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Numero do processo: 11516.722958/2014-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO
Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente.
NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. FUNDAMENTAÇÃO.
Se o acórdão recorrido está suficientemente fundamentado sobre os pontos articulados pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho.
REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. GASTOS COM ASSESSORIA ADUANEIRA E LOGÍSTICA ADUANEIRA. CRÉDITOS DE INSUMOS. ADMISSIBILIDADE.
Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro e logística aduaneira, são despesas necessárias ao cômputo do valor de aquisição dos bens adquiridos como insumos, bens para revenda ou para integrarem o ativo permanente, conforme previstos nos art. 301 e 311, do RIR/2018, e para serem aceitos como geradores de créditos na apuração do regime não cumulativo devem ter sido incorridos no país e sujeitos à tributação do PIS/COFINS.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos.
PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO.
Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003).
REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 606/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. APURAÇÃO.
Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PROVA DE NÃO UTILIZAÇÃO.
Os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS podem ser apropriados extemporaneamente, independentemente de retificação de declarações ou demonstrativos, mas desde que comprovada a sua não utilização em períodos anteriores.
ENERGIA ELÉTRICA. CUSD E TUSD. ADMISSIBILIDADE PARA CRÉDITOS.
Os valores pagos a título de CUSD e de TUSD possuem natureza de pagamento pela aquisição de energia elétrica. Assim, quando a Legislação de PIS/COFINS permite o desconto de créditos em relação a energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica, no caso do Consumidor Livre, devem-se entender incluídos os valores pagos a título de TUSD. Há o direito de desconto de crédito em relação a TUSD/CUSD, com fundamento no artigo 3º, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3º, inciso III, da no 10.833/2003. O mesmo se aplica á contratação de serviços de gerenciamento na aquisição de energia na condição de consumidor livre.
CRÉDITO. SERVIÇOS. LAVAÇÃO. POSSIBILIDADE Considerando tratar-se de empresa produtora de bens destinados à alimentação humana, geram direito a crédito da contribuição os dispêndios com serviços de lavação de caminhões e caixas para transporte de frangos utilizados no processo produtivo.
CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA.
Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1.
SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. MULTAS. SÚMULA 554/STJ. SÚMULA 47/CARF.
Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (REsp no 923.012/MG, e Súmula no 554/STJ). Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula no 47/CARF).
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. INCIDÊNCIA.
Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho.
REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. GASTOS COM ASSESSORIA ADUANEIRA E LOGÍSTICA ADUANEIRA. CRÉDITOS DE INSUMOS. ADMISSIBILIDADE.
Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro e logística aduaneira, são despesas necessárias ao cômputo do valor de aquisição dos bens adquiridos como insumos, bens para revenda ou para integrarem o ativo permanente, conforme previstos nos art. 301 e 311, do RIR/2018, e para serem aceitos como geradores de créditos na apuração do regime não cumulativo devem ter sido incorridos no país e sujeitos à tributação do PIS/COFINS.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos.
PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO.
Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003).
REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 606/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. APURAÇÃO.
Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PROVA DE NÃO UTILIZAÇÃO.
Os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS podem ser apropriados extemporaneamente, independentemente de retificação de declarações ou demonstrativos, mas desde que comprovada a sua não utilização em períodos anteriores.
ENERGIA ELÉTRICA. CUSD E TUSD. ADMISSIBILIDADE PARA CRÉDITOS.
Os valores pagos a título de CUSD e de TUSD possuem natureza de pagamento pela aquisição de energia elétrica. Assim, quando a Legislação de PIS/COFINS permite o desconto de créditos em relação a energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica, no caso do Consumidor Livre, devem-se entender incluídos os valores pagos a título de TUSD. Há o direito de desconto de crédito em relação a TUSD/CUSD, com fundamento no artigo 3º, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3º, inciso III, da no 10.833/2003. O mesmo se aplica à contratação de serviços de gerenciamento na aquisição de energia na condição de consumidor livre.
CRÉDITO. SERVIÇOS. LAVAÇÃO. POSSIBILIDADE Considerando tratar-se de empresa produtora de bens destinados à alimentação humana, geram direito a crédito da contribuição os dispêndios com serviços de lavação de caminhões e caixas para transporte de frangos utilizados no processo produtivo.
CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA.
Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1.
SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. MULTAS. SÚMULA 554/STJ. SÚMULA 47/CARF.
Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (REsp no 923.012/MG, e Súmula no 554/STJ). Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula no 47/CARF).
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. INCIDÊNCIA.
Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 3402-011.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em julgar o Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, em (i.1) conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das argumentações sobre o crédito presumido de ICMS em razão da concomitância e, na parte conhecida, (i.2) dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas dos seguintes itens: (i.2.1) rubricas constante das tabelas elaboradas pela Fiscalização constante do relatório de diligência (e-fls.1.166 e 1.167 a 1.176), nas quais se reconheceu o direito ao crédito sobre bens e serviços citados; (i.2.2) dos créditos presumidos glosados parcialmente por erro na utilização dos percentuais, em vista do que determina a Súmula CARF nº157; (i.2.3) créditos presumidos pleiteados sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperados pessoa física, de acordo com os preceitos legais que regem a matéria e observância da Súmula CARF nº157; (i.2.4) despesas relacionadas à TUSD (Tarifas de Uso do Sistema de Distribuição) e CUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição); (i.2.5) despesas com arrendamento de granja avícola; e (i.2.6) serviços de lavação de caminhões e caixas de frango. Os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luís Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e Cynthia Elena de Campos acompanharam o relator pelas conclusões com relação à manutenção da glosa sobre os créditos originados de custos e despesas com aluguel de caminhão munck, pois não entendem que seja apenas veículo automotor em razão de sua classificação fiscal. Designado, nesse último ponto, o conselheiro Jorge Luís Cabral para redigir a tese vencedora; (ii) por maioria de votos, para reverter as glosas sobre os créditos originados de (ii.1) despesas aduaneiras (serviços de vistorias na importação, serviços aduaneiros de fretes internos, honorários de desembaraço de importação, despesas de despacho de importação, serviços de despacho de importação e de laudos de importação). Vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Pedro Sousa Bispo (relator), que entendiam pela manutenção das glosas sobre tais itens. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral; (ii.2) despesas de serviços de gerenciamento de energia elétrica. Vencido o conselheiro Pedro Sousa Bispo (relator), que entendia pela manutenção da glosa sobre este item. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral; e (iii) pelo voto de qualidade, para manter a glosa sobre as despesas com fretes no transporte de produtos acabados. Vencidas as conselheiras Marina Righi Rodrigues Lara, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e Cynthia Elena de Campos, que revertiam a glosa sobre este item.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator
(documento assinado digitalmente)
Jorge Luís Cabral - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luis Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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GASTOS COM ASSESSORIA ADUANEIRA E LOGÍSTICA ADUANEIRA. CRÉDITOS DE INSUMOS. ADMISSIBILIDADE. Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro e logística aduaneira, são despesas necessárias ao cômputo do valor de aquisição dos bens adquiridos como insumos, bens para revenda ou para integrarem o ativo permanente, conforme previstos nos art. 301 e 311, do RIR/2018, e para serem aceitos como geradores de créditos na apuração do regime não cumulativo devem ter sido incorridos no país e sujeitos à tributação do PIS/COFINS. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003). REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 606/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. APURAÇÃO. Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PROVA DE NÃO UTILIZAÇÃO. Os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS podem ser apropriados extemporaneamente, independentemente de retificação de declarações ou demonstrativos, mas desde que comprovada a sua não utilização em períodos anteriores. ENERGIA ELÉTRICA. CUSD E TUSD. ADMISSIBILIDADE PARA CRÉDITOS. Os valores pagos a título de CUSD e de TUSD possuem natureza de pagamento pela aquisição de energia elétrica. Assim, quando a Legislação de PIS/COFINS permite o desconto de créditos em relação a energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica, no caso do Consumidor Livre, devem-se entender incluídos os valores pagos a título de TUSD. Há o direito de desconto de crédito em relação a TUSD/CUSD, com fundamento no artigo 3º, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3º, inciso III, da no 10.833/2003. O mesmo se aplica á contratação de serviços de gerenciamento na aquisição de energia na condição de consumidor livre. CRÉDITO. SERVIÇOS. LAVAÇÃO. POSSIBILIDADE Considerando tratar-se de empresa produtora de bens destinados à alimentação humana, geram direito a crédito da contribuição os dispêndios com serviços de lavação de caminhões e caixas para transporte de frangos utilizados no processo produtivo. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. MULTAS. SÚMULA 554/STJ. SÚMULA 47/CARF. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (REsp no 923.012/MG, e Súmula no 554/STJ). Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula no 47/CARF). JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. INCIDÊNCIA. Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. GASTOS COM ASSESSORIA ADUANEIRA E LOGÍSTICA ADUANEIRA. CRÉDITOS DE INSUMOS. ADMISSIBILIDADE. Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro e logística aduaneira, são despesas necessárias ao cômputo do valor de aquisição dos bens adquiridos como insumos, bens para revenda ou para integrarem o ativo permanente, conforme previstos nos art. 301 e 311, do RIR/2018, e para serem aceitos como geradores de créditos na apuração do regime não cumulativo devem ter sido incorridos no país e sujeitos à tributação do PIS/COFINS. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003). REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 606/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. APURAÇÃO. Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PROVA DE NÃO UTILIZAÇÃO. Os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS podem ser apropriados extemporaneamente, independentemente de retificação de declarações ou demonstrativos, mas desde que comprovada a sua não utilização em períodos anteriores. ENERGIA ELÉTRICA. CUSD E TUSD. ADMISSIBILIDADE PARA CRÉDITOS. Os valores pagos a título de CUSD e de TUSD possuem natureza de pagamento pela aquisição de energia elétrica. Assim, quando a Legislação de PIS/COFINS permite o desconto de créditos em relação a energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica, no caso do Consumidor Livre, devem-se entender incluídos os valores pagos a título de TUSD. Há o direito de desconto de crédito em relação a TUSD/CUSD, com fundamento no artigo 3º, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3º, inciso III, da no 10.833/2003. O mesmo se aplica à contratação de serviços de gerenciamento na aquisição de energia na condição de consumidor livre. CRÉDITO. SERVIÇOS. LAVAÇÃO. POSSIBILIDADE Considerando tratar-se de empresa produtora de bens destinados à alimentação humana, geram direito a crédito da contribuição os dispêndios com serviços de lavação de caminhões e caixas para transporte de frangos utilizados no processo produtivo. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. MULTAS. SÚMULA 554/STJ. SÚMULA 47/CARF. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (REsp no 923.012/MG, e Súmula no 554/STJ). Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula no 47/CARF). JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. INCIDÊNCIA. Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação cometida pela Autoridade Tributária que possa ter causado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. FUNDAMENTAÇÃO. Se o acórdão recorrido está suficientemente fundamentado sobre os pontos articulados pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. GASTOS COM ASSESSORIA ADUANEIRA E LOGÍSTICA ADUANEIRA. CRÉDITOS DE INSUMOS. ADMISSIBILIDADE. Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro e logística aduaneira, são despesas necessárias ao cômputo do valor de aquisição dos bens adquiridos como insumos, bens para revenda ou para integrarem o ativo permanente, conforme previstos nos art. 301 e 311, do RIR/2018, e Fl. 6438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 2 para serem aceitos como geradores de créditos na apuração do regime não cumulativo devem ter sido incorridos no país e sujeitos à tributação do PIS/COFINS. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003). REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 606/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. APURAÇÃO. Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PROVA DE NÃO UTILIZAÇÃO. Os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS podem ser apropriados extemporaneamente, independentemente de retificação de declarações ou demonstrativos, mas desde que comprovada a sua não utilização em períodos anteriores. ENERGIA ELÉTRICA. CUSD E TUSD. ADMISSIBILIDADE PARA CRÉDITOS. Fl. 6439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 3 Os valores pagos a título de CUSD e de TUSD possuem natureza de pagamento pela aquisição de energia elétrica. Assim, quando a Legislação de PIS/COFINS permite o desconto de créditos em relação a "energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica", no caso do Consumidor Livre, devem-se entender incluídos os valores pagos a título de TUSD. Há o direito de desconto de crédito em relação a TUSD/CUSD, com fundamento no artigo 3º, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3º, inciso III, da no 10.833/2003. O mesmo se aplica á contratação de serviços de gerenciamento na aquisição de energia na condição de consumidor livre. CRÉDITO. SERVIÇOS. LAVAÇÃO. POSSIBILIDADE Considerando tratar-se de empresa produtora de bens destinados à alimentação humana, geram direito a crédito da contribuição os dispêndios com serviços de lavação de caminhões e caixas para transporte de frangos utilizados no processo produtivo. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. MULTAS. SÚMULA 554/STJ. SÚMULA 47/CARF. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (REsp no 923.012/MG, e Súmula no 554/STJ). Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula no 47/CARF). JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. INCIDÊNCIA. Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 6440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 4 Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. GASTOS COM ASSESSORIA ADUANEIRA E LOGÍSTICA ADUANEIRA. CRÉDITOS DE INSUMOS. ADMISSIBILIDADE. Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro e logística aduaneira, são despesas necessárias ao cômputo do valor de aquisição dos bens adquiridos como insumos, bens para revenda ou para integrarem o ativo permanente, conforme previstos nos art. 301 e 311, do RIR/2018, e para serem aceitos como geradores de créditos na apuração do regime não cumulativo devem ter sido incorridos no país e sujeitos à tributação do PIS/COFINS. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003). REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 606/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. Fl. 6441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 5 CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. APURAÇÃO. Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PROVA DE NÃO UTILIZAÇÃO. Os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS podem ser apropriados extemporaneamente, independentemente de retificação de declarações ou demonstrativos, mas desde que comprovada a sua não utilização em períodos anteriores. ENERGIA ELÉTRICA. CUSD E TUSD. ADMISSIBILIDADE PARA CRÉDITOS. Os valores pagos a título de CUSD e de TUSD possuem natureza de pagamento pela aquisição de energia elétrica. Assim, quando a Legislação de PIS/COFINS permite o desconto de créditos em relação a "energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica", no caso do Consumidor Livre, devem-se entender incluídos os valores pagos a título de TUSD. Há o direito de desconto de crédito em relação a TUSD/CUSD, com fundamento no artigo 3º, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3º, inciso III, da no 10.833/2003. O mesmo se aplica à contratação de serviços de gerenciamento na aquisição de energia na condição de consumidor livre. CRÉDITO. SERVIÇOS. LAVAÇÃO. POSSIBILIDADE Considerando tratar-se de empresa produtora de bens destinados à alimentação humana, geram direito a crédito da contribuição os dispêndios com serviços de lavação de caminhões e caixas para transporte de frangos utilizados no processo produtivo. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1. Fl. 6442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 6 SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. MULTAS. SÚMULA 554/STJ. SÚMULA 47/CARF. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (REsp no 923.012/MG, e Súmula no 554/STJ). Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula no 47/CARF). JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. INCIDÊNCIA. Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em julgar o Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, em (i.1) conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das argumentações sobre o crédito presumido de ICMS em razão da concomitância e, na parte conhecida, (i.2) dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas dos seguintes itens: (i.2.1) rubricas constante das tabelas elaboradas pela Fiscalização constante do relatório de diligência (e-fls.1.166 e 1.167 a 1.176), nas quais se reconheceu o direito ao crédito sobre bens e serviços citados; (i.2.2) dos créditos presumidos glosados parcialmente por erro na utilização dos percentuais, em vista do que determina a Súmula CARF nº157; (i.2.3) créditos presumidos pleiteados sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperados pessoa física, de acordo com os preceitos legais que regem a matéria e observância da Súmula CARF nº157; (i.2.4) despesas relacionadas à TUSD (Tarifas de Uso do Sistema de Distribuição) e CUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição); (i.2.5) despesas com arrendamento de granja avícola; e (i.2.6) serviços de lavação de caminhões e caixas de frango. Os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luís Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e Cynthia Elena de Campos acompanharam o relator pelas conclusões com relação à manutenção da glosa sobre os créditos originados de custos e despesas com aluguel de caminhão munck, pois não entendem que seja apenas veículo automotor em razão de sua classificação fiscal. Designado, nesse último ponto, o conselheiro Jorge Luís Cabral para redigir a tese vencedora; (ii) por maioria de votos, para reverter as glosas sobre os créditos originados de (ii.1) despesas aduaneiras (serviços de vistorias na importação, serviços aduaneiros de fretes internos, honorários de Fl. 6443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 7 desembaraço de importação, despesas de despacho de importação, serviços de despacho de importação e de laudos de importação). Vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Pedro Sousa Bispo (relator), que entendiam pela manutenção das glosas sobre tais itens. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral; (ii.2) despesas de serviços de gerenciamento de energia elétrica. Vencido o conselheiro Pedro Sousa Bispo (relator), que entendia pela manutenção da glosa sobre este item. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral; e (iii) pelo voto de qualidade, para manter a glosa sobre as despesas com fretes no transporte de produtos acabados. Vencidas as conselheiras Marina Righi Rodrigues Lara, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e Cynthia Elena de Campos, que revertiam a glosa sobre este item. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator (documento assinado digitalmente) Jorge Luís Cabral - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luis Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, com os devidos acréscimos: DO LANÇAMENTO Contra a empresa qualificada em epígrafe (sucessora da SADIA S/A, CNPJ: 20.730.099/0001-94) foram lavrados autos de infração de fls. 697a 715, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins nos períodos de apuração 10/2009 a 12/2009. O crédito tributário ora constituído, incluindo juros de mora e multa proporcional, importa no valor total de R$ 107.428.252,69 (cento e sete milhões quatrocentos e vinte oito mil duzentos e cinquenta e dois reais e sessenta e nove centavos). O trabalho fiscal resultou em duas infrações, a saber: (1) Ausência de recolhimentos de PIS e Cofins incidentes sobre auferimento de receitas de créditos presumidos de ICMS escriturados, conforme tabela abaixo. Fl. 6444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 8 Para melhor entendimento segue a resposta da empresa sobre as contas contábeis acima citadas (na ordem em que aparecem no quadro): I. Esta conta registra benefícios apurados com crédito presumido na venda de margarina para o mercado interno correspondente ao estado de Pernambuco; II. Esta conta os estornos de créditos relativos a aquisicao de mercadorias aplicadas no processo produtivo contempladas no beneficio do credito presumido; III. Esta conta os estornos de débitos relativos ao ICMS destacado nas saídas dos produtos para terceiros, contempladas no beneficio do credito presumido; IV. Esta conta registra os valores dos créditos presumidos sobre notas fiscais de saída (utilizando % créd. Presumido), com base na apuração mensal do crédito presumido; V. Esta conta registra os valores dos créditos presumidos sobre notas fiscais de transferências com base na apuração mensal do crédito presumido; VI. Esta conta registra os valores de créditos presumido concedidos pelo estado de Santa Catarina, apurados com base na aquisição de insumos; e; VII. Esta conta registra os valores de créditos presumido – Prodepe – Decreto 33.195/09 – Estado de Pernambuco. A empresa não teria considerado o crédito presumido do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins porque não pode ser caracterizado como receita, mas mero ingresso. Por outro lado, a RFB através da Solução de Divergência Cosit Nº 13, de 28 de abril de 2011, entende diversamente do alegado pela empresa: EMENTA: Por absoluta falta de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins. A partir de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, promovida pelo inciso XII do art. 79 da Lei nº11.941, de 2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa da Cofins, por não ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade exercida por essas pessoas jurídicas, o valor do crédito presumido do ICMS deixou de integrar a base de cálculo da mencionada contribuição. Ou seja, o crédito presumido do ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins apenas para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa, o que não é o presente caso Tendo em vista as explicações prestadas pela empresa e com base na auditoria realizada, assim, concluiu o fiscal (fl. 727): Considerando que o contribuinte não apurou PIS ou Cofins sobre os créditos presumidos de ICMS auferidos conforme sua resposta e que os custos para manutenção do benefício não geram créditos a descontar, chega-se aos valores mensais de crédito presumido do ICMS. (2) Saldo devedor decorrente de glosas de créditos, conforme tabela sintética abaixo. Fl. 6445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 9 DAS GLOSAS PROCESSADAS a) Ficha 16A - Linha 02 - Bens Utilizados como Insumos Foram glosados, por não se enquadrarem nas hipóteses de geração de crédito previstas na legislação de regência, qual seja, Leis n.o 10.637/2002 n.o 10.833/2003 e Instruções Normativas SRF n.o 247/2002 e n.o 404/2004: os valores das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo; os valores que se referem a gastos para manutenção predial contabilizados no ativo imobilizado, aquisições efetuadas junto a pessoas físicas; despesas com fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa; aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; os valores das notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito, os valores das notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins. b) Ficha 16A - Linha 03 - Serviços Utilizados como Insumos Foram glosados os seguintes valores: referentes a despesas com serviços que não se enquadram no conceito de insumo; que se referem a gastos para manutenção predial contabilizados no ativo imobilizado; cujos CFOP das notas fiscais não representa aquisição de bens ou serviços e nem outra operação com direito a crédito; de aquisição de bens sujeitos à alíquota zero; e pagos a pessoas físicas. c) Ficha 16A - Linha 04 - Despesas de Energia Elétrica Foram glosados, por não se referirem energia consumida, os valores relativos as despesas com serviços de gerenciamento de energia elétrica pagos à empresa COMERC ENERGIA S/A e os valores referentes a Tarifas de Uso do Sistema de Distribuição – TUSD. d) Ficha 16A - Linha 05 - Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Foram glosados dos valores informados relativos a aluguéis pagos a pessoa física e pagamentos relativos a arrendamento de granja avícola, por não se tratar de locação de prédio, como previsto no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003. e) Ficha 16A - Linha 06 - Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Foram glosados dos valores informados relativos a aluguéis de veículos e despesas com aluguel de software, a gastos que não se enquadram no art. 3º, inciso IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que somente contempla “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica utilizados nas atividades da empresa”. f) Ficha 16A - Linha 07 - Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosados os valores relativos a fretes pagos a pessoa física, que não geram crédito nos termos da Lei 10.833/2003, art. 3º, inc. IX, § 2º, inc. II. g) Ficha 16A - Linha 09 - Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação) Fl. 6446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 10 Neste caso foram glosados os créditos apurados com base em planilhas contendo memórias de cálculo de encargos de depreciação de períodos extemporâneos, que se referem a valores de encargos de depreciação do ano de 2006. Segundo a fiscalização, a legislação não contemplou o aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e COFINS sem retificação do Dacon e da DCTF, se for o caso. h) Ficha 16A - Linha 10 - Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) Por não ser possível a utilização do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 no desconto de créditos relativos a edificações e benfeitorias, foram glosados os valores referentes a: (i) diferenças entre as depreciações calculadas pelo contribuinte para as edificações e benfeitorias (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “máquinas 1”) e a depreciação correta, conforme o disposto na IN SRF nº 162/1998, Anexo II - prazo de 300 meses para edificações e benfeitorias; (ii) diferenças entre as depreciações de itens relacionados a materiais de construção utilizados em edificações e benfeitorias calculadas pelo contribuinte (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “máquinas 2”) e a depreciação correta (IN SRF nº 162/1998); (iii) depreciação de bens (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 3”), para os quais a interessada, instada para tanto, não apresentou a descrição detalhada de sua natureza e aplicação, o que impossibilitou a aferição pela fiscalização do direito ao crédito. i) Ficha 16A - Linha 11 – Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias Neste caso concluiu a fiscalização que os valores aqui informados pertencem à linha 10 e, desta forma, os valores informados nesta linha foram somados à linha 10, sendo zerada a informação da linha 11, sem prejuízo no aproveitamento dos créditos admitidos, que foram objeto de análise no subitem anterior. j) Ficha 16A - Linhas 25 e 26 - Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais A Autoridade Fiscal reduziu o valor do crédito apurado pela contribuinte ajustando a alíquota erroneamente utilizadas pela interessada, considerando na escolha da alíquota aplicável a natureza os insumos adquiridos, conforme previsto no inciso I do §3º do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. Os insumos a que o contribuinte atribuiu crédito presumido extemporâneo foram integralmente glosados. Por fim, esclareceu a fiscalização que a empresa SADIA S/A, CNPJ: 20.730.099/0001-94, subsidiária integral da BRF-Brasil Foods S.A., foi incorporada pela BRF S/A, portanto, em virtude da incorporação, caracterizou-se a responsabilidade tributária por sucessão, consoante art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional e, no caso em tela, seria aplicável a Súmula CARF nº 47. A apuração final resultou nos seguintes valores, ora lançados: DA IMPUGNAÇÃO Irresignado, o contribuinte, cientificado eletronicamente (por decurso de prazo em 22/10/2014) apresentou impugnação tempestiva em 07/11/2014 aos Autos de Infração da Cofins e PIS (fls. 827 a 951 e anexos), com as seguintes alegações: DA PRELIMINAR Fl. 6447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 11 Nulidade do Procedimento fiscal Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Segundo a Impugnante: “... jamais poderia o I. Agente Fiscal ter procedido ao presente lançamento sem fazer uma detida e profunda análise acerca dos custos que geraram créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS para a Impugnante, ignorando e glosando os vultosos créditos dessas contribuições”. Reclama que a classificação do que é ou não “insumo” não poderia ser feita com base em ilações e leituras genéricas e sem prévio conhecimento do processo produtivo em questão. Cita jurisprudência administrativa. A fiscalização deveria investigar profundamente todos os fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado e não glosar “com base na natureza da conta contábil na qual o bem foi registrado”. A glosa dos créditos deve se pautar em critérios bem definidos sob pena de iliquidez e incerteza. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente Auto de Infração não pode subsistir, devendo ser cancelado. DO MÉRITO Inicia a sua defesa descrevendo o fluxo produtivo dos cárneos em geral (bovinos, suínos e aves) com o intuito de demonstrar a necessidade dos custos incorridos e, via de consequência, o direito ao creditamento da aludidas contribuições. III.2 - Da Sistemática Não-Cumulativa da Contribuição ao PIS e da Cofins / Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Requerente A fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Diz, inicialmente, que, da combinação dos incisos e parágrafos do artigo 3º das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 com o artigo 195, inciso I, alínea V, e § 12, da Constituição Federal, tem-se que o critério de escolha legislativa dos custos e despesas que conferem direito de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é a relação de inerência de tais dispêndios com a formação da receita, critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. Defende, que o conceito de insumo, na sistemática não cumulativa dessas contribuições é muito mais abrangente do que o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados ao processo produtivo e, assim, à obtenção de receita. Aduz, com base em jurisprudência do CARF, que o conceito de insumo aplicável ao caso deve ser o mesmo aplicável ao imposto de renda, já que a materialidade dessas contribuições (a receita) é muito mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ, do que daquela prevista para o IPI. E, por fim, destaca que o conceito de insumo previsto na IN SRF n° 404/2004 não é o mesmo previsto na lei, o que implica em sua ilegalidade e menciona que os Tribunais Federais têm se firmado nesse sentido, exatamente em razão de a IN ultrapassar sua função de interpretação e exequibilidade da lei, ao pretender restringir o conceito de insumo. III.2 – Do conceito de insumos Tece arrazoado a respeito do conceito de insumos adotado para as aludidas contribuições e que na sistemática da não-cumulatividade seria amplo (afastando-se o conceito restritivo do IPI) e que portanto insumo seria “qualquer dispêndio essencial ao processo produtivo, vinculado à formação da receita”. III.2.2 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Linhas 02 e 03 da Ficha 06 da DACON) A Impugnante, inicialmente, destaca que o erro quanto à linha da ficha de créditos da Dacon em que foram lançados os créditos da Contribuição, não justifica a glosa dos referidos créditos. Menciona que tal entendimento, inclusive, foi corroborado em recente decisão proferida pelo CARF em outro processo da própria Requerente. E na sequência, a requerente passa a colocar os fatos e as razões de direito, pelos quais entende que faz jus aos créditos glosados. Fl. 6448DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 12 Em relação à Indumentária e Itens de Uso Obrigatório, a Impugnante, em síntese, alega que a indumentária dos colaboradores que trabalham em suas plantas industriais, itens tais como uniformes, botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis, sapatos de segurança, toucas, capacetes, respiradores e túnicas, mangotes (de proteção dos braços), e serviços de locação de uniformes e lavanderia. Afirma que tais custos são necessários devido a norma emanada da autoridade reguladora, sendo essenciais ao processo produtivo, sem os quais ela nem ao menos poderá exercer a sua atividade. Corroborando esse entendimento cita acórdão do CARF. Quanto aos Pallets, explica que consistem em estruturas de madeira, cuja principal função é facilitar o transporte de insumos e mercadorias dentro do estabelecimento e que também servem para evitar o contato de tais materiais com qualquer superfície, impedindo contaminações que poderiam colocar em risco a integridade dos produtos industrializados. Diz que o mesmo ocorre com relação às caixas plásticas (Doc. 12 — nota fiscal de aquisição desse item), que “são utilizadas, não apenas para separação das partes dos cárneos, ..., mas também para transportar e armazenar produtos dentro e fora das plantas da Requerente”. A título de Materiais e Equipamentos, defende o direito a crédito em relação a itens que cita – lâmpadas, reatores, detergentes, lubrificantes, fusíveis, anticongelantes, correias, rolamentos, mangueiras, estatores, bombas, dentre diversos outros -que, segundo alega, teriam sido empregados no processo produtivo, estando diretamente relacionados à geração de receitas, caracterizando, assim, como insumos. No mesmo tópico contesta as glosas sobre combustíveis, cita: óleo diesel, gasolina, gás GLP e lenha, matérias que alega são utilizados na geração a energia necessária ao funcionamento das máquinas industriais. Alega que: O gás GLP, dentre outras funções, é utilizado nos fornos nos quais são assadas as tortas e demais linhas de produtos industrializados fabricados pela Requerente. Que a lenha é utilizada no processo produtivo da Requerente para alimentar as caldeiras de escaldagem de animais e, por isso, contesta a glosa de: despesas relacionadas à obtenção da lenha, cita: serviços de corte, empilhamento e transporte. Quanto ao "Oleo lso68 Sint Tox 209I - 50a220c Din", diz tratar-se de um insumo utilizado no aquecimento das mesmas caldeiras, permitindo o controle térmico do equipamento. Quanto aos Materiais e Serviços de Limpeza - cita: serviços de dedetização, limpeza geral, desinfecção, bem como detergentes, sabonetes, diqluconato de clorexidina, clorexidina (ação bactericida) e econazol 10% (ação fungicida) – defende o direito ao crédito com base na essencialidade destes itens para a manutenção dos padrões obrigatórios de higiene das unidades produtivas. Defende ainda o direito ao crédito, por consistirem de insumos, em relação a Outros Itens mencionando: "pipeta descart insemín porcas foam tip", que consiste em pipeta utilizada na inseminação artificial das porcas; diversos materiais de embalagem dos produtos acabados, tais como "capa rolo com 7000hwcorrugada la" e "bloco poliest.(isopor) 95X60X3mm" indispensáveis à produção dos produtos que devem ser imediatamente embalados ao fim da linha de produção; sorgo e o milho, utilizados na produção de rações, indispensáveis à alimentação dos frangos e suínos; antioxidantes empregados diretamente nos produtos alimentares para impedir sua oxidação; as despesas com locação de empilhadeiras, que, por equívoco, deixou de escriturar na Linha 6 da DACON, relativa à locação de máquinas e equipamentos e que são essenciais ao processo produtivo por possibilitarem a movimentação da carga dentro e fora dos galpões de produção. Conclui que, pelas breves descrições que traz em sua peça de defesa: ...a Impugnante faz jus aos créditos de Contribuição ao PIS e de Cofins sobre os diversos itens acima descritos, que consistem em insumos indispensáveis ao seu processo produtivo. Glosa dos valores de itens contabilizados em contas contábeis que não se referem a itens que geram créditos Inicialmente, destaca a superficialidade da Autoridade Fiscal na busca da verdade material, tendo em conta que esta considerou que todos os bens e serviços contabilizados em determinadas contas contábeis não dariam direito a crédito em razão da nomenclatura da conta, sem que fosse realizada uma auditoria profunda nos bens e serviços adquiridos e contabilizados nessas contas. Fl. 6449DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 13 Diz que tal fato é suficiente para que se entenda pela improcedência do Procedimento fiscal quanto a este tópico. Não obstante, defende o direito ao crédito em relação a vários bens e serviços escriturados nas contas 3432114, 3434443, 3438066, 3839036, 3433030, com base no argumento de que consistiram de insumos devido a sua essencialidade para a atividade da empresa. Explica que: Analisando as despesas relativas à conta "3432114- GFT-EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL", verifica-se que se compõe basicamente por indumentária, cuja essencialidade e a natureza de insumo restam comprovados no item 3.2.a.i supra, bem como por serviços de fretes relacionados a tais indumentárias. Por sua vez, avaliando as despesas relativas à conta "3434443-GVT MONITORAMENTO DE CONTAINER ME", verifica-se que dela constam despesas com movimentação de containers, fretes e seguro e monitoramento de containers... Analisando as despesas relativas à conta "3839036- DESP. INCORR.TRANSFERENCIAS BENS ENTRE UNIDADES", conclui-se que nela foram lançados os gastos incorridos na transferência de bens entre as plantas produtivas da Requerente... A glosa das despesas registradas na conta contábil "3433030 - GFT-ANALISE DE PRODUÇÃO EM LABORATÓRIO PRÓPRIO" também não merece perdurar, isso porque as despesas ali alocadas consistem nos bens e serviços utilizados pela Requerente para efetuar análises da qualidade e incolumídade de seus produtos.... Glosa dos valores de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas Defende que faz jus ao créditos em relação aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, seja porque tais despesas estão relacionadas à geração de receitas, caracterizando-se como insumos, seja porque o CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos. No mais, alega que faz jus, no mínimo, aos créditos presumidos sobre tais compras, na forma do art. 8º da Lei n° 10.925/2004. Glosa dos valores de fretes de insumos e de produtos acabados Alega que o creditamento sobre as despesas com fretes, sejam ou não relacionadas à operação de venda, está em consonância com a legislação vigente e com a mais recente jurisprudência administrativa sobre a matéria. Com base no argumento de possuir diversas etapas no processo produtivo e extensa quantidade de plantas industriais, defende o direito a crédito em relação a fretes de matérias primas e produtos semi-acabados. Já com base na necessidade se utilizar de centros de distribuição para escoar a produção de maneira mais eficiente, defende o direito a crédito em relação a fretes de produtos acabados. Glosa dos valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero A Interessada inicialmente contesta a glosa das aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, realizada com base no art. 3º, § 2º, das Leis n.° 10.637/2002 e nº 10.833/03, alegando que as aquisições cujos valores foram glosados não se subsumem a estas normas. Argumenta que as aquisições em apreço, distintamente do que preleciona as mencionadas normas, não se referem a bens cuja receita não se encontra sujeita à contribuição, mas a bens que se encontram no campo de incidência da contribuição e que tiveram a alíquota reduzida a zero pelo legislador; afirma que, portanto, o fato de não haver um efetivo dispêndio pelo contribuinte que forneceu os bens não implica que tal bem não está sujeito à contribuição. Entretanto, defende que, caso não se acolha o entendimento acima, é aplicável aos valores glosados a segunda parte do referido dispositivo legal. Isso por que, segundo alega, é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta. Glosa dos valores das aquisições com suspensão das contribuições Contra às glosas das aquisições de insumos com suspensão das contribuições, a Impugnante alega que os insumos adquiridos não se submetem às hipóteses de suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins previstas referido art. 9° da Lei n°10.925/2004. Afirma que: (i) não adquiriu de cerealista os produtos classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08 da Nomenclatura Comum do Mercosul ("NCM") (exceto dos códigos 1006.20, 1006.30, 12.01 e 18,01); (ii) não adquiriu leite in natura de pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; (iii) não adquiriu insumos - destinados à produção das mercadorias classificadas no art. 8o da Lei n° Fl. 6450DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 14 10.925/04 – de pessoas jurídicas que exerça atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. Defende que, tendo em vista que a aquisição dos produtos in natura de origem vegetal e dos insumos se deu sem a suspensão da contribuição, não há o que se falar em aplicação do mencionado art. 9º da Lei n° Lei n° 10.925/2004, mas sim do conceito de insumo previsto no já mencionado art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Ressalta, ainda, que no período objeto de análise, vigia a Instrução Normativa RFB n° 660/2006, que dispunha sobre a suspensão da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins nas aquisições de que trata o art. 9º da Lei n° 10.250/2004, sem, contudo, tecer quaisquer comentários quanto à obrigatoriedade da suspensão de tributos nas operações; alega que tal obrigação somente surgiu com a publicação da IN RFB n° 977/2009 Glosa dos valores das aquisições cujo CFOP da nota indica operação sem direito de crédito Já em relação às Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos, reclama da superficialidade da análise da Autoridade Fiscal que não cuidou de verificar se os bens adquiridos são insumos do processo produtivo. Alega que uma simples análise da planilha elaborada pelo Fisco permite verificar que diversos bens glosados consistem de insumo com base nas justificativas já aduzidas na presente manifestação, tais como as despesas com materiais e equipamentos (gás GLP, óleo diesel, lubrificante, antioxidante, arruela, graxa, dentre outros), sendo em grande parte despesas com combustíveis e óleos empregados nas máquinas do processo produtivo, dentre outras. Reclama ter sido arbitrário o procedimento adotado pela Fiscalização de glosar bens cujo Cfop diz respeito a mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (CFOP 1407 e 2407), sem sequer analisar a natureza do insumo adquirido e o seu emprego no processo produtivo. Alega que o simples equívoco cometido na classificação do Cfop não pode ser utilizado pelas Autoridades Fiscais como justificativa para glosar os créditos de Cofins, ainda mais nas hipóteses em que a característica do item como insumo é evidente. Do Aproveitamento de Créditos Extemporâneos Defende que a legislação permite o aproveitamento dos seus créditos, legitimamente comprovados, em meses posteriores quando não possa aproveitá-los a partir do momento em que se encontrem disponíveis. Contudo, no caso em tela foram glosados créditos legítimos sob o argumento de que para apropriação dos créditos extemporâneos, deveria necessariamente ter procedido à retificação dos Dacon e DCTF dos meses respectivos à geração dos créditos ora apropriados. Entretanto, ante a legitimidade dos créditos extemporâneos e por se tratar de um simples erro de fato no preenchimento das obrigações acessórias, pode a Autoridade Fiscal retificá-lo de ofício, sem qualquer prejuízo ao direito creditório da Impugnante. Destaca que erros em informação contida na declaração da Impugnante não têm o condão de motivar qualquer exigência fiscal e, por decorrência lógica, não podem ocasionar a desconsideração de um direito creditório, tal como pretende a fiscalização. Aduz que, negar o direito de reconhecimento dos créditos da Impugnante que efetivamente existem, conforme demonstrado documentalmente, por mero apego ao formalismo, seria contrariar o princípio da razoabilidade. A pretensão da Autoridade Fiscal em desqualificar créditos legítimos pelo fato de terem sido declarados a destempo padece de ilegitimidade. Deveras, não há na legislação tributária dispositivo que vede o reconhecimento de créditos efetivamente existentes de forma extemporânea. Segundo a empresa, a legislação determina que o crédito extemporâneo deve ser reconhecido com a retificação da escrituração do período ao qual compete, sendo permitido fazê-lo no período atual quando não for possível fazer a reabertura e alteração da escrituração por decurso do prazo prescrito na IN RFB n° 1.052/10, qual seja, o último dia útil do mês de junho do ano-calendário seguinte a que se refere a escrituração substituída. Assim, é patente a possibilidade de reconhecimento de créditos extemporâneos pela Impugnante, dispondo a RFB até mesmo de procedimento específico para fazê-lo diante da nova escrituração digital. A única limitação ao reconhecimento dos créditos extemporâneos diz respeito ao decurso do prazo decadencial, que, no caso em análise, não ocorreu. Fl. 6451DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 15 Conclui que o simples equívoco no preenchimento das obrigações acessórias não obsta o aproveitamento extemporâneo do direito creditório e ante a legitimidade desses créditos, devem ser reconhecidos os créditos aproveitados pela Impugnante de forma extemporânea. III.2.3 – Despesas de energia elétrica (Linha 04 da Ficha 06 da DACON) A interessada defende o direito a crédito em relação aos "serviços de gerenciamento de energia elétrica" pagos à COMERC ENERGIA S/A, bem como sobre a "aquisição de energia elétrica: TUSD e CUSD" alegando que esses serviços caracterizam-se como insumos pois, na sua ausência, não é possível ter acesso à energia elétrica, cuja essencialidade dispensa qualquer comentário. Afirma que os valores foram equivocadamente informados na Linha 4, da Ficha 16, da Dacon, e defende que o erro no preenchimento da Dacon não representa um óbice ao aproveitamento de créditos. III.2.4 – Despesas de aluguéis de prédios (Linha 05 da Ficha 06 da DACON) Contesta a glosa dos valores pagos pelo arredamento da "Granja Avicola Nicolini Ltda" alegando que em sendo a sua atividade eminentemente agroindústria, a principal "área" que poderia locar para exercer a primeira etapa de sua atividade, no caso, a criação dos animais, seria justamente uma granja, razão pela qual, ao contrário do que afirma o Fisco, se aplica ao caso o art. 3º, inciso IV, da Lei n.