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Numero do processo: 13884.000696/2007-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/10/2005
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Quando os fatos geradores foram declarados em GFIP, em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindo-se a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que a multa sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32-A e art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Quando os fatos geradores foram declarados em GFIP, em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que a multa sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32A e art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009 (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 06 96 /2 00 7- 01 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 190 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 191 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ que manteve o crédito tributário da incidência de contribuições previdenciárias e a terceiras entidades devidas pela empresa, declaradas em GFIP mas não pagas, no período de 01/03/2005 a 31/10/2005. A ciência do auto de infração inaugural foi em 29.09.2007 (fls. 01). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: ilegalidade/inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias patronais e a titulo de salário educação, SAT, INCRA, SESC, SEBRAE, aplicação de juros com base na taxa SELIC, bem como insconstitucionalidade da multa aplicada por se tratar de confisco. Os autos vieram à apreciação desta Turma Especial. Esse é o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 192 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto às alegações de inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias patronais e a titulo de salário educação, SAT, INCRA, SESC, SEBRAE, aplicação de juros com base na taxa SELIC, bem como insconstitucionalidade da multa aplicada por se tratar de confisco, sem demonstra qualquer elemento probatório de não incidência ou erro da fiscalização na autação na aplicação legal cujos os fundamentos estão expressos no Relatório Fiscal e no Relatório de Fundamentos Legais, não tem força de afastar a autuação. Primeiro, indiferentemente da opinião pessoal do Relator ou dos demais conselheiros, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob o argumento de inconstitucionalidade/ilegalidade do tributo que está previsto em lei, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. O que não ocorre no presente processo. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 193 5 {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2}o que no caso em nada foi apresentado ou se configura nos autos Segundo, considerando a impossibilidade de afastar o mandamento normativo previsto em lei a título de inconstitucionaliade, o lançamento demonstrou claramente ocorrência da hipótese de incidência, bem como o inadimplemento, motivando e fundamentando a constituição do crédito tributário (art. 142, do CTN, arts. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991). Assim, pelo que foi trazido aos autos, pela recorrente não há causa de cancelamento da autuação. III Entretanto, em razão do princípio da legalidade e moralidade da Administração Pública, observase que os créditos tributários foram apurados por meio de inclusão nos registros cabíveis (pois os fatos geradores estavam declarados em GFIP), tanto que essas informações foram utilizadas para obter as diferenças e glosas, devese atentar às alterações legislativas recentes no que trata a sanções tributárias (multa moratória) dispostas no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, que foi alterado pela Medida Provisória n. 449/2008, publicada em 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, passando a ter a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, há remissão expressa ao art.61, da Lei n. 9.430/2009, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 194 6 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 35 como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, nem de forma conjunta com o art. 32A, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Portanto, observando que o limite do art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1998, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD que Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 195 7 foram declarados em GFIP, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, deve a decisão a quo ser reformada no sentido de adequar a multa moratória à nova legislação, desde que mais favorável ao sujeito passivo. IV Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido que a multa sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32A e art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11070.000137/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, RS (DRJ/POA), que manteve integralmente a exigência fiscal (fls. 445 a 455) em desfavor de TRÊS TENTOS AGROINDUSTRIAL LTDA, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão citado, in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 00 13 7/ 20 09 -0 1 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 533 2 “Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 486.156,15, referente a fatos geradores entre 28/02/2004 e 31/12/2004. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência em 09/02/2009; b) o segundo formalizou a exigência de COFINS nãocumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 2.222.519,27, referente a fatos geradores entre 28/02/2004 e 31/12/2004. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 09/02/2009. Foram produzidos Relatórios Fiscais. Relativamente ao PIS nãocumulativo, registrou o autuante (excertos): ‘1. A empresa é optante pelo lucro real, motivo pela qual recolhe o PIS pelo sistema nãocumulativo, regido pela lei 10.637/02 e alterações posteriores. Conforme contrato social e alterações, a sociedade tem por objetos sociais o "depósito de mercadorias próprias, produção e beneficiamento de sementes de soja, trigo, de cereais e de oleaginosas, básicas, certificadas (C1 e C2) e fiscalizadas (S1 e S2); comercialização de máquinas, implementos agrícolas, peças e acessórios; representação comercial; exploração agropecuária; importação e exportação de cereais". Fevereiro a julho/04 3.3. Utilização de crédito presumido além do previsto legalmente Nas planilhas apresentadas pela empresa como resposta ao Termo 003 (fls. 39 a 45) verificamos a utilização de crédito presumido relativamente à totalidade das compras de pessoas físicas. O §11 do art. 3o da lei 10.833/03 autorizou o cálculo de crédito presumido relativamente aos produtos comprados de pessoas físicas que posteriormente foram vendidos às empresas citadas no § 5 do mesmo artigo. Devido a isto, elaboramos o Termo de Intimação 004, onde calculamos o preço de compra dos produtos revendidos no mercado interno e intimamos a empresa fiscalizada a se pronunciar sobre os mesmos. A mesma concordou com os cálculos desta fiscalização, conforme resposta ao termo (fl. 240). O quadro abaixo detalha o cálculo de créditos disponíveis nos meses de fevereiro a julho de 2004: Agosto a dezembro/04 3.4. Utilização indevida de crédito presumido O art. 16 da lei 10.925/04 veio revogar o §11 do art. 3o da lei 10.833/03 a partir de agosto de 2004. Portanto, a partir deste mês, a fiscalizada não tem mais direito a calcular crédito presumido sobre as aquisições efetuadas de pessoas físicas. Devido a isto, recalcularemos o direito a crédito no período de agosto a dezembro de 2004, não considerando as aquisições de pessoas físicas. O quadro abaixo detalha o cálculo dos créditos de PIS efetuados por esta fiscalização. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 534 3 Agosto a dezembro/04 4.Verificamos que, a partir de agosto de 2004 a empresa considerou suspensas as vendas de soja, trigo e milho para o mercado interno, conforme afirmado na resposta ao Termo 004 (fl. 240). Suspensão 5. O dispositivo que determinou a suspensão das contribuições sobre as vendas de soja, trigo e milho é o art. 9o da lei 10.925/04. O § 2° deste artigo, com redação dada pela lei 11.051/04, (...) 7. Ou seja, a suspensão da contribuição passou a vigorar a partir de 4 de abril de 2006. No período ora fiscalizado não vigorava a suspensão, de acordo com a IN SRF 660/06. Calcularemos os débitos não considerando a suspensão. Para isso, consideraremos os mesmos valores declarados em Dacon, retirando os valores declarados no item 12 da ficha 05: 12.() Receitas Isentas, não Alcançadas pela incidência da Contribuição, com Suspensão ou Sujeitas à Alíquota Zero. A tabela abaixo apresenta os cálculos (...) No Relatório Fiscal referente à COFINS nãocumulativa assentou: 1. A empresa é optante pelo lucro real, motivo pela qual recolhe a Cofins, a partir de fevereiro de 2004, pelo sistema nãocumulativo, regido pela lei 10.833/03 e alterações posteriores. Conforme contrato social e alterações, a sociedade tem por objetos sociais o "depósito de mercadorias próprias, produção e beneficiamento de sementes de soja, trigo, de cereais e de oleaginosas, básicas, certificadas (C1 e C2) e fiscalizadas (S1 e S2); comercialização de máquinas, implementos agrícolas, peças e acessórios; representação comercial; exploração agropecuária; importação e exportação de cereais". Fevereiro a julho/04 3.2. Utilização de crédito presumido além do previsto legalmente Nas planilhas apresentadas pela empresa como resposta ao Termo 003 (fls. 39 a 45) verificamos a utilização de crédito presumido relativamente à totalidade das compras de pessoas físicas. O § 11 do art. 3o da lei 10.833/03 autorizou o cálculo de crédito presumido relativamente aos produtos comprados de pessoas físicas que posteriormente foram vendidos às empresas citadas no § 5 do mesmo artigo. Devido a isto, elaboramos o Termo de Intimação 004, onde calculamos o preço de compra dos produtos revendidos no mercado interno e intimamos a empresa fiscalizada a se pronunciar sobre os mesmos. A mesma concordou com os cálculos desta fiscalização, conforme resposta ao termo (fl. 240). O quadro abaixo detalha o cálculo de créditos disponíveis nos meses de fevereiro a julho de 2004 (...) Agosto a dezembro/04 3.3. Utilização indevida de crédito presumido O art. 16 da lei 10.925/04 veio revogar o § 11 do art. 3o da lei 10.833/03 a partir de agosto de 2004. Portanto, a partir deste mês, a fiscalizada não tem mais direito a calcular crédito presumido sobre as aquisições efetuadas de pessoas físicas. Devido a isto, recalcularemos o direito a crédito no período de agosto a dezembro de 2004, não considerando as aquisições de pessoas Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 535 4 físicas. O quadro abaixo detalha o cálculo dos créditos de PIS efetuados por esta fiscalização. Agosto a dezembro/04 Verificamos que, a partir de agosto de 2004 a empresa considerou suspensas as vendas de soja, trigo e milho para o mercado interno, conforme afirmado na resposta ao Termo 005. Suspensão 5. O dispositivo que determinou a suspensão das contribuições sobre as vendas de soja, trigo e milho é o art. 9o da lei 10.925/04. O § 2° deste artigo, com redação dada pela lei 11.051/04, regra o seguinte (...) 7. Ou seja, a suspensão da contribuição passou a vigorar a partir de 4 de abril de 2006. No período ora fiscalizado não vigorava a suspensão, de acordo com a IN SRF 660/06. Calcularemos os débitos não considerando a suspensão. Para isso, consideraremos os mesmos valores declarados em Dacon, retirando os valores declarados no item 12 da ficha 05: 12.() Receitas Isentas, não Alcançadas pela incidência da Contribuição, com Suspensão ou Sujeitas à Alíquota Zero. A tabela abaixo apresenta os cálculos (...)’ Em 10/03/2009 a contribuinte apresentou longo arrazoado impugnatório onde inicialmente relatou os fatos e, a seguir, argumentou, em preliminar, que: • há vício de forma nos Relatórios Fiscais integrantes dos Autos de Infração. Constatase a presença de erros de forma, que, por certo, tornaram imprecisos os autos de infração lavrados. Há troca da indicação da contribuição (PIS por COFINS e viceversa). A não observância de formalidades básicas, como no caso, ofende o princípio da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, CF), eis que a empresa, ao tomar ciência do auto de infração, precisa saber com exatidão todos os elementos para que possa produzir sua defesa; • analisado o art. 173 do CTN, verificase que, relativamente ao item 3.2 do Relatório Fiscal do PIS (Janeiro/2004 – Utilização de crédito presumido não previsto legalmente), ocorreu a decadência do direito da Fazenda exigir o crédito tributário, visto que a empresa somente foi intimada do auto de infração em fevereiro de 2009, já transcorrido, portanto, o qüinqüênio decadencial; • há necessidade de acolherse as preliminares deduzidas, para o efeito de serem anulados os autos de infração lavrados contra a empresa. No mérito assentou: • no tocante à utilização do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas entre fevereiro e junho de 2004, a Fiscalização por certo não considerou as compras totais realizadas junto a pessoas físicas. A empresa adquiriu os produtos no período em que tinha direito ao crédito presumido (fevereiro a julho de 2004) conforme atestam informações constantes dos DACONs; Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 536 5 • os cálculos realizados e que ensejaram os autos de infração foram efetuados apenas com base na proporcionalidade das vendas, o que é contestável, pois deixa de comportar certeza. Além disso, a legislação da nãocumulatividade jamais criou a obrigação da proporcionalidade na utilização dos créditos. Não há porque a Fiscalização criar restrições quanto à utilização dos créditos, havendo, no caso, lesão ao princípio da legalidade (art. 150 da CF); • a fiscalização considerou somente a proporção das vendas no mercado interno, desconsiderando as vendas ao mercado externo. Conforme os demonstrativos de venda da empresa, as vendas para o mercado externo foram significativas no ano de 2004. Esse argumento vem demonstrar a imprecisão dos autos de infração, sendo cediço que uma das características do incentivo à exportação é a respectiva manutenção dos créditos; • visando esclarecer a interpretação da legislação do PIS/COFINS no que concerne à tomada de créditos, o art. 16 na MP n° 206, de 2004 (posteriormente convertida na Lei n° 11.033, de 2004 art. 17), determinou que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações; • a Fiscalização desconsiderou elementos significativos na utilização do crédito presumido, o que enseja a inconsistência dos autos de infração lavrados; • no tocante à utilização do crédito presumido entre agosto e dezembro de 2004, a Fiscalização efetuou o lançamento consubstanciado na utilização indevida do crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas (art. 16 da Lei 10.925, de 2004). Conforme DACONs deste período, esses créditos não foram utilizados, não ocasionando nenhuma necessidade de retificação das respectivas bases de cálculo. Conforme DACONs, no período em destaque não estão informados nenhum crédito relativo à compra de pessoas físicas. Portanto, resta incontroverso o acerto da empresa, não havendo necessidade de retificação da base de cálculo, em oposição ao que aponta o Relatório Fiscal; • no tocante à aplicação do regime de suspensão, relativo às vendas a partir de agosto de 2004, a empresa também não concorda com os termos dos autos de infração. O art. 3º (sic) da Lei nº 10.925, de 2004, prevê a suspensão da incidência do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da venda de cereais, quando efetuada por pessoas jurídicas que exerçam, cumulativamente, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar cereais in natura, como trigo, centeio, cevada, aveia, milho arroz e outros, exatamente o caso da empresa; • a leitura do art. 9º, § 2º, da Lei nº 10.925, de 2004, permite dizer que o regime suspensão, no caso de venda, passou a viger a partir da publicação da Lei, ou seja, a partir de agosto de 2004. Ocorre que, ao publicar a IN SRF nº 636 a autoridade fazendária inovou ao impor que o regime da Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 537 6 suspensão seria aplicável somente a partir de abril de 2006, impondo, ainda, restrições ao benefício. Tudo sem qualquer previsão legal; • resta evidente que os autos de infração ao considerarem inaplicável o regime da suspensão entre agosto e dezembro de 2004, ofendem o princípio da legalidade (art. 150, I, CF), por força da existência de restrição a benefício fiscal em norma infralegal (IN SRF nº 660, de 2006), sem previsão na lei que rege o tema; • fica evidente que o entendimento exarado no relatório fiscal do PIS e da COFINS, integrantes dos autos de infração, é equivocado, afrontando o principio da legalidade em matéria tributária. Merecem, por isso, ser anulados os lançamentos que remontam aos meses de agosto a dezembro de 2004, relativos ao regime da suspensão; • relativamente à aplicação da multa no percentual de 75%, é de se considerar que, demonstrado o equívoco nos lançamentos constantes dos autos de infração, a penalidade pecuniária também deve ser afastada. É o que a empresa requer; • face ao que expôs, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a empresa que sejam apreciadas as preliminares e, no mérito, seja acolhida a presente impugnação, para o efeito de serem cancelados os débitos fiscais reclamados. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça impugnatória.” Em sua decisão, a 2ª Turma da DRJ/POA houve por bem manter integralmente o auto de infração através do acórdão n° 1035.662, de 24 de novembro de 2011, cuja ementa foi assim formulada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. CEREALISTAS. PERÍODO ENTRE FEVEREIRO E JULHO DE 2004. Para períodos de apuração a partir de fevereiro de 2004 (até julho de 2004), as empresas cerealistas podiam calcular créditos sobre aquisições de produtos in natura de origem vegetal, realizadas diretamente de pessoas físicas no país, desde que aqueles produtos fossem, posteriormente, vendidos a agroindústrias. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 8º DA LEI 10.925 DE 2004. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Para fins de apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de Fl. 537DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 538 7 origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM, é considerada pessoa jurídica cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido. REGIME NÃOCUMULATIVO. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade do PIS nãocumulativo em relação às vendas efetuadas, nos moldes previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. CEREALISTAS. PERÍODO ENTRE FEVEREIRO E JULHO DE 2004. Para períodos de apuração a partir de fevereiro de 2004 (até julho de 2004), as empresas cerealistas podiam calcular créditos sobre aquisições de produtos in natura de origem vegetal, realizadas diretamente de pessoas físicas no país, desde que aqueles produtos fossem, posteriormente, vendidos a agroindústrias. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 8º DA LEI 10.925 DE 2004. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Para fins de apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM, é considerada pessoa jurídica cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido. REGIME NÃOCUMULATIVO. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade da COFINS nãocumulativa em relação às vendas efetuadas, nos moldes previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. PERCENTUAL. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de declaração e nos de declaração inexata. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 539 8 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, objetivando sua reforma, alegando, em breve síntese, que: o acórdão da DRJ violou os princípios da ampla defesa, contraditório, e duplo grau de jurisdição, na medida em que reconheceu a existência de vício formal no auto de infração, porém, afastou a ocorrência de cerceamento de defesa em desfavor da Recorrente, devendo ser reconhecida a nulidade da decisão e do auto de infração, os quais não observaram formalidades básicas (chamouse de PIS o que era COFINS, e viceversa); ocorreu a decadência do direito de a Fazenda lançar o crédito correspondente ao PIS de janeiro de 2004, pois a primeira notificação que precedeu o auto de infração foi entregue à Recorrente apenas em fevereiro de 2009; a Fiscalização não considerou as compras totais realizadas junto às pessoas físicas no cálculo do crédito presumido referente ao período compreendido entre fevereiro e junho de 2004. O cálculo que ensejou o auto de infração foi efetuado apenas com base na proporcionalidade das vendas no mercado interno; quanto à fruição do crédito presumido no período compreendido entre agosto e dezembro de 2004, embora a Fiscalização tenha efetuado o lançamento alegando uso indevido do mencionado crédito, o mesmo não foi utilizado neste período, tendo em vista o disposto no artigo 16 da Lei n° 10.925/04, não havendo retificação da base de cálculo a ser feita; faz jus ao regime de suspensão previsto no artigo 9º, da Lei 10.925/04, uma vez que esta passou a viger a partir de agosto de 2004, e não a partir abril de 2006, como defendido pelo Fisco, devendo ser anulados os lançamentos relativos aos meses de agosto a dezembro de 2004; por serem equivocados os lançamentos constantes do auto de infração, é indevida a aplicação da multa de 75%, penalidade que deverá ser afastada. Esta 2ª Turma converteu o julgamento em diligência, através da Resolução 3202000.083 para que a DRF intime a Recorrente a comprovar através de documentos que as pessoas jurídicas que importaram os produtos da Recorrente sujeitos a glosa cumprem as disposições contidas no parágrafo anterior, ou seja, produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nas referidas posições Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, destinadas à alimentação humana ou animal. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Fl. 539DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 540 9 Verifico que a diligência não foi cumprida pela unidade de origem. Analisando a Informação Fiscal de fls. 520 e seguintes, é possível notar a Unidade de Origem simplesmente apresentou seu juízo de valor acerca do tema discutido no PAF e não cumpriu o que foi determinado por este Conselho, ou seja, intimar o contribuinte para a apresentação de documentos. Transcrevo abaixo o voto: O artigo 3°, §§ 5° e 11 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 tinha a seguinte redação: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (...) § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5º, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2º sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. Como visto, o §11, do art. 3°, da Lei 10.833/03 autorizou o cálculo de crédito presumido relativamente aos produtos in natura de origem vegetal adquiridos de pessoas físicas residentes no País, que posteriormente fossem vendidos às empresas citadas no §5 do mesmo artigo, quais sejam, aquelas que produzam mercadoria de origem animal ou vegetal classificadas em certas posições da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), destinadas à alimentação humana ou animal. Com fundamento nesta regra, a Recorrente apurou e descontou créditos presumidos de PIS e COFINS sobre a totalidade de suas aquisições de pessoas físicas residentes no país. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 541 10 A fiscalização, por seu turno, restringiu a tomada de crédito presumido, admitindo a manutenção do crédito somente na proporção das saídas no mercado interno destinadas a agoindústrias, restringindo, portanto, as saídas com destino ao mercado externo. Para apurar a proporção de saídas ao mercado interno e externo, a fiscalização dividiu as saídas no mercado interno pela receita bruta total, encontrando, assim, a proporção de saída no mercado interno, denominador que foi aplicado sobre o total de aquisições de pessoas físicas, glosandose a diferença. Verificando o §5, do art. 3°, da Lei 10.833/03, notase que os sujeitos presentes naquele dispositivo são “as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal”, não havendo distinção se estes sujeitos estão localizados no país ou no exterior. Dessa forma, entendo que para o deslinde do presente caso, é de suma importância diligência para comprovar se as exportações realizadas pela Recorrente e glosadas pela fiscalização foram realizadas para “pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal.” Diante disso, converto o julgamento em diligência para que a DRF intime a Recorrente a comprovar através de documentos que as pessoas jurídicas que importaram os produtos da Recorrente sujeitos a glosa cumprem as disposições contidas no parágrafo anterior, ou seja, produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nas referidas posições Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, destinadas à alimentação humana ou animal. Ora, este relator e o Conselho sequer analisaram a questão e a Unidade de Origem já emitiu sua opinião acerca das operações do contribuinte. Diante disso, converto novamente o julgamento em diligência para que a DRF intime a Recorrente a comprovar através de documentos que as pessoas jurídicas que importaram os produtos da Recorrente sujeitos a glosa cumprem as disposições contidas na Resolução 3202000.083, ou seja, produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nas referidas posições Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, destinadas à alimentação humana ou animal. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que a fiscalização se manifeste acerca do tema. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 542 11 É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10805.000442/2004-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sat Dec 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê-leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano-calendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano-calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo ano-calendário a partir da ocorrência do fato gerador.
