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Numero do processo: 10380.720036/2010-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E NULIDADE - INOCORRÊNCIA
Tendo a autuação obedecido todos o procedimentos legais contidos no Decreto nº 70.235, de 1972 não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Deve ser efetuado o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual, quando os rendimentos foram informados em DIRF.
Numero da decisão: 2002-008.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sateles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gleison Pimenta Sousa, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E NULIDADE - INOCORRÊNCIA Tendo a autuação obedecido todos o procedimentos legais contidos no Decreto nº 70.235, de 1972 não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Deve ser efetuado o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual, quando os rendimentos foram informados em DIRF.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS Deve ser efetuado o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual, quando os rendimentos foram informados em DIRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gleison Pimenta Sousa, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 00 36 /2 01 0- 10 Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 07/10, relativo ao ano-calendário de 2008, exercício de 2009, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 251,04, incluindo multa de ofício e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 08, foi: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de pessoa Jurídica com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), para o titular e/ou dependentes constatou-se omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$6.266,79, conforme relacionado abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Secretaria de Educação – R$ 6.266,79 Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram-se detalhados às fls. 08/10. Dessa alteração restou modificado o imposto a restituir declarado no valor de R$ 593,11 para saldo de imposto a pagar de R$ 139,17. A contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Declaração – SRL, a qual foi INDEFERIDA, fls. 27/28, conforme a Informação Fiscal de fls. 25/26, a seguir parcialmente transcrito: “(...) Alega que a falta de entrega do comprovante anual de rendimentos por parte da Secretaria de Educação do Estado do Ceará não pode ser tida, pela Receita Federal, como descumprimento de obrigação acessória, posto que o Art. 941 do RIR/99 somente obriga que se adote tal procedimento quando tenha ocorrido retenção e recolhimento de imposto na fonte. Alega, ainda, que não foi dada nenhuma oportunidade quanto a possibilidade de manter a declaração de ajuste no modelo simplificado, ou migrar, mediante declaração retificadora, para o modelo completo. Prossegue a contribuinte, a falta de oportunidade de retificar sua declaração anual de ajuste configura cerceamento do direito de defesa. Ao final solicita que seja acolhido seu pedido para que seja dado o direito de retificar sua declaração de ajuste anual do exercício 2009, sem a incidência de multas, seja de ofício, seja de mora, nem juros, sendo a notificação considerada nula. Analisando o pedido da contribuinte verifica-se que: 1- A alegação de que não declarou os rendimentos recebidos da Secretaria de Educação do Estado do Ceará, em virtude de não ter recebido o comprovante anual de rendimentos e, ainda, que o Art. 941 do RIR/99, desobrigar a fonte pagadora de entrega comprovante de rendimentos, não tem sustentação, pois o parágrafo único do artigo supra-citado, assim está redigido: "Tratando-se de rendimentos pagos por pessoa jurídica sobre os quais não tenha havido retenção de imposto de renda na fonte, o comprovante de rendimentos de que trata este artigo deverá ser fornecido, no mesmo Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 prazo, ao contribuinte que o tenha solicitado até 15 de janeiro do ano-calendário subseqüente." Portanto, conforme a legislação acima citada, a contribuinte deveria ter solicitado o comprovante de rendimentos à fonte pagadora. As alegações de que não houve oportunidade de retificar a sua DIRPF ou mesmo de trocar de modelo, também não tem sustentação, pois o Art. 57 da Instrução Normativa SRF n° 15 de 6 de fevereiro de 2001 assim está redigido: "Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo ". A alegação de que os rendimentos omitidos referem-se a parcela isenta dos proventos de aposentadoria para pessoa com mais de 65 anos, não procede, pois a contribuinte recebe rendimentos de duas fontes pagadoras e uma das fontes pagadoras, no caso, a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil já utilizou o valor de R$ 17.846,53 a título de parcela isenta de aposentadoria para pessoa com mais de 65 anos. Segundo o Art. 39, inciso XXXIV e parágrafo 7o do Decreto 3.000/99 (RIR/99) e Art. 52 da IN SRF n° 15/2001, esta isenção somente poderá ser utilizada para uma única fonte pagadora. Em vista da documentação apresentada e do exposto acima, proponho o indeferimento do Pedido de Solicitação de Retificação de Lançamento - SRL, apresentado pela contribuinte, mantendo-se o crédito tributário constituído na Notificação de Lançamento n° 2009/683681094438053.” Inconformada com o indeferimento da SRL, o qual tomou ciência em 05/03/2011, fl. 29, a contribuinte apresentou impugnação em 04/04/2011, fls. 32/37, com as alegações a seguir, parcialmente, transcritas: “(...) A decisão em comento não pode ser mantida, porquanto o que se percebe é que a precipitação tem sido o impulso motor a definir a ação da fiscalização. Para resultados rápidos ignoram-se princípios básicos de toda e qualquer relação jurídica, notadamente em matéria tributária e processual, onde não cabe nenhum descuido quanto ao devido processo, o contraditório e a ampla defesa. Com efeito, a Receita Federal, ao fazer o cruzamento dos dados passados pela fonte pagadora e pela impugnante, verificou diferença nas informações e, de logo, sem nenhuma outra análise aceita a informação da fonte pagadora e reconhece, no contribuinte, a figura daquele que omite rendimento certamente para fugir da tributação. Pode-se começar falando que a condução do evento não deve, necessariamente, percorrer esse caminho. Trata-se de contribuinte que conta já mais de 70 (setenta) anos de idade e que continua respondendo por todas as suas obrigações perante a Fazenda Pública e demais arenas da sua vida pessoal e profissional. Recebe os valores de seus proventos e remunerações, administrando-os corretamente e pagando os valores devidos a título de impostos e outras exações federais, estaduais e municipais. No caso ora sob exame, que se refere à Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2009 - Ano-Calendário 2008, a Secretaria de Educação do Estado do Ceará - segunda fonte pagadora da impugnante, não entregou à mesma, a declaração do quanto ela havia percebido daquela fonte. Trata-se de rendimento proveniente de aposentadoria, percebido por pessoa com mais de 65 anos - caso em que se enquadra perfeitamente em caso de isenção, desde que respeitados os limites da lei. A falta de entrega do comprovante do rendimento anual da impugnante por parte da Secretaria de Educação do Estado do Ceará certamente não pode ser tida, pela Receita Federal, como descumprimento de obrigação acessória, posto que o art. 941 do RIR/1999 somente obriga que se adote tal procedimento quando tenha ocorrido retenção e recolhimento de imposto na fonte. No caso da recorrente, os rendimentos encerravam Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 valores sempre abaixo do limite a partir do qual se dava a incidência da tributação na fonte, não sendo, pois, caso de obrigatoriedade da entrega da informação. Quanto à recorrente, que não recebeu o comprovante dos rendimentos dessa segunda fonte, mas dela passou ao largo, declarando, no ajuste anual, apenas a renda da primeira fonte pagadora, não foi dada nenhuma oportunidade quanto à possibilidade de manter a declaração de ajuste no modelo simplificado, ou migrar, mediante declaração retificadora, para o modelo completo. Aliás, nenhuma orientação foi passada à impugnante nesse sentido pela fiscalização. Apressadamente foi feito o lançamento de IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA SUPLEMENTAR (Sujeito a multa de ofício) que foi realmente aplicada, além dos juros de mora. Era caso de se fazer simples declaração retificadora, para solucionar satisfatoriamente a situação, evitando, quiçá, a incidência de multa e juros no lançamento decorrente da retificadora. A falta de oportunidade à impugnante para retificar sua declaração anual de ajuste configura CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA, além de ser considerada também, DESUSO DO DEVIDO PROCESSO, onde os interessados poderiam ter discutido o objeto focado na relação jurídica em que se encontravam e chegado a uma conclusão isenta de qualquer auto de infração - que somente traz mais pesados ônus para a impugnante. DO PEDIDO Diante do exposto, importa seja dado provimento ao presente recurso, para permitir seja dado à impugnante o direito de retificar sua declaração de ajuste anual - Exercício 2009 - ano calendário 2008 - sem a incidência de multas, seja de ofício seja de mora, nem juros, sendo o auto de infração declarado insubsistente e NULO de pleno direito, proclamando-se a regularidade fiscal da impugnante.” A contribuinte anexou aos autos os documentos de fls. 05/06 e 18/19. É o Relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 Omissão de Rendimentos. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual, quando os rendimentos foram informados em DIRF. Multa de ofício. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicá-la. Juros de mora. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios decorre de expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 Direito ao contraditório e à ampla defesa. O direito ao contraditório e à ampla defesa é garantido nos processos administrativos, que se iniciam somente com a lavratura do auto de infração e abertura do prazo para impugnação. Durante os procedimentos de fiscalização, não há ofensa a este direito, visto que ainda não se instaurou o processo. Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 Nulidade. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 Declaração retificadora. Competência. Não compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ a manifestação em processos relativos à retificação de declarações de rendimentos. Cientificado da decisão de primeira instância em 30/08/2013, o sujeito passivo interpôs, em 27/09/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) tempestividade do recurso voluntário b) possibilidade de retificação da declaração para ajuste c) cerceamento de defesa por falta de oportunidade para manifestação ou esclarecimento do contribuinte É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas De Souza Costa - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre a omissão de rendimentos percebidos e não declarados pela contribuinte. Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 114, § 12 inciso I do Regimento Interno do CARF (RICARF), reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Das preliminares Da tempestividade A impugnação apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações posteriores. Do procedimento fiscal Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano-calendário 2008, exercício 2009, relativo à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Em sua impugnação, a defesa, contesta o lançamento argüindo, em síntese, que: · A falta de entrega do comprovante anual de rendimentos por parte da Secretaria de Educação do Estado do Ceará não pode ser tida, pela Receita Federal, como descumprimento de obrigação acessória, posto que o Art. 941 do RIR/99 somente Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 obriga que se adote tal procedimento quando tenha ocorrido retenção e recolhimento de imposto na fonte; · O rendimento recebido da Secretaria de Educação do Estado do Ceará, trata-se de de rendimento proveniente de aposentadoria, percebido por pessoa com mais de 65 anos - caso em que se enquadra perfeitamente em caso de isenção, desde que respeitados os limites da lei; · Não foi dada nenhuma oportunidade quanto a possibilidade de retificar a declaração, mantendo a declaração de ajuste no modelo simplificado, ou migrar, mediante a declaração retificadora, para o modelo completo. Prossegue a contribuinte, que a falta de oportunidade de retificar sua declaração anual de ajuste configura cerceamento do direito de defesa; · Ao final solicita que seja acolhido seu pedido para que seja dado o direito de retificar sua declaração de ajuste anual do exercício 2009, sem a incidência de multas, seja de ofício, seja de mora, nem juros, sendo a notificação considerada nula de pleno direito. Da argüição de nulidade A defesa argúi a nulidade do lançamento, sob o argumento de que seja lhe concedido o direito de retificar sua declaração, sem incidência de juros e multas. O artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se vê, só se pode cogitar de declaração de nulidade da Notificação de Lançamento, quando for lavrado por pessoa incompetente (inciso I) - que não é o caso em tela, uma vez que a autoridade autuante está devidamente identificada e possuía competência legal para lavrar o Auto de Infração -, ou por preterição do direito de defesa (inciso II), que somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura e a conseqüente ciência do Auto de Infração. Ademais, não há que se falar em nulidade do lançamento no presente caso, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do Auto de Infração. Assim, não pode prosperar argüição de nulidade suscitada pela defesa. Insta frisar que o Regulamento do Imposto de Renda-RIR/1999, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, determina que: Art. 835 As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 74). ... § 2º A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto. (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 74, § 1º). Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF nº 579, de 08 de dezembro de 2005, alterada pela IN RFB 958 de 15/07/2009, vigente à época do lançamento, estabelece procedimentos para revisão das declarações de ajuste anual do imposto de renda das pessoas físicas, dispondo: Art. 3º O sujeito passivo será intimado a apresentar, no prazo fixado na intimação, esclarecimentos ou documentos sobre a irregularidade fiscal detectada, salvo se a Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 infração estiver claramente demonstrada, com os elementos probatórios necessários ao lançamento.(grifado) Parágrafo único. A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica. Cerceamento do direito de defesa No que diz respeito ao cerceamento do direito de defesa, novamente deve-se observar o disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Do texto acima reproduzido depreende-se que no processo administrativo fiscal o cerceamento do direito de defesa resulta de despachos e decisões. Assim, não pode ocorrer previamente à lavratura de atos ou termos, entre os quais se inclui a Notificação de lançamento. Após sua lavratura e ciência é aberto o prazo para o contribuinte impugnar a exigência fiscal, sendo-lhe proporcionados devidamente o contraditório e a ampla defesa. Somente com a impugnação da Notificação de Lançamento é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. É na fase da impugnação que o autuado tem a oportunidade de apresentar os esclarecimentos que julgar necessários e os documentos que comprovem suas alegações a fim de ser proferida, apreciando-se todos os seus argumentos e provas e à luz da legislação tributária, a decisão de primeira instância administrativa. A bem da verdade, no caso em tela, a contribuinte já tinha, antes da presente impugnação, apresentado Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, a qual foi “INDEFERIDA”, fls. 27/28, cientificada da manutenção total do lançamento, através de Aviso de Recebimento – AR, fls. 29, em 05/03/2011. Ocorre que dentro do prazo legal a contribuinte apresentou sua impugnação, na qual demonstra de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal. Assim, não há que se falar em desrespeito ao contraditório e a ampla defesa. vinculação da atividade fiscal Por fim, cumpre esclarecer que a atividade de fiscalização é vinculada e obrigatória, por força do parágrafo único, do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, cabe à esfera administrativa aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo, pois o poder da autoridade administrativa é vinculado, sob pena de responsabilidade funcional. Do mérito omissão de rendimentos No presente caso, a autoridade fiscal efetuou o lançamento considerando a existência da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, constante no presente lançamento de fl. 08, tendo como beneficiária de rendimentos no valor de R$ 6.266,79, a própria contribuinte . Logo, é fato, que a contribuinte recebeu rendimentos no ano-calendário de 2008, da fonte pagadora apontada na Notificação de Lançamento. Aos autos a contribuinte anexou o Comprovante de Rendimentos emitido pela Secretaria de Educação, onde consta rendimentos tributáveis no valor de R$ 6.266,79, fl. 19. Assim, estabelece a Lei nº 8.134, de 1990, arts. 2º, 9º e 10, que a seguir se transcreve: Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. (....) Art. 9° As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir. (...) Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I - de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o ano-base, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II - das deduções de que trata o art. 8° Logo, em tendo a contribuinte deixado de oferecer a tributação rendimentos tributáveis, a conduta ilícita, identificada devidamente na descrição dos fatos, enquadra-se como fato gerador do imposto de renda, em consonância com o art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN, a seguir transcrito. Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)(grifei) O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, tem definido nos art 37 e 38 o que se enquadra como rendimento bruto: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Sendo assim, com acerto agiu a fiscalização ao constituir o crédito tributário para exigência do imposto de renda pessoa física formalizado estabelecendo a relação jurídica tributária, na qual o sujeito ativo tem o direito de exigir o pagamento do imposto de renda no caso específico, e o sujeito passivo de cumpri-la. Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 Acrescente-se que, quanto às demais alegações da impugnante, ou seja: a) que o rendimento é proveniente de aposentadoria, percebido por pessoa com mais de 65 anos - caso em que se enquadra perfeitamente em caso de isenção, desde que respeitados os limites da lei; b) de que a falta de entrega do comprovante anual de rendimentos por parte da Secretaria de Educação do Estado do Ceará não pode ser tida, pela Receita Federal, como descumprimento de obrigação acessória, ratifica-se o entendimento constante na Informação Fiscal, fls. 25/26, conforme a seguir transcrito: “(...) A alegação de que não declarou os rendimentos recebidos da Secretaria de Educação do Estado do Ceará, em virtude de não ter recebido o comprovante anual de rendimentos e, ainda, que o Art. 941 do RIR/99, desobrigar a fonte pagadora de entrega comprovante de rendimentos, não tem sustentação, pois o parágrafo único do artigo supra-citado, assim está redigido: "Tratando-se de rendimentos pagos por pessoa jurídica sobre os quais não tenha havido retenção de imposto de renda na fonte, o comprovante de rendimentos de que trata este artigo deverá ser fornecido, no mesmo prazo, ao contribuinte que o tenha solicitado até 15 de janeiro do ano-calendário subseqüente." Portanto, conforme a legislação acima citada, a contribuinte deveria ter solicitado o comprovante de rendimentos à fonte pagadora. (...) A alegação de que os rendimentos omitidos referem-se a parcela isenta dos proventos de aposentadoria para pessoa com mais de 65 anos, não procede, pois a contribuinte recebe rendimentos de duas fontes pagadoras e uma das fontes pagadoras, no caso, a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil já utilizou o valor de R$ 17.846,53 a título de parcela isenta de aposentadoria para pessoa com mais de 65 anos. Segundo o Art. 39, inciso XXXIV e parágrafo 7o do Decreto 3.000/99 (RIR/99) e Art. 52 da IN SRF n° 15/2001, esta isenção somente poderá ser utilizada para uma única fonte pagadora. (...)” Assim, não merece reparo o feito fiscal. Do pedido de retificação de declaração Com relação à solicitação retificação da declaração pretendida pela contribuinte, dando oportunidade quanto a possibilidade de manter a declaração de ajuste anual modelo simplificado, ou migrar para o modelo completo, deve ser ressaltado que a alteração de modelo não pode ser admitida, eis que no modelo simplificado está caracterizada a substituição de deduções eventualmente existentes pelo desconto simplificado, consoante art. 84, § 1º do Regulamento do Imposto de Renda-RIR/1999, a seguir transcrito: Art. 84. Independentemente do montante dos rendimentos tributáveis na declaração, recebidos no ano-calendário, o contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que consistirá em dedução de vinte por cento desses rendimentos, limitada a oito mil reais, na Declaração de Ajuste Anual, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, e Medida Provisória nº 1.753, de 1998, art. 12). § 1º O desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas nos arts. 74 a 82 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, § 1º). § 2º O valor deduzido na forma deste artigo não poderá ser utilizado para a comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, § 2º). Atente-se que com relação à troca de formulário há vedação expressa não permitindo a sua mudança depois de vencido o prazo final para a entrega da declaração. A vedação mencionada está contida no caput do art. 57 da IN SRF n° 15, de 2001, a seguir transcrito. Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 Retificação da Declaração de Ajuste Anual Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I - tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente; II - será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. (...) Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Logo, a alteração de modelo não seria admissível ainda que a contribuinte a tivesse formalizado antes da emissão da Notificação de Lançamento, nos termos da Instrução Normativa/acima descrita. Há de observar que a declarante, ao eleger o desconto simplificado, submete-se integralmente às suas regras, as quais, conforme cada caso, podem ou não lhe ser mais favoráveis. Uma dessas regras é a substituição da totalidade das deduções. Assim, feita a opção, não pode o sujeito passivo pleitear a mudança de formulário sem que demonstre haver cometido algum erro. Existe uma vedação imposta pelo Ato Declaratório Normativo COSIT nº 24/96, a seguir transcrito: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 7º e 10 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 880 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não é permitida a retificação da declaração de rendimentos da pessoa física visando a troca de formulário, quando esse procedimento caracterizar uma mudança de opção e não erro cometido na declaração. A contribuinte poderia no exercício de 2009 apresentar declaração pelo modelo completo ou simplificado, dependo de sua opção, sendo que a mudança de formulário seria admitida até o ultimo dia de apresentação da DIRPF/2009. Passado o referido prazo, a contribuinte não tem mais direito de solicitar a troca de formulário. Para a retificação de declaração sem troca de formulário, o art. 147, do CTN diz que : Modalidades de Lançamento Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Nos termos da legislação que rege o imposto de renda pessoa física, a retificação da Declaração de Ajuste Anual é feita pelo próprio contribuinte sem necessidade de pedido de autorização à autoridade lançadora. Assim sendo, o contribuinte, percebendo o erro cometido no preenchimento da declaração, poderia ter apresentado a Declaração de Ajuste Anual Retificadora. Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 Entretanto, essa faculdade somente é admissível antes de iniciado o procedimento de revisão da declaração. Depois de iniciado o procedimento de oficio de fiscalização não é mais admissível entrega de declaração retificadora. Para o presente caso, o contribuinte depois de ter tomado ciência da Notificação de Lançamento, vem solicitando a retificação da declaração. A solicitação é inadmissível, nos termos do artigo 832 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, haja vista a perda da espontaneidade nos termos do § 1º do artigo 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Além da faculdade que a legislação dá ao contribuinte de espontaneamente retificar a declaração, há de se esclarecer que ao julgador da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não é dada a competência para apreciar pedido de retificação de Declaração de Ajuste Anual. O Regimento Interno da RFB (Portaria MF nº 203, de 14/05/2012), em seu artigo 233, abaixo transcrito, estabelece que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são órgãos de jurisdição nacional, com competência para julgar em 1ª instância os seguintes processos: Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I - de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II - de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência do crédito tributário; III - relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e IV - contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. Deixa-se, portanto, de se apreciar a solicitação de retificação da declaração. Da multa de ofício Cumpre esclarecer que a multa de ofício de 75% foi aplicada no presente caso com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A Fiscalização verificou que a contribuinte efetuou uma redução indevida da base de cálculo do IRPF, deixando, conseqüentemente, de recolher o imposto de renda correspondente, sujeitando-se, portanto, à imposição da multa de 75%. Por outro lado, insta frisar que a autoridade fiscal não se pode furtar ao cumprimento dos mandamentos da legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional, pois Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 sua atividade é plenamente vinculada (art. 3º e parágrafo único do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional - CTN). Ademais, de acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Assim, estando devidamente fundamentada o Auto de Infração , fls. 11/16, as infrações cometidas, e tendo sido aplicada as penalidades previstas na legislação tributária, não há como prosperar a solicitação da redução da multa. Dos juros de mora Está preceituado no Código Tributário Nacional, art. 161, que: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Isto significa dizer que a taxa de juros de mora a ser exigida sobre os débitos fiscais de qualquer natureza para com a Fazenda Pública pode ser em percentual diferente de 1%, bastando que uma lei ordinária, assim determine. Eis que a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, que deu nova redação a dispositivos da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispôs, em seu art. 13, que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, de que trata a Lei nº 8.981, de 1995, art. 84, I e parágrafos 1º, 2º e 3º, serão equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais, acumulada mensalmente até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Exigência esta que foi mantida para débitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997 pelo art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Convém, ademais, lembrar que a Lei nº 9.065, de 1995, foi decretada pelo Poder Legislativo e sancionada pelo Poder Executivo, a quem compete a sua fiel execução. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade da taxa Selic. Novamente, frisa-se que a autoridade fiscal não se pode furtar ao cumprimento dos mandamentos da legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional, pois sua atividade é plenamente vinculada (art. 3º e parágrafo único do art. 142 do CTN). Da conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Francisca Helena Sales Gurgel – Relatora Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, Rejeitar as preliminares e, no mérito, Negar Provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas De Souza Costa Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2002-008.133 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.720036/2010-10 Fl. 111DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10711.726579/2011-32
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2009
PRECLUSÃO NA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA CRÉDITO TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. PRAZO PARA PROLAÇÃO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. CONSEQUÊNCIA.
Não há que se falar em preclusão consumativa na constituição do crédito tributário por decurso do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/07 para prolação de decisão administrativa, por inexistência de previsão legal.
INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN.
O parágrafo único do artigo 173 do CTN disciplina regras para contagem de prazo decadencial nas hipóteses em que há medida preparatória indispensável ao lançamento, situação em que ocorrerá a antecipação termo inicial para o decurso de prazo decadencial, contando-se cinco anos a partir da data em que se tenha por formalizada a notificação do contribuinte a respeito desta medida.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11
Nos termos da Súmula CARF nº 11:“Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.”
LITISPENDÊNCIA E CONEXÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO
Os fatos que amparam a presente autuação não guardam relação com os fatos apurados nos processos em que a Recorrente sustenta ocorrência de litispendência e conexão.
ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS
Ano-calendário: 2009
ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. AGENTE DE CARGA. SÚMULA CARF Nº 187.