° 10.833/2003. Acrescenta que, ademais, o arrendamento de granja deve ser considerado como insumo, dada a sua essencialidade para a atividade empresarial. III.2.5 – Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos (Linha 06 da Ficha 06 da DACON) Contra à glosa dos alugueis de veículos a Interessada alega que os tais veículos são, em sua grande maioria, verdadeiras máquinas, devendo o seu aluguel ser considerado como tal, por serem essenciais ao processo produtivo da Requerente. Explica: Nota-se, dessa forma, que, mais que um veículo, o referido caminhão "Munck" possui, predominantemente, a função de guindaste, sendo a característica "motora" - ou seja, de veículo terrestre — tão somente uma questão de praticidade, de modo que o referido guindaste possa se locomover mais facilmente dentro e entre os estabelecimentos da Requerente. Adicionalmente, os demais veículos listados na mencionada planilha e que foram objeto da presente glosa, igualmente, devem ser considerados por essa E. Turma Julgadora. Com efeito, tais veículos são utilizados para movimentar os animais e os materiais essenciais ao processo produtivo da Requerente. E, justamente, os dispêndios com os alugueis de veículos que possuem essas características têm sido amplamente aceitos como passíveis de creditamento. (...) Tais "veículos de passeio", ainda que não se enquadrem como máquinas e equipamentos, o que se admite apenas por epítrope, são essenciais ao processo produtivo da Requerente, já que os vendedores dependem de tais veículos para negociar com os compradores e, assim, levar os produtos comercializados ao consumidor final. III.2.6 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Linha 07 da Ficha 06 da DACON) Defende que faz jus ao créditos em relação aos fretes pagos às pessoas físicas, seja porque tais despesas estão relacionadas à geração de receitas, caracterizando-se como insumos, seja porque o CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos. III.2.7 — Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado — Encargos de depreciação (Linha 09 da Ficha 06 da DACON) Trata-se de glosa de créditos extemporâneos já defendida em linhas passadas. III.2.8 — Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado — Valor de Aquisição ou de Construção (Linha 10 da Ficha 06 da DACON) Contesta a glosa dos créditos apropriados a razão de 1/48 sobre despesas de depreciação com edificações e benfeitorias do seu ativo imobilizado alegando que diversos itens classificados pela D. Fiscalização como despesas com edificações ou benfeitorias, referem-se, na realidade, a despesas com máquinas e equipamentos. Traz aos autos uma planilha (Doc. 19) que diz possibilitar a análise da natureza dos bens depreciados à razão de 1/48. III.2.9 — Amortização de Edificações e Benfeitorias (Linha 11 da Ficha 06 da DACON) Fl. 6452DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 16 Trata-se de glosa de créditos extemporâneos já defendida em linhas passadas. III.2.10 — Créditos Presumidos (Ficha 16A — Linhas 25 e 26 do DACON) Inicialmente a Interessada coloca que os itens descritos como "milho em grão', "farelo de trigo", "soja em grão”, "pinto de 1 dia", "frango corte para abate", dentre outros constantes do Despacho Decisório consistem de insumo. Explica que: o milho em grão, o farelo de trigo e a soja em grão são elementos essenciais na produção da ração dos animais; os pintos de 1 dia, por sua vez, são essenciais ao processo produto das aves. No que se refere às glosas efetuadas em relação aos percentuais aplicados para cálculo do crédito presumido, alega que o método para o cálculo do crédito presumido está no próprio art. 8º da Lei n° 10.925/2004, em seu parágrafo 3º, o qual, fazendo remissão ao caput, vincula o cálculo do crédito presumido ao produto produzido e, por outro lado, arrola como base de cálculo do crédito o valor da aquisição do insumo. Acrescenta que tal é o entendimento que se chega a partir de uma interpretação literal, lógica e finalística da legislação e que o CARF assim também vem decidindo. Por fim, afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, põe fim a quaisquer dúvidas sobre a questão, pois não dá margem à dúvida: o direito à aplicação do percentual de 60% decorre da natureza do produto resultante da atividade agroindustrial e não da natureza dos insumos empregados, pois, do contrário, não ditaria tal dispositivo que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos em questão. Diz que a tal dispositivo, enquanto interpretativo, deve ser dada eficácia retroativa nos termos do art. 106 do CTN. III.3 – Crédito presumido de ICMS Partindo de uma análise do conceito de receita e do instituto do crédito presumido de ICMS, a impugnante contesta o lançamento alegando que os valores referentes a crédito presumido de ICMS não integra a base de cálculo das contribuições lançadas. Nesse sentido: defende que o crédito presumido de ICMS decorrentes de subvenções previstas em legislação estadual “não pode ser caracterizado como receita, mas mero ingresso”; afirma que “o crédito presumido de ICMS é uma subvenção de custeio, destinada à recuperação dos custos incorridos em respeito ao princípio da não cumulatividade”. Acrescenta que a inclusão dos valores referentes a crédito presumido de ICMS na base de cálculo das contribuições fere o princípio da não cumulatividade. Da Multa de ofício A interessada alega: impossibilidade de sucessão da responsabilidade por infrações tributárias de sua incorporada, nos termos dos artigos 129 e seguintes do CTN; que apesar de ser sucessora por incorporação da Sadia S.A., segundo se infere do artigo 132 do CTN, somente possui responsabilidade pelos tributos devidos por aquela até a data da incorporação, que ocorreu em 31 de dezembro de 2012. Do Pedido de perícia e diligência A Impugnante pugna pela realização de perícia, que se justificaria, segundo alega, pela necessidade de trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os detalhes e particularidades dos seus processos produtivos, permitindo-lhe entender a específica natureza de cada despesa glosada pela Fiscalização e analisar sua pertinência e relação com o processo produtivo. Indica um perito a quem caberia. Em razão de a auditoria fiscal, segundo alega, ter sido superficial na análise de seu processo produtivo, a Impugnante também pugna pela realização de diligência. Ao final e diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua impugnação. Ato contínuo, a DRJ-BRASÍLIA (DF) julgou a impugnação do Contribuinte nos termos sintetizados na ementa, a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2009 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO Os gastos incorridos no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência não-cumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Fl. 6453DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 17 Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tão-somente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. NÃO-CUMULATIVIDADE. ARMAZENAGEM. FRETE. TRANSFERÊNCIAS. CRÉDITOS Somente poderá descontar créditos calculados em relação à frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou seja, o direito ao credito está ligado, necessariamente, a uma operação de venda. Gastos com frete para simples transferência de mercadorias entre estabelecimentos da pessoa jurídica, ou mesmo, durante o processo de produção, não geram créditos. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria-prima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento. NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARRENDAMENTO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A hipótese de tomada de crédito prevista no inciso IV do art. 3º, da Lei n.°10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 é específica para despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos e não se aplica a pagamentos de arrendamento. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESA COM LOCAÇÃO DE VEÍCULO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado sobre despesa com locação de veículos. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Fl. 6454DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 18 O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins não cumulativa. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. Em estando comprovado que à data da infração cometida pela sucedida as empresas já se encontravam sob controle comum, cabível é a imputação da multa de ofício à sucessora. PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à Cofins lançada a partir da mesma matéria fática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na impugnação quanto às infrações lançadas. Este Colegiado, em sessão realizada no dia 25 de setembro de 2019, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava que a autoridade preparadora intimasse o contribuinte a esclarecer alguns questionamentos postos pelo Colegiado e apresentasse laudo técnico sobre os dispêndios considerados como insumos. O Contribuinte, devidamente cientificado, manifestou-se sobre os resultados da diligência fiscal. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim devolvido para ser incluído em sessão de julgamento. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Erro! Fonte de referência não encontrada., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de lançamento fiscal referente à COFINS e PIS não cumulativos referente ao 4º trimestre de 2009, no qual se identificou a exclusão indevida de créditos sobre diversos custos/despesas e sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero na apuração das contribuições. Inicialmente, cabe esclarecer que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado que tem como atividades precípuas a produção, a comercialização, a exportação e importação de Fl. 6455DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 19 alimentos, sobretudo de proteína animal nos seguimentos de carnes (aves, suínos e bovinos), alimentos processados de carnes, além de lácteos, margarinas, massas, pizzas e vegetais congelados, com marcas consagradas como Sadia, Perdigão, Batavo, Elegê, Qualy, entre outras. Feitas essas breves considerações para melhor compreensão das matérias em debate, passa-se à análise das pretensões da Recorrente em suas preliminares e mérito. Preliminares Nulidade em vista da superficialidade do trabalho fiscal e ofensa ao princípio da verdade material A recorrente alega que o auto de infração não foi devidamente motivado, pelo que deveria ser considerado nulo, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Em suma, a fiscalização não teria apresentado os motivos e provas pelos quais teria glosado os créditos, limitando-se a tecer alegações genéricas, o que, inclusive, teria impossibilitado o pleno exercício do direito de defesa. Não vislumbro assistir razão às alegações do recurso quanto a deficiência na motivação no Termo de Verificação Fiscal e nas provas apresentadas. Entendo que o auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde constam a motivação e fundamentação jurídica para o lançamento, bem como as provas que conduziram a Autoridade Fiscal à lavratura do auto de infração. Se a prova é insuficiente, como aduz a Recorrente, não se deve seguir na direção da nulidade, mas da eventual insubsistência da autuação. Porém, o que se observa na descrição dos fatos é que a Fiscalização fundamentou detalhadamente cada glosa operada, seja por falta de apresentação de documentos ou porque o material adquirido não se subsome no conceito de insumo no âmbitos das contribuição do PIS e da COFINS. Nesse último caso, conforme bem destacado pela Autoridade Fiscal, utilizou-se do conceito de insumo aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação do serviço pela pessoa jurídica, em conformidade, portanto, com os critérios delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR. Portanto, inexiste falta de motivação na autuação, uma vez que o Contribuinte dispunha de todos os elementos necessários ao pleno exercício dos direitos à ampla defesa e contraditório. Em consequência, o caso não se enquadra em nenhuma das hipóteses de nulidade presentes no art.59 do Dec. nº70.235/72, devendo ser afastada a preliminar alegada. Da nulidade da decisão da DRJ/ Do cerceamento do direito de defesa Argui a Recorrente que teria havido nulidade do acórdão recorrido visto que foi indeferido seu pedido de diligência, que tinha por objetivo demonstrar que fazia jus aos créditos Fl. 6456DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 20 glosados pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal relacionados com fretes nas aquisições de insumos não sujeitos à contribuição. De plano, rejeito a preliminar suscitada isso porque a Autoridade Julgadora a quo considerou que a documentação constante dos autos era suficiente a formação da sua convicção quanto aos créditos calculados sobre insumos, o que tornou prescindível a realização de diligência para o deslinde da lide quanto a este ponto. O Julgador pode determinar a realização das diligências que entender necessárias, quando da apreciação da prova, para a formação da sua livre convicção sobre a matéria, indeferindo as que considerar prescindíveis, com fundamento no art. 18 do Dec. 70.235/72 Tal temática foi abordada suficientemente no acórdão recorrido, com a explicitação dos motivos que levaram a manutenção do lançamento efetuado, conforme se infere de alguns trechos a seguir reproduzidos: Sendo assim, deve-se adotar como premissa básica para a presente análise do conceito de insumo, que este poderá englobar algumas espécies de custos, mas jamais haverá de abranger as despesas da empresa. Isso se deve à própria natureza destas, e ao que a Lei que instituiu a não cumulatividade do PIS e Cofins determina: somente será insumo aquele bem ou serviço utilizado na prestação do serviço ou na fabricação do produto. Meras despesas, como visto, por não terem relação com a produção em si (geradora do produto ou do serviço do qual advirá a receita da empresa), não podem, jamais, por impossibilidade ontológica, ser consideradas insumos. (...) onclui-se, portanto, que insumo é tudo aquilo que é utilizado no processo de produção e, ao final, integra-se ao produto, seja bem ou serviço. Ou seja, INSUMO será o bem que, agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto ou serviço a que se destina. É o material ou serviço que se incorpora ao produto final, definido como aquele que passa por um processo de transformação, modificação, composição, agregação ou agrupamento de componentes, de modo que resulte diverso dos produtos que inicialmente foram empregados nesse processo. Portanto, neste caso, corretas foram as glosas processadas pela fiscalização em relação aos gastos relacionados aos custos e despesas despendidos no processo/etapa agrícola. Linhas 02 e 03 – Bens e serviços utilizados como insumo Dos valores informados na memória de cálculo para essas linhas do Dacon foram glosados os valores referentes: (i) a aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo; (ii) a aquisições de bens e serviços que não geram crédito na linha 2 e nem na linha 3, pois não representam a aquisição de insumos, mas por se tratarem de: gastos para manutenção predial, aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado, e aquisições que claramente não se referem ao processo produtivo, entre outros; (iii) a aquisições efetuadas junto a pessoas físicas; (iv) a serviço de fretes de transferência de produtos; (v) a aquisições de bens sujeitos à alíquota zero; (vi) a notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; (vii) a notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; e; (viii) aproveitamento de créditos extemporâneos. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Mérito Fl. 6457DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 21 Para melhor compreensão da matérias envolvida, por oportuno, deve-se apresentar preliminarmente a delimitação do conceito de insumo hodiernamente aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP) e em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, com o objetivo de se saber quais são os insumos que conferem ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Conceito de insumo No que concerne aos bens e serviços utilizados como insumos, a Recorrente sustenta que a glosa de créditos efetuadas e ratificadas pelos julgadores da DRJ, em igual sentido, ancoraram-se em uma interpretação restritiva do conceito de “insumo” para PIS e COFINS, a qual não se coaduna com o princípio da não cumulatividade previsto no parágrafo 12 do artigo 195 da Constituição Federal, a exemplo da posição de expoentes da Doutrina e dos mais recentes julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Para melhor compreensão da matéria envolvida, por oportuno, deve-se apresentar preliminarmente a delimitação do conceito de insumo hodiernamente aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP) e em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, com o objetivo de se saber quais são os insumos que conferem ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, a maioria dos Conselheiros têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402-003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Essa questão também já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo que se amolda aquele que vinha sendo usado Fl. 6458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 22 pelas turmas do CARF, tendo como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a ementa do julgado que expressa o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Vale reproduzir o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS não- cumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões Fl. 6459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 23 específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Embora o referido Acórdão do STJ não tenha transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF1, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 2 c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. 1 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543-B e 543-C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) 2 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador- Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III -(VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 6460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 24 Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. No caso concreto, observa-se que o Auditor Fiscal e o acórdão recorrido aplicaram integralmente o conceito mais restritivo aos insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB (Instruções Normativas da SRF ns.247/2002 e 404/2004), já declarados ilegais pela decisão do STJ sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015). Assim, em face da superveniência do REsp nº 1.221.170/PR, carecem os autos da comprovação do eventual enquadramento dos itens glosados no conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância. Da diligência Fiscal Em sessão realizada em 25/09/2019, esta Turma Colegiada acolheu a proposta do Relator de baixar o processo em diligência para que a Autoridade Fiscal e Contribuinte providenciassem os seguintes elementos: i) Seja intimada a Recorrente para detalhar suas atividades e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração do PIS e da COFINS não cumulativos; ii) A Fiscalização, com base nas informações prestadas nos termos do item 3., elabore um novo parecer e um novo demonstrativo a respeito do direito creditório de cada um dos itens glosados, § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 6461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 25 com as considerações efetuadas a partir da interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ (REsp 1.221.170), segundo os critérios de relevância e essencialidade; iii) Antes do retorno do processo a este CARF a Recorrente deve ser intimada para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias quanto aos documentos e informações apresentados. E ato contínuo, seja intimada a PFN para que, sendo do seu interesse, apresente suas razões. Em atendimento ao solicitado, a Fiscalização analisou os documentos constantes nos autos e outros apresentados no decorrer da diligência, levando em consideração nas reanálises das glosas o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17 de dezembro de 2018 e voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR, de aplicação obrigatória no âmbito da RFB(Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF), atendendo ao solicitado na Resolução nº 3402-002.302 da 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária. No termo de informação fiscal, a Autoridade Fiscal informa que, em consonância com os critérios da essencialidade e relevância, devem ser revertidas parcialmente as glosas relativas as linhas 2 e 3 do DACON apresentada pelo Contribuinte referente ao 4º trimestre de 2009. As tabelas abaixo esboçam as alterações e o resumo das alterações admitidas pela Fiscalização nas linhas 2 e 3 do Dacon do 4º trimestre de 2009 após esta diligência: Fl. 6462DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 26 Como se observa, a reanálise das notas fiscais, com base nos critérios da essencialidade e relevância firmado pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, ocasionou alterações nas linhas 2 e 3 do Dacon apresentado pela Contribuinte referente ao 4º trimestre de 2009. Dessa forma, o resultado da diligência deve ser acolhido no presente julgamento (e- fls.1.166 e 1.167 a 1.176), para reconhecer o direito ao creditamento da Recorrente sobre as rubricas citadas nas tabelas acima reproduzidas, restando controversas e em discussão, quanto aos bens e serviços utilizados como insumos, apenas os itens remanescentes citados pela Recorrente na manifestação do resultado da diligência, quais sejam: (i) Serviços de Manutenção Empregados em Materiais e Equipamentos (aquisição de serviços de escavação, nivelamento, aterro, caixa de arquivo morto, relógio); (ii) à locação de andaime e máquina de café; (iii) aos fretes internos na importação; (iv) aos serviços de vistorias na importação; (v) aos honorários de desembaraço de importação; Fl. 6463DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 27 (vi) às despesas de despacho de importação; (vii) aos serviços de despacho de importação e de laudos de importação; e (viii) às aquisições de materiais de construção registradas nas contas transitórias em ordem de investimento com posterior ativação. Passa-se, assim, à análise das glosas remanescentes relativas a insumos acima citadas e demais temáticas (crédito extemporâneo, omissão de receita ICMS- subvenção, despesas de energia elétrica, etc) abordadas no recurso voluntário. Serviços de Manutenção Empregados em Materiais e Equipamentos (aquisição de serviços de escavação, nivelamento, aterro, locação de andaime e máquina de café; caixa de arquivo morto e relógio) Neste tópico o Auditor Fiscal aduz que os itens glosados não representam a aquisição de insumos, quer por se tratarem de gastos para manutenção predial, aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado, aquisições que claramente não se referem ao processo produtivo, entre outros. A Recorrente afirma que esses serviços estão vinculados à manutenção de máquinas e equipamentos de seus estabelecimentos, essenciais para garantir o perfeito funcionamento do processo produtivo, conforme informado pela Requerente na planilha acostada aos autos na Resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 130/2019. Sendo assim, conclui que, pelas descrições apresentadas, ao contrário do entendimento sustentado pela Autoridade Fiscal, é inegável que tais serviços estão intrinsicamente ligados às atividades desenvolvidas pela Requerente, pois seria impossível afirmar, por exemplo, que a Requerente poderia realizar a sua atividade sem tomar as precauções relativas ao bom funcionamento de suas máquinas e equipamentos. Sem razão a Recorrente. Por certo, para os serviços serem considerados insumos na apuração das contribuições, nos termos do art. 3º, II da Leis nºs10.637/2002 e 10.833/2003, elas devem ser aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e não serem passíveis de ativação obrigatória, uma vez que, na hipótese de o bem ser de ativação obrigatória, enseja a tomada de crédito com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Sem esse tipo de informação atinente a qual imobilizado houve a aplicação do bem (partes e peças), não é possível se avaliar se o serviço para manutenção adquirido pode ser deduzida como despesa do exercício ou ativada em função do aumento do prazo de vida útil do bem ao qual está sendo aplicado. Durante o procedimento fiscal e nem na realização da diligência a Recorrente trouxe essas informações necessárias para avaliar se os gastos com serviços são passíveis de serem apropriados como insumos ou se devem ser ativados, sobretudo, em quais bens foram Fl. 6464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 28 aplicados, se tais bens fazem parte do processo produtivo e se houve aumento do prazo de vida útil do bem ao qual está sendo aplicado. Ademais, serviços de aterros, nivelamento, escavação e locação de andaimes são típicos serviços aplicados em obras de construção civil, não se confundindo com máquinas e equipamentos utilizados na produção. Quanto a esse aspecto a Recorrente não trouxe qualquer prova hábil em sentido contrário. Como se sabe, se o Fisco efetua o lançamento fiscal, fundado nos elementos apurados na ação fiscal, cabe ao autuado, na sua contestação, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco. Ademais, bens como “arquivo morto”, “máquina de café” e “relógio”, pela própria denominação resta evidente que não são aplicados no processo produtivo de produção de alimentos desenvolvido pela Autuada, mas sim bens utilizados em atividades administrativas. Com essas considerações, devem ser mantidas as glosas sobre os itens “Serviços de Manutenção Empregados em Materiais e Equipamentos (aquisição de serviços de escavação, nivelamento, aterro, caixa de arquivo morto, relógio). Despesas Aduaneiras (serviços de vistorias na importação, serviços aduaneiros de fretes internos, honorários de desembaraço de importação, despesas de despacho de importação, serviços de despacho de importação e de laudos de importação) A Recorrente informa que as despesas glosadas tratam de serviços de assessoria aduaneira prestados por despachantes aduaneiros relacionadas com a nacionalização de produtos importados utilizados no processo produtivo, bem como com logística de movimentação interna de cargas no porto, necessários para que a Empresa viabilize a entrada de insumos no país, sendo plenamente legítimo o creditamento dos valores referentes à tais despesas na forma do art. 3º, § 3º, inciso II da Lei nº 10.833/03. Como se percebe, a tese principal da recorrente é pela essencialidade dos serviços utilizados, o que permitiria o desconto de créditos com fundamento no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Sem razão à Recorrente. Quanto a este item, o presente voto acompanha o raciocínio do I. Conselheiro Sílvio Rennan, alinhando-se ao que ficou decidido no acórdão 3402-007.708, de 23 de setembro de 2020, desta mesma turma colegiada: As Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, trataram de regulamentar a Contribuição para o PIS e a Cofins não cumulativas, incidentes nas operações realizadas no mercado interno, enquanto que a Lei nº 10.865, de 2004, instituiu o PIS e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços, inclusive a possibilidade de desconto de créditos decorrentes da importação. A referência à legislação das contribuições incidentes no Mercado Interno e na Importação se mostram importantes no presente caso, dada a característica peculiar do serviço em discussão: serviço de despachante aduaneiro na importação de insumos. Se por um lado, poder-se-ia alegar vinculação das despesas ao valor dos bens importados e apurar débitos e créditos de PIS/Cofins – Importação, por outro lado, o serviço, prestado por Fl. 6465DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 29 Pessoa Jurídica nacional, seria perfeitamente enquadrado como aquisição de serviço no mercado interno. A Receita Federal do Brasil, apreciou o tema na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012 e, posteriormente, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 241/2017. Nas duas oportunidades a RFB concluiu pela impossibilidade de desconto de créditos tanto com fundamento nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como na Lei nº 10.865/2004, como abaixo se transcreve: Solução de Consulta Cosit nº 241/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. SERVIÇOS ADUANEIROS. FRETE INTERNO NA IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. ARMAZENAGEM DE MERCADORIA IMPORTADA. No regime de apuração não cumultativa da Contribuição para o PIS/Pasep: a) Não é admitido o desconto de créditos em relação aos dispêndios com: a.1) serviços aduaneiros; [...] DOS GASTOS COM SERVIÇOS ADUANEIROS 15. Em relação à despesa com serviços aduaneiros, verifica-se que não estão incluídas no rol de hipóteses de creditamento constantes do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em que pese os serviços aduaneiros referirem-se à aquisição de mercadorias importadas, também não encontramos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, hipótese passível de abarcar os referidos serviços. Solução de Divergência Cosit nº 7/2012: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. [...] 19. Portanto, considerando-se que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratadas como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostra-se absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição passa o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observa-se que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. [...] 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada refere-se às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do §1º e do §3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: “§1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção de efeitos desta Lei. (...) Fl. 6466DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 30 §3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à Importação, quando integrante do custo de aquisição” [...] 26. Nessa senda, o inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004, dispõe sobre a base de cálculo das contribuições em voga no caso de entrada de bens provenientes do exterior: Art. 7º A base de cálculo será: I – o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º deste Lei” [...] 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep – Importação e da Cofins – Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, passível apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. Dos dispositivos acima expostos, percebe-se o posicionamento da Receita Federal de não admitir o desconto de créditos relativos aos gastos com despachante aduaneiro, sejam os vinculados à Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2033 ou Lei nº 10.865/2004. É nesse contexto que se passa a apreciar os argumentos levantados em Recurso Voluntário. A recorrente, destaca como sua tese principal a essencialidade dos serviços utilizados, sendo permitido o desconto de créditos com fundamento no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Como se percebe, o recurso busca o reconhecimento de créditos não cumulativos decorrentes da aquisição de serviço no mercado interno. Apesar de entender que, a priori, o desconto de créditos relativos a despesas com despachantes aduaneiros deveria ser analisada de acordo com o previsto na Lei nº 10.865, de 2004, visto que tais dispêndios são incluídos no custo de aquisição dos bens importados, este Conselheiro não se furta à análise dos créditos à luz das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, como requer o contribuinte, dada a possibilidade de análise autônoma do serviço adquirido no mercado interno. Entretanto, ainda assim os gastos realizados pela recorrente não se enquadram no conceito de insumos, mesmo após sua ampliação prevista pelo STJ e Parecer Normativo Cosit nº 5/2018. O contribuinte tem por objeto social a indústria, comércio, a importação e exportação de produtos eletrônicos, entre outras, o que permite concluir que as despesas realizadas com despachantes aduaneiros não fazem parte do processo produtivo, nem de forma indireta, não podendo ser classificadas como insumos. Mais ainda, assim como ressaltado no Acórdão nº 3001-000.728, a utilização dos serviços de despachante aduaneiro sequer é imposta ao contribuinte, podendo este realizar pessoalmente o desembaraço das mercadorias importadas. Dessa forma, não haveria como tais despesas serem classificadas como essenciais ou relevantes, visto que não constituem elemento estrutural ou inseparável do processo produtivo; sua falta não priva o produto da qualidade, quantidade e/ou suficiência; e nem integra o processo produtivo pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. Assim tem entendido o CARF, como nos Acórdãos abaixo expostos: Acórdão nº 3001-000.728 Sessão de 24 de janeiro de 2019 Redator Designado Ad Hoc: Marcos Roberto da Silva ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 Fl. 6467DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 31 PIS/PASEP EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. Despesas incorridas com serviços de despachante aduaneiro por não serem utilizados no processo produtivo do Contribuinte e nem serem essenciais ou obrigatórios à atividade de comércio exterior, não geram créditos de PIS/Pasep Exportação no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. [...] Destarte, o conteúdo contido no inciso II, do art. 3o, da Lei n° 10.833, de 2003, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária. In caso, gastos com despachante aduaneiro não são essenciais atividade empresária do presente Contribuinte. Isto porque a legislação não impõem-lhe a obrigatoriedade de contratar referido profissional para que possa empreender-se nas atividades inerentes as de comércio exterior. Pelo contrário, a regra geral determina que ou o próprio desembaraça sua mercadoria, ou então isso deve necessariamente ser feito por despachante. Assim, no caso de pessoa jurídica esta pode ser representada por funcionário com carteira assinada, por dirigente ou por sócio, sempre com procuração do responsável legal pela empresa.” “Acórdão nº 3201-002.592 Sessão de 28 de março de 2017 Relator: José Luiz Feistauer de Oliveira ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Ano-calendário: 2009, 2010 [...] CRÉDITO. SERVIÇOS DIVERSOS RELACIONADOS A IMPORTAÇÃO Não se tratando de insumos utilizados na produção, nem de valores que componham a base de cálculo das aquisições do exterior que, prevista em lei, gera crédito, não se reconhece o direito em relação a serviços de importação, como despachantes aduaneiros, taxas e despesas conexas, os quais revestem-se da natureza de despesas administrativas inerentes às operações de importação de mercadorias. O mesmo se aplica às despesas com frete e armazenagem que não compuseram a base de cálculo (valor aduaneiro) das contribuições PIS e Cofins incidentes na importação. Dessa forma, com base nas considerações do voto transcrito, as glosas das despesas relativas à assessoria aduaneira devem ser mantidas pois não se tratam de serviços utilizados como insumos, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, tampouco se enquadram em qualquer das hipóteses de creditamento presentes no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, vez que a referida despesa não integra a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS incidentes na importação. Falta, portanto, previsão legal para a geração de créditos de PIS/Pasep e Cofins no regime não cumulativo para esse tipo de despesa. Dos Materiais Contabilizados em Contas Contábeis que Não Geram Créditos Neste tópico, a Fiscalização glosou diversos créditos de PIS e Cofins sobre gastos incorridos com bens e serviços pela Requerente, sob a justificativa de que tais custos foram contabilizados em contas contábeis que não dariam direito a crédito, nos termos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 6468DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 32 De plano, pelas próprias explicações da defesa, fica evidente que as despesas envolvidas nas glosas deste tópico tratam de materiais utilizados na construção civil ou mobiliário, como exemplificado pelo seguinte trecho: 47. Com efeito, analisando os dispêndios relativos à conta “3515745- GDT-MAQUINAS NACIONAIS”, por exemplo, verifica-se que dela constam gastos com a aquisição de materiais hidráulicos utilizados nas construções dos estabelecimentos da Requerente, com o objetivo do bom funcionamento do seu processo produtivo, revelando-se essencial às atividades da Requerente, razão pela qual não pode prevalecer a glosa desta conta contábil. 48. Nessa esteira, ainda, veja-se que as contas “3515672- GDT-INSTALACOES ELETRICAS”, “3515605- GDT-ESTRUTURA CIVIL” e “3515630- GDT-PAVIMENTACAO” trazem, em sua integralidade, custos de bens e serviços imprescindíveis às atividades da Requerente, vinculados às instalações elétricas, às construções prediais e à pavimentação dos estabelecimentos da Requerente, onde se realiza todo o seu processo produtivo. 49. Além disso, analisando a conta “3515729- GDT-INSTALACOES DE REFRIGERACAO E CLIMATIZACAO”, conclui-se que nela foram lançados os gastos incorridos com a aquisição de materiais utilizados na melhoria dos ambientes de refrigeração e climatização, cuja essencialidade é evidente considerando o processo produtivo da Requerente, transcrito em diversas oportunidades nos autos. 50. A glosa dos dispêndios registrados nas contas contábeis “3515788- GDT-HARDWARE” e “3515737- GDT-MOBILIARIO” também não merece perdurar, já que os custos ali alocados consistem nos bens e serviços adquiridos pela Requerente para que haja o bom funcionamento de sistemas eletrônicos controladores do seu processo produtivo, bem como para manter a organização em seus estabelecimentos. (negrito nosso) Não se pode acolher a pretensão da Recorrente para abarcar todos os seus gastos com construção civil e mobiliário como créditos sobre insumos sob a alegação de que todos esses custos e despesas são necessárias à atividade da empresa gerando direito a crédito. Como já discorrido anteriormente, o direito a crédito sobre bens ou serviços como insumos se dá naqueles utilizados no processo produtivo da empresa ou prestação de serviços, em função da sua essencialidade nessas atividades. Além disso, em razão da relevância, também se admite o creditamento de bens e serviços como insumos cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação de serviço, integre o processo produtivo por imposição legal. No caso em apreço, restou comprovado pela própria recorrente que as contas contábeis em comento servem para registrar a aquisição de diversos materiais para serem utilizados em obras de construção civil e mobiliários que são ativáveis. Assim, se tais despesas foram incorporadas ao imobilizado, teoricamente caberia apenas direito a crédito sobre a depreciação correspondente, conforme preceitua o art.3º, da Lei nº10.883/2003, in verbis: Lei n.º 10.833, de 2003 Art. 3º - Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (...) Fl. 6469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 33 VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004), Ocorre que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer demonstrativo de cálculo das referidas depreciações, o que impossibilita atestar esse tipo de crédito. Assim, não podem ser considerados bens utilizados na “fabricação” dos produtos destinados à venda as aquisições de materiais registrados nas consta contas 3515745- GDT-MAQUINAS NACIONAIS; 3515672- GDT-INSTALACOES ELETRICAS; 3515605- GDT-ESTRUTURA CIVIL; 3515630- GDT- PAVIMENTACAO; 3515729- GDT-INSTALACOES DE REFRIGERACAO E CLIMATIZACAO; 3515788- GDT-HARDWARE; 3515737- GDT-MOBILIARIO, por serem destinados a construção de obras civis e formação de mobiliários ativáveis, não fazendo jus ao cálculo de créditos como insumos com base no inciso II, do art.3º, da Lei nº10.883/2003, tampouco pode ser considerada a parcela de depreciação incidente pela falta de demonstração nos autos. Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos - Aquisições de Pessoas Físicas Neste tópico a Recorrente afirma que a Fiscalização glosou todos os créditos calculados sobre as aquisições de pessoas físicas sem a incidência das contribuições ao PIS e a COFINS. Diz ainda que discorda da glosa efetuada uma vez que tais aquisições foram comprovadamente aplicadas no processo produtivo da empresa. Nessa direção, cita como exemplos o milho em grãos para a fabricação de rações e os frangos e perus para abate. Alternativamente, aduz que, na remota hipótese de que não sejam admitidos os créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS sobre as aquisições efetuadas de pessoas físicas com base nos argumentos já expostos, a Recorrente faz jus, no mínimo, aos créditos presumidos sobre tais compras, na forma do art. 8 o da Lei n° 10.925/04 3 . 3 Art. 8e As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, Fl. 6470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 34 Equivoca-se a Recorrente em suas argumentações, pois ao que consta nos autos não foram glosados insumos de aquisições de pessoas físicas. Foram, em verdade, analisados os créditos presumidos calculados sobre as aquisições de pessoas físicas e foram feitos ajustes sobre aqueles créditos calculados sobre insumos de origem animal das linhas 25 e 26 da DACON. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, a maioria das incorreções apresentadas é relativa à interpretação da legislação com relação à aquisição de insumos beneficiados com crédito presumido, onde a empresa apropriou créditos à alíquota de 0,99% (60% de 1,65%) para insumos que não se enquadram nas condições da legislação. Tal alíquota era prevista no inciso I do §3º do art. 8º e apenas para aquisições de insumos de origem animal e que se sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. As aquisições de insumos que não se classifiquem nos capítulos e posições citados no inciso I recaem no inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais) e devem ser apropriados créditos presumidos de 0,825% (50% de 1,65%) e 0,5775% (35% de 1,65%), respectivamente. Todos os animais vivos listados nas planilhas elaboradas são classificados no capítulo 01 da NCM, milho no capítulo 10, soja no capítulo 12 e os demais itens também não atendem às condições para creditamento pela alíquota de 0,99%. Ocorre que o CARF recentemente editou a súmula 1574, na qual esclarece que os percentuais do crédito presumido da Lei nº10.925/04 das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Assim, em se tratando de auto de infração e restando insubsistente a fundamentação da glosa de parte dos créditos presumidos por erro na utilização dos percentuais, deve ser revertida a glosa com essa motivação. Quanto a glosa de créditos presumidos apropriados extemporaneamente, essa temática será tratada em tópico específico mais a frente. Despesas de fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos Neste tópico, a Fiscalização informa que identificou fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa. Segundo explica, foram incluídas na linha 2 grande calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. 