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Numero do processo: 13888.721633/2014-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.514
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RECOF. SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever os fatos do presente processo, reproduzo fragmentos do relatório da DRJ: Tratase de Pedido de Restituição de suposto pagamento indevido ou a maior formalizado em papel. Na apreciação do Pedido de Restituição, por meio do Despacho Decisório (...), a autoridade fiscal disse que, na inicial, a contribuinte destacou que um de seus principais clientes é a empresa Caterpillar Brasil Ltda, a qual, consoante Ato Declaratório Executivo ADE SRF nº 8, de 18/03/2004, é pessoa jurídica homologada no RECOF –Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 21 63 3/ 20 14 -7 2 Fl. 479DF CARF MF Processo nº 13888.721633/201472 Resolução nº 3201001.514 S3C2T1 Fl. 3 2 Explicou que, a Caterpillar, por ser homologada no RECOF, seu cliente usufrui, além da não incidência do IPI e ICMS, da suspensão do PIS e COFINS e ainda, informou que a peticionante, como fornecedor da Caterpillar, não aplicou a suspensão prevista em relação ao PIS e COFINS, apurando tais tributos a maior e os extinguindo por meio de compensação (Declaração de Compensação – DCOMP) com saldo de crédito proveniente de ressarcimento de IPI. O Auditorfiscal observou que no presente processo a interessada não pagou ou recolheu qualquer débito por meio de DARF ou GPS, mas, sim, realizou a declaração de compensação de débito de COFINS com crédito de ressarcimento de IPI, por meio de apresentação de DCOMP com crédito de ressarcimento de IPI e ainda: Embora tanto o pagamento como a compensação sejam modalidades de extinção do crédito tributário – conforme incisos I e II, do artigo 156 do CTN –, tais modalidades possuem institutos jurídicos distintos, não sendo possível a aplicação de um em outro. Tanto é assim que a compensação tem seu regramento fundamentado nos artigos 170 e 170A, os quais estão disciplinados, na esfera federal, no artigo 74 da Lei 9.430/96. Quanto ao pagamento, o regramento está disciplinado nos artigos 157 a 164 do CTN, e a restituição de eventual pagamento indevido encontrase nos artigos 165 a 169 do aludido diploma legal. A autoridade administrativa explicou que o crédito utilizado na compensação de débitos não se originou de pagamento indevido ou a maior, mas, sim, de ressarcimento de IPI e que ressarcimento não é sinônimo de restituição, uma vez que o ressarcimento tem natureza de beneficio fiscal, o qual decorre de política estatal, não havendo um prévio pagamento indevido ou a maior. Já a restituição pressupõe a existência de um prévio pagamento indevido, que foi, de fato, recolhido pelo contribuinte e completou: Portanto, além de a pretensão do contribuinte não se tratar de restituição de pagamento indevido ou a maior, tampouco a DCOMP, declarada pelo contribuinte, estava amparada em crédito de pagamento indevido ou a maior. Observou, também, que embora a contribuinte tenha solicitado a restituição do crédito (ressarcimento) informado sem amparo legal, não caberia atualização por falta de previsão legal. Situação diferente de quando o crédito é originado de pagamento indevido ou a maior, hipótese em que há previsão legal de atualização. O Auditorfiscal entendeu que outro óbice ao pedido seria o pedido ter sido protocolizado após a homologação da DComp pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fato jurídico que não permitiria a retificação da DComp e a consequente redução do valor do débito, isto porque, a compensação declarada só poderá ser retificada na hipótese de a mesma se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (...) Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (...), tecendo seus argumentos conforme segue: Inicialmente informa que a RKM Equipamentos Hidráulicos S/A passou a se denominar WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A. Após narrar os fatos contidos no processo, faz a abertura de sua argumentação em fase preliminar: Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13888.721633/201472 Resolução nº 3201001.514 S3C2T1 Fl. 4 3 Da possibilidade de deferimento do pedido de restituição no formato realizado 1) Quitação dos tributos por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI – crédito oriundo do princípio da nãocumulatividade que pressupõe o pagamento antecipado pelo contribuinte 2) Artigo 165 do CTN que não contempla a restrição proposta – 3) Prevalência do direito material sobre o rigor formal – 4) Violação dos princípios que regem a Administração Pública (artigo 2º e seguintes da Lei nº 9.784/99) Explica que a negativa preliminar proposta pela autoridade fiscal se pauta no sentido da impossibilidade de deferimento do pedido de restituição formulado, uma vez que o indébito sustentado decorreu de uma compensação a maior realizada com crédito de ressarcimento de IPI e não por meio de recolhimento em DARF ou GPS. Para basear sua tese, sustenta que a IN RFB nº 1300/2012 apenas permite a restituição de valores pagos pelos contribuintes por meio de DARF ou GPS. Ainda, que a liquidação por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI não permitiria aludido pleito, uma vez que o ressarcimento teria natureza de benefício fiscal decorrente de política estatal, enquanto que a restituição pressupõe um prévio pagamento indevido, seu cliente (Caterpillar) está habilitado no regime do RECOF, ele, como fornecedor, deveria ter efetuado a venda com suspensão do PIS e COFINS. (...). Entende que os créditos originados dos pedidos de ressarcimento de IPI não decorrem de benefício fiscal, mas sim do estrito atendimento ao princípio da nãocumulatividade previsto na Constituição Federal, que visa evitar o efeito cascata da incidência tributária e não possui qualquer caráter de benesse estatal. Argúi que o caso em comento não guarda qualquer relação com o processo de ressarcimento de IPI, mas com pedido de restituição da COFINS que foi quitada por meio de PER/DCOMP com origem no ressarcimento de IPI. Sob essa premissa, o que foi pugnado junto à União Federal é a devolução de valor efetivamente quitado da COFINS, cujo montante restou reduzido após a recomposição de sua base de cálculo. Discorda do contido no Despacho Decisório, pois o Código Tributário Nacional não impõe qualquer restrição e/ou formato de quitação do tributo objeto do indébito: E nem se alegue que a limitação ao pleito se baseia exclusivamente no disposto pela IN RFB nº 1300/2012. Isto porque, é insuscetível a aplicação isolada de ato administrativo em desacordo com o contido no Código Tributário Nacional. Extraise do texto da lei, que de forma ampla estabeleceu regra geral quanto à possibilidade de restituição, não destacando nenhuma hipótese de exceção e/ou restrição, concernente ao formato de pagamento. Esposa o entendimento de que se o Código Tributário Nacional não pretendeu restringir os direitos dos contribuintes no exercício do direito de restituição dos valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos, não poderia a Receita Federal, por meio de interpretação isolada em Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentação, impor limites à previsão legal e: O objetivo da lei sempre foi fornecer aos contribuintes mecanismos de reaver os valores indevidamente cobrados pela administração pública ou objeto de equívoco por parte dos sujeitos passivos. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13888.721633/201472 Resolução nº 3201001.514 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar, que na hipótese em comento, conforme já consignado no pleito de restituição, a única forma da Manifestante reaver o que lhe é de direito consistia no deferimento do pedido de restituição, sob pena de esvaziamento do direito legalmente assegurado. Isto porque, uma vez homologada a compensação que liquidou o débito a maior da COFINS, insuscetível de qualquer retificação/cancelamento, sendo de rigor o único formato adotado pela Manifestante, que, inclusive, se baseou em orientação verbal da própria Receita Federal em atendimento no plantão fiscal. Cita a os princípios constitucionais (artigo 37, da CF) que regem a relação entre fisco e contribuintes e a Lei nº 9.784/99, afirmando que tais comandos devem ser seguidos, pois são os pilares do ordenamento jurídico. Entende que em nenhum momento o texto da lei estabelece que somente será passível de restituição os valores pagos em DARF ou GPS, tal como fez crer a autoridade fiscal em seus fundamentos e também: Na hipótese tratada, a violação ao princípio da legalidade potencializase na medida em que o pedido de restituição era a única forma da Manifestante buscar seu direito em face da União Federal, uma vez não previsto na legislação qualquer outro formato para as circunstâncias narradas. Entende cabíveis os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, oficialidade e da verdade material e que não podem ser mitigados pelo formalismo: Para que o formalismo não se torne um instrumento que restringe a observância da forma e distancia a verdade material, deve a administração alcançar a função social do processo para que haja a prevalência da justiça sobre a forma, uma vez que está submissa ao princípio da legalidade, sendolhe imposto, inclusive, para o alcance da norma, o poderdever de revisão de ofício seus próprios atos. Em outras palavras, não deve o formalismo se sobrepor à matéria e à verdade dos fatos e a autoridade tem o dever de buscar a verdade material, não devendo se satisfazer com as informações trazidas pelas partes. Cita doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis ao caso e conclui: Diante dos argumentos traçados, com amparo na melhor doutrina e jurisprudência pátrias, inconteste a possibilidade da administração pública analisar os pleitos dos contribuintes evitandose o formalismo excessivo e considerando a boafé das relações, tudo em busca ao alcance da verdade material e respeito aos preceitos estampados no artigo 37, da Constituição Federal e artigo 2º, da Lei nº 9.784/99. Após ou argumentos preliminares, a interessada continua sua defesa com o título "Do direito": Do efetivo amparo legal para suspensão de PIS e COFINS objeto de venda realizada à empresa habilitada no RECOF – Inexistência de obrigatoriedade de cohabilitação para fornecimento – Benefícios legais destinados à compradora que produzem efeitos automáticos – Direito material que pode ser aferido com base nos elementos probatórios ainda que existente erro formal no preenchimento das Notas Fiscais. Inicialmente a interessada explica que no exercício de suas atividades dentro dos períodos de 2007 a 2011, a Manifestante realizou diversas vendas em favor da Caterpillar Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob nº. 61.064.911/000177, que, por sua vez, consoante Ato Declaratório Executivo SRF nº 8, de 18 de março de Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13888.721633/201472 Resolução nº 3201001.514 S3C2T1 Fl. 6 5 2004 e Ato Declaratório Executivo SRF nº 53, de 24 de julho de 2006 é homologada no RECOF (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) (doc. anexo aos autos) instituído através do Decreto n° 2.412 de 3 de Dezembro de 1997. Expõe sua compreensão do funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), o qual permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou mercado interno. É também permitido que Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, seja despachada para consumo. A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá também ser exportada, reexportada ou destruída. Desta feita, informa os benefícios: Na época dos fatos em exame, o RECOF era regulamentado pela Instrução Normativa SRF 757/2007, que, além de estabelecer todos os requisitos impostos às empresas habilitadas, dentre vários benefícios oferecidos pelo regime é de que a empresa homologada goza da permissão de importar todos os insumos com suspensão de II, IPI e PIS/COFINS, bem como efetuar compras nacionais com a suspensão do IPI e PIS/COFINS, conforme estabelecido em seu artigo 28. Diante dos benefícios contidos nas normas citadas, a interessada defende que em que pese ter fornecido para empresa homologada no RECOF – Caterpillar do Brasil Ltda, não excluiu de sua base de cálculo tributável a suspensão de PIS e COFINS previstas na legislação, mas sim, equivocadamente, apurou e recolheu A MAIOR os citados tributos. Em outras palavras, ao constituir sua base de cálculo de PIS e do COFINS não desconsiderou as vendas para a Caterpillar Brasil Ltda, portanto, a empresa recolheu mais do que deveria. É certo, que os valores das vendas com suspensão de PIS e COFINS não podem contemplar a base de cálculo para fins de tributação dessas contribuições, sob pena de esvaziamento da benesse legal/normativa do RECOF. A interessada cita a SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 28 de 26 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado Recof. Somente as mercadorias de origem nacional remetidas às empresas autorizadas a operar o regime Recof poderão sair do estabelecimento do fornecedor nacional com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A venda de mercadorias de origem nacional à empresas que estão no regime Recof, com suspensão do IPI e das Contribuição para o PIS/Pasep e da cofins, não geram direito à manutenção dos créditos. E conclui que diante do equívoco no cômputo na base de cálculo das contribuições das vendas a Caterpillar com suspensão de PIS e COFINS, a Manifestante reconstituiu sua escrita suprimindo essas operações da base tributável, o que motivou a redução dos valores devidos na competência objeto dos presentes autos. Informa que retificou a Dacon e a DCTF do período e ainda que: Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13888.721633/201472 Resolução nº 3201001.514 S3C2T1 Fl. 7 6 Por outro lado, a fim de complementar as informações e documentos anexados aos autos, que por si só comprovariam o direito sustentado, a Manifestante apresenta “Laudo Técnico Contábil”, assinado por profissional devidamente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade – CRC/SP, contratado para fins de corroborar as questões trazidas à julgamento, que, além das informações constantes do seu corpo, contempla documentação anexa que permite essa conclusão, com o fito de exaustivamente comprovar a origem e procedência do direito creditório. Entende que os fornecedores de mercadorias às empresas habilitadas no RECOF não necessitam de cohabilitação no regime, uma vez que nessa hipótese os únicos beneficiados da operação são as adquirentes dos bens: A cohabilitação prevista pelos artigos 8º e seguintes, da IN RFB nº 757/2007, além de facultativa, permite aos fornecedores industriais das empresas habilitadas se beneficiarem conjuntamente dos benefícios do regime do RECOF, com a aquisição/importação de partes, peças e componentes necessários à produção dos bens que industrializar também com suspensão tributária prevista na legislação. (...) A interpretação contida no despacho decisório impugnado é deveras equivocada, uma vez ausente a imposição de cohabilitação em toda a legislação do RECOF para os casos de simples fornecimento às empresas habilitadas. Até porque, caso a legislação exigisse a cohabilitação de todos os fornecedores das empresas habilitadas, o RECOF não sairia do papel, uma vez que dificilmente as empresas de porte inferior que fornecem os bens contemplariam todos os requisitos impostos pelos artigos 4º e 5º, da IN RFB 757/2007. Argumenta que a falta de registro nas notas fiscais de saída dos produtos com suspensão das referidas contribuições, seria somente formalidade, confirase: Por sua vez, é sabido que também existe a exigência do artigo 28, do mesmo texto normativo, que indica as informações a serem imprimidas nas Notas Fiscais de saída dos fornecedores (“Saída com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para estabelecimento habilitado ao Recof ADE SRRF nº xxx, de xx/xx/xxxx"), as quais de fato não compuseram as notas emitidas pela Manifestante. Porém, consoante já sustentado nesta peça, a formalidade de informação em Nota Fiscal não pode se sobrepor ao direito material decorrente do RECOF, haja vista inequívoca comprovação de que a destinação das mercadorias objeto de análise foram à empresa devidamente habilitada no regime (Caterpillar), a qual é a efetiva destinatária da norma e não pode ser prejudicada por eventual lapso de informação na Nota Fiscal de compra. É certo, portanto, que eventual equívoco formal não deve prevalecer sobre a verdade material consubstanciada nos demais meios probatórios existentes no processo administrativo fiscal, sobretudo quando não há prejuízo a fazenda nacional. Cita jurisprudência administrativa na qual consta que demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderandose tais equívocos, haja vista inexistir prejuízo à fazenda nacional e conclui: Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13888.721633/201472 Resolução nº 3201001.514 S3C2T1 Fl. 8 7 Nesse sentido, em que pese as Notas Fiscais emitidas à Caterpillar não terem feito menção à saída com suspensão de PIS e COFINS, restando comprovada a destinação das mercadorias no formato da legislação à empresa habilitada no RECOF, é de rigor seja admitido o lançamento da suspensão prevista na legislação, que, conforme parágrafo único, do artigo 27, da IN RFB 757/2007 se consuma automaticamente. Por fim, solicita: Preliminarmente: 1) Considerando todas as premissas adotadas, com convicção acerca da possibilidade de análise material do direito de restituição pleiteado pela Manifestante, ainda que sob outra roupagem ou mesmo sobre o formato de revisão da compensação que liquidou a maior o valor objeto do pedido, em como a busca pela verdade material e formalismo moderado, é de rigor seja admitida a aferição material do pleito realizado. No mérito: 1) Diante da inexistência de obrigatoriedade da Manifestante se cohabilitar no regime do RECOF para fornecimento à empresa habilitada, sem prejuízo da insofismável viabilidade de mitigação de erro formal no preenchimento das Notas Fiscais de saída, prestigiandose a verdade material, necessário se faz o reconhecimento do direito creditório sustentado, com o consequente deferimento da restituição pleiteada. Seguindo a marcha processual normal, irresignado com r. decisão proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, requerendo total reforma do julgado. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.492, de 24/10/2018, proferida no processo 13888.721005/201497, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.492): "O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No caso em tela reclama o Contribuinte que efetuava venda de produtos para empresa Caterpillar Brasil, qual era detentora do RECOF. Que a Caterpillar como adquirente de produtos da Contribuinte, a saída dos produtos teria isenção tributária. Em caso idêntico, o assunto foi enfrentado por esse CARF no acórdão no. 3401001.275, com o seguinte fundamento: Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13888.721633/201472 Resolução nº 3201001.514 S3C2T1 Fl. 9 8 "(...) observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. (...) Com isso, adoto nos exatos termos como fundamento os argumentos exteriorizado pelo Conselheiro Robson José Bayerl, para converter o feito em diligência para a unidade preparadora realize: Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13888.721633/201472 Resolução nº 3201001.514 S3C2T1 Fl. 10 9 Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após, vista ao contribuinte se manifestar pelo prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Conselho." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize: a) aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; e) após, vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 487DF CARF MF
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Numero do processo: 35172.000769/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2006
DECADÊNCIA RECONHECIDA. SUMULA VINCULANTE STF Nº 8. SUMULA CARF Nº 99.
O prazo para constituição de créditos relativos as Contribuições Previdenciárias é de 5 anos e existindo recolhimentos, ainda que parciais, o termo inicial de sua contagem é a data do fato gerador. Entendimento ancorado no enunciado vinculado do STF nº 8, na Súmula CARF nº 99.
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
A empresa deverá manter à disposição da fiscalização, durante dez anos, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações previdenciárias.
BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
A recusa em disponibilizar à Fiscalização informações necessárias ao esclarecimento de situação fáticas constatadas em documentação apresentada pela empresa, enseja o lançamento dos valores que a Administração entender devidos, sem que isso venha caracterizar afronta ao princípio da busca da verdade material.
CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INOBSERVÂNCIA DE TETO.
No cálculo da contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais não é obedecido o teto do limite máximo do salário-de-contribuição.
BASE DE CÁLCULO - TRANSPORTADORES RODOVIÁRIOS AUTÔNOMOS.
A base de cálculo da contribuição do contribuinte individual é o salário-de-contribuição, que, no caso do condutor autônomo de veículo rodoviário corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo a dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que haja na carta-frete ou documento equivalente discriminação de parcela a este título.
SERVIÇOS DE TRANSPORTE - RETENÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os serviços de transporte de passageiros, quando executados mediante cessão de mão-de-obra, sujeitam-se à retenção de 11% sobre o valor da fatura/nota fiscal/recibo de prestação de serviço.
INEXISTÊNCIA DE AFONTA AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO.
Não apresenta caráter confiscatório o lançamento fiscal elaborado em consonância com os ditames de lei vigente e eficaz.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
SUBVENÇÕES DESTINADAS A CLUBES DE FUTEBOL. FUTEBOL PROFISSIONAL, PATROCÍNIO, QUALQUER TIPO. APLICABILIDADE DOS §§ 6º E 9º DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91.
Em se tratando de associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, os valores a ela destinados a título de patrocínio, seja qual for a forma, aí incluídos aqueles que se dão com o mero intuito de auxiliar, ajudar ou amparar, devem se sujeitar à contribuição previdenciária de 5%.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Sofrem incidência de contribuições previdenciárias as parcelas pagas a título de seguro de vida em grupo, quando este beneficio não esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho.