O agente de carga responde pela multa prevista no art. 107, IV, “e” do DL nº 37, de 1966, quando descumpre o prazo estabelecido pela Receita Federal para prestar informação sobre a desconsolidação da carga, não havendo que se falar em ilegitimidade passiva.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FORA DO PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. SÚMULA CARF N.º 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3003-002.428
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da parte relacionada à afronta a princípios constitucionais, rejeitar as preliminares, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KELI CAMPOS DE LIMA
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dt_index_tdt : Sat Mar 02 09:00:02 UTC 2024
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 PRECLUSÃO NA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA CRÉDITO TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. PRAZO PARA PROLAÇÃO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. CONSEQUÊNCIA. Não há que se falar em preclusão consumativa na constituição do crédito tributário por decurso do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/07 para prolação de decisão administrativa, por inexistência de previsão legal. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. O parágrafo único do artigo 173 do CTN disciplina regras para contagem de prazo decadencial nas hipóteses em que há medida preparatória indispensável ao lançamento, situação em que ocorrerá a antecipação termo inicial para o decurso de prazo decadencial, contando-se cinco anos a partir da data em que se tenha por formalizada a notificação do contribuinte a respeito desta medida. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11 Nos termos da Súmula CARF nº 11:“Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” LITISPENDÊNCIA E CONEXÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO Os fatos que amparam a presente autuação não guardam relação com os fatos apurados nos processos em que a Recorrente sustenta ocorrência de litispendência e conexão. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Ano-calendário: 2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. AGENTE DE CARGA. SÚMULA CARF Nº 187. O agente de carga responde pela multa prevista no art. 107, IV, “e” do DL nº 37, de 1966, quando descumpre o prazo estabelecido pela Receita Federal para prestar informação sobre a desconsolidação da carga, não havendo que se falar em ilegitimidade passiva. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FORA DO PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. SÚMULA CARF N.º 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 PRECLUSÃO NA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA CRÉDITO TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. PRAZO PARA PROLAÇÃO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. CONSEQUÊNCIA. Não há que se falar em preclusão consumativa na constituição do crédito tributário por decurso do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/07 para prolação de decisão administrativa, por inexistência de previsão legal. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. O parágrafo único do artigo 173 do CTN disciplina regras para contagem de prazo decadencial nas hipóteses em que há medida preparatória indispensável ao lançamento, situação em que ocorrerá a antecipação termo inicial para o decurso de prazo decadencial, contando-se cinco anos a partir da data em que se tenha por formalizada a notificação do contribuinte a respeito desta medida. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11 Nos termos da Súmula CARF nº 11:“Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” LITISPENDÊNCIA E CONEXÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO Os fatos que amparam a presente autuação não guardam relação com os fatos apurados nos processos em que a Recorrente sustenta ocorrência de litispendência e conexão. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Ano-calendário: 2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. AGENTE DE CARGA. SÚMULA CARF Nº 187. O agente de carga responde pela multa prevista no art. 107, IV, “e” do DL nº 37, de 1966, quando descumpre o prazo estabelecido pela Receita Federal para prestar informação sobre a desconsolidação da carga, não havendo que se falar em ilegitimidade passiva. Fl. 171DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.428 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726579/2011-32 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FORA DO PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. SÚMULA CARF N.º 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da parte relacionada à afronta a princípios constitucionais, rejeitar as preliminares, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. Marcos Antônio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Keli Campos de Lima - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: George da Silva Santos, Keli Campos de Lima, Marcos Antônio Borges, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Wagner Mota Momesso de Oliveira (substituto convocado). Relatório Para fins de economia processual adoto o relatório da decisão recorrida a fim de elucidar os fatos que motivaram a autuação, vejamos: Relatório Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: Fl. 172DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.428 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726579/2011-32 As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada contesta as alegações, afirmando inexistir enquadramento sustentável a imputação da respectiva penalidade. Além disso, traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, além da relevação de penalidade e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que, de fato, as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira É o relatório Intimada da respectiva decisão, a Recorrente apresenta recurso voluntário mantendo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação, acrescentando a ocorrência de preclusão na constituição do crédito tributário e aplicabilidade das disposições contidas no artigo 173, parágrafo único do CTN e artigo 24 da Lei nº 11.457/07 , em face da morosidade da constituição definitiva do crédito tributário que iniciou em 16/11/2011 e somente em 12/09/2018, após 7 (sete) anos teve sua primeira decisão. Assim, haveria que se aplicar o disposto no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/99 que trata da prescrição intercorrente no processo administrativo. É o relatório Voto Conselheira Keli Campos de Lima Relatora. Preliminares. No que tange as questões preliminares de preclusão consumativa do crédito tributário e prescrição intercorrente, suscitadas em sede de recurso voluntário, considerando que são questões de ordem pública não sujeito a prescrição, aprecio-as e desde já afasto as alegações. Neste ponto, a Recorrente argumenta a aplicabilidade de várias disposições legais - art. 24 da Lei nº 11.457/07 , art. 173, parágrafo único do CTN e art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/99 – concluindo pela preclusão (ou perempção) do direito de constituir o crédito tributário em decorrência da morosidade da constituição definitiva do crédito tributário que iniciou em 16/11/2011e somente em 12/09/2018, após decurso de mais de 7 (sete) anos teve sua primeira decisão. Contudo, nenhuma razão lhe socorre. No que tange a aplicabilidade do art. 24 da Lei nº 11.457/07 que regulamenta o princípio constitucional) de duração razoável do processo em âmbito judicial e administrativo Fl. 173DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.428 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726579/2011-32 (art. 5 LXXVII da CF/88), fato é que o descumprimento do referido prazo não traz como consequência a nulidade ou cancelamento da cobrança. Neste sentido, se valendo do conteúdo decisório do precedente do STJ invocado pelo próprio Recorrente - EDcl no AgRg no REsp 1090242 / SC – temos claramente que a consequência da aplicação do referido comando normativo, caso a Recorrente buscasse provimento judicial, seria a imediata conclusão do processo administrativo no prazo em questão, não a nulidade da autuação em discussão. Da mesma forma, ao invocar o artigo 173, parágrafo único, a Recorrente busca extrair do referido comando normativo aplicabilidade totalmente diversa, já que disciplina regras para contagem de prazo decadencial nas hipóteses em que há medida preparatória indispensável ao lançamento, situação em que ocorrerá a antecipação termo inicial para o decurso de prazo decadencial, contando-se cinco anos a partir da data em que se tenha por formalizada a notificação do contribuinte a respeito desta medida, o que não é o caso em apreço. Neste sentido, vejamos entendimento do STJ. TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A norma do art. 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional incide para antecipar o início do prazo de decadência a que a Fazenda Pública está sujeita para fazer o lançamento fiscal, não para dilatá-lo - até porque, iniciado, o prazo de decadência não se suspende nem se interrompe. Embargos de divergência providos. (EREsp n. 1.143.534/PR, relator Ministro Ari Pargendler, Primeira Seção, julgado em 13/3/2013, DJe de 20/3/2013.) Por fim, no que tange ao instituto da prescrição intercorrente disciplinado no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/99, não há que se falar em aplicabilidade no âmbito do processo administrativo fiscal, nos termos da Súmula CARF nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Litispendência e Conexão No tocante às alegações de litispendência e de conexão entre este processo com o processo nº. 10711.725534/2011-41, 10711.725602/2011-71, 10711.725601/2011-27, 10711.725729/2011-91, 10711.725728/2011- 46, 10711.725730/2011-15, 10711.725731/2011- 60 e 10711.725533/2011-04, ainda que não trazidas na manifestação de inconformidade, entendo que tratam de matéria que deve ser apreciadas, pois essencial para o desenvolvimento regular do processo. Sustenta a Recorrente a necessidade de reconhecimento da litispendência com os respectivos processo ou eventualmente conexão, uma vez que foi penalizada pela mesma autoridade, sob os mesmos fundamentos legais, oriundo mesmo fato gerador, qual seja, relativo à desconsolidação do conhecimento eletrônico master (MBL) n.º 130.805.196.986.759 (fls.91-93). Contudo, analisando o auto de infração acostado aos autos (fls. 11) verifica-se que a atuação decorra da desconsolidação tardia do conhecimento eletrônico 130.805.198.792.382, vejamos: Fl. 174DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-002.428 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726579/2011-32 Assim, por se tratar de fatos distintos e considerando que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer outro documento hábil para amparar suas legações, não há que se falar em litispendência ou conexão. Ilegitimidade Passiva do Agente de Cargas. Em relação a legitimidade passiva, não há como sustentar a ausência de responsabilidade do agente de cargas. Isto porque o art. 18 da IN RFB n° 800/07 é claro quanto sua obrigação, na qualidade de consignatário do embarque, de prestar informações da desconsolidação. De igual forma, o dispositivo constante na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/66, vejamos respectivamente: Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) V - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao AGENTE DE CARGA; e Importante consignar que em momento algum a Recorrente rechaça a inobservância do prazo fixado no artigo 22 da IN RFB n° 800/07 o que torna inconteste a Fl. 175DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-002.428 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726579/2011-32 ocorrência do fato ensejador da penalidade. Neste sentido, nos termos da Súmula CARF nº 187 é latente sua responsabilidade. O agente de carga responde pela multa prevista no art. 107, IV, “e” do DL nº 37, de 1966, quando descumpre o prazo estabelecido pela Receita Federal para prestar informação sobre a desconsolidação da carga.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Denúncia espontânea. Neste ponto, tal qual arguido em impugnação, a Recorrente invoca a inaplicabilidade da multa em razão da previsão contida no artigo 138 do CTN que prevê o instituto da denúncia espontânea é aplicável às penalidades de natureza tributária ou administrativa, que ao seu entendimento tem aplicação tanto no caso de descumprimento de obrigações principais, como acessórias. Ocorre que este Colegiado tem entendimento consolidado em sentido contrário, conforme assentado na Sumula CARF nº 126, vejamos A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Neste sentido, não há dúvidas nos termos do entendimento fixado que o instituto da denúncia espontânea não alcança as penalidades decorrentes de infrações à legislação aduaneira. Princípios Constitucionais – Proporcionalidade e razoabilidade. Por fim, pugna a Recorrente pela aplicação da proporcionalidade e razoabilidade, uma vez que a aplicação da multa não se pauta em nenhum critério de individualização, permitindo a aplicação de idêntica penalidade ao sujeito que presta informação com atraso de horas bem como àquele que presta com dias de atraso. Tal fato implicaria em afronta reflexa a violação aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Aqui, cabe reiterar que a Recorrente mais uma vez reconhece inequívoco o descumprimento do prazo fixado e, assim, o fazendo, não há como afastar o comando imperativo do artigo alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/66, ou seja, deixar de prestar informação, na forma e no prazo estabelecido. Não há que se falar em individualização da penalidade, tampouco em gradação. Ademais, no que tange à aplicação dos princípios constitucionais invocados é certo que a análise, implicaria em juízo de constitucionalidade, o que não compete a este Conselho nos ternos da súmula nº 02 do CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 176DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-002.428 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.726579/2011-32 Dispositivo Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da parte relacionada à afronta a princípios constitucionais, rejeitar as preliminares, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Keli Campos de Lima Fl. 177DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10140.000696/2003-84
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Verificada a ocorrência de omissão no voto vencedor e/ou contradição nos termos da parte dispositiva do Acórdão embargado, devem os embargos declaratórios serem acolhidos para saneamento do Acórdão.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3402-000.554
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração no acórdão n° 204-03.257, para sem efeitos infringentes, sanar a contradição, nos termos do voto da Relatora. Esteve presente ao julgamento o Dr. Bruno dos Santos Padovan OAB/DF n° 28460.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Verificada a ocorrência de omissão no voto vencedor e/ou contradição nos termos da parte dispositiva do Acórdão embargado, devem os embargos declaratórios serem acolhidos para saneamento do Acórdão. Embargos Acolhidos
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10140.000696/2003-84 Recurso n° 228.143 Embargos Acórdão n° 3402-00.554 — 4' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. Embargante PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado 2' Turma Ordinária da 4' Câmara da 3 a Seção ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Verificada a ocorrência de omissão no voto vencedor e/ou contradição nos termos da parte dispositiva do Acórdão embargado, devem os embargos declaratórios serem acolhidos para saneamento do Acórdão. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração no acórdão n° 204-03.257, para sem efeitos infringentes, sanar a contradição, nos termos do voto da Relatora. Esteve presente ao julgamento o Dr. Bruno dos Santos Padovan OAB/DF n° 28460. 'GT], 1\1-aytala-s it?&Wna a - Presidenta 1r4 Silvia' s t$ Oliveira -Relatora EDITADO EM 20/05/2010 , Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Ali Zraik Júnior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Leonardo Siade Manzan e Nayra Bastos Manatta. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) sob a alegação de omissão e contradição no Acórdão n° 204-03.257, de 04 de junho de 2008, por meio do qual deu-se parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cotins) relativa às receitas de serviço internacional de transportes e de variações cambiais, bem como reconhecer a decadência do direito de constituição do crédito tributário dos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 1998. A PGFN alegou que, de acordo com a parte dispositiva do referido Acórdão, do total de oito Conselheiros integrantes da Câmara, seis votaram contra a declaração da decadência e, portanto, a tese da decadência dos períodos de janeiro e fevereiro de 1998 restou manifestamente vencida, o que torna imprescindível a retificação do julgado. Ademais, aduziu a embargante que a questão da decadência não foi tratada no voto vencedor, tampouco no voto vencido e, muito embora se trate de matéria de ordem pública, seu reconhecimento não prescinde da exposição das razões que ensejaram a conclusão de que tais períodos estariam atingidos pela decadência. A PGFN argumentou ainda que não haveria respaldo para o pronunciamento da decadência, visto que, no relatório, informou-se que os recolhimentos parciais se deram tão- somente de julho de 2001 a setembro de 2002 e, sendo assim, impõe-se a aplicação do art. 173, inc. I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN) e o incício da contagem do prazo decadência para os períodos de janeiro e fevereiro de 1998 só se inicia em 1° de janeiro de 1999, encerrando-se em 31 de dezembro de 2003. Em face disso, a embargante solicitou o provimento dos seus embargos de declaração para sanar a contradição apontada. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora Os embargos declaratórios são tempestivos e seu julgamento está inserto na esfera de competência da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cai-1), por isso devem ser conhecidos. Com efeito, não consta dos votos do Acórdão ora embargado nenhuma referência à decadência e sua parte dispositiva é contraditória, visto que refere-se ao parcial provimento do recurso voluntário para, a par de outras matérias, reconhecer a decadência para os períodos de janeiro e fevereiro de 1998, mas indica seis Conselheiros vencidos nessa matéria. 2 Processo n° 10140.000696/2003-84 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00.554 Fl. 502 Cumpre então elucidar a questão para que sejam feitas as retificações necessárias. Nesse ponto, saliente-se que correto está o voto vencido do Conselheiro Relatar, pois, não tendo sido arguida a decadência e considerando que, à época, o entendimento do Ilustre Relator era de que a aplicação do disposto no art. 150, § 4°, do C'TN subordinava-se à existência de pagamento parcial do tributo apurado no âmbito do lançamento por homologação, para ele, não havia de se suscitar de oficio a questão. Ocorre que não era esse o entendimento majoritário na então Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes e, por isso, nos debates ocorridos na sessão de julgamento destes autos, a decadência dos períodos de janeiro e fevereiro de 1998 foi suscitada e acolhida pela maioria dos Conselheiros que integravam aquela Câmara, tendo sido vencidos apenas os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres. A decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos períodos supramencionados foi acolhida por ter-se sagrado vencedor o entendimento de que são os contornos jurídicos do tributo, independentemente da existência ou não de pagamentos parciais, que definem tratar-se ou não de tributo sujeito ao lançamento por homologação. • Assim, se a legislação atinente ao tributo atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar-se à atividade privativa da fiscalização de constituição do crédito tributário para apurar ele próprio o montante do tributo devido e efetuar o pagamento, está-se diante de tributo sujeito ao lançamento por homologação, quer tenha ou não ocorrido o pagamento do montante apurado, e, portanto, para esse tributo, aplica-se o disposto no art. 150, § 4 0, do CTN. • Com esses esclarecimentos, entendo estar sanada a omissão apontada pela embargante, cabendo ainda a retificação da parte dispositiva do Acórdão n° 204-03.257, com sua substituição pelos termos seguintes: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a exigência tributária relativa às receitas pertinentes a serviço internacional de transporte e a variações cambiais, bem como cancelar a exigência tributária relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 1998, em face da decadência. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator), Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres quanto às variações cambiais e à decadência. Designada a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor. Por essas razões, voto pelo provimento dos embargos declaratórios opostos pela PGFN para sanar a omissão apontada, com os esclarecimentos deste voto, e substituir integralmente a parte dispositiva do Acórdão n° 204-03.257, às fls. 483 a 491, pelo texto do parágrafo anterior, corrigindo-se, assim, a contradição existente. É como voto. • y nto Oliveira 3
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Numero do processo: 13861.000061/2005-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/03/2005 a 30/06/2005
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE
Quando permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, o custo do transporte, incluído no seu valor de aquisição, compõe de base de cálculo do valor a ser apropriado.
APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO ONERADAS PELA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição não dão direito ao crédito.
SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E AQUISIÇÃO DE PEÇAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Diante da ausência de prova de que os créditos pretendidos referem-se a bens que não foram incorporados ao ativo imobilizado da empresa, bem como da falta de comprovação de que os serviços têm natureza de insumo e cumprem os requisitos do art. 3º, § 2º e § 3º da Lei nº 10.833/2003, o creditamento desses itens deve ser negado (art. 170 do CTN c/c art. 373 do CPC/15).
GASTOS COM ARMAZENAGEM, MOVIMENTAÇÃO INTERNA E REMOÇÃO DE GESSO.
Aplicando-se o conceito de insumos exposto nos autos, os gastos com movimentação e armazenagem de insumos dentro dos próprios estabelecimentos da contribuinte vinculados as despesas oriundas de contratos, firmados com terceiros, correspondem a insumos de seu processo produtivo, posto necessários ao desempenho de sua atividade, gerando direito a créditos.
APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. ALUGUÉIS. CONDIÇÕES.
Somente geram créditos na apuração não cumulativa os gastos com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Ausente a comprovação da utilização em tais atividades, correta a glosa dos créditos.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE..
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo do ônus de contestar especificamente cada produto glosado e demonstrar através de argumentos sólidos, inclusive com a precisa indicação no suporte documental, a utilização de tais produtos em seu processo produtivo, descabe o provimento do recurso voluntário.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INVIABILIDADE. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS AO LONGO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
Quando a parte não aproveita as diversas oportunidades ao longo PAF, no sentido de carrear a instrução probatória de forma completa e eficaz, apta a chancelar seu pleito, não se torna cabível o pedido de diligência. Esta providência é excepcional e deve ser entendida como ultima ratio.
Numero da decisão: 3302-014.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas sobre serviços de frete na compra de bens utilizados como insumos, sobre serviço de remoção de gesso e sobre serviços de armazenagem e movimentação interna de insumos.
(documento assinado digitalmente)
Flavio Jose Passos Coelho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Denise Madalena Green - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Aniello Miranda Aufiero Junior, Denise Madalena Green, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente).