No caso, como o lançamento se refere ao ano-calendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 18/03/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 16/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador. No caso, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 18/03/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 04 42 /2 00 4- 86 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 179 2 Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 220200.470, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 115 a 116), julgado na sessão plenária de 10 de março de 2010, acolheu a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Arguição de decadência acolhida. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 180 3 Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou, inicialmente, embargos declaratórios de fls. 120 a 122, alegando omissão quanto à apreciação da existência ou não de pagamento devido para fins de contagem do prazo decadencial, os quais restaram rejeitados, na forma de informação e despacho de fls. 124 a 126. Interpôs então a mesma Fazenda Nacional recurso especial de divergência (fls. 129 a 135), com fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, admitido pelo despacho de fls. 140 a 144 do Presidente da 2a Câmara da 2a Seção. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou paradigma (Acórdão 910100.460), alegando que o início do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inclusive na hipótese de lançamento por homologação: "DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." Aduz o recorrente que, no caso em tela, verificada a ausência de pagamento, deveria, a exemplo do ocorreu no paradigma, ter sido aplicada a norma contida no art. 173, I, do CTN, não havendo que se cogitar de decadência do direito de lançar o IRPF. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões onde propugna pela decadência, com fulcro na súmula CARF nº 38 e art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 181 4 É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 182 5 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 183 6 Tem sido esse o entendimento da 2a Turma da CSRF, como demonstram os acórdãos a seguir transcritos: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 920201.61, sessão de 10/05/2011, Relatora Susy Gomes Hoffmann) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). (Acórdão nº 920201.376, sessão de 11/04/2011, Relator Gustavo Lian Haddad) Neste processo, verifico que não existiu antecipação de pagamento, pois, como demonstram as informações da declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário de 1998, exercício de 1999, com imposto a pagar igual a zero fls. 43/44, não existiram imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 184 7 recolhimento do saldo de imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste momento, há que se fazer um esclarecimento quanto ao alcance do decidido no Recurso Especial nº 973.733 – SC. Isto porque esse julgado deixou claro que “‘o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, o que, se aplicado literalmente ao IRPF, levaria à conclusão de se tratar do dia 1o de janeiro do ano subsequente ao do lançamento, o que, na prática, adiaria o início de contagem do prazo decadencial em apenas um dia. Entretanto, há que se observar que o REsp n° 973.733 – SC trata de Contribuições Previdenciárias, tributo cujo fato gerador é instantâneo (consubstanciado no pagamento de salários a empregados – salientese que há referência no relatório do REsp a servidores sobre cujas remunerações estão sendo exigidas as contribuições previdenciárias). Assim, nessa situação, aplicandose a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, cabe a conclusão de que o termo inicial seria o primeiro dia do exercício subsequente ao da ocorrência do fato gerador, conclusão essa que é constante do parágrafo 3 da ementa do REsp, acima transcrita. Desta forma, para um tributo cujo fato gerador é instantâneo, o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível pode corresponder ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorre que o que se impõe aqui é a aplicação dos fundamentos do REsp em questão ao lançamento de Imposto de Renda, cujo fato gerador não é instantâneo. Sendo o Imposto de Renda um tributo com fato gerador complexivo e com período de apuração equivalente ao anocalendário, temse que a aplicação das premissas claramente adotadas pelo STJ ao caso em específico levam à conclusão congruente porém levemente diversa da constante do parágrafo 3 antes reproduzido. Com efeito, para que no caso se cumpra o mandamento do art. 173, I, do CTN, deve ser levado em consideração que: (1) o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário (e.g. 31/12/1998); (2) o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do anocalendário seguinte (e.g. 01/01/1999); (3) o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do ano calendário subseqüente (e.g. 01/01/2000); e (4) o prazo decadencial termina ao final de 5 (cinco) anos (e.g. 31/12/2004). Esclareçase que a aplicação literal da conclusão constante do parágrafo 3 da ementa do REsp (que se refere a tributo com fato gerador instantâneo) ao caso (que trata de tributo com fato gerador complexivo) equivale a não aplicar os fundamentos da decisão do STJ sob o pretexto de vinculação à própria decisão. Vale registrar que o próprio STJ, dando aplicabilidade ao recurso repetitivo, tem entendido dessa forma, conforme decisão abaixo referida: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 185 8 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (Edcl no Edcl no AgRg no Resp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, Dje 26/02/2010) Desta forma, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 18/03/2004 (fl. 65), o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para afastar a decadência do lançamento, devendo o processo retornar para análise das demais questões do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 186 9 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 13134.000191/2002-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
RESSARCIMENTO DE IPI. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC AOS CRÉDITOS.
Conforme entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, Resp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, se restar caracterizada a oposição do Fisco ao ressarcimento, deve ser aplicada a taxa SELIC. A demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco. Aplicação do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DOS CONSECTÁRIOS DE MORA AO DÉBITO.
Se no advento da transmissão da declaração de compensação, o débito compensado estava vencido, incidem os consectários moratórios, da data do vencimento, até a efetiva compensação.
Recurso Voluntário provido em parte.
Crédito voluntário reconhecido em parte.
Numero da decisão: 3201-001.665
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dado parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o conselheiro Joel Miyazaki, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dado parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o conselheiro Joel Miyazaki, que negava provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO DE IPI. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC AOS CRÉDITOS. Conforme entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, Resp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, se restar caracterizada a oposição do Fisco ao ressarcimento, deve ser aplicada a taxa SELIC. A demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco. Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DOS CONSECTÁRIOS DE MORA AO DÉBITO. Se no advento da transmissão da declaração de compensação, o débito compensado estava vencido, incidem os consectários moratórios, da data do vencimento, até a efetiva compensação. Recurso Voluntário provido em parte. Crédito voluntário reconhecido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dado parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o conselheiro Joel Miyazaki, que negava provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 4. 00 01 91 /2 00 2- 14 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Relatório Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de IPI. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: A interessada protocolou perante o Fisco em 11/09/2002 o pedido de ressarcimento de fl. 01, referente ao saldo credor do IPI apurado ao final do 2° trimestre de 2002 no valor de R$11.431,81, tendo como amparo normativo o art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Na fl. 22, a Agência Fiscal que recepcionou o pedido relacionou os documentos apresentados pela interessada para instrução de seu pleito, nos seguintes termos: "Trata o presente processo ressarcimento IPI 1° trimestre 2002. Foram anexos ao processo: • Formulário devidamente preenchido e assinado pelo representante da empresa; • Cópia do ato constitutivo e ultima alteração; • Cópia do livro de registro de apuração do IPI em meio eletrônicomodelo P9 — carimbada e assinada todas as folhas pelo responsável contador; • Declaração que não está litigando judicialmente ou administrativamente sobre matéria que possa alterar o pedido. Informo que a empresa se encontra na situação ativa regular no CNPJ fl. 19. Diante do exposto proponho encaminhamento do presente processo a SAORT/DRF/GO para analise e prosseguimento do pleito." Nas fls. 34/36, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal (DRF) em GoiâniaGO, em análise de legitimidade do direito creditório solicitado em ressarcimento, opinou pelo seu reconhecimento integral. As fls. 37/40 referemse à declaração de compensação (DCOMP), transmitida pela interessada em 17/08/2004, de Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13134.000191/200214 Acórdão n.º 3201001.665 S3C2T1 Fl. 94 3 débito próprio da COFINS no valor de R$11.431,81, adstrito ao período ago/2002 e com data de vencimento em 13/09/2002, com aquele saldo credor do IPI, também de R$11.431,81, objeto do pedido de ressarcimento de fl. 01. Nas fls. 41/42, encontramse informações prestadas em DCTF relativamente compensação acima, tendo havido uma transmissão original em 17/01/2003, com retificação posterior em 18/08/2004. As fls. 44/48 tratam do cadastramento do mencionado débito da COFINS no sistema PROFISC da Receita Federal e do encontro de contas, efetivado pelo Fisco, entre o direito creditório e o débito compensados, redundando numa parcela do débito em aberto de R$4.091,96. Nas fls. 49/52, consta o despacho decisório da DRF Goiânia que reconheceu integralmente o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento da interessada, tendo, por conseguinte, homologado parcialmente, no montante de R$7.339,85, a compensação declarada na DCOMP de fls. 37/40, restando não homologada a importância de R$4.091,96. As fls. 63/67 tratam de registros da compensação em questão nos sistemas SIEF e PROFISC da Receita Federal após o encontro de contas retromencionado. Cientificada do despacho decisório (fl 53) em 18/04/2007, a interessada manifestou em 17/05/2007, por meio de procurador constituído pelo instrumento de fl. 76, sua inconformidade de fls. 68/75, argumentando, em síntese, que: o processo administrativo em questão havia sido instruído "no ato do Pedido com os Formulários de Pedidos de Ressarcimento e Pedido de Compensação, nos modelos exigidos pela INSRF 210, de 30/09/2002, vigente a época da formulação dos pedidos", mas "posteriormente a Secretaria da Receita Federal intimou a Requerente para que apresentasse a Declaração de Compensação no novo modelo eletrônico PERDCOMP instituído por Instrução Normativas da Receita Federal posterior aos pedidos", o que foi atendido por meio da apresentação em 17/08/2004 da "DCOMP de n°36877.67700.170804.1.3.018230 (.)"; os valores principais do crédito a ser ressarcido e do débito a ser compensado eram iguais líquidos e certos, como bem exigia a legislação a respeito, nos termos dos arts. 165, inciso I; 168, inciso!; 156, inciso II, e 170 do Código Tributário Nacional (CTN); o disposto no art. 28, incisos I, H e III da Instrução Normativa SRF n° 210, de 2002, alinhado aos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, este último artigo com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002, "legislação vigente na data dos pedidos de ressarcimento e compensação ou seja em Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 10/09/2002, não determinava a incidência da multa e juros sobre os valores compensados"; "o Protocolo do Pedido de Ressarcimento e Compensação do Processo Administrativo em contenda foi feito em 10/09/2002 quando vigia a regra do art. 28, inciso III, da IN SRF 210/2002, que textualmente estabelece a data que deve ser feita a compensação do débito da COFINS do PA ago/2002, com o crédito oriundo do ressarcimento de IPI do 2° trimestre de 2002, logo tanto o crédito de IPI como o débito de COFINS compensado são contemporâneos com a vigência da IN SRF 210/2003 [sic], devendo a Receita Federal cumprir as regras ali estabelecidas, mesmo que o Deferimento tenha ocorrido posteriormente, que textualmente estabelece a data da compensação do débito de COFINS em questão (.) só por meio da IN SRF 323, de 24/03/2002 [SIC], publicada no DOU em 28/05/2003, que alterou mesmo que de forma ilegal, o artigo 28, da IN SRF 210/2002, para passar a exigir a multa e juros na compensação de Tributos"; o procedimento efetivado pelo Fisco, arrimado em simples instrução normativa, de exigir acréscimos moratórios sobre o débito a ser compensado e, de outro lado, manter o valor nominal do crédito da interessada representava uma total arbitrariedade e descompasso com o ordenamento jurídico, além de ir de encontro a princípios constitucionais como os da segurança jurídica, igualdade, isonomia e legalidade; Ao final, requereu a procedência da sua manifestação de inconformidade, "para aplicar a mesma regra de atualização dos créditos de IPI ressarcidos com os débitos de COFINS compensados", extinguindose, assim, a parcela do débito que não havia sido homologada e arquivandose em definitivo o presente processo administrativo. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros Selic sobre o ressarcimento de créditos de IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos legais, na Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13134.000191/200214 Acórdão n.º 3201001.665 S3C2T1 Fl. 95 5 forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A atividade administrativa de julgamento deve ser pautada segundo os ditames da legislação tributária, porquanto esta, uma vez publicada, integra o ordenamento jurídico revestida da presunção tanto de constitucionalidade quanto de legalidade. Solicitação Indeferida Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, a impossibilidade de apreciação de legalidade da norma, no âmbito administrativo, e, quanto ao mérito do direito creditório, que se restringe à possibilidade de atualização monetária dos créditos, à falta de base legal autorizadora, entendeuse não se aplicar ao ressarcimento a disposição do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, sob pena de violação ao princípio da legalidade, e, nos termos do entendimento da Coordenação do Sistema de Tributação , exposto na Solução de Consulta Interna n° 39, de 17 de dezembro de 2003. Quanto ao cabimento da multa e juros de mora na efetivação da compensação, embora tenha alegado o contribuinte que havia apresentado pedidos de compensação juntamente com o pedido de ressarcimento, não teria provas de sua alegação. Por outro lado, a informação constante à fl. 22 dos autos é no sentido de que não existiu pedido de compensação quando do protocolo do pedido de ressarcimento (11/09/2002), além de que a compensação ocorreu em 17/08/2004, na ocasião da transmissão da DCOMP de fls. 37/40, quando o débito de COFINS de ago/2002, já estava há muito vencido (vencimento em 13/09/2002). Ainda, asseverouse que somente para os pedidos/declarações de compensação apresentados à Receita Federal até 27/05/2003, ou seja, antes da data de publicação da INSRF n° 323, de 2003 (28/05/2003), poderia ser utilizada, no encontro de contas, a data do ingresso do pedido de ressarcimento ou a do vencimento de débito, conforme se refira a débito vencido ou vincendo respectivamente. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Tal como relatado, versa os autos sobre pedido de ressarcimento de IPI, relativamente ao 2° trimestre do ano de 2002. O direito creditório foi integralmente reconhecido pela Delegacia da Receita Federal, de sorte que a controvérsia cingese, por um lado, à atualização monetária dos créditos e, por outro, ao cabimento de consectários de mora, em relação ao débito. Quanto ao primeiro ponto, conforme entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, se a hipótese não se tratar de créditos escriturais, e se restar caracterizada a oposição do Fisco ao ressarcimento, deve ser aplicada a SELIC, nos termos do Resp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos. De acordo com o repetitivo, apenas incide a correção monetária sobre créditos de IPI, se houver obstáculo ao aproveitamento de créditos escriturais por ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o reconhecimento do direito pleiteado. Da mesma forma, é unânime o entendimento da Corte, no sentido de que a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco, o que atrai a correção monetária, com o emprego da SELIC. No caso em tela, do Despacho Decisório DRF/GOI n°182, de 7 de março de 2007 (efls.102 e ss), que deferiu o ressarcimento, a Recorrente tomou ciência em 18/04/2007 (efls.110), contudo, o seu pedido administrativo foi protocolado em 11/09/2002 (efls. 67), de maneira que incide a aplicação da taxa SELIC no referido período. No que tange à segunda questão, aplicação de juros e multa de mora ao débito de Cofins quitado pelo procedimento de compensação, é de se verificar se no momento do encontro de contas que perfez a compensação, referido débito estava vencido. O débito de Cofins, referente ao período de apuração de agosto de 2002, tinha como data de vencimento o dia 13/09/2002, o pedido de ressarcimento foi protocolado em 11/09/2002 (efls. 67), enquanto a declaração de compensação 36877.67700.170804.1.3.01 8230 (efls78), foi emitida em 17/08/2004. Portanto, resta claro que incidem os consectários de mora ao débito de Cofins de agosto de 2002, considerandose que apenas dois anos depois, foi emitida a declaração de compensação, que a extinguiria nos termos do art. 156, II do Código Tributário Nacional. Isto porque o pedido de ressarcimento, por si só, apenas veicula a relação jurídica do direito creditório, ao passo que na compensação, há duas relações jurídicas tributárias, de cargas opostas, que combinadas, anulamse. Apenas com o advento da declaração de compensação, em 17/08/2004, constituise a relação de indébito de Cofins e a sua extinção, de maneira que, como corretamente afirmou a autoridade julgadora de primeira instância, são cabíveis os encargos moratórios. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13134.000191/200214 Acórdão n.º 3201001.665 S3C2T1 Fl. 96 7 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 36958.000882/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2005
PRAZO DECADENCIAL.
O crédito tributário decorrente de penalidade por descumprimento de obrigação acessória é constituído por meio de lançamento de ofício, ao qual se aplica a regra de decadência prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXIGÊNCIA DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONEXÃO.
A exigência da contribuição previdenciária sobre os fatos geradores omitidos em GFIP é questão prejudicial ao julgamento da exigência da multa por descumprimento da obrigação acessória, incidindo o efeito da conexão mediante reunião dos processos.
DIÁRIAS. VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO.
Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa.