Numero da decisão: 2402-006.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Acordam ainda os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recurso voluntário, afastar a preliminar, reconhecer a decadência para as competências até 03/2003, inclusive e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. O conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho votou somente com relação ao mérito do recurso voluntário tendo em vista que as demais matérias foram votadas na sessão de 14/09/2018 da qual participou o conselheiro José Ricardo Moreira, na condição de suplente convocado.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Denny Medeiros da Silveira e Mario Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2006 DECADÊNCIA RECONHECIDA. SUMULA VINCULANTE STF Nº 8. SUMULA CARF Nº 99. O prazo para constituição de créditos relativos as Contribuições Previdenciárias é de 5 anos e existindo recolhimentos, ainda que parciais, o termo inicial de sua contagem é a data do fato gerador. Entendimento ancorado no enunciado vinculado do STF nº 8, na Súmula CARF nº 99. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização, durante dez anos, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações previdenciárias. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A recusa em disponibilizar à Fiscalização informações necessárias ao esclarecimento de situação fáticas constatadas em documentação apresentada pela empresa, enseja o lançamento dos valores que a Administração entender devidos, sem que isso venha caracterizar afronta ao princípio da busca da verdade material. CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INOBSERVÂNCIA DE TETO. No cálculo da contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais não é obedecido o teto do limite máximo do salário decontribuição. BASE DE CÁLCULO TRANSPORTADORES RODOVIÁRIOS AUTÔNOMOS. A base de cálculo da contribuição do contribuinte individual é o saláriode contribuição, que, no caso do condutor autônomo de veículo rodoviário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 17 2. 00 07 69 /2 00 7- 15 Fl. 14368DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.369 2 corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo a dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que haja na cartafrete ou documento equivalente discriminação de parcela a este título. SERVIÇOS DE TRANSPORTE RETENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os serviços de transporte de passageiros, quando executados mediante cessão de mãodeobra, sujeitamse à retenção de 11% sobre o valor da fatura/nota fiscal/recibo de prestação de serviço. INEXISTÊNCIA DE AFONTA AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. Não apresenta caráter confiscatório o lançamento fiscal elaborado em consonância com os ditames de lei vigente e eficaz. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. SUBVENÇÕES DESTINADAS A CLUBES DE FUTEBOL. FUTEBOL PROFISSIONAL, PATROCÍNIO, QUALQUER TIPO. APLICABILIDADE DOS §§ 6º E 9º DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. Em se tratando de associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, os valores a ela destinados a título de patrocínio, seja qual for a forma, aí incluídos aqueles que se dão com o mero intuito de auxiliar, ajudar ou amparar, devem se sujeitar à contribuição previdenciária de 5%. SEGURO DE VIDA EM GRUPO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Sofrem incidência de contribuições previdenciárias as parcelas pagas a título de seguro de vida em grupo, quando este beneficio não esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Acordam ainda os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recurso voluntário, afastar a preliminar, reconhecer a decadência para as competências até 03/2003, inclusive e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. O conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho votou somente com relação ao mérito do recurso Fl. 14369DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.370 3 voluntário tendo em vista que as demais matérias foram votadas na sessão de 14/09/2018 da qual participou o conselheiro José Ricardo Moreira, na condição de suplente convocado. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Denny Medeiros da Silveira e Mario Pereira de Pinho Filho. Relatório Por bem registrar o ocorrido nos autos adotaremos o relatório da decisão recorrida: O LANÇAMENTO Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD n.° 35.610.3463, por meio da qual é exigido o crédito tributário, consolidado em 27/03/2006, no valor de R$ 19.344.813,94(dezenove milhões e trezentos e quarenta e quatro mil e oitocentos e treze reais e noventa e quatro centavos), aí incluídos principal e acréscimos legais. De acordo com o relatório fiscal (fls. 2993/2997), o lançamento reportase ao período de 01/1996 a 07/2005, referindose às seguintes contribuições: a) a cargo da empresa, previstas na Lei Complementar n.° 84, de 18/01/1996, e nos incisos 1, II, III e IV do art. 22 da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991; b) também a cargo da empresa, destinadas a outras entidades e fundos, denominados "terceiros"; c) dos segurados empregados, prevista no art. 20 da Lei n.° 8.212/1991; d) dos segurados contribuintes individuais, prevista no art. 4.° da Medida Provisória n.° 83, de 12/12J2002, convertida na Lei n.° 10.666, de 08/05/2003; Fl. 14370DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.371 4 e) incidentes sobre notas fiscais/faturas/ recibos emitidos por prestadores de serviço, nos termos do art. 31 da Lei n.° 8.212/1991; das associações desportivas que mantêm equipe de Ilitebol profissional, conforme o § 9.° do art. 22 da Lei n.° 8.212/1991. A seguir, as autoridades notificantes apresentam os fatos geradores que deram ensejo ao crédito em questão, fazendo menção aos anexos onde estão relacionados os dados que serviram de base para a confecção do lançamento fiscal. Passemos, então, a apresentar um resumo dos fatos articulados pelos auditores fiscais. Foram considerados fatos geradores das contribuições lançadas: a) as parcelas remuneratórias constantes em folhas de pagamento não consideradas pela empresa como base de cálculo da contribuição previdenciária. Os valores correspondentes encontramse registrados no Relatório de Lançamentos; b) as remunerações declaradas em GFIP e não incluídas nas folhas de pagamento, observandose que os trabalhadores declarados na categoria expatriados foram considerados trabalhadores empregados, posto que não houve a comprovação pelo sujeito passivo de que efetivamente tais trabalhadores pertenciam à categoria informada. As remunerações correspondentes podem ser visualizadas no Relatório de Lançamentos; c) as remunerações pagas ou creditadas aos trabalhadores autônomos (enquadrados como contribuintes individuais a partir de 03/2000), que se encontram demonstradas na planilha "Prestadores de Serviço/P". Físicas/Arq SUPRIMENTOS"; d) as remunerações pagas ou creditadas aos transportadores rodoviários autônomos, as quais estão distribuídas em quatros planilhas, a saber: FRETES/Anexo I, FRETES/Anexo II, FRETES/Anexo 111 e FRETES/Anexo IV. As informações contidas na primeira planilha foram declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP apenas parcialmente, por este motivo os valores de remuneração foram alocados em dois levantamentos distintos: "valores declarados em GFIP" e "valores não declarados em GFIP". e) valores relativos à retenção incidente sobre as notas fiscais emitidas por empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mãodeobra, os quais compõem a planilha "Retenção"; O valores pagos a cooperativas de trabalho, conforme consta na planilha "Cooperativas de trabalho"; Fl. 14371DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.372 5 g) valores repassados aos clubes AMÉRICA FUTEBOL CLUBE e GUARANI SPORTING CLUBE, os quais constam do Relatório de Lançamentos; h) os valores pagos aos diretores da empresa, extraídos do Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, onde estão lançados na rubrica "Gratificação a Administradores". Para identificação dos beneficiários os auditores fiscais lançaram mão de planilha fornecida pelo sujeito passivo, sendo que nas competências em que os valores informados na planilha foram inferiores àqueles escriturados no LALUR, a diferença foi lançada a título de salários. Os dados correspondentes constam da planilha "Dados LALUR/Dados Empresa"; i) os valores pagos conforme lançamento no LALUR na conta Representações, posto que a empresa, embora intimada, deixou de apresentar a documentação comprobatória destes pagamentos. Os dados relativos a estes fatos geradores estão discriminados na planilha "Representação Diretoria /LALUR"; j) os pagamentos registrados como custos e despesas de alimentação, sem comprovação de adesão da empresa ao Programa de Alimentação do Trabalhador —PAT, cujos valores foram coletados nos Livros Balancetes Unificados Filiais — contas 9122222 e 342222 4, dos quais foram abatidas as quantias que foram descontadas dos empregados. As bases de cálculo correspondentes estão demonstradas no Relatório de Lançamentos; k) os valores relativos à contratação de seguro de vida em grupo, posto que a empresa concedeu o beneficio sem que o mesmo estivesse previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Os valores lançados foram coletados em documentos fornecidos pela empresa e em folhas de pagamento, todos discriminados na planilha "Seguro de Vida em Grupo". Continuando os agentes do fisco discriminam os documentos em que se basearam para a confecção do lançamento fiscal, mencionando que os mesmos foram apresentados pela empresa em arquivos digitais. O relatório fiscal acrescenta, também, que os fundamentos legais que dão suporte ao lançamento estão consignados no anexo Fundamentos Legais do Débito e que as bases de cálculo podem ser visualizadas no Relatório de Lançamentos e em planilhas anexas. Sobre as mencionadas bases foram aplicadas as alíquotas que estão apresentadas no Discriminativo Analítico do Débito. Quanto aos recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo, os auditores notificantes mencionam que foram consideradas todas as guias constantes no banco de dados da Previdência Social, as quais estão discriminadas no Relatório de Documentos Apresentados. Fl. 14372DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.373 6 O sujeito passivo protocolizou, em 17/04/2006, impugnação sob o número 36100.001292/200611, na qual apresenta várias alegações para afastar a imposição tributária consubstanciada na presente NFLD. Relatemos, então. PRELIMINARES Em sede de preliminares, são lançados os argumentos: a) a NFLD é nula, pois o fisco previdenciário não poderia exigir documentos e livros fiscais relativos a períodos alcançados pela decadência qüinqüenal prevista no art. 173 do Código Tributário Nacional — CTN; b) é motivo de nulidade do lançamento a exigência de contribuições já atingidas pela decadência, posto que a exigência fiscal somente poderia abarcar fatos geradores ocorridos no prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; c) o procedimento de fiscalização está maculado pela nulidade, posto que os auditores notificantes deixaram de perquirir a verdade material, ao desprezarem documentos e se valerem de presunções para, utilizandose de bases de cálculo irreais, lançarem o suposto débito em valor exorbitante. NO MÉRITO Quanto ao mérito da controvérsia, apresenta as seguintes razões: a) foram incluídas como base tributável parcelas não abrangidas pela hipótese legal de incidência, a exemplo de verbas indenizatórias e beneficios sociais, tais como farmácia, auxílio escolar e outros itens previstos em ajuste coletivo. Embora entendendo dispensáveis, junta cópias de Acordos Coletivos de Trabalho, nos quais se encontram algumas das verbas referidas como benefícios, como indenização ou como "Participação nos Lucros ou Resultados"; b) a mera divergência entre as declarações da GFIP e os dados extraídos das folhas de pagamento não autoriza o lançamento relativo à remuneração dos expatriados, haja vista não ser possível, em relação aos valores divergentes, sequer a identificação de que parcela corresponderia a cada um dos segurados, tornando a exigência sem causa. Ademais, as verbas pagas aos expatriados já integraram a base de cálculo das contribuições, sendo a exação adicional um verdadeiro "bis in idem"; c) a Fiscalização, mesmo reconhecendo a existência de recolhimentos relativos a remunerações pagas a autônomos, achou por bem lançar valores suplementares, por entender que havia divergências entre os documentos e livros contábeis e as GFIP apresentadas, no que diz respeito ao saláriode contribuição. Não é admissivel tal procedimento, posto que é sabido que a legislação estipula limite legal individual da base Fl. 14373DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.374 7 de cálculo para determinação das contribuições devidas, sendo esta a origem das divergências. d) incorre em erro a autoridade fiscal quando utiliza como base de cálculo da contribuição relativa aos pagamentos feitos aos fretistas o valor da cartafrete, pois esta contempla, além da remuneração paga ao transportador autônomo, o valor destinado ao combustível. Não há dúvida que a legislação autoriza a tributação apenas da contraprestação A IMPUGNAÇÃO pelo serviço, jamais repasses de despesas com combustível. Para corroborar seus argumentos, junta guias de recolhimento e listagem dos pagamentos de frete a pessoas físicas; e) a locação de bens móveis, a exemplo de veículos e máquinas, não enseja a retenção previdenciária. Cita, como paradigma, o contrato com a empresa Meira Lins, que se refere unicamente à locação de veículos; O a exigência de recolhimento sobre os valores pagos à UNIMED e empresas assemelhadas é improcedente, posto que estes prestadores de serviço na área médica, equiparáveis a seguradoras, não podem receber o tratamento tributário dispensado às cooperativas de trabalho. A única prestadora de serviço constituída como cooperativa de trabalho referese a dos enlonadores, sendo que os valores repassados a mesma foram objeto da retenção e recolhimento correspondente a 11% da fatura de serviços, conforme se comprova através de documentos trazidos à colação; g) a exigência de contribuição previdenciária incidente sobre patrocínio a clubes de futebol revestese de inconstitucionalidade, pois a contribuição aí cobrada transmudase em imposto, já que o fato tributável é um contrato de divulgação institucional. Além de que, embora o Decreto n.° 3.048/1999 estabeleça como fato gerador de contribuições os patrocínios comercializados com clubes de futebol profissional, as meras ajudas repassadas às associações desportivas de pequeno porte não podem sofrer tributação, posto que estas não têm condição de comercializar sua imagem por qualquer veículo de comunicação; h) a jurisprudência pátria, como demonstram os precedentes colacionados, tem se posicionado pela inexigibilidade de contribuições sobre os valores pagos pelas empresas aos seus empregados a título de participação nos lucros, neste sentido, para patentear a improcedência da exação sobre estas verbas, são juntadas cópias do livro LALUR; i) a verba denominada representações, que se constitui em benefícios concedidos a dirigentes e empregados com atribuições assemelhadas, dada a sua natureza indenizatória, não pode integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. As cópias do livro LALUR darão o suporte fático para a alegação em destaque; Fl. 14374DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.375 8 j) não há como prosperar a exigência de contribuições previdenciárias sobre despesas decorrentes de fornecimento de alimentação em refeitório da empresa. A alegação do fisco de que a empresa não havia aderido ao PAT é insustentável, conforme se comprova através dos comprovantes de adesão juntados; k) a exigência de contribuição decorrente de pagamentos por seguro de vida em grupo é descabida. E que os desembolsos a este título são extensíveis a todos os empregados da empresa, conforme prevê a apólice mencionada nos documentos comprobatórios de pagamento à Seguradora Itaú, os quais se encontram juntados. É de se assinalar que a previsão deste beneficio em acordos coletivos é patente, posto que há cláusula que prevê o desconto em folha, embora em valor simbólico, para custear o referido seguro; I) o lançamento fiscal em questão apresenta caráter confíscatório, posto que, para a quitação do crédito correspondente, o contribuinte terá que sofrer urna diminuição do seu patrimônio, situação que é repelida pela Constituição Federal de 1988. Com base nos argumentos esposados, o impugnante requer, caso não seja declarada de imediato a nulidade ou a improcedência da NFLD, a realização de perícia, para o que formula quesitos e indica perito. Por fim, pugna pelo acatamento das razões preliminares, com conseqüente nulificação do lançamento, ou, no mérito, o reconhecimento da improcedência do crédito previdenciário sob julgamento e, ainda, se necessária, ajuntada de novos documentos. A DILIGÊNCIA A Seção de Contencioso Administrativo da então Delegacia da Receita Previdenciária em João Pessoa determinou, fl. 16.371, a realização de diligência fiscal para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: a) a existência de guias de recolhimentos apresentadas com a impugnação, as quais não foram devidamente aproveitadas na apuração do crédito; b) o fato de a impugnante ter argumentado que estariam sendo exigidas contribuições relativas a retenções sobre contratos de locação de veículos, mormente quanto às faturas da empresa Meira Lins. Em seu pronunciamento, os auditores fiscais afirmam que procederam ao aproveitamento das guias de recolhimento, conforme planilha e formulários para retificação de débito juntados, fls. 16.372/394. Esclarecem, porém, que deixaram de ser apropriadas as GPS que não guardam relação com as notas fiscais apresentadas, bem como, aquelas desprovidas de autenticação pelo agente arrecadador e que não constavam no banco de dados do INSS. Fl. 14375DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.376 9 Os auditores afirmam que os contratos que a empresa alega serem de locação de veículos referemse na verdade a serviço de transporte de pessoal, com cessão de mãodeobra, como é o caso da contratação da empresa Meira Lins. Como exemplo, é apresentado o contrato JUR 1998/03.01.01, cujo objeto é o traslado de funcionários da impugnante no trajeto João Pessoa/Caapora/João Pessoa, executado em um veículo tipo VAN, com capacidade para 15 passageiros. O sujeito passivo tomou ciência, mediante de remessa via postal, fl. 16.400, da diligência realizada, tendolhe sido ofertado prazo para aditamento da defesa. Em sua manifestação, fl. 16.403, a empresa ratifica os termos da impugnação e reitera o pedido de declaração de nulidade ou improcedência da NFLD. A Impugnação foi parcialmente sendo o lançamento, excluindose os juros, reduzido de R$ 12.340.269,20 para R$ 11.540.610,95. O Recurso Voluntário basicamente apresenta os mesmos argumentos impugnatório. Não consta manifestação da PGFN. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. 1.1. DO RECURSO DE OFÍCIO. O Acórdão recorrido estaria sujeito ao reexame necessário em razão do valor exonerado, principal e encargos de multa, ser superior a alçada fixada pela Portaria MPS nº 158, 11/04/2007. O decisório posto a reexame acolheu os argumentos impugnatórios quanto ao lançamento sobre valores constantes no levantamento PAT ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR e das contribuições lançadas sobre valores referenciados no Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos FOPRCED. O valor original do lançamento, excluindose os juros, foi de R$ 12.340.269,20 [Fl. 2] e com a aplicação dos termos do julgado, o valor retificado passou a ser de R$ 11.540.610,95 [Fl. 14.236]. Embora o Recurso de Oficio fosse exigível a época do julgado, nos termos da Súmula CARF nº 1031, a admissibilidade para o reexame necessário fica condicionada ao limite de alçada vigente na data do julgamento do recurso interposto. Atualmente, os Recursos de Oficio, para serem admitidos, devem ter por resultado a exoneração de valores, principal e encargos de multa, superiores a R$ 2.500.000,00, nos termos da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, razão pela qual o Recurso de Oficio não será conhecido. 1 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 14376DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.377 10 1.2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições intrínsecas e extrínsecas de admissibilidade. 2. RECURSO VOLUNTÁRIO QUESTÕES PRELIMINARES. 2.1. NULIDADE DA NFLD POR DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO E POR EXIGÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO ALCANÇADA PELA PRESCRIÇÃO DOCUMENTAL. 2.1.1. DECADÊNCIA. Sustentando a aplicabilidade do §4º do art. 150 do CTN2, alega a Recorrente que, em grande parte, o direito de constituir o crédito lançado estaria fulminado pela decadência, eis que o lançamento abarcou fatos geradores ocorridos à mais de 5 anos. A decisão em julgamento foi proferida em 03 de julho de 2007, antes da publicação da Súmula Vinculante STF nº 083, o que impõe um reexame da matéria à luz da nova conformação jurídica inaugurada pelo referido enunciado. A Recorrente foi intimada do lançamento em 31/03/2006 [Fl. 2]. Os fatos geradores tomando pela autoridade fiscal estão compreendidos entre 01/1996 e 07/2005, conforme DSD Discriminativo Sintético de Débitos [Fls. 1.113/1.267]. Aplicandose a regra decadencial prevista no Art. 173, I do CTN4, a decadência alcançaria os lançamentos realizados com base em fatos geradores ocorridos até 31/12/20005, por outro lado, sob os auspícios do §4º do Art. 150 do mesmo diploma estariam ilegalmente constituídos os créditos com fatos geradores ocorridos até 31/03/2001. O RDA Relatório de Documentos Apresentados [Fls. 2005/2150] registra as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, 2 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 3 STF Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário." Data de publicação do enunciado: DJe de 2062008. 4 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 5 O termo inicial de contagem do prazo decadencial considerando o disposto no Art. 173, I do CTN, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, portanto, os fatos ocorridos posteriormente à 01/01/2001 seriam fulminados pela decadência apenas em 01/01/2007. Fl. 14377DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.378 11 valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo, demonstrando a existência de recolhimentos, ainda que inferiores ao apurado, em todas as competências lançadas. Analisando os autos, verificamos que não constam indicativos de fraude, simulação ou outras situações jurídicas aptas a deslocar o termo inicial de contagem da decadência da data do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte. Com sustentáculo em entendimento vinculante6 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verificando estarem presentes todos os elementos para aplicação da regra decadencial contida no §4º do art. 150 do CTN, votamos por dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a decadência das obrigações ocorridas antes de 31/03/2001. 2.1.2. "PRESCRIÇÃO DOCUMENTAL". Quanto a "nulidade da NFLD por exigência de documentação alcançada pela prescrição documental" sustenta a Recorrente o lançamento que tomou por base para apuração, documentos atingidos pelo que nomeou prescrição documental, entendimento resultante da aplicação do art. 1.194 do Código Civil7 , interpretado a luz do que dispõe o Art. 173, I do CTN. Observando tratase de "dois lados da mesma moeda", tal discussão encontra se prejudicada pelos resultados do item anterior, decidido em favor da Recorrente, razão pela qual deixamos de julgála. 2.2. NULIDADE A AFRONTA AO PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Neste ponto a Recorrente sustenta que o lançamento foi realizado com base em mera presunções, tendo o agente fiscal selecionado fatos que dariam suporte ao lançamento, mas que não representariam a verdade material. Brada princípios constitucionais, cita doutrina respeitada, mas não evidencia os prejuízos impostos ao seu direito de ampla defesa e contraditório ou os equívocos cometidos pela autoridade fiscal. Os argumentos são genéricos e carentes de demonstração daquilo que alega e, ainda que estivessem devidamente indicados, a verificação de um descompasso entre a verdade material e os registros do lançamento demandariam uma incursão no mérito, promovendo analise de documentos e demonstração de tais inconsistências, assim, votamos por afastar tal preliminar. 