstimo compulsório não é matéria tributária, consoante mostra o excerto da ementa do RESP nº 694051, de 22/03/2005, Relatora Eliana Calmon: 3. No empréstimo compulsório estabelecemse duas relações: a existente entre o Estado e o contribuinte, regida por normas de direito tributário e a existente entre o contribuinte e o Poder Público com vista à devolução do que foi desembolsado, a qual nada tem de tributário, por tratarse de crédito comum. (destacouse) Notese que para afastar a natureza tributária desta devolução não é necessário caracterizar as obrigações em face da Eletrobrás como títulos públicos. De fato, basta demonstrar, como se fez, que elas não correspondem a um indébito de natureza tributária. Logo, ainda que se admita não se tratar aqui de título público, está consolidado que a relação jurídica decorrente do resgate dos valores regularmente pagos a título de empréstimo compulsório, não tem natureza tributária, mas sim financeira, por se tratar de crédito comum. Desnecessário, dessa forma, abordar o conceito de título público aventado pelo impugnante em sua defesa, bem como as atribuições da STN. Assim, vêse que o impugnante também não deu relevo às manifestações do Superior Tribunal de Justiça, quanto a este aspecto, preferindo pautarse em decisões de instância inferior – a exemplo do citado julgado do TRF/5a Região – ou do próprio Superior Tribunal de Justiça, muito antes proferidas – RESP 146615, Julgamento em 06/04/1995. Por oportuno, observese ainda o contido na ementa do acórdão proferido pelo mesmo Sodalício nos autos do Recurso Especial nº 590.414/RJ: TRIBUTÁRIO EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DA ELETROBRÁS CESSÃO DE CRÉDITO. 1. O empréstimo compulsório em favor da ELETROBRÁS, criado pela Lei 4.156/62, até a EC 1/69 era considerado espécie de contrato coativo (Súmula 418/STF). 2. A EC 01/69 alterou a espécie para dar natureza tributária ao empréstimo compulsório, o que foi mantido com a CF/88. 3. No empréstimo compulsório estabelecemse duas relações: a existente entre o Estado e o contribuinte, regida por normas de direito tributário e a existente entre o contribuinte e o Poder Público com vista à devolução do que foi desembolsado, a qual nada tem de tributário, por tratarse de crédito comum. 4. Os créditos do contribuinte, por não estar sob a égide do direito tributário, pode ser cedido a terceiros, se inexistir óbices na lei que instituir a exação. 5. Empréstimo compulsório em favor da ELETROBRÁS, cuja legislação não ostenta óbices à cessão de créditos. 6. Recurso especial provido. (negrejouse) Fl. 331DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 26 Como se vê da ementa acima, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que os créditos decorrentes do empréstimo compulsório em favor da Eletrobrás não estão sob a égide do direito tributário. E, em acórdãos recentes do Superior Tribunal de Justiça, resta claro que, além de não serem equivalentes a debêntures, as Obrigações ao Portador emitidas pela Eletrobrás têm seu prazo prescricional regido pelo Decreto nº 20.910/32, e não pelo Código Tributário Nacional. A título de exemplo reproduzse a ementa do RESP nº 1054049/RJ, contida em acórdão publicado em 22/09/2008: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE O CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA. RESGATE DE OBRIGAÇÕES AO PORTADOR, SITUAÇÃO QUE NÃO SE CONFUNDE COM AS HIPÓTESES EM QUE SE PLEITEIA APENAS AS DIFERENÇAS DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL, A CONTAR DA DATA APRAZADA PARA RESGATE. 1. O empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica foi instituído pela Lei 4.156/62, para vigorar a partir de 1964, prevendo, inicialmente, um prazo de resgate de dez anos, a contar da tomada compulsória das obrigações. 2. A cobrança da exação em tela foi prorrogada sucessivamente até o ano de 1993, inclusive, estabelecendose, no entanto, a partir de 1º de janeiro de 1967, um prazo de resgate de vinte anos, nos termos do parágrafo único do art. 2º da Lei 5.073/66. 3. Na sistemática prevista no § 2º do art. 4º da Lei 4.156/62, o consumidor apresentava as suas contas relativas ao consumo de energia elétrica, onde também eram discriminados os valores cobrados a título de empréstimo compulsório, e recebiam os títulos correspondentes ao valor das obrigações. 4. Em obediência ao referido preceito legal, a Eletrobrás emitiu — de 1965 a 1977 — diversos títulos ao portador, representativos do crédito referente ao empréstimo compulsório. 5. Ocorre, no entanto, que a Lei 4.156/62 (art. 4º, § 11) estabeleceu o prazo máximo de cinco anos para o consumidor de energia elétrica apresentar os originais de suas contas, devidamente quitadas, à ELETROBRÁS, para receber as obrigações relativas ao empréstimo compulsório, prazo este que também se aplicaria, contado da data do sorteio ou do vencimento das obrigações, para o seu resgate em dinheiro. 6. Considerando, desse modo, que os últimos títulos foram emitidos em 1977, com previsão de resgate em vinte anos, é possível concluir que, a partir de 1997, o direito de ação já poderia ser exercitado, visando ao resgate de tais obrigações. 7. Com efeito, o termo a quo para a contagem do prazo prescricional, que, no caso, é qüinqüenal (art. 4º, § 11, da Lei 4.156/62), deve ser definido a partir do pedido formulado na ação, observandose o princípio da actio nata. 8. Temse, assim, que a ação objetivando o resgate desses títulos, na melhor das hipóteses, deveria ter sido ajuizada até o ano de 2002. Fl. 332DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 27 9. Ainda que se conteste o prazo definido no § 11 do art. 4º da Lei 4.156/62, a jurisprudência desta Corte já se firmou no sentido de que o prazo de prescrição aplicável na hipótese é qüinqüenal, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, não se aplicando os prazos prescricionais definidos no Código Civil. 10. É, portanto, de cinco anos o prazo prescricional da ação em que se busca o resgate de obrigações ao portador, representativas do crédito referente ao empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica, contados da data aprazada para resgate prevista no próprio título, situação que não se confunde com as hipóteses em que se pleiteia apenas as diferenças de correção monetária e juros. 11. Hipótese em que a prescrição da ação, ajuizada em 2002, é ainda mais evidente, por se tratar de obrigações ao portador emitidas pela ELETROBRÁS no ano de 1971. 12. Salientase, por fim, que as obrigações ao portador em comento não se confundem com as debêntures, pois os títulos emitidos em decorrência da instituição do empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica, que se caracteriza como espécie tributária, são sujeitos a regime jurídico próprio no que diz respeito à emissão, incidência de juros, prazo de resgate e prescrição. 13. Recurso especial desprovido. Desta forma, inclusive, deve ser afastada a referência ao acórdão proferido pelo Ministro Teori Albino Zavascki no Resp nº 796116/RS, tratando de debêntures, e não de obrigações ao portador emitidas pela ELETROBRÁS em decorrência da instituição do empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica, como se vê de sua ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. OMISSÃO NO JULGADO. INOCORRÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA DE DEBÊNTURES EMITIDAS PELA ELETROBRÁS. TÍTULOS DE CRÉDITO SEM COTAÇÃO EM BOLSA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 11, VIII, DA LEI 6.830/80. 1. A falta de prequestionamento da questão federal impede o conhecimento do recurso especial (Súmulas 282 e 356 do STF). 2. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. Precedentes: Edcl no AgReg no EResp 254949/SP, Terceira Seção, Min. Gilson Dipp, DJ de 08.06.2005; Edcl no MS 9213/DF, Primeira Seção, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 21.02.2005; Edcl no AgReg no CC 26808/RJ, Segunda Seção, Min. Castro Filho, DJ de 10.06.2002. 3. A debênture, título executivo extrajudicial (CPC, art. 585, I), é emitida por sociedades por ações, sendo título representativo de fração de mútuo tomado pela companhia emitente. A debênture confere aos seus titulares um direito de crédito (Lei 6.404, de 15.12.1976, art. 52), ao qual se agrega garantia real sobre determinado bem e/ou garantia flutuante assegurando privilégio geral sobre todo o ativo da devedora (art. 58). É, igualmente, título mobiliário apto Fl. 333DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 28 a ser negociado em Bolsa de Valores ou no mercado de balcão, nos termos da legislação específica (Lei 6.385, de 07.12.1976, art. 2º). 4. Dada a sua natureza de título de crédito, as debêntures são bens penhoráveis. Tendo cotação em bolsa, a penhora se dá na gradação do art. 655, IV ("títulos de crédito, que tenham cotação em bolsa"), que corresponde à do art. 11, II, da Lei 6.830/80; do contrário, são penhoráveis como créditos, na gradação do inciso X de mesmo artigo ("direitos e ações"), que corresponde à do inciso VIII do art. 11 da referida Lei, promovendose o ato executivo nos termos do art. 672 do CPC. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. Da mesma forma, com os esclarecimentos trazidos no julgamento do RESP nº 1054049/RJ, não há o que se falar, aqui de imprescritibilidade das debêntures da Eletrobrás, bem como da certeza, liquidez e exigibilidade das ditas obrigações que as constituiria um direito de crédito oponível contra qualquer dívida, restando afastados os argumentos apresentados contra a aplicação do prazo prescricional do Decreto nº 20.910/32, não havendo porque se cogitar da alegação de enriquecimento ilícito ou confisco, se o interessado não age dentro do prazo que lhe é conferido para fazer valer eventuais direitos. Assim, não obstante prevaleça o entendimento de que tais Obrigações ao Portador decorrem do recolhimento de um tributo (empréstimo compulsório), sua emissão subordinavase a regime próprio, estipulado na Lei nº 4.156/62, restando sedimentado que o resgate de tais valores não observa as normas gerais de Direito Tributário, e, inclusive, no âmbito prescricional, seguem a estipulação geral contida no Decreto nº 20.910/32, e dirigida a outros créditos contra a União: Art. 1º As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Estes os limites, portanto, que minimamente deveriam ser observados, ainda que se admitissem verdadeiras as referências à fala do então ministro Antônio Palocci – que estaria contida em matéria veiculada na revista “Isto é Dinheiro”, edição 402, cuja cópia não foi apresentada pelo impugnante no sentido da aceitação de tais obrigações, ou melhor, debêntures, em pagamentos de tributos. E, não obstante a atuação dos servidores públicos deva observar o comando hierárquico, é certo que este deve se revelar por meio de atos administrativos, não sendo demais relembrar que a Administração Pública submetese ao princípio da legalidade, razão pela qual somente se pode cogitar de compensação, dação em pagamento ou transação se a lei assim estabelecer. Nestas condições, resta claro que a eventual manifestação do Ministro da Fazenda, como citado, não se amolda às hipóteses de normas complementares que ensejam a aplicação do disposto no art. 100 do CTN (atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua Fl. 334DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 29 eficácia normativa; práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios), o que afasta qualquer hipótese de exclusão da penalidade, até porque também se demonstrou que distinta de seu proceder é a tese com aceitação jurídica no próprio Poder Judiciário. Por fim, no que tange às referências à Emenda Constitucional nº 30/2000, imprópria se mostra a tentativa de dali extrair um direito subjetivo público de compensação tributária, na medida em que tal norma apenas fixou as circunstâncias específicas em que a compensação poderia ser admitida. Veja se o teor do dispositivo por ela incluído no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias: Art. 78. Ressalvados os créditos definidos em lei como de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os de que trata o art. 33 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e suas complementações e os que já tiverem os seus respectivos recursos liberados ou depositados em juízo, os precatórios pendentes na data de promulgação desta Emenda e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 serão liquidados pelo seu valor real, em moeda corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e sucessivas, no prazo máximo de dez anos, permitida a cessão dos créditos. § 1º É permitida a decomposição de parcelas, a critério do credor. § 2º As prestações anuais a que se refere o caput deste artigo terão, se não liquidadas até o final do exercício a que se referem, poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora. § 3º O prazo referido no caput deste artigo fica reduzido para dois anos, nos casos de precatórios judiciais originários de desapropriação de imóvel residencial do credor, desde que comprovadamente único à época da imissão na posse. § 4º O Presidente do Tribunal competente deverá, vencido o prazo ou em caso de omissão no orçamento, ou preterição ao direito de precedência, a requerimento do credor, requisitar ou determinar o seqüestro de recursos financeiros da entidade executada, suficientes à satisfação da prestação. Tratase, ali, de obrigações e direitos conferidos aos titulares dos precatórios enunciados, que, ao mesmo tempo em que foram obrigados a receber referidos precatórios em prestações anuais, iguais e sucessivas, em prazo de até dez anos, passaram a ter direito à utilização das prestações que não forem honradas pelo ente federativo na compensação dos tributos devidos àquele ente. E, além de inexistir notícia de que as mencionadas Obrigações ao Portador tenha motivado ação de execução em face da União Federal, para delas decorrer um precatório, ainda se tem que o exercício do direito à utilização de precatórios na compensação administrativa de débitos tributários somente poderia ser exercido, ao menos no que se refere aos créditos tributários da União, após a regulamentação do dispositivo constitucional pelo Congresso Nacional e/ou pelo Poder Executivo Federal, sendo indispensável definição Fl. 335DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 30 dos exatos termos em que haverá o encontro de contas entre União e contribuinte. É entendimento administrativo que a compensação autorizada no ADCT envolve créditos relativos a precatórios não liquidados, de origem diversa, impondose o estabelecimento de novas formalidades para a sua operacionalização. A implementação dessa compensação, pelo que se pode depreender, depende de regulamentação que extrapola o âmbito da RFB. Esse entendimento, também foi externado na Solução de Divergência Cosit nº 16, de 19/12/2003, a qual tem a seguinte ementa: Ementa: PRECATÓRIOS. PRESTAÇÕES ANUAIS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS FEDERAIS. CESSÃO DE CRÉDITOS. As prestações anuais dos precatórios pendentes na data da promulgação da Emenda Constitucional no 30, de 2000, ou decorrentes de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, caso não sejam liquidadas até o final do exercício a que se referem, poderão ser utilizadas na compensação de tributos devidos pela entidade titular do direito creditório, permitida a cessão dos créditos. O direito à utilização das prestações anuais dos precatórios da União pendentes na data da promulgação da Emenda Constitucional no 30, de 2000, ou decorrentes de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, na compensação de tributos federais somente poderá ser exercido após a regulamentação do art. 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias pelo Congresso Nacional e/ou pelo Poder Executivo Federal. Dispositivos Legais: Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 78, introduzido pelo art. 2o da Emenda Constitucional no 30, de 2000; Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 9o; e Instrução Normativa SRF no 230, de 2002, art. 17. Assim, enquanto não ocorrer a regulamentação, os contribuintes não poderão exercer o direito à utilização das prestações anuais de precatórios da União na compensação administrativa de tributos federais. Logo, ainda que houvesse alguma plausibilidade na equivalência que o impugnante pretende estabelecer, em nada lhe aproveitaria a tese, pois a admissibilidade da compensação pretendida ainda pende de regulamentação. De outro lado, mesmo se tal crédito tivesse natureza tributária, esta seria de empréstimo compulsório e, para ser admitida em compensação com tributos administrados pela antiga SRF, deveria ter sua administração também atribuída ao mesmo órgão. Contudo, o empréstimo compulsório sobre a energia elétrica passou a ser exigido desde o ano de 1964 até 1972, e destinavase ao aparelhamento e modernização do Fundo Federal de Eletrificação, estando assim disciplinado na Lei nº 4.156, de 1962, em seu art. 4º, na redação dada pela Lei nº 4.676, de 16 de junho de 1965, e seus parágrafos, com alterações promovidas pela Lei nº 4.364, de 22 de julho de 1964 e pelo DecretoLei nº 644, de 23 de junho de 1969: Fl. 336DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 31 Art. 4º Até 30 de junho de 1965, o consumidor de energia elétrica tomará obrigações da ELETROBRÁS, resgatáveis em 10 (dez) anos, a juros de 12% (doze por cento) ao ano, correspondentes a 20% (vinte por cento) do valor de suas contas. A partir de 1º de julho de 1965, e até o exercício de 1968, inclusive, o valor da tomada de tais obrigações será equivalente ao que fôr devido a título de impôsto único sôbre energia elétrica. (redação dada pela Lei nº 4.676, de 1965). § 1º O distribuidor de energia elétrica promoverá a cobrança ao consumidor, conjuntamente com as suas contas, do empréstimo de que trata êste artigo e mensalmente o recolherá, nos prazos, previstos para o impôsto único e sob as mesmas penalidades, à ordem da Eletrobrás, em agência do Banco do Brasil. (redação dada pela Lei nº 4.364, de 1964 – grifos acrescidos). § 2º O consumidor apresentará as suas contas à Eletrobrás e receberá os títulos correspondentes ao valor das obrigações, acumulandose as frações até totalizarem o valor de um título, cuja emissão poderá conter assinaturas em facsimile” (redação dada pela Lei nº 4.364, de 1964). [...] § 9º A ELETROBRÁS será facultado proceder à troca das contas quitadas de energia elétrica, nas quais figure o empréstimo de que trata êste artigo, por ações preferenciais, sem direito a voto (parágrafo incluído pelo Decretolei nº 644, de 1969). Conforme se vê dos excertos acima, o empréstimo era cobrado pelos distribuidores de energia elétrica diretamente nas faturas apresentadas aos consumidores e o valor arrecadado era recolhido mensalmente no Banco do Brasil S.A. em favor da Eletrobrás, à qual era facultada a troca das contas quitadas por ações da sociedade. No mesmo sentido é o disposto nos arts. 48 a 51 e 66, no Decreto nº 68.419, de 25 de março de 1971, que “Aprova o Regulamento do Imposto Único sobre Energia Elétrica, Fundo Federal de Eletrificação, Empréstimo Compulsório em favor da ELETROBRÁS, Contribuição dos Novos Consumidores e Coordenação dos Recursos Federais vinculados a obras e serviços de energia elétrica, e altera o Decreto nº 41.019, de 26 de fevereiro de 1957”. Portanto, a administração do referido empréstimo foi integralmente atribuída à ELETROBRÁS, inclusive no tocante à restituição ou resgate dos valores arrecadados, tendo sido emitidos para tal fim, em contraprestação aos empréstimos arrecadados, as obrigações ao portador, cujo prazo e condições de resgate estão previstos em Lei. O fato de a União ser solidariamente responsável pela restituição do indigitado empréstimo compulsório não altera a falta de competência da Receita Federal para administração dos valores recolhidos em favor da ELETROBRÁS. A responsabilidade solidária, instituída em Lei, implica que a União poderá ser demandada judicialmente para adimplir os créditos formalizados nos indigitados títulos. Todavia, inexiste previsão legal para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB promova os ajustes correspondentes à compensação de valores representados por títulos ao portador emitidos pela Eletrobrás. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 32 Cumpre esclarecer, mais uma vez, que o reconhecimento da natureza tributária do empréstimo compulsório não implica necessariamente a competência da Receita Federal para administração dos valores correspondentes aos títulos emitidos pela Eletrobrás em contrapartida aos valores arrecadados. O problema que aqui se coloca é de competência ou de atribuição específica de cada órgão administrativo, tendo em conta a nulidade de qualquer ato administrativo praticado por órgão ou agente fora da esfera da competência legalmente definida. E, especificamente quanto ao fato de que o próprio Conselho dos Contribuintes, órgão colegiado e paritário de segunda instância, assevera que a Secretaria da Receita Federal tem competência para analisar pedido de compensação e/ou restituição de Empréstimo Compulsório, não atentou o impugnante que o Empréstimo Compulsório referido em ementa de acórdão do Terceiro Conselho de Contribuintes é aquele instituído pelo Decretolei nº 2.288/1986, no qual a antiga Secretaria da Receita Federal era referida como órgão responsável pela arrecadação correspondente: Art 10. É instituído, como medida complementar ao Programa de Estabilização Econômica, estabelecido pelo Decretolei nº 2.284, de 10 de março de 1986, empréstimo compulsório para absorção temporária do excesso de poder aquisitivo. Parágrafo único. O empréstimo compulsório será exigido dos consumidores de gasolina ou álcool para veículos automotores, bem como dos adquirentes de automóveis de passeio e utilitários. Art 11. O valor do empréstimo é equivalente a: I 28% do valor do consumo de gasolina e álcool carburante; Il 30% do preço de aquisição de veículos novos e de até um ano de fabricação; II 15% (quinze por cento) do preço de aquisição de veículos novos e de até um ano de fabricação. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 2.329, de 20.5.1987) III (Suprimido pelo Decreto Lei nº 2.329, de 20.5.1987) (Supensa execução pela RSF nº 50, de 9.10.1995) IV (Suprimido pelo Decreto Lei nº 2.329, de 20.5.1987) Art 12. O empréstimo calculado sobre o consumo de combustível será cobrado, junto com o preço do produto, pelas empresas refinadoras, distribuidoras e varejistas de gasolina e álcool e recolhido pelas refinadoras, no prazo de quinze dias úteis. Art 13. Nas alienações de automóveis de passeio e utilitários, o empréstimo será devido no momento da aquisição antes do licenciamento ou da transferência de propriedade. § 1º O alienante reterá uma via do documento de arrecadação do empréstimo e será solidariamente responsável pelo pagamento. Fl. 338DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 33 § 2º As repartições de trânsito arquivarão, no ato de transferência de propriedade de veículo, cópia do documento de arrecadação do empréstimo. § 3º A Secretaria da Receita Federal baixará, periodicamente, pauta de valores de veículos usados, para determinação do montante do empréstimo. § 4º O empréstimo de que trata este artigo não será exigido: a) na aquisição de veículos fabricados há mais de quatro anos; b) na alienação fiduciária em garantia; c) na venda efetuada pelo fabricante a concessionário autorizado; d) na aquisição de veículos que se destinem comprovadamente à condução de passageiros na categoria de aluguel (táxis); e) nos demais casos especificados em ato do Ministro da Fazenda. Art 14. O empréstimo de que trata este decretolei incidirá sobre os fatos ocorridos no período entre a data de sua publicação e 31 de dezembro de 1989. Art 15. O empréstimo compulsório incidente sobre aquisição de veículos será recolhido à rede arrecadadora de receitas federais, em documento próprio, especificado em ato do Poder Executivo. Parágrafo único. O valor do empréstimo ficará indisponível no Banco Central do Brasil. Art 16. O empréstimo será resgatado no último dia do terceiro ano posterior ao seu recolhimento, efetuandose o pagamento com quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento, criado neste decretolei. § 1º O valor de resgate do empréstimo compulsório sobre o consumo de gasolina e álcool será igual ao valor do consumo médio por veículo, verificado no ano do recolhimento, segundo cálculo a ser divulgado pela Secretaria da Receita Federal, acrescido de rendimento equivalente ao das Cadernetas de Poupança. § 2º O empréstimo compulsório sobre aquisição de automóveis de passeio e utilitários terá rendimento equivalente ao das Cadernetas de Poupança. Art 17. A falta de realização, total ou parcial, do empréstimo implicará automática inscrição como dívida não tributária (artigo 39 da Lei nº 4.320/64, com a redação dada pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.735/79), aplicandose a multa de cem por cento para efeito de cobrança executiva. Idêntica é a natureza do que disposto na mencionada Lei nº 10.522/2002: Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: [...] II ao empréstimo compulsório instituído pelo DecretoLei nº 2.288, de 23 de julho de 1986, sobre a aquisição de veículos automotores e de combustível; Fl. 339DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 34 [...] Tal, porém, não é o caso das restituições fundadas nos títulos emitidos pela Eletrobrás, em relação às quais a uniformidade da jurisprudência ensejou a edição de Súmula do Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, por meio da Portaria nº 2, de 06 de novembro de 2006, nos seguintes termos: Súmula 3ºCC nº 6 Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. O mesmo se diga em relação ao acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no RESP nº 587019/PR, citado no título DA POSSIBILIDADE LEGAL DE COMPENSAÇÃO DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (COMPETÊNCIA). Está expresso no referido julgado que a hipótese ali tratada envolvia EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS (DL Nº 2.288/86) X PIS E COFINS, sendo imprópria a ampliação interpretativa pretendida pelo impugnante. E isto porque, o entendimento pacificado no STJ no sentido de que não há mais limites orçamentários, de espécie e natureza jurídica à compensação face à nova legislação vigente está fundado na atribuição, à Receita Federal, dos competentes ajustes nas contas do Tesouro Nacional em razão das compensações comunicadas pelo contribuinte, relativamente a tributos inseridos na sua esfera de competência. É o que dispõe a Lei nº 9.430/96, que instituiu a possibilidade de compensação entre tributos de espécies diferentes, mas mediante requerimento: Art.73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art.74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. (negrejouse) Portanto, se a Receita Federal não administra o crédito que o contribuinte pretende compensar, está ela impossibilitada de promover os ajustes decorrentes de eventual compensação, motivo pelo qual, nestes casos, subsistem os limites referidos. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 35 Inclusive, quando as Instruções Normativas veiculam os procedimentos para execução de tais ajustes exclusivamente em relação aos valores recolhidos mediante DARF, implícito está o conceito de que os valores assim ingressados no Tesouro Nacional estão administrados pela Receita Federal, quer totalmente (como no caso dos impostos e contribuições incidentes sobre a renda e sobre o faturamento, por exemplo), quer parcialmente (como no caso das taxas devidas à Justiça Federal, por exemplo). Logo, não é o instrumento físico de recolhimento que determina o critério jurídico de atribuição de competência: a fixação da competência conduz à escolha do instrumento físico, de modo que ele materialmente revela o órgão ao qual está atribuída a administração daquela receita pública. Se o crédito não advém de um recolhimento em DARF, é certo que ele não está sob a administração da Receita Federal, pois este órgão sempre se vale desta guia de recolhimento para recepção dos recursos correspondentes aos tributos por ela administrados. Resta evidente, daí, que o contribuinte desconsiderou os atos legais e normativos referidos, além de reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Não há legislação que autorize o contribuinte que apurar crédito contra a União compensálo perante a Receita Federal, salvo nos casos de créditos decorrentes de tributos administrados pela própria Receita Federal, bem como o Poder Judiciário não editou qualquer ato vinculante admitindo a restituição de créditos decorrentes de empréstimo compulsório sobre energia elétrica, quanto menos de terceiros. E, com referência ao disposto na Portaria Interministerial MF/MPS nº 23/2006, importa consignar que seu objeto está assim tratado em seus primeiros dispositivos: Art. 1º A compensação de ofício de débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF) e de débitos inscritos em Dívida Ativa da União e a extinção de débito, em nome do sujeito passivo pessoa jurídica, relativo às contribuições sociais, previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, ou às contribuições instituídas a título de substituição e em relação à Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na forma do disposto no art. 7º do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, alterado pelo art. 114 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 será efetuada conforme o disposto nesta Portaria. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase a crédito em nome do sujeito passivo pessoa jurídica, passível de restituição ou de ressarcimento, relativo a tributos arrecadados mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf). Art. 2º A SRF, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de crédito do sujeito passivo pessoa jurídica, deverá verificar a existência de débitos em seu nome no âmbito da SRF e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 1º Existindo débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição ou do ressarcimento será compensado, total ou parcialmente, com o valor do débito. Fl. 341DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 36 § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao sujeito passivo para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3º Havendo concordância do sujeito passivo, expressa ou tácita, a SRF efetuará a compensação. § 4º O valor da multa, juros e atualização monetária, quando for o caso, correspondentes ao débito, deverão ser calculados até o mês em que for efetuada a compensação de ofício. § 5º Existindo simultaneamente dois ou mais débitos a serem compensados, a SRF observará o que dispõe o art. 163 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 6º No caso de discordância do sujeito passivo, a SRF reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. E, nos termos do art. 2o, vêse que a compensação mencionada tem por pressuposto a restituição ou ressarcimento de crédito do sujeito passivo em face da antiga Secretaria da Receita Federal, circunstância que não se configura relativamente ao crédito alegado pelo impugnante, que não está sob administração da Receita Federal. Assim, se a atividade principal ali prevista não comporta esta compensação, é evidente que o contribuinte não tem razão para invocála e pretender auxiliar o fisco na realização do encontro de contas. DA MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA MEDIANTE DCOMP De todo o exposto, concluise que há obstáculos expressos na legislação ao procedimento. A compensação somente se opera na forma prevista em lei, e, no âmbito dos tributos administrados pela antiga SRF, está vinculada à apresentação de DCOMP e à existência de créditos do próprio sujeito passivo, decorrentes de tributos ou contribuições também administrados pela antiga SRF, passíveis de restituição ou ressarcimento, e, se decorrentes de decisão judicial, quando já ocorrido o trânsito em julgado. Assim, na medida em que há forma legalmente prevista, claro está que houve abuso de forma, se esta foi usada para outro fim que não o encontro de contas nas circunstâncias especificadas. Só há um meio de alcançar o objetivo econômico visado (extinção de créditos tributários administrados pela antiga SRF): a compensação na forma prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº 10.637/2002, 10.833/2003 e 11.051/2004. Importante também esclarecer, neste ponto, que a DCOMP não configura exercício de direito potestativo, posto que não se trata de mero pedido, mas sim de veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002) e conseqüente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Fl. 342DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 37 Em razão de tais efeitos, a DCOMP foi criada para viabilizar compensações nos estritos termos do que disposto no caput art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Vejase, inclusive, a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002: 35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais . Desde a Medida Provisória nº 66/2002, ou seja, a partir de 01/10/2002, não se cogita mais de compensação na própria escrituração do contribuinte, ou de pedido de compensação, prestandose a DCOMP à implementação de compensação pelo sujeito passivo, com efeito extintivo do crédito tributário. Daí a impropriedade do uso deste veículo para a implementação de compensação fora dos parâmetros ali previstos. Se o impugnante entende deter uma dívida certa, líquida e exigível em face da Eletrobrás e da União Federal, mas esta não é decorrente de tributos administrados pela Receita Federal, deve exercer seu direito na forma que a legislação lhe autoriza: executando a União Federal, peticionando administrativamente o pagamento de seu crédito, ou peticionando judicialmente o direito de deixar de recolher tributos em valor correspondente, dada a alegada identidade entre devedor e credor, apresentando os mencionados títulos como garantia, com vistas a futura dação em pagamento. Ainda, se cogita poder exercitar seu direito potestativo em face da Receita Federal, deveria ter dirigido a esta petição correspondente, aguardando a decisão administrativa sem deixar de efetuar os recolhimentos devidos. Ao efetivar a compensação mediante DCOMP, o contribuinte angariou para si todos os efeitos daí decorrentes, como por exemplo, o direito à Certidão Negativa de Tributos e Contribuições Federais, se inexistentes outros débitos exigíveis, até que um ato administrativo firmasse a impropriedade da compensação veiculada. Evidente, neste contexto, a inadmissibilidade do uso da DCOMP, especificamente criada para outros fins, de modo que a negativa apresentada pelos órgãos da Receita Federal, nestas circunstâncias, apenas implementam o princípio da legalidade, e nenhuma afronta revelam aos axiomas da propriedade, da moralidade pública, razoabilidade, proporcionalidade, ética, dentre outros. Concluise, daí, que o contribuinte descumpriu as determinações legais ao efetivar compensações mediante DCOMP tendo por referência supostos créditos que não decorrem de tributos ou contribuições administrados pela antiga Secretaria da Receita Federal. Com evidente abuso de forma, veiculou compensações indevidas, e assim conseguiu postergar o pagamento de tributos. Tais condutas, por sua vez, são reprimidas com a aplicação da multa isolada de 75% e com o restabelecimento da exigibilidade dos débitos compensados, Fl. 343DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 38 independentemente de qualquer discussão administrativa acerca da compensação. Mas, se caracterizada uma das circunstâncias previstas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64, autorizada está a duplicação daquele percentual. De fato, desde a criação da DCOMP nos termos antes referidos, providências legais e normativas foram adotadas para coibir o seu uso abusivo, dentre elas o citado Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17/2002: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, declara: Artigo único. Os lançamentos de ofício relativos a pedidos ou declarações de compensação indevidos sujeitarseão à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizarem evidente intuito de fraude, nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: I – de natureza nãotributária; II – inexistente de fato; III – não passível de compensação por expressa disposição de lei; IV – baseado em documentação falsa. Parágrafo único. O disposto nos incisos I a III deste artigo não se aplica às hipóteses em que o pedido ou a declaração tenha sido apresentado com base em decisão judicial. Na seqüência, a Instrução Normativa SRF nº 226/2002 ratificou este entendimento, e o estendeu a outras hipóteses de compensação: Art. 1º Será liminarmente indeferido: (...) II o pedido ou a declaração de compensação cujo direito creditório alegado tenha por base: a) o "créditoprêmio", referido no inciso I; b) título público; c) crédito de terceiros, cujo pedido ou declaração tenha sido protocolizado a partir de 10 de abril de 2000. Parágrafo único. Na hipótese do inciso II, deverá ser observado o disposto no ADI SRF nº 17, de 3 de outubro de 2002. Assim, a determinação presente naquele momento era de que fosse aplicada a multa de ofício de 150% (ou 225%, conforme o caso) se a compensação indevida se reportasse, dentre outros, a créditos de terceiros ou de natureza não tributária. Fl. 344DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 39 Posteriormente, na redação original do caput e do parágrafo 2º do artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003, foi prevista a imposição da multa isolada nos casos de compensação indevida. Para maior clareza, o referido dispositivo é novamente transcrito: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] §2oA multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. Neste contexto, a aplicação deste dispositivo, à luz do ADI nº 17/2002, permitia concluir que estava estabelecida uma presunção de fraude, quando a compensação fosse negada na hipótese de créditos de terceiros ou de natureza não tributária, dentre outras. Ou seja, a utilização de créditos não passíveis de compensação mediante DCOMP já seria motivo suficiente para qualificação da penalidade. Ocorre que a Instrução Normativa SRF nº 534/2005 evidenciou mudança de entendimento da Administração Tributária acerca da aplicação da multa de ofício isolada, ao também admitir a aplicação da penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 nos casos de compensação com créditos de terceiros, de natureza nãotributária ou mesmo antes do trânsito em julgado de decisão judicial: Art. 31. ................................................................................... § 1º Também será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º do art. 26; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF. .................................................................................................. § 4º Verificada a situação mencionada no caput e no § 1º em relação a parte dos débitos informados na Declaração de Compensação, somente a esses será dado o tratamento previsto neste artigo." Fl. 345DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 40 § 5º Nas hipóteses do inciso II do § 1º, será aplicada multa isolada nos percentuais previstos nos incisos I ou II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (negrejouse) De fato, ao se cogitar da aplicação da multa de 75% nestes casos, foi expurgada a presunção de fraude até então existente, exigindose, para aplicação da multa de 150%, prova do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim não fosse, e inexistiria hipótese fática de aplicação do percentual de 75% (previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96), admitido no referido § 5o. Importante observar que, na seqüência, a Lei nº 11.196/2005, publicada em 22/11/2005 e já vigente à época da apresentação das DCOMP, transportou este entendimento para o art. 18, da Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 117. O art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) § 4º. Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5º. Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo." (negrejouse) Notese que as hipóteses previstas no inciso II, do § 12, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, acima mencionadas são, justamente, os casos de compensação indevida, ou compensação nãodeclarada como passou a ser chamada: (a) com créditos de terceiros; (b) com o "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (c) com créditos vinculados a título público; (d) com créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; e (e) com créditos que não se refiram a tributos e contribuições administrados pela SRF. Ainda, o referido dispositivo foi alterado pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, mas continuou a exigir motivação específica para a duplicação do percentual de 75%, na forma do art. 44 da Lei nº 9.430/96, também alterado nessa ocasião: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: Fl. 346DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 41 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. […] Art. 18. Os arts. 3o e 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: [...] “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ................................................ § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo.” (NR) (negrejouse) Portanto, para decidir quanto ao cabimento da duplicação do percentual de 75% aqui aplicada para cálculo da multa isolada, cumpre determinar se está evidenciado que a conduta do contribuinte reúne as características de um dos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. DO NÃO CABIMENTO DA QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE Fl. 347DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 42 Todavia, no Termo de Verificação Fiscal, os fundamentos apresentados para qualificação da penalidade são, apenas, a compensação de crédito de natureza não tributária (obrigações ao portador emitidas pela Eletrobrás), sem qualquer amparo legal, com o intento de criar subterfúgios, objetivando absterse de pagar dívidas tributárias líquidas e certas, atitudes que corroborariam a ocorrência de fraude, como previsto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17/2002. Ou seja, a penalidade foi qualificada porque o contribuinte efetuou compensações ao arrepio da lei. De outro lado, vêse às fls. 16/18 que as DCOMP foram apresentadas em formulário, apontando como origem e valor do crédito utilizado o montante de R$ 164.450,92, correspondente a direito creditório adveniente de Empréstimo Compulsório sobre Energia Elétrica, equivalente a uma fração de Obrigação das Centrais Elétricas Brasileiras S/A – ELETROBRÁS, do Ano de 1971, Série “V” de nº 10006046, correspondente a R$ 687.682,90, tida como crédito de natureza tributária. Considerando que a autoridade lançadora apenas questionou a natureza do crédito alegado, firmando a impossibilidade de sua compensação com tributos administrados pela Receita Federal, sem nada opor à sua efetiva existência e titularidade pelo contribuinte, somente se pode concluir que a inadmissibilidade da compensação resulta de sua natureza não tributária, e, em conseqüência, que a aplicação do percentual de 150% está fundada na presunção de fraude antes referida, em razão da natureza do crédito utilizado na compensação. Assim, ausente demonstração de que o contribuinte, ao realizar a compensação indevida, ainda que nas hipóteses agora previstas no inciso II do § 12º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, agiu com evidente intuito de fraude, não há motivo para a duplicação da multa isolada de 75%, impondo se a redução do valor lançado para R$ 87.796,80, equivalente à aplicação daquele percentual sobre o total dos débitos compensados (R$ 117.062,40) por meio da DCOMP apresentada em 04/07/2008. E, frente a esta exoneração, restam prejudicados os argumentos tecidos contra o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17/2002, e a defesa relativa aos requisitos necessários para caracterização das hipóteses do art. 1o, inciso I, II e art. 2o incisos I, II da Lei nº 8.137/90, às distinções firmadas entre inadimplente e sonegador e à conseqüente inexistência de antijuridicidade na inadimplência, à necessidade de dolo e dano para caracterização da sonegação, ou mesmo de imprudência, negligência ou imperícia para caracterização da culpa em sentido estrito, além das referências à ostensividade de sua conduta ao promover a compensação. DOS DEMAIS QUESTIONAMENTOS OPOSTOS À MULTA ISOLADA Com referência ao entendimento de que somente seria possível a exigência de multa moratória e juros compensatórios em razão da declaração dos fatos geradores, reprisese que a penalidade aqui exigida não decorre do Fl. 348DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 43 descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. À falta de recolhimento dos débitos compensados, de fato, aplicase a multa de mora se eles estiverem declarados, ou a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, se a falta de recolhimento for cumulada com falta de declaração. Todavia, na compensação indevida por meio de DCOMP há também uma outra infração a ser apenada com multa isolada, independentemente das providências adotadas para satisfação da obrigação tributária principal. Esta distinção fica evidente, desde a edição da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que determina duas providências em face da inadmissibilidade das compensações veiculadas em DCOMP: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. ................................................................................. [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. [...] Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 44 [...] Nestes termos, a autoridade competente, quando rejeita uma DCOMP, deve promover: a cobrança dos débitos indevidamente compensados e o lançamento de ofício de multa isolada se, além da inadmissibilidade da compensação, restar configurada uma das hipóteses ali previstas, ou as demais estipuladas com as alterações veiculadas pelas Leis nº 11.051/2004 e 11.168/2005, antes já referidas. A cobrança dos débitos indevidamente compensados, quando declarados, faz se com os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96. E tal cobrança, com multa de mora, não é incompatível com a aplicação de multa isolada, pois esta não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, em lançamento de ofício, se ele não estivesse declarado. Tratase, sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da DCOMP como meio de extinção do crédito tributário, nas hipóteses ali mencionadas. De fato, não é possível cogitar que um mesmo débito sofra a aplicação de multa de ofício e de multa de mora em razão de falta de recolhimento; elas são excludentes. Na exigência de débitos declarados há, tão só, acréscimos moratórios, inclusive de multa de mora, como, aliás, já pacificado no Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA.Negase provimento ao agravo regimental, em face das razões que sustentam a decisão recorrida, sendo certo que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não há configuração de denúncia espontânea quando o contribuinte declara e recolhe com atraso o seu débito perante a Administração Pública. Precedentes. (AGRG no RESP 463.050/RS, Rel. Min. Francisco Falcão) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. SÚMULA 168/STJ. [...] 2. Deveras, pacificouse a jurisprudência da Primeira Seção no sentido de "não admitir o benefício da denúncia espontânea no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte, declarada a dívida, efetua o pagamento a destempo, à vista ou parceladamente." (AgRg no EREsp 636.064/SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 05.09.2005) (Embargos de Divergência em RESP Nº 511.340 – MG, Rel. Min. Luiz Fux) Todavia, o legislador pode identificar, no procedimento que conduz à falta de recolhimento do tributo declarado, infração que mereça penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito Fl. 350DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 45 compensado, decorre do abuso de forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à Lei que autorizou sua utilização. Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, inclusive, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Em tais condições resta claro que duas condutas estão sendo penalizadas: a falta de declaração e recolhimento do tributo (do que decorre o lançamento de ofício do principal e da multa de ofício acessória) e o uso abusivo e/ou fraudulento da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário (do que decorre o lançamento de ofício da multa isolada). Vejase que é admissível, inclusive, a aplicação da multa de ofício isolada sobre multa de mora, nos casos em que a compensação, mediante DCOMP, se faça com débito em atraso, na medida em que a multa por compensação indevida tem por base de cálculo o total do débito compensado. Aliás, a multa de ofício isolada pode incidir, até mesmo, sobre multa de ofício acessória de principal devido, nos casos em que tributo lançado de ofício seja objeto de compensação, e reste caracterizado o abuso de forma ou a fraude na apresentação da DCOMP. A multa isolada pune o uso indevido da DCOMP, quando presentes as circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qual seja, o valor dos débitos que o contribuinte pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, já se firmou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo tributos de diferentes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Logo, a exigência da multa isolada por compensação indevida é compatível com a exigência de multa (moratória ou de ofício) sobre os débitos indevidamente compensados. Por fim, o impugnante pretende a exclusão total da penalidade, fundada na impossibilidade de conduta diversa, em razão do estado de necessidade em que se encontrariam as empresas premidas pelo pagamento de funcionários e fornecedores, tendo em conta que a multa seria estratosférica e desproporcional, com conseqüente confisco do patrimônio do contribuinte, além da prática de usura pelo Erário, e da ofensa ao princípio da capacidade contributiva – a ensejar uma multa de ofício superior ao seu capital social capaz de acarretar sua falência, além de prejuízos incalculáveis e muitas vezes irremediáveis. Fl. 351DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 46 Todavia, o fato de ter pleiteado, de forma clara e limpa, o pagamento integral e irrestrito dos seus débitos fiscais através do procedimento compensatório não o dispensa da responsabilidade pela penalidade que, como já exposto, foi objetivamente fixada para os casos de descumprimento à vedação legal de uso de DCOMP para compensação de créditos de natureza nãotributária, ou mesmo decorrente de tributos não administrados pela antiga Secretaria da Receita Federal. De fato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. E, quanto à proporcionalidade, está ela garantida na medida em que a base de cálculo para sua determinação são os próprios débitos compensados (R$ 117.062,40), sendo de se ressaltar que o patrimônio da empresa não é medido por seu capital social, mas sim pela reunião de seus bens e direitos do ativo, diminuídos de suas obrigações. No mais, a pretensão do contribuinte conduz a análise para a aferição da inconstitucionalidade da legislação de regência, matéria estranha ao contencioso administrativo especializado. De fato, a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da constitucionalidade ou da legalidade da legislação, na medida em que o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF de 1988. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. E acrescentese que o dever de observância abrange também as normas complementares editadas no âmbito da Secretaria da Receita Federal – SRF, expresso em atos tributários e aduaneiros, conforme expressa disposição da Portaria do Ministro da Fazenda nº 58, de 17 de março de 2006, in verbis: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros. Confirmando este posicionamento, já foram editadas Súmulas do Primeiro e do Segundo Conselho de Contribuintes, dispondo, in verbis: Súmula 1ºCC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula 2oCC nº 2: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Fl. 352DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10830.009195/200808 Acórdão n.º 140200.726 S1C4T2 Fl. 0 47 DISPOSITIVO Diante do exposto, o presente voto é no sentido de RECEBER a impugnação de fls. 151/207, por tempestiva, mas exclusivamente em relação ao lançamento de ofício da multa isolada, e JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTE a exigência, para reduzir o valor lançado de R$ 175.593,60 para R$ 87.796,80. (...) É certo que o contribuinte trouxe articulados argumentos em sua peça recursal, todavia, a meu ver, os fundamentos acima transcritos não merecem qualquer reparo e peço vênia para adotálos com razões de decidir. Conclusão. Diante do exposto rejeito as preliminares e no mérito, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 353DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 12045.000421/2007-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/08/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/08/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 21 /2 00 7- 88 Fl. 483DF CARF MF 2 Em sessão plenária de 29/10/2009, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 230100.713 (fls. 334 a 341), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/08/1998 LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do relator.” O processo foi recebido na PGFN em 20/04/2010 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 343) e, em 30/04/2010, a Procuradora da Fazenda Nacional considerouse intimada (fls. 342). Em 03/05/2010, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 345 a 347 (Relação de Movimentação de fls. 344), rejeitados conforme Despacho nº 2301.087, de 15/03/2013 (fls. 348). Dessa forma, o processo foi novamente recebido na PGFN em 09/07/2013 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 350) e, em 10/07/2013, a Procuradora da Fazenda Nacional deuse por intimada (fls. 349). Na mesma data, foi interposto o Recurso Especial de fls. 352 a 360, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 438/2013, de 06/08/2013 (fls. 361 a 363). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: dispõe o Decreto n.° 70.235, de 1972, arts. 59 c/c 60, que o processo administrativo fiscal somente será declarado nulo na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; sobre a matéria, a jurisprudência desta CSRF, de longa data, firmou orientação no sentido de que "Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente Fl. 484DF CARF MF Processo nº 12045.000421/200788 Acórdão n.º 9202006.623 CSRFT2 Fl. 484 3 documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo" (Recurso: 203112290, Segunda Turma, Sessão: 25/04/2006, Relator: Henrique Pinheiro Torres, Acórdão: CSRF/0202.301). no caso dos autos, o acórdão indica que o suposto prejuízo à defesa seria decorrente do "cerceamento de defesa"; em verdade, a divergência sobre o domicílio fiscal não foi óbice para o contribuinte exercer a plenitude de sua defesa, já que a Decisãonotificação assim registra: "(...) Em relação ao pedido de apresentação de provas a posteriori, o contribuinte tem o prazo de 15 dias, o mesmo da defesa, definido no art. 37, § 1o, da Lei n° 8.212/91; prazo probatório alterável, a critério da Gerência Executiva, apenas quando se tratar de pedido fundamentado. Fundamentado aqui significa que a defendente deve provar, que por motivo de caso fortuito ou de força maior, não teve condições de reunir todos os documentos necessários à instrução de sua defesa no prazo estabelecido, conforme ditam os §§ 4o. e 5o. do art. 16 do Decreto n°. 70.235/ 72. O pedido da empresa não apresenta nenhum fundamento circunstanciado, sendo portanto indeferido o pedido de prorrogação do prazo de defesa. 21. Cabe observar que a ação fiscal teve inicio em 08 de setembro de 2000, com a intimação para apresentação dos documentos a serem examinados, fls. 116 e 17. A NFLD foi recebida pelo contribuinte em 06 de setembro de 2001, quase decorrido o interregno de um ano. Esse prazo foi suficiente para que a empresa ordenasse toda a documentação necessária ao exercício pleno do contraditório, de acordo com o dispositivo supra; e o informado nos subitens 2.1 e 2.4 da Instrução para o Contribuinte, fls. 02 e 03. Não bastasse isso, sua defesa foi apresentada em 20 de setembro de 2001 e, até a presente data, não havia acostado aos autos qualquer documento que aduzisse fatos novos (...).'" portanto, o contribuinte deixou de adimplir com o seu ônus de prova por mera inércia e não em virtude de cerceamento de defesa. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, considerandose válido o lançamento. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 09/04/2014 (AR Aviso de Recebimento de efls. 401/402), a Contribuinte, por meio de correspondência postada em 17/04/2014 (envelope de fls. 467 a 468), ofereceu as Contrarrazões de efls. 403 a 466, contendo os seguintes argumentos: como restou demonstrado nos autos do processo, a fiscalização desrespeitou o domicílio tributário da contribuinte, apesar de ter sido comunicada por meio de petição protocolada por esta, logo após o recebimento do TIAD, de que a sua sede estava situada no município de Rio das Flores; nos termos do artigo 127, caput e § 2o, do CTN, caberia ao fisco o ônus de recusar o domicilio tributário eleito pela comprovação da impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal; Fl. 485DF CARF MF 4 no entanto, a fiscalização ignorou o domicílio tributário eleito pela contribuinte e os lançamentos acabaram sendo realizados por arbitramento, de forma errônea, em decorrência da não apresentação de documentos na filial situada na São José, n° 90, Rio de Janeiro/RJ, contrariando a decisão judicial transitada em julgado do Tribunal Regional Federal da 2a Região, da lavra do Des. Sergio Schwaitzer que declarou o domicilio tributário da recorrente na Rua Capitão Jorge Soares, n° 04, Município de Rio das Flores/RJ; é importante destacar que a jurisprudência deste Conselho, em exegese aos artigos 142 e 173, II, do CTN, pacificou o entendimento de que a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa acarreta um vício material insanável, eis que atinge a própria substância do crédito tributário constituído em face do contribuinte; o desrespeito ao domicílio fiscal do contribuinte foi categórico, patente, e não se limitou ao procedimento, não se resumiu ao aspecto meramente formal do lançamento do tributo, mas, ao contrário, atingiu a própria constituição do crédito tributário, na uma vez que impediu o exercício das garantias constitucionais da ampla defesa e contraditório (artigo 5o, LV, da CF), pela impossibilidade de apresentação de documentos e a prestação de esclarecimentos úteis à ação fiscalizatória; sem sombra de dúvida, o vício material do lançamento ocorrido no caso representa uma nulidade absoluta e insanável; no mesmo sentido decidiu esta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, Acórdão nº 9202 002.413, Relator Conselheiro Gustavo Haddad, tendo como interessada a Contribuinte, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicílio tributário, reconhecido em decisão judicial, que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou de dificuldade de realização da ação fiscal. Deve ser declarada a nulidade de lançamento que aplica arbitramento pela falta de apresentação de documentação quando a fiscalização foi realizada em domicílio diverso do eleito, vício que afeta a própria fundamentação em que se sustenta a imputação infracional. Recurso especial negado." (destaques da Contribuinte). neste julgamento, o Conselheiro Relator Gustavo Haddad consignou expressamente em seu voto, acolhido por unanimidade, que: "Não se pode, nesta hipótese, considerar como ausente prejuízo para afastar a nulidade, por não se tratar de mero vício formal, mas de mácula que atinge a substância do ato infracional" (grifamos). Ao final, a Contribuinte requer seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Distribuído o processo na Instância Especial, verificouse que o Acórdão de Recurso Voluntário nº 230100.713 (fls. 334 em diante) fora digitalizado de forma incompleta, constando dos autos apenas os anversos. Destarte, por meio do Despacho de Saneamento de Fl. 486DF CARF MF Processo nº 12045.000421/200788 Acórdão n.