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Numero do processo: 19515.721150/2015-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei.
IRPJ. LUCRO ARBITRADO.
A falta de entrega da DIPJ, da DCTF e do DACON, a falta de apresentação do Livro Diário, a apresentação do Livro Razão com escrituração incompleta, bem como a falta de registro de notas fiscais nos Livros Fiscais (Registro de Entradas e Registro de Saídas) impõe, nos termos da legislação pertinente, o arbitramento do Lucro.
IRPJ. NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS. RECEITA BRUTA CONHECIDA. LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO.
O arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, obtida por meio de notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa autuada, requer que sejam excluídos os valores concernentes às notas fiscais canceladas e aquelas pertinentes a operações que não configuram faturamento, tais como as remessas e as devoluções de compras.
MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO.
Quando é aplicada a presunção de omissão de receitas, não há que se falar em multa qualificada, nos termos da Súmula 14, deste CARF.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS.
O decido quanto ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ espraia seus efeitos sobre os lançamentos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, da Contribuição para PIS/Pasep.
Numero da decisão: 1201-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários apenas para afastar a multa qualificada reduzindo-a para 75%, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Carmen Ferreira Saraiva que negavam provimento aos recursos.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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SÓCIOS E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. A falta de entrega da DIPJ, da DCTF e do DACON, a falta de apresentação do Livro Diário, a apresentação do Livro Razão com escrituração incompleta, bem como a falta de registro de notas fiscais nos Livros Fiscais (Registro de Entradas e Registro de Saídas) impõe, nos termos da legislação pertinente, o arbitramento do Lucro. IRPJ. NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS. RECEITA BRUTA CONHECIDA. LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO. O arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, obtida por meio de notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa autuada, requer que sejam excluídos os valores concernentes às notas fiscais canceladas e aquelas pertinentes a operações que não configuram faturamento, tais como as remessas e as devoluções de compras. MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. Quando é aplicada a presunção de omissão de receitas, não há que se falar em multa qualificada, nos termos da Súmula 14, deste CARF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS. O decido quanto ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre os lançamentos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 50 /2 01 5- 73 Fl. 2041DF CARF MF 2 CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para PIS/Pasep. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários apenas para afastar a multa qualificada reduzindoa para 75%, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Carmen Ferreira Saraiva que negavam provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de autos de infração lavrados no âmbito da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo – DEFIS/SPO – RF 8ª. Divisão de fiscalização – DIFIS I, por meio dos quais é exigido do interessado e dos responsáveis solidários, o Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$4.447.705,53 (fls. 1.331/1.346); a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$2.031.896,48 (fls.1.348/1.363), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$5.656.586,60 (fls. 1.365/1.374), a Contribuição para o Programa de Integração Social e Programa de Formação de Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, no valor de R$1.225.593,78 (fls. 1.376/1.385), todos os valores já acrescidos da multa de oficio qualificada de 150% e os juros de mora calculados pela taxa Selic. O lançamento relativo ao IRPJ decorre do fato descrito com o correspondente enquadramento legal no Auto de infração de (fls. 1.331/1.363), e no Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 1.320/1.329, parte integrante do auto. Em suma, foi apurada omissão fraudulenta de receita caracterizada pela atividade exercida no anocalendário 2012. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 3 3 Intimado o contribuinte em 28/11/2013 através do Termo de Início da ação fiscal (fls. 23/24) para apresentar (i) contrato social da empresa e alterações posteriores (últimos 5 anos); (ii) arquivos magnéticos detalhados referente ao anocalendário de 2012, com relação a documentos fiscais, extratos bancários, de todos os bancos em que a empresa tenha operado ao longo do anocalendário fiscalizado; (iii) livros diário e razão do anocalendário de 2012, em meio magnético e papel; (iv) livros registro de entradas e saídas, devendo serem todas as documentações requisitadas devidamente validadas através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitas – SVA). O contribuinte ainda foi novamente intimado, através de Termo de Início da ação fiscal (fls. 27/30) nos mesmos termos supracitados em 02/12/2013, tendo havido a primeira manifestação deste em 11/12/2013, às fls. 35, requerendo a dilação do prazo em 60 (sessenta) dias para apresentação dos documentos solicitados, em virtude de ser muito extensa. A dilação foi concedida mediante Termo de prorrogação constante de fls. 36, prorrogando o prazo para o dia 22/01/2014, considerando que o primeiro prazo concedido encerraria em 23/12/2013, entretanto, ato continuo o Contribuinte novamente manifestouse, aduzindo que, apesar da dilação da concedida, em razão da alteração da pessoa responsável pelo acompanhamento da Fiscalização junto a Receita Federal, seria necessário mais 10 (dez) dias para apresentação dos documentos. A primeira juntada de documentação pelo contribuinte se deu às fls. 41, momento em que foi solicitada a juntada de: (i) Contrato Social da empresa e alterações (fls. 42/45); (ii) Extratos bancários, das únicas duas contas em que a empresa realizou operações ao longo do anocalendário de 2012 (fls.46/294), sendo estas, a do Banco Itaú, agência 0003 – Conta nº 350394 e Banco Bradesco, agência 278 – Conta nº 61003; (iii) Livros registro entradas e saídas (fls. 295/655). Em razão de indícios apurados pela Delegacia Especial da Receita Federal através dos documentos fornecidos pelo Contribuinte e demais analisados através dos sistemas à disposição da fiscalização, foi inicialmente expedido ofício de nº 18/2014 (fls. 682/683) ao Banco Itaú S/A para confirmação dos sinais de “interposta pessoa”, sendo solicitado o envio de cópia dos seguintes documentos: 1 Instrumento de Procuração outorgando poderes para terceiros movimentarem a conta corrente; 2 Ficha Cadastral e Propostade Abertura de conta corrente, da empresa; 3 Cópias dos Cartões de Assinatura Em observância a urgência destacada, a resposta ao ofício se deu logo às fls. seguintes (684/704), tendo o Banco Itaú S/A fornecido para análise, cópia da Ficha Cadastral da conta nº 350394, agência 0003 da empresa Granobrás Comércio de Produtos Agrícolas LTDA, bem como cópia do cartão de assinaturas em papel referente ao período de 01/01/2012 a 31/12/2012. Fl. 2043DF CARF MF 4 O Banco Bradesco S/A foi oficiado nos mesmos termos através do ofício de nº 19/2014 (fls. 705/706), tendo também havido urgência na diligência com resposta às fls. 710/720) com juntada dos documentos requisitados. O contribuinte voltou a se manifestar nos autos às fls. 707, requerendo novamente a concessão de prorrogação do prazo para entrega dos livros diários e razão do ano calendário de 2012, tendo o prazo sido prorrogado através do Termo de prorrogação de prazo (fls. 708), sendo informado também que, em decorrência de mudanças administrativas da Delegacia da Receita Federal do Brasil, a Divisão e equipe de fiscalização foram alteradas para a Divisão de Fiscalização I – Equipe de Fiscalização nº 4. Termo de intimação lavrado às fls. 709, intimando o contribuinte a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, os Balancetes analíticos mensais, com relação ao ano calendário de 2012, sendo devidamente disponibilizados por este às fls. 721/755. Em continuidade a Ação Fiscal em questão, foram intimados (fls. 756) a pessoa dos sócios, Sr. Alexandre Aparecido Eugênio – CPF nº 277.871.51854 e William Santos Viana – CPF nº 398.297.35893, a comparecerem a Delegacia em questão, no dia 26/03/2014, às 11h00minh, para prestarem esclarecimentos acerca da fiscalização em andamento. Neste meio tempo, houve ainda intimação às fls. 757 para entrega, no prazo de 5 (cinco) dias, Sintegra e Gias, os quais foram colocados a disposição da Delegacia da Receita Federal conforme protocolo de entrega de documentos, reconhecido pelo Auditor Fiscal, Sr. Mario Yamamoto, às fls. 758, o qual registrou o recebimento de: (i) Gias, livro razão e recibo Sped Contábil (fls. 759/834), sem apresentação, contudo, do Sintegra. Decorreu, em virtude do não comparecimento de nenhum dos sócios, ou representante legal destes, o Termo de reintimação de fls. 835, sendo reintimados os sócios a comparecerem pessoalmente, desta vez, no dia 07/04/2014, às 11:00h. Nesta oportunidade, compareceram a repartição o sócio, Sr. Alexandre Aparecido Eugênio, acompanhado de seu advogado e procurador Dr. Valdir dos Santos Pio, tendo prestado esclarecimento, conforme Termo de esclarecimentos de fls. 840/841 com as seguintes declarações: Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 4 5 Após os esclarecimentos prestados, foi intimado o contribuinte (fls. 851), para apresentar cópia dos cheques relacionados no anexo 1 emitidos pela empresa sob fiscalização através de sua conta no Banco Itaú, bem como dos cheques relacionados no anexo 2 emitidos através da sua conta no Banco Bradesco, documentos que, após pedido de prorrogação do prazo, foram acostados às fls. 859/958. A Delegacia da Receita Federal realizou a análise dos documentos apresentados, e dado a inconformidade com as assinaturas constantes das cópias dos cheques fornecidos, com as fichas cadastrais e cópias dos cartões de assinatura, não batendo com nenhuma das assinaturas dos sócios, foi realizado novo ofício nº 126/2014 (fls. 959/982), ao Banco Itaú S/A, para realização de apuração da identidade de quem teria assinado os cheques fornecidos pelo contribuinte, nos seguinte dizeres: Ressaltase que as cópias dos cheques do Bradesco, quando comparadas com o cartão de assinaturas apresentado, correspondem com à assinatura do Sr. Alexandre Aparecido Eugênio, contudo, quando comparados a assinatura deste no Termo de Esclarecimentos, evidenciouse que eram totalmente diferentes. Fl. 2045DF CARF MF 6 O Banco Itaú S/A respondeu ao ofício em 18/08/2014 (fls. 984/988), informando que após analise da assinatura constate das cópias enviadas, constatouse mediante pesquisa nos setores competentes que se tratava de assinatura do Sr. Edilson Luis Warmling, com apresentação de cópia do cartão de assinaturas deste. Realizada consulta ao sistema CENSEC, foi identificado que no Ofício Registro Civil das Pessoas Naturais, do 36º sub Distrito da Vila Maria, constava Procuração em nome de Edilson Luis Warmling, sendo emitido ofício de nº 36/2015 (fls. 1.022/1.023), solicitando cópia de qualquer procuração, substabelecimento ou escrituração em nome deste. Foram acostados aos autos documentos referentes ao Sr. Edilson Luis Warmling (fls. 1.104/1.116), bem como Notas Fiscais de Entrada e Saída extraídas pelo SPD NFe (fls. 1.118/1.303) e consulta extraída da base do Sistema ReceitaNetLog (fls. 1.314/1.318). O Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.320/1.329) dispôs, em apertada síntese que: 1 – Das atividades da Empresa Tratase de empresa constituída em 05/05/2009, com registro na JUCESP em 10/06/2009, indicando como sócios os Senhores Alexandre Aparecido Eugênio e William Santos Viana, tendo como objeto social o comércio e distribuição de cereais e gêneros alimentícios em geral, e produtos agrícolas para ração animal. Nos sistemas à disposição da Receita Federal do Brasil a empresa consta como “ativa”, todavia, em consulta a JUCESP verificase que foi efetuado “Distrato Social” em 21/01/2013. 2 – Da fiscalização Fiscalização iniciada em 28/11/2013, com diligencia dos Fiscais da Receita Federal ao endereço cadastrado junto ao ente, com constatação de que a empresa não mais se encontrava no local, estando em seu lugar a empresa “Comércio de Produtos Agrícolas Porobrás LTDA – ME. Chegouse ao Sr. Edilson, sendo que, quando questionado acerca da empresa Granobrás, informou que havia exercido cargo de gerente, contudo, não trabalhava mais naquela empresa. Afirmou que a empresa não exercia mais as atividades, mas que iria entrar em contato com os antigos sócios. Deuse, portanto, o Termo de início de ação fiscal. De todas as consultas realizadas através dos sistemas disponíveis, análise dos documentos juntados e declarações prestadas, a Receita Federal evidenciou que o Sr. Alexandre Aparecido Eugênio se tratava de interposta pessoa, momento em que se passou a análise do real beneficiário. Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 5 7 3 – Do real beneficiário – Edilson Luis Warmling Novamente, diversas consultas, análise de documentações a apuração de declarações, a Receita Federal chegou até uma procuração da empresa fiscalizada, com poderes outorgados pelo sócio Sr. Alexandre Aparecido Eugênio, datada de 02/10/2009, para o Sr. Edilson Luis Warmling, para “... a quem confere amplos e gerais poderes para agindo abrir, movimentar, liquidar, e encerrar qualquer modalidade de contas correntes e cadernetas de poupança em quaisquer bancos ou mesmo nos bancos...”. Combatidas todas estas informações obtidas, com as declarações prestadas pelo sócio, Sr. Alexandre, acrescido da declaração de rendimentos da pessoa física, mencionada no item 11 do Termo de Esclarecimento, caracterizouse, na figura do Sr. Edilson Luis Warmling – CPF n 391.869.70968, como sendo gestor e real beneficiário das operações da empresa Granobrás Comércio de Produtos Agrícolas Ltda., configurando a situação de responsável solidário, prevista no artigo 124, inciso I e artigo 135, incisos II e III, ambos do Código Tributário Nacional. 4 – Dos extratos de movimentação financeira O contribuinte apresentou extrato das contas correntes em que realizou movimentações no anocalendário de 2012, todavia, em virtude de divergências verificadas entre os extratos fornecidos e consulta extraída junto ao sistema SPEDNFe, este foi intimado para esclarecer se havia alguma outra movimentação, em outra conta ou banco. Em resposta, o contribuinte afirmou ter fornecido todas as movimentações existentes. Ocorre que, analisados os extratos, expurgados os valores relativos a empréstimos, devoluções de cheques, e demais valores que não representam depósitos de terceiros, verificouse que o contribuinte, ao longo do anocalendário de 2012, movimentou o total de R$51.434.627,81, conforme quadro: E, mediante análise ao sistema SPEDNFe, o arquivo emitido (Nota Fiscal Eletrônica de Saídas) do período de janeiro a dezembro de 2012, demonstrouse que os valores indicados apresentavam volume de venda maior se comparado aos escriturados nos demais indicadores, bem como que a movimentação financeira acima indicada não possuía todos os Fl. 2047DF CARF MF 8 valores de vendas, presumindose que foram pagos em dinheiro ou que tiveram cheques repassados para terceiros/agiotas ou alguma outra forma de pagamento que não tenha transitado nas contas bancárias do contribuinte, vejamos: 5 – Do arbitramento do lucro Com relação ao anocalendário de 2012, o contribuinte fiscalizado não apresentou a Receita Federal qualquer declaração a que estivesse obrigado (DIPJ, DACON, DCTF, DASN, etc.), não realizando também qualquer recolhimento de IRPJ, COFINS, PIS e CSLL aos cofres públicos. Em virtude disto, e considerando que: Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 6 9 Foi considerado como inaceitável a escrituração contábil e fiscal do contribuinte, por não ser possível obter as reais bases imponíveis do Imposto de Renda – PJ, motivando desta forma o arbitramento do lucro, com base no artigo 530, inciso III do Decreto nº 3000/99 – RIR/99. 6 – Da apuração e constituição do crédito tributário. Em virtude de todo o exposto, foram utilizados como base de cálculo os valores apurados nas notas fiscais eletrônicas de saída (SPED NFe). A Receita Federal atribuiu ainda omissão fraudulenta, o que deu ensejo a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, sendo aplicado sobre a omissão da receita apurada para determinação do lucro arbitrado o percentual de 9,5%, nos termos dos artigos 518, 519 e 532 do RIR/99, sendo os créditos tributários mencionados constituídos e formalizados nos seguintes montantes: Os Autos de infração relativos à CSLL, COFINS e PIS/PASEP foram lavrados em decorrência da apuração da infração que ensejou o lançamento principal. Das Impugnações Primeira impugnação apresentada às fls. 1409/1.552 pelo Sr. Alexandre Aparecido Eugênio. O Impugnante destaca ainda na exposição de fatos que, ao contrário do alegado pela Receita Federal, em momento algum houve qualquer intenção de dificultar ou tentar impedir a fiscalização com a ocultação da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que teria tomado todas as medidas ao seu alcance para fornecer os documentos solicitados. Em sede de preliminar, discorre o Impugnante acerca de sua ilegitimidade passiva ad causam com relação à responsabilidade tributária, alegando que as constatações alcançadas pela Receita Federal, de que o Impugnante não seria possuidor de capacidade financeira e patrimonial, ou detentor de conhecimentos comerciais para gerir negócios, o que demonstrava que este se tratava de “interposta pessoa”, com intuito de “camuflar o real beneficiário das operações da empresa” não condiziam com a realidade, visto que, conforme informado durante seu comparecimento à repartição fiscal, a administração da sociedade competia ao Sr. William Santos Viana, e que após a sua prisão tornouse difícil a manutenção das atividades exercidas, ressaltando que, ainda que tenha figurado como sócio da empresa Fl. 2049DF CARF MF 10 jamais exerceu a administração desta, atuando tão somente na área comercial desta, não se tratando desta forma de “interposta pessoa”. Argui que, embora tenha outorgado procuração com poderes de representação a terceiro, que possuía cargo na área financeira da empresa, tal ato decorreu de necessidade da empresa para realizar o cumprimento de obrigações para com seus fornecedores, e que isto não significava que o Impugnante teria realizado qualquer ato de gestão/administração da sociedade. Salienta o Impugnante que: “(...) com relação aos fatos narrados pela autoridade fiscal, o Impugnante jamais praticou atos de gestão, ou qualquer outro ato que pudesse resultar em sua responsabilidade solidária pelo pagamento de tributo em razão dos negócios da empresa.” “No termo de Verificação Fiscal e no Demonstrativo de Responsáveis Tributários em que se impôs a reponsabilidade solidária ao Impugnante, há relato manifestamente precário acerca dos atos que ele teria praticado junto à empresa, afinal, não há qualquer previsão legal prevendo ser crime a outorga de procuração a terceiros para que este assine cheques ou abra/movimente contas bancárias.” “Ademais, o Impugnante não encontrou nestes autos, nem tampouco nos documentos que o integram, nenhum documento a seu respeito que pudesse vinculálo a qualquer ato de gestão, principalmente atos de gestão com propósitos de infringir a legislação, ao contrato social ou praticado com abuso ou excesso de poderes, ou mesmo que demonstrassem que possuía interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária.” E neste sentido, aduz que, embora a fundamentação adotada pela Receita Federal para atribuição da responsabilidade solidária tenha sido fundamentada pelo artigo 124, inciso II, do Código Tributário Nacional, esta buscou imputarlhe a responsabilidade pessoal, nos termos do artigo 135, também do CTN, o que, entretanto, sob nenhuma das fundamentações informadas, teria sido comprovado pela autoridade fiscal nestes autos. Superada a preliminar arguida acerca da ilegitimidade passiva deste, o Impugnante passa a fundamentar sua defesa na nulidade do auto de infração por erro na tipificação da infração, visto que esta foi autuada como sendo “omissão de receitas nos termos do artigo 287 do RIR/99”, o que para o Impugnante não condizia com a realidade, momento em que, compulsando os autos constatase que base de cálculo adotada pela Receita Federal foi os valores indicados nas notas fiscais emitidas, e não nos valores creditados em contas bancárias os quais o contribuinte não tenha comprovado a origem, conforme dispõe o supracitado artigo. Evidência, portanto, que: Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 7 11 “(...) o lançamento fiscal relativo ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, não preencheu os requisitos necessários à sua validade, conforme dispõe o artigo 142, do CTN, e artigo 10, do Decreto nº 70.235/72, pois não determinou corretamente a matéria tributável, e, tampouco, citou a disposição legal infringida, pois faturamento não é sinônimo de valores creditados e mantidos em contas correntes.” “Claro está que o vício ora apontado revela a nulidade da autuação lavrada, comportando uma única solução, qual seja, o cancelamento do auto de infração, que é o que se requer.” No mérito, aduz que seria impossível a desclassificação da escrituração fiscal/contábil fornecida para fins de arbitramento do imposto, visto que foram acostados praticamente todos os documentos que possuía e que estes teriam auxiliado a autoridade fiscal no procedimento fiscal, havendo nestes documentos fornecidos elementos suficientes para a análise e apuração dos impostos eventualmente devidos. Portanto, considerou como medida extrema que não poderia ter sido aplicada pela Receita Federal, visto que a autoridade detinha diversos documentos contábeis/fiscais da empresa para verificação a apuração do imposto, sendo o arbitramento do imposto nos termos do artigo 530, inciso III do RIR/99, medida excepcional, que somente deve ser adotado na hipótese de não possui outros meios para aferir as bases de cálculo. Acosta jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, onde houve entendimento firmado no sentido de que, havendo a apresentação dos livros contábeis e fiscais, não se justifica a desclassificação da escrituração, sendo estas: (i) processo nº 19515.002998/201095, Data de publicação 02/04/2014, Recurso de Ofício e Voluntário – Relator Antonio Bezerra Neto, Acórdão nº 1401001.056; (ii) processo nº 16682.720743/201179, Data de publicação 19/05/2014, Recurso Voluntário – Relator Antonio Carlos Guidoni Filho, Acórdão nº 1102000.974; (iii) processo nº 10945.000324/201101, Data de publicação 24/04/2014, Recurso Voluntário – Relator Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Acórdão nº 1402001.606; E, em razão da detenção por parte da fiscalização de informações fiscais e contábeis da empresa autuada, esta não poderia ter, por sua conveniência, decidido não aceitá las, assim não houve fundamentação para descaracterização da escrituração contábil e fiscal, devendo o auto de infração ser cancelado em sua integridade. Ainda, combate o Impugnante a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como do PIS e da COFINS, e que parte das mercadorias comercializadas pela empresa fiscalizada estariam sujeitas à alíquota zero. Primeiramente, com relação à base de cálculo aplicada ao IRPJ e CSLL, a fundamentação consiste no fato de que o entendimento adotado pela autoridade fiscal não condiz com a realidade, visto que parte dos valores considerados como receitas omitidas não configuram faturamento, tratandose de outras remessas que não configuram receita, o qual Fl. 2051DF CARF MF 12 busca comprovar o Impugnante através da cópias acostadas aos autos do livro registro de saída do anocalendário de 2012. Aponta que, a divergência dos valores apurados através dos extratos bancários e dos valores extraídos do SPEDNFe, o que para a autoridade fiscal teria demonstrado a omissão, decorreu do fato de que, com relação aos valores extraídos do sistema supracitado, teria havido a inclusão de operações que não possuiriam a natureza de venda, e, portanto, não constituiriam receita passível de tributação. E, em virtude da erronêa interpretação adotada pela Receita Federal para apuração da documentação disponibilizada pela Empresa autuada, configurouse o não cumprimento dos requisitos do artigo 142, do CTN, dado o cálculo incorreto do tributo devido, o que culmina no cancelamento do auto de infração devido. No que tange a base de cálculo do PIS e COFINS, a fundamentação inicial não diverge da formulada com relação a aplicada ao IRPJ e CSLL, no sentido de que houve erro na interpretação da documentação acostada aos autos, com conclusão equivocada de que teria havido omissão de receitas. E ainda, alega que não teria sido aplicada a correta apuração das contribuições ao PIS e à COFINS, qual seja, a sistemática da nãocumulatividade, por restar a empresa autuada sujeita o disposto no artigo 14, da Lei nº 9.718/98, devendo a apuração ter sido realizada nos termos do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, bem como que a Receita Federal não teria realizado a devida apuração dos produtos comercializados pela empresa fiscalizada que estariam sujeitas à alíquota zero com relação a contribuição ao PIS e à COFINS nos termos do artigo 28, inciso III da Lei nº 10.865/2004, acostando quadro descritivo, concluindose novamente como devido o cancelamento do auto de infração, em razão da não aferição correta do quantum devido. O Impugnante colaciona ainda a multa qualificada aplicada, alegando ter ocorrido cerceamento de defesa, isto, pois, a aplicação da multa decorreu de reconhecimento, de forma presumida, da ocorrência de omissão fraudulenta, sob a hipótese de que houve intenção na ocultação do fato gerador, não tendo todavia, tais fatos constatados pela autoridade fiscal sido comprovados por esta. Argui que, do que se depreende dos autos, para chegarse aos valores apontados como omitidos, a Receita Federal analisou a razão contábil, os livros registro de entrada e saída, os balancetes e GIA’s relativos ao período autuado, bem como extratos bancários, todos documentos fornecidos pela empresa autuada. Nesse sentido, informa que caso a intenção fosse ocultar qualquer informação com intuito de fraudar o fisco, o que destaca que não ocorreu, não teria sido disponibilizado a fiscalização qualquer documento, tornandose incabível a manutenção da imposição da multa aplicada. Acosta neste mesmo entendimento, jurisprudência do CARF, sendo estas: (i) processo nº 16327.001716/200766, Data de publicação 11/12/2014, Recurso Voluntário – Relator Carlos Augusto de Andrade Jenier, Acórdão nº 1301001.699; (ii) processo nº 19515.002758/201091, Data de publicação 02/04/2014, Recurso Voluntário – Relator Antonio Bezerra Neto, Acórdão nº 1401000.816; Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 8 13 (iii) processo nº 11516.720787/201105, Data de publicação 22/10/2014, Recurso Voluntário – Relator Carlos Augusto de Andrade Jenier, Acórdão nº 1301001.608; Postula o Impugnante pela realização de prova pericial, para comprovação da ocorrência de vícios que enraizaram o presente feito, com demonstração de que os documentos apresentados eram idôneos para apuração das reais bases de cálculo, formalizando seus pedidos nos seguintes termos: A segunda impugnação foi apresentada pelo também determinado como responsável solidário, Sr. Edilson Luiz Warmling (fls. 1.560/1.651), o qual aduziu preliminarmente, acerca da sua ilegitimidade passiva ad causam