3. QUESTÕES DE MÉRITO. 6 Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. 7 Lei 10.406/02 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Fl. 14378DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.379 12 3.1. REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A SEGURADOS EMPREGADOS CONSTANTES DA FOLHA E PAGAMENTO QUE NÃO TERIAM INTEGRADO A BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Neste ponto a Recorrente alega que o lançamento incidiu sobre pagamentos "não contemplados no campo de abrangência da tributação, tais como: (i) itens indenizatórios; (2) itens correspondentes a benefícios sociais como farmácia, auxílio escolar e outros itens previstos na convenção coletiva" cuja não incidência restaria qualificada, conforme hipóteses de exclusão do conceito de saláriodecontribuição dispostas nas alíneas do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. O Recurso Voluntário é desafiador, apresenta alguns indícios que poderiam conduzir o colegiado para uma investigação mais aprofundada de elementos ensejar a exclusão de alguns pagamentos da base de calculo dos tributos em foco, mas dificulta tal tarefa ao apresentar um elenco de situações que estariam fora do conceito de saláriodecontribuição, falha ao vincular seus argumentos a fatos e provas, na medida em que toda sua construção argumentativa é exemplificativa, genérica, teórica e desacompanhada de provas. Durante o procedimento de auditoria fiscal a Recorrente teve a oportunidade de esclarecer a natureza dos pagamentos feitos em beneficio de segurados empregados mas não incluídos na base de calculo das contribuições previdenciárias, contudo se omitiu. Consta dos autos Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, datado de 06/10/2005 [Fls. 2.686/2.687] intimando a Recorrente a prestar esclarecimentos, por escrito e acompanhada de documentos, exatamente sobre tais parcelas. Em 16/11/2005 a fiscalização foi ainda mais especifica, oportunizando a Recorrente o direito de colaborar no esclarecimento da natureza dos pagamentos, emitindo novo Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD [Fls. 2.87/2.689] com o seguinte teor: Com a falta de esclarecimentos e apresentação de documentos a autoridade fiscal tomou tais pagamentos como saláriodecontribuição, procedimento que se amolda ao Fl. 14379DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.380 13 disposto no RPS §148 art. 225, combinado com §3°9 do art. 33 da Lei n.° 8.212/91, cuja negativa viabiliza a aplicação do disposto no art. 233 do RPS10. Com a ausência de provas e esclarecimentos, se estabeleceu uma presunção quanto a natureza dos pagamentos, os incluindo como base de calculo dos tributos lançados. Observem que tal presunção é relativa e passível de desconstituição pela Recorrente através da demonstração da real natureza de cada um dos pagamentos. Diante da Notificação de Lançamento a Recorrente apresentou sua defesa administrativa mas não juntou os documentos que permitiriam analisar a natureza de cada um dos pagamentos tomados por base para o presente lançamento, tão pouco se deu ao trabalho de detalhar sua natureza, mantendo a mesma superficialidade argumentativa. O julgado recorrido também tratou de indicar a necessidade de prova quanto a natureza dos pagamentos e ainda que, por ordem da apresentação de sua defesa administrativa, a Recorrente não tenha juntado documentos sobre comprobatórios da natureza de tais pagamentos, como uma resposta a decisão, poderia ter feito tal prova por meio de seu Recurso Voluntário, mas não fez. Em busca de elementos capazes de confirmar a tese da Recorrente, tivemos o cuidado de analisar detidamente todas as 14.367 folhas dos autos, mas nada encontramos que pudesse demonstrar que tais pagamentos, efetivamente, tiverem por motivação situações descritas na contabilidade como indenizações e outras gratificações que estariam excluídas do conceito de saláriodecontribuição. Como já registramos, ainda que a contabilidade seja meio de prova, ao ignorar o pedido de esclarecimento sobre tais rubricas contábeis, a Recorrente passou a suportar o ônus de ter de proválos por meio de documentos idôneos e hábeis e assim desconstituir o lançado. Como anexo de sua Defesa Administrativa juntou instrumentos de negociação coletiva, notas fiscais de serviços e GPS relacionadas a retenção de 11% dos trabalhadores sob regime de cessão de mãodeobra e FORCED, mas nada relacionado aos pagamentos em questão. 8 §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. 9 §3°Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. 10 Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem corno aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Fl. 14380DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.381 14 Com relação as indenizações, seria preciso detalhar cada uma delas, comprovar que, de fato, os lançamentos contábeis tratam de pagamentos de verbais indenizatórias e de que tipo. A Recorrente não se preocupou nem mesmo em selecionar alguns exemplos e fazer provas por amostragem ou ainda que desacompanhado de documentos, apresentar planilha com descrição das operações. Com relação aos demais benefícios aplica o mesmo racional é aplicável, mesmo analisando os elementos dos autos com extremo desvelo para com a tese recursal, não foi possível atribuirlhe credibilidade suficiente para desconstituição da presunção em que se baseou o lançamento. A Recorrente sustenta que os pagamentos de "benefícios sociais como farmácia, auxílio escolar e outros itens previstos na convenção coletiva", mas não juntou os instrumentos citados. Constam como anexo de sua Defesa Administrativa apenas os Acordos Coletivos de Trabalho firmados entre a Recorrente e o Sindicato dos Trabalhadores na Industria do Cimento, Cal e Gesso da Paraíba, sem nenhuma previsão quanto a tais verbas, mas nenhuma Convenção Coletiva de Trabalho. [Fls. 11.262/11.331] Mesmo aplicando o maior esforço e devotamento no desvelar da verdade material não foi possível acolher a tese recursal, razão pela qual votamos por manter o lançamento neste ponto. 3.2. VALORES SUPOSTAMENTE DECLARADOS EM GFIP E NÃO CONSTANTES NAS FOLHAS DE PAGAMENTO EXPATRIADOS. Neste ponto a Recorrente mantém exatamente os mesmos termos de inconformidade manifestados em sua Defesa Administrativa, por concordar com seus termos, adotaremos os fundamentos do julgado recorrido, votando por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Conforme já expusemos no relatório acima, a Auditoria Fiscal, considerou como fatos geradores de contribuições os valores declarados em GFIP e não constantes nas folhas de pagamento, registrando, ainda, que as remunerações declaradas na categoria 03 (trabalhadores expatriados) foram consideradas como pagas aos segurados empregados, categoria 01. O impugnante, por sua vez, afirma que a Fiscalização não poderia exigir a contribuição decorrente de suposta divergência entre os valores declarados em GFIP e aqueles apurados em folha de pagamento, porque não ficou individualizada a parcela atribuída aos trabalhadores expatriados, sendo incabível exigir se a contribuição sem a identificação dos segurados. Por outro lado, ressalta que as verbas pagas a estes empregados (expatriados) e declaradas em GFIP já são consideradas salário de contribuição, não se justificando nova exigência tributária sobre estes valores. Visitando mais uma vez o Relatório de Lançamentos, pudemos observar que foram reservados três levantamentos para apuração das contribuições decorrentes de verbas declaradas Fl. 14381DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.382 15 em GFIP e inexistentes nas folhas de pagamento. Utilizouse da seguinte denominação: "VD1 — DIV GFIP X FOLHA FPAS 507 T 78"; "VD2 — DIV GFIP X FOLHA FPAS 663 T 78" e "VD3 — DIV GFIP X FOL FPAS 671 T 115". Nos citados levantamentos foram efetuados lançamentos de fatos geradores os mais diversos. Pudemos localizar, dentre outros: "Valores GFIP/Categoria 3/Inform Incorretamente"; "Valores GFIP/Categoria 5/Diretores"; "Valores GFIP /Categoria 13/Autônomos", etc. Ocorre que a impugnante insurgese apenas contra os lançamentos relativos às remunerações informadas em GFIP na categoria 03, motivo pelo qual enfocaremos apenas o item questionado. Para o deslinde da questão recorramos inicialmente ao Manual da GFIP/SEFIP (aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 11, de 25/04/2006, com as alterações da Instrução Normativa MPS/SRP n° 19, de 26/12/2006, e pela Circular CAIXA n° 395, de 27/12/2006), onde poderemos encontrar as informações necessárias à compreensão do tratamento legal dado aos chamados trabalhadores expatriados. Interessanos o item dedicado ao enquadramento, para efeito da declaração em GFIP, das diversas categorias de trabalhadores. Eis o que dispõe o item 4.3 do Capítulo II do referido manual: 4.3 CATEGORIA Infirmar os seguintes códigos, de acordo com a categoria de trabalhador: (...) 02. Enquadrase na categoria 03 o empregado estrangeiro que trabalha no Brasil, com direito ao FG7S, mas vinculado ao regime de previdência do pais de origem. (grifis nossos) As informações acima permitemnos concluir que ao lançar na GFIP determinados trabalhadores (os expatriados) na categoria 03, o sujeito passivo informou à Previdência Social que aquele grupo de obreiros não era vinculado ao RGPS. Os agentes do fisco, conforme explanado no relatório fiscal, ao se depararem com a situação, solicitaram os documentos que comprovariam o correto enquadramento dos referidos trabalhadores, no entanto, não obtiveram êxito. Assim, fizeram a apuração do crédito considerando aqueles trabalhadores como segurados empregados, categoria 01. Fl. 14382DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.383 16 O resultado prático deste procedimento é que as remunerações declaradas na categoria 03, sobre as quais não incidia as contribuições sociais, foram alcançadas pela tributação com a mudança de enquadramento. Quanto a este aspecto, chamamos atenção que, equivocadamente, a impugnante afirma que, mesmo sendo declaradas na categoria 03, as remunerações dos trabalhadores expatriados estaria sujeita à incidência das contribuições. Esta premissa é falsa, a bem da verdade, a utilização daquele enquadramento acarretava na não incidência tributária, pois, conforme verificado no Manual da GFIP/SEFIP, a categoria 03 deve ser utilizada nos casos em que os trabalhadores estão sujeitos ao regime fundiário, porém, excluídos do RGPS. Outra alegação infundada do sujeito passivo é a de que o auditor não individualizou a remuneração recebida por cada um dos trabalhadores expatriados, gerando, assim, a exação de contribuição sem os correspondentes beneficiários. Não é necessário muito esforço para se visualizar que a identificação da remuneração para cada um destes segurados foi feita pela própria empresa, que na sua declaração em GFIP indicou cada segurado com a respectiva remuneração. O Fisco, por não ter sido atendido na solicitação de esclarecimentos sobre a situação previdenciária destes trabalhadores, os enquadrou em categoria diversa, apenas isso. Ressaltese que, conforme ponderamos acima, a Fiscalização tem a prerrogativa de lançar os valores que entender devidos em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. No entanto, este, apesar de não se conformar como o lançamento referente aos trabalhadores expatriados, perdeu a oportunidade de apresentar juntamente com a impugnação as provas que militariam em seu favor no sentido de afastar a imposição fiscal. Não há, então, como acolher sua pretensão quanto a este item do levantamento. 3.3. REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E TRABALHADORES AUTÔNOMOS. Novamente a Recorrente mantém os mesmos argumentos á articulados na Defesa Administrativa, acrescentando apenas referência as questões decadenciais, que teriam fulminado parte dos lançamentos efetuados sobre tal rubrica. Por concordar com os termos do decisório recorrido, adotaremos seus fundamentos, votando por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. O contribuinte ataca o lançamento de contribuições sobre os pagamentos efetuados a autônomos. Afirma que a divergência Fl. 14383DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.384 17 apontada pelo Fisco decorreu da limitação imposta pela legislação quanto à fixação da base de cálculo. Argumenta que, em função do teto legal, o valor utilizado como salário de contribuição deve ser inferior ao total de remuneração paga ao segurado. Para enfrentar esta questão, iniciemos fazendo um apanhado da legislação de regência no período relativo à NFLD. A Lei Complementar n.° 84, de 18/01/1996, criou nova fonte de custeio para a Seguridade Social ao dispor: Art.1° Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: 1 a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários. trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas fisicas; e a cargo das cooperativas de trabalho, no valor de quinze por cento do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas. Art. 30 Quando as contribuições previstas nos arts. 1°e 2° se referirem a pagamento a autônomo que esteja contribuindo em classe de saláriobase sobre a qual incida alíquota máxima, o responsável pelos recolhimentos poderá optar pela contribuição definida nos artigos citados, ou por efetuar o pagamento de vinte por cento do saláriobase da classe em que o autônomo estiver enquadrado. (...) A contribuição que ora se discute é aquela prevista no inciso I. A interpretação isolada deste dispositivo nos indica que se trata de uma obrigação patronal, que não sofre limitação quanto à determinação da base de cálculo. No entanto, o legislador, no art. 3.0 acima transcrito, facultou às empresas que o cálculo da contribuição fosse efetuado mediante a aplicação da alíquota de vinte por cento sobre o saláriobase da classe em que o autônomo estivesse contribuindo para a Previdência Social. Porém, para se beneficiar da opção do art. 3.°, a empresa teria que demonstrar que os autônomos a seu serviço estavam inscritos e contribuindo regularmente para o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, nos termos estabelecidos pelo Decreto n.° 1.826, de 29/02/1996: Art. 5° Para os fins do disposto no artigo anterior, a empresa deverá exigir do segurado autônomo cópia autenticada do comprovante de recolhimento efetuado para o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referente à competência imediatamente anterior à competência a que se refere a retribuição. Fl. 14384DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.385 18 No caso em tela, no entanto, a empresa impugnante não trouxe os comprovantes exigidos pela legislação para que pudesse se beneficiar da apuração da contribuição previdenciária utilizandose do salário base dos autônomos que lhe prestaram serviço no período, não podendo, assim, pretender que a contribuição a seu cargo seja apurada por esta metodologia ou mesmo argüir a incorreção nas bases de cálculo adotadas pela fiscalização. A Lei Complementar n.° 84/1996 foi revogada pela Lei n.° 9.876, de 26/11/1999, com eficácia a partir de 01/03/2000, que acrescentou o inciso III ao art. 22 da Lei n.° 8.212/91 com a seguinte redação: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 111 vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Em relação à legislação anterior, a alíquota foi alterada, no entanto, a base de cálculo continuou a ser determinada pelo total da remuneração paga aos contribuintes individuais. Portanto, descabe o argumento defensório de que haveria a limitação legal para determinação da matéria tributável relativa à contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga a pessoa fisica sem vínculo de emprego. Quanto à contribuição de responsabilidade do contribuinte individual, cuja obrigação do recolhimento passou a ser da empresa a partir de 04/2003, conforme previsão inserta no art. 4.0, "caput", da Medida Provisória n ° 83, de 12 de dezembro de 2002, convertida na Lei n.° 10.666, de 08/05/2003, esta é balizada pelo limite máximo do saláriodecontribuição, conforme dispõe a Lei n.° 8.212/91: Art. 21. A aliquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. Porém, o § 4.° do art. 30 da mesma Lei prevê redução desta alíquota para os segurados que prestam serviço a empresa: § 4º Na hipótese de o contribuinte individual prestar serviço a uma ou mais empresas, poderá deduzir, da sua contribuição mensal, quarenta e cinco por cento da contribuição da empresa, efetivamente recolhida ou declarada, incidente sobre a remuneração que esta lhe tenha pago ou creditado, limitada a dedução a nove por cento do respectivo saláriodecontribuição. Resumidamente, a luz dos dispositivos acima, a alíquota que a empresa deve aplicar para determinação da contribuição a ser descontada dos contribuintes individuais a seu serviço é 11%. Fl. 14385DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.386 19 Cabenos então verificar, se ao lançar especificamente esta contribuição, os auditores fiscais observaram a aplicação do limite legal. Tomemos como exemplo os valores lançados para a competência 04/2003, relativos ao estabelecimento identificado pelo CNPJ n.° 08.567539/000210. Tais valores foram alocados no levantamento "F06 — REMUNERAÇÕES N DEC GFIP TER 78", onde foram lançados como base de cálculo da contribuição patronal R$ 12.885,00 e a título de contribuição dos segurados R$ 812,14 (ver Relatório de Lançamentos, fl. 2031). Se a alíquota de 11% tivesse sido aplicada sobre a mencionada base de cálculo obteríamos o valor de R$ 1.417,35 para a contribuição dos segurados. Portando, há de se supor que na obtenção do valor lançado foi observado o limite máximo do saláriodecontribuição. Chamamos atenção que os valores aima utilizados encontramse demonstrados na planilha "Prestadores de Serviços/P Físicas_Arq. SUPRIMENTOS, fls. 3306/3357, cuja totalização de valores foi apresentada na planilha constante às fls. 3358/3361. Ressaltese também que todos os dados lançados nestas planilhas foram obtidos de arquivos digitais fornecidos pelo sujeito passivo". Concluise que, a vista dos dados apresentados pela Auditoria Fiscal, estes argumentos defensórios caem por terra. 3.4. REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS — FRETISTAS. Novamente a Recorrente mantém os mesmos argumentos á articulados na Defesa Administrativa, acrescentando apenas referência as questões decadenciais, que teriam fulminado parte dos lançamentos efetuados sobre tal rubrica. Por concordar com os termos do decisório recorrido, adotaremos seus fundamentos, votando por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. A impugnante voltase também contra a exação sobre os pagamentos efetuados aos transportadores rodoviários autônomos, os quais trata por fretistas. Afirma que o Fisco utilizouse de base de cálculo irreal, posto que considerou como matéria tributável o valor total contido na cartafrete, quando deveria ter observado que naquela quantia constava, além da remuneração pelo serviço prestado, o valor relativo às despesas com combustível, assim, considerandose que estas despesas não são retribuição pelo trabalho, incabível que integrem a base de cálculo previdenciária. Aparentemente a alegação da impugnante possui plausibilidade, no entanto, não é esta a melhor exegese da legislação aplicável à espécie, conforme veremos. É certo que as quantias pagas aos transportadores rodoviários autônomos, as quais encontramse consignadas nas cartasfrete, contemplam a remuneração pelo serviço e os custos envolvidos na atividade, tais como combustível e manutenção dos veículos, porém, a Administração, não olvidou desta peculiaridade. Fl. 14386DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.387 20 Tendose em conta as especificidades desta categoria de segurados, foi estabelecido um tratamento tributário especial. Com a utilização do artificio da redução da basedecálculo, evitouse que a contribuição previdenciária viesse a incidir sobre a totalidade das quantias recebidas por estes trabalhadores, onerandoos de maneira desproporcional. A aplicação desta sistemática de tributação é fácil de ser visualizada no procedimento de constituição do presente crédito. É que os auditores fiscais apresentaram planilhas demonstrativas dos valores lançados a título de remuneração dos fretistas. Estas planilhas apresentam uma coluna correspondente ao valor total do frete e outra onde estão registrados os valores da base de cálculo de contribuição social. Adicionado a isto, está indicado percentual aplicado sobre o valor constante na cartafrete para obtenção do saláriode contribuição. Para o débito em questão foram lançadas contribuições incidentes sobre os pagamentos aos fretistas no período de 04/1998 a 07/2005, tendose observado que a legislação relativa à fixação da base de cálculo desta contribuição sofreu variações, como veremos. De 04/1998 a 07/2001, a base de cálculo era encontrada mediante a aplicação do percentual de 11,71% do valor efetivamente pago ou creditado pelo contratante, em face dos serviços de frete, carreto e transporte de passageiros, a teor do artigo 146, do ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/1997 e artigo 201, §4° do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, No período compreendido entre 08/2001 a 07/2005, o percentual utilizado foi de 20,00% do rendimento bruto pelos serviços de frete, carreto e transporte de passageiros, a teor do artigo 201, § 40 do RPS, com redação alterada pelo Decreto 4.032/2001. A exposição acima não deixa dúvidas de que o argumento do sujeito passivo é insubsistente. 3.5. RETENÇÃO SOBRE FATURAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CESSÃO DE MÃODEOBRA. Sobre este tema o Relatório Fiscal é pouco esclarecedor, contém uma afirmação de que o lançamento foi realizado e uma planilha com as retenções, não tendo apresentado cópia das notas fiscais ou contratos relativos a cessão de mãodeobra. Diferentemente do que ocorrerá em outros tópicos a Recorrente forneceu tais documentos a fiscalização, tanto é que lhe foi possível elaborar planilha detalhando cada uma das Notas Fiscais, mas deixou a fiscalização de indicar suas razões e provar seus pontos de vista, conforme determina o art. 1511 do Decreto 70.235/71. 11 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 14387DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.388 21 Nos pontos anteriores a Recorrente deu causa a superficialidade, gerando uma presunção e inversão do ônus da prova ou, por sua natureza, os elementos dos autos foram suficientes para demonstrar a motivação do lançamento, mas este não é o caso de presente rubrica. O lançamento que se analisa decorre de responsabilidade solidária do contratante de serviços realizados sob o regime de cessão de mãodeobra. Tal responsabilidade demandaria uma investigação mais aprofundada por parte da fiscalização. O lançamento não deixa claro se procedeu consulta á base de dados com a finalidade de verificar se os contribuintes efetuaram o recolhimento do tributo, a fim de se evitar o enriquecimento sem causa da união, tão pouco fez qualquer referência a intimação dos devedores principais, pois são solidários. Embora tenha prevalecido o entendimento quanto ao estabelecimento direito de responsabilidade da contratante quando esta não executa a obrigação no tocante a retenção, um mínimo de investigação seria necessária para tal lançamento, sendo inadmissível a ausência de intimação dos devedores principais e de zelo na apuração ao nem mesmo proceder uma consulta simples aos sistemas visando evitar tributação do que, eventualmente, tenha sido adimplido pelo devedor principal. A autoridade fiscal não detalhou os contratos e suas razões de lançamento, se estaria lançando por ausência de destaque em notas fiscais e quais notas, por retenção sobre base inferior ao total da nota ou por desconsiderar dedução de materiais, por exemplo. A obscuridade marca este ponto do lançamento, tanto é que foi objeto de diligência fiscal gerando a retificação do lançamento e a exclusão de parcela relevante dos créditos. E mesmo em tal oportunidade a fiscalização não se dignou a apresentar documentos que sustentem o lançamento e nem mesmo a esclarecer de modo detalhado se estaria o lançamento baseado em ausência de retenção, retenção à menor etc O fato da fiscalização citar um exemplo do que entenderá ser uma contrato de cessão de mãodeobra e não de locação de veículos, não pode ser tomado como razão suficiente para o lançamento e desconsideração dos registros. Deveriam ter juntado o respectivo contrato, demonstrado que tal veículo foi locado com motorista, que o serviço era continuo e prestado nas dependências da contratante. Neste ponto a Recorrente juntou diversas notas fiscais e as respectivas GPS, demonstrando diligência no cumprimento de tal obrigação e considerando não ser possível vislumbrar com clareza a motivação, verificar com segurança a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, voto por acolher o Recurso Voluntário neste ponto. 