Nome do relator: DENISE MADALENA GREEN
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INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE Quando permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, o custo do transporte, incluído no seu valor de aquisição, compõe de base de cálculo do valor a ser apropriado. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO ONERADAS PELA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição não dão direito ao crédito. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E AQUISIÇÃO DE PEÇAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Diante da ausência de prova de que os créditos pretendidos referem-se a bens que não foram incorporados ao ativo imobilizado da empresa, bem como da falta de comprovação de que os serviços têm natureza de insumo e cumprem os requisitos do art. 3º, § 2º e § 3º da Lei nº 10.833/2003, o creditamento desses itens deve ser negado (art. 170 do CTN c/c art. 373 do CPC/15). GASTOS COM ARMAZENAGEM, MOVIMENTAÇÃO INTERNA E REMOÇÃO DE GESSO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 1. 00 00 61 /2 00 5- 00 Fl. 388DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 Aplicando-se o conceito de insumos exposto nos autos, os gastos com movimentação e armazenagem de insumos dentro dos próprios estabelecimentos da contribuinte vinculados as despesas oriundas de contratos, firmados com terceiros, correspondem a insumos de seu processo produtivo, posto necessários ao desempenho de sua atividade, gerando direito a créditos. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. ALUGUÉIS. CONDIÇÕES. Somente geram créditos na apuração não cumulativa os gastos com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Ausente a comprovação da utilização em tais atividades, correta a glosa dos créditos. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE.. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo do ônus de contestar especificamente cada produto glosado e demonstrar através de argumentos sólidos, inclusive com a precisa indicação no suporte documental, a utilização de tais produtos em seu processo produtivo, descabe o provimento do recurso voluntário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INVIABILIDADE. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS AO LONGO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Quando a parte não aproveita as diversas oportunidades ao longo PAF, no sentido de carrear a instrução probatória de forma completa e eficaz, apta a chancelar seu pleito, não se torna cabível o pedido de diligência. Esta providência é excepcional e deve ser entendida como ultima ratio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas sobre serviços de frete na compra de bens utilizados como insumos, sobre serviço de remoção de gesso e sobre serviços de armazenagem e movimentação interna de insumos. (documento assinado digitalmente) Flavio Jose Passos Coelho - Presidente (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Renato Pereira de Deus, Aniello Miranda Aufiero Junior, Denise Madalena Green, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Fl. 389DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, adoto o relatório da Resolução proposta, que transcrevo, a seguir: Cuida o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte aproveita créditos não cumulativos da contribuição COFINS, apurados nos meses de agosto de 2004 a junho de 2005, dos mercados externo e interno, visando a extinção de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Para tanto, as declarações foram formalizadas nos processos fiscais de n° l3861.00005l/2005-66, 13861000052/2005-19, 13861000060/2005-57, e, 13861000061/2005-00. Tendo em vista que as compensações formuladas abrangem créditos dos mesmos períodos de apuração, a conferência e implementação das compensações foram objeto de um único Despacho Decisório da DRF em Santos, que aqui se analisa. Desta, conforme a autoridade do Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort) da DRF em Santos, os créditos pleiteados foram submetidos à conferência, quanto à regularidade fiscal e contábil, pelo Serviço de Fiscalização da mesma delegacia, que, após diligenciar junto à empresa, lavrou os Termos de Verificação Fiscal de fls. 53/64 (processo l3861.000051/2005-66), fls. 55/66 (processo l386l.000052/2005-19), fls. 16/29 (processo 13861000060/2005-57) e fls. 17/27 (processo 13861.000061/2005-00). Dando seguimento à análise fiscal, e com base nos Termos de Verificação Fiscal, o Seort exarou o Despacho Decisório n° 94/2009, homologando parcialmente as compensações, até o limite do crédito. Nesta decisão, a autoridade do Seort individualizou, por processo, os créditos pretendidos pela contribuinte, como se segue, e fundamentou seu despacho. Fl. 390DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 (..) Fundamentação O pedido formulado tem por fundamento legal a autorização, estabelecida no artigo 3º da Lei n° 10.833/2003, para que as pessoas jurídicas, que apuram seu lucro pelo real, possam constituir créditos de Cofins, relativos a insumos e outros itens, destinados à produção de seus bens ou serviços, com vistas à não cumulatividade da contribuição. A referida norma legal ainda autoriza a manutenção e o aproveitamento dos créditos, relacionados com a produção de mercadorias destinadas à exportação, para compensação com outros tributos, quando eles excederem o valor da própria contribuição devida no período, como mostra o artigo 6° da Lei n° 10.833/2003, a seguir transcrito.. (..) De acordo com o Dacon - Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, a interessada auferiu parte de seu faturamento da atividade de exportação. Desta forma, ela adquiriu, para o mesmo período de apuração, mais crédito da contribuição social da Cofins do que débito, gerando-lhe um direito creditório que pretende aproveitar na compensação com outros tributos, sob o auspício do artigo 1º da Instrução Normativa SRF n° 534, de 01.04.2005, abaixo parcialmente transcrito. (..) Deve ser mencionado, por oportuno, que a interessada, da mesma forma, obteve créditos nas operações feitas no mercado interno, pretendendo utiliza-los na compensação com outros tributos, mas que são aptos apenas para dedução da própria contribuição. Sendo assim, foram promovidos ajustes no seu pedido, de forma a adequar o aproveitamento dos créditos à legislação em vigor. Verificada a legitimidade do 'procedimento relativa aos créditos de Cofins obtidos com a exportação de produtos, o pedido em questão foi submetido ao Serviço de Fiscalização desta Delegacia, de cuja ação fiscal, descrita nos Termos de Verificação e Constatação Fl. 391DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 Fiscal juntados aos autos, decorreu a convalidação de parte deles, conforme planilha abaixo. Tabela (...) Vale lembrar que dos créditos acima reconhecidos, foi abatido a Cofins apurada no mês, decorrente das operações da empresa no mercado interno, conforme determina o referido artigo 1° da Instrução Normativa SRF n° 534/2005, que alterou o artigo 2] da Instrução Normativa SRF n° 460/2004. Portanto, diante dos valores conferidos pela autoridade fiscal, para fins do reconhecimento do direito creditório formulado, foi necessário fazer um novo ajuste nos créditos, tanto os do mercado interno, como os do externo, deforma a se chegar ao montante compensável, visto que os apurados no mercado interno só podem ser utilizados para dedução da própria contribuição. O ajuste que se fez foi o de abater da contribuição devida no mês, todo o crédito obtido no mercado interno, reconhecido pelo Auditor Fiscal responsável pela conferência dos créditos, e, quando este foi insuficiente, complementa-lo com parte dos relativos às operações de mercado externo, conforme planilha anexa, podendo ser o saldo da Cofins, passível de compensação, resumido pela equação abaixo, cuja decodificação encontra- se lá descrita. H=(F+E) -D A planilha reflete ainda a restauração de oficio relativa ao crédito do mercado interno, indicando que no periodo em causa foi apurado saldo nos meses de abril e maio de 2005, que poderá ser aproveitado para quitar a contribuição devida nos meses subseqüentes. Isto posto, com base no acima exposto e com fundamento no artigo 170 da Lei n° 5.1 72/66 - Código Tributário Nacional, na Lei n° 10. 833/2003 e alterações posteriores, bens como no artigo 74 da Lei n° 9. 43 0/96, proponho que os créditos de Cofins, abaixo relacionados, obtidos em razão de sua não cumulatividade e oriundos da exportação de mercadorias, possam ser utilizados nas compensações pleiteadas nos processos em exame até' os limites deferidas. Após a interposição da Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos estão resumidos no relatório da decisão recorrida, a lide foi decidida pela 3ª Turma da DRJ em Campinas/SP, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, nos termos da ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO D›A SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 30/06/2005 Fl. 392DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 DCOMP. NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR DE PIS. APROVEITAMENTO SEM PREVISÃO LEGAL. Os créditos calculados sobre os insumos vinculados às operações de venda de mercadorias e serviços sujeitos à tributação normal da COFINS, poderão ser descontado com a respectiva contribuição apurada nos períodos subseqüentes, não existindo previsão legal para aproveitamento do saldo de crédito mediante compensação. FRETE NA COMPRA DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. GASTOS COM ARMAZENAGEM E MOVIMENTAÇÃO INTERNA Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito. AQUISIÇÕES NÃO ONERADAS PELA CONTRIBUIÇÃO As aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição não dão direito ao crédito. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. IMPOSSIBILIDADE Somente os serviços diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto geram crédito da contribuição social. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual reprisa os argumentos já aduzidos na Manifestação de Inconformidade, em síntese, requer em sede de preliminar o direito ao ressarcimento de créditos apurados no mercado interno em decorrência de vendas sujeitas à alíquota zero da contribuição, e no mérito o reconhecimento do direito ao crédito ordinário de COFINS, sobre os seguintes dispêndios: (a) frete na compra de bens utilizados como insumos; (b) aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (Anexo 2); (c) serviço de manutenção de equipamentos e partes e peças (Anexo 3); (d) serviço de remoção de gesso (Anexo 3); (e) serviço de armazenagem e movimentação interna (Anexo 3); e, (f) locação de equipamentos (Anexo 3). É o relatório. Voto Conselheiro Denise Madalena Green , Relator. I – Da admissibilidade: A recorrente foi intimada da decisão de piso em 21/02/2011 (fl.144) e protocolou Recurso Voluntário em 22/03/2011 (fl.145) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72 1 . 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 393DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II – Do mérito: Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de pedido de compensação por meio das quais a contribuinte aproveita créditos não cumulativos da contribuição para a COFINS, relativo ao 2º trim/2005, do mercado externo e interno, deferido parcialmente pela Unidade de Origem. As divergências suscitadas a esta E. Turma, dizem respeito as seguintes matérias: a) frete na compra de bens utilizados como insumos; b) aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (Anexo 2); c) serviço de manutenção de equipamentos e partes e peças (Anexo 3); d) serviço de remoção de gesso (Anexo 3); e) serviço de armazenagem e movimentação interna (Anexo 3); e, f) locação de equipamentos (Anexo 3). Consta dos autos tratar-se de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividades preponderantes: (i) a produção, industrialização e comercialização de fertilizantes e produtos similares, de defensivos agrícolas, corretivos de solo e demais insumos agrícolas e pecuários; e, (ii) o aproveitamento industrial de minérios fosfatados e associados, incluindo nestes o aproveitamento de outros minérios e minerais, associados ou não a estes e também a obtenção de outros produtos químicos. Para melhor compreensão da matéria envolvida, por oportuno, deve-se apresentar preliminarmente a delimitação do conceito de insumo hodiernamente aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP) e em consonância com os artigos 3º das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, com o objetivo de se saber quais são os insumos que conferem ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Conceito de insumos: Primeiramente, ressalta-se que a análise da apropriação de créditos da contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos sobre bens e serviços utilizados como insumos, tal como empregado nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, para o fim de definir o direito (ou não) ao crédito de PIS e COFINS dos valores incorridos na aquisição, será realizada com base no que restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.221.170/PR, paradigma do Tema 779, cuja tese foi firmada nos seguintes termos: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. Fl. 394DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 A Ministra Regina Helena Costa, em seu voto, esclarece que o critério da essencialidade "diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”, enquanto o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva ou por imposição legal”. Neste sentido, em 17/12/2018 foi exarado o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05, que apresenta as principais repercussões no âmbito da RFB decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pelo STJ. Consta do referido Parecer que a decisão proferida no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR é vinculante para a RFB em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, e nos termos da referida Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF. Nesse contexto, a análise será feita considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, de forma a facilitar a análise casuística de cada item objeto de glosa pela autoridade fiscal que foram mantidas pela decisão da DRJ. Do alegado direito ao ressarcimento de créditos apurados no mercado interno em decorrência de vendas sujeitas à alíquota zero da contribuição: Primeiramente, defende a recorrente o direito de utilizar do saldo credor de COFINS apurado em decorrência da venda de produtos no mercado interno sujeitos à alíquota zero, bem como a possibilidade de utilização para compensação de débitos próprios administrados pela SRFB, conforme Declaração de Compensação, no montante de R$3.034.366,13. Afirma a recorrente que “apura créditos excedentes passíveis de ressarcimento em decorrência de duas situações distintas: (i) exportação de produtos, cuja receita não está sujeita à incidência do PIS; e (ii) venda de produtos no mercado interno sujeita à alíquota zero da contribuição”. Defende que “desde a edição da Medida Provisório nº 206/2004, convertida na Lei nº 11.033/2004, não resta dúvida com relação à possibilidade da manutenção dos créditos decorrentes da venda de produtos tributados pelo PIS à alíquota zero, e quanto à possibilidade de utilização deste para compensação de débitos próprios administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Sem razão a recorrente nesse ponto. Vejamos. Consta dos autos que a interessada transmitiu Declarações de Compensação relativo ao crédito da Contribuição para o COFINS – Mercado Interno, de março/2005 a junho/2005), no total de R$ 3.034.366,13, glosados integralmente, por não estarem contemplados na legislação, conforme os registros nos anexos contido nos autos. Ainda, nos autos do PAF nº 13861000060/2005-57 (apenso a este) que a empresa apresentou Declarações de Compensação, referente ao crédito da Contribuição para a COFINS - Mercado Externo, nos termos do parágrafo 1° do art. 5° da Lei n° 10.637/2002, no total de R$ 242.036,44, tendo sido deferido o importe de R$220.280,70. Vejamos: Fl. 395DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 A recorrente pretende construir uma argumentação para contornar a vedação expressa contida no § 2º do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, que veda expressamente o crédito nas aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição. Ademais, o art. 17, da Lei nº 11.033/2004, citado, prevê que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência da Contribuição para o PIS/PASEP não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal permissivo legal é aplicado somente quando o contribuinte é onerado pelo PIS na aquisição. Ademais, a planilha reflete ainda a restauração de oficio relativo ao crédito do mercado interno, indicando que no período em causa não houve saldo, em virtude dele ter sido totalmente aproveitado para quitar a contribuição devida nesses meses. Portanto, nego provimento ao recurso nesse ponto. Passo à análise das glosas. a) frete na compra de bens utilizados como insumos (Anexo I): A autoridade fiscal glosou os créditos apropriados pela recorrente referentes à aquisição de serviços de transporte por estabelecimento industrial devido a não comprovação pela empresa que seriam insumos, ou serviços base de insumos. Aduz ainda não ser possível a apropriação de créditos em relação a fretes decorrentes de entradas e nas aquisições de matérias primas, por ausência de previsão legal. Segundo a DRJ “analisando o disposto na Lei n° 10.833/2003, verifica-se que não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra, mas tão somente quando das operações de venda”. Nesse tópico, contrapõe a recorrente que o frete contratado refere-se à aquisição de insumos, tais como de lenha, empregada nas caldeiras, e de soda líquida e que esses insumos são utilizados no processo de fabricação de fertilizantes e demais produtos químicos comercializados pela por ela. Pelo conceito de insumo adotado nesse voto, o custo com o transporte dos insumos até o estabelecimento do contribuinte está, sem dúvida, compreendido no custo de aquisição desses insumos, integrando o cálculo do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime da não cumulatividade (inciso II, do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002). Nesse sentido concluiu o i. Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, no Acórdão 3401- 005.234: (...) há se de considerar que o custo de aquisição é composto pelo valor da matéria prima (MP) adquirida e pelo valor do serviço de transporte (frete) contratado para transporte até o estabelecimento industrial da contribuinte (adquirente). Assim, uma vez que o custo total é composto Fl. 396DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 por uma parte não tributada (MP) e outra parte integralmente tributada (frete), a parcela tributada (frete) compõe o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições. Logo, há de se assentir que o frete enseja direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado. Dessa forma, deve ser revertida a glosa sobre os serviços de frete na aquisição de insumos. b) aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (Anexo 2): Segundo consta do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, foram glosados créditos referentes a aquisições de insumos da produção contemplados com a redução da alíquota zero, nos termos do benefício fiscal concedido pela Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Vejamos: ANEXO 2 — Este anexo registra as entradas e os débitos de aquisições de mercadorias e produtos - bens e insumos da produção, em ordem cronológica, contemplados com a redução da alíquota zero, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.925/2004, e que não tem direito a Crédito a Descontar da Contribuição do PIS, conforme os artigos n° 37 e 46 da Lei n° 10.865/2004. ANEXO 2-A — Consolida as entradas e os débitos de aquisições de mercadorias e produtos - bens e insumos da produção especificados no Anexo 2, por ordena de classificação fiscal, ou seja, as mercadorias dos Capítulos 25, 31 e 38.08 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, conforme especificado nos incisos I, II e IV do art. 1º da Lei n 10.925/2004. Dentre os produtos relacionados no Anexo 2, temos: cal hidratada, oxido magnésio. Sulfato amônio fertilizante granula, cimento comum, pedra britada, areia média lavada, cloreto de sódio, argamassa, nalco ST-70, etc. A previsão legal para a desoneração dos produtos adquiridos pela recorrente, está no art. 1º da Lei nº 10.925/2004, in verbis: A Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (Vigência) (Vide Decreto nº 5.630, de 2005) I - adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matérias- primas; II - defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matérias- primas; (...) IV - corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; O fundamento para a glosa reside no disposto no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o qual não admite a apuração de créditos de PIS e COFINS no caso de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento dessas contribuições. Vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 397DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.925.htm#art17 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.925.htm#art17 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/Decreto/D5630.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (grifou-se) Quanto ao artigo 17 da Lei n° 11.033/04, citado pela recorrente, este prevê que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, De imediato se observa o equívoco na alegação da recorrente: o dispositivo legal traz regra determinando que, quando o contribuinte realizar VENDAS com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, os créditos referentes às aquisições dos insumos utilizados nestas vendas podem ser mantidos (de onde se conclui que as aquisições foram tributadas). Em nenhum momento o texto permite concluir que, quando o contribuinte realizar AQUISIÇÕES com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, poderia manter tais créditos, mesmo porque os créditos simplesmente não existem. O STJ já decidiu esta matéria no julgamento do REsp nº 1.895.255/RS, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, sob o rito previsto para os recursos repetitivos, com publicação em 05/05/2022: RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3. RECURSO REPETITIVO. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA AS SITUAÇÕES DE MONOFASIA. RATIO DECIDENDI DO STF NO TEMA DE REPERCUSSÃO GERAL N. 844 E NA SÚMULA VINCULANTE N. 58/STF. VIGÊNCIA DOS ARTS. 3º, I, "B", DAS LEIS N. N. 10.637/2002 E 10.833/2003 (COM A REDAÇÃO DADA PELOS ARTS. 4º E 5º, DA LEI N. 11.787/2008) FRENTE AO ART. 17 DA LEI 11.033/2004 COMPROVADA PELOS CRITÉRIOS CRONOLÓGICO, DA ESPECIALIDADE E SISTEMÁTICO. ART. 20, DA LINDB. CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS INDESEJÁVEIS DA CONCESSÃO DO CREDITAMENTO. 1. Há pacífica jurisprudência no âmbito do Supremo Tribunal Federal, sumulada e em sede de repercussão geral, no sentido de que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações em que não existe dupla ou múltipla tributação (v.g. casos de monofasia e substituição tributária), a saber: Súmula Vinculante n. 58/STF: "Inexiste direito a crédito presumido de IPI relativamente à entrada de insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis, o que não contraria o princípio da não cumulatividade"; Repercussão Geral Tema n. 844: "O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero". 2. O art. 17, da Lei n. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior aos arts. 3º, § 2º, II, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, não autoriza a constituição de créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, contudo permite a manutenção de créditos por outro modo constituídos, ou seja, créditos cuja constituição não restou obstada pelas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Isto porque a vedação para a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica (creditamento), além de ser norma específica Fl. 398DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 contida em outros dispositivos legais - arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003 (critério da especialidade), foi republicada posteriormente com o advento dos arts. 4º e 5º, da Lei n. 11.787/2008 (critério cronológico) e foi referenciada pelo art. 24, §3º, da Lei n. 11.787/2008 (critério sistemático). 4. Nesse sentido, inúmeros precedentes da Segunda Turma deste Superior Tribunal de Justiça que reconhecem a plena vigência dos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, dada a impossibilidade cronológica de sua revogação pelo art. 17, da Lei n. 11.033/2004, a saber: AgInt no REsp. n. 1.772.957 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 07.05.2019; AgInt no REsp. n. 1.843.428 / RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 18.05.2020; AgInt no REsp. n. 1.830.121 / RN, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 06.05.2020; AgInt no AREsp. n. 1.522.744 / MT, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 24.04.2020; REsp. n. 1.806.338 / MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 01.10.2019; AgRg no REsp. n. 1.218.198 / RS, Rel. Des. conv. Diva Malerbi, julgado em 10.05.2016; AgRg no AREsp. n. 631.818 / CE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10.03.2015. 5. Também a douta Primeira Turma se manifestava no mesmo sentido, antes da mudança de orientação ali promovida pelo AgRg no REsp. n. 1.051.634 / CE, (Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Regina Helena Costa, julgado em 28.03.2017). Para exemplo, os antigos precedentes da Primeira Turma: REsp. n. 1.346.181 / PE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. p/acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado em 16.06.2014; AgRg no REsp. n. 1.227.544 / PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 27.11.2012; AgRg no REsp. n. 1.292.146 / PE, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 03.05.2012. 6. O tema foi definitivamente pacificado com o julgamento dos EAREsp. n. 1.109.354 / SP e dos EREsp. n. 1.768.224 / RS (Primeira Seção, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgados em 14.04.2021) estabelecendo-se a negativa de constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica (negativa de creditamento). 7. Consoante o art. 20, do Decreto-Lei n. 4.657/1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB): "[...] não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão". É preciso compreender que o objetivo da tributação monofásica não é desonerar a cadeia, mas concentrar em apenas um elo da cadeia a tributação que seria recolhida de toda ela caso fosse não cumulativa, evitando os pagamentos fracionados (dupla tributação e plurifasia). Tal se dá exclusivamente por motivos de política fiscal. 8. Em todos os casos analisados (cadeia de bebidas, setor farmacêutico, setor de autopeças), a autorização para a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica, além de comprometer a arrecadação da cadeia, colocaria a Administração Tributária e o fabricante trabalhando quase que exclusivamente para financiar o revendedor, contrariando o art. 37, caput, da CF/88 - princípio da eficiência da administração pública - e também o objetivo de neutralidade econômica que é o componente principal do princípio da não cumulatividade. Ou seja, é justamente o creditamento que violaria o princípio da não cumulatividade. 9. No contexto atual de pandemia causada pela COVID - 19, nunca é demais lembrar que as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS possuem destinação própria para o financiamento da Seguridade Social (arts. 195, I, "b" e 239, da CF/88), atendendo ao princípio da solidariedade, recursos estes que em um momento de crise estariam sendo suprimidos do Sistema Único de Saúde - SUS e do Programa Seguro Desemprego para serem direcionados a uma redistribuição de renda individualizada do fabricante para o revendedor, em detrimento de toda a coletividade. A função social da empresa também se realiza através do pagamento dos tributos devidos, mormente quando vinculados a uma destinação social. 10. Teses propostas para efeito de repetitivo: Fl. 399DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 10.1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 10.2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. 10.3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 10.4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem lhe gerar créditos. 10.5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. 