e no mérito alegou o cerceamento de defesa com relação a multa qualificada aplicada, mantendo linha semelhante ao primeiro Impugnante com relação as teses apresentadas, as quais no que divergiu concessa venia, passo a redigir: “(...)” “Conforme relatado pela autoridade autuante, esta afirmou que o ora Impugnante seria a pessoa que estaria “por trás das atividades de comando da empresa”, bem como que os fatos acima relatados se encontram detalhados no Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante do presente processo.” “De acordo com o relatado pela autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal, o Impugnante seria o gestor e real beneficiário das operações da empresa fiscalizada e que este fato estaria comprovado por documentos encartados aos autos.” “Pois bem, em relação aos fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal integrante dos autos, conforme informado pelo próprio Impugnante quando de seu primeiro contato com a fiscalização, ele informou que realmente exerceu cargo na empresa autuada, porém não trabalha mais para esta e que a empresa, inclusive, já encerrou suas atividades.” “Contudo, ainda que tenha exercido cargo na empresa autuada, este atuou na área financeira da mesma, mas sem exercer qualquer ato de gestão.” “O ora Impugnante apenas realizava os pagamentos a serem efetuados pela empresa, motivo pelo qual se tornou o responsável pela assinatura de todos os documentos dessa área, assim como pela assinatura de cheques emitido para pagamento de fornecedores diversos.” “O Impugnante apenas realizava ditas atividades, mas não detinha poderes de mando/gestão, e apenas dava cumprimento às obrigações financeiras contraídas pela sociedade, conforme encargo que lhe foi imposto quando da assunção de seu cargo junto à citada empresa.” “Assim, não prospera a afirmação da autoridade fiscal de que o Impugnante seria o gestor e real beneficiário das operações da empresa Granobrás.” Fl. 2053DF CARF MF 14 “(...)” Requerendo desta forma que: (i) O reconhecimento da ilegitimidade passiva ad causam do Impugnante, com exclusão deste do polo passivo do presente feito. (ii) Que, caso seja mantido o Impugnante no polo passivo da relação tributária, mesmo parcialmente, que seja cancelada a multa qualificada aplicada, ante a ausência da ocorrência de omissão fraudulenta. A última Impugnação foi apresentada pela Empresa Granobrás Comércio de Produtos Agrícolas Ltda, às fls. 1.654/1.820, esta nos mesmos termos da defesa apresentada pelo Sr. Alexandre Aparecido Eugênio, com exceção, por consectário lógico, da tese de ilegitimidade passiva, aliás inclusive dotada de mesma formatação diferindo apenas quanto à assinatura. Acórdão nº 1676.461 – 8ª Turma da DRJ/SPO Diante de todo o exposto, foi decidido, por unanimidade de votos, por julgar se: (i) Procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa contribuinte interessada, mantendo em parte o crédito tributário lançado, nos termos do voto da relatora; (ii) Procedente em parte a impugnação apresenta pelo responsável solidário Sr. Alexandre Aparecido Eugênio, CPF nº 277.871.51854, na parte em que discute as mesmas questões apresentadas na defesa da empresa impugnante, mantendo a responsabilidade solidária pelo crédito tributário mantido; (iii) Improcedente a impugnação apresentada pelo responsável solidário Edílson Luiz Warmling, CPF nº 391.869.70968, mantendo a responsabilidade solidária pelo crédito tributário mantido. Dos Recursos Voluntários Irresignada com a decisão, tanto a empresa autuada Granobrás Comércio de Produtos Agrícolas Ltda, como os declarados como responsáveis solidários Sr. Alexandre Aparecido Eugênio e Sr. Edílson Luiz Warmling apresentaram seus respectivos Recursos voluntários, com exceção do também responsável solidário Sr. William Santos Viana que não se manifestou nos autos, em razão de estar preso. Os Recursos repisaram os mesmos argumentos trazidos nas peças impugnatórias, destacandose que no que tange a fundamentação recursal adotada, estes não divergem em praticamente nada, aditando alguns argumentos relevantes, os quais reproduzem a seguir: Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 9 15 “(...) DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DO ERRO NA TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. “(...)” “Embora a autoridade fiscal e a Autoridade Julgadora realizem grande esforço para tentar configurar a infração como sendo omissão de receitas por parte da empresa autuada conforme consignado no artigo 287, do RIR/99, ao promover a constituição do crédito tributário o que se conclui é que os valores utilizados para a sua formação não decorrem de créditos mantidos em contas de titularidade do contribuinte que este não tivesse comprovado a sua origem, mas tratase do valo considerado efetivo faturamento da empresa.” “(...)” “(...) DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL “(...)” “Após a análise, pela Autoridade Julgadora, dos dados e provas constantes dos autos, o que se extrai é que a partir dos documentos e livros fiscais trazidos com a impugnação apresentada pelo ora Recorrente, que aquela verificou e reconheceu a fragilidade da apuração realizada pela fiscalização, desconstituindo parte do lançamento fiscal.” “Este fato chama a atenção porque foi a partir das informações constantes dos documentos fiscais emitidos pelo ora Recorrente, os quais foram desclassificados pela fiscalização, que foi possível à Autoridade Julgadora concluir e reconhecer os vícios apontados no levantamento fiscal realizado, com o cancelamento de parte da autuação lavrada.” “Concluise, portanto, que a desclassificação da escrituração contábil e fiscal da empresa autuada se deu de forma indevida, pois ainda que a autoridade fiscal tenha entendido que era impraticável obter as informações das bases imponíveis do IRPJ através dos documentos apresentados pela empresa e considerar como omissão de receitas os valores das notas fiscais emitidas por ela, foi a partir dessa mesma documentação que se levou a Autoridade Julgadora a concluir pelos vícios que macularam a autuação lavrada.” Quanto aos fatos, fundamentos legais e formatação os três recursos voluntários obedeceram à mesma sistemática e padrão, despicienda a repetição de relatórios. É o relatório. Fl. 2055DF CARF MF 16 Voto Conselheiro Relator Admissibilidade Os recursos interpostos são tempestivos e encontramse revestidos das formalidades legais cabíveis merecendo serem apreciados. Cumprese destacar que o sócio William Santos Viana, inscrito no CPF 389.297.35893, não apresentou qualquer manifestação em sede de impugnação ou recurso voluntário. A Recorrente Granobras reitera no recurso voluntario o protesto pela prova pericial com o escopo de provar os vícios que supostamente maculariam o lançamento fiscal, bem como que os documentos apresentados à autoridade fiscal são suficientes para identificar os fatos geradores e consequentemente afastar o arbitramento realizado. 1 – Quanto ao pedido de perícia A perícia teria o condão de comprovar que houve incorreto enquadramento na apuração do PIS e da COFINS na sistemática cumulativa, pois em nenhum momento houve o abatimento dos créditos que supostamente assistia direito à Recorrente. A finalidade da realização de diligências seria para elucidar questões que não estivem comprovadas de forma cristalina, ou que sobre determinadas questões o Relator não estivesse convicto. In casu, a Recorrente aduz que a autoridade fiscal não tipificou a corretamente a conduta infracional tributária no lançamento fiscal, contestou a desclassificação de sua escrituração, a qual foi considerada imprestável provocando o arbitramento do lucro, ainda, argumentou que as notas fiscais emitidas utilizadas como fundamento e ou critério para aferição não remontam a realidade fática e por fim refutou a forma de apuração das contribuições sociais PIS e a Cofins em razão de não ter o agente fiscalizador observado a que a Recorrente esta inserida no regime de apuração não cumulativa, de modo que devem abater o créditos havidos em operações pretéritas. Com efeito, o Diploma legal que regula o processo administrativo (Dec. nº 70.235/72), destaca em seu artigo 16, §4º que a prova documental deve coligida na apresentação da impugnação, momento oportuno para trazer ao julgador todos os elementos que entende serem aplicáveis. Assim, os argumentos expendidos em sua totalidade e repetidos no presente recurso, bem como os documentos hábeis, segundo a Recorrente, foram coligidos anteriormente e considerando que no processo administrativo há espaço para trazer toda a matéria e documentos capazes de ilidirem os fundamentos da autuação, resta demonstrado que a Recorrente valeuse dessa faculdade legal, ao compulsar as impugnações, recursos e Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 10 17 arcabouço documental, notadamente expediente exaurido pela Recorrente, entendese o processo como instruído e maduro para julgamento prescindindo de outras verificações. 2 – Quanto à alegação de erro da tipificação As infrações colacionadas no lançamento fiscal decorrem da falta de apresentação das Declarações (DIPJ, DCTF, DACON) e Demonstrativos ao Fisco Federal, bem como a ausência de apresentação do Sped Contábil e Sped Fiscal e a ausência de recolhimentos correspondentes à titulo de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no anocalendário de 2012, não obstante a vultosa volumetria de notas fiscais de vendas, constatadas a partir do SPED NFe, indício suficiente para supor a receita mensal, tabelados às fls. 1325. Em que pese a menção do art. 287 do RIR 99 reconhecidamente equivocada, extraise dos elementos fáticos acima destacados que se subsumem à disposição contida no art. 537 do RIR /99, de modo que tratase de erro material que não trouxe qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, não havendo prejuízo não há que se falar em nulidade. Depreendese que a despeito de ter indicado a autoridade a fls. 1325 e trazido as entradas mensais nas contas de depósito nos Bancos Itaú e Bradesco, de cuja volumetria de movimentação, teria a autoridade expurgado todos os empréstimos, devoluções de cheques e depósitos de terceiros, a movimentação não foi isoladamente utilizada para adotar a presunção de omissão com este fundamento, e como reiterado e trazido no termo de verificação e ato contínuo no próprio lançamento devidamente fundamentado e demonstrado, a infração considerou a falta de entrega das declarações (DIPJ, DCTF´s e DACON´s, a falta de recolhimento de tributos federais correspondentes e não apresentação de livro Diário /SPED Contábil/ livros contábeis (devidamente registrados na JUCESP). De modo que o erro material constatado pela indicação da tipificação delineada no art. 287 não desnatura o lançamento ocorrido por autoridade competente realizado com claro espeque no artigo 537 do RIR de 99 atendendo todos os requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto 70235/72, ademais eventual erro na apuração da base de cálculo será nos tópicos vindouros tratado no mérito, sem qualquer possibilidade de aniquilar com a validade do lançamento. 3 – Quanto à imprestabilidade da escrituração apresentada declinada pela Autoridade Fiscal e arbitramento do lucro É de curial sabença, sobretudo àqueles encarregados de atender à fiscalização, que o Livro Diário e as declarações DIPJ, DCTF e DACON e a comprovação dos correspondentes, por hipótese, recolhimentos, são documentos de primeira ordem para demonstrar as movimentações das pessoas jurídicas que adotam o regime da apuração na sistemática do lucro presumido, e mormente tenham sido coligidos inúmeros documentos e extratos bancários inerte quedou a fiscalizada em trazer até o presente momento prova capaz de ilidir a presunção fundamentadora do lançamento fiscal. Destarte, é oportuno ainda destacar que somente podese aferir com exatidão a qual regime estava inserto o contribuinte através de declarações contidas na defesa de fls. Fl. 2057DF CARF MF 18 1675/1676, na qual traz a informação acerca da inserção no lucro real, consoante dispõe o art. 14 da lei 9718/98. Por uma análise sistemática e conjunta ao SPED NFe constatou a autoridade que a Receita bruta, em 2013, inclusive teria suplantando o limite legal do art. 246, I do RIR/99 (com alteração do art. 46 da lei 10.637, de 2002), que taxativamente fixa o limite anual de R$48.000.000,00. É de se concluir, com espeque nos artigos 251, 257, 258, 259, 260 e 264 do RIR/99 e Decreto 3000/99 que a pessoa jurídica que adota a referida sistemática e inserta na condição acima aludida e sujeita à apuração do Lucro Real tem a obrigatoriedade de manter a escrituração contábil e fiscal adequada. Mas não foram apenas estas faltas constatadas pela Autoridade no TVF e consecutivamente no lançamento efetivo, a contribuinte também não escriturou o livro Razão do segundo trimestre de 2012 e as por amostragem, trouxe o termo de verificação fiscal, as fls. 1326, que inúmeras notas fiscais não foram regularmente escrituradas nem no Livro Registro de Entradas e tampouco no Livro Registro de Saídas trazidos pela Contribuinte. Corroborando com o arbitramento adotado, a empresa Recorrente não trouxe o SPED contábil e Fiscal, apenas o recibo de entrega (se que houve a transmissão dos arquivos para o sistema efetivamente). Não obstante, oportunizada foi a Contribuinte ilidir a presunção e afastar a adoção do lucro presumido apresentando o Livro Diário/SPed Fiscal/Contábil do exercício de 2012, mas preferiu limitar ao pedido genérico de perícia como única forma de aferir as bases de cálculos adotadas de forma legal e correta. Pelos fundamentos fáticos acima aludidos, não há que se afastar o arbitramento adotado no TVF e fundamentado no 530, I e II do RIR /99, repisando que extrai indubitavelmente que não foi pela apresentação dos extratos pela contribuinte que o Fisco procedeu ao arbitramento, os fundamentos adotados foram diametralmente diversos, mormente os extratos tivessem roborado com a convicção acerca da omissão de receitas pela constatação de inúmeros depósitos sem a correspondente escrituração ou quiçá outra justificativa plausível. Valeu se a autoridade da analise das notas fiscais eletrônicas extraídas do próprio SPED e com alicerce no art. 532 do RIR de 99 fixou o percentual de 20% (art. 15 e 16 da lei 9.249/95). Já para a fixação da base de cálculo para as Contribuições Sociais adotou o critério insculpido no art. 20 da lei 9249/95 em conjunto ao art. 29, I da lei 9.430/96, que fixa 12% como estimativa de lucro para fins de aferição da base de cálculo. Em que pese, ter a contribuinte trazido como argumento final que as notas fiscais utilizadas não condizem com a realidade fática (fls.1800/1817) a DRJ realizou impecável e atendo trabalho de checar pontualmente os valores colhidos pela fiscalização para apuração das bases de calculo e àqueles reclamados na impugnação e reiterados no recurso, de modo que primeiro analisou os códigos fiscais, ditos terem sido equivocadamente analisados, vejamos: Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 11 19 Diversamente do alegado pela Recorrente, somente uma nota fiscal refletia a operação com o Código 6949, ou seja, a NF 09392, de R$645,00, e extraise tratar de nota fiscal de venda (fls. 1830/1834). A alegação acerca de suposta utilização de notas de remessas e devoluções terem sido incluídas para a conclusão do valor do faturamento foi enfrentada com detalhamento e também não merece guarida. Aliás, a impugnação da Recorrente apontou como operações das quais decorreram os acréscimos que deveriam ser levados à tributação no mês de dezembro de 2012 o importe de R$5.803.822,11, contudo após a detida análise, por ocasião do julgamento pela DRJ apurou ter sido incluída na base de calculo , trazida pela Impugnante a época, ora Recorrente, notas fiscais canceladas e que, portanto, não deveriam integrar a receita/faturamento de modo que o valor correto seria R$5.445.264,11. A DRJ acertadamente, por ocasião do julgamento, e em análise minudente apurou os valores que servem como de base para apuração do lucro arbitrado e da base de calculo arbitrada para a CSLL. A análise contou com a compulsão de todas as notas emitidas e a segregação para expurgar todas àquelas que foram canceladas 4 – Quanto o suposto equívoco decorrente da apuração pela sistemática da cumulatividade A Recorrente impugnou a inobservância da sistemática da não cumulatividade para aferir a base de calculo das contribuições, permitindo o abatimento dos créditos, haja vista que a Recorrente adotou o como regime de apuração o Lucro Real. Insta observar que o auditor valeu do arbitramento legal consoante dispõe o art. 8º, II da Lei 10.637/2002 e art. 10º, II da 10.833/2003 que preceituam que a apuração da contribuição para PIS e COFINS deve ser pautado na sistemática da cumulatividade, independente de a Contribuinte estar sujeita anteriormente a apuração pelo lucro Real ou presumido. 5 – Quanto às receitas decorrentes da venda de mercadorias sujeitas à alíquota zero da contribuição ao PIS e da COFINS A Recorrente, quando da impugnação, insurgiuse em relação à inclusão de receitas decorrentes de vendas de mercadorias sujeitas a alíquota zero da contribuição ao Pis e à Cofins, conforme dispõe o art. 28, III da lei 10.865/2004. Em análise cuidadosa a DRJ refez a verificação para apurar eventual existência de receita sujeita a alíquota zero, cujo descritivo do arquivo não paginável de fls. 1835 foi assim legendado: Fl. 2059DF CARF MF 20 Neste ponto a impugnação foi regularmente acolhida para a correção e consequente exclusão das bases de calculo das contribuições para o Pis e a Cofins de receitas sujeitas à alíquota zero. 6 – Quanto à aplicação da multa qualificada Nos casos de ausência de declaração, declaração inexata ou ausência de recolhimento total ou parcial de tributos a Lei 9430/1996, em seu art. 44, com a redação dada pela Lei 11.488/2007 fixa o percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição. Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 12 21 Com efeito, conforme se extrai da expressa transcrição abaixo, no §1º do mesmo dispositivo retro citado fixa a duplicação deste percentual se contatadas as hipóteses descritas nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4502/64. Em sede de fiscalização na qual fora apurada a omissão de receitas também foram constatadas a emissão de volumetria considerável de notas fiscais eletrônicas e consequente vultosa movimentação bancaria sem a regular escrituração, ausência da entrega da DIPJ, DCTF e DACON do período fiscalizado, ausência de recolhimento de tributos federais, falta de entrega do Sped Fiscal e Contábil, existência de interpostas pessoas (sem condições econômicofinanceiras) no quadro societário, objetivando ocultar a responsabilidade tributário do gestor financeiro, tais condutas caracterizam dolo na perpetração da fraude engendrada na omissão de receitas configurada, punível, portanto, com a adoção da multa qualificada de 150%. De acordo com o TVF, a multa foi qualificada em razão da ocorrência da sonegação, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96 e art. 71 da Lei 4.502/64: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007); §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007)”. Já os mencionados artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964 trazem que: "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Fl. 2061DF CARF MF 22 Considerando que os lançamentos foram feitos com base na emissão de mais de 5000 notas fiscais eletrônicas, que permitiram o arbitramento do lucro a partir da aferição da receita bruta, o principio da inocência e a ausência de prova robusta de conluio e fraude permitem a redução da multa ao patamar de 75%, nos termos da Súmula 14, do CARF: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, nesta parte voto pela desqualificação da multa aplicada. 7 – Quanto à responsabilidade solidária de fato do gestor SR. EDILSON LUIZ WARMILING, CPF 391.869.70968 Depreendese do TVF que o Sr. Edilson atuou como gestor e supostamente real beneficiário das operações da empresa Granobrás Comércio de Produtos Agrícolas e que esse fato configuraria a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I e 135, II e III do CTN. O Direito Tributário está restrito a legalidade e sua interpretação não podem ser adotados com elastério para incluir condutas não tipificadas no Código Tributário Nacional. No Termo de Verificação fiscal o auditor traz a presunção de que a atuação como gestor e supostamente real beneficiário da autuada pessoa jurídica, ausência de entrega das declarações e falta de recolhimento a quem supostamente detém conhecimento acerca das imposições tributarias, são suficientes para configurar o Sr. Edilson como responsável solidário nos termos do art. 124, I e 135, II e III do CTN. O interesse comum foi descrito no TVF com fundamento nos seguintes fatos: Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 13 23 Em resumo, estes são os fatos minudenciados para evidenciar que o Sr. Edilson possuía amplos poderes para gerir a empresa e as atividades de gestão foram por ele exercidas, lado outro, mesmo que fosse considerado apenas o responsável pela área financeira, não lhe restaria afastada a responsabilidade pela falta de declaração e pagamento de tributos sabidamente devidos. Como se infere do art. 121 do Código Tributário Nacional, existem dois tipos de sujeitos passivos da obrigação principal, quais sejam: o contribuinte e o responsável tributário. De acordo com o inciso I do mesmo artigo, tratase de contribuinte "quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador". Já de acordo com o seu inciso II, tratase de responsável, "quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei". No art. 128 do CTN há uma definição mais precisa de responsabilidade tributária. Dispõe o artigo que "a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação". É importante ressaltar que o responsável é um terceiro em relação ao contribuinte, mas não alheio ao fato gerador, até porque nas sociedades empresárias, como destaca Amador Paes de Almeida, a pessoa jurídica não é senão um instrumento para a satisfação das necessidades humanas, dirigida pelas pessoas físicas de seus respectivos sócios, que devem imprimir, em sua direção, todas as cautelas necessárias. Seus sócios e administradores, portanto, estão intimamente ligados com o fato gerador da obrigação tributária. Depreendese do Código Tributário Nacional que a responsabilidade pode ser, conforme o caso, por sucessão, regulada pelos artigos 129 e 133; de terceiros, regulada pelos artigos 134 e 135; por substituição, regulada pelo artigo 128; e por infrações, regulada pelos artigos 136 a 138. Já o art. 124 trata da obrigação tributária, que, embora não seja um tipo de responsabilidade tributária, permite que a obrigação tributária atinja mais de uma pessoa. No caso temse em foco analisar especificamente a responsabilidade de terceiros, contida nos artigos 134 e 135 do CTN. Responsabilidade esta que "deve ser examinada diante do inadimplemento da obrigação principal e diante da impossibilidade da exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte", bem como a responsabilização em decorrência da solidariedade tributária, que também tem sido frequentemente utilizada pela Fazenda Pública para tentar imputar aos sócios a responsabilidade pelos débitos tributários da pessoa jurídica. No caso, observase o uso correto para tipificação da responsabilidade, dos dispositivos do 124,134 e 135 do Código Tributario Nacional, vejamos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 2063DF CARF MF 24 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (...) VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Da interpretação do art. 135, III do CTN é possível extrair a responsabilidade decorrente do não recolhimento intencional do tributo pela pessoa jurídica por constituir violação à lei. Conforme preceitua o art. 135, III, do CTN, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de Direito Privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Verificase, portanto, que a responsabilidade tributária, nesta circunstância, é diretamente transferida para os sócios, até mesmo liberando a pessoa jurídica da obrigação. No caso, responsabilidade tornase pessoal e exclusiva dos sócios, mas isto somente ocorrerá quando ficar provado que o sócio praticou atos com excesso de poder, infração á lei, contrato social ou estatuto, ou seja, se houve ação realizada com máfé objetivando lesar o fisco. As conclusões trazidas para fundamentar o intuito precípuo do gestor em fraudar, conforme se extrai no TVF, para auferir vantagens indevidas ou beneficio próprio fora suficientemente comprovada para atrair a responsabilidade solidária. A responsabilidade impressa no art. 135 do CTN se configura se a Fazenda Pública demonstrar, de antemão, a prática de ato ilícito, abuso de direito ou atuação em desconformidade com os atos constitutivos da empresa, por parte de seus sócios ou administradores, sendo que o simples não pagamento do tributo e falta de entrega das declarações por si só não configuram atos ilícitos capaz de caracterizar esta responsabilidade. Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 19515.721150/201573 Acórdão n.º 1201002.626 S1C2T1 Fl. 14 25 Nestes termos, pela suficiência de provas acerca dos atos cometidos pelo gestor, diverso do não pagamento do tributo e falta de entrega das declarações, culminam na possibilidade de atribuir e estender a responsabilidade tributária ao Gestor. 8 – Quanto à responsabilidade tributária do sócio Alexandre Aparecido Eugênio Impende destacar que a única matéria contemplada no presente recurso que não foi tratada anteriormente, haja vista que os demais pontos controvertidos trazidos pela empresa Recorrente foram repisados nos exatos termos ora postos, e já apreciados nos tópicos anteriores, restando a responsabilidade solidário, nos termos do art. 124, I do CTN ao sócio Recorrente Alexandre como ponto a ser enfrentado. Com efeito, a referida sujeição passiva foi contestada na impugnação e reiterado no recurso voluntário. Ocorre a responsabilidade do Sr. Alexandre decorre da solidariedade natural, ou seja, pelo fato de ser sócio administrador, consoante dispõe o art. 124, I do CTN, não podendo ser afastada sob o fundamento de que atuou como interposta pessoa, afastar a responsabilidade tributária seria, além de afastar a imputação legal, salvaguardar e chancelar a atuação fraudulenta em beneficio próprio, ou seja, beneficiar se da própria torpeza. Isto posto, neste ponto, o recurso não merece acolhimento, restando indiscutível a responsabilidade tributária pelo sócio administrador Alexandre Aparecido Eugênio. Conclusão Diante do acima exposto, voto por conhecer os recursos voluntários apresentados por Edilson Luiz Warmiling, Alexandre Aparecido Eugenio e pela Granobrás Comercio de Produtos Agrícolas Ltda, e no mérito dar parcial provimento ao recurso da empresa Granobrás Comércio de Produtos Agrícolas Ltda para afastar a multa qualificada reduzindo para 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado – Relator Fl. 2065DF CARF MF 26 Fl. 2066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.905581/2009-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, que exarou o presente Despacho Decisório, para (i) confirmar se os valores de crédito presumido informados em PER/DCOMP são compatíveis com aqueles constantes do RAIPI e se tais créditos estão amparados por documentação hábil e idônea; e (ii) avaliar se as informações constantes da PER/DCOMP de e-fl. 77 -R$ 10.273,66- foram estornadas do 2º decêndio de dezembro de 2003, e/ou se foram efetivamente utilizados como crédito na PER/DCOMP 12723.44309.171203.1.3.01-0434; elaborar, após procedimentos adotados, relatório conclusivo e circunstanciado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, que exarou o presente Despacho Decisório, para (i) confirmar se os valores de crédito presumido informados em PER/DCOMP são compatíveis com aqueles constantes do RAIPI e se tais créditos estão amparados por documentação hábil e idônea; e (ii) avaliar se as informações constantes da PER/DCOMP de e fl. 77 R$ 10.273,66 foram estornadas do 2º decêndio de dezembro de 2003, e/ou se foram efetivamente utilizados como crédito na PER/DCOMP 12723.44309.171203.1.3.010434; elaborar, após procedimentos adotados, relatório conclusivo e circunstanciado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .9 05 58 1/ 20 09 -8 9 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13971.905581/200989 Resolução nº 3001000.143 S3C0T1 Fl. 154 2 Relatório Tratase do despacho decisório, situado à fl. 14, que reconheceu parcialmente o crédito pleiteado no PER nº 22930.61525.130705.1.3.010927, que pleiteava o ressarcimento de IPI referente ao 4º trimestre de 2003, no montante de R$75.937,43, tendo sido homologado parcialmente as compensações declaradas que utilizaram este crédito no montante de R$65.487,13. A glosa parcial ocorreu em razão dos seguintes motivos: (i) créditos considerados indevidos; (ii) o saldo credor passível de ressarcimento foi inferior ao valor pleiteado. Não satisfeita com a resposta do fisco, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: (i) o crédito de R$10.273,66 é relativo ao 3º Trimestre de 2002 e que somente utilizou no 4º Trimestre de 2003 com base na Lei no 10.276/2001; (ii) para o mesmo crédito de R$10.273,66 efetuou a PER/DCOMP 2723.44309.171203.1.3.01434 no processo 13977.000224/200204. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, convalidando integralmente o indeferimento consubstanciado no despacho decisório conforme Acórdão no 1453.670 a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. FALTA DE ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE PERÍODO ANTERIOR, OBJETO DE OUTRA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INCLUSÃO INDEVIDA DO CRÉDITO NO PERDCOMP DE PERÍODO POSTERIOR. Procede a glosa de crédito decorrente da aparente falta de estorno do crédito presumido de período de apuração anterior, objeto de outra declaração de compensação, cujas compensações foram totalmente homologadas. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os exatos termos dos argumentos descritos na Manifestação de Inconformidade e alegando, em síntese, a prescrição intercorrente em virtude de a Fazenda Nacional não ter julgado a impugnação e o recurso dentro do prazo de 5 anos. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.905581/200989 Resolução nº 3001000.143 S3C0T1 Fl. 155 3 Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão objeto da presente demanda versa sobre os seguintes pontos: (i) pedido de ressarcimento do crédito de R$10.273,66 relativo ao 3º Trimestre de 2002 e que somente utilizou no 4º Trimestre de 2003 com base na Lei no 10.276/2001; (ii) prescrição intercorrente tendo em vista a alegação de que a duração processo extrapolou o período prescricional de 5 anos. A DRJ decidiu ser procedente a glosa de crédito decorrente da aparente falta de estorno do crédito presumido de período de apuração anterior, qual seja, 2º trimestre de 2003 (efl 77). E segundo o RAIPI, teria efetuado o pedido de ressarcimento no PER/DCOMP 12723.44309.171203.1.3.010434 (2º trimestre de 2003). A Recorrente afirma que o valor de R$10.273,66 é relativo ao 3º trimestre de apuração do exercício de 2002 e que não condiz com o período de apuração 4º trimestre de 2003. Entretanto, a própria recorrente afirma que o mesmo valor foi levantado no mesmo 3º trimestre de 2002 através da PER/DCOMP 12723.44309.171203.1.3.010434, mas que utilizou o referido crédito no 4º trimestre de 2003. Analisando os documentos constantes dos autos, verifiquei o seguinte: 1) O total do crédito constante da PER/DCOMP corresponde a R$75.937,43, entretanto, na efl 77 há informação de “Ressarcimento de Créditos no Período” referente ao 3º Trimestre/2002, cujo período de escrituração do estorno do ressarcimento foi 2º decêndio/Dezembro/2003; 2) O somatório do crédito do imposto constante do RAIPI apresentado referente ao 2º trimestre de 2003 também corresponde a R$75.937,43; Diante destas informações, identifico que existe uma incongruência referente ao valor de R$10.273,66. A PER/DCOMP apresentada pela Recorrente indica que o valor foi utilizado com a seguinte indicação: “Período de Escrituração do Estorno do Ressarcimento: 2° Dec/Dezembro/2003”. Mas a mesma recorrente afirma que este valor não foi utilizado no período de apuração objeto do presente processo. Já a DRJ afirma que o valor de R$10.273,66 “parece referirse ao 2º trimestre de 2003”, e que o mesmo, segundo a interessada, teria sido utilizado na PER/DCOMP 12723.44309.171203.1.3.010434. Portanto, proponho baixar o presente julgamento em diligência para responder aos seguintes quesitos: 1) Confirmar se os valores de crédito presumido informados em PER/DCOMP são compatíveis com aqueles constantes do RAIPI e se tais créditos estão amparados por documentação hábil e idônea; Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.905581/200989 Resolução nº 3001000.143 S3C0T1 Fl. 156 4 2) Avaliar se as informações constantes da PER/DCOMP na efl 77 (R$10.273,66) foram estornadas do 2º decêndio de dezembro de 2003, e/ou se foram efetivamente utilizados como crédito na PER/DCOMP 12723.44309.171203.1.3.010434. 3) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados. 4) Dêse ciência do relatório à recorrente concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após a realização dos procedimentos acima, retornese os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Para tanto, devem os presentes autos retornar para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, para atendimento da diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13709.003693/2002-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço.
Numero da decisão: 2002-000.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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INOCORRÊNCIA. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 36 93 /2 00 2- 37 Fl. 39DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 08/11) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2000, onde se efetuou a alteração dos Rendimentos Tributáveis para R$ 28.943,00 e do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF para R$ 2.378,00 (inclusão do IRRF sobre os rendimentos omitidos) referentes à fonte pagadora Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro PMERJ. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 31): O contribuinte alega em síntese, que foi julgado incapaz para o serviço militar, motivado por acidente de serviço. Afirma que foi publicado no D.O do Estado do Rio de Janeiro a passagem do solicitante para a inatividade na condição de reformado em conseqüência de ato de Serviço com validade retroativa a 21 de julho de1999. Desta forma, retificou sua DIRPF, já que estaria isento do imposto de renda. Às fls. 20 a 24 foramjuntados documentos para comprovação do alegado O lançamento foi julgado procedente pela 2ª Turma da DRJ/RJOII (efls. 30/33). Cientificado da decisão de primeira instância em 30/07/2007 (efls. 35), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 23/08/2007 (efls. 36) com os seguintes argumentos. Expõe que em julho de 1999, submetido à inspeção de saúde, foi julgado incapaz definitivamente em razão de acidente de serviço, tendo, a partir de então, passado à condição de reformado. Alega, contudo, que, em razão dos trâmites burocráticos, tal situação só foi publicada em DO/ERJ em fevereiro de 2001, mas retroativa ao mês de julho de 1999. Sustenta que, por ser funcionário público, sofreu na fonte o desconto do IRPF de todo o ano de 1999, quando deveria ter sido descontado apenas sobre o primeiro semestre. Reitera que a reforma é motivada por acidente em serviço e que o direito é retroativo. Afirma que todos os documento comprobatórios estão anexados ao processo. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13709.003693/200237 Acórdão n.º 2002000.615 S2C0T2 Fl. 40 3 O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame dos autos verificase que a decisão recorrida manteve as alterações efetuadas pela autoridade lançadora por considerar que o contribuinte não preenchia os requisitos estabelecidos em lei para a fruição da isenção pleiteada. Cabe transcrever as razões de decidir sintetizadas através dos excertos a seguir reproduzidos: De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta se à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Notese que, o interessado juntou aos autos cópia da ficha de inspeção de saúde emitida em 23/06/1999 na qual há informação de que o paciente estaria na reserva remunerada.Também foi anexada cópia do Diário Oficial de 01 de fevereiro de 2001 na qual consta a informação da retroatividade da condição de reformado. Cabe destacar que o fato de expedientes emitidos pelo Serviço Militar atestarem a retroatividade da condição de reformado produz efeitos tão somente para o serviço público militar, já que a natureza dos rendimentos efetivamente recebidos em 1999, para fins fiscais, foram pagos a militar da ativa. Como se vê nos autos, a situação fática do contribuinte não atende aos requisitos estabelecidos em lei para fruição do beneficio da isenção. Sobre a isenção em exame, aplicase o disposto no art. 39, XXXIII, §4º a §6º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a Fl. 41DF CARF MF 4 moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. No caso em tela a Ficha de Inspeção de Saúde emitida pelo serviço médico oficial da PMERJ (efls. 25) indica que o recorrente se encontra incapacitado definitivamente para o serviço policial militar desde junho de 1999 em razão de acidente ocorrido em 1987. O boletim da PM nº 33 de 17/02/2000 (efls. 26) descreve o acidente e deixa claro que o mesmo ocorreu em serviço. Por sua vez, a publicação do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 01/02/2001 (efls. 05) esclarece que a reforma do servidor ocorreu em julho de 1999 e retifica, nessa parte, o Ato correspondente. Dessa forma, com base no §5º do art 39 do RIR/99, entendo que o interessado faz jus à isenção dos rendimentos recebidos da PMERJ desde julho de 1999, mês da concessão da reforma, tal como alega em sua defesa. A alteração do IRRF realizada pela autoridade lançadora não foi contestada pelo recorrente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento para considerar isentos os rendimentos recebidos da fonte pagadora PMERJ no período de 07 a 12/1999. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13709.003693/200237 Acórdão n.º 2002000.615 S2C0T2 Fl. 41 5 Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001109/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 30/06/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA CONTRA PESSOA JURÍDICA EXTINTA. NULIDADE.
É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão.
Extinta a pessoa jurídica, a fiscalização somente pode ser voltar contra o sucessor legal da empresa extinta.
Numero da decisão: 2402-006.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 30/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA CONTRA PESSOA JURÍDICA EXTINTA. NULIDADE. É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Extinta a pessoa jurídica, a fiscalização somente pode ser voltar contra o sucessor legal da empresa extinta.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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LAVRATURA CONTRA PESSOA JURÍDICA EXTINTA. NULIDADE. É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Extinta a pessoa jurídica, a fiscalização somente pode ser voltar contra o sucessor legal da empresa extinta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 09 /2 00 8- 58 Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.159 2 Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0334.198, da 5ª Turma da DRJ de Brasília (fls. 862/686), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAB nº 37.147.8367. Relata a autoridade fiscal que a CBEE é uma empresa pública, cuja criação foi autorizada pela Medida Provisória n° 2.209, de 29/08/2001, em que ficou definido que a empresa extinguirseia aos 30/06/2006. Informa que o Decreto nº 5.826/2006 dispõe sobre o processo de inventariança da CBEE e trata da transferência de direitos e obrigações/dívidas da empresa para a União, e que por meio do Decreto n° 6.191/2007, ficou designado o Ministério de Minas e Energia como responsável para atender à fiscalização, conforme disposto em seu art. 4º. De acordo com o relatório fiscal de fls. 83/94, o objeto do presente Al são contribuições sociais patronais incidentes sobre remunerações pagas a segurados Diretores Empregados devidas a terceiros (SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA) e sobre remunerações pagas a contribuintes individuais não declaradas em GFIP devido a informação de código de segurado incorreto. Ainda segundo relato fiscal, da análise da documentação apresentada pelo contribuinte, em confronto com as informações apresentadas por meio da GFIP, constatouse que a empresa declarou seus diretores como categoria 05 Contribuinte Individual, Diretor não Empregado nas competências 04 a 06/2006, mas que o oficio n° 91/2002, da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que trata da remuneração de pessoal da CBEE, em linha com o disposto no art. 173, §1°, II da CF, no item “Regulamento de Pessoal”, determina que "o pessoal, no exercício dos cargos comissionados será regido pela Consolidação das Leis Trabalhistas". Ressalta que a partir de 04/2003 até 03/2006, a CBEE passou a informar, em GFIP, os diretores como categoria 01 Empregados, e deu a eles tratamento remuneratório e tributário como se empregados fossem, demonstrando, assim, seu entendimento em relação ao vínculo entre os diretores e a empresa. Cita o art. 9º, §3º e o art. 10, VI do Estatuto Social da CBEE, aprovado pelo Decreto n° 3.900/2001, nos quais se constatam traços de subordinação jurídica entre os diretores e a empresa, pressuposto qualificador da relação de emprego, corroborando seu entendimento. Por fim, informa que foram apuradas divergências entre os valores considerados como base de cálculo e os valores recolhidos pela empresa nas competências de 11 e 12/2003 e 11/2004, referentes a contribuintes individuais que prestaram serviços de consultoria à CBEE, cujas remunerações não foram declaradas em GFIP, o que culminou também com a lavratura do AI CFL 68, de nº 37.147.8383, conexo a este. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.160 3 O crédito previdenciário foi apurado com base na análise de folhas de pagamento, livros de escrituração contábil, GFIP, GPS, Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, e perfaz o importe de R$ 15.206,60 (quinze mil e duzentos e seis reais e sessenta centavos). Em sua impugnação, apresentada aos 15/12/08, a UNIÃO FEDERAL, sucessora legal da autuada, por intermédio do Ministério das Minas e Energia, órgão ao qual foi atribuída competência para “atender e providenciar as informações necessárias à fiscalização previdenciária em andamento na documentação da extinta CBEE” (art. 4º, IV do Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007), alega, em síntese: legitimidade da União Federal para apresentação de impugnação, na qualidade de sucessora da extinta CBEE, nos termos do art. 23 da Lei nº 8.029/90 e do Decreto nº 3.900, de 29 de agosto de 2001, por intermédio do Ministério das Minas e Energia, órgão ao qual foi atribuída competência para representála nas questões afetas à fiscalização previdenciária envolvendo aquela empresa, que deram origem ao presente auto de infração, nos termos do art. 4º, IV do Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007; nulidade do auto de infração, uma vez que a CBEE foi criada com período de duração prédeterminado, tendo sido extinta aos 30/06/2006, pelo que não mais existe e é destituída de personalidade jurídica e sem capacidade para receber intimações, notificações ou responder por qualquer infração. Os direitos e obrigações da empresa extinta foram transferidos à União Federal, por força do que dispõe o art. 23 da Lei nº 8.029/90 c.c. o art. 2.209/01 e 3º do Decreto nº 5.829/06. Assim, o presente auto de infração é nulo de pleno direito, uma vez que lavrado com vício de forma, indicando sujeito passivo desprovido de personalidade jurídica, ao invés de seu sucessor, no caso, a União Federal; em função do AI ter sido lavrado erroneamente contra empresa já extinta, a recorrente argumenta que teve seu direito de defesa cerceado, na medida em que os servidores do Ministério de Minas e Energia, por não constarem como representantes legais da CBEE junto à RFB, tiveram negado, por diversas vezes, o acesso a documentos e informações relacionados à empresa junto àquele órgão; com relação aos segurados Florisvaldo Meira dos Santos e João Nildo de Souza Vieira, cujos recolhimentos constituem parte da presente autuação, a empresa procurou adotar os procedimentos necessários para sanar a falha verificada; no tocante à suposta incorreção na classificação dos diretores da extinta CBEE na GFIP como contribuintes individuais ao invés de empregados, o que teve por consequência a ausência de recolhimentos em função da informação equivocada, embora a CBEE os tenha classificado como empregados no período subsequente, de abril/2003 a março /2006, afirma que eles não eram, de fato, empregados da empresa. Ao contrário, pertenciam ao órgão diretivo da entidade e não estavam presentes os requisitos necessários à caracterização de uma relação de emprego, notadamente a subordinação jurídica, requisito de maior relevância na configuração da relação empregatícia, consubstanciada no poder de direção do empregador sobre o modo de realização da obrigação de fazer do empregado. Afirma que os diretores não se sujeitavam a esse poder de comando ou a ordens superiores, nem a horário de trabalho prédeterminado. Ao contrário, eram eles os detentores desse pode de direção e controle da empresa, em conjunto com o Conselho de Administração, cujas normas citadas Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.161 4 pelo auditor fiscal, relacionadas às diretrizes por esse órgão estabelecidas, em nada demonstram subordinação jurídica os diretores em relação a ele; ainda sob esse aspecto, argumenta que em que pese não haver relação empregatícia entre os diretores e a CBEE, a remuneração dos dirigentes das entidades estatais é disciplinada pelo Decretolei nº 2.355, de 27 de agosto de 1987, por ato do Pode Executivo Federal, e se assemelhava à remuneração comumente paga a empregados, o que supõe tenha confundido a fiscalização; em face de todo o exposto, requer seja declarada a nulidade dos AI, com o consequente cancelamento dos débitos nele apontados. A DRJ em Brasília julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário integralmente, em julgado assim ementado: Assumo: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 30/06/2006 AIOP DEBCAD: 37.l47.8367 CONTRIBUICAO PATRONAL, DEVIDA A OUTRA .ENTIDADES TERCEIROS SOBRE REMUNERACAO DE' EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas pela empresa e equiparados as contribuições sociais incidentes, sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhes prestem serviços. RECOLHIMENTOS APOS O INICIO DA AÇAO FISCAL Os recolhimentos realizados durante a ação fiscal não podem ser apropriados aos levantamentos efetuados, devendo o contribuinte apresentálos junto à área de cobrança da RFB, para que seja realizada a imputação proporcional do pagamento ao débito constituído (consideradas as multas de mora e de ofício previstas na legislação previdenciária). Impugnação lmprocedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão aos 25/02/2010 (fls. 1240), a UNIÃO FEDERAL, por meio do Ministério das Minas e Energia, interpôs recurso voluntário tempestivamente, aos 24/03/2010 (fls. 1244/1258), reafirmando os argumentos já apresentados na impugnação, acima transcritos, e acrescentando, ainda, os seguintes: que por meio da Solução de Consulta nº 122 – SRRF/1ºRF/Disit, de 14/07/09, própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece, expressamente, que “a CBEE deixou de possuir personalidade jurídica desde 30 de junho de 2006, tendo sido incorporada à União, na qualidade de sucessora de seus direitos e obrigações (...)”. Conclui, portanto, que a própria Secretaria da Receita Federal reconhece a extinção da personalidade jurídica da extinta CBEE por força de disposição legal, argumentos constantes de suas impugnações apresentadas perante aquele mesmo órgão e que foram rechaçadas na decisão recorrida por fundamento diametralmente oposto ao exposto na solução de consulta em tela, atuação esta contraditória da RFB, que implica em insegurança jurídica para a União Federal e que compete a este Conselho solucionar; e Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.162 5 que a União Federal, na qualidade de sucessora da extinta CBEE, seria a responsável pelo recolhimento dos valores constantes do auto de infração impugnado. Todavia, é, também, a credora desses mesmos valores, havendo, dessa forma, nítida confusão, instituto previsto no art. 381 do Código Civil, que é causa de extinção das obrigações. Nesse passo, esclarece está em curso desde 27/09/10 o procedimento conciliatório nº 00400.010485/2008 66, em trâmite perante a Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Pública Federal, que tem por objeto justamente os créditos tributários objeto do presente auto de infração, bem como dos demais, resultantes da mesma ação fiscalizatória, conforme se verifica da Nota Técnica nº 15 – Disit01, de 08/10/2010 (fls. 202). Naquele procedimento, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009 (fls. 1289/1297), de 29/10/2009, a PGFN se manifestou a respeito da aplicação, ao presente caso, “do Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008, no sentido da extinção do crédito tributário em decorrência de confusão”. Informa, ainda, que a Portaria PGFN nº 1.382, de 20 de outubro de 2009, aprovou o Plano de Trabalho de Depuração da Dívida Ativa que, dentre os 09 grupos de trabalho constituídos, o de nº 01 tem listadas, entre suas ações, a de “realizar o levantamento das empresas estatais extintas cujas obrigações foram assumidas pela União, com o objetivo de apurar a existência de confusão entre credor e devedor.” Assim, argumenta que não há motivos plausíveis para a manutenção do presente auto de infração, devendo ser garantida a eficiência que deve nortear a atuação da Administração. Requer, finalmente, que o recurso seja conhecido e provido, para que seja declarada a nulidade do auto de infração, diante da existência de vício insanável em sua expedição em desfavor de empresa extinta, que não possui personalidade jurídica para responder pelos débitos apontados; sucessivamente, que seja reconhecida a ausência das infrações apontadas no auto de infração, com o cancelamento dos respectivos débitos, pelas razões expostas. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. PRELIMINAR – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO a) AI lavrado contra empresa extinta, destituída de personalidade jurídica A recorrente alega nulidade insanável do auto de infração, uma vez que teria sido lavrado contra a CBEE quando essa empresa já houvera sido extinta. A Companhia Brasileira de Energia Emergencial é uma empresa pública que, nos termos do art. 37, XIX da CF, teve sua criação autorizada pela Medida Provisória de nº 2.209, de 29 de agosto de 2001, instrumento este que também previu a data de sua extinção em seu art. 3º, nos seguintes termos: Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.163 6 “Art. 3º A CBEE extinguirseá em 30 de junho de 2006, observado o disposto no art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990.” Por meio do Decreto nº 3.900, de 29 de agosto de 2001, a CBEE foi, então, criada e aprovado o seu estatuto, que igualmente dispôs, em seu art. 4°, sobre a extinção da empresa aos 30 de junho de 2006, conforme abaixo: Decreto 3.900, de 29 de agosto de 2001: “O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.209, de 29 de agosto de 2001, DECRETA: Art. 1º Fica criada a Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial CBEE, empresa pública federal, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. (...)”. (destaques originais) Estatuto Social da CBEE: “(...) Art. 4º A CBEE extinguirseá em 30 de junho de 2006, observado o disposto no art. 23 da Lei n° 8.029, de 12 de abril de 1990. (...)”. (destacamos) O art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, a que fazem alusão tanto os arts. 4º do Estatuto Social da Empresa quanto o art. 3º da Medida Provisória 2.209/01, que autorizou a sua criação, dispõe: Art. 23. A União sucederá a entidade, que venha a ser extinta ou dissolvida, nos seus direitos e obrigações decorrentes de norma legal, ato administrativo ou contrato, bem assim nas demais obrigações pecuniárias. § 1° O Poder Executivo disporá, em decreto, a respeito da execução dos contratos em vigor, celebrados pelas entidades a que se refere este artigo, podendo, inclusive, por motivo de interesse público, declarar a sua suspensão ou rescisão. O art. 26 da mesma lei, por sua vez, dispõe o seguinte: Art. 26. São cancelados os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, de responsabilidade das entidades que vierem a ser extintas ou dissolvidas em virtude do disposto nesta lei. Nesse contexto, o Decreto nº 5.826, de 20 de julho de 2006, trata do processo de Inventariança da Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial, e estabelece, em seu art. 1º, que compete ao Ministério de Minas e Energia a coordenação e a supervisão dos procedimentos administrativos relativos ao inventário dos bens, direitos e obrigações da extinta CBEE. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.164 7 O art. 3º do aludido Decreto determina que “os direitos e obrigações atribuídos à extinta CBEE ficam transferidos para a União, nos termos do art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990” e seu art. 6º, que “a transferência de dívidas oriundas da extinta CBEE à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda será realizada na forma do Decreto nº 1.647 de 28 de setembro de 1995”, cujo art. 1º, “caput”, estabelece que “fica autorizado o Ministério da Fazenda a negociar as obrigações vencidas e vicendas, decorrentes de norma legal ou ato, inclusive contrato, das entidades que tenham a assunção de suas obrigações, pela União, autorizada por lei”. Por fim, o Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007, dispõe sobre a conclusão dos trabalhos da Inventariança da extinta CBEE e determina, em seu art. 4º, IV: “Art. 4o Cabe ao Ministério de Minas e Energia: (...) IV atender e providenciar as informações necessárias à execução do processo de fiscalização previdenciária em andamento na documentação da extinta CBEE; (...)”