AJUDA DE CUSTO. NATUREZA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Integra o salário de contribuição a ajuda de custo paga ao empregado quando não fica demonstrado que os pagamentos destinam-se a ressarcir despesas inerentes à execução do trabalho e não há prestação de contas dos gastos realizados pelo empregado.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa aplicada na parte correspondente ao pagamento de diárias por vício formal e, na parte remanescente, por maioria de votos, para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a relatora. Apresentará o voto vencedor o conselheiro Julio César Vieira Gomes.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2005 PRAZO DECADENCIAL. O crédito tributário decorrente de penalidade por descumprimento de obrigação acessória é constituído por meio de lançamento de ofício, ao qual se aplica a regra de decadência prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXIGÊNCIA DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONEXÃO. A exigência da contribuição previdenciária sobre os fatos geradores omitidos em GFIP é questão prejudicial ao julgamento da exigência da multa por descumprimento da obrigação acessória, incidindo o efeito da conexão mediante reunião dos processos. DIÁRIAS. VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO. Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa. AJUDA DE CUSTO. NATUREZA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE PROVA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo paga ao empregado quando não fica demonstrado que os pagamentos destinam-se a ressarcir despesas inerentes à execução do trabalho e não há prestação de contas dos gastos realizados pelo empregado. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte
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FATOS GERADORES Recorrente UNIÃO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2005 PRAZO DECADENCIAL. O crédito tributário decorrente de penalidade por descumprimento de obrigação acessória é constituído por meio de lançamento de ofício, ao qual se aplica a regra de decadência prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXIGÊNCIA DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONEXÃO. A exigência da contribuição previdenciária sobre os fatos geradores omitidos em GFIP é questão prejudicial ao julgamento da exigência da multa por descumprimento da obrigação acessória, incidindo o efeito da conexão mediante reunião dos processos. DIÁRIAS. VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO. Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa. AJUDA DE CUSTO. NATUREZA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE PROVA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo paga ao empregado quando não fica demonstrado que os pagamentos destinamse a ressarcir despesas inerentes à execução do trabalho e não há prestação de contas dos gastos realizados pelo empregado. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 95 8. 00 08 82 /2 00 7- 26 Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa aplicada na parte correspondente ao pagamento de diárias por vício formal e, na parte remanescente, por maioria de votos, para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a relatora. Apresentará o voto vencedor o conselheiro Julio César Vieira Gomes. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.236 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0934.027 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), fl. 13311345, com ciência ao sujeito passivo em 26/04/2011, fl. 1389, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOPA) lavrado sob o Debcad no 35.778.8320, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 12/12/2005. De acordo com o relatório fiscal de fl. 11441145, e anexos, o auto de infração trata de aplicação de penalidade por infração ao art. 32, inciso IV, § 5o da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 c/c art. 225, IV, § 4o do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com base no fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimentos do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) no período de 01/1999 a 08/2005 com omissão das diárias de viagens pagas aos empregados motoristas em valor excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal, identificados nos registros contábeis da conta “4.1.02.01.0004 viagens e estadias”; dos valores pagos aos supervisores de vendas, identificados em folhas de pagamento como ajuda de custo; e dos valores pagos aos representantes comerciais autônomos a título de comissões, identificados nos registros contábeis, na conta “4.2.01.01.0006 comissões de representantes”. Foram elaborados os seguintes demonstrativos dos fatos geradores: a) planilha “Diárias de Motoristas”, contendo relação nominal dos motoristas, valor dos proventos, das diárias, da contribuição retida e da contribuição a recolher; fl. 11891533; e b) planilha “Ajuda de Custo”, contendo relação nominal dos beneficiários do pagamento de ajuda de custo, o valor recebido e a diferença de contribuição do segurado a recolher, fl. 15341595. A autuada apresentou impugnação, fl. 16021630, sustentando, em síntese, que os pagamentos de diárias e de ajuda de custo destinamse a ressarcimento de despesas, que os pagamentos de diárias não coincidem com a data da viagem do motorista, de modo que não são representativos da competência do fato gerador, e que os valores pagos aos representantes comerciais são, na verdade, repasses dos incentivos/gratificações dados pelos fornecedores aos representantes de seus produtos. Juntou documentos de acerto de viagens, fl. 16021630. A Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) em Uberlândia (MG) converteu o julgamento em diligência, fl. 1744. Em atendimento à diligência, foi emitida informação fiscal, fl. 1746, e sobre ela houve manifestação da interessada. A impugnação foi considerada improcedente e foi mantido o lançamento tributário, conforme julgamento da Seção do Contencioso Administrativo da SRP em Uberândia (MG), nos termos da DecisãoNotificação (DN) nº 11.430.4/0192/2006, fl. 1747 1753. Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Contra a decisão foi apresentado recurso voluntário, fl. 17631767, e o recurso foi julgado por este Conselho, que decidiu pela nulidade da decisão recorrida, nos termos do Acórdão CARF nº 230100.120 da 3a Câmara/1a Turma Ordinária/2a Seção de Julgamento, sessão de 04/03/2009, rel. Marcelo Oliveira, fl. 17851789. O julgado restou assim ementado: GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5°, da Lei n° 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto n° 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Anulada a Decisão de Primeira Instância. Com isso, os autos retornaram à origem para emissão de nova decisão, agora pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) em Juiz de Fora (MG), a qual converteu o julgamento em diligência. Em atendimento, a fiscalização emitiu informação fiscal às fl. 18261832, e sugeriu, com base na análise da contabilidade da empresa em cotejo com os documentos de acertos de viagem, a retificação da parte do lançamento relativa às contribuições incidentes sobre o pagamento de diárias diante da necessidade de adequar a competência do fato gerador à data da viagem do motorista, que não correspondia, necessariamente, à data do registro contábil do pagamento de diárias, tendo elaborado os seguintes documentos emitidos de acordo com a nova sistemática: a) planilha por estabelecimento contendo relação nominal do motorista, sua remuneração, valor da diária e diferença de contribuição do segurado, fl. 1850 2155, e b) acertos de motoristas não contabilizados, fl. 21562171. Em substituição à decisão anulada, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG) emitiu o Acórdão n.º 0934.027, e julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário lançado, com exclusão das competências até 11/1999, em razão da decadência, bem como da parte da multa incidente sobre valores indevidos de diárias pagas aos motoristas após acerto da competência do fato gerador, nos termos da informação fiscal de fl. 18261832. O julgado restou assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2007 DEBCAD 35.778.8320 Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.237 5 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA ANULADA POR FALTA DE INFORMAÇÃO DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. A falta de ciência do sujeito passivo do resultado de diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA No lançamento decorrente do descumprimento de obrigação acessória aplicase a regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, inciso I, do CTN, quando os cinco anos têm como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 12/12/2005 INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. GFIP Constitui infração a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em 25/05/2011, a autuada, por meio de seus representantes legais e de advogado, interpôs recurso voluntário, fl. 13901426, repetido às f. 14301467, alegando, em síntese, a necessidade de se aplicar a multa mais benéfica prevista no art. 32A da Lei 8.212/91, introduzida pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, a exclusão dos valores atingidos pelos efeitos da súmula vinculante STF nº 08 e a conexão com o auto de infração Debcad 35.778.8354, com a conseqüente reunião dos processos para se evitar decisões contraditórias. Pede que seja dado provimento ao recurso. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Decadência Sobre a decadência das contribuições previdenciárias, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, aplicase o regime de decadência do Código Tributário Nacional (CTN) às contribuições previdenciárias e às devidas aos terceiros. Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento pelo sujeito passivo, ainda que parcial, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo e simulação, caso em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.238 7 Em síntese, para se determinar o dies a quo, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado. Caso a resposta seja afirmativa, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, que, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. No caso em exame, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, pois trata se de exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, cujo crédito tributário é constituído por lançamento de ofício, espécie de lançamento incompatível com a antecipação de pagamento pelo sujeito passivo. O sujeito passivo teve ciência pessoal do lançamento somente em 12/12/2005, de modo que já estavam atingidas pela decadência as competências até novembro de 1999, cujo prazo decadencial iniciouse em 1o de janeiro de 2000 e encerrouse em 31 de dezembro de 2004. A decadência das competências até 11/1999 foi reconhecida pela decisão de primeira instância, tendo havido o trânsito em julgado administrativo em relação a essa matéria. A infração pela falta de informação em GFIP da competência 12/1999 somente se consumou em 01/2000, na data de entrega da GFIP, e o prazo decadencial iniciou se em 1o de janeiro de 2001. Portanto, o auto de infração relativo ao período remanescente (12/1999 a 08/2005) foi feito antes do término do prazo decadencial de cinco anos. Conexão com o Processo de Obrigação Principal O processo nº 36958.000807/200765 trata da obrigação principal de recolher as contribuições incidentes sobre os fatos geradores não declarados em GFIP, objeto deste processo. As relações jurídicas discutidas nos dois processos são distintas, mas vinculadas, pois a solução quanto à incidência ou não das contribuições devidas à Seguridade Social refletirá na obrigação de a empresa declarar em GFIP essas contribuições. Nesses casos é salutar que se evite decisões contraditórias, de modo que passo a adotar aqui o entendimento exarado naquele processo. Diárias. Preliminar de invalidade do lançamento. Insuficiente demonstração da base de cálculo. Presunção e Arbitramento. Há vício formal na parte do auto de infração relativa à omissão em GFIP das diárias pagas pela empresa aos seus empregados, conforme reconhecido no acórdão de Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 julgamento do recurso ao processo nº 36958.000807/2007651, que trata da obrigação principal de recolher as contribuições incidentes sobre esses fatos geradores. Adoto aqui o mesmo entendimento, considerando que o vício formal na demonstração da base de cálculo ali apontado também está presente neste processo, no qual a multa aplicada tem por base o valor da contribuição omitida, limitada a um valor fixo em função da quantidade de segurados. Passo então à transcrição da parte pertinente do voto condutor do processo nº 36958.000807/200765: A controvérsia se refere à insuficiente demonstração dos dados quantitativos que compõem a base de cálculo do lançamento e se este foi feito com base em presunção. As contribuições incidentes sobre diárias pagas aos motoristas foram inicialmente apuradas com base nos lançamentos contábeis contendo histórico de diárias, registrados na conta contábil “viagens na distribuição”, considerandose ocorrido o fato gerador na data do registro contábil do pagamento da diária. Admitindo tese da defesa, a fiscalização propôs a retificação do lançamento, o que foi acatado pela decisão de primeira instância ora recorrida, passandose a considerar a ocorrência do fato gerador na data da viagem do motorista ou na data da emissão da nota fiscal da mercadoria transportada. As datas e os valores das diárias pagas foram então apurados com base na contabilidade da empresa, mediante cotejo dos dados dos lançamentos contábeis efetuados nas contas nº 3.1.01.01.0001, denominada “venda de mercadorias mercado interno”, com código reduzido “392”, e conta nº 4.1.02.01.0004, denominada “viagens na distribuição”, com código reduzido “326”. Os pagamentos a título de diárias foram extraídos dos lançamentos contábeis efetuados na conta nº 326, e nessa conta, em regra, o histórico do lançamento vincula a diária ao número da carga. Conforme visto, a diária é devida na data da viagem ou na data da emissão da nota fiscal da mercadoria transportada, momento da ocorrência do fato gerador. Como a data do lançamento contábil nem sempre coincide com a data do fato gerador do tributo, a fiscalização, com base no número da carga, identificou, na conta nº 392, a data da viagem que gerou o pagamento da diária. Considerando que a empresa contabiliza na conta contábil nº 392 os pagamentos de diárias juntamente com pagamentos de despesas de viagem relativas à manutenção do veículo, alimentação do motorista, pedágio, despesas com guinchos, dentre outras, a fiscalização analisou os registros da conta contábil nº 392 e selecionou aqueles com histórico de pagamento de diárias e excluiu os registros contábeis que entendeu 1 Acórdão CARF nº 2402004.4594ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 02 de dezembro de 2014, rel. Cons. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.239 9 impertinentes, adotando os seguintes critérios, conforme consignado na segunda informação fiscal de fl. 9971003: Da seleção dos lançamentos excluímos os transbordos, despesas de viagens, deixando um único lançamento para cada carga; A conta 392 registra geralmente dois lançamentos para um mesmo número de carga, essa duplicidade foi excluída para possibilitar a conciliação correta; Acertos de diárias da conta 326, no período de 2000 a 2002, foram contabilizados em grupos, de modo que trazem diversas cargas num único lançamento. Em casos assim consideramos somente um número de carga, geralmente o último, mas quando esse número estava incompleto adotamos o primeiro da linha; Valores lançados a crédito foram confrontados com os valores a débito da mesma carga e deduzidos; Os arquivos magnéticos do Razão na competência 09/2000, fornecidos pela empresa em 2005, continham na verdade lançamentos de 08/2000. Solicitamos essa documentação no Termo de Intimação Fiscal 01, mas não fomos atendidos, dai a redução de lançamentos de diárias deste período. A planilha juntada às fl. 10041309 consigna o resultado obtido desse processo analítico, qual seja, o valor total devido a título de diárias aos motoristas no período do lançamento não atingido pela decadência. Vêse que, para chegar ao valor das diárias devidas aos motoristas na competência da viagem adotouse um método que envolveu a análise qualitativa e quantitativa de diversos lançamentos contábeis, sendo que somente o resultado deste processo foi demonstrado. Com efeito, a planilha citada apresenta valores agrupados, não há demonstração analítica do resultado anunciado, dos valores individuais que compuseram o total das diárias, os lançamentos contábeis originários não estão identificados e não ficou demonstrada a relação entre a data do registro contábil e a competência do lançamento tributário. Entretanto, ao contrário do alegado, esse defeito não atinge o fato gerador do lançamento porque não é suficiente para infirmar quaisquer dos elementos da regra matriz de incidência ou da relação tributária. O fundamento jurídico do lançamento é pagamento de diárias e está claramente identificado no relatório fiscal e nas informações fiscais que o acompanham, sendo que os documentos juntados aos autos, a priori, não são capazes de provar que se trata de verbas ressarcitórias de despesas de viagem. Existem nos autos recibos de pagamento de arrastamento de caminhão e recibos emitidos por restaurantes, alguns com Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 descrição de pagamento de refeições e outros sem especificação do serviço prestado. Os recibos estão acompanhados dos documentos da empresa chamados de “acertos do motorista”. É a prestação de contas do motorista, onde se registram os débitos, geralmente valor da mercadoria transportada e numerário de adiantamento de viagem, e os créditos, tais como, pagamento da mercadoria, mercadorias devolvidas, numerários devolvidos, despesas de viagem e diárias. De acordo com a sistemática adotada pela empresa, os recibos juntados aos autos referemse à prestação de contas de despesas que são ressarcidas pela recorrente e que são controladas nos acertos dos motoristas, onde são identificadas pela rubrica “despesas de viagem”. Essas despesas são controladas nos acertos dos motoristas separadamente das diárias. Com relação às diárias, não há qualquer documento relacionado aos seus valores, podendose afirmar que os gastos vinculados às diárias não estão sujeitos à prestação de contas. As planilhas abaixo demonstram a análise de todos os documentos juntados ao processo, a qual embasa as conclusões aqui expostas: Tabela 1 – Documentos Anexos à Impugnação e Analisados na Informação Fiscal de fl. 778783 (Primeira Informação Fiscal) Motoris ta Acerto do Motorista Recibos Despesas Viagem OBS Informação Despesa Viagem (R$) Diárias (R$) fls Data Valor (R$) fls obs Recibo Fiscal fl. 778783 Edson Pereira Frades 0,00 159,00 677 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 240,00 681 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 173,00 685 0,00 diárias sem prestação de contas Total 0,00 572,00 0,00 Alexsa ndro Romero de Aguiar 0,00 196,00 692 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 199,00 696 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 177,00 700 0,00 diárias sem prestação de contas Total 0,00 572,00 0,00 Adalber to Jose Rafael 220,00 315,00 706 10/02/2004 50,00 708 arrastamento diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 07/02/2005 50,00 708 arrastamento diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 08/02/2005 50,00 708 arrastamento diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem s/data 70,00 709 n/c diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 220,00 315,00 220,00 Alex Rosa de Lima 0,00 194,00 718 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 167,00 715 0,00 diárias sem prestação de contas 90,00 168,00 721 09/06/2005 15,00 724 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 10/06/2005 15,00 724 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 07/06/2005 15,00 725 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 08/06/2005 15,00 725 despesa (treinamento diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.240 11 mot 4010) 06/06/2005 15,00 726 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 05/06/2005 15,00 726 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 90,00 529,00 90,00 Juvenil P.Reze nde 108,00 0,00 730 09/03/2005 108,00 731 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 732 10/03/2005 54,00 733 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 734 14/03/2005 72,00 735 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 736 19/03/2005 108,00 737 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 738 19/03/2005 72,00 739 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 740 26/03/2005 72,00 741 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 90,00 0,00 742 31/03/2005 90,00 743 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 744 07/04/2005 108,00 745 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 747 12/04/2005 72,00 747 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 748 15/04/2005 54,00 749 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 750 22/04/2005 108,00 751 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 752 27/04/2005 72,00 753 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 126,00 0,00 754 06/05/2005 126,00 755 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 138,00 0,00 756 12/05/2005 138,00 757 758 refeição/des pesa Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 90,00 0,00 759 19/05/2005 90,00 760 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 761 24/05/2005 54,00 762 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 162,00 0,00 763 06/06/2005 162,00 764 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 765 11/06/2005 108,00 766 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 767 14/06/2005 54,00 768 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 126,00 0,00 769 18/06/2005 126,00 770 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 771 23/06/2005 108,00 772 refeiçao Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) Total 1.956,00 0,00 1.956, 00 Tabela 2 – Documentos Anexos à Informação Fiscal de fl. 778783 (Primeira Informação Fiscal) Motorista Acerto do Motorista Recibos Obs Informação Nº Despesa Viag (R$) Diárias (R$) fls Data Valor (R$) fls obs Recibo Fiscal fl. 778783 (Primeira Informação Fiscal) João Severino G Neto 24570 50,00 0,00 802 01/04/2004 50,00 803 despesa com arrasto caminhão Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 26054 120,00 0,00 804 29/04/2004 120,00 805 despesa com arrasto caminhão Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 170,00 0,00 170,00 Luiz Mauro dos Santos 53743 118,00 0,00 806 28/04/2005 108,00 807 6 refeições de R$18,00 Valor de diária conforme