4 Súmula CARF nº 157 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2019 O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Fl. 6471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 35 quantidade de fretes contabilizados na conta contábil 1555057 ESTQ-FRETE TRANSFERENCIA ENTRE PLANTA. Informa, ainda, que esta conta localiza-se dentro do estoque de produtos acabados, conforme verificado nos balancetes (fls. 239 e seguintes). A Recorrente, por sua vez, argumenta que as referidas despesas tratam, assim, de fretes incorridos nas transferências de produtos acabados entre os seus estabelecimentos, que a recorrente afirma ter direito a creditamento das contribuições ao PIS e à COFINS, do valor despendido com o frete, sendo possível quando este for utilizado na operação de venda, devendo o ônus ser suportado pelo vendedor, com fundamento nos artigos 3.º, inciso IX e 15, inciso II da Lei n.º 10.833/03. Sem razão a Recorrente. Pode-se assim resumir a possibilidade de geração de créditos na sistemática da não cumulatividade para as empresas quanto aos fretes: i) na compra de mercadorias para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (artigo 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo do inciso I do artigo. 3° da Lei n° 10.833/03; ii) nas vendas de mercadorias, no caso do ônus ser assumido pelo vendedor, nos termos do inciso. IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03; e iii) o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3° da Lei nº10.833/03. No caso concreto, observa-se, pelos documentos juntados, que as despesas com fretes tratam do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa, Desta feita, o transporte de produtos acabados da fábrica para outros estabelecimentos da empresa não se enquadram em nenhum dos permissivos legais de crédito citados, pois não possui qualquer identidade com aquele frete que compõe o custo de aquisição dos bens destinados a revenda, não se confunde também com o frete sobre vendas, naquele que o vendedor assume o ônus o frete, tampouco pode ser considerado insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem, já que as operações de fretes ocorrem no período pós produção. Nesse mesmo sentido, foi o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes, no acórdão nº 3302003.212, de 16.05.2016, conforme trecho da decisão, a seguir parcialmente transcrita: De acordo com os referidos preceitos legais, infere-se que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente Fl. 6472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 36 aduzidas, há direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias-primas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar-se-á de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: (...) Em suma, chega-se a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (negritos nossos) Ademais, o Parecer Normativo COSIT/RFB/ nº 5, de 17/12/2018, ao delimitar os contornos do REsp 1.221.170/PR, sobre essa questão definiu esse mesmo entendimento em seu item 5 (gastos posteriores à finalização do processo de produção), o seguinte: Fl. 6473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 37 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. ... 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende-se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. Também não prospera a alegação da Recorrente de que na referida conta foram registrados os fretes sobre transferências de matéria-prima e produto semi acabado, que supostamente daria direito a crédito segundo o artigos 3.º, inciso II, da Leis n.º 10.833/03 e 10.637/2002, isso porque não trouxe aos autos provas de que na referida conta do grupo de estoque de produtos acabados também era utilizada para movimentação de matérias-primas e produtos semi acabados. Embora este Julgador reconheça essa possibilidade de crédito no frete de MP (matéria-prima) e PE (produto em elaboração), constata-se nos autos que, apesar da Empresa ter sido intimada, não logrou êxito em comprovar que na conta 1555057 ESTQ-FRETE TRANSFERENCIA ENTRE PLANTA foram de fato efetuadas operações de transporte de MP e PE (e-fls.785 e 786). Tampouco, trouxe aos autos tais provas no contencioso administrativo em seus recursos para a DRJ e CARF. A Recorrente limitou-se a fazer argumentações teóricas sobre a procedência de serem considerados como insumos os fretes na transferência de MP e PE, sem demonstrar por meio de prova hábil que teria escriturado nesta conta contábil fretes de insumos ou de produtos em elaboração para que tais despesas se subsumissem às hipóteses legais de creditamento de PIS e COFINS. Ressalta-se ainda que a Empresa dispunha na sua contabilidade de contas próprias de fretes de MP e PE, com movimentação, que registraria estes tipos de transferências. Assim, com base nessa motivação, devem ser mantidas as glosas dos fretes nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos registrados na conta 1555057 ESTQ- FRETE TRANSFERENCIA ENTRE PLANTA. Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos - Bens Sujeitos à Alíquota Zero Fl. 6474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 38 A Fiscalização glosou aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de PIS/Pasep e COFINS, uma vez que tais bens não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, in verbis: A Recorrente não contesta que os insumos glosados estejam sujeitos à alíquota zero, argui que o referido dispositivo legal não veda a tomada de créditos para os bens sujeitos à alíquota zero, posto que tais bens se encontram no campo de incidência das contribuições, estando sujeita às contribuições, mas apenas por opção do legislador foi reduzida a alíquota a zero. Sem razão a Recorrente. Como se sabe, na sistemática da não cumulatividade das contribuições, em regra, não geram créditos nesse regime as aquisições de bens ou serviços que não estavam sujeitas ao pagamento das contribuições, ou seja, não há tomada de créditos de PIS e COFINS quando não há tributação na operação de entrada. Tal vedação consta no art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art.3º (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I - de mão-de-obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 (negrito nosso) Como cediço, o princípio da não cumulatividade tem por finalidade limitar a incidência tributária nas cadeias de produção e circulação mais extensas, fazendo com que, a cada etapa da cadeia, o tributo somente incida sobre o valor adicionado nessa etapa. A não cumulatividade se materializa por meio da previsão de creditamento das aquisições antecedentes de uma cadeia de produção/comercialização. Se não há pagamento da contribuição na etapa antecedente, pela lógica da sistemática, não há direito a creditamento, a não ser que haja um claro propósito do legislador no sentido de incentivar uma determinada atividade. Porém, mesmo nesse último caso, o benefício deve ser expressamente previsto em lei. Observa-se que o antes citado dispositivo veta claramente a geração de crédito na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição, estando ai incluídos os produtos sujeitos alíquotas zero ou não sujeitos à incidência, sujeitos à monofasia e isentos. Assim, pelo exposto, deve ser afastada a possibilidade de creditamento sobre a totalidade de aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero. Dos Bens Utilizados como Insumos - Vendas com Suspensão da Contribuição ao PIS e de COFINS Conforme consta no relatório fiscal, dentre as glosas de aquisições sujeitas às hipóteses de suspensão, a Fiscalização glosou os créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS apurados sobre as aquisições de produtos in natura de origem vegetal, bem como sobre insumos destinados à produção das mercadorias referidas no art. 8 o da Lei n° 10.925/04, por entender que a incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre a aquisição desses insumos estaria suspensa, com base no disposto no art. 9 o da Lei n° 10.925/04. Confiram-se tais dispositivos legais: Fl. 6475DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art3%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art3%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art3%C2%A72 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 39 Art. 8 o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3 o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1 o O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (...) Art. 9 o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I - de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II - de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8 o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do'§ 1 o do mencionado artigo". O Contribuinte apresentou manifestação alegando inicialmente que não se submete à suspensão prevista no art. 9o da Lei n° 10.925/04, pois (i) não adquiriu de cerealista os produtos classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08 da Nomenclatura Comum do Mercosul ("NCM") (exceto dos códigos 1006.20, 1006.30, 12.01 e 18,01); (ii) não adquiriu leite in natura de pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; (üi) não adquiriu insumos -destinados à produção das mercadorias classificadas no art. 8o da Lei n° 10.925/04 -de pessoas jurídicas que exerça atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. Da análise da planilha de SUSPENSÃO - Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória, localizada no arquivo não paginável denominado GLOSAS Sadia 04-trim- 2009.xlsx anexado a este processo, percebe-se que não se mostra verdadeira a afirmação da Recorrente, pois a título de exemplo, identifica-se que de fato houve aquisições de produtos sujeito a hipótese de suspensão, como, por exemplo, as aquisições de milho em grão (NCM 10059010) de cerealistas. Da mesma forma, os demais produtos adquiridos constantes da planilha citada- tais como, BOI CASTRADO, NOVILHA RASTREADA, FRANGO CORTE P/ABATE, LEITAO LACTAÇÃO,SOJA EM GRÃOS, SUINO GERAL P/ ABATE, LEITAO P/RECRIA MULTIPLICADOR, BARRIGA SUINA Fl. 6476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 40 RESFRIADA S/O C/PELE –, também se adequam a hipótese de suspensão prevista nos dispositivos legais transcritos, em vista da natureza da atividade da empresa e a natureza dos próprios produtos adquiridos, ou seja, são produtos destinados à produção das mercadorias classificadas no art. 8º da Lei n° 10.925/04 e foram adquiridos de pessoas jurídicas que exerça atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária, conforme previsto no inciso III do art. 9º da Lei nº 10.925/2004. A Recorrente, por outro lado, além das argumentações teóricas, não trouxe aos autos qualquer elemento de prova visando infirmar as conclusões da auditoria. Também não prospera a alegação de que as suspensões em comento não seriam obrigatórias, ou, se obrigatórias, somente teriam essa característica a partir da edição da IN SRF nº 977/2009, que estabeleceu explicitamente que nos casos citados as aquisições seriam obrigatoriamente feitas com suspensão das contribuições na etapa anterior da operação. Assim, em face da não obrigatoriedade, nos casos em que os seus fornecedores realizaram as operações com pagamento das contribuições poderia se creditar dos valores. Ao contrário do que defende a Recorrente, entendo que o art.9º da Lei nº10.925/2004, base legal que criou a suspensão, tem caráter obrigatório, seja na vigência da IN SRF 660/2006 ou depois da sua substituição pela IN SRF nº 977/2009, isso porque a venda com suspensão constitui um direito do vendedor, desde que atendidas as condições estabelecidas implicitamente no referido preceito legal e expressamente no referido preceito regulamentar. Se por equívoco do vendedor houve a tributação indevida da operação, tal fato não dá ao adquirente o direito de se apropriar do crédito das contribuições, por falta de amparo legal. Nessa situação, o vendedor incorreu em pagamento indevido das contribuições. E pagamento indevido não dá direito de creditamento para o comprador, o pagamento indevido dá direito à repetição de indébito ao vendedor, conforme preceitua o art. 165, I, do CTN. Nesse sentido, tem sido a ampla jurisprudência das turmas do CARF, como exemplificam as seguintes ementas: REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 606/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. (Processo nº 12585.720376/201151; Acórdão nº 3201003.438; Relatora Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário; sessão de 26/02/2018) VENDA COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA OU COOPERATIVA QUE EXERÇA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na operação de venda de insumo destinado à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial ou por cooperativa agroindustrial, se o adquirente for pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Fl. 6477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 41 (Processo nº 11516.721876/201161, Acórdão nº 9303-009.308; 3ª.Turma da CSRF, Relator Conselheiro Luís Eduardo de Oliveira Santos; sessão de 19/08/2019) Houve também a glosa de créditos nas aquisições de carne bovina, uma vez que a partir de 01/11/2009, aplicava-se a Lei 12.058/2009, transcrita abaixo na redação original, que estabelecia hipóteses de suspensão nesse caso, não mais se aplicando a estas a Lei nº 10.925: Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I - animais vivos classificados na posição 01.02 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM; II - produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30, da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I - não alcança a receita bruta auferida nas vendas a consumidor final; A Recorrente afirma não se enquadrar nas situações descritas. Diz que as aquisições efetuadas pela Recorrente dos bens classificados no NCM 01.02, 02.01 e 02.02 são destinados à industrialização dos produtos classificados no NCM 16 ("Preparações de carne, de peixes ou de crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos"), de modo que tais aquisições não se enquadrariam nas hipóteses de suspensão da Contribuição ao PIS e da COFINS. Mais uma vez a Recorrente faz alegações sem lastro em provas trazidas aos autos. Destarte, as suas argumentações sem comprovação, passam a ter um caráter de generalidade e imprecisão, o que leva ao não acolhimento no julgamento. Por fim, a Recorrente aduz que, na hipótese de não serem admitidos os créditos de PIS e Cofins sobre as aquisições efetuadas nos casos discutidos, fosse ao menos reconhecido o direito aos créditos presumidos sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperados pessoas físicas, em conformidade com o art. 8o da Lei n° 10.925/04 e com o tratado adiante no item III.2.10. No caso, deve-se reconhecer o crédito presumido pleiteado como pedido subsidiário, visto que a empresa se dedica ao ramo alimentício, com atuação nos ramos de carnes (aves, suínos e bovinos), alimentos processados de carnes, lácteos, margarinas, massas, pizzas e vegetais. Aliás, a própria Autoridade Autuante reconheceu a possibilidade do cálculo de crédito presumido pela Fiscalizada, como demonstrado em trecho do relatório fiscal, abaixo reproduzido (e-fls.791): Restaria à SADIA apurar os créditos presumidos oriundos das compras com suspensão. São exemplos dos insumos adquiridos pela Embargante de pessoas físicas ou cooperativas: frango de corte para abate; boi castrado, milho em grão, barriga suína, etc. Fl. 6478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 42 O art. 8º da Lei 10925/2004, antes transcrito, é que trata do crédito presumido em comento. Nesse sentido, temos várias decisões do CARF reconhecendo o crédito presumido em casos semelhantes: CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. APURAÇÃO. Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações. (Processo nº11516.722941/2013-37; Acórdão nº 3201005.323; Segunda Câmara, Primeira Turma Ordinária, Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; sessão de 23 de abril de 2019) CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA Os produtos agropecuários adquiridos pela agroindústria de pessoas físicas e jurídicas são passíveis de crédito presumido conforme art. 8º, § 3º da Lei 10.925/2004. O percentual de crédito presumido aplicável é aquele previsto na época dos fatos geradores de acordo com cada classificação fiscal. (Processo nº10950.005533/200868; Acórdão nº 3301004.895; Relator Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior; sessão de 26/07/2018) Vale lembrar, quanto ao percentual a ser aplicado, que deve ser aplicada a súmula CARF nº1575, na qual determina-se que os percentuais do crédito presumido da Lei nº10.925/04 das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Diante do exposto, deve ser reconhecido o direito ao crédito presumido calculado sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperados pessoa física, de acordo com os preceitos legais que regem a matéria e observância da Súmula CARF nº157. Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos - Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos Neste tópico a Fiscalização identificou notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. As notas fiscais glosadas foram especificadas na planilha CFOP – indica operação sem direito a crédito, localizada no arquivo não paginável denominado GLOSAS Sadia 04-trim-2009.xlsx, anexado a este processo. Dentre as operações constante nas notas fiscais, constam os CFOPs: 1407 ("compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição 5 Súmula CARF nº 157 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2019 O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Fl. 6479DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 43 tributária dentro do Estado"), 1556 ("compra de material para uso ou consumo dentro do Estado"), 2403 ("compra para comercialização em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária") 2407 ("compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária de outro Estado"), 2556 ("compra de material para uso ou consumo de outro Estado"), 2949 ("outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificado"). Como se observa, tratam-se, em sua maioria, de aquisições de materiais de uso e consumo, conforme comprova os dados constantes das notas fiscais juntados pela Auditoria nos autos. A Recorrente alega que houve falta de investigação por parte das Autoridades Fiscais visto que sequer analisou a natureza do insumo adquirido e o seu emprego no processo produtivo da Recorrente, para então decidir sobre a glosa das despesas. Afirma ainda que os bens adquiridos sob esses CFOP diversos óleos, combustíveis, graxas e lubrificantes que são empregados no funcionamento das máquinas utilizadas pela Recorrente em seu processo produtivo - como já se demonstrou vastamente - e que, portanto, caracterizam-se como insumos. Diz, por fim, que o simples equívoco cometido pela Recorrente na classificação do CFOP, se verificado, não pode ser utilizado pelas Autoridades Fiscais como justificativa para glosar os créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS apropriados, ainda mais nas hipóteses em que a característica do item como insumo é evidente, tal como mencionado acima. Sem razão a Recorrente. Como se observa, a Fiscalização baseou a glosa nas descrições das operações contidas nas notas fiscais, nas quais consta, em sua maioria, como aquisição de material de uso e consumo, que se sabe , normalmente, não são utilizados no setor produtivo da empresa. Se houve equívoco na utilização dos códigos de CFOP ou se efetivamente os bens são utilizados como insumo, como afirma a Recorrente, esta deveria ter trazido aos autos prova hábeis que demonstrassem a utilização de cada um desses bens com a identificação das máquinas e área de produção em que foram aplicados, o que não foi feito no presente caso. Vale repetir que se o Fisco efetua o lançamento fiscal fundado nos elementos de prova apurados na ação fiscal, cabe ao autuado, na sua contestação, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco. Dessa forma, tendo em vista que a Empresa não logrou êxito em demonstrar que os bens foram utilizados como insumos, mantém-se a glosa. Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos - Aproveitamento de Créditos Extemporâneos Aduz a Fiscalização que houve aproveitamento de créditos extemporâneos sobre bens utilizados como insumos. O Contribuinte pretendeu aproveitar créditos extemporâneos de PIS e Cofins sobre insumos adquiridos no período compreendido entre 2005 e 2009, em Fl. 6480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 44 desacordo, portanto, com o inciso I do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei 10.833/2003. A glosa de tais créditos já foi objeto de descrição no item 2.3.1, alínea “h”. Quanto à glosa de créditos extemporâneos, afirma que a legislação expressamente autoriza o aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e COFINS, vale dizer, a legislação é expressa no sentido de autorizar o aproveitamento dos créditos “nos meses subsequentes”. A legislação das contribuições, segundo seu entendimento, estabelece apenas duas condições para esse aproveitamento, plenamente atendidos pela empresa, quais sejam: a) que os créditos não sejam atualizados monetariamente, estabelecido no art.13 da Lei nº10.833/03; e b) que sejam utilizados no prazo de 5 (cinco) anos como prevê o art.1º do Decreto 20.910/32. Além disso, cita a jurisprudência do CARF é favorável ao seu entendimento no sentido de reconhecer a possibilidade de aproveitamento de crédito extemporâneo. Feitas essas breves considerações sobre a questão fática-jurídica que envolve a lide, passa-se à sua análise. A legislação das contribuições nos §§4° dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 previu a possibilidade do contribuinte descontar nos meses subsequentes eventuais créditos oriundos de meses anteriores, nos seguintes termos: Art. 3º (...) (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. (negrito nosso) Quanto aos créditos extemporâneos, as turmas do CARF tem entendido que, além da forma indicada pela Receita Federal, no sentido da correção de erros na apuração da contribuição, por meio da realização de retificação do DACON, com a conseqüente apuração de contribuição paga a maior, se houver, ou alteração do saldo do trimestre a ser repassado para o trimestre seguinte, existe outra possibilidade aceita, sem a necessidade de retificação desses demonstrativos, desde que a empresa comprove, por meio de documentação hábil, a existência do crédito e o não aproveitamento anterior do mesmo (entre o mês da aquisição do bem ou serviço e o mês de aproveitamento extemporâneo), assegurando-se, dessa forma, a não ocorrência do duplo aproveitamento de créditos pelo contribuinte. Nesse sentido, em outras oportunidades as turmas do CARF já se pronunciaram sobre esse tema, dos quais destacam-se os trechos dos votos dos Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, admitindo a relevação da formalidade de retificação das declarações e demonstrativos desde que demonstrada pela interessada a ausência de utilização do crédito extemporâneo em outros períodos: Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n° 3402002.603 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Fl. 6481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 45 Aproveitamento de Créditos Extemporâneos (...) A matéria no entanto já tem entendimento em sentido contrário, plasmado, por exemplo, no Acórdão n° 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admite-se a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindo-se em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, deve-se manter a glosa. (...) Processo nº 10380.733020/201158 Acórdão n° 3403002.717 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Cabe destacar de início, que, por óbvio, a ausência de retificação a que se refere o fisco, é referente aos períodos anteriores, pois o que se busca é evitar o aproveitamento indevido, ou até em duplicidade. As retificações, como destaca o fisco, trazem uma série de consequências tributárias, no sentido de regularizar o aproveitamento e torna-lo inequívoco. Quanto à afirmação de que a recorrente cumpriu em demonstrar a ausência de utilização anterior dos referidos créditos, indicando genericamente todos os documentos entregues à fiscalização e/ou acostados na impugnação, não logra instaurar apresentar elementos concretos que ao menos instaurem dúvida no julgador, demandando diligência ou perícia. Aliás, a perícia solicitada ao final do recurso voluntário considera-se não formulada pela ausência dos requisitos do art. 16, IV do Decreto no 70.235/1972, na forma do § 1o do mesmo artigo. No mais, acorda-se com o julgador de piso sobre a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. E, ainda que se relevasse a formalidade de retificação das declarações, não restou no presente processo demonstrada conclusivamente, como exposto, ausência de utilização anterior dos referidos créditos. Sobre a afirmação de que a autuação "funda seu entendimento tão somente em uma solução de consulta, formulada por outro contribuinte", é de se reiterar de que forma o fisco utilizou soluções de consulta na autuação (fl. 35 do Termo de Verificação Fiscal): O segundo requisito diz respeito à necessária retificação, em todos os períodos pertinentes, de todas as declarações (DACONs, DCTFs e DIPJs) cujos valores são alterados pelo recálculo e refazimento da apropriação de créditos de PIS e COFINS. Isto porque este procedimento implica também o recálculo de todos os tributos devidos em cada período de apuração, especialmente o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. É que na sistemática da não cumulatividade, qualquer apropriação de créditos de PIS e de COFINS, resulta, necessariamente na redução, em cada período de apuração, de custos ou despesas incorridas e, por consequência, na elevação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Há diversas soluções de consulta no âmbito da RFB, que exprimem o entendimento acima, dentre elas citaremos a Solução de Consulta no 14 SRRF/6aRF/DISIT, de 17/02/2011, a Solução de Consulta no 335 SRRF/9aRF/DISIT, de 28/11/2008, e a Solução de Consulta no 40 SRRF/9aRF/DISIT, de 13/02/2009. Assim, patente que as soluções de consulta não são (e sequer constam no campo correspondente) a fundamentação da autuação. (...) Fl. 6482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 46 Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações. (...) No caso concreto, percebe-se que a recorrente não efetuou a retificação das DACONs e DCTFs, tampouco trouxe aos autos comprovação inequívoca de que não aproveitou os referidos créditos extemporâneos em períodos anteriores à utilização. Apenas as cópias das DACONs juntadas, desacompanhadas dos respectivos registros contábeis, não se mostram suficientes para comprovar que o crédito pleiteado não foi anteriormente utilizado pela empresa. Vale repetir que se o Fisco efetua o lançamento fiscal fundado nos elementos de prova apurados na ação fiscal, cabe ao autuado, na sua contestação, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco. Em consequência, deve ser mantida a decisão recorrida. Dos Custos com Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a Forma de Vapor (Linha 04 das Fichas 06 e 16 da DACON) No tópico referente à glosa de energia elétrica e a vapor adquiridos no mercado interno, a Fiscalização glosou os valores relativos as despesas com serviços de gerenciamento de energia elétrica e referentes a TUSD (Tarifas de Uso do Sistema de Distribuição) e CUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição). A motivação da glosa foi no sentido de que os serviços de gerenciamento e agenciamento e a TUSD/CUSD não constituem consumo de energia elétrica consumida no estabelecimento da empresa, como previsto na lei. A Recorrente não contesta que os valores glosados não têm natureza de despesa com consumo de energia elétrica, centra a sua defesa na afirmação de o direito ao crédito decorre da identidade de tais gastos com os serviços utilizados como insumos tendo em conta que são essenciais ao acesso a energia. Acrescenta ainda que o erro no preenchimento da Dacon não representa um óbice ao aproveitamento de créditos. No que concerne às despesas de gerenciamento, a Recorrente explica que consistem na definição de estratégia de contratação, representação perante a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, gestão dos contratos de aquisição, dentre outros serviços que têm por objetivo racionalizar o custo da energia elétrica consumida. No que se refere a essas despesas de serviços de gerenciamento da empresa COMERC ENERGIA S/A, entendo que não são essenciais ao processo produtivo da empresa, não constituindo-se em insumo do processo produtivo, visto que tais atividades poderiam ser efetuadas por prepostos da própria empresa. Além disso, tais serviços não são aplicados no processo produtivo, mas sim em etapa anterior nas negociações a fim de propiciar a aquisição de energia de acordo como as necessidades da empresa de forma otimizada e de menor custo. Com relação a natureza TUSD/CUSD a questão foi analisada de forma detalhada no voto vencedor do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, no acórdão nº3401003.096, da 4ª Fl. 6483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 47 Câmara / 1ª Turma Ordinária, reconhecendo que esses custos compõem o custo da energia elétrica. Por concordar com a sua fundamentação, adoto-a como as minhas razões de decidir sobre essa questão, reproduzindo seus principais trechos a seguir: No que se refere ao segundo item, "4.9. Despesas de energia elétrica", o i. Relator manteve a glosa de valores a título de serviços de gerenciamento de energia elétrica, tarifas de aquisição de energia elétrica TUSD (Tarifa de Uso dos Sistemas de Distribuição) eCUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição), sob o entendimento de que tais despesas não se qualificariam como energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa (artigo 3o, inciso IX, da Lei no 10.637/2002, e artigo 3o, inciso III, da no 10.833/2003) nem como insumos (artigo 3o, inciso II, das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003). No entanto, acredito que a glosa deve ser afastada, pelos motivos a seguir. Na década de 90, o Setor Elétrico Brasileiro, formado exclusivamente por empresas estatais, passou por uma grave crise por falta de recursos financeiros, o que colocou em risco os planos de expansão do sistema nacional e, em consequência, o próprio fornecimento de energia elétrica, tendo em vista que a oferta não conseguia acompanhar o ritmo de aumento do mercado, impulsionado pelo crescimento da própria economia. Para contornar tal problema, além de medidas como realização de um ajuste patrimonial nas concessionárias e privatizações do capital social de empresas geradoras e distribuidoras de energia elétrica, desenvolveu-se um novo marco regulatório para o Setor Elétrico. Nesse contexto, destacamos a edição da Lei no 9.074/1995, que em seus artigos 15 e 16 estabeleceu as regras para que os consumidores com demanda de energia elétrica igual ou superior a 3.000 kW, atendidos em tensões iguais ou superiores a 69 kV, denominados "Consumidores Livres", pudessem contratar a compra de energia elétrica diretamente de um Produtor Independente integrante do Sistema Interligado Nacional ("SIN"), pagando o preço livremente pactuado em um mercado competitivo.7 Para viabilizar essa modalidade de comercialização de energia elétrica, a referida lei determinou o livre acesso aos sistemas de transmissão e distribuição. Posteriormente, foi publicada a Lei no 9.648, de 1998, que em seu art. 9º, parágrafo único8 atribuiu à Agência Nacional de Energia Elétrica ("ANEEL") a competência para regular as tarifas de acesso e uso dos sistemas de transmissão e de distribuição de energia elétrica. Observo ainda que, atualmente, as unidades consumidoras com demanda entre 500 kW e 3.000 kW, atendidas em qualquer tensão, também podem escolher seus fornecedores, mas a escolha está restrita à chamada energia de fontes incentivadas (Pequenas Centrais Hidrelétricas ("PCH´s"), Usinas de Biomassa, Usinas Eólicas e Sistemas de Cogeração Qualificada), nos termos do art. 26, § 5o da Lei no 9.427, de 1996, com a alteração introduzida pela Lei no 13.097, de 2015. Com isso, em virtude de tais alterações, os consumidores que se qualificam na categoria de "Consumidor Livre", a exemplo da Recorrente, podem escolher seus fornecedores de energia elétrica no Ambiente de Contratação Livre ("ACL"), permanecendo, neste caso, conectados nas distribuidoras que anteriormente lhes forneciam a energia elétrica na categoria de "Consumidor Cativo". Neste caso, o Consumidor Livre deve firmar: a) Contrato de Compra de Energia no Ambiente de Contratação Livre ("CCEAL") com seu novo fornecedor (Produtor Independente de Energia Elétrica ou Agente Comercializador); e b) Contrato de Uso do Sistema de Distribuição ("CUSD"), entre outros, com a distribuidora em cujo sistema a unidade consumidora esteja conectada. Ao novo fornecedor, será pago o preço livremente pactuado, enquanto à concessionária distribuidora será paga a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição ("TUSD"), definida pela ANEEL, ambos com base no consumo medido pela distribuidora. Desta forma, a partir da escolha de um novo fornecedor, o Consumidor Livre continuará recebendo a mesma energia elétrica que antes recebia do SIN, cujo consumo mensal continuará sendo medido pela distribuidora onde se encontra conectado. Ocorre que, ao contrário do que ocorre com os consumidores cativos, cujos contratos são firmados apenas com as concessionárias distribuidoras e, por conseguinte, a TUSD está incluída na própria tarifa de energia elétrica, os consumidores livres possuem contratos tanto com as concessionárias Fl. 6484DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 48 distribuidoras (CUSD) quanto com os agentes fornecedores da energia elétrica (CCEAL), ambos objeto de notas fiscais com incidência de ICMS pelas alíquotas específicas de energia elétrica. E aqui deve-se fazer uma observação. Aos olhos do Estado, a relação existente entre um consumidor livre como a Recorrente, de um lado, e distribuidora e fornecedor de energia elétrica, de outro, continua sendo a compra e venda de energia elétrica. Tanto é assim que, no presente caso, enquanto a cobrança da TUSD é suportada por nota fiscal/conta de energia emitida com o Código de Operações e Prestações (CFOP) 5.253 ("Venda de energia elétrica para estabelecimento industrial"), com incidência de ICMS, a Recorrente, consumidor livre, registra a nota fiscal/conta de energia em seu Livro de Entrada com o CFOP 1.252 ("Compra de energia elétrica por estabelecimento industrial"), como pode ser verificado na planilha anexada aos autos (fls. 2664 a 2675). Como se verifica, o uso do sistema de distribuição remunerado pela TUSD e a aquisição de energia elétrica de agentes produtores/comercializadores são operações indissociáveis. Nesta modalidade, sem um não existe o outro, ou seja, a aquisição de energia elétrica pelo Consumidor Livre depende da ação de ambos os agentes, o que, a nosso ver, permite dizer que a aquisição de energia elétrica é uma operação resultante e só existe em razão da junção de ambas as operações, de modo que os valores pagos a título de TUSD possuem natureza de pagamento pela aquisição de energia elétrica. Diante disso, pensamos que a possibilidade de o consumidor de grande porte escolher o seu fornecedor e com ele negociar diretamente um preço mais competitivo que decorre da independência nas fases de geração, transmissão e distribuição permitidas com as alterações legislativas em questão , não modifica a operação de aquisição de energia elétrica nem deve acarretar modificações de ordem tributária. Assim, quando a Legislação de PIS/COFINS permite o desconto de créditos em relação a "energia elétrica (...) consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica", no caso do Consumidor Livre, devem-se entender incluídos os custos com a TUSD. (negrito nosso) Com base nas razões do voto reproduzido, devem ser revertidas as glosas de créditos com despesas relacionadas à TUSD (Tarifas de Uso do Sistema de Distribuição) e CUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição). Dos Custos e Despesas com Aluguéis de Prédios Locados de Pessoas Jurídicas (Linha 05 das Fichas 06 e 16 da DACON) O objeto deste tópico foi a glosa de créditos valores relativos a aluguéis pagos a pessoa física e arrendamento de granja avícola Tais locações não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.637/2002, que somente contempla “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica”. A Recorrente não contesta a glosa sobre aluguéis pagos a pessoas físicas. Por outro lado, com relação ao arrendamento de granja argui que se subsome ao conceito de prédio para a atividade de agroindústria que exerce, isso porque a principal "área" que poderia locar para exercer a primeira etapa de sua atividade, qual seja, a criação dos animais, seria justamente uma granja, devendo esta ser entendida como prédio para a atividade agroindustrial desenvolvida. Com razão a Recorrente. A própria SRF, por meio da Solução de Consulta COSIT nº 331, de 21 de junho de 2017, já emitiu entendimento favorável ao defendido pela Recorrente, conforme se pode conferir no seguinte trecho: Fl. 6485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 49 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. A Lei nº4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3ºda Lei nº10.637, de 2002, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV; Lei nº4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº8.629, de 1993; Decreto nº59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº4.382, de 2002, art. 9º. (negritos nossos) Como se observa pelo conceito de prédio rústico exposto na solução de consulta, a granja para criação de animais se caracteriza como tal para a atividade de agroindústria desenvolvida pela empresa, devendo-se reconhecer o direito a creditamento prevista no art. 3º, inciso IV, da Leis nº10.637.02 e nº 10.833/03, uma vez que a legislação não faz qualquer distinção quanto à serem tais prédios urbanos ou rurais. Dos Custos e Despesas com Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas (Linha 06 das Fichas 06 e 16 da DACON) Aduz a Fiscalização que o Contribuinte incluiu na memória de cálculo apresentada em resposta ao item 06 do Termo de Intimação Fiscal nº 007/00555 (fls. 97 e seguintes) valores relativos a aluguéis de veículos. Segundo a Fiscalização, tais locações não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.637/2002, que somente contempla “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica”. Da mesma forma, foram incluídas despesas com locação de máquina de café, locação de sistemas de inteligência, serviços de rastreamento de caminhão, locação de van, locação de ônibus, e outros, que supostamente não se enquadram na espécie “máquinas e equipamentos”. Os créditos relativos a essas despesas foram glosados por falta de previsão legal para seu aproveitamento. Como se constata, a Recorrente calculou crédito sobre diversos veículos utilizados na sua atividade sob o argumento de que estes podem ser considerados máquinas e equipamentos e dar direito a crédito das contribuições com base no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. Inicialmente, cabe frisar que os veículos (caminhão munck, veículos de passeio, van, caminhão carreta, etc) não se subsomem ao conceito de “máquinas e equipamentos”. A legislação das contribuições deixa claro que os veículos se diferenciam de máquinas e equipamentos, uma Fl. 6486DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 50 vez que cita especificamente cada um quando lhe faz referência, não deixando dúvida que se tratam de espécies diferentes. Eis alguns exemplos: Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I - 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (negrito nosso) Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetua-se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) III - no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI;(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (negrito nosso) Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) III – no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI;(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)” (negrito nosso) Entendo, assim, que veículo automotor não é máquina, tampouco é equipamento. Fl. 6487DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 51 Confirma esse entendimento a classificação deles no sistema harmonizado, pois, enquanto as máquinas são classificadas nos capítulos 84 e 85, que estão inseridos na Seção XVI (MÁQUINAS E APARELHOS, MATERIAL ELÉTRICO, E SUAS PARTES; APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS), os veículos automotores, por sua vez, são classificados no capítulo 87, que está inserido na Seção XVII (MATERIAL DE TRANSPORTE). Vale citar que a RFB expressou esse mesmo entendimento, por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 4, de 2015, no qual afirma que veículo automotor não se confunde com máquina ou equipamento: Art. 1º A opção de apurar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins à taxa de 1/48 (um quarenta e oito avos) sobre o valor de aquisição, nos termos do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, c/c art. 15, II, da Lei nº 10.833, de 2003, refere-se tão somente às máquinas e aos equipamentos incorporados ao ativo imobilizado e utilizados para locação a terceiros, para produção de bens destinados à venda ou para prestação de serviços, não alcançando os veículos automotores, por falta de previsão legal. Quisesse o legislador ter alcançado os veículos automotores no inciso IV do art. 3º das Leis nos 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, teria feito isso de forma expressa ou, ao menos, teria empregado a técnica utilizada no inciso VI do mesmo artigo, que acrescenta “e outros bens” após a expressão “máquinas e equipamentos”. VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Como se sabe, as hipóteses de créditos de PIS e COFINS sobre pagamentos de aluguéis são aquelas relacionadas com prédios, máquinas e equipamentos, não existindo previsão legal para o creditamento relacionado com o aluguel de veículos. O dispositivo legal que dispõe sobre créditos de aluguéis é o inciso IV do mesmo art. 3º, in verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) [...] IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (negrito nosso) Nesse passo, constata-se que não há direito a crédito da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores pagos a pessoa jurídica a título de aluguel de veículos, pois tais aluguéis não são abrangido pela hipótese de creditamento do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. Também não há de se considerar os gastos com aluguéis de alguns desses veículos como insumo na prestação de serviço ou na produção, pelo critério da essencialidade e com base no inciso. II do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03, uma vez que a Recorrente não demonstrou no laudo juntado a utilização detalhada de cada um desses veículos glosados na atividade produtiva da empresa. Fl. 6488DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 52 Por fim, quanto ao gasto com aluguéis de veículos de passeios utilizados pelos vendedores de produtos da empresa, resta evidente que se trata de mera despesa administrativa com vendas, não tendo qualquer identidade com insumo do processo produtivo. Dos Custos e Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Linha 07 das Fichas 06 e 16 da DACON) a) créditos extemporâneos Neste tópico a Fiscalização afirma que o contribuinte incluiu na memória de cálculo apresentada em resposta ao item 07 do Termo de Intimação Fiscal nº 007/00555 (fls. 97 e seguintes) valores relativos créditos extemporâneos de despesas com fretes e armazenagem. O valor dos créditos extemporâneos informados foi de R$ 2.661.167,01 e se referem a notas fiscais datadas de agosto de 2009. Informa ainda que essas notas fiscais de créditos extemporâneos dizem respeito à aquisição de botas de couro, botas de pvc, botinas, calças, camisas, lenha, suínos e vacinas, que nada se assemelham a fretes. Como a matéria aqui tratada, qual seja, créditos extemporâneos, é a mesma do tópico “Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos - Aproveitamento de Créditos Extemporâneos”, a fim de evitar repetição, remeto às considerações feitas naquele tópico para negar provimento ao recurso nesse item. b) Fretes realizados por pessoas físicas sem direito a crédito na linha 7 Sem delongas, como se sabe, o princípio da não cumulatividade tem por finalidade limitar a incidência tributária nas cadeias de produção e circulação mais extensas, fazendo com que, a cada etapa da cadeia, o tributo somente incida sobre o valor adicionado nessa etapa. A não cumulatividade se materializa por meio da previsão de creditamento das aquisições antecedentes de uma cadeia de produção/comercialização. Se não há pagamento da contribuição na etapa antecedente, pela lógica da sistemática, não há direito a creditamento, a não ser que haja um claro propósito do legislador no sentido de incentivar uma determinada atividade. Porém, mesmo nesse último caso, o benefício deve ser expressamente previsto em lei. Sendo a referida despesa com pessoa física, resta evidente que não houve a incidência das contribuições em comento e consequentemente não há que se falar em direito a crédito. c) Aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo (SERV. LAVAÇÃO CAMINHÕES E CAIXAS FRANGOS) Neste item foram glosados os créditos relativos à aquisição de serviços na lavagem de caminhões e caixas de frangos, por considerar a Fiscalização que tais gastos não se enquadram no conceito de insumo. Conforme consta no laudo, no processo de recebimento, os frangos são transportados dos aviários até o abatedouro por meio de caminhões em gaiolas com capacidade de 8 a 12 frangos. Fl. 6489DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 53 Por certo, decorrente do transporte da matéria-prima principal (frango), sempre restam resíduos de excrementos das aves tanto no caminhão como nas gaiolas de transporte, o que exige uma lavação constante a fim de manter a incolumidade dos animais. Em vista das circunstâncias em que tais serviços são utilizados, deve-se lembrar que a Empresa Autuada é produtora de alimentos, em que se exige sempre muita limpeza no transporte e manuseio da principal matéria-prima (frango) utilizada na produção, procedimento que se mostra essencial/relevante ao negócio desenvolvido pela Recorrente, devendo-se, por isso, admitir tais despesas como insumo do processo produtivo, conforme reivindica a defesa. Diante do exposto, deve ser revertida a glosa de créditos com serviços de lavação de caminhões e caixas de frango. Bens do Ativo Imobilizado - Encargos de Depreciação (Linha 09 da DACON) A Fiscalização constatou que o Contribuinte apresentou duas planilhas contendo memórias de cálculo de encargos de depreciação de períodos extemporâneos, para os quais pretendia descontar créditos de PIS e COFINS. Tratam-se das planilhas denominadas ITEM08-L09-COMPL.OUT- 2009.FINAL e ITEM08-L09-NOV-2009-EXTEMP.2006 que se referem a valores de encargos de depreciação do ano de 2006. Neste ponto, a Recorrente se defende ao argumento de que é possível se apropriar de encargos de depreciação extemporaneamente. Como a matéria aqui tratada, qual seja, créditos extemporâneos, é a mesma do tópico “Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos - Aproveitamento de Créditos Extemporâneos”, a fim de evitar repetição, remeto às considerações feitas naquele tópico para negar provimento ao recurso neste item. Bens do Ativo Imobilizado - Valor de Aquisição ou de Construção (Linha 10 das Fichas 06 e 16 da DACON) A Fiscalização identificou nas planilhas de depreciação apresentadas pelo Contribuinte diversas máquinas e equipamentos e outros bens utilizados em finalidades diversas que não tem nenhuma relação com o processo produtivo da empresa, tais como: ADEQUAR LAVANDERIA, AMPLIAÇÃO AREA DE LAZER, ESTRUTURA FÍSICA DOS VESTIÁRIOS E SANIT, REFEITÓRIO, COMPRA DE RASTREADORES, ADQUIRIR NOTEBOOK, entre outras finalidades. Assim, os créditos sobre encargos de depreciação de máquinas e equipamentos cuja finalidade se mostrou estranha ao processo produtivo normal da empresa foram glosados por falta de previsão legal. A Recorrente, por sua vez, defende que os diversos dos itens glosados representam bens relacionados ao processo produtivo da Empresa, o que demonstra que há, efetivamente, prova da possibilidade de tomada dos créditos. A exemplo disso, tem os gastos com "Adeq. vestiário p/ exigencias do SIF', que são gastos para adequações com o objetivo de atender às normas determinadas pelo Serviço de Inspeção Federal, o que é um gasto diretamente ligado ao processo produtivo da Recorrente. Fl. 6490DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 54 Além disso, diz que verificou-se outras glosas impróprias, como as glosas dos custos concernentes à "compra de rastreadores", imprescindíveis no contexto brasileiro para garantir a incolumidade dos itens transportados pela própria Recorrente, como o transporte de animais e diversos outros itens em fase de industrialização. Esse controle da localização das cargas é necessário pelos altos índices de criminalidade respectivos à realidade brasileira, bem como para o próprio controle gerencial da empresa, sendo que esta glosa não poderá perdurar. Sem razão a Recorrente. O direito a crédito não se dá sobre todo e qualquer bem, mas somente para aqueles bens imobilizados utilizados no processo produtivo da empresa ou prestação de serviços, conforme preceitua o art.3º, da Lei nº10.833/2003, in verbis: Lei n.