º 9202006.623 CSRFT2 Fl. 485 5 efls. 471, foi solicitada a regularização do lapso, e a peça foi corretamente juntada aos autos às efls. 473 a 481. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício formal. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a nulidade do lançamento, sob o pressuposto de que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse da fiscalização e de que, se não houve demonstração do prejuízo ao contribuinte pelo fato de a ação fiscal ter ocorrido em outro estabelecimento, não há nulidade. De plano, cabe consignar que a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando, confrontadas situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face de interpretação divergente da legislação tributária. Nesse passo, é de fundamental importância averiguar as situações fáticas retratadas nos julgados em cotejo. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização dos períodos de 01/1997 a 08/1998, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: "DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2. Uma vez conhecido do revisional passo a enfrentar as questões trazidas pelo recorrente, iniciando pelo domicilio tributário do contribuinte. 3. Frisese desde logo que a matéria deve ser novamente enfrentada por este Colegiado, ante a juntada nos autos de documento novo, conforme autorizado pelo art. 16, §4°, alínea 'b', do Decreto n.° 70.235/72, qual seja a decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte. 4. Com efeito, a decisão judicial foi no sentido de reconhecer o erro no domicilio tributário do recorrente, inclusive com determinação no sentido de "julgar procedente o pedido e declarar como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ", portanto, estabelecimento diferente daquele Fl. 487DF CARF MF 6 escolhido pelos auditores para executar procedimento fiscalizatório. 5. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD), determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 6. Com razão o contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 7.O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 8. Com dito alhures, a questão foi levada ao Judiciário Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicilio tributário foram suficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra se em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 12045.000421/200788 Acórdão n.º 9202006.623 CSRFT2 Fl. 486 7 (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam .similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Fl. 489DF CARF MF 8 Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III Recurso provido." 9. Considerando a decisão judicial, a qual não pode ser desconhecida da administração, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 12045.000421/200788 Acórdão n.º 9202006.623 CSRFT2 Fl. 487 9 10. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) 15. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame pano sujeito passivo. 16. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório. 17. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicilio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, a preliminar ora examinada, para anular o lançamento por vício formal. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito." (grifei) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se considerar como correto o estabelecimento eleito pela fiscalização, declarandose a ausência de vício, portanto mantendose incólume o lançamento. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 206 01.429 não se reveste destas características, já que trata de situação em que o Contribuinte intentou alterar o domicílio tributário, que era a sua sede e onde se desenvolvia a ação fiscal, após lavrada a NFLD, sem qualquer notícia acerca de decisão judicial ou de prejuízo à defesa. Pelo contrário, consta no paradigma que o Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada. Confirase: "Quanto ao argumento de que não caberia fiscalização tributária em domicílio tributário diferente do local de origem dos fatos geradores, não assiste razão à recorrente. Não se pode esquecer que o domicilio tributário é interpretado pleiteia sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos, conforme disposto no art. 127, § 2° do CTN, tanto a possibilidade de recusa do mesmo. A fiscalização foi feita em estabelecimento diverso do eleito pelo recorrente, em função de já ter sido iniciado o procedimento fiscal no domicílio anterior, Fl. 491DF CARF MF 10 e só haver sido encerrado parcialmente por trâmites administrativos. Ressaltese que a comunicação da mudança só foi realizada em dezembro de 2003, sendo que o início da ação se deu em data anterior e a continuidade do procedimento por outro auditor fiscal poderia causar prejuízo ao bom andamento dos trabalhos, para não dizer gastos desnecessários com a prorrogação de procedimentos. Ademais, as relações entre Fisco e contribuinte devem se basear na lealdade e na boafé, desse modo não é lícito ao contribuinte receber a fiscalização, tolerar o procedimento fiscal, apresentar toda a documentação, esperar a lavratura da NFLD e somente então alegar que aquele não seria o seu verdadeiro domicílio tributário. Uma vez que o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Há permissão legal para a autoridade fiscal fiscalizar a pessoa jurídica de direito privado no local da sede, conforme previsto no art. 127, inciso Ido CTN. Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO." Destarte, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem ser sequer comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 492DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.009180/2005-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei n.º 2.124, de 13/06/1984, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
PRESCRIÇÃO. NÃO APLICÁVEL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.
O prazo prescricional, alegado pela recorrente, não atinge o direito da Administração Tributária de praticar atos tendentes a constituição do crédito tributário. A prescrição volta-se ao direito subjetivo de ação judicial tendente a cobrança executiva da exação. O prazo decadencial para lançamento da multa de ofício, por não ser esta objeto de antecipação de pagamento, extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dicção do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
Numero da decisão: 1002-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei n.º 2.124, de 13/06/1984, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. PRESCRIÇÃO. NÃO APLICÁVEL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. O prazo prescricional, alegado pela recorrente, não atinge o direito da Administração Tributária de praticar atos tendentes a constituição do crédito tributário. A prescrição volta-se ao direito subjetivo de ação judicial tendente a cobrança executiva da exação. O prazo decadencial para lançamento da multa de ofício, por não ser esta objeto de antecipação de pagamento, extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dicção do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
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Normas Gerais de Direito Tributário. Recorrente VIDA INFANTIL CENTRO DE ATIVIDADES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei n.º 2.124, de 13/06/1984, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. PRESCRIÇÃO. NÃO APLICÁVEL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. O prazo prescricional, alegado pela recorrente, não atinge o direito da Administração Tributária de praticar atos tendentes a constituição do crédito tributário. A prescrição voltase ao direito subjetivo de ação judicial tendente a cobrança executiva da exação. O prazo decadencial para lançamento da multa de ofício, por não ser esta objeto de antecipação de pagamento, extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dicção do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 91 80 /2 00 5- 50 Fl. 34DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (fl. 21) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (fls. 13/16), datada de 20/06/2007, consubstanciada no Acórdão n.º 0214.510, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 1.º e 2.º Trimestres do Ano Calendário 2000 (fl. 03), deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente (fls. 01/02), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AnoCalendário: 2000 DCTF. MULTA POR ATRASO. O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF sujeitase às penalidades previstas na legislação vigente, quando deixar de apresentála ou apresentála em atraso. Lançamento Procedente O auto de infração em espécie foi lavrado em 10/06/2005, na DRF Belo Horizonte, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente (...). Fundamentação: Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10680.009180/200550 Acórdão n.º 1002000.078 S1C0T2 Fl. 30 3 Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 4.º combinado com o art. 2.º da Instrução Normativa SRF n.º 73, de 1996; art. 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da MP n.º 16/01 convertido na Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: 1.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$500,00 2.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, argumentou que o débito, sendo de 2000, estaria prescrito, na forma do art. 173, §1.º, do CTN. Ponderou, outrossim, que sendo exigência acessória é isenta da multa. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, a despeito de bastante reduzido, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal (fls. 21/22), que pode ser suavizada no processo administrativo fiscal, e apresentase tempestivo (fls. 20/21), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. No juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que não se discute nos autos a apresentação extemporânea da DCTF, nem se desincumbiu a recorrente de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de tal obrigação. Pretendeu, unicamente, atacar o regime jurídico que estabeleceu a exação, falando que a exigência da multa acessória é isenta da multa, sendo, porém, vedado a este Conselho apreciar questão de constitucionalidade, ou não, da legislação tributária que impôs a exigência, sob pena de aplicação da pena pecuniária. Citese, pela oportunidade, a Súmula CARF n.º 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Também argumentou, a recorrente, que haveria prescrição, mas melhor sorte não lhe assiste. Primeiro, não se fala em prescrição por ocasião do lançamento, visto que o prazo prescricional não atinge o direito da Administração Tributária de praticar atos Fl. 36DF CARF MF 4 tendentes a constituição do crédito tributário. A prescrição voltase ao direito subjetivo de ação judicial tendente a cobrança executiva da exação. Segundo, o prazo decadencial para lançamento (terminologia correta para a discussão alegada) não havia sido extrapolado. Vejase que o prazo final de entrega das DCTF's foi em 15/05/2000 e 15/08/2000, enquanto isso o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), dispõe que o direito da Administração Tributária constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, o primeiro dia seria em 01/01/2001, sendo o prazo fatal em 01/01/2006, por sua vez, o auto de infração lançou os créditos tributários em 10/06/2005 (fl. 3), dando ciência a recorrente em 27/06/2005 (fl. 6). No mais, ressalto que o citado argumento foi fundamentadamente afastado em primeira instância, pelo que peço licença para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde logo como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do § 1.º do art. 50 da Lei n.º 9.784/1999 e com fulcro no disposto no § 3.º do art. 57 do Regimento Interno do CARF (RICARF): No que se refere à prescrição, invocála, na espécie, constitui uma impropriedade jurídica. O prazo prescricional só começa a fluir após a constituição definitiva do crédito tributário, conforme art. 174 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). A constituição do crédito tributário se faz pelo lançamento (art. 142 do CTN). Entre a ocorrência do fato gerador e o respectivo lançamento não corre prazo prescricional, mas decadencial. Entende o Supremo Tribunal Federal que: a) com a lavratura do auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário (art. 142 do CTN); b) a decadência só é admissível no período anterior a essa lavratura; c) entre a ocorrência dela e até que flua o prazo para a interposição do recurso administrativo, ou enquanto não for decidido o recurso dessa natureza de que se tenha valido o contribuinte, não corre prazo para prescrição; d) findo o prazo para interposição do recurso administrativo, sem que ela tenha ocorrido, ou decidido o recurso administrativo interposto pelo contribuinte, há a constituição definitiva do crédito tributário, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do fisco (RE 94.462, Ac. de 06/10/82 do STF SP Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 22/83, pág. 590). No caso, o lançamento se fez por meio do auto de infração em análise, só cabendo falar em prescrição a partir da decisão definitiva do presente processo. Supondo que a impugnante tenha se equivocado quanto ao instituto que pretendia invocar, adiantase que a decadência também não se verifica. O lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF só se faz pela modalidade “de ofício”, por expressa determinação do § 2.º do art. 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30 de outubro de 1998. A legislação não atribui ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento da multa por atraso na entrega da DCTF, sem o prévio exame da administração. Portanto, o art. 150 do CTN não se aplica ao caso. Tratandose de lançamento de oficio, a regra de decadência aplicável é a do art. 173 do CTN. Segundo esse artigo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10680.009180/200550 Acórdão n.º 1002000.078 S1C0T2 Fl. 31 5 se extingue no prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em relação às DCTF cujos prazos de entrega se encerraram no anocalendário de 2000, o lançamento da multa poderia ter sido efetuado ainda em 2000. O primeiro dia do exercício seguinte é 01/01/2001. Conseqüentemente, o prazo de cinco anos se encerrou em 01/01/2006. A ciência do lançamento se deu em 27/06/2005, antes de o direito ter decaído. Destaco, por oportuno, no que atine a denúncia espontânea, relativa a entrega extemporânea de declaração para sanar a ausência da entrega inicial, que este Conselho já possui enunciado sumular, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes paradigmas: Acórdão n.º CSRF/0400.574, de 19/06/2007, Acórdão n.º 19200.096, de 06/10/2008, Acórdão n.º 19200.010, de 08/09/2008, Acórdão n.º 10709.410, de 30/05/2008, Acórdão n.º 10249.353, de 10/10/2008, Acórdão n.º 10196.625, de 07/03/2008, Acórdão n.º 107 09.330, de 06/03/2008, Acórdão n.º 10709.230, de 08/11/2007, Acórdão n.º 10516.674, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.676, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.489, de 23/05/2007, Acórdão n.º 10809.252, de 02/03/2007, Acórdão n.º 10195.964, de 25/01/2007, Acórdão n.º 10809.029, de 22/09/2006, Acórdão n.º 10194.871, de 25/02/2005. Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 4 de setembro de 1942. Dito isto, apesar de ter sido sustentado, pela recorrente, que não está obrigado a entrega da DCTF, a IN SRF 126 exigia a entrega. Ponderese, pela oportunidade, que a referida norma tem como último suporte de validade o art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, que enuncia: "Art. 34, § 5.º, Vigente o novo sistema tributário nacional, fica assegurada a aplicação da legislação anterior, no que não seja incompatível com ele e com a legislação referida nos § 3.º e § 4.º." Neste contexto, a fim de enfrentar os argumentos da defesa, temse que o fundamento de validade constante do auto de infração (Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 CTN; art. 4.º combinado com o art. 2.º da Instrução Normativa SRF n.º 73, de 1996; art. 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da MP n.º 16/01 convertido na Lei n.º 10.426, de 24/04/2002) apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. Deveras, a Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30 de outubro de 1998, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, combinado com o Fl. 38DF CARF MF 6 art. 5.º, caput e § 3.º, do Decretolei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984, e com a Portaria MF n.º 118, de 28 de junho de 1984, trouxe o seguinte conjunto de enunciados: Art. 1.º Fica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2.º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1.º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. (...) Art. 6.º A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 2.º, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa (...). (...) § 2.º As multas de que trata este artigo serão exigidas de ofício. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10680.009180/200550 Acórdão n.º 1002000.078 S1C0T2 Fl. 32 7 em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Fl. 40DF CARF MF 8 Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10680.009180/200550 Acórdão n.º 1002000.078 S1C0T2 Fl. 33 9 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Por fim, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 42DF CARF MF 10 não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do Recurso Voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 43DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.900141/2010-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-006.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 01 41 /2 01 0- 09 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 3 2 (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3301001.983, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOPRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INSUMOS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A exportação de produto classificado na TIPI como não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em seu beneficiamento.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que, relativamente: · À imutabilidade da decisão e da coisa julgada administrativa: ü O Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI foi integralmente homologado, conforme despacho decisório “3. O sistema de controle de créditos – SCC procedeu as verificações próprias do fluxo automático e, sem ter encontrado irregularidades, homologou totalmente os documentos em epígrafe. ” ü Uma vez homologado e deferido o crédito, não assiste razão à Delegacia para alterar a decisão deferida, pois tratase de coisa julgada administrativa; · Ao direito à totalidade do crédito presumido de IPI: ü O crédito presumido do IPI é um benefício concedido pelo legislador para desonerar as exportações, assim, sua Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 4 3 interpretação deve ser sempre em prol do escopo para o que foi criado; ü A Lei não fala em momento algum em produtos tributados, não tributados e alíquota zero; ü A Lei 9.363/96 não faz restrição de que só tem o direito ao crédito quem produz e exporta produtos tributados. · À correção monetária, devese admitila desde seu fato gerador, caso contrário, o sujeito passivo ficaria refém da morosidade estatal. Em Despacho às fls. 224 a 225, foi dado seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo apenas quanto ao direito ao crédito presumido do IPI sobre a exportação de produtos NT. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade às fls. 226 a 227, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu por manter na íntegra o despacho do Presidente da Câmara. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · A análise do competente texto legal, ainda sob o prisma teleológico, leva à inferência de que o objetivo da lei foi, na verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como no caso dos produtos NT; · A Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS no valor agregado dos produtos exportados, o fez na seara do Imposto sobre Produtos Industrializados, de tal sorte que apenas os estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI na forma da legislação pertinente, podem usufruir o incentivo fiscal; · Considerando que, no presente caso, ocorreu exportação de produtos com notação NT e, em conformidade com o exposto acima, não são Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 5 4 considerados industrializados e, portanto, fora de incidência do IPI, concluise que a contribuinte não faz jus ao crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei nº 9.363/96. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo na parte admitida em Despacho – o que concordo com a manifestação exposta em Despacho de Admissibilidade às fls. 224 a 225. Eis que, nessa parte, o Recurso observou os pressupostos de admissibilidade exigidos pelo art. 67 do RICARF/2015. Ora, do confronto das decisões se comprova a divergência. No acórdão recorrido se exigiu que o produto exportado estivesse no campo de incidência do IPI para usufruir do benefício. Enquanto, no paradigma entendeuse ser irrelevante este critério em face das disposições da Lei 9.363/96, decidindo o colegiado por reconhecer o direito ao crédito presumido do IPI em relação à exportação de produtos com notação “NT”. Ventiladas breves considerações, passo a discorrer sobre a lide posta em recurso, qual seja, se o sujeito passivo tem ou não direito ao crédito previsto na Lei 9.363/96; ou seja, se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado). No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação e beneficiamento de rochas ornamentais, possui o direito ao crédito fiscal, nos termos da Lei 9.363/96. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 6 5 dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. O que, por conseguinte, já entendo assistir razão ao sujeito passivo. Não obstante, vêse que poderia entender que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI deve haver a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. A Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais ou somente a exportação, em sentido amplo, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 7 6 No caso em comento, o sujeito passivo faz o beneficiamento de rochas ornamentais, tendo como objeto social a exploração de jazidas minerais, seu beneficiamento, comercialização e a exportação dos produtos. Em vista do exposto, dou provimento nessa parte ao recurso interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito à ilustre relatora, discordo de seu entendimento quanto ao direito de o contribuinte aproveitar crédito presumido do IPI sobre aquisições e revenda para o exterior de produtos não tributados pelo IPI. No presente caso, tratase de exportações de pedras ornamentais que não sofreram quaisquer industrialização, por parte do exportador, mas supostamente apenas beneficiamento, ou seja, no máximo, passaram por processo de desbaste ou algum tipo de lapidação. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 9 8 Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 10 9 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 11 10 Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 12 11 Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou sobre a possibilidade de apropriação de crédito presumido de IPI na exportação de produtos não tributados, conforme o seguinte precedente: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O decisum agravado deixou de conhecer do recurso especial na parte em que alegada a impossibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores relativos a exportação de produtos não tributados, ao fundamento de que o apelo raro padecia de deficiência de fundamentação recursal. 2. Compulsandose novamente o caderno processual, é de se afastar a incidência ao caso da Súmula 284/STF, devendo, pois, ser analisado o mérito do apelo raro nesse particular. 3. O Superior Tribunal de Justiça já se posicionou no sentido de que não há ilegalidade na limitação imposta pelas Instruções Normativas da SRF nº 313/2003 e nº 419/2004 do cômputo dos valores referentes à exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI, tendo em vista que a própria Lei nº 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de reconhecer a impossibilidade de se computarem os valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI. (EDcl no AgRg no REsp 1241900/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2014, DJe 11/12/2014) (grifei) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10384.900141/201009 Acórdão n.º 9303006.287 CSRFT3 Fl. 13 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.720491/2015-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 04 91 /2 01 5- 05 Fl. 34DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0368.013 da 4ª Turma da DRJ/BSB, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos com a Fazenda Nacional, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: É tempestiva e atende aos demais requisitos legais de admissibilidade a manifestação de inconformidade manejada pelo interessado, razão por que merece ser conhecida. Acerca dos procedimentos para se efetuar a opção de ingresso ao Simples Nacional, temse, no campo infralegal, a Resolução CGSN nº 94/2011: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. A regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação da opção. A DRF de origem traz aos autos, telas de sistemas da RFB (fls. 18) que permitem verificar que o débito motivador do indeferimento remanescia em situação de exigibilidade após o término do prazo legal. V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Em sua impugnação, fls. 2, a interessada afirma que regularizou a pendência relativa ao débito de natureza previdenciária dentro do prazo estipulado pela lei, ou seja até em 3112012, por meio de parcelamento. Em consulta a sistema corporativo da RFB, constatase que dos 6 [seis] débitos apontados no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, somente os de nºs 400538873 e 400538881 foram parcelados,... Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10510.720491/201505 Acórdão n.º 1001000.278 S1C0T1 Fl. 3 3 Assim, diante do exposto, concluise que a Impugnante não atendeu a todas as determinações da legislação para poder ser incluída no Simples Nacional, pelo que mantenho o Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, para o ano calendário de 2012. Sendo assim, em vista dos elementos contidos nos autos, não se comprovou a plena regularização das pendências que motivaram o indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2015 no prazo regulamentar (31/01/2015). Em face do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade e, no mérito, julgála improcedente. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator O recurso apresentado é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72., portanto dele conheço. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente argumentou que: · em sua impugnação, apresentou comprovante de pagamento, no valor de R$863,17 (DARF/COFINS), que foi o motivo do indeferimento (anexou o comprovante de recolhimento); e · que, por algum problema técnico. o pagamento não foi processado. Diante dos fatos, pede a modificação da decisão de primeira instância e a sua inclusão no Simples Nacional. A recorrente, de fato, anexou a cópia do DARF de recolhimento da COFINS, como acima mencionado, reproduzido abaixo: Fl. 36DF CARF MF 4 No entanto, observase que o recolhimento efetuado foi insuficiente, posto que realizado no dia 30 de janeiro de 2015 e o valor da multa havia sido calculado para pagamento em 25/11/2014, restando débitos não recolhidos, conforme folha 18 do processo. O disposto no inciso V, artigo 17, da LC 123/2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Portanto, nego provimento ao presente recurso, sem crédito tributário em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 37DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000036/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA PRECLUSA.