doc anexo(abaixo) 53677 0,00 108,00 808 810 Anexo ao acerto 53743 56672 54,00 0,00 815 18/05/2005 54,00 816 3 despesas (restaurante) Valor de diária conforme doc anexo(abaixo) 56593 0,00 54,00 817 818 Anexo ao acerto 56672 Total 172,00 162,00 108,00 Luiz Mário de Carvalho 55561 108,00 0,00 811 12/05/2005 108,00 812 refeição Valor de diária conforme doc anexo(abaixo) 55554 0,00 108,00 813 814 Anexo ao acerto 55561 Total 108,00 108,00 108,00 Cadimo Duarte Raposo 56513 90,00 0,00 819 18/05/2005 90,00 820 5 despesas (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 58301 90,00 0,00 821 02/06/2005 90,00 822 5 refeições Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 51827 90,00 0,00 823 13/04/2005 90,00 824 5 refeições Valor de diária conforme doc anexo(abaixo) 51820 0,00 90,00 825 826 Anexo ao acerto 51827 Total 270,00 90,00 270,00 Rogerio 35937 15,00 133,00 827 27/09/2004 15,00 828 despesa de diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Silva Freitas transbordo rubrica despesas de viagem Total 15,00 313,00 15,00 Vladimir Domingos Souza 27769 15,00 104,00 829 31/05/2004 15,00 830 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33254 15,00 98,00 831 18/08/2004 15,00 832 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33969 15,00 99,00 833 29/08/2004 15,00 834 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 31757 15,00 139,00 835 29/07/2004 15,00 836 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33580 15,00 86,00 837 25/08/2004 15,00 838 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 25710 30,00 0,00 849 20/04/2004 30,00 850 2 despesas (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 105,00 526,00 105,00 Serapião Ferreira Leal 29333 30,00 98,00 839 20/06/2004 30,00 840 2 refeições diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 24904 25,00 0,00 847 10/04/2004 25,00 848 despesa (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 55,00 98,00 55,00 Abadio Almeida Ribeiro 26965 15,00 0,00 841 12/05/2004 15,00 842 despesa (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 25336 15,00 0,00 843 14/04/2004 15,00 844 despesa (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 29922 15,00 107,00 845 01/07/2004 15,00 846 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 24904 15,00 113,00 853 14/07/2004 15,00 854 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 25710 15,00 97,00 855 04/08/2004 15,00 856 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 35947 15,00 122,00 857 13/10/2004 15,00 858 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33075 15,00 120,00 859 19/08/2004 15,00 860 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 35946 15,00 96,00 861 24/09/2004 15,00 862 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 120,00 655,00 120,00 Alex Rosa de Lima 36856 15,00 186,00 851 11/04/2004 15,00 852 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 15,00 186,00 15,00 O problema levantado pela recorrente é que os valores que integram a rubrica “despesas de viagem” em alguns casos foram contabilizados com o histórico de diárias, de modo que, a fiscalização, ao adotar o critério do histórico da conta contábil, sem analisar os documentos de caixa a eles correspondentes, efetuou o lançamento por presunção. Essa alegação não é capaz de macular a correta identificação do fato gerador, pois o fato tributário foi extraído da contabilidade da empresa, segundo a classificação por ela adotada, e a contabilidade faz prova contra as sociedades empresariais, conforme estatui o Código Civil, art. 226 e do Código de Processo Civil, art. 378. Código Civil Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Código de Processo Civil Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.241 13 permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. A eficácia probatória da contabilidade só pode ser afastada diante de prova contundente do erro cometido, cujo ônus é da recorrente. A recorrente apresentou, por amostragem, os documentos vinculados aos motoristas Adalberto José Rafael, Alex Rosa de Lima e Juvenil Pereira de Rezende (relacionados na Tabela 1 deste voto), a fim de comprovar que sua contabilidade classificou como diárias o que na verdade são despesas de viagem de motoristas que são ressarcidas. Esses documentos foram analisados pela fiscalização na primeira informação fiscal de fl. 778783, conforme consta da Tabela 1 deste voto. A fiscalização identificou despesas de arrasto de caminhão contabilizadas pela empresa com o histórico de diárias, que é o caso do motorista João Severino G. Neto (ver tabela 2 deste voto). Além disso, a fiscalização afirmou que os recibos contendo despesas com refeições foram ressarcidos pela recorrente quando do acerto de viagens, e que, independente disso, a recorrente pagou diárias sem exigir prestação de contas. Mas a fiscalização também descaracterizou algumas despesas de viagem, considerandoas pagamento dissimulado de diárias. Explicou que o valor das diárias é tabelado, mas identificou casos em que a empresa pagou diárias muito superiores ao que seria devido no mês e que essa situação não foi justificada pela empresa, citando, como exemplo, os pagamentos feitos em 2004 ao motorista Abadio Almeida Ribeiro. Quanto ao motorista Juvenil Pereira de Rezende, constatou que o valor dos recibos de alimentação é muito alto e é múltiplo de dezoito reais, que é o valor tabelado das diárias (ver Tabela 1 deste voto). Observou que isso ocorreu em todos os recibos apresentados pela empresa em 2005, sendo que, em alguns deles, o recibo consigna a quantidade multiplicada por R$ 18,00, citando, como exemplo, o acerto 56672 (ver Tabela 2 deste voto). Identificou acertos de viagens de motoristas que registram despesas de viagem mas o documento a ele anexo trata o mesmo valor como diárias pagas (ver na tabela 2 deste voto os exemplos de valores analisados pela fiscalização como pagamentos de diárias “conforme doc. Anexo”, sendo que o Anexo também está identificado na tabela 2). Entretanto, nem as informações fiscais emitidas nem a decisão recorrida deixam claro se os documentos analisados foram Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 considerados como despesas ou como diárias e, por conseguinte, se esses valores foram excluídos ou não da base de cálculo. Repito que a dificuldade da análise dessa questão, neste foro, decorre da ausência de informação detalhada da composição da base de cálculo. Constatase, entretanto, que os documentos apresentados não desnaturam o fato gerador, ao contrário, o confirmam. De todo o exposto é possível afirmar que o vício apontado alcança somente o documento de formalização do crédito tributário (auto de infração). Tratase, portanto, de vício formal, conforme explica Paulsen2: Vício formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei. A formalização insuficiente dificulta a análise do processo a ponto de inviabilizar o contraditório, cerceando o direito de defesa do sujeito passivo. Constatado o prejuízo, cabe reconhecer a nulidade do ato viciado, conforme preconiza o art. 55 da Lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Na espécie, o vício atinge somente a parte do lançamento relativa ao pagamento de diárias, devendo ser desconstituído somente o crédito tributário decorrente deste fato gerador. É recomendável a lavratura de auto de infração substitutivo da parte anulada, caso persista a infração. Mérito Por incompatibilidade, deixo de apreciar as questões de mérito relacionadas ao lançamento sobre pagamento de diárias. A matéria relativa ao pagamento de comissões aos representantes autônomos não foi contestada no recurso, restando preclusa. Passo à análise das demais matérias. Ajuda de Custo. Natureza. Prova A natureza jurídica da ajuda de custo paga pela empresa aos supervisores de venda foi tratada no acórdão do julgamento do recurso ao processo nº 36958.000807/2007653, 2 Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado, 2014. 3 Acórdão CARF nº 2402004.4594ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 02 de dezembro de 2014, rel. Cons. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.242 15 o qual concluiu pela natureza remuneratória do pagamento e pela incidência da contribuição previdenciária. Adoto aqui o mesmo entendimento, considerando que é obrigação da empresa declarar em GFIP o total das remunerações pagas aos segurados. Passo então à transcrição da parte pertinente do voto condutor do processo nº 36958.000807/200765: A recorrente explica que essa verba é paga aos supervisores de vendas em ressarcimento a despesas inerentes ao trabalho, como quilometragem pelo uso de veículo para fazer frente às despesas com combustível e desgaste do automóvel, ligações telefônicas e despesas de alimentação e hospedagem decorrentes de viagens a serviço, mas deixou de demonstrar, com documentos e demais meios de prova, que os pagamentos tiveram essa finalidade. As parcelas destinadas ao ressarcimento de despesas necessárias à execução do trabalho não integram o salário de contribuição, pois não são pagas em retribuição ao trabalho, mas, para isso, deve ficar comprovada a despesa incorrida. Nessa linha, a Lei 8.212/91, art. 28, § 9o, “s” expressamente prevê que os pagamentos feitos para ressarcir as despesas pelo uso de veiculo do empregado não integram o salário de contribuição, desde que devidamente comprovadas. Art. 28... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (g.n.) A alínea “m” do mesmo artigo, invocada pela recorrente, cuida da hipótese de indenização ao empregado nos casos de remoção, ou seja, quando há alteração do local de prestação de serviço previsto no contrato de trabalho sem mudança de domicílio (caput do artigo 469 da CLT). Diferenciase das viagens a serviço, onde o empregado se desloca para outras localidades sem que haja alteração do seu domicílio nem do contrato de trabalho quanto ao local da prestação do serviço. Art. 28 ..... m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 O artigo 457, § 2o da CLT, também suscitado pela recorrente, exclui do salário a parcela paga pela empresa a título de ajuda de custo. Conforme entendimento de grande parte da doutrina, a ajuda de custo de que trata este dispositivo legal não é a parcela paga para fazer frente a despesas relacionadas ao exercício regular da atividade laboral, mas sim aquela “correspondente a um único pagamento, efetuado em situações excepcionais, em geral para fazer face às despesas de transferência do empregado ocorridas no interesse do empregador” 4. Em suma, não ficou comprovado que os pagamentos feitos a título de ajuda de custo destinamse a ressarcir despesas inerentes à execução do trabalho e não ficou comprovada a prestação de contas dos gastos realizados. Na falta da prova do caráter ressarcitório das verbas pagas, independentemente de sua denominação, esses valores são considerados remuneração e integram o saláriodecontribuição. Alteração Legislativa. Retroatividade da multa mais benéfica Diante das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, a recorrente solicita a realização de diligência para que a autoridade lançadora identifique e aplique a multa mais benéfica mediante comparação entre a multa do revogado art. 32, IV, § 5o da Lei 8.212/91 e a do novel art. 32A. Com efeito, a MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 alterou profundamente o regime de multas em matéria previdenciária. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/915, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o 4 DE BARROS, Alice Monteiro. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: Ed. LTR, 2011, p. 636. A autora também afirma que essa é a posição de grande parte da doutrina, como Amauri Mascaro Nascimento (O Salário. São Paulo: LTr, 1996, edição facsimilada, p. 327), Orlando Gomes e Élson Gottschalk (Curso de Direito do Trabalho. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 239 – atualizador: José Augusto Rodrigues Pinto), Arnaldo Sussekind (Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. OP.cit., 1964, vol. II, p. 36), Adriano Capanhole (Prática e Jurisprudência Trabalhistas, 1962, p. 321), Marly Cardone (Viajantes e Pracistas no Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 51) e Délio Maranhão (Direito do Trabalho. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1979, p. 193). 5 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.243 17 realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20096) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20097). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento de dé7bito nos casos de ii) falta de declaração ou de iii) declaração inexata. a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 6 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 7 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: para a primeira, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/968; para a segunda, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/969. O revogado art. 35 inciso II da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento incluído em lançamento tributário. Era o revogado art. 32 inciso IV §§4o e 5o da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento 8 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.244 19 quando há falta de declaração e/ou declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991 ,, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 ,, acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991 ,, em sua redação anterior à dada pela Lei n º 11.941, de 2009 , tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei n º 8.212, de 1991 ,, com a redação dada pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) No caso concreto, o relatório fiscal de aplicação de multas revela que foi aplicada a multa do art. 32, IV, § 5o do RPS/99. Entendo que a apuração da multa mais benéfica deve levar em consideração o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, a ser calculada no momento do pagamento do débito. Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 Conclusão Com base no exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, anulando, por vício formal, a parte da autuação com base na omissão dos fatos geradores decorrentes do pagamento de diárias. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.245 21 Voto Vencedor Multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.246 23 Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.247 25 estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 2402004.463 S2C4T2 Fl. 2.248 27 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso para reduzir a multa aplicada na parte correspondente ao pagamento de diárias por vício formal e, na parte remanescente, para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10945.000953/2008-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 09 53 /2 00 8- 27 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000953/200827 Acórdão n.º 3801004.639 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em epígrafe e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. Isso se deu porque a fiscalização ao intimar o contribuinte para apresentar os elementos probantes de seu direito creditório, este, apesar de reintimado deixou de apresentar o arquivo magnético contendo as notas fiscais de entrada e saída. Além disso, deixou de apresentar os Livros Registro de Apuração do IPI de 2001 a 2004 da Matriz e de 1999 a 2004 da Filial, assim impossibilitando verificar se o crédito pleiteado foi devidamente estornado, quando da transmissão da PERDCOMP. Tempestivamente, o interessado se manifestou alegando, em síntese, que tendo se passado nove anos do período relativo ao crédito até o presente, não conseguiu recuperar os arquivos solicitados pela fiscalização, porém, afirma possuir todos os livros impressos, os quais não foram requeridos. Aduz que o procedimento fiscal não seguiu o princípio da eficiência, portanto, novo prazo deveria ser concedido para apresentação da documentação impressa que possui e realização da devida auditoria. Além disso, não poderia apresentar os livros pedidos, na medida em que nos anos de 2001 a 2003 foi optante do SIMPLES. Por fim, tece uma série de considerações sobre a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, em função do contencioso fiscal. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, sendo que a aceitação destas, quando intempestivamente apresentadas, submetese às hipóteses legais. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000953/200827 Acórdão n.º 3801004.639 S3TE01 Fl. 13 3 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado apresenta um relato dos fatos destacando que possui todos os livros impressos, porém os mesmos não foram aceitos pela Receita Federal. Esclarece que as notas fiscais de entrada e saída também estão a disposição da fiscalização federal. Em preliminar, sustenta que ajuizou ação anulatória de débitos sob. o nº 2009.70.02.0027454/PR, em trâmite na Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esclarece que em sede de tutela antecipada a recorrente requereu o depósito judicial do valor integral, a fim de possibilitar a emissão de Certidão Positiva de Débitos com efeito de Negativa, a qual foi deferida e suspensão dos processos administrativos pendentes, tal como o presente. No mérito, sustenta a inobservância do princípio da eficiência. Argumenta que tentou entregar todos os documentos comprobatórios de seu direito de modo impresso, contudo em virtude do volume, a própria Receita Federal, não autorizou seu protocolo, aduzindo que os documentos deveriam ser digitais. Com relação ao princípio da eficiência, faz referência ao artigo 37 da Constituição Federal. Destaca que o formalismo não poderia ter impedido a recorrente de juntar os documentos impressos e ainda ter julgado improcedente seu pedido com a alegação de que restavam ausentes os documentos comprobatórios. Ressalta que a recorrente estava enquadrada no SIMPLES no período de 2001 a 2003, desta forma não possui livros de apuração de IPI referente a este período. Postula a juntada de documentos de forma impressa no prazo de 180 dias. Reitera a tese de que os débitos estão com a exigibilidade suspensa em razão de depósito judicial, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Colaciona doutrina e jurisprudência acerca desta matéria. Por fim, requer preliminarmente a suspensão deste processo administrativo, vez que o objeto do presente encontrase sub judice na Vara Federal de Foz do Iguaçu. No mérito, requer a juntada de documentos impresso em poder da recorrente com o intuito de comprovar a legalidade dos créditos. Sucessivamente postula prazo para reconstituir a escrituração para que seja apresenta de forma eletrônica. Tendo em vista que em preliminar, a recorrente informou que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal, o processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem informasse o andamento processual do processo nº 2009.70.02.0027454, com a juntada da petição inicial e das principais decisões judiciais e eventual suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão em razão de depósitos judiciais. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000953/200827 Acórdão n.º 3801004.639 S3TE01 Fl. 14 4 Em atendimento à diligência, a Delegacia de origem após juntar cópia da petição inicial argumentou que os créditos tributários em discussão na Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR referemse àqueles oriundos tãosomente das Declarações de Compensação nº 31712.38227.220405.1.3.013639 e nº 40181.76436.120505.1.3.016656, vinculadas ao Pedido de Ressarcimento nº 03659.70301.140105.1.1.010288, cujo crédito não foi reconhecido no montante apurado pelo interessado. Em razão disso, foi emitido o Despacho Decisório nº 808243504, o qual é o objeto da Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR. Alegou, ainda, que os créditos tributários em cobrança administrativa pelos Processos Administrativos Fiscais (PAF) nº 10945.000941/200801, nº 10945.000944/200836, nº 10945.000946/200825, nº 10945.000948/200814, nº 10945.000949/200869, nº 10945.000950/200893, nº 10945.000951/200838, nº 10945.000952/200882 e nº 10945.000953/200827, os quais se encontram no CARF para julgamento, não se vinculam à Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR, a qual está vinculada tãosomente ao PAF nº 10945.901516/200822. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, tendo se manifestado após o prazo que lhe foi concedido. A recorrente apresentou cópia da petição inicial, dos depósitos judiciais e do andamento processual. Em relação à referida ação judicial, esclareceu que não há decisões relevantes a serem apresentadas. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000953/200827 Acórdão n.º 3801004.639 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora o recurso seja tempestivo e atenda aos demais pressupostos recursais, dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. De início em preliminar, a recorrente noticia que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esta matéria foi objeto de diligência fiscal. Em que pese o entendimento divergente da Delegacia de origem, concordase com a tese da interessada de que esta matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de ressarcimento de IPI. Do exame da petição inicial, constatase que a interessada em seu pedido requer que sejam declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo, inclusive, discriminou os PER/DCOMP e respectivos períodos de apuração. Assim sendo, as compensações objeto deste litígio administrativo foram contestadas judicialmente. Pertinente é a colocação de Luiz Rodrigues Wambier, Flávio Renato Correia de Almeida e Eduardo Talamini sobre o pedido na petição inicial in Curso Avançado de Processo Civil V. I. 8 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: É o pedido que demonstra o objeto litigioso. É o elemento central da petição inicial, pois expressa o provimento jurisdicional que o autor espera ter. Vale dizer, o pedido é a solução que o autor pretende seja dada à situação reclamada. É para alcançar o que consta do pedido que o autor vem a juízo. Já se disse que o pedido é o modelo de sentença que se aguarda, pois representa o desejo de ver atuar a lei sobre a situação jurídica reclamada.(grifouse) Deste modo, é indubitável que o direito creditório objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo, ressarcimento e posterior compensação dos valores relativos aos créditos de IPI. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do Fl. 368DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000953/200827 Acórdão n.º 3801004.639 S3TE01 Fl. 16 6 indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000953/200827 Acórdão n.º 3801004.639 S3TE01 Fl. 17 7 Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000953/200827 Acórdão n.º 3801004.639 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria objeto desse processo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.008568/2008-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010).