º 10.833, de 2003 Art. 3º - Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004), (negritos nossos) Em vista da legislação transcrita, observa-se que na planilha Linha 10 - Depreciação Máquinas e Equipamentos constam gastos, em sua maioria, de aquisição de mobiliário e equipamentos para prover diversas áreas da empresa que não fazem parte do setor produtivo, a exemplo da lavanderia, vestiários, área de lazer, não fazendo jus tais gastos a crédito de PIS e COFINS, com base no inciso VI, art.3º, das Leis nº10.833/2003 e 10.637/02. Da mesma forma, também não se caracterizam como insumos a aquisição de rastreadores que visam prevenir a ação de criminosos no furto de animais transportados e outros produtos em fase de industrialização, visto que não são essenciais ou relevantes ao processo produtivo desenvolvido pela empresa. Assim, mantém-se a glosa deste tópico. Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias (Linha 11 das Fichas 06 e 16 da DACON) Fl. 6491DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 55 No Relatório Fiscal, a Fiscalização informa que na planilha denominada ATIVAÇÕES 2009 a contribuinte incluiu três notas fiscais de NF nº 3184, NF nº 3563 e NF nº 3580, cujas descrições das obras são FABRICA ASSADOS E GELHADOS LINHA 02, AMPLIACAO FABRICA CARNE COZIDA / HAMB e FABRICA ASSADOS E GRELHADOS LINHA 02, respectivamente. Estas notas fiscais foram emitidas no ano de 2006 e ativadas em 17/04/2007, conforme informação prestada pelo Contribuinte na planilha. O Contribuinte apropriou o valor total dessas notas fiscais no 4º trimestre de 2009 como créditos extemporâneos de encargos de depreciação de edificações e benfeitorias. Aduz que, conforme descrito anteriormente no item 2.3.7, não há previsão legal que permite o aproveitamento de créditos extemporâneos para desconto de contribuição de PIS e COFINS. Dessa forma, esses créditos extemporâneos foram glosados na linha 11 do Dacon. Neste ponto, a Recorrente se defende ao argumento de que é possível se apropriar de encargos de depreciação extemporaneamente. Como a matéria aqui tratada, qual seja, créditos extemporâneos, é a mesma do tópico “Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos - Aproveitamento de Créditos Extemporâneos”, a fim de evitar repetição, remeto às considerações feitas naquele tópico para negar provimento ao recurso neste item. Crédito presumido da agroindústria Neste tópico a Fiscalização realizou a glosa com duas motivações: a primeira foi devido ao Contribuinte ter-se utilizado da alíquota do crédito presumido, em função dos insumos adquiridos e a segunda em função da Empresa ter calculado crédito presumido sobre aquisições de mercadorias destinadas a revenda. Com relação a primeira motivação da glosa, como já se disse antes, recentemente, o CARF editou a súmula 1576, na qual esclarece que os percentuais do crédito presumido da Lei nº10.925/04 das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Assim, em se tratando de auto de infração e restando insubsistente a fundamentação da glosa de parte dos créditos presumidos por erro na utilização dos percentuais, deve ser revertida a glosa com essa motivação. 6 Súmula CARF nº 157 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2019 O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Fl. 6492DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 56 No que se refere a segunda motivação da glosa, qual seja, cálculo de crédito presumido sobre mercadorias adquiridas para revenda, a Fiscalização identificou que a Recorrente calculou crédito presumido sobre mercadorias adquiridas com o CFOP de destinada a revenda. Juntou aos autos planilha relacionando tais notas fiscais glosadas. Eis o conteúdo da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, com as alterações, que não deixa dúvidas que as mercadorias adquiridas sejam aplicada na produção de bens à venda para fazer jus ao crédito presumido previsto: Art. 8 o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3 o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1 o O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (...) (negrito nosso) A Recorrente, por sua vez, afirma que as referidas mercadorias foram utilizadas como insumos, o que permitiria o cálculo do crédito presumido, mas, além de argumentações teóricas, não traz qualquer elemento de prova a fim de infirmar as conclusões da Fiscalização. Vale repetir que se o Fisco efetua o lançamento fiscal fundado nos elementos de prova apurados na ação fiscal, cabe ao autuado, na sua contestação, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco. Em consequência, deve ser mantida a decisão recorrida quanto a glosa de crédito presumido calculado sobre aquisições de mercadorias destinadas a revenda. Dos créditos Presumidos de ICMS A autoridade fiscal relata que foram incluídas nas bases de cálculo das contribuições devidas no período as receitas de créditos presumidos de ICMS apuradas com base na escrituração digital da contribuinte, tributáveis para às contribuições, conforme a legislação vigente. A Recorrente irresigna-se contra a tributação dessa rubrica, uma vez que os valores referentes a crédito presumido de ICMS, por não consistirem de receita, mas de “subvenção de Fl. 6493DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 57 custeio, destinada à recuperação dos custos incorridos em respeito ao princípio da não cumulatividade”, não integram a base de cálculo das contribuições lançadas. Acrescenta que a inclusão desses valores na base de cálculo das contribuições fere o princípio da não cumulatividade. Sobre essa questão, foram apresentadas as principais peças judiciais da ação ordinária n° 5007527-62.2021.4.04.7200, no qual se discute a mesma matéria deste tópico, relativa a inclusão dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo das contribuições. Inclusive, no pedido da ação, restou constatado que o presente processo administrativo foi objeto da ação judicial, especificamente, quanto aos créditos presumidos de ICMS, como se pode conferir pelo trecho abaixo transcrito: Ante o exposto, comprovada a presença dos requisitos necessários, requer a concessão da tutela de evidência ou provisória de urgência antecipada, inaudita altera parte, para: (i) autorizar a Autora a não recolher o PIS e a COFINS sobre os créditos presumidos de ICMS, suspendendo a exigibilidade do respectivo crédito tributário, bem como (ii) suspender a exigibilidade de todos os débitos de PIS e de COFINS sobre os créditos presumidos de ICMS exigidos da Autora, inclusive aqueles exigidos nos Autos de Infração objeto dos Processos Administrativos nºs 11516.720061/2012-45, 11516.720528/2012-57, 11516.720825/2012-01, 11516.720833/2012-49, 11516.721220/2012-29, 11516.721.199/2012- 61, 11516.720812/2013-12, 11516.722958/2014-75, 11516.723089/2013-15, 11516.723622/2013-49, 11516.720538/2014-54, 11516.722481/2014-28, 11516.723715/2014- 54, 11516.720797/2015-66, 11516.721938/2015-68, 11516-724.027/2015-92, 11516- 720.832/2016-28, 11516-721.597/2016-10, 11516.722279/2016-68, 11516-722.916/2017-87, 11516.720969/2017-63, 11516.722531/2017-10, 11516.723608/2017-79, 11516.724656/2017- 84, 11516.720975/2018-00, 11516.722183/2018-61 e 11516.723333/2019-35, nos termos do artigo 151, inciso IV, do CTN. (negritos nossos) No referido processo judicial, a Empresa teve decisão de primeira instância favorável, que foi objeto de apelação ao TRF4 pela Procuradoria da Fazenda Nacional, pendente de julgamento. Assim, restando comprovado que o referido processo judicial tem identidade de objeto com o discutido no presente processo administrativo de lançamento fiscal, deve ser reconhecida a existência de concomitância entre os processos. Este Colegiado fica, portanto, impedido de analisar matérias que foram levadas para o judiciário pela Empresa com a mesma identidade e objeto com o processo administrativo. Como se sabe, a discussão de determinada matéria na esfera judicial implica, necessariamente, na renúncia ao recurso administrativo quanto a mesma matéria, uma vez que o poder Judiciário detém o monopólio da jurisdição. Nesse sentido, a Súmula Carf nº1 preceitua: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (negrito nosso) Fl. 6494DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 58 Diante de todo o exposto, não deve ser conhecida a parte do Recurso Voluntário que trata do Crédito Presumido de ICMS em razão da concomitância. Da Ilegalidade da Aplicação das Multas - Impossibilidade de Sucessão da Responsabilidade por Infrações No que concerne à sucessão, em suma, a Recorrente defende que é incabível a responsabilização da sucessora por incorporação, com fulcro no artigo 132 do CTN, sustentando que a empresa incorporadora só responde pelas multas da incorporada se o lançamento foi efetuado antes da incorporação. Sem razão à Recorrente Como se percebe nos autos, à data da prática atos que deram causa à sanção aplicada, quais sejam, deduções indevidas de créditos na apuração das contribuições, a sucedida já era subsidiária integral da sucessora. Ou seja, o cometimento da infração pela empresa Sadia S/A se deu quando esta já se encontrava sob o controle da interessada, enquanto subsidiária integral desta. No Relatório Fiscal do auto de infração o Auditor explicita a situação societária da empresa, cita a base legal da responsabilidade (arts.129 e 132), bem como a Súmula 47 do CARF, de aplicação ao caso ora analisado: A empresa SADIA S.A. 20.730.099/0001-94, subsidiária integral da BRF S.A., consulta ao sistema CNPJ na folha 653 e seguintes, foi incorporada pela BRF S.A. (fls. 668 e seguintes), nova denominação social de BRF – BRASIL FOODS S.A., 01.838.723/0001-27 cuja sede está localizada no município de Itajaí – SC na rua Jorge Tzachel, nº 475. A incorporação foi oficializada pela Assembléia Geral Extraordinária da Sadia S.A. realizada em 31 de dezembro de 2012 (fls. 677 e seguintes), registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 10/01/2013. Na ata da assembléia realizada pela SADIA S.A. (fl. 677), consta que: “...foi aprovada a incorporação da Companhia pela BRF –Brasil Foods, com a sua consequente extinção de pleno direto, sendo sucedido a título universal, nos termos da lei, em todos os seus direitos e obrigações pela BRF – Brasil Foods S.A. Passando o acervo patrimonial da Companhia para o patrimônio da BRF – Brasil Foods S.A. O estabelecimento sede, bem como as filiais da Companhia continuarão operando como filiais da BRF – Brasil Foods S.A., ...”; em outro trecho temos que: “... Cumpre consignar que a incorporação ora aprovada não conferirá direito de retirada tendo em vista que 100% (cem por cento) das ações de emissão da SADIA são de titularidade da BRF. ...” Em virtude da incorporação, caracteriza- se a responsabilidade tributária por sucessão, consoante art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional e, no caso em tela, é aplicável a Súmula CARF no 47. (negritos nossos) Nessa situação, o CARF sedimentou o entendimento de que cabe a cobrança da multa de ofício aplicada em auto de infração, conforme determina a Súmula CARF 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Assim, como resta incontroverso nos autos que no 4º trimestre/2009 (período da autuação) a Recorrente e a incorporada já integravam um mesmo grupo econômico, não há Fl. 6495DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 59 dúvidas que se aplica ao caso o que determina a súmula CARF nº47, para aqueles fatos geradores do lançamento ocorridos na sucedida antes da sucessão formalizada. Nesse sentido, também é o que determina o REsp no 923.012/MG, decidido pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, vinculando o julgamento do CARF: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. (...) 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformando-se em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) (...)" (STJ, REsp no 923.012/MG, Rel. Min. Luiz Fux, unânime, julg. 09.jun.2010) (negritos nossos) Vale ressaltar, também, os esclarecimentos que foram prestados no âmbito do julgamento dos embargos de declaração no REsp no 923.012/MG, no qual restou evidente que é irrelevante a data em que foi lavrado o auto de infração, que apenas materializa uma obrigação já existente, necessitando-se apenas que o fato gerador tenha ocorrido antes da sucessão, ao teor da decisão: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. (...) 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa." (STJ, EDclREsp no 923.012/MG, Rel. Min.Napoleão Nunes Maia Filho, unânime, julg. 10.abr.2013) (negritos nossos) No referido julgado, restou assentado que a responsabilidade tributária do sucessor abrange também as multas, que acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu "fato gerador" tenha ocorrido até a data da sucessão. E é exatamente o que Fl. 6496DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 60 ocorreu no caso sob análise, no qual o fato gerador (01/10/2009 a 31/12/2009) das multas ocorreu antes da data da sucessão, que foi oficializada em dezembro de 2012. Pelo exposto, com fundamento na súmula CARF nº47 e Resp nº923.012/MG, devem ser mantidas as multas de ofício aplicadas. Da ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre as multas de ofício Por fim, de forma subsidiária, pugna a Recorrente pela improcedência da incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício por absoluta ausência de previsão legal. No passado, esse tema foi discutido frequentemente nas turmas deste Colegiado, mas nos dias atuais a questão foi pacificada por meio da súmula CARF Nº108, não cabendo mais debate sobre essa questão. Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim, devem ser mantidos os juros de mora sobre a multa de ofício. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das argumentações sobre o crédito presumido de ICMS em razão da concomitância, e, na parte conhecida, dar parcial provimento para reverter a glosa dos seguintes itens: a) as rubricas constantes das tabelas elaboradas pela Fiscalização constante do relatório de diligência (e-fls.1.166 e 1.167 a 1.176), nas quais se reconheceu o direito ao crédito sobre bens e serviços citados; b) dos créditos presumidos glosados parcialmente por erro na utilização dos percentuais, em vista do que determina a súmula carf nº157; c) créditos presumidos pleiteados sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperados pessoa física, de acordo com os preceitos legais que regem a matéria e observância da Súmula CARF nº157; d) despesas relacionadas à TUSD (Tarifas de Uso do Sistema de Distribuição) e CUSD (Contrato de Uso do Sistema de Distribuição); e) despesas com arrendamento de granja avícola; e f) serviços de lavação de caminhões e caixas de frango. É como voto. VOTO VENCEDOR Conselheiro Jorge Luís Cabral – Redator Designado Com a devida vênia ao Ilustre Relator redijo divergência em relação ao voto vencido, por maioria, apenas no que diz respeito à reversão da glosa sobre despesas aduaneiras Fl. 6497DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 61 na aquisição de bens como insumos ou para a revenda, e despesas de serviços de gerenciamento de energia elétrica, temas nos quais restou vencido o relator. Adicionalmente, também redijo voto vencedor a respeito do item i.2.6, do dispositivo, no qual o relator restou vencido apenas pelas conclusões em relação à natureza de veículos em relação à sua caracterização como equipamentos em determinadas circunstâncias, de forma a consignar os fundamentos adotados pela maioria neste ponto específico, nos termos do § 9º, do art. 114, da Portaria nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Das Despesas Aduaneiras O Regime não cumulativo de apuração do PIS/COFINS decorre de uma norma negativa por exclusão, conforme previsto nos artigos 8º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e arts. 10 e 15, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, dos quais reproduzo a título exemplificativo, apenas o art. 8º, da Lei nº 10.637/2003, por considerar que reproduz adequadamente o conceito de definição do regime não cumulativo de ambas as contribuições, especialmente pela similaridade e complementariedade dos artigos acima citados. Art. 8 o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1 o a 6 o : I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6 o , 8 o e 9 o do art. 3 o , da Lei n o 9.718, de 27 de novembro de 1998(parágrafos introduzidos pela Medida Provisória n o 2.158-35, de 24 de agosto de 2001), e Lei n o 7.102, de 20 de junho de 1983; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III – as pessoas jurídicas optantes pelo Simples; IV – as pessoas jurídicas imunes a impostos; V – os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988; VI -(VETADO) VII – as receitas decorrentes das operações: a)(Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) b) sujeitas à substituição tributária da contribuição para o PIS/Pasep; c) referidas noart. 5 o da Lei n o 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII - as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX -(VETADO) X - (VETADO);(Redação dada pela Lei nº 12.973,de 2014) XI - as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XII – as receitas decorrentes de operações de comercialização de pedra britada, de areia para construção civil e de areia de brita.(Incluído pela Lei nº 12.693, de 2012)(Vide Lei nº 12.715, de 2012) XIII - as receitas decorrentes da alienação de participações societárias.(Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014)Vigência A partir da leitura do dispositivo legal, acima reproduzido, depreende-se que permanecem no regime cumulativo (anterior às Leis nº 10.637/2003 e 10.833/2004) apenas os contribuintes que apurem o imposto sobre a renda mediante os regimes possíveis de apuração que não sejam a apuração pelo Lucro Real. A contrario sensu, via de regra, o regime não cumulativo do PIS/COFINS decorre da opção, ou da obrigatoriedade, de apuração do Imposto sobre a Renda com base no Lucro Real. Fl. 6498DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 62 A ausência de uma normativa específica para definir os critérios contábeis de registro das obrigações do PIS/COFINS implica na adoção dos mesmos critérios e princípios de registro contábil e extra-contábil da legislação do Imposto sobre a Renda com base no Lucro Real, especialmente, no nosso caso concreto, a respeito da apropriação dos custos de aquisição de insumos e de bens para a revenda e demais critérios e princípios de composição de custos e de conceitos de despesas necessárias, assim como os relacionados à receitas, apenas, neste caso, com situações próprias da definição da base de cálculo do PIS/COFINS que possuem algumas discussões próprias. O eminente relator identificou, nas alegações da Recorrente, que a motivação para o reconhecimento de créditos referentes à apuração não cumulativa do PIS/COFINS, e relacionados aos custos do despacho aduaneiro e de logística portuária, estariam inclusos no reconhecimento da essencialidade destes serviços, de forma a incluí-los nos critérios de reconhecimento da natureza de insumos, conforme podemos depreender do trecho do voto do Relator que reproduzo a seguir: Como se percebe, a tese principal da recorrente é pela essencialidade dos serviços utilizados, o que permitiria o desconto de créditos com fundamento no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Também refere-se em seu voto às conclusões da Solução de Consulta COSIT nº 241/2017 e Solução de Divergência COSIT nº 7/2012, cujos trechos fundamentais adotados pelo relator, reproduzo novamente abaixo, e respectivamente, de forma a fundamentarmos o voto da divergência: DOS GASTOS COM SERVIÇOS ADUANEIROS 15. Em relação à despesa com serviços aduaneiros, verifica-se que não estão incluídas no rol de hipóteses de creditamento constantes do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em que pese os serviços aduaneiros referirem-se à aquisição de mercadorias importadas, também não encontramos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, hipótese passível de abarcar os referidos serviços.(SC COSIT nº 241/2017) 19. Portanto, considerando-se que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratadas como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostra-se absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição passa o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observa-se que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. [...] 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada refere-se às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições incidentes na Fl. 6499DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 63 importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do §1º e do §3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: “§1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção de efeitos desta Lei. (...) §3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à Importação, quando integrante do custo de aquisição” [...] 26. Nessa senda, o inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004, dispõe sobre a base de cálculo das contribuições em voga no caso de entrada de bens provenientes do exterior: Art. 7º A base de cálculo será: I – o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º deste Lei” [...] 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep – Importação e da Cofins – Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, passível apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. (SD COSIT nº 7/2012) (grifo meu) Antes de iniciarmos a discussão sobre as Solução de Consulta e de Divergência da COSIT, acima reproduzidas, precisamos esclarecer que o valor do crédito a ser apurado com base nos artigos 3º, incisos I e II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, quando relacionados a bens importados possuem uma composição complexa que envolve a incidência das contribuições sobre o valor importado, num primeiro momento, e outra sobre os demais custos incorridos na aquisição destes bens, como fretes, despesas com o desembaraço aduaneiro e com a logística portuária, aeroportuária ou de fronteira terrestre, em um segundo momento, desde que ocorridas em Território Nacional e sujeitas à incidência destas contribuições. Vemos que a Lei que determina a incidência do PIS/COFINS nas operações de importação é a Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e que no seu artigo 7º, define a base de cálculo das mesmas. Art. 7º A base de cálculo será: I - o valor aduaneiro, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º desta Lei; ou(Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II - o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza - ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3º desta Lei. (...) O inciso I, do artigo 3º, da Lei nº 10.865/2004, trata da importação de bens. Por outro lado, encontramos no art. 77, do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, o Regulamento Aduaneiro- RA, a definição do Valor Aduaneiro. Fl. 6500DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 64 Art.77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo n o 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto n o 1.355, de 1994; e Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias, Artigo 7 o , aprovado pela Decisão CMC n o 13, de 2007, internalizada pelo Decreto n o 6.870, de 4 de junho de 2009):(Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). I- o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II - os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I, excluídos os gastos incorridos no território nacional e destacados do custo de transporte; e(Redação dada pelo Decreto nº 11.090, de 2022) III- o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II.(grifo meu) O texto deste artigo do Regulamento Aduaneiro resulta na consideração de que o Valor Aduaneiro é composto pelas mesmas parcelas da cláusula CIF (Cost, Insurance and Freight) do INCOTERMS. Da IN RFB nº 2.090, de 22 de junho de 2022, em seu artigo 10, tiramos um maior detalhamento da composição do Valor Aduaneiro Art. 10. Não serão incluídos no valor aduaneiro os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, na respectiva documentação comprobatória: I - custos de transporte e seguro, e outros gastos associados a esse transporte, incorridos dentro do território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 9º; e II - encargos relativos a serviços de construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executados após a importação. Então temos na Lei nº 10.865/2004, além da definição da base de cálculo do PIS/COFINS, nas operações de importação de bens, a determinação dos créditos que podem ser considerados nas operações de revendas destes mesmos bens ou de sua utilização como insumos no processo produtivo do contribuinte, já em território nacional, nos termos do seu artigo 15 e 17. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I - bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (...) § 3º O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8º sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º , acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição.(Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (...) § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam-se, no que couber, as disposições dos §§ 7º e 9º do art. 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) Fl. 6501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 65 Chamo a atenção para o fato de que as glosas que compõem este tópico não estão inclusas no Valor Aduaneiro, e não podem ser consideradas nos créditos permitidos pela Lei nº 10.865/2004 referentes à importação de bens sujeitos à incidência das contribuições, mas fazem parte do custo de aquisição de insumos e de bens para revenda, conforme a previsão dos artigos 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Sendo assim, não haveria duplicidade de reconhecimento de créditos pelo mesmo fato econômico na forma como está expresso na SD COSIT nº 7/2012, no seu item 21, acima reproduzido. Ademais na IN RFB nº 2.121, de 15 de dezembro de 2022 em seus artigos, abaixo reproduzidos, vemos que as demais despesas relacionadas à aquisição de bens nos termos dos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, compõem o custo de aquisição destes bens, como o frete e seguros pagos em Território Nacional, desde que sujeitos à incidência das contribuições. Art. 167. O direito ao crédito de que trata este Capítulo aplica-se exclusivamente em relação (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 3º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 3º): I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; e II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. (...) Art. 169. Os créditos de que trata esta Seção serão determinados mediante a aplicação, sobre a sua base de cálculo, dos percentuais de (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 1º, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 1º, e art. 15, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, art. 26): I - 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep; e II - 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para os créditos da Cofins. (...) Art. 171. Para efeito de cálculo dos créditos de que trata esta Seção, integram o valor de aquisição:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 2152, de 14 de julho de 2023) (...) II - o valor do seguro e do frete relativos ao produto adquirido, quando suportados pelo comprador.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 2152, de 14 de julho de 2023) (...) Esta é a mesma lógica encontrada na definição do custo de aquisição de bens para a revenda ou como insumos e que devem ser considerados para fins de apuração do Lucro Real, na forma assim definida no artigo 301, do Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018 (RIR/2018) e que serve de base de critérios e princípios para apuração do regime não cumulativo do PIS/COFINS, conforme já apontamos no início deste tópico. Também é claro que a restrição ao aproveitamento exclusivo de despesas de frete e seguros no custo de aquisição de bens e serviços, que gerem créditos ao PIS/COFINS, só pode prosperar como elemento restritivo se expressar o princípio expresso no artigo 301, do RIR/2018, em caráter não exaustivo, mas sim exemplificativo, pois não há maior detalhamento nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que autorizasse a Autoridade Tributária em determinar restrições ao direito de crédito do contribuinte em contradição à lógica mais ampla do Sistema Tributário Brasileiro. Fl. 6502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 66 Art. 301. O custo das mercadorias revendidas e das matérias-primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o livro de inventário, no fim do período de apuração (Decreto-Lei nº1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou na importação (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Os impostos recuperáveis por meio de créditos na escrita fiscal não integram o custo de aquisição. (grifo meu) Desta forma, a aplicação dos créditos previstos nos incisos I e II, dos artigos 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, no caso de bens importados, precisa considerar os créditos na forma prevista na Lei nº 10.865/2004, com relação aos custos exclusivamente relacionados à importação e, adicionalmente, os custos decorrentes da logística de aquisição ocorridos após a chegada da carga em Território Nacional e necessários ao seu desembaraço aduaneiro, assim como fretes e seguros contratados para movimentar estas cargas do ponto alfandegado ao efetivo domínio do contribuinte de PIS/COFINS. Estes custos incorridos, após a chegada da carga em Território Nacional, não são regidos mais pela Lei nº 10.865/2004, mas sim pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, e no caso envolvem os custos de despachantes aduaneiros e de logística portuária, aeroportuária ou de fronteira terrestres na mesma linha de critérios e princípios de que todo o custo necessário à aquisição e disponibilização para uso do bem importado compõe o seu valor de estoque ou de inventário. Cumpre destacar que não há que se estabelecer uma consideração à essencialidade ou relevância destes gastos em relação ao processo produtivo, como se pudessem ser inseridos no conceito de insumo. Estes gastos não se referem de forma alguma à produção, mas sim à composição dos custos de aquisição, aplicando-se a mesma lógica tanto aos insumos, como aos bens para revenda e bens adquiridos para o ativo imobilizado, neste último caso estas despesas comporão o valor a ser depreciado, incisos II, III e IV, dos artigos 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Desta forma, como estes gastos compõem o custo de aquisição de bens que possam dar origem a créditos de PIS/COFINS, foram incorridos em território nacional, são sujeitos ao pagamento de PIS/COFINS e não compõem a base de cálculo dos créditos admitidos em decorrência da Lei nº 10.865/2004, entendo que geram direito créditos de PIS/COFINS no regime não cumulativo, com base no regramento das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Não cabe também qualquer alegação em relação à tomada de decisão de proceder ao desembaraço aduaneiro através de uma estrutura de despachante aduaneiro da própria empresa ou pela contratação de terceiros, posto que é perfeitamente cabível o reconhecimento da liberdade negocial da empresa em estabelecer a melhor opção na execução de tarefas operacionais, no caso, se serão realizadas por funcionários da empresa ou por terceiros. Novamente nos deparamos com o fato de que as despesas que gerem créditos de PIS/COFINS Fl. 6503DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 67 precisam seguir os mesmos critérios expressos no parágrafo anterior, devendo apenas acrescentar a sua necessidade à operação, sendo irrelevante se são contratadas junto a terceiros ou não. Nesta mesma toada, voltamos aos princípios de contabilização previstos na legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, e entendo que basta que a despesa possa ser considerada como necessária, nos termos do art. 311, do RIR/2018. Despesas necessárias Art. 311. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora ( Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, caput ). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa ( Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º ) § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º) . § 3º O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, independentemente da designação que tiverem. Dou razão à Recorrente no sentido de reverter as glosas de despesas aduaneiras conforme descritas no relatório e no voto do Relator. Dos Custos com Energia Elétrica e Energia Térmica, inclusive sob a Forma de Vapor (Linha 04 das Fichas 06 e 16 da DACON) Da descrição das glosas presente no relatório do voto do relator, reproduzimos novamente as razões da glosa sobre gastos na aquisição de energia elétrica: c) Ficha 16A - Linha 04 - Despesas de Energia Elétrica Foram glosados, por não se referirem energia consumida, os valores relativos as despesas com serviços de gerenciamento de energia elétrica pagos à empresa COMERC ENERGIA S/A e os valores referentes a Tarifas de Uso do Sistema de Distribuição – TUSD. Vemos que o Relator reverteu as glosas em relação aos valores referentes ao TUSD, mas manteve a glosa em relação aos serviços de gerenciamento de energia elétrica pagos à empresa COMERC ENERGIA S/A. O direito ao crédito sobre os dispêndios na aquisição de energia elétrica decorre dos incisos IX e III, dos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, os quais reproduzo: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) (Lei nº 10.637/2002) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (...) (Lei nº 10.833/2003) Fl. 6504DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art47 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art47 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4506.htm#art47 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art17 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 68 Vemos no voto do Relator que a razão da manutenção da glosa, em relação às despesas relativas ao serviço de gerenciamento da contratação de energia elétrica para a viabilização de sua condição de consumidor livre nos termos dos artigos 15 e 16, da Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, assim foi expressa: No que se refere a essas despesas de serviços de gerenciamento da empresa COMERC ENERGIA S/A, entendo que não são essenciais ao processo produtivo da empresa, não constituindo-se em insumo do processo produtivo, visto que tais atividades poderiam ser efetuadas por prepostos da própria empresa. Além disso, tais serviços não são aplicados no processo produtivo, mas sim em etapa anterior nas negociações a fim de propiciar a aquisição de energia de acordo como as necessidades da empresa de forma otimizada e de menor custo. Aqui deparamo-nos novamente com a discussão de se este serviço faria parte do processo produtivo da empresa, mesma questão já abordada no tópico anterior e, se neste caso, esta despesa suportaria o teste de essencialidade ou relevância no processo produtivo. Esta discussão veio à baila através do próprio Recurso Voluntário, onde a Recorrente, frustrada no aproveitamento dos créditos declarados como despesas com energia elétrica na linha apropriada do DACON, tenta adequar-se à argumentação da autuação e busca o reconhecimento como insumo. Mas a discussão é impropria, na medida em que o direito ao crédito decorrente de gastos com energia elétrica é autônomo em relação aos gastos com aquisições de insumos, sendo prevista em incisos diversos do artigo 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, conforme já transcritos acima. Desta forma, a apreciação dos critérios de essencialidade e de relevância é completamente indevida, tendo surgido como solução para diversas discussões entre o Fisco e Contribuintes na apreciação do conceito de insumo, mas o crédito por energia elétrica não demanda que esta seja utilizada especificamente no processo produtivo da empresa. De fato, esta é uma exigência exclusiva dos incisos I, II, VI, X e XI, do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002 e incisos I, II, VI, IX, X e XI, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o consumo de energia elétrica não possui qualquer restrição para ser considerado como crédito no regime não cumulativo de PIS/COFINS, podendo incluir até mesmo o consumo nos setores administrativos da empresa. Neste caso, considero que o custo para a contratação de empresa especializada para gerenciar o acesso ao mercado de energia elétrica, utilizado pelo contribuinte, é necessária e deve compor os custos com energia elétrica, independente de haver ou não a opção da empresa em gerenciar esta contratação da distribuição da energia elétrica por conta própria, nos mesmos termos expressos no tópico anterior. A gestão da contratação e do uso da energia elétrica num grande consumidor como a Recorrente não pode ser dissociada de seu efeito necessário que é o próprio acesso ao mercado livre de energia e tem vínculo contábil obrigatório com os custos da própria energia consumida, sendo assim, considero que esta glosa deve ser revertida. Fl. 6505DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 69 Nas demais questões acompanho integralmente o Relator, exceto pela glosa relativa aos créditos decorrentes do aluguel, ou locação de veículos, onde acompanhei o relator pelas conclusões, que formalizo a seguir em minha Declaração de Voto, nos termos do § 8º, do art. 114, da Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 (RICARF). Da possibilidade de se considerar veículos como equipamentos Com base no § 9º, do art. 114, da Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 (RICARF) venho apresentar minhas razões de decidir, em decorrência de, apesar de acompanhar o voto do Relator pelas conclusões, divirjo das afirmações a respeito da do afastamento da caracterização de veículos como equipamentos, passíveis de serem assim considerados para fins da aplicação dos incisos IV, dos art. 3º, das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, e por consequência gerar créditos decorrentes dos gastos com aluguéis destes veículos na apuração de PIS/COFINS no regime não cumulativo. Minha divergência, de forma a consignar os fundamentos adotados pela maioria vencedora, decorre do fato de que considero que veículos possam ser sim considerados como equipamentos, dependendo dos usos que lhes são dados na atividade produtiva da empresa. Por óbvio que o senso comum nos leva a relacionar os veículos como gênero exclusivamente ao transporte de pessoas ou de carga e, de fato, na maioria das vezes a sua utilização assume este objetivo, mesmo que secundariamente se pudesse atribuir a estas funções a natureza de secundárias ou residuais, mas via de regra, sua caracterização dá-se por sua função principal e característica. Esta é a conclusão do Ato Declaratório Interpretativo nº 4, de 2015, utilizada por nosso nobre relator nas suas razões de decidir, onde a RFB expressa sua opinião no sentido de que veículos não podem ser classificados como equipamentos por falta de uma previsão normativa para tal. Também se argumenta que que a Classificação Fiscal dos veículos, na forma prevista no Sistema Harmonizado (SH), afastaria as pretensões da Recorrente no sentido de se apropriar dos créditos decorrentes do aluguel dos mesmos. A conclusão decorre do fato de que Máquinas e Equipamentos são classificados nos Capítulos 84 e 85 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e os veículos no Capítulo 87. O SH foi internalizado na legislação brasileira pelo Decreto nº 97.409, de 22 de dezembro de 1988. Tendo em vista que o SH foi desenhado para um determinado fim específico, e que sua amplitude e utilidade aproveitam muitas outras aplicações de natureza diversa de seu projeto de origem, a sua utilização nestas outras aplicações precisa ser conduzida com o reconhecimento das restrições advindas da ampliação do escopo de aplicação do SH, às vezes até mesmo resultando em interpretação indevida. Fl. 6506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-011.430 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722958/2014-75 70 O SH não tem a pretensão de atribuir natureza jurídica aos bens, e nem de estabelecer uma classificação técnica de mesma natureza daquelas determinadas pelas áreas de conhecimento humano que regulam as diversas atividades comerciais relacionadas. Assim, a verificação de se um bem, que seja um veículo, e cuja função mais evidente seria o transporte de pessoas ou de bens, possa ser ou não utilizado como equipamento ou máquina no contexto de um determinado processo produtivo precisa ser feita de maneira casuística. Desta forma, um caminhão especializado, que seja utilizado no transporte da produção mineral do seu local de extração até o ponto de processamento, dentro da área geográfica de uma mina de extração mineral, cumpre a função de equipamento essencial e necessário à produção, da mesma forma que uma esteira faria a mesma função e seria facilmente compreendida como um equipamento cujos gastos com aluguel implicariam em créditos no regime não cumulativo. Também poderíamos citar um caminhão sonda, utilizado para a perfuração de poços de petróleo em terra. Em que pese ser um caminhão, a sua função principal é permitir a perfuração de poços para exploração de petróleo, e como tal, atua como equipamento, ainda que seja autopropulsado e possa se movimentar entre as diversas áreas de exploração. Os exemplos seriam vários, e é desnecessário aprofundarmos mais neste ponto. Apesar desta divergência conceitual, sigo as conclusões do Voto do Relator por entender que não ficou claramente demonstrado nos autos que os veículos, cujos créditos decorrentes de suas despesas com aluguéis são pleiteados, seriam passíveis de serem considerados equipamentos dentro do processo produtivo da empresa. É como voto. (documento assinado digitalmente) 340 Jorge Luís Cabral Fl. 6507DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
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Numero do processo: 16098.000096/2007-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ADMISSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. JCP. LIMITE TEMPORAL. ARCABOUÇO JURÍDICO DISTINTO. IMPOSSIBILIDADE
No exame de admissibilidade do recurso especial, além da tempestividade, do prequestionamento da matéria e dos demais requisitos contidos na legislação, é preciso que haja divergência interpretativa, a ser demonstrada por meio da indicação de até duas decisões por matéria, bem como dos pontos nos paradigmas que divirjam de pontos específicos do acórdão recorrido.