11. Recurso especial não provido. Como se verifica, duas teses aprovadas neste julgamento são contrárias ao pleito do recorrente: a primeira, quando determina que: “O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor”, uma vez que, à semelhança do art. 3º, I, "b", da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003 (monofasia), o inciso II do § 2º do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 também veda a tomada de créditos (aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição). A segunda tese determina que “O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência”, confirmando o quanto sustentado neste voto sobre a não aplicação do art. 17 da Lei 11.033/2004 nos casos em que são as aquisições, e não as vendas, que são efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Em outra vertente, a interessada argumenta que não produz apenas adubos ou fertilizantes, defensivos agropecuários ou corretivos de solo, como consignado no Relatório Fiscal, acobertados em operações de venda pela alíquota zero do COFINS, mas também produtos químicos de natureza diversa, vendidos como matérias-primas destinadas às indústrias químicas (item "a" do artigo 3º do seu Estatuto Social), cujas vendas não estão sujeitas à alíquota zero do COFINS”. Entende, que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, revogou a limitação prevista no § 2° do art. 3° das Leis 10.631/02 e 10.833/03, autorizando o crédito nas vendas efetuadas com suspensão, alíquota zero ou não incidência das contribuições. Nesse sentido defende o seguinte: Veja-se, a exemplo, o “Óxido de magnésio" objeto de diversas Notas Fiscais listadas pela Fiscalização no Anexo 2. Esse item é utilizado como matéria prima na produção do Fl. 400DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 nitrato de amônio vendido pela Requerente a indústrias químicas. Sobre a venda de tal produto, não há a incidência da COFINS à alíquota zero. Logo, havendo a tributação no momento em que ocorre a saída do produto no qual foi utilizado o insumo adquirido à alíquota zero, deve ser mantido o crédito contribuição, em estrita observância ao princípio da não-cumulatividade, segundo qual se deve fazer incidir a tributação apenas sobre a parcela adicionada ao bem comercializado. Não o fazendo, onera-se, injustificadamente, aquele que, para a comercialização de determinado bem, necessita adquirir insumos não tributados, ao passo que o elo anterior da cadeia beneficia-se da desoneração tributada. Pelo exposto, deve ser autorizado o creditamento, pela Recorrente, dos insumos adquiridos sob alíquota zero, revogando-se a glosa efetuada pela Fiscalização e mantida pela DRJ de Campinas. Ainda, no tópico “II.4. Cal Hidratada”, também listado no Anexo 2, a recorrente explica sua utilização em outras áreas como na lagoa de decantação mantida em suas unidades industriais. Aduz que esse item, embora seja consumido na produção de fertilizantes, também é utilizado na fabricação de produtos químicos tributados, uma vez que os efluentes no qual são aplicados decorrem tanto da produção de fertilizantes, quanto de produtos químicos diversos como o ácido sulfúrico. Como exaustivamente tratado acima, os produtos listados no Anexo 2, foram glosados por se tratarem de insumos contemplados com a redução da alíquota zero, nos termos do benefício fiscal concedido pela Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, o que impede a apuração de créditos de PIS e COFINS, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Os argumentos explicitados pela recorrente descrevem a utilidade dos insumos em seu processo produtivo, contudo, deveria a recorrente trazer o mínimo de subsídios suficientes para comprovar a segregação quanto a utilização desses insumos em seu processo produtivo, tais como fotos na unidade fabril, laudo descritivo do seu processo produtivo, tornando-se impossível sua identificação para julgamento. É de se esperar que, quando a contribuinte alegue possuir direito em relação a glosa de crédito, que o faça especificando, demonstrando, separando as operações específicas a que teria o direito, devendo demonstrar e separar do valor total das notas fiscais glosadas pela Fiscalização, o valor do crédito em relação a este item, e assim por diante, de forma que, o julgador possa identificar a liquidez e certeza dos valores por ela reclamados. Além do mais, como se sabe, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato 2 ", postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999 3 , que regula o processo 2 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 3 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 401DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. No mesmo sentido é a regra basilar extraída no inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil 4 . Assim, deve ser negado provimento ao recurso nesse ponto. c) serviço de manutenção de equipamentos e partes e peças (Anexo 3): A DRJ, corroborando o entendimento da fiscalização, manteve a glosa dos créditos relativos aos serviços de manutenção em equipamentos industriais, bem como as partes e peças empregadas para este fim, por entender que somente geram crédito de PIS os bens que sofram alterações, tais como o desgaste, ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Cita a Solução de Divergência Cosit n° 35, de 2008. Sobre este tópico, a recorrente afirma trata-se de aquisições de serviços de manutenção em equipamentos industriais e partes e peças empregadas na manutenção, além de diversos outros serviços empregados como insumo na produção de bens. Destaca o seguinte: (...) não se pode restringir o creditamento da COFINS sobre os serviços de manutenção periódica, sendo este essencial ao processo produtivo da recorrente, sob o argumento que estaria restrito tão somente as despesas com as partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou perda de propriedades físicas ou químicas. Destaca-se que em face da complexidade do processo produtivo da Recorrente, que tem início na extração mineral dos insumos aplicados na produção de fertilizantes até a composição final desses bens e sua colocação no mercado consumidor são inequivocamente insumos os serviços de manutenção, tais quais manutenção de iluminação, manutenção nas linhas de transmissão e de equipamentos, que se referem a itens diretamente vinculados ao processo produtivo. Cita como exemplo o contrato firmado com a JB Manutenção, Contrato de Prestação de Serviços n° UFF-1590/02, que tem como objeto a prestação de "serviços de manutenção de equipamentos móveis, refrigeração e lubrificação no complexo industrial de Araucária". Aduz que dentre os serviços de manutenção prestados pela JB Manutenção, destacam-se as atividades relacionadas aos equipamentos de calderaria, e que a segurança e manutenção das caldeiras é condição imposta pela legislação. Ainda, afirma que os serviços vinculados à manutenção de máquinas e equipamentos (caso, por exemplo, da manutenção de linhas de transmissão), inegavelmente geram o direito de creditamento do PIS e da COFINS. Ainda, no tópico “II.6. Materiais e sobressalentes para manutenção”, também listados no Anexo 3, explica que se destinam à substituição de itens desgastados em função do processo produtivo da Recorrente. Cita a Solução de Divergência - COSIT n° 35/2008. Nesse ponto, entendo que a argumentação é genérica e deixa de demonstrar de forma detalhada e individualizada as glosas e a relação de pertinência ou inerência da despesa incorrida no contexto do processo produtivo. Sabe-se que as despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 402DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam às despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país. Contudo, como bem evidenciado pela decisão recorrida “é de se esperar que, quando a contribuinte alegue possuir direito em relação a glosa de crédito, que o faça especificando, demonstrando, separando as operações específicas a que teria o direito, devendo demonstrar e separar do valor total das notas fiscais glosadas pela Fiscalização, o valor do crédito em relação a este item, e assim por diante, de forma que, o julgador possa identificar a liquidez e certeza dos valores por ela reclamados”. Com efeito, compulsando os autos, não há qualquer elemento probatório para demonstrar a natureza de tais despesas e sua utilidade na unidade fabril, que possam elucidar, de forma suficiente e necessária, sua participação efetiva no processo produtivo, além do mais os contrato citados pela recorrente não constam dos autos. Nessa lógica, deveria a recorrente trazer o mínimo de subsídios suficientes para comprovar a utilização desses itens em seu processo produtivo, tais como fotos na unidade fabril, laudo descritivo do seu processo produtivo, indicando a utilização de cada bem e serviço etc. Além do mais, nos autos não constam documentos ou esclarecimentos, que evidenciem que os custos com manutenção, reparos e substituição de peças de um ativo não prologam a vida útil do bem em prazo superior a um ano, que conforme a legislação do imposto sobre a renda, devem ser ativados, apurando-se sobre eles despesas de depreciação (art. 346, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99 5 ). Como tratado no tópico acima, em se tratando de pedido de ressarcimento e declaração de compensação, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios 5 Decreto n° 3.000/99 Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantê-los em condições eficientes de operação (Lei n a 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único). § 2º Os gastos incorridos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo valor contábil, no novo prazo de vida útil previsto para o bem recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá: I - aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem sobre os custos de substituição das partes ou peças; II - apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado no inciso anterior; III - escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de resultado; IV - escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto. § 3º Somente serão permitidas despesas com reparos e conservação de bens móveis e imóveis se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III) Fl. 403DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Assim, nego provimento a este capítulo recursal. d) serviço de remoção de gesso (Anexo 3): Em relação serviços glosados neste tópico, a Recorrente se insurgiu da seguinte forma: O serviço de remoção de gesso é essencial para que se possa produzir o ácido fosfórico, e o próprio gesso removido, embora seja obtido na condição de subproduto, é comercializado pela Requerente na condição de produto final conforme se verifica o processo simplificado abaixo: Assim, os serviços de remoção de gesso destinados à transferência de produtos acabados (remoção do gesso da área industrial para a área de processamento e armazenagem, por exemplo) correspondem aos gastos incorridos com o transporte de produtos dentro da fábrica da Recorrente. Tal assertiva se comprova pelo fato da Recorrente contratar por exemplo a empresa MGM Engenharia e Operações Industriais Ltda. (Contrato CMC 1464/01), que tem por objeto a “operação e manuseio das pilhas de gesso", exatamente para realizar esse serviço de remoção, demonstrando a despesa com o referido serviço, o qual incorpora ao preço final do produto. Ou seja, essas despesas de serviço de remoção de gesso que foram suportadas pela Recorrente integram o custo das operações de venda e, de acordo com a legislação de regência, dão direito a crédito na apuração da COFINS não cumulativa. A DRJ, corroborando o entendimento da fiscalização, manteve a glosa de todos os serviços baseada na Solução de Divergência nº 26/2008. Segundo a decisão de piso, embora a contribuinte tenha gastos com o serviço de remoção de gesso, utilizando-o para movimentar as pilhas de gesso da área industrial para a área de armazenamento, tal serviço está caracterizado como serviço de transporte entre as unidades internas da empresa, não se amoldando aos serviços aplicados na fabricação do produto. No Despacho Decisório há informação de que os valores glosados relativo aos dispêndios com armazenagem, movimentação interna e remoção de gesso, contendo como suporte as notas fiscais estão relacionadas no Anexo 3 (fls.92/120). De acordo com a utilização do serviço, não resta dúvida quanto a sua essencialidade para a produção dos produtos vendidos, haja vista que se o lote de gesso produzido não for removido para local adequado para armazenamento impede a produção de novo lote de ácido fosfórico e o próprio gesso decorrente de nova reação química. Nesse mesmo sentido, tem-se o acórdão nº 3201-002.000, tratando da mesma empresa, em período de apuração diverso, in verbis: Serviços aplicados na remoção do gesso Fl. 404DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 Foram glosados os créditos referentes a gastos com a prestação de serviços de remoção e expedição de gesso e serviços eventuais, prestados pela empresa Porã Sistema de Remoções Ltda, e por serviços de operação e manuseio das pilhas de gesso, prestados pela empresa MGM Engenharia e operações Industriais Ltda. A recorrente afirma que o serviço de remoção de gesso é essencial para que se possa produzir o ácido fosfórico, e o próprio gesso removido, embora seja obtido na condição de subproduto, seria comercializado na condição de produto final. Constata-se, de pronto, que o serviço em tela é utilizado no processo industrial da contribuinte, de modo a incluir-se no conceito de insumos, permitindo o creditamento. (Acórdão nº 3201-002.000 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Processo nº 15983.000037/2009-35, Rel. Conselheiro Carlos Mayer de Castro Souza, Sessão de 26 de janeiro de 2016) Desta feita, reverte-se a glosa em relação aos gastos com remoção de gesso. e) serviço de armazenagem e movimentação interna (Anexo 3): Com relação a tais custos relativo aos serviços de armazenagem e movimentação interna, glosados em virtude de não se enquadrarem nos direitos de crédito especificados no artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, que possui previsão apenas sobre frete nas operações de venda, desde que o ônus tenha sido suportado pela vendedora, para tanto, invocou o art. 1° do Ato Declaratório interpretativo SRF n° 2, de 17 de fevereiro de 2005. Em contra partida defende a recorrente trata-se de movimentação e armazenagem de insumos dentro do próprio estabelecimento, por constituir custo de aquisição desses itens, suportado pela própria empresa, e, nessa condição, devem ter seu creditamento autorizado nos termos do art. 3º, inciso II da Lei n° 10.637/02. Afirma que em face da complexidade do processo produtivo da Recorrente, que tem início na extração mineral dos insumos aplicados na produção de fertilizantes e demais produtos químicos até a composição final desses bens e sua colocação no mercado consumidor, é imprescindível o transporte interno desses insumos entre os diversos setores do seu parque industrial, assim como a sua adequada armazenagem até o momento da utilização. Sobre esses custos, trás as seguintes informações: Tome-se, como exemplo, os serviços prestados pela CESARI — Empresa Multimodal de Movimentação de Materiais Ltda. Os serviços contratados correspondem à armazenagem e movimentação de insumos realizados dentro do estabelecimento industrial da Recorrente, localizado em Cubatão/SP. Ou seja, sequer houve o transporte e a transferência de bens a terceiros, como ocorre em operações de venda de mercadorias. (...) O contrato firmado com o prestador de Serviços CESARI define bem a natureza dos serviços realizados, que consiste na “recepção, conferência, depósito, manuseio, guarda, expedição e controle de estoque” de insumos. O mesmo raciocínio se aplica aos serviços prestados pela empresa Terragama do Brasil Empreendimentos e Construções Ltda., cujo contrato tem por objeto “movimentação e manuseio de granéis sólidos, movimentação e manuseio de matérias primas, descarga de enxofre, transferência de rocha, alimentação do poço de fusão de enxofre e movimentação do pátio ferroviâno; dragagem, manuseio e transporte interno de resíduos das lagoas SEP I e SEP II, (...)” Fl. 405DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 Foram também objeto de glosa pela Fiscalização os serviços abrangidos pelo Contrato n° UPM 1771/00, firmado com a MOGI Serviços de Engenharia Ltda, o qual tem como objeto a movimentação de insumos dentro dos estabelecimento da Recorrente. De fato, conforme defendido pela recorrente, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos (produtos inacabados), entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, bem como sua armazenagem, propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda, nos termos do artigo 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Os serviços em referência são essenciais para a atividade da empresa recorrente, uma vez que estão vinculados às etapas de industrialização do produto e seu objeto social e, com isso, podem ser inseridos no conceito de insumos em razão da essencialidade ao processo produtivo, nos moldes definidos pelo Superior Tribunal de Justiça. Portanto, reverte-se a glosa em relação as despesas com armazenagem e movimentação interna de insumos. f) locação de equipamentos (Anexo 3): Por fim, argumenta a recorrente que deve ser reconhecido o direito aos créditos de PIS/COFINS decorrentes das locações de máquinas, equipamentos e veículos utilizados diretamente no processo produtivo, locados de pessoas jurídicas, conforme autoriza o art. 3°, IV, da Lei 10.833/2003. Vejamos. A fiscalização glosou os créditos por entender que as locações de máquinas e equipamentos não são utilizados diretamente no processo produtivo. O Ilustre Julgador a quo manteve a glosa em análise, concluindo que: (...) a própria Manifestante citou o serviço prestado pela empresa Terragama do Brasil Empreendimentos e Construções Ltda: movimentação e manuseio de granéis sólidos, movimentação e manuseio de matérias primas, descarga de enxofre, transferência de rocha, alimentação do poço de fusão de enxofre, e movimentação do pátio ferroviário, dragagem manuseio transporte interno de resíduos das lagoas, bem como a locação de máquinas e equipamentos necessários para a execução dos serviços. Ora, se a Terragama presta o serviço de transporte entre as unidades internas da Requerente (serviço este que não gera crédito), e ao mesmo tempo loca as máquinas e equipamentos para executar tal serviço, é possível afirmar que as locações de máquinas e equipamentos não são utilizados diretamente no processo produtivo, mas no serviço de transporte e movimentação intema. Portanto, correta a glosa de crédito efetuada pela Fiscalização. Nesse ponto, observe-se que, apesar das conclusões da decisão de primeira instância, em seu recurso voluntário, a interessada se limitou a trazer alegações genéricas, eximindo-se de apresentar contestação específica e de instruir o processo com elementos de prova que pudessem demonstrar a realização do negócio de locação de máquinas e equipamentos, sequer descritivo do tipo de maquinário ou equipamentos foi trazido pela recorrente. Neste contexto, mantem-se a glosa. No tocante ao pedido de diligência, há que se lembrar que a recorrente teve todas as oportunidades, no curso do contencioso administrativo, para trazer os elementos suficientes e necessários para comprovar seu direito creditório, sobretudo sua completa escrituração contábil Fl. 406DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3302-014.039 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13861.000061/2005-00 fiscal e os documentos que a lastreiam, não se justificando, no presente caso, a realização de diligência para suprir carência probatória - uma vez que a diligência não se afigura como remédio processual para suprir injustificada omissão probatória, especialmente de provas documentais que já poderiam ter sido juntadas aos autos. III – Do dispositivo: Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário, para no mérito dar-lhe parcial provimento para reverter as seguintes glosas: (i) serviços de frete na aquisição de insumos; (ii) serviço de remoção de gesso; (iii) serviços de armazenagem e movimentação interna de insumos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green Fl. 407DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 15504.015179/2010-86
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
IRRF. COMPENSAÇÃO COM 0 IR DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. SÓCIO REPRESENTANTE DE EMPRESA. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E DO SEU RECOLHIMENTO.
A compensação de imposto de renda retido na fonte, no caso de sócios, pressupõe a prova da sua retenção e do seu efetivo recolhimento com documentação hábil e idônea.
TAXA SELIC - APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 4
Nos termos da Súmula CARF nº 4, àpartir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA - CARÁTER CONFISCATÓRIO - INOCORRÊNCIA
A multa de ofício de 75%, tem previsão legal no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e deve ser aplicada nos casos nela previstos.
Numero da decisão: 2002-008.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sateles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gleison Pimenta Sousa, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 IRRF. COMPENSAÇÃO COM 0 IR DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. SÓCIO REPRESENTANTE DE EMPRESA. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E DO SEU RECOLHIMENTO. A compensação de imposto de renda retido na fonte, no caso de sócios, pressupõe a prova da sua retenção e do seu efetivo recolhimento com documentação hábil e idônea. TAXA SELIC - APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 4 Nos termos da Súmula CARF nº 4, àpartir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA - CARÁTER CONFISCATÓRIO - INOCORRÊNCIA A multa de ofício de 75%, tem previsão legal no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e deve ser aplicada nos casos nela previstos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gleison Pimenta Sousa, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
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COMPENSAÇÃO COM 0 IR DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. SÓCIO REPRESENTANTE DE EMPRESA. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E DO SEU RECOLHIMENTO. A compensação de imposto de renda retido na fonte, no caso de sócios, pressupõe a prova da sua retenção e do seu efetivo recolhimento com documentação hábil e idônea. TAXA SELIC - APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 4 Nos termos da Súmula CARF nº 4, “ àpartir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.” MULTA - CARÁTER CONFISCATÓRIO - INOCORRÊNCIA A multa de ofício de 75%, tem previsão legal no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e deve ser aplicada nos casos nela previstos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gleison Pimenta Sousa, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 51 79 /2 01 0- 86 Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-008.141 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.015179/2010-86 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2009, ano-calendário 2008, por meio da qual se exige o crédito tributário de R$ 1.899,82, assim discriminado: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CÓD DARF VALORES EM REAIS IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - SUPLEMENTAR - SUJEITO A MULTA DE OFÍCIO 2904 268,08 MULTA DE OFÍCIO - PASSÍVEL DE REDUÇÃO 201,06 JUROS DE MORA - CALCULADOS ATÉ 30/07/2010 29,48 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA 0211 1.069,63 MULTA DE MORA 213,92 JUROS DE MORA – CALCULADOS ATÉ 30/07/2010 117,65 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO 1.899,82 A notificação de lançamento originou-se da revisão da declaração de ajuste anual, quando foi glosado o valor declarado de imposto de renda retido na fonte de R$2.356,18 e contribuição previdenciária oficial de R$3.936,74 sob a justificativa de que o contribuinte é sócio da empresa Transportes Nogueira Lima Ltda EPP que reteve do rendimento mas não fez o recolhimento e não pode se beneficiar desta situação. O contribuinte teve ciência do lançamento em 28/07/2010 conforme comprovante anexado às fls. 32. Em 26/08/2010, o interessado apresentou impugnação juntada à fl. 01, na qual alega que os valores constam do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. Salienta que já houve tributação na fonte conforme cópia da DIRF fornecida pela empresa. Informa que junta cópia da DIRF 2008, ano calendário 2007 por meio da qual comprova o fato de que os valores foram descontados do impugnante, e, desta forma, passaram a ser responsabilidade e obrigação tributária da empresa. Esclarece que não faz mais parte do quadro societário da empresa pois vendeu sua participação. Em razão deste fato, até o presente momento, não conseguiu obter os comprovantes de recolhimento do imposto respectivo. Pede diligência ou perícia na empresa com a finalidade de investigar e apurar o devido recolhimento do tributo retido na fonte. Para tanto indica perito às fls. 15. Requer, ao final, a realização de diligência/perícia suscitada acima para constatação do recolhimento do tributo e conseqüente declaração de insubsistência da Notificação. Requer ainda em caso de constatação de ausência de recolhimento, que seja declarada a ausência de responsabilidade do impugnante. Cientificado da decisão de primeira instância em 17/04/2012, o sujeito passivo interpôs, em 18/05/2012, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-008.141 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.015179/2010-86 a) tempestividade do recurso voluntário b) o contribuinte não é responsável solidário pelo recolhimento de IRRF não realizado pela pessoa jurídica fonte pagadora - os valores declarados foram retidos dos seus rendimentos c) inaplicabilidade da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora d) a multa deve ser considerada improcedente por ser acessória à obrigação principal indevida e) a multa aplicada pela autoridade fiscal possui caráter confiscatório f) a multa aplicada viola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade g) inexigibilidade de arrolamento de bens para admissibilidade do recurso h) cabe à autoridade fiscal comprovar que os documentos apresentados não são válidos ou a ocorrência da infração tributária É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas De Souza Costa - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre a responsabilidade do contribuinte pelo recolhimento de IRRF não realizado pela pessoa jurídica fonte pagadora, sobre os valores declarados e retidos dos seus rendimentos. Também questiona a aplicação da multa e da utilização da taxa SELIC. Sobre a utilização da taxa SELIC esclarecemos o teor da Súmula CARF nº 4 que assim dispõe: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Os questionamentos sobre a multa aplicada não tem o condão de elidir a imposição da multa de ofício de 75%, que é ditame claro da Lei nº 9.430/1996, senão vejamos: “Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-008.141 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.015179/2010-86 Deste modo, verificando-se infração à legislação tributária, corretamente a autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 75% sobre o crédito apurado, não podendo o referido percentual ser relevado/atenuado por esta instância de julgamento. Com relação ao mérito, tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 114, § 12 inciso I do Regimento Interno do CARF (RICARF), reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: A impugnação é tempestiva, e atende aos demais requisitos do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 e alterações posteriores. Assim, dela tomo conhecimento. Inicialmente, quanto aos requisitos específicos da Notificação de Lançamento, destaque-se que houve o regular lançamento, tendo o servidor competente qualificado o sujeito passivo, descrito o fato, apontadas as disposições legais infringidas e a penalidade aplicável e determinado a exigência com a respectiva intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo legal. O feito fiscal em questão decorreu, como relatado, da glosa de dedução de contribuição previdenciária oficial e da compensação de imposto de renda retido na fonte informados na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física DIRPF/2009, em relação às quais o contribuinte pretende sejam restabelecidas. Conforme disposto no artigo 8º da Lei 9.250, de 26/12/1995, a base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, e as deduções previstas na legislação, sujeitas à comprovação ou justificação. Do imposto apurado poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12). O Imposto de Renda Retido na Fonte somente poderá ser compensado na declaração, se, efetivamente, o ônus de pagamento tenha sido do contribuinte e o contribuinte possua comprovante de rendimentos e de retenção de imposto emitido em seu nome pela fonte pagadora (Lei nº 7.450, de 1985, artigo 55). A respeito do direito à dedução do imposto de renda retido na fonte e do comprovante da retenção, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, em seus artigos 87, inciso IV e §2º, e 943, §2º, preceitua: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos artigos. 7º, §§1ºe 2º, e 8º, §1º(Lei nº7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Art. 88. O montante determinado na forma do artigo anterior constituirá, se positivo, saldo do imposto a pagar (art. 104) e, se negativo, valor a ser restituído (Lei nº9.250, de 1995, art. 13). As contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios são dedutíveis na base de calculo do imposto devido na declaração de rendimentos, desde que devidamente comprovadas (art. 8, II da Lei nº 9.250/95). Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-008.141 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.015179/2010-86 Especificamente sobre esta dedução, o art. 74 do Decreto nº 3.000/1999 dispôs que: “na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderão ser deduzidas: I – as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios...”. Já a Instrução Normativa SRF nº 15/2001, em seu art. 37, inciso I, regulamentou que somente são admitidas, a título de dedução, as contribuições à previdência oficial, cujo ônus tenha sido do próprio contribuinte e desde que destinadas a seu próprio benefício. Verifica-se, pela legislação citada acima, que para o contribuinte usufruir da dedução de contribuição à previdência oficial, ele deve ter suportado o ônus do pagamento das contribuições. Tratando-se de rendimentos relativo a sócio na função de sócio-administrador é exigível a comprovação da efetividade da retenção e do recolhimento do IRRF e das contribuições à previdência oficial. De acordo com o art. 723 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), fundamentado no art. 8º do Decreto- Lei nº 1.736/1979), a seguir transcrito, o contribuinte, na qualidade de sócio administrador e representante da empresa é solidariamente responsável pelo recolhimento do IRRF pela empresa. RIR/99 Art.723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (Decreto-Lei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafoúnico.A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringe-se ao período da respectiva administração, gestão ou representação (Decreto-Lei no 1.736, de 1979, art. 8o, parágrafo único). Significa dizer, que a responsabilidade tributária se estende a uma terceira pessoa (responsabilidade de terceiros): sócio, diretor, gerente ou representante legal da pessoa jurídica de direito privado, pelos débitos decorrentes do não recolhimento de tributos descontados na fonte. O contribuinte tinha o dever, na condição de gestor da empresa (fonte pagadora), de determinar o recolhimento do imposto de renda retido na fonte. Assim, quando o beneficiário é sócio da pessoa jurídica pagadora e retentora do imposto e/ou o responsável pela mesma, a simples existência de informe de rendimentos já não basta para comprovação da retenção do imposto de renda na fonte. Sendo necessária, nestes casos, a apresentação de DIRF com a indicação da retenção do imposto e existência de comprovantes de recolhimentos efetuados sob o respectivo código. Sobre a matéria, a Instrução Normativa SRF nº 28, de 22 de março de 1984, estabelece, em seus itens 1, 2 e 3: 1. Fica suspensa a eventual restituição de imposto de renda, atribuída a diretores de pessoas jurídicas, sociedades de economia mista e empresas públicas, quando essas pessoas jurídicas não tenham recolhido à Fazenda Nacional imposto de renda que retiveram na fonte. 2. O disposto no item anterior se estende a titular de firma individual e a sócios- gerentes de sociedades. 3. Cessará a suspensão da restituição uma vez regularizada a situação fiscal da pessoa jurídica. O contribuinte é identificado nos sistemas da RFB como sócio da fonte pagadora, Transportes Nogueira Lima Ltda –EPP, no período de 24/06/1997 a 22/03/2010. Portanto, ainda que haja DIRF apresentada pela pessoa jurídica informando a retenção de imposto na fonte, resultante de pagamento de pró-labore ao sócio da empresa, deve ser comprovado o recolhimento do tributo pela pessoa jurídica. Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-008.141 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.015179/2010-86 Quanto aos documentos juntados às fls. 18 à 29 referem-se os mesmos ao ano calendário 2007 tratando o presente lançamento do ano calendário 2008. Os documentos referentes ao ano calendário 2008 foram juntados ao processo comprot 15504.015178/2010-31 tratando-se de três guias DARF, recibos de pro-labore e comprovantes de transferência eletrônica. As guias referem-se aos meses de maio, julho e agosto recolhidas no código 0588 no valor de R$389,16. De acordo com a DIRF o contribuinte teve retido nestes meses o valor de R$ 194,58. Faz jus assim ao restabelecimento de compensação do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 583,74. Assim, não tendo o contribuinte comprovado a efetividade do recolhimento do imposto de renda retido na fonte para os demais meses e nem o recolhimento da contribuição previdenciária oficial, mantém-se a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Desta forma, efetuados o ajuste com o restabelecimento da compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte deR$583,74. Total de Rendimentos Tributáveis Declarados............R$36.000,00 Total das Deduções Declaradas ...................................R$14.544,91 Glosa de Deduções Indevidas........................................R$3.936,74 Base de Cálculo Apurada..............................................R$25.391,83 Imposto Apurado.............................................................R$1.337,71 Compensação do Imposto Retido na Fonte restabelecido em julgamento ............................................................................................R$583,74 Imposto Suplementar..........................................................R$753,97 Em relação ao pedido do contribuinte para que fosse efetuada uma perícia, verifica-se que inexistem razões capazes de justificar a realização da mesma. A realização de prova pericial é necessária quando a análise do seu objeto depende de conhecimentos técnicos especializados que contribua para a elucidação dos fatos em discussão. A realização da prova pericial não se destina a suprir provas que o contribuinte deixou de apresentar à Fiscalização no momento da ação fiscal ou omitiu quando de sua impugnação. Isto posto, voto por considerar procedente em parte a impugnação para alterar o imposto suplementar a pagar, devendo o valor exigido no código 2904 – passar de R$268,08 para o valor de R$188,42 (Cento e oitenta e oito reais e quarenta e dois centavos), a ser acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros de mora; e o valor lançado no código 0211 - passar de R$1.069,63 para R$565,55 a ser exigido com multa de mora e juros de mora. Erica Luciana Alves Relatora Embora este relator compartilhe do entendimento de que o contribuinte não é responsável solidário pelo recolhimento de IRRF não realizado pela pessoa jurídica fonte pagadora, no presente caso verificou-se que era o próprio recorrente um dos responsáveis direto pelo recolhimento do IRRF na qualidade de sócio administrador da empresa. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, Negar- lhe Provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas De Souza Costa Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-008.141 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.015179/2010-86 Fl. 105DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10980.905543/2018-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa.
VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE.
Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
null
IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável.
INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos.
INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE.
Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações.
INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE.
É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero.
INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie.
CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições.
CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos.
SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE.
A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas.
SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos.
PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE.
O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR.
EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito.
MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos.
SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente.
FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos.
SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito.