3.6. VALORES PAGOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO. Tratase de lançamento realizando com fundamento no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, dispositivo que previa a obrigação de recolhimento de 15% devidos a titulo de contribuição previdenciária devida sobre em razão da contratação de sociedades cooperativas de trabalho e calculados sobre o total da nota fiscal ou fatura. A rubrica foi mantida tendo em conta a vigência plena do dispositivo à época dos fatos. Como veremos adiante a inconstitucionalidade da exação foi reconhecida pelo Fl. 14388DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.389 22 Supremo Tribunal Federal, entretanto, ainda que assim não fosse, o lançamento não poderia prosperar. A exação incidiu sobre Planos de Saúde mantidos regularmente por cooperativas de saúde, que não se confundem com as cooperativas de trabalho. Apesar de posterior, a Lei nº 12.690/12 tratou de conceituar as cooperativas de trabalho, excluindo as Cooperativas de Saúde do conceito. Para que se perceba a diferença, analisando as operações sob a ótica do principio da dupla qualidade, cabe observar que, em essência, existem três espécies de cooperativas, aquelas em que os sócios são clientes da cooperativa, fornecedores de serviços ou produtos entregues ao mercado por meio da cooperativa ou trabalhadores que se utilizam da cooperativa para acesso ao mercado. As cooperativas de saúde suplementar criam planos de saúde com o objetivo de viabilizar aos sócios o fornecimento de serviços médicos ao mercado, sob a sistemática de prépagamento e em conjunto com uma gama de serviços que, não necessariamente, representam trabalho pessoal do sócio, tais como exames, internações, aplicação de medicamentos etc. Já as cooperativas de trabalho, através da sistemática de coordenação e parassubordinação, viabilizam aos sócios meios de disponibilizar sua força de trabalho ao mercado, viabilizar o trabalho sem alienação plena de tal força é a razão essencial das Cooperativas deste tipo. Portanto, nas cooperativas que operam planos de saúde, para além do próprio serviço não guardar relação direta com o trabalho do cooperado, este é mero fornecedor de serviços e não trabalhador que coloca sua força de trabalho à disposição do mercado. São situações econômicas, fáticas e jurídicas bem distintas. Citamos tais questões apenas para compartilhar com o colegiado nossa visão sobre matéria especifica e não corriqueiramente posta à julgamento, mas existe outra razão legal para exclusão dos créditos constituídos sobre tais fatos. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas Fl. 14389DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.390 23 remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99 ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Tal decisão é vinculativa e deve ser aplicada pelo colegiado nas lides pendentes de julgamento conforme determina o Art. 62 do Anexo II do RICARF. Isto posto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 3.7. VALORES PAGOS A TÍTULO DE PATROCÍNIO A CLUBES DE FUTEBOL. A Recorrente sustenta neste ponto que os recursos destinados ao AMÉRICA FUTEBOL CLUBE e GUARANI SPORTING CLUBE eram doação e não patrocínio. eis que não houve retribuição dos Clubes através do uso das marcas do grupo em qualquer evento, material esportivo ou outros meios de publicidade típicos deste setor. Ato decisório sob revisão manteve o lançamento sob o argumento de que patrocínio e doação seriam significantes que encerram o mesmo significado, sinônimos, conclusão, data vênia, equivocada seja por sua analise a luz do vernáculo, seja por sua distinta natureza jurídica. A própria fonte interpretativa do alcance do termo utilizada pelo i. Relator da decisão repreendida, dicionário Houaiss da Língua Portuguesa12, no mesmo verbete, desconstroi o racional adotado. Vejam: 12 Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 2151 Fl. 14390DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.391 24 “patrocínio s.m. (...) 1 ato ou efeito de amparar; auxílio, ajuda, proteção 2 m.q. PATRONAGEM 3 PUB custeio total ou parcial de um espetáculo artístico ou desportivo, de programa de rádio ou televisão etc. com objetivos publicitários; chancela 4 PUB MKT apoio, ger. financeiro, concedido, como estratégia de marketing, por uma organização a determinada atividade artística, cultural, científica, comunitária, educacional, esportiva ou promocional; chancela 5 m.q. MECENATO (‘apoio financeiro’) (...)” (grifos acrescidos) Em seu sentido castiço é inegável que a idéia de patrocínio está relacionada a marketing e publicidade. Importante observar que marketing não se confunde com publicidade ou propaganda, fato que destacamos em razão do §9º13 do Art. 22 da Lei nº 8.212/91 ter se referido a tais termos, mas não ao marketing, que estaria atrelado ao conceito de patrocínio. Do ponto de vista jurídico a Lei nº 11.438, de 29 de dezembro de 2006, que dispõe sobre incentivos e benefícios para fomentar as atividades de caráter desportivo, tratou de conceituar patrocínio e doação, naturalmente, os diferenciando. Vejamos: Art. 3º Para fins do disposto nesta Lei, considerase: I patrocínio: a) a transferência gratuita, em caráter definitivo, ao proponente de que trata o inciso V do caput deste artigo de numerário para a realização de projetos desportivos e paradesportivos, com finalidade promocional e institucional de publicidade; (Redação dada pela Lei nº 11.472, de 2007) b) a cobertura de gastos ou a utilização de bens, móveis ou imóveis, do patrocinador, sem transferência de domínio, para a realização de projetos desportivos e paradesportivos pelo proponente de que trata o inciso V do caput deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.472, de 2007) II doação: a) a transferência gratuita, em caráter definitivo, ao proponente de que trata o inciso V do caput deste artigo de numerário, bens ou serviços para a realização de projetos desportivos e paradesportivos, desde que não empregados em publicidade, ainda que para divulgação das atividades objeto do respectivo projeto; (Redação dada pela Lei nº 11.472, de 2007) b) a distribuição gratuita de ingressos para eventos de caráter desportivo e paradesportivo por pessoa jurídica a empregados e seus dependentes legais ou a integrantes de comunidades de vulnerabilidade social; 13 § 9' No caso de a associação desportiva que mantém equipe de .fiitebol profissional receber recursos de empresa ou entidade, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, esta última ficará com a responsabilidade de reter e recolher o percentual de cinco por cento da receita bruta decorrente do evento, inadmitida qualquer dedução, no prazo estabelecido na alínea "b", inciso I, do art. 30 desta Lei. (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97) Fl. 14391DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.392 25 Embora regendo sobre matéria diversa, os dispositivos supratranscritos são de caráter conceitual e refletem o sentido vernacular de tais termos, indicando como ponto fundamental para sua diferenciação a vinculação das dotações a ações de marketing, publicidade e propaganda. Neste ponto, mais uma vez, a autoridade fiscal falha em seu intento de constituir o crédito. Alem de não apresentar elementos probatórios aptos a sustentar seu entendimento e que claramente foram objeto de analise na fase fiscalizatória descumprindo o disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235/71, não consta dos autos qualquer analise mais profunda do caso, sua motivação é deficiente, consistindo em afirmação de incidência e não demonstração circunstanciada da ocorrência do fato gerador. O REFISC não traz nem mesmo um apontamento superficial quanto a vinculação de tais recursos à marketing, publicidade ou propaganda, partindo do pressuposto de que qualquer subvenção destinada a Clubes de Futebol e Associações Desportivas representam patrocínio, mesmo que a motivação seja mera liberalidade sem qualquer expectativa de retribuição. Como já vimos, é juridicamente possível que empresas destinem recursos a entes desportivos sem esperar retorno de qualquer ordem, por mera liberalidade, simples doação. A descaracterização de tais doações ou mesmo a caracterização de subvenções como patrocínio demandariam uma demonstração, ainda que mínima e superficial, de que a Recorrente se beneficiou e usou tal dotação como meio de marketing, publicidade ou propaganda, fato que não foi nem mesmo cogitado pela autoridade fiscal. A decisão recorrida, por sua vez, manteve o lançamento sob fundamentos frágeis, que se desvanecem com a leitura das próprias fontes adotadas pelo julgado. À vista do exposto voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 3.8. CONTRIBUIÇÃO SOBRE GRATIFICAÇÃO A ADMINISTRADORES E VERBAS DE REPRESENTAÇÃO ALEGAÇÃO DE TRATARSE DE PLR LALUR. Neste ponto, mais uma vez a Recorrente reitera os argumentos adotados em sua Defesa Administrativa e o faz sob bases genéricas, afirmando que os pagamentos realizados sob os regramentos da Participação nos Lucros ou Resultados são objeto de imunidade. Neste ponto a recorrente nem mesmo tangencia a controvérsia, pois o lançamento, tomando por base manifestação da própria Recorrente considerou tais verbas como sendo remuneração e, posteriormente, a Recorrente altera a informação atribuindo natureza de PLR a tais desembolsos. Entretanto o faz sem qualquer construção argumentativa de maior solidez ou apresentação de elementos probatórios capazes de desconstituir a presunção formada com o lançamento. Fl. 14392DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.393 26 Por bem representar nosso entendimento quanto ao caso concreto, ante a manutenção dos argumentos adotados no para o julgamento a quo, adotaremos os termos da decisão recorrida para negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. A empresa alega que os valores lançados no LALUR sob a rubrica "Gratificações a Administradores" referemse a quantias pagas a seus funcionários através do Programa de Participação nos Lucros, as quais são legalmente excluídas da incidência de contribuição para a Seguridade Social. Não é esta a conclusão a que chegamos após uma análise mais cuidadosa dos autos. Segundo o relatório fiscal, a empresa foi intimada a apresentar a relação dos beneficiários das referidas verbas, tendo apresentado planilhas em que informava que tais valores correspondiam a honorários e a salários. Percebese de plano a existência de contradição entre a alegação trazida com a impugnação e as informações disponibilizadas ao Fisco. A empresa durante a ação fiscal informou ao fisco que as verbas em destaque correspondiam a salários e honorários da Diretoria e, estranhamente, alega na defesa que as mesmas dizem respeito à distribuição de lucros. Observese, também, que no demonstrativo apresentado pelos Auditores, fl. 11.427, onde é feito confronto entre os valores extraídos do LALUR e os dados fornecidos em planilhas pelo impugnante, há períodos em que o pagamento das "Gratificações a Administradores" é feito mensalmente, fato que torna estes dispêndios incompatíveis com a natureza do pagamento de participação nos lucros, que conforme já verificamos deve ser feita em periodicidade não superior a duas vezes por ano. A Fiscalização considerou como saláriodecontribuição os valores que constam no LALUR sob a denominação "Representações". Segundo o relatório fiscal a empresa, mesmo após intimação, não apresentou a documentação comprobatória destes lançamentos contábei s. A fiscalização apresenta, fl. 11.426, planilha onde estão contemplados os valores que serviram de base para a apuração do crédito. A impugnante voltase contra a exigência fiscal sob a alegação de que as verbas pagas a título de "Representações", as quais são pagas a dirigentes ou empregados com cargos assemelhados, teriam caráter indenizatório, não estando sujeita a incidência tributária. Na seqüência, argumenta que estas parcelas são pagas de forma universal e em conformidade com o programa de participação nos lucros e resultados, por esta razão não poderiam ser alcançadas pela tributação. Vêse aí uma clara contradição. A empresa em um momento afirma que as "Representações" têm como beneficiários diretores e determinados empregados e que correspondem a Fl. 14393DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.394 27 parcelas indenizatórias, porém, logo em seguida, assevera serem pagas a todos os funcionários como sucedâneo da participação nos lucros e resultados. Assim, diante da contradição verificada, bem como, pela ausência de provas que pudessem tornar insubsistente o lançamento fiscal, temos como afastadas as alegações defensórias. 3.9. VALORES PAGOS EM DECORRÊNCIA DA CONTRATAÇÃO DE SEGURO DE VIDA EM GRUPO. A questão vem a reexame voluntário com as mesmas bases argumentativas expostas por ocasião da Defesa Administrativa. Novamente verificamos argumentos genéricos, ausência de demonstração de elementos probatórios capazes de dar azo aos intentos defensórios e até mesmo contradição entre as afirmações recursais e o constante em documentos juntados pela própria Recorrente. Mesmo em analise marcada por uma intenção de desvelar a verdade material sobre o caso, não identificamos quaisquer indícios aptos a desconstituir a presenção formada pelo lançamento. O voto do julgado sob resistência foi acertado, ante a falta de novos argumentos ou provas, votamos por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto e de modo complementar a fundamentação do presente voto adotaremos os termos da decisão recorrida. Segundo o relatório fiscal, os valores pagos a título de seguro de vida em grupo devem sujeitarse a incidência tributária, pois não há previsão de tal beneficio nos Acordos e Convenções Coletivas aplicáveis a empresa e seus funcionários. O sujeito passivo discorda veementemente desta exação sob a justificativa de que o beneficio é extensivo a todos os seus empregados, além de que, o desconto da parcela de responsabilidade dos empregados está previsto em cláusula expressa do Acordo Coletivo. Junta documentos emitidos pela empresa seguradora, os quais seriam hábeis a comprovar que o seguro abrange a totalidade dos trabalhadores. O RPS trata da exclusão do campo de incidência de contribuição previdenciária os valores relativos ao seguro de vida em grupo, nos seguintes termos: XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 90 e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto n° 3.265. de 1999) Portanto, a verba em questão, regra geral, está sujeita a incidência de contribuição social, somente sendo afastada a exação casos se verifique a existência de previsão do beneficio em convenção ou acordo coletivo de trabalho e esteja Fl. 14394DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.395 28 disponibilizada à totalidade dos empregados e dirigentes do sujeito passivo. Os elementos constantes nos autos não nos permitem concluir pelo atendimento dos dois requisitos. Os documentos emitidos pela seguradora e juntados pela impugnante não nos trazem qualquer informação relativa à abrangência do seguro de vida. Por outro lado, não vislumbramos, nos Acordos Coletivos firmados entre a empresa e o sindicato representativo dos seus empregados qualquer menção a seguro de vida em grupo. A impugnante argumenta que o fato de constar no ajuste coletivo a possibilidade de se efetuar desconto em folha de pagamento a título de seguro já, seria suficiente para caracterizar a previsão exigida pela norma. Não concordamos com esta afirmação. Para melhor elucidar a situação concreta, transcrevamos a cláusula do acordo, fl. 14.830, que supostamente traria a previsão relativa a seguro de vida em grupo: Na forma do Art. 462 da C1:1; ficam permitidos os descontos no salário do empregado da CIPASA, desde que originário de convênios com fártnácias, supermercados, Miais, comércio em geral, assim como os descontos decorrentes de seguros, aluguéis de imóveis, associações recreativas, contribuições para cooperativas de crédito e ~ações de previdência privada, planos de saúde, empréstimos pessoais, empréstimos para alimentação e transporte, em consignação com entidades financeiras e outros, sendo suficiente para a promoção do desconto, uma única autorização do empregado. Entendemos que a cláusula acima não atende a disposição normativa que exige a previsão em acordo ou convenção coletiva de cláusula que garanta o beneficio de seguro de vida em grupo a todos os empregados e diretores, como requisito para não incidência tributária. Como se pode observar a cláusula transcrita representa uma autorização genérica para que a empresa efetue descontos no salário dos empregados, mas não garante a contratação de seguro de vida em grupo para a totalidade dos funcionários. Observese que a cláusula mencionada apenas cria a possibilidade de desconto, sendo necessária ainda para efetivação do mesmo que o empregado o autorize expressamente, portanto, não há como acatar o argumento defensório de que tal situação seria equivalente à concessão de seguro de vida a todos os empregados. 3.10. DO CARÁTER DE CONFISCO. Neste ponto não vislumbramos inovações, sendo adequados os argumentos do decisório atacado, votamos por negar provimento ao Recurso Voluntário neste particular, adotando os fundamentos do relator a quor. Fl. 14395DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.396 29 Não procede a alegação da impugnante de que o crédito previdenciário em destaque o levaria a uma diminuição patrimonial, assumindo, portanto, caráter confiscatório. A lavratura da presente NFLD atende ao comando legal expresso no art. 37 da Lei n.° 8.212/1991, que confere à Auditoria Fiscal o poderdever de, ao constatar que as contribuições deixaram de ser recolhidas integralmente no prazo legal, lançar o valor devido com os respectivos acréscimos legais. Portanto, uma vez que o lançamento fiscal está em consonância com a legislação de regência, não há o que se falar em confisco, posto que as contribuições lançadas estão!astreadas em Lei, a qual se encontra vigente e eficaz até que seja revogada ou tenha sua inconstitucionalidade declarada pelo órgão que detém o poder para tal. Ademais é bom que se tenha em conta que a proibição constitucional quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. 3.11. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. Embora o requerimento de perícia tenha sido formulado de modo tempestivo e atendendo aos requisitos legal para analise, os quesitos não demandam maiores conhecimentos técnicos. A simples analise dos documentos contidos no processo revelam as respostas para aquilo que a Recorrente deseja ver esclarecido por um perito, sendo, na visão deste Relator, dispensável tal meio probatório. Mais eficiente do que uma perícia seria a instrução adequada da defesa, por vezes nos deparamos com situações que poderiam representar uma exação inadequada, mas, devido a fragilidade probatória e generalidade dos argumentos articulados pela Recorrente foi impossível corroborar com suas pretensões. Percebam ainda que as informações a serem produzidas por uma eventual perícia tomariam por base documentos e dados sob guarda ou conhecimento da própria Recorrente, assim, mesmo com o indeferimento da perícia requerida seria possível produzir tal analise e juntar ao Recurso Voluntário, eis que os fundamentos da decisão recorrida dariam base para tal resposta da interessada. Dada a realidade processual, entendemos que a decisão recorrida não merece reparos, votando por manter o indeferimento da perícia e, em prestigio ao julgado a quo, complementaremos a fundamentação do presente voto com os seus termos. Pugna o sujeito passivo pela realização de perícia, alegando que diante dos erros cometidos pela fiscalização, é imprescindível a sua realização de modo a se chegar ao valor efetivamente devido pela empresa. É imperioso que se ressalte que as incorreções verificadas no lançamento quanto ao aproveitamento de guias de recolhimento previdenciário foram devidamente saneadas pelos auditores fiscais, fato do qual o impugnante teve ciência, sendolhe, Fl. 14396DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.397 30 naquele momento, ofertado prazo para exercer o direito ao contraditório. Porém, conforme já comentamos, este deixou passar em branco a oportunidade de se manifestar, tendo apenas reafirmado os termos da defesa. Analisamos cada um dos argumentos da impugnação e consideramos os que entendemos serem pertinentes, a exemplo da impossibilidade de exação sobre os valores referentes à alimentação fornecida aos trabalhadores. Neste sentido, não vislumbramos necessidade de realização da perícia requestada, posto que os elementos constantes nos autos já nos dão a convicção necessária ao julgamento da lide. Achamos oportuno transcrever o comentário de Marco Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, p. 195, como segue: Vale destacar que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, e, apenas ela pode avaliar sua pertinência para a solução da lide. A prova pericial mostrase útil somente quando não se puder encontrar a verdade de outra forma mais simples. Por esta razão, freqüentemente, as autoridades de primeira instância têm indeferido as solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não seriam necessárias à solução do litígio ou já estariam contempladas nos autos. Na verdade, grande pane dos requerimentos de perícia no processo administrativo.fiscal versa sobre o exame de dados constantes da escrita fiscal do contribuinte, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal antes da lavratura do auto de infração. Apenas seria necessário o reexame por outro especialista se bem demonstrada a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm. como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa se sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelató rios. (grifamos) Portanto, só há perícia se o fato depender de conhecimento especial o que não é o caso do presente processo. Estamos tratando aqui de mero pedido de perícia para verificação de fatos que podem ser extraídos dos próprios autos. Razão pela qual indeferimos o requerimento. Quanto ao pedido de juntada de novos documentos, posicionamonos também pelo seu indeferimento, posto que desprovido de amparo legal. A Portaria MPS n.° 520, de 19/05/2004, que dispõe sobre o contencioso administrativo fiscal decorrente de exigência de contribuições previdenciárias, em seu Fl. 14397DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.398 31 art. 9.0, § 1.0, enumera as hipóteses em que a prova documental, apresentada após o prazo de defesa, pode ser conhecida: § I° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. a que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Assim, a luz da norma acima e, ainda, tendose em conta que, ao tomar ciência da diligência fiscal, o contribuinte teve oportunidade de se manifestar, inclusive, sendolhe facultado apresentar novos documentos, entendemos não ser cabível, neste momento, a juntada de outras provas documentais. CONCLUSÃO. A luz do exposto votamos por: 1 Não conhecer do Recurso de Oficio, dado o seu valor de alçada ser inferior ao vigente para impor reexame necessário; 2 Conhecer do Recurso Voluntário para: Preliminarmente: I Ancorados na Súmula Vinculante STF nº 08 e Sumula CARF nº 99, acolher a preliminar de decadência reconhecendo a extinção do direito de constituir os créditos lançados até 31/03/2001 inclusive; II Afastar as demais preliminares. No mérito darlhe parcial provimento para: A Excluir os créditos lançados a titulo de responsabilidade solidária por retenção das contribuições previdenciárias nos casos de cessão de mãodeobra; B Sob alinhamento ao que fora decidido no RE 595.838/SP, excluir dos lançamentos os valores calculados sobre pagamentos destinados a Sociedades Cooperativas equivocadamente classificadas como de trabalho; C Excluir do lançamento os créditos lançados sobre valores destinados à Clubes de Futebol. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Em que pese as, como de costume, muito bem articuladas razões do Relator, peço venia para delas dissentir. As divergências resumemse: 1 quanto à retenção sobre as faturas de prestação de serviços Cessão de MãodeObra; e Fl. 14398DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.399 32 2 quanto aos valores pagos a título de Patrocínio a Clubes de Futebol. No que toca ao primeiro ponto, entende o Relator que o Relatório Fiscal de fls. 2.719/2.723 seria pouco esclarecedor, além de não ter apresentado cópia das notas fiscais ou contratos relativos à cessão de mãodeobra. Compulsando os autos, podese notar que o autuante fez constar que a base de cálculo para este lançamento estaria detalhada na planilha "retenção", que se encontra acostada às fls. 10.687/11.092, na qual se discrimina o ano/mês, nº da nota fiscal, o tipo de serviço, o total da nota, a razão social do prestador do serviço, assim como seu CNPJ. Por sua vez, cumpre salientar que o recorrente, em sua impugnação, não tece considerações acerca desse suposto relatório pouco esclarecedor. Ao contrário, em poucas linhas, mas de forma objetiva, insurgiuse contra a aplicação da exigência à locação de veículos ou de máquinas, destacando a contratação com a Meira Lins. E, de maneira mais genérica, aduziu que promoveu todas as retenções sobre os contratos de cessão de mãodeobra, acostando, para tanto, cópias de notas fiscais e guias de pagamentos. Dito isso em sua impugnação, a DRJ determinou a baixa dos autos em diligência para que os autuantes esclarecessem o alegado, nos termos a seguir: Em resposta, a autoridade fiscal apresentou planilha de retificação de débito, esclarecendo que algumas guias de recolhimento apresentadas continuaram sem ser consideradas ou por não terem vinculação às notas fiscais analisadas, ou por não apresentarem autenticação bancária e não constarem no banco de dados da Previdência social. Na sequência, ainda informou que os contratos com a Meira Lins eram, em verdade, serviço de transporte de trabalhadores, com cessão de mãodeobra. Quanto ao argumento de que os contratos seriam exclusivamente de locação, a Fiscalização teria refutado tal argumento, indicando, a título de ilustração, uma situação concreta onde teria ocorrido a prestação de serviços de transporte mediante cessãodemão de obra. Cientificado do resultado da diligência, inclusive com a apropriação de várias guias de recolhimento, mantevese em silêncio o recorrente. Já em seu recurso voluntário, reiterou os mesmos argumentos de sua impugnação, sem ter trazido, todavia, qualquer elemento novo tendente a infirmar o lançamento nesse ponto, mesmo após as considerações promovidas pela instância de piso. Fl. 14399DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.400 33 Com efeito, não vejo reparos outros no lançamento. Prosseguindo na análise, desta feita com relação aos valores pagos a título de patrocínio a clube de futebol, alega o recorrente que os valores transferidos àqueles clubes teriam se dado a título de doação. Por sua vez, entende o Relator que a idéia de patrocínio estaria relacionada a de marketing e publicidade. Todavia, tenho sérias dúvidas se a intenção do legislador foi a de diferenciar doação de patrocínio, sobre tudo quando estamos a falar de valores repassados a associação de mantém equipe de futebol profissional. Notese que, a rigor, o legislador procura dar guarida aos repasses de recursos a entidades sem fins lucrativos, admitindoos como doação e, por vezes, concedendolhes benesses fiscais. E mais, percebase que o parágrafo 6º do artigo 22 da Lei 8.212/91 estabeleceu a contribuição substitutiva incidente sobre a receita bruta decorrente de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos. Nesse ponto, imagino que o legislador por meio da expressão "qualquer forma" fez questão de alargar o conceito de patrocínio, abrangendo até mesmo os casos em que o valor aportado se dá com o único propósito de meramente amparar, auxiliar e ajudar. E mais, ao destacar o patrocínio em relação ao licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade e propaganda tendeu a confirmar essa amplitude da base de cálculo da exação. Confirase: § 6º A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional destinada à Seguridade Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo, corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos desportivos. Nesse diapasão, a análise que deve ser empreendida quanto ao disposto no parágrafo 9º do artigo encimado, que estabelece a responsabilidade do autuada na retenção e recolhimento dos valores então repassados àquele título, precisa, necessariamente, considerar a expressão "a título de patrocínio" como sendo "a título de qualquer forma de patrocínio", de forma que haja uma perfeita compatibilidade entre as disposições de ambos os parágrafos. § 9º No caso de a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional receber recursos de empresa ou entidade, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e Fl. 14400DF CARF MF Processo nº 35172.000769/200715 Acórdão n.º 2402006.695 S2C4T2 Fl. 14.401 34 transmissão de espetáculos, esta última ficará com a responsabilidade de reter e recolher o percentual de cinco por cento da receita bruta decorrente do evento, inadmitida qualquer dedução, no prazo estabelecido na alínea "b", inciso I, do art. 30 desta Lei. Com efeito, filiandome à conclusão da instância de piso, não vejo reparos no lançamento também neste ponto, razão pela qual, no que toca aos pontos aqui abordados, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 14401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.008995/2006-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 1001-000.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 89 95 /2 00 6- 17 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13807.008995/200617 Acórdão n.º 1001000.915 S1C0T1 Fl. 59 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo I (SP), mediante o Acórdão nº 1613.575, de 24/05/2007 (efls. 33/36), objetivando a reforma do referido julgado. O crédito tributário lançado, no valor de R$ 200,00, se refere à exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica DIPJ, referente ao anocalendário de 2003, conforme Auto de Infração (efl. 26). Na impugnação apresentada (efls. 3/4), a interessada alega "visto que em face do disposto pelo artigo 138 do CTN, ao contribuinte que apresenta declaração, antes de qualquer procedimento administrativo, não se aplica a penalidade da multa, configurandose o preceito da denúncia espontânea". Cita julgado do Carf. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO Restando caracterizada a entrega em atraso da Declaração da Pessoa Jurídica, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 12/12/2007, conforme Aviso de Recebimento à efl. 39, a recorrente apresentou recurso voluntário em 02/01/2008, conforme carimbo de recepção à efl. 42. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto (efls. 42/45), a recorrente reitera o argumento trazido em sede de impugnação, ou seja, que descabe a multa punitiva por ter agido de forma Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13807.008995/200617 Acórdão n.º 1001000.915 S1C0T1 Fl. 60 3 espontânea, estabelecido no art. 138 do CTN, pois a declaração foi entregue antes de qualquer procedimento fiscal. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. Cumpre registrar que o CTN, art. 113, dispõe que a obrigação tributária é principal ou acessória e que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Os §§ 2º e 3º do artigo retrocitado assim dispõem: § 2º – A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º – A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária, e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no retrocitado art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória de apresentação de DCTF, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração/notificação de lançamento. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, temse que o art. 138 não se desfez da multa por atraso no cumprimento de obrigação acessória. Outrossim, o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria é o mesmo, já tendo sido, inclusive, objeto de Súmula, que transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13807.008995/200617 Acórdão n.º 1001000.915 S1C0T1 Fl. 61 4 (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.932555/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 32 55 5/ 20 08 -7 3 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.932555/200873 Resolução nº 3401001.530 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.932555/200873 Resolução nº 3401001.530 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.932555/200873 Resolução nº 3401001.530 S3C4T1 Fl. 123 4 “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.932555/200873 Resolução nº 3401001.530 S3C4T1 Fl. 124 5 total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.932555/200873 Resolução nº 3401001.530 S3C4T1 Fl. 125 6 aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.932555/200873 Resolução nº 3401001.530 S3C4T1 Fl. 126 7 compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.653309/2016-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento.
SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E ÁLCOOL.
O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de cana-de-açúcar e álcool.
NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 3201-004.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("big-bag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD - Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II - Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMO Recorrente RAIZEN ENERGIA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA DEAÇÚCAR E ÁLCOOL. O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de canadeaçúcar e álcool. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 09 /2 01 6- 68 Fl. 605DF CARF MF 2 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("bigbag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 488 3 Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos do PIS, apurado no 3º trimestre de 2012. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente Processo Administrativo Fiscal da análise do crédito demonstrado no PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito nº 06218.89350.080114.1.5.084854 referente a PIS/PASEP Não Cumulativo Exportação, 1º Trimestre de 2013, transmitido em 08/01/2014. Cabe observar que tal PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito possui Declarações de Compensação (DCOMP) a ele vinculadas. Anteriormente a essa ação em curso, foi realizada neste interessado a ação fiscal comandada pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF n° 0816500.2015.01044, concluída em 04/11/2016 pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Alberto de Toledo da DRF/Jundiaí, com emissão de Autos de Infração lançando contribuições devidas de PIS e COFINS não cumulativos, gerando o Processo Administrativo Fiscal nº 19311.720238/201645, impugnado pelo interessado e já julgado por esta 16ª Turma de Julgamento na qual foi proferido o Acórdão nº 1293.315 em 30 de outubro de 2017 por esta Turma de Julgamento. Naquele processo, em procedimento de fiscalização, a DRF/Jundiaí não aceitou, na apuração da empresa, a tomada de crédito sobre diversos gastos que entende não serem passíveis de creditamento. O entendimento da DRF/Jundiaí resultou em glosas nos créditos, que resultaram menores que os calculados e informados pela empresa em seus DACON e EFD Contribuições. Então, ainda naquele procedimento de fiscalização executado pela DRF/Jundiaí, os créditos reapurados de ofício após as glosas sofridas foram rateados conforme as suas formas passíveis de utilização. As parcelas desses créditos passíveis de serem utilizados somente para deduções das contribuições, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno” e os “Créditos Presumidos da Agroindústria” foram utilizados para a dedução do valor das Contribuições Apuradas Fl. 607DF CARF MF 4 pelo interessado, resultando, para maioria dos meses, em Contribuições a Pagar lançadas em Autos de Infração de PIS e COFINS com multa e juros. Já as parcelas desses mesmos créditos, reapurados de ofício pela DRF/Jundiaí, que são passíveis de ressarcimento/compensação, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita de Exportação” e os “Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, tiveram apenas os seus valores indicados para serem utilizados em procedimentos específicos de análise de PER/DCOMP por parte da DRF/Bauru. Está informado no item 10.1 do Termo de Verificação Fiscal dos Autos de Infração da DRF/Jundiaí, sob o TDPF n° 0816500.2015.01044 : "10.1 Os Pedidos de Ressarcimento do PIS e da Cofins e as Declarações de Compensação (PER/Dcomp) apresentados pelo contribuinte, relativos aos períodos fiscalizados, serão analisados em procedimento específico, a ser realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP. " Neste presente processo é tratado o procedimento específico de análise do pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS/PASEP vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno do 2º Trimestre de 2013. No procedimento deste presente processo, e nos demais procedimentos conexos, a DRF/Bauru subtraiu do pedido de ressarcimento/compensação do interessado, os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí. Os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí são os valores das “Glosas de Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, detalhadas mensalmente em linhas da planilha denominada “Demonstrativo Anexo ao Termo de Verifical Fiscal” às fls 906 a 925 do processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645, originado a partir da sua já citada ação fiscal comandada pelo TDPF n° 0816500.2015.01044. Assim, para esse período e tipo de crédito, do Valor de Crédito Pedido pelo interessado de R$ 894.706,30, a DRF/Bauru subtraiu o valor de glosa determinado pela DRF/Jundiaí no valor de R$ 587.456,11 e chegou ao Valor de Crédito Cofirmado no valor de R$ 307.250,19. O interessado se insurge através de Manifestação de Inconformidade, tempestiva, na qual pede o julgamento em conjunto desta Manifestação de Inconformidade com outras defesas apresentadas em Processos Administrativos conexos, oriundos do mesmo “TDPF” nº 0816500.2015.01044, manejado pela Fiscalização da DRF/Jundiaí, eis que conexos, uma vez que possuem idênticos: (i) quadro fático e discussão de direito (similitude de objetos creditórios / conceito de insumos para crédito de “PIS” e “COFINS” / depreciação de ativo imobilizado), e (ii) pedido e causa de pedir, apenas diferenciandose com relação aos Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 489 5 trimestres dos anoscalendário de 2012 e 2013 e alternando as referidas Contribuições Sociais. (omissis) Dessa forma, com base nos artigos 55, parágrafos 1º e 3º, 56 e 58, do Código de Processo Civil, e supedâneo no artigo 15, do mesmo Código e com o objetivo de evitar decisões conflitantes, bem como facilitar o trâmite processual e organização do julgamento desta “DRJ”, requer o processamento e julgamento da presente Manifestação de Inconformidade com as defesas dos demais Processos Administrativos acima indicados. O interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também apresenta síntese dos fatos. Reafirma que o presente processo que trata da negativa de reconhecimento integral do direito creditório que pleiteia decorre do resultado da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. E que o próprio Termo de Verificação Fiscal – “TVF” do Despacho Decisório deste período, emitido pela DRF/Bauru, adota os termos e os montantes deferidos e indeferidos indicados no Termo de Verificação Fiscal da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. Entretanto, o interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também alega que haveria diversas diferenças técnicas entre o procedimento de lançamento e constituição do crédito tributário por meio de Auto de Infração, como executado pela DRF/Jundiaí, e os procedimentos de cobrança de valores devidos decorrente das não homologações de Pedidos de Ressarcimento/Compensação, executados pela DRF/Bauru. E, mais adiante, em sua Manifestação de Inconformidade, o interessado repete as alegações de preliminar e de mérito que trouxe aos autos da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí, sob o processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645 e requer a homologação integral do direito creditório originalmente pleiteado. A 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJO n.º 12093.780, de 22/11//2017 (fls. 408 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 JULGAMENTO EM CONJUNTO Devem ser julgados em conjunto processos conexos que possuem idênticos quadro fático e discussão de direito, e pedido e causa de pedir. Fl. 609DF CARF MF 6 APURAÇÃO DE CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. GLOSAS. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 487 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou vários pedidos de ressarcimento e, após analisálos, a unidade de origem promoveu lançamento do PIS/Cofins devidos nos períodos de apuração de 01/2012 a 12/2013 (processo administrativo nº 19311.720238/201645, ora também examinado), em face da escrituração de créditos indevidamente descontados na apuração. Deferido em parte o crédito e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua parcialmente procedente, daí a interposição do recurso voluntário. Em síntese, a Recorrente, grosso modo, repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. E pede o julgamento conjunto do presente processo com outros de seu interesse em que se debatem as mesmas matérias. É o que se fará nesta assentada. Preliminarmente, a Recorrente sustenta a nulidade do Despacho Decisório, ao argumento de carência de motivação e de que não haveria a necessária individualização das glosas de créditos. Não é o que se vê dos autos. No próprio Despacho Decisório, consta a orientação de que maiores informações sobre a análise dos créditos poderiam ser obtidas no sítio eletrônico da RFB: Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Base Legal: Lei nº 10.637, de 2002, Lei nº 10.865, de 2004, art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 490 7 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 43 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Não fosse o bastante, como a própria Recorrente já indica, no bojo da mesma ação fiscal foram analisados vários outros processos de mesma natureza e efetuado um lançamento de PIS/Cofins integrado por Termo de Verificação Fiscal onde a mesma análise também foi depurada. Cabe ressaltar, ademais, que a eventual correção do Despacho Decisório (e também do lançamento) pelos órgãos que compõem o Contencioso Administrativa, mediante a reversão de créditos glosados pela fiscalização, não macula a decisão (ou mesmo o lançamento), senão que o conforma à legislação aplicável, considerada a jurisprudência administrativa e judicial. Rejeitada a preliminar de nulidade, passamos a reproduzir, pelos motivos já declinados, o nosso voto proferido no processo administrativo nº 19311.720238/201645, adotandoo, também aqui, como razão de decidir: Rejeitada a preliminar de nulidade, vemos que o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem Fl. 611DF CARF MF 8 ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a fiscalização aplicou o conceito mais restritivo ao conceito de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB. E aí glosou os seguintes créditos (consoante Termo de Verificação Fiscal): a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 491 9 h) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido de máquinas, equipamentos, instalações, benfeitorias e edifícios, conforme registros contábeis nas contas 1030202002 – Máquinas e Equipamentos – Depreciação Acumulada, 1030214002 – Instalações – Depreciação Acumulada, 1030206002 – Benfeitorias – Depreciação Acumulada, 1030205002 – Edifícios – Depreciação Acumulada, e 3040699007 – Depreciações – Custo Corrigido, o que contraria a vedação expressa contida no artigo 2º, § 1º da IN SRF nº 457, de 2004; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag); j) Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria; k) Desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes; l) Desconto de crédito presumido sobre valor superior ao PIS e à Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar. Consideradas as razões que fundamentaram a impugnação, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de dirimir algumas dúvidas. Foram elas: I. Quanto ao item “H” – “NULIDADE PARCIAL– INEXISTÊNCIA DE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS” (fls. 981 a 988), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores. Apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. II. Quanto ao item “I” – “DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO” (fls. 1041 a 1047), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado sobre os bens citados no referido item “I”, em desacordo com a legislação de regência. Também apresentar a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “I”. III. Por fim, dar ciência do resultado da diligência acima solicitada ao interessado, para que esse, se assim desejar, se manifeste sobre esta documentação no prazo de trinta dias, retornando, então, os autos a esta DRJ/RJO para julgamento. Fl. 613DF CARF MF 10 E no Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade que a realizou prestou as seguintes informações: Quanto ao item I, esclarece a fiscalização que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. No entanto, essas mesmas informações mostram que parte dos bens que serviram de base de cálculo do PIS e da Cofins e que foram classificados como máquinas e equipamentos, na verdade tratamse de outros veículos ou seus componentes, tais como tratores, dollys, transbordos, carregadeiras, carrocerias, reboques e semireboques. Sendo assim, não podem compor a base de cálculo dos créditos sobre depreciação, por falta de previsão legal. Quanto ao item II, segue anexo demonstrativo com planilha do recálculo das diferenças do PIS e da Cofins devidas, consideradas as exclusões das glosas sobre a reavaliação de ativos e levando em conta a memória de cálculo da depreciação apresentada pelo contribuinte às fls. 1453/1481 destes autos. A DRJ, então, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos termos seguintes: Manter integralmente as glosas relacionadas ao conceito de insumo nos itens “A” a “G” do Termo de Verificação Fiscal. Afastar a glosa relacionada à reavaliação de ativos no item “H” do Termo de Verificação Fiscal. Manter parcialmente a glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (desconsiderados os valores inovados na diligência). Afastar integralmente todas as glosas efetuadas em relação aos créditos presumidos apurados pelo contribuinte nos itens “J” a “L” do Termo de Verificação Fiscal. Manter o critério adotado de não considerar o saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo. O recurso de ofício, esclareçamos melhor, teve por fundamentos as seguintes matérias, que totalizaram a exoneração de crédito em limite superior ao de alçada: a) a reversão de créditos do PIS/Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, uma vez que as informações apresentadas na impugnação, e confirmadas na diligência, comprovam que não ocorreu a reavaliação do valor dos ativos; b) a manutenção parcial da glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 492 11 Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (foram desconsiderados os valores inovados na diligência, uma vez que a DRJ acertadamente entendeu que tal procedimento equivaleria a alterar o lançamento originário); c) a reversão da glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial"; d) a reversão da glosa sobre crédito presumido oriundo de receita de vendas de açúcar não destinado à alimentação humana, mas à fabricação de bebidas e refrigerantes; e) a reversão sobre o desconto de crédito presumido superior ao PIS/Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar. Os motivos da exoneração de parte do crédito foram muito bem enfrentados no acórdão recorrido, razão pela qual passamos a adotálos, também aqui, como fundamento desta decisão, mas a respeito dos quais faremos, ao final de sua transcrição, importante consideração, que, como se verá, nos levarão a adotar, no ponto a ser suscitado, entendimento