Quando o acórdão recorrido e o paradigma analisam situação similar, mas sob arcabouços jurídicos distintos, não há que se falar na exigida similitude fática.
Numero da decisão: 9101-007.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
Assinado Digitalmente
Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic – Relatora
Assinado Digitalmente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA CAROLINA MALDONADO MENDONCA KRALJEVIC
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ADMISSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. JCP. LIMITE TEMPORAL. ARCABOUÇO JURÍDICO DISTINTO. IMPOSSIBILIDADE No exame de admissibilidade do recurso especial, além da tempestividade, do prequestionamento da matéria e dos demais requisitos contidos na legislação, é preciso que haja divergência interpretativa, a ser demonstrada por meio da indicação de até duas decisões por matéria, bem como dos pontos nos paradigmas que divirjam de pontos específicos do acórdão recorrido. Quando o acórdão recorrido e o paradigma analisam situação similar, mas sob arcabouços jurídicos distintos, não há que se falar na exigida similitude fática.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic – Relatora Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício).
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RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. JCP. LIMITE TEMPORAL. ARCABOUÇO JURÍDICO DISTINTO. IMPOSSIBILIDADE No exame de admissibilidade do recurso especial, além da tempestividade, do prequestionamento da matéria e dos demais requisitos contidos na legislação, é preciso que haja divergência interpretativa, a ser demonstrada por meio da indicação de até duas decisões por matéria, bem como dos pontos nos paradigmas que divirjam de pontos específicos do acórdão recorrido. Quando o acórdão recorrido e o paradigma analisam situação similar, mas sob arcabouços jurídicos distintos, não há que se falar na exigida similitude fática. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic – Relatora Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Fl. 735DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.102 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16098.000096/2007-99 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 1302-005.987, proferido em 18.11.2021, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento (fls. 629/650) assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 JCP. IRRF. COMPENSAÇÃO DENTRO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. MOMENTO DA TRANSMISSÃO DA DCOMP. A transmissão da DCOMP na data de vencimento do tributo não afasta o direito à compensação de débitos e créditos do mesmo período de apuração. Inexiste previsão legal acerca da alegada limitação temporal. RETORNO DE DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. Tendo a diligência confirmado a existência de saldo negativo, cabível a homologação da compensação até o limite do valor reconhecido. Na oportunidade, os membros do colegiado por unanimidade de votos, votaram por dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 19.950.000,00, e homologar a compensação realizada até o limite do crédito reconhecido. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, sustentando que o Acórdão nº 1302-005.987 conferiu à legislação tributária interpretação divergente daquela dada por outros julgados do CARF quanto à matéria “limite temporal para o contribuinte proceder ao encontro de contas entre créditos e débitos de imposto de renda na fonte incidente sobre juros sobre capital próprio”. Indicou como paradigma o Acórdão nº 2202-01.664. Sobreveio despacho de admissibilidade (fls. 672/676), que deu seguimento ao recurso especial nos seguintes termos: Há identidade jurídica e similitude fática entre os dois julgados confrontados. Isso porque em ambos os casos os respectivos colegiados foram instados a se pronunciar sobre Fl. 736DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.102 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16098.000096/2007-99 3 existe ou não um limite temporal para proceder ao encontro de contas entre créditos e débitos do IRRF - através de DCOMP - incidente sobre juros sobre capital próprio, na sistemática do lucro real. A Recorrente logrou êxito na demonstração da divergência nos termos propostos por ela em seu recurso especial. O acórdão recorrido abraçou entendimento menos restritivo de que não haveria limite temporal, ou seja, para o beneficiário, pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o encontro de contas entre créditos e débitos do IRRF incidentes sobre o JCP não precisa ser efetuado antes de encerrado o período de apuração do IRPJ devido (anual ou trimestral). Dessa forma, a Turma concluiu que não existe óbice à apresentação de DCOMP após o encerramento do ano-calendário em que as retenções foram realizadas. O seguinte trecho do acórdão recorrido dá conta de descrever a situação fática: A decisão recorrida externou sua interpretação (equivocada) do dispositivo legal. Em seu entender, não seria permitida a compensação do imposto incidente sobre os JCP recebidos com os JCP pagos se a transmissão da declaração não se der dentro do mesmo período do recebimento/pagamento. A recorrente compreendeu e contestou essa motivação. A turma concordou com essa contestação (o direito à compensação se mantém enquanto não vencido o prazo para o recolhimento do imposto sobre os JCP pagos). (Destacou-se). De outra banda, em sentido diverso, o paradigma adota entendimento mais restritivo de que haveria um limite temporal, sim, e que assim o referido encontro de contas só seria possível se fosse dentro do próprio período de apuração. Findo o referido prazo, passaria a valer a regra geral que considera o imposto retido como antecipação do devido na declaração. Confira-se trecho do paradigma a esse respeito: (...) Por todo exposto, proponho que o recurso especial da PGFN seja admitido. No mérito, a Fazenda Nacional sustenta em seu recurso especial, em resumo, que (i) nos termos do art. 9º da Lei nº 9.249/1995, a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre rendimentos recebidos de Juros sobre o Capital Próprio – JCP somente pode ser efetuada com débitos de IRRF sobre pagamentos efetuados a mesmo título e apenas dentro do próprio ano calendário da retenção; e (ii)no presente caso, considerando que as retenções na fonte ocorreram no ano de 2003, o processo deveria ter sido formalizado até 31/12/2003, independentemente da data de vencimento do débito, entretanto, a DCOMP foi apresentada em 07/01/2004, o que motivou a não homologação da compensação. Intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões (fls. 687/705), alegando, quando à admissibilidade do recurso especial, (i) o anacronismo do paradigma indicado, tendo em vista que referido acórdão entendeu que o “limite temporal” (“final do período de apuração”) Fl. 737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.102 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16098.000096/2007-99 4 para a compensação de créditos de IRRF incidente sobre JCP com débitos da mesma natureza estaria previsto “no art. 32 da Instrução Normativa no 600, de 2005”, que teria disciplinado o “procedimento a ser adotado para a compensação do crédito tributário”, sendo que, no caso dos autos a declaração de compensação foi transmitida em 07/01/2004, isto é, muito antes do advento do referido “art. 32 da Instrução Normativa no 600, de 2005”, e também da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004, que possuía redação semelhante; e (ii) a ausência de similitude fática entre recorrido e paradigma, na medida em que, no recorrido, analisou-se declaração de compensação de crédito de IRRF sobre JCP recebido com débito de IRRF sobre JCP pago, enquanto, no paradigma, examinou-se auto de infração lavrado em razão da falta de recolhimento de IRRF sobre os valores pagos a título de JCP, em razão da compensação contábil de créditos e débitos de IRRF sobre JCP sem a apresentação da competente declaração de compensação; e (iii) que a matéria supostamente controvertida, na realidade, foi analisada pelo Acórdão paradigma nº 2202-01.664, apenas a título de “obter dictum”, como entendeu a 2ª Turma da CSRF ao examinar esse mesmo paradigma no Acórdão nº 9202-009.793. No mérito, sustentou, em resumo, que (i) a compensação que pode ser feita com o crédito de IRRF sobre JCP é aquela que se dá com o débito de IRRF sobre JCP retido no mesmo ano-base, e não cujo prazo para repasse aos cofres públicos, no caso efetivado por meio de compensação, ocorra no mesmo ano-calendário; (ii) o inciso I do parágrafo 3' do artigo 9' da Lei n' 9.249/95 estabelece que “o imposto retido na fonte será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real”, e não ao “final do período de apuração” como quer fazer crer a Fazenda Nacional; (iii) a interpretação pretendida pela Fazenda Nacional apenas passou a ser prevista nas Instruções Normativas SRF n' 460/2004 e 600/2005; (iv) não há dúvidas de que o artigo 9' da Lei n' 9.249/95 autoriza a compensação em questão desde que ela se dê com tributo retido no mesmo ano-calendário ou trimestre em que a pessoa jurídica apure débito de IRRF em decorrência do pagamento de JCP e a transmissão da DCOMP ocorreu até a data do prazo para repasse do valor retido, exatamente como feito pela Recorrida; e (v) a jurisprudência deste E. CARF é pacífica quanto à possibilidade de o contribuinte apresentar a declaração de compensação até a data de vencimento do débito de IRRF ainda que isso ocorra no ano-base seguinte. É relatório. VOTO Conselheira Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic , Relatora I – ADMISSIBILIDADE O prazo para o sujeito passivo e para a Fazenda Nacional interporem recurso especial é de 15 dias contados da data de ciência da decisão recorrida. E eventuais embargos de declaração opostos tempestivamente, isto é, no prazo de 5 dias da ciência do acórdão embargado, Fl. 738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.102 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16098.000096/2007-99 5 interrompem o prazo para a interposição de recurso especial1. Ainda, de acordo com o art. 5º do Decreto nº 70.235/1972, os prazos são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Ademais, os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Especialmente no que se refere à Fazenda Nacional, de acordo com os artigos 23, § 9º, do Decreto nº 70.235/1972, e 7º, §5º, da Portaria MF 527/2010, o prazo para a interposição do recurso será contado a partir da data da intimação pessoal presumida, isto é, 30 dias contados da entrega dos respectivos autos à PGFN, ou em momento anterior, na hipótese de o Procurador se dar por intimado mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. No presente caso, os autos foram encaminhados à PGFN para ciência do Acórdão nº 1302-005.987 em 31.12.2021 (fl. 651) e devolvidos com recurso especial em 15.02.2022 (fl. 666). Assim, é tempestivo o recurso especial ora em análise. No exame da admissibilidade do recurso especial, além da tempestividade e dos demais requisitos contidos na legislação, é preciso verificar: (i) o prequestionamento da matéria, que deve ser demonstrado pelo recorrente com a precisa indicação na peça recursal do prequestionamento contido no acórdão recorrido, no despacho que rejeitou embargos opostos tempestivamente ou no acórdão de embargos; e (ii) a divergência interpretativa, que deve ser demonstrada por meio da indicação de até duas decisões por matéria, bem como dos pontos nos paradigmas que divirjam de pontos específicos do acórdão recorrido. Com relação à divergência, o Pleno da CSRF concluiu que “a divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identifiquem ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles”2. Com relação ao prequestionamento, o acórdão recorrido versa também sobre a matéria “limite temporal para o contribuinte proceder ao encontro de contas entre créditos e débitos de imposto de renda na fonte incidente sobre juros sobre capital próprio”, estando, portanto, preenchido tal pressuposto. No que se refere à divergência interpretativa, o acórdão recorrido, ao analisar a compensação de IRRF sobre JCP relativos ao ano-calendário de 2003 – erroneamente informado pela Recorrida como saldo negativo do período – com débito de JCP, concluíram os julgadores que a Recorrida preenchia os requisitos legais para tanto, devendo a compensação ser homologada, não obstante a declaração de compensação tenha sido transmitida em 07/01/2004, data de vencimento do débito de IRRF sobre JCP. Essa situação fica muito clara na ementa do acórdão recorrido: 1 Tais previsões estavam contidas nos artigos 65 e 68 do Regimento Interno do CARF (“RICARF”) aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e, atualmente, são objeto dos artigos 119 e 116 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023. 2 Acórdão n. 9900-00.149. Sessão de 08/12/2009. Fl. 739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.102 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16098.000096/2007-99 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 JCP. IRRF. COMPENSAÇÃO DENTRO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. MOMENTO DA TRANSMISSÃO DA DCOMP. A transmissão da DCOMP na data de vencimento do tributo não afasta o direito à compensação de débitos e créditos do mesmo período de apuração. Inexiste previsão legal acerca da alegada limitação temporal. RETORNO DE DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. Tendo a diligência confirmado a existência de saldo negativo, cabível a homologação da compensação até o limite do valor reconhecido. No mérito o acórdão recorrido confirma o conteúdo da ementa, embora não de forma tão fluida, tendo em vista que os julgadores concluíram que a limitação temporal para a compensação de crédito de IRRF sobre JCP com débito da mesma natureza era questão de mérito -e não uma preliminar, como entendeu a relatora, que analisou tema de forma mais detalhada. Confira-se: Voto Vencido [apenas quanto à preliminar de nulidade em razão da necessidade de afastamento da limitação temporal] 3. PRELIMINAR: DO NECESSÁRIO AFASTAMENTO DA LIMITAÇÃO TEMPORAL A teor do que se relatou, a compensação pretendida nos presentes autos não foi homologada unicamente em razão de ter sido transmitida em 07/01/2004, data do vencimento do tributo, enquanto o aproveitamento do crédito se deu em dezembro de 2003. Veja-se o conteúdo do despacho decisório (e-fls. 29-35): Ementa: O Crédito procedente de IRRF sobre Juros sobre o Capital Próprio creditado a acionista somente poderá ser utilizado para compensação, com débito também relativo a IRRF sobre Juros sobre o Capital Próprio, no mesmo ano-calendário em que foram creditados os juros, e efetuada a retenção. Resultado da Decisão: Compensação Não Homologada. Diante do exposto, proponho o NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO relativo ao crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre a remuneração de juros sobre o capital próprio, no valor de RS 19.950.000,00, e que a compensação feita com sua utilização seja declarada NÃO HOMOLOGADA. Na fundamentação, a autoridade fiscal defende que a compensação somente poderia ser feita no período de apuração, com base nas Instruções Normativas nº 460 de 26/10/2004 e a de nº 600 de 28/12/2005. Fl. 740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.102 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16098.000096/2007-99 7 Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte defendeu a inexistência de previsão legal de limitação temporal para aproveitamento do crédito por DCOMP, a não ser a limitação temporal prevista no art. 168 do CTN. Objetou, assim, que que a previsão contida no art. 32 da IN 600/2005 não se coaduna com o art. 9º da Lei n° 9.249/95. (...) Tenho que assiste razão à recorrente, ainda que por motivos diversos. Antes mesmo de verificar a compatibilidade das disposições das instruções normativas referidas é preciso lembrar que elas sequer existiam à época da transmissão do PER/DCOMP, em 07/01/2004. Com efeito, antes das IN 460/04 e 600/05, não havia qualquer limitação temporal, de modo que a exigência contida no despacho decisório com importa em retroatividade de lei no tempo e cria limitação de direito sem base legal para tanto, o que efetivamente viola a legalidade. Destaco que na época vigia a Instrução Normativa SRF nº 376, de 23 de dezembro de 2003, que não previa qualquer limitação temporal, como se observa do seu art. 2º, caput e inciso VI: (...) No entanto, deixo de acolher a nulidade, uma vez que pode ser superada em razão do mérito que se mostra favorável ao contribuinte, como se verá. A superação da nulidade pelo mérito favorável encontra respaldo legal no § 3º do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72: (...) 4. DO MÉRITO: EXISTÊNCIA E DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO E DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS NA SEGUNDA DILIGÊNCIA Superado o óbice temporal [analisado pela Relatora na preliminar de nulidade, que restou vencida], e confirmada a existência do crédito, bem como sua disponibilidade, tenho que a compensação buscada nestes autos deve ser homologada, ainda que o contribuinte tenha se equivocado ao declarar o valor de IRRF de JCP como saldo negativo no ano-calendário 2003. Com efeito, apesar do erro na DIPJ, o crédito de IRRF no valor R$ 19.950.000,00 não foi utilizado, tanto que posteriormente terminou sendo reconhecido definitivamente como parte do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário 2003, no valor de R$ 20.527.777,35 no processo nº 16095.000603/2007-14 e expressamente confirmado na segunda diligência. Veja-se que a DCOMP dos presentes autos foi transmitida em 07/01/2004, data de vencimento do débito, e não foi homologada unicamente por força da limitação temporal ilegalmente imposta à recorrente. Ou seja, na época da transmissão da DCOMP, a recorrente preenchia os requisitos legais concernentes ao aproveitamento do IRRF de JCP, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.249/95 e da IN SRF então vigente, de nº 376/2003, art. 2º, caput e inciso VI: (...) Voto Vencedor Fl. 741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.102 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16098.000096/2007-99 8 Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, Redator designado. Com as vênias que merecem o excelente voto do ilustre relatora, a maioria da turma dela divergiu unicamente no tocante ao reconhecimento da nulidade parcial do acórdão recorrido (ainda que tenha prosseguido no julgamento do mérito com base na possibilidade de sua superação estabelecida pelo § 3º, do art. 59, do Decreto nº 70.235/72). Isto porque inexiste nulidade no simples fato de a instância a quo manifestar o seu entendimento com base em instruções normativas supervenientes se estas possuem caráter meramente interpretativo. (...) Não se pode dizer que houve ausência de motivação. A decisão recorrida externou sua interpretação (equivocada) do dispositivo legal. Em seu entender, não seria permitida a compensação do imposto incidente sobre os JCP recebidos com os JCP pagos se a transmissão da declaração não se der dentro do mesmo período do recebimento/pagamento. A recorrente compreendeu e contestou essa motivação. A turma concordou com essa contestação (o direito à compensação se mantém enquanto não vencido o prazo para o recolhimento do imposto sobre os JCP pagos). Tratava-se, portanto, de questão de mérito. Por essas razões, a maioria da turma decidiu por divergir da decisão da ilustre relatora, mas, tão somente, no tocante ao reconhecimento da nulidade parcial do acórdão recorrido. Note-se que o voto vencedor, que, frise-se, se refere apenas à preliminar de nulidade, reafirma o entendimento da Relatora no que se refere à possibilidade de “compensação do imposto incidente sobre os JCP recebidos com os JCP pagos se a transmissão da declaração não se der dentro do mesmo período do recebimento/pagamento”. No Acórdão paradigma nº 2202-01.664, por sua vez, analisou-se auto de infração lavrado para exigência de IRRF sobre JCP, relativos aos anos-calendário de 2005,2006 e 2007, em razão de suposta compensação contábil com crédito de IRRF sobre JCP, quando o correto seria compensação por meio de PER/DCOMP. Confira-se: Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5 a 8, integrado pelos demonstrativos de fls. 9 a 11, pelo qual se exige a importância de R$17.745.099,68, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do imposto sobre os valores pagos a título de juros sobre o capital próprio. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido no Relatório da Ação Fiscal de fls. 14 a 17, no qual o autuante esclarece que: (..) Fl. 742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.102 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16098.000096/2007-99 9 analisando os Livros Razão e as Declarações de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, relativas aos anos-calendário 2005, 2006 e 2007, constatou-se que a contribuinte deixou de recolher o IRRF incidente sobre os JCP pagos aos seus acionistas; • observou-se, ainda, que tais débitos de IRRF não foram informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, referentes aos anos-calendário 2005, 2006 e 2007; • constatou-se que os valores das retenções de imposto de renda incidente sobre os JCP pagos aos acionistas foram compensados contabilmente com o IRRF oriundo de JCP recebidos da investida Cia Zaffari, entretanto, tal procedimento não atende aos requisitos legais, uma vez que compensação deveria ter sido efetuada por meio de PER/DCOMP (art. 74 da Lei no 9.430, de 1996 e art. 26 da Instrução Normativa no 600, de 2005); No enfrentamento do tema, o voto da Relatora inicia historiando a evolução da legislação que rege a compensação, para concluir que “a partir da promulgação da Medida Provisória no 66, de 2002, a apresentação de Declaração de Compensação como requisito obrigatório para a formalização da compensação do crédito tributário, ainda que se trate de tributo da mesma espécie, encontra-se fundamentada na legislação que rege a matéria, anteriormente transcrita”. Em seguida, passa a analisar o limite temporal para compensação de crédito de IRRF sobre JCP com débito de mesma espécie – tema que, aparentemente, não foi fundamento para o lançamento, mas foi invocado pela decisão então recorrida: Como bem ressaltou o julgador a quo à fl. 119: A leitura do artigo conduz à lógica de que há duas destinações possíveis para o imposto retido na fonte por juros sobre o capital próprio, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real: ou ser considerado antecipação do devido na declaração ou ser utilizado para compensação com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seu titular, sócios ou acionistas. A primeira hipótese contemplaria a regra geral, uma vez que o legislador empregou a expressão será; a segunda, a exceção, consagrada pela expressão poderá. A interpretação que permite harmonizar as duas possibilidades de aproveitamento do IRRF sobre os juros sobre o capital próprio é aquela que atenta ao aspecto temporal: a faculdade de compensar vai somente até o final do período de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). Findo tal prazo, passa a incidir a regra geral, que prevê considerar-se o imposto retido como antecipação do devido na declaração (desde que a pessoa jurídica queira aproveitá-lo, conforme prevê o caput do art. 9° da Lei 9.249/95). Embora a recorrente sustente que a lei não teria fixado prazo para a compensação pretendida, verdade é, que tal limite temporal, assim como a Fl. 743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.102 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16098.000096/2007-99 10 necessidade de apresentação de Declaração de Compensação, encontram-se expressamente previstos no art. 32 da Instrução Normativa no 600, de 2005 (grifei): (...) Pelos fundamentos acima exposto, concluo que a apresentação da Declaração de Compensação é requisito obrigatório para a compensação do crédito tributário, sem o qual a compensação não se conforma e, portanto, não havendo a contribuinte apresentado a referida declaração não ocorreu a compensação alegada pela defesa, mantendo-se, assim, a exigência do IRRF lançado pela fiscalização. Note-se que o acórdão recorrido analisou a DCOMP transmitida em 07.01.2004, para compensar créditos de IRRF sobre JCP com débito de IRRP sobre JCP apurados no ano de 2003 e, diante disso, concluíram os julgadores pela ilegalidade da limitação temporal imposta à Recorrida com base nas IN 460/04 e 600/05, tendo em vista que tais normas não vigiam quando da compensação. Tal afirmação, apesar de constar expressamente na parte do voto da Relatora que foi vencido (fl. 642), não foi o ponto sobre o qual recaiu a divergência. Tanto que é tacitamente corroborada na parte do voto da Relatora que foi vencedora (“Superado o óbice temporal...”, fl, 647) e no voto vencedor quanto à nulidade (“decisão recorrida externou sua interpretação (equivocada) do dispositivo legal”). Por outro lado, o Acórdão paradigma nº 2202-01.664 examinou compensações contábeis de créditos de IRRF sobre JCP com débito de IRRF sobre JCP realizadas nos anos de 2005, 2006, 2007 e concluiu, ainda que esse não fosse o ponto central da divergência, que a IN 600/05 era aplicável ao caso, impondo um limite temporal à compensação em questão. Isto é, no acórdão recorrido, a compensação foi homologada, dentre outros, porque não vigia o limite temporal imposto pela IN 600/05, enquanto, no acórdão paradigma, a compensação não foi admitida, dentre outros, em razão da aplicação da então vigente IN 600/05. Portanto, não há dúvidas de que o acordão paradigma e o recorrido analisaram situações que, ainda que se considere similares, estavam sujeitas a arcabouços jurídicos distintos, o que afasta a exigida similitude fática entre recorrido e paradigma. Ademais, reforça a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o Acórdão paradigma nº 2202-01.664 o fato de o lançamento objeto do segundo decorrer de compensação contábil realizada com crédito de IRRF sobre JCP, quando o correto seria compensação por meio de PER/DCOMP – situação completamente estranha àquela que ensejou a não homologação da compensação objeto do acórdão recorrido. II – CONCLUSÕES Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do RECURSO ESPECIAL. Assinado Digitalmente Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic Fl. 744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.102 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16098.000096/2007-99 11 Fl. 745DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto I – ADMISSIBILIDADE II – CONCLUSÕES
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Numero do processo: 10183.721661/2013-58
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009
NULIDADE.
As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência.
PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DE DCTF.
O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos tributos e aos períodos de apuração fiscalizados. As DCTF retificadoras entregues após o início do procedimento fiscal não produzem quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
IMPUGNAÇÃO. PROVAS
A impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.
Numero da decisão: 3302-014.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Lazaro Antonio Souza Soares - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocado(a)), Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DE DCTF. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos tributos e aos períodos de apuração fiscalizados. As DCTF retificadoras entregues após o início do procedimento fiscal não produzem quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. IMPUGNAÇÃO. PROVAS A impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares - Presidente (documento assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocado(a)), Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 16 61 /2 01 3- 58 Fl. 547DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-014.676 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721661/2013-58 Relatório Trata-se de processo de autos de infração relacionados à cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep) referentes ao período de janeiro a dezembro de 2009. O Auditor Fiscal identificou uma insuficiência de recolhimento das contribuições, comparando os valores declarados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) com os valores confessados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), sem recolhimento ou declaração em Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). A contribuinte justificou que não pôde retificar as DCTF devido a uma norma específica. Em sua impugnação, alegou a nulidade dos autos de infração pela falta de elementos corretos para o lançamento, citando princípios constitucionais e alegando que a Administração Tributária baseou-se em informações incorretas. Também argumentou sobre o direito ao crédito tributário de PIS/Cofins, destacando mudanças na legislação que permitem o creditamento em determinadas situações, como a comercialização de álcool para fins carburantes. Além disso, mencionou que a tributação sobre o álcool é plurifásica e não monofásica, como alegado pelo Fisco Federal, defendendo seu direito ao creditamento das contribuições. Por fim, solicitou que, caso sua impugnação não seja aceita, o lançamento seja realizado com base em informações corretas dos fatos geradores dos tributos, em vez de dados extraídos de declarações equivocadas. Vale ressaltar que o mesmo procedimento fiscal apurou a falta de recolhimento de IRPJ e CSLL, sendo resolvido no processo administrativo nº 10183.721657/2013-90. O acórdão recorrido, negou provimento à impugnação da contribuinte, recebendo a decisão a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DE DCTF. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos tributos e aos períodos de apuração fiscalizados. As DCTF retificadoras entregues após o início do procedimento fiscal não produzem quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. IMPUGNAÇÃO. PROVAS A impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Fl. 548DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-014.676 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721661/2013-58 Inconformada com a decisão acima mencionada a contribuinte interpôs o recurso voluntário onde reprisa os argumentos trazidos em sua impugnação, acrescentando a existência de ações judiciais que lhe daria direito a crédito de PIS e COFINS em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo das referidas contribuições, a existência de outra medida judicial agora que lhe permitiria o creditamento pleno do PIS e da COFINS na modalidade da não- cumulatividade. Eis o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator. O recurso é tempestivo e trata de matéria de competência desta Turma, portanto, passa a ser analisado. Conforme relatado, trata-se de autos de infração que exigem crédito tributário relacionado ao não recolhimento de PIS e COFINS não-cumulativos no período de apuração de janeiro a dezembro de 2009. A impugnação da contribuinte trouxe apenas alegações relacionadas a princípios constitucionais e à suposta falta de busca pela verdade real, pugnando pelo cancelamento dos autos de infração, contudo, sem trazer aos autos qualquer elemento de prova que lhe garantisse tal pleito. No recurso, além de repetir as matérias trazidas na impugnação, a contribuinte recorrente inova, trazendo aos autos informações relacionadas a decisões judiciais prolatadas em seu favor que lhe permitiriam a retirada do ICMS da base de cálculo das contribuições aqui discutidas, além de outra decisão que lhe garantiria a tomada plena de crédito do PIS e COFINS não-cumulativos, mesmo tendo como atividade um ramo que estabelece a cobrança cumulativa das referidas contribuições. Tais fatos, trazidos somente em sede de recurso voluntário, são alvo da preclusão consumativa, tratada pelo art. 17 do Decreto 70.235/72, uma vez que deveriam ter sido trazidos aos autos quando da impugnação, fase inaugural do procedimento administrativo. No decorrendo do processo a recorrente não trouxe ao processo documentos que comprovassem a existência do crédito pleiteado. A decisão recorrida está correta. Isso se deve ao fato de que, para comprovar a liquidez e certeza do suposto direito, é fundamental que isso seja demonstrado por meio da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, como o livro diário, razão e notas fiscais de aquisição de mercadorias. No caso em questão, a Recorrente não apresentou qualquer documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar a origem do crédito apurado. Todos os documentos incluídos nos autos, como a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) e o PER/DCOMP (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Fl. 549DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-014.676 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721661/2013-58 Compensação), não demonstram a origem do crédito pretendido pelo contribuinte. Além disso, no recurso voluntário, a Recorrente não trouxe documentos que evidenciassem a origem do crédito. Com relação à prova dos fatos e ao ônus da prova, os artigos 36 da Lei nº 9.784/99 e 373, inciso I, do Código de Processo Civil estabelecem que cabe à Recorrente, como autora do processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que está pleiteando. Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; É relevante destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado sobre a divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Pela ausência de apresentação de qualquer elemento que poderia modificar ou extinguir a decisão de primeira instância, a mesma deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Eis o meu voto. (documento assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus, Relator Fl. 550DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-014.676 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721661/2013-58 Fl. 551DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721548/2018-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 1302-001.189
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário, junto à Divisão de Análise de Retorno e Distribuição de Processos (Dipro) da Coordenação-Geral de Gestão do Julgamento (Cojul) deste CARF, até a
decisão definitiva nos autos do processo administrativo nº 16561.720091/2019-04, nos termos do relatório e voto da relatora.
Nome do relator: MARIA ANGELICA ECHER FERREIRA FEIJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário, junto à Divisão de Análise de Retorno e Distribuição de Processos (Dipro) da Coordenação-Geral de Gestão do Julgamento (Cojul) deste CARF, até a decisão definitiva nos autos do processo administrativo nº 16561.720091/2019-04, nos termos do relatório e voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Maria Angélica Echer Ferreira Feijó - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Savio Salomao de Almeida Nobrega, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 506-526) apresentado em face do Acórdão Recorrido nº 08-45.464 (fls. 490-496), proferido pela 5º Turma da DRJ/FOR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em 15 de janeiro de 2019. Na origem, o Despacho Decisório nº 135045393 (fl. 203), emitido em 10/07/2018, indeferiu o pedido de restituição apresentado no PER/DCOMP nº 10401.94947.290618.1.6.02-6031 (fls. 204-205). O pleito creditório da Recorrente não fora acolhido no Acórdão Recorrido sob o fundamento de que “depreende-se que a dedutibilidade do ágio não encontra base legal se ausente comprovante respaldando a escrituração a título de rentabilidade futura.” (fl. 6 do pdf). Nas suas razões recursais, aduz que houve equivoco na análise realizada sobre o direito Fl. 590DF CARF MF Original Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0724.16594.13YW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0724.16594.13YW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 da Resolução n.º 1302-001.189 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721548/2018-39 creditório da Recorrente, seja em relação a suposta existência de duplicidade na utilização do crédito, seja em razão da inadmissibilidade das repercussões fiscais referentes à dedução do ágio. Após a interposição do Recurso Voluntário, o processo foi remetido ao CARF e distribuído a esta Relatora. É o relatório, na essência. Voto Conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Relatora. DO SOBRESTAMENTO DO FEITO O principal fundamento do direito creditório da Recorrente está no ágio discutido no processo nº 16561.720091/2019-04, também de minha Relatoria. Vejamos o que consta no Acórdão Recorrido neste caso, como fundamento para indeferimento do crédito pleiteado em PER/DCOMP: Com base nas regras acima transcritas, a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, pode amortizar, na apuração do lucro real, o valor do ágio cujo fundamento seja a expectativa de rentabilidade futura, à razão de sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Essa regra aplica-se também quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Das disposições supra, depreende-se que a dedutibilidade do ágio não encontra base legal se ausente comprovante respaldando a escrituração a título de rentabilidade futura. Em que pese a manifestante tenha apresentando um Laudo sobre a aquisição da participação societária, não foi suficiente para atestar a efetividade de rentabilidade futura que justificasse o pagamento do ágio sob tal fundamento no momento em que ocorreu a definição de seu valor e a contabilização do ágio. Temos que a legislação exige que o registro contábil seja subsidiado por demonstração que justifique o valor pago a título de rentabilidade futura. Ou seja, o sujeito passivo tem o dever legal de dispor, quando do lançamento contábil do ágio a título de rentabilidade futura, de um documento em que esteja demonstrado o valor dos lucros futuros determinados de acordo com critérios ordinários de apuração e debaixo de premissas econômicas adequadas à situação concreta, dentre as normalmente utilizadas. Nos memoriais apresentados pela Recorrente, inclusive, é informada tal correspondência: Fl. 591DF CARF MF Original Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0724.16594.13YW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0724.16594.13YW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 da Resolução n.º 1302-001.189 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721548/2018-39 Assim, considerando que, naquele autos (processo nº 16561.720091/2019-04) houve a conversão do julgamento para diligência, com baixa à unidade de origem para esclarecimentos, entendo que este processo – a ele conectado – deve ser sobrestado, aguardando decisão final no referido processo, vez que a matéria daquelas autos é prejudicial aos destes autos. Por todo o exposto, determino o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, junto à Divisão de Análise de Retorno e Distribuição de Processos (Dipro) da Coordenação-Geral de Gestão do Julgamento (Cojul) deste CARF, até a decisão definitiva nos autos do processo administrativo nº 16561.720091/2019-04. (documento assinado digitalmente) Maria Angélica Echer Ferreira Feijó Fl. 592DF CARF MF Original Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0724.16594.13YW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0724.16594.13YW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Ministério da Fazenda PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 10/12/2023 10:14:35 por Wilson Kazumi Nakayama. Documento assinado digitalmente em 10/12/2023 10:14:35 por WILSON KAZUMI NAKAYAMA e Documento assinado digitalmente em 03/12/2023 14:41:56 por MARIA ANGELICA ECHER FERREIRA FEIJO. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 22/07/2024. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: EP22.0724.16594.13YW 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: F0CDA1D05D60BDE92492120181DBADA22DC5E30AE6FAA3648D201884657E5CAD página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13896.721548/2018-39. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo. Page 1 Page 2 Page 3
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Numero do processo: 10925.904408/2018-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO APÓS A DECISÃO DO STJ.
Insumo, para fins de apropriação de crédito de PIS e Cofins, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Ainda assim, para serem considerados insumos geradores de créditos destas contribuições, no sistema da não cumulatividade, os bens e serviços adquiridos e utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens e serviços destinados à venda, devem observar os critérios de essencialidade ou relevância em cotejo com a atividade desenvolvida pela empresa.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO.
Nos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE RESFRIAMENTO DE LEITE IN NATURA. DIREITO DE CREDITAMENTO. BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS SEM TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não dará direito a crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o valor da aquisição de bens e serviços sujeitos à incidência de alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência das contribuições, independentemente da destinação dada pelo contribuinte a estes bens ou serviços.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO
O frete faz parte do custo de aquisição dos bens e produtos adquiridos para revenda ou utilizados como insumos, sendo esta a única forma que esses fretes entram na base de cálculo dos créditos, ou seja, como custo de aquisição e não como serviços utilizados como insumos. Se o insumo não dá direito ao crédito, o frete seguirá a mesma sorte.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE REMESSA E RETORNO DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
Não é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, estando aí contempladas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou de terceiros, a remessar e retorno de produtos acabados não destinados à venda, em razão da ausência de fundamentação legal.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, desde que devidamente demonstrados e comprovados.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. RATEIO. RECEITAS TRIBUTADAS E NÃO TRIBUTADAS NO MERCADO INTERNO.
Quando o método escolhido é o rateio proporcional de créditos, somente são rateados os custos, despesas e encargos que sejam vinculados concomitantemente às receitas tributadas e não tributadas, de modo que as despesas vinculadas apenas à receitas não tributadas devem ser a elas atribuídas em sua totalidade.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014
PERÍCIA. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR A RESPEITO DA NECESSIDADE.