Numero da decisão: 3301-013.506
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD FÁB PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no Arquivo Não-Paginável ZIP (Doc_37_1.xlsb) e no Arquivo Não-Paginável ZIP (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de Serviços de Venda, de Reentrega, Transferência, Envio e Remessa e Retorno. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD FÁB PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no Arquivo Não-Paginável ZIP (Doc_37_1.xlsb) e no Arquivo Não-Paginável ZIP (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de Serviços de Venda, de Reentrega, Transferência, Envio e Remessa e Retorno. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE. Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP null IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável. INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero. INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos. SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas. SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos. PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito. MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos. SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente. FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE. Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável. INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 55 43 /2 01 8- 10 Fl. 7650DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero. INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos. Fl. 7651DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas. SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos. PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito. MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos. SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 7652DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente. FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico- eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao Fl. 7653DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ, que julgou procedente em parte/improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não reconheceu o direito da recorrente ao crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) e não homologou as Declarações de Compensação (Dcomp), objeto deste processo administrativo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, com base na Informação Fiscal e Planilhas de Cálculo anexas, partes integrantes do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório do contribuinte e, consequentemente, indeferiu o PER e não homologou as Dcomp. Intimada do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, requerendo: I) em preliminar: I.1) o reconhecimento da vinculação do presente processo aos 13 (treze) nela discriminados, bem como o julgamento conjunto de todos eles, ou, subsidiariamente, o sobrestamento do presente até o julgamento do de nº 10980.726089/2018-32, evitando-se a prolação de decisões conflitantes; e, I.2) a nulidade do lançamento tributário em razão da ausência de fundamentação, mais especificadamente, falta da adoção de critérios Fl. 7654DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 próprios para a glosa dos créditos descontados sobre bens e serviços; e, II) no mérito, discorreu sobre o conceito de insumos, concluindo que tem direito aos créditos glosados pela Fiscalização, descontados sobre os custos/despesas incorridos com: II.1) bens para revenda; II.2) bens utilizados como insumos; II.3) serviços utilizados como insumos; e, II.4) serviços utilizados como insumos decorrentes de importação; defendeu ainda a aplicação do princípio da verdade material e alegou excesso de glosa de créditos. Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ rejeitou a suscitada nulidade do lançamento, de fato, do despacho decisório; e, no mérito, julgou-a procedente/improcedente em parte, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS-PASEP/COFINS Período de apuração: [...] CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1221170/PR. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1221170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório demandado. LIQUIDEZ E CERTEZA. A mera alegação da existência de crédito, desacompanhada de elementos de prova - certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão da glosa de créditos. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, suscitando/ requerendo: I) em preliminar: I.1) a necessidade de vinculação dos treze processos administrativos elencados no tópico II.1, do recurso voluntário, ao presente processo, para que sejam julgados concomitantemente; I.2) a nulidade do acórdão recorrido por vícios e omissões; e, I.3) a realização de diligência, caso se entenda que os documentos e esclarecimentos apresentados não sejam suficientes para a reversão das glosas dos créditos mantidas pela DRJ; e, II) no mérito, defendeu a reversão das glosas dos créditos efetuadas pela Fiscalização e mantidas pela DRJ sobre os custos/despesas incorridos com bens/serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda e com aquisições de bens para revenda. Em síntese, é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 7655DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 Quanto Ao mérito, exceto quanto aos créditos extemporâneos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O recurso voluntário interposto pela recorrente atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF; assim dele conheço. I) Preliminares I.1) Nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida. De acordo com Decreto nº 70.235/72, somente são nulos os atos administrativos proferidos por autoridade incompetente e/ ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: Art. 59. São nulos: (...) II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...). No presente caso, o despacho decisório foi proferido pela DRF em Curitiba/PR, autoridade competente para se manifestar sobre o PER/Dcomp apresentado pela recorrente, conforme previsto no art. 280, inciso VI, da Portaria MF nº 125/2009. Já a decisão recorrida foi proferida pela DRJ em Porto Alegre/RS, autoridade competente para julgar a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as Dcomp transmitidas. No despacho decisório, consta o valor correto do pedido de ressarcimento/ compensação transmitido pela recorrente; já os fundamentos e a motivação das glosas dos créditos e, consequentemente, do indeferimento e da não homologação das Dcomp, constam da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Também, a decisão recorrida contém a motivação e a fundamentação da glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização e mantida pela DRJ, conforme consta do seu voto condutor. Em resumo, a motivação e a fundamentação da DRJ para a manutenção da glosa dos créditos foram as mesmas da Fiscalização, ou seja, os bens e serviços cujos créditos foram glosados não se enquadram no conceito de insumos, nos termos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, conforme consta do voto do Relator. Essa motivEação e fundamentação permitiram à recorrente exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez expressamente no recurso voluntário em análise. Assim, não há que se falar em nulidade do despacho decisório nem da decisão recorrida. I.2) Diligência A realização de diligência está prevista no Decreto nº 70.235/72, literalmente: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 7656DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. No presente caso, a recorrente solicitou a baixa do processo à Unidade de Origem para a realização de diligência, visando à análise, pela Fiscalização, das Notas Fiscais de compras, disponibilizadas em seu domínio eletrônico, que compuseram a base de cálculo das contribuições cujos custos/despesas tiveram os créditos glosados. Ao contrário do seu entendimento, a Fiscalização examinou as Notas Fiscais de compras de bens e de serviços para efetuar a glosa dos créditos que, no seu entendimento, não se enquadram no conceito de insumos, nos termos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, conforme consta do Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Assim, rejeito o pedido de diligência. I.3) Necessidade de vinculação por conexão com outros processos administrativos No presente caso, o processo em julgamento é paradigma para 8 (oito) dos 13 (treze) processos cujos julgamentos a recorrente solicitou vinculação por conexão. O lote deste paradigma é composto pelos seguintes processos: 1) 10980.905534/2018-29; 2) 10980.905545/2018-17; 3) 10980.905541/2018-21; 4) 10980.905540/2018-86; 5) 10980.905539/2018-51; 6) 10980.905536/2018-18; 7) 10980.905535/2018-73; 8) 10980.905543/2018-10. Assim, a decisão neste processo será aplicada àqueles oito. Quanto aos outros (cinco), solicitamos a distribuição dos processos 10980.726089/2018-32 (autos de infração do PIS/Cofins) e 10980.905537/2018-62 (PER/Dcomp) para este Relator e serão relatados e julgados nesta mesma sessão; o processo 10980.905544/2018-64, encontra-se ainda na DRJ em Ribeirão Preto/SP, na equipe “CEGEP- COCAJ-RPO-SP-GESTOR02-PRR/DCOMP”, na atividade “Tratar CONTENCIOSO – Distribuição”; o processo 10980.726092/2018-56, da multa isolada, foi juntado por apensação ao de nº 10980.905538/2018-15 que trata da Dcomp que originou esta penalidade. Contudo, embora ambos estejam no CARF. na equipe “DISOR-CEGAP-CARF-CA03”, na atividade “Tratar CONTENCIOSO – Distribuição”, de seus exames, verificamos que a impugnação oposta contra a exigência da multa isolada não foi julgada pela DRJ; assim, os dois deverão ser devolvidos à DRJ de origem para o julgamento da impugnação. Dessa forma, a solicitação da recorrente para o julgamento concomitante dos processos que estão no CARF e que foram objeto de recurso voluntário está sendo atendida. II) Mérito As questões de mérito abrangem a glosa de créditos descontados pela recorrente sobre os custos/despesas de aquisições de insumos e serviços do seu processo produtivo e de bens para revenda. Fl. 7657DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 A legislação tributária que trata do PIS e da Cofins sob o regime não cumulativo, vigentes à época dos fatos geradores do PER/Dcomp em discussão, assim dispunham, quanto ao desconto de créditos dessas contribuições e seus aproveitamentos: -Lei nº 10.637/2002: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...) § 1 o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) § 3 o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Fl. 7658DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 -Lei nº 10.833/2003: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...) § 1 o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3 o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I - nos incisos I e II do § 3 o do art. 1 o desta Lei; II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1 o e 10 a 20 do art. 3 o desta Lei; (...) Fl. 7659DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 -Lei nº 10.865/2004: Art. 2º As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) X - o custo do transporte internacional e de outros serviços, que tiverem sido computados no valor aduaneiro que serviu de base de cálculo da contribuição. (...) Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I - bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) V - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 1º-A. O valor da Cofins-Importação pago em decorrência do adicional de alíquota de que trata o § 21 do art. 8º não gera direito ao desconto do crédito de que trata o caput. (...) § 3º O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8º sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. § 4º Na hipótese do inciso V do caput deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas referidas no § 3º deste artigo sobre o valor da depreciação ou amortização contabilizada a cada mês. § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam-se, no que couber, as disposições dos §§ 7º e 9º do art. 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) Os dispositivos legais citados e transcritos elencam os custos/despesas que dão direito a descontar créditos das contribuições, estabelecem o sistema de cálculo, sua utilização e o aproveitamento do saldo credor trimestral. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em 22 de fevereiro de 2018, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito de recurso repetitivo, quais os custos/despesas que devem ser considerados como insumos dos bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inc. II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citado e transcrito anteriormente. Consoante à decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a impossibilidade ou a Fl. 7660DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A77 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". No presente caso, a recorrente é uma empresa que tem como atividade econômica, dentre outras: i) a industrialização, comercialização, distribuição, locação e assistência técnica de bens e equipamentos de qualquer natureza na área de informática e eletroeletrônica; ii) a industrialização, comercialização e desenvolvimento de projetos tecnológicos na área de informática e eletroeletrônica; iii) a representação, comercialização, planejamento, implantação, treinamento, suporte técnico, suporte pedagógico e assistência técnica de equipamentos, laboratórios e mobiliário de informática, franquias, sistemas de aplicação pedagógica, sistemas de administração escolar e sistema didáticos de ensino; e, iv) a prestação de serviços na área de informática. Assim, com fundamento nos dispositivos legais citados e transcritos, no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e nas atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente, passemos à análise das matérias impugnadas nesta fase recursal. II.1) Bens para Revenda II.1.1) Equivocada Alegação Fiscal de Apropriação de Créditos Recuperáveis de IPI – Inexistência de Apropriação dos Referidos Créditos A recorrente defende a reversão da glosa de créditos descontados sobre o valor do IPI não recuperável pago sobre a aquisição de bens para revenda sob o argumento de que esse valor integra o custo da mercadoria vendida. Segundo o inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a aquisição de bens para revenda dá direito ao desconto de créditos; já o inciso II do § 2º, desse mesmo artigo, prevê que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dará direito ao desconto de créditos. No presente caso, as contribuições não incidiram sobre o valor total das Notas Fiscais de aquisições dos bens destinados à revenda, mas tão somente sobre o valor do bem, conforme provam as cópias das notas carreadas aos autos pela própria recorrente. O IPI destacado na nota fiscal, independentemente de ser ou não recuperável não integra a base de cálculo das contribuições. Assim, a glosa efetuada pela Fiscalização deve ser mantida; II.2) Bens utilizados como insumos II.2.1) IPI Recuperável – Inexistência de Créditos de PIS e Cofins – Glosa Indevida A recorrente alegou que, ao contrário do entendimento da Fiscalização, não descontou créditos sobre o valor do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição de insumos pelo fato de tratar de imposto recuperável. Se não houve desconto de créditos por parte da recorrente, não houve glosa por parte da Fiscalização. Dessa forma, não há mérito a ser analisado e julgado neste item. II.2.2) Insumos Creditados pela Recorrente Fl. 7661DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 Neste item, defendeu o direito de descontar créditos sobre os seguintes bens/serviços: a) Álcool e licença para uso de Software Os custos/despesas com álcool e com licença para uso de Software, segundo depreendemos da documentação carreada aos autos, são utilizados no seu processo produtivo. O álcool é utilizado na montagem dos computadores para limpeza e higienização de placas-mães de circuitos impressos dos equipamentos eletrônicos produzidos; já a despesa com software refere- se a contrato de cessão de direito para uso de programas na produção dos equipamentos eletrônicos fabricados e vendidos pela recorrente. Dessa forma, ambos os custos/despesas enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. Portanto, a glosa dos créditos sobre tais custos/despesas deve ser revertida. b) Pallets As despesas incorridas com pallets não constituem insumos do processo de produção dos bens destinados à venda. A própria recorrente informou no recurso voluntário que se trata de produtos intermediários utilizados no transporte de insumos. Assim, como não se enquadra no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR, a glosa dos créditos sobre tais despesas deve ser mantida. c) Estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica Também, neste caso, trata-se de despesas que não se enquadram no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. Assim, a glosa dos créditos sobre tais despesas deve ser mantida. d) Ferramentas, instrumentos e aparelho para medidas e controle de grandezas: A própria recorrente informou e demonstrou no seu recurso voluntário que tais custos foram incorridos com ferramentas que dão direito ao desconto de créditos sobre os encargos de suas depreciações. Segundo o inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 os custos com aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, dão direito ao desconto de créditos. Por sua vez, o inciso III do § 1º, desse mesmo artigo, determina que o crédito sobre tais custos seja calculado sobre os encargos de depreciação dos respectivos bens. Opcionalmente, segundo o § 14 daquele mesmo artigo, o crédito pode ser calculado no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º das referidas leis sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição. No presente caso, a recorrente não utilizou nenhum das duas opções previstas em lei, calculando e descontando o crédito sobre o valor total da aquisição, contrariando aqueles dispositivos legais. Fl. 7662DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 Dessa forma, a glosa dos créditos deve ser mantida. II.2.3) Notas Fiscais com Alíquota Zero O desconto de créditos do PIS e da Cofins sobre a aquisição de bens utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda está previsto no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente. Consta expressamente do § 2º, inciso II, do art. 3º das referidas leis, que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dá direito ao desconto de créditos. Assim, a glosa dos créditos sobre a aquisição de bens representados por notas fiscais com alíquota zero deve ser mantida. II.2.4) Indevida Exclusão dos Conhecimentos de Transporte – Suposta Alegação de Ausência de Tributação da Mercadoria Transportada Os custos com fretes incorridos na operação de compra de insumos, suportados pela recorrente, integram o custo da matéria-prima adquirida. O desconto de créditos das contribuições sobre os custos de insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda está previsto no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, os fretes utilizados no transporte de insumos adquiridos foram contratados com pessoas jurídicas e tributados pelas contribuições para o PIS e Cofins. Dessa forma, a glosa dos créditos sobre os custos/despesas dos fretes onerados pelas contribuições, incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, deve ser revertida. II.2.6) Serviços de Transporte (Conserto, Devolução, Retorno Substituição Em Garantia, dentre outros) – “GLOSA FRETE” Neste item, a recorrente defende o direito de descontar créditos sobre as despesas com fretes incorridas com: a) devolução de mercadorias, b) intercompany (transferências) de ativo imobilizado; c) intercompany (transferências) de insumos e mercadorias; d) remessa em bonificação; e, e) remessa/retorno para conserto. O direito de descontar créditos sobre despesas incorridas com fretes está previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 que, inclusive aplica-se ao PIS. Segundo aquele inciso, o desconto de créditos sobre despesas incorridas com fretes aplica-se somente aos fretes na operação de venda. No presente caso, nenhuma das referidas despesas foram incorridas na operação de venda dos bens produzidos e/ ou na revenda de bens adquiridos. No entanto, as despesas incorridas com fretes no transporte/movimentação de insumos, denominadas “intercompany” com remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizadas pela recorrente integram, respectivamente, o custo matéria-prima dos bens produzidos e dos serviços prestados e, portanto, se enquadram no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Já as demais despesas não se enquadram naquele dispositivo legal nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Fl. 7663DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 O conceito de insumos dado pelo STJ aplica-se apenas e tão somente aos custos/despesas imprescindíveis à produção dos bens destinados à venda e à prestação de serviços (assistência técnica/prestação de serviços). No presente caso, tais despesas não são imprescindíveis à produção dos bens destinados a venda, aliás, trata-se de despesas incorridas depois de suas produções. Por isso, entendo que as referidas despesas, com exceção dos fretes incorridos na transferência/movimentação de insumos entre os estabelecimentos e na remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizadas pela recorrente, não dão direito ao desconto de créditos, por não se enquadrarem no inciso II do artigo 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e também por não se subsumirem ao conceito de insumo dado pelo STJ no julgamento do referido REsp nem no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10;833/2003. Dessa forma, somente a glosa de créditos descontados sobre os custos/despesas com (i) fretes na transferência/movimentação de insumos (intercompany) e (ii) com fretes na remessa/retorno de bens consertados (assistência técnica/prestação de serviços) deve ser revertida. II.2.7) Suposta Ausência de Informações para Fins de Creditamento – Supostos Dados Faltantes A recorrente alegou que a Fiscalização glosou créditos sobre serviços de fretes sob o fundamento de que “não foi possível identificar o tipo de serviço já que a empresa não informou dados essenciais para a identificação do direito a crédito, nos campos EFD Contribuições ‘descrição da mercadoria/serviço’, ‘código NCM’ e ‘Código CFOP’”; alegou ainda que informou na manifestação de inconformidade que tais serviços referiam-se a gastos com fretes intramunicipais os quais não dispõem das informações (CFOP e NCM); o certo é que tais despesas compõem o custo incorrido pela recorrente em decorrência de sua atividade econômica. Ao contrário do seu entendimento, consta expressamente da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, que a Fiscalização efetuou a glosa desse item pelo fato de não ter sido possível identificar a natureza do serviço prestado, tendo em vista que nas informações prestadas não foram apresentados dados essenciais para a comprovação do direito creditório. Nesta fase recursal, conforme demonstrado, a recorrente limitou-se a informar que se trata de gastos com fretes municipais que não dispõem das informações CFOP e NCM e que o certo é que tais despesas compõem o custo de produção dos bens produzidos por ela. Inicialmente, caberia a ela ter apresentado, desde a manifestação de inconformidade, documentação fiscal e contábil demonstrando a natureza dos fretes e em quais operações foram incorridos. Conforme demonstrado anteriormente, no item II.2.6 deste voto, o desconto de créditos sobre gastos com frete somente é permitido sobre despesa na operação de venda, conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, quando suportado pelo vendedor, e sobre frete na aquisição de bens utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda e/ ou para revenda, nos termos do inciso II do mesmo artigo. No presente caso, a recorrente em momento algum demonstrou a natureza dos fretes e em quais setores da empresa foram incorridos, limitando-se a alegar que se trata de fretes intramunicipais que não possuem códigos CFOP e NCM. Fl. 7664DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 Dessa forma, a glosa dos créditos sobre tais fretes deve ser mantida. III) Serviços Utilizados Como Insumos III.1) Da prestação de serviços de Assistência Técnica – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “(Alimentação/Refeição”, “Deslocamentos/Diária/Hospedagem”, “Despesas Não Planejadas”, “Reembolso de Icms” e “Telegrama” A recorrente alegou que tais despesas são incorridas com a prestação de serviços de assistência técnica dada a seus clientes por meio de terceiros, ou seja, empresas contratadas por ela para esse fim. Alegou ainda que Fiscalização ao invés de considerar o total da nota fiscal emitida pelo prestador do serviço, excluiu o valor correspondente àqueles itens, ou seja, alimentação/refeição, deslocamentos/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama. Para comprovar essa alegação, não apresentou cópia de nenhuma nota fiscal, mas apenas reproduziu no recurso voluntário o que seriam as Notas Fiscais nº 1414, emitida pela Terabytte Service Comercial Ltda. – ME e nº 2142, emitida pela RM Brasília Informática Ltda. Contudo, de seus exames não encontramos na discriminação dos serviços prestados, ou seja, no seu corpo, nenhuma das referidas rubricas. Nos pedidos de ressarcimento/compensação de créditos financeiros, o ônus de provar a certeza e liquidez do valor pleiteado/compensado é do contribuinte, conforme previsto no inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e no inciso I do art. 373 da Lei nº 13.105/2015 (Novo Código de Processo Civil). Também, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regulamenta o processo administrativo, determina: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Assim, a glosa de créditos sobre tais despesas deve ser mantida. III.2) Da prestação de serviços de Publicidade e Propaganda – Itens glosados referenciados pela Agente Fiscal como “Agenciamento de publicidade e propaganda/honorários agência”, “Serviços de campanhas e incentivos e de pesquisas MKT”, “Serviços suporte a gestão”, “Serviços de elaboração de revista/inspeção visual/de produção de eventos/de produção de fotos”, “Acordo mensal MKT”, “Administração de contratos” e “Produção filmes/textos/artigos e vídeos” Inexiste amparo legal para o desconto de créditos sobre essas despesas. O direito ao desconto de créditos das contribuições sobre custos/despesas incorridos pela pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades econômicas está previsto no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, todos citados e transcritos anteriormente neste voto. Nenhum das referidas despesas estão contempladas naqueles dispositivos legais. Já a alegação de que se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR não prospera. O STJ analisou e julgou custos/despesas vinculados ao processo de produção/industrialização de bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e não a despesas vinculadas à administração da empresa e à comercialização dos produtos. Fl. 7665DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 As despesas impugnadas neste item não têm vinculação direta com o processo de produção dos bens fabricados e vendidos pela recorrente. As únicas despesas incorridas pela pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades, que dão direito ao desconto de créditos, são aquelas elencadas expressamente nos incisos do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. As despesas discriminadas neste item não estão elencadas dentre aquelas que dão direito ao crédito. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre as despesas deste item deve ser mantida. III.3) Da prestação de serviços de Representação Comercial – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Comissões Sobre Vendas” e “Intermediação de Negócios” Assim como no item imediatamente anterior (III.2), trata-se de despesas vinculadas à comercialização dos bens produzidos e vendidos cujo direito ao desconto de créditos não está previsto na legislação do PIS e da Cofins. Também, tais despesas não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, tendo em vista não estão vinculadas à produção e sim à comercialização. A única despesa vinculada à comercialização dos bens produzidos e vendidos, que dá direito ao desconto de créditos, é despesa com frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que também se aplica ao PIS. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser mantida. III.4) Da prestação de serviços de Frete - Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “EPI”, “Ferramentas/fita demarcação”, “Loop back áudio - Anatel - paralelo/duplo/frontal/triplo/único/serial”, “Creme protetor luvex”, “Fita isolante/Fita verde rosca” e “Gás R22 ar condicionado” Neste item, a recorrente reclama fretes sobre o transporte/movimentação dos bens referenciados. Segundo, seu entendimento são despesas que se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do Respe nº 1.221.170/PR. Para comprova a realização das despesas e suas naturezas apresentou como prova o Doc. 13 (Doc_13.xlsx, arquivo não paginável ZIP) carreado aos autos juntamente com a manifestação de inconformidade. No entanto, do exame daquele documento, verificamos que nele constam apenas e tão somente três máquinas que, segundo suas descrições, são utilizadas na produção dos bens destinados à venda. Os demais bens, com exceção das três máquinas, não foram identificados, aliás sequer constam daquele documento. Quanto aos fretes incorridos com a aquisição de EPI, levando-se em conta que seus custos integram o custo total desses equipamentos e que estes dão direito ao desconto de créditos, segundo o conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Portanto, os fretes incorridos nas aquisições dos EPI, devidamente comprovados mediante documentos fiscais (Notas Fiscais de Serviços e/ ou Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte Eletrônico -DACTE), dão direito ao desconto de créditos. Quanto aos demais bens, apenas os fretes incorridos na aquisição das três máquinas, por integrarem seus custos, dão direito ao desconto de créditos. Contudo, o crédito é Fl. 7666DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 determinado sobre os encargos de depreciação das máquinas e não sobre os seus custos de aquisição, conforme previsto no inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente. Dessa forma, apenas a glosa dos créditos descontados sobre os fretes incorridos na aquisição de EPI, deve ser revertida. III.5) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Serviços de Coleta”, “Serviços de Descarga”, “Serviços de Devolução”, “Serviços de Venda”, “Serviços de Reentrega”, “Serviços de Transferência”, “Serviços de Envio”, “Serviços De Remessa e “Retorno” O desconto de créditos sobre despesas incorridas com os referidos serviços não tem amparo na legislação do PIS e Cofins, nos termos das Leis nºs 10.627/2002 e 10.833/2003. Embora tais serviços estejam vinculados a operações comerciais, apenas as despesas com fretes na operação de venda dão direito ao desconto de créditos das contribuições, conforme consta do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que também se aplica ao PIS. Além da hipótese prevista no inciso IX do referido artigo, os custos incorridos com fretes nas aquisições de bens para revenda e de bens utilizados como insumos na produção destinados à venda também dão direito ao desconto de créditos, por integrarem o custo dos bens adquiridos, nos termos do inciso II do art. 3º das referida leis. Contudo, não se trata de insumos nem de bens para revenda. No presente caso, os referidos serviços não se enquadram em nenhum daqueles incisos (II e IX) nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, tendo em vista que se trata de despesas desvinculadas do processo de produção dos bens destinados à venda. Ressaltamos ainda que a Fiscalização não glosou créditos descontados sobre fretes na operação de venda, conforme verificamos da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre os serviços impugnados neste item deve ser mantida. III.6) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Pedágio”, “Seguro”, “Escolta” O desconto de créditos sobre essas despesas não tem amparo legal. Primeiro, pelo fato de não estarem elencadas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/200,3 dentre aquelas que dão direito ao desconto de créditos; e, segundo não estão vinculadas ao processo de produção dos bens destinados á venda, não sendo possível enquadrá-las no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR Especificamente, em relação às despesas com pedágio, a Lei nº 10.209/2001 que criou o vale pedágio, assim dispõe: Art. 2º O valor do Vale-Pedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. (...) Fl. 7667DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 Assim, levando-se em consideração que as despesas com pedágio não foram tributadas pelas contribuições para o PIS e Cofins, não dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Quanto às despesas com seguro e escolta, como não estão vinculadas à produção dos bens destinados à venda, não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Esse julgamento tratou de custos e despesas vinculados à produção e que devem ser consideradas como insumos nos termos do inciso II do art. 3º das referida leis. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre essas despesas deve ser mantida. III.7) Da prestação de serviços de Manutenção Preventiva de Empilhadeiras – Item Glosado Referenciado pela Agente Fiscal como “Serviços de Manutenção Preventiva de Empilhadeiras” As empilhadeiras são bens do ativo imobilizado, essenciais à produção dos bens destinados à venda. São utilizadas na movimentação de insumos e de produtos em elaboração no interior da fábrica. Assim, as despesas incorridas com a suas manutenções enquadram-se como insumos dos produtos fabricados e vendidos e dão direito ao desconto de créditos. Portanto, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser revertida. III.8) Da prestação de serviços de Mão De Obra Temporária – Item Glosado Referenciado pela Agente Fiscal como “Agenciamento de Bens Imóveis e Mão De Obra Temporária/Encargos e Salários” A recorrente defende o direito de descontar créditos sobre as despesas com mão- de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda. Destacou que, conforme se depreende da planilha de glosa de “Resultado Serviços Insumos” elaborada pela Fiscalização, apesar da nomenclatura adotada, “agenciamento de imóveis”, de fato, os serviços, primordialmente, referem-se à contratação por meio de pessoa jurídica com atuação no mercado de agenciamento de mão-de-obra temporária de indivíduos para utilização na produção dos bens destinados à venda. Para comprovar essa alegação, acostou à manifestação de inconformidade, ainda que por amostragem, a documentação que comprova que a despesa “agenciamento de imóveis” corresponde, de fato, à mão-de-obra temporária e que esta foi utilizada na produção dos bens fabricados e vendidos por ela. O desconto de contribuições sobre custo com mão-de-obra temporária utilizada na atividade fim da pessoa jurídica está amparado no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, a recorrente indicou o arquivo não paginável-ZIP Doc_40- 1.xlsx, visando comprovar que toda a mão-de-obra glosada foi utilizada na produção e para comprovar que a rubrica (nomenclatura) “agenciamento de imóveis” integra o custo total da mão- de-obra, apresentou a cópia da Nota Fiscal 14570, (Doc. 40.1), emitida pela empresa Nossa Serviço Temporário de Gestão de Pessoas Ltda. Ao contrário do seu entendimento, a referida documentação não comprova suas alegações. Do exame do “Arquivo não paginável-ZIP, Doc_40_1.xlsb”, verificamos que nele Fl. 7668DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 constam mão-de-obra passível de utilização nas áreas de: 1) logística; 2) produção; e, 3) qualidade, para os cargos de: 1) auxiliar de logística; 2) auxiliara de processo; e, 3) operador de qualidade. Do exame da Nota Fiscal nº 14570, verificamos que nela constam as seguintes rubricas (nomenclaturas): locação de: 1) salários; 2) encargos/provisão; 3) taxa de serviços; e, 4) benefícios. Ressaltamos ainda que, em nenhuma das notas fiscais de prestação de serviços, constantes do Doc. 41, consta a rubrica (nomenclatura) “agenciamento de imóveis”. Levando-se em conta as informações desses dois documentos, examinamos a documentação carreada aos autos relativa à mão-de-obra temporária, cujas glosas foram efetuadas pela Fiscalização. No “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_37_1.xlsb” constam gastos com: 1) expedição; 2) promotores Trade MKT; 3) facilities; 4) MOD PROD – FÁB - PLACAS; no “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_37_2.xlsb, constam gastos com: 1) MOD PROD; e, 2) expedição; e, no “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_40_2.xlsb constam gastos com: 1) expedição; 2) MOD PROD JB; 3) promotores Trade MKT Reg 3; 4) facilities; e, 5) MOD PROD – FÁB PLACAS. O custo como mão-de-obra temporária utilizada na atividade fim da pessoa jurídica está amparado no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.83/2003. Assim, com fundamento no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.83/2003, a glosa dos créditos descontados sobre o custo com a mão-de-obra utilizada na atividade fim da recorrente, ou seja, utilizada na produção dos bens destinados à venda, correspondentes às rubricas (nomenclaturas): 1) MOD PROD – FÁB – PLACAS; 2) MOD PROD; e, 3) MOD PROD JB, discriminados naqueles documentos, deve ser revertida, mantendo-se a glosa sobre as demais rubricas (nomenclatura), por não se enquadrarem no inciso II do art. 3º das referidas leis nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. III.9) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Retrabalho/gabinete/LCD”, “Royalty”, “Móveis”, “Serviços de telemarketing”, “Desenvolvimento de sistemas”, “Desenvolvimento de conteúdo”, “Taxa Infraero” A recorrente alega que tais despesas estão atreladas a etapas operacionais do seu ciclo produtivo e assistência a seus clientes adquirentes dos bens que fabrica e vende; assim, se enquadram como insumos, segundo o conceito do STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Ao contrário do seu entendimento, com exceção das despesas incorridas com Royalties, as demais não são essenciais e/ ou relevantes ao seu processo produtivo e, portanto, não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento daquele REsp nem estão elencadas no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/200 e 10.833/2003, que dão direito ao desconto de créditos. As despesas com Retrabalho/gabinete/LCD não foram identificadas pela recorrente, ou seja, não informou suas naturezas nem onde foram incorridas. A simples alegação de que estão atreladas a etapas operacionais do seu ciclo produtivo não é suficiente para enquadrá-las como insumos; as despesas com Móveis, segundo consta da Informação Fiscal, referem-se a armários, a um conjunto de três bancos, a um tampo central e a um ventilador de coluna; estas despesas não têm vinculação com o processo de produção; a Taxa Infraero, também não foi identificada nem informada sua vinculação com o setor fabril; Serviços de Telemarketing também não têm vinculação com a produção; os Serviços de Desenvolvimento de Sistema, segundo consta do recurso, referem-se a despesas incorridas com serviços de medição de Fl. 7669DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 veiculação em mídia para audiência em sites na web; já os Serviços Desenvolvimento de conteúdo, também conforme consta do recurso voluntário, referem-se a despesas com o Sistema de Controle de Pagamento. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre tais serviços (rubricas) deve ser mantida. Já os gastos com Royalties correspondem aos custos/despesas incorridos com licença para uso de programa de computador destinado ao embarque nos equipamentos produzidos pela recorrente e integram seu custo final. Trata-se de custos/despesas imprescindíveis à produção dos equipamentos eletrônicos fabricados e vendidos pela recorrente. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas com Royalties deve ser revertida. Nesse mesmo item, ao seu final, a recorrente impugnou glosa de créditos sobre “Serviços por Industrialização”. Embora, do exame da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, não tenhamos encontrado quaisquer referências sobre aqueles serviços e, ainda, que a DRJ não tenha decidido sobre tal glosa, levando-se em conta que o julgamento deste processo é paradigma para outros processos desse mesmo contribuinte, passemos a análise e julgamento desta matéria. Os custos/despesas incorridos com “serviços por industrialização” referem-se à produção de bens (componentes elétricos/eletrônicos), encomenda a terceiros, utilizados como produtos intermediários nos bens produzidos pela recorrente, conforme se depreende do exame por amostragem das notas fiscais carreadas aos autos, dentre elas as emitidas pela Soc Educ Santa Catarina, CNPJ 84.684.182/0001-57. Assim, tais custos enquadram-se no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/200 e 10.833/2003, dando direito ao desconto de créditos. Portanto, a glosa dos créditos descontados sobre os referidos serviços (custos) deve ser revertida. III.10) Serviços Utilizados como Insumos – Serviços Decorrentes de Importação – despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais As despesas alfandegárias e aduaneiras e os fretes internacionais, segundo a legislação do PIS e da Cofins, não dão direito ao desconto de créditos. A Lei nº 10.865/2004 que instituiu o PIS-Pasep Importação e a Cofins Importação assim dispôs: Art. 1º Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços - PIS/PASEP-Importação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior - COFINS-Importação, com base nos arts. 149, § 2º , inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º . (...) Art. 2º As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) Fl. 7670DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art149%C2%A72ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art195iv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art195%C2%A76 Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 X - o custo do transporte internacional e de outros serviços, que tiverem sido computados no valor aduaneiro que serviu de base de cálculo da contribuição. (...) Por sua vez, o inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 veda expressamente o desconto de créditos sobre custos/despesas não sujeitos ao pagamento das contribuições, sendo que o § 3º, inciso I, deste mesmo artigo, dispõe que o direito ao crédito aplica-se exclusivamente aos custos/despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Segundo o inciso X do art. 2º da Lei nº 10.865/2004, citado e transcrito, não incidem contribuições, a título de PIS-Importação e Cofins-Importação sobre os custos/despesas com transporte internacional de cargas (fretes) e com outros serviços que tiverem sido computados no valor aduaneiro. Assim, independentemente da falta de informações do contribuinte sobre as importações realizadas, notas fiscais e números das DIs, a glosa dos créditos descontados sobre os serviços alfandegários e aduaneiros e sobre os fretes internacionais deve ser mantida. IV) Da aplicação do princípio da verdade material Conforme demonstrado na Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, a apuração da certeza e liquidez do ressarcimento pleiteado/compensado teve como fundamento a escrituração contábil das contribuições (EFD-Contribuições) e a documentação fiscal e contábil apresentadas pela recorrente. Dessa forma, não há que se falar em inobservância desse princípio. Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indefiro o pedido de diligência e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intecompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) fretes na aquisição de EPI no respetivo trimestre; 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico- eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas.” Quanto aos créditos extemporâneos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com o devido respeito ao didaticamente elaborado voto condutor, de lavra do Ilustre Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, fui designado para redigir o voto vencedor, no que tange á apuração/apropriação e utilização/desconto de créditos extemporâneos, matéria com a qual a maioria da turma julgadora discordou do voto condutor. Em sintéticas palavras, já é pacífico neste CARF o entendimento de que créditos extemporâneos de Contribuição ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativos, apurados Fl. 7671DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 extemporaneamente, podem ser utilizados/descontados, sem a necessidade de retificação de DCTF ou EFD-Contribuições, desde que preencham certos requisitos, quais sejam: - comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Se a recorrente lograr comprovar de forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie, então tais créditos podem ser aproveitados. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex; sobre pedágio e seguro; sobre a despesa com paletes; sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”; e sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 7672DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-013.506 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905543/2018-10 Declaração de Voto Deixa-se de transcrever a declaração de voto apresentada, que pode ser consultada no acórdão paradigma desta decisão. Fl. 7673DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721734/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II)
Data do fato gerador: 09/05/2009
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DOS ASPECTOS FÁTICOS. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO
O mero inconformismo da parte quanto aos fundamentos do v. acórdão de primeira instância não gera por si só a nulidade da decisão, especialmente quando houve uma detida análise da questão posta em julgamento, devendo as suas razões de insurgência serem apreciadas quando do julgamento do mérito recurso.
EXTRAVIO. VISTORIA ADUANEIRA RESPONSABILIDADE. TRANSPORTADOR. INDENIZAÇÃO.
Sendo apurada, em vistoria aduaneira, a responsabilidade do transportador pelo extravio da mercadoria, deve ser ele condenado a indenizar a Fazenda Nacional pelo valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO.
Não merecem subsistir argumentos no sentido de que, em observância ao princípio da verdade material, devem ser acolhidas alegações desprovidas de provas, uma vez que o referido princípio também demanda a comprovação do fato alegado, sendo inconcebível o reconhecimento de qualquer fato, seja para constituir ou desconstituir direitos ou deveres, sem o devido lastro probatório.
CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO EM RAZÃO DO EXTRAVIO. CONSIDERAÇÃO DA ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE IMPOSTO QUE BENEFICIE A MERCADORIA EXTRAVIADA. POSSIBILIDADE.
Ao determinar que não fosse considerado, no cálculo do imposto referente a mercadoria extraviada isenção ou redução que beneficie a mercadoria, o Regulamento Aduaneiro extrapolou a sua competência, exigindo pagamento de valor superior àquele previsto em lei, razão pela qual deve ser permitida a consideração da isenção ou da redução no cálculo da indenização devida, sob pena de se incorrer em ilegalidade e enriquecimento sem causa.
MULTA. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 2
O CARF não pode, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente, na medida em que isso significaria nítida declaração, incidenter tantum, de inconstitucionalidade desta norma.
Inteligência da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA. EXTRAVIO DE MERCADORIA APURADO EM ATO DE VISTORIA ADUANEIRA. APLICABILIDADE.
Restando devidamente comprovada a ocorrência do extravio de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira, deve ser aplicada a penalidade prevista no artigo 106, inciso II, alínea d, do Decreto-Lei n° 37/66.
Numero da decisão: 3401-012.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, por dar parcial provimento, para o fim de determinar a consideração do benefício de alíquota zero previsto no ACE nº 18, no cálculo do imposto de importação devido em razão do extravio.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Sabrina Coutinho Barbosa, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SCHWERTNER ZICCARELLI RODRIGUES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II) Data do fato gerador: 09/05/2009 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DOS ASPECTOS FÁTICOS. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO O mero inconformismo da parte quanto aos fundamentos do v. acórdão de primeira instância não gera por si só a nulidade da decisão, especialmente quando houve uma detida análise da questão posta em julgamento, devendo as suas razões de insurgência serem apreciadas quando do julgamento do mérito recurso. EXTRAVIO. VISTORIA ADUANEIRA RESPONSABILIDADE. TRANSPORTADOR. INDENIZAÇÃO. Sendo apurada, em vistoria aduaneira, a responsabilidade do transportador pelo extravio da mercadoria, deve ser ele condenado a indenizar a Fazenda Nacional pelo valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Não merecem subsistir argumentos no sentido de que, em observância ao princípio da verdade material, devem ser acolhidas alegações desprovidas de provas, uma vez que o referido princípio também demanda a comprovação do fato alegado, sendo inconcebível o reconhecimento de qualquer fato, seja para constituir ou desconstituir direitos ou deveres, sem o devido lastro probatório. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO EM RAZÃO DO EXTRAVIO. CONSIDERAÇÃO DA ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE IMPOSTO QUE BENEFICIE A MERCADORIA EXTRAVIADA. POSSIBILIDADE. Ao determinar que não fosse considerado, no cálculo do imposto referente a mercadoria extraviada isenção ou redução que beneficie a mercadoria, o Regulamento Aduaneiro extrapolou a sua competência, exigindo pagamento de valor superior àquele previsto em lei, razão pela qual deve ser permitida a consideração da isenção ou da redução no cálculo da indenização devida, sob pena de se incorrer em ilegalidade e enriquecimento sem causa. MULTA. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 2 O CARF não pode, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente, na medida em que isso significaria nítida declaração, incidenter tantum, de inconstitucionalidade desta norma. Inteligência da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. EXTRAVIO DE MERCADORIA APURADO EM ATO DE VISTORIA ADUANEIRA. APLICABILIDADE. Restando devidamente comprovada a ocorrência do extravio de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira, deve ser aplicada a penalidade prevista no artigo 106, inciso II, alínea d, do Decreto-Lei n° 37/66.
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APRECIAÇÃO DOS ASPECTOS FÁTICOS. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO O mero inconformismo da parte quanto aos fundamentos do v. acórdão de primeira instância não gera por si só a nulidade da decisão, especialmente quando houve uma detida análise da questão posta em julgamento, devendo as suas razões de insurgência serem apreciadas quando do julgamento do mérito recurso. EXTRAVIO. VISTORIA ADUANEIRA RESPONSABILIDADE. TRANSPORTADOR. INDENIZAÇÃO. Sendo apurada, em vistoria aduaneira, a responsabilidade do transportador pelo extravio da mercadoria, deve ser ele condenado a indenizar a Fazenda Nacional pelo valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Não merecem subsistir argumentos no sentido de que, em observância ao princípio da verdade material, devem ser acolhidas alegações desprovidas de provas, uma vez que o referido princípio também demanda a comprovação do fato alegado, sendo inconcebível o reconhecimento de qualquer fato, seja para constituir ou desconstituir direitos ou deveres, sem o devido lastro probatório. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO EM RAZÃO DO EXTRAVIO. CONSIDERAÇÃO DA ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE IMPOSTO QUE BENEFICIE A MERCADORIA EXTRAVIADA. POSSIBILIDADE. Ao determinar que não fosse considerado, no cálculo do imposto referente a mercadoria extraviada isenção ou redução que beneficie a mercadoria, o Regulamento Aduaneiro extrapolou a sua competência, exigindo pagamento de valor superior àquele previsto em lei, razão pela qual deve ser permitida a consideração da isenção ou da redução no cálculo da indenização devida, sob pena de se incorrer em ilegalidade e enriquecimento sem causa. MULTA. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 2 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 17 34 /2 00 9- 46 Fl. 227DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 O CARF não pode, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente, na medida em que isso significaria nítida declaração, incidenter tantum, de inconstitucionalidade desta norma. Inteligência da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. EXTRAVIO DE MERCADORIA APURADO EM ATO DE VISTORIA ADUANEIRA. APLICABILIDADE. Restando devidamente comprovada a ocorrência do extravio de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira, deve ser aplicada a penalidade prevista no artigo 106, inciso II, alínea d, do Decreto-Lei n° 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, por dar parcial provimento, para o fim de determinar a consideração do benefício de alíquota zero previsto no ACE nº 18, no cálculo do imposto de importação devido em razão do extravio. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Sabrina Coutinho Barbosa, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Relatório Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em São Paulo (SP): Trata o presente de notificação de lançamento decorrente de vistoria aduaneira. Conforme relatado no Termo de Vistoria (fls. 25 e ss.), o depositário, logo após a descarga, verificou a ocorrência de extravio de 51 caixas de mercadorias referente à DI n° 09/0450561-1, de 14/04/2009, mercadorias estas contidas no CRT AR 4630.22388 e AR 4630.09171. Uma vez que o extravio ocorreu enquanto a mercadoria estava sob custódia do transportador, este foi responsabilizado pelos tributos e multas incidentes sobre a falta das mesmas (art. 660, 661, inciso VI do RA e art. 6°, inciso II da Lei 10.865/04). Fl. 228DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 Cientificado da autuação em 15/06/2009 (fls. 48), o transportador apresentou impugnação tempestiva em 24/06/2009 (fls. 50 e ss) alegando em síntese que: Foram importados 141 volumes contendo "sweater Lana/ polo Lana/ tapado capera/ media polera/ sweater shetland - NCM 6110.11.00/6110.30.00", de origem Argentina, conforme o seu Certificado de Origem do Mercosul. Contudo, no setor de embarque, só foram carregados 90 (noventa) volumes, e mencionado erro só foi percebido na conferência física da mercadoria. Destaca que, apesar da falta de 51 (cinqüenta e um) volumes, foram recolhidos os tributos na Declaração de Importação n° 09/0450561-1 sobre a quantidade integral das mercadorias importadas, ou seja, sobre 141 (cento e quarenta e um) volumes, observando que o Imposto de Importação incidiu sob aliquota zero, por força da solicitação de redução de 100% (cem por cento) da aliquota, com base no Acordo de Complementação Econômica n.° 18, artigos 1 a 4, homologado pelo Decreto n.° 550/92. O que demonstra, suficientemente, que não houve prejuízo o ao erário. Outrossim, conforme DI n° 09/0650443-5, de 25/5/2009, os 51 volumes faltantes foram efetivamente importados, e os tributos novamente recolhidos, Assim, resta comprovado que não houve extravio, sendo que os tributos foram recolhidos por duas vezes, sobre esses 51 volumes. Afirma que a única infração possível seria a comprovação tardia da chegada dos 51 volumes ao local de destino, por força da interpretação analógica do próprio Regimento Aduaneiro, que importaria na desclassificação da pena de multa imposta., nos termos do art.702, V,"b" do Decreto 5679/09. Caso não sejam acolhidos os pedidos, que seja exonerado o imposto de importação por força da redução de aliquota em razão do ACE n° 18. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 16-84.159, de 19 de setembro de 2018, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido, nos seguintes termos: DA VISTORIA ADUANEIRA De acordo com o termo de vistoria (fls. 25 e ss.) constatou-se o extravio de 51 caixas de mercadorias das 141 declaradas na DI n° 09/0459561-1, sendo localizadas apenas 90 caixas. Em sua defesa a interessada alega que não houve o embarque de 51 caixas das 141 declaradas. No entanto não há prova de que tal fato ocorreu. Da análise dos documentos acostados aos autos, temos: a) no manifesto internacional (fls. 43) AR n° 463.009171 estão declaradas 141 caixas:(...) b) na CRT Carta de Porte Internacional AR 463.022388 (fls. 45) estão declaradas 141 caixas:(...) c) E na cópia da DI n° 09/0459561-1 (fls. 26 e ss.), foram declaradas 141 caixas:(...) Ou seja, de acordo com os documentos acostados aos autos, foram transportadas e declaradas 141 caixas de mercadorias. Fl. 229DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 Consulta ao sistema Siscomex indica que a DI n 09/0459561-1 foi retificada, passando a constar as seguintes informações: EM CUMPRIMENTO A INTIMAÇÃO FEITA, ESTAMOS RETIFICANDO A PRESENTE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO CORRIGINDO A QUANTIDADE CORRETA DE MERCADORIAS QUE INGRESSARAM NO PAÍS ALTERANDO ASSIM PESO LIQUIDO, PESO BRUTO, VALOR VMLD. QUANTIDADES E PESO DAS ADIÇÕES 001A 006. INFORMAMOS TAMBÉM QUE A FALTA FOI DETECTADA NO MOMENTO DA BAIXA EM DEPÓSITO DA MERCADORIA, O IMPORTADOR OPTOU PELA VISTORIA ADUANEIRA A FIM DE APURAR A RESPONSABILIDADE, ONDE OCORREU A ABERTURA DE PROCESSO NR.11075.000493/2009-77 E COMPROVADO O EXTRAVIO DOS 51 VOLUMES SENDO RESPONSABILIZADO A TRANSPORTADORA EXPRESSO MERCURIO S/A PELA FALTA DESCRITA ABAIXO.: ADIÇÃO 001: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 609 - 1.272 UNIDADES (CAIXASNR. 67 A 83 E 140) COD. PRODUTO: 4104 - 53 UNIDADES ( CAIXAS NR. 67) COD. PRODUTO: 4105 - 37 UNIDADES (CAIXA NR.102 E 139) COD. PRODUTO: 4233 - 28 UNIDADES (CAIXASNR.141) VALOR VMCV: US$ 16.473,54 PESO LÍQUIDO: 414,43 ADIÇÃO 002: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 3007 - 1.000 UNIDADES (CAIXA NR. 105 A 110 E 121 A 125 ) COD. PRODUTO: 3058 - 250 UNIDADES (CAIXA NR. 88 A 90 E 121) VALOR VMCV: US$ 15.210,00 PESO LÍQUIDO: 320,50 ADIÇÃO 003: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 625 - 71 UNIDADES (CAIXA NR. 102 E 139) VALOR VMCV: US$ 728,46 PESO LÍQUIDO: 28,40 ADIÇÃO 004: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 4321 - 404 UNIDADES (CAIXA NR. 31A 39) VALOR VMCV: US$ 6.084,24 PESO LÍQUIDO: 193,92 ADIÇÃO 005: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 4322 - 56 UNIDADES (CAIXA NR. 44) VALOR VMCV: US$ 732,48 PESO LÍQUIDO: 23,80 ADIÇÃO 006: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 3009 - 226 UNIDADES (CAIXA NR. 111A 1116) VALOR VMCV: US$ 3.688,32 PESO LÍQUIDO: 135,60 Fl. 230DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 Ou seja o tratamento dado às 51 caixas faltantes na DI n° 09/0459561-1 foi de extravio. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF n° 680, de 02 de OUTUBRO de 2006, que disciplina o despacho aduaneiro de importação, estabelece: (...) Da leitura dos dispositivos legais depreende-se a "carta de correção" é o meio correto para regularização da documentação que instrui o despacho de importação. No caso em tela não há informação de que foi apresentada carta de correção confirmando a informação da defesa de que houve apenas o transporte de 90 caixas das 141 declaradas. Assim, smj. a documentação dos autos confirma que o interessado transportou as 141 caixas declaradas inicialmente na DI n° 09/0459561-1, sendo que foram entregues apenas 90 caixas. Também a alegação da defesa de que os tributos já foram recolhidos por ocasião do registro da DI, e não cabe sua exigência em caso de vistoria não procede, uma vez que os mesmos foram recolhidos pelo importador. (...) Desta feita, verifica-se que os tributos recolhidos pelo importador no registro da declaração de importação podem ser objeto de pedido de restituição pelo mesmo, não se prestando para afastar a exigência dos tributos em razão da constatação de extravio. Outrossim, a legislação também confere ao transportador a responsabilidade, para efeitos fiscais, no caso de extravio das mercadorias sob sua custódia, como verificado na vistoria aduaneira. Quanto a alegação da interessada de que houve a importação dos 51 volumes faltantes, conforme DI n° 09/0650443-5, de 25/5/2009, tal fato trata-se de outra operação de importação, não se prestando para elidir a ocorrência deste extravio. (...) A alegação do interessado de que caberia a aplicação da penalidade capitulada no inciso V, "b" do art 702 do regulamento aduaneiro não procede, uma vez que o texto legal refere-se a comprovação de chegada de mercadoria fora do prazo, o que não é o caso,como se vê abaixo: (...) Concluiu se que, caracterizado o extravio, cabe ao responsável, no caso o transportador o recolhimento dos tributos e penalidades correspondentes, como efetivado neste processo. DA REDUÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Ao final o transportador requer o benefício da redução do imposto sobre a importação em razão do ACE n° 18, uma vez que as mercadorias tem origem argentina. Ocorre que o Decreto n° 6759/09 estabelece: Art. 665. Observado o disposto na alínea "c" do inciso IIdo art. 73, o valor do imposto de importação referente a mercadoria avariada ou extraviada será calculado à vista do manifesto ou dos documentos de importação (Decreto-Lei n° 37, de 1966, art. 112, caput). Fl. 231DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0037.htm%23art112 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0037.htm%23art112 Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 § 1 o Se os dados do manifesto ou dos documentos de importação forem insuficientes, o cálculo terá por base o valor de mercadoria contida em volume idêntico, da mesma partida (Decreto-Lei n° 37, de 1966, art. 112, caput). § 2 o Se, pela imprecisão dos dados, a mercadoria puder ser classificada em mais de um código da Nomenclatura Comum do Mercosul, será adotado o de alíquota mais elevada (Decreto-Lei n° 37, de 1966, art. 112, parágrafo único). § 3°No cálculo de que trata este artigo, não será considerada isenção ou redução de imposto que beneficie a mercadoria extraviada. (Redação dada pelo Decreto n° 8.010, de 2013) Art. 666. Observado o disposto no § 1 o do art. 238 e no inciso II do art. 252, o valor do Imposto sobre Produtos Industrializados, da contribuição para o PIS/PASEP- Importação e da COFINS-Importação será calculado com base nos arts. 239 e 253. (grifo meu) Desta forma, a legislação especificamente afasta qualquer isenção/redução que beneficie mercadoria extraviada. O fato se subsume à norma, Caracterizada a infração cabível a exigência dos tributos e penalidades correspondentes. Diante do exposto, conheço da impugnação por tempestiva, para no mérito julgá-la improcedente, mantendo a totalidade do credito tributário lançado. A recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em breve síntese, que: a) demonstrou que a carga complementar - 51 volumes relacionados à DI n° 09/0450561- 0, na verdade, sequer foi embarcada e, por isso, não poderia ser responsabilizada pelo suposto extravio das cargas; b) após constatado que parte da carga não havia sido embarcada, a Recorrente, com seus próprios recursos, transportou as mercadorias faltantes e procedeu ao adimplemento dos tributos sobre elas incidentes; c) não compete à autoridade julgadora valer-se unicamente de declarações para afastar as razões de defesa da Recorrente. A Recorrente comprovou que, no embarque da carga, foi detectada a falta de parte dos produtos declarados na DI e, na sequência, adotou os procedimentos necessários ao transporte da carga remanescente; d) cabe ao Fisco Federal envidar todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do fato gerador do tributo; e) se houve recolhimento dos tributos, no que se inclui o próprio II (mesmo desonerado em decorrência da aplicação do ACE n° 18), não há que se responsabilizar a Recorrente pelo crédito tributário ora em cobro; f) se superados os argumentos acima em defesa da extinção integral do crédito tributário, requer-se o reenquadramento da penalidade ora aplicada ao disposto no art. 702, inc. V, "b" do Regulamento Aduaneiro; ou, ao menos, a redução da penalidade para patamar razoável e não confiscatório. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0037.htm%23art112 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0037.htm%23art112p http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Decreto/D8010.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Decreto/D8010.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Decreto/D8010.htm%23art1 Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 Voto Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Relator. O Recurso Voluntário foi protocolado em 01/11/2018, portanto, dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão recorrido, ocorrida em 03/10/2018. Ademais, cumpre com os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, ser conhecido. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Em seu Recurso Voluntário, a recorrente pleiteia o reconhecimento da nulidade do v. acórdão recorrido, por supostamente ter desconsiderado os aspectos fáticos trazidos na impugnação. Para tanto, apresenta os seguintes argumentos: [...] em sua defesa, a Recorrente demonstrou que a carga complementar - 51 volumes relacionados à DI n° 09/0450561-0, na verdade, sequer foi embarcada e, por isso, não poderia ser responsabilizada pelo suposto extravio das cargas. Ademais, após constatado que parte da carga não havia sido embarcada, a Recorrente, com seus próprios recursos, transportou as mercadorias faltantes e procedeu ao adimplemento dos tributos sobre elas incidentes. A r. decisão recorrida, por sua vez, apoiou-se nas declarações constantes do Conhecimento de Transporte Internacional por Rodovia - Carta de Porte Internacional, DI original, DI retificadora para concluir que a Recorrente deve sim ser responsabilizada pelo suposto extravio. Ora, Ilmos. Conselheiros, não compete à autoridade julgadora valer-se unicamente de declarações para afastar as razões de defesa da Recorrente. A Recorrente comprovou que, no embarque da carga, foi detectada a falta de parte dos produtos declarados na DI e, na sequência, adotou os procedimentos necessários ao transporte da carga remanescente. A verdade é que todo processo administrativo fiscal tem o específico objetivo de apurar, com exatidão, os fatos ensejadores da incidência tributária previamente delimitada em lei. Sendo assim, como corolário do princípio da legalidade, o auto de infração (e o processo administrativo dele decorrente) tem de se pautar em outro princípio fundamental: o da verdade material. Assim, cabe ao Fisco Federal envidar todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do fato gerador do tributo. (...) Corrobora o exposto, diversos julgados desse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que o processo administrativo federal é regido pelo princípio da verdade material. A partir disso, conclui-se que as provas produzidas pelas partes devem ser aceitas para a confirmação ou não da efetiva ocorrência do fato gerador do tributo: (...) Fl. 233DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 Assim, nas palavras do jurista MARCOS VINÍCIUS NEDER, o "processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente do alegado e provado". Ante o exposto, tendo em conta que a r. decisão desconsiderou os aspectos fáticos trazidos pela Recorrente, requer-se o provimento do presente Recurso Voluntário, bastante a ensejar o reconhecimento da nulidade da r. decisão de primeira instância. Entendo que não assiste razão à recorrente. Com a devida vênia, o v. acórdão recorrido não deixou de apreciar os aspectos fáticos trazidos na impugnação, tendo analisado detidamente as questões de fato e de direito apresentadas pela recorrente, inclusive, a alegação de que a carga complementar - 51 volumes relacionados à DI n° 09/0450561-0 - não teria sido embarcada, o que afastaria a responsabilidade da recorrente pelo suposto extravio. Por oportuno, transcrevo os trechos do v. acórdão recorrido que analisaram a referida alegação: De acordo com o termo de vistoria (fls. 25 e ss.) constatou-se o extravio de 51 caixas de mercadorias das 141 declaradas na DI n° 09/0459561-1, sendo localizadas apenas 90 caixas. Em sua defesa a interessada alega que não houve o embarque de 51 caixas das 141 declaradas. No entanto não há prova de que tal fato ocorreu. Da análise dos documentos acostados aos autos, temos: a) no manifesto internacional (fls. 43) AR n° 463.009171 estão declaradas 141 caixas:(...) b) na CRT Carta de Porte Internacional AR 463.022388 (fls. 45) estão declaradas 141 caixas:(...) c) E na cópia da DI n° 09/0459561-1 (fls. 26 e ss.), foram declaradas 141 caixas:(...) Ou seja, de acordo com os documentos acostados aos autos, foram transportadas e declaradas 141 caixas de mercadorias. Consulta ao sistema Siscomex indica que a DI n 09/0459561-1 foi retificada, passando a constar as seguintes informações: EM CUMPRIMENTO A INTIMAÇÃO FEITA, ESTAMOS RETIFICANDO A PRESENTE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO CORRIGINDO A QUANTIDADE CORRETA DE MERCADORIAS QUE INGRESSARAM NO PAÍS ALTERANDO ASSIM PESO LIQUIDO, PESO BRUTO, VALOR VMLD. QUANTIDADES E PESO DAS ADIÇÕES 001A 006. INFORMAMOS TAMBÉM QUE A FALTA FOI DETECTADA NO MOMENTO DA BAIXA EM DEPÓSITO DA MERCADORIA, O IMPORTADOR OPTOU PELA VISTORIA ADUANEIRA A FIM DE APURAR A RESPONSABILIDADE, ONDE OCORREU A ABERTURA DE PROCESSO NR.11075.000493/2009-77 E COMPROVADO O EXTRAVIO DOS 51 VOLUMES SENDO RESPONSABILIZADO A TRANSPORTADORA EXPRESSO MERCURIO S/A PELA FALTA DESCRITA ABAIXO.: ADIÇÃO 001: MERCADORIAS EXTRAVIADAS Fl. 234DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 COD. PRODUTO: 609 - 1.272 UNIDADES (CAIXASNR. 67 A 83 E 140) COD. PRODUTO: 4104 - 53 UNIDADES ( CAIXAS NR. 67) COD. PRODUTO: 4105 - 37 UNIDADES (CAIXA NR.102 E 139) COD. PRODUTO: 4233 - 28 UNIDADES (CAIXASNR.141) VALOR VMCV: US$ 16.473,54 PESO LÍQUIDO: 414,43 ADIÇÃO 002: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 3007 - 1.000 UNIDADES (CAIXA NR. 105 A 110 E 121 A 125 ) COD. PRODUTO: 3058 - 250 UNIDADES (CAIXA NR. 88 A 90 E 121) VALOR VMCV: US$ 15.210,00 PESO LÍQUIDO: 320,50 ADIÇÃO 003: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 625 - 71 UNIDADES (CAIXA NR. 102 E 139) VALOR VMCV: US$ 728,46 PESO LÍQUIDO: 28,40 ADIÇÃO 004: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 4321 - 404 UNIDADES (CAIXA NR. 31A 39) VALOR VMCV: US$ 6.084,24 PESO LÍQUIDO: 193,92 ADIÇÃO 005: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 4322 - 56 UNIDADES (CAIXA NR. 44) VALOR VMCV: US$ 732,48 PESO LÍQUIDO: 23,80 ADIÇÃO 006: MERCADORIAS EXTRAVIADAS COD. PRODUTO: 3009 - 226 UNIDADES (CAIXA NR. 111A 1116) VALOR VMCV: US$ 3.688,32 PESO LÍQUIDO: 135,60 Ou seja o tratamento dado às 51 caixas faltantes na DI n° 09/0459561-1 foi de extravio. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF n° 680, de 02 de OUTUBRO de 2006, que disciplina o despacho aduaneiro de importação, estabelece: (...) Da leitura dos dispositivos legais depreende-se a "carta de correção" é o meio correto para regularização da documentação que instrui o despacho de importação. No caso em tela não há informação de que foi apresentada carta de correção confirmando a informação da defesa de que houve apenas o transporte de 90 caixas das 141 declaradas. Assim, smj. a documentação dos autos confirma que o interessado transportou as 141 caixas declaradas inicialmente na DI n° 09/0459561-1, sendo que foram entregues apenas 90 caixas. Fl. 235DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 Veja-se que o v. acórdão recorrido analisou a alegação de que não houve o embarque de 51 caixas das 141 declaradas, entretanto, entendeu que não há prova nos autos de que tal fato tenha efetivamente ocorrido. Ademais, após elencar as provas que fundamentam o seu entendimento, concluiu que “[...] a documentação dos autos confirma que o interessado transportou as 141 caixas declaradas inicialmente na DI n° 09/0459561-1, sendo que foram entregues apenas 90 caixas”, restando configurado, por conseguinte, o extravio. Desta forma, é certo que o inconformismo da recorrente com o entendimento adotado no v. acórdão recorrido não gera por si só a nulidade da decisão, especialmente quando houve uma detida análise da questão posta em julgamento, devendo as suas razões de insurgência serem apreciadas quando do julgamento do mérito do presente recurso. Destaque-se também que a observância ao princípio da verdade material não transfere o ônus da prova ao julgador, incumbindo ao recorrente o ônus de comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário ou penalidade pecuniária constituídos, nos termos do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do v. acórdão recorrido. DA RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE PELO EXTRAVIO E DA SUPOSTA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO Além dos argumentos transcritos no tópico anterior – que serão apreciados agora em sede de julgamento de mérito - a recorrente pleiteia a anulação da autuação, com base nos seguintes argumentos: A ausência de prejuízo ao Erário decorre do fato de que, após deflagrado o erro no embarque da carga, as mercadorias consubstanciadas nos 51 volumes indicadas na DI original foram importadas e, naquela ocasião, se submeteram a todos os tributos. O próprio Regulamento Aduaneiro, em seu art. 660 (com redação vigente à época dos fatos), estabelece que, em casos de extravio ou avaria, compete ao responsável a indenização da Fazenda Nacional pelo valor do imposto que deixar de ser recolhido: "Art. 660. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 655". Assim é que, se houve recolhimento dos tributos, no que se inclui o próprio II (mesmo desonerado em decorrência da aplicação do ACE n° 18), não há que se responsabilizar a Recorrente pelo crédito tributário ora em cobro. Feitas tais considerações e comprovado o pagamento dos tributos que recaem sobre a importação, requer-se o provimento do presente Recurso Voluntário a fim de que seja determinado o cancelamento do débito fiscal e encargos. Fl. 236DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 Em breve síntese, a recorrente alega que não houve o extravio da mercadoria relativa à DI nº 09/0459561-1, uma vez que a quantidade tida por extraviada não teria sido efetivamente embarcada. Ainda, sustenta que não houve prejuízo ao erário, em razão de ter sido realizada a posterior importação das referidas mercadorias, registrada sob a DI nº 09/0650443-5, com o devido recolhimento dos tributos correspondentes. É inegável que, sendo demonstrado que não houve o embarque da mercadoria, deveria ser afastada a apuração do extravio e as exigências tributárias e sancionadoras correspondentes, por inexistir subsunção do fato à norma. Ocorre que, além de constar no manifesto internacional AR n° 463.009171 (fl. 43), na CRT Carta de Porte Internacional AR 463.022388 (fl. 45) e na cópia da DI n° 09/0459561-1 (fls. 26 e ss.), a declaração de importação de 141 caixas, o extravio foi verificado pelo depositário (fl. 35) e foi objeto de vistoria aduaneira. No Termo de Vistoria Aduaneira (fl.25), restou constatado o extravio de 51 caixas, não encontradas após confrontação com o Packing-list, sendo imputado como responsável pela avaria detectada a empresa transportadora, ora recorrente. É importante destacar que os representantes do importador, do depositário e da recorrente participaram da referida vistoria e, pelo que consta do termo, o representante da recorrente não apresentou qualquer prova excludente de responsabilidade, conforme lhe é facultado pelo artigo 664 do Decreto nº 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro). Somado a isto, como bem analisado pelo v. acórdão recorrido, em consulta ao sistema Siscomex, verifica-se que a DI nº 09/0459561-1 foi retificada, passando a constar as seguintes informações: EM CUMPRIMENTO A INTIMAÇÃO FEITA, ESTAMOS RETIFICANDO A PRESENTE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO CORRIGINDO A QUANTIDADE CORRETA DE MERCADORIAS QUE INGRESSARAM NO PAÍS ALTERANDO ASSIM PESO LIQUIDO, PESO BRUTO, VALOR VMLD. QUANTIDADES E PESO DAS ADIÇÕES 001A 006. INFORMAMOS TAMBÉM QUE A FALTA FOI DETECTADA NO MOMENTO DA BAIXA EM DEPÓSITO DA MERCADORIA, O IMPORTADOR OPTOU PELA VISTORIA ADUANEIRA A FIM DE APURAR A RESPONSABILIDADE, ONDE OCORREU A ABERTURA DE PROCESSO NR.11075.000493/2009-77 E COMPROVADO O EXTRAVIO DOS 51 VOLUMES SENDO RESPONSABILIZADO A TRANSPORTADORA EXPRESSO MERCURIO S/A PELA FALTA DESCRITA ABAIXO.: (...) (Grifamos) Ou seja, todas as informações e documentos que constam nos autos corroboram a ocorrência do extravio. Por outro lado, para afastar a ocorrência do extravio, a recorrente alega que as mercadorias não foram embarcadas conforme declarado, tendo sido objeto de posterior importação, e apresenta os seguintes documentos: - Declaração de importação da Primeira Importação (fls. 95 a 102); - Protocolo/Registro da Declaração de Importação da Primeira Importação (Fl. 104); - Certificado de Origem do Mercosul – Primeira Importação (Fls. 106 a 108); - Fatura Exportação – Primeira Importação (Fl. 110); Fl. 237DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 - Lista de Embarque – Primeira Importação (Fls. 112 a 115); - Conhecimento de Transporte Internacional por Rodovia – Primeira Importação (fl. 117); - Declaração de importação - Segunda Importação (fls. 119 a 126); - Protocolo/Registro da Declaração de Importação - Segunda Importação (Fls. 128 a 129); - Certificado de Origem do Mercosul – Segunda Importação (Fls. 131 a 132); - Fatura Exportação – Segunda Importação (Fl. 134); - Lista de Embarque – Segunda Importação (Fls. 136 a 137); - Conhecimento de Transporte Internacional por Rodovia – Segunda Importação (fls. 139 a 141); Os referidos documentos apenas reiteram as informações já existentes nos autos a respeito da primeira importação e comprovam a ocorrência de uma segunda importação, com a mesma descrição e quantidade de mercadorias daquelas que foram tidas como extraviadas. Não há qualquer prova do não embarque das 51 caixas relativas à primeira importação, assim como, de que as mercadorias importadas na segunda operação seriam aquelas que supostamente não teriam sido embarcadas na primeira importação. Quanto ao princípio da verdade material, constantemente invocado no âmbito do processo administrativo, é oportuno tecer algumas considerações. Inicialmente, é pertinente relembrar a diferenciação estabelecida por Paulo de Barros Carvalho entre fatos e objetos da experiência ou eventos. Os fatos seriam os enunciados linguísticos sobre as coisas e os acontecimentos, sobre as pessoas e suas manifestações. Por sua vez, os objetos da experiência são aquilo acerca do que faremos afirmações, aquilo sobre que emitimos enunciados. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2015. p.342) Pela clareza e didática, merecem referência também as lições de Tércio Sampaio Ferraz Jr.: É preciso distinguir entre fato e evento. A travessia do Rubicão por Cesar é um evento. Mas ‘Cesar atravessou o Rubicão’ é um fato. Quando, pois, dizemos que ‘é um fato que Cesar atravessou o Rubicão’ conferimos realidade ao evento. ‘Fato’ não é pois algo concreto, sensível, mas um elemento linguístico capaz de organizar uma situação existencial como realidade. (FERRAZ JR, Tércio Sampaio. Introdução ao estudo do direito. São Paulo: Atlas, 1991, p. 253.) Tal distinção é relevante para percebermos que “[...] acontecido o evento, não há como entrar em contato direto com ele, pois se esvaiu no tempo e no espaço. Sobram, apenas, vestígios, marcas deixadas por aquele evento, as quais servem como base para construção do fato jurídico e adequado desenvolvimento do processo de positivação” (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. In Derecho Tributário – Tópicos Contemporâneos. Tradución de Juan Carlos Panez Solórzano. Lima: Grijley, 2010). Fl. 238DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 E mais, “[...] ou a mutação ocorrida na vida real é contada, fielmente, de acordo com os meios de prova admitidos pelo sistema positivo, consubstanciando a categoria dos fatos jurídicos (lícitos ou ilícitos, pouco importa) e da eficácia que deles se irradia; ou nada terá acontecido de relevante para o direito, em termos de propagação de efeitos. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008. p. 824). Assim, é importante compreendermos que, infelizmente, a verdade real é inalcançável, por pertencer apenas ao mundo fenomênico – dos eventos -, se esvaindo no tempo e no espaço. Da mesma forma, a aparente dicotomia existente entre a verdade material e a verdade formal se revela apenas na exigência maior ou menor de um formalismo na aceitação das provas, uma vez que ambas carecem de provas para sua apuração, existindo, na verdade, apenas a “verdade” construída com base nas provas existentes/permitidas. Neste cenário, não subsistem argumentos no sentido de que, em observância ao princípio da verdade material, devem ser acolhidas alegações desprovidas de provas, uma vez que o referido princípio demanda também a comprovação do fato alegado, sendo inconcebível o reconhecimento de qualquer fato, seja para constituir ou desconstituir direitos ou deveres, sem o devido lastro probatório. Da mesma forma, reitera-se também que a observância ao princípio da verdade material não transfere o ônus da prova ao julgador, incumbindo ao recorrente o ônus de comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário ou penalidade pecuniária constituídos. Assim, se a parte apresenta indícios consistentes de um fato, incumbe ao julgador avançar a partir desses elementos, mas a comprovação sempre deve partir das evidências trazidas aos autos pelas partes. Inexistindo tais evidências, não há caminho a ser percorrido pelo julgador. No presente caso, além de não ter se utilizado da carta de correção, instrumento adequado para regularização da documentação que instrui o despacho de importação – como bem apontado no v. acórdão recorrido -, a recorrente não apresentou qualquer documento que comprove que houve o transporte de apenas 90 caixas das 141 declaradas, o que impede, ainda que se afaste qualquer formalismo, o reconhecimento do fato alegado. Ademais, não subsiste o argumento de ausência de prejuízo ao fisco, vez que não restou demonstrada a correlação entre as mercadorias objeto da segunda importação e àquelas extraviadas na primeira, além de inexistir qualquer previsão legal de afastamento da indenização exigida pelo extravio, em razão de posterior importação de mercadoria semelhante, com o correspondente recolhimento dos tributos. Além disto, os tributos recolhidos pelo importador no registro da declaração de importação podem ser objeto de pedido de restituição, nos termos do artigo 28, inciso II, do Decreto-lei nº 37/66, não se prestando, por conseguinte, para afastar a exigência dos tributos em razão da constatação de extravio. DA CONSIDERAÇÃO DO BENEFÍCIO DE ALÍQUOTA ZERO NO CÁLCULO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO DEVIDO EM RAZÃO DO EXTRAVIO Fl. 239DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 Quanto ao reconhecimento do benefício de alíquota zero do imposto sobre a importação - II em razão do Acordo de Complementação Econômica n.° 18, artigos 1 a 4, homologado pelo Decreto n.° 550/92, uma vez que as mercadorias extraviadas tinham origem argentina, assim entendeu o v. acórdão recorrido: [...] o Decreto n° 6759/09 estabelece: Art. 665. Observado o disposto na alínea "c" do inciso IIdo art. 73, o valor do imposto de importação referente a mercadoria avariada ou extraviada será calculado à vista do manifesto ou dos documentos de importação (Decreto-Lei n° 37, de 1966, art. 112, caput). § 1 o Se os dados do manifesto ou dos documentos de importação forem insuficientes, o cálculo terá por base o valor de mercadoria contida em volume idêntico, da mesma partida (Decreto-Lei n° 37, de 1966, art. 112, caput). § 2 o Se, pela imprecisão dos dados, a mercadoria puder ser classificada em mais de um código da Nomenclatura Comum do Mercosul, será adotado o de alíquota mais elevada (Decreto-Lei n° 37, de 1966, art. 112, parágrafo único). § 3°No cálculo de que trata este artigo, não será considerada isenção ou redução de imposto que beneficie a mercadoria extraviada. (Redação dada pelo Decreto n° 8.010, de 2013) Art. 666. Observado o disposto no § 1 o do art. 238 e no inciso II do art. 252, o valor do Imposto sobre Produtos Industrializados, da contribuição para o PIS/PASEP-Importação e da COFINS-Importação será calculado com base nos arts. 239 e 253. (grifo meu) Desta forma, a legislação especificamente afasta qualquer isenção/redução que beneficie mercadoria extraviada. O fato se subsume à norma, Caracterizada a infração cabível a exigência dos tributos e penalidades correspondentes. Com a devida vênia, entendo que o referido entendimento merece ser reformado. Apesar do artigo 665, § 3º, do Decreto nº 6.759/09 estabelecer que, no cálculo do imposto de importação referente a mercadoria extraviada, não será considerada isenção ou redução de imposto que beneficie a mercadoria, entendo que o referido dispositivo incidiu em ilegalidade ao extrapolar os limites previstos em lei. Isto porque o Parágrafo único, do artigo 60, do Decreto-lei nº 37/66, vigente à época dos fatos, estabelecia que cabe ao responsável pelo extravio indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em consequência, deixarem de ser recolhidos. Diante disto, não poderia ter o Regulamento ultrapassado os limites estabelecidos em lei, inovando o ordenamento jurídico no sentido de exigir indenização em valor maior do que o previsto na lei que disciplina a matéria. Neste sentido, é importante pontuar que, enquanto as leis constituem atos de natureza originária (ou primária), o poder regulamentar possui natureza derivada (ou secundária), sendo exercido somente à luz de lei existente. Assim, o escopo do Regulamento Executivo se circunscreve somente a complementar a lei em sentido formal, sem permitir à Administração, Fl. 240DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0037.htm%23art112 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0037.htm%23art112 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0037.htm%23art112 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0037.htm%23art112p http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Decreto/D8010.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Decreto/D8010.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Decreto/D8010.htm%23art1 Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 por seu intermédio, alterá-la a pretexto de estar regulamentando-a. Se o fizer, cometerá abuso de poder regulamentar, invadindo a competência do Legislativo. Como bem explica Roque Carrazza: Os regulamentos executivos não podem substituir as leis; tampouco suspender ou dispensar sua observância. Pelo contrário, devem limitar-se a estabelecer os pormenores normativos de ordem técnica que viabilizem o cumprimento das leis a que se referem. Nessa medida, detalham os comandos legislativos, facilitando sua aplicação aos casos concretos. [...] De conseguinte, não lhes é dado inovar originariamente o ordenamento jurídico. Pelo contrário, devem guardar relação de conformidade com a lei, imprimindo-lhes efeitos concretos. (CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Editora Malheiros, 30ª ed, 2015, p. 412). (Grifamos) Desta forma, tendo em vista que, ao determinar que não fosse considerado no cálculo do imposto referente a mercadoria extraviada isenção ou redução que beneficie a mercadoria, o regulamento extrapolou a sua competência, exigindo pagamento de valor superior àquele previsto em lei, razão pela qual deve ser afastado o referido dispositivo, para o fim de permitir a consideração do benefício de alíquota zero relativo ao II, no cálculo da indenização devida, sob pena de se incorrer em ilegalidade. Ademais, além do artigo 60, Parágrafo único, do Decreto-lei nº 37/66 prever que cabe ao responsável indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos, também há a previsão no artigo 106, inciso II, alínea d, do mesmo Decreto-lei de aplicação de multa de 50% sobre o valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução, de modo que a desconsideração da isenção ou redução que beneficie a mercadoria, no cálculo do valor de imposto devido em razão do extravio, também configura enriquecimento sem causa, configurando excessiva punição do autuado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário quanto a este tópico, para o fim de determinar a consideração do benefício de alíquota zero previsto no ACE nº 18, no cálculo do imposto de importação devido em razão do extravio. DO REENQUADRAMENTO OU REDUÇÃO DA MULTA APLICADA Em suas razões recursais, a recorrente requer, de forma subsidiária, o reenquadramento da penalidade aplicada ao disposto no art. 702, inc. V, "b" do Regulamento Aduaneiro; ou, ao menos, a redução da penalidade para patamar razoável e não confiscatório. Inicialmente, destaco que não cabe a este Colegiado, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente, na medida em que isso significaria nítida declaração, incidenter tantum, de inconstitucionalidade desta norma. Neste sentido, assim dispõe a Súmula CARF n o 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 241DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-012.605 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.721734/2009-46 As alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões encontra-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de constitucionalidade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, sendo de todo inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois ao julgador é vedado não observar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, estando previsto na lei a penalidade aplicável em caso de extravio de mercadoria, não pode este colegiado deixar de aplicar ou reduzir a multa prevista, uma vez que se estaria afastando a aplicação da lei, com base nos princípios supra mencionados. Ademais, a alegação da recorrente de que caberia a aplicação da penalidade capitulada no inciso V, "b" do art 702 do Regulamento Aduaneiro não procede, uma vez que o texto legal se refere a comprovação, fora do prazo, da chegada de mercadoria, o que não ocorreu no presente caso. Diante do exposto, restando devidamente comprovada a ocorrência do extravio de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira, deve ser aplicada a penalidade prevista no artigo 106, inciso II, alínea d, do Decreto-Lei n° 37/66. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeita a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para o fim de determinar a consideração do benefício de alíquota zero previsto no ACE nº 18, no cálculo do imposto de importação devido em razão do extravio. (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues Fl. 242DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002311/00-67
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Ano-calendário: 1995, 1996
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E DA COFINS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ENERGIA ELÉTRICA.