dele divergente (todavia, transcreveremos na íntegra o voto, apenas quanto às matérias que levaram à exoneração de parte do crédito lançado, para que aos demais integrantes da Turma seja dado pleno conhecimento das controvérsias): DAS GLOSAS SOBRE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS Ítem “H” do Termo de Verificação Fiscal: Sobre essa glosa que a AUTORIDADE FISCAL chamou no Termo de Verificação Fiscal de “Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido”, não haviam informações suficientes para afirmar que os valores glosados eram créditos apurados e descontados pela IMPUGNANTE sobre encargos de depreciação calculados sobre a reavaliação de seus ativos. A IMPUGNANTE contestou que não reavaliou seus ativos. Então, esta 16ª Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem apresentasse planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrassem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores e apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. A unidade de origem lavrou Termo de Intimação Fiscal (fls. 1371 a 1374), contra a IMPUGNANTE, que atendeu e apresentou os documentos solicitados. Então, a unidade de origem, a DRF/JundiaíSP, no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1482 a 1484), conclui e esclarece que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do Fl. 615DF CARF MF 12 PIS e da Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. Por esse motivo voto por afastar a glosa em relação a este item. (...) DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO Ítem “I” do Termo de Verificação Fiscal: Cabe analisar as glosas sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado nos valores recalculados após a diligência. A unidade de origem, glosou créditos sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag) por entender não que não estão listados nas hipóteses que a legislação permite o creditamento do PIS e da Cofins. A IMPUGNANTE contestou. Afirma que foram realizadas glosas sobre depreciação de ativos imobilizados que sequer se creditou. Como os documentos anexados aos autos não deixaram claro que essas glosas foram efetuadas apenas sobre os creditos de PIS e COFINS efetivamente apurados pela IMPUGNANTE sobre a depreciação dos seus ativos, foi determinado em resolução à unidade de origem, que essa apresentasse planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado em desacordo com a legislação de regência e também apresentasse a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa. De modo a atender o que lhe fora exigido por meio de Resolução desta 16ª Turma de Julgamento, a DRF/Jundiaí intimou a IMPUGNANTE a apresentar demonstrativo das bases de cálculo dos descontos de créditos do PIS e Cofins sobre o Imobilizado Então, tendo a IMPUGNANTE atendido a intimação, a AUTORIDADE FISCAL da unidade de origem substituiu a base de glosas anteriormente efetuadas pelo demonstrativo apresentado pela IMPUGNANTE na intimação fiscal. Nesse demonstrativo em forma de planilha (fl.1485), foram glosados os créditos de depreciação tomado em relação aos ítens listados como: veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag. A IMPUGNANTE afirma que em relação aos bens sobre os quais de fato tomou crédito relativos a sua depreciação, todos são essenciais ao desenvolvimento do seu processo produtivo diante da já demonstrada relevância da etapa agrícola no referido ciclo Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 493 13 agroindustrial, e tendo em vista a disposição contida nos artigos 3º, parágrafo 1º, inciso III de ambas as Leis 10.637/02 e 10.833/03, imperativo o cancelamento dessas glosas . Art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) ... § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag, embora todos utilizados em algum processo da IMPUGNANTE, não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por infringência ao dispositivo legal acima transcrito, corretas as glosas efetuadas. (...) DAS GLOSAS SOBRE CRÉDITOS PRESUMIDOS ORIUNDOS DE AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR DE PESSOA JURÍDICA ͞”NÃO AGROINDUSTRIAL” Item “J” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme relatado, AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, ítm “J” (fl.903) glosou o “Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria”, pois segundo seu entendimento, não poderiam ter sido apurados créditos de pessoas jurídicas não agroindustriais. Foram elaboradas pela AUTORIDADE FISCAL as planilhas, “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx”, anexadas ao presente processo na forma de arquivos não pagináveis vinculados aos documentos nominados de “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Fl. 617DF CARF MF 14 Plan de cálculo das glosas de créd. presumido 2012” e “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas créd. presumido 2013” (fls. 932 a 933). Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL apurou os totais mensais de PIS e Cofins apurados sobre os valores de compra de cana de açúcar da IMPUGNANTE, cujos fornecedores têm pelo menos um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial. Esses totais mensais foram levados para os “Detalhamentos das diferenças de PIS e COFINS devidas apuradas pela fiscalização” no ‘Demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal” (fls. 906 a 925), cujos valores servem de base para os lançamentos no Auto de Infração. Da forma como essa glosa foi sucintamente descrita no Termo de Verificação Fiscal e da forma como foi apurado o cálculo dessa glosa nas planilhas “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx” bastou a presença de um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial em um fornecedor de cana de açúcar para a AUTORIDADE FISCAL automaticamente considerar tal fornecedor “pessoa jurídica não agroindústria” e conseqüentemente glosar os créditos referentes às aquisições de cana de açúcar de fornecedores em tal situação. A IMPUGNANTE destaca que nada impede que as pessoas jurídicas que tenham as mais diversas atividades principais, exerçam, em caráter secundário, a atividade venda de canade açúcar caracterizandose como comercial agropecuária (ou agroindústria), permitindose tal creditamento. Conforme a Lei nº 10.925/2004, base legal citada pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e ..., destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos noinciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: ... III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... Cumpre ressaltar que em nenhum momento a AUTORIDADE FISCAL buscou afastar o direito ao crédito em razão de que Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 494 15 tais operações não teriam sido relacionadas com a venda de canadeaçúcar, mas, sim, pelo simples fato de terem sido firmadas com pessoas jurídicas que não seriam agroindústrias. Além de inexistente a restrição apontada pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, cabe verificar o método que adotou para tal glosa. Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canadeaçúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DA GLOSA SOBRE CRÉDITO PRESUMIDO ORIUNDO DE RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR NÃO DESTINADO À ALIMENTAÇÃO HUMANA, MAS À FABRICAÇÃO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES Item “K” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, pode ser descontado crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado diretamente à alimentação humana e é glosado, conforme descrito no item “k)” desse termo, o desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes. O crédito presumido condicionado a venda de açúcar é calculado sobre a aquisição dos insumos, como a cana de açúcar, destinados a sua produção. No Termo de Verificação Fiscal, é citada pela AUTORIDADE FISCAL, a Lei 10.925/2004, que em seu artigo 8º, passou a permitir apuração desse crédito em relação a aquisição de Fl. 619DF CARF MF 16 insumos de pessoa física, cooperado pessoa física e de pessoas jurídicas exercendo algumas condições. A possibilidade de desconto desses créditos está de forma mais clara no artigo 5º da IN 660/2006, também citado pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Nas “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2012” e “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2013” arquivos não pagináveis correspondentes aos seu respectivos Termos de Anexação de Arquivo Não Paginável, anexados às folhas 934 a 935 desse processo, são apresentadas as planilhas “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2012.xlsx” e “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2013.xlsx”. Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL, ao invés de calcular crédito presumido sobre o valor da cana de açúcar utilizada como insumos na fabricação de açúcar destinado à alimentação humana ou animal, calculou crédito sobre o valor de venda do açúcar a produtores de bebidas destinadas ao consumo humano. Mas não é sobre a venda de açúcar que esse crédito é calculado, na verdade, essa operação de venda apenas condiciona a tomada do crédito sobre a operação anterior de aquisição da cana. Também foram efetuadas glosas sobre os períodos entre agosto de 2013 e dezembro de 2013, hiato no qual a IMPUGNANTE sequer registrou créditos referentes a esse crédito presumido. Conforme os já mencionados artigo 8º da Lei 10.925/2004 e artigo 5º da IN 660/2006, esse crédito presumido é decorrente das compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado à alimentação humana ou animal. Da forma como foi sucintamente descrita a glosa desse crédito no Termo de Verificação Fiscal, ainda que fosse calculada corretamente sobre as compras e não sobre as vendas, como de fato aconteceu, o açúcar vendido para as indústrias de bebidas e refrigerantes é destinado à alimentação humana. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DO DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO SUPERIOR AO PIS E À COFINS APURADOS SOBRE A RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR Ítem “L” do Termo de Verificação Fiscal: Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, o aproveitamento do crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar está limitado ao PIS e à Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 495 17 Cofins apurados sobre as Receitas de Vendas de Açucar destinado à alimentação humana. Nesse item “L”, a AUTORIDADE FISCAL glosou a diferença entre o que ela entendeu ser os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar menos o que ele entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar a partir das informações prestadas nos Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar não foi especificamente contestada pela IMPUGNANTE. As somas mensais dessa contribuição sobre a receita de venda de açúcar com as somas mensais das contribuições sobre as demais receitas (como da receita de venda de álcool, de etanol, de melaço, etc.) estão de acordo com os totais mensais das contribuições apuradas conforme fichas 15B e 25B do Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu serem os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar foram os valores da linha 29 da Ficha 06A (Pis) e 16A (Cofins) do Dacon. Essa linha corresponde ao somatório dos créditos presumidos de atividades agroindustriais, incluídos os calculados sobre os insumos de origem animal, origem vegetal e os ajustes positivos e negativos de créditos. Pelas informações prestadas nos Dacons e pelos cálculos no Termo de Verificação Fiscal, a AUTORIDADE FISCAL entende como créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar para a produção de açúcar os créditos presumidos calculados sobre os insumos de origem vegetal e os ajustes positivos de créditos. Entretanto, para a IMPUGNANTE os ajustes positivos de créditos correspondem aos créditos apurados sobre a venda de etanol no mercado interno, conforme expressa disposição contida no artigo 1º, da Lei n° 12.859/13, conversão da Medida Provisória n° 613/13. E, de fato, a IMPUGNANTE, coerentemente com sua impugnação, passou a apurar os créditos apurados sobre a venda de etanol e demonstrálos em seus Dacon somente a partir da publicação da referida medida provisória, em junho de 2013. No Termo de Verificação Fiscal, para fundamentar a glosa sobre o desconto de crédito presumido superior ao Pis e à Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar, além de descrever os principais dispositivos legais em seu início, a AUTORIDADE FISCAL cita especificamente o trecho da ementa da Solução de Consulta nº 24, de 21 de janeiro de 2010, expedida pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9ª Região Fiscal, in verbis: (...) O crédito presumido antes mencionado somente pode ser utilizado para desconto dos valores devidos a título de Cofins resultantes da comercialização das mercadorias produzidas com Fl. 621DF CARF MF 18 os produtos in natura adquiridos, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de ressarcimento. A construção dessa Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, foi feita a partir dos seguintes dispositivos legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3o , Lei nº 10.833/2002, art. 3o; Lei nº 10.925/2004, art. 8o, caput, e §§ 1o e 4o; IN SRF nº 660/2006, art. 2o, I e IV, e § 1o; art. 3o, I, §§ 1o e 2o; art. 5o, I, “d”; e art. 6o, I. Quanto à utilização do crédito presumido pelas agroindústrias (item 16, fl.12, dessa SC), o caput do art. 8o da Lei nº 10.925, de 2004, citado tanto pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, quanto pela citada Solução de Consulta referida acima, é claro em definir a utilização permitida para o crédito em questão: “deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração”. Tal imposição significa que do valor devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, pela comercialização das mercadorias industrializadas com os produtos in natura adquiridos, a agroindústria poderá descontar o crédito presumido apurado. E a IN SRF nº 660, de 2004, citada no Termo de Verificação Fiscal, deixa o assunto bem evidenciado: Art.8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. [...]§3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. §4º O crédito presumido deve ser apurado de forma segregada e seu saldo deve ser controlado durante todo o período de sua utilização. Assim, de acordo com a Lei nº 10.925/04 e com a IN 660/04, o crédito presumido da agroindústria não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, pode apenas ser utilizado para dedução de cada contribuição. E caso não possa ser aproveitado para dedução de cada contribuição no período, seu saldo deve ser controlado segregadamente, até ser totalmente utilizado nos períodos seguintes. A AUTORIDADE FISCAL, diferentemente do disposto na Lei nº 10.925/04 na IN 660/04 e na Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, para cada mês em que esse crédito presumido foi apurado em valor maior do que a contribuição apurada sobre a receita de venda de açúcar glosou a diferença a maior do valor do crédito. Esse crédito, apurado sobre a aquisição de cana de açúcar, não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, mas pode ser utilizado para dedução da contribuição devida apurada em relação às mercadorias Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 496 19 produzidas, não apenas sobre a contribuição devida sobre a receita de venda da mercadoria “açúcar”. E sobrando saldo, esse não deve ser glosado, esse saldo deve ser controlado e utilizado nos períodos seguintes. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Recentemente, nesta mesma Turma, assim também se decidiu: CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADE AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. (Acórdão nº 3201004.161, de 28/08/2018) As matérias cuja apreciação remanesce no recurso voluntário são as seguintes: a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; Fl. 623DF CARF MF 20 e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag). E, finalmente, como se demonstrará ao final, também discordamos das glosas de despesas com o tratamento de água, resíduos e análises laboratoriais. Conforme já expusemos noutros votos, os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, não ensejam, a nosso juízo, o creditamento de PIS/Cofins. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3odo art. 1odesta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1oe 1oA do art. 2odesta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 497 21 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 1 Admitir que, 1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de Fl. 625DF CARF MF 22 no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. No caso em tela, como já antecipamos, os créditos pretendidos pela Recorrente têm origem nos gastos realizados na produção da canadeaçúcar, ou seja, na fase agrícola, não na industrial (é só nesta fase que se pode permitir o creditamento com fundamento no inciso II do art. 3º). Considerando que tais despesas não foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos (v.g., nem por hipótese o defensivo agrícola por entrar na fabricação do açúcar, do álcool ou de subprodutos da indústria sucralcooleira), não se faz possível o creditamento. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma2, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele plasmado nos fundamentos que vimos de reproduzir. Assim, os gastos empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. 2 PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.411, 02/02/2018) Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 498 23 realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. No caso aqui julgado, referemse aos seguintes itens (consoante alíneas acima): b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containeres utilizados em transporte de açúcar (embora conste da alínea "i", na redação anteriormente transcrita, retiramos as aeronaves, porque, conforme ela própria assevera e consta de um dos demonstrativos que integram o acórdão recorrido, a Recorrente sobre elas nada se creditou). Há de se registrar, para melhor esclarecimento do que se trata, algumas observações a respeito dos itens relacionados na mesma alínea "i". Segundo a Recorrente, a) os veículos são aqueles utilizados na fase agrícola, como tratores e colheitadeiras, ônibus para transporte, dollys etc. (conta contábil 1030203002); b) os móveis e utensílios são materiais e equipamentos utilizados no processo produtivo da cana, bem como no seu acondicionamento, processamento e pesagens, tais como estufa, centrífuga, balança etc. (conta contábil 1030204002); c) as licenças e softwares são ativos tecnológicos aplicados no maquinário aplicados na lavoura (conta contábil 1030210002); d) as embarcações são utilizadas no transporte da cana entre a lavoura e a unidade produtora (conta contábil 1030212002). Tais informações, acompanhadas de registros fotográficos no recurso voluntário, em nenhum momento foram antes contraditadas pela fiscalização, quer por ocasião do lançamento, quer na diligência. Concordamos, todavia, com a glosa do crédito em relação aos serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, pois, com efeito, a legislação não prevê o Fl. 627DF CARF MF 24 creditamento das contribuições sobre os serviços de capatazia (alínea "e", supra). Comunga do mesmo entendimento a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Prosseguindo, agora sobre os crédito tomados em relação às embalagens de transporte ("bigbag"), como é de todos conhecido, temos entendido — e recentemente também assim fizemos noutro processo envolvendo a mesma empresa — que se deve considerálas insumo, no regime não cumulativo de PIS/Cofins, pois destinadas à proteção ou ao acondicionamento do produto final no seu transporte. Conforme Acórdão nº 3201 004.164, de 28/08/2018: NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. Finalmente, cumpre registrar que os créditos tomados em relação aos gastos com o tratamento de água, de resíduos e com análises laboratoriais não foram expressamente citados no texto que encerra o Termo de Verificação Fiscal, mas consta das planilhas a ele e ao acórdão recorrido anexadas. Contudo, mesmo que os considerássemos não originalmente apreciados, se é entendimento dos demais conselheiros que compõem esta Turma que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar podem ser considerados na apuração de créditos para o PIS/Cofins, não há razão para afastar a possibilidade de craditamento quanto os gastos com o tratamento de água (fase agrícola e industrial) e de resíduos (fase industrial) e análises laboratoriais (fase agrícola e industrial). Aliás, é cediço, constitui importante requisito para a produção de açúcar e álcool o tratamento de seus resíduos industriais e o seu constante monitoramento. E, por último, quanto ao não reconhecimento dos saldos de créditos de períodos anteriores, cumpre observar que, com efeito, conforme destacado na decisão recorrida, a consequência é o não aproveitamento dos mesmos saldos para a dedução de valores devidos em períodos subsequentes. Todavia, tais saldos ficam subordinados ao que aqui decidido, Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 499 25 já que o entendimento será replicado nos processos a este conexos. O pedido de realização de nova diligência (ou de perícia) afigurase absolutamente desnecessário em face de tudo o que expusemos aqui e das informações já carreadas aos autos (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. E DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: Fl. 629DF CARF MF 26 (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10880.653309/201668 Acórdão n.º 3201004.212 S3C2T1 Fl. 500 27 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria3. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. 3 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 631DF CARF MF 28 Declaração de Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário. A presente declaração de voto tem por objetivo externar o posicionamento pelo qual acompanhei o Relator "pelas conclusões" relativamente à preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte demonstra que a Fiscalização, ao efetuar a lavratura do Auto de Infração, deixou de individualizar as glosas realizadas, deixando, inclusive, de lavrar Termo de Verificação Fiscal próprio, fazendo simples remissão a TVFs de períodos de apuração diversos. Além disso, deixou de indicar a espécie dos créditos glosados (crédito de insumos ou créditos presumidos). Ao assim proceder, a Fiscalização imputou à Recorrente excessivo ônus de defesa que, ainda que cumprido adequadamente pelo contribuinte, não afasta o excesso fiscal, passível de reconhecimento de nulidade do procedimento. Não obstante ao exposto, há que se considerar que, na hipótese dos autos, o mérito da demanda foi resolvido de modo favorável ao contribuinte, incorrendose em hipótese típica de aplicação do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Desse modo, externo meu posicionamento não pela improcedência da preliminar de mérito, mas, sim, pela possibilidade de sua superação, no presente julgamento, nos exatos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 632DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903138/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.903138/200912 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.398 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente META MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 38 /2 00 9- 12 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13888.903138/200912 Acórdão n.º 3301005.398 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.397, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13888.903138/200912 Acórdão n.º 3301005.398 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.903138/200912 Acórdão n.º 3301005.398 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.903138/200912 Acórdão n.º 3301005.398 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.903138/200912 Acórdão n.º 3301005.398 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.903138/200912 Acórdão n.º 3301005.398 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001947/2004-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
PIS. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE JURISPRUDENCIAL STF.
Os valores percebidos a título da transferência onerosa de créditos de ICMS não se enquadram, no caso do PIS, no conceito de receita tributável. Recurso Extraordin ário 606.107.