A análise do pedido de diligência ou perícia é de livre convicção do julgador, podendo ser indeferida quando a sua realização revele-se prescindível ou desnecessária para a formação de sua convicção, ou ainda se for destinada à produção de provas que deveriam ter sido produzidas pelo interessado.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC.
É legítima a incidência de correção pela taxa Selic, a partir do 361º dia, contado do protocolo do pedido de ressarcimento em virtude da mora da Administração.
Numero da decisão: 3401-012.993
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de perícia, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à correção monetária de eventuais créditos das contribuições não cumulativas reconhecidos pela DRJ após escoado o prazo de 360 dias contados a partir da data da formulação do pedido de ressarcimento e, por voto de qualidade, manter as glosas referentes aos fretes remessa e retorno industrialização por encomenda e frete sobre transferência de insumos para a indústria; vencidos os Conselheiros Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira e George da Silva Santos que davam provimento a este pleito. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.990, de 21 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 10925.904405/2018-88, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ana Paula Giglio – Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Celso José Ferreira de Oliveira, Laércio Cruz Uliana Júnior, Mateus Soares de Oliveira , George da Silva Santos, Catarina Marques Morais de Lima (substituta integral) e Ana Paula Giglio (Presidente Substituta).
Nome do relator: ANA PAULA PEDROSA GIGLIO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO APÓS A DECISÃO DO STJ. Insumo, para fins de apropriação de crédito de PIS e Cofins, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Ainda assim, para serem considerados insumos geradores de créditos destas contribuições, no sistema da não cumulatividade, os bens e serviços adquiridos e utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens e serviços destinados à venda, devem observar os critérios de essencialidade ou relevância em cotejo com a atividade desenvolvida pela empresa. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO. Nos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE RESFRIAMENTO DE LEITE IN NATURA. DIREITO DE CREDITAMENTO. BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS SEM TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o valor da aquisição de bens e serviços sujeitos à incidência de alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência das contribuições, independentemente da destinação dada pelo contribuinte a estes bens ou serviços. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO O frete faz parte do custo de aquisição dos bens e produtos adquiridos para revenda ou utilizados como insumos, sendo esta a única forma que esses fretes entram na base de cálculo dos créditos, ou seja, como custo de aquisição e não como serviços utilizados como insumos. Se o insumo não dá direito ao crédito, o frete seguirá a mesma sorte. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE REMESSA E RETORNO DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, estando aí contempladas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou de terceiros, a remessar e retorno de produtos acabados não destinados à venda, em razão da ausência de fundamentação legal. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, desde que devidamente demonstrados e comprovados. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. RATEIO. RECEITAS TRIBUTADAS E NÃO TRIBUTADAS NO MERCADO INTERNO. Quando o método escolhido é o rateio proporcional de créditos, somente são rateados os custos, despesas e encargos que sejam vinculados concomitantemente às receitas tributadas e não tributadas, de modo que as despesas vinculadas apenas à receitas não tributadas devem ser a elas atribuídas em sua totalidade. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 PERÍCIA. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR A RESPEITO DA NECESSIDADE. A análise do pedido de diligência ou perícia é de livre convicção do julgador, podendo ser indeferida quando a sua realização revele-se prescindível ou desnecessária para a formação de sua convicção, ou ainda se for destinada à produção de provas que deveriam ter sido produzidas pelo interessado. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. É legítima a incidência de correção pela taxa Selic, a partir do 361º dia, contado do protocolo do pedido de ressarcimento em virtude da mora da Administração.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de perícia, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à correção monetária de eventuais créditos das contribuições não cumulativas reconhecidos pela DRJ após escoado o prazo de 360 dias contados a partir da data da formulação do pedido de ressarcimento e, por voto de qualidade, manter as glosas referentes aos fretes remessa e retorno industrialização por encomenda e frete sobre transferência de insumos para a indústria; vencidos os Conselheiros Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira e George da Silva Santos que davam provimento a este pleito. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.990, de 21 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 10925.904405/2018-88, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Celso José Ferreira de Oliveira, Laércio Cruz Uliana Júnior, Mateus Soares de Oliveira , George da Silva Santos, Catarina Marques Morais de Lima (substituta integral) e Ana Paula Giglio (Presidente Substituta).
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO APÓS A DECISÃO DO STJ. Insumo, para fins de apropriação de crédito de PIS e Cofins, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Ainda assim, para serem considerados insumos geradores de créditos destas contribuições, no sistema da não cumulatividade, os bens e serviços adquiridos e utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens e serviços destinados à venda, devem observar os critérios de essencialidade ou relevância em cotejo com a atividade desenvolvida pela empresa. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO. Nos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE RESFRIAMENTO DE LEITE IN NATURA. DIREITO DE CREDITAMENTO. BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS SEM TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o valor da aquisição de bens e serviços sujeitos à incidência de alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência das Fl. 613DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 2 contribuições, independentemente da destinação dada pelo contribuinte a estes bens ou serviços. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO O frete faz parte do custo de aquisição dos bens e produtos adquiridos para revenda ou utilizados como insumos, sendo esta a única forma que esses fretes entram na base de cálculo dos créditos, ou seja, como custo de aquisição e não como serviços utilizados como insumos. Se o insumo não dá direito ao crédito, o frete seguirá a mesma sorte. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE REMESSA E RETORNO DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, estando aí contempladas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou de terceiros, a remessar e retorno de produtos acabados não destinados à venda, em razão da ausência de fundamentação legal. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, desde que devidamente demonstrados e comprovados. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. RATEIO. RECEITAS TRIBUTADAS E NÃO TRIBUTADAS NO MERCADO INTERNO. Quando o método escolhido é o rateio proporcional de créditos, somente são rateados os custos, despesas e encargos que sejam vinculados concomitantemente às receitas tributadas e não tributadas, de modo que as despesas vinculadas apenas à receitas não tributadas devem ser a elas atribuídas em sua totalidade. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 PERÍCIA. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR A RESPEITO DA NECESSIDADE. A análise do pedido de diligência ou perícia é de livre convicção do julgador, podendo ser indeferida quando a sua realização revele-se Fl. 614DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 3 prescindível ou desnecessária para a formação de sua convicção, ou ainda se for destinada à produção de provas que deveriam ter sido produzidas pelo interessado. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. É legítima a incidência de correção pela taxa Selic, a partir do 361º dia, contado do protocolo do pedido de ressarcimento em virtude da mora da Administração. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de perícia, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à correção monetária de eventuais créditos das contribuições não cumulativas reconhecidos pela DRJ após escoado o prazo de 360 dias contados a partir da data da formulação do pedido de ressarcimento e, por voto de qualidade, manter as glosas referentes aos fretes remessa e retorno industrialização por encomenda e frete sobre transferência de insumos para a indústria; vencidos os Conselheiros Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira e George da Silva Santos que davam provimento a este pleito. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.990, de 21 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 10925.904405/2018-88, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Celso José Ferreira de Oliveira, Laércio Cruz Uliana Júnior, Mateus Soares de Oliveira , George da Silva Santos, Catarina Marques Morais de Lima (substituta integral) e Ana Paula Giglio (Presidente Substituta). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o PER nº Fl. 615DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 4 10617.80765.170315.1.1.19-7720, referente à Cofins não cumulativa vinculado às receitas não tributadas no mercado interno ocorridas no 4º trimestre de 2014 no valor de R$ 11.346.864,22, tendo sido deferido à interessada a importância de R$ 8.615.958,93. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A 3ª turma da DRJ/09 proferiu o acórdão nº 109-010.302, que deferiu parcialmente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo interessado e reconhecendo crédito adicional de R$ 1.505.670,98. Irresignada, a parte veio a este colegiado, através do Recurso Voluntário, no qual alega em síntese as mesmas questões levantadas na Manifestação de Inconformidade e, por fim, requer: I. o recebimento e processamento da presente, com os documentos que a acompanham; II. seja dado provimento ao presente Recurso Voluntario para o fim de que, seja reformando o Despacho Decisório nos termos das razões de pedir; III. por conseguinte, homologar os créditos requeridos e as compensações declaradas, e, ato contínuo, decidir pela atualização dos créditos com aplicação da SELIC desde a data do protocolo dos pedidos, decidir pela expedição da ordem bancária para pagamento do saldo dos créditos apurados; IV. postula-se, desde já, a produção de prova, por todos os meios admitidos em direito. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade do recurso O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de sorte que dele se pode tomar conhecimento. Do Processo A Recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS, vinculado às receitas de mercado interno não tributável, referente ao 3º trimestre de 2014, no valor total de R$ 1.881.287,56. Fl. 616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 5 O crédito pleiteado foi homologado parcialmente tendo sido deferido o valor de R$ 1.334.728,28 em razão de irregularidades fiscais. Após o julgamento da Manifestação de Inconformidade, foi deferido crédito adicional de R$ 312.466,14 tendo sido mantidas e contestadas unicamente as seguintes glosas (além das questões relativas ao conceito de insumo, ônus da prova): - Aquisição de Mercadorias para Revenda não Tributadas; - Despesas com combustíveis e derivados; - Despesas com Serviços de Resfriamento de leite in natura; - Despesas com Fretes (apenas parte das glosas foi revertida); - Encargos de Depreciação dos Bens do Ativo Imobilizado; - Rateio Proporcional; - Perícia e Diligência; - Correção Monetária. Do Novo Conceito de Insumo Conforme mencionado, verifica-se que o cerne da presente lide envolve a matéria do aproveitamento de créditos de PIS e Cofins apurados no regime não cumulativo e a consequente análise sobre o conceito jurídico de insumo dentro de nova sistemática para os itens glosados pela fiscalização. Tais itens serão analisados individualmente no presente voto, em tópicos a seguir. Cabe inicialmente tecer algumas considerações sobre a forma de interpretação do conceito de insumo a ser adotada neste voto. A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da Cofins foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (Cofins). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autoriza-se a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. O princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignando-se a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a Cofins. A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS/Cofins. Por meio da Instrução Normativa nº 247, de 2002 (com redação dada pelas Instruções Normativas nºs 358/2003- art. 66 e nº 404/2004- art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento de PIS/Cofins. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos foi excessivamente restritiva, assemelhando-se ao conceito de Fl. 617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 6 insumos utilizado para utilização dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). As Instruções Normativas RFB nºs 247, de 2002 e 404, de 2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo fosse diretamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando-se da legislação do IPI trouxe critério demasiadamente restritivo, contrariando a finalidade da sistemática da não- cumulatividade das contribuições do PIS/Cofins. Entendeu-se igualmente impróprio para conceituar insumos adotar-se o parâmetro estabelecido na legislação Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (do IRPJ), pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), poder-se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecer-se o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. O Superior Tribunal de Justiça acabou por definir tal critério ao julgar, pela sistemática dos recursos repetitivos, o recurso especial nº 1.221.170-PR, no sentido de reconhecer a aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS/Cofins não cumulativos. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. Fl. 618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 7 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” (Destacou-se) O acórdão do REsp, ao ser proferido pela sistemática dos recursos repetitivos (tendo já ocorrido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional), determina que os Conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão, em razão de disposição contida no Regimento Interno do Conselho. Para melhor subsidiar e elucidar o adequado direcionamento das instruções contidas no acórdão do STJ traz-se a NOTA SEI PGFN/MF nº 63/2018, a qual melhor esclarece a forma de interpretação do conteúdo da decisão do Tribunal: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." (Destacou-se) Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Fl. 619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 8 Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota da PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nessa linha, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Assim, para que determinado bem ou serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS/Cofins, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva comprovação destas características. Salienta-se que a decisão de primeira instância já levou em consideração este conceito de insumo. Do Ônus da Prova A parte insurge-se contra o fato de que a Autoridade Fiscalizadora teria glosado créditos presumidos, segundo seu entendimento, sem qualquer comprovação de irregularidade e sem fundamentar suas razões. Afirma que o ônus da prova seria da fiscalização, vez que teria sido ela quem efetuou a redução destes créditos pleiteados. Em seu entendimento, a autoridade apenas presumiu que a empresa não teria direito a crédito, mas que para tal deveria se incumbir de comprovar a existência de irregularidades. Discorre sobre o artigo 373 do Código de Processo Civil, afirmando que caberia à RFB demonstrar que a empresa não teria direito ao crédito ou que os documentos fiscais que o embasam trazem alguma inconsistência ou irregularidade. Fl. 620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 9 Não cabe razão à Recorrente neste ponto. Nos casos de pedidos de ressarcimento e/ou compensação é obrigação daquele que pleiteia o crédito a demonstração inequívoca de seus direitos. Cabe ao recorrente demonstrar de forma inequívoca o direito pleiteado. Este Conselho adota posição é pacífica no sentido de que o ônus da prova, em pedidos de restituição, ressarcimento e compensação pertence ao contribuinte, maior interessado no pleito, conforme se verifica através das ementas de acórdãos abaixo transcritas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 COFINS. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado para sua apreciação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA. COMPROVAÇÃO. ART. 170 DO CTN. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. A prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser provido. Processo n° 10183.908046/2011-92. Acórdão n° 3201-005.809. Relator: Conselheiro: Laercio Cruz Uliana Junior. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/04/2003 ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito. Processo n° 13819.908819/2012-96 Acórdão n° 3002-002.105. Relator: Conselheira: Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta. Decorre deste entendimento que caberia ao Recorrente apresentar provas e contra provas, a fim de deixar demonstrado de forma clara e transparente o direito pleiteado. Mas, ainda que assim não o fosse, a Autoridade Fiscalizadora demonstrou claramente que o crédito foi deferido apenas parcialmente, pois parte dele foi utilizado para cobrir os créditos não reconhecidos analisados em processo administrativo fiscal apartado (créditos vinculados às receitas de vendas tributadas no mercado interno e créditos presumidos de outros períodos de apuração) e que foram utilizados nas deduções da contribuição a pagar no trimestre em exame neste processo. Fl. 621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 10 Pelo exposto, voto por negar provimento ao pleito da Recorrente no que diz respeito ao ônus da prova. Da Aquisição de Mercadorias para Revenda não Tributadas A recorrente relata que a autoridade fiscalizadora verificou apropriação indevida de créditos sobre mercadorias adquiridas para revenda que não estavam sujeitas ao pagamento das contribuições. Admite que nos casos elencados pelo autoridade ocorreu um equívoco na tributação das mercadorias. Todavia, se o crédito está sendo glosado pelo fato das mercadorias não estarem sujeitas ao pagamento do PIS/COFINS, as receitas decorrentes da sua venda também não deveriam estar sujeitas à tributação. Aduz que o arquivo não paginável “Doc.01.rar” demonstraria os documentos que teriam sido indevidamente submetidos à tributação e a totalização mensal das receitas desses produtos computada na base de cálculo das contribuições. Desta forma, requer o estorno dos débitos, uma vez que os créditos foram indeferidos. Argumenta, ainda, que a tributação desses itens também poderia ser consultada e constatada diretamente no sistema SPED através da EFD Contribuições transmitida à RFB. A este respeito, conforme já mencionado no Acórdão da DRJ: “a planilha de vendas produzidas pela manifestante, que demonstraria as vendas realizadas com o pagamento indevido das contribuições, não têm o condão de provar o afirmado. As provas tem que ser documentais. Por outro lado, cabe ao sujeito passivo a tarefa de trazer aos autos do processo os dados que estariam presentes na EFD Contribuições que pudessem comprovar o que se alega, ou seja, demonstrar que tais receitas compuseram a base de cálculo das contribuições e que as respectivas vendas não seriam tributadas. Não é tarefa do julgamento a instrução do processo com documentos que devem ser produzidos pela própria manifestante. Registre-se, outrossim, que o fato de o crédito ter sido glosado na entrada do produto não implica que o tributo pago na venda, ainda que tenha sido realizado de forma indevida, deva ser desconsiderado. Caso as vendas indicadas pela contribuinte tenham sido realizadas com o pagamento indevido das contribuições, o que não se provou, cabe à contribuinte a tarefa de reapurar os novos valores devidos de PIS/Pasep e de Cofins e retificar as obrigações acessórias correspondentes, o que também não ocorreu.” (Destacou-se) Efetivamente, cabe razão à autoridade julgadora de primeira instância. As planilhas apresentadas não se mostram suficientes a fazer provas das alegações trazidas nas peças de defesa. Para demonstrar a tributação (ou não) de determinada mercadoria é necessário que sejam juntados documentos fiscais válidos e que os mesmos sejam trazidos ao processo e indicados para a análise do julgador. Desta forma, não há como se atender o pleito da recorrente no sentido de que as mercadorias adquiridas para revenda não tributados não fossem sujeitas ao Fl. 622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 11 pagamento de contribuições pelo simples fato de que não há comprovações ou demonstrações de que tal tributação tenha efetivamente ocorrido. Dos Combustíveis e Derivados A fiscalização glosou créditos relativos a diversos tipos de combustíveis sob o fundamento de que são produtos monofásicos e que não são insumos do processo produtivo da manifestante. Após a análise das argumentações da ora recorrente que descreveu a utilização de cada um deles em seu processo produtivo, a autoridade julgadora reverteu as glosas dos combustíveis com exceção daqueles vinculados aos gastos com assistência técnica e aqueles relativos à lenha por ausência de comprovação. Em sua defesa, a recorrente limitou a manifestar-se sobre a lenha para afirmar que o Ato Interpretativo RFB nº 15, de 2007 que garante o aproveitamento de crédito ainda que a lenha tenha sido adquirida sem o pagamento de contribuições. Não houve manifestação da parte sobre os demais combustíveis glosados. A lenha teve o respectivo crédito glosado pelo fato de a aquisição do produto ter se realizado sem o pagamento do PIS/Pasep e da Cofins. A parte argumenta que esse produto foi comprado de empresas optantes do Simples Nacional e sustenta que tais aquisições geram a possibilidade de aproveitamento de créditos do PIS/Cofins no regime não cumulativo. Efetivamente, o ADI permite às pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Cofins o desconto de créditos calculados em relação às aquisições de bens e serviços de pessoa jurídica optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). No entanto, não foram trazidas ao processo comprovações de que a lenha tenha sido efetivamente adquirida de empresas optantes do Simples. A interessada não produziu qualquer prova neste sentido, mesmo após a decisão a quo ter mencionado tal necessidade. Limitou-se a reafirmar suas alegações de que a integralidade de seus fornecedores de lenha seriam optantes do Simples. Desta forma, por ausência de comprovação, indefere-se o requerimento de reversão das glosas apuradas sobre a aquisição de lenha. Do Serviço de Resfriamento de Insumo – Leite in Natura Em relação aos Serviços de Resfriamento de Leite in natura, a recorrente argumenta que seriam serviços de industrialização por encomenda, que comporiam o custo de produção estando diretamente relacionados ao processo produtivo. A fundamentação desta da glosa, entretanto, foi o fato de o serviço ter sido realizado sem o pagamento do PIS/Pasep e Cofins. Na ocasião, a fiscalização relaciona, por amostragem, algumas notas fiscais eletrônicas sobre as quais teria havido a apuração do crédito em comento, Fl. 623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 12 demonstrando que não houve o pagamento das contribuições nas despesas com estes serviços e, portanto, o crédito tomado foi considerado indevido. A decisão de piso menciona que embora tenha razão a contribuinte quanto ao fato de que tais serviços estejam intrinsecamente vinculados ao processo produtivo da interessada, não haveria direito ao crédito, pois a legislação do PIS/Pasep e Cofins impede o cálculo dos créditos. Salienta que a requerente não produziu provas no sentido contrário do que foi afirmado pela fiscalização, mantendo as glosas dos créditos apurados sobre a aquisição de serviços de resfriamento de leite. Neste quesito, vale mencionar que é cabível a glosa sobre os créditos em relação a despesas com serviços de resfriamento de leite in natura. Isto em razão do que está expresso na legislação que “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. Assim dispõe a mencionada legislação: “§ 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II. da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.” (Destacou-se) A fiscalização verificou que o serviço de resfriamento do leite in natura cujos créditos foram glosados não efetuou o recolhimento das contribuições (afirmativa esta não contestada pela interessada). Desta forma, não há óbices a serem opostos à decisão de primeira instância, devendo permanecer glosadas as despesas com serviços de resfriamento do leite in natura. Das Despesas com Fretes Fretes nas Aquisições de Bens não Sujeitos ao Pagamento das Contribuições; Frete entre Estabelecimentos e Demais Fretes; Armazenagem e frete sobre Vendas A fiscalização glosou créditos apurados sobre gastos com a aquisição de diversos tipos de serviços que, no seu entender, não se enquadrariam no conceito de insumos por serem gastos gerais. Destes, permaneceram mantidos após a decisão de primeira instância algumas modalidades de despesas com fretes. Permaneceram mantidas as seguintes glosas: Frete na Aquisição da Matéria Prima (leite in natura); Frete na Aquisição Mercadorias para Revenda; Fl. 624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 13 Frete sobre Remessa e Retorno Bens para Conserto; Frete sobre Remessa e Retorno Industrialização por Encomenda; Frete sobre Remessa e Retorno Produtos para Análise; Frete sobre Devoluções de Compra; Frete sobre Transferência de Insumos para Indústria; Frete sobre Transferência Produto Acabado. Frete sobre Compra Mercadorias para Revenda e Frete na Aquisição da Matéria Prima (leite in natura) A autoridade julgadora manteve a glosa destes fretes em razão de o crédito sobre o valor do frete na aquisição ser permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento e na mesma proporção em que esse ocorrer, já que o frete compõe o custo de aquisição devidamente comprovado. No caso em tela, as mercadorias para revenda e a matéria prima em questão não eram tributados (alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência das contribuições) e por este motivo estas glosas foram efetuadas e mantidas. A questão diz respeito ao creditamento de PIS e da Cofins dos fretes referentes a insumos adquiridos que não sofreram a incidência das mencionadas exações. A contribuinte adquire insumos e mercadorias para revenda com alíquota zero ou com suspensão da incidência do PIS e da Cofins e pretende creditar-se dos serviços de frete contratados para o transporte desses insumos. Porém, não há previsão legal para o aproveitamento destes créditos no regime da não- cumulatividade. A partir destes fatos, importante transcrever os artigos da legislação que tratam do creditamento de PIS e Cofins. Transcreve-se somente os artigos da Lei 10.833, de 2003, da Cofins, pois repetem basicamente o que dispõe a Lei 10.637, de 2002 do PIS. Lei 10.833, de 2003 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II. bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX. armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) Fl. 625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 14 II. da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.” (Destacou-se) Portanto da análise da legislação, entende-se que o frete na aquisição de insumos só pode ser apropriado integrando o custo de aquisição do próprio insumo, ou seja, se o insumo é onerado pelo PIS e pela Cofins, o frete integra o seu custo de aquisição para fins de cálculo do crédito das contribuições. Não sendo o insumo tributado, como se apresenta no presente caso, não há previsão legal para este aproveitamento. Sendo taxativas as hipóteses contidas nos incisos dos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 (PIS) e nº 10.833, de 2003 (Cofins) referente à autorização de uso de créditos aptos a serem descontados quando da apuração das contribuições, somente geram créditos os custos e despesas explicitamente relacionados nos incisos do próprio artigo, salvo se os custos e despesas integrarem os valores dos insumos utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços, de acordo com a atividade da pessoa jurídica. Assim se dá com os valores referentes aos fretes. Se o insumo tributado para as contribuições do PIS e Cofins, no entanto, está sujeito à alíquota zero ou à suspensão, o crédito encontra-se vedado por determinação legal. O frete faz parte do custo de aquisição dos bens e produtos adquiridos para revenda ou utilizados como insumos sendo essa a única forma que esses fretes entram na base de cálculo dos créditos, ou seja, como custo de aquisição e não como serviços utilizados como insumos e tal orientação inclusive consta do Ajuda do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon). Diante do exposto entende-se que os valores de fretes utilizados para transporte de insumos sujeitos à alíquota zero não geram direito a crédito das contribuições apuradas no regime da não-cumulatividade, por força de determinação legal acima transcrita. Devem, portanto, permanecer mantidas as glosas efetuadas a estes títulos. Frete sobre Remessa e Retorno Bens para Conserto; Frete sobre Remessa e Retorno Industrialização por Encomenda; Frete sobre Remessa e Retorno Produtos para Análise; Frete sobre Devoluções de Compra; Frete sobre Transferência de Insumos para Indústria; Frete sobre Transferência Produto Acabado. Este grupo de despesas com frete pode ser tratado em conjuntos tendo em vista que se trata de despesas de frete de produtos acabados, mas não destinados à venda. Fl. 626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 15 Sobre o tema “créditos sobre fretes sobre transferências”, o Parecer Normativo Cosit n° 5, de 17 de dezembro de 2018, no tópico “5. Gastos posteriores à finalização do processo de produção ou de prestação”, assim dispôs: “56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras.” Como se percebe, gastos com fretes para transferência de produtos acabados, por serem serviços realizados após a finalização do processo produtivo dos sujeitos passivos, não são insumos e não geram o respectivo crédito. A recorrente pleiteia a possibilidade de crédito de despesas com frete de produtos acabados em casos de conserto, industrialização por encomenda, produtos enviados para análise, devoluções, envio de insumos para terceiros (indústria) e transferências de produtos acabados. No que tange aos dispêndios com fretes, diga-se que a legislação previu a possibilidade de apuração de créditos tão somente quando relativos a operações de venda, conforme inciso IX, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, extensível ao PIS nos termos do art. 15 da mesma lei: Lei nº 10.833, de 2003 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I. bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...] II. bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] IX. armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (Destacou-se) Não há previsão legal para apuração de créditos sobre fretes entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica para transporte de produtos acabados. Esse entendimento inclusive já há muito foi formalizado pela Administração Tributária por meio da Solução de Divergência Cosit nº 26, de 2008: Solução de Divergência nº 26, de 2008 Fl. 627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 16 “O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência não-cumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma não-cumulativa.” Cite-se ainda excerto dessa mesma Solução de Divergência nº 26, de 2008: “Com efeito, o que pretendeu o legislador foi afastar a incidência indevida da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do “frete na operação de venda”. Genericamente, só se vende produto que esteja em condição de ser vendido, ou seja, acabado. E aperfeiçoa-se a venda com a transferência da propriedade do produto de uma pessoa jurídica para outra, pela tradição. Como assinalou a SRRF10, não se confunde com “frete na operação de venda” o mero deslocamento de mercadorias de uma unidade para outra, da mesma pessoa jurídica.” No recurso interposto, a contribuinte se insurge contra o conceito de insumos adotado pela RFB, bem como em face do entendimento do que seriam os fretes em operação de venda. Não obstante, o novo contexto jurídico em nada altera a situação da glosa de créditos em tela. Já há muito a Administração Tributária na Solução de Divergência Cosit nº 2, de 2011, fixou o entendimento de que os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos, porquanto relativos a momento posterior ao processo produtivo em si, não podem ser considerados como insumos do processo produtivo. Esse entendimento foi recentemente reiterado no novo contexto jurídico do conceito de insumos pelo citado Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018. Citem-se as ementas/excertos: Solução de Divergência nº 2, de 2011 “Contribuição para o PIS/Pasep - Apuração não cumulativa. Créditos de despesas com fretes. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep.” Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018 “GASTOS POSTERIORES À FINALIZAÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO OU DE PRESTAÇÃO 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra Fl. 628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 17 somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras.” Efetivamente, é de se considerar ocorrida a operação de venda apenas quando da saída do estabelecimento vendedor ao consumidor final, momento em que efetivamente ocorre a transferência de propriedade da contribuinte para o terceiro comprador. As despesas de frete ora em análise são eminentemente operacionais, não sendo indispensáveis ou mesmo relevantes ao processo produtivo da empresa. Ou seja, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos da mesma empresa de produto acabado ou entre estes e terceiros quando não há venda do produto representam despesas operacionais da empresa, não podendo ser classificados como insumos. Igualmente, transferência de mercadorias entre seus estabelecimentos ou para estabelecimentos varejistas não constitui etapa de seu processo produtivo, razão pela qual o respectivo frete também não enseja crédito de PIS/Pasep e de Cofins não cumulativos O entendimento da DRJ está de acordo com a orientação firmada no REsp nº 1.221.170/PR pelo Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que não é toda e qualquer despesa que se pode inserir no conceito de insumo para viabilizar a dedução na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial, ou seja, insumo é o que se incorpora ao produto final. Não é possível atribuir ao frete entre estabelecimentos de produtos acabados a natureza jurídica do crédito de insumo, pois, nesse caso, não existe mais processo de produção e sim processo de logística, através do qual a empresa definirá o melhor meio de escoar sua produção. Portanto, ficam prejudicados os argumentos para sustentar o crédito sobre fretes de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa. Além do mais, como exaustivamente tratado acima, as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. Não se reconhece o direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferências internas das mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, pois tais operações não estão intrinsecamente ligadas às operações de venda. Nessa linha, mostra-se acertada a conclusão de que a recorrente não tem direito de ter reconhecido o Fl. 629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 18 aproveitamento com relação aos valores de fretes decorrentes do transporte interno de mercadorias entre os seus estabelecimentos e/ou centros de distribuição e logística (fretes de transferência/intercompany) de mercadorias destinadas à venda. Após pesquisa jurisprudencial, verificou-se que o Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência dominante no sentido que as operações de venda não incluem os fretes sobre os produtos acabados. Segue um resumo da pesquisa jurisprudencial: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEIS Nºs 10.637/02 E 10.833/03. REGIME DA NÃO- CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS A TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O direito ao creditamento na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, decorre da utilização de insumo que se incorpora ao produto final, e desde que vinculado ao desempenho da atividade empresarial. 2. As despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Precedentes. 3. "A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica" (AgRg no REsp nº 1.335.014, CE, relator Ministro Castro Meira, DJe de 08.02.2013) . 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.386.141 - AL (2013/0170725-4), Rel. Ministro Olindo Menezes, DJe de 14/12/2015)” (Destacou-se) Em conclusão, os dispêndios com fretes incidentes sobre as transferências de produtos acabados não destinados a venda não geram o direito ao crédito de PIS/Pasep e de Cofins. Mantém-se aqui, portanto, o entendimento externado nos julgados acima, em razão da inexistência de fundamento legal para a tomada de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na não-cumulatividade, em relação a fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa ou entre a empresa e terceiros quando não destinados a venda, devendo ser mantidas as glosas correspondentes. Das Despesas com Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado A Autoridade Fiscal glosou créditos sobre edificações (móveis e utensílios, máquinas e equipamentos, equipamentos de informativa) sob o fundamento de que estes não seriam utilizados no processo produtivo da empresa. Fl. 630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 19 A interessada, por sua vez, alega que tais bens estariam diretamente ligados à produção do leite e seus derivados tendo, portanto, direito aos créditos relacionados à depreciação.. As glosas de créditos calculados sobre depreciação de bens do ativo imobilizado tiveram três motivações: itens que não são utilizados diretamente na produção de lacticínios, que estão indicados no Anexo V; bens que têm o creditamento vedado pelo art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, por terem sido adquiridos anteriormente a 01/05/2004; e bens constantes na planilha apresentada pela empresa intitulada “Item 04 – Ativo Imobilizado”, com ausência de informações ou descrições. A decisão de primeira instância manteve as glosas neste tópico argumentando que a questão seria probatória. A empresa não teria produzido provas adicionais, apenas tecendo considerações sobre a existência de direito, a interpretação restritiva do conceito de insumo adotada pela fiscalização, listando algumas máquinas e equipamentos cujos créditos foram indeferidos. Em suas palavras: “Em análise à citada planilha, constata-se que foram calculados créditos sobre depreciação relativa a diversas despesas com locação de equipamentos e serviços de frete e transportes. Tais informações são encontradas a dezenas e aparecem em todos os trimestres em referência. Há, ainda, dezenas de linhas com informações de créditos apurados sobre despesas com mão de obra, serviços de mão de obra e a diversos outros diversos tipos de serviços (instalação, por exemplo), que podem também estar relacionados à contratação de mão de obra. Os gastos com mão de obra até podem compor o valor de determinado bem a ser depreciado, no entanto, esse mesmo tipo de gasto gerou créditos na condição de serviços utilizados como insumos e não há como diferenciá-los. Percebe-se, também, o cálculo de créditos sobre despesas denominadas “reajustes de preços” e “reajustes de contratos”, os quais, obviamente, carecem de base legal para o creditamento na condição de depreciação ou que a contribuinte demonstrasse melhor a razão pela qual tais reajustes de preços em contratos seriam passíveis de depreciação. Por outro lado, verifica-se que a contribuinte se creditou, também em dezenas de linhas, sobre gastos com materiais diversos (encontrados na planilha com as descrições “materiais para instalações elétricas”, “materiais para instalação desnatadeira”, “materiais para montagem de grupo gerador” e outras descrições similares. Ocorre que houve créditos apurados sobre centenas de bens (materiais) na condição de bens utilizados como insumos. Em sede de julgamento, é impossível se aferir se há duplo creditamento ou não. Não bastasse isso, há uma grande ocorrência de créditos calculados sobre documentos fiscais que carecem de informações mais robustas, pois falta-lhes a indicação do fornecedor (CNP) e/ou do número da nota fiscal, obviamente, dados essenciais à análise da veracidade de qualquer crédito. Nem seria preciso destacar, mas o cálculo de créditos sobre operações comerciais que a contribuinte não conhece os dados do fornecedor ou do número da nota fiscal que lastreia a Fl. 631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 20 operação comercial é, para além da inviabilidade do crédito, uma situação que indica para uma possível ocorrência de fraude. Registre-se, outrossim, que há diversos itens depreciados que pertencem a centro de custos como “adm. geral”, “almoxarifado”, “contabilidade”, “RH e Depto Pessoal”, “Tecnologia da Informação”, “gastos gerais laboratório”, “financeiro”, os quais, obviamente, por não estarem ligados ao processo produtivo da manifestante, não geram o crédito pretendido. Em suma, diante da ausência de provas produzidas pela contribuinte, que apenas alegou que o ônus probandi é da fiscalização, conclui-se ser impossível se reverter a glosa de qualquer crédito, dada a insegurança que ela causou ao apurar centenas de linhas de créditos sobre operações que nada têm a ver com o crédito sobre depreciação.” (fls. 524/525) (Destacou-se) Efetivamente assiste razão à autoridade julgadora. A despeito das alegações do Recurso Voluntário de que a empresa faria jus aos créditos de depreciação, não há como se conceder créditos sem a devida demonstração de que tais despesas efetivamente se enquadram na previsão legal. Conforme previamente mencionado, cabe àquele que pleiteia o direito à restituição demonstrar em detalhes e comprovadamente seu direito. Tal não ocorreu no presente processo, conforme bem detalhado no trecho do Acórdão de Manifestação de Inconformidade acima transcrito. Saliente-se que não foram trazidas novas informações ou detalhamentos no recurso apresentado que pudessem esclarecer os dados contabilizados pela empresa. Desta forma, não há como se acatar ao requerimento da parte, devendo permanecer glosados os créditos referentes às despesas com depreciação de bens do Ativo Imobilizado. Do Rateio Proporcional A fiscalização determina que quando a empresa estiver sujeita a mais de um tipo de receita, cumulativa e não cumulativa, os custos e despesas podem ser apropriados com a utilização de dois critérios, a apropriação direta ou o rateio proporcional com base na receita operacional bruta. A parte defende que submeteu ao rateio apenas os insumos de uso em comum utilizado na geração de receitas tributadas e não tributadas, como por exemplo a energia elétrica a qual foi classificada com a CST 53. Já as embalagens para o leite tributado a alíquota zero, a Impugnante utilizou a CST 51 a qual indica que o crédito é vinculado exclusivamente à receita não tributada. Todas estas informações teriam sido apresentadas detalhadamente nos arquivos digitais fornecidos à autoridade fiscal, bem como declaradas detalhadamente na EFD- Contribuições. Argumenta que a fiscalização teria submetido ao rateio todos os créditos, inclusive aqueles vinculados exclusivamente à receita não tributada. Reproduz-se abaixo a parte a decisão de primeira instância sobre o tema que segue-se em razão de sua pertinência: Fl. 632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 21 “Sob o espectro jurídico, assiste razão à interessada, isto é, quando o método escolhido é o rateio proporcional de créditos somente são rateados os custos, despesas e encargos que sejam vinculados concomitantemente às receitas tributadas e não tributadas, ou seja, os dispêndios comuns aos dois tipos de receitas. Desse modo, as despesas vinculadas apenas a receitas tributadas devem ser a elas atribuídas em sua totalidade e o mesmo deve ocorrer com aquelas vinculadas somente às receitas não tributadas. No entanto, diferentemente de processos similares de trimestres anteriores, neste a autoridade manteve os percentuais informados na EFD Contribuições para apurar os créditos, conforme os códigos da situação tributária (CST 50, 51 e 53), tendo utilizado os percentuais de rateio que a contribuinte informou apenas sobre os gastos comuns ao mercado tributado e não tributado. Saliente-se, ademais, que na planilha “Demonstrativo de Apuração de Créditos” do Despacho Decisório, a fiscalização, relativamente às rubricas “Bens utilizados como insumos” e “Serviços utilizados como insumos”, calculou os créditos em percentuais diferentes daqueles aplicados às demais rubricas, em relação às quais utilizou os indicados pela interessada. Logo, se ainda assim houve o emprego incorreto de percentuais na apuração dos créditos, cabe à manifestante indicar de forma precisa qual teria sido o erro e qual seria o percentual correto.” (fl. 526) (Destacou-se) A recorrente, entretanto, não trouxe ao conhecimento desta instância demonstração de suas alegações de que teria ocorrido emprego incorreto na apuração dos créditos. Desta forma, deve permanecer mantida a forma de rateio adotada pela autoridade fiscal. Do Requerimento para Realização de Perícia/Diligência Finalmente, a recorrente requer a realização de diligência fiscal, com vistas a responder os quesitos por ela elaborados, em razão da controvérsia existente em relação à apuração dos créditos de PIS-importação, acima mencionada. Prova (de acordo com Aurélio Buarque de Holanda) é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; uma demonstração evidente. Prova, portanto, serve para confirmar uma afirmativa, quer da Fazenda, quer do Contribuinte com relação aos fatos apresentados. Diante de um pedido de compensação cabe ao contribuinte apresentar as provas do seu direito creditório. No processo administrativo fiscal, tem-se como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III, do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Fl. 633DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 22 Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Em resumo: diligência serve para esclarecer, não para produzir novas provas cujo ônus caberia ao interessado. A ele cabe o ônus de comprovar as alegações às quais se oponha, sendo inadmissível a mera alegação da existência de um direito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano Calendário: 1997, 1998 e 1999 PAF. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes ou colher juízo de terceiros sobre a matéria em litígio, mas a trazer aos autos elementos que possam contribuir para o deslinde do processo. Devem ser indeferidos os pedidos prescindíveis para o desfecho da lide. Processo n° 10730.005293/2003-81. Acórdão n° 104-021.032, de 13/09/2005. Relator: Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes. Processo n° 10880.907836/2008-98. Acórdão n° 3801-001.399, de 21/08/2012. Relator: Conselheiro Sidney Eduardo Sthal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida. As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. Não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pela contribuinte que deixou de produzir a prova adequada para se contrapor efetivamente à decisão recorrida. Processo n° 13854.000456/2002-41. Acórdão n° 3402-006.256, de 26/02/2019. Relatora: Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Fl. 634DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 23 Neste sentido, não tendo sido produzidas pela Recorrente as provas que deveria produzir a fim de demonstrar seu direito, não há qualquer caminho, senão votar pelo indeferimento do pedido de diligência. Da Correção Monetária Finalmente, alega que é seu direito ter os créditos de PIS/Cofins corrigidos monetariamente, a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento até a data da sua efetiva utilização. Defende que essa questão já teria sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso representativo da controvérsia, que reconheceu o direito à correção monetária sobre os créditos de IPI, PIS e COFINS objeto de ressarcimento (REsp nº 1.035.847). Entende que, excedido o prazo máximo de 360 dias da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, a Fazenda Pública passa a ser considerada em mora. Requer que seja determinada a aplicação da atualização monetária sobre os créditos da seguinte forma: 1. a partir do momento da sua apuração até a data da efetiva compensação; e 2. a partir do momento da sua apuração até a data do efetivo ressarcimento, no que se inclui o saldo remanescente a ser ressarcido em espécie, nos termos do §4º, do art. 39, da Lei nº 9.250, de 1995. No caso ora em análise, a contribuinte pleiteia a atualização monetária de pedido de ressarcimento protocolizado em 12/07/2017, cujo Despacho Decisório, datado de 22/06/2018, e cientificado em 13/07/2018. O pedido de ressarcimento foi analisado após o transcurso do prazo de 360 dias. Conforme já mencionado na decisão de piso, nos termos da Nota Técnica CODAR/RFB nº 22 de 2021, deve ser aplicada a taxa SELIC aos créditos de ressarcimento de PIS e de COFINS, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em relação à incidência de juros compensatórios. Entende-se que é aplicável diretamente o teor da Súmula CARF nº 154 a este caso concreto, na parte em que fixou a contagem do prazo da mora da Administração a partir do 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro dia), contado da apresentação do pedido de ressarcimento). Diante do exposto, voto no sentido de: i) indeferir o pedido de diligência; ii) dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para acolher o pleito relativo à correção monetária, iii) negar provimento aos demais pleitos, mantendo os termos da decisão de primeiro grau. Conclusão Fl. 635DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-012.993 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.904408/2018-11 24 Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à correção monetária de eventuais créditos das contribuições não cumulativas reconhecidos pela DRJ após escoado o prazo de 360 dias contados a partir da data da formulação do pedido de ressarcimento. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio – Presidente Redatora Fl. 636DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10384.720621/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE 5 ANOS CONTADOS DA DATA DO FATO GERADOR.
O prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento por homologação é de 5 anos, contados a partir do fato gerador, de acordo com o § 4º do art. 150 do CTN. No presente caso a contribuinte tomou ciência do auto de infração antes de encerrado o prazo decadencial, não havendo falar-se em decadência do crédito tributário lançado.
FALTA DE ANÁLISE DE PROVAS JUNTADAS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A contribuinte simplesmente alega que a DRJ teria deixado de analisar as provas apresentadas na impugnação, mas a alegação não se sustenta, eis que a DRJ analisou detalhadamente os documentos apresentados, tendo inclusive elaborado quadro demonstrativo com a análise das divergências apontadas pela contribuinte e exonerado parte do lançamento.
Numero da decisão: 1302-007.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Nome dos Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Henrique Nimer Chamas, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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PRAZO DECADENCIAL DE 5 ANOS CONTADOS DA DATA DO FATO GERADOR. O prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento por homologação é de 5 anos, contados a partir do fato gerador, de acordo com o § 4º do art. 150 do CTN. No presente caso a contribuinte tomou ciência do auto de infração antes de encerrado o prazo decadencial, não havendo falar-se em decadência do crédito tributário lançado. FALTA DE ANÁLISE DE PROVAS JUNTADAS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A contribuinte simplesmente alega que a DRJ teria deixado de analisar as provas apresentadas na impugnação, mas a alegação não se sustenta, eis que a DRJ analisou detalhadamente os documentos apresentados, tendo inclusive elaborado quadro demonstrativo com a análise das divergências apontadas pela contribuinte e exonerado parte do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Nome dos Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Henrique Nimer Chamas, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 06 21 /2 01 2- 41 Fl. 248DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-007.136 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.720621/2012-41 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela contribuinte UNIBRAL COMERCIO E SERVICOS EIRELI EPP contra acórdão a da DRJ, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela contribuinte contra Auto de Infração contra ela lavrado por suposta falta ou insuficiência de recolhimento de IRPJ. De acordo com o que consta no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal constatou que a contribuinte, optante pelo lucro presumido no ano-calendário de 2008, teria apurado IRPJ a pagar em valores menores do que o efetivamente devido. O Auto de Infração foi lavrado com exigência de juros de mora e multa de ofício de 75%. A contribuinte impugnou o lançamento, alegando que a Autoridade Fiscal não teria considerado que haviam notas fiscais canceladas e não tributadas, conforme apontado em tabela por ela elaborada. A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que analisou as provas juntadas na impugnação, na qual constavam indicações de notas fiscais canceladas, divergência entre valores considerados pela Autoridade Fiscal e os consignados em notas fiscais, devolução de vendas e incidência de IRPJ sobre valores contidos em nota fiscal emitidos para transferência de bens objeto de comodato. Cientificada da decisão de 1ª instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, preliminarmente, a decadência do lançamento e, no mérito, que a DRJ teria deixado de analisar as provas apresentadas na impugnação. Requereu ao final o provimento do recurso com o reconhecimento que o lançamento teria sido atingido pela decadência. É o Relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, assim dele conheço. A Recorrente alega, preliminarmente, a decadência do lançamento. O prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento por homologação é de 5 anos, contados a partir do fato gerador, de acordo com o § 4º do art. 150 do CTN 1 . No presente caso, a opção do Recorrente foi pelo lucro presumido, cujo período de apuração do imposto se encerra no final de cada trimestre do ano-calendário, de modo que o 1 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 249DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-007.136 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.720621/2012-41 período mais antigo encerrou-se em 31 de março de 2008, e o direito da Fazenda Publica exigir crédito tributário desse período encerrar-se-ia em 31 de março de 2013. O Recorrente tomou ciência do auto de infração em 02 de março de 2012, conforme cópia do Aviso de Recebimento juntado à e-fl. 134, abaixo reproduzida: Considerando que a Recorrente tomou ciência do auto de infração em 02 de março de 2012, antes de findo o prazo decadencial (31 de março de 2013), não há falar-se em decadência do crédito tributário exigido. Portanto rejeito a decadência arguida. No mérito, a Recorrente simplesmente alega que a DRJ teria deixado de analisar as provas apresentadas na impugnação. Ao contrário do que alega a Recorrente, a DRJ analisou detalhadamente os documentos apresentados pelo Recorrente, tendo inclusive elaborado quadro demonstrativo com a análise das divergências apontadas pela Recorrente. O quadro demonstrativo é reproduzido abaixo: Fl. 250DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-007.136 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10384.720621/2012-41 Verifica-se, portanto que, ao contrário do alegado pela Recorrente, a DRJ analisou as provas apresentadas, concluindo em exonerar parte do lançamento, conforme quadro abaixo: Portanto não se sustenta o argumento da Recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida. Conclusão Pelo exposto, voto em rejeitar a preliminar arguida de decadência, e no mérito em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 251DF CARF MF Original
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Numero do processo: 18220.720668/2020-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2015, 05/10/2015, 20/10/2015, 30/10/2015
MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CANCELAMENTO DA MULTA.
Por força do disposto no art. 98, inciso II, parágrafo único, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, a multa isolada exigida em decorrência da não homologação de Dcomp deve ser cancelada. Número da decisão: 3301-012.300 . Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
Numero da decisão: 3401-013.269
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a multa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-013.134, de 19 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.732730/2018-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ana Paula Giglio – Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Ana Paula Giglio (Presidente-substituta).
Nome do relator: ANA PAULA PEDROSA GIGLIO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2015, 05/10/2015, 20/10/2015, 30/10/2015 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CANCELAMENTO DA MULTA. Por força do disposto no art. 98, inciso II, parágrafo único, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, a multa isolada exigida em decorrência da não homologação de Dcomp deve ser cancelada. Número da decisão: 3301-012.300 . Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CANCELAMENTO DA MULTA. Por força do disposto no art. 98, inciso II, parágrafo único, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, a multa isolada exigida em decorrência da não homologação de Dcomp deve ser cancelada. Número da decisão: 3301-012.300 . Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a multa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-013.134, de 19 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.732730/2018-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Ana Paula Giglio (Presidente-substituta). Fl. 161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.269 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720668/2020-08 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão da DRJ que manteve a multa isolada por compensação não homologada, aplicada com fundamento no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96. Intimado do lançamento, a recorrente impugnou-o, alegando em síntese que a multa é descabida por afrontar o direito constitucional de petição; a apresentação de pedido de compensação ou ressarcimento não pode transformar em punição, sem infração; cita doutrina que entende balizar seu argumento. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, repisando os mesmos argumentos de impugnação. Em síntese, é o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário interposto pela recorrente atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF. No entanto, em face do disposto no art. 98, inciso II, parágrafo único, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 796.939/RS, com repercussão geral, não conheço das matérias suscitadas no recurso voluntário, adotando, para o presente caso, a decisão deste Excelso Pretório. Sobre o assunto, o voto já proferido nesse CARF: Número do processo: 16682.722795/2016-94 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. CABIMENTO. O §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. Número da decisão: 3301-012.300 Fl. 162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.269 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720668/2020-08 3 Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Ressalta-se, que no julgamento do referido RE, o STF reconheceu a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que fundamentou a exigência da multa isolada, em discussão, nos termos da seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 796.939/RS – MULTA ISOLADA/DCOMP NÃO HOMOLOGADA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade Fl. 163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.269 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720668/2020-08 4 tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca a compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Por sua vez, o art. 98 do RICARF, assim dispõe: Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada. Diante do exposto, voto dar provimento ao recurso voluntário, cabendo à autoridade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.269 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720668/2020-08 5 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a multa. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio – Presidente Redatora Fl. 165DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11080.735880/2018-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2019
MULTA ISOLADA. MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF.
“É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.”
Numero da decisão: 3101-002.317
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.109, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.730920/2018-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Documento Assinado Digitalmente)
Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2019 MULTA ISOLADA. MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.”
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MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.109, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.730920/2018-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF Fl. 152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.317 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735880/2018-40 2 nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou procedente o lançamento, relativo ao Auto de Infração decorrente de multa isolada por compensação não-homologada. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A DRJ julgou a Impugnação improcedente e manteve a aplicação da multa. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual alega, em síntese, a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme ADI nº 4905. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA. TEMA 736 STF. Como relatado, trata-se de Notificação de Lançamento para a exigência de multa isolada, prevista no artigo 74, §17, da Lei n.° 9.430/1996. Cumpre ressaltar que, independentemente do reconhecimento ou não do crédito nos autos do processo administrativo que se discute o crédito, a aplicabilidade da referida multa foi objeto de questionamento no Supremo Tribunal Federal – STF, na sistemática de Repercussão Geral (Tema 736), que já transitou em julgado. O leading case foi tratado nos autos do Recurso Extraordinário n.° 796.939/RS, de relatoria do Ministro Edson Fachin e vale a leitura da descrição para se verificar a relação com o julgamento desse processo administrativo: “Recurso extraordinário em que se discute, à luz do postulado da proporcionalidade e do art. 5º, XXXIV, a, da Constituição federal, a constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei federal 9.430/1996, incluídos pela Lei federal 12.249/2010, que preveem a incidência de multa isolada no percentual de 50% sobre o valor objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou de declaração de compensação não homologada pela Receita Federal.” Julgado o Recurso Extraordinário, firmou-se a seguinte tese: Fl. 153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.317 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735880/2018-40 3 “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para in cidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” Vale, ainda, a leitura do julgado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMO LOGAÇÃO. MULTA ISO LADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2 . O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar i licitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido pro cesso legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que Fl. 154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.317 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735880/2018-40 4 inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo.” Ante o exposto, impõe-se o cumprimento do Tema 736 do STF no presente caso, observando, ainda, o que determina o artigo 98, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n.° 1.634/2023): “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou” Entendo, portanto, que a penalidade aplicada deve ser cancelada. Ante o todo exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 155DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10882.905074/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES EM FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DAS RESPECTIVAS RECEITAS.
No caso de compensação, o ônus de comprovação do crédito é da interessada, e o despacho decisório tinha deixado claro que o motivo para a não confirmação das retenções foi a falta de comprovação do oferecimento à tributação das respectivas receitas, o que a Recorrente não comprovou, não sendo possível afirmar que o crédito pleiteado é líquido e certo, como exige o art. 170 do CTN.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. NÃO CABE ÀS INSTÂNCIAS JULGADORAS PROMOVER INSTRUÇÃO PROCESSUAL PARA JUNTADAS DE PROVAS QUE CABE À PARTE.
A interessada tomou ciência do despacho decisório e sabia ou deveria saber o motivo porque as retenções informadas na DCOMP não foram confirmadas, devendo ter apresentado as provas para afastar o argumento. Não cabe à instância julgadora promover a instrução processual para busca de provas que caberia à parte juntar ao processo
Numero da decisão: 1302-007.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Angélica Echer Ferreira Feijo e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por não conhecer do recurso, devido à inovação nos argumentos de defesa, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Henrique Nimer Chamas, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES EM FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DAS RESPECTIVAS RECEITAS. No caso de compensação, o ônus de comprovação do crédito é da interessada, e o despacho decisório tinha deixado claro que o motivo para a não confirmação das retenções foi a falta de comprovação do oferecimento à tributação das respectivas receitas, o que a Recorrente não comprovou, não sendo possível afirmar que o crédito pleiteado é líquido e certo, como exige o art. 170 do CTN. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. NÃO CABE ÀS INSTÂNCIAS JULGADORAS PROMOVER INSTRUÇÃO PROCESSUAL PARA JUNTADAS DE PROVAS QUE CABE À PARTE. A interessada tomou ciência do despacho decisório e sabia ou deveria saber o motivo porque as retenções informadas na DCOMP não foram confirmadas, devendo ter apresentado as provas para afastar o argumento. Não cabe à instância julgadora promover a instrução processual para busca de provas que caberia à parte juntar ao processo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Angélica Echer Ferreira Feijo e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por não conhecer do recurso, devido à inovação nos argumentos de defesa, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 50 74 /2 01 2- 51 Fl. 410DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-007.105 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.905074/2012-51 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Henrique Nimer Chamas, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra despacho decisório que homologou parcialmente compensações por ela declaradas. A contribuinte apresentou DCOMP, cujo crédito é relativo a saldo negativo de IRPJ. O crédito pleiteado foi parcialmente reconhecido pelo despacho decisório eletrônico, por terem sido reconhecidos apenas parte de retenções em fonte informadas na DCOMP. Pelo que consta na análise de crédito do despacho decisório, as retenções não foram confirmadas por falta de oferecimento à tributação das receitas relativas às retenções informadas na DCOMP. Inconformada com a homologação parcial da compensação, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que as fontes pagadoras teriam se equivocado ao declararem retenções em fonte, o que teria acarretado a não homologação integral das compensações. A contribuinte alegou que tratou-se de mera divergência entre os códigos de arrecadação informados pela contribuinte e pelas fontes pagadoras, e considerando que, segundo ela, os documentos juntados aos autos comprovariam sua alegação, requereu a reforma do despacho decisório, com o reconhecimento do direito creditório pleiteado ou subsidiariamente, a conversão em diligência para comprovação dos procedimentos por ela adotados e à demonstração da existência do crédito objeto de compensação, e ainda, para que fossem intimados os tomadores dos seus serviços, para que apresentassem as respectivas DIRFs. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, consignando que o motivo para a não confirmação das retenções foi a falta de oferecimento à tributação das respectivas receitas, e que a justificativa da impugnante não seriam hábeis para afastar a falta de comprovação do oferecimento à tributação das receitas. Irresignada com a decisão de 1ª instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário onde afirma que as receitas foram oferecidas à tributação, ao contrário do que afirmou a DRJ, mas por equívoco foram informadas em linhas diferente da que deveria ter sido informada na DIPJ. Defende que por tratar-se de mero erro no preenchimento da DIPJ, decorrente unicamente de informação prestada em linha incorreta da DIPJ, não poderia afastar-lhe o direito à compensação de saldo negativo garantido legalmente. Requereu o provimento do recurso com a homologação das compensações, ou, subsidiariamente, caso os julgadores não se convençam dos seus argumentos que seja determinada a conversão do julgamento em diligência para análise aos seus livros contábeis e declarações fiscais para comprovação da receita auferida e seu oferecimento à tributação. É o Relatório. Fl. 411DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-007.105 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.905074/2012-51 Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos para admissibilidade, assim dele conheço. O Recorrente apresentou a DCOMP n° 09148.27108.300708.1.3.02-6838 (e-fls. 2 a 8), cujo crédito é relativo a saldo negativo de IRPJ do exercício 2006 no valor de R$ 361.502,54, cuja parcelas componentes do crédito foram unicamente de retenções em fonte no valor de R$ 361.502,54, dos quais apenas R$ 1.286,60 foram confirmadas no despacho decisório. As retenções não confirmadas foram discriminadas na análise de crédito do despacho decisório às e-fls. 10 e 11, e estão reproduzidas abaixo: Fl. 412DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-007.105 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.905074/2012-51 Vê-se que está claramente consignado que o motivo para a não confirmação das retenções foi o não oferecimento das respectivas receitas à tributação. Na manifestação de inconformidade a Recorrente alegou que o motivo da não confirmação das retenções foi o equívoco das fontes pagadoras que informaram códigos de arrecadação “6190”, e que a Recorrente teria informado códigos de arrecadação distintos (“6256” e “1708”), o que acabou não homologando as compensações: Surpresa quanto ao não reconhecimento desses créditos, tendo em vista que todos foram retidos, na grande maioria dos casos, por pessoas jurídicas de direito público para as quais a Requerente presta serviços continuos, tal qual se atesta pelas Notas Fiscais ora anexadas (Doc. 06), bem como pelo seu livro diário (Doc. 10), buscou-se verificar a existência de eventuais erros materiais que porventura tivessem impedido o reconhecimento dos referidos créditos. Isso porque, conforme sabido, a Receita Federal do Brasil realiza um encontro eletrônico das Declarações prestadas pelos tomadores de serviços com as do suposto credor, a fim de verificar se o credito objeto de compensação fora de fato retido pelo tomador de serviço. Para tanto, baseia-se exclusivamente nos itens constantes das Declarações, tais quais CNPJ, valores e códigos. Dessa forma, caso haja equívocos nos códigos, CNPJs, ou mesmo nos valores, o sistema da Receita Federal do Brasil não reconhece o credito e, portanto, a compensação empreendida. E exatamente o caso que ora se apresenta ao crivo de Vossa Senhoria. Com efeito, enquanto os tomadores dos serviços da Requerente declararam a retenção do Imposto de Renda sob o código "6190", a Requerente, em seu PER/DCOMP o fez, muitas vez, sob códigos distintos, tais como "6256" e "1708", o que gerou a não homologação integral dos valores compensados. Não obstante tal erro material, fato é que, ocorrendo a prestação do serviço e a consequente retenção do tributo, é nítido o direito da Requerente em ver reconhecida a compensação integral, tendo em vista que mera divergência no código de retenção não possui o condão de impedir o reconhecimento de um direito, mormente quando este pode ser demonstrado por outros meios comprobatórios. A Recorrente então alega que é dever da Administração Publica utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento para busca da verdade material, afirmando que no caso as notas fiscais (“Doc. 6”) e Livro Diário (“Doc. 10”) comprovariam sua alegação. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, porque as retenções constavam em DIRF, tendo ressaltado que o motivo da não confirmação das retenções que consta no despacho não foi a falta de informação das retenções pelas fontes pagadoras ou divergência de código de retenções, mas porque as receitas não foram oferecidas à tributação: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CREDITO - IRRF O total do imposto de renda na fonte computado pelo interessado na composição do saldo negativo não foi confirmado pelo despacho decisório. Em consulta às DIRF que trazem o interessado como beneficiário, confirmam-se retenções que satisfazem as deduções pretendidas. Fl. 413DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-007.105 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.905074/2012-51 A motivação do despacho é outra. As receitas da prestação de serviços sobre as quais incidiu a retenção não foram oferecidas à tributação na ficha 06 A da DIPJ: A dedução está condicionada a que as receitas sobre as quais incidem as retenções sejam computadas na determinação do lucro real, conforme alínea "c" do § 3º do art. 37 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e inciso III do § 4º do art. 2º da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996. A justificativa para a aceitação de apenas parte da dedução de IRRF pretendida foi exposta no documento intitulado "PER/DCOMP Despacho Decisório – Análise de Crédito": [...] Na manifestação de inconformidade, o interessado transcreveu a referida justificativa. Contudo, nenhum dos seus argumentos desabonam o fato acima comprovado. No recurso voluntário, a Recorrente afirma que as receitas foram oferecidas à tributação, mas que por equívoco foram informadas na linha 06 da Ficha 06A (Rec. Venda no Mercado Interno de Prod. Fabric. Própria), quando deveria ter sido informada na linha 08 (Receita de Prestação de Serviços). Conforme se verifica pela análise do trecho acima transcrito, constata-se que a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente com base no argumento de que essa não demonstrou que as receitas sobre as quais houve a retenção do imposto não foram oferecidas à tributação, já que tal informação não constava da linha 08 da Ficha 06A da DIPJ ano-calendário Fl. 414DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-007.105 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.905074/2012-51 2005, linha esta destinada a refletir as receitas auferidas pelos prestadores de serviços. Ocorre, no entanto, que, diferentemente do alegado pela autoridade julgadora de primeiro grau, as receitas originárias das prestações de serviço pelas quais a Recorrente sofreu retenção do IRPJ na fonte que, por sua vez, compõem o saldo negativo do tributo objeto do presente questionamento administrativo, foram, sim, oferecidas à tributação, tendo havido apenas um erro material no preenchimento da DIPJ. Com efeito, a Recorrente, ao preencher sua DIPJ referente ao ano-calendário de 2005, por um equívoco, imputou as receitas auferidas com prestações de serviço (linha 08, da ficha 06A) na linha referente a “receitas com venda no mercado interno de produção de fabricação própria” (linha 06, da mesma ficha). Assim, como melhor será evidenciado na sequência, houve, in casu, um mero erro material no preenchimento da DIPJ, sendo certo que nenhum dos valores recebidos pela Recorrente efetivamente deixaram de ser oferecidos à tributação. Senão, veja-se. A Recorrente alega que suas receitas tem origem na prestação de serviço, conforme consta no objeto social do seu Contrato Social e no seu CNAE (61.90-6-99 – “outras atividades de telecomunicações não especificadas anteriormente), não fazendo parte a produção/fabricação de mercadorias e venda no mercado interno como seu objeto social. Com efeito, como se verifica do Contrato Social da Recorrente (fls. 42/60) e de seu CNAE (61.90-6-99 – “outras atividades de telecomunicações não especificadas anteriormente” – fls. 62), seu objeto social é basicamente a prestação de serviços diversos relacionados à comunicação, sendo que a produção/fabricação de mercadorias e consequente venda no mercado interno sequer é listada como parte de seu objeto social: “Cláusula 3ª – O objeto social compreende: (a) Prestação de Serviços de Comunicação Multimídia (SCM), com abrangência nacional e internacional, por meio de fibra óptica, satélite, rádio digital e/ou outras tecnologias por meios próprios e/ou de terceiros; (b) Prestação de Serviço Telefônico Fixo Comutado nas modalidades local, longa distância nacional e internacional em todo o território brasileiro; (c) Locação e comércio de equipamentos de telecomunicação e TI, licenciamento e sublicenciamento de software e outros direitos autorais, relacionados com as atividades discriminadas nos itens subsequentes; (d) Prestação de serviços de valor adicionado, que acrescente a uma rede preexistente de um serviço de telecomunicações, meios e/ou recurso que criem novas utilidades específicas ou novas atividades produtivas, relacionadas com o acesso a Internet, gestão e monitoramento de redes próprias e/ou de terceiros, armazenamento, movimentação e recuperação de dados e informações; (e) Prestação de serviços de TI (Tecnologia da Informação) nas modalidades de (i) hospedagem, gerenciamento e monitoramento de servidores, dados e aplicativos de terceiros, (ii) armazenamento e back- up de informações e (iii) segurança lógica de dados; Fl. 415DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-007.105 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.905074/2012-51 (f) Cessão, locação e sublocação de infraestrutura de redes para telecomunicação como fibras apagadas, dutos, subdutos, caixas de passagem, espaço em shelters e pontos de conexão e suas facilidades; (g) Participação em outras sociedades comerciais ou civis, como sócia, acionista ou quotista.” (destacamos) Diante disso, fica evidente que, não produzindo quaisquer mercadorias, é altamente improvável que, somente no ano-calendário de 2005, a Recorrente tenha auferido uma receita de praticamente R$ 147 MILHÕES com venda de mercadorias de produção própria. A Recorrente alega que a receita de R$ 147 milhões informada equivocadamente na linha 06 da Ficha 06A da DIPJ corresponde a toda receita auferida pela Recorrente no ano- calendário de 2005: Não fosse suficiente, a Demonstração de Resultados do Exercício – DRE de 2005 (doc. 02) comprova que as receitas informadas nas linhas 05 (“receita da exportação no incentivada de produtos”) e 06 (“receitas de venda no mercado interno de produção de fabricação própria”), da ficha 06A, correspondem a toda receita auferida pela Recorrente naquele ano-calendário: Esclarece-se que a diferença de R$ 60.477,83 informada na DRE corresponde a valores recebidos por rescisão contratual e que esse valor também foi devidamente informado na DIPJ, na linha 30, da ficha 06A (“outras receitas operacionais”) e, consequentemente, devidamente tributado. Pela análise da DRE acima mencionada, constata-se que a Recorrente, ao longo do ano-calendário de 2005, auferiu receita decorrente da prestação de serviços no território nacional na ordem de R$ 146.925.304,29 (cento e quarenta e seis milhões, novecentos e vinte e cinco mil, trezentos e quatro reais e vinte e nove centavos). E foi justamente essa informação que a Recorrente prestou em sua DIPJ do ano- calendário de 2005. O único erro da Recorrente não foi deixar de oferecer esses valores à tributação, mas, única e exclusivamente, lança-los em linha da DIPJ que não reflete essa realidade. Frise-se, ao invés de a Recorrente informar tais quantias na linha 08 da Ficha 06ª de sua DIPJ, ela lançou tais dados na linha 06 Fl. 416DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-007.105 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.905074/2012-51 da mesma ficha, a qual não se destina aos prestadores de serviços, tal qual a Recorrente, mas sim às pessoas jurídicas de direito privado industriais e comerciais. Com efeito, todos esses elementos são hábeis e suficientes para demonstrar que toda a receita auferida com prestação de serviços que sofreram retenções de IRPJ na fonte foram oferecidas à tributação, mas que, por um lapso, a Recorrente, ao invés de imputá-las na linha 08, da ficha 06A, o fez na linha 06, da mesma ficha. Nesse sentido, vale trazer à baila o princípio da substância sobre a forma, segundo o qual deve-se valorizar a essência da operação ao invés da informação inscrita em documento fiscal ou contábil No presente caso, fica claro que a receita foi devidamente oferecida à tributação, tendo havido tão somente um erro quando da imputação da informação na DIPJ da Recorrente. Há que ressaltar que a Recorrente inovou no seu argumento de defesa, eis que na manifestação de inconformidade alegou que as retenções não foram reconhecidas por divergência entre o código de arrecadação por ela informada na DCOMP com o código de arrecadação informado pelas fontes pagadoras, tomadoras dos seus serviços. Ressalte-se que no despacho decisório já constava que as retenções não tinham sido confirmadas por falta de oferecimento à tributação das receitas relativas às retenções informadas em DCOMP. Ocorre que no recurso voluntário, depois que a DRJ ratifica que as retenções não tinham sido confirmadas por falta de oferecimento à tributação das respectivas receitas é que a Recorrente alegou que se equivocou no preenchimento da DIPJ. Somente por inovar nos seus argumentos, e sendo o único argumento em sede de recurso contra a não confirmação das retenções que teria havido equívoco no preenchimento da DIPJ (argumento não analisado pela DRJ), não seria possível conhecer do recurso, tendo em vista a supressão de instância. Ademais, o motivo da não confirmação das retenções já teria sido consignado no despacho decisório: falta de oferecimento das receitas à tributação. Contudo, entendo que o recurso voluntário dev ser conhecido, tendo em vista a busca da verdade material, e considerando que a justificativa apresentada foi para contrapor ao fundamentos da decisão da DRJ. Contudo, ainda que se supere o não conhecimento do recurso, com o argumento que a DRJ é que tornou explícito que as receitas de serviços não teriam sido oferecidas à tributação com a indicação que na linha 08 da Ficha 06A da DIPJ estava zerada, ainda assim entendo que a Recorrente não comprovou o oferecimento á tributação das receitas: Primeiramente, ao contrário do que afirma a Recorrente, consta no Contrato Social, no item “c” da Cláusula 3ª como um dos objetos sociais o comércio de equipamentos de telecomunicações e TI, não se restringindo apenas à prestação de serviço (c) Locação e comércio de equipamentos de telecomunicação e TI, licenciamento e sublicenciamento de software e outros direitos autorais, relacionados com as atividades discriminadas nos itens subsequentes; (grifei) Fl. 417DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-007.105 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.905074/2012-51 Em segundo lugar, a Recorrente afirma que suas receitas restringiram-se ao total de R$ 147 milhões, conforme tabela abaixo, sugerindo que as receitas de prestação de serviço relativas ás retenções informadas na DCOMP lá estariam incluídas. Reproduzo novamente a tabela apresentada: Com base nas retenções informadas nas DCOMP, elaborei a tabela abaixo, chegando a receita relativa às retenções no valor de R$ 7.739.927,49, considerando os códigos de arrecadação 6190 e 1708: Item CNPJ Código de Arrecadação Rendimento Bruto IRRF 1 00.394.494/0080-30 6190 145.911,36 7.003,75 2 00.394.536/0009-36 6190 85.200,00 4.089,60 3 00.397.695/0001-97 6190 249,13 11,96 4 00.464.073/0001-34 6190 339,20 16,28 5 00.488.478/0001-02 6190 189.539,73 9.097,91 6 00.509.968/0001-48 6190 26.177,88 1.256,54 7 00.531.640/0001-28 6190 870.771,61 41.797,03 8 03.277.610/0001-25 6190 86.412,96 4.147,82 9 04.898.488/0001-77 6190 606.954,06 29.133,79 10 33.000.167/0001-01 6190 5.384.355,50 257.867,48 11 33.683.111/0001-07 6190 38.160,00 1.831,68 12 34.164.319/0005-06 6190 35.112,07 1.627,01 13 02.831.210/0001-57 1708 171.830,36 1.467,52 15 03.658.432/0001-82 1708 98.150,33 439,01 19 56.994.502/0001-30 1708 763,30 11,45 7.739.927,49 359.798,83 Apesar do valor de receita informado na linha 06 da Ficha 06A da DIPJ (R$ 146.925.304,29) ser valor muito do que as receitas relativas às retenções informadas na DCOMP Fl. 418DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-007.105 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.905074/2012-51 (R$ 7.739.927,49), entendo que não é possível afirmar que as receitas relativas às retenções aqui analisadas estariam incluídas no total de receita informada na linha 06 da Ficha 06A da DIPJ. A comprovação seria possível com a apresentação dos livros contábeis, que apesar da Recorrente afirma tê-lo juntados na manifestação de inconformidade como “Doc. 10”, conforme excerto abaixo, não os apresentou. Surpresa quanto ao não reconhecimento desses créditos, tendo em vista que todos foram retidos, na grande maioria dos casos, por pessoas jurídicas de direito público para as quais a Requerente presta serviços continuos, tal qual se atesta pelas Notas Fiscais ora anexadas (Doc. 06), bem como pelo seu livro diário (Doc. 10), buscou-se verificar a existência de eventuais erros materiais que porventura tivessem impedido o reconhecimento dos referidos créditos. (grifei). Os únicos documentos juntados na manifestação de inconformidade foram os seguintes (e-fl. 36): No caso de compensação, o ônus de comprovação do crédito é da Recorrente, e o despacho decisório tinha deixado claro que o motivo para a não confirmação das retenções foi a falta de comprovação do oferecimento à tributação das respectivas receitas, o que a Recorrente não comprovou, não sendo possível afirmar que o crédito pleiteado é líquido e certo, como exige o art. 170 do CTN 1 . Quanto a diligência pleiteada para “comprovar a correição dos procedimentos adotados, especialmente quanto à utilização das receitas para composição do lucro real da Recorrente, e evidenciar que o que houve, in casu, foi um mero erro no preenchimento da DIPJ.”, tendo em vista que desde que tomou ciência do despacho decisório a Recorrente soube ou devia saber o motivo porque as retenções informadas na DCOMP não foram confirmadas, devendo ter apresentado as provas para afastar o argumento, e não o fez, entendo que não cabe à essa 2ª instância julgadora promover a instrução processual para busca de provas que caberia à parte juntar ao processo, ficando pois, indeferida o pedido de diligência. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 419DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-007.105 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.905074/2012-51 Conclusão Perlo exposto, voto em conhecer do recurso, e, no mérito, em NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 420DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720906/2019-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2015.
ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. DOCUMENTOS. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA.
A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis, idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos, em preceitos legais.
Nos termos do artigo 36 da Lei nº 9.784/1999, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, o que significa dizer, pois, que o sujeito passivo tem o ônus de comprovar a veracidade das suas alegações acerca da existência de fato modificativo, impeditivo ou extintivo em relação ao direito da Autoridade fiscal de constituir e exigir o respectivo crédito tributário por meio do lançamento.
GLOSA DE EXCLUSÕES - OUTRAS EXCLUSÕES
O contribuinte deve apresentar documentos hábeis para comprovar os valores lançados a título de outras exclusões na determinação do lucro tributável, sob pena da glosa fiscal.
CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA DE OFÍCIO.
A multa isolada, devida pela insuficiência de recolhimento da estimativa mensal do imposto, e a multa de ofício regulamentar, devida pela insuficiência de recolhimento do imposto apurado na data do fato gerador tem hipóteses de incidências distintas, tornando assim cabível o lançamento concomitante dessas penalidades.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A ADMINISTRADORES DA PESSOA JURÍDICA. ART. 124 DO CTN. POSSIBILIDADE. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão, o que não subsiste no presente caso.
Numero da decisão: 1202-001.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75% e excluir o responsável solidário da relação jurídico-tributária. Vencidos o Conselheiro André Ulrich Pinto e Miriam Costa Faccin que votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar a exigência da multa isolada.