Havendo decisão definitiva em outro processo administrativo em que foi mantida a exclusão do Simples, não há como se manifestar sobre a matéria.
PROVA TESTEMUNHAL.
No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas, e os depoimentos de testemunhas podem ser reduzidos a termo que deveam ser carreados junto com a impugnação ou recurso, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF.
NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COBRANÇA RETROATIVA DE TRIBUTOS.
Enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos e, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples.
AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
Havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2:
DECADÊNCIA. DECURSO DE PRAZO NÃO OCORRIDO.
Não ocorre a decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez não ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração, contado esse prazo do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado.
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, aplicando-se a multa no percentual previsto na legislação, e a descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, não tendo ocorrido a nulidade.
NULIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS.
Não ocorre a nulidade alegada uma vez que por consulta aos autos constata-se o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA. NÃO OCORRÊNCIA.
O artigo 112 do CTN refere-se à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo, o que não ocorre no caso em tela.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantém-se a multa por infração qualificada.
Numero da decisão: 1201-001.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ME, atual denominação de KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA PRECLUSA. Havendo decisão definitiva em outro processo administrativo em que foi mantida a exclusão do Simples, não há como se manifestar sobre a matéria. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas, e os depoimentos de testemunhas podem ser reduzidos a termo que deveam ser carreados junto com a impugnação ou recurso, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF. NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COBRANÇA RETROATIVA DE TRIBUTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 36 /2 00 9- 61 Fl. 346DF CARF MF 2 Enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos e, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples. AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2: DECADÊNCIA. DECURSO DE PRAZO NÃO OCORRIDO. Não ocorre a decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez não ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração, contado esse prazo do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, aplicandose a multa no percentual previsto na legislação, e a descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, não tendo ocorrido a nulidade. NULIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS. Não ocorre a nulidade alegada uma vez que por consulta aos autos constata se o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples. APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA. NÃO OCORRÊNCIA. O artigo 112 do CTN referese à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo, o que não ocorre no caso em tela. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 3 3 Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1803000.135 da 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, de 4 de março de 2015, complementandoo a seguir: Tratase, o presente feito, de auto de infração de IRPJ, relativo ao 4º trimestre de 2007, acrescidos de juros de mora e multa de oficio de 150%, totalizando crédito tributário de R$ 605,57 (fl. 2), apurado pelo lucro arbitrado. A autuação do presente processo decorre de exclusão do Simples Nacional (processo 10925.002253/2008 13), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como, que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o IRPJ relativo às receitas operacionais de prestação de serviços gerais. Decorrente do procedimento de exclusão, também foi constituído processo de exclusão do Simples Nacional, protocolizado sob o número 10925.002253/200813, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000032/200983, 10925000033/200928, 10925.000034/200972, 10925.000035/200917, 10925.000036/200961, 10925.000037/200914, 10925.000038/200951, 10925000039/200903, 10925.000040/200920, 10925.000041/200974, 10925.000042/200919, 10925.000043/200963, 10925.000044/200916, 10925.000045/200952, 10925.000046/200905, 10925.000047/200941, 10925.000048/200996, 10925.000049/200931, 10925000051/200918. De acordo com o relatório fiscal, a empresa recorrente faz parte de um grupo empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação. Afere se que o pretenso grupo empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Montagens Industriais Ltda. ME. Ainda, os sócios da J.S. e K.F. possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa K.F. Montagens Industriais Ltda. ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann. Fl. 348DF CARF MF 4 Informa o relatório fiscal que a empresa K.F. Industrial Ltda., na prática, cede mãodeobra para empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos, e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004, situação esta juntamente com faturamento, custos, folha de pagamento, demonstrada em quadro de fl. 16 e 17. De igual modo, constatouse que em relação à contabilidade das empresas, a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Aduz terem sido encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Frisa que a recorrente também efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. E, em sua escrituração deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. Assim, entende que "esses fatos também levam à conclusão de que o `Grupo' é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil." Em ato contínuo, afirma que a recorrente foi intimada e reintimada a apresentar a escrituração contábil com os devidos ajustes para apuração do Lucro Real e o Livro de apuração do Lucro Real LALUR devidamente escriturado para o período fiscalizado, entretanto a sua escrituração da forma solicitada, conforme rt. 530, I e II do RIR/99,o IRPJ foi apurado pelo lucro arbitrado, através dos coeficientes de 38,4% sobre a receita conhecida, conforme art. 15 e 16 da lei 9.249/95. Para apuração do IR devido, foi ajustada a receita bruta mensal para aproveitar os créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados através do Simples, conforme planilhas de fls. 28/29. No tocante à multa qualificada aplicada, entende a fiscalização restar caracterizado, de forma clara, o intuito de fraudar por parte da recorrente, em decorrência da análise dos fatos relatados até o presente momento e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento. Ainda, entende que configura fundamento para a multa ser aplicada o fato da recorrente se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Devidamente cientificada da autuação, a empresa recorrente apresenta suas razões, em seara de impugnação, de forma tempestiva, aduzindo que foi excluída do regime simplificado de tributação, motivo do lançamento dos tributos correspondentes, com base no regime de tributação normal. Ademais, informa que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão, mas apesar do efeito suspensivo dos recursos, foram expedidas intimações para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação e por fim emitidos os autos de infração, não tendo estes validade. Alega, a empresa recorrente, que o grupo familiar de Elita Schazmarm, formado por si, seus filhos e netos, exploram ramos comerciais e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e com a evolução dos negócios, optaram pelo fracionamento da cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 4 5 formação de empresas por grupos familiares, bem como na terceirização de atividades como no caso. Afere que a empresa Idugel é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a K.F. Montagens e J.S. Máquinas). Dispondo: “*J.S.: é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente); *K.F.: é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, J.S. e outras empresas participantes da cadeia produtiva.” Afirma que a legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas, pelas empresas, foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente para afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação. No tocante à delimitação temporal da exclusão, manifesta que o ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/07/2007), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Entende como ilegal a extensão do ato de exclusão para período posterior a 31/12/2008. De igual modo, reforça que o presente feito fere os princípios da ampla defesa e do contraditório, pois houve exclusão sumária com aplicação de penalidade sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa da requerente, bem como acerca dos sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo. Prossegue referindo que são incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a partir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada: locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, entende ser incompatível com a decisão de anular a existência da empresa K.F., como leva a crer na fundamentação. Assim, refere que ou elas existem e então há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mão de obra no relacionamento, ou inexiste a empresa K.F., por vício de formação que não se trata do caso em tela. E dessa forma, entende estar caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da empresa recorrente na forma do art. 59 do Decreto 70235/72. De igual modo, a empresa recorrente afirma ser constituída pela sociedade entre Elita e Cláudia desde 20.02.1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade em uma década. Aduz que o art. 45, parágrafo único, do CC prevê o prazo de decadência de 3 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas, ou seja, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo considerando o prazo do diploma civil anterior. Fl. 350DF CARF MF 6 Atenta para a questão de que as situações fáticas, apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercício em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há com se alterar posteriormente. Ademais, O CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei 9.317/96 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fáticoprobatória. Expõe que a cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva. O Ato Declaratório Excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do SIMPLES, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos benefícios e incentivos fiscais positivados na Lei n° 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. Ademais, salienta que a Autoridade é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Entende que o ente arrecadador não opôs óbice à adesão dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há qualquer ato ilícito, por parte do contribuinte, para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, ao exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. Frisa que a autuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN, entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal. No tocante à excludente de Locação de Mão de Obra, refere a recorrente que no conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mão de obra. No conceito de empreitada o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, “pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa”. Assim, entende que, apesar de, às vezes, o serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso ldugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante. Não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação. Já no tocante à "interposta pessoa", refere que não há qualquer demonstração de não serem as sócias, Elita e Cláudia, as verdadeiras titulares da sociedade, como Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 5 7 são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. O art. 1018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. Alega, de igual modo, que não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo que se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação. Atenta para o fato de que a autoridade fiscal utilizouse de documentos e fatos posteriores ao período de 01/01/2003 a 30/06/2007 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, não se prestando para tal intento. No que diz respeito ao endereço, local utilizado pelas empresas J.S. e IDUGEL, apensar da coincidência do imóvel, encontrase dividido fisicamente, conforme se verifica em planta anexada, instalação de alarmes distintos e ateste do Município que atribuiu diferenciação na identificação das unidades. Observa que a empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projets, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a pessoa do Sr. José Schaznann como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contratação por empreitada, como ocorre com a empresa J.S. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL, quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Dai o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Atenta para o fato de que também há casos que as empresas IDUGEL e J.S. fornecem, mediante parceria, quando a IDUGEL fica responsável pelo fornecimento das máquinas principais e a J.S. pelo fornecimento de acessórios. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Ainda, a existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, refere que houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da K.F. perante IDUGEL. Portanto, a IDUGEL explora seu knowhow, diante da sua grande credibilidade no mercado motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Salienta a existência de empréstimos entre as empresas, mas que isso não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da J.S. perante a IDUGEL. Ademais, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Fl. 352DF CARF MF 8 Nesse caminho, entende que há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão. E, apresenta julgado do conselho de contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Ainda, salienta que a manutenção da interpretação dada pela fiscalização inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses. A recorrente ainda argumenta cerceamento de defesa, já que as intimações fiscais foram objetos de impugnação administrativas não decididas, bem como por conter, no relatório fiscal menção de diversas intimações para apresentação de documentos, sem o esclarecimento quanto ao atendimento, requerendo a nulidade do presente auto. Entende que o lançamento foi fundamentado no art. 149, VII do CTN, sendo neste previsto que este deverá ser efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa. Assim, manifesta que o auto em questão não foi submetido a qualquer revisão de oficio pela autoridade tributária superior ao autuante, motivo que requer a nulidade do processo por falta de cumprimento de exigência legal. Da mesma forma, alega não estar caracterizada a fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, não com relação às obrigações acessórias, como por exemplo, ausência de declarações ao fisco ou declaração a menor de tributo, opção de regime tributário, etc. E, observa ser necessário a demonstração pelo fisco que o ato foi realizado com evidente intuito de fraude, situação não realizada, inclusive pela ausência da hipótese legal do artigo 149, VII, do CTB. Atenta para o fato de que ao auto de Infração decorre de interpretação do agente fiscal de haver fraude no planejamento tributário adotado pela recorrente, entretanto os elementos mencionados permitem concluir que o entendimento foi equivocado, ademais pelas disposições do art. 112 do CTB que aplica o brocardo in dubio pro reo. De igual modo, afirma que a aferição indireta é medida extrema, disponível somente quando totalmente imprestáveis ou inexistentes os lançamentos contábeis, ou ainda, pela recusa no fornecimento da documentação exigida pela autoridade fiscal, situação não verificada no caso presente. E reproduz: "A empresa autora conta com lançamentos contábeis regulares, dotados dos respectivos documentos, os quais foram colocados inteiramente à disposição da Autoridade Fiscal." "Meras irregularidades ou pequenas falhas contábeis não autorizam o arbitramento da verba previdenciária". Concluindo que "há de restar garantido à impugnante o direito à apuração dos tributos com base no lucro real". Alega que toda receita e toda despesa está devidamente lançada na sua contabilidade, discorrendo que até valores não lançados em GEFIP's foram localizados nos lançamentos contábeis, devendo assim ser utilizada a contabilidade da recorrente para apuração dos tributos e considerados os créditos dos tributos, na forma da legislação em vigor. E, entende que o lançamento não considerou os valores recolhidos, motivo que requer sua nulidade, bem como a consideração dos pagamentos efetuados a título do regime simplificado, correspondente à presente rubrica. Importa informar que a empresa recorrente ingressou em juízo, através de um mandado de segurança, objetivando que não fosse autuada, segundo o regime de tributação diverso do Simples, até que a decisão a respeito da exclusão fosse Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 6 9 definitiva. A sentença transitou em julgado, sem que houvesse recurso da Fazenda Nacional, perpetuando a decisão de que não poderiam ser lançados tributos antes que fosse proferida a decisão pelo órgão colegiado administrativo. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento, ora em comento. Afere, quanto à exclusão do Simples, que os argumentos apresentados, em que pese se referirem a empresa J.S. Máquinas, mas diante da semelhança do procedimento e atividades das "empresas", eles são "correspondentes" àqueles feitos na defesa do processo relativo à referida exclusão (processo n° 10925.002253/200813), cuja manifestação de inconformidade foi objeto de análise e indeferimento no Acórdão DRJ/RPO n° 1425.630, proferido por esta Turma de Julgamento. Transcreve o voto proferido no Acórdão citado. Já no que diz respeito à nulidade arguida, entende que não há qualquer tipo de nulidade no lançamento, vez que não foi ferido o disposto no art. 59 do Decreto 70232/75, assim como entende que não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão do Simples, motivo que não seria possível intimações fiscais e lançamentos dos tributos por regime diverso do Simples. Também observa que não há previsão para impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário. E, aduz que o contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional é de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de oficio, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente (art. 39, caput, da Lei Complementar n° 123/2006; art. 4°, § 5°, da Resolução CGSN n° 15, de 23/07/2007; e art. 11, caput, da Resolução CGSN n° 30, de 07/02/2008). Ainda, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES Nacional sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, observa que a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa enquanto não julgadas as manifestações de inconformidade de exclusão do Simples. Da mesma forma, entende improcedente a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do CTN exige a revisão do lançamento, pois referido dispositivo legal não obriga a revisão do lançamento, apenas prevê casos em que pode o lançamento ser realizado e revisto de oficio. Já no que diz respeito ao arbitramento, o julgador a quo alude tratarse de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo Lucro Arbitrado, e não de aferição indireta para fins de arbitramento de verbas previdenciárias. Expõe que a recorrente foi "fartamente intimada e reintimada a apresentar a escrituração contábil com os devidos ajustes para apuração do Lucro Real e o Livro de apuração do Livro Real LALUR devidamente escriturado para o período fiscalizado", mas que nada apresentou. Assim, entendeu que sua escrituração era imprestável para determinação do Lucro Real. Prossegue, em relação à contabilidade das empresas, constatando a ocorrência de vários pagamentos "cruzados", ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Fl. 354DF CARF MF 10 Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Aduz que a empresa efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. Esses fatos também levaram à conclusão de que o "Grupo" é administrado como se fosse uma única empresa, conforme fartamente analisado no processo de exclusão do Simples, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil. E explicita que ao contrário do alegado pela recorrente, a mesma não apresenta escrituração regular, nem apresenta toda despesa devidamente lançada na contabilidade. Destaca que a recorrente nada apresenta para provar a regularidade de sua escrituração e refutar os argumentos e provas juntadas pela autoridade fiscal, mas apenas apresenta alegações genéricas. Assim, conforme art. 530, I e II do RIR/99, correta a apuração do IRPJ pelo lucro arbitrado, através dos coeficientes de 38,4% sobre a receita conhecida, nos termos dos art. 15 e 16 da lei 9.249/95. E, informa que, ao contrário do alegado, foram considerados os valores recolhidos pelo Simples na apuração do IRPJ pelo lucro arbitrado, conforme se verifica nas planilhas de fls. 28/29 do relatório fiscal, sendo estes compensados como "IRPJ recolhido (Simples)" para fins de apuração da receita arbitrada devida. Já no tocante à multa qualificada, argumenta o julgador de primeira instância que a mesma foi aplicada por entender o autuante caracterizado de forma clara o intuito de fraudar por parte recorrente, tomando em conta a análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. De igual modo, afere que houve simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se beneficiar de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, apenas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Salienta, o julgador a quo, que o artificio fraudulento de segmentação apenas formal das atividades do "grupo" foi fartamente analisado no julgamento do processo de exclusão do simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da recorrente como entidade empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann. E, conclui que ficou plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo. Quanto ao pedido para que as intimações fossem feitas no endereço e na pessoa dos advogados identificados na procuração inclusa nos autos, sob pena de nulidade, este não domicílio tributário, havendo, portanto, previsão legal sobre o local para onde devem ser dirigidas as intimações e notificações. Assim, feita a Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 7 11 eleição pelo sujeito passivo, não é possível a admissão de domicílio especial para o processo administrativo fiscal. Também aborda o julgador de primeira instância a solicitação de produção de prova testemunhal, referindo que não pode ser deferida por não ter previsão no rito processual administrativo. Mas, frisa que os testemunhos que a empresa recorrente tenha em seu favor devem ser apresentados sob a forma de declaração escrita, já com a impugnação. No que diz respeito ao apedido da recorrente de apresentação de documentos durante a fase de instrução, o julgador cita o art. 16 do Decreto 70.235/72 para negar. Mas, que de toda a forma a recorrente nada trouxe aos autos processuais após sua impugnação, perdendo o objeto o presente pedido. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto na impugnação. Em face da referida Resolução, converteuse o julgamento em diligência, o que se deu nos seguintes termos: Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente examine o provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 com base na atual fase processual, instrua os autos com a Certidão de Objeto e Pé e demais peças da ação judicial, bem como oficie a Procuradoria da Fazenda Nacional para que se pronuncie sobre seus efeitos jurídicos em face do Auto de Infração. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial a respeito dos efeitos jurídicos do provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 em face do Auto de Infração. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Baixados os autos à DRF/Joaçaba, após os trâmites e análises efetuadas tanto pelo setor especializado dessa unidade de Receita Federal do Brasil, quanto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, foi proferida a Informação nº 440/2016– SACAT/DRF/JOA/SC (fls. 332 a 335), verbis: Tratase de processo administrativo relativo a Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), correspondente ao 4º trimestre / 2007, do qual resultou crédito tributário na importância de R$ 605,57 (seiscentos e cinco reais e cinquenta e sete centavos), já computados os juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%. 2. Segundo o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 11 a 23), o presente processo decorre da exclusão da contribuinte do Simples Nacional levada a efeito no processo administrativo nº 10925.002253/200813, fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os Fl. 356DF CARF MF 12 verdadeiros sócios, bem como realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurada o IRPJ relativo à falta de recolhimento/declaração. 3. Ainda segundo o mencionado Relatório, o Auto de Infração teve como objetivo prevenir a decadência dos valores apurados, enquanto não julgada a impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional. 4. Irresignada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 26 a 72. Todavia, o recurso foi considerado improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (fls. 146 a 170). 5. Na sequência, houve a interposição de Recurso Voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 174 a 213). 6. Iniciado o julgamento, os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, resolveram converter o julgamento na realização de diligência (fls. 218 a 231). Nesse contexto, é pertinente transcrever o Voto Vencedor: [...] 7. Observase que o objeto da diligência é o mandado de segurança nº 2008.72.03.002825. A autoridade julgadora requer a instrução do presente processo com a documentação pertinente ao referido mandamus, bem como o pronunciamento da Procuradoria da Fazenda Nacional quanto aos efeitos jurídicos dos provimentos judiciais nele proferidos quanto ao Auto de Infração de IRPJ. 8. Pois bem. A documentação relativa ao mandado de segurança foi anexada às fls. 233 a 249, sendo que todo o histórico de tramitação foi delineado na Informação Fiscal de fls. 320 a 325. Além disso, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Joaçaba concluiu no seguinte sentido quanto aos efeitos jurídicos dos provimentos judiciais em relação ao Auto de Infração em epígrafe (fls. 326 a 331): a) Não houve impugnação do mérito dos autos de infração por meio do writ; b) O mandado de segurança impetrado pela contribuinte teve apenas por objetivo assegurar o efeito suspensivo das impugnações administrativas, mantendoa no regime do SIMPLES até o julgamento definitivo dos recursos; c) Com o julgamento definitivo das impugnações na esfera administrativa, não há óbice para que os atos questionados, caso sejam mantidos, produzam seus efeitos normais, uma vez que a decisão judicial sustava somente os efeitos específicos da exclusão do SIMPLES até a conclusão dos recursos. d) Com o desfecho no âmbito administrativo, não remanescem os efeitos da sentença, ainda que transitada em julgado. 