Numero da decisão: 3001-000.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 PIS. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE JURISPRUDENCIAL STF. Os valores percebidos a título da transferência onerosa de créditos de ICMS não se enquadram, no caso do PIS, no conceito de receita tributável. Recurso Extraordin ário 606.107.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE JURISPRUDENCIAL STF. Os valores percebidos a título da transferência onerosa de créditos de ICMS não se enquadram, no caso do PIS, no conceito de receita tributável. Recurso Extraordin ário 606.107. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 19 47 /2 00 4- 58 Fl. 125DF CARF MF 2 Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de Declaração de Compensação com créditos de PIS de incidência não cumulativa, formalizado mediante apresentação do Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição Para o PIS, relativo ao 2º trimestre do ano calendário de 2004, no valor de R$ 62.956,10 (sessenta e dois mil e novecentos e cinquenta e seis reais e dez centavos). Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, reconhecer PARCIALMENTE o direito creditório postulado, para considerar o valor de R$ 55.224,42 (cinquenta e cinco mil e duzentos e vinte e quatro reais e quarenta e dois centavos), homologandose as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. O crédito foi reconhecido parcialmente tendo em vista que, no período contemplado, o contribuinte efetuou operações de transferências de créditos de ICMS a terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros, sendo que alienação a terceiros de bens e direitos do seu ativo — seja do circulante, realizável a longo prazo ou permanente importa no auferimento de receitas. Por fim, o presente Despacho Decisório concluiu que para fins da ocorrência de fato gerador da Contribuição Social do PIS, importa tãosomente a verificação do auferimento de receitas, qualquer que seja a classificação contábil adotada e, que esse é o caso presente, sem qualquer sombra de dúvidas. Descrição Abril Maio Junho 2º tri de 2004 Credito §1° do art. 5° da Lei 10.637/2002, solicitado. 21.461,31 22.178,76 19.316,03 62.956,10 Parcela do Crédito Utilizada para deduzir do PIS, apurado em demonstrativo anexo. 4.354,26 2.772 00 605,42 7.731,68 Saldo Ajustado Após Avaliação Fiscal. 17.10710 19.40676 18.710,61 55.224,42 Efetuadas as compensações, remanesce saldo devedor no valor original de R$ 7.731,68, Manifestação de Inconformidade Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11020.001947/200458 Acórdão n.º 3001000.556 S3C0T1 Fl. 126 3 Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente traz, em suma, os seguintes argumentos: transferência de créditos de ICMS para terceiros Alega a manifestante, que opera eminentemente com mercado externo e em razão disso, acumula créditos de ICMS, e que tais créditos, com observância às estipulações e limites legais, são transferidos para terceiros em troca de matériasprimas ou dinheiro. Assevera que, tais créditos somente são acumulados em razão de que se está diante de operação de exportação, a qual, segundo disposição constitucional está imune à incidência do imposto. A manifestante acrescenta que, o crédito de ICMS transferido para terceiros tratase de mera operação patrimonial, uma vez que, em não se tratando de receita, sequer transita em conta de resultado. Por isso, segundo a mesma, cessão e/ou transferência de créditos de ICMS, em não sendo receita, não poderiam ser tributadas pelo PIS e a COFINS. Por fim, concluiu que não há dúvida de que a pretensão de fazer incidir PIS ou COFINS sobre cessão e transferência de créditos de ICMS, acumulados em razão de operações de exportação, viola a disposição do artigo 149, I, da Constituição Federal, bem como mesmo que pudéssemos considerar como receita os valores ou bens decorrentes da cessão e transferência de créditos de ICMS, não se pode perder de vistas que ditas "receitas" — assim consideradas somente para fins de argumentação — decorrem única e exclusivamente de operações de exportação. DRJ/POA A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1018.438 2° Turma da DRJ/POA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS Entretanto, percebese à fl. 209, que o contribuinte incluiu no cálculo dos créditos do mês de setembro, nessa mesma rubrica, as despesas com despachantes. Essas despesas, não tendo natureza de frete ou de armazenagem e tampouco se configurando como insumo, não possuem base legal para aproveitamento de créditos de contribuições. Dessa forma, é glosado o montante de R$ 54.750,29 da base de cálculo dos créditos de COFINS do mês de setembro, relativo a despesas com despachantes. Entendeu a DRJ, que a cessão de direitos de ICMS para terceiros é uma receita do cedente (contribuinte), independente de haver lucro ou prejuízo com a operação jurídica/contábil. Observou, também, que o negócio jurídico ora analisado não se enquadra em Fl. 127DF CARF MF 4 nenhuma das exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins previstas na legislação pertinente. Acrescenta que a cessão de créditos do ICMS não é operação de exportação de mercadorias ou serviços, motivo porque não está albergada por qualquer imunidade ou isenção em favor das exportações. É, tãosomente, cessão de crédito a terceiro à pessoa jurídica sediada no próprio ente federativo com competência tributária relativa ao ICMS, que tem natureza própria desvinculada da origem do crédito. Por fim, observou a DRJ, que à época do julgamento, houve a edição da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008, cujos arts. 7°, 8° e 9° desoneram da incidência do PIS e da COFINS as transferências onerosas de ICMS efetivada a partir de 1° de janeiro de 2009, sem efeitos retroativos. Conclusão do voto Isso posto, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, INDEFERINDO o pedido de ressarcimento complementar e NÃO O HOMOLOGANDO a compensação complementar. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: A Recorrente tem por objeto social a indústria, o comércio, a importação e exportação de motores elétricos e compressores, bem como suas partes e peças, componentes e acessórios; e a prestação de serviços de assistência técnica desses produtos. Alega que em decorrência das suas atividades, a Recorrente acumula créditos de ICMS decorrentes exatamente do tipo de atividade que exerce, por atuar eminentemente com o mercado externo. E tais créditos, nos limites e moldes estabelecidos pela legislação estadual, são transferidos para terceiros, tanto para compra de matérias primas, como cessão e transferência pura e simples desses créditos. Ratifica a recorrente que a simples existência de saldos credores de ICMS decorrentes de processos de exportações não permite concretizar o principio constitucional da nãocumulatividade, pois, em razão da imunidade que lhe é conferida no caso do ICMS incidente sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, de nada adianta ser conferido o direito de abatimento, se o contribuinte permanece com os créditos do imposto sem ter como utiliza1º, com isso, aduz que Lei Complementar n°87/96, em seu art. 25, § 1º e 2°, garantiu às empresas exportadoras a possibilidade de transferir os seus créditos excedentes para outros contribuintes do mesmo Estado, sendo que a única possibilidade de aproveitamento é por meio da cessão a terceiros. Acrescenta que promoveu a transferência dos créditos de ICMS para seus fornecedores e que, por óbvio, que essas operações receberam os lançamentos contábeis apropriados. Não obstante, que a transferência dos créditos tratase de mera operação patrimonial, uma vez que, em não se tratando de receita, sequer transita em conta de resultado. Por fim, aduz que tais créditos somente são acumulados em razão de que se está diante de operação de exportação, a qual, segundo disposição constitucional, está imune á Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11020.001947/200458 Acórdão n.º 3001000.556 S3C0T1 Fl. 127 5 incidência do imposto, pois do contrário, caso se se trata de operação interna, sofreria a incidência do imposto na saída, acumulando débito, que muito provavelmente anularia por completo o crédito decorrente da aquisição de insumos e matériaprima. A contribuinte requereu a reformar da decisão recorrida, determinando o reconhecimento do crédito integral do Pedido de Ressarcimento de Créditos de COFINS, bem como da compensação integral dos débitos objeto da Declaração de Compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente o Pedido de Ressarcimento de PIS/PASEP, apurados sob o regime da não cumulatividade, decorrentes das operações de exportação. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 09.03.2009, conforme Aviso de Recebimento – AR, fl. 89, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 23.03.2009, conforme comprova o carimbo da DRF de Caxias do Sul RS, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 129DF CARF MF 6 Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos; a não incidência dos valores recebidos a título de transferência onerosa de créditos de ICMS na base de cálculo do PIS. DOS FATOS Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de PIS, através de Pedido de Ressarcimento de Créditos de PIS. Da análise feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul — RS, ao Pedido de Ressarcimento de Créditos de PIS, restou glosado parle do crédito objeto do pedido, no sentido de que devem ser reconhecidas como receitas, passíveis de tributação pelo PIS e pela COFINS, as operações de transferência de créditos de ICMS, independente do resultado destas operações. Com isso, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, rechaçando o entendimento de que devem ser tributadas as transferências de créditos de ICMS, que determinaram a redução do crédito passível de restituição, a qual foi julgada improcedente pela DRJ/POA. MÉRITO O assunto já foi definido em sede do julgamento do Recurso Extraordinário 606.107, e, seguindo a decisão da suprema corte, não há incidência da contribuição em comento sobre os valores recebidos a título daquela transferência de Crédito. Assim, dáse seguimento ao comando do artigo 62, parágrafo segundo do RICARF/2015. Segue adiante, o mesmo entendimento esposado pela egrégia Câmara Superiora. Acórdão nº 9303006.905 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/01/2004 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11020.001947/200458 Acórdão n.º 3001000.556 S3C0T1 Fl. 128 7 os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço totalmente do recurso e doulhe provimento total. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001465/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005
DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS.
Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de prêmios e incentivos, vinculados ao desempenho.
COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, se mais benéfico ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 2202-004.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência dos fatos geradores até nov/2004, inclusive; e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que o recálculo da multa aplicada seja realizado nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, relativo à multa.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005 DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS. Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de prêmios e incentivos, vinculados ao desempenho. COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 65 /2 00 9- 81 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 245 2 esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, se mais benéfico ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência dos fatos geradores até nov/2004, inclusive; e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que o recálculo da multa aplicada seja realizado nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, relativo à multa. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 16327.001465/200981, em face do acórdão nº 1645.633, julgado pela 12ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), em sessão realizada em 11 de abril de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “DA AUTUAÇÃO Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa retro identificada, por meio do Auto de Infração (AI) DEBCAD n.º 37.265.7796, no montante de R$ 244.426,79 (duzentos e quarenta e quatro mil e quatrocentos e vinte e seis reais e setenta Fl. 245DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 246 3 e nove centavos), consolidado em 18/12/2009, referente a contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros) – SALÁRIOEDUCAÇÃO (FNDE – Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação), incidentes sobre valores pagos, pelo incorporado BANCO SANTANDER BRASIL S.A. – CNPJ 61.472.676/000172, aos empregados, a título de PRÊMIOS e INCENTIVO DESEMPENHO, não declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), relativas a competências de 12/2003 a 12/2005. O Relatório do Auto de Infração, de fls. 16 a 18, em suma, traz as seguintes informações: • que o Banco Santander Brasil S.A. – CNPJ 61.472.676/000172 foi incorporado pelo contribuinte em epígrafe, conforme ata de assembléia geral extraordinária realizada em 31/08/2006; • que, em auditoria fiscal concluída no incorporado em dezembro de 2006, foi verificado que o mesmo não considerou como verba incidente de contribuições para a previdência social a remuneração paga aos segurados empregados, a seguir discriminada: levantamento ICD – INCENTIVO DESEMPENHO – DEBCAD 37.043.5958 – competências 07/2005 a 12/2005, e levantamento PRE – PRÊMIOS – DEBCAD 37.043.5958 – competências 12/2003 a 06/2004, e 01/2004 a 06/2005; • que esta verba foi objeto de cobrança das contribuições previdenciárias devidas conforme Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD com o n.° de DEBCAD acima mencionado, sendo que a contribuição para o FNDE deixou de ser cobrada naquele momento, tendo em vista as determinações contidas no art. 615 da Instrução Normativa SRP n.° 03, de 14/07/2005; • que, naquele momento, foi elaborada e encaminhada REPRESENTAÇÃO ADMINISTRATIVA — RA ao Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — FNDE; cadastrada na RFB sob o n.° 35464.004958/200609, tendo sido uma cópia entregue ao contribuinte; • que, devido à transferência de competência para a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, por força do Decreto n.° 6.003, de 29/12/2006, e da Lei n° 11.457, de 16/03/2007, o FNDE devolveu tal RA para o devido lançamento do crédito; • que foi considerada a mesma base lançada na NFLD retro mencionada, cujo Relatório de Lançamentos (RL) consta na RA utilizada como base deste lançamento, bem como neste AI, tendo sido aplicada a alíquota de 2,5%; • que os conceitos de remuneração e salário estão previstos nos artigos 457 e 458 da CLT, e o de saláriodecontribuição, para o empregado, está estabelecido no artigo 28, inciso I da Lei n.º 8.212/91 e no artigo 214, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99; Fl. 246DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 247 4 • que, por terem os mesmos elementos de prova, este AI seria apensado à NFLD retro mencionada. Constam, no presente processo digital, entre outros, os seguintes documentos relativos ao Auto de Infração: capa do AI; RL – Relatório de Lançamentos; DD – Discriminativo do Débito; FLD – Fundamentos Legais do Débito; IPC – Instruções para o Contribuinte; Relatório de Vínculos; e, Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada em 30/12/2009 (fls. 02), a empresa apresentou, em 29/01/2010, a impugnação de fls. 25 a 39, com documentos anexos às fls. 40 a 132 (cópias de Procuração e substabelecimento, de documentos de identificação dos subscritores da impugnação, de Atas de Assembléias Gerais Ordinárias e Extraordinárias e de Reuniões do Conselho de Administração, de Manual de Instruções – Recursos Humanos – Administração Funcional – Remuneração, de Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados, de 23/12/2004 e 13/10/2006), e, em 08/02/2010, o requerimento de juntada de documentos de fls. 133, com documentos anexos às fls. 134 a 145 (cópias de guias de recolhimento do SalárioEducação), fazendo um breve relato dos fatos, e deduzindo, em sua defesa, as alegações a seguir sintetizadas. Dos fatos: Afirma, aqui, a impugnante, que foi submetida à fiscalização, tendo, desta, emanado a exigência inserta nesta notificação, segundo a qual estaria sujeita ao pagamento do débito de R$ 244.426,79, por ter deixado de recolher, nos períodos de dezembro de 2003 a dezembro de 2005, a contribuição para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, supostamente incidente sobre os pagamentos efetuados aos funcionários a título de Incentivo Desempenho / Prêmios. E destaca que o presente auto de infração seria complementar ao consubstanciado nos autos do P.A. n.° 35464.004947/200611 – NFLD n.° 37.043.5958, em que a autoridade fiscal teria procedido ao lançamento das verbas previdenciárias e do INCRA, supostamente incidentes sobre os valores pagos a titulo de Incentivo Desempenho / Prêmios, no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2000, julho a dezembro de 2001, julho de 2003 a junho de 2004, janeiro a dezembro de 2005. Pontua, ainda, que o lançamento referente à NFLD n.° 37.043.5958 aguardaria julgamento de recurso voluntário interposto perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da decadência: Fl. 247DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 248 5 Sustenta, aqui, a empresa, que parte do crédito tributário em tela estaria fulminada pela decadência. Informa que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n.º 8, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n.º 8.212/91, que determinavam que o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Para ela, deveria ser aplicado às contribuições em tela, por se tratarem de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), contandose o prazo decadencial a partir da ocorrência dos fatos geradores. Defende, no caso, que os créditos tributários apurados nos meses de dezembro de 2003 a novembro de 2004 estariam decaídos, tendo em vista que teria sido cientificada da autuação em 30/12/2009. Afasta a possibilidade de aplicação do prazo previsto no artigo 173 do CTN, em vista da ausência de pagamento do tributo, afirmando ter recolhido a contribuição devida nos meses de dezembro de 2003 a novembro de 2004, conforme guias anexas. Segundo ela, teria havido a antecipação do pagamento da contribuição ao Salário Educação incidente sobre a remuneração dos empregados, de modo que eventuais inexatidões no referido recolhimento, apontadas pela Autoridade Fiscal, deveriam ser formalizadas dentro do prazo previsto no artigo 150, § 4º do CTN. E conclui que o lançamento, consistente em auto de infração notificado ao contribuinte em 30/12/2009, seria parcialmente extemporâneo, razão pela qual deveria ser decretada a sua decadência, com a conseqüente anulação e cancelamento da exigência tributária referente aos meses de dezembro de 2003 a novembro de 2004. Dos prêmios: Defende, aqui, a empresa, a não incidência de contribuições sociais sobre o pagamento efetuado aos empregados a título de prêmios de incentivo. Inicialmente, esclarece que os valores exigidos na presente Notificação de Lançamento Fiscal não seriam derivados do pagamento de comissões, como teria feito entender a Autoridade Fiscal, mas sim do pagamento efetuado aos empregados a titulo de ganhos eventuais. Afirma que os bônus pagos dependiam da ocorrência de um grande número de fatores, como o resultado obtido pela empresa, o resultado da área especifica de alocação do funcionário, e os resultados individuais obtidos pelo empregado ou dirigente. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 249 6 Ressalta que as condições para o pagamento dos bônus em referência estariam descritas no Manual de Instruções, onde se verificaria que o mesmo estaria relacionado ao cumprimento de metas e resultados e, dependendo do caso, ao desempenho individual do funcionário. Informa, ainda, que teria firmado Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados — PPR, com a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito — CONTEC, onde se estabeleceriam as condições para o pagamento da remuneração variável decorrente dos resultados obtidos. Sustenta a eventualidade dos bônus em comento, na medida em que o seu pagamento estaria diretamente ligado a eventos futuros e incertos, e o atingimento de metas e resultados dependeria de inúmeras circunstâncias alheias a vontade do empregado/empregador para sua ocorrência. Para ela, o simples fato do pagamento das verbas enumeradas se perfazerem em vantagens ao empregado não significaria que as mesmas estariam abrangidas pelo conceito de salário de contribuição, constante no art. 28, inciso I da Lei n.° 8.212/91. Afirma que o comando encerrado no § 4º do art. 201 da Constituição Federal estaria a indicar que não seria qualquer “ganho” do empregado que integraria o salário para efeito de pagamento da contribuição previdenciária. Faz menção, então, aos artigos 22 e 28 da Lei n.º 8.212/91, e alega que, para o “ganho” integrar o “salário”, ele deveria ser “habitual”, acrescido da adjetivação “útil”. Segundo ela, assim, a natureza salarial ou remuneratória dos pagamentos efetuados aos empregados dependeria da caracterização de alguns elementos, destacandose, dentre eles, o da habitualidade. E salienta, no caso, que as parcelas discutidas não teriam sido disponibilizadas aos empregados de maneira habitual, restando destituídas da continuidade ou periodicidade necessárias à sua configuração como salário. Alega que, sendo o pagamento efetuado uma única vez durante a relação de trabalho, seria incogitável atribuirlhe natureza salarial, face à ausência da caracterização obrigatória do requisito da habitualidade, não se amoldando ao arquétipo constitucional imposto para a incidência da contribuição em análise. E, por fim, afirma que, se a percepção do salário/remuneração pressupõe a existência do contrato de trabalho, o pagamento das verbas em comento aos empregados dispensados sepultaria, peremptoriamente, a sua desvinculação do salário. Do pedido: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 250 7 Face às razões expostas, requer a empresa seja julgada procedente a impugnação para: a) o reconhecimento da decadência do direito do Fisco em exigir a contribuição ao Salário Educação apurada nos períodos de dezembro de 2003 a novembro de 2004; b) a desconstituição da autuação em sua integralidade, tendo em vista não se tratar de pagamento com natureza salarial, sendo impossível a sua integração na base de cálculo da contribuição em tela. É o relatório.” O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 189/206, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Decadência. Em relação à decadência, o contribuinte faz referência aos períodos até 11/2004 (inclusive). Isso porque só foi regularmente cientificado do lançamento em 30/12/2009. A DRJ rejeitou a alegação, porque entendeu que o contribuinte não efetuara antecipação do pagamento referente especificamente às contribuições incidentes sobre a rubrica específica, e por isso a contagem do prazo decadencial deslocarseia do § 4º do artigo 150, do CTN, para o artigo 173, I, do CTN. No entanto, a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, estabelece que: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifouse) Contandose o prazo decadencial na forma do artigo 150, § 4º do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador, e considerando a antecipação de pagamentos de contribuições, ainda que não especificamente sobre valores pagos a título de “Incentivo Desempenho" e “Prêmios”, mas aplicando a inteligência da Súmula acima transcrita, é de ser reconhecida a decadência do lançamento em relação as competências até 11/2004, inclusive. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 251 8 2.Prêmios e Incentivo Desempenho Por concordar com o voto da DRJ de origem quanto ao ponto em questão, transcrevo o voto a seguir, adotandoo como razões de decidir: Dos prêmios: Ressaltese, aqui, que as contribuições ao SalárioEducação foram lançadas, neste AI, por meio dos levantamentos ICD – INCENTIVO DESEMPENHO e PRE – PRÊMIOS, em competências de 12/2003 a 12/2005, considerando as mesmas bases de cálculo da NFLD n.º 37.043.5958 – processo administrativo n.º 35464.004947/200611, na qual foram lançadas apenas contribuições previdenciárias e destinadas ao INCRA, e que constam, no Relatório Fiscal da referida NFLD, as informações a seguir transcritas: (...) DAS RAZÕES DO LANÇAMENTO DOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS (...) 2. Da análise da documentação descrita no item 1 anterior, constatouse que a empresa remunerou, sob a forma de premiação e sob os títulos "Incentivo Desempenho", "Prêmio Campanha Especial", "Santander de Negócios", e "Prêmios", segurados da Previdência Social. 