(documento assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto -- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roney Sandro Freire Corrêa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Novaes Ferreira, Andre Luis Ulrich Pinto, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Roney Sandro Freire Correa, Miriam Costa Faccin (suplente convocada), Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente (s) o conselheiro Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, substituído pela conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, o conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, substituído pela conselheira Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: RONEY SANDRO FREIRE CORREA
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ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. DOCUMENTOS. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis, idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos, em preceitos legais. Nos termos do artigo 36 da Lei nº 9.784/1999, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, o que significa dizer, pois, que o sujeito passivo tem o ônus de comprovar a veracidade das suas alegações acerca da existência de fato modificativo, impeditivo ou extintivo em relação ao direito da Autoridade fiscal de constituir e exigir o respectivo crédito tributário por meio do lançamento. GLOSA DE EXCLUSÕES - OUTRAS EXCLUSÕES O contribuinte deve apresentar documentos hábeis para comprovar os valores lançados a título de outras exclusões na determinação do lucro tributável, sob pena da glosa fiscal. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada, devida pela insuficiência de recolhimento da estimativa mensal do imposto, e a multa de ofício regulamentar, devida pela insuficiência de recolhimento do imposto apurado na data do fato gerador tem hipóteses de incidências distintas, tornando assim cabível o lançamento concomitante dessas penalidades. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A ADMINISTRADORES DA PESSOA JURÍDICA. ART. 124 DO CTN. POSSIBILIDADE. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão, o que não subsiste no presente caso. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 06 /2 01 9- 91 Fl. 1844DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75% e excluir o responsável solidário da relação jurídico-tributária. Vencidos o Conselheiro André Ulrich Pinto e Miriam Costa Faccin que votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar a exigência da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto -- Presidente (documento assinado digitalmente) Roney Sandro Freire Corrêa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Novaes Ferreira, Andre Luis Ulrich Pinto, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Roney Sandro Freire Correa, Miriam Costa Faccin (suplente convocada), Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente (s) o conselheiro Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, substituído pela conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, o conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, substituído pela conselheira Miriam Costa Faccin. Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão nº 02-101.313, proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, no tocante ao IRPJ e CSLL (Ano-calendário 2015), sobre a apuração de supostas infrações fiscais, relativas a despesas operacionais e encargos considerados não dedutíveis na apuração do lucro real, exclusões e adições, bem como a multa pela apresentação da Escrituração Contábil Digital (“ECD”) fora do prazo legal. Esta ação findou na elaboração dos autos de infração no montante de R$ 45.221.284,80 (fls. 729 a 754), cujos sujeitos passivos foram considerados, além da recorrente em epígrafe, o responsável solidário Marcelo Piza Morisco (CPF 158.445.658-27). A ação fiscal constatou que a contribuinte foi constituída em 16/07/1999, sob a forma de sociedade empresária limitada, tendo como objeto social: “a comercialização de bens, importação e exportação, prestação de serviços e de assistência técnica relacionados a processamento eletrônico de dados e de informação tecnológica, incluindo, mas não se limitando a softwares”. A mesma apura o IR pela sistemática do Lucro Real anual por estimativa, conforme manifestado na sua DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, competência janeiro de 2015. A autoridade fiscal também apontou que, em 30/03/2016, houve uma alteração do nome empresarial passando-se a Mavenir Telecomunicações Sul América Ltda, doravante denominada Mavenir, fato ocorrido apenas em 31/05/2017. (originalmente ACISION TELECOMUNICAÇÕES SUL AMÉRICA LTDA e, posteriormente, XURA TELECOMUNICAÇÕES SUL AMÉRICA LTDA). Fl. 1845DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 A autoridade fiscal apurou que a recorrente apresentava saldos dos “balancetes revisados atuais” e que havia uma diferença nos saldos das ECF´s entre os “balancetes que foram revisados” e o declarado na escrituração contábil - ECD 2015 (transmitida em 2018), bem como o declarado na ECF 2015 (transmitida em 2019). Tal feito levou a autoridade fiscal a propor uma necessidade de ajustes no LALUR, tanto da ECD, como da ECF, explicitado pela recorrente que as “outras exclusões”: “a linha 167.01 em comento, refere-se ao ajuste do lucro líquido decorrente da diferença entre os saldos do balancete que foram revisados pela empresa e, consequentemente, atualizados. Os saldos recuperados foram os saldos que foram informados na ECF”. Quanto ao “Balancete revisado”, informou que há propostas de alterações nas contas de Resultado, as quais são enumeradas em quadro demonstrativo constante do termo de verificação fiscal. Em relação as inclusões de valores nas contas contábeis na ECD: Despesa Taxa de Licença (3.1.1.9.46) e Despesa ISS Taxa de Licença (3.1.1.9.47), respectivamente nos valores de R$ 39.677.957,00 e R$ 793.599,00, o contribuinte esclareceu que estes eventos se tratam da aquisição de “sistemas” perante o fornecedor ACISION UK Limited, e o documento apresentado pela empresa, durante a ação fiscal, devidamente anexado ao processo, em relação a este ajuste proposto, se refere ao “Contrato de Distribuição e Fornecimento”, porém, não há registro que indique a sua realização na época dos fatos. Quanto às variações cambiais clientes no exterior, variações cambiais Intercompany (fornecedor) e quadro resumo da composição das variações cambiais não realizadas que não foram escrituradas a época, a recorrente alegou que: “... em razão da impossibilidade de a empresa alterar os saldos contábeis em sua ECD, os valores da variação cambial ativa e passiva foram imputados de forma manual”. Tais alterações foram apresentadas nas exclusões do LALUR, no ajuste das Variações Cambiais Ativas, com a retirada do montante de R$ 21.155.307,07 do Lucro Líquido antes do IRPJ sob o título de Variação Cambial Ativa não realizada, cuja conta contábil não foi anteriormente escriturada, incluindo nesse ajuste indevido a variação cambial não realizada passiva no valor R$ 5.652.533,00. Quanto à conta contábil Variação Cambial Ativa não Realizada, não apresentar registros contábeis e ajustes propostos pelo contribuinte nas contas contábeis que não foram escriturados na ECD, a fiscalização constatou que tal fato interfere no resultado do exercício e, possíveis lançamentos contábeis extemporâneos, somente poderiam ter correção até o fim do prazo de entrega relativo ao ano-calendário subsequente. Quanto à conta contábil Variação Monetária Passiva realizada – 3.1.2.0.01, a fiscalização constatou que há acréscimo da despesa registrada em 11/03/2015 no valor de R$ 6.535.616,96, sob a justificativa relatada no histórico: “Pag. Variação cambial referente a recebimento indevido e devolvido”. Neste caso, a recorrente alegou que “em fevereiro de 2015, a entidade legal Acision Telecomunicaciones Sul América Ltda (antiga denominação da Mavenir) recebeu da empresa Telefonica Venezolana o valor VEF$ 167.579.922,21 (equivalente à R$ 76.332.654,57, conforme taxa de câmbio disponibilizado pelo Banco Central do Brasil da data do recebimento, qual seja, 20.02.2015), em pagamento pela relação jurídica entre as partes. O pagamento foi realizado na conta da Mavenir na Venezuela”. Fl. 1846DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 [...] “Em um segundo momento, as partes identificaram que o valor foi depositado na conta corrente errada, razão pela qual, em 11/03/2015, a Mavenir devolveu esse mesmo montante à Telefônica Venezolana. Devido a diferença de prazos entre o recebimento e a devolução da quantia, a Mavenir verificou em seus livros no Brasil, resultado de variação cambial de R$ 6.535.616,96, diferença registrada na conta variação cambial realizada passiva.” Ademais, apresentou um documento e uma nota fiscal de prestação de serviços com valor de R$ 2.849.124,96. A fiscalização ainda acrescentou que a recorrente não apresentou o memorial de cálculo da variação cambial, os documentos hábeis e idôneos que deram origem a obrigação do pagamento e devolução. Assim, a fiscalização considerou a despesa como não dedutível para efeito do cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Juridica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, e adicionou ao lucro líquido do período de apuração para determinação do lucro real. Ao final, conforme o ora relatado, foram identificados fatos geradores das infrações tributárias correspondente as exclusões indevidas, glosa de despesa não comprovada, multa por atraso na ECD e multa isolada. No entanto, a fiscalização também imputou à responsabilidade tributária solidária ao sócios e ao administrador da empresa Mavenir, por ter promovido condutas, de forma consciente, que provocaram resultado lesivo a administração tributária, caracterizadas pela inserção de elementos inexatos nas declarações obrigatórias por ajustes do lucro real, com base em eventos sem respaldo por documentos comprobatórios válidos, resultando suposto prejuízo fiscal; bem como a ausência na apresentação da ECD e da ECF. Conforme avisos de recebimento (fls. 780 e 785), os dois sujeitos passivos foram cientificados do lançamento em 22/11/2019. Em 20/12/2019, conforme (fls 797 e 1.395), foram apresentadas impugnações em nome, respectivamente, de Mavenir Telecomunicações Sul América Ltda e Marcelo Piza Morisco, as quais se acham juntadas, respectivamente, às folhas 799 a 834, e 1.397 a 1.449. Instaurado a fase contenciosa, a recorrente consignou que, com exceção da irregularidade relacionada à entrega em atraso da ECD, discorda categoricamente das acusações fiscais. Por essa razão realizou o pagamento da multa aplicada pela autoridade fiscal na data de 20 de dezembro de 2019 (Doc. 13). Ela reconhece a existência de divergências entre os registros contábeis reportados na ECD de 2015 e os corretos registros constantes dos seus livros contábeis, alegando que tais divergências, contudo, foram resultado de meros erros procedimentais e de reporte da ECD. Com relação a multa pela não apresentação da ECD no prazo, alega que também efetuou o pagamento. Com relação as despesas operacionais e encargos consideradas não dedutíveis na apuração do lucro real, exclusões e adições consideradas indevidas, a mesma confessou a existência de divergências entre os registros contábeis reportados na ECD de 2015 e alega erros procedimentais. Que a distorção do lucro real se deu em razão do desprezo dos dados informados na ECF de 2015, o que acarretou na desconsideração de receitas e despesas informadas no Fl. 1847DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 LALUR e no LACS como forma de recompor o lucro líquido, bem como imposição de multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa mensal do IRPJ e da CSLL. A recorrente ainda acrescentou que o lucro líquido apurado está de acordo com o valor declarado em ECD 2015, porém as retificações relativas aos erros no reporte contábil foram feitas diretamente no LALUR/LACS, para fielmente recompor o lucro líquido contábil e calcular o IRPJ e CSLL devidos. Quanto aos resultados de variação cambial não realizados, a recorrente alegou que adicionou o valor de variações cambiais passivas não realizadas, por não serem dedutíveis sob o regime de caixa, juntando uma planilha e documentos, ressaltando que a mesma não havia sido declarada em ECD, entretanto, a adição desse valor foi neutralizada para fins fiscais por uma exclusão no mesmo valor, não impactando o lucro tributável. Com relação às variações cambiais ativas, a mesma ressaltou que procedeu da mesma forma adotada para variações passivas não realizadas. A recorrente se adiantou, dispondo que a decisão de 1ª instância decidiu que fossem mantidas as adições e as exclusões em apreço para que pudessem ser devidamente controladas para serem oferecidas à tributação no momento da realização. Quanto as receitas operacionais não declaradas em ECD 2015 e tributáveis na apuração fiscal, a recorrente mencionou que para corrigir os erros incorridos na ECD 2015 e refletir o lucro líquido efetivamente apurado pela Recorrente na condução de suas atividades, foram também incluídas como “outras exclusões” os valores de receitas tributáveis por ela apuradas. Quanto as despesas de licença e imposto sobre serviço dedutíveis na apuração do lucro tributável, grande parte refere-se a despesa de licença de distribuição e fornecimento de software, sistemas e/ou hardware, contabilizada no livro razão sob a rubrica 3.1.1.9.46, prevista no Acordo de Distribuição e Fornecimento firmado entre a Recorrente e uma empresa sediada no Reino Unido. A Recorrente ressaltou que apresentou o contrato de licença de distribuição e fornecimento diretamente ao Fisco e que, diante da apresentação do referido contrato, válido e vigente no ano de 2015, não se sustenta a afirmação de que não há registro que indique a realização do contrato na época dos fatos. Quanto as outras despesas computadas como outras exclusões, a recorrente dispõe que existem outras despesas de menor monta relativas a PIS e COFINS incidentes sobre receitas e que essas foram devidamente comprovadas, conforme destacou no DOC 11 anexado. Quanto as despesas de variação cambial realizadas glosadas, a recorrente alega que tais despesas são decorrentes de valor depositado na conta corrente localizada na Venezuela de titularidade da Recorrente em 20 de fevereiro de 2015. Que o valor total depositado em moeda local totalizou VEF 167.579.922,21, sendo equivalente a R$ 76.332.654,57 de acordo com a taxa de câmbio publicada pelo Banco Central do Brasil na data do depósito. E que trata-se de contraprestação decorrente de contrato de prestação de serviços contratados pela Telefonica Venezulana, C.A., empresa organizada de acordo com as leis da Venezuela, cujos escritórios estão localizados em Caracas, Venezuela. A recorrente afirmou que por um equívoco, a Telefonica Venezuela C.A. depositou tais valores na conta corrente localizada na Venezuela de sua titularidade e, que esta, por sua vez, identificou o referido erro na data de 11 de março de 2015, quando prontamente Fl. 1848DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 autorizou a transferência para devolução dos valores depositados em sua conta corrente, ora demonstrado no extrato bancário anexo traduzido e juramentado para o Português. A recorrente alegou a inviabilidade da manutenção da qualificação da multa de ofício, tendo em vista à impossibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Quanto a qualificação da multa, a recorrente contesta que o simples fato de constituírem atos comuns e habituais dentro da esfera de operação das entidades em geral no País, retira-lhes eventual elemento dolo e que, ainda que as razões de mérito não fossem suficientes para afastar de plano a qualificação da multa, constata-se que as autoridades fiscais não lograram demonstrar o aspecto subjetivo no seu comportamento capaz de respaldar a alegação de dolo visando "embaraçar" a fiscalização, fator essencial para sustentar a duplicação da penalidade, tratando um mero inadimplemento de obrigação tributária para lhe empregar a roupagem de consciente e premeditada redução tributária como forma de fundamentar sua alegação de sonegação e, assim, justificar a qualificação da multa. Ademais, os lançamentos contábeis e fiscais registrados pela autuada representam atos regulares e compatíveis com a legislação em regência, bem como se sustentam em provas e evidências concretas. Por conseguinte, mesmo em se considerando a remota hipótese de os montantes relativos aos tributos não serem cancelados, o simples fato de constituírem atos comuns e habituais dentro da esfera de operação das entidades em geral no país, retira-lhe o eventual elemento dolo. E acrescenta, ainda que as razões de mérito não fossem suficientes para afastar de plano a qualificação da multa, as autoridades fiscais não lograram demonstrar o aspecto subjetivo no comportamento da autuada capaz de respaldar a alegação de dolo visando "embaraçar" a fiscalização, fator essencial para sustentar a duplicação da penalidade. A ausência de apresentação em momento próprio da ECD e da ECF jamais poderia sinalizar a existência de dolo com intuito de embaraço à fiscalização. Configura a apresentação extemporânea de tais declarações mera irregularidade procedimental, sujeita a aplicação de penalidade própria, tendo sido ela devidamente imposta à autuada, o que, segundo a recorrente, não merece prosperar. Quanto a impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada, a recorrente não concorda com a imposição de multas que, alega afronta aos princípios da razoabilidade, do não confisco e da proporcionalidade consagrados pela Constituição Federal e de submissão obrigatória pelos agentes da administração pública. Alega a recorrente que a nulidade da multa isolada, por erro na apuração da base de cálculo, tiveram bases incorretamente apuradas pela autoridade fiscal, ao ter deixado de computar as devidas deduções e exclusões fiscais. A recorrente menciona que os lançamentos registrados na ECF do ano de 2015 deveria ter considerado as despesas dedutíveis e as receitas não tributadas para se aferir a base de cálculo correta na aplicação da multa e, nos termos da ECF relativa ao ano de 2015 transmitida pela autuada (Doc. 12), constam as apurações mensais para todo o ano calendário, considerou-se as despesas e receitas fiscalmente dedutíveis e não tributadas, de modo que a empresa autuada apurou prejuízos em todos os meses. Fl. 1849DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 Dispõe ainda que, caso as exigências de IRPJ e de CSLL sejam mantidas, é de rigor seja determinado o cancelamento da multa isolada de 50%, em virtude da impossibilidade de sua exigência conjuntamente com a multa de ofício. Ao final, a recorrente requer que seja conhecido, provido e acolhido o presente recurso, a fim de que seja reformada a decisão, reconhecendo-se a improcedência dos débitos de IRPJ e de CSLL referentes ao ano de 2015, bem como o cancelamento da multa de ofício aplicada, reduzindo para o patamar de 75%, determinando-se o cancelamento das multas isoladas. Recurso Voluntário apresentado em nome de Marcelo Piza Morisco O recurso voluntário apresentado em nome de Marcelo Piza Morisco se deu em razão de ter sido considerado responsável tributário, por ser administrador da empresa autuada. O mesmo alegou que não há fundamento legal para a sua manutenção no polo passivo da cobrança, pois alega que o Termo de Verificação Fiscal funda-se em parcos três parágrafos, os quais, ainda por cima, contêm citações totalmente genéricas a respeito da matéria. Aduz que a autoridade fiscal trata a questão da responsabilidade tributária de maneira absolutamente vaga, imprecisa e generalizada: "sócios e administradores" e que o se nome, enquanto responsável, sequer foi citado no item 12 do Termo de Verificação Fiscal. Ou seja, atribui-se responsabilidade tributária pelo simples fato de assumir a condição de administrador da empresa ao tempo dos fatos. Alega que a responsabilização tributária não pode ser atribuída de forma presumida ou automática, já que depende da demonstração de má-fé por parte do acusado, de modo que é necessário que a autoridade fiscal deve demonstrar os atos concretos por ele praticados que comprovem ter agido com dolo, tendo a consciência e a vontade de reduzir deliberadamente o valor de tributo e que a ausência de indicação de conduta específica praticada é latente. Ademais, sustenta que não consta nos autos sequer um único apontamento de ter agido com dolo, como, por exemplo, e-mails, cartas ou qualquer outro tipo de documento ou comunicação que forneça indícios de má-fé, visando, de forma premeditada, evadir-se do pagamento de tributos. Por fim, menciona que é descabida a atribuição de responsabilidade tributária, eis que foi baseada em mera presunção, diante da total ausência de comprovação de supostos atos por ele praticados que demonstrem ter agido com dolo visando a redução de tributos. Em vista do exposto acima, requer que o lançamento fiscal seja julgado improcedente, e, consequentemente, o cancelamento integral das exigências fiscais. Requer-se, ainda, a realização de diligência para confirmar toda a apuração realizada no ano de 2015. De forma subsidiária, requer o reconhecimento da ausência de fundamento para a responsabilização tributária, determinando-se a sua exclusão do auto de infração; da impossibilidade de aplicação da multa majorada de 150%; da impossibilidade da aplicação concomitante da multa isolada de 50%; e da nulidade da multa isolada por erro na apuração da base de cálculo. E o relatório. Fl. 1850DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 Voto Conselheiro Roney Sandro Freire Corrêa, Relator. Admissibilidade e Tempestividade O Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação, e dele, portanto, tomo conhecimento. Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 02.10.2020, apresentando o Recurso Voluntário no dia 03.10.2020, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. O Recurso Voluntário, também é tempestivo e, por isso, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Do mérito Quanto aos aspectos meritórios, conforme depreende-se das fls. 757 a 777, a autuação fiscal sistematizou o seu feito circunscrito às seguintes infrações, assim resumidas: Despesas não comprovadas, exclusões indevidas, falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada e o descumprimento do prazo estabelecido para a apresentação da escrituração contábil digital (ECD). Quanto ao item “multa pelo DESCUMPRIMENTO DO PRAZO ESTABELECIDO PARA A APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD)”, é necessário assinalar que a recorrente reconheceu a infração apontada e efetuou o pagamento da multa pela apresentação da ECD fora do prazo legal (Doc. 13 da impugnação). Não obstante, a recorrente sustenta que a Recorrente detectou falhas de reporte e cumprimento de obrigações fiscais no ano de 2015 e, consequentemente, contratou uma consultoria contábil e fiscal para revisar toda sua contabilidade, o cálculo do lucro tributável, o pagamento de tributos em geral e o cumprimento de obrigações acessórias, dispondo que: “ao revisar os procedimentos adotados, identificou erros de contabilização, do cômputo do lucro tributável, bem como na falta de cumprimento de obrigações acessórias”. Dito isso, na análise da infração – DESPESAS NÃO COMPROVADAS, as exigências fiscais decorrem da redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL em virtude da dedução de despesa não comprovada na apuração do lucro contábil, e da exclusão de certas parcelas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL consideradas indevidas. Isso se deu, porque a autoridade fiscal não identificou a comprovação do motivo da exclusão ou da efetividade dos eventos ou das operações que a justificariam, ou seja porque, pela sua natureza as exclusões pretendidas deveriam ter sido registradas na escrituração contábil digital e incorporadas ao resultado contábil, ao passo que já não seria possível fazer tal alteração por meio da escrituração contábil fiscal em virtude do esgotamento do prazo para a retificação da escrituração contábil digital. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização apontou indevida a inclusão no cálculo do lucro líquido de despesas de variação cambial passiva realizadas que não teriam sido comprovadas pelo contribuinte no valor de R$ 6.535.616,96, que, Fl. 1851DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 neste caso, foram identificadas como despesas decorrentes de valor depositados na conta corrente localizada na Venezuela, de titularidade da Recorrente, em 20 de fevereiro de 2015. Ademais, a mesma adicionou o valor de variações cambiais passivas não realizadas de R$ 5.652.533,00, por mencionar não serem dedutíveis sob o regime de caixa. No entanto, sendo optante pelo Lucro Real anual por estimativa, conforme manifestação na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, competência janeiro de 2015, número declaração 100.2015.2015.1850098923, recepcionada em 19/03/2015, recibo número 22.88.32.99.32-23, no status de ativa, a obrigação, em função da taxa de câmbio, deveria ser observada pelo regime de caixa. Do relatório ainda, verificou-se que o valor total depositado em moeda local, no montante de VEF 167.579.922,21, sendo equivalente a R$ 76.332.654,57, de acordo com a taxa de câmbio, publicada pelo Banco Central do Brasil, na data do depósito. Noutro giro, a recorrente menciona que foi a contraprestação decorrente de contrato de prestação de serviços, contratada pela Telefonica Venezulana, C.A., empresa organizada de acordo com as leis da Venezuela, cujos valores decorrentes da remuneração supracitados foram contratualmente cedidos e transferidos para Acision Venezuela C.A., conforme documento de cessão próprio (documento 10 da defesa). Ademais, acrescenta que, por um mero equívoco, a Telefonica Venezuela C.A. depositou tais valores na conta corrente localizada na Venezuela de titularidade da Recorrente. Que, por sua vez, identificou o referido erro na data de 11 de março de 2015, quando prontamente autorizou a transferência para devolução dos valores depositados em sua conta corrente, conforme extrato bancário anexo (documento 10 da defesa). E ainda: “no período transcorrido entre o depósito e a devolução dos valores, ocorreu expressiva desvalorização do Real em relação à moeda Venezuelana. Assim, uma vez que os valores depositados foram contabilizados no caixa da empresa e que a moeda funcional da Recorrente é o Real, a desvalorização da moeda brasileira resultou em despesa de variação cambial passiva de R$ 6.535.616,96. Referidos valores foram regularmente contabilizados nos balancetes da empresa brasileira e computados na apuração do lucro líquido”. De fato, a recorrente apresentou um documento em idioma de língua estrangeira, sem a devida tradução juramentada; e uma nota fiscal de prestação de serviços, cujo valor resulta o montante de R$ 2.849.124,96, conforme instruído na sequência: Fl. 1852DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 Ressalto que, todo o apresentado, foi desacompanhado de documentos hábeis e idôneos que deram origem a obrigação do pagamento e devolução (como nota fiscal de prestação de serviço no valor da devolução, recibos, contratos), correspondendo datas e valores, o que serviria como elementos para comprovar à transação. Não obstante, verificou-se ainda, que, embora a recorrente havia apurado novos valores nos saldos de diversas contas que haviam impactados nos resultados apurados na ECD, tais valores não constavam também da ECF. Neste sentido, o Pronunciamento Técnico CPC 02 (R2) – Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis, aprovado pela Deliberação da CVM nº 640/10 e pela Resolução CFC nº 1.295/10, orienta que a entidade deve divulgar as variações cambiais líquidas, reconhecidas em outros resultados abrangentes e registradas em conta específica do patrimônio líquido, de modo que haja a conciliação do montante de tais variações cambiais no começo e no fim do período. Fl. 1853DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 Assim, quando a moeda de apresentação das demonstrações contábeis for diferente da moeda funcional, este fato deverá ser citado, juntamente com a divulgação da moeda funcional e a razão para a utilização de uma moeda de apresentação diferente. Ou seja, ainda que exista um corolário cuias normas apontam para uma convergência contábil, a boa prática fiscal compele o seu devido espelhamento na ECF, o que, no presente caso não ocorreu. Outro ponto da análise, se dá a partir do valor da variação cambial passiva não realizada, não haver sido declarado na ECD em 2015. Neste caso, a adição desse valor foi neutralizada para fins fiscais por uma exclusão no mesmo valor. O fato de a fiscalização ter desconsiderado tais valores não impacta o seu lucro tributável, adotando o mesmo raciocínio para as variações cambiais ativas. Pois bem, o acervo probatório que restou colacionado aos autos, acaba por corroborar as conclusões formuladas pela Autoridade fiscal, as quais, a rigor, acabaram sendo ratificadas pela própria Autoridade julgadora de 1ª instância. Muito embora a Recorrente tenha alegado que cometera erros em sua contabilidade quando da transposição das contas, o fato é que ela acabou não apresentando documentos comprobatórios que pudessem demonstrar a veracidade das suas alegações ou que fosse capaz de infirmar as premissas que restaram adotadas pelas Autoridades fiscal e judicante, que, a rigor, e tal como sustentei, consubstanciariam nos próprios documentos que foram colacionados aos autos, com desencontros de datas, valores e até operações. Destarte, a escrituração contábil mantida com observância das disposições legais, somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. A propósito, note-se que o sujeito passivo tem o ônus de comprovar a veracidade das suas alegações acerca da existência de fato modificativo, impeditivo ou extintivo em relação ao direito da Autoridade fiscal de constituir e exigir o respectivo crédito tributário por meio do lançamento, de acordo com o que apregoa o artigo 373, inciso II da Lei nº 13.105, de 2015 – Novo Código de Processo Civil, que, à luz do artigo 15 do referido Diploma1 , deve ser aplicado supletiva e subsidiariamente no âmbito do Processo administrativo fiscal. Não obstante, nos termos do artigo 36 da Lei nº 9.784/1999, ao interessado cabe a prova dos fatos que tenha alegado, o que significa dizer, pois, que o contribuinte tem o ônus de comprovar a veracidade das suas alegações acerca da existência de fatos modificativos, impeditivos ou extintivos, em relação ao direito da Autoridade fiscal de constituir e exigir o respectivo crédito tributário por meio do lançamento. Por essas razões, entendo por negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às alegações que restaram formuladas acerca das variações cambiais e monetárias passivas e ativas. Noutro giro, outro ponto destacado se deu quanto às EXCLUSÕES INDEVIDAS - DEDUÇÃO DAS DESPESAS DE LICENÇA, cuja determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL registrada na escrituração contábil fiscal, havia efetuado as seguintes adições e exclusões: Fl. 1854DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 Conforme sumarizado nos fatos, a Recorrente realizou em 17/09/2018, o envio da ECD e, em 12/08/2019, a transmissão da ECF. Considerando a análise das informações declaradas, a autoridade fiscal verificou que, valores não apontados na escrituração contábil - ECD - foram incluídos na apuração fiscal através de adições e exclusões na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. De acordo com a autoridade fiscal, os ajustes propostos pelo contribuinte na escrituração fiscal - ECF - que deveriam ter sido regularmente declarados na escrituração contábil digital – ECD -, na época própria, somente poderiam ter correção tanto para fins contábeis como fiscais até o fim do prazo de entrega da própria ECD, relativo ao ano-calendário subsequente. Como decorrência, concluiu-se que seriam nulos os ajustes efetuados por meio de adições e exclusões no LALUR/LACS, sem o devido aprofundamento da análise dos documentos suporte e dos ajustes contábeis efetuados pela Recorrente. Irresignada, a recorrente juntou os itens 4 e 52, depreendidos do caderno de Perguntas e Respostas formulados pela RFB, que tratam especificamente sobre o Lalur e como deve ser realizado o ajuste, com relação à dedutibilidade ou tributação das parcelas regularizadas decorrentes da inobservância do regime de competência, quando a legislação comercial determinar que a retificação seja considerada como ajustes de exercícios (períodos) anteriores. De toda sorte, embora o questionamento seja determinante, tampouco favorece a causa, uma vez que essa resposta somente orienta qual deve ser o procedimento do contribuinte no caso em que a legislação comercial determinar que uma retificação de erro na escrituração contábil se faça por meio de ajuste de exercícios anteriores, que, no caso da recorrente, não atende por pretender corrigir alegados erros na sua ECD no próprio exercício a que se refere. Ademais, como visto alhures, o valor total das despesas perfaz o montante de R$ 40.534.030,08. Porém, desse total, o valor de R$ 39.677.957,00 é referente a despesa de licença de distribuição e fornecimento de software, sistemas e/ou hardware, contabilizada no livro razão sob a rubrica 3.1.1.9.46, prevista no Acordo de Distribuição e Fornecimento firmado entre a Recorrente e a Acision UK Limited. Alega a recorrente que o referido contrato de licença de distribuição e fornecimento foi executado pelas partes em 1º de janeiro de 2014 e teve sua vigência estipulada no prazo de 2 anos. Ao findar o feito fiscal, a autoridade fiscal informou que a Recorrente apresentou propostas de alterações nas contas de resultado através de contas reportadas na ECF 2015 como “outras exclusões”. Fl. 1855DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 Neste caso, trata-se sobre as despesas decorrentes da licença de fornecimento e distribuição, que possuem lastro no mencionado contrato e no Imposto sobre Serviços (ISS) incidente sobre a referida licença de distribuição e fornecimento. A recorrente salienta que a vigência inicial do contrato é estipulada em 1º de janeiro de 2014, conforme disposto na cláusula 1.3, e tem o prazo de vigência de dois anos estipulado no artigo 18 e foi firmada por intermédio de seu Diretor, Marcelo Morisco. O valor da licença também está registrado na contabilidade da credora domiciliada no exterior. (Doc. 08), de modo que, no memorando de entendimentos, a credora se refere ao Contrato de Distribuição e Fornecimento executado pelas partes que prevê a obrigação de pagamento da taxa de licença e informa o valor das contas a receber registrado na contabilidade da credora. Não obstante, a recorrente não trouxe nenhum elemento que aventasse como eventuais operações realizadas, bem como instruiu com provas sobre as circunstâncias em que ocorreram, bem como suas dimensões. Neste caso, trata-se de operações entre empresas coligadas e intragrupos, o que, s.m.j. ser apoiado a sua concretude apenas em um contrato e um extrato de um livro razão – Fls. 1074, que falece cumprir os requisitos extrínsecos mínimos, estipulados pela Instrução Normativa RFB nº 1.774, de 2017. E aqui cabe a seguinte indagação: ainda que estejamos tratando de um bem, que não é considerado físico, essas operações não possuem um lastro probatório apoiado em pedidos, faturas, comprovantes de vendas, contratos entre modais, conhecimento de embarques, e-mails etc? Ademais, o memorando assinado paira maior dúvida à solução pretendida. Com a máxima vênia e integral concordância, repiso o entendimento do julgamento de piso: “Embora esse memorando reconheça que exista uma dívida da firma brasileira para com a sua congênere britânica no valor equivalente a 7.410.127,44 libras esterlinas, não há nele nenhuma indicação de que tal dívida decorra, no todo ou em parte, de operações ou negócios realizados durante o ano-calendário de 2015. Por sinal, no preâmbulo do memorando menciona-se que aquele contrato originalmente assinado em 2014 foi substituído por outro em 2017. De resto, o memorando é datado de 19/12/2019, quase um mês depois de que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento de ofício. Recorde-se que ambas as partes são empresas vinculadas, pertencentes a um mesmo grupo econômico. Logo, faz-se necessário trazer provas sólidas de qualquer negócio realizado entre elas, ainda mais de um memorando dessa natureza, cujos termos prorrogam para data de vencimento indefinida uma vultosa dívida. Diante da impertinência desse memorando como meio de prova, torna-se desnecessário observar que, caso ele realmente se referisse à taxas de licença sobre operações realizadas em 2015, serviria apenas para lançar ainda mais dúvidas sobre a efetividade das despesas em questão, pois significaria que as alegadas despesas ainda não haviam sido quitadas, passados mais de quatro anos desde que teriam sido incorridas. Considerando-se as somas envolvidos, seria no mínimo estranho que o credor tenha aceitado passivamente tamanho atraso sem se esforçar para receber seu crédito, ainda que as partes sejam empresas vinculadas. Ou seja, no afã de se demonstrar a necessidade da despesa questionada para a manutenção da fonte produtora da autuada, a recorrente alega que a totalidade da receita informada pela empresa em relação a 2015 derivaria da distribuição e serviços relacionados a softwares licenciados pela Mavenir UK. Fl. 1856DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 Contudo, o esforço probatório dessa alegação não foi devidamente observado, tendo em vista a não juntada de qualquer outro elemento que demonstrasse que a receita auferida decorresse da distribuição e comercialização de software diretamente fornecido pela sua coligada britânica, nos termos do contrato em debate. Por essas razões, entendo por negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às alegações que restaram formuladas acerca das exclusões indevidas. Além das mencionadas exclusões, constam no quadro “outras exclusões”, outras despesas de menor monta relativas a PIS e COFINS incidentes sobre receitas. Alega a recorrente que a existência e necessidade de tais despesas foram, da mesma forma, devidamente comprovadas pela Recorrente, conforme o documento 11, afirmando a sua discordância em na relação das despesas de PIS e de COFINS incidentes sobre as receitas auferidas. De toda sorte, essas despesas não são objeto de nenhum questionamento expresso constante no termo de verificação fiscal e nem fundamentaram a glosa fiscal, razão pela qual não faz parte desse litígio. Da Multa Qualificada De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 757 a 777, a multa de ofício cominada à Recorrente foi qualificada com fundamento no artigo 44, § 1º, da lei nº 9.430/1996, sob a justificativa de que, através de atos conscientes dos sócios e administradores, deixou de cumprir o dever fundamental de contribuir, embaraçando a fiscalização ao dificultar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária pelas ações: ausência de apresentação na época própria da ECD e ECF; inserção nos ajustes do lucro real de eventos sem respaldo em documentos comprobatórios válidos, resultando suposto prejuízo fiscal; e inserção de despesas na condição de dedutíveis sem documentos comprobatórios que comprovem sua natureza. Irresignada, a recorrente alega que o mero cometimento de irregularidade procedimental não constitui elemento suficiente a sustentar a qualificação da multa. Para tanto, torna-se imprescindível que as autoridades fiscais apontem a presença de fatores subjetivos que demonstrem a vontade consciente e deliberada do sujeito passivo no sentido de sonegar tributos. Ademais, a ausência de apresentação em momento próprio da ECD e da ECF jamais poderia sinalizar a existência de dolo com intuito de embaraço à fiscalização. No entanto, o fato de ter atendido às intimações e apresentado documentos, muitas vezes insuficientes ou omitidos, não afasta a qualificação da multa, uma vez que não foi a falta de atendimento às intimações ou a disponibilidade da escrituração no momento oportuno que a motivou, mas sim as fraudes e sonegações apuradas nas práticas dolosas de escrituração fora da realidade dos fatos e dos padrões da contabilidade, leis e normas fiscais, dissociadas da própria realidade fática. Destaca-se a tentativa de fazer ajustes indevidos na apuração do resultado tributável, sem nenhum amparo em documentação, apropriando a sua contabilidade como algo meramente formal, não o evidencia o caráter doloso do comportamento da autuada. Desta forma, entendo por afastar a multa qualificada, em razão da ausência de elementos fáticos que necessitam para atrair a sua incidência. Fl. 1857DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 Concomitância entre multa de ofício e multa isolada Alega a Recorrente que a multa isolada não poderia ser exigida concomitantemente à multa de ofício. Sobre o tema, é conhecida a edição da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. Para melhor compreensão da discussão, faz-se necessário transcrever a redação original do art. 44, da Lei nº 9.430/1996 e as alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007. Originalmente, estabelecia o art. 44, I, §1º, IV da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente; Posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com a redação abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Compulsando as alterações legislativas acima elucidadas, não se verifica, exceto em relação ao percentual a ser aplicado nos casos de multa isolada, qualquer alteração. Dessa forma, não havendo alteração na hipótese de incidência ou base de cálculo da multa isolada, o racional da Súmula CARF nº 105 continua aplicável após as alterações legislativas aqui expostas. Fl. 1858DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 A multa isolada e a multa de ofício regulamentar, devida pela insuficiência de recolhimento do imposto apurado na data do fato gerador tem hipóteses de incidências distintas, tornando assim cabível o lançamento concomitante dessas penalidades. Dessa forma, entendo por manter a concomitância da multa de ofício com a multa isolada. Da Responsabilidade Tributária Os responsáveis pela empresa foram identificados através dos dados extraídos do 21º Alteração ao Contrato Social – 12/12/2014, 22º Alteração ao Contrato Social – 25/02/2016, 23º Alteração ao Contrato Social – 31/05/2017, 24º Alteração ao Contrato Social – 15/08/2018, dos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil e Junta Comercial de São Paulo, conforme consta nas fls 16 a 98. No entanto, o único responsável arrolado pela autoridade fiscal foi o administrador da sociedade, Marcelo Piza Morisco. Conforme relatado, através de atos conscientes do sócio e administrador, promoveram condutas que provocaram resultado lesivo a administração tributária, caracterizados pela inserção de elementos inexatos nas declarações obrigatórias; por ajustes do lucro real com base em eventos sem respaldo por documentos comprobatórios válidos, resultando suposto prejuízo fiscal; e pela ausência de apresentação na época própria da ECD e ECF. Por conseguinte, deve ser verificada, no caso vertente, a presença dos elementos necessários à caracterização da responsabilidade prevista no art. 135, quais sejam: o elemento fático e o elemento pessoal 1 . Quanto ao elemento fático (“atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”), as circunstâncias que envolveram, bem como os atos que evidenciaram a intenção ardilosa, com consequências no campo tributário e, eventualmente, na área penal, sobretudo quando praticados como ilícitos que envolvem as condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64, ou seja, sonegação, fraude ou conluio. No presente caso, o elemento pessoal - a participação do administrador 2 descrita no inciso III do art. 135 do CTN em atos que infringiram a lei - restou caracterizado para todos 1 Ferragut, Maria Rita. Responsabilidade tributária e o Código Civil de 2002 / Maria Rita Ferragut. São Paulo: Noeses, 2013. Fl. 1859DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 os períodos autuados, haja vista a participação direta dos responsabilizados na relação negocial, e a sua competência na tomada de decisões. No entanto, como visto alhures, os elementos probatórios produzidos pelo fisco são insuficientes para caracterizar às condutas dolosas. Nesse sentido, entendo que diante do insuficiente conjunto de indícios colhidos no curso da fiscalização que ensejou a responsabilidade solidária do administrador, que se deve afastar a responsabilidade tributária do solidário Marcelo Piza Morisco. Conclusão Diante de todo o exposto, VOTO por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para afastar a multa qualificada e a responsabilidade tributária. (documento assinado digitalmente) Roney Sandro Freire Corrêa 2 "III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Fl. 1860DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1202-001.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720906/2019-91 Fl. 1861DF CARF MF Original
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