9. A contribuinte deverá ser cientificada acerca do teor da presente Informação Fiscal, em relação à qual poderá haver manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, bem como da Resolução nº 1803000.135 – Turma Especial / 3ª Turma Especial. Ao término do referido prazo, com ou sem manifestação, o processo será remetido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para continuidade do julgamento. Em face da extinção das Turmas Especiais, o presente processo foi redistribuído por sorteio no âmbito desta Turma Ordinária. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 8 13 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e preenche aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se deve conhecer. Exclusão do Simples Federal. O presente processo referese a auto de infração de IRPJ relativo ao 4º trimestre de 2007. O principal do tributo foi acrescido de juros de mora e multa de ofício de 150%. A exigência decorre da exclusão da recorrente do Simples Nacional, que foi objeto de discussão administrativa no processo nº 10925.002253/200813. Quanto a esse processo, já houve decisão administrativa irrecorrível, tendo sido mantida a exclusão. Em face disso, relativamente às alegações veiculadas no recurso, específicas à defesa quanto à exclusão do Simples Federal, a matéria está preclusa, nenhum julgamento sendo mais possível. A título informativo, transcrevese o entendimento esposado no citado processo, conforme abaixo: A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais. O ato de exclusão foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Fl. 358DF CARF MF 14 A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional. Assim, o ato de exclusão e a decisão de primeira instância contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 9 15 Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. No presente caso, a Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOA/SC nº 23, de 28.10.2009, fl. 139, com efeitos a partir de 01.07.2007, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil em Joaçaba Santa Catarina, no uso das atribuições que lhe confere o inciso II do art. 238 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria Ministerial n° 095, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 33 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, com a redação dada pela Lei Complementar n° 127, de 14 de agosto de 2007, e no art. 4° da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007, declara: Art. 1°. Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica abaixo identificada, conforme previsto no art. 29, IV, da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, em razão de haver sido verificada sua constituição por interpostas pessoas, restando caracterizado o emprego de artifício (simulação de atividade empresarial autônoma) objetivando reduzir o pagamento de tributos apuráveis segundo aquele regime especial, e em virtude da constatação de que o principal propósito de sua existência jurídica tomouse a contratação de mãodeobra em seu nome para cessão a outra pessoa jurídica, o que constitui atividade vedada à opção pelo Simples Nacional, segundo estabelece o art. 17, XII da mesma Lei Complementar n° 123, de 2006, considerados os fatos apurados no processo administrativo n° 10925.002253/200813. Art. 2°. Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 1° de julho de 2007, conforme disposto no § 1° do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 2006, e artigos 5°, IV; e 6°, VI, ambos da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007. Art. 3°. A pessoa jurídica mencionada fica impedida de optar pelo Simples Nacional nos 10 (dez) anoscalendários subsequentes ao termo inicial dos efeitos da exclusão, contados de 01/01/2008 a 31/12/2017, por força do disposto no § 2° do art. 29 da Lei 2007. Art. 4°. Fica intimada a pessoa jurídica, ainda, de que no prazo de 30 (trinta) dias da ciência deste ADE poderá apresentar, por escrito, manifestação de inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua Fl. 360DF CARF MF 16 jurisdição, nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF). Art. 5°. Não havendo apresentação de manifestação de inconformidade no prazo de que trata o art. 4°, a exclusão tornarseá definitiva. Esse procedimento não gera qualquer efeito nos atos constitutivos da Recorrente, tendo alcance tão somente na sistemática de tributação e fundamentase nas justificativas jurídicas constantes no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 352, de 28 de outubro de 2008, fls. 123135: Trata o presente processo administrativo da representação fiscal, de fls. 03 a 08, originária do processo administrativo n° 10925.002074/200878, na qual se informa que a empresa em epígrafe, optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), faz parte de um “grupo” empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, com o objetivo de beneficiarse do Simples Nacional, tratandose tal “grupo”, na realidade, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência naquele regime especial de tributação. Segundo a mencionada representação fiscal, o pretenso “grupo” empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Industrial Ltda. ME (cujo nome original era K.F. Montagens Industriais Ltda. ME). Quanto aos sócios destas duas últimas empresas, todos possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, Sra. Elita Schazmann e Sra. Claudia Schazmann Perottoni, respectivamente, tendo a empresa K.F. Industrial Ltda. ME como únicos sócios consignados no contrato social o Sr. Fellipe Marques Schazmann e a Sra. Karinne Marques Schazmann, ambos filhos do Sr. José Schazmann, conforme quadro de fls. 05. Aduzse ainda, na representação fiscal, que as empresas KS Industrial Ltda. ME e J.S. Máquinas Ltda. ME, na prática, são meras fornecedoras de mãodeobra para a empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e os custos em geral (exceto custos com folha de pagamento, incluindo gastos com matérias primas e outros insumos, como energia, etc.). A fim de se demonstrar a distribuição do faturamento, custos, folha de pagamento, número de empregados registrados por empresa e as relações custos/receita, folha de pagamento/receita, e receita/empregado, incluiuse na representação fiscal um quadro específico (fls. 07), com dados anuais, para o período de 2003 a 2007. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 10 17 Em tal demonstrativo informase, por exemplo (fls. 05), que a empresa Idugel registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos (2005 a 2007), e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004. A respeito da contabilidade das empresas envolvidas, relatase, na representação fiscal, a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade, ou seja, “quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recursos da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias” (fls. 06). São tecidas ainda outras considerações sobre as práticas contábeis e econômicas das empresas mencionadas, tendo sido anexadas cópias de documentos contábeis para exemplificação de tais práticas. Como fundamentos legais para a exclusão, no caso do Simples Federal, apontamse, na representação fiscal, o art. 29, inciso IV, da Lei Complementar nº 123/2006, dispositivo que trata da constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas. Concluise, na representação fiscal, que a pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME não poderia ter optado pelo Simples Federal, nem pelo Simples Nacional, representandose, ao final, para a exclusão da empresa de ambos os regimes de tratamento diferenciado. [...] Em consonância com o Parecer SACAT n° 352, de 28 de outubro de 2008, que aprovo, e fazendo uso da competência delegada pelo artigo 238, inciso II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 095, de 30 de abril de 2007, com fundamento nos artigos 17, XII; 29, IV, e §§ 1° e 2° , da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, e com observância dos artigos 5°, IV; e 6°, VI, e §6°, da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007, determino a exclusão da pessoa jurídica em epígrafe do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela supracitada Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, com efeitos a partir do dia 01/07/2007 ficando a pessoa jurídica impedida de efetuar nova opção pelo Simples Nacional nos 10 (dez) anos calendários subsequentes ao início dos efeitos da exclusão, contados de 01/01/2008 a 31/12/2017. No que se refere à interposição de pessoas, a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; Fl. 362DF CARF MF 18 A interposição de pessoas consiste em uma pessoa, que não é a titular dos interesses em causa, praticar um ato jurídico no lugar daquela que é a verdadeiro titular desses direitos. Esse instrumento pode ser utilizado para criação de pessoas jurídicas com o intuito formação de grupo econômico, mediante procuração com outorga de amplos poderes em que é nomeado como procurador o real titular dos interesses e sócio de uma delas para gerir e administrar todos os negócios concernentes às demais pessoas jurídicas integrantes. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais pessoas jurídicas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. A constituição de várias pessoas jurídicas, que ocupam um espaço físico contíguo, desenvolvem objeto social similar, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários e, cujos sócios possuem grau de parentesco ou afinidade entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e distribuir receitas, caracteriza constituição de grupo econômico de fato e impede a opção pelo Simples. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 352, de 28 de outubro de 2008, fls. 123135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: O presente Parecer Sacat tratará somente da exclusão do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, conhecido como Simples Nacional. A exclusão do Simples Federal, regime de que trata a Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, foi apreciada no processo administrativo n° l0925.002074/200878, que originou o presente processo. A Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, ao instituir e disciplinar o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições, restringiu o universo de empresas aptas a aderir ao mesmo. Tais limitações tiveram como escopo não apenas vedar o acesso de empresas cujas características tomam prescindíveis qualquer tratamento tributário privilegiado, mas também impedir que empresas inicialmente inaptas a aderir ao Simples utilizem meios transversos para adquirir a legitimidade necessária à opção. No caso em tela, constatase com clareza que a criação da pessoa jurídica em epígrafe é o coroamento de uma movimentação orientada a manter sob o total controle do Sr. José Schazmann, e de sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, três pessoas jurídicas, com aparência de empreendimentos econômicos distintos, que formariam um pretenso “grupo” empresarial, o qual, na verdade, consiste em uma única empresa de fato, a Idugel Industrial Ltda., e duas empresas simuladas, sem autonomia econômica ou administrativa, as já citadas K.F. Industrial e J.S. Máquinas, mantidas na forma de pessoas jurídicas individualizadas, fundamentalmente para se proceder à segmentação artificial das atividades, do faturamento, e da contratação da mãodeobra do “grupo”, com o fim de se reduzir o pagamento de tributos apuráveis na forma do Simples Federal, e depois do Simples Nacional, especialmente as contribuições previdenciárias patronais, manipulandose contabilmente os gastos com mãode obra, alocados em sua quase totalidade às empresas simuladas, e mantendoas com faturamento dentro dos limites para opção, Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 11 19 uma vez que as receitas auferidas pelo “grupo” , como um todo, ultrapassam sistematicamente os limites para opção e permanência no Simples Federal, o que, em condições normais, impediria o ingresso do empreendimento, como empresa única, no citado regime diferenciado de tributação. Enquanto a J.S. Máquinas teve suas atividades incorporadas, na prática, pela Idugel Industrial Ltda., após ter sido aparentemente fundada como empresa de constituição autônoma, conforme constatado nos processos n° 10925.002073/200823 e 10925.002252/200861, a K.F. Industrial já nasceu sob o comando do Sr. e da Sra. Schazmann, quando estes já eram os únicos donos da Idugel e da J.S., sendo que, desta última, como proprietários de fato da pessoa jurídica, constituída, então, por interpostas pessoas, época em que a J.S., enquanto empreendimento econômico autônomo, já não passava de uma ficção. Por economia processual transcrevemos abaixo um trecho do Parecer Sacat n° 341/2008, desta DRF/JOASC, integrante do processo n° 10925.002252/200861, no qual analisamos a evolução societária da empresa Idugel e da pessoa jurídica J.S., bem como a questão de passarem ambas a ter sede no mesmo endereço comercial, assim como a K.F.. Isto propiciará o entendimento sobre a constituição do pretenso “grupo” empresarial. Em seguida, incluiremos considerações adicionais sobre o surgimento da K.F., no mesmo contexto. Assim nos pronunciamos no referido Parecer Sacat n° 341/2008: “..constatase com clareza que, pelo menos a partir de determinado momento, a pessoa jurídica em epígrafe perdeu, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda. A partir de tal momento, a empresa J.S. Máquinas Ltda. ME assumiu existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, da inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda., beneficiandose indevidamente, esta última (Idugel), pelo fato de acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda. ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente as contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo” empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Notase uma incontestável movimentação visando a que se submetesse o controle administrativo da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME ao casal que atualmente domina com exclusividade a composição societária da empresa Idugel Industrial Ltda., o Sr. José Schazmann e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann. Tal controle administrativo, sobre a J.S. Máquinas, vem sendo exercido tanto de fato, segundo constatou a fiscalização da RFB, quanto formalmente, em virtude dos amplos poderes conferidos Fl. 364DF CARF MF 20 ao casal para “gerir e administrar" a J.S. Máquinas Ltda. ME, segundo procuração de fls. 07 a 10. Também se cuidou para que o contrato social da J.S. Máquinas Ltda. ME evoluísse de modo a manter como únicos sócios formais parentes de primeiro grau do Sr. José Schazmann, o que reforça a intencionalidade de se atribuir o controle absoluto desta pessoa jurídica à vontade do casal detentor de todos os poderes para administrála. A dinâmica da composição societária da J.S. Máquinas Ltda. ME demonstra que desde sua constituição original, em 15/01/1997, o Sr. José Schazmann já estava em seu comando, como sócio fundador, ao lado de sua mãe, Sra. Elita Schazmann. Observase que o Sr. Schazmann optou por se retirar formalmente do quadro societário da empresa em epígrafe (J.S. Máquinas) para ingressar, juntamente com sua esposa, em 22/09/1997, no quadro societário da Idugel Industrial Ltda., criada em 06/02/1995. Pouco mais de um ano após o ingresso do casal na sociedade empresarial Idugel Industrial Ltda., ou seja, a partir de 20/11/1998, o Sr. e a Sra. Schazmann se tornaram oficialmente proprietários exclusivos das cotas societárias daquela empresa (Idugel), na mesma data em a J.S. Máquinas Ltda. ME passou a ter como sócias formais, exclusivamente, a mãe do Sr. Schazmann, e uma irmã deste, a Sra. Claudia Schazmann. Ao lado desta movimentação societária, verificase que a partir do ingresso do casal Schazmann no quadro societário da Idugel, em 22/09/1997. a J.S. deixou de ter sede própria, alterandose o endereço de sua sede, no contrato social, para o mesmo endereço no qual a Idugel passara a funcionar dois meses antes. na Av. Caetano Natal Branco. 3800. Centro. Joacaba/SC. conforme primeira alteração contratual da J.S., de 22/09/1997 (fls. 15 a 18), e alteração contratual da Idugel, de 31/07/1997 (fls. 28 a 30). Atualmente as duas pessoas jurídicas têm como endereço o imóvel situado na BR 282, Km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguellí, Joaçaba/SC. Segundo os respectivos contratos sociais, a Idugel ocuparia o Bloco A, enquanto a J.S. Máquinas estaria instalada no Bloco B deste imóvel. Contudo, segundo constatou a fiscalização da RFB, esta pequena diferença é apenas formal. Para se ter uma ideia mais clara do grau de simulação da existência de um “grupo” formado por três empresas distintas, vale destacar, quanto à localização destas, o seguinte relato da fiscalização da RFB, às fls. 04 da representação de fls. 01 a 06, com alguns grifos nossos: “No mesmo imóvel situado na BR 282, Km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguellí, Joaçaba/SC, funcionam as empresas IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. e J.S. MÁQUINAS LTDA. Embora a empresa K.F. MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. indique em seu contrato social e alterações ter como endereço a Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 12 21 Rua Almirante Barroso, 592, Bairro Tobias, Joaçaba/SC, trata se na verdade de um endereço residencial, o mesmo das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, sócias da empresa J.S." (...) “A cessão de mãodeobra fica claramente caracterizada uma vez que as empresas envolvidas, JS e IDUGEL, ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e têm seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas." (...) “As empresas IDUGEL, J.S. e K.F., na verdade, funcionam num mesmo estabelecimento, com empregados formalmente vinculados a elas, com uniforme contendo a descrição 'GRUPO IDUGEL', trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. Portanto, a supremacia dos fatos revela tratarse de uma só empresa." A K.F. Industrial Ltda. ME, conforme elementos a seguir abordados, foi constituída no mesmo contexto e com os mesmos objetivos que orientaram a movimentação societária da J.S. Máquinas Ltda. ME, que culminou na atual constituição desta última. A diferença é que a J.S. passou por um processo de depuração de seus sócios formais, e mudança do endereço de suas instalações, até ser completamente absorvida, de fato, pela Idugel Industrial Ltda., conforme transcrição acima. De outro modo, a K.F. já nasceu, como dissemos, sob completo controle do casal Schazmann, com sede no mesmo endereço das outras duas pessoas jurídicas, em que pese o endereço consignado em seu contrato social ser o endereço residencial das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, segundo relata a fiscalização da RFB, na representação fiscal (fls. 06). O controle da K.F. pelo Sr. José Schazmann tomase evidente por todas as circunstâncias verificadas e, especialmente, pelo fato de que seus atuais sócios formais, além de serem seus filhos, ingressaram na sociedade antes de completarem a maioridade civil, representados, nos respectivos atos de subscrição de cotas, pelo próprio Sr. José Schazmann, de modo coerente com a estratégia de nomear somente parentes muito próximos como sócios das pessoas jurídicas do pretenso “grupo” empresarial, mantendo para si e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, amplos poderes para “gerir e administrar”, conferidos por procuração, conforme fls. 16. Até este ponto, analisamos a movimentação societária e a evolução da localização das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda. ME, J.S. Máquinas Ltda. ME e Idugel Industrial Ltda., principalmente a partir de informações extraídas de seus contratos sociais. Abordamos também a questão do controle administrativo daquelas pessoas jurídicas. São elementos que corroboram o entendimento de que a constituição da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME como uma empresa autônoma Fl. 366DF CARF MF 22 é simulada, e que esta constituição fictícia conta com a participação de pessoas interpostas pelos proprietários da empresa Idugel. Contudo, tais elementos não devem ser isoladamente considerados, e sim em conjunto com as demais informações trazidas na representação fiscal que inaugurou o presente processo administrativo. A questão central do caso em apreço é a caracterização da simulação, conforme descrito na representação fiscal; se tal simulação é motivo para exclusão do Simples Federal, sob quais fundamentos, e com efeitos a partir de qual momento. Para tanto, tomase importante a análise do quadro demonstrativo incluído na representação fiscal, fls. 07, que relaciona dados contábeis referentes aos exercícios financeiros de 2003 a 2007. Neste demonstrativo foram separados os custos com folha de salários dos demais custos, estes na coluna “Total Custos” que incluem principalmente insumos, inclusive matériasprimas, energia, etc., podendo englobar também outros custos operacionais. Quanto ao objeto social da K.F., vale ressaltar que embora seu nome original fosse K.F. Montagens Industriais Ltda., que sugere serviços de montagem, alterado para o nome atual, K.F. Industrial Ltda. ME (fls. 37), mais identificado com a produção fabril, somente após a segunda alteração contratual, de 03/08/2007 (fls. 44), observase que desde sua constituição original está presente em seu objeto a “fabricação” de máquinas e equipamentos industriais. Apenas no período de 26/04/2007 (primeira alteração contratual, fls. 36) a 03/08/2007 (segunda alteração contratual, fls. 44) foi suprimida do objeto social a referência à atividade fabril, conforme as respectivas cláusulas de fls. 20, 28 e 36. Portanto, somente durante pouco mais de três meses a referência foi suprimida. Este detalhe formal (presença da referência da atividade fabril no objeto social) apenas vem reforçar a análise ora desenvolvida. Por outro lado, a ocorrência de período com supressão da atividade fabril no contrato social não tem o condão de provocar qualquer impacto na presente análise, frente a todos os elementos levantados, que comprovam a simulação de atividade empresarial autônoma para a K.F. Industrial Ltda. ME. Verificase, desse modo, que os objetos sociais das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda. ME e Idugel Industrial Ltda., registrados em seus respectivos contratos sociais, são muito semelhantes, podendose afirmar que se trata do mesmo ramo de atividades, que envolve, essencialmente, a fabricação, o comércio, a instalação e a manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócios, nada indica serem verossímeis as discrepâncias detectadas para os percentuais anuais da relação custos/receita das duas empresas. Nos exercícios financeiros de 2004 e 2005, por exemplo, mesmo registrando receitas entre R$123.705,30 e R$266.623,09, a K.F. não registrou sequer um centavo de real a título de custos, evidenciando sua total ausência de autonomia empresarial. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 13 23 Ainda que as receitas referidas hajam tido como contrapartida apenas a prestação de serviços de montagem, que demandariam principalmente custos com mãodeobra, notase a injustificável ausência de custos com aluguel da sede administrativa, energia elétrica, telefone, água, etc. Mesmo em 2003 quando não houve registro de receita, tais custos operacionais deveriam ter sido contabilizados, caso houvesse intenção de se construir uma atividade empresarial de fato. Concluise que a K.F. não registrou tais custos simplesmente em razão de não haver distinção, na prática, entre sua atividade e a atividade da empresa Idugel, do modo como afirma a fiscalização da RFB. Embora no exercício financeiro de 2006 o percentual custos/receita da K.F. (24%) mostrese compatível com o da Idugel (34%), segundo os registros contábeis compilados no demonstrativo, observase que em para uma receita de apenas R$8.298,04, a K.F. registrou custos não salariais de R$204.689,36, elevando o percentual custos/receita da K.F. para extraordinários 2.467%, contra 16% da Idugel. Mais uma vez, não se encontra substrato para a existência de uma atividade empresarial real da K.F. Já para a relação folha de pagamento/receita, no período 2004 a 2007, comparandose as duas empresas, as discrepâncias alcançam patamares ainda mais absurdos, variando entre 1 e 2%, para a Idugel, e situandose entre 93 e 3.656%, no caso da K.F. São números que causam perplexidade. Importante também ressaltar que no ano de 2003, mesmo sem contabilizar receita, a K.F. manteve, em dois meses de funcionamento, o número médio mensal de 4 empregados contratados, que corresponde ao mesmo número médio de empregados da Idugel, contingente supostamente capaz de propiciar a geração da receita de R$1.164.065,76. O que chama mais à atenção, no referido quadro de fls. 07, efetivamente, são os valores relativos aos números de empregados. A maior prova isolada de que ocorre a simulação da existência de atividades empresariais autônomas, em nosso entendimento, é a informação contábil de que a Idugel, com apenas dois a quatro empregados (médias mensais) nos exercícios financeiros de 2004 a 2007, conseguiu obter um faturamento anual na ordem de aproximadamente R$ 1 a 5 milhões, ao passo que a K.F., no mesmo ramo de atividade, no mesmo local, e sob a mesma administração, precisou de 15 a 25 empregados (médias mensais) para obter um faturamento da ordem de apenas R$8 a 266 mil anuais. Verificase que estas discrepâncias tomaramse progressivamente mais profundas, chegandose a registrar para a K.F., em para uma receita de apenas R$62.482,54, a manutenção de vinte e cinco empregados contratados, em média, e custos salariais anuais de R$268.821,85, equivalentes a 430% da receita. Fl. 368DF CARF MF 24 O auge desta progressão ocorre em 2007, com receita de R$8.298,04, custos (exceto salários) de R$204.689,36 (2.467%), salários de R$303.340,20 (3.656%) para um número médio de vinte e quatro empregados. Em termos relativos, estes valores mostram que, para cada empregado, entre 2004 e 2007, a receita obtida pela Idugel variou entre R$1.471.440,79 e R$2.577.813,67, contra modestíssimos e injustificáveis R$345,75 a R$11.592,31 da K.F. Industial. Enquanto para a J.S. a receita por empregado girou na casa de apenas um milésimo da receita da Idugel, ocorreu, para a K.F., no ano de 2007, ter atingido o surpreendente patamar de um décimo de milésimo daquela (R$345,75 [/] R$2.577.813,67). Não se pode crer que os sócios oficiais da K.F., caso exercessem algum poder decisório e atividade empresarial de fato, se. Sujeitassem a custos relativamente tão elevados com folha de pagamento, mantendo um número de funcionários dez vezes maior que a Idugel, à medida que a soma de gastos com insumos e empregados passou a superar as receitas, de modo tão extravagante, conforme os dados de fls. 07. Desse modo, os dados tomam óbvio que a Idugel utiliza para obtenção de sua receita, os empregados contratados pela K.F. Industrial Ltda. ME. Conjugados com os demais, já mencionados, são extremamente reveladores de que ambas as empresas, de fato, atuam como uma só, juntamente com a J.S. Máquinas Ltda. ME, com faturamento total superior ao permitido para ingresso e permanência no Simples Federal (mesmo que não considerados os faturamentos da K.F. e da J.S.). Estes dados (e outros apresentados no mesmo quadro de fls. 07) comprovam a informação da fiscalização da RFB de que a Idugel concentra o faturamento com vendas, enquanto as outras pessoas jurídicas do “grupo” (inclusive a K.F.) assumem a maior parte dos gastos com mãodeobra, com consideráveis vantagens tributárias, em razão de sua inclusão no Simples. especialmente com relação às contribuições previdenciárias patronais. Ocorre que outras informações trazidas pela fiscalização devem, ainda, ser levadas em conta. É também muito reveladora a informação incluída na representação fiscal, de que as empresas, além de ocuparem o mesmo espaço físico, têm seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas, trabalhando com o mesmo uniforme, com a inscrição “Grupo Idugel”. Além disso, e não menos importante, os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc.) atendem indistintamente às duas empresas. Verificou a fiscalização, também, a ocorrência de diversos pagamentos cruzados por meio da utilização frequente de contas bancárias de uma pessoa jurídica para pagar despesas de outra, ostensivamente, ferindo se o princípio contábil da entidade, princípio reconhecido como essencial para caracterizar a autonomia de uma empresa em relação a seus sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou em relação a outras empresas do mesmo grupo empresarial. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 14 25 Foram incluídas no presente processo diversas cópias de documentos que comprovam as práticas contábeis acima descritas, as quais agridem frontalmente o princípio contábil da entidade (fls. 09 a 15 e 84 a 117). Em virtude dos argumentos e documentos trazidos aos autos pela fiscalização da RFB, consideramos fartamente provada a simulação da existência de empresas distintas e autônomas. Na representação fiscal, de fls. 03 a 08, como fundamento para a exclusão do Simples Nacional, apontase o art. 29, inciso IV, da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. [...] No caso em tela, encontrandose o patrimônio da empresa K.F. Industrial Ltda. ME, bem como os empregados contratados em seu nome, flagrantemente subordinados à direção e aos interesses econômicos dos sócios e administradores da empresa Idugel Industrial Ltda., concluise que a empresa K.F. Industrial Ltda. ME, não se constituindo como entidade empresarial autônoma, no mundo real, pertence, de fato, aos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., ou à própria Idugel, como sócia pessoa jurídica. As evidências comprovam amplamente, em nosso entendimento, que a K.F. Industrial Ltda. ME destinase apenas, como pessoa jurídica formalmente constituída, a que a Idugel Industrial Ltda., através dela, possa beneficiarse do Simples, não se constituindo de fato a J.S. como empresa, o que exigiria um propósito econômico próprio, hipótese incompatível com todos os dados já discutidos. Logo, segundo apontam as evidências, as pessoas que figuram formalmente como sócias da K.F. Industrial Ltda. ME, em seu contrato social, não são, na realidade, sócios verdadeiros desta pessoa jurídica, não a dirigem por meio de sua própria iniciativa, nem exercem atividade empresarial de fato, caracterizandose, dessa forma, que a K.F. Industrial Ltda ME, desde sua fundação, se encontra constituída por interpostas pessoas, que não são seus verdadeiros sócios. Pelo exposto, concluímos que se enquadra perfeitamente, a situação em apreço, no art. 29, inciso IV, da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Restou evidenciado que a Idugel Industrial Ltda tem com sócios Silvana Marques Schazmann e José Schazmann, que foram nomeados os bastantes procuradores com poderes amplos para gerir e administrar todos os negócios concernentes a Recorrente. Por seu turno, a Recorrente tem como sócios Fellipe Marques Schazmann e Karine Marques Schazmann, ambos filhos de José Schazmann, conforme consta expressamente no Contrato Social e alterações e no Instrumento Público de Procuração. Temse que a Idugel Industrial Ltda e a Recorrente têm objetos sociais similares, são domiciliadas em espaços físicos contíguos e ainda utilizam empregados, em cujos uniformes está estampado o logotipo do “Grupo Idugel”. As despesas incorridas e as receitas auferidas se confundem com aquelas da Idugel Industrial Ltda de modo a afastar a entidade e a autonomia patrimonial. Todos esses elementos estão efetivamente comprovados nos autos e explicitados minuciosamente de maneira clara, explícita e congruente no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC e no Fl. 370DF CARF MF 26 Ato Declaratório de Exclusão formando um conjunto probatório robusto da constituição de um grupo econômico de fato por intermédio do instrumento de interposição de pessoas, o que impede a opção pelo Simples. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Atinente à locação de mão de obra, a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, prevê: Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XII que realize cessão ou locação de mãodeobra; Para elucidar, cabe mencionar excertos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5° do art. 33 desta Lei. [...] § 3ª Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4º Enquadramse, na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Atinente à realização de operações relativas à locação de mãodeobra, o seu pressuposto básico é a utilização do trabalho alheio. A empresa fornecedora pode se limitar ao fornecimento da mão de obra e assumir a obrigação de contratar os trabalhadores, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. Dessa forma, tornase a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas, fornece os equipamentos, bem como fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. Há ainda as operações nas quais o objeto contratado identificase com a apresentação de um resultado. A empresa contratada associase com a finalidade de apresentar um resultado específico, obra ou serviço. Ela obrigase a fazer alguma coisa para uso ou proveito da contratante, fica responsável pelo fornecimento da Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 15 27 mão de obra necessária à produção desta coisa, objeto da contratação, assume o ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento dos trabalhos, e também a gestão do risco de apresentação do resultado, que pode ser uma obra completa ou a prestação de um serviço, ambos perfeitamente identificados como produto final. Se o recurso fornecido pela contratada é exclusivamente a mãodeobra, esta modalidade de contratação também é impeditiva da inscrição nos sistemáticas. Outra possibilidade reúne a colocação da mão de obra à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, para a realização de serviços em condições de continuidade e habitualidade. Tem cabimento a aplicação subsidiária da Consolidação das Leis do Trabalho que determina: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Neste sentido, os sujeitos do contrato de trabalho são: o empregador que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não pode transferir os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados; o empregado é a pessoa física que realiza pessoalmente a operação relativa à prestação de serviços, com habitualidade, subordinação e mediante contraprestação. Assim, podese inferir que a pessoa jurídica que não assume o risco da atividade econômica, ou seja, transfere os custos decorrentes do empreendimento realiza operação relativa à locação de mão de obra. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 352, de 28 de outubro de 2008, fls. 123135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Por outro lado, em razão de tudo o que foi apurado, chegase à conclusão de que estas duas pessoas jurídicas são mantidas nesta condição, pelos seus verdadeiros controladores, primordialmente para a contratação de empregados em nome destas entidades jurídicas, K.F. e J.S., a fim de que esta força de trabalho seja cedida e se mantenha à disposição da única empresa de fato do pretenso “grupo” empresarial, a Idugel Industrial Ltda.. Constatase, portanto, que o principal propósito da manutenção da existência jurídica da K.F. Industrial Ltda ME é a contratação de mãodeobra, em seu nome, para cessão à Idugel Industrial Ltda. Fl. 372DF CARF MF 28 A atividade de cessão ou locação de mãodeobra realizada, por sua vez, também constitui motivo impeditivo à opção ou permanência no Simples Nacional, conforme dispõe o art. 17. inciso II. da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Ainda que a K.F. Industrial Ltda. ME exercesse atividade econômica autônoma, esta seria, em grande medida, a de fornecer mãodeobra para a empresa Idugel Industrial Ltda., visto que, segundo seus próprios registros, os gastos da K.F. com mãodeobra mostramse extremamente exagerados e incompatíveis com seu faturamento, ainda mais quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. (fls. 05), conforme já abordado. Desse modo, mesmo se considerarmos apenas os registros contábeis da K.F. Industrial Ltda. ME, abstraindonos da questão da simulação da existência de atividades empresariais distintas, entre esta empresa e a Idugel Industrial, ainda assim, entendemos que fica caracterizada a incidência em vedação ao Simples Nacional, também com fulcro no art. 17, inciso II, da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 (cessão de mãodeobra). Portanto, o exame conjunto dos dispositivos legais supracitados e dos documentos mencionados leva à conclusão da impossibilidade da permanência da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME no Simples Nacional. Os documentos constantes nos autos evidenciam que a Recorrente realiza operação relativa à locação de mão de obra, uma vez que não assume o risco e não se responsabiliza pela atividade econômica, ou seja, as despesas incorridas e as receitas auferidas se confundem com aquelas da Idugel Industrial Ltda de modo a afastar a entidade e a autonomia patrimonial, bem como seus empregados usam uniformes com o logotipo do “Grupo Idugel”. Todos esses elementos estão efetivamente comprovados nos autos e explicitados minuciosamente de maneira clara, explícita e congruente no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC e no Ato Declaratório de Exclusão formando um conjunto probatório robusto da constituição de um grupo econômico por intermédio do instrumento de interposição de pessoas, o que impede a opção pelo Simples. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. Relativamente aos efeitos da exclusão, a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, prevê: Art.28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art.29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; [...] IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; [...] Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 16 29 §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três)anos calendário seguintes. §2º O prazo de que trata o §1o deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. §3º A exclusão de ofício será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributantes. [...] Art.30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; [...] Art.31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art.32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No presente caso o ato de exclusão surte efeito a partir da ocorrência das situações excludentes ainda que coincida com a data do início das atividades, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.20107 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8. Esclareçase que o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagem à data da efetiva ocorrência da situação excludente. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 352, de 28 de outubro de 2008, fls. 123135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Superada a questão do cabimento da exclusão, o próximo ponto a ser analisado é quanto aos respectivos efeitos, ou melhor, a data de início dos efeitos da exclusão. Sendo assim, importante trazer à baila o disposto no art. 12, inciso XXIII, da Resolução CGSN n° 4 de 30 de maio de 2007 e nos artigos 3°, 5° e 6° da Resolução CGSN n° 15 de 23 de julho de 2007 [...]. Fl. 374DF CARF MF 30 Considerando que restou plenamente comprovado, segundo os elementos dos autos, que a ocorrência do fato mencionado no inciso IV do art. 5° da Resolução CGSN n° 15, de 2007, verificouse desde a época em que a pessoa jurídica em epígrafe era optante do Simples Federal, pelo menos a partir do ano calendário de 2003 (antes, portanto, de seu ingresso no Simples Nacional), temos que a pessoa jurídica em epígrafe incide tanto na regra do inciso VI (“a partir do próprio mês em que incorridas"), quanto na do inciso VII (“a partir da data dos efeitos da opção "), ambos do art. 6° da Resolução CGSN n° 15, de 2007. No primeiro caso, o enquadramento ocorre em função do inciso IV do art. 5° (constituição por interpostas pessoas) da mesma Resolução n° 15, de 2007, e no segundo, por conta do inciso XI do mesmo artigo 5° (incorrer em hipótese de vedação quando do ingresso no Simples Nacional), combinado com o inciso XXIII do art. 12 da Resolução CGSN n° 4, de 2007 (cessão ou locação de mãodeobra). Para os dois enquadramentos referidos (incisos VI e VII do art. 6° da Resolução CGSN n° 15) a exclusão gera efeitos a partir da mesma data, que é a data do início dos efeitos da opção. Contudo, em razão do enquadramento no inciso IV do art. 5° (constituição por interpostas pessoas) da Resolução CGSN n° 15, que constitui a principal e mais grave motivação para a exclusão do Simples Nacional, no caso ora analisado, segundo entendimento esposado no presente parecer, concluímos que deve prevalecer, para o início dos efeitos da exclusão, o enquadramento no inciso VI do art. 6° da Resolução CGSN n° 15, cuja fonte de validade é o art. 29, § 1°, da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Consequentemente, a pessoa jurídica incorre no impedimento de nova opção pelo Simples Nacional no decorrer dos 3 (três) anos calendários seguintes ao inicio dos efeitos da exclusão (art. 29, § 1°, da Lei Complementar n° 123, de 2006, e artigos 5°, IV; e 6°, V1, ambos da Resolução CGSN n° 15, de 2007), com agravamento do impedimento para 10 (dez) anos (entendidos também como anoscalendários, dada a sistemática de opção anual, e em função de se estar agravando um período contado em anoscalendários), conforme estabelecido no art. 29, § 2°, da Lei Complementar n° 123, de 2006. e no § 6° do art. 6° da Resolução CGSN n° 15, de 2007, em virtude de que a simulação da existência de empresas autônomas e distintas, já abordada, constitui claro artifício para induzir e manter a fiscalização em erro, com o fim de reduzir o pagamento de tributos apuráveis na forma do Simples Nacional. As situações impeditivas de opção pelo Simples Nacional de interposição de pessoas para formação de grupo econômico de fato e de locação de mão de obra estão efetivamente evidenciadas nos autos desde a opção pela Recorrente. Por essa razão os efeitos da exclusão do Simples desde 01.07.2007 está correta. Ademais, restou evidenciada a utilização de artifício pela interposição de pessoas para formação de grupo econômico de fato que induziu a RFB em erro, com o fim reduzir o pagamento de tributo devido, e por essa razão a Recorrente fica impedida de optar pelo Simples Nacional pelo prazo de 10 anos. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 17 31 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Lançamento de ofício. No que tange ao lançamento a que se refere o presente processo, foi alegado: a cobrança de tributos de forma retroativa tem efeitos confiscatórios; não houve ilícito praticado pelo contribuinte para a exclusão, pelo que é ilegítima a cobrança retroativa de tributos à época da vedação, acrescidos de multa e juros; "foi emitido auto de infração calculado no valor do próprio tributo, o que é vedado"; "possuindo, o auto de infração e a notificação fiscal de lançamento de débito, naturezas jurídicas distintas, não há corno admitir a utilização de uma no lugar da outra"; "não há, como narrado, consignada a penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida"; há cerceamento do direito de defesa, "na medida que ainda pendentes intimações fiscais objeto de impugnações administrativas não decididas"; o auto de infração é nulo, pois fundamentado no artigo 149, inciso VII, do CTN e, no entanto, não houve qualquer revisão efetuada por superior hierárquico ao autuante; operouse a decadência quanto às parcelas anteriores a janeiro de 2004, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração; não houve fraude, pelo que impossível a manutenção do lançamento, pois ausente a hipótese legal do artigo 149, inciso VII, do CTN; Fl. 376DF CARF MF 32 deve ser aplicado ao caso o artigo 112 do CTN, cancelandose o lançamento em tela; é nulo o auto de infração, em face do não aproveitamento dos pagamentos efetuados segundo a sistemática do Simples, mas que podem ser decompostos para cada rubrica específica; "não há como aplicar multa qualificada, eis que ausente qualquer demonstração de má fé ou fraude no caso em tela, como já fundamentado anteriormente". É requerida a produção de prova oral, cujo rol será apresentado oportunamente. No que tange à cobrança retroativa de tributos e o alegado efeito confiscatório, temse que, enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública, pode haver o lançamento de tributos. E, ocorrida a exclusão retroativa do contribuinte do Simples, tal cobrança é dever de ofício, nos termos do artigo 142 do CTN, uma vez que a sistemática de tributação nos períodos passa a ser outra, mais gravosa que a do Simples. Quanto ao alegado efeito confiscatório, havendo lei devidamente editada e em vigor determinando a cobrança, não cabe a esse colegiado a análise da conformidade de tal norma em face de princípios constitucionais, ante ao princípio da legalidade objetiva que rege o lançamento tributário e o julgamento administrativo deste, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A decadência também foi alegada quanto às parcelas de dezembro de 2003 e janeiro de 2004, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez ter decorrido mais de cinco anos entre o fato gerador e a ciência quanto ao auto de infração. Como pode ser visto no auto de infração de fls. 3 a 10, o período autuado foi o quarto trimestre de 2007, pelo que não tem substância a alegação. A título de esclarecimento, temse que a ciência, pessoal, quanto ao lançamento ocorreu em 28 de janeiro de 2009. Considerandose a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, como invocado pela própria recorrente, o lançamento relativo ao quarto trimestre de 2007 poderia ser efetuado em janeiro de 2008. Assim, o prazo decadencial iniciou se em 1º de janeiro de 2009, com termo final em 31 de dezembro de 2012. Portanto, não se operou a decadência quanto a nenhum dos períodos considerados para o lançamento de ofício. Alegouse ainda a nulidade porque "foi emitido auto de infração calculado no valor do próprio tributo, o que é vedado". Ainda, "possuindo, o auto de infração e a notificação fiscal de lançamento de débito, naturezas jurídicas distintas, não há corno admitir a utilização de uma no lugar da outra" e, "não há, como narrado, consignada a penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida". Quanto a tais alegações, não se vislumbra qualquer irregularidade, pelo que nulidade não ocorreu. O tributo lançado de ofício foi devidamente calculado, conforme pode ser visto no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11 a 23, aplicandose a multa no percentual de 150% previsto na legislação. A descrição das infrações e as indicações dos dispositivos legais Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 18 33 relativos às infrações e à multa aplicada constam do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal. Aduz ainda a recorrente que é nulo o auto de infração, em face do não aproveitamento dos pagamentos efetuados segundo a sistemática do Simples, mas que podem ser decompostos para cada rubrica específica. Quanto a essa questão, basta uma simples consulta ao Termo de Verificação Fiscal (fl. 19) para se constatar a impropriedade da alegação. Consta ali o cálculo do tributos com o desconto quanto aos valores já pagos na sistemática do Simples: Argumentou a recorrente que deve ser aplicado ao caso o artigo 112 do CTN, cancelandose o lançamento em tela. Ocorre que tal dispositivo referese à interpretação de leis que definem infrações ou cominam penalidades e, ainda, no caso de dúvidas existentes quanto aos casos enumerados nos incisos do referido artigo. Como se viu e, também, como restará consignado abaixo, não se está diante de nenhuma dúvida quanto à infração cometida, pelo que não é aplicável ao caso o dispositivo em tela. No que tange à produção de prova oral, não há disposição legal que a permita. No entanto, como evidenciado no voto da decisão de piso, os depoimentos de testemunhas poderiam ser reduzidos a termo que deveriam ter sido carreados junto com a impugnação, sem prejuízo da sustentação oral da recorrente ou de seu representante legal no decorrer do julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 58, inciso II, do RICARF. Quanto às demais alegações, no voto condutor da decisão de piso elas são abordadas com propriedade, pelo que se transcreve abaixo excerto desse voto, cujas conclusões são adotadas como razões de decidir: 2 — NULIDADES Inicialmente, quanto à nulidade do lançamento, o disposto no PAF, art. 59, tratando das hipóteses de nulidade, assim estabelece: Art. 59. São nulos: Fl. 378DF CARF MF 34 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, não ocorreram aquelas irregularidades. O auto de infração foi lavrado por pessoa competente e não se constata cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. A descrição dos fatos, os cálculos nela demonstrados e a capitulação legal contida no auto de infração foram suficientes para que a contribuinte pudesse exercer seu direito de defesa. Além disso, não cabe falar em cerceamento do direito de defesa quando não comprovado o prejuízo ao contribuinte e este se mostra conhecedor do motivo da autuação. Não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão do Simples, motivo que não seria possível intimações ficais e lançamento dos tributos por regime diverso do Simples. Também não há previsão para impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional é de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de oficio, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente (art. 39, caput, da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006; art. 4°, § 5°, da Resolução CGSN n° 15, de 23/07/2007; e art. 11, caput, da Resolução CGSN n° 30, de 07/02/2008). Uma vez promovida a exclusão de oficio, caberá aos respectivos entes tributantes o lançamento dos tributos e contribuições apurados em decorrência da referida medida (art.29, §3°, da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006). A exclusão de oficio pela Secretaria da Receita Federal do Brasil darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES Nacional sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa enquanto não julgadas as manifestações de inconformidade de exclusão do Simples. Da mesma forma, improcede a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do CTN exige a revisão do lançamento, pois referido dispositivo legal não obriga a revisão do lançamento, apenas prevê casos em que pode o lançamento ser realizado e revisto de oficio. Portanto, conforme já mencionado, o auto de infração foi lavrado por pessoa competente, no caso, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade Fiscal para o lançamento tributário. Destarte, não há vício de nulidade no lançamento. 3 ARBITRAMENTO DO LUCRO Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 19 35 Primeiramente, cabe esclarecer que se trata de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo Lucro Arbitrado, e não de aferição indireta para fins de arbitramento de verbas previdenciárias. Conforme fartamente demonstrado pela Autoridade Fiscal, o contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar a escrituração contábil com os devidos ajustes para apuração do Lucro Real e o Livro de apuração do Lucro Real LALUR devidamente escriturado para o período fiscalizado, entretanto, nada apresentou, sendo que sua escrituração era imprestável para determinação do Lucro Real. Em relação à contabilidade das empresas, constatou a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade . . z . . dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. A empresa também efetuou pagamentos “extrafolha” aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos “a prazo”, considerando tais operações como se fossem realizadas “a vista”, ferindo o princípio da competência. Esses fatos também levaram à conclusão de que o “Grupo” é administrado como se fosse uma única empresa, conforme fartamente analisado no processo de exclusão do Simples, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil. Assim, ao contrário do que alega a impugnante, esta não apresenta escrituração regular, nem apresenta toda despesa devidamente lançada na contabilidade da impugnante. Destacase ainda, que a impugnante nada apresenta para provar a regularidade de sua escrituração e refutar os argumentos e provas juntadas pela Autoridade Fiscal, mas sim, apenas apresenta alegações genéricas. Desta forma, conforme art. 530, I e II do RIR/1999, correta a apuração do IRPJ apurada pelo lucro arbitrado, através dos coeficientes de 38,4% sobre a receita conhecida, nos termos dos art. 15 e 16 da lei 9.249/95. Esclarecese, que ao contrário do alegado pela impugnante, foram considerados os valores recolhidos pelo Simples na apuração do IRPJ pelo lucro Arbitrado, conforme se verifica na planilha de fl. 20 do relatório fiscal, sendo estes compensados como “IRPJ recolhido (Simples)” para fins de apuração da receita arbitrada devida. Portanto, correto o lançamento do IRPJ pelo lucro arbitrado. 4 — MULTA QUALIFICADA Fl. 380DF CARF MF 36 As multas constantes do lançamento foram aplicadas com base na legislação que rege a matéria, qual seja, a Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I, §1°, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) Os arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1996, têm a seguinte redação: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72". No caso, foi aplicada a multa qualificada por entender o autuante caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, pela análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Procede a fundamentação da Autoridade Fiscal, pois como fartamente demonstrado no presente processo, bem como nos procedimentos de exclusão do Simples, houve simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se beneficiar de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, apenas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. O artifício fraudulento de segmentação apenas formal das atividades do "grupo" foi fartamente analisado no julgamento do processo de exclusão do Simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da impugnante como entidade Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10925.000036/200961 Acórdão n.º 1201001.936 S1C2T1 Fl. 20 37 empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann. Portanto, ficou plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo. Portanto, é devida a multa de oficio qualificada no lançamento em análise. Conclusão. Em face de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 382DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.722077/2012-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. REGULARIZAÇÃO DA SITUAÇÃO IMPEDITIVA JUNTO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Constitui óbice ao ingresso no Simples Nacional a falta de comprovação da regularização de pendências fiscais, dentro do prazo previsto pela legislação.
