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Numero do processo: 10108.000585/2001-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1997
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL-ADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF,
inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de preservação permanente até o exercício 2000, inclusive.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hofmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonett Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório MAGNO MARTINS COELHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 26/09/2001, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1997, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Redenção” localizado no município de Corumbá/MS, cadastrado na RFB sob o nº 10810200, conforme peça inaugural do feito, às fls. 96/102, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 04.418/2004, às fls. 220/228, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3ª Câmara, em 24/04/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30335.242, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1997 ITR.DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Basta a declaração do contribuinte para obter isenção do ITR, respondendo o mesmo pelos vícios que a mesma contenha. LAUDO TÉCNICO. São de maior valor provas idôneas obtidas pelo laudo técnico do que simples registro junto a órgão ambiental que carece de meios suficientes para fiscalização. LOCALIZAÇÃO INTEGRALMENTE EM PARQUE ESTADUAL. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10108.000585/200111 Acórdão n.º 920201.751 CSRFT2 Fl. 2 3 Com base na legislação que cria o parque e com o intuito de preservar o interesse ecológico, o ITR não incidirá sobre a propriedade RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 315/322, com arrimo no artigo 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30236.783, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Preservação Permanente”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, defendendo que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte preservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que o contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 3ª Câmara do Terceiro Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, necessidade do requerimento atempado do ADA relativamente às áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho nº 318/2008, às fls. 341/343. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Instado se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 348/351, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 3ª Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30236.783, ora adotado como paradigma, impõe que a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de prévio protocolo do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro dos seis meses subsequentes à entrega da DITR, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para efeito da benesse isentiva o Acórdão guerreado contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações), bem como as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a respeito da exigência do requerimento atempado do Ato Declaratório Ambiental – ADA relativamente às áreas de preservação permanente, dentro do prazo legal, para fruição da não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10108.000585/200111 Acórdão n.º 920201.751 CSRFT2 Fl. 3 5 estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal, o que se vislumbra na hipótese dos autos (exercício 1997). Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Na esteira desse raciocínio, em face da inexistência de disposição legal para a exigência do ADA anteriormente ao exercício de 2001, para fins da fruição da isenção sub examine, e sendo esta exclusivamente a justificativa da presente autuação, impõese reconhecer a improcedência do feito, tendo em vista contemplar o exercício de 1997, período, portanto, que não se poderia exigir aludida formalidade para a comprovação das áreas de preservação permanente. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica, vigente à época, não condiciona a isenção em comento à protocolização tempestiva do ADA, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antônio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10108.000585/200111 Acórdão n.º 920201.751 CSRFT2 Fl. 4 7 “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002420/2002-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo, o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a
definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício.
NORMAS PROCESSUAIS. PRINCÍPIO DO NON REFORMATIO IN PEJUS. Deferida, ainda que indevidamente, a exclusão da parcela discutida da receita operacional bruta, a reforma de tal entendimento para que ela integre-a, bem como a receita de exportação, o que seria o correto, implicaria condenável reforma em prejuízo do recorrente, dado que leva a um valor ainda maior do incentivo discutido.
RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C.
Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de
“atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, RESP 1.150.188)
Numero da decisão: 9303-001.725
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo, o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício. NORMAS PROCESSUAIS. PRINCÍPIO DO NON REFORMATIO IN PEJUS. Deferida, ainda que indevidamente, a exclusão da parcela discutida da receita operacional bruta, a reforma de tal entendimento para que ela integrea, bem como a receita de exportação, o que seria o correto, implicaria condenável reforma em prejuízo do recorrente, dado que leva a um valor ainda maior do incentivo discutido. RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, RESP 1.150.188) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 16/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann Relatório A douta procuradoria da Fazenda Nacional impugna decisão proferida pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que deu parcial provimento a recurso voluntário relativo a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei 9.363, aqui calculado na forma alternativa instituída pela Lei 10.276/2001. O recurso especial pretendia a reforma do julgado quanto a três matérias, mas o Presidente da Quarta Câmara do CARF só entendeu comprovada a divergência quanto a duas delas, entendimento ratificado pelo Presidente do CARF à época. A primeira diz respeito ao conceito de receita operacional bruta para efeito de apuração do percentual a incidir sobre as aquisições para composição da base de cálculo do incentivo. Mais precisamente, quanto à inclusão ou não da parcela relativa às vendas no mercado externo de mercadorias adquiridas e não submetidas a qualquer processo de industrialização. Nos trabalhos de verificação fiscal a autoridade responsável, dando aplicação a ato declaratório normativo da SRF, entendeu que dita parcela não integraria a receita de exportação, mas seria incluída na receita operacional bruta. O recurso voluntário postulava a revisão desse entendimento para que dita parcela fosse computada em ambas as receitas, isto é, também fosse computada na receita de exportação. Não houve pleito para que ela fosse excluída da receita operacional bruta. No entanto, a decisão recorrida reviu esse entendimento e determinou sua exclusão, também, da receita operacional bruta, como NÃO fora postulado no recurso voluntário. Quanto à Receita Operacional Bruta, o que o recurso voluntário postulara fora que fosse excluída a parcela relativa à venda NO MERCADO INTERNO de mercadorias não submetidas a processo de industrialização. Essa pretensão lhe foi indeferida. A representação fazendária pugna pela manutenção do entendimento esposado pela SRF, ou seja, que ela seja excluída apenas da receita de exportação. O segundo apelo admitido disse respeito à possibilidade do cômputo da Selic no valor a ser ressarcido, deferido na decisão recorrida, incidindo a partir da data de protocolização do pedido. Defende a PFN, quanto ao ponto, necessidade de lei expressa Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10675.002420/200211 Acórdão n.º 9303001.725 CSRFT3 Fl. 2 3 concedendoa, dado que não se trata de mera correção ou atualização monetária, determinação legal essa inexistente. A empresa, cientificada do recurso especial, apresentou extensas contra razões em que, a par de postular a manutenção das parcelas objeto do recurso fazendário, tenta rediscutir a questão da inclusão ou não, na receita operacional bruta, da parcela relativa à revenda no mercado interno. Não manejou, entretanto, recurso especial quanto a isso. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como dito, o objetivo da Fazenda Nacional é restaurar a metodologia de cálculo do incentivo praticada pela fiscalização em atendimento ao disposto no ato declaratório normativo 18/98 expedido pelo Coordenador de Tributação da Secretaria da Receita Federal. Segundo ele, para apurar o percentual entre a receita de exportação e a operacional bruta, percentual esse que será aplicado sobre o valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para chegarse à base de cálculo do incentivo, devese excluir da primeira – e apenas dela – a parcela que corresponde às vendas no mercado externo de mercadorias adquiridas e não submetidas a qualquer operação de industrialização. Assim fazendo, obviamente, reduzse aquele percentual e, em conseqüência, o incentivo. A Câmara recorrida, reconhecendo a impropriedade de se tratar distintamente a mesma parcela, determinou que o cálculo se fizesse excluindoa também da receita operacional bruta. Na forma decidida, o critério deve ser único, e entenderam os membros do colegiado que o melhor é a exclusão tanto no numerador quanto no denominador da fração. Defende a representação fazendária a inexistência de permissivo legal para dita exclusão, na medida em que a própria lei instituidora do incentivo determinou o recurso subsidiário à legislação do imposto sobre a renda para o estabelecimento do conceito de receita operacional bruta. E como se sabe, lá não se faz qualquer distinção entre as vendas, sejam elas de produtos fabricados ou meramente revendidos. Tenho entendimento firmado, há muito tempo, no sentido de que a parcela discutida integra ambas, tanto a receita de exportação quanto a receita operacional bruta. Isso porque, se é verdadeiro o argumento fazendário quanto à Receita Operacional Bruta, ele se aplica do mesmo modo à receita de exportação. De fato, não há na legislação do imposto de renda, nem na legislação comercial, qualquer exclusão a ser feita, seja entre produtos fabricados e não fabricados ou qualquer outro. Receita de exportação é simplesmente aquela que resulta da venda de produtos ou serviços no mercado externo, em nada interferindo a natureza do produto ou do serviço. Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Esse é, aliás, o conceito proposto no primeiro ato administrativo editado para regular o incentivo, a Portaria 38/97 do Sr. Ministro da Fazenda. Vale dizer que somente o Ministro de Estado recebeu autorização legal para tal regulamentação (art. 6º da Lei 9.363) carecendo, pois, de competência o autor do ato expedido e seguido pela fiscalização. De sorte que não me parece duvidoso que a decisão proferida não aplicou da melhor forma a legislação ao manter a exclusão daquela parcela da receita de exportação e determinar que ela fosse excluída também da Receita Operacional Bruta. Deveria, ao contrário, mantêla na Receita Operacional Bruta – como já feito no trabalho fiscal – e determinar que ela fosse igualmente computada na receita de exportação. Até porque essa fora a postulação do recurso. É importante destacar que essa determinação levaria a que o direito do contribuinte fosse ainda maior do que o que lhe acabou deferido pela decisão extra petita. Aplicála agora, no entanto, pareceme impossível dado que levaria à reformatio in pejus contra a recorrente. Repitase que a primeira exclusão não é objeto do recurso fazendário. O que ele postula é que se determine apenas a inclusão na Receita Operacional Bruta, mantendose, ao mesmo tempo, sua exclusão da receita de exportação, o que é a forma de cálculo que leva ao menor dos valores. A isso, a meu ver, não se pode dar provimento. Nego, portanto, provimento ao recurso da Fazenda em relação a esse ponto. Quanto ao segundo aspecto do recurso, também não se pode dar provimento à Fazenda. Isso porque, o art. 62A, recentemente incluído no Regimento Interno do CARF, tornou obrigatória a adoção do entendimento expresso em decisão do STJ que tenha sido proferida na sistemática prevista no art. 543C. E naquele e. Tribunal Superior consolidouse o entendimento de que a Selic é devida exatamente na forma que foi concedida no julgamento contestado (REsp 993.164 e 1150188, ambos da relatoria do Ministro Luiz Fux). Destarte, com a ressalva de minha posição pessoal, que acolho todos os argumentos expendidos pela representação fazendária, nego provimento ao seu recurso neste particular. Destarte, é o meu voto pelo não provimento integral do recurso fazendário. E é assim que voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10675.002420/200211 Acórdão n.º 9303001.725 CSRFT3 Fl. 3 5 Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10120.007641/2004-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
MULTA DE OFÍCIO. EXACERBAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INFORMAÇÃO EM DCTF DE VALORES MENORES DO QUE OS APURADOS PELA PRÓPRIA EMPRESA. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza o “evidente intuito de fraude” previsto no art. 44 da Lei 9.430/96 como causa de elevação da multa de ofício ao percentual de 150% do valor do débito a reiterada conduta do contribuinte de informar em suas DIPJ valores de receita menores do que os por ele mesmo apurados em sua escrita fiscal e regularmente informados ao fisco estadual, mormente quando
obstinadamente recusa-se a apresentar sua contabilidade e, intimado, não justifica plausivelmente as diferenças.