. De acordo com os dispositivos legais e normativos supratranscritos, notadamente o art. 3º da Medida Provisória nº 2.209/01, verificase que, de fato, a CBEE extinguiuse, por determinação legal, aos 30 de junho de 2006. Notese que esse instrumento que, atendendo a exigência constitucional, autorizou a criação da empresa pública, também previu expressamente a sua futura extinção naquela mencionada data, mediante do uso da forma verbal “extinguirseá”, expressão peremptória, que não deixa nenhuma margem a dúvida em relação a esse fato. Pois bem. A respeito do início da existência da pessoa jurídica, ensina a doutrina: “Enquanto a pessoa natural, em razão de sua estrutura biopsicológica, tem o início da sua personalidade com o nascimento com vida (CC, art. 2º), a pessoa jurídica terá o início de sua personalidade conferido pelo ordenamento jurídico. Se se trata de pessoa jurídica de direito público, a personalidade é conferida pela norma jurídica (em sentido amplo). De outro prisma, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado (dependendo, por conseguinte, da vontade humana), será o registro do seu ato constitutivo no órgão competente que lhe conferirá personalidade jurídica. Nessa esteira, o art. 45 do Estatuto Civil é de clareza meridiana ao proclamar que “começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro.” (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. CURSO DE DIREITO CIVIL 1 E LINDB. São Paulo: Atlas, 2015, p. 358359). Quanto ao término da existência da pessoa jurídica de direito privado, ensina nos a doutrina que pode se dar por diferentes razões, quais sejam: “01) Pela dissolução deliberada de seus membros, por unanimidade e mediante distrato, ressalvados os direitos de terceiros e da minoria; 02) Quando for determinado por lei; Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.165 8 03) Em decorrência de ato governamental; 04) No caso de termo extintivo ou decurso de prazo; 05) Por dissolução parcial, havendo falta de pluralidade de sócios (NCPC 599 a 609); e 06) Por dissolução judicial." (TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil. Volume único. São Paulo: Método, 2017, p. 177) E prossegue chamando a atenção para o fato de que: “Não se pode esquecer que a extinção da pessoa jurídica não se opera de modo instantâneo. Como bem ensina Maria Helena Diniz, qualquer que seja o fato extintivo, temse o fim da entidade; porém, se houver bens de seu patrimônio e dívidas a resgatar, ela continuará em fase de liquidação, durante a qual subsiste para a realização do ativo e pagamento de débitos. Encerrada a liquidação promoverseá o cancelamento da pessoa jurídica. Regras nesse sentido constam do art. 51 do CC”. (Idem) (destacamos) Pois bem. Considerando que o auto de infração foi lavrado aos 05 de novembro de 2008, realmente, conforme o acima exposto, essa providência se deu em face de pessoa jurídica extinta, uma vez que conforme determinado pelo art. 3º da MP nº 2.209/01, a CBEE extinguirseá aos 30/06/06. Mesmo que tenhamos em mente a ressalva constante do trecho acima reproduzido, no sentido que de que havendo bens do patrimônio da empresa e dívidas a resgatar, ela continuará em fase de liquidação, atentese para o fato de que quando da autuação, a empresa já havia sido sucedida pela União Federal e já se encontrava em processo de inventariança, devidamente representado o seu sucessor nesse processo, em tudo semelhante à liquidação à que alude o excerto doutrinário, pelo Ministério das Minas e Energia, conforme art. 1º do Decreto nº 5.826/06. Notese que esse fato não era desconhecido da fiscalização, uma vez que todos os instrumentos normativos acima citados foram juntados aos autos pela própria autoridade fiscal (fls. 18/34) que, inclusive, fez, no relatório da fiscalização (fls. 86/97), um histórico da sequência de todos os acontecimentos envolvendo a criação e a extinção da CBEE na data mencionada, a sua sucessão pela União Federal, com a assunção de seu ativo e passivo por essa pessoa jurídica de direito público interno, conforme determinado pelo art. 23 da Lei nº 8.029/90, seu processo de inventariança, a representação da União Federal nas demandas de interesse da extinta CBEE pelo Ministério das Minas e Energia etc. Nesse contexto, causa espécie a autuação da CBEE quando essa mesma empresa já houvera sido extinta há mais de 2 anos e sucedida pela União Federal, com procedimento de inventário instaurado e normativamente regulado. A propósito da responsabilidade dos sucessores no Direito Tributário, Luciano Amaro esclarece que; “A sucessão se dá no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Se Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.166 9 se trata de obrigação cujo cumprimento independe de providência do sujeito ativo, cabe a sucessor adimplila, nos termos da lei. Se depende de providência do sujeito ativo (lançamento), já tomada, competelhe também satisfazer o direito do credor. Se falta essa providência, cabelhe aguardar e efetuar o pagamento, do mesmo modo que faria o sucedido”. (in Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 320). Diante do exposto, temse que o único procedimento técnica e juridicamente correto seria se voltar a fiscalização contra o sucessor legal da empresa extinta, o que, no presente caso, entendemos que tampouco seria possível por se tratar o sucessor da União Federal. Com efeito, a admitirse hipótese que tal, estarseia diante da União, por intermédio da Receita Federal do Brasil, autuando a própria União visando à constituição e cobrança de crédito tributário, o que, convenhamos, não tem sentido algum. A par de todos esses fatos, a r. decisão recorrida entendeu que a preliminar de ilegitimidade passiva da CBEE não pode prosperar, pois no entendimento da r. relatora, conforme Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral constante do sítio da RFB, o CNPJ da empresa continua ativo. Ademais, entendeu que o documento comprobatório de regularidade do contribuinte perante a Previdência Social, inclusive de baixa da empresa, é a Certidão Negativa de Débito CND, e que só após a expedição desse documento é que a empresa terá o seu CNPJ encerrado, o que não é o caso dos autos, devendo, portanto, continuar respondendo por qualquer débito ou infração até o encerramento da pessoa jurídica. Entendemos que não lhe assiste razão. Com efeito, como já expusemos, a CBEE foi extinta por determinação legal aos 30 de junho de 2006 e, também por determinação legal, qual seja o art. 23 da Lei nº 8.029/90, foi sucedida pela União Federal, tratandose, pois, esse ente público do legitimado para responder pelo seu passivo a partir de então. E conforme disciplinado no art. 45 do Código Civil, a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado tem início com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, qual seja, o Registro Civil das Pessoas Jurídicas. A inscrição no CNPJ, conforme art. 2º, “caput”, da IN/RFB nº 1634/2006, “compreende as informações cadastrais das entidades de interesse das administrações tributárias da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios”. Ou seja, tanto nos termos da lei civil, como da própria IN em comento, não tem nenhuma relação com a existência da pessoa jurídica. Assim, o fato de a empresa ainda possuir CNPJ ativo não a torna parte legítima para responder pelo crédito tributário se já havia sido extinta e sucedida por outra pessoa jurídica. Salientese que um dos documentos juntados pela recorrente com o recurso voluntário, a Solução de Consulta nº 122 SRRF/1 RF/Disit, de 14 de julho de 2009 (fls. 1260/1276), nos dá conta de que aos 30 de junho de 2006, a CBEE protocolizou pedido de baixa do seu CNPJ junto à RFB por intermédio do Documento Básico de Entrada do CNPJ – DBE e, desde então, vem tomando as providências necessárias para o encerramento de sua inscrição, que não havia sido efetivada até a data do encerramento do processo de inventário da empresa, nem da aprovação da Solução de Consulta em questão. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.167 10 Cumpre mencionar, por fim, que como argumenta o recorrente em seu recurso, conforme consta desse mesmo documento, a extinção da personalidade jurídica da CBEE é ali reconhecida pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil nos seguintes termos (fls. 1255): “17. Conforme sobejamente comprovado nos parágrafos anteriores, a existência da pessoa jurídica CBEE extinguiuse em 30 de junho de 2006, por determinação expressa do art. 3° da Medida Provisória n° 2.209, de 2001. Em conseqüência, foi formalizado pedido de baixa da pessoa jurídica no CNPJ, pendente de apreciação perante a RFB. Embora a CBEE tenha deixado de existir, no plano jurídico, continua a figurar no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, fazendo jus a situação cadastral denominada "suspensa". Registrese que a ausência da baixa da pessoa jurídica, no CNPJ, em nada modifica sua condição jurídica de empresa extinta e sucedida pela União, qualificações estas que decorrem, imediatamente, de comando legal.” (Destacamos) Desse modo, entendemos que, realmente, o presente auto de infração padece de nulidade insanável, que deve ser reconhecida por este colegiado. b) Impossibilidade de constituição/cobrança do débito em face do sucessor – confusão A União Federal, na qualidade de sucessora legal da extinta CBEE, é a responsável pelos débitos constantes do presente auto de infração. Todavia, é também, ao mesmo tempo, a credora desses mesmos valores, operandose, dessa forma, o fenômeno da confusão, causa de extinção das obrigações, conforme previsão do art. 381 do Código Civil: Art. 381. Extinguese a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. O recorrente esclarece em seu recurso voluntário que está em curso desde 27/09/10 o procedimento conciliatório nº 00400.010485/200866, em trâmite perante a Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Pública Federal, que tem por objeto justamente os créditos tributários objeto do presente auto de infração, bem como dos demais, resultantes da mesma ação fiscalizatória, conforme se verifica da Nota Técnica nº 15 Disit01, de 08/10/2010 (fls. 202). Naquele procedimento conciliatório, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009, de 29/10/2009 (fls. 1289/1297), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou expressamente a respeito da aplicação, ao caso, do Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008, no sentido da extinção do crédito tributário discutido no presente processo em decorrência de confusão, nos seguintes termos: “(...) 22. Na verdade, o problema posto no primeiro questionamento se identifica com o caso examinado pelo Parecer PGFN/PGA N° 1336/2008, senão, vejamos: “2. Tais hipóteses, embora raras, podem ocorrer, como se tem verificado. Exemplos disso residem em empresas públicas ou sociedades de economia mista que são extintas e, por determinação legal, são sucedidas no seu passivo, inclusive o tributário, pela União. Recentemente, podese citar o caso da Rede Ferroviária Federal S/A RFFSA, cuja liquidação e extinção foi determinada pela Medida Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.168 11 Provisória n° 353, de 22/01/2007, atual Lei n° 11.483, de 31/05/2007, no bojo da qual se estabeleceu a sucessão pela União daquela sociedade de economia mista. 3. Mais freqüentes são os casos que decorrem da cobrança das contribuições previdenciárias em face da União que era feita inicialmente pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, atualmente sucedido pela União, nos termos da Lei n° 11.457, de 16/03/2007. 4. Inquestionavelmente nessas hipóteses em que a União é credora e devedora do mesmo crédito, quase que invariavelmente por causas subseqüentes, estáse diante daquilo que o Código Civil denomina de confusão (arts. 381 e 384). Eis o tratamento dado por aquele Diploma: "Art. 381. Extinguese a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. Art. 382. A confusão pode verificarse a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela. Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na divida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade. Art. 384. Cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os seus acessórios, a obrigação anterior" 5. O efeito da confusão, como se verifica da leitura dos artigos acima transcritos é a extinção do crédito. Daí a indagação: o mesmo ocorre com o crédito tributário? 6. A resposta parece ser positiva, afinal, qual a razoabilidade da União fazer o pagamento de um determinado crédito para si própria? Imaginese se esse crédito decorre de uma decisão judicial, a qual somente pode ser cumprida com a expedição de um precatório, nos termos do art. 100 da CR/88. Terseia a União movimentando toda a sua estrutura, seja no Poder Executivo, seja no Poder Judiciário, para expedir um precatório em nome próprio. Nada mais sem sentido e contrário ao princípio constitucional da eficiência que rege a Administração Pública. 10. Dessa forma, há segurança em afirmarse que a confusão é hipótese de extinção do crédito tributário e caberá à administração tributária dar consequências a essa conclusão, (i) seja no âmbito da dívida ativa da União, com a adoção dos atos administrativos competentes para a extinção do crédito ali inscrito; (ii) seja no âmbito judicial, com a extinção das execuções fiscais e ações de defesa em decorrência providência contida no item anterior. (...)”. 23. A leitura do Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008 revela a afinidade entre as matérias. Em ambos os casos, houve sucessão legal de débitos, de modo a tornar a União Federal credora e devedora da mesma relação jurídicotributária. Forçoso reconhecer, a essa altura, a existência de confusão nos processos administrativos fiscais em curso, apta a ensejar a extinção dos mesmos. 24. Corroborando esse entendimento, a Lei n° 8.029, de 1990, aplica os mesmos efeitos da confusão à sucessão das entidades públicas cuja extinção regulou, nos termos do seu art. 26: Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.169 12 “Art. 26. São cancelados os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, de responsabilidade das entidades que vierem a ser extintas ou dissolvidas em virtude do disposto nesta lei.” 25. Em suma, é de se responder afirmativamente à primeira indagação, quanto à aplicabilidade, à hipótese em epígrafe, do desfecho proposto no Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008.” (destacamos) À luz do direito vigente e aplicável à espécie, bem como da manifestação da PGFN, acima transcrita, temos que se por hipótese a CBEE ainda não houvesse sido extinta por ocasião da lavratura do auto de infração (o que, conforme expusemos no item anterior, não é o caso), ainda assim, o crédito tributário daí resultante seria extinto em decorrência da confusão por ser a União Federal a sucessora legal da empresa e, também, a credora do tributo em questão. Essa realidade leva, em consequência, também à nulidade insanável do auto de infração pela impossibilidade de constituição do crédito em face do sucessor da CBEE, visto se tratar da União Federal, uma vez que se confundem, na mesma pessoa jurídica, credor e devedor do tributo que se visa cobrar. Vejase que o recorrente trouxe aos autos o Parecer PGFN/CAT/nº 1315/2009, no qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional faz referência a outro parecer, qual seja o Parecer PGFN/CAT/N° 375/2009 (fls. 1283), que versava sobre lançamentos de contribuições previdenciárias contra órgão federal, mais especificamente, contra o Tribunal Regional Eleitoral do Estado da Bahia. Neste último parecer, o ProcuradorChefe da Procuradoria da União na Bahia concluiu pela inviabilidade de autuação de órgãos públicos, uma vez que desprovidos de personalidade jurídica própria e, consequentemente, de titularizar direitos e obrigações. Assim, segundo o Parecer PGFN/CAT/nº 1315/2009: 24. Quanto ao caso em deslinde, resguardado melhor juízo, entendese como desnecessária a instauração de CCAF para a solução da controvérsia. A uma, porque já existe o entendimento da PGFN acerca da impossibilidade de autuação de órgão público pela SRF13. A duas, porque se a autuação deveria recair sobre ente dotado de personalidade jurídica, tal ente seria a União, já que o TRE/BA é órgão integrante do Poder Judiciário da União e, nesse cenário, haveria a configuração da confusão, uma das formas de extinção do crédito tributário, nos moldes preconizados no Parecer PGFN/PGA/N° 1336/2008. (...).” O Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009 também faz referência ao Parecer PGFN/CAT nº 152/2009, que trata de hipótese semelhante à versada no parecer acima, relativamente, todavia, à cobrança de créditos previdenciários em face de outro órgão federal, qual seja o Tribunal Regional Federal de São Paulo. Neste último parecer, a PGFN foi enfática no sentido da inviabilidade de autuação da União pela própria União: “23. Para que houvesse viabilidade jurídica da autuação em voga, considerando que o TRE/SP não é detentor de personalidade jurídica própria, a medida deveria recair sobre o ente dotado de personalidade jurídica, no caso, a União. Como o Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.170 13 referido Tribunal é órgão integrante do Poder Judiciário da União, estamos diante de uma situação em que a União, em sua função executiva, autua a União, em sua função judicial. É a União autuando a própria União, o que parece desprovido de lógica e razoabilidade. 24. Mesmo que se chegasse à conclusão da viabilidade da autuação, parecenos que poderia existir confusão nos pólos ativo e passivo de eventual ação judicial a ser promovida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o que levaria, fatalmente, à extinção do crédito tributário. (...).”(grifamos) Notese que o que se discute nos pareceres em questão é de quem se deve exigir o pagamento do crédito tributário, concluindo a PGFN (a nosso ver, acertadamente) que o lançamento deve ocorrer não no órgão responsável pela infração, já que destituído de personalidade jurídica, mas na pessoa jurídica de Direito Público do qual faz parte, ressalvando que não se poderá efetivar a cobrança do próprio ente titular do direito para tanto competente em razão da existência de confusão. No caso tratado nos presentes autos, a CBEE, embora não se tratasse de órgão público, mas de empresa pública, já havia sido extinta ao tempo da lavratura do auto de infração. Daí a necessidade da autuação ter ocorrido na pessoa do seu sucessor, o que, no caso, é inviável, por conta da confusão, segundo entendimento manifestado pela própria PGFN nos pareceres acima mencionados, porque o seu sucessor legal, ente titular do crédito, é também o responsável pela sua cobrança. Por fim, oportuno, nesta oportunidade, lembrar do mandamento inserto no art. 373 do NCPC, segundo o qual “o juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação do seu convencimento”. Tratase do “princípio do livre convencimento motivado”, a cujo respeito nos ensina Nelson Nery Junior: “3. Livre convencimento motivado. O juiz é soberano na análise das provas produzidas nos autos. Deve decidir de acordo com o seu convencimento, mas sempre vinculado à prova dos autos. Decisão sem fundamentação é nula pleno iure (CF 93 IX). O sistema não se contenta com o fundamento meramente formal, pois e exige que o juiz dê fundamentos substanciais indicadores do seu convencimento. (...)” (destacamos) (NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. Novo CPC – Lei 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, p. 992) Por todo o exposto, entendemos, também pelas razões acima, que o auto de infração é nulo de pleno direito e assim deve ser reconhecido, uma vez que o crédito tributário não poderia (nem poderá) ser constituído em face do sucessor legal da CBEE, tendo em vista se tratar da União Federal. c) Cerceamento de defesa Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.171 14 A recorrente alega, ainda, que haveria nulidade do auto de infração por ter tido seu direito de defesa cerceado em decorrência de ter sido lavrado contra sujeito passivo desprovido de personalidade jurídica, ao invés do seu legítimo sucessor. Argumenta que em função disso, os servidores do Ministério de Minas e Energia, por não constarem como representantes legais da empresa extinta junto à RFB, tiveram negado, por diversas vezes, o acesso a documentos e informações relacionados à CBEE junto àquele órgão, inclusive para a obtenção de guias de pagamento de valores de tributos considerados devidos. Afirma que essas dificuldades caracterizam afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurados no art. 5º, LV da CF, o que constitui nulidade insanável, que deve ser reconhecida. Sobre este ponto, entendemos que não tem razão o recorrente. Embora não discordemos do fato de que seus procuradores possam, realmente, ter enfrentado embaraços no que diz respeito à obtenção de documentos e guias junto a Receita Federal do Brasil, fato é que isso não impediu o regular exercício do direito de defesa por parte do ente público. De acordo com o art. 277, do CPC, “quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade”. Tratase do “princípio da instrumentalidade das formas” que, como nos ensinam Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, “na contraposição entre forma do ato e o objetivo a ser alcançado, o direito processual prefere o segundo. Em razão disso se desenvolveu a ideia de sobredireito processual, criado para minimizar as consequências do descumprimento da técnica processual, interpretandose as regras sobre validade do instrumento e condições de admissibilidade do julgamento de mérito de acordo com o fim visado pela formalidade em si e pelo próprio processo como um todo” (Idem, p. 822). No mesmo sentido: (...) A relevância da formas no processo se limita a que garantam que certos objetivos sejam cumpridos. Formas são “garantias, sob certo aspecto. Cumprida a finalidade do ato, passa a ser irrelevante ter o não ter sido observada a forma prescrita em lei. (...)” (WAMBIER, Tereza Arruda Alvim; CONCEIÇÃO, Maria Lúcia Lins; RIBEIRO, Leonardo Ferres da Silva; MELLO, Rogério Licastro Torres de. Primeiros Comentários ao Novo Código de Processo Civil. São Paulo: RT, 2015, p. 460) Entendemos, desse modo, que não há falar em nulidade, uma vez que não houve prejuízo ao exercício do direito de defesa por parte do recorrente no presente caso concreto. MÉRITO No que diz respeito ao mérito da cobrança, a recorrente argumenta que: no tocante à suposta incorreção na classificação dos diretores da extinta CBEE na GFIP como contribuintes individuais ao invés de empregados, o que teve por Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.172 15 consequência a ausência de recolhimentos em função da informação equivocada, embora a empresa os tenha classificado como empregados no período de abril/2003 a março /2006, eles não eram, de fato, empregados. Ao contrário, pertenciam ao órgão de direção da entidade e não estavam presentes os requisitos necessários à caracterização de uma relação de emprego, notadamente a subordinação jurídica, requisito de maior relevância na configuração da relação empregatícia. Afirma que os diretores não se sujeitavam a poder de comando ou ordens superiores, nem a horário de trabalho prédeterminado. Ao contrário, eles é que eram os detentores desse pode de direção e controle da empresa, em conjunto com o Conselho de Administração; em que pese não haver relação empregatícia entre os diretores e a CBEE, a remuneração dos dirigentes de entidades estatais é disciplinada pelo Decretolei nº 2.355, de 27 de agosto de 1987, e de ato do Poder Executivo Federal, e se assemelha à remuneração comumente paga a empregados, o que supõe tenha confundido a fiscalização; e com relação aos segurados Florisvaldo Meira dos Santos e João Nildo de Souza Vieira, cujos recolhimentos constituem parte da autuação, a empresa procurou adotar os procedimentos necessários para sanar a irregularidade. No que toca a esses pontos, considerando que o recurso voluntário não trouxe nenhum argumento novo visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador na decisão recorrida, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de primeira instância, que reproduzo abaixo, com os quais estou de pleno acordo: "DO MÉRITO Segundo o relato fiscal, da análise da documentação apresentada pelo contribuinte em confronto com as informações apresentadas através da GFIP, constatouse que a empresa declarou, na GFIP, seus diretores como categoria 05 Contribuinte Individual, Diretor não Empregado ~ nas competências 04 a 06/2006 e que, a partir de 04/2003 até 03/2006, a CBEE passou a informálos na categoria 01 Empregados e deu tratamento remuneratório e tributário como se empregados fossem, demonstrando seu entendimento em relação ao vinculo empregatício entre os diretores e a empresa. Há de se destacar que, nos termos do art. 225, § 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n“ 3.048/99, a *GFIP possui caráter declaratório e natureza de confissão de divida. A impugnante alega que a fiscalização se equivocou ao atribuir condição de empregados aos diretores da extinta CBEE, uma vez que estes não se sujeitavam a ordens hierárquicas nem a horário de trabalho préestabelecidos, ainda que a remuneração que lhes era paga se assemelhasse à remuneração comumente paga a empregado, não configurando, com isso, a relação empregatícia. Em razão do previsto no art. 12, inciso 1, alínea “a”, da Lei n” 8.212/91, c/c o art. 229, § 2°, do RPS/99, age o AuditorFiscal no estrito cumprimento de seu dever de oficio, exigindo das empresas o recolhimento das contribuições para a Seguridade Social, conforme competência atribuí.da no “caput” do artigo 33 da Lei n° 8.212/91, de acordo com a categoria previdenciária de cada trabalhador, cujo enquadramento Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.173 16 segue as regras ditadas pelos artigos 12 da Lei n" 8.212/1.991 e 9° do RPS/99, que qualificam todos os segurados da Previdência Social. Corroborando com o entendimento exposto, transcrevemos a Ementa do Acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça: PREVIDENCIÁRIO INSS FISCALIZAÇÃO AUTUAÇÃO POSSIBILIDADE VÍNCULO EMPREGATÍCIO A fiscalização do INSS pode autuar empresa se esta deixar de recolher contribuições previdenciárias em relação às pessoas que ele julgue com vínculo empregatício. Caso discorde, a empresa dispõe do acesso à Justiça do Trabalho, afim de questionar a existência do vínculo. Recurso provido. (RECURSO ESPECIAL N° 236279RJ. Relator Ministro GARCIA VIEIRA. Publicação DJ 20/03/2000). Como visto, no âmbito do Direito Previdenciário, temos, como suporte legal, a definição de segurado empregado, prevista no artigo I2, inciso I, alínea “a”, da Lei n° 8.212/91, a qual estabelece os pressupostos que caracterizam o segurado empregado, "in verbis": Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: 1 como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. (grifei) A autoridade fiscal deixa claro que a CBEE, mesmo informando seus diretores na categoria de Contribuinte lndividual, utilizouse de conceitos e procedimentos aplicáveis à categoria de empregados, pagandolhes 13° salário, férias e I/3 de férias, verbas inerentes a segurados empregados(art. 7°, inciso XVI da CF/88), abono pecuniário de férias e l/3 de abono pecuniário de férias(art. 143, do Decreto n” 5.452/43 CLT) como também para considerar incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre as verbas rescisórias, como férias proporcionais e férias indenizadas (valores não considerados). Todos procedimentos corretos quando o segurado é empregado. A fiscalização cita ainda o oficio nº 9l/2002, da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que trata da remuneração de pessoal da CBEE, para corroborar o disposto no art. 173, §1º, inciso II da CF, no item Regulamento de Pessoal que determina: “O pessoal, no exercício dos cargos comissionados será regido pela Consolidação das Leis Trabalhistas” e o art. 9°, §3“ e o art. 10, inciso VI do Estatuo Social da CBEE, aprovado pelo Decreto n° 3.900/2001, onde se constatam traços de subordinação jurídica, pressuposto qualificador da relação de emprego com relação aos diretores, ratificando seu entendimento. Por sua vez, a CBEE não junta à impugnação nenhum documento capaz de alterar o entendimento da fiscalização quanto ao vinculo empregatício existente entre a empresa e seus diretores. A documentação apresentada nos volumes anexos Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.174 17 constituise de cópias das GFIP referentes a competências abrangidas pelo presente lançamento, que não têm o condão de alterálo. Assim, o presente AIOP encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, vigentes na data do lançamento, consoante o disposto no “caput” do art. 37 da Lei n° 8.212/91. CONCLUSAO Ante o exposto, voto pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito Previdenciário exigido." CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do auto de infração. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 14041.001109/200858 Acórdão n.º 2402006.582 S2C4T2 Fl. 1.175 18 Fl. 1145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001099/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. NÃO CONHECIMENTO.