Geram crédito de IPI as aquisições de insumos que se enquadrem no conceito de matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário, incluindo-se nesse último conceito a energia elétrica, quando consumida no processo de industrialização por meio
de ação direta com o produto final.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 204-02.993
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao
recurso para reconhecer o direito ao crédito pertinente à energia elétrica utilizada no processo de aquecimento indutivo. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente) e Henrique Pinheiro Torres. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Abelardo P. de Lemos Neto.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: LEONARDO SIADE MANZAN
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Recorrida DRJ em Ribeirão Preto/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Ano-calendário: 1995, 1996 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E DA COFINS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ENERGIA ELÉTRICA. Geram crédito de IPI as aquisições de insumos que se enquadrem no conceito de matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário, incluindo-se nesse último conceito a energia elétrica, quando consumida no processo de industrialização por meio de ação direta com o produto final. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito pertinente à energia elétrica utilizada no processo de aquecimento indutivo. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente) e Henrique Pinheiro Torres. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Abelardo P. de Lemos Neto. ---____—_-----„c \. •v». :". :–.:2:1..,----;:—\ 'ONFi:SE. COM O CR:essNAL SLSILIA _./_5_1___1. ...... --_ AL , Processo n.° 13839.002311/00-67 Acórdão n.° 204-02.993 Fls. 376 41er. -77as HENÁIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente a-- ~raiar '.ai"7 o SIADE n A AN Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Freire, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos e Airton Adelar Hack. . . 6RASli.1Rk _15.. 1 1 . . Processo n.° 13839.002311/00-67 Acórdão n.° 204-02.993 Fls. 377 Relatório Por bem retratar os fatos objeto do presente litígio, adoto e passo a transcrever o relatório da DRJ em Ribeirão Preto/SP, ipsis literis: •Trata-se de auto de infração lavrado para exigir o crédito tributário de R$ 599.876,51, decorrente da glosa de crédito presumido apropriado indevidamente no livro modelo 8. Segundo a descrição dos fatos foi efetuada a glosa dos valores da energia elétrica, indevidamente considerada pelo contribuinte na apuração do crédito presumido e efetuada a reconstituição da escrita fiscal. Regularmente notificado em 17/10/2000, apresentou o sujeito passivo impugnação de fls. 69/77 em 16/11/2000, alegando, em síntese, alegando que tem direito ao crédito presumido em relação à energia elétrica porque o art. 1° da Lei n° 9.363/96 e as Medidas Provisórias que lhe antecederam se referem expressamente a insumos adquiridos para utilização no processo produtivo. O parágrafo único do mesmo . artigo manda aplicar subsidiariamente a legislação do IPI, mas esta não define o que seja matéria-prima e produto intermediário. O Parecer Normativo 65/79 não tem amparo legal porque o art. 82 do Regulamento de 1982 não faz nenhuma ressalva no sentido de que os produtos intermediários devam sofrer desgaste por meio do contato •fisico com o produto industrializado. Desse modo, qualquer produto intermediário utilizado no processo produtivo está apto a gerar crédito-presumido de IP!. Citou doutrina e jurisprudência para corroborar sua tese, solicitou que as notificações fossem encaminhadas para o escritório do procurador e requereu o cancelamento do auto de . infração. A DRJ em Ribeirão Preto indeferiu o pleito da contribuinte em decisão assim ementada: Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPL OUTROS INSUMOS. ENERGIA ELÉTRICA. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento. 1PL CRÉDITO GLOSADO. Glosado o crédito presumido indevidamente aproveitado e efetuada a reconstituição dos saldos da escrita fiscal, exige-se o imposto não recolhido com os consectá rios do lançamento de oficio. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão de Primeira Instância, a contribuinte em epígrafe recorreu a este Segundo Conselho de Contribuintes, reiterando os termos de sua peça impugnatória. 1-- i MIt4. li4.N 1‘. ALF.NC;/: - . CONFERE COM O ORWAL BRAGILIA 15 I ri J. °3 4 , , . Processo n.° 13839.002311/00-67 Acórdão n.° 204-02.993 Fls. 378 Nos termos da Resolução n.° 204-00.175 (fls. 164/166), o ju gamento do presente Recurso foi convertido em diligência por esta Câmara, com a finalidade de se apurar detalhadamente: 1. Como a energia elétrica é efetivamente utilizada no processo produtivo; e; 2. Se alguma parcela da energia elétrica é utilizada em ação direta com o produto final. Finalizado o procedimento de diligência pelo órgão de origem, o qual emitiu o Termo de Informação Fiscal de fls. 371/372, juntamente com o demonstrativo de fl. 370, retornaram os autos a este Segundo Conselho para julgamento do Recurso. É o Relatório. _.-------- i ' i !N. t.,,., . • ; áik; C Cf::AG:NAL 1 FnI)::.; IS- LIA . J5.,1...j.___j01_ k ---• v:s . C - i . • • • • 4 • •• Processo n.° 13839.002311/00-67 Acórdão n.°204-02.993 Fls. 379 Voto Conselheiro LEONARDO SIADE MANZAN, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que, dele tomo conhecimento e passo à sua análise. O núcleo do presente litígio, consoante relato supra, cinge-se ao reconhecimento do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n.° 9.363/96, para ressarcimento das Contribuições PIS e Cofins, incidentes na aquisição de Matéria-Prima, Produtos Intermediários .e Material de Embalagem empregados na industrialização de produtos exportados. Discute-se, por conseguinte, se a energia elétrica entra na base de cálculo do beneficio fiscal em tela. Mister transcrever-se a legislação de regência para facilitar a análise da matéria. Dispõe a Lei n.° 9.363/96, em seus principais artigos, verbis: Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares e 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre, as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa coMercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2 A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (-.1 Art. 3' Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1 2, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor I rtr,111. DA rt,ZEr. - .-- CC exportador. , &AFERE. ei :N'l O C:21;;:le . Parágrafo único. Utilizar-se-á, subsidiariamente, a legislação do ; bRASILLN (5 i i f J u.:1) i Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para oi estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional 1 v.-3--: i bruta e de produção, matéria-prima, produtos intermediários e1-...------..------- material de embalagem. 4 . • Processo n.° 13839.002311/00-67 Acórdão n.° 204-02.993 Fls. 380 • Como se vê, a legislação do IPI deve ser utilizada subsidiariamente para a definição de produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem, razão pela qual transcrevo referida regulamentação (art. 82, 1— RIPI/82), verbis: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n°4.502, de 1964, art. 25): I - Do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Outra norma fundamental que merece transcrição é a Portaria MF n.° 38, de 27 de fevereiro de 1997, expedida com base na Lei n.° 9.363/96, que assim dispõe, em seu art. 3 0, § 16: "§ 16. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI". Pois bem, parece não haver dúvidas sobre a legislação que rege a matéria. Em relação ao enquadramento de energia elétrica no conceito de produto intermediário, quando utilizada de forma geral, a questão já foi decidida definitivamente pela Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão assim ementada: IPI — CRÉDITO PRESUMIDO - ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTIVEIS E ÓLEOS — Para enquadramento no benefício, somente se caracterizam como matéria-prima e produto intermediário os insumos que se integram ai) produto final, ou que, embora a ele não se integrando, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre ele, no processo de fabricação. A energia elétrica usada como forca motriz ou fonte de iluminação, (íleos e os demais combustíveis não atuam diretamente sobre o produto final, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (CSRF/02- 02.051) (Grifei) No entanto, apesar de tratar os presentes autos de direito ao crédito presumido de IPI sobre energia elétrica, existe uma peculiaridade no litígio que o diferencia dos demais, qual seja, a forma de utilização da energia elétrica em seu processo produtivo. A contribuinte fabrica peças de metal forjado e, in casu, a energia elétrica utilizada nos fomos de indução no setor de forjaria, através de processo de aquecimento indutivo, possui ação direta com o produto. Dessa forma, não há como partir da premissa estabelecida na decisão acima ementada para julgar a presente demanda. Conforme relatado, o processo foi baixado em diligência com o objetivo de apurar se a energia elétrica utilizada no processo produtivo atuava de forma direta sobre o produto, por ser fator crucial para o deslinde da causa. 1.1/: .• - CONFERE Crifá BRN.311..!;; 15 o0 Processo n.° 13839.002311/00-67 Acórdão n.° 204-02.993 Fls. 381 O impecável procedimento fiscalizatório realizado pelo órgão de origem no cumprimento da diligência, inclusive com verificação in loco do tratamento de materiais através de processo de aquecimento indutivo, instruiu suficientemente os autos, comprovando a existência de ação direta da energia elétrica utilizada no processo de industrialização com o produto final. O Termo de Informação Fiscal de fls. 371/372 concluiu que, nos fomos de indução localizados no setor de forjaria, há ação direta da energia elétrica com o produto final e que essa energia corresponde a 33,33% do consumo total de energia elétrica do referido setor. Com base nos documentos apresentados pela empresa, inclusive laudos técnicos, boletins de consumo de energia, contabilização de custos e de contas de consumo, foi elaborado pela fiscalização o demonstrativo de fl. 370, que detalha o consumo de energia elétrica da contribuinte, apurando o crédito presumido de IPI gerado pela utilização da energia no processo de aquecimento indutivo. Tal demonstrativo confronta os valores de crédito presumido utilizados pela empresa com os valores realmente apurados, informando na 1 1 a coluna os valores utilizados a maior pela contribuinte. Diante do exposto, conclui-se que a energia elétrica utilizada no processo de aquecimento indutivo deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido de IPI e, portanto, excluída do lançamento, remanescendo apenas os valores utilizados a maior pela contribuinte, conforme explicitado no demonstrativo de fl. 370. Considerando os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar parcial provimento ao presente Recurso Voluntário, nos termos acima expendidos. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de dezembr 2007.arree___;&eurr, -C —;'31, O SIADE MAN -ife r„ '' Sles. n,;41- .... vls Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.000434/2005-01
Data da sessão: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
DIF. PAPEL IMUNE. PENALIDADE PELO ATRASO. LEI N° 11.945/2009. REDUÇÃO.
Por força do art. 1º, § 4°, da Lei n° 11.945/2009, que se aplica aos lançamentos anteriores em virtude da retroatividade benigna estipulada no art. 106, II, "c" do CTN, a multa pelo atraso na entrega da DIF - Papel Imune é reduzida aos valores estipulados no citado parágrafo, descabendo exigi-la nos montantes estabelecidos anteriormente pelo art. 57 da Medida Provisória
n°2.158/35/2001.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-000.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA
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PAPEL IMUNE. PENALIDADE PELO ATRASO. LEI N° 11.945/2009. REDUÇÃO. Por força do art. 1 0, § 4°, da Lei n° 11.945/2009, que se aplica aos lançamentos anteriores em virtude da retroatividade benigna estipulada no art. 106, II, "c" do CTN, a multa pelo atraso na entrega da DIF - Papel Imune é reduzida aos valores estipulados no citado parágrafo, descabendo exigi-la nos montantes estabelecidos anteriormente pelo art. 57 da Medida Provisória n°2.158/35/2001. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao rec rso, nos termos do votdo Relator. É Pt ; Gil- sn osenburg Fi o - Presidente S Dalton Cesa •rsito--Ele-Mdanda - Relator EDITADO EM: 17/05/2010 • Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. • Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão consubstanciada em acórdão da DRJ que julgou procedente o lançamento levado a efeito contra a contribuinte, referente ao tema DIF — Papel — Imune. É o relatório. Voto Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda O apelo voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade, dai dele conhecer. Como relatado, trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão . consubstanciada em acórdão da DRJ que julgou procedente o lançamento levado a efeito contra a contribuinte, referente ao tema DIF — Papel — Imune. Neste Colegiado e há algumas sessões de julgamento, temos adotado o entendimento em prover parcialmente os recursos voluntários que nos são submetidos com o trato do referido tema, para ajuste dos valores exigidos. Explico. O artigo 106 do CTN prevê a aplicação da retroatividade benigna e, para a matéria em debate, temos que foi editada a Lei n° 11.945/2009, modificando os critérios para a aplicação da multa objeto do Auto de Infração levado a efeito contra a recorrente e mantida . pelo acórdão recorrido. _ . Da referida legislação, benigna para a recorrente, temos que a mesma suprimiu a expressão "mês-calendário", impossibilitando qualquer exigência mensal para uma única falta cometida e relativa ao tema DIF — Papel — Imune. E como muito bem observado pelo Ilustre Conselheiro Emanuel Dantas: Agora, após a Lei n° 11.945/2009 (conversão da MP n° 451/2008), a penalidade é exigida levando-se em conta cada obrigação acessória isolada — no caso, cada DIF-Papel Imune trimestral -, de modo que se a Administração Tributária demora mais para efetuar o lançamento, a multa não aumenta a cada , mês. A salientar, por oportuno, que a Receita Federal do Brasil 11tem meios eletrônicos de detectar o descumprimento da obrigação acessória, tão logo vencido o srazo de sua entrega. Daí ser mais razoável a fixação da penas s ade proporcional ao À 40 2 UH) Processo n° 10580.000434/2005-0 I S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.552 Fl. 2 número de DIF-Papel Imune (ou trimestre) em atraso, em vez do "taxímetro" anterior. Os valores máximos para a hipótese de a DIF-Papel Imune não ser entregue passaram a ser, independentemente do número de meses em atraso, de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 para as demais empresas (inc. lido § 4° do art. 1° da Lei n° 11.945/2009). Forte nestes argumentos e análise de ordem legal, voto pelo parcial provimento ao apelo voluntário interposto, para que a Fiscalização ajuste o valor exigido da recorrente, com fundamento naquilo quanto determina e regulamenta o artigo 1°, § 4°, da Lei n° 11.945, de 04/06/2009, abrando-se a penalidade imposta. É como voto nirã) Ifk„ Dalton esar irdeiro de Miran. a 3
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Numero do processo: 13807.006017/2002-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Feb 29 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 1998
INCENTIVO FISCAL. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS.
Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito de negativa e/ou por outros meios idôneos.
Numero da decisão: 1301-006.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
(documento assinado digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Marcio Avito Ribeiro Faria (suplente convocado(a)), Marcelo Jose Luz de Macedo, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Lizandro Rodrigues de Sousa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcio Avito Ribeiro Faria.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito de negativa e/ou por outros meios idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Marcio Avito Ribeiro Faria (suplente convocado(a)), Marcelo Jose Luz de Macedo, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Lizandro Rodrigues de Sousa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcio Avito Ribeiro Faria. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 60 17 /2 00 2- 15 Fl. 231DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13807.006017/2002-15 Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 16-27.008, proferido pela 2ª Turma da DRJ/SP1, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, entendeu, por unanimidade de votos, julgá-la improcedente, para manter o despacho decisório que indeferiu o pedido de revisão de emissão de incentivos fiscais. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião da decisão de primeira instância, a seguir transcrito, complementando-o ao final: A contribuinte acima identificada ingressou, em 26/06/2002, com o PERC - Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fls. 01, tendo em vista não ter sido emitida a ordem pertinente a sua opção por aplicação de parte do IRPJ (R$ 119.828,87), relativo ao ano-calendário 1998, no FINOR (fls. 60). Do Despacho Decisório questionado (fls. 176), abaixo transcrito e cientificado em 18/11/2008 (fls. 177v), extrai-se que o pedido foi indeferido em razão de irregularidades fiscais do contribuinte perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN: O presente processo trata de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, referente à declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica exercício 1999 ano-calendário 1998. Após análise do processo de acordo com a NE/SRF/COSAR/COSIT N° 10 de 17 de julho de 2000, foi constatado que o contribuinte, possuía pendências impeditivas a liberação do Incentivo. Foi, então, o contribuinte intimado em 27/03/08 a regularizar tais pendências, conforme consta fl. 123. Feita nova análise da regularidade fiscal. Foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta no relatório à página 175. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art60), proponho que o processo de PERC - Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 1999, seja indeferido. Inconformado com a decisão, o interessado protocolizou em 05/12/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 178/181, alegando em síntese que todos os débitos apontados pela autoridade julgadora estariam devidamente justificados pelo manifestante, visto que teria possibilitado a emissão de Certidão Positiva com efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União (doe. 04). Ao apreciar as razões apresentadas, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 PERC - QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS - PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Fl. 232DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13807.006017/2002-15 Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, a empresa ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), relativo ao ano-calendário de 1998, e teve seu pedido indeferido, tendo em vista a falta de comprovação de regularidade fiscal. Em análise da Manifestação de Inconformidade, a DRJ manteve o indeferimento do pedido, por inexistir quitação do débito apontado à fl. 199 dos autos, concluindo por permanecer in casu a vedação prevista no art. 60 da Lei nº 9.069/95, de modo que o indeferimento da pretensão estaria correto. Em suas palavras: No caso de que trata o presente processo administrativo, da análise das informações de apoio para emissão de certidão, foi constatada a existência de débito (fls. 126 e 198/199) cujo vencimento ocorreu em 31/03/1997, e que se encontra inscrito em dívida ativa. Portanto, impede o reconhecimento do benefício a existência do débito relativo à CSLL (código 2973 - vencimento em 31/03/1997), por se referir a período anterior à declaração do ano-base de 1998, exercício de 1999. No que tange à emissão da certidão conjunta, cada órgão (SRF/RFB e PGFN) efetuará a análise em relação às pendências existentes na sua esfera de competência, sendo que, para a emissão da certidão conjunta negativa, é necessário que não existam óbices em ambos os órgãos. Não é demais lembrar que a IN RFB n° 734/2007 (antes a IN SRF n° 574/2005) estabelece em seu artigo 10 que "Na hipótese de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, no âmbito da RFB, é vedada a exigência da certidão conjunta de que trata o art. I 2 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n2 3, de 2007, cabendo a verificação de regularidade fiscal do sujeito passivo à unidade da RFB encarregada da análise do pedido" (grifo acrescentado). Deste modo, ainda que emitida a Certidão Negativa ou Positiva com efeito de Negativa, permanece a necessidade de averiguação da situação fiscal do contribuinte pela autoridade competente da SRF/RFB, como foi feito neste caso. Não consta dos autos a comprovação da quitação do débito apontado à fl. 199. Como se vê, a contribuinte incidiu na vedação prevista no art. 60 da Lei n° 9.069/95, de modo que o indeferimento de sua pretensão foi correto. Da análise deste voto, verifico que a DRJ não ignorou a Súmula CARF n. 37, no entanto, utilizou a redação antiga da referida Súmula, entendendo, ainda, necessária a quitação do débito apontado à fl. 199 e que a emissão de Certidão Negativa ou Positiva com efeito de Negativa não seria suficiente para o deferimento do pedido. Tal interpretação me parece equivocada. Fl. 233DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-006.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13807.006017/2002-15 A redação atual da referida Súmula encontra-se a seguir transcrita, e apta para por fim a controvérsia: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater aos débitos existentes até a data de entrega da declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a regularização, e inclusive mediante apresentação de certidão de regularidade posterior à data da opção. No caso em apreço, a empresa recorrente fez acostar em seu recurso Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa (e-fls. 227), com validade até 25/05/2001 (após o prazo do recurso), noticiando que os débitos existentes, todos eles, encontravam-se com exigibilidade suspensa. Tal prova, por si, basta para atestar a regularidade exigida pelo artigo 60 da Lei nº 9.069/95, como termo para o usufruto do benefício pretendido pelo contribuinte, nos termos da sumula CARF citada. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão recorrido e deferir o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal, em seus termos, concedendo integralmente ao contribuinte o benefício pretendido. (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 234DF CARF MF Original
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