Numero da decisão: 9303-001.654
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial do Procurador. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa
Martínez López. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o acórdão.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 707 1 706 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.007641/200414 Recurso nº 224.507 Especial do Procurador Acórdão nº 930301.654 – 3ª Turma Sessão de 3 de outubro de 2011 Matéria Pis Multa qualificada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CEMACO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP MULTA DE OFÍCIO. EXACERBAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INFORMAÇÃO EM DCTF DE VALORES MENORES DO QUE OS APURADOS PELA PRÓPRIA EMPRESA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza o “evidente intuito de fraude” previsto no art. 44 da Lei 9.430/96 como causa de elevação da multa de ofício ao percentual de 150% do valor do débito a reiterada conduta do contribuinte de informar em suas DIPJ valores de receita menores do que os por ele mesmo apurados em sua escrita fiscal e regularmente informados ao fisco estadual, mormente quando obstinadamente recusase a apresentar sua contabilidade e, intimado, não justifica plausivelmente as diferenças. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial do Procurador. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o acórdão. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Redator Designado Fl. 715DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 EDITADO EM: 20/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Maurício Rabelo de Albuquerque Silva , Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte. O Recurso Especial interposto pelo contribuinte teve o seguimento negado por despacho do presidente da 4ª Câmara desta 3ª Sejul. Já o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi inteiramente admitido. A análise do presente recurso versará somente sobre a qualificação da multa, prevista no art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430;96. Segundo a fiscalização a multa foi majorada em virtude da caracterização de artifício usado pelo contribuinte para reduzir pela metade os valores das contribuições a pagar, evidenciando o intuito de fraude contra a ordem tributária. Ainda segundo a autoridade fiscal, os procedimentos demonstram a consciência da conduta do contribuinte, visando eximirse do pagamento de grande parte das contribuições e tributos, pela omissão de declaração sobre a metade do faturamento da empresa durante quatro anos consecutivos (1999 a 2002) e conseqüente declaração a menor da contribuição. Além disso, o Auditor verificou a falsidade da alegação do contribuinte no sentido de que discordava das inovações da Lei nº 9.718/98, motivo pelo qual teria apurado a base de cálculo do PIS com base no lucro bruto, uma vez que o montante desse lucro informado nas declarações entregues varia entre 10 e 20 % da receita, sendo que o valor declarado como base de cálculo representa mais ou menos 50% da receita Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Análise da Admissibilidade Fl. 716DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10120.007641/200414 Acórdão n.º 930301.654 CSRFT3 Fl. 708 3 Do exame dos Acórdãos confrontados, verificase que restou efetivamente comprovada e demonstrada a divergência de entendimentos quanto à questão da desqualificação da multa de oficio, prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430/96. Enquanto que no Acórdão recorrido o Colegiado considerou que a reiteração da conduta do contribuinte em declarar ao Fisco valores inferiores aos devidos não caracteriza o evidente intuito de fraude, decidindo pela desqualificação da multa, o Acórdão paradigma, situação fática análoga, decidiu de forma diametralmente oposta, ou seja, que aquela conduta caracteriza o evidente intuito de fraude, devendo ser penalizada com a multa de oficio qualificada. Assim, estando presente todos os pressupostos de admissibilidade, passo a análise do mérito. O fato está devidamente relatado. Porém não basta simplesmente que este colegiado decida se a reiteração de conduta de prestar informação falsa enseja a majoração da multa ora capitulada. Como já dito o fato é conhecido, temos de adentrar na intenção, ou melhor, na prova que houve a intenção de fraude O cerne da discussão passa a ser a presença, ou não, do intuito, do animus, de fraudar, de sonegar. É sabido que as imputações e punições administrativas e penais são independentes, exceto nos casos em que o processo penal conclua pela ausência do fato ilícito ou pela negativa de autoria. Assim descabe a alegação do sujeito passivo em suas contra razões, que a própria fiscalização não tem certeza se houve ou não a intenção, ou mesmo a própria prática ilícita, quando relata na representação fiscal para fins penais que houve a prática, em tese, de crime. O Auditor não poderia afirmar que houve o ilícito penal, pois cabe ao poder judiciário fazêlo. Mas pode sim dizer afirmar que houve a prática do ilícito administrativo. O problema aqui passa a ser a questão da distribuição do ônus da prova. No presente caso é de suma importância a correta a correta análise das provas e de quem tem o ônus de provar. Não é fácil provar a intenção de se praticar algum ato. Assim quem pretende a prova desse tipo de conduta deve se cercar de provas cabais, pois prevalece o princípio da presunção da inocência, ou seja, quem alegar a intenção de outrem em praticar algum ato deve ter o ônus de provar que aquela conduta foi intencional e direcionada com o intuito de lesar, de fraudar. A fiscalização fez uma análise e comprovação precisa dos fatos. Mas quanto a intenção, não se passou do campo das presunções. De fato o contribuinte não se furtou, mesmo que com atrasos, a atender praticamente todas as determinações contidas nos termos a ele apresentados. Realmente houve fatos que ensejassem à presunção de fraude. Mas é necessário mais do meras presunções. Aqui prova irrefutáveis são necessárias e é o fisco que tem de produzilas. Até porque, se houvesse a inversão do ônus da prova, muita das vezes admitida no direito tributário, caberia ao contribuinte a necessidade de provas que não agiu com dolo ou máfé. Todos sabemos que a prova negativa é quase impossível de fazer e que, normalmente, o ônus da prova deve ser do Fl. 717DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 fato positivo e não negativo. Neste caso o ônus probatório é de quem alega. O fisco é quem alegou que houve e clara intenção e fraude e assim deve provar. Assim voto pelo não provimento do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Voto Vencedor Incumbiume o Sr. Presidente da redação do acórdão pelo qual a maioria do colegiado deu provimento ao recurso fazendário para restabelecer a exasperação da multa ao percentual de 150% do valor da contribuição não recolhida, que havia sido reduzida para 75% na instância recorrida, única matéria objeto do recurso. E a principal razão para tanto não foi a mera reiteração da conduta. De fato, partilho as considerações do dr. Rodrigo Possas quanto à insuficiência desse fato per si . Efetivamente, tenho votado não ser suficiente a mera contumácia no procedimento de apurar a menor a base de cálculo das contribuições para demonstrar a intenção do agente de esconder o fato gerador ou suas circunstâncias materiais. É que, em muitos casos, podese aceitar que o contribuinte tenha apenas uma interpretação errada da legislação, que adotará enquanto não for informado de seu erro. Para isso, no entanto, é mister que informe corretamente o seu movimento comercial, isto é, a totalidade da receita auferida, além da base de cálculo que adotou para o pagamento dos tributos (coincidente com a sua contabilidade) e que a divergência apenas se apresente no que tange à apuração desse montante de tributo devido. Em outras palavras, sua declaração, embora não ateste o tributo corretamente devido, cumpre o seu propósito, bastando que a autoridade fazendária a coteje com a legislação para lançar a diferença. No presente caso, o relatório elaborado pelo dr. Rodrigo apenas insinua, mas essa passagem da descrição dos fatos elaborada, em 22/11/2004, pela autoridade autuante deixa clara a intenção sonegadora: Em 28/01/2004, o Contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de 05 (cinco) dias, vários documentos, dentre eles os Livros Diário, Razão e Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, referentes A escrituração contábil dos anoscalendário de 1999 a 2003 de acordo com o disposto nos artigos 904, 905, 910 e 927 do Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 99), conforme Termo de Inicio de Ação Fiscal (doc. fls.1 a 13) ... Em 02/08/2004, o contribuinte solicita mais 90(noventa) dias de prazo para atender a intimação acima, e informa que grande quantidade de documentos foram entregues informalmente ao fisco estadual e, ao que tudo indica há a possibilidade de terem sido extraviados juntamente com os livros, vez que a empresa está tendo dificuldads para localizálos em seus arquivos, sendo lhe concedido, em 06/08/2004, mais 30 (trinta) dias para Fl. 718DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10120.007641/200414 Acórdão n.º 930301.654 CSRFT3 Fl. 709 5 cumprir a intimação, referente a sua escrituração contábil de 1999 a 2002 o que não foi atendido até a presente data (doc. fls. 34). Assim, os livros e documentos que deveriam ser mantidos em bom estado e guarda pelo contribuinte, nos termos do artigo 527 do RIR/99 (art. 45 da Lei 8.981/95), não foram apresentados. A fiscalização apurou a base de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP devida a partir dos valores de vendas informados na coluna de SAÍDAS, linha VENDAS diminuídos das DEVOLUÇÕES informadas na coluna de ENTRADAS das Declarações Periódicas de Informações DPI, (fls. 86/169), constante do cadastro da Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás. Estas foram obtidas através do sistema informatizado On line, decorrente do Convênio de Cooperação Técnica, firmado em 04/11/1998, entre a Secretaria da Receita Federal e a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, em conformidade com o disposto nos artigos 7° e 199 do Código Tributário Nacional e na Instrução Normativa SRF no 20, de 17/02/1998 (doc.fls. 79/85). A DPI decorre de obrigação acessória relativa à legislação do ICMS e contém os valores registrados nos Livros de Apuração de ICMS, sendo fornecidas pelo contribuinte periodicamente à SEFAZ/GO. Comprovase a veracidade das informações pela identidade entre os valores de ICMS apurados na DPI e os valores recolhidos demonstrados no extrato do sistema online de recolhimentos de ICMS da SEFAZ/G0 (doc.fls. 171/184). Ao se comparar os valores declarados pelo contribuinte a cada ente público, verificase que os valores declarados à SRF são em média 50% (cinquenta por cento) dos valores declarados à SEFAZ/GO ( planilha doc. fls. 43/44). Em 30/08/2004, intimado a esclarecer as diferenças apuradas por esta fiscalização nas planilhas (fls. 43/44 ) entre as receitas declaradas à SEFAZ/GO, nas Declarações Periódicas de Informações DPI e as receitas declaradas à SRF através das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF para composição da base de cálculo do PIS e COFINS nos anos de 1.999, 2.000, 2.001 e 2.002 (fls. 186/388), em sua resposta às fls.45/46, o contribuinte alega que discorda das inovações da Lei n° 9.718/98 e observando aos princípios de Isonomia e Eqüidade, considerou apenas o lucro bruto na apuração da base de cálculo do PIS e COFINS. Verificando as suas Declarações de Imposto de Renda (fls. 189/388) nas fichas de Apuração de Resultados constatase que o seu lucro bruto varia de 10 a 20% da sua receita e o valor declarado como base de calculo do PIS e COFINS representam mais ou menos 50% de sua receita, (conforme planilha de fls. 43/44 ), sendo falso, portanto, o argumento de que tomou como base de cálculo o lucro bruto. ... Fl. 719DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Em suma, a empresa: 1. deliberada e obstinadamente obstou o acesso da fiscalização à sua contabilidade, que, mesmo ao final de mais de dez meses de reiteradas solicitações, não foi exibida; 2. declarou à SRF em sua DIPJ de quatro anos consecutivos metade da receita bruta informada à administração tributária do estado e sobre a qual apurou o ICMS. Pareceme, e pareceu à maioria, que isso basta para configurar a intenção de esconder da autoridade administrativa circunstâncias essenciais relativas ao fato gerador da contribuição, a ponto de viabilizar o enquadramento no art. 44, II da Lei 9.430 como efetuado pela fiscalização. O dispositivo, como se sabe, tem a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ... Embora esse artigo tenha tido sua redação profundamente alterada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, no particular, a disposição permanece.Confirase: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 720DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10120.007641/200414 Acórdão n.º 930301.654 CSRFT3 Fl. 710 7 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Acresçase que a fiscalização, embora tenha se embasado na escrituração do ICMS, teve o cuidado de não considerar todas as saídas, mas tãosomente aquelas decorrentes de vendas e devidamente descontadas das devoluções. Ademais, não se tratou de mera divergência com a DCTF, que, como sabido, não registra a totalidade da receita, mas a base de cálculo assumida pelo sujeito passivo. Mesmo na DIPJ, em que obrigatoriamente se informa aquele total, a receita está contumazmente informada a menor (fls. 186/388). E com essas considerações, decidiu a maioria prover o recurso fazendário restabelecendo a plenitude da penalidade constante da autuação. Esse o acórdão que me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS REDATOR DESIGNADO Fl. 721DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11176.000204/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2004
Ementa: SALÁRIO INDIRETO – PRÊMIO – INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
REMUNERAÇÃO CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
HABITUALIDADE
O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando
implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tornando-o habitual.