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-003.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem como a correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni, OAB/SP 246.569.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do art. 62A do Regimento Interno, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Por força do art. 62A do Regimento Interno, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito presumido em relação às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 85 68 /2 00 8- 62 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem como a correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni, OAB/SP 246.569. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1433.685, de 11 de maio de 2011 (fls. 196/203), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ) cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELEC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes A taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário (fls. 207/226), o contribuinte sustenta que: 1) não procedem as glosas dos créditos, visto que todos os insumos que foram computados no cálculo do crédito presumido teriam sido exatamente aqueles autorizados pela Lei 9363/96, ou seja, as matériasprimas, os produtos intermediários, materiais de embalagem, o que incluiriam a energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha consumidos nos processos produtivos da Recorrente, argumentando que a amplitude do direito ao crédito presumido não poderia ser restringida aos conceitos estritos de Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008568/200862 Acórdão n.º 3403003.358 S3C4T3 Fl. 234 3 matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados pela legislação do IPI, não se podendo aplicar o critério de contato físico entre o insumo e o produto final; 2. que deve haver a inclusão, na base de caĺculo do incentivo fiscal, das aquisições de não contribuintes da contribuição ao PIS/Cofins, citando precedentes administrativos e judiciais neste sentido; 3. que deve ser reconhecido o direito à atualização pela Taxa Selic entre a data do pedido e o seu efetivo ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 10/08/2011 (fl. 207), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 19/07/2011 (fl. 205). Por ser tempestivo e por conter razões de reforma ao acórdão da DRJ, dele conheço. No mérito, são os seguintes os temas a serem enfrentados: 1) Conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Nos termos do § 2º do art. 21 da INSRF nº 69, de 2001, os conceitos de industrialização, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI. A propósito, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 (RIPI/1982), extraise o seguinte preceito: “Artigo 161. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes forem equiparados, poderão creditarse: I – do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente (Lei nº 4502/64, artigo 25) “ Assim, não é qualquer insumo utilizado no processo produtivo que se caracteriza como MP, PI ou ME. Em sentido estrito, MP, PI e ME são os insumos que se integram ao produto em fabricação, consoante a inteligência do art. 25, I, da Lei nº 4.502, de 30 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 de novembro de 1964. Entretanto, o próprio dispositivo estende essa definição, incluindo no conceito de MP, PI e ME os insumos que, “...embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. A interpretação do alcance da expressão “consumidos no processo produtivo” é controversa e demandou a edição de dois pareceres da Coordenação do Sistema de Tributação da então Secretaria da Receita Federal. Refirome ao PNCST nº 181, de 1974, e ao PNCST nº 65, de 1979, este último já alçado à condição de norma complementar da legislação tributária, consoante o inc. III do art. 100 do CTN, em face da reiteração da sua aplicação, já há quase cinqüenta anos. Nesse sentido, confesso surpreenderme com a controvérsia. Para maior clareza, vamos ao Parecer: “Parecer Normativo CST Nº 65, de 1979 (DOU de 06.11.79): 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma “matériasprimas” e “produtos intermediários” são empregados “stricto sensu”, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários “stricto sensu”,ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 1 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não 1 Nota do Relator: referência aps regramentos anteriores ao Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 83.263/79 (RIPI/79). Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008568/200862 Acórdão n.º 3403003.358 S3C4T3 Fl. 235 5 gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matériasprimas nem produtos intermediários “stricto sensu”, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “ ... e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual “a lei não deve conter palavras inúteis”, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão “incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização” é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários “stricto sensu” , geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos “que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários “stricto sensu” , semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão “consumidos” sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (...).” A leitura do Parecer acima em parte reproduzido demonstra seu objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que qualquer elemento consumido nas instalações do contribuinte, certamente necessário ao desenvolvimento de suas atividades, ainda que indiretamente, seja considerado matériaprima ou produto intermediário com o fim de gerar o respectivo direito ao crédito. Tornase claro, assim, que nem tudo que se consome ou se utiliza na produção pode ser conceituado como matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. Nesse mesmo sentido já havia se pronunciado a Coordenação do Sistema de Tributação através do Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, publicado no DOU de 23.10.74, que dispunha no seu item 13: “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e Fl. 239DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008568/200862 Acórdão n.º 3403003.358 S3C4T3 Fl. 236 7 equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, etc.”. Assim sendo, nos termos dos Pareceres retrocitados e em consonância com o inciso I do art. 161 do RIPI/2002, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários strictosensu e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente – que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação ou deste sobre o insumo, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Ou seja, devese considerar no conceito de MP e PI, em sentido amplo, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, guardando semelhança com as MP e os PI em sentido estrito, semelhança esta que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga à das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou desse sobre o insumo. Este mesmo entendimento foi cristalizado pela Súmula CARF nº 19, cujo texto é o seguinte "Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário" O mesmo raciocínio se aplica à lenha, aos lubrificantes, à água e aos gastos com telefone, por não serem consumidos nem entrarem em contato físico diretamente com o produto. Por estas razões, deve ser mantida a glosa de tais aquisições, por não configurarem MP, PI e ME. 2) As aquisições de não contribuintes de PIS/Cofins. Em razão do disposto no art. 62A do RICARF, introduzido pela Portaria MF 586/2010, deve ser reproduzido neste caso o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justica, pela sistemática dos recursos repetitivos, a respeito da mesma questão jurídica. O dispositivo do RICARF estabelece o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” O entendimento firmado pelo STJ na sistemática do art. 543C do CPC, é resumido na seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais Fl. 241DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008568/200862 Acórdão n.º 3403003.358 S3C4T3 Fl. 237 9 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). Fl. 242DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 243DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008568/200862 Acórdão n.º 3403003.358 S3C4T3 Fl. 238 11 Como visto, o STJ firmou em recurso repetitivo o entendimento de que assiste direito ao crédito presumido de IPI também na hipótese de aquisições de insumos de nãocontribuintes de PIS/Cofins, como é o caso de pessoas físicas e cooperativas. Assim, por força do art. 62A do RICARF, este Conselho deve obrigatoriamente reproduzir o entendimento do STJ para o caso concreto, reconhecendo o direito ao crédito presumido de IPI em relação às aquisições de nãocontribuintes. 3) Atualização pela taxa Selic. O recorrente pleiteia a atualização, pela Taxa Selic, em relação ao período decorrido entre o protocolo dos seus pedidos de ressarcimento de IPI e o seu efetivo pagamento. Na medida em que a questão da atualização não foi apreciada nas decisões que reconheceram o direito de crédito, a questão pode ser analisada mediante pedido subseqüente, feito em razão da verificação pelo contribuinte de que o ressarcimento não incluiu a atualização. Verifico que o presente pedido foi realizado em 2003, portanto, decorridos menos de 5 anos da concretização dos ressarcimentos pelo seu valor nominal, cujo pagamento mais antigo aconteceu em 2000. Entendo, por isso, que não houve prescrição do direito de pleitear a atualização, cujo prazo começou a correr a partir do pagamento havido sem tal atualização. Quanto ao mérito, sabese que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e deste Tribunal Administrativo como um todo, oscilou ao longo do tempo entre a possibilidade ou não da atualização no pedido de ressarcimento de IPI, indiferente ao fato de referirse a créditos básicos ou crédito presumido. Os precedentes que negavam o direito de atualizar faziamno, como ocorreu neste caso, sob o fundamento de que não existia previsão legal que autorizasse a correção, ou seja, que diante da falta de autorização expressa, não poderia ser aplicada a taxa Selic na atualização do ressarcimento do IPI. Os precedentes que autorizavam o direito de atualizar, por sua vez, assim o faziam apenas em relação ao período decorrido entre o protocolo do pedido e o pagamento do valor do ressarcimento, pelo fundamento de que a demora foi ocasionada pelo Estado, com o objetivo de recompor a perda do valor real do direito do contribuinte, que não poderia ser reduzido pela demora da Administração. Confirase, exemplificativamente, os seguintes julgados da Câmara Superior e de das Câmaras do antigo Segundo Conselho de Contribuintes: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa Fl. 244DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 incidirá, também, sobre o ressarcimento..Recurso a que se nega provimento. (Recurso de Divergência n° 201112809, acórdão CSRF/02.01414, Relator Dalton Cordeiro de Miranda, j. 08.09.2003) IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso negado. (Recurso do Procurador n° 202113793, acórdão CSRF/0201.690, Relator Rogério Gustavo Dreyer, j. 11.05.2004) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Embargos acolhidos para re ratificar o Acórdão nº 20173.987, passando a ementa a ter a seguinte redação: "IPI. INCENTIVO FISCAL. LEI Nº 8.387/91. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. OMISSÃO. Incide a correção monetária sobre o ressarcimento de créditos do IPI mediante a aplicação da Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 8/97 desde a data do protocolo do pedido até o efetivo pagamento. Recurso provido." Embargos acolhidos. (Recurso Voluntário 110.734, acórdão 20178670, Relator Conselheiro Sérgio Gomes Velloso, j. 12.09.2005) NORMAS PROCESSUAIS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, aplicandose a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso provido. (Recurso Voluntário n° 131.034, acórdão 20400818, Relator Flávio de Sá Munhoz, j. 05.12.2005) Foi neste último sentido que este Relator veio firmar convencimento, inclusive admitindo a possibilidade de requererse a atualização em pedido subseqüente (Acórdão 20312.003, Processo 13054.000278/200192, j. 25/04/2007). Aliás, a lógica deste raciocínio é a mesma do entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do seguinte caso de ICMS, em que o direito do contribuinte foi postergado pela Administração e pelo próprio Poder Judiciário: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREQUESTIONAMENTO. EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. ICMS. MATÉRIAPRIMA E OUTROS INSUMOS. COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. SUSPENSÃO LIMINAR. CRÉDITO IMPOSSIBILITADO. CONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA POSTERIORMENTE. RETORNO DA SITUAÇÃO AO STATUS QUO ANTE. CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO. 1. Prequestionamento. Ausente o interesse de recorrer, por falta de sucumbência, basta para o atendimento do requisito que a tese jurídica suscitada como causa de pedir tenha sido objeto das contrarazões apresentadas pela parte por ocasião dos recursos de apelação e extraordinário, e também tratada nos embargos de declaração. 2. ICMS. Compensação autorizada pelo artigo 3º da Lei Complementar federal 65/91. Regra legal suspensa liminarmente. Julgamento de mérito superveniente que reconheceu a constitucionalidade do dispositivo (ADI 600, DJ 30/06/95). Efeitos extunc da decisão. 3. Créditos escriturais não realizados no momento adequado por óbice do Fisco, em observância à suspensão cautelar da norma autorizadora. Retorno da situação ao status quo anterior. Garantia de eficácia da lei desde sua edição. Correção monetária devida, sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008568/200862 Acórdão n.º 3403003.358 S3C4T3 Fl. 239 13 4. Atualização monetária que não advém da permissão legal de compensação, mas do impedimento causado pelo Estado para o lançamento na época própria. Hipótese diversa da mera pretensão de corrigirse, sem previsão legal, créditos escriturais do ICMS. Acórdão mantido por fundamentos diversos. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 282120, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, julgado em 15/10/2002, DJ 06122002 PP00075 EMENT VOL 0209402 PP00418) Esta mesma lógica levou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a adotar o mesmo entendimento em relação ao IPI, conforme se confere do seguinte precedente, proferido pela Primeira Seção em caráter de uniformização da jurisprudência das duas Turmas de direito público: TRIBUTÁRIO. IPI. MATERIAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO ISENTO, NÃO TRIBUTADO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA, JÁ QUE O APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS NA ÉPOCA PRÓPRIA FOI IMPEDIDO PELO FISCO. 1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero. 2. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. É forma de se evitar o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da nãocumulatividade. Não teria sentido, ademais, carregar ao contribuinte os ônus que a demora do processo acarreta sobre o valor real do seu crédito escritural. Precedentes do STJ e do STF. 3. Embargos de divergência a que se dá provimento, para autorizar a correção monetária dos créditos escriturais durante o período compreendido entre (a) a data em que o crédito poderia ter sido aproveitado e não o foi por óbice estatal e (b) a data do trânsito em julgado da decisão judicial, que afasta o referido óbice. (EREsp 468926/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/04/2005, DJ 02/05/2005, p. 150) Ocorreu, ainda, em relação especificamente ao IPI, o pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em regime de recurso repetitivo, cujo entendimento foi resumido na seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) O mesmo entendimento foi reiterado no contexto dos créditos presumidos de IPI, também em recurso repetitivo, do qual se transcreve apenas o trecho pertinente da ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008568/200862 Acórdão n.º 3403003.358 S3C4T3 Fl. 240 15 contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) No âmbito do IPI, portanto, a aplicação da correção pela taxa Selic em razão da demora causada pelo Fisco no ressarcimento do direito do contribuinte é matéria definida em recurso repetitivo, pelo STJ, o que exige a reprodução deste mesmo entendimento no âmbito do CARF, por força do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Assim, tem de ser reproduzido neste caso o mesmo entendimento, dandose provimento ao recurso do contribuinte para, reproduzindo o entendimento de mérito firmado em recurso repetitivo pelo STJ, reconhecer ao contribuinte o direito ao valor da atualização, correspondente à taxa Selic acumulada no período transcorrido entre o protocolo do pedido e a data ou (a) em que se concretizou o ressarcimento do principal ou (b) em que houve o aproveitamento por meio de compensação. 4) Conclusão Pelas razões expostas, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito (1) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, e (2) de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data do seu efetivo aproveitamento, ou seja, a data da apresentação da compensação. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10680.013032/2007-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/05/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida.
Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação.
A aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.833
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) reconhecer a decadência até a competência 05/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN; e (ii) determinar o recálculo da multa, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 32-A da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/05/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida. Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. A aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) reconhecer a decadência até a competência 05/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN; e (ii) determinar o recálculo da multa, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 32-A da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida. Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 30 32 /2 00 7- 00 Fl. 859DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 A aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 860 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) reconhecer a decadência até a competência 05/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN; e (ii) determinar o recálculo da multa, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0224.640 – 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração – AI nº 37.044.4965, no montante original de R$ 3.167,28, retificado para R$ 1.015,92. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.044.496 5, Código de Fundamentação Legal – CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP:com aliquota de 1% de RAT, quando seu enquadramento conforme o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é de 2%, no período de 07/1997 a 05/2003. O Relatório Fiscal da Infração: A empresa informou na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP alíquota de 1% de RAT, quando seu enquadramento conforme o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é de 2%, no período de 07/1997 a 05/2003, tendo infringido o disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 6o da Lei 8.212/91. A empresa esta enquadrada na faixa de 500 a 1000 segurados no período para o estabelecimento do limite previsto na tabela do art.32, parágrafo 4o da Lei 8.212/91.Em nenhuma competência o limite foi atingido. Não ficaram configuradas circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3048/99 e nem atenuantes previstas no art. 291 do mesmo Regulamento. Desta forma, o dispositivo legal infringido foi a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 6º, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999. A capitulação da multa aplicada é Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §6°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. III, e art. 373. O Relatório Fiscal de Aplicação da Multa informa que: A empresa informou 53 campos com dados incorretos ou omissos. A multa cabível por cada campo informado incorretamente corresponde a 5% do valor mínimo previsto no art. 283 do Fl. 862DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 861 5 Regulamento da Previdência Social RPS, equivalente a R$1.195,13 (PT_MPS 142 de 11/04/07), conforme dispõe o art. 284, inciso III do RPS e art. 32, parágrafo 6o da Lei 8212/91. 0 valor da multa para cada campo informado incorretamente é de R$59,76. A empresa informo 53 campos com dados incorretos ou omissos, portanto, o valor da multa é de R$3.167,28. O Relatório Fiscal do correlato processo principal nº 10680.013031/200757, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.044.4957, às fls. 376 a 378, com Anexo às fls. 379 a 400, observa que a constituição do crédito previdenciário ocorreu com o fato da Empresa utilizar alíquota de 2% (dois por cento) para a parte da gráfica (FPAS 507) e para os demais setores (FPAS 566) a alíquota de 1% (um por cento). Ademais, a fiscalização acrescenta, ainda, que a atividade fim da empresa é a edição de jornais e que os outros setores são atividades meio para o alcance da atividadefim, sendo assim, só se pode ter um único enquadramento. O Anexo do Relatório Fiscal, do correlato processo principal nº 10680.013031/200757 às fls. 379 a 400, apresenta uma planilha demonstrativa das bases de cálculo por CNPJ, com os seguintes campos: ANO/MÊS; BASE CALCULO; RAT DEVIDO; RAT RECOLHIDO; DIFERENÇA; CNPJ O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09332538F00, além do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, foi de 01/1996 a 08/2006. O período objeto do AI, conforme o Relatório Fiscal da Multa, é de 07/1997 a 05/2003. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 28.06.2007, conforme fls. 01. Contra o contribuinte foram lançados os seguintes créditos previdenciários, na mesma ação fiscal, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF: NFLD n° 37.044.4957, de obrigação principal, relativa diferença de RAT. Auto de Infração n° 37.044.4922 (processo n° 10680.13033/200746), relativo à infringência do artigo 32, IV, § 5 0, Lei n° 8.212 de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 1997,. descumprimento de obrigação acessória — omissão de fato gerador em GFIP. Auto de Infração n° 37.044.4965 (processo n° 10680.013032/2007 00),relativo à infringência do artigo 32, inciso IV, §6. 3, da Lei n.° 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, descumprimento de obrigação acessória — informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP; Fl. 863DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 LDC Lançamento de Débito Confessado n° 37.044.4949; Auto de Infração n° 37.044.4930 confeccionar folhasde pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva. Foram os autos baixados em Diligência Fiscal, às fls. 72 a 75, a fim de que a AuditoriaFiscal se manifestasse a respeito das alegações da Recorrente, além de apresentar: Em face do exposto, os autos deverão ser encaminhados a Auditoria Fiscal para que a mesma manifeste, exclusivamente, quanto ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, apresentado planilha discriminativa, por competência e por estabelecimento, constando a indicação da atividade exercida em cada estabelecimento, a quantidade de segurados e a definição da atividade preponderante naquele mês. Ressalte se que tal diligência visa demonstrar o cumprimento dos dispositivos previstos no art. 86 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cm especial, os seguintes comandos: alínea c do inciso I do §º , bem como o inciso II, e estando cm consonância da determinação prevista no caput do art. 37 da Lei n°8.212, de 1991. A Informação Fiscal prestada pela Auditoria, após a análise das alegações da Recorrente, manteve integralmente o lançamento fiscal efetuado, à exceção da decadência que entendeu ocorrer até a competência 04/2002 em função da Súmula Vinculante 8, STF. Ademais, a Informação Fiscal, assim se apresenta: 1 Não houve correção das faltas. 2 0 período de 01/1999 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008. 3 Quanto ao 2º parágrafo do despacho de fls 74 referente ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, já foi objeto de apreciação no processo DEBCAD n° 37.044.495 7, o qual pela estrita relação da matéria, deverá, preferencialmente, ser julgado em conjunto com o Auto de Infração em referência. O Contribuinte cientificado da Informação Fiscal, se manifestou, em síntese: (i) Que não pode alterar a alíquota de 1% para 2% pois estaria confessando e aceitando a aliquota que entende incorreta. (ii) Apesar do período de 07/1997 a 04/2002, ter sido excluído do débito , em face da decadência, ainda há períodos a serem decotados da exigência fiscal. Como a apuração fiscal é datada de junho de 2007, só poderia ela alcançar créditos posteriores à competência de junho de 2002. Assim, requer a exclusão das competências anteriores a julho de 2002, ou seja, 05/2002 a 06/2002; Fl. 864DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 862 7 (iii) A atividade da autuada é de risco mínimo, ou seja, 1%, excetuando o parque gráfico que é risco 2 — que foi recolhido corretamente conforme constatou a própria fiscalização; (iv) Transcreve doutrina e decisões judiciais, sobre o principio da material, e conclui que cabe a Administração Pública pesquisar, diligenciar, averiguar para buscar a verdade material dos fatos; Após análise dos autos, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, emitiu o Acórdão nº 0224.040, julgando procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2003 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. Constitui infração a legislação previdenciária, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA A decadência devese operar em cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional CTN, em decorrência da Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não é necessário a realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada um dos estabelecimentos da empresa, para efeito do enquadramento no grau de risco, visto que nos termos da legislação previdenciária, devese levar em consideração a atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada a que ocupa, na empresa, o maior número de segurados e trabalhadores avulsos e não de cada estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. Não compete à esfera administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei vigente. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião da extinção do crédito tributário, nas Fl. 865DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 modalidades previstas no artigo 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da divida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o valor o crédito tributário exigido no AI n° 37.044.4965, passando o valor de R$3.167,28 para R$1.015,92 (um mil e quinze reais e noventa e dois centavos),, nos termos do relatório e voto do relator que integram o presente julgado. Não cabe recurso de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pois o valor exonerado encontrase abaixo do limite estabelecido na Portaria n° 03, de 03 de janeiro de 2008 publicada no DOU de 07 de janeiro de 2008. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1° da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo artigo 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. ik Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão e demais providências, observando o requerido na defesa, fls.47148, para que sejam cientificados os procuradores da impugnante, domiciliados nesta capital, na Rua São Paulo, 1.781, 9° andar, Bairro Lourdes, CEP 30.170.132 Ademais, o Acórdão da decisão de primeira instância, decidiu às fls. 123, pelo reconhecimento da decadência até a competência 12/2001, inclusive, com base no art. 173, I, CTN: Isso posto, o dispositivo legal a ser aplicado no tocante à decadência é o previsto no artigo 173, inciso I, do CTN. Para a contagem do prazo, temse que para a competência janeiro de 2001, o primeiro dia do exer:,icio seguinte é 01/01/2002, contados os cinco anos, o prazo decadencial expirou em 31/12/2006, considerandose, assim, decaidas todas as infrações, relativas ao período de janeiro de 1999 a dezembro de 2001, em observância ao enunciado da Súmula Vinculante n° 8, de 20 de junho de 2008, do STF e Nota PGFN/CAT n° 856, de 2008. que foi editada para explicitação do Parecer PGFNC/CAT n° 1617 de 2003. Em relação ao período não atingido pela decadência, ou seja, 01/2002 a 05/2003, passo a expor as razões que devem manter a exigência no que se refere a essa parte do presente Auto de Infração. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 863 9 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, na qual alega em síntese que: (i) decadência dos débitos e multas aplicadas entre 05/2002 e 06/2002; (ii) não ser possível fazer um único enquadramento das atividades desenvolvidas pela empresa pois possui diversos estabelecimentos com endereços distintos e atividades diferentes. (iii) O CNAE referente à Edição de jornais é o 58123/00 com grau de risco 1%, conforme o Decreto 6.042/12.02.2007; (iv) o código FPAS 507 é para as Atividades de oficina gráfica de empresa jornalística e o código FPAS 566 é para as atividades de escritórios, comunicações e empresa jornalística. (v) Que a aliquota de contribuição do SAT deve corresponder ao grau de risco aferido em cada estabelecimento identificado por seu CNPJ, e não em relação à. empresa como um todo. Colaciona jurisprudência dominante do STJ para respaldar seu entendimento. (vi) A decisão manteve o entendimento de enquadrar as atividades do estabelecimento principal MATRIZ (REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA) no grau de risco 2. Insta esclarecer que a impressão de jornais é efetuada no parque gráfico estabelecido na Av. Nossa Senhora de Fátima, 1945 BH/MG com CNPJ n. 19.207.588/000349 todos os demais estabelecimentos dedicamse a atividade de REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA, escritórios de contatos e serviços administrativos. Ora, sabese que a edição de jornais enquadrase na Classificação Nacional de Atividades Econômicas, na (Decreto 6.042/07): CNAE 58123/00 Edição de jornais = 1% CNAE 58221/00 Edição integrada à impressão de jornais = 1% Repetindo as atividades exercidas no principal estabelecimento da autuada MATRIZ é a REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA. O único estabelecimento que tinha o risco 2 é o parque gráfico gráfico estabelecido na Av. Nossa Senhora de Fátima, 1945 BH/MG com CNPJ n. 19.207.588/000349 todos os demais estabelecimentos do grau de risco é 1. (Com a edição do Decreto 6.042/07 o parque gráfico ficou com grau de risco 1). (vii) A par disso, o STJ editou a SÚMULA 351, com o seguinte teor: Fl. 867DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 A aliquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. (viii) Nulidade porque foi indeferida a perícia na decisão de primeira instância. (ix) A necessidade de realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada estabelecimento, indicando assistente técnico e apresentando quesitos; (x) Que inexiste possibilidade da cobrança da multa de mora por seu efeito confiscatório, caracterizando desvio de finalidade, o que é vedado pelo inciso IV do art. 150 da CF/88, conforme jurisprudências colacionadas e doutrinas relativas à matéria. (xi) Que deve ser aplicada uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada, sendo esse o entendimento da SRFB, inclusive havendo tal previsão no Regulamento do IPI e em consonância com a jurisprudência administrativa; Posteriormente, esta Colenda Turma de Julgamento baixou os autos em Diligência Fiscal, pois observou restar fixada nos autos uma controvérsia a respeito de que, em que pese a Informação Fiscal emitida e a decisão de primeira instância terem mantido integralmente o lançamento fiscal, à exceção da decadência até a competência 12/2001 inclusive, ainda restam alguns pontos a serem esclarecidos em relação à atividade preponderante da Recorrente a fim de que se possa efetivar o julgamento deste processo. A Diligência Fiscal foi determinada nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a autoridade fiscal competente pelo lançamento deste AI disponibilize, em um Relatório Fiscal Complementar, o qual após deverá ser dada ciência à Recorrente do resultado da diligência como exigência jurídico procedimental, com vistas ao direito do contraditório e da ampla defesa.: (a) Em cada competência, a definição de qual é a atividade preponderante da Empresa e quais as funções exercidas se adequam à atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos da Empresa, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. (b) A necessidade de planilha única discriminativa contendo todos os estabelecimentos da Recorrente, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a Auditoria Fiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. Esta planilha única discriminativa deve apresentar: (1) em cada competência, (2) o estabelecimento, (3) a atividade exercida, (4) a quantidade de segurados naquela atividade exercida; Fl. 868DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 864 11 no total de cada competência: (5) a definição da atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos, naquela competência. (c) Se a AuditoriaFiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque gráfico, FPAS 507, é o estabelecimento de CNPJ 19.207.588/000349, conforme o alegado pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 583. (d) A quantidade total de empregados em cada estabelecimento, entre as competências 06/2002 até 08/2006. A AuditoriaFiscal, no Termo de Informação Fiscal, às fls. 852 a 853, informa que foi elaborado o Relatório Fiscal Complementar, atendidas as requisições de informação da Diligência Fiscal e mantido o lançamento fiscal: 1 – Em atendimento à diligência solicitada conforme Resolução nº 2403000.131 –4ª Câmara /3ª Turma Ordinária, do conselho administrativo de Recursos Fiscais –CARFO/MF de 23/02/2013, temos a pronunciar o que se segue. 2 – A solicitação constante da Resolução acima mencionada já foi objeto de pronunciamento do processo 10680.013031/2007 57) em que a fiscalização solicitou junto à empresa acima citada, diversos documentos através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (cópia anexa), entre eles, Folhas de Pagamento e uma Planilha, em excell, compreendendo o período de 06/2002 a 08/2006, contemplando as informações, nome do segurado, função exercida, atividade fim do estabelecimento e o número de segurados na atividade fim do estabelecimento. 3 – Os documentos apresentados foram devidamente validados e autenticados através do Sistema de Autenticação e Validação de Arquivos Digitais – SVA, conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais 1, 2 e 3, cujas cópias foram anexadas ao presente processo. 4 – A partir da documentação apresentada, foi feito um confronto, por amostragem, da planilha apresentada das folhas de pagamento e, posteriormente, elaboradas duas planilhas (cópias anexas ao presente processo): 4.1 – Anexo 1, com as informações: competência, nome do segurado, cargo CNPJ e o enquadramento, na atividade fim ou não, do segurado de acordo com seu cargo ( para os segurados enquadrados na atividade fim – código 1 e, para os segurados enquadrados em outras atividades – código 0) 4.2 – Anexo 2 , com as informações: competência, CNPJ, atividade exercida, quantidade de segurados na atividade exercida e quantidade total de empregado. 5 – Para a definição da atividade preponderante a fiscalização utilizou como fundamento o teor do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011, o qual, em suma, determina que a cobrança do SAT/RAT dever ser feita levandose em consideração o grau de Fl. 869DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio. 6 – Salientamos que, baseado na informação dada pelo contribuinte (conforme cópia anexa), o estabelecimento dedicado ao parque gráfico é o que possui o CNPJ: 19.207.588/000349 e que constituise na atividade preponderante. 7 Quanto à informação relativa ao “número de segurados na atividade fim do estabelecimento” foi elaborada uma planilha “anexo 3” na qual informamos o número total de segurados, por competência e cuja cópia faz parte do presente Relatório Fiscal Complementar. 8 – Fica concedido o prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste Relatório Fiscal Complementar, para que, havendo interesse em manifestar sobre os novos cálculos, que deverá ser protocolizado na UA DRF BELO HORIZONTECAC, localizada na Rua Levindo Lopes, 357 Térreo, Bairro: Savassi CEP 30.140.170 Belo Horizonte/MG, devendo ser feita uma para cada Auto de Infração, citando o número do respectivo protocolo. O contribuinte devidamente intimado, não apresentou Manifestação. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 865 13 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Inconstitucionalidades Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 871DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.044.496 5, Código de Fundamentação Legal – CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP:com aliquota de 1% de RAT, quando seu enquadramento conforme o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é de 2%, no período de 07/1997 a 05/2003. Desta forma, o dispositivo legal infringido foi a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 6º, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999. A capitulação da multa aplicada é Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §6°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. III, e art. 373. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.044.4965 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do Fl. 872DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 866 15 art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (...) III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 873DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte Fl. 874DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 867 17 para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; b. VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não prosperando as alegações da Recorrente. DA DECADÊNCIA (i) decadência dos débitos e multas aplicadas entre 05/2002 e 06/2002; Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, Fl. 875DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão Fl. 876DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 868 19 competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na Fl. 877DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Desta forma, devese cotejar o presente AI nº. 37.044.4965, CFL 69, com o correlato processo principal NFLD nº 37.044.4957, Processo nº 10680.013031/200757. Na hipótese dos autos do correlato processo principal NFLD nº 37.044.4957, Processo nº 10680.013031/200757, às fls. 518, a decisão de primeira instância mostra que o contribuinte informou em GFIP a alíquota de um por cento para a contribuição do RAT e efetuou o recolhimento com essa alíquota: Para o crédito relativo ao período de janeiro de 2002 a agosto de 2006, por se tratar de diferença de contribuição para o RAT, ou seja, o contribuinte informou em GFIP a alíquota de um por cento e efetuou o pagamento com essa alíquota quando o correto era 2%, em face do reenquadramento procedido na auditoria fiscal, o dispositivo legal a ser considerado para contagem do prazo de decadência há de ser o artigo 150, §4° do CTN. Assim, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo ao período de janeiro de 2002 a maio de 2002, restou decaído, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento somente em 28 de junho de 2007 (fls.01). Portanto, estes recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social GPS, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, bem como na Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Temos que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 28.06.2007 e as competências objeto do lançamento são 07/1997 a 05/2003. Constatase então que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 05/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 869 21 NO MÉRITO. (ii) não ser possível fazer um único enquadramento das atividades desenvolvidas pela empresa pois possui diversos estabelecimentos com endereços distintos e atividades diferentes. (iii) O CNAE referente à Edição de jornais é o 58123/00 com grau de risco 1%, conforme o Decreto 6.042/12.02.2007; (iv) o código FPAS 507 é para as Atividades de oficina gráfica de empresa jornalística e o código FPAS 566 é para as atividades de escritórios, comunicações e empresa jornalística. (v) Que a alíquota de contribuição do SAT deve corresponder ao grau de risco aferido em cada estabelecimento identificado por seu CNPJ, e não em relação à. empresa como um todo. Colaciona jurisprudência dominante do STJ para respaldar seu entendimento. (vi) A decisão manteve o entendimento de enquadrar as atividades do estabelecimento principal MATRIZ (REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA) no grau de risco 2. (vii) A par disso, o STJ editou a SÚMULA 351, com o seguinte teor: A aliquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Analisemos conjuntamente os itens (ii) a (vii). Esta Colenda Turma de Julgamento baixou os autos em Diligência Fiscal, pois observou restar fixada nos autos uma controvérsia a respeito de que, em que pese a Informação Fiscal emitida e a decisão de primeira instância terem mantido integralmente o lançamento fiscal, à exceção da decadência até a competência 12/2001 inclusive, ainda restavam alguns pontos a serem esclarecidos em relação à atividade preponderante da Recorrente a fim de que se possa efetivar o julgamento deste processo. A Diligência Fiscal foi determinada nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a autoridade fiscal competente pelo lançamento deste AI disponibilize, em um Relatório Fiscal Complementar, o qual após deverá ser dada ciência à Recorrente do resultado da diligência como exigência jurídico procedimental, com vistas ao direito do contraditório e da ampla defesa.: Fl. 879DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 (a) Em cada competência, a definição de qual é a atividade preponderante da Empresa e quais as funções exercidas se adequam à atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos da Empresa, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. (b) A necessidade de planilha única discriminativa contendo todos os estabelecimentos da Recorrente, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a Auditoria Fiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. Esta planilha única discriminativa deve apresentar: (1) em cada competência, (2) o estabelecimento, (3) a atividade exercida, (4) a quantidade de segurados naquela atividade exercida; no total de cada competência: (5) a definição da atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos, naquela competência. (c) Se a AuditoriaFiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque gráfico, FPAS 507, é o estabelecimento de CNPJ 19.207.588/000349, conforme o alegado pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 583. (d) A quantidade total de empregados em cada estabelecimento, entre as competências 06/2002 até 08/2006. A AuditoriaFiscal, no Termo de Informação Fiscal, às fls. 852 a 853, informa que foi elaborado o Relatório Fiscal Complementar, atendidas as requisições de informação da Diligência Fiscal e mantido o lançamento fiscal: 1 – Em atendimento à diligência solicitada conforme Resolução nº 2403000.131 –4ª Câmara /3ª Turma Ordinária, do conselho administrativo de Recursos Fiscais –CARFO/MF de 23/02/2013, temos a pronunciar o que se segue. 2 – A solicitação constante da Resolução acima mencionada já foi objeto de pronunciamento do processo 10680.013031/2007 57) em que a fiscalização solicitou junto à empresa acima citada, diversos documentos através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (cópia anexa), entre eles, Folhas de Pagamento e uma Planilha, em excell, compreendendo o período de 06/2002 a 08/2006, contemplando as informações, nome do segurado, função exercida, atividade fim do estabelecimento e o número de segurados na atividade fim do estabelecimento. 3 – Os documentos apresentados foram devidamente validados e autenticados através do Sistema de Autenticação e Validação de Arquivos Digitais – SVA, conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais 1, 2 e 3, cujas cópias foram anexadas ao presente processo. 4 – A partir da documentação apresentada, foi feito um confronto, por amostragem, da planilha apresentada das folhas Fl. 880DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 870 23 de pagamento e, posteriormente, elaboradas duas planilhas (cópias anexas ao presente processo): 4.1 – Anexo 1, com as informações: competência, nome do segurado, cargo CNPJ e o enquadramento, na atividade fim ou não, do segurado de acordo com seu cargo ( para os segurados enquadrados na atividade fim – código 1 e, para os segurados enquadrados em outras atividades – código 0) 4.2 – Anexo 2 , com as informações: competência, CNPJ, atividade exercida, quantidade de segurados na atividade exercida e quantidade total de empregado. 5 – Para a definição da atividade preponderante a fiscalização utilizou como fundamento o teor do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011, o qual, em suma, determina que a cobrança do SAT/RAT dever ser feita levandose em consideração o grau de risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio. 6 – Salientamos que, baseado na informação dada pelo contribuinte (conforme cópia anexa), o estabelecimento dedicado ao parque gráfico é o que possui o CNPJ: 19.207.588/000349 e que constituise na atividade preponderante. 7 Quanto à informação relativa ao “número de segurados na atividade fim do estabelecimento” foi elaborada uma planilha “anexo 3” na qual informamos o número total de segurados, por competência e cuja cópia faz parte do presente Relatório Fiscal Complementar. 8 – Fica concedido o prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste Relatório Fiscal Complementar, para que, havendo interesse em manifestar sobre os novos cálculos, que deverá ser protocolizado na UA DRF BELO HORIZONTECAC, localizada na Rua Levindo Lopes, 357 Térreo, Bairro: Savassi CEP 30.140.170 Belo Horizonte/MG, devendo ser feita uma para cada Auto de Infração, citando o número do respectivo protocolo. Portanto, a AuditoriaFiscal, no Relatório Fiscal Complementar e em seus Anexos, determinou em cada competência, por estabelecimento distinto: os segurados, a atividade exercida, a quantidade de segurados naquela atividade exercida e a atividade preponderante correspondente. Com isso, o Relatório Fiscal Complementar ao efetivar a discriminação da aplicação da alíquota de contribuição ao SAT em cada estabelecimento da Recorrente, atendeu ao disposto na Súmula STJ 351, bem como ao Ato Declaratório PGFN 11/2011: STJ Súmula 351 A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 PGFN ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /2011: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Por outro lado, observase que nos itens (ii) a (vii) a Recorrente repete a mesma linha de argumentação utilizada em Sede de Impugnação, de modo a que não apresenta argumento novo em sede de Recurso Voluntário. Ainda assim, temse que considerar que os itens (ii) a (vii) da linha de argumentação da Recorrente, relativos ao enquadramento na atividade preponderante e à conseqüente aferição da alíquota da contribuição ao SAT, se referem à matérias de fato e de direito que foram amplamente analisadas e debatidas em sede de julgamento de primeira instância, com a Requisição de Diligência Fiscal, bem como na nova solicitação de Diligência Fiscal feita por esta Colenda Turma de Julgamento do CARF. Cabe observar que a autuação do correlato processo principal NFLD n º 37.044.4957 se refere exclusivamente à cobrança de diferenças de alíquotas SAT/RAT, enquanto que, por outro lado, não constante desta autuação, as entidades ou fundos Terceiros para os quais a Recorrente contribui são definidas em função de sua atividade econômica, sendo que as alíquotas são identificadas mediante o enquadramento desta na Tabela de Alíquotas de acordo com o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS. Neste sentido, no correlato processo principal NFLD n º 37.044.4957,às fls. 474, na Informação Fiscal elaborada a partir da Requisição de Diligência Fiscal em sede de julgamento de primeira instância observase que a AuditoriaFiscal mantém o enquadramento de FPAS e da alíquota de contribuição ao SAT em 2%, com exceção do setor de gráfica que não entrou no levantamento realizado: 3 Na análise da planilha 2, podemos constatar que quase todas as atividades exercidas são em função de edição e impressão de jornais com os serviços administrativos necessários ao desenvolvimento e alcance do objetivo social da empresa. Esclarecemos que o setor da gráfica não consta das planilhas, devido estar utilizando a alíquota correta 4 Ressaltamos que o objeto social da empresa, conforme o artigo 2° do Estatuto Social, As págs 428, é a exploração de atividades gráfico industriais, edição de livros, revistas e jornais. 5 As atividades acima enquadram a empresa no CNAE — Classificação Nacional de Atividade Econômica no grau de risco Fl. 882DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 871 25 2. Tanto na edição, quanto na impressão o grau de risco é o mesmo, conforme Anexo I do ROCCS aprovado pelo Decreto 2.173/97 e Anexo V do RPS aprovado pelo Decreto 3048/99, cujos códigos discriminamos abaixo : CNAE ATIVIDADES GRAUS DE RISCO 22.110 — Edição; edição e impressão de jornais 2 22.128 — Edição; edição e impressão de revistas 2 22.136— Edição; edição e impressão de livros 2 22.195 — Edição;edição e impressão de outros Produtos gráficos 2 22.217 — Impressão de jornais, revistas e livros 2 Igualmente, às fls. 852 a 853, no Relatório Fiscal Complementar elaborado a partir da Requisição de Diligência Fiscal feita por esta Colenda Turma de Julgamento do CARF, observase que a AuditoriaFiscal mantém o enquadramento de FPAS e da alíquota de contribuição ao SAT em 2% para todos os estabelecimentos da Recorrente que constaram no levantamento: 4 – A partir da documentação apresentada, foi feito um confronto, por amostragem, da planilha apresentada das folhas de pagamento e, posteriormente, elaboradas duas planilhas (cópias anexas ao presente processo): 4.1 – Anexo 1, com as informações: competência, nome do segurado, cargo CNPJ e o enquadramento, na atividade fim ou não, do segurado de acordo com seu cargo ( para os segurados enquadrados na atividade fim – código 1 e, para os segurados enquadrados em outras atividades – código 0) 4.2 – Anexo 2 , com as informações: competência, CNPJ, atividade exercida, quantidade de segurados na atividade exercida e quantidade total de empregado. 5 – Para a definição da atividade preponderante a fiscalização utilizou como fundamento o teor do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011, o qual, em suma, determina que a cobrança do SAT/RAT dever ser feita levandose em consideração o grau de risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio. 6 – Salientamos que, baseado na informação dada pelo contribuinte (conforme cópia anexa), o estabelecimento dedicado ao parque gráfico é o que possui o CNPJ: 19.207.588/000349 e que constituise na atividade preponderante. 7 Quanto à informação relativa ao “número de segurados na atividade fim do estabelecimento” foi elaborada uma planilha “anexo 3” na qual informamos o número total de segurados, por competência e cuja cópia faz parte do presente Relatório Fiscal Complementar. Desta forma, em função dos argumentos (ii) a (vii) da Recorrente terem sido debatidos tanto em sede de decisão de primeira instância quanto em sede de Diligência Fiscal Fl. 883DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 requerida por esta Colenda Turma de Julgamento do CARF, concordo com a decisão do julgamento de primeira instância no sentido de se manter a tributação. (viii) Nulidade porque foi indeferida a perícia na decisão de primeira instância. (ix) A necessidade de realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada estabelecimento, indicando assistente técnico e apresentando quesitos; Analisemos os itens (viii) e (ix) conjuntamente. Observo que houve Solicitação de Diligência por parte do órgão julgador de primeira instância, bem como a conversão do processo em Diligência determinado por esta Colenda Turma de Julgamento do CARF. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Perícia pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do Processo administrativotributário, conforme o disposto no art. 18, Decreto 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (x) Que inexiste possibilidade da cobrança da multa de mora por seu efeito confiscatório, caracterizando desvio de finalidade, o que é vedado pelo inciso IV do art. 150 da CF/88, conforme jurisprudências colacionadas e doutrinas relativas à matéria. (xi) Que deve ser aplicada uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada, sendo esse o entendimento da SRFB, inclusive havendo tal previsão no Regulamento do IPI e em consonância com a jurisprudência administrativa; Analisemos. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 124, na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 32, § 6º, da Lei n° 8.212/1991, ou seja, a apresentação da GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa: Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 884DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 872 27 (...) § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo:(Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (..) § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Decisão de primeira instância, às fls.124: No que tange à multa aplicada neste Auto de Infração, cabe ressaltar que esta se deu nos termos do artigo 32, § 6.° da Lei n.° 8.212 de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528 de 1997 e artigos 284, inciso III e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 1999 e Portaria MPS n° 142, de 11 de abril de 2007. Portanto, não pode ser acolhido os argumentos aduzidos pela impugnante de que a mesma é confiscatória, pois não cabe à autoridade administrativa dispensar ou reduzir pagamentos de contribuições ou de penalidades, uma vez que o seu ato é vinculado, cabendo tão somente cumprir e exigir o cumprimento da Lei. Ademais, no tópico (B) da regularidade do lançamento concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Neste ponto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (C) Da retroatividade mais benéfica cálculo da multa Analisemos. A questão de fundo se reflete no cálculo da multa, daí ser necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.044.4965, o dispositivo legal infringido foi a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 6º, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Acórdão n.º 2403002.833 S2C4T3 Fl. 873 29 A capitulação da multa aplicada é Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §6°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. III, e art. 373. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 6º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (i) reconhecer a decadência até a competência 05/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; e (ii) determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 887DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.000098/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-001.335
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, vencido o Conselheiro Marcelo Baeta Ipollito que dava efeitos infringentes aos embargos para considerar como custos os três cheques do Itaú, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcelo Baeta Ipollito e Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, vencido o Conselheiro Marcelo Baeta Ipollito que dava efeitos infringentes aos embargos para considerar como custos os três cheques do Itaú, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcelo Baeta Ipollito e Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 98 /2 00 7- 13 Fl. 3327DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega erro de fato, obscuridade e omissão no Acórdão nº 140100.405, proferidos por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF que julgou o recurso voluntário, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. AUTONOMIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E CRIMINAL. Não interfere no processo fiscal o procedimento criminal, seguindo, ambos o seu curso normal, de forma independente, até o desfecho final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. RECEBIMENTOS SEM CAUSA. Considerase omissão de receita a entrada de recursos do exterior, quando não comprovada a causa do recebimento e nem efetuada a sua devolução. INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS. Provado por robusta prova indiciária que a distribuição de combustível foi desviada para o mercado interno, sem a emissão de documentos fiscais, caracterizado está a omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA. PROVA. Provado nos autos que parte da omissão de receita não ocorreu, cancelase em parte o lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C. A multa de ofício de 75% e os juros de mora equivalentes à taxa SELIC encontram amparo na legislação. MULTA QUALIFICADA. Fl. 3328DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 1401001.335 S1C4T1 Fl. 3 3 É cabível a multa qualificada de 150%, quando comprovado que o interessado omitiu escrituração de receitas, visando impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Não compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. É cabível lançamento da contribuição, relativamente à mercadoria não exportada adquirida com isenção. VALOR DEVIDO. DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE. Somente nos casos previstos em lei, podese deduzir a CIDE paga do valor da COFINS devida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. É cabível lançamento da contribuição, relativamente à mercadoria não exportada adquirida com isenção. VALOR DEVIDO. DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE. Somente nos casos previstos em lei, podese deduzir a CIDE paga do valor do PIS devido. O resultado de julgamento restou assim assentado: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo do IRPJ e seus reflexos a receita referente a venda sem nota fiscal de 1.242.335,88 (um milhão, duzentos e quarenta e dois mil, trezentos e trinta e cinco litros e 88 centésimos) litros de gasolina. Fará declaração de voto o conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. A embargante aponta três omissões no Acórdão embargado: (a) pela ausência de consideração, para a apuração da base de cálculo dos tributos devidos em decorrência da suposta venda do combustível no mercado interno, dos custos então incorridos com a operação. Em sede de memorial complementou esse ponto da seguinte forma: Fl. 3329DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 “(...) Às fls. 1783/1789 a Refinaria de Petróleo de Manguinhos reconheceu ter recebido da Embargante os valores correspondentes ao custo das mercadorias vendidas que, a rigor, seriam exportadas. São dezessete pagamentos de 03/05 a 03/06 de 2002, compostos por três cheques de emissão da Embargante e quatorze depósitos em dinheiro, totalizando a quantia de R$4.995.882,50. (...) (b) pela ausência de consideração, no que tange ao suposto recebimento sem causa, dos fatos (i) de que a gasolina fora extraviada, impedindo assim a exportação; (ii) de que a multa aplicada pelo BACEN atrai efeitos apenas na esfera cambial; e (iii) de que houve o registro contábil dessa operação (c) pela ausência de analise da necessidade do envio da mercadoria diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado como requisito para a operação de venda da gasolina com a isenção da Contribuição ao PIS e da COFINS; É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Como se relatou, apontouse três supostos vícios. A princípio cabe esclarecer que a via dos embargos de declaratório é notoriamente estreita e o embargante a trata como um via bastante larga. Todos os pontos onde foram atribuídos vícios pela embargante foram minuciosamente tratados pelo Acórdão embargado, abrindose tópicos específicos para fundamentar cada uma das matérias envolvidas. Cabe também esclarecer que o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas como imagina a embargante, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto. O livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Observese, a propósito, a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Ministro do STF Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497: “Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só Fl. 3330DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 1401001.335 S1C4T1 Fl. 4 5 estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nesse sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: (...) 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. (...)Resp nº 394.768/DF, DJ 01/07/2002, pág. 247) 1. Inexiste violação ao art. 535, I e II do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. (...) AG Resp nº 109.122/PR, DJ 08/09/2003, p. 263.” Muito embora o que foi dito acima resguarde o julgador de atingir uma completude absoluta no deslinde da matéria, nem isso precisava aqui ser utilizado. Isso porque a Embargante denomina de “ausência de consideração”, na verdade quer significar outra cosia, quer significar a “consideração” que ela esperava encontrar no voto, ou seja, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. O primeiro ponto, diz respeito a uma suposta omissão do Acórdão em relação ao trato da apuração da base de cálculo, “em decorrência da suposta venda do combustível no mercado interno, dos custos então incorridos com a operação”. Ora, em primeiro lugar o ponto em questão não era matéria contestada em sede de defesa, motivo pelo qual não precisava nem de longe ser abordado, pois seria uma matéria preclusa. Outrossim, apenas para esclarecimento, o TVF dá conta de esclarecer a dúvida colocada pela Embargante: (...)Thork distribuiu combustível no mercado interno sem a emissão de notas fiscais como exposto no item 3.3 e não houve o registro contábil da operação de venda das mercadorias distribuídas internamente, gerando em conseqüência redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme base de cálculo demonstrada na tabela anexa, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos. Enquadramento Legal: Artigo 24 da Lei n.° 9249, de 26/12/95, art. 2.° da Lei 8846, de 21/01/94, e artigos: 283. 288 e 528 do Decreto n.° 3000, de 26/03/99 (Regulamento do Imposto de Renda). (...) Fl. 3331DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Como se vê, foi constatado omissão de direta de Receitas e foi considerada a base de cálculo reconstituída com essa omissão com base no regime de tributação adotado (lucro real) ex vi, artigo 24 da Lei n.° 9249, de 26/12/95. No lucro real, se esperase que todos os custos já estejam contabilizados, sendo ônus da prova do contribuinte qualquer situação diferente dessa, o que não foi o caso. Ademais, quando se assume o risco de omitir receitas e simultaneamente custos, a outra conseqüência disso é estar sujeito também ao risco de não ver seus custos ressarcidos, justamente porque ficou à margem da contabilidade. E em sede extremamente estreita de embargos, não há espaço para dilação probatória e refazimento da contabilidade. Também há aqui uma contradição nesse argumento trazido em sede de embargos, no que concerne aos depósitos, pois em sede recursal ela não admitia a autoria dos depósitos feitos em dinheiro, alegava que foi feito por terceiros em nome dela e agora ela quer que se considere esses pagamentos como custo contábil. É que ela pretende em duas situações defender situações antagônicas. Primeiro em sede recursal que não houve destinação diversa da mercadoria para o mercado interno e agora, que houve, sim, e que ao lado da omissão se tem custo. Por fim, em relação aos três cheques do Bradesco onde a Embargante de fato admite os pagamentos à Usina Manguinhos, cabe salientar que além de permanecer o obstáculo de o custo não ter sido contabilizado, não importando o porquê, conforme Acórdão embargado essa vinculação entre os cheques e o custo não é direta, isso porque a causa dos recebimentos não foram demonstradas. Ora, em se admitindo isso como custo, a causa teria sido demonstrada e assim a infração “recebimento sem causa” não teria sua razão de ser. Mas isso implica em rediscutir toda a matéria atinente a essa infração! A propósito dessa falta de vinculação, o voto condutor assim tratou dessa matéria: (....) Quanto à escrituração dos valores recebidos do exterior, embora alegue, não traz aos autos documentos relativos à contabilização da operação. Cabe salientar, entretanto, que os lançamentos contábeis da operação, tal como informado pela Recorrente registram fatos permutativos (contas patrimoniais), não envolvendo qualquer conta de resultado;• que não afasta a infração ora imputada: falta de registro de receita. Ademais, a contabilização aduzida pela Recorrente levanta mais suspeitas ainda em relação o seu modus operandis. É que o crédito no passivo na conta Adiantamento de Clientes em contra partida à conta Caixa, não poderia ser desfeita com a saída de caixa para fins de compra do combustível da Usina Manguinhos, pois esse fato contábil deveria apenas registrar uma permutação entre ativos: saída caixa e entrada mercadoria no estoque. Logo, não poderia baixar a conta de passivo que ainda deveria permanecer credora, afinal quando desse evento, o Importador ainda não teria recebido a mercadoria importada. Em suma, tendo em vista que o interessado não realizou a exportação, não devolveu os recursos ao importador, nem procedeu à alteração, junto ao Banco Central, da finalidade do recebimento::dos recursos, a causa do recebimento não restou comprovada, agiu corretamente a autoridade lançadora ao considerar como receita tributável ("outras receitas recebidas” o montante oriundo do exterior. Portanto, rejeito essa omissão. Segundo ponto: (b) pela ausência de consideração, no que tange ao suposto recebimento sem causa, dos fatos (i) de que a gasolina fora extraviada, impedindo assim a exportação; (ii) de que a multa aplicada pelo BACEN atrai efeitos apenas na esfera cambial; e (iii) de que houve o registro contábil dessa operação. Fl. 3332DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 1401001.335 S1C4T1 Fl. 5 7 Nesse ponto, não vou nem me dar ao trabalho de transcrever as partes do voto que trataram dessa questão. Mais fácil transcrever trecho dos próprios embargos onde ficará claro que não foi apontado nenhuma omissão ou contradição no voto, mas tão somente inconformismos: A autuação fiscal consignou entendimento no sentido de que teria havido omissão de receitas por parte da Embargante em razão do recebimento de valores do exterior sem que na sequência tivesse havido exportação de mercadoria ou a devolução do numerário, alem de ter considerado a operação como não contabilizada. Em sua impugnação a Embargante explicou que os montantes recebidos do exterior foram utilizados para a aquisição de gasolina junto a Refinaria de Petróleo Manguinhos, o que impediu a devolução dos recursos ao importador boliviano, não havendo a exportação em razão do extravio da mercadoria, bem como que a operação foi devidamente contabilizada, conforme comprovou a copia do livro razão acostada aos autos na ocasião. Por meio do v. Acórdão n° 140100.405 a autuação fiscal foi mantida ao argumento de que o repasse dos valores recebidos à Refinaria de Petróleo Manguinhos não justifica a causa do recebimento dos recursos do exterior, em razão da ausência de exportação das mercadorias ou a devolução do numerário ao exterior. Impõese o esclarecimento, assim, do entendimento adotado no v. acórdão embargado segundo o qual o ato de "permutar dinheiro por rnercadoria", aduzido as fls. 19 da decisão, corresponde a outra operação que não a de compra da gasolina, o que logicamente afasta a dedução do recebimento sem causa. Portanto, se a Embargante comprou e pagou pela rnercadoria posteriormente furtada, corno pode ser entendido que tenha recebido recursos da Cambra "sem causa"? O v. Acórdão embargado consignou que a Embargante não trouxe aos autos documentos relativos a correspondente contabilização, bem como que a argumentação tecida nas suas pecas de defesa acerca desse mesmo tema estariam equivocadas, pois não envolvem qualquer conta de resultado. Apenas esclareço, que o fato de ter sido contabilizado algo na contabilidade sem lastro e sem outros documentos hábeis e idôneos não é garantia de veracidade de uma operação. Outrossim, quando o Acórdão se preocupa em apontar a falta de contabilização na conta de resultado, apenas quer garantir que a omissão de receitas que está sendo lançada não foi de alguma forma já oferecida à tributação, apenas isso. Por fim, certo ou errado o Acórdão embargado, tratase de uma questão de direito assentada pelo colegiado e que não pode ser mais modificada na via estreita que são os embargos declaratórios. Portanto, afasto também essas omissões apontadas. No terceiro vício apontado pela Embargante: suposta ausência de analise da necessidade do envio da mercadoria diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado como requisito para a operação de venda da gasolina com a isenção da Contribuição ao PIS e da COFINS; No que concernente ao terceiro vício apontado, também não merece maior sorte a embargante. Em primeiro lugar, a Embargante não aponta especificamente que omissão Fl. 3333DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 seria essa. Não verdade, pelo relato dos embargos fica bem claro que a ela na verdade entendeu perfeitamente os fundamentos do voto embargado e trata apenas de tentar combatêlo novamente, com os mesmo argumentos recursais, dessa feita por essa via bem mais estreita. Apenas para ilustrar melhor o que afirmo, segue abaixo trecho de parte da decisão que aborda com clareza essa matéria: (...)Isenção do PIS e COFINS Conforme relatado, durante a auditoria realizada, foi constatado que a fiscalizada adquiriu a mercadoria objeto dos Adiantamentos de Contrato de Câmbio (Gasolina A com Marcador) com isenção das Contribuições de Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e do Programa de Integração Social (PIS), por tratarse de produto com o fim específico de exportação para o exterior. No entanto, a exportação não foi realizada, fato confirmado pela própria Recorrente. Em sua defesa, o interessado afirmou que a exportação não ocorreu, em virtude de as mercadorias terem sido extraviadas pelas armazenadoras Álamo Distribuidora de Derivativos de Petróleo Ltda e Exxel Brasileira de Petróleo Ltda e que, em função do ocorrido, propôs ações cíveis contra as referidas empresas visando à busca e apreensão de combustível (fls. 1.632/1.646e 1.761/1.763e 1.76671.777). A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituída pela Lei complementar n.° 70, de 1991, que incide sobre o faturamento mensal isenta as vendas realizadas diretamente ao exterior pelo exportador e pelas empresas comerciais exportadoras ou empresas exclusivamente exportadoras. Contudo, para a fruição do benefício, tornase necessário que a venda tenha fim único de exportação e não estando comprovada a destinação ao exterior das mercadorias adquiridas pela Thork, não cabe o locupletamento da isenção da Cofins. Descaracterizada a exportação, a empresa fica obrigada ao pagamento das contribuições não recolhidas, incidentes sobre o valor de aquisição dos produtos adquiridos e não exportados conforme art. 89 inciso I do Decreto 4.524/2002. A mesma base legal aplicase ao Pis. Art. 89. A empresa comercial exportadora que utilizar ou revender no mercado interno produtos adquiridos com o fim específico de exportação, ou que no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa vendedora, não efetuar a exportação dos referidos produtos para o exterior, fica obrigada, cumulativamente, ao pagamento (Lei nº 9.363, de 1996, art. 2º, §§ 4º a 7º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 7º): I das contribuições não recolhidas em decorrência do disposto no inciso III do art. 44 e nos incisos VIII e IX do art. 45 , incidentes sobre o valor de aquisição dos produtos adquiridos e não exportados; e II das contribuições incidentes sobre o seu faturamento, na hipótese de revenda no mercado interno. Como argumento subsidiário, pois aqui não se trata da isenção da CIDE, mas tratase da mesma forma de uma Contribuição onde o legislador melhor explicitou tal circunstância. A Lei 10.336/2001 que instituiu a CIDE também trata especificamente em seu artigo 10° dos produtos adquiridos com o fim especifico de exportação para o exterior. Seu parágrafo 1º é bastante claro na indicação do responsável pela não exportação dos produtos nas condições que se cuida: § 1o A empresa comercial exportadora que no prazo de 180 dias (cento oitenta) dias, contado da data de aquisição, não houver efetuado a exportação dos Fl. 3334DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 1401001.335 S1C4T1 Fl. 6 9 produtos para o exterior, fica obrigada ao pagamento da Cide de que trata esta Lei, relativamente aos produtos adquiridos e não exportados". E o parágrafo 4º dispõe: "§ 4° A empresa comercial exportadora que alterar a destinação do produto adquirido com o fim especifico de exportação, ficará sujeita ao pagamento da Cide objeto da isenção na aquisição". A Recorrente alega, também, que a isenção das contribuições (PIS e COFINS) somente abrange as receitas oriundas de vendas de mercadorias, com fim específico de exportação, à empresa comercial exportadora, quando as mercadorias forem remetidas diretamente ao estabelecimento industrial, no caso a Refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A, para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, o que não teria ocorrido. Vejamos o que a legislação considera com a expressão “fim específico de exportação”: Decreto nº 4.502, de 2002, art. 45, inciso IX, § 1º:: § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (destaquei) Ora, provado que os produtos foram efetivamente entregue a uma empresa comercial exportadora (Recorrente), entendo que foram cumpridas as condições que autorizavam a saída com suspensão do imposto. Se a empresa comercial exportadora (Recorrente) recebe o produto com preço desonerado dos tributos com a condição de exportar, condição essa devidamente registrada nos documentos fiscais emitidos pela Usina Manguinhos, assume a responsabilidade de pagar os tributos suspenso se descumprida a condição que autorizava esse procedimento, como foi o caso Sendo assim, não prospera a alegação da Recorrente no sentido de afirmar que a responsabilidade pelo recolhimento das referidas contribuições é do estabelecimento industrial fornecedor (Usina Manguinhos). Se aceitarmos tal raciocínio estaríamos indiretamente desacatando o princípio basilar do Direito de que ninguém pode se aproveitar de sua própria torpeza em benefício próprio. Outrossim, não merece melhor sorte o argumento utilizado de que não seria parte legítima para figurar no pólo passivo da presente atuação, haja vista que os responsáveis pelo pagamento das contribuições, nos termos artigo 137. incisos I e II, do CTN. seriam as empresas depositárias Álamo Distribuidora de Derivativos de Petróleo Ltda e Exxel Brasileira de Petróleo Ltda, pois não devolveram as mercadorias depositadas. A Recorrente confunde responsabilidade tributária por infrações (art. 137 do CTN) com o conceito de sujeito passivo, na qualidade de responsável (art. 121, inciso II do CTN). O interessado na medida em que descumpriu requisitos para a concessão da isenção, pois deu destinação diversa a mercadorias que deveriam ter sido exportadas, assumiu a condição de sujeito passivo, por expressa disposição legal sob (responsável). Fl. 3335DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 Definida a sujeição passiva por expressa previsão legal, nada impede que se atribua também ao agente (administrador, sócio etc) responsabilidade pessoal pelas infrações por ele praticadas, nos termos do art. 137 do CTN, o que não modifica a sujeição passiva da tributária principal. Dessa forma, descabe seu argumento de que a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições caberia às empresas depositárias. (...) Portanto, também afasto essa suposta omissão. Por todo o exposto, conheço e rejeito os embargos da contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3336DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10980.723499/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Gileno Gurjão Barreto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Gileno Gurjão Barreto. Adotase o relatório do Acórdão recorrido, por bem refletir a contenda: “Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra o contribuinte identificado, foram lavrados os autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 480/493), no qual se exige o recolhimento de R$ 3.994.575,83 de Cofins, R$ 2.995.931,75 a título de multa de lançamento de ofício (75%), além dos acréscimos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 49 9/ 20 11 -5 5 Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.723499/201155 Resolução nº 3302000.355 S3C3T2 Fl. 3 2 legais; e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 494/507), no qual se exige o recolhimento de R$ 649.118,42 de PIS, R$ 486.838,71 a título de multa de lançamento de ofício (75%), além dos acréscimos legais. Conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 508/515), consta que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança, sob nº 2006.70.00.0040312, requerendo a suspensão da Cofins e do PIS/Pasep incidente sobre receita que não fosse exclusivamente da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambas, havendo sido deferida a liminar, suspendendo a exigibilidade das contribuições cobradas conforme o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e proferida a sentença reconhecendo a inconstitucionalidade desse dispositivo. Em decisão do TRF da 4ª Região, em 24/10/2007, reportandose à decisão do STF, entendeuse como conceito de receita bruta ou faturamento o que decorrer da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços ou da venda de serviços, não integrando na base de cálculo das contribuições as receitas de natureza diversas. Entretanto, em procedimento fiscal ficou constatado que deixaram ser incluídos na base de cálculo das contribuições os valores das receitas de sua atividade principal (receitas da atividade financeira) a partir de março de 2008, por entender a contribuinte que pela decisão judicial essas receitas não faziam parte de sua receita bruta, o que levou a fiscalização a considerar que houve omissão de receita na apuração da base de cálculo, no período de março de 2008 a dezembro de 2010, uma vez que a decisão judicial afirmou que não deveria ser aplicado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que estendeu o conceito de faturamento para as demais receitas (operacionais e não operacionais), devendo ser utilizado o faturamento conforme estabelecido pela Lei Complementar nº 7/70 e na Lei nº 9.715/1998, no caso do PIS e na LC nº 70/91 no caso da Cofins. Cientificada em 04/07/2011, a interessada apresentou, por intermédio de seus representantes legais, a impugnação de fls. 1105/1137, onde aduz que a fiscalização entendeu que a atividade de arrendamento mercantil/leasing exercida como atividade fim seria classificável como uma prestação de serviço, muito embora a decisão judicial emanada nos autos do processo nº 2006.70.00.0040312 determinasse que a Cofins e o PIS somente poderiam incidir sobre receitas oriundas do fornecimento de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Relata que a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterou a base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 70, de 30 de dezembro de 1991, respectivamente, considerando faturamento como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou o tratamento contábil adotado. Essa modificação trazida por lei ordinária motivou uma discussão acerca de sua inconstitucionalidade, que acabou alcançando o E. Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e concluindo que a base de cálculo equivale ao faturamento, entendido este como sendo o total de receitas auferidas em razão da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços de Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.723499/201155 Resolução nº 3302000.355 S3C3T2 Fl. 4 3 qualquer natureza. Posteriormente, acrescenta, foi editada a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que revogou expressamente o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando definitivamente a equiparação do conceito de faturamento à totalidade das receitas da pessoa jurídica. Expõe que, sujeitandose às disposições da Lei nº 9.718/1998, ingressou com ação judicial requerendo lhe fosse reconhecido o direito de calcular o PIS e a Cofins com base no seu faturamento, tal como definido pela Lei Complementar nº 70/91, e não pela totalidade das receitas. O desfecho dessa ação se deu com a decisão do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, declarando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, como já fizera o STF, confirmandose deverem incidir exclusivamente sobre receitas auferidas na venda de mercadorias, na prestação de serviços ou na conjunção de ambos. Ressalta que o provimento em seu favor concedido não implica mera autorização para ‘exclusão’ de receitas da base de cálculo das contribuições, mas sim o reconhecimento de que valores há que jamais a compuseram validamente. Diz, referindose a sua causa de pedir na ação judicial, que o afastamento da base de cálculo prevista na Lei nº 9.718/1998 implicaria a impossibilidade de incidência da Cofins e do PIS sobre receitas financeiras (e equiparadas). Sendo assim, e de acordo com a decisão contida no acórdão proferido pelo TRF/4ª Região, não haveria dúvidas de que as receitas financeiras (e aquelas a elas equiparadas, como as de leasing) não integram e nunca poderiam integrar o conceito de prestação de serviços. Por isso, alega que os autos de infração não merecem prosperar, eis que visam exigir valores afastados por ação judicial, dando interpretação à ação proposta e à decisão proferida de forma totalmente diversa do seu real conteúdo. Em tópico específico, salienta o equívoco cometido pela fiscalização, dada a natureza jurídica das receitas por ela auferidas; à amplitude do termo ‘faturamento’, conforme entendimento jurisprudencial; e à aplicabilidade de disposições do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços GATS, para a determinação de fatos geradores no âmbito tributário. Esclarece, no tópico ‘A Natureza Jurídica das Receitas Auferidas pela Impugnante’, que a fiscalização valeuse do objeto social, descrito em seu estatuto social, para afirmar que as receitas por ela auferidas decorrem, diretamente, da atividade de arrendamento mercantil. Mas, ainda que seu estatuto social preveja como objeto exclusivo a prática de todas as operações de arrendamento mercantil, aduz que a atividade de arrendamento mercantil já não mais é exercida; ao contrário, todas as receitas auferidas durante o período objeto da ação fiscal decorreram de rendimento de aplicações financeiras e de rendas de títulos e valores mobiliários. Isso, por si só, revela a falha que permeou o trabalho da fiscalização, havendo desconsideração do Princípio da Verdade Material. Registra que as bases de cálculo consideradas na autuação foram as receitas de ‘Rendas Aplicações Interfinanceiras Liquidez’ e ‘Rendas de Títulos de Valores Mobiliários’, descontadas as despesas de empréstimos e repasses. Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.723499/201155 Resolução nº 3302000.355 S3C3T2 Fl. 5 4 Reprisa que está acobertada por decisão judicial, que determina a incidência das referidas contribuições exclusivamente sobre receitas decorrentes da venda de mercadoria, prestação de serviço ou ambos. Portanto, as rendas de arrendamento financeiro, que sequer foram auferidas, não deveriam sujeitarse à incidência das contribuições, exatamente por isso declarouse a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. De qualquer forma, diz que jamais se poderia equiparar receitas tipicamente financeiras a uma contraprestação de serviço (preço de serviço), relembrando o posicionamento do STF no conceito de serviço que somente há uma prestação de serviço quando se verificar uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano, que gere uma utilidade material ou imaterial a terceiro. Isso porque as instituições financeiras têm como atividade precípua a realização de operações passivas (captação de recursos) e ativas (aplicação de recursos), das quais decorrem, respectivamente, o pagamento e o recebimento de juros “para” e “de” seus clientes. Ou seja, o que se remunera é o capital, e não qualquer esforço humano, pessoal, não havendo como equiparar o juros a uma contraprestação de serviço. Faz considerações acerca do Arrendamento Mercantil para concluir que nessa operação não há que se falar em prestação de serviço apta a nascer qualquer obrigação tributária relativa às contribuições ao PIS e à Cofins. Traz entendimento doutrinário e jurisprudencial para afirmar que o arrendamento mercantil, na medida em que a operação de alienação dos bens, seja pelo exercício da opção de compra, seja para terceiros, é inerente ao contrato de leasing, não sendo este (venda de mercadorias) o objeto social da empresa que realiza as operações de arrendamento mercantil. Relembra o julgamento do STF (RE 116.121/SP), sobre a incidência de ISS na locação de guindastes, já se posicionou que somente há uma prestação de serviço quando se verificar uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano, que gere uma utilidade material ou imaterial a terceiro. Refuta o GATS para a caracterização de serviços, uma vez que o âmbito da assinatura e da aplicabilidade do GATS é no comércio internacional de serviços, entre Estados Membros, não podendo ser utilizada a conceituação ali inserida para fazer incidir a Cofins e o PIS sobre as receitas dessa natureza. Traçando um paralelo ao caso, transcreve a previsão contida no Código de Defesa do Consumidor CDC (§ 2º, art. 3º, Lei Federal nº 8.078, de 1990): “...serviços é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira e de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”, para concluir que, a despeito de o CDC trazer a atividade securitária (dentre outras) como se serviço fosse, tal previsão não tem o condão de permitir a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas correspondentes; tanto que esse Código considera que uma operação tipicamente bancária, como um empréstimo, seria um serviço para fins exclusivos de atribuir proteção especial ao cliente/consumidor, o que, de modo algum, poderia significar transferência da competência tributária privativa da União aos Municípios. Por último, assevera que o GATS foi recepcionado no ordenamento por meio de Decreto, o que afasta qualquer possibilidade Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.723499/201155 Resolução nº 3302000.355 S3C3T2 Fl. 6 5 de que os conceitos por si trazidos possam se sobrepor àqueles pressupostos pela Constituição Federal na definição dos aspectos materiais dos tributos de competência de cada ente tributante (ex.: faturamento, serviço) ou de leis complementares definidoras das respectivas regras matrizes de incidência tributária (ex.: LC 07/70, LC 70/91, CTN). Contesta, por fim, a exigência da multa de ofício aplicada, uma vez que dispõe de provimento jurisdicional que suspende a exigibilidade da Cofins e do PIS sobre receitas que não resultem da venda de mercadoria, prestação de serviço ou combinação de ambos; e da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, já que estes devem incidir somente sobre o tributo devido.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos julgar procedente o lançamento. Intimada do acórdão supra, em 10/04/2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 08/05/2012. É o relatório. Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da ausência de nulidade A interessada sustenta a nulidade da decisão de primeira instância, uma vez que a Turma Julgadora teria “ignorado” maioria dos argumentos pela Recorrente em sua peça inicial. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Veja que, os órgãos julgadores das diversas Delegacias Regionais Tributárias, não estão obrigados a analisar todos os argumentos expostos nas teses dos Recorrentes. Basta que, tais decisões estejam, suficientemente, motivadas e fundamentadas, como é ocaso da presente decisão. O julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada em sua impugnação. No presente caso, a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, restou, plenamente fundamentada, tendo sido apreciado todas as questões relevantes necessárias para a solução do litígio. Outrossim, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72, temos que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.723499/201155 Resolução nº 3302000.355 S3C3T2 Fl. 7 6 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presentes, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida restou plenamente motivada e fundamentada. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada. Considerações Iniciais – Da Gestão de Instituiç A título introdutório, esse julgador entende que a solução da controvérsia relacionada à incidência das contribuições sobre o PIS e da COFINS sobre as receitas denominadas financeiras das instituições também denominadas financeiras não é simples maniqueísmo. Se fosse simples dessa forma, o próprio E. STF já o teria decidido, e não estaria há 7 anos deixando em suspense todo o sistema bancário nacional. Isso porquê a gestão do fluxo financeiro dos bancos pode ser feita, tecnicamente, por meio de duas denominadas “óticas”, a ótica dos usos ou a ótica das fontes. Tecnica e matematicamente, elas alcançam o mesmo valor. A partir, então, da “arbitragem”, buscase o “spread”, que obviamente será contabilizado em uma única conta, eis que o órgão regulador não cuidou de separar os valores auferidos a partir de operações próprias, uma vez optou por controlar as instituições financeiras pela imposição de limites mínimos de capital, ponderado por outras variáveis. Vejamos: O papel do capital em instituições financeiras é o de absorver perdas inesperadas e proteger os clientes, bem como fornecer confiança aos investidores e agências reguladoras a respeito da saúde financeira da instituição. Para fins de gerenciamento de risco, a alocação do capital passa a ser uma das principais tarefas das instituições financeiras, devendo considerar conjuntamente os riscos de crédito, os riscos de mercado, os riscos operacionais e os riscos legais. O novo acordo de capitais, conhecido como Basiléia II, permite que os Bancos tenham maior liberdade para definir as medidas de proteção necessárias, devendo considerar não somente normas e balanços contábeis, como também análises de controles internos das instituições financeiras, a fim de assegurar o seu sistema financeiro no futuro. No Brasil, o Banco Central vem criando um conjunto de Resoluções para adequar a regulamentação do Sistema Financeiro Nacional aos acordos de Basiléia, como é o caso da Resolução nº 3.444/2007, que define o Patrimônio de Referência (PR). Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.723499/201155 Resolução nº 3302000.355 S3C3T2 Fl. 8 7 Podemos classificar os diferentes tipos de capital da seguinte maneira: o “capital econômico”, ou “capital de risco”, que é a quantidade de capital que a empresa necessita para operar seus negócios, a fim de absorver perdas inesperadas e futuras; o “capital regulatório” que é aquele que o banco, a fim de operar, é obrigado a manter por seus órgãos reguladores e, o “capital investido” que é o capital físico, de fato realizado. O capital econômico age como um “amortecedor”, fornecendo a proteção necessária em razão de todo o crédito existente, de todo o mercado e também dos riscos operacionais e de negócios, riscos estes que devem ser enfrentados por todas as instituições financeiras. A análise dos riscos é realizada por alguns fatores como, por exemplo, o nível de confiança e o período de tempo. A influência deles no capital econômico pode indicar que a sua operação deve ser a um nível de confiança menor que 100%, uma vez que operálo a um nível de 100% elevaria demasiadamente seus custos. O capital regulatório é o montante do capital que a instituição financeira deve manter pelo seu regulador financeiro e pode ser expresso pelo chamado “Capital Adequacy Ratio” (CAR – Razão da Adequação do Capital), que é um índice para calcular o risco do capital dessa instituição. Esse índice é baseado no Institutional Risk Assessment Framework (IRAF – Quadro de Avaliação Institucional do Risco) e segue proporções previamente definidas. Tudo isso para afirmar – cada instituição financeira deve gerenciar sua saúde financeira não apenas a partir de capital de terceiros, mas também gerenciando seus próprios recursos, para garantir a saúde da instituição como um todo – e nesse ponto elas se equiparam a uma empresa qualquer, cuja jurisprudência nesse Conselho é equanime ao considerar tais receitas financeiras como plenamente tipificadas no art. 3º § 1º da Lei nº 9.718/98 Receitas de serviços financeiros – Leasing Alega a Recorrente que, as i. fiscalização ao autuála, equiparou a atividade de arrendamento, à atividade fim empresarial da empresa, classificável como prestação de serviços, e devido a essa classificação, as receitas provenientes dessa atividade deveriam compor o faturamento e integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Por sua vez, a Recorrente defendese arguindo que tais receitas são receitas financeiras não sujeitas à incidência do PIS e COFINS, por não serem receitas provenientes da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, sendo que, somente estas receitas estariam sujeitas à incidência das referidas contribuições, inclusive conforme restou decidido no mandado de segurança nº 2006.70.00.0040312, impetrado pela Recorrente, com decisão transitada em julgado. O arrendamento mercantil, mais comumente tratado como Leasing, pode ser de natureza operacional ou financeira, e está disciplinado pela Lei n.º 6.099/74, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 7.132/83, posteriormente regulamentadas pela Resolução n.º 2.309/96, do Banco Central do Brasil. Tratase de operação que somente pode ser realizada por sociedade de arrendamento mercantil ou instituição devidamente autorizada pelo Banco Central. José Eduardo Soares de Melo, in “ICMS – Teoria e Prática”, 2º edição, Dialética, observa ainda que: “esta modalidade de negócio jurídico ( .....) mantém conotações com a compra e venda, locação e direito bancário, denotando características especiais devido à triangularidade, intermediação de um agente que Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.723499/201155 Resolução nº 3302000.355 S3C3T2 Fl. 9 8 financia a operação, como também em razão da tríplice opção conferida ao arrendatário". Aspecto importante às operações de arrendamento mercantil é a obrigatoriedade quanto à observância, imposta pela legislação, dos prazos previstos para a realização da operação, sob pena do referido instituto caracterizarse como operação de compra e venda de bem, a prestação. Assim, para o arrendamento mercantil financeiro, o prazo mínimo do contrato é de 2 anos, para bens com vida útil igual ou inferior a cinco anos e de 36 meses para os demais (Resolução n° 2.309/96, art. 8°, I), o qual não pode ser rescindido. Já para o operacional, o prazo mínimo é de 90 dias (Resolução n° 2.309/96, art. 8°, inciso II) e, no máximo, deve corresponder a 75% do prazo de vida útil econômica do bem (Resolução n° 2.465/98). Um outro aspecto importante referese ao momento do exercício da opção de compra, o qual, se efetivado antes do término de vigência do contrato de arrendamento, também é motivo para descaracterizar a operação de arrendamento mercantil (Ac. 1° C.C. 102 26.444/91 DO 20.03.92). Quanto ao valor das contraprestações, são aplicáveis as seguintes regras: arrendamento mercantil financeiro: o total das contraprestações deve ser suficiente para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado (inciso I do artigo 5° da Resolução n° 309/96). Assim, em cada valor das contraprestações está embutido uma parcela que representa o custo do bem; por essa razão, o preço de aquisição no momento da opção de compra (valor residual do bem) geralmente é muito inferior ao valor de mercado; e arrendamento mercantil operacional: o total das contraprestações do bem arrendado não poderá ultrapassar 90% do custo do bem arrendado (Resolução n° 2.465/98). O arrendador é remunerado pelo uso do bem, não havendo pagamento de parcela referente ao custo do mesmo. Por essa razão, não é comum que haja o exercício da opção de compra nesse tipo de arrendamento mercantil, pois a arrendatária opta por fazer novo contrato, possibilitando a atualização de seu equipamento. Quanto ao preço para o exercício da opção de compra, será: arrendamento mercantil financeiro: livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado; e arrendamento mercantil operacional: o valor de mercado do bem arrendado. Importante ainda mencionar que no denominado "leasing financeiro", transferemse substancialmente todos os riscos e compensações decorrentes da propriedade do bem arrendado. Para o arrendatário, o leasing financeiro mais se aproxima a uma modalidade de financiamento, facilitandolhe o uso e o gozo de um bem, sem ter inicialmente o desembolso de seu valor e tendo a opção, findo o prazo estipulado para a vigência do contrato, de adquirir o bem pelo valor residual garantido, nas condições estabelecidas em contrato. Dos excertos anteriores já é possível depreendermos que nem toda a receita relativa a arrendamento mercantil auferida pela recorrente é integralmente decorrente de prestação de serviços, como pretende a fiscalização, tampouco e aparentemente, a totalidade das receitas financeiras auferidas pela recorrente referemse exclusivamente a receitas de Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.723499/201155 Resolução nº 3302000.355 S3C3T2 Fl. 10 9 natureza financeira, sem entrar no mérito por ora do alcance da decisão relativa à sua ação pleiteante da inconstitucionalidade das contribuições retromencionadas. Isso exposto, esse julgador, considerando que atualmente existe controvérsia ainda em sede do E. STF acerca do alcance da expressão “outras receitas”, ou acerca do que seria “faturamento” para uma instituição financeira, entende que poderiam haver dois desfechos à lide. A um, o seu sobrestamento regimental. A dois, à guisa do princípio da economia processual e da celeridade, o de buscar sanear o processo, considerando o que fora mal esclarecido, na forma do adiante relatado. Assim sendo, conhecendo a estrutura de regulação dessa atividade, respeitando a ainda existente controvérsia no E. STF e considerando o argumento da recorrente no sentido de que efetivamente todas as receitas auferidas por este naquele momento decorreram exclusivamente de receitas eminentemente financeiras, como sendo aquelas contabilizadas nas respectivas contas do COSIF, tem por bem esse julgador submeter aos seus pares proposta de conversão do presente julgamento em diligência. Isso porquê em recente julgamento do Processo nº 10675.720847/201013, realizado em 15 de fevereiro de 2012, a 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste C. Conselho decidiu expressamente por afastar a incidência da Contribuição ao PIS sobre a receita financeira advinda da aplicação dos próprios recursos de Contribuinte Instituição Financeira, o que por certo deve ser considerado ao presente processo. A lógica econômica que se impõe porquê dessa específica controvérsia busca elementos das ciências contábil e econômica justamente por decorrer da outra controvérsia, qual seja, acerca do alcance e do significado da expressão “outras receitas”, presente nos julgamentos do E. STF em casos de empresas nãofinanceiras e aquele que buscou a Fazenda ao tentar obnubilar o entendimento dos Exmos. Ministros no caso específico das Instituições Financeiras. Como dito, o próprio julgado não distingue, como deveria, o conceito de “receita de intermediação financeira”, o que seria absolutamente necessário nesses casos. Passemos, pois, a analisar o cerne da questão. Intermediação financeira requer algo a ser “intermediado”. Consequentemente, é necessário que a instituição faça a “captação” de recursos a serem intermediados. Logo, equiparar a receita de intermediação financeira contabilizada no resultado dessas instituições sob essa denominação por imposição da autoridade reguladora, demonstra a intenção da Fazenda Pública em tributar absolutamente toda e qualquer receita, o que já fora repelido pelo E.STF em dúzias de julgados. Isso posto, o que pretende solicitar à fiscalização à fazêlo, e intimar o contribuinte a demonstrar cálculos adequados concernentes à: se a totalidade dos valores tributados pela autoridade lançadora decorrem especificamente de a) receitas auferidas da gestão de recursos próprios, aplicações financeiras, ou se decorrem das b) prestações de arrendamento mercantil; Caso decorram do item “a)” acima, quanto seriam decorrentes de aplicação do seu ativo circulante, considerando as contas do COSIF a eles relativas em proporção do percentual de recursos de terceiros contabilizados no seu balanço; Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.723499/201155 Resolução nº 3302000.355 S3C3T2 Fl. 11 10 Caso decorram do item “b)” acima, quanto de tais receitas de arrendamento mercantil (ou de prestação de serviços, como pretende a d. fiscalização), decorreriam de (i) arrendamento financeiro ou de (ii) arrendamento operacional; Finalmente, determinar quanto do item (i) acima decorreria do custo do bem e quanto decorreria de lucros ou juros atribuidos às operações; no caso do item (ii) acima, quanto decorreria do “uso do bem”, e qual a proporção decorreria de juros sobrepostos ao valor do uso do bem. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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