3. Não foram apresentados à fiscalização, apesar de formalmente solicitados mediante TIAD de 20/09/2006, documentos que demonstrassem os critérios utilizados pela empresa para remunerar os segurados empregados, conforme descrito no item 2 supra. (...) DO CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO DOS PRÊMIOS (...) 3. O ajuste capaz de gerar o direito do trabalhador à premiação e a consequente obrigação da empresa em concedêlo, resulta da prática reiterada do empregador que, concedendoo estabelece a presunção de que contraiu a obrigação de conferilo se presentes as condições que costumam subordinar o seu pagamento; 8. Assim, a prática reiterada de a empresa empregadora remunerar sob a forma de Prêmios seus segurados, e a expectativa criada aos trabalhadores pela premiação, conferem lhes propriedades retributivas e, consequentemente, constituem se em elementos remuneratórios do trabalho; (...) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 252 9 DOS CRITÉRIOS E PROCEDIMENTOS UTILIZADOS PARA O CÁLCULO DO MONTANTE DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA NESTE DOCUMENTO (...) 1. Resultou infrutífera a intimação tanto para a empresa apresentar as folhas de pagamento, os Livros Diário e as Políticas de Premiação utilizadas pelo contribuinte para remunerar seus segurados, quanto para apresentar a Relação de Beneficiários do Incentivo Desempenho, do Prêmio Campanha Especial, do Prêmio Santander de Negócios e dos Prêmios, ou seja, revelar a quais segurados da Previdência Social foram pagos os valores a esse título e, então, identificar esses segurados e as respectivas remunerações para o Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, por meio da Guia do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GF1P, para efeito da formação dos salários debenefício correspondentes. Não foram apresentados também, os documentos de suporte referentes aos lançamentos na escrituração contábil da empresa solicitados pela Fiscalização. (...) 5. Em conformidade com as disposições dos §1° e §3°, do art. 33, da LOSS/91, a base de cálculo das contribuições previdenciárias relativa aos pagamentos efetuados a título de "Incentivo Desempenho", "Prêmio Campanha Especial", "Prêmio Santander de Negócios" e "Prêmios" está sendo arbitrada, neste documento, e lançada no CNPJ 61.472.676/000172 (Centralizador) pelo valor constante dos Balancetes Contábeis Semestrais, os quais registram a contabilização das despesas com premiações nas seguintes contas: a) COSIF 8.1.7.27.00.3 — Despesas de Pessoal — Benefícios; Padrão 95025.8 — Incentivo Desempenho — 106, no período 07/2005 a 12/2005; (...) f) COS1F 8.1.7.33.00.4 — Despesas de Pessoal — Proventos; Padrão 95048.8 — Desp Pess — Prêmios, no período 07/2003 a 062004 e 01/2005 a 06/2005; (...) 6. Pelo fato de não se conseguir identificar os valores mensais dos lançamentos efetuados, conforme motivos mencionados no item 3 supra, o saláriodecontribuição mensal foi arbitrado da seguinte forma: valor registrado na conta contábil no Balancete Semestral dividido por 6 (seis); assim, por exemplo, os valores mensais das competências 07/2005 a 12/2005 do Incentivo Desempenho correspondem ao valor da conta COSIF 8.1.7.27.00.3, padrão 95025.8, registrado no Balancete de Dezembro/2005, dividido por 6 (seis); para as demais Fl. 252DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 253 10 competências foi adotada a mesma metodologia aplicada nas competências exemplificadas, apenas alterandose o padrão da conta conforme o período e a qualificação do Prêmio pago. (...) (grifos nossos) Não merece acolhida, no caso, a alegação da empresa de não incidência de contribuições sociais sobre o pagamento efetuado aos empregados a título de prêmios e incentivo desempenho. A empresa cita e anexa, em sua defesa, um “Manual de Instruções” que prevê programas de Renda Variável, quais sejam: IPLR Programa de Participação nos Lucros e Resultados; IIPPR Programa de Participação nos Resultados; IIISIM Sistema Individual de Metas; IVSOMAR Sistema Orientado de Metas para o Atingimento de Resultados; e, V PEX Programas Executivos. A respeito deste documento, cabe observar: • que não há, nos autos, qualquer comprovação de que os pagamentos feitos a título de “Incentivo Desempenho” e “Prêmios” teriam decorrido de um dos programas de renda variável citados; • que o pagamento decorrente dos programas mencionados dependeria do atingimento de resultados ou metas, e que visaria incentivar a produtividade dos empregados e sua permanência na empresa, conforme aí estabelecido. Desta forma, mesmo que se considerasse, apenas a título de argumentação, que os pagamentos a título de “Incentivo Desempenho” e “Prêmios” tivessem decorrido dos programas de renda variável SIM, SOMAR e PEX, tais pagamentos continuariam integrando o saláriodecontribuição, vez que vinculados ao cumprimento de metas previamente fixadas, ao desempenho laboral dos empregados, comprovando o seu caráter contraprestacional. É de se destacar, também, que as contribuições ao Salário Educação incidentes sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados foram objeto de outro Auto de Infração, nesta ação fiscal, qual seja o AI n.º 37.265.7834, não tendo qualquer relação com o presente processo. Não resta dúvida, assim, de que as verbas pagas a título de “Incentivo Desempenho” e “Prêmios” se amoldam ao conceito de saláriodecontribuição previsto no artigo 28, inciso I da Lei n.° 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, Fl. 253DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 254 11 durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) (grifos nossos) É de se ressaltar, no caso, ademais, que os prêmios não estão incluídos nas parcelas que não integram o saláriode contribuição, taxativamente elencadas no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91. E, consoante o Parecer CJ/MPAS n.º 1.733/99, ao tratar de outra parcela não compreendida nas hipóteses do artigo 28, parágrafo 9º da Lei n.º 8.212/91: (...) ... se a Lei Básica da Previdência Social não exclui o pagamento de determinada parcela remuneratória, que se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser excluída da base de cálculo da contribuição. (...) No tocante à alegação da impugnante acerca da eventualidade dos pagamentos a título de “Incentivo Desempenho” e “Prêmios”, cabe observar que não há, aqui, como analisala, de forma específica, haja vista que a empresa, embora intimada para tanto, não disponibilizou à fiscalização a relação de segurados que teriam recebido tais verbas, bem como os documentos com os critérios para a realização dos pagamentos, conforme explicitado no relatório fiscal da NFLD n.º 37.043.5958. Cabe, aqui, mencionar, no entanto, que, segundo o relatório fiscal da citada NFLD, teria sido constatada, no caso, a prática reiterada de a empresa empregadora remunerar sob a forma de prêmios os segurados, criando a expectativa aos trabalhadores pela premiação. Cumpre destacar, ainda, que o pagamento das verbas em questão aos segurados empregados não se deu, no caso, por mera liberalidade, dependendo, como a impugnante mesma afirma em sua defesa, de fatores como “resultado obtido pela empresa”, “resultado da área específica de alocação do funcionário”, e “resultados individuais obtidos pelo empregado”, ou seja, do alcance do desempenho esperado, e, estando totalmente vinculados ao serviço prestado, ao trabalho Fl. 254DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 255 12 realizado por estes segurados, comprovando o seu caráter contraprestacional, e se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. São reproduzidos, a seguir, alguns julgados relativos à matéria, que corroboram tal entendimento. PRÊMIOS. INTEGRAÇÃO. A circunstância de os prêmios serem eventualmente percebidos, porque condicionada a sua percepção, não lhe desfigura a natureza salarial, esta decorrente de vincularse diretamente ao trabalho do empregado. Ou seja, é salário, porque decorre do trabalho, independentemente de número de vezes que tal trabalho atinge as metas estabelecidas pelo empregador. Recurso a que se nega provimento. (RO – Recurso Ordinário; Processo 95.0142735; Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região; Relator Juiz Gelson de Oliveira; DJ de 15071996) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA DA VERBA. PRÊMIO PRODUÇÃO... O PrêmioProdução... é acréscimo patrimonial em razão do empenho especial do empregado no resultado financeiro da empresa (produtividade). Assim, integra sua remuneração e, como tal, sobre ele recai o percentual da contribuição previdenciária. (...) (AC – Apelação Cível; Processo 200504010443160/SC; Tribunal Regional Federal da 4ª Região; Relator Vilson Darós; DJ de 11/12/2006) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO LEGAL. CPC, ART. 557, § 1º. APLICABILIDADE. PEDIDO DE REFORMA DE DECISÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AUXÍLIOACIDENTE. SALÁRIO MATERNIDADE. FÉRIAS. AUXÍLIODOENÇA. ADICIONAL DE FÉRIAS. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. COMPENSAÇÃO. CRITÉRIOS. PRESCRIÇÃO. (...) 5. No que concerne aos prêmios e gratificações, os documentos acostados não permitem identificar a natureza dessas verbas e a periodicidade do pagamento aos empregados, de maneira que, ausente prova préconstituída em contrário, inseremse no conceito de remuneração para fins de incidência da contribuição social. (...) Fl. 255DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 256 13 (AMS – Apelação Cível 00024715120104036100; Tribunal Regional Federal da3 ª Região; Relator André Nekatschalow; eDJF3 Judicial 1 de 21/03/2012) (grifos nossos) Não procede, também, a alegação da impugnante de que o fato de ter havido o pagamento de prêmios a funcionários demitidos indicaria sua desvinculação do salário. Isto porque não existe nos autos qualquer comprovação de que referidas verbas eram pagas a funcionários demitidos, e porque diversas verbas pagas na rescisão do contrato de trabalho possuem natureza remuneratória e são incidentes de contribuição previdenciária, tais como o décimoterceiro salário proporcional. Isto posto, não resta qualquer dúvida de que as verbas pagas a título de “Incentivo Desempenho” e “Prêmios” têm natureza salarial, sendo uma remuneração do trabalho realizado, estipulada em norma interna da companhia, integrando o saláriodecontribuição, nos termos do artigo 28, inciso I da Lei n.º 8.212/91. Isto posto, tal qual restou compreendido pela DRJ de origem, entendo que as verbas pagas a título de “Incentivo Desempenho” e “Prêmios” que têm natureza remuneratória, pois tratase de uma remuneração do trabalho realizado, estipulada em norma interna da companhia, integrando o saláriodecontribuição, nos termos do artigo 28, inciso I da Lei n.º 8.212/91. Portanto, carece de razão o contribuinte quanto a este tópico do seu recurso. 3. Multa aplicada Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 257 14 Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Conclusão. Ante o exposto, voto por reconhecer a decadência do lançamento tributário até a competência 11/2004, inclusive e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do i. Conselheiro relator quanto ao seu posicionamento, no que toca ao recálculo da multa para aplicação da multa mais benéfica, nos termos do art. 106, do CTN. Entendeu o i. Relator que na aplicação da retroatividade benigna a multa deve se limitar a 20%, conforme art. 35, da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse ponto tenho que discordar de tal posicionamento. Sobre a matéria, é elucidativo o voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão CSRF nº9202004.006: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta Fl. 257DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 258 15 com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art.35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 258DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 259 16 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, foi feito o comparativo entre a sistemática anterior 24% e o AIOA, e a multa atual do art. 35A, justamente aplicandose aquela que fosse mais benéfica ao recorrente no momento da lavratura. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. (...) Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 16327.001465/200981 Acórdão n.º 2202004.718 S2C2T2 Fl. 260 17 No caso destes autos, de lançamento de ofício, na autuação, não foi efetuado esse comparativo entre a sistemática anterior e a multa atual. Assim, cabe aqui fazer o comparativo das multas, da seguinte forma: Legislação anterior Legislação atual Art.35, inciso II (obrigação principal: lançamento de ofício por falta de pagamento) Art.32, §5º (obrigação acessória: falta de declaração/declaração inexata) Art. 35A (lançamento de ofício) c/c art. 44 (obrigação principal +obrigação acessória: lançamento de ofício por falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata Com a maxima venia, entendo que não cabe a comparação da multa de 24%, da regra anterior, com a multa de 20%, da nova regra, pois são multas aplicadas em relação a fatos distintos: enquanto a multa de 24% era aplicada de ofício, por meio de uma Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), a multa de 20% incide sobre pagamento espontâneo, feito em atraso. Dessa forma, para a aplicação da multa mais benéfica, nos termos do art. 106 do CTN, o comparativo de multas deve seguir o disposto na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. Pelo exposto, é de se dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo a multa aplicando a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720516/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2012
MULTA. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR.
A multa aplicada em função da conduta consistente em deixar de manter escrituração contábil regular não pode ser afastada pelo fato de a autoridade fiscal ter obtido informações necessárias à verificação do cumprimento das obrigações tributárias por outros meios.
Numero da decisão: 2201-004.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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score : 1.0
Numero do processo: 10510.900452/2009-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 52 /2 00 9- 33 Fl. 153DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 29132.40778.260905.1.3.047602, de 26/09/2005, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ 2362 (março de 2004). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 821063541, 18/02/2009 (efl. 08), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado para quitação de débito declarado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade assim resumida na decisão de primeira instância (efls. 113/114): O contribuinte tomou ciência do referido despacho decisório, via correio, em 05/03/2009 (fl. 09) e, em 06/04/2009, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: a) apresentou DCTF, referente ao IRPJ (código 2362), tendo indicado como devido o montante de R$35.673,57, referente à competência do mês de março de 2004, cujo valor foi devidamente recolhido através de um DARF do mesmo valor, acrescido de multa (R$7.134,71) e juros (R$4.006,14) (fl. 50). Entretanto, o manifestante incorreu em equívoco no preenchimento da DCTF, eis que o valor efetivamente devido correspondia a R$ 6.106,37; b) considerando o valor recolhido, confrontado com o montante efetivamente devido, restaria evidenciado um crédito de R$ 29.567,20, o que inclui os acréscimos moratórios pagos, também indevidamente; c) a compensação em análise foi declarada utilizando o crédito original do recolhimento indevido, sem considerar o valor da multa, acrescido pela taxa referencial SELIC, totalizando R$ 32.943,77, para quitação de débitos perante a Receita Federal do Brasil, entretanto não foi homologada pela autoridade administrativa, eis que analisada com base em informações maculadas pelo equívoco cometido pelo manifestante; d) em 10/03/2009, o manifestante, tendo identificado o equívoco ocorrido, promoveu as alterações necessárias para evidenciação do real valor devido (cópia da DCTF, retificadora, à fl. 59), de acordo com a apuração já ajustada, de modo que no caso em exame o crédito tributário compensado pode ser comprovado e devidamente suportado; e) sendo verossímil o direito creditório e a verdade material, principio inafastável no âmbito do processo administrativo tributário, o direito à compensação efetuada pelo manifestante não poderá ser obstado em razão de mero equívoco de preenchimento da DCTF. O manifestante discorre ainda sobre a possibilidade de retificação de erro de preenchimento de declaração, em razão do principio da verdade material. Pede, ao final, a homologação integral dos procedimentos de compensação adotados e protesta Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10510.900452/200933 Acórdão n.º 1001000.881 S1C0T1 Fl. 154 3 por todos os meios de prova admitidos, para que seja apurada a veracidade dos fatos ora narrados, inclusive a conversão em diligência fiscal, se for julgada necessária e suficiente para demonstrar a verdade dos fatos e do direito. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 1522.954 2ª Turma da DRJ/SDR, e fls. 112/116) julgou a manifestação de inconformidade improcedente por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado na declaração de ajuste anual, com fundamento na legislação tributária. Aduziu ainda que o momento adequado para o autuado apresentar as provas documentais era juntamente com a impugnação e aventou de forma genérica a possibilidade de diligência: Como se vê, o momento adequado para o autuado apresentar as provas documentais era juntamente com a impugnação. No caso presente, o autuado nem trouxe as provas que alega ter, nem logrou comprovar a impossibilidade de fazêlo por motivo de força maior, ou qualquer outro motivo citado no mencionado § 4°, portanto, temse prejudicada a aplicação do disposto no § 5° do art. 16 do PAF, acima transcrito, em face da preclusão nele prevista. Ademais, no caso presente, os elementos constantes dos autos são suficientes para formar a convicção deste julgador, a qual independe da realização de diligencia, hipótese esta aventada na manifestação de inconformidade de forma genérica. Quanto ao mérito, o contribuinte contesta o despacho decisório, alegando, em síntese, apresentou DCTF, referente ao IRPJ (código 2362), tendo indicado como devido o montante de R$35.673,57, referente à competência do mês de março de 2004, cujo valor foi devidamente recolhido através de um DARF do mesmo valor, acrescido de multa (R$7.134,71) e juros (R$4.006,14). Entretanto, o manifestante incorreu em equívoco no preenchimento da DCTF, eis que o valor efetivamente devido correspondia a R$6.106,37, o que resultou em crédito de R$29.567,20, incluindo os acréscimos moratórios pagos, também indevidamente. O litígio do presente processo envolve a análise da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de compensação, referente ao suposto pagamento indevido da estimativa do IRPJ do mês de março de 2004. Notese que o manifestante retificou cinco vezes a DCTF relativa ao primeiro trimestre de 2004 (fls. 95/ 100). Entretanto, apenas na última retificadora, a qual só foi apresentada em 10/03/2009, quando já havia tomado ciência do presente despacho decisório, que não homologou a compensação declarada, alterou o valor referente ao IRPJ estimativa do mês de março de 2004, de R$35.673,57 para R$6.106,37. Para demonstrar a existência do crédito tributário informado no PER/DCOMP em análise, o impugnante deveria ter anexado à sua manifestação de inconformidade as provas documentais (escrituração contábil e fiscal) capazes de demonstrar o alegado equívoco cometido na apuração do valor de R$35.673,57, Fl. 155DF CARF MF 4 recolhido a título de estimativa de IRPJ (código de receita 2362), referente ao mês de março de 2004. Todavia, não o fez, não comprovando, portanto, tratarse de recolhimento a maior. Ou seja, não basta questionar graciosamente os argumentos do Fisco. Deve o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos, nos termos dos artigos 15 e 16, inciso III e § 4°, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Somente os créditos líquidos e certos podem ser objeto de pedidos de restituição/compensação, conforme determina o art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), transcrito a seguir. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passiva contra a Fazenda pública. Notese que o entendimento predominante é de que existe uma impropriedade na expressão “pagamento por estimativa”, já que pagamento é forma de extinção do crédito tributário, fato que não se configura nos recolhimentos mensais por estimativa, que se traduzem por meras antecipações do tributo devido, a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Portanto, como estimativa não configura crédito líquido e certo, não seria passível de compensação. O crédito passível de ser restituído ou compensado é aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos, na qual são considerados os valores devidos por estimativa, assim como o imposto devido em relação ao ano todo. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/05/2010 (efl. 119) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 04/06/2010 (efl. 120), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz: ainda que as informações constantes aos documentos fiscais, preenchidos pela própria Recorrente e apresentados ao Fisco Federal, não fossem consideradas suficientes, poderia, a qualquer momento, até o fim do processo administrativo de compensação (constituição definitiva do crédito ou homologação da operação pretendida), apresentar as provas necessárias a evidenciação dos fatos. a Administração Tributária, quando da aplicação de um juizo de valor em fase contenciosa da regular constituição do crédito tributário, deve valerse da realização de novos exames, mediante a conversão do julgamento em diligência fiscal, sempre que entender ser necessária a adoção desse procedimento, tendo em vista a complexidade dos assuntos envolvidos, agindo sempre em busca da verdade dos fatos. a jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuinte ratifica veementemente a relevância do postulado da verdade material, reiterando em diversos julgados Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10510.900452/200933 Acórdão n.º 1001000.881 S1C0T1 Fl. 155 5 o pagamento indevido constituise imediatamente quando o valor do recolhimento realizado supera o montante apurado, na forma da lei, para o respectivo crédito tributário. Pela análise da documentação acostada aos autos do processo, fica clara a ocorrência de recolhimento indevido (integramente) aos cofres públicos, no valor do DARF de R$ 29.567,20 (sem correção), designado ao período de apuração de março de 2004, para o tributo classificado sob o código 2362. protesta por todos os meios de prova admitidos, que ao entendimento desta autoridade julgadora se faça necessário, mormente pela produção de prova documental suplementar para que seja apurada a veracidade dos fatos ora narrados, inclusive a conversão do feito em diligência fiscal, caso seja a mesma considerada necessária para a plena demonstração da verdade dos fatos e do direito. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN) como bem assinalou a decisão da Unidade de Origem (e fl. 08). Ou seja, a negativa de crédito deuse em função de que o pagamento correspondeu a débito devidamente declarado, conformes decisões da Unidade de Origem e de primeira instância (efls. 08 e 112/116). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efls. 11/21) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Ou seja, não se comprovou que a liquidez do alegado direito creditório (pagamento de estimativa de IRPJ de março de 2004): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Fl. 157DF CARF MF 6 Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente não traz documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Limitase, como na primeira instância, a sugerir diligência. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade (efls. 13/14), pois operase o fenômeno da preclusão. Não cabe, desta forma, e nesta segunda fase recursal, diligência para colher provas que o contribuinte devia já ter juntado aos autos. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10510.900452/200933 Acórdão n.º 1001000.881 S1C0T1 Fl. 156 7 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Não cabe pedido de diligência para trazer aos Fl. 159DF CARF MF 8 autos documentos que deveriam ser juntados pelo recorrente, caso não comprove a impossibilidade de fazêlo (§ 4º do art. 16 c/c art. 18 do Decreto 70235/72). Adiciono que concordo com o asseverado na decisão de primeira instância de que a simples alegação de pagamento indevido de estimativa declarada (desacompanhada dos documentos contábeis que corroborem a afirmação de erro) não comprova a liquidez e certeza do alegado crédito, não sendo desta forma passível de compensação. O crédito passível de ser restituído ou compensado, no caso, seria aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos. Pelo exposto, voto em rejeitar proposta de diligência suscitada e negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 160DF CARF MF
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