Numero da decisão: 2301-002.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2004 Ementa: SALÁRIO INDIRETO – PRÊMIO – INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tornando-o habitual.
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REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000204/200730 Acórdão n.º 230102.414 S2C3T1 Fl. 215 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Consta do Relatório da NFLD (fls. 15) que o objeto do lançamento são as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados por meio de um sistema de premiação, que consiste no fornecimento de cartões de premiação, denominados FLEXCARD, fornecidos pela empresa administradora do programa INCENTIVE HOUSE S/A. A autoridade lançadora esclarece que os salários de contribuição foram apurados a partir das notas fiscais emitidas pela empresa administradora do programa, registradas nos livros contábeis da notificada, e que, apesar de solicitado por meio de TIAD, a empresa não apresentou a relação de todos os beneficiários do programa, motivo pelo qual, para alguns segurados, a base de cálculo da contribuição foi apurada por aferição. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0614.566, da 7a Turma da DRJ/CTA (fls. 148), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 161), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Preliminarmente, insiste na nulidade do lançamento, argumentando que, durante a fase de fiscalização, não basta ser "concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos", sendo imprescindível que as autoridades fiscais se utilizem de todos os meios possíveis para se alcançar a verdade material dos fatos, o que não ocorreu no caso vertente, em razão da flagrante superficialidade das diligências realizadas. Infere que, no exercício da atividade de fiscalização e arrecadação, deve a autoridade administrativa buscar a real essência dos acontecimentos retratados pela contabilidade da pessoa jurídica, e que só assim poderá ser corretamente aferida a base de cálculo do tributo, que só pode ser exigido ante a efetiva ocorrência do fato gerador. Sustenta que, se ao contribuinte não forem deferidos todos os recursos inerentes ao exercício de seu direito à ampla defesa, a Administração Tributária poderá, no exercício da atividade de fiscalização, concluir de forma equivocada acerca da ocorrência e reais características do fato gerador, tal como ocorrido no caso vertente, afastandose da verdade material, o que ofenderia os princípios constitucionais do contraditório, do devido processo legal e o da estrita legalidade tributária. Defende o esgotamento, pelos agentes de fiscalização, da tarefa de esclarecer a natureza e reais características das atividades e negócios jurídicos entabulados entre os particulares, investigando a verdade material, em face do caráter estritamente vinculado que Fl. 488DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 reveste o ato administrativo de lançamento, relativamente ao qual a discricionariedade encontrase totalmente proscrita. Entende que a fiscalização deve investigar detalhada e exaustivamente todos os documentos e livros do contribuinte, permitindo inclusive sua participação para auxiliar na verificação do cumprimento de suas obrigações tributárias, aprofundando as investigações necessárias e solicitandolhe esclarecimentos, enfim, realizando toda a sorte de diligências necessárias para a confirmação da ocorrência do fato gerador e correta determinação da base de cálculo do tributo. Procura demonstrar a necessidade de se assegurar ao contribuinte, na esfera administrativa, o regular contraditório, provendolhe o acesso a todos os meios e instrumentos necessários ao exercício do seu direito à ampla defesa, no curso do devido processo legal. Assevera que, no caso presente, o auditor não investigou adequadamente a verdade material, em razão da superficialidade das diligências realizadas na fase de fiscalização, não intimou a Recorrente para prestar esclarecimentos acerca dos documentos e livros examinados e, finalmente, valeuse de presunção ao efetuar o lançamento do crédito tributário, em flagrante violação aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e da própria busca da verdade material. Alega que, tivesse o nobre auditor aprofundado suas investigações, solicitando esclarecimentos à Recorrente a respeito da efetiva causa dos pagamentos de premiação decorrentes de programa de estímulo ao aumento da produtividade, assim como sobre sua frequência, facilmente teria verificado que eles não deveriam efetivamente ter integrado o saláriodecontribuição, em razão de expressa previsão legal. Aduz que se tivesse tido a oportunidade de interagir com o auditor fiscal, de confirmar ou infirmar suas alegações, inclusive apresentando esclarecimentos e documentos adicionais, certamente teria se evidenciado que o crédito tributário apurado não é efetivamente devido, pois os valores creditados aos funcionários da Recorrente, por meio de cartão magnético, efetivamente não deveriam ter integrado a base de cálculo das contribuições previdenciárias reclamadas. No mérito, tenta demonstrar a ausência de habitualidade na concessão dos bônus e gratificações a alguns de seus empregados como incentivo de vendas, por meio de cartões magnéticos, enquadrandoos no item 7, da alínea “e”, do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91. Reitera que tais verbas não se tratam de remuneração pela prestação de serviços, pois dependiam da produtividade dos funcionários e do próprio resultado da atividade operacional da Recorrente, e não foram contratualmente estabelecidos. Defende a necessidade da conversão do julgamento em diligência a fim de que as investigações fossem aprofundadas, confirmandose a freqüência de pagamentos em relação a cada beneficiário, assim como todas as demais evidências documentais que lastreiam o procedimento adotado pela Recorrente. Entende que o indeferimento da diligência pela primeira instância não pode subsistir, uma vez que a Recorrente apontou expressamente os motivos para sua realização e que a formulação de quesitos só se aplica nos casos de pedido de perícia, que teria que ser realizada por profissional técnico especializado na matéria, o que não se confunde com a diligência, que é realizada pelo próprio auditor fiscal. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000204/200730 Acórdão n.º 230102.414 S2C3T1 Fl. 216 5 É o relatório. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a notificada traz vários argumentos tentando demonstrar a nulidade da NFLD. Entende que houve cerceamento de defesa, em razão da superficialidade das diligências realizadas na fase de fiscalização. Contudo, não se verifica a nulidade alegada pela recorrente. A fiscalização, em ação fiscal na empresa, constatou o pagamento de prêmios e solicitou a documentação pertinente. A empresa apresentou a documentação solicitada de forma deficiente, sem contemplar todos os beneficiários do prêmio por ela concedido. Portanto, entendo que não cabe a alegação de que a fiscalização não se aprofundou em sua análise. E, diante da constatação, por meio da análise dos registros contábeis da recorrente e das notas fiscais emitidas pela empresa administradora do programa de premiação, Incentive House, que a notificada concedia prêmios a alguns de seus empregados, e diante de um entendimento jurisprudencial de que prêmio é remuneração, a fiscalização, cuja atividade é vinculada, não teve outra alternativa a não ser lançar a contribuição devida, incidente sobre os valores relativos aos prêmios. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, o auditor aprofundou, sim, em suas investigações, pois analisou os registros feitos nos livros contábeis da empresa notificada, e solicitou, por meio de TIAD, os documentos que trariam esclarecimentos a respeito dos pagamentos de premiação decorrentes de programa de estímulo ao aumento da produtividade. Dessa forma, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000204/200730 Acórdão n.º 230102.414 S2C3T1 Fl. 217 7 Em relação ao argumento de que a ausência de interação entre contribuinte e fiscalização, durante a fase fiscalizatória, cerceou o direito de defesa da recorrente e ofendeu o princípio do contraditório e devido processo legal, vale esclarecer que os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado a NFLD e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Ressaltase que a fase fiscalizatória, dada sua natureza inquisitorial, não se constitui em requisito essencial que deva preceder o lançamento. Caso a autoridade fiscal disponha de elementos suficientes para realizar o lançamento, nos moldes do art. 142 do CTN, poderá fazêlo sem que qualquer intimação ao contribuinte seja feita. No caso presente, verificase que foi concedido, à notificada, o prazo legal para apresentação da defesa e recurso, ficandolhe facultado fornecer os documentos que entendesse necessários para comprovar sua regularidade fiscal. Dessa forma, considerando a natureza inquisitorial da fase fiscalizatória, não se vislumbra motivos para nulidade do lançamento. Cumpre observar que a contribuinte foi cientificada do início da ação fiscal por meio do MPF, que é o documento que instaura o procedimento fiscal. E o MPF traz a descrição sumária da ação fiscal, deixando claro que a fiscalização é para verificar a ocorrência dos fatos geradores previdenciários, o que foi feito pelos Auditores designados. Assim, o lançamento, como ato administrativo, é válido, pois precedido de MPF válido, e o fiscal, a quem compete o lançamento, ao constatar o descumprimento da obrigação acessória, lavrou o AI, em observância aos ditames legais. Ademais, conforme o art. 14, do Decreto 70.235/72, é a impugnação da exigência que instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Nesse sentido, não há que se falar em nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, já que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Nesse sentido, considerando que todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelo contribuinte encontramse nos autos, rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. No mérito, a recorrente não nega que pagou premiações a alguns de seus empregados, mas apenas tenta demonstrar que os valores relativos à premiação concedida por meio de empresa contratada, administradora do programa, não integram o salário de contribuição. Contudo, a Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na \forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao estabelecer, no inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91, que salário de contribuição é“...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). Restou claro, nos autos, que a concessão de prêmio aos empregados em função de desempenho, como incentivo para as vendas não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas, como a própria recorrente insiste em afirmar em seu recurso, possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falarse, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000204/200730 Acórdão n.º 230102.414 S2C3T1 Fl. 218 9 § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Assim as gratificações, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou, o que foi confirmado pela recorrente em sua peça recursal, que tais valores são pagos por meio de empresa interposta para premiar alguns de seus empregados. Conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio da empresa prestadora citada no Relatório Fiscal, não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de programa de incentivo em favor dos segurados que lhe prestam serviços não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do empregado ao receber as quantias correspondentes aos prêmios de incentivo. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e os julgadores de primeira instância. Cumpre esclarecer que a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação a que trata da matéria. Dessa forma, os valores recebidos pelos empregados da recorrente a título de prêmio integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. Em relação aos argumentos de que a verba em comento não teria natureza salarial já que dependia da produtividade dos empregados e não foi contratualmente estabelecida, é oportuno observar que tais prêmios, oferecidos por mera liberalidade, ainda que de forma condicionada, pela empregadora a seus empregados não nega sua característica remuneratória, já que é decorrência única e exclusiva do contrato existente entre ambos, e mais, representa ganho obtido da empresa, o que nos mostra uma vinculação entre seu fornecimento e o labor do seu beneficiário, indicadora da sua natureza contraprestativa, numa forma indireta. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 Da mesma forma, constatase que não estamos diante de um pagamento eventual, como veementemente sustenta a recorrente, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Ademais, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornando o habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de não ser seqüencial a continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o contrato, o recebimento é que depende acontecer a condição estabelecida pelo empregador, que concede o prêmio. A expectativa criada, o costume e a certeza do benefício em se caracterizando a situação prédefinida pela empresa empregadora gera a habitualidade, afasta por completo a eventualidade que poderia enquadrar o pagamento no item 7 da letra “e” do § 9º da Lei 8.213/91. Relativamente ao pedido que seja realizada diligência, vale lembrar que o inciso IV e § 1o, do art. 16, do Decreto 70.235/72, assim determina: Art. 16: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; *(Redação dada pela Lei 8.748/93). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. *(Acrescido pela Lei 8.748/93) A recorrente insurgese contra esse entendimento, argumentando que apontou expressamente os motivos para realização da diligência e que a formulação de quesitos só se aplica nos casos de pedido de perícia. Contudo, não é o que se depreende da leitura do dispositivo legal transcrito acima, que deixa claro que, no caso de pedido de realização de diligência, a requerente deve, sim, formular os quesitos e, apenas para os casos de perícia, devese indicar o perito. Assim, entendo que assiste razão aos julgadores de primeira instância, que indeferiram, com muita propriedade, o pedido de diligência formulado pela recorrente, uma vez que não foram cumpridos os requisitos legais. Ademais, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e a NFLD muito bem fundamentada. Assim, indeferese o pedido de seja realizada diligência, por considerála prescindível e meramente protelatória. Nesse sentido e, Fl. 495DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000204/200730 Acórdão n.º 230102.414 S2C3T1 Fl. 219 11 Considerando tudo o mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 496DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720743/2007-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário:
2002
NULIDADE DO LANÇAMENTO Não
são causa de nulidade do auto de infração, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões
proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INTIMAÇÃO POR VIA
POSTAL. VALIDADE.
É válida a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal por via postal, não sendo obrigatória a intimação pessoal do contribuinte.
LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO.
O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
Numero da decisão: 1803-001.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO Não são causa de nulidade do auto de infração, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal por via postal, não sendo obrigatória a intimação pessoal do contribuinte. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720743/200717 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.105 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria IRPJ Recorrente REFERENCIAL TRANSPORTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO Não são causa de nulidade do auto de infração, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal por via postal, não sendo obrigatória a intimação pessoal do contribuinte. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 104106, 110112, 117119 e 124126, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s)calendário 2002, com crédito total apurado no valor de R$ 1.022.581,3 1, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 30/11/2007. De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração, o(s) sujeito(s) passivo(s) incorreu(am) na(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de receitas de prestação de serviços. O Auto de Infração também é integrado pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 5657) e Demonstrativo de Notas Fiscais Emitidas (fl. 58). O lucro do contribuinte foi arbitrado em razão da falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração (art. 530, III, RIR/99). Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75%. O(s) sujeito(s) passivo(s) tomou(aram) ciência do(s) lançamento(s) em 27/12/2007 (fls. 132) e apresentou(am) sua(s) impugnação(ões) em 28/01/2008 (fls. 137143), na(s) qual(is) alegou em síntese que: 1. Não tomou ciência do MPF n° 0220100/00179/2007; 2. O AuditorFiscal da RFB não se identificou no ato de entrega dos MPF e MPFC; 3. A ação fiscal se iniciou sem a ciência do sujeito passivo; Fl. 214DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 3 3 4. Houve alteração do responsável pela execução do MPF em desrespeito ao que estabelece o §2°, do art. 22, da Portaria RFB n° 4.066/07; 5. Também houve desrespeito aos artigos 13, §2°, 16, parágrafo único, e 22, caput, da mesma Portaria; 6. 0 pedido de informações à Prefeitura Municipal de Manaus foi feito ao arrepio do que estabelece o art. 199 do CTN, comprometendo os princípios da segurança jurídica, da publicidade dos atos públicos e do direito de defesa; 7. Seria impossível a recorrente fazer a entrega dos documentos solicitados em razão do seu volume expressivo; 8. Tais documentos deveriam ser retirados do escritório da empresa sob recibo do AFRFB por tratarse de documentos sujeitos ao sigilo fiscal; 9. Os extratos bancários somente ficaram prontos após o encerramento da fiscalização; 10. Assim, não deve ser responsabilizada pela falta de entrega dos documentos; 11. "a não entrega de documentos não constou a ação fiscal que, mesmo assim, lavrou o auto sem agravamento de multa, em demonstração inequívoca do Fisco de que não houve descumprimento de obrigação fiscal"; 12. Dessa forma não procede o arbitramento com base no art. 530, III, o do RIR/99; 13. Há erro na capitulação da infração (omissão de receita), pois o art. 288 do RIR/99 não se coaduna com o arbitramento do lucro. Dessa forma, o lucro deveria ter sido presumido conforme a opção do contribuinte; 14. 0 Fisco não considerou os lançamentos da DIPJ e os respectivos pagamentos de IRPJ; 15. O fisco errou ao adotar um lançamento complementar quando o art. 528 determina que a receita omitida deverá ser computada na mesma base da receita declarada, subtraindo o valores recolhidos do valor apurado. 16. Para tanto, anexa os DARF's às folhas 144145.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: “NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando Fl. 215DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 4 4 nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. ARBITRAMENTO DO LUCRO. o arbitramento do lucro não é uma penalidade tributária, mas, sim, um modalidade de apuração do lucro necessária e obrigatória em casos de impossibilidade de apuração do lucro real e/ou lucro presumido. A não apresentação dos livros de escrituração obrigatória é motivo suficiente para a medida. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CAPITULAÇÃO LEGAL IMPERFEITA. O erro na capitulação legal, ou mesmo a sua ausência, não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamento cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do lustro decadencial a partir da data do fato gerador. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa, no que couber, idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A Portaria RFB n° 4.066/07 não é uma norma infralegal, mas faz parte do conjunto denominado legislação tributária no art. 96 do CTN. b) Uma vez instituído o MPF, tornase obrigatória a presença do agente fiscal perante o contribuinte a fim de que o relacionamento possa se completar. c) Não há previsão legal para o contribuinte levar os documentos solicitados até a presença do fisco. Mesmo porque o interesse é do fisco e o contribuinte não é empregado do fisco. Sempre foi assim: o fisco retira os documentos exigidos junto ao contribuinte. Mas no caso, isso ficou impossível porque o fisco não compareceu como manda o MPF. Daí a impossibilidade de responsabilizar o contribuinte. d) Requer que seja mantida a decadência apresentada e aprovada pela DRJ Belém, e que seja afastado o crédito tributário em função da aplicação incorreta do MPF. e) Quanto ao mérito, o auto de infração deve ser cancelado em virtude de erro no lançamento. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 5 5 Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 08/03/2010 (AR de fls. 156 verso). O recurso foi protocolado em 04/04/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Primeiramente, cumpre observar que a decisão recorrida é definitiva quanto aos valores exonerados em virtude do reconhecimento da decadência. Isto porque, a decisão não foi objeto de recurso de ofício. Assim, apenas está sendo analisado no presente recurso o crédito tributário cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2002, o qual foi mantido na decisão recorrida. A recorrente reitera a preliminar de nulidade do auto de infração pela aplicação incorreta do MPF. A Portaria SRF n° 6.087/2005 assim dispõe sobre o MPF: “Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD).” O procedimento de fiscalização foi instaurado mediante o Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 1. A ciência do MPF, e do termo de início de fiscalização foi efetuada por via postal (AR de fls. 6), nos termos do inciso II, do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972: “Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;” Ou seja, o contribuinte foi devidamente intimado, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. Insurgese o contribuinte tão somente contra o fato do Auditor Fiscal não tê lo intimado pessoalmente, e não ter comparecido a seu estabelecimento. A questão da validade das intimações por via postal é matéria sumulada neste Conselho, ainda que o recebedor não seja o representante legal da empresa: Fl. 217DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 6 6 “Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Por outro lado, no termo constam claramente todas as instruções a serem seguidas pelo contribuinte, in verbis: “A resposta à presente intimação deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados. Os elementos solicitados na presente intimação deverão ser encaminhados ao Auditor Fiscal signatário na DRF/Manaus, Serviço de Fiscalização , situado na Rua Quintino Bocaiúva n° 122, 3° andar , Centro. E, para constar e surtir os efeitos legais , lavramos o presente Termo, em 03 (três ) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor (es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil , cuja ciência e cópia do contribuinte se dará via postal , por Aviso de Recebimento (AR)” O único vício do MPF é aquele apontado pela decisão recorrida, qual seja, a necessidade de emissão de novo MPF, nos termos do § 2°, do art. 22 da Portaria RFB n° 4.066/07. No entanto, o MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. O art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, enumera quais os elementos indispensáveis que um auto de infração deve conter, cuja inobservância pode acarretar nulidade do ato por vício formal: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Fl. 218DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 7 7 No presente caso, constatamos que o auto de infração lavrado contém todos os elementos obrigatórios. Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. Por conseguinte, rejeito a preliminar de nulidade por irregularidade no MPF. Quanto ao mérito, insurgese a recorrente contra a base de cálculo adotada pela fiscalização para apurar o crédito tributário, qual seja, o lucro arbitrado. A autoridade administrativa arbitrou o lucro com fulcro nos seguintes dispositivos legais: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;” Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I).” Ao ser intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, a contribuinte quedouse silente. A intimação da fiscalização foi válida, e, a contribuinte não relatou por escrito qualquer dificuldade na obtenção dos documentos, nem tampouco solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos elementos solicitados. Além dos livros, também foram solicitados extratos bancários e de aplicações financeiras relativas a 4 contas bancárias. A contribuinte não apresentou nenhum dos elementos solicitados, nem qualquer justificativa para tal procedimento. Não vislumbro falhas no procedimento fiscal, sendo que a situação fática autoriza a aplicação dos arts. 530, III, e 532, do Decreto n° 3.000/1999. A fiscalização não só pode, como deve arbitrar o lucro quando se deparar com as hipóteses previstas no art. 530 do regulamento. A fiscalização tem o poderdever de examinar os livros e documentos necessários à apuração da veracidade das declarações e balanços apresentados. No presente caso, ela ficou impedida de realizar tal atividade, restandolhe tão somente a alternativa de calcular o tributo devido com base no lucro arbitrado. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 8 8 Passemos a analisar a questão do erro no cálculo A fiscalização apurou as seguintes informações em relação ao 4° trimestre de 2002 (fls. 58, 70/71, 99/101): Mês Valores das notas fiscais obtidas junto à Prefeitura de Manaus Valores confessados na DCTF Valores informados na DIPJ Outubro 377.412,20 0,00 128.320,15 Novembro 430.265,50 0,00 146.290,25 Dezembro 475.836,20 0,00 161.784,30 Total 1.283.513,90 0,00 436.394,70 Foi tributado como omissão de receitas o valor total das notas fiscais obtidas junto à Prefeitura de Manaus, com utilização do percentual de prestação de serviços gerais. Pelas provas constantes dos autos a empresa exerce a atividade de locação de equipamentos, tais como escavadeiras, caçambas, motoniveladoras, tratores etc. Não há como negar a omissão de receitas apurada e fartamente demonstrada pela juntada das notas fiscais, notas de empenho, cheques e ordens bancárias. O arbitramento tomou por base os valores faturados nas notas fiscais de prestação de serviços para a Prefeitura de Manaus. A recorrente alega que o fisco não incluiu na base de cálculo do lançamento a receita escriturada na DIPJ e, tampouco, deduziu do imposto devido os pagamentos já efetuados. A fiscalização considerou como receita omitida o valor total das notas fiscais: “Os valores totalizados mensalmente representam omissão de receita, e serão tributados mediante lançamento de oficio, com base nos arts. 532 e 537 do RIR/99.Ressaltamos o fato de que não há valores declarados a deduzir dos débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apurados no Auto de Infração.” A decisão recorrida não deduziu os valores recolhidos por entender que a receita total deveria ser o somatório dos montantes declarados e das notas fiscais emitidas, in verbis: “De fato o IRPJ tem uma única base de cálculo. Logo, o arbitramento do lucro deveria abranger a receita declarada. e a omitida. E, por conseguinte, o imposto apurado sobre totalidade das receitas tributáveis deveria ser deduzido do imposto já recolhido. Ocorre o lapso no lançamento só veio a beneficiar o contribuinte. Isto porque a inclusão da receita declarada na base do arbitramento aumentaria o margem de lucro sobre esta receita, o que levaria a uma insuficiência ainda maior do recolhimento, conforme demonstra a tabela comparativa abaixo.” Fl. 220DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 9 9 A fiscalização equivocouse ao não incluir na base de cálculo do tributo a receita declarada, mas como muito bem demonstrou a decisão recorrida, o lapso acabou por diminuir o valor da exigência. Por conseguinte, não merecer reparos a decisão de primeira instância. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 221DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721921/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004
AQUISIÇÃO DE MATERIAIS DE EMBALAGEM. REGIME DE
SUSPENSÃO DO IPI. FABRICAÇÃO PREPONDERANTE. EMPRESAS
OPTANTES PELO SIMPLES. INAPLICABILIDADE.
O regime de suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de
2002, não se aplica às empresas optantes pelo Simples, seja em relação às
aquisições que efetuar de seus fornecedores, seja em relação às saídas de
produtos que promover.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.347
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE MATERIAIS DE EMBALAGEM. REGIME DE SUSPENSÃO DO IPI. FABRICAÇÃO PREPONDERANTE. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. INAPLICABILIDADE. O regime de suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplica às empresas optantes pelo Simples, seja em relação às aquisições que efetuar de seus fornecedores, seja em relação às saídas de produtos que promover. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004 AAQQUUIISSIIÇÇÃÃOO DDEE MMAATTEERRIIAAIISS DDEE EEMMBBAALLAAGGEEMM.. RREEGGIIMMEE DDEE SSUUSSPPEENNSSÃÃOO DDOO IIPPII.. FFAABBRRIICCAAÇÇÃÃOO PPRREEPPOONNDDEERRAANNTTEE.. EEMMPPRREESSAASS OOPPTTAANNTTEESS PPEELLOO SSIIMMPPLLEESS.. IINNAAPPLLIICCAABBIILLIIDDAADDEE.. OO rreeggiimmee ddee ssuussppeennssããoo ddoo IIPPII ddee qquuee ttrraattaa oo aarrtt.. 2299 ddaa LLeeii nnºº 1100..663377,, ddee 22000022,, nnããoo ssee aapplliiccaa ààss eemmpprreessaass ooppttaanntteess ppeelloo SSiimmpplleess,, sseejjaa eemm rreellaaççããoo ààss aaqquuiissiiççõõeess qquuee eeffeettuuaarr ddee sseeuuss ffoorrnneecceeddoorreess,, sseejjaa eemm rreellaaççããoo ààss ssaaííddaass ddee pprroodduuttooss qquuee pprroommoovveerr.. RReeccuurrssoo VVoolluunnttáárriioo NNeeggaaddoo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto e transcrevo o relatório que instruiu a decisão recorrida, proferida no Acórdão nº 1525.387, pela 4ª Turma da DRJ/SALVADOR BA, sessão de 18/11/2010 (fls. 167 a 173): Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI pertinente ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2004. Consta do Termo de Verificação Fiscal que a autuada utilizouse incorretamente da suspensão do IPI prevista na Medida Provisória nº 66, de 2002, e nos artigos 16 e 18 da Instrução Normativa SRF nº 207, mencionadas nas notas fiscais de saída analisadas pela fiscalização. A suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, conversão da Medida Provisória nº 66, de 2002, é assegurada às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem destinados a estabelecimentos industriais que se dediquem preponderantemente à elaboração dos produtos elencados no referido artigo. Assim, segundo o autuante, tendo em vista a saída de mercadorias destinadas a empresas optantes pelo Simples relacionadas à folha 51, às quais não se aplica a suspensão do IPI, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 16 de junho de 2004, bem como a saída de mercadorias destinadas a estabelecimentos que não têm por objeto social a elaboração preponderante de produtos de origem animal ou vegetal elencados no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, conforme relação à folha 50, restou caracterizada a não satisfação dos requisitos que condicionaram a suspensão em comento, tendo sido, então, lançado de ofício o IPI não destacado nas notas fiscais. Às folhas 39/49 foi anexado “Demonstrativo do IPI a lançar” informando o número, valor e data da nota fiscal, nome e CNPJ do cliente, CFOP e classificação fiscal do produto e o IPI a lançar. Em 05/11/2008 (Aviso de Recebimento – AR à folha 135), a contribuinte foi cientificada do Auto de Infração, apresentando em 01/12/2008 a impugnação de folhas 136/153, sendo essas as suas alegações, em síntese: 1. A vedação à fruição do benefício pelas empresas optantes do SIMPLES é flagrantemente ilegal, pois não consta no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, nem no Decreto nº 4.544, de 2002, não podendo a Instrução Normativa SRF nº 296, de 2003, impor restrição inexistente na referida lei, extrapolando o seu dever meramente regulamentar, transcrevendo doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; 2. Desta forma, deve ser declarada nula a restrição criada pela Instrução Normativa SRF n° 296, de 2003, e ratificada pelo Ato Fl. 192DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Processo nº 10580.721921/200845 Acórdão n.º 330201.347 S3C3T2 Fl. 9 3 Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 2004, por ser inconstitucional e ilegal; 3. Ademais, se o próprio autuante reconhece que as adquirentes têm que declarar de forma expressa que atendem a todos os termos e requisitos para a fruição do benefício sob as penas da lei, e intimou a impugnante a apresentar as declarações prestadas pelos adquirentes, onde afirmam sua condição para usufruir do citado benefício, figurase, no mínimo, um total contrasenso que o Auto de Infração tenha sido lavrado contra a impugnante; 4. Não há qualquer obrigação cominada ao industrial/fornecedor para que verifique a veracidade, regularidade ou autenticidade da declaração apresentada, ainda mais porque o particular não pode ter acesso a tais informações, sendo imperioso ressaltar que no período fiscalizado (ano de 2004) não era possível obter no sítio da Receita Federal do Brasil na internet a condição das empresas mediante consulta ao CNPJ, razão pela qual, muito sabiamente, o legislador transferiu a responsabilidade ao adquirente, pois o mesmo é quem presta a declaração e, mais importante, é o destinatário final do benefício da suspensão do IPI; 5. O legislador, ao mesmo tempo em que concedeu o benefício fiscal, delegou ao adquirente a responsabilidade de provar que possuía direito a tal benesse, sob todas as penas da lei, devendo, pois, o Auto de Infração ser arquivado, uma vez que, se houve infração à legislação, esta foi cometida pelos adquirentes, e não pela impugnante; 6. A proibição à fruição do beneficio às empresas optantes pelo SIMPLES somente foi introduzida pela IN SRF nº 429, de 21 de junho de 2004, que alterou a redação do art. 23 da IN SRF nº 296, de 2003, não alcançando os fatos geradores anteriores a junho de 2004, sob pena de ofenderse o ato jurídico perfeito, causando a tão malquista insegurança jurídica; 7. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 2004, não tem o condão de retroagir a proibição em análise, visto que as normas interpretativas somente podem aclarar pontos obscuros, jamais criar ou restringir direitos O órgão de julgamento de primeiro grau manteve o lançamento fiscal, mediante decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE MATERIAIS DE EMBALAGEM. REGIME DE SUSPENSÃO DO IPI. FABRICAÇÃO PREPONDERANTE. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. INAPLICABILIDADE. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE 4 Podem sair do estabelecimento industrial com suspensão do IPI os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique preponderantemente à elaboração dos produtos, contudo, a aplicação da suspensão do IPI nas saídas destinadas a pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Cientificada dessa decisão em 18/03/2011, apresentou o presente recurso voluntário a este Conselho em 15/04/2011, perseverando nos argumentos impugnativos. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Processo nº 10580.721921/200845 Acórdão n.º 330201.347 S3C3T2 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão em causa referese ao que seria o indevido gozo do benefício da suspensão do IPI, nos casos estabelecidos pelo art. 29 da Lei nº 10.637/2002, verbis: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003). (...) § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; (destaques acrescidos) (...) A autuada, ora recorrente, efetuara venda a pessoas jurídicas que não preencheriam os requisitos da sobredita Lei, assim como a pessoas jurídicas não contribuintes do IPI no regime geral, porquanto optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) caso em que também é vedado o benefício, pela legislação de regência. As pessoas jurídicas adquirentes desses produtos com suspensão do IPI foram relacionadas pela autoridade de fiscalização nos demonstrativos de fls. 50 e 51, nos seguintes quantitativos e de acordo com o motivo da vedação: 1. Quantidade de adquirentes que não têm por objeto social a elaboração preponderante de produtos de origem animal ou vegetal de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637/2002: 02 (duas); 2. Quantidade de adquirentes que seriam optantes do Simples: 51 (cinqüenta e uma). Fl. 195DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE 6 Cumpre ressaltar, conforme muito bem notado no voto condutor da decisão recorrida, que dentre as duas pessoas jurídicas constantes do primeiro item supra, uma é fundação que tem por objeto social atividades hospitalares, enquanto a outra é uma indústria de confecções, portanto, em ambos os casos, sem guardar qualquer similaridade com as especificações tipificadas no comando legal para o gozo do benefício fiscal. Verificase, pois, que nenhum esforço adicional seria necessário para que se constatasse, de pronto, que referidas pessoas jurídicas adquirentes não se situavam entre aquelas com as quais as vendas de produtos industriais poderiam ser efetuadas com a suspensão do IPI em causa. Dessa forma, com relação a essas duas adquirentes a que se refere o item 1, supra, também de pronto, cai por terra o argumento recursal de que, na condição de vendedora, não lhe seria permitido o acesso a informações cadastrais ou de outra natureza que tornasse possível tal constatação (a de que uma é fundação que tem por objeto social atividades hospitalares, enquanto a outra é uma indústria de confecções). A mesma conclusão deve ser admitida com relação às outras 51 adquirentes relacionadas pela autoridade fiscal, optantes do Simples, opção essa que a própria legislação de regência obriga que seja divulgada, sendo essa informação, portanto, de domínio público. E não se alegue desconhecimento dessa vedação, pois no sítio da Receita Federal do Brasil, no sistema de perguntas e respostas, de acesso público, consta disponível tal informação, conforme segue: 792 Empresa optante pelo Simples pode adquirir produtos com a suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002? Não. O regime de suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplica às empresas optantes pelo Simples, seja em relação às aquisições que efetuar de seus fornecedores, seja em relação às saídas de produtos que promover (IN SRF nº 296, de 2003, art. 23, inciso I). Com relação à legalidade do lançamento de ofício, não procede argumentação de que a Instrução Normativa nº 296/2003 teria se excedido na sua atribuição regulamentadora de lei, porquanto a Receita Federal do Brasil estava devidamente autorizada a proceder à regulamentação necessária, consoante § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002, a seguir: Art. 29 (...) § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; (...) (destaques acrescidos) Fl. 196DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Processo nº 10580.721921/200845 Acórdão n.º 330201.347 S3C3T2 Fl. 11 7 Nessa ordem de juízos, nego provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 197DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE
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Numero do processo: 19515.003362/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
A autoridade fiscal devidamente intimou o contribuinte a apresentar documentação comprobatória, além de o esclarecer e incentivar das vantagens de vincular os depósitos à atividade de pessoa jurídica. A ação fiscal transcorreu por 1 ano e 4 meses, sem que o sujeito passivo apresentasse qualquer prova.
Assim, impossível se verificar qualquer inobservância aos princípios da ampla defesa e do contraditório.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
Hipótese em que o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários incluídos no lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES
ANTES DO LANÇAMENTO.
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento Súmula CARF nº 29.
Hipótese em que uma das contas-correntes utilizadas no lançamento é de titularidade conjunta, não existindo nos autos intimação do cotitular para justificar os depósitos.
Preliminar de nulidade rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desconsiderar a tributação do valor líquido referente: (a) aos depósitos relativos à conta corrente no Banco
HSBC, agência 0227, conta 2665513 (planilhas de fls. 413 a 439, 463 a 493 e 522 a 545) e (b) às devoluções de cheques desta conta (planilhas de fls. 440 a 462, 494 a 521 e 546 a 565).
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. A autoridade fiscal devidamente intimou o contribuinte a apresentar documentação comprobatória, além de o esclarecer e incentivar das vantagens de vincular os depósitos à atividade de pessoa jurídica. A ação fiscal transcorreu por 1 ano e 4 meses, sem que o sujeito passivo apresentasse qualquer prova. Assim, impossível se verificar qualquer inobservância aos princípios da ampla defesa e do contraditório. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). Fl. 247DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003362/200501 Acórdão n.º 2101001.436 S2C1T1 Fl. 640 2 Hipótese em que o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários incluídos no lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES ANTES DO LANÇAMENTO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento Súmula CARF nº 29. Hipótese em que uma das contascorrentes utilizadas no lançamento é de titularidade conjunta, não existindo nos autos intimação do cotitular para justificar os depósitos. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desconsiderar a tributação do valor líquido referente: (a) aos depósitos relativos à conta corrente no Banco HSBC, agência 0227, conta 2665513 (planilhas de fls. 413 a 439, 463 a 493 e 522 a 545) e (b) às devoluções de cheques desta conta (planilhas de fls. 440 a 462, 494 a 521 e 546 a 565). (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 e 566 a 588, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001 a 2003, para lançar infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem Fl. 248DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003362/200501 Acórdão n.º 2101001.436 S2C1T1 Fl. 641 3 não comprovada, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$751.403,02, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 598 a 608), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 613 a 614): Cerceamento de Defesa – Nulidade do Procedimento Administrativo O Auto de Infração é nulo por cercear o direito de defesa em face de negativa de prazo suplementar ao contribuinte para provar que as movimentações financeiras referemse à pessoa jurídica. Princípio de Verdade Material decorrente do direito à ampla defesa Caso fosse garantido ao contribuinte o prazo requerido, poderia se confirmar a presunção de que a movimentação financeira é da pessoa jurídica em que o contribuinte é sócio; Entende lamentável e imoral, ser inquirido a produzir prova que possa importar em eventual caracterização de ilícito penal; A comprovação de documentação fiscal que demonstre a relação direta entre os recursos movimentados na conta corrente do contribuinte e as operações mercantis, por razões óbvias, é impossível de ser apresentada; À luz do princípio da verdade material é inquestionável o poder dever da autoridade fiscal em apurar o crédito deste tributo a partir da pessoa jurídica em que o contribuinte figura como sócio. Necessidade de comprovação de acréscimo patrimonial A constituição de crédito tributário relativo ao imposto de renda deve demonstrar, de forma inequívoca, a existência de acréscimo patrimonial; A autoridade fiscal deve comprovar o nexo entre os depósitos a crédito e de sinais exteriores de riqueza que possam evidenciar o aumento patrimonial do contribuinte. Quebra do sigilo bancário antes de instaurado o procedimento fiscal Conforme relatado foi através da requisição da coordenação de fiscalização da Secretaria da Receita Federal que ensejou o Procedimento Fiscal e a posterior lavratura do Auto de Infração. Diante dessa requisição, a fiscalização da Delegacia da Receita Federal em São Paulo procedeu a pesquisas às informações financeiras do contribuinte visando obter provas suficientes para instaurar o procedimento fiscal; A pesquisa realizada pela Autoridade Fiscal às informações bancárias do contribuinte, que levantou supostas irregularidades fiscais, ocorreu anteriormente à instauração do procedimento fiscal; Fl. 249DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003362/200501 Acórdão n.º 2101001.436 S2C1T1 Fl. 642 4 Tendo em vista que a Autoridade Fiscal, em total ofensa à Lei Complementar 105/2001 e ao Decreto nº 3.724/2001, teve acesso às informações bancárias do contribuinte antes do início de Procedimento Fiscal deve o Auto de Infração ser considerado nulo. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 611 a 619): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. Sendo concedida, na fase impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a argumentação de cerceamento do direito de defesa. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Em obediência ao Princípio da Verdade Material, é de ser admitido o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento; contudo, a existência do erro de fato deve ser cabalmente demonstrada pelo contribuinte, mormente quando se pretende afastar omissão de rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, não o vinculando a necessidade de demonstrar o correspondente acréscimo patrimonial em relação aos depósitos. SIGILO BANCÁRIO. INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS. INFORMAÇÕES DA CPMF. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. Compete às Instituições Financeiras fornecer informações à Secretaria da Receita Federal sobre a movimentação financeira a qual poderá utilizálas para instaurar procedimento administrativo.(§ 3º , art.11 da Lei nº 9.311/96, na redação da Lei 10.174/2001). Fl. 250DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003362/200501 Acórdão n.º 2101001.436 S2C1T1 Fl. 643 5 Recebidas as informações e verificada incompatibilidade instaurase o procedimento administrativo podendo então a autoridade fiscal requisitar as informações inclusive extratos bancários, estes sim, após iniciada a ação fiscal. (§ 4º do art. 5º e art. 6º da LC 105, de 10/01/2001). Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 27/10/2008 (fl. 624), o contribuinte apresentou, em 26/11/2008, o recurso de fls. 626 a 636, onde: a) pugna pela nulidade do lançamento, pela inobservância aos princípios da ampla defesa e do contraditório, pois a autoridade fiscal negou a concessão de prazo suplementar para que ele comprovasse que parte dos depósitos efetuados na conta bancária seria da pessoa jurídica, refutando os argumentos do acórdão recorrido de que a fase litigiosa somente se instaura após a lavratura do auto de infração; b) afirma que não houve comprovação de seu acréscimo patrimonial. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 638, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Preliminar de nulidade: Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da autuação, pela inobservância ao principio da ampla defesa e do contraditório, pois a autoridade fiscal negou a concessão de prazo suplementar para que ele comprovasse que parte dos depósitos efetuados na conta bancária seria da pessoa jurídica. O julgador de 1a instância refutou o argumento alegando que (fls. 614 a 615): a) somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, e Fl. 251DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003362/200501 Acórdão n.º 2101001.436 S2C1T1 Fl. 644 6 que o contribuinte teve esse direito assegurado ao ser regularmente intimado da exigência fiscal, e ter ao seu dispor o prazo de 30 dias para exercêlo. b) a ação fiscal teve início em 20/08/2004, data em que o contribuinte tomou ciência da intimação que já pedia que fosse comprovada, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados nas contas bancárias, e que o encerramento se deu em 26/12/2005. Assim, o contribuinte teve 1 ano e 4 meses para comprovar o que entendesse devido, e não o fez. No voluntário, o recorrente discorda do julgador a quo, alegando que o cerceamento de defesa ocorreu antes da fase impugnatória, pois se fosse concedido o prazo suplementar para que pudesse identificar se os créditos impugnados se referiam às movimentações de sua pessoa jurídica, talvez o auto de infração nem fosse lavrado. Acrescenta que se fosse verdade que o cerceamento de defesa só pudesse ocorrer após o lançamento, então os atos administrativos praticados antes da apresentação da impugnação seriam de pouca relevância ou inúteis ao desenrolar do procedimento administrativo, o que não é correto, pois, caso contrário, o Decreto n.° 70.235/72 não disporia sobre tais atos e o processo administrativo se limitaria apenas à fase impugnatória. Conclui que, no procedimento fiscal, seja na parte inicial ou na fase impugnatória, devem ser respeitados os princípios constitucionais afetos ao processo administrativo, não cabendo ao alvedrio da autoridade fiscal determinar em qual parte do procedimento fiscal haverá observância dos princípios inerentes ao processo administrativo. Entretanto, em análise cuidadosa do Termo de Verificação Fiscal (fls. 566 a 577), e dos demais documentos acostados aos autos, verifico que foi amplamente permitido ao contribuinte que comprovasse a origem dos depósitos. Mais ainda, ao invés de simplesmente se escorar na presunção legal e efetuar o lançamento com base nos depósitos bancários sem maiores preocupações, a autoridade fiscal estimulou o contribuinte a vincular os créditos com sua atividade comercial, explicando as vantagens tributárias dessa atitude. Observese o trecho abaixo transcrito do Termo de Verificação Fiscal (fls. 570 a 572): Durante a análise dos extratos bancários obtidos, verificamos que a conta mantida junto ao banco HSBC possui características que normalmente são vistas nas movimentações bancárias de pequenos comerciantes. Neste caso, os aspectos que nos levam a fazer este comentário são a grande quantidade de cheques de pequeno valor depositados, a grande quantidade de cheques de pequeno valor emitidos e, principalmente, a grande quantidade de cheques devolvidos, aliado ao fato de esses eventos ocorrerem em praticamente todos os dias do período investigado. (...) As características presentes na conta bancária, principalmente no que se refere às quantidades e valores dos cheques devolvidos — cerca de 5 cheques devolvidos com valor aproximado de R$ 125,00, diariamente mencionadas acima, indicaram, de fato, uma grande possibilidade de tratarse de movimentação financeira paralela de uma pessoa jurídica, prática vulgarmente conhecida como "caixa dois". Buscando a verdade material, procuramos elementos que comprovassem essa possibilidade, qual seja, de que os lançamentos presentes na conta tivessem origem Fl. 252DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003362/200501 Acórdão n.º 2101001.436 S2C1T1 Fl. 645 7 em movimentação financeira de pessoa jurídica não contabilizada, realizada em nome da pessoa física, a princípio, com o intuito de fugir à tributação pertinente. Para que essa hipótese ficasse plenamente caracterizada e a tributação correspondente pudesse ser realizada de forma consistente, procuramos obter os elementos a isso necessários. Já havíamos informado aos representantes legais do senhor Leonel que, caso ficasse comprovado que a movimentação bancária realizada pertencesse na realidade à pessoa jurídica, os trabalhos em nome dele seriam encerrados para possível verificação fiscal junto à empresa. Informamos quais seriam os elementos a serem a nós apresentados, para que agíssemos dessa maneira. Nenhum documento nos foi encaminhado. Em 09.11.2005, lavramos o Termo de Intimação número 002, fls. 11 a 96, AR à fl. 97. Neste termo discriminamos individualmente os lançamentos a crédito identificados nos extratos bancários do período envolvido pela ação fiscal, que são passíveis de tributação caso não tivessem a origem comprovada mediante a apresentação de documentação hábil ou idônea. Informamos ainda, nesta intimação, os elementos a serem apresentados e que seriam necessários para a caracterização de movimentação financeira pertencente, de fato, a pessoa jurídica. Reproduzimos, abaixo, os termos informados na Intimação: (...) Nenhum documento ou esclarecimento nos foi encaminhado. Ora, a simples descrição de tão cuidadosa ação fiscal, que buscou diligentemente comprovar a origem dos depósitos bancários, inclusive esclarecendo e incentivando o fiscalizado das vantagens da comprovação, bem como o longo tempo que o contribuinte teve para apresentar as provas, põem por terra qualquer alegação de cerceamento de defesa. Acrescentese que mesmo agora, mais de 6 anos após o término da fiscalização, ainda não foram trazidas aos autos quaisquer provas de vinculação dos depósitos à atividade de pessoa jurídica. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade suscitada. Lançamento com base em depósitos bancários: Como já explicado, o lançamento se deu com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, abaixo transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 253DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003362/200501 Acórdão n.º 2101001.436 S2C1T1 Fl. 646 8 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003362/200501 Acórdão n.º 2101001.436 S2C1T1 Fl. 647 9 No caso, verifico que a autoridade fiscal intimou devidamente o contribuinte a apresentar seus extratos bancários (fls. 04 a 10), e que, depois de totalizar os depósitos, a Fiscalização intimou o sujeito passivo a justificar sua origem (fls. 11 a 97), tendo sido lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. Isso comprova a correta adequação do procedimento fiscal aos termos da lei. Essa explicação afasta também o argumento de que não se poderia utilizar os depósitos bancários como omissão de receitas sem que se estabelecesse um vínculo entre os recursos depositados e alguma receita não escriturada, devendose ressaltar que essa interpretação está definitivamente sepultada na esfera administrativa desde a edição da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Contasbancárias com cotitulares não intimados: Entretanto, verifico que parte do lançamento padece de grave defeito: a falta de intimação de todos os titulares de algumas das contas para prestar esclarecimentos. A matéria não foi alegada no recurso, mas merece ser corrigida de ofício, por se tratar de assunto sumulado e por dizer respeito à própria validade do lançamento. Observese que a presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, exige a intimação prévia do titular da contacorrente. Nesse sentido, firmouse o entendimento de que todos os cotitulares da conta devem ser intimados para que o lançamento seja considerado válido, consolidado na Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Observese que a tributação envolveu as contas correntes nos bancos HSBC, agência 0227, conta 2665513; Itaú, agência 2978, conta 023907; e Unibanco, agência 335, conta 4901997. Em análise dos extratos da conta do HSBC (fls. 147 a 377), verificase que ela é de titularidade conjunta com Neide Isabel Grassmann. Pelo contrato social de fls. 123 a 127, verificase que Neide Isabel Grassmann Pazzini, CPF no 022.912.14896, é sócia da empresa Copa Comércio de Frios Ltda, CNPJ no 57.014.185/000100, junto com o fiscalizado. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.003362/200501 Acórdão n.º 2101001.436 S2C1T1 Fl. 648 10 Contudo, não existe nos autos intimação da cotitular para justificar os depósitos, pelo que se deve excluir do lançamento os créditos relativos a essa contacorrente. Entretanto, o cálculo dos valores a serem excluídos deverá ser feito pela unidade preparadora, pois os autos não trazem os depósitos tributados separados por contas correntes. Observese que o valores lançados correspondem aos totais mensais dos depósitos subtraídos dos cheques devolvidos. As planilhas RT 1, 2 e 3 (fls. 413 a 439, 463 a 493, e 522 a 545) trazem a relação consolidada dos créditos nas contas correntes nos anos de 2000 a 2002, mas a última folha de cada planilha separa os créditos por bancos. Assim, os depósitos no HSBC totalizam R$1.022.351,64 em 2000 (fl. 439), R$917.863,18 em 2001 (fl. 493), e R$847.003,81 em 2002 (fl. 545). Contudo, as Planilhas CHD 1, 2 e 3 (fls. 440 a 462, 494 a 521 e 546 a 565) listam os cheques devolvidos em todas as contas correntes, sem fazer a totalização final por banco. Desse modo, somente será possível se calcular o valor a ser excluído em cada exercício com a separação dos cheques devolvidos no Banco HSBC, retirandose do lançamento o total dos depósitos subtraído do total dos cheques devolvidos. Conclusão: Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desconsiderar a tributação do valor líquido referente: (a) aos depósitos relativos à conta corrente no Banco HSBC, agência 0227, conta 2665513 (planilhas de fls. 413 a 439, 463 a 493 e 522 a 545) e (b) às devoluções de cheques desta conta (planilhas de fls. 440 a 462, 494 a 521 e 546 a 565). (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10675.001966/2007-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anocalendário:
2006, 2007
PIS. REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INSUBSISTÊNCIA.
A partir de 01/07/2000 não mais subsiste o regime de substituição do PIS aplicável
às refinarias de combustíveis. Incabível à consumidora final, pessoa jurídica
adquirente direta da distribuidora, valerse
da possibilidade de ressarcimento.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO
ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE
Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista
constitucional.
Numero da decisão: 3403-001.299
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007 PIS. REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INSUBSISTÊNCIA. A partir de 01/07/2000 não mais subsiste o regime de substituição do PIS aplicável às refinarias de combustíveis. Incabível à consumidora final, pessoa jurídica adquirente direta da distribuidora, valerse da possibilidade de ressarcimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional.