As matérias não contestadas na impugnação são insuscetíveis de conhecimento em grau recursal.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO.
A colocação de trabalhadores à disposição do contratante, para a execução de serviços contínuos, em suas dependências, caracteriza cessão de mão de obra.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE ENTRE O TOMADOR E O PRESTADOR. AUSÊNCIA DE BENEFÍCIO DE ORDEM.
Até janeiro de 1999, o contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra respondia solidariamente com o executor dos serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Previdência Social, exceto em relação às contribuições provenientes do faturamento e do lucro, podendo os créditos serem cobrados tanto do prestador quanto do tomador, sem benefício de ordem.
Numero da decisão: 2402-006.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Votou pelas conclusões, em relação à coisa julgada administrativa e divergiu do relator quanto à hipótese de inexistência de cessão de mão-de-obra o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Renata Toratti Cassini. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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NÃO CONHECIMENTO. As matérias não contestadas na impugnação são insuscetíveis de conhecimento em grau recursal. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. A colocação de trabalhadores à disposição do contratante, para a execução de serviços contínuos, em suas dependências, caracteriza cessão de mão de obra. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE ENTRE O TOMADOR E O PRESTADOR. AUSÊNCIA DE BENEFÍCIO DE ORDEM. Até janeiro de 1999, o contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra respondia solidariamente com o executor dos serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Previdência Social, exceto em relação às contribuições provenientes do faturamento e do lucro, podendo os créditos serem cobrados tanto do prestador quanto do tomador, sem benefício de ordem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Votou pelas conclusões, em relação à coisa julgada administrativa e divergiu do relator quanto à hipótese de inexistência de cessão de mãodeobra o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Renata Toratti Cassini. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 10 99 /2 00 7- 26 Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.257 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001854/200898, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.257 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "A DRJ/RJ1 fez um relato preciso do lançamento e da impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.521.1157 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 103.176,83, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 29/32), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, referentes à competência 01/1999. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei no 8.212/1991 (anterior à Lei nº 9.711 de 20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa BELCONAV S/A CONSTRUÇÃO NAVAL CNPJ 04.146.809/000187, em cumprimento aos contratos nº 295.2.003.988 (Levantamento A42) e nº 295.2.004.980 (Levantamento A43). 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 4 3 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 14/10//2002, através do instrumento de fls. 37/42, alegando em síntese a tempestividade; a inexistência de “cessão de mão de obra”; a necessidade da comprovação de existência da obrigação do devedor originário e a constituição de sua liquidez; assim como o alargamento da base de cálculo; invocando finalmente sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta, para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo. Do aditamento à impugnação 3.1. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação, fls. 53, com a juntada de documentos (fls. 54/83) para comprovar suas alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 4. A BELCONAV, notificada do lançamento, por via postal, em 06/12/2002 (AR fls. 50) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 5. Diante da documentação apresentada os autos foram encaminhados, em 30/04/2003, à Junta Notificante, para apreciação (fls. 85). 5.1. Em atendimento à diligência requerida pela autoridade julgadora, o fiscal notificante elaborou Informação Fiscal, em 04/07/2003, fls. 88, na qual concluiu pela retificação do débito, tendo sido emitido o FORCED de fls. 86/87. DO JULGAMENTO E DO RECURSO 6. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE EM PARTE através da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0759/2003, de 26/08/2003, fls. 90/95. Devidamente notificada a PETROBRAS, em 04/09/2003 (fls. 97) e a BELCONAV através de edital, publicado no Jornal Extra, em 04/02/2004 (fls.100). 6.1. Apenas a PETROBRAS apresentou recurso em 30/09/2003, fls. 103/107. DAS CONTRARAZÕES 7. Após a elaboração das ContraRazões, às fls. 113/115, o processo foi encaminhado ao CRPS. 8. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001851, de 22/07/2004 (fls. 117/130), decidiu anular a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 5 4 como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizálo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. 9. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, a Secretaria da Receita Previdenciária interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 132/137). 10. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim como do Pedido de Revisão, sendo concedido às mesmas, prazo para manifestação. Sendo que a PETROBRAS foi notificada em 19/01/2005 (fls. 138) e a BELCONAV através de edital, publicado no Jornal Extra, em 16/03/2005 (fls.151). 11. Apenas a PETROBRAS se manifestou em 18/02/2005 (fls. 144/148). 12. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme Acórdão nº 0000987, de 04/08/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 155/159). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 13. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços". 14. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 15. Em atendimento ao determinado no Decisório do CRPS, em 23/01/2008, fls. 191, o AuditorFiscal afirma que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Previdenciária, fls. 185/186, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada e prestadora de serviços, constatandose que não houve ação fiscal com exame Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 6 5 de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 – REFIS (fls. 187), assim como não aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 –PAES (fls. 188). 16. Assim sendo, a PETROBRAS foi notificada do Acórdão nº 000987 e do Resultado da Diligência de 23/01/2008, assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 1134/2010 (fls. 195) em 29/11/2010 (fls. 197) e a BELCONAV, através de edital, publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 206), entretanto não se manifestaram. A DRJ/RJ1 julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. A previsão contratual de colocação, à disposição do contratante, de segurados que realizem serviços de necessidade permanente, ainda que de forma intermitente, é fator essencial à configuração da cessão de mão de obra. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. ELISÃO PARCIAL DA SOLIDARIEDADE. RETIFICAÇÃO Uma vez apresentados, ainda que parcialmente, documentos elisivos da responsabilidade solidária relativa à construção civil, abatese do lançamento os valores vinculados a tais documentos, nos termos da legislação de regência. O montante exonerado não resultou na interposição de recurso de ofício. Intimada da decisão em 08/10/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital (fl. 264), a contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 06/11/2003 (fls. 269 e seguintes), no qual deduziu as seguintes teses de defesa: · nulidade da NFLD por ausência de requisitos legais mínimos; · existência de coisa julgada administrativa; · decadência do crédito tributário; · impossibilidade de revisão do lançamento; Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 7 6 · descumprimento da decisão do CRPS; · ilegalidade da aferição indireta em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a fevereiro de 1999; · inexistência de cessão de mão de obra; · inexistência de solidariedade por falta de configuração prévia da obrigação; · erro na mensuração da base de cálculo; A BELCONAV foi intimada por edital, mas não interpôs recurso voluntário. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório." Voto Mario Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.257 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001854/200898, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.257 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2402006.257 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator. 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, mas não deve ser totalmente conhecido. Comparandose a defesa administrativa com o recurso, conclui se que a contribuinte, sem a ocorrência de qualquer fato ou circunstância jurídica superveniente ao lançamento, inovou ao deduzir as seguintes teses recursais (vide relatório): Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 8 7 a) nulidade da NFLD por ausência de requisitos legais mínimos; e f) ilegalidade da aferição indireta em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a fevereiro de 1999. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. [...] Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Destarte, não se conhece do recurso neste ponto. 2 Da coisa julgada administrativa Conforme já relatado, a 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001851, de 22/07/2004, decidiu anular a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade da contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar a prestadora de serviços, tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização da mesma, pois Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 9 8 entendeu que o INSS não teria se esforçado para localizála, já que publicou edital de citação em praça diversa da prestadora. Para ilustrar e demonstrar como a questão foi decidida pelo CRPS, vale transcrever o desfecho da fundamentação do voto condutor do acórdão e a sua conclusão: O resultado do acórdão foi exatamente no sentido de anular a decisão notificação, de acordo com o voto do relator e sua fundamentação. Vejase: Como se pode ver acima, o CRPS não anulou o lançamento e ainda fez claras determinações ao INSS ao utilizarse das seguintes expressões: "entendo que o INSS deve apresentar elementos com base na contabilidade do sujeito passivo"; "anular a DN, determinado que o INSS verifique a existência do crédito lançado na contabilidade do contribuinte prestador de serviços" (erro de conjugação do verbo no original); e "deverão ser adotados outros meios para localizar seu paradeiro". De outro modo, a decisão foi por anular a decisão notificação, e não por anular o lançamento. Ainda que se pudesse afirmar que a decisão não tenha tido a melhor técnica possível (e está se alegando isso apenas por argumentação, e não para reprovar o conteúdo decisório), o fato é que não houve nem fundamentação, nem conclusão e nem Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 10 9 acórdão determinando a anulação da NFLD, mas sim a decisão notificação, tendo sido determinado, outrossim, que o INSS adotasse as duas providências relacionadas na fundamentação (i verificação da contabilidade do prestador; e ii localização do seu paradeiro). Produziuse coisa julgada material, portanto, nesse tocante, e não coisa julgada para anular o próprio lançamento. Em sendo assim, o recurso deve ser desprovido nesse particular. Contudo, e como dito, a decisão transitada em julgado foi no sentido de determinar que o INSS localizasse o endereço do prestador e verificasse a sua contabilidade. No entender do CRPS, a falta de verificação da contabilidade do prestador poderia ensejar o lançamento de contribuição em duplicidade, como deixa claro o seguinte parágrafo da fundamentação do voto condutor do acórdão: A despeito disso, o relatório de diligência fiscal de fl. 191 do pdf revela que "não houve ação fiscal com exame da contabilidade englobando o período referente ao lançamento em pauta, conforme cópias anexadas às fls. 172 a 173" (destaques do original). É importante observar que se determinou, expressa e literalmente, o exame da contabilidade da empresa prestadora, não bastando, pois, a análise do conta corrente junto aos sistemas da SRFB, do fisco previdenciário, etc. A decisão do Conselho transitou em julgado e essa questão não poderia ter sido redecidida pela DRJ/RJ1. É bem verdade, registrese, que esse entendimento do CRPS acabou sendo superado ao longo do tempo, mas não neste PAF, no qual ele transitou em julgado, como se depreende do exame dos autos e tendo em vista que não foi conhecido o Pedido de Revisão então apresentado pela Secretaria da Receita Previdenciária. Diante do exposto, é óbvio que houve erro relacionado à própria materialidade do fato gerador e à sua base de cálculo, devendo Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 11 10 ser provido o recurso para cancelar o lançamento por vício material. Cabe ressaltar, nesse contexto, que o Poder Judiciário, quando da apreciação do mandado de segurança impetrado para propiciar a devolução dos depósitos recursais efetuados para viabilizar o prosseguimento daquele primeiro apelo, fez constar a seguinte afirmação, que corrobora a verdade do que foi exposto: Entendeuse, inclusive, e até com certo desacerto, que o sujeito passivo teria tido êxito em desconstituir o crédito tributário, o que serviu de fundamento para a devolução do depósito efetuado. Vejase: Em síntese, o lançamento permaneceu com o mesmo vício apontado pelo CRPS, vício este relacionado à própria materialidade do fato gerador e à sua base de cálculo, lembrando que vício formal é mácula inerente ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito, ao passo que vício material é aquele relativo à validade e à incidência da lei. Vejase, nesse sentido, a doutrina de Leandro Paulsen1: Os vícios formais são aqueles atinentes aos procedimentos e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e incidência da lei. No caso in concreto, como houve vício relativo à materialidade do fato gerador e à sua base de cálculo, houve vício na incidência da lei, não se vislumbrando simples erro de forma (incompetência da autoridade lançadora, incorreção do documento que formalizou o lançamento, etc). Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado, ESMAFE, 2008, p. 1164. Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 12 11 A inobservância de tal norma implica, indubitavelmente, vício de natureza material, e não meramente formal. Deste Colegiado, vale transcrever o seguinte julgado: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL X MATERIAL. AUTUAÇÃO SUBSTITUTIVA. ALTERAÇÃO MATÉRIA TRIBUTÁVEL. NOVO LANÇAMENTO. NÃO APLICAÇÃO ARTIGO 173, II, CTN.Na hipótese vertente, declarada a insubsistência da execução fiscal, diante da ausência de liquidez e certeza da CDA, em razão da inclusão indevida de segurados ao Regime Geral da Previdência Social, não se cogita em vício formal, mas, sim, material, em razão da mácula na necessária descrição clara e precisa do fato gerador e matéria tributável das contribuições previdenciárias lançadas, o que afasta de plano a aplicação do artigo 173, inciso II, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatouse a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2402005.189, Rel. Lourenço Ferreira do Prado, sessão de 12 de abril de 2016) Passase a analisar as demais matérias suscitadas em grau recursal, caso este relator seja vencido neste ponto. 3 Da decadência A recorrente afirma que em 23/01/2008, a autoridade administrativa teria praticado ato de cobrança, relativo a tributos cujos fatos geradores ocorreram em 01/1999, o que configuraria decadência. Todavia, e como já esclarecido, não houve a constituição do crédito tributário em 23/01/2008, uma vez que o CRPS não anulou o lançamento efetuado em 25/09/2002, constituído mediante NFLD, mas apenas determinou que o INSS analisasse a contabilidade da prestadora e diligenciasse no seu endereço. Houve, então, mera diligência determinada em decisão transitada em julgado no Conselho e determinação para que o sujeito passivo se manifestasse no prazo de trinta dias. Em sendo assim, deve ser rejeitada a alegação de decadência. 4 Da impossibilidade de revisão do lançamento Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 13 12 A recorrente assevera que seria impossível procederse à revisão do lançamento. Entretanto, e diferentemente do que alega a recorrente, não chegou a haver novo lançamento. É bem verdade que, no entender deste conselheiro, o órgão julgador não tem competência para alterar ou reformar os critérios jurídicos que embasaram o ato de constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa. A competência do órgão de julgamento é apenas no sentido de confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrido, a exemplo do que determina o art. 64 da Lei 9784/99. Mas, no caso concreto, efetivamente não houve um novo lançamento e é descabida a menção ao art. 149 do CTN. O que houve, como já demonstrado, foi uma anulação de uma decisão pelo CRPS com determinação de diligência, decisão contra a qual a recorrente não chegou a se insurgir. Negase, pois, provimento ao recurso voluntário neste particular. 5 Da inexistência de cessão de mão de obra O sujeito passivo reafirma os fundamentos de sua defesa, sustentando a tese de que não teria havido cessão de mão de obra. Analisandose o singelo relatório fiscal, observase que a fiscalização não comprovou que os serviços contratados pela empresa tenham sido executados mediante cessão de mão de obra. Em janeiro de 1999, época dos fatos geradores, o art. 31 tinha a redação da Lei 9528/972, e assim dispunha: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, 2 A Lei 9711/98, que alterou a redação do art. 31, somente produziu efeitos a partir de 1º de fevereiro de 1999 (Art. 29. O art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, produzirá efeitos a partir de 1o de fevereiro de 1999, ficando mantida, até aquela data, a responsabilidade solidária na forma da legislação anterior) e foi posteriormente revogada. Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 14 13 em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). A interpretação do § 2º encimado revela que somente ocorre cessão de mão de obra quando se coloca à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da forma de contratação. Em tal situação, os segurados são cedidos à empresa contratante em caráter não eventual ("colocação à disposição do contratante") e de forma contínua ("segurados que realizem serviços contínuos"), de tal maneira que a cessionária passará a dirigirlhes as atividades, respeitados os limites do contrato de cessão. Por essa razão, e por motivos de técnica tributária arrecadatória, atualmente a empresa beneficiária da prestação dos serviços prestados pelos segurados da empresa cedente fica obrigada a proceder à retenção/antecipação de parte dos valores devidos, à alíquota de 11%; e à época dos fatos geradores a legislação estabelecia que o contratante respondia solidariamente com o executor. Ao fazer o lançamento das contribuições devidas a esse título, portanto, a autoridade fiscal deve demonstrar que os segurados foram efetivamente cedidos à empresa contratante de forma não eventual e contínua, a fim de prestarlhe os serviços, nas dependências da própria contratante ou nas de terceiros, e não nas dependências da própria empresa cedente. Com efeito, o art. 142 do Código Tributário Nacional impõe à autoridade administrativa a obrigação de verificar, isto é, de relatar e demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, devendo, ainda, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Quanto ao dever imposto ao Fisco de demonstrar a existência efetiva de cessão de mão de obra, confirase o seguinte precedente deste CARF: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 15 14 É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. (CARF, PAF 11330.000963/200772, Acórdão 2201003.412, Redator Carlos Henrique de Oliveira, julgado em 07/02/2017) ......................................................................................................... Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Anocalendário: 2009, 2010 [...] CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃODEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, PAF 19311.720414/201134, Acórdão 9202004.404, Relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 25/08/2016) Deste Colegiado, vale citar o seguinte precedente, julgado por unanimidade: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO 11%. INEXISTÊNCIA COMPROVAÇÃO CESSÃO DE MÃODEOBRA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. Somente na hipótese em que restar devidamente comprovada pela autoridade lançadora à prestação dos serviços mediante cessão de mãodeobra, será devida pela empresa contratante a retenção de 11% de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, devendo o fiscal autuante demonstrar de maneira pormenorizada/individualizada os serviços executados com o respectivo enquadramento nos casos previstos no rol constante do artigo 219, § 2º, do Decreto nº 3.048/99, sob pena da Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 16 15 improcedência do lançamento, em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo.Recurso Voluntário Provido. (CARF, PAF 10510.004019/200975, Acórdão 2402005.003, julgado em 16/02/2016, Relator Lourenço Ferreira do Prado) Neste caso concreto, contudo, a autoridade administrativa não se dignou de demonstrar o fato gerador das contribuições. O agente lançador apenas relacionou os contratos que, no seu entender, caracterizariam a cessão, sem ter tido o cuidado de efetivamente caracterizála. Vejase o contido no relatório fiscal, onde a administração fazendária enumera os contratos de serviços de correção de vazamentos em tubulações e acessórios e manutenção em purgadores e de serviços de manutenção em caldeiraria, tubulações, equipamentos, etc: Em nenhum momento, o agente fiscal sequer afirmou que os segurados das empresas contratadas foram cedidos à empresa contratante em caráter não eventual e de forma contínua. Diante da falta de demonstração da efetiva cessão dos trabalhadores, podese afirmar que os contratos acima são típicos contratos de prestação de serviços, os quais, de acordo com o Código Civil brasileiro, naturalmente implicam a realização de um trabalho lícito, material ou imaterial, mediante retribuição (art. 594). A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, de forma que é dever inafastável da autoridade fiscal o empreendimento de todos os esforços na determinação do critério material do fato gerador da obrigação tributária (ou critério material da regra matriz de incidência). Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 17 16 É nesse contexto que o art. 25 do Decreto 7574/2011 determina que os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Destarte, e em função da descrição deficiente do fato gerador das contribuições, isto é, da insuficiente narração da materialidade do fato jurídico tributário, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Se porventura este relator for vencido neste ponto, passase à análise das demais matérias recursais. 