Numero da decisão: 1001-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator),José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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REGULARIZAÇÃO DA SITUAÇÃO IMPEDITIVA JUNTO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constitui óbice ao ingresso no Simples Nacional a falta de comprovação da regularização de pendências fiscais, dentro do prazo previsto pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 20 77 /2 01 2- 13 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 18470.722077/201213 Acórdão n.º 1001000.342 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 55) interposto contra o Acórdão nº 12 54.812, proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 44 a 50), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 Simples Nacional. Regularização da situação impeditiva junto à Receita Federal do Brasil. Falta de Comprovação. Constitui óbice ao ingresso no Simples Nacional a falta de comprovação da regularização de pendências fiscais, dentro do prazo previsto pela legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade do Contribuinte face seu indeferimento da opção pelo Simples Nacional, relativo ao anocalendário 2012. 2. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fls. 19 a 21) – data da opção 13/01/2012, e data do registro do indeferimento em 15/02/2012(fl. 21) informa que a empresa teve seu pedido indeferido em razão de possuir débitos com a Receita Federal, de natureza previdenciária e não previdenciária, cujas exigibilidades não estavam suspensas. 3. Em sua Manifestação de Inconformidade de fls. 02 a 18 protocolada em 08/03/2012, o contribuinte manifesta sua discordância alegando, em síntese: a) que a interposição da Manifestação de Inconformidade suspende a exigibilidade de todo crédito tributário que vier a ser lavrado em decorrência de a empresa ser considerada como empresa sem favorecimento em caráter tributário; b) a prescrição dos créditos tributários elencados como impeditivos ao ingresso no Simples Nacional; c) excesso de juros e multas e anatocismo o que não é permitido consoante aos Princípios Constitucionais; d) traz argumentos contrários ao disposto no §2º do art. 6º da Lei nº 9.317/1996, que veda o parcelamento de impostos e contribuições devidos pelas pessoas jurídicas inscritas no Simples; Fl. 60DF CARF MF Processo nº 18470.722077/201213 Acórdão n.º 1001000.342 S1C0T1 Fl. 4 3 e) que é ilegal o disposto no §1º do art. 20 da Resolução nº 4 CGSN de 30/05/2007, c/c o art. 79 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, ao exigir a desistência de recursos administrativos e ou judiciais relativos a impostos e tributos como regra de adesão, pois fere os Princípios do Devido Processo legal e do contraditório e da ampla defesa. f) que a “abusiva criação de obstáculos que impeçam o contribuinte de aderir aos sistema tribuário simplificado e favorecido, constituise em impedimento ao livre exercício da profissão, insculpido no inciso XIII do art. 5º da CRFB/1988. g) Por fim, solicita que qualquer comunicação inerente ao processo seja encaminhada aos cuidados de Alair Marquinez da Cruz, endereço: Rua Santo Amando, nº 234, Campo Grande, CEP 23052430 e protesta pela juntada posterior de documentos comprobatórios de pagamentos de parcelamentos. 3.1. Foram juntados os seguintes documentos: Termo de Indeferimento da Opção Pelo Simples Nacional – fls.19 a 21; Protocolo da Contestação da exclusão de ofício do Simples, movimentado em 07/10/2011 – fl. 22; Solicitação de Parcelamento protocolo nº 18208073804/200822, datado de 14/06/2008 – fl. 23; Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral – fl. 24; Contratos Sociais e Alterações – fls. 25 a 29; Procuração para representação da empresa – fl. 30; Consulta Histórico no Simples Nacional – fl. 32; Documento emitido pela contadora da empresa Srª Maria José Rodrigues Cardoso, emitido em 08/03/2012, referindo que não apresentou a certidão municipal, mas a está providenciando. – fl. 33." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário limitandose a reiterar os argumentos exarados por ocasião da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18470.722077/201213 Acórdão n.º 1001000.342 S1C0T1 Fl. 5 4 Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Fiscal 6. Assiste razão ao Contribuinte quando argumenta que a exigibilidade de recolhimento do crédito tributário lavrado em decorrência de a empresa ser tributada sem favorecimento fiscal fica suspensa até o julgamento administrativo final do Indeferimento do Pedido de Inclusão no Simples Nacional. Entretanto, há de ser ressaltado que os créditos podem ser constituídos por meio da lavratura de autuações, estando apenas suspensos os processos de cobrança de tais créditos. Da Alegação de Ilegalidade/Inconstitucionalidade 7. Cumpre ressaltar que as discussões acerca da legalidade e constitucionalidade de lei ou ato normativo, as quais foram alegadas pela notificada em diversos pontos ao longo de sua defesa, são de prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, devendo vigorar o texto legal, enquanto não retirado do ordenamento jurídico. Existindo norma legal em vigor que discipline a matéria, não cabe às instâncias administrativas oporse à sua aplicação. O mérito da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias deve ser enfrentado junto ao Poder Judiciário, que, por força constitucional, é o foro adequado para tal discussão. Do Pedido Acerca do Envio de Intimações para Endereço Diverso do Domicílio Tributário do Contribuinte 8. Aplicamse ao processo administrativo fiscal, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, as determinações constantes no Decreto 70.235/1972, que estipula que o local legalmente determinado para o recebimento de intimações, por via postal, é aquele eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio tributário (endereço postal, eletrônico autorizado, ou por qualquer outro meio ou via por ele fornecido, para fins cadastrais). Decreto 70.235/1972 Art. 23.§ 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 8.1. Portanto, não é de competência da autoridade administrativa de julgamento essa alteração, indeferindose o pedido no sentido de que as intimações Fl. 62DF CARF MF Processo nº 18470.722077/201213 Acórdão n.º 1001000.342 S1C0T1 Fl. 6 5 sejam efetuadas na forma pretendida pelo interessado, pois, na atual fase do procedimento, elas são feitas por via postal, endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos da legislação transcrita. Da Argüição de Anatocismo 9. Inicialmente cabe ressaltar que a argumentação do Contribuinte a respeito da cobrança excessiva de juros não tem pertinência no presente processo, eis que o mesmo não versa sobre crédito tributário, mas sim sobre a existência de impedimentos legais ao ingresso da empresa no Simples Nacional. Da Argumentação Acerca da Violação aos Princípios do Devido Processo Legal e da Ampla Defesa 10. Hugo de Brito no que concerne ao contraditório e à ampla defesa, in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, p. 304, nos ensina: “Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa”. Por contraditório entendese a garantia de que nenhuma decisão ocorrerá, sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal, a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também, que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. (...) A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido." 10.1. Dessa forma, sendo possibilitado à Impugnante apresentar suas razões e provas, quanto a inexistência de créditos tributários exigíveis, não há o que se falar em cerceio de defesa. Do Mérito 11. O §2º do art. 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, assim dispõe: Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) §2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3o deste artigo. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 18470.722077/201213 Acórdão n.º 1001000.342 S1C0T1 Fl. 7 6 12. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial na Resolução CGSN nº 04, de 30/05/2007, cujo art. 7º assim estabelece: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) 13. A situação que se afigura no presente processo é que o contribuinte apresenta uma série de argumentações desprovidas de quaisquer documentos comprobatórios de que regularizou as pendências citadas no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional. 14. Ainda que se quisesse argumentar que existe um pedido de parcelamento conforme o documento acostado à fl. 23, observase que esse pedido de parcelamento data de 06/2008, contemplando, portanto, débitos constituídos anteriormente ou no máximo a citada data (06/2008). 14.1. Acontece que, no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples nacional constam débitos anteriores a 2008 e débitos posteriores, como por exemplo, os seguintes: 3)Competência: 09/2009 Valor: 481,96 (...) 15)Competência: 09/2010 Valor: 548,69 (...) 22) Competência 03/2011 Valor R$ 485,07 14.2. Existem aindas débitos relacionados aos não recolhimentos dos tributos do próprio Simples, cujo recolhimento até 31/01/2012 não consta comprovado nos autos. 15. Assim, por falta de comprovação documental de pagamento/parcelamento dos créditos tributários elencados no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, voto por NEGAR PROVIMENTO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DO CONTRIBUINTE. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 18470.722077/201213 Acórdão n.º 1001000.342 S1C0T1 Fl. 8 7 Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002075/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
ATIVIDADE COMERCIAL. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO.
A equiparação à pessoa jurídica da pessoa física que explore habitualmente atividade comercial não alcança todos os negócios jurídicos realizados pela pessoa natural, mas tão só aqueles comprovadamente vinculados à atividade comercial exercida pelo contribuinte.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Nos casos de lançamento por homologação, comprovada a antecipação do pagamento, a contagem do prazo decadencial tem seu marco inicial com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2201-004.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. ATIVIDADE COMERCIAL. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO. A equiparação à pessoa jurídica da pessoa física que explore habitualmente atividade comercial não alcança todos os negócios jurídicos realizados pela pessoa natural, mas tão só aqueles comprovadamente vinculados à atividade comercial exercida pelo contribuinte. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos casos de lançamento por homologação, comprovada a antecipação do pagamento, a contagem do prazo decadencial tem seu marco inicial com a ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 816 1 815 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.002075/200750 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.158 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2018 Matéria IRPF Recorrente EDMILSON ALVES DE ARAUJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. ATIVIDADE COMERCIAL. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO. A equiparação à pessoa jurídica da pessoa física que explore habitualmente atividade comercial não alcança todos os negócios jurídicos realizados pela pessoa natural, mas tão só aqueles comprovadamente vinculados à atividade comercial exercida pelo contribuinte. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos casos de lançamento por homologação, comprovada a antecipação do pagamento, a contagem do prazo decadencial tem seu marco inicial com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 20 75 /2 00 7- 50 Fl. 816DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, fl. 422 a 432, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário relativo aos períodos de apuração de 2001 a 2005, consolidado conforme resumo abaixo: CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO Imposto 359.192,14 Juros de Mora (calculado até 08/2007) 189.302,43 Multa Proporcional (75%) 269.394,09 TOTAL 817.888,66 Analisando as informações contidas na Descrição dos Fatos de fl. 423 e no Termo de Verificação de Infração de fl. 433/434, constatase que a Ação Fiscal foi motivada pela incompatibilidade entre os rendimentos declarados e a movimentação financeira verificada em contas bancárias de titularidade do fiscalizado. Ao final do procedimento fiscal, foi lançado crédito tributário lastreado em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Os motivos que levaram ao lançamento podem ser assim resumidos: que devidamente intimado, o contribuinte atendeu apenas parcialmente os termos da intimação, o que levou à formalização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira; que foi elaborada e encaminhada ao fiscalizado planilha contendo valores que deveriam ter sua origem comprovada, fl. 329 a 369; que a resposta apresentada indicava apenas genericamente que a movimentação seria proveniente do faturamento de três Pessoa Jurídicas movimentado na conta particular do fiscalizado; . que intimado a apresentar os registros contábeis de tais pessoas jurídicas, foram franqueados à fiscalização livros diários de parte do período, nos quais foi possível constatar que duas são empresas individuais de titularidade de contribuintes diversos, não havendo qualquer elemento que indique que o faturamento destas tenha transitado pela contra do fiscalizado; que a EDMILSON A DE ARAÚJO ME, também empresa individual, esta sim de titularidade do contribuinte fiscalizado, possuía conta bancária com movimentação expressiva no período, evidenciando desnecessária a utilização de conta corrente da pessoa física; Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10907.002075/200750 Acórdão n.º 2201004.158 S2C2T1 Fl. 817 3 constatouse, ainda, que a soma dos créditos identificados na conta bancária sob análise com a movimentação financeira registrada nos sistemas da empresa de titularidade do fiscalizado foi muito superior ao faturamento das três empresas juntas, o que conflita com a alegação de que os créditos em sua conta seriam oriundos de parte do faturamento destas três empresas. Ciente do lançamento e inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 480 a 516, amparando as razões da defesa nos seguintes tópicos: I Preliminar I.I Nulidade do lançamento Ilegitimidade do sujeito passivo Violação do art. 150, § 1º, II do RIR/99 Sustenta o impugnante que a autuação errou na identificação do sujeito passivo ao imputar o crédito tributário na pessoa física, já que se trata de contribuinte que explora habitual e profissionalmente atividade comercial, sendo, portanto, equiparado a pessoa jurídica. I.II Nulidade do lançamento do anocalendário de 2001 Decadência Afirmando tratarse de lançamento por homologação, cuja contagem do prazo decadencial inicia com a ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 da Lei 5.172/66 (CTN), entende o impugnante que, por ter sido cientificado da autuação em 04 de outubro de 2007, restariam fulminados pela decadência os valores lançados para o ano calendário de 2001. II Mérito Alega que não tem amparo legal a autuação em tela, por não ser razoável tributarse como receita os depósitos sem que sejam excluídos os saques representados pelos cheques emitidos para pagamento de compras das mercadorias cujas vendas geraram os depósitos subsequentes; Afirma que resta demonstrado o efeito confiscatório do lançamento, ressalvando que a Autoridade Fiscal desenvolveu seu trabalho exclusivamente no interior da repartição pública, não conhecendo pessoalmente as atividades desenvolvidas, as condições simples de trabalho do fiscalizado e sua clientela de baixa renda. Sustenta que a geração de receitas por pessoa jurídica exige sacrifício financeiro do custo da produção, não evidenciando sentido lógico o trabalho desenvolvido pela Fiscalização, mediante simplória tributação de depósitos bancários como receita. Aduz que os valores dos créditos encontrados nos extratos bancários, além de não constituírem receita líquida do impugnante, em parte, pertencem a terceiros, sendo fruto de adiantamentos de fornecedores para aquisição de estoque e que sua tributação integral, sem dedução das retiradas representadas pelos cheque emitidos para pagamento do custo das mercadorias, evidenciaria a tributação do próprio capital financiador desses estoques. Fl. 818DF CARF MF 4 Alega que sua evolução patrimonial não é compatível com os valores considerados como rendimentos, fato este expressamente reconhecido pelo autor do procedimento fiscal. Que cópias de cheques apresentados comprovam a existência de pagamentos a fornecedores e que, portanto, a conta bancária da pessoa física é utilizada para fins comerciais. Além de que tais títulos de crédito são emitidos na modalidade conhecida como "prédatados", sendo utilizado como garantia da compra de mercadoria, ratificando a alegada equiparação a pessoa jurídica; Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, julgoua improcedente, excluindo de ofício parte do crédito tributário lançado, fl. 285 a 292, lastreada nas razões que podem ser assim resumidas: que a infração decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancário de origem não comprovada, por demandar acréscimos aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, em relação ao fato gerador ocorrido em 31/12/2001, só poderia dar ensejo a lançamento a partir da data da entrega da declaração relativa ao respectivo exercício, iniciando, portanto, a contagem do prazo decadencial a partir de 01/01/2003, não havendo que se falar em decadência, já que o lançamento poderia ter sido efetuado até o final do ano de 2007; que o contribuinte não trouxe qualquer prova de que os créditos em sua conta tiveram origem nas empresas ou mesmo que eram relativos a aquisições ou pagamentos relacionados a pessoa jurídica. Ademais, não encontra eco na legislação a alegação de que a Fiscalização deveria intimar o contribuinte para comprovar a origem de débitos encontrados nas mesmas contascorrentes, já que a lei determina a intimação para comprovar a origem de depósitos e não de saques ou débitos. Assim, não se vislumbra erro na eleição do sujeito passivo; que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Assim, não sendo provados os negócios que geraram os ingressos de recursos, há dedução lógica de que se trata de disponibilidade oriunda de atividade tributária; que as cópias de cheques apresentadas, além de corresponderem a valores irrisórios em relação ao total dos depósitos considerados de origem não comprovada, em sua maioria, tiveram como beneficiários pessoas físicas e que não foram trazidos quaisquer documentos que comprove a natureza das operações. Ciente do Acórdão da DRJ em 11 de dezembro de 2007, conforme AR de fl. 785, o contribuinte formalizou os Embargos de Declaração de fl. 778 a 784, com o que pretendia ver reexaminadas questões levantadas em sede preliminar, bem assim sanadas contradições e omissões contidas no Acórdão. Tal recurso restou rejeitado, nos termos do despacho de fl. 794 a 796. Cientificado de tal resultado em 16 de outubro de 2014, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 803 a 812, em que reitera os argumentos já expressos em sede de impugnação, os quais serão mais detalhadamente tratados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10907.002075/200750 Acórdão n.º 2201004.158 S2C2T1 Fl. 818 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. PRELIMINAR Do erro na identificação do sujeito passivo Alega o recorrente que a rejeição da preliminar em tela pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância contraria evidentes provas de ser o recorrente comerciante e afronta jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Afirma que, em virtude de praticar com habitualidade, em nome próprio, atos de comércio, a legislação tributária o equipara a pessoa jurídica para efeitos do imposto sobre a renda, sujeitando os rendimentos produzidos por sua atividade à tributação como empresa individual, tudo nos termos do art. 150, § 1º, incisos I e II do Decreto 3000/99 (RIR 99). Aduz que há sobejas provas nos autos que evidenciam ser o recorrente comerciante por conta própria (registro na Junta Comercial, alvará da Prefeitura, livros comerciais, registro na Junta Comercial, declaração da associação comercial, etc), utilizando em tal atividade conta bancária da pessoa natural e da pessoa jurídica Afirma que o fato de restar admitido, em sede de embargos declaratórios, ser o recorrente comerciante, sem demonstrar ter o mesmo exercido outras atividades, implica dizer que seus depósitos provêm dos atos de comércio que pratica, redundando na ficção legal de sua equiparação a pessoa jurídica. Expressa seu entendimento de que a condição indispensável para tributar, na pessoa jurídica, créditos bancários de pessoa física é que estes tenham origem na atividade comercial. Resumidas as razões do recurso neste tema, fica evidente que o contribuinte interpreta de forma muito particular os termos da legislação que ampara seus argumentos. É certo que não há dúvidas de que, pelos documentos juntados aos autos, o recorrente se dedique à atividade de comércio. Não obstante, tal fato, por si só, não resulta na necessidade de submissão irrestrita dos rendimentos ora discutidos às regras de tributação específicas das pessoa jurídicas. Há de se ter em mente que, de fato, o exercício de atividade comercial, considerados os demais termos do § 1º do art. 41 da Lei 4.506/64 (fundamento legal para preceito contido no art. 150, § 1º, incisos I e II do Decreto 3000/99), pode equiparar a pessoa física à jurídica. Contudo, tal equiparação não aniquila a existência de uma vertente privada relacionada à pessoa natural. Assim, a equiparação à pessoa jurídica não alcança todos os negócios jurídicos realizados, subsistindo sob a responsabilidade da pessoa física todos os rendimentos Fl. 820DF CARF MF 6 que não se enquadrem no preceito legal que reconhece a equiparação. Tampouco interessa saber se o recorrente se dedica ou não a outra atividade, já que os rendimentos percebidos, mesmo oriundos da própria atividade comercial, podem ter naturezas diversas, às vezes isentos, às vezes tributáveis. Desta forma, não basta a constatação de que os valores recebidos tenham origem na atividade de compra e venda de mercadorias, já que, por exemplo, o cidadão, no exercício efetivo de sua atividade comercial, pode ser beneficiário de rendimentos relativos a prólabore e tal valor deve tributado regularmente na pessoa física. Da mesma forma acontece com valores recebidos a título de participação nos lucros, que embora isentos, são rendimentos da pessoa física. Portanto, é preciso um pouco mais para se reconhecer a procedência do argumento de erro na identificação do sujeito passivo, que somente seria possível se restasse inequivocamente demonstrado que todos os créditos considerados como rendimentos omitidos se confundem com a atividade que justifica a equiparação. Ou seja, seria necessário demonstrar que os créditos decorrem de vendas realizadas ou que eventuais outra origens estejam diretamente relacionadas à atividade mercantil (por exemplo: recebimentos de títulos, empréstimos vinculados a fins específicos, etc). Afinal, caso tal comprovação ocorresse apenas em relação a parte dos créditos identificados, a outra parte subsistiria como sendo de responsabilidade da pessoa física. Contudo, não há nos autos elementos que vinculem inequivocamente os rendimentos considerados omitidos com a atividade comercial exercida pelo recorrente. As cópias de cheques apresentadas pouco contribuem para tal, pois só comprovam a quem foi direcionada parte dos créditos recebidos nas citadas contas bancárias, sem qualquer elemento que indique que tais desembolsos são relativos a pagamento de mercadorias adquiridas para revenda. Assim, não procedem os argumentos recursais, já que não restou inequivocamente demonstrado que a totalidade dos rendimentos considerados omitidos está relacionada à atividade comercial comprovadamente exercida pelo seu beneficiário. Rejeito a preliminar de nulidade. Da decadência A defesa afirma que o prazo de que dispõe a Fazenda Pública para constituir o crédito tributário mediante lançamento, no caso do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, inicia sua contagem com a ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 da Lei 5.172/66 (CTN) Lastreia sua alegação em precedentes deste Conselho e sustenta que não tem amparo legal a Decisão recorrida, que considerou aplicável o prazo decadencial previsto no inciso I do art. 173 do CTN. Ademais, alega que a conclusão da DRJ de que a omissão de rendimento sem tela deve ser submetida ao ajuste anual conflita com o § 4º do art. 42 da Lei 9430/961. 1 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10907.002075/200750 Acórdão n.º 2201004.158 S2C2T1 Fl. 819 7 Firme em tal convicção, pleiteia o reconhecimento da extinção do crédito tributário apurado para o anocalendário de 2001, por restar fulminado pela decadência. Sobre a questão da fluência dos prazos decadenciais, mister trazermos à balha os preceitos legais que regem a matéria, em particular o § 4º do artigo 150 e o art. 173, todos da Lei 5.172/66 (CTN): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifouse Para a aplicação da contagem do prazo decadencial, este Conselho adota o entendimento do STJ, no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, e, portando, de observância obrigatória neste julgamento administrativo, por força de disposição regimental interna, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e Fl. 822DF CARF MF 8 EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o contribuinte não antecipa o pagamento devido, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Com relação ao momento da ocorrência do fato gerador nos casos de aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos ora sob análise, ainda que pudéssemos discorrer com mais profundidade sobre o preceito legal citado pela defesa (§ 4º do art. 42 da Lei 9.430/96), o tema é matéria sobre a qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou, uniforme e reiteradamente, tendo sido editada Súmula, de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do RICARF, cujo teor destaco abaixo: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. A análise dos autos evidencia que o contribuinte, no exercício de 2002, ano calendário de 2001, apresentou sua Declaração de Rendimentos no modelo simplificado, fl. 07, apurando imposto a pagar no valor de R$ 235,20, o qual foi devidamente quitado em 31 de maio de 2002, conforme comprovante abaixo: A tributação dos rendimentos da pessoa física, sejam os decorrentes de depósito bancário de origem não comprovada ou de qualquer outro rendimento sujeito ao ajuste anual, é um típico exemplo de lançamento por homologação, já que a legislação atribui Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10907.002075/200750 Acórdão n.º 2201004.158 S2C2T1 Fl. 820 9 ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Indiscutível que ocorreram os requisitos capazes de deslocar a contagem do prazo decadencial, cuja regra geral é aquela contida no incido I do art. 173 do CTN, para o § 4º do art. 150 do mesmo diploma. Portanto, em relação ao anocalendário de 2001, tendo o fato gerador do tributo ocorrido em 31 de dezembro do mesmo ano, a Fazenda pública tinha até 31 de dezembro de 2006 para constituir o crédito tributário mediante lançamento. Contudo, no caso ora sob análise, a ciência do contribuinte ocorreu apenas em 04 de outubro de 2007, o que impõe reconhecer a procedência dos argumentos recursais. Assim, neste tema, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer que o crédito tributário lançado para o anocalendário de 2001 está extinto pela decadência, nos termos do inciso V do art. 156 do Código Tributário Nacional. MÉRITO Após considerações sobre as conclusões da Autoridade recorrida, apontando supostas contradições e omissões, o contribuinte reafirma sua convicção de , à luz da legislação em vigor, é indiscutível sua equiparação a pessoa jurídica, o que tornaria ilegítima a exigência fiscal em nome da pessoa física e aplicável ao caso em tela as regras de tributação contidas na Lei 9.317/96 (Simples). Sustenta que ao autuado foi imputada infração da qual se defendeu com sólidos fundamentos e provas materiais e que, restando dúvidas quanto às circunstâncias materiais do fato, a lei tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, nos termos do inciso II do art. 112 do CTN2 Alega que é possível dizer que as contas correntes do contribuinte foram utilizadas pela pessoa jurídica, e que ficou demonstrado que o autuado exerce, com habitualidade, atos de comércio, implicando concluir ser o mesmo equiparado a pessoa jurídica e como tal deve ser tributado. Por fim sustenta que é corrente neste Conselho o entendimento sobre a equiparação de pessoa física a jurídica quando explorem habitualmente atividade econômica de natureza comercial. Sintetizados as razões recursais, é forçoso concluir que os argumentos de mérito expressos no recurso estão absolutamente relacionados aos argumentos já tratados pelo presente voto ao analisar a alegação de erro de identificação do sujeito passivo suscitada em sede preliminar, cujas considerações e fundamentos legais adoto como razão de decidir o presente tema. Acrescento, ainda, que o fundamento do lançamento em tela está no art. 42 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: 2 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 824DF CARF MF 10 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) Nos termos acima, restou estabelecida legalmente uma presunção de omissão de rendimentos lastreada exclusivamente na falta de comprovação da origem de valores creditados em conta bancária. Com isso, tratandose de presunção relativa, já que comporta prova em contrário, o ônus de comprovar a origem e afastar o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário é do contribuinte. É necessário que se apresentem documentos que evidenciem, de forma individualizada, a origem do numerário, documentos estes que devem evidenciar alguma compatibilidade de data e valor com os créditos. Ocorre que, como dito alhures, o contribuinte não apresentou elementos probatórios capazes de comprovar que os valores considerados omitidos não estão sujeitos à tributação na pessoa física. Não há que se falar em aplicação ao caso concreto do inciso II do art. 142 do CTN, já que este trata de interpretação de lei tributária que define infrações ou comine penalidades no caso de dúvida em relação à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, o que não é definitivamente o caso dos autos. Por fim, pertinente ressaltar que os argumentos expressos e não comprovados pelo contribuinte, caso fossem reais, demonstrariam pouca preocupação com as normas legais vigentes, seja pela confusão patrimonial que eventualmente estabelece, seja pelo descontrole documental dos negócios jurídicos, seja pela aparente intenção de se beneficiar de vantagens tributárias indevidas, distribuindo sua atividade mercantil em várias pessoas jurídicas registradas em nome de interpostas pessoas, fatos que poderiam configurar crimes contra a ordem tributária capitulados na Lei 8.137/90. Assim, neste tema, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer que o crédito tributário lançado para o anocalendário de 2001 está extinto pela decadência, nos termos do inciso V do art. 156 do Código Tributário Nacional. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10907.002075/200750 Acórdão n.º 2201004.158 S2C2T1 Fl. 821 11 Fl. 826DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000302/2009-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM.
A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
Numero da decisão: 9101-003.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROSSONI, PIOTTO & CIA. LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.904183/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 03 02 /2 00 9- 18 Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10945.000302/200918 Acórdão n.º 9101003.322 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre o coeficiente para cálculo do lucro presumido no caso de empresa que presta serviços por imagem. A recorrente insurgese contra Acórdão que reconhece que a prestação de serviço médico por imagem estava submetido ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente, relativamente à matéria acima mencionada, da que tem sido dada em outros processos. Sustenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1116399 não menciona os serviços por imagem, equiparandoos a serviços hospitalares. Tal julgado tão somente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei nº 9.429/95. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho fundamentado deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O presente processo trata de IRPJ e CSLL. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.319, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.904183/200994. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.319): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10945.000302/200918 Acórdão n.º 9101003.322 CSRFT1 Fl. 4 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10945.000302/200918 Acórdão n.º 9101003.322 CSRFT1 Fl. 5 4 ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10945.000302/200918 Acórdão n.º 9101003.322 CSRFT1 Fl. 6 5 julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10945.000302/200918 Acórdão n.º 9101003.322 CSRFT1 Fl. 7 6 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10945.000302/200918 Acórdão n.º 9101003.322 CSRFT1 Fl. 8 7 realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Em seu recurso, a PGFN argumenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.116.399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares; que tal julgado tãosomente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. De fato, a referida decisão do STJ não tratou especificamente de serviços de radiologia, mas tudo o que foi dito naquela decisão sobre a questão em torno da tributação dos serviços hospitalares deve ser aplicado para as várias atividades ligadas à promoção da saúde. Com efeito, o STJ, ao proferir a citada decisão na sistemática dos recursos repetitivos, não restringiu sua análise aos serviços médicos laboratoriais (situação específica daquele REsp). Por outro lado, embora a PGFN reconheça que o STJ deixou claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento no coeficiente de 8%, ela acabou buscando fundamento nas antigas instruções normativas da Receita Federal que defendiam justamente essa linha de interpretação. As decisões invocadas pela PGFN, tanto do antigo Conselho de Contribuintes, quanto do STJ (2006), realmente trazem um entendimento superado, alterado em 2009 pelo próprio STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme já mencionado. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARFAnexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10945.000302/200918 Acórdão n.º 9101003.322 CSRFT1 Fl. 9 8 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10945.000302/200918 Acórdão n.º 9101003.322 CSRFT1 Fl. 10 9 submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10945.000302/200918 Acórdão n.º 9101003.322 CSRFT1 Fl. 11 10 proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. No presente processo, cabe adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 649DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.010593/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
LANÇAMENTO FISCAL COM BASE NAS DIFERENÇAS ENTRE GFIP X DIRF X RAIS X FOLHA PAGAMENTO.
É válido o lançamento efetuado com base nas próprias declarações do contribuinte quando este não traz aos autos documentação, nem fatos novos que combatam o conteúdo da acusação fiscal.
BOLETIM DE OCORRÊNCIA. MOTIVO INSUFICIENTE
Quanto ao Boletim de Ocorrência nº 5124/2010, fls. 70/71, lavrado motivo de furto dentre outros pertences da pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP deve-se destacar que este documento isoladamente não faz prova a favor do contribuinte.
Numero da decisão: 2401-005.326
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 LANÇAMENTO FISCAL COM BASE NAS DIFERENÇAS ENTRE GFIP X DIRF X RAIS X FOLHA PAGAMENTO. É válido o lançamento efetuado com base nas próprias declarações do contribuinte quando este não traz aos autos documentação, nem fatos novos que combatam o conteúdo da acusação fiscal. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. MOTIVO INSUFICIENTE Quanto ao Boletim de Ocorrência nº 5124/2010, fls. 70/71, lavrado motivo de furto dentre outros pertences da pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP deve-se destacar que este documento isoladamente não faz prova a favor do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 LANÇAMENTO FISCAL COM BASE NAS DIFERENÇAS ENTRE GFIP X DIRF X RAIS X FOLHA PAGAMENTO. É válido o lançamento efetuado com base nas próprias declarações do contribuinte quando este não traz aos autos documentação, nem fatos novos que combatam o conteúdo da acusação fiscal. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. MOTIVO INSUFICIENTE Quanto ao Boletim de Ocorrência nº 5124/2010, fls. 70/71, lavrado motivo de furto dentre outros pertences da “pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP” devese destacar que este documento isoladamente não faz prova a favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 05 93 /2 01 0- 83 Fl. 532DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10830.010593/201083 Acórdão n.º 2401005.326 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, considerou IMPROCEDENTE a impugnação ao auto de infração AIOP n° 37.255.6159, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 05 33.746 (fls. 323/331): Assunto; Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 LANÇAMENTO FISCAL. DIFERENÇAS GFIP X DIRF X RAIS X FOLHA PAGAMENTO. É válido o lançamento efetuado com base nas próprias declarações do contribuinte. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. Boletim de Ocorrência de furto de documentos não é causa de exclusão de crédito tributário, mormente quando não vem acompanhado de provas da publicidade do fato e comunicação às repartições competentes (na data da ocorrência do fato). AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO ESTABELECIMENTO DA EMPRESA. Não enseja nulidade a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. Entendese que o local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto. PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO. O princípio do contraditório não é assegurado quando do procedimento fiscal, mas quando do início do processo administrativo fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 37.255.6159 (fls. 02/05), lavrado contra o Contribuinte em 10/08/2010, referente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes às contribuições da empresa e às contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT, não recolhidas em épocas próprias, apuradas das remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas em Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia e Informações à Previdência Fl. 534DF CARF MF 4 Social (GFIP), antes do início do procedimento fiscal, conforme se observa no RELATÓRIO FISCAL de folhas 06 a 09. Contra o Contribuinte foi lançado o Crédito Tributário no montante de R$ 229.689,73, relativo ao período de 01/2005 a 12/2006 (fl. 02). O Sujeito Passivo atua como empresa de trabalho temporário, regida pela Lei nº 6.019/74 e, reiteradamente, agiu com o intuito de suprimir ou reduzir as Contribuições Sociais Previdenciárias, configurando, em tese, crime de sonegação fiscal, razão pela qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 13/08/2010 (fl. 02) e, em 03/09/2010, apresentou sua impugnação de fls. 51 a 54. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CPS para julgamento, que, através do Acórdão nº 0533.746, julgou Improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/CPS através da INTIMAÇÃO 728/2011 (fl. 377), via correio, em 06/06/2011 (AR fl. 378). Tempestivamente, em 06/07/2011, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 479 a 482, onde argumenta que: 1. O procedimento exercido pelo agente fiscal tomou por base as obrigações acessórias (DIRF, RAIS, GFIP, Arquivo MANAD e Folha de pagamento do recorrente); 2. Ao verificar as irregularidades encontradas pelo Agente Fiscal, o Recorrente verificou um erro em seu sistema, tendo em seguida informado ao fisco e solicitado a correção das informações para apresentar posições reais; 3. O questionamento na impugnação é que se o sistema de registro, lançamentos, apuração e confecção da folha de pagamento está com erros, ocasionando duplicidade de informações, todo o resto estará errado; 4. Não adianta consertar o MANAD se as obrigações, usadas como base para as aferições, não forem também consertadas; 5. É simples para o Agente Fiscal alegar falta de recolhimento sem conferir, auditar e fazer cruzamento dos documentos; 6. O Boletim de Ocorrência não foi utilizado para justificar a falta de documentos, eximindo o Recorrente de suas obrigações. Segue no seu Recurso Voluntário dizendose injustiçada e que a fiscalização foi falha, sem austeridade, sem imparcialidade e sem dar a devida atenção aos procedimentos, ficando o fisco sem tempo hábil para uma efetiva e desejada fiscalização, tomando atitudes que visaram apenas a manutenção de prazos e não a real função da fiscalização. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10830.010593/201083 Acórdão n.º 2401005.326 S2C4T1 Fl. 4 5 Finaliza requerendo a reforma da decisão que lhe foi desfavorável, cancelandose o débito fiscal reclamado. Alternativamente, solicita uma nova fiscalização com a devia auditoria para que se prove de todas as formas a veracidade das suas alegações. É o relatório Fl. 536DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Da análise do Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte, em face da manutenção do lançamento em sua integralidade, alega a Recorrente que ocorreram erros no sistema de registro, lançamentos, apuração e confecção da folha, ocasionando a duplicidade de informações. Aduz que não há que se falar em não apresentação de documentos pois eles estavam à disposição do Fiscal na sede da empresa, o que não foi verificado pelo fiscal. Como se observa dos presentes autos do Processo Administrativo, para sanar as divergências encontradas foram emitidos Termos de Continuidade da Ação Fiscal e Termos de Intimação Fiscal n° 01 a 03, para a apresentação de documentos (fls. 23, 25, 27 e 28). Não obstante a empresa ter sido intimada para a apresentação de documentos, inclusive notas fiscais de serviço, livros Diário e Razão, requerido através do Termo de Intimação Fiscal n° 3, de 30/07/2010, não juntou quaisquer documentos objetivando ilidir prova em contrário, o que rendeu ensejo à apuração do salário de contribuição considerando o maior salário dentre aqueles declarados pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase apenas a juntada de correspondências eletrônicas e Boletim de Ocorrência Boletim nº 5124/2010, emitido em 06/05/2010, tendo como objeto o furto em estabelecimento comercial que, dentre outros objetos, dáse notícia de que foram subtraídas “pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP”, sem que viesse acompanhado de outras provas que justificassem as irregularidades e diferenças nas declarações apresentadas pelo contribuinte, conforme apontadas pela fiscalização. Como se vê, a contribuinte não trouxe aos autos documentação, nem fatos novos que pudessem ilidir o conteúdo da acusação fiscal. Por bem analisar a questão trazida aos autos, trago excertos da decisão de primeira instância, a qual acrescento às razões de decidir: Com efeito, a fiscalização apurou o salário de contribuição considerando o maior salário dentre aqueles declarados pelo contribuinte em DIRF/GFIP/RAIS, em comparação com as folhas de pagamento apresentadas e forneceu, em arquivos Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10830.010593/201083 Acórdão n.º 2401005.326 S2C4T1 Fl. 5 7 digitais anexos a este auto, todas as planilhas com as informações colhidas que fizeram parte da base de cálculo das contribuições lançadas. Ou seja, não se lançou mão, aleatoriamente, de critério desarrazoado para a apuração, pois inicialmente a fiscalização constatou erros em folha de pagamento, conforme se verifica do Termo de Intimação n° 01, de 24/02/2010, com ciência do contribuinte em 01/03/2010, fls. 24/25, solicitando que o contribuinte analisasse tais erros. Finalmente com o Termo de Intimação nº 03, fls. 27, recebido pessoalmente por uma das sócias em 30/07/2010, a fiscalização solicitou os Livros Diário e Razão de 2005/2006, arquivos digitais MANAD contabilidade do período de 01/2005 a 09/2005, e Livro de Registro de Notas Fiscais de serviços prestados da matriz e filial. Diante da não apresentação destes documentos, a fiscalização lavrou o presente auto com base nas diferenças, repisese, encontradas nas próprias declarações feitas pelo contribuinte, possibilitando que, do confronto entre as declarações prestadas, tivesse meios de se defender. Porém, a defesa não juntou qualquer documento que comprovasse suas alegações, somente cópias deste auto de infração, correspondências eletrônicas de fls. 78/91, e Boletim de Ocorrência n° 5.124/2010, fls. 70/71. Ainda que as correspondências eletrônicas não façam as vezes de Termo de Intimação Fiscal, e portanto não possam, como fonte probatória isolada das demais, fazer prova contra o contribuinte, por outra via não podem ser desprezadas como indício de prova nestes autos, isto porque juntadas pelo contribuinte com intuito de comprovar as razões de suas alegações. Também fornecem subsídio ao julgador para a descrição do procedimento fiscal. Observase das correspondências eletrônicas datadas de 26/02/2010 e 08/03/2010, fls. 78 e 80, que a fiscalização informou o seguinte: “Envio arquivo com 817 Registros de Trabalhadores Ausentes da folha de Pagamento” “Analisar e Explicar os 817 registros”. Como afirmado pelo impugnante, a empresa constatou a existência de vários funcionários em duplicidade, na folha 2 e 4, mas em resposta eletrônica afirmou que “estamos finalizando a correção junto com o suporte da folha para que possamos enviar o arquivo MANAD definitivo onde acredito não terá mais inconsistência”, conforme correspondência eletrônica datada de 11/03/2010, à fl. 81. Portanto, da data da constatação dos registros supostamente sob duplicidade, em 11/03/2010, como alegado pela impugnante, se passaram 4 meses para que providenciasse a regularização, sendo então intimada para apresentar o arquivo MANAD de sua Fl. 538DF CARF MF 8 contabilidade em 30/07/2010, o que de fato não ocorreu, motivando a lavratura do AIOA n° 37.255.6205 e auto de infração por falta de apresentação de documentos AIOA n° 37.255.6213. Ainda quanto à retificação da GFIP como aventado pelo impugnante, devese esclarecer que a fiscalização concedeu prazo de 20 dias para as retificações, mediante o Termo de Intimação n° 02, fls. 26, mas não foram entregues as GFIP como consta do item 9 do relatório fiscal. [...] Quanto ao Boletim de Ocorrência nº 5124/2010, fls. 70/71, lavrado motivo de furto dentre outros pertences da “pasta de documentos com folha de pagamento, documentos para a fiscalização de 2004 e 2005, guias de recolhimento de INSS e GFIP” devese destacar que este documento isoladamente não faz prova a favor do contribuinte. Nesse contexto, em que pese os argumentos sustentados pela empresa Recorrente, e em face da presunção de veracidade do ato administrativo, não logrou êxito o contribuinte em comprovar que o contexto fáticoprobatório contido no lançamento não existiu. Assim, não assiste razão à recorrente quanto à insubsistência do levantamento fiscal, devendo ser mantida a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 539DF CARF MF
score : 1.0