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REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INSUBSISTÊNCIA. A partir de 01/07/2000 não mais subsiste o regime de substituição do PIS aplicável às refinarias de combustíveis. Incabível à consumidora final, pessoa jurídica adquirente direta da distribuidora, valerse da possibilidade de ressarcimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório O contribuinte, identificado nos autos, apresentou pedido de restituição no valor de R$ 17.102,81, relativo ao PIS do período de 30/05/2006 a 17/01/2007, decorrente de valores recolhidos indevidamente ou a maior o indevido sobre compras de combustível como consumidor final. A DRFUberlândia/MG, mediante Despacho Decisório n° 715/2007, fls. 18/22, indeferiu o pedido de restituição, sob o fundamento que a partir de 01/07/2000 é incabível tal restituição por força do disposto na MP 1.991/2000. Dessa forma não há pagamento indevido ou a maior de PIS, não havendo, portanto, contribuição a ser ressarcida. A seguir, a ementa do despacho decisório: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Contribuição para o PIS Ementa: A partir de 01/07/2000 não mais subsiste o regime de substituição do PIS aplicável às refinarias de combustíveis. Incabível à consumidora final, pessoa jurídica adquirente direta da distribuidora, valerse da possibilidade de ressarcimento. Solicitação Indeferida Inconformado apresenta manifestação de inconformidade (fls. 25 e seguintes), na qual alega que MP 1.991/2000 seria inconstitucional por violar o § 7° do artigo 150 e o artigo 246, ambos da Constituição Federal. A 2ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, no Acórdão nº 0922514, de 11 de fevereiro de 2009, fls.46/47, votou pela improcedência da manifestação de inconformidade, pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado e pela não homologação da compensação efetuada. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007 COMPENSAÇÃO Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. Solicitação Indeferida Cientificada da decisão em 11/03/2009, fls. 49, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/04/2009, fls. 50/69, além das alegações apresentadas na manifestação de inconformidade , traz na peça recursal alegações sobre decadência, aduzindo que “... a DRJ entendeu que uma parcela do pleito teria sido fulminado pela decadência em face da aplicação retroativa da LC 118/2005”. Acrescenta um item sobre as compensações efetivadas argumentando que “... Ou ainda, que os (as) referidos processos/declaração(oes) de compensação permaneça(m) suspenso(s) (com exigibilidade suspensa — art. 151 do CTN) até decisão final do presente processo de restituição, nos termos do art. 29 c/c art. 48, § 30, da IN SRF 600/2005. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10675.001966/200760 Acórdão n.º 3403001.299 S3C4T3 Fl. 81 3 Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Antes do exame sobre as alegações apresentadas pela recorrente, trago à colação o voto condutor da decisão recorrida: A manifestante discute tão somente a constitucionalidade do artigo 46 da MP 1.991/2000, que foi reeditada sucessivamente até a atual MP 2.15835 de 24/08/2001 (artigo 96), que mantém força legal independentemente de reedição, em face do disposto no artigo 2° da Emenda Constitucional 32/2001. Afirma que houve aumento da carga tributária já que o valor cobrado da contribuição permaneceu i mesmo e deixou de haver a restituição. Cumpre esclarecer que, de acordo com o art. 7° da Portaria MF n.° 58/2006, os acórdãos exarados pelas Delegacias de Julgamento darseão com observação de normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei n.° 8.112/90), e com o entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos tributários e aduaneiros. Também não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional (Parecer Normativo CST n.° 329/70), exceto quando houver declaração de inconstitucionalidade pelo STF de lei, tratado ou ato normativo, caso em que é permitido às autoridades administrativas afastar a sua aplicação, nos termos do Decreto n.° 2.346/97. Como já relatado a recorrente alega que a DRJ entendeu que uma parcela do pleito teria sido alcançado pela decadência em face da aplicação retroativa da LC 118, de 2005, trazendo posicionamento de juristas e jurisprudência sobre a matéria. Da leitura do voto acima transcrito, vêse que é totalmente descabida as alegações trazidas pela recorrente sobre decadência. Em primeiro lugar importa ressaltar que não foi argüida essa matéria na manifestação de inconformidade e a decisão recorrida também não travou discussão sobre decadência como aduz a recorrente. Em segundo lugar, também não caberia a argüição de ofício, por se tratar a decadência de matéria de ordem pública, porque os valores aqui pleiteados pela recorrente a título de recolhimentos indevidos ou a maior de PIS compreende o período de 30/05/2006 a 17/01/2007 e o pedido de restituição datada de 06/07/2007, portanto dentro do prazo de cinco anos. Dessa forma, não cabe essa turma apreciação sobre essa matéria. No que diz respeito a restituição pleiteada, não tem razão a recorrente. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 Ora, se o contribuinte alega que houve um recolhimento indevido ou a maior e por conta disso faz jus a restituição ele deve provar que efetivamente não lhe caberia ter efetuado o pagamento da exigência tributária ou por falta de previsão legal ou porque fez os cálculos errados vindo a recolher mais do que o devido. As alegações apresentadas pela recorrente não alteram a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 83DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 37169.004443/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/08/2006
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.506
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ´por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991. Também deve ser
reconhecida a fluência parcial do prazo decadencial.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/08/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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Recorrente INDÚSTRIA ACRILAN LTDA Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS SC Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/08/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ´por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também deve ser reconhecida a fluência parcial do prazo decadencial. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37169.004443/200741 Acórdão n.º 230201.506 S2C3T2 Fl. 2.657 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências fevereiro de 1999 a dezembro de 2005, conforme fls. 23 a 25. Não teriam sido informados os valores relativos ao pagamento à UNIMED; aquisição de produto rural; remuneração paga a contribuintes individuais; valores relativos ao abono. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 47 a 57. Houve conversão do julgamento em diligência, fls. 123 a 124, para verificação da correção da falta pela autuada. A fiscalização prestou informações às fls. 126 e 127. Cientificada do resultado da diligência, a autuada manifestouse às fls. 140 a 142. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão de fls. 176 a 179, mantendo a autuação em parte; aplicouse a relevação parcial da multa. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 188 a 199. Alega em síntese que: a) A decisão é nula, pois não apreciou todos os argumentos de defesa; b) Não foi apreciado o argumento de inconstitucionalidade da multa; c) Deve ser excluída a relação de corresponsáveis; d) Parte do crédito foi atingida pela decadência; e) A multa aplicada é inconstitucional; f) Não poderia retroagir a aplicação da multa; g) Há conexão com as NFLD lavradas. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso é tempestivo, conforme fl. 290; pressuposto de admissibilidade superado passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Contudo, em se tratando de lançamento de ofício para aplicar penalidade pecuniária, previsto no art. 149, inciso V do CTN, há que se observar sempre a regra prevista no art. 173 do CTN, incluindo o parágrafo único desse artigo. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte. No presente caso o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 17 de agosto de 2006, fl. 01, pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2000, inclusive esta. A competência dezembro de 2000 não decaiu, pois a GFIP somente poderia ser exigida após o vencimento, ou seja em 7 de janeiro de 2001; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2002, a qual findaria em 1o de janeiro de 2007. Corroborando a forma dessa contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37169.004443/200741 Acórdão n.º 230201.506 S2C3T2 Fl. 2.658 5 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Quanto ao argumento da recorrente de que houve omissão por parte da autoridade no julgamento proferido na decisão de primeira instância; não lhe confiro razão. Todos os pontos relevantes e controversos para o deslinde da questão, sejam preliminares ou de mérito foram apreciados pela autoridade julgadora, conforme fls. 176 a 179. A inconstitucionalidade é argumento que não pode ser conhecido pela autoridade administrativa. De acordo com o entendimento pacificado nos tribunais superiores, STF e STJ, o julgador não é obrigado a se manifestar expressamente sobre todos os pontos levantados pelas partes. Nesse sentido segue acórdão proferido pela 1ª Turma do STJ no Recurso Especial n ° 667603, publicado no DJ em 01/08/2005, nestas palavras: MANDADO DE SEGURANÇA. AUTO DE INFRAÇÃO. DIREITO DE AMPLA DEFESA. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre a violação posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. 2. São princípios basilares do processo administrativo e judicial a ampla defesa e o contraditório, insculpidos no artigo 5º, LV, do Texto Constitucional, o qual estabelece que: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". 3. A ampla defesa, constitucionalmente reconhecida, traduz a exigência de que o exercício do poder jurídicopúblico se realize de maneira justa, implicando para o Administrado o direito de conhecer os fatos e fundamentos invocados pela Autoridade, o direito de ser ouvido e de contraporse às alegações do adversário. 4. Deveras, esse postulado da ampla defesa, ou do direito de audiência, configura direito à participação procedimental, assegurando ao administrado, na maior extensão possível, a oportunidade do seu exercício pleno, com produção de provas e apresentação de alegações que lhe favoreçam. 5. Atestando a instância a quo a Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 inexistência da intimação da decisão, a verificação que a Fazenda pretende em seu recurso esbarra em matéria fática, mercê de o cumprimento do due process of law não exonerar o contribuinte do pagamento, apenas diferindoo até o cumprimento da exigência legal. 6. Recurso especial desprovido. Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de co responsáveis, não procede o argumento da recorrente. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de corresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Ao contrário do afirmado pela recorrente, o Fisco não possui obrigação de apreciar inconstitucionalidade. Não há possibilidade para a autoridade administrativa recursar o cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Conforme expressamente previsto no art. 26A do Decreto n 70.235 de 1972, na redação conferida pela Lei n 11.941 de 2009, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37169.004443/200741 Acórdão n.º 230201.506 S2C3T2 Fl. 2.659 7 De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todos os fatos narrados pela fiscalização são fatos geradores de contribuição previdenciária. Releva destacar que parte do lançamento já foi excluída pela decisão de primeira instância. Para as parcelas remanescentes o lançamento deve ser mantido, mesmo porque não há argumentos recursais quanto à matéria fática. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37169.004443/200741 Acórdão n.º 230201.506 S2C3T2 Fl. 2.660 9 tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também devem ser excluídas as parcelas já atingidas pela fluência do prazo decadencial. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10880.035099/96-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1995
VÍCIO FORMAL
É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995 VÍCIO FORMAL É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Recurso especial negado.
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Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 06/07/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 15/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Em 25 de Janeiro de 2006, a então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 30332.736 [fls.34 36], que por maioria de votos, declarou a nulidade da notificação de lançamento carente de identificação. Ementa: Processo administrativo fiscal. Nulidade. Vicio formal. É nula por vicio formal a notificação de lançamento carente de identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial, prescrito em lei. Processo que se declara nulo ah initio. Inconformada com a decisão proferida, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência [fls.39 – 45], com fulcro no art. 5°, II, do Regimento Interno à época. A r. PGFN apresenta como paradigma, para comprovar que o acórdão supracitado esta divergente com o entendimento de outra Câmara, o acórdão de n° 30234.831 proferido pela então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, cuja a ementa transcrevo. "O auto de infração ou a notificação de lançamento que trata de mais de um imposto, contribuição ou penalidade não é instrumento hábil para exigência de crédito tributário (CTN e processo Administrativo Fiscal assim o estabelecem) e, portanto, não se sujeita às regras traçadas pela legislação de regência. E um instrumento de cobrança dos valores indicados, contra o qual descabe a argüição de nulidade, prevista no art. 59, do Decreto 70.235/72. “• Rejeitada a preliminar de nulidade da notificação de lançamento.” Requer a Fazenda Nacional, o Provimento do presente recurso, a fim de ser cassado o r. acórdão ora recorrido, afastandose a preliminar de nulidade da notificação, para ser proferida outra v. decisão pela i. Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, analisando o mérito do Recurso Voluntário interposto. Em 28 de Abril de 2006, o então Presidente da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acolhendo Informações Técnicas n°142/2006 [fls.55 – 56], proferiu despacho de n°1422006 [fl. 57], dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 15/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10880.035099/9681 Acórdão n.º 920201.488 CSRFT2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência entre as decisões, pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda. Cingese a questão, no caso em destaque, quanto à nulidade de auto de infração carente de identificação da autoridade que a expediu. Tal requisito, qual seja: o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante está previsto no art. 5º, VI da Instrução Normativa nº 94/1997: Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: [...] VI o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; Quando carente de identificação do sujeito ativo, a notificação de lançamento será alçada pela nulidade formal como determina o enunciado sumular nº 21 do CARF. Súmula CARF nº 21: É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu.Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. Nesse sentido, voto por conhecer do recurso para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 15/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 15/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE
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