6 Da inexistência de solidariedade A própria contribuinte reconhece a existência de solidariedade legal no período lançado, mas afirma que não teria havido prévia configuração da obrigação junto ao contribuinte originário. Como já afirmado, essa questão foi previamente decidida pelo CRPS e se encontra sob o abrigo da coisa julgada. Realmente se decidiu que haveria necessidade de averiguação na contabilidade do prestador e de verificação no seu endereço. Todavia, caso o colegiado entenda que não houve produção de coisa julgada administrativa e que é necessária a (re)análise dessa matéria, e considerandose que este recurso voluntário constituise em paradigma, cabe afirmar o seguinte: Até a edição da Lei 9711/98, a legislação determinava que o contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, respondia solidariamente com o prestador pelas obrigações para com a seguridade social. Com a edição da citada lei, com vigência a partir de fevereiro de 1999, a empresa contratante passou a ser obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida. Para ilustrar, transcrevese o art. 31 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 9528/97, aplicável ao fato gerador lançado neste PAF (janeiro de 1999): Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). É inquestionável, e a própria contribuinte reconhece, que a norma retro mencionada estabelecia a solidariedade entre o tomador e o prestador, de tal forma que o afastamento dessa modalidade de sujeição passiva tributária necessitaria de Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 18 17 declaração de ilegalidade do art. 31, o que é defeso na esfera administrativa (e.g., Súmula CARF 2: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). A tese recursal, portanto, e isto está claramente definido, é que seria imprescindível a verificação da falta de recolhimento no prestador. Pois bem. O CTN, em seu art. 121, parágrafo único, prevê duas espécies de sujeitos passivos: (1) o contribuinte, que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação; e (2) o responsável, o qual está obrigado por expressa previsão legal. No tocante ao responsável, o art. 128 do Código preleciona que sua obrigação deve necessariamente decorrer de sua vinculação com o fato gerador. Solidariamente obrigado, portanto, é aquele que tem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou aquele expressamente designado por lei, ex vi dos incs. I e II do art. 124. Muito embora costumeiramente se denomine o solidariamente obrigado como responsável solidário, fato é que o Código, até mesmo por sua tipologia e pela disposição de seus artigos, estabelece uma clara diferenciação entre tais institutos. A solidariedade é tratada nos arts. 124 e 125, enquanto a responsabilidade é regrada em capítulo próprio, e nos arts. 128 e seguintes. Conquanto a solidariedade tenha o efeito de responsabilizar/obrigar o sujeito ao pagamento do crédito tributário (sob o ponto de vista do direito das obrigações, o Código Civil, em seu art. 391, preceitua que pelo inadimplemento das obrigações "respondem" todos os bens do devedor), é iniludível que o CTN distinguiu as figuras (a) do contribuinte, (b) do responsável e (c) do solidariamente obrigado. É importante frisar, ainda, que enquanto a solidariedade pressupõe o interesse comum na obrigação principal (e veja que não se trata de mero interesse, mas sim de interesse comum na própria obrigação), ou a expressa indicação em lei (a exemplo do art. 31 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 9528/97), a responsabilidade tributária pressupõe simples vinculação com o fato gerador da respectiva obrigação. A extensão da relação jurídicotributária a uma determinada pessoa requer a ocorrência de todos os elementos fáticos previstos em lei, ou seja, a concretização de todas as circunstâncias legais atinentes à solidariedade ou à responsabilidade. Dito de outra forma, a solidariedade ou a responsabilidade pressupõem a regra matriz de incidência e a regra matriz de solidariedade ou responsabilidade, cada uma Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 19 18 com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes, solidários, responsáveis, etc). No caso vertente, e conforme já afirmado, a solidariedade do cessionário decorria de expressa disposição legal (art. 31 da Lei 8212/91, em sua redação anterior). Naturalmente, o contribuinte das exações seria o prestador dos serviços, na condição de empregador da mão de obra. Daí se segue que, para a caracterização da solidariedade, primeiramente seria necessária a constituição do crédito tributário ou a verificação da falta de recolhimento naquele que ostentava a posição natural de contribuinte o prestador. Lembrese, o cessionário não era o empregador da mão de obra e, consequentemente, não era o contribuinte das exações decorrentes do seu emprego, e a sua obrigação decorria de expressa disposição de lei, e não de sua vinculação direta com o fato gerador (essa expressa vinculação somente ocorre quando o chamado solidário realmente ostenta a posição de contribuinte, praticando igualmente o fato jurídico tributário, a exemplo de um condômino de um imóvel urbano em relação ao IPTU). Uma vez que a fiscalização não se dignou de verificar a falta de recolhimento no alegado cedente da mão de obra, deve ser provido o recurso, a fim cancelar o crédito tributário contra ela constituído. Essa interpretação está de acordo com o entendimento da Primeira e da Segunda Turma do STJ, conforme precedentes abaixo com destaques: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. AFERIÇÃO INDIRETA ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. IMPOSSIBILIDADE. ART. 124 DO CTN. CONSTITUIÇÃO VÁLIDA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA.VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 83/STJ 1. Tratase de demanda referente à contribuições previdenciárias relativas ao período de 11/1996 a 07/1997, 01/1999 a 06/2001 e 01/1999 a 05/2000. Quanto aos Fatos Geradores ocorridos antes da Lei 9.711/1998, aplicase o art. 31 da 8.212/1991 na sua redação original. Após o dia 1º.02.1999, adotase a redação dada pela Lei 9.711/1998. 2. o acórdão recorrido não nega a existência de responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições entre tomadora e prestadora dos serviços. O que sustenta o acórdão é que a responsabilidade solidária supõe a existência de regular constituição do crédito tributário, que não teria ocorrido. In casu, como bem fundamentou o acórdão recorrido, a constituição do crédito tributário, referente ao período anterior a 1º.02.1999, não poderia ser feita por meio da aferição Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 20 19 indireta nas contas do tomador dos serviços. Precedentes: REsp 1.175.075/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 31.5.2011; AgRg no REsp 1.142.065/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10.6.2011; REsp 1.174.976/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 11.5.2010. 3. Dessumese que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ. 4. Acrescentese que, nos contratos de cessão de mão de obra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/91, não comportando benefício de ordem, nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional. Precedentes: AgRg no REsp 1.213.709/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18.12.2012, DJe 8.02.2013; REsp 1.281.134/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 13.12.2011, DJe 19.12.2011; AgRg no REsp 1.142.065/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 7.6.2011, DJe 10.6.2011. 5. Por fim, constatase que não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp 927.216/RS, Segunda Turma, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13.8.2007; e REsp 855.073/SC, Primeira Turma, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 28.6.2007. 6. Recursos Especiais não providos. (REsp 1518887/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/04/2015, DJe 30/06/2015) ......................................................................................................... PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE DE SERVIÇOS EXECUTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91. 1. O Tribunal regional não afastou a responsabilidade solidária entre o prestador do serviço e o contratante, apenas reconheceu que cabe ao Fisco, em primeiro lugar, verificar a contabilidade da prestadora de serviços e se houve ou não recolhimento da contribuição previdenciária, para, então, constituir o crédito Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 21 20 tributário. Efetivamente, o sujeito passivo da obrigação tributária é a prestadora de serviços, razão por que não há como afastar a obrigação do Fisco de primeiro verificar a sua contabilidade e se houve recolhimento ou não recolhimento da contribuição previdenciária. Tal fato, no entanto, não exclui a solidariedade entre a empresa contratante e a cedente de mão de obra. O óbice à cobrança intentada pela Fazenda Pública é tão somente a forma utilizada para apurar o crédito tributário. 2. Precedentes: REsp 1212832/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 19.11.2010; AgRg no REsp 1142065/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10.6.2011; e REsp 939.189/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 23.11.2009. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 202.293/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2012, DJe 25/09/2012) ................................................................................................. DIREITO TRIBUTÁRIO. FISCALIZAÇÃO DA CONTABILIDADE DA PRESTADORA DE SERVIÇOS COMO PRESSUPOSTO PARA O RECONHECIMENTO DE SOLIDARIEDADE NA FASE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A CESSÃO DE MÃO DE OBRA. Na cobrança de contribuições previdenciárias realizada com base na redação original do art. 31 da Lei n. 8.212/1991, não é lícita a autuação da tomadora de serviços sem que antes tenha havido a fiscalização da contabilidade da prestadora de serviços executados mediante cessão de mão de obra. O art. 31 da Lei n. 8.212/1991, em sua redação original, reconhece a existência de responsabilidade solidária entre o tomador e o prestador de serviços pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre a cessão de mão de obra. A referida solidariedade, entretanto, ocorrerá na fase de cobrança do tributo, pressupondo, desse modo, a regular constituição do crédito tributário, cuja ocorrência, antes da vigência da Lei n. 9.711/1998 que deu nova redação ao art. 31 da Lei n. 8.212/1991 , demandava a fiscalização da contabilidade da empresa prestadora dos serviços demão de obra,devedora principal da contribuição previdenciária. Precedentes citados: AgRg no REsp 1.348.395 RJ, Segunda Turma, DJe 4/12/2012, e AgRg no REsp 1.174.800 RS, Segunda Turma, DJe 23/4/2012. (AgRg noREsp 1.194.485 ES, Rel. Min. Diva Malerbi, Desembargadora convocada do TRF 3ª Região, julgado em 26/2/2013) 7 Do erro na mensuração da base de cálculo A recorrente afirma que, nas notas fiscais, o valor relativo a materiais, insumos, máquinas, equipamentos, etc, seriam bem superiores ao valor referente à mão de obra e que somente a Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 22 21 mão de obra poderia constituirse em base de cálculo do lançamento. Realmente, em função da alínea a do inc. I do art. 195 da CF, o lançamento em referência somente poderia ter como base de cálculo a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e o próprio art. 31 da Lei 8212/91 prevê a solidariedade do tomador pelas obrigações decorrentes do custeio previdenciário "em relação aos serviços executados". Desta forma, o lançamento não poderia mesmo incidir sobre materiais, insumos, equipamentos, etc. Contudo, a recorrente não demonstrou que o lançamento incidiu sobre tais bens e as notas fiscais de prestação de serviços apenas relacionam os serviços prestados. Inclusive, nelas se verifica que o ISS (imposto incidente sobre serviços) foi calculado sobre o valor total das notas. Em sendo assim, negase provimento ao recurso neste tópico. 8 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe provimento, a fim de cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci " Voto Vencedor "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao alegado vício material no lançamento, quanto à inexistência de cessão de mão de obra e quanto à inexistência da solidariedade. Do alegado trânsito em julgado Antes de considerações outras, gostaríamos de expor o nosso entendimento quanto ao trânsito em julgado da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) que, tantas vezes, o Relator mencionou em seu voto. Em nossa ótica, se há coisa julgada em relação à decisão do CRPS, esta é apenas de cunho formal e diz respeito, unicamente, à anulação da decisão de primeira instância para outra fosse produzida em seu lugar, após a realização de diligência. Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 23 22 Também não identificamos, no presente processo, qualquer ato que tenha entrado em conflito com a decisão do CRPS, mas, pelo contrário, a anulação da decisão de primeira instância foi plenamente acatada e as providências solicitadas foram tomadas. Do alegado vício material Segundo o Relator, a anulação da decisão de primeira instância, pelo CRPS, e a determinação de realização de diligência para exame da contabilidade da empresa prestadora teriam apontado a ocorrência de erro relacionado à materialidade do fato gerador e à sua base de cálculo, razão pela qual decidiu por cancelar o lançamento por vício material. Porém, não comungamos desse entendimento. Compulsando o relatório fiscal, constatase que a fiscalização procedeu ao lançamento das contribuições com base nas notas fiscais emitidas pelo prestador, em estrita observância à legislação de regência e fundamentando o procedimento nos arts. 31 e 33 da Lei 8.212, de 24/7/91, no art. 124 do Código Tributário Nacional3 (CTN) e na Instrução Normativa INSS/DC nº 70, de 10/5/02. Ademais, segundo bem apontado pelo Relator do voto vencido, constante do acórdão proferido pelo CRPS, o procedimento fiscal também estaria amparado no Parecer/CJ nº 2.376, de 21/12/2000: Inicialmente cabe situar que o instituto da solidariedade quanto às contribuições previdenciárias estava previsto no art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação anterior à edição da MP 1.663/98, convertida na Lei 9.711/99, vejamos: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. (Grifo no original) Frente ao dispositivo legal retro, surgiram indagações acerca da necessidade do INSS lançar as contribuições previdenciárias em face de um dos solidários, de ambos ou se era uma faculdade do Instituto. Com vistas à solução da controvérsia, a então Diretoria de Arrecadação submeteu consulta à Consultoria Jurídica do MPS, sendo proferido o Parecer/CJ N° 2.376, o qual possui a seguinte Ementa: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito 3 Lei 5.172, de 25/10/66. Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 24 23 tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação. (Grifo no original) A simples leitura dessa Ementa transmite a idéia de que ao INSS foi atribuído o poder de escolha sobre quem e quantos lançamentos efetivamente podem ser efetivados no caso da solidariedade. Como se vê, além do suporte na citada legislação, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) consultou a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), tendo esta asseverado que o Fisco poderia cobrar o crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário, e que não haveria ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação. Pois bem, vejamos, agora, o que restou consignado no voto condutor do acórdão proferido pelo CRPS: 2ª CaJ Segunda Câmara de Julgamento [...] A Circular Conjunta INSS/DIRAR/CGFISC/CGCOB/ CGARRREC n° 006/2000, de 02 DEZ 2002, em especial o item 5.17, estabelece que: 5.17 A apuração do crédito com base na documentação do contribuinte deve prevalecer à realizada por arbitramento no responsável solidário, quando for pleiteada por qualquer dos devedores em fase processual própria. Se analisarmos as mudanças nos procedimentos do INSS, que decorrem, inclusive, das recomendações contidas no Parecer CJ/MPAS 2.376/2000, que consta do preâmbulo do ato normativo mencionado, vemos uma preocupação em se evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas e é, dentro dessa ótica, que deve ser lido o mencionado no item 5.17. [...] Isso posto, entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. Assim não vejo outro desfecho senão anular a DN, determinado que o INSS verifique a existência do crédito lançado na contabilidade do contribuinte prestador dos serviços. Conforme se observa, mesmo não tendo apontado qualquer mácula no lançamento, a Segunda Câmara de Julgamento do CRPS decidiu anular a decisão de primeira instância, tomando por base o item 5.17 da Circular Conjunta INSS/DIRAR/CGFISC/CGCOB/ CGARRREC n° 006/2000, de 2/12/02, segundo o qual a apuração, com base na documentação Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 25 24 do contribuinte, deveria prevalecer à realizada por arbitramento no responsável solidário, quando fosse pleiteada por qualquer dos responsáveis, em fase processual. Lembrando que tal Circular Conjunta é posterior ao lançamento. Dessa forma, apesar do prestador ter sido notificado do lançamento, com abertura de prazo para defesa e não ter se manifestado, o CRPS entendeu que o INSS, mesmo assim, deveria ter buscado examinar a contabilidade do prestador, antes de proferir a decisão de primeira instância, concluindo, assim, pela sua anulação, para que fosse produzida nova decisão, após a realização de diligência no prestador. A preocupação manifestada pelo CRPS, segundo se observa no seguinte trecho do voto condutor do seu acórdão, era de que a fiscalização do INSS pudesse ter efetuado o lançamento em duplicidade, ou seja, tanto no tomador quanto no prestador: Ainda outro dia quando julgávamos NFLD's lavradas contra a própria Petrobrás, nos deparamos com a NFLD DEBCAD n° 35.396.3538, que constituiu de crédito previdenciário por solidariedade no valor de R$ 2.445.610,67, decorrente de serviço realizado entre 01 a 04 e 06.99 (cinco competências). Na oportunidade tivemos conhecimento que o consórcio prestador dos serviços havia sido fiscalizado por livro diário, no período de 02.98 a 05.2000 (vinte e oito competências), sendo constituído crédito previdenciário no valor de R$ 57.549,78 (duas NFLD's DEBCAD: n.°35.131.5241 e n° 35.172.8961). Infelizmente sou obrigado a admitir que a situação narrada não foi um caso isolado, posto que diversos outros casos semelhantes podem ser apontados. A mesma preocupação também é verificada nos itens 26 e 27 do já citado Parecer/CJ n° 2.376/2000: 26. Em relação à arrecadação fiscal, temos que o mesmo fato gerador da obrigação tributária deve sempre constar do mesmo débito, evitandose, assim, que a mesma obrigação seja cobrada duas vezes em duas NFLD distintas, uma em relação ao contribuinte e outra em relação ao responsável tributário. Portanto, em cada NFLD deve constar o nome não só do contribuinte como também de todos os responsáveis tributários. 27. A Arrecadação não deve lançar, sobre o mesmo fato gerador, duas NFLD, uma contra o contribuinte e outra contra o responsável. Pois bem, encaminhados os autos à Secretaria da Receita Federal do Brasil4 (RFB), esta realizou a diligência requerida, mediante pesquisa em seus sistemas informatizados, constatando que “não houve ação fiscal com exame da contabilidade [no prestador dos serviços] englobando o período referente ao 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária. Vide Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 26 25 lançamento em pauta”, o que demonstra a observância do presente lançamento ao item 27 do Parecer/CJ nº 2.376/2000. Na sequência, a RFB procedeu à intimação do solidário e do prestador, quanto ao resultado da diligência, porém, nenhum dos dois apresentou manifestação, sendo que no caso do prestador, a intimação, que tinha sido enviada por via postal, voltou com a informação de que o destinatário havia mudado de endereço e, dessa forma, tendo em vista que o prestador se encontrava em lugar incerto e ignorado, procedeuse à sua intimação por edital. Portanto, diante do quadro que se apresenta, não restou evidenciado qualquer vício material no lançamento efetuado, em especial quanto à materialidade do fato gerador e à sua base de cálculo, motivo pelo qual concluímos pela sua manutenção. Da cessão de mão de obra O Recorrente alega que a fiscalização não teria especificado “onde estaria devidamente caracterizada essa hipotética cessão de mão de obra”, bem como que não teria ocorrido a prestação de serviço contínuo e nem a colocação de empregados à sua disposição. Em seu voto, o Relator acolheu essas alegações recursais, argumentando, ainda, que a fiscalização não teria demonstrado a “efetiva cessão de trabalhadores” e, desse modo, não haveria suficiente “narração da materialidade do fato jurídico tributário”, concluindo pelo provimento ao recurso voluntário e cancelamento do crédito lançado. Pois bem, em que pese a defesa e seu acolhimento pelo Relator, em nosso entendimento, a argumentação deduzida não merece guarida. O art. 31, § 2º, da Lei 8.212/91, trazia a seguinte definição para a cessão de mão de obra, em sua redação vigente ao tempo dos fatos (01/1999): Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). [...] § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 27 26 de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). (Grifo nosso) O relatório fiscal, por sua vez, é muito claro ao informar que a “empresa contratou com a empresa prestadora [...] a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra (sic)”, em cumprimento aos contratos 295.2.003.988 e 295.2.004.980, trazendo, ainda, as seguintes informações quanto ao objeto dos contratos e quanto ao prazo para a sua execução, além de apontar evidências que, em seu entendimento, caracterizariam a cessão de mão de obra: 5.1 Contrato: 295.2.003.988 Serviços de correção de vazamentos em tubulações e acessórios e manutenção em purgadores para a Refinaria Presidente Getúlio Vargas REPAR. Caracterizada a CMO em função das seguintes evidências: Prazo de realização do contrato 730 dias (cláusula 4) Prazo de 30 dias p/ substituição de empregado qualificado (anexo IV item 6.2.3.2) Definição de qualificação para os oficiais de caldeiraria (anexo IV item 6.2.3); 5.2 Contrato: 295.2.004.980 Serviços de manutenção da caldeiraria, tubulações, equipamentos, isolamento térmico no âmbito da Refinaria Presidente Getúlio Vargas REPAR e no Terminal Marítimo da Divisão de Movimentação (DMO V) em Paranaguá/PR. Caracterizada a CMO em função das seguintes evidências: Prazo de realização do contrato 730 dias (cláusula 4) Requisitos de Qualidade com definição de equipe mínima (anexo V item 3.3). Como se percebe, esses contratos se referem a prestação de serviços de manutenção em caldeiras, tubulações, equipamentos, purgadores e isolamento térmico na Refinaria Presidente Getúlio Vargas, executados por trabalhadores com qualificações específicas e com prazo de realização de 2 (dois) anos. Devemos observar, ainda, que o contrato 295.2.003.988 estabeleceu prazo de 30 (trinta) dias para que a empresa prestadora substituísse empregado qualificado, obviamente, empregado que, por algum motivo, deixasse de prestar o serviço. Portanto, além dos apontamentos feitos pela fiscalização, não vemos como seria possível os serviços contratados e pelo prazo contratado terem sido realizados sem que trabalhadores tivessem ficado à disposição da refinaria e de forma contínua. Sendo assim, nego provimento ao recurso quanto à alegada inexistência de cessão de mão de obra. Da solidariedade Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 28 27 Quanto a esse ponto, alega o Recorrente que a solidariedade exige a configuração prévia da dívida ou obrigação e que inexistindo apuração do débito contra o devedor originário (a empresa prestadora), não pode o Fisco cobrar tal débito da empresa tomadora dos serviços. Acompanhando a defesa, o Relator argumenta que a fiscalização não teria se dignado a verificar a falta de recolhimento no cedente da mão de obra, e, dessa forma, deu provimento ao recurso, a fim cancelar o crédito tributário em análise. Pois bem, a responsabilidade solidária, objeto do presente lançamento, está prevista no art. 31, da lei 8.212/91, e não comporta benefício de ordem, segundo dispõe o art. 124, § único do CTN. Dessa forma, o valor apurado pela fiscalização pode ser cobrado tanto do tomador dos serviços, quanto do prestador, o que confere maior garantia ao crédito previdenciário. Assim dispunha o art. 31, da Lei 8.212/91, na competência de 01/1999: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 29 28 quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Como se vê nos dispositivos acima transcritos, o tomador de serviços, executados mediante cessão de mão de obra, devia exigir do prestador cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento, e tais documentos elidiriam a responsabilidade solidária, porém, no caso em tela, o Recorrente (tomador dos serviços) deixou de apresentar esses documentos à fiscalização, conforme se observa no seguinte excerto extraído do relatório fiscal: 10 Assim, não tendo a empresa contratante e tomadora, ora fiscalizada, apresentado os documentos suficientes de modo a elidir a solidariedade; sendo a empresa contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra solidária com a empresa contratada e executara dos serviços contratados, pelo cumprimento das obrigações desta para com a Seguridade Social; e sabedores de que o instituto da solidariedade, em matéria tributária, não comporta benefício de ordem; o débito foi lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.521.1157. Desse modo, com base no valor das notas fiscais emitidas pelo prestador dos serviços, a fiscalização procedeu à apuração das contribuições devidas, seguindo o critério de aferição previsto no art. 63 e seguintes da Instrução Normativa INSS/DC nº 70, de 10/5/02, donde se conclui que o crédito foi devidamente (e previamente) constituído e corresponde, sim, a um crédito devido pelo prestador dos serviços (devedor original), mas que foi lançado em nome do Recorrente, por solidariedade, estando, pois, em perfeita sintonia com a legislação. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpria aos responsáveis pelo crédito lançado o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não aconteceu, pois, como visto, o tomador não apresentou os documentos que, por lei, deveria ter exigido do tomador, e este, por sua vez, ao ser intimado do lançamento e chamado para se manifestar, mantevese silente, sendo que na última tentativa de intimação, por via postal, sequer foi localizado, estando, pois, em lugar incerto e ignorado. Portanto, se a responsabilidade solidária visa conferir maior garantia ao crédito previdenciário, está cumprindo bem o seu papel, no caso em questão. Sendo assim, temse por afastada a alegação de inexistência de solidariedade. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 11330.001099/200726 Acórdão n.º 2402006.262 S2C4T2 Fl. 30 29 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Declaração de Voto "A Conselheira Renata Toratti Cassini declinou da intenção de apresentar Declaração de Voto." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Fl. 2090DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.001519/2010-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O Contribuinte que tem negado pedido administrativo de restituição de tributos, posteriormente ajuíza ação judicial com o objetivo e ver assegurado este direito, mas que em seguida tem este direito reconhecido por norma jurídica, ao desistir da referida ação judicial com o objetivo de extinguir a concomitância, não pode ter a petição pela qual informa a desistência da ação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, mormente em detrimento de prazo decadencial.
Numero da decisão: 3302-006.055
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda votação, em afastar a decadência declarada e devolver os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida, vencido o Conselheiro Raphael Madeira Abad que negava provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior votaram pelas conclusões, entendendo pela anulação da decisão de primeira instância por vedação ao reformatio in pejus. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. Em primeira votação, o Conselheiro Raphael Madeira Abad negava provimento ao recurso voluntário, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede afastavam a decadência declarada e devolviam os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida e os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior anulavam a decisão recorrida anulavam a decisão de primeira instância por vedação ao reformatio in pejus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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INOCORRÊNCIA. O Contribuinte que tem negado pedido administrativo de restituição de tributos, posteriormente ajuíza ação judicial com o objetivo e ver assegurado este direito, mas que em seguida tem este direito reconhecido por norma jurídica, ao desistir da referida ação judicial com o objetivo de extinguir a concomitância, não pode ter a petição pela qual informa a desistência da ação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, mormente em detrimento de prazo decadencial. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda votação, em afastar a decadência declarada e devolver os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida, vencido o Conselheiro Raphael Madeira Abad que negava provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior votaram pelas conclusões, entendendo pela anulação da decisão de primeira instância por vedação ao reformatio in pejus. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. Em primeira votação, o Conselheiro Raphael Madeira Abad negava provimento ao recurso voluntário, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede afastavam a decadência declarada e devolviam os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida e os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior anulavam a decisão recorrida anulavam a decisão de primeira instância por vedação ao reformatio in pejus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 15 19 /2 01 0- 86 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual a Recorrente objetiva direito a créditos decorrentes da aquisição de matéria prima de pessoas físicas no mercado interno. Isto porque em 2004 a Lei 10.925 estabeleceu Crédito Presumido da agroindústria, a ser deduzido dos valores de PIS e COFINS devidas em cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos (...) destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaques nossos) (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. A Recorrente, valendose da legislação, requereu o ressarcimento do crédito no bojo do Processo originário 13852000024/200501. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 4 3 Em 21.01.2006 a Recorrente impetrou Mandado de Segurança (Processo n. 2006.61.13.0002504) por meio do qual discute a forma de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS pleiteando, inclusive, o seu recebimento em pecúnia. "Por todo o exposto, requerse a concessão de medida liminar suspendendo, de logo, a eficácia do injurídico Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 15, de 22 de dezembro de 2005 (doe. n.° 6), bem como das teratológicas decisões administrativas exaradas, em 13 de dezembro de 2005, pelo Delegado da Receita Federal em Franca (does. n.o S 4 e 4 A), de forma a garantir, à impetrante, o regular e imediato aproveitamento e/ou ressarcimento, em pecúnia, dos créditos de PIS/Pasep e COFINS (provenientes da aquisição de bens que entraram no processo produtivo de mercadorias que exportou para o exterior), conforme determinado nas Leis no s 10.637/2002 (art. 5º , § 2º), 10.833/2003 (art. 6º , § 2º) e 10.925/2004 (art. 8º)." (destaques nossos) Posteriormente, a Lei 12.058/2009 estabeleceu UM NOVO DIREITO, UMA NOVA FORMA de utilização de Crédito de PIS / COFINS. "Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2010. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003." (grifos nossos) Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 5 4 Sinteticamente, a Lei 12.058/2009 criou novo direito, qual seja o de ressarcimento, em dinheiro, dos créditos, estabelecendo ainda que este direito surgiu a partir de 01.11.2009 para os saldos dos créditos presumidos nos períodos dos anos calendário 2004 a 2007 e a partir de 01.01.2010 para os anos seguintes. Ressalvou ainda que tais créditos devem ter sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. A partir deste novo marco normativo, o contribuinte efetuou, ainda nos autos do mencionado processo originário novo pedido de ressarcimento em relação ao crédito presumido do já mencionado período, inclusive quanto à correção pela SELIC desde a data do primeiro pedido. Para a análise deste novo direito o processo originário foi desmembrado no processo ora sob análise, no bojo do qual passou a ser discutida a aplicação do artigo 36 da Lei 12.058/2009. A determinação da formalização deste novo processo ocorreu conforme ato administrativo de fls. 03. Contudo a DRF de Franca (24.09.2010 efls 87) não conheceu do pedido administrativo por força da sua CONCOMITÂNCIA com o Mandado de Segurança n. 2006.61.13.0002504. Ementa: PIS. RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 36 DA LEI 10.058/2009. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL QUE INTERFERE NO VALOR A SER RESSARCIDO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de pedido administrativo de ressarcimento de PIS quando o contribuinte possui ação judicial que possa interferir no valor a ser ressarcido, conforme o teor e a inteligência do § 3o do art. 28 da IN RFB 900/2008 e do ADN Cosit 03/96." Posteriormente (10.08.2011) a Recorrente desistiu do Mandado de Segurança sob o argumento de que ele haveria perdido o objeto em razão da edição da lei 12.058/2009, editada dois anos antes e que teria garantido o seu direito ao crédito e, diante deste fato novo, em agosto de 2011 peticionou à DRF Franca, em peça denominada "Desistência de Ação Judicial" por meio da qual informou o fim da apontada concomitância e reiterou o pedido de utilização dos créditos (efls. 98). Analisando o presente processo, já desmembrado, a DRF de Franca salientou que o pedido de ressarcimento realizado em 04.11.2009 ainda nos autos do processo original, do qual este foi desmembrado, não pode ser conhecido em razão da concomitância com ação judicial. Contudo, também entendeu que a partir do momento que a Contribuinte desistiu da ação judicial, a ela passou a ser possível formular novo pedido, o que a DRJ de Franca entendeu haver sido formulado em agosto de 2011 por meio da já mencionada petição que informou a desistência do Processo Judicial. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 6 5 Seguindo este raciocínio, a DRJ de Franca, em 11.01.2012, não reconheceu o direito creditório da Recorrente bem como glosou parte do direito creditório deferido no processo originário. ao ressarcimento em valor inferior ao que foi por ele pleiteado (efls. 111). Irresignada com a decisão, a Recorrente apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE por meio da qual fundamenta e requer o crédito (08.05.2102, fls. 122). Contudo, a DRJ do Rio de Janeiro, ao julgar a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE em 12.03.2014, fls. 167 e seguintes, entendeu que a análise do crédito se encontrava preclusa em razão de não haver sido apresentado recurso em face da decisão que não conheceu do pedido de ressarcimento por força de concomitância. A DRJ admitiu que como o reconhecimento da concomitância não foi objeto de recurso, a discussão foi encerrada em âmbito administrativo. Entendeu ainda que o requerimento de desistência da ação judicial ocorrido em 09.08.2011 acompanhado de novo requerimento de utilização do crédito, realizado em agosto de 2011 (efls. 98) é um PEDIDO NOVO. Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 188) por meio do qual sustenta, em síntese, que não restou operada a decadência, eis que o desmembramento do processo administrativo original foi realizado de ofício. Defende que a Ação Judicial cuja existência motivou o indeferimento do pedido de reconhecimento do crédito na verdade não questionava o direito ao ressarcimento com base na Lei n. 12.058/2009, nem influenciaria no montante a ser ressarcido, razão pela qual não haveria óbice para a análise administrativa do pleito naquele momento. Entende que na decisão proferida pela DRF houve enfrentamento da questão do direito ao ressarcimento, reforçando a sua tese de que o direito não estaria decaído. No mérito, sustenta o seu direito de que o calculo do créditopresumido de PIS/PASEP das agroindústrias seja calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser de 60% daquela prevista no artigo 2º da Lei n. 10.637/2002, ou seja 1,65% x 60% = 0,99. Finalmente, defende que ao seu crédito deve ser aplicada a Taxa Selic, uma vez que a Administração criou óbice ilegítimo ao reconhecimento do crédito. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Madeira Abad Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 7 6 PRELIMINAR Em janeiro de 2006 a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n. 2006.61.13.0002504 por meio do qual questionou a forma de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em discussão no bojo do já mencionado processo originário. Em 04.11.2009 a Recorrente formulou o pedido de ressarcimento de créditos presumidos da agroindústria, com fulcro na Lei 12.058/2009, pedido este que acarretou o desmembramento do processo ordinário no presente processo. Em razão da existência de processo judicial versando sobre a mesma matéria, em 24.09.2010 a DRF de Franca não conheceu o pedido administrativo de ressarcimento de COFINS formulado ainda nos autos do já mencionado processo originário com fulcro na Lei 12058/2009, declarando a CONCOMITÂNCIA entre o pedido administrativo e o processo judicial (efls 87). Ementa: PIS. RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 36 DA LEI 10.058/2009. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL QUE INTERFERE NO VALOR A SER RESSARCIDO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de pedido administrativo de ressarcimento de PIS quando o contribuinte possui ação judicial que possa interferir no valor a ser ressarcido, conforme o teor e a inteligência do § 3o do art. 28 da IN RFB 900/2008 e do ADN Cosit 03/96." Contudo, a Recorrente NÃO RECORREU desta decisão que NÃO CONHECEU A PETIÇÃO de pedido de ressarcimento e declarou a concomitância, LIMITANDOSE a providenciar a extinção do processo judicial (10.08.2011), informar tal fato à DRF e requerer novamente o crédito em agosto de 2011 pressupondo, talvez, que tal medida fosse suficiente para extinguir a concomitância. "De forma a afastar esse impedimento, esta Contribuinte achou por bem desistir de referido litígio judicial, tendo assim feito conforme é possível observar do documento anexo de petição protocolada junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em 10 de agosto de 2011." Ocorre que não foi assim que entendeu a DRF. Diante da inexistência de recurso e da adoção de medida diversa, a DRF admitiu que a contribuinte havia aberto mão do direito de recorrer e formulado outro pedido, tendo enfatizando esta linha de raciocínio no despacho decisório. Outro elemento relevante com relação ao contribuinte é a existência de ação judicial questionando a possibilidade do ressarcimento dos créditos presumidos da agroindústria com base na lei 10.925/2004. Após ter o seu pedido de ressarcimento e compensação de créditos presumidos da agroindústria previstos nos artigos 8 e 15 da Lei 10.925/2004 indeferido, o contribuinte impetrou mandado de segurança procurando rever os despachos em Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 8 7 questão bem como afastar de uma maneira geral o ADI SRF 15/2005 para atingir os demais períodos. A ação mandamental recebeu o número 2006.61.13.0002504 (folhas 172 a 195) e em primeira instância a segurança foi denegada (folhas 196 a 204). Oportuno indicar que o contribuinte também tentara anteriormente ação declaratória com pedido de antecipação de tutela, que recebeu o n° 2005.61.02.0130763, com objeto muito similar. O contribuinte solicitou a desistência desta ação após ter a tutela antecipada negada Desta forma, não havia outra possibilidade senão não conhecer da petição de ressarcimento, por existência de ação judicial em andamento que pode interferir no valor a ser ressarcido, em paralelo com o disposto no A DN Cosit 03/96. Ocorre que houve desistência do pleito judicial, desaparecendo o óbice anteriormente relatado, o que viabilizou a apresentação de novo pedido de ressarcimento constate às fls. 217 a 219. Conhecendo o pedido formulado em agosto de 2011 como um novo pedido, desta vez sem o óbice da concomitância, a DRF o deferiu parcialmente. Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 08.05.2012 (efls. 122 e seguintes), no bojo da qual requereu o direito ao crédito no percentual de 60%, requerendo, por fim, a homologação dos pedidos de compensações. Contudo, ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ Rio de Janeiro entendeu que em razão da Contribuinte não haver recorrido da decisão que não conheceu do seu requerimento por concomitância, o pedido formulado em agosto de 2011, após a desistência da ação judicial, tratavase de um pedido novo. Assim, posteriormente à edição da Lei nº 12.058/2009, em 04/11/2009 (...) o contribuinte apresentou um segundo requerimento, (...) considerando a alteração legislativa que lhe permitia, agora, tal faculdade. Tal requerimento foi tomado, corretamente, como novo pedido pela unidade local, sendo objeto da decisão (...) que não conheceu do pedido, em razão da existência de ação judicial com o mesmo objeto. Esta decisão não foi objeto de manifestação de inconformidade pelo requerente, caracterizandose, portanto, como definitiva no âmbito administrativo, uma vez que o requerimento foi analisado pela autoridade competente, e que a correspondente decisão não foi contestada pelo sujeito passivo, por meio dos recursos previstos na legislação. (...) a empresa apresentou um terceiro requerimento (...) no qual novamente solicita o ressarcimento (...) informando que havia desistido do pleito judicial, não permanecendo, portanto, o óbice que havia fundamentado a negativa anterior da Administração. Em resposta, foi proferido pela unidade local o despacho decisório (...) reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 9 8 Contra tal decisão o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade (...) objeto do presente julgamento. (...) Assim, como já dito, vêse que a presente análise se restringe ao pedido de ressarcimento formulado pelo contribuinte (...) devidamente contestado pela empresa por meio da manifestação de inconformidade submetida a este Colegiado. Partindo do paradigma de que o pedido em exame foi formulado em agosto de 2011, a DRJ entendeu que tal direito estaria alcançado pela decadência. No presente caso, tendo sido o pedido de ressarcimento em análise formulado em 28/08/2011, somente poderia ser reconhecido o crédito apurado até ago/2006. Em decorrência, encontramse alcançados pela decadência os períodos objeto do presente pedido, outubro, novembro e dezembro de 2004. Finalmente, após a análise, assim restou lavrada a ementa do Acórdão 12 63.864. PIS NÃO CUMULATIVO CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para aproveitamento de crédito presumido do PIS não cumulativo para fins de ressarcimento/compensação é de cinco anos, a contar da data do ato ou fato que originou o direito creditório. PIS NÃO CUMULATIVO CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO PEDIDO JÁ JULGADO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO Não cabe nova apreciação de pedido de ressarcimento já definitivamente julgado nas instâncias administrativas. Agora, no presente Recurso Voluntário a Recorrente sustenta a tese de que não havia concomitância entre o Mandado de Segurança e os créditos. Alega que o direito ao ressarcimento foi realizado com base na Lei n. 12.058/2009 e a causa de pedir do Mandado de Segurança era fundamentado na Lei 10.925/2004. Sustenta ainda que a própria decisão judicial fez menção à inocorrência de similitude de matérias. Efetivamente, ao tomar ciência da decisão que declarou a concomitância entre as medidas judiciais e a Recorrente não manejou qualquer recurso com o objetivo de reformála, onde poderia formular todos estes argumentos. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente afirma que a DRF havia admitido a sua petição de desistência da ação judicial como uma superação de óbice e dado continuidade à análise do processo formulado em 2009. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 10 9 Contudo, a DRF, ao deferir parcialmente o direito de compensação ressaltou expressamente que recebeu a petição de desistência do Mandado de Segurança em agosto de 2011 como um novo pedido de utilização do crédito, agora sem o óbice da concomitância, decisão esta que não foi objeto de qualquer recurso. "Ocorre que houve desistência do pleito judicial, desaparecendo o óbice anteriormente relatado, o que viabilizou a apresentação de novo pedido de ressarcimento (...)/' Efetivamente, neste grau recursal não é possível analisar se a matéria do Mandado de Segurança era ou não concomitante com a matéria discutida no Processo Administrativo, se influenciaria a decisão, ou se tratavam de assuntos distintos e independentes, uma vez que a decisão que declarou a concomitância não foi questionada. Assim, o Recurso Voluntário sob análise circunscrevese à seguinte discussão: Se o pedido formulado após a desistência do Mandado de Segurança, era um "pedido novo" como admite a DRJ, ou se era uma "continuação" do pedido que foi realizado em 04.11.2009, agora sem o impedimento da Concomitância. No caso concreto, admito que assiste razão à DRJ ao entender que a decisão que declarou a concomitância tornouse definitiva por ausência de manifestação de inconformidade que atacasse o mérito do que foi decidido, no caso a dita concomitância entre o que foi requerido em esfera administrativa e em esfera judicial. A concomitância entre o processo administrativo e ação judicial é fator que impede a continuidade da tramitação do requerimento administrativo, entendimento esposado na Sumula CARF n. 01, que por força da Portaria MF n. 277/2018, possui efeito vinculante em todos os órgão da Receita Federal do Brasil. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por esta razão a DRF entendeu que após a formulação do pedido de desistência da ação judicial a contribuinte estaria livre para reformular o pedido perante a Administração Pública, e que agora não era mais concomitante. Este raciocínio foi seguido pela DRJ quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade. Contudo, pela leitura do Parecer Cosit n. 07, de 22 de agosto de 2014 é possível extrair o entendimento de que nem mesmo a desistência da Ação Judicial seria suficiente para encerrar a concomitância, verbis. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 11 10 independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Segundo este entendimento, perfeitamente válido, nem mesmo após o pedido de desistência da ação judicial poderia ser formulado o mesmo requerimento na instância administrativa. Ocorre que o pedido formulado após a desistência do Mandado de Segurança não se confunde com o que foi nele requerido, eis que impetrado quando ainda não havia lei expressa que autorizasse o exercício do direito pleiteado no writ. Contudo, não há como esquivarse do fato de que não houve recurso da decisão que declarou a concomitância, razão pela qual tornouse imutável na instância administrativa. Por este motivo admitese que assiste razão à DRF quando reconheceu a petição de agosto de 2011 como um novo pedido, eis que o anterior foi negado e não recorrido. Da mesma forma entendese que assiste razão à DRJ quando, ao cotejar as datas nas quais foram formulados os requerimentos, declarou a decadência do direito. Assim, por estes motivos, voto no sentido de conhecer do Recurso Administrativo mas negarlhe provimento por entender correta a decisão que reconheceu a decadência dos créditos objeto do presente recurso. (assinado digitalmente) Relator Madeira Abad Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 12 11 Voto Vencedor Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator designado. A maioria do Colegiado afastou a decadência de o sujeito passivo requerer o ressarcimento de crédito presumido apurado na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 2.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21 e 02.06.29 da NCM. Não se discutiu o cânone legal que regia o prazo decadencial dos créditos pleiteados. A questão se restringiu na definição do instrumento legal que caracterizou o pedido de ressarcimento do crédito presumido. Para o relator original, o documento apresentado em 23/11/2011 seria um novo pedido de ressarcimento. Partindo dessa premissa, os créditos pleiteados estariam fulminados pela decadência, conforme demonstrado no voto vencido. Acontece que o Colegiado entendeu de forma diferente. Para a Turma Julgadora a petição protocolada em 23/08/2011 não passou de mera informação sobre os créditos pleiteados na petição protocolada em 04/11/2009. Sendo este o pedido de ressarcimento que deve ser usado para contagem do prazo decadencial. A questão é meramente fática, de forma que seu deslinde terá obrigatoriamente que passar pelos documentos que a lastreiam. O sujeito passivo apresentou pedido de ressarcimento de créditos das contribuições vinculados à receita de exportação relativo ao 1º trimestre de 2006. Seu pedido fora parcialmente deferido, uma vez que montante do crédito pleiteado não era ressarcível, pois teria sido apurado nos moldes dos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em 04/11/2009, o sujeito passivo atravessa petição solicitando o ressarcimento do valor correspondente a parte que foram indeferido sob o fundamento da edição da Lei nº 12.058/2009, que estabeleceu novas regras para o setor frigorífico, trazendo a possibilidade de compensação ou ressarcimento a tais créditos. Segue trecho da petição: "A Requerente ingressou com Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição a COFINS, vinculados à receita de exportação, (...) Todavia, a fiscalização houve por bem reconhecer apenas parte dos créditos pleiteados pela Requerente (...) não passível de Ressarcimento nas formas dos artigo 8º e 15 da Lei 10.925/2004. Com a edição da lei 12.058 de 13 de outubro de 2009 a qual estabelece novas regras para o setor frigorífico, sendo que no artigo 36 trata que o crédito presumido apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925 de 23 de julho de 2004 advindo de pessoa física e não deduzido nas saídas do mercado interno Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 13 12 como determinava o Ato Declaratório n. 15 de 10 de dezembro de 2005, poderá ser compensados ou ressarcidos. (...) Referido valor (...) não foi ressarcido ou autorizado a compensação com débitos da própria Receita Federal, conforme INFORMAÇÃO FISCAL, datada de 30 de abril de 2009 nas folha de n. 124. Portanto, solicitamos o seu ressarcimento ou autorização para compensação com débitos administrado pela Receita Federal. DO PEDIDO Diante do exposto, solicitamos o seu ressarcimento ou autorização para compensação com débitos administrado pela Receita Federal do valor referente ao credito da Agroindústria no valor de R$ 2.907.136,91".(...) Em 23/08/2011, o contribuinte apresenta requerimento informando a desistência de ação judicial que poderia impedir o ressarcimento pleiteado na petição apresentada no dia 04/11/2009, que abaixo reproduzo: "Requerente ingressou em 04/11/2009 com Pedido de Ressarcimento dos saldos de créditos de Contribuição para a COFINS, vinculados à receita de exportação, (...) Em 05/05/2010 a fiscalização desta Delegacia fez por bem separar os créditos apurados no referido (...) haja vista a entrada e vigor da Lei 12.058/2009. Referida Lei autorizou o ressarcimento dos saldos de créditos apurados ainda na forma da Lei n° 10.925/2004, conforme pode ser observado do caput do artigo 36 e incisos ss., que dispõe: (...) Ocorre que o despacho decisório (...) reconheceu a previsão legal de ressarcimento/compensação dos citados créditos, porém, indeferido seu pagamento imediato sob os fundamento da existência de ação judicial (...) envolvendo referidos créditos. De forma a afastar esse impedimento, esta Contribuinte achou por bem desistir de referido litígio judicial, tendo assim feito conforme é possível observar do documento anexo de petição protocolada junto ao Tribunal Regional Federal da 3° Região, em 10 de agosto de 2.011. (...) Do Pedido. Diante do exposto e por acreditar na inexistência de qualquer impedimento legal, REQUER seja deferido o ressarcimento e/ou compensação os saldos apurados na forma da Lei n° 10.925/2004 e autorizado pela Lei 12.058/2009 (...)". Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13855.001519/201086 Acórdão n.º 3302006.055 S3C3T2 Fl. 14 13 Pela análise das petições, na minha visão, resta evidente que o documento protocolado em 23/08/2011 tem natureza meramente informativa, pois visou informar a desistência de um possível impedimento uma ação judicial ao pedido de ressarcimento apresentado em 04/11/2009. Definido o documento apresentado em 04/11/2009 como o pedido de ressarcimento, e tendo em vista que o crédito pleiteado se refere aos períodos de apuração compreendidos entre 01/10/2004 e 31/12/2004, entendo que não houve a decadência de o sujeito passivo solicitar seu direito, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Conforme já mencionado no recurso voluntário, a Delegacia de Julgamento não enfrentou as outras questões suscitadas na manifestação de inconformidade em virtude da prejudicial de decadência. Diante deste fato, é importante ressaltar que este Colegiado cingise a enfrentar a matéria controversa. Em consequência, as demais questões relativas ao processo, aqui não examinadas, devem ser objeto de análise pela DRJ a fim de ser prolatada nova decisão observandose este julgado. Ademais não se pode perder de perspectiva que a apreciação completa do caso por este Colegiado, neste momento, provocaria a supressão de instância administrativa e, por aí, abalaria o amplo direito de defesa do contribuinte que tem a prerrogativa de exercêlo em todas as instâncias cabíveis, sem qualquer indevida supressão. Como o amplo direito de defesa deve ser obviamente preservado, devem ser preservadas todas as instâncias previstas. Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para reformar o acórdão vergastado no sentido de afastar a decadência do direito ao ressarcimento dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, e determinar que a DRJ examine as demais questões pertinentes ao caso, não integrantes da matéria controversa decidida no presente julgamento. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722514/2014-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 25/11/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 25 14 /2 01 4- 35 Fl. 35768DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35769DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.898, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35770DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35771DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35772DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35773DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35774DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35775DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35776DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35777DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35778DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35779DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35780DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35781DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35782DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35783DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35784DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35785DF CARF MF Processo nº 12466.722514/201435 Acórdão n.º 3301005.120 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35786DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.720030/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012.
O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012.
O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012. O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012. O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7ºA, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 00 30 /2 01 5- 11 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16366.720030/201511 Acórdão n.º 3301005.437 S3C3T1 Fl. 3 2 Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento (PER) de Crédito Presumido da Contribuição (PIS/Cofins), em virtude do fato de que o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 autorizava a utilização do crédito presumido somente para dedução das próprias contribuições não cumulativas. De acordo com a repartição de origem, a Lei 12.995/2014 passou a autorizar que empresas da agroindústria que possuíssem, em 01/01/2012, saldo de crédito presumido calculado e acumulado na forma da Lei 10.925/2004 pudessem utilizar esse saldo via compensação ou ressarcimento. Contudo, ainda de acordo com a autoridade administrativa de origem, no presente caso, mesmo preenchendo todos os requisitos legais para apuração e aproveitamento dos créditos em referência, o requerimento do ressarcimento fora protocolizado após o prazo prescricional de cinco anos. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que a lei que concedera o direito ao ressarcimento do crédito presumido acumulado havia sido publicada em 18/06/2014, inexistindo, até então, direito ao ressarcimento, apenas sendo possível o aproveitamento com débitos das contribuições (PIS/Cofins), em razão do quê, somente se aplicaria a regra da prescrição a partir daquela data. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14062.929, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o prazo para se pedir ressarcimento de créditos da não cumulatividade, básicos ou presumidos, é de cinco anos contados da data de sua apuração. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: a) no formulário do pedido, consta “CRÉDITO PRESUMIDO vinculado à receita de exportação com base na Lei nº 12.995/2014”; b) cita o Decreto nº 20.910/1932, em que se prevê, em seu art. 1º, que qualquer dívida da União, de qualquer natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem; c) a possibilidade de crédito prevista no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 (acrescentado pela Lei nº 12.995/2014), e de seu ressarcimento, é um direito “novo” e não a implementação de uma condição suspensiva que impedia o referido aproveitamento; d) a norma que instituiu o aproveitamento dos referidos créditos presumidos, expressamente previu a aplicação da prescrição; Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16366.720030/201511 Acórdão n.º 3301005.437 S3C3T1 Fl. 4 3 e) cita o art. 29D da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, onde resta previsto que o ressarcimento do saldo de créditos presumidos de que trata o caput pode ser solicitado somente para créditos apurados até 5 (cinco) anos anteriores, contados da data do pedido. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, insistindo que a Lei nº 12.995/2014, ao acrescentar o art. 7A à Lei nº 12.599/2012, conferira o direito ao contribuinte de obter créditos que, até então, não podiam ser utilizados, não tendo ocorrido, portanto, a prescrição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.430, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10930.721698/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.430): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. A partir do relato acima, constatase que a discussão dos autos não está na legitimidade ou não do montante de crédito, pois este foi conferido e admitido pelo Fisco. Centrase a discussão em saber se o pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente está prescrito ou não. Assim, para fins de realizar uma análise do prazo prescricional, necessário traçar a linha do tempo. Até 18 de junho de 2014, a pessoa jurídica que desenvolvesse atividades agroindustriais, poderia apurar crédito presumido de PIS e COFINS, na forma como previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para compensar, exclusivamente, com débitos destas mesmas contribuições (caput). No dia 18 de junho de 2014 entrou em vigor a Lei nº 12.995/2014 que acrescentou o art. 7ºA na Lei nº 12.599/2012, permitindo que o saldo de créditos presumidos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 até 01/01/2012 pudessem ser compensados com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, vencidos ou vincendos, ou ainda requerer o ressarcimento em dinheiro, observandose a legislação aplicável sobre os prazos extintivos: Art. 7ºA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1o de janeiro de 2012 em relação Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16366.720030/201511 Acórdão n.º 3301005.437 S3C3T1 Fl. 5 4 à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) (grifei) Em 26/08/2014 a Recorrente protocolizou seu pedido de ressarcimento de créditos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, conforme permissivo implementado pela novel Lei nº 12.995/2014. Resta, portanto, determinar quando surge o direito de ressarcimento de crédito, para fins de contagem da prescrição, se de sua apuração ou da publicação da lei que confere o direito, e qual é o prazo prescricional, bem como determinar o que se entende por "saldo de crédito presumido" apurado até 01/01/2012. I) Do prazo de prescrição e de seu marco inicial A prescrição é um instituto jurídico previsto no ordenamento jurídico com a finalidade de fornecer estabilidade às relações jurídicas, em homenagem à segurança jurídica, estabelecendo um prazo para o exercício de um direito. A premissa é que não se tem como desejável a permanência indefinida de um direito, estabelecendose, assim, um prazo para o exercício de sua pretensão. Caso o titular de um direito não exerça este direito no prazo, isto é, não exercite sua pretensão para ver satisfeito seu direito, considerase extinta esta pretensão, impossibilitandose que este direito seja, juridicamente, exercido. Com isso, para que o prazo prescricional tenha início, é preciso haver um direito, a possibilidade de exercêlo (pretensão) e a inércia do titular deste direito. Neste sentido, Caio Mário da Silva Pereira1: O sujeito não conserva indefinidamente a faculdade de intentar um procedimento judicial defensivo de seu direito. A lei, ao mesmo tempo em que o reconhece, estabelece que a pretensão deve ser exigida em determinado prazo, sob pena de perecer. Pela prescrição, extinguese a pretensão, nos prazos que a lei estabelece. (...) É, então, na segurança da ordem jurídica que se deve buscar o seu verdadeiro fundamento. O direito exige que o devedor cumpra o obrigado e permite ao sujeito ativo (credor) valerse da sanção contra quem quer que vulnere o seu direito. Mas se ele se mantém inerte, por longo tempo, deixando que se constitua uma situação contrária ao seu direito, permitir que mais tarde reviva o passado é deixar em perpétua incerteza a vida social. Há, pois, um interesse de ordem pública no afastamento das incertezas em torno da existência e eficácia dos direitos, e este interesse justifica o instituto da prescrição, em sentido genérico. Na seara tributária o instituto da prescrição se funda, também, na segurança jurídica, conforme ensinamentos de Luís Eduardo Schoueri, no 1 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Teoria Geral de Direito Civil. Volume 1. 26ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16366.720030/201511 Acórdão n.º 3301005.437 S3C3T1 Fl. 6 5 sentido de que a prescrição surge "da necessidade de garantir a desejada estabilidade das relações jurídicas"2. No direito tributário, portanto, também há prazos extintivos por prescrição tanto para o crédito tributário, conforme art. 156, V do CTN, extinguese o próprio direito de crédito da Fazenda Pública, como há também prazo de prescrição extintivo do direito de requerer (pretensão) a restituição de um indébito, ou de cobrar créditos que o particular tenha contra a Fazenda Pública. Assim, a hipótese de incidência da prescrição é a existência de um direito sem que seja exercido por seu titular, tendo como consequente a extinção do respectivo direito. Discutiase se o prazo prescricional para ressarcimento de créditos acumulados seria aquele do art. 168, CTN, no qual tinha início com o pagamento indevido, ou se seria outro, como o do artigo 1º do Decreto nº 20.910/1932. Não me parece adequado que o prazo prescricional, bem como seu marco de início de contagem, sejam aqueles previstos no CTN para a repetição do indébito, na medida que o pedido de ressarcimento não se funda em pagamento indevido. Assim, o crédito presumido é, veramente, um direito de crédito que o particular possui contra a Fazenda Pública em razão de alguma determinação legal. Portanto, se é um direito de crédito contra a Fazenda Pública, não decorrente de pagamento indevido, mas por alguma disposição legal, creio ser mais adequada aplicação do prazo prescricional existente no Decreto nº 20.910/1932 para a cobrança das dívidas passivas das entidades públicas. Neste diapasão, de acordo com o Decreto nº 20.910/1932, as dívidas passivas da União Federal, bem como qualquer direito ou ação contra a Fazenda Nacional, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram, verbis: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. (grifei) A Câmara Superior de Recursos Fiscais, para um caso de crédito presumido de IPI, em sessão de 15/03/2018, proferiu o Acórdão CSRF nº 9303006.519, de relatoria do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, onde restou consignado que o prazo prescricional para ressarcimento deste crédito presumido observa o Decreto nº 20.910/1932: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 RESSARCIMENTO. PEDIDO FEITO EM RAZÃO DE OUTRO ANTERIOR INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO DURANTE A ANÁLISE DO PRIMEIRO. INOCORRÊNCIA. Conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32 , prescreve em cinco anos o direito à apresentação de Pedido de Ressarcimento de créditos contra a Fazenda Pública, contados da data do fato do qual se originarem. Tendo sido feito um pedido considerado pela Administração como em desacordo com a legislação 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16366.720030/201511 Acórdão n.º 3301005.437 S3C3T1 Fl. 7 6 tributária, não fica suspensa a prescrição para a apresentação de um novo, relativo ao mesmo crédito, após o indeferimento do primeiro, não se aplicando o art. 4º do mesmo Decreto, pois quem deu causa foi o sujeito passivo, além do que a não é líquida a dívida passiva da União. Recurso Especial do Procurador Provido. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF nº 9303006.519, proferido em sessão de 21/03/2017, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. O direito de pleitear o ressarcimento do crédito presumido do IPI prescreve em cinco anos contados do último dia do trimestre em que se deu a entrada dos insumos no estabelecimento industrial. Aplicação do Decreto n° 20.910, de 1932, combinado com Portaria MF n° 38/97. Recurso Especial do Contribuinte negado Em síntese, para que seja possível se falar em prescrição, necessário, preliminarmente, a existência de um direito. Somente após verificada a existência de um direito é que passa a ser possível se falar em início de prazo prescricional, extinguindose este direito caso não exercido por seu titular. No caso dos autos, é preciso discernir, o direito que se pleiteia não é o crédito presumido em si, qual seja, o crédito presumido apurado da forma em que previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004 e passível de utilização desde 2004. Repitase, não é esse o direito que se pretende exercer. O direito que se discute nestes autos é o direito de utilizar este crédito para compensar com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, bem como o direito de requerer o ressarcimento em dinheiro deste crédito. E este direito apenas surgiu no ordenamento jurídico quando da publicação Lei nº 12.995 em 18 de junho de 2014. Não se pode admitir o fluxo do lapso temporal para a prescrição extintiva de um direito se o direito não existia e não podia ser exercido. Não se trata de causa interruptiva ou suspensiva da prescrição, mas sim da própria impossibilidade de início do curso do prazo diante da inexistência do direito a ser exercido. Não há como falar de inércia do titular do direito se direito não havia. Como dito, para se falar em prescrição é preciso que o direito exista e que o titular deste direito fique inerte por certo período de tempo. Assim, o ato ou fato que origina este direito, para utilizar a dicção do Decreto nº 20.910/1932, é a Lei nº 12.995 que permite novas formas de utilização de um crédito, criando, portanto, um novo direito a ser exercido. Desta feita, se o direito de ressarcimento em dinheiro do crédito presumido apenas surgiu em 18 de junho de 2014, é a partir deste momento que o prazo de prescrição tem início. No entanto, não se quer dizer, com Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16366.720030/201511 Acórdão n.º 3301005.437 S3C3T1 Fl. 8 7 isso, que o crédito presumido que se quer ver ressarcido é irrelevante, muito ao contrário, a meu ver, a lei estabeleceu um marco temporal para o crédito presumido para que o direito de ver este crédito ressarcido em dinheiro possa ser fruído a partir de 18 de junho de 2014. II) Do saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012 A apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo se faz no confronto dos débitos decorrentes de receitas auferidas em face de créditos apurados em razão de custos e despesas permitidos na legislação. Incluem se nestes créditos, os créditos presumidos permitidos pela lei. Ao final do período de apuração, o saldo de débito é levado à DCTF e recolhido pelo contribuinte, mas o saldo de crédito, por sua vez, pode ser mantido e transferido para o próximo período de apuração, e assim indefinidamente por tantos quantos períodos de apuração sejam necessários até que o montante de débito supere o montante de crédito. No caso em análise, a Recorrente pretende ver ressarcido um montante de crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009. A fiscalização afirma nestes autos, fls. 151156, que este crédito presumido foi apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Entretanto, salvo melhor juízo, não foi o crédito presumido apurado em seu respectivo período de apuração que a Lei nº 12.995/2014 permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento, mas sim o saldo de crédito presumido que permaneceu escriturado em 01/01/2012, vejamos: Art. 7ºA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Ao que parece, o problema não é de prescrição. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Desta feita, não se permitiu ressarcir o montante de crédito de cada período de apuração, individualmente, até 01/01/2012, mas sim o saldo ainda existente nesta data. Até porque, conforme salientado acima, a apuração do PIS e da COFINS se faz por confronto de créditos e débitos por período de apuração, podendose manter escriturado o saldo de crédito para abatimento das contribuições devidas nos próximos períodos de apuração. Desta feita, não há como identificar nestes autos se este crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009 já não foi superado por algum montante de débito de algum período de apuração que o sucedeu até janeiro de 2012. Nem poderia ser assim, já que não me parece ter sido esta a escolha do legislador, já que foi definido um momento específico no tempo. Com isso, creio que o pedido de ressarcimento está equivocado, pois o que deve ser objeto de ressarcimento é o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16366.720030/201511 Acórdão n.º 3301005.437 S3C3T1 Fl. 9 8 Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721746/2014-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA - COMPROVANTES DE PAGAMENTO
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível..
Numero da decisão: 2002-000.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa da dedução de pensão alimentícia no valor de R$8.840,00.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA - COMPROVANTES DE PAGAMENTO São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa da dedução de pensão alimentícia no valor de R$8.840,00. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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A importância paga por mera liberalidade não é dedutível.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa da dedução de pensão alimentícia no valor de R$8.840,00. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 17 46 /2 01 4- 26 Fl. 72DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 25 a 34), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida com despesa de instrução, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, dedução indevida de Previdência Privada e FAPI e dedução indevida com dependentes. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 437,54, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 23 dos autos, cujas alegações são: A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade, em 09/02/2017, no acórdão 0739.166, às efls. 52 a 58, julgou a impugnação procedente em parte. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11065.721746/201426 Acórdão n.º 2002000.400 S2C0T2 Fl. 73 3 Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 63 a 68, no qual alega, em resumo, que devem ser considerados os pagamentos a título de pensão alimentícia paga a senhora Halmi Teresinha Schneider, conforme recibos de transferência bancária que junta aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 15/03/2017, efls. 69, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 07/04/2017, efls. 61, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como já mencionado no relatório, o contribuinte foi autuado pela dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida com despesa de instrução, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, dedução indevida de Previdência Privada e FAPI e dedução indevida com dependentes Importante a delimitação da lide, já que o auto de infração elenca diversas infrações. Desta forma, conforme decisão da DRJ, temos: Pelo teor da impugnação, ora analisada, constatase que a mesma é parcial, visto que o contribuinte não contesta expressamente a glosa decorrente da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 705,24. Bem ao contrário, o contribuinte até admite não ter documento comprobatório da regularidade da dedução pleiteada. A matéria não expressamente contestada é considerada não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. A DRJ afasta a glosa de dedução com dependentes, nos seguintes termos: Já quanto à glosa de dedução dos dependentes MARCO ANTONIO BARP FERNANDES DE ALMEIDA e CINARA RITA BARP FERNANDES DE ALMEIDA, considero que a glosa não se sustenta, eis que o impugnante juntou ao processo (fls. 15 a 17) carteira de identidade do filho MARCO, que contava com seis anos de idade no anocalendário em relevo, e certidão de casamento com CINARA, devendo, pois, a dedução pleiteada, Fl. 74DF CARF MF 4 no valor de R$ 3.949,44, ser restabelecida, porquanto atende aos requisitos regulamentares que a autorizam, nos termos dos inciso I e III do § 1º do art. 77 do Regulamento do Imposto de Renda que, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, estabelece ipsis litteris: (...) Ainda, conforme decisão da DRJ restou restabelecida a dedução de instrução com dependentes: Dado este quadro, considero que a glosa das deduções pleiteadas a titulo de despesas com instrução deve ser mantida apenas em parte, restabelecendo a dedução correspondente ao pagamento comprovadamente feito ao Colégio Marista Pio XII, a título de gastos com a educação do filho do contribuinte, observado o limite legal de R$ 3.091,35 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, "b", com redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007, alterada pela Lei nº 12.469, de 2011), porquanto condizente com os requisitos regulamentares que a autorizam, nos termos do art. 81 Regulamento do Imposto de Renda que, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, estabelece ipsis verbis: (...) Por fim, mantevese a glosa de pensão alimentícia no importe de R$ 23.480,00 com a alimentanda Halmi Teresinha Schneider, já que o contribuinte limitouse a colacionar aos autos, às efls. 18, recibo assinada pela alimentanda. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte recorre apenas de parte dos valores pagos a título de pensão alimentícia (R$ 8.840,00), posto que as demais autuações atrai a aplicação do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante A dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda está prevista no artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto 3.000/99) e no artigo 4º da Lei nº 9.250/1995: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (...) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11065.721746/201426 Acórdão n.º 2002000.400 S2C0T2 Fl. 74 5 Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Como colacionado acima, nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. Ainda, conforme a jurisprudência deste CARF: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL – Observados os demais requisitos legais, a dedução por pensão alimentícia é autorizada para as despesas incluídas no conceito de alimentos no âmbito das normas reguladoras do Direito de Família. (Acórdão nº 10248.568 25 de maio de 2007) IMPOSTO DE RENDA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A norma insculpida no artigo 4º, inciso II, da Lei 9.250/1995, autoriza a dedução da base de cálculo do imposto de renda das importâncias pagas a título de pensão alimentícia quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, em face das normas do Direito de Família, seja a pensão paga a menor ou não. (Acórdão n°: 2201001.681 10 de julho de 2012) Observase que a DRJ não questionou em momento algum a presença de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial que comprova a obrigatoriedade do pagamento de pensão, se atendo apenas ao requisito de efetivo pagamento, como se vê: Finalmente, quanto à glosa de dedução de pensão alimentícia, no valor de R$ 23.480,00, considero que a glosa deve ser integralmente mantida, visto que efetuada pela fiscalização sob o fundamento de que o contribuinte não apresentou os respectivos comprovantes de pagamento e, de fato, a declaração unilateral da alimentanda (HALMI TERESINHA SCHNEIDER), colacionada à fl. 18 do processo, não faz prova Fl. 76DF CARF MF 6 de que o valor recebido foi efetivamente pago pelo impugnante, e não por terceiro, sendo que somente podem ser deduzidos valores pagos a título de pensão alimentícia cujo ônus tenha sido comprovadamente sofrido pelo próprio alimentante. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte anexa os comprovantes de transferências bancárias, às efls. 65 a 68, que atestam o dispêndio do valor de R$8.840,00, valor que não condiz com o declarado pelo contribuinte em sua DAA, no importe de R$23.480,00, mas que deve ser considerado para abatimento do montante global. Sendo assim, conheço do presente recurso para, no mérito, darlhe parcial provimento, para afastar a glosa da dedução de pensão alimentícia no valor de R$8.840,00. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.722662/2016-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2014
INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 26 62 /2 01 6- 69 Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10140.722662/201669 Acórdão n.º 3302006.299 S3C3T2 Fl. 385 2 Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 352357: Tratase de Auto de Infração através do qual foi constituído crédito tributário da contribuição para o fundo de participação PIS/Pasep, referente a fatos geradores corridos entre 31/01/2012 a 31/12/2014, no valor de R$44.955.809,84; a este valor foram acrescidos juros de mora e multa de ofício, resultando no crédito tributário no valor de R$95.376.149,88. Do Relatório Fiscal Em seu relatório a Autoridade Fiscal informa que a Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul (AGEPREV), vinculada à Secretaria de Estado de Administração, é uma entidade autárquica com autonomia administrativa, financeira e patrimonial com a finalidade de administrar o Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Mato Grosso do Sul. Relata que o levantamento do valor mensal devido ao Fundo de Participação PIS/Pasep no período auditado foi realizado calculando o somatório das Receitas Correntes Arrecadadas, Receitas Correntes Transferidas de Outras Entidades do Mesmo Ente Federativo (Intraorçamentárias), deduzindo as Transferências a Outras Entidades da Administração Pública, Transferências a Entidades do Mesmo Ente Federativo (Intraorçamentárias) e as Exclusões de Contas de Receitas (Conta n° 9328.10.00), conforme previsto em Lei. E que o valor encontrado foi comparado com os declarados em DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais e/ou recolhidos em Darf. Consta, ainda, do Relatório Fiscal: que o crédito tributário decorre da constatação de diferenças verificadas entre os valores da contribuição denunciados nas DCTF apresentadas pelo contribuinte, com os apurados pela Fiscalização; o crédito tributário apurado está demonstrado no ANEXO 01; dos ANEXOS 02 e 03 constam os valores de Arrecadações Mensais das Receitas e das Despesas realizadas; no ANEXO 04 estão relacionados os valores informados em DCTF; não foram apresentados recolhimentos, para o PIS/Pasep, Darf cod. 3703. Da Impugnação A interessada explica: que os regimes próprios de previdência geridos por Entidades Autárquicas são custeados pelas contribuições previdenciárias dos servidores e do Ente, pela transferência da insuficiência financeira (responsabilidade do Tesouro do Estado por eventual insuficiência financeira nos recursos para pagamentos dos benefícios previdenciários), e a receita decorrente da compensação previdenciária (entre o RPPS e o RGPS), além de outros bens e direitos vinculados exclusivamente ao pagamento dos benefícios previdenciários; constitui receita única da unidade gestora do RPPS a taxa de administração, estipulada, no Estado do Mato Grosso do Sul, em até 0,5% (meio por cento) do valor total das remunerações, proventos e pensões dos segurados vinculados ao RPPS. E impugna o lançamento alegando a inconstitucionalidade da incidência da alíquota do Pasep sobre as contribuições previdenciárias nestas incluindo as Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10140.722662/201669 Acórdão n.º 3302006.299 S3C3T2 Fl. 386 3 receitas de transferência da insuficiência financeira (déficit previdenciário), e a receita decorrente da compensação previdenciária, alegando que: além de configurarem tributo vinculado legalmente apenas ao pagamento de benefícios previdenciários, não configuram ingresso definitivo de receita ao patrimônio da entidade, pois não configuram ingresso definitivo de receita ao patrimônio da autarquia previdenciária, vez que esta faz apenas a gestão das receitas previdenciárias, por conta e ordem dos segurados; efeito confiscatório: somente o valor da taxa de administração se incorpora ao patrimônio da autarquia como receita permanente para administração e gestão da entidade (até 0,5% dos recursos dos fundos previdenciários); assim, considerando que o pagamento da contribuição para o Pasep sairá da taxa de administração, sua alíquota é confiscatória, pois inviabiliza a gestão administrativa/financeira e a própria existência da unidade gestora do regime de previdência; afronta ao princípio da isonomia e proporcionalidade: ao tratar de maneira desigual as entidades previdenciárias privadas em detrimento das de natureza pública; ao diferenciar a base de cálculo dos gestores dos Regimes Próprios de Previdência Social RPPS instituídos sob a forma autárquica ou fundação; e, ao dispensar às receitas da União isenções não concedidas aos demais entes federados. Requer, ante a sua “flagrante inconstitucionalidade”, que seja declarada a isenção da cobrança do Pasep sobre as receitas em relação às quais se refere o lançamento. Em 11 de junho de 2017, a DRJ/NFS julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2014 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Cientificado da decisão em 05.07.2017 (fls.362), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 01.08.2017 (fls.365376), reproduzindo, em síntese, as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10140.722662/201669 Acórdão n.º 3302006.299 S3C3T2 Fl. 387 4 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente, seja na impugnação, seja no recurso voluntário, traz argumentos a fim de demonstrar a inconstitucionalidade da incidência da alíquota do PIS/PASEP sobre as contribuições previdenciárias. É o que se extraí de seu recurso: "Pelos argumentos aqui exposto resta inconteste a inconstitucionalidade da incidência da alíquota do PASEP sobre as receitas de contribuições previdenciárias, de transferência da insuficiência financeira (déficit previdenciário), e a receita decorrente da compensação previdenciária, por não configurarem ingresso definitivo de receita ao patrimônio da Autarquia Previdenciária Estadual ou Municipal, gestoras do Regime Próprio de Previdência Social; pela vinculação legal exclusiva ao pagamento de benefícios previdenciários; e, pela violação ao princípio da isonomia, da capacidade contributiva, da vedação de tratamento diferenciado, e da vedação ao confisco." (grifado) A DRJ assim se pronunciou sobre as matérias suscitadas pela Recorrente: Diante disso, aqui somente resta dizer que ao remeter a discussão para o campo da ilegalidade e da inconstitucionalidade de institutos jurídicotributários definidos em disposições literais de lei regularmente vigentes, a contribuinte afasta a possibilidade de manifestação deste juízo administrativo. É que as instâncias administrativas não têm competência para apreciar questões que versem sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos legais regularmente vigentes, uma vez que o controle jurisdicional da constitucionalidade das leis é matéria privativa do Poder Judiciário. No sentido desta limitação de competência dos agentes públicos há o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo artigo 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que assim dispõe: Art 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Portanto, compete às Delegacias de Julgamento tão somente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10140.722662/201669 Acórdão n.º 3302006.299 S3C3T2 Fl. 388 5 procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Da mesma forma, à evidencia, não cabe às Delegacias de Julgamento declarar a isenção da cobrança do Pasep sobre as receitas em relação às quais se refere o lançamento. Destarte não existe isenção ou redução de base de cálculo tributárias (ou outras dispensas) sem que a lei o disponha. Definida tal limitação, aqui se decide. Nenhum aspecto do procedimento fiscal foi contestado pela autuada, entretanto digase que, em análise aos autos, temse que não há qualquer matéria a ser levantada de ofício e, de outra banda, verificase que os valores apurados o foram em observância a legislação de regência da contribuição em tela, conforme se vê dos dispositivos legais acima transcritos. Neste cenário, considerando que as alegações da Recorrente se restringem a inconstitucionalidade do PIS/PASEP, impõese observar e aplicar a Súmula CARF nº 2: " O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Walker Araujo